“Meu querido robot (II)”

A semana passada, falámos sobre uma empresa de Hong Kong que colocou no mercado robots, em versão masculina e feminina, destinados a proporcionar “companhia emocional”. Além de serem muito atraentes, os robots também estão equipados com uma vasta gama de expressões faciais. A clientela alvo são idosos e jovens que vivem sozinhos.

Ainda não se sabe quanto irão custar, nem qual a capacidade que têm para efectuar tarefas domésticas; os pormenores serão divulgados mais tarde pelo fabricante. Até agora, foram feitas 3.000 encomendas tendo os clientes pago 3.000 Renminbis por cada reserva. Este tema não é difícil de entender, mas existem algumas questões que devem ser consideradas.

Em primeiro lugar, ainda não se sabe o preço dos robots. A estimativa do mercado aponta para valores na ordem dos 15.000 a 30.000 USD, cerca de 117,000 a 234,000 HKD. Em segundo lugar, está por esclarecer a que percentagem da base de clientes correspondem as 3.000 encomendas. Esta informação é fundamental quer para a empresa quer para o mercado.

Em terceiro lugar, muitos internautas estão preocupados com a capacidade dos robots para efectuarem tarefas domésticas, como a lavagem de roupa e loiça, o que reflecte uma certa procura do mercado nesse sentido. Se os robots puderem desempenhar estas tarefas além de fazerem companhia e proporcionarem conforto emocional, a procura por este produto aumentará significativamente.

Em quarto lugar, dar apoio emocional e escutar as pessoas implica uma certa complexidade; uma frase pode ter muitos sentidos. Poderá o sistema de inteligência artificial (IA) compreender e processar as questões emocionais dos humanos? Em quinto lugar, a autonomia da bateria destes robots é de apenas 2 a 4 horas, o que pode ser inconveniente se os clientes os quiserem usar durante períodos alargados.

Em sexto lugar, se os robots fossem usados a nível industrial, por exemplo para armazenarem produtos, passariam a ser uma “fonte de trabalho” estável e duradoura, e o seu valor poderia ser quantificado pelas horas de trabalho realizado e pela sua eficiência. No entanto, como os robots vão ser usados para “companhia” e “apoio emocional”, o seu valor é calculado a partir dos benefícios emocionais, o que o torna difícil de quantificar. Teremos de considerar a eficácia destes novos produtos.

O companheirismo e a atenção fornecidos pelos robots a idosos e jovens solitários podem levantar outras questões de ordem ética. Imaginemos o seguinte: depois da aquisição, o robot nunca abandona o seu proprietário, oferecendo “obediência” incondicional e “atenção” ilimitada. Estes comportamentos são unilaterais e virtuais.

Se o cliente estiver ciente de que o robot é apenas um companheiro virtual, tudo será normal. No entanto, se o cliente se tornar viciado no robot, podem surgir problemas graves. Por exemplo, uma pessoa idosa que vive sozinha pode usar um robot para substituir os filhos, passando a depender dele. O robot oferece apoio emocional e atenção interminável, o que é bom. Mas e se esta pessoa, no testamento, destinar parte do seu património, que deveria ser deixado aos filhos, a cuidados futuros ao robot? Como é que isto funcionaria?

Se um jovem solteiro trata um robot como se fosse uma namorada, poderá isso levar a uma relação duradoura entre o jovem e o robot? Isto representa progresso tecnológico ou uma regressão na humanidade? Além disso, se muitos homens e mulheres usarem robots como parceiros, como é que isso vai afectar as taxas de casamento e de natalidade?

Por trás de tudo isto, há outra questão que vale a pena considerar. Se os clientes se apegarem demasiado aos robots, e eles se estragarem e tiverem de ser deitados ao lixo, como é que reagirão as pessoas que vivem sozinhas? Quem será responsável por lidar com essas emoções? Além disso, os dados armazenados nos robots estão intimamente relacionados com os utilizadores. Como é que devem ser tratados?

Em sétimo lugar, as perguntas acima colocadas exigem respostas claras por parte da lei. Por exemplo, a legislação poderia obrigar os robots a estarem sempre ligados à informação do comprador; poderia estabelecer que os robots não são seres vivos e, como tal, não podem herdar propriedades ou beneficiar delas; e poderia também estipular que os dados dos utilizadores armazenados nos robots devem cumprir as leis de protecção de dados e ser completamente destruídos aquando da sua eliminação.

Actualmente, ainda não se sabe como as autoridades chinesas irão regular esta matéria. É certo que o grau de regulamentação afectará directamente as vendas do produto. Como encontrar um equilíbrio entre a viabilidade comercial e a ética social é um problema que as autoridades reguladoras devem considerar, e é também um problema que atrai a atenção global.

Robots que proporcionam companhia e atenção, concebidos para apoiar pessoas solitárias, representam um novo conceito tecnológico. Teremos de esperar para ver como é que a sociedade vai aceitar este novo produto. Tendo em mente os problemas sociais que podem gerar, os fabricantes devem reconsiderar vários aspectos. Quando os humanos começarem a responsabilizar os filhos, nos seus testamentos, pelo futuro “bem-estar” dos robots, e quando os jovens procurarem conforto emocional nos ecrãs e em objectos metálicos, talvez tenhamos de nos perguntar: o que é que precisa verdadeiramente de “aperfeiçoamento”, o algoritmo dos robots, ou a mentalidade que faz da solidão uma oportunidade de negócio na sociedade moderna?

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
cbchan@mpu.edu.mo

30 Jun 2026

Pequim | Robô humanoide vence meia-maratona e supera recorde mundial humano

Um robô humanoide venceu ontem uma meia-maratona para robôs em Pequim, superando o recorde mundial humano, numa demonstração dos avanços tecnológicos da China.

O vencedor da Honor – fabricante chinês de smartphones – completou a corrida de 21 quilómetros em 50 minutos e 26 segundos, de acordo com uma publicação na rede social chinesa WeChat da Área de Desenvolvimento Económico e Tecnológico de Pequim, também conhecida como Beijing E-Town, onde a corrida começou.

O robô foi mais rápido do que o ugandês Jacob Kiplimo, detentor do recorde mundial humano, que percorreu a mesma distância em cerca de 57 minutos em Março. O desempenho marcou um avanço significativo em relação à corrida inaugural do ano passado, quando o robô vencedor terminou em duas horas, 40 minutos e 42 segundos.

A escala do evento deste ano foi quase cinco vezes maior do que a de 2025, com mais de 100 equipas a participar na competição, incluindo cinco do estrangeiro. No entanto, a corrida não decorreu sem percalços — um robô caiu na linha de partida, outro colidiu com uma barreira.

A Beijing E-Town afirmou que cerca de 40 por cento dos robôs percorreram o percurso de forma autónoma, enquanto os restantes foram controlados remotamente. A emissora estatal chinesa CCTV informou que um robô actuou como agente de trânsito, para orientar os participantes com gestos de braços e voz.

O mais recente plano quinquenal de Pequim promete “visar as fronteiras da ciência e da tecnologia”. Acelerar o desenvolvimento de produtos como robôs humanoides faz parte do plano para 2026-2030 da segunda maior economia do mundo.

20 Abr 2026

China | Primeiro robô humanóide eléctrico dá passos decisivos

O primeiro robô humanoide elétrico do mundo, “Tiangong”, passou a ser de código aberto na segunda-feira, uma medida que deverá facilitar o desenvolvimento secundário de robôs humanóides e acelerar a sua integração na vida humana.

Desenvolvido pelo Centro de Inovação em Robótica de Inteligência Artificial Incorporada, com sede em Pequim, o Tiangong é considerado o primeiro robô humanóide de tamanho normal movido exclusivamente a energia eléctrica.

A utilização de “Tiangong” como plataforma de base fará avançar o desenvolvimento secundário da robótica incorporada e a exploração de várias áreas de ponta, como a mecânica corporal e a inteligência incorporada, disse Xiong Youjun, director-geral do centro.

“A plataforma mãe ‘Tiangong’ foi submetida a testes e validação extensivos. Depois de ter sido aberta, outras empresas e instituições de investigação podem utilizá-la diretamente, o que encurta o ciclo de desenvolvimento da indústria e reduz os custos de investigação e desenvolvimento, segundo Liu Yizhang, um gestor responsável pela Tiangong do centro.

O projecto de código aberto abrange duas versões do robô humanóide – “Tiangong 1.0 LITE” e “Tiangong Pro”, com desenvolvimento de software e documentos de design estrutural já disponíveis para investigadores e colaboradores, disse Liu. Até ao final do ano, o centro planeia lançar outros projectos estruturais de código aberto, arquitetura de software e sistemas eléctricos, de acordo com Liu.

O “Tiangong” tem uma velocidade média de 10 quilómetros por hora e uma velocidade máxima de 12 quilómetros por hora, sendo líder na sua categoria. Pode deslocar-se suavemente em diversos terrenos, como declives, escadas, relva, gravilha e areia.

Alguns representantes da Universidade de Pequim, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, da UBTECH e da Universidade de Jianghan afirmaram acreditar que o projecto de código aberto pode impulsionar o desenvolvimento da cadeia de fornecimento de robótica humanoide. Liu explicou que muitos componentes principais são desenvolvidos de forma independente por empresas, mas os padrões de desempenho permanecem inconsistentes. O código aberto do robô permitirá o desenvolvimento numa plataforma unificada.

Desde o seu lançamento oficial em abril de 2024, o Tiangong já foi aplicado em vários cenários, incluindo tarefas de recolha e colocação em armazéns e patrulhas para centrais eléctricas.

A indústria foi identificada pelo Ministério da Indústria e das Tecnologias da Informação como uma nova fronteira para a concorrência tecnológica e um motor fundamental do crescimento económico.

Anteriormente, o National Local Joint Humanoid Robot Innovation Center, sediado em Xangai, também revelou o seu robô humanóide de utilização geral e de código aberto, Qinglong. O Qinglong mede 185 cm de altura e pesa 80 kg, segundo a empresa.

13 Nov 2024

Mordomo Singou vai dar informações a turistas em centro de informação

[dropcap]A[/dropcap] partir do próximo ano o Governo vai colocar 12 robots com o nome provisório Mordomo Singou 1 (Singou Butler 1, em inglês) nos centros de informação de turismo com o objectivo de responder às dúvidas dos visitantes colocadas de forma oral sobre itinerários e actividades. O equipamento ainda está numa fase de testes e mesmo quando for instalado apenas vai comunicar em mandarim e cantonense.

A novidade foi avançada ontem pela Direcção Serviços de Turismo (DST) numa conferência que serviu para apresentar os resultados de implementação da política Cidade Inteligente, no âmbito da cooperação com a Alibaba.

Apesar disso, o Mordomo Singou 1 é uma iniciativa da empresa local Singou Technology (Macau). Inicialmente, o robot foi desenvolvido para fazer companhia a idosos que vivem sozinhos, para o efeito está equipado com tecnologia que lhe permite conversar com as pessoas e lembrar-lhes da altura de tomarem medicamentos. Agora vai ser aplicado ao turismo local.

“A parceria prevê a colocação de 12 unidades em centro de informação. Vai ser um parceria gratuita nesta fase porque a empresa local também quer ter a oportunidade de experimentar o robot em ambientes mais movimentados. Até aqui foi utilizado em ambientes domiciliários”, disse Maria Helena de Senna Fernandes, director da DST.

“Na primeira fase, vão falar cantonense, mandarim e inglês. Depois poderão ser utilizadas outras línguas, dependendo do sucesso do projecto”, clarificou.

19 milhões

No âmbito das iniciativas com a Alibaba foram desenvolvidos três projectos com o objectivo de permitir troca de dados de turismo entre visitantes e a indústria, uma aplicação para identificar os padrões de consumo dos turistas e ainda um aplicação para gerir o fluxo dos visitantes.

Além destas novidades, vai ser lançada uma aplicação para o planeamento dos itinerários para os turistas, em que lhes é indicado em tempo real se os locais de visita, como museus ou outros, ainda estão abertos.
Outra novidade passa pelo lançamento de um novo portal do turismo com diferentes tipos de informação. Só na vertente do turismo, o protocolo com o Alibaba custou aos cofres da DST cerca de 19 milhões de patacas.

13 Dez 2018

Empresário chinês condenado por falsificar robô japonês

[dropcap]U[/dropcap]m tribunal da cidade chinesa de Xangai condenou um homem a três anos e meio de prisão por fabricar e vender mais de 34 mil modelos falsificados do robô japonês Gundam, noticiou hoje a imprensa local.

O homem, de 33 anos, era director de uma fábrica de brinquedos na cidade de Shantou, na província de Guangdong, no sul da China, quando entre 2016 e Setembro de 2017, pediu aos trabalhadores para fazerem cópias com base nos modelos do robô japonês Gundam.

Os robôs falsificados foram depois vendidos a um homem chamado Lin Hong, sob a marca Dragon Peach, com um valor total de mercado de 3,8 milhões de yuans.

O tribunal ordenou ainda o pagamento de uma multa de 1,9 milhões de yuans, dado que o condenado não tinha a aprovação do fabricante japonês para fazer cópias do robô.

A empresa dinamarquesa Lego tem registado também vários casos de falsificações dos seus brinquedos por diversos fabricantes por parte de empresas chinesas.

25 Out 2018

Robot com inteligência artifical vai apresentar noticiário em canal chinês

[dropcap style≠’circle’]U[/dropcap]m robot, dotado de inteligência artificial, vai apresentar um programa de informação no canal chinês Nanning TV, anunciou a estação emissora.

O autómato, denominado “Chaoneng Xiaobai”, irá interagir com apresentadores humanos e analisar dados no programa de notícias, refere a emissora que gere o canal local na região de Cantão, no sul da China, perto de Macau e Hong Kong.

De acordo os programadores, o aparelho pode operar até 12 horas e irá ser apresentado ao público no dia 06 de junho, no canal televisivo.

Os robôs são utilizados em várias atividades na China, incluindo até os cuidados de pessoas, desde crianças pequenas em creches até idosos em casas de repouso.

1 Jun 2018