China / EUA | Representantes esperam que encontro entre Xi e Trump relance relações Hoje Macau - 29 Abr 202629 Abr 2026 O encontro entre os dois líderes deverá acontecer entre 14 e 15 de Maio em Pequim Responsáveis chineses e norte-americanos indicaram ontem, em Hong Kong, esperar que visita prevista de Donald Trump à China, em Maio, relance as relações bilaterais entre os países. Durante numa conferência organizada pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos em Hong Kong (AmCham), o comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China naquele território, Cui Jianchun, afirmou que a forma como as duas maiores economias do mundo “se relacionam vai moldar o panorama global fundamental”. “O único caminho a seguir é através do diálogo e da consulta”, disse, acrescentando que relações estáveis “servem os interesses comuns da comunidade internacional”. Trump deverá visitar Pequim nos dias 14 e 15 de Maio para se reunir com Xi, naquela que será a primeira deslocação de um Presidente norte-americano em funções à China em quase uma década. A viagem, destinada a estabilizar as relações económicas e comerciais, estava prevista para Março, mas foi adiada devido à guerra lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irão. Está também prevista uma visita de Xi a Washington ainda este ano. Cui afirmou que a abordagem de Pequim assenta em “respeito mútuo, coexistência pacífica e cooperação mutuamente benéfica”, incluindo o respeito pelos sistemas políticos e interesses fundamentais de cada parte, bem como a gestão das divergências sem conflito. “Desde que a China e os Estados Unidos respeitem estes princípios, as relações bilaterais terão um futuro melhor”, afirmou. O responsável confirmou que as duas partes mantêm contactos sobre a visita planeada de Trump, acrescentando que relações “estáveis, sólidas e sustentáveis” irão “reforçar a confiança da comunidade empresarial norte-americana” e aprofundar a cooperação económica. No mesmo evento, a cônsul-geral dos Estados Unidos em Macau e Hong Kong, Julie Eadeh, destacou tanto as oportunidades como as tensões na relação bilateral. “Os desafios que enfrentamos na relação entre os Estados Unidos e a China são reais e, em alguns casos, estão a aumentar”, afirmou, reiterando o compromisso de Washington com o diálogo. “Os Estados Unidos procuram uma relação com a China assente na equidade e na reciprocidade, que torne o nosso país mais seguro, mais forte e mais próspero”, acrescentou, sublinhando a necessidade de “condições de concorrência equitativas” e de um “acesso ao mercado justo e recíproco”. Diálogo e incerteza Eadeh referiu que mais de 1.400 empresas norte-americanas operam em Hong Kong, atraídas pelos “mercados de capitais e conectividade internacional” do território, descrevendo a cidade como um espaço historicamente propício ao “diálogo construtivo”, embora reconhecendo que “a cidade mudou de forma significativa” e que a política dos EUA se ajustou. Pequim reforçou, desde 2023, o controlo de Hong Kong ao implementar duras medidas de segurança nacional e ao suprimir a oposição política local. David Butts, responsável pela AmCham em Hong Kong, afirmou que a conferência ocorre num momento de elevada incerteza. “Não há dúvida que o clima empresarial deste ano é dos mais turbulentos”, disse, classificando 2026 como “um ano decisivo” para as relações económicas entre EUA e China, e considerando que a suspensão de um ano de sanções comerciais impostas pelos EUA está prevista terminar em Novembro. “Estamos a antecipar desenvolvimentos significativos”, afirmou Butts, apontando para a possibilidade de vários encontros entre Trump e Xi este ano, bem como para marcos políticos importantes, incluindo a aprovação do novo plano económico quinquenal da China e a cimeira de Cooperação Económica da Ásia-Pacífico (APEC na sigla inglesa), prevista para Novembro em Shenzhen.
Poemas de Meng Haoran Hoje Macau - 29 Abr 202610 Mai 2026 孟浩然 (689-740) (五言古體詩) 越中逢天台太一子 仙穴逢羽人 停艫向前拜 問余涉風水 何事遠行邁 登陸尋天台 順流下吳會 兹山夙所尚 安得聞靈怪 上逼青天高 俯臨滄海大 雞鳴見日出 每與仙人會 來去赤城中 逍遙白雲外 莓苔異人間 瀑布作空界 福庭長不死 華頂舊稱最 永願從此遊 何當濟所屆 (Pentâmetros ao Estilo Antigo) Em Yue, Encontrando ao Acaso Um Mestre Taoista de Tiantai Junto a uma gruta dos Imortais encontrei um homem emplumado; 1 Desembarcando, dirigi-me a ele para prestar respeito. Perguntou da minha travessia sobre as águas batidas pelo vento: De que serve embarcar em viagens longínquas? “Podem-se cruzar desertos em busca de Tiantai, Ou seguir corrente abaixo até Kuaiji em Wu. Essa montanha reverenciei toda a vida, Mas como saber dos seus numinosos prodígios? Erguendo-se, enche as alturas do céu azul; Em baixo, olha a extensão do mar turquesa. Ao cantar do galo vê-se o sol aparecer, Estamos sempre acompanhados pelos Imortais. Vão e vêm no Pico da Falésia Vermelha, Livres e leves além das nuvens brancas. Líquen e musgo são diferentes dos do reino da morte, E um lençol de espuma delineia os limites do espaço. De entre os pavilhões a que a morte nunca vem O mais elogiado sempre foi o da Crista Florida. Peço poder partir de onde estou, Para me ir até onde quero chegar um dia.” Uma pessoa emplumada é alguém que transcendeu este “mundo de pó” e viaja pelo espaço como se tivesse asas. A residência terrena destas pessoas é em “grutas celestes (洞天), nas profundezas de montanhas sagradas, como Tiantai, que dão acesso a outros mundos, a mundos paralelos.
Burla | PJ alerta para falsa assistência jurídica Hoje Macau - 29 Abr 2026 A Polícia Judiciária (PJ) alertou que nos últimos dias foram descobertos vários anúncios falsos a prometer assistência jurídica, em nome da própria PJ. O aviso foi deixado num comunicado, depois dos anúncios terem circulado nas redes sociais. O organismo explicou que estas publicidades falsas prometem auxílio jurídico aos residentes que queiram obter compensações por terem sofrido burlas. Contudo, a PJ explicou que o objectivo é levar os residentes a carregarem nos links e fornecerem as suas informações privadas. A PJ indicou ainda que este tipo de burla já foi registado nas zonas vizinhas e que os burlões se aproveitam das fragilidades psicológicas das vítimas, que querem recuperar o que perderam. Além de ser fazerem passar pelas autoridades, os burlões simulam ainda ser advogados, detectives ou empresas de cobrança de dívidas. Furto | Detido por apropriar-se de bicicleta Um homem foi detido pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) por suspeitas de ter furtado uma bicicleta. A informação foi divulgada ontem e o CPSP indicou que o crime terá acontecido a 25 de Fevereiro no Vale das Borboletas, em Seac Pai Van. O meio de transporte foi avaliado em 1.300 renminbis. A detenção foi feita a 26 de Abril, e o CPSP conseguiu recuperar a bicicleta, porque estava estacionada perto do local do crime. Às autoridades, o homem, com cerca de 60 anos, não comentou a alegada acusação, mas declarou estar desempregado. O caso foi encaminhado para o Ministério Público (MP) e o homem está indiciado pelo crime de furto, que prevê uma pena máxima de três anos de prisão. A tentativa também é punida. NAPE | Preso por troca ilegal de dinheiro Um homem foi detido pela Polícia Judiciária (PJ), por alegadamente ter sido interceptado quando fazia uma troca ilegal de dinheiro nos Novos Aterros do Porto Exterior (NAPE). Segundo a PJ, citada pelo jornal Ou Mun, o homem de 28 anos foi interceptado quando realizava uma transferência de dinheiro através de um Código QR no telemóvel com uma jogadora. Como consequência desta operação, a mulher recebeu 10 mil dólares de Hong Kong em dinheiro vivo, depois de pagar 8.900 renminbis, que utilizou para jogar nas mesas de jogo onde perdeu todo o dinheiro. Quando confrontada pelas autoridades com a operação, a mulher reconheceu a troca de dinheiro para o jogo. Além da detenção do homem, a polícia apreendeu ainda 430 mil dólares de Hong Kong em dinheiro vivo e um telemóvel. Suspeita-se que o homem estivesse a dedicar-se a esta actividade desde Fevereiro do ano passado, e que tenha obtido ganhos de 90 mil renminbi.
Hengqin | Novo Bairro de Macau oferece fracções espaçosas João Santos Filipe - 29 Abr 2026 A Macau Renovação Urbana anunciou ontem que vai disponibilizar apartamentos modelo de maiores dimensões no Novo Bairro de Macau em Henqgin, para visitas de potenciais compradores. A empresa afirma que moram no complexo habitacional mais de 4.000 residentes da RAEM O Novo Bairro de Macau, em Hengqin, vai disponibilizar a potenciais compradores fracções modelo correspondentes a fracções mais espaçosas no terceiro andar do Bloco 4, indicou ontem a Macau Renovação Urbana em comunicado. A empresa de capitais públicos revelou que os apartamentos em questão têm “salas de estar espaçosas, áreas multifuncionais e soluções de arrumação flexíveis, o que aumenta significativamente a sensação de amplitude e a entrada de luz natural nos interiores”. A área total destes apartamentos, que estão à venda, é de 118 metros quadrados, área que normalmente correspondente a um imóvel ou quatro a cinco assoalhadas. Além disso, a Macau Renovação Urbana acrescentou que, actualmente, moram no complexo habitacional mais de 4.000 residentes de Macau. O número de moradores avançado ontem não especifica quantos apartamentos foram vendidos. Porém, o número de moradores da RAEM não difere muito dos últimos dados de vendas, que apontavam para 1.610 fracções vendidas desde o início das vendas, em Novembro de 2023, menos de 40 por cento do total de fracções nos blocos de apartamentos, como noticiou o HM no início do passado mês de Fevereiro. Deste total de vendas, se em cada apartamento viverem três pessoas, isso daria um total de 4.830 moradores. Recorde-se que o Novo Bairro de Macau tem 4.070 apartamentos. Às mil maravilhas Apesar de existir uma fronteira entre a RAEM e o Novo Bairro, a Macau Renovação Urbana continua a publicitar as vantagens de mudar para as torres de apartamentos, a começar pelos equipamentos: centros de saúde, escolas, restaurantes, supermercados e autocarros e ligação com o posto fronteiriço de Hengqin. Outro “trunfo” para vender apartamentos no Novo Bairro de Macau diz respeito aos espaços verdes circundantes. A Macau Renovação Urbana citou ainda um morador, residente da RAEM, que se mudou para o Novo Bairro em Setembro de 2024, depois de comprar uma fracção no primeiro dia de vendas (28 de Novembro de 2023), tornando-se um dos primeiros proprietários a concluir o processo de compra. Além da atmosfera aprazível, o residente, de apelido Hoi, é citado a elogiar a organização dos espaços e a facilidade de deslocação entre Hengqin e Macau, que demora “pouco mais de meia hora”.
Trânsito | Idoso atropelado em estado grave no hospital Hoje Macau - 29 Abr 2026 Um homem com 76 anos foi transportado em estado grave para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, depois de ser atropelado, de acordo com a informação do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). O atropelamento aconteceu na noite de segunda-feira, por volta das 19h38, quando uma viatura privada atingiu o homem na Rua do Campo. Quando os bombeiros chegaram ao local encontraram o homem, residente na zona, com ferimentos no pescoço. Foi levado para o hospital, mas o seu estado de consciência deteriorou-se durante a viagem, embora ainda tivesse pulso e estivesse a respirar. Até ontem, ainda não havia informações sobre a evolução do estado de saúde. Gripe | Registados mais quatro casos colectivos Os Serviços de Saúde (SS) revelaram que foram registados mais quatro casos de gripe colectiva em instituições de ensino, com um total de 38 infectados. De acordo com os dados dos SS, um dos casos foi identificado na Escola Kao Yip, com 20 infectados. No Colégio de Santa Rosa de Lima (Secção Inglesa) houve outro surto, com oito alunos infectados. O terceiro caso, ocorreu na da Creche da Ana Sofia Monjardino da Associação UGAMM, com três infectados, e o quarto no Colégio de Santa Rosa de Lima (Secção Chinesa) com sete alunos diagnosticados com gripe. “Desde o dia 20 de Abril, os doentes começaram a manifestar sintomas de infecção do tracto respiratório superior, como febre e tosse, tendo alguns deles sido submetidos a tratamentos médicos. As condições clínicas dos doentes são consideradas ligeiras e não foram registados casos graves ou outras complicações”, foi indicado.
Resíduos | Novo Centro de Recuperação a funcionar em 2027 João Santos Filipe - 29 Abr 2026 O Novo Centro de Recuperação de Resíduos Orgânicos, que teve um custo estimado de construção e exploração de 1,87 mil milhões de patacas, vai começar a funcionar no próximo ano. A exploração inclui a participação das empresas Tongfang Environment e Wangneng Environment O Novo Centro de Recuperação de Resíduos Orgânicos vai entrar em funcionamento no próximo ano. A confirmação partiu de Ip Kuong Lam, director dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), na resposta a uma interpelação da deputada Song Pek Kei. Segundo Ip Kuong Lam a entrada em funcionamento da nova infra-estrutura vai acontecer no próximo ano, sem que haja especificação de uma data concreta, e vai permitir “elevar ainda mais o nível da reciclagem de resíduos”. O centro está localizado a Leste do Aterro para Resíduos de Materiais de Construção, junto à Avenida do Aeroporto, no COTAI. As obras da infra-estrutura de reciclagem começaram na segunda metade de 2023, com os trabalhos a serem adjudicados ao consórcio constituído pelas empresas China Railway First Group, Tongfang Environment, Wangneng Environment e Grupo de Construção OMAS. O consórcio venceu o concurso de construção e de exploração da infra-estrutura ao apresentar uma proposta de 1,87 mil milhões de patacas pelas obras e exploração. As obras foram contratualizadas com um custo de 1,15 mil milhões de patacas, embora a despesa pudesse aumentar, consoante a evolução dos preços dos materiais de construção e mão-de-obra. A este custo, acrescem ainda 720 milhões de patacas, como assistência para a exploração do centro. Dividir os ganhos Segundo o contrato de 2023, quando o consórcio começar a exploração do Centro de Recuperação de Resíduos Orgânicos fica obrigado a entregar 30 por cento das receitas ao Governo. A exploração está prevista para um período inicial de 15 anos. O acordo define ainda que as receitas que estão sujeitas a partilha com o Governo têm de resultar da “venda de energia renovável produzida pelo centro”, “venda de resíduos gordurosos a recicladores qualificados para efeitos de reciclagem”, “exportação do excedente dos fertilizantes orgânicos para o exterior para efeitos de reciclagem” e “venda dos créditos de carbono gerados a partir do tratamento de resíduos alimentares e de gorduras, etc., no mercado do comércio de créditos de carbono”. Na primeira fase, a capacidade de tratamento diário do centro vai ser de 150 toneladas de resíduos alimentares e de 420 metros cúbicos de águas residuais, transportados por camiões-cisterna. Estas águas são constituídas principalmente por água residual retida nas câmaras retentoras de gorduras de cozinhas de restaurantes e águas residuais químicas de sanitários móveis de estaleiros de obras.
IPIM | Mais de 40 empresas externas interessadas em abrir lojas na RAEM João Santos Filipe - 29 Abr 2026 Apesar do interesse no programa promovido pelo IPIM, o presidente da instituição acredita que apenas 18, 46 por cento, se devem estabelecer efectivamente em Macau. O apoio máximo foi fixado em 1 milhão de patacas Mais de 40 empresas de fora mostraram interesse em começar a operar em Macau, ao abrigo do Plano para o Desenvolvimento Económico no âmbito de Apoio ao Estabelecimento da Primeira Loja em Macau. O programa é promovido pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) e o número foi revelado pelo presidente Che Weng Keong, em resposta a uma interpelação da deputada Loi I Weng. “Na primeira fase de candidatura ao ‘Plano para o Desenvolvimento Económico no âmbito de Apoio ao Estabelecimento da Primeira Loja em Macau’ que decorreu de 1 de Novembro do ano passado a 31 de Janeiro do corrente ano, foram recebidas mais de 40 candidaturas”, foi comunicado. No entanto, o número de empresas que efectivamente vão operar em Macau ao abrigo deste programa deverá ser inferior, de 18 negócios. Che explicou que as previsões mais recentes apontam para que “cerca de 46 por cento das quais [empresas interessadas] venham a estabelecer as suas lojas nas zonas designadas no âmbito do plano, como, por exemplo, a Zona de Aterros do Porto Exterior, área de San Kio e Areia Preta, entre outras”. A primeira fase do programa visou as lojas estabelecidas em Macau desde Agosto de 2025, tendo como principais focos marcas ligadas aos países de língua portuguesa, espanhola, mas incluindo também o Interior, Hong Kong e Taiwan. Até 1 milhão de patacas Os apoios para estas lojas podem chegar a um máximo de um milhão de patacas, dependendo das despesas efectivas, do número de trabalhadores locais e da zona onde ficam instaladas. O subsídio mais básico é de 500 mil patacas e tem por base as despesas realizadas. No entanto, as lojas que se instalarem na Zona de Aterros do Porto Exterior, Areia Preta, Iao Hon, Barca, Barra, Fai Chi Kei, Doca do Lamau, Tamagnini Barbosa e Ilha Verde podem receber mais 300 mil patacas. Além disso, se as lojas tiverem uma área entre 100 metros quadrados e 150 metros quadrados, há um apoio adicional de 100 mil patacas. Se a área for superior a 150 metros quadrados, o apoio sobe para 200 mil patacas. Finalmente, os negócios que contratarem entre 10 e 15 trabalhadores locais recebem mais 50 mil patacas. Se o número de empregados domésticos ficar acima dos 15, o apoio financeiro sobe para 100 mil patacas. O programa tem como objectivo “aumentar a atractividade do ambiente de negócios da cidade, atrair marcas estrangeiras a estabelecerem as suas primeiras lojas em Macau e enriquecer a oferta de consumo local”. A segunda fase do programa arranca em Maio e prolonga-se até ao final de Julho.
Acidentes de trabalho | Deputado alerta para casos graves Andreia Sofia Silva - 29 Abr 2026 O deputado Leong Pou U afirmou ontem que continuam a ocorrer com frequência em Macau acidentes de trabalho graves, apesar da ” situação geral dos acidentes de trabalho” ter conhecido “melhorias”. Na intervenção antes da ordem do dia durante o plenário de ontem da Assembleia Legislativa, o deputado disse que em 2025 se registaram “nove mortes em acidentes de trabalho, mais quatro do que em 2024”, além de que, em Março deste ano, se registou “um acidente de trabalho fatal no Porto Interior”. No seu entender, falta “aperfeiçoar a legislação sobre a segurança e saúde ocupacional nos diversos sectores”, bem como o “reforçar inspecções e acções de sensibilização”. Relativamente à chegada da época dos tufões, Leong Pou U chama a atenção para a previsão de cinco a oito tempestades, “número normal ou ligeiramente acima da média”, pelo que são necessárias regras para dias de chuva intensa, mesmo sem sinal 8 de tufão. “As autoridades devem reavaliar, oportunamente, a eficácia desta orientação, alargando a sua aplicação a diferentes tipos de fenómenos meteorológicos extremos, a fim de melhor proteger a segurança dos trabalhadores de todos os sectores”, rematou. Leong Pou U lembrou também que o “Regime jurídico da reparação por danos emergentes de acidentes de trabalho e doenças profissionais” vigora há 30 anos, defendendo “a sua revisão atempada”.
Artes | Pedida política concertada no sector Andreia Sofia Silva - 29 Abr 2026 O deputado Lam Fat Iam recorreu ontem ao período de Intervenções Antes da Ordem do Dia (IAOD), no debate no hemiciclo, para pedir uma maior concertação do sector artístico, com o “aperfeiçoamento da implementação das políticas” e promoção “do desenvolvimento do sector de colecção de obras artísticas em Macau”. “O Governo já reconheceu que o desenvolvimento da indústria cultural não pode continuar a ser feito de forma fragmentada, devendo entrar numa fase de planeamento mais prospectivo e sistemático”, disse, alertando para o facto de o território “carecer de plataformas de transacção estáveis e com dimensão adequada”, ao nível de galerias de artes, leiloeiras e feiras de arte. Lam Fat Iam lamenta também que “serviços complementares especializados, como a autenticação, a avaliação, a conservação e restauro, os seguros, o armazenamento e a logística, ainda não estejam ainda desenvolvidos”, o que faz com que “as obras dos artistas locais tenham, regra geral, dificuldades em entrar no mercado de colecções”. Porém, o deputado entende que Macau “não está desprovido de condições para desenvolver o sector de colecção de obras artísticas”, sugerindo a combinação “da colecção de obras artísticas com o turismo, as convenções e exposições, a hotelaria e o consumo de luxo”. Na intervenção, foi ainda pedido o “acelerar do desenvolvimento de plataformas de mercado para colmatar as lacunas na cadeia industrial” e mais apoios a “galerias profissionais, casas de leilões, feiras de arte e plataformas de transacção”. Deve também ser reforçada “a ligação entre os artistas locais e o mercado”.
Administração | Destacados funcionários de nível médio e superior João Luz - 29 Abr 2026 Numa sessão de divulgação do espírito das “Duas Sessões”, Wong Sio Chak destacou os funcionários públicos de nível médio e superior como uma “força fundamental” de governação. O secretário pediu aos trabalhadores que traduzam, em acções concretas, o espírito que saiu das “Duas Sessões” O secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, quer que os funcionários públicos tenham entre as suas prioridades o reforço da cooperação interdepartamental, espírito inovador, responsabilidade e clarificação de objectivos. A posição foi adaptada numa sessão de divulgação do espírito das “Duas Sessões”, realizada na segunda-feira, na qual participaram cerca de 450 dirigentes e chefias de serviços e entidades públicas. As “Duas Sessões” são os principais eventos políticos do país, incluindo as sessões plenárias da Assembleia Popular Nacional (APN), o órgão máximo legislativo chinês, e a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), um órgão consultivo que integra representantes de vários sectores da sociedade. No discurso de encerramento, Wong Sio Chak referiu que “os trabalhadores dos serviços públicos de nível médio e superior desempenham um papel crucial na governação da administração pública, constituem a força fundamental para melhorar a eficácia da governação, concretizar o desenvolvimento próspero e estável de Macau, bem como apoiar o desenvolvimento de alta qualidade do país”. Para tal, o governante incutiu os funcionários a adoptarem uma “atitude mais proactiva”, “consciência mais responsável” e uma abordagem pragmática na tradução do espírito das “Duas Sessões” e na articulação com o plano quinquenal nacional. Noutra perspectiva Além de Wong Sio Chak, a palestra que se realizou na Universidade de Macau contou com a participação do sub-director do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, Zhang Yingjie e do chefe da delegação de deputados de Macau à APN, Lau Ngai Leong. Outro interveniente, foi o deputado e membro permanente do comité nacional da CCPPC Ho Ion Sang, que referiu que Macau está numa “fase crítica de transformação, marcada pela diversificação adequada da economia, reforma institucional e transição para um desenvolvimento de alta qualidade”. Assim sendo, Ho Ion Sang afirmou que os funcionários públicos constituem uma “força fundamental do Governo” e, como tal devem dedicar-se “plenamente ao serviço da estratégia nacional”, preservar a prosperidade e estabilidade, bem como escrever, com acções concretas, um novo capítulo na prática do princípio “Um País, Dois Sistemas”. Por sua vez, os Serviços de Administração e Função Pública organizaram ontem palestra, depois da inicial a 15 de Abril, para orientar os funcionários públicos na compreensão das “linhas orientadoras traçadas para o desenvolvimento nacional e os planos das principais políticas”.
Deputados aproveitam “boleia” do 1º de Maio para apontar falhas ao mercado laboral Andreia Sofia Silva - 29 Abr 2026 O facto de amanhã se celebrar o 1º de Maio, Dia do Trabalhador, na sexta-feira, foi o mote para alguns deputados frisarem ontem na Assembleia Legislativa (AL) algumas das lacunas existentes no mercado laboral. O deputado Leong Sun Iok citou o mais recente relatório da Organização Internacional do Trabalho sobre as “Tendências Sociais e do Emprego 2026”, relativamente aos “desafios que persistem” mesmo com a estabilidade “da taxa de desemprego global”. O deputado chama também a atenção para os alertas incluídos no documento: a influência “de diferentes níveis das novas tecnologias, como a inteligência artificial generativa” e o “rápido envelhecimento da força laboral”. Para Leong Sun Iok o documento “reflecte, em certa medida, a realidade de Macau”, chamando a atenção para o facto de, no ano passado, se terem registado 2.300 residentes desempregados com idades entre os 25 e os 34 anos, “mais 300 pessoas em termos anuais”. “Uma parte dos jovens enfrenta um ‘desajuste de competências'”, enquanto “o número de residentes desempregados com mais de 55 anos mantém-se em torno de 1100”. Assim, o deputado dos Operários sugeriu a “coordenação entre políticas, empresas e escolas em resposta às necessidades concretas do mercado”, a fim de “eliminar obstáculos ao emprego e reduzir o desemprego juvenil” e “suprir a falta de capacidade técnica em Macau”. Leong Sun Iok diz que foi com “grande satisfação” que encarou “o aumento das férias anuais remuneradas e da licença de maternidade”, mas falta “a garantia efectiva do direito ao descanso e às férias dos prestadores de cuidados familiares”. Mais estudos Já a deputada Loi I Weng, com a intervenção “Reforçar a protecção dos direitos laborais das mulheres e construir um ambiente de emprego favorável à natalidade”, afirmou que “a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho em Macau continua a aumentar”. Porém, “muitas ainda enfrentam certas dificuldades relacionadas com a maternidade e a criação dos filhos, nomeadamente as reduzidas licenças de maternidade e licença parental”, bem como “dificuldades de reinserção profissional após a licença”. Para a deputada, estes aspectos são entraves ao aumento da taxa de natalidade no território, pedindo “o prolongamento da licença de maternidade remunerada” até 90 dias, bem como “o aumento do número de dias de subsídio” pago aos empregadores, tornando esta “uma medida permanente, para aliviar os encargos das Pequenas e Médias Empresas”. Loi I Weng pede ainda prioridade “à extensão da licença de paternidade paga” e a implementação “da licença parental, licença para consultas pré-natal e intervalos para amamentação”. Foi também sugerida a realização “de um estudo sobre a criação de um fundo especial para as políticas de apoio às famílias que apoie as empresas na implementação de práticas nesta vertente”, com recurso a “obrigações legais e subsídios”.
Lei que regula uso de áreas marítimas aprovada na generalidade Andreia Sofia Silva - 29 Abr 2026 O hemiciclo aprovou ontem, na generalidade, a proposta de lei do uso de áreas marítimas, que regula a utilização de uma área de 85 quilómetros quadrados, oitos anos depois da entrada em vigor da Lei de Bases de Gestão das Áreas Marítimas, em 2018. Leong Sun Iok foi um dos deputados que colocou questões, nomeadamente quanto ao uso de espaços como a Doca dos Pescadores, Clube Náutico ou Cais 16. “Que utilizadores teremos nas áreas marítimas da RAEM? Trata-se de uma área pequena, com 85 quilómetros quadrados, e não há muito espaço para o desenvolvimento da navegação ou actividade piscatória. Como podemos desenvolver os recursos que temos?”, questionou. O deputado alertou para a importância de políticas que garantam “que a sociedade utiliza estes recursos marítimos”, bem como a “protecção ambiental e da fauna marítima”. Já Nick Lei destacou que as zonas marítimas constituem “um importante recurso que contribui para a diversificação da economia e desenvolvimento sustentável de Macau”. O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, disse que seis zonas estão a ser alvo de planeamento, e que “os trabalhos estão a ser desenvolvidos e a grande maioria dos casos já foi resolvida”. Raymond Tam disse, por exemplo, que a regulação das palafitas de Coloane inclui-se neste diploma, enquanto diversos organismos públicos vão coordenar-se em matérias como protecção ambiental ou o melhor uso destes espaços. Licenças e concursos Na nota justificativa da proposta de lei, que vai agora ser analisada na especialidade pelos deputados, o Governo propõe que “as áreas marítimas pertencem ao domínio público, cabendo ao Governo da RAEM o exercício do poder de gestão das áreas marítimas”, pelo que “o uso das áreas marítimas por entidades privadas está sujeito a autorização prévia da RAEM”. O uso privado pode ser feito através de concessão por concurso público, existindo excepções para a realização de concursos; ou através de autorização de uso temporário. As concessões são atribuídas para um prazo entre dois e 15 anos, podendo a sua extensão ser feita por cinco anos. Não é permitido adquirir zonas marítimas por usucapião. O Executivo pretende garantir “o aproveitamento racional e sustentável das áreas marítimas”, estabelecendo-se, desta forma, “as obrigações a assumir e normas a observar pelos titulares do direito de uso das áreas marítimas”. Definem-se “normas de fiscalização” dessas áreas e “um regime sancionatório”, com multas a definir consoante o tamanho da área marítima e o tipo de infracção cometida. Os valores podem ir, no caso de infracções administrativas, de 5.000 a 500.000 patacas. Os privados que ganhem a concessão destes espaços devem apresentar à Direcção dos Serviços para os Assuntos Marítimos e da Água “informações do estudo justificativo do uso das áreas”, lê-se na nota justificativa do diploma. Recorde-se que os 85 quilómetros quadrados de zonas marítimas foram incluídos no Mapa da Divisão Administrativa da RAEM, promulgado por decreto pelo Conselho de Estado do país. A sessão plenária de ontem serviu também para aprovar, na especialidade, o Regime Jurídico da Construção Urbana e ainda a Lei da Publicidade.
Crise energética | Deputados exigem medidas para travar preços dos combustíveis Andreia Sofia Silva - 29 Abr 2026 A criação de fundos de apoios, subsídios permanentes ao sector dos transportes e mercadorias e a aposta em energias verdes foram algumas das ideias que Kevin Ho e Song Pek Kei sugeriram ontem ao Executivo para contornar a subida de preço dos combustíveis A guerra no Irão e no Médio Oriente tem provocado uma escalada de preços a nível global, e também Macau enfrenta o risco de aumento dos preços da energia e dos produtos em termos gerais. A pensar nesta questão, dois deputados recorreram ontem ao período de intervenções antes da ordem do dia para pedir ao Executivo medidas concretas de apoio ao sector da logística e transportes. Um deles foi o empresário Kevin Ho, que pediu “medidas de curto prazo para atribuição de subsídios de combustíveis, prestando apoio directo e preciso ao sector dos transportes e da logística”, além de, no seu entender, ser necessário “reforçar a fiscalização dos preços dos combustíveis”. O deputado eleito pela via indirecta pede também a criação de um “mecanismo de sobretaxa de combustível nos transportes públicos, cobrando uma sobretaxa provisória quando o preço do petróleo ultrapassar o limite definido, com a respectiva suspensão automática quando o preço do petróleo descer”. Tudo para “aliviar a pressão sobre os custos do sector”. “Se o lucro exceder o limite autorizado, o montante excedente deve ser ‘devolvido’ através da redução das tarifas dos serviços de transportes, o que vai ajudar as operadoras a enfrentar o impacto do preço do petróleo e salvaguardar os interesses dos passageiros”, indicou Kevin Ho. O deputado sugeriu também “criação de um fundo para estabilizar os preços dos combustíveis no sector dos transportes e logística”, tendo em conta os preços praticados nos mercados internacionais. Assim, a ideia é que as autoridades possam recorrer “a meios institucionalizados para fazer face às flutuações drásticas do mercado energético internacional”. Aposta no hidrogénio Também a deputada Song Pek Kei, ligada à comunidade de Fujian, falou da crise energética que pode impactar Macau, sugerindo a elaboração de políticas em prol de energias limpas. “A generalização dos veículos movidos a energia eléctrica é cada vez mais rápida, mas representa menos de dez por cento do número total de veículos motorizados, uma percentagem relativamente baixa”, alertou. Assim, as autoridades devem “lançar políticas de apoio mais atractivas para incentivar as empresas e os residentes a substituir veículos movidos a novas fontes de energia”, bem como “acelerar o aperfeiçoamento da rede de infra-estruturas de carregamento e de troca de energia eléctrica”. Song Pek Kei pediu também celeridade no “lançamento de planos de estudo sobre a aplicação da energia de hidrogénio, a fim de elevar a fiabilidade e a segurança do fornecimento de energia”. Também Kevin Ho falou da importância do uso de “combustíveis fósseis para electrificação”, a fim de “reduzir a dependência externa”, devendo ser investidos “mais recursos” e criar “incentivos políticos que impulsionem o desenvolvimento das energias verdes”. Por seu turno, Ella Lei realçou a “preocupação persistente da sociedade” face ao que chama de “subidas rápidas e descidas lentas” nos preços dos combustíveis. No leque de sugestões, a deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau falou na necessidade de reforço da “supervisão do abastecimento e formação de preços dos produtos petrolíferos”, com um mecanismo de ajuste “razoável e transparente”. A deputada defende que o Executivo deve “continuar a estudar e propor a introdução da Gasolina Sem Chumbo 95 nos terrenos destinados aos novos postos de abastecimento de combustível”, bem como “introduzir mais fontes de energia”, nomeadamente o reforço da “promoção do desenvolvimento dos novos meios de transporte”, entre outras medidas.
UE | China ameaça retaliar contra lei industrial Hoje Macau - 28 Abr 2026 O ministério do Comércio da China afirmou ontem que a proposta de lei do acelerador industrial da União Europeia introduz “barreiras graves ao investimento” e “discriminação institucional” contra empresas estrangeiras e advertiu que responderá se Bruxelas avançar. Em comunicado publicado no seu portal oficial, a tutela indicou que, na passada sexta-feira, apresentou formalmente às autoridades europeias os seus comentários ao projecto legislativo, nos quais expressa “grave preocupação” com o conteúdo. Segundo Pequim, a iniciativa impõe “numerosos requisitos restritivos” ao investimento estrangeiro em quatro scetores estratégicos emergentes e dominados pela China: baterias, veículos eléctricos, energia fotovoltaica e matérias-primas críticas. O ministério criticou ainda a inclusão de cláusulas “discriminatórias” de “origem UE” na contratação pública e nas políticas de apoio estatal. O ministério do Comércio sustentou que a proposta “poderia violar” princípios básicos como o de “nação mais favorecida” e o “tratamento nacional”, além de contrariar acordos internacionais sobre tarifas, investimento, propriedade intelectual ou subsídios. A tutela acrescentou que a lei prejudicaria as expectativas de investimento das empresas chinesas na Europa, seria contrária à “concorrência justa” e poderia travar a transição verde europeia, além de afetar o sistema multilateral de comércio. Resposta pronta Pequim instou Bruxelas a retirar do texto os requisitos considerados discriminatórios para investidores estrangeiros, as exigências de conteúdo local, as disposições sobre transferência forçada de tecnologia e propriedade intelectual e as restrições na contratação pública. O ministério avisou também que acompanhará de perto o processo legislativo e que, se a União Europeia “ignorar” as suas observações e a norma prejudicar empresas chinesas, Pequim “não terá mais opção senão adoptar contramedidas”. A Comissão Europeia apresentou o projecto em Março como um dos pilares da estratégia para reindustrializar o continente e reduzir dependências em sectores estratégicos face a potências como a China ou os Estados Unidos. A proposta prevê a exigência de um mínimo de produção europeia na atribuição de apoios públicos e a imposição de condições a grandes investimentos estrangeiros, o que afecta empresas chinesas.
Corrupção | Julgamento de Netanyahu novamente adiado Hoje Macau - 28 Abr 2026 O depoimento do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, no julgamento por corrupção foi ontem novamente adiado por motivos de segurança, noticiou a imprensa de Israel. O depoimento do primeiro-ministro, que estava previsto ser retomado ontem após um adiamento de relacionado com a guerra de Israel contra o Irão, foi suspenso uma hora antes do início, devido a “preocupações de segurança” evocadas pelo advogado, Amit Hadad. De acordo com os meios de comunicação israelitas Canal 12 e Ynet, que citaram o advogado de Netanyahu, não foi ainda anunciada a nova data para a continuação do julgamento do primeiro-ministro. Netanyahu solicitou formalmente um indulto ao Presidente israelita, Isaac Herzog, a 30 de Novembro do ano passado. No domingo, Herzog afirmou que não vai analisar o pedido até que as tentativas de chegar a um acordo extrajudicial com a acusação se esgotem. Antes da guerra com o Irão, o primeiro-ministro israelita comparecia em tribunal três vezes por semana para o julgamento dos casos de alegada corrupção em que está envolvido. Benjamin Netanyahu enfrenta três processos judiciais: dois casos por fraude e abuso de confiança, e um caso de corrupção considerado grave. Este último relaciona-se com alegados favores concedidos pelo primeiro-ministro — quando ainda era ministro das Comunicações — ao empresário Shaul Elovich, que controlava a empresa de telecomunicações Bezeq e o portal Walla News, em troca de uma cobertura mediática favorável.
Farmácia | Indiana Sun Pharm compra grupo norte-americano Organon por 10.000 ME Hoje Macau - 28 Abr 2026 A farmacêutica indiana Sun Pharma anunciou ontem que concluiu um acordo para adquirir o grupo americano Organon, especializado em saúde das mulheres, por um montante avaliado em 11.750 milhões de dólares. O maior laboratório farmacêutico indiano comprará a totalidade das acções da Organon ao preço de 14 dólares por acção, no âmbito de uma transação totalmente em dinheiro, indicaram as duas empresas num comunicado conjunto. A aquisição foi aprovada pelos conselhos de administração dos dois grupos e deve estar concluída “no início de 2027”, sujeita à obtenção das aprovações regulatórias necessárias e ao acordo dos accionistas. Esta operação está “em linha recta” com o projecto da Sun Pharma de desenvolver a sua actividade de “medicamentos inovadores”, acrescenta o comunicado, destacando que também permite ao gigante indiano tornar-se um dos dez principais actores globais do mercado de biossimilares. “O portfólio, as capacidades e o alcance global da Organon são muito complementares aos nossos”, declarou o presidente da Sun Pharma, Dilip Shanghvi, num comunicado. “Acreditamos que a fusão destas duas organizações permitirá criar uma plataforma mais sólida e diversificada”, sublinhou. A presidente da Organon, Carrie Cox, estimou que esta aquisição representava um “valor imediato e convincente” para os accionistas. O laboratório americano Organon oferece medicamentos e soluções terapêuticas para mulheres, cobrindo uma gama que vai da contracepção à fertilidade, passando por doenças cardiovasculares e cancros. A Índia, frequentemente denominada “farmácia do mundo”, exportou mais de 31.000 milhões de dólares em medicamentos no último exercício fiscal.
Verdades escondidas por trás dos números e reflexões sobre a felicidade David Chan - 28 Abr 2026 Em Março, órgãos de comunicação social de Hong Kong citaram o relatório global sobre a riqueza da UBS, que estabelece limiares claros para a riqueza global: o limiar do património líquido do 1 por cento da população onde se encontram os mais ricos é de aproximadamente 1,1 milhões de dólares americanos (equivalente a 8,6 milhões de dólares de Hong Kong). O limiar do património dos 10 por cento mais ricos é de 150.000 US dólares (aproximadamente 1,17 milhões de dólares de Hong Kong), ao passo que para os 25 por cento mais ricos é de apenas 230,000 dólares de Hong Kong. O relatório também demonstra que, a nível global, 40 por cento dos adultos não chegam a possuir 10.000 US dólares. Para os leitores que vivem em Hong Kong e em Macau, estes números podem ser confusos. Em qualquer das duas cidades, possuir uma casa paga na integra aumenta significativamente a probabilidade de se tornar um entre os 10 por cento mais ricos do mundo. Olhando apenas para os números, é fácil ficarmos muito satisfeitos. No entanto, uma análise mais detalhada destes dados levanta várias questões que merecem ser consideradas: Em primeiro lugar, em termos absolutos, um património líquido de 230.000 dólares de Hong Kong ultrapassa de facto o património de aproximadamente 75 por cento da população mundial, reflectindo directamente a distribuição desigual da riqueza a nível global, com a grande maioria da população a viver com níveis baixos de rendimento. Em segundo lugar, estes dados usam apenas o património líquido pessoal como padrão estatístico, ignorando completamente o rendimento per capita, os níveis de consumo e o custo de vida nas diferentes regiões. Discutir números de riqueza sem considerar o poder de compra faz com que 230.000 dólares de Hong Kong sejam apenas um valor de referência incapaz de reflectir com precisão a qualidade de vida nas diferentes regiões. Em terceiro lugar, em cidades economicamente desenvolvidas como Hong Kong e Macau, com elevado custo de vida, 230.000 dólares de Hong Kong podem representar apenas uma parte das poupanças de muitas pessoas, longe de ser suficiente para garantir uma vida confortável. Comparar com dados locais dá uma imagem mais clara da verdadeira natureza da riqueza. No relatório publicado pelo Citibank em Novembro de 2025, “Hong Kong Millionaire Survey Report 2025”, revelou que Hong Kong tem aproximadamente 395.000 milionários, com uma riqueza média de 20,5 milhões dólares de Hong Kong, que representam 7 por cento da população total da cidade. Isto significa que aproximadamente um em cada 14 residentes de Hong Kong é milionário. Em média, este grupo junta o seu primeiro milhão por volta dos 34 anos de idade, e compra a primeira casa aos 33. 51 por cento dos seus activos estão concentrados em propriedades, com os restantes 49 por cento divididos entre investimentos e dinheiro. Isto demonstra que é necessário elaborar um estudo local para ter uma imagem mais precisa da verdadeira situação de riqueza numa região. No entanto, por trás dos “milionários” de Hong Kong existe uma ilusão de riqueza. Como é bem sabido, os preços das propriedades em Hong Kong são elevados; um apartamento com três assoalhadas pode custar perto de 10 milhões de dólares de Hong Kong. Estes activos ligados a casas ocupadas pelos proprietários, se não forem vendidos e liquidados, são essencialmente números num papel e não podem ser convertidos em rendimento disponível. Compreender isto é crucial para compreender o fenómeno da população com elevado património em Hong Kong. Embora os índices de riqueza sejam impressionantes, os índices de felicidade não têm acompanhado o mesmo ritmo. O Relatório Mundial sobre a Felicidade 2026 das Nações Unidas mostra que a classificação do índice de felicidade de Hong Kong caiu do 77.º lugar em 2021 para o 88.º em 2025, e prevê-se que desça para o 90.º em 2026. O relatório indica que o excesso de pressão no trabalho, a redução da liberdade e as fortes pressões de sobrevivência são as principais razões para o contínuo declínio da felicidade global. Com base em vários dados, é fácil concluir que para julgar o nível de riqueza de uma região se deve ter em conta as realidades locais; comparar apenas números globais descontextualizados é irrelevante. Além disso, possuir riqueza não é equivalente a possuir felicidade. A felicidade não é definida apenas pelo dinheiro; um ambiente de vida confortável, relações familiares harmoniosas, ligações sociais genuínas e um ritmo de vida descontraído são todos ingredientes essenciais da felicidade. Em vez de nos esgotarmos a perseguir patamares de riqueza, devemos equilibrar as nossas prioridades na vida e procurar outras fontes de felicidade para lá dos bens materiais. Desejo que possamos sempre focar-nos nas pequenas coisas que trazem alegria ao nosso coração. Assim, um dia todos seremos felizes. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau cbchan@mpu.edu.mo
Filme “Justa” de Teresa Villaverde premiado em festival de Pequim Hoje Macau - 28 Abr 2026 O filme “Justa”, de Teresa Villaverde, recebeu o Prémio Tiantan para Melhor Contribuição Artística no Festival Internacional de Cinema de Pequim, na China, e Madalena Cunha, de 13 anos, venceu na categoria de melhor actriz secundária. “Justa recebeu o prémio Tiantan para Melhor Contribuição Artística e a actriz Madalena Cunha, de 13 anos e natural das Caldas da Rainha, recebeu o prémio Tiantan para melhor Actriz Secundária”, anunciou, em comunicado, a agência Portugal Film. Os prémios foram atribuídos pela actriz francesa Juliette Binoche, que presidiu ao júri, pelos realizadores Bi Gan, Tran Anh Hung e Gabriel Mascaro, pelo compositor Simon Franglen, e pelos actores Zhang Yi e Zhang Xiaofei. “Justa” é uma co-produção entre a Alce Filmes (Portugal) e a Epicentre Films (França). Do elenco fazem ainda parte Betty Faria, Filomena Cautela, Robinson Stévenin e Ricardo Vidal. A acção da longa-metragem decorre em 2017, na sequência do incêndio em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, que matou 66 pessoas e feriu outras 253. Cerca de 500 habitações e 50 empresas foram destruídas. Ficção e realidade “Justa” não é um documentário, as histórias que se cruzam são ficcionais, mas de alguma forma representativas do que é sobreviver a uma tragédia como a de Pedrógão Grande, sem que haja necessidade de mostrar labaredas. Entre essas histórias ficcionadas há a de Justa, uma menina que procura entender a morte da mãe no incêndio, e apoia o pai, que ficou com o corpo mutilado pelas chamas. No filme cruzam-se ainda uma mulher que ficou cega, depois da morte do marido, ou uma psicóloga que tenta aliviar o sofrimento. Um ano depois daquele incêndio, Teresa Villaverde passou pela região e ficou marcada pelo que viu e ouviu. “Atravessei aquelas estradas quando estava tudo ardido, e nas imagens que se vêem na televisão ou em fotografias não se percebe o impacto de quilómetros e quilómetros de tudo preto, era uma coisa impressionante, e o silêncio total. […] Parecia o som da terra que nos acusa”, contou em entrevista à Lusa, aquando da estreia nos cinemas. Teresa Villaverde entende que “Justa” pode ser uma homenagem aos vivos, porque todos os anos são recordados apenas os que morreram naquele incêndio. O filme já teve estreia em Portugal e França e, brevemente, chegará às salas de cinema no Brasil, com selecções em festivais na Alemanha, Austrália, Grécia, Suíça, Brasil, Itália, entre outros.
Concerto | Grupo EXO actua no Galaxy a 22 e 23 de Maio Andreia Sofia Silva - 28 Abr 2026 “EXO Planet #6 EXhOrizon (Macau)” é o nome do espectáculo, em dose dupla, que o Galaxy Arena traz aos fãs da “boys-band” sul coreana. Os EXO actuam nos dias 22 e 23 de Maio no território, mostrando porque são um dos grupos mais famosos do meio. Juntos desde 2012, o álbum de estreia revelou-se um sucesso instantâneo A Coreia do Sul é um país pródigo em colocar no mercado musical novos talentos, sobretudo ligados à música pop e em grupos de jovens rapazes e raparigas com rostos perfeitos, numa verdadeira indústria. O K-Pop, ou pop coreano, já é conhecido em todo o mundo, com legiões de fãs em vários países, e os EXO enquadram-se, definitivamente, num dos grandes nomes a reter deste universo da música coreana. Os fãs de Macau terão a oportunidade de os ouvir, incluindo o público que os pode ouvir pela primeira vez, em dois concertos no Galaxy Arena agendados para os dias 22 e 23 de Maio. A estreia dos EXO deu-se em 2012, sendo conhecidos pelas suas performances em palco cheias de coreografias capazes de encantar o público. O seu primeiro álbum de estúdio vendeu mais de um milhão de cópias, sendo que o conceito por detrás da banda é que cada membro tem uma espécie de “super-poder” dentro de um “universo” muito concreto. No Galaxy Arena, a audiência poderá ver e ouvir “um novo capítulo” deste universo EXO, que “tem como tema o ‘Horizonte’, simbolizando um novo começo”, descreve-se na apresentação oficial do espectáculo. Novo álbum na estrada Inicialmente, os EXO eram formados por 12 rapazes, mas actualmente são nove os que fazem parte do grupo: Xiumin, Suho, Lay, Baekyun, Chen, Chanyeol, D.O., Kai e Sehun. Além de cantarem em coreano, também o fazem em mandarim e japonês, decerto a pensar chegar a um público mais vasto e a outros mercados discográficos da Ásia. Os EXO acabam também de lançar um novo álbum, que decerto poderá ser ouvido no Galaxy Arena. Trata-se de “REVERXE – The 8th Album”, que inclui faixas como “Crown”, que deu origem a um videoclip filmado numa casa antiga, cheio de adrenalina e efeitos especiais; “Back it Up”, “Crazy”, “Suffocate”, “Moolight Shadows”, “Back Pocket”, “Touch & Go”, “Flatline” e “I’m Home”, também uma canção escolhida para a produção de um videoclip. O último álbum de estúdio lançado pelo grupo aconteceu em 2023, intitulando-se “EXIST – The 7th Album”. Na plataforma digital Spotify, os EXO têm mais de seis milhões de ouvintes por mês. Numa crítica ao disco de Robin Murray, para a plataforma ClashMusic, lê-se que “REVERXE” é um bom regresso da banda às grandes canções. Trata-se de um regresso dos EXO “em plena forma”, tratando-se de um trabalho discográfico que “combina as habilidades individuais dos membros para criar algo inovador”, lê-se no artigo. “Crown”, a faixa que deu origem ao single de lançamento, é descrito como um “um tema pop cativante com um toque verdadeiramente ousado”. Citados no artigo da ClashMusic, os EXO explicaram a escolha desta canção, o que a tornou “especialmente significativa”. “É uma canção que personifica quem somos como EXO — e, em última análise, os EXO-Ls são a nossa coroa. Estamos orgulhosos e felizes por sermos os EXO, e agora só queremos aproveitar este momento com os nossos fãs e criar memórias duradouras juntos”, pode ler-se.
Pequim destaca “resiliência” do sector petrolífero apesar do conflito Hoje Macau - 28 Abr 2026 A China destacou ontem a “resiliência” do sector petrolífero face aos riscos da guerra no Irão e garantiu o abastecimento de energia, apoiado no aumento da produção interna, diversificação das importações e controlo temporário dos preços. Citado pelo jornal oficial Diário do Povo, o subdirector do Departamento Geral da Administração Nacional de Energia da China, Zhang Xing, afirmou que as autoridades reforçaram o sector nos últimos cinco anos para assegurar o fornecimento “em todas as circunstâncias”. Segundo o responsável, a produção de petróleo manteve-se acima de 200 milhões de toneladas anuais, atingindo novos máximos, enquanto a de gás natural registou nove anos consecutivos de crescimento, com aumentos superiores a 10 mil milhões de metros cúbicos por ano. Zhang destacou ainda o reforço das infraestruturas, com mais de 200.000 quilómetros de oleodutos e gasodutos de longa distância e uma capacidade de receção de gás natural liquefeito superior a 120 milhões de toneladas anuais, bem como uma rede de importações energéticas “mais diversificada”. Pequim tem respondido às “mudanças no ambiente externo” com uma estratégia baseada em “produção estável, importações diversificadas e regulação temporária de preços”, visando garantir “a estabilidade da economia” e satisfazer a procura interna, acrescentou. Ásia em foco O bloqueio ‘de facto’ do estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20 por cento do petróleo e gás globais antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e das represálias de Teerão, tem afectado sobretudo a Ásia, principal destino dessas exportações. No caso chinês, a situação naquela rota marítima é particularmente sensível, já que cerca de 45 por cento das importações de petróleo e gás do país passam pelo estreito. O conflito levou a uma subida dos preços dos combustíveis na China, obrigando as autoridades a intervir temporariamente, embora na semana passada tenha sido registado o primeiro recuo dos preços em 2026. A China tem condenado os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que defende o respeito pela soberania dos países do Golfo, com os quais mantém relações políticas, comerciais e energéticas estreitas.
IA | Bloqueada aquisição da ‘startup’ Manus pela Meta Hoje Macau - 28 Abr 2026 A China bloqueou a aquisição da ‘startup’ de inteligência artificial Manus pela tecnológica norte-americana Meta, por 2.000 milhões de dólares invocando regras de segurança sobre investimento estrangeiro, segundo um comunicado oficial. Numa nota breve divulgada ontem, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma indicou que proibiu a operação e exigiu às partes envolvidas que abandonassem o negócio, sem mencionar directamente a Meta, dona do Facebook e do Instagram. A decisão foi tomada pelo mecanismo de revisão de segurança do investimento estrangeiro, ao abrigo da legislação chinesa, após as autoridades terem anunciado no início do ano que estavam a analisar o caso. A entidade não detalhou as razões concretas para o bloqueio. A Meta tinha anunciado em Dezembro a aquisição da Manus, uma empresa de inteligência artificial com raízes chinesas mas sediada em Singapura, num movimento pouco comum de uma grande tecnológica dos Estados Unidos sobre uma empresa ligada à China. A Manus desenvolve agentes de inteligência artificial de uso geral, capazes de executar tarefas complexas de forma autónoma, e a operação visava reforçar a oferta de IA da Meta nas suas plataformas. A empresa norte-americana tinha garantido que não haveria participação chinesa remanescente na Manus e que esta cessaria operações na China. Ainda assim, o ministério do Comércio chinês alertou, em Janeiro, que operações envolvendo investimento externo, exportação de tecnologia, transferência de dados e aquisições transfronteiriças devem cumprir a legislação nacional. Em reacção, a Meta afirmou ontem que a transacção “cumpriu plenamente a legislação aplicável” e disse esperar uma “resolução adequada” do processo.
Indústria chinesa | Lucros sobem 15,5% no primeiro trimestre Hoje Macau - 28 Abr 2026 Os lucros das principais empresas industriais da China aumentaram 15,5 por cento em termos homólogos no primeiro trimestre, reforçando a recuperação após três anos consecutivos de quedas, segundo dados oficiais divulgados ontem. De acordo com o Gabinete Nacional de Estatística da China, os ganhos destas empresas atingiram cerca de 1,7 biliões de yuan entre Janeiro e Março. O crescimento superou os 15,2 por cento registados no conjunto de Janeiro e Fevereiro – isolando Março, o indicador avançou 15,8 por cento –, mas ficou abaixo das previsões do portal especializado Trading Economics, que apontavam para uma subida de 18 por cento. Para este indicador, a autoridade estatística considera apenas empresas industriais com receitas anuais superiores a 20 milhões de yuan. O estatístico da instituição Yu Weining atribuiu a evolução positiva à adopção de “medidas macro mais proactivas e eficazes”, destacando o contributo de sectores como maquinaria, alta tecnologia e matérias-primas. No sector da maquinaria, a electrónica liderou o crescimento, com um aumento de 124,5 por cento nos lucros. Na indústria de alta tecnologia, o segmento da indústria “verde” duplicou os resultados, impulsionado pela procura associada à subida do preço do petróleo no contexto da guerra no Irão. Já no sector das matérias-primas, a indústria de metais não ferrosos registou um aumento de 116,7 por cento nos lucros, também influenciada pelo impacto do conflito no Médio Oriente nos preços do alumínio. Apesar da recuperação, Yu alertou para “múltiplas incertezas” no ambiente externo e sublinhou que persistem problemas estruturais na economia chinesa, como o excesso de capacidade produtiva e a fraqueza da procura interna.
Yuan | Emissão de dívida fora da China atinge máximos com procura de investidores Hoje Macau - 28 Abr 2026 Entidades estrangeiras recorreram a volumes recorde de financiamento na moeda chinesa, o yuan, este ano, face a taxas de juro baixas e crescente procura de investidores chineses por activos com maior rendimento, segundo dados citados pelo Financial Times. O aumento insere-se numa expansão mais ampla da emissão de dívida denominada em yuan fora da China continental, conhecida como “dim sum bonds”, que já atingiu cerca de 300 mil milhões de yuan em 2026, mais do dobro do registado no mesmo período do ano passado, que já tinha sido recorde, apontou o jornal britânico. Entre os emitentes recentes de dívida em yuan fora da China está Portugal, além de entidades públicas como a MuniFin (Finlândia) ou o Korea Development Bank, reflectindo um alargamento do leque de mutuários. A emissão por bancos norte-americanos, em operações geridas pelas próprias instituições, ascendeu a 47,5 mil milhões de yuan, também um máximo histórico, com o banco norte-americano de investimento Goldman Sachs a representar a maioria deste montante. “Há muita procura por activos ‘offshore’ em yuan. Trata-se de uma fonte alternativa de financiamento atractiva”, afirmou Isaac Wong, responsável pela distribuição de rendimento fixo, moedas e matérias-primas do banco na Ásia (excluindo o Japão). Analistas descrevem o fenómeno como uma “corrida ao financiamento” em yuan ‘offshore’, com emissores que vão de governos a instituições financeiras internacionais. Papel de relevo O banco norte americano de investimento Goldman Sachs tornou-se o maior emissor estrangeiro deste tipo de dívida e o segundo maior no total, apenas atrás do Bank of China, tendo captado 32,1 mil milhões de yuan este ano, cerca de 10 por cento do total. A tendência é apoiada por políticas de Pequim para internacionalizar a moeda, incluindo o alargamento do programa Bond Connect, que permite a investidores da China continental comprar obrigações em Hong Kong. Estas medidas visam canalizar poupança doméstica para activos com maior rendimento, numa altura em que a rentabilidade para produtos de poupança na China permanece historicamente baixa – cerca de 1,75 por cento nas obrigações soberanas a 10 anos. Economistas indicam que o yuan começa a assumir um papel semelhante ao que anteriormente era desempenhado pelo iene japonês como moeda de financiamento, numa altura em que os custos de endividamento no Japão aumentaram significativamente. “A moeda chinesa tornou-se uma importante fonte de financiamento por falta de melhores alternativas”, afirmou Alicia García-Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do Natixis. O crescimento destas emissões surge num contexto em que Pequim procura reforçar o papel internacional do yuan, apesar de manter controlos apertados sobre os fluxos de capital, incentivando emissores estrangeiros a recorrer à moeda chinesa e reduzindo a dependência do dólar norte-americano.
Quem Subia e Descia Montanhas Guiando Carros de Bois Paulo Maia e Carmo - 28 Abr 2026 Liu Xiang (77-6 a. C.), que foi astrónomo, historiador, bibliotecário e escritor entre outras competências, e viveu durante a dinastia Han do Oeste, recolheu no seu livro Shuoyuan, o «Jardim de histórias», uma antiga lenda que está relatada no livro V (Tang wen) do texto daoísta Liezi (séc. 4 a. C.) atribuído a Lie Yukou, que fala de um «velho louco que removeu montanhas», Yugong yishan. Nele se conta que um homem que vivia frustrado por se encontrar a viver encafuado entre as duas montanhas, Taihang e Wangwu, na Província Yu, já nos seus noventa anos tomou a decisão de as separar. Para isso tomou uma enxada e um balde e começou pacientemente a remover a terra de uma das montanhas. A passantes que o viram executar a insana tarefa e lhe perguntaram se achava realmente que a iria conseguir terminar respondeu, com implacável discernimento que se não ele, os seus filhos, os netos e gerações seguintes a iriam certamente terminar; alguém porém tinha que tomar a decisão inicial. Diz-se que os deuses, impressionados pela sua tenacidade e dedicação ao trabalho, ordenaram a separação das montanhas, como hoje se podem ver. De uma dessas montanhas, Taihang, na verdade uma cadeia montanhosa que se estende por mais de quatrocentos quilómetros pelas Províncias de Shanxi, Henan e Hebei, fala um poema de Liu Ji (Liu Bowen, 1311-1375) da dinastia Song, que confirma a vocação do lugar para suscitar o esforço humano: «Carros de bois vão subindo e descendo as colinas, mil vezes por dia: nunca deixam as encostas da montanha Taihang. Os carros vão cheios até cima com sal da Província de Wu e grão da de Shu; como são fortes e saudáveis os bois. Mercadores valorizam os seus bens e lucros sem medo dos tigres: alimentam os bois e dormem noite após noite junto das carroças.» Nessa dinastia Song (960-1279) tornava-se popular um género de pintura designado panche tu, «pinturas de carros de bois em viagem», que correspondiam ao elogio do esforço feito no abastecimento, sob precárias condições de terreno, de grão às guarnições ameaçadas pelos Jurchen nas fronteiras a Norte que haveriam de separar a dinastia em duas: Norte e Sul. Zhu Rui, um pintor de Hebei com actividade conhecida entre 1119-1125, destacou-se nesse género, fazendo nas suas pinturas a agreste e inóspita paisagem de Inverno equivaler à dificuldade de bois e boieiros subindo e descendo montanhas alcantiladas. Na folha de álbum (tinta sobre seda,26,2 x 27,5 cm, no Museu de Xangai), Viajando por rios e montanhas, vê-se indómito esse engenho a vencer obstáculos. Quando a derrotada dinastia teve que se refugiar no Sul, todo esse zelo se tornaria numa melancólica lembrança mas as pinturas de Zhu Rui seriam preservadas. E a montanha Taihang, deslocada pela longanimidade do espírito do «velho louco», é testemunha de que afinal nada se perderá.