Turismo | Macau acolhe nova edição da feira PATA Travel Mart em 2027

Macau vai receber no próximo ano, entre os dias 20 e 22 de Setembro, mais uma edição da PATA Travel Mart, uma feira dedicada ao turismo que visa promover negócios e bolsas de contacto. A iniciativa nasce de uma parceria entre a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) e Associação de Turismo da Ásia Pacífico (Pacific Asia Travel Association – PATA).

Segundo um comunicado oficial, esta edição da PATA “reunirá responsáveis pelo turismo e profissionais do sector da região Ásia-Pacífico e de todo o mundo”, tendo Helena de Senna Fernandes, directora da DST, adiantado que já foi dado início “aos vários trabalhos preparatórios” para o evento.

“A realização da PATA Travel Mart voltará a evidenciar as vantagens únicas da cidade na ligação entre o Interior da China e o mundo, trazendo excelentes oportunidades para os operadores de diversas regiões”, foi acrescentado.

Esta será a terceira vez que a PATA Travel Mart se realiza no território, depois das edições de 2010 e 2017. Fundada em 1951, a PATA é uma associação de filiação sem fins lucrativos dedicada à promoção do desenvolvimento sustentável da indústria de turismo e viagens na Ásia-Pacífico. Macau é membro da PATA desde 1958.

Restauração | Alerta para perigo de comida contrabandeada

Uma conselheira dos serviços comunitários e uma representante dos Moradores apelaram à atenção para condições de salubridade de refeições compradas. O alerta foi dado depois de um residente ter sido apanhado a tentar entrar em Macau com mais de 60 refeições de origem desconhecida

A apreensão de mais 50 quilos de comida cozinhada no Posto Fronteiriço Hengqin, na semana passada, voltou a levantar dúvidas sobre a segurança alimentar na região. Os alimentos frescos, géneros vivos ou alimentos de origem animal importados para Macau são obrigatoriamente sujeitos a inspecção sanitária e a vir acompanhados por certificados sanitários do país de origem. No caso revelado pelos Serviços de Alfândega, as autoridades encontraram 61 embalagens com refeições cozinhadas escondidas numa viatura.

A conselheira dos Serviços Comunitários da Zona Norte Lam Hoi Leng considera que a crescente popularidade das refeições baratas vendidas para fora merece a atenção das autoridades ao nível da segurança alimentar, mas também dos consumidores que devem procurar saber a origem dos alimentos. Em declarações ao jornal Ou Mun, a conselheira lembrou que estas refeições de baixo custo podem representar um risco tendo em conta a falta de controlo sobre o tempo que os alimentos foram cozinhados (elevando o risco, por exemplo, de salmonela), se foram acondicionados em locais refrigerados, se os ingredientes foram manuseados cumprindo normas higiénicas e há quanto tempo foram confeccionadas as refeições.

O alerta da conselheira prende-se com o perigo de contaminação de alimentos e intoxicação alimentar. Face a este panorama, Lam Hoi Leng sugeriu que os consumidores optem por restaurantes com boa reputação e que respeitem regras de salubridade e higiene, e que as autoridades reforcem a supervisão transfronteiriça de alimentos e as inspecções a restaurantes.

Conhecer os ingredientes

Também a directora da Associação de Confraternização dos Moradores do Bairro do Antigo Hipódromo Areia Preta e Iao Hon de Macau, Cheang I Ha, alertou para o perigo de comprar refeições de origem desconhecida e acrescentou que más condições de transporte dos alimentos podem resultar em riscos de saúde. Em declarações ao Ou Mun, a responsável indicou que os residentes devem alertar familiares e amigos que atravessem frequentemente a fronteira entre Macau e Zhuhai para não fazerem contrabando de carne e ovos.

O caso de contrabando que deu origem à celeuma aconteceu na quarta-feira da semana passada, segundo um comunicado dos Serviços de Alfândega divulgado no sábado. Um residente de 35 anos tentou entrar em Macau com mais de 50 quilos de comida confeccionada escondida no porta-bagagens de uma viatura de passageiros, sem refrigeração.

Lojas | Deputado quer Governo a gerir sistema de senhas

O deputado Ngan Iek Hang defende que o Governo deve actuar junto das lojas mais populares em Macau, para gerir melhor os recursos destas, e distribuir o fluxo de visitantes. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, com o legislador ligado aos Moradores a defender que o Executivo deve dar assistência à gestão dos negócios mais populares.

Segundo o deputado, a “generalização da internet e das plataformas sociais” leva a que muitos turistas consultem informações online antes de se deslocarem a Macau, traçando previamente pontos de passagem. Para o deputado, esta realidade, tida como positiva, faz com que seja “cada vez mais evidente o papel orientador das promoções na internet para o consumo turístico”.

Contudo, Ngan Iek Hang vem agora defender que estes negócios estão a enfrentar “uma certa pressão de funcionamento devido ao elevado fluxo de clientes”, pela sua popularidade online.

Por este motivo, o legislador quer assim saber se o Executivo vai “lançar medidas complementares específicas para ajudar as lojas a optimizarem os sistemas de marcação online, levantamento de senha e triagem do fluxo de clientes”, para “a elevar a eficiência operacional” e melhorar “a experiência dos visitantes”.

Em relação ás grandes filas em alguns restaurantes, que se acentua nos fins-de-semana, Ngan Iek Hang quer saber se o Executivo vai fazer uma maior promoção online, de forma a divulgar igualmente outros espaços próximos dos mais populares, para que os turistas deixem de se concentrar tanto em alguns pontos da cidade.

Feriados | Turistas em Maio podem ultrapassar 2019

Macau vai voltar a encher-se de turistas nos feriados nacionais do 1º de Maio. O ex-deputado Cheung Kin Chung, que dirige uma associação de agência de viagens, estima que o volume de turistas ultrapasse o registo de 2019, quando já escasseiam quartos de hotel para os primeiros três dias de feriados. As suites mais caras custam mais de 10 mil patacas por noite

Após a azáfama da semana dourada do Ano Novo Lunar, Macau prepara-se para mais uma época de feriados nacionais, sinónimo de um elevado fluxo de turistas que escolhem o território como destino turístico. Nos primeiros três dias de feriados (que se estendem entre 1 e 5 de Maio), a maior parte dos resorts integrados já não tem quartos disponíveis. Com a oferta a ficar apertada, é expectável encontrar no mercado local quartos a mais de 10 mil patacas nas noites de maior afluência.

Fontes citadas pelo jornal Ming Pao estimaram que o acesso facilitado ao crédito no Interior da China pode levar a subidas anuais das receitas do jogo entre 7 a 8 por cento.

Face ao mesmo período do ano passado, quando nesta altura as reservas esgotavam a ocupação hoteleira nos cinco dias de feriados, ontem, a maioria dos hotéis já não tinha quartos para os dias entre 1 e 3 de Maio, à excepção de unidades na península que ainda aceitavam reservas.

A análise do Ming Pao ao mercado hoteleiro revela ainda algumas descidas de preços. Por exemplo, o Hotel St. Regis tinha ontem quartos a 5.209 dólares de Hong Kong, menos 5,1 por cento face ao mesmo período de 2025, ou menos quase 280 dólares de Hong Kong. No Sofitel Macau Ponte 16, o preço de um quarto superior pode valer 1.664 dólares de Hong Kong, menos 15,2 por cento face ao ano transacto.

Matemática aplicada

Como é habitual em vésperas de semanas douradas, as perspectivas de entradas de turistas são optimistas, com estimativas a apontar para um fluxo diário entre 160 e 170 mil visitantes.

Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, o ex-deputado Cheung Kin Chung, que dirige a Associação das Agências de Turismo de Macau, afirmou o número de entradas diárias irá aumentar significativamente, sendo expectável que a semana dourada de Maio deste ano atinja, ou ultrapasse, o registo de 2019, antes da pandemia da covid-19 paralisar a indústria do turismo. O responsável acrescentou que o mercado turístico local apresenta hoje em dia uma estrutura diversificada com tours que incluem passagens por Hengqin, ou paragens múltiplas por cidades da Grande Baía, pacotes que Cheung Kin Chung considera estarem a tornar-se cada vez mais populares.

Recorde-se que no ano passado mais de 830 mil turistas visitaram Macau durante a semana dourada de Maio. Em 2019, na semana dourada de Maio, Macau foi visitado por cerca de 849 mil turistas.

Justiça | Quase 20 juízes portugueses querem vir para Macau

Quase 20 magistrados de Portugal mostraram interesse em vir trabalhar para Macau, no âmbito do concurso de recrutamento de dois juízes para exercerem funções nos tribunais de primeira instância de Macau na área cível. A informação foi divulgada pelo Canal Macau, no domingo.

Segundo a informação da emissora, houve um total de 18 candidatos. No entanto, uma pessoa foi logo excluída por ser magistrada na área administrativa e fiscal em Portugal, e não estar a exercer nos tribunais judiciais, um dos requisitos do concurso. A maioria dos interessados em exercer em Macau são magistradas, mais de 10, enquanto os magistrados do sexo masculino são seis.

Após a entrega das candidaturas, decorre uma fase de pré-selecção a cargo da Comissão Independente Responsável pela Indigitação de Juízes da RAEM. Esta comissão vai escolher os candidatos que considerar mais adequados, para depois realizar as entrevistas de escolha. Não foram revelados os números de candidatos que vão ser entrevistados. Finda a entrevista, a comissão elege os magistrados escolhidos para virem trabalhar para Macau.

As candidaturas para este concurso foram aceites até 31 de Março, e segundo o documento elaborado pela Comissão Independente Responsável pela Indigitação de Juízes da RAEM, foi exigida aos candidatos uma antiguidade superior a sete anos e inferior a 15 anos, sendo a nomeação válida por dois anos, podendo ser renovável.

Língua portuguesa | Posição oficial contrasta com “erosão silenciosa”

Apesar do discurso oficial sobre a promoção do português, os advogados em Macau queixam-se de que é cada vez mais difícil utilizar a língua de Camões.

Advogados defenderam à Lusa que a posição oficial do Governo de Macau sobre a língua portuguesa contrasta com a “erosão silenciosa” do idioma oficial na região. O Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, realizou uma visita oficial a Portugal de 18 a 21 de Abril, marcada por encontros institucionais e declarações diplomáticas de reforço da cooperação entre Portugal e a China, e em que destacou que “a língua [portuguesa] não é questão que mereça preocupação”, quer ao nível do ensino, quer no uso pelos tribunais.

No entanto, de acordo com a advogada Sofia Linhares, a trabalhar no território, “o sorriso diplomático contrasta com a realidade administrativa”, marcada pela “erosão silenciosa do português” como língua oficial na região. Linhares recorda que a Lei Básica de Macau estabelece que “o português é igualmente uma língua oficial”, e que decretos lei consagram que “o chinês e o português têm igual dignidade”.

No entanto, a advogada alertou existir “resistência de funcionários e magistrados ao uso do português em funções oficiais” e uma diminuição da proficiência entre os quadros da administração pública.

Problema conhecido

Uma delegação parlamentar portuguesa, que visitou Macau em Dezembro de 2025, identificou num relatório a resistência de funcionários públicos e de alguns magistrados locais à utilização da língua portuguesa no exercício das suas funções, bem como a necessidade de responder ao aumento da procura por cursos de português, num contexto em que existe o risco de contratação directa de docentes por parte da China.

Para a advogada, a contradição é evidente: de um lado, Portugal e China celebram a “dinâmica cooperação” e do outro, “muitos cidadãos – e até funcionários públicos – não conseguem recorrer ao português em procedimentos administrativos rotineiros”. “Documentos são predominantemente em chinês, tribunais enfrentam atrasos por falta de quadros bilingues e serviços públicos redireccionam falantes de português para cantonês ou inglês”, alertou.

Apesar disso, Linhares reconheceu existir uma “resistência tenaz em Macau” por parte de “uma pequena comunidade de juristas, tradutores e funcionários públicos” que continua a usar o português diariamente nos órgãos administrativos, funcionando como “guardiões da linha temporal até 2049”.

De acordo com a Declaração Conjunta, assinada por Pequim e Lisboa e que levou à transição de administração de Macau em 1999, a cidade deveria manter os direitos, liberdades e garantias durante um período de 50 anos. Mas, sem reforço sistémico de Lisboa e Pequim, “a extinção prática do português administrativo ocorrerá muito antes” dessa meta temporal.

Processo em curso

O advogado Sérgio Almeida Correia partilha a mesma preocupação, considerando que “a situação da língua portuguesa nos tribunais e na administração pública tem sofrido uma involução nos últimos anos”. “Estamos pior do que há cinco ou dez anos,” alertou à Lusa.

De acordo com Correia, embora haja mais pessoas a aprender o idioma, “são cada vez menos os que falam português nos tribunais”. O jurista disse que “mais grave são os despachos, promoções, sentenças e acórdãos em chinês na primeira instância, embora haja alguns juízes sensíveis ao problema”.

A situação nos serviços do Ministério Público “é dramática”, diz Correia, descrevendo que “ultimamente, não há um despacho, uma notificação que seja, que chegue em língua portuguesa”. “Ao menos podiam recorrer às ferramentas de tradução que usam a inteligência artificial, que actualmente estão cada vez mais perfeitas, dizendo-o no despacho ou notificação. Já seria uma ajuda”, notou.

O advogado critica a falta de tradutores qualificados e considera incompreensível que “uma região com orçamentos superavitários, que factura só no jogo mais de 20 mil milhões de patacas todos os meses”, não consiga contratar “gente qualificada e bem paga” para fazer traduções nos tribunais ou na Polícia Judiciária.

Nos tribunais, acrescenta, “os tradutores estão sobrecarregados e a tradução durante diligências é muitas vezes incompleta, deixando advogados e arguidos em desvantagem”.

“O Código de Procedimento Administrativo e a Lei Básica garantem que os residentes podem apresentar requerimentos e receber resposta numa das línguas oficiais. Nos tribunais isto é muitas vezes ignorado” descreveu. Para o profissional de advocacia, isto contraria a Declaração Conjunta e a Lei Básica, e é “mau para Macau e é mau para a China”. “Dá uma péssima imagem da justiça que aqui se faz”, concluiu.

Apoios públicos | Fundo de apoio à ciência distribuiu 578 milhões

O Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia atribuiu no primeiro trimestre deste ano 34,6 milhões de patacas ao Centro Internacional de Tecnologia e Indústria de Macau. A Universidade de Macau e a Universidade Cidade de Macau foram as instituições mais apoiadas

No primeiro trimestre de 2026, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT) atribuiu 577,7 milhões de patacas em apoios. O maior subsídio individual atingiu 34,6 milhões de patacas e destinou-se à associação Instituto de Tecnologia e Indústria de Macau (MIIT, na sigla em inglês), para o Centro Internacional de Tecnologia e Indústria de Macau.

Os dados foram revelados no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP), e deixam antever mais subsídios para este projecto, uma vez que os 34,6 milhões de patacas têm a indicação de serem a primeira prestação.

Em Fevereiro deste ano, no tradicional discurso de Ano Novo Lunar, o ex-secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, revelou que o centro de investigação do MIIT ia iniciar as operações no segundo trimestre deste ano. O centro tem uma área de cerca de 2 mil metros quadrados e está instalado na NAPE, no anterior Centro de Incubação de Negócios para os Jovens de Macau.

Nessa ocasião, o então responsável pela pasta da economia e finanças revelou também que já tinha sido constituída uma equipa especializada em investimento e operações de centros tecnológicos, que fez várias viagens ao Interior para perceber como funcionam centros semelhantes e preparar o início da actividade.

UM recebeu 249 milhões

Em termos dos principais apoios, a entidade mais subsidiada no primeiro trimestre do ano foi a Universidade de Macau, com 225 projectos financiados, num total de 249,1 milhões de patacas.

Os maiores apoios recebidos pela principal universidade pública da região atingiram 15 milhões de patacas, um montante que se repetiu três vezes e que visou subsidiar os Laboratórios do Estado em Macau, que se dedicam à investigação para o desenvolvimento de uma cidade inteligente, integração de circuitos analógicos e digitais e ainda no campo da medicina tradicional chinesa.

Por sua vez, a Universidade Cidade de Macau recebeu 230,5 milhões de patacas em apoios, além de dois outros apoios de 15 milhões de patacas, devido ao facto de explorar dois laboratórios do Estado. Ainda em termos do apoio à investigação, a Universidade Politécnica de Macau recebeu 14,6 milhões de patacas em apoios, a Universidade Cidade de Macau um total de 11,5 milhões de patacas e a Universidade de São José 2,6 milhões de patacas.

Leong Hong Sai quer celebrar combatentes locais da guerra contra o Vietname

O deputado Leong Hong Sai quer que o Executivo construa um museu para celebrar os residentes de Macau que participaram na Guerra contra o Japão, na Guerra Civil da Coreia e na Guerra contra o Vietname. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, com o deputado a considerar que estes residentes merecem ser homenageados pelos “feitos heroicos”.

“Para homenagear os seus feitos heróicos, as autoridades devem criar uma exposição permanente temática, nomeadamente, no Museu de Macau, na Biblioteca Central de Macau ou na Base da Educação do Amor pela Pátria, destinada a exibir artefactos, crachás, fotografias e histórias destes veteranos, bem como a possibilidade de gravar nos principais parques públicos monumentos comemorativos os nomes dos bravos veteranos de Macau que participaram nestes conflitos. Vão fazê-lo?”, perguntou o legislador.

O deputado considerou ainda que o conflito entre o Vietname e a China, que durou cerca de três semanas em 1979, foi uma “guerra de autodefesa contra a agressão do Vietname”. Por isso, Leong Hong Sai quer que o Governo faça documentários patrióticos sobre estes soldados, para serem exibidos no dia 1 de Agosto, quando se assinala a fundação do Exército de Libertação Popular, principalmente entre os jovens.

Novos roteiros

Além disso, o legislador perguntou se as autoridades vão criar um roteiro de turismo vermelho na RAEM. “As autoridades devem criar um roteiro para as visitas culturais vermelhas, por forma a implementar o tema de Amor pela Pátria em Macau, e incluir as histórias da participação da população de Macau na guerra de resistência contra a agressão japonesa, na guerra de resistência à agressão dos EUA para ajudar a Coreia e na guerra de autodefesa contra a agressão do Vietname no ensino primário e secundário, transmitindo a história através da aprendizagem”, vincou.

Apesar de durante estes acontecimentos Macau fazer parte dos territórios ultramarinos portugueses, Leong Hong Sai defendeu que “Macau sempre partilhou o mesmo destino do país, respirando em uníssono e partilhando o mesmo destino com a Pátria”.

Turismo | Governo e operadoras criam percursos de autocarro

Entrou oficialmente em funcionamento o plano “Autocarro de Turismo e Lazer – Explorar o Encanto dos Bairros”, criado pelo Governo e as operadoras de jogo para levar turistas a bairros como a Areia Preta, Patane ou San Kio. Há três percursos temáticos: “Máquina do tempo para a gastronomia”, “Passeio divertido de fim-de-semana” e “Passeio Relaxante de Feriados”

Numa tentativa de dinamizar o turismo em zonas menos visitadas, o Governo lançou um novo programa de percursos turísticos de autocarro em parceria com as seis operadoras de jogo. O plano “Autocarro de Turismo e Lazer – Explorar o Encanto dos Bairros” arrancou oficialmente no sábado com três percursos temáticos: “Máquina do tempo para gastronomia”, “Passeio Relaxante de Feriados” e “Passeio divertido de fim-de-semana”, que percorrem a Zona Norte, a zona de San Kio, o Mercado do Patane e o Mercado Nocturno do Pagode do Bazar, a Barra e o espaço Anim’arte Nam Van, junto ao Lago Nam Van.

O plano, desenvolvido por entidades públicas como a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), Direcção dos Serviços de Turismo e Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos visa “promover o desenvolvimento económico comunitário” e “dinamizar o fluxo de clientes para as pequenas e médias empresas (PME)”. A ideia é ainda proporcionar aos turistas “experiências de gastronomia comunitária e de pontos turísticos de lazer”, destaca-se num comunicado do Governo.

Os pontos de largada de passageiros estão distribuídos por nove locais no norte da Península, San Kio, Patane e ZAPE. “Tendo em conta as condições rodoviárias das diferentes comunidades”, os autocarros deste plano que passa pela Rotunda de Carlos da Maia e Largo do Pagode do Bazar será um miniautocarro. Durante o período experimental, cada linha terá uma partida por hora.

Mais concretamente, o “Passeio relaxante de feriados” funciona entre a próxima quinta-feira e o dia 5 de Maio, abrangendo os feriados do Dia do Trabalhador, “em articulação com as actividades comunitárias durante os feriados”, circulando entre a ZAPE e Rua dos Ervanários. Por sua vez, o percurso “Máquina do tempo para gastronomia” estará disponível em todos os fins-de-semana até ao dia 26 de Julho, “ligando as comidas características de diferentes comunidades, atraindo os visitantes a experimentar a cultura gastronómica local”. Este autocarro passa pelo norte da península, San Kio, Mercado do Patane e Mercado Nocturno do Pagode do Bazar.

O terceiro percurso criado, o “Passeio divertido de fim-de-semana” também estará disponível em todos os fins-de-semana até 26 de Julho, “tendo como tema a exploração de pontos de lazer comunitários e experiências divertidas”, é explicado na mesma nota. O percurso passa pela Barra e pelo Anim’arte Nam Van.

No que diz respeito à gestão do trânsito e do fluxo de pessoas, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) diz ter mobilizado “agentes policiais para manter a ordem normal do trânsito nas diversas zonas da cidade”. Além disso, as autoridades avaliaram o “horário de funcionamento, troços de circulação, pontos de paragem para largada de passageiros e da frequência das carreiras do plano experimental”. Desta forma, e após feita esta avaliação, “prevê-se que o fluxo geral do trânsito seja semelhante à situação actual na cidade”.

Empresas apoiam

A Sands China foi uma das operadoras que reagiu a este plano, referindo que “está a aproveitar os ricos recursos culturais e turísticos de Macau para apoiar a iniciativa, em sintonia com os esforços do Governo para promover o crescimento económico comunitário e ajudar as PME nas áreas comunitárias locais a atrair clientes”.

Wilfred Wong, vice-presidente executivo da Sands China, disse mesmo que a empresa está “muito empenhada em apoiar as directrizes do Governo da RAEM relativas à diversificação económica moderada, através de um vasto leque de iniciativas destinadas a revitalizar a economia local”.

Entretanto, a DSEDT criou um website para este programa, com “conteúdos como horários, pontos de paragens, mapas comunitários e pontos turísticos” que podem ser visitados. Não falta uma lista com 300 lojas tradicionais de Macau pelas quais os visitantes podem passar.

Os autocarros operados pela Sociedade de Jogos de Macau (SJM) partem do Grand Lisboa Palace, no Cotai, seguindo um percurso que passa pelo hotel Grand Lisboa, Jai Alai Oceanus, posto fronteiriço, sendo que “as paragens na Rua dos Ervanários e Templo de Hong Kung ficam apenas a cinco minutos a pé” do antigo Centro Comunitário Kam Pek, que a operadora, num comunicado, descreve como um “marco culinário e cultural emblemático”. Isto no contexto do Plano de Revitalização do Distrito San Ma Lo”, levado a cabo pela SJM.

O edifício do antigo Kam Pek foi “cuidadosamente revitalizado para preservar a memória colectiva do distrito de San Ma Lo”, “oferecendo uma diversificada selecção de gastronomia oriental e ocidental”. O actual Mercado Kam Pek “constitui também uma porta de entrada significativa para a história e o património cultural no coração de Macau”, descreve a SJM.

Na visão da empresa, este novo plano de percursos de autocarro, “ao direccionar os visitantes para bairros locais vibrantes”, permite “criar oportunidades para vivenciar o quotidiano dos residentes”, além de “promover um desenvolvimento sinérgico entre os bairros circundantes”. Desta forma, dá-se apoio às PME para que “expandam o alcance de clientes”.

Descreve a SJM que, “com base na rede existente de autocarros de transporte dos operadores de resorts integrados, o programa introduz paragens adicionais dentro das comunidades locais, orientando os visitantes para experiências gastronómicas autênticas, lojas especializadas e uma vasta oferta de cultura e património local”. Estão abrangidos “mais de 1.000 estabelecimentos”.

“Olhar as artérias”

Do lado da Galaxy, a empresa considera que Macau “olha [com este plano] para as suas artérias mais conhecidas”, ajudando desta forma “a explorar de forma mais profunda a cidade, a expandir as rotas de autocarro e a introduzir novas paragens, incentivando a imersão nas diversas culturas comunitárias de Macau”.

Esta operadora diz ter expandido a sua rede de autocarros “em duas fases” a fim de promover “o desvio do fluxo de visitantes dos circuitos habituais para bairros do quotidiano, onde a vida comunitária, a cultura local e os pequenos negócios definem o ritmo da cidade”, tendo sido adicionadas também novas paragens.

“Este programa reflecte o compromisso a longo prazo da Galaxy no apoio às políticas do Governo da RAEM, reforçando a atractividade de Macau como Centro Mundial de Turismo e Lazer”, numa interligação ao nível do “Turismo +”, uma das políticas governamentais em curso.

No percurso operado pela MGM, a partida faz-se no MGM Cotai, sendo que a empresa “pretende facilitar a mobilidade dos visitantes na cidade, ao mesmo tempo que os incentiva a descobrir os bairros históricos de Macau e a experienciar de perto a cultura local única da cidade”.

Neste percurso incluem-se “mais de 30 comerciantes” como o “Artsy Cake Studio”, “Baba’s Kitchen” ou “Barra Cafe”, numa rede de estabelecimentos que a MGM pretende expandir e enriquecer com ofertas para os turistas.

Com o pé direito

No sábado, as autoridades realizaram acções de fiscalização para garantir que tudo corria bem no primeiro dia do funcionamento destes autocarros. As operadoras de jogo colocaram painéis informativos nas paragens, e a Direcção dos Serviços de Turismo destacou funcionários para informar os visitantes.

O Governo diz ter “discutido com representantes das empresas de lazer assuntos sobre a frequência das partidas de autocarros shuttle, os mecanismos de organização e planos de emergência”, “exigindo claramente a colaboração das empresas de lazer” na promoção deste programa. Verificou-se que não foi feita publicidade ao jogo nestes percursos.

No primeiro dia, “foram analisadas as condições das vias comunitárias e avaliada a capacidade de tráfego em diversos troços, tendo o processo decorrido com sucesso, sem impacto significativo na pressão geral do tráfego rodoviário dos bairros”.

O Governo promete agora manter “uma estreita comunicação com as empresas de lazer, promovendo de forma ordenada a implementação” deste programa que funciona ainda como “projecto-piloto”. As autoridades pretendem também “recolher as opiniões de todos os sectores da sociedade, avaliando de modo abrangente a eficácia com base na operação prática” do plano.

Japão | Centenas de bombeiros combatem incêndios florestais

Centenas de bombeiros participaram sábado no combate a incêndios florestais no norte do Japão, onde as autoridades pediram a mais de 3.200 pessoas para abandonarem as casas, anunciaram fontes governamentais.

Os fogos nas zonas montanhosas da região de Iwate destruíram já cerca de 700 hectares de floresta desde que começaram há três dias, disseram as autoridades locais num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). Uma imponente coluna de fumo, cujo cheiro era perceptível num raio de 30 quilómetros, elevava-se no vale próximo da cidade de Otsuchi, na região de Iwate.

Enquanto dois helicópteros largavam água sobre a floresta em chamas, vários carros de bombeiros tentavam proteger habitações próximas do fogo, segundo a AFP. As autoridades disseram que pelo menos oito edifícios arderam, mas que todos os residentes conseguiram sair a tempo.

Uma dezena de helicópteros e 1.300 bombeiros, bem como as forças de autodefesa do Japão, foram mobilizados hoje para combater os incêndios. “Estamos a envidar todos os esforços para extinguir” os fogos, afirmou um responsável da autarquia de Iwate à AFP. “No final de contas, espero realmente que chova”, declarou um habitante de Otsuchi à estação pública NHK. Invernos cada vez mais secos aumentaram o risco de incêndios florestais no Japão.

Macau ajuda empresas chinesas a assinarem 109 acordos em Portugal e Espanha

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) de Macau disse que a delegação empresarial que acompanhou a visita do líder do Governo local assinou 109 acordos de cooperação em Portugal e Espanha.

Num comunicado divulgado no sábado à noite, o IPIM disse que os protocolos foram o resultado de mais de 220 sessões de bolsas de contactos com empresas dos dois países europeus. Em 16 de Abril, o instituto referiu que tinha convidado cerca de 240 representantes governamentais e empresariais de Portugal e Espanha a participar em duas sessões de promoção da cooperação económica e comercial.

A comitiva, que reuniu cerca de 120 representantes dos sectores governamental e empresarial de Macau, Hengqin e de outros locais da China, esteve em Lisboa e Madrid entre 19 e 24 de Abril. A delegação organizada pelo IPIM visitou 16 entidades em Portugal e Espanha, incluindo departamentos económicos e comerciais, bem como projectos ligados às áreas da tecnologia e saúde integrada.

O comunicado sublinha que as empresas portuguesas e espanholas demonstraram interesse em apostar não só em Macau, mas também na vizinha zona económica especial de Hengin (ilha da Montanha). As duas áreas podem, em conjunto “criar uma ponte eficiente e conveniente no sentido de apoiar as empresas portuguesas e espanholas na expansão para o mercado chinês”, defendeu o IPIM.

Périplo de sucesso

Sam Hou Fai, o primeiro chefe do executivo da região semiautónoma chinesa a dominar a língua portuguesa, iniciou em Lisboa uma deslocação que passou ainda por Madrid, Genebra e Bruxelas. Em Portugal, Sam Hou Fai encontrou-se com o Presidente da República, António José Seguro, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano.

De acordo com um comunicado divulgado ontem pelo Governo da região chinesa, Sam Hou Fai manifestou em Bruxelas o desejo de relançar as reuniões da Comissão Mista da União Europeia e Macau. O Chefe do Executivo disse que “espera, no futuro, pode retomar” a comissão, cuja 24.ª reunião estava inicialmente agendada para 2020, mas foi adiada devido ao início da pandemia de covid-19.

Sam Hou Fai sublinhou que Macau assinou, em 1992 – antes da transição de administração do território de Portugal para a China – um acordo de cooperação com a então Comunidade Económica Europeia, a antecessora da União Europeia (UE). Num encontro com o vice-presidente do Parlamento Europeu, Younous Omarjee, o líder do Governo de Macau disse contar com o apoio da instituição para reiniciar o mecanismo da Comissão Mista.

Na sexta-feira, Sam Hou Fai já tinha manifestado esperança de que a UE apoie a difusão e promoção de língua portuguesa em Macau, ajudando a região a formar mais quadros profissionais de tradução.

Pacote laboral da discórdia

O Governo de Montenegro é assim: eu quero, posso e mando que o país tenha uma nova Lei Laboral em detrimento de quem trabalha. Todos os partidos com assento na Assembleia da República, excepto o PSD e CDS, são contra as novas regras laborais que o Governo pretende implementar. Até o secretariado nacional da UGT votou por unanimidade a recusar o novo pacote laboral. E recorde-se que, a UGT tem duas tendências políticas.

Uma social-democrata e outra socialista. E a tendência social-democrata votou contra as pretensões do Governo. Há nove meses que o Governo mantém reuniões com os parceiros sociais para chegar a um acordo. Não há acordo, nem nunca devia haver, apesar de o Presidente da República, estranhamente, o desejar. António José Seguro só tinha que vetar uma legislação que pretende prejudicar os trabalhadores quando estes, nos tempos que correm, apenas deviam ser beneficiados. O anteprojecto de reforma da legislação laboral aprovado pelo Governo, prevê a revisão de mais de uma centena de artigos do Código do Trabalho, adorado pelos patrões e contestado pelas centrais sindicais.

As alterações emanadas do Governo visam essencialmente as licenças parentais, amamentação e luto gestacional, trabalho flexível, período experimental dos contratos de trabalho prevendo ainda um alargamento dos sectores que passam a estar abrangidos por serviços mínimos em caso de greve.

O risível disto tudo é que a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social teve o desplante de afirmar que a nova lei “visa aumentar a competitividade da economia e promover a produtividade das empresas”. Se é assim, como é que a maioria do país discorda de tal desiderato?

Para que possam ficar esclarecidos, podemos salientar que a mudança na Lei Laboral que o Governo entende é enorme e os trabalhadores já realizaram uma greve geral contra: a licença parental poder chegar a seis meses com partilha entre progenitores; Governo quer pais a gozar 14 dias de licença seguidos após o nascimento do filho; Mudanças no subsídio parental; Alterações nas regras relativas à amamentação; Governo quer eliminar falta por luto gestacional; Trabalho flexível e direito de recusa a trabalhar ao fim-de-semana; Auto declaração de doença fraudulentas pode dar direito a despedimento; Governo alarga serviços mínimos a mais sectores; Mexidas nos contratos de trabalho a termo certo e incerto; Mudanças noutros regimes de contratos de trabalho; Banco de horas individual regressa; Horas de formação obrigatórias nas microempresas caem para metade; Fim das restrições ao ‘outsourcing’ após despedimentos; Quotas de emprego para pessoas com deficiência; Trabalhadores independentes; Plataformas digitais; Teletrabalho; Compra de dias de férias; Subsídios de férias e Natal podem ser pagos em duodécimos e fim do período experimental de 180 dias no primeiro emprego.

Obviamente que em face da tendência mega conservadora a classe trabalhadora não podia estar de acordo. A falta de consenso entre as partes em negociação é uma realidade. A discórdia é de tal forma, que a surpresa maior foi para a recusa peremptória da UGT, cuja central sindical tem alinhado com governos de direita.

No centro do desacordo estão 10 pontos críticos identificados pela UGT, os quais se traduzem na manutenção do aumento da duração dos contratos a termo e o alargamento dos fundamentos à sua celebração, beneficiando grandes empresas e tornando mais vulneráveis idosos, jovens e desempregados; A manutenção da reintrodução do banco de horas individual dando poder ao empregador para desregular horários com redução de custos e sem compensações efectivas; A manutenção da possibilidade de mudança de categoria com perda de retribuição por deferimento tácito da Autoridade para as Condições do Trabalho; A manutenção da não aplicação das convenções colectivas aos trabalhadores em ‘outsourcing’, tornando mais barato o trabalho e fomentando a substituição/despedimento dos trabalhadores; A manutenção da eliminação de exigências de fundamentação de denúncias da convenção com a vontade injustificada e infundada do empregador a poder imperar; A manutenção da eliminação da arbitragem de apreciação da denúncia e arbitragem necessária após sobrevivência, dando poder ao empregador para fazer cair convenções pelo mero decurso do tempo e sem negociar; A manutenção da possibilidade (pior, aliás, que na versão inicial do anteprojecto) de extensão de uma convenção colectiva ao nível da empresa por mera vontade do empregador, desvalorizando a vontade dos trabalhadores e de quem os representa; A manutenção da generalização dos serviços mínimos da greve, deixando milhares de trabalhadores fora deste direito fundamental e a manutenção das restrições à actividade sindical nas empresas sem trabalhadores filiados, negando a relevância do papel dos sindicatos na defesa dos trabalhadores.

Estamos perante uma discórdia absoluta porque se trata de um reverso inadmissível nos direitos dos trabalhadores adquiridos com o 25 de Abril comemorado no sábado passado. Estamos perante mais um reverso na política que tem vindo a ser implementada pelo governo AD com o apoio do Chega, reverso que tem vindo a preocupar todos os democratas progressistas.

Tailândia pede ajuda à China face a escassez de fertilizantes

A Tailândia pediu sexta-feira ajuda à China para garantir o fornecimento de fertilizantes aos agricultores, perante problemas de escassez causados pela guerra no Médio Oriente, anunciou o primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnkirakul.

O pedido foi feito durante uma reunião em Banguecoque com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, disse o próprio chefe do Governo da Tailândia aos jornalistas, segundo a agência de notícias espanhola EFE. Anutin qualificou a interrupção no fornecimento de fertilizantes em consequência da guerra no Irão como um dos principais problemas da Tailândia.

“Gostaríamos que a China considerasse o fornecimento de fertilizantes, se dispuser de quantidades suficientes, para ajudar os agricultores tailandeses”, disse o político conservador. Anutin também pediu a Pequim que incluísse a Tailândia nas negociações sobre rotas marítimas e transporte de energia a partir do Médio Oriente.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura colocou na quinta-feira a Tailândia entre os países com maiores riscos para a segurança alimentar devido à dependência do golfo Pérsico para a exploração dos solos, especialmente o arroz. Sobre o aspecto energético, Anutin assegurou que nas “actuais condições de relativa estabilidade”, numa alusão à trégua e negociações entre Israel, os Estados Unidos e o Irão, não haverá escassez de petróleo nem interrupções no fornecimento. “No entanto, não diria que a situação seja totalmente segura, já que desconhecemos quanto tempo durará a guerra”, afirmou.

Abertura total

Anutin reafirmou que a Tailândia está aberta a mais investimentos chineses em indústrias como robótica, sensores, veículos eléctricos e inteligência artificial, setores nos quais já circula capital do gigante asiático. O ministro chinês, que visitou anteriormente o Camboja e irá a Myanmar no fim de semana, abordou com Anutin as relações entre Banguecoque e Phnom Penh.

Wang ofereceu-se como mediador para que os países avancem na normalização das relações, após os confrontos na fronteira que provocaram dezenas de mortos em Dezembro de 2025. A China tem intensificado nos últimos anos a presença na região do Sudeste Asiático, com um maior peso em investimentos, comércio e cooperação em segurança, num cenário marcado por tensões estratégicas e competição com os Estados Unidos pela influência.

Rússia | Pequim ameaça UE com retaliação por incluir empresas chinesas em sanções

A China ameaçou a União Europeia (UE) de retaliação depois de Bruxelas incluir diversas empresas chinesas na vigésima ronda de sanções devido à invasão da Ucrânia pela Rússia.

“A China tomará as medidas necessárias para proteger resolutamente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas, e a UE arcará com todas as consequências”, disse um porta-voz do Ministério do Comércio chinês em comunicado publicado sábado à noite no site oficial da instituição.

O porta-voz falou do “forte descontentamento” de Pequim com a decisão e acusou Bruxelas de “ignorar as repetidas queixas e a oposição” do país: “Esta iniciativa da UE contraria o espírito de consenso alcançado pelos líderes da China e da UE e prejudica seriamente a confiança mútua e a relação bilateral”.

“A China exige que a UE remova imediatamente as empresas e os cidadãos chineses da lista de sanções (…) e que encontre soluções para suas respectivas preocupações através de diálogo e consultas”, acrescentou o porta-voz do Ministério do Comércio. Na passada semana, as autoridades da UE revelaram detalhes do mais recente pacote de sanções, que inclui 16 entidades de países terceiros que forneceram sistemas de armas ou bens de dupla utilização (civil e militar) à Rússia.

Bruxelas também visou 28 entidades localizadas na China, incluindo as de Hong Kong, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Tailândia, acusando-as de “fornecer apoio directo ou indirecto ao complexo militar-industrial da Rússia” ou de “estarem envolvidas na evasão de sanções”.

IA | DeepSeek lança novo modelo de IA

A DeepSeek lançou um novo modelo de inteligência artificial (IA) para o agente de conversação da empresa chinesa, após ter surpreendido o sector em 2025 com desempenhos comparáveis aos de rivais norte-americanos. A indústria tecnológica global aguardava há semanas o anúncio, visto como um indicador das ambições da China no sector da IA.

No início de 2025, a ‘startup’ sediada em Hangzhou, no leste da China, lançou um agente conversacional que, segundo a empresa, rivalizava com sistemas como ChatGPT, Gemini ou Claude, mas a um custo inferior. “Hoje, a pré-versão da nossa nova série de modelos, DeepSeek-V4, está oficialmente disponível e publicada numa fonte aberta”, indicou a empresa, numa nota divulgada na rede social chinesa WeChat.

O novo modelo é apresentado em duas versões, DeepSeek-V4-Pro e DeepSeek-V4-Flash, sendo esta última descrita como menos potente, mas mais económica. “Em comparação com a geração anterior, as capacidades de agente do DeepSeek-V4-Pro foram significativamente reforçadas”, acrescentou a empresa.

Em Janeiro de 2025, o lançamento do agente R1 da DeepSeek, com capacidades avançadas de raciocínio, provocou fortes reacções nos mercados, contribuindo para uma queda das acções tecnológicas nos Estados Unidos. Na quinta-feira, a empresa norte-americana OpenAI anunciou um novo modelo de IA, apresentado como o mais avançado do mercado. O GPT-5.5 é a mais recente geração do modelo que sustenta o ChatGPT, uma interface de IA generativa utilizada por cerca de mil milhões de pessoas em todo o mundo.

Myanmar | Prometida mais cooperação em comércio e segurança

A China e Myanmar prometeram fortalecer os laços comerciais e de segurança, particularmente ao longo da fronteira comum, durante conversas que contaram com Min Aung Hlaing, o ex-líder da junta militar que se tornou presidente. O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, concluiu ontem uma viagem pelo Sudeste Asiático a Myanmar (antiga Birmânia), que também incluiu visitas ao Camboja e à Tailândia.

A viagem teve como objectivo fortalecer as relações com estes países diante dos riscos e apresentar Pequim como um parceiro confiável perante a imprevisibilidade do Presidente dos EUA, Donald Trump, e as suas tarifas. Pequim “apoiará firmemente” Myanmar nos seus esforços para salvaguardar a sua soberania e segurança nacionais, afirmou Wang durante uma reunião na capital, Naypyidaw.

“Como este ano marca o primeiro ano do mandato do novo governo em Myanmar, ambos os lados devem aproveitar esta oportunidade para perpetuar e promover sua amizade tradicional”, disse Wang. Min Aung Hlaing tomou posse como presidente no início de Abril, continuando a governar como civil após assumir o poder como chefe da junta militar em um golpe que desencadeou a actual guerra civil.

Após cinco anos de governo autoritário, a sua junta realizou eleições parlamentares em Dezembro e Janeiro, que foram apresentadas como um regresso à democracia.

Economia chinesa | Reforçada segurança com novos regulamentos

Face à crise internacional com resultados cada vez mais imprevisíveis, Pequim aplica novas medidas para ampliar a capacidade de resposta do país em termos económicos e comerciais

A China está a reforçar a segurança na política económica, num contexto de choques globais, com novas regras que ampliam o controlo sobre cadeias de abastecimento e aumentam a capacidade de resposta a sanções, segundo o MERICS. O grupo de reflexão, com sede em Berlim, destacou que o Conselho de Estado publicou em Abril dois conjuntos de regulamentos que visam proteger cadeias industriais, travar estratégias de “redução de risco” por empresas estrangeiras e reforçar a resiliência da economia chinesa face a eventuais sanções de outros países.

Os Regulamentos sobre Segurança Industrial e das Cadeias de Abastecimento, em vigor desde 07 de Abril, e os Regulamentos para Contrariar Jurisdições Extraterritoriais Indevidas por Estados Estrangeiros, aplicados desde 13 de Abril, conferem às autoridades novos poderes para actuar sobre empresas chinesas e estrangeiras, dentro e fora do país, em caso de alegadas infracções.

As medidas integram um conjunto mais amplo de instrumentos de segurança nacional e económica, proporcionando a Pequim maior base legal para retaliar contra comportamentos considerados indesejáveis e impor conformidade, lê-se no relatório do MERICS. Neste contexto, empresas estrangeiras poderão enfrentar pressões crescentes entre os regimes de segurança económica e “redução de riscos” nos seus países de origem e as exigências regulatórias na China.

Riscos persistentes

Em paralelo, o responsável máximo pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, Zheng Shanjie, destacou, num artigo publicado a 20 de Abril no jornal oficial Diário do Povo, os progressos na promoção da autossuficiência tecnológica e industrial, mas alertou para vulnerabilidades persistentes.

Segundo Zheng, a dependência de importações de determinadas matérias-primas continua a expor o país a perturbações nas cadeias de abastecimento, enquanto o acesso limitado a algumas tecnologias mantém “o risco de ser ‘estrangulado’ em áreas cruciais”.

O dirigente defendeu o reforço da resiliência macroeconómica, uma redução adicional das dependências externas e o alargamento dos instrumentos políticos para prevenir estratégias de diversificação de risco por parceiros estrangeiros e, se necessário, permitir retaliações.

Quatro décadas de joias de Vivienne Westwood expostas em Macau

Quatro décadas do trabalho de joalharia da estilista britânica Vivienne Westwood (1941-2022) vão estar expostas no hotel-casino Grand Lisboa Palace a partir de 29 de Abril, anunciou a organização. Macau é a quarta paragem desta exposição, depois de “Vivienne Westwood & Jewellery” ter passado pela Nova Zelândia e pelas cidades chinesas de Xangai (este) e Chengdu (centro).

“Esta prestigiada exposição chega agora à região da Grande Baía, unindo elegantemente o Oriente e o Ocidente através dos designs visionários deste lendário ícone britânico”, lê-se num comunicado da concessionária de jogo SJM [Sociedade de Jogos de Macau] Resorts.

A mostra, que decorre até 15 de Julho, tem curadoria da equipa Vivienne Westwood, apresentando “quatro décadas de joias raras de arquivo e de passarela reunidas pela primeira vez como colecção única”. O evento, lê-se ainda na nota, oferece uma “perspectiva única sobre o mundo de Vivienne Westwood, uma das designers de moda e activistas mais influentes dos séculos XX e XXI”.

Percurso original

A organização apresenta outras razões para visitar a mostra, com entrada gratuita. Trata-se de uma oportunidade de explorar a “linguagem de design e o espírito subversivo” de Westwood, num percurso por oito salas, e descobrir “combinações ecléticas de joias e peças de vestuário que demonstram a requintada mestria da casa de design britânica e a sua profunda influência na moda, na cultura e na sustentabilidade”.

Ainda de acordo com a operadora, a apresentação da colecção “exemplifica o compromisso contínuo da SJM em enriquecer a experiência turística de Macau através de ofertas culturais” e contribui para a estratégia do Governo local de diversificação da economia do território, profundamente dependente do sector do jogo em casino.

Vivienne Westwood nasceu em Derbyshire, Inglaterra, em 1941, tendo sido uma das designers de moda mais conhecidas do mundo pelas suas roupas irreverentes e provocadoras. Juntamente com o seu parceiro, Malcolm Mclaren, músico e manager dos Sex Pistols, estendeu a sua maneira de vestir e de fazer roupa ao mundo do punk, estabelecendo uma ligação com os próprios Sex Pistols, nos anos 70. Vivienne Westwood morreu em Londres, em 2022.

FRC | Literatura de António Lobo Antunes hoje em discussão

A Fundação Rui Cunha apresenta hoje uma sessão dedicada à literatura de António Lobo Antunes, um dos grandes vultos das letras portuguesas contemporâneas recentemente falecido. A sessão, integrada no ciclo “Pauta de Histórias”, chama-se “António Lobo Antunes: Quando escrever é ouvir com força”, começa às 18h30 e conta com Sérgio Guimarães de Sousa, professor catedrático da Universidade de Macau

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a conferência “António Lobo Antunes: Quando escrever é ouvir com força”, dedicada ao conhecido escritor português falecido no passado dia 5 de Março.

A palestra de hoje insere-se no ciclo “Pautas de Histórias” e tem a presença de Sérgio Guimarães de Sousa, professor catedrático do Departamento de Português da Universidade de Macau. Segundo uma nota da FRC, pretende-se nesta sessão “oferecer uma visão panorâmica da obra de António Lobo Antunes, de modo a enfatizar o merecimento literário ímpar da sua vasta criação romanesca”, fazendo-se uma homenagem ao “gigante da nossa literatura”.

A ideia é oferecer aos participantes “a visão de António Lobo Antunes sobre a escrita, não como um acto de invenção pura, mas como um processo de escuta intensa e profunda do que está oculto”, relativamente às “vozes interiores, as memórias e a realidade, muitas vezes dolorosa”.

“A expressão terá surgido numa entrevista, após a publicação de um dos seus livros, quando questionado sobre o projecto seguinte. O escritor e médico psiquiatra terá respondido que se sentia “angustiado, à espera que surjam novas vozes”, descreve Guimarães de Sousa, citado pela mesma nota. Lobo Antunes terá dito também que “escrever é escutar com mais força. É só organizar as vozes, é um delírio organizado”, sendo estas ideias debatidas na conferência de hoje.

Prémio adiado

Repetidamente indicado como potencial candidato ao Prémio Nobel da Literatura, que em Portugal foi unicamente, até à data, atribuído a José Saramago, António Lobo Antunes foi “um autor lúcido e atormentado, acutilante e sorumbático, dono de uma melancolia seca, muitas vezes irónica, resultante das experiências que o marcariam para a vida: a guerra do ultramar, a medicina e a escrita”, é descrito.

Esteve na guerra do Ultramar, como tantos jovens da sua idade, sendo que a passagem por Angola, onde foi alferes miliciano, “está reflectida em grande parte da sua obra, de modo inequívoco e fracturante”.

Uma das obras de Lobo Antunes onde a guerra está muito presente é na colectânea de cartas que escreveu à sua esposa nestes anos, intitulada “Cartas da Guerra – D’este Viver Aqui Neste Papel Descripto”, e adaptada ao cinema por Ivo M. Ferreira, no filme “Cartas da Guerra”.

Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1942, e tirou o curso de Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, tendo-se especializado em Psiquiatria. A mobilização para o serviço militar chegou em 1970. Os seus primeiros livros foram “Memória de Elefante” e “Os Cus de Judas”, seguindo-se “Conhecimento do Inferno” em 1980. “A Ordem Natural das Coisas”, editado em 2025, foi o seu último livro publicado.

Carreira cheia

Sérgio Guimarães de Sousa é doutorado em Literatura Portuguesa pela Universidade do Minho, onde começou a leccionar em 1997. Não obstante a sua especialização em estudos camilianos, é co-autor do “Dicionário da Obra de António Lobo Antunes”, publicado pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda em 2008, ao lado de Maria Alzira Seixo, Graça Abreu, Eunice Cabral, Maria Fernanda Afonso, e Agripina Carriço Vieira.

Em 2015, a Texto Editora lançou também a obra “Quem sou eu? Ensaios sobre António Lobo Antunes”, em que é autor individual do VI Volume da Colecção António Lobo Antunes.

Actualmente a leccionar na Universidade de Macau, Sérgio Guimarães de Sousa foi ainda professor convidado na Universidade Blaise Pascal (Clermont Ferrand, França) e na Universidade de São Paulo, Brasil; foi FLAD/Visiting Associate Professor na Brown University, nos EUA, e Associate Professor na mesma instituição, por concurso internacional; foi também Professor Visitante na University of Massachusetts Dartmouth, EUA, e na Universidade Federal do Paraná, Brasil.

É ainda coordenador científico do Centro de Estudos e da Casa-Museu de Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão, Conselheiro da Cátedra Camilo Castelo Branco (Universidade de Lisboa/Câmara Municipal de Sintra), Director do Centro de Estudos Mirandinos e membro dos órgãos sociais da Fundação Cupertino de Miranda. É também membro do PEN Club português, da Associação Portuguesa de Críticos Literários e da Associação Portuguesa de Estudos Franceses.

Visitantes | Registado novo recorde até Março

Macau registou a entrada de mais de 11,2 milhões de visitantes no primeiro trimestre do ano, um recorde na história do território para os três primeiros meses do ano, indicam dados divulgados na sexta-feira. No primeiro trimestre de 2026, entraram na RAEM 11.213.904 visitantes, mais 13,7 por cento do que no mesmo período do ano anterior (9.862.665), indica-se num comunicado da Direção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Nunca na história do território a cidade recebeu tantos visitantes entre Janeiro e Março. Há 10 anos, em 2016, entraram cerca de 7,5 milhões de visitantes em Macau e, em 2006, o valor alcançou cerca de 5,2 milhões de entradas. O valor mais alto registado anteriormente, nos três primeiros meses de um ano, foi em 2019, antes da pandemia da covid-19, com quase 10,4 milhões de visitantes.

Ainda em relação ao primeiro trimestre de 2026, o número de entradas de excursionistas (cerca de sete milhões) e o de turistas (cerca de 4,2 milhões) aumentaram, em termos homólogos, 20,3 por cento e 4,1 por cento, respectivamente.

A maioria dos visitantes durante o período em análise continua a ser da China continental, com cerca de 8,4 milhões, uma subida de 16,4 por cento, em termos anuais, referiu ainda a DSEC. O número de entradas de visitantes de Hong Kong (cerca de 1,8 milhões) e de Taiwan (285.464) aumentaram 1,8 por cento e 29,1 por cento, respetivamente, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

Nos primeiros três meses do ano, o número de entradas de visitantes internacionais totalizou 755.756, ou seja, mais 10,7 por cento, em termos anuais.

Crime | Funcionária apropria-se de 600 mil patacas de propinas

Uma ex-funcionária de uma associação de natação foi detida, por suspeitas de utilizar a sua posição para cobrar propinas a 159 alunos, arrecadando mais de 600 mil patacas. A mulher apropriou-se do dinheiro, simulando que estavam a ser oferecidas promoções no pagamento das propinas.

De acordo com a informação da PJ, a associação organiza cursos de natação de Verão desde 2021. Como os cursos tinham muita procura, a mulher foi contratada, em 2023, para tratar de aspectos administrativos, incluído a cobrança das propinas.

No entanto, os dirigentes começaram a estranhar o facto de apesar do número de alunos continuar a aumentar, as receitas ficarem abaixo do esperado. Quando foi pedida informação à trabalhadora, esta adiou por várias vezes a apresentação de contas, até que em Novembro do ano passado desapareceu, e ficou totalmente incontactável.

A associação apresentou queixa e a PJ descobriu que entre Abril de 2024 e Novembro do ano passado, a mulher ofereceu promoções falsas, em nome da associação, para levar os pais a pagarem o dinheiro, com o qual ela ficava. As propinas eram pagas na sua conta privada de Mpay, com a vítima a receber entre 1,5 mil até 3,7 mil patacas de cada inscrito.

O caso foi encaminhado para o MP e a mulher está indiciada pelo crime de burla de valor consideravelmente elevado. Apesar dos problemas, os inscritos vão poder continuar a frequentar as aulas.

CAM | Negociações para criar ligação Macau- Lisboa

A CAM quer mais voos para grandes centros de transporte no Interior, que permitam mais partidas de Macau para a Europa, com escalas pelo meio. A nível do transporte de carga, os dados oficiais mostram uma procura cada vez maior

A CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau está em negociações com a Capital Airlines, transportadora do Interior, para lançar voos entre Macau e Lisboa. A revelação foi feita por Edman Lei, subdirector do Departamento de Marketing da CAM, em declarações à TDM.

“Esperamos lançar voos da Capital Airlines de Hangzhou para Macau de forma a podermos usar Hangzhou como ponto de trânsito nos voos directos para Lisboa”, revelou Edman Lei. A Capital Airlines tem actualmente um voo entre Hangzhou e Lisboa. O objectivo da CAM é voar para Hangzhou, como ponto de trânsito para os passageiros apanharem nesse aeroporto os voos directos.

Os planos da empresa passam não só por utilizar este método no voo para Lisboa, mas igualmente em outras ligações aéreas. “Utilizando Pequim, Chengdu e Chongqin como centros de trânsito, o aeroporto tem como objectivo manter os tempos de ligação nas três horas e oferecer um serviço de check-in de bagagem num único ponto para voos com destino a países como Espanha e outros europeus”, explicou.

O voo entre Macau e Portugal, com escala em Hangzhou, faria assim parte da estratégia da CAM de diversificar a oferta de voos do território para centros de aviação no Interior, aproveitando a maior oferta destes aeroportos.

Aposta na carga

Nas declarações prestadas à TDM, os responsáveis da CAM destacaram ainda o maior crescimento do transporte de cargas, que contrasta com a situação a nível dos passageiros, que no ano passado sofreu uma quebra.

“Em 2025, o volume de carga nas rotas europeias foi de aproximadamente 31.700, representando cerca de 29,3 por cento do volume total de carga do aeroporto. Deste total, a rota para Madrid movimentou aproximadamente 8.700 toneladas, representando cerca de 8 por cento”, revelou Frank Wu, director do Departamento Logística e Desenvolvimento da Aviação Geral da CAM.

“O comércio electrónico transfronteiriço é o principal motor, representando 90 por cento do volume de carga do aeroporto. Para rotas de longa de distância, o aeroporto planeia promover voos na plataforma sino-portuguesa e pretende expandir-se para a América do Sul, tal como o Brasil. O Brasil tem uma grande população e uma elevada frequência de utilização de serviço de comércio electrónico”, acrescentou.

Natalidade | Creches com menos inscrições

As inscrições nas creches ligadas à União Geral das Associações de Moradores de Macau (Kaifong) e à Associação Geral das Mulheres de Macau apresentam uma redução anual de cerca de 24 por cento e seis por cento. Os dados foram divulgados no sábado.

Segundo o jornal Ou Mun, as quatro creches dos Kaifong ofereceram 322 vagas e receberam 669 candidaturas, significando a proporção de duas candidaturas por cada vaga disponível. Os Kaifong consideraram que o número deste ano já correspondeu à previsão e mostrou a tendência contínua da queda de natalidade.

Por seu turno, as oito creches das Mulheres receberam 2120 candidaturas, uma queda de 150 candidaturas em termos anuais, enquanto o número de inscrições não repetidas foi de 1.261 candidaturas, uma diminuição de 419 candidaturas.

Trânsito | Menos acidentes no primeiro trimestre

A Polícia de Segurança Pública anunciou que foram registados 3.426 acidentes de trânsito no entre Janeiro e Março deste ano, o que representou uma diminuição de 5,52 por cento em comparação com o período homólogo. Destes 3.426 acidentes, 133 envolveram peões.

Registaram-se ainda 1.325 pessoas feridos, sem que tenham sido assinaladas mortes. Nos primeiros três meses do ano, a polícia instaurou processos em 164 casos de não cedência de passagem a peões nas passadeiras e passou 20 multas por excesso de passageiros. Foram instaurados processos num total de 1.467 casos de peões que atravessaram a estrada ilegalmente, o que representa uma diminuição de 38 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior.

IA | Lançado projecto para colocar robôs a ajudar idosos

O Executivo pretende promover uma melhor qualidade de vida da população idosa, numa altura em que o envelhecimento no território se acentua

O Governo apresentou na sexta-feira um projecto para promover uma melhor qualidade de vida da população idosa, em rápido crescimento no território, que inclui robôs a ensinar tai chi e inteligência artificial (IA) para combater a solidão.

As autoridades lançaram uma área de exposição de cuidados inteligentes para idosos e de gerontecnologia, para promover o uso de tecnologia no apoio à população de terceira idade da cidade. Na cerimónia de abertura, o presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Hon Wai, sublinhou que “o Governo de Macau definiu a ‘big health’” e “a tecnologia inteligente”, como áreas prioritárias no plano de apoio à comunidade idosa até 2035.

Segundo o responsável, o Governo Central apresentou no 14.° Plano Quinquenal pela primeira vez o combate “activo do envelhecimento populacional” como uma estratégia nacional. A China tem registado quedas populacionais anuais, numa tendência inédita desde o início da década de 1960.

As autoridades estimam que, até 2035, mais de 400 milhões de chineses terão mais de 60 anos, o que representará cerca de um terço da população e aumentará a pressão sobre o mercado de trabalho, o sistema de pensões e o crescimento económico.

Em Macau, a população idosa ultrapassou pela primeira vez a dos jovens em 2023, com as autoridades locais a preverem uma “superbaixa taxa de natalidade” ainda esta década e perto de um quarto da população idosa até 2041. Com o número de nascimentos a cair, os idosos de Macau, com 65 ou mais anos – cerca de 105.200 em 2025 – representavam já 15,3 por cento da população, mais 0,7 pontos percentuais do que no ano anterior.

Dar explicações

As autoridades do território indicaram na sexta-feira quererem organizar sessões explicativas dirigidas a empresas de ‘design’ de interiores e de remodelação, com o objectivo de aprofundar o conhecimento do sector sobre a adaptação do ambiente domiciliário para idosos, com novas tecnologias a apoiar esta população no dia-a-dia.

Entre os expositores presentes no evento, esteve o Centro de Ciência de Macau, que apresentou um robô humanóide produzido pela empresa chinesa AgiBot, que pode ser programado para comunicar e fazer companhia a idosos.

“Este tipo de robô já é um sucesso de vendas no interior da China e pode fazer companhia aos idosos, conversar, mudar expressões faciais e até ensinar tai chi ou dançar (…) Apesar das limitações em tarefas complexas, o robô é visto como uma ferramenta para combater a solidão”, descreveu à Lusa. A companhia de Xangai obteve mais de mil milhões de yuan em receita em 2025, exportando quase 10.000 robôs humanóides globalmente, segundo informação da empresa.

Ao mesmo tempo, a Votee, uma startup tecnológica de Macau e Hong Kong, apresentou na sexta-feira ‘software’ de IA que “pode ajudar a treinar assistentes sociais a lidar com idosos, melhorar a sua capacidade de resposta e até fazer companhia, registando memórias e histórias de vida”, descreveu o director comercial, Jeff Tai, à Lusa.

Segundo o responsável, a tecnologia entende cantonês, a língua mais falada em Macau, e pode “conversar com eles e transcrever o que dizem, ajudando-os a exercitar o raciocínio e a chamar assistência em caso de emergência, mesmo através da leitura de expressões faciais”.

Alerta de imobilidade

Já Alex Siu, director de Inovação em IA e Big Data da Companhia de Telecomunicações de Macau, destacou a tecnologia desenvolvia pela maior empresa de telecomunicações do território, que permite a monitorização de tendências de mobilidade da população idosa através de GPS em telemóveis.

“Podemos ver as áreas em que eles se movimentam mais, ou se passam mais tempo em casa. No entanto, não monitorizamos cada pessoa individualmente, só a tendência de movimento da população em grupo. Isto pode ajudar o Governo a planear medidas que possam ajudar esta população”, contou Siu à Lusa.