Rota das Letras | Concerto de Rodrigo Leão em Dezembro

O concerto “O Rapaz da Montanha”, do músico português Rodrigo Leão, tem nova data, acontece a 10 de Dezembro deste ano, às 20h, no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM). Recorde-se que este espectáculo integrou a programação da mais recente edição do festival literário Rota das Letras, mas foi adiado devido à suspensão de voos provocada pelo conflito no Médio Oriente.

Segundo um comunicado da organização do festival, foi feito um trabalho de comunicação “em estreita colaboração com o artista para confirmar a nova data, mantendo a integridade da produção original”. Todos os bilhetes previamente adquiridos permanecem válidos para a nova data. Os detentores de bilhetes que necessitem de assistência ou reembolso devem contactar os responsáveis do Festival Literário de Macau.

Rodrigo Leão é uma figura de destaque na música portuguesa contemporânea. Membro fundador de bandas emblemáticas como os Sétima Legião e Madredeus, a sua carreira a solo tem obtido reconhecimento internacional pela fusão única de canção popular, arranjos clássicos e minimalismo electrónico.

Legalização de apostas ‘online’ vai redefinir mercado asiático

O analista da corretora Seaport Research Vitaly Umansky afirmou ontem que a próxima grande mudança na indústria do jogo na Ásia não virá de novos hotéis-casino, mas da eventual legalização das apostas desportivas ‘online’ na região.

Num seminário realizado durante a G2E Asia, a maior expo da indústria do jogo na Ásia, Umansky descreveu que, enquanto a Europa e os Estados Unidos já legalizaram as apostas desportivas ‘online’, “a indústria de jogo ‘online’ [na Ásia] é enorme, mas quase toda ilegal.”

“O verdadeiro grande ‘boom’ no jogo vai ser ‘online’, mas num formato regulado”, afirmou o analista. Umansky previu que os governos serão forçados a agir à medida que percebam a dimensão da actividade não tributada.

“Cada vez mais países e jurisdições vão licenciar estas apostas. Foi o que aconteceu nos EUA. Passámos de, efectivamente, um estado com apostas desportivas para 40 estados. Vai acabar por acontecer na Ásia”, avisou.

Ao mesmo tempo, o analista acrescentou que a transição não será uniforme, mas “eventualmente vai acontecer em todas as jurisdições na Ásia.” As apostas desportivas ‘online’ na Ásia são geralmente proibidas ou estritamente regulamentadas, com a maioria dos países a bani-las muitas vezes devido a restrições culturais ou religiosas.

As apostas desportivas legais, geridas pelo Estado ou licenciadas, existem apenas em algumas jurisdições, incluindo Filipinas, Singapura e Macau. A G2E Asia e Asian IR Expo, dois eventos de referência para a indústria do jogo, entretenimento e hotelaria, decorrem em paralelo entre hoje e 14 de maio no hotel-casino Venetian Macau.

Fenómeno Singapura

No que toca ao jogo tradicional em casinos, o diretor-geral da corretora Morgan Stanley, Praveen Choudhary, fez um resumo do desempenho dos maiores mercados a região, com Macau e Singapura à cabeça, mas com uma recuperação impressionante da cidade-Estado após a pandemia covid-19.

“O mercado de jogo em Singapura depois da pandemia tem sido excepcional, a valores 187 por cento acima do nível précovid”, afirmou Choudhary no mesmo evento, sublinhando que este crescimento aconteceu apesar de o número de visitantes ainda ser menor do que os valores anteriores à crise sanitária. Segundo dados da Morgan Stanley, em 2018 Singapura registou 2,7 mil milhões de dólares em resultados do jogo, um valor que caiu abruptamente para 1,3 mil milhões em 2020 com o impacto da pandemia.

A partir daí a recuperação foi rápida, chegando a 3,9 mil milhões de dólares em 2024 e a 4,6 mil milhões em 2025, superando claramente os níveis précovid, e mantendo os mesmos dois hotéis-casino, o Marina Bay Sands e o Resorts World Sentosa.

Com 20 casinos divididos por seis operadoras, Macau fechou 2025 com receitas de jogo totais de 247,4 mil milhões de patacas, mais 9,1 por cento do que no ano anterior. No entanto, apesar do aumento no número de visitantes, os valores gerados pelos casinos locais continuam abaixo dos registados antes da pandemia.

Choudhary observou que em Singapura as receitas de jogo VIP (grandes apostadores) voltaram aos níveis précovid, enquanto em Macau estes valores estão a “13 por cento a 15 por cento ” do nível antes da pandemia. Para o analista, a diferença explicase pela “acumulação de riqueza” em Singapura, que levou a um maior número de apostadores VIP na cidade.

“Não se trata de visitantes que vêm jogar, como acontece em Macau, mas pelas pessoas ricas que vivem em Singapura. O número de pessoas ricas que imigraram para esta cidade nos últimos dois anos é insano”, destacou Choudary.

Os homens que evitam psicoterapia

Há um dado que aparece de forma consistente na investigação: os homens recorrem menos à psicoterapia do que as mulheres. Procuram menos ajuda, permanecem menos tempo em acompanhamento e, muitas vezes, chegam mais tarde — quando o sofrimento já está instalado de forma mais profunda. Isto não significa que sofram menos. Aliás, os homens têm das maiores taxas de suicídio registadas – apesar das mulheres terem mais ideação suicidada e tentarem mais vezes.

A explicação mais imediata para que os homens não peçam ajuda tende a estereótipos já conhecidos: os homens não falam, não sabem identificar emoções ou evitam a vulnerabilidade. Esta é uma compreensão insuficiente — e até redutora. Não se trata apenas de uma incapacidade individual. Trata-se de uma construção cultural profundamente enraizada na sociedade sobre o que é ser homem.

Desde cedo, muitos homens aprendem que é uma virtude não expressar emoções. Que pedir ajuda é sinal de fraqueza ou que a dor deve ser gerida em silêncio: boys don’t cry. A linguagem emocional, quando existe, é muitas vezes limitada ou pouco praticada. E quando não se tem linguagem, torna-se mais difícil reconhecer o que se sente — e ainda mais difícil partilhá-lo.

A psicoterapia, por sua vez, exige precisamente o contrário: pausa, introspecção, contacto com a experiência interna, capacidade de nomear estados emocionais ambíguos. Exige tempo e um certo grau de tolerância ao desconforto. Para alguém socializado na ideia de que “resolver” é agir rapidamente e seguir em frente, este processo pode ser pouco produtivo.

Há também uma questão de expectativa. Muitas pessoas chegam à terapia à procura de soluções concretas e rápidas: “o que é que faço para deixar de me sentir assim?” Quando se deparam com um espaço que devolve perguntas em vez de respostas, surge a frustração, e abandonam o processo.

Mas a dificuldade não está apenas nos homens, ou na forma como são socializados. Está também na forma como a própria psicoterapia se organizou. Durante décadas, muitos modelos terapêuticos valorizaram formas de expressão emocional mais alinhadas com padrões tradicionalmente associados ao feminino: verbalização, introspecção prolongada, exploração detalhada da experiência interna. Isto não é um problema em si, muito pelo contrário — mas pode tornar o setting terapêutico menos apetecível para quem não vê valor nestas estratégias.

Importa também reconhecer que “os homens” não constituem um grupo homogéneo. Pessoas trans, não-binárias ou homens queer podem viver relações muito diferentes com a psicoterapia. Para algumas pessoas LGBTQIA+, a terapia foi — e continua a ser — um espaço fundamental de sobrevivência emocional, sobretudo perante experiências de discriminação e violência. Mas também existe desconfiança, que é legítima: durante décadas, identidades queer e trans foram patologizadas por discursos clínicos e psicológicos. Isto significa que, para muitas pessoas dissidentes em termos de género e sexualidade, entrar num consultório pode activar tanto uma expectativa de cuidado como o receio de julgamento ou incompreensão. Falar da relação entre homens e psicoterapia exige alguma cautela para não transformar experiências muito diferentes numa única narrativa masculina.

Por isso, a questão não deve ser colocada apenas como “porque é que os homens não vão à terapia?”, mas também como “que condições estamos a criar para que possam ir?”. Isto implica olhar para expectativas de género, sim, mas também para práticas clínicas e o discurso público à volta dela. Alguns estudos sugerem que abordagens mais estruturadas, orientadas para objectivos, ou que integrem o corpo e a acção, podem facilitar a adesão deste grupo à terapia. Não porque “os homens são assim”, mas porque diferentes percursos de socialização produzem diferentes portas de entrada para o campo emocional.

Normalizar a vulnerabilidade masculina não é apenas dizer aos homens para falarem mais – porque achamos que falam de menos. É criar contextos onde falar e partilhar a vulnerabilidade não seja vivido como uma prática alienígena. É reconhecer que a resistência à terapia é bem mais complexa do que uma mera teimosia. Abandonemos leituras simplistas: os homens não são menos emocionais. Muitas vezes, são apenas menos autorizados a viver essas emoções de forma consciente.

A psicoterapia pode ser um dos espaços onde essa autorização começa. Mas, para isso, é preciso que o convite faça sentido.

Primeira jornada de apuramento para GP Macau decorreu em Zhuhai

O Circuito Internacional de Zhuhai acolheu, no passado fim-de-semana, a primeira de duas jornadas duplas do Macau Roadsport Challenge e do GT4, competições organizadas pela Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) e que servirão para apurar os pilotos locais para o 73.º Grande Prémio de Macau.

O Macau Roadsport Challenge, cuja grelha de partida se divide entre os Toyota GR86 (ZN8) e os Subaru BRZ (ZD8), voltou a juntar mais de meia centena de pilotos, o que levou a AAMC, a exemplo de anos anteriores, a separar a grelha em dois pelotões: Grupo A e Grupo B.

Na primeira corrida do Grupo A, partindo da pole-position, Wong Chuck Pan dominou de princípio a fim e venceu à frente de Hu Zuoling e Leong Keng Hei, tendo este sido o melhor classificado de Macau. Na segunda prova, Damon Chan recuperou do quinto para o primeiro lugar, superando o companheiro de equipa Wong Chuck Pan, com Leong Keng Hei a completar novamente o pódio.

No Grupo B, a vitória inaugural coube a Li Kwok Chuen, seguido de Bayern Yip e Leung Chi Ho, este o melhor entre os pilotos locais. Na segunda corrida, Su Jiangnan aproveitou um erro do favorito Li Kwok Chuen, que seguia na liderança, e triunfou, batendo Bayern Yip e Leung Tse Wa.

Badaraco praticamente apurado

Jerónimo Badaraco, que este ano regressa à competitiva disciplina dos carros de turismo ao volante de um Toyota GR86 da Flexible Speed, deixou praticamente garantida a qualificação para o Grande Prémio de Macau, agendado para Novembro.

Depois de assegurar o sexto lugar da grelha para a primeira corrida do Grupo B na sessão de qualificação de sábado, tudo apontava para uma prova disputada em piso seco, até que, momentos antes do arranque, a chuva começou a cair ligeiramente sobre o traçado. Numa corrida particularmente movimentada, Badaraco conseguiu inclusive ascender provisoriamente ao quarto posto. Com o agravamento das condições meteorológicas e após uma intensa luta em pista, o piloto levou o seu Toyota até à bandeira de xadrez na quinta posição, somando pontos importantes no seu grupo.

Na segunda corrida, partindo do quinto lugar da grelha e enfrentando condições extremamente difíceis devido à chuva forte, o piloto macaense manteve-se totalmente concentrado no objectivo de chegar ao fim entre os primeiros, apesar dos vários incidentes em pista e das intervenções do Safety Car. No final, garantiu um sólido sexto lugar, arrecadando novamente pontos preciosos para as contas do apuramento.

Manhão estreou-se em GT4

As duas corridas da categoria GT4, que servirá para apurar os participantes para a Taça GT – Corrida da Grande Baía, foram também pontuáveis para a SRO GT Cup. Assim, mais de duas dezenas de concorrentes alinharam à partida no circuito que este ano celebra trinta anos de existência.

Han Lichao, piloto do Interior da China e que terminou em segundo no Circuito da Guia em 2025, venceu as duas corridas do fim de semana ao volante do seu Toyota GR Supra GT4 EVO2 da Toyota Gazoo Racing China. O melhor dos pilotos da RAEM foi Chan Ka Ping, que, com um Audi R8 LMS GT4, obteve um quinto lugar na segunda corrida.

A estrear-se na categoria, Maximiano Manhão conduziu um dos dois McLaren 570S GT4 inscritos pela equipa LW World Racing Team. O jovem piloto macaense, que ainda conta poucos quilómetros no automobilismo, apesar de ter feito a sua formação no Kartódromo de Coloane, terminou a primeira corrida no 18.º lugar e a segunda no 17.º. A segunda jornada de apuramento decorrerá novamente entre 28 e 31 de Maio no Circuito Internacional de Zhuhai.

Letras&Companhia | Peça de teatro “A Revolta dos Lusecos” este sábado

A Sílaba – Associação Educativa e Literária juntou-se ao festival “Letras&Companhia” e apresenta no sábado a peça de teatro “A Revolta dos Lusecos”, escrita por Carlos Alberto Silva e interpretada por 14 crianças. A peça tem como pano de fundo o 25 de Abril e o fim do Estado Novo

O universo da revolução do 25 de Abril será o ponto de partida de um evento do festival de literatura infantil “Letras&Companhia”. Trata-se da peça “A Revolta dos Lusecos”, da autoria de Carlos Alberto Silva, e que será interpretado por 14 crianças através de um trabalho de encenação da Sílaba – Associação Educativa e Literária.

Segundo o programa do festival, a peça faz uma “abordagem lúdica e participativa” dos “acontecimentos marcantes do 25 de Abril de 1974”, utilizando “a narrativa literária como ferramenta de mediação histórica”.

Com esta peça, os programadores do festival esperam “sensibilizar o público mais jovem para os valores da liberdade e da cidadania, transformando a leitura numa experiência viva e partilhada em palco”. A peça será apresentada no IPOR a partir das 18h.

Ao HM, Susana Diniz, presidente e fundadora da Sílaba, disse que surgiu a oportunidade de apresentar esta peça em Macau dado o autor ser amigo da associação. Além disso, “A Revolta dos Lusecos” foi “o primeiro a sair na ‘Dinis Caixapiz’ em 2024”, que é “uma caixa de subscrição de livros infantis” com apoios do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Fundo de Desenvolvimento e Cooperação de Macau.

Segundo Susana Diniz, esta “rede de apoio institucional ajudou a criar as condições para trazermos a peça a Macau e integrá-la neste festival, numa lógica de partilha cultural entre Portugal e Macau”.

A ideia foi “tornar a aprendizagem mais fácil e mais viva” com a apresentação desta peça, cuja ideia central foi desenvolvida na Sílaba. Desta forma, “A Revolta dos Lusecos” permite à associação “representar parte de uma história recente de Portugal que é muito importante: a transição para a democracia após o Estado Novo”.

“É uma oportunidade única para mostrar às crianças e aos jovens de Macau que o caminho para a democracia foi difícil, que não foi um processo automático ou inevitável, mas sim o resultado de coragem, resistência e sacrifício de muitas pessoas. Acreditamos que esta mensagem é universal e relevante para qualquer jovem, independentemente do contexto geográfico”, disse Susana Diniz.

A fundadora da Sílaba acrescentou que trabalhar uma obra criada por um autor conhecido ajuda a criar “uma ponte mais directa e afectiva entre os miúdos e a história”.

Missão cumprida

Susana Diniz é a responsável pela encenação, com o auxílio de outros membros da associação, uma colaboração que descrever como “essencial para gerir um projecto desta dimensão”.

“O espectáculo vai contar com música, imagens projectadas e os miúdos em palco, num cenário construído para a ocasião”, descreve Susana Diniz, que fala ainda no trabalho desenvolvido ao nível da adaptação do texto e preparação das crianças. Tem sido “muito gratificante ver que eles se divertem e, sobretudo, que compreendem as suas personagens”, frisou. “Quando um miúdo de 10 anos consegue explicar o que sentia um luseco em 1974, percebemos que o teatro está a cumprir a sua função: contar uma história e fazê-la viver dentro de quem a conta.”

Creative Macau | Xi Di com mostra que vai além da caligrafia

A galeria da Creative Macau apresenta, até 30 de Maio, a exposição “Tinta como Vazio”, com trabalhos de instalação e caligrafia de Xi Di, poeta, escritor e calígrafo radicado em Macau.

Segundo a Creative Macau, há mais de uma década que o trabalho de Xi Di “ultrapassa as fronteiras da poesia, ficção, caligrafia e teatro”, sendo que, nos últimos anos, a sua “prática criativa evoluiu para uma ‘integração’ mais livre”.

Xi Di tem vindo a centrar-se mais na caligrafia contemporânea, “o que permite que o texto se liberte da página, entrelaçando-se com a poesia, a instalação e o espaço teatral”, é descrito pela organização.

Desta forma, nesta mostra “Xi Di vai além dos formatos caligráficos tradicionais”, tratando o pincel, a tinta e o papel “como elementos estruturais do ambiente espacial, situando as linhas caligráficas em contextos contemporâneos de pintura, vídeo e instalação para criar uma experiência visual imersiva”.

Nesta mostra, “o texto já não é meramente ‘lido’, mas ‘sentido'”, ou seja, “um ambiente a ser habitado”. “Ao fundir profundas raízes literárias com uma visão contemporânea de espírito livre, o seu trabalho a tinta serve não só como herança, mas como uma ressonância vital da vida moderna”, adianta a Creative Macau, sendo que “Ink as Void” é “um diálogo entre caligrafia, literatura e espaço”.

“Para o artista, cada traço é simultaneamente um verso e uma instalação espacial”, onde a “tinta” serve de “ponte que liga estas dimensões, redefinindo a posição da caligrafia no domínio espacial”, acrescenta-se na mesma nota.

No que diz respeito à escrita de Xi Di, os seus poemas estão presentes em “importantes antologias tanto a nível local como internacional, caracterizando-se por uma voz simultaneamente suave e resoluta, que capta sentimentos pessoais a par de reflexões sobre a era contemporânea”.

Mostra de Macau na Bienal de Veneza para ver até Novembro

A exposição “Polifonia de Jacone”, com trabalhos dos artistas locais Eric Fok Hoi Seng, O Chi Wai e Veronica Lei Fong Ieng, está patente até 22 de Novembro na 61ª edição da Exposição Internacional de Arte – Bienal de Veneza. Com curadoria de Feng Yan e Cindy Ng Sio Ieng, e organizada pelo Instituto Cultural (IC) e Museu de Arte de Macau (MAM), a mostra foi recentemente inaugurada em Veneza.

Segundo uma nota do IC, a exposição segue “o fio narrativo da trajectória de vida do pintor, e poeta convertido ao catolicismo da dinastia Qing inicial, Wu Li (conhecido em português como Jacone), bem como a confluência cultural de Macau”.

Os três artistas, “através de uma lente contemporânea, desconstroem e reimaginam este legado, focando fragmentos esquecidos da história”, sendo que o projecto está de acordo com o tema da Bienal deste ano, “Em Tons Menores”. Segundo o IC, o conjunto de criações oferece ao público “uma meditação sobre compreensão e fusão intercultural no contexto da globalização”.

O IC descreve que os três artistas “respondem à jornada transcultural de Wu Li a partir das suas perspectivas distintas”, sendo que Eric Fok Hoi Seng “revisita cenas históricas através de pinturas minuciosas, criando uma disjunção entre o real e o imaginado”. Já O Chi Wai “trabalha com imagens e instalação para examinar a fluidez da fé e da cultura”, enquanto Veronica Lei Fong Ieng “tece memória e lugar com sensibilidade perceptiva”.

A “polifonia” de Jacone “emerge do diálogo entre estas obras e aborda a questão premente de como, num contexto global marcado pela convergência cultural, se pode traçar um caminho para a compreensão intercultural e o autodiálogo, permanecendo enraizado nas próprias raízes culturais”.

Desta forma, acrescenta o IC, “a exposição oferece também uma nova perspectiva sobre a identidade cultural singular de Macau como fronteira histórica do encontro entre Oriente e Ocidente”.

Uma figura peculiar

Wu Li “foi uma figura pioneira na troca intercultural durante o final da dinastia Ming e início da dinastia Qing”, tendo viajado para “Macau durante o reinado de Kangxi com intenção de seguir para Roma para estudos teológicos”.

Porém, Wu Li nunca chegou à Europa e ficou em Macau para prosseguir estudos em Teologia. Registou as suas experiências no álbum poético “Sanba Li (Colecção de Poemas de São Paulo)” e deixou “um testemunho vital do papel histórico da cidade como ponto de encontro entre as culturas chinesa e ocidental”.

Desta forma, a mostra patente na Bienal de Veneza “gira em torno da vida e produção cultural de Wu Li, empregando a linguagem da arte contemporânea para dar forma tangível à viagem europeia que permaneceu por cumprir há mais de trezentos anos”. “Polifonia de Jacone” pode ser vista gratuitamente em frente ao núcleo principal da Bienal, no Arsenale, Campo della Tana, Castello 2126/A, 30122, em Veneza.

EUA | China reafirma oposição à venda de armas a Taiwan

A China reafirmou ontem a sua oposição à venda de armas dos Estados Unidos a Taiwan, após o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar que iria abordar o assunto esta semana durante a sua visita a Pequim.

“A oposição da China à venda de armas dos Estados Unidos à região chinesa de Taiwan é constante e inequívoca”, disse Guo Jiakun, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, durante uma conferência de imprensa regular.

Guo Jiakun afirmou ainda que Pequim “opõe-se firmemente” às sanções unilaterais dos Estados Unidos, “sem fundamento no direito internacional” e não autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU, contra entidades chinesas e de Hong Kong.

O porta-voz referiu que a China “tomará medidas firmes para salvaguardar os direitos e interesses legítimos” das suas empresas e cidadãos, embora não tenha especificado quaisquer medidas de retaliação concretas.

O responsável chinês reiterou ainda que a prioridade em relação à situação no Irão é “fazer todos os esforços para evitar o reinício da guerra” e acusou Washington de tentar “difamar a China” ligando-a “maliciosamente” ao conflito.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, na segunda-feira, sanções contra 12 indivíduos e entidades acusados de facilitar a venda e o transporte de petróleo iraniano para a China pela Guarda Revolucionária iraniana. Entre os sancionados estão empresas sediadas em Hong Kong, nos Emirados Árabes Unidos e em Omã, segundo Washington.

Estas novas sanções vêm juntar-se a outras medidas adoptadas nos últimos dias por Washington contra empresas chinesas e de Hong Kong acusadas de colaborar com sectores ligados ao petróleo, às armas e às operações militares iranianas.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, vai iniciar amanhã uma visita de Estado à China para se reunir com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, quando há tensões persistentes decorrentes da guerra no Irão e de uma frágil trégua comercial entre as duas potências.

Cooperação | Brasil e China com isenção de vistos para viagens até Dezembro de 2026

O Brasil e a China aprovaram uma isenção recíproca de vistos, que entrou segunda-feira em vigor e é válida ate final do ano, informaram os ministérios das Relações Exteriores e do Turismo do Brasil.

Segundo o comunicado, os dois países “chegaram a entendimento para a isenção recíproca de vistos aos seus cidadãos para viagens de até 30 dias” de duração. A medida tem validade até o dia 31 de Dezembro para viagens entre os dois países com as seguintes finalidades: turismo, negócios, actividades artísticas, culturais, recreativas e desportivas, além de visita a familiares, participação de conferências, congressos ou reuniões.

Com a isenção, informou o Governo brasileiro, o país espera um “incremento significativo no número de turistas chineses”. A iniciativa, refere-se ainda ano comunicado, representa “mais um passo no fortalecimento das relações bilaterais” e deverá contribuir para ampliar os fluxos turísticos e empresariais entre Brasil e China.

Em 2025, o gigante da América do Sul registou um recorde histórico no número de turistas estrangeiros, com a entrada de 9,28 milhões de viajantes estrangeiros no Brasil, informou o Ministério de Relações Exteriores brasileiro.

Irão | Teerão apoia plano chinês de segurança no golfo Pérsico

O Irão aprova plano para garantir a segurança na região apresentado por Xi Jinping

O Irão está disponível para apoiar um plano apresentado pelo Presidente da China, Xi Jinping, para estabilizar a situação no golfo Pérsico, anunciou segunda-feira o embaixador iraniano em Pequim, Abdolreza Rahmani Fazli.

“A República Islâmica do Irão anunciou a disponibilidade para apoiar o plano de quatro pontos do Presidente da China, com o objectivo de estabelecer uma segurança duradoura e o desenvolvimento partilhado na região”, disse Fazli.

A posição de Teerão foi transmitida na reunião entre os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países realizada em 06 de Maio, em Pequim, referiu o diplomata nas redes sociais, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

Nesse encontro, o ministro Wang Yi disse ao homólogo iraniano, Abbas Araghchi, que a guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão era ilegítima e que a declaração de um cessar-fogo era “necessária e inevitável”. O plano de quatro pontos foi proposto por Xi ao príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, numa reunião em Pequim em meados de Abril.

A proposta de Xi inclui o respeito pela coexistência pacífica, o princípio da soberania nacional, o direito internacional e a coordenação entre desenvolvimento e segurança para criar um ambiente favorável para os países da região.

Rejeições e condenações

O anúncio do diplomata iraniano ocorre logo após Teerão ter enviado uma mensagem a Washington, através de Islamabad, na qual rejeitou a última proposta de paz norte-americana por a considerar “unilateral e irracional”.

A China tem condenado reiteradamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, iniciados em 28 de Fevereiro. Pequim também tem defendido o respeito pela soberania dos países do golfo, com os quais mantém estreitos laços políticos, comerciais e energéticos, que têm sido alvo de represálias iranianas.

O Irão reagiu à ofensiva israelo-americana com ataques contra os países da região e com o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa habitualmente um quinto dos hidrocarbonetos que abastecem os mercados globais, incluindo a China.

Além de milhares de mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano, a guerra no Médio Oriente tem causado instabilidade nos preços do petróleo e o receio de uma recessão económica mundial.

Velhos Mitos, Novos Heróis

Ana Cristina Alves – Investigadora Auxiliar e Coordenadora do Serviço Educativo do Centro Científico e Cultural de Macau

2 de maio de 2026

Desde a mais remota antiguidade que somos alertados contra os perigos do excesso, aliado à ambição. Seja excesso de inteligência e criatividade, seja de beleza ou de força.

O melhor exemplo, para o excesso de beleza, em uníssono com uma ambição desmedida encontramo-lo no mundo judaico-cristão no Antigo Testamento e em dois livros proféticos, o primeiro em Isaías e o segundo em Ezequiel.

 No livro de Isaías há uma descrição sucinta do que aconteceu a Lúcifer, o anjo da luz, o mais belo e radioso de todos, cuja ambição era ultrapassar Deus em poder e esplendor, valendo-lhe tal desígnio a queda no reino da trevas para toda a eternidade:

“Tu que pensavas: «Vou subir até ao céu, vou colocar o meu trono acima das estrelas de Deus; vou sentar-me na montanha da Assembleia, no cume da montanha celeste. «Subirei até às alturas das nuvens e tornar-me-ei igual ao Altíssimo.» E agora estás precipitado na mansão dos mortos, nas profundezas do abismo.” (Is 14, 13-15)  

 No livro de Ezequiel (28, 14-19) acrescentam-se mais pormenores à queda de Lúcifer, o querubim de asas abertas, que passeava entre pedras de fogo na montanha de Deus, sendo perfeito até ter entrado a maldade nele, por causa do esplendor da sua beleza, que o tornou tão orgulhoso a ponto de desejar competir pelo trono de Deus. Foi, sem dúvida, o excesso de beleza e ambição que o perdeu.

 Melhor sorte o pai de Ícaro, Dédalo, não esperava no mundo grego cujo engenho e inteligência o levaram a construir uma armação feita de penas de gaivota que lhe custaria a vida do próprio filho, jovem desobediente, incapaz de seguir os conselhos do pai.

 Dédalo estava retido em Creta pelo rei Minos, que muito prezava o seu engenho por lhe ter construído um labirinto, entre tantas outras invenções maravilhosas. O rei não o queria deixar regressar à Atenas, donde se evadira por ter tentado matar o sobrinho, Pérdicas, salvo por Atena no último instante que o transformou numa perdiz.

Mas Dédalo estava decidido a regressar com o seu filho Ícaro à terra natal, pelo que inspirando-se no voo das gaivotas e nas penas que largavam em seu redor, passou dias a reunir as penas, conforme os tamanhos e com ajuda da cera de abelhas e madeira de cedro construiu umas asas maiores para si e umas mais pequenas para Ícaro, advertindo o filho: “não voes demasiado alto, Ícaro; se o fizeres, o sol vai derreter a cera que segura as penas à moldura de madeira, e despenhas-te sem penas no mar.” (Johnston, 2025, 156).

Dédalo pagou o maior dos preços pelo seu excesso de inteligência criativa, perdeu o filho, já que este, atraído pela beleza dos céus e movido a curiosidade infantil, se despenharia, por se ter aproximado demasiado do sol, tendo sido encontrado o seu corpo numa ilha que hoje se chama Icária.

Também na China antiga, a hybris/húbris, confiança arrogante e o orgulho desmedido, se pagavam com uma morte trágica e pouco famosa, como sucedeu ao titã Kuafu (夸父) no mito “Kuafu persegue o sol” (夸父逐日kuāfù zhú rì), como Wang Suoying e eu tivemos oportunidade de descrever em Mitos e Lendas da Terra do Dragão.

Kuafu era um ser titânico neto do Deus da Terra, que vivia numa longínqua montanha do deserto. Adorava brincar com cobras, ostentando duas em cada orelha, outras duas em cada mão. Este gigante de força desmedida resolveu certa vez competir com o astro-rei, tentando alcançá-lo antes de ele se retirar dos céus. “Quando finalmente estava prestes a abraçar o sol no abismo Yu, sua última passagem, sentiu tanta sede que se precipitou para o Rio Amarelo. Bebeu-o todo, mas o corpo a abrasar pedia-lhe mais água. Foi então que se lembrou de ir ao Grande Lago do Norte (北方大泽Běifāng dàzé), só que morreu de sede antes de chegar ao destino. ” (Wang, Alves, 2009, 93).

Esta é a versão tradicional do mito “Kuafu persegue o sol”, na qual o

O herói mitológico tem um fim trágico, devido à sua arrogância e autoconfiança, desafiadora das forças divinas e do destino. Porém, hoje aposta-se numa outra leitura para este mito, naturalmente possível dada a amplitude polissémica do mesmo.

 No presente, na enciclopédia chinesa, Baidu. Baike (2026), Kuafu é apresentado como um titã muito benigno e patriótico. Na versão atual, o excesso compensa inteiramente. Kuafu é o chefe de uma tribo de gigantes, descritos do seguinte modo “他们身强力壮,高大魁梧,意志力坚强,气概非凡。而且还心地善良,勤劳勇敢,过着与世无争,逍遥自在的日子。” (Eles tinham compleição corpulenta,eram muito altos, dotados de grande força de vontade e espírito extraordinário. Além disso, eram bondosos e trabalhadores, pouco conflituosos despreocupados.

No entanto, como a zona em que moravam era deserta e o calor intenso, em certo dia em que o sol estava mais abrasador, o líder destes gigantes resolveu persegui-lo para acabar com o sofrimento do seu povo. Embora avisado dos riscos que corria, resolveu tentar prestar um bom serviço à comunidade. Quanto ao resto da história já é conhecida, primeiro bebeu o Rio Amarelo todo, depois ainda tentou chegar ao Grande Lago, mas, entretanto, morreu de sede.

Desconhecia-se era a explicação para a sua morte, aliada a um louvor que em nada se coaduna com a mundividência das culturas tradicionais: “夸父逐日的故事向人们展现了夸父为了族人的幸福而勇于献身的精神,充分地反映了古代先民勇敢地与自然灾害做斗争的事实。这个世界正是有了夸父和无数个与夸父一样勤劳、勇敢、坚定不移、不怕牺牲的人们,前仆后继和奋勇向前,才有了社会的进步、人类文明与科技的发展。(A história da perseguição do sol por Kuafu demostra o espírito de sacrifício dele para benefício da seu povo, refletindo a corajosa luta dos nossos antepassados contra as calamidades naturais. É por haver tanta gente tão trabalhadora, corajosa, persistente e com espírito de sacrifício como Kuafu que este mundo avança, servindo de exemplo a sua coragem aos outros em prol do progresso da sociedade, da civilização e do desenvolvimento científico)” (Ibidem)

Mudam-se os tempos, mas os mitos permanecem, recebendo os protagonistas e as tramas novas leituras, mais consentâneas com o espírito contemporâneo. Mergulhados numa era de apogeu científico e tecnológico, os chineses, à semelhança de tantos ocidentais, acreditam no ideal fáustico e na resposta científica para salvar as sociedades humanas através do conhecimento, ainda que para tal muitos heróis percam a vida pelo caminho, esgotados pelo esforço.

Ora como todos havemos de morrer, cabe a cada um de nós decidir se deseja partir cansado e excessivo ou repousado e seguindo a via do meio enquanto a sua linha da vida o permitir.

Bibliografia

Baidu (ed). 2026《夸父逐日[kuā fù zhú rì]》. In Baidu. Baike (百度百科) https://baike.baidu.com/item/%E5%A4%B8%E7%88%B6%E9%80%90%E6%97%A5/79883, acedido a 1 de maio de 2026.

Bíblia Sagrada. 1997. São Paulo: Paulus.

Johnston, Sarah Iles. 2025. Deuses e Mortais. Odivelas: Alma dos Livros.

Wang Suoying, Ana Cristina Alves. 2009. Mitos e Lendas da terra do Dragão. Lisboa: Caminho.

Este espaço conta com a colaboração do Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, sendo as opiniões expressas no artigo da inteira responsabilidade dos autores.

Burla | Detido por oferecer investimento falso

Um homem convenceu um residente local a investir em dois restaurantes, e burlou-o em 2,4 milhões de dólares de Hong Kong. A informação sobre o alegado crime cometido por um residente de Hong Kong foi divulgada ontem pela Polícia Judiciária (PJ), e citada pelo jornal Ou Mun, com o suspeito a ser detido no Posto Fronteiriço da Ponte de Hong Kong-Zhuhai-Macau.

O suspeito conheceu a vítima no início de 2024, e afirmou que podia ajudar a investir 1,2 milhões de dólares de Hong Kong em 10 por cento das acções de dois restaurantes, situados num hotel na zona central da cidade. Posteriormente, o alegado burlão pediu mais cerca de 1,2 milhões de dólares de Hong Kong com a justificação de que era necessário realizar obras de renovação. Durante este período, o residente visitou o local e como decorriam obras nos espaços acreditou na história.

No entanto, como até meados do ano passado o residente não recebeu quaisquer dividendos nem notificações depois da abertura dos dois restaurantes foi aos espaços pedir explicações. Nessa altura percebeu que tinha sido burlado, e em Novembro de 2025 apresentou queixa.

Crime | Idosa detida por ficar com trotinete

Uma idosa foi detida por alegadamente ter ficado com uma trotineta que encontrou na rua, perto do Fai Chi Kei. Segundo o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) a mulher, com cerca de 70 anos, encontrou a trotineta a 8 de Maio e decidiu ficar com ela. O veículo tinha sido deixado no local pelo proprietário, que quando regressou ao local deu pelo desaparecimento, pelo que apresentou queixa junto das autoridades.

A investigação do CPSP permitiu identificar a mulher a apoderar-se do veículo. Quando foi detida, a idosa afirmou estar desempregada e confessou o crime. O caso foi encaminhado para o Ministério Público e a detida está indiciada pelo crime de apropriação ilegítima em caso de acessão ou de coisa achada, punido com pena de prisão que pode chegar a um ano ou multa de 120 dias.

IAM | Mais um caso de comida contaminada em restaurante

O IAM encontrou listeria em carne vendida num restaurante na península, o segundo caso de alimentos contaminados em restaurantes em menos de uma semana. No primeiro trimestre, foram testadas mais de 700 amostras de comidas, com uma taxa de aprovação de 99 por cento

O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) revelou ontem ter detectado “níveis insatisfatórios de listeria monocytogenes em duas amostras de carne assada” no restaurante Chan Kwong Kei, na Estrada Adolfo Loureiro, em frente ao Jardim Lou Lim Ioc. O local em questão tem como especialidades “char siu” e “ganso assado com pimenta preta”, carnes onde foram encontradas as bactérias.

As autoridades ordenaram que os produtos não fossem vendidos, que o processo de produção fosse corrigido e que as instalações e utensílios limpos e desinfectados. O IAM obrigou também o gerente do restaurante a providenciar formação para reforçar a sensibilização dos empregados “para a higiene no manuseamento e preparação de alimentos”.

A infecção bacteriana provocada pela listeria pode resultar em problemas sérios de saúde, como septicemia, meningite, encefalite, ou mesmo a morte. Esta é a segunda vez em menos uma semana que o IAM revela um caso de alimentos contaminados em restaurantes, depois de na passada quarta-feira ter sido detectado.

A grande perspectiva

Apesar dos dois casos detectados, o IAM indicou no final de Abril, em antecipação dos feriados do 1º de Maio, ter testado 728 amostras de alimentos vendidos em lojas e restaurantes, com 99 por cento das amostras a serem aprovadas.

Importa referir que tanto os três comunicados do IAM de onde foi retirada esta informação nunca foram traduzidos, nem para inglês. Aliás, um caso de infecção de alimentos com uma bactéria encontrada em peixes e marisco no final de Janeiro também apenas foi divulgado em chinês.

Além das infecções bacterianas, ou falta de higiene na preparação ou manuseamento de ingredientes, as autoridades alfandegárias têm apanhado ingredientes ou refeições já confeccionadas nas fronteiras.

No domingo, os Serviços de Alfândega anunciaram a apreensão de quase 3 toneladas de estômago de porco congelado num edifício industrial perto das Portas do Cerco, avaliadas em 110 mil patacas. A investigação conjunta entre as autoridades alfandegárias, elementos do Corpo de Polícia de Segurança Pública e dos Serviços para os Assuntos Laborais levou à identificação de nove suspeitos.

Na semana passada, as autoridades revelaram outro caso que originou alguma polêmica quando foram encontrados mais de 50 quilos em refeições já prontas e embaladas nas traseiras de um automóvel que tentava entrar em Macau pelo posto fronteiriço de Hengqin.

Receitas líquidas do grupo Galaxy cresceram 11 por cento até Março

Durante o primeiro trimestre do ano, as receitas líquidas do grupo Galaxy apresentaram um crescimento de 11 por cento para 12,4 mil milhões de dólares de Hong Kong, de acordo com a informação divulgada ontem pela concessionária do jogo. Há um ano, as receitas líquidas tinham sido de 11,2 mil milhões de dólares de Hong Kong.

No entanto, quando a comparação é feita a nível trimestral, o período de Janeiro a Março deste ano apresenta uma redução das receitas líquidas de 10 por cento, dado que entre Outubro e Dezembro do ano passado o montante registado em receitas líquidas tinha sido de 13,8 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Em relação ao Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EBITDA) ajustado, o grupo anunciou um total de 3,6 mil milhões de dólares de Hong Kong, um aumento anual de 8 por cento, mas uma redução trimestral de 21 por cento.

Sobre os resultados, Francis Lui, presidente do Grupo Galaxy, afirmou que “o desempenho durante o período do Ano Novo Chinês” foi “sólido”, e “semelhante ao do ano anterior”, embora os efeitos positivos “se tenham feito sentido durante um período mais longo”.

Mundial com impacto

Nas declarações divulgadas através de um comunicado, Francis Lui destacou ainda o período da Semana Dourada, entre 1 e 5 de Maio, em que houve uma “procura forte” pelos hotéis, entretenimento e jogo, além de um pico de turismo.

Sobre os próximos meses, Francis Lui reconheceu que a realização do Campeonato Mundial de futebol, que decorre entre 11 de Junho e 19 de Julho no Canadá, Estados Unidos e México, poderá ter impacto no número das apostas.

O presidente da concessionária de jogo explicou que “historicamente” o mundial de futebol faz com que o número de visitantes em Macau, assim como as tendências de jogo sofram alterações, devido a um aumento do volume das apostas online, o que poderá voltar a acontecer. Contudo, Francis Lui revelou que a concessionária está a preparar várias actividades e promoções para “neutralizar os impactos de curto prazo” do Campeonato Mundial.

Sands China | Recuperação pós-pandemia “superou expectativas”

A pandemia foi um período difícil, mas apesar de as receitas do jogo ainda não terem regressado aos valores de 2019, a recuperação está a ser considerada melhor do que o esperado

A economia de Macau superou as expectativas com uma recuperação pós-pandemia impulsionada por “grandes eventos” culturais e desportivos, afirmou ontem o presidente da operadora de casinos Sands China.

Num discurso na abertura do maior evento de jogo no território, a G2E Asia, o presidente da Sands China, Grant Chum, afirmou que Macau entrou numa “nova era”, onde o entretenimento, a cultura e o desporto são agora os principais motores de crescimento.

“A pandemia foi um período realmente desafiante, mas Macau superou-o muito bem e recuperou para além das expectativas de qualquer pessoa”, disse Chum.

Durante a pandemia, Macau foi afectado por várias restrições de circulação, entrada e saída para o Interior, devido à política ‘covid-zero’. No entanto, Chum destacou uma rápida transformação numa “economia de eventos” que abrange arte, música e desporto.

Macau fechou 2025 com receitas totais de 247,4 mil milhões de patacas, mais 9,1 por cento do que no ano anterior. A cidade atingiu também um novo recorde histórico no ano passado, recebendo cerca de 40,1 milhões de visitantes, um aumento de 14,7 por cento em relação a 2024.

Apesar do aumento no número de visitantes, os valores gerados pelos casinos locais continuam abaixo dos registados antes da pandemia.

Politicamente correcto

Chum sublinhou ainda que todas as seis operadoras de casinos licenciadas na cidade têm vindo a “impulsionar proactivamente a diversificação” para remodelar a reputação global do território.

Segundo o executivo, a “economia de eventos está verdadeiramente a florescer” no território, com novas infra-estruturas disponíveis, como a Galaxy Arena e o regresso de espectáculos emblemáticos como o The House of Dancing Water, da rival Melco.

Como exemplo da nova direcção, Chum apontou o regresso da principal liga de basquetebol do mundo, a norte-americana, a NBA, à China, no ano passado, após uma ausência de seis anos. Os dois jogos de pré-época, em 10 e 12 de Outubro, trouxeram a Macau as equipas dos Brooklyn Nets e dos Phoenix Suns e encheram a Venetian Arena, com capacidade para 14 mil pessoas.

“Embora os NBA China Games fossem tradicionalmente realizados em grandes centros do interior da China, como Xangai ou Pequim, a liga escolheu Macau para a sua mais recente série de dois jogos de pré-temporada” destacou.

Em 09 e 11 de Outubro deste ano, os Houston Rockets irão defrontar, no mesmo local, os Dallas Marevicks, cujo dono é Patrick Dumont, director executivo da empresa-mãe da Sands China, a norte-americana Las Vegas Sands.

Creche Smart | CCAC confirma investigação a diferendo com IAS

O Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) promete revelar publicamente os resultados ao diferendo entre o Instituto de Acção Social (IAS) e a associação Zonta Club de Macau

O Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) confirmou que tem a decorrer uma investigação ao caso do corte do financiamento do Instituto de Acção Social (IAS) à Creche Smart, gerida pela associação Zonta Club de Macau. A posição do CCAC foi relatada pelo canal chinês da Rádio Macau, ontem, depois de nos dias mais recentes o caso ter gerado novos comunicados, na sequência dos procedimentos de admissão das creches subsidiadas.

Segundo o organismo liderado por Ao Ieong Seong a investigação foi instaurada depois de uma queixa administrativa e os resultados vão ser divulgados assim que os procedimentos de averiguação “profunda” forem concluídos.

O CCAC reconheceu também que “tomou nota” do comunicado mais recente da Zonta Club de Macau, em que esta prometia abdicar do processo a decorrer em tribunal, face aos resultados apurados pelo CCAC.

Após a posição do CCAC ser divulgada, a Creche Smart partilhou nas redes sociais uma hiperligação para a notícia e escreveu que o CCAC está a investigar “se as autoridades cometeram abuso de poder”. Esta é a crença da associação Zonta Club de Macau, que não se tem coibido de pedir ao Governo para controlar as acções do presidente do IAS, Hon Wai.

Apesar da polémica, e apesar do risco de a Creche Smart ficar sem instalações e financiamento público, a instituição de ensino revelou que recebeu 82 inscrições para o ano lectivo de 2026/2027.

Exigências de fiscalização

Em Março do ano passado, o IAS cortou o financiamento e recuperou as instalações na Taipa, onde opera a creche Smart. Num primeiro momento, o IAS limitou-se a indicar que as duas partes não tinham chegado a acordo no que diz respeito a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”.

Posteriormente, o IAS revelou que a decisão estava relacionada com a fiscalização relacionada com os subsídios públicos atribuídos à creche.

A decisão do IAS foi contestada pela associação, que avançou para os tribunais com uma providência cautelar para suspender, inicialmente, o corte de apoios financeiros e a recuperação do espaço. O Tribunal Administrativo e o Tribunal de Segunda Instância, após recurso do IAS, aceitaram a providência cautelar da Zonta Club de Macau.

Além disso, a associação apresentou uma queixa ao Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) e mostrou-se disponível para abdicar dos processos em tribunal, em virtude das conclusões da investigação. A Zonta, reconheceu erros, mas mostrou-se disponível para ser investigada pela Polícia Judiciária, para proteger a sua reputação.

Hengqin | Kou Hoi In critica falta de leis específicas

O deputado Kou Hoi In considera que o maior problema da Zona de Cooperação de Guangdong e Macau em Hengqin é a falta de leis específicas, o que faz com que muitos incentivos estejam suspensos. Segundo o jornal Ou Mun, a ideia foi defendida no âmbito da visita de uma delegação de membros de Macau à Assembleia Popular Nacional (APN) em Hainan.

O responsável disse ainda que como Hengqin, e a Zona de Cooperação, é gerida pela província de Guangdong e Macau, falta clarificar de que lado estão as responsabilidades em algumas matérias e quais os mecanismos de colaboração para a aplicação de políticas na região.

Kou Hoi In deu o exemplo da província de Hainan, que pode pedir directamente a Pequim a autorização para políticas ou implementação de leis, concluindo que em Hainan existe uma mentalidade aberta no que diz respeito à importação de quadros qualificados, captação de empresas e capital do interior da China, ou ainda na elaboração de políticas conforme as necessidades.

Desta forma, o membro de Macau à APN acredita que Hengqin e Macau enfrentam o problema da limitação de mercados e quadros qualificados, devendo ter a mesma mentalidade de Hainan para atrair recursos do exterior.

San Kio | Pedidas mais informações em autocarros de turismo

A Associação de Mútuo Auxílio dos Moradores do Bairro de San Kio defende que os autocarros de turismo e lazer, lançados recentemente pelo Governo em parceria com operadoras de jogo, devem ter mais informações sobre as comunidades de Macau, de forma a atrair a atenção dos turistas.

Os responsáveis defendem que sejam destacados guias turísticos, ou disponibilizados materiais informativos, para enriquecer os novos percursos de autocarro e facilitar o acesso dos turistas aos bairros comunitários, permitindo a exploração de restaurantes locais e lojas pequenas ou antigas.

Segundo o jornal Ou Mun, a associação, ligada à União Geral das Associações de Moradores de Macau, nomeadamente o seu presidente, Leong Keng Seng, lançou a sugestão depois de uma visita aos bairros para analisar o andamento do programa. A ideia foi também sugerida pelo vice-presidente do conselho fiscal da Associação dos Proprietários de Estabelecimentos União da San Kio de Macau, Chan Peng Hong.

Os dois dirigentes associativos defendem o uso do ecrã de grandes dimensões junto ao Centro de Serviços na Rotunda de Carlos da Maia para reproduzir vídeos promocionais feitos pelo Governo. A ideia seria que os turistas, ao saírem dos autocarros, poderiam obter de imediato informações sobre o bairro de San Kio.

Cartão de consumo | Executivo recusa nova ronda de 10 mil patacas

Chan Hao Weng queria uma nova ronda de cartão de consumo devido ao impacto do aumento dos combustíveis, principalmente entre as famílias mais carenciadas, mas o Governo prefere rever os apoios existentes

O Executivo afastou a possibilidade de distribuir um novo cartão de consumo no valor de 10 mil patacas. A posição foi tomada por Yau Yun Wah, director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), em resposta a interpelação do deputado Chan Hao Weng.

O legislador ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) pretendia que o Executivo lançasse uma nova ronda do cartão de consumo para fazer face ao aumento dos preços, devido ao impacto da subida dos combustíveis, e auxiliar as famílias mais vulneráveis.

No entanto, Yau Yun Wah defende que o Governo tem várias medidas para famílias vulneráveis, não colocando a possibilidade de distribuir cartões de consumo, optando antes por rever as medidas em vigor: “Em relação à questão mencionada na interpelação sobre o cartão de consumo, o Governo da RAEM já promoveu uma série das medidas que beneficiam a vida da população, e continuará a rever a eficiência das mesmas”, escreveu Yau.

Como parte das medidas, o director da DSEDT destacou que ao longo deste ano as famílias consideradas carenciadas, como as monoparentais, com membros com doenças crónicas ou membros com deficiências, vão receber 14 meses de subsídio de apoios aos mais carenciados.

O director indicou que este apoio pode ser complementado com outros subsídios como a pensão para idosos, subsídio para idosos, comparticipação pecuniária, vales de saúde, repartição extraordinária de saldos orçamentais, cuidados de saúde gratuitos e isenção das tarifas dos autocarros públicos.

Combustíveis controlados

Sobre o controlo dos preços dos combustíveis, Yau Yun Wah realçou o trabalho do Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Fiscalização dos Combustíveis na comunicação com o sector dos combustíveis, em que se pede aos agentes do mercado que assumam “responsabilidades sociais” para garantir um “abastecimento estável” e a estabilização dos preços.

O director da DSEDT elogiou também a eficácia do mecanismo de divulgação de preços dos combustíveis do Conselho de Consumidores (CC), em que, em certos casos, passam meses sem actualizados. “A fim de tornar maior a transparência dos preços dos produtos combustíveis, o CC tem divulgado oportunamente, através da aplicação móvel ‘Posto das Informações de Preços dos Combustíveis’, as informações relativas aos preços de retalho, aos preços com desconto e aos benefícios de variados tipos de produtos combustíveis, para que os consumidores consultem e façam comparação”, apontou.

Livros | Guerra&Paz lança duas obras sobre a China em português

A editora portuguesa Guerra&Paz lançou recentemente duas obras sobre a China em português. Uma delas, na área da ficção, intitula-se “A Magia da China – Lendas e Contos de Fadas”, onde se encontra o “prodigioso imaginário chinês”, segundo o editor, Manuel S. Fonseca. Segue-se a “História da China Antiga e Imperial”, de Damien Chaussende

Acabam de ser editados, no mercado português, duas obras que ajudam a explicar um pouco como é a China – tanto a nível literário como histórico. A Guerra&Paz editou recentemente, em português, “A Magia da China – Lendas e Contos de Fadas”, bem como, já no campo de não-ficção, “História da China Antiga e Imperial”, de Damien Chaussende.

Ao HM, o editor da Guerra&Paz, Manuel S. Fonseca, conta como “A Magia da China – Lendas e Contos de Fadas” revela ao leitor o “prodigioso imaginário chinês”, sendo que a cultura chinesa, no seu entender, “marcou – e continuará a marcar – a história da humanidade”.

Esta obra faz parte de uma colecção inaugurada pelo livro “Lendas e Contos de Fadas Japoneses”. Segundo Manuel S. Fonseca, o objectivo da editora é depois editar uma antologia de lendas e contos de fadas turcos, mas não só.

“É nossa intenção publicar lendas e contos de fadas de várias origens, da Europa à Ásia, passando por outros continentes. A intenção da colecção é revisitar o imaginário infantil e tradicional de uma plêiade de países e continentes”, disse.

Neste caso, foram escolhidos contos do “The Chinese Fairy Book”, organizado por R. Wilhelm, editado em 1921 pela Frederick A. Stokes Company. Manuel S. Fonseca explicou ainda que foi feito um confronto “com a vária bibliografia para chegarmos à selecção que deu lugar a esta edição, que é variada, contemplando diferentes estilos e géneros”.

Com uma tradução feita a partir do inglês, pediu-se à tradutora e respectivas revisoras para “manter a linguagem encantatória típica do género [do conto], muito concreta e precisa”.

“A Magia da China – Lendas e Contos de Fadas” contém histórias como “O Pássaro de Nove Cabeças”, “O Grande Dilúvio” ou ainda “A Rosa do Entardecer”, que encerra o livro. São 17 histórias que remetem para um imaginário muito específico que contam com ilustrações de Ilídio Vasco. A edição inglesa serviu de base à escolha das imagens, mas procurou-se “sempre ilustrar os temas de cada um dos contos, com alguma predominância com ilustrações dos séculos XVIII e XIX”.

Para Manuel S. Fonseca, esta obra traz uma “mensagem de encantamento estético e lúdico” proporcionada pelo imaginário contido nestes contos.

“Contornando o mistério que contos e lendas sempre terão, o outro objectivo é o de dar a conhecer a riqueza folclórica e mágica, o de abrir os leitores da Guerra&Paz – os leitores destes contos de fada do mundo – à revelação dos elementos sobrenaturais tão característicos do universo chinês.”

“Há aqui fábulas de transformação, animais míticos, elementos que vêm do confucionismo, uma sabedoria que não deixa de nos passar uma mensagem a que os leitores portugueses jamais deixarão de ser sensíveis, a de que o amor, se não sempre, muitas vezes vence”, adiantou Manuel S. Fonseca.

Guia histórico

A Guerra&Paz colocou ainda no mercado a obra “História da China Antiga e Imperial”, de Damien Chaussende, historiador e sinólogo francês especializado na história e historiografia da China antiga e medieval. Segundo a descrição da obra, trata-se de um “pequeno guia fundamental, complementado por cronologias, mapas e um glossário”, sendo um livro “essencial para os apaixonados pela China, assim como estudantes, aspirantes a sinólogos e todos aqueles que queiram saber mais sobre o Império do Meio”.

Esta obra divide-se em oito capítulos, que vão desde o nascimento da escrita no país, por volta de 1200 a. c., até à queda do império sinomanchu dos Qing em 1912, já com a implementação da República. Fala-se ainda dos primeiros impérios dos Qin e dos Han (221 a. C.220 d. c.), passando pelos anos da Alta Idade Média, entre os séculos III a VII, pela dinastia Tang e depois pelas chamadas Cinco Dinastias (anos 618 a 960). O livro descreve também como era a China nos anos do império Mongol, de 1276 a 1368, passando depois para a dinastia Ming, dos anos 1368 a 1644.

Segundo descrição da editora, “para cada um dos grandes períodos o autor apresenta o essencial do contexto histórico e o que é preciso reter para se compreender uma cultura rica e exuberante, destacando inúmeras curiosidades e figuras históricas, assim como as grandes obras que constituem a bagagem cultural comum da China dos dias de hoje”.

Marcos do percurso

Na introdução da obra “História da China Antiga e Imperial” pode ler-se que “escrever a história da China antiga e imperial significa, no fundo, olhar para um território da Ásia Oriental, para uma cultura específica – a dos Han e daqueles que se dizem seus herdeiros –, sem ignorar as que estiveram em contacto com ela, como as culturas das estepes do Norte ou as das populações das fronteiras interiores”.

Mas este processo implica também “prestar atenção à forma como a história foi escrita – ou reescrita – nesta parte do mundo”. Desta forma, o livro de Damien Chaussende “tem como objectivo apresentar os grandes marcos históricos, institucionais e culturais da longa e rica história da China”, destacando o facto de “longevidade não significar imobilismo”.

Bem pelo contrário. “Mesmo que o sistema imperial chinês tenha conseguido manter-se por mais de dois mil anos, cada período e cada dinastia teve as suas particularidades em termos de instituições e produções culturais. São essas singularidades que nos esforçámos por sublinhar”, pode ler-se. Na introdução do livro refere-se também que o autor quis “dar destaque aos elementos que, actualmente na China, são considerados parte da cultura geral de todos” e que proporcionam ao leitor “uma melhor compreensão das referências culturais que podem surgir, por exemplo, nos meios de comunicação social, nos discursos políticos ou, mais simplesmente, no decorrer de uma conversa”.

O primeiro capítulo dá conta “dos vários berços de civilização na China”, nomeadamente o facto de “os vestígios de vida humana no território chinês” remontarem ao período do Paleolítico, com o “Homem de Yuanmou, datado de 1,7 milhões de anos”, sendo a “descoberta mais famosa” a do chamado “Homem de Pequim, que viveu há quinhentos mil anos num conjunto de cavernas em Zhoukoudian (a sul da actual Pequim)”.

Descreve Damien Chaussende que “o Mesolítico é relativamente pouco conhecido devido à falta de descobertas arqueológicas”, mas o período do Neolítico “está bem representado, com berços localizados em muitas províncias da China actual, tanto no norte (bacia do rio Amarelo) como no sul (bacia do rio Yangtsé)”.

Há ainda vestígios de civilizações antigas nas zonas costeiras: na actual Henan (cultura Yangshao, 5000-3000 a.c.) ou ainda em Zhejiang, com a cultura Hemudu, que remonta aos anos de 5500 a 3300 a.c. Por sua vez, existem também vestígios na vizinha província de Guangdong, com a cultura Shixia. Ainda assim, “o local retrospectivamente considerado como centro primitivo da civilização chinesa está situado na Planície Central, ou seja, na bacia inferior do rio Amarelo, em torno do rio Luo”.

Patriotismo | Instituição do Povo celebra 18 anos de existência

O Chefe do Executivo espera que a Aliança do Povo de Instituição de Macau promova “o valor essencial do amor pela Pátria e por Macau”. Foi esta a principal mensagem deixada por Sam Hou Fai à associação representativa de parte da comunidade de Fujian, que celebra 18 anos.

No seu discurso, Sam deixou três esperanças para a associação liderada pelo deputado Si Ka Lon, e a primeira foi o patriotismo. Sam Hou Fai associou ainda o nacionalismo à “harmonia e estabilidade sociais”. Como uma das associações mais representadas na Assembleia Legislativa, o Chefe do Executivo destacou que também são este tipo de movimentos que promovem “a tradição de excelência de amor pela Pátria e por Macau”.

Como segundo pedido, Sam indicou que a associação deve “prestar eficazmente serviços comunitários diversificados e potenciar melhor o papel das associações civis”, como forma de descentralizar os recursos da acção governativa. Entre os serviços, Sam indicou “serviços comunitários em edifícios residenciais, serviços para idosos” e para os “ grupos mais vulneráveis”.

Por último, o líder do Governo da RAEM pediu à associação apoio político, para desenvolver o sistema em que o Executivo subordina os outros poderes: “Deve continuar, como sempre, a defender com acções concretas o sistema de predominância do poder executivo, contribuindo conjuntamente para a construção de uma atmosfera social favorável que assegure a implementação deste sistema”, apontou.

Irão | Executado estudante acusado de espiar para a Mossad e CIA

O Irão executou um homem por espionagem para os serviços secretos israelitas e norte-americanos, anunciou ontem a justiça iraniana, na mais recente de uma série de execuções desde o início da guerra desencadeada por Israel e Estados Unidos.

Erfan Shakourzadeh “foi enforcado por colaboração com os serviços de informações dos Estados Unidos e a Mossad”, os serviços secretos externos israelitas, escreveu a Mizan, órgão de comunicação do poder judicial de Israel.

Segundo as organizações não-governamentais Hengaw e Iran Human Rights (IHR), ambas com sede na Noruega, o homem era estudante na prestigiada Universidade de Ciência e Tecnologia de Teerão. Antes da execução, cuja data não foi avançada, redigiu uma mensagem na qual rejeitou as acusações.

“Não deixem que outra vida inocente desapareça em silêncio e sem atenção pública”, escreveu, citado por aquelas organizações. O estudante de mestrado em engenharia aeroespacial foi “submetido a nove meses de severas torturas físicas e psicológicas em isolamento para extorquir confissões forçadas”, pormenorizou a Hengaw.

Segundo a Mizan, Shakourzadeh foi acusado de transmitir “deliberadamente” informações classificadas à CIA e à Mossad enquanto trabalhava numa “das organizações científicas do país activas no sector espacial”. A República Islâmica é há muito alvo de acusações por parte dos países ocidentais, que suspeitam que utilize o programa espacial para desenvolver capacidades em matéria de mísseis balísticos.

Cada vez pior

As detenções e execuções multiplicaram-se no Irão desde o ataque israelo-norte-americano de 28 de Fevereiro, que desencadeou uma guerra regional.

A IHR contabilizou cerca de 30 desde essa data: cinco execuções por espionagem, 13 por alegadas ligações aos protestos de Janeiro, uma relacionada com a vaga de contestação de 2022 e outras 10 por pertença a grupos de oposição proibidos.

Segundo organizações de defesa dos direitos humanos, entre as quais a Amnistia Internacional (AI), o Irão é o país que mais recorre à pena de morte depois da China. As autoridades executaram pelo menos 1.639 pessoas em 2025, um recorde desde 1989, indicaram recentemente as IHR e a organização não-governamental Ensemble Contre la Peine de Mort (ECPM – Juntos Contra a Pena de Morte).

Filipinas | Parlamento envia processo de destituição da vice-presidente

Os parlamentares filipinos aprovaram ontem o envio do processo de destituição contra a vice-presidente das Filipinas, Sara Duterte, para o Senado, que poderá impedi-la de se candidatar à Presidência em 2028.

A filha do antigo Presidente Rodrigo Duterte (2016-2022) é acusada de fraude e corrupção, assim como de ameaças de morte contra o Presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos, seu antigo aliado, e outros membros da sua família. Os legisladores votaram 255 a 26 a favor da destituição, com nove abstenções.

De acordo com a Constituição filipina, a aprovação do processo de destituição pela Câmara dos Representantes desencadeia um julgamento no Senado. Uma condenação levaria à destituição de Duterte do cargo e à proibição vitalícia de ocupar cargos públicos.

“Esta já não é apenas uma questão política. É uma questão de consciência, dever e do futuro da nossa nação”, disse o deputado Bienvenido Abante após a votação. “Não se trata de 2028, não se trata de alianças políticas, trata-se de saber se ainda acreditamos que ninguém está acima da lei”, acrescentou.

Minutos antes da votação, os senadores elegeram um novo presidente, Alan Peter Cayetano, um aliado de longa data de Sara Duterte.

Cayetano, que desempenhou as funções de Ministro dos Negócios Estrangeiros durante o governo do ex-Presidente Rodrigo Duterte, negou qualquer ligação entre a sua candidatura à presidência do Senado e a votação na Câmara sobre o processo de impeachment.

Em Abril último, uma comissão do Congresso filipino declarou ter encontrado motivos suficientes para iniciar um processo de destituição contra a vice-presidente Sara Duterte, o que poderia impedi-la de se candidatar à Presidência em 2028.

Amplamente cotada para suceder ao pai, Rodrigo Duterte, nas eleições presidenciais de 2022, desistiu na altura em favor de Ferdinand Marcos Jr., com quem se aliou quando assumiu a vice-presidência.

A era da responsabilidade limitada vs. A era da responsabilidade ilimitada (II)

A semana passada, mencionámos uma história publicada num jornal chinês sobre Chen Jinying, uma mulher que aos 80 anos se viu a braços com uma divida comercial de 2,77 milhões de renminbis. Depois de vender a fábrica, a casa e os bens pessoais não quis beneficiar da protecção dada aos accionistas pela responsabilidade limitada, nem declarou falência para se eximir à dívida. Nos dez anos que se seguiram, através do seu próprio esforço, honrou todos os seus compromissos, uma tarefa verdadeiramente árdua para uma pessoa da sua idade.

A decisão de Chen, à luz do actual contexto comercial, parece particularmente “pouco convencional,” no entanto, revela uma visão sobre ética empresarial, que tem adeptos e detractores.

A principal discordância encontra-se nos limites da responsabilidade. O sistema da responsabilidade limitada estabelecido pela moderna legislação comercial pretende definir um patamar de risco: os accionistas são responsáveis pelas dívidas da empresa apenas na medida do seu investimento, incentivando o empreendedorismo e a inovação, impedindo que a falência do negócio paralise os indivíduos e as suas famílias e injectando a vitalidade da tentativa e erro na economia de mercado. No entanto, a escolha de Chen, representa a visão tradicional de responsabilidade ilimitada. Ela renunciou voluntariamente ao refúgio seguro previsto por lei, assumiu na totalidade as dívidas da sua empresa e as suas obrigações morais, construindo voluntariamente uma reputação de integridade através do trabalho árduo dos seus últimos anos.

Ambos os modelos têm pontos fortes e pontos fracos e podem ser usados como exemplo um para o outro.

A vantagem da responsabilidade limitada para os accionistas é a redução do risco e o apoio à inovação e à economia; a desvantagem é gerar facilmente situações dúbias do ponto de vista moral, sendo que alguns empresários recorrem abusivamente da responsabilidade limitada para declarar falência, transferir bens, evadir-se a dividas e prejudicar os legítimos interesses e direitos dos credores.

A vantagem do modelo tradicional baseado na integridade é a solidificação do crédito pessoal, a manutenção dos laços de confiança no seio de comunidades unidas e de pequenos círculos sociais, podendo criar raízes no coração das pessoas. A sua desvantagem é impor exigências extremamente rigorosas, tornando-se difícil adaptar este modelo às modernas operações comerciais de larga escala, e às necessidades das pessoas comuns.

A cultura comercial verdadeiramente madura e moderna nunca se faz a partir de uma escolha binária, mas sim de regras que suportam o resultado final e onde a moralidade tem prioridade. Devemos respeitar o valor legal da responsabilidade limitada e usá-la para proteger aqueles que não foram felizes nos seus empreendimentos; no entanto, nunca devemos recorrer às lacunas do sistema como desculpa para nos evadirmos ao espírito celebrado nos contratos. O melhor princípio condutor seria manter os limites legais da responsabilidade limitada, mantendo ao mesmo tempo a linha moral de integridade ilimitada.

Muitos admiram a integridade e a perseverança de Chen que a levou a saldar as suas dividas ao longo de dez anos, mas muitas vezes ignoram dois detalhes comoventes e preciosos da sua história que revelam o calor da confiança humana.

Em primeiro lugar, o seu empenhamento de toda a vida na construção da dignidade profissional. Mesmo quando estava atolada em dívidas, Chen sempre manteve os seus produtos ao melhor nível, recusando-se a comprometer a qualidade ou a seguir por atalhos para iludir o mercado. Mesmo depois dos noventa anos, manteve a ética profissional e um profundo respeito pelo seu trabalho. Foi este profissionalismo rigoroso que lhe permitiu manter o seu sustento e que possibilitou que gradualmente fosse reparando as suas enormes dívidas.

Em segundo lugar, a boa vontade entre Chen e os seus credores. Ao longo desses dez anos, muitos credores compreendendo as dificuldades que esta mulher idosa enfrentava, nunca a pressionaram; muitos ofereceram-se para reduzir os juros ou para dilatar os prazos de pagamento. No entanto, Chen recusou educadamente todas as ofertas e insistiu em pagar as dívidas na integra e os juros. Um dos lados manteve a integridade sem fugir à responsabilidade, enquanto o outro foi tolerante e disposto a perdoar, formando um círculo de confiança virtuoso. Isto demonstra que a integridade não é uma busca solitária, mas um consenso social que se alimenta nos dois sentidos.

Chen pode não ser uma empresária de sucesso a nível mundial, mas é sem dúvida uma das mais respeitáveis guardiãs da integridade da nova era. Dez anos de dificuldades como vendedora de rua, uma vida inteira de compromisso inabalável com a integridade—através das suas acções ela disse ao mundo que embora a lei permita perdoar dívidas, a consciência nunca pode ser comprometida; os sistemas podem definir os limites da responsabilidade, mas a integridade não tem um tecto.

No mercado de capitais actual cada vez mais competitivo, muitas pessoas exploram as lacunas das regras e atropelam a integridade. A história da “Avó Honesta” é como um farol que ilumina as aspirações de todos os homens de negócios e de todas as pessoas comuns. Os livros de contabilidade têm limites, mas a integridade não os tem; as regras têm resultados, mas a consciência não pode ser violada.

Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
cbchan@mpu.edu.mo