Legalização de apostas ‘online’ vai redefinir mercado asiático

O analista da corretora Seaport Research Vitaly Umansky afirmou ontem que a próxima grande mudança na indústria do jogo na Ásia não virá de novos hotéis-casino, mas da eventual legalização das apostas desportivas ‘online’ na região.

Num seminário realizado durante a G2E Asia, a maior expo da indústria do jogo na Ásia, Umansky descreveu que, enquanto a Europa e os Estados Unidos já legalizaram as apostas desportivas ‘online’, “a indústria de jogo ‘online’ [na Ásia] é enorme, mas quase toda ilegal.”

“O verdadeiro grande ‘boom’ no jogo vai ser ‘online’, mas num formato regulado”, afirmou o analista. Umansky previu que os governos serão forçados a agir à medida que percebam a dimensão da actividade não tributada.

“Cada vez mais países e jurisdições vão licenciar estas apostas. Foi o que aconteceu nos EUA. Passámos de, efectivamente, um estado com apostas desportivas para 40 estados. Vai acabar por acontecer na Ásia”, avisou.

Ao mesmo tempo, o analista acrescentou que a transição não será uniforme, mas “eventualmente vai acontecer em todas as jurisdições na Ásia.” As apostas desportivas ‘online’ na Ásia são geralmente proibidas ou estritamente regulamentadas, com a maioria dos países a bani-las muitas vezes devido a restrições culturais ou religiosas.

As apostas desportivas legais, geridas pelo Estado ou licenciadas, existem apenas em algumas jurisdições, incluindo Filipinas, Singapura e Macau. A G2E Asia e Asian IR Expo, dois eventos de referência para a indústria do jogo, entretenimento e hotelaria, decorrem em paralelo entre hoje e 14 de maio no hotel-casino Venetian Macau.

Fenómeno Singapura

No que toca ao jogo tradicional em casinos, o diretor-geral da corretora Morgan Stanley, Praveen Choudhary, fez um resumo do desempenho dos maiores mercados a região, com Macau e Singapura à cabeça, mas com uma recuperação impressionante da cidade-Estado após a pandemia covid-19.

“O mercado de jogo em Singapura depois da pandemia tem sido excepcional, a valores 187 por cento acima do nível précovid”, afirmou Choudhary no mesmo evento, sublinhando que este crescimento aconteceu apesar de o número de visitantes ainda ser menor do que os valores anteriores à crise sanitária. Segundo dados da Morgan Stanley, em 2018 Singapura registou 2,7 mil milhões de dólares em resultados do jogo, um valor que caiu abruptamente para 1,3 mil milhões em 2020 com o impacto da pandemia.

A partir daí a recuperação foi rápida, chegando a 3,9 mil milhões de dólares em 2024 e a 4,6 mil milhões em 2025, superando claramente os níveis précovid, e mantendo os mesmos dois hotéis-casino, o Marina Bay Sands e o Resorts World Sentosa.

Com 20 casinos divididos por seis operadoras, Macau fechou 2025 com receitas de jogo totais de 247,4 mil milhões de patacas, mais 9,1 por cento do que no ano anterior. No entanto, apesar do aumento no número de visitantes, os valores gerados pelos casinos locais continuam abaixo dos registados antes da pandemia.

Choudhary observou que em Singapura as receitas de jogo VIP (grandes apostadores) voltaram aos níveis précovid, enquanto em Macau estes valores estão a “13 por cento a 15 por cento ” do nível antes da pandemia. Para o analista, a diferença explicase pela “acumulação de riqueza” em Singapura, que levou a um maior número de apostadores VIP na cidade.

“Não se trata de visitantes que vêm jogar, como acontece em Macau, mas pelas pessoas ricas que vivem em Singapura. O número de pessoas ricas que imigraram para esta cidade nos últimos dois anos é insano”, destacou Choudary.

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