Timor-Leste | Estudantes cantam vitória para o “povo maubere”

Os estudantes universitários timorenses reunidos em protesto em frente ao Parlamento Nacional celebraram ontem a vitória do “povo maubere”, após o anúncio de que os deputados se tinham comprometido com as suas exigências.

“A nossa luta não foi fácil, passou pelo esforço colectivo de todos ao longo destes três dias”, afirmou aos jornalistas o coordenador-geral dos Estudantes Universitários de Timor-Leste (EUTL), José da Costa, após o fim das negociações com os deputados timorenses. Segundo José da Costa, a vitória dos estudantes resultou numa “conquista para o povo maubere”.

José da Costa disse que o protesto, que deveria continuar na próxima semana, foi temporariamente suspenso, mas os Estudantes Universitários de Timor-Leste vão continuar a “dinamizar a acção política no país”.

O coordenador-geral da EUTL agradeceu também aos timorenses e estrangeiros que apoiaram financeiramente a sua acção, permitindo a compra de comida e água para os manifestantes.

Os cinco partidos com representação parlamentar em Timor-Leste comprometeram-se ontem com as todas as exigências dos estudantes universitários do país, que protestavam há três dias em frente ao Parlamento Nacional.

O acordo foi anunciado após quase sete horas de reunião entre os representantes dos estudantes universitários e os deputados do Congresso Nacional de Reconstrução de Timor-Leste (CNRT, no poder), da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), do Partido Democrático (PD), do Partido de Libertação Popular (PLP) e do Khunto.

Restauração | Pagamentos com apps aumentam em Julho

Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam um aumento mensal e anual dos pagamentos electrónicos no ramo da restauração, apesar de quebras em alguns segmentos de restaurantes.

No mês de Julho, os pagamentos com meios electrónicos nos restaurantes cifraram-se em 1,12 mil milhões de patacas, um aumento face a Junho deste ano de 5,8 por cento. Enquanto isso, nos sete primeiros meses do ano, o volume de transacções electrónicas foi de 7,86 mil milhões de patacas, mais 2,5 por cento. Onde se registou uma ligeira quebra nas transacções, de 0,9 por cento, foi entre Julho e igual mês do ano passado.

A DSEC destaca também que no último mês de Julho “o volume de transacções dos proprietários de todos os sub-ramos da restauração subiu face a Junho de 2025, devido ao efeito das férias de Verão”. O maior aumento foi nos restaurantes de comida rápida, na ordem dos 11,4 por cento, enquanto nos restaurantes de comida chinesa o aumento das transacções foi de 6,7 por cento.

O único segmento que registou aumentos no volume de pagamentos, em termos anuais, foi o de restaurantes de comida rápida, “fast food”, com mais 14,8 por cento de pagamentos. Pelo contrário, nos estabelecimentos de comidas e lojas de sopas de fitas e canjas a queda foi de 2,3 por cento. No caso dos pagamentos em restaurantes chineses a quebra anual foi de 1,4 por cento.

A DSEC destaca ainda o facto de o volume de transacções com pagamento electrónico na restauração representar cerca de 70 por cento das receitas desse ramo económico, enquanto que no sector do comércio a retalho representam 80 por cento das receitas.

Geoturismo e Parques Temáticos – 2ª parte

Connie Kong, enquanto Directora do Parque Temático no Lisboeta Macau, tem desempenhado um papel fundamental na definição da visão operacional do parque e na estratégia de envolvimento com a comunidade.

A sua liderança reflecte um forte compromisso com a integração da cultura local na experiência de entretenimento, garantindo que o parque não só divirta, mas também se identifique com a identidade colectiva dos residentes de Macau. Sob a sua direcção, o Lisboeta Macau tem apoiado activamente as PME locais através de iniciativas como a Sessão de Ligação Empresarial, promovendo a inclusão económica e reforçando o papel do parque como uma entidade socialmente responsável na região.

Christine Hong Barbosa e Sophia Mok desempenharam papéis igualmente fundamentais na ampliação da presença e propósito do Lisboeta Macau. Como Vice-Presidente de Marketing e Desenvolvimento de Retalho, Christine Hong Barbosa criou experiências de compra que combinam nostalgia com inovação, posicionando o parque como um destino que homenageia o passado de Macau enquanto abraça o seu futuro.

Por sua vez, Sophia Mok, Vice-Presidente de Vendas e Comunicação Corporativa, tem sido essencial na construção de parcerias estratégicas e na elaboração de narrativas que destacam a relevância cultural do parque e a sua filosofia centrada na comunidade. Em conjunto, as suas contribuições ajudaram a estabelecer o Lisboeta Macau não apenas como uma atracção temática, mas como um espaço significativo que celebra o património local e promove o orgulho entre os residentes de Macau.

O Lisboeta Macau transcende as ofertas convencionais de entretenimento. Propõe uma verdadeira cartografia sensorial, onde cada atracção é desenhada para dialogar com o território, a memória colectiva e a cultura local.

É um modelo experiencial que supera o paradigma dos parques temáticos asiáticos ao integrar corpo, espaço e narrativa numa proposta de turismo cultural com identidade. As atracções não são meros dispositivos de lazer mas são também instrumentos de leitura territorial, evocação histórica e diplomacia emblemática. Cada uma é concebida como capítulo de uma narrativa maior, onde o visitante não apenas consome, mas participa, interpreta e transforma.

O Lisboeta Macau oferece narrativas experienciais, como o ZIPCITY Macau que se destaca como geografia em movimento. Sendo a primeira tirolesa urbana de Macau, é mais do que uma atracção de adrenalina, pois trata-se de uma instalação aérea que atravessa o skyline do hotel, oferecendo aos visitantes uma leitura panorâmica da paisagem urbana. Ao sobrevoar fachadas inspiradas no Macau dos anos 1960, o corpo do visitante torna-se veículo de reconhecimento espacial. A experiência não é apenas física mas também cartográfica, estética e simbólica.

O ZIPCITY transforma o espaço em espectáculo e o movimento em interpretação. O GoAirborne Macau representa o corpo como instrumento de territorialidade. Este simulador de pára-quedismo indoor constitui uma inovação tecnológica e sensorial sem precedentes na região. Ao combinar tecnologia de túnel de vento com realidade aumentada, a experiência simula o voo sobre a cidade, reforçando a ligação entre corpo e território. O visitante não apenas sente mas também voa, observa e compreende. O GoAirborne é uma metáfora da perspectiva aérea, da cartografia viva e da geografia experiencial.

O LINE FRIENDS PRESENTS CASA DA AMIGO encarna a cultura pop como diplomacia transnacional. Este espaço temático dedicado à cultura pop asiática é mais do que um centro de merchandising pois funciona como plataforma de diplomacia cultural, atraindo públicos jovens e conectando Macau a redes transnacionais de consumo simbólico. O seu ambiente lúdico, personagens icónicas e estética contemporânea criam uma experiência que transcende fronteiras, reforçando a dimensão cosmopolita do parque.

A Maison L’OCCITANE representa a natureza como experiência sensorial. A primeira unidade temática da marca em contexto hoteleiro é uma obra de design sensorial. Os quartos são inspirados em ingredientes naturais como lavanda, verbena e flor de cerejeira, oferecendo uma estadia que conecta os visitantes às paisagens aromáticas da Provença. Esta proposta não é apenas estética mas também terapêutica, ecológica e simbólica. A Maison L’OCCITANE transforma o quarto de descanso em ritual, e a hospitalidade em experiência botânica.

O Emperor Cinemas MX4D é imagem como imersão territorial. Equipado com tecnologia de movimento, aromas e efeitos tácteis, proporciona uma experiência cinematográfica multissensorial. Os filmes são cuidadosamente seleccionados para reforçar narrativas territoriais e culturais, posicionando o espaço como protagonista. O visitante não apenas assiste mas também participa, sente, cheira e vibra.

O cinema torna-se uma extensão do parque, e a imagem, um instrumento de imersão. O H853 Fun Factory funde marcas internacionais com design inspirado na estética futurista da cidade, e não é apenas um espaço comercial mas também um museu vivo, galeria comercial, e evocação da modernidade urbana. Cada loja, cada montra, cada corredor é concebido para contar uma história, reconstruir uma época e transformar o acto de comprar num gesto de memória.

A geogastronomia no Lisboeta Macau não é um serviço complementar mas uma linguagem que traduz o território em sabor, a memória em receita e a paisagem em experiência sensorial. A cozinha praticada no Lisboeta é uma extensão viva do parque temático, onde cada prato é uma cartografia, cada ingrediente uma evocação, e cada técnica uma ponte entre tradição e inovação. A proposta gastronómica está profundamente enraizada na fusão sino-portuguesa que define Macau, mas não se limita a reproduzir receitas históricas. Aqui, cozinhar é entendido como acto criativo e gesto de interpretação territorial. Os restaurantes do complexo não apenas alimentam mas também narram, educam e celebram.

No Stanley’s Café, por exemplo, a elegância da memória é palpável. A decoração inspira-se nos cafés coloniais do século XX, com madeiras escuras, iluminação suave e detalhes que evocam os salões de chá de Cantão e Lisboa. Mas é na cozinha que se revela a verdadeira alquimia cultural, onde sabores e histórias se entrelaçam para oferecer ao visitante uma experiência simultaneamente íntima e universal.

O Chef de Cuisine Raymond, figura de referência na gastronomia temática de Macau, apresenta criações que são verdadeiras sínteses identitárias como o arroz chau-chau com bacalhau, os pastéis de nata infundidos com chá de jasmim, e sobremesas que reinterpretam clássicos portugueses com ingredientes locais. A sua abordagem combina rigor técnico com sensibilidade histórica. Cada prato é concebido como narrativa, homenagem e gesto de diplomacia gastronómica. O Stanley’s não é apenas um café mas um espaço de memória comestível, onde se saboreia o território. A decoração evoca salões coloniais, mas é na cozinha que a alquimia cultural transforma o gosto em ferramenta de leitura histórica.

O Royal Palace representa a alta gastronomia como cartografia sensorial. Aqui, a gastronomia atinge o estatuto de arte. Os menus de degustação são concebidos como itinerários gustativos que atravessam águas costeiras, mercados locais e saberes ancestrais. Ingredientes como o camarão de profundidade, o porco preto regional e as ervas aromáticas cuidadosamente cultivadas são tratados com precisão e respeito. A cozinha do Royal Palace não é apenas sofisticada mas é territorial. Cada prato afirma Macau como espaço criativo, território gastronómico, cidade que pensa através do sabor.

O restaurante contribui directamente para o reconhecimento de Macau como “Cidade Criativa da Gastronomia pela UNESCO” não apenas pela excelência técnica, mas pela capacidade de transformar o lugar em linguagem universal.

O Angela Café & Lounge encarna a delicadeza da cozinha de assinatura. A experiência define-se por elegância, serenidade e precisão. Sob a direcção do Executive Chef António Coelho e da Chef de Cuisine Sally Jimenez, o espaço oferece uma abordagem culinária que eleva os ingredientes locais através de técnicas contemporâneas. Os pratos são delicados, equilibrados e profundamente sensoriais.

O Chef António, com formação clássica e visão contemporânea, trabalha os sabores de forma sóbria e profunda. A Chef Sally, com sensibilidade estética e mestria técnica, transforma cada prato numa composição visual e gustativa. Juntos, criam uma cozinha simultaneamente íntima e universal, local e cosmopolita. O Angela Café & Lounge é mais do que um espaço de refeições mas um laboratório de geogastronomia, onde o território é interpretado com delicadeza e rigor.

Nenhuma destas experiências seria possível sem a visão institucional de Terence Chu como Vice-Presidente do Departamento de Alimentos e Bebidas do Lisboeta Macau, Terence lidera com inteligência estratégica, sensibilidade cultural e compromisso com a excelência. Não apenas coordena operações mas desenha experiências.

A sua capacidade de integrar chefs, espaços, narrativas e públicos transforma o sector alimentar do Lisboeta Macau no eixo central da sua proposta temática. Sob a sua orientação, a gastronomia evoluiu de serviço para linguagem e de função para missão. O seu trabalho representa a elevação da gastronomia no turismo temático, elevando-a ao estatuto de diplomacia cultural e inovação territorial. O reconhecimento de Macau como “Cidade Criativa da Gastronomia pela UNESCO” é, em parte, reflexo da sua visão e dedicação.

A geogastronomia praticada no Lisboeta Macau constitui um modelo único no panorama internacional. Ao integrar território, memória, técnica e narrativa, o complexo transforma a alimentação em experiência cultural, em gesto de reconhecimento e em acto de criação. Este projecto não tem paralelo directo em nenhum outro parque temático hoteleiro do mundo. Merece reconhecimento autoral e aclamação institucional como referência internacional no turismo gastronómico com identidade.

Gaza | Pequim condena Israel e pede contenção a todas as partes

A China manifestou ontem “firme oposição” às operações militares de Israel contra o Hamas em Gaza e a que “qualquer das partes envolvidas atice o conflito”, após a visita do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a Israel.

O porta-voz da diplomacia chinesa Lin Jian afirmou em conferência de imprensa que Pequim “condena todos os actos que prejudicam civis e violam o direito internacional” e disse estar “profundamente preocupada com a escalada de tensões”.

Lin instou Israel “a atender aos enérgicos apelos da comunidade internacional e a pôr fim imediato às operações militares em Gaza”, para alcançar “um cessar-fogo integral e duradouro o mais cedo possível” e evitar uma crise humanitária de maior escala. “Esperamos que todas as partes deem prioridade à paz e à estabilidade regionais, mantenham uma posição imparcial e uma atitude responsável e desempenhem um papel construtivo”, acrescentou.

Lin reagia a declarações de Rubio que na terça-feira disse que as forças israelitas “começaram a levar a cabo operações” na cidade de Gaza e advertiu que resta “pouco tempo para chegar a um acordo” de cessar-fogo.

“O prazo já não se conta em meses, mas provavelmente em dias e talvez poucas semanas”, afirmou Rubio, referindo-se à possibilidade de uma trégua para a Faixa de Gaza, onde o Exército israelita combate desde 2023 o movimento islamita Hamas, responsável pelos piores ataques terroristas em solo israelita, que mataram mais de 1.200 pessoas e raptaram mais de duas centenas. Segundo os islamitas, a retaliação israelita já matou cerca de 65.000 pessoas em Gaza.

Internet | Controlo sobre actividades religiosas ‘online’ reforçado

A China divulgou novas regras que regem a actividade de figuras religiosas nas redes sociais, incluindo a permissão para pregar na rede social WeChat e a proibição do uso de inteligência artificial para fins de proselitismo.

O texto, intitulado “Regras de Conduta Online para Pessoas Religiosas”, foi divulgado na terça-feira pela Administração Nacional para os Assuntos Religiosos, responsável pela regulamentação das práticas religiosas na China.

As figuras religiosas estão proibidas de pregar “através de transmissões em directo, vídeos curtos, reuniões online, grupos WeChat ou Momentos WeChat”, pode ler-se no texto, referindo-se aos recursos da principal rede social da China. É ainda proibido “oferecer cursos de formação virtuais como ‘meditação’, ‘retiros espirituais’ ou ‘terapia’ com conteúdos religiosos”, destaca ainda o aviso, citado pela agência France-Presse (AFP).

Apenas os membros de organizações religiosas que tenham obtido uma permissão emitida pelo Estado podem ser isentos destas proibições. O texto proíbe ainda o uso de “inteligência artificial generativa” para fins de proselitismo.

Excepcionalmente, o documento especifica que também se aplica às figuras religiosas que utilizam “plataformas estrangeiras”, bem como às localizadas em Taiwan.

Estas novas regras baseiam-se numa série de leis que entraram em vigor desde a década de 2000 e que reforçaram significativamente o controlo estatal sobre as religiões, particularmente na esfera digital. Em 2022, a China já tinha proibido qualquer serviço online relacionado com religião sem uma licença oficial.

Estas políticas visam explicitamente a ‘sinização’ das religiões e encorajar uma fé “patriótica” sob a “orientação” do Partido Comunista Chinês, pode ler-se nos documentos oficiais.

Hong Kong | Governo promete mais educação patriótica e segurança nacional

O líder de Hong Kong apresentou ontem, nas quartas Linhas de Acção Governativa, um plano para promover a educação patriótica e reforçar a lei de segurança nacional, para consolidar a estabilidade e a identidade chinesa

 

O Executivo de Hong Kong vai manter a aposta na promoção do nacionalismo, através da educação patriótica e reforço da lei de segurança nacional, para consolidar a estabilidade na região e a identidade chinesa dos residentes. Ao contrário dos anos anteriores, não houve protestos em frente ao parlamento local, onde John Lee Ka-chiu proferiu o discurso, após a dissolução da esmagadora maioria dos grupos de oposição e perante uma maior presença policial.

O Chefe do Executivo enfatizou a importância de aprofundar as reformas, fomentar o crescimento económico e melhorar as condições de vida, capitalizando os pontos fortes da região.

O dirigente reflectiu ainda sobre os cinco anos desde a implementação da lei de segurança nacional, afirmando que Hong Kong ultrapassou um período de “caos e desordem” e caminha em direcção à prosperidade. No entanto, John Lee prometeu continuar a melhorar a lei – imposta por Pequim sem passar pelo Conselho Legislativo local – e os seus mecanismos de implementação para punir qualquer acto que ameace a segurança nacional.

O líder do Governo sublinhou que mais de um milhão de pessoas já visitou uma exposição sobre segurança nacional inaugurada em 2024 e que mais de 3.300 instrutores foram formados para promover o assunto.
Lee reafirmou o compromisso com o modelo ‘Um País, Dois Sistemas’, que descreveu como a melhor opção para garantir a prosperidade e a estabilidade de Hong Kong a longo prazo.

Regresso às origens

Originalmente proposto pelo líder chinês Deng Xiaoping (1904-1997), o conceito ‘Um País, Dois Sistemas’ prometeu a Macau e Hong Kong um elevado grau de autonomia a nível executivo, legislativo e judiciário por um período de 50 anos. Este princípio foi aplicado em 1997 e 1999, com a transferência de soberania de Hong Kong e da administração de Macau, respectivamente.

John Lee comprometeu-se ainda a manter a ordem constitucional estipulada na Constituição chinesa e na Lei Básica, a ‘mini-constituição’ de Hong Kong. Em relação à educação, o Chefe do Executivo anunciou um impulso à educação patriótica, promovendo instalações na China continental como “bases para a educação patriótica” para estudantes e jovens.

Dezenas de polícias patrulhavam ontem a zona em redor do Conselho Legislativo, em forte contraste com 2024, quando os membros da Liga dos Sociais-Democratas protestaram exigindo o sufrágio universal. O grupo de oposição, um dos últimos bastiões da dissidência em Hong Kong, anunciou a dissolução definitiva em Junho, citando a “imensa pressão política” resultante da implementação da lei de segurança nacional.

Organizações internacionais denunciaram a lei como uma “emergência de direitos humanos”, que acusaram de ter criminalizado a dissidência pacífica e levado a mais de 1.800 detenções políticas arbitrárias, minando as liberdades de expressão e de associação.

Coxinga divinizado

Ming significa brilhante, mas brilhante não foi o período dos seus últimos imperadores da dinastia Ming pois estavam tão ocupados com a sua imortalidade e luxos, que nem tempo tinham para os assuntos de Estado.

O imperador Wanli (1572-1620), com o nome Zhu Yijun, mandou construir um palácio subterrâneo para ser o seu túmulo, cujo valor despendido permitiria alimentar dez milhões de pessoas durante um ano. A decadência imperava e a população vivia na miséria. Era obrigada a pagar altas rendas e taxas, o que levou os camponeses a revoltarem-se e a pegarem em armas para se proteger.

Em 1627 começou uma revolta camponesa a Norte de Shaanxi, que se estendeu para Shanxi e Henan. Em 1635, os chefes de grupos armados de camponeses reuniram-se em Xingyang, província de Henan, para planearem uma estratégia. Li Zicheng, um dos líderes, com o seu exército de camponeses ocupou Xian, em 1644, e toda a província de Shaanxi, tendo aí formado o estado de Dashun. Depois, partiu para Leste e passando por Shanxi e Hebei, chegou a Beijing, o que levou o último imperador da dinastia Ming, Chongzhen (1628-44), que também se chamava Zhu Yijun, a refugiar-se no monte Wansui (Colina da Longa Vida), situado na parte Norte do Palácio Imperial. Aí ficou 43 dias, mas todos os esforços falharam e sem uma solução para a complicada situação, o imperador enforcou-se. A China ficou sem governo imperial por alguns meses, período conhecido pelo Interregno Shun.

As tropas Ming combatiam os revoltosos camponeses em muitas partes da China e uma pequena corte Ming mudou-se para Nanjing, agora com o nome de Yingtian, criando a dinastia Ming do Sul.

Os manchus tinham os seus antepassados na tribo dos Nuzhen, que no período Song formara a dinastia Jin e que viviam no Nordeste há muitos séculos, vindos das montanhas do Altai. Em 1616, uniram-se sobre o comando de Nurhachi e em 1636, o seu filho Huangtaiji formou o Estado de Qing. Com um corpo militar cada vez mais forte, foi-se preparando para invadir a China. Durante muito tempo, as tropas manchus foram sendo estacionadas ao longo das fronteiras com o território da dinastia Ming.

O general Ming, Wu Sangui, que governava a Passagem de Shanhaiguan, rendeu-se aos manchus e deixou-os passar pela Grande Muralha para que, as tropas Ming, em conjunto com as manchus, combatessem os revoltosos camponeses. Li Zicheng teve que partir de Beijing e, seguindo para Oeste, até Shanxi, foi perseguido pelas tropas manchus e Ming que se tinham unido. Foi morto em Hubei, com a idade de 39 anos.

Depois das tropas manchus terem atravessado a Grande Muralha com a ajuda de Wu Sangui, encontraram a China sem dinastia no Trono do Dragão há já alguns meses. Em 1644, os manchus ocuparam Beijing e para aí passaram a sua capital, que até então se situava em Shenyang. Muitos oficiais Ming, que até então cooperavam com os manchus contra os camponeses, mudaram para o lado destes, combatendo os invasores manchus.

Com o último imperador da dinastia Ming morto em 1644, a pequena corte Ming estabeleceu-se em Nanjing e aí formou a dinastia Ming do Sul (1644-1662). Zhu Yousong, príncipe de Fu, torna-se o imperador Hong Guang (1644-1645) e liberta da prisão Zhu Yujian, condenado desde 1636, quando lhe fora retirado o título de príncipe de Tang.

Yingtian (Nanjing) foi capturada em Junho de 1645 pelas forças Qing e a corte dos Ming voltou a fugir. Dividida a dinastia Ming do Sul, parte vai para Shaoxing (Zheijiang) e outra refugia-se em Fuzhou, onde sobe ao trono o imperador Long Wu (1645 -1646), cujo nome era também Zhu Yujian, príncipe de Tang. Pertencia à oitava geração descendente do terceiro filho do primeiro imperador da dinastia Ming e tinha a esperança de conseguir derrotar os manchus, que formavam já a dinastia Qing.

Macau e a resistência Ming

Com os antecedentes explicados, chegamos ao período da História que nos interessa estudar para reconhecer a personagem ligada aos Ming que se esconde por trás do deus Zhu Da Xian, cuja crença da sua protecção tem grande poder.

Até 1660 houve pelo país uma resistência dos chineses han aos manchus, onde Macau se colocou, enviando por várias vezes destacamentos militares, com canhões, para ajudar a dinastia Ming, que lhe tinha aberto as portas do País do Meio.

Em 1630, pagos pela corte Ming, partiram de Macau quatrocentos portugueses em direcção à Grande Muralha, mas quando se encontravam em Jiangxi foram interrompidos na sua marcha, devido às intrigas dos comerciantes de Cantão junto aos mandarins provinciais.

Em 1643, um canhão e quatro artilheiros são enviados de Macau para Guangzhou e Nanjing, que entre 1644 e 1645, recebe a corte que para aí foge após a invasão manchu.

Depois da conquista de Beijing pelos manchus, as forças leais à dinastia Ming voltam a pedir ajuda aos portugueses e por isso, em 1646, Nicolau Ferreira junta-se ao último imperador Ming do Sul, Yang Li. Este reinou por um período de quinze anos, sendo capturado no início de 1662, quando o segundo imperador Qing, Kang Xi, já estava no poder há um ano.

Macau manteve-se fiel aos Ming e de boas relações com as forças de resistência, lideradas desde 1644 por Zheng Chenggong. Se este nome pouco ou nada nos diz, já o de Coxinga é mais reconhecido por quem usa estudar História, apesar de ambos representarem a mesma pessoa.

O nome de Coxinga foi dado a Zheng Chenggong pelos holandeses, que o ouviram em Taiwan da boca dos habitantes de Fujian, onde se fala o dialecto min e o kejia do povo Hakka, que lhe chamavam Kok Sèng Iâ. Coxinga, cujo nome à nascença era Zheng Sen e depois passou para Zheng Fu Song e só em 1645 mudou para Zheng Chenggong, era filho de um antigo habitante de Macau, com o nome cristão de Nicolau Gaspar. Pai de Coxinga, Zheng Zhilong (1604-61), natural de Fujian, tinha passado algum tempo enquanto jovem em Macau, onde foi convertido e baptizado. Após reconhecer o bom dinheiro que se fazia no comerciar, Nicolau Gaspar de novo como Zhilong, juntou-se a um grupo de piratas, que atacavam sobretudo holandeses, sediados em Taiwan e mercadores chineses, fazendo ainda comércio com o Japão. E é no Japão, de mãe japonesa, que em 1624 nasceu Zheng Sen (1624-83), conhecido por Zheng Fu Song. O pai, Zheng Zhilong em 1628 dedicava-se ao ataque de navios chineses Qing, combatendo pelos Ming. Já o seu filho, que passara os primeiros sete anos de vida no Japão, depois vai buscá-lo para ficar com ele a viver em Fujian. Aos 15 anos, Zheng Fu Song estudou em Nanjing Guo Zhi Jian e em 1645, com 21 anos, acabou os estudos na Beijing Guo Zhi Jian.

Zheng Zhilong era o mais poderoso aliado do imperador Long Wu (1645-1646) com quem tinha uma grande amizade, já que fora ele que o ajudara a chegar a imperador. Pela fidelidade tanto de Zheng Zhilong, como do filho, o imperador, em Fuzhou, no ano de 1645, atribui o seu nome de família, Zhu, a Zheng Fu Song, que assim passa a ter o nome oficial de Zhu Chenggong. Apesar deste nome significar “Sucesso dos Zhu”, em 1646, com as vitórias do exército Qing no centro da China e Fujian, o imperador Long Wu a 6 de Outubro foi capturado e executado.

Os manchus compraram Zheng Zhilong para ficar ao seu serviço e este aceita. Já o seu filho, zangado pelo progenitor ter passado para as hostes dos manchus, recusa abandonar os Ming e com outros provenientes do grupo do pai, que o seguem, governou as costas de Fujian desde 1646.

O irmão mais novo do imperador Longwu, Zhu Yuyue, escapando de barco de Fuzhou chega a Guangzhou onde funda um estado Ming, tendo em 11 de Dezembro de 1646 ficado com o título de reinado Shao Wu. Mas passado um mês, Li Chengdong, um ex-comandante da dinastia Ming do Sul, que liderava um pequeno grupo de tropas Qing, aí capturou e matou Shao Wu. A pouco e pouco, a dinastia Qing vai ocupando todo o território Chinês.

O cerco pelos manchus a Guangzhou (Cantão), que durou dez meses e terminou em 25 de Novembro de 1650, provocou 70 mil mortos. Foi uma grande machadada à resistência Ming que, na parte Oriental da China, ficou confinada apenas ao mar. Aí, o general comandante da armada, Zheng Chenggong, é derrotado em 1659, no estuário do rio Yangtzé. Após esta batalha, Coxinga volta a Fujian e daí parte à frente de 25 mil pessoas para Taiwan, onde após um cerco de nove meses tomam em Abril de 1661 a ilha aos holandeses. Assim muitos habitantes de Fujian foram viver em Taiwan.

Em 1662, Zheng Chenggong morreu de doença aos 38 anos, mas Taiwan só passa para o domínio dos Qing em 1683, quando é conquistada ao seu neto.

Coxinga por detrás de Zhu Da Xian

A História desse período, aqui resumidamente apresentada, transporta-nos até Coxinga, nome dado pelos holandeses a partir do que ouviam dos chineses de Fujian chamar a Kok Sèng Iâ.

Analisando o nome Coxinga, que em mandarim é Guo Xing Ye e em cantonense, Kok Sèng Iâ, temos para Guo (国) o significado de país, para Xing (姓) o nome de família e para Ye (爷), forma respeitosa de chamar um ancião, um oficial, o pai ou avô, os pais ou avós, ligada por isso à representação do poder. Isto quer dizer que, Kok Xing representa o apelido do Imperador da China que era Zhu, na dinastia Ming.

Em 1645, o imperador Long Wu dá a Zheng Fu Song o nome de Zhu e por isso passa a ter o nome oficial de Zhu Chenggong, que queria significar “Bem-sucedida dinastia Ming”. Era apenas usado nos documentos oficiais e só o imperador lhe poderia chamar assim, pois Zhu era o apelido de quem governava na dinastia Ming. Chamado normalmente por Zheng Guoxing e com maior respeito Guo Xing Ye, ficava desta maneira escondida a referência Zhu, desta grande personagem para a dinastia Ming, sobretudo quando era a manchu dinastia Qing que governava.

O deus Zhu Da Xian, que significa Grande Imortal Zhu, está também conectado com Fujian e ambos ligados ao apelido Zhu, o nome de família dos imperadores Ming. Por isso, pareceu-nos haver algo a uni-los, mas por não poder ser revelado, devido ao domínio manchu então inimigo dos han, teve que se esconder Coxinga na capa de um deus, para o venerar.

Ainda na dinastia Ming do Sul, o imperador Yong Li (24/12/1646-20/1/1647) deu a Zheng Chenggong o título de Yan Ping Wang.

Já tinham acabado as tentativas para reabilitar a dinastia Ming, estando os manchus consolidados no poder na China, quando os descendentes de Zheng Guoxing escreveram ao segundo imperador da dinastia Qing, Kangxi (1661-1722), a pedir a transladação do mausoléu de Zhu Chenggong, que se encontrava em Taiwan, para a província de Fujian.

O imperador Kangxi escreveu-lhes a dizer que, apesar de Zhu Chenggong não pertencer aos seus apoiantes, permitia que o corpo viesse para Nan An, em Fujian, terra natal do pai, Zheng Zhilong (1604-1661).

Como Zhu Chenggong era contra a reinante dinastia Qing, só apareceu narrado no livro Fujian Tong Zhi em 1737, no período do reinado de Qianlong.

Por último, a nossa hipótese de Zhu Da Xian ser Zhu Chenggong parece-nos poder ser entendida em 1875. O imperador Guangxu da dinastia Qing, a partir do título de Rei Yan Ping atribuído a Zhu Chenggong pela dinastia Ming, passou-o a deus, Yan Ping Jun Wang. Mas como não pertencia aos apoiantes dessa dinastia, ficou chamado Zhu Da Xian, escondendo assim o nome de Guo Xing Ye, o que tinha grande poder. No mesmo ano, o imperador ofereceu a renovação do templo Kai Shan Wang, que passou a ter o deus Yan Ping Jun Wang.

Assim cremos, com estas pequenas explicações, poder pôr a hipótese de ser este deus, Zhu Da Xian, a deidade a Coxinga. Encontramos em Macau a estátua de Zhu Da Xian no templo de Pau Kong, na Rua da Figueira.

Festival Fringe apresenta novos espectáculos este fim-de-semana

Por entre temas tão diversos como maternidade, novas composições familiares ou o chá tradicional, o festival Fringe continua a percorrer as ruas de Macau com novos espectáculos este fim-de-semana. Uma das iniciativas foi inaugurada na terça-feira, a “Exposição de Arte para Todos”, disponível até ao dia 28 de Setembro ao lado do Jardim da Cidade das Flores, na Taipa, na Rua de Seng Tou.

Pretende-se aqui “incentivar a participação de pessoas apaixonadas pela criação”, bem como “proporcionar uma plataforma para o público exibir os seus trabalhos criativos, promovendo-se a ideia de que todos podem ser artistas”. A mostra constitui “uma zona criativa que permite ao público manifestar o seu potencial criativo de forma improvisada e participar na criação artística”.

Há ainda espaço para performances artísticas e projectos teatrais, como “Obrigado por Estar Aqui”, de Suzuki Cheng, acolhido pela última vez no espaço Bookand amanhã. Este espectáculo remete para a escolha da maternidade e para a questão “se perdemos a liberdade de dizer ‘não'” à possibilidade de ter filhos.

Trata-se de uma “experiência teatral imersiva” marcada por “três linhas temporais”, em que a mãe dança livremente em discotecas antes de ter o filho, depois o presente, marcado pela mãe cansada e a lidar com a maternidade, e depois a mãe a perder-se.

“Toda a mãe verá o seu próprio reflexo: o campo de batalha da parentalidade, onde os maridos ficam impotentes à margem, o julgamento silencioso da sociedade sobre a ‘mãe perfeita’ e os contornos desfocados do seu próprio rosto no espelho”. O espectáculo, de 1h30, será interpretado em cantonense.

Pensar na família

Sexta-feira e sábado decorre “Uma Reunião na Solidão”, às 20h, no Estabelecimento de Comidas Tai Long Fong. Trata-se de uma performance que nos faz questionar como se pode manter “o calor dos jantares de reunião familiar quando os lugares ficam vazios”.

Há um actor que percorre as mesas, “usando uma performance a solo para apresentar vinhetas desses jantares: saudações por videochamada, idosos solitários a aquecer sopa para uma só pessoa, perguntas indiscretas dos familiares e conversas repetitivas nos encontros festivos”. A performance lança uma reflexão sobre as novas estruturas da família tendo em conta “o aumento do celibato, o declínio da natalidade e a emigração”.

O número 16 da Travessa do Mastro será o ponto de encontro para outra iniciativa, desta vez da Associação para o Desenvolvimento da Cultura do Chá de Ervas”. Na sexta-feira e sábado, às 18h30, 19h45 e 21h, haverá pontos de encontro para perceber o lugar, nos dias de hoje, do tradicional chá de ervas, “uma bebida tradicional saudável”. Sob o mote “deixe-nos ajudá-lo a desintoxicar e renovar a sua vida”, reflecte-se sobre o novo “chá de ervas multifuncional”, criado pelo mestre herbalista da associação que promove o espectáculo.

Ainda a pensar nos criativos, apresenta-se no sábado e domingo, na Feira do Carmo, na Taipa, a “Estação de Interpretação de Personagens”, nos horários das 13h às 13h45, das 14h30 às 15h15, e ainda das 16h às 16h45.

Haverá “uma variedade de figurinos excêntricos” e adereços para que o público adopte a personagem que quiser. Ainda no fim-de-semana a companhia Canu Theatre apresenta “Tu ou Eu?”, um “confronto cómico no aquário” com palhaços. O espectáculo é gratuito e decorre no sábado às 14h e às 17h, e depois no domingo às 15h30.

Ainda no sábado e domingo é apresentado o espectáculo “Congregação”, que resulta de uma “colaboração entre o artista sonoro britânico Ray Lee e Tempest Projects”. Aqui, “através da emissão de sons, a esfera sónica guiará os participantes por caminhos e vielas em Macau, convidando o público para se envolver numa dinâmica interacção entre o som e a exploração”.

Ilha Verde | CURB volta a organizar passeios de bicicleta este mês

“On The Move VII: Ilha Verde Moments” é o nome da iniciativa do Centro para a Arquitectura e Urbanismo no próximo dia 27 deste mês. Através de passeios de bicicleta entre a Ilha Verde e o Fai Chi Kei pretende-se descobrir os segredos destes locais e, a partir daí, produzir um registo em vídeo

 

Pegar numa bicicleta e trilhar segredos arquitectónicos ou urbanísticos ainda escondidos aos olhos de muitos. É isto que propõe o CURB – Centro para a Arquitectura e Urbanismo, que no próximo dia 27 de Setembro organiza a sétima edição destes passeios, com a iniciativa intitulada “On The Move VII: Ilha Verde Moments”, que propõe “passeios criativos de bicicleta que oferecem aos participantes a oportunidade de explorar a Ilha Verde”.

O “On the Move” é um projecto “único que combina passeios criativos de bicicleta com a exibição de um documentário”, destaca uma nota da organização, sendo que este ano os passeios “seguirão uma direcção diferente, tendo como ponto de partida o pátio da Universidade de São José e explorando uma nova área de Macau: a Ilha Verde”.

A iniciativa oferece um convite para “descobrir diferentes bairros em redor da Ilha Verde através de quatro percursos comentados em inglês pelo curador Nuno Soares, presidente do CURB”. Nuno Soares é também arquitecto e está ligado à docência de arquitectura na Universidade de São José.

Para bem pedalar

Para andar de bicicleta no próximo dia 27 é preciso ter mais de 18 anos. A organização fornece no evento materiais como capacetes, coletes reflectores e receptores de áudio. Haverá duas rotas e duas sessões de cada uma. As sessões decorrem entre as 10h e as 11h, e depois entre as 16h e as 17h, na rota do Fai Chi Kei; e depois entre as 11h30 e 12h30, e entre as 14h30 e 15h30, na rota do bairro de Toi San.

Na mesma nota explica-se que o som e imagens recolhidos nos “Passeios Criativos de Bicicleta” serão utilizados na criação artística de um projecto de vídeo-arte e documentário, que serão exibidos numa mostra paralela, em local e data ainda a anunciar.

No ano passado, a iniciativa “On the Move” andou também pela zona norte para fazer o percurso “North City Wall”, passando depois pela zona do Porto Interior, num passeio a que se chamou “Inner Harbour Boundary”.

O CURB apresenta-se como uma instituição sem fins lucrativos e que pretende promover a investigação, a educação, a produção e a disseminação de conhecimento em arquitectura, urbanismo e cultura urbana. O Centro constitui-se como uma plataforma de intercâmbio entre a academia, a sociedade civil, a prática profissional e as instituições governamentais, servindo os interesses da comunidade em geral através de estudos de investigação, workshops, conferências, exposições, concursos e outras iniciativas.

Além de organizar o “On the Move”, o CURB é também promotor de outras iniciativas ligadas à arquitectura e urbanismo, como é o caso do “Open House Macau”, o primeiro evento deste tipo na Ásia, sendo ainda parceiro associado da “World Urban Campaign”.

Hotéis | Promoções online resultam em duas burlas

Duas pessoas foram burladas em 4.784 patacas, depois de terem reservado quartos de hotéis através de anúncios nas redes sociais. O primeiro caso apresentado pela Polícia Judiciária (PJ), e citado pelo jornal Ou Mun, envolveu uma mulher que tentou fazer uma reserva de dois quartos, por 4.352 patacas.

Seduzida pela preço, a mulher aceitou as condições e disponibilizou-se para fazer a leitura de um código QR como forma de pagamento. Como o seu MPay estava limitado a transferências de 3.000 patacas de cada vez, fez primeiro uma transferência nesse valor.

No entanto, ao contrário do esperado, a conta estava associada a um número de Hong Kong. Por esse motivo, a mulher suspeitou do acontecido e parou imediatamente a transferência. Quando tentou pedir explicações ao serviço de apoio ao cliente foi ignorada, o que fez com que fizesse queixa. Teve perdas de 3.000 patacas.

No segundo caso, outra mulher tentou fazer três reservas de hotel com buffet incluído, no valor de 1.784 patacas. A mulher fez o pagamento, mas pediram-lhe mais 1.000 patacas. A vítima suspeitou do pedido, ligou directamente ao hotel e percebeu que tinha sido burlada.

Crime | Homem detido por alegada difamação da atleta Zhu Yuling

A Polícia Judiciária anunciou a detenção de um homem acusado de difamação, devido a publicações online e por ter participado numa campanha que envolveu faixas a acusar a atleta local de não pagar dívidas

 

Um homem com 51 anos foi detido pelas autoridades policiais e está indiciado pela prática do crime de difamação contra a atleta Zhu Yuling. A detenção foi divulgada na tarde de terça-feira, pela Polícia Judiciária (PJ), aconteceu na fronteira das Portas do Cerco. O suspeito é residente no Interior da China.

De acordo com um comunicado da polícia, o homem era procurado desde quinta-feira da semana passada, altura em que Zhu Yuling, apenas identificada na mensagem das autoridades como vítima, apresentou queixa por difamação.

A atleta queixou-se de ter sido alvo de “várias publicações online” em que pessoas se fotografavam com t-shirts a acusá-la de não pagar dívidas. Nas publicações era igualmente possível ver duas pessoas a abrirem faixas do lado de fora do Complexo Desportivo dos Jogos da Ásia Oriental, onde na semana passada decorreu o Torneio de Campeões WTT Macau, onde se liam as mesmas acusações. A atleta, que representa Macau, era uma das participantes no torneio.

Após investigarem o caso, as autoridades identificaram três pessoas envolvidas na campanha em Macau. Contudo, depois de fazerem a campanha com protestos no exterior do recinto saíram todos para o Interior da China.
Alguns dias mais tarde, o detido tentou entrar em Macau, o que proporcionou às autoridades a oportunidade para avançarem com a detenção.

Dívidas desconhecidas

Quando foi interrogado pelas autoridades, o homem confessou “não ter disputas financeiras com a atleta, nem conhecer as pessoas que foram fotografadas com as mensagens, faixas e t-shirts.

O detido também reconheceu ter recebido 2.500 renminbis para realizar as acções de protesto contra a atleta, sem ter verificado a veracidade das alegações. O suspeitou confessou ainda que como parte desse pagamento estava prevista a recruta dos outros dois homens que foram fotografados e se encontram a monte no Interior da China.

O crime de difamação tem como pena máxima seis meses de prisão ou 240 dias de multa. No entanto, dependendo das circunstâncias a pena pode ser agravada até dois anos de prisão.

Zhu Yuling tem sido acusada nos últimos meses de não pagar dívidas, num caso que começou no Interior da China, com um influenciador a publicar as acusações no Douyin, a versão do TikTok autorizada no país. De acordo com um comunicado da atleta, as acusações terão resultado em vários abusos e “violência online”, quando participava num torneio nos Estados Unidos.

Zhu Yuling é natural do Interior e representou a selecção da China durante mais de 10 anos, alcançando o número 1 do ranking Mundial em 2017. No entanto, em 2023 pediu residência em Macau, no âmbito das políticas para quadros qualificados.

Novo Bairro | Oferecidos descontos para vender apartamentos

A partir de amanhã, a Macau Renovação Urbana vai começar a vender as habitações da Torre 11 do Novo Bairro de Macau, na Ilha da Montanha.

Este é um projecto desenvolvido pela empresa com capitais públicos da RAEM para residentes no outro lado da fronteira, mas os preços das vendas têm de respeitar os preços acordados com as autoridades de Zhuhai, como estipulado no contrato de arrendamento do local onde fica o projecto.

A mais recente torre a ficar disponível tem um máximo de sete apartamentos por cada andar. No entanto, para conseguir promover vendas, vão ser oferecidos descontos na compra de estacionamentos, renovações das habitações ou na compra dos electrodomésticos.

De acordo com o relatório anual de 2024 da Macau Renovação Urbana. até 31 de Dezembro foram vendidas 1.388 fracções e residiam no local 2.500 residentes. O projecto foi construído com cerca de 4.000 habitações.

JLL espera dificuldades para investidores em lojas e escritórios

A imobiliária Jones Lang LaSalle (JLL) antevê a continuidade de tempos difíceis para investidores em espaços comerciais, como lojas e escritórios. A previsão consta do relatório de revisão intercalar sobre o mercado imobiliário de Macau em 2025, cujas conclusões surgem citadas num artigo do jornal Hong Kong Economic Times.

Na perspectiva da JLL, as lojas e escritórios vão continuar a assistir à diminuição do valor das rendas porque o mercado de Macau depende muitos dos turistas do Interior da China e o poder de consumo do outro lado da fronteira está em quebra.

Segundo o índice de lojas elaborado pela empresa, o valor de rendas na primeira metade deste ano foi reduzido em 0,3 por cento em comparação com o fim do ano passado. Ao mesmo tempo, o valor de avaliação destes imóveis caiu 6,6 por cento em termos anuais. O relatório aponta ainda que o rácio das dívidas não pagas aos empréstimos comerciais aumentou para 5,4 por cento no fim de Junho.

De acordo com o cenário traçado pela JLL, espera-se que até ao final do ano o número de lojas por arrendar aumente, o que é justificado com a crescente desertificação dos bairros comunitários e a transição da economia para um modelo sem casino-satélites.

Escritórios em crise

Em relação aos escritórios, a JLL aponta que as empresas locais estão cada vez mais focadas em controlar os custos e expandir serviços financeiros e de advocacia no Interior da China. Por estes motivos, a imobiliária aponta que o valor dos escritórios vai continuar a cair. A JLL estima também que desde a primeira metade do ano os escritórios tenham perdido em média 4,1 por cento do valor, em comparação com o final do ano passado.

Neste ambiente, e de acordo com as declarações de Mark Wong, director sénior da empresa, as oportunidades de investimento mais aconselhadas estão na hotelaria.

Com os preços dos quartos e a taxa de ocupação hoteleira em alta, a JLL acredita que vão sair beneficiadas pelo “crescimento estável e saudável do sector do jogo e do turismo”, pelo que os investimentos vão ser mais rentáveis.

Mark Wong afirmou ainda que o mercado mostra confiança nos investimentos em hotéis e deu como exemplo a venda do hotel The 13, que acreditar ser rentável a médio e longo prazo.

Imobiliário | Agosto com mais vendas e preços mais caros

A comparação anual mostra que o preço médio do metro quadrado cresceu 800 patacas. A subida foi motivada pelos preços praticados na Península de Macau, uma vez que tanto na Taipa como em Coloane o metro quadrado perdeu valor de forma significativa. Em termos mensais, as vendas em Agosto caíram 20 por cento face a Julho

 

No passado mês de Agosto, o número de vendas de habitação apresentou um crescimento anual de 17,5 por cento, de acordo com os dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Finanças. No mês passado foram assim registadas 235 transacções, quando em Agosto do ano passado tinha sido de 200 transacções.

O mercado mais activo foi o da Península de Macau com 192 transacções, mais 42 do que no ano passado, o que representou um crescimento de 28 por cento. Na Taipa foram registadas 37 vendas de habitação, menos quatro do que no ano passado. Finalmente, em Coloane foram registadas seis transacções, uma redução três vendas em relação ao período homólogo.

Em termos dos preços da habitação, o mês de Agosto ficou marcado por um aumento ligeiro do preço médio do metro quadrado, em relação ao mesmo mês de 2024, de 79.569 patacas para 80.370.

O aumento do preço médio ficou a dever-se ao mercado da Península de Macau, onde o preço médio aumentou de 77.565 patacas por metro quadrado para 82.976 patacas por metro quadrado. Esta alteração representou um crescimento de sete por cento, ou 5.411 patacas por metro quadrado.

O crescimento na zona do território onde vivem mais pessoas foi suficiente para contrariar a tendência da Taipa e Coloane, onde os preços mostrarem uma tendência negativa. Na Taipa, a média do preço por metro quadrado foi reduzida de 82.996 patacas para 71.897, uma diferença de 11.099 patacas, e em Coloane de 87.453 patacas por metro quadrado para 78.425 patacas por metro quadrado, uma redução de 9.028 patacas.

Menos é mais

Quando a comparação é feita entre Agosto e Julho, o número de transacções apresentou uma queda mensal de aproximadamente 20 por cento, ao cair de 291 compras e vendas para 235, uma diferença de 56 transacções.

A comparação mensal mostra que houve menos transacções em todos os mercados, dado que em Julho na Península de Macau tinham sido registados 229 negócios, 50 na Taipa e 12 em Coloane.

Em termos da variação mensal do preço, Agosto apresenta uma valorização do preço médio do metro quadrado de 6 por cento, dado que em Julho o valor registado era de 75.806 patacas por metro quadrado, uma diferença de 4.564 patacas.

Em Julho, na Península de Macau o preço médio do metro quadrado era de 76.674 patacas, na Taipa 69.062 patacas e em Coloane 91.664 patacas por metro quadrado.

DSEDJ | Manuais devem olhar política linguística do país

Cheang Sek Kit, chefe da Divisão de Desenvolvimento Curricular e Avaliação da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), defendeu que a elaboração de materiais didácticos é uma medida importante para implementar a política linguística do país, devendo adaptar-se às necessidades do desenvolvimento educativo de Macau.

Segundo o jornal Ou Mun, o responsável da DSEDJ falou no âmbito de um seminário sobre a elaboração dos manuais escolares em Hong Kong e Macau, realizado na Universidade Jinan, em Guangzhou. Este defendeu também a necessidade de continuar a implementar o princípio “Um País, Sois Sistemas”, devendo-se aprofundar a colaboração entre Macau e Guangdong nesta área.

Li Jinjun, chefe da Divisão de Intercâmbio e Cooperação do Departamento de Educação da Província de Guangdong, disse esperar, na elaboração dos manuais, uma combinação entre o contexto cultural chinês e as características de Macau, bem como a integração de conteúdos relacionados com inteligência artificial ou “Big Data”.

Li Jinjun acredita ainda na criação de um mecanismo colaborativo de apoio à formação de novas gerações de patriotas.

Fundo de Segurança Social | Luís Gomes nomeado vice-presidente

Com a comissão como presidente do Instituto do Desporto a chegar ao fim, O Lam optou por nomear Luís Gomes como vice-presidente do Fundo de Segurança Social. O nome do novo responsável pela pasta do desporto não foi revelado

 

O actual presidente do Instituto do Desporto (ID), Luís Gomes, vai ser transferido e assumir as funções de vice-presidente do Conselho de Administração do Fundo de Segurança Social (FSS), a partir de sábado. A decisão, que surge assinada pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, foi publicada ontem no Boletim Oficial, e implica uma despromoção.

O despacho divulgado publicamente não apresenta os motivos da saída do ID, limitando-se a justificar a transferência para o FSS com o facto da secretária considerar que o dirigente tem “competência profissional” e “aptidão para o exercício do cargo”. Todavia, estas justificações são um pro forma das nomeações públicas.

Luís Gomes tinha sido nomeado vice-presidente do ID em Novembro de 2023, depois de cerca de 12 anos ligados à Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). No entanto, com Macau a ser escolhido como um dos lugares que vão receber os Jogos Nacionais, o então presidente do ID, Pun Weng Kun, foi transferido para a liderança em Macau da organização do evento, abrindo a vaga para a promoção de Luís Gomes.

Como resultado, o jovem dirigente assumiu o leme do ID, primeiramente como presidente substituto, mas depois no regime de comissão de serviço, que chegou agora ao fim. As promoções de Luís Gomes ocorreram ainda durante a Administração de Ho Iat Seng.

No dia de ontem não foi tornado público o nome do novo presidente do ID, que actualmente tem dois vices, Lei Si Leng, nomeada em comissão de serviço, e Mok Chi Hang, que é vice-presidente substituto.

Educação e desporto

Como vice-presidente do Fundo de Segurança Social, Luís Gomes vai trabalhar numa área mais afastada da sua formação e percurso profissional.

O dirigente é licenciado em Educação Física e Desporto pelo Instituto Politécnico de Macau e tem um mestrado em Ciências de Educação (Educação Física e Desporto) pela Universidade de Macau. De acordo com informação publicada no Boletim Oficial, ingressou na Função Pública em Setembro de 2011, onde ficou até Novembro de 2023.

Na entidade que regula o ensino local desempenhou as funções de técnico superior, director do Centro de Actividades Juvenis da Areia Preta e do Centro de Actividades Juvenis do Bairro do Hipódromo, chefe da Divisão de Desporto Escolar e Ocupação de Tempos Livres, chefe da Divisão de Formação e Apoio ao Associativismo Juvenil, chefe da Divisão de Desenvolvimento de Jovens, chefe da Divisão de Desenvolvimento Geral de Estudantes e chefe do Departamento do Ensino Não Superior.

LAG | Pereira Coutinho pede aumentos de salários e apoios sociais

Pereira Coutinho defende o aumento dos salários na Função Pública, mas também nas empresas concessionárias de jogo. O vencedor das recentes eleições legislativas sugeriu ainda o reforço da despesa pública para aumentar os apoios à população, a começar pelo cheque pecuniário

 

Assume que mal tem dormido desde que, no domingo, conseguiu eleger, com a lista Nova Esperança, três deputados no hemiciclo. José Pereira Coutinho está ainda a celebrar a esmagadora vitória de domingo e o facto de se sentar novamente na Assembleia Legislativa (AL) ao lado de Che Sai Wang e Chan Hao Weng. O trio esteve ontem no programa matinal do canal chinês da Rádio Macau a defender aumentos salariais, agora que o Governo se prepara para a elaboração das Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano.

Coutinho disse, à margem do programa, esperar “que sejam actualizados os salários dos trabalhadores da Função Pública, da própria TDM e das concessionárias”, além de defender “o aumento da despesa pública em termos de distribuição dos cartões de consumo”.

“As seis concessionárias actualizaram, este ano, os salários, mas a Função Pública ficou pelo caminho. Enviámos uma carta ao Governo, que, neste momento, está a preparar o orçamento para 2026, e esperamos uma actualização salarial para melhorar o poder de compra dos trabalhadores da Função Pública e aposentados”, disse Coutinho. O deputado foi mais específico e apontou para uma subida de “três a cinco pontos da tabela indiciária, o mínimo para a recuperação do poder de compra”.

Quanto ao salário mínimo, Coutinho disse no programa que deve ir além das 34 patacas por hora. “Não pode ser assim, o salário mínimo de Hong Kong já é mais do que 40 dólares de Hong Kong por hora. O Governo deve assumir o papel de liderança para aumentar o salário mínimo”, referiu.

Cheques mais chorudos

O deputado eleito disse que o Executivo deve apostar “na devolução das 21 mil patacas para idosos”, sem esquecer o aumento do valor dos cheques pecuniários. Na sua visão, “são políticas efectivas para aumentar o consumo em Macau e contrabalançar a ida dos residentes para consumir além-fronteiras”, defendeu em declarações à TDM – Rádio Macau.

Por sua vez, Chan Hao Weng disse esperar que sejam criadas mais garantias para professores na fase da reforma, nomeadamente um subsídio mensal para docentes reformados. O deputado que se vai estrear na Assembleia Legislativa e o repetente Che Sai Wang falaram também na importância de criar mais oportunidades de emprego para os residentes, defendendo que há ainda muitos postos de trabalho ocupados por não-residentes.

Jogo | Receitas globais com subida de 23,1 por cento em 2024

A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelou que as receitas globais do sector do jogo do ano passado foram de 231,45 mil milhões de patacas, o que representa uma subida anual de 23,1 por cento face a 2023.

Tal deve-se, segundo uma nota da DSEC, à “recuperação gradual” do sector, “à medida que as actividades turísticas regressaram à normalidade de forma estável”.

No que diz respeito às despesas globais da área do jogo, sem os impostos, também se registou um aumento de 18 por cento, para 94,37 mil milhões de patacas. Destaque para o aumento anual de 28 por cento nas despesas relacionadas com compras de mercadorias, comissões e ofertas a clientes, cifrando-se nas 23,20 mil milhões de patacas.

O sector do jogo gastou mais com o pessoal, num total de 21,48 mil milhões de patacas, uma subida de sete por cento. Estes dados dizem respeito ao Inquérito ao Sector do Jogo relativo a 2024 contando com seis operadoras de jogo e duas empresas de exploração de lotarias. Deste inquérito excluem-se os dados relativos às actividades dos hotéis ou do comércio a retalho exploradas pelas empresas.

Exportações | Vendas para a Europa com melhor desempenho

A União Europeia (UE) foi o mercado com melhor desempenho, em matéria de exportações, no segundo trimestre deste ano. É o que diz o “Inquérito de Conjuntura ao Sector Industrial Exportador” realizado pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Lê-se que nestes meses “as principais mercadorias exportadas pela RAEM foram vestuário e confecções, produtos farmacêuticos, equipamentos electrónicos ou eléctricos, bebidas alcoólicas e tabaco, e produtos metálicos”, sendo que a UE “foi o mercado de destino das exportações da RAEM que teve um comportamento relativamente melhor”.

Este mercado teve uma variação de 25,1 por cento no “Índice Geral da Situação de Encomendas Trimestrais por Mercados”, tendo tido “um comportamento relativamente melhor”.

Os empresários continuam, porém, preocupados com o panorama de negócios, pois quando questionados sobre as perspectivas das exportações, 53,1 por cento previu “estagnação” no segundo trimestre, um aumento de 32,3 por cento face ao trimestre anterior. Apenas 27,3 por cento disseram ter “uma perspectiva optimista” para o trimestre em análise, mais 0,4 por cento.

SMG | Sinal 1 de tempestade pode ser emitido entre esta noite e amanhã

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) indicaram ontem que estão a considerar emitir sinal 1 de tempestade tropical entre a noite de hoje e a manhã de quinta-feira, altura em que uma depressão tropical que estava ontem a leste das Filipinas pode entrar num raio de 800 quilómetros de Macau.

Na previsão divulgada ontem, as autoridades estimaram que “o sistema tropical se intensifique gradualmente nos próximos dois dias, em direcção à costa leste de Guangdong”. “Devido à existência de grande incerteza quanto à sua trajectória e intensidade, os SMG está a acompanhar de perto o seu desenvolvimento e movimento e apelam à população que preste atenção às informações meteorológicas mais actualizadas”, foi acrescentado.

ONU | Comissão independente acusa Israel de genocídio em Gaza

Uma comissão internacional independente de investigação da ONU acusou ontem Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza desde o início da guerra, em 7 de Outubro de 2023, com a “intenção de destruir” os palestinianos.

“Nós chegamos à conclusão que um genocídio acontece em Gaza e vai continuar a acontecer, sendo que responsabilidade cabe ao Estado de Israel”, disse a presidente desta comissão, Navi Pillay, ao apresentar o relatório da investigação da Comissão da ONU sobre os crimes cometidos nos territórios palestinianos ocupados.

Israel “rejeita categoricamente” este “relatório tendencioso e mentiroso e pede a dissolução imediata” da Comissão, afirmou ontem, em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita.

Os mais altos dirigentes israelitas “orquestraram uma campanha genocida”, acrescentou Navi Pillay, de 83 anos, antiga alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. A Comissão “concluiu que o Presidente israelita, Isaac Herzog, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant, incitaram o genocídio e que as autoridades israelitas não tomaram qualquer medida contra estas pessoas para punir essa incitação”.

As investigações demonstraram que as autoridades e as forças de segurança israelitas cometeram “quatro dos cinco actos genocidas” definidos pela Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio de 1948.

Estes crimes são “matar membros de um grupo; causar danos físicos ou mentais graves a membros de um grupo; impor deliberadamente ao grupo condições de vida calculadas para causar a sua destruição física, total ou parcial; e medidas destinadas a impedir nascimentos dentro de um grupo”.

“A comunidade internacional não pode permanecer em silêncio perante a campanha genocida lançada por Israel contra o povo palestiniano em Gaza. Quando surgem sinais e provas claras de genocídio, a omissão em agir para o impedir equivale a cumplicidade”, segundo a Comissão.

Secretário Tai Kin Ip ouve opiniões sobre emprego e economia

O Governo iniciou a ronda de auscultações públicas para preparar as Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano. O secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, reunido ontem com seis associações que deixaram sugestões quanto à promoção do emprego e desenvolvimento económico, e que enalteceram as políticas do Executivo.

Segundo um comunicado emitido pelo Governo, o presidente da União de Estudiosos de Macau, Ip Kuai Peng, referiu a necessidade de optimizar a economia em torno da área da propriedade intelectual, que tem sido aplicada com a instalação de bonecos de marcas conhecidas na cidade para atrair turistas, além de defender mais apoios ao emprego jovem.

Tai Kin Ip conversou também com o secretário-geral do Centro de Pesquisa Estratégica para o Desenvolvimento de Macau, Chan Chi Fong, que defendeu também os benefícios de apostar na economia associada à área da propriedade intelectual, sugerindo uma adaptação tendo em conta as características de Macau.

Por sua vez, a vice-presidente da mesma associação, Chan Peng Peng, acredita que o Governo deve tornar mais atractivas as zonas históricas do território que serão alvo de revitalização em parceria com as empresas de jogo.

Outra entidade ouvida por Tai Kin Ip foi a Associação de Estudo de Economia Política de Macau, presidida por Samuel Tong, que pediu mais apoios do Executivo para as pequenas e médias empresas (PME) e argumentou a necessidade de ajuste estratégico de negócio para acelerar e transformar a economia.

Já a presidente do “Grand Thought Think Tank”, Lei Ngan Leng, sugeriu uma melhor coordenação diversificar a economia, desenvolvendo as indústrias culturais e avançando com a integração de Macau em Hengqin.

Parabéns ao ZAPE

Já o vice-presidente da Associação Económica de Macau, Henry Lei Chun Kwok, também quer apoios contínuos às PME, esperando que o Governo concretize a medida de criação de fundos para as indústrias em prol da transformação em resultados científicos e tecnológicos.

Outro “think tank”, o “Doctoral Think Tank”, coordenado por Chan Kam Kun, defendeu a necessidade de reforço da cooperação e uma maior divulgação contra o crime de branqueamento de capitais. Chan Kam Kun não esqueceu a conveniência da emissão de vistos para estrangeiros, tendo reconhecido a eficácia do plano governamental de revitalização para a zona do ZAPE, onde se inclui a recente realização de uma feira de gastronomia.

Sexo: uma estratégia para o auto-conhecimento

O sexo é um espelho para as fragilidades e um caminho para o auto-conhecimento. Mais do que o prazer, o sexo une o que está normalmente separado: o processo de fusão testa a porosidade dos limites pessoais. Torna-se num portal para as vulnerabilidades e dificuldades mais profundas.

O que mais revela é a forma (e a dificuldade) que temos de nos ligarmos com os outros. Não será de admirar, a vulnerabilidade sexual implica exposição física, emocional e simbólica ao mesmo tempo. Expõe a pele, as imperfeições e expõe o medo da rejeição, a dificuldade em pedir, a vergonha dos desejos e emoções que não parecem “normais”.

O sexo como artefacto cultural é uma tentativa de produzir máscaras protectoras a esse desconforto. Há uma associação clara do sexo à estética do superficial. É o domínio do não-real, o fantasiado, os corpos e as vidas que se pavoneiam pelas redes sociais, as cirurgias plásticas precoces de jovens que querem parecer-se de determinada maneira. A pornografia, a única fonte de “educação” que os jovens provavelmente têm actualmente, vive da fantasia e das expectativas irrealistas.

Estas imagens não só moldam a forma como nos mostramos, como também agravam a dificuldade em nos expormos tal como somos — a vulnerabilidade fica mascarada por uma performance de perfeição. Tive uma amiga que se deitava maquilhada e acordava mais cedo do que o seu parceiro para retocar a maquilhagem, de modo a que ele visse sempre a sua melhor versão: haverá maior resistência do que esta?

É por isso que falar sobre o sexo deve ser encorajado, porque no meio de tanta confusão é muito mais fácil agarrar em dogmas que explicam de forma deficiente a forma como o sexo manifesta partes de nós que não queremos olhar. Há vontades, desejos e medos não articulados que ficam reprimidos no fundo do ser e que lá permanecem para sempre, sem sequer darmos espaço a perceber o que dizem de nós.

Recentemente encontrei uma rubrica no jornal The Guardian que me pareceu um passo na direcção oposta. Primeiro, por convidar os casais a partilhar as suas histórias de sexo; segundo, por valorizar as formas criativas que encontram para lidar com os encontros e desencontros humanos. Por exemplo, um dos casais conta que, no meio de uma aproximação e de uma relação intensa mas cheia de dúvidas, decidiram fazer uma pausa no sexo durante três meses e assumiram a distância como um espaço para se redescobrirem na relação — que funcionou.

Este trabalho de dar sentido à vulnerabilidade, em vez de deixar que a experiência sexual permaneça no vazio, evita que as pessoas se sintam sozinhas e perdidas, sem perceberem porque é que o sexo pode ser um gatilho tão intenso para vivências que não conseguem explicar — para emoções cuja origem lhes escapa. Padrões de comunicação, desequilíbrios de poder, proximidade e distanciamento: tudo se recria no sexo. O quarto torna-se um palco onde se repetem, em miniatura, os mesmos jogos emocionais que vivemos no dia-a-dia. Claro que o kink, as brincadeiras sexuais, os fetiches e o role-play têm essa dimensão simbólica bem mais assumida, com uma compreensão mais aprofundada de que é preciso expressar sensações, emoções e conteúdos em espaços seguros e contentores (e.g. BDSM).

Não deixo de ser estupidamente optimista no desejo de trabalhar o sexo como um caminho para a auto-descoberta. É precisamente no jogo entre fragilidade e potência que reside o paradoxo do sexo — lugar de imobilização e de movimento. Quando é usado como esse portal metafórico para o auto-conhecimento, garanto: o resultado é impressionante. Para aqueles que querem pensar mais sobre si próprios, podem começar com questões simples. Como é que eu me posiciono em relação ao sexo?

Como é a minha relação com o prazer? Como é que gosto de ser seduzida? Que emoções é que evoca? Como é que eu reajo a elas? E, mais importante ainda, como é que uma visão mais aberta e consciente do sexo poderá permitir as mudanças tão desejadas na forma como nos relacionamos uns com os outros? É no espaço entre a vulnerabilidade e a libertação do sexo que encontramos talvez a melhor metáfora do que é ser humano.

Timor-Leste | Segundo dia de protestos termina com dança e recolha do lixo

O segundo dia de protestos de estudantes em Díli contra as regalias dos deputados timorenses terminou com dança e recolha de lixo, depois de uma intensa troca de gás lacrimogéneo e pedras entre manifestantes e polícia

 

Ao início da manhã de ontem, os jovens iniciaram a manifestação em frente à Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL) e junto ao parlamento sob um forte dispositivo policial, que condicionou os manifestantes e acabou por os empurrar para dentro do estabelecimento de ensino.

Depois de negociações entre estudantes e as forças de segurança, a polícia permitiu a manifestação mais ao cimo da Avenida de Lisboa, onde fica situado o Parlamento Nacional, a UNTL e o Arquivo do Museu da Resistência. Mas os ânimos exaltaram-se e rapidamente começou a ser disparado gás lacrimogéneo contra os manifestantes, que responderam com o arremesso de pedras e pneus queimados nas estradas, tendo sido incendiada uma viatura do Estado.

Os distúrbios afectaram a zona do Palácio do Governo, do Banco Nacional Ultramarino, do Páteo, da Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL) e do Ministério da Justiça.

Ao início da tarde, após novas negociações entre manifestante e polícias, o dispositivo das forças de segurança foi reduzido e os jovens voltaram para a frente da UNTL e do Parlamento Nacional para terminar o segundo dia de protesto.

“Os 65 deputados que estão actualmente no Parlamento Nacional não representam o povo timorense, não discutem os interesses legítimos do povo. Os deputados aproveitam o cargo para atingir os seus direitos pessoais, de grupo e partidários, mas não se responsabilizam pelo sofrimento que o povo enfrenta”, disse à Lusa o estudante César João Batista.

Vicentino da Costa Lemos também criticou a actuação dos deputados “malandros”, salientando que os universitários estão a representar a voz do povo. “Os deputados tomam decisões malandras e nós vamos lutar contra. A resistência dos universitários, firmeza sem reserva, a luta continua”, afirmou Vicentino da Costa Lemos.
Junto ao parlamento, os jovens gritaram palavras de ordem contra os deputados, mas também dançaram músicas tradicionais timorenses. O protesto terminou de forma pacífica, com os estudantes a serem convocados para o último dia de manifestação, que se realiza hoje. No fim, os jovens recolheram o lixo, incluindo os pneus queimados, deixados pelas várias ruas por onde passaram em confronto com a polícia.

Ruas em chamas

Os bombeiros de Timor-Leste apoiaram as forças de segurança com quatro viaturas e a apagar os fogos provocados pelos manifestantes em Díli, que protestam contra as regalias dos deputados. “Este acontecimento obrigou-nos urgentemente a intervir para apoiar a polícia em incêndios ligeiros. Considerámos necessário combater desde logo estas pequenas situações”, disse à Lusa Aníbal o director nacional dos bombeiros, Paulo de Oliveira Maia, enquanto se encontrava no terreno a apagar pneus incendiados por estudantes em frente à zona de Benfica.

“Quando há um alerta, nós respondemos de imediato e a nossa intervenção procura evitar que um incêndio se transforme em algo grave que possa afectar recursos importantes. É essa a nossa intervenção, de caráter preventivo”, afirmou o director. O responsável disse que, até ao momento, os estudantes incendiaram apenas objectos ligeiros, como pneus.

“As nossas viaturas de bombeiros também sofreram alguns danos, mas algumas, devido à protecção existente, não chegaram a ser atingidas. Sempre que há manifestações, deparamo-nos com estas condições e situações”, acrescentou Oliveira Maia.

A polícia timorense conseguiu deter ontem dois estudantes do sexo masculino, que foram levados para a esquadra.
Um deles, Nilton Xavier Belo, afirmou que durante a manifestação houve desentendimentos entre a Polícia Nacional de Timor-Leste e os estudantes. “Estou pronto para assumir a responsabilidade pelo acto que acabou por ser provocado pelos meus colegas. Estou pronto para ser responsabilizado”, declarou o estudante. “Isto faz parte da democracia e da liberdade de opinião. Estou aqui para representar os meus colegas, mas em relação ao anarquismo, não pratiquei nenhum acto. Esta é a minha posição, não há nada que justifique a polícia deter-me”, afirmou o estudante da Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL), pedindo aos companheiros para continuarem a lutar.

Os estudantes de quatro universidades de Timor-Leste iniciaram segunda-feira um protesto contra as regalias dos deputados, que acabou por ser disperso com gás lacrimogéneo pela polícia, depois de os manifestantes atirarem pedras e outros objectos contra o Parlamento Nacional, onde decorria a abertura da terceira legislativa da sexta legislatura.