Governo destaca calendário com actividades nocturnas este mês

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) destaca que este mês será marcado pela realização de diversos programas nocturnos, muitos deles já com espírito natalício, e integrados no programa de subsídios a associações com vista à diversificação da actividade turística.

Um desses eventos arrancou ontem e decorre até este domingo, dia 7, intitulando-se “The Cities of Gastronomy (China) in Macao 2025”, contando “com a participação de chefs de renome e líderes do sector culinário de Chengdu, Shunde, Yangzhou, Huai’an, Chaozhou e Macau, para promover o intercâmbio cultural entre as seis Cidades Criativas de Gastronomia”.

Trata-se de um evento que inclui a realização de mesas-redondas, sessões de degustação de especialidades, um fórum sobre o desenvolvimento da gastronomia chinesa, uma noite de culinária e intercâmbio de cozinheiros famosos da China, destaca uma nota da DST.

Entre sábado e 5 de Março do próximo ano, acontece o evento “Luminescent Night at Travessa do Armazém Velho 2025”, com a “transformação de ruas e ruelas num teatro de luz imersiva”. Nesta actividade, recorre-se a “equipamentos interactivos, jogos online e workshops presenciais, entre outras experiências, para promover o fluxo de pessoas e estimular o consumo nocturno nesta zona”. Tudo para que a “área da Travessa do Armazém Velho mostre o seu encanto único à noite”.

Outras culturas

Destaque ainda para a realização, já habitual, do “Thailand Cultural Festival 2025”, este fim-de-semana, dias 6 e 7, na Rua de Abreu Nunes. No local, serão instalados 20 stands de comida tailandesa, ocorrendo também espectáculos como a entrega de arroz e actividades de bênção e boa fortuna, massagem tailandesa, dança tradicional étnica, canções e danças tailandesas, entre outros.

Para os dias 20 a 28 de Dezembro está agendado o “Northern Winter Market”, na Praça Flor de Lótus do Bairro da Ilha Verdecontando este evento com tendinhas de feira e jogos temáticos, a fim de “aumentar a atractividade turística da zona norte.

A DST diz ter aprovado 54 actividades no âmbito do plano de apoio para este ano, sendo que, de Janeiro a Outubro, foram concluídos 39 destes projectos que atraíram mais de 650 mil participantes. Estes contaram ainda com a participação directa de cerca de 1.500 estabelecimentos comerciais, “atraindo, de forma eficaz, residentes e visitantes para os bairros comunitários”.

FRC | Pinturas de Sunny Sit Ka Kit para ver até 13 de Dezembro

A galeria da Fundação Rui Cunha acolhe, a partir hoje e até ao dia 13 de Dezembro, uma nova mostra, dedicada ao trabalho do artista local Sunny Sit Ka Kit. O projecto intitula-se “Esculpir. Observar a Cena” e contém abordagens do foro da psicologia e na identificação de uma certa identidade masculina

É hoje inaugurada uma nova exposição de arte na galeria da Fundação Rui Cunha (FRC). A partir das 18h30 podem ser vistos trabalhos do artista local Sunny Sit Ka Kit, organizados na exposição a óleo “Shaping. Viewing the Scene” [Esculpir. Observar a Cena”, e que fica patente até ao dia 13 de Dezembro.

Segundo uma nota da FRC, Sit Ka Kit é um artista que “foca este seu trabalho nas mudanças psicológicas e no equilíbrio ético da identidade masculina, ao mesmo tempo que explora o reverso do espelho, na forma como a sociedade e as redes sociais entendem o papel do homem actual”.

O público pode ver 15 “obras de grande impacto”, onde o artista “usa a pintura a óleo como meio, desenhando experiências como marido e pai, e explora temas de ‘formação de identidade’ e ‘a responsabilidade de ver’”. Este é um evento organizado pela Associação de Arte Juvenil de Macau e pela Associação dos Artistas de Belas-Artes de Macau, contando com a curadoria de Kit Tam Chon.

Este declarou, sobre a exposição, que “nas artes contemporâneas, os escritos introspectivos de artistas masculinos têm sido frequentemente esquecidos”. “Embora a arte feminina aborde corajosamente temas de identidade e poder social, as experiências psicológicas e as reflexões éticas dos homens quando confrontados com a família, as emoções e as responsabilidades sociais ficam muitas vezes escondidas sob a racionalidade e o silêncio”, acrescentou.

Espelhos e jogos

A mostra apresenta duas séries intituladas “Espaço Privado” e “Espaço Público”, em que na primeira parte se ilustra “as transformações psicológicas dos homens no contexto da família”, enquanto na segunda parte se observam determinados “acontecimentos sociais a partir de uma perspectiva de espectador, reflectindo a ética e a consciência pública”. Assim, estas duas séries constroem “uma estrutura de espelho duplo onde o eu e o mundo se cruzam”, lê-se no manifesto artístico da exposição.

Em “Espaço Privado”, o artista “utiliza a experiência familiar como ponto de partida da sua narração”, onde “através de pinceladas calmas e comedidas, capta na tela a tensão da paternidade, responsabilidade e liberdade”, descreve o curador.

Por sua vez, na série “Espaço Público”, o artista parte das redes sociais e dos acontecimentos públicos, reflectindo a sua “perspectiva de ‘espectador’ para explorar temas como a ética, a pressão pública e o estado de existência”. Com uma lente objectiva e sem impor sentimentos pessoais, Sit Ka Kit tenta assim fomentar uma reavaliação do “cenário ético” em que vivemos, é explicado.

Carreira em andamento

Natural de Macau, Sunny Sit Ka Kit frequenta actualmente o doutoramento em Belas Artes. Obteve o grau de Mestre pela Academia de Belas Artes de Guangzhou em 2019 e foi estudante de intercâmbio na Faculdade de Belas Artes da Universidade Nacional de Ciência e Tecnologia de Seul em 2017.

Foi convidado a participar no projecto de criação artística “Macau Elegance Reborn – Fine Depiction of Mountain, Sea, and City Images” do Fundo Nacional de Arte da China; no Programa de Criação de Jovens Artistas do Fundo Nacional de Arte da China; e na terceira exposição colateral da “Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau. 2023”. Recebeu nomeações prémios na região da Grande Baía, e realizou exposições individuais em locais como Guangzhou e Zhongshan.

Actualmente, Sit Ka Kit é Vice-Director da Associação de Arte Juvenil de Macau, e Director da Associação dos Artistas de Belas-Artes de Macau, assumindo ainda funções de professor convidado na Universidade da Cidade de Macau e na Universidade Politécnica de Macau.

Taiwan CSBC Corp | Empresa falha prazo de entrega de submarino

A construtora naval de Taiwan CSBC Corp não cumpriu o prazo estabelecido para a conclusão do primeiro submarino de concepção local, informou ontem o ministro taiwanês da Defesa, Wellington Koo Li-hsiung. O objectivo inicial estipulava que a conclusão dos testes marítimos do submarino devia ter acontecido antes de 30 de Setembro e a entrega do navio devia ser formalizada até ao final de Novembro, de acordo com a marinha taiwanesa.

Wellington Koo anunciou ontem no parlamento que os testes, iniciados em Junho, ainda estão em andamento. “Gostaria de salientar mais uma vez que tudo o que fazemos é baseado em avaliações de segurança e que não há urgência em cumprir um prazo específico”, precisou o governante.

Koo tinha já admitido em Outubro que o calendário de construção era irrealista, salientando “problemas de equipamento e atrasos no planeamento do pessoal técnico dos fabricantes”. O submarino, cuja construção está ligada a um programa lançado em 2016, mede 80 metros de comprimento e está equipado com sistemas de combate e torpedos fornecidos pelo grupo norte-americano Lockheed Martin.

O principal partido da oposição, o Kuomintang (KMT), e o seu aliado, o Partido Popular de Taiwan (PPT), que juntos controlam o parlamento, congelaram parte do orçamento do programa no início do ano, exigindo conhecer os resultados dos testes marítimos do submarino antes de desbloquear os fundos.

A marinha taiwanesa dispõe actualmente de dois submarinos da classe Swordfish em serviço, adquiridos aos Países Baixos na década de 1980. O Governo de Taiwan anunciou na semana passada que vai propor 40 mil milhões de dólares em despesas adicionais com a defesa para os próximos anos.

Exportações chinesas para PLP sobem 0,9% até Outubro

As exportações chinesas para os países de língua portuguesa (PLP) subiram 0,9 por cento nos primeiros dez meses de 2025, em comparação com igual período do ano passado, de acordo com dados oficiais divulgados ontem.

De acordo com informação dos Serviços de Alfândega da China, as mercadorias vendidas para os mercados lusófonos até Outubro atingiram 72,6 mil milhões de dólares. Este valor representa um aumento de 0,9 por cento em comparação com o mesmo período de 2024, ano em que as exportações chinesas para os países fixaram um novo recorde: 85,5 mil milhões de dólares.

Os dados compilados e divulgados pelo Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) revelam que Angola foi a principal razão para a subida. As mercadorias chinesas vendidas para Angola atingiram 4,04 mil milhões de dólares até Outubro, um aumento homólogo de mais de metade (51,1 por cento).

Apesar de uma descida homóloga de 2,9 por cento, o Brasil continua a ser o maior comprador no bloco lusófono, tendo comprado à China produtos no valor de 59 mil milhões de dólares. Em segundo na lista – e no sentido contrário – surge Portugal, cujas importações vindas da China aumentaram 14,8 por cento para 5,88 mil milhões de dólares.

Na direcção oposta, as exportações dos PLP para a China caíram 5,9 por cento, para 112,2 mil milhões de dólares nos primeiros dez meses.

De acordo com dados oficiais, este é o valor mais baixo para o período entre Janeiro e Outubro desde 2020, no início da pandemia de covid-19.

A descida deveu-se, sobretudo, ao Brasil – de longe o maior fornecedor lusófono do mercado chinês – cujas vendas caíram 4,7 por cento para 94,9 mil milhões de dólares.

Além disso, também o segundo maior parceiro comercial chinês no bloco lusófono, Angola, viu as exportações caírem 12,8 por cento, para 12,9 mil milhões de dólares.

Rota descendente

As vendas de mercadorias de Portugal para a China diminuíram 7,6 por cento, em comparação com os primeiros dez meses de 2024, para 2,39 mil milhões de dólares. Aliás, seis dos nove países de língua portuguesa diminuíram as exportações para o mercado chinês. As vendas de Moçambique para o mercado chinês desceram 8 por cento, para 1,35 mil milhões de dólares, enquanto as exportações da Guiné Equatorial encolheram 28,5 por cento, para 634,3 milhões de dólares.

As remessas de Cabo Verde diminuíram 37,1 por cento, com o país a vender à China apenas cerca de oito mil dólares em mercadorias entre Janeiro e Outubro. Timor-Leste destacou-se pela positiva, com as exportações para a China a dispararem de apenas 632 mil dólares para 26,8 milhões de dólares no espaço de um ano.

Também as vendas de São Tomé e Príncipe cresceram nove vezes, para 51 mil dólares, enquanto o valor das exportações da Guiné-Bissau passou de zero para oito mil dólares. A China continua a registar um défice comercial com o bloco lusófono, que atingiu 39,6 mil milhões de dólares nos primeiros dez meses de 2025.

Ao todo, as trocas comerciais entre os países de língua portuguesa e a China atingiram 184,8 mil milhões de dólares, menos 3,4 por cento do que no mesmo período do ano passado.

Exército | Endurecida disciplina militar após purgas e casos de corrupção

As autoridades militares anunciaram que as novas regras disciplinares entram em vigor em 2026

A Comissão Militar Central da China aprovou ontem novas disposições disciplinares que endurecem o controlo político, punem a desobediência a ordens estratégicas e castigam falsificações na avaliação da capacidade de combate. A revisão normativa entra em vigor em 2026 e chega após um ano de purgas, em que foram expulsos altos comandos, incluindo um ex-vice-presidente do órgão, por suspeita de corrupção.

O Diário do Exército Popular de Libertação (EPL, Exército chinês) anunciou através da sua conta na plataforma Wechat que as disposições suplementares actualizam o quadro interno para a aplicação do regulamento disciplinar do Partido Comunista Chinês (PCC) nas Forças Armadas. A publicação militar não disponibiliza o texto integral das alterações normativas, nem detalha casos concretos que motivaram as mesmas.

De acordo com a nota oficial, as novas regras colocam a “disciplina política” como prioridade absoluta e incluem sanções por “comentários inadequados”, falhas na aplicação do sistema de responsabilidade do presidente da Comissão Militar Central, Xi Jinping, e deficiências na execução de ordens.

O documento também menciona medidas contra irregularidades em áreas sensíveis, como contratações, promoções, actividades lucrativas e uso de recursos, bem como condutas que vão desde banquetes inadequados até ao formalismo e burocracia.

Outra novidade destacada, é o reforço dos controlos relacionados com a preparação para o combate, com especial atenção à manipulação de dados nas avaliações da capacidade militar, um aspecto sobre o qual Pequim não ofereceu exemplos concretos, mas que tem sido alvo de críticas internas nos últimos meses.

Mais fortes

A Comissão Militar Central sustenta que o novo pacote disciplinar visa “dar força” às normas existentes, embora, por enquanto, não tenha sido publicado o conteúdo completo do articulado nem o alcance das sanções previstas.

A revisão surge num contexto de escrutínio excepcional sobre o EPL. Em Outubro, as autoridades expulsaram do Partido e do Exército nove altos comandantes, entre eles o general He Weidong, ex-vice-presidente da Comissão Militar Central, e o almirante Miao Hua, ambos investigados por suspeita de corrupção.

A Força de Foguetes, responsável pelo arsenal nuclear, foi especialmente afectada por sanções e suspensões de especialistas e fornecedores, após a detecção de irregularidades nos processos de contratação. O Presidente chinês, Xi Jinping, vem a defender desde 2023, a intensificação da “auto-revolução” dentro das forças armadas e a ligação entre a limpeza interna e a capacidade de combate.

Artigos recentes na imprensa militar têm pedido aos quadros que “digam a verdade” e evitem encobrimentos, em paralelo com directrizes que visam restringir redes informais de influência.

Que Fazem Literatos Junto às Águas Correntes de um Rio

Cui Zizhong (1574-1644), o pintor de Laiyang (Shandong), que viveu em Pequim na iminência do fim da dinastia Ming foi, no Norte, uma figura notável no ressurgência da pintura de figuras que no Sul, com Chen Hongshou (1599-1652), protagonizavam esse ressurgimento com estranhas representações de figuras humanas e dos seus ambientes.

Adjectivos como «bizarro», «excêntrico», «peculiar» mas também «arcaico», foram atribuídas às suas pinturas. Esta última, no entanto, aponta já para uma vontade comum aos pintores literatos: se eram anacrónicas elas continuavam a corresponder ao desejo de fazer da pintura um veículo para referir elevados sentimentos e fluidos pensamentos.

As figuras de Cui Zizhong pareciam por vezes exprimir esse esforço. Olhando as suas vestes desalinhadas alguns notaram como pareciam pessoas chegadas de noites insones em conversas longas que não deixaram sequer um tempo para descansar. Outros pintores, em suas obras, seguiram estas visões extravagantes provando que as reuniões figuradas talvez correspondessem a diálogos autênticos.

Tal será o caso de um literato amigo de Cui Zizhong que depois dos sessenta anos se dedicou só à pintura na corte, na Academia imperial de pintura de Pequim, restaurada na dinastia Ming, chamado Wang Chongjie (1605-1667). Para o retrato que Wang Chongjie fez no Verão de 1657 do pintor de Suzhou, Wang Jian (1598-1677) que está na Galeria de Arte Kaikodo, no Havai (rolo horizontal, tinta e cor sobre seda, 43,3 x174 cm) contribuiriam outros importantes autores que participavam nesses diálogos: Wang Wu (1632-90), de acordo com um colofóne, fez a paisagem à volta do retratado, com um rio onde nadam dois patos, e ao lado da pintura, o celebrado pintor Wu Weiye (1609-71) que viveu com mágoa a transição dinástica, escreveu um poema.

Wang Chongjie ao fazer o retrato de Wang Jian dir-se-ia estar a fazer uma síntese do estado da arte no seu tempo. Não só ele era neto do célebre e venerado pintor Wang Shizhen (1526-90) como o cuidadoso tratamento das sombras do rosto poderá indiciar a apropriação de uma nova forma de fazer resultante do contacto com pintores europeus que se encontravam na corte no fim dos Ming.

Num álbum que mostra literatos junto a cursos de água (tinta e cor sobre seda, 25,5 x 31,3 cm, no Museu Angewandte kunst de Frankfurt) quando há montanhas são apenas esquemáticas. Se, como disse Confúcio, as montanhas agradam ao coração e as águas correntes ao pensamento, poder-se-á deduzir que era esse fluir das águas que os inspiravam. E sobre o que versavam esses diálogos no meio da pristina natureza, Zhang Yanyuan no séc. IX, escrevendo sobre o carácter edificante da pintura, disse: «ela é um meio através do qual eventos são preservados, de maneira tal que servem como modelos (para os virtuosos) e avisos (para caminhos errados)».

Fraude | Detido na fronteira seis anos após crime

Um homem do Interior da China foi detido ao entrar em Macau, por indícios de ter praticado uma burla no valor de 670 mil dólares de Hong Kong, em 2019, segundo informação divulgada ontem pela Polícia Judiciária (PJ).

O homem, com 43 anos, terá cometido o crime em Abril de 2019, quando auxiliou um jogador a inscrever-se numa sala de jogo VIP no Cotai. Em causa esteve um depósito de cerca de 2 milhões de dólares de Hong Kong que pertencia à vítima. O depósito foi feito a troco de uma promessa de bónus para jogar. Após o depósito o jogador passou o dia todo nas mesas com o suspeito. No entanto, quando tentou recuperar o dinheiro, o burlão disse-lhe que a sala só tinha capacidade para entregar cerca de 1,4 milhões de dólares de Hong Kong, e que os restantes 670 mil dólares de Hong Kong teriam de ser levantados no dia seguinte.

A vítima confiou no suspeito e, no dia seguinte, quando regressou à sala VIP foi informada que o dinheiro tinha sido todo levantado no dia anterior. Com 670 mil dólares de Hong Kong, o suspeito voltou para o Interior da China onde ficou até sábado, altura em que voltou a Macau e foi detido de imediato.

Contrabando | Apreendidos 38 quilos de caranguejo

Os Serviços de Alfândega (SA) apreenderam 38 quilogramas de caranguejo-peludo contrabandeado, na fronteira da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. O caso foi divulgado pelas autoridades, depois das operações de combate ao contrabando conduzidas entre 23 e 27 de Novembro.

Os quilos de caranguejo foram todos apreendidos no dia 25 de Novembro, quando as autoridades inspeccionaram um carro de um residente local que ia atravessar a fronteira para o Interior. Dentro da viatura do homem, os agentes descobrir os 38 quilos de caranguejo-peludo, que foram apreendidos.

No entanto, as operações levaram igualmente à apreensão de outros produtos, como ananás, charutos cubanos ou produtos electrónicos. Os charutos foram apreendidos numa mulher do Interior que atravessou a fronteira no sentido da terra natal com um residente local. Os produtos para fumar tinham um peso ligeiramente superior a 1,5 quilos. A mulher foi apanhada devido ao evidente nervosismo com que atravessou a fronteira, o que levantou suspeitas. Ao mesmo tempo, o homem que seguia com ela tinha à volta da cintura doze telemóveis antigos, que também foram apreendidos.

Também na quarta-feira, os Serviços de Alfândega mandaram parar um camião conduzido por uma mulher, que tentava atravessar a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. No interior da viatura estavam 70 quilos de ananás não declarados.

Economia | Portugueses entre vencedores de concurso de ‘starups’

A ‘startups’ portuguesa Complear, que ajuda empresas de saúde digital a cumprir exigências de reguladores, venceu a 5.ª edição da competição sino-lusófona 929 Challenge em Macau

As ‘startups’ portuguesas Complear e Azores Life Science arrecadaram o primeiro e terceiro lugares, respectivamente, na quinta edição da competição sino-lusófona 929 Challenge em Macau. A Complear ajuda empresas de saúde digital a cumprir as exigências dos reguladores, enquanto a Azores Life Science produz cosméticos com recursos naturais do arquipélago dos Açores.

Em segundo lugar na final do concurso, que decorreu no domingo, ficou a brasileira Phycolabs, que transforma algas em produtos têxteis.

“A qualidade geral deste ano foi excepcional, em particular o desempenho das empresas dos países de língua portuguesa”, disseram os co-fundadores do evento, Marco Duarte Rizzolio e José Alves. “Destacaram-se os projectos de biotecnologia, alinhando-se positivamente com o foco estratégico da China na biotecnologia”, acrescentaram, citados num comunicado divulgado pela organização.

Divididas em duas categorias, 16 equipas finalistas – oito ‘startups’ e oito de universidades chinesas e dos países de língua portuguesa, disputaram a final da quinta edição desta competição sino-lusófona. A Universidade de Hong Kong destacou-se na categoria universitária, com a Universidade de Macau e a Universidade do Porto a completarem o pódio. A equipa da Universidade do Porto venceu ainda o prémio de ‘Startup’ com Maior Impacto.

Maioria lusófona

Os países lusófonos estiveram pela primeira vez em maioria, representando cerca de 65 por cento das mais de 400 candidaturas. A competição atraiu 170 ‘startups’ dos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP) e de Timor-Leste, mais 73 por cento do que em 2024.

A quinta edição do 929 Challenge incluiu, pela primeira vez, o prémio ‘Future Builder’ (Criador do Futuro), para a melhor ‘startup’ dos PALOP e de Timor-Leste. O galardão foi para o projecto de Moçambique Xa Nene, que usa larvas de moscas para tornar lixo orgânico em comida para animais.

A empresa portuguesa Dermamatica, que usa inteligência artificial para o rastreio a três dimensões do cancro da pele, recebeu o prémio de ‘Startup’ Mais Promissora. A Dermamatica já tinha em Junho sido distinguida num outro concurso de empreendedorismo em Macau, para empresas de Brasil e de Portugal.

A edição deste ano registou um montante total de prémios de 300 mil patacas e quatro mil dólares em serviços e ferramentas da Alibaba, de acordo com a organização. O 929 Challenge é co-organizado pelo Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) e por várias instituições da região, incluindo todas as universidades.

MICE | IPIM com curso de formação que junta 50 profissionais

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) organizou semana passada, no complexo do Fórum Macau, um curso de formação em convenções e exposições que contou com a participação de mais de 50 profissionais do sector e representantes de instituições de ensino superior.

Segundo indicou ontem o IPIM, houve também uma actividade de intercâmbio em que “consultores da área de convenções e exposições do IPIM partilharam as suas experiências sob o tema ‘O Futuro das Convenções e Exposições: Prospecto da Tendência Principal para 2026’”.

Na apresentação do evento, o presidente do IPIM, Che Weng Keong, afirmou que “o sector de convenções e exposições de Macau recebeu inúmeros prémios internacionais em 2025, reflectindo uma tendência do desenvolvimento tanto no número de eventos como na diversificação do sector”.

Foi também realçado o esforço do IPIM na promoção de acções de formação profissional em convenções e exposições, nomeadamente através da organização de 22 cursos ao longo de 2025.

Nos primeiros nove meses deste ano, foram realizados 1.331 eventos de convenções e exposições, mais 25,7 por cento do que no mesmo período do ano passado. Além disso, as receitas não-jogo geradas por este tipo de eventos atingiram 3,72 mil milhões de patacas, menos 9,4 por cento em termos anuais.

Festival da Gastronomia | Negócios terão subido 30%

Apesar dos bons resultados, as vendas do festival estão, no melhor cenário, 20 por cento abaixo do que acontecia antes da pandemia. No entanto, não se esperam grandes alterações, dado que os restaurantes do exterior, que cobravam preços mais altos deixaram de ser convidados para o evento

O Festival da Gastronomia terminou no domingo e terá resultado num aumento anual do volume de negócios de 30 por cento, de acordo com o presidente da Comissão de Organização do Festival da Gastronomia, Chan Chak Mo. O balanço do evento foi citado pelo jornal Ou Mun.

Em relação ao balanço da 25.ª edição, Chan Chak Mo apontou para um aumento generalizado para todas as bancas, mas destacou que houve casos em que os vendedores conseguiram mesmo dobrar o volume de negócios, em comparação com o ano anterior.

Segundo o presidente da associação, para o bom resultado contribuíram vários factores, como o bom tempo, o grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias, que atribuiu cupões de desconto que puderam ser utilizados nas bancas do festival, e a organização de outros eventos que trouxeram gente para o território e coincidiram com o festival.

Além disso, Chan Chak Mo afirmou igualmente que os comerciantes que participaram no festival tiveram uma maior vontade de investir no design das bancas, o que tornou os diferentes espaços mais atraentes.

Em termos das tendências de consumo, o ex-deputado indicou que os jovens preferem a comida mais “inovadora” e que mostraram abertura para consumirem bebidas com preços entre 40 e 50 patacas. Este grupo de clientes também não se mostrou preocupado em pagar entre 30 e 40 patacas por doces e sobremesas, o que foi entendido por pelo dirigente associativo como um grupo que não se mostrou muito preocupado com os preços.

Mudança, precisa-se

Tendo em conta os padrões de consumo, Chan Chak Mo considerou ainda que as bancas que têm uma presença no festival mais antiga precisam de inovar nos seus pratos, para se tornarem mais atraentes. Além disso, esta foi a primeira vez que foi proibido fumar no festival, que é realizado ao ar-livre. No entanto, foi criada uma zona para fumadores e no total dos 17 dias as autoridades apenas detectaram duas infracções.

Fazendo a comparação com as edições do festival no período pré-pandemia, Chan apontou que o volume de negócios está entre 70 a 80 por cento do que costumava acontecer.

A redução do volume de negócios foi explicada em parte com o facto de desde a pandemia terem deixado de participar na iniciativa restaurantes que vinham de fora de Macau e que cobravam preços mais altos. Após a pandemia, as bancas passaram a ser integralmente ocupadas por negócios locais.

Aposta local

Quando questionado sobre a intenção de voltar a convidar comerciantes estrangeiros, o presidente da associação confessou que não existem planos nesse sentido, porque as pequenas e médias empresas locais têm grandes dificuldade para operar e precisam de todo o apoio possível. O responsável explicou também que esta mudança de postura tem a ver com o facto de o Governo ter sugerido uma maior aposta no comércio local, para apoiar os comerciantes da RAEM.

No entanto, Chan Chak Mo revelou que em todas as edições a organizadora substitui entre 30 a 40 comerciantes cujos produtos tiveram pouca procura. A comissão visita depois potenciais candidatos a um convite, para avaliar se os produtos e os preços correspondem ao actual modelo de consumo dos visitantes do festival.

Quanto à próxima edição do festival, o presidente da associação indicou que não existem grandes planos de inovação, mas admite que possa haver mais espectáculos no recinto.

TUI | Mantidas penas de cúmplices de burla telefónica

O Tribunal de Última Instância (TUI) decidiu manter as penas de prisão aplicadas a quatro arguidos condenados por burlas telefónicas. Na primeira instância, o Juízo Criminal do Tribunal Judicial de Base condenou os quatro arguidos a penas de 15 anos de prisão efectiva e ao pagamento de uma indemnização às vítimas.

O Tribunal de Segunda Instância reduziu as penas para 10 anos, oito anos e seis anos de pena de prisão efectiva. Mesmo assim, os arguidos interpuseram recurso para o TUI por acharem que as provas não foram apreciadas de forma correcta e por um alegado excesso da pena.

O TUI não acolheu o pedido dos arguidos, que já tinham antecedentes criminais, e acrescentou que face ao “grau de culpa e personalidade dos arguidos” a “pena não se apresenta excessiva ou manifestamente irrazoável”. No total, os arguidos foram condenados pela prática de burlas que resultaram em mais de 20 milhões de patacas em prejuízos.

Taiwan | Proposta de lei visa residentes de Macau

Os deputados do Partido Democrático Progressista (DPP, em inglês) de Taiwan, Wang Ting-yu e Wang Yi-chuan, entregaram uma proposta para alterar a lei do lóbi no Parlamento da Ilha Formosa, para punir os indivíduos do Interior, Hong Kong e Macau envolvidos nesta prática. A medida foi apresentada através de um comunicado e visa alterar a lei conhecida como anti-infiltrações de agentes externos.

Segundo a publicação de Wang Ting-yu no seu Facebook oficial, apesar de a actual lei já proibir o acto de lóbi dos indivíduos, grupos, entidades ou agentes do Interior Hong Kong e Macau em Taiwan, a lei não tem qualquer punição, pelo que é considerada inconsequente.

As alterações propõem uma multa máxima que pode chegar a cinco milhões de dólares taiwaneses para cada infracção, correspondente a cerca de 1,2 milhões de patacas.

Trânsito | Deputado Leong Sun Iok defende menos passadeiras nas estradas

O deputado Leong Sun Iok, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), defende uma redução do número de passadeiras para atravessar as estradas. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita, em que o deputado se queixa que o trânsito enfrenta demasiados constrangimentos.

Na perspectiva de Leong, as passadeiras para pesões são instaladas com “uma frequência considerável”, o que faz com que existam “múltiplas passagens no mesmo troço, com intervalos de distância extremamente curtos”. “Para os veículos, estas paragens e arranques frequentes reduzem significativamente as velocidades médias nas estradas e causam congestionamentos de trânsito localizados, afectando negativamente o fluxo geral da rede rodoviária”, justificou. “Como é que as autoridades vão encontrar um equilíbrio entre as necessidades das passagens para peões com a eficiência do trânsito na rede rodoviária ao rever e optimizar as passagens existentes?”, questionou.

Além disso, o deputado quer saber se as autoridades vão ponderar que os carros possam atravessar sinais vermelhos para virar à esquerda, como acontece em outros países. Assim, embora estivesse sinal vermelho para quem pretende seguir em frente ou virar à direita numa rua, haveria sempre a possibilidade de virar à esquerda, porque seria mostrado um semáforo com a cor amarela. “As autoridades poderão explorar a possibilidade de permitir viragens à esquerda durante o sinal amarelo, enquanto o semáforo está vermelho?”, perguntou.

Jogo | Receitas de Novembro ultrapassaram 21 mil milhões

Os casinos de Macau apuraram quase 21,1 mil milhões de patacas em Novembro, mais 14,4 por cento face a Novembro de 2024. Apesar da descida em comparação com o recordista mês de Outubro, nos primeiros 11 meses deste ano, a indústria do jogo arrecadou receitas de 226,5 mil milhões de patacas

A indústria do jogo teve receitas brutas de quase 21,1 mil milhões de patacas em Novembro, segundo dados revelados ontem pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), registo que se traduz numa subida de 14,4 por cento face a Novembro de 2024, quando as receitas se ficaram por 18,43 mil milhões de patacas.

Em termos mensais, as receitas brutas do mês passado caíram 12,4 por cento em comparação com o registo de Outubro, que teve a melhor performance mensal dos últimos seis anos, com 24,1 mil milhões de patacas. Importa salientar que Outubro é tradicionalmente um dos períodos de receitas mais elevadas, devido aos feriados nacionais da Semana Dourada.

No cômputo geral, entre o início do ano e 30 de Novembro, as receitas brutas amealhadas pelos casinos ascenderam a 226,5 mil milhões de patacas, mais 8,6 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, que registou receitas de 208,6 mil milhões de patacas.

Questões matemáticas

Entre subidas e descidas nas estimativas para a performance da indústria dos casinos, as receitas amealhadas até ao fim de Novembro parecem apontar para a superação da previsão do Governo no orçamento inicial para 2025. Recorde-se que o Executivo começou por estimar receitas brutas anuais de 240 mil milhões de patacas, limite que será ultrapassado se em Dezembro os casinos de Macau registarem receitas superiores a 13,5 mil milhões de patacas. No mês mais fraco deste ano, Janeiro, o sector apurou receitas brutas de 18,25 mil milhões de patacas.

Em Junho, o Governo adoptou uma posição mais conservadora em relação ao desempenho do sector e reduziu as estimativas das receitas anuais do jogo para 235,4 mil milhões de patacas num orçamento rectificativo. Os casinos do território sustentam mais de 83 por cento das receitas públicas da RAEM.

Licença de maternidade | Subsídio para empregadores prolongado

O Governo vai prolongar por mais um ano, até ao fim de 2026, o período de atribuição do subsídio complementar para empregadores pela remuneração paga na licença de maternidade, indicou ontem a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL).

O subsídio começou a ser distribuído depois da revisão legal que alargou em Maio de 2020 a licença de maternidade de 56 para 70 dias, e teria como limite máximo os 14 dias adicionais de renumeração base. O plano foi apresentado como uma medida para aplicar durante um período transitório, “permitindo aos empregadores adaptar-se, de forma gradual, às despesas económicas causadas pelo aumento do número de dias de licença de maternidade”, segundo a explicação das autoridades à altura. O chamado período de transição terminou a 25 de Maio de 2023, mas o subsídio manteve-se.

A nova prorrogação irá até 31 de Dezembro de 2026, alargando o prazo estabelecido por regulamento administrativo em vigor desde 26 de Agosto deste ano.

Assim sendo, os empregadores que paguem licenças de maternidade a trabalhadoras residentes que dêem à luz até 31 de Dezembro de 2026 podem requerer à DSAL o subsídio no limite máximo equivalente a 14 dias de remuneração de base das trabalhadoras em causa.

O plano de subsídio, apresentado enquanto parte de um pacote de medidas de incentivo à natalidade, está limitado a empresas com menos de 100 funcionários. A deputada Wong Kit Cheng tem defendido que o plano de subsídio deve passar a ser permanente e alargado a empresas com mais de uma centena de trabalhadores.

IC | Fusão com ID ainda não tem plano pormenorizado

A presidente do Instituto Cultural (IC), Deland Leong Wai Man, afirmou que está “a preparar, de forma ordenada, os trabalhos para a combinação dos serviços” para a fusão com o Instituto do Desporto (ID) e o Fundo de Desenvolvimento da Cultura. Apesar da “forma ordenada”, a responsável confessou que ainda não existem planos pormenorizados para organizar a agregação de serviços, mas garantiu que mantém uma comunicação próxima com os cerca de mil funcionários dos serviços envolvidos.

Segundo o jornal Ou Mun, Deland Leong Wai Man espera que a combinação de entidades resulte num efeito sinérgico designado como “um mais um é mais que dois”, e sublinhou que a fusão dos três departamentos não vai afectar a organização dos eventos culturais e desportivos no próximo ano.

Durante a apresentação das Linhas de Acção Governativa, o secretário para a Administração e Justiça Wong Sio Chak indicou que a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública concluiu o plano de reestruturação orgânica da máquina administrativa.

A reestruturação irá abranger vários departamentos-chave, incluindo a reorganização dos Serviços de Apoio da Sede do Governo, do Instituto para os Assuntos Municipais e da Direcção dos Serviços de Obras Públicas, entre outros. A fusão entre o IC, o ID e o Fundo das Indústrias Culturais faz parte da reforma administrativa do Governo de Sam Hou Fai.

Professores | Alerta para cargas de trabalho “mais pesadas”

A deputada e docente Ella Lei avisa que os professores estão sujeitos a cargas de trabalho que não se limitam ao ensino, mas também à aprendizagem de conteúdos educativos sobre as novas tecnologias, acompanhamento psicológico dos alunos e comunicações com os pais, fora das horas de trabalho

A deputada Ella Lei defende a emissão de orientações pelo Governo para regular, com recurso às tecnologias de comunicação, a comunicação entre docentes e encarregados de educação no horário pós-laboral. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita, sobre as cargas de trabalho “cada vez mais pesadas” dos docentes e que contribuem para uma “pressão crescente e sustentada”

De acordo com a deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), os professores queixam-se que é cada vez mais comum terem de utilizar vários períodos do seu tempo de descanso para comunicarem com os encarregados de educação.

A preocupação dos pais com as crianças é apreciada, no entanto, este aspecto contribui para que os docentes sintam que “o seu tempo de descanso” é “afectado. Face a esta matéria, deputada pretende saber se o Executivo estabeleceu “orientações sobre a utilização de software de comunicação após o horário escolar”. E se a resposta for positiva, a legisladora pretende que as autoridades expliquem a forma como está a inspeccionar as orientações e como se garante que estas asseguram o tempo de descanso dos docentes.

Novos conteúdos

Como parte do problema de excesso de trabalho, Ella Lei indica igualmente as reformas dos “conteúdos de educação tecnológica, como programação e inteligência artificial”.

Com a integração das novas matérias, os professores tiveram de realizar formações e atravessar períodos de adaptação e aprendizagem: “Os professores devem aprender e dominar continuamente novas aplicações tecnológicas para atender às exigências de ensino em constante evolução”, apontou.

No entanto, a membro da Assembleia Legislativa avisa ainda que as tarefas não se esgotam no ensino, e que se espera que os professores acompanhem o estado psicológico dos estudantes: “Além das funções de ensino, os educadores devem também zelar pelo bem-estar psicológico dos alunos e pelas suas diversas necessidades de desenvolvimento, o que aumenta significativamente os seus encargos”, apontou.

Neste sentido, Ella Lei indica que “os professores esperam que as autoridades garantam a alocação de recursos educacionais que aliviem as pressões de trabalho”. Este aspecto deve passar não só pela “revisão da implementação das directrizes sobre a utilização de software de comunicação após o horário escolar”, mas também pelo “reforço contínuo do apoio às escolas e aos professores” e “a optimização do mecanismo de financiamento dos subsídios do pessoal docente”.

Aviação | Governo com cautela face a ligação directa com Lisboa

Um deputado defendeu ontem a criação de uma ligação aérea directa entre Macau e Lisboa, mas o Governo respondeu com cautela, sublinhando a necessidade de viabilidade comercial da rota para as companhias aéreas.

“Fala-se tanto na plataforma sino-lusófona, mas ainda não existe uma única rota aérea directa para Lisboa”, afirmou o deputado Ip Sio Kai durante um debate sobre as Linhas de Acção Governativa para 2026 na área dos Transportes e Obras Públicas.

“Esta rota é extremamente importante, porque voar para Lisboa é, na prática, voar para a Europa, além de poder servir como ponto de escala para o Brasil. Se tivéssemos esta ligação, seria muito útil para nós enquanto plataforma sino-lusófona”, sustentou o deputado.

Em resposta, o presidente da Autoridade de Aviação Civil, Pun Wa Kin, afirmou que o Governo “atribui grande importância” ao desenvolvimento da aviação, “em particular ao seu papel na promoção da diversificação económica”. “No entanto, nas operações comerciais, as companhias aéreas consideram frequentemente a procura do mercado, os custos operacionais, os benefícios a longo prazo e a competitividade da rota, antes de decidirem lançar novos voos”, declarou.

Quando Ip sugeriu que o Governo poderia subsidiar a rota, Pun respondeu que esse apoio “envolve políticas sectoriais diferentes” e que “o Governo da RAEM precisa de analisar a questão de forma abrangente, sob todos os aspectos”.

Ip não é o primeiro deputado a propor ao Governo a criação de novas rotas aéreas que conectem a região à Europa. Em 2023, quando foi aprovada na generalidade a lei da Aviação Civil, também o deputado português José Pereira Coutinho quis saber quais os planos das autoridades neste sentido.

A TAP efectuou ligações duas vezes por semana entre Lisboa e Macau na década de 1990, no entanto, a ligação seria suspensa em 31 de Outubro de 1998, com a companhia a acumular prejuízos na ordem dos 200 milhões de patacas.

Táxis | Governo promete mais licenças e não responde sobre TVDE

Raymond Tam disse ontem que Macau vai ter mais táxis, passando dos actuais 1.400 para 2.000 graças a um novo concurso público. No debate sobre as Linhas de Acção Governativa para 2026, ficou ainda a garantia da reorganização gradual das carreiras de autocarros

São mais 100 táxis a curto prazo e depois 700 com licença temporária. Foram estes os números apresentados pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, para o sector dos táxis, a propósito do debate sobre o relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para a 2026.

O secretário declarou que dos actuais 1.400 táxis, Macau vai passar a contar com 2.000, sendo que, no caso dos táxis para pessoas com mobilidade reduzida, Raymond Tam disse que vai passar dos actuais sete para 28, a entrar em serviço no próximo ano. O secretário garantiu também que o Governo vai lançar uma consulta pública sobre a revisão do regulamento dos táxis. “Quanto ao serviço de chamadas de táxis, estamos a fazer a revisão do regime jurídico, permitindo ao serviço de chamadas melhores condições para a actividade”, indicou.

De lado ficou uma resposta concreta quanto ao serviço de táxis disponíveis plataformas móveis, conhecido em Portugal como TVDE. “Temos de ter uma atitude de cautela ao rever o regulamento dos táxis face à possibilidade de introduzir a TVDE”, disse.

Coube à deputada Ella Lei colocar esta questão. “Esperamos que no próximo ano seja revisto o regime de TVDE, mas temos de saber como o regime de empresas de táxi consegue satisfazer em número de veículos e na qualidade dos serviços.”

Já Leong Sun Iok pediu mais licenças de táxis transfronteiriços que consigam viajar até ao Aeroporto Internacional de Hong Kong, dizendo que “não há nada de científico no planeamento” do sector. “Ao longo dos anos verificamos que há falta de táxis. Quantas licenças vamos emitir?”, questionou. Raymond Tam prometeu falar com as autoridades vizinhas.

Melhorar gradualmente

Outro assunto debatido foi a necessidade de ajuste das carreiras de autocarros. O secretário disse que o Governo vai “assumir uma postura prudente”, sendo que as carreiras 21A e 26A são “as que merecem prioridade no ajustamento”.

No passado percebeu-se que havia muitas carreiras sobrepostas e, agora, “o próximo passo será seleccionar as carreiras viáveis, para que o impacto do ajuste seja menor. Trata-se de um trabalho que não pode ser feito de forma apressada, pois afecta a deslocação das pessoas”, rematou.

Ponte Nobre de Carvalho | Deputado sugere circulação a pé

Leong Sun Iok sugeriu ontem que a ponte Nobre de Carvalho passe a ser pedonal, criando-se ao lado outra via para viaturas. “A ponte tem mais de 50 anos e, com o passar dos anos, não será que podemos construir mais uma ponte igual, para que a antiga seja apenas para peões e ciclovias? Podemos separar [a circulação] entre passagens para peões e viaturas, e melhorar a imagem de Macau como centro mundial de turismo e lazer. Não sei se o Governo vai pensar nisso.” Raymond Tam disse que é necessário fiscalizar e realizar obras de reparação na travessia, “sendo fácil fazer uma ponte paralela à antiga”.

Porém, lembrou que é necessário “atender ao consenso da população, porque a construção [de mais uma ponte] vai afectar a paisagem”. “Deixo esta temática para a opinião pública, pois o Governo está aberto a fazer este trabalho com o consenso social”, disse.

Governo quer proibir importação de mais produtos de plástico

O secretário para as Obras Públicas e Transportes, Raymond Tam, assegurou ontem, no debate sobre o relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano, que a intenção do Executivo é proibir a importação de mais produtos de plástico nos próximos anos.

“No próximo ano vamos continuar a promover medidas de redução do plástico, proibindo a importação de alguns produtos. Esse trabalho vai ser desenvolvido ao longo dos anos.”

Já o director dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), Ip Kuong Lam, falou em apenas 14 infracções no que diz respeito ao uso do plástico, destacando o sucesso das campanhas de sensibilização. “Em supermercados houve uma redução do uso de sacos de plástico em dez por cento”, disse.

E os resíduos?

Ho Ion Sang questionou o Executivo sobre a possibilidade de proibir mais artigos de plástico e quantas infracções foram detectadas desde que o Executivo proibiu a importação de alguns produtos.

“Além dos utensílios de plástico em hotéis, como pentes ou embalagens, podemos definir prazos e um leque maior de proibições de produtos de plástico. Vai considerar a introdução de produtos substitutos do plástico, para conhecimento da população?”, questionou.

Ho Ion Sang quis também saber quais as instruções e medidas para reduzir as emissões de carbono por parte dos serviços públicos ou em eventos de grande dimensão.

O director da DSPA destacou que no próximo ano serão criadas instruções para escritórios e restauração, pois são “sectores que produzem muitas emissões de dióxido de carbono”. Estas instruções incluem-se “nas seis estratégias para a redução de carbono” adoptadas pela DSPA.

Sobre reciclagem, Ho Ion Sang pediu informações sobre a criação de centros de construção e resíduos biodegradáveis, com capacidade para cerca de 150 toneladas. “Com os restaurantes e os resíduos alimentares e domésticos, como está o ponto de situação [do tratamento de resíduos] até à construção desses centros?”.

Raymond Tam assegurou que “o plano quanto à reciclagem de materiais orgânicos está a funcionar bem”, e que, até à construção dos referidos centros, diversos resíduos são enviados “para a cidade de Taishan, no Interior da China, levados por embarcações”.

Governo continua sem solução para aproveitar terreno do Jockey Club

O tempo continua a passar desde que terminou a concessão, no ano passado, para explorar corridas de cavalos no Macau Jockey Club, sem que o Governo apresente uma decisão sobre o tipo de projecto que ali vai nascer.

Uma das deputadas que fez questões sobre esta matéria foi Angela Leong, precisamente a presidente da Companhia de Corridas de Cavalos de Macau, entidade com que o Executivo rescindiu o contrato de concessão. “Disseram que vão definir planos para o desenvolvimento do terreno, mas foram concluídos o estudo e os respectivos trabalhos? Há alguma ideia, tendo em conta as necessidades dos cidadãos?”, questionou.

Também Ella Lei levantou questões semelhantes. “Não há nenhum desenvolvimento no antigo Jockey Club. Faltam de lugares de estacionamento, sobretudo quando há eventos desportivos, e no Jockey Club há um terreno desaproveitado. Temos de ter um bom aproveitamento tendo em conta o nosso desenvolvimento”, alertou.

Da parte de Raymond Tam as respostas foram vagas. “Quanto ao Jockey Club, tem de ser discutido [o seu aproveitamento] não apenas do ponto de vista do terreno, mas também económico, porque envolve vários edifícios”, começou por dizer.

Mais tarde, em resposta a Angela Leong, o governante declarou que vai comunicar com a Direcção dos Serviços de Economia e Finanças “para os respectivos trabalhos de aproveitamento”.

Junções e análises

No debate de ontem foi também discutido o aproveitamento de um terreno vazio junto à Rua do Cunha, na Taipa, com Raymond Tam a explicar que há questões pendentes ligadas a esgotos e arruamentos. “O trabalho interserviços está a analisar a fusão de dois lotes, mas temos o factor dos arruamentos e esgotos, cujos trabalhos vão ser entregues à Direção dos Serviços de Solos e Construção Urbana. Teremos de alargar a capacidade de esgotos até à Rua Ponte Negra, e precisamos de algum tempo para o planeamento”, disse.

Lam Lon Wai foi um dos deputados que colocou questões sobre esta matéria. “Na Rua do Cunha há um grande lote de terreno do Estado, vedado, e foi referido que vai servir de centro modal. Qual é a situação dos trabalhos? Pode-se usar este terreno como exemplo para quando, no futuro, houver aproveitamento de terrenos e definição da finalidade.”

Tai Po | Angela Leong alerta para ruas estreitas de Macau

Angela Leong questionou ontem o Executivo sobre o facto de Macau ter ruas estreitas, o que pode dificultar a passagem de veículos de emergência em caso de incêndio, situação que a deputada entende ter dificultado o trabalho dos bombeiros no trágico incêndio de Tai Po.

“Espero que a sua tutela consiga que haja um bom ambiente de residência. Fizeram-se muitas inspecções tendo em conta a ocorrência de um grande incêndio num bairro de Hong Kong. Devido às vias estreitas houve o impedimento da circulação de veículos, e Macau também tem vias estreitas. Vai ser feita uma avaliação das vias, para se possa desentupir [acessos] e facilitar o combate a incêndios?”, questionou.

O secretário Raymond Tam garantiu que quando é discutida uma planta de condições urbanísticas há “um estudo minucioso para a sua aprovação”, ficando a garantia de que o Governo vai fazer “uma boa separação de tarefas com as Obras Públicas para a fiscalização e inspecção contra incêndios”.

O governante declarou que, quanto às construções ilegais, será reforçada a fiscalização, sendo também pedida à Companhia de Electricidade de Macau “o incentivo à modernização de instalações eléctricas em casas e edifícios antigos”.