“NFT Against Poverty”, a mostra solidária e leilão de arte João Luz - 3 Nov 20223 Nov 2022 Duas dezenas de artistas locais transformaram a sua criatividade numa arma na luta contra a pobreza. Uma colecção eclética de obras é apresentada hoje no Art Garden. As receitas do leilão revertem para a Oxfam, num esforço criativo de luta contra a pobreza Dois acontecimentos históricos acontecem hoje pela primeira vez em Macau, num só acto: A primeira venda pública de NFTs no território e o primeiro evento de beneficência com base em NFT. Organizada pela Macau Art For All Society (AFA), é apresentada hoje no Art Garden, pelas 18h30, a exposição “NFT Against Poverty” – Online Charity Art Exhibition. A mostra solidária reúne trabalhos de 20 artistas locais que vão a leilão na plataforma ArtsBite, com as verbas apuradas a reverterem para a Oxfam, a conhecida confederação internacional que congrega mais de duas dezenas de organizações de caridade centradas no alívio da pobreza. A exposição é o somatório dos trabalhos de 20 artistas de Macau que responderam ao repto criativo de partir da história inspiradora da Oxfam no combate à pobreza. A AFA indica que o objectivo da iniciativa é aliar arte e tecnologia num esforço concertado para ajudar quem mais precisa. A lista de artistas que participam na mostra é composta por Alex Marreiros, Álvaro Barbosa, Anny Chong, Dave Shao, Ellison Lau, Fan Sai Hong, Gloria Wong, Karen Yung, Kiko Lam, Kit Lee, Kun Wang Tou, Lai Sut Weng, Pundusina, Leong Chon, Miguel Rosa Duque, Pakeong Fortes Sequeira, Tiger Statics, Tun Ho, Vincent Cheang e Yolanda. Apesar de existir um tema transversal a unir todos os trabalhos, as formas de expressão artísticas são variadas, indo da tradicional pintura a óleo à arte digital e a imagens geradas por computadores. Do que estamos a falar A organização da mostra indica que a lista de criadores conta com “artistas gráficos e digitais” com grande experiência, designers de som, pintores, fotógrafos e artistas que trabalham com imagens geradas através de software e que representam várias gerações de criatividade artística. “Através de uma plataforma tão desafiante como o NFT e dos conceitos de ‘humanidade como um todo’ e ‘mútua valorização’, apresentamos trabalhos de uma nova geração de criadores de arte contemporânea de Macau que têm os olhos postos no futuro”, indica a AFA. A associação sublinha que os NFTs vendidos no leilão serão comprados em patacas e que não será possível usar criptomoeda. Este aviso aponta uma pista para o que é um NFT. A sigla inglesa non-fungible token dá algumas dicas sobre a diferença na forma como o NFT se distingue da moeda e outros itens fungíveis passíveis de troca e que se gasta ou consome. Ao contrário das criptomoedas, os NFTs não são intercambiáveis, mas tratados como exemplares únicos como obras de arte e objectos raros.
Reguladores chineses instam a “não apostarem contra a China” Hoje Macau - 3 Nov 2022 Os reguladores chineses desvalorizaram ontem a crise imobiliária e a desaceleração do crescimento económico do país, pedindo aos investidores estrangeiros a “não apostarem contra a China”, numa cimeira financeira realizada em Hong Kong. Cerca de 200 executivos do setor financeiro estão reunidos para discutir questões relacionadas com a sustentabilidade e riscos no sistema financeiro internacional, na primeira grande conferência realizada na região autónoma da China, que deixou de impor quarentena a quem chega do exterior. O vice-presidente da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China, Fang Xinghai, pediu aos participantes para visitarem o país asiático, entenderem o que está a acontecer, e “não apostarem” contra a China e Hong Kong. A imprensa internacional “não entende muito bem a China” e tem uma “visão de curto prazo”, descreveu Fang, provocando risos e aplausos da plateia. Fang e outras autoridades chinesas participaram na conferência através de vídeos gravados com antecedência, uma vez que as viagens de e para a China continental estão limitadas por rigorosos requisitos de quarentena. O presidente do banco central da China, Yi Gang, disse que a inflação permanece moderada, abaixo de 3%, em comparação com 8% ou mais em muitas economias ocidentais, e que o país vai manter as políticas de reforma económica. Os comentários parecem visar as preocupações que surgiram depois do 20.º Congresso do Partido Comunista Chinês, realizado no mês passado. No dia a seguir à apresentação da nova formação do Comité Permanente do Politburo do Partido Comunista, a bolsa de Valores de Hong Kong afundou 6,5%, para o nível mais baixo desde 2009. “A China tem perspectivas de alargamento do mercado a longo prazo, já que há ainda muito espaço para o processo de urbanização, e a procura dos consumidores de classe média permanece alta”, disse Yi. A economia da China cresceu a um ritmo anual de 3,9%, no último trimestre, em comparação com o ano anterior, bem abaixo da meta oficial de “cerca de 5,5%”. O sector imobiliário enfrenta uma crise de liquidez, à medida que os reguladores tentam conter o aumento da dívida para níveis insustentáveis. O vice-presidente da Comissão Reguladora de Bancos e Seguros da China, Xiao Yuanqi, procurou tranquilizar os participantes da conferência, ao apontar que o crédito à habitação representa apenas 26% dos empréstimos totais dos bancos e que 90% dos empréstimos são de “boa qualidade”. A lista de participantes inclui os presidentes executivos dos bancos de investimento Morgan Stanley, Goldman Sachs, e outros executivos importantes de instituições como o Citigroup e a Blackstone. A conferência visa destacar o papel da antiga colónia britânica como um centro financeiro atraente e competitivo. A cidade continua a ser o “único lugar do mundo onde as vantagens do sistema financeiro internacional e as vantagens únicas da China se unem num só lugar”, disse o chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, na abertura do evento. “Essa convergência única torna Hong Kong num elo insubstituível entre o continente e o resto do mundo, à medida que o centro de gravidade económica do mundo se desloca para o leste”, defendeu. Lee disse que o “pior está para trás”. O ex-chefe da Segurança da região afirmou que “a lei e a ordem foram restauradas” e que os distúrbios sociais foram resolvidos. Os organizadores avançaram com a conferência há muito planeada, apesar dos alertas de tempestade tropical, que levaram as autoridades a encerrar as escolas. Hong Kong ajustou também as medidas de prevenção epidémica para permitir que os participantes jantem em restaurantes específicos. A maioria dos outros viajantes está proibida de o fazer durante os três dias após a chegada. Os participantes que testarem positivo podem também sair em vôos fretados, se quiserem, em vez de ficarem isolados por pelo menos sete dias no território.
Reunião da Organização de Cooperação de Xangai junta primeiros-ministros Pequim apresenta novas medidas Hoje Macau - 3 Nov 2022 O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, presidiu na terça-feira a 21ª reunião do Conselho de Chefes do Governo dos Estados Membros da Organização de Cooperação de Xangai (OCS, em inglês), em Pequim, onde apresentou uma proposta de cinco pontos sobre a promoção da cooperação da OCS. Os primeiros-ministros do Cazaquistão, Alikhan Smailov, do Quirguistão, Akylbek Japarov, da Rússia, Mikhail Mishustin, do Tajiquistão, Kokhir Rasulzoda, do Uzbequistão, Abdulla Aripov, os ministros dos Negócios Estrangeiros da Índia e do Paquistão e representantes dos Estados observadores da OCS participaram da reunião, que foi realizada por videoconferência. Na abertura, Li Keqiang disse que “a OCS fez importantes contribuições à paz e à estabilidade da região e ao desenvolvimento e prosperidade dos países regionais”, acrescentando que, na reunião realizada em Samarcanda em Setembro passado, tinham sido alcançados “novos entendimentos comuns sobre o desenvolvimento da OCS”. “Manter a paz e o desenvolvimento continua a ser a tendência dos nossos tempos e as aspirações do nosso povo”, disse Li. “A China continuará a trabalhar com membros da família OCS para aprofundar a confiança política, a cooperação de benefício mútuo e os intercâmbios de amizade, defender o espírito de Xangai e trazer maiores benefícios aos povos de todos os países”, assinalou Li, antes de fazer as cinco propostas sobre a promoção da cooperação da OCS (ver caixa). Economia difícil “Confrontada com factores complexos e intrincados em casa e no exterior, a economia chinesa passou por pressões além da expectativa, com um declínio notável no início do segundo trimestre”, disse Li ao avaliar a situação económica da China. Contudo, “a China respondeu rapidamente e introduziu um pacote de políticas para estabilizar a economia “, disse Li, acrescentando que a China concentrou-se em ajudar as entidades do mercado a permanecer estáveis, manter o emprego e os preços estáveis. Segundo o primeiro-ministro, “através desses esforços, a economia chinesa reverteu a tendência de queda”. “Promoveremos vigorosamente o desenvolvimento económico constante, sólido e sustentável”, acrescentou. Segundo o primeiro-ministro, “a China tem mais de 160 milhões de entidades de mercado e seu povo é trabalhador e inteligente, o que serve como a maior resiliência e confiança para o desenvolvimento económico do país. A China continuará trabalhando para a entrega completa do pacote de políticas introduzido para estabilizar a economia, trabalhar para maximizar seus efeitos, manter os principais indicadores económicos dentro da faixa apropriada e buscar melhores resultados, ressaltou. “A China continuará no caminho de desenvolvimento pacífico, participará ativamente da reforma e desenvolvimento do sistema de governança global e trabalhará com todas as partes para promover a paz , a estabilidade, o desenvolvimento e a prosperidade do mundo”, afirmou. Os participantes da reunião elogiaram os importantes resultados da cooperação da OCS em diversas áreas e avaliaram a estatura da OCS como uma plataforma eficaz para a cooperação internacional e o seu papel cada vez mais importante para manter da confiança mútua entre os Estados membros, impulsionar o desenvolvimento e defender a paz e a segurança regionais. Além disso, expressaram a vontade de explorar ainda mais o potencial de cooperação, fortalecer os mecanismos de cooperação, aprimorar a cooperação em áreas como economia e comércio, investimento, inovação, protecção ambiental, agricultura, intercâmbios interpessoais e culturais, conectividade e economia digital, manter o multilateralismo e enfrentar em conjunto os desafios da segurança alimentar e energética e das mudanças climáticas, com o objectivo de melhorar o bem-estar de todos os povos e promover a estabilidade e prosperidade regionais e globais. A reunião divulgou um comunicado conjunto e adoptou uma série de documentos e resoluções de cooperação em economia e comércio, economia digital e outras áreas.
Mais uma ronda de testes em massa com horário reduzido João Santos Filipe - 3 Nov 20223 Nov 2022 A partir de amanhã tem início uma nova corrida aos postos de testagem, que vão funcionar com um horário mais reduzido. Na ronda de testes em massa ontem terminada não se registaram casos positivos Chegou ontem ao fim uma ronda de testes em massa, mas o Governo anunciou mais uma nova testagem para toda a população, a ter início na sexta-feira, às 7h, e que se prolonga até às 18h de sábado. Ao contrário do que aconteceu nas situações anteriores, as instalações para testes têm um horário reduzido e não vão estar abertas 24h. Segundo as informações apresentadas por Leong Iek Hou, na sexta-feira haverá 300 postos de testes que vão funcionar entre as 7h e a meia- noite. No dia seguinte, o horário é mais reduzido, funcionando apenas entre as 7h e as 18h. A necessidade de levar a cabo mais uma ronda de testes em massa foi explicada com a preparação “da recuperação económica”. “Podemos dizer que o risco de infecção na comunidade é baixo, mas queremos garantir a segurança e preparar a recuperação económica”, afirmou Leong, chefe da Divisão de Prevenção e Controlo de Doenças Transmissíveis. “Com estes testes podemos fazer eventos com grande envergadura”, acrescentou. Nesta ronda, os bebés nascidos a partir de 4 de Novembro de 2021, estão isentos. Também quem fizer o teste a 5 de Novembro, fica dispensado de realizar o teste em rápido. Ontem, Leong prometeu também que se todos os resultados forem negativos na nova ronda de testes, não haverá mais, pelo menos até serem registadas mais infecções. Os testados vão receber cinco kits de testes rápidos. Resultados negativos Em relação à ronda que terminou ontem, o Governo afirmou que todos os resultados foram negativos. No total, foram recolhidas 708.478 amostras negativas, e para Leong Iek Hou a ronda “correu bem”. A consideração da médica foi feita apesar dos SSM terem sido obrigados a prolongar a duração da ronda de testes em massa, após a corrida aos postos de testagem na segunda-feira, por parte de pessoas que temiam ficar impossibilitadas de trabalhar por ficarem com o código de saúde amarelo ou vermelho. Durante a conferência de ontem, Leong Iek Hou alertou ainda para os perigos das “encomendas vindas do exterior” por poderem conter covid. Segundo a médica, o vírus é transmissível se estiver nas caixas, por isso, todos têm de utilizar máscara ao lidarem com as encomendas. Zhuhai aponta a Macau Apesar de não terem sido registadas ocorrências no território, o mesmo não aconteceu no outro lado da fronteira, onde terá sido diagnosticado um caso relacionado com Macau. Segundo a Comissão Municipal de Zhuhai, uma mulher com 54 anos foi diagnosticada com covid-19, no Edifício Huguanshanse, na Estrada Lanpu, no distrito Qianshan. Este caso foi definido pelas autoridades de saúde do Interior como importado de Macau. A mulher estava a ser observada há quatro dias e todos os testes anteriores, feitos depois de regressar de Macau, tinham tido um resultado negativo. Desde segunda-feira que as autoridades de Zhuhai impuseram uma quarentena de três dias em casa, para quem chega de Macau. Além disso, estas pessoas ficam impedidas de apanhar transportes públicos. Perdidas 20 amostras Durante a realização do último teste em massa foram perdidas 20 amostras no Centro de Actividades do Bairro do Hipódromo. A confirmação do incidente foi dada por Leong Iek Hou, chefe da Divisão de Prevenção e Controlo de Doenças Transmissíveis. Segundo as explicações da responsável, depois de ter sido verificado o incidente as pessoas em causa foram novamente chamadas aos postos de testagem para que as amostras fossem recolhidas mais uma vez.
Surto de “18 de Junho” custou mais mil milhões de patacas à RAEM João Santos Filipe - 3 Nov 2022 O surto de 18 de Junho, que obrigou a população ao confinamento praticamente total, custou 1,08 mil milhões de patacas aos cofres da RAEM. A revelação foi feita pelo Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, na segunda-feira, dia em que foi anunciado mais uma ronda de testes em massa. A informação sobre como o montante foi gasto é praticamente inexistente e não responde à maioria das perguntas colocadas ao longo das conferências de imprensa, durante os quase três meses de surto. O Governo evita assim revelar uma das questões mais polémicas, o pagamento ao pessoal médico que veio do Interior para trabalhar nos postos de testagem durante as várias rondas de testes em massa. O que é possível saber é que o montante de 1,08 mil milhões de patacas serviu para cobrir os custos com as 14 rondas de testes em massa, os testes de ácido nucleico em áreas-alvo e grupos-alvo, a aquisição de conjuntos de teste rápido de antigénios e máscaras KN95, pagar os hotéis de quarentena e ainda o “transporte” e “aquisição de outros materiais e consumíveis anti-epidemia”. Num comunicado em que as despesas surgem praticamente no final do texto, também não é identificada qualquer empresa ou entidade responsável pelos serviços prestados. Revisão do plano A maior parte da nota de imprensa do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus visa a 9.ª versão do “Plano de Prevenção e Controlo da Pneumonia causada pelo novo tipo de Coronavírus” e a elaboração da 2.ª edição do “Plano de Contingência em resposta à Epidemia de Pneumonia causada pelo novo tipo de coronavírus”. A revisão destes planos terá sido feita com base “nas opiniões de 15 grupos especializados de trabalho” e dos “diversos sectores da sociedade”. “O Governo da RAEM, com base nos planos de contingência definidos, através dos 15 grupos especializados, continuará a aperfeiçoar e a pormenorizar todos os trabalhos preparativos para a luta contra a epidemia, a ajustar e optimizar, de forma contínua, as diversas medidas de prevenção de acordo com as características das variantes das estirpes e a evolução real da epidemia”, pode ler-se.
Primeiros 10 meses do ano com metade das receitas face a 2021 João Luz - 3 Nov 20223 Nov 2022 As receitas da indústria do jogo de Macau atingiram em Outubro o valor mais elevado desde Fevereiro. Ainda assim, caíram 10,7 por cento em termos anuais. Em relação ao mês anterior, Outubro representou um aumento de receitas de 31,6 por cento Cumprindo a tradição e aproveitando os “bons ventos” dos feriados da Semana Dourada, o mês de Outubro conseguiu os melhores resultados em termos de receitas do jogo desde Fevereiro passado, que ainda assim caíram 10,7 por cento em comparação com Outubro de 2021. Os dados foram revelados na terça-feira pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), dia que representou para a população de Macau mais um teste em massa, na sequência da detecção de múltiplos casos positivos de covid-19 no território. No mês passado, os casinos arrecadaram 3,9 mil milhões de patacas, quando no ano passado tinham contabilizado 4,37 mil milhões de patacas, de acordo com os números da DICJ. Ainda assim, as receitas de Outubro representam um aumento de 31,6 por cento em comparação com o mês anterior, no qual os casinos arrecadaram 2,9 mil milhões de patacas. Numa nota emitida na terça-feira, os analistas da JP Morgan Securities (Asia Pacific) Ltd realçam que o resultado do mês passado corresponde a uma média diária de 126 milhões de patacas arrecadadas pelos casinos do território. “Este resultado representa apenas 15 por cento dos níveis pré-pandémicos, o que não surpreende tendo em conta as circunstâncias actuais”, concluem os analistas, citados pelo portal GGR Asia. Visão alargada De acordo com aos dados divulgados pela DICJ, os casinos de Macau apuraram entre 1 de Janeiro e 31 de Outubro desde ano 35,72 mil milhões de patacas, valor global que foi 50,5 por cento inferior ao verificado no mesmo período do ano passado. Depois de uma autêntica travessia do deserto durante o Verão, todos os sectores da sociedade aguardaram pela Semana Dourada, nos primeiros sete dias de Outubro, com antecipação. Entre 1 e 7 de Outubro deste ano, Macau acolher 182.284 visitantes, uma subida significativa em relação ao ano passado, quando entraram em Macau pouco mais de oito mil pessoas, mas muito longe de quase um milhão de visitantes registados em 2019. Com Lusa
Previstos 40 mil visitantes diários com vistos electrónicos Nunu Wu e João Luz - 3 Nov 20228 Nov 2022 Vários representantes locais da indústria do turismo encaram com bons olhos o retorno da emissão de vistos electrónicos para entrar em Macau, esperando cerca de 40 mil visitantes por dia. Produtos diferenciados e promoção são apontados como os caminhos a seguir Apesar de ainda não existirem dados de quantas pessoas entraram em Macau usando vistos electrónicos, que voltaram a ser emitidos na terça-feira, o sector do turismo encara com optimismo os próximos tempos, não obstante as restrições impostas pelo combate à pandemia. A medida, anunciada na segunda-feira pela Administração de Imigração chinesa, representa a atenção que o Governo Central presta a Macau, conferindo grande confiança às pequenas e médias, indicou ao jornal Ou Mun o presidente da Associação da Indústria Turística de Macau, Andy Wu. O representante estima que o número de visitantes a entrar em Macau pode subir para cerca de 40 mil por dia. Na óptica de Andy Wu, o próximo passo será a acção coordenada entre Governo e empresas ligadas ao turismo no reforço da publicidade de Macau enquanto destino apetecível e seguro nas áreas do Interior que vão poder organizar excursões ao território: Xangai e as províncias de Zhejiang, Jiangsu, Fujian e Guangdong. Por seu turno, o deputado e presidente da Associação das Agências de Turismo de Macau, Cheung Kin Chung, destacou a importância de adequar a oferta de voos à procura dos locais de origem dos turistas, nomeadamente à situação económica dos visitantes, interesses e volume. Além disso, o deputado sublinhou a importância de elaborar itinerários turísticos que realcem as qualidades únicas de Macau em termos patrimoniais e gastronómicos. Outra das apostas, pode ser a promoção da cultura do automobilismo nos produtos turísticos vendidos no Interior da China, por exemplo, com a inclusão de ingressos para o Grande Prémio de Macau, ou eventos conexos. Estrangeiros, nem vê-los Pernoitar é essencial. Esta é a ideia defendida por Chang Chak Io, da Associação Económica de Macau, que enfatiza a necessidade de procurar um turismo sustentado com visitantes que pernoitem no território. O responsável destacou as restrições que continuam a afastar turistas estrangeiros de Macau, assim como as condicionantes económicos que limitam o consumo de visitantes oriundos do Interior da China. O presidente da Associação Comercial de Macau, Frederico Ma, sugere que o Governo lance medidas de incentivo para os turistas que não se sentem tão à vontade para gastar dinheiro na RAEM. Cupões de consumo e descontos subsidiados são soluções apontados por Frederico Ma para atrair turistas de Xangai, Zhejiang, Jiangsu, Fujian, e Guangdong.
Pedida atenção do novo cônsul face à diminuição da comunidade Andreia Sofia Silva - 3 Nov 20223 Nov 2022 Paulo Cunha Alves está de saída do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, naquele que foi um mandato cheio de limitações devido à pandemia. Do novo cônsul, Alexandre Leitão, os representantes das comunidades portuguesa e macaense esperam uma atenção redobrada à progressiva redução do número de portugueses a residir no território A comunidade portuguesa está a passar novamente por uma fase de transição com laivos diferenciadores em relação ao cenário de 1999, aquando da transferência de soberania de Macau para a China. Neste sentido, representantes das comunidades portuguesa e macaense consideram que o novo cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, terá de estar atento à nova configuração da comunidade. “Face à progressiva diminuição da comunidade portuguesa é uma altura muito delicada [para assumir funções]”, disse Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses (ADM). “A presença do novo cônsul será muito importante para acompanhar todas as manifestações [da comunidade] e ele tem de estar presente, uma vez que assistimos à saída gradual de portugueses, algo que incomoda. O cônsul não pode impedir que as pessoas saiam, mas a sua presença em várias dimensões é fundamental para a afirmação da comunidade e da presença da cultura portuguesa”, adiantou. Miguel de Senna Fernandes, um dos rostos da comunidade macaense, considera que as associações “dão o corpo ao manifesto” pela manutenção de valores e representações culturais. “Estamos no terreno e lutamos todos os dias, mas é fundamental a manutenção desta presença cultural. Daí que se espere muito do novo cônsul”, frisou. Para Amélia António, presidente da Casa de Portugal em Macau (CPM), é ainda difícil analisar o cenário que Alexandre Leitão vai encontrar. “Neste momento não temos a noção exacta de quem ficou e ainda vai sair. Há muitas pessoas que saíram porque iam de férias e já não regressam. As saídas são muitas e não conseguimos ainda perceber a situação real.” Além disso, este será ainda um mandato marcado pelas restrições impostas devido à pandemia. “O novo cônsul vem ainda numa situação difícil, porque não estou a ver que as coisas mudem de um dia para o outro”, adiantou Amélia António. Por isso, Alexandre Leitão “vem encontrar, por um lado, as limitações todas que ainda vivemos, e essa saída inesperada de pessoas, o que altera muito o panorama da comunidade portuguesa”. Trata-se de “um assunto delicado sobre o qual o novo cônsul terá de tomar o pulso aos poucos”, pois “não percebe ainda as mudanças que ocorreram nos últimos anos”. Para Jorge Fão, dirigente da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), o novo cônsul poderá ter um papel positivo na captação de quadros qualificados. “Ele pode ajudar à vinda de pessoas, porque quando o Governo de Macau requer a presença de médicos, engenheiros e pessoal técnico profissional, aí talvez o cônsul possa ser mais interventivo. Neste caso será útil a sua intervenção no recrutamento de pessoal expatriado oriundo de Portugal.” Sobre a redução da comunidade, Jorge Fão entende que o diplomata pouco poderá fazer para travar essa tendência. “Não é possível a um cônsul ou diplomata persuadir as pessoas a ficar e, nesse aspecto, é difícil fazer alguma coisa [em relação à progressiva redução da comunidade portuguesa]. As pessoas chegam e saem, ou regressam à sua terra, têm as suas razões pessoais, familiares e até políticas. Cada um toma as suas decisões. Sabemos que houve a saída de muitos portugueses, tal como filipinos e outras nacionalidades.” Agenda por cumprir O nome de Alexandre Leitão foi dado como certo pela TDM Rádio Macau, mas ainda não houve uma confirmação oficial nem da parte do próprio Consulado nem do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa. Paulo Cunha Alves assumiu funções em 2018, substituindo Vítor Sereno. Pouco tempo depois de começar o seu trabalho em Macau, o ainda cônsul teve de lidar com a pandemia. Os responsáveis ouvidos pelo HM entendem que o diplomata tomou decisões relativamente ao funcionamento do Consulado tendo em conta as circunstâncias difíceis, ainda que Paulo Cunha Alves tenha sido alvo de críticas nas redes sociais por, por exemplo, fechar o Consulado nas mesmas datas em que os serviços públicos fecharam portas, na fase do surto. Além disso, numa fase em que era difícil voar para Portugal e a burocracia era muita, foram muitos os portugueses que pediram uma maior intervenção do cônsul no sentido de flexibilizar alguns processos. “É difícil criticar a política que ele adoptou com o fecho do Consulado durante o surto pandémico, pois o Consulado também tem de defender a saúde e os direitos dos funcionários”, entende Jorge Fão. “Se [o Consulado] estivesse de portas abertas tal levaria a um maior risco de infecção, tendo em conta que todos os serviços públicos de Macau também adoptaram medidas bastante restritivas quanto ao acesso. O Consulado também tomou as suas medidas e há que compreender”, adiantou. Ainda assim, Jorge Fão entende que o ainda cônsul poderia ter sido mais interventivo. “Fez o seu trabalho. Não quero fazer nenhuma comparação com o passado, mas é evidente que poderia ter feito um pouco mais. Como membro da comunidade de Macau gostaria que tivesse sido mais interventivo sem ter apenas um papel de diplomata. Intervindo mais poderia ter ajudado as comunidades portuguesa e macaense, mas também poderia ter feito mais trabalho em relação à comunidade chinesa, porque isso só fica bem ao Consulado, a Portugal e também aos portugueses que cá estão. Poderia ter tido um maior contacto com as comunidades, independentemente da sua nacionalidade. Teve esse contacto, mas não o suficiente.” Amélia António defende que quaisquer críticas são injustas. “É um pouco injusto [as críticas], porque as condições não eram as normais. Temos de ser razoáveis e equilibrados a analisar a situação.” A presidente da CPM considera que o mandato de Paulo Cunha Alves “foi normal”, pois este “teve o azar de chegar aqui e apanhar a situação da covid, com limitações de toda a espécie”. “Não foi um mandato comparável com os de outros diplomatas que tiveram outra liberdade de movimentos e de realização. Dentro dos limites que teve, penso que cumpriu da melhor maneira a sua missão. É evidente que as pessoas estão sempre à espera de melhores coisas e de mais intervenção, mas não era um tempo em que fosse expectável que, publicamente, pudesse ter um impacto diferente.” Miguel de Senna Fernandes frisa que grande parte dos planos de Paulo Cunha Alves ficaram por cumprir. “O actual cônsul vinha com uma agenda de continuação da aproximação à sociedade civil, nomeadamente das comunidades portuguesa e macaense, na linha de continuidade que deixou Vítor Sereno. Mas foi penalizado pela pandemia. O dr. Paulo Cunha Alves tem um estilo diferente de aproximação à comunidade em relação a Vítor Sereno. Houve muitas restrições ao seu trabalho e creio que muita coisa ficou por se fazer. Com as capacidades plenas teria feito muito mais”, concluiu.
Manter uma política monetária “normal”, impulsionar o apoio à economia real Hoje Macau - 2 Nov 2022 A China tem as condições e manterá uma política monetária “normal” para assegurar o valor estável do yuan e aumentar o apoio financeiro à economia real, de acordo com um relatório oficial sobre o trabalho financeiro do país. “É outro sinal de que a China irá enfatizar a estabilidade na sua política financeira, numa altura em que os mercados financeiros globais enfrentam uma agitação crescente sob a política monetária radical dos EUA, comentaram especialistas chineses. De acordo com um relatório apresentado pelo Conselho de Estado à 37ª Sessão do Comité Permanente da 13º Assembleia Nacional Popular, a China tem condições para manter uma “política monetária normal” durante o máximo de tempo possível e manter a estabilidade da moeda. O relatório foi entregue por Yi Gang, chefe do banco central da China. “A China vai manter o crescimento da oferta monetária e a escala do financiamento social à velocidade do crescimento económico nominal, desbloquear o mecanismo de transmissão da política monetária, e reforçar a estabilidade do crescimento do crédito para realizar os efeitos abrangentes do financiamento na expansão do investimento, estimulando o consumo e apoiando o emprego”, lê-se no relatório. “A nação continuará também a aprofundar as reformas orientadas para o mercado das taxas de juro para encorajar as instituições financeiras a reduzir as suas taxas de juro reais dos empréstimos, ao mesmo tempo que aumenta a flexibilidade da taxa de câmbio do yuan para o manter a um nível razoável e equilibrado”, refere ainda o documento. Dong Shaopeng, um investigador sénior do Instituto Chongyang de Estudos Financeiros da Universidade de Renmin da China, disse que a política monetária “normal” significa que não será nem demasiado frouxa nem demasiado apertada, o que poderia causar a deflação da moeda e não acompanhar o desenvolvimento económico do país. De acordo com Dong, o crescimento da massa monetária tem sido estável em cerca de 8% nos últimos anos, uma vez que as autoridades tomaram em consideração factores como a inflação moderada e o crescimento estável do PIB. “A economia real da China é a mais estável do mundo, o que fornece a base fundamental para a estabilidade da moeda”, disse Dong. A iniciativa da China de manter uma política monetária estável está em forte contraste com as políticas monetárias “anormais” adoptadas pelos principais bancos centrais do mundo, depois da Reserva Federal dos EUA ter subido as taxas de juro a uma velocidade acima do normal para conter a inflação, exemplo seguido pelo Banco Central Europeu. “Em comparação, a política monetária da China tem mantido continuidade e estabilidade, evitando inundações e alcançando o objectivo de estabilizar a economia. É de enorme significado estabilizar os mercados financeiros e manter estável o yuan offshore e onshore”, disse Chen Jia, um investigador independente. O yuan tem sofrido algumas flutuações nas últimas semanas, na sequência da subida das taxas de juro do Fed. O yuan offshore quebrou o nível de 7,35 por dólar recentemente, e situa-se agora em cerca de 7,26 contra o dólar americano. “Se a economia real e os fundamentos financeiros sofrerem alterações qualitativas, então é necessário que a China melhore e ajuste a sua política monetária em conformidade”, disse Chen. Os funcionários sublinharam também que a China irá aderir à política de “finanças ao serviço da economia real” e aumentar a força do apoio financeiro à economia real para manter a economia a funcionar dentro de um intervalo razoável. Isto será feito através de múltiplos métodos, tais como encorajar os credores a expandir a oferta de crédito a um ritmo razoável e direccionar mais capital para indústrias avançadas de manufactura e indústrias estratégicas emergentes. “Existem ainda problemas de financiamento para a economia real, tais como a falta de instrumentos financeiros”, notou Dong. “Os canais de financiamento emergentes nos últimos anos, tais como os empréstimos entre pares e os bancos rurais, também têm exposto muitos problemas. Assim, é importante optimizar as avaliações de crédito para as pequenas e médias empresas, para que estas possam ter acesso mais facilmente ao capital de investimento e manter baixas as taxas de crédito mal parado”, disse ele. No relatório, os funcionários sublinharam também que a China continuará a aprofundar a reforma financeira e a abertura, incluindo o apoio a empresas qualificadas para procurarem listas no estrangeiro. Chen disse que a promoção de listas no estrangeiro é importante para estabilizar o mercado financeiro global. “Numa altura em que os mercados de capitais americanos estão a atravessar uma fase de volatilidade e o conselho técnico está preso numa crise de liquidez, estabilizar as perspectivas das acções chinesas cotadas no estrangeiro é o maior esforço para estabilizar os mercados financeiros e de investimento globais”, afirmou.
O Rio Amarelo vai agora ser protegido por nova legislação, que reconhece os problemas existentes Hoje Macau - 2 Nov 2022 A China aprovou uma lei para proteger o que chama o seu “rio mãe”, visando os problemas existentes no rio Amarelo, tais como um frágil ambiente ecológico, escassez de água, ameaça de inundações e desenvolvimento inadequado. Depois de três rondas de deliberação da legislatura chinesa, inicialmente iniciadas a 20 de Dezembro de 2021, a Lei de Protecção do Rio Amarelo foi ratificada pelo Comité Permanente do Congresso Nacional do Povo Chinês no domingo e entrará em vigor a 1 de Abril de 2023. “A lei foi feita para reforçar a protecção ecológica da bacia do Rio Amarelo e promover a calma e a inocuidade do rio, a eficiência e a utilização intensiva dos recursos hídricos, o desenvolvimento de alta qualidade bem como a sua cultura histórica”, diz a primeira disposição geral da lei. “Como a protecção ecológica e o desenvolvimento de alta qualidade do Rio Amarelo se tornou uma importante estratégia nacional desde o 18º Congresso Nacional do Partido Comunista da China em 2012, a Lei de Protecção do Rio Amarelo centra-se de perto nas principais contradições e problemas específicos e estabelece requisitos específicos para a resolução destes problemas”, disse Yuan Jie, um funcionário da Comissão de Assuntos Legislativos do Comité Permanente do NPC no domingo. “Por exemplo, para resolver os maiores problemas do Rio Amarelo, a lei exige medidas específicas sobre diferentes tipos de problemas de acordo com as áreas de bacia, tais como as margens do rio e estuário. A lei também prevê o caudal ecológico do rio, o nível da água do lago, a conservação da biodiversidade, o período de proibição da pesca, a sobre-exploração das águas subterrâneas e a restauração ecológica das minas”, disse Yuan. A lei também refere medidas anti-poluição, disse Yuan, enumerando requisitos de monitorização de substâncias químicas tóxicas, especialmente novos poluentes, bem como normas de qualidade da água e normas de descarga de poluentes da água. Guiada por um documento sobre a protecção ecológica e o desenvolvimento de alta qualidade da bacia do rio Amarelo, elaborado em Outubro de 2021, a Lei de Protecção do Rio Amarelo é a segunda legislação da China sobre bacias hidrográficas, depois de a lei de protecção do rio mais longo da China, o Yangtze, ter sido aprovada em 26 de Dezembro de 2020.
Rússia | Xi Jinping refere “amplas perspectivas” na amizade entre os dois países Hoje Macau - 2 Nov 2022 O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que a amizade entre a China e a Rússia tem “amplas perspectivas” e assinalou que ainda há “grandes conquistas a serem alcançadas” pelos dois países. Numa mensagem enviada à Associação de Amizade China-Rússia, para marcar o 65.º aniversário desde o estabelecimento das relações diplomáticas, Xi disse que a organização fez “contribuições importantes para promover o entendimento mútuo e a confiança entre os dois povos”. “A amizade entre China e Rússia tem amplas perspectivas e ainda há grandes conquistas a serem alcançadas”, escreveu Xi, segundo a imprensa local. “A associação tem sempre aderido ao princípio da amizade na gestão das relações com a China, e tem feito contribuições importantes para melhorar a compreensão mútua, a amizade e a confiança entre as pessoas dos dois países, bem como para consolidar o apoio público às relações bilaterais amigáveis”, referiu o presidente. “A parceria estratégica abrangente China-Rússia de coordenação para uma nova era tem mantido o impulso do desenvolvimento de alto nível, com um aprofundamento constante dos intercâmbios e cooperação em vários campos e da amizade entre as pessoas dos dois países”, escreveu Xi, acrescentando que “a causa da amizade entre pessoas China-Rússia desfruta de perspectivas amplas e grande potencial para o desenvolvimento futuro”. O presidente chinês disse esperar que “a associação leve adiante suas boas tradições e tenha um papel maior na promoção de laços interpessoais entre os dois países”. O presidente russo, Vladimir Putin, também enviou parabéns à associação no sábado. Semanas antes de a Rússia invadir a Ucrânia, em 4 de Fevereiro, Xi Jinping recebeu o homólogo russo, Vladimir Putin. Os dois líderes anunciaram então uma parceria “sem limites”. A China recusou condenar a Rússia pela invasão da Ucrânia e criticou a imposição de sanções contra Moscovo. Pequim considerou a parceria com o país vizinho fundamental para contrapor à ordem liderada pelos Estados Unidos. Na última Assembleia Geral da ONU, Pequim não criticou a mobilização ou a convocação de referendos para anexação de territórios ucranianos pela Rússia. Durante uma reunião no Uzbequistão, em Setembro, Putin enalteceu o facto de Pequim ter mantido “uma posição equilibrada” sobre o conflito na Ucrânia, embora admitindo “questões e preocupações” por parte da China. Xi também pediu a Putin “uma liderança conjunta, num mundo em mudança, que defenda os interesses dos países em desenvolvimento”. Em Novembro, a ilha indonésia de Bali vai sediar a cimeira do G20 (Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Reino Unido, África do Sul, Turquia e União Europeia), que contará com a presença de Putin e Xi, anunciou em Agosto o presidente indonésio, Joko Widodo
Literatura | Obra da poetisa afegã Nadia Anjuman, morta pelo marido, chega a Portugal Hoje Macau - 2 Nov 2022 A obra completa da poetisa afegã Nadia Anjuman, assassinada há 17 anos pelo marido, vai ser publicada em Portugal no início deste mês, naquela que será a sua primeira edição numa língua que não a persa. “Flor de fumo e outros textos” tem tradução da poetisa Regina Guimarães, a partir da versão inglesa de Diana Arterian e Marina Omar (ainda não editada), e chega às livrarias na primeira quinzena de Novembro, pela Editora Exclamação. Este lançamento acontece por ocasião da morte da poetisa – sobre a qual passam 17 anos no dia 6 de Novembro -, às mãos do marido, por ciúmes pelo seu sucesso enquanto poeta. Nascida em Herat, cidade próxima do Irão, em 1980, Nadia Anjuman frequentou uma escola de literatura camuflada de aula de costura, que dava pelo nome de Escola da Agulha Dourada. Em 2001, quando os talibãs foram derrotados no Afeganistão, após a invasão americana, e as mulheres puderam ir à escola, Nadia saiu da clandestinidade, para em pouco tempo entrar na universidade, tornando-se numa aluna dedicada e brilhante. Três anos depois, porém, Nadia Anjuman viria a morrer, apenas com 24 anos, espancada pelo seu marido, que alegou depois que ela se suicidara. “Hoje, as mulheres afegãs estão de novo amordaçadas e esta obra é mais actual do que nunca. No Irão, as mulheres lutam pela sua autodeterminação e em muitas partes do mundo os seus direitos não estão assegurados. Por isso, este é um grito de desespero de Nadia Anjuman e também um grito de liberdade de todas as mulheres oprimidas”, declara a editora. Abarcando o período que vai de 1997 até 2005, a obra completa de Nadia Anjuman, é uma edição bilingue, português/dari, o dialeto do afegão, sendo a primeira vez que é editada em língua que não o dari ou pashto (as duas línguas oficiais do Afeganistão).
Lusofonia | Miguel de Senna Fernandes aponta cancelamento como “falta de senso” João Santos Filipe - 2 Nov 2022 Encomendas para o lixo, perdas financeiras para associações e frustrações para quem fica sem qualquer escape para fazer face ao isolamento causado pelas medidas de controlo da pandemia. Foi este o cenário traçado por Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses (ADM), num comentário deixado na rede social Facebook. Segundo o presidente da associação, o peso do cancelamento não só se faz sentir ao nível económico, mas também para quem ficou privado de um dos poucos escapes para fazer face ao isolamento imposto nos últimos três anos. “Trata-se de um evento em que as associações, apertadas com imensos problemas de sobrevivência, se esmeraram por fazer da Lusofonia um evento bem sucedido, de orgulho para a RAEM, para as nossas culturas. Trata-se de um evento que veio para afogar as amarguras da frustração, da erosão comunitária, da perda de tino e do isolamento quase doentio”, afirmou. “Sim, muito se esperou desta Lusofonia, para que pudéssemos respirar e desforrar do sacrifício em prol de todos. E retiram-nos isso”, considerou. Porém, Miguel de Senna Fernandes também lamentou as perdas para as associações, que nos últimos anos foram privadas do financiamento dos anos anteriores. “É verdade, estávamos no último dia, e gozámos sexta e sábado; é verdade que nos subsidiaram; mas bolas, o que cada associação envolveu para isso vai muito além do que um subsídio. Muitos de nós empataram mais do que um subsídio, tudo a bem da Lusofonia. E retiram-nos isso. Encomendas feitas, para o lixo, expectativas tidas, para o lixo”, desabafou. Dualidade de critérios Outro dos aspectos apontados pelo macaense prende-se com a dualidade de critérios que impera, entre os eventos públicos que tiveram de ser cancelados, por decisão do Governo, e os privados, que puderam continuar a realizar-se. “Não, isto não é birra nem amuo de quem não vê o seu desejo satisfeito. Isto é ira de quem já não entende a falta de senso disso tudo. É ira de quem sabe de uma festa de Halloween ainda em curso na Doca dos Pescadores, sem ser cancelada, só porque é feita num local privado”, argumentou. O também advogado questionou ainda se o Governo teria a coragem de cancelar outros eventos públicos, no caso de ocorrerem situações semelhantes. “Só falta saber se cancelariam o Festival da Gastronomia e o Grande Prémio, nas mesmas condições”, indicou. Por último, Senna Fernandes admitiu haver um apoio à governação e medidas pandémicas que aparenta não ser correspondido. “ASSIM NÃO DÁ! Se estamos todos com a RAEM, como temos estado sem reservas e com indubitável sentido cívico e de solidariedade, a RAEM também tem que estar connosco…sem reservas”, finalizou. Além de Miguel de Senna Fernandes, também Amélia António, presidente da Casa de Portugal, se tinha mostrado desiludida com a decisão do Governo de cancelar o último dia da Lusofonia.
Vistos electrónicos e excursões de regresso João Luz - 2 Nov 2022 A Administração de Imigração chinesa vai voltar a emitir, a partir de amanhã, vistos electrónicos para entrar em Macau. Também as excursões voltam a ser permitidas. Depois de mais de dois anos de interrupção, a novidade foi recebida pelo Governo da RAEM com entusiasmo e gratidão Apesar de Macau estar a lidar com um surto neste momento, foi ontem anunciado pela Administração de Imigração do Interior da China que será hoje retomada a emissão de vistos electrónicos e a autorização para que excursões possam vir a Macau. Desde o início da pandemia, o Governo Central suspendeu as viagens em grupo e a emissão de vistos para turistas individuais com destino a Macau, para prevenir surtos de covid-19. O comunicado da autoridade chinesa indica que a retoma dos serviços pretende “conciliar de forma eficiente a prevenção e controlo da pandemia com o desenvolvimento económico e social”. Porém, pessoas oriundas de áreas de médio e alto risco no Interior vão continuar impedidas de requerer visto electrónico ou participar em visitas de grupo. A Administração de Imigração nacional apelou ainda aos cidadãos chineses para “prestarem atenção à situação pandémica em Macau e no Interior da China, assim como às medidas de gestão, prevenção e controlo da pandemia”. Além disso, é indicado que devem “obedecer rigorosamente às exigências sanitárias e planear racionalmente as viagens de forma a proteger a saúde e segurança”. Agradecimentos comovidos Recorde-se que as restrições impostas a turistas chineses desde que começou a pandemia, causaram uma queda de mais de 80 por cento no número de turistas em Macau nos dois últimos anos, em comparação com 2019, ano em que a cidade recebeu 40 milhões de visitantes. Ainda assim, a reacção do Governo local ao levantamento das proibições foi de profunda gratidão. “O Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, em nome do Governo da RAEM, expressa os mais sentidos agradecimentos ao Governo Central, e demais ministérios e organismos relevantes, pelo forte apoio dado a Macau”, pode ler-se num comunicado do Gabinete de Comunicação Social. Ho Iat Seng acrescentou ainda que as medidas anunciadas pela Administração de Imigração nacional vão beneficiar o desenvolvimento da indústria do turismo de Macau e fomentar a recuperação económica. À semelhança do comunicado de agradecimento pela autorização para ampliar o Aeroporto Internacional de Macau, Ho Iat Seng enalteceu as “valiosas orientações” e o “forte apoio” do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado e do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM. Voz do sector A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) reafirmou que irá cooperar com o sector para facilitar a implementação de medidas de prevenção da pandemia, assim como promover Macau no Interior como um destino seguro, em especial tendo em conta os eventos de preparados para o resto do ano. O organismo liderado por Helena de Senna Fernandes acrescenta que “com a implementação gradual de medidas do Governo Central que beneficiam Macau, é esperado o aumento do número de turistas”. A DST indicou estar a trabalhar na organização de eventos atractivos, no lançamento de campanhas publicitárias e no apoio ao sector para a optimização de produtos turísticos, ao mesmo tempo que coordena com agências do Interior a logística para que tudo esteja pronto para receber excursões. Em declarações à Lusa, o presidente da Associação de Indústria Turística de Macau disse também esperar que, a médio prazo, a retoma leve ao aumento substancial do número de turistas. Andy Wu Keng Kuong disse acreditar que os turistas chineses continuam a ver o território como um destino seguro, apesar de a cidade ter detectado oito casos de covid-19 desde quarta-feira. No domingo, a directora do Departamento de Comunicação e Relações Externas da Direcção de Serviços de Turismo, Lau Fong Chi, garantiu que o recomeço das excursões organizadas não ia ser afectado pelos recentes casos de covid-19. Com Lusa
Políticas de Hong Kong para 2022 – na perspectiva da administração pública (II) Andreia Sofia Silva - 2 Nov 2022 A semana passada falámos sobre o plano de políticas públicas de Hong Kong para 2022, e sobre a criação da “Hong Kong Investment Management Co., Ltd.” com o objectivo de gerir investimentos e aplicar os lucros em benefício da cidade. Esta estratégia vai sem sobre de dúvida trazer receitas ao Governo de Hong Kong, para lá das que já obtém através da taxação, o que irá aliviar o impacto da pandemia nas finanças do Executivo. Além disso, também falámos sobre a menção à criação da “equipa vermelha” no Plano de Políticas Públicas. Nos exercícios militares, a equipa vermelha desempenha o papel do inimigo, e a nossa equipa é designada por equipa azul. A equipa vermelha deve desafiar o plano operacional usando as táticas, as técnicas e os equipamentos adequados. A grande vantagem deste método é ficarmos a “conhecermo-nos a nós próprios e ao inimigo”. Desde que consigamos antecipar quaisquer problemas com a nossa tática, podemos tomar precauções atempadamente; portanto, este método também é conhecido por “análise de substituição”. Aplicar o conceito de equipa vermelha à formulação e implementação de políticas será certamente muito útil e muito benéfico. O conceito de equipa vermelha é semelhante ao “Brainstorming” e à ” Técnica de Grupo Nominal ” na gestão científica. Brainstorming é uma técnica de solução de problemas em grupo. Numa discussão cara a cara, os orientadores começam por lançar os problemas para que sejam debatidos e se possa encontrar soluções. Nestas discussões, os participantes têm de esperar que todas as soluções sejam apresentadas, antes de as criticarem uma a uma, escolhendo finalmente a mais adequada para resolver o problema. A Técnica de Grupo Nominal é muito semelhante ao brainstorming. Os orientadores colocam questões e pedem aos participantes que falem à vez e que apresentem soluções para o problema. Depois de todos terem expressado as suas opiniões, os participantes avaliam as intervenções uma a uma. Pede-se que, de acordo com as preferências de cada um, as soluções apresentadas sejam pontuadas por ordem, e a mais votada será escolhida para resolver o problema que foi colocado. A principal diferença entre as “equipas vermelhas”, o “brainstorming” e a ” Técnica de Grupo Nominal”, todos eles métodos de resolução de problemas em grupo, é o facto das equipas vermelhas se focarem nas acções e nos pensamentos do inimigo, que é a forma mais eficaz de entender o adversário. Em relação à administração do funcionalismo público, o Plano propõe o fortalecimento do sistema de recompensa e castigo, lança o esquema de recompensas designado ” Lista do Reconhecimento do Chefe do Executivo “, e prevê que sejam publicamente louvados com regularidade os trabalhadores e as equipas com desempenhos extraordinários, para motivar os funcionários públicos a fazerem progressos. A ” Lista do Reconhecimento do Chefe do Executivo ” é de facto uma ideia inovadora. Ao abrigo deste regime, o excelente desempenho das equipas ou dos funcionários pode ser elogiado. No entanto, o Plano não se pronuncia sobre a recompensa adequada. Do ponto de vista da administração, louvar os desempenhos excelentes, é um factor motivador que ajudará todo o departamento a atingir as suas metas. Os incentivos dados pelo Chefe do Executivo farão com que os funcionários públicos se aproximem mais das metas e directrizes do Governo e que tenham mais vontade de completar as suas tarefas “haja o que houver”. Espera-se que este método de gestão venha ser muito eficaz, mas a sua implementação constitui ainda um problema. O que é que define uma equipa ou um funcionário excelente? Quais é que são os critérios? O funcionalismo público de Hong Kong já é orientado por regras que estabelecem o que é um bom e um mau desempenho. Se os louvores e as recompensas forem acrescentados devido às novas regras, será apenas mais uma recompensa para os desempenhos excelentes dentro do sistema existente, o que não será muito significativo. Mais importante ainda, quem é que vai informar o Chefe do Executivo sobre quem tem desempenhos extraordinários? Num sistema público com normas claras, o pensamento e o desempenho das equipas e dos funcionários excelentes quebram muitas vezes as normas do sistema vigente. Esta “quebra de normas” pode ser tida como um bom desempenho, mas claro que também pode ser entendida como o contrário, à luz das normas em vigor, especialmente pelos funcionários superiores. Como é que esta situação deve ser abordada? Por exemplo, numa universidade pública um professor confisca “a prova de exame” de um estudante porque desconfia que ele copiou, mas o estudante pode espetar uma caneta na mão do professor, agarrar nas “provas incriminatórias”, engoli-las e destrui-las. Depois de ter sido ferido, por confiscar a prova de exame do aluno que fez “batota”, continua na universidade e completa todos os procedimentos relacionados com esta situação, antes de ir para o hospital receber tratamento médico. Todos sabemos que existem muitos funcionários que dão entrada nos hospitais depois de receberem ferimentos no serviço e que ficam impedidos de trabalhar. No caso deste professor, é óbvio que demonstrou ser uma pessoa empenhada no seu trabalho e, mesmo depois de ter sido ferido, não se importou e insistiu em concluir a sua tarefa. O empenhamento do professor no seu trabalho não advém do salário, mas sim do seu sentido de responsabilidade e da crença na utilidade das suas funções, por isso o professor acredita que teve um bom desempenho e que é um modelo para os outros funcionários e que deve ser louvado; mas os seus superiores pensam que ser ferido no local de trabalho faz parte dos “ossos do ofício”. Nesta perspectiva, poderão os professores candidatar-se e pedir ao Chefe do Executivo um louvor e uma recompensa? Relativamente à administração do funcionalismo público, o Plano das Políticas Públicas propõe a optimização do mecanismo de mobilização existente e aumenta o nível de “toda a mobilização governamental”. O Governo de Hong Kong já tinha elaborado uma lista de funcionários e realizado exercícios regulares para lidar com acidentes graves que exigem um grande número de mão-de-obra. Esta política foi claramente implementada devido à pandemia. Desde Fevereiro último, a situação epidémica em Hong Kong tem sido séria. Sem um grupo de trabalho muito alargado, é impossível lidar com desastres súbitos. O desenvolvimento desta política ajuda o Governo de Hong Kong a lidar com emergências futuras e é um dos métodos de gestão de situações de crise. Investir para obter receitas adicionais, levar a cabo a “análise de substituição” para identificar lacunas antes de implementar políticas, louvar os bons funcionários e as boas equipas e fazer listas de funcionários para lidar com incidentes graves são estratégias eficazes de gestão do funcionalismo público, que podem conduzir este importante sector a bom porto. O objectivo da gestão financeira, da motivação dos funcionários públicos e da gestão de crises é digno de referência por parte das instituições públicas.
Leong Sun Iok pede protecção no trabalho para infectados por covid-19 João Luz e Nunu Wu - 2 Nov 2022 Leong Sun Iok quer que o Governo assegure os direitos laborais dos trabalhadores infectados com covid-19 durante o horário de trabalho. Apesar de a lei prever genericamente compensações para estes casos, o deputado denúncia situações em que seguradoras pedem um documento que certifique a fonte da infecção. Algo que as autoridades não fornecem Uma das questões recorrentes nas conferências de imprensa das autoridades de saúde, relativa à investigação epidemiológica, prende-se com a fonte das infecções de covid-19. Invariavelmente, as respostas apontam para conjunturas e desconhecimento em relação à origem. Esta situação de dificuldade para detectar fontes de contágio está a ter ramificações nos direitos laborais, segundo uma interpelação escrita divulgada ontem por Leong Sun Iek. O deputado da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) perguntou ao Governo como vai compensar os trabalhadores que são infectados no lugar de trabalho, ou enquanto desempenham as suas funções. Segundo o legislador, a lei da reparação por danos emergentes de acidentes de trabalho e doenças profissionais não dá cobertura a quem é infectado por covid-19 no trabalho, uma vez que as seguradoras competentes para atribuir a compensação exigem documentação que não existe: um certificado que comprove a fonte de contágio de covid-19. O deputado exemplifica a questão com a queixa de um trabalhador que se dirigiu à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) devido a dificuldades em ser compensado pela seguradora, que lhe terá pedido “um certificado de fonte de infecção” emitido pelos Serviços de Saúde. O queixoso entrou em contacto com o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus e ficou a saber que os Serviços de Saúde não emitem esse tipo de documentação. Só e desamparado Sem direito a compensação, com o ordenado cortado devido à obrigação de se ausentar do trabalho, o funcionário “sentiu-se injustiçado e desamparado”, sem mecanismo ou entidade a quem recorrer. O deputado perguntou à DSAL quantos trabalhadores ficaram na mesma situação desde o início da pandemia e quantos conseguiram ser compensados com base na lei dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais. Desde que começou a pandemia, a saúde e capacidade de subsistência de muitos trabalhadores de Macau foi afectada pela obrigação de cumprir quarentena, pela própria infecção de covid-19 (em especial no surto que começou a 18 de Junho), levando a autênticos testes de stress à força física e mental das pessoas. Leong Sun Iok reconhece que o Governo tem implementado muitas medidas para atenuar os efeitos do combate à pandemia, porém, em termos laborais, não existem salvaguardas que compensem trabalhadores cujos rendimentos são afectados por quarentenas, demarcação de zonas vermelhas, confinamentos e mesmo infecções. Apesar de reconhecer que não é fácil determinar e provar a fonte de contágio de covid-19, o deputado da FAOM acha que é obrigação do Executivo proteger o proletariado. Assim sendo, enumera os exemplos de Taiwan e França onde as infecções de covid-19 já são listadas como doenças profissionais que podem dar direito a compensação. Além disso, Leong Sun Iok destaca o Reino Unido e Hong Kong entre jurisdições que estão a rever as leis de forma a não deixar os trabalhadores desprotegidos num mercado de trabalho afectado pela pandemia. Face aos exemplos internacionais, o deputado perguntou ao Governo de Ho Iat Seng se tem intenção de rever as leis para reforçar a protecção dos trabalhadores.
O realizador de sonhos André Namora - 2 Nov 2022 Carlos Melancia, antigo governador de Macau, deixou-nos. No universo continuará a edificar obras fantásticas tal como fez na Terra. Fomos colegas de curso de engenharia e conheci bem Carlos Melancia. Um homem dedicado a tudo o que fazia, já não falando da família. Um dia, Mário Soares convidou-o para governador de Macau e quando fomos jantar para nos despedirmos disse-me que a tarefa não iria ser fácil porque o tinham elucidado sobre a realidade do território, onde quem mandava eram os chineses de Pequim. Acrescentou-me que se o território era chinês e a administração nossa, era natural que não fosse contrariar o que os chineses pretendessem desde que os portugueses que lá viviam não fossem prejudicados. Partiu, escreveu-me e disse-me que o trabalho não era fácil. Que o presidente da Assembleia Legislativa era simpatizante do CDS e que todos os que não fossem socialistas, como ele, estavam sempre a atirar-lhe à cara o militantismo socialista e que o objectivo deveria sacar o mais possível de dinheiro para a metrópole e especialmente para o Parido Socialista. Fiquei desolado pelo seu sofrimento e aguardei que se deslocasse a Lisboa para conversarmos melhor sobre tão nobre missão de se ser governador de Macau. Carlos Melancia veio a Lisboa para dar conta ao Presidente da República, Mário Soares, de como as coisas estavam a correr em Macau. Naturalmente, que fomos jantar e das 20:30 às 02:00 horas só falámos de Macau. Explicou-me que o vice-almirante Almeida e Costa, ex-governador, tinha muita razão em querer dar andamento a projectos importantíssimos e necessários para o desenvolvimento do território. Era preciso modificar as estruturas básicas: a electricidade, a água, o saneamento básico, os telefones, um aeroporto, um porto e as necessárias instituições para o apoio social. Fiquei banzado com tanta necessidade orgânica e material que Macau não possuía. Perguntei a Melancia se ele sentia forças e apoio local para avançar com os projectos. Respondeu-me que tudo faria para que Macau fosse um território digno e que Portugal saísse um dia de Macau deixando uma obra memorável. A verdade é que a pouco e pouco fui sabendo que as ideias do meu colega engenheiro estavam a dar frutos e que ele estava a revolucionar as inexistentes estruturas e que a população de Macau tanto ambicionava. A companhia de electricidade foi imensamente renovada e o serviço da empresa até ao presente tem recebido os maiores encómios. A companhia dos telefones passou a servir a população de uma forma nunca vista e quando chegou a era dos telemóveis e da internet Carlos Melancia já tinha edificado a estrutura para um bom serviço generalizado. Foi construída uma ETAR de nível mundial. A companhia das águas viu a assinatura de um acordo com os franceses, se não estou em erro, e Macau passou a ter nas torneiras água de qualidade. Melancia tinha-me salientado que o aeroporto era fundamental para que as exportações de Macau triplicassem e as ligações aéreas com Portugal e o mundo fosse uma realidade. Na conversa que mantivemos em Lisboa, Carlos Melancia referiu que se tinha comprometido com empresas norte-americanas que lhe garantiram a construção do aeroporto. Eis o ponto final de Carlos Melancia, o maior empreendedor de Macau. No interior do Partido Socialista existia um lóbi que já tinha acordado que o aeroporto seria construído por empresas alemãs. Quando esse lóbi transmitiu a Melancia que deveria aceitar a negociação com os alemães, eis que o governado rejeitou de imediato a pretensão e respondeu que tinha um compromisso com norte-americanos. O lóbi era tenebroso e fortíssimo e logo imaginaram uma forma de destruir Melancia. No hotel Garcia da Horta que Melancia veio a construir em Castelo de Vide com o apoio financeiro de uma personalidade residente em Macau, depois de se ter demitido de governador contou-me que sempre foi sério, que tinha a certeza que era o ex-governador que menos dinheiro tinha trazido de Macau. Que o fax enviado para o jornal Independente tinha sido uma cabala bem montada para o destituir do cargo. Acrescentou-me que Mário Soares cortou relações com a maioria dos membros desse lóbi que enviaram o fax dizendo que o governador Melancia tinha sido um corrupto e recebido uma ninharia de 50 mil contos. Em Lisboa, soube que os chineses se riram da verba que tinha sido indicada no tal fax. Realmente, uma ninharia para a observância de muitos chineses milionários de Macau que sabiam quanto dinheiro tinham recebido outros ex-governadores. Carlos Melancia foi enxovalhado injustamente perante as sociedades macaense e portuguesa. Ficou sempre com o cutelo no pescoço como tendo sido um governador imensamente corrupto. Nada mais falso. É do conhecimento de muitos políticos que Melancia era um homem sério, engenheiro de excelência e realizador dos seus sonhos. Contaram-me inclusivamente que Carlos Melancia recebeu no Palácio do Governo um grupo de aventureiros que pretendiam realizar o trajecto, em jipe, entre Macau e Lisboa. E que foi Melancia que contactou com os administradores da marca de jipes UMM e que conseguiu três carros para que a expedição se realizasse como veio a acontecer e que no regresso desses aventureiros decidiu condecorá-los com a Medalha de Mérito Desportivo. Um homem destes não merecia o que lhe fizeram. Na hora da sua morte senti-me obrigado, como seu amigo, a escrever estas linhas esclarecedoras de uma verdade escondida e deturpada.
Governo cortou quase 5 mil milhões nos apoios sociais em 2021 João Santos Filipe - 2 Nov 20222 Nov 2022 Entre 2020 e 2021 foram gastos quase menos 5 mil milhões de patacas em apoios sociais, apesar de o Governo ter criado o plano de apoio pecuniário aos trabalhadores, aos profissionais liberais e aos operadores de estabelecimentos comerciais Entre 2020 e 2021 o Governo de Ho Iat Seng reduziu o montante distribuído em transferências, apoios e abonos em quase 5 mil milhões de patacas. Os dados constam no Relatório sobre a Execução do Orçamento do ano 2021, que foi disponibilizado ontem no portal da Assembleia Legislativa. Segundo os números apresentados pela Direcção de Serviços Financeiros (DSF), a despesa com transferências, apoios e abonos foi de 33,75 mil milhões de patacas no ano passado. Esta é uma redução de 4,90 mil milhões de patacas em relação a 2020, quando o montante pago pelo Governo com os apoios sociais tinha sido de 38,65 mil milhões de patacas. A execução orçamento demonstra também que dos 35,52 mil milhões de patacas destinados para transferências, apoios e abonos, ficaram 1,77 mil milhões de patacas por gastar. Estes montantes reflectem uma taxa de execução de 95 por cento. Em matéria de cortes, uma das maiores reduções aconteceu ao nível dos apoios e abonos para famílias e indivíduos, no valor de 2,34 mil milhões de patacas. Em 2020 a despesa com esta rubrica tinha sido de 19,62 mil milhões de patacas e no ano passado caiu para 17,28 mil milhões. No sentido oposto, em 2021, o Governo criou o “Plano de apoio pecuniário aos trabalhadores, aos profissionais liberais e aos operadores de estabelecimentos comerciais” que teve um custo 1,84 mil milhões de patacas. Apesar da criação deste apoio, que tinha como objectivo ajudar as Pequenas e Médias Empresas, as ajudas face ao ano anterior foram mais reduzidas. Quanto aos apoios a fundações, associações e organizações registou-se um corte de 30 milhões de patacas, com o valor a cair para aproximadamente 7,70 mil milhões de patacas. Défice sem reserva Segundo as contas apresentadas, o orçamento da RAEM registou um saldo positivo em 2021 de 5,66 mil milhões de patacas, uma vez que as receitas de 94,81 mil milhões de patacas foram superiores à despesa de 89,15 mil milhões. Contudo, se não tivesse sido mobilizado o montante da reserva financeira para o orçamento, a RAEM teria registado um défice. Segundo o relatório, no ano passado foram gastos 37,56 mil milhões de patacas da reserva. Quando estes são subtraídos das contas, as receitas ficam-se pelos 57,25 mil milhões de patacas. Por isso, sem a utilização da reserva o défice teria atingido os 31,9 mil milhões de patacas. Em Setembro deste ano, o Governo declarou que a reserva financeira tinha 593 mil milhões de patacas. Ao ritmo das contas de 2021, e assumindo que todos os anos seriam necessários 31,9 mil milhões de patacas para equilibrar o défice orçamental, só no ano de 2040 a reserva ficaria completamente vazia.
Na ligação entre a China e os Países de Língua Portuguesa, não há como Macau, segundo o Comissário Liu Xianfa Hoje Macau - 2 Nov 2022 “Macau, enquanto ponto de encontro entre as culturas chinesa e ocidental e ponte que liga a China aos Países de Língua Portuguesa, desempenha um papel insubstituível na promoção do intercâmbio cultural entre a China e o ocidente e na promoção da cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, disse Liu Xianfa, o Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China na Região Administrativa Especial de Macau na cerimónia de encerramento do o Programa de Intercâmbio Juvenil entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que decorreu entre 26 e 28 de Outubro, numa organização conjunta do Comissariado do MNE e o Governo da RAEM. A iniciativa, dedicada ao tema “Sentir a beleza das culturas chinesa e ocidental de Macau e ser um bom embaixador jovem da amizade entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, convidou um grupo de 50 participantes, composto por estudantes dos Países de Língua Portuguesa que estão a estudar em instituições de ensino superior de Macau, nomeadamente de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, e por estudantes chineses que se encontram a frequentar cursos de língua portuguesa. No seu discurso, o Comissário Liu Xianfa referiu ainda que “a realização bem-sucedida do 20.º Congresso Nacional do Partido Comunista da China, por um lado, definiu um rumo e planeamento para a nova etapa do desenvolvimento nacional, por outro, injectou potentes forças motrizes com vista a aprofundar a relação de cooperação e benefício mútuo entre a China e a comunidade internacional”. O comissário espera que “os jovens de ambas as partes possam criar uma relação de complementaridade, no sentido de aprenderem mutuamente e de contribuírem para impulsionar o desenvolvimento próspero conjunto da China e dos PLP”. Também presente a Chefe do Gabinete da Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Ho Ioc San, que no seu discurso salientou que “graças à sua ligação estreita com os Países de Língua Portuguesa, Macau beneficia de vantagens únicas na cooperação a nível de cultura, educação, juventude, desporto e outras áreas, estando os resultados frutíferos à vista de todos”. Por isso, a chefe de gabinete “espera que os participantes possam aproveitar a oportunidade criada por este evento, para se reforçar o intercâmbio e as amizades e se oferecer uma maior e mais jovem dinâmica à relação de Macau com o exterior e à relação de cooperação e benefício mútuo entre a China e os PLP, com base num pleno desempenho da função de embaixadores jovens da amizade entre as duas partes”. No âmbito deste programa, foi realizado o concurso de vídeos curtos “A Minha História de Macau – Conversa entre os Jovens Chineses e dos Países de Língua Portuguesa”, que teve uma grande adesão por parte dos jovens participantes. No total, o concurso contou com a participação de 33 equipas, cujos trabalhos foram produzidos por estudantes de Países de Língua Portuguesa, Macau, Interior da China e da comunidade macaense. Tendo-se conhecido em Macau e aqui partilhado a sua própria história, a partir de aspectos como experiências sobre o encontro cultural em Macau, percepção sobre a implementação do princípio “Um País, Dois Sistemas”, reflexão sobre a função da plataforma sino-lusófona e entendimento sobre o correcto desempenho do papel de embaixador, expressaram, unanimemente, o seu desejo de transmitir esta relação de amizade e de fazer parte da futura cooperação entre a China e os PLP. Um dos elementos do júri, o sinólogo brasileiro Giorgio Sinedino, afirmou que “os vídeos participantes usaram as vozes comuns para retratar histórias autênticas, através de um ponto de vista objectivo, preciso e honesto, o que permitiu promover abertamente a amizade sem fronteiras da China com os Países de Língua Portuguesa, bem como potenciar a função especial de Macau enquanto ponte de ligação sino-lusófona”. O programa preparou ainda várias visitas para os jovens chineses e lusófonos, das quais se destaca a visita à Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau, que permitiu que “todos sentissem, em pessoa, este ‘projecto do século’, a dinâmica da construção da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau e a implementação bem-sucedida do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”. Foram ainda visitados ao Complexo de Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, a Universidade Politécnica de Macau e o Museu de Macau. Além disso decorreram também outras actividades, como palestras sobre as culturas oriental e ocidental em Macau e sobre as políticas diplomáticas da China, workshops de produção de pastéis de nata, de caligrafia, etc. Em geral, os participantes foram da opinião “que esta iniciativa serviu para criar uma plataforma de intercâmbio e aprendizagem mútua, estabelecer relações de proximidade com os outros participantes, descobrir novos aspectos do encontro das culturas chinesa e ocidental em Macau e lançar sementes para enraizar ainda mais a amizade entre a China e os PLP”, refere um comunicado final.
Lula da Silva ganha as eleições e diz que país “está de volta” Hoje Macau - 2 Nov 20222 Nov 2022 É um país dividido, mas o fim da era Bolsonaro significa o regresso da normalidade e da democracia. O presidente eleito tem pela frente a tarefa gigantesca de unir o país, acabar com a fome, fomentar a educação e parar com a destruição da Amazónia. O mundo está do seu lado. O vencedor das eleições presidenciais brasileiras, Lula da Silva, afirmou que “o Brasil está de volta” e avisou que “não existem dois ‘Brasis. Somos um único país, um único povo, uma grande nação”, defendendo que o país precisa “de paz e união”. “O mundo sente saudade do Brasil, saudade daquele Brasil soberano, que falava de igual para igual com os países mais ricos e poderosos, e que ao mesmo tempo contribuía para o desenvolvimento dos países mais pobres. (…) Hoje, estamos a dizer ao mundo que o Brasil está de volta, que o Brasil é grande de mais para ser relegado a esse triste papel de pária no Mundo”, declarou, no seu primeiro discurso após a confirmação da sua vitória. Presidente de todos A partir de 1 de janeiro de 2023, data em que tomará posse como chefe de Estado do Brasil, Lula da Silva afirmou que vai governar “215 milhões de brasileiros e brasileiras e não apenas aqueles” que votaram na sua candidatura. O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) defendeu que “não interessa a ninguém viver numa família onde reina a discórdia”. “É hora de reunir de novo as famílias, refazer os laços de amizade rompidos pela propagação criminosa do ódio. A ninguém interessa viver num país dividido e em permanente estado de guerra. Este país precisa de paz e união, este povo não quer mais brigar (…), é hora de baixar as armas que jamais deveriam ter sido empunhadas”, disse. Lula da Silva reconheceu que “o desafio é imenso”. “É preciso reconstruir este país com todas as suas dimensões: na política, na economia, na gestão pública, na harmonia institucional, nas relações internacionais, e sobretudo no cuidado com os mais necessitados. É preciso reconstruir a alma deste país”, afirmou. O Presidente eleito acrescentou: “Trazer de volta a alegria de sermos brasileiros e o orgulho que sempre tivermos no verde de amarelo e a bandeira do nosso país. Esse verde e amarelo e essa bandeira não pertencem a ninguém, a não ser ao povo brasileiro”, sublinhou, recebendo fortes aplausos. Fome e Amazónia Lula apontou o combate à fome como “o compromisso número um” do seu futuro Governo e prometeu lutar pelo “desmatamento zero” da Amazónia. “O nosso compromisso mais urgente é acabar com a fome outra vez”, disse Lula. “Não podemos aceitar como normal que milhões de homens, mulheres e crianças neste país não tenham o que comer ou que consumam menos calorias e proteínas do que o necessário”, considerou. Lula da Silva recordou que o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de alimentos e o primeiro de proteína animal. “Se somos capazes de exportar para o mundo inteiro, temos o dever de garantir que todo o brasileiro possa tomar café da manhã, almoçar e jantar todos os dias. Este será o compromisso número do meu Governo”, prometeu. No seu discurso, comprometeu-se também a retomar o combate às alterações climáticas e a defender a floresta amazónica. “O Brasil está pronto para retomar o seu protagonismo na luta contra a crise climática, protegendo todos os nossos biomas, sobretudo a floresta amazónica. No nosso governo, fomos capazes de reduzir em 80% o desmatamento. Agora, vamos lutar pelo desmatamento zero da Amazónia”, afirmou. Lula da Silva sublinhou que o Brasil e o planeta “precisam de uma Amazónia viva”. “Uma árvore em pé vale mais do que uma tonelada de madeiras extraídas ilegalmente. (…) Um rio de águas límpidas vale muito mais que todo o ouro extraído (…). Quando uma criança indígena morre, uma parte da humanidade morre junto com ela”, lamentou. Lula da Silva deixou um apelo: “Convido a cada brasileiro e cada brasileira, mais do que nunca, vamos juntos pelo Brasil, olhando mais para aquilo que nos une do que as nossas diferenças”. “Sei a magnitude da missão que a História me reservou e sei que não poderei cumpri-la sozinho. Vou precisar de todos, partidos políticos, trabalhadores, empresários, parlamentares, governadores, prefeitos, gente de todas as religiões, brasileiros e brasileiras que sonham com um Brasil mais desenvolvido, mais justo e mais fraterno”, acrescentou. A terminar o seu discurso, de cerca de 30 minutos, Lula da Silva transmitiu uma mensagem de esperança: “O Brasil tem jeito, todos juntos seremos capazes de consertar esse país e construir um Brasil do tamanho dos nossos sonhos”.
ZELENSKY VS ZELENSKY António Cabrita - 31 Out 20221 Nov 2022 27/10/22 Um reformado ucraniano, com o mesmo nome do presidente, culpa Zelensky sobre o prolongamento do conflito que destruiu o seu vilarejo. Zelensky, o aldeão, que nunca saiu da sua terra, vive agora mortificado porque o seu coveiro preferido morreu no bombardeiro. Este Zelensky, aldeão, representa a metade do mundo que recrimina o outro Zelensky, o vilão, por não querer negociar com Putin. Negociar o quê? O invasor entra-nos pela casa, papa-nos a mulher e a filha (cf. recente relatório da ONU sobre as violações na Ucrânia, nesta “operação especial”), acto que nos obrigou a assistir, e depois dizemos-lhe: alto lá, somos pela paz, mas temos de negociar: ainda não disseste o nome que queres dar às crianças! Uma paz que não é digna não passa de uma cessação dos direitos. Tão grave como a russofobia que Putin inflige ao seu povo. 28/10/22 Num almoço com vários convivas ouço uma amiga, que se declara espírita, a explanar sobre as particularidades da sua crença, de uma forma serena e equilibrada, diria até, sem ponta de “irracionalismo”. Discorreu longa e serenamente, destituída de qualquer proselitismo fanático. “Aqui está alguém a quem a crença trouxe ponderação!”, pensei, uma aliança rara. Porém, a dado momento sai-lhe uma frase que me horroriza. Diz, “não existe acaso, nada acontece por acaso!”, e entrevejo ali as fauces vorazes do holismo. Porque o holismo tem uma vertente patológica como todas as coisas boas, um lado de sombra. Dois exemplos: no hinduísmo há uma menor sensibilidade aos dramas existenciais, se aquela criança sofre nesta vida isso é apenas expressão da rigorosa simetria kármica, um efeito dos actos que ela cometeu na sua vida anterior. Em África não se aceita que a morte possa ter sido acidental, e muitas mulheres são acusadas pela família do morto de terem causado a morte do marido, num acto de manifesta demência, e, na flagrante maioria dos casos, numa enorme injustiça para a esposa — loucura que se dissemina e infiltra no tecido social. O Budismo introduziu a Compaixão e o Cristianismo a Caritas, tentando romper com esta lógica, mas em muitas outras crenças e religiões a gaiola das causalidades prevalece sobre a sensibilidade à experiência, à necessidade de responder ao agora. É uma lógica tremenda que transforma o mundo num palco platónico, onde não passamos das sombras de algo — uma lei inextricável -, num determinismo que calcina todas as singularidades, mas que estranhamente fascina muitos. A conquista da modernidade ancorou na conquista do acaso e do aleatório, subtraindo as incidências de uma vida a esse determinismo feroz que encerrava o mundo numa teia. Quando a Renascença libertou o corpo da influência dos astros, nesse momento a sexualidade aliviou-se das culpas e o individualismo e a sua volição puderam emergir. Há uma inequívoca implicação moral na frase “não existe acaso, nada acontece por acaso!”, o que devia funcionar como chave para o auto-conhecimento e o auto-juízo, contudo, habitualmente, essa frase é manejada para se buscar uma razão para as coisas no exterior a nós, no outro. É um álibi. Corre hoje no mundo uma tentação holística, como na Idade Média houve uma tentação satânica, sem grande reflexão sobre as suas consequências. Porque não basta queremos ligar tudo numa ressoante cadeia de afecto. Até pelo mais inesperado: o próprio afecto pode matar. Dou conta, graças aquela mulher culta, equilibrada, inteligente, que “o combate” se deslocou no início deste século. Um dos grandes equívocos do século XX foi a falsa dicotomia entre «racionalismo e irracionalismo», debate que se estendeu a todos os campos, inclusive à arte. Primeiro, confundia-se racionalidade (o lado positivo da razão) com racionalismo (a feição patológica da razão), e articulada nesta falta de discernimento confundia-se irracionalismo com liberdade. Quase toda a arte do século XX, com o Surrealismo à cabeça, laborou neste erro. A falácia ainda existe apesar de se ter consolidado por toda a parte a emergência do «irracionalismo» e as consequentes correntes relativistas que se lhe seguiram. No essencial muito do que se passou no século XX girou em torno desse choque entre dois paradigmas: Racionalismo versus Irracionalismo. Agora, verifico, há que salvar a indeterminação, o acaso, o aleatório da terrível tentação da gaiola das causalidades. O holismo, na sua feição patológica, pode ser o reducionismo que se põe a jeito como uma nova «narrativa escatológica». Será «por acaso» que o holismo emerge no momento em que o neo-liberalismo e o seu cínico desprezo pela pessoa humana sitia tudo, todas as liberdades, todos os direitos adquiridos? A consciência holística trouxe de positivo uma maior consciência ecológica mas seguida com rigor escolástico abafa a realidade sob a manta de um determinismo que é muito mais do que incómodo: todas as grandes ideologias autoritárias são holísticas. A minha amiga saberá conjugar a sua crença holística e transpessoal com a liberdade e a responsabilidade que cada momento nos pede — mas quantos farão a destrinça, ao abrigo de uma Lei que tudo explica e abarca? Quantos não se abandonarão ao que é? A consciência do indeterminado traz a consciência trágica, como o sabiam os gregos, mas traz também o arbítrio e a coragem da decisão. E disto não poderemos abdicar. Para além disso, como mostra Drummond no poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade: «João amava Teresa que amava Raimundo/ que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili/ que não amava ninguém./ João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,/ Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,/ Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes/ que não tinha entrado na história.» O Real corre sempre por fora da pista, na plena exterioridade aos nossos conceitos. É o que nos vale — desponta um J. Pinto Fernandes no exacto momento em que julgávamos ter tudo sob controle.
Eventos culturais cancelados, incluindo o último dia da Lusofonia João Luz - 31 Out 2022 A descoberta ontem de casos positivos de covid-19 levou o Instituto Cultural a cancelar eventos e “actividades artístico-culturais de grande envergadura”. O último dia do Festival da Lusofonia foi uma das baixas. A presidente da Casa de Portugal considera uma medida um “exagero” e irracional À semelhança do que aconteceu no passado, a detecção de casos positivos de covid-19 está a levar à paralisação da cidade. A vaga de anúncio de cancelamentos começou com o “Oktoberfest Macau at MGM”, que terminaria ontem. O final abrupto do evento foi divulgado quase em simultâneo com a confirmação oficial de que o MGM Cotai seria também encerrado. Logo ao início da tarde, surgiria o anúncio do Instituto Cultural (IC). “Devido à evolução da situação da pandemia de covid-19, e de forma a garantir a segurança dos participantes, o Instituto Cultural cancela os seguintes eventos artístico-culturais de grande envergadura: O 25.º Festival da Lusofonia, o 4.º “Encontro em Macau – Festival de Arte e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa incluindo a “Exposição de Livros Ilustrados em Chinês e Português” e Prova de Vinhos, bem como a Festa de Promoção da “Lei de Salvaguarda do Património Cultural” 2022, o concerto de Abertura da Temporada da Orquestra Chinesa de Macau 2022-23 ‘Impressões das Montanhas Taihang’”. Sobre o cancelamento do Festival da Lusofonia, a presidente da Casa de Portugal não escondeu a desilusão pela decisão do Governo. “Foi, sobretudo, um grande decepção, porque a festa estava a decorrer maravilhosamente”, afirmou Amélia António à TDM – Rádio Macau. A responsável da instituição destacou o grande prejuízo que o cancelamento acarreta, nomeadamente na área da restauração, com todas as refeições que já estavam prontas para consumo, antes de ser anunciado o cancelamento. “Há coisas que acho que são um bocadinho demais, não entendo (…). Não há aqui gente de fora, é fundamentalmente gente de Macau. Acho que isto é um bocado exagero”, afirmou Amélia António à mesma fonte. Festival suspenso Também a sessão de beneficência integrada no XXXIV Festival Internacional de Música de Macau “O Contemporâneo Encontra a Tradição” foi cancelado. Num ano em que o cartaz do evento contava apenas com presenciais de Macau e do Interior da China, o espectáculo de beneficência que iria encerrar o festival não foi caso isolado. No dia 12 de Outubro, o IC anunciou que “devido às medidas de prevenção e controlo da pandemia no Interior da China e à impossibilidade do grupo artístico se deslocar a Macau, o programa Long Yu e a Orquestra Sinfónica de Xangai foram canceladas. Também a Masterclass de Piano com Chen Yunjie e o concerto “À Conversa com Chen Yunjie sobre Alexander Scriabin” foram cancelados. O “Mercado com Destaque para os Produtos do Mundo Lusófono e Macau 2022” (Templo de Pak Tai), que decorria no Largo Camões, foi encerrado prematuramente, quatro horas mais cedo do que estava previsto. O mercado era organizado pelo “Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau”, que pediu compreensão e colaboração dos convidados e expositores. Desporto em pausa A vaga de suspensão de eventos não se restringiu à cultura. Também o Instituto do Desporto (ID) reagiu à descoberta de casos positivos ontem. “Devido à evolução da situação de epidémica, e para garantir a segurança dos participantes, o ID anuncia que as actividades “Corridas de Obstáculos Macau 2022” e “Super Kids Macao” que previa realizar hoje [ontem] à tarde serão canceladas”. Também para ontem à tarde, estava programado um evento para a família no espaço do Lisboeta Macau, no Cotai, sob o tema do Halloween. “Para cooperar com as medidas anti-pandémicas do Governo da RAEM, informamos que o evento “Halloween Fun Run”, no espaço ao ar-livre H835 do Lisboeta Macau, foi cancelado.
Fórmula 4 | Piloto de Macau vai tentar vencer pela terceira vez Sérgio Fonseca - 31 Out 2022 Charles Leong Hon Chio vai tentar obter um feito até aqui nunca alcançado em sessenta e oito edições do Grande Prémio de Macau. O jovem piloto do território vai tentar vencer este ano a prova principal do maior evento desportivo da RAEM pelo terceiro ano consecutivo Após ter vencido em 2020 e 2021, duas edições que tal como este ano foram usados monolugares de Fórmula 4 na corrida principal, Charles Leong Hon Chio vai apostar na continuidade e tentar obter a sua terceira vitória consecutiva na prova. Isto, apesar de o piloto de 21 anos não conduzir um monolugar de Fórmula 4 desde do sucesso alcançado no ano passado nas curvas e contra-curvas do Circuito da Guia. Esta temporada, Charles Leong tem guiado um bem mais potente Ferrari 488 GT3, da equipa chinesa Harmony Racing, no Campeonato de Endurance da China (CEC) e no Campeonato da China de GT, tendo somado vitórias e resultados muito positivos para um jovem estreante nesta categoria. Na teoria, especulava-se que o piloto de Macau fosse competir em frente ao seu público ao volante de um destes espectaculares carros da marca do “Cavallino Rampante”, mesmo tendo em consideração que o orçamento da Taça GT Macau é várias vezes superior àquele necessário para estar à partida com os monolugares de Fórmula 4. “Foi algo que eu pensei, correr na Fórmula 4 e com o Ferrari, mas o Grande Prémio não o permite”, explicou o piloto ao HM, relembrando que desde 1996 a prova não autoriza que os pilotos participem em mais do que uma corrida durante o fim de semana. “Após ponderar, a prova de Fórmula 4 faz mais sentido, pois é a principal do programa do Grande Prémio e ainda ninguém venceu por três vezes consecutivas a corrida. Por outro lado, também julgo que tenho ainda muito a aprender nas corridas de GT”, reconhece. A maior novidade da participação de Charles Leong será a troca de equipa. Depois de dois anos em que venceu pela Smart Life Racing, o ex-campeão de Fórmula 4 irá tripular um monolugar da equipa BlackJack Racing Team. A formação de Ningbo terminou em terceiro lugar em 2021, com o piloto Li Si Cheng, e tem o apoio técnico da equipa Asia Racing Team, fundada em Macau e cujo director desportivo é o piloto português Rodolfo Ávila. Última chance de testar Foi com surpresa que o Campeonato da China de Fórmula 4 se viu forçado a cancelar a prova que tinha agendado para o próximo fim de semana em Pingtan. Tanto a Fórmula 4 chinesa, como os GT, iam correr este fim de semana no novo circuito citadino na ilha de Fujian, mas na pretérita semana os Serviços de Saúde do Governo da RAEM anunciaram a imposição de quarentena a todos os indivíduos provenientes da Zona Experimental Abrangente de Pingtan, onde se realizaria o evento e onde já estavam algumas equipas e pilotos a testar. Correndo o risco de comprometer o evento ou a perder quórum para o Grande Prémio, ambas as competições concordaram em adiar o evento de Pingtan para Dezembro. A três semanas do grande evento automobilístico da Grande Baía, esta situação acabou por beneficiar Charles Leong que assim deverá ser capaz de conduzir o Mygale M14 F4-Geely antes do Grande Prémio e ao pé de casa. “A equipa vai enviar o carro para Zhuhai”, revelou o piloto que não esconde que o adiamento do evento de Pingtan“acabou por ser melhor para mim”. Mesmo que consiga vencer a edição deste ano, Charles Leong não será ainda o piloto com mais vitórias na prova principal do Grande Prémio, pois esse recorde ainda pertence a um ex-membro da Real Polícia de Hong Kong. John MacDonald ganhou no Grande Prémio por quatro ocasiões (1965, 1972, 1973 e 1975), com a particularidade de também ter triunfado no Grande Prémio de Motos de Macau (1969) e na primeira edição da Corrida da Guia (1972).
Xi Jinping visita Yan’an e salienta “espírito fundador” do Partido Hoje Macau - 31 Out 20221 Nov 2022 Xi Jinping, secretário-geral do Comité Central do Partido Comunista da China (PCC), enfatizou a promoção do grande espírito fundador do Partido e do espírito de Yan’an, uma antiga base revolucionária na Província de Shaanxi, no noroeste da China, e a luta em unidade para cumprir as metas e tarefas estabelecidas pelo 20º Congresso Nacional. Xi estava acompanhado por Li Qiang, Zhao Leji, Wang Huning, Cai Qi, Ding Xuexiang e Li Xi, membros do Comité Permanente do Politburo, na sua visita ao local histórico na semana passada. A primeira paragem de Xi e dos outros líderes foi no local do Sétimo Congresso Nacional do PCC. O congresso realizado em 1945 tem um significado de marco na história do PCC, porque “foi aí que o Partido se tornou mais maduro no sentido político, ideológico e de organização”, disse Xi. “Politicamente, todo o Partido foi unido sob a bandeira de Mao Zedong e, ideologicamente, o papel orientador do Pensamento de Mao Zedong para todo o Partido foi estabelecido e o Pensamento de Mao Zedong foi incorporado no Estatuto do Partido”, disse Xi. Depois visitaram as antigas residências de Mao Zedong e de outros revolucionários dessa geração. Comparando os locais revolucionários em Yan’an a “um livro que vale a pena ler para sempre”, Xi disse que “serviram como testemunhas da gloriosa jornada do Partido na liderança da revolução chinesa e na exploração de maneiras de adaptar o marxismo ao contexto chinês e às necessidades dos tempos durante o período de Yan’na”. Uma guia fez uma introdução sobre como a conhecida canção revolucionária “O Oriente é Vermelho” foi escrita e se tornou popular. “Tais canções exaltando o Partido e o Presidente Mao foram todas criadas espontaneamente pelo povo, o que mostrou claramente que o povo escolheu Mao Zedong e ele gozou do seu apoio”, disse Xi. De 1935 a 1948, a região de fronteira Shaanxi-Gansu-Ningxia, da qual Yan’an era o centro, foi a sede do Comité Central do PCC e serviu como o centro de orientação política na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa, e de rectaguarda geral da luta do povo chinês pela libertação. Num discurso proferido após visitar a exposição, Xi elogiou Yan’an como um local sagrado da revolução chinesa e o berço da Nova China e referiu que foi em Yan’an que o Comité Central do Partido e os revolucionários veteranos, incluindo Mao Zedong, lideraram a causa revolucionária da China de um ponto baixo para uma ascensão, atingiram um ponto de viragem histórico e transformaram as perspectivas do país. Xi disse que viveu e trabalhou em Yan’an por sete anos, e que seu pai também lá trabalhou. “O espírito de Yan’an destaca a firme crença na orientação política correcta, os princípios orientadores de libertar a mente e procurar a verdade nos factos, o propósito fundamental de servir o povo de todo o coração e o espírito empreendedor de autossuficiência e trabalho duro”, disse Xi. “O espírito, as gloriosas tradições e a boa conduta desenvolvidos e promovidos durante o período de Yan’an são bens preciosos do Partido e devem ser transmitidos de geração em geração”, enfatizou Xi. Xi ainda pediu a todos os membros do Partido que promovam “o espírito e reforcem a capacidade de luta, superem resolutamente as várias dificuldades e desafios no caminho de avanço, e empreguem esse indomável espírito para abrir novos horizontes para a causa do Partido e do país”.