USJ | Nova biblioteca vai apoiar investigação de missões católicas na Ásia

A Universidade de São José vai lançar este ano uma biblioteca para dar apoio à investigação da história das missões católicas na Ásia e da Diocese de Macau, que celebrou 450 anos. O projecto conta com a colaboração da Universidade do Minho

 

A investigação histórica das missões católicas na Ásia e o papel da Diocese de Macau são pontos de partida para a criação de nova biblioteca da Universidade de São José (USJ), cuja inauguração, prevista para este ano, se enquadra no 450.º aniversário da criação da Diocese de Macau, em 23 de Janeiro de 1576. “Este marco é uma celebração da história da região e um compromisso com a preservação e compreensão do seu património cultural”, lê-se num comunicado divulgado na sexta-feira pela USJ.

A Bibliotheca Diocesis Macaonensis “é um projecto ambicioso e de longo prazo na área das humanidades digitais”, que tem como objectivo “apoiar a investigação sobre a história da Diocese de Macau e das missões católicas no Leste e Sudeste Asiático”, é referido.

“Adoptando uma perspectiva multidisciplinar, o projecto é apoiado por uma robusta infra-estrutura de investigação histórica que utiliza análise de dados computadorizada, aprimorada por tecnologias de inteligência artificial, ‘big data’ e aprendizagem automática”, refere-se na nota.

Com a ajuda de amigos

Para este projecto, a Faculdade de Letras e Humanidades da USJ está a colaborar com a Universidade do Minho, através do Centro ALGORITMI e do LASI – Laboratório Associado de Sistemas Inteligentes, na sequência de um memorando de entendimento assinado em Março de 2025.

O acordo entre as duas universidades teve como objectivo expandir reforçar a rede de cooperação da USJ, promover intercâmbios de ensino e investigação e fomentar o cultivo de talentos inovadores com competitividade global. Além disso, as instituições acordaram em estreitar o intercâmbio de professores e investigadores, estudantes de pós-graduação e de licenciatura entre Macau e Braga e estabelecer parcerias em iniciativas de ensino, investigação, tecnologia de inovação e empreendedorismo.

A instituição de ensino superior de Macau, lê-se ainda no comunicado divulgado na sexta-feira, tem “trabalhado sistematicamente com colecções de vários arquivos e bibliotecas em todo o mundo”, nomeadamente as “colecções excepcionais” de dois parceiros colaborativos: o arquivo diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros português e a biblioteca do Palácio Nacional da Ajuda. “Esta parceria valiosa permitiu um progresso significativo na concretização deste projecto”, sublinha o comunicado.

A USJ diz ainda esperar atrair outras instituições e investigadores para o projecto, acolhendo ainda a participação de voluntários.

 

Com Lusa

Corrupção | Investigado general de alta patente por minar autoridade de Xi

A mais alta figura do Exército Popular de Libertação e aliado próximo do Presidente Xi Jinping está sob investigação, acusado de infligir graves danos aos esforços para reforçar a lealdade política nas forças armadas

 

O Exército chinês detalhou ontem as razões pelas quais foi aberta uma investigação contra o general de mais alta patente do país, Zhang Youxia, acusado de “minar” a autoridade do Presidente Xi Jinping.

Um editorial publicado no PLA Daily, o jornal oficial do Exército Popular de Libertação (EPL), indica que as investigações anunciadas este sábado contra Zhang, assim como contra o chefe do Departamento do Estado-Maior Conjunto da Comissão Militar Central (CMC, órgão máximo do Exército), Liu Zhenli, mostram que “a tolerância na luta contra a corrupção não é permitida”.

Zhang, de 75 anos, é o primeiro vice-presidente da CMC, o que o coloca como o “número 2” militar do país, com uma patente apenas atrás da de Xi Jinping, que lidera o órgão, e é também um dos 24 membros do Politburo, o segundo escalão de comando do Partido Comunista Chinês (PCC), no poder.

“Zhang e Liu, como altos comandantes do Partido e do Exército, traíram profundamente a confiança que lhes foi depositada (…) e pisaram e prejudicaram gravemente o sistema de responsabilidade suprema que reside no presidente da CMC [Xi]”, aponta o texto, também divulgado pela agência oficial Xinhua.

O artigo acusa os dois generais de “exacerbarem os problemas políticos e de corrupção que ameaçam a autoridade absoluta do Partido sobre as Forças Armadas” e de “mancharem a imagem e a autoridade dos líderes da CMC”.

“Infligiram graves danos aos esforços para reforçar a lealdade política no Exército, o ambiente político do Exército ou a preparação geral para o combate, o que representa um grave impacto negativo para o Partido, o país e o Exército”, acrescenta o documento.

Para além de revelar as acusações contra os dois generais, o editorial enfatiza o objectivo das purgas militares de Xi: “Ficou demonstrado que, quanto mais o Exército luta contra a corrupção, mais forte e puro se torna, com maior capacidade de combate. Se a corrupção for erradicada de forma profunda, as Forças Armadas serão mais capazes e terão mais confiança”, escreve o PLA Daily.

 

Aliado próximo

Zhang era considerado uma figura-chave nos planos de Xi para modernizar as Forças Armadas e também o aliado militar mais próximo do Presidente chinês, em parte porque os pais de ambos, o general Zhang Zongxun e o vice-primeiro-ministro (1959-1965) Xi Zhongxun, lutaram juntos na guerra civil que culminou na fundação da República Popular da China em 1949.

De acordo com fontes anónimas citadas pelo jornal de Hong Kong “South China Morning Post”, a acusação contra Zhang — que terá sido detido na passada segunda-feira — é por corrupção, por “não controlar” colaboradores próximos e familiares, e por não ter comunicado os problemas à cúpula do PCC em primeira instância.

Tanto Zhang como Liu, heróis de guerra condecorados e os únicos membros da direcção da CMC com experiência real de combate — ambos participaram nas campanhas contra o Vietname no final dos anos 70 —, estiveram ausentes de um seminário do PCC presidido por Xi esta semana, o que desencadeou especulações sobre o seu paradeiro.

Desde que chegou ao poder em 2012, Xi impulsionou sucessivas purgas na cúpula das Forças Armadas, movimentos destinados tanto a combater a corrupção entre as suas fileiras como a reforçar a lealdade dos comandantes militares ao PCC e à sua liderança.

Automobilismo | Nova alternativa vai ser criada em Foshan

O automobilismo no núcleo urbano do Delta do Rio das Pérolas vai contar com uma nova infraestrutura permanente, após ter sido anunciado o primeiro circuito fixo na cidade de Foshan, situada a cerca de 120 quilómetros de Macau

O anúncio oficial foi divulgado na primeira semana do ano. Fruto de um investimento liderado pelo Benchmark Global Group, o projecto visa assinalar um marco relevante para Guicheng, o centro urbano do distrito de Nanhai, consolidando Foshan como um polo internacional de consumo desportivo e estimulando o desenvolvimento de elevado nível nas áreas da cultura, do desporto e do turismo. O Benchmark Global Group já havia desenvolvido, em Sanshan, projectos de referência em parceria com a Key Capital, RDM e outras entidades, incluindo o Guangfo Florentia Village, a Zona Artística One Times, o Hilton Hampton Hotel e a Chimei Art School.

Segundo o comunicado, “o circuito pretende atrair um público mais jovem e dinamizar a zona envolvente”. Inspirado na experiência bem-sucedida do Tianjin V1 Auto World, cujo traçado é utilizado em competições locais, o Circuito Internacional V1 Guangfo ambiciona criar um parque automóvel integrado, combinando a pista de corridas, a cultura motorizada e entretenimento temático. O complexo ocupará cerca de 141.666,7 m² e contará com todas as infraestruturas de apoio necessárias.

Conforme os documentos do concurso, o terreno situa-se na Avenida Sanlongwan, na zona sul, e na Rua Gangzhong, a oeste, com um período de arrendamento de vinte anos e destinação prevista para parque automóvel ecológico e desportivo. O projecto inclui também uma pista de kart com pelo menos 1,1 km, enquanto o circuito principal deverá atingir o Grau 2 da FIA, permitindo receber competições promovidas pela Associação Geral-Automóvel de Macau-China (AAMC).

O empreendimento pretende “reforçar o ecossistema emergente de consumo e entretenimento de Guicheng”, complementando os polos comerciais circundantes e potenciando as funções urbanas da Zona Internacional de Cooperação em Inovação Científica e Tecnológica do Lago Wenhan. Os residentes e visitantes beneficiarão de experiências de lazer mais diversificadas e sofisticadas.

Foshan integra-se entre as cidades-piloto nacionais dedicadas a novos formatos e modelos de consumo, promovendo inovação e dinamização económica. O Circuito Internacional V1 Guangfo representará um exemplo concreto da aplicação destas directrizes, apostando em cenários de consumo diversificados e no crescimento sustentável do sector.

 

Outras opções

Na Grande Baía, o desporto motorizado tem-se centrado no Circuito Internacional de Zhuhai (ZIC) e no Circuito Internacional de Guangdong (GIC), em Zhaoqing, mas diversos projectos recentes indicam um esforço crescente para expandir a rede de infraestruturas, incluindo a possível construção do Circuito Internacional Zhuhai Chaoyue, em Doumen, com investimento inicial de 250 milhões de renminbis e certificação FIA de Grau 3.

Em 2024, antes do regresso do Grande Prémio da China de Fórmula 1 em Xangai, Guangzhou anunciou planos de construir um circuito de Grau 1, apto a receber provas da disciplina rainha. Até agora, não surgiram novas informações sobre este projeto, que se pretendia ser o segundo circuito de Fórmula 1 na China, O primeiro, em Xangai, foi inaugurado em 2004, pois o Circuito Internacional Zhuhai, o primeiro circuito permanente chinês e idealizado para receber a Fórmula 1, nunca recebeu a homologação máxima da FIA. Outros projectos idealizados em Hong Kong e Shenzhen não ganharam forma até agora.

Há campeão no final da segunda volta

Não, não vou escrever sobre o que irá acontecer no final da segunda volta do nosso campeonato nacional de futebol. Nesse campo, teríamos muito para explanar, já que o Futebol Clube do Porto, o Sporting e o Benfica, mais uma vez, são os três clubes que, de entre eles, um festejará no Marquês de Pombal ou nos Aliados. Está a ser uma segunda volta muito disputada, com um F C Porto fortíssimo e bem treinado, com um Sporting ainda com esperança de conquistar o tri, apesar das inúmeras baixas e de um bom treinador ter andado a cozinhar omeletas sem ovos e um Benfica com um treinador mundialmente famoso com jogadores que custaram milhões e que não dão uma para a caixa. No final da segunda volta tudo se irá saber se os festejos serão com milhares de cachecóis azuis, verdes ou vermelhos.

Uma outra segunda volta está a decorrer. Ui, que segunda volta e que “campeonato” disputado a duas mãos: António José Seguro e André Ventura. Foram os dois candidatos a Presidente da República que receberam do povo mais votos. E agora, terá de se realizar uma segunda volta de eleições presidenciais a fim de um dos candidatos ser eleito por maioria absoluta. A Irlanda e a Islândia resolvem logo a eleição à primeira volta, com uma maioria simples. Não estão virados para, passado uns dias, voltarem ao “trabalho” de se deslocarem às urnas.

Seguro e Ventura, de qualquer modo, surpreenderam muita gente. No início da campanha ouvimos várias pessoas a dizer que nem um nem outro teriam qualquer hipótese de ficarem nos dois primeiros lugares. Uma parte do país estava convencida que Gouveia e Melo iria à segunda volta pelo bom desempenho que teve durante a pandemia Covid19. Mas não, o povo não esteve virado para colocar um militar na Presidência da República. Outra parte do país, especialmente no Norte, dava Marques Mendes como indiscutível candidato presente na segunda volta. Tinha tido o apoio na campanha de Luís Montenegro e tudo indicava que a AD, Montenegro e o Governo não viessem a ter uma derrota estrondosa.

Ainda tivemos outra surpresa: Cotrim Figueiredo partiu quase dos oito por cento da Iniciativa Liberal, foi conquistando apoios através de uma boa máquina nas redes sociais e chegou a estar em empate técnico com os candidatos Seguro e Ventura. No entanto, Cotrim nunca esperou que na última semana de campanha viesse uma senhora assessora no Governo, acusá-lo de assédio sexual. Pronto, a bronca estava nas bocas do mundo e o culpado ou inocente Cotrim veria a sua prestação desmoronar para o precipício e, no final, ficar muito longe de uma eventual segunda volta.

António José Seguro, que iniciou esta caminhada presidencial sozinho, a mostrar-se um homem moderado, com mais experiência e com um contacto directo com a juventude ao exercer o professorado universitário durante praticamente 10 anos, viu que as suas hipóteses de ir a uma segunda volta aumentavam de semana a semana, especialmente depois de os “tubarões” do Partido Socialista manifestarem o apoio à sua candidatura. De tal forma, que venceu as eleições com uma vantagem indiscutível. A maioria dos portugueses diz que Seguro será o campeão nesta segunda volta. Aconselhamos essa maioria a ter muita calma, e lembrar-se do que aconteceu com Fernando Medina na edilidade lisboeta – “Ah, está ganho, nem vale a pena ir votar!” – e pensar que o adversário se chama André Ventura, o astuto, inteligente, rude, racista e xenófobo político que apregoa aos quatro ventos que tudo tem de mudar, que o país tem sido governado por uma cambada de corruptos, que os imigrantes têm de voltar para a sua terra, que os apoios sociais devem ir primeiramente para os portugueses, que os salários e as pensões não podem ser miseráveis, em resumo, pega no megafone e grita tudo aquilo que os descontentes, os neofascistas ou os antigos milhares de bufos da PIDE, gostam de ouvir. E ainda existe uma particularidade incompreensível de termos os nossos emigrantes, que escutam o discurso de que os imigrantes devem voltar para a sua terra e que não pensam duas vezes se ouvissem o mesmo discurso nos países onde trabalham como a França, Suíça, Alemanha, EUA ou Austrália, e que mesmo assim, decidem votar em Ventura.

Atenção, aos apoiantes de Seguro. Nada está ganho, e por um voto se ganha e por um voto se perde. Se os apoiantes de Seguro pensarem que o campeão desta segunda volta está encontrado, podem vir a ter um grande dissabor se não forem em massa votar, e não só. Todos os democratas ficariam de rastos ao ver pela primeira vez, em mais de 50 anos de democracia, um neonazi no Palácio de Belém.

CURB lança livro sobre néons de Macau, da autoria de Filipa Simões

Na próxima semana, o CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo acolhe o lançamento oficial do “Guia dos Sinais de Néon de Macau”, de Filipa Simões. Depois de se debruçar sobre a arte urbana da cidade, a autora lança a primeira obra que documenta e celebra uma das características mais icónicas da paisagem de Macau

 

No próximo dia 29 de Janeiro, quinta-feira, será lançado oficialmente o “Guia dos Sinais de Néon de Macau”, da autoria de Filipa Simões. O livro, cuja publicação está a cargo do CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, será apresentado às 18h30 na Plataforma Criativa – Ponte 9.

A sessão contará com a participação da autora e investigadora Filipa Simões, o coordenador do projecto e presidente do CURB Nuno Soares, e o responsável pela fotografia Wilson Kam.

O “Guia dos Sinais de Néon de Macau” é descrito pelo CURB como a primeira publicação totalmente dedicada à documentação e celebração de um dos mais apreciados elementos do imaginário estético do tecido urbano da cidade.

“Ao longo de gerações, os sinais de néon têm iluminado as ruas de Macau, moldando a paisagem nocturna e enraizando-se profundamente na memória colectiva da cidade. Muito além de meros efeitos visuais, tornaram-se símbolos culturais que representam orgulhosamente a identidade local e o seu quotidiano. Contam as histórias dos bairros, dos negócios, das gerações, de uma forma familiar, emocional e inconfundivelmente de Macau”, descreve o CURB em comunicado.

O guia tem uma base uma recolha fotográfica feita ao longo do ano passado, que captura retratos únicos da paisagem iluminada da península de Macau. Porém, o projecto vai além das imagens de ambientes nocturnos pintados a néon presentes no guia, incorporando um trabalho amplo de investigação e documentação focado na preservação das instalações de néon de Macau, muitas das quais estão a ser removidas ou perdidas devido à reabilitação urbana.

 

Do etéreo ao material

O guia, cuja publicação foi financiada pelo Fundo de Desenvolvimento da Cultura, materializa a vontade de garantir a sobrevivência do brilho das instalações de néon, além das ruas que costumavam iluminar, transformando a extensiva investigação e documentação visual da autora num registo tangível e de fácil acesso.

Filipa Simões é designer, professora e residente em Macau desde 2004. É licenciada em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e tirou o mestrado em Administração de Empresas na Universidade de São José, onde lecciona desde 2013 e supervisiona o curso de Licenciatura em Design da Faculdade de Artes e Humanidade.

A académica, que lançou em 2024 o “Guia para a Arte de Rua de Macau”, desenvolve o seu trabalho criativo em diferentes plataformas – como artista gráfica, directora criativa e professora.

É directora criativa e fundadora da WHYDESIGN e directora da PONTE 9 Creative Platform. Os seus trabalhos foram reconhecidos com vários prémios, publicados e expostos internacionalmente na Experimentadesign, Salone Satellite, HKSZ Biennale e na Bienal de Arquitectura de Veneza.

Segundo a biografia de Filipa Simões divulgada pelo CURB, a académica tem a cultura urbana e as actividades de rua em Macau como epicentro da sua investigação, através da exploração das expressões gráficas no domínio público que moldam a identidade, memória e vida quotidiana da cidade.

ZAPE | Imóveis desvalorizam até 60% após fecho de casinos-satélite

A imobiliária Savills Macau estima que a desvalorização dos imóveis na ZAPE que albergavam casinos-satélite possa variar entre 30 e 60 por cento, consoante os lucros do jogo. Para já, não se verificam lojas fechadas na zona, com os arrendamentos em vigor, mas é estimado que os mais dependentes de jogadores venham a encerrar

A empresa do ramo imobiliário Savills Macau prevê diminuições consideráveis no valor dos imóveis onde operavam os casinos-satélite e uma vaga progressiva de encerramento de negócios demasiado dependentes de uma clientela de jogadores na área da ZAPE. A empresa tem acompanhado as flutuações da avaliação imobiliária nas áreas da cidade onde operavam casinos-satélite, desde que foi anunciado o período de transição de três anos para serem absorvidos pelas concessionárias ou encerrados.

Terminado o prazo de transição, a Savills aponta para desvalorizações entre 30 por cento e 60 por cento dos imóveis onde estavam instalados os espaços de jogo, dependendo dos lucros apurados pelos casinos (que influenciava o valor do imóvel). Quanto mais rentáveis eram os casinos, maior a desvalorização imobiliária, indicou ao jornal Ou Mun, o director-geral da empresa, Franco Liu.

 

Resistir até quando

No fim do ano passado, a empresa investigou as redondezas dos casinos-satélite, e concluiu não existirem grandes mudanças no ambiente de negócios, com lojas restaurantes, casas de penhor, farmácias e outros espaços de comércio a manterem as portas abertas.

Franco Liu salientou em particular o tipo de negócios que tradicionalmente depende de uma clientela de jogadores, como as casas de penhor, e o facto de não se verificar para já uma subida na taxa de desocupação. Um dos factores determinantes que explica a resiliência, é o facto de os contratos de arrendamento dos espaços se manterem em vigor.

No entanto, o responsável prevê que alguns comerciantes que dependem profundamente do jogo comecem agora a fechar portas gradualmente. Ainda assim, referiu que os negócios com condições para continuarem a operar podem renegociar rendas mais baixas com os proprietários dos imóveis, reduzir a área arrendada ou transformar os seus negócios de forma a atraírem residentes em vez de turistas e jogadores.

Dez dos 11 casinos-satélite de Macau encerraram antes do fim do ano. O único sobrevivente e testemunho de uma era que já passou é o Royal Arc, que a SJM adquiriu por 1,75 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Por detrás das notícias

No final de 2025, um certo jornal lançou um concurso para “As dez maiores histórias de 2025”. O que faz com que uma notícia seja significativa? Cada um de nós terá o seu critério. Para mim, o seu impacto é o que verdadeiramente importa.

A prosperidade e a estabilidade de uma sociedade são inseparáveis da sua economia e da sua prática política. Uma governação competente conduz naturalmente à prosperidade económica. Para que as políticas governamentais estejam alinhadas com o desenvolvimento social e respondam às aspirações dos cidadãos, a supervisão pública é tão importante como a capacidade dos vários gabinetes do Governo. Quem detém o poder tem frequentemente dificuldade em ver para lá da sua própria posição, e a altura dessa posição pode facilmente determinar a amplitude do seu pensamento. O ditado “quem está envolvido confunde-se facilmente, mas quem está de fora vê claramente” indica que quem está envolvido nas situações não tem objectividade suficiente para as avaliar. Se assumirmos que “quem detém o poder” é sinónimo de “autoridades competentes”, a sua implicação torna-se ainda mais profunda.

Por exemplo, o encerramento dos “casinos- satélite”, com apenas um de dez a sobreviver, trouxe um impacto negativo nos distritos comerciais circundantes muito evidente, especialmente nas lojas do Porto Interior que estavam originalmente ligadas ao Casino Ponte 16. Embora a intenção de restringir a operação das actividades do jogo a locais licenciados possa não ser um problema por si só, o encerramento dos “casinos-satélite” abalou a estrutura fundamental e perturbou a relação simbiótica entre eles e o comércio circundante. Para os grandes operadores de jogo, a receita dos “casinos-satélite” é insignificante, mas para os operadores e os trabalhadores dos pequenos casinos essas receitas garantiam a sua sobrevivência.

Quando todas as receitas se concentram nos grandes operadores do jogo assistimos à monopolização do sector e os casinos-satélite tendem a desaparecer.A Bíblia lembra aos agricultores para não apanharem todos os grãos durante a colheita e deixarem alguns para aqueles que precisam e o objectivo é manter o sustento dos mais vulneráveis. À medida que o fosso económico se alarga e a luta dos mais pobres para se manterem à tona se intensifica, como é que será possível manter a paz na sociedade? Deveria ter havido planos de contingência para lidar com o impacto negativo sofrido pelos comerciantes dos arredores dos “casinos satélite” que iam ser encerrados. Será tarde demais para tomar medidas?

Os poderes executivo e legislativo são os dois pilares que sustentam a estabilidade social. Nas eleições de 2025 para a Assembleia Legislativa, o número de votantes bateu um novo recorde,mas houve 5.987 votos em branco e 7.053 votos nulos nas eleições por sufrágio directo, os números mais altos em todas as eleições desde o regresso de Macau à soberania chinesa. A grande remodelação dos principais membros do Governo da RAEMe a nomeação comoVIII Presidente da Assembleia Legislativa do antigo Secretário para a Administração e Justiça, Cheong Weng Chon, demonstram a determinação do Governo local em escolher“patriotas para governar Macau”e a“predominância do poder executivo”.

As histórias acima citadas são certamente notícias importantes. No entanto, dada a recente volatilidade dos contextos nacionais e internacionais, se as lideranças não tiverem supervisão nem orientação, apenas escutam elogios e críticas positivas e deixam de ver os perigos potenciais, apenas vislumbram luzes verdes nos seus percursos, pelo que correm o risco de vir a sofrer de “daltonismo político”. Estas preocupações merecem ponderação. A última peça escolhida pelo jornal como candidata às “As dez maiores histórias de 2025” foca-se “na prisão de um homem chamado Ao pela Polícia Judiciária, suspeito de ter um conluio de longa data com forças estrangeiras hostis, que fornecia informações falsas e instigadoras incitando ao ódio ao Governo Central e ao Governo de Macau. Depois do interrogatório, Ao foi detido, marcando a primeira acusação ao abrigo da Lei relativa à Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau”. Acredito que esta história possa vir a ser uma das seleccionadas para “As dez maiores histórias de 2025” e notícias sobre o caso de Ao terão também uma alta probabilidade de serem escolhidas para “As dez maiores histórias de 2026”.

Ilha Verde | Pedido aproveitamento turístico de colina e convento

Nick Lei quer saber se existem planos para revitalizar a Ilha Verde e aproveitar os recursos da zona. O deputado pergunta ao Governo se vai integrar a zona ribeirinha, o parque industrial e a fronteira de Qingmao para criar uma área dedicada ao turismo cultural e conservação ecológica

 

A Ilha Verde é uma oportunidade por aproveitar. Assim se pode resumir a interpelação escrita divulgada ontem por Nick Lei. O deputado ligado à comunidade de Fujian quer saber o que o Governo está a planear para a zona, tendo em conta os recursos patrimoniais e históricos da Ilha Verde, assim com a paisagem natural e a localização ribeirinha.

Apesar de a Colina da Ilha Verde ser propriedade privada, Nick Lei lembra que também contém património protegido por lei, “que não só tem muitas árvores antigas que precisam ser salvaguardadas, como têm locais históricos”. Um dos ex-libris da zona é o convento jesuíta, um edifício delapidado que testemunha a presença da Companhia de Jesus desde o século XVII.

“Há muito tempo que a população espera que o Governo promova a abertura da colina, a restauração do património histórico e cultural e a criação de espaços públicos com dimensão educativa e cultural”, afirma o deputado. Além disso, Nick Lei defende que estas valias históricas e naturais podem ser integradas num “corredor de turismo cultural portuário”, aproveitando a posição ribeirinha e a proximidade com a fronteira e Qingmao e a Zona Industrial Transfronteiriça Zhuhai-Macau.

 

Pedras no sapato

Apesar do potencial, Nick Lei reconhece os desafios inerentes à zona, como o caos urbanístico, o sistema rodoviário inadequado e a falta de infra-estruturas comunitárias. Além disso, o plano de renovação urbana traçado em 2024 para a Ilha Verde ainda não avançou e o deputado refere que houve quem defendesse que o plano só deveria ser implementado em conjugação com um projecto urbanístico geral da zona norte da península.

Recorde-se que o plano anunciado em 2024 prevê a conservação dos recursos históricos e naturais, a intervenção na zona costeira sul da Ilha Verde, a aposta em infra-estruturas públicas, espaços verdes, melhoria dos sistemas rodoviário e pedonal e o aumento da oferta comercial, turística e de lazer. O objectivo será criar uma comunidade moderna na Ilha Verde, rodeada de natureza e água, capaz de proporcionar um ambiente apropriado para residir, trabalhar e com condições para pequenas e médias empresas prosperarem.

Fotografia | Multas levam deputados a pedir novo regime

O IAM multou algumas pessoas por venderem fotografias de turistas tiradas nas Ruínas de São Paulo, por falta de licença de vendilhão. Alguns deputados criticam a aplicação das multas e pedem um regime mais flexível

 

 

Após o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) ter começado a multar os residentes que prestam serviços de fotografia em locais turísticos, por não estarem registados como vendilhões, os deputados Ella Lei e Chan Lai Kei vieram pedir uma alteração da legislação em vigor.

Segundo o entendimento do IAM, as pessoas que vendem serviços de fotografias em locais turísticos precisam de ter uma licença como vendilhões, que apenas são atribuídas por concursos públicos. O entendimento do IAM tem por base o regime de gestão dos vendilhões, actualizado em 2024.

Todavia, o assunto causou polémica, porque numa altura em que os residentes lidam com dificuldades para aceder a empregos bem remunerados, as iniciativas para procurar fontes alternativas de rendimentos estão a ser punidas com multas que pode variar entre 5 mil e 20 mil patacas.

Um dos críticos da actuação do IAM foi Chan Lai Kei, deputado ligado à comunidade de Fujian. Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado indicou que o regime de gestão dos vendilhões foi aprovado tendo em conta o comércio tradicional de exploração de bancas em espaços públicos, e não outros tipos de trabalho, como a fotografia nas atracções turísticas.

Além disso, a interpretação do regulamento actual é tida para o deputado como um bloqueio ao desenvolvimento da actividade. Em causa, está o facto de as licenças de vendilhões apenas serem atribuídas por concurso público. No entanto, e apesar de multar os fotógrafos, o IAM nunca lançou qualquer tipo de concurso do género, o que impede a atribuição de licenças. O deputado explicou que por este motivo, mesmo que os fotógrafos quisessem obter licenças tal não seria possível.

Chan Lai Kei defendeu assim um sistema mais flexível, mas que se siga as práticas do Interior, em que é necessário possuir uma licença para desempenhar este trabalho.

 

Novas profissões

Por sua vez, ao jornal Ou Mun, a deputada Ella Lei defendeu que as novas profissões não se enquadram nos modelos tradicionais e que o regime de gestão dos vendilhões foi definido a pensar nas profissões tradicionais.

A legisladora ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) defendeu a necessidade de haver uma adaptação às novas profissões que ocupam espaços públicos durante períodos relativamente curtos de tempo, com a criação de licenças.

A deputada deixou assim a esperança que o Governo crie mais sistemas de licenças e vincou que estas novas profissões têm de ser orientadas pelo Executivo.

Ao mesmo tempo, Ella Lei pediu uma maior flexibilidade no tipo de comércio autorizado nas bancas perto das atracções turísticas, para permitir a venda de mais produtos culturais, mas igualmente de outro género, que tornem mais atraente a actividade económica dos espaços.

Ponte-Cais n.º 11 | Moradores querem mais eventos culturais e feiras artesanais

Mok Chio Kuan, representante da Associação dos Moradores, considera que a recuperação pela RAEM da Ponte-Cais n.º 11, no Porto Interior, é uma oportunidade para dinamizar a economia do local. As declarações foram prestadas pela responsável da associação em declarações ao Jornal do Cidadão.

Numa altura em que a economia do Porto Interior lida com o impacto do encerramento do casino que era explorado no Hotel Ponte 16, Mok Chio Kuan afirmou que o futuro da economia daquele local tem de passar pela oferta de novos “elementos culturais” e que é preciso fazer mais para atrair os turistas de forma activa.

Desde o final do ano passado, que a Associação dos Moradores é responsável pelo plano de revitalização dos seis bairros históricos em Macau, que anteriormente estava a cargo das concessionárias de jogo, e que inclui a zona do Porto Interior.

Sobre este projecto, Mok Chio Kuan afirmou que o primeiro passo tem de passar por definir uma direcção para o aproveitamento da Ponte-Cais n.º 11, que permita manter a estrutura do edifício.

Todavia, Mok também afirmou que é importante que o espaço seja aproveitado para actividades culturais, como o Festival da Cultural Piscatória do Porto Interior ou para a organização de Feiras de Artesanato. A dirigente associativa considerou que a localização do espaço, perto do centro histórico, vai permitir atrair turistas para este tipo de eventos e promover a economia local.

 

 

Gronelândia | EUA vão renegociar com Dinamarca acordo de 1951

Os Estados Unidos e a Dinamarca vão renegociar o acordo de defesa de 1951 sobre a Gronelândia, disse ontem uma fonte próxima das discussões de quarta-feira entre o Presidente norte-americano e o chefe da NATO.
A segurança do Ártico será reforçada e contará com a contribuição dos países europeus da Aliança Atlântica, afirmou a mesma fonte à agência de notícias France-Presse (AFP).
A fonte, que não foi identificada pela agência francesa, acrescentou que a hipótese de colocar bases norte-americanas na Gronelândia sob soberania norte-americana não foi abordada no encontro de quarta-feira entre Donald Trump e Mark Rutte em Davos.
Trump e Rutte discutiram na estância suíça um pré-acordo sobre a Gronelândia que o secretário-geral da NATO disse ontem que visa impedir o acesso económico e militar da Rússia e da China aos países do Ártico.
A revisão do tratado de 1951 surge num contexto de crescente interesse estratégico pela região, procurando os aliados garantir uma maior coordenação militar face aos novos desafios de segurança no Hemisfério Norte, de acordo com a AFP.
O acordo de 1951 refere-se ao destacamento de tropas na Gronelândia e foi alterado pela última vez em 2004.
O documento, intitulado “Defesa: Gronelândia”, estabelece actualmente no primeiro artigo que a base aérea de Thule, ou Pituffik, é a “única zona de defesa” na ilha ártica.
A nova renegociação destina-se a incluir uma cláusula sobre a Cúpula Dourada, o escudo antimíssil que Trump pretende implementar, indicou a agência de notícias espanhola EFE.
O projecto tem um custo estimado de 175 mil milhões de dólares.
Inspirado no sistema de defesa de Israel, o escudo deverá estar operacional até ao final do actual mandato de Trump, em 2029.
O sistema visa proteger não só os Estados Unidos, mas também o Canadá, prioritariamente contra eventuais ameaças da China e da Rússia.

Pilares das negociações
A revisão do tratado bilateral de 1951 é um dos quatro pilares do pré-acordo alcançado em Davos sobre a Gronelândia entre Trump e Rutte, com a participação do chanceler alemão, Friedrich Merz.
O entendimento, divulgado por meios de comunicação alemães como o Der Spiegel e o Die Welt, inclui a suspensão das taxas aduaneiras que Trump tinha ameaçado impor aos países europeus.
A ameaça de taxas, inicialmente de 10 por cento e depois de 25 por cento, foi feita à Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia, países-membros da UE, e ainda Noruega e Reino Unido.
A UE deve ainda discutir a questão numa cimeira europeia extraordinária agendada para ontem em Bruxelas, com a participação do primeiro-ministro português, Luís Montenegro.
Os dirigentes da UE admitiram retaliações comerciais com taxas sobre importações dos Estados Unidos no valor de 93 mil milhões de euros se Trump mantivesse a ameaça.
Outro ponto do entendimento NATO-EUA, é o controlo de investimentos e minérios, indicou a EFE.
A Administração norte-americana vai poder intervir no controlo de investimentos na Gronelândia, impedindo que potências rivais assegurem recursos estratégicos.
Trump confirmou que o acordo vai garantir direitos sobre minerais de terras raras na região.
O quarto ponto tem a ver com o reforço da segurança europeia no Ártico, com os Estados europeus da NATO a assumirem um compromisso mais firme com a segurança regional.
Trata-se de uma exigência de Washington face à presença de navios e submarinos russos e chineses, com Trump a defender que apenas os Estados Unidos conseguem garantir a segurança da “massa de gelo” ártica.
O pré-acordo não inclui, até ao momento, qualquer menção à transferência de soberania ou integridade territorial da ilha, disse a EFE, pontos em que a Dinamarca e a Gronelândia têm recusado ceder.

Portugal-RAEM | Reunião Comissão-Mista volta a ser adiada

Não há duas sem três, e o encontro entre Portugal e Macau foi adiado mais uma vez. Em Setembro, tanto Luís Montenegro como Sam Hou Fai tinham indicado o início de Fevereiro como a data da 7.ª Reunião da Comissão-Mista que, no entanto, deverá acontecer até ao fim de Junho

 

Ao contrário do que chegou a estar previsto, a Comissão Mista Portugal-RAEM não vai reunir em Fevereiro. A informação foi adiantada ontem pelo Canal Macau, com base na informação obtida junto de “fonte próxima” do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

Em Setembro do ano passado, quando esteve em Macau, Luís Montenegro, primeiro-ministro de Portugal, afirmou que a Comissão Mista Portugal-RAEM iria reunir-se entre os dias 4 e 6 de Fevereiro de 2026. Na altura, em comunicado, do lado de Macau, também Sam Hou Fai confirmava que o encontro tinha ficado agendado para o início do próximo mês.

No entanto, a Comissão Mista Portugal-RAEM foi novamente adiada. De acordo com o Canal Macau, o futuro encontro deverá acontecer até ao final de Junho, embora ainda não haja uma data concreta.

A TDM cita “questões de agenda” como o motivo que terá estado na base de mais um adiamento.

Quando visitou Macau, em Setembro, Luís Montenegro destacou o facto de se ter encontrado uma data para realizar o encontro da Comissão-Mista como um dos aspectos positivos da visita.

A Comissão-Mista foi criada em 2001, no âmbito do Acordo Quadro de Cooperação entre a RAEM e Portugal que visavam reforçar a cooperação entre as duas partes, no período pós-transferência da soberania e reforçar “os laços de amizade e solidariedade”.

O acordo em vigor foca a cooperação em áreas como a economia, cultura, segurança pública e a cooperação jurídica e judiciária. Contudo, apesar do texto legal prever que a Comissão-Mista é realizada a cada dois anos, a primeira reunião apenas aconteceu em 2011.

A última vez que a Comissão-Mista reuniu aconteceu em Maio de 2019, quando Fernando Chui Sai On era Chefe do Executivo. Durante o mandato de Ho Iat Seng, marcado por três anos de pandemia, não houve qualquer reunião.

BIR à mesa

Na reunião que foi adiada por três vezes, espera-se que seja abordada a questão da restrição aos nacionais portugueses no acesso ao Bilhete de Identidade de Residente (BIR).

Durante anos, até 2023, os portugueses que viessem trabalhar para Macau, após a transferência, tinham um regime especial de acesso ao estatuto de residente, que foi revogado pela Assembleia Legislativa, inclusive com votos de deputados com passaporte português, após uma proposta do Governo de Ho Iat Seng.

A intenção de abordar o regresso de um regime mais favorável para os cidadãos portugueses que se mudem para Macau na Comissão-Mista foi tornada pública por Paulo Rangel, Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, em Março de 2025, depois de um encontro com Sam Hou Fai.

O Irão na Tempestade Perfeita

“History moves in waves, but regimes fall in moments.”

Anne Applebaum

 

A República Islâmica do Irão encontra-se, desde o início da década de 2020, no centro de uma confluência de factores internos e externos que configuram um dos períodos mais críticos da sua história contemporânea. A acumulação de tensões políticas, económicas, sociais e geoestratégicas produziu uma verdadeira “tempestade perfeita”, na qual dinâmicas estruturais de longa duração se articulam com choques recentes, expondo fragilidades profundas do regime teocrático e revelando novas formas de contestação e de reconfiguração regional.

O sistema político iraniano assenta num modelo híbrido, onde instituições republicanas coexistem com estruturas teocráticas dotadas de poder de veto. O Líder Supremo, figura central do regime, detém autoridade superior a qualquer órgão eleito, controlando as Forças Armadas, sistema judicial, serviços de segurança e os principais meios de comunicação. O Conselho dos Guardiães, responsável pela filtragem de candidaturas, impede a emergência de competição política genuína, assegurando a continuidade ideológica do regime.

Este arranjo institucional, concebido para preservar os princípios da revolução islâmica, evoluiu para uma autocracia consolidada, sustentada por uma elite clerical estreitamente articulada com a Guarda Revolucionária (IRGC). Inicialmente criada para proteger a revolução, a IRGC transformou-se num actor multifacetado com influência transversal. Para além do seu papel militar, controla sectores estratégicos como energia, construção civil, telecomunicações e redes financeiras paralelas, constituindo um complexo militareconómico que limita reformas e reforça a interdependência entre poder religioso e poder coercivo. Esta fusão aproxima o Irão de modelos de “autoritarismo militarizado”, embora com especificidades derivadas da sua natureza teocrática.

A morte de Mahsa Amini, em 2022, desencadeou a mobilização social mais significativa desde 1979. O movimento “Mulher, Vida, Liberdade” ultrapassou rapidamente a questão do véu obrigatório, transformando-se numa contestação estrutural ao regime. A amplitude sociológica dos protestos envolvendo mulheres, jovens urbanos, estudantes, trabalhadores e minorias étnicas evidenciou a profundidade do descontentamento acumulado.

A resposta estatal, marcada por repressão sistemática, detenções em massa e relatos de tortura e julgamentos sumários, não eliminou a contestação; apenas a deslocou para formas mais difusas, digitais e subterrâneas. Entre 2025 e o início de 2026, o país viveu a fase mais violenta desde 1979, com milhares de mortos e dezenas de milhares de detenções. Organizações de direitos humanos estimam mais de 3300 mortos e 24000 detidos, números possivelmente superiores devido ao apagão da internet. O próprio regime admitiu “vários milhares” de mortos algo sem precedentes.

A classificação de manifestantes como mohareb (“guerra contra Deus”), crime punível com pena de morte, reforçou a percepção de que o Estado opera num regime de “emergência permanente”. A presença reforçada da IRGC e das milícias Basij transformou várias cidades em espaços de controlo militar de facto.

O regime não se encontra à beira de colapso imediato, mas entrou numa fase de fragilidade estrutural acelerada. A economia deteriorase mais rapidamente do que a capacidade repressiva consegue compensar, e a legitimidade interna atingiu o ponto mais baixo em décadas. A revolta de Janeiro de 2026 é frequentemente descrita como a mais abrangente e socialmente inclusiva desde 1979, marcando uma ruptura irreversível na relação entre sociedade e Estado.

As periferias étnicas como curda, balúchi, árabe e azeri assumem um papel central na contestação. A repressão militarizada reflecte o receio do regime de que reivindicações identitárias evoluam para movimentos separatistas, fenómeno observado noutros Estados multiétnicos sob regimes autoritários.

No plano externo, o Irão reforçou a sua política regional assertiva como mecanismo de sobrevivência estratégica. Através de alianças com grupos armados no Líbano, Iraque, Palestina e Iémen, Teerão procura projectar poder, criar zonas de influência e dissuadir adversários. Esta estratégia híbrida simultaneamente ideológica e pragmática permite ao regime compensar o isolamento diplomático e manter relevância geopolítica, mas intensifica tensões com os Estados Unidos, Israel e as monarquias do Golfo. A retórica entre Washington e Teerão atingiu níveis particularmente elevados após 2025, com declarações americanas classificando um eventual ataque ao Líder Supremo como “guerra total”. Este ambiente contribui para uma volatilidade regional persistente.

O programa nuclear iraniano permanece um dos elementos mais sensíveis da política internacional. A retirada dos Estados Unidos do JCPOA, em 2018, desencadeou uma aceleração do enriquecimento de urânio, aproximando o país de níveis compatíveis com capacidade militar. A opacidade das actividades nucleares alimenta suspeitas e aumenta o risco de confrontos directos ou indirectos. Uma eventual capacidade nuclear militar teria implicações profundas para o equilíbrio de poder no Médio Oriente.

A economia iraniana enfrenta uma crise estrutural marcada por sanções internacionais, má gestão interna e corrupção sistémica. A desvalorização da moeda, a inflação persistente e o elevado desemprego juvenil alimentam o descontentamento social. A dependência do petróleo limita a diversificação económica, enquanto o controlo da IRGC sobre sectores lucrativos bloqueia a concorrência e a inovação. O resultado é um ciclo de instabilidade que se autoreforça.

Apesar da repressão, o regime recuperou algum controlo operacional no início de 2026, com a reabertura parcial de escolas e universidades e o reforço da vigilância digital. Contudo, esta estabilidade é frágil e assenta em mecanismos coercivos cada vez mais sofisticados. Até 2030, o autoritarismo iraniano tende a evoluir para um modelo híbrido que combina repressão física com controlo algorítmico avançado como reconhecimento facial, monitorização preditiva de redes sociais e restrições personalizadas de acesso à internet. Este “autoritarismo digital” reduz custos de repressão e aumenta a eficiência do controlo social.

Paralelamente, a sociedade iraniana continuará a transformar-se. A juventude, conectada ao mundo digital e exposta a valores globais, tende a radicalizar a recusa da legitimidade do regime. A diáspora, em expansão, poderá consolidar-se como pólo de oposição transnacional. A resistência cultural como cinema, literatura, moda, redes feministas clandestinas deverá intensificar-se, aprofundando o fosso entre sociedade e Estado.

Até 2030, três cenários principais podem ser considerados sendo o primeiro de autoritarismo tecnológico consolidado como o mais provável, com manutenção do poder através de vigilância digital, controlo económico e alianças externas. O segundo com transição gradual desencadeada por crise económica extrema, disputa sucessória ou pressão internacional coordenada e a terceira de ruptura abrupta provocada por colapso económico, cisões internas na IRGC ou protestos massivos incontroláveis.

Assim, o Irão encontra-se num ponto de inflexão histórico. A estabilização aparente do início de 2026 não resolve as contradições profundas entre sociedade e regime, nem elimina os riscos geopolíticos que envolvem o país. Até 2030, o Irão poderá consolidar um autoritarismo digital sofisticado, afirmar-se como pivô geopolítico euroasiático ou entrar num processo de transição. Independentemente do cenário, continuará a desempenhar um papel central no equilíbrio político e securitário do Médio Oriente.

Telecomunicações | Pequim acusa a UE de exagerar conceito de segurança

O MNE chinês reagiu ao novo pacote de segurança apresentado pela União Europeia com críticas e preocupação

A China acusou ontem a União Europeia de “sobredimensionar o conceito de segurança” nas telecomunicações, após a Comissão Europeia apresentar um pacote de medidas de cibersegurança que pode restringir a participação de empresas chinesas em infraestruturas estratégicas.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun expressou em conferência de imprensa a “séria preocupação” de Pequim com a iniciativa comunitária, argumentando que as empresas chinesas operam há anos na Europa “em conformidade com as leis e regulamentos” sem pôr em causa a segurança dos países europeus.

Pelo contrário, sublinhou, têm contribuído “de forma significativa” para o desenvolvimento das telecomunicações e da economia digital do continente.

Guo criticou a imposição de restrições ou vetos a empresas com base em “critérios não técnicos e sem provas factuais”, o que, na sua perspectiva, viola os princípios de mercado e de concorrência leal.

“Trata-se de um exemplo típico de politização da cooperação normal e de sobredimensionamento do conceito de segurança, equivalendo a um proteccionismo flagrante”, afirmou.

O porta-voz alertou ainda que intervenções “arbitrárias” no mercado não aumentam a segurança, mas geram custos elevados.

Segundo Pequim, a remoção forçada de equipamentos de empresas chinesas em alguns países já causou “perdas económicas massivas” e prejudicou o desenvolvimento das redes digitais locais.

Nesse sentido, avisou que a estratégia comunitária poderá prejudicar o progresso tecnológico e económico da própria UE e corroer a imagem do mercado europeu como espaço aberto ao investimento.

Pequim instou a UE a “não aprofundar o caminho errado do proteccionismo” e advertiu que, se persistir nessa linha, a China “adoptará as medidas necessárias” para salvaguardar os direitos e interesses legítimos das suas empresas.

Novo quadro

As declarações chinesas surgem após Bruxelas ter apresentado na terça-feira uma nova lei de cibersegurança que cria um quadro comum para avaliar riscos em infraestruturas críticas da UE, sem mencionar explicitamente países ou empresas.

A normativa reforça o controlo sobre sectores estratégicos como as redes 5G e 6G, a computação em nuvem ou os semicondutores, e abre porta a restrições ou exclusão de fornecedores considerados de “alto risco”.

Embora o texto não cite nomes, a Comissão Europeia tem manifestado, desde 2019, reservas sobre a participação de empresas chinesas como Huawei ou ZTE no desenvolvimento de redes de telecomunicações no bloco.

 

Educação | Adelina Remédios louvada por dedicação

A directora da Escola Oficial Zheng Guanying e educadora de infância Adelina Beatriz dos Remédios foi louvada pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, devido ao contributo para o ensino bilingue. O louvor foi publicado ontem no Boletim Oficial.

“Ao longo de mais de trinta e oito anos de serviço prestado em prol da educação de Macau, Adelina Beatriz dos Remédios dedicou-se ao trabalho educativo com um empenho escrupuloso, demonstrando carinho pelos alunos, tendo promovido, conjuntamente com o pessoal docente e não docente das escolas, a continuação da tradição do ensino com características das culturas chinesa e portuguesa nas escolas oficiais”, pode ler-se no texto assinado pela secretária.

Remédios é ainda destacada pelo empenho “na implementação do ensino de ‘três línguas, quatro idiomas’ e na formação de quadros qualificados bilingues em chinês e português”, o que foi considerado como um contributo importante para “o desempenho escolar e o desenvolvimento da personalidade dos alunos”.

“Por todo o seu desempenho, bem como pelo serviço e contributo prestados em prol da educação de Macau ao longo dos anos, apraz-me e é de toda a justiça distinguir Adelina Beatriz dos Remédios, conferindo-lhe público louvor”, foi acrescentado pela secretária.

Adelina Beatriz dos Remédios iniciou funções na Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude como educadora de infância do ensino português em 1987, tendo exercido funções como directora do antigo Jardim de Infância Luso-Chinês Narciso, directora do Centro de Difusão de Línguas e directora da Escola Oficial Zheng Guanying.

Cinema | Realizadores elogiam plano de apoio à produção do Governo

Realizadores locais destacam o papel que o plano de apoio à produção cinematográfica teve no desenvolvimento do cinema feito em Macau. Porém, os filmes subsidiados têm diminuído a cada edição do plano. Tracy Choi salienta a pequena dimensão do mercado local e as dificuldades na distribuição e entrada em novos mercados

No ano passado, foi lançada a sexta edição do Plano de Apoio à Produção Cinematográfica de Longas Metragens, atribuído pelo Instituto Cultural desde 2013 e pelo Fundo de Desenvolvimento da Cultura (FDC) desde a sua criação. Em mais de uma década, realizadores locais realçam a importância do apoio para o desenvolvimento do cinema de Macau. Porém, com menos projectos a serem apoiados a cada nova edição e as características mínimas do mercado local, a indústria da sétima arte de Macau enfrenta dificuldades.

Ontem, no programa Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau, o realizador Chong Cho Kio confessa que quando o plano de apoio foi lançado, quase todas as produções locais que chegavam às salas eram financiadas principalmente pelos fundos públicos.

Mas o escopo do plano de apoio foi diminuindo nos últimos anos, principalmente depois da pandemia. “Se calhar o Governo mudou de ideias em relação ao cinema local. No início, cada edição do plano financiava quatro filmes, que passaram a três, e um projecto no último plano de apoio”, indicou o realizador e presidente da Associação da Indústria de Cinema de Macau.

Ainda assim, Chong Cho Kio considera que a indústria audiovisual avança numa boa direcção, graças ao mercado da publicidade e da produção de vídeos promocionais.

 

Atrás das câmaras

Também a realizadora Tracy Choi elogiou que o Plano de Apoio à Produção Cinematográfica de Longas Metragens, por não só ter permitido a produção de vários filmes desde o início, mas também incentivando o aumento “significativo” de criadores e colaboradores, na sua óptica.

Além de haver mais gente a fazer cinema, também a qualidade dos filmes melhorou, levando à maior exposição da sétima arte feita em Macau através da selecção de filmes para festivais de cinema nacionais e internacionais, com alguns a serem premiados. Um dos exemplos é a própria Tracy Choi, que ganhou vários prémios e convites para participar em festivais pelo mundo fora.

Porém, nem tudo são rosas. “A pequena dimensão do mercado de Macau, o pouco conhecimento do público local em relação às produções locais e as insuficiências ao nível de promoção e distribuição são desafios complicados. Também a promoção e a entrada em mercados exteriores são problemas que os realizadores locais enfrentam”, indicou a realizadora.

Cabo Verde | Macau Legend crítica governo por reaver hotel-casino

A empresa fundada por David Chow defende que não há “qualquer fundamento legítimo” que permitisse ao Governo de Cabo Verde recuperar o hotel-casino em obras. O Executivo africano afirmou que a acção se deve a assegurar que o projecto é concluído

A Macau Legend Development (MLD) afirmou que o Governo de Cabo Verde não tinha “qualquer fundamento legítimo” para reaver o hotel-casino, cuja construção a operadora de jogo deixou por concluir na capital, Praia.

No sábado, o Executivo cabo-verdiano anunciou que tomou posse dos bens e do edifício do hotel-casino que a empresa, com dificuldades financeiras, começou a construir, mas abandonou há anos.

Na terça-feira à noite, a MLD disse que foi notificada, em 15 de Janeiro, pelo Governo de Cabo Verde da intenção de reaver os bens e o edifício no ilhéu de Santa Maria e na orla marítima da Gamboa.

As autoridades cabo-verdianas solicitaram a presença de um representante da operadora “para facilitar uma entrega voluntária” do hotel-casino inacabado, referiu a MLD.

“Tendo determinado que este pedido carecia de qualquer fundamento legítimo, a empresa não concordou”, sublinhou a MLD, num comunicado enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong.

O Governo de Cabo Verde avançou com a tomada de posse na sexta-feira, entrando nas instalações do projecto e “ignorando a objecção da empresa à entrega voluntária”, lamentou a MLD.

A operadora garantiu que “está actualmente a procurar aconselhamento jurídico” para decidir como responder à perda do hotel-casino, algo que, sublinhou, já estava previsto nas contas da MLD.

“Assim, a direcção considera que o recente desenvolvimento do projecto de investimento não terá um impacto adverso relevante na operação ou no desempenho financeiro da empresa”, sublinha-se no comunicado.

Interesses maiores

O Governo de Cabo Verde reiterou no sábado que “fez tudo para assegurar a implementação do projecto”, mas os contratos “foram irremediavelmente incumpridos” por parte dos investidores.

Em Julho, o ministro da Administração Interna de Cabo Verde, Paulo Rocha, disse à Lusa, em Macau, que o Governo daria uma “última oportunidade” à empresa, que prometeu “uma alternativa” para o espaço.

No final de Março, a MLD já tinha anunciado prejuízos de 45,9 milhões de dólares de Hong Kong em 2024, em parte devido à ameaça de reversão do hotel-casino na capital de Cabo Verde.

Em 2015, o empresário de Macau David Chow Kam Fai, fundador da operadora, anunciava um investimento de 250 milhões de euros. Após revisões, a conclusão da primeira fase do projecto estava prevista para 2021.

No final de 2023, o presidente da MLD, Li Chu Kwan, disse que o grupo pretendia encerrar os projectos em Cabo Verde e no Camboja.

Actualmente, havia apenas guardas nos portões do recinto, uma área de cerca de 160 mil metros quadrados, que inclui o ilhéu, parcialmente esventrado e, uma ponte asfaltada de poucos metros que o liga a um prédio de cerca de oito andares, vazio e vedado com taipais – que, entretanto, começaram a ser retirados.

No final de Agosto de 2025, a MLD admitiu ter “dúvidas significativas sobre a capacidade do grupo de continuar em actividade” devido a dívidas totais de 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Presidenciais | Voto antecipado entre 27 e 29 de Janeiro

O voto antecipado para a segunda ronda das eleições presidenciais de Portugal vai decorrer no Consulado Geral de Portugal em Macau entre 27 e 29 de Janeiro, entre as 9h e as 12h30 e entre as 13h30 e as 16h. Os interessados em votar vão poder escolher entre os candidatos André Ventura e António José Seguro.

A informação partilhada entre o consulado e os conselheiros das comunidades portuguesas esclarece também não há exclusão da capacidade eleitoral, quando as pessoas optam por não votar duas vezes consecutivas. “A Administração eleitoral portuguesa não retira a capacidade eleitoral dos cidadãos que se abstiveram uma ou mais vezes em eleições, nem elimina nomes dos cadernos eleitorais por esse motivo”, foi apontado. “A Lei nº 13/99, de 22 de Março, estabelece, apenas, no artigo 40º, nº 2, que ‘no caso de devolução por duas vezes consecutivas dos sobrescritos contendo os boletins de voto para eleitores recenseados no estrangeiro, a administração eleitoral da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna cessa oficiosamente o envio de boletins de voto até que o eleitor informe da nova morada’”, foi acrescentado.

A votação presencial está agendada para 7 e 8 de Fevereiro entre 8h e as 19h. As pessoas que desejam votar devem apresentar o cartão de cidadão, bilhete de identidade ou outro documento identificativo válido, como a carta de condução ou o passaporte.

Imobiliário | Pedido reforço do sector e bonificação de juros

O director-geral da imobiliária Savills Macau quer que o Governo promova mais medidas para acabar com a tendência de queda dos preços no mercado. Franco Liu acredita que os residentes têm dinheiro disponível para investir, mas a queda dos preços afasta o investimento no sector

 

A empresa de serviços imobiliários Savills Macau defendeu a implementação de um plano de bonificação dos juros dos créditos bancários para a compra de imóveis. Ao jornal Ou Mun, o director-geral, Franco Liu, considerou que as medidas do Governo de isenção do imposto de selo no valor até 6 milhões de patacas na compra de habitação e de aumentar para 80 por cento o limite máximo do crédito bancário na compra de habitação não foram suficientes para reanimar o mercado.

À publicação em língua chinesa, Liu explicou que o cenário no mercado de imobiliário está muito longe de ser o ideal, com um declínio progressivo do preço do metro quadrado.

O responsável reconheceu que em Abril de 2024 o Governo mudou de política e aboliu todas medidas que visavam controlar a procura. O alívio durou pouco tempo, e o mercado voltou a apresentar novamente períodos de contracção.

Mais uma vez, no ano passado, o Executivo tentou responder à contracção do mercado com a isenção do imposto de selo no valor até 6 milhões de patacas na compra de habitação. Contudo, a procura gerada não foi suficiente para contrariar a tendência geral de desvalorização dos preços e de quebra do número de transacções.

 

Outras soluções

Apesar de reconhecer que o Executivo tem implementado as medidas sugeridas ao longo do tempo pelas imobiliárias, Franco Liu considera que é preciso mais.

Neste sentido, sugeriu que o Governo implemente um plano de bonificação, em que os fundos da RAEM possam subsidiar os juros dos empréstimos na compra de habitação.

O responsável indicou também que os juros pagos do empréstimo devem ser dedutíveis como imposto profissional, o que significa que parte do montante pode ser devolvido aos compradores. Segundo Liu, esta medida permitirá aliviar o stress dos jovens quando têm de pagar os empréstimos para a habitação.

Com as medidas propostas, Franco Liu considera que pode haver um maior incentivo à compra de imóveis e que os comerciantes vão sair beneficiados.

Sobre o estado actual do mercado imobiliário, Franco Liu explicou que o ciclo vicioso da queda dos preços deve ser estancado, porque o valor da habitação dos residentes registou uma desvalorização de pelo menos 20 a 30 por cento. Com quebras de valor desta ordem, o agente imobiliário indica que as pessoas não vão procurar comprar imóveis.

Ao mesmo tempo, Franco Liu indicou que o consumo local está em quebra, porque cada vez mais pessoas vai para o Interior no fim-de-semana, o que faz com que as lojas estejam igualmente a desvalorizar.

Todavia, o agente imobiliário acredita que a situação pode ser invertida, porque os residentes têm depósitos bancários que ultrapassam os 800 mil milhões de patacas, pelo que a desvalorização do imobiliário se deve exclusivamente à falta de confiança para investir. Franco Liu defende assim que o Governo deve continuar a lançar novas medidas para estabilizar a procura e levar à estabilização dos preços dos imóveis.

TNR | Sam Hou Fai reitera promessa de rever mecanismo de autorização

O Governo irá rever e aperfeiçoar o mecanismo de apreciação e autorização de contratação dos trabalhadores não-residentes para controlar o número não-residentes no mercado laboral. A garantia foi dada por Sam Hou Fai no jantar de aniversário da Federação das Associações dos Operários de Macau

 

O Governo “irá proceder à revisão completa e ao aperfeiçoamento do mecanismo de apreciação e autorização de contratação dos trabalhadores não-residentes, a fim de exercer um controlo dinâmico do número de trabalhadores não-residentes”. O compromisso, já avançado nas Linhas de Acção Governativa, foi reiterado pelo Chefe do Executivo na cerimónia de celebração do 76.º Aniversário da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), que se realizou na terça-feira à noite.

O discurso de Sam Hou Fai centrou-se na promoção do emprego dos residentes locais, enquanto ponto fulcral para a estabilidade da conjuntura geral da cidade. “Desde que os residentes locais sejam capazes e estejam dispostos, devem ser prioritariamente contratados”, indicou o Chefe do Executivo.

Para atingir o objectivo de prioridade no mercado de trabalho, Sam Hou Fai lembrou o papel da criação do Grupo de Trabalho para a Coordenação da Promoção do Emprego, que tem por foco o emprego dos residentes de Macau, com particular incidência nas camadas mais jovens.

Sam Hou Fai afirmou também que o Executivo irá aperfeiçoar as leis laborais, intensificar a frequência das acções de emparelhamento profissional e formação profissional, assim como organizar sessões informativas sobre segurança e a saúde ocupacional.

Ainda assim, o governante apontou que a economia de Macau segue numa tendência estável e promissora, e que “os principais indicadores económicos revelam uma melhoria constante”, e “a taxa de desemprego geral mantém-se num nível relativamente baixo”.

 

Grandes expectativas

Com um forte teor nacionalista, Sam Hou Fai relembrou as cincos expectativas de Xi Jinping para a RAEM.

A primeira acentua na estudo e implementação profunda do “espírito consagrado nos discursos e instruções importantes do Presidente Xi Jinping”, para unir e orientar os trabalhadores no apoio ao Governo e na defesa da segurança nacional e a estabilidade social

A segunda expectativa é a articulação do 15.º plano quinquenal do país com os projectos políticos de longo prazo da RAEM, para o qual Sam Hou Fai espera a contribuição da FAOM através de “sugestões e propostas valiosas em defesa das acções governativas”, formando um elo entre o Executivo e a população.

A diversificação das indústrias e o aumento da qualificação e da competitividade profissionais dos jovens são vectores da terceira expectativa, com foco particular em Hengqin. A zona de cooperação aprofundada e a integração na Grande Baía são os pontos essenciais da quarta expectativa, para a qual Sam Hou Fai espera cooperação da FAOM ao nível da “formação de quadros qualificados, apoiando a integração e a prestação de serviços de Macau na conjuntura do desenvolvimento nacional”.

A quinta expectativa de Xi Jinping para a RAEM, é o reforço da “bela tradição do patriotismo e do amor a Macau”.

Ivana Wong ao vivo na Londoner Arena no final de Março

A multifacetada Ivana Wong apresenta no dia 28 de Março o concerto “Fusion” no Londoner Arena. O espectáculo deverá reflectir a variada carreira de duas décadas da artista de Hong Kong, entre música, televisão e cinema. Os bilhetes vão estar à venda a partir de amanhã, com preços entre 1.180 e 380 patacas

 

Ivana Wong estará de regresso a Macau no dia 28 de Março para um concerto no Londoner Arena. Os bilhetes para o espectáculo serão postos à venda amanhã ao meio-dia, com preços que variam entre 1.180 e 380 patacas. O espectáculo, intitulado “Fusion”, fará um resumo da carreira de mais de duas décadas de Ivana Wong no mundo da música e nas múltiplas abordagens de expressão artística que adoptou.

“Em Março, Ivana convida-o a juntar-se a ela na Londoner Arena para esta ‘Fusion’ profundamente significativa, onde todos os seus papéis — cantora e compositora, actriz, artista de teatro, actriz de voz — serão apresentados no palco, revelando a ‘Ivana’ mais completa e autêntica”, descreve a organização do espectáculo.

Além de interprete, a artista de Hong Kong começou a carreira na composição da música “Just a Misunderstanding”, em 2000, que lhe valeu o prémio CASH Song Writers Quest. Esta seria a primeira de dezenas de distinções ao longo da carreira, a partir de uma música que compôs durante um estágio no banco HSBC.

Cinco anos depois da sua introdução à bolha musical da região vizinha, Ivana Wong lançava o seu primeiro registo discográfico, o EP “Ivana”, com o selo da Universal Music Hong Kong.

Já com um pé na música e outro no cinema, em 2011 a artista compôs e interpretou “Missed Address” para a banda sonora do filme “A Beautiful Life”, do realizador Andrew Lau. A música acabaria por ser nomeada para vários prémios dedicados ao cinema, e valeu-lhe o Golden Song JSG Award.

 

Atenção aos detalhes

Também em 2011, já com um registo discográfico considerável, Ivana Wong estreia-se ao vivo num concerto no Coliseu de Hong Kong, que acabaria por marcar uma série de elaborados espectáculos. “The Water Lily Concert” juntou o talento de três directores musicais e uma orquestra com 42 músicos e foi elogiado como um fenómeno nunca antes visto na região vizinha.

A experiência voltaria a repetir-se em 2014, na mesma colossal casa de espectáculos, e em Outubro do ano seguinte deu um espectáculo com a Orquestra Filarmónica local no Centro Cultural de Hong Kong.

Durante este período, a artista ganhou uma reputação de proporcionar ao público espectáculos pensados ao mais ínfimo detalhe, desde os arranjos orquestrais à encenação.

Porém, a sua carreira não se fica pela música. Uma presença habitual na televisão da região vizinha e cara de várias campanhas publicitárias (incluindo para o Governo da RAEM), Ivana Wong tornou-se uma figura incontornável da cena cultural da região e uma força de expansão conceptual do cantopop.

A primeira investida na representação foi a transição perfeita entre música e a carreira de actriz, com a participação na peça musical “Octave”, em 2011, e um ano depois no elenco do musical da Broadway “I Love You Because”.

A participação na série de comédia da TVB “Inbound Troubles” foi o momento em que tirou as rodinhas musicais da bicicleta da representação. Depois de dar voz a Lisa na versão de Hong Kong do “The Simpsons Movie”, Ivana Wong lançou-se numa carreira cinematográfica que a colocou nos créditos de duas dúzias de filmes em menos de 20 anos.

As múltiplas facetas de Ivana Wong vão convergir no Londoner Arena no fim de Março, marcando o regresso da artista a Macau depois do concerto no Venetian em Março de 2024.

Vidas Passadas – nem todo o amor é para ser vivido

Trago à discussão o filme que teve duas nomeações aos Óscares em 2024, Vidas Passadas (Past Lives), da realizadora e argumentista Celine Song. O título remete para a narrativa romântica, de vidas e encontros predestinados, e o filme trabalha de uma forma extremamente delicada isso mesmo: o encontro e o desencontro.

A história do filme é seguinte: Nora Moonemigra da Coreia do Sul com a sua família aos 12 anos e deixa para trás um amor de escola, que volta a reencontrar duas vezes ao longo do tempo. A primeira vez de forma digital, 12 anos depois, e a segunda, presencialmente, 12 anos depois disso. O filme baseia-se essencialmente no conceito coreano de in-yeon, um conceito budista de que existem ligações acumuladas ao longo das vidas, uma ideia de “destino” ou de “fado”. Há vários ângulos que poderão ser discutidos a propósito do filme (sem querer partilhar muitos spoilers), mas gostaria de trazer dois em particular. Um deles é o da sensualidade do silêncio, e o outro, a importância dos amores não vividos.

O filme tem uma cinematografia que nos oferece silêncios e olhares de grande profundidade. Nota-se que há desejos sem beijos, sem carícias, sem nudez. Os espectadores são transportados para momentos de ambiguidade que exigem maturidade emocional. Um mergulho nesses domínios não-verbais onde as palavras deixam de ser suficientes. O que não é dito, os pequenos frames que nos deixam suspensos no tempo e no pensamento, intensificam a sensualidade porque deixam parte à imaginação. Apesar de o filme, num primeiro momento, sugerir um triângulo romântico – isto porque Nora Moon já estaria casada quando se encontra presencialmente com a sua paixão de escola – conseguiu não cair em nenhum cliché, nem em nenhuma fórmula conhecida. Deixa-nos a pensar sobre muita coisa: sobre vidas, expectativas, amor, imigração, desejos, sonhos. E a sensualidade não se perde, sustenta-se na delicadeza das expressões faciais, e dos pequenos detalhes do cenário. Dentro da incerteza abrem-se espaços de possibilidade, oferecidos ao espectador, para que fizesse parte da história, como se uma co-criação fosse possível. Não há sensualidade bruta, mas uma compreensão sobre ela. Trazer esse exercício para o grande ecrã parece-me necessário, neste mundo que tenta puxar pelas certezas e por contrastes definidos e inflexíveis.

E depois, claro, toda esta atmosfera traz-nos ainda outra realidade: que o amor e o erotismo vivem tanto de grandes planos divinos como de escolhas. A forma como as vidas não-vividas são elaboradas, quase como fazendo o luto por elas, é o tema central do filme. As vidas escolhidas assumem a morte de outras, e estes amores defuntos ainda existem no pano de fundo, alimentando desejos e amores que permanecem ativos. Estas perdas são também atravessadas pela experiência da imigração: pelas línguas que se perdem e se ganham, e pelas versões do eu que ficam ancoradas a um lugar que já não existe. O luto das nossas múltiplas versões, ou das relações que não se tiveram, não deixam de ser terreno fértil. Não precisamos de olhar para eles como uma perda inconsolável, mas uma perda que faz parte da experiência, acolhida e cuidada, geradora de significado e de pertença a outros universos. A maturidade afectiva que o filme elabora pode não ser muito sexy no grande ecrã, mas é essencial à vida, e às versões maturadas da mesma. O filme mostra-nos que o real – o vivido – pode ser romântico. Sem grandes personagens, sem grandes heroínas ou vilões, só pessoas a darem sentido ao mundo que as rodeia.

Diz-nos a tradição coreana, evocada no filme, que os encontros verdadeiramente significativos resultam de inúmeras ligações acumuladas ao longo do tempo, por vezes pensadas como atravessando várias vidas. No folclore chinês, japonês e coreano, de base budista, fala-se de um fio vermelho atado a cada bebé que nasce, ligando-o às pessoas que irá encontrar ao longo da vida. Entre destino e possibilidade, há uma beleza indiscutível no momento em que cada pessoa se encontra: nas pessoas com quem se cruza, e também naquelas que deixa para trás. Vidas Passadas lembra-nos que o amor não vive apenas dos grandes triunfos ou dos gestos extraordinários, mas das escolhas que fazemos — e das perdas que aprendemos a integrar. Nem todo o amor é para ser vivido; alguns existem para nos ensinar a viver.

Davos | Pequim critica o regresso à “lei da selva, onde os fortes atacam os fracos”

A elite do poder mundial está reunida na estância suíça para discutir a situação internacional numa iniciativa subordinada ao tema “Um Espírito de Diálogo”

 

A China insurgiu-se ontem, no Fórum de Davos, na Suíça, contra o que classificou como o regresso à “lei da selva” nas relações internacionais, “onde os fortes atacam os fracos”, criticando tarifas e guerras comerciais.

Intervindo em Davos, num fórum que este ano decorre num contexto de acentuadas tensões geopolíticas e comerciais, o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, sem nunca se referir expressamente aos Estados Unidos, defendeu que “um pequeno número de países privilegiados não deve beneficiar de vantagens baseadas apenas nos seus interesses, e o mundo não pode regressar à lei da selva, onde os fortes atacam os fracos”.

No seu discurso, o responsável de Pequim também dirigiu críticas implícitas à política comercial norte-americana, afirmando que “as tarifas e as guerras comerciais não têm vencedores”, advogando os benefícios do “comércio livre e da globalização económica”.

Considerando que o sistema comercial global enfrenta actualmente o seu maior desafio em muitos anos, He Lifeng “os actos unilaterais e os acordos comerciais de certos países violam claramente os princípios e regras fundamentais da Organização Mundial do Comércio”.

Relativamente às críticas de que o excedente comercial da China com o resto do mundo é desequilibrado, o responsável chinês, assinalando a ambição do seu país se, além de querer ser “a fábrica do mundo”, ser igualmente “o mercado do mundo”, comentou que, “quando a China quer comprar, outros países não querem vender”, numa nova alusão à política da administração norte-americana liderada por Donald Trump, que impôs restrições à venda para a China dos melhores microchips usados em Inteligência Artificial.

Donald regressa

O Fórum de Davos, que junta anualmente as elites económica e política mundiais, decorre ao longo desta semana naquela estância alpina na Suíça, num contexto de grande instabilidade a nível global, com todas as atenções focadas na participação do Presidente norte-americano, Donald Trump, que discursará na quarta-feira.

Subordinado nesta 56.ª edição ao tema “Um Espírito de Diálogo”, o evento, que decorre entre segunda e sexta-feira, dificilmente poderia desenrolar-se num ambiente de maior crispação e de riscos à escala mundial, e terá como figura de cartaz um dos principais protagonistas deste ambiente de tensões, Donald Trump, que regressa presencialmente a Davos seis anos depois, após ter marcado presença em 2020, durante o seu primeiro mandato na Casa Branca (2017-2021).

Confirmada óbito de cidadão chinês em explosão

A China confirmou ontem a morte de um cidadão chinês e ferimentos em outros cinco na sequência da explosão ocorrida na segunda-feira nas imediações de um restaurante chinês em Cabul, capital do Afeganistão.

Pequim apelou às autoridades afegãs para reforçarem as garantias de segurança a fim de proteger os seus cidadãos, projectos e instituições no país.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, expressou condolências à família da vítima mortal e solidariedade para com os feridos, sublinhando que foram feitas “diligências diplomáticas urgentes” junto das autoridades afegãs.

A China exige tratamento médico adequado para os feridos, o esclarecimento dos factos e a responsabilização dos autores do ataque.

A Embaixada da China em Cabul já visitou os feridos no hospital, tendo transmitido o apoio oficial de Pequim e prestado assistência consular, informou Guo.

O porta-voz reiterou que a China “condena veementemente e opõe-se firmemente ao terrorismo em todas as suas formas” e manifestou o apoio de Pequim ao Afeganistão e aos países da região na luta conjunta contra o extremismo violento.

Alguns órgãos de comunicação locais noticiaram que o ataque poderá ter sido reivindicado pelo grupo jihadista Estado Islâmico da Província do Khorasan (ISIS-K), embora esta informação não tenha sido confirmada oficialmente pelas autoridades afegãs.

A explosão ocorreu no interior ou nas imediações de um restaurante chinês localizado no bairro de Shahr-e-Naw, no centro de Cabul, tendo causado pelo menos sete mortos – entre os quais um cidadão chinês – e cerca de 20 feridos, de acordo com fontes hospitalares e policiais.

 

Segurança em causa

Face ao actual contexto de segurança, o ministério dos Negócios Estrangeiros da China voltou a recomendar aos seus cidadãos que evitem deslocações ao Afeganistão “por enquanto” e pediu àqueles que já se encontram no país, bem como às empresas chinesas ali presentes, que aumentem a vigilância, reforcem as medidas de protecção e abandonem as zonas de maior risco sempre que possível.

O incidente insere-se numa relação pragmática entre a China e as autoridades talibãs desde o regresso destas ao poder em 2021, com enfoque na protecção de cidadãos e interesses chineses no país.

Nos últimos anos, Pequim tem insistido na obtenção de garantias de segurança para os seus projectos e cidadãos, sobretudo nos sectores da mineração e energia. Esta questão tem sido discutida diretamente com responsáveis da segurança afegã, numa altura em que se têm multiplicado os incidentes que afectam trabalhadores e empresas chinesas, tanto no território afegão como nas regiões fronteiriças.