Alves da Rocha, economista: “Modelo chinês é o mais adequado para Angola, cooperação com Europa falhou”

Entrevista de Raquel Rio, agência Lusa

O economista angolano Alves da Rocha considera que o modelo chinês de desenvolvimento económico é o que mais se adequa a África e classifica a cooperação com a Europa como “um falhanço”.

O diretor do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola (UCAN) disse, em entrevista à Lusa, que “a China incomoda muita gente”, avisando que o mundo está a mudar, virando-se para leste e para o sul.

Angola contratualizou entre 2000 e 2022, 258 empréstimos com a China, somando 45 mil milhões de dólares, o que representa mais de um quarto (26,5%) do total emprestado a África, neste período, segundo dados compilados pelo Centro de Política de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston, e consultados pela Lusa.

Alves da Rocha disse que a China começou por ser atacada em Angola pela qualidade das infraestruturas, estando agora as atenções a ser desviadas para a questão da dívida pública, que “tem sido amortizada”.

Lembrou que houve uma moratória chinesa no tempo da pandemia que foi seguida por outros países e instituições internacionais e que, “naturalmente, Angola teria de reiniciar os seus pagamentos” aos seus credores, o que vai pesar sobre as finanças.

“O problema que aqui se coloca é mais na economia real”, salientou, já que, com excepção do petróleo, Angola não tem um sector produtivo e exportador que permita ter divisas e amortizar as suas dívidas. “Não creio que, nos próximos dez anos, Angola possa ter uma capacidade de exportação para além do petróleo”, a não ser, sugeriu, o sector da energia.

“Por isso, a questão do ressarcimento da dívida à China é normal, houve uma moratória, retomou-se o serviço da dívida, mas o ponto que temos de ver é que alternativas devíamos ter criado para que a retoma dos pagamentos não tivesse tido tanta interferência no Orçamento Geral do Estado como tem tido”, apontou o investigador.

Alves da Rocha sublinhou que, apesar da importância da China para Angola ter diminuído depois de João Lourenço ser eleito Presidente, aproximando-se mais dos Estados Unidos, esta é a alternativa de financiamento que mais se adequa ao país.

Modelo adequado a África

“O modelo chinês de desenvolvimento económico é muito mais adequado a Angola e a África do que o modelo europeu ou americano”, permitindo um acesso mais directo ao financiamento, frisou Alves da Rocha, considerando que “há um falhanço” no modelo de cooperação Europa-África, que sempre beneficiou a Europa.

“E estas reações em cadeia que se têm visto por aí, sobretudo em países da francofonia, com golpes de Estado, como se tem visto, decorre tudo de que este modelo falhou”, insistiu o académico, destacando “o círculo vicioso da expatriação e de técnicos vindos sobretudo da Europa” para Angola.

Por outro lado, “ocorre desde há alguns anos uma desocidentalização do desenvolvimento económico, isso é um facto. Os centros de crescimento da economia mundial, do desenvolvimento tecnológico e científico estão a sair dos Estados Unidos, do Ocidente, e estão a emigrar para o Oriente”, disse, dando destaque à Índia e à China.

“Nós, africanos, nós, em Angola, temos de acompanhar esta mudança na orientação da rosa-dos-ventos. Vai deixar de estar orientada para Norte e vai passar a estar orientada para este e para sul e temos de compreender estes sinais”, alertou o responsável do CEIC.

Cooperação europeia nunca funcionou

Alves da Rocha vincou a guerra na Europa, a criação dos BRIC+6 (bloco composto atualmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que vai ser expandido a mais seis países), ao qual a Venezuela pediu para deixar o mundo “completamente do avesso”, sublinhando as preocupações com as reservas de petróleo que levam Europa e Estados Unidos a virar-se para a transição energética.

O economista salientou, ainda, que a cooperação com a Europa na área das infraestruturas nunca funcionou, lembrando que quando a guerra civil acabou, em 2002, o então Presidente José Eduardo dos Santos apelou à comunidade internacional que se realizasse uma conferencia de doadores para ajudar a reconstrução de Angola, confrontando-se com “uma recusa liminar dos países ocidentais”.

“Quem chegou aqui com 2 mil milhões de dólares para ajudar a recuperação das infraestruturas de Angola foi a China”, notou o especialista, reforçando: “o modelo chinês dá-nos alento e esperança para resolver alguns problemas que até agora não conseguimos resolver”.

COD | Exposição de “Mr. Doodle” em exibição até 15 de Outubro

Após a inauguração da exposição de “Mr. Doodle” em Agosto, o City of Dreams volta a mostrar o trabalho do artista britânico, desta vez com a estreia da peça “Mr. Doodle Mickey Mouse” e novas instalações artísticas. A iniciativa integra-se na Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau

 

“Mr. Doodle – First Exhibition in Macao” [Mr. Doodle – Primeira Exposição em Macau]” é o nome da mostra exibida no City of Dreams (COD) até ao dia 15 de Outubro, naquela que será uma oportunidade única para ver de perto o trabalho do artista britânico mundialmente famoso.
Esta mostra, com curadoria do espaço de arte Artelli, no COD, Galerias Pearl Lam e grupo ARTOX, integra a categoria “Exposições Especiais” da Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau 2023.

A mostra, patente desde Agosto, inclui agora, em estreia mundial, um exemplar da escultura com o nome “Mr. Doodle – Mickey Mouse”, com 30 centímetros de altura, e que homenageia uma das personagens mais famosas do universo Disney. Segundo um comunicado da COD, “a peça capta a personagem icónica na sua pose mais clássica, com as mãos atrás das costas, os dedos dos pés apontados e [apresentando-se] de pé, com orgulho”. “Existindo apenas 500 peças em todo o mundo, cada uma foi meticulosamente trabalhada em resina de primeira qualidade, enquanto o corpo principal da escultura apresenta um arranjo recorrente de rabiscos criados utilizando a técnica de relevo do Mr. Doodle”, explica o mesmo comunicado.

De frisar que “Mr. Doodle”, cujo nome “civil” é Sam Cox, esteve em Macau no passado dia 12 de Setembro para uma demonstração do seu trabalho ao vivo, tendo feito os seus conhecidos rabiscos numa escultura de 2,5 metros por um metro com o logótipo do COD.

Instalações para todos

O público poderá ver quatro instalações de arte disponíveis em vários recantos do resort, incluindo a peça “Doodle Love Wall”, uma grande parede que pode ser vista no primeiro piso do COD e que está “coberta com os padrões característicos de Mr. Doodle, figuras com contornos arrojados e símbolos e motivos que representam o amor”.

Destaque ainda para o “Doodle Showroom”, uma ampla fachada de 52 por 20 metros no exterior do espaço “The Showroom” ou ainda o “Doodle Hall”, uma “obra de arte imersiva de cortar a respiração”. A mostra inclui ainda o “Doodle Cube”, uma instalação de arte multimédia no átrio do hotel Morpheus, com “estruturas geométricas em forma de diamante ou curvas fluídas”. As 24 obras de arte já expostas desde Agosto no espaço “The Showroom” podem ser apreciadas com visitas guiadas mediante reserva feita online.

Natural de Inglaterra, “Mr. Doodle” é conhecido por criar “obras de arte distintas caracterizadas por linhas e padrões intrincados a preto e branco” que vão relevando objectos do quotidiano, sendo que as suas obras têm sido expostas em todo o mundo.

Casinos | Criminalizar trocas de dinheiro pode reduzir receitas

O secretário Wong Sio Chak revelou a intenção de criminalizar as trocas de dinheiro não licenciadas, mas analistas apontam que tal pode prejudicar as receitas brutas do jogo

 

Um dos destaques da apresentação dos dados da criminalidade do primeiro semestre deste ano, foi o aumento dos casos de troca de dinheiro no contexto dos casinos. Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, disse que a intenção das autoridades é criminalizar todo o tipo de trocas não licenciadas, mas analistas ouvidos pelo portal GGRAsia dizem que a medida poderá ter como consequência uma grande redução das receitas brutas de jogo.

Um dos analistas ouvidos foi o advogado Carlos Coelho, que entende que criminalizar a troca ilícita de dinheiro unicamente para o jogo é algo “exequível” no contexto de uma nova lei sobre o jogo ilícito, ideia já anunciada pelo Governo.

O causídico defende o reforço da supervisão no local por parte da Autoridade Monetária de Macau e da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, bem como “a aplicação de sanções aos infractores de forma mais célere”. Além disso, a permissão do uso do renminbi digital nos casinos ajudaria as autoridades “a monitorizar as transacções financeiras – isto é, quanto dinheiro é trazido para Macau – com maior precisão”, disse o advogado, eliminando, desta forma, a necessidade de intermediários.

O advogado lembrou que as trocas de dinheiro não licenciadas são actualmente reguladas pelo Regime Jurídico do Sistema Financeiro, sendo encaradas como uma contravenção que resultam em multas e respectiva publicação da sanção nas páginas dos jornais, não se prevendo a criminalização com a entrada em vigor da nova legislação, a 1 de Novembro.

Ben Lee, sócio da consultora IGamiX Management and Consulting Ltd, disse que “a maior parte dos cambistas ilegais são, na sua essência… intermediários”, tendo uma função semelhante à que era feita antes com a movimentação de dinheiro entre fronteiras através dos cartões da China, no sistema UnionPay.

Assim, os cambistas ilegais “trazem do continente os seus terminais móveis [do sistema] Union Pay POS [Point-Of-Sale] que, juntamente com um telemóvel, permitem que as transacções [de dinheiro] sejam feitas como se [os envolvidos] estivessem no continente”, disse Ben Lee. Antes, recordou o analista, estes cambistas estavam nos casinos e perguntavam a quem passava o cartão de crédito. “Hoje em dia sussurram ‘dólar de Hong Kong? acreditando que isso lhes dá alguma liberdade em relação à criminalidade.”

Menos acesso a fundos

Ben Lee frisou que, segundo “vários intervenientes” ligados ao sector, “estimamos que estas transacções ilegais [de troca de moeda] representem entre 50 a 60 por cento” das receitas brutas do jogo de massas, sendo que estes dados se baseiam “no grande número” de intermediários e angariadores nos casinos “e em conversas” com pessoas ligadas ao sector e a esta área em específico.

“Qualquer repressão contra estes intermediários teria um impacto significativo nas receitas brutas do jogo, uma vez que reduziria o acesso aos fundos provenientes do continente e aumentaria os custos dessas transacções, nos casos em que ainda estão disponíveis”.

U Io Hung, presidente da Associação de Profissionais Promotores de Jogo de Macau, que representa os junkets, disse que o impacto da criminalização destas trocas de dinheiro “pode ser enorme”. “Estas actividades não se restringem apenas aos angariadores que andam à espreita nas salas de jogo, junto a casas de banho ou salas de fumadores, mas são também um negócio levado a cabo por algumas casas de penhores” localizadas junto aos casinos, rematou.

Jogo | Aumento de jogadores prejudica trabalhadores de casinos

O tempo de descanso e a segurança no trabalho dos croupiers não são assegurados face ao aumento do número de jogadores, marcado também pelo decréscimo do jogo VIP. Tempo de penalizações é maior e muitos dizem-se cansados

 

A recuperação gradual do sector do jogo, com o fim das restrições originadas pelas e um súbito aumento do número de jogadores está a causar pressão no trabalho dos croupiers, que dizem que as horas de descanso não estão a ser respeitadas. Segundo o jornal Ou Mun, “desde o início deste ano alguns funcionários dos casinos queixam-se da súbita exploração do seu tempo de descanso”, sendo que “recentemente alguns funcionários falaram às chefias da pressão que sentem no trabalho”.

Testemunhos ouvidos pelo jornal, que não revelam a identidade, falam do aumento do número de jogadores, ao ponto de as mesas de jogo “estarem frequentemente rodeadas por uma grande ‘parede humana'”, tornando os trabalhadores mais susceptíveis da ira dos jogadores quando perdem grandes somas de dinheiro, mas a empresa não tem controlado a situação a fim de garantir a segurança dos croupiers.

Além disso, o sistema de penalizações dos funcionários foi “actualizado” durante a pandemia, sendo que “um grande número de trabalhadores tem medo de voltar ao trabalho”, escreve o jornal.

Menos VIP, mais massas

O senhor Lam, que fala sob pseudónimo e que trabalha como croupier num casino no Cotai, descreve que é cada vez mais comum cada mesa ter demasiados jogadores. “Às vezes, há centenas de pessoas à volta de uma mesa. Temos algumas mesas grandes com dois croupiers no centro, mas controlar a situação está cada vez mais difícil.”

Cada croupier trabalha uma hora e meia e descansa meia hora, mas um horário completo de sete ou oito horas com centenas de jogadores deixa-os esgotados, pois “não podem dar o dinheiro errado, não podem enviar as cartas erradas para a mesa, nem quebrar ou mudar as notas de sítio… estou sob muita pressão e sinto a cabeça leve muitas vezes”, disse o senhor Lam. O cenário parece ter piorado com o decréscimo das salas VIP, com os jogadores a deslocarem-se para a área das apostas de massas.

Além disso, uma penalização de seis meses passa a ter a duração de um ano, enquanto uma penalização de um ano dura cerca de dois anos. Face ao trabalho por turnos, Lam diz que os horários nocturnos são maiores do que de dia, pois a operadora diz existirem “necessidades operacionais e que há mais clientes durante a noite”. Lam diz que está “cansado deste trabalho”, esperando que as empresas prestem maior atenção à saúde física e mental dos croupiers, aponta o jornal.

Rua da Felicidade | Associações entusiasmadas com zona pedonal

A partir de sexta-feira arranca a zona pedonal na Rua da Felicidade, a tempo da Semana Dourada. As associações esperam que face à média esperada de 100 mil visitantes por dia, os comerciantes comecem a sentir os efeitos nos negócios

 

A partir de sexta-feira a Rua da Felicidade passa a estar encerrada ao trânsito, entre as 11h da manhã e a 1 da manhã do dia seguinte. E de acordo com a associação dos Moradores, os residentes e comerciantes estão preparados para a mudança e à espera do aumento do volume de negócios.

Citada pelo jornal Ou Mun, a responsável da Associação de Mútuo Auxílio do Bairro da Rua da Felicidade, Tou Mio Leng, apontou que a alteração é benéfica e que existe a expectativa entre os comerciantes da zona que o encerramento da circulação de veículos consiga atrair mais visitantes. Tou Mio Leng espera que a revitalização aumente o volume de negócios de toda aquela zona e que os efeitos não se limitem à Rua da Felicidade.

Por seu turno, o presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau Centro e Sul Distritos, Lei Cheok Kuan, apontou que o estabelecimento da zona pedonal a tempo da Semana Dourada é muito importante, que se vai assistir à criação de uma nova atracção turística no território. Segundo a previsão da Direcção de Serviços de Turismo, durante a Semana Dourada espera-se a entrada no território de uma média diária de 100 mil visitantes.

Lei explicou igualmente que este tipo de planos tem impacto na economia dos bairros da zona Centro e Sul da cidade, e que a aposta no turismo merece ser elogiada. Segundo as intenções apresentadas pelo Governo e pela concessionária Wynn Macau, sem qualquer tipo de pormenores, o objectivo passava pela realização frequente de actividades culturais e comerciais, como espectáculos, instalações artísticas e mais restaurantes para atrair visitantes.

Além da Rua da Felicidade, o encerramento estende-se também a outros locais, como a Travessa do Mastro, da Travessa do Aterro Novo, da Rua do Matapau e da Travessa de Hó Lo Quai.

Eficácia questionada

O plano de criação de uma zona pedonal na Rua da Felicidade faz parte das iniciativas promovidas pelo Governo e as concessionárias do jogo para revitalizar várias zonas antigas do território, como Barra, Porto Interior, entre outras. No entanto, a eficácia dos planos também tem suscitado algumas dúvidas, como acontece com o deputado Ron Lan. Num artigo de opinião publicado no jornal Son Pou, o deputado questionou a eficácia dos planos à luz de alguns exemplos na Rua da Felicidade, onde a Associação Chap Seng Tong controla grande parte dos imóveis.

Segundo o deputado, os descendentes colectivos da associação não têm tomado conta dos imóveis, que se apresentam desgastados, nem conseguem chegar a um acordo para que se façam obras de manutenção e aproveitamento dos espaços para áreas comerciais.

Neste cenário, o deputado teme que a questão da conservação de património e da emissão de licenças fique impossibilitada e que os planos se limitem apenas ao embelezamento do exterior dos edifícios.

Zonas de lazer | IAM assegura segurança dos espaços

Lo Chi King, presidente substituto do conselho de administração do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), garantiu ao deputado Ma Io Fong, em resposta à sua interpelação escrita, que é assegurada a segurança dos parques infantis sob gestão pública. No caso das zonas de lazer situadas junto à estátua de Kun Iam, doca de Lam Mau ou reservatório, é exigida “não só a apresentação pelo empreiteiro de um certificado de aprovação emitido pelo fabricante das instalações”.

Além disso, todas as instalações de diversão infantil e de lazer, antes da abertura ao público, são sujeitas a avaliação por uma terceira entidade responsável pela avaliação de qualidade, apresentando esta o respectivo relatório, a fim de assegurar a sua abertura pública sob condições de segurança”, é referido pelo responsável do IAM.

O organismo liderado por José Tavares promete ainda “eliminar os riscos de segurança das instalações através da realização de inspecções diárias, reparações e manutenção”. Além disso, foi adquirido seguro de responsabilidade para terceiros, relativamente às respectivas instalações.

Jogos Asiáticos | Ho Iat Seng felicita Li Yi pela medalha de ouro

Horas após a RAEM ter alcançado a terceira medalha de ouro desde que participa nos Jogos Asiáticos, o Chefe do Executivo deu os parabéns à atleta. Ho Iat Seng pediu ainda aos restantes atletas da comitiva de Macau para “darem o seu melhor”

 

O Chefe do Executivo enviou uma mensagem à atleta Li Yi, a congratulá-la pela conquista da medalha de ouro na modalidade de Wushu, na variante Chang Quan, nos Jogos Asiáticos de Hangzhou. Anteriormente, a atleta originária de Hefei, na província de Anhui, tinha obtido duas medalhas de prata para Macau, nos jogos de Incheon em 2014, na variante Jiashu/Qiangshu, e em Chang Quan, nos jogos Asiáticos de Jakarta e Palembang, mas ontem de manhã conseguiu subir ao lugar mais alto do pódio.

A atleta de Macau somou 9,786 pontos na manhã de ontem, e superiorizou-se a Liu Xuxu (9,756 pontos), de Hong Kong, que foi prata, e à indonésia Kimberly Ong (9,756 pontos). “É com uma grande alegria que Li Yi, atleta de arte marcial, conquistou para a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) a primeira medalha de ouro, da modalidade feminina de Chang Quan, na 19.ª edição dos Jogos Asiáticos”, começou por destacar Ho Iat Seng. O Chefe do Executivo que esteve no Interior para assistir à cerimónia de abertura dos jogos, considerou também que esta medalha “prestigia o desportivismo chinês e honra o nome da RAEM”.

Como líder do Governo, Ho Iat Seng falou ainda em nome “da população de Macau” para dirigir as “calorosas felicitações” à atleta de 31 anos e a todos os envolvidos no trabalho que culminou no primeiro ouro da RAEM nesta edição dos Jogos Asiáticos.

Mensagem para os restantes

A missiva, tornada pública pelo Gabinete de Comunicação Social na manhã de ontem, foi ainda utilizada para enviar “os mais sinceros cumprimentos e incentivo a todos os atletas que se encontram a competir pelos bons resultados nas diversas modalidades desta edição dos Jogos Asiáticos”. “Esse resultado impressionante obtido pela medalhada Li Yi, que demonstra a dedicação e persistência nos treinos intensivos ao longo dos anos, merece o orgulho de toda a população de Macau”, acrescentou.

No entanto, no que diz respeito, à mensagem para a restante comitiva, Ho não pede medalhas, espera apenas que cada um dê o melhor de si. “Espero que os restantes atletas prestem o seu melhor nas respectivas modalidades para continuarem a lutar por resultados cada vez melhores, honrando a RAEM pelas prestações de excelência dos atletas de Macau”, desejou.

Li Yi conquistou a terceira medalha de ouro para Macau em Jogos Asiáticos, desde que o território começou a participar neste torneio, em 1990. As outras duas medalhas também foram conquistadas na modalidade de Wushu, por Jia Rui, em 2010, e Huang Junhua.

A Via do Meio chega hoje a Portugal

Hoje, dia 25 de Setembro, pelas 18,30 horas, será apresentado no Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, o número 1 da nossa revista trimestral Via do Meio, uma publicação em língua portuguesa totalmente dedicada à cultura chinesa, ao que se seguirá a sua distribuição por todo o país. Também hoje, ao mesmo tempo, na RAEM, será distribuído o número 3.

Raramente de Macau algo de regular chegou a Portugal, por isso sentimo-nos também pioneiros, nesta viagem de regresso, que muito tem para contar. Nos porões desta nau, a que chamamos revista, trazemos partes de uma civilização milenar, da sua História, da sua Literatura, dos seus costumes, da língua e das suas crenças, enfim, de uma cultura cujas raízes se estendem vastamente pelo tempo e cuja diversidade ultrapassa quaisquer expectativas.

Esta viagem não começou ontem, nem surge por acaso, ao sabor de um capricho ou de uma disposição momentânea. Pelo contrário,
ela nasceu com o Hoje Macau, logo nos seus alvores, e com o nosso entendimento de que um jornal não deve apenas informar, mas também proporcionar formação aos seus leitores. Sendo um media em língua portuguesa, pareceu-nos desde o primeiro momento importante servir de intermediário entre os que se expressam em português e a cultura chinesa, dando a conhecer a esta comunidade linguística que por aqui vive, as tessituras da cultura daqueles que os rodeiam, permitindo assim um melhor entendimento do que por vezes parece obscuro, além do prazer estético que o contacto com a poesia, a pintura e o pensamento chineses proporcionam.

Sabem os nossos leitores que há duas décadas publicamos regularmente traduções, ensaios, crónicas, entrevistas, etc., no âmbito da cultura chinesa, o que nos proporcionou um excelente acervo que a editora Livros do Meio, também parte do grupo Hoje Macau, tem publicado em livros. Editámos poetas, pensadores, memórias, sobretudo, textos que não se encontravam traduzidos, mas que entendemos como fundamentais para o conhecimento da China. E, como é óbvio, o nosso trabalho não acabou, nem se fica por aqui.

Desde o ano passado que Macau já conhece a Via do Meio. Trata-se de uma revista trimestral que reúne os artigos dos sinólogos que
colaboram connosco. Alguns há mais de uma década, outros companheiros recentes desta viagem de regresso, em que, pela Via do Meio, a língua portuguesa leva os valores orientais para Ocidente, como um dia trouxe os valores ocidentais para Oriente. E, finalmente, agora que chegámos a Portugal, é a todos esses companheiros de viagem que tenho de agradecer terem embarcado nesta nau onde se fala a China em português e realizado esta aventura sem procelas.

Ao que se diz, mais do que a viagem, mais do que chegar ao destino, o que importa é quem vem connosco.

PS: Antes do Natal, começaremos a publicar livros sobre cultura chinesa em Portugal, através da editora Grão-Falar. Alguns são grandes novidades. Hão-de ouvir falar disso.

O surrealismo do PSD

No momento em que escrevemos este texto as sondagens indicam que nas eleições da Madeira, o PSD poderá vencer por maioria absoluta. Numa ilha onde o caciquismo político reina desde o 25 de Abril e onde existem mais bairros de pobres que hotéis de luxo, vivendo a região autónoma, à base do turismo. É com essa política de caciquismo que o PSD tem saído vencedor e onde Alberto João Jardim fez o que lhe apeteceu mas sempre pedindo de mão beijada milhões de euros aos governos da República. Uma República que assiste à maior crise no interior do PSD.

Os sociais-democratas, com as suas diferentes facções, não descansaram enquanto não mandaram embora um homem sério e activo como Rui Rio e que escolheram para líder Luís Montenegro que tem chefiado o partido há 18 meses sem apresentar uma alternativa para um dia poder vir a ser primeiro-ministro. É nas hostes do PSD que temos ouvido dizer que com Luís Montenegro o partido não vai lá e é assim que a toda a hora sonham com o “D. Sebastião” de nome Passos Coelho para voltar a chefiar os destinos do partido. Como é que Passos Coelho pode ser o “desejado” se o povo ainda não esqueceu a sua governação onde tudo foi mau e em prejuízo dos mais desprotegidos?

No PSD assiste-se ao surrealism total onde cada um quer tudo, e nada acertado apresenta. Até apareceu um Poiares Maduro a propor que fosse retirado o subsídio de Natal aos reformados. Isto, até é ofensivo quando temos portugueses a receber reformas de 150, 200 e 300 euros.

A bancada parlamentar do PSD em confronto com o Governo nos vários debates apenas tem sabido manifestar contradição com as propostas governamentais, mas alternativas viáveis nunca se ouviram. Com um líder parlamentar fraquíssimo, o que se assiste é a António Costa, como primeiro-ministro, sair do Parlamento todo satisfeito pelas posições que toma com frontalidade e lógica, dentro dos parâmetros em que é possível financeiramente governar, apesar das críticas da oposição que o dinheirão que veio da Europa em forma de PRR não ser aplicado no desenvolvimento estrutural do país.

O que acontece no PSD é que assiste ao Iniciativa Liberal e ao Chega a cativarem cada vez mais adeptos, os quais vêm da área do PSD. Segundo as últimas sondagens, que valem o que valem, o Chega e o IL podem vir a ter juntos maior percentagem eleitoral que o PSD e, isso, seria um descalabro para quem se arvora em afirmar ser o maior partido da oposição.

O PSD bem tenta puxar todos os “senadores” para a ribalta da propaganda, tais como Marques Mendes que anda a ser levado ao colo pelo Presidente Marcelo a fim de o candidatar a seu successor, Durão Barroso o tal primeiro-ministro que abandonou os portugueses para ocupar cargos de remuneração choruda na Europa, Pedro Santana Lopes que à frente da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa saiu com uma fama desastrosa devido à péssima gestão e o surrealismo do outro mundo chamado Aníbal Cavaco Silva. Este último, teve o desplante e a pouca vergonha de lançar um livro onde tenta ensinar como se deve ser primeiro-ministro. Bem, é melhor rirmos do que chorarmos, quando nos lembramos que Cavaco Silva foi dos piores primeiros ministros que Portugal teve.

Em entrevista encomendada a um semanário, Cavaco Silva não deixou de sublinhar, como piadas ao actual primeiro-ministro, que se existe um ministro sem bom senso deve ser demitido. Mas, o que será isso do bom senso à frente de um Ministério? Depois, acrescentou que se um ministro for mal educado igualmente tem de ser demitido. Será que Cavaco Silva entrou já na fase da senilidade e não se lembra de quantos ministros teve nos governos que chefiou que foram uns mal educados, arrogantes e incompetentes? O seu livro é um chorrilho de disparates a querer ensinar tudo aquilo que não praticou e é por essa razão que os cidadãos que normalmente votavam no PSD estão virados para o IL, Chega e alguns mais realistas pensam em votar no PS.

A política portuguesa está inacreditavelmente perturbadora porque se o PCP está a perder votos por apoiar a Rússia no conflito com a Ucrânia, no Bloco de Esquerda Mariana Mortágua não está a fazer melhor do que foi a coordenação de Catarina Martins. Infelizmente, o populismo e a demagogia do Chega com os gritos patéticos de André Ventura que, na realidade, manda cá para fora umas verdades que o povo gosta de ouvir, está efectivamente a aumentar a sua base de apoio e, imaginem só, que num bairro social da margem sul do Tejo, toda a gente afirma que votará no Chega por ser o único partido que defende os pobres. Não, não dá para entender como em 50 anos da chamada democracia o espectro político mudou tanto, particularmente com o surrealismo gerado no PSD que não consegue levar um balde de água ao seu moinho.

Indonésia | 153 chineses deportados devido a fraudes amorosas ‘online’

As autoridades indonésias deportaram para a China 153 cidadãos chineses envolvidos num esquema de fraude amorosa ‘online’ que rendeu 1,3 milhões de dólares, foi anunciado na sexta-feira.

“Eles fazem parte de uma rede que comete os crimes na Indonésia, mas que tem como alvo vítimas de origem chinesa”, disse Subki Miuldi, director do gabinete de imigração da cidade de Batam, de onde as deportações ocorreram na quarta-feira, de acordo com um comunicado.

Os deportados violaram o artigo 75.º da lei da imigração indonésia, referiu a mesma nota, sublinhando a importância da “cooperação com a comunidade na transmissão de informações”, para “manter a estabilidade e a segurança do país”.

As vítimas eram também cidadãos chineses, centenas, de acordo com a investigação, contactados e seduzidos por membros femininos da organização através de videochamadas, sendo depois extorquidos com as gravações sexualmente explícitas, noticiou o jornal de Hong Kong South China Morning Post.

De acordo com a investigação policial, a organização começou a operar este ano a partir da Indonésia, onde entrou com vistos de turista, depois de as autoridades de Pequim terem desmantelado a rede na China.

Em 2017, a Indonésia deteve e deportou 416 cidadãos chineses e taiwaneses que pertenciam a uma rede de fraude telefónica e de investimento ‘online’, e dois anos depois deteve e devolveu à China 85 cidadãos envolvidos num caso semelhante.

Sudeste Asiático | Menos de metade da população preocupada com crise climática

Menos da metade dos entrevistados do Sudeste Asiático acredita que a mudança climática representa uma séria ameaça, em comparação com 68,6 por cento que, há dois anos, tinham expressado forte preocupação, de acordo com um estudo

 

O estudo anual “Southeast Asia Climate Outlook: Survey Report 2023”, elaborado pelo Instituto Yusof Ishak de Singapura (ISEAS), mostrou que apenas 49,4 por cento dos inquiridos afirmaram considerar as alterações climáticas como “uma ameaça grave e imediata ao bem-estar do país”, contra 68,8 por cento em 2021. Uma proporção semelhante de inquiridos (41,9 por cento) afirmou, por outro lado, ver “necessidade de monitorizar as alterações climáticas”.

“Isto levanta a questão de saber se a associação de problemas imediatos, como a escassez de energia e a insegurança, se deve aos impactos climáticos, a problemas geopolíticos ou a questões domésticas”, afirmou o instituto, no relatório.

O instituto, que acompanha as percepções na região sobre questões e impactos da crise climática desde 2020, entrevistou 2.225 pessoas que vivem em 10 países do Sudeste Asiático entre 10 de Julho e 7 de Agosto.

Apesar da queda acentuada das percepções de urgência climática, o inquérito indicou um aumento das preocupações com a segurança alimentar: sete em cada dez inquiridos manifestaram uma preocupação considerável com a disponibilidade e o acesso aos alimentos devido aos impactos climáticos nos próximos anos.

As maiores preocupações dos inquiridos foram as inundações (79 por cento), as vagas de calor (51,4 por cento) e as secas (47,6 por cento).
Para resolver os problemas de segurança alimentar global, a maioria dos inquiridos afirmou que os governos deviam dar prioridade à necessidade de promoverem métodos agrícolas resistentes ao clima (67,2 por cento), aumentar os investimentos agroalimentares (63,9 por cento) e aumentar a produção alimentar nacional (56,6 por cento).

Foco nacional

Os dados mostraram que “a maior atribuição de responsabilidade pelas alterações climáticas continua a ser feita aos governos nacionais”, o que sugere que “os cidadãos (…) esperam fortemente que os governos nacionais estejam na vanguarda da articulação de visões e regulamentos climáticos mais claros para as economias”, de acordo com o estudo.

A este respeito, a maioria (35,7 por cento) dos inquiridos considerou que o seu governo “está consciente das ameaças climáticas”, mas não dispõe de “recursos suficientes para as enfrentar”, enquanto 25 por cento entendeu que o executivo “não está a prestar atenção suficiente às alterações climáticas”. Um grupo semelhante (24,8 por cento) respondeu acreditar que as autoridades consideram “as alterações climáticas uma prioridade nacional urgente e afectaram recursos suficientes para as enfrentar”.

A instituição lançou também um alerta, no estudo: em Junho, “foram estabelecidos recordes globais para as temperaturas e a cobertura de gelo marinho mais baixas observadas em qualquer Junho em 174 anos”.

“Mais perto de casa, as temperaturas mais altas alguma vez registadas aconteceram no Vietname e no Laos, em maio, e na Tailândia, em Abril”, o que é indicativo do agravamento da crise climática na região, onde “estes recordes de temperatura vão continuar a atingir novos máximos”, sustentou.

Como se espera que a região entre numa época sob influência do fenómeno El Niño, que deverá trazer tempo mais quente, ondas de calor e seca, as previsões apontam para um aumento dos incêndios florestais nos próximos meses.

Além disso, os impactos imediatos das alterações climáticas “introduzirão novos ‘choques’ económicos nos países da região dependentes da agricultura”. “Não é um futuro para o qual a região esteja preparada”, concluiu o relatório.

Síria | Xi anuncia parceria estratégica em reunião com Assad

O Presidente da China, Xi Jinping, e o homólogo sírio, Bashar al-Assad, anunciaram o estabelecimento de uma “parceria estratégica”, numa altura em que Pequim fortalece os laços com os países em desenvolvimento

 

A reunião com Bashar al-Assad deu início a uma série de encontros entre Xi e vários líderes estrangeiros, incluindo o primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, antes da abertura dos Jogos Asiáticos, na cidade de Hangzhou, leste da China.

“Face à situação internacional instável e incerta, a China está disposta a trabalhar com a Síria para prestar apoio mútuo e salvaguardar, em conjunto, a imparcialidade e justiça internacionais”, disse Xi, num vídeo publicado pela televisão estatal CCTV. Xi explicou que as relações entre a China e a Síria “resistiram ao teste das tempestades e mudanças internacionais” e que a “amizade entre os dois países está cada vez mais forte”.

A visita de Assad é paralela, em alguns aspectos, à do líder russo, Vladimir Putin, no ano passado, para a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim. Ambos os líderes são vistos como párias no Ocidente, mas bem recebidos pela China, que tenta expandir a sua influência global e promover uma alternativa à ordem liberal liderada pelos Estados Unidos.

O líder sírio participou na cerimónia de abertura dos Jogos Asiáticos juntamente com o rei do Camboja, o príncipe herdeiro do Kuwait e os primeiros-ministros do Nepal, Timor-Leste e Coreia do Sul, informou o ministério dos Negócios Estrangeiros da China. A competição, que acontece na cidade de Hangzhou, vai ter mais participantes do que os Jogos Olímpicos.

Amigos do Levante

O rei cambojano Norodom Sihamoni chegou na sexta-feira ao aeroporto de Hangzhou. Um vídeo difundido pela CCTV mostrou Sihamoni a descer as escadas do avião até à pista, para uma recepção com tapete vermelho, que incluía as mascotes dos Jogos Asiáticos.

Para Assad, trata-se de uma rara viagem ao estrangeiro, numa altura em que tenta sair do isolamento internacional, provocado por uma guerra civil que começou há 12 anos. O conflito matou meio milhão de pessoas e deixou parte do país em ruína.
Pequim está a expandir a sua influência no Médio Oriente, após ter mediado um acordo, em Março, entre a Arábia Saudita e o Irão.

A China pode desempenhar um papel importante, no futuro, na reconstrução da Síria, que deverá custar dezenas de milhares de milhões de dólares. O país do Médio Oriente aderiu, no ano passado, à iniciativa “Faixa e Rota”, um megaprojecto de infra-estruturas lançado por Pequim que visa expandir a sua influência através da construção de portos, linhas ferroviárias ou autoestradas.

Desde que o conflito na Síria começou em Março de 2011 com protestos pró-democracia e mais tarde se transformou numa guerra civil, o Irão e a Rússia ajudaram Assad a recuperar o controlo de grande parte do país. A China usou o seu poder de veto na ONU por oito vezes para impedir resoluções contra o governo de Assad.

A última e única visita de Assad à China foi em 2004, um ano depois da invasão do Iraque, liderada pelos EUA, e numa altura em que Washington pressionava a Síria.

Taiwan | Dissidente foge e pede ajuda para obter asilo nos EUA ou Canadá

Um dissidente chinês conhecido por assinalar regularmente a repressão de 1989 aos manifestantes pró-democracia na Praça Tiananmen, em Pequim, fugiu para Taiwan na sexta-feira e pediu ajuda para procurar asilo nos Estados Unidos ou no Canadá.

Chen Siming divulgou, através de um vídeo na rede social X (antigo Twitter), que estava na área de trânsito (área internacional) do Aeroporto Internacional de Taoyuan, para escapar da perseguição política chinesa.

“Os métodos de manutenção da estabilidade da polícia chinesa dirigidos a mim estavam a tornar-se cada vez mais cruéis e loucos”, frisou este chinês na sua publicação. “Detiveram-me à vontade, sem seguir os procedimentos legais. Ficaram com o meu telemóvel e até me deram uma avaliação psiquiátrica. Não posso mais continuar a aceitar a destruição da minha dignidade pessoal, o atropelamento da minha honra e a ameaça ao meu corpo”, acrescentou.

Embora não seja claro como Chen conseguiu viajar para Taiwan, o dissidente chinês referiu à agência Associated Press (AP) que deixou a China em 22 de Julho, rumo a Taiwan.

Chen sublinhou que, desde 2017, a polícia o prendeu todos os anos, principalmente na data das comemorações anuais da repressão de 4 de Junho na Praça Tiananmen, em Pequim. O período de detenção mais curto durou uma semana, seguindo-se 15 dias e depois períodos mais longos, denunciou.

Tecnologia | PM pede às PME que ajudem a alcançar autossuficiência

O primeiro-ministro chinês apelou a uma maior participação das pequenas e médias empresas (PME) nas iniciativas nacionais de autossuficiência tecnológica e estabilização das cadeias industriais, noticiou a imprensa oficial.

“A China atravessa uma encruzilhada crucial no que diz respeito ao desenvolvimento de alta qualidade. Devemos aumentar ainda mais a confiança no desenvolvimento e manter a determinação em promover a transformação e modernização da indústria”, disse Li Qiang, durante uma visita a várias empresas em Pequim.

Li, que assumiu o cargo há meio ano, pediu que se concentrem esforços na inovação “de alto nível, inteligente e verde”. O primeiro-ministro chinês prometeu “políticas mais selectivas e eficazes” e “serviços mais práticos e oportunos”, ao oferecer apoios sob a forma de financiamento, incentivos fiscais ou protecção dos direitos de propriedade intelectual das empresas.

Face a uma prolongada guerra comercial e tecnológica com os Estados Unidos, a China está a promover a autosuficiência em sectores tecnológicos chave.

Em particular, Washington, em coordenação com Japão e Holanda, bloqueou o acesso do país a ‘chips’ semicondutores avançados, componentes essenciais para o fabrico de alta tecnologia e que têm aplicações militares.

Em Março, durante a cimeira anual da Assembleia Popular Nacional, o órgão máximo legislativo da China, o Presidente chinês, Xi Jinping, apelou a que se “trabalhe para alcançar uma maior autossuficiência tecnológica”, visando “contribuir para a força nacional”, perante as medidas tomadas por vários países.

Economia | Pequim e Washington formam grupos de trabalho na área financeira

O Departamento do Tesouro (Finanças) dos Estados Unidos e o Ministério das Finanças da China anunciaram dois grupos de trabalho na área económica com o objectivo de diminuir as tensões e aprofundar a relação entre os dois países

 

Liderados pela secretária do Tesouro norte-americana, Janet Yellen, e pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, os grupos de trabalho serão divididos em segmentos económicos e financeiros.

Os grupos de trabalho “vão estabelecer um duradouro canal de comunicação entre as duas maiores economias do mundo”, disse Yellen numa série de publicações na rede social X (antigo Twitter) que pormenorizam este anúncio. “[Os grupos] vão constituir importantes fóruns para comunicar os interesses e preocupações dos Estados Unidos, promover uma competição económica mais salutar entre os nossos dois países e no interesse dos trabalhadores e empresários norte-americanos”, referiu.

O anúncio ocorre após a deslocação à China este ano de altos responsáveis da administração norte-americana, e que podem indicar um possível encontro entre o Presidente Joe Biden e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, em Novembro, no decurso da conferência económica Ásia-Pacífico em São Francisco.

A China é um dos principais parceiros comerciais dos EUA, e a competição económica entre os dois países aumentou nos últimos anos. Os dois ministros das Finanças concordaram em encontrar-se “com regularidade”, indicou o Departamento do Tesouro.

Yellen, juntamente com outros membros da administração Biden, deslocaram-se à China no corrente ano após o Presidente democrata ter solicitado a altos responsáveis oficiais para “manter contactos e intensificar os esforços construtivos” e após o encontro que manteve com Xi em Bali, em 2022.

Moldes feitos

A formação destes grupos de trabalho surge após o encontro mantido na segunda-feira da semana passada entre o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, e o vice-presidente da China à margem da Assembleia geral a ONU em Nova Iorque.

No entanto, a formação de grupos de trabalho entre os EUA e a China não são uma novidade. Em 2005, dois senadores norte-americanos estabeleceram um grupo de trabalho entre legisladores dos dois países. Em Agosto, a secretária do Comércio, Gina Raimondo, indicou pretender promover um grupo de trabalho com o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, integrado por responsáveis oficiais e representantes do sector privado para “procurar soluções nas áreas do comércio e investimentos”.

Portugal | Lídia Jorge vence Prémio Eduardo Lourenço 2023

A escritora portuguesa Lídia Jorge é a vencedora da 19.ª edição do Prémio Eduardo Lourenço, anunciou o Centro de Estudos Ibéricos (CEI). “O júri, por unanimidade, decidiu que o Prémio Eduardo Lourenço em 2023 será atribuído à escritora Lídia Jorge”, revelou o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, e elemento da direcção do CEI.

O autarca realçou que se dá assim “uma dimensão maior ao Prémio Eduardo Lourenço, que já não é só da Ibéria, mas também da Ibero-americana, tendo em conta a sua presença naquelas latitudes”.

O vice-reitor da Universidade de Coimbra, Delfim Leão, sublinhou que, tendo em conta que “o Prémio Eduardo Lourenço tem sido maioritariamente até agora masculino, não deixa de ser interessante o galardão atribuído a Lídia Jorge. Vem reforçar a presença feminina no leque de premiados, ela que é precisamente um dos arautos por excelência dessa visibilidade das vozes femininas através da sua obra”.

O vice-reitor da Universidade de Salamanca, José Mateos Roco, destacou que “foi uma decisão muito pensada, muito ponderada, foram valorizados todos os pontos de vista, mas a figura da premiada foi a que mais reunia condições para este ano ser vencedora, sobretudo nessa nova dimensão que se pretende do prémio”.

Fotografia | Edgar Martins distinguido nos International Photography Awards

O fotógrafo Edgar Martins, ex-residente em Macau actualmente radicado no Reino Unido, acaba de vencer mais um prémio internacional. Desta vez foi considerado o melhor fotógrafo na categoria de filme nos International Photography Awards nos Estados Unidos, distinção que no mesmo patamar de prestígio e importância que os prémios Sony, que em Abril deste ano distinguiu Edgar Martins como o fotógrafo do ano.

Nesta competição, Edgar Martins venceu na categoria de “Filme / Retrato Analógico” com uma selecção de imagens intitulada “Our War” [A Nossa Guerra], retiradas do novo projecto “Anton’s hand is made of guilt, no muscle or bone. He has two clinically depressed fingers and an angry thumb”.

Zhai Honggang, membro do júri, considerou que, neste trabalho, Edgar Martins “usa imagens ricas para expressar o seu tema”, além de que “cada fotografia é excelente e tem um elevado nível de conclusão”. Já Angelika Hala defende que se trata de uma série de imagens que ligam “lugares e pessoas dos últimos dias de vida de um amigo”, sendo um trabalho “triunfante na sua memória colectiva, memorializando uma existência, criando um monumento”.

Amizade e mistério

“Produzido na Líbia e no Norte de África, o meu trabalho tem como ponto de partida uma investigação especulativa sobre a morte e o desaparecimento do meu amigo próximo, o fotojornalista Anton Hammerl, durante a guerra da Líbia em 2011. Os seus restos mortais estão desaparecidos até aos dias de hoje”, descreve Edgar Martins.

Desta forma, “ao reconstituir os passos de Anton, os locais que visitou e onde encontrou o seu fim, ao interagir com as pessoas que conheceu ou fotografou e com outras pessoas envolvidas ou afectadas pelo conflito (combatentes, civis, dissidentes líbios escondidos), ao procurar intersecções significativas entre as nossas viagens, consegui pôr-me na sua pele, mesmo que momentaneamente”, acrescentou. De frisar que a entrega do prémio dos International Photography Awards decorre dia 30 de Outubro no Carnegie Hall, em Nova Iorque.

Este mesmo projecto sobre o desaparecimento de Anton Hammerl levou Edgar Martins a vencer na categoria “Juror’s Choice”, ou seja, o favorito do júri, nos Hariban Photography Prize, mais especializado e virado para a fotografia artística.

Livro | Empresas familiares chinesas resolvem disputas internamente

São raros os processos judiciais gerados por disputas em empresas familiares chinesas devido ao respeito hierárquico e à resolução interna dos problemas. Esta é uma das conclusões do novo livro de João Vieira Guedes, “Responsabilidade dos administradores perante a sociedade e os credores em Macau – Uma contextualização”

 

Apresentado no sábado, o livro “Responsabilidade dos administradores perante a sociedade e os credores em Macau – Uma contextualização”, do jurista João Vieira Guedes, conclui que grande parte das empresas familiares chinesas opta por resolver os problemas internamente, sem recorrer a tribunal.

“A razão pela qual não há praticamente processos contra administradores em Macau não se deve ao facto de existirem empresas com uma administração de excelência, mas porque as disputas são resolvidas internamente”, contou o autor ao HM, acrescentando que, em grande parte dos casos, as problemáticas das sociedades familiares chinesas são resolvidas “pelo patriarca”, ou fundador.

Os processos em tribunal associados ao universo da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), fundada pelo magnata Stanley Ho, constituem uma excepção à regra. João Vieira Guedes defende que os descendentes do patriarca, formados muitas vezes no estrangeiro, com outros valores empresariais, “adoptam algumas idiossincrasias dos sítios onde estiveram”, começando a haver “uma certa modernização ou alteração de mentalidade” quanto à forma como as disputas são resolvidas.

Sem alterar a lei

Outra das ideias deixadas pelo livro de João Vieira Guedes é que não é necessário alterar a legislação local para abraçar o conceito de “Business Judgment Rule” [Regra do Julgamento de Negócios], presente na jurisdição americana desde o século XIX. “Não faz sentido alterar a lei porque a legislação que temos é suficiente, e isso abre caminho para as sociedades familiares chinesas. O espírito ocidental é de confronto, em que se ataca o administrador quando este não executa bem a sua função, mas nas sociedades familiares chinesas a responsabilidade do administrador não é tão importante, mas sim o controlo da empresa. Resolvem-se as coisas internamente e não sei vai para tribunal, ao contrário das sociedades ocidentais”, adiantou.

A obra de João Vieira Guedes, resultado da tese de mestrado defendida na Universidade de Macau, conclui também que grande parte das empresas de Macau funciona mediante um modelo confucionista, de “respeito pela hierarquia e evitando o confronto”.

Este tipo de empresas caracteriza-se ainda por ter uma pequena dimensão ou uma estrutura organizacional simples, sendo que a propriedade e o controlo “estão nas mãos da família e parentes próximos, ou na família em sentido amplo e amigos próximos”. A empresa é encarada como património familiar, “o que faz com que não exista separação entre controlo e propriedade”. Além disso, “o processo decisório é centralizado”.

Por norma, as sociedades familiares chinesas atravessam ainda quatro fases, nomeadamente a “emergente, centralizada, segmentada e de desintegração”. “Costuma dizer-se que as sociedades familiares chinesas não duram 100 anos, ao contrário de algumas sociedades ocidentais.

Há uma disputa pelo poder e pelo controlo da sociedade, e há um grande risco de esta não ter sucesso devido à competição pelo seu controlo”, adiantou o autor.

Economia | Inflação subiu quase 1% em Agosto

A taxa de inflação em Macau subiu 0,99 por cento durante Agosto face ao mesmo mês do ano passado, indicam dados oficiais divulgados na sexta-feira.

“O crescimento foi impulsionado, principalmente, pela ascensão dos preços das refeições adquiridas fora de casa, das excursões, dos quartos de hotéis e do vestuário”, bem como “das propinas escolares”, de acordo com um comunicado da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

“Todavia, a diminuição das rendas de casa e a queda dos preços dos bilhetes de avião compensaram parte do crescimento do índice de preços”, acrescentou. Em Agosto, o índice de preços no consumidor cresceu 0,04 por cento face ao mês de Julho, referiu a DSEC.

Semana Dourada | Esperada ocupação hoteleira superior a 90%

A directora dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes, antecipa uma taxa de ocupação dos hotéis acima de 90 por cento, face à expectativa de que durante a Semana Dourada o número de turistas a entrar no território possa ser superior a 100 mil por dia. Apesar das previsões, segundo o jornal Ou Mun, a responsável indicou que até agora os preços dos quartos não mostram grande flutuação.

Por outro lado, a responsável destacou que a DST e a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego estão em contactos para aumentar o número de autocarros a circular em Macau, assim como para reforçar a capacidade das várias paragens. Estas alterações são feitas com o objectivo de responder ao crescimento antecipado da procura pelos meios de transporte colectivos, mas também para oferecer alternativas, que levem à dispersão do fluxo de turistas.

Turismo | Agências perdem um quinto dos trabalhadores

No ano passado, as agências de viagem perderam um quinto dos trabalhadores, em comparação com 2021. Os dados sobre as agências de viagens foram divulgados na sexta-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Segundo a informação divulgada, no ano passado, o terceiro da pandemia e da política de isolamento, as agências tinham 2.204 empregados, menos 558 trabalhadores em comparação com 2021, quando o número de pessoas no sector era de 2.792. Esta é uma diferença de 21 por cento, ou seja, uma perda superior a um quinto da mão-de-obra da indústria no espaço de um ano.

No que diz respeito às perdas, houve uma melhoria. Em 2021, os prejuízos brutos reportados pelas diferentes agências tinha atingido os 127 milhões de patacas e no ano passado, também com os despedimentos, foi encurtado para 91 milhões de patacas.
Quando é tido em conta que no ano passado havia 174 agências a operar em Macau, as perdas totais representam uma média de 517 mil patacas em prejuízos por agência. “As receitas e despesas das agências de viagens cifraram-se em 1,60 mil milhões e 1,69 mil milhões de patacas, respectivamente, as quais baixaram 19,8 por cento e 20,3 por cento, em termos anuais”, indicou a DSEC.
Também o número de agências teve uma redução entre 2021 e 2022, com uma redução de oito agências, de 184 para 176 no ano passado.

Hospital das Ilhas | Governo poderá injectar capital até haver lucro

Até que o Hospital das Ilhas se torne financeiramente independente, o Executivo está pronto para injectar o dinheiro que for necessário. Em cima da mesa está também a possibilidade de o hospital abrir representações fora do território

 

Até haver lucros, o Governo está preparado para injectar todo o dinheiro que for preciso para garantir o funcionamento do Hospital das Ilhas, que é explorado num modelo de parceria público-privada com o Peking Union Medical College Hospital. O compromisso foi deixado por Lei Wai Seng, coordenador do Gabinete Preparatório do Complexo de Saúde das Ilhas, na sexta-feira.

Apesar de os residentes apenas poderem recorrer aos serviços do novo Hospital quando reencaminhados pelos Serviços de Saúde, caso contrário pagam taxas aplicadas num hospital privado, Lei Wai Seng destacou que todo o investimento é feito em nome do “serviço público.

“A tarefa principal é o serviço público e, para o serviço público, claro que o Governo tem de injectar parte do orçamento. Em 2024, temos um orçamento para injectar no Centro Médico e para adquirir equipamentos”, afirmou Lei, após o Conselho Executivo, ter aprovado os Estatuto do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas – Centro Médico de Macau do Peking Union Medical College Hospital. Apesar de o orçamento para o próximo ano ter sido abordado, o valor não foi revelado.

No entanto, Lei Wai Seng referiu que desde o início do projecto “até ao momento” foram gastos 13 mil milhões de patacas e que o valor vai continuar a subir. “Para o desenvolvimento do Centro Médico precisamos de adquirir mais equipamentos. Temos a certeza que vai ser necessário mais dinheiro para gerir e fazer funcionar o Centro Médico”, vincou. “Esta é a primeira injecção, e ainda não comprámos todos os equipamentos que necessitamos”, acrescentou.

No futuro, o Executivo espera deixar de ter de injectar dinheiro na infra-estrutura: “Actualmente, o Centro Médico está isento de impostos. E no futuro vai reservar parte dos lucros, para o seu desenvolvimento. Desta forma, o Governo pode deixar de investir. Queremos que o Centro Médico seja auto-suficiente”, completou.

Abrir representações

À luz do novo estatuto, o Centro Médico de Macau do Peking Union Medical College Hospital vai ainda poder abrir representações fora do território, como na Zona de Cooperação Aprofundada, na Ilha da Montanha. Esta opção foi explicada por Lei Wai Seng com a política de diversificação da economia de Macau e a aposta no desenvolvimento do sector da saúde.

“Uma das competências é desenvolver a área de Big Health, e dependendo das necessidades do desenvolvimento, podem ser estabelecidos hospitais afiliados com o Centro Médico, por exemplo em Hengqin ou estabelecer uma base de estudo com outras entidades”, foi explicado pelo coordenador do Gabinete Preparatório do Complexo de Saúde das Ilhas. O regulamento do hospital vai entrar em vigor a 1 de Outubro e o Centro Médico deverá começar a operar até ao final do ano.

Obras públicas | 25 projectos concluídos até 2027

Um total de 25 projectos de construção pública, incluindo infra-estruturas governamentais, o novo hospital ou habitação pública deverão ficar prontos até 2027. Um dos exemplos é a conclusão, no próximo ano, das habitações para idosos na Avenida do Nordeste, ou ainda os diversos projectos para a zona A dos novos aterros.

A estimativa consta no relatório de actividades da Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP), que revela ainda que, no ano passado, este organismo contou com um orçamento do PIDDA (Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração) de 14,2 mil milhões de patacas, com uma taxa de execução orçamental de 91 por cento.

No ano passado foram ainda lançados 46 concursos públicos e consultas para a realização de obras, tendo sido concluídas 29. Há ainda 56 obras em curso, enquanto estão em fase de concepção e estudo 36 projectos. Em matéria de segurança de infra-estruturas, foram realizadas seis inspecções, verificados 30 taludes com risco de derrocada, procedendo-se ainda à actualização contínua da Rede de Informação sobre a Segurança dos Taludes, descreve o relatório.

Novo Bairro de Macau | Quase 90% diz precisar de hipoteca

Um inquérito realizado pela Sociedade de Renovação Urbana de Macau junto dos residentes conclui que cerca de 88 por cento diz necessitar de pedir um empréstimo hipotecário para comprar uma casa no Novo Bairro, enquanto 75 por cento “espera que exista um centro de vendas em Macau para a apresentação de candidaturas”.

Relativamente ao crédito da habitação, a sociedade “tem contactado instituições financeiras, propondo que os residentes de Macau possam usufruir de um rácio máximo de 80 por cento ou mesmo de 90 por cento do valor do empréstimo para as unidades residenciais” do Novo Bairro. Segundo um comunicado divulgado ontem pela Macau Renovação Urbana, “o feedback das entidades relevantes tem sido, até à data, positivo”.

A empresa tem recolhido opiniões dos residentes “sobre a possibilidade de se tornarem proprietários através de múltiplas plataformas” no Novo Bairro, sendo que “os três principais tipos de lojas que os residentes esperam que existam [no bairro] são de alimentação e bebidas, supermercados e serviços de subsistência”. Pretende-se, assim, “atrair mais marcas de produtos alimentares e bebidas para abrir um negócio nos mais de 5.000 metros quadrados de espaço comercial do bairro”, além de se criarem “instalações completas de educação básica”.

Foi já criado um centro de vendas de apartamentos em Hengqin e em Macau, estando a ser preparado um sistema de candidaturas online. O projecto promete ainda oferecer mais de quatro mil lugares de estacionamento, estando a ser analisada a possibilidade de providenciar mobiliário completo, em que os compradores das casas podem escolher um de vários pacotes de mobiliário a diferentes preços.

O projecto do Novo Bairro está na fase de inspecção, que deverá estar concluída este mês, estando a ser executados trabalhos de paisagismo e construção de estradas.