Fórum Faixa e Rota termina com acordos de 97,2 mil milhões

O 3º Fórum da Iniciativa Faixa e Rota terminou ontem em Pequim com acordos comerciais no valor de 97,2 mil milhões de dólares, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi. Wang declarou numa conferência de imprensa que o fórum foi “um sucesso total”, uma vez que “todas as questões da agenda” foram abordadas, o que mostrou aos representantes dos 110 países presentes que “não vieram falar por falar”.

O ministro afirmou ainda que a China está empenhada em construir uma “economia global aberta” e em desenvolver uma “economia digital com um ambiente não discriminatório”. Segundo o chefe da diplomacia chinesa, o Fórum terminou ainda com 458 acordos e mais de cem mil oportunidades de formação.

Xi Jinping, Presidente da China, disse que o país vai abrir ainda mais o “comércio transfronteiriço e o investimento nos serviços e expandir o acesso ao mercado de produtos digitais” e reformar as empresas estatais e grupos que atuam na economia digital, os direitos de propriedade intelectual e os contratos públicos.

De acordo com dados do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, a iniciativa lançou mais de 3.000 projetos na última década, com um investimento conjunto de cerca de um bilião de dólares, e criou 420.000 postos de trabalho.

Designado pelo Presidente chinês, Xi Jinping, como o “projecto do século”, em 2013, a iniciativa foi inicialmente apresentada no Cazaquistão como um novo corredor económico para a Eurásia, inspirado na antiga Rota da Seda. A construção de portos, linhas ferroviárias ou autoestradas voltaria a ligar o leste da Ásia e a Europa, através da Ásia Central.

Mas a iniciativa tornou-se, entretanto, no principal programa da política externa de Xi Jinping. Na última década, mais de 150 países em todo o mundo aderiram à Faixa e Rota.

Segundo um estudo realizado pela AidData, unidade de pesquisa sobre financiamento internacional, com sede nos Estados Unidos, nos primeiros cinco anos desde o lançamento (2013-2017), a China financiou, em média, 83,5 mil milhões de dólares por ano em projetos de desenvolvimento no estrangeiro, cimentando a liderança como principal financiadora internacional.

O aumento líquido, de 31,3 mil milhões de dólares por ano, em relação aos cinco anos anteriores (2008-2012), é equivalente ao financiamento anual médio dos Estados Unidos, que ocupam a segunda posição, no período 2013-2017.

Wang Yi | “Modernizar o mundo em conjunto”

“O terceiro Fórum Faixa e Rota para Cooperação Internacional regista outro marco importante no processo de construção conjunta da Iniciativa Faixa e Rota, afirmou o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, na quarta-feira, destacando o “sucesso total” do fórum. “O consenso mais importante alcançado neste fórum é abrir uma nova etapa de cooperação de alta qualidade”, disse Wang.” A nova etapa de cooperação criará ainda mais oportunidades para a economia global e tornar-se-á uma vantagem para a situação global.

“A maior visão deste fórum é modernizar o mundo em conjunto”, disse Wang. “A Iniciativa Faixa e Rota (IFR) criou uma plataforma de cooperação para o desenvolvimento comum e ajudou muitos países em desenvolvimento a acelerar a sua marcha em direção à modernização”. Durante o fórum, foram alcançados um total de 458 resultados, muito mais do que o segundo, revelou Wang. “Nos últimos 10 anos a cooperação Faixa e Rota alcançou conquistas históricas, abrindo um caminho de cooperação, oportunidade e prosperidade que leva ao desenvolvimento comum”, apontou ele.

Wang observou que “a IFR tornou-se o bem público internacional mais popular e a maior plataforma de cooperação internacional do mundo. A Faixa e Rota é uma plataforma aberta e todos os países são bem-vindos a participar dela a qualquer momento”.

O ministro expressou a esperança de que as iniciativas de conectividade de outros países também permaneçam abertas e evitem a criação de cliques exclusivos. “A China está pronta para se alinhar com todas as outras iniciativas de conectividade”, afirmou.

Wang também rejeitou a alegação de que a Parceria para Infraestruturas e Investimentos Globais, lançada pelos EUA, tem como alvo a Iniciativa Faixa e Rota, chamando a narrativa de mais um caso de politização de questões económicas.

Jogo | Sands China com lucros de 231 milhões de dólares

A empresa que explora os casinos The Venetian e The Parisian obteve um lucro de 231 milhões de dólares entre Julho e Setembro. O presidente da Las Vegas Sands, Robert Goldstein, mostrou-se confiante no potencial do crescimento dos lucros

 

A operadora de casinos Sands China anunciou ontem um lucro de 231 milhões de dólares no terceiro trimestre deste ano. Em igual período do ano passado, a Sands China tinha registado um prejuízo líquido de 472 milhões de dólares, de acordo com um comunicado enviado à bolsa de valores de Hong Kong.

As receitas líquidas totais da Sands China aumentaram para 1,78 mil milhões de dólares entre Julho e Setembro, em comparação com 251 milhões de dólares no mesmo período do ano passado.

O EBITDA (resultados antes de impostos, juros, amortizações e depreciações) ajustado da Sands China foi de 631 milhões de dólares contra uma perda de 152 milhões de dólares no terceiro trimestre de 2022, indica o mesmo comunicado dos resultados da Las Vegas Sands, que detém controla a Sands China.

O presidente e director executivo da Las Vegas Sands, Robert Goldstein, destacou “a recuperação dos segmentos de jogo e não jogo” durante o trimestre e “a oportunidade de continuar” a investir para “melhorar a atracção turística de Macau para os viajantes de toda a região, incluindo estrangeiros” que visitam o território.

Em comunicado, Robert Goldstein destacou também que “o compromisso de décadas” da concessionária em “investimentos que melhoram a atracção turística de Macau” e de apoio ao “desenvolvimento de Macau como um centro mundial de comércio de turismo” colocam a Sands numa posição “robusta” para atingir “um crescimento forte, com a recuperação das viagens e do turismo”.

Maré baixa em Setembro

Em Setembro, as receitas do jogo em Macau caíram 13,2 por cento. Em comparação com Agosto, com os casinos a arrecadarem 14,9 mil milhões de patacas.

Com o fim das restrições sanitárias impostas durante a pandemia da covid-19, Macau recebeu 17,6 milhões de visitantes nos primeiros oito meses do ano, quatro vezes mais do que no mesmo período do ano passado, mas ainda dois terços do valor registado entre Janeiro e agosto de 2019.

A indústria do jogo, a principal fonte de receita via impostos do Governo do território, representava mais de metade do produto interno bruto (PIB) de Macau em 2019 e dava trabalho a quase 68 mil pessoas no final de 2022, ou seja, a quase 20 por cento da população empregada.
Macau é o único local na China onde o jogo em casino é legal. Operam no território seis concessionárias (Sands, MGM, Wynn, Melco, Galaxy e SJM), cujo contrato de concessão para os próximos dez anos entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2023.

Turismo | Guias com pouco trabalho devido a quebra de excursões

Agnes Lam entende que o modelo de viagens em Macau e no Interior da China alterou-se nos últimos tempos, o que explica a falta de trabalho para muitos dos guias turísticos credenciados no território. A ex-deputada afirma que, cada vez mais, os turistas preferem viagens individuais

 

O turismo recuperou rapidamente desde Janeiro e os números da Semana Dourada deste mês foram bastante simpáticos para o sector, mas a verdade é que os guias turísticos se queixam de falta de trabalho.

Agnes Lam, ex-deputada e professora na Universidade de Macau, defendeu ao jornal Exmoo, num artigo de opinião, que a falta de trabalho dos guias se deve à alteração do modelo de viagem em Macau e no Interior da China, com maior preferência dos turistas pelas viagens individuais.

Agnes Lam indicou que hoje existem menos 100 guias turísticos credenciados face aos que existiam há uns anos, e que ultimamente as pessoas procuram cada vez mais fazer turismo de forma individual em fez de participar em excursões, procurando ainda guias de viagem online. Tais factores fazem com que se reduzam as oportunidades de trabalho para os guias turísticos, frisou.

Recorde-se que na última semana dourada, que significou férias de oito dias para muitas pessoas, Macau atraiu mais de 930 mil pessoas oriundas do Interior da China, ultrapassando as previsões do Governo, atingindo 84 por cento dos turistas chegados a Macau em 2019 no mesmo período.

No entanto, a associação que representa os guias turísticos de Macau disse que muitos se encontram numa situação de subemprego, trabalhando a tempo parcial.

Na China é igual

A académica não deixou de apontar que na China se verificam os mesmos hábitos turísticos. Citando vários relatórios de estudo de agências de viagens do país, Agnes Lam aponta que também se registou uma quebra do número de guias turísticos a nível nacional. Em 2019 havia 121.710 guias registados, com contrato de trabalho, em 2022 esse número baixou para 82.047, uma quebra de quase 40 mil profissionais.

Agnes Lam destacou ainda o papel das redes sociais que oferecem uma alternativa com a publicação de vídeos de locais turísticos que atingem milhões de visualizações, o que faz com que não seja necessário um guia.

Uma vez que estas mudanças estão a alterar o sector, a ex-deputada sugere que o Governo faça um melhor planeamento para o desenvolvimento do turismo, dando mais atenção à situação dos guias turísticos. A académica sugere associar a nova tendência das redes sociais, de publicação de vídeos curtos, ou realização de vídeos em directo, ao trabalho dos guias turísticos, a fim de reforçar a concorrência existente no sector.

Portugal | Secretário de Estado aponta a ligações além da cultura

De passagem pelo território, o secretário de Estado da Economia do Governo português, Pedro Cilínio, disse querer alargar o leque de áreas de cooperação com o território, indo além da cultura. O governante destacou as energias renováveis e economia azul

 

O secretário de Estado da Economia defendeu ontem à Lusa, em Macau, que Portugal quer “ir além” das ligações culturais com a região chinesa e apostar em novas áreas de negócio como energias renováveis e economia azul.

“Macau, visto por si, é um território que tem limitações geográficas, tem limitações até ao nível do seu potencial de mercado, e tem vindo a ser explorado até agora muito numa lógica daquilo que são as ligações culturais que existem com Portugal. Nós queremos ir além disso”, disse Pedro Cilínio, presente na abertura da 1ª Exposição Económica e Comercial China-Países de Língua Portuguesa (C-PLPEX), organizada no âmbito da Feira Internacional de Macau (MIF, na sigla inglesa).

As ligações culturais “promovem a base daquilo que pode ser um potencial de desenvolvimento de negócio futuro”, que passa “também por outras áreas de negócio, além daqueles que são os sectores que hoje em dia são pontes de ligação” e que são “potenciados pela presença portuguesa no território”, acrescentou Cilínio.

O secretário de Estado deu como exemplo os sectores das energias renováveis ou da economia azul, apontando para a representação de empresas nestes sectores na C-PLPEX. “O Fórum Oceano está aqui com uma representação muito forte, porque a área da economia azul é um tema importante para o desenvolvimento da Grande Baía, e Portugal, neste âmbito, tem um conjunto de ‘know-how’, de especialidades que podem vir a potenciar esse tipo de ligações”, considerou.

A Grande Baía é um projecto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, numa região com cerca de 80 milhões de habitantes e com um produto interno bruto (PIB) superior a um bilião de euros, semelhante ao PIB da Austrália, Indonésia ou México, países que integram o G20.

Obstáculos e afins

Quanto às queixas que têm sido vocalizadas por empresários portugueses sobre os obstáculos à entrada no mercado chinês, Cilínio disse que Portugal tem trabalhado “em contínuo” para que “sejam identificadas as dificuldades e encontradas as soluções” e para que estas “possam ser acauteladas naquilo que são os desenvolvimentos futuros para o território e para a Grande Baía”. A Grande Baía, sublinhou, “é um projecto muito interessante” e com “muitos passos a dar”.

“Percebemos hoje que esse caminho e essa visão é muito clara e acreditamos que esses passos, que passam por tudo o que tem a ver com a facilitação dos negócios das empresas dos países de língua portuguesa nesta região, irão acontecer”, disse.

Ao notar que China e Portugal estão a iniciar outro capítulo no palco da cooperação económica, Pedro Cilínio lembrou que, numa primeira fase, o investimento chinês “verificou-se por entradas em activos estratégicos e activos relevantes em Portugal”.

“Mas, neste momento, estamos a falar já de intenções de investimento concreto em áreas importantes para o desenvolvimento da nossa economia e é nessa fase que estamos a apostar”, referiu, nomeando áreas “de interesse para Portugal e para o espaço europeu”, como a mobilidade eléctrica e a sustentabilidade.

No primeiro semestre deste ano, o investimento chinês em Portugal “cresceu dez por cento face ao semestre anterior”, alcançando “cerca de 3,5 mil milhões de euros de investimento”, frisou.

Comércio | Feira sino-lusófona vista como apoio de Pequim a Macau

A criação da 1.ª Exposição Económica e Comercial China-Países de Língua Portuguesa (C-PLPEX) é vista como “um apoio de alto nível” de Pequim por um dos organizadores, que destaca ainda o “muito interesse” dos empresários lusófonos por encontros “cara-a-cara”

 

A criação da 1.ª Exposição Económica e Comercial China-Países de Língua Portuguesa (C-PLPEX), que começou ontem em Macau, reflecte o apoio político das autoridades de Pequim, disse à Lusa um dos organizadores. Mais de 260 expositores oriundos de países lusófonos estão a participar, até domingo, na C-PLPEX, a 28ª Feira Internacional de Macau (MIF) e a Exposição de Franquia de Macau (2023MFE), a decorrer em simultâneo.

A primeira C-PLPEX surge após seis edições da Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa, que “era apenas uma feira local para atrair compradores da China continental”, disse o director do escritório em Portugal da Perfeição Companhia Lda, empresa de Macau que apoiou a organização do evento. Este ano, “a feira vai ser de alto nível, organizada pelo Governo da RAEM, com o apoio do Ministério do Comércio da China”, sublinhou João Li.

A primeira C-PLPEX, “em vez de ser apenas uma parte da MIF, é separada e transformada numa feira independente”, disse à Lusa Bella Huang, gestora de projectos na Perfeição. “Podemos ver que o Governo está mais concentrado em desenvolver os laços entre a China e os países de língua portuguesa”, defendeu Huang.

“Macau é um mercado muito pequeno, mas vamos trazer muitos fornecedores e clientes de elevada qualidade, que podem encontrar bons parceiros” na RAEM, defendeu João Li. De acordo com o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), dos mais de 260 expositores vindos dos países de língua portuguesa, 76 são do Brasil, que regista assim o maior número de sempre de expositores, marcas e delegações.

Encontros aliciantes

João Li disse que, após quase três anos de restrições à entrada na China, devido à pandemia de covid-19, os empresários lusófonos “têm muito interesse em poder encontrar-se cara-a-cara” com empreendedores chineses. “Durante a pandemia organizámos muitas sessões de bolsas de contacto através da Internet, mas não é a mesma coisa. A presença física é muito importante”, sublinhou o director do escritório em Portugal da Perfeição.

Os expositores de língua portuguesa presentes abrangem indústrias como tecnologia de ponta, finanças modernas, turismo, criatividade cultural, comidas e bebidas, entre outras, salientou o IPIM no domingo, em comunicado. Bela Huang recordou o papel importante que advogados e contabilistas vindos de países lusófonos têm desempenhado em Macau, mas defendeu que, para “desenvolver indústrias diversificadas, são precisos talentos em outras áreas”.

A gestora da Perfeição deu como exemplo a aposta nos veículos eléctricos, na última edição do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau, em Agosto, e disse que a C-PLPEX “quer atrair mais indústrias diversas, como comércio electrónico”.

Trânsito | Estudada circulação em Guangdong através Hengqin

As autoridades de Zhuhai estão a estudar a possibilidade de o posto fronteiriço da Ilha da Montanha ser utilizado para permitir a entrada de veículos de Macau na província de Guangdong, no âmbito do programa “Circulação de veículos de Macau na província de Guangdong”.

A novidade foi revelada ontem pelo vice-secretário-geral do Governo Municipal de Zhuhai, Peng Su, durante um seminário sobre o desenvolvimento industrial da cidade vizinha integrado na Feira Internacional de Macau, que decorre até domingo no The Venetian.
“Actualmente, os veículos de Macau viajam para Zhuhai apenas através da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. No entanto, estamos a explorar a possibilidade de o ponto fronteiriço de Hengqin também abrir as portas a estes veículos, o que aumentaria a conveniência das viagens entre Macau e Zhuhai”, afirmou Peng Su, de acordo com o portal Macau News Agency.

O projecto tem sido muito popular entre a população de Macau, mas tem encontrado alguns desafios face à procura, e dado que a circulação está limitada a duas mil quotas diárias, apesar de vários pedidos para haver um aumento.

Anteriormente, Ho Iat Seng justificou o limite com a falta de capacidade dos acessos para a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, mas, posteriormente, mudou de versão e deu a entender que o aumento das quotas diárias teria de partir da decisão das autoridades do Interior.

IAM | Afastada revisão de normas para utilização de espaços públicos

O Instituto dos Assuntos Municipais (IAM) afasta a revisão do Regulamento Geral dos Espaços Púbicos, por considerar que o conteúdo é “abrangente”. Foi desta forma que O Lam, vice-presidente do IAM, respondeu a uma interpelação do deputado Lam Lon Wai.
No documento, Lam Lon Wai questiona o tipo de medida que está a ser adoptado para garantir que os espaços públicos são mantidos em boas condições de utilização e limpos.

A resposta de O Lam garante que a utilização dos espaços em condições de higiene é promovida junto de não-residentes e turistas de fora: “Com o aumento do número de trabalhadores não-residentes e de turistas após a epidemia, o IAM, através da impressão e distribuição de materiais de divulgação em várias línguas, da iniciativa do “Plano de Divulgação da Campanha de Limpeza da Cidade de Macau”, em conjunto com vários grupos estrangeiros em Macau, e do reforço da sensibilização nos postos fronteiriços e nas zonas turísticas, entre outros meios diversificados, eleva a consciência sobre a higiene ambiental dos respectivos indivíduos”, foi respondido.

Além disso, o IAM considera que as multas para quem cospe ou deixa lixo no chão são aplicadas sempre que necessário. “O Instituto para os Assuntos Municipais tem vindo a prestar atenção ao estado de higiene ambiental dos bairros de Macau, enviando regularmente pessoal para inspeccionar ruas de diferentes zonas”, foi sublinhado. “Em caso de detecção de infracções ao Regulamento Geral dos Espaços Públicos, proceder-se-á de imediato à autuação”, foi garantido.

Zhuhai lança campanha para atrair jovens de Macau e de todo o mundo

A campanha de atracção de talentos de Zhuhai para 2023, um esforço de colaboração entre Zhuhai e a Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau em Hengqin, teve início na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau no dia 14 de Outubro, avançou na quarta-feira o Governo da cidade vizinha.

O evento deste ano, com a duração de três meses, irá abranger mais de 70 faculdades e universidades em mais de 20 cidades nacionais e estrangeiras. Tanto o número de rotas de recrutamento como o de universidades no estrangeiro atingiram um número recorde.

Mais de 100 empresas líderes em Zhuhai disponibilizarão mais de 5.000 postos de trabalho, dos quais o salário anual mais elevado é de 1,35 milhões de yuan, enquanto mais de 200 postos de ensino em 16 escolas estarão também disponíveis, bem como 258 postos em 12 hospitais.

Nos próximos cinco anos, as autoridades de Zhuhai prometem introduzir 100 titulares de doutoramentos de universidades de renome no país e no estrangeiro e formar um grupo de quadros superiores e pessoal técnico que se encontram em falta. O Projecto de Prática para Jovens Talentos Excepcionais de Faculdades e Universidades de Prestígio Mundial levará a cabo uma actividade de duas semanas que combina a sensibilização para as cidades transfronteiriças e a prática profissional de alta qualidade.

Além disso, será concedido um subsídio de até 100 milhões de yuans a equipas e projectos de inovação e empreendedorismo de alto nível que sejam introduzidos em Zhuhai, juntamente com serviços de cadeia completa como a disponibilização de espaços para a indústria 5.0 e um fundo de desenvolvimento industrial de 30 mil milhões de yuans.

Alto nível e calibre

Para os talentos de alto calibre, será recompensado um máximo de 8 milhões de yuans, bem como um desconto de 50 por cento na compra de uma casa bem mobilada até 200 metros quadrados. Os titulares de um doutoramento podem receber até 250 000 yuan de subsídio de subsistência, um desconto de 50 por cento na compra de uma casa e um desconto de 40 por cento no aluguer de uma casa bem mobilada até 120 m2.

Os titulares de um mestrado ou de uma licenciatura podem beneficiar de um subsídio de subsistência máximo de 38 000 yuan. Além disso, os talentos que se instalam em Zhuhai podem usufruir de conveniências na educação dos filhos, no emprego do cônjuge.

Novo Bairro de Macau | Leong Sun Iok pede preços mais baratos

Com o mercado de habitação em Zhuhai a perder valor, Leong Sun Iok pede ao Governo e à empresa Macau Renovação Urbana a redução dos preços dos apartamentos no Novo Bairro de Macau. O deputado dos Operários sugere também uma campanha de descontos

 

Com o mercado imobiliário a perder valor em Zhuhai, os preços cobrados para comprar um apartamento no Novo Bairro de Macau, na Ilha da Montanha, deveriam ser reduzidos. A opinião é de Leong Sun Iok, deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), e foi partilhada através de um comunicado.

“Os preços de venda dos apartamentos no Novo Bairro de Macau foram estabelecidos em 30 mil renminbis por metro quadrado. No entanto, desde que o preço foi definido o imobiliário está a desvalorizar, e em particular na cidade de Zhuhai”, indicou o deputado. “É recomendável que as autoridades ajustem os preços de venda em resposta às alterações no mercado do imobiliário, ou então que façam descontos com base nos métodos aplicados no que diz respeito aos apartamentos para idosos”, acrescentou.

Os apartamentos para idosos são um novo tipo de habitação construída em Macau com fundos públicos, disponíveis para arrendamento, que possibilitam descontos de 20 por cento face ao preço original, nos primeiros três anos de arrendamento, para os primeiros 759 apartamentos.

Ao mesmo tempo, Leong Sun Iok destaca também as várias dificuldades que existe para quem pretende mudar-se de Macau para Hengqin, ao nível do transporte de mobílias e outros pertencentes. Actualmente, há empresas especializadas neste serviço, mas para quem deseja mudar-se de Macau para o Interior é mais conveniente comprar novas mobílias no outro lado da fronteira, devido às várias proibições e restrições no transporte de produtos para o Interior.

Para atrair residentes para o Novo Bairro de Macau, Leong indica que esta questão precisa de ser resolvida e a mudança tornada mais conveniente.

Apoios à compra

Em relação à compra com recurso a empréstimos e hipotecas no projecto construído pela Macau Renovação Urbana na Ilha da Montanha, o membro da Assembleia Legislativa pediu ao Governo para criar condições mais favoráveis.

Segundo Leong Sun Iok, apesar de alguns bancos em Macau permitirem empréstimos e hipotecas para o Interior, as condições são normalmente diferentes e menos acessíveis. Por isso, o deputado pede ao Governo que trabalhe com os bancos locais para encontrar soluções mais atractivas.

No mesmo sentido, o deputado também pediu que o Governo pondere a criação de incentivos a nível dos empréstimos para os jovens residentes para a compra de apartamentos na Ilha da Montanha.

Por último, apela à empresa Macau Renovação Urbana que anuncie tão depressa quanto possível as condições exigidas para o arrendamento dos espaços comerciais e lojas no projecto Novo Bairro de Macau. O legislador admite que tem sido contactado por algumas empresas interessadas em abrir espaços comerciais no outro lado da fronteira, mas que até ao momento as informações são escassas.

O Novo Bairro de Macau fica situado perto das avenidas Zhongxin e Gang’ao e conta com 27 torres habitacionais de 19 e 26 andares. Na maior parte dos casos, cada piso é constituído por sete ou oito apartamentos, o que faz com que o projecto albergue quase 4 mil habitações. As autoridades estimam que entre 12 mil e 15 mil residentes de Macau se mudem para o bairro em Hengqin.

A Polónia e a zona de conflito intra-eslavo: Manipulação Perigosa

I

Os leitores de Macau podem interrogar-se sobre a razão deste artigo. A Polónia situa-se no extremo oriental da UE e da NATO / OTAN, O papel de Varsóvia na política mundial parece ser marginal e a Polónia não é um dos principais parceiros comerciais da China. No entanto, a História demonstra-nos que este país foi um dos principais protagonistas em eras passadas. Já no séc. X, possuía um vasto território. Bastante mais tarde, a união polaco-lituana, governada pela dinastia Jagiellonian, controlava grande parte das zonas que pertencem actualmente à Ucrânia e à Bielorrússia. Durante algum tempo, a Polónia foi uma importante potência continental. Esta situação mudou no séc. XVIII, quando a Rússia, a Prússia e o Império dos Habsburgos tomaram partes do território polaco.

Depois da Primeira Guerra Mundial e da guerra que se seguiu entre a Polónia e a União Soviética, o território controlado por Varsóvia voltou a incluir partes da moderna Bielorrússia e algumas zonas da Ucrânia. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a fronteira ocidental da Polónia foi empurrada para o rio Oder, enquanto os territórios orientais caíram sob o domínio soviético.

A História da Polónia e dos seus vizinhos diz-nos que os territórios fronteiriços das planícies a leste do rio Oder sofreram rápidas mudanças. O que essencialmente verificamos é a luta permanente entre os diferentes governantes eslavos e as regiões adjacentes. As repetidas guerras nessa zona provocaram migrações, alterações culturais e muita dissidência. É verdade que houve alguns períodos de paz entre diferentes grupos étnicos e religiosos, mas noutras alturas, estes grupos entraram em confronto.

Com a ascensão da Prússia e dos Habsburgos a situação complicou-se e ainda se agravou com a ascensão da Grã-Bretanha como potência marítima e colonial. Migrantes polacos chegaram à Grã-Bretanha e os soldados polacos ajudaram os britânicos a combater os russos na Guerra da Crimeia.

As negociações que se seguiram à Primeira Guerra Mundial mostram que a Grã-Bretanha tentou alargar a sua influência a certas regiões costeiras do universo eslavo, em parte, porque se opunha à expansão da Rússia. Isto conduziu a uma espécie de política de divide et impera. Os impérios dos Habsburgos e o Otomano tinham sido divididos, a Grã-Bretanha engoliu muitos territórios anteriormente governados pelos otomanos e, claro, apoiou a Polónia. Após a Segunda Guerra Mundial, assistimos à rápida ascensão dos Estados Unidos. A influência britânica entrou em declínio, mas a Grã-Bretanha passou a ser o mais importante assessor dos americanos, enquanto estes se tornavam os maiores causadores de problemas a nível mundial aos olhos da Rússia e de muitos outros estados.

O que se pode dizer sobre o papel da Polónia nesta situação alterada? Os meios de comunicação internacionais dizem-nos que Varsóvia, com medo de Moscovo, reforça as suas forças armadas. Vai recrutar mais homens e já pediu material bélico a vários países, nos quais se inclui a Coreia do Sul. Este pedido irá ajudar a indústria de armamento coreana, o que agrada a Washington. Sem qualquer dúvida, a NATO / OTAN também se regozija.

A Polónia revela-se um parceiro leal desta organização, essencialmente comandada pelo Pentágono. Contudo, a história não fica por aqui. A UE tenta promover a integração europeia e deseja pôr fim aos egoísmos nacionalistas. Além disso, os seus estados-membros devem respeitar os princípios democráticos. No entanto, o Governo ultra-conservador da Polónia acentua as preocupações nacionais.

A UE pediu várias vezes a Varsóvia que melhorasse a sua estrutura política, e teve boas razões para o fazer. Estranhamente também, embora a UE apoie financeiramente a Polónia, o partido no poder em Varsóvia fez comentários polémicos sobre outros europeus, especialmente sobre os alemães. Por fim, houve queixas de que a Polónia não respeita os grupos étnicos minoritários.
Espera-se que esta situação venha a mudar no futuro. Os resultados da recente eleição podem conduzir a essa mudança.

Até agora, outros países europeus desvalorizaram os problemas da Polónia. Evidentemente, ninguém desejava provocar o Governo de Varsóvia. No entanto, de vez em quando havia relatos que causavam preocupação. Por exemplo, a Polónia recusava-se obstinadamente a aceitar refugiados. Apesar disso, quando começou a guerra na Ucrânia, prestou ajuda a muitos ucranianos. Estes refugiados são brancos e têm antecedentes culturais e linguísticos semelhantes, ao contrário dos migrantes de África e da Ásia que vêm para a Europa.

Entretanto, as relações entre Kiev e Varsóvia arrefeceram de certo modo. Desconfiança, questões económicas e pontos de vista divergentes sobre o passado são algumas das razões que motivaram este processo. As tradições fascistas ucranianas desempenharam um papel chave na visão polaca sobre o passado. Outra questão é a guerra na Ucrânia em si mesma. Existem receios que a Polónia possa intervir militarmente se Kiev for incapaz de resistir à pressão de Moscovo. Por outras palavras, aparentemente, os políticos conservadores da Polónia aspiram secretamente a reconquistar alguns dos territórios administrados por Varsóvia num passado distante.

Todos sabemos: a História avança em ciclos; por vezes, problemas antigos assumem um novo formato. Os conflitos intra-eslavos não foram esquecidos e os desenvolvimentos podem ser inesperados.

II

A UE e a NATO / OTAN não dão resposta a estas preocupações, nem dão resposta à questão da Bielorrússia. A Bielorrússia surge de forma invulgar. Os leitores podem lembrar-se que durante a maior parte do tempo, muito do território bielorrusso pertencia à Polónia ou à Rússia. Portanto, podemos perguntar: Qual vai ser o futuro deste estado? Irá a Rússia intervir depois da morte de Lukashenko? Tentará a Polónia a sua sorte? Irão as duas aliar-se para dividir a Bielorrússia entre si, mesmo sendo inimigos?

Haverá uma espécie de revolução interna em Minsk, com o objectivo de se juntar ao “Ocidente”?
Nada disto parece ser claro. Só podemos afirmar o seguinte: Os problemas intra-eslavos continuam desde há muito. Na verdade, é muito provável que as actuais fronteiras da Europa de Leste continuem a mudar. Nem a UE nem a NATO / OTAN podem controlar as ambições nacionalistas dos líderes eslavos e o seu desejo de reconquista dos antigos territórios.

Infelizmente, a maior parte dos órgãos de comunicação europeus pura e simplesmente ignora estas questões. Outro problema, também ele ignorado, é o enclave de Kaliningrado. Antigamente, este pequeno território pertencia à Alemanha, agora é uma parte isolada da Rússia, com valor estratégico, porque a Rússia tem grandes instalações portuárias e militares neste local. Assim sendo, será que a Polónia vai tentar anexar este enclave, quando a oportunidade certa surgir? Claro que só poderá fazer isso quando a Rússia enfraquecer. Se o Kremlin perder a guerra contra a Ucrânia, ou se se vir forçado a aceitar um tratado de paz desfavorável, Varsóvia pode pensar nessa opção.

Como podemos ver, os problemas na Europa de Leste mantêm-nos ocupados. Os distúrbios não decorrem apenas do desejo da Rússia de impedir a adesão de Kiev à NATO / OTAN e à UE; decorrem também da questão da Bielorrússia e da situação interna da Polónia. Por conseguinte, podemos perguntar: Qual é o papel dos Estados Unidos neste cenário?

Inicialmente, Washington apoiava totalmente Kiev. Agora começam a surgir sinais de que a Casa Branca deseja reduzir a ajuda militar. Claro que diversos factores justificam esta alteração política. Apenas alguns deles são aqui mencionados: as hostilidades recentemente desencadeadas entre Israel e o Hamas, especialmente se estas hostilidades vierem a envolver outros países; a tensão entre a Sérvia e o Kosovo e a tensão em várias partes da Ásia.

Outro problema tem sido os relatos de corrupção dentro do estado ucraniano. Além disso, milhares de ucranianos deixaram o país porque não querem entrar no exército. Kiev admite abertamente que quer que eles regressem. Há falta de soldados.
Também, antes da guerra, Washington avisou várias vezes Zelensky que a Rússia ia atacar, mas Zelensky não foi rápido a preparar o país para essa eventualidade. Agora continua a pedir mais armas. No entanto, existem dúvidas sobre a eficiência das operações militares ucranianas. Em suma, muitos políticos americanos não desejam continuar a apoiar a Ucrânia. Com efeito, as relações entre Kiev e Washington mudaram.

A História diz-nos que Washington recorre frequentemente à chamada “retirada estratégica”, especialmente quando sente que a continuação da campanha militar tem custos que se tornam demasiado elevados. Em muitos casos, estas retiradas estratégicas acabam em desastre. A “vietnamização” da guerra no Sudeste Asiático é disso um exemplo. A “afeganistãoização” é outro caso. Washington invadiu o Iraque, mas mais tarde retirou a maioria de suas forças da região. A “iraquianização” do conflito na terra da Mesopotâmia terminou em dissidências locais, guerras internas e muita destruição.

Agora estamos a assistir a uma gradual “europeização” da guerra da Ucrânia. Como foi mencionado, é provável que Washington venha a reduzir o apoio militar à Ucrânia, mas vai apoiar a Polónia de muitas formas. Além disso, levará outros europeus a assumir os custos da guerra e a fornecer mais armas a Kiev.

Os preços dos produtos americanos exportados para a Europa também vão subir, as empresas americanas vão ganhar mais dinheiro e as economias europeias vão ser prejudicadas. Tudo isto, somado à política europeia irrealista face a Pequim, pode conduzir a tensões dentro da UE, dando origem a um aumento do desemprego, a problemas sociais e a turbulências locais. Os partidos radicais vão aproveitar essa situação. Claro que ninguém deseja que isso venha a acontecer. Mas as coisas poderão ir de mal a pior.
Uma UE enfraquecida pode mesmo vir a perder alguns dos seus estados-membros. Não há dúvida que Washington ficará muito satisfeito com esse cenário.

Também sabemos que no passado Washington apoiou muitas vezes ditadores e Governos nacionalistas. A Polónia é uma democracia, mas tem muito nacionalismo. Isto é exactamente o que Washington precisa. Os americanos querem minimizar a França, a Itália e a Alemanha. Amplificar o papel da Polónia contra a Rússia, é uma cartada de um “jogo” traiçoeiro. A Grã-Bretanha, escusado será dizer, fica do lado dos Estados Unidos. Este cenário lembra um pouco a política de divide et impera aplicada pelos anglófonos em épocas passadas. Uma divisão da Bielorrússia e da Ucrânia poderia ser do interesse de Washington e de Londres.
Em Bruxelas, Berlim e não só, encontram-se vários políticos que também são peões do jogo de xadrez de Washington. Passaram algum tempo nos países de língua inglesa e admiram os anglófonos. Pensam que Washington faz o melhor pela Europa e pelo mundo. No entanto, estão cegos e não sabem nada de História, não compreendem a realidade. Parece que nunca ouviram palavras de ordem como “A América vem primeiro” e o “Excepcionalismo americano”. Ignoram simplesmente o facto de Washington ter cometido toda a espécie de crimes. E não querem admitir que os Estados Unidos possam usar a Polónia como um instrumento para enfraquecer a UE.

III

Certamente, vista de Macau, a Europa fica muito longe. Contudo, o acima exposto afecta a China no seu todo. A nível diplomático, Pequim apelou a Moscovo e a Kiev para acabarem com a guerra. A Bielorrússia juntou-se ao apelo de Pequim para pôr fim às hostilidades. Infelizmente, a guerra continua.

Podemos acrescentar que, alguns anos antes da guerra, Pequim e a Bielorrússia tornaram-se parceiros no âmbito da iniciativa da “Nova Rota da Seda”. Até agora, Minsk está regularmente em contacto com a China, através de canais bilaterais e noutros contextos. A China também tentou uma parceria com a Polónia. Ambos os países têm uma longa história de contactos bilaterais, numa altura em que as autoridades polacas apreciavam as propostas e iniciativas chinesas, mas agora Varsóvia está menos interessada na cooperação com Pequim, devido à propaganda anti-chinesa.

Como bem sabemos, a iniciativa da “Nova Rota da Seda” não é apenas um programa infra-estrutural; é uma agenda complexa com muitos objectivos. Um desses objectivos é a estabilização da Ásia Central e da Ásia do Norte, em termos financeiros, políticos e noutras áreas. Este programa serve a paz e o desenvolvimento global. No entanto, actualmente as relações entre muitos países do leste europeu e Pequim não estão tão intensas como já estiveram. Há muita oposição à ideia da “Nova Rota da Seda”. Esta oposição serve Washington; também é do interesse dos líderes oportunistas da UE que seguem a Casa Branca.

Em contrapartida, os europeus de espírito aberto, empreendedores e empresas, apoiam a ideia da “Nova Rota da Seda”. É evidente que Pequim está consciente destes problemas, e também sabe que é provável que os conflitos intra-eslavos continuem por algum tempo, mesmo depois do fim da guerra na Ucrânia. Mas é muito difícil lidar com a questão e não podemos convencer facilmente os líderes nacionalistas a abandonarem os seus sonhos territoriais e as suas atitudes obstinadas.

É certo que, a minha visão pode estar completamente errada. Na verdade, esperamos sempre que uma repentina mudança de tempo possa afastar as nuvens, mas o acima mencionado sugere que é improvável que isso venha a acontecer. O cenário eslavo está emocionalmente carregado. Pode conduzir a um longo período de guerra fria, independentemente de quem ganhar a escaldante guerra na Ucrânia. Além disso, Washington pensa nos seus próprios benefícios. A ideia de a “América vem primeiro” é como uma lei inexorável. Assim, é muito provável que Washington deite achas para a fogueira. Simplificando, A Polónia é como uma alavanca. Com esta alavanca pode obter-se várias coisas diferentes. Contudo, é igualmente verdade que esta alavanca é perra e difícil de manejar.

Possivelmente, uma forma de sair do actual dilema é aumentar imediatamente a pressão sobre o Governo de Zelensky, antes que coisas piores possam vir a acontecer. É definitivamente melhor acabar com uma guerra problemática e salvar vidas, do que aceitar a continuação da tragédia humana e arriscar um conflito nuclear. É certo que um rápido fim da guerra pode conduzir a mudanças territoriais. Provavelmente as negociações de paz serão seguidas de um longo período de tensões na Europa de leste, mas um armistício proporcionará tempo para as diligências diplomáticas.

Um armistício pode também fazer regressar a casa milhares de refugiados ucranianos. Outros europeus deixarão de ter necessidade de olhar por eles. O que é que tudo isto significa para Pequim? Pequim conduziu a Arábia Saudita e o Irão à mesa de negociações. O que quer que aconteça no Próximo Oriente, esperemos que os diplomatas chineses consigam levar Varsóvia, Minsk, Kiev e Moscovo a dialogar, num novo formato. A zona de conflito intra-eslava, manipulada por Washington, pode tornar-se um fardo incómodo para o resto da Europa. Isso não é do interesse da China, e não é favorável ao programa da “Nova Rota da Seda” – um programa que é muito necessário para manter este mundo à tona de água.

Palestina | Solução de dois Estados é “muito urgente”, diz UE

A presidência espanhola da União Europeia (UE) defendeu ontem que é “muito urgente” trabalhar na solução dos dois Estados, Israel e Palestina, para terminar o ciclo de violência no Médio Oriente.

“Só conseguiremos pôr termo a uma tragédia que já foi repetida demasiadas vezes se conseguirmos materializar de uma vez por todas a solução dos dois Estados, vivendo um ao lado do outro em paz e segurança. Isto passa por um acordo definitivo”, disse o ministro das Relações Exteriores espanhol, José Albares, intervindo na sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, em nome da presidência espanhola do Conselho da UE.

A UE, sustentou Albares, deve agir com “clareza e firmeza”, mostrando “um compromisso firme contra o terrorismo e violência, com a paz, a justiça e a humanidade”. A UE deve demonstrar “solidariedade para com as vítimas, sem distinção de religião ou nacionalidade” e agir “de forma unida para impedir que esta tragédia se repita”, declarou.

Israel | Pelo menos 471 mortos no ataque a hospital em Gaza

Pelo menos 471 pessoas foram mortas no ataque que atingiu um hospital na Faixa de Gaza, indicou ontem um novo balanço emitido pelo Ministério da Saúde do Governo Hamas, que controla o enclave palestiniano. Na noite de terça-feira, e na sequência do ataque, o ministério tinha-se referido a pelo menos 200 mortos, com o Hamas a acusar Israel de responsabilidade por este mortífero ataque ao hospital Al Ahli da cidade de Gaza.

Israel atribuiu a responsabilidade à Jihad islâmica, uma outra organização islamita armada de Gaza, que desmentiu categoricamente.

O Ministério da Saúde do Governo do movimento islamita palestiniano também actualizou o número de vítimas, anunciando que pelo menos 3.478 palestinianos foram mortos na Faixa de Gaza desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, para além de 12.065 feridos. A mesma fonte não esclareceu se estavam já incluídas no balanço as centenas de pessoas mortas ao início da noite de terça-feira no hospital de Gaza.

Marcelo em choque

O presidente da República de Portugal declarou-se ontem chocado com o bombardeamento de um hospital em Gaza, tenha sido intencional ou não, mas escusou-se a apontar responsáveis, recomendando mais silêncio e diplomacia perante o conflito entre Israel e Hamas.

“Não me vou pronunciar sobre essa matéria, primeiro, porque não tenho elementos, segundo, porque não devo pronunciar-me sobre essa matéria. Há instâncias diversas internacionais e depois há diligências nacionais múltiplas”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em reposta aos jornalistas, em Namur, durante a sua visita de Estado à Bélgica.

Sobre a explosão de terça-feira no Hospital Al-Ahli, na Cidade de Gaza, o Presidente da República considerou que “chocou a todos, e provavelmente foi um choque universal”, lamentando as numerosas vítimas civis. “O nosso primeiro pensamento vai para as vítimas daquilo que ocorreu, como foi, por exemplo, quando também aconteceram bombardeamentos a estabelecimentos de saúde com vítimas civis na Ucrânia”, referiu.

O chefe de Estado defendeu que “este é o momento de fazer tudo para que verdadeiramente haja futuro numa situação e numa região que tem sofrido muito ao longo do tempo” e que “isso ganha com o silêncio, com a diplomacia, se possível, mais do que com o falar publicamente na matéria”.

Interrogado sobre o apelo do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para que haja um cessar-fogo no conflito entre Israel e o Hamas, Marcelo Rebelo de Sousa disse apenas que compreende a posição de António Guterres, sem a subscrever.

“Eu queria dizer só sobre isso é que compreendo perfeitamente a posição do secretário-geral das Nações Unidas, porque está, no exercício do seu mandato, preocupado com a situação”, respondeu, acrescentando: “É um apelo perfeitamente compreensível, porque corresponde ao que tem sido a linha orientadora da sua actuação em diversas situações no mundo”.

Cooperação Faixa e Rota: Zarpar novamente após 10 anos de Sucesso e Glória

Por Liu Xianfa *

Em 18 de Outubro de 2023, o terceiro Fórum Faixa e Rota para a Cooperação Internacional foi inaugurado em Pequim, com representantes de mais de 140 países e mais de 30 organizações internacionais participando neste grande evento. Na cerimónia de abertura, o presidente chinês, Xi Jinping, analisou a grande jornada de 10 anos da cooperação Faixa e Rota, resumiu as suas realizações e experiência notáveis, e delineou solenemente oito medidas principais para apoiar a cooperação de alta qualidade da Faixa e Rota, dando início a um novo capítulo da cooperação Faixa e Rota na próxima década de ouro.

A cooperação Faixa e Rota é uma sinfonia magnífica de história e realidade.

A Iniciativa Cinturão e Rota (BRI), enraizada na história, responde a questões levantadas pela realidade. Na história, os nossos antepassados criaram uma Rota da Seda terrestre ligando a Ásia, a Europa e a África, e abriram uma Rota da Seda marítima ligando o Oriente e o Ocidente, iniciando uma nova fase de intercâmbios amigáveis entre os povos e moldando o espírito da Rota da Seda que caracteriza por paz e cooperação, abertura e inclusão, aprendizagem mútua e benefício mútuo. Em 2013, o presidente Xi Jinping revelou a BRI e revigorou as antigas rotas da seda na nova era. Actualmente, o mundo está a passar por grandes mudanças nunca vistas num século. A globalização económica enfrenta contracorrentes e a economia mundial enfrenta o risco de recessão. Cerca de 90% dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas “descarrilaram” e quase um terço dos objectivos estagnou ou até regrediu. A atenção do mundo está focada em Pequim, esperando que a China lidere o caminho. Neste momento crítico, o Presidente Xi Jinping, no seu discurso de abertura, declarou que a China dará oito passos importantes, incluindo a construção de uma rede multidimensional de conectividade rodoviária e de cintura, o apoio a uma economia mundial aberta, a realização de cooperação prática para apoiar uma Faixa e Rota de alta qualidade, promoção do desenvolvimento verde, avanço da inovação científica e tecnológica, apoio ao intercâmbio entre pessoas, promoção da cooperação baseada na integridade do Cinturão e Rota e fortalecimento da construção institucional para a cooperação internacional Faixa e Rota, injectando assim um forte impulso na cooperação Faixa e Rota de alta qualidade e modernização mundial.

A cooperação Cinturão e Rota é uma convergência perfeita de conceitos e práticas.

É excelente tanto em ideias quanto em resultados reais. A BRI está alinhada com o conceito de uma comunidade global de futuro partilhado e foi bem recebida pela comunidade internacional como um bem público e uma plataforma de cooperação, e alcançou resultados sólidos. Mais de 150 países e mais de 30 organizações internacionais assinaram documentos de cooperação Faixa e Rota com a China, estabelecendo mais de 3.000 projectos de cooperação, gerando quase um bilião de dólares americanos em investimentos e registrando conquistas frutíferas na conectividade física, institucional e interpessoal: foi lançado um grande número de projectos emblemáticos e programas “pequenos mas inteligentes”; a cooperação na Rota da Seda da Saúde, na Rota da Seda Verde, na Rota da Seda Digital e na Rota da Seda da Inovação registou progressos constantes; foram criadas mais de 20 plataformas especializadas de cooperação multilateral; os intercâmbios e a conectividade entre pessoas foram aprofundados. Foram estabelecidos importantes princípios orientadores para a cooperação de alta qualidade Faixa e Rota, que incluem o princípio de “planear juntos, construir juntos e beneficiar juntos”, a filosofia da cooperação aberta, verde e limpa, e o objectivo de procurar cooperações de alto-padrão, centrada nas pessoas e sustentável. Todas estas conquistas florescentes compuseram uma sinfonia inspiradora na nova era.

A cooperação Cinturão e Rota beneficia tanto a China como o mundo.

A BRI, proposta pela China, pertence ao mundo inteiro. Sob a orientação da BRI, a China está a abrir ainda mais as suas portas ao mundo, com as suas regiões do interior a transformarem-se de “laterais” em “avançados”, e as regiões costeiras a atingirem novos patamares na sua abertura. O mercado da China tornou-se ainda mais integrado com o mercado global. A BRI injectou um novo impulso na economia global, criou novas oportunidades para o desenvolvimento global e melhorou a capacidade de desenvolvimento e o bem-estar das pessoas das partes interessadas.

As pesquisas mostram que, devido à BRI, o custo do comércio global foi reduzido em 1,8%, o comércio entre os países participantes aumentou entre 2,8% e 9,7%, o comércio global aumentou entre 1,7% e 6,2% e o rendimento global aumentou 0,7 % e 2,9%. Até 2030, os projetos de transportes da BRI poderão ajudar a retirar 7,6 milhões de pessoas da pobreza extrema e 32 milhões de pessoas da pobreza moderada. O secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou o facto de a BRI ter trazido esperança e progresso a milhares de milhões de pessoas no mundo.

Dez anos é apenas o prólogo. Enfrentando mudanças que têm consequências para o mundo, para os nossos tempos e para a história, a BRI, zarpando novamente a partir de um novo ponto histórico, abrirá definitivamente uma nova janela de oportunidade para a China e o mundo com produtos de maior qualidade e desenvolvimento de maior nível, e tornará realidade o desejo das pessoas por uma vida feliz em um ritmo mais rápido.

* Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China na Região Administrativa Especial de Macau.

Xi pede a Putin esforços para salvaguardar justiça internacional

O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou ontem ao homólogo russo, Vladimir Putin, para que faça “esforços” no sentido de “salvaguardar a justiça internacional”, durante um encontro à margem do 3.º Fórum da Iniciativa Faixa e Rota.

Citado pela agência Xinhua, o líder chinês elogiou o estado das relações entre os dois países e sublinhou que a “confiança política está a aprofundar-se de forma constante”, com uma “coordenação estratégica estreita e eficaz e o comércio bilateral em máximos históricos”.

Xi e Putin reuniram após a cerimónia de abertura do 3.º Fórum da Iniciativa Faixa e Rota, que está a decorrer em Pequim. “Encontrámo-nos 42 vezes nos últimos dez anos. Desenvolvemos uma boa relação de trabalho e uma profunda amizade”, afirmou. Durante a reunião, Xi congratulou-se com o facto de os governos dos dois países “estarem a pôr em prática os importantes consensos” a que os dois líderes chegaram nas reuniões anteriores.

“A confiança política mútua está a aprofundar-se de forma constante e a cooperação estratégica é eficaz e estreita. O comércio bilateral atingiu máximos históricos, caminhando firmemente para o objetivo que estabelecemos de 200 mil milhões de dólares por ano”, acrescentou o líder chinês.

Recordando que no próximo ano se assinala o 75.º aniversário desde o estabelecimento das relações entre os dois países, Xi disse que a China quer trabalhar com a Rússia para “compreender a tendência histórica do desenvolvimento global com base nos interesses dos nossos dois povos”. “Temos de enriquecer ainda mais a cooperação bilateral, refletindo a nossa responsabilidade enquanto potências, e continuar a contribuir para a modernização dos nossos dois países”, afirmou o líder chinês.

“Temos de fazer esforços para salvaguardar conjuntamente a justiça internacional” e “promover o desenvolvimento global”, acrescentou. Citado pela Xinhua, Putin afirmou durante a reunião que a Iniciativa Faixa e Rota “deve ser reconhecida como um bem público global” e que espera que mais países adiram ao projecto chinês no futuro.

O líder russo viajou para a China com uma grande delegação de altos funcionários, incluindo dois vice-primeiros-ministros e responsáveis pelos negócios estrangeiros, desenvolvimento económico, transportes ou finanças.

PIB chinês cresceu 5,2% no terceiro trimestre, o que promete realização da meta anual de 5%

“A China está altamente confiante em cumprir sua meta de crescimento para 2023”, disse nesta quarta-feira Sheng Laiyun, vice-chefe do Departamento Nacional de Estatísticas (DNE). “O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 5,2% nos primeiros três trimestres deste ano, pavimentando uma base sólida para o país atingir sua meta de crescimento anual do PIB de cerca de 5% em 2023”, revelou Sheng. “Para cumprir a meta de crescimento anual, o PIB da China precisa cumprir uma meta de crescimento de pelo menos 4,4% no quarto trimestre”, acrescentou.

“O ímpeto crescente no processo da recuperação económica, uma série de políticas pró-crescimento e uma base relativamente baixa em relação ao mesmo período do ano passado contribuirão para o crescimento económico do país no quarto trimestre”, de acordo com Sheng.

“Houve uma recuperação positiva e melhoria na oferta e procura durante os primeiros nove meses. Além disso, as expectativas e a situação operacional do sector da economia real também mostraram sinais positivos”, disse Sheng, acrescentando que a operação económica continuará seu bom ímpeto no quarto trimestre.

O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 5,2% em termos anuais nos primeiros três trimestres de 2023, atingindo mais de 91,3 biliões de yuans nos primeiros três trimestres. No terceiro trimestre de 2023, o PIB chinês registrou uma expansão anual de 4,9%.

“Nos primeiros três trimestres deste ano, diante de um ambiente internacional severo e complexo e as árduas tarefas de reforma, desenvolvimento e estabilidade internas, todas as regiões e departamentos fizeram grandes esforços para impulsionar o desenvolvimento de alta qualidade e estabilizar o emprego e os preços”, disse o DNE.

As vendas de bens de consumo da China aumentaram 6,8% nos primeiros três trimestres, para mais de 34,2 biliões de yuans, acrescentou o órgão. A produção industrial de valor agregado do país, um importante indicador económico, subiu 4,0% nos três primeiros trimestres, segundo DNE.

O investimento em activos fixos subiu 3,1% nos primeiros três trimestres, para 37,5 biliões de yuans, enquanto a produção de serviços de valor agregado do país aumentou 6,0% ano a ano no mesmo período, indicaram os dados.

A taxa de desemprego urbano pesquisada na China ficou em 5,3% nos três primeiros trimestres de 2023. O rendimento per capita da China foi de 29.398 yuans nos primeiros três trimestres, alta anual de 6,3%, de acordo com os dados. Descontando os factores de preço, o rendimento disponível per capita subiu 5,9% em relação ao ano passado.

“Este crescimento económico nos primeiros três trimestres de 2023 estabeleceu uma base sólida para a China cumprir sua meta de crescimento para o ano inteiro”, segundo o DNE. A meta de crescimento para o ano inteiro de 2023 foi fixada em cerca de 5%.

Baidu apresenta Ernie 4.0 que diz rivalizar com ChatGPT

A tecnológica chinesa Baidu anunciou ontem uma nova versão do seu modelo de inteligência artificial (IA), o Ernie 4.0, que diz rivalizar com a norte-americana ChatGPT, nomeadamente o GPT-4. O presidente executivo (CEO) da Baidu, Robin Li, apresentou o Ernie 4.0 na conferência anual da tecnológica, em Pequim.

O executivo referiu que o modelo alcançou compreensão, raciocínio, memória e produz, através de algoritmos, e cria novos conteúdos. “Não é inferior em nenhum aspecto ao GPT-4”, acrescentou o responsável, salientando que o modelo mais recente foi “significamente melhorado” em comparação com o ‘bot’ Ernie original.

A Baidu é pioneira entre uma série de empresas chinesas que concorreram na criação de modelos de IA, depois do ChatGPT, da Open AI, ter impulsionado a corrida a modelos de inteligência artificial generativa, no final do ano passado. Pequim vê a inteligência artificial como uma indústria chave para concorrer com os EUA e pretende tornar-se um líder global até 2030.

A Baidu, sediada em Pequim, começou como uma empresa de motores de busca e, ao longo da última década, investiu fortemente em tecnologia de inteligência artificial, como a condução autónoma e, mais recentemente, IA generativa para se manter competitiva. O Ernie Bot foi lançado em março pela Baidu e, em agosto, foi disponibilizado ao público. O Ernie 4.0 ainda não está disponível ao público em geral.

Fórum “Uma Faixa, Uma Rota” | Presidente Xi condensou dez anos de experiências da iniciativa

O presidente chinês, Xi Jinping, falou nesta quarta-feira no seu discurso de abertura do terceiro Fórum Faixa e Rota para Cooperação Internacional sobre as experiências extraídas da cooperação da iniciativa na última década. “Aprendemos que a humanidade é uma comunidade com um futuro partilhado”, explicou Xi. “A China só pode se sair bem quando o mundo está indo bem. Quando a China vai bem, o mundo vai ficar ainda melhor.”

“A China tornou-se no parceiro comercial importante de mais de 140 países e regiões e uma fonte primária de investimento para mais nações. Tanto o investimento chinês no exterior quanto o investimento estrangeiro na China aumentaram a amizade, a cooperação, a confiança e a esperança”, disse o presidente.

“A cooperação de benefício comum é o caminho certo para o sucesso no lançamento de grandes iniciativas que beneficiam todos. Quando os países adoptam a cooperação e agem em conjunto, um abismo profundo pode ser transformado numa via, os países sem litoral podem ser ligados por terra e um lugar de subdesenvolvimento pode ser transformado numa terra de prosperidade”, acrescentou.

Segundo o presidente chinês, “os países que tomam a liderança no desenvolvimento económico devem dar a mão aos seus parceiros que ainda não o alcançaram. Devemos todos tratar-nos como amigos e parceiros, respeitar-nos, apoiar reciprocamente e ajudarmos uns aos outros a termos sucesso. Como diz o ditado, quando se dá rosas aos outros, a fragrância permanece na nossa mão. Em outras palavras, ajudar os outros também é ajudar a si mesmo. Ver o desenvolvimento dos outros como uma ameaça ou tratar a interdependência económica como um risco não tornarão a sua própria vida melhor nem acelerarão o seu próprio desenvolvimento”, concluiu o presidente chinês.

Xi apontou ainda que o espírito da Rota da Seda de paz e cooperação, abertura e inclusividade, aprendizagem e benefício mútuo é “a fonte de força mais importante para a cooperação da Iniciativa Faixa e Rota”.

“Certa vez, eu disse que os pioneiros das antigas rotas da seda conquistaram seu lugar na história não como conquistadores com navios de guerra, armas, cavalos ou espadas. Em vez disso, eles são lembrados como emissários amigáveis liderando caravanas de camelos e navios à vela carregados de mercadorias”, assinalou Xi. “A cooperação da Iniciativa Faixa e Rota baseia-se na crença de que a chama aumenta quando todos colocam lenha na fogueira e que o apoio mútuo permite que possamos ir longe”, acrescentou.

“Essa cooperação busca proporcionar uma boa vida não apenas para as pessoas de apenas um país, mas também para as pessoas de outros países. Promove conectividade, benefício mútuo, desenvolvimento comum, cooperação e resultados vantajosos para todos”, disse ainda Xi que não deixou de apontar os obstáculos: “a confrontação ideológica, a rivalidade geopolítica e a política de blocos não são escolhas para nós. Somos contra as sanções unilaterais, a coerção económica, a dissociação e a interrupção da cadeia de suprimentos”, sublinhou. “O que foi alcançado nos últimos 10 anos demonstra que a cooperação Iniciativa Faixa e Rota está do lado certo da história. Representa o avanço de nossos tempos e é o caminho certo para frente”, concluiu Xi.

Uma Faixa, Uma Rota | Líderes mundiais encontram-se em Pequim e comentam iniciativa

O Presidente chinês, Xi Jinping, reuniu-se com os líderes mundiais que vieram para o terceiro Fórum Faixa e Rota para a Cooperação Internacional em Pequim, na terça-feira, à medida que mais chefes de Estado, líderes governamentais e funcionários, bem como líderes de organizações internacionais chegavam à capital da China.

Na terça-feira, Xi reuniu-se com líderes como o Presidente da Indonésia, Joko Widodo, o Presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, o Primeiro-Ministro da Hungria, Viktor Orban, o Presidente do Chile, Gabriel Boric, o Presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, o Presidente do Uzbequistão, Shavkat Mirziyoyev, o Primeiro-Ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, e o Primeiro-Ministro da Papua-Nova Guiné, James Marape.

No mesmo dia, chegaram mais dirigentes de diferentes países e organizações internacionais, incluindo o Presidente russo Vladimir Putin, o Secretário-Geral da ONU António Guterres, o Presidente argentino Alberto Fernandez, o Presidente vietnamita Vo Van Thuong, o Presidente da Mongólia Ukhnaa Khurelsukh e o Primeiro-Ministro de Moçambique Adriano Maleiane.

Chegaram também dirigentes de outros países, nomeadamente o Primeiro-Ministro do Paquistão, Anwar-ul-Haq Kakar, o Primeiro-Ministro da Tailândia, Srettha Thavisin, o Presidente do Quénia, William Ruto, o Primeiro-Ministro do Camboja, Hun Manet, o Presidente do Laos, Thongloun Sisoulith, o Presidente do Sri Lanka, Ranil Wickremesinghe, e o Presidente da República do Congo, Denis Sassou Nguesso, alguns dos quais se reuniram com dirigentes chineses.

Para além dos líderes em exercício, muitos antigos líderes e figuras não governamentais também vieram ao Fórum este ano, incluindo uma delegação de peritos franceses que também veio a Pequim e se reuniu com altos funcionários chineses.

Durante as conversações com o presidente chinês, todos os líderes estrangeiros mencionaram as realizações que tinham criado com a China no âmbito da IFR na última década e apreciaram a contribuição e a ajuda da China para o desenvolvimento dos seus países, segundo a Xinhua. Também se opuseram ao acto de “dissociação” e ao chamado “de-risking”, que visa conter a China e servir um objetivo hegemónico, e alguns deles, que estão profundamente preocupados com as questões actuais, como a crise da Ucrânia e o conflito israelo-palestiniano, também prometeram manter a comunicação e a coordenação com a China para promover a resolução política e a mediação.

“Para compreender corretamente a natureza da IFR, temos de começar por reconhecer que os membros do Sul Global, ou os países em desenvolvimento, são os principais participantes, representando o futuro pólo de crescimento do mercado mundial. A IFR está em linha com a tendência de crescimento do Sul Global”, disse Huang Renwei, director-geral executivo do Instituto Fudan para a Iniciativa Faixa e Rota e Governação Global, ao Global Times. “A IFR fornece a base económica para o Sul Global, ligando países relacionados e formando novos e maiores mercados”, disse Huang. “Alguns países querem separar a China do Sul Global, mas o facto é que os países do Sul não se vão separar da China, mas sim cooperar mais estreitamente com a China”, observou.

O Sul Global também fala

Os países do Sul Global são os principais participantes, bem como os que mais beneficiaram da IFR, e os convidados do Sul Global que vieram a Pequim, expressaram a sua confiança e grandes expectativas na IFR.

Muhammad Zamir Assadi, investigador em diplomacia e membro do Centro de Imprensa China-Sul da Ásia e Sudeste Asiático, disse que “o fórum é de grande importância, uma vez que dezenas de líderes internacionais vieram à China para participar nele e também transmite uma mensagem à comunidade internacional de que os desenvolvimentos de alta qualidade alcançados no âmbito da IFR na última década são notáveis e satisfatórios. Mostra-nos também que a cooperação vantajosa para todos com a consulta mútua está a obter resultados benéficos para todos”. “O Corredor Económico China-Paquistão foi anunciado como um projecto emblemático da IFR, e tem mostrado resultados tangíveis. O investimento no projecto também ajudou a impulsionar vários sectores no Paquistão”, afirmou Assadi, que também espera que haja mais intercâmbios nos domínios da educação e da medicina entre a China e o Paquistão.

“O Paquistão tem muita confiança no projeto IFR e essa confiança não será afetada por qualquer outra situação. A confiança estará sempre presente, uma vez que a IFR fez um excelente trabalho na transformação de vários sectores no Paquistão, e acreditamos que o BRI trará resultados duradouros e mais tangíveis para o mundo”, afirmou o especialista paquistanês.

Yahya Nawanda, Comissário Regional de Simiyu, na Tanzânia, disse que “temos muitos projectos na Tanzânia que foram construídos por empresas chinesas e o mais influente, que todos os tanzanianos conhecem, é o projecto ferroviário Tanzânia-Zâmbia”. “Também queremos estabelecer ligações com outros países como o Ruanda e o Burundi”, disse Nawanda. “Temos de levar para casa tudo o que estamos a estudar e a testemunhar aqui na China, para podermos ajudar o nosso povo e as nossas nações.”

Gan Tiam Loo, vice-presidente da Associação de Interação Malásia-China, disse que “uma ligação de corações entre pessoas de diferentes culturas sempre foi significativa para uma operação bem-sucedida da IFR. Com a proposta da iniciativa, a sociedade local na Malásia demonstrou uma atitude acolhedora e de apoio à iniciativa. Tal pode ser comprovado pela participação activa dos dirigentes estatais e do público em geral no estudo e no intercâmbio com a China”.

Espero que, no futuro, a IFR possa continuar a partilhar a “solução chinesa” e a “sabedoria chinesa” com outros países e que, através desta nova forma de cooperação internacional, seja possível manter a paz regional e alcançar um desenvolvimento rápido. “Espero que os povos do mundo transformem a sua busca por uma vida melhor em realidade dentro da comunidade do futuro partilhado, e alcancem um mundo de grande harmonia com a ICR”, disse Gan.

O brinde de Xi

No banquete de boas-vindas, o presidente chinês, Xi Jinping fez um brinde, durante o qual, entre outras, proferiu as seguintes afirmações:

“A primavera é das flores e o outono é da colheita. Desde a proposta da Iniciativa Faixa e Rota há uma década, a China e os parceiros têm trabalhado de mãos dadas e advogado o espírito da Rota da Seda, caracterizado por paz e cooperação, abertura e inclusão, aprendizagem mútua e benefícios mútuos.

“Juntos, temos contribuído para a conectividade global e temos criado plataformas para a cooperação económica internacional. Juntos, somos uma força motriz para o crescimento global. Juntos, temos realizado milhares de projectos de cooperação com resultados sólidos. Juntos, temos escrito um capítulo magnífico da promoção de um mundo conectado e temos trilhado um caminho em busca da prosperidade individual e colectiva para todos. Nenhuma das conquistas caiu do céu ou foi concedida por outros. Elas só são possíveis com trabalho árduo, sabedoria e coragem dos governos, empresas e povos dos parceiros. Gostaria de propor que saudemos todos que têm participado e contribuído para a cooperação Faixa e Rota.

“A cooperação Cinturão e Rota busca desenvolvimento, promove resultados de ganhos partilhados e inspira esperança. Da história humana sabemos que uma colheita abundante não seria possível sem espírito diligente e esforços incessantes, os quais garantem resultados sustentáveis que beneficiam gerações futuras. É a responsabilidade que cabe a nós, líderes políticos desta geração, cumprir para as pessoas de hoje e as futuras gerações.

“O mundo de hoje está longe de ser tranquilo. A economia mundial enfrenta uma maior pressão descendente, enquanto o desenvolvimento global enfrenta múltiplos desafios. Entretanto, estamos convictos de que é irresistível a corrente histórica de paz, desenvolvimento, cooperação e benefícios mútuos, é irresistível a aspiração dos nossos povos por uma vida melhor, e é irresistível o desejo dos países de alcançar desenvolvimento e prosperidade comuns. Desde que nos mantenhamos firmes no nosso compromisso com cooperação e desenvolvimento comuns, alcançaremos os novos êxitos na cooperação Faixa e Rota, a qual reflecte o espírito dos nossos tempos. E dessa maneira, criaremos com esforços conjuntos um futuro melhor para a humanidade.”

António Mil-Homens expõe numa galeria em Lisboa

O fotógrafo António Mil-Homens, que viveu em Macau durante várias décadas, tem uma nova exposição na galeria “Acto Abstracto”, em Lisboa, intitulada “Macau, Agora e Sempre”, patente até ao dia 17 de Novembro. Ao HM, o autor das imagens revelou um pouco sobre o processo de criação do conjunto de 19 fotografias, todas a preto e branco.

“Diria que esta é uma mostra essencialmente diferente. Repesquei um conjunto de cinco trabalhos que expus na Creative Macau, em que, pela primeira vez, em termos de conceito, do ponto de vista técnico e edição de imagens, fiz algo de verdadeiramente diferente. Depois seleccionei mais 12 imagens de arquivos que têm já uma outra abordagem ao nível do formato”, contou.

O público pode, assim, ver um quadríptico e um conjunto de 12 telas, sendo que este projecto partiu do convite de Maria João Ramos, também antiga residente em Macau e proprietária da galeria. “Curiosamente, [a Acto Abstracto] só tinha exposto pintura [até à data], mas desta vez a Maria João queria fotografia, e assim aconteceu”.

Entre tradição e arquitectura

As cinco fotografias expostas no formato quadríptico são mais clássicas e com uma abordagem à estética arquitectónica, onde o edifício do Sofitel, na Ponte 16 (Porto Interior), assume uma posição de destaque. As restantes 12 imagens “têm o lado tradicional de Macau, a Macau pela qual me apaixonei logo em 1996 na primeira estadia”.

Na inauguração da exposição, que decorreu no passado dia 13, “as pessoas sentiram-se identificadas com Macau [ao ver as imagens], mas a minha intenção foi sempre fazer uma abordagem diferente”. “Continuam a imagens documentais, mas tentei dar-lhes um cunho diferente”, assumiu.

Desde que regressou a Portugal que António Mil-Homens tem mostrado algum do trabalho fotográfico que fez em Macau ao nível da fotografia artística e documental. A última mostra decorreu em Castelo Branco e teve como nome “Bicicletas de Macau”, onde o autor procurou mostrar os raros sinais da mobilidade através da bicicleta nas ruas de Macau, tendo em conta as dificuldades de locomoção neste meio de transporte devido à poluição e trânsito excessivo.

Pianista e compositora de jazz Carla Bley morreu aos 87 anos

A compositora e pianista de jazz Carla Bley morreu terça-feira, em casa, em Willow, no estado de Nova de Nova Iorque, anunciou o seu companheiro, o baixista Steve Swallow. “Depois de uma carreira de mais de 70 anos e de quase 60 álbuns, a compositora e pianista Carla Bley deixou-nos na manhã desta terça-feira aos 87 anos”, lê-se na mensagem divulgada pelo músico, citada pelo jornal The New York Times.

Carla Bley, criadora “irrepreensivelmente original”, foi “responsável por mais de 60 anos de provocações astutas no jazz e em torno dele”, escreve o jornal norte-americano. De acordo com Steve Swallow, citado pelo The New York Times, Carla Bley morreu na sequência de um tumor cerebral.

Lovella May Borg, de nome de baptismo, nasceu em Oakland, Califórnia, em 11 de Maio de 1936. Estudou música com o pai, o músico Emil Carl Borg, professor de piano e organista de igreja. Bley, porém, fez quase toda a formação por si mesma.

Descobriu o jazz aos 12 anos, através do vibrafonista Lionel Hampton, o que a levaria a Nova Iorque, o centro da cena jazz da época, quando tinha ainda 17 anos. Aí se cruzavam músicos como Miles Davis e John Coltrane, Dizzy Gillespie e Count Basie, o músico residente do clube Birdland, onde Carla Bley começou por vender cigarros, só para poder ouvir os seus heróis.

Não tardou a ser notada. Primeiro, o pianista canadiano Paul Bley, com quem se casou em 1957 e que a encorajou a compor. Depois o também pianista George Russell, que a desafiou a escrever para o seu sexteto, e o saxofonista Jimmy Giuffre, que gravou peças suas como “Ictus” e “Jesus Maria”.

Beat e Grândola

Na década de 1960, fundou a Jazz Composers Guild, que se batia por melhores condições de trabalho para os músicos. A associação acabaria por se transformar na Jazz Composer’s Orchestra, que Carla Bley fundou com o trompetista austríaco Michael Mantler, o seu segundo marido.

Em 1969, começou a compor para a Liberation Music Orchestra, do contrabaixista Charlie Haden, à qual viria a associar-se, e com a qual gravou “Grândola, vila morena”, de José Afonso, no álbum “The Ballad of the Fallen”, de 1983.

O nome de Carla Bley tornou-se conhecido e regular em Portugal, na viragem dos anos de 1980 para os anos de 1990, primeiro com festivais como o Jazz em Agosto, da Fundação Calouste Gulbenkian, depois, um pouco por todo o lado, tendo actuado em Lisboa, no Porto, em Coimbra, em Espinho, nos principais festivais de jazz do país, nas principais salas, da Gulbenkian à Casa da Música, onde actuou com a Orquestra Jazz de Matosinhos.

FRC | Música clássica hoje em destaque nas “Soirées Musicales”

A Fundação Rui Cunha apresenta hoje uma sessão de música clássica intitulada “Soirées Musicales”, inserida no ciclo “Os Sons da Praia Grande”. A partir das 18h30, os pianistas Peggy Lau e Chi-Kit Lam, a flautista Kubi Kou e a violetista Kati Ho Weatherly vão interpretar Chopin, Liszt, Dvořák e Rachmaninoff

 

Os amantes de música clássica podem hoje ouvir um painel de músicos na Fundação Rui Cunha (FRC), a partir das 18h30, num concerto intitulado “Soirées Musicales”, evento inserido no ciclo “Os Sons da Praia Grande”. Segundo um comunicado da FRC, o evento é gratuito e traz a Macau o reconhecido pianista e professor de Hong Kong, Chi-Kit Lam, que vai tocar com alguns músicos de Macau, nomeadamente a pianista Peggy Lau, a flautista Kubi Kou e a violetista Kati Ho Weatherly.

O concerto do fim de tarde de hoje é “uma oportunidade única de assistir a uma viagem pelo mundo da música clássica” através de uma “tapeçaria sonora” dos mais conhecidos compositores deste género musical a nível mundial, indica a FRC em comunicado.

O programa inclui composições para piano, flauta e viola de arco, de compositores como o polaco Frédéric Chopin, o húngaro Franz Liszt, o checo Antonín Dvořák e o aclamado compositor russo Sergei Rachmaninoff. Vão constar ainda no repertório interpretações composições do dinamarquês Joachim Andersen, o suíço, naturalizado norte-americano, Ernest Bloch, e ainda o argentino Astor Piazzolla.

Virtuosidades musicais

Segundo o mesmo comunicado, Chi-Kit Lam é um “pianista virtuoso, conhecido pelas suas proezas técnicas e profunda expressão musical”, apresentando composições como Scherzo nº 2 de Chopin e os restantes nocturnos bem conhecidos deste compositor.

O público poderá ainda ouvir o conjunto de músicos nos “ritmos vibrantes das ‘Danças Eslavas’ de Dvořák, nas variações fascinantes das ‘Rapsódia sobre um Tema de Paganini’, de Rachmaninoff, ou na ‘Balada e Dança dos Silfos’, de Andersen, com as suas harmonias que enchem o ar e transportam para um mundo de imaginação e maravilha”, descreve a FRC.

As composições evocativas de Piazzolla, incluindo “Oblivion” e “Libertango”, juntamente com o “Concertino para Flauta, Viola e Piano”, de Bloch, revelam uma “rara combinação de instrumentos que marca uma estreia em Macau e realça a interacção harmoniosa entre eles”.

Chi-Kit Lam iniciou a formação musical na Academia de Artes Performativas de Hong Kong e concluiu o doutoramento em Artes Musicais na Universidade de Kansas. Além disso, estudou piano com Jack Winerock e Pedagogia do Piano com o pioneiro Scott McBride Smith. Foi professor na Oklahoma Panhandle State University e na Universidade do Kansas, nos EUA, e mais recentemente na Faculdade de Piano da Universidade de Hainan, na China.

O músico de Hong Kong já se apresentou pelo mundo inteiro como solista, em importantes concertos e festivais de música, e também como orador e professor, em conferências e masterclasses sobre música e pedagogia, indica a FRC.

Vacinação | OMS considera Macau “um exemplo”

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera o programa de vacinação de Macau “um exemplo”, tendo em conta que as autoridades de saúde conseguiram atingir uma taxa de cobertura das vacinas convencionais, no contexto do programa de vacinação, superior a 90 por cento, aponta um comunicado dos Serviços de Saúde (SS).

Estes dados foram analisados na 74ª reunião do Comité Regional do Pacífico Ocidental da Organização Mundial de Saúde, que começou segunda-feira e termina amanhã em Manila.

Na reunião foram abordadas outras políticas na área da saúde em Macau, nomeadamente ao nível da “saúde pública, doenças crónicas, saúde comunitária e saúde mental”, bem como o “controlo do tabagismo e medicina tradicional chinesa”.

Foi referido que, em todas estas áreas, os SS “têm seguido as políticas e iniciativas da OMS”, promovendo-se “uma vida saudável e a elevação da qualidade global de vida da população através da optimização do sistema de saúde”.

A reunião, descrevem os SS, permitiu ao Executivo “inteirar-se da situação actual dos países membros na área de saúde, de modo a elevar o nível dos serviços de saúde prestados em Macau”. A delegação de Macau é chefiada pelo subdirector dos SS, Cheang Seng Ip.

Casa da Literatura | Aberto concurso para explorar café

O Instituto Cultural (IC) abriu um concurso público para a adjudicação da exploração do “Café Cultural e Artístico da Casa da Literatura de Macau”, situado no número 95A-B na Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida.

O prazo do arrendamento terá a duração de 36 meses e pretende-se que a cafetaria seja “um espaço com gastronomia, elementos culturais e criativos de Macau” a fim de “promover publicações culturais”, com “serviços de cafetaria e refeições através de takeaway e venda de produtos culturais”.

O despacho relativo ao concurso público, publicado ontem no Boletim Oficial, dá conta que a renda base do espaço será de duas mil patacas, devendo ser paga pelo concorrente uma caução provisória de dez mil patacas e caução definitiva 20 mil. As propostas deverão ser apresentadas até 24 de Novembro.