MotoGP | Miguel Oliveira admite que época acabou

O piloto português Miguel Oliveira (Aprilia) admitiu domingo que a sua temporada no Mundial de MotoGP terminou no sábado, com a queda sofrida no GP do Qatar, que lhe provocou uma fratura na omoplata direita. Em declarações divulgadas pela assessoria de imprensa da RNF Aprilia, o piloto português revelou que ainda não sabe “a extensão da lesão”.

“Foi um incidente de corrida. Infelizmente, uma queda com um colega da Aprilia [o espanhol Aleix Espargaró], o que me deixa mesmo triste”, sublinhou o piloto português natural de Almada. Miguel Oliveira recordou que fez “um bom arranque” pelo que pensou em “continuar a ganhar posições”.

“Mas, na curva seis, travei um pouco tarde e o Aleix terá talvez travado demasiado. Quando vi que lhe iria acertar, endireitei a mota e tentei evitá-lo, mas já não consegui evitar a roda traseira dele. Infelizmente, caímos os dois”, contou Miguel Oliveira. O piloto luso sublinhou que foi “um erro de cálculo”, que acabou com os dois “no chão e lesionados”.

Miguel Oliveira diz que só quando regressar a casa é que vai perceber “a extensão da lesão e qual o tempo de recuperação”. “Parece que não vai ser preciso cirurgia, mas vai necessitar de algum tempo para recuperar. Infelizmente, vou falhar o resto da temporada, pelo que esta foi a minha última volta”, garantiu.

O piloto da RNF Aprilia sublinhou que esta temporada teve “um pouco de tudo”. “Isto poderá ajudar a fortalecer-me para a próxima temporada. Estou satisfeito por ter sobrevivido a tudo isto e espero que o próximo ano corra melhor”, concluiu o piloto de 28 anos. A temporada do Mundial de MotoGP termina no domingo, com o GP da Comunidade Valenciana, em Espanha. Miguel Oliveira é 16.º classificado, com 76 pontos.

F4 | Tiago Rodrigues conquista título chinês

Depois de cinco eventos e vinte corridas, Tiago Rodrigues sagrou-se Campeão da China de Fórmula 4 no pretérito fim de semana em Ningbo, no Interior da China. O piloto lusófono tornou-se o terceiro piloto de Macau a conquistar o ceptro da competição nacional chinesa de monolugares, sucedendo assim a Charles Leong (2017) e a Andy Chang (2021).

Uma semana depois da sua estreia no Grande Prémio de Macau, onde obteve um muito positivo sexto lugar na corrida de Fórmula 4 do Circuito da Guia, o jovem piloto de 16 anos viajou até à província de Zhejiang para discutir o título do Campeonato da China de Fórmula 4. O único representante lusófono na competição chinesa chegou à jornada quadrupla do Ningbo International SpeedPark com uma liderança confortável do campeonato para o seu principal rival, Liu Kai Shun. No entanto, metade desta vantagem esfumou-se quando Tiago Rodrigues abandonou na primeira corrida, no sábado, e o seu directo adversário venceu.

Obrigado a vencer, Liu Kai Shun voltou a ganhar na segunda corrida de sábado, mas o segundo lugar obtido por Tiago Rodrigues nesta contenda permitiu-lhe encarar as últimas duas corridas com alguma tranquilidade. O título chinês praticamente ficou garantido, quando o piloto da RAEM venceu categoricamente a primeira corrida de domingo, sendo que a consagração fez-se na última corrida da temporada. Com 25 pontos de avanço sobre o rival de Hong Kong, Tiago Rodrigues precisava apenas de completar a corrida para se sagrar campeão, algo que conseguiu com um merecido terceiro lugar. Após ter feito a sua formação no karting em Macau, esta foi a primeira temporada de Tiago Rodrigues nos automóveis.

China | Número de nascimentos cai pelo sétimo ano consecutivo

Especialistas chineses em demografia prevêem que o número de nascimentos na China vai continuar a cair em 2023, pelo sétimo ano consecutivo, face à contração no número de matrimónios e a casamentos tardios. De acordo com estatísticas oficiais do país asiático, 10,51 milhões de pessoas casaram-se pela primeira vez na China, em 2022, menos 9,16% do que no ano anterior e o nível mais baixo desde 1980. A idade média do primeiro casamento situou-se nos 28,67 anos, quase quatro anos acima da média registada em 2010.

Citado pelo jornal oficial Global Times, o demógrafo He Yafu disse que o número de nascimentos em 2023 deve situar-se “entre 8 e 9 milhões”, em comparação com os 9,5 milhões registados em 2022, embora tenha notado que é possível que, após o fim da política dos ‘zero casos’ de covid-19, no início deste ano, o número de nascimentos “recupere” em 2024.

No entanto, ele previu que a “tendência de declínio contínuo do número de nascimentos vai continuar, a menos que sejam implementadas políticas fortes de apoio à natalidade”. O declínio do número de pessoas que casam pela primeira vez no país asiático é “o resultado de vários factores”, incluindo a “diminuição da população em idade de casar”, “a mudança de atitudes em relação ao casamento e às relações” e “a falta de políticas de apoio”, acrescentou. “A geração mais jovem já não considera o casamento e a paternidade como uma experiência de vida obrigatória”, afirmou o especialista.

A China registou um declínio oficial de 850.000 pessoas em 2022 e fechou o ano com 1.411,75 milhões de habitantes. O país asiático aboliu a política de filho único em 2016, mas a decisão não surtiu grande efeito, devido aos custos com educação e saúde dos filhos e à prioridade dada pelos jovens às carreiras profissionais.

Durante o 20º Congresso do Partido Comunista Chinês, há um ano, o partido no poder sublinhou que o país precisa de um sistema que “aumente as taxas de natalidade e reduza os custos da gravidez, do parto, da escolaridade e da educação dos filhos”. Em abril passado, as projeções da ONU indicavam que a vizinha Índia se tornaria o país mais populoso do mundo, depois de ter ultrapassado a China.

Taiwan | Candidato William Lai escolhe Hsiao Bi-khim como aliada para eleições

William Lai, que é candidato a governar Taiwan, escolheu a representante de longa data de Taipé nos Estados Unidos como a sua candidata para o cargo de vice. O actual vice-líder Lai anunciou ontem, na sua página na rede social Facebook, a nomeação de Hsiao Bi-khim – nascida no Japão, filha de pai taiwanês e mãe norte-americana – como a sua aliada mais próxima para as eleições de Janeiro.

A medida deve reforçar o apoio a William Lai entre os membros do Partido Democrático Progressista, actualmente no poder. Lai e Hsiao enfrentam uma oposição dividida, liderada pelo Partido Nacionalista, também conhecido como Kuomintang, que tem procurado atrair candidatos independentes para a sua candidatura.

Lai é o actual vice de Taiwan. A actual líder, Tsai Ing-wen, está prestes a terminar o seu segundo mandato de quatro anos. O exercício do cargo no território está limitado a dois mandatos.

Na sua publicação no Facebook, Tsai disse que Hsiao foi crucial para a cooperação com os EUA, o principal aliado e fornecedor de armamento de Taiwan. “Esta equipa, após oito anos no poder da líder Tsai, está completamente preparada para enfrentar todos os desafios, tanto internos como da China”, afirmou Lai.

Hsiao Bi-khim, de 52 anos, ocupa o cargo de representante de Taipé nos Estados Unidos desde 2020. Ela é considerada uma diplomata astuta e com bons contactos, que tem conseguido navegar entre as tensões geopolíticas que dividem Washington e Pequim.

Pequim felicita Milei e afirma disposição para colaborar com a Argentina

A China felicitou ontem o vencedor das eleições presidenciais argentinas, Javier Milei, e afirmou que está disposta a trabalhar com a Argentina para “continuar a amizade entre os dois países”. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, disse que o seu país e a Argentina “procuraram benefícios mútuos” e “trataram-se com igualdade e respeito” nas últimas décadas. O desenvolvimento das relações entre Pequim e Buenos Aires “trouxe benefícios tangíveis para ambos os povos”, apontou.

Apesar de a China ser actualmente o segundo maior parceiro comercial da Argentina e o segundo maior destino das exportações argentinas, Milei chegou a afirmar durante a campanha que, se ganhasse, continuariam a ser parceiros comerciais do sector privado chinês, mas que o Estado não negociaria com Pequim, por ser um “regime comunista”.

Mao assegurou que a China “atribui grande importância ao desenvolvimento dos laços com a Argentina” numa “perspectiva estratégica a longo prazo” e que as relações bilaterais mostraram recentemente uma “boa dinâmica de desenvolvimento”. “Os laços China – Argentina tornaram-se um consenso em ambas as sociedades”, acrescentou.

Mao também garantiu que “não está ciente” dos planos do presidente eleito de paralisar a entrada da Argentina no bloco de economias emergentes BRICS, uma possibilidade que Milei aventou durante a sua candidatura. Há dois anos, Milei, que obteve cerca de 55% dos votos nas eleições presidenciais de domingo, garantiu que “não faria negócios com a China” e afirmou que o corte de relações com o país asiático “não seria uma tragédia macroeconómica”.

Em Agosto passado, a China recomendou a Milei que “visitasse” o país para “observar” a realidade chinesa, depois de o candidato libertário ter afirmado que os chineses “não são livres”.

A posição de Milei em relação à China contrasta com a do seu rival, Sergio Massa, que se deslocou a Pequim em junho passado, na qualidade de ministro da Economia da Argentina, onde afirmou que Buenos Aires considerava o país asiático um parceiro económico e comercial importante e manifestou vontade de reforçar a cooperação em várias áreas.

Pequim e Buenos Aires mantiveram boas relações nos últimos anos: a Argentina aderiu no ano passado à Iniciativa Faixa e Rota, o gigantesco projecto internacional de infraestruturas lançado por Pequim. A China tem investimentos na Argentina em áreas estratégicas como desenvolvimento de infraestruturas e exploração mineira, e um acordo para pagar as suas importações da Argentina na moeda chinesa, o yuan, e não em dólares norte-americanos.

Muitas empresas chinesas estão interessadas no país sul-americano, especialmente no setor agrícola e em recursos naturais como o lítio, matéria prima fundamental para a indústria chinesa de carros elétricos, do qual a Argentina é o quarto maior produtor do mundo.

Além da Grande Muralha

I Um Pouco de História

A Grande Muralha (长城 Chángchéng), estendendo-se por mais de cinco mil quilómetros entre Jieshi, Liaodong a Leste, e Lintao, atual distrito de Minxian em Gansu, a Oeste, nasceu em 214 a.C por ordem do Primeiro Imperador, Qin Shihuang (秦始皇), o unificador da China, que pôs termo ao período dos Estados Combatentes (战國, 476-221 a.C), fundando a dinastia Qin (秦, 221-206 a.C). Esta teve um propósito histórico-geográfico definido, separar os chineses, sobretudo os sedentários Han (汉), constituídos por uma população agrícola e pacífica, das tribos nómadas das estepes mongóis e da Manchúria.

Ergueu-se como uma enorme fortaleza, com tropas estacionadas em posições estratégicas. Muitos foram os chineses que pagaram com o seu sangue, a construção da muralha e por sinédoque do próprio país em cada guerreiro que caía no combate aos invasores vindos de além da Grande Muralha como os mongóis, que fundaram a dinastia Yuan (元, 1206-1368) ,e os manchus da dinastia Qing (清 1644-1911), apenas para citar os casos de invasão mais persistente.

A Grande Muralha tem o sentido figurativo imediato de inexpugnável, apesar de sabermos que não o foi. Representa ainda, pelo lado positivo, a heroicidade em louvor de todos os que contribuíram para este feito notável, que implicou a proteção da civilização e cultura chinesas por muito tempo, mas, pelo lado negativo, recorda quanto sofrimento e dor implicou a sua construção e a defesa da própria China. Por exemplo na expressão proverbial, aqui traduzida literalmente, “A Construção da Grande Muralha por Qin Shihuang será avaliada pelas gerações futuras” (秦始皇修长城-功过后人评Qínshǐhuáng xiū Chángchéng-gōngguò hòurén píng), surgindo este provérbio associado às lágrimas amargas da Menina Mengjiang (孟姜女Mèng Jiāng Nǚ), que protagoniza uma das mais belas e tristes histórias de amor da China.

Resumindo, a menina de nascimento mágico, já que vem ao mundo dentro de um melão, é partilhada por duas famílias vizinhas muito amigas, a família Meng e a Jiang, do Sul da China, de Songjiang (松江). Ostenta no próprio nome a junção das duas famílias, cresce feliz por entre carinhos e abastanças até certo dia se cruzar com um garboso rapaz, Fan Xiliang (范喜良), estudante dedicado que procurava escapar ao triste destino de recrutamento para trabalhar na construção da Grande Muralha, que já havia sacrificado muitas vidas, dadas as péssimas condições de trabalho. Foi recebido pelo casal Meng e em breve conquistava toda a gente da família, incluindo a Menina Mengjiang. Denunciado por um criado ambicioso que almejava à mão de Mengjiang, vieram os soldados que o forçaram a ir trabalhar para a Grande Muralha. Mengjiang viu-o partir inconsolável e, adiante, conseguiu convencer os pais a visitar o marido para lhe levar agasalhos, a fim de o proteger do agreste Inverno do Norte. Quando chegou à Passagem de Shanghai (山海关), contaram-lhe que o marido sucumbira aos trabalhos forçados, engrossando assim o número de mortos. O seu desgosto foi tal, que o Céu se compadeceu: “De repente, ouviu-se um enorme estrondo, a que se seguiu o desmoronamento de uma parte da muralha, numa extensão de 400 quilómetros, revelando o cadáver do noivo, entre muitos outros” (Wang, Alves, 2009:119). Enfim, o imperador ficou muito zangado com o sucedido, mas logo quis perdoar à donzela, ao ver a sua beleza, transformando-a em concubina. Ela não aceitou e acabou por se deitar ao mar, morrendo afogada.

Se a história nos fala de tanto sacrífico por amor ao país, o provérbio aponta também para uma outra dimensão, em que serão as gerações vindouras a julgar os aspetos positivos e negativos desta obra imperial, na qual os seres humanos são sacrificados à comunidade, ou melhor, ao labor em prol da colectividade. De acordo com a tradição da China, a Grande Muralha deu confiança aos chineses, sobretudo da maioria étnica Han, sentiam-se protegidos por ela, muito embora tivessem consciência do que era pedido a quem a construísse e aos que continuaram pelos séculos a defendê-la, pelo que ela se transformaria num dos símbolos fundamentais da civilização chinesa ao longo dos tempos: para os nacionais, ela representa positivamente a nação e a condição de possibilidade do próprio país; para muitos estrangeiros, figura negativamente a China como um espaço fechado, hermético, cujos habitantes são muito difíceis de entender.

2 Literatura relativa à Grande Muralha

Note-se o sentimento de muralha que nos é transmitido por Wang Wei ( 王維701-761) poeta, pintor, calígrafo, músico e eremita, traduzido por António Graça de Abreu em 1993. Na obra intitulada Poemas de Wang Wei, pode ler-se “Subindo à torre da muralha de Hebei”, um dos troços da Grande Muralha (Abreu, 1993: 46/47):

Na aldeia, sobre a falésia de Fu

o Pavilhão dos viajantes, entre bruma e nuvens.

Do alto da muralha, contemplo o sol poente,

o rio distante espelha as montanhas verdes.

Nas águas uma luz brilha em barca solitária,

anoitece, pescadores e aves de regresso.

Adormecem os espaços do céu e da terra

e meu coração em paz, como o grande rio.

登河北城樓作

井邑傅巌上

客亭雲霧間

高城眺落日

極浦映蒼山

岸火孤舟宿

漁家夕鳥遠

寂寥天地暮

心與廣川閒

A paisagem do alto da muralha transmite uma sensação de imenso bem-estar e paz ao poeta. Este sente-se bem e protegido, embora nunca utilize a primeira pessoa, como é de regra na poesia clássica chinesa, mas nós podemos intuir o seu sentir por meio dos traços que empresta à paisagem, ele é como a barca solitária deslizando suavemente pelo rio, e todo este cenário é recolhido, como que cuidado atentamente por aquele espaço fechado, onde até há lugar para os viajantes poderem descansar, eles próprios em movimento e transformação como o rio, que flui incessantemente sob o olhar fixo e vigilante das pedras que constituem a muralha.

Já Li Bai ( 李白,701-762), o grande contemporâneo de Wang Wei, também traduzido por António Graça de Abreu, prefere destacar o simbolismo guerreiro da Grande Muralha em “Lutámos a sul das muralhas” (战成南)1 (Abreu, 2021: 184/185) : a sua história de violentas batalhas, os Qin que a construíram, os Han e os imensos combates, o sangue dos soldados, os cadáveres, terminando com o pensamento, citação do capítulo 31 do Clássico da Via e da Virtude (《道德經》) obra fundante do Taoismo atribuída a Laozi (老子):

Para quê generais sem exército?

Abomináveis e cruéis as guerras!

O homem de bem só obrigado as faz.

(士卒涂草莽,将军空尔为。

乃知兵者是凶器, 圣人不得已而用之。)

Pela mesma linha vociferante contra guerras e muralhas se ergue Du Fu (杜甫, 712-770), outro dos expoentes poéticos da China, ainda traduzido por António Graça de Abreu, muito embora reconheça na Grande Muralha um dos principais marcos da civilização chinesa e por isso a refere, lingando-a a uma das grandes festividades do calendário lunar chinês, a da Pura Claridade em poema homónimo ( 清明 Qīngmíng), no qual o poeta se declara cansado, triste, velho, doente em viagem pela “Grande Muralha”, pelo “reino de Qin”, pelo “Império Han”. Neste poema, a imponente construção a simboliza a memória coletiva e a ligação aos antepassados, pelo que apresento a segunda parte do mesmo (Abreu, 2015: 464/465):

O regresso pela estrada da Grande Muralha púrpura,

Um dos meus acende o lume com ramos verdes do ácer.

Nas vilas do reino de Qin, pavilhões, pagodes entre flores e fumo,

No império Han montanhas e rios de brocado,

Chuva da Primavera, mais cheio o lago Dongting,

Claros os trevos de água, triste o coração do velho de cabelos brancos.

(旅雁上雲歸紫塞

家人鑽火用青楓

秦城耬閣烟花裏

漢主山河錦繡中

風水春來洞庭闊

白頻愁殺白頭翁

Foram rolando os tempos até chegarmos ao aforismo hoje por todos os chineses conhecido, aqui numa tradução direta: “Só é um verdeiro Han, quem foi à Grande Muralha” (不到长城非好汉Bù dào Chángchéng fēi hǎohàn). Este surge no poema de Mao Zedong (毛泽东) escrito em outubro de 1935, significando que um verdadeiro chinês, representado pela maioria étnica Han, tem espírito de luta, é herói, já que é capaz de percorrer passo a passo os cerca de cinco mil quilómetros de muralha, que se estende no Norte da China, sendo este e outros feitos de carácter sobre-humano que o distinguem, em prol de ideais maiores. Não é inocente a alusão à Grande Muralha, já que constitui historicamente o marco de uma nova era, a de uma China unificada.

《清平乐·六盘山》

天高云淡,望断南飞雁。

不到长城非好汉,屈指行程二万。

六盘山上高峰,红旗漫卷西风。

今日长缨在手,何时缚住苍龙?

Eis a minha tradução:

Serenata à Alegria Pacífica na Cordilheira Liu Pan2

No Céu claro surgem nuvens auspiciosas,

à distância, vislumbram-se gansos rumo ao Sul.

Só é herói quem percorra de lés a lés a Grande Muralha.

nos picos altaneiros da Cordilheira Liu Pan,

Bandeiras vermelhas agitam-se ao vento Oeste.

Agora que a Revolução é tecida pelo Partido comunista,

não será altura de enrolar o Partido Nacionalista?

A Grande Muralha, símbolo da defesa do país, contra forças estrangeiras e/ou nacionais aliadas a estrangeiros, teve lugar de destaque durante o Maoísmo mais exacerbado. Hoje em tempos de Reforma e Abertura, que foram inaugurados por Deng Xiaoping (邓小平,1904-1997), o presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês entre 1978 e 1983, lançou o plano de Reforma e Abertura da China (改革开放Gǎigé kāifàng), e manifestou uma vontade política muito diferente da expressa por Mao Zedong. Esta linha foi continuada por Xi Jinping (1953 -), nomeadamente no programa da Nova Rota da Seda (新丝绸之路 Xīn sīchóu zhī lù), que se viria a impor com a subida deste ao poder em 2013. É então introduzido um princípio directivo, “Uma Faixa, Uma Rota ” (一带一路Yīdài yīlù) que para se concretizar integralmente depende do sucesso de modernizações e de invenções, bem como da ligação entre a China e o resto do mundo, por onde se escoam pessoas e se comunicam conhecimentos, através de corredores terrestres e marítimos.

É neste novo tempo que o poeta Yao Jingming (姚京明, 1958 – ), cujo nome artístico é Yao Feng (姚風), nascido em Beijing, mas a viver há muitos anos em Macau, onde é professor catedrático da Universidade de Macau, se tem distinguido por uma vasta obra poética e pela ligação entre as culturas e línguas portuguesa e chinesa, o que lhe valeu prémios e distinções como a Ordem Militar de Santiago da Espada. Na sua poesia mostra-se filho de um novo tempo, porém sem esquecer a importância do peso da história para a civilização chinesa. Em 長城隨想及其他, obra traduzida para inglês em 2014 por Kit Kelen (客遠文), Karen Kun (管婷婷) e Penny Fang Xia (房霞), sob o título de Great Wall and Other Poems, dedica alguns poemas inteiramente à Grande Muralha, logo no início do livro, recordando a sua importância enquanto esforço coletivo, que exigiu tanto aos chineses enquanto pessoas, conduzindo-os ao sacrifício extremo de pagaram com a sua própria vida a manutenção do país. Após lembrar repetidamente o papel deste importante símbolo nacional na história, na guerra e como monumento vivo à união nacional, e ao sofrimento causado nos que o construíram e por ele lutarem, termina com um poema muito bonito, numerado a 8, sinal de prosperidade na China e de infinito em todo o lado, onde se coloca junto aos arautos do novo tempo, que ultrapassam a Grande Muralha rumo às portas abertas, à liberdade (Yao, 2014: 25) e ao sentimento de pertença ao mundo inteiro, sem muros nem quaisquer divisões:

太陽脫掉夕陽

再次升起

我醒来了

從群山中醒来

從石頭中醒来

從一個個夢境中醒来

從一個個“我”中醒来

我再次开始行走

沿着這條起伏的大道

向著山海關

向著東方

我要走出長城

我要走向大海

走向遼闊自由的世界

Aqui fica a minha tradução para este belíssimo poema

O sol deita-se

Para de novo se erguer

Eu despertei

De cada cordilheira acordo

De cada pedra acordo

De cada sonho acordo

De todos os eus acordo

E torno a avançar

Acompanhando as voltas do caminhar

Rumo à Passagem de Shanhai3

Rumo ao Oriente

Quero ir além da Grande Muralha

Quero ir em direção ao mar

E ao vasto mundo da liberdade

Referências Bibliográficas

Graça de Abreu, António (Trad.) 1993. Poemas de Wang Wei. Macau: Instituto Cultural de Macau.

__________________2021. Cem Poemas de Li Bai 李白诗一百首. Póvoa de Santa Iria: Lua de Marfim.

__________________2015. Poemas de Du Fu 杜甫詩選. Macau: Instituto Cultural da R.A.E. de Macau.

Baidu. 2023. “不到长城非好汉

”https://baike.baidu.com/item/%E4%B8%8D%E5%88%B0%E9%95%BF%E5%9F%8E%E9%9D%9E%E5%A5%BD%E6%B1%89/3556008, acedido a 14 de novembro de 2023.

Wang Suoying, Ana Cristina Alves. 2009. Contos e Lendas da Terra do Dragão: Lisboa: Caminho.

Yao Feng (姚風).2014. 《長城隨想及其他》Great Wall and Other Poems. Tradução de Kit Kelen(客遠文), Karen Kun (管婷婷) e Penny Fang Xia (房霞) .

Respeita-se o registo escrito em que nos são oferecidos os poemas, de modo que este artigo apresenta poemas em chinês simplificado e tradicional, de acordo com os textos originais.

Cordilheira Liupan no Norte da China.

Passagem de Shanhai no Extremo Oriental da Grande Muralha.

2

Lei do álcool | Realizadas 8.469 inspecções

Desde 5 de Novembro, até às 16h de sexta-feira, os Serviços de Saúde (SS) realizaram 8.469 inspecções em estabelecimentos locais, no âmbito da nova lei de prevenção e controlo do consumo de bebidas alcoólicas. O número foi actualizado ontem em português, depois da versão inicial do comunicado dos SS ter sido publicada três dias antes, em chinês tradicional.

Entre estas operações foram detectados dois casos suspeitos de disponibilização de bebidas alcoólicas a menores, tendo sido tornado público, anteriormente, que um terá acontecido durante o Grande Prémio de Macau.

Segundo os dados oficiais, foram ainda “dadas 204 indicações de melhoria a 140 estabelecimentos”, entre as quais “89 relacionados com a afixação de publicidade a bebidas alcoólicas com advertências, 59 com a delimitação dos espaços de exposição de bebidas alcoólicas, 42 com a sinalização sobre a proibição de venda ou disponibilização de bebidas alcoólicas a menores, 14 com a apresentação do título alcoométrico”.

No mesmo período foram também atendidas 79 chamadas telefónicas de denúncia e pedidos de informação relativas ao controlo de bebidas alcoólicas, das quais 75 foram casos de esclarecimento, dois de reclamação e dois de opinião.

SIDA | Aconselhados testes a quem tem comportamento de “alto risco”

Os Serviços de Saúde lançaram ontem um “jogo”, em formato de questionário, em que os “vencedores” se habilitam a ganhar um kit de auto-teste de VIH. A iniciativa faz parte de uma série de actividades para assinalar o Dia Mundial de Luta Contra a SIDA

 

No próximo 1 de Dezembro é assinalado o Dia Mundial de Luta Contra a SIDA. Para marcar a data, os Serviços de Saúde (SS) lançaram um inquérito on-line, que designaram como “Jogo de perguntas e respostas com prémios ‘Faça o 1.º teste de VIH’”, em que os “vencedores” são premiados com um kit de auto-teste de VIH (fluido oral ou sangue). O “jogo” está disponível desde ontem, até 5 de Dezembro.

No comunicado em que é divulgado o lançamento do inquérito com respostas múltiplas, os Serviços de referem que pessoas que não tenham comportamentos de risco “devem fazer pelo menos um teste na vida”.

Já para as pessoas com “comportamentos persistentes de alto risco”, é recomendado um teste periodicamente, pelo menos uma vez por ano. Os SS incluem nesta categoria homens que praticam sexo com homens, quem tem relações sexuais sem protecção ou tem múltiplos parceiros sexuais, trabalhadores do sexo e seus clientes, parceiros sexuais infectados e consumidores de drogas injectáveis.

Números encorajadores

A Comissão de Luta Contra a SIDA realizou recentemente a sua reunião anual de trabalho, presidida pelo director dos SS. Alvis Lo louvou a eficácia do tratamento, assim como a diminuição significativa de novos casos de infecção e do número de mortes devido à SIDA. “Controlar a quantidade de vírus dentro do corpo dos infectados até um nível não detectável, através de medicamentos anti-VIH, pode prevenir a transmissão do vírus, melhorar a saúde e prolongar a vida das pessoas infectadas”, adiantou o director dos SS.

Além disso, o responsável sublinhou que, nos últimos três anos, o número de novos casos pela infecção de SIDA em Macau tem diminuído, tendência que pode ser invertida com a “retoma da circulação de pessoas entre Macau e as regiões estrangeiras e vizinhas, fazendo com que o risco de transmissão da SIDA também aumente”.

Nos primeiros nove meses deste ano, foram registados 17 casos de residentes locais que foram declarados infectados com VIH, 15 homens e duas mulheres. O Governo detalha que dos 17 casos, 12 foram infectados por contacto homossexual ou bissexual, quatro por contacto heterossexual e um caso foi suspeito de infecção por transfusão de sangue no exterior.

Secretária deixa presidência de Comissão da Luta Contra Sida

A partir de amanhã, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura deixa de presidir à Comissão da Luta Contra Sida. A alteração à comissão foi revelada ontem, através de um despacho publicado no Boletim Oficial, assinado pelo Chefe do Executivo.

O lugar de presidente passa assim para o director dos Serviços de Saúde (SS), que actualmente desempenhava as funções por ausência ou impedimento da secretária. Com as alterações, quando o director dos SS estiver impedido ou ausente passa a ser substituído pelo director do Centro Hospitalar Conde de S. Januário.

Além de representantes de serviços públicos e universidades, a comissão é composta por membros de associações locais, como Cáritas, Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu, Moradores, Operários, Mulheres, entre outras. Esta é a quarta vez que a constituição da comissão é alterada, depois de ter sido criada em 2005 com o objectivo de planear e promover o “trabalho de prevenção e controlo da SIDA, através dos serviços públicos e associações e organizações nas diversas áreas, com vista a impedir a transmissão da doença”.

Desde a sua criação que a vida da comissão tem sido prolongada de três em três anos, o que se voltou agora a repetir. De acordo com o despacho publicado ontem, a comissão é prolongada por mais três anos, a partir de amanhã.

Jogo | Receitas de massas do 4º trimestre podem igualar 2019

A agência S&P Global Ratings perspectiva que o nível de receitas brutas do segmento de massas dos casinos atinja no último trimestre deste ano o mesmo valor do registado no mesmo período de 2019. Os analistas da S&P Global Ratings acrescentam que o jogo de massas da indústria de Macau “recuperou a um ritmo mais acelerado” do que as previsões anteriores.

“Prevemos que no quarto trimestre deste ano, as receitas brutas do segmento de massas sejam iguais aos níveis de 2019, e antecipamos que em 2025 essas receitas sejam entre 5 a 15 por cento superiores aos níveis de 2019”, indicam os analistas, citados pelo portal GGR Asia.

A recuperação da indústria tem sido conseguida paulatinamente, com destaque para o terceiro trimestre deste ano, em que as receitas brutas do jogo de massas recuperaram para 93 por cento dos níveis verificados antes da pandemia, enquanto o segmento VIP se ficou por 38 por cento das receitas apuradas em 2019.

A agência acrescenta que durante a Semana Dourada de Outubro, “vários” operadores de jogo de Macau reportaram receitas superiores às verificadas no mesmo período de feriados de 2019, e que esta dinâmica tem continuado em Novembro.

Nesse aspecto, os analistas da S&P Global Ratings estimam que no próximo ano as receitas brutas dos casinos de Macau vão aumentar anualmente entre 20 e 30 por cento, impulsionadas pela dinâmica de crescimento do segmento de massas.

Fronteira | Portuguesa queria ver Camané, mas foi barrada

Desde o início do ano pelo menos dois portugueses foram impedidos de entrar em Macau, com a justificação de que o documento de viagem tinha uma validade demasiado curta

 

Uma cidadã portuguesa a viver em Shenzhen que pretendia assistir ao espectáculo do fadista Camané com a Orquestra Chinesa de Macau, no passado sábado, foi impedida de entrar no território. O caso foi relatado pela Rádio Macau, no domingo. A portuguesa estava acompanhada por mais dois amigos.

“Apanhámos o ferry de Hong Kong para Macau, mas não me deixaram entrar em Macau. Primeiro, não explicaram porquê. Simplesmente tiraram-me o passaporte da mão e pediram-me para segui-los”, relatou a mulher com o nome de Maria. “Pediram-me para entrar numa sala, não me explicaram absolutamente nada”, acrescentou.

Após esperar por longos momentos, a cidadã portuguesa interpelou as autoridades sobre a situação, porém, não obteve qualquer resposta. “Só me disseram para estar quieta e me sentar, que iam tratar de papéis”, relatou. “Entretanto, exaltei-me um bocadinho, disse que queria o meu passaporte e perguntei: ‘o que se passa?’”, acrescentou.

Maria recebeu depois um papel entregue escrito em português e inglês, que recusou assinar, até ser informada sobre o que se passava e o que constava no papel. A cidadã foi, depois, informada que “o passaporte tinha pouco tempo de data de validade”. Segundo a Rádio Macau, o passaporte de Maria tem três meses de validade, e até já havia um pedido para ser feito um novo passaporte, que está para chegar.

Falta de delicadeza

A turista barrada queixou-se também do tratamento das autoridades. “Eles foram sempre muito brutos, mal-educados, inclusive, e não quiseram ouvir nada. Mandaram-nos sentar e mandaram-nos embora no barco de volta, sem mais justificações, sem mais nada”, retratou.

Maria considerou que foi tratada com bastante rudeza. “Sentimo-nos como se fossemos criminosos”, confessou. Apesar de ter sido impedida de entrar em Macau, Maria, que tem visto de trabalho no Interior, conseguiu entrar em Hong Kong, sem problemas, duas vezes no mesmo dia. Numa delas, entrou a partir de Shenzhen, da outra entrou, quando foi impedida de entrar em Macau.

Em Hong Kong, Maria recebeu um pedido de desculpas, mas apenas por parte das autoridades da RAEHK. “Eu fui sentadinha no barco sem passaporte. O passaporte foi entregue ao capitão do barco e quando chegámos a Hong Kong, tínhamos um polícia à nossa espera, a quem foi entregue o meu passaporte”, relatou. “Levaram-nos para outra sala, para uma zona de espera, onde estiveram a analisar o que se passava. O polícia depois veio falar comigo, foi super delicado, disse que não havia problema nenhum, e perguntou-se se ia ficar em Hong Kong ou se voltaria para Shenzhen”, contou.

Após contar que ia ficar em Hong Kong, em casa de um amigo com quem estava, o polícia de Hong Kong afirmou que não havia qualquer problema e pediu desculpa por todo o processo.

“Pondero escrever uma carta, um email, para o cônsul de Portugal em Guangzhou, porque acho que foram bastante indelicados, considerando a relação entre Macau e Portugal”, indicou. “Era a primeira vez que ia a Macau e assim não fui… Fiquei surpresa pela negativa, desapontada, fiquei triste”, desabafou.

História que se repete

Além do caso relatado por Maria, o HM teve conhecimento de um outro caso, que se passou com um cidadão português a viver em Xangai, onde trabalhava, e que em Março deste ano viveu uma situação semelhante.

Na altura, o português conseguiu entrar em Hong Kong, onde permaneceu alguns dias para se encontrar com familiares e amigos, e tentou depois visitar Macau. No entanto, quando chegou à RAEM, para fazer uma visita de um dia, foi impedido de entrar, dado que o passaporte tinha uma validade inferior a 90 dias.

Também neste caso, as autoridades de Macau mostraram-se irredutíveis, e o cidadão acabou por voltar no barco para Hong Kong, onde entrou, novamente, sem qualquer tipo de problemas.

Acupunctura | Alargados serviços nos centros de saúde

Desde ontem que os Serviços de Saúde “alargaram a rede de cobertura de serviços de medicina tradicional chinesa (MTC)”, com a disponibilização de consultas externas de acupunctura no Centro de Saúde de Seac Pai Van. As novas consultas foram justificadas com o objectivo de “satisfazer as necessidades dos residentes de Macau em relação aos serviços de medicina tradicional chinesa”.

Os destinatários são os residentes no Centro de Saúde de Seac Pai Van e no Posto de Saúde de Coloane, desde que tenham pelo menos dois anos de idade. As grávidas não são atendidas. Para fazerem as marcações, os residentes podem deslocar-se ao Centro de Saúde de Seac Pai Van ou Posto de Saúde de Coloane. A marcação também pode ser efectuada online através da aplicação para telemóvel da Conta Única de Acesso Comum aos Serviços Públicos da RAEM.

Com esta alteração, o número de centros de saúde que disponibilizam este tipo de cuidados aumenta para sete. Além dos referidos, contam-se também os Centros de Saúde de Fai Chi Kei, da Areia Preta, da Ilha Verde, do Tap Seac, da Praia do Manduco e do Carmo-Lago.

Segundo os dados oficiais, em 2022, o número o número de consultas externas de MTC, subsidiadas e adquiridas pelas instituições médicas sem fins lucrativos, ultrapassou os 230 mil. Já o número de consultas de acupunctura nos centros de saúde foi superior a 63 mil.

Turismo | Mais de 2,75 milhões de visitantes em Outubro

Durante o passado mês de Outubro entraram em Macau 2.757.308 visitantes, o que representou um crescimento de 375,1 por cento em termos anuais e 19,8 por cento face a Setembro, anunciou ontem a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Entre as pessoas que escolheram Macau como destino turístico em Outubro, a maioria foram excursionistas (mais de 1,45 milhões), face aos turistas que representaram mais 1,3 milhões de entradas no território.

Em termos de origens de visitantes, os do Interior da China fixaram-se em 1.949.510 (+275,7 por cento, em termos anuais), dos quais 1.009.269 tinham visto individual, mais 399,2 por cento. O número de visitantes vindos das nove cidades da Grande Baía totalizou 951.079, mais 204,9 por cento, em termos anuais. Destaca-se que 26,2 por cento eram originários de Zhuhai (248.712) e que 21,5 por cento de Guangzhou (204.644).

Além destes, os números de visitantes de Hong Kong ultrapassaram 592 mil, e de Taiwan vieram mais de 53,5 mil turistas. O período médio de permanência foi de 1,2 dias, menos 0,6 dias, face a Outubro de 2022. Os Serviços de Estatística e Censos salientam que o período médio de permanência dos turistas (2,3 dias) baixou 0,9 dias, porém, o dos excursionistas (0,3 dias) aumentou 0,1 dias.

Baía de Shenzhen | Veículos de Macau autorizados a circular

A partir de 1 de Dezembro, os veículos com matrícula da RAEM vão poder circular na Baía de Shenzhen, enquanto os veículos de Hong Kong vão poder atravessar pelo posto fronteiriço de Hengqin para a Ilha da Montanha. Arrancou ontem uma nova de ronda de atribuição de 535 quotas para conduzir até Hong Kong

Vem aí a segunda fase do programa “Quotas para a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau da Grande Baía”, que irá permitir aos condutores com matrículas da RAEM atravessar o posto fronteiriço da Baía de Shenzhen a partir do dia 1 de Dezembro. A decisão conjunta dos três governos de Macau, Hong Kong e Guangdong foi anunciada ontem pela Direcção dos Serviço para os Assuntos de Tráfego (DSAT).

A segunda fase pressupõe uma relação de reciprocidade com as zonas de cooperação com as regiões administrativas especiais. Na prática, os veículos de Macau vão poder atravessar pelo posto fronteiriço da Baía de Shenzhen, enquanto os veículos de Hong Kong vão ser permitidos passar pelo posto fronteiriço de Hengqin para a Ilha da Montanha.

A DSAT indicou que, até ao passado dia 8 de Novembro, mais de um milhar de veículos ligeiros de Macau reuniam condições para participar no plano de circulação rodoviária para Shenzhen. Os interessados podem consultar o website da DSAT a partir das 10h de 1 de Dezembro para conferir se preenchem os requisitos de participação no programa.

O Governo ressalva ainda que caso seja necessário substituir o condutor ou o veículo depois de feito o visto de circulação no posto fronteiriço, “devem tratar-se simultaneamente das formalidades de substituição no Interior da China, em Hong Kong e em Macau, para evitar qualquer impedimento no tratamento das formalidades ou no processo de passagem fronteiriça”.

A caminho da RAEHK

Também ontem, foi anunciada a atribuição de 535 quotas regulares para circulação de veículos particulares de Macau entre Macau e Hong Kong na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, que começaram ontem a ser atribuídas. A DSAT salienta que, “desta vez, as quotas disponíveis serão atribuídas, sucessivamente, aos requerentes segundo a ordem decrescente, constantemente no resultado do sorteio das quotas”.

Para aceder ao programa, o requerente terá de entregar nas instalações da DSAT, na Estrada de D. Maria II, até 26 de Fevereiro do próximo ano.

Imobiliário | Venda de apartamentos caiu mais de um terço

No terceiro trimestre deste ano, foram transacionadas 1.030 fracções autónomas, o que representou uma quebra trimestral de 24,7 por cento, segundo dados revelados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Também a venda de lugares de estacionamento caiu 31,6 por cento face ao segundo trimestre deste ano.

No total, entre Julho e Setembro, as transacções de fracções autónomas e lugares de estacionamento atingiram um valor de 5,09 mil milhões de patacas.

Em relação aos apartamentos, foram vendidos menos 250 em termos trimestrais, para um total de 628 fracções para habitação, para um valor de 4,07 mil milhões de patacas, montante que também representou uma quebra de 29,6 por cento em relação ao trimestre anterior. Neste capítulo, o sector que registou a maior quebra foram os apartamentos em edifícios ainda em construção, com uma redução de transacções de quase 60 por cento.

Seguindo a tendência, também o preço médio por metro quadrado (área útil) das fracções autónomas habitacionais caiu 7,3 por cento no terceiro trimestre desde ano, para um preço de 90.743 patacas, face ao segundo trimestre do ano.

Por localização, a DSEC indica que a Taipa foi a zona onde os preços médios das fracções autónomas habitacionais caíram de forma mais acentuada (9,6 por cento), seguindo a península de Macau (5,8 por cento) e, finalmente, Coloane (1,2 por cento).

Por sua vez, o preço médio por metro quadrado (área útil) das fracções autónomas destinadas a escritórios diminuiu 18,3 por cento para 84.010 patacas, em termos trimestrais. Contudo, o preço das fracções autónomas industriais subiu 7,3 por cento para 49.559 patacas.

Restaurantes | Japoneses sofreram com despejo de águas de Fukushima

O despejo para o oceano de águas da central nuclear de Fukushima teve um impacto considerável nos restaurantes de comida japonesa e coreana no passado mês de Setembro. Recorde-se que o despejo das águas começou no dia 24 de Agosto e levou a que o Governo da RAEM proibisse a importação para Macau de alimentos frescos e de origem animal, sal marinho e algas marinhas oriundos de 10 distritos japoneses.

Segundo dados revelados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o volume de negócios dos restaurantes japoneses e coreanos diminuiu 27,9 por cento em Setembro, face ao mesmo mês de 2022. Em direcção oposta, o volume de negócios dos restaurantes ocidentais, o dos restaurantes chineses e o dos estabelecimentos de comidas e lojas de sopas de fitas e canja ascenderam, respectivamente, 68,5, 46,5 e 35,3 por cento.

Em termos mensais, uma vez que Setembro sofreu com a sazonalidade de ficar entre o fim das férias de Verão e a Semana Dourada, o volume de negócios da restauração diminuiu 13,7 por cento, face a Agosto. Os volumes de negócios dos proprietários entrevistados de todos os tipos de restauração desceram em termos mensais, salientando-se que o volume de negócios dos restaurantes japoneses e coreanos e o dos restaurantes ocidentais diminuíram 24,2 e 19,7 por cento, respectivamente.

Em relação ao comércio a retalho, a DSEC deu conta do crescimento anual de 14,4 por cento dos negócios no período em análise. Os sectores com subidas mais significativas foram as lojas de vestuário para adultos (+35,9 por cento) e o dos artigos de couro (+32,5 por cento). Em termos mensais, o comércio ao retalho também caiu de Agosto para Setembro, com uma quebra de 18 por cento dos negócios.

Orçamento | Impostos do jogo ultrapassam estimativa do Governo

Pela primeira vez desde 2020, as estimativas iniciais do Executivo para as receitas dos impostos do jogo pecam por defeito, depois de três anos de previsões demasiado optimistas

 

Entre Janeiro e Outubro, os cofres da RAEM acumularam 51,6 mil milhões de patacas em impostos relacionados com as receitas dos jogos de fortuna ou azar. Os números foram actualizados pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF). Segundo o relatório sobre a execução orçamental de Outubro, as estimativas do Governo para todo o ano com impostos do jogo estão ultrapassadas.

Quando foi elaborado o orçamento para este ano, em 2022, o Executivo apontava que as receitas ligadas ao jogo fossem de 50,9 mil milhões de patacas. Porém, a dois meses do final do corrente ano, o montante acumulado está 1,14 por cento acima da previsão.

Esta é a primeira vez desde 2019, o último ano antes do surgimento da pandemia, que as estimativas do Governo para as receitas com os impostos provenientes do jogo são ultrapassadas, sem que tenha havido revisão do orçamento.

Nos anos anteriores, o Executivo foi obrigado a fazer várias revisões ao orçamento, depois das receitas terem ficado muito abaixo do expectável, o que se ficou a dever à crise da indústria do jogo, motivada pelas restrições de circulação.

Em 2020, o primeiro orçamento da RAEM estimava que as receitas seriam de 98 mil milhões de patacas, mas quando se fecharam as contas, as receitas não foram além dos 29,8 mil milhões de patacas, 70,6 por cento por cento abaixo da previsão inicial.

Em 2021, as previsões iniciais apontavam para que as receitas com os impostos do jogo fossem de 49,8 mil milhões de patacas, mas o valor final foi de 33,9 mil milhões de patacas, 31,9 por cento abaixo do estimado.

Finalmente, no ano passado, o Governo previa acumular 49,6 mil milhões de patacas com as receitas do jogo, mas mais uma vez a estimativa foi curta. As receitas não foram além dos 19,1 mil milhões de patacas, menos 61,5 por cento do previsto.

Além do jogo mais nada

Os dados do orçamento mostram também que o jogo continua a ser a principal actividade a financiar o orçamento da RAEM. Até Outubro, as receitas correntes foram de 67,7 mil milhões de patacas, com o jogo a contribuir com uma proporção de 76 por cento, ou seja, por cada 10 patacas que o Governo cobra em impostos, 7,6 patacas devem-se à principal indústria do território.

Ainda a nível das receitas correntes, a rubrica dos impostos directos é aquela que mais se aproxima do jogo, porém, o montante que entrou nos cofres da RAEM até Outubro não foi além dos 7,8 mil milhões de patacas.

Se forem consideradas as receitas de capital, a rubrica “outras receitas de capital” é a que mais próxima está das receitas do jogo. Porém, ressalva-se que neste aspecto não se está a falar de verdadeiras receitas, mas antes de cerca de 10 mil milhões de patacas que foram mobilizados da reserva financeira para o orçamento.

Crime | André Cheong também quer legislar câmbio ilegal

O Executivo promete avançar com uma nova legislação de combate ao câmbio ilegal em contexto de jogo. “Temos prevista nova legislação para essa área, que estará integrada no conjunto das leis sobre o sistema financeiro, mas é um trabalho que terá de ser feito com as autoridades [da tutela] da Segurança”, começou por dizer ontem o secretário André Cheong.

“Pretendemos, no futuro, lançar legislação sobre o combate ao crime do jogo ilícito, mas não vamos incluir as pequenas trocas de dinheiro. Se, por exemplo, alguém quiser trocar moedas estrangeiras para viajar, tal ficará de fora do âmbito desta regulação”, disse ainda.

Coube à deputada Ella Lei levar esta questão a debate. “Há que combater os actos dos câmbios ilegais nos casinos. Qual o serviço público que deve coordenar esse trabalho de legislação que afecta a nossa economia?”, questionou.

De frisar que, em Setembro, o secretário Wong Sio Chak, com a tutela da Segurança, admitiu a possibilidade de legislar sobre os câmbios ilegais, que nos meses anos têm sido cada vez mais frequentes no território.

Função Pública | Deputada quer “afastar” quem “não faz nada”

A deputada Song Pek Kei defendeu ontem a necessidade de afastar da Administração Pública os funcionários públicos que “não fazem nada”. “Temos funcionários públicos que cumprem o horário laboral e não fazem nada. Será possível afastar esses trabalhadores que não estão interessados em trabalhar com empenho, talvez através de um regime de reforma? Desta forma, poderemos afastar essa situação de passividade”, apontou, lembrando a necessidade de rever o Código do Procedimento Administrativo (CPA) para acelerar procedimentos na Função Pública.

O secretário André Cheong disse não saber se a “forma mais adequada” para resolver a questão dos “funcionários que não causam problemas, não contrariam os chefes e ficam sentados todo o dia sem fazer nada” passará pela colocação de processos disciplinares, ou por outra via. No entanto, assegurou que “em tempo oportuno será feita a revisão do CPA”, ainda que o mesmo não dê respostas directas sobre a matéria, pois “não prevê nada sobre o aceleramento dos procedimentos na Administração pública”.

André Cheong salientou que, no período da pandemia, “houve casos de inoperância de funcionários públicos e uma atitude de passividade”, mas trata-se de uma matéria ligada “à responsabilização dos trabalhadores”, sendo fundamental “apurar responsabilidades e investigar factos quando esses casos acontecem”.

No debate de ontem ficou confirmado que a Administração Pública de Macau tem actualmente 34 mil trabalhadores no total, existindo um tecto máximo de 38 mil. Neste sentido, o deputado Leong Sun Iok lembrou que este limite pode travar a realização de trabalhos em algumas tutelas.

“O secretário Raimundo do Rosário já disse que a existência de um tecto máximo no número de trabalhadores vai prejudicar os trabalhos [da sua tutela] que têm de ser feitos, e penso que nesse aspecto tem de haver flexibilidade”, defendeu.

Parque de Hac Sá | Governo promete auscultar população

O secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, adiantou ontem que a população será ouvida sobre o futuro campo de aventuras em Hac-Sá. “Na fase inicial de apresentação ao público do projecto de construção do Campo de Aventuras Juvenis da Praia de Hac-Sá alguns cidadãos apresentaram diferentes opiniões. Visto tratar-se de um projecto destinado à população, especialmente aos jovens, iremos auscultar as opiniões dos diversos sectores, nomeadamente, da educação, juventude e acção social, bem como dos estudantes e encarregados de educação, para efeitos de concepção do projecto”.

No debate de ontem no hemiciclo, o secretário frisou que “serão controlados os custos para que não se venha a exceder o orçamentado”. “Já fizemos diversos contactos com associações e escolas para ouvir as opiniões sobre o que é esperado desse campo de aventuras, e de uma forma geral apoiam a empreitada, tendo apresentado opiniões construtivas”, acrescentou.

O deputado Ma Io Fong foi um dos intervenientes a questionar até que ponto o parque “vai afectar os turistas que frequentam a praia” ou acarretar problemas ao nível de inundações e tráfego. André Cheong explicou que, de facto, será necessário ter um orçamento definido para a construção de um sistema de drenagem no local.

BIR | Mais de 130 mil residentes renovam em 2024

Mais de 130 mil residentes vão renovar o bilhete de identidade de residente (BIR) no próximo ano, tendo em conta a implementação da nova versão do cartão a partir de 15 de Dezembro. Desta forma, a Direcção dos Serviços de Identificação irá proporcionar o serviço de auto-atendimento disponível 24 horas por dia, revelou ontem o secretário para a Administração e Justiça.

Quanto à aplicação para telemóvel “Conta Única de Macau”, André Cheong adiantou que será lançada no primeiro trimestre de 2024 a “Plataforma Electrónica para Associações e Empresas”, que visa a “digitalização gradual dos serviços” destinados a este sector. Numa primeira fase a plataforma irá incluir a prestação de 70 serviços, incluindo “a nova plataforma de agência única de licenciamento de estabelecimentos de comidas e bebidas”.

Ainda no próximo ano será lançada, de forma faseada, a plataforma “Assuntos Governamentais” para o uso de funcionários públicos. Pretende-se, assim, concretizar “a digitalização de todos os procedimentos da área da gestão dos recursos humanos”, a fim de elevar “a eficácia da gestão administrativa dos serviços públicos”.

Ainda assim, o secretário ressalvou que é preciso evitar que a “Conta Única de Macau” se torne “demasiadamente complexa e empolada, em prejuízo da experiência de utilização dos cidadãos”.

Na área da Administração e Justiça serão ainda alteradas as leis relativas aos registos e notariado, sendo também “reestruturado o sistema informático dos registos e do notariado para que os procedimentos de registo civil, registo predial, registo comercial e registo de automóveis possam ser simplificados e digitalizados”.

Novo Bairro de Macau | Questão das empregadas domésticas em análise

Vários deputados perguntaram se o Novo Bairro de Macau em Hengqin terá condições atractivas para a fixação de residentes. Ma Io Fong quis saber se as empregadas domésticas vão poder trabalhar do outro lado da fronteira nas mesmas condições. André Cheong afirmou que o assunto está a ser analisado com as autoridades chinesas

O Governo está a discutir com as autoridades chinesas os detalhes sobre a contratação e permanência de empregadas domésticas no Novo Bairro de Macau situado na Zona de Cooperação Aprofundada de Guangdong e Macau na ilha de Hengqin. A questão foi ontem colocada pelo deputado Ma Io Fong no debate sectorial sobre as Linhas de Acção Governativa (LAG) para a área da Administração e Justiça, que ficou marcado pela discussão sobre se o novo projecto habitacional para residentes na ilha de Hengqin será suficientemente atractivo para os residentes da Macau.

“Não posso avançar com mais detalhes [sobre a questão das empregadas domésticas] por não ter informações. A contratação de empregadas domésticas no Novo Bairro de Macau é um assunto que está a ser negociado com as autoridades e o trabalho que estamos a fazer é nesse sentido [de autorizar]”, garantiu André Cheong, secretário para a Administração e Justiça.

O deputado disse que “a sociedade está preocupada com o facto de as empregadas domésticas poderem trabalhar em Hengqin”, pois “tendo em conta as respostas anteriores da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, estas só podem trabalhar em Macau, mas o Chefe do Executivo disse que num futuro próximo poderão trabalhar em Hengqin nas casas dos nossos residentes”.

Ma Io Fong lembrou também que “cada vez mais pessoas vão viver e a trabalhar em Hengqin e se não conseguirmos uma integração [plena] isso vai afectar o desenvolvimento de Hengqin”, apontou.

Está pronto a tempo?

O deputado ligado à Associação das Mulheres considera essencial que se legisle para que Macau se “consiga integrar no desenvolvimento de Hengqin”, tendo questionado o ponto de situação da produção de leis.

“O trabalho estará finalizado quando os nossos residentes forem viver para o Novo Bairro de Macau? Alguns residentes afirmaram que os seus filhos não conseguiram tratar de muitas formalidades no Interior da China e têm muitas vezes de gastar somas avultadas de dinheiro para as resolver. O Governo tem um plano para melhorar a situação?”, inquiriu Ma Io Fong.

O deputado pediu também “preparação atempada” dos trâmites legais para que ” a confiança dos residentes não seja afectada ” quanto ao projecto habitacional.

Por sua vez, Song Pek Kei lembrou que 20 funcionários públicos já estão a trabalhar na Zona de Cooperação Aprofundada de Guangdong e Macau em Hengqin existindo “diferenças culturais”. “O tempo de adaptação [dos funcionários] não é suficiente, sendo este um meio importante para a integração no nosso país. Como consegue assegurar os direitos dos que trabalham por lá?”, questionou.

Motociclismo | Peter Hickman provou superioridade e alcançou quarta vitória

Após dominar as sessões de qualificação e arrancar do primeiro lugar da grelha de partida, o piloto britânico nunca facilitou e alcançou mais um triunfo no Circuito da Guia

 

Peter Hickman (BMW M1000RR) foi o vencedor do Grande Prémio de Motas, no sábado, uma prova que dominou desde o início, após ter partido do primeiro lugar da grelha de partida. Com este triunfo o britânico que representa as cores da equipa FHO Racing juntou mais uma vitória às três conquistadas em 2015, 2016 e 2018.

“Tudo correu de acordo com o planeado”, afirmou Hickman no final. “Os pneus estiveram fantásticos, tudo funcionou na perfeição. O Davey (Todd) estava a pressionar-me no início, o que foi bom, porque quando ganhei uma vantagem, comecei a cometer erros”, reconheceu. Contudo, o piloto acabaria por se encontrar, momentos mais tarde. “Tive uma pequena conversa comigo mesmo e, pela décima volta, estava novamente focado”, acrescentou.

A equipa FHO Racing é propriedade de Faye Ho, neta de Stanley Ho, e no final o britânico destacou a importância do colectivo. “Estou satisfeito pela Faye Ho e por toda a equipa, que trabalhou sem descanso para conquistar esta vitória”, realçou.

A prova ficou marcada pelo acidente de Brian McCormack (BMW M1000RR), logo na volta inicial, e que envolveu também Nadieh Schoots (Yamaha R1), que caiu quando tentava evitar a moto do piloto caído.

No entanto, como o azar de uns é a sorte de outros, a interrupção permitiu a Davey Todd (BMW M1000RR) ter uma nova oportunidade. O piloto abortou o primeiro arranque da corrida, e tudo apontava para a desistência, porém a interrupção deu tempo para resolver os problemas técnicos da BMW.

“Foi o Peter Hickman que me disse que poderia ter um problema”, revelou Todd. “Ele viu algum fumo a sair da moto na volta de aquecimento e acabou por ser um tubo de óleo partido. Senti que o meu mundo tinha acabado, quando caminhava no ‘pit-lane’. No entanto, a equipa foi fantástica, continuaram a trabalhar para o caso de aparecer uma bandeira vermelha, que acabou por acontecer, portanto, pude tomar parte no segundo arranque”, acrescentou. “Um grande obrigado a Phil Crowe, ele cedeu-nos o tubo de substituição, dado que não tínhamos nenhum, e sem ele não teríamos voltado à corrida”, destacou.

O último lugar do pódio foi ocupado por David Datzer (BMW M1000RR), que saiu da segunda linha da grelha de partida. O arranque esteve longe de ser ideal, com a perda de inúmeras posições, mas aos poucos subiu até ao terceiro lugar. “Fiquei desapontado com o meu arranque”, admitiu o piloto alemão. “No entanto, fui abençoado com uma grande moto, que foi preparada por uma grande equipa. Conseguir recuperar e chegar outra vez ao pódio de Macau é uma excelente conclusão do evento”, apontou.

Em relação a Michael Rutter (BMW M1000RR), o recordista de vitórias no Circuito da Guia foi obrigado a desistir momentos depois do segundo arranque com problemas mecânicos. “Foi pena, dado que a moto tinha vindo a melhorar ao longo de todo o fim-de-semana”, disse o recordista de vitórias. “Já aqui ando há tempo suficiente para perceber que são coisas que acontecem”.

Corrida

Posição Piloto Moto Tempo

1.º Peter Hickman BMW M1000RR 29m16s090

2.º Davey Todd BMW M1000RR a 28s969

3.º David Datzer BMW M1000RR a 30s809

Alto

Prestação de Brookes

Peter Hickman foi de longe o melhor piloto ao longo do fim-de-semana. No entanto, o australiano Joshua Brookes merece também ser destacado porque conseguiu um excelente quarto lugar, naquela que foi a sua estreia no Circuito da Guia. Fica a expectativa de que num possível regresso no futuro possa melhorar ainda mais este lugar

Baixo

Queda de Hólan

Todas as quedas de pilotos ao longo do fim-de-semana são de lamentar, pelas pesadas consequências. Contudo, o momento vivido por Hólan assumiu contornos dramáticos, uma vez que o piloto checo caiu na última curva do circuito, de forma violenta, quando estava com uma volta de atraso e não lutava por qualquer objectivo.

TCR World Tour | Norbert Michelisz vence no sábado e sagra-se campeão no domingo

O experiente Rob Huff esteve na luta pelo título até à oitava volta da segunda corrida, mas pagou o preço de vários toques na traseira de Urrutia. Quando o capot se soltou, partiu-lhe o pára-brisas e obrigou-o a parar nas boxes. Frédéric Vervisch (Audi RS3 LMS) venceu a Corrida da Guia

 

Norbert Michelisz (Hyundai Elantra N) sagrou-se o primeiro campeão do TCR World Tour, superando ao longo do fim-de-semana os rivais Rob Huff (Audi RS3 LMS) e Yann Ehrlacher (Lynk & Co 03 TCR). O húngaro venceu a corrida de sábado, e cimentou uma vantagem que lhe permitiu gerir o andamento no domingo, com a Corrida da Guia a ser conquistada por Frédéric Vervisch (Audi RS3 LMS).

“É muito bom ser o primeiro campeão. Não sei muito bem o que dizer. Vencer uma corrida, num circuito como este… estou muito orgulhoso, sinto-me sem palavras. Estou incrivelmente feliz”, afirmou Norbert Michelisz, após o oitavo lugar na segunda corrida, que lhe possibilitou a conquista do título.

“Foi uma época muito difícil. Começou bem, mas tivemos momentos muito complicados. Olho para esta época e só me faz lembrar uma montanha russa, com muitos altos e baixos, mas felizmente terminou da melhor forma”, acrescentou.

O grande passo na direcção do título foi dado no sábado, quando o piloto que tripula o Hyundai venceu a prova, enquanto Huff foi terceiro e Ehrlacher sexto. Os rivais ficavam assim a 18 pontos e 20 pontos, uma distância que permitia ao campeão do WTCR de 2019 fazer uma corrida de gestão.

Golpe de teatro

Na corrida de domingo confirmou-se o título, depois de um grande golpe de teatro, que afectou Huff, quando o britânico estava em boa posição para conquistar o título do TCR World Tour.

Depois de rodar em quarto lugar durante grande parte da prova, atrás de Thed Bjork (Lynk & Co), o inglês precisava de terminar pelo menos no segundo lugar, dado que Michelisz era nono, para ter hipóteses de sonhar com o título.

Contudo, quando chegou a terceiro, Huff começou a dar vários toques na traseira de Santiago Urrutia (Lynk & Co), de forma a pressionar o adversário. Porém, o piloto do Audi acabou por pagar o preço, com o capot abrir-se, perto da curva Melco, e a bloquear a vista ao britânico, que não teve outra alternativa se não parar nas boxes e desistir do sonho.

Quanto a Ehrlacher, terminou a prova de domingo no terceiro lugar, o que foi insuficiente para obter o título. No entanto, o francês teve muito perto de abandonar, quando na curva do Hotel do Mandarim tocou no muro, conseguindo, ainda assim, controlar a viatura e prosseguir em prova.

“Ele (Michelisz) merece os parabéns, fez tudo o que tinha de fazer para ganhar o título no fim-de-semana e não cometeu erros. É um título merecido”, afirmou Ehrlacher, no final. “Nós cometemos muitos erros ao longo do campeonato e pagámos o preço”, acrescentou. Por sua vez, Frédéric Vervisch, colega de equipa de Huff, foi o vencedor da corrida de domingo.

Corrida 1

Posição Piloto Carro Tempo

1.º Norbert Michelisz  Hyundai Elantra N 22m41s912

2.º Néstor Girolami Honda Civic Type R a 0s598

3.º Rob Huff Audi RS3 LMS a 1s993

Corrida 2

Posição Piloto Carro Tempo

1.º Frédéric Vervisch  Audi RS3 LMS 32m26s904

2.º Santiago Urrutia Lynk & Co 03 TCR a 3s714

3.º Yann Ehrlacher Lynk & Co 03 TCR a 3s993

Alto

Emoção da prova

Com poucas interrupções, a corrida de domingo do TCR World Tour foi uma das mais interessantes de acompanhar. E se há provas em Macau frustrantes com interrupções frequentes, a prova de ontem foi praticamente o oposto, o que tornou o evento mais agradável para quem se deslocou ao Circuito da Guia.

Baixo

Precipitação de Huff

Rob Huff tem uma história de amor com Macau, onde somou várias vitórias na carreira. Porém, também tem momentos baixos, como o toque em Ma Qing Hua em 2020. Ontem, o inglês, que estava na luta pelo título, voltou a conhecer o lado negativo da moeda, com vários toques em Urrutia. Numa altura em que ainda não precisava de pressionar tão agressivamente o adversário, até porque poderiam surgir mais hipótese de ultrapassagem, hipotecou qualquer hipótese de conquistar o título.

70º Grande Prémio | Consagração de Lei Kit Meng

A edição deste ano do Grande Prémio de Macau vai ficar na memória de Lei Kit Meng (Toyota GR 86), depois de no sábado ter vencido a corrida do Desafio do 70.º Aniversário. No final, o piloto, que chegou a competir na Fórmula 3, não evitou as lágrimas. Lei não foi o mais rápido, e apenas terminou em segundo, atrás de Adrian Chung (Toyota GR 86).

Contudo, o piloto de Hong Kong foi penalizado em 10 segundos, por partida falsa. Chan Chi Ha (Toyota GR 86) e Loo Long Yin (Toyota GR 86) completaram os restantes lugares do pódio. Na segunda corrida do Desafio do 70.º Aniversário, realizada ontem, Adrian Chung evitou os erros à partida e ganhou com grande à vontade, mostrando que esteve muito acima de toda a concorrência. O pódio ficou completo com Loo Long Yin e Chan Chi Ha.

Rui Valente (Subaru BRZ), que se mostrou sem ritmo para lutar pelos lugares da frente ao longo do fim-de-semana, conseguiu a 9.ª posição na corrida de sábado, mas ontem acabou por desistir, depois de ter ficado envolvido no acidente na Curva do Hotel Lisboa.