Índia | Foxconn investe quase 1,45 mil milhões de euros

A empresa tecnológica taiwanesa Hon Hai, conhecida como Foxconn e pela montagem de produtos da Apple, como o iPhone, anunciou um investimento adicional de quase 50.000 milhões de dólares taiwaneses (1.450 milhões de euros) na Índia.

No comunicado, enviado na segunda-feira à noite à Bolsa de Valores de Taipé, a empresa explica que o contrato de construção, realizado através de uma subsidiária local, visa cobrir “necessidades operacionais”, sem dar mais pormenores sobre o projecto.

O estado de Karnataka, no sul da Índia, anunciou em Agosto que a Foxconn iria investir 600 milhões de dólares em duas fábricas – uma de componentes para iPhone e outra de ‘chips’ – que criariam cerca de 14.000 postos de trabalho.

Segundo a agência de notícias Bloomberg, a empresa tecnológica taiwanesa também planeia construir uma fábrica num terreno perto do aeroporto de Bangalore, a capital de Karnataka e popularmente conhecida como “Silicon Valley da Índia” devido ao potencial das suas empresas tecnológicas. Em Julho, a Foxconn afirmou que iria aumentar a produção de iPhones em Karnataka para 20 milhões por ano, com uma nova fábrica de montagem que custaria 1,7 mil milhões de dólares.

Pequim pede fim da violência no Myanmar e protecção da fronteira

A China instou ontem as partes envolvidas no conflito armado no norte do Myanmar a “cessarem os combates o mais rapidamente possível” e a resolverem as diferenças “através do diálogo e da paz”.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Wenbin, apelou às partes beligerantes em conferência de imprensa “para resolverem as suas diferenças pacificamente e evitarem o deteriorar da situação”. Wang apelou à adopção de “medidas eficazes para garantir a segurança e a estabilidade da fronteira” partilhada pelos dois países.

Três navios da marinha chinesa chegaram a um porto do Myanmar na segunda-feira para participar em exercícios navais conjuntos, numa altura de crescente insegurança na fronteira entre os dois países, o que suscitou preocupações em Pequim. Wang descreveu a participação dos navios chineses nos exercícios como um “intercâmbio normal entre os dois países”.

Em exercício

A visita da marinha chinesa ocorre numa altura em que as forças da junta militar do Myanmar combatem grupos insurrectos de minorias étnicas perto da fronteira com a China, o que suscita preocupações em Pequim, que apelou a uma rápida resolução do conflito.

Entre sábado e terça-feira, as tropas chinesas realizaram exercícios militares com munições reais no seu lado da fronteira, para que as forças do Exército de Libertação Popular (ELP) estejam “prontas para qualquer emergência”, sublinhou o Comando do Teatro Sul das Forças Armadas chinesas, numa breve declaração no Weibo.

A China e o Myanmar partilham uma fronteira de 2.129 quilómetros e, embora Pequim tenha aumentado a sua influência no país após o golpe de Estado, a relação com o exército é complexa.

Segurança | Xi apela à protecção dos interesses chineses no estrangeiro

O líder chinês, durante uma reunião do PCC, salientou a necessidade de o país proteger os direitos das suas empresas além-fronteiras, mas também de facilitar a vida das empresas estrangeiras na China

 

O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou ontem ao reforço do sistema jurídico relacionado com relações externas para proteger os interesses chineses além-fronteiras, sublinhando a importância de garantir os direitos e interesses das empresas estrangeiras na China.

Durante uma reunião do Politburo do Comité Central do Partido Comunista Chinês (PCC), Xi Jinping sublinhou que a “promoção do Estado de Direito nas relações externas” responde à “necessidade a longo prazo de construir uma nação forte”, informou a agência noticiosa oficial Xinhua.

O líder chinês apelou à construção de uma “sólida cadeia de segurança jurídica” para proteger os interesses da China além-fronteiras, depois de algumas empresas chinesas terem estado envolvidas em problemas legais no estrangeiro nos últimos anos. Xi disse que é necessário “orientar os cidadãos e as empresas chinesas para que cumpram as leis locais quando vão para o estrangeiro”.

O Presidente chinês sublinhou igualmente a necessidade de “proteger os direitos e interesses legítimos das empresas estrangeiras” na China, depois de investigações sobre as empresas de consultadoria estrangeiras na China nos últimos meses e novas leis contra-espionagem terem suscitado preocupações entre potenciais investidores estrangeiros.

“Devem ser feitos esforços para melhorar as medidas e as leis para facilitar a vida dos estrangeiros na China”, acrescentou Xi. O líder chinês sublinhou ainda a necessidade de “cultivar instituições de arbitragem e sociedades de advogados de renome internacional”.

Mais cooperação

Também na terça-feira, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, prometeu construir uma “cooperação mais estreita” na cadeia de abastecimento, como parte de uma série de esforços da China para manter o investimento estrangeiro, face aos apelos dos países ocidentais para reduzir a dependência do país asiático.

“Estamos dispostos a construir uma parceria mais estreita na produção e na cadeia de abastecimento industrial com todos os países”, disse Li, na cerimónia de abertura da primeira Exposição Internacional da Cadeia de Abastecimento da China, em Pequim. O primeiro-ministro alertou também para os “desafios e riscos colocados pelo proteccionismo e pela globalização descontrolada” e garantiu que a China vai continuar a construir um ambiente empresarial internacional baseado no Estado de direito.

Hotelaria | Ocupação média de quase 83% em Outubro

No passado mês de Outubro, a taxa de ocupação média dos quartos de hóspedes fixou-se em 82,8 por cento, segundo informações reveladas ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, valor que representa uma subida anual de 41,1 por cento.

Os hotéis de cinco estrelas tiveram a melhor performance, com taxas de ocupação médias de 85,6 por cento, enquanto os hotéis de duas estrelas registaram taxas de ocupação de 83,1 por cento durante o passado mês de Outubro.

No total, os hotéis de Macau receberam em Outubro 1.247.000 hóspedes, volume que representou uma subida de 151,8 por cento em termos anuais, sendo que deste total 1.091.000 vieram do Interior da China e de Hong Kong. Contraindo as tendências de subida, a DSEC revela que o número de hóspedes locais caiu 34 por cento em termos anuais para cerca de 46 mil. Já o tempo de permanência médio, manteve-se em relação a Outubro de 2022, situando-se em 1,6 noites.

Importa ainda referir que no passado mês de Outubro, existiam em Macau 46 mil quartos de hotel, o que também se traduziu num aumento homólogo de 24,8 por cento. Nos primeiros 10 meses do ano, os hotéis de Macau receberam mais de 11 milhões de hóspedes e registaram uma taxa de ocupação média de quase 81 por cento.

Rua da Felicidade | IC desvaloriza aumento de rendas

O Instituto Cultural (IC) considera que o aumento das rendas na Rua da Felicidade é uma consequência do funcionamento do mercado e que é preferível haver rendas caras, a não ter turismo na zona. As declarações foram prestadas ontem, segundo a Rádio Macau, por Deland Leong Wai Man, após a 7.ª reunião plenária do Conselho Consultivo para o Desenvolvimento Cultural.

“Prevemos que no futuro possa haver um ajustamento do valor da renda. Se através do projecto de revitalização conseguirmos trazer mais movimento para a zona, mais fluxo económico, então o ajustamento da renda é um ajustamento económico, que resulta do funcionamento das regras de mercado livre”, afirmou Leong, quando confrontada com um potencial aumento do valor cobrado pelas lojas. “Preferem rendas baixas, mas sem que se explore actividades comerciais ali, ou rendas caras, com mais visitantes, negócios e mais lojas naquela zona?”, perguntou de forma retórica. “É uma opção e o funcionamento do mercado livre”, completou.

Leong Wia Man destacou ainda o número de turistas atraídos pelo Grande Prémio, principalmente a zonas consideradas menos visitadas, no que afirmou “dias normais”, sem que haja eventos. “Durante o Grande Prémio de Macau, nos dois dias, houve uma média diária de visitantes à Fortaleza do Monte de 14 mil a 15 mil pessoas”, informou a presidente do IC. “Comparando com os outros dias normais, normalmente a média máxima diária de visitantes é 3 mil e tal pessoas” partilhou.

O efeito prolongou-se à Rua da Felicidade, em que durante o Grande Prémio foi frequentada por 59 mi pessoas. A lição retirada através destes números, indicou Leong, passa pela necessidade de instalar mais “elementos especiais” nestas zonas, para atrair visitantes.

IAS | Mais vagas para crianças com necessidades especiais

O número de vagas nos quatro centros de apoio e tratamento para crianças com necessidades especiais vão aumentar de 360 para 450. O Instituto de Acção Social indica que as necessidades de terapia da fala para crianças têm aumentado nos últimos anos, colocando pressão nos recursos humanos

 

O chefe do Departamento de Solidariedade Social do Instituto de Acção Social (IAS), Choi Sio Un, revelou ontem que os serviços de apoio e tratamento a crianças com necessidades especiais vão ser alargados.

Actualmente, existem quatro centros em Macau que oferecem este tipo de serviços e, segundo avançou o responsável ontem à margem da conferência da Federação Asiática sobre Deficiência Mental, as vagas totais vão aumentar de 360 para 450, de forma a corresponder ao aumento da procura destes serviços.

O aumento das vagas deve-se à relocalização do Centro de Formação Inicial – “Kai Chi” da zona da Guia para a Ilha Verde, para instalações com maior capacidade. Este centro, subordinado à Associação de Apoio aos Deficientes Mentais de Macau, presta apoio a crianças até 3 anos com necessidades especiais.

Entre os serviços mais solicitados pela população, o responsável do IAS destaca a terapia da fala cujo aumento de procura colocou pressão nos recursos humanos. Nesse sentido, Choi Sio Un indicou que o mercado poderá contar no futuro com novos terapeutas licenciados na Universidade Politécnica de Macau, que serão suficientes para colmatar a procura de profissionais da área.

Saber cuidar

O responsável do Departamento de Solidariedade Social traçou ainda um panorama geral do estado dos serviços prestados a crianças até aos 6 anos com dificuldades especiais, mostrando-se satisfeito com a qualidade e a cobertura, alargada ao apoio profissional no domicílio.

Em relação ao subsídio para cuidadores, Choi Sio Un realçou que foi muito importante que o apoio passasse a ser permanente, eliminando o stress das famílias que necessitavam de renovar anualmente a candidatura ao subsídio e deixa de haver prazo limite para apresentar candidatura. De momento, mais de 180 pessoas recebem o subsídio para cuidadores, número que o IAS espera manter-se estável, uma vez que os requisitos para a atribuição do apoio vão permanecer os mesmos.

Hengqin | Mercado promove produtos do mundo lusófono

O i-LAW PARK em Hengqin vai acolher entre 1 e 3 de Dezembro um mercado que irá levar à Ilha da Montanha produtos lusófonos, indicou ontem o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM). Intitulado “Vamos Desfrutar – Mercado com Destaque para os Produtos do Mundo Lusófono e Macau”, o evento tem como objectivo aprofundar o intercâmbio e promoção, impulsionando a integração entre Macau e Hengqin a nível de comércio, cultura e turismo e construir uma plataforma para a exposição e venda de produtos dos Países de Língua Portuguesa (PLP).

O mercado irá contar com a participação de 25 pequenas e médias empresas (PME) de Macau e Hengqin e serão organizadas actuações de música e dança, oficinas de artes, assim como aquilo a que o IPIM designa como “jogos relacionados com a plataforma sino-lusófona”.

Em relação aos produtos, os expositores trarão uma variedade de produtos do mundo lusófono, incluindo enlatados, vinhos, café, especiarias, pastelaria, petiscos, artigos de aromaterapia, acessórios e artigos culturais e criativos. Na secção de comes e bebes, os visitantes vão ter à disposição grelhados, pastéis de nata, bifanas, waffles de ovo e outros petiscos.

No panorama cultural, durante os três dias do evento serão apresentadas actuações de música e dança, incluindo actuações de bandas do Brasil e Portugal, danças folclóricas de Portugal, assim como espectáculos de percussão e samba.

Macau Jockey Club | Estacionamento abre em Dezembro

Até ao final do ano, o Governo planeia abrir ao público o Parque de Estacionamento da Estrada Governador Albano de Oliveira, de acordo com um comunicado publicado ontem pela Direcção dos Serviço para os Assuntos de Tráfego (DSAT).

O estacionamento ao ar-livre fica perto do Macau Jockey Club, na Taipa, na faixa separadora central terrestre da Estrada Governador Albano de Oliveira, entre a Avenida de Kwong Tung e a Rua de Chaves, e vai ter 41 lugares para automóveis ligeiros e 17 para pesados.

Os bilhetes para os veículos ligeiros vão custar oito patacas durante o dia e quatro à noite. No caso dos veículos pesados, o estacionamento durante o dia custa 10 patacas por hora e à noite desce para cinco patacas por hora. Também ontem, foi publicado no Boletim Oficial o novo regulamento administrativo que define as regras para o Parque de Estacionamento Público do Posto Fronteiriço Qingmao.

Segundo os novos preços do parque, que entram em vigor a partir de 7 de Dezembro, por cada hora as tarifas serão de 10 patacas para automóveis ligeiros e quatro patacas para motociclos e ciclomotores. Quando se tratar do estacionamento nocturno, o preço desce para oito patacas e três patacas.

Novo Bairro | Primeiro dia de inscrições leva residentes a Hengqin

No primeiro dia de inscrições para comprar um apartamento no Novo Bairro de Macau formaram-se filas de interessados no escritório em Hengqin onde os imóveis são vendidos. Além de pessoas que demonstraram apoio às políticas do Governo, houve quem louvasse a abundância de espaço no bairro. Até às 15h foram recebidas mais de 500 candidaturas

 

Arrancaram ontem as inscrições para quem quer comprar um dos cerca de 4.000 apartamentos à venda no Novo Bairro de Macau, na Ilha da Montanha. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, antes do início do horário de expediente do escritório em Hengqin, 09h, já se formavam filas de interessados.

O senhor Chan foi o primeiro a ser atendido no escritório, declarando à emissora pública ter marcado o lugar desde as 21h de segunda-feira. “Porque vim para a fila tão cedo? Porque queria mostrar o meu apoio às políticas do Governo de Macau e também porque temi que a procura fosse de tal ordem que poderia esgotar o tipo de apartamento que quero”, afirmou.

Outro residente, de apelido Lam, que se juntou à fila às 07h30, trouxe consigo uma cadeira desdobrável para esperar confortavelmente a abertura do escritório. A razão pela qual chegou cedo a Hengqin foi semelhante ao fundador da fila de interessados. “Quero escolher aquele que penso ser o apartamento ideal para mim, um T2 no piso mais elevado, acho que o preço é razoável”, afirmou ao canal chinês da Rádio Macau.

No entanto, a vontade do residente não foi concretizada. “Na primeira fase, queremos vender 800 fracções que ficam nos andares mais baixos, mas se a procura exceder as nossas expectativas, podemos colocar à venda entre 900 e 1000 fracções”, afirmou ontem Peter Lam, que preside ao Conselho de Administração da Macau Renovação Urbana, responsável pelo projecto. Sem revelar quantos apartamentos foram vendidos, Peter Lam limitou-se a dizer que o número de “vendas foi ideal”.

Porém, em comunicado, a empresa afirmou que entre as 09h e as 15h de ontem foram recebidas mais de 500 candidaturas à compra de apartamentos. Este procedimento é inicial, para ver se o comprador cumpre os requisitos obrigatórios para poder comprar casa no Novo Bairro de Macau. Só após esse passo, preenchido mais um formulário e entregue 100 mil yuans de depósito inicial, é possível escolher a fracção desejada.

Em todo lado

Para já, os 800 apartamentos colocados à venda do Novo Bairro de Macau podem ser comprados através de cinco agências imobiliárias, mas os residentes podem comprar directamente o imóvel através da Macau Renovação Urbana. Porém, esta alternativa impõe mais tempo de espera.

Ontem de manhã, o escritório do Novo Bairro de Macau na RAEM também recebeu residentes interessados, alguns que foram ao engano a pensar que poderiam submeter o depósito para compra, apesar do escritório apenas aceitar candidaturas e ajudar nos procedimentos iniciais.

Um residente, de apelido Ho, revelou estar interessado no Novo Bairro de Macau devido à baixa densidade populacional em comparação com Macau. “Há cerca de dois anos que arrendo uma casa em Hengqin, porque gosto do ambiente espaçoso”, afirmou.

O preço dos apartamentos com duas assoalhadas, e área de 88 metros quadrados, custa entre 2,41 milhões e 2,63 milhões de yuan. Já os apartamentos com três quartos e cerca de 118 metros quadrados de área têm preços entre 3,53 milhões e 3,71 milhões de yuans.

Zona A dos Novos Aterros com densidade populacional de 69 mil pessoas por km2

A Zona Este-2 da cidade, que diz respeito aos Novos Aterros da Zona A, vai ter uma densidade populacional de 69 mil pessoas por quilómetro quadrado. A revelação foi feita pela Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU), na resposta a uma interpelação escrita do deputado Lei Chan U, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

“A densidade populacional prevista no projecto do plano em causa é de cerca de 55 mil pessoas por quilómetro quadrado. Sem contar com o respectivo plano de aterro do canal, a densidade populacional será de cerca de 69 mil pessoas por quilómetro quadrado, o que é comparativamente menor do que nas regiões vizinhas”, respondeu Lai Weng Leong, director.

O aterro do canal em causa é a faixa entre a Zona A dos Novos Aterros e a Península de Macau. Este era um projecto em que o Governo de Macau pretendia que substituísse a Zona D dos Aterros. Contudo, a pretensão foi negada por Pequim, que tem a última palavra sobre os aterros.

No que diz respeito aos espaços verdes na Zona A, que deverá ser um futuro grande aglomerado habitacional da RAEM, Lai Weng Leong indicou que a área verde será de 3,7 metros quadrados por pessoa, o que afirmou ser superior ao que acontece nas cidades vizinhas. “Sem contar com o plano dos aterros do canal em causa, a área média de espaços verdes per capita é de cerca de 3,7 metros quadrados por pessoa, ou seja, mais do que o critério de avaliação adoptado pelas cidades vizinhas”, completou.

Taipa Central à espera

Na resposta de Lai Weng Leong é igualmente indicado que o Plano Pormenor para a Taipa Central 2, divisão do território que inclui a chamada Baixa da Taipas e zonas como o Parque Central da Taipa, sofreu um revés.

O problema surgiu com o facto de todas as cinco propostas apresentadas no âmbito do concurso público para a elaboração do plano terem sido excluídas ou terem abandonado o procedimento. “De momento, foram reiniciados os procedimentos relativos à realização de uma nova consulta de preço, procurando que seja realizada a adjudicação e sejam iniciados os trabalhos de elaboração em finais do corrente ano”, foi acrescentado.

Saúde | Residentes impedidos de doar órgãos de familiares

Segundo Ron Lam, desde 2018 que familiares de pessoas em morte cerebral estão impedidos, por falta de meios formais, de doar órgãos de parentes, apesar de a possibilidade estar prevista na lei

 

Apesar de existirem parentes de residentes que pretendem doar órgãos dos familiares em morte cerebral, as autoridades estão a recusar as doações. O caso foi relatado pelo deputado Ron Lam, através de uma interpelação oral divulgada ontem aos órgãos de comunicação social.

Segundo o legislador, o seu gabinete recebeu queixas de familiares de residentes em morte cerebral que pretendiam doar órgãos do falecido para que pudessem ser transplantados para outras pessoas e utilizados com propósitos medicinais. No entanto, a iniciativa das famílias foi recusada pelas autoridades, por não existirem meios formalizados para aceitar estes órgãos. As queixas, indicou Ron Lam, foram confirmadas por pessoas que lidam directamente com este tipo de situações.

O deputado indica mesmo que este mecanismo nunca foi utilizado de forma bem-sucedida, e que todos os pedidos terão sido recusados, mesmo depois de, em 2018, ter sido lançado um sistema para o registo de doadores.

Na interpelação oral, o legislador espera assim que o Governo explique a razão das doações não estarem a ser aceites, apesar da possibilidade estar prevista no artigo 9.º da lei que “regula a dádiva, a colheita e a transplantação de órgãos e tecidos de origem humana”, desde que não tenha sido expressa, anteriormente, oposição do falecido.

“Alguma vez as autoridades aceitaram os pedidos de doação de órgãos de familiares de falecidos?”, perguntou o deputado. “Se aceitaram esses pedidos, o justifica com que sejam sempre mal-sucedidos?”, acrescentou.

Por outro lado, Ron Lam questiona igualmente as autoridades sobre as medidas que estão a ser tomadas para aumentar a doação de órgãos na RAEM para os casos de pacientes em morte cerebral. O deputado pergunta também que motivos fazem com que esta possibilidade não seja mais promovida pelas autoridades.

Simplex para órgãos

Por outro lado, o legislador questiona as autoridades sobre se se está a fazer alguma coisa para simplificar os procedimentos de doação de órgãos e, ao mesmo tempo, proceder à publicação de orientações para a população sobre o processo.

No mesmo sentido, o membro da Assembleia Legislativa pergunta ainda quais são as instalações de saúde com capacidade para fazer a recolha e transplante de órgãos na RAEM. Finalmente, Ron Lam pergunta se existe a intenção de reformular as actuais regras para que uma pessoa se possa registar como dadora de órgãos.

Fórum Macau | Coutinho pergunta se remodelação afecta salários

Durante a apresentação das Linhas de Acção Governativa da tutela da Economia e Finanças, o secretário Lei Wai Nong revelou que o Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do Fórum Macau vai passar a estar sob alçada do Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau (IPIM). Na sequência da novidade, o deputado Pereira Coutinho questionou o Governo, numa interpelação escrita divulgada ontem, se a alteração irá acarretar prejuízos salariais para os trabalhadores.

O deputado perguntou se no “âmbito da reestruturação vão as autoridades competentes auscultar os trabalhadores do Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente nomeadamente quanto aos prejuízos de progressão às suas carreiras profissionais, às mais de três dezenas de associações representativas dos trabalhadores da função pública e os delegados”.

Pereira Coutinho recordou que, desde 2003, os coordenadores do Gabinete de Apoio ao Secretariado do Fórum eram equiparados “para efeitos remuneratórios, ao nível de Director de Serviços (nível 2, índice 1015, da tabela indiciária) na dependência hierárquica directa do Chefe do Executivo”. Como tal, o deputado questiona se futura reestruturação, e diluição na estrutura departamental do IPIM, irá implicar a despromoção destes profissionais.

Universidade de Pequim | Ho Iat Seng destaca aumento de alunos

O Chefe do Executivo destacou o aumento de estudantes locais na Universidade de Pequim, depois de considerar que a instituição é uma das “melhores a nível mundial”. As declarações foram prestadas na segunda-feira, durante um encontro com o reitor da Universidade de Pequim, Gong Qihuang, de acordo com um comunicado divulgado pelo Gabinete de Comunicação Social.

O encontro serviu para debater “impressões sobre o reforço da cooperação entre Macau e o Interior”, no que diz respeito ao ensino superior e à formação de quadros qualificados.

O Chefe do Executivo referiu também que “os quadros qualificados são indispensáveis” para a diversificação da economia, e que a Universidade de Pequim tem mantido boas relações de cooperação com as instituições do ensino superior de Macau.

Por sua vez, também Gong Qihuang reconheceu que o número de estudantes de Macau admitidos na Universidade de Pequim tem aumentado nos últimos anos e deixou o desejo que no futuro, mais estudantes de Macau prossigam os estudos naquela instituição de ensino superior.

Gong indicou também que foi a sua primeira visita a Macau e, durante a sua estadia, a delegação da Universidade de Pequim visitou várias instituições de ensino superior de Macau e assinou acordos de cooperação com a Universidade de Macau e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau.

Ciência | Ho Iat Seng recebeu o director da Administração Espacial Nacional

O Chefe do Executivo recebeu Zhang Kejian, a poucos dias de uma delegação de astronautas visitar Macau. Na reunião com o director da Administração Espacial Nacional, Ho Iat Seng destacou o lançamento do Macau Science Satellite-1

O Chefe do Executivo destacou o contributo nacional dos cientistas de Macau no encontro que teve com o director da Administração Espacial Nacional da China, Zhang Kejian. A informação sobre a reunião, que decorreu à porta fechada na segunda-feira, foi divulgada através de um comunicado oficial do Governo e antecede a visita de uma delegação de engenheira aeroespacial que inclui alguns dos astronautas mais conhecidos do país.

No encontro com o dirigente do organismo nacional, Ho Iat Seng destacou que “nos últimos anos, os cientistas de Macau têm participado activamente no trabalho de investigação e desenvolvimento do sector espacial do país, nomeadamente no lançamento com sucesso do satélite Macau Science Satellite-1”.

Em relação ao satélite, o líder do Governo local sublinhou que o sucesso foi “reconhecido pelo Presidente Xi Jinping” que “enviou uma carta” à RAEM, no que considerou ter sido um ponto de criação de “um novo modelo de cooperação entre o Interior da China e Macau na área científica e tecnológica espacial”.

Ho Iat Seng vincou que o novo modelo de cooperação “tem um grande significado para a promoção da educação científica e tecnológica e a formação de quadros qualificados de Macau”.

O Chefe do Executivo terá depois explicado ao director da Administração Espacial Nacional a importância da diversificação da economia para o Governo da RAEM e indicou que entre as prioridades consta a tecnologia de ponta, que afirmou poder criar “um bom ambiente para a criação da economia digital”.

Actualização sobre o Satélite

Por sua vez, o director Zhang Kejian fez um ponto de situação sobre o Macau Science Satellite-1 e indicou que “está a funcionar bem em órbita desde o seu lançamento bem-sucedido”.

Zhang também destacou que o satélite tem gerados “resultados científicos importantes”, embora, segundo o comunicado, sem complementar o tipo de resultados alcançados.

Por outro lado, o director da Administração Espacial Nacional da China considerou que o Governo local tem prestado atenção e promovido a “generalização da educação científica e desenvolvimento da ciência e tecnologia”, o que no seu entender tem levado a um “progresso contínuo”.

Zhang afirmou igualmente “estar confiante em relação ao futuro desenvolvimento da RAEM na engenharia aeroespacial e em outros campos científicos e tecnológicos”, prometendo o “forte apoio” da Administração Espacial Nacional da China à RAEM. O encontro antecedeu a visita de uma Delegação de Engenharia Aeroespacial Tripulada da China, que decorre entre sexta-feira e domingo.

Os pormenores do programa da visita não são conhecidos, assim como também não são conhecidos todos os membros que integram a delegação. No entanto, estão confirmados os astronautas Liu Boming, Wang Yaping, Chen Dong e Zhang Lu, que participaram nos programas espaciais Shenzhou-12, Shenzhou-13, Shenzhou-14 e Shenzhou-15.

Literatura | Deolinda da Conceição e Maria Ondina Braga recordadas em Lisboa

Uma levou Macau para a sua escrita, outra levou a condição da mulher para as suas obras, descrevendo os diversos papéis femininos desempenhados numa sociedade conservadora marcada pela crueza da guerra. Deolinda da Conceição e Maria Ondina Braga foram lembradas segunda-feira numa palestra na Sociedade de Geografia de Lisboa

 

A Sociedade de Geografia de Lisboa acolheu na segunda-feira uma sessão de homenagem às escritoras Maria Ondina Braga e Deolinda da Conceição, nomes marcantes da literatura feminina de Macau e dos diversos lugares que o território assumiu nas letras escritas em português.

Coube ao advogado e autor José António Barreiros falar da obra de Maria Ondina Braga, cujo centenário do nascimento se celebrou no ano passado. Barreiros lembrou a paixão longa pelos escritos da autora. “Comecei a interessar-me por ela quando as suas obras já raramente se encontravam nos alfarrabistas. Hoje tudo mudou e as suas obras começaram a ser reeditadas”, disse.

José António Barreiros descreveu ainda o percurso literário da autora como uma “espécie de transladação divina do Oriente para o Ocidente”, considerando a escritora alguém que “viveu como se fora do outro mundo, fora do tempo”.

Nascida em Braga, onde viria a falecer em 2003, Maria Ondina Braga publica o seu primeiro livro de poesia em 1949, “Meu Sentir”, uma edição de autor, tendo escrito também diversos romances e contos.

A sua ligação a Macau começou em 1961, quando foi trabalhar como professora em Goa, indo depois para Macau na sequência da invasão de Goa, Damão e Diu pelas tropas indianas. Em Macau deu aulas de português e inglês no Colégio de Santa Rosa de Lima.

Maria Ondina Braga também visitou a China, nomeadamente Pequim, e é do seu punho que sai, nos anos 60, o livro de contos “A China fica ao Lado”. Apesar da paixão pela escrita, a autora dedicou-se também a traduzir autores como Graham Greene, Pearl Buck, Anaïs Nin, John le Carré, Mishima e Herman Wouk.

José António Barreiros lembrou, na palestra, que “ser tradutora dar-lhe-ia a possibilidade de se dedicar à escrita” em termos monetários. Foi também recordada uma certa melancolia com que viveu toda a vida, muitas vezes em solidão. No final, Maria Ondina Braga “morreu de um modo como sempre viveu, em silêncio”, destacou José António Barreiros.

“Em termos de relações humanas, Macau é o universo de Maria Ondina Braga”, enquanto Goa “foi um elemento de passagem que não é muito claro na sua escrita”. Quando escreve sobre o universo Macau, Maria Ondina Braga descreveu “as relações femininas derivadas do ensino e das instituições religiosas”, surgindo “um ténue tule de delicadeza em que se percebe uma avaliação dos sentimentos e carácter de pessoas”, apontou ainda José António Barreiros.

Depois da experiência laboral em Macau, Maria Ondina Braga voltaria ao Oriente, em 1982, como professora convidada de Instituto de Línguas Estrangeiras de Pequim. Nesse ano, já regressada definitivamente a Portugal, edita “O Homem da Ilha e outros contos”, e no ano seguinte é publicada a novela “A Casa Suspensa”, pela chancela da Relógio d’Água. Em 1984 foi lançada mais uma obra sobre o universo oriental, nomeadamente o livro de contos “Angústia em Pequim”.

As mulheres de Deolinda

Coube depois a Ana Cristina Alves, investigadora e coordenadora do serviço educativo do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), falar sobre a obra de Deolinda da Conceição, nascida em Macau em 1914 e que editou apenas um livro de contos “Cheong Sam – A Cabaia”, que marcou a literatura de Macau pelo retrato que faz das mulheres que viviam, à época, no território, nomeadamente da comunidade chinesa. A obra foi editada pela primeira vez em Lisboa em 1956 pela Livraria Francisco Franco.

“Como escritora ela pode-nos dar um sentimento muito profundo de como as mulheres se sentiram”, começou por destacar Ana Cristina Alves. “Ela nunca falou dela própria e foi uma escritora voltada para o exterior e para a sociedade, sofrendo intensamente o tempo em que viveu, que foi dramático.”

Ainda jovem, Deolinda da Conceição passou pela I Guerra Mundial, que decorreu entre 1914 e 1918, e depois pela II Guerra Mundial (1936-1945), assim como a Guerra Sino-Japonesa, que tantos refugiados levou para o pequeno enclave português às portas da China.

“Ela esteve sempre em guerra, mas preocupava-se imensamente com a sociedade, estando sempre atenta às consequências dos conflitos, à fome”, apontou Ana Cristina Alves, que descreveu os cinco tipos de mulheres que podemos encontrar nos 27 contos que fazem parte de “Chong Sam – A Cabaia” e demais tipos de pessoas, nomeadamente a figura do homem bondoso.

“Ao ler os 27 contos senti a profunda dor da escritora, em que a única salvação para as mulheres do Oriente, fossem chinesas ou macaenses, era a educação, transformarem-se em pessoas independentes e educadas, pois caso contrário seriam cinco categorias de mulheres”, ou seja, tradicionais, acomodadas, mártires, órfãs de guerra, dependentes.

Ana Cristina Alves disse também “identificar-se absolutamente” com a escrita de Deolinda da Conceição. “A maior parte dos contos acaba muito mal, pois em tempo de guerra as coisas são difíceis. Qualquer exemplo [de texto] em que a protagonista é a mulher tradicional tem um mau final, porque esta mulher tradicional é inculta numa sociedade absolutamente conservadora.”

Os contos de Deolinda da Conceição abordam muito a “figura maternal”, ou seja, as mulheres que ficam viúvas em tempo de guerra e são obrigadas a ficar à mercê das esmolas que a sociedade dá. No que diz respeito à figura da mulher mártir, a escritora macaense abordou a situação concreta “das jovens meninas, as concubinas, que normalmente se suicidavam pela pressão das esposas legítimas” ou então “as mulheres que tentam seguir o amor numa sociedade conservadora”.

Palavras de filho

A sessão de homenagem de segunda-feira contou com a presença do designer e criativo António Conceição Júnior, filho de Deolinda da Conceição, que faleceu quando este tinha apenas cinco anos.

António Conceição Júnior destacou “o espírito inquieto” que a mãe demonstrou “desde cedo”, uma mulher “que jamais foi dona de casa ou doméstica”, e para quem “não havia desigualdade de género”. Deolinda da Conceição “foi, talvez, a primeira mulher emancipada de Macau, que por amor à verdade sempre escreveu o que pensava”, adiantou.

No final da sessão, Ana Cristina Alves descreveu ainda a autora macaense, que também foi jornalista e cronista, como “uma lutadora, que usou a escrita como arma”. “Ela usou a escrita para chamar a atenção para uma sociedade que poderia ser melhor e não era. Todos os que não eram educados eram penalizados por isso. A educação é um bem essencial e isso tem a ver com a alma chinesa. Nos tempos antigos essa educação estava limitada aos homens e não se destinava às mulheres, mas era um factor distintivo essencial”, descreveu.

Carlos Piteira, antropólogo e presidente da comissão asiática da Sociedade de Geografia de Lisboa, moderou a sessão, falando também do papel de perpetuação da memória que as obras de Deolinda da Conceição e Maria Ondina Braga desempenham. “Todos nós acabámos por ganhar imenso com estes testemunhos e ficámos a conhecer melhor as pessoas de Macau”, rematou.

Fotografia | Associação Halftone promove exposição na FRC

A Associação Halftone apresenta, na próxima segunda-feira, 4, uma exposição de cariz anual com trabalhos fotográficos dos seus associados na Fundação Rui Cunha (FRC), que poderá ser visitada a partir das 18h30.

A exposição revelará um total de 30 trabalhos, profissionais e amadores, que vão desde a fotografia documental até à expressão artística, passando pela fotografia de aquitectura, de moda, de rua, a cores ou a preto-e-branco, poderão ser vistos nas paredes da galeria da Fundação Rui Cunha.

Para este projecto, que pode ser visto gratuitamente pelo público até ao dia 9 de Dezembro, foi feita uma chamada para todos os associados participarem com trabalhos seus, tendo sido seleccionadas imagens de André Ritchie, António Mil-Homens, António Sotero, Bessa Almeida, Catarina Cortesão Terra, Cecília Ho, David Lopo, Elói Scarva, Francisco Ricarte, Gonçalo Lobo Pinheiro, Hugo Teixeira, Joana Freitas, João Daniel, João M. Rato, João Miguel Barros, João Nuno Ribeirinha, João Palla Martins, José das Neves, José Sales Marques, Lurdes de Sousa, Maria José de Freitas, Mide Plácido, Nélson MS Silva, Nuno Veloso, Pascal Pun, Ricardo Meireles, Rusty Fox, Sara Augusto, Sara Marçal e Stefan Nunes.

A Halftone é uma associação cultural, sem fins lucrativos, com sede na RAEM, que tem por objectivo a promoção da fotografia contemporânea em todas as suas vertentes. Trata-se de uma associação inclusiva e abrangente, e está aberta a todos aqueles que tenham interesse na fotografia como expressão artística ou documental, independentemente da sua experiência ou da sua prática.

Por isso, propõe-se promover o trabalho fotográfico dos seus associados, bem como organizar exposições, publicar uma revista, livros e monografias, organizar debates e desenvolver projectos pedagógicos e educativos.

Jani Zhao estreia-se em Hollywood com “Aquaman e o Reino Perdido”

Jani Zhao, actriz portuguesa de ascendência chinesa, estreia-se em Hollywood com o filme “Aquaman e o Reino Perdido”, que estreia em Dezembro. Em entrevista à Lusa, a actriz, parceira do realizador português Ivo M. Ferreira, disse que representar é também um acto político. “Sou portuguesa, mas também sou outras coisas”.

“Claro que é divertido ter conseguido chegar lá fora, estar em Hollywood, começar aqui uma carreira internacional, mas para mim, sobretudo, são os passos concretos nesta luta, nesta missão de que podemos ser diversas coisas e de começar a convocar as pessoas para criar outras narrativas. Eu acho que isso é importante, ir lá, ao lugar do outro”, afirmou a actriz.

Jani Zhao, de 31 anos, integra o elenco da produção norte-americana “Aquaman e o Reino Perdido”, de James Wan, que chega aos cinemas no dia 21 de Dezembro, sendo a sua estreia internacional numa carreira na representação iniciada há mais de 15 anos. Segundo Jani Zhao, a participação no filme surge depois de ter estado em 2017 no programa português “Passaporte”, que põe em contacto talentos da representação com directores de ‘casting’.

Rodagem em 2021

A rodagem desta produção da DC Comics aconteceu em 2021 no Reino Unido e nos Estados Unidos, e Jani Zhao interpreta o papel de Stingray, uma personagem que existe na banda desenhada, tal como Aquaman, e sobre a qual pouco pode adiantar antes da estreia, por questões de confidencialidade.

“Não posso dizer com quem contracenei, porque não vão perceber tudo já imediatamente. […] Eu diria que [Stingray] é uma figura assim muito intimidante”, disse Jani Zhao.

Sobre a experiência, para lá do contacto com uma produção estrangeira e da remuneração – “pagaram muito bem”, disse a actriz – Jani Zhao deu mais um passo numa missão pessoal sobre aquilo que representa e o tipo de narrativas que defende.

“Até hoje, apesar de já ter uma carreira bastante sólida em Portugal, eu sou sempre vista como uma estrangeira. Isto porque a mentalidade [portuguesa] ainda está em reconstrução, os anos da ditadura ainda se sentem muito na sociedade, os ‘brandos costumes’. E, de facto, os anos todos de colonialismo ainda estão muito intrínsecos na cultura portuguesa. E isso sente-se. Eu, que sou portuguesa tanto como tu, não sou considerada portuguesa aos olhos de muitos portugueses”, lamentou.

Jani Zhao nasceu em Leiria, de pais chineses emigrados em Portugal. Estudou dança com a companhia de Olga Roriz e teatro na Escola Profissional de Teatro de Cascais, de Carlos Avilez. Além de trabalhos em moda, o currículo conta com várias participações em teatro, cinema e televisão.

Alguns dos papéis que interpretou no início da carreira eram de personagens asiáticas. Foi a Sandra Chung numa temporada da série “Morangos com açúcar”, Susana Wang na telenovela “Jogo Duplo”, ou Chung Li no filme “Cabaret Maxime”, de Bruno de Almeida.

“Até há muito pouco tempo, eu tinha de ter uma justificação para existir. A minha personagem tinha de ter toda uma história inventada que justificasse a minha existência. E, neste momento, aquilo que eu procuro é que, de facto, isso não tenha de acontecer”, esclareceu Jani Zhao.

A actriz quer estar em projectos que promovam outras narrativas, que representem a luta das minorias, que representem a diversidade da sociedade, porque tudo é “um acto político”.

“É importante trazer também para o cinema português, para a ficção portuguesa, para o audiovisual português, porque essas pessoas fazem parte da sociedade portuguesa. E é isso que procuro. Procuro trabalhos com condições justas. E com pessoas… com boa gente”, disse.

Índia | Militares escavam à mão túnel para tirar trabalhadores presos

Militares indianos estão a preparar-se para escavar manualmente o túnel e tentar chegar aos 41 trabalhadores presos há 16 dias, depois de as operações de resgate terem sofrido vários contratempos.

Quando faltavam apenas nove metros de perfuração que iam permitir inserir as partes finais de um tubo de aço de 57 metros de comprimento, com largura suficiente para a passagem de um homem e permitir a retirada dos trabalhadores, barras de metal e veículos de construção que estavam o caminho danificaram a máquina.

Militares indianos vão tentar agora limpar as rochas e os escombros destes nove metros restantes, enquanto as temperaturas caem nesta região montanhosa isolada do estado de Uttarakhand, nos Himalaias. “O pessoal do batalhão de engenharia do exército indiano, bem como outras equipas de resgate, estão a preparar-se para esta operação”, disse um alto funcionário local, Abhishek Ruhela.

Desde que o túnel desabou, a 12 de Novembro, os esforços de resgate têm sido complicados e retardados pela queda de destroços e sucessivas falhas nas máquinas cruciais para resgatar trabalhadores. Os trabalhadores sobrevivem há duas semanas graças ao fornecimento de ar, comida, água e electricidade através de uma conduta na qual foi inserida uma câmara endoscópica.

O aluimento de terras provocou o desabamento de uma parte do túnel, de 4,5 quilómetros, a cerca de 200 metros da entrada. O local do desabamento fica em Uttarakhand, um estado montanhoso com vários templos hindus que atraem muitos peregrinos e turistas e a construção de autoestradas e edifícios tem sido constante para responder a um fluxo crescente de visitantes.

LAG 2024 | Nova escola portuguesa para preparar alunos

O Governo pretende criar uma nova escola portuguesa de preparação para os estudantes do ensino secundário que queiram seguir os estudos em Portugal e necessitem de acompanhamento na aprendizagem do idioma.

“Além de estabelecermos um inquérito sobre o prosseguimento de estudos e o emprego, para que os estudantes possam planear bem as suas carreiras profissionais, será promovida a criação de uma escola portuguesa com sistema ‘one-stop'”.

A secretária Elsie Ao Ieong U, no debate de ontem sobre as Linhas de Acção Governativa de 2024 na área dos Assuntos Sociais e Cultura, frisou ainda que será dada continuidade aos “apoios financeiros aos alunos para prosseguirem os seus estudos em cursos do ensino superior em Portugal, a fim de formar quadros qualificados em língua portuguesa com conhecimentos multidisciplinares”.

Banco alimentar ajuda a pagar a casa

Todos conhecemos Christine Lagarde, a senhora que mais parece um homem, que é a presidente do Banco Central Europeu e que tem deixado milhares de famílias em pânico com a subida das taxas de juro, o que provoca o aumento da prestação das casas que foram compradas através de crédito bancário. Especialmente os casais jovens que compraram casa têm andado numa roda viva para conseguirem pagar a prestação da casa que adquiriram. No entanto, na semana passada chegou-nos uma informação quase inacreditável que fomos confirmar e que dizia respeito a muitos casais jovens que estavam a usar o Banco Alimentar contra a fome para poderem fazer frente ao pagamento da prestação mensal de suas casas.

Dirigimo-nos a Alcântara, onde está situado o Banco Alimentar e confirmámos que o número de casais que recolhem alimentos tem aumentado nos últimos meses. Um aumento que se deve a esses casais não poderem gastar dinheiro na alimentação para guardar o dinheiro para pagar a casa ao banco onde realizaram o contrato de compra. Tentámos ver alguém nesta situação e conseguimos falar com Daniela e Fernando que saiam com sacos cheios de géneros alimentícios. Mantivemos uma conversa e Daniela começou por nos confirmar que tinam vindo ao Banco Alimentar porque tinham dois filhos menores e o dinheiro não chegava para pagar as despesas, muito menos para uma alimentação digna para o conjunto familiar.

“Comprámos a casa e a prestação tinha um valor acessível, mas com o aumento das taxas de juro anunciadas pela presidente do Banco central Europeu, a nossa prestação da casa passou quase para o dobro… a vinda aqui ao Banco Alimentar é a nossa salvação, pois não temos dinheiro suficiente para os comestíveis”, disse-nos Daniela e o marido Fernando retorquiu: “Não sei onde vamos parar. Nós e milhares de famílias. Alguns dos nossos amigos já venderam a casa. A inflação para os dois por cento no segundo semestre de 2025… como se atreve a falar assim se continuamos com a inflação alta e podendo subir a qualquer momento. Os dois por cento quanto a mim nem a sonhar. Ela só soube aumentar as taxas de juro e os jovens recolheram-se em casa dos pais. Nós é que sofremos e de que maneira. É um facto real a sua pergunta no sentido se vimos aqui ao Banco Alimentar porque o rendimento não chega para enfrentar as despesas da família. Não tenho vergonha em vir buscar comida e outros géneros, como compotas e enlatados para que os nossos miúdos não passem dificuldades”, salientou Fernando que nos acrescentou que já venderam o carro e que por sorte o pai da Daniela emprestou-lhes um automóvel já velhote, mas que dá perfeitamente para irem carregar os alimentos. De resto, usam os transportes públicos.

E é este país que temos. Jovens que sonharam ter a sua casinha e que se vêem a braços com uma prestação que aumenta a toda a hora e que torna impossível manter a situação. Tudo isto com a banca a dar milhões de lucro e toda “contentinha” a ganhar milhões na venda das casas que são entregues ao banco por incumprimento do pagamento acordado.

A prestação da casa ao banco continua a subir. Em alguns empréstimos, significa uma subida de quase 60 por cento na prestação. Comprar casa é cada vez mais difícil e exige um esforço cada vez maior. A perda de poder de compra e a subida acentuada dos juros dificultam o pagamento dos empréstimos. Os bancos já estão a registar uma queda no número de pedidos para a compra de casa.

A escalada dos juros continua (e parece ter vindo para ficar), o que significa que a prestação da casa a pagar ao banco não para de aumentar. Em Julho, a prestação média do crédito habitação fixou-se em 370 euros, mais nove euros que em Junho e mais 106 euros que em Julho de 2022. Trata-se de um aumento de 40,2 por cento em termos homólogos, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Considerando a totalidade dos contratos, dos 370 euros de prestação, 204 euros (55 por cento) correspondem a pagamento de juros e 166 euros (45 por cento a capital amortizado). Neste sentido, como é que não havemos de assistir cada vez mais os nossos jovens a emigrar? A compra de casa passou a ser um luxo para ricos.

“Retrospectiva Centenária da Arte de Lok Cheong” celebra patriotismo

Está patente no terceiro piso do Museu de Arte de Macau (MAM) a exposição “Retrospectiva Centenária da Arte de Lok Cheong”, co-organizada pelo museu e a Associação dos Artistas de Belas-Artes de Macau. Lok Cheong (1923–2006), um dos membros fundadores da Associação dos Artistas de Belas-Artes de Macau, foi presidente da associação vários anos, tendo estimulado os artistas emergentes de Macau ao mesmo tempo que unia os entusiastas da arte.

O Instituto Cultural (IC) aponta que o incontornável artista “promoveu constantemente o intercâmbio cultural entre Macau e o Interior da China e não poupava esforços no desenvolvimento das belas-artes, dando um grande contributo para o sector da pintura de Macau”.

As suas experiências de vida proporcionaram-lhe um leque de temas variados e as suas obras oferecem reflexões sobre a realidade. As suas pinturas a óleo, nomeadamente “Vivendo da recolha de resíduos” e “Oferta de arroz pela Pátria”, mostram a vida simples e comovente do povo.

Os familiares de Lok Cheong doaram mais de 200 trabalhos do artista e 100 obras dos seus amigos ao Museu de Arte de Macau do Instituto Cultural. Neste ano, que marca o centenário do nascimento de Lok Cheong, o MAM organiza especialmente esta exposição retrospectiva, que abrange 100 pinturas seleccionadas de Lok Cheong, assim como alguns dos seus desenhos paisagísticos e obras de seus amigos artistas, agora mostradas pela primeira vez, totalizando 150 trabalhos que incluem pinturas a óleo, aguarelas, pinturas a tinta-da-china, desenhos, manuscritos e documentos.

Elite na inauguração

A mostra está dividida em cinco secções: “Amor à Pátria”, “Captando o Carácter de Macau”, “Retratos”, “Desenhando do Coração” e “Obras de Companheiros Artistas”, com vista a mostrar o testemunho do artista sobre as grandes transformações da Pátria e da sociedade de Macau ao longo da sua vida.

A cerimónia de inauguração da exposição reuniu algumas personalidades da elite política local, como o vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e ex-Chefe do Executivo Edmund Ho, o director do Departamento de Propaganda e Cultura do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, Wan Sucheng, a presidente do Instituto Cultural, Deland Leong Wai Man e o deputado Chui Sai Peng José apresentado no comunicado do IC como presidente da Associação dos Calígrafos e Pintores Chineses Yu Un de Macau.

Participaram também na cerimónia representantes da família de Lok Cheong, nomeadamente Lok Po (director do jornal Ou Mun e representante de Macau Assembleia Popular Nacional) e Lok Hei (director da Associação de Artistas da China, e presidente da Sociedade de Artistas de Macau, entre outros cargos de direcção em associações). A “Retrospectiva Centenária da Arte de Lok Cheong” está patente ao público até 7 de Abril e tem entrada livre.

FRC | Artesanato da ARTM em exibição a partir de hoje

“As Pessoas Primeiro” é o nome da mostra de artesanato deste ano da Associação de Reabilitação de Dependências de Macau, em exibição a partir desta tarde na galeria da Fundação Rui Cunha. Os trabalhos de mais de 30 autores, em processo de recuperação, vão da pintura a óleo e acrílico à cerâmica, alguns com motivos natalícios

 

É inaugurada hoje, às 18h30, na galeria da Fundação Rui Cunha (FRC) a mostra anual de artesanato da ARTM – Associação de Reabilitação de Dependências de Macau, que estará patente até 2 de Dezembro.

A exposição, intitulada “As Pessoas Primeiro”, reúne um conjunto de peças de pintura e cerâmica realizadas por mais de 30 participantes, em processo de recuperação, do Centro de Serviços Integrados de Ká Hó da ARTM – Associação de Reabilitação de Dependências de Macau.

A FRC explica em comunicado que a mostra deste ano é composta por uma “selecção de trabalhos manuais que inclui pinturas a óleo e acrílico, e peças de cerâmica, muitas com motivos natalícios”.

O mote desta edição foi inspirado no slogan da campanha das Nações Unidas para o Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico Ilícito de Drogas, celebrado a 26 de Junho desde 1987, este ano sob o título “As pessoas primeiro: acabar com o estigma e a discriminação, reforçar a prevenção”.

“A campanha visa reforçar a necessidade de aumentar a consciência das comunidades sobre a aceitação de pessoas que usam drogas e dar-lhes o respeito e a empatia que todos os seres humanos merecem. Por outro lado, é importante priorizar a prevenção através da implementação de programas que reduzam os factores de risco. As estratégias de prevenção e intervenção precoce ajudam muito a proteger ou reduzir o consumo de substâncias”, indica a organização do evento.

Cuidar com arte

A arte-terapia é uma disciplina que combina expressão artística e psicologia, preconizada por Carl Jung como “porta” de acesso ao inconsciente. Através do processo criativo e da sua interpretação pelo autor é criado o ambiente para a terapia.

Seguindo essa linhas, nos últimos anos, “as artes têm sido uma componente essencial no quotidiano da comunidade terapêutica da ARTM, através de diferentes actividades e técnicas, com vista a promover a cura física, mental, emocional e espiritual dos pacientes, permitindo o seu crescimento ao longo do processo individual de mudança”.

Segundo a ARTM, o resultado é “uma série de peças de arte com significado. Para algumas pessoas em recuperação, e para pessoas com diferentes tipos de problemas de saúde mental, o envolvimento e a criação artística pode ser uma chave para o seu processo de mudança. Desta forma, as artes expressivas aparecem como uma componente importante da vida quotidiana da comunidade terapêutica da ARTM através de preparação vocacional e de actividades recreativas. Os resultados são sempre satisfatórios e a sensação de dever cumprido é conseguida. Isso dá-nos mais motivação para continuar a explorar métodos para proporcionar em conjunto novas vidas mais bonitas”.

A mostra, que tem sido apadrinhada pela FRC desde 2020, é um momento importante de celebração dos resultados alcançados por cada participante no percurso de reintegração na sociedade local.

A Associação de Reabilitação de Dependências de Macau é uma organização local sem fins lucrativos, que oferece programas terapêuticos para a recuperação da toxicodependência e outras dependências, como o jogo e o álcool. A ARTM também desenvolve serviços de orientação e acompanhamento dos ex-dependentes, bem como serviços de prevenção primária para jovens, famílias, escolas e comunidade, num forte compromisso com a saúde pública e os direitos humanos.

ONU | Wang Yi vai a Nova Iorque para reunião sobre Gaza

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, vai deslocar-se esta semana a Nova Iorque para participar numa reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre o conflito entre Israel e o Hamas, anunciou ontem fonte do Governo chinês.

“Ao assumir a presidência rotativa do Conselho de Segurança da ONU este mês, a China vai realizar uma reunião de alto nível sobre a questão israelo-palestiniana no dia 29 de Novembro”, disse o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Wang Wenbin.

Wang Yi vai presidir pessoalmente à reunião. Na semana passada, a China saudou o acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, que entrou ontem no seu último dia. A pausa, que começou na sexta-feira, levou à libertação de dezenas de reféns pelo Hamas e, em simultâneo, à libertação por Israel de mais de 100 prisioneiros palestinianos.

A China sempre foi a favor de uma solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano. O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou à realização de uma “conferência internacional para a paz” para pôr termo aos combates.

A 7 de Outubro, combatentes do Hamas atravessaram a fronteira a partir de Gaza num ataque sem precedentes em território israelita, matando 1.200 pessoas, na sua maioria civis, segundo as autoridades israelitas. Cerca de 240 pessoas foram feitas reféns. Em resposta, Israel lançou uma campanha militar para destruir o Hamas, matando cerca de 15.000 pessoas, na sua maioria civis, incluindo milhares de crianças, segundo o governo do Hamas em Gaza.

Pequim apela a cessar-fogo em Myanmar

Pequim apelou no domingo a um cessar-fogo em Myanmar, após uma coligação de grupos armados ter tomado, em Outubro, pontos de passagem na fronteira entre os dois países, informou o jornal do exército chinês.

No entanto, de acordo com o PLA Daily, Pequim vai continuar os exercícios de fogo real do lado chinês, para “testar a mobilidade, as capacidades de controlo da fronteira e as capacidades de poder de fogo das unidades militares, para que o Exército Popular de Libertação esteja pronto para qualquer emergência”.

Myanmar depende fortemente do comércio com a China, especialmente para a importação de produtos manufacturados e exportação de produtos agrícolas. Os distúrbios na região fronteiriça birmanesa têm sido um constante motivo de irritação para Pequim, que apoiou os líderes militares que tomaram o poder no país do Sudeste Asiático em 2021, substituindo um governo eleito.

“A China está muito preocupada com os conflitos em Myanmar e instou todas as partes a cessarem fogo e a iniciarem diálogos pacíficos para evitar que a situação se agrave ainda mais”, lê-se no jornal militar. Entretanto, o exército irá “salvaguardar a segurança da fronteira e proteger as vidas e os bens das pessoas que vivem nas zonas fronteiriças”.

Os exercícios de fogo real, que tiveram início no sábado, vão “reforçar o sentido de responsabilidade e a vigilância das tropas” e prolongar-se-ão por vários dias, referiu-se na publicação. O governo de Myanmar reconheceu ter perdido pelo menos três cidades e os combates parecem ter interrompido quase todo o comércio legal com a nação vizinha.

Tomada de posse

A passagem fronteiriça de Kyin-San-Kyawt, uma das cinco principais entradas comerciais da cidade de Muse, no norte do estado de Shan, foi tomada no sábado. Trata-se do quarto posto fronteiriço conquistado pelas forças da aliança num mês de intensos combates.

Grupos armados da resistência contra a junta militar, que reúnem guerrilheiros de minorias étnicas e milícias pró-democracia lançaram a 27 de Outubro a chamada “Operação 1027” no estado de Shan, no norte do país, que faz fronteira com a China.

As Nações Unidas estimam que cerca de 82 mil pessoas foram deslocadas à força no Estado de Shan desde Outubro, o que levou as autoridades chinesas a apelar a medidas para alcançar uma maior estabilidade na região. Pelo menos várias centenas terão fugido para a China. As autoridades chinesas indicaram igualmente que cerca de 50 civis foram mortos e centenas ficaram feridos, maioritariamente em ataques da junta militar.