Centros de explicações | Estudo fala de “indústria sombra” no sector educativo

Nos últimos anos, os centros de explicações multiplicaram-se em Macau. Os alunos procuram tirar dúvidas geradas num sistema de ensino tradicional, mas também para passar tempos livres devido à excessiva carga horária dos pais. Estas são algumas das conclusões de um estudo de Alberto Pablo, docente da Universidade Politécnica de Macau

 

Em Macau é comum inscrever um filho num centro de explicações, sobretudo para tirar dúvidas sobre a matéria abordada nas salas de aulas ou para passar tempo livre enquanto os pais estão a trabalhar. Alberto Pablo, docente da Universidade Politécnica de Macau (UPM), realizou um estudo sobre o fenómeno da proliferação de centros de explicações em Macau e a sua sobrevivência durante a pandemia, intitulado “A influência dos centros de explicações – Sistema social de educação não superior de Macau em tempos de crise pandémica da covid-19”. O artigo foi publicado na edição de Março da revista académica “Sociologia – Problemas e Práticas”.

O estudo concluiu que os centros de explicações no território constituem “um grande negócio para o sector educacional não formal privado, que toma mesmo a forma de uma outra indústria educativa à sombra da educação escolar formal”. Estes espaços, que obrigam a uma despesa familiar adicional, servem também “como local absolutamente necessário para ‘depositar’ filhos e filhas que, além do apoio educativo, recebem também alimentação, cuidados e transporte”.

A prestação destes serviços adicionais é indicada como um trunfo preponderante para a sobrevivência durante a pandemia. Aliás, é descrito que “as salas de explicações locais se adaptaram bem mais rapidamente ao impacto económico da crise pandémica”, tendo sido pagos, na maioria, pelas oito mil patacas dos cartões de consumo atribuídos aos residentes pelo Governo neste período.

O autor escreve ainda que “contrastando com muitas lojas comerciais, pequenos restaurantes, agências de viagens e outras pequenas e médias empresas que desapareceram, provavelmente sem retorno, com a crise pandémica de covid-19, não consta nem se anunciou o encerramento de qualquer espaço de explicações e apoio educativo”. Segundo o académico isso demonstra que é uma “indústria próspera, mesmo em períodos com os piores ‘ventos e tempestades'”.

Porquê ter explicações?

Os inquéritos realizados para este estudo realizaram-se a partir de 9 de Janeiro de 2020 a estudantes do ensino superior de Macau, residentes permanentes, que frequentaram o ensino secundário e complementar em escolas privadas e que fizeram os exames de acesso à universidade.

O autor quis analisar, em parte, porque os alunos e encarregados de educação optam pelos centros de explicações. Um total de 90 inquéritos online gerou 78 respostas escritas válidas, correspondendo a 87 por cento do total. Houve ainda 12 estudantes que não responderam por não terem frequentado estes centros com regularidade ou por “completo desinteresse pelo tema ou dificuldade em escrever respostas pessoais às perguntas solicitadas”.

Em 78 respostas validadas, 28 alunos disseram ter recorrido aos centros para ter explicações de matemática ou de uma língua não materna, enquanto 26 o fizeram para se preparar para testes e exames. Apenas 11 estudantes usaram os centros de explicações para ocupar os tempos livres, enquanto que oito procuraram melhorar as notas na escola. Apenas cinco estudantes foram a centros de explicações para “recuperar de resultados negativos”.

O estudo de Alberto Pablo indica que a escolha dos centros de explicações prende-se com lacunas existentes no próprio sistema de ensino, em que os alunos sentem dificuldades em colocar questões ou dúvidas na sala de aula.

“A totalidade das respostas repetiu a conhecida impossibilidade de se levantar questões e pedir esclarecimentos durante as aulas da escolaridade formal por imperar sempre algum tipo de constrangimento em relação à autoridade dos docentes, os quais não dispunham de tempo suficiente ‘para ler os manuais’ ou os ‘powerpoints’ (na verdade, um texto projectado)”. Assim, “não restaria espaço lectivo para atender e resolver dúvidas pessoais dos alunos”.

O caso da EPM

O estudo refere o caso dos alunos do ensino secundário da Escola Portuguesa de Macau (EPM), que “destacaram a frequência regular de explicadores particulares – por vezes professores ou ex-professores da própria escola – a quem pagavam entre 300 e 500 patacas por hora, recebendo geralmente seis horas semanais, ou mais, de explicações de português e matemática”.

Alberto Pablo entende afirma que são “montantes pecuniários bastante elevados, mesmo para os padrões económico-sociais de Macau, rondando uma média mensal muito expressiva e onerosa entre 5.000 e 12.000 patacas por estudante, valor que normalmente duplica em função da família nuclear dominante de dois filhos”.

Os estudantes das escolas chinesas privadas, cujos inquiridos dizem ter frequentado centros de explicações durante 20 e 28 horas semanais, entre segunda-feira e sábado, três a quatro horas por dia, mediante pagamento mensal de cinco mil patacas.

O estudo destaca, ainda quanto aos resultados, “o número significativamente baixo de inquiridos que recorreu aos centros de explicações para contrariar o que se poderia designar como insucesso escolar”, apenas cinco alunos. Verifica-se ainda “a quantidade pouco expressiva de inquiridos que procuraram apoio extraescolar por terem obtido resultados ‘baixos’ nas avaliações formais escolares”, ou seja, apenas oito, dez por cento do total.

Desta forma, “69 por cento dos inquiridos frequentaram regularmente espaços de explicações durante o período da escolaridade secundária e complementar obrigatória para preparar testes e exames, mas mais ainda para recuperar de dificuldades e disfunções na aprendizagem nos domínios da matemática e língua não materna”. Segundo Alberto Pablo, a grande dificuldade reside no “inglês falado e escrito”.

Uma mentalidade própria

O estudo demonstra que os centros de explicações são um sector à margem do ensino formal porque os estudantes do ensino não superior são “‘empurrados’ para recorrerem regularmente” a estas instituições, devido à existência de um “sistema de ensino muito tradicional, factual e positivista, orbitando o manual, a memorização, testes e exames recorrentes”.

Há ainda uma carga social e cultural em torno destes centros, porque, como refere o autor, estes estudantes “são socialmente ‘obrigados’ a marchar diariamente depois do fim das aulas escolares porque os seus pais e encarregados de educação trabalham por turnos nos casinos e afins, cumprem jornadas intensivas de trabalho, mantém pequenos comércios abertos todo o dia ou labutam nas áreas da intermediação e do transporte”.

Tal faz com que os pais não tenham “tempo útil disponível para dedicar aos problemas de escolaridade dos seus educandos”, que ficam “entregues ao cuidado geral dos centros de apoio extralectivos”.

Mas mais do que dar resposta às famílias com horários laborais intensos, os centros de explicações têm muita procura graças à “mentalidade cultural dominante entre as famílias chinesas de Macau, que confiam quase exclusivamente a promoção social futura ao sucesso na escola no presente”.

Pouca transparência

O trabalho de Alberto Pablo descreve também que “a esmagadora maioria dos centros de explicações não apresenta organização clara, métodos pedagógicos ou planos didáticos”, sendo que o investigador também não conseguiu ter acesso a relatórios de contas e actividades que “não são conhecidos”.

“É difícil chegar aos responsáveis por estes espaços – acreditando que os há – sendo ingrata a tarefa de questionar, o que gera desconfianças inultrapassáveis”, refere-se. Os centros de explicações são, assim, um “peculiar mercado de trabalho”, e é “muito difícil de apurar e mesmo de estimar”, pois integra “diferentes trabalhadores com escolas formais, associações, empresas e intermediários”.

Estes permanecem “neste lucrativo campo cultivado pelas ‘explicações’ à sombra também das patacas pingues de Macau”. Além disso, o Governo “continua a certificar e subsidiar os espaços de explicações sem cuidar de fiscalizar as habilitações académicas necessárias do pessoal de apoio pedagógico”.

Local e não global

Se a pandemia trouxe o debate em torno da digitalização do ensino, a verdade é que não levou à modernização do sistema em vigor nos centros. “A maior parte destes espaços privados foi mesmo incapaz de evoluir no sentido das soluções ‘globais’ online, antes pressionando política e socialmente para um rápido regresso à sua actividade de ‘explicações’ habitual.”

Assim, conclui-se que “a multiplicação dos espaços de explicações [em Macau] é, sobretudo, um processo de localização”, não se conseguindo adaptar a novidades curriculares à escala global.

Em Macau, os centros apresentam “características muito próprias”, e são um sector “hostil a algumas futuras formas de transnacionalização da educação não superior, dos currículos às avaliações”, além de “hostil também a algumas modalidades de globalização dos sistemas educativos de aprendizagem”.

Esta localização dos centros explica-se ainda “pela sua especial capacidade de continuar a prosperar apesar dos devastadores efeitos da pandemia na economia de Macau”.

Existem actualmente no território 558 empresas com alvará de centros de explicações, um número bastante mais elevado em relação às 77 escolas existentes, dez delas públicas. As instituições de ensino são frequentadas 75 mil alunos, 96 por cento deles matriculados em escolas privadas.

Quadros qualificados | Segunda fase inclui licenciados da UM

O Governo quer integrar os licenciados da Universidade de Macau (UM) na segunda fase do programa de importação de quadros qualificados para o desenvolvimento das indústrias “1+4”.

“Muitos estudantes vêm para Macau fazer os seus estudos e não são residentes, e pergunta-se se podem ser absorvidos pelo nosso mercado laboral. É nosso desejo que os alunos com um determinado nível de excelência, consoante os nossos parâmetros, possam integrar o mercado laboral, por serem pessoas que têm um certo apego à sociedade e conhecem o seu funcionamento. Em Maio, quando iniciarmos a segunda fase [de recrutamento de quadros] podemos incluir esses estudantes”, prometeu Ho Iat Seng ontem no plenário da Assembleia Legislativa.

Contudo, o governante deixou claro que a vinda de quadros qualificados será sempre controlada. “Macau é um território pequeno, em termos de área é exíguo, e não podemos de uma assentada importar um grande número de quadros qualificados. Não se trata de uma importação em grande escala, mas segundo as necessidades das indústrias 1+4. Sempre que importarmos quadros teremos de ter uma oferta correspondente de emprego para os interessados, não vamos importar quadros qualificados para virem cá à procura de emprego.”

GT3 | Couto regressa ao maior campeonato GT3 da Ásia

André Couto vai regressar em 2024 ao maior campeonato asiático de carros da categoria GT3, o Fanatec GT World Challenge Asia by AWS, após uma chamada de última hora para conduzir o Mercedes-AMG GT3 da equipa Elegant Racing Team, ao lado de outro piloto do território, Alex Liu Lic Ka. A primeira prova é já este fim de semana no Circuito Internacional de Sepang na Malásia.

No final da temporada passada, Couto estava confiante que após uma boa época de regresso ao TCR China ia continuar esta época ao serviço da equipa oficial da Dongfeng Honda. Os resultados do piloto português de Macau tinham sido bons e Couto estava convicto que poderia mesmo lutar pelo título, até porque o objectivo da marca era vencer o TCR China. Contudo, num volte-face inesperado, depois das festividades do Ano Novo Lunar, a Dongfeng Honda decidiu parar com o projecto e Couto viu-se novamente sem volante para a nova temporada.

Enquanto testava novos pneus para a Fórmula 4 no circuito de Sepang, na Malásia, Couto recebeu um convite para testar o Lamborghini Huracan SuperTrofeo EVO2 da Madness Racing Team. Após um teste em que terá impressionado a equipa chinesa, Couto guiou o mesmo carro nas 12 Horas de Sepang, no mês passado, ajudando a equipa a triunfar na categoria GTC na “clássica de resistência” malaia.

Uma nova oportunidade para testar em Sepang, desta vez o Mercedes-AMG GT3 de Alex Lui, transformou-se num regresso aos carros da categoria GT3, algo que Couto já não guiava desde a pré-temporada de 2020 em que era um dos pilotos da JLOC, a equipa oficial da Lamborghini no Japão. Também será um regresso ao GT World Challenge Asia, onde correu parcialmente em 2019 com a equipa chinesa TSRT.

De treinador a piloto

A ideia inicial, passava por Couto assumir a posição de “driver coach” de Alex Lui durante a temporada, quando surgiu o convite para correr no carro germânico do piloto da RAEM. Depois de dois testes, de dois dias cada, o vencedor do Grande Prémio de Macau de 2000 e ex-campeão da classe GT300 do Super GT está bastante satisfeito por voltar à ribalta.

“Quero divertir-me, voltar a correr num GT3 e fazer o melhor que posso e sei. Já não corro num GT3 há quatro anos e estou muito contente para voltar a estar nesta grelha de partida altamente competitiva. Este é também um reconhecimento de todo o trabalho que fiz no passado”, contou Couto ao HM.

Fazendo parte de uma grelha de partida com trinta e três carros, que conta com as maiores e melhores equipas da região, e vários pilotos de fábrica provenientes da Europa, para defender as cores dos oito construtores de automóveis representados, Couto reconhece que não será fácil lutar pelas posições de destaque estando inserido numa estrutura relativamente pequena e inexperiente a este nível das provas de GT. Contudo, o piloto português de Macau está motivado e sabe que pode contribuir, com sua experiência e rapidez, para evolução do seu companheiro de equipa.

“Tenho a noção que temos um grande desafio pela frente, mas o meu objectivo número um passa por tornar o Alex mais rápido e puxar pela equipa, e acima de tudo quero desfrutar desta oportunidade”, afirmou Couto que vai também somar pontos para a nova categoria Silver-Am, que conta com 12 participantes.

Com as duas qualificações na manhã sábado, a primeira corrida, de 60 minutos e uma paragem nas boxes obrigatória, do campeonato organizado pelo SRO Motorsport Group, está agendada para a tarde de sábado, terminando o fim de semana com uma corrida de igual duração na manhã de domingo.

A noite funda do tempo

Sem preces o mundo adormece. Estamos no ciclo mais baixo das alvoradas e dessas madrugadas que trouxeram as boas-novas e que passaram a lendas encantadas face a este escurecer de todas as auroras. Como se chegou tão rápido a esta realidade é questão de maior interesse. Nunca seríamos capazes de abranger num só diálogo coisa tamanha, mas por algum lado devemos começar. E comecemos por este instante todo em ebulição guerreira onde faltam soldados e onde a devassa da opinião atingiu níveis de guerrilha e a mordaça do sentido da vida uma caricatura que fere uma certa noção de humano, e veremos que estamos aqui, silenciados no meio do ruído em modo de espera por uma coisa qualquer que virá calamitosa. Não vem como o chamado ladrão na noite – não, não- todos nós estamos formatados para uma disrupção de nível avançado que nos tirará da jaula do nosso [melhor dos mundos] e nem por isso a nossa atenção se volve pertinente, precisa e urgente. Vamos ficando até a corda partir.

A Guerra é a Guerra. Ponto. Temos toda uma certa componente guerreira inserida nos genes e dela não parecemos sair, nem distantes nos foram ficando as tormentas do sangue assassino da espécie que a matança elegeu como seu mais alta representante, e nesta exorbitância toda feita de razões, pretextos e códigos armamentistas, vamos flutuando como escribas de um duelo eterno. Só que não. Está tudo à beira de um qualquer fim. Basta abrir o tabuleiro de xadrez e passar ali dois dias seguidos para compreender a perfeição do organismo assassino que integrará os vates, valetes, reis e cavalos da parte potestativa do desejo de ação, que nós veremos como a matéria negra engole toda a formatação do jogo, onde, e sempre, as táticas de defesa, perfídia, crueldade, acabam tão menorizadas como o próprio Xeque- Mate. Dois dias a jogar serão dois anos…ou, dois anos jogando a razão cruente de uma extinção certeira.

«O acaso não traz nada de novo, encontra cada um como está» por isso não será de forma abrupta todo este desvincular para um trevoso quaternário onde a memória faltará ao ciclo dos vindouros. Vamos ser desprogramados – grande ” crash”…apagão, apagar… – começar de novo sem a faculdade da memória para bem do ciclo futuro, que desta consciência agreste e difícil não restará nos espelhos aquilo que fora a nossa imagem, creiamos então que todo este fulgor destrutivo será somente o ardil varonil do suposto herói, e que no mais distante dos mundos será finda a insígnia que o segura. Ver para crer? Não se acredita que tenhamos de ver mais do embuste que fora chamado ” evolução” pois que involuímos já com hora marcada para as calendas onde só o Inferno nos nomeia.

Gaza derrubou de vez a esperança na inteligência humana, a Europa fartou-se de pensar e está exangue, o muito que resta do planeta deixará a marca da sua futura vinda global, e mesmo assim, atravessada por transformações abissais que não comportam nenhuma sustentação, que outrora falávamos no fim dos Impérios, mas o Fim dos Fins, nunca foi falado, e Impérios são calendas que o nosso imaginário já nem comporta. Se estamos tristes? Não. Não estamos coisa nenhuma. Estamos a festejar a Batalha de Aljubarrota, o 25 de Abril e o 14 de Julho como se isto tudo fosse uma una e grande Festa. Ao menor sinal de empolgamento dizemos logo em coro: estamos contra a escalada dos conflitos! Há um Napoleão que quer ir para a Rússia armado em Valquíria, e lá vamos fazendo os nossos negócios, mudando os sexos (cansados e irreprodutíveis) escalando ainda mais a montanha da irrelevância. Pode haver um senão, como aquele antídoto da Bruxa da Branca de Neve: e se nos galgarem por cima e o bruxedo se desfizer? Pois bem, encontrarão apenas povos desolados a jogar futebol e a palitar os dentes artificiais. As dentadas nas carnes frescas desses caçadores- recolectores desfizeram-se em estrelas «Michelin» de aldrabices gastronómicas tais, que mais vale morrermos todos. Ai ai ai… que não! Afinal foi este o melhor dos mundos…! Até ao dia em que se tornaria também o mais anacrónico.

E nunca esquecer que o melhor que a Terra tem, os poetas o fundam. Eles desapareceram no meio deste enxame de banditismo escrevente, mas sem eles, também perdemos de vez a única solução.

Livros de Marina Palácio apresentados hoje na Livraria Portuguesa

Decorre hoje, na Livraria Portuguesa, entre as 18h30 e as 19h30, a apresentação de dois livros infantis da autora e ilustradora Marina Palácio, no âmbito do festival Letras & Companhia, destinado a pais e filhos e promovido pelo Instituto Português do Oriente (IPOR). Os livros têm por nome “Tratado do Silêncio” e “Árvore do Tempo”.

Nascida em Lisboa em 1971, Marina Palácio está ligada à área do teatro há mais de 20 anos, sendo autora de diversos livros para crianças. Marina Palácio já recebeu o Prémio de Ilustração do Festival de BD da Amadora – Melhor Ilustração Infantil 2003 pelas ilustrações do livro “O Circo da Lua”.

A autora criou ainda diversas oficinas de leitura e criatividade para crianças e adultos, associadas ao universo dos livros, mas não só, “cruzando conceitos e materiais não convencionais”. O IPOR descreve ainda que a autora tem procurado, com o seu trabalho, “sensibilizar para as diferentes formas de leituras dos livros e do mundo através de criação de laboratórios plásticos, ilustração, natureza, ciência, provocando experiências estéticas, poéticas, sensoriais e imaginativas”.

Ensinar os outros

Também este sábado Marina Palácio será protagonista de outra actividade do festival Letras & Companhia, desta vez destinada à formação de professores. “Ler e Jogar – Mediação de Leitura criativa através do Livro, Arte e Natureza” acontece na sede do IPOR entre as 9h30 e as 14h, destinando-se a professores e agentes do ensino dos níveis infantil, primário, básico e secundário.

O objectivo aqui é explorar a relação da criança com o livro, sendo “Ler e Jogar” um “laboratório de partilha para poetas da curiosidade de como sentir o Livro como um Jogo, um tabuleiro com um percurso”, com cruzamento de ideias e noções.

Também no sábado, entre as 15h30 e as 17h30, no IPOR, Marina Palácio irá dar o workshop “Ser e Estar – A coexistência pacífica entre o homem-homem e homem-natureza!”, tratando-se esta iniciativa de uma oficina de escrita criativa que gira em torno da ilustração, biodiversidade, história universal e natureza humana.

Nesta oficina pretende-se que os participantes façam uma leitura e interpretação da ideia de “Nós e o Mundo” e de que “todos somos diferentes interior e exteriormente”. “Será que há uma tendência para a cópia na forma de estar? É difícil ter opinião própria? Quem sou eu, quem poderei ser? Porquê é que é tão difícil conseguir resolver situações de conflito entre o homem-homem e a natureza? O que o Mundo espera de nós? É possível mudar o Mundo para melhor? Como poderemos estar no Mundo de forma positiva e criadora?”, descreve-se no programa do festival.

Entretanto, esta segunda-feira foi inaugurado o Mercado das Letrinhas, em parceria com a Livraria Portuguesa, e que pode ser visitado até ao dia 7 de Maio. Trata-se de uma feira de livros infantis com publicações em português, chinês e inglês em torno do tema do festival, que é a saúde mental.

Também pode ser vista até ao dia 7 de Maio a exposição “O que senti durante a pandemia”, com trabalhos de alunos e da designer Clara Brito sobre esta temática. Esta mostra está patente no Café Oriente do IPOR.

Cinemateca Paixão | “Opus”, sobre a vida de Ryuichi Sakamoto, no cartaz de Abril

A Cinemateca Paixão apresenta, a partir de hoje, um cartaz com novos filmes onde se inclui “Opus”, que nos recorda a vida e obra do compositor japonês Ryuichi Sakamoto, recentemente falecido. Hoje é exibido o primeiro filme de Ariane Louis-Seize, “Humanist Vampire Seeking Consenting Suicidal Person”

 

Há novos filmes para ver na Cinemateca Paixão à boleia de um novo mês. “Encantos de Abril” é o nome dado ao programa que traz a esta sala de cinema apenas quatro filmes, sendo que um deles representa a aclamação da vida e obra do compositor japonês Ryuichi Sakamoto.

“Opus”, realizado pelo filho do compositor, Neo Sora, gira em torno de 20 grandes composições clássicas que melhor descrevem o percurso musical do compositor japonês que até começou na música electrónica, ao integrar, em jovem, o grupo Yellow Magic Orchestra.

Falecido com cancro no ano passado, em Março, Sakamoto deixou a memória de muitas músicas que fizeram bandas sonoras de filmes e tantas outras composições em parceria com outros músicos, inclusivamente ligados ao universo da Bossa Nova, como foi o caso de Jacques Morelenbaum no disco “Casa”.

“Opus” apresenta as últimas actuações ao vivo de 20 temas seleccionados por Sakamoto por melhor descreverem os 40 anos de carreira, tendo cabido ao seu filho captar estes momentos. Cria-se, assim, num universo a preto e branco, e também melancólico, “uma celebração comovente da música de Sakamoto”, descreve a Cinemateca.

“Opus” é mais do que um mero filme “essencial para os fãs”, apresentando-se como “uma experiência musical solene que deve ser vista no cinema”. Neo Sora vive entre Tóquio e Nova Iorque e já realizou diversas curtas-metragens de estilo narrativo e documental, bem como vídeoclipes e outras produções ligadas ao mundo da moda e música. O filme sobre Sakamoto estreia esta quinta-feira, 18, sendo exibido a partir das 21h30, tendo ainda uma segunda exibição no dia 25 à mesma hora.

Vampiros e outras histórias

“Encantos de Abril” apresenta hoje o primeiro filme da realizadora Ariane Louis-Seize, intitulado “Humanist Vampire Seeking Consenting Suicidal Person”. Trata-se de uma película que ganhou o prémio de Melhor Realizador edição do ano passado do Festival Internacional de Cinema de Veneza.

O filme conta a história de Sasha, uma jovem vampira que não consegue matar, ao contrário do que acontece com a maioria dos vampiros. O problema adensa-se quando os pais deixam de lhe dar sangue, colocando a vida da filha vampira em perigo. Contudo, Sasha conhece Paul, um adolescente solitário com tendências suicidas que está disposto a dar a vida em prol da sua sobrevivência. O que parecia ser a solução para um grande problema torna-se numa sucessão de episódios marcados pelos últimos desejos de Paul, que devem ser concretizados antes que uma nova manhã se inicie.

Ariane Louis-Seize é uma realizadora do Canadá que começou a carreira no universo das curtas-metragens, nomeadamente com a produção “Wild Skin”. “Humanist Vampire Seeking Consenting Suicidal Person” é exibido hoje às 19h30, com repetição esta sexta-feira às 20h.

Da Filândia chega à Cinemateca Paixão o filme “Fallen Leaves”, o último do mestre do cinema finlandês Aki Kaurismäki e que se estreou mundialmente no Festival de Cinema de Cannes em 2023.

Este filme começa no momento em que Ansa e Holappa, duas almas solitárias, se conhecem num bar de karaoke em Helsínquia. Contudo, o que parecia uma bonita história de amor depressa obriga os seus protagonistas a ultrapassarem uma série de obstáculos.

“Fallen Leaves” é exibido pela primeira vez este sábado, 20, às 19h30, com repetições na próxima terça-feira, 23, quinta-feira, 25, e sábado, dia 27, sempre no mesmo horário.

“All Shall Be Well” é um filme de Hong Kong que também integra o cartaz de “Encantos de Abril”, da autoria de Ray Yeung, e que conta apenas com uma exibição no dia 21, já esgotada.

Este filme estreou mundialmente na secção Panorama do 74.º Festival Internacional de Cinema de Berlim e ganhou o Teddy Award para melhor longa-metragem com temática LGBTQ. “All Shall Be Well” também foi o filme de abertura do 48º Festival Internacional de Cinema de Hong Kong.

China-Alemanha | Scholz pede a Xi Jinping que actue em prol de uma “paz justa”

O chanceler alemão, Olaf Scholz, defendeu ontem junto do Presidente chinês, Xi Jinping, um acordo com a China sobre a melhor forma de alcançar uma “paz justa” na Ucrânia. Scholz chegou à China no domingo, acompanhado por uma grande delegação de ministros e líderes empresariais. Esta é a sua segunda visita ao país desde que tomou posse no final de 2021.

Durante a visita de três dias, que incluiu paragens em Chongqing, Xangai e Pequim, o líder alemão tentou reforçar os laços económicos do seu país com a China, o principal parceiro comercial da Alemanha, ao mesmo tempo que representa uma União Europeia (UE) que quer ser menos dependente economicamente do país asiático.

No complexo diplomático de Diaoyutai, em Pequim, Olaf Scholz disse a Xi que queria discutir uma forma de “contribuir mais para uma paz justa na Ucrânia”.

Relativamente à crise ucraniana, a China apela ao diálogo, opõe-se a qualquer utilização de armas nucleares e apela ao respeito pela integridade territorial de “todos os países”, ou seja, da Ucrânia. Mas Pequim nunca condenou publicamente Moscovo pela sua invasão da Ucrânia e pede regularmente que sejam tidas em conta as preocupações de segurança de todas as partes, incluindo as da Rússia face à NATO.

“A guerra de agressão russa na Ucrânia e o armamento da Rússia estão a ter um impacto negativo muito significativo na segurança da Europa”, disse Olaf Scholz a Xi Jinping, de acordo com uma gravação fornecida pelo gabinete do Chanceler.

“O conflito afecta directamente os nossos interesses fundamentais”, continuou Scholz. “Indirectamente, prejudica toda a ordem internacional porque viola um princípio da Carta das Nações Unidas – o princípio da inviolabilidade das fronteiras dos Estados”, acrescentou.

Potências responsáveis

“China e Alemanha são a segunda e a terceira maiores economias do mundo”, afirmou Xi Jinping. “A importância de consolidar e desenvolver as relações sino – alemãs vai para além das relações bilaterais e tem um impacto significativo na eurásia e até no mundo inteiro”.

O líder chinês apresentou ao seu interlocutor aquilo que os órgãos chineses apresentaram como “quatro princípios” para evitar que a crise “fique fora de controlo e para restaurar a paz”.

A CCTV difundiu um vídeo dos dois homens a passear depois das discussões, entre árvores floridas, pontes de pedra e edifícios tradicionais chineses com colunas vermelhas. Olaf Scholz deve manter ainda conversações com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e reunir-se com o Comité Económico China – Alemanha.

Alemanha | Xi avisa país para ter cuidado com “crescente proteccionismo”

O Presidente chinês, Xi Jinping, garantiu ontem ao Chanceler alemão, Olaf Scholz, que a cooperação entre a China e Alemanha “não é arriscada” e que ambas as partes devem “ter cuidado com o crescente proteccionismo”.

“Não há riscos na nossa cooperação. A nossa cooperação é uma garantia para a estabilidade das nossas relações e uma oportunidade para criar um futuro. Existe um enorme potencial, quer em domínios tradicionais como a maquinaria e os automóveis, quer em novos domínios como a transformação ecológica, a digitalização e a inteligência artificial”, disse Xi, numa reunião, em Pequim, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês em comunicado.

De acordo com o líder chinês, a cooperação sino – alemã é “benéfica para todas as partes e para o mundo”, acrescentando ainda que “a política da China em relação à Alemanha é consistente”.

“Devemos continuar a manter intercâmbios estreitos com uma mente aberta, aderir ao respeito mútuo e procurar um terreno comum, sendo capazes de resolver as nossas diferenças”, disse. Xi realçou ainda que “as cadeias industriais e de abastecimento da China e da Alemanha estão profundamente enraizadas uma na outra e os mercados dos dois países são altamente interdependentes”.

“As exportações chinesas de veículos eléctricos, baterias de lítio ou produtos fotovoltaicos não só enriqueceram a oferta global e aliviaram a pressão inflacionista global, como também contribuíram grandemente para a resposta global às alterações climáticas e para a transformação verde e com baixas emissões de carbono”, afirmou.

“Temos de ter cuidado com o proteccionismo. Temos de analisar as questões relacionadas com a capacidade de produção de forma objectiva, numa perspectiva de mercado e numa perspectiva global. A China adere a uma política nacional de abertura e espera que a Alemanha proporcione um ambiente de negócios justo, transparente, aberto e não discriminatório para as empresas chinesas”, disse.

O líder chinês afirmou ainda que os laços entre China e Alemanha têm um impacto “importante” na eurásia e em “todo o mundo”, pelo que os dois países devem “desenvolver os seus laços numa perspectiva estratégica e de longo prazo”, a fim de “injectar mais estabilidade e certeza no mundo”.

Competição saudável

Scholz afirmou que “a Alemanha está disposta a trabalhar com a China para reforçar ainda mais as relações bilaterais, aprofundar o diálogo e a cooperação em vários domínios”, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. “A Alemanha opõe-se ao proteccionismo e apoia o comércio livre. A Alemanha está disposta a reforçar a comunicação e a coordenação com a China para responder conjuntamente aos desafios globais”, afirmou.

Na segunda-feira passada, Scholz disse em Xangai que ia abordar as condições para uma concorrência leal, a transformação verde e o investimento, no seu encontro com Xi, numa altura em que existe preocupação com o impacto dos veículos eléctricos fabricados na China no mercado europeu.

O chanceler sublinhou em Xangai, onde visitou uma empresa alemã de plásticos que trabalha com tecnologias verdes e sustentáveis, que a economia da Alemanha, “um dos países exportadores mais bem-sucedidos do mundo”, baseia-se em ser “globalmente competitiva”, defendendo ao mesmo tempo “condições de concorrência leal” e não “proteccionismo”.

A nível geopolítico, Scholz disse que ia pedir a Xi que a China deixasse de fornecer bens civis e militares de dupla utilização à Rússia, uma vez que “ninguém deve contribuir” para a “guerra de conquista” de Moscovo na Ucrânia, um conflito sobre o qual Pequim tem adoptado uma posição ambígua.

Doenças da Bombix mori

Na fase inicial da produção do bicho-da-seda, na Primavera, estando os ovos prontos a eclodir, previnem-se as doenças transmitidas por bactérias alojadas na casca desinfectando-os, lavando-os num banho de vapor com uma solução de cinábrio (sulfureto de mercúrio vermelho), salmoura (água salgada) e hidróxido de cálcio (cal). Outro tratamento para evitar infecções e doenças das lagartas consiste, antes de as alimentar, borrifar uma solução de raiz de alcaçuz (leguminosa medicinal), seiva de alho e vinho chinês nas folhas de amoreira.

Anteriormente, após a postura dos ovos pelas mariposas fêmeas e depois destas morrerem, já secas são durante três dias colocadas em clorofórmio para examinadas ao microscópio se despistar possíveis doenças, ou anomalias genéticas, escolhendo-se os ovos das mariposas saudáveis, eliminando pelo fogo os restantes. Assim, os criadores evitavam o risco de criar ovos infectados com as várias doenças que atacaram a Bombix mori, primeiro na Europa em meados do século XIX e na China por volta de 1923, levando à grande quebra na produção de casulos.

As sirgarias devem ser lugares amplos, limpos, sem humidade e cheiros, ter uma temperatura constante e bom arejo, não podendo os tabuleiros levar com correntes de ar para as lagartas se manterem saudáveis. Importantíssimo é fazer uma profunda limpeza e desinfecção, tanto no local de produção como aos instrumentos onde tais doenças se manifestam.
Estando as lagartas já doentes com a flacidez, a muscardina, a pebrina e a porcina, o único método eficiente é isolar e eliminá-las.

Se a selecção para se obter um bom fio de seda começou por se fazer apenas na fase dos casulos, durante a Dinastia Song incidia também sobre as mariposas, larvas e ovos. Na Dinastia Qing escolhiam-se as lagartas mais saudáveis para com elas continuar o ciclo e criar uma descendência saudável.

DOENÇAS MAIS COMUNS

A muscardina causada por um fungo e a pebrina são as duas doenças mais comuns do bicho-da-seda. A pebrina, ou Nb como é conhecida na China, é contagiosa e deve-se à presença de corpúsculos de Cornaglia nas glândulas sedosas. Segundo sabemos é uma doença ainda sem cura, tendo Louis Pasteur (1822-1895) dedicado algum tempo a estudá-la.

Percebe-se estar o animal atacado por ela quando o corpo aparece sarapintado com manchas do que parece ser pimenta numa pele arroxeada. A lagarta desenvolve-se irregularmente, tal como irregulares são os seus períodos de sono, sofrendo de falta de apetite. Se a doença se manifestou logo no período larval, são preferencialmente atacadas as glândulas da seda e durante a muda de pele algumas morrem e outras, atrofiadas, atrasam-se de oito a dez dias na evolução. Apesar de conseguirem atingir a fase de fabrico do casulo, muitas não aguentam o esforço e morrem. Se ainda resistirem a este processo de selecção natural, a solução é separar os ovos dos animais que demonstraram ao longo das suas fases um comportamento irregular. Em casos extremos, a lagarta não come, não muda de pele e em oito dias morre, acontecendo o mesmo a toda a produção a que esta pertence. Já como mariposa são atacados os órgãos reprodutores e assim os corpúsculos de Cornaglia penetram nos ovos.

As larvas que nasceram sãs ficam contagiadas pelas fezes e pelos cadáveres, “causa da propagação do morbus e provada a impossibilidade de vencer os progressos da marcha da doença, ocorreu a Pasteur em 1865 e com isso lançou a pedra em que se firmou o ressurgimento da indústria sericígena europeia, seleccionar pela análise microscópica a semente do Bombix mori fêmea, para se fazerem criações com ovos absolutamente isentos de corpúsculos e em locais purificados e isolados”, segundo João Faustino Masoni da Costa, n’A Indústria da Seda, de onde provem as informações deste artigo sobre as doenças.

Quando a lagarta do bicho-da-seda fica com uma cor rosada e o corpo muito mole é sinal que sofre de muscardina, causada pelos esporos de um cogumelo do género Botrytis, da espécie B. buassiana, transportados pelo ar e que se alojaram na pele das lagartas. Esse bolor parasita desenvolve os seus micélios nos órgãos do animal e provoca-lhe a morte em dez dias. Mesmo depois de mortas e com o corpo muito rígido, as lagartas continuam a servir de alimento ao fungo, que se expande pelo ar para a pele de outros animais, contaminando-os.

OUTRAS DOENÇAS

A flacidez é a mais mortífera de todas as doenças e a rapidez com que actua e se propaga tem efeitos fatais na produção da sirgaria. O Streptococus bombycis transportado nas folhas da amoreira e pelas poeiras é ingerido pelo bicho-da-seda e manifesta-se normalmente depois da quarta muda. Sem vitalidade, a lagarta ao dejectar uma substância semifluida, rapidamente esta seca e obstrui o orifício anal.

Nada mais se percebe, pois há um aparente movimento de continuar viva, embora imóvel e em pouco tempo a mortalidade espalha-se pela criação, extinguindo-a num só dia. “Os cadáveres de começo rígidos, tornam-se flácidos e por último completamente moles, denegridos à superfície, exalando um cheiro fétido, completamente putrefactos”, segundo Faustino Masoni da Costa, que refere os antissépticos aplicados nas folhas não resolvem o problema e o emprego de meios preventivos anteriormente apontados e apoiados no constituir “uma criação robusta, que por si própria, em tais casos, se não deixará invadir pela flacidez, essa, das doenças insecticidas a mais contagiosa.” A única solução, mesmo que a doença atinja apenas uma parte das lagartas, é queimar e enterrar toda a produção, desinfectar a sirgaria e utensílios e iniciar uma nova criação.

Já a porcina, é apercebida quando a lagarta com os anéis estrangulados ao mover-se deixa um rasto de um líquido turvo na folha. Esta doença atacou na China por volta de 1923, levando à investigação nos laboratórios das universidades chinesas, sendo a crise ultrapassada com recurso à importação de ovos. Desde então, aprofundaram-se as pesquisas sobre a seda e a sericicultura recomeçou a ganhar nova pujança.

DIFERENÇAS ENTRE MACHO E FÊMEA

Fisicamente, a fêmea e o macho da lagarta não se diferenciam facilmente e só na parte inferior do décimo e último anel se percebe ser fêmea pelos quatro pontos negros, enquanto a lagarta-macho tem apenas um ponto e não apresenta a mancha preta junto aos olhos como as fêmeas.

Dentro do casulo, a lagarta faz a metamorfose para crisálida, nome proveniente de chrysos, a significar ouro, talvez devido à coloração metálica apresentada. Já no final do período, após mais ou menos quinze dias no casulo, a crisálida transforma-se em mariposa (borboleta nocturna). Com um tamanho reduzido, próximo dos quatro centímetros, tem dois pares de asas e o corpo coberto de pêlos. Como mariposa, começa a libertar uma substância alcalina para com a ajuda das patas romper o filamento e abrir um orifício no topo do casulo no lado da cabeça, por onde sai logo cedo de manhã.

No estado de mariposa o aspecto físico do macho e da fêmea é já bastante distinto. O abdómen da fêmea é maior que o do macho e no topo do oitavo anel do abdómen da fêmea encontra-se uma marca em forma de ‘X’, enquanto o macho apresenta uma fina marca castanha escura, no nono anel do abdómen. Também diferentes são as formas exteriores dos seus órgãos reprodutores. Essa transformação acontece devido aos órgãos produtores da seda se atrofiarem após expelir o filamento e no seu lugar se desenvolverem os órgãos reprodutores.

As asas triangulares da mariposa cobrem horizontalmente a parte superior do corpo, tronco e abdómen e saíram do segundo e terceiro anel do tórax da lagarta. A cabeça é maior que o peito e o abdómen tem a forma de cone com cor branco-amarelada. Em cada lado da cabeça há dois olhos compostos e cada um contém três mil minúsculas lentes sensíveis à intensidade da luz. O macho apresenta antenas pretas em forma de pente, enquanto as da fêmea estão atrofiadas.

Na fase de mariposa, normalmente de três a cinco dias, esta não se alimenta pois não possui boca e dá-se o acasalamento entre macho e fêmea durante longas horas. No dia seguinte põe perto de quinhentos ovos e dois a três dias depois da desova, as mariposas morrem, terminando assim o ciclo da Bombix mori.

PJ | Mulher presa por receber dinheiro de burlas

Uma mulher com cerca de 40 anos foi detida, depois de ter criado uma conta bancária em Hong Kong, onde foram depositados 1,65 milhões de dólares de Hong Kong que resultaram da burla a um residente. A detenção foi anunciada ontem pela Polícia Judiciária, e realizada quando a mulher tentou entrar em Macau, através das Portas do Cerco.

A burla tinha ocorrido a 24 de Agosto do ano passado, quando um jovem recebeu uma chamada de alguém que se fez passar pela polícia de Xangai. Nessa conversa, a vítima aceitou uma chamada de vídeo para mostrar os dados da conta bancária às pessoas que simularam ser as autoridades do Interior.

Com a cooperação da vítima, os burlões conseguiram transferir 6,85 milhões de dólares de Hong Kong para diferentes contas bancárias na RAEHK. Como o jovem achou todo o procedimento suspeito, acabou por apresentar queixa mais tarde, a 5 de Setembro.

Durante as investigações, a polícia conseguiu identificar a proprietária de uma das contas para a qual tinha sido transferido parte do dinheiro, neste caso 1,65 milhões dólares de Hong Kong.

Com a identidade da proprietária da conta, as autoridades procederam à detenção, assim que a mulher tentou entrar em Macau. Quando confrontada com o crime, a mulher reconheceu que tinha aberto várias contas em Hong Kong, a pedido de uma rede de burlões. A detida afirmou ainda que lhe tinha sido prometido 20 por cento de todo o dinheiro que entrasse nas contas, mas lamentou o facto de nunca ter sido paga.

Anunciados casos de excesso de permanência e alojamento ilegal

As autoridades anunciaram a detenção de uma mulher que estava há quase dois anos em excesso de permanência no território. Além disso, durante este período, a detida dedicou-se a arrendar ilegalmente três habitações a outras pessoas, que se encontravam igualmente em excesso de permanência.

O caso foi revelado ontem pelas autoridades, citado pelo Jornal Ou Mun. A mulher foi interceptada num edifício na Estrada de São Francisco. Na altura da detenção, as autoridades procederam ainda à detenção de mais um homem e uma outra mulher, sendo que ambos estavam igualmente em excesso de permanência.

No caso do detido, as autoridades suspeitam que ajudasse a responsável pelas fracções a gerir o alojamento. A outra mulher é tida como uma cliente do espaço. Face ao alojamento, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) contactou os Serviços de Turismo, que confirmaram não haver licença para utilizar as fracções habitacionais para alojar turistas. Como consequência, as fracções foram seladas.

Fora de prazo

Segundo os dados revelados pelas autoridades, a mulher que arrendava as fracções é do Interior e a autorização de permanência estava expirada desde 23 de Maio de 2022. O detido, que se suspeita auxiliasse a mulher na gestão do alojamento ilegal, também é do Interior, tem mais de 40 anos e a autorização de permanência tinha expirado em 24 de Maio de 2022.

As investigações para este caso terão partido do facto de a principal suspeita ter apresentado o bilhete de identidade de residente de Macau de outra pessoa, no passado, além de ter utilizado vários vistos falsos para ficar alojada em diferentes hotéis do território.

Questionada sobre o facto de estar na posse do BIR de outra pessoa, a mulher terá dito às autoridades que apenas estava a guardar o documento a pedido de uma amiga, a proprietária do documento de identificação.

A mulher está indicada dos crimes de falsificação de documentos, uso ou posse de documentos falsos e uso ou posse de documentos de outras pessoas. Quanto à cliente detectada no alojamento ilegal, esta estava em excesso de permanência desde o dia 3 deste mês.

Aviação | Autoridades aprovam mais viagens para o Interior

A partir do final do mês as companhias China Southern Airlines e a Air Macau vão operar novas rotas para Pequim e Ningbo, na província de Zhejiang. Com o Verão chegam também mais ligações para locais populares, como a Coreia do Sul ou as Filipinas

 

A Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM) aprovou mais ligações aéreas para o Interior, que podem começar a funcionar no final deste mês. A informação foi revelada ontem pelo portal GGR Asia, onde se indica que as novas ligações vão ser feitas para as cidades de Pequim e Ningbo, na província de Zhejiang.

A partir de 25 de Abril, a companhia China Southern Airlines tem autorização para realizar sete voos por semana entre Macau e o Aeroporto Internacional de Beijing Daxing. Isto significa um aumento do número de voos que a empresa está autorizada a realizar, que actualmente está limitado a três voos por semana.

A rota entre Macau e Pequim é uma das mais populares para o Interior, e também as companhias aéreas Air Macau e China Eastern Airlines têm autorização para realizarem sete voos por semana.

Ao mesmo tempo, a partir de 28 de Abril, a Air Macau vai ter permissão para operar 14 voos por semana para Ningbo. A operadora é a única companhia actualmente com autorização para ligar por rota aérea as duas regiões.

Maior frequência

A partir de Julho, quando começam as férias de Verão e escolares, as autoridades vão ainda permitir o aumento da frequência de algumas rotas internacionais. Uma das novidades anunciadas, passa pelo facto de a partir de Julho a Korean Air obter autorização para realizar sete voos entre Macau e a Seul, capital da Coreia do Sul.

As ligações para Seul são frequentes, e actualmente são realizadas pelas companhias Air Macau, Jin Air e Jeju Air. A partir de 1 de Julho, a Air Macau pode igualmente aumentar a frequência dos voos Macau-Kuala Lumpur para sete por semana, em comparação com os actuais quatro voos semanais. A outra companhia aérea que disponibiliza este serviço, com uma frequência diária, é a AirAsia

A partir de 1 de Junho, as novas rotas regionais incluem Macau-Clark, nas Filipinas, operada pela AirAsia; e, a partir de 1 de Julho, Macau-Fukuoka, no Japão, operada pela Air Macau. O Aeroporto Internacional de Macau registou no primeiro trimestre cerca de 1,78 milhões de passageiros, de acordo com as últimas estatísticas de voos da empresa gestora do aeroporto.

BNU | Previsto crescimento acima das expectativas

O presidente da Comissão Executiva do Banco Nacional Ultramarino, Carlos Cid Álvares, acredita que o crescimento económico do território pode ficar acima da previsão de várias instituições.

A postura optimista foi revelada em declarações ao Canal Macau, quando foi questionado sobre as previsões da Universidade de Macau, que aponta que o crescimento do produto interno bruto atinja os 17 por cento.

De acordo com Carlos Cid Álvares, a economia está a recuperar e esse aspecto é visível nas ruas de Macau. Sobre o mercado do imobiliário, em que as transacções e os preços estão em quebra face aos anos anteriores, Carlos Cid Álvares afirmou acreditar que o Executivo vai continuar a acompanhar a evolução da situação e que no futuro poderá tomar mais medidas para tornar o mercado mais fluído. O presidente do BNU considerou ainda positiva a decisão do Executivo em abolir medidas fiscais relacionadas com a transacção de imóveis.

Hospital das Ilhas | TAC para consultas externas em vigor

O Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas começou a prestar serviços de exame de tomografia computadorizada, ou TAC, a pacientes transferidos pelos Serviços de Saúde, três meios dias por semana. Para Maio, está previsto o início gradual das consultas externas de especialidade

 

O Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas vai acrescentando aos poucos serviços ao naipe de cuidados prestados, desde a abertura no final do ano passado a título experimental. O Governo anunciou ontem que o hospital começou esta semana a prestação do serviço de exame de tomografia computadorizada, também designado como TAC, a doentes de consultas externas transferidos pelos Serviços de Saúde.

Os primeiros pacientes foram “dois doentes que se submeteram ao serviço de tomografia computadorizada na cabeça, ambos residentes de Macau com acesso gratuito aos cuidados de saúde”. Para já, os exames serão realizados às segundas-feiras, na parte da tarde, bem como às quartas-feiras e sextas-feiras, na parte da manhã.

Os Serviços de Saúde acrescentam que, conforme a capacidade de recursos humanos e a disponibilidade dos equipamentos, o Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas “irá prestar, de modo gradual, serviços de tomografia computadorizada de rotina no tórax, abdómen, pélvis, bem como irá reforçar os serviços de tomografia computadorizada com contraste (contrast enhanced computed tomography, em inglês)”.

O que aí vem

O Governo acrescenta ainda que está previsto “o início gradual dos serviços de consultas externas de especialidade para os doentes transferidos por parte dos Serviços de Saúde no mês de Maio”. Recorde-se que no mês passado, o Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas começou a disponibilizar o serviço de ecografia também para doentes transferidos pelos Serviços de Saúde.

As autoridades indicaram também que, actualmente, o hospital “adopta uma nova geração de tomografias computadorizadas de dupla fonte (dual source CT, em inglês), equipadas com dois tubos esféricos e estrutura de duplo detectores”. Segundo os Serviços de Saúde, esta tecnologia optimiza e supera “várias fraquezas de aparelhos tradicionais de tomografia computadorizada, com velocidade de digitalização e alta qualidade de imagem, bem como a baixa dose de radiação”. Os TAC de “nova geração” permitem obter “informações clínicas de forma mais precisa, segura e rápida, fornecendo uma melhor experiência médica aos pacientes e usufruindo de serviços médicos de melhor qualidade”.

O Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas foi inaugurado oficialmente no passado dia 20 de Dezembro, dia de celebração do 24.º aniversário do estabelecimento da RAEM. No dia da inauguração, Ho Iat Seng frisou que a abertura do centro hospitalar abriu “um novo capítulo” e fixou “um novo marco no sector da saúde local”.

Galaxy | Abertas 40 vagas para atendimento ao cliente e segurança

A Galaxy Entertainment Group, em colaboração com a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), vai abrir dois planos de recrutamento de profissionais dos ramos do atendimento ao cliente e segurança, que incluem formações especializadas. No total, serão disponibilizadas 40 vagas para as quais abriram hoje as candidaturas.

A DSAL salienta que os recrutamentos vão seguir o regime “primeiro contratação, depois formação”.

Para a área de atendimento ao cliente serão recrutados 25 profissionais, e 15 para a segurança. Após a admissão, a Galaxy irá providenciar formação, tendo em conta o posto assumido pelo candidato. Serão administradas formações como “o curso básico de atendimento ao cliente, inglês prático Linguaskill General da Cambridge (oralidade) e o curso de formação em vendas”, para os profissionais de atendimento ao cliente. Para a área da segurança, haverá formação “em serviços de segurança e respectivas técnicas, qualificação segundo o Sistema de Reconhecimento de Habilitações Profissionais de Macau (MORS, na sigla inglesa) e a formação para obtenção do cartão de segurança ocupacional nas indústrias da hotelaria e restauração”.

Quem tive bom desempenho nas formações terá “oportunidade de progressão e ajustamento salarial”.

As candidaturas arrancam hoje e encerram a 24 de Abril. No dia 25 de Abril e no dia 3 de Maio, dependendo dos sectores, serão organizadas palestras para explicar aos candidatos escolhidos o conteúdo de cada acção formativa e os níveis de carreira, seguidas de entrevistas.

Associação Comercial | Fecho de lojas pode ser sinónimo de actualização

O presidente da Associação Industrial e Comercial de Macau interpreta a vaga de encerramento de espaços comerciais como uma oportunidade de transformação e optimização. Ng Wah Wai explica também o fenómeno com o aumento das rendas depois da pandemia

 

A vaga de encerramentos de espaços comerciais nos bairros comunitários de Macau pode representar uma oportunidade. Esta é uma das formas como o presidente da Associação Industrial e Comercial de Macau, Ng Wah Wai, encara a situação. Sem reconhecer tratar-se de uma tendência, o representante explicou os encerramentos com três cenários possíveis.

Em declarações ao jornal Exmoo, Ng Wah Wai afirmou que o primeiro cenário pode ser a reconfiguração do tecido comercial, com empresas a apostarem na transformação e actualização dos seus negócios, procurando uma clientela estável. Por exemplo, uma cadeia de restaurantes com várias lojas pode optar por não se focar os bairros comunitários, onde a facturação baixou, e investir em abrir espaços nas superfícies geridas pelas concessionárias de jogo, “que têm vontade de cooperar com este tipo de comércio” que garante qualidade de serviços e produtos.

O segundo cenário prende-se com o custo das operações, nomeadamente o aumento das rendas dos espaços comerciais desde a pandemia. “Podem-se dar situações em que um negócio começou com uma renda mensal de 50 mil patacas e depois, com a renovação do contrato de arrendamento, passar para 100 mil patacas”, indicou. Apesar deste cenário conduzir ao fecho de lojas e a dificuldades financeiras de pequenas e médias empresas, o presidente da Associação Industrial e Comercial de Macau ressalva que podem surgir novos comerciantes que aceitem pagar as novas rendas para começar um negócio.

Seguir em frente

Quanto ao terceiro cenário, Ng Wah Wai lembrou as zonas da cidade afastadas dos centros turísticos que captam a grande parte do fluxo de visitantes e os negócios que fecharam portas devido ao consumo dos residentes no Interior da China. O responsável reconheceu que esta situação não é rara, e que muitas empresas ainda estão a observar se o Governo irá lançar novos incentivos para revitalizar a economia.

Face à questão de como salvar os negócios de pequena dimensão, Ng Wah Wai não avançou com soluções, mas lembrou que o Governo tem lançado medidas de apoio ao comércio, como o “Grande Prémio de Consumo na Zona Norte no fim-de-semana”, organizado pelo Executivo em colaboração com a associação que dirige. O dirigente indica que os negócios na zona norte cresceram entre 20 a 30 por cento desde que a iniciativa arrancou. No entanto, destacou que o mais importante é tornar os negócios mais atractivos e não ficar de braços cruzados à espera de clientes.

Segurança nacional | Associações defendem divulgação

Um conjunto de associações tradicionais manifestou o apoio ao reforço e divulgação da segurança nacional, no âmbito da inauguração da Exposição sobre a Educação da Segurança Nacional, patente no edifício do Fórum Macau.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado e presidente da Associação Comercial de Macau, Chui Sai Cheong salientou que o Governo alterou a lei de defesa da segurança do Estado no ano passado, e que esta revisão legal foi a iniciativa mais importantes e oportuna para lutar com eficácia contra riscos e ameaças.

Por sua vez, a presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau, Ng Sio Lai, voltou a dar eco ao conceito de que o mundo entrou num período único de mudanças turbulentas e que a situação da segurança geral está num estado crítico, sem especificar concretamente. Por esta razão, a responsável garantiu que a associação vai organizar activamente mais visitas à exposição sobre a educação da segurança nacional e continuar a divulgar a lei relativa à defesa da segurança do Estado.

Já o presidente da Federação de Juventude de Macau e director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, destacou que é necessário prevenir riscos potenciais num contexto de modernidade e de novas tecnologias.

Também a Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) tem à entrada da sede uma mensagem de apoio à exposição e à preservação da segurança nacional com a frase “Apoiamos com patriotismo a política de segurança do Estado chinês”. Ao HM, Jorge Fão, dirigente da associação, declarou que “sendo a APOMAC uma organização local, entendemos que devemos apoiar inequivocamente a política de defesa do Governo chinês”. HM / A.S.S.

CCAC | Deputados preocupados com saídas

Deputados mostraram-se ontem preocupados com o facto de o Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) estar a perder trabalhadores. O assunto foi discutido na 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que está a analisar na especialidade a revisão à lei do estatuto orgânico do CCAC.

De acordo com o resumo da reunião de ontem, feito pela presidente da comissão, Ella Lei, e citado pelo canal chinês da Rádio Macau, os deputados partilharam com o comissário Chan Tsz King a preocupação com as saídas de investigadores do organismo.

Por sua vez, o comissário explicou que actualmente o número de investigadores estabilizou em cerca de 110, e que a maior parte tem como qualificações académicas a licenciatura ou um grau superior. Por outro lado, o CCAC explicou também que está a recrutar funcionários e que nos últimos exames de admissão cerca de 90 por cento tinha como qualificações pelo menos o grau de licenciatura.

Segundo Ella Lei, na reunião de ontem foi ainda abordado o papel do CCAC como instituição de aconselhamento legal a outros departamentos do Governo. De acordo com a versão da deputada, depois das alterações à lei serem aprovadas vão ficar mais claras as situações em que o CCAC pode intervir, e também fica definido um prazo de 15 dias para responder às solicitações.

Habitação Económica | 411 fracções desocupadas, a maioria por devolução

De acordo com os números do Instituto de Habitação, mais de 2.300 agregados familiares com direito a habitação social estão em lista de espera por falta de casas

 

Actualmente, 411 habitações económicas estão desocupadas, e o principal motivo passa pelo facto de terem sido devolvidas por compradores arrependidos. O dado foi revelado por Kuoc Vai Han, vice-presidente do Instituto de Habitação, na resposta a uma interpelação do deputado Che Sai Wang.

“Desde 2011, o Governo da RAEM vendeu, nos termos da Lei da habitação económica, mais de 10 mil fracções de habitação económica de 11 empreendimentos de habitação económica, das quais apenas 411 fracções ainda não foram vendidas, cujas razões prendem-se principalmente com a devolução das fracções após a sua escolha”, respondeu a responsável.

Outro dos aspectos que levou à desocupação dos apartamentos, justifica o IH, passa pelo facto de haver uma “reserva legal” que estava em vigor antes da lei da habitação económica ter sido alterada em 2020.

Na interpelação, o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) pretendia que o Executivo explicasse o motivo de ter decidido transformar várias habitações económicas em habitações sociais.

A medida causou polémica, dado que as habitações são alegadamente construídas com melhores materiais e condições de conforto que as habitações sociais, dado serem vendidas em vez de arrendadas.

Aproveitar recursos

O Executivo justificou a mudança com o “melhor aproveitamento” dos recursos públicos. “A conversão, nos termos da Lei da habitação económica vigente, das fracções de habitação económica ainda não vendidas em habitação social tem por objectivo racionalizar os recursos públicos e acelerar a atribuição de habitação social”, foi indicado.

Kuoc Vai Han explicou também que “o Governo da RAEM tem outros projectos de habitação económica em curso” e que desde 2019 “foram realizados sucessivamente três concursos de habitação económica, disponibilizando mais de 13.600 fracções”.

Na resposta à interpelação, a vice-presidente do IH revela ainda que desde 20 de Agosto de 2020, quando foi lançado o concurso permanente de habitação social, foram alojados “cerca de 2.100 agregados familiares”.

No entanto, o número de pessoas em lista de espera, ou seja, a quem foi reconhecido direito a uma habitação social, mas que não têm acesso por falta de casas disponíveis, é superior. “Mais de 2.300 agregados familiares estão na lista de espera”, Kuoc. “O Governo da RAEM está, nesta fase, a proceder, de forma ordenada, aos trabalhos da construção de 5.678 fracções de habitação social”, foi garantido.

Jockey Club | Terreno sem habitação e com “multifunções”

O Governo não pretende construir mais habitação no terreno anteriormente concessionado ao Macau Jockey Club, que fechou portas no dia 1 deste mês. Ho Iat Seng disse que o Governo está a avaliar as melhores opções, não descartando a possibilidade de o espaço vir a ser concessionado a privados.

“O terreno do Jockey Club está incluído no nosso plano de desenvolvimento de actividades de espectáculos. Veremos se seremos nós a investir ou se será uma entidade a fazê-lo. Temos 300 mil metros quadrados de terreno e devemos aproveitar o facto de estar perto do Cotai. Precisamos de um plano de longo prazo. Temos de pensar a área do parque de estacionamento a construir. Talvez contemos com uma empresa de renome para elaborar este planeamento, pois precisamos de maximizar [a utilização] desse terreno.”

O governante deu a entender que o Executivo começou a analisar possibilidades de exploração, mas não quis desvendar o mistério. “O que será feito? Não vou dizer, mas [o terreno] terá multifunções. Não vão ser construídas habitações porque já há terrenos suficientes para isso e não podemos desperdiçar este terreno”, adiantou.

Cultura | Estádio da Taipa sem concertos

Em relação à polémica relacionada com o concerto dos Seventeen no Estádio de Macau na Taipa, Ho Iat Seng assegurou que a experiência não se repetirá.

“Houve muitas queixas de residentes por causa da poluição sonora e tivemos de pedir desculpas. Achamos que o Estádio de Macau não é um local propício à realização de concertos, mas será que devemos desistir? Temos de ter determinação e continuar o trabalho [de fomento da área do entretenimento e dos espectáculos]. Queremos, até ao final do ano, organizar um concerto que traga a Macau 50 mil pessoas. Mas vamos fazer esse concerto em frente à Torre de Macau? Não. Temos de fazer estudos”, disse. Ho Iat Seng frisou ainda que está a ser pensado um plano para desenvolver a indústria de entretenimento.

Ho Iat Seng diz que sustentabilidade das escolas está em risco

Neste momento, 77 escolas em Macau sofrem os resultados da baixa taxa de natalidade. Os dados foram avançados pelo Chefe do Executivo, que declarou que a sustentabilidade de algumas instituições de ensino está em risco. “Daqui para a frente, as escolas vão deparar-se com falta de alunos. Há escolas que têm turmas cheias, mas outras situadas na mesma zona têm turmas quase vazias, e isso também tem a ver com a qualidade dos docentes.”

O governante explicou que há muitas escolas gratuitas com menos de 20 alunos por turma, afastando a possibilidade de aumentar o montante de investimento por turma. “As despesas são muitas e passaremos a gastar cerca de 700 mil patacas [ao invés das actuais 600 mil por turma] se as turmas sofrerem uma redução de alunos. Em turmas com 15 a 20 alunos as despesas vão aumentar, tendo em conta que existem 15 anos de escolaridade gratuita, e teremos de investir quase 1.400 milhões de patacas por ano.”

Ainda assim, Ho Iat Seng prometeu a continuação do apoio às escolas. “Para mantermos o emprego dos professores temos de investir mais erário público, não há outra hipótese.” O passo seguinte foi lançar mais um apelo aos residentes. “Espero que neste ano do Dragão tenhamos mais bebés”, frisou.

Desigualdades em marcha

Coube ao deputado Lam Lon Wai levantar a questão da baixa taxa de natalidade e da população envelhecida. “A taxa de natalidade começou a descer após atingir o seu pico em 2012. Algumas escolas primárias terão insuficiência de alunos, e temos algumas escolas à beira de terem de reduzir algumas turmas. Precisamos aumentar recursos para responder a esse problema.”

Ho Iat Seng assumiu que a situação não é nova nem exclusiva de Macau. “Temos de pensar, eu e a secretária Elsie Ao Ieong U, em arranjar novos métodos [de apoio]. Os docentes são jovens e há, de facto, um desenvolvimento irregular no ensino. É difícil encontrar mais estudantes”, concluiu.

Iao Hon | Reconstrução do edifício Son Lei arranca este ano

O Chefe do Executivo garantiu que este ano deverão arrancar as obras de reconstrução do edifício Son Lei no bairro Iao Hon, com os moradores a mudar-se temporariamente para os dois mil apartamentos construídos no lote P, na Areia Preta.

A garantia foi dada ontem em resposta a uma questão do deputado Leong Hong Sai. “Dar-se-á início à primeira fase de trabalhos de reconstrução no Iao Hon.

O edifício Son Lei será demolido e reconstruído, e iremos depois divulgar quais os custos. Vamos ver se é possível construir mais parques de estacionamento, bem como fracções com componente comercial. Esses trabalhos serão iniciados este ano.” Actualmente, há mais de 30 mil edifícios em Macau com mais de 40 anos, necessitando de obras de renovação ou reconstrução. O bairro do Iao Hon ocupa uma grande percentagem nos planos de intervenção da Macau Renovação Urbana.

Zona norte | Governo sem soluções concretas para incentivar consumo

A falta de negócio dos comerciantes da zona norte foi um dos temas chave do debate de ontem no hemiciclo, mas o Chefe do Executivo não apresentou medidas concretas. Ho Iat Seng disse que “temos de nos ajudar uns aos outros”, apelando ao consumo de residentes e bondade dos proprietários no controlo de rendas

 

Desde que é possível viajar de carro até ao Interior da China, os pequenos negócios da zona norte passaram a registar muito menos movimento e entraram em decadência. Além do Grande Prémio de Consumo na Zona Norte no fim-de-semana, o Governo parece não ter mais medidas concretas para impulsionar o comércio das zonas menos turísticas de Macau.

Ontem, ao responder a questões na Assembleia Legislativa (AL), Ho Iat Seng afastou quase todas as possibilidades levantadas pelos deputados: colocar mais táxis na zona norte pode causar engarrafamentos, criar mais cartões de consumo não é possível, é ainda preciso estudar a criação das linhas directas de autocarros. Para o governante, o ónus está nos residentes: são eles que têm de consumir e cobrar rendas mais baixas.

“O desenvolvimento do consumo é irregular. Existem problemas nas zonas comunitárias. Nem sempre é possível o Governo sustentar tudo e fomentar o desenvolvimento de todas as zonas. O modelo de cartões de consumo não é saudável porque são recursos provenientes do erário público e só no tempo da pandemia é que os podíamos usar. Agora temos de pensar noutras formas”, apontou, em resposta à intervenção da deputada Wong Kit Cheng.

Ho Iat Seng garantiu que estão a ser estudadas medidas de apoio juntamente com o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, mas dirigiu-se também aos proprietários das lojas. “As rendas aumentaram bastante quando os contratos foram renovados, depois da pandemia, e os negócios não melhoraram. Os lojistas estão à beira da ruptura. O Governo conhece bem a situação e esperamos que os proprietários não aumentem tanto as rendas, para que os lojistas respirem um pouco.”

De seguida, o apelo foi dirigido aos próprios residentes. “Estamos num período transitório que tem de ser ultrapassado e é importante contar com o consumo de todos. Há uma discrepância, porque há muitas pessoas nas zonas turísticas, mas não nas zonas residenciais, aos fins-de-semana. Espero que os residentes apoiem a nossa economia e fiquem cá para fazer, pelo menos, uma refeição. Já não podemos dizer às pessoas para ficarem em Macau como dizíamos no período da pandemia. Mas esperamos que os residentes entendam que a economia local se deve manter.”

Uma ajudinha

Afirmando que “temos de nos ajudar uns aos outros”, Ho Iat Seng assegurou ao deputado Ngan Iek Hang que será difícil criar mais hotéis de baixo custo para atrair turistas à zona norte.

“Não podemos permitir pensões ilegais e só temos condições para abrir hotéis económicos. Mas o Governo não vai abrir mais hotéis porque para haver novos temos de contar com investimentos das concessionárias.”

O deputado sugeriu a criação de “cadeias de hotéis de baixo custo para levar os turistas aos bairros comunitários”, bem como a “criação de carreiras de autocarros entre vários pontos” da cidade. “Os turistas não vão aos bairros comunitários consumir devido à falta de publicidade e de incentivos, e as lojas estão a ter problemas em sobreviver”, frisou o governante.

Ho Iat Seng garantiu que têm de ser realizados estudos. “É impossível colocar mais táxis nas zonas antigas porque as ruas são estreitas e pode haver engarrafamentos.”

O Chefe do Executivo acredita que Macau este ano terá “mais de 30 milhões de turistas”, com números diários a rondar os 80 a 100 mil pessoas, esperando a vinda de mais excursões.

Apesar do cenário dos lojistas parecer negro, o governante mostrou-se optimista. “Temos de ter confiança porque teremos mais e melhores dias com as medidas do Governo Central [de atribuição de vistos]. Este ano temos um orçamento estável e equilibrado”, concluiu.