Instrumentos chineses dominam nova edição de conferência em Portugal Hoje Macau - 6 Mai 2024 A sétima edição da “Conferência de Lisboa: Música Chinesa e Instrumentos Chineses” [7th Lisbon Conference: Chinese Music and Musical Instruments] decorre desde ontem em Mafra, terminando hoje o programa que se dedica a reunir músicos e académicos em torno dos instrumentos tradicionais chineses e académicos. O evento é patrocinado pela Fundação Jorge Álvares (FJA) e conta com apoio do Centro Científico e Cultural de Macau e da Fundação Europeia para a Pesquisa da Música Chinesa [European Foundation for Chinese Music Research]. Segundo a FJA, uma das inovações desta edição é a abordagem “de algumas tradições musicais de outros países da Ásia, nomeadamente da Índia, da Indonésia e, ainda, de outros pontos do sudeste asiático”. Participam neste evento 25 académicos, portugueses e estrangeiros, oriundos de 11 países. Nas suas comunicações serão apresentados temas relacionados com a música e os instrumentos musicais chineses, quer no âmbito da etnomusicologia, quer da musicologia histórica. A par das comunicações académicas serão realizados alguns concertos e recitais cujo repertório inclui música chinesa, música indonésia e também a fusão instrumental de música chinesa e indiana. A conferência mantém como principal objectivo “a sensibilização do meio académico para o estudo sistémico da música e respectivo instrumental asiáticos, assim como a divulgação de géneros musicais de outras culturas asiáticas junto de um público generalizado”. Peregrinação e outras histórias Hoje será apresentado, no programa que decorre no Palácio Nacional de Mafra, a conferência “Sons de Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto: Identificação e Caracterização dos Componentes mais Relevantes”, da autoria de Helena Santana, da Universidade de Aveiro. Enio de Souza, pesquisador sobre a música tradicional chinesa, ligado ao Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa e presidente do comité deste evento, irá apresentar “A Música Chinesa e os Instrumentos Musicais em Fontes Portuguesas”. Destaque ainda para uma sessão em que se fará uma “aproximação à música tradicional da Indonésia”, por Arif Bakhtiar, da Embaixada da República da Indonésia em Lisboa.
FRC | Inaugurada hoje mostra sobre caligrafia e pensamento sino-português Hoje Macau - 6 Mai 2024 É hoje inaugurada na Fundação Rui Cunha, a partir das 18h30, a exposição “Caligrafia do Pensamento em Português e Chinês”, da autoria de Fernando António e Choi Chun Heng. O público pode, assim, ver, 60 obras que espelham 30 pares de aforismos em português e chinês, pintados com recurso à caligrafia Quem aprecia a arte da caligrafia pode ver, a partir de hoje, às 18h30, na galeria da Fundação Rui Cunha (FRC), uma nova exposição. Trata-se de “Caligrafia do Pensamento em Português e Chinês”, da autoria dos artistas Fernando António e Choi Chun Heng. A mostra reúne, no total, 60 obras com 30 pares de aforismos representados pela arte da caligrafia nas duas línguas de Macau, o português e o chinês. Segundo um comunicado da FRC, o projecto que agora se apresenta nasceu pela mão de Fernando António que, já nos tempos de escola, começou a sentir interesse pela caligrafia. Citado pelo mesmo comunicado, Fernando António revelou que depois, ao longo da vida adulta, continuou “a praticar nas décadas seguintes e a melhorar substancialmente as capacidades”. “Ao longo dos anos, tive a oportunidade de ter aulas de caligrafia e pintura tradicional chinesa, onde aprendi sobre o pincel chinês Hui e a tinta Hui, bem como o papel Xuan (papel de arroz) com o seu sabor distinto”, acrescentou. Foi assim que surgiu a Fernando António a ideia de “escrever caligrafia portuguesa”, uma experiência que o “satisfez e agradou a outros”. A pares Quando percebeu que a sua ideia tinha sido bem-sucedida, Fernando António convidou o mestre de caligrafia Choi Chun Heng para fazer a exposição conjunta que agora se apresenta ao público. A ideia era expressar pensamentos caligrafados nas duas línguas oficiais de Macau. Fernando António é um calígrafo e coleccionador local, além de ser presidente do Conselho Fiscal da Associação de Pintura e Caligrafia do Oriente de Macau. O seu nome já esteve presente na terceira exposição de obras dos membros da referida associação, co-organizada pela FRC em Setembro de 2019. Já Choi Chun Heng é amador de caligrafia, pintura, música, arte popular e coleccionismo, sendo também presidente da Casa de Arte Da Feng Tang de Macau. Actualmente aposentado da Administração Portuguesa, tem-se dedicado à arte como instrutor do curso de formação em caligrafia chinesa na Universidade de Macau, além de diversas escolas primárias e secundárias e outras associações locais. Nos últimos 20 anos realizou muitas exposições de caligrafia e pintura em Hong Kong, Macau, Taiwan e outras cidades da região. O seu trabalho ganhou o Campeonato de Caligrafia de Macau em 1989, tendo apresentado programas de educação moral como “Disciple Rules” e “Normal Mind – Ordinary Things”, exibidos nos canais de televisão de Macau. A exposição na FRC fica patente até ao dia 18 de Maio.
Hengqin | Arrancaram excursões sob nova política de vistos Hoje Macau - 6 Mai 2024 O Governo acompanhou o primeiro grupo de 16 excursionistas, oriundos de Guangdong, que ontem realizou a primeira viagem a Macau ao abrigo da nova política de vistos com múltiplas entradas entre o território e Hengqin. Segundo um comunicado da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), este grupo esteve três dias e duas noites entre Macau e Hengqin, pernoitando nos dois locais. Em Macau, foi feito um passeio pelos bairros comunitários na península e ilhas, com destaque para o centro histórico, vila de Ka-Hó, em Coloane, Casas-Museu da Taipa ou Rua da Felicidade. Houve tempo para compras, experiências gastronómicas ou outras actividades de lazer. A DST espera, com esta nova política de vistos, “explorar e promover mais itinerários característicos [das duas zonas]” além de “aproveitar o mercado das excursões conjuntas e continuar a expandir as fontes de visitantes”. Recorde-se que a política de vistos de múltiplas entradas entre Macau e Hengqin foi aprovada oficialmente a 28 de Abril com a publicação do documento oficial pela Administração Nacional de Imigração da China. Assim, cidadãos do interior da China podem participar em excursões de sete dias com entrada e saída através do Posto Fronteiriço de Hengqin. O primeiro dia da nova medida aconteceu ontem, esperando-se, com esta nova política, “alargar o mercado de visitantes do Interior da China para Macau e Hengqin, beneficiar os negócios das agências de viagens e a actividade dos guias turísticos dos dois lados”, além de “acelerar o desenvolvimento integrado entre a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”.
Dia do Trabalhador | Nem os feriados salvaram os negócios locais Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 6 Mai 2024 Apesar de Macau ter recebido mais de 600 mil turistas nos cinco dias associados aos feriados do 1º de Maio, a verdade é que o pequeno comércio não registou mais clientes. Pelo contrário: dados da Federação da Indústria e Comércio de Macau Centro, Sul e Distritos falam em quebras de 30 a 40 por cento. Na zona norte, porém, o mau tempo até ajudou os residentes a ficarem em Macau e consumirem Não está fácil a vida dos pequenos lojistas e comerciantes. Apesar do território ter recebido, nos cinco dias associados ao feriado do 1º de Maio, Dia do Trabalhador, um total de 604.395 visitantes, uma média de 120.879 por dia, a verdade é que os negócios não ganharam com isso. Segundo um balanço feito pela Federação da Indústria e Comércio de Macau Centro, Sul e Distrito, os comerciantes dos sectores do comércio e retalho nas zonas centro e sul do território registaram quebras de vendas na ordem dos 30 a 40 por cento em termos anuais. Citado pelo jornal Exmoo, Lei Cheok Kuan, presidente da federação, explicou que, apesar do fluxo de visitantes não ter sido mau, os consumidores optaram por não comprar nas lojas devido ao mau tempo que se registou. Além disso, o responsável diz que os visitantes adoptaram uma postura mais prudente em matéria de consumo em relação a igual período do ano passado. Apenas as lojas com vendas online registaram uma menor quebra no volume de negócios, acrescentou o responsável. Se o impacto das fortes chuvas que caíram em Macau se sentiu mais na zona centro e sul, a verdade é que a zona norte, que há muito sofre com a quebra do consumo por parte de residentes, até beneficiou com a chuva. Porém, segundo Wong Kin Chong, presidente da Associação Industrial e Comercial da Zona Norte de Macau, as chuvas que caíram na última semana de forma abundante, e que pioraram a situação do trânsito, poderão ter contribuído para os residentes comprarem mais no território. O responsável disse que o número de visitas dos turistas nesta zona ficou abaixo do previsto, mas os negócios até registaram uma subida ligeira, sendo que o sector da restauração registou um crescimento no volume de negócios na ordem dos 10 por cento. Sistema mudou A quebra do consumo em algumas zonas do território, com mais ou menos turismo, e potenciada por diversos factores, mostra que o modelo de negócio e consumo registou alterações nos últimos anos e, segundo os responsáveis, há que reagir face a esse cenário. Lei Cheok Kuan entende que houve, de facto, uma mudança na forma como se consome nos dias de hoje, com um domínio das vendas online. Pelo contrário, há quebras sucessivas na chamada economia real, nas compras feitas presencialmente, defendeu. Porém, no caso de Macau, e apesar de ser um dos territórios integrantes da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, não existe uma integração plena no sistema de comércio online do país, defendeu. Lei Cheok Kuan frisou que Macau tem plataformas de pagamentos electrónicos e de venda de produtos, mas persistem entraves e burocracias nas áreas da importação e exportação de mercadorias, sem esquecer a logística. Lei Cheok Kuan alertou que, se o Governo não melhorar estes entraves ao comércio, as pequenas e médias empresas não conseguem fomentar as vendas, mesmo que tenham presença online. Assim sendo, o dirigente associativo pede que sejam criados mais incentivos públicos para o desenvolvimento do sistema de vendas online e melhoria do sector logístico. Além destas questões, Wong Kin Chong entende que uma melhoria no sistema de trânsito também traria benefícios, bem como apoios adicionais às empresas. Já Wong Kin Chong, entende que deve haver um equilíbrio entre o aumento dos turistas e o sistema de transportes no dia-a-dia, pois a população queixa-se do congestionamento de turistas sentido nos cinco dias associados ao feriado do Dia do Trabalhador. Dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST) depois do fecho da edição revelam que entre os dias 1 e 5 de Maio Macau recebeu 605 mil visitantes, mais 23,2 por cento face à média diária do mesmo período do ano passado. A taxa média de ocupação hoteleira atingiu cerca de 89,2 por cento. Só no dia 3 de Maio visitaram Macau 154 mil pessoas, “sendo o maior número de entradas diárias registado durante os feriados do Dia do Trabalhador”. Trata-se de um acréscimo de 23,2 por cento face a 1 de Maio de 2023. Em termos da estrutura das fontes de visitantes, 487 mil vieram do Interior da China, 78 mil de Hong Kong, 80 mil da região de Taiwan e 32 mil internacionais. Relativamente à taxa de ocupação máxima diária dos hotéis foi de 95 por cento, sendo que a taxa média de ocupação, nos cinco dias, foi de 89,2 por cento, um aumento de 4,5 pontos percentuais em comparação com os feriados do Dia do Trabalhador do ano passado. A taxa de ocupação mais elevada foi registada no dia 2 de Maio, atingindo os 95,1 por cento.
Casas de câmbio | Coutinho defende actualização da legislação Andreia Sofia Silva - 6 Mai 2024 O deputado José Pereira Coutinho interpelou o Governo quanto à necessidade de actualizar a legislação sobre o funcionamento das casas de câmbio, tendo em conta que o diploma base, o Regime de Constituição e Actividade das Casas de Câmbio, vigora desde 1997. Segundo o deputado, a legislação “está manifestamente desactualizada da realidade e não resolve os múltiplos problemas relacionados com a troca de divisas”. Coutinho relaciona a desactualização da lei com o aumento dos casos de burla no território envolvendo troca de dinheiro, ligado ainda ao facto de “as concessionárias de jogos praticarem taxas de juros elevadas e monopolizarem ‘artificialmente’ este negócio”. Os empresários locais, por sua vez, “enfrentam dificuldades na obtenção de espaços para arrendamento para instalar casas de câmbio que possam oferecer taxas de câmbio mais baixas e competitivas”. Assim, “a ausência de opções de casas de câmbio com taxas mais vantajosas”, contribui para mais casos de burlas associadas a trocas de dinheiro, com as vítimas a considerarem estes esquemas “alternativas às altas taxas de juros praticadas pelas concessionárias de jogos”. Coutinho não esquece ainda os “avanços das novas tecnologias”, não abrangidos pela lei antiga.
Economia | Mais sociedades no primeiro trimestre Hoje Macau - 6 Mai 2024 Nos primeiros três meses deste ano foram constituídas em Macau 1.117 sociedades, mais 12 do que no mesmo período de 2023, e foram dissolvidas 228, menos três do que no primeiro trimestre do ano passado, segundo dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). É também indicado que o crescimento líquido do número de sociedades foi de 889. Entre as sociedades constituídas, 372 eram do sector do comércio por grosso e retalho e 339 do sector dos serviços prestados a empresas. O capital social das novas sociedades totalizou 203 milhões de patacas, valor que representa uma quebra trimestral de 15 por cento, dos quais 47 milhões de patacas, ou 23 por cento, diziam respeito a sociedades que se dedicam a “investigação e exploração de produtos de tecnologia de ponta, à venda destes produtos e à prestação de serviços de tecnologia informática”. Em relação à origem do capital social, a DSEC revela que 54,7 por cento foi de Macau e 35,3 por cento da China. Analisando por escalão de capital social, 70,5 por cento das novas sociedades tinham capital social inferior a 50 mil patacas.
PME | Pedidos mais juros bonificados e extensão de reembolso João Luz - 6 Mai 2024 Song Pek Kei pediu a extensão do prazo de reembolso dos empréstimos contraídos por pequenas e médias empresas ao abrigo do plano de bonificação de juros de créditos, que começou durante a pandemia. Além disso, a deputada pediu ao Governo mais uma edição do mesmo plano Com os prazos de reembolso para alguns dos empréstimos concedidos a pequenas e médias empresas (PME), ao abrigo do plano de bonificação de juros de créditos, a chegar ao fim no próximo mês, a deputada Song Pek Kei pediu ao Governo que volte a alargar o prazo de pagamento do reembolso por mais seis meses. Numa interpelação escrita divulgada na sexta-feira, a deputada ligada à comunidade de Fujian justificou a reivindicação com as muitas PME que estão a atravessar dificuldades, “enquanto esperam pela recuperação”. “Vai o Governo considerar o pagamento de juros, sem o reembolso do crédito principal, e estender o período de reembolso para as medidas e benefícios serem eficazes e permitir às PME algum espaço para respirar?”, questiona. Song Pek Kei pediu também que o Executivo lance uma nova ronda do “Plano de Bonificação de Juros de Créditos para as PME”, uma medida que foi apresentada pelo Governo como temporária. Porém, a deputada cita na interpelação os argumentos do Executivo nos planos de apoio lançados durante a pandemia. “No passado, o Governo declarou que iria estudar e avaliar a evolução do desenvolvimento social e económico, prestando atenção às condições de operacionalidade das PME e formular respostas estratégicas em tempo útil”, recorda a deputada. O que falta Song Pek Kei realça as assimetrias na velocidade da recuperação económica, em especial nos bairros comunitários, onde as PME estão numa situação ainda pior do que durante a pandemia. Na óptica da deputada, se o Governo não avançar com uma nova ronda de créditos com juros bonificados, muitas empresas vão desaparecer. Aliás, a deputada indica que existem empresas que ainda acumulam nas dívidas a pagar os reembolsos dos créditos contraídos para fazer face aos prejuízos resultantes do tufão Hato. Como tal, Song Pek Kei espera que o Governo considere implementar as suas sugestões, para que o tecido empresarial de Macau “consiga restaurar a sua vitalidade, consolidar raízes e manter as operações estáveis”.
IAS | Cerca de 6.000 idosos residentes no Interior em 2023 Hoje Macau - 6 Mai 2024 No ano passado, cerca de 6.000 residentes séniores de Macau, que receberam o subsídio para idosos, residiam no Interior da China. Destes, mais de 4.000 viviam nas nove cidades da Grande Baía, indicou o presidente do Instituto de Acção Social, Hon Wai, em resposta a uma interpelação escrita do deputado Leong Sun Iok. O responsável aponta que “de acordo com as informações obtidas, os idosos de Macau voltam para a sua residência no Interior da China, onde passam a vida na velhice, principalmente, em casa de parentes e amigos, no domicílio e na comunidade”. Porém, Hon Wai salienta que o número de idosos que escolhem ficar em lares na China é menor, exemplificando a tendência revelando que actualmente menos de 80 residentes de Macau residem em lares de idosos em Zhuhai. O presidente do IAS levanta também a hipótese de os cofres públicos da RAEM financiarem instalações no Interior. “O Governo da RAEM, com experiências de criação do centro de serviços para idosos, de uma forma pioneira e experimental, no projecto “Novo Bairro de Macau” […] em Hengqin, explora um modelo adequado para criar equipamentos de serviços para idosos no Interior da China.”
AAM | Visita de intercâmbio a Portugal em Junho Hoje Macau - 6 Mai 2024 A Associação dos Advogados de Macau (AAM), presidida por Vong Hin Fai, irá realizar, entre Junho e Julho, uma viagem de intercâmbio a Portugal com 18 membros para reunir com a Ordem dos Advogados portuguesa. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, o presidente da AAM explicou que a viagem serve ainda para visitar entidades na área da arbitragem jurídica e diversas universidades portuguesas para apresentar a jurisdição de Macau e assinar acordos de cooperação em diversas áreas. Vong Hin Fai declarou que, nos últimos três anos, registaram-se em Macau cerca de 450 novos causídicos por ano, número que se manteve semelhante aos anos anteriores. Além disso, 70 advogados pediram para cessar a actividade no território, sendo que a maioria o fez para ir trabalhar para a Administração pública ou outros órgãos judiciais. O responsável adiantou também que a AAM forma cerca de 25 novos advogados todos os anos. Estas declarações foram proferidas ontem no âmbito da apresentação do programa anual do Dia do Advogado, realizado entre os dias 11 e 19 deste mês. Incluem-se, além de diversas actividades, consultas jurídicas gratuitas à população a decorrer no Largo do Senado no fim-de-semana de 18 e 19 de Maio.
Idosos / Residências | Mudanças no último trimestre João Luz - 6 Mai 2024 O Governo fixou as rendas das residências para idosos, confirmando os valores anunciados quando as candidaturas abriram. As rendas variam entre 6.680 e 5.410 patacas mensais, ou entre 5.344 e 4.328 patacas com o desconto. A ocupação dos primeiros 759 apartamentos está marcada para o último trimestre deste ano A ocupação das primeiras fracções da Residência do Governo para Idosos deu ontem mais um passo rumo à entrega de chaves. A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U assinou o despacho, publicado ontem no Boletim Oficial, que fixou o preço das rendas dos estúdios situados nas torres erigidas no lote que foi destinado inicialmente ao Pearl Horizon. Na primeira fase serão arrendados 759 apartamentos que vão estar disponíveis para ocupação no último trimestre deste ano, na zona A do prédio, voltado para sudeste com vista para o mar. Os candidatos que concorreram à primeira fase do concurso para garantir um apartamento beneficiam de um desconto de 20 por cento. Assim sendo, na Zona A, a mais cara, as rendas variam entre 5.096 (do 4º andar ao 21º andar) e 5.344 patacas por mês (do 22º andar ao 37º andar). Sem descontos, a renda das fracções varia entre 6.370 e 6.680 patacas. Os restantes 759 apartamentos que serão disponibilizados na primeira fase estão situados na ala sudoeste, virada para o jardim e edifício Kuong Wa (Zona B), e para a ala noroeste virados para o edifício Polytec Garden (Zona D), serão gradualmente disponibilizados para ocupação no próximo ano. As rendas dos apartamentos da Zona B, com o desconto de 20 por cento, variam entre 4.840 e 5.040 patacas e sem desconto entre 6.050 e 6.300 patacas. Na Zona D, virada para o Polytec Garden, as rendas oscilam entre 4.328 e 4.536 patacas por mês com desconto, e 5.410 e 5.670 patacas sem desconto. Em andamento O Instituto de Acção Social (IAS) irá organizar nos próximos meses os procedimentos para a escolha dos apartamentos. Em Junho, o IAS irá publicar um ofício a solicitar aos candidatos habilitados, segundo a ordem de classificação do concurso, que escolham as fracções desejadas ao longo do mês de Julho. Depois de feita a escolha do apartamento, o IAS irá contactar o candidato para assinar o acordo de utilização, que terá duração de três anos, onde será estabelecido o pagamento de caução equivalente a dois meses de renda. As habitações para idosos podem receber até duas pessoas, desde que um dos utilizadores tenha mais de 65 anos e o outro, pelo menos, 60 anos. Há cerca de três semanas, o presidente do IAS indicava que estavam a ser acertados os últimos detalhes para receber os idosos, depois de as fracções serem devidamente mobiladas e equipadas. Assim, quando primeiro grupo de moradores se mudar, o prédio deverá estar equipado com um restaurante chinês no primeiro piso, um clube com sala para ópera cantonense, uma sala de karaoke, ginásio, sala de leitura, instalações médicas no segundo piso, e lojas no rés-do-chão.
Quadros qualificados | Ron Lam pede detalhes sobre políticas do Governo João Luz e Nunu Wu - 5 Mai 2024 Que vantagens trazem uma população activa diversificada e porque não se aposta em contratar quadros qualificados locais em vez de atrair profissionais de fora? Estas questões voltaram à ordem-do-dia com o anúncio da política de captação de quadros qualificados no exterior, com muitos representantes associativos e deputados a pedir prioridades à “prata da casa”. O mais recente foi Ron Lam, que divulgou ontem uma interpelação escrita onde pede ao Governo informações sobre o programa de importação de quadros qualificados, nomeadamente os critérios que serão usados para atrair trabalhadores no exterior. O deputado recorda que o Executivo já havia prometido esclarecer as dúvidas que pairam sobre o programa e pergunta se vai honrar a promessa feita. Como tal, perguntou o número de profissionais que o Governo pretende atrair na primeira fase do programa, as suas habilitações académicas e sectores económicos a que se destinam. Recorde-se que a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong, revelou estar prevista a aprovação de 400 vagas de quadros qualificados na primeira fase e que o arranque da segunda fase estaria programado para Maio. O objectivo é captar licenciados não-residentes que acabam com boas notas as licenciaturas relacionadas com as indústrias prioritárias para o plano de diversificação económica. Face ao cenário de desemprego persistente entre residentes mais jovens e qualificados, a nível de formação académica, Ron Lam pergunta ao Governo de Ho Iat Seng porque este programa de captação de talentos não tem os jovens profissionais locais como prioridade. Patinar na maionese Tendo em conta que a Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados indicou que a segunda fase do programa de captação seria mais relaxada em relação às qualificações profissionais e condições de candidatura, Ron Lam pergunta porque não se redobram os esforços para empregar jovens licenciados locais. Além disso, o deputado aponta que o portal de internet da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados apresenta conteúdos apenas relativos a formação dos quadros qualificados e sobre o programa de estímulo à certificação profissional, que foram lançados há alguns anos, sem que tenham sido acrescentadas mais informações. Em relação ao programa de captação de quadros qualificados de Macau que estejam no exterior, o deputado indica que o website da comissão se limita a repetir aos anúncios de emprego que estão no portal da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, das universidades locais e do Governo (Função Pública).
O Mel(r)o dos Deliquentes André Namora - 5 Mai 20245 Mai 2024 PRESIDENTE DO DESAGRADO Marcelo Rebelo de Sousa está na berlinda e no desagrado dos portugueses. Tem tomado posições absolutamente irresponsáveis e que ultrapassam as suas funções como Presidente de todos os portugueses. Primeiramente deixou toda a gente perplexa ao falar perante cerca de quarenta jornalistas estrangeiros dizendo que Portugal teria de pagar às nossas ex-colónias a escravatura e os roubos que foram feitos ao longo do colonialismo. A história não se pode alterar e nem pensou o que de bom deixámos construído nos novos países africanos, em Timor-Leste e em Macau. Pagarmos o quê, se nenhum presidente desses novos países reivindicou absolutamente nada. E qual escravatura? A de Álvares Cabral, a de Mouzinho de Albuquerque, a de Vasco da Gama ou a de Kaúlza de Arriaga, António Spínola e Costa Gomes? Os próprios directores dos museus portugueses já vieram a público manifestar que não existe nada para devolver. Marcelo não pensou nos militares mortos na guerra colonial para onde foram obrigados a ir pelo regime fascista. Marcelo nem pensou no que teríamos de reivindicar à França pelas invasões que levou a efeito onde escravizaram, violaram e pilharam tudo o que havia de valor; à Itália pelo que os romanos escravizaram e roubaram no nosso país e à Espanha por tudo o que foi executado no reinado invasor dos reis Filipes. Marcelo abriu uma caixa de Pandora que poderá ser um bico de obra sem fim. E terminou a semana passada em Cabo Verde com uma lição de dignidade por parte do Presidente daquele país que afirmou que estes assuntos não se discutem na praça pública. Mas, Marcelo fez mais: demonstrou um tipo de racismo ignóbil quando denominou Luís Montenegro como um “rural” e António Costa como “oriental”. E mais: depois de ter executado com a procuradora-Geral da República a queda do governo socialista de maioria absoluta, veio chamar à procuradora-Geral de “maquiavélica”. O povo português não se revê neste tipo de presidência absurda e as críticas ao seu comportamento choveram de todos os quadrantes. PINTO DA COSTA TERMINOU O REINADO Infelizmente da pior maneira. Um homem que fica na história do FC Porto pelos seus 42 anos à frente do clube e que entre os defeitos e virtudes conseguiu transformar um clube regional em internacional, devia ter saído pela porta grande e nunca se ter recandidatado a mais um mandato. Obteve uma estrondosa derrota de André Villas-Boas de cerca de 80 por cento dos votos dos sócios portistas e vai-se embora sem deixar que um determinado movimento no interior do clube concluísse o desejo em denominar o estádio do dragão com o seu nome. O reinado de Pinto da Costa teve méritos e desméritos, deu luz verde a uma claque violenta e que actuava à margem da lei, tentou manobrar as arbitragens tendo sido alvo de um processo-crime chamado “Apito Dourado”, permitiu que um treinador arruaceiro comandasse os destinos do clube e da SAD, sendo o treinador mais vezes expulso pelas arbitragens, deixou as finanças do clube com graves problemas de negativismo e mais não digo. Em contrapartida conseguiu que o FC Porto conquistasse dezenas de troféus, nomeadamente a Taça dos Campeões Europeus e a Taça Intercontinental. Pinto da Costa ficará na história do FC Porto, mas não em tudo pelas melhores razões. O MEL(R)O DOS DEFICIENTES Nuno Melo é ministro da Defesa. Ninguém consegue explicar esta nomeação. O senhor não tem qualquer capacidade para um cargo desta importância. As Forças Armadas debatem-se com o problema grave de falta de efectivos nas suas fileiras e o chefe do Estado-Maior da Ar mada, almirante Gouveia e Melo, bem como outras figuras militares de topo salientaram que uma das soluções poderia ser o serviço militar obrigatório. Nuno Melo respondeu que a ideia era um absurdo e que nunca proporia tal medida, entrando de imediato em litígio com a família militar. Como ministro da Defesa ainda não teve uma palavra sequer a favor do melhoramento salarial dos militares e das condições materiais em que se encontra a Força Aérea, a Marinha e o Exército. Nuno Melo acaba de deixar a perplexidade total nos portugueses quando a sua incompetência foi sustentada em adiantar a ideia de que os jovens que se encontram institucionalizados por delitos criminais poderiam resolver o problema da falta de pessoal nas Forças Armadas. Nuno Melo até desconhece que para se integrar as Forças Armadas os mancebos têm de possuir um registo criminal absolutamente limpo. Com uma agravante: a ministra da Administração Interna veio logo em defesa das ideias de Nuno Melo e sublinhando que se tratava do que o Governo poderia decidir. O Governo de Luís Montenegro tem alguns membros de incompetência viral e que já provocaram alguns casos e casinhos. Tem de pensar em governar e cumprir o que prometeu em campanha eleitoral e no Programa do Governo. Sobre o IRS já meteu água e está claro para toda a gente que as suas medidas só protegem os possuidores de mais riqueza. Neste mês de Maio os pensionistas já vão receber menos pecúlio e os tempos de Passos Coelho começam a amedrontar os mais desprotegidos. Nas Finanças está uma guerra aberta entre o actual ministro e o seu antecessor, onde vergonhosamente o povo assiste a um diferendo sobre as contas públicas que nunca poderia acontecer na praça pública. A única ideia que nos fica é que toda esta gente que se senta na Assembleia da República já anda em campanha eleitoral para as eleições europeias. E isso, é triste.
Fundação Jorge Álvares | Lançado livro “Encontros na Cidade Proibida” Hoje Macau - 5 Mai 2024 O livro “Encontros na Cidade Proibida”, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, lançado na sexta-feira, leva o público infanto-juvenil numa viagem ao Oriente e ao encontro do padre jesuíta Tomás Pereira. A narrativa centra-se “na histórica personagem do padre jesuíta português Tomás Pereira, que, entre 1673 e 1708, viveu em Pequim e adoptou o nome chinês Xu Risheng”, referiu em comunicado a Fundação Jorge Álvares (FJA), responsável pelo projecto editorial, que conta ainda com ilustrações de Rui Sousa. Tomás Pereira “foi também músico, astrónomo, geógrafo, tecnólogo, tradutor e conselheiro diplomático do Imperador da China, Kangxi, com quem manteve uma relação muito próxima, a qual transcendeu um mero relacionamento formal e diplomático”, acrescenta a nota. Esta ficção histórica destina-se “essencialmente a alunos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico” e combina “uma emocionante aventura de dois jovens irmãos, Francisca e Luís, em terras do Oriente, com a história e cultura de Macau e da China antiga”. “Com este livro, a Fundação Jorge Álvares pretende continuar a preencher lacunas no conhecimento dos jovens sobre as relações de mais de 500 anos entre Portugal e a China”, indicou a presidente da Fundação Jorge Álvares, Maria Celeste Hagatong. Neste sentido, referiu a responsável, a Fundação levou recentemente a cabo uma acção de oferta de dois exemplares da obra a mais de 1.500 bibliotecas escolares e colégios privados de Portugal continental. Seguem-se as bibliotecas escolares e colégios privados dos Açores e da Madeira, “bem como as escolas de Macau e algumas escolas de língua portuguesa espalhadas pelos vários cantos do mundo”. “Encontros na Cidade Proibida” vai estar em breve também disponível na biblioteca digital da FJA.
Rua da Felicidade acolhe Semana da Moda e exposição Andreia Sofia Silva - 5 Mai 2024 Se pensarmos no mundo da moda, há sempre cidades que assumem o protagonismo em matérias de produção de colecções, elegância e beleza. Destaca-se Milão, Paris ou Londres, na Europa, embora, nos últimos anos, a moda asiática se venha destacando cada vez mais, com a crescente presença de Pequim ou Hong Kong nos palcos mundiais desta indústria. Macau, com uma dimensão bem mais reduzida, quer agora dar os primeiros passos na profissionalização deste sector, aliando o universo da moda ao património. Depois do lançamento do projecto “Zona Pedonal da Rua da Felicidade”, eis que a operadora de jogo Wynn apostou na “Semana da Moda da Rua da Felicidade”, convidando estilistas locais a apresentarem as suas colecções. O desfile na zona pedonal da Rua da Felicidade decorreu na sexta-feira, tendo contado com a presença de dez marcas locais de moda “que melhor se destacaram em termos de criatividade e originalidade” no convite aberto lançado anteriormente pela operadora de jogo. Assim, foram apresentadas as colecções destes estilistas para a época da Primavera/Verão deste ano, com 70 conjuntos a poderem ser vistos. Como complemento a esta semana da moda, a Wynn decidiu criar uma exposição temporária destas roupas, que podem ser vistas pelo público na Rua da Felicidade até ao dia 2 de Junho. A ideia é que esta exposição possa ser “uma janela para o mundo elegante da moda de Macau”, além de contribuir para “aumentar a visibilidade das marcas locais e gerar mais oportunidades de negócio”. Parcerias locais Este evento foi organizado em conjunto com algumas das entidades locais que mais trabalho têm realizado em prol do desenvolvimento de uma indústria de moda em Macau, nomeadamente o Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau (CPTTM) e a Faculdade de Ciências Humanas e Artes da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST). O Instituto Cultural é também a entidade dinamizadora deste tipo de eventos que visam dar um novo aproveitamento a espaços antigos da cidade. Com a realização da semana da moda e consequente exposição, a Wynn diz querer também “revitalizar as empresas da comunidade através das artes e da cultura”, além de “oferecer uma experiência única de turismo cultural e de moda aos residentes e visitantes”. Destaca-se ainda a importância da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau na ligação a este tipo de iniciativas. “Através da arte e cultura a Wynn espera atrair mais visitantes a Macau e à zona da Grande Baía criando novas e ricas experiências turísticas, além de festividades vibrantes”, lê-se ainda. Apesar de ter uma indústria da moda já com alguns nomes locais, a verdade é que são poucos os desfiles realizados para a comunidade local. Destaca-se o evento Macau Fashion Link que, em 2011, trouxe ao Albergue da Santa Casa da Misericórdia diversos nomes do mundo da moda lusófono, como Dino Alves ou a macaense Bárbara Barreto Ian. Com maior frequência, realizam-se desfiles de moda no Cotai a fim de mostrar o trabalho desenvolvido por designers locais formados no CPTTM.
FAM | Teatro em patuá apresenta “Unga Istrêla ta vem” Andreia Sofia Silva - 5 Mai 2024 A 34.ª edição do Festival de Artes de Macau (FAM) já arrancou e, no próximo fim-de-semana, traz a estreia de mais uma peça em patuá, com o cunho dos Dóci Papiaçam di Macau. Trata-se de “Unga Istrêla ta vem”, em português, “Chega uma Estrela”. O cartaz do FAM inclui ainda a apresentação de uma ópera em cantonense Um dos grandes atractivos do programa do Festival de Artes de Macau (FAM) chega no próximo fim-de-semana pela mão dos Dóci Papiaçam di Macau. A peça “Unga Istrêla ta vem”, “Chega uma Estrela”, em português, apresenta-se no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) no sábado e domingo a partir das 20h. A peça, escrita e encenada por Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses, centra-se em torno de Délia, uma professora de teatro, e Giselda, uma ex-junket que está à beira da falência por ter ficado sem emprego. As grandes temáticas do território vão-se contando à medida que a vida destas duas mulheres se cruza, sempre com laivos de ironia e humor tão próprios do teatro em patuá, crioulo tipicamente macaense e já em vias de extinção. De frisar que o teatro em patuá passou a estar inscrito, em 2021, na Lista do Património Cultural Intangível da China. Também no próximo fim-de-semana se apresenta, no Parisian Theatre, o espectáculo de ópera cantonense “Sob a Árvore dos Pagodes”, protagonizado pela Associação de Ópera Cantonense Zhen Hua Sing. O espectáculo de sábado começa às 19h30 e, no domingo, acontece às 14h30. A peça centra-se em torno do mundo das divindades, quando a Sétima Fada, filha do Imperador Celeste, espreita o mundo dos comuns dos mortais a partir do céu. É então que esta fada se comove com as dificuldades de Dong Yong, filho que tenta sepultar o pai com a maior dignidade possível. Cansada da vida divina e perfeita que leva nos céus, a Sétima Fada desce à terra e casa-se com Dong Yong debaixo da árvore de pagodes. Porém, o romance só passa a ser do conhecimento do imperador 100 dias depois, e é aí que as dificuldades dos apaixonados começam. Esta história é a base da lenda chinesa de Dong Yong e da Sétima Fada que permanece no imaginário popular até hoje, tendo já inspirado muitos espectáculos de ópera e séries de televisão. A versão que agora se apresenta no FAM foi criada pela associação local de ópera, levando ao palco o consagrado actor Chu Chan Wa juntamente com um elenco de actores locais. Arte em todo o lado Por sua vez, no Teatro D. Pedro V, é a vez de subir ao palco o espectáculo “Frankenstein/Criaturas”, sábado e domingo em dois horários, nomeadamente às 15h e às 20h. Com encenação do grupo “Espaço para Agir”, em colaboração com a companhia japonesa “Momentos Teatrais” esta peça baseia-se na história de “Frankstein”, de Mary Shelley, escrita há quase 200 anos, estabelecendo agora uma conexão com a tecnologia. A pensar nos mais pequenos inclui-se ainda no programa do FAM a peça “O Livrinho”, encenada pelo Teatro Baj, com sessões entre sexta-feira e domingo para bebés dos seis aos 18 meses e crianças dos 18 meses aos três anos. O espectáculo acontece no Estúdio II do CCM. Destaque ainda para a inauguração, no sábado, da exposição “Foco: Integração Artística entre a China e o Ocidente nos Séculos XVIII-XIX”, patente no Museu de Arte de Macau (MAM). Esta exposição apresenta um total de 300 peças de pinturas de exportação e obras no estilo de George Chinnery, provenientes principalmente do MAM e do Museu de Guangdong. Apresenta-se ainda uma selecção de obras oriundas do Museu de Arte de Hong Kong. Segundo a organização do FAM, têm lugar nesta mostra “três perspectivas distintas ao nível do estilo, técnicas e materiais”, revelando-se o “diálogo visual e a integração entre a China e o Ocidente, promovidos por artistas locais e estrangeiros no Delta do Rio das Pérolas, durante os séculos XVIII e XIX”.
Couto e Leong brilham no Lamborghini Super Trofeo Asia Sérgio Fonseca - 5 Mai 2024 A temporada do Lamborghini Super Trofeo Asia, o troféu monomarca do construtor automóvel italiano no continente asiático, arrancou no Circuito Internacional de Sepang, com bons resultados para os dois representantes de Macau: André Couto venceu na sua classe por duas ocasiões e Charles Leong Hon Chio subiu ao pódio à geral por duas vezes Quando no passado mês de Março participou, e venceu a classe GTC, nas 12 Horas de Sepang, Couto já sabia que tinha em cima da mesa uma proposta para disputar o troféu asiático da casa de Sant’Agata Bolognese pela Madness Racing Team. Aliás, antes mesmo da prova de resistência malaia, a equipa chinesa já tinha testado o piloto português no circuito de Fórmula 1 da Malásia e ficado positivamente impressionada com os tempos obtidos. Ver Couto ao lado de Fangping Chen no Huracan Super Trofeo EVO2 nº88 este fim de semana foi o culminar de um trabalho que tinha vindo a ser feito nos bastidores nas últimas semanas. Quatro boxes mais a baixo no pitlane, estava outro piloto bem conhecido de Macau, Charles Leong Hong Chio, o vencedor da prova de Fórmula 4 do Grande Prémio em 2021 e 2022. Sem possibilidades para continuar a competir em monolugares, o jovem piloto há anos que ambicionava correr de carros de GT a tempo-inteiro. Eis que a oportunidade surgiu pelas mãos de Teddy Yip Jr, outra figura conhecida do automobilismo local e cujo pai em muito ajudou a administração portuguesa do território a impulsionar o Grande Prémio nos seus primórdios. Apesar de já não ter a ligação à equipa Prema Racing na Europa, como em outros tempos, a Theodore Racing conservou a boa relação do passado, transpondo-a para uma nova fase com os novos donos da conhecida equipa italiana ao leme, a poderosa Iron Lynx. Pois bem, a equipa oficial da Lamborghini no mundial de resistência (WEC) e a Theodore Racing deram as mãos para competir no Lamborghini Super Trofeo Asia em 2024 e com isso Leong foi destacado para piloto da SJM Iron Lynx Theodore Racing. Não foi uma surpresa gigante, pois o piloto da RAEM competiu nos dois últimos anos com o apoio da Theodore Racing e na última edição do Grande Prémio conduziu um monolugar da Prema Racing na prova de F4. Cada fim de semana do troféu inclui duas corridas de 50 minutos, cada uma com uma mudança de piloto, e existem quatro categorias: PRO, PRO-AM, AM e Lamborghini Cup. A exemplo dos congéneres europeu e norte-americanco, a máquina utilizada na competição asiática, igual para todos, é o Huracán Super Trofeo EVO2, equipado com um motor 5.2-litros V10 atmosférico, capaz de debitar 620 cv de potência. Sábado de alegrias Os dezoito “touros” presentes no circuito da periferia de Kuala Lumpur fizeram-se ao asfalto molhado na manhã de sábado para duas sessões de qualificação, sendo que a primeira corrida da temporada se realizou da parte da tarde, com a pista seca e a humidade brutal típica da região. Couto alinhou do quarto lugar da grelha de partida, ao passo que Leong colocou-se uma posição atrás para o arranque. Os primeiros metros da corrida foram dramáticos para Couto, que levou um ligeiro toque do coreano Brian Lee e foi embater no carro de Li Zhi Cong. Felizmente, nenhum carro ficou danificado, apenas Couto caiu cinco posições na classificação. O piloto luso teve então que correr atrás do prejuízo neste seu turno de condução, escalando posições paulatinamente com o decorrer da corrida, entregando o carro ao seu colega de equipa já no terceiro posto. A segunda parte da corrida seria diferente, com Fangping Chen a não conseguir manter o ritmo, perdendo duas posições à geral. Contudo, quando foi mostrada a bandeira de xadrez, Couto e Chen tinham razões para celebrar com este quinto lugar, ao terminarem como vencedores da categoria PRO-AM. Igualmente, com motivos para sorrir estava Leong, que terminou no segundo lugar. O piloto de Macau teve um arranque menos atribulado, e com a sua regularidade habitual andou sempre nos três primeiros lugares. Depois, a japonesa Miki Koyama, com quem partilha o Lamborghini, ainda foi buscar mais uma posição, conquistando um merecido segundo lugar à geral e na categoria PRO. Domingo de consolidação Os resultados de sábado repetiram-se no domingo. Desta vez Couto e Leong tiveram que aguardar que os seus companheiros de equipa terminassem os seus turnos de condução para conduzirem e ambos os pilotos de Macau foram decisivos. Couto pegou no carro nº88 da Madness Racing Team e subiu do 11º lugar até ao sexto posto, o suficiente para triunfar novamente na classe PRO-AM. Já Leong herdou o carro no quarto posto e ultrapassou dois adversários rumo ao segundo lugar final.
Exportações lusófonas para a China fixam novos máximos Hoje Macau - 5 Mai 2024 As exportações dos países de língua portuguesa para a China registaram o melhor arranque de ano de sempre, ao atingir 35 mil milhões de dólares no primeiro trimestre do ano. Este é o valor mais elevado para o período entre Janeiro e Março desde que o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) começou a apresentar este tipo de dados dos Serviços de Alfândega da China, em 2013. As exportações aumentaram 23,6 por cento em termos anuais sobretudo devido ao maior fornecedor lusófono do mercado chinês, o Brasil, cujas vendas cresceram 25,8 por cento, para 29,3 mil milhões de dólares, um novo máximo para um primeiro trimestre. As vendas de mercadorias de Angola para a China aumentaram 9,6 por cento para 4,32 mil milhões de dólares, enquanto as exportações de Portugal subiram 5,4 por cento para 743,7 milhões de dólares. Os dados, divulgados na quinta-feira, mostram que a maioria dos países de língua portuguesa exportou mais para a China, incluindo Moçambique, cujas vendas subiram 26,6 por cento, para 407,4 milhões de dólares. Também Timor-Leste (+1.866 por cento), Cabo Verde (+72,2 por cento) e Guiné-Bissau (+686,7 por cento) viram as exportações para a China aumentar no primeiro trimestre de 2024, embora nenhum dos três países tenha vendido mais de 132 mil dólares (123 mil euros) em mercadorias. Tendências opostas Na direcção oposta, os países lusófonos importaram mercadorias no valor de 19,2 mil milhões de dólares da China, um aumento anual de 12,5 por cento e um novo recorde para um primeiro trimestre. O Brasil foi o maior parceiro comercial chinês no bloco lusófono, com importações a atingirem 16,1 mil milhões de dólares, seguido de Portugal, que comprou à China mercadorias no valor de 1,46 mil milhões de dólares. Ao todo, as trocas comerciais entre os países de língua portuguesa e a China atingiram 54,3 mil milhões de dólares entre Janeiro e Março, mais 19,4 por cento do que em igual período de 2023 e um novo máximo para um primeiro trimestre. A China registou um défice comercial de 15,8 mil milhões de dólares com o bloco lusófono no primeiro trimestre de 2024.
Automóvel | Tecnológicas prometem abalar sector com eléctricos inteligentes Hoje Macau - 5 Mai 2024 Carros que estacionam autonomamente, equipados com assistentes de voz e baterias com autonomia de 700 quilómetros e carregáveis em 20 minutos fazem parte da nova geração de automóveis chineses que ameaçam a concorrência. “O período da China que copiava acabou”, afirmou à agência Lusa o director de marketing da fabricante alemã Volkswagen no país asiático, Jochen Sengpiehl. “A inovação está a acontecer aqui”, acrescentou. A emergência das marcas chinesas, algumas fundadas há menos de uma década com os olhos postos no segmento eléctrico, promete ter “grande impacto” na indústria, advertiu Carlos Martins, que dirige uma fábrica da empresa portuguesa de componentes para automóveis Sodecia no nordeste da China. Carlos Martins, que vive no país há dez anos, destacou à Lusa a velocidade “completamente diferente” de actuar dos fabricantes locais, em contraposição com as congéneres europeias, que têm estruturas organizacionais “muito pesadas” e que levam “muito tempo” a executar modificações. No ano passado, os modelos eléctricos da série ID, da Volkswagen, não foram além de 3 por cento de quota de mercado no segmento eléctrico na China, que compõe 50 por cento das vendas a nível global do fabricante alemão. Os eléctricos representaram 24 por cento das vendas de carros novos na China, em 2023, segundo dados do sector. Se forem incluídos os híbridos, a quota de veículos alimentados por novas energias nas vendas totais atingiu 36 por cento. A Volkswagen está a preparar o lançamento de novos modelos em parceria com a Xpeng, a marca chinesa de carros eléctricos pela qual pagou 630 milhões de euros por uma participação de 4,99 por cento em 2023. “Já não podemos fazer tudo sozinhos”, admitiu Sengpiehl. Em causa, está a reconfiguração do automóvel pelas tecnológicas chinesas Huawei, Xiaomi ou Baidu de um meio de transporte privado alimentado por um motor de combustão interna, para um dispositivo tecnológico movido a energia eléctrica. “Criar Uma Casa Móvel” é, por exemplo, o lema da Li Auto, a fabricante chinesa cujos veículos estão equipados com tecnologia de controlo por gestos, sistema de karaoke, tomadas eléctricas, frigorífico ou um painel OLED de 17 polegadas onde é possível assistir a filmes ou jogar jogos. “As marcas tradicionais estão a trazer brinquedos analógicos para um parque digital”, descreveu Tu Le, o director da consultora Sino Auto Insights, à Lusa. O título de uma reportagem publicada pelo jornal The New York Times é igualmente enfático: “Para o mercado automóvel da China, o eléctrico não é o futuro. É o Presente”. A alastrar O domínio chinês alarga-se também à indústria de baterias. As chinesas CATL e BYD são os maiores fabricantes mundiais. Pequim mantém ainda forte controlo no acesso a matérias-primas essenciais. Isto é resultado de mais de uma década de subsídios, investimento a longo prazo e gastos com infraestrutura. “Foi preciso uma política industrial focada, muita paciência e muito capital”, resumiu Tu. Em 2014, o líder chinês, Xi Jinping, afirmou que o desenvolvimento de carros eléctricos era a única forma de a China se converter numa “potência do sector automóvel”, que passou a constar nos planos quinquenais delineados pelo Partido Comunista Chinês e, nos anos seguintes, foram criadas centenas de marcas de veículos eléctricos no país. Isto gerou excesso de capacidade de produção e um problema de sustentabilidade financeira: mais de 60 por cento dos fabricantes chineses de eléctricos vendem menos de 10.000 carros por ano. Devido à feroz guerra de preços em curso, apenas a norte-americana Tesla e a BYD conseguem permanecer lucrativas, o que deverá conduzir a uma consolidação do sector nos próximos anos. “Em nenhuma outra região do mundo a transformação da indústria automóvel é tão rápida como na China”, afirmou Oliver Blume, diretor executivo da Volkswagen, numa conferência de imprensa no Salão do Automóvel da China. “Este mercado tornou-se uma espécie de centro de alta performance para nós. Temos de trabalhar mais e mais depressa para o manter”, afirmou.
Segredos da Seda (21) – Altar em Beijing à Deusa dos Bichos-da-Seda (先蚕坛, Xian Can Tan) José Simões Morais - 5 Mai 2024 A festa em honra da Deusa da Seda era a única cerimónia, de todas as realizadas no Palácio Imperial, não presidida pelo Imperador, sendo dirigida pela Imperatriz. Homenageava a deusa protectora dos sericicultores, todas as mulheres a trabalhar na produção de seda representadas em Lei Zu, a Bombix mori e as folhas de amoreira, o alimento das lagartas. Nos primórdios da Dinastia Zhou (1046-256 a.n.E.) já a rainha conduzia uma cerimónia anual no palácio da capital, alimentando as lagartas do bicho-da-seda e a fiar a seda. Aí se situava o amoreiral, um observatório para o controlo da qualidade das lagartas e do seu alimento, e além de uma enfermaria havia outros departamentos onde se desfiavam os casulos e dos filamentos se criava um fio consistente para tecer os tecidos de seda e bordar. Esses trabalhos destinados à produção imperial realizavam-se nas diferentes secções de uma zona reservada do Palácio, onde as mulheres da corte, durante o período de criação a começar em Maio e prolongado por seis meses, estavam ocupadas nos afazeres ligados à sericicultura. Iniciavam o processo com a desinfecção e limpeza dos materiais antes de começar com a produção a partir dos ovos e depois como lagartas era preciso alimentá-las com folhas sempre frescas de amoreira. Em Beijing, procuramos o recinto do Altar do Bicho-da-Seda por todas as zonas que constituíam o Palácio Imperial e preparávamo-nos para sair por a porta Norte do Parque de Beihai quando um enorme muro nos desperta. Esconde um jardim com casas no seu interior. Circundando-o, encontramos um enorme portão vermelho fechado, mas à sua frente uma tabuleta retira as dúvidas indicando ser o recinto do Altar para a Deusa dos Bichos-da-Seda, (Xian Can Tan, 先蚕坛). Inspirado no Lei Ting Hong Ying, templo da Dinastia Ming (1369-1644), este altar ao bicho-da-seda fora construído em 1742, no reinado do Imperador Qianlong (1736-1796) da dinastia Qing, para as princesas da corte imperial rezarem a Lei Zu, a Deusa do Bicho-da-Seda. No complexo existia um terraço para a observação das amoreiras, estas plantadas nos três lados do altar e atrás deste, uma residência para a reprodução e alimentação das lagartas da Bombix mori e outro aposento para os casulos, realizando-se aí todo o resto do processo. Entre outros edifícios havia um centro de investigação da seda [Qincandian] e um tanque onde se colocava a amolecer os casulos [Yucanchi]. Um riacho atravessava o templo, que durante a Dinastia Yuan (1271-1368) desaguava no Rio Jin Shui. De magnífica construção e elaborada decoração o recinto era um local calmo para as princesas reais trabalharem e um dos nove mais famosos altares de Beijing, como regista o texto da tabuleta. O altar de 1,3 metros de altura, com uma escada em cada lado, nele se realizaram os rituais de sacrifício entre 1744 a 1911 por 59 vezes. A primeira Imperatriz a aí celebrar foi Xiaoxianchun (1712-1748), casada em 1727 com Hongli, que em 1735 se tornou o Imperador Qianlong e reinou até 1795. Numa cerimónia anual conhecida por Chun Yin Ji Can (春阴祭蚕, Sacrifício Feminino da Primavera ao Deus do Bicho da Seda) celebrada no dia da serpente da primeira Lua do terceiro mês lunar chinês, a imperatriz acompanhada pelas as princesas e aias dirigia-se ao amoreiral do palácio para colher três ramos de amoreira e com estes nas mãos rezava voltada para Leste. Depois, em procissão eram os três ramos levados ao templo onde se venerava a sagrada Mãe dos Bichos-da-Seda, deusa protectora dos sericicultores. Após esta cerimónia começava-se a criação dos bichos-da-seda nos aposentos da imperatriz, deixando todas as mulheres da corte os seus habituais afazeres para se dedicarem a tempo inteiro a este trabalho. CERIMÓNIA CHUN YIN JI CAN (春阴祭蚕) O Padre Duarte Sande S.J. (1547-1609), [referido no Boletim Eclesiástico por Eduardo Sande (1531-1600)] em Um Tratado sobre o Reino da China (publicado pelo Instituto Cultural de Macau em 1992 e com notas de Rui Loureiro) refere, “… tratemos da seda ou dos filamentos do bômbice, de que há grande fartura na China. De modo que, tal como o agricultor trabalha no adubo das terras e na sementeira do arroz, assim as mulheres empregam uma grande parte do seu tempo a cuidar dos bichos-da-seda e a fiar e a tecer a seda. Por isso, todos os anos o Rei e a Rainha vêm com grande solenidade a uma praça pública, tocando ele no arado e ela na amoreira, com as folhas da qual se alimentam os bichos-da-seda; e ambos, com esta cerimónia, exaltam tanto os homens como as mulheres para as respectivas actividades e trabalhos. De outro modo, durante o ano inteiro, ninguém, para além dos principais mandarins, consegue avistar o Rei.” Luís Gonzaga Gomes escreve: “a interessante cerimónia de as imperatrizes da China oferecerem, todos os anos, durante a Festividade do Estio, folhas de amoreira aos deuses, na ara de Sin-Tch’ám T’án (Altar do Primeiro Bicho-da-Seda) dos jardins da Cidade Interdita para, com este exemplo, estimular o amor do povo pela sericicultura, enquanto o imperador revolvia a leiva com as suas próprias mãos, para demonstrar aos seus súbditos ser no trabalho da gleba que se encontrava a felicidade do Império. Durante esta cerimónia as folhas eram arrancadas da amoreira sagrada, que se encontrava plantada perto do referido altar, pelas próprias mãos da imperatriz, com o auxílio de uma pequena foice e, depois de consagradas à memória de Lui-Tch’ôu [Lei Zu], eram entregues às ancilas incumbidas de alimentarem os preciosos insectos, os quais, em diversas épocas do ano, eram visitados por enviados especiais da imperatriz, sendo a seda por eles produzida destinada à fabricação de vestes usadas só em ocasião de sacrifícios imperiais. Este cerimonial, cheio de simplicidade, mas de tão profundo significado, foi ininterruptamente respeitado por todas as imperatrizes da China ao longo de quatro milénios, isto é, até à data da implementação da República (1912).” Espreitando pela frincha das portas fechadas pude ver um edifício de construção recente. Voltamos à porta da entrada Norte do Jardim de Behai e questionando os funcionários, explicam-nos estar a actual entrada do recinto no lado de fora do Parque de Beihai, antigamente ainda pertencente ao Palácio Imperial. Devido a estar ocupado por um jardim infantil, o lugar não está aberto ao público. Pedimos licença para entrar e tirar uma rápida fotografia. Dão-nos um número para solicitar permissão ao conselho directivo da escola, mas pelo telefone ficamos a saber ter primeiro de pedir uma entrevista ao gabinete de Turismo. Estamos para desistir, quando três professoras se preparam para sair do recinto. Expomos o pretendido e fazemos a sugestão de ser uma delas a ir tirar uma ou duas fotografias ao recinto com a nossa máquina fotográfica e a uma lápide que na parede do muro pensamos existir. Dizem-nos ali dentro nada haver relacionado com a seda. Soubemos mais tarde ter no ano seguinte (2008) o Altar para a Deusa dos Bichos-da-Seda (Xian Can Tan) sido reparado e depois, a 19 de Abril de 2012 e no dia 24 de Abril de 2013 aí se realizaram com vestes da dinastia Qing as cerimónias Chun Yin Ji Can (春阴祭蚕) em honra da Deusa do Bicho da Seda (Xi Ling-shi, 西陵氏), Leizu, esposa de Huangdi, o Imperador Amarelo.
Turista agride trabalhadora da Transmac para saltar fila João Santos Filipe - 5 Mai 2024 Um turista agrediu uma trabalhadora da Transportes Urbanos de Macau (Transmac), quando esta instruía os passageiros a respeitarem as filas de espera para os autocarros. O caso aconteceu na quinta-feira, por volta das 16h. As agressões foram condenados pela Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). De acordo com a informação revelada, a agressão terá acontecido numa paragem temporária para o autocarro MT4, na Rua do Coronal Ferreira, perto do Porto Interior, quando a trabalhadora tentava manter a ordem entre as várias pessoas que esperavam e tentavam entrar no autocarro. No entanto, apesar de o ambiente ser tranquilo, de acordo com o Jornal Ou Mun, houve um passageiro que tentou passar à frente dos restantes, por estar farto de esperar. Como a trabalhadora terá aberto os braços para fazer com que a fila fosse cumprida, o agressor não hesitou e mandou uma estalada na mão da mulher. Após a agressão, a trabalhadora da Transmac chamou o superior que estava no local, que, por sua vez, contactou as autoridades, para que fosse apresentada queixa contra o turista. Agressão condenada Cerca de quatro horas após a agressão, a DSAT emitiu um comunicado a condenar os acontecimentos. “A DSAT condena veementemente este incidente e os actos de violência e vai cooperar com a investigação da polícia aos acontecimentos”, foi indicado. “A DSAT também deu instruções para a companhia de autocarros activar os mecanismos para apurar as responsabilidades legais contra o passageiro e enfatiza que todos os trabalhadores das companhias de autocarros, independentemente das suas funções, merecem ser respeitados durante o exercício das funções”, foi vincado. Ao mesmo tempo, a DSAT deixou um apelo à sociedade: “Os passageiros devem agir de forma consciente, respeitar os tempos de espera e de entrada nos autocarros e devem abster-se de comportamentos violentes, seja quais forem as circunstâncias”, foi pedido. Por sua vez, a Transmac destacou “prestar muita atenção ao incidente” e revelou que após o sucedido enviou vários responsáveis ao local, para se mostrarem solidários com a trabalhadora e garantir a cooperação com as investigações da polícia. “A Transmac condena o comportamento violento e perturbador. Os trabalhadores das companhias de autocarros que estão na linha da frente e que se dedicam a servir a população durante os feriados merecem todo o respeito e protecção da segurança”, comunicado a empresa.
Chuva | Estradas cortadas e inundações nas Portas do Cerco João Luz e Nunu Wu - 5 Mai 2024 No sábado, a chuva intensa levou ao sinal de alerta mais elevado pela primeira vez em três anos. Numa hora, a precipitação chegou aos 170 milímetros na península. Estradas foram cortadas, aulas canceladas e nas Portas do Cerco a água alagou o posto fronteiriço e as paragens de autocarro. Em Zhongshan, crocodilos fugiram de uma quinta Pela primeira vez em três anos, a Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) içou o sinal de chuva intensa preto, o mais elevado, devido às chuvas intensas que fustigaram no sábado Macau, principalmente a península. A partir das 11h da manhã de sábado, as autoridades subiram o nível de alerta do mais baixo ao mais elevado em cerca de meia-hora. Foi registada na península de Macau precipitação que chegou aos 117 milímetros numa hora. Neste intervalo de tempo, a zona da Praia do Manduco chegou aos 13 centímetros de água. As chuvadas foram de tal ordem que as inundações não se limitaram às zonas baixas da cidade, chegando também a alargar as vias na zona da Horta e Costa. Porém, os SMG realçaram que Taipa e Coloane ficaram relativamente a salvo das chuvadas. Por volta do meio-dia, foram encerrados temporariamente os túneis da Praça das Portas do Cerco, da Avenida Dr. Rodrigo Rodrigues, assim como a Estrada do Reservatório. Segundo o jornal Ou Mun, um carro ficou retido no Túnel da Praça das Portas do Cerco, obrigando à intervenção das autoridades para remover o veículo do local. As Portas do Cerco foram palco de grande azáfama devido a inundações na estação subterrânea de autocarros e mesmo no lobby do Posto Fronteiriço com a interrupção de funcionamento das máquinas de passagem automática. Cedo começaram a circular nas redes sociais vídeos impressionantes de autênticas cataratas na estação de autocarros das Portas do Cerco. Recorde-se que em 2018 o tecto da instalação foi remodelado, depois de ter sido danificado pela passagem do tufão Hato. A empreitada foi adjudicada à Companhia de Engenharia e de Construção da China (Macau) por quase 123 milhões de patacas. De cá para lá O lobby do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco também inundou, como se pode constatar com os vídeos partilhados nas redes sociais em que se vê água a jorrar de uma grelha de drenagem de águas residuais. A inundação obrigou as autoridades a vedarem a zona e a interromperem o funcionamento das máquinas de passagem automática por questões de segurança, segundo avançou o Corpo de Polícia de Segurança Pública. Também as escolas foram forçadas a encerrar na tarde de sábado. “Devido à emissão do sinal de chuva intensa, de acordo com o disposto, as aulas dos ensinos infantil, primário, secundário e especial ficam suspensas na parte da tarde. As escolas devem manter as suas instalações e respectivo pessoal em funcionamento, ocupando e acolhendo os alunos que cheguem às escolas, até que o seu regresso a casa se possa fazer em segurança”, indicou ainda durante a manhã de sábado a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude. Em Zhuhai e Zhongshan o impacto da chuva intensa teve ainda maior impacto. Logo ao meio-dia de sábado, as autoridades de Zhuhai anunciaram a suspensão do serviço de autocarros públicos durante três horas. O vento forte também obrigou à suspensão do transporte marítimo entre o Porto de Xiangzhou, Porto Hengqin e as ilhas, bem como os barcos entre Macau e Ilha Guishan. Além das imagens de veículos praticamente submersos na cidade vizinha, o cenário mais bizarro foi registado em Zhongshan, com a subida das águas a permitir a fuga de quatro crocodilos de uma quinta que cria estes animais para o sector da restauração. Segundo a CCTV, às 17h do mesmo dia, todos os crocodilos tinham sido capturados.
Turismo | Governo promove acções nos bairros comunitários Hoje Macau - 5 Mai 2024 A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) irá promover este mês uma série de acções promocionais a fim de atrair turistas aos bairros comunitários e com menos visitantes, nomeadamente na zona norte da península. Desta forma, várias associações foram subsidiadas para realizar os eventos. Um deles é a acção “Divirta-se por Macau! Visitas Guiadas de Turismo Comunitário” e visa a organização de 36 visitas guiadas até ao dia 30 de Junho com três itinerários, que passam pela Rua da Felicidade, Praça de Santo Agostinho, Templo de A-Má ou Porto Interior. Entre hoje e o dia 12 irá realizar-se, no antigo Canídromo, o evento “Desfrute do Desporto e da Diversão no Distrito Norte”, com a instalação de tendas para a realização de actividades desportivas, experiências gastronómicas e apresentação de produtos criativos de Macau, sem esquecer a realização de espectáculos. Além disso, entre os dias 18 e 25 de Maio, realiza-se a “Aventura em Família no Carnaval da Cidade de Macau”, na zona do Jardim da Cidade das Flores. Este programa inclui uma feira com produtos locais, oficinas de artesanato, exposições e actividades de rua.
G2E Asia realiza-se em Macau em Junho ao lado da Asian IR Expo Andreia Sofia Silva - 5 Mai 20245 Mai 2024 A G2E Asia está de regresso a Macau depois de um longo interregno devido à pandemia, marcado pela presença em Singapura. Desta vez, aquela que é considerada uma das maiores feiras da indústria do jogo e resorts irá realizar-se entre os dias 4 a 6 de Junho no Venetian. A ideia, segundo um comunicado do evento, é revelar as últimas novidades na área dos casinos, resorts integrados e entretenimento associado a este universo, com uma grande ligação à temática das novas tecnologias. O regresso da G2E Asia a Macau serve ainda para comemorar os 15 anos de existência do evento, que este ano se realiza em conjunto com a Asian IR Expo. Espera-se, assim, a apresentação das últimas novidades em matéria de gestão de identidade em espaços de jogo, segurança, hotelaria e ainda a gestão de relacionamento entre operadores e clientes. O evento contará com uma “Zona de Tecnologia” [Technology Zone] e ainda com um “Palco de Conversas sobre Tecnologia” [Tech Talk Stage]. Serão apresentados mais de 100 expositores num espaço com mais de 20 mil metros quadrados. “Dar-se-á prioridade tanto à quantidade como à qualidade dos expositores”, sendo que tanto a G2E Asia como a Asian IR Expo dizem estar comprometidos “com o principal objectivo que é serem pontos-chave para a indústria, criando valor e oportunidades para todos os accionistas” das empresas presentes. Espera-se três dias de sessões “com conteúdos ricos” protagonizados por “líderes do sector, influencers ou especialistas”, com foco em temáticas como o panorama financeiro dos mercados de jogo asiáticos, dois painéis dedicados “aos mercados emergentes, com foco na Tailândia e Médio Oriente” e ainda uma sessão com especialistas de tecnologia a discutir o impacto da inteligência artificial nesta área e matérias de cibersegurança. Segundo um comunicado da G2E Asia, irão participar responsáveis de bancos de investimento e consultoras, como é o caso do Morgan Stanley, Bloomberg Intelligence ou ainda a PricewaterhouseCoopers. Foco no desporto No caso da Asian IR Expo, trata-se de um evento “emergente dedicado à indústria dos resorts integrados”, sendo este o segundo ano da sua realização. Além das zonas dedicadas aos painéis sobre tecnologia, este evento, paralelo à G2E Asia, terá ainda uma “Zona de Desporto e Entretenimento” [Sports and Entertainment Zone], focada nos temas da gestão desportiva, entretenimento ao vivo e marketing ligado ao desporto. Conta-se ainda com um painel de oradores neste evento paralelo, nomeadamente Helena de Senna Fernandes, directora da Direcção dos Serviços de Turismo, ou ainda Leong Wai Man, presidente do Instituto Cultural, entre outros.
Jogo | Citigroup espera receitas superiores a 20 mil milhões em Maio João Santos Filipe - 5 Mai 2024 O banco de investimento mostra-se optimista em relação à principal indústria do território e até acredita que também Abril beneficiou dos feriados no Interior do Dia do Trabalhador, porque houve jogadores a anteciparem as férias O banco de investimento Citigroup prevê que as receitas brutas do jogo vão ficar acima dos 20 mil milhões de patacas durante este mês, de acordo com um relatório citado pelo portal Macau News Agency. Segundo os números apresentados por George Choi e Ryan Cheung, analistas do Citigroup, o mercado do jogo de Macau está a registar receitas diárias de aproximadamente 645 milhões de patacas, o que vai permitir ultrapassar os 20 mil milhões de patacas. Este valor significa que o mercado do jogo vai atingir 77 por cento do nível anterior à pandemia da covid-19. A previsão é feita depois das receitas em Abril terem atingido 18,55 mil milhões de patacas, um valor abaixo do registado de Março, mas que não impediu os analisas de considerar que ficou “acima das expectativas”. As previsões iniciais do Citigroup apontavam que as receitas rondariam os 18 mil milhões de patacas. Sobre o montante da Abril, os analistas acreditam que houve jogadores a antecipar os feriados do Dia do Trabalhador no Interior, para virem a Macau jogar. “Acreditamos que o valor das receitas diárias mais elevado sugere que houve alguns madrugadores a irem para Macau mesmo antes do início dos feriados do Dia do Trabalhador (que se estende de 1 a 5 de Maio no Interior)”, escreveram os analistas. Mais moderado Além das estimativas do banco de investimento, a Macau News Agency citou igualmente as previsões do banco de investimento Morgan Stanley, que são menos optimistas. De acordo com as estimativas da Morgan Stanley, as receitas no mês de Maio devem fica abaixo dos 20 mil milhões de patacas, mas mesmo assim devem atingir os 19,7 mil milhões de patacas, no que seria um aumento de 6 por cento face a Abril. No entanto, quando a comparação é feita com os níveis pré-pandemia, as receitas deste mês devem ficar a 76 por cento dos níveis então registados. Os analistas da Morgan Stanley, Praveen K Choudhary e Gareth Leung, também esperam que as receitas brutas do jogo para o segundo trimestre de 2024 registem um declínio trimestral de 2 por cento, situando-se em 77 por cento do nível pré-covid. No entanto, nem tudo é mais cauteloso no relatório da Morgan Stanley. De acordo com os dados partilhados, os analistas acreditam que o mercado de massas, no mês de Abril, superou os valores de 2019, antes da pandemia, em 17 por cento.