Empresas chinesas pedem investigação antidumping contra carne de porco da UE

Várias empresas estão “a preparar provas” para solicitar ao Governo da China a abertura de uma investigação antidumping contra algumas importações de carne de porco da União Europeia (UE), disse a imprensa oficial chinesa. Numa mensagem publicada na rede social X, que está bloqueada na China continental, o jornal oficial do Partido Comunista Chinês, o Global Times, citou uma fonte não identificada “com conhecimento do sector”.

A medida poderá afectar especialmente Espanha, o maior fornecedor europeu de carne de porco à China, com vendas de cerca de 382 mil toneladas em 2023. No ano passado, o mercado chinês importou 1,55 milhão de toneladas de carne suína, a mais popular entre os consumidores do país, e mais de metade veio da Europa. A notícia surgiu num contexto de crescentes tensões comerciais entre a China e Bruxelas.

Na quarta-feira, a Câmara de Comércio da China na União Europeia (UE) disse ter sido “informada por especialistas do sector” de que Pequim está a ponderar aumentar as taxas alfandegárias sobre veículos com motores de grande cilindrada, em preparação contra a possível decisão da UE de penalizar os eléctricos chineses.

A câmara de comércio citou uma entrevista publicada pelo jornal oficial chinês Global Times, na qual Liu Bin, um dos principais especialistas com influência na elaboração das políticas governamentais para o sector automóvel, referiu que Pequim está a considerar aumentar para 25 por cento as taxas sobre automóveis importados de grande cilindrada.

Oportunidade de ouro

A imprensa local recordou que, no fim de semana passado, o Ministério do Comércio chinês anunciou uma investigação ‘antidumping’ contra as importações de copolímero de polioximetileno, um material frequentemente utilizado pelo sector automóvel, proveniente dos EUA, da UE, do Japão e de Taiwan.

Também na quarta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês garantiu que “o desenvolvimento e a abertura da China à Europa e ao mundo é uma oportunidade, não um risco”, e que o proteccionismo “não pode resolver os problemas da UE”.

“A UE e a China devem resolver questões económicas e comerciais concretas através do diálogo e de consultas”, disse o porta-voz do ministério, Wang Wenbin, numa conferência de imprensa.

Cooperação | Coreia do Sul e Pequim discutem economia e estabilidade global

Yoon Suk-yeol e Li Qiang reuniram na capital sul-coreana para acertar agulhas em projectos partilhados e fazer o diagnóstico de questões regionais e internacionais

 

O Presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, e o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, discutiram ontem em Seul projectos conjuntos em questões económicas e cooperação em assuntos regionais e internacionais.

“Acredito que a Coreia do Sul e a China devem cooperar estreitamente não só para a nossa relação bilateral, mas também para a paz e a estabilidade da comunidade internacional”, disse o Presidente sul-coreano no início da reunião, segundo declarações divulgadas pela agência local.

Yoon sublinhou no seu discurso a importância de trabalhar com a China para enfrentar as crescentes incertezas económicas na sequência da guerra na Ucrânia e do conflito entre Israel e o Hamas e disse esperar que possam “continuar a reforçar a cooperação no meio de complexas crises globais”.

O primeiro-ministro chinês destacou, por seu lado, as estreitas relações económicas entre os dois países e manifestou o desejo de desenvolver ainda mais os seus laços para “benefício mútuo”. “A China deseja trabalhar em conjunto com a Coreia do Sul para se tornar um vizinho bom e confiável e um parceiro solidário que ajude ambos a terem sucesso”, afirmou o Presidente chinês.

Li disse que as cadeias industriais e de abastecimento entre a China e a Coreia do Sul estão “profundamente interligadas” e apelou a Yoon para “resistir à politização de questões de segurança, económicas e comerciais” para proteger essas ligações, segundo à agência de notícias oficial chinesa Xinhua.

Disse ainda que Pequim está “disposta a acelerar” as negociações para um acordo de comércio livre com Seul “baseado no pragmatismo e no equilíbrio”, assim como para reforçar o diálogo sobre produção, cadeias de abastecimento, controlos de abastecimento, exportação.

Também a segurança é um tema importante entre os dois países, tendo Yoon e Li concordado em estabelecer um diálogo diplomático sobre segurança e realizar a primeira reunião em meados de Junho. Sobre economia, concordaram em retomar as negociações para melhorar o acordo bilateral de comércio livre adoptado pelos seus países assim como retomar um comité bilateral de cooperação sobre investimentos no final do ano, após uma pausa de 13 anos.

Conversas a três

A China é o maior parceiro comercial da Coreia do Sul, mas as suas relações bilaterais têm sido tensas nos últimos anos devido à estreita cooperação de Seul com os Estados Unidos sob o Governo de Yoon, um alinhamento que se estende a Tóquio e que Pequim procura contrariar com esta aproximação.

O primeiro-ministro chinês viajou à Coreia do Sul para participar na segunda-feira da primeira cimeira trilateral com o Japão em mais de quatro anos, que também marca a sua primeira visita à península coreana desde que assumiu o cargo em Março de 2023 e a primeira visita de um número dois chinês à Península Coreana desde a de Li Keqiang.

Os presidentes chineses, os líderes supremos do país, nunca participaram nesta cimeira tripartida, que normalmente conta com a presença do primeiro-ministro. A reunião não acontecia desde 2019.

Junho celebra “Dia do Património Cultural e Natural da China”

Decorrem, desde o dia 23, as inscrições para as actividades comemorativas do “Dia do Património Cultural e Natural da China”, que acontecem a partir de 8 de Junho, organizadas pelo Instituto Cultural (IC). Irão ter lugar vários workshops sobre a cultura tradicional chinesa em diversos espaços culturais a partir de 1 de Junho, este sábado.

Um deles é o “Workshop de gravação de sinetes”, que acontece no Museu Memorial de Xian Xinghai, ou ainda o “Workshop de Pintura dos 24 Termos Solares”, organizado na Casa da Literatura de Macau. Destaque ainda para os workshops sobre “Criação de Candeeiros de Bambu” na antiga Fábrica de Panchões Iec Long, “Cianotipia” nas Ruínas do Colégio de S. Paulo, “Arte do Chá” na Casa de Lou Kau, o “Desenho do Património Cultural” no Jardim da Fortaleza do Monte, entre outros.

Entradas livres

Nos dias 8 e 9 de Junho a entrada no Farol da Guia será livre, permitindo ao público conhecer o seu interior, que “raramente está aberto ao público”, descreve o IC.

Além disso, a exposição “Visitando as Ruínas de S. Paulo no Espaço e no Tempo – Exposição de Realidade Virtual nas Ruínas de S. Paulo” terá sessões experienciais gratuitas em Junho, com o objectivo de “elevar o conhecimento dos residentes e turistas sobre o património cultural de Macau”.

Este período de entradas gratuitas decorre aos sábados e domingos, entre as 10h e as 10h30, entre os dias 8 e 30 de Junho. Além disso, serão realizados os passeios “Visita Guiada a Pé pela Fortaleza do Monte” e “Visita Guiada a Pé em Família até à Fortaleza do Monte” nos dias 8 e 9 de Junho, respectivamente.

Destaque ainda para a entrada gratuita no Museu de Macau entre os dias 8 e 11 de Junho das 10h às 18h. Serão também disponibilizadas visitas gratuitas na Casa da Literatura de Macau entre as 15h e as 16h nos dias 8 e 9 de Junho.

O “Dia do Património Cultural e Natural” foi anteriormente designado como o “Dia do Património Cultural”, sendo celebrado desde 2006. A partir de 2017, o “Dia do Património Cultural” passou a ser designado “Dia do Património Cultural e Natural”, com o objectivo de reforçar a consciência social sobre a importância do património cultural e natural e da preservação do mesmo, aponta o IC.

Magia | Macau é primeira paragem na digressão de Louis Yan

Louis Yan, natural de Hong Kong e um mágico mundialmente famoso, está na estrada com a digressão “My Faith Magic Tour 2024” e Macau será o primeiro ponto de paragem. Nos dias 7 e 8, e também 14 e 15 de Junho, o público local poderá desfrutar das artes mágicas do homem que detém um recorde do Guiness para a “Maior Lição de Magia”, ultrapassando o recorde de David Copperfield

 

Não canta, não dança, nem sequer representa. As artes de Louis Yan, natural de Hong Kong, são outras: ele faz magia e encanta quem o vê com o mistério associado a este tipo de espectáculo. Mundialmente conhecido e detentor de um recorde do Guiness, Louis Yan escolheu Macau para a primeira paragem da sua digressão, intitulada “My Faith Magic Tour 2024”. Assim, nos dias 7 e 8, bem como 14 e 15 de Junho, o público de Macau poderá ver de perto a “fé” do mágico, que actua no Wynn Palace, no Cotai.

Segundo um comunicado da operadora de jogo, que promove o evento, os dois espectáculos de Louis Yan prometem revelar as suas “extraordinárias habilidades, levando o público a uma viagem cativante cheia de transformações mágicas impressionantes”, numa experiência que promete ser “inesquecível”.

O tema da digressão, “A Minha Fé”, está relacionado com o facto de o mágico ter transformado a sua grande paixão numa “fé de vida”, que o tem guiado “numa viagem em todo o mundo que alcança milagres, um após o outro, e que deslumbra o público com magia e surpresa num piscar de olhos”.

Pelo mundo

Louis Yan obteve a distinção do Guiness com a “Maior Lição de Magia”, ultrapassando assim o recorde já atingido pelo mundialmente famoso David Copperfield. Ganhou ainda o “Merlin Award”, um importante prémio nesta área, que se pode considerar como os “Óscares da Magia”.

O mágico de Hong Kong já actuou ao lado dos actores chineses Leo Wu e Peng Yuchang, nomeadamente na gala do Festival da Primavera do canal de televisão CCTV, em 2020, além de ter realizado espectáculos em cidades como Los Angeles, Toronto e Sidney. Louis Yan foi também o primeiro mágico de Hong Kong a exibir as suas lides a solo em Las Vegas, uma das grandes capitais do jogo, a par de Macau. Os bilhetes para os espectáculos já estão à venda, sendo que uma mesa para quatro pessoas custa 1.688 patacas.

A viagem de Louis Yan pelo mundo da magia começou a sério em 2010, ano em que começou a conquistar os primeiros prémios da sua carreira. Nesse ano, tornou-se no primeiro profissional de magia de Hong Kong a vencer o concurso Abbott dos EUA, considerada a capital mundial da magia. Além disso, Louis Yan sagrou-se vencedor, também em 2010, do 6.º Concurso Internacional de Magia de Palco Joker Magic da Hungria.

No ano seguinte, Louis Yan actuou no “Magic Castle” em Hollywood, EUA, além de ter representado Hong Kong, a convite do Governo, em quatro cidades europeias, nomeadamente Paris, Bruxelas, Hamburgo e Haia. Em Junho de 2011, Louis Yan ficou ainda mais conhecido do grande público por prever com sucesso o resultado da lotaria do Mark Six.

Na estação televisiva TVB, da região vizinha, Louis Yan é uma presença constante, tendo sido juiz e convidado do programa “Magic Battle”, além de ter sido o mágico convidado do programa “King of Street Magic” entre os anos de 2013 e 2017. Louis Yan é também o primeiro e único mágico de Hong Kong que realizou um espectáculo de magia com venda de bilhetes no KITEC StarHall.

Guias turísticos | Mais de 1.000 em cursos de línguas

Desde 2013, até ao fim de 2023, cerca de 1.027 pessoas frequentaram os cursos para ensinar línguas aos guias turísticos. Os dados foram revelados por Maria Helena de Senna Fernandes, directora dos Serviços de Turismo (DST).

Na nota da DST, é ainda indicado que ao longo deste ano vão ser disponibilizados mais quatro cursos de línguas, inglês, japonês, coreano e tailandês, a pensar nos guias turísticos locais. “Tendo em conta o perfil cada vez mais diversificado dos viajantes, já desde 2013, que a DST tem vindo a organizar regularmente diferentes tipos de cursos de formação linguística, incluindo cursos de conversação em inglês, mandarim, tailandês, português, japonês e coreano, entre outras”, afirmou a directora dos Serviços de Turismo.

Maria Helena de Senna Fernandes indicou também que estes cursos visam ajudar os guias a “dominar rapidamente as línguas relacionadas com o seu trabalho diário e a melhorar as suas capacidades de comunicação e a qualidade dos seus serviços no acolhimento de diferentes tipos de viajantes”.

Gastronomia | Cidade de Belém participa em festa de Macau

Entre 14 e 23 de Junho, os interessados vão poder deslocar-se à Doca dos Pescadores e experimentar a comida de várias Cidades Criativas em Gastronomia da ONU

 

A cidade de Belém, no norte do Brasil, vai participar na Festa Internacional das Cidades de Gastronomia, em Macau, entre 14 e 23 de Junho, foi anunciado na sexta-feira. A capital do estado do Pará vai ser uma das 27 Cidades Criativas em Gastronomia da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês) a enviar ‘chefs’ para realizar demonstrações culinárias para o público.

A Doca dos Pescadores vai receber um total de 62 demonstrações gastronómicas e sessões de prova de comida, numa média de sete demonstrações por dia, cada uma com a duração de 45 minutos. A directora dos Serviços de Turismo (DST) de Macau disse que a região convidou todas as 56 Cidades Criativas em Gastronomia da UNESCO, lista que inclui as cidades de Santa Maria da Feira (Portugal), Belo Horizonte, Florianópolis e Parati (Brasil).

“Elas decidiram se vêm ou não”, explicou, numa conferência de imprensa, Maria Helena de Senna Fernandes, que sublinhou a presença em Macau, pela primeira vez, de uma Cidade Criativa em Gastronomia da UNESCO vinda de África.

No entanto, a directora da DST admitiu ser “pena que Portugal não tenha vindo”, recordando que uma chefe de cozinha de Santa Maria da Feira fez uma demonstração de gastronomia na 11.ª Expo Internacional de Turismo (Indústria) de Macau, em Junho de 2023.

Senna Fernandes justificou a ausência com a organização em Portugal, entre 1 e 5 de Julho, da Reunião Anual da Rede de Cidades Criativas da UNESCO, composta por quase 300 cidades que se distinguem em áreas como a música, artesanato e artes populares. “Esperamos no futuro convidar mais cidades”, garantiu a governante, que, ainda assim, disse esperar cerca de 100 mil participantes durante os dez dias da Festa Internacional das Cidades de Gastronomia.

Orçamento de 24 milhões

Além de demonstrações culinárias, o programa inclui uma avenida com 100 bancas de comida das seis cidades criativas chinesas (Chengdu, Shunde, Yangzhou, Huai’an, Chaozhou e Macau) e de outras três cidades asiáticas: Phuket (Tailândia), Kuching (Malásia) e Iloilo (Filipinas).

A avenida ficará completa com 54 restaurantes de Macau, incluindo restaurantes de comida portuguesa, e com espectáculos, como danças folclóricas portuguesas, entre outros. A meio da festa, a 17 de Junho, vai decorrer a quarta edição do Fórum Internacional de Macau, que está de regresso após a pandemia, sob o tema “Gastronomia Holística: Comer bem, viver bem”.

O fórum vai reunir especialistas do sector e representantes de cidades criativas da UNESCO em várias áreas, para discutir “a gastronomia como uma força motriz importante para o desenvolvimento sustentável do turismo”, disse Senna Fernandes. O orçamento está estimado em 24 milhões de patacas, sendo que o Governo irá contribuir com 9,6 milhões de patacas, disse a directora da DST.

Seguros | Idoso fica à espera de cirurgia por falta de dinheiro

O deputado Ron Lam revelou a situação de um idoso que foi atropelado quando atravessava a passadeira e que ficou muito tempo à espera de cirurgia, por falta de dinheiro. O caso consta de uma interpelação escrita que foi divulgada ontem pelo deputado.

O legislador não indica quando o acidente aconteceu. Contudo, revela que a pessoa atropelada vive numa situação financeira complicada. Por esse motivo, e dado que a seguradora do responsável pelo acidente não quis assumir de imediato as despesas, teve de esperar pela cirurgia.

O deputado defende que o Governo deve criar um mecanismo para financiar vítimas de acidentes, caso estas não consigam pagar as contas hospitalar e necessitem esperar que as seguradoras assumam os pagamentos. Segundo a proposta do deputado, o dinheiro do fundo serviria para adiantar o montante, em caso de pobreza, que depois seria pago pela seguradora ao próprio fundo.

Na interpelação, Ron Lam também considerou que o processo para as seguradoras assumirem os custos resultantes de acidentes é demasiado lento, o que cria obstáculos ao envolvidos.

Além deste assunto, o deputado defendeu também o aumento do limite mínimo que as seguradoras são chamadas a assumir, em caso de acidente. Segundo Ron Lam, os veículos pesados para transportes de passageiros, o montante é demasiado baixo, o que faz com que a protecção do seguro seja pouco eficaz.

Educação | Estudantes universitários vão ter aulas sobre burlas

As autoridades procuram responder ao número crescente de burlas que visam alunos, principalmente os estudantes oriundos do Interior da China. Segundo Sit Chong Meng, director da PJ, as vítimas tendem a ser os alunos socialmente mais isolados

 

Com o aumento das burlas em que são usadas novas tecnologias, o Governo propôs às universidades locais a introdução de conteúdos lectivos sobre formas de prevenção deste tipo de crime. O anúncio foi feito na sexta-feira por Kong Chi Meng, director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), numa conferência de imprensa organizada em conjunto com a Polícia Judiciária.

Segundo as explicações do director da DSEDJ, as autoridades estão em comunicação com as universidades locais, para que conteúdos para prevenir e identificar burlas sejam leccionados aos alunos que começam a frequentar o ensino local.

“Vamos utilizar as disciplinas de educação geral para fornecer aos alunos este tipo de educação. A Polícia Judiciária (PJ) vai disponibilizar os materiais para as aulas, assim como testes, que vão ser realizados”, afirmou Kong Chi Meng, citado pelo Jornal All About Macau.

De acordo com Kong, os testes vão ainda poder ser utilizados para que as autoridades identifiquem os alunos “em risco”, para que possam receber assistência personalizada.

Nos últimos anos têm disparado em Macau os casos de burla, cometidos através de aplicações de conversação, como o WeChat, em que os burlões se fazem passar pela polícia do Interior e exigem transferências bancárias milionárias, para investigarem alegações falsas. Face a estes desenvolvimentos, a PJ tem distribuído vários materiais nas universidades a alertar para a existência de burlas. Contudo, foi agora decidido que é necessário aumentar as campanhas de prevenção.

Novo programa

O Programa de Vacina Antiburla no Campus foi apresentado na sexta-feira por Sit Chong Meng, director da Polícia Judiciária. No âmbito do programa vão ser adoptadas 10 medidas, como, por exemplo, o envio de materiais a alertar para as burlas, quando os alunos recebem a carta a informá-los que foram admitidos nas universidades de Macau.

Segundo Sit Chong Meng, o problema é mais grave no que diz respeito aos estudantes do Interior da China, que são as principais vítimas. “Alguns estudantes do Interior não se integram activamente na vida do campus universitária nem na vida social da universidade, por isso, não têm o hábito de obter informações locais, o que faz com que não se lembrem das medidas de prevenção contra burlas, quando são contactados”, indicou o director da PJ.

Sit reconheceu também que a maior parte dos alunos burlados admitiu ter tido contactos anteriores com materiais a avisar para a existência de burlas. De acordo com as estatísticas criminais, no primeiro trimestre deste ano houve 96 fraudes telefónicas, entre as quais 40 visaram estudantes, o que significa uma proporção de 42 por cento. Além disso, as fraudes levaram a perdas de 26 milhões de yuan.

Porto Interior | Governo melhora passeios

A Direcção dos Serviços de Solo e Construção Urbana (DSSCU) defende que está a melhorar os passeios no Porto Interior, para facilitar as condições de circulação dos peões. A posição foi tomada na resposta a uma interpelação do deputado Leong Hong Sai, que se queixou de um ambiente muito adverso, tanto para peões como para os veículos, nesta zona da cidade.

“Em articulação com os trabalhos de revitalização das zonas que foram desenvolvidos pelos serviços competentes, esta Direcção de Serviços deu início ao reordenamento do tráfego e dos passeios do Porto Interior, com vista a optimizar o ambiente pedonal”, foi indicado. “A DSSCU salientou que, no futuro, aquando da elaboração dos planos de pormenor da referida zona, proceder-se-á ao respectivo planeamento, tendo em conta as opiniões da sociedade e o ambiente da periferia do Porto Interior”, foi acrescentado, na resposta assinada por Chiang Ngoc Vai, subdirector da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego.

Na interpelação, Leong Hong Sai questiona também a dragagem nos rios de Macau, e indicava que em Hong Kong tinham sido adoptados “vários tipos de robôs” para limpeza de sedimentos, que se mostravam altamente eficazes. Porém, o Governo defende o método adoptado na RAEM. “A DSAMA salientou que, para manter as condições de navegação nos canais de navegação, nas bacias de manobra e nos fundeadouros públicos, recorre-se aos serviços de dragagem contínua por dragas de sucção, dragas clamshell e dragas de sucção e corte, que têm demonstrado melhores resultados e maior eficácia”, foi respondido ao deputado.

Clima | Lei Chan U pede orientações de segurança

O deputado Lei Chan U pretende que o Governo defina orientações de segurança e higiene no trabalho que tenham em conta o impacto das alterações climáticas. O pedido consta de uma interpelação escrita, divulgada na sexta-feira pelo gabinete do legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

“Como os perigos das alterações climáticas para os trabalhadores são cada vez mais evidentes, é necessário integrar os assuntos relacionados com as alterações climáticas nas práticas de segurança ocupacional, para proteger a saúde física e mental”, realça Lei Chan U. “As autoridades vão definir orientações de segurança para quando se verificam eventos extremos, como chuvas intensas, temperaturas elevadas, poluição atmosférica?”, questionou.

O membro da Assembleia Legislativa indicou também que nos últimos anos este tipo de legislação foi adoptada em vários outros países, pelo que a RAEM poderia seguir o exemplo.

Ao mesmo tempo, Lei Chan U pergunta igualmente ao Governo qual o balanço que faz desde que as orientações denominadas “aspectos a ter em conta por empregadores e funcionários em situações de tufão” entraram em vigor. O legislador questiona se face ao balanço apresentado pelas autoridades se há vontade para fazer uma revisão das orientações e actualizá-las.

Turismo | Prometido reforço da cooperação com Guangxi

Uma comitiva do Governo de Guangxi visitou Macau para reforçar a cooperação em big health, medicina tradicional chinesa, cultura e turismo. Ho Iat Seng salientou que Guangxi fornece água quando os níveis de sal no Rio das Pérolas ultrapassam limites, e que os “residentes de Macau quando bebem água e pensam nas fontes de Guangxi”, ficam profundamente gratos

 

O Governo de Macau recebeu na sexta-feira uma comitiva de responsáveis de Guangxi, liderada pelo o secretário do Comité do Partido Comunista da China e presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional da Região Autónoma da Etnia Zhuang de Guangxi, Liu Ning.

Representantes dos dois governos assinaram acordos que envolvem cultura, turismo, protecção ambiental, economia, comércio e cooperação estratégica em Medicina Tradicional Chinesa, ao nível do ensino superior e investigação.

Durante o encontro na sexta-feira, Ho Iat Seng mencionou especialmente que a construção da barragem de Datengxia, foi concluída com êxito ao fim de 10 anos, e “é de grande importância para a vida dos cidadãos da RAEM e também ao longo do Rio das Pérolas, pois esta permite o fornecimento de água doce a Macau quando a água local é demasiado salgada”.

Além disso, o Chefe do Executivo declarou que “os residentes de Macau quando bebem água e pensam nas fontes de Guangxi, estão profundamente gratos ao Comité do Partido da Região Autónoma da Etnia Zhuang de Guangxi, ao seu Governo e ao povo”.

Importa referir que a Directora da Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos (DSAMA), Susana Wong, categorizou a barragem de Datengxia como uma infra-estrutura que aumentou a segurança hídrica de Macau, apenas para uso em situações de emergência. Aliás, Susana Wong revelou que a DSAMA financiou a construção da barragem de Datengxia, em Guangxi, em mais de mil milhões de patacas, numa entrevista à Revista Macau.

Instruções importantes

Em relação à área da saúde, Ho Iat Seng acrescentou que “a província de Guangxi representa uma importante base de produção de materiais na área da medicina tradicional chinesa”, e é rica em recursos ecológicos e turísticos. Como tal, foi acordado que os dois governos devem combinar as “vantagens únicas” dos dois territórios para “expandir conjuntamente os mercados dos países da ASEAN e dos países de língua portuguesa”.

Ho Iat Seng sublinhou ainda que “o Governo da RAEM cumpre seriamente as importantes instruções e exigências do Presidente Xi Jinping”, e “cooperará activamente com Guangxi para a sua plena articulação com a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.

Por sua vez, “o secretário Liu Ning expressou o seu agradecimento ao Chefe do Executivo e ao governo da RAEM pelo forte apoio prestado, ao longo do tempo, ao desenvolvimento de Guangxi, felicitou Macau pelos grandes êxitos alcançados nos últimos 25 anos desde o seu regresso à pátria”, e “afirmou que as relações entre Guangxi e Macau são tão estreitas como as de uma família”.

O responsável sublinhou também que a visita teve como “objectivo implementar plenamente o espírito consagrado nas importantes instruções apresentadas pelo Presidente Xi Jinping na transformação de Guangxi numa importante zona estratégica para a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.

Função Pública | Mais de 11.000 fizeram exame de admissão

Um total de 11.206 residentes realizaram ontem o chamado “concurso de avaliação de competências integradas referente a habilitações académicas de licenciatura”, para entrar na Função Pública. Este é um exame em que os candidatos à administração pública com o grau de licenciatura são avaliados sobre os seus conhecimentos, para depois poderem concorrer a postos de trabalho com uma remuneração de pelo menos 39.990 patacas.

O exame decorreu na manhã de ontem, em mais de 16 locais espalhados por Macau, e a prova teve uma duração de uma hora e meia. O concurso tinha 14.030 inscritos, mas a taxa de participação foi de 79,9 por cento, uma vez que apenas 11.206 candidatos apareceram nos locais para fazerem o exame.

Em comunicado, a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) considerou que a prova foi um “sucesso”. “De um modo geral, o procedimento do concurso realizou-se com sucesso, tendo a maioria dos candidatos admitidos seguido os critérios do concurso e chegado pontualmente ao local da prova para participar no concurso”, foi comunicado.

O resultado da avaliação de competências integradas é expresso apenas nas menções Apto e Não Apto. Para se ser considerado apto, é necessário obter um resultado igual ou superior a 50 valores, numa escala de 100 pontos. Este teste pode ser utilizado para candidaturas a diferentes posições na Função Pública durante cinco anos.

Os SAFP esperam que todas as provas sejam avaliadas dentro de um mês. A lista classificativa final será publicada, após a aprovação pelo Secretário para a Administração e Justiça, na página electrónica dos concursos da função pública no início de Julho.

DSEC | Inflação fixou-se em 0,92% em Abril

O Índice de Preços no Consumidor (IPC) em Macau subiu 0,92 por cento em Abril, em termos anuais, foi anunciado na sexta-feira. Os bens e serviços, os preços da educação, da saúde e do vestuário e calçado registaram as maiores subidas, 5,05, 3,02 e 2,54 por cento, respectivamente, em termos anuais, indicou a Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC), em comunicado.

O índice de preços da secção dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (+1,34 por cento) e da habitação e combustíveis (+0,52 por cento) aumentou face ao mesmo mês do ano passado, em virtude do “acréscimo dos preços das refeições adquiridas fora de casa, do gás de petróleo liquefeito e da electricidade”, acrescentou.

Por seu turno, o índice de preços da secção dos transportes (-3,49 por cento) e o das comunicações (-0,07 por cento) baixaram em termos anuais. No mês em análise, o IPC desceu 0,02 por cento, face a Março de 2024, refere-se ainda no comunicado.

Tendo em conta a média do IPC geral dos 12 meses terminados no passado mês de Abril, a DSEC deu conta de uma subida de 1,04 por cento face aos 12 meses imediatamente anteriores. Neste período, as autoridades salientam os “crescimentos mais notáveis” dos índices de preços da secção da educação (+6,59 por cento), o da recreação e cultura (+6,47 por cento) e o do vestuário e calçado (+4,61 por cento).

Economia | PIB cresceu 25,7% no primeiro trimestre

Nos primeiros três meses deste ano, o produto interno bruto da RAEM cresceu 25,7 por cento face ao mesmo período de 2023. O volume económico recuperou para mais de 87 por cento dos níveis registados antes da pandemia da covid-19

 

O produto interno bruto (PIB) de Macau registou no primeiro trimestre um acréscimo anual de 25,7 por cento, em termos reais, graças à subida das exportações de serviços e a estabilização do consumo privado, anunciou na sexta-feira a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

O resultado representa uma recuperação “de 87,2 por cento do volume económico do mesmo período de 2019” – antes da pandemia da covid-19 – devido “ao crescimento contínuo das exportações de serviços e à estabilização do consumo privado e da formação bruta de capital fixo”, especificou a DSEC em comunicado.

As exportações de serviços aumentaram 30,3 por cento em termos anuais, “graças ao aumento da procura externa”, com um crescimento das exportações de serviços de jogo (+62,7 por cento) e das exportações de outros serviços turísticos (+14,8 por cento), adiantou a DSEC, notando que, por outro lado, as importações de serviços registaram uma queda de 3,5 por cento.

A procura interna – incluindo a despesa de consumo privado, a despesa de consumo final do Governo e os investimentos – registou uma subida de 3,4 por cento.

A despesa de consumo privado, especifica-se no comunicado, teve uma subida de 10,9 por cento em relação ao primeiro trimestre de 2023. Já a despesa de consumo final do Governo desceu 20,7 por cento, “salientando-se o decréscimo de 40,5 por cento nas compras líquidas de bens e serviços”.

Grandes obras

O “ambiente económico positivo” contribuiu também para o aumento dos investimentos, “tendo a formação bruta de capital fixo registado um acréscimo anual de 13 por cento”, com “crescimentos positivos nos últimos quatro trimestres”. O departamento estatístico realça aumentos anuais de 4,3 por cento no investimento em construção e de 48 por cento no investimento em equipamento.

No sector privado, o investimento em equipamento cresceu 28,5 por cento e o investimento em construção subiu 10,4 por cento, em termos anuais.

Quanto ao sector público, refere-se na nota, o investimento em equipamento subiu 239,6 por cento, face ao mesmo período de 2023, principalmente “devido ao crescimento notável do investimento em equipamento público”, impulsionado pela “continuada realização de obras de grande envergadura, nomeadamente infra-estruturas”. Em sentido contrário, o investimento em construção pública caiu 1,8 por cento.

No que diz respeito ao comércio externo de mercadorias, observaram-se quedas homólogas de 13,6 por cento nas exportações de bens e de 1,4 por cento nas importações de bens. Entre Janeiro e Março, o número de visitantes subiu 79,4 por cento, em termos anuais, para 8,9 milhões de pessoas.

ARTM | Defendidas alternativas a prisão para consumidores de drogas

O presidente da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau reiterou que pesadas penas de prisão não são respostas eficazes na luta contra a droga. Por sua vez, a directora executiva da Agência das Nações Unidas para os Assuntos de Droga e de Crime defendeu uma postura “equilibrada” para lidar com a toxicodependência

Com agência Lusa 

 

O presidente da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM) defendeu na sexta-feira que devia existir uma “maior vontade” de quem julga casos relacionados com droga em Macau de encontrar alternativas à prisão. Deveria haver “maior vontade de quem sentencia, de dar oportunidade às pessoas para entrarem para o tratamento, sem ter que enviar para a prisão”, disse Augusto Nogueira, rejeitando, no entanto, necessidade de mexidas legislativas.

O consumo de droga em Macau é criminalizado e punido com pena de prisão até um ano ou até 240 dias de multa, mas desde 2009, a legislação prevê, em alguns casos, a suspensão da pena a quem se sujeite voluntariamente a tratamento ou internamento.

“Qualquer lei que coloca as pessoas que consomem drogas na prisão é uma lei dura, porque não há necessidade, pode haver sempre outras alternativas para as pessoas que consomem drogas”, constatou. Questionado sobre a possível descriminalização do consumo, à semelhança do que acontece em Portugal desde 2001, Augusto Nogueira disse não “haver uma necessidade actualmente em Macau”, visto serem contextos diferentes.

“Portugal fê-lo porque estava numa situação diferente nessa altura. No final dos anos 1980 e nos anos 1990 era uma situação pandémica, em que quase todas as famílias tinham pessoas a consumir drogas. Era uma situação muito complicada, o número de pessoas que consomem drogas é completamente diferente do número em Macau”, considerou.

Em 2023, no território de cerca de 680 mil habitantes, foram contabilizados 119 consumidores, mais 34 do que no ano anterior e menos 112 do que em 2021, de acordo com o Sistema de Registo Central dos Toxicodependentes de Macau. Importa realçar que este registo apenas contabiliza as pessoas que estão em tratamento ou a contas com a justiça por terem sido apanhadas pelas autoridades a consumir estupefacientes.

No entanto, apesar de indicar uma “situação bastante estável” no consumo local, Nogueira admite haver “casos escondidos” e considera imperativo persistir nos trabalhos de prevenção e de proximidade para incentivar ao tratamento: “Quando existe uma lei que criminaliza as pessoas, obviamente tem que haver, as pessoas consomem drogas às escondidas”, realçou.

O responsável da ARTM falava aos jornalistas à margem de um encontro com a directora executiva da Agência das Nações Unidas para os Assuntos de Droga e de Crime (UNODC), Ghada Waly.

De frisar que, recentemente, foi publicado na revista académica Asian Journal of Addictions (AJA) o estudo de uma técnica superior da Polícia Judiciária de Macau, Connie Lok Cheng, que defende precisamente o contrário, ou seja, o aumento das penas para os crimes de relacionados com drogas, além da reabilitação obrigatória. O trabalho intitula-se “Research on Optimization of Adolescent Drug Abuse Prevention Policies in Macao” [Investigação sobre a Optimização das Políticas de Prevenção da Toxicodependência na Adolescência em Macau], que cita os exemplos mais duros, em matéria de legislação anti-droga, do mundo, nomeadamente a aplicação da pena de morte na China ou Singapura.

“Na perspectiva da prevenção da toxicodependência entre adolescentes, é necessário reforçar as penas para o tráfico, transporte e fabrico de drogas, de forma a reduzir a oferta de drogas no mercado e, assim, diminuir o risco de os adolescentes entrarem em contacto com as drogas”, lê-se.

A autora escreveu ainda que “em comparação com as regiões vizinhas, as penas para os crimes de droga são mais leves”, sendo referido os casos do Interior da China, Taiwan ou Singapura onde “a pena máxima para o tráfico de droga é a pena de morte”. Pelo contrário, destaca a autora, “em Macau há apenas uma pena de prisão de duração determinada”.

Connie Lok Cheng defendeu também que uma reabilitação opcional contribui para reduzir “a severidade e a gravidade das penas”, dando como exemplo o de Hong Kong e China, onde se aplica “um modelo obrigatório de reabilitação de toxicodependentes para aumentar a severidade das penas”.

Assim, a técnica da PJ sugere, no referido estudo, “um modelo de reabilitação faseada se a reabilitação voluntária não mostrar eficácia dentro de um determinado período, e depois fazer a transição para a reabilitação obrigatória para reforçar os efeitos do tratamento e da dissuasão”.

Equilíbrio precisa-se

Em Macau apenas por umas horas para conhecer o trabalho da organização não-governamental, Ghada Waly indicou, em conferência de imprensa, a importância de uma visão equilibrada por parte dos governos no controlo da droga.

“A minha mensagem para os governos é que tenham sempre uma abordagem equilibrada, em que observem as convenções, onde haja espaço para o tratamento, para tratar a dependência da droga como um desafio da saúde pública, mas também olharem para como o sistema judicial pode ser mais eficiente”, disse.

Waly notou que o facto de as autoridades financiarem uma organização como a ARTM, “a trabalhar simultaneamente na prevenção, tratamento, reabilitação e formação profissional, ” é um “passo positivo”.

Natural do Egipto, Ghada Waly é a primeira mulher a liderar este organismo da ONU e conta com 28 anos de experiência na área do alívio da pobreza e protecção social. Antes de ocupar o cargo na ONU Ghada Waly foi Ministra da Solidariedade Social do Egipto.

A Agência das Nações Unidas para os Assuntos de Droga e de Crime (UNODC) foi criada em 1997, mas desde 1946 que a ONU tem em funcionamento a Comissão de Estupefacientes, um dos principais organismos desta entidade para lidar, a nível global, com os fenómenos de consumo e tráfico de droga.

Em Março deste ano decorreu a 67ª sessão desta comissão, tendo sido abordado, segundo o website oficial da ONU, um “cenário cada vez mais complexo” que passa pela existência de “redes de tráfico de droga, uma oferta recorde de drogas ilícitas e opções limitadas de tratamento para os consumidores de droga”, descreveu a UNODC.

Nesta ocasião, Ghada Waly destacou o facto de os “desafios relacionados com as drogas estarem a evoluir rapidamente”, devido à rápida entrada e dissimulação das drogas sintéticas no mercado. “As redes de tráfico têm evoluído no que diz respeito aos modelos de negócio, além de que os mercados ilícitos se sobrepõem aos conflitos e instabilidade”, declarou a directora-executiva da UNODC.

Ghada Waly apelou à Comissão de Estupefacientes que sejam encontradas “respostas equilibradas que protejam as nossas comunidades, promovam a saúde pública e defendam os direitos humanos”, defendendo que “nenhuma medida de policiamento e aplicação da lei vai acabar com o mercado de drogas ilícitas enquanto houver uma enorme procura”.

Além disso, acrescentou que “nenhuma medida de prevenção, tratamento e redução de danos irá acabar com a dependência e distúrbios generalizados enquanto substâncias perigosas continuarem a inundar as comunidades”. Lembrando a crescente tendência do tráfico de droga transfronteiriço, Ghada Waly destacou que “nenhum país pode proteger as suas fronteiras e cidadãos sozinho”.

Destaque ainda para o facto de a ARTM ter sido uma das 130 signatárias de uma carta aberta a Ghada Waly aquando da realização da 66ª Comissão de Estupefacientes, no ano passado, enviada pela Federação Mundial contra as Drogas [World Federation Against Drugs].

Nesta carta aberta foi lançado um apelo “para a promoção de serviços de saúde que não sejam discriminatórios, baseados em provas, informações sobre o trauma” e que sejam também “sensíveis ao género, à cultura e idade” de consumidores. Foi salientada “a necessidade de continuar a promover a prevenção baseada em provas, o acesso a tratamento e recuperação”, bem como o incentivo “à monitorização e avaliação com dados separados por género”.

Seul | Líderes da China, Japão e Coreia do Sul reúnem-se pela primeira vez desde 2019

Líderes da Coreia do Sul, China e Japão vão reunir-se a partir da próxima segunda-feira, em Seul, para as primeiras negociações trilaterais desde 2019, avançou ontem a agência de notícias pública sul-coreana Yonhap.

A cimeira trilateral vai juntar o Presidente sul-coreano, Yoon Suk Yeol, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, disse a Yonhap. A notícia foi confirmada por outros meios de comunicação da Coreia do Sul, que citaram a Presidência do país.

A primeira cimeira trilateral aconteceu em 2008 e os três países asiáticos acordaram realizar uma reunião desse tipo entre os seus líderes todos os anos. Algo que não acontece desde 2019, sobretudo devido às restrições impostas pela China devido à pandemia de covid-19.

Os esforços para reforçar a cooperação entre os vizinhos asiáticos têm enfrentado obstáculos como as disputas históricas em torno das ocupações japonesas durante a Segunda Guerra Mundial e a competição estratégica entre a China e os Estados Unidos, aliados tanto de Seul como de Tóquio.

A 14 de Maio, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul, Cho Tae-yu, visitou Pequim, onde se encontrou com o homólogo chinês, Wang Yi, que lamentou as “dificuldades e desafios” que afectam a relação entre os dois países.

Ressalvando que “não existem conflitos de interesse fundamentais” entre as duas partes, Wang sublinhou a importância de manter “intercâmbios regulares” entre os dois países vizinhos.

Segundo a mesma nota, Cho Tae-yul manifestou esperança de que esta visita constitua um “passo significativo” nas relações entre a Coreia do Sul e a China. Os dois ministros trocaram igualmente pontos de vista sobre a cooperação trilateral entre a China, Japão e Coreia do Sul.

ONU | Portugal defende reconhecimento internacional da Palestina

A representante permanente de Portugal na ONU, Ana Paula Zacarias, considera “muito importante” o reconhecimento internacional da Palestina nas Nações Unidas, admitindo estar convicta de que esse “dossiê evoluirá”, mesmo após a oposição norte-americana.

“É fundamental continuar a apoiar a solução dos dois Estados. Só essa solução, só uma resolução pacífica deste conflito que se arrasta há tantos anos, poderá trazer a paz ao Médio Oriente. E para termos uma solução de dois Estados, temos que ter dois Estados efectivamente”, frisou a diplomata, em entrevista à Lusa, em Nova Iorque.

“Portanto, é muito importante o reconhecimento internacional da Palestina aqui, nas Nações Unidas. A votação na Assembleia-Geral foi bastante ampla: 143 países a favor do reconhecimento dos direitos da Palestina e um pedido insistente ao Conselho de Segurança para que volte a analisar este dossiê em breve”, acrescentou a embaixadora, que deixará o cargo este mês.

Numa entrevista concedida à Lusa antes do anúncio de Espanha, Irlanda e Noruega de reconhecerem conjuntamente o Estado da Palestina, Ana Paula Zacarias referia-se à resolução adoptada a 10 de Maio na Assembleia-Geral da ONU, onde o apoio esmagador de 143 países – incluindo de Portugal – concedeu “direitos e privilégios adicionais” à Palestina e apelou ao Conselho de Segurança que reconsidere favoravelmente o seu pedido de adesão plena à organização, num momento em que mantém o estatuto de “Estado observador”.

A elevação ao estatuto de Estado-membro não está nas mãos da Assembleia-Geral, mas sim do Conselho de Segurança, que a 18 de Abril a negou à Palestina devido ao veto exclusivo dos Estados Unidos, que prometem voltar a bloquear a aspiração palestiniana caso o tema seja votado novamente.

Porém, tendo em conta os esforços que estão a ser desenvolvidos no terreno por um conjunto de países, a diplomata portuguesa disse estar “convicta” de que este “dossiê evoluirá seguramente”, esperando que essa evolução passe efectivamente pela criação de dois Estados: Israel e Palestina.

Momento desadequado

Ana Paula Zacarias frisou que Portugal sempre repudiou o ataque do Hamas contra Israel, continua a pedir a libertação incondicional dos reféns e aceita o direito de autodefesa de Israel.

“Mas Portugal tem também tido uma posição bastante clara em dizer que a população Palestiniana não pode ser, no seu conjunto, penalizada por esta situação” e que “é preciso que o Direito Internacional e que os direitos destas pessoas sejam tomados em conta”, reforçou, defendendo que “Israel tem que cumprir a Lei Internacional Humanitária”.

“Portanto, esperemos que em breve se possa (…) encontrar uma solução para a paz no Médio Oriente, que passe claramente pela solução dos dois Estados, sendo que um deles será seguramente a Palestina”, insistiu a embaixadora.

Contudo, no dia em que três países europeus – Espanha, Irlanda e Noruega – anunciaram que vão reconhecer o Estado da Palestina a 28 de Maio, o Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou que este ainda “não é o momento adequado” para o reconhecimento da Palestina, apesar de defender claramente a solução dos dois Estados.

Também fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros disse à Lusa que Portugal mantém a vontade de reconhecer a Palestina como Estado, mas está a tentar obter o maior consenso possível entre os membros da União Europeia (UE).

A visita de Xia Baolong a Macau

Xia Baolong, o director do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China e director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, terminou a sua visita de sete dias a Macau, onde se deslocou para uma inspecção dentro do âmbito do seu Gabinete, tendo sido excelentemente recebido e acolhido pelo Governo da RAEM. Se esta visita de inspecção obteve os resultados esperados, é uma questão a que só poderá responder o director Xia.

O director Xia Baolong esforçou-se para visitar vários locais, considerando que o tempo estava muito quente e húmido. A Ponte Macau, que o Director Xia visitou no primeiro dia, é indubitavelmente o acesso principal entre a Zona A dos Novos Aterros Urbanos e COTAI. Se o director Xia tivesse sido levado a visitar os trabalhos de construção da Zona A dos Novos Aterros Urbanos, especialmente a construção das habitações económicas da Zona A dos Novos Aterros Urbanos, que em breve estará terminada, teria sido informado sobre os detalhes destes blocos residenciais e das ligações rodoviárias feitas propositadamente para aceder à zona, e assim teria tido um conhecimento mais aprofundado sobre as capacidades administrativas do Governo da RAEM.

Um jornal entrevistou cidadãos sobre a visita do director Xia a Macau. Alguns expressaram a esperança de que o director Xia pudesse vir a visitar vários bairros e que falasse informalmente com os seus residentes, para escutar as suas opiniões. Possivelmente por razões de segurança, o director Xia não teve muitas oportunidades para estabelecer um verdadeiro contacto com o público durante a sua visita, mas o Governo da RAEM tomou medidas para que um total de nove membros do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte e do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central acompanhassem o director Xia nos chás matinais de estilo chinês.

Antes do regresso de Macau à soberania chinesa, a cidade tinha duas assembleias municipais, sendo uma parte dos seus membros eleita por sufrágio directo. Quando o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) foi criado em 2002, as câmaras e as assembleias municipais de Macau foram abolidas. Em 2019, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais foi restruturado para se tornar o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), de acordo com a Lei Básica de Macau, e a eleição por sufrágio directo para a escolha dos membros dos vários Conselhos do IAM deixou de ser possível. Todos os membros passaram a ser nomeados, embora o Governo da RAEM tenha declarado que aceitava recomendações de candidatos feitas por terceiros. Antes de 2019, duas pessoas que se dedicavam a assuntos de ordem social tiveram uma boa hipótese de se tornarem membros do Conselho Consultivo do IACM através da eleição por sufrágio directo. Ambas me pediram que as recomendasse, mas foi obviamente uma diligência feita em vão. Existe um velho ditado na China, que diz o seguinte “é necessário ouvir várias opiniões diferentes para distinguir o certo do errado e tomar as decisões correctas”. Se ao informar o director Xia sobre os aspectos favoráveis de Macau, se tivessem ouvido mais opiniões do público, acredito que ele teria ficado com um conhecimento mais vasto e uma visão mais representativa do povo de Macau.

Embora o director Xia não tenha podido visitar vários bairros devido a restrições de tempo, visitou a Escola dos Moradores de Macau na Zona Norte, onde foi calorosamente recebido. Só me pergunto 1) se as pequenas e médias empresas da Zona Norte tivessem tido oportunidade de explicar ao director Xia o impacto que estão a ter as deslocações para a província de Guangdong das pessoas de Macau que aí vão fazer compras e estabelecer os seus próprios negócios.

2) se os comerciantes da Zona Norte tivessem tido oportunidade de informar o director Xia sobre os benefícios reais da realização do Carnaval de Consumo para o sector comercial desta Zona?

Os residentes da Zona Norte foram de alguma forma abençoados porque, pelo menos, o carro do director Xia passou devagar pelas ruas habitualmente muito movimentadas da sua Zona. Quanto aos trabalhos rodoviários do Bairro da Praia do Manduco, acredito que o director Xia não tenha tido oportunidade de os ver pessoalmente, e interrogo-me se assistiu ao encerramento da Travessa do Padre Narciso ao tráfego quando se deslocou à Sede do Governo para ouvir o relatório das obras apresentado por muitos funcionários da RAEM.

O director Xia preocupa-se com Macau. Durante a sua visita, afirmou que Macau tem um “cartão de visita dourado” e mencionou que Hengqin pertence a Macau. No que diz respeito aos 106.46 km2 da Ilha de Hengqin, o Chefe do Executivo Ho Iat Seng respondeu aos repórteres dizendo que esta ilha pertence a Macau em termos conceptuais e não em termos físicos. Acredito que como o Governo Central entregou Hengqin a Macau em termos conceptuais, deve ter grandes expectativas para o futuro desenvolvimento integrado entre Hengqin e Macau. Na verdade, quando o director Xia inspeccionou Hengqin, deve ter notado os arranha-céus abandonados perto do Posto Fronteiriço. Todos os locais encontram dificuldades no seu processo de desenvolvimento e Hengqin não é excepção. Da integração orgânica de Macau e Hengqin, e da capacidade de superar dificuldades e alavancar as potencialidades complementares, vai depender se o “cartão de visita” de Macau será de folha dourada ou de ouro genuíno e quanto ouro esse “cartão de visita” irá conter.

Após a visita de inspecção do Diretor Xia, os trabalhos de acompanhamento que esperam a RAEM serão abundantes e pesados!

FRC acolhe debates comemorativos dos dez anos do Plataforma

O semanário bilingue Plataforma, por ocasião da celebração do décimo aniversário de existência, promove na próxima semana, entre os dias 27 e 30, quatro debates na Fundação Rui Cunha (FRC), num ciclo especial de conversas intitulado “Plataforma Talks”. Todos os debates começam às 18h30 e contam com diversas personalidades locais, focando-se nas áreas do ensino superior, banca, diplomacia e Direito, sob o mote “Redes para a internacionalização de Macau”.

O primeiro debate, na segunda-feira, conta com os advogados Frederico Rato, sócio fundador da LEKTOU e Oriana Pun, sócia do escritório PCC Lawyers. Por sua vez, na terça-feira, o debate versará sobre “Redes Bancárias”, contando com Carlos Cid Álvares, CEO Banco Nacional Ultramarino e Ip Sio Kai, vice-presidente do BOC Macau e deputado.

Na quarta-feira, dia 29 de Maio, a conversa incidirá sobre “Redes Universitárias”, contando com a presença de Agnes Lam, Directora do Centro de Estudos de Macau da Universidade de Macau e ex-deputada, e ainda Priscilla Roberts, professora de História e Cultura na USJ – Universidade de São José.

Por último, quinta-feira, dia 30 de Maio, o debate será sobre “Redes Diplomáticas”, tendo como convidados o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, e Danilo Henriques, secretário-adjunto do Fórum Macau. Os moderadores dos debates serão os directores do jornal, Paulo Rego e Guilherme Rego.

Diversificar e flexibilizar

Segundo um comunicado da FRC, estes debates pretendem dissecar o tema da diversificação económica que, “por mais sucesso que tenha, não irá alterar de forma dramática o peso do jogo no Produto Interno Bruto de Macau”. Contudo, “pode e deve mudar significativamente o perfil do emprego e a relevância nacional e internacional; além da cultura de exigência digna de uma sociedade de serviços moderna, ágil, competente e global”.

“Este é o ADN do PLATAFORMA, que desde a sua primeira edição defende o bilinguismo, a livre circulação de pessoas, a massa crítica estrangeira, e do continente, a diversificação económica e flexibilidade na atribuição de Bilhetes de Identidade de Residente”, é descrito na mesma nota. Para o semanário, estes factores constituem “pilares do projecto lusófono e da afirmação internacional de Macau”, defendendo que “se deve promover, ao mesmo tempo, uma sociedade de serviços multicultural, multilingue, flexível e competente, capaz de criar redes institucionais e profissionais que liguem China e Lusofonia, Oriente e Ocidente”.

Concertos este sábado na FRC com as bandas “Lazy Jones” e “Weekend Jazz Group”

Os amantes de jazz terão nova oportunidade de assistir a um concerto deste género musical protagonizado por músicos locais. Amanhã, na Fundação Rui Cunha (FRC), tem lugar a partir das 21h, o concerto “Lazy Jones & The Weekend Jazz Group”, dois grupos que se apresentam novamente no palco da Galeria da FRC.

O grupo “Lazy Jones” é composto por cinco raparigas e deriva da Orquestra de Jazz Juvenil de Macau. Trata-se, segundo uma nota da FRC, de “um dos mais importantes projectos pedagógicos com músicos profissionais da Associação de Promoção de Jazz de Macau (MJPA), muitos deles professores da nova geração”.

As cinco jovens criaram, assim, “um promissor grupo que mostra grande potencial na selecção e interpretação do repertório, enquadrado entre os clássicos da Bossa Nova e o estilo Bebop, e cujo título remete para o famoso clássico de jazz ‘Have You met Miss Jones?'”, composta por Richard Rodgers em 1937 e que, entretanto, teve já diversas interpretações por parte de cantores e músicos, nomeadamente Robbie Williams.

A banda “Lazy Jones” é composta por Diana Piscarreta, na voz, juntando-se as irmãs Nana Chan e Twinkle Chan, na guitarra e no baixo, bem como Fanfan Cheung, na bateria. De frisar que as irmãs Chan já actuaram na Galeria da FRC com a banda da MJPA noutros eventos musicais.

A dobrar

A segunda parte do concerto de amanhã é protagonizada pelo “Weekend Jazz Group”, composto por músicos adultos e mais experientes da MJPA, nomeadamente Tony Lei no saxofone, Jerry Jiang no piano, Cathy Chan no baixo e Roy Tai na bateria. Este quarteto apresentará uma série de standards de jazz, com diferentes humores e vibrações, mostrando que a paixão dos artistas locais pela música continua bem viva, descreve a FRC.

A MJPA, co-organizadora da iniciativa “Saturday Night Jazz” com a FRC desde 2014 é uma associação artística local sem fins lucrativos, criada em 2010. O objectivo da MJPA é promover a música jazz junto do público e proporcionar oportunidades aos músicos locais, contribuindo para múltiplos projectos vocacionados para a juventude e realçando, assim, a característica multicultural do território.

Camões | Nascimento do poeta celebrado com música e literatura

Os 500 anos do nascimento do grande poeta português Luís de Camões, celebrados este ano, vão ser assinalados pelo Instituto Cultural (IC) com diversos eventos, onde se inclui um concerto “dedicado aos livros ilustrados de poesia”, palestras temáticas e visitas guiadas na Casa da Literatura de Macau no próximo mês

 

O Instituto Cultural (IC) promove, no próximo mês, uma série de eventos que visa celebrar a efeméride dos 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões, um dos maiores poetas portugueses de sempre e autor da epopeia “Os Lusíadas”, escrita no século XVI. O nome de Camões está bastante ligado a Macau, existindo mesmo a Gruta de Camões no centro da península, no jardim com o mesmo nome.

O programa de celebrações inclui a realização de um concerto, visitas guiadas à Casa da Literatura de Macau e palestras temáticas. Segundo um comunicado do IC, o objectivo destas iniciativas é “promover o intercâmbio cultural entre a China e Portugal e aprofundar o conhecimento do público em literatura portuguesa”.

No dia 1 de Junho, às 15h, realiza-se o “Concerto de Livros Ilustrados de Poesia ‘Para Camões'”, na Casa da Literatura de Macau, com a participação da escritora local Ma Yingying.

Esta irá interpretar dez obras musicais originais, demonstrando, assim, “como se pode transformar poesia ilustrada numa viagem musical”, ao mesmo tempo que partilhará “com os participantes a comovente história de amor entre Camões e a jovem chinesa Dinamene”.

Por sua vez, no dia 2 de Junho, decorre a palestra “Encontro Romântico de Camões com Macau: O Poeta, a Cidade e os Seus Habitantes”, também na Casa da Literatura de Macau, protagonizada por Catherine S. Chan, professora assistente de investigação do Departamento de História da Universidade de Lingnan, em Hong Kong.

Nesta sessão será abordada, segundo uma perspectiva histórica, “a ligação entre Camões e Macau do século XIX ao XX, analisando-se a forma como Macau criou, reformulou e consolidou uma relação amorosa com Camões e a sua epopeia Os Lusíadas”.

Os detalhes

Também na Casa da Literatura serão organizadas visitas guiadas à iniciativa “Viagem Literária Através do Tempo e do Espaço – Um Encontro com Camões”, dia 8 de Junho, em duas sessões às 10h e 16h. A ideia é “dar a conhecer ao público a vida de Camões em Macau bem como as fontes da sua criatividade”, pretendendo-se levar os participantes a “apreciar a literatura, experimentar a aura literária e artística associada a Camões na cidade e embarcar numa viagem romântica que transcende o tempo e o espaço através da literatura”.

Luís Vaz de Camões (1524-1580), natural de Lisboa, é considerado o maior poeta da literatura em língua portuguesa, tendo “Os Lusíadas” conquistado a fama e ficado para a posteridade. Diz-se que Camões viveu durante algum tempo em Macau e que escreveu alguns capítulos de “Os Lusíadas” no Jardim de Luís de Camões.

Esta não é a primeira vez que o IC recorda o poeta português, tendo publicado diversos livros sobre os escritos de Camões, nomeadamente “100 Sonetos de Camões” e “Os Lusíadas”.

Xangai | Tesla inicia construção de fábrica de baterias

A fabricante de veículos eléctricos norte-americana Tesla iniciou ontem a construção de uma fábrica em Xangai para produzir as suas baterias de armazenamento de energia Megapack, informou a imprensa estatal chinesa. O investimento de 200 milhões de dólares (na zona de livre comércio piloto de Lingang, em Xangai, vai ser a primeira fábrica de baterias Tesla fora dos Estados Unidos.

A Tesla abriu uma fábrica de carros eléctricos em Xangai, em 2019, que monta veículos para a China, Europa e outros mercados estrangeiros. É o segundo maior vendedor no mercado chinês de veículos eléctricos, o maior do mundo. O líder de mercado é a marca local BYD.

A agência noticiosa oficial Xinhua elogiou o empenho da Tesla em investir na China e “desafiar a retórica da ‘dissociação’” entre as economias da China e EUA. Segundo a agência, a fábrica deve começar a produzir em massa no início de 2025, com uma capacidade inicial de 10.000 unidades por ano.

De acordo com o portal da Tesla, cada Megapack pode armazenar mais de 3,9 megawatts-hora de energia – o suficiente para alimentar uma média de 3.600 casas durante uma hora. São concebidos principalmente para empresas de serviços públicos e instalações comerciais.

Estas unidades de armazenamento tornaram-se cada vez mais importantes com o crescimento da energia solar e eólica, que só produzem electricidade quando as condições meteorológicas são favoráveis e precisam de a armazenar para dar resposta aos utilizadores residenciais e comerciais.

A China é, de longe, líder mundial em capacidade instalada de energia eólica e solar, o que a torna um mercado importante para o armazenamento de energia.

O país asiático representou três quartos do investimento na produção em 2023 de todas as tecnologias limpas (fotovoltaica, eólica, hidrogénio verde ou bombas de calor), segundo um relatório da Agência Internacional da Energia (AIE), que descartou uma alteração na liderança a médio prazo.

Taiwan | China lança manobras militares contra “forças independentistas”

A China lançou ontem manobras militares “ao redor” de Taiwan, três dias após a tomada de posse do novo líder da ilha, William Lai Ching-te, informou a agência de notícias oficial chinesa Xinhua. “Os exercícios estão a decorrer no Estreito de Taiwan, no norte, sul e leste da ilha de Taiwan, bem como em áreas em torno das ilhas de Kinmen, Matsu, Wuqiu e Dongyin”, disse a Xinhua.

A agência acrescentou que os exercícios, programados para durar dois dias, começaram às 07:45. Num comunicado, o porta-voz do Comando do Teatro Oriental das forças armadas da China descreveu as manobras de ontem como um “castigo severo” contra o que disse serem as “forças independentistas de Taiwan”.

Esta é uma “punição severa para os actos separatistas das forças da ‘independência de Taiwan’ e uma advertência severa contra a interferência e provocação de forças externas”, disse Li Xi, citado pela Xinhua.

William Lai assumiu a liderança da ilha em substituição de Tsai Ing-wen (2016-2024), também do Partido Democrático Progressista (DPP, na sigla em inglês), na segunda-feira. No discurso de tomada de posse, Lai disse que “a paz não tem preço e a guerra não tem vencedores”, e deixou clara a intenção de manter o actual status quo entre os dois lados do Estreito e não declarar a independência de Taiwan.

Covid-19 | Langfang reembolsa testes PCR realizados durante pandemia

A exemplo do que já aconteceu noutras províncias chinesas, também os residentes da cidade de Langfang, em Hebei, podem solicitar agora o reembolso das quantias gastas com os inúmeros testes PCR realizados durante a pandemia

 

A cidade de Langfang, na província de Hebei, norte da China, começou ontem a implementar uma política de reembolso dos testes PCR realizados pelos residentes durante a pandemia da covid-19.

A medida, que visa aliviar os encargos financeiros dos cidadãos e responde a requisitos de auditoria, surge depois da realização constante de testes PCR aos residentes, uma prática comum e controversa da estratégia chinesa durante a pandemia. Os residentes de Langfang que fizeram testes PCR entre 2020 e 2021 poderão solicitar o reembolso das despesas durante os próximos 30 dias, segundo a imprensa local.

Mensagens de texto com instruções foram enviadas aos residentes, que devem comparecer pessoalmente num centro hospitalar da cidade com o seu cartão de identificação e a respectiva mensagem. A iniciativa de Langfang segue medidas semelhantes noutras regiões da China, como a cidade de Tianjin e a província de Guangxi.

Em Tianjin, por exemplo, os pacientes foram isentos de taxas para os testes realizados entre Maio de 2020 e Fevereiro de 2021, enquanto em Guangxi, os hospitais têm reembolsado os testes com base nas orientações regionais.

Durante esses dois anos, os testes eram necessários para deslocações internas dentro da China ou para participar em eventos. Em 2022, os testes tornaram-se gratuitos, já que passaram a ser obrigatórios quase diariamente, e eram feitos em instalações disponibilizadas pelos governos locais.

As autoridades confirmaram à imprensa local a autenticidade dos reembolsos e salientaram que estes respondem a requisitos de auditoria e de política de saúde.

Moeda bem-vinda

As medidas de reembolso foram bem acolhidas pelos residentes nas redes sociais do país asiático, que sublinharam o seu impacto positivo na redução das despesas relacionadas com os testes PCR, essenciais para aplicar as medidas draconianas da política de ‘zero casos’ de covid-19, que vigorou na China ao longo de quase três anos e implicou bloqueios rigorosos de cidades inteiras, a realização de testes quase diariamente, o isolamento em hospitais e instalações estatais de casos positivos e os respectivos contactos directos.

No final de 2022, quando se tornou claro que a propagação da variante contagiosa Omicron não podia ser controlada, a estratégia começou a ser desmantelada e, a 8 de Janeiro do ano seguinte, a gestão da doença passou da categoria A – o nível de risco mais elevado – para a categoria B, pondo fim às quarentenas e à exigência de testes PCR.