EUA | Pequim condena intercepção de navio ligado à Rússia

Pequim denunciou ontem a apreensão por parte dos Estados Unidos de um petroleiro que navegava sob bandeira russa em águas internacionais, classificando a acção como “arbitrária” e uma violação do direito internacional. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou que a detenção de navios de outros países em alto-mar “contraria gravemente o direito internacional” e os princípios da Carta das Nações Unidas.

As declarações surgem após a Guarda Costeira dos EUA ter interceptado o petroleiro Marinera – anteriormente conhecido como Bella 1 – no Atlântico Norte, acusando-o de violar o regime de sanções imposto por Washington. Segundo os Estados Unidos, o navio tentava aceder a águas venezuelanas para carregar crude.

Moscovo já qualificou a operação como uma “intercepção ilegal” e exigiu um tratamento “humano e digno” para a tripulação. Pequim reiterou também a sua oposição às sanções unilaterais impostas por Washington sem respaldo das Nações Unidas, considerando que estas “carecem de base legal”.

Em resposta a notícias sobre um possível agravamento das sanções norte-americanas contra a Rússia – com advertências dirigidas a empresas de países como a China, Índia ou Brasil – Mao Ning sublinhou que a cooperação económica, comercial e energética entre Pequim e Moscovo é “normal” e “não visa terceiros”, pelo que “não deve ser interferida”.

A apreensão do Marinera insere-se na crescente pressão dos EUA sobre as exportações de petróleo da Rússia e da Venezuela. Washington anunciou recentemente novas medidas para confiscar navios ligados ao comércio de petróleo venezuelano e controlar indefinidamente as receitas associadas.

Segundo órgãos de comunicação norte-americanos, o Marinera fazia parte da chamada “frota fantasma” usada para contornar as sanções ocidentais, o que tem alimentado fricções diplomáticas entre Washington, Moscovo e agora também Pequim.

Primeira retrospectiva da artista portuguesa Helena Almeida na Ásia inaugura dia 23

O Museu de Arte de Macau (MAM) vai inaugurar no dia 23 de Janeiro a primeira retrospectiva da artista portuguesa Helena Almeida (1934-2018) na Ásia, disse uma das curadoras da mostra.

A exposição “Helena Almeida: Estou Aqui – Presença e Ressonância” é “uma das mais abrangentes alguma vez apresentadas” e estará patente até 26 de Abril, disse nas redes sociais Margarida Saraiva. A curadora do MAM afirmou que a retrospectiva será dividida em cinco secções, “de forma cronológica e temática”, incluindo uma dedicada às primeiras pinturas e outra ao “corpo como escultura e o diálogo entre corpos”.

Saraiva apontou Helena Almeida como “uma das mais relevantes artistas portuguesas e europeias da sua geração”, que “transformou o acto de autorrepresentação numa exploração intensa do corpo, do espaço, da resiliência e da impermanência”.

“Os seus gestos performativos — captados apenas através da lente do seu estúdio — continuam a desafiar e expandir os limites da pintura, do desenho e da fotografia”, explicou a curadora. “Esta mostra é simultaneamente uma homenagem ao extraordinário legado de Helena Almeida e uma afirmação do poder da colaboração curatorial entre culturas”, defendeu Saraiva.

A retrospectiva tem como curador principal Delfim Sardo, professor da Universidade de Coimbra e autor do livro “Helena Almeida, Pés no Chão, Cabeça no Céu”, e como co-curador o chinês Song Zhen.

Dividir por dois

Em Dezembro, o Instituto Cultural de Macau indicou num comunicado que a mostra irá reunir cerca de 42 conjuntos compostos por 190 peças da artista portuguesa. Uma outra parte da mostra, “Ressonância – Corpo. Objecto. Reflexão”, já foi inaugurada em 19 de Dezembro, com peças de seis artistas de Macau e da China continental, convidados a interagir com a obra de Helena Almeida.

Nascida em Lisboa, em 1934, Helena Almeida criou, a partir dos anos 1960, uma obra multifacetada, dando origem a um trabalho que se destacou pela autorrepresentação, reflectindo sobre as relações de tensão entre o corpo, o espaço e a obra. Usou o seu corpo como suporte e objecto de criação, utilizando a pintura, a fotografia, a gravura, a instalação e o vídeo. Helena Almeida estudou pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, começando a expor individualmente em 1967, na Galeria Buchholz.

A artista representou Portugal na Bienal de Veneza por duas ocasiões: em 1982 e em 2005, e em 2004 participou na Bienal de Sidney, tendo a sua obra sido exibida no âmbito de mostras individuais e colectivas em museus e galerias nacionais e internacionais.

Em 2015, apresentou uma exposição individual itinerante Corpus na Fundação de Serralves (2015), no Porto, em Paris (2016), em Bruxelas (2016) e Valência (2017). Apresentou igualmente, em 2017, uma exposição individual “Work is never finished” no Art Institute, em Chicago, nos Estados Unidos.

A sua obra está presente em colecções portuguesas e internacionais como: Colecção Berardo, Lisboa; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Fundação de Serralves, Porto; Hara Museum of Contemporary Art, Tóquio; Museu de Arte Contemporânea de Barcelona; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid; MUDAM – Musée d’Art Moderne Grand-Duc Jean, Luxemburgo; Tate Modern, Londres.

Armazém do Boi | Três artistas apresentam visões de Macau em exposição

“Land and Sea” é a nova exposição acolhida pelo Armazém do Boi e que abre ao público amanhã. Com trabalhos de David Fank, esta exposição resulta de experiências pessoais do artista na região da Grande Baía, incluindo cidades com Macau, Zhuhai e Guangzhou. Destaque ainda para as exposições de Yuan Zeqiang e Fan Xianxin

É inaugurada amanhã uma nova exposição no Armazém do Boi. Trata-se de “Land and Sea” [Terra e Mar], da autoria de David Fank, e que pode ser vista até Fevereiro. Segundo uma nota do Armazém do Boi, a mostra divide-se em duas instalações principais, com as temáticas da “Terra” e “Mar”, revelando um “espaço expositivo construído como uma sala onde o azul e o verde se encontram, servindo como a versão do artista de um ‘mapa'”

É nesta espécie de mapa que se mostram as “experiências pessoais de viagem” do artista pela região da Grande Baía, nomeadamente em locais como Macau, Zhuhai e Guangzhou, sem esquecer Pequim. O público pode ver “uma interpretação dessas diversas perspectivas geográficas”, em que David Fank cria “acções como caminhadas, fotografia e objectos que ancoram e geram este mapa”.

“Estas cristalizam-se na sua compreensão dos significados por trás destes espaços e, naturalmente, na mudança desses significados – o olhar e as associações do artista, em certo sentido como um ‘outsider’, tornam-se assim manifestos”, é ainda explicado.

Amanhã cabe a Wang Jing fazer uma introdução à exposição, com início às 16h, sendo “Land and Sea” resultado de uma residência artística realizada por David Fank no Armazém do Boi, nomeadamente com o “Programa de Residência Artística 3+0/1+1 (Macau / Projecto 2025)”.

David Fank nasceu em 1984, tem licenciatura e mestrado pela Escola Superior de Belas Artes de Paris e também um doutoramento atribuído pela Academia Central de Belas Artes de Pequim, China. Trabalha essencialmente com fotografia, instalação e escultura.

A pedra como origem

Outra mostra que também pode ser vista no Armazém do Boi a partir de amanhã, é “Seak Kam Tong”, de Yuan Zeqiang, com curadoria de Hu Bin. Esta mostra é ainda resultado do mesmo programa de residência artística que acolheu o trabalho de David Fank.

Aqui, Yuan Zeqiang estabelece uma relação da arte com a pedra, e por sua vez com o próprio território. “A relação com a pedra começa no momento em que se entra em Macau: sob os pés, temos o piso de pedra em mosaico”, onde se inclui a calçada portuguesa, além de que “o Templo de A-Má foi erguido sobre uma colina rochosa, tendo-se tornado num local onde moradores e visitantes recorrem na qualidade de apoio espiritual”.

Apresentam-se, nesta mostra, “colagens tridimensionais que revelam as dualidades e verdades da vida moderna”, onde Yuan Zeqiang explora as diferentes dimensões, perspectivas e significados das pedras num território como Macau.

“A calçada portuguesa, de pedra fragmentada, em Macau é um legado da história colonial portuguesa, e este meio material homogéneo parece reflectir o choque e a fusão de múltiplas culturas na cidade. No quotidiano, a pedra surge como um elemento paisagístico onipresente, sendo algo particularmente evidente em Macau”, indicou Yuan Zeqiang, citado na mesma nota.

Relação com o mar

Ainda no Armazém do Boi, o público pode ver “Standing Wave Manifold”, de Fan Xianxin, com curadoria de Sun Xiaoyu, que explora a relação de Macau com a água e a forma como o território se foi construíndo com permanentes mutações.

“‘Mar-Espelho’ é um dos muito nomes que Macau foi tendo ao longo da sua história. Essa imagem remete para um estado de imobilização situado num tempo e espaço específicos. Nesta cidade cercada por água, a fronteira entre água e terra tem sido continuamente reconstruída desde o século XIX até aos dias de hoje, sendo que a evolução das denominações tem ocorrido juntamente com as trajectórias mutáveis dos sistemas, do poder e da identidade”, do próprio território, explica uma nota sobre a exposição.

A artista, que também realizou um período de residência artística no Armazém do Boi, analisa Macau “a partir de observações e deslocações”, tentando “compreender como sistemas, paisagens e o Feng Shui actuam de forma conjunta na conformação do nosso quotidiano concreto e minucioso”.

Nesta exposição apresentam-se conceitos como “ondas estacionárias” e “variedades” que não são apenas físicos, mas revelam “estruturas de um equilíbrio dinâmico que se formam com a interferência de duas ondas que vão em direcções opostas, mas que constituem um método para interpretar o processo de modernização de Macau”.

Tenta-se, assim, compreender “a complexa totalidade que é tecida por incontáveis fragmentos, todos eles interligados”. Assim, “Standing Wave Manifold” centra-se na procura pela investigação “de uma estrutura de ‘mobilidade’ construída a partir do ‘movimento'”, descreve-se.

IPIM | Recebidas 13 candidaturas a plano para empresas internacionais

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau anunciou que recebeu 13 candidaturas nos primeiros dois meses de um programa lançado para atrair empresas internacionais para a RAEM. Mais de 500 companhias pediram informações sobre o plano de apoio

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) revelou num comunicado, divulgado na quarta-feira, ter recebido 13 candidaturas ao “Plano para o Desenvolvimento Económico no âmbito do Apoio ao Estabelecimento da Primeira Loja em Macau”, aberto em Novembro do ano passado. A entidade acrescentou estar a analisar as candidaturas para conceder “apoios financeiros de acordo com a capacidade orçamental e o interesse público”.

O Plano para o Desenvolvimento Económico no âmbito de Apoio ao Estabelecimento da Primeira Loja em Macau fornece um apoio até um milhão de patacas. Para receber o apoio máximo, as empresas devem seguir alguns requisitos, como estabelecerem-se no NAPE, Areia Preta, Iao Hon, área de San Kio, Praia do Manduco, Fai Chi Kei, Doca do Lam Mau, Bairro de Tamagnini Barbosa ou Ilha Verde. Além disso, devem ter uma área mínima, assim como um determinado número de empregados locais contratados a tempo inteiro.

O IPIM sublinhou ainda que mais de 500 empresas pediram informações sobre o programa, que foi lançado em 1 de Novembro. O plano dura três anos e tem seis fases de candidatura, sendo que a primeira decorre até final de Janeiro. No fim de Novembro, o presidente do instituto, Che Weng Keong, disse na Assembleia Legislativa que entre as empresas que pediram mais informações sobre o plano estavam “marcas de Portugal”.

O IPIM recordou que “tomou a iniciativa” de contactar entidades da China continental, do Sudeste Asiático e dos países de língua portuguesa e espanhola.

Colher frutos

O programa, que tem o objectivo de “enriquecer o encanto turístico de Macau e dinamizar a economia comunitária”, foi apresentado em Lisboa e no Porto, no início de Outubro, por responsáveis do IPIM, que realizaram depois apresentações também na vizinha Espanha, em Madrid e Barcelona.

O IPIM prometeu continuar a divulgar o plano, incluindo através da participação em eventos de convenções e exposições, “incentivando a cooperação entre empresas de Macau e marcas estrangeiras, incluindo de países lusófonos”.

Jogo | Seaport prevê crescimento de 19% das receitas em Janeiro

A base de comparação ajuda, mas a principal indústria de Macau continua a expandir mês após mês. O relatório mais recente da Seaport Research Partners prevê que até Março as receitas aumentem anualmente 14 por cento

A empresa de serviços financeiros Seaport Research Partners prevê um crescimento anual de 19 por cento das receitas do jogo em Janeiro, de acordo com o relatório mais recente da instituição. A nível trimestral as receitas podem aumentar cerca 14 por cento.

“A nossa estimativa para Janeiro aponta para um aumento de 19 por cento em relação ao ano anterior (mais 4 por cento em relação ao mês anterior), com a taxa de crescimento ajudada por uma comparação fácil [face ao valor de 2025]”, pode ler-se no relatório do analista Vitaly Umansky, citado pelo portal GGR Asia. Em Janeiro de 2025, as receitas brutas do jogo foram de 18,3 mil milhões de patacas, o valor mais reduzido de todo o ano, o que contribui para o maior crescimento relativo.

Apesar da base baixa de comparação, o crescimento de 19 por cento das receitas a abrir o ano é tido por Umansky como um sinal “sólido” para o primeiro trimestre, em que se espera uma expansão das receitas do jogo na ordem dos 14 por cento. Recorde-se que nos primeiros três meses de 2025, as receitas atingiram 57,7 mil milhões de patacas.

“Estimamos que o mês tenha começado bastante forte, possivelmente com receitas acima de 850 milhões de patacas por dia durante o fim-de-semana prolongado de 1 a 4 de Janeiro”, consta no documento.

Dezembro mais fraco

A previsão do crescimento de 14 por cento no primeiro trimestre tem em conta o facto de as receitas terem abrandado em meados de Dezembro, o que a Seaport Research Partners considera dever-se ao facto de os grandes apostadores preferirem visitar Macau para jogar entre Janeiro e Fevereiro.

“Prevemos que as receitas brutas do jogo cresçam mais de 14 por cento no primeiro trimestre e sete por cento em 2026”, afirmou Umansky. “O crescimento em 2026 é apoiado por comparações fáceis no primeiro semestre e pela continuação da flexibilização dos fluxos monetários e da emissão de vistos”, foi frisado.

Vitaly Umansky adiantou ainda que se houver algum aumento inesperado das receitas no mercado de massas que os resultados da indústria do jogo podem superar a previsão indicada e que esse aumento iria beneficiar as concessionárias actualmente com maior capacidade.

Wynn, MGM e Melco anunciam bónus para trabalhadores

As concessionárias do jogo Wynn Resorts, e MGM China anunciaram um bónus equivalente a um mês de trabalho que vai abranger entre 95 e 98 por cento dos trabalhadores. A informação foi divulgada ontem através de comunicados, depois de a concessionária Galaxy ter anunciado uma medida semelhante, na terça-feira.

No que diz respeito à Wynn Macau, o bónus vai abranger 98 por cento dos actuais 11.552 trabalhadores elegíveis, como “reconhecimento das contribuições excepcionais de todos os membros da equipa ao longo do último ano”. “Estamos verdadeiramente gratos pelos esforços e contribuições dos membros da nossa equipa ao longo do último ano e temos o prazer de anunciar um subsídio especial em reconhecimento do seu trabalho árduo”, afirmou Linda Chen, vice-presidente e directora executiva da Wynn Macau. “Este ano comemoramos o importante marco do nosso 20.º aniversário em Macau — não é só uma conquista para a Wynn, mas também uma prova da dedicação de todos os membros da nossa equipa”, acrescentou.

Tendências gerais

No caso da MGM o bónus vai abranger 95 por cento dos trabalhadores, como “reconhecimento pela sua dedicação e contribuições ao longo de 2025”. O montante começará a ser pago a partir do dia 21 deste mês.

“Reflectindo sobre 2025, levámos adiante um novo capítulo, optimizando continuamente os nossos produtos inovadores e experiências de serviço, alcançando um progresso constante no desenvolvimento dos nossos negócios – tudo graças à dedicação e ao trabalho árduo da nossa equipa”, indicou Pansy Ho, presidente e directora executiva da MGM China em comunicado. “Olhando para o futuro, a MGM continuará a melhorar os seus pontos fortes, com um foco inabalável nos nossos hóspedes. Guiados pela filosofia de ‘Originalidade + Inovação’, vamos continuar dedicados a contribuir para o posicionamento de Macau como um centro turístico e de lazer de classe mundial, através da introdução contínua de ofertas turísticas mais diversificadas”, frisou.

Finalmente, a Melco Resorts também anunciou um bónus para “os trabalhadores elegíveis”, mas a proporção da força de trabalho abrangida não foi indicada. “O pagamento do bónus discricionário reconhece a dedicação e o apoio dos nossos colegas ao longo do ano passado. Agradecemos sinceramente a sua lealdade e empenho em superar consistentemente as expectativas dos hóspedes, o que, em conjunto, ajuda a empresa a manter e a destacar a sua posição de liderança na indústria do entretenimento e da hotelaria”, disse Lawrence Ho, presidente do grupo.

Zona de Espectáculos | Governo admite mudança de finalidade

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, admitiu, no debate desta quarta-feira na Assembleia Legislativa (AL), que a Zona de Espectáculos ao Ar Livre, no Cotai, poderá vir a acolher outro tipo de actividades comunitárias que não apenas concertos.

Em resposta a uma interpelação oral do deputado Chan Lai Kei, a secretária afirmou que, depois de um ano de utilização experimental, pretende-se “ampliar e reforçar as funções do local”, sendo “utilizados os espaços disponíveis entre os concertos para transformar o local em campos de basquetebol 3×3 ou em espaços de realização de actividades desportivas em família”.

A Zona será, assim, “um espaço aberto aos cidadãos por forma a aumentar a flexibilidade e benefícios gerais de utilização”. “Quanto à questão levantada relativamente à introdução de eventos diversificados como feiras culturais e criativas, entre outras, o Governo irá manter uma atitude aberta no processo de avaliação”, disse ainda a secretária.

Habitação | Chan Lai Kei alerta Governo para problemas de infiltrações

O deputado Chan Lai Kei alertou o Governo para as necessidades dos residentes que têm infiltrações em casa e não conseguem entrar em contacto com os vizinhos para resolver o problema. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, em que o deputado indica que existem actualmente 1.700 edifícios em Macau que apresentam problemas de envelhecimento estrutural.

“À medida que tanto os residentes como os edifícios envelhecem, as infiltrações de água e os esgotos entupidos causados pelo envelhecimento dos sistemas de drenagem dos edifícios tornaram-se problemas persistentes que incomodam os residentes”, escreveu o deputado.

Face a esta situação, o deputado indica que o Centro de Interserviços para Tratamento de Infiltrações de Água nos Edifícios da Administração Pública recebeu mais de 1.900 pedidos de auxílio e informações entre Janeiro e 12 de Dezembro. “Quase 90 por cento foram resolvidos através de mediação, mas aproximadamente 152 casos ficaram por resolver, uma vez que os proprietários não cumpriram ou não cooperaram após a mediação”, revelou. “Os residentes que enfrentam problemas de infiltração de água deparam-se constantemente com três grandes dificuldades: obter acesso à propriedade, realizar inspecções e obter uma indemnização”, alertou.

O legislador pede assim ao Governo que promova uma campanha sobre a obrigação dos proprietários das fracções que recusam cooperar com os vizinhos para resolver infiltrações. O deputado pede ainda ao Executivo que tome medida “preventivas” para lidar com estes problemas.

Inquérito | Mais de metade dos jovens desapontados com salários

Um inquérito da Associação Geral das Mulheres revela que mais de metade dos jovens acha que os salários estão abaixo das expectativas e um terço admite falta de experiência profissional. No capítulo da formação, quase metade dos inquiridos gostaria de ter mais proficiência em línguas

A Associação Geral das Mulheres de Macau apresentou ontem um inquérito focado no emprego dos jovens. No momento de procurar emprego, ou mudar de carreira profissional, mais de 50 por cento dos jovens inquiridos indicaram que os salários e benefícios estão abaixo das suas expectativas. Ainda neste tema, cerca de 42 por cento apontou a elevada competição como desafio principal, um terço confessou não ter experiência profissional relevante. Outro desafio mencionado, foi o desencontro entre as competências e as exigências do mercado de trabalho de Macau.

A desadequação entre as capacidades dos jovens e as exigências laborais, aliada à falta de oportunidades para desenvolver competências avançadas e ao elevado custo de certificações profissionais foi identificada como um dos maiores entraves no início da carreira.

No que toca ao desenvolvimento de competências, quase metade dos inquiridos apontou a formação em línguas como a sua escolha preferencial, seguido daquilo a que os autores do inquérito designaram como “habilidades interpessoais” (resolução de problemas complexos e capacidade negocial). As outras competências elencadas pelos jovens foram capacidades de gestão e liderança.

Falta de espaço

Em relação às acções de formação, o inquérito da Associação Geral das Mulheres revela que quase 50 por cento dos jovens deseja aceder a cursos práticos sobre conteúdos digitais (como Inteligência Artificial e mega-dados). Por outro lado, cerca de 46 por cento gostaria de frequentar cursos de certificação profissional internacionalmente reconhecidos.

Além disso, mais de metade dos jovens afirmou que o mercado laboral de Macau é demasiado pequeno, sem projectos avançados de desenvolvimento de competências ou planos de formação profissional internacionalmente reconhecidos. O tempo e custo financeiro deste tipo de formação foi apontado como um entrave à progressão profissional por mais de 37 por cento dos inquiridos.

Em termos de prioridades no mercado de trabalho, quase 75 por cento dos inquiridos indicou dar prioridade aos salários, ao equilíbrio entre o trabalho e os tempos livres e à estabilidade laboral. O inquérito foi realizado online, entre Outubro e Novembro, a residentes com idades entre os 18 e 45 anos, contando com 568 respostas válidas.

Durante a apresentação dos resultados do estudo, as deputadas Wong Kit Cheng e Loi I Weng fizeram recomendações para endereçar os desafios enumerados pelos jovens. As primeiras sugestões foram políticas que o Governo indica há anos como prioritárias, como a construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin e a diversificação adequada da economia.

As deputadas pediram também o aumento do apoio ao Programa de Prémios por Formação e Exames de Credenciação dos Quadros Qualificados para, pelo menos, 10 mil patacas.

Grande Baía | Prometido alinhamento de sistemas de segurança social

Os governos de Guangdong e Macau reiteraram o compromisso de aprofundar a cooperação nas matérias laborais e de segurança social, num périplo de uma delegação da RAEM a Guangzhou, Jiangmen e Zhongshan. A delegação composta por representantes da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e do Fundo de Segurança Social participou em seminários e visitou centros de serviços públicos e de formação profissional.

Durante as visitas, os representantes da RAEM e as autoridades de Guangdong acordaram detalhes para implementar estágios profissionais para os jovens de Macau, assim como um mecanismo de partilha de dados em matéria de segurança social entre Guangdong e Macau. Foi também prometido o reconhecimento recíproco dos níveis de técnicas profissionais e de exames de “formação de quadros qualificados com competências técnicas na área de reabilitação por acidentes de trabalho”.

Em relação às visitas propriamente ditas, a delegação de Macau esteve no Centro dos Serviços Administrativos em Jiangmen para analisar o processo dos serviços de segurança social providenciados pelo Balcão Único aos residentes de Macau e projectos industriais montados na cidade.

Em Zhongshan, a delegação visitou o instituto de formação de técnicos, “onde observou a base nacional de formação de doçaria e pastelaria ocidental, conhecendo os trabalhos de formação dos referidos quadros qualificados”, indicou ontem a DSAL em comunicado.

Aeroporto | Reconhecimento facial agiliza controlo de segurança

A empresa que gere o Aeroporto Internacional de Macau anunciou ontem a entrada em funcionamento do novo sistema de reconhecimento facial na área do controlo de segurança, depois de um período experimental de uma semana. A Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau especificou que o sistema passou a permitir que os passageiros façam o controlo de segurança em dois minutos (sem necessidade de abrir a bagagem de mão ou revistas corporais).

Os passageiros com mais de 11 anos, que tenham documentos de viagem electrónicos, podem fazer o registo nos balcões de check-in, quiosques de auto-atendimento ou nos portões de segurança electrónicos. Feito o registo, o reconhecimento facial fica associado aos dados do passaporte e do cartão de embarque, permitindo prosseguir até ao avião sem mostrar documentos físicos ou o bilhete da viagem.

Foi acrescentado que, actualmente, todos as portas ligadas às portas de embargue ligadas a pontes para o avião estão “equipadas com sistemas de auto-embarque para conveniência dos passageiros. O sistema de reconhecimento facial faz parte do plano de modernização da área de segurança no aeroporto que implica um investimento de 43 milhões de patacas.

Seguro automóvel | Pedida revisão de valores de cobertura

Sem qualquer alteração há 15 anos, a deputada ligada à comunidade de Fujian questiona o Governo sobre a revisão do valor mínimo do seguro que actualmente é de 750 mil patacas para ciclomotores e de 1,5 milhões de patacas para motociclos e automóveis

A deputada Song Pek Kei defende a necessidade de aumentar o valor mínimo de cobertura do seguro de responsabilidade civil para os acidentes de trânsito. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, com a legisladora a alertar para o facto de a parte responsável pelo acidente ficar frequentemente em dificuldades para pagar a indemnização.

Song indica que actualmente se os residentes optarem pelos seguros mais baratos, o valor máximo que as seguradoras têm de cobrir é de 750 mil patacas, se conduzirem um ciclomotor, ou de 1,5 milhões de patacas, se o veículo conduzido for um automóvel ou um motociclo. Todavia, a legisladora considera os valores desadequados porque se mantêm inalterados “há 15 anos”, apesar do desenvolvimento social.

A deputada ligada à comunidade de Fujian aponta também que como o rendimento mediano dos residentes se aproxima de 20 mil patacas e “a indemnização atribuída pelos tribunais por um único acidente de trânsito excede normalmente o limite mínimo da cobertura do seguro” a parte considerada responsável fica em dificuldades para “proporcionar uma indemnização razoável à vítima” do sinistro.

Por estes motivos, e por definir o montante de cobertura “inadequado para responder à evolução social”, Song questiona o Governo sobre se vai aumentar o valor mínimo de cobertura para responder “à crescente procura de indemnizações”. A deputada sugere também a criação de um mecanismo de revisão regular do montante para evitar problemas como o actual, em que o valor da cobertura se afasta regularmente da realidade.

Indemnizações excessivas?

Na interpelação, Song Pek Kei considera ainda que as indemnizações determinadas pelos tribunais devem ser razoáveis, para acompanharem a evolução social. “Montantes de indemnização excessivamente elevados impõem um encargo irrazoável às partes responsáveis e não estão em consonância com a evolução da sociedade contemporânea”, apontou.

Segundo Song, em causa está o facto de as decisões dos tribunais condenarem os responsáveis pelos acidentes regularmente a cobrir danos não materiais, tais como sofrimento mental e perda de rendimentos futuros. Como o seguro apenas cobre os “danos corporais e danos materiais parciais”, a deputada indica que os condenados a pagar ficam regularmente em dificuldades para fazer face ao pagamento das indemnizações.

Além disso, a legisladora pretende esclarecimentos sobre a hipótese de os seguros passarem a abranger os tipos de compensação que agora são deixados de fora.

Universidade de Macau | Antigos docentes recordam experiências

A Universidade de Macau celebra 45 anos e o HM convidou dois antigos docentes a recordar experiências profissionais na instituição. Brian Hall, da área da psicologia, encontrou “o ambiente ideal” para iniciar a carreira. Vera Lúcia Raposo diz ter “aprendido muito” e encarado o Direito como um “lugar de encontro”

Começa este domingo uma série de eventos para celebrar os 45 anos de existência da Universidade de Macau (UM), entre eles o “Dia Aberto” que decorre no Teatro Lakeside entre as 11h e as 17h (ver texto secundário). Foi em Março de 1981, ainda com a designação de Universidade da Ásia Oriental, que a UM começou a dar os primeiros passos no ensino superior local, nomeadamente no ensino do Direito em língua portuguesa.

Era a primeira vez que Macau tinha a sua própria universidade, disponibilizando uma oferta educativa a nível superior para os residentes, que já não tinham apenas o exterior como possibilidade de prosseguir estudos, como Portugal, Reino Unido, Hong Kong ou Austrália.

Para lembrar a efeméride, o HM convidou dois antigos professores da instituição, de duas áreas académicas diferentes, para contar a sua experiência na UM.

Vera Lúcia Raposo, que foi docente na Faculdade de Direito a partir de Janeiro de 2014, recorda de ter sentido “um choque”. “As aulas eram integralmente em inglês, e nunca tinha leccionado um curso completo nessa língua, a pressão para publicar em revistas indexadas era absoluta e o sistema de avaliação era periódico, exigente e implacável. Nada ali se parecia com o regime a que estava habituada, onde o simples decurso do tempo parecia, muitas vezes, garantir o avanço natural da carreira académica”, contou.

Porém, chegou a adaptação e acabou por seguir “as regras” até hoje, nomeadamente na NOVA School of Law. “À época, porém, essas exigências eram ainda profundamente estranhas em Portugal, e continuam a sê-lo, em muitos contextos, mesmo hoje”, refere.

Vera Lúcia Raposo diz ter “aprendido muito” na UM, pois “as exigentes metas de produção científica e a investigação interdisciplinar contribuíram para definir o tipo de académica que sou hoje”. “Devo à UM mais do que uma passagem profissional, e sim uma transformação”, assegura.

Um caldeirão cultural

A antiga docente da Faculdade de Direito da UM recorda também a chegada a um território que era “um espaço de verdadeira amálgama cultural”, com a instituição a ser disso exemplo.

“Trabalhar lado a lado com colegas de diferentes nacionalidades e culturas foi um privilégio raro. Em particular, a convivência intelectual entre colegas chineses, macaenses e portugueses, no estudo e no ensino do Direito de Macau, ofereceu-me uma forma absolutamente singular de pensar o Direito: menos autocentrada, mais dialogante, mais consciente da sua contingência cultural e histórica”, destacou Vera Lúcia Raposo.

Brian Hall, que deu aulas na Faculdade de Ciências Sociais e coordenou o “Global and Community Mental Health Research Group”, destaca a possibilidade de fazer trabalho pioneiro na área da saúde mental. “A UM proporcionou-me a oportunidade de desenvolver cursos únicos e nunca antes ministrados em Saúde Mental Global e Saúde Global. Foram os primeiros cursos deste tipo em Macau e na universidade”, recordou Brian Hall, que hoje está ligado à New York University Shanghai.

“Fiquei grato por ter alunos realmente excelentes que se interessaram por tópicos como migração, saúde mental global e digital, e gostei muito de os orientar dentro e fora da sala de aula.”

Os primeiros prémios

O académico realça também o facto de ter publicado “regularmente artigos de investigação com os alunos de graduação e pós-graduação, levando-os a conferências internacionais de investigação, onde ganharam prémios”. “Fomos dos primeiros na universidade a alcançar esses excelentes resultados e sou eternamente grato à UM por me proporcionar todas essas oportunidades”, confessou.

Brian Hall adiantou também que entrou na UM “num período de transição e crescimento ambiciosos para se tornar numa universidade de investigação”, proporcionando “um ambiente ideal para iniciar a carreira”. Quando estava na UM, Brian Hall recebeu, em 2020, um prémio pelo trabalho desenvolvido, o “Excellence in Advising Award” do Center for Global Health da Universidade Johns Hopkins, da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health.

“A universidade recompensou-me pelo meu excelente desempenho em investigação, concedendo-me permissão para me candidatar a uma promoção antecipada a professor associado, que me foi concedida apenas quatro anos após ingressar na universidade. A UM serviu de trampolim para construir uma carreira regional e internacional”, disse.

Livro do Génesis

A necessidade de criar uma universidade em Macau surgiu da vontade de desenvolver o território, sobretudo tendo em conta a assinatura da Declaração Conjunta entre Portugal e a China, em 1987.

O antigo Governador de Macau Garcia Leandro recordou os primeiros momentos da criação da futura universidade no livro “Macau nos Anos da Revolução Portuguesa 1974-1979”, onde se lê que o orçamento inicial foi de 40 milhões de patacas para a construção “num terreno na ilha da Taipa, com projecto moderno de arquitectura”.

A instituição deveria ter capacidade para “uma população de dois mil alunos em quatro anos, ao ritmo de 500 por ano”, sendo que “a regência das várias cadeiras dos cursos garantida por um professor decano doutorado pela Universidade de Oxford e por vários professores universitários originários da Matteo Ricci, da Universidade Chinesa de Hong Kong e também dos EUA”, descreve-se.

O primeiro contrato para formar a equipa docente e os conteúdos pedagógicos foi assinado em Fevereiro de 1979 com o grupo Matteo Ricci. “Creio que foi mais um bom serviço prestado à população”, escreveu o antigo Governador. Em 1991, a instituição mudava de nome para o que tem actualmente.

Segundo dados do relatório anual de 2024, o último disponível, a UM tem 52.146 estudantes graduados, sendo que no primeiro semestre do ano académico de 2024/2025 frequentavam a uniersidade 15.147 estudantes, de todos os graus de ensino. Destaque para o maior número de estudantes do exterior, 9.328, face aos 5.819 locais.

Dia aberto em Hengqin

Apesar de ter sido formalmente criada em Março, a UM começa a celebrar este domingo 45 anos de existência com um Dia Aberto. Segundo um comunicado da instituição de ensino, entre as 11h e as 17h o público poderá conhecer o Teatro Lakeside, onde decorre a primeira cerimónia, e depois outras áreas do campus em Hengqin, nomeadamente o campus principal e o Instituto de Investigação Científica e Tecnológica da UM em Zhuhai, no Vale do Empreendedorismo Juvenil em Hengqin.

Neste percurso inclui-se ainda a possibilidade de conhecer, pela primeira vez, o Local de Investigação e Educação Transitório na Torre Yuxin, na Zona de Cooperação. “Através de uma ampla gama de actividades no local e transmissões online ao vivo, o evento irá mostrar os mais recentes desenvolvimentos e conquistas da UM no ensino, investigação e serviço comunitário”, destaca a mesma nota, que recorda como a UM foi a primeira instituição de ensino superior de Macau a “alargar as actividades de ensino e investigação à Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau em Hengqin”.

Nesse dia haverá também “aproximadamente 250 actividades no campus principal ao longo do dia, incluindo palestras sobre admissão, actividades académicas e de investigação e jogos interactivos”.

“Os visitantes interessados em assuntos académicos podem assistir a palestras envolventes sobre ciências e outras disciplinas, enquanto os entusiastas do desporto podem explorar as instalações desportivas da UM. As famílias também podem participar em jogos interactivos em stands, experiências científicas, workshops e desafios de conhecimento organizados por várias faculdades, residências e laboratórios”, é revelado. No Dia Aberto haverá também descontos na área da restauração.

Gronelândia | China apela ao respeito pela Carta da ONU

Pequim defendeu ontem que as relações entre países devem respeitar os princípios da Carta das Nações Unidas, após declarações dos Estados Unidos sobre uma possível acção militar para assumir o controlo da Gronelândia.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning disse em conferência de imprensa que a posição de Pequim tem sido consistente ao defender que as relações entre Estados devem ser geridas de acordo com os objectivos e princípios da Carta da ONU, sem fazer mais comentários sobre o caso.

O tema surgiu após Washington ter sugerido novamente a possibilidade de utilizar meios militares na sua estratégia para adquirir ou influenciar o controlo da Groenlândia, uma questão que tem gerado oposição de países europeus e do próprio governo dinamarquês, que afirmam que o território só pode decidir o seu futuro soberanamente.

As declarações de Mao ocorrem num contexto de tensão internacional ampliado pela recente operação militar dos EUA na Venezuela, na qual as forças norteamericanas capturaram o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e que suscitou debate sobre a legalidade do uso da força e o respeito pela soberania de Estados.

A China tem intensificado apelos ao respeito pelo direito internacional e à soberania dos Estados na sequência das ações externas dos EUA, sublinhando que qualquer controlo de território soberano por outro país deve respeitar as normas e princípios consagrados na Carta das Nações Unidas.

Hong Kong | Nuno Borges segue para os quartos de final após bater Marin Cilic

O número um português Nuno Borges qualificou-se ontem para os quartos de final do Open de Hong Kong em ténis após bater o croata Marin Cilic em dois parciais.

O primeiro parcial foi mais equilibrado, com o jogador natural da Maia, 47.º do ranking ATP, a ser o primeiro a quebrar o serviço do veterano de 37 anos, número 70 do mundo. O vencedor do Open dos Estados Unidos em 2014 ainda respondeu na mesma moeda, mas Borges voltou a quebrar o jogo do veterano bósnio para conquistar o primeiro parcial por 7-5.

O português entrou melhor no segundo ‘set’, vencendo os três primeiros jogos, vantagem que manteve para fechar o parcial em 6-3 e vencer a partida ao fim de apenas 47 minutos. Nos quartos de final, Borges vai defrontar o vencedor do encontro entre o terceiro cabeça de série do torneio e 16.º mundo, o russo de 28 anos Andrey Rublev, e o chinês de 26 anos Wu Yibing, o número 179 do mundo, que veio da qualificação.

Borges é o oitavo cabeça de série do torneio da região chinesa, que serve também de preparação para o Open da Austrália – um dos quatro Grand Slam, os principais torneios do ténis mundial – que arranca a 12 de Janeiro.

Na temporada de 2025, o maiato bateu, pela primeira vez na carreira, um jogador do top 10, o número oito mundial, o norueguês Casper Ruud, na segunda ronda de Roland Garros, em Maio. Borges chegou também à quarta ronda no Open da Austrália, em Janeiro de 2025, e no Open dos Estados Unidos, em Agosto, sendo ainda o primeiro português a atingir os oitavos de final do Masters 1.000 de Xangai, na China, em Outubro.

Comércio | Pequim anuncia nova medida contra o Japão

A China agravou ontem a tensão comercial com o Japão ao anunciar uma investigação ‘antidumping’ sobre importações dum gás químico usado na produção de semicondutores, depois de impor restrições à exportação de produtos de uso dual.

O ministério do Comércio chinês justificou a medida com base numa queixa da indústria doméstica, que alegou uma queda de 31 por cento nos preços das importações japonesas de dicloro silano entre 2022 e 2024. “O ‘dumping’ de produtos importados do Japão prejudicou a produção e as operações da nossa indústria nacional”, lê-se no comunicado.

A decisão surge após Pequim ter proibido na terça-feira a exportação para o Japão de bens considerados de uso dual – com possíveis fins civis e militares. As relações entre os dois países deterioraram-se nas últimas semanas, depois de a nova primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter sugerido que as Forças Armadas do Japão poderiam intervir caso a China tomasse medidas contra Taiwan.

As tensões aumentaram ainda mais na terça-feira, quando o deputado japonês Hei Seki – sancionado anteriormente por Pequim por “espalhar falsidades” sobre Taiwan – visitou a ilha e declarou que Taiwan é um país independente. “Vim a Taiwan para demonstrar isso e dizer ao mundo que Taiwan é um país independente”, afirmou, segundo a agência oficial de notícias de Taiwan, CNA.

Questionada sobre estas declarações, a porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning, respondeu: “Palavras odiosas de um vilão insignificante não merecem comentário”.

O director para os Assuntos da Ásia e Oceânia do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, Masaaki Kanai, apelou à China para levantar as restrições comerciais e classificou como “inaceitável” qualquer medida dirigida exclusivamente ao Japão e fora das práticas internacionais. Tóquio, no entanto, ainda não anunciou retaliações.

Trunfos raros

Cresce, entretanto, a especulação de que a China poderá impor restrições à exportação de terras raras para o Japão, à semelhança do que já fez com os Estados Unidos no contexto da guerra comercial entre os dois países. A China detém a maior parte da produção mundial de terras raras pesadas, essenciais para a produção de ímanes resistentes ao calor utilizados nas indústrias de defesa e veículos eléctricos.

Embora o ministério não tenha mencionado novas restrições neste sector, o jornal oficial China Daily citou fontes anónimas segundo as quais Pequim está a considerar limitar exportações de certos metais raros para o Japão – informação não confirmada de forma independente.

Enquanto as relações com o Japão se agravam, a China tem procurado estreitar laços com a Coreia do Sul. O Presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, concluiu ontem uma visita de quatro dias à China – a primeira desde que assumiu funções, em Junho – durante a qual se reuniu com o homólogo chinês, Xi Jinping, e supervisionou a assinatura de acordos nas áreas da tecnologia, comércio, transportes e proteção ambiental.

Durante a visita, foram assinados 24 contratos de exportação, no valor total de 44 milhões de dólares, segundo o ministério sul-coreano do Comércio e Indústria. A imprensa chinesa assinalou ainda que, durante o feriado de Ano Novo, a Coreia do Sul ultrapassou o Japão como principal destino de voos internacionais a partir da China continental.

Pequim tem desaconselhado as viagens ao Japão, alegando que as declarações das autoridades japonesas sobre Taiwan representam “riscos significativos” para a segurança dos cidadãos chineses no país.

Venezuela e a Nova Geopolítica Mundial

“Power reshapes the world not only through action, but through the precedents it dares to create.” – Henry Kissinger

A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, em 3 de Janeiro de 2026, não pode ser compreendida apenas como um gesto de força num país debilitado mas deve ser lida como um acontecimento que expõe a tensão estrutural entre soberania, responsabilidade e poder num mundo em transição. A operação, executada com precisão quase cirúrgica, limitouse a extrair Nicolás Maduro e Cilia Flores de Caracas e a transportálos para Nova Iorque, onde enfrentam um processo judicial que rapidamente ultrapassou a esfera penal para se converter num fenómeno político, filosófico e jurídico de alcance global.

A ausência de ocupação territorial, de administração provisória ou de qualquer tentativa de reorganizar o Estado venezuelano por enquanto revela uma doutrina que rompe com o paradigma intervencionista do início do século XXI em que os Estados Unidos não procuram reconstruir países, apenas neutralizar focos de ameaça, deixando para trás o vazio político que inevitavelmente se forma quando um regime perde o seu centro de gravidade. Esse vazio foi preenchido por Delcy Rodríguez, cuja ascensão não resulta de qualquer mandato popular, mas da inércia de uma máquina estatal que, há muito, deixou de funcionar como instituição republicana e passou a operar como instrumento de sobrevivência de um projecto político esgotado. A sua legitimidade é puramente mecânica, derivada da linha de sucessão interna do chavismo, e não da vontade expressa nas urnas, que em 2024 conferiu a Edmundo González Urrutia um mandato que nunca chegou a exercer.

A extracção de Maduro não dissolveu as redes que sustentavam o regime; apenas retirou a figura que lhes dava rosto. Delcy herdou um Estado corroído, mas funcional o suficiente para manter a aparência de normalidade, enquanto as estruturas subterrâneas militares, económicas e criminais continuam a operar com a mesma lógica que transformou a Venezuela num Estado narco. O julgamento em Nova Iorque tornouse um laboratório jurídico que desafia categorias tradicionais do direito internacional. A invocação de jurisdição universal para crimes transnacionais cometidos por um chefe de Estado ainda que ilegítimo capturado por meios militares coloca em tensão princípios que, durante décadas, pareciam inquestionáveis. A imunidade soberana, concebida para proteger a estabilidade das relações internacionais, confrontase com a ideia de que certos crimes, pela sua natureza, não podem ser escudados por prerrogativas funcionais.

A defesa irá argumentar que a captura viola normas fundamentais, enquanto a acusação sustentará que a gravidade dos factos imputados justifica a excepção. O tribunal tornar-se-á palco de uma disputa que ultrapassa o destino individual dos acusados e toca no próprio equilíbrio entre soberania, responsabilidade e poder. A transmissão global do processo amplificará cada gesto e palavra, convertendo o julgamento num acontecimento político que redefine fronteiras conceptuais. A discussão jurídica remete inevitavelmente para precedentes históricos que moldaram a compreensão contemporânea da responsabilidade penal individual. O julgamento de Eichmann, capturado em Buenos Aires e levado a Jerusalém em 1961, é frequentemente citado como exemplo de que a captura extraterritorial, embora controversa, não invalida necessariamente a legitimidade do processo.

A doutrina que emergiu desse caso com a ideia de que certos crimes são tão graves que transcendem fronteiras ecoa no debate actual. Contudo, a comparação tem limites pois Eichmann era um fugitivo sem estatuto oficial, enquanto Maduro era chefe de Estado no momento da captura, o que reactiva a discussão sobre imunidades funcionais e pessoais. O caso Pinochet, julgado parcialmente no Reino Unido, introduziu outra fissura no edifício jurídico tradicional ao admitir que crimes de tortura não podem ser protegidos por imunidade soberana. A jurisprudência internacional evoluiu desde então, mas permanece fragmentada, oscilando entre a defesa da soberania e a afirmação de uma ordem jurídica internacional que responsabiliza indivíduos independentemente do cargo que ocupam. A Venezuela, entretanto, permanece suspensa entre dois tempos.

A oposição democrática, embora legitimada pelo voto, continua afastada do exercício do poder. Edmundo González Urrutia, exilado em Espanha, tornouse símbolo de uma legitimidade que existe no plano internacional, mas não no território que deveria governar. María Corina Machado, reaparecida após a queda de Maduro, recuperou protagonismo interno, mas enfrenta um obstáculo estrutural, de que o Estado formal é apenas a superfície visível de um sistema paralelo, onde redes criminais, interesses militares e alianças informais moldam a realidade política. A oposição possui legitimidade, mas não controla o território; tem apoio internacional, mas não dispõe dos instrumentos coercivos que definem o poder efectivo. A estrutura militar venezuelana, longe de ser desmantelada pela operação americana, permanece fragmentada e permeada por lealdades contraditórias.

A extracção de Maduro neutralizou apenas o círculo mais próximo, deixando intacta uma hierarquia corroída por décadas de politização, corrupção e envolvimento em economias ilícitas. Muitos oficiais superiores mantêm vínculos com redes que operam à margem da legalidade, enquanto sectores intermédios procuram reposicionarse para garantir a própria sobrevivência. A ausência de uma intervenção institucional mais ampla permitiu que o Estado narco continuasse a funcionar, agora sob a liderança de Delcy Rodríguez, que tenta reorganizar o chavismo sem o seu líder histórico, preservando os mecanismos informais que garantem a continuidade do poder. A economia venezuelana, devastada por anos de má gestão e hiperinflação, permanece num estado de colapso estrutural. A PDVSA, outrora símbolo de prosperidade, opera muito aquém da sua capacidade, e a queda global dos preços do petróleo reduz ainda mais a margem de manobra financeira. A extracção de Maduro não alterou esta realidade. Sem reformas profundas, transição política e confiança internacional, a economia continua paralisada.

A criminalização da economia política impede qualquer recuperação sustentável, uma vez que as redes ilícitas capturam receitas, distorcem incentivos e bloqueiam qualquer tentativa de reconstrução institucional. A Venezuela tornouse um caso extremo de Estado onde a economia formal é apenas um fragmento residual de um sistema dominado por circuitos paralelos. A comunidade portuguesa, uma das maiores diásporas lusófonas fora da Europa, vive num ambiente de incerteza permanente. A instabilidade política, a ausência de reformas e a continuidade das redes criminais criam riscos significativos, mas também oportunidades caso surja um mínimo de previsibilidade. Portugal pode desempenhar um papel relevante através de protecção consular reforçada e diplomacia económica, mas qualquer iniciativa dependerá da evolução interna do país. No plano internacional, a operação americana reforçou a tendência de substituição do multilateralismo por acções unilaterais cirúrgicas.

A ausência de coordenação com organismos internacionais fragilizou alianças tradicionais e intensificou rivalidades com potências emergentes, num contexto em que Rússia e China haviam respondido com demonstrações militares no Caribe e no Golfo Pérsico para sinalizar que contestam a projecção de poder dos Estados Unidos e pretendem preservar a sua influência num hemisfério historicamente sensível à intervenção externa. A Venezuela tornouse, assim, um microcosmo da nova ordem global; um espaço onde se cruzam disputas estratégicas, tensões jurídicas e conflitos de legitimidade. O futuro do país dependerá da interacção entre factores internos e externos, agora profundamente alterados pela cooperação de Delcy Rodríguez com Washington e pelo controlo crescente do sector petrolífero pelos americanos.

Entre 2026 e 2030, quatro trajectórias principais podem ser delineadas. A primeira é a consolidação tutelada de Delcy Rodríguez, que não representa apenas a continuidade do chavismo, mas sim a adaptação do regime a uma nova realidade geopolítica. A cooperação com os Estados Unidos transforma o chavismo num sistema parcialmente domesticado, onde o Estado narco continua a operar, mas dentro de limites impostos externamente. A estabilidade tornase dependente da tolerância americana, da disciplina relativa das Forças Armadas e da capacidade do regime de redistribuir rendas petrolíferas sob vigilância implícita. Não é uma estabilidade soberana, mas uma estabilidade sob tutela, em que Caracas governa enquanto Washington define o perímetro do possível.

A segunda trajectória é a transição pactuada, agora reconfigurada pela centralidade do petróleo. Já não se trata apenas de uma saída controlada em troca de garantias pessoais para sectores do chavismo, mas de uma negociação políticoenergética em que Washington aceita uma abertura gradual e uma recomposição institucional desde que mantenha influência decisiva sobre o sector petrolífero. Delcy tornase a ponte entre o sistema e a transição, oferecendo aos americanos previsibilidade energética e ao chavismo garantias de sobrevivência parcial. A mudança política seria limitada, mas real, e permitiria um pluralismo controlado sob supervisão internacional.

A terceira trajectória é a implosão do sistema, agora agravada pela própria cooperação petrolífera. A gestão partilhada do sector energético pode aprofundar fissuras internas, sobretudo entre militares, redes criminais e facções ideológicas que vêem a aproximação aos Estados Unidos como traição. A deterioração económica, a desigualdade na redistribuição das rendas e a competição por recursos sob tutela externa podem acelerar a fragmentação do Estado, criando enclaves de poder autónomo e multiplicando actores armados. Neste cenário, a tutela energética não impede a implosão; amplificaa, ao introduzir novos motivos de disputa e desconfiança.

A quarta trajectória é a possibilidade de uma segunda intervenção americana, agora mais plausível precisamente porque a cooperação petrolífera cria um critério de avaliação. Se, apesar do controlo energético, o chavismo reorganizado sob Delcy continuar a operar como Estado narco e não ocorrer transformação política substantiva, Washington poderá concluir que a extracção de Maduro foi insuficiente. A nova intervenção não implicaria necessariamente ocupação territorial, mas poderia assumir formas cirúrgicas como a neutralização de actores militares específicos, bloqueio de redes financeiras ilícitas, operações adicionais contra estruturas de segurança ou mesmo uma intervenção multinacional legitimada por colapso humanitário extremo. A mera existência desta hipótese fragiliza a primeira trajectória, pois a consolidação de Delcy só seria sustentável num ambiente internacional disposto a tolerar a continuidade do chavismo que se torna cada vez menos provável.

Assim, a Venezuela permanece num limbo político e institucional sem Maduro, mas com chavismo; com administração funcional, mas sem legitimidade; com cooperação petrolífera com os Estados Unidos, mas sem soberania plena. A extracção de Maduro e a cogestão do petróleo não encerraram o ciclo; apenas reformularam o campo de batalha. A reconstrução exigirá diálogo inclusivo, reforma profunda e compromisso internacional com a legalidade. Até lá, o país permanece suspenso entre o fim de um regime que não existe e a impossibilidade de um futuro que ainda não começou.

O Homo Sapiens versus “Goldilocks Conditions”

Há cerca de 13,8 mil milhões anos deu-se o que se convencionou designar por “big bang”. Dessa grande explosão surgiu um universo em expansão, o qual é constituído essencialmente por energia escura, matéria escura, gases, poeiras, planetas e estrelas. Estas agruparam-se formando galáxias, numa das quais, a Via Láctea, se encontra o nosso planeta, felizmente bem longe, a cerca de 25 800 anos-luz, do buraco negro que ocupa a zona central.

Por um feliz acaso, durante a evolução do universo, o planeta Terra, que se formou há cera de 4,5 mil milhões de anos, ocupou uma posição ideal para que se criassem as condições para que surgisse vida. Os primeiros sinais de vida devem-se à existência de oxigénio na atmosfera e na hidrosfera, e à Terra orbitar em torno do Sol a uma distância que lhe permite receber radiação cuja intensidade não se pode considerar nem excessiva nem em falta. Surgiram, assim, as primeiras espécies de seres que evoluíram dando origem a centenas de milhares de outras espécies que se foram adaptando às variações do clima.

O sistema climático sofreu, entretanto, alterações devido a vários fatores, nomeadamente de origem cósmica e vulcânica. Entre os fatores cósmicos contam-se a variação da atividade solar e os ciclos de Milankovitch, que consistem em alterações da órbita em torno do Sol, relacionadas com a excentricidade, a obliquidade e a oscilação do eixo da Terra. Da ação destes e outros fatores resultaram mudanças do clima, entre as quais se contam as que provocaram as eras glaciares e interglaciares.

As condições favoráveis à existência de vida no nosso planeta são comumente designadas, nos meios relacionados com a astronomia e a astrobiologia, por “Goldilocks conditions”, que se poderá traduzir por “condições caracolinhos dourados”, assim designadas por analogia com a história infantil “Goldilocks and the three bears”, muito popular nos países anglófonos, de autoria de Robert Southey (1774-1843). Nesta história, uma menina de caracóis dourados escolhia sempre o meio-termo como a melhor opção entre as possibilidades que se lhe deparavam ao longo das suas traquinices. Por exemplo, entre três pratos de papa, um muito quente, outro muito frio e outro morno, escolhia o morno, ou entre três camas preferia a que não fosse nem muito dura nem muito mole, mas medianamente macia. Quando aplicada à astronomia, este conceito refere-se metaforicamente a uma zona habitável do universo.

Na realidade, mesmo podendo existir outros planetas com condições semelhantes às da Terra, não será possível, pelo menos nas décadas mais próximas, alcançá-los e aí criarmos as condições para que a nossa civilização possa sobreviver em caso de colapso das condições de vida no nosso planeta. Temos de zelar, portanto, pelo sistema climático da Terra. Caso contrário, poderão ocorrer extinções em massa de espécies. Tal já aconteceu por cinco vezes e há quem afirme que estamos perante a sexta extinção, devido às atividades humanas, com especial relevo para as alterações climáticas, poluição, destruição de habitats e exploração desenfreada de recursos naturais.

Atualmente não se deteta qualquer tendência significativa relativamente a fatores cósmicos que possam alterar as tais “Goldilocks conditions”. Porém, no que se refere ao comportamento humano, a realidade é que, se não refrearmos o uso indiscriminado dos combustíveis fósseis estamos a provocar o aumento significativo do aquecimento global. A humanidade não está a zelar para que as tais condições perdurem, atendendo a que o nosso planeta está a aquecer desde o início da era industrial, a um ritmo nunca observado anteriormente, o que provoca a degradação das várias componentes do sistema climático. E o futuro próximo não se apresenta risonho, pois o país que mais emite gases de efeito de estufa tem à sua frente um governo irresponsável que continua a ignorar os avisos de instituições encarregues de monitorizarem a evolução do clima e de zelarem pela sustentabilidade do nosso planeta. Pior do que isso, tem vindo a tomar medidas contrárias a essas recomendações como, por exemplo, a saída do Acordo de Paris, o despedimento de cientistas de organismos que lidam com a atmosfera e os oceanos, ou o corte de verbas a universidades onde se procede à investigação relacionada com a evolução do clima. Enfim, um rol de medidas que poderão contribuir para a deterioração do sistema climático, constituindo, assim, uma ameaça à vida no nosso planeta. O pior é que, como afirmou o ex-Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, “não há planeta B”.

Mas, poder-se-á perguntar, «que é que tudo isto tem a ver com as tais “Goldilocks conditions”?». Na realidade, as mudanças que o clima sofreu e que se estima causaram, nos últimos quatrocentos e cinquenta milhões de anos, algumas das cinco extinções em massa de seres vivos, processaram-se durante milhares de anos. É comumente aceite pelos paleontologistas e paleoclimatologistas que a maior ou menor concentração de dióxido de carbono foi uma das causas das mudanças climáticas que estiveram na base na maioria das extinções em massa. Apenas uma das grandes extinções, a dos dinossauros e outras espécies da megafauna, não está diretamente relacionada com o clima, mas sim devido ao impacto de um asteroide com a Terra, há cerca de 66 milhões de anos.

A grande diferença entre as mudanças climáticas de há milhares de anos e as alterações de que atualmente o clima está a ser alvo, consiste no facto de aquelas terem ocorrido lentamente, durante milhares de anos, enquanto as atuais se estão a verificar apenas desde o início da revolução industrial, ou seja, desde há cerca de duas centenas e meia de anos.

De acordo com o cosmólogo Stephen Hawking (1942–2018), “Like Goldilocks, the development of intelligent life requires that planetary temperatures be ‘just right'”. Inspirados nesta afirmação de alguém que estudou a fundo a evolução do universo, resta-nos contribuir para que as tais “Goldilocks conditions” continuem a ser cumpridas.

Luis Queirós (1) vai com certeza desculpar-me por utilizar os cálculos constantes no seu livro “A Humanidade e o Futuro” para evidenciar quão recente é o aparecimento do Homo sapiens, em relação ao surgimento dos primeiros indícios de vida, entre 3 mil milhões e 4 mil milhões de anos. Abandonando períodos numa escala geológica, difíceis de apreender, e recorrendo à correspondência de um valor intermédio, por exemplo 3,6 mil milhões de anos, a 40 horas, o Homo sapiens teria surgido apenas nos últimos quinze segundos. Permito-me acrescentar que, mantendo esta correspondência, os cerca de 250 anos desde a revolução industrial correspondem a 0,012 segundos. Esperemos que nas milésimas de segundo subsequentes o Homo sapiens refreie o uso dos combustíveis fósseis e leve a cabo uma efetiva transição energética, tomando medidas para travar e reverter o aquecimento global, fazendo com que as “Goldilocks conditions” nos continuem a proteger.

(Meteorologista)

(1) Luis Queirós – autor de “O Mundo em Transição” e “A Humanidade e o Futuro”. Fundador do Grupo Marktest, entidade pioneira dos estudos de mercado em Portugal. Instituiu a “Fundação Vox Populi” e criou o blogue “Transição”.

Venezuela | Global Times adverte para “grave erosão” da ordem internacional

Um editorial de um jornal do Partido Comunista Chinês advertiu ontem que a operação militar dos Estados Unidos, que resultou na captura do presidente venezuelano, representa uma grave erosão da ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.

O Global Times denuncia a “subversão dos princípios fundamentais do direito internacional”, incluindo a igualdade soberana, a não-ingerência nos assuntos internos dos Estados e a proibição do uso da força, ao permitir que “certos países decidam unilateralmente quem é culpado, quem deve ser punido e de que forma”.

“Se tais práticas forem toleradas, o direito internacional será reduzido a uma ferramenta aplicada selectivamente, e o mecanismo colectivo de segurança estabelecido pela Carta das Nações Unidas será esvaziado”, lê-se no editorial. O jornal sublinha que a detenção e transferência de um chefe de Estado em funções, sem mandado claro das Nações Unidas, não é apenas uma violação da soberania de um país, mas um ataque directo à previsibilidade e à autoridade do direito internacional.

“O que está em causa não é apenas a segurança da Venezuela, mas o futuro da ordem jurídica internacional”, escreve o jornal em língua inglesa, recordando que vários representantes expressaram preocupações semelhantes numa reunião do Conselho de Segurança da ONU.

O Global Times considera que a imposição da força sobre as regras multilaterais representa um retorno ao “estado de natureza” hobbesiano, onde os fortes ditam as regras. “A esmagadora maioria dos países não deseja regressar a uma selva internacional regida pela lei do mais forte”, afirma.

Fábrica de histórias

A publicação também critica o que classifica como “narrativas fabricadas” por Washington para justificar a operação, afirmando que substituir normas jurídicas por julgamentos políticos arbitrários apenas gera instabilidade global e enfraquece o sistema multilateral.

Pequim tem-se manifestado abertamente contra a captura do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning, afirmou esta semana que os EUA “pisotearam de forma arbitrária a soberania, a segurança e os direitos e interesses legítimos da Venezuela”, apelando à libertação imediata de Maduro e da sua esposa.

Contra intimidação

O Governo chinês considerou ontem como um acto de intimidação a alegada exigência dos Estados Unidos à Venezuela para que esta rompa relações económicas com Pequim como condição para explorar e comercializar o seu petróleo.

Questionada em conferência de imprensa sobre a informação avançada pela cadeia de televisão norteamericana ABC News, Mao Ning declarou que a Venezuela “é um país soberano e goza de plena e permanente soberania sobre os seus recursos naturais e todas as actividades económicas no seu território”. Segundo a ABC News, a Administração do Presidente dos EUA, Donald Trump, terá exigido à presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, o fim dos laços com China, Rússia, Irão e Cuba como précondição para reiniciar a produção e venda de crude.

Mao qualificou a alegada pressão como “uso descarado da força” e afirmou que a tentativa de condicionar o acesso aos recursos energéticos venezuelanos a uma lógica de “Estados Unidos primeiro” constitui um “caso típico de intimidação” que “viola gravemente o direito internacional, infringe seriamente a soberania da Venezuela” e “prejudica os direitos do povo venezuelano”. Mao reiterou que Pequim defende a cooperação económica entre Estados soberanos e destacou que a China “sempre desenvolveu intercâmbios e cooperação com outros países com base no respeito mútuo, igualdade e benefício recíproco”.

Taiwan | Pequim acusa William Lai de “sabotar a paz”

A China acusou ontem o líder de Taiwan, William Lai, de “sabotar a paz”, após o seu discurso de Ano Novo, no qual alertou para o aumento da pressão de Pequim e apelou ao reforço da defesa da ilha.

A reacção partiu do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, cujo porta-voz, Chen Binhua, classificou a mensagem como “cheia de mentiras, hostilidade e malícia” e acusou Lai de repetir “falácias separatistas” sobre a independência de Taiwan e de “incitar à confrontação entre os dois lados do estreito”.

Segundo Pequim, Lai recorreu à retórica de “democracia contra autoritarismo” para “confundir os compatriotas taiwaneses e enganar a opinião pública internacional”, demonstrando uma postura “incorrigível” de apoio à independência da ilha. Chen Binhua foi mais longe ao descrever Lai como um “desestabilizador da paz”, “criador de crises” e “instigador da guerra”, argumentando que o líder taiwanês “intensificou deliberadamente as tensões” desde que assumiu o cargo e promove uma estratégia de “preparação para a guerra com o objectivo de alcançar a independência”.

“O fracasso da independência de Taiwan é inevitável”, lê-se no comunicado, que reitera que “Taiwan faz parte da China” e apela à população da ilha para “se opor firmemente ao separatismo e à interferência externa”.

Hong Kong | Secretário cancela visita aos EUA

O secretário para a Inovação, Tecnologia e Indústria de Hong Kong, Sun Dong, cancelou, sem qualquer explicação, uma visita aos Estados Unidos, quatro horas depois da deslocação ter sido anunciada. Num comunicado divulgado às 12:00 de terça-feira, o Governo da região chinesa disse que Sun iria participar na Consumer Electronics Show (CES), uma das maiores feiras de tecnologia e electrónica de consumo do mundo, que está a decorrer em Las Vegas.

O secretário iria liderar a maior delegação de sempre de Hong Kong à CES, composta por 61 empresas, sublinhou o comunicado. A deslocação iria incluir uma passagem pela cidade de São Francisco, onde Sun iria visitar e “trocar também experiências com empresas de tecnologia locais e uma universidade na região de Silicon Valley”.

No entanto, num outro comunicado, publicado às 16:20, com apenas uma frase, o Governo anunciou que Sun tinha cancelado a visita aos Estados Unidos. O gabinete do secretário disse à imprensa de Hong Kong que o Governo realiza constantemente “avaliações dinâmicas” sobre a conveniência das viagens internacionais.

“Após uma avaliação, decidiu-se cancelar a viagem”, disse um porta-voz do gabinete. O Governo sublinhou que a delegação empresarial irá participar na feira de Las Vegas, liderada por dirigentes do Conselho para a Promoção do Comércio de Hong Kong.

O cancelamento da visita de Sun Dong aconteceu no mesmo dia em que a China acusou os Estados Unidos de colocarem a sua legislação interna acima do direito internacional, em reação à detenção do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante uma operação militar norte-americana.

Xangai | Anunciado investimento de 8,5 mil milhões de euros em alta tecnologia

A cidade chinesa de Xangai anunciou ontem um plano de investimento no valor de 10 mil milhões de dólares em sectores tecnológicos, no âmbito da estratégia de auto-suficiência delineada por Pequim.

Segundo o portal de notícias local Shanghai Eye, o distrito de Pudong – o maior e mais populoso da cidade – vai acolher cerca de 50 novos projectos, com um investimento total superior a 70 mil milhões de yuan, cujos acordos foram assinados esta semana. Grande parte dos projectos está concentrada em áreas consideradas estratégicas, como os semicondutores, inteligência artificial (IA), biofarmacêutica, veículos inteligentes e aviação.

Segundo o jornal South China Morning Post, Xangai junta-se assim a outras cidades chinesas que anunciaram planos ambiciosos para 2026, ano em que arranca o novo plano quinquenal (2026-2030), que tem como objectivo prioritário o reforço da capacidade tecnológica interna.

“O esforço da China para se equiparar aos Estados Unidos e consolidar a sua liderança emergente em tecnologias avançadas depende de que algumas cidades-chave, incluindo Xangai, consigam alcançar mais resultados e avanços”, afirmou Fu Weigang, presidente do ‘think tank’ Instituto de Finanças e Direito de Xangai.

O distrito de Pudong, situado na margem oriental do rio Huangpu, alberga a sede da principal fabricante chinesa de semicondutores, a SMIC, assim como outras empresas tecnológicas relevantes, como a Shanghai Micro Electronics Equipment (equipamentos de litografia) e a gigante de IA SenseTime.

Creative Macau | Exposição “Flow”, de Alice Costa, apresentada hoje

A Creative Macau apresenta hoje ao público uma nova exposição. Trata-se de “Flow”, da artista local Alice Costa (Lili), uma série de trabalhos que apresenta “formas orgânicas e linhas fluidas que capturam a espontaneidade da natureza”. Nesta mostra, a artista “emprega técnicas como impasto, salpicos e camadas, para criar superfícies texturizadas que convidam ao envolvimento visual e táctil”, lê-se na nota divulgada pela galeria.

Alice Costa (Lilli) é uma pintora sediada em Macau, cujo trabalho explora a essência da natureza através da forma, textura e emoção. Nascida em Macau, filha de pai português e mãe chinesa, Alice Costa inicialmente seguiu a carreira de Direito, graduando-se pela Universidade de Macau em 1994 e actuando como juíza do Tribunal de Primeira Instância a partir de 1997.

Porém, “uma profunda vocação criativa levou-a à pintura há três anos”, dedicando-se agora totalmente ao estilo abstracto de pintura. Ainda segundo a Creative Macau, o trabalho da artista “é um diálogo entre o estruturado e o orgânico, traduzindo os ritmos do mundo natural, como florestas, oceanos, tempestades e luz, em formas não representacionais”.

“As pinturas de Alice Costa são experiências sensoriais. Elas pedem ao espectador não que reconheça, mas que sinta, que se conecte com as emoções invisíveis e os ritmos primitivos dentro do caos e da serenidade da natureza”, é ainda explicado.

Palestra sobre império português e sentido de pertença hoje na FRC

A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe hoje, a partir das 18h30, a sessão de apresentação “Cidadania Colonial: a Rota de Macau”, tendo por base o livro de MC Loureiro, professor adjunto na área do Direito na Universidade de Leicester, no Reino Unido, “Colonial Citizenship”

A sessão será conduzida por Ângelo Patrício Rafael, professor na Faculdade de Gestão e Direito da Universidade de São José (USJ).
Este livro vai ser publicado este ano pela editora Bristol University Press, sendo fruto do trabalho de MC Loureiro, que “tem vindo a desenvolver trabalho académico relacionado com Direito colonial, cidadania e teoria jurídica”, descreve uma nota da FRC.

A obra “Colonial Citizenship” centra-se, portanto, “no império português e nas formas como o direito da nacionalidade e da cidadania portuguesas foram moldados durante e após o domínio colonial”, tratando-se “da primeira obra jurídica a abordar de forma abrangente a pertença colonial, a assimilação e o acesso aos direitos no império português da Ásia e da África”.

“Tendo por base a análise da forma como a cidadania surgiu e se desenvolveu no contexto português, abrangendo um período entre o século XV e o presente pós-colonial, a monografia defende que a cidadania tem uma ligação fundamental com a colonialidade portuguesa, que continua a moldar a realidade jurídica portuguesa e o acesso à nacionalidade e à cidadania”, lê-se ainda.

Um “espaço privilegiado”

No caso de Macau, o território “ocupa nesta análise um espaço privilegiado”, por conter em si “particularidades demográficas, políticas, geográficas e jurídicas”, fazendo do território “uma peça estratégica na análise das condições jurídicas imperiais portuguesas”.

Apresenta-se, nesta investigação, “uma abordagem crítica da cidadania, uma visão matizada do império português e novas descobertas de arquivo”, levando-se à reflexão “sobre raça, pertença e direitos numa perspectiva contextualizada, pós-colonial e actual”.

MC Loureiro foi investigador na Escola de Estudos Orientais e Africanos (SOAS) da Universidade de Londres e Universidade de Birmingham, além de investigador visitante no Robert Schuman Centre for Advanced Studies do Instituto Universitário Europeu, na Universidade de Lisboa e na Universidade Nova de Lisboa.