Hong Kong | Comissão inicia audições sobre pior incêndio desde 1948

A tragédia que tirou a vida de 168 pessoas do complexo habitacional em Tai Po está a ser examinada à lupa por uma comissão que já levou à detenção de 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, e outras seis por suspeita de fraude

Um comité independente de investigação iniciou ontem as audiências sobre o incêndio mais mortífero em Hong Kong desde 1948 e ouviu depoimentos a apontar as falhas que contribuíram para que o fogo matasse 168 pessoas.

Antigos residentes e familiares das vítimas aguardam respostas desde Novembro, quando o incêndio devastou sete edifícios do complexo de habitação pública de Wang Fuk, que albergava mais de 4.600 pessoas. Nas observações iniciais, o advogado principal da comissão disse que as chamas terão começado numa plataforma num poço de luz entre dois apartamentos, tendo sido encontradas pontas de cigarro no local e em andaimes.

Victor Dawes apontou como factores que levaram ao desastre os alarmes de incêndio e sistemas de mangueiras desligados, a utilização de redes de andaimes não resistentes ao fogo e a cobertura de janelas com placas de espuma. “No dia do incêndio, quase todos os sistemas de segurança contra incêndios destinados a proteger vidas falharam devido a factores humanos”, lamentou o advogado.

O incêndio começou a 26 de Novembro e rapidamente consumiu sete dos oito edifícios do complexo de apartamentos. A polícia deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude. A agência anticorrupção de Hong Kong deteve ainda 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos do complexo.

Achas da fogueira

A comissão, liderada por um juiz e criada em Dezembro, vai também examinar se existiam problemas sistémicos, como a manipulação de concursos, em obras de manutenção e renovação de edifícios de grande escala. O Governo da antiga colónia britânica afirmou na altura que o trabalho da comissão deveria demorar nove meses.

Após ouvir as observações iniciais dos advogados, a comissão ouvirá depoimentos orais de testemunhas, incluindo residentes em Wang Fuk. Vários departamentos governamentais estão envolvidos nas audições. Antes da audiência, Phyllis Lo, que perdeu a mãe no incêndio, disse que espera ouvir as conclusões de diferentes partes, para obter uma compreensão abrangente do incidente.

“Queremos saber o que causou este desastre e quem é o responsável. No mínimo, queremos saber o que iniciou o incêndio e porque é que se espalhou tão rapidamente, ao ponto de se tornar completamente incontrolável”, disse outra moradora, Seneca Lee. Muitos ex-moradores de Wang Fuk continuam a viver em habitações temporárias espalhadas pela cidade.

Em Fevereiro, as autoridades de Hong Kong propuseram a recompra dos direitos de propriedade das vítimas do incêndio, citando os resultados de um inquérito sobre as preferências dos residentes. Mas o anúncio frustrou as esperanças de alguns moradores, que desejam reconstruir os apartamentos no local. O líder de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, disse na terça-feira que o Governo está a trabalhar em planos para permitir que, em Abril, os residentes afectados visitem os apartamentos e recuperem alguns dos pertences.

Enviado especial chinês ao Médio Oriente pede que se evite situação incontrolável

A China afirmou ontem que o seu enviado especial para o Médio Oriente, Zhai Jun, apelou aos interlocutores durante uma recente deslocação à região para que “cessem imediatamente as operações militares e evitem que a situação se torne incontrolável”.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian declarou, em conferência de imprensa, que Zhai manteve “trocas aprofundadas sobre a situação regional” com representantes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Qatar, Egipto, do Conselho de Cooperação do Golfo e da Liga Árabe. Segundo Lin, a visita teve como objectivo “contribuir para acalmar a situação e promover a paz e o cessar dos combates”.

“Apelamos à resolução das questões através do diálogo e da negociação, bem como à redução das tensões e divergências por meios políticos e diplomáticos”, afirmou o porta-voz, instando também ao respeito pelos “propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas” e pela “soberania, segurança e integridade territorial” dos Estados do Golfo. Lin sublinhou ainda que “não devem ser atacados alvos não militares, nem deve ser perturbada a segurança das rotas marítimas”.

Pilar da paz

Segundo o responsável, “todas as partes elogiaram a China pela postura imparcial e pelos esforços para promover a paz”, manifestando a expectativa de que o país “desempenhe um papel ainda mais relevante”. “A China é uma grande potência responsável e um amigo sincero das nações do Médio Oriente, sendo a promoção da reconciliação e da paz na região um pilar central da sua política”, afirmou.

Os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irão, que respondeu com ofensivas contra vários países do Golfo e infraestruturas associadas a Washington na região.

A China, principal parceiro comercial de Teerão e maior comprador do seu petróleo, tem condenado repetidamente os ataques ao Irão por parte dos Estados Unidos e de Israel, considerando que “violam a soberania” do país. Pequim tem também apelado à protecção das rotas marítimas, numa altura em que cerca de 45 por cento do petróleo que importa passa pelo estreito de Ormuz.

Xiaomi apresenta novos modelos de inteligência artificial

A tecnológica chinesa Xiaomi apresentou ontem novos modelos de inteligência artificial (IA), incluindo o MiMo-V2-Pro, numa aposta no desenvolvimento de sistemas orientados para agentes inteligentes capazes de executar tarefas de forma autónoma. A empresa lançou também o modelo multimodal MiMo-V2-Omni e o sistema de síntese de voz MiMo-V2-TTS, integrados numa nova gama concebida para este tipo de aplicações.

Segundo a Xiaomi, o MiMo-V2-Pro ultrapassa um bilião de parâmetros, uma escala comparável à dos modelos mais avançados do sector, estando optimizado para cenários em que a IA não só gera conteúdos, como interage com programas e ferramentas para completar tarefas complexas.

Em avaliações como o índice da plataforma independente Artificial Analysis, que reúne testes de raciocínio, programação e utilização de ferramentas, o modelo figura entre os dez melhores a nível global, reflectindo o seu posicionamento no segmento mais avançado do sector.

O fundador da empresa, Lei Jun, indicou ontem na rede social Weibo que o modelo foi recentemente concluído e que o investimento em IA deverá ultrapassar este ano os 16.000 milhões de yuan, após a empresa ter mantido até agora um perfil “relativamente discreto” nesta área.

A responsável pela equipa de modelos de linguagem da Xiaomi, Luo Fuli, afirmou na rede X que esta é a primeira gama de modelos concebida especificamente para a “era dos agentes”, numa referência à evolução destes sistemas para além dos assistentes conversacionais.

A crescer

Antes da apresentação oficial, um modelo anónimo, posteriormente confirmado como uma versão preliminar do MiMo-V2-Pro, circulou em plataformas de programadores sob o nome “Hunter Alpha”, onde registou elevados níveis de utilização e chegou a ser confundido com o futuro modelo DeepSeek V4.

O anúncio surge num contexto de crescimento dos chamados agentes de IA na China, impulsionados por ferramentas como OpenClaw, que permitem aos modelos interagir com sistemas informáticos e executar acções de forma autónoma. Nas últimas semanas, empresas como a Baidu, a Alibaba e a Tencent apresentaram plataformas semelhantes, num mercado em rápida expansão, apesar dos alertas das autoridades sobre potenciais riscos de cibersegurança associados a estes sistemas.

Poemas de Meng Haoran

Tradução de Rui Cascais

孟浩然 (689-740)

(五言古體詩)

晚春臥疾寄張八子容

南陌春將晚

北䆫猶臥病

林園久不遊

草木一何盛

狹徑花將盡

閑庭竹掃淨

翠羽戲蘭苕

頳鱗動荷柄

念我平生好

江鄉遠從政

雲山阻夢思

衾枕勞感咏

感咏復何為

同心恨別離

世途皆自媚

流俗寡相知

賈誼才空逸

安仁鬢欲絲

遙情每東注

奔晷復西馳

常恐填溝壑

無由振羽儀

窮通若有命

欲向論中推

MENG HAORAN (689–740)

(Pentâmetros ao Estilo Antigo)

Acamado no Fim da Primavera; Enviado a Zhang Zirong

Para sul, a Primavera finda ao longo das ruas.

Junto à janela virada a norte, continuo doente.

Há muito que não vou ao bosque ou ao jardim,

Mas as plantas e árvores proliferaram.

Os poucos botões apertam-se ao longo da vereda;

No meu pátio indolente o bambu foi varrido.

Serenas asas azuis esvoaçam entre as espigas,

Barbatanas vermelhas empurram talos de lótus.

Recordo o melhor amigo da minha vida,

Que deixou as margens do nosso rio para trabalhos de governo.

Nuvens e montanhas atulham-me os pensamentos vagos,

Trabalho numa canção sentida ainda acamado.

Mas por que tento outra vez estas canções sentidas?

Detesto estar separado de quem sente como eu.

Na estrada do mundo todos andam encantados

Mas é raro conhecerem-se uns aos outros.

Tal como o talento de Jia Yi foi deslocado em vão,

Também o cabelo de Anren foi atado para encanecer.1

Quando os sentimentos se erguem para oriente,

Logo galopam para ocidente com a sombra do sol.

Temo sempre vir a encher um buraco ou vala, 2

Não há como fingir uma dignidade cortês.

Sucesso e fracasso já estão destinados,

Assim argumentam os tratados. 3

Referências:

Pan Yue 潘岳 (247–300), de seu cognome Anren, era não só um poeta famoso como um belíssimo homem. Na sua “Rapsódia das Inspirações Outonais”, lamenta que o cabelo esteja a ficar-lhe branco com apenas trinta e dois anos.

Diz-se no Mencius que o medo de qualquer homem ambicioso é ser lançado a um buraco ou vala.

No seu “Tratado Sobre o Destino” (辨命論), Liu Jun 劉峻 (462–521) diz, “No que concerne ao sucesso ou fracasso de um cavalheiro, tudo o que há é predestinação”.

登江中孤嶼贈王白雲先生迥

悠悠清江水

水落沙嶼出

回潭石下深

綠篠岸傍密

鮫人潛不見

漁父歌自逸

憶與君別時

泛舟如昨日

夕陽開晚照

中坐興非一

南望鹿門山

歸來恨相失

Subindo a Ilhota Solitária no Rio; Para Wang Jiong, Abade das Nuvens Brancas1

A correr e correr, límpida água do rio;

Quando a água baixa, uma ilhota de areia emerge.

Uma lagoa serpenteia profundamente sob as rochas,

Na margem verdeja espesso bambu-anão.

As pessoas-tubarão estão submersas, para não se verem,2

Mas o pescador canta a sua própria liberdade.

Lembrando o tempo em que nos separámos,

Parece ainda ontem o barco que derivava.

O sol da tarde espalha agora a sua tardia iluminação;

Sentado nela, a mente dispersa-se.

Para sul, olho a Montanha da Porta do Cervo,

E lamento ter perdido a ocasião de lá voltar.

Mestre Wang Jiong residia na Montanha da Porta do Cervo e surge mencionado em diversos outros poemas seguintes.

As “pessoas-tubarão” (jiāo rén, 鮫人) viviam nas águas costeiras; as suas lágrimas eram pérolas e teciam um tecido especial. Segundo o tradutor inglês, a sua presença aqui é estranha, surgindo talvez do desejo de criar um paralelismo com o pescador no verso seguinte, reminiscente da figura do pescador na colecção de poesia Chu Ci (século III a.C.), que celebra o seu desapego relativamente à sociedade, assim como a prática de fluir de acordo com a natureza e os tempos, dois ideais taoístas.

Trânsito | Acidente entre carros e autocarro causa quatro feridos

Após uma ultrapassagem pela esquerda, uma viatura com sete lugares perdeu o controlo e atingiu outro carro e um autocarro. Apesar do impacto, e de um dos condutores ter ficado encarcerado, todos os feridos foram considerados ligeiros

Quatro pessoas ficaram feridas, depois do condutor de um carro de sete lugares ter perdido o controlo da viatura e embatido noutra viatura e num autocarro público. O caso aconteceu na noite de quarta-feira, por volta das 19h30, obrigou a cortar o trânsito no local do embate, na Avenida da Amizade, em frente do Edifício do Grande Prémio de Macau. O vídeo do acidente tornou-se viral nas redes sociais.

De acordo com as imagens divulgadas online, quando circulava na recta em frente ao Edifício do Grande Prémio, em direcção ao centro de Macau, o condutor da viatura que se despista, de cor branca, começa por fazer uma ultrapassagem pela esquerda ao veículo que está a captar as imagens. Feita a primeira manobra, o homem muda de faixa de rodagem para tentar ultrapassar uma moto.

No entanto, a mudança de direcção é feita antes de uma curva para a esquerda, que coincide com a primeira curva do Circuito da Guia, pelo que o condutor perde o controlo da viatura, embate nos separadores de plástico e atinge um outro carro de sete lugares e um autocarro.

Como consequência do embate, o condutor do veículo de sete lugares atingido ficou preso e teve de ser desencarcerado pelo Corpo de Bombeiros. Segundo o jornal Ou Mun, quando foi transportado para o hospital, o homem estava consciente e as autoridades indicaram que não corria perigo de vida. Os restantes feridos, com menor gravidade, são o condutor do autocarro e uma passageira, que se queixaram de dores no peito, e ainda o condutor do veículo responsável pelo acidente.

Álcool zero

Segundo as autoridades, os testes do álcool realizados ao condutor da viatura branca e do autocarro no local do acidente apresentaram resultados negativos, com o encarcerado a ser testado apenas mais tarde. Todos os condutores são residentes de Macau.

Numa investigação preliminar ao acidente, as autoridades consideraram que o embate se deveu ao facto de o condutor do carro branco ter feito uma ultrapassagem ilegal e ter entrado em velocidade excessiva na curva onde perdeu o controlo da viatura.

Nas imagens que circularam online, o carro branco, com matrícula de Macau, Hong Kong e do Interior, surge carregado de caixas brancas, o que levantou suspeitas de poder estar envolvido em actividades de contrabando. Todavia, este aspecto não foi abordado pelas autoridades na conferência de imprensa no local do acidente.

Dispositivo mobilizado

Após o registo do acidente, as autoridades enviaram para o local dois veículos de resposta a emergências e quatro ambulâncias, num total de 26 bombeiros. No local, três dos quatro feridos encontravam-se à beira da estrada a aguardar por auxílio, enquanto o outro condutor estava preso dentro da viatura.

A operação de desencarceramento demorou cerca de 40 minutos, com os trabalhos a serem dificultados pelo facto de o condutor estar preso pela parte inferior do corpo. Por volta das 20h12, foi possível remover o homem e levá-lo para o hospital. As equipas de salvamento trataram também de encerrar a estrada ao trânsito, que se manteve fechada até por volta das 20h45, altura em que as operações de reboque das viaturas danificadas e de limpeza da estrada ficaram concluídas.

Moradores | Pedidos de ajuda de estudantes a aumentar

O Centro de Aconselhamento aos Estudantes da associação dos Moradores tem registado um aumento de casos de apoio psicológico nos últimos anos, especialmente após a pandemia. Cada profissional pode ter em média entre 30 a 40 casos, acima do limiar recomendado pelo Governo

O acompanhamento psicológico a alunos, em especial do secundário, tem seguido uma tendência de aumento nos últimos anos, com particular incidência depois da pandemia da covid-19. Um dos exemplos dessa realidade vive-se no Centro de Aconselhamento aos Estudantes da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM). A chefe de coordenação dos serviços sociais da associação, Chau Un Ian, revela que a procura de serviços de psicologia e saúde mental aumentou significativamente.

Em declarações ao jornal Ou Mun, a responsável admitiu que o centro dos Moradores passou a disponibilizar mais actividades e serviços relacionados com saúde mental. Porém, a sobrecarga dos assistentes de aconselhamento é um factor de preocupação. Importa referir que entre os critérios de admissão destes profissionais estão licenciaturas em psicologia ou serviço social.

Hoje em dia, cada profissional acompanha em média entre 30 a 40 casos, volume que Chau Un Ian sublinha estar acima das recomendações da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude. Em 2018, foi publicado um estudo sobre a organização da prestação de serviços de apoio psicológico, a pedido do Governo, em que se recomenda que cada profissional acompanhe até 30 casos de curto prazo e 20 de longo prazo.

A febre da IA

A responsável dos Moradores indicou ainda que há profissionais do centro que acompanham cerca de 40 casos graves. Sobre a forma como os jovens entram no radar das equipas de apoio psicológico do centro, Chau Un Ian explica que por vezes são identificados pelo pessoal destacado nas escolas, através de pedidos directos dos alunos, ou quando são referenciados pelas escolas.

A coordenadora realça também o papel negativo que o ambiente económico pode ter na saúde mental dos jovens. Por exemplo, se um dos pais fica desempregado, com horário de trabalho e salário reduzido, ou sofre pressões económicas, essa ansiedade pode ser passada para a criança ou jovem. Estes factores tornaram-se também foco da intervenção dos profissionais do centro de aconselhamento dos Moradores.

Para lidar com os problemas suscitados por relações familiares, Chau Un Ian indicou que o centro está a estudar a possibilidade de usar ferramentas tecnológicas de Inteligência Artificial, como jogos para aliviar a carga emocional e o stress das jovens, métodos que já são familiares para os mais novos.

Sílaba | Nova edição tem como tema as viagens

A terceira edição do “Dinis Caixapiz”, projecto em Macau que promove o contacto de crianças com a língua portuguesa através da leitura, é dedicado ao tema “Viagens” e convida os participantes a “explorar diferentes culturas”, foi ontem anunciado.

A iniciativa literária da Sílaba – Associação Educativa e Literária (Sílaba-AEL), dedicada a crianças entre os 8 e 13 anos, contempla a assinatura trimestral de uma caixa com um livro infantil, uma versão do áudio dessa história e uma revista infanto-juvenil.

“Esta edição convida os participantes a explorar diferentes culturas e destinos através da leitura e de actividades criativas. A caixa foi concebida para ser reutilizada, incentivando práticas sustentáveis e estimulando a imaginação das crianças”, lê-se num comunicado da associação. Desta vez – refere-se ainda na nota – a revista introduz novas rubricas, incluindo “Reis de Portugal”, dedicada à introdução de conteúdos históricos “de forma acessível”.

A terceira edição vai ser apresentada este sábado na sede da Sílaba, em Macau, com diversas actividades, incluindo uma sessão de fotografias e um ‘workshop’ de jardinagem gratuito, em que os participantes têm a possibilidade de decorar um vaso exclusivo, produzido por Sérgio Feiteira, ceramista local de Macau, e plantar sementes para levar para casa.

Criado em 2024, o projecto literário afirmou-se como uma “ferramenta complementar no incentivo à leitura em português”, lê-se ainda no comunicado, que indica que a iniciativa tem alcançado projecção internacional, tendo sido apresentada na Feira do Livro de Lisboa e em Sydney, na Escola Portuguesa de Marrickville/ Petersham.

Hengqin | Defendida melhor integração de Macau

Para melhorar integração de Hengqin e Macau, o deputado Leong Hong Sai sugeriu o alargamento do leque de mercadorias isento de impostos no controlo de primeira linha de controlo, ou seja, dos produtos movimentados entre Macau e Hengqin. Segundo o legislador ligado aos Operários, desta forma a vida dos residentes seria mais conveniente, porque não deixavam de pagar tantos impostos.

Segundo o jornal Ou Mun, o deputado defende que a integração depende de uma maior conectividade para que os residentes de Macau, tanto no território como em Hengqin, possam usufruir dos benefícios do desenvolvimento. O deputado sugeriu também que devem ser incluídos mais países na lista de territórios isentos de vistos, para aumentar a liberalização da região.

Quanto à conveniência fronteiriça, Leong Hong Sai quer que os veículos ligeiros e autocarros turísticos possam circular como os autocarros específicos para os alunos transfronteiriços, para que se concretize a circulação livre em Hengqin.

Águas pluviais | Drenagem na Av. do Aeroporto custa 35 milhões

A obra de reordenamento do box-culvert e drenagem na Avenida de Aeroporto da Taipa – Zona I foi adjudicada à Companhia de Decoração San Kei Ip, Limitada por 35,1 milhões de patacas. A obra tem um prazo máximo de execução de 300 dias úteis. O reordenamento do box-culvert será realizado em três zonas: nos troços norte e sul da Avenida do Aeroporto, e no troço da Rua do Tiro.

A obra no troço norte da Avenida do Aeroporto tem um comprimento total de execução de obra de cerca de 100 metros, e consistirá na colocação de instalações para as fundações por estacas e a contenção de solos, na escavação e no suporte, na demolição do actual box-culvert e na reconstrução da estrutura do box-culvert.

USJ | Mostra marca inauguração de laboratório de robótica

A inauguração oficial do Laboratório de Robótica da Universidade de São José (USJ) será celebrada com a abertura da exposição “Investigação Aplicada em Arquitectura e Design”, na próxima quarta-feira, às 17h30, no Salão de Exposições Kent Wong B/1, Campus da Ilha Verde.

A mostra apresenta uma selecção comissariada de projectos desenvolvidos no Laboratório de Robótica e no Departamento de Arquitectura e Design da USJ, com destaque para o “Ladder Street Cultural Space”, uma biblioteca temporária em escala real fabricada no laboratório. Os visitantes vão também poder apreciar experiências de fabricação robótica, em investigação em design generativo e estudos sobre paisagem urbana, os ambientes sonoros e o património arquitectónico de Macau.

O Laboratório de Robótica é descrito pela USJ como “uma instalação de ponta e classe mundial dedicada à investigação e ao ensino em fabricação robótica, design computacional e manufactura digital.

Jogo | Subida de receitas pode superar Singapura e Las Vegas

As receitas brutas dos casinos de Macau podem crescer este ano à volta de 6 por cento, superando as estimativas de crescimento de Las Vegas e Singapura, segundo o banco Morgan Stanley. Porém, os analistas antecipam resultados antes de juros, impostos, depreciação e amortização inferiores aos de 2025

Os casinos de Macau podem terminar este ano com uma subida das receitas brutas que supera os crescimentos das receitas de Las Vegas e Singapura. Segundo os analistas do banco Morgan Stanley, citados pelo portal GGR Asia, a indústria do jogo de Macau poderá registar este ano um aumento de receitas brutas na ordem dos 6 por cento, valor bem acima das estimativas de cerca de 1 por cento dos casinos da cidade-Estado e da capital do jogo norte-americana.

Importa referir que a previsão de crescimento para este ano de 6 por cento já contrasta com a subida anual de mais de 9 por cento verificada no ano passado, quando a indústria registou receitas brutas de 247,4 mil milhões de patacas.

Porém, nem tudo são rosas na nota divulgada pelo Morgan Stanley na quarta-feira, com os analistas a anteciparem crescimento dos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) mais fraco do que o esperado e abaixo dos resultados de 2025, para cerca de 2 por cento.

As razões para o “arrefecimento” podem situar-se nos custos para atrair jogadores de um segmento intermédio, que trazem uma pressão de custos que é “estrutural devido ao foco no mercado de massas premium”. Além disso, os analistas não afastam a possibilidade de rever por baixo os resultados EBITDA do sector ao longo do ano.

A idade dos porquês

O crescimento dos lucros EBITDA de apenas 2 por cento foi justificado também pelos analistas com um esperado “arrefecimento” no segmento base de massas, elevados subsídios e despesas dos sectores não-jogo. Recorde-se que as concessionárias de jogo assumiram compromissos de investimento nas novas concessões que vão implicar despesas avultadas, nomeadamente os planos de revitalização de seis zonas históricas da cidade, além dos aumentos das licenças de maternidade e paternidade anunciadas recentemente.

Os planos de revitalização das zonas históricas têm sido alvo de algumas críticas, por exemplo do deputado Nick Lei que apontou falta de eficácia e resultados desde que os programas foram anunciados em 2023. As zonas intervencionadas são os Estaleiros de Lai Chi Vun, a Rua da Felicidade, a zona da Barra, os cais 23 e 25 do Porto Interior, a Avenida de Almeida Ribeiro, a Rua de Cinco de Outubro e a Fábrica de Panchões Iec Long.

Comércio | Deputado defende “pólo de comércio electrónico”

O deputado Wong Ka Lon defendeu ontem, no período de intervenções antes da ordem do dia, a criação de um “pólo de comércio electrónico ‘live streaming’ transfronteiriço sino-lusohispânico”, ou seja, comércio digital entre a China, países de língua portuguesa e espanhola, tendo em conta que este “é o sector com maior potencial de crescimento em Macau”.

Desta forma, o deputado sugeriu a criação de “uma base para vídeos curtos e ‘live streaming’ em chinês, português e espanhol”, e a aposta na formação de “apresentadores locais multilingues” para o apoio à expansão das “marcas do Interior da China para os mercados lusófonos e hispânicos, que têm mais de 700 milhões de pessoas”.

Em termos logísticos, Wong Ka Lon pede que se faça “a ligação ao armazém alfandegário de Hengqin e às redes internacionais de correio expresso, reduzindo os prazos de entrega”, aproveitando “a rede de armazéns no estrangeiro das empresas do comércio electrónico transfronteiriço da China”. A ideia é aumentar “a eficiência e a convergência às normas”, para potenciar mais esse comércio electrónico.

Endividamento | Coutinho sugere gabinete de apoio técnico

O deputado Pereira Coutinho interveio ontem no hemiciclo, no período de antes da ordem do dia, para sugerir a criação, por parte do Executivo, de um “gabinete de apoio técnico especializado na área de sobre-endividamento que ajude os cidadãos a (re)negociar com os bancos de forma informada, justa e equilibrada com taxas de juro bonificadas e linhas de apoio financeiro com mediação interbancária”.

O deputado chamou a atenção para o endividamento das famílias, em parte potenciado pelo fecho dos casinos-satélite, e pediu alterações urgentes ao Código Civil e Comercial para agilizar processos de insolvência ou de “(re)negociação da dívida, protegendo a família e filhos menores de perder a casa de forma imediata”. Para o deputado, a questão do “património negativo das famílias e empresas tem sido um problema constante e cada vez mais grave”.

Fortunas | Ip Sio Kai diz que persistem “desafios” de gestão

O deputado Ip Sio Kai recorreu ao período de intervenções antes da ordem do dia, na sessão plenária de ontem na Assembleia Legislativa, para chamar a atenção para os “muitos desafios” na “gestão transfronteiriça de fortunas entre Hengqin e Macau”. O deputado apontou, concretamente, os “custos de articulação devido às diferenças institucionais” e a “necessidade de elevar a correspondência entre a oferta e procura de produtos” financeiros.

Além disso, apontou a “crescente pressão na prevenção e no controlo de riscos” e a “falta de quadros profissionais”. Ip Sio Kai alerta para a necessidade de maior coordenação entre Macau e Hengqin neste campo, tendo em conta que “a dimensão económica da Zona de Cooperação é reduzida, com menos ‘bagagem histórica’ e maior espaço para experiências”, podendo ser uma “zona de teste de pressão”, ou seja, “um ponto-piloto para políticas de inovação financeira transfronteiriça”.

Imobiliário | Aproveitamento dos casinos-satélites exige flexibilidade

Segundo a imobiliária Savills, há vários investidores internacionais interessados em explorar os ex-casinos-satélites, devido à grande dimensão dos espaços. No entanto, é pedida celeridade nos procedimentos administrativos para libertar as áreas

Apesar do encerramento dos casinos-satélite, a empresa imobiliária Savills (Macau) Limited acredita que os edifícios têm potencial para atrair investidores internacionais devido às grandes dimensões dos espaços. A posição da imobiliária foi explicada por Franco Liu, director-geral da instituição, em declarações citadas pelo jornal Ou Mun.

Segundo Liu, o espaço libertado com o encerramento dos casinos-satélite no final do ano passado é muito significante, pelo que pode ser aproveitado para experimentar o lançamento de diferentes variantes de entretenimento viradas para o turismo e para a população. Este aspecto contribui para o interesse em investir naquelas áreas do território, agora menos ocupadas, inclusive por empresários internacionais, que procuram uma oportunidade para entrar no mercado de Macau.

No entanto, a imobiliária deixou um alerta ao Governo. Para aproveitar uma nova onda de investimentos no ZAPE é necessário acelerar os procedimentos administrativos relativos aos espaços encerrados. Franco Liu recordou que durante os primeiros encerramentos de casinos-satélites, ainda antes dos fins forçados, que os processos de reaproveitamento das áreas de jogo demoraram cerca de dois anos.

Liu explicou que a lentidão no reaproveitamento se deveu aos procedimentos administrativos, motivados pelo facto de as áreas de jogo serem entregues à RAEM, após o encerramento. Estes procedimentos são encarados como pouco eficientes em termos de desenvolvimento da economia.

Preços a descer

Em relação ao mercado de habitação, Franco Liu afirmou que se está a verificar uma recuperação do número de transacções devido às medidas do Governo de isenção do imposto de selo no valor até 6 milhões de patacas na compra de habitação e por ter aumentado para 80 por cento o limite máximo do crédito bancário na compra de habitação.

No entanto, o director-geral da empresa indicou que em termos do mercado de habitações usadas os preços continuam em quebra, ao contrário do que acontece com as habitações em primeira mão.

Por isso, Franco Liu apelou ao Governo para lançar mais medidas de incentivo ao mercado imobiliário, para que haja uma recuperação dos preços de habitação, com a criação de programas de atracção de não-residentes com dinheiro para investir ou subsídios à compra de habitação.

Robótica | Deputados exigem regras para uso público

Os deputados Chao Ka Chon e Kou Ngon Seng defenderam ontem, no período de intervenções antes da ordem do dia, no plenário da Assembleia Legislativa, a necessidade de “elaborar instruções para uma fiscalização” no que diz respeito ao uso público de robôs humanoides e “cães robóticos”, a fim de se definir “a segurança inerente aos aplicativos públicos e sua privacidade”.

Os deputados entendem que devem ser aproveitadas “as oportunidades de desenvolvimento da inteligência incorporada”, reforçando-se “a supervisão da segurança dos robôs humanoides e a regulamentação dos cenários de aplicação na comunidade”. Assim, devem ser definidas pelas autoridades “instruções ou normas específicas para a utilização em locais públicos de robôs humanoides e cães robóticos”, garantindo-se “a segurança física, fixando-se áreas e velocidades de circulação”, bem como “definir mecanismos de travão de emergência e proibição de actividades desordenadas em horários de pico, ou zonas com grande concentração de pessoas”.

As normas devem também incidir na regulamentação “da recolha de dados por câmaras” ou ainda na limitação de “comportamento”, para “proibir qualquer operação ou exposição [destes robôs] que assustem o público, interfiram no tráfego ou perturbem a ordem pública”.

Os dois deputados defendem ainda a criação “de um regime de registo obrigatório e aquisição de seguro” para estes aparelhos, “com vista a conhecer os responsáveis e a controlar os riscos”. Desta forma, seria exigido aos robôs humanoides” e “equipamentos inteligentes utilizados nas áreas públicas de Macau” o registo face a “especificações do modelo, certificação da segurança, a descrição do algoritmo, os procedimentos operacionais e a identificação do responsável” pela máquina.

Na intervenção sugeriu-se também a aquisição de um seguro de responsabilidade de terceiros no que diz respeito à utilização destes robôs.

Deputados dão dicas sobre ligação de Macau ao 15º Plano Quinquenal

Diversos deputados recorreram ao período de intervenções antes da ordem do dia para deixar sugestões quanto à melhor forma da RAEM aproveitar as políticas definidas no 15º Plano Quinquenal do país. O deputado Lam Fat Iam defendeu o aproveitamento “da interligação e interconexão das infra-estruturas para criar uma nova conjuntura de transporte regional em Macau”.

Um dos destaques foi a construção de linha ferroviária de alta velocidade Cantão-Zhuhai (Macau), projecto que, no entender do deputado, “mudará completamente a situação do trânsito de Macau, que durante muito tempo não conseguiu articular-se directamente com a rede ferroviária de alta velocidade do país”. É, assim, defendida a comunicação das autoridades locais “com os serviços competentes do Interior da China, estudando-se a localização da linha ferroviária de alta velocidade em Macau e a solução de ligação directa com o sistema de Metro Ligeiro de Macau”.

Já a deputada Wong Kit Cheng defendeu a promoção “da melhoria das condições de vida da população através do desenvolvimento económico”, devendo clarificar-se “as condições mais favoráveis e os percursos mais fluídos para que todos os sectores da sociedade de Macau se articulem com o 15.º Plano Quinquenal”. A deputada falou na diversificação económica através da “optimização das infra-estruturas físicas e institucionais urbanas que promovam o desenvolvimento conjunto com os sectores da estratégia ‘1+4’, bem como do reforço do papel dos fundos de orientação no apoio às indústrias”.

Prédios muito antigos

Já Nick Lei falou na importância de “ajustar a mentalidade governativa” ao 15º Plano Quinquenal, a fim de “impulsionar a renovação urbana”, tendo em conta que, em Macau, “existem mais de 240 mil fracções, sendo que 94,7 mil fracções têm mais de 30 anos”.

Desta forma, o deputado sugere o controlo da densidade populacional em algumas zonas do território. “Por exemplo, após a futura deslocação das habitações sociais construídas há muitos anos, os respectivos terrenos podem deixar de ser destinados a fins habitacionais, passando para instalações complementares dos bairros comunitários”, destacou.

A ideia é “criar condições para projectos de reconstrução da respectiva zona, equilibrando, ao mesmo tempo, a densidade populacional” nesses locais.

Segurança nacional | Secretário garante que direitos de defesa estão assegurados

O hemiciclo aprovou ontem, na especialidade, a proposta de lei que redefine as competências e a composição da Comissão de Defesa da Segurança do Estado. O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, afirmou que “o regime não retira direitos de defesa aos interessados, nem a qualificação profissional dos advogados”

Macau vai ter uma renovada Comissão de Defesa da Segurança do Estado (CDSE) que visa proteger e salvaguardar matérias relacionadas com a segurança nacional e tudo o que possa ser considerado como segredos de Estado.

A Assembleia Legislativa (AL) votou ontem, na especialidade, este diploma que, por exemplo, vem clarificar os serviços públicos que estão representados no organismo, nomeadamente o Instituto Cultural, e os meios de defesa possíveis dos envolvidos em processos judiciais.

Num debate em que a aprovação se fez por unanimidade e foram poucas as questões colocadas pelos deputados, Wong Kit Cheng questionou o facto de, com este diploma, ser obrigatória autorização especial, da parte do juiz, para o mandatário judicial intervir no processo, caso o juiz entenda que o caso em questão envolve matérias de segurança do Estado.

“Vai haver alterações em relação aos direitos do interessado em ser defendido por um advogado”, questionou. O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, clarificou que “os objectivos deste ajustamento é clarificar o mecanismo”. “Se me pergunta se afecta os direitos de defesa, ou de constituição de advogado por parte do interessado, o que [as alterações visam] é dar apoio aos interessados. O regime não retira direitos de defesa do interessado, nem a qualificação profissional do advogado.”

O que passa a acontecer, segundo a nova lei ontem aprovada, é que “em casos de matéria de segurança do Estado, o interessado tem de conseguir autorização [para o mandatário] intervir no acto processual e o juiz tem de obter o parecer da CDSE, que tem força vinculativa”, disse o secretário.

“Pretende-se evitar fugas de informação de segurança nacional, mas não se priva o interessado do direito de defesa”, acrescentou Chan Tsz King. Ficou a ideia de que se pretende redefinir as qualificações dos mandatários e advogados neste tipo de processos, a fim de “evitar potenciais riscos para a segurança do Estado”. A ideia do Executivo é “implementar uma barreira de defesa para evitar que os actos processuais sejam prejudicados”, disse ainda o responsável.

Recorde-se que a CDSE existe desde 2018, mas foi agora alvo de uma reformulação no conteúdo e funcionamento. Uma das principais alterações prende-se com o facto de os juízes encarregues deste tipo de processos ligados à segurança nacional poderem realizar sessões de julgamento à porta fechada. Além disso, prevê-se que um advogado tenha de obter autorização do juiz antes de intervir no processo, devendo dar informações sobre a família e ligações que tem no exterior.

A CDSE passará a avaliar riscos para a segurança nacional nas áreas da educação, cultura e economia, além das funções no domínio político – como a apreciação da qualificação, idoneidade e o grau de “patriotismo” de candidatos aos cargos de poder político no território.

Contas quase secretas

Outra questão levantada pelo deputado Chui Sai Peng no debate de ontem, foi a obrigatoriedade de a CDSE apresentar à AL, todos os anos, um relatório de contas. “É confidencial, tendo segredos de Estado, ou o público pode aceder [ao documento]?”, questionou.

O secretário explicou que no documento apenas estará a soma total do que foi gasto e não a discriminação de despesas, para que se garanta a protecção de actividades da CDSE do grande público.

“Tendo em conta a confidencialidade dos trabalhos, tudo será feito pelo secretário da CDSE e será depois apresentado ao Chefe do Executivo para aprovação. Esta norma é excepcional e não está sujeita à lei do enquadramento orçamental. Tendo em conta a transparência dos trabalhos, aditámos nesta lei que o Governo deve apresentar anualmente o relatório que vai ter o valor total das despesas da CDSE, mas estas não serão apreciadas. O relatório é divulgado, mas no valor total, dando confidencialidade aos trabalhos da CDSE.” O secretário para a Segurança disse que foram tidas em conta “as experiências de Hong Kong” a este nível.

Em relação ao regulamento administrativo que regula a organização do secretariado da CDSE, Chan Tsz King disse que “está quase pronto” e que deverá entrar em vigor “quase ao mesmo tempo da proposta de lei”.

O secretário deixou ainda a garantia de que, “para que todos os sectores da sociedade conheçam as alterações da lei, o Governo vai recorrer a diferentes meios de comunicação social e contactar associações cívicas para que os cidadãos fiquem com mais consciência sobre a segurança nacional”.

Nas declarações de voto, Lam Lon Wai e Ella Lei frisaram que “o Governo da RAEM está sempre com consciência dos riscos da segurança do Estado, tendo recorrido à produção legislativa para colmatar desafios e imprevistos, a fim de, no futuro, salvaguardar um ambiente saudável” para o território em matéria política e cívica.

Ormuz | Tóquio insta Teerão a cessar acções que ameacem navegação

Tóquio instou na terça-feira Teerão a cessar ações que ameacem a navegação no estreito de Ormuz, quando se intensifica o debate sobre uma intervenção internacional para proteger o tráfego marítimo naquela via fundamental para o comércio energético. O ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Toshimitsu Motegi, fez o apelo na terça-feira à noite durante um telefonema com o homólogo iraniano, Abbas Araghchi, de acordo com um comunicado do chefe da diplomacia nipónica.

“O ministro Motegi instou veementemente o Irão a cessar imediatamente os ataques contra instalações civis e infraestruturas nos países do Golfo, bem como as acções que ameaçam a segurança da navegação no estreito de Ormuz”, revelou o comunicado. O ministro japonês expressou profunda preocupação com a continuação da troca de “ataques de retaliação” desde a anterior chamada telefónica que mantiveram em 09 de Março, e com a extensão dos danos, que afectaram inclusivamente países vizinhos.

Além disso, Motegi manifestou preocupação com o elevado número de navios ligados ao Japão que se encontram actualmente retidos no Golfo Pérsico e solicitou ao Irão que adoptasse as medidas necessárias para garantir a segurança de todos os navios no Estreito de Ormuz, “incluindo os do Japão e de outros países asiáticos”.

Por seu lado, Araghchi expôs a posição do Irão e ambos os ministros concordaram em manter uma comunicação estreita com vista a um rápido alívio das tensões, de acordo com o comunicado japonês.

As expectativas de um potencial envio de navios militares japoneses para a região pode ser um dos temas-chave na cimeira esta quinta-feira em Washington entre a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o Presidente norte-americano. Questionada ontem sobre a possibilidade de enviar para a zona efectivos das Forças de Autodefesa japonesas, Takaichi reiterou que, por enquanto, não há planos para o fazer.

Turismo | Número chineses a viajar para o Japão caiu 45%

O número de turistas chineses no Japão caiu 45,2 por cento em Fevereiro, em comparação com fevereiro de 2025, apesar dos feriados do Ano Novo Lunar, segundo dados oficiais publicados ontem, num contexto de fortes tensões entre Tóquio e Pequim.

O arquipélago recebeu no mês passado 396.400 visitantes da China continental, indicou a Agência Japonesa de Turismo, apesar do período supostamente próspero do Ano Novo chinês, que este ano calhou em Fevereiro. A China é, de longe, o maior mercado emissor de turistas para o Japão, representando aproximadamente um quarto de todas as chegadas no ano até ao final de Novembro, mas com expressivas quedas sucessivas desde então.

As relações entre os dois países deterioraram-se desde as declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre Taiwan, no parlamento nipónico em Novembro último, na sequência das quais Pequim instou os seus cidadãos a evitarem qualquer viagem ao Japão.

Takaichi sugeriu na altura que uma intervenção militar do país seria possível em caso de ataque chinês contra Taiwan, ilha que Pequim considera território chinês inalienável.

Em Fevereiro anunciou que iria sancionar 40 empresas e organizações japonesas acusadas de participar na nova militarização do Japão, nomeadamente proibindo 20 das quais de adquirir bens e tecnologias com potencial tanto civil como militar a empresas sediadas na China.

Entre Hegemonia e Vulnerabilidade

“Power is not revealed by striking hard or often, but by striking true.”

Honoré de Balzac

A presença militar dos Estados Unidos no vasto espaço geopolítico que se estende do Mediterrâneo ao Oceano Índico constitui um dos pilares centrais da arquitectura de segurança internacional contemporânea. Esta região, marcada por uma sucessão de mares estratégicos com o Mediterrâneo, Mar Negro, Cáspio, Mar Vermelho, Golfo Pérsico e Oceano Índico concentra recursos energéticos essenciais, rotas marítimas vitais e zonas de fricção onde se cruzam interesses de potências regionais e globais. A disposição das bases americanas neste arco geográfico não resulta apenas de necessidades operacionais imediatas, mas reflecte uma visão de longo prazo sobre o papel dos Estados Unidos enquanto potência global e garante de estabilidade em áreas consideradas críticas para o funcionamento da economia mundial.

A configuração actual desta rede militar é inseparável da evolução histórica da política externa americana desde o final da Guerra Fria. O colapso da União Soviética abriu um período de hegemonia sem precedentes, frequentemente descrito como unipolar, durante o qual Washington procurou consolidar a sua capacidade de projecção de força e assegurar acesso privilegiado a regiões sensíveis. A década de 1990 marcou o início de uma fase de intervenções frequentes, justificadas por razões humanitárias, de segurança colectiva ou de defesa de interesses estratégicos. A Guerra do Golfo, as operações nos Balcãs e as intervenções no Corno de África ilustram esta tendência. Contudo, foi após 2001, com o lançamento da chamada “guerra ao terrorismo”, que a presença militar americana atingiu uma escala sem precedentes, exigindo uma rede logística e operacional extensa que se estendeu por toda a região.

A geografia estratégica das bases militares americanas segue uma lógica de controlo de corredores marítimos, proximidade a zonas de conflito e capacidade de resposta rápida. No Mediterrâneo oriental, a cooperação com países como a Grécia, Turquia, Egipto e Jordânia permite manter capacidades aéreas e navais que garantem vigilância permanente sobre o Levante, Mar Negro e Canal de Suez. Esta área funciona como porta de entrada para o Médio Oriente e como plataforma de ligação entre a Europa, Norte de África e Ásia Ocidental, sendo particularmente relevante devido à proximidade de zonas de instabilidade como a Síria e o Líbano. No Golfo Pérsico, núcleo da presença militar americana, a concentração de reservas petrolíferas, a vulnerabilidade das rotas energéticas e a rivalidade com o Irão justificam a manutenção de bases aéreas, navais e de comando em países como Qatar, Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Estas infraestruturas permitem operações de vigilância, dissuasão e intervenção, além de funcionarem como pontos de apoio logístico para missões no Iraque, Síria e Afeganistão. No Oceano Índico e no Mar Vermelho, a presença americana assegura o controlo de rotas marítimas que ligam a Europa à Ásia, sendo crucial para monitorizar ameaças como pirataria, terrorismo e instabilidade política. A base de Djibouti, embora situada fora do núcleo tradicional do Médio Oriente, desempenha um papel central na arquitectura de segurança regional.

A expansão e manutenção desta rede de bases deve ser compreendida à luz de um fenómeno mais amplo que é a crescente militarização da política externa americana. Este processo tem sido interpretado como um sintoma de fragilidade estrutural. À medida que a capacidade dos Estados Unidos para moldar a ordem internacional através de instrumentos diplomáticos, económicos e institucionais se foi reduzindo, aumentou a dependência de meios militares para preservar influência e credibilidade. A multiplicação de intervenções desde o início do século XXI evidencia esta tendência. As campanhas prolongadas no Afeganistão e no Iraque revelaram os limites da superioridade militar americana, tanto em termos de eficácia estratégica como de custos humanos e financeiros. A dificuldade em alcançar objectivos políticos duradouros, apesar do investimento massivo em recursos militares, contribuiu para uma erosão da percepção de invencibilidade que caracterizara a década de 1990.

O envolvimento militar contínuo teve repercussões profundas na política interna dos Estados Unidos. O aumento exponencial da despesa militar, financiado em grande parte por endividamento, coincidiu com um período de polarização política e de perda de confiança nas instituições. A discrepância entre os objectivos declarados das intervenções e os resultados obtidos alimentou um debate intenso sobre o papel dos Estados Unidos no mundo e sobre a sustentabilidade da sua estratégia global. A guerra no Afeganistão, prolongada por duas décadas, tornouse símbolo das dificuldades enfrentadas por Washington ao tentar transformar realidades políticas complexas através de meios militares. A intervenção no Iraque, por sua vez, expôs fragilidades na avaliação de riscos e na planificação pósconflito. A combinação de custos elevados, resultados incertos e desgaste político contribuiu para um ambiente de introspecção estratégica.

A dissuasão americana, que durante décadas se baseou na percepção de superioridade tecnológica e capacidade de resposta global, enfrenta desafios significativos. A emergência de novas potências, a proliferação de tecnologias de negação de acesso e a crescente assertividade de actores regionais reduziram a margem de manobra dos Estados Unidos. A presença militar, embora ainda extensa, não garante automaticamente a capacidade de influenciar comportamentos adversários. A transformação do ambiente estratégico é visível na forma como países da região têm testado os limites da tolerância americana, recorrendo a ataques indirectos, guerra híbrida e operações de baixa intensidade. A multiplicação de incidentes envolvendo bases e forças americanas demonstra que a presença militar, por si só, não assegura o efeito dissuasor que outrora possuía.

Apesar das dificuldades, a rede de bases continua a desempenhar funções essenciais para a política externa dos Estados Unidos. Entre as suas principais utilidades encontramse a garantia da liberdade de navegação em corredores marítimos vitais, a monitorização de ameaças transnacionais, o apoio a aliados regionais e a capacidade de resposta rápida a crises humanitárias ou conflitos emergentes. A presença militar funciona, assim, como instrumento de gestão de riscos num ambiente caracterizado por volatilidade e competição entre potências. No entanto, a análise da disposição das bases revela uma tensão estrutural entre os objectivos declarados da política externa americana e os resultados obtidos. A intenção de promover estabilidade e segurança contrasta frequentemente com a persistência de conflitos, rivalidades regionais e crises humanitárias. A presença militar, embora necessária para proteger interesses estratégicos, pode também gerar percepções de ingerência e alimentar narrativas antiocidentais, limitando a eficácia de abordagens diplomáticas e económicas.

O futuro da presença militar americana no Médio Oriente alargado dependerá da evolução das relações com potências regionais, da capacidade de adaptação às novas tecnologias de guerra, da situação interna dos Estados Unidos e da dinâmica do sistema internacional. A tendência para uma redistribuição de prioridades estratégicas, com maior atenção ao IndoPacífico, poderá levar a ajustamentos na rede de bases, mas dificilmente resultará num abandono completo da região. A importância energética, a centralidade das rotas marítimas e a persistência de conflitos tornam improvável uma retirada substancial. Contudo, é possível que Washington procure reduzir a exposição directa, privilegiando parcerias regionais, operações conjuntas e formas de presença menos visíveis. A forma como estes factores se articularão determinará o papel dos Estados Unidos na região nas próximas décadas e influenciará a estabilidade de um dos espaços mais sensíveis do sistema internacional.

Japão adia retoma das operações da maior central do mundo

A eléctrica japonesa Tokyo Electric Power Company (TEPCO) adiou ontem o reinício das operações comerciais de Kashiwazaki-Kariwa, a maior central nuclear do mundo em capacidade, fechada desde 2011 após o acidente em Fukushima. Num comunicado, a TEPCO disse que, na quinta-feira passada, um alarme indicou uma pequena fuga eléctrica no reactor número 6, que começou a transmitir energia em 09 de Fevereiro, após 14 anos de suspensão.

Após uma investigação, a empresa determinou que não houve uma fuga real, mas sim um condutor que se rompeu que accionou o alarme por engano, algo que “não afecta directamente a segurança do reactor”, que permanece estável. A TEPCO continua a investigar os detalhes do incidente e ainda não anunciou uma nova data para a retoma das operações comerciais do reactor.

O reinício já tinha sido adiado a 26 de Fevereiro, devido a problemas com os alarmes das barras de controlo. A TEPCO reiniciou a central de Kashiwazaki-Kariwa a 21 de Janeiro, 15 anos após o encerramento em 2011 na sequência do acidente nuclear de Fukushima.

Essa foi a primeira vez que a TEPCO, que administrava a central de Fukushima antes do desastre, reactivou uma das suas centrais desde o acidente nuclear, causado pelo forte terremoto e subsequente tsunami, que atingiram o nordeste do Japão em 11 de Março de 2011. O acidente levou a um apagão nuclear no país, onde a maioria dos reactores nucleares continua desactivada.

Ponto de situação

Actualmente, 14 reactores estão operacionais, 19 suspenderam as suas operações e 27 aguardam desmantelamento, segundo dados da Agência Internacional de Energia Atómica. Os reactores 6 e 7 de Kashiwazaki-Kariwa já passaram pelas revisões para a respectiva reactivação em 2017, mas posteriormente foi ordenado que a central permanecesse parada devido a falhas na segurança contra ataques terroristas.

Em Dezembro de 2023, as medidas adoptadas foram aprovadas e, desde então, a TEPCO tem vindo a ultrapassar os trâmites necessários para colocar ambos os reatores em funcionamento.

Com uma capacidade superior a oito mil megawatts, a central de Kashiwazaki-Kariwa é uma peça fundamental no plano de fornecimento de energia da TEPCO e está em linha com a estratégia promovida pelo Governo japonês da primeira-ministra Sanae Takaichi de impulsionar as centrais nucleares e cumprir metas de redução de emissões.

Enviado especial chinês ao Médio Oriente põe questão palestiniana na agenda

O enviado especial chinês para o Médio Oriente, Zhai Jun, sublinhou ontem, no Cairo, ao ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, Badr Abdelatty, que a questão palestiniana “não deve voltar a ser ignorada nem esquecida”.

Zhai indicou que a “questão palestiniana é fundamental para a paz, estabilidade e segurança a longo prazo no Médio Oriente” e que os acordos posteriores à guerra em Gaza “devem estar em consonância com a implementação da ‘solução de dois Estados'”, segundo um comunicado publicado ontem pelo ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

O diplomata chinês declarou que “uma maior propagação do conflito causaria maiores perdas, afectando o desenvolvimento económico regional e a segurança energética mundial”, sublinhando a “urgência” de um “cessar-fogo” para “retomar o caminho correcto da resolução de disputas através de canais diplomáticos”.

Abdelatty afirmou que “a actual escalada de tensões regionais tem graves consequências e não beneficia nenhuma das partes”, instando o Irão a “cessar os ataques contra países árabes”. “O actual conflito não deve desviar a atenção internacional da questão palestiniana, nem do acordo de cessar-fogo em Gaza, bem como dos acordos de governação e reconstrução no pós-guerra”, afirmou o diplomata egípcio, de acordo com o comunicado chinês.

Segundo Abdelatty, “o Egipto e a China partilham um elevado grau de consenso em questões regionais, e o Egipto está disposto a reforçar a coordenação e cooperação com a China para promover conjuntamente o restabelecimento da paz e da estabilidade na região”.

No terreno

Zhai, cuja agenda de reuniões nos países do Médio Oriente não foi detalhada, encontra-se na região a realizar uma “mediação activa” no conflito, no âmbito da qual tem previstos contactos com as partes envolvidas para promover o regresso às negociações, informou recentemente o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

O diplomata já visitou outros países como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos ou o Bahrein, onde defendeu um cessar-fogo e o “respeito” pela “soberania, segurança e integridade territorial dos Estados árabes da região do Golfo”. O conflito opõe o Irão aos Estados Unidos e a Israel desde o final de fevereiro, quando ambos os países lançaram ataques contra território iraniano, aos quais Teerão respondeu com ofensivas contra vários países do Golfo e posições ligadas a Washington na região.

Lucro do gigante digital Tencent sobe 16 por cento para 28.311 ME em 2025

A tecnológica chinesa Tencent registou em 2025 um lucro líquido de 224.842 milhões de yuan, o que representa um crescimento de 16 por cento face ao ano anterior. Nos resultados enviados ontem à Bolsa de Valores de Hong Kong, onde está cotada, a empresa indicou também que as receitas aumentaram 14 por cento em termos homólogos, para cerca de 751.766 milhões de yuan.

A tecnológica destacou um “crescimento saudável” ao longo do exercício, impulsionado pela melhoria das suas capacidades em inteligência artificial (IA), que permitiram optimizar a publicidade e aumentar o número de utilizadores dos seus videojogos, bem como pelo crescimento dos negócios de computação na nuvem, tanto em receitas como em lucros.

No que respeita à IA, área em que tanto a Tencent como os seus concorrentes estão a investir fortemente, a empresa salientou a contratação de “talento de topo”, a criação de processos para consolidar os seus modelos e a aplicação destas capacidades a produtos como o ‘chatbot’ Yuanbao ou a rede social WeChat.

“A crescente capacidade do nosso modelo de linguagem de grande escala HY 3.0, bem como a utilidade de produtos de IA como Yuanbao, WorkBuddy ou QClaw, constituem sinais iniciais encorajadores de que estes investimentos vão gerar novas oportunidades”, referiu a empresa, aludindo também ao aumento dos montantes destinados ao seu desenvolvimento, sustentado pelo desempenho dos principais negócios.

“A procura por consumo e entretenimento, bem como a satisfação associada à criação e à produtividade, permitem à Tencent oferecer serviços de IA que melhoram as capacidades dos seus utilizadores nestas áreas”, acrescentou.

Acima do esperado

A rede social WeChat terminou o ano com cerca de 1.418 milhões de utilizadores activos mensais, mais 33 milhões do que no final de 2024.

No último trimestre, a Tencent registou um aumento de 14 por cento nos lucros face ao mesmo período do ano anterior, superando as previsões dos analistas, que apontavam para uma subida de 7 por cento. As receitas cresceram 13 por cento, em linha com as expectativas.

Num comunicado separado, o Conselho de Administração propôs o pagamento de um dividendo de 5,3 dólares de Hong Kong por acção, relativo ao exercício de 2025. A Tencent, a maior empresa chinesa em capitalização bolsista e uma das 20 maiores do mundo, é conhecida por desenvolver o WeChat e por ser a maior distribuidora global de videojogos, com títulos como “League of Legends”.

Hong Kong | Rejeitados recursos de sete condenados por invadir o Parlamento em 2019

O Tribunal de Recurso de Hong Kong manteve as apenas aplicadas na primeira instância aos manifestantes que, em 2019, invadiram o Parlamento causando danos e exibindo a bandeira britânica

A justiça de Hong Kong rejeitou ontem os recursos apresentados por sete manifestantes condenados por distúrbios ocorridos durante a invasão do Parlamento em 2019, no auge dos protestos que abalaram a região.

Entre os manifestantes que apresentaram recurso, estava o actor Gregory Wong Chung-yiu, que contestava a condenação por desordem pública e uma pena de seis anos e dois meses de prisão. O Tribunal de Recurso de Hong Kong manteve a decisão, concluindo, por unanimidade, que o envolvimento na invasão do Conselho Legislativo foi deliberado e não o de um “espectador inocente”.

“Sabendo que o complexo estava ocupado, vestiu-se de preto e entrou na câmara, onde não só entregou material aos jornalistas, como manteve contacto físico com os manifestantes, abraçando-os”, refere a sentença. Os juízes rejeitaram também a alegação de que a sentença imposta a Gregory Wong era desproporcional.

O tribunal rejeitou ainda os recursos de outros seis arguidos. Cinco deles – incluindo a ex-líder estudantil Althea Suen Hiu-nam, que se declarou culpada – recorreram apenas das sentenças, que incluíam penas de até seis anos e dez meses de prisão. A sexta arguida, Amy Pat Wai-fun, contestou tanto a condenação como a pena de quatro anos e nove meses imposta.

Em Fevereiro de 2024, um juiz da primeira instância condenou 11 arguidos a penas de prisão que variavam entre quatro anos e meio e seis anos e dez meses. Dois jornalistas, julgados em conjunto, foram multados até 1.500 dólares de Hong Kong por entrarem ou permanecerem no complexo, embora não tenham sido acusados de distúrbios.

Na decisão de 2024, o tribunal enfatizou a natureza simbólica do ataque, afirmando que os participantes “rasgaram cópias da Lei Básica [a ‘mini’-constituição de Hong Kong] e exibiram bandeiras coloniais”, gestos que considerou “provocativos e desafiadores da autoridade”. O tribunal salientou ainda que o episódio “minou a capacidade de governação e deixou cicatrizes profundas na sociedade de Hong Kong”.

Lei e ordem

Os acontecimentos ocorreram na noite de 01 de Julho de 2019, no 22.º aniversário da transferência de soberania do Reino Unido para a China. Centenas de manifestantes, usando capacetes e máscaras, invadiram o complexo, causaram danos e exibiram a bandeira colonial britânica antes de serem dispersados com gás lacrimogéneo.

A invasão foi um dos momentos mais tensos dos protestos contra a lei de extradição para a China continental. As manifestações, com milhões de participantes e reivindicações por sufrágio universal, culminaram na imposição, por parte do Governo central chinês, da Lei de Segurança Nacional em 2020.

FRC | Poesia e leitura em destaque hoje

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a sessão “Um Encontro de Poesia: A Árvore e tudo o que queiram”, que visa celebrar o Dia Mundial da Poesia, data instituída pela UNESCO na 30.ª Conferência Geral em Paris, em 1999. O evento assinala também o Dia Internacional das Florestas, com ambas as datas a serem assinaladas a 21 de Março pelas Nações Unidas.

A sessão de hoje é organizada pelo Clube de Leitura da Associação dos Amigos do Livro em Macau, sendo, segundo descreve a FRC em comunicado, “uma oportunidade para incentivar a leitura, apoiar os poetas e preservar a diversidade linguística e cultural, através da palavra escrita e falada”.

A sessão, a ser conduzida pelo médico e escritor Shee Vá, pretende levar o público a partilhar poemas que tenham um significado especial nas suas vidas, que podem estar sujeitos ao tema da “Árvore”, ou não. O que importa é “homenagear a expressão poética e a sua importância cultural como legado identitário da língua de cada país ou países”.

“A poesia, com a sua capacidade de emocionar, provocar reflexões e transmitir sentimentos, foi capaz de atravessar séculos e civilizações, sendo um dos pilares da arte literária. Se quiser participar, apareça na Galeria da FRC e peça a palavra. Venha preparado para ouvir e ler, contribuindo para enriquecer a experiência das comunidades locais neste desígnio de dar voz ao sentimento dos poetas e tocar almas”, descreve a mesma nota sobre o evento.