Joaquim Alves Gaspar, co-autor de “A Cartografia de Magalhães”: “A mais extraordinária viagem marítima”

Lançado em Abril, “A Cartografia de Magalhães”, de Joaquim Alves Gaspar, docente da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e da académica Šima Krtalić, olha para a história da cartografia antes e depois da Circum-Navegação de Fernão de Magalhães. O autor realça a importância da viagem que provou ser possível navegar em torno da Terra

 

Este livro fala do panorama da cartografia antes e depois da Circum-Navegação de Fernão de Magalhães. O impacto da viagem foi grande nesta área?

Não foi o ponto de viragem mais importante na via náutica, pois este surgiu muito antes, com a expansão marítima dos povos ibéricos no Atlântico. Primeiro, com os portugueses ao longo da costa de África e depois os espanhóis, primeiro com Colombo nas Índias ocidentais, como eles chamaram, pois Colombo julgava ter chegado às Índias do reino de Castela. Depois houve as descobertas dos portugueses através do [oceano] Índico e até ao sueste asiático, e também no Brasil e na chamada “Terra Nova”. Esse final do século XV e início do século XVI foi, digamos, o maior ponto de viragem no que diz respeito ao conhecimento do mundo pelos europeus, que teve reflexos, primeiro, na cartografia náutica. A cartografia náutica era um instrumento de navegação e não uma imagem do mundo.

Não eram, portanto, mapas como hoje conhecemos.

Sim. No entanto, foram utilizadas como fonte para os mapas geográficos. Houve algum impacto da viagem de Magalhães no conhecimento da América do Sul, que só era conhecida e cartografada até ao Rio da Prata, que fica na fronteira entre o Brasil e a Argentina. A esquadra de Magalhães passou também pelas [ilhas] Molucas, que ficam na Indonésia, a sul das Filipinas, e depois pelo norte das Filipinas, onde um navegador foi morto, num conflito local. Os dois navios que restaram deambularam alguns meses pelas Filipinas antes de se dirigirem às Molucas. Aí carregaram os navios de cravo, que era aquilo que interessava. Um dos navegadores tentou voltar para trás através do Pacífico, como lhes tinha sido ordenado pelo rei de Castela, de Espanha, mas não conseguiu, voltando para trás. O navio sofreu avarias e acabou por se destruir e ficar com os portugueses nas Filipinas. O outro estava com Sebastian El Cano [navegador espanhol que acompanhou Magalhães], vindo para sul, passando por Timor. Fez depois aquilo que era proibido, que era voltar a Espanha atravessando o hemisfério português, pelo Índico. E quais foram os benefícios dessa viagem em termos de cartografia no sueste asiático?

Foram maiores?

Não. Os navios de Magalhães fizeram algum levantamento, precário, das ilhas das Filipinas, Molucas, Bornéu. Mas, entretanto, já os portugueses tinham recolhido informação cartográfica de melhor qualidade que depois foi vertida nas cartas naúticas. Estranhamente a Circum-Navegação não teve, de facto, um grande impacto na cartografia.

Porquê lançar esta obra?

Como todos os livros, este também tenta contar uma história. Existem muitas narrativas textuais da viagem de Magalhães, do que se passou antes e depois. Mas não menos importante é o papel da cartografia para contar essa história. Na realidade contamos no livro duas histórias complementares: o que era a cartografia antes da viagem e como propiciou a proposta de Magalhães.

E como era?

Era uma cartografia sobretudo portuguesa e baseada em fontes portuguesas. Magalhães, quando se dirigiu ao rei Carlos I de Espanha, não ia de mãos a abanar. Tinha acesso à melhor cartografia da época e das técnicas de navegação. Foi isso que convenceu o rei de Castela a aceitar a proposta de um projecto que já tinha tentado concretizar, sem êxito. Magalhães e os portugueses tinham atrás de si toda uma cartografia que tinham desenvolvido com bastante inovação, e que permitiu apresentar o mundo aos olhos dos europeus de uma forma bastante mais exacta face ao que se conhecia até à data. Essa é a primeira parte do livro.

E a segunda?

São os reflexos da viagem na cartografia, em particular nas disputas entre portugueses e espanhóis quanto à posse e localização das Molucas.

Esse conflito é outro ponto central da obra. Desmistificaram-se muitas ideias que havia em torno da localização das Molucas até essa data?

O Tratado de Tordesilhas foi um documento incrível que dividiu o mundo em duas partes, uma parte de influência portuguesa, e outra de influência espanhola. A linha divisória era de pólo a pólo que passava a 370 léguas a oeste de Cabo Verde. Para ocidente, era território espanhol, e para oriente, português. Na altura em que o tratado foi firmado, havia a preocupação com o que acontecia deste lado do mundo. Os portugueses queriam preservar o que tinham descoberto em África, sobretudo, o Atlântico, e os espanhóis queriam preservar o que tinham descoberto no Mar das Caraíbas, as Antilhas do reino de Castela. Já se sabia perfeitamente que a terra é redonda desde o século V a.C., mas nunca tinha existido a preocupação de saber como se passava para o outro lado da terra, até aos antípodas. Quando os portugueses chegaram a Malaca, a partir de 1519, e depois a conquistaram, todos acordaram, e em particular os espanhóis, que começaram a alegar que esses territórios lhes pertenciam, sem argumentos válidos. Valiam-se da velha imagem do mundo, de Cláudio Ptolomeu, de 400 anos antes. Para provar que aquilo era espanhol tinham de lá ir. Mas porquê essa suspeita? Este ponto é importante na nossa história: na cartografia náutica portuguesa, a melhor da época, as Molucas estavam do lado espanhol erradamente.

Porquê esse erro?

Devido à forma como as cartas náuticas eram feitas. Não eram mapas geográficos feitos com base em latitudes e longitudes, mas com base em rotas e caminhos seguidos no mar. Esse rumo era ditado pela agulha magnética, que cria desvios e levou a distorções nas cartas náuticas.

Não eram, então, muito fidedignas.

Eram, mas para navegação. A forma como se navegava era coerente com as cartas náuticas da época, em que África aparecia desviada para o Oriente, e todo o oceano Índico desviado, empurrando as Molucas para o lado espanhol. Fernão de Magalhães estava genuinamente convencido que as Molucas eram espanholas.

Em termos de inovação na navegação, esta viagem destacou-se?

A ideia, sobretudo propalada pela literatura anglo-saxónica, de que os portugueses iam à aventura, ao acaso, é absolutamente falsa. Como o nosso Pedro Nunes escreveu num tratado, anos depois, os portugueses já seguiam muitas regras matemáticas e astronómicas para melhor navegar. As viagens eram planeadas minuciosamente, do ponto de vista técnico e logístico. Um ponto inédito [na viagem de Magalhães] é que, pela primeira vez, a longitude de um lugar, a distância este-oeste, era importante para localizar as Molucas. Então, nesta viagem, foi um astrónomo a bordo, Andrés de San Martin, para tentar determinar a longitude das ilhas. Nessa época, a astronomia era convincente, tinha um enorme probatório. Este espanhol fez várias medidas de longitude ao longo da viagem, algumas delas relativamente perto do Estreito de Magalhães, com um rigor que hoje nos espanta. Essas medições reflectiram-se na cartografia, e nos relatos que nos chegaram sabemos que quem ia a bordo começou a ficar preocupado com as medidas de longitude, que davam a entender que as Molucas ficavam do lado espanhol. Andrés de San Martin fez ainda outras medições na chegada às Filipinas e observações astronómicas que colocaram então as Molucas no território português. Esse astrónomo, que morreu na viagem sem se saber muito bem como, deixou relatos sobre estas medições, que a coroa espanhola tentou esconder até onde foi possível.

Espanha estava mais preparada para acolher a proposta de viagem de Magalhães?

A Portugal não lhe interessava esta viagem, porque o que Magalhães propunha era viajar para as Molucas [Oriente] e nunca para o Ocidente. Os portugueses podiam chegar às Molucas pelo Oriente, que era mais perto. Ainda por cima, para irem pelo Ocidente, seria por território espanhol, pelo que era uma viagem que não lhes interessava de todo. Fernão de Magalhães entrou em conflito com o rei D. Manuel I, pediu-lhe um aumento do seu subsídio, à mercê dos trabalhos que tinha feito para a Coroa portuguesa até então, e isso foi recusado. Então aceitou a sugestão do seu amigo Francisco Serrão, que ficou nas Molucas e fez lá família, para apresentar a proposta a Espanha, dizendo que, assim, poderia enriquecer se o desejasse. Estas cartas enviadas por Serrão tiveram um grande peso na proposta de Magalhães.

Como descreve a figura de Fernão de Magalhães?

Sabe-se muito pouco sobre a figura humana dele. O que se sabe é através de relatos benignos de António Pigafetta, que tinha uma enorme admiração por Magalhães. Do lado espanhol só se disse mal do navegador. Nem se sabe bem onde ele nasceu, provavelmente terá sido no Porto. [A Circum-navegação] foi uma viagem importante para a cartografia e o conhecimento do mundo. Sabia-se há muito que a terra era redonda, mas não se sabia que era circum-navegável e isso foi fundamental para pôr os povos em contacto. O facto de Fernão de Magalhães ter conseguido comandar com êxito aquela que foi, provavelmente, a mais extraordinária viagem marítima de todos os tempos diz muito sobre as qualidades de liderança e de conhecimento técnico que tinha. Teve persistência na descoberta de uma passagem para o Pacífico e, pela primeira vez, atravessou-o em frágeis navios de madeira, as naus.

Luís de Camões cimenta no Brasil a ligação dos emigrantes a Portugal

A dirigente associativa Noémia Serra realçou na quarta-feira o papel da figura de Camões na ligação das comunidades portuguesas do Brasil ao país de origem, contando que ela própria recuperou um busto do poeta na cidade de Santos.

Desempenhando há vários anos cargos de direcção no Centro Cultural Português (CCP), a artista, de 78 anos, disse à agência Lusa que a referida escultura do autor de “Os Lusíadas” estava em muito mau estado, na sede da colectividade, que congrega compatriotas há quase 130 anos, muitos deles oriundos de concelhos adstritos à Serra da Lousã.

O CCP é uma associação administrada por portugueses radicados naquela cidade portuária, no estado de São Paulo, que resultou da fusão, em 2010, do Centro Português de Santos, fundado em 1895, com a Sociedade União Portuguesa, criada em 1928.

“O busto de Luís de Camões estava muito degradado. Levei-o para minha casa e com muita paciência, durante meses, procedi ao seu restauro”, disse Noémia Serra, nascida em 1945 numa aldeia serrana da Lousã, distrito de Coimbra.

Concebido em finais do século XIX, de acordo com o estilo neomanuelino, evocando a saga dos Descobrimentos portugueses, o edifício do antigo Real Centro Português foi alvo nos últimos anos de vultuosos investimentos para assegurar boas condições de funcionamento às duas instituições culturais reunidas há 14 anos.

O Salão Camoniano, com pinturas inspiradas em “Os Lusíadas”, produzidas pelo espanhol A. Fernández, “estava muito abandonado e beneficiou também de especializados trabalhos de restauro”, que tiveram apoio do Estado Português, segundo Noémia Serra, radicada no Brasil desde a infância e que está em Portugal com o marido de visita aos familiares do casal.

Dedicação às artes plásticas

A portuguesa, que na actual fase da aposentação tem vindo a dedicar-se às artes plásticas, é vice-presidente do Elos Clube de Santos, que, apoiando as entidades congéneres da Praia Grande e de São Vicente, está envolvido nas comemorações dos 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões.

As cerimónias para toda a Baixada Santista vão decorrer no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, junto ao monumento a Camões, da autoria de Jorge Guerreiro, no município de São Vicente.

Inaugurado em 1980, com apoio da prefeitura, no âmbito do quarto centenário da morte do poeta, o monumento vai reabrir ao público no 10 de Junho, após requalificação promovida pelo Elos Clube vicentino, atualmente liderado por Celestino Domingues.

Desde o século XIX, no Brasil, Camões é igualmente evocado através da arte, por exemplo, no Real Gabinete Português de Leitura, uma biblioteca pública do Rio de Janeiro, também em estilo manuelino, a funcionar desde 1887, e no Clube Português de São Paulo, criado em 1920.

Em cerca de 55 anos de vida, rezam a história e as lendas, o poeta soldado Luís de Camões (1524-1580) andou pelo Norte de África, onde terá perdido um olho em combate, Ilha de Moçambique, Índia e Extremo-Oriente, tendo vivido, designadamente, em Macau.

Não viajou pelo Brasil, onde a armada de Pedro Álvares Cabral aportou em 1500. Ainda assim, meio século após ter nascido, o criador de “Os Lusíadas” povoa o imaginário algo patriótico dos portugueses que, desde o século XIX, buscaram “novos mundos” no maior país lusófono.

GP Macau: FIA anuncia que Formula Regional vai substitui a Fórmula 3

A Federação Internacional do Automóvel (FIA) anunciou na manhã de ontem que realizará a Taça do Mundo de Fórmula Regional no programa da 71ª edição do Grande Prémio de Macau. A competição, que na pirâmide das corridas de monolugares fica entre a Fórmula 4 e a Fórmula 3, vai ocupar o lugar no programa que pertencia à Fórmula 3.

Em 2023, a FIA assinou um contrato de três anos com as entidades de Macau para a realização da Taça do Mundo de Fórmula 3, mas este terá sido “transferido” para a Taça do Mundo da Fórmula Regional. A disciplina de monolugares que assentou arraiais em Macau pela primeira vez em 1983 e ajudou a tornar o Circuito da Guia célebre em todo o mundo, durante a pandemia foi substituída pela Fórmula 4. Todavia, a partir deste ano, a competição de monolugares da FIA realizada como parte do evento do território será reservada a carros da Formula Regional, “tornando o evento ainda mais acessível do que nunca, abrindo-o a um amplo leque de potenciais pilotos que competem a nível regional”, é possível ler no comunicado emitido pela própria federação internacional.

François Sicard, Diretor de Estratégia e Operações de Monolugares da FIA, justificou a razão da troca, como um ajuste a uma nova realidade e vê a Fórmula Regional como a categoria de monolugares que melhor se adequa ao evento de Macau. Isto, porque a própria natureza da Fórmula 3 de hoje, em nada se compara ao que em tempos foi esta disciplina de formação.

“Trazer os carros da Formula Regional para Macau para a Taça do Mundo da FIA é uma consequência natural da evolução do panorama das corridas monolugares juniores nos últimos anos e é um passo lógico na pirâmide”, disse o responsável da FIA e ex-Chefe de Equipa. “A corrida de Fórmula 3 de Macau construiu a sua reputação lendária como um evento que reunia os melhores pilotos jovens das competições nacionais de todo o mundo naquele que é o circuito citadino mais desafiante do mundo. A mudança para os carros da Formula Regional revive muito esse espírito e é uma solução ótpima a longo prazo para a competição de monolugares sancionada pela FIA em Macau.”

Lançada em 2018 na Ásia e nos EUA, na altura com o nome de F3 Regional, a Fórmula Regional faz a ponte entre várias as várias competições nacionais de Fórmula 4 e o Campeonato do Mundo de Formula 3 da FIA, que acompanha a Fórmula 1 vários eventos. Actualmente, existem cinco diferentes campeonatos de Fórmula Regional certificadas pela FIA a serem realizadas em todo o mundo – Américas, Europa, Japão, Médio Oriente e Oceânia – e, de acordo com dados da FIA, haverá aproximadamente 92 pilotos de Fórmula Regional a competir globalmente em 2024.

Todos os carros desta disciplina são construídos pela experiente Tatuus em Itália e usam diferentes motorizações, consoante o campeonato e a geografia do mesmo. Não foi revelado pela FIA que motorizações serão autorizadas a participar na prova do Circuito da Guia. O Grande Prémio de Macau disputa-se de 14 a 17 de Novembro.

O terrorismo Huti

“We have repeatedly stated without hesitation that supporting Palestine and resistance groups is on the agenda of the Islamic Republic’s policies”

Iranian President Ebrahim Raisi, in 14.01.2024

Apesar do crescente apoio de Teerão, os “Partidários de Deus” estão a prosseguir a sua agenda que é independente do Irão traduzida na rivalidade com Saná, normalização com uma Arábia Saudita cansada de guerra e uma paz em Gaza que não estabilizará o Mar Vermelho. Desde 19 de Novembro de 2023, dia do sequestro do cargueiro “Galaxy Leader”, o Mar Vermelho voltou a estar no centro da cena internacional. O ataque ao cargueiro ligado ao magnata israelita Abraham “Rami” Ungar pelo movimento iemenita político-religioso Ansar Allah, (Partidários de Deus), mais conhecido como ” Hutis”, marcou o início de uma nova e crítica fase de escalada neste ponto estratégico entre o Mediterrâneo e o Oceano Índico. Nos últimos meses, os Hutis realizaram dezenas de ataques contra navios mercantes em trânsito no sul do Mar Vermelho, perto de Bab-el-Mandeb e do Golfo de Aden, lançando mais de uma centena de mísseis e ataques com drones a partir dos territórios iemenitas sob o seu controlo.

A estratégia de desestabilização das rotas marítimas internacionais e os repetidos ataques contra Israel dirigidos sobretudo contra o porto meridional de Eilat estão ligados à tragédia humanitária que se vive em Gaza e à ofensiva israelita. Embora os navios mercantes não pertencentes ao Estado judaico também tenham sido alvo dos Hutis, o grupo iemenita tem, de facto, sublinhado repetidamente que o bloqueio marítimo e as acções militares no sul do Mar Vermelho dizem respeito a navios comerciais ligados a Israel ou destinados a portos israelitas, condicionando a cessação das hostilidades ao “levantamento do cerco de Gaza”. Num comunicado oficial de 6 de Janeiro de 2024, o movimento foi mais longe, declarando que as suas “operações” estão em conformidade com o direito internacional, especificamente o artigo 1.º da Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio (1948).

A imprensa e a articulada máquina mediática pró-Huti elevam as acções do movimento a uma “batalha de apoio” à libertação dos territórios palestinianos ocupados. O líder Abdul-Malik al-Houthi, num discurso proferido no final de Dezembro de 2023, apelou aos “países vizinhos” para que abrissem as suas fronteiras a fim de permitir aos seus “Mujahidin” (combatentes da jihad) “entrar na Palestina”. Para além da retórica, são os interesses regionais especiais e os cálculos internos que orientam a estratégia político-militar de Ansar Allah relativamente à guerra de Gaza, bem como a escalada no Mar Vermelho. A nível regional, os Hutis viram no conflito da Faixa de Gaza uma oportunidade para reforçar os laços com o “eixo de resistência” liderado pelo Irão, que inclui Hezbollah, o governo sírio de Bashar al-Asad, as milícias xiitas iraquianas e o grupo palestiniano Hamas.

Mas também uma oportunidade importante para reforçar a sua posição negocial nas conversações de paz em curso com a Arábia Saudita, a fim de obter o reconhecimento internacional e legitimar o seu poder. Ao mesmo tempo, pretendem aproveitar a onda de indignação e tornar-se o porta-voz do sentimento “pró-palestiniano” no mundo árabe-islâmico, a fim de aumentar o consenso interno. Os Hutis, agindo como Estado, organizaram desde 7 de Outubro de 2023 mais de um milhar de manifestações a favor da Palestina nos territórios que controlam e recrutaram pelo menos 25 mil novos combatentes nas Brigadas Al-Qassam, provavelmente para serem utilizados contra o governo iemenita reconhecido internacionalmente. Algumas semanas antes do início da guerra entre Israel e o Hamas, os Hutis organizaram uma grande parada militar na capital Saná, exibindo o seu arsenal de drones e mísseis de longo alcance para demonstrar as suas capacidades militares adquiridas.

Assim, não é de excluir que o movimento aproveite os recentes acontecimentos no Mar Vermelho, bem como a tragédia em Gaza, para lançar ataques contra o governo do Iémen (o Conselho Presidencial) em zonas estrategicamente importantes como al-Dali, al-Hudayda, Marib, Sabwa e Taizz. Os Hutis, confrontados com fortes protestos populares devidos principalmente à desastrosa situação humanitária e económica no Iémen, querem tirar partido da guerra em Gaza e da crescente mobilização no Mar Vermelho para aumentar o consenso interno. O ataque conjunto dos Estados Unidos e do Reino Unido em 12 de Janeiro de 2024 contra alvos militares jogou a favor dessa estratégia e centenas de milhares de iemenitas saíram às ruas, inclusive na capital Saná, para condenar os ataques, agitando bandeiras do Iémen e da Palestina e gritando “Deus é grande, morte à América e a Israel, amaldiçoando os judeus e vitória ao Islão”, era o slogan oficial do movimento.

No entanto, mais do que um acto de fé para com os Hutis, estas manifestações de “apoio” popular são muitas vezes uma expressão de hostilidade partilhada em relação a Israel e a qualquer intervenção militar estrangeira em território iemenita. O Irão pode estar mais do que satisfeito com a actual escalada no Mar Vermelho. As ações militares perpetradas pelo Hutis enquadram-se perfeitamente na estratégia do Irão de exercer pressão sobre os Estados Unidos e Israel no quadro da guerra em Gaza, evitando o risco de um confronto directo. Em visita a Teerão em Dezembro de 2023, o porta-voz oficial de Ansar Allah, Muhammad Abdul Salam conversou com altos funcionários iranianos, incluindo o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Akbar Ahmadian, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Hussein Amir-Abdollahian, recebendo “apreço e agradecimentos” pelo seu apoio “forte e autoritário” ao povo palestiniano. Para o Irão, que desde a eclosão do conflito reafirmou o seu compromisso de fornecer apenas apoio político e não militar, os Hutis representam um trunfo importante no apoio ao “eixo da resistência”.

Isto reafirma, em parte, o desejo do Irão de evitar uma guerra regional em grande escala. Esta escolha foi também partilhada por Sayyid Hassan Nasrallah, político libanês, Secretário-Geral do partido e organização armada xiita Hezbollah, que agradeceu publicamente aos Hutis e à resistência islâmica no Iraque pelo seu empenho. Ansar Allah está a revelar-se um importante trunfo estratégico para o Irão, quase ao mesmo nível do Hezbollah. A localização do Iémen adquire um valor militar importante, pois o país é uma plataforma ideal para lançar ataques contra navios em trânsito e desestabilizar o comércio internacional ao longo de Bab-el-Mandeb e do Mar Vermelho. A distância que separa Saná de Israel impede que os Hutis o ameacem, mas permite operações militares destinadas a aumentar a pressão sobre o Estado judaico. No entanto, interpretar as opções estratégico-militares dos Hutis como uma simples implementação da vontade do Irão cujo envolvimento no Mar Vermelho continua a ser muito matizado é enganador, pois não permite compreender os seus interesses e necessidades particulares a nível local.

A imagem dos Hutis como agentes do Irão é um produto do conflicto no Iémen e da sua leitura como terreno de confronto irano-saudita. Esta imagem foi principalmente alimentada por Riade para justificar a sua intervenção militar em 2015. Deve, portanto, ser inscrita na mudança do equilíbrio de poder no mundo árabe, que encontrou um importante ponto de ruptura nas “Primaveras Árabes” (2010-2011). A consolidação da profundidade estratégica do Irão na zona do Médio Oriente que culminou em 2015 com a assinatura do acordo “Jcpoa (Joint Comprehensive Plan of Action)” com os Estados Unidos e a percepção do afastamento americano da região iniciado com Obama, continuado com Trump e Biden consolidaram a imagem do Iémen como teatro da guerra por procuração entre o Irão e a Arábia Saudita. A política externa dos Hutis, que se dizem os verdadeiros representantes do Estado iemenita, é assim posta de lado, se não mesmo obliterada. A cooperação entre Ansar Allah e o Irão baseia-se numa insatisfação comum com o status quo regional, numa ideologia islamista partilhada e numa perspetiva anti-americana, anti-sionista e terceiro-mundista. A fé não tem nada a ver com tudo isto, uma vez que o grupo iemenita não pertence à denominação xiita duodecimano, mas é uma expressão do movimento revivalista zaidita.

O projeto reformista iniciado por Hussein Badr al-Din al-Houthi, o fundador do movimento, deve provavelmente ser interpretado como uma reacção às terríveis condições políticas e económicas, aos abusos e à corrupção sistémica que caracterizaram o Iémen de Ali Abdullah Saleh entre os anos de 1990 e o início dos anos 2000. No seu seio, assiste-se ao confluir de diferentes ideologias, incluindo o khomeinismo, o islamismo da Irmandade Muçulmana e o jihadismo salafita. A onda de protestos que abalou o mundo árabe em 2010-2011 representou a primeira grande oportunidade para o Irão consolidar a sua aliança com os Hutis e transformar o Iémen numa plataforma de projecção regional. Embora, de acordo com um relatório da ONU, o Ansar Allah tenha começado a receber pequenas quantidades de armas de Teerão pelo menos desde 2009 quando estava empenhado em combater o governo central na “Batalha de Sadá ”, é a partir de 2011 que Teerão e o Hezbollah têm vindo a aumentar o seu apoio ao movimento com “financiamento, envio de armas e treino militar”. Este apoio é reforçado com a conquista da capital Saná pelos Hutis (2014) e após a operação militar liderada pela Arábia Saudita em apoio ao governo central deAbdrabbuh Mansur Hadi (2015).

Para além de fornecer ao grupo quantidades crescentes de armas ligeiras, o Irão começou a fornecer armas mais avançadas e letais (mísseis anti-navio e mísseis balísticos) e concordou com Hezbollah no reforço das suas capacidades de produção e montagem de armas (como drones) em solo iemenita, utilizando componentes iranianos. Neste casamento de conveniência, os Hutis conheceram uma integração progressiva no chamado “eixo da resistência” graças a instituições como o Conselho Islâmico da Jihad, sem, no entanto, perderem a sua autonomia decisória e operacional. Além disso, embora o apoio militar iraniano tenha certamente desempenhado um papel importante na transformação dos Hutis de uma guerrilha local numa força armada mais sofisticada, uma parte significativa do arsenal do movimento deriva da absorção (negociada ou coerciva) de unidades do exército iemenita, de aquisições no mercado negro e de alianças com milícias tribais.

(Continua)

Associação Sílaba cria novo projecto literário para promover português

Um novo projecto literário, a ser lançado no Dia da Criança, quer incentivar a leitura em português em Macau e vai chegar ainda este ano aos países lusófonos, disse à Lusa a responsável pela iniciativa. O “Dinis Caixapiz”, o mais recente projecto da Sílaba – Associação Educativa e Literária, contempla a assinatura trimestral de uma caixa com um livro infantil, uma versão do áudio dessa história e uma revista infantojuvenil.

“A melhor maneira de [as crianças] terem acesso a livros é receberem-nos em casa e conseguirem preparar a sua minibiblioteca. Além disso, as crianças nunca recebem correio em nome delas. Achei divertido criar uma caixa que seria entregue em nome do assinante, em vez de em nome dos pais”, explicou à Lusa a presidente da associação, Susana Diniz.

À caixa de correio vai chegar uma embalagem que permite às crianças ir “além da experiência tradicional de leitura”, lê-se ainda num comunicado da associação.

Esta caixa, além de poder ser recortada, é composta por elementos históricos e culturais “distintivos de Macau, referentes à presença portuguesa no território durante os últimos cinco séculos”.

“Permitindo a sua reutilização, alertando para o excesso de lixo produzido nos dias de hoje, estes elementos têm diferentes funções utilitárias para os jovens, estimulando, de igual forma, um momento em família através da exploração de técnicas artísticas no âmbito das manualidades”, afirma-se ainda na nota.

O “Dinis Caixapiz” vai ser lançado a 1 de Junho nas instalações do Instituto Português do Oriente, integrado nas comemorações de Junho – Mês de Portugal em Macau, e dirige-se a crianças falantes de português, com idades entre os 5 e os 12 anos, a escolas bilingues no território e professores de português como língua materna e ou de língua estrangeira.

“Falamos de um território especial, onde a língua portuguesa é cada vez mais promovida e procurada por parte de pais para os seus filhos, mas encontram grandes dificuldades na sua compreensão, interpretação e possível desenvolvimento”, indicou Susana Diniz.

Neste sentido, a responsável acredita que “todos os projectos de promoção da língua portuguesa são importantes para o desenvolvimento da língua e da cultura e para ajudar as crianças, neste caso, a olharem para a língua portuguesa como uma coisa divertida e que lhes permite criar outras coisas”.

Ainda este ano, assegurou a presidente da Sílaba, “haverá uma versão digital para os países de língua portuguesa”. A assinatura anual do “Dinis Caixapiz” compreende quatro volumes e custa 1.752 patacas, sendo que um único exemplar pode ser adquirido por 488 patacas.

Escultura | Ren Zhe apresenta “Lendas da Cavalaria” em Macau

O MGM apresenta durante um ano a exposição do conhecido escultor chinês Ren Zhe inspirada nas personagens dos romances sobre artes marciais de Jin Yong, ou ainda na cultura Jianghu, que remete para os antigos forasteiros que viviam no país. As mostras, apresentadas no MGM Cotai e na Barra, intitulam-se “MGM X Ren Zhen – Exposição de Vendas de ‘Lendas da Cavalaria'” e “Exposição de Trajes e Armas de Jin Yong Wuxia Drama”

 

Já foi inaugurada na Galeria M Art, no MGM Cotai, a exposição do escultor chinês Ren Zhe, intitulada “MGM X Ren Zhe – Exposição de Vendas de Lendas de Cavalaria”, que mostrará ao público, incluindo coleccionadores, ao longo de um ano, 20 esculturas.

Segundo um comunicado do MGM, podem ser vistas e adquiridas “as primeiras esculturas oficialmente autorizadas, em todo o mundo, de personagens clássicas dos romances de artes marciais de Jin Yong”, bem como esculturas da série “Warriors” [Guerreiros], criada pelo próprio artista.

Apresentam-se, assim, as personagens clássicas dos romances de Jin Yong, nomeadamente “Os Heróis da Águia”, “Os Heróis do Condor”, “A Espada do Céu” e o “Sabre do Dragão” ou “A Raposa Voadora da Montanha Nevada”. Incluem-se ainda esculturas como “Qi Gu”, “Jing Ling” e “Shen Se”. “Lendas de Cavalaria apresenta peças distintas e históricas dos vários corpos de trabalho do artista”, retratando a cultura Jianghu (江).

Jianghu é um termo que remete para um período histórico na China em que os forasteiros que viviam no país se uniam numa espécie de irmandade, ganhando a vida através dos trabalhos manuais que executavam. Muitos deles eram, além de artesãos, mendigos, ladrões ou mesmo artistas marciais, pertencendo às camadas mais baixas da sociedade.

A cultura Jianghu inspirou muitos romances e filmes sobre artes marciais, numa influência que se nota até aos dias de hoje nas muitas publicações ao dispor no mercado. Foi este universo que Ren Zhe transportou para as suas peças.

Jin Yong, nascido em Zhejiang em 1924 e falecido em Hong Kong em 2018, foi um conhecido escritor chinês “wuxia”, cujas obras abordaram precisamente o mundo das artes marciais e cavalaria na antiga China, pautado pela cultura “Jianghu”. De frisar que “wuxia” é o nome dado a um género literário chinês muito próprio, onde impera o universo da fantasia, artes marciais e antigos guerreiros.

Vestuário na Barra

Na zona da Barra apresenta-se, em simultâneo, a “Exposição de Trajes e Armas de Jin Yong Wuxia Drama”, com ligação ao universo das obras do escritor chinês. Ambas as exposições são descritas como sendo “vibrantes”, conectando “o espaço de exposições do MGM ao bairro da Barra com o tema unificador dos ‘heróis de Jianghu'”.

As mostras incluem ainda manuscritos e outros artigos de arte desenhados por Ren, incluindo a colecção “ARTI-DIVINE”, uma série de produtos decorativos e “RE-DIVINE”, uma colecção de vestuário neo-chinês.

A MGM diz ser “a primeira empresa que, em todo o mundo, promove a apresentação da decoração e vestuário neo-chinês de Ren Zhe, que reinterpreta os elementos culturais tradicionais chineses através de um artesanato contemporâneo requintado”.

Tratam-se de duas exposições que revelam “o espírito de cavalheirismo e coragem dos heróis clássicos”, em que “todos os coleccionadores e aficcionados de arte mais exigentes podem participar neste encontro [em torno] de ‘Jianghu'”, onde o “heroísmo” é protagonista.

Nascido em 1983, Ren Zhe formou-se na Academia de Artes e Design da Universidade de Tsinghua, uma das mais conceituadas do país, sendo reconhecido pelo trabalho que combina a cultura tradicional chinesa com técnicas contemporâneas ocidentais.

A sua filosofia de trabalho e espírito artístico consistem na canalização “de uma presença externa formidável, desencadeando o ímpeto de uma energia impetuosa”. O artista pretende ainda “gravar imagens exteriores baseadas no carácter intrínseco” ou ainda “encarnar [nas obras que cria] o essencial do espírito”, através de uma criação que vem do interior.

Uma das últimas grandes exposições de Ren Zhe aconteceu em 2019, no Templo Imperial Ancestral de Pequim, junto à Cidade Proibida, intitulada “Qi — Ren Zhe Sculpture Exhibition” [Qi – Exposição de Escultura de Ren Zhen], que “causou sensação no mundo da arte”. Com esta mostra, o artista chinês tornou-se no primeiro artista contemporâneo a expor neste espaço histórico da capital chinesa. O trabalho de Ren Zhe tem também muita procura em leilões por parte de coleccionadores de arte, descreve a MGM.

Doenças respiratórias | Mais de 5.500 crianças nas urgências em Abril

No mês passado, 5.570 crianças foram admitidas nas urgências do Hospital São Januário com casos severos de gripe e covid-19. O aumento de pacientes levou à sobrelotação de enfermarias. A chefe de pediatria realçou a falta de defesas imunológicas das crianças, devido ao uso prolongado de máscaras. Entre Janeiro e Abril deste ano, houve mais pneumonias do que em 2023

 

Macau continua a atravessar um período de pico ao nível de infecções respiratórias, com particular incidência para as crianças. Só no mês passado, cerca de 5.570 crianças foram atendidas nas urgências do Centro Hospitalar Conde de S. Januário devido a casos severos de infecção de covid-19 e gripe, acentuando a tendência dos últimos meses.

A informação foi revelada ontem pela chefe de serviço de pediatria do Centro Hospitalar Conde de S. Januário, Wong Fong Ian, aos microfones do Fórum Macau, no canal chinês da Rádio Macau.

Retratando um cenário de enfermarias lotadas, mas com a capacidade estabilizar, a responsável realçou que crianças com idades entre os 2 e 3 anos têm maior probabilidade de adoecerem, situação que explicou com uso de máscara durante a pandemia e o facto de as crianças ficarem mais tempo em casa. Aliás, Wong Fong Ian referiu que o fenómeno é alargado às restantes cidades da Grande Baía, onde as crianças têm um défice imunológico e de anticorpos adquiridos através de infecções cruzadas. Os resultados destas práticas estão agora a inundar as urgências hospitalares, com crianças que acumulam entre duas a quatros infecções diferentes em simultâneo, com sintomas mais severos.

Outro dado contrastante revelado ontem pela chefe de pediatria do São Januário, diz respeito ao número de pneumonias devido a infecções de bactérias micoplasma. Entre Janeiro e Abril deste ano, o número deste tipo de pneumonia já atingiu o registo total de 2023.

Febre a noite toda

A médica Leong Iek Hou, que dirige a Divisão de Prevenção e Controlo de Doenças Transmissíveis e marcou a agenda mediática da região durante a pandemia, traçou o cenário evolutivo das doenças respiratórias nos últimos meses.

Desde Dezembro do ano passado, os vários vírus da gripe, covid-19 e enterovírus registaram números crescentes de infecções. Por exemplo, o vírus da gripe H3 começou a entrar no radar dos Serviços de Saúde em Dezembro, propagou-se em Janeiro, desceu em Fevereiro e voltou a ressurgir em Março. Leong Iek Hou, que durante cerca de três anos aconselhou o uso de máscaras em quase todas as situações, afirmou ontem que o ressurgimento de vírus se deve ao uso frequente de máscara durante a pandemia, que enfraqueceu a protecção imunológica da população.

A responsável afirmou que na passada semana, entre os doentes que recorreram ao hospital com sintomas de febre, 16 por cento estavam infectados com um tipo de gripe e 12 por cento com covid-19.

Em Abril, as autoridades registaram 105 casos de infecções colectivas em escolas, particularmente afectando crianças muito novas, o que representa um aumento anual de cerca de 75 por cento. Entre estas infecções, cerca de 40 por cento era de gripe A.

Turismo | Número de visitantes aumentou 14,4% em Abril

Em Abril, entraram em Macau mais de 2,6 milhões de turistas, volume 14,4 por cento superior ao mesmo mês de 2023, e registo que representou uma recuperação de 75,8 por cento de Abril de 2019. Ainda assim, o fluxo de visitantes no mês passado caiu 4,4 por cento em relação a Março, indicou ontem a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

No mês em análise, o número de excursionistas que visitaram Macau foi de quase 1,35 milhões, enquanto os turistas foram pouco mais de 1,25 milhões, mais 23 e 6,3 por cento face a Abril de 2023.

Em relação à origem dos turistas, mais de 2,3 milhões era oriundos da China e Hong Kong, com o número de visitantes chineses com vistos individuais a diminuir 3 por cento ao ano, para mais de 793 mil. O número de turistas vindos de Hong Kong atingiu em Abril 581.646 pessoas, menos 22 por cento em termos anuais.

A DSEC indicou anda que o número de turistas internacionais durante o mês passado foi de 208.297, mais 91,9 por cento em termos anuais, observando-se uma recuperação de 68,6 por cento do número registado em Abril de 2019.

Nos quatro primeiros meses deste ano, o número de entradas de visitantes em Macau totalizou 11.476.474, mais 58,9 por cento, face ao período homólogo de 2023, registando-se uma recuperação de 83,2 por cento do número de entradas de visitantes do mesmo período de 2019.

Zona A | Cinco propostas para construir novo viaduto

A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) recebeu cinco propostas no âmbito dos procedimentos para atribuição do contrato de Empreitada de Concepção e Construção do Viaduto entre Zona A e Zona B dos Novos Aterros Urbanos. A atribuição da obra está a ser feita através do convite a cinco consórcios. Todas as propostas foram admitidas. Os preços das propostas variam entre 2,18 mil milhões de patacas e os 2,39 mil milhões de patacas.

Quanto ao tempo de execução das obras, todos os consórcios apresentaram um prazo de 900 dias, o que representa cerca de dois anos e meio.

O procedimento para a atribuição da Empreitada de Concepção e Construção do Viaduto entre Zona A e Zona B dos Novos Aterros Urbanos foi lançado no dia 22 de Setembro de 2023 em regime de concurso limitado por prévia qualificação. Na 1.ª fase apuraram-se cinco candidatos e todos entraram na 2.ª fase, a actual, de apresentação das propostas. Agora, vai ser feita uma avaliação e escolhido um consórcio para realizar as obras, que devem arrancar entre Outubro e Dezembro deste ano.

O viaduto entre Zona A e Zona B dos Novos Aterros Urbanos localiza-se entre a Península de Macau e a Zona A dos Novos Aterros Urbanos. No lado de Macau vai ligar-se à rotunda em frente ao Centro de Ciência de Macau e à Avenida Dr. Sun Yat-Sen. No lado da Zona A, o viaduto vai ligar-se com a Ponte Macau. A obra vai ter um comprimento de 3,2 quilómetros.

SJM | Concessionária compra Centro Kam Pek por 166 milhões de HKD

A SJM comprou à empresa-mãe o Centro Comunitário Kam Pek, na Almeida Ribeiro, para alargar o portfolio de ofertas gastronómicas e fortalecer a sua posição no mercado do turismo de massas. A renovação da propriedade de três andares estará no epicentro da missão de revitalizar a zona central da península

 

O Centro Comunitário Kam Pek, no coração para principal artéria do centro histórico de Macau, a Avenida Almeida Ribeiro, irá ter uma segunda vida. A concessionária de jogo SJM comprou a propriedade à empresa-mãe, a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, S.A. (STDM), por um valor de 166 milhões de dólares de Hong Kong (HKD), “com o pagamento estruturado em três fases”, indicou a SJM Holdings, numa nota enviada na terça-feira à bolsa de valores de Hong Kong.

“A propriedade foi adquirida para ser remodelada e reabilitada, ajudando a cumprir a principal meta do grupo de revitalização da zona da Avenida Almeida Ribeiro (San Ma Lo), e complementar outros locais património da UNESCO e fortalecer o leque de atracções não-jogo de Macau para turistas internacionais”, refere o grupo dirigido por Daisy Ho. O grupo justifica a aquisição e o plano de remodelação como um dos compromissos assumidos nas novas concessões de jogo.

É ainda referido à bolsa de valores de Hong Kong que “a estratégia do grupo é capitalizar a sua perícia em gastronomia”, com o Centro Comunitário Kam Pek a transformar-se num centro para comidas e bebidas, “complementando as ofertas do grupo no Grand Lisboa e Hotel Lisboa, que estão localizados no outro extremo da San Ma Lo”.

A concessionária espera que a aquisição do edifício histórico ajude na criação de sinergias com as restantes propriedades do grupo na península de Macau, para “atrair o tráfego pedestre e uma base de clientela mais alargada, e encorajando visitas recorrentes”.

A operação no Centro Comunitário Kam Pek está enquadrada num plano mais alargado do que a revitalização da zona, que irá dar nova vida às Pontes 14 e 16 do Porto Interior e à Praça de Ponte e Horta.

A segunda parte

A SJM Holdings anunciou ainda que vai adquirir à STDM duas empresas que eram responsáveis pela gestão e operação de restaurantes no empreendimento Grand Lisboa Palace, pelo preço de 31,5 milhões de HKD. As empresas são a SJM – Investment Ltd e a SJM – F&B Services Ltd.

Na nota em que anuncia as aquisições, o grupo enquadra as compras com “o compromisso de investir nos elementos não-jogo”.

“No âmbito da nossa estratégia de promoção nos mercados de massas e internacional, e tirando partido da experiência culinária do grupo, estas aquisições permitem optimizar a oferta de comidas e bebidas no Grand Lisboa Palace, sob o nosso controlo”, indica a SJM Holdings. A ideia é centralizar na concessionária a gestão de preços, alocação de custos, estratégias de marketing e posicionamento no mercado.

Os restaurantes que estão a ser desenvolvidos pelas empresas adquiridas incluem o café da marca londrina “EL&N” e o restaurante italiano “Mamma Pizza”.

Começou construção de 14 projectos-chave na área da MTC

Arrancou esta segunda-feira a construção de 14 projectos-chave na área da medicina tradicional chinesa (MTC) situados no Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação entre Guangdong-Macau, localizado na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. Estes projectos começam agora a erguer-se depois de um acordo assinado em Fevereiro deste ano entre a Macau Investimento e Desenvolvimento SA e a subsidiária do grupo de seguros China Taiping, a Taiping Capital Insurance Asset Management que, como o nome indica, versa sobre a área de gestão de activos.

Os 14 projectos são o Salão Internacional para Reunião de Clientes, em Hengqin, desta seguradora; a construção do Pavilhão Digital e Inteligente de Medicina Tradicional Chinesa da Meinian, marca chinesa na área da saúde; o Complexo Experimental da Experiência do Património Cultural Imaterial da MTC da marca Pien Tze Huang; o Complexo Experimental de Experiências “Tong Ren Tang” de Pequim; o Pavilhão de Nutrição e Vida da “Dong E E Jiao”, o Hospital Geral associado às marcas “Yuanmiao”, “Yuxin Beilong”, “Tianrun Medical”, “Deya Medical”, “Qimei Medical”, “Sciarray Biologics”; o Complexo Experimental da Experiência Cultural “Gui Lu Bao”, o Centro de Gestão Precisa em Saúde do “Freely Wellness” e ainda o “Usleep Medical Center”.

Trata-se de espaços focados na investigação e desenvolvimento de dispositivos médicos e disponibilização de serviços de MTC ao público. O secretário para a Economia e Finanças da RAEM, Lei Wai Nong, que esteve presente na cerimónia do arranque da construção dos projectos, declarou que o parque de MTC em Hengqin passou a ter “infra-estruturas mais completas” após “anos de esforços” por parte das autoridades no seu desenvolvimento.

Hoje observa-se, segundo o governante, “uma indústria mais concentrada e um desenvolvimento mais amadurecido da área da saúde, assumindo Hengqin a importante missão de promover o desenvolvimento da indústria de MTC em Macau”.

Futuro risonho

Outro dos oradores presente na sessão, foi Wang Sidong, da seguradora China Taiping, que declarou que a presença no mercado de Macau, há 70 anos, fez do apoio ao desenvolvimento de Macau e Hengqin “uma responsabilidade e missão inabaláveis”.

A sucursal do grupo de seguros em Macau pretende estar cada vez mais presente no parque de MTC em Hengqin, estando disposta a “partilhar recursos financeiros e de seguros, bem como clientes”, conectando-se “com empresas médicas e de saúde de alta qualidade” no referido parque.

Por sua vez, Nie Xinping, vice-director da comissão executiva do parque, disse que vai continuar a promover o seu desenvolvimento providenciando “assistência política, promovendo projectos e coordenando recursos”, a fim de “aumentar a capacidade e eficiência” do parque inteiramente dedicado à área da MTC.

Habitação | Centaline diz que mercado está em recuperação

Apesar do número de transacções estar a subir face ao histórico mais recente, o mercado não espera que os preços do passado voltem tão depressa. Como parte das novas estratégias de venda, as imobiliárias viram-se cada vez mais para os clientes não-residentes

 

A remoção das medidas de controlo do mercado imobiliário está a gerar um aumento do número de transacções. O cenário de recuperação foi traçado por um dos agentes da Agência Imobiliária Centaline.

Em declarações ao jornal Exmoo, Roy Ho, director da Agência Imobiliária Centaline de Macau e Hengqin, revelou que as transacções aumentaram 900 por cento, em termos mensais. Ho explicou que entre 1 e 19 de Abril, apenas tinham sido registadas cerca de 10 transacções de imóveis novos. Todavia, desde as alterações legislativas, e até terça-feira, foram realizadas mais de 100 transacções.

Sobre os aspectos que contribuíram para a recuperação, Ho indicou o facto de o mercado ter voltado a ser interessante para os não-residentes. “Porque podem ser adquiridos por não residentes sem grandes penalizações no preço final”, respondeu o director da Centaline.

Segundo o agente imobiliário, este tipo de clientes engloba os estudantes que estão em Macau e têm famílias mais abastadas, o que faz com que em vez de arrendarem uma casa na RAEM, optem por comprar.

Outro tipo de não-residentes que é tido como público-alvo para a venda de casa, são os trabalhadores não-residentes com grande capacidade financeira, como acontece com os homens-de-negócio. Para atraírem este tipo de clientes, Roy Ho apontou que o mercado tem oferecido descontos que variam entre 5 a 10 por cento sobre o preço da habitação a estes compradores. Outra técnica, revelou, passa por vender a fracção habitacional em conjunto com um lugar de estacionamento, sendo que este último é oferecido com desconto.

Roy Ho indicou também que actualmente as habitações novas são vendidas a um preço médio de 7.000 patacas por pé quadrado.

Casas em segunda mão

No que diz respeito às transacções de habitações em segunda mão, Roy Ho indicou que a recuperação é na ordem dos 30 a 50 por cento.

O agente imobiliário afirmou que há sinais de melhoria e que neste momento as transacções estão a subir. No entanto, os preços ainda estão longe do que era praticado anteriormente, não se esperando que a recuperação aconteça tão depressa nesta vertente.

Segundo Ho, um dos factores que impede uma recuperação rápida prende-se com o facto de muitas regiões vizinhas, como Hong Kong, também terem adoptado medidas de incentivo ao mercado imobiliário.

O director da Centaline explicou igualmente que outro aspecto que contribui para que o mercado não tenha uma recuperação tão rápida a nível dos preços, passa pelo facto de haver várias casas disponíveis para venda em primeira mão, tanto no Interior como em Hong Kong.

Apesar destes sinais, Ho acredita que os preços vão aumentar mais depressa em Macau do que nas outras regiões porque o número de casas disponíveis é mais reduzido. “Se actualmente os promotores tiverem 100 imóveis disponíveis, acredito que podem começar a aumentar os preços e a gerar lucros maiores quando venderem cerca de 30 por cento desses imóveis”, calculou.

No mês passado, após proposta do Governo, a Assembleia Legislativa aprovou as alterações à lei para cancelar o imposto do selo especial, imposto do selo adicional e imposto do selo sobre a aquisição de fracções habitacionais. Um mês depois da medida, o mercado mostra sinais de recuperação.

Rendas | Defendida redução de prazos para despejos

Nelson Kot, ex-candidato às eleições para a Assembleia Legislativa, defendeu a redução de cinco para três meses do prazo permitido para os inquilinos permanecerem em casas arrendadas sem pagar renda, até serem despejados. Esta opinião foi transmitida no âmbito de um fórum organizado pela associação Aliança do Povo de Instituição de Macau. O também presidente da Associação de Estudos Sintético Social de Macau também deseja que os processos de despejo sejam mais curtos, devendo durar entre um e dois meses, para que se evitem situações prolongadas de atrasos nas rendas, prejudicando os proprietários.

Por seu turno, a vice-presidente da Aliança do Povo de Instituição de Macau, Chan Peng Peng, sugeriu o limite máximo de três meses para atrasos no pagamento das rendas, tratando-se depois de uma situação jurídica de violação do contrato de arrendamento, permitindo aos donos das casas avançar com processos de despejo.

Chan Peng Peng disse temer que os inquilinos com pagamentos em falta possam considerar normal não pagar a renda durante o máximo de três meses, um prazo inferior ao que consta na proposta do Governo, fazendo com que os proprietários estejam sem receber, não podendo agir legalmente quanto a isso.

Assim, a dirigente associativa espera que a alteração à lei torne explícitas as condições de despejo. De frisar que a proposta de lei relativa à “Alteração ao regime da acção de despejo do Código de Processo Civil” foi aprovada na generalidade na terça-feira, entrando agora na fase de análise na especialidade.

Trânsito | Distribuídas 695 quotas de circulação para a Ponte HZM

As novas quotas para conduzir até Hong Kong pela ponte do Delta vão ser distribuídas pela ordem do sorteio realizado em Março deste ano. Segundo o Governo, entre as 695 quotas anunciadas ontem estão integradas as que ficaram por reclamar no concurso anterior

 

A Direcção dos Serviço para os Assuntos de Tráfego (DSAT) anunciou ontem que está a distribuir 595 quotas para particulares e 100 quotas para entidades comerciais circularem na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. O comunicado foi emitido na manhã de ontem, anunciando a abertura de um total de 695 quotas de circulação entre as duas regiões administrativas especiais.

“O Governo prossegue com os trabalhos relativos à atribuição de quotas regulares para a circulação de veículos particulares de Macau entre Hong Kong e Macau através da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. Inicia-se hoje [ontem], dia 22 de Maio, uma nova fase de atribuição que inclui quotas suplentes, abrangendo 595 quotas destinadas a entidades particulares e 100 a entidade comerciais”, foi afirmado, em comunicado.

Neste procedimento vão ser distribuídas quotas novas, mas também parte das quotas que ficaram por reclamar no âmbito do concurso aberto em Março deste ano. Nesse procedimento foram distribuídas 2.000 quotas para particulares e 500 quotas entidades comerciais.

A DSAT não indicou no comunicado quantas pessoas não reclamaram as quotas do concurso anterior, que tinha um custo de participação de 500 patacas a fundo perdido. Também não foi indicado quantas quotas são efectivamente novas.

A atribuição de 695 quotas não vai levar à realização de um novo sorteio. Ao invés, as autoridades vão utilizar a lista do sorteio de Março, como tinha sido anunciado anteriormente, quando esse concurso foi realizado. “As quotas mencionadas serão atribuídas em conformidade com a continuação da lista de ordem estabelecida pelo sorteio das quotas regulares de circulação de veículos particulares de Macau entre Hong Kong e Macau para o ano de 2024”, foi revelado.

Parte burocrática

Os resultados da atribuição das novas quotas foram publicados no portal da DSAT e podem ser consultados pelos interessados. Os escolhidos para as novas quotas têm até 28 de Agosto para preencher as informações exigidas e carregar os documentos necessários no portal da DSAL.

Após este procedimento, os proprietários dos veículos vão ser contactados pela DSAT, para confirmar se reúnem efectivamente todas as condições necessárias. No caso de os requisitos legais estarem cumpridos, os sorteados devem ir até 12 de Setembro às instalações da DSAT para proceder ao pagamento.

Caso deixem passar os prazos indicados, as autoridades consideram que os escolhidos desistiram das quotas, pelo que a DSAT deixou um apelo para que os interessados se mantenham atentos aos prazos. “Considerando o tempo necessário para aguardar o procedimento e concluir a análise dos documentos, a DSAT apela aos requerentes que tratem das formalidades com antecedência”, foi apelado. “O atraso ou a inobservância das formas exigidas para a apresentação dos documentos requeridos ou para o pagamento das taxas será interpretado como renúncia à quota”, foi acrescentado.

BEYOND Expo | A cimeira de tecnologia que quer ser a Websummit da Ásia

Arrancou ontem mais uma edição da “BEYOND Expo”, a cimeira de tecnologia e empreendedorismo que se quer afirmar como uma Websummit deste lado do mundo, chamando a Macau startups e investidores nas áreas da tecnologia, inovação e meios digitais. Para Lu Gang, co-fundador do evento, juntamente com Jason Ho, filho do Chefe do Executivo, as expectativas são elevadas

 

A Websummit, um dos maiores eventos mundiais na área da tecnologia, startups, inovação e empreendedorismo, criada por Paddy Cosgrave, é conhecida em todo o mundo e até tem alguma presença do mercado asiático. Contudo, para Lu Gang não chega.

O co-fundador da “BEYOND Expo”, cimeira tecnológica e de empreendedorismo local que arrancou ontem no Venetian, e que termina no sábado, quer transformar o evento numa espécie de Websummit, mas virada para o mercado asiático. Tudo a partir de Macau, que convenientemente assume o papel de plataforma comercial e de serviços, e uma porta de entrada para o projecto da Grande Baía.

“Já estivemos na Websummit, e considero que é uma grande plataforma de tecnologia e eventos, como são outros eventos onde já estivemos, em Las Vegas e Helsínquia. A grande razão pela qual criámos a BEYOND é porque olhamos para estas grandes plataformas, como a Websummit, e vemos uma grande presença de startups de toda a Europa, mas não da Ásia”, confessou ao HM.

Para Lu Gang, “nos últimos dez anos temos visto cada vez mais inovação a surgir na Ásia. Mas, na verdade, vemos poucos eventos como a Websummit a acontecer deste lado do mundo”. “É difícil, mas estamos a tentar construir algo como a Websummit, que tem reunido muitas pessoas e empresas na Europa. Mas defendemos que é necessária uma plataforma que, todos os anos, agregue pessoas e companhias ligadas à inovação tecnológica da Ásia”, acrescentou.

Ao lado de Lu Gang está Jason Ho, filho do Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, que não se mostrou disponível para uma entrevista. Até sábado são esperados diversos painéis e eventos com dezenas de oradores, cerca de 800 expositores e muitos palcos onde se falará de liderança no feminino, alterações climáticas ou tecnologias da saúde. A BEYOND Expo tem três marcas associadas, nomeadamente a “BEYOND Healthcare”, virada para o debate em torno da inovação na saúde, a “BEYOND ClimateTech”, sobre a forma como as novas tecnologias podem ser utilizadas para dar respostas em matéria de alterações climáticas, e a “BEYOND Consumer Tech”, em prol de soluções sobre formas de consumo.

Organizado desde 2021, o evento passou por várias alterações devido à pandemia, sendo esta a segunda vez que se realiza de forma presencial e com a participação de muitas entidades e personalidades de cariz mundial.

“Procuramos, este ano, ter mais participantes internacionais, ao nível dos media, governos, startups, empresas. A BEYOND está a tornar-se verdadeiramente num dos grandes eventos internacionais que se realizam em Macau”, disse Lu Gang.

Inspiração para as PME

Mais do que ser um evento cada vez mais internacional, a BEYOND Expo quer tornar-se influente para os negócios locais, criando uma rede de contactos e de parcerias. “O nosso objectivo é fazer com que as pequenas e médias empresas (PME) locais se sintam inspiradas pelo nosso evento e se tornem cada vez mais empresas internacionais. Talvez nos próximos cinco anos vejamos mais PME internacionais ou startups a nascer localmente”, adiantou.

Lu Gang, que não é de Macau, diz que a organização escolheu o território para a realização da BEYOND Expo por ter “uma localização perfeita para grandes eventos”, graças aos sectores do turismo, hotelaria, entretenimento e restauração.

Apesar das vantagens geográficas, Macau ainda é um território desprovido de um sector tecnológico desenvolvido se compararmos com regiões como Xangai, Pequim ou Hong Kong.

“Se olharmos para o ecossistema tecnológico, comparando com outras grandes cidades da Ásia, penso que Macau não tem grandes vantagens. Os locais precisam ainda de fazer mais tentativas e de se esforçar mais para criar projectos na área tecnológica. A nossa visão, com a BEYOND Expo, é trazer para Macau as grandes empresas e empresários para que possam encorajar os jovens empresários locais a desenvolver projectos mais inovadores.”

Vozes femininas

Uma das novidades deste ano é o painel “SheTech Summit”, que decorre hoje e aborda temas como a liderança feminina nas empresas de tecnologia e de como as mulheres trazem vantagens ao mundo empresarial. Entre as oradoras destaque para Ming Gao, presidente da sucursal do ICBC (Industrial and Commercial Bank of China) em Macau, Dragana Kostic, vice-presidente da área de tecnologia da BMW para a região da Ásia Pacífico, ou Maggie Liu, vice-presidente da NVIDIA Global.

Lu Gang contou ao HM que o empreendedorismo feminino é uma das grandes áreas a desenvolver pela BEYOND Expo. “Queremos destacar as contribuições das mulheres nesta área, e temos uma grande diversidade na edição deste ano, desde líderes de grandes empresas, como a NVIDIA ou a BMW, a gestoras de startups.”

Depois de tantas idas e vindas devido à pandemia, a BEYOND Expo parece estar pronta a arrancar. Lu Gang mostra-se optimista em relação ao futuro do evento.

“Esperamos construir uma expo cada vez maior, e que seja, de facto, a versão asiática da Websummit ou de outros eventos do género na área da inovação tecnológica. Queremos construir uma plataforma na Ásia que seja também como uma festa, ou grande evento anual, para organizarmos aqui a grande festa da tecnologia da Ásia todos os anos, e ter convidados a falar das suas ideias e apresentar os seus mais recentes produtos deste lado do mundo.”

O co-fundador da BEYOND Expo fala ainda das conexões crescentes não só com a Europa como com a América do Sul e o Médio Oriente. “Todos [empresas e personalidades] podem vir à Ásia mostrar o seu potencial, e esperamos, de facto, criar mais parcerias e colaborações com países tanto do oriente como do ocidente. Queremos que a BEYOND se torne, de facto, cada vez mais influente e uma valiosa plataforma de tecnologia para todo o mundo.”

Apresentando a visão de alguém de fora, Lu Gang não deixou de comentar o posicionamento do jogo no evento e na economia, numa altura em que o Governo aposta cada vez mais em novos sectores de actividade para a diversificar a economia.

“No futuro continuaremos a ter jogo, mas podemos também ter tecnologia. Vemos também que há cada vez mais empresas chinesas a irem para mercados internacionais, então Macau poderia ser um lugar perfeito para essas empresas, sobretudo no acesso aos mercados internacionais e de língua portuguesa”, declarou Lu Gang.

“Embracing the Uncertainities” [Abraçar as Incertezas] é o mote da edição deste ano que tem também um painel dedicado ao investimento. Tem como nome “BEYOND Investment Summit” e conta com nomes como Harry Man, partner da “Maxi Partners”, na China, ou Jung-hee Ryu, CEO da FuturePlay.

Na “Asia-LATAM Tech Forum”, também uma novidade este ano na BEYOND Expo, o tema é “A New Era of Business and Cultural Cooperation” [Uma Nova Era de Cooperação Cultural e de Negócios], que acontece amanhã. É aqui que se verifica o lado internacional da BEYOND, com oradores da América Latina, como é o caso de Cassio Spina, presidente da “Anjos do Brasil” (Associação de Investidores-Anjo do Brasil) ou Ingrid Barth, presidente da “Abstartups”, a Associação de Startups do Brasil. Por sua vez, no “BEYOND Founder Forum” o tema é a inovação na ásia e o diálogo com jovens fundadores de empresas. Neste painel será orador Mario Yau Kwan Ho, presidente do conselho de administração do grupo NIP e presidente da “Macau Esports Federation”, bem como David Lee, CEO e co-fundador da Nex.

Um morto e vários feridos num voo da Singapore Airlines devido a turbulência

Uma pessoa morreu e várias ficaram feridas quando um voo da Singapore Airlines proveniente de Londres sofreu fortes turbulências e teve de ser desviado para Banguecoque, anunciou a companhia aérea.

“Podemos confirmar que há feridos e uma morte a bordo”, declarou a companhia aérea nas redes sociais, segundo a agência francesa AFP. O Boeing 777-300ER que fazia o voo SQ321 entre Londres e Singapura aterrou na capital da Tailândia durante a tarde (hora local), no aeroporto de Suvarnabhumi.

O avião transportava 211 passageiros e 18 tripulantes, segundo a companhia aérea, citada pela agência norte-americana AP. As equipas de emergência locais do Hospital Samitivej Srinakarin estiveram no local para acolher os feridos.

Vídeos publicados numa plataforma de mensagens pelo aeroporto de Suvarnabhumi mostravam uma fila de ambulâncias a chegar ao local. “A Singapore Airlines apresenta as mais profundas condolências à família do falecido”, disse a companhia aérea num comunicado citado pela agência espanhola Europa Press.

“A nossa prioridade é prestar toda a assistência possível aos passageiros e à tripulação a bordo”, acrescentou. A companhia enviou uma equipa para a Tailândia para facilitar a assistência. Não foi divulgada a nacionalidade da vítima mortal nem dos feridos.

Japão | Barreira instalada para bloquear vista do Monte Fuji face a excesso de turistas

Fujikawaguchiko, uma cidade do centro do Japão, começou ontem a instalar barreiras metálicas e uma cortina para bloquear uma vista popular do famoso Monte Fuji, devido ao fluxo excessivo de turistas.

Uma cortina preta de 2,5 metros de altura e 20 metros de largura irá cobrir a vista de onde parece que a montanha mais emblemática do Japão se eleva sobre uma loja de conveniência em Fujikawaguchiko, localidade situada na província de Yamanashi. Além disso, seis barreiras de ferro com três metros de largura vão impedir que as pessoas cheguem ao local exacto onde a popular fotografia pode ser tirada, algo que implica atravessar a rua fora da passadeira, um acto alvo de censura social no Japão.

Os turistas, que vêm a Fujikawaguchiko precisamente devido às vistas do Monte Fuji, começaram a tirar fotografias neste ponto específico depois de um influenciador estrangeiro ter captado a cena em 2020, que se tornou viral nas redes sociais.

O excesso de visitantes causou crónicos bloqueios na circulação tanto de peões como de veículos na rua onde se localiza a loja, numa estrada estreita, incapaz de lidar com o volume de turistas. Antes de bloquear completamente a vista, a cidade japonesa tinha tentado outras medidas, como afixar avisos em inglês ou destacar funcionários para controlar as multidões, mas que se revelaram ineficazes.

Respeito em falta

Fujikawaguchiko depende em grande parte do turismo que atrai devido à proximidade do Monte Fuji, mas os cerca de 25.495 habitantes da cidade tinham vindo a criticar o comportamento de alguns visitantes, especialmente estrangeiros. Os residentes tinham acusado turistas de atirar lixo para o chão, fumar fora das áreas autorizadas, estacionar de forma indiscriminada e até de subir ilegalmente ao telhado de uma clínica dentária para tirar fotos.

A instalação da cortina e das barreiras metálicas ocorre um dia após ter sido lançado um sistema de reservas para subir ao topo do Monte Fuji através de uma das rotas mais comuns, chamada Yoshida e localizada em Yamanashi. O sistema, que implica o pagamento de 12 euros e limitado a quatro mil pessoas por dia, tornou-se este ano obrigatório pela primeira vez, numa tentativa de lidar com o congestionamento da rota para subir ao pico da montanha, com 3.776 metros de altura.

A dança e o sexo

No meu interesse sobre Dança Movimento Terapia (DMT) tenho-me intrigado sobre a sua aplicabilidade nas questões do sexo. Uma questão que terá surgido a poucas pessoas, dado o número escasso de artigos científicos que se debruçam sobre uma questão que me parece relevante: será que a Dança Movimento Terapia pode ser uma terapia sexual?

A DMT é uma forma de psicoterapia expressiva, tal como existe arte-terapia, musicoterapia ou psicodrama. Esta é uma de muitas técnicas que tenta trabalhar o sofrimento humano, nas suas muitas vertentes, mas fá-lo através da dança e do movimento. Sem recorrer à palavra, ou com um recurso mínimo, a DMT tenta aceder e trabalhar a experiência humana através do corpo. Pode parecer esotérico, mas as emoções alojam-se no veículo humano através de dores, posturas, posições e movimentos, como se o corpo se formatasse às suas experiências. Ele é mais honesto com a sua história e com as suas necessidades do que a própria consciência.

Em DMT exploram-se, por isso, propostas de movimento que trazem consciência a essas narrativas de vida e de como se espelham no movimento. É um processo psicoterapêutico que oferece a oportunidade de, sem filtros nem repressões, explorar o repertório de movimentos mais natural a cada um. O que apetece ao teu corpo? Mexer os braços freneticamente, balouçar as ancas, experimentar jogo de pés com ritmo? O importante é deixar o corpo expressar-se.

O sexo também é outra atividade onde o corpo, emoção e a mente se encontram, às vezes de formas mais harmoniosas que outras. E quando esse encontro não existe, as terapias verbais são úteis (e.g. psicoterapia é a forma mais eficaz de tratar disfunção erétil), mas as terapias expressivas através do movimento conseguem melhor articular um encontro entre a mente, a emoção e o corpo que tanto complica a experiência do sexo. Encarando o corpo como o espaço onde a experiência se aloja e se revive, o movimento torna-se o caminho natural para um processo de transformação.

A vivência do sexo tem muitas zonas não consciencializadas, envoltas em vergonha ou repressão social. O movimento consegue ultrapassar bloqueios e formas de resistência que podem não estar presentes no domínio verbal, e assim processar medos, ansiedades e dificuldades que envolvem o sexo. A DMT, por isso, consegue trabalhar as questões mais traumáticas da experiência, mas há benefícios mais físicos também, como trazer maior consciência corporal. A dança e movimento propostos conseguem trazer mais atenção às sensações do corpo e aos seus movimentos. De acordo com alguns estudos publicados, essa consciência corporal faz aumentar a possibilidade de sentir prazer e de atingir um orgasmo.

As ações aparentemente simples de trazer consciência para o nosso movimento em dança, ajuda a afinar essa capacidade de estar disponível para o corpo no aqui e agora. Um estado fundamental para um sexo mais prazeroso, para que os introjeções da mente não se atropelem na experiência do sexo. A dança está embrenhada nas questões de sexualidade, como veículo de sensualidade e da sedução.

Aliás, social e evolutivamente falando, a dança é uma forma de cortejar. No momento de escolha do parceiro para a coito, os pássaros e os escorpiões dançam. E se nunca viram um pássaro a dançar para atrair a fêmea, corram para a vossa plataforma de vídeos favorita para presenciar essa beleza da natureza. O romantismo e sensualidade dos bailes nas cortes há dois séculos atrás, ou das discotecas atualmente, honram o legado dos nossos possíveis antepassados mais primitivos. A dança pode permitir autenticidade e essa, por sua vez, possibilita a conexão romântica. E esse despertar dos sentidos e da sensualidade pode ser mediada por uma terapia que tenha o corpo em primeiro plano.

A dança há muito que é considerada um processo de cura em comunidade. Mas só recentemente é que tem existido mais atenção académica para esta forma de saber alojada no senso comum. A dança em contexto terapêutico (e quiçá ritualístico) pode melhorar o bem-estar, a qualidade de vida, o humor, a auto-estima, imagem, percepção corporal e a relação com os outros. Apesar de ser um processo terapêutico com eficácia comprovada em vários domínios, há poucos profissionais e pouco reconhecimento institucional que a torna numa terapia de difícil acesso. A DMT oferece uma abordagem holística e inovadora que merece mais reconhecimento e aplicação. Para quem deseja explorar novos caminhos para uma vida sexual mais saudável e satisfatória, a dança e o movimento podem ser a chave para desbloquear novas dimensões de prazer e conexão.

Dancem (e mexam-se) para perceber como o movimento pode contribuir para uma vida sexual mais feliz.

GP Macau | Betsy está viva e procura um novo lar

Chama-se “Betsy”. Foi o primeiro carro a liderar um Grande Prémio de Macau e é o único sobrevivente, que se conhece, dessa primeira edição (1954) do maior evento desportivo do seu território. O seu actual dono gostaria que voltasse um dia ao local onde foi feliz

 

Numa época em que os carros do dia-a-dia serviam também para fazer corridas, este Morgan Plus 4 (de quatro lugares), construído em Inglaterra em 1953, foi o carro com que Gordon John “Dinger” Bell, Director do Observatório Real de Hong Kong, correu no primeiro Grande Prémio de Macau. A sua participação foi curta e terminou com um acidente na Curva R, mas ninguém lhe retira o título de ter sido o primeiro líder daquela que se tornaria a mais célebre prova de automobilismo do Sudeste Asiático.

Julga-se que este será o único carro ainda existente da primeira edição do Grande Prémio de Macau, até porque o Triumph TR2 de Eduardo Carvalho que se encontra no Museu do Grande Prémio é uma réplica do carro original com que o português venceu a prova. Após o acidente em Macau, “Dinger” Bell continuou a conduzir o seu Morgan nas ruas de Hong Kong até ao final da década de 1950, tendo a viatura passado por várias mãos para, finalmente, em 1968, ser comprada – com o dinheiro do presente de casamento – por Dick e Carol Worrall, um casal inglês que tinha sido destacado para a força policial de Hong Kong.

Pelas mãos de Dick Worrall, também ele um entusiasta das corridas, “Betsy” regressaria ao Circuito da Guia por mais quatro ocasiões, a última delas em 1985, para participar na Corrida de Clássicos que fez parte do programa em algumas edições do evento. Aliás, só nesta última visita a Macau é que Dick Worrall conseguiu superar a volta mais rápida de “Dinger” de 1954. Também participou no primeiro rali de carros clássicos na República Popular da China em 1986 e teve um papel fulcral na fundação do Classic Car Club de Hong Kong (CCCHK), que ainda hoje perdura.

Dick Worrall recorda que “o Hong Kong Classic Car Club foi fundado porque, após a primeira corrida de sempre de carros clássicos no Circuito da Guia, realizada em 1978, para assinalar o 25.º aniversário do Grande Prémio, o ‘Clerk of the Course’, o senhor Phil Taylor, disse-me que incluiria mais eventos de automóveis clássicos se eu organizasse a grelha. Comecei então a contactar proprietários de automóveis antigos em Hong Kong e Macau, na altura tínhamos alguns membros portugueses e macaenses, e pouco tempo depois o CCCHK foi formado… tudo por causa da “Betsy”.

“Betsy” regressou ao Reino Unido com os seus proprietários em 1997, onde é bem conhecida nos círculos do clube Morgan local e continua a desempenhar um papel muito activo no meio.

A pensar no futuro

Orgulhoso do seu carro, Dick Worrall não esconde que gostaria que a “Betsy” um dia regressasse a este ponto do globo. “Um amigo meu do CCCHK está sempre a dizer-me que, quando chegar a altura de passar a propriedade do carro para outra pessoa – não falta muito tempo, pois faço 80 anos em breve – deveria pensar em pô-lo à venda em Hong Kong ou Macau”, referiu o britânico ao HM. “É um dos poucos carros antigos que ainda sobrevive e tem certamente uma história única ligada aos dois locais, o que lhe garantiria certamente um lugar muito especial em qualquer coleção de carros antigos da região”.

Apesar da afeção que sente pelo seu Morgan, Dick Worrall reconhece que “não há dúvidas que a “Betsy” estará por cá durante muito mais tempo do que eu e, por isso, considero-me apenas o seu ‘guardião atual’. Por isso, não posso deixar de pensar como seria bom se um dia ela regressasse a Hong Kong e Macau, onde passou tantos dos seus 70 anos. De facto, é lá onde ela pertence…”

Rapidez comprovada

Naquelas semanas que antecederam o mês de Outubro de 1954, Gordon John “Dinger” Bell preparou o seu Plus 4 para a corrida com tudo o que conseguiu arranjar para actualizar o motor, incluindo um colector de escape e carburadores duplos, que exigiram a aquisição de um novo capot para os cobrir que mandou fazer localmente em alumínio. Também removeu o pára-brisas e a estrutura do capot para poupar peso, bem como retirou a roda sobresselente.

Para a primeira edição do Grande Prémio, o Morgan qualificou-se em segundo lugar. Bell estava confiante de que era o mais rápido na secção sinuosa do circuito, mas o Austin-Healey 100/4 de Roger Pennels seria capaz de o ultrapassar nas longas rectas junto ao mar. Portanto, era imperativo passar rapidamente para o primeiro lugar, objectivo que conseguiu ao chegar à então Curva da Estátua (agora Curva Lisboa) à frente do restante pelotão de 15 concorrentes. Dito e feito.

A partir daí, “Dinger” imprimiu um ritmo forte, construiu uma boa vantagem e a volta mais rápida da corrida, dando-se ao luxo de acenar à sua equipa de boxes à velocidade “estonteante” de 145 km/h. Contudo, no final da quinta volta, ao contornar a Curva R, o cubo de roda dianteiro esquerdo traiu-o e a respectiva roda foi parar ao mar. Já o piloto, que foi atirado para fora do carro, e o Morgan ficaram a milímetros de terem caído à água. A “Betsy” precisou de um novo chassis mas o piloto inglês saiu miraculosamente intacto.

Mês de Portugal | Exposições, teatro e música animam celebrações. Regressa recepção à comunidade

Ao longo de 30 dias, cerca de 27 actividades vão assinalar o dia e o mês de Portugal na RAEM, que este ano distingue igualmente outras efemérides como o 500.º aniversário do nascimento do escritor Luís Vaz de Camões, os 50 anos da Revolução do 25 de Abril ou o 25.º aniversário da transferência de soberania de Macau

 

O regresso da recepção à comunidade portuguesa na Bela Vista é um dos destaques das celebrações de Junho Mês de Portugal. No ano em que as celebrações vão também assinalar outras efemérides, como o 500.º aniversário do nascimento do escritor Luís Vaz de Camões, os 50 anos da Revolução do 25 de Abril ou o 25.º aniversário da transferência de Macau, a residência consular volta a abrir as portas para a comunidade, o que acontece pela primeira vez desde a pandemia da covid-19.

“A recepção do 10 de Junho volta ao seu lugar natural e, como sempre, independentemente do envio de convites, que já está a ser feito, é também aberta a todos os portugueses, desde que tenham documento de identidade portuguesa”, afirmou o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, durante a conferência de apresentação do mês de Portugal. “Todos são bem-vindos, sem qualquer outra formalidade”, acrescentou.

A recepção incluiu não só os discursos oficiais, tanto dos representantes de Portugal, e também da RAEM, como a oferta de comida e bebida. O programa com as festividades foi apresentado ontem e conta com 27 actividades, entre exposições, lançamento de livros, ‘workshops’, seminários e até um arraial, que envolve 16 associações locais.

O Arraial de Santo António vai ter lugar na Escola Portuguesa de Macau e disponibiliza concertos, comes e bebes, karaoke e jogos. No dia 15 de Junho, há um concerto de música popular portuguesa a cargo de Tomás de Ramos de Deus, Miguel Andrade, Paulo Pereira, Ari Calangi, João Rato e David Rato. No dia seguinte, a animação fica a cargo do coro da Casa de Portugal, há um espectáculo de Robertos de Sérgio Rolo, e os intérpretes do dia anterior voltam a tocar.

Viagem aérea

Outro dos destaques do programa, passa por uma exposição sobre a primeira viagem aérea entre Portugal e Macau, uma vez que também se assinala o centenário desta aventura épica.

A exposição vai ser inaugurada a 20 de Junho e manter-se-á no local até ao dia 30. Com a inauguração é realizada igualmente uma conferência sobre a viagem de Sarmento de Beires, Brito Pais e Manuel Gouveia, que começou em Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira, a 7 de Abril de 1924.

O evento vai contar com a presença do director do Museu do Ar da Força Aérea Portuguesa, Carlos Mouta Raposo, e com o presidente da Câmara Municipal de Odemira, Hélder Guerreiro. No dia seguinte, a 21 de Junho, uma conferência semelhante vai ser realizada no Club Lusitano, em Hong Kong, onde a viagem praticamente terminou, devido a uma aterragem forçada, que aconteceu a 20 de Junho de 1924.

Roteiro da Gastronomia

Para os apreciadores de gastronomia, o mês de Portugal oferece igualmente a possibilidade de experimentar vários restaurantes com comida portuguesa na RAEM a preço de saldos.

A iniciativa Roteiro Gastronómico – Comer e Beber à Portuguesa vai ser realizada pelo segundo ano consecutivo, e os interessados vão poder usufruir de um desconto de 10 por cento nos restaurantes que aderirem à actividade. Ontem, a lista ainda estava a ser ultimada, mas o objectivo da organização passa por conseguir apresentar uma lista com 20 espaços diferentes, o que seria o dobro face ao ano passado.

Além dos descontos imediatos, os participantes do Roteiro da Gastronomia podem ainda habilitar-se a participar num sorteio que vai atribuir vales para refeições grátis para duas pessoas.

Por sua vez, a Casa de Portugal em Macau vai colocar na varanda da sede “um Camões de grande tamanho”, uma instalação da artista portuguesa Elisa Vilaça, de acordo com a presidente da associação, Maria Amélia António. Neste momento, ainda está a ser equacionada a possibilidade de em certos momentos haver música ao vivo com a instalação.

O tempo das crianças

A pensar nos mais novos também estão programadas várias actividades. No dia 1 de Junho, vai ser exibida a peça de teatro “Era Uma Vez (Outra Vez)”, a cargo da companhia ETCetera Teatro. A peça aproveita o imaginário dos irmãos Grimm e explora a relação entre dois irmãos que estão de férias numa aldeia sem acesso às novas tecnologias.

Nos dias 8,9,15 e 16 de Junho vão ser realizados workshops para pais e filhos de construção de brinquedos em madeira, na Escola de Artes e Ofícios da Casa de Portugal de Macau. As inscrições têm de ser feitas junto da Casa de Portugal, até 6 de Junho, e estão abertas a crianças com idades entre os 5 e 10 anos.

Atrair novos públicos

Sobre a realização do mês de Portugal, Alexandre Leitão destacou a necessidade de ser criado um programa cada vez mais apelativo, que tenha capacidade para mobilizar não só a comunidade, mas todas as comunidades em Macau. O cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong indicou também que o futuro passa por disponibilizar diferentes actividades pelas quais as diferentes comunidades considerem que vale a pena pagar.

“Verificamos que muitas vezes os jovens saem da Escola Portuguesa de Macau e de outras instituições onde se ensina a língua portuguesa a falar muito bem português, mas não conhecem a cultura, literatura, música e outros aspectos culturais ligados a Portugal e à lusofonia”, afirmou. “Queremos promover uma literacia cultural, se assim quisermos dizer, que a prazo crie um público que procura, que está disposto a pagar […] É importante [criar o público] porque é muito simpático ter um apoio forte do Governo da RAEM, ter uma boa disponibilidade do Governo de Hong Kong que nos foi sinalizada há pouco tempo, ter um instituto cultural com o qual temos uma boa relação, mas estas coisas um dia podem mudar, por diversíssimas razões. E o que é sustentável é haver um gosto e um público vasto pela música, pelas artes plásticas, pelo teatro e pela dança de expressão portuguesa e com isso vir a vontade de consumir e a disponibilidade para pagar um bilhete”, justificou.

Apesar da apresentação do programa ter acontecido ontem, este não está totalmente finalizado e, nos próximos dias, podem ser apresentadas mais actividades, como uma feira do livro.

Em aberto

Quando questionado ontem com a possibilidade de membros do Governo se deslocarem a Macau para participarem nas celebrações do 10 de Junho, Alexandre Leitão explicou aguarda uma decisão do Conselho de Ministros. De acordo com o cônsul, a representação de Portugal em Macau mostrou interesse em receber a visita de membros do Governo, mas a decisão depende de Lisboa. Também durante o mês de Junho, Macau deve receber a visita do secretário de Estado das Comunidades, José Cesário.

CALENDÁRIO DE EVENTOS

1 de Junho

15h00 Teatro Infantil: Era uma Vez (outra vez) Local: IPOR

16h00 Lançamento de Produto Literário para Crianças: ‘DinisCaixapiz’; Local: IPOR

17h00 Inauguração da Exposição de Fotografia: Para os olhos dos jovens (de espírito) – Francisco Ricarte; Local: Galeria Inferior da Casa Garden, exibição até 30 de Junho

Todo o Dia: Instalação – Luís de Camões 500 anos do Nascimento Local: Varanda da sede da CPM

2 de Junho

10h30 Workshop Fotografia por Francisco Ricarte

15h00 Workshop Fotografia por Francisco Ricarte

4 de Junho

18h30 Exposição de Fotografias e Lançamento de Livro “Macau Patterns”; Local Fundação Rui Cunha

6 de Junho

18h30 Exposição Individual de Diogo Muñoz – MACAU FOREVER; Local Albergue SCM Galeria 2

7 de Junho

18h30 Lançamento do livro “Vulgaridades Chinesas” (IIM); Local Auditório Dr. Stanley Ho, Consulado de Portugal

20h00 Concerto Sino- Português Capitão Fausto x David Huang; Local MGM COTAI

8 de Junho

15h00 Seminário Sobre os Projectos de Alta Tecnologia em Portugal e Macau; Local Restaurante Plaza, 1.º Andar, Salão Lótus

15h00-17h00 Workshop Construção de Brinquedos em Madeira – Daniel Garfo; Local Escola de Artes e Ofícios Casa de Portugal

17h00 Exposição de Fotografia A Presença de Matriz Portuguesa em Macau – Halftone; Local Galeria de Exposições do Bela Vista

9 de Junho

10h30-13h00 Workshop Construção de Brinquedos em Madeira – Daniel Garfo; Local Escola de Artes e Ofícios Casa de Portugal

10 de Junho

09h00 Hastear da Bandeira; Local Consulado de Portugal

10h00 Romagem à Gruta e Camões; Local Jardim de Camões

18h00 Recepção à Comunidade; Local Bela Vista

12 de Junho

18h30 Festa Gastronómica Portuguesa; Local Baccara Room, Sofitel

13 de Junho

18h30 Inauguração da Exposição das Sardinhas – Arraial de Santo António; Local Casa de Vidro

14 de Junho

18h30 Exposição Made with love by Vista Alegre BORDALLO PINHEIRO; Local Galeria Amagao Artyzen Grand Lapa Macau

15 de Junho

15h00-17h00 Workshop Construção de Brinquedos em Madeira – Daniel Garfo; Local Escola de Artes e Ofícios Casa de Portugal

18h30 Arraial de Santo António; Local Escola Portuguesa de Macau

16 de Junho

10h30-13h00 Workshop Construção de Brinquedos em Madeira – Daniel Garfo; Local Escola de Artes e Ofícios Casa de Portugal

14h30 Arraial de Santo António; Local Escola Portuguesa de Macau

17 de Junho

18h30 Apresentação da Edição e Exposição 10.6 Víctor Marreiros; Local Clube Militar

18 de Junho

18h30 Desafios Orientais Exposição de Pintura em Porcelana – Rui Calado; Galeria da Fundação Rui Cunha

20 de Junho

15h00 Conferência Centenário da Viagem Aérea Portugal-Macau; Local Auditório Dr. Stanley Ho, Consulado de Portugal

21 de Junho

18h30 Conferência Centenário da Viagem Aérea Portugal-Macau; Local Club Lusitano Hong Kong

24 de Junho

18h30 Palestra – 500 Anos da Língua de Camões e a Evolução Cultural de Portugal em Macau; Local Auditório Dr. Stanley Ho, Consulado de Portugal

25 de Junho

18h30 Palestra – Seminário Oportunidades de Comércio e Negócios em Portugal da Associação Comercial de Macau; Local Associação Comercial de Macau

27 de Junho

18h30 Clube de Leitura; Local IPOR Biblioteca Camilo Pessanha

28 de Junho

Extensão do Indie Lisboa; Local Cinemateca Paixão

29 de Junho

Extensão do Indie Lisboa; Local Cinemateca Paixão

30 de Junho

Extensão do Indie Lisboa; Local Cinemateca Paixão

Líder de Taiwan acusado pela imprensa chinesa de “promover descaradamente independência”

A imprensa oficial chinesa acusou ontem o novo líder de Taiwan, William Lai, de “provocar o confronto” e “promover descaradamente a independência” do território no seu discurso de tomada de posse. Em editorial, o Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, acusou Lai de “incitamento ao ódio contra o povo chinês” e de “unir-se em torno da bandeira da independência de Taiwan”.

Lai “promoveu vigorosamente falácias separatistas, incitou ao confronto e à hostilidade entre os dois lados do Estreito de Taiwan”, lê-se no editorial, que denunciou o discurso “repleto de retórica provocatória”. Em particular, o Diário do Povo condenou o apoio de Lai à teoria dos dois Estados e à ideia de que a ilha não está subordinada à República Popular da China.

O jornal oficial das Forças Armadas chinesas, o PLA Daily, observou que as palavras de Lei “estão repletas de intenções sinistras” e acusou o novo líder em Taiwan de “procurar a independência através de meios externos e de utilizar a força militar para a conseguir, revelando mais uma vez a sua posição obstinada sobre a ‘independência de Taiwan’”.

O artigo advertiu que as palavras de Lai só serviriam para dividir ainda mais a ilha do continente e aumentar as tensões entre as duas partes. William Lai afirmou no seu discurso inaugural que a República da China e a República Popular da China “não estão subordinadas uma à outra” e que a soberania da ilha cabe aos seus 23 milhões de habitantes.

A agência noticiosa oficial Xinhua advertiu que “quem brinca com o fogo, queima-se”. O Diário do Povo acusou o líder de estar “há muito envolvido em actividades separatistas, mas fingir ser um defensor da paz”. “Este é o acto mais descarado e sem escrúpulos”, acusou.

O jornal oficial do regime chinês escreveu que a nação chinesa partilha a convicção de que “o seu território não pode ser dividido, o seu Estado não pode ser caótico, o seu povo não pode ser disperso e a sua civilização não pode ser quebrada”. “Esta é uma necessidade histórica e uma lógica interna que conduzirá inevitavelmente à reunificação da China”, afirmou.

TPI | Pequim quer objectividade em processos contra dirigentes de Israel e Hamas

A China defendeu ontem que o Tribunal Penal Internacional (TPI) se mantenha objectivo, após os mandados de captura solicitados por um procurador contra dirigentes israelitas, incluindo o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e do movimento islamita Hamas.

“Esperamos que o TPI mantenha a sua posição objectiva e imparcial e exerça os seus poderes em conformidade com a lei”, declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Wang Wenbin, apelando ao fim da “punição colectiva do povo palestiniano”. Na segunda-feira, o procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, solicitou mandados de captura para o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, o seu ministro da Defesa e três líderes do Hamas por alegados crimes cometidos na Faixa de Gaza e em Israel.

Pequim afirmou que existe “um consenso esmagador no seio da comunidade internacional para parar imediatamente a guerra em Gaza e pôr fim à crise humanitária do povo palestiniano”. “A China esteve sempre do lado da justiça e do Direito internacional na questão palestiniana”, afirmou Wang, acrescentando que Pequim apoia “os esforços para promover uma solução global, justa e duradoura para a questão palestiniana”.

Crimes perversos

O procurador do TPI, Karim Khan, anunciou na segunda-feira que pediu mandados de captura para Netanyahu e para o seu ministro da Defesa, Yoav Gallant, por crimes como “matar deliberadamente civis à fome”, “homicídio intencional” e “extermínio e/ou assassínio”, relacionados com a operação israelita em Gaza.

Karim Khan solicitou igualmente a emissão de mandados de captura contra três dirigentes do Hamas – Ismail Haniyeh, Mohammed Deif e Yahya Sinouar – por crimes como “extermínio”, “violação e outras formas de violência sexual” e “tomada de reféns como crime de guerra”, relacionados com o ataque de 7 de Outubro em Israel.

A China há muito que apoia a causa palestiniana e uma solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano. O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou à realização de uma “conferência internacional de paz” para pôr fim à guerra.

Zhuge Liang, uma Pérola da Imortalidade

É de lembrar pouco se saber sobre Zhuge Liang, figura para além de histórica tem a complementá-la várias lendas, assim como mitológicas narrações a erguê-lo a um ser misterioso de grande poder. A maior parte da sua vida apenas vem narrada no Registo dos Três Reinos (San Guo Zhi, 三国志) escrito por Chen Shou (陈寿) e publicado no séc III, que forneceria a Luo Guanzhong (1330-1400, 罗贯中) as fontes para o Romance dos Três Reinos (San Guo Yanyi 三国演义) publicado no século XIV e como um romance histórico narra o período de 169 a 280. Mas há outras histórias que nem aí vieram contadas. Uma delas, a mais estranha de todas, refere como Zhuge Liang se tornou um Imortal, sendo só registada após via oral ser passada de geração em geração e escrita muito tempo depois nas Histórias de Longzhong.

Nessa mitológica história sobre a sua juventude explica-se a razão de Zhuge Liang se apresentar sempre com um leque de penas na mão e uma veste de mestre daoista. Acordado por um crane, a representar um ser imortal com quem conviveu e lhe transmitiu a pérola quando a Filosofia do Dao sofria uma reorientação executada pouco tempo antes por o mestre Zhang, cujo nome era Zhang Ling (34-157).

Mais conhecido por Zhang Dao Ling, fundou no ano de 141 em Sichuan, Sudoeste da China, o grupo religioso daoista ‘Via dos Cinco Alqueires de Arroz’ (Wu Dou Mi) e quase ao mesmo tempo no Leste, também inspirado no livro Taiping Jing, mas na versão popular do Taiping Dongji Jing, Zhang Jiao criava em 175 uma secreta seita daoista, Taiping Tao (Doutrina da Justiça). Zhang Jiao (?-184), além de oferecer gratuitamente consultas médicas, falava das suas ideias de igualdade, em oposição à exploração dos homens por outros, preconizando um governo de camponeses. Já com milhares de adeptos, então Zhang Jiao liderou em 184 a Revolta dos Turbantes Amarelos, nome por que ficou conhecida a rebelião devido aos exércitos de camponeses os usarem.

Em 181 nascia Zhuge Liang em Yangdu de Langya, hoje, vila de Yinan, pertencente ao distrito de Linyi situado na parte Sul da província de Shandong. A sua mãe morreu quando tinha três anos e devido à morte do pai, Zhuge Gui, que fora magistrado no distrito de Taishan, com oito anos ficou desde 189 à guarda do tio Zhuge Xuan.

O general Yuan Shu, um senhor da guerra que mais tarde, em 197 se autoproclamou imperador da curtíssima dinastia Zhong, enviou Zhuge Xuan para ir tomar conta de Yüzhang, pequena localidade a Norte da actual província de Jiangxi, próximo de Nanchang. Como tal não ocorreu por não haver a aprovação dos oficiais Han, Zhuge Xuan foi pedir ajuda ao amigo Liu Biao (142-208), prefeito (governador) da província de Jing (Jingzhou em Hubei), que administrava grande parte das actuais províncias de Hubei, Hunan e o Sudoeste de Henan e no ano 190 mudara a capital de Hanshou para Xiangyang. Daí ir viver em Xiangyang acompanhado pelo sobrinho Zhuge Liang, tendo este estudado durante três anos numa escola, talvez na Academia fundada por Liu Biao por volta do ano de 196. Ao mesmo tempo, Liang escolheu Pang Degong como seu mestre.

Zhuge Xuan morreu em 197 e após a morte do tio, Zhuge Liang com dezassete anos mudou-se para a aldeia Longzhong, próximo de Xiangyang, província de Hubei, onde se dedicou à agricultura. Passava o tempo livre a ler, assim como gostava de conversar com os mestres Pang Degong e Xü Shu, pois sendo pessoas mais velhas lhe iam ensinando coisas da vida, trocando ideias também sobre as convulsões que ocorriam pelo país.

A Revolta dos Turbantes Amarelos iniciada em 184 e liderada por Zhang Jiao aconteceu quando trezentos mil camponeses em muitas partes do país se levantarem contra o Governo, mas ao fim de nove meses a maior parte dos chefes e exércitos tinham sido derrotados e mortos. A rebelião estendera-se até Shaanxi e em 186 chegou a Shanxi, Hebei e Liaoning, mas em 192 com a vitória de Cao Cao sobre os Turbantes Amarelos a revolta ficou confinada à província de Shandong, apesar das lutas continuarem até ao final da dinastia Han.

Cao Cao (155-220) tornara-se em 190 um dos mais poderosos generais do período final da dinastia Han do Leste, mas apesar do exército Han conseguir debelar a rebelião, sucumbia perante os exércitos locais dos senhores feudais.

Zhuge Liang a viver desde 197 em Longzhong, hoje a Oeste de Xiangyang em Hubei, aí passou mais ao menos dez anos onde fez muitos amigos entre os locais, mantendo relações de amizade com intelectuais como Sima Hui e Huang Chengyan. Este último sabendo andar Zhuge Liang à procura de esposa, propôs-lhe a filha. Avisou-o ser feiosa, apesar de dotada de muitos talentos, que bem se complementaria com os atributos dele. Concordando, casou-se com Huang YueYing, apesar de no local registo histórico Xiangyang Ji, onde vem narrado tal episódio, o nome da esposa nunca aparecer mencionado.

FINAIS DA DINASTIA HAN

Grande estratega militar, comparável com Sun Wu (c.544-496 a.n.E.) e Sun Bin (c.382-316 a.n.E.), Zhuge Liang (181-234) era um homem de Estado e criativo inventor a quem Liu Bei pediu ajuda para ser seu conselheiro militar e organizar o exército do que viria a ser o Reino Shu-Han no Período dos Três Reinos.

A dinastia Han de Leste (25-220), cuja capital era Luoyang, tinha a família imperial debilitada e dominada como mero joguete nas mãos dos poderosos eunucos. Com a morte do Imperador Ling em 189, subia ao trono Shao Di e o Chefe dos General He Jin, percebendo ter de pôr ordem nos eunucos, convocou à corte o General Dong Zhuo para lhes fazer frente. Mas sabendo os eunucos das intenções, logo eliminaram o Chefe dos Generais, levando Yuan Shao, outro senhor da guerra, a ir a Luoyang e matar mais de dois mil eunucos. Pouco depois, Dong Zhuo chegava à corte e mostrando-se cruel com o povo e com intenções de controlar o poder, depõe Shao Di e ainda nesse ano colocava no lugar de Imperador Xian Di (189-200).

A 192 foi assassinado o General Dong Zhuo, ano da vitória de Cao Cao sobre os Turbantes Amarelos. Em 196, o general Cao Cao vai a Luoyang e levou Xian Di para o seu quartel-general em Xudu (hoje Xuchang, em Henan) e em nome do Imperador passou a controlar o país.

Yuan Shao, à frente de um exército de cem mil homens, no ano 200 defrontava na batalha em Guandu (Henan) o general Cao Cao que, com apenas vinte mil soldados, o derrotou. Nos três anos seguintes, após arrumar um a um os Senhores da Guerra, Cao Cao passou a deter o poder no vale do Wei, dominando os territórios do baixo e médio curso do rio Amarelo e a Planície Central, controlando todo o Norte do país e daí o início em 210 do reino de Wei (220-265). Imbuído na filosofia daoista, quando o seu exército não combatia colocava-o a cultivar as terras, promovendo para lugares de destaque as pessoas com talento sem se importar com as suas origens. Depois planeou conquistar o Sul aos seus últimos rivais.

“As suas ambições tinham-no levado à conquista do vale do Yangzi, mas a célebre batalha da Falésia Vermelha (Chibi), junto às margens do grande rio no Hubei, em 208, tinha travado esta política de expansão. A grave derrota infligida a Cao Cao pelas forças aliadas de Sun Quan (185-252) e de Liu Bei (161-223) foi o prelúdio da divisão do território chinês em três reinos (sanguo): o de Wei da família Cao, o dos Han do Sichuan (Shu-Han, 221-263), fundado por Liu Bei, e o de Wu (222-280), fundado por Sun Quan”, segundo Jacques Gernet, no Mundo Chinês.

Estava-se no fim da dinastia Han do Leste e três reinos, Shu a Oeste, Wei a Norte e Wu a Leste da China viviam em guerra. Com a queda da dinastia Han em 220, seguiu-se o Período dos Três Reinos (220-280).

CONVITE AO ESTRATEGA

Zhuge Liang (181-234) declinara ofertas de alguns senhores da guerra para ser conselheiro militar dos seus exércitos, tal como aconteceu por duas vezes a Liu Bei.

Liu Bei (161-223), que se dizia representante da casa real Han, não tinha uma base e esperava o momento adequado para solicitar o patrocínio do também membro da família real Liu Biao, Prefeito de Jingzhou entre 192 a 208, que administrava grande parte do centro da China, na zona média do rio Yangtsé.

Residia Liu Bei em Xinye quando percebeu precisar de um conselheiro e estratega para combater o reino dos Wei no Norte e o reino Wu a Leste. Por isso foi visitar Sima Hui que o alertou não poder encontrar nos confucionistas, pessoas habilitadas nos assuntos de Estado nem da Guerra e haver na região apenas dois transcendentes seres com essas habilidades e conhecimentos, o Dragão Adormecido e a Jovem Fénix, casal formado por Zhuge Liang e a esposa.

Após Liu Bei, chefe de um pequeno exército, ter sofrido em 207 uma derrota contra as forças de Cao Cao em Wunhuan, na retirada estacionou as tropas em Jingzhou (Hubei) para tomar conhecimento do estado deste e reconheceu a necessidade de um bom estratega. Ainda em 207 ouviu Xu Shu recomendar Zhuge Liang como o maior de todos os estrategas. Liu Bei, contente por ter encontrado por fim um estratega para o seu exército, pediu a Xu Shu para o trazer à sua presença, ao qual este ripostou dever ser ele a ir convidá-lo.

Na primeira recusa, Zhuge Liang pretendeu perceber quem era Liu Bei e entender os desejos e a sinceridade do herdeiro da casa real da dinastia Han. Na segunda visita, Zhuge Liang fazendo passar encontrar-se a dormir a sesta, para ver como reagia Liu Bei, este não ordenou aos criados para o acordarem, mas disse voltar mais tarde.

Ainda em 207, Liu Bei foi à aldeia Longzhong, acompanhado pelos seus irmãos de armas, Guan Yu e Zhang Fei, para convidar Zhuge Liang a se juntar às suas forças e servi-lo como conselheiro militar.

Só nessa terceira visita Zhuge Liang, rendido à sinceridade de Liu Bei, aceitou o convite para tomar o comando do exército Han-Shu e logo seguindo com ele lhe explanou os planos de conquista para o ajudar a criar o Reino Han-Shu. Recebeu como primeiro conselho unir o seu exército ao de Wu de Sun Quan para combater os Wei de Cao Cao.

Nascia uma amizade entre os dois para toda a vida. Quem ao princípio nada gostou da presença do novo elemento foram Guan Yu e Zhang Fei, mas percebendo ganhar o seu chefe e irmão de armas um novo poder, pararam de o importunar. Assim, logo no ano de 208 a aliança de Liu Bei com Sun Quan na Batalha de Chibi trouxe uma grande e celebre vitória conseguida sobre as tropas de Cao Cao junto ao Yangtsé, na conhecida Batalha da Falésia Vermelha.

Finanças | Salários aumentam 2,2% em termos anuais

A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelou ontem que os salários no sector financeiro aumentaram em Março, em termos anuais, 2,2 por cento, registando uma média salarial de 31.180 patacas.

No caso da banca, os trabalhadores ganham, em média, 31.440 patacas, um aumento de 2 por cento também em termos anuais, enquanto a remuneração média na área dos seguros, de 33.390 patacas, foi a que registou a maior subida, na ordem dos seis por cento.

Em relação ao número de trabalhadores, no primeiro trimestre o sector das actividades financeiras empregava 8.565 pessoas a tempo inteiro, dos quais 7.246 trabalhavam na banca, 812 em empresas de seguros e 297 em actividades de intermediação financeira, como instituições de serviços de pagamentos e sociedades de locação financeira. Só nas actividades de intermediação financeira houve um aumento, em termos anuais, de 14,2 por cento no número de trabalhadores.