Talentos | Ron Lam aponta que jovens não sentem apoio do Governo

Apesar das promessas na aposta nos quadros qualificados locais, o deputado Ron Lam revela que os jovens não sentem o apoio do Governo ao entrarem no mercado de trabalho. A afirmação faz parte de uma pergunta que vai ser feita ao Executivo, na Assembleia Legislativa, na próxima semana. “O Governo tem sublinhado a formação de talentos locais, mas muitos jovens não sentem que o Governo respeite e dê importância aos profissionais locais”, indica o deputado.

O membro da Assembleia Legislativa justifica a afirmação com o caso do Metro Ligeiro, e a transferência de vários trabalhadores, que se sentiram prejudicados a nível de direitos laborais. “Muitos jovens adquiriram competências e experiência depois de alguns anos de trabalho, mas a nova empresa [do Metro Ligeiro] recusou-se a reconhecer as suas competências e antiguidade, e despromoveu-os”, vincou Ron Lam. “Apesar de ser uma empresa detida na totalidade pelo Governo, não deu o exemplo nem assumiu a liderança na salvaguarda das regalias dos seus empregados”, acrescentou.

Face a este cenário, o deputado quer saber como é que o Governo vai mudar de atitude e também “incentivar as empresas privadas a salvaguardarem o emprego local e a darem importância à formação de talentos locais”.

As críticas estendem-se também à situação da área da medicina, em que o Governo impôs restrições aos médicos que podem frequentar os estágios nos hospitais públicos. Sem esses estágios, as carreiras ficam congeladas. “Quanto aos profissionais de saúde, há um grande número de médicos locais que não tem saídas devido às restrições impostas pelo regime de estágio. Então, as autoridades vão estudar soluções para lhes proporcionar mais espaço de emprego e desenvolvimento?”, questiona.

Resíduos | Custos do Centro de Recuperação podem vir a crescer

Apesar da obra do centro de recuperação de resíduos orgânicos prever um preço de 1,15 mil milhões de patacas, este pode ser aumentado se o custo da mão-de-obra e dos materiais subirem 10 por cento. A informação consta de parte do contrato com o valor de 1,87 milhões de patacas publicado ontem no Boletim Oficial

 

Apesar de ter um preço definido de 1,15 mil milhões de patacas, a construção do Centro de Recuperação de Resíduos Orgânicos pode acabar por ser mais cara. A possibilidade consta do contrato assinado entre o consórcio composto pelas empresas China Railway First Group, Tongfang Enviroment, Wangneng Environemnt e Grupo de Construção OMAS, e o Governo da RAEM.

De acordo com o contrato assinado, a construção vai ter um preço de 1,15 mil milhões de patacas. A este acrescem 720 milhões de patacas, com assistência para a exploração do centro.

Contudo, no que diz respeito às obras, que vão durar cerca de três anos e dois meses, o preço pode ser aumentado por iniciativa do consórcio: “O pedido de revisão de preços pode ser apresentado decorrido um ano a contar da data de assinatura do auto de consignação, na condição de que seja verificado um aumento igual ou superior a 10 por cento nos custos de mão-de-obra e de materiais”, consta no contrato.

A comparação de 10 por cento é feita com o “trimestre homólogo de assinatura do auto de consignação”. A consignação da obra é o acto através do qual o dono da obra, o Governo, faculta aos empreiteiros o local onde vão ser executados os trabalhos, e o auto é o documento onde constam as condições em que foi recebido o terreno, assim como uma descrição dos trabalhos a realizar.

No pólo oposto, no caso de os custos sofrerem reduções significativas, o contrato não prevê qualquer possibilidade do Governo fazer um pagamento inferior ao contratualizado.

Divisão de receitas

Durante o período das obras, o consórcio pode ainda receber 5,73 milhões de patacas, como parte dos subsídios de incentivo a projectos de segurança. Este é um subsídio para dar formação em segurança aos trabalhadores e para incentivar as empresas a obterem um melhor desempenho a nível da segurança dos trabalhadores durante as obras.

No entanto, quando a empresa começar a exploração do Centro de Recuperação de Resíduos Orgânicos fica obrigada a entregar 30 por cento das receitas ao Governo.

As receitas que estão sujeitas a partilha com o Governo têm de resultar da “venda de energia renovável produzida pelo centro”, “venda de resíduos gordurosos a recicladores qualificados para efeitos de reciclagem”, “exportação do excedente dos fertilizantes orgânicos para o exterior para efeitos de reciclagem” e “venda dos créditos de carbono gerados a partir do tratamento de resíduos alimentares e de gorduras, etc., no mercado do comércio de créditos de carbono”.

Ganhar por baixo

A proposta vencedora do concurso público realizada no ano passado apresentava não só o preço mais baixo, como também o menor tempo de construção.

Outra das propostas, foi apresentada pelo consórcio constituído Sociedade de Engenharia e Construção MGW, Nam Kwong Engenharia Ambiental e Companhia de Produtos Químicos e Petrolíferos Nam Kwong, com um preço de 3,12 mil milhões de patacas e um prazo de execução de 48 meses. A Companhia de Engenharia Porta da China, com um preço de 1,88 mil milhões de patacas e um prazo de execução de 48 meses, foi outra das participantes no concurso, assim como o consórcio constituído pela Companhia de Engenharia e de Construção da China (Hong Kong) e Companhia de Engenharia Construção da China (Macau), que prometia completar os trabalhos em 48 meses por um preço de 3,29 mil milhões de patacas.

O Centro de Recuperação de Resíduos Orgânicos fica localizado a Leste do Aterro para Resíduos de Materiais de Construção, junto à Avenida do Aeroporto, no COTAI.

Habitação | Deputados com dúvidas sobre alterações em despejos

Os deputados da 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa admitem terem várias dúvidas em relação à proposta do Governo para alterar o regime de despejo. O assunto foi ontem discutido na Assembleia Legislativa, na comissão liderada por Ella Lei.

Segundo a proposta do Executivo, os senhorios podem despejar quando os arrendatários se atrasam cinco meses no pagamento da renda. No entanto, os legisladores confessam que não entendem se os cinco meses são corridos ou podem ser intercalados.

“Como são calculados estes cinco meses? Alguns deputados colocaram a questão se podem ou não ser meses consecutivos e se os atrasos no pagamento da renda podem acontecer mais do que uma vez”, afirmou Ella Lei.

Os deputados também querem saber se os senhorios se podem apropriar da caução paga, que actualmente corresponde ao valor de dois meses de renda. “Se um inquilino não pagar a renda durante cinco meses, conjugando com esta norma da caução, o valor pode ser utilizado para cobrir os dois primeiros meses? Se assim for, não se pode considerar que há cinco meses de pagamento em falta”, justificou.

Por outro lado, a comissão pretende que o Governo esclareça se a utilização de novas tecnologias vai ser uma forma admissível para notificar os inquilinos, quando estes recusam notificações.

“Há inquilinos que recusam receber cartas. Podem ser usados meios tecnológicos como uma mensagem através de WeChat ou Whatsapp?”, interrogou a presidente da comissão.

FM | Ho Iat Seng renova mandatos de administradores e curadores

Na liderança da Fundação Macau desde 2010, Wu Zhiliang vai continuar a desempenhar o cargo até ao próximo ano. Também os curadores Carlos Marreiros, Anabela Ritchie e Cristina Neto Valente vão manter as funções

 

O mandato de Wu Zhiliang como presidente da Fundação Macau (FM) foi renovado pelo período de um ano, de acordo com um despacho publicado ontem no Boletim Oficial. Numa altura em que vários mandatos a nível da administração e conselho de curadores se aproximavam do fim, o Chefe do Executivo optou por uma política de continuidade.

No caso de Wu, o presidente da FM vai manter um salário de cerca de 102.300 patacas por mês, estando à frente do organismo desde 2010. Também a vice-presidente Zhong Yi Seabra de Mascarenhas vê a confiança renovada, e vai auferir de um salário de cerca de 89.280 patacas por mês.

A nível da administração, a renovação abrange igualmente Ho Kuai Leng, Au Weng Chi e Lai Chan Keong, que desempenham funções num regime de tempo parcial, a troco de 48.825 patacas por mês.

Por opção do Chefe do Executivo, também todos os membros do Conselho de Curadores da Fundação Macau tiveram os mandatos renovados, uma medida que abrange Carlos Marreiros, Anabela Ritchie e Cristina Neto Valente.

O Conselho de Curadores da FM tem como objectivos garantir a manutenção dos fins da fundação, apreciar o plano de actividades, o relatório de exercício, o orçamento para o ano seguinte e o relatório financeiro relativos ao ano anterior. Além destas, tem ainda a competência para aprovar a concessão de apoios financeiros de valor superior a um milhão de patacas.

Sem mudanças desde 2022

O arquitecto Carlos Marreiros foi nomeado por Ho Iat Seng para o Conselho de Curadores da Fundação Macau em 2022, pela primeira vez, com um mandato de dois anos, que expira brevemente. Também nessa altura, o governante nomeou para o órgão a ex-presidente da Assembleia Legislativa e a advogada e filha de Jorge Neto Valente.

No conselho estão ainda outras personalidades com peso político local, principalmente deputados e ex-deputados da Assembleia Popular Nacional e da Assembleia Legislativa.

A nível dos representantes de Macau na APN destaca-se Ng Siu Lai, presidente da Associações dos Moradores de Macau, Lei Pui Lam, dirigente da Associação de Educação de Macau, assim como os ex-deputados Lok Po, director do jornal Ou Mun, e Iong Weng Ian, ligada à Associação das Mulheres.

A nível do hemiciclo local, os escolhidos para o conselho de curadores são a empresária Angela Leong, mas também os ex-deputados Chan Meng Kam, igualmente ex-membro do Conselho Executivo, Chan Hong e Chan Wa Keong.

Também os mandados de Mok Chi Wai, presidente da Federação da Juventude de Macau, Ma Chi Wa, empresário e Liu Cai Seng, administrador do Banco de Desenvolvimento de Macau, assim como de Lao Ion Fai, vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau, foram renovados pelo prazo de um ano.

Jogo | Tailândia acelera leis, mas Macau lidera nas receitas brutas, diz analista

A Tailândia está a preparar leis para regular o jogo. O analista de jogo Daniel Cheng defendeu ao HM que o país poderá liderar em termos de EBITDA [lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações], mas Macau continuará a ganhar nas receitas brutas. O analista abordou este tema na conferência G2E Asia, que termina hoje no Venetian

 

Macau é a Las Vegas da Ásia, mas cada vez mais há países no continente à espreita para desenvolver projectos de jogo e apostarem no mercado dos casinos, trazendo maior competitividade e desafios ao mercado de jogo local.

Da Tailândia têm chegado notícias quanto à aproximação da legislação sobre o jogo, que deverá ser implementada no primeiro trimestre do próximo ano. Qual poderá ser o impacto para Macau do espoletar deste mercado? Para Daniel Cheng, analista de jogo e antigo executivo do sector, Macau vai continuar a liderar nas receitas brutas, mas as operadoras de jogo na Tailândia poderão estar à frente no mercado em termos de EBITDA, ou seja, lucros obtidos antes do pagamento de juros, impostos, depreciações e amortizações.

“A forma e a dimensão do mercado tailandês, e a sua competitividade relativa na região, dependem de factores como a estrutura legislativa, o enquadramento e modelo do sector ou ainda o plano de execução das licenças. Se estes três factores forem optimizados, a Tailândia pode tornar-se o novo líder do mercado regional em termos de EBITDA, embora Macau continue a liderar no capítulo das receitas brutas. A dimensão do mercado poderá ser superior a 10 mil milhões de dólares com oito sociedades de investimento”, declarou ao HM.

O antigo executivo em empresas de jogo entende que “o mercado tailandês de exploração de infra-estruturas de jogo tem todos os fundamentos para criar uma verdadeira indústria” e que “na pior das hipóteses, caso um, dois ou três factores não forem bem aplicados, o mercado tailandês poderá aproximar-se do modelo filipino e talvez ultrapassar os cinco mil milhões de dólares, se forem emitidas oito licenças”.

Para Daniel Cheng, “embora a Tailândia possa retirar alguma quota de mercado aos operadores regionais, a nova oferta também aumentará a procura do mercado e contribuirá para uma maior dimensão do mercado regional”. Desta forma, “Macau será a região mais isolada em comparação com os outros países, uma vez que o Governo chinês pode facilmente ajustar a torneira da oferta de turistas de Guangdong e de outras províncias para Macau”.

Daniel Cheng abordou este tópico no painel sobre mercados emergentes de jogo na convenção G2E Asia, uma das maiores do sector na Ásia, que termina hoje no Venetian e que teve início na terça-feira.

Turbulência política

As autoridades tailandesas estão a trabalhar a todo o gás para que o país venha a ter um sector do jogo que complementará a já bem-sucedida indústria turística tailandesa. O relatório de mais de 200 páginas foi aprovado “quase por unanimidade” em Março pelo parlamento local, e foi enviado para o Conselho de Ministros e depois submetido ao Ministério das Finanças para revisão do conteúdo e formalização de algumas recomendações contidas no relatório da comissão parlamentar.

Daniel Cheng destaca que “a revisão está prevista para este mês”, sendo que “o primeiro-ministro [Srettha Thavisin] está a dar um forte impulso no sentido de se acelerar o processo”. “Com o amplo apoio da Câmara [parlamento], e uma vez redigida e revista a legislação, espera-se que a nova lei seja aprovada já no primeiro trimestre de 2025”, destacou o antigo executivo em empresas de jogo.

A Inside Asian Gaming (IAG) citou a posição apresentada por Daniel Cheng no painel da G2E Asia, onde este afirmou que “o actual Governo – com o qual não concordo muito – gostaria de ver os frutos desta legislação e a abertura dos primeiros resorts de jogo tailandeses enquanto ainda está em funções”.

A IAG citou também o analista sénior da Seaport Research Partners, Vitaly Umansky, participante do mesmo painel da G2E Asia, que alertou para o facto de as autoridades tailandesas olharem para o desenvolvimento da indústria do jogo em Macau e Singapura, tentando replicar um dos dois modelos.

“Penso que a dificuldade de abordar a legalização e o desenvolvimento desta forma reside no facto de tanto Macau como Singapura serem construções geográficas e políticas únicas que são muito difíceis de reproduzir na maioria dos outros países da Ásia e do resto do mundo”, declarou Umansky.

O analista alertou ainda para os desafios que as autoridades tailandesas podem esperar para implementar em pleno uma indústria deste tipo, nomeadamente em termos de questões políticas.

“Para ter os meios necessários para criar uma indústria de grande escala, ou seja, com capacidade para atrair investimentos estrangeiros com uma escala suficientemente grande, que acabem por construir propriedades com investimentos multimilionários e ter um bom ambiente de regulação, o maior problema vai ser mesmo a parte regulatória.”

Para Vitaly Umansky há “risco político, porque pedir a uma empresa pública, um operador e promotor internacional de jogo que invista quatro ou cinco mil milhões de dólares americanos num país que está politicamente em risco de ter mudanças de Governo ou agitação política, é um pedido muito grande”.

Jogo até 5%

Na mesma sessão na G2E Asia, Vitaly Umansky frisou que esta inconstância política pode afastar potenciais investidores do futuro mercado de jogo tailandês. “Qual é a situação de risco político num país como a Tailândia, onde a canábis é legalizada num ano e criminalizada no ano seguinte? O Governo muda, as coisas mudam. Este não é um ambiente político estável em que um operador esteja disposto a investir milhares de milhões de dólares.”

O analista de jogo deu o exemplo do Sands Macao, inaugurado em 2004 com um investimento de 265 milhões de dólares americanos e que abriu caminho para o desenvolvimento da Cotai Strip.

“Se o Governo mudasse de opinião e dissesse: ‘Olha, nós compreendemos que isto é difícil’, então poderiam começar por construir uma Sands Macao para ver como corre e utilizar esses fluxos de caixa para reinvestir, e só depois construir um mercado adequado ao longo do tempo. Mas ordenar desenvolvimentos de vários milhares de milhões de dólares sem um quadro regulamentar que sabemos que pode funcionar, penso que será quase uma impossibilidade”, rematou Umansky.

Citado pelo jornal Bangkok Post, Chai Wacharonke, porta-voz do Governo tailandês, declarou que a futura indústria do jogo no país poderá crescer até aos 2,2 biliões de dólares até 2028, descrevendo que a Tailândia terá de “acelerar os planos para obter a sua quota parte de receitas globais” tendo em conta a expansão do mercado de jogo a nível regional e global.

O porta-voz do Executivo citou o relatório elaborado pelo parlamento local que determina que o projecto de resorts deverá gerar o mínimo de 12 mil milhões de Baht em impostos no primeiro ano de execução. O estudo determina ainda que os casinos não devem ocupar mais do que cinco por cento nos resorts integrados, a fim de garantir um equilíbrio entre os segmentos jogo e não-jogo, composto pelas áreas de entretenimento e lazer.

Espera-se que o tecido de resorts na Tailândia se desenvolva em Banguecoque, com dois empreendimentos, um no chamado “Corredor Económico Oriental (EEC)” e mais dois em Chiang Mai e Phuket, zonas bastante turísticas.

Ainda segundo o Bangkok Post, o estudo foca-se em três aspectos, nomeadamente “as implicações para as políticas económicas, sociais, educativas e culturais da existência de um recinto deste tipo na Tailândia; a estrutura empresarial e a cobrança de receitas e a legalidade e os critérios para as leis relativas ao entretenimento e ao jogo”.

“O Código Shan Hai Jing” | Dupla de autores quer escrever nova versão da História Mundial

Michael Du e Julie Oyang entabulam actualmente uma corrida ao texto de cortar a respiração, através da mais importante peça da literatura chinesa e do tesouro mais pesado da cultura chinesa e… mais além. Julie Oyang é uma crítica cultural e artística baseada na Europa, comentadora da cultura chinesa e filósofa visual. É professora convidada na Universidade de São José em Macau, e colaboradora da Via do Meio. Michael Du é um conhecedor da cultura antiga chinesa e detentor da maior colecção da civilização Hongshan do mundo. Foi o fundador da Haikou KiWen International Art & Culture Co. Ltd.

Ambos os autores estão estreitamente envolvidos no Centro de Inovação e Empreendedorismo da Cultura Guangcai (Guangcai Culture Innovation and Entrepreneurship Valley), uma iniciativa de vanguarda apoiada pelo governo chinês para o intercâmbio académico e educativo internacional, que está actualmente a preparar-se para uma conferência de imprensa no Salão do Congresso do Povo em Pequim, e uma casa de leilões de arte com sede em Yantai, na província de Shandong.

O Shan Hai Jing, em português Livro das Montanhas e dos Mares, foi legendariamente atribuído a Yu, primeiro imperador da dinastia Xia, e a um letrado chamado Boyi, o que remeteria a origem da obra para o segundo milénio a.E.C. Nele se descrevem plantas miríficas e seres exóticos, vulgo monstruosos, deambulando por espaços hoje ignotos.

Via do Meio: O Shan Hai Jing é provavelmente um dos manuscritos mais antigos do mundo. O que é exactamente?

Julie Oyang: Shan Hai Jing traduz-se literalmente por “Colecção das Montanhas e dos Mares”. O texto é um relato cultural e geográfico da China antes da dinastia Qin, o primeiro império chinês do século III a.E.C.. Contém também mitologia. No total, o livro fala de mais de 550 montanhas e 300 mares. A colecção completa, com cerca de 31 000 palavras, está dividida em 18 secções. O Shan Hai Jing foi, mais provavelmente, um compêndio de obras escritas por muitos autores numa língua antiga, semelhante ao chinês, e posteriormente editado por vários estudiosos chineses desde a dinastia Han Ocidental, com base na sua interpretação do texto “ilegível” e intrigante. A colecção inclui uma série de mitos, nomeadamente histórias da criação e do início da humanidade. Diz-se que o livro tem pelo menos 2200 anos. Mas o nosso palpite é que o Shan Hai Jing é muito mais antigo.

Michael Du: Mas quanto mais antigo, queremos saber. Posso dizer com confiança que algumas das histórias datam de há pelo menos 6000 anos, até à civilização Hongshan, a minha área de interesse. Sugeriria mesmo que este livro raro nos fala de uma civilização mais antiga, anterior ao Grande Dilúvio, acontecimento que se deu globalmente — em todas as culturas antigas, aparentemente. Dediquei toda a minha vida à recolha e ao estudo dos artefactos de Hongshan e não apenas devido ao seu crescente valor de mercado: estou convencido de que a mitologia não deve ser tomada como um dado adquirido. O Shan Hai Jing não é um dado adquirido. É com a referência sólida a artefactos existentes que podemos agora dar um rosto ao texto antigo “sem rosto”. Um rosto que se aproxima de uma verdade histórica impressionante, que de outra forma se perderia para sempre.

Via do Meio: Uma verdade histórica espantosa?

Michael Du: Como a Julie disse, o Shan Hai Jing registou mais de 40 países, mais de 550 montanhas, 300 rios, etc., com criaturas antigas, monstros e geografia mítica. Um relato enciclopédico da visão que as pessoas têm do mundo, que se tornou uma fonte de inspiração para a cultura pop, intercâmbios interculturais e estudos comparativos. Durante o nosso próprio processo de escrita, comparámos o Shan Hai Jing com As Histórias, do antigo historiador grego Heródoto. As Histórias documentam a geografia, as pessoas, os recursos naturais, os diferentes costumes, as aves e os animais. Em particular, alguns dos monstros orientais descritos por Heródoto são bastante semelhantes aos do Shan Hai Jing. Em alguns mapas europeus da Idade Média, as áreas próximas da Índia eram frequentemente pintadas com monstros, cujos equivalentes podem ser encontrados no Shan Hai Jing. O monstro estrela do Shan Hai Jing, Zouwu, fez uma estreia global em Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald em 2018. Tão grande como um tigre, com um pêlo colorido e uma cauda mais comprida do que o corpo, o Zuowu é uma criatura auspiciosa que aparece apenas durante o reinado de governantes benevolentes. O Zuowu não mata um ser vivo para se alimentar. Portanto, é óbvio que a difusão do conhecimento antigo do Shan Hai Jing desde os tempos antigos é um tema académico interessante. Mas fizemos a nós próprios a primeira pergunta antes de começarmos a escrever o Código Shan Hai Jing: estes países, montanhas e rios, registados no texto chinês, estão em que região? Esta é uma pergunta muito importante que nunca foi feita antes. Acreditamos que este texto chinês não diz respeito apenas à civilização chinesa: o Shan Hai Jing diz respeito à civilização mundial.

Via do Meio: É uma conclusão bastante surpreendente, não é? Então, com o Código Shan Hai Jing, pretende escrever uma nova versão chinesa da história mundial?

Julie Oyang: Posso responder a essa pergunta. E devo dizer que todo o Shan Hai Jing parece algo composto por uma espécie de alquimistas antigos. A viagem entre o mito e a realidade é uma experiência humana comum que encontramos na grande literatura mundial, desde a Divina Comédia de Dante até ao jardim bifurcado de Borges. É claro que os verdadeiros alquimistas não transformam o chumbo em ouro; transformam o mundo em palavras, cada uma das quais é um puzzle labiríntico a tempo de ser decifrado por nós. Na sua Filosofia da História, Hegel defende que a essência da civilização e do seu progresso é a liberdade. No entanto, a história chinesa contrasta ou mesmo refuta a visão hegeliana da liberdade e do progresso. A civilização chinesa está profundamente enraizada na pluralidade através da “absorção de tudo o que está sob do céu”. Pode dizer-se que, a partir do Shan Hai Jing, a versão chinesa da história do mundo é apresentada como uma grande narrativa unificadora ou — como disse o historiador britânico Arnold Toynbee — uma “narrativa cosmopolita”. A liberdade significa conflito e a grande unidade significa a cessação do conflito. O universalismo chinês é a ideia de que os indivíduos ou os pequenos Estados devem abdicar de uma parte da sua liberdade para alcançar uma harmonia social global e a concórdia entre todos os Estados. O Shan Hai Jing mostra-nos que os chineses promoveram e praticaram a ordem universal de harmonia entre todas as nações do globo no mundo antigo. O objectivo ideal desta narrativa cosmopolita é “misturar e unificar o mar, as montanhas e o mundo” através de uma governação bem sucedida baseada no comércio. O Shan Hai Jing é o mapeamento da mais antiga rede de comércio! Se acreditarmos na Atlântida de Platão – sim, é bastante louco!, mas a colecção Hongshan de Michael Du abriu-me realmente os olhos e a mente. Assim, se Platão estiver correcto, podemos dizer que a civilização pré-diluviana era uma civilização espiritual e que a versão Ocidental da história mundial é a manifestação de uma civilização material. A civilização chinesa é uma civilização intermediária única, mas típica, a ponte entre as duas.

Via do Meio: Atlântida? Hongshan? A ponte?

Michael Du: O Shan Hai Jing descreve muitas bestas mágicas. Têm três cabeças, seis braços, asas múltiplas e outras características. Isto lembra-nos que a engenharia genética altamente desenvolvida e a tecnologia de clonagem já existiria num passado remoto. Os abundantes artefactos de Hongshan confirmam esta hipótese. Na minha opinião, Hongshan não é a Atlântida, mas uma memória dela! Hongshan preservou os mistérios e simbolismos únicos de uma civilização anciã pré-diluviana para ser espalhada pelo globo novamente no final da última era glacial. A civilização mais antiga foi designada Atlântida por Platão nos seus Diálogos. Tal como as criaturas do Shan Hai Jing, os atlantes têm poderes mágicos e comunicam por telepatia. Alguns atlantes eram seres parecidos com peixes, tal como a sereia de Hongshan! Hoje em dia é-nos difícil compreender estas coisas se não tivermos uma mente aberta. De facto, alguns investigadores acreditam que Hongshan é um laboratório extraterrestre. Miscellaneous Morsels from Youyang (酉陽雜俎) é um livro escrito por Duan Chengshi no século IX, durante a dinastia Tang. Centra-se em lendas e boatos chineses e estrangeiros, relatos de fenómenos naturais, pequenas anedotas e contos do maravilhoso e do mundano, bem como notas sobre temas como ervas medicinais e… tatuagens. O livro regista o encontro com um astronauta extraterrestre que informou dois homens que a Lua era feita de sete ligas (sete tesouros) e que a Lua era na realidade uma esfera coberta de montanhas e não um disco plano como se pensava. Disse-lhes que havia oitenta e dois mil lares de trabalhadores de manutenção na lua e que ele era um deles, antes de lhes mostrar as suas ferramentas, incluindo machados e cinzéis. Por fim, partilhou alguns alimentos lunares que pareciam bolas de arroz cristalino. Todos estes pormenores interessantes sobre a Lua foram registados no século IX! Não é alucinante? De certa forma, Youyang é um livro ainda mais estranho do que Shan Hai Jing. Mas estou a divagar. O que quero dizer é: quem somos nós para julgar e rejeitar?

Via do Meio: Podem partilhar com os nossos leitores alguns dos mistérios e simbolismos únicos da civilização anciã pré-diluviana que Hongshan preservou e que ainda hoje estão vivos?

Michael Du / Julie Oyang: Leiam o nosso livro e descubram.

“PÁTRIA” | Diogo Vilhena faz documentário sobre viagem aérea entre Portugal e Macau

O realizador Diogo Vilhena está em Macau a filmar um documentário que celebra os 100 anos do Raid Aéreo Portugal-Macau, a viagem que Brito Pais e Sarmento de Beires fizeram no avião “PÁTRIA” entre Vila Nova de Milfontes e Macau. A ideia da produção é reunir memórias e juntar pedaços de uma história pautada por heroísmo

 

Chama-se “Milfontes-Macau: Um retrato de 100 anos de histórias inspiradas por uma viagem” e é o projecto de documentário que o realizador Diogo Vilhena tem desenvolvido nos últimos meses para celebrar a viagem centenária do “PÁTRIA”, nome dado ao avião que percorreu mais de 16 mil quilómetros entre Portugal e Macau, num tempo em que eram escassos os conhecimentos técnicos para uma viagem daquela natureza.

Se à época a história da aviação portuguesa já tinha dois heróis (Gago Coutinho e Sacadura Cabral), Brito Pais e Sarmento de Beires quiseram também percorrer os céus levando o nome de Portugal para bem longe. A eles juntou-se Manuel Gouveia.

Porém, a longa jornada aérea acabou por ficar esquecida na historiografia portuguesa pelo facto de Sarmento de Beires ter sido opositor ao regime do Estado Novo. Mas este ano, em jeito de celebração dos 100 anos da viagem, são várias as iniciativas que tentam resgatar da sombra das memórias o feito.

Uma das iniciativas é, assim, de Diogo Vilhena, realizador que cresceu em Vila Nova de Milfontes a ouvir a história destes “heróis”. “Esta história é contada em família e em contexto da memória local, quase como se eles fossem uma espécie de super-heróis que conseguiram fazer a viagem”, conta ao HM.

Aos 16 anos, Diogo Vilhena percebeu que não era mito, e que os portugueses tinham mesmo voado para terras longínquas. “Comecei a perceber que sempre foi algo apagado pelo Estado Novo e depois, sucessivamente, a nível institucional e corporativo. Na verdade, se a viagem tivesse sido um desastre, havia a informação de que tinha sido de Vila Nova de Milfontes a Macau, mas como foi um sucesso, passou a ser designada como tendo sido feita de Lisboa a Macau, e assim fez escola. Houve uma espécie de vergonha do sucesso da viagem, assumiu-se que já havia dois heróis, o Gago Coutinho e Sacadura Cabral, e não valia a pena ter mais heróis.”

A viagem é importante não apenas do ponto de vista dos feitos para a aviação, mas também por questões políticas. Em 1924 Portugal vivia sucessivas crises políticas com a I República, instaurada em 1910, mas este raid conseguiu receber o apoio do público. Mesmo sem apoio do Estado, os três aviadores viajaram até ao Oriente com o apoio popular. Foram concedidos donativos recolhidos em campanhas e eventos públicos, nomeadamente um “rally” que fechou Lisboa só para este fim. Alguns actores famosos participaram para que a venda de bilhetes fosse mais bem-sucedida.

A revista “Seara Nova” também deu apoio à viagem, comprando uma edição do livro de poesia de Sarmento de Beires, intitulado “Sinfonia do Vento”. Com estes fundos foi possível adquirir o avião Breguet XVI B2, chamado “PÁTRIA”.

O início da viagem deu-se a 7 de Abril de 1924 e foram vários os desafios, tendo obrigado Brito Pais e Sarmento de Beires a escalas em países como Espanha, Tunísia, Líbia, Egito, Síria, Iraque, Irão, Índia, Birmânia, Tailândia, Vietname e China. Na Índia enfrentam uma tempestade, aterram no deserto e foram forçados a adquirir um segundo avião, o “PÁTRIA II”.

Uma espécie de milagre

Diogo Vilhena, que tem realizado nos últimos meses diversas entrevistas para o documentário, diz continuar intrigado sobre o facto de “ter sido possível a estes homens, que viajavam numa casca de noz com asas, realizar este feito, numa altura em que não havia equipamentos, protecção, comunicações”.

Os aviadores só tinham autorização para voar entre Vila Nova de Milfontes e Málaga, em Espanha, sendo que, a partir daí, estavam por sua conta. “Para mim, esta é uma das aventuras mais épicas da história de Portugal, porque quiseram fazer a viagem e concretizaram-na mesmo. Acreditaram numa espécie de irmandade que ali foi criada, com uma estrutura militar, pois tratava-se de forma hierárquica, com o ‘Sim, meu capitão'”.

Até nas celebrações eles estiveram sempre unidos, destaca o realizador. “Brito Pais era um sujeito mais bem visto pelo regime, mas nunca permitiu que fosse homenageado sozinho. Sempre disse que, para o ser, tinham de ser os três homenageados. Infelizmente, o Brito Pais morreu dez anos depois da guerra [II Guerra Mundial].”

Colar memórias

Assumindo ser difícil contar uma história com 100 anos, em que os seus protagonistas há muito faleceram, ou até familiares mais directos, Diogo Vilhena tem-se concentrado em estabelecer ligações e contar uma história de forma una, que ensine algo a cada pessoa que participa.

“O documentário está a ser montado pela relação da memória. A ideia é revisitar a memória que existe nos espaços e pessoas, mas não de forma directa, muitas das vezes. Há pessoas entrevistadas que foram generais e pilotos de F-16, mas que fizeram a escola primária em Macau e tiveram sempre esta imagem um pouco turva sobre a viagem. Não percebiam bem a história, porque era contada de diversas formas. São memórias que distam 17 mil quilómetros umas das outras.”

Assim, explica Diogo Vilhena, “a ideia é viajar para que, no final, o filme fique montado de forma que todas as memórias sejam importantes para a narrativa”. “Como esta história não faz parte da história oficial do país, passa a ser um informativo de fragmentos, em que cada pessoa ensina qualquer coisa a outra”, frisou.

Em Macau, o realizador pretende entrevistar o jornalista e autor João Guedes, por este “conhecer o território”, onde reside há dezenas de anos. Nos planos está também uma conversa com Santos Pinto, proprietário do Restaurante O Santos na Taipa que foi para Macau pela Marinha portuguesa, e que por lá ficou.

“A ideia é mostrar o que é ir de Portugal quase aos trambolhões e ficar em Macau para sempre, estabelecendo um paralelismo com o que aconteceu há 100 anos.”

Embaixadores da nação

Diogo Vilhena destaca também o facto de Sarmento de Beires, Brito Pais e Manuel Gouveia terem funcionado um pouco como embaixadores da cultura portuguesa, “por levarem sempre a bandeira de Portugal”. “A ideia era que transportavam Portugal, porque tinham viajado com o apoio da pátria, das pessoas, ricas ou pobres, e não do Estado.”

O autor do documentário confessa que “é sempre um processo complicado trabalhar com memórias”. “Há pequenos detalhes que muitas pessoas conhecem, e é nisso que me estou a concentrar. Entrevistámos o sobrinho-neto do mecânico [Manuel Gouveia], que é engenheiro da Airbus, e, de repente, transportei-o para a sua infância, em que fala das memórias da avó, que era irmã deste mecânico. Aí consigo ter, na primeira pessoa, a memória de gente que inspirou uma geração.”

As pessoas entrevistadas “ainda hoje ficam loucas a pensar como eles [Brito Pais e Sarmento Beires] conseguiram fazer determinadas coisas, como andar em altitude na Birmânia. O ar era rarefeito e podiam desmaiar”.

“Tinham muito desconhecimento técnico, fizeram alguns erros sem noção, mas o que é certo é que chegaram lá. Houve um tufão que os impediu de aterrar em Macau, tendo aterrado em Hong Kong, perto de um cemitério”, aponta Diogo Vilhena. A chegada a Macau aconteceu a 23 de Junho de 1924.

O regresso foi feito por terra e mar, com trechos da viagem de comboio ou a bordo de navios e ferries, com passagens entre o Japão, Canadá, Nova Iorque, Londres e Lisboa. Chegados à capital portuguesa, perguntaram ao comandante do navio que os transportara de Londres se havia conhecimento da travessia aérea que tinham feito. O comandante disse saber de algo, por andar a navegar, mas que em Portugal ninguém sabia de nada. “Aí Brito Pais disse: ‘Ainda bem. Chegamos da mesma forma que partimos. Indigentes’.”, recorda Diogo Vilhena.

O realizador diz-se surpreendido também com o “conhecimento que determinadas pessoas têm sobre alguns pontos da viagem, sabendo muito sobre cartografia, a forma como funcionava o avião, como conseguiram apoios”. “Não há ninguém que tenha o domínio completo da história no seu todo. Não há uma visão global, e espero que com este projecto construir essa ideia global”, rematou.

A estreia do documentário deverá acontecer dia 21 de Setembro deste ano, precisamente o dia em que Manuel Gouveia, Sarmento de Beires e Brito Pais chegaram a Lisboa. O regresso a Vila Nova de Milfontes foi seis dias depois.

Macau prepara grandes eventos para marcar Cidade Cultural da Ásia Oriental 2025

O Instituto Cultural de Macau (ICM) está a preparar uma série de grandes eventos internacionais, após a região ter sido nomeada como Cidade Cultural da Ásia Oriental 2025, revelou hoje a sua responsável. Leong Wai Man disse aos jornalistas que o ICM prepara um programa que inclui “grandes paradas e desfiles, festivais de arte, festivais internacionais de música, exposições de arte e eventos desportivos internacionais”.

A presidente do ICM sublinhou que o objectivo é não apenas “reforçar o intercâmbio e cooperação cultural e turístico” na Ásia Oriental, mas também “promover a compreensão mútua entre as civilizações chinesa e estrangeiras”. O Governo de Macau anunciou na segunda-feira a nomeação do território como Cidade Cultural da Ásia Oriental 2025, uma iniciativa conjunta da China, Japão e Coreia do Sul, estabelecida em 2012.

A directora dos Serviços de Turismo de Macau, Maria Helena de Senna Fernandes, recordou hoje que a região organizou eventos para tentar atrair visitantes em Tóquio, em março, e em Seul, entre 30 de Maio e 2 de Junho.

A iniciativa Cidade Cultural da Ásia Oriental distingue anualmente duas cidades chinesas, uma japonesa e uma sul-coreana. O Japão e a Coreia do Sul ainda não anunciaram as suas nomeações para 2025.

Senna Fernandes disse aos jornalistas que Macau poderá convidar as Cidades Culturais da Ásia Oriental 2025 japonesa e sul-coreana para participar em algumas das atividades, incluindo desfiles e paradas. A governante descreveu a nomeação da região como “um cartão de trunfo”, que prometeu usar “até ao máximo” e durante todo o ano de 2025, “para promover Macau junto de uma audiência mais alargada”.

Senna Fernandes disse que o território irá realizar, ainda este ano, novos eventos de promoção turística nas capitais da Tailândia e da Malásia, com a meta de ultrapassar dois milhões de visitantes internacionais até ao final de 2024.

A China escolheu, entre seis finalistas, Macau e a cidade de Huzhou, no leste do país, num processo que terminou a 10 de maio, em Pequim, de acordo com o jornal oficial chinês China Daily.

Num comunicado divulgado na segunda-feira, a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura disse que representou Macau na capital chinesa, onde a cidade “acabou por conquistar o primeiro lugar na apreciação final”. Elsie Ao Ieong revelou que foi criado um grupo de trabalho que preparou a candidatura a Cidade Cultural da Ásia Oriental e que será responsável pela preparação do programa, sob o tema “Encontro do Oriente com o Ocidente e harmonia asiática”.

Arrancaram obras para construir escola secundária no Novo Bairro de Macau

A Macau Renovação Urbana (MRU) anunciou o início das obras para a construção de uma escola do ensino secundário para servir o complexo habitacional em Hengqin. Em comunicado, a empresa indica que o projecto vai estar concluído até ao final de 2026, altura em que será entregue à instituição de ensino que vai gerir o espaço.

De acordo com a MUR as obras estão a decorrer a toda a velocidade e a futura escola vai incluir um campo exterior para a prática de educação física, um pavilhão, cantina, salas de aula e também espaços para os professores. O edifício vai ter uma área de 20 mil metros quadrados e capacidade para acolher cerca de 1.200 alunos, num total de 36 turmas. É ainda revelado que o edifício terá cinco andares e apresentar um estilo arquitectónico europeu.

Quando a nova escola começar a operar, o Novo Bairro de Macau vai disponibilizar de uma rede de ensino não superior completa, dado que actualmente estão em funcionamento um jardim-de-infância e uma escola primária.

À escolha do freguês

No mesmo comunicado, a MRU anunciou ainda que a partir do próximo mês começam a abrir vários espaços de comércio, como restaurantes, lojas de conveniência, supermercados, lojas de bebidas ou cabeleireiros para responder às necessidades dos residentes que se mudarem para a Ilha da Montanha.

O Novo Bairro de Macau é um projecto de habitação da responsabilidade de uma empresa com capitais do Governo da RAEM, a MRU, e tem como objectivo encorajar os residentes a deixarem Macau e mudarem-se para o Interior.

Segundo os dados mais recentes, desde Novembro foram vendidos cerca de 1.000 apartamentos dos 4.000 disponibilizados. Em Maio, os requisitos para os residentes comprarem casas no Novo Bairro de Macau foram facilitados, permitindo a venda a residentse que já têm casas tanto na RAEM como em Zhuhai.

Os preços de venda dos apartamentos no Novo Bairro de Macau resultam de um acordo entre Macau e as autoridades do Interior, que arrendam a Macau o espaço onde o edifício foi construído.

Jogo | China abre guerra à troca ilegal de dinheiro em Macau

A troca ilegal de dinheiro em Macau foi discutida num encontro de “nível nacional” pelo Ministério da Segurança Pública. A receita para combater o fenómeno passa pelo aperto do controlo das fronteiras e mais cooperação entre as polícias do Interior e da RAEM

 

A troca ilegal de dinheiro em Macau está na mira das autoridades do Interior e esperam-se mais medidas do outro lado da fronteira para fazer face ao jogo ilegal e lavagem de capitais. A situação foi abordada num encontro ao nível nacional promovido pelo Ministério da Segurança Pública, que decorreu em Pequim, de acordo com o China Daily.

Segundo as preocupações expressas durante o encontro entre dirigentes do Interior, as trocas ilegais de dinheiro estão em expansão rápida em Macau e frequentemente surgem associadas a outras actividades ilegais, como violência, burlas e contrabando.

Face a estes desenvolvimentos, as autoridades do Interior anunciaram o reforço do controlo nas fronteiras, maior coordenação com Macau para a entrega de fugitivos, assim como o aumento da cooperação entre as polícias dos dois lados da fronteira. Com as medidas, as autoridades do Interior esperam atacar a “corrente inteira da indústria” deste crime, que foi ligado a associações criminosas.

A data do encontro das autoridades do Interior não foi revelada, mas a notícia foi divulgada na segunda-feira, pelo China Daily. A informação foi colocada a circular dois dias de Macau ter anunciado o melhor mês para os casinos desde a pandemia, ao nível das receitas brutas do jogo. Em Maio as receitas atingiram 20,19 mil milhões de patacas, a primeira vez que ficaram acima de 20 mil milhões desde Janeiro de 2020.

Segurança financeira em risco

Ao jornal South China Morning, o presidente executivo da Sociedade de Reforma de Guangdong, Peng Peng, considerou que como o assunto foi discutido a nível nacional isso significa que é encarado como um risco para a segurança financeira nacional. Além disso, Peng também indicou que este tipo de medidas está “em linha” com a campanha contra a corrupção de Xi Jinping.

“Apesar do negócio da troca ilegal de dinheiro em Macau ter surgido da indústria do jogo, houve uma expansão das actividades, o que faz com que esteja a servir os propósitos que eram cumpridos pelos bancos ilegais e tornaram-se um canal muito comum para a fuga de capitais relacionados com a corrupção e dinheiro obtido de outras formas ilegais”, justificou. “De forma a proteger a segurança financeira da China, e para controlar o problema da corrupção e prevenir a fuga ilegal de capitais, o Governo vê a necessidade de controlar a indústria da troca do dinheiro”, acrescentou o responsável.

Taipa Grande | Trânsito e autocarros preocupam conselheiros das Ilhas

Lau Nga Lok, membro do conselho consultivo das Ilhas, apelou ontem ao Governo para prestar atenção aos congestionamentos nas estradas que vão funcionar como acesso ao Túnel da Colina da Taipa Grande.

Numa intervenção antes da ordem do dia da reunião de ontem do conselho consultivo, Lau indicou que Avenida de Wai Long, principalmente no troço de acesso ao aeroporto, está frequentemente congestionada, pelo que a situação só vai piorar quando as obras do túnel começarem.

Face à situação, o membro apelou ao Governo para começar a tomar medidas para descongestionar o trânsito naquela zona, sugerindo a construção de mais acessos ao aeroporto. O concurso público para a construção da primeira fase do Túnel da Colina da Taipa Grande encontra-se actualmente a decorrer.

Por sua vez, a conselheira Lei Hoi Ha apresentou queixas sobre o estado dos transportes públicos, principalmente a falta de alternativas para os residentes que tentam viajar para o Coloane. De acordo com a conselheira, o horário de funcionamento dos autocarros números 52 e 55, que fazem a ligação entre a península de Macau e Seac Pai Van, deviam ser alargados.

Sobre o percurso de autocarros, Lei Hoi Ha defendeu mudanças no sistema montado no Cotai, por considerar que há percursos que têm paragens a mais, o que torna as viagens demasiado demoradas e pouco eficazes para quem precisa de se deslocar de transportes públicos.

Pátio do Espinho | UGAMM pede melhor preservação do local

A vice-presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM), Cheong Sok Leng, espera que o Governo reforce a preservação dos monumentos e das árvores no Pátio do Espinho, e promova as crenças tradicionais em Na Tcha. A opinião foi partilhada com o Jornal Ou Mun, depois da responsável ter realizado uma visita ao pátio situado ao lado das Ruínas de São Paulo e que inclui o tempo de Na Tcha.

Cheong Sok Leng destacou que o Pátio do Espinho é uma parte essencial do centro histórico de Macau, mantendo o estilo único da povoação antiga daquela zona, além de ficar junto às Ruínas de São Paulo, património mundial. Por esta razão, sugeriu ao Governo que reforce a divulgação sobre o pátio e que faça mais esforços para a protecção do local.

A responsável associativa admitiu que, apesar da importância do local, a população não tem conhecimentos suficientes o assunto, pelo que considera que o Executivo pode promover mais projectos culturais e educativos. A líder associativa deu como exemplo de iniciativas de promoção do Pátio do Espinho a organização de viagens para os residentes, em que estes são confrontados com a história do local.

Por seu turno, o presidente da Associação do Templo Na Tcha, Ip Tat, apelou ao Governo para tratar dos problemas de drenagem da zona, dado que com a água a ficar estagnada no local é frequente o mau cheiro, assim como a proliferação de mosquitos.

Cuidadores | Ella Lei pede alargamento de rede de apoios

Ella Lei sugere ao Governo o alargamento do âmbito de aplicação do subsídio de cuidadores, para chegar a famílias em situação de maior vulnerabilidade, e garantir o descanso de cuidadores de pessoas idosos e doentes. A deputada recomendou também que o Governo tome as regiões vizinhas como exemplo

 

Ella Lei divulgou ontem uma interpelação em que pede a optimização do subsídio para cuidadores, assim como o aperfeiçoamento dos serviços de apoio para aliviar a pressão destas pessoas.

A deputada começou por argumentar que, “apesar da regularização do subsídio para cuidadores, cujo valor não é elevado”, os destinatários estão limitados a quatro tipos de cuidados prestados, que incluem o apoio a pessoas com um grau grave ou profundo de deficiência, ou pessoas que estão permanentemente acamadas. Como tal, sugere o aumento do valor do subsídio para cuidadores conforme a situação económica da respectiva família e o alargamento do âmbito dos destinatários do subsídio, para “aliviar os encargos económicos da família e, em especial, das pessoas que ficaram impossibilitadas de trabalhar por terem de assegurar os respectivos cuidados a tempo inteiro”.

A deputada pediu também um “ponto de situação sobre a implementação do subsídio a cuidadores”, passada a fase experimental da sua atribuição.

Porém, além dos apoios financeiros, Ella Lei entende que é fundamental “disponibilizar conhecimentos sobre os cuidados, encontrar recursos sociais ou canais de assistência e assegurar serviços de descanso e saúde psicológica” para os cuidadores.

A pressão sentida por quem cuida de outrem dependente não foi esquecida pela deputada dos Operários, que mencionou “tragédias que se verificam em todo o mundo”, em que cuidadores de auto-mutilam ou agridem as pessoas de quem cuidam em resultado de episódios psicóticos.

O que fazer

Esta pressão elevada pode ser atenuada através de medidas do Governo, na óptica de Ella Lei. Como já existe colaboração entre entidades governamentais e instituições sociais na prestação de serviços domiciliários de enfermagem ou de cuidados e acolhimento diurno, a deputada sugere ao Governo que invista nestes serviços para aliviar a pressão dos cuidadores.

Outras formas de promover o descanso destas pessoas é aumentar as vagas destes serviços complementares, assim como melhorar o actual mecanismo de apreciação e autorização, aos respectivos destinatários e ao conteúdo dos serviços, inclusivamente ao horário dos serviços

Além disso, ainda para permitir o descanso, Ella Lei pergunta se o Executivo tem planos para implementar um plano de acolhimento de emergência, assim como reforçar os serviços de saúde psicológica destinados aos cuidadores. Um dos caminhos indicados pela deputada é a aposta no mercado privado, através de incentivos a instituições para desenvolverem “projectos de apoio para os cuidadores das famílias de diversos grupos ou capacidade económica”.

Comércio | Académico aconselha PME adaptarem-se

O professor associado do Departamento de Finanças e Economia Empresarial da Universidade de Macau, Henry Lei Chun Kwok, considera que as Pequenas e Médias Empresas (PME) precisam de se adaptar à realidade, para responderem à procura do seu público alvo. As declarações foram prestadas ao Jornal Ou Mun, num comentário feito ao facto de o comércio local enfrentar vários desafios, apesar de os sectores do turismo e do jogo caminharem para a recuperação de níveis pré-pandemia.

Segundo o jornal Ou Mun, o académico recordou que o Governo e as associações comerciais lançaram várias actividades promocionais para promover o consumo, no entanto, os efeitos só se fizeram sentir numa fase inicial das promoções.

Sobre o facto de haver cada vez mais residentes a consumirem no Interior, Henry Lei considerou que o comércio local não vai conseguir competir através dos preços, devido ao elevado valor das rendas, assim como as comissões cobradas pelas plataformas de take-away.

Durante o processo da mudança, Henry Lei defende que o Governo e as associações comerciais devem continuar a apoiar o comércio local, com a realização de mais actividades como o “grande prémio para o consumo na Zona Norte” durante os fins-de-semana. O académico sugeriu também que este tipo de eventos seja levado para outras zonas da cidade.

Biblioteca Central | Primeira fase termina em Dezembro de 2025

A primeira fase do projecto inclui a demolição do antigo Hotel Estoril e à construção das fundações e caves. A empreitada estará a cargo da Companhia de Construção e Investimento Predial Ming Shun, que apresentou a proposta mais barata (69,78 milhões de patacas)

 

Está em curso a primeira fase do projecto de construção da nova Biblioteca Central de Macau, que tem o prazo máximo de execução 450 dias de trabalho, ou seja, deverá estar concluída em Dezembro de 2025. Segundo informação publicada no site da Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP), “em articulação com o progresso global, o projecto será implementado em duas fases, sendo a 1.ª fase destinada à demolição do antigo Hotel Estoril e à construção das fundações e caves da nova biblioteca”.

A empresa que estará a cargo da adjudicação da primeira fase do projecto é a Companhia de Construção e Investimento Predial Ming Shun, que apresentou o preço mais barato, com 69,78 milhões de patacas, menos de 20 milhões de patacas do que a proposta mais elevada apresentada pela Companhia de Engenharia e Construção Sun Fook Kong – Kun Fai.

A fiscalização da obra, que tem como projectista o Consortium of Mecanoo-Leigh and Orange-PAL Asia, está a cargo da Foundation Engenharia e Consultoria, por mais de 4,6 milhões de patacas, enquanto o controle de qualidade e o serviço de monitorização dos edifícios envolventes será feito pelo Laboratório de Engenharia Civil de Macau, por cerca de 2,85 milhões de patacas.

No total, a demolição do Hotel Estoril e a construção das fundações e caves irá custar mais de 77,2 milhões de patacas.

Experiência que conta

A DSOP salienta a complexidade do grau de dificuldade da construção e dos requisitos técnicos deste projecto em comparação com outras obras, “tendo em conta que a área de execução da obra é adjacente à Piscina Estoril”, e exigência ao nível da “segurança do ambiente circundante durante o período de construção”.

Foi com estes factores em mente, que a DSOP justificou a opção pela modalidade de consulta, em vez de concurso público, para a qual foram convidadas sete empresas. A DSOP considerou que desta forma seria mais fiável encontrar um empreiteiro com “elevada experiência e capacidade na escavação de fundações”.

A Nova Biblioteca Central de Macau ficará de frente para a Praça do Tap Seac, no terreno entre o cruzamento da Avenida de Sidónio Pais com a Rua Filipe O’Costa (antigo Hotel Estoril), numa área de cerca de 2.960 metros quadrados. De acordo com o projecto, a biblioteca terá quatro pisos de altura, com cave para armazenamento, com uma área bruta de construção de cerca de 12.710 metros quadrados, dispondo igualmente de espaço para a biblioteca principal, salas de reunião, zona de aprendizagem e zona de leitura pública.

Venetian | Obras na Arena terminam até ao fim do ano

As obras de renovação da Arena do Cotai, situada no hotel The Venetian, vão ficar concluídas até ao final do ano, de acordo com as declarações prestadas pelo vice-presidente executivo da concessionária Sands China, Wilfred Wong.

Segundo o portal GGR Asia, o responsável falou durante o primeiro dia da exposição Global Gaming Expo (G2E) Asia, a maior feira do território sobre jogo, e apontou que o último trimestre do ano como a data de conclusão das obras.

A Arena do Cotai tem actualmente capacidade para cerca de 15 mil pessoas, mas está encerrada devido a obras desde Janeiro. Apesar disso, é um dos espaços com maior capacidade para espectáculos em Macau, tendo recebido no passado concertos de artistas como Rolling Stones, Rihanna, Katy Perry ou Jay Chou.

Imobiliário | Vendas crescem 82% na primeira metade de Maio

Entre a primeira quinzena de Abril e de Maio houve um aumento de 83 compras e vendas de habitação no território de 101 transacções para 184 transacções

 

As transacções de imóveis para habitação registaram um aumento de 82 por cento na primeira metade de Maio, em comparação com a primeira metade de Abril. Os números oficiais foram publicados ontem pela Direcção de Serviços de Finanças (DSF).

Entre a primeira quinzena de Abril e de Maio registou-se um aumento de 83 compras e vendas de habitação no território passando de 101 transacções para 184 transacções. O aumento da procura pode ser explicado com o facto de na primeira metade de Abril ainda não terem entrado em vigor as medidas que removeram vários impostos aplicáveis às transacções de habitação.

A primeira metade de Maio foi também o mês com maior número de vendas desde o início do ano, batendo o registo de Janeiro, o mais alto até agora, quando tinham sido registadas 105 compras e vendas de habitação.

O preço de 91.361 patacas por metro quadrado de Maio foi igualmente o mais elevado do ano, quando se comparam as primeiras metades dos meses decorridos. Até Maio, o preço mais elevado tinha sido registado nos primeiros dias de Janeiro, com uma média de 88.762 patacas por metro quadrado.

Em comparação com a primeira metade de Maio do ano passado, este ano houve mais 49 transacções, embora a preços mais baixos. O preço de acordo com os dados mais recentes foi de 91.361 patacas por metro quadrado, enquanto na primeira quinzena de Maio de 2023 tinha sido de 93.471 patacas por metro quadrado.

Mais vontade

Após terem sido revelados os dados das transacções imobiliárias, o director geral da agência imobiliária Savills Macau, Franco Liu, considerou que os números reflectem o sentimento do mercado, de uma maior vontade das pessoas para transaccionarem imóveis, após as alterações políticas.

Em declarações ao Jornal Ou Mun, Liu justificou-se ao anunciar que a venda de casas novas num edifício novo na Taipa resultou na transacção de 160 apartamentos ao longo de três dias. Além disso, durante estes dias, indicou o agente imobiliário, cerca de 5 mil pessoas, excluído agentes imobiliários, visitaram o andar modelo.

Contudo, Franco Liu reconheceu que actualmente as vendas ainda apresentam vários descontos para os compradores, o que também contribui para um aumento da procura.

O director geral da agência imobiliária reconheceu que apesar do número de transacções começar a mostrar sinais de alguma recuperação, o mesmo não se pode dizer em relação aos preços, que ainda estão muito abaixo do que chegou a ser praticado.

Brasil | Vice-presidente iniciou ontem visita oficial à China

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Geraldo Alckmin, iniciou ontem uma visita oficial à China acompanhado de uma comitiva de 200 empresários do país sul-americano.

Segundo informações divulgadas pelo Governo brasileiro, a visita da comitiva a Pequim é outra demonstração de “relevância ao importante aliado chinês” e tem a ambição de reforçar a cooperação comercial bilateral.

Em Abril do ano passado o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, realizou uma visita oficial à China para marcar o início de seu terceiro mandato.

A segunda comitiva do Governo sul-americano a visitar Pequim, liderada por Alckmin e o ministro da Casa Civil brasileiro, Rui Costa, deve tratar da inclusão do Brasil no acordo Uma Faixa, Uma Rota, que será tema de debates no VII encontro da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação, presidida pelos vice-presidentes dos dois países, a decorrer hoje e amanhã.

Durante a visita oficial da comitiva brasileira à China, que decorre até sábado, também deverão ser assinados acordos bilaterais no plano consular, agrícola, de investimentos e de combate às alterações climáticas.

Os 200 empresários brasileiros terão como missão principal o reforço comercial nas áreas da agricultura, indústria, finanças, transição energética e mercados capitais. Em 2023, a China confirmou-se como o maior parceiro comercial do Brasil e como principal destino das exportações brasileiras, que cresceram 16,5 por cento e atingiram 105,75 mil milhões de dólares, quase um terço de todas as exportações do país sul-americano.

Sonda descola da Lua com amostras da face oculta

A sonda chinesa Chang’e 6 descolou ontem com êxito da superfície lunar, transportando amostras do lado mais afastado da Lua, um feito considerado inédito, noticiaram os meios de comunicação estatais.

A “sonda chinesa Chang’e-6 descolou da superfície lunar na manhã de ontem, transportando amostras recolhidas no lado mais distante da Lua, um feito sem precedentes na história da exploração lunar humana”, disse a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, citando a Administração Espacial chinesa.

A Chang’e 6, lançada no início de Maio do Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, na ilha tropical chinesa de Hainão (sul), pousou como planeado na imensa bacia Aitken, no polo sul lunar, uma das maiores crateras de impacto conhecidas no sistema solar, afirmou a Administração Espacial chinesa.

Esta missão é a sexta do programa chinês de exploração da Lua Chang’e, nomeado em homenagem à deusa chinesa da Lua, e será a segunda a trazer amostras lunares de volta à Terra, após uma primeira no lado próximo do corpo celeste, em 2020.

Na nova missão, o módulo irá usar um braço mecânico e um perfurador para recolher até dois quilogramas de material de superfície e subterrâneo, a enviar de volta à Terra numa cápsula que está actualmente a orbitar a Lua.

À espera

A cápsula deve regressar à Terra e aterrar nos desertos da região da Mongólia Interior, no norte da China, por volta de 25 de Junho. As missões para o lado distante da Lua são consideradas mais difíceis porque exigem um satélite de retransmissão para manter as comunicações.

Entre as recentes conquistas espaciais da China estão a exploração de Marte e a construção da estação espacial Tiangong, para onde regularmente envia tripulações. A ambição espacial da China continua a crescer, com a possibilidade da Tiangong se tornar na única estação espacial em funcionamento, depois de a Estação Espacial Internacional, tal como previsto, ser retirada em 2031.

A China tem como objectivo colocar uma pessoa na Lua antes de 2030, o que a tornaria a segunda nação a fazê-lo depois dos Estados Unidos.

Epoch Times, jornal da Falun Gong, acusado nos EUA de branquear capitais

A empresa de media anti-China Epoch Times estava no centro de um esquema fraudulento de lavagem de dinheiro e criptomoeda envolvendo dezenas de milhões de dólares, afirmou o departamento de justiça na segunda-feira ao anunciar a acusação de seu director financeiro Bill Guan. O executivo de 61 anos “conspirou com outros para participar num esquema transnacional extenso para lavar pelo menos cerca de 67 milhões de dólares de fundos obtidos ilegalmente”, de acordo com um comunicado do escritório do procurador dos EUA do distrito sul de Nova Iorque.

As receitas reverteram para a empresa e para o enriquecimento pessoal de indivíduos, incluindo Guan, que pode ser condenado a 70 anos de prisão por uma acusação de conspiração para cometer branqueamento de capitais e duas acusações de fraude bancária.

O gabinete do procurador afirmou que as acusações não se relacionavam com as actividades de recolha de notícias do Epoch Times, com sede em Manhattan, uma empresa de comunicação social popular entre a direita conservadora pela sua cobertura frequentemente conspiratória da política e dos assuntos mundiais e pelas críticas abertas ao partido comunista chinês.

Guan é acusado de ser o mentor de um esquema em que geria a equipa “Make Money Online” da empresa de comunicação social no estrangeiro, segundo o departamento de justiça. “Sob a gestão de Guan, os membros da equipa e outros usaram criptomoeda para comprar conscientemente dezenas de milhões de dólares em receitas de crimes, incluindo receitas de benefícios de seguro-desemprego obtidos de forma fraudulenta, que foram carregados em dezenas de milhares de cartões de débito pré-pagos”, disse o comunicado.

As receitas foram então alegadamente “lavadas” através de uma determinada plataforma de criptomoeda e transformadas em moeda digital a 70 a 80 cêntimos por dólar, disseram os procuradores. Os membros da equipa utilizavam então informações de identificação pessoal roubadas para abrir contas e canalizar os lucros para essas contas e, posteriormente, para contas em seu próprio nome.

Teia de mentiras

Guan, de Secaucus, Nova Jersey, mentiu aos investigadores sobre a origem do dinheiro quando estes começaram a investigar um aumento extraordinário de 410 por cento na receita anual do Epoch Times de aproximadamente US $ 15 milhões para cerca de US $ 62 milhões, alega ainda o comunicado. Guan afirmou que o aumento dos fundos provinha de “donativos”, e que Guan “escreveu uma carta dirigida a um gabinete do Congresso afirmando falsamente que os ‘donativos’ constituíam ‘uma parte insignificante das receitas globais’ da empresa de comunicação social”.

Em Outubro do ano passado, a NBC News noticiou um aumento ainda maior da base de receitas do Epoch Times, de 685 por cento em dois anos. A investigação da NBC mapeou a ascensão da empresa de uma publicação obscura e marginal a uma potência conservadora num período relativamente curto de tempo, a ponto de direccionar milhões de dólares para a fracassada campanha de reeleição de Donald Trump em 2020.

Um relatório de 2021 publicado no Guardian incluía o Epoch Times entre uma série de meios de comunicação social norte-americanos ligados ao Falun Gong, um movimento que se opõe há décadas ao governo chinês. Um dos objectivos da empresa, sugeria o relatório, era amplificar os esforços dos republicanos para ligar Joe Biden e o partido democrata ao Partido Comunista Chinês (PCC) e endurecer a opinião pública dos EUA contra a China.

O homo sapiens, as alterações climáticas e a biodiversidade

Durante a formação do universo, há cerca de 15 mil milhões de anos, e seu sequente desenvolvimento, um feliz acaso permitiu que o planeta que habitamos se encontrasse à distância perfeita de uma estrela, de tal modo que se criaram as condições necessárias à formação de vida. Estas condições ideais, que alguns designam por “Goldilocks conditions1”, são tão raras que ainda não foi possível detetar qualquer outro planeta com características semelhantes que permitissem a existência de seres vivos.

A Terra está situada na galáxia Via Láctea, que é constituída por milhões de estrelas e planetas. Por outro lado, esta é um dos muitos milhões de galáxias que proliferam no universo, o que nos faz perguntar a nós próprios qual a razão de este nosso planeta ser o único habitável de que temos conhecimento. A este propósito, é de mencionar a estranheza manifestada por cosmólogos e outros cientistas pela aparente contradição entre a alta probabilidade da existência de civilizações extraterrestres e a inexistência de evidências da sua ocorrência (Paradoxo de Fermi2).

Como é do conhecimento geral, o clima está em crise devido às atividades antropogénicas, nomeadamente no que se refere à injeção de gases de efeito de estufa (GEE) na atmosfera, provenientes da utilização desenfreada de combustíveis fósseis. Além da atmosfera, também as outras componentes do sistema climático (litosfera, hidrosfera, biosfera e criosfera) são afetadas pelo aquecimento global. Uma das muitas consequências consiste na degradação acelerada da biosfera, com a diminuição drástica da biodiversidade.

De acordo com o IPCC3, a degradação que o clima tem vindo a sofrer é consequência da atividade humana desde a revolução industrial. No entanto, a consequência nefasta da ação do homem sobre a natureza não se limita a este curto período de cerca de duas centenas e meia de anos. Desde há milhares de anos que o Homo sapiens contribui altamente para esse efeito e, à medida que a população mundial aumenta, maior será a ação destruidora sobre a natureza. A necessidade de campos para fins agrícolas, cidades mais vastas, construção de aeroportos, autoestradas e outras infraestruturas, implicam a destruição de ecossistemas e o consequente desaparecimento de numerosas espécies animais e vegetais. Note-se que há 12 mil anos a população mundial era cerca de metade da população atual de Portugal, no início do século XXI atingiu aproximadamente 6 mil milhões e, atualmente, já ultrapassou os 8 mil milhões. De acordo com projeções das Nações Unidas, em 2050 poderá atingir 9,7 milhares de milhões e, em 2100, cerca de 10,3 milhares de milhões. Nestas condições não há planeta que aguente!

Segundo alguns cientistas, estamos no limiar da sexta extinção em massa, tendo já ocorrido, desde há cerca de 500 milhões de anos, cinco grandes extinções, as quais foram causadas por fenómenos naturais, nomeadamente impacto de meteoritos, intensa atividade vulcânica e mudanças climáticas causadas por fatores cósmicos. A grande diferença consiste no facto de a sexta extinção estar a decorrer num intervalo de tempo muito curto e por ser consequência das atividades do Homo sapiens, considerado o maior predador de todos os tempos, devido à superexploração de recursos naturais, poluição, introdução de espécies invasoras e alterações climáticas. Estes fatores combinados, juntamente com o aumento desenfreado da população humana, têm exercido uma pressão sem precedentes sobre os ecossistemas naturais. Segundo Noah Harari4, autor de “Sapiens: uma breve história da humanidade” o homo sapiens é o maior assassino ecológico em série.

Ainda hoje, em alguns países, os humanos divertem-se abatendo indiscriminadamente animais, como acontece em plena Europa, nas Ilhas Faroé, onde, uma vez por ano, se concretiza uma verdadeira chacina de centenas de golfinhos e baleias-piloto. Foi notícia muito comentada o abate de 1428 golfinhos-de-focinho-branco e baleias-piloto, em 12 de setembro de 2021, nessas ilhas dinamarquesas. Os golfinhos são animais comprovadamente inteligentes que frequentemente interagem com navegadores, acompanhando-os nas suas viagens, fazendo acrobacias, como que a saudá-los.

Continua amanhã

*Meteorologista

Referências:

Goldilocks conditions” (em português “condições caracolinhos dourados”) é uma expressão que, quando referida a um planeta, exprime a ideia de que este está a uma distância ideal da estrela em torno da qual orbita, i.e., nem muito perto, nem muito longe. A expressão é inspirada na história infantil “Goldilocks and the Three Bears”, do autor inglês Robert Southey (1774-1843), pela primeira vez publicada em 1837. Nesta história, a personagem principal, uma menina com caracóis dourados, entre várias possibilidades de escolha, selecionava sempre o meio-termo. Entre 3 pratos de papa, um muito quente, outro morno e outro muito frio, optava pelo do meio. Perante três cadeiras, uma muito dura, outra muito macia e outra medianamente macia, preferia esta.

Enrico Fermi – físico italo-americano (1901-1953).

IPCC – órgão da ONU para a monitorização das alterações climáticas.

Yuval Noah Harari – historiador, investigador e professor de História do Mundo (Universidade Hebraica de Jerusalém).

Halftone | Exposição de fotografia foca-se na matriz portuguesa

“A presença da matriz portuguesa em Macau, nas imagens entre tempos” é o nome da exposição de fotografia da responsabilidade da associação Halftone inaugurada este sábado. A mostra, integrada no cartaz das comemorações oficiais do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e Comunidades Portuguesas, mostra imagens de 12 artistas e fotógrafos, revelando a presença lusa no território

 

É inaugurada este sábado, às 17h, na residência oficial consular, no edifício Bela Vista, mais uma iniciativa cultural desenvolvida pela comunidade portuguesa para celebrar o 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas, cujo feriado se celebra esta segunda-feira em Portugal.

Trata-se da mostra “A presença da matriz portuguesa em Macau, nas imagens entre tempos” e conta com imagens da autoria de 12 pessoas que integram a associação Halftone, com mais ou menos experiência na fotografia. A mostra, que pode ser visitada gratuitamente até ao dia 30 de Junho, na galeria da residência consular, visa “aprofundar o conhecimento do contributo secular da Matriz Portuguesa na RAEM”, descreve-se num comunicado.

Com esta exposição colocam-se questões sobre a presença portuguesa e macaense há vários séculos. “Sob o prisma do olhar da fotografia enquanto prática de arquivo diacrítico, subordinado ao tema da memória e identidade, faz sentido olhar a cidade hoje e reflectir sobre os seus traços identitários de Matriz Portuguesa? Quais os marcos históricos e patrimoniais, os registos culturais e persistências humanas nela existentes?”

As imagens pretendem ainda responder à forma como “as diversas comunidades têm olhado para a presença do ‘outro’ neste território em constante transição e transformação” e que marcas são essas, “físicas ou imagéticas, entendidas por outras comunidades”. Será que “essas marcas também parte integrante da sua memória coletiva e individual, ou apresentam-se como extemporâneas?”.

Mudanças constantes

Criada em 2021, a associação de fotografia Halftone pretende mostrar o trabalho dos que adoram estar atrás da lente a capturar traços, vivências e cenários de Macau ou de outros locais, mostrando o trabalho de profissionais e amadores das várias comunidades.

Esta é mais uma iniciativa da associação que traz outro olhar de Macau como um lugar que “historicamente é um território em transição”. “Na sua cartografia constrói lugares novos, desdobra-se, aprofunda, concentra novas camadas de memórias colectivas no mapa da cidade. Estas ‘imagens entre tempos’ revelam-se na afirmação da identidade do exercício da memória individual de cada um de nós”, descreve a associação.

Revela-se uma “memória colectiva” que todos vivenciam, mesmo “de forma subjectiva, através do exercício da “pós-memória”, bem como “as memórias e registos visuais que outros nos convocam”. Macau é, assim, “o dragão aparentemente tranquilo, mas sempre acordado”, destaca a organização.

Museu Rijksmuseum identifica quem é quem nos retratos de Frans Hals

O museu Rijksmuseum de Amesterdão descobriu a verdadeira identidade de um casal retratado pelo pintor neerlandês Frans Hals, em 1637, como o autarca da capital dos Países Baixos Jan van de Poll, e a sua mulher, Duifje van Gerwen.

Anteriormente acreditava-se que o retrato era de um cervejeiro neerlandês e a sua mulher, mas os investigadores da galeria de arte descobriram a verdadeira identidade dos protagonistas das duas pinturas, que são propriedade do Rijksmuseum, noticiou na segunda-feira a agência Efe.

“Este é o único par de retratos de casamento de um casal de Amesterdão pintado por Frans Hals. “Jan e Duifje viajaram para Haarlem por volta de 1637 para posar para a pintura”, explicou o museu.

Jan van de Poll (1597-1678) foi presidente da Câmara de Amesterdão sete vezes. Em 1650 alcançou o posto mais alto – coronel – na milícia de cidadãos e aparece nesta função em dois retratos, um pintado pelo artista alemão Johann Spilberg, em 1650, e outro pelo neerlandês Bartholomeus van der Helst, em 1653, ambas pinturas propriedade da coleção do Museu de Amesterdão.

Por sua vez, Duifje van Gerwen (1618-1658) era a filha mais nova de um rico comerciante de vinhos em Warmoesstraat, uma das ruas mais antigas de Amesterdão, e casou-se com o autarca em 1637. O retrato duplo em questão foi criado por Hals pouco depois do casamento.

Uma recomendação

O Rijksmuseum acredita que Hals foi recomendado para estes dois retratos pelo tio de Duifje, Willem Warmond, que aparece como capitão num retrato de grupo da milícia de Haarlem que o artista neerlandês pintou dez anos antes. “Hals começou ‘The Meager Company’, o seu único retrato de grupo de uma milícia de Amesterdão, em 1633. Vários membros da milícia não queriam viajar para
Haarlem para serem retratados por Hals, e foi o pintor de ‘Amesterdão Pieter Codde’ quem terminou o trabalho em 1637.

Mas Jan e Duifje estavam dispostos a ir para Haarlem e aparentemente aproveitaram esta vaga na agenda de Hals”, explicou o Rijksmuseum, com base na sua investigação.

Estes dois retratos entraram na colecção do museu neerlandês em 1885 e o então director, Frederik Obreen, identificou os temas da pintura como Nicolaes Hasselaer (1593-1635), um cervejeiro neerlandês da Idade de Ouro, e sua mulher, Sara Wolfphaerts van Diemen (1594-1667). Porém, desde 2007, a identidade dos retratados foi questionada.
Um curador do Rijksmuseum, Jonathan Bikker, conseguiu agora estabelecer que esta identificação é incorrecta, com base nos testamentos dos netos e bisnetos de Van Diemen, que revelaram ser impossível que os retratos tenham feito parte da herança da família.

O curador também comparou o retrato do autarca feito por Hals com aqueles feitos por outros artistas, embora não existam outras pinturas conhecidas da sua mulher Duifje. O Rijksmuseum lembrou que Jan e Duifje são ascendentes directos de Jonkheer Jan Stanislaus Robert van de Poll, que doou as pinturas à galeria em 1885.

Ucrânia | Zelensky nas Filipinas para promover cimeira de paz

O Presidente da Ucrânia visitou ontem as Filipinas, um dia depois de participar num fórum de segurança regional em Singapura para promover a cimeira mundial de paz, marcada para a próxima semana, na Suíça.

Volodymyr Zelensky, cuja viagem a Manila não foi anunciada oficialmente pelo seu gabinete ou pelas autoridades filipinas, reuniu-se com o homólogo, Ferdinand Marcos, que expressou todo o apoio possível para resolver o conflito no país europeu, informou a televisão filipina ABS-CBN.

O líder ucraniano compareceu, de surpresa, no domingo no Diálogo de Shangri-La, o principal fórum de segurança e defesa da Ásia, para pedir apoio dos países da Ásia-Pacífico para a cimeira mundial de paz que vai decorrer, de 15 a 16 de Junho, na estância suíça de Bürgenstock.

No discurso em Singapura, Zelensky manifestou “a decepção” por alguns países, como a China, não terem confirmado a presença na cimeira e acusou Moscovo de tentar “fazer descarrilar” os esforços para alcançar a paz. O Presidente ucraniano afirmou que 106 países e organizações confirmaram a participação na cimeira, que não deverá contar com a presença de representantes de Pequim e Moscovo.

União de ferro

À margem do Diálogo de Shangri-La, Zelensky encontrou-se com o secretário da Defesa norte-americano, Lloyd Austin, a quem agradeceu o “apoio político e de defesa vital dos EUA à Ucrânia”.

Esta é a segunda visita do líder ucraniano à Ásia desde o início da guerra na Ucrânia devido à invasão russa em Fevereiro de 2022, depois de ter participado na cimeira de líderes do G7 no Japão em Maio de 2023.

Zelensky procura durante esta viagem impulsionar a cimeira na Suíça e exaltar “a diplomacia” como o principal instrumento para pôr fim a uma “guerra cruel” que matou dezenas de milhares de pessoas.