Espaço | Pequim e Paris lançam satélite para seguir e analisar explosões de raios gama

A missão, que junta Ocidente e Oriente, tem como objectivo trazer mais alguma luz sobre as origens e evolução do Universo

 

A China e a França lançaram no sábado um satélite com a missão de seguir as “explosões de raios gama”, fósseis luminosos que deverão fornecer mais informações sobre a história do Universo.

Desenvolvida por engenheiros dos dois países, a missão denominada ‘Svom’ (Space-based multi-band astronomical Variable Objects Monitor), uma notável colaboração sino-ocidental no espaço, visa detectar e localizar estes fenómenos cósmicos muito distantes, com o seu poder monumental.

O satélite de 930 quilogramas contém quatro instrumentos (dois chineses e dois franceses) e foi lançado para o espaço por volta das 15:00 locais a bordo do foguetão chinês “Longa Marcha 2-C”, a partir da base espacial de Xichang, na província de Sichuan, segundo os jornalistas da AFP.

Em termos simples, as explosões de raios gama ocorrem geralmente após a explosão de estrelas maciças (mais de 20 vezes a massa do Sol) ou com a fusão de estrelas compactas.

As explosões mais poderosas do Universo, estas rajadas de radiação colossalmente brilhantes podem libertar energia equivalente a mais de um bilião de biliões de sóis.

“Observá-las é um pouco como voltar atrás no tempo, porque a sua luz demora muito tempo a chegar à Terra – vários milhares de milhões de anos para as mais distantes”, explicou à AFP Frédéric Daigne, cientista do Instituto de Astrofísica de Paris e um dos maiores especialistas franceses em explosões de raios gama.

Ao viajar pelo espaço, a luz passa também por diferentes gases e galáxias, levando consigo as suas impressões digitais. Trata-se de uma informação preciosa para compreender a história e a evolução do Universo.

“Também estamos interessados nas explosões de raios gama por si só, porque são explosões cósmicas muito extremas que nos dão uma melhor compreensão da morte de certas estrelas”, observou Daigne, também astrofísico.

A explosão mais distante identificada até agora ocorreu apenas 630 milhões de anos após o Big Bang, ou seja, 5 por cento da idade actual do Universo. Uma vez analisadas, as informações podem também ser utilizadas para compreender melhor a composição do espaço, a dinâmica dos gases e as outras galáxias.

Luta contra o tempo

O projecto é o resultado de uma parceria entre as agências espaciais francesa (Cnes) e chinesa (CNSA), em que participam igualmente vários organismos científicos e técnicos dos dois países.

Embora não seja rara, a cooperação espacial entre a China e o Ocidente não é muito comum a este nível, sobretudo desde que Washington proibiu a NASA de colaborar com Pequim no sector espacial, em 2011.

“As preocupações dos Estados Unidos com a transferência de tecnologia contribuíram para abrandar a colaboração entre os seus aliados e os chineses. Mas a colaboração ocasional concretiza-se”, disse à AFP Jonathan McDowell, astrónomo do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, nos Estados Unidos.

Em 2018, a China e a França lançaram em conjunto o CFOSAT, um satélite oceanográfico utilizado para a meteorologia marinha. Os países europeus também estão a participar no programa chinês de exploração lunar Chang’e.

Embora não seja “único” no seu género, o projeto ‘Svom’ continua a ser “importante” no contexto da colaboração espacial sino-ocidental, sublinha McDowell. O satélite, colocado na órbita terrestre a uma altitude de 625 quilómetros, enviará os dados para observatórios na Terra.

A principal dificuldade é o facto de as explosões de raios gama terem uma duração extremamente curta, pelo que os cientistas terão de correr contra o tempo para recolher a informação. Assim que o ‘Svom’ detecta uma explosão, envia um alerta a uma equipa que está de serviço 24 horas por dia.

Em menos de cinco minutos, terão então de accionar uma rede de telescópios terrestres que serão alinhados precisamente na direcção da fonte da explosão, para observações mais pormenorizadas.

Um homem velho a pescar sem anzol num rio frio

Ma Yuan (c.1160-1225), justamente admirado e ilustre pintor da dinastia Song do Sul, é geralmente reconhecido como a primeira pessoa a representar um carretel, a bobina em que se enrola a linha da cana de pesca.

Um pormenor singular numa surpreendente pintura figurativa em que apenas se mostra um homem Solitário pescando num rio frio (rolo vertical, tinta sobre seda, 141 x 36 cm, no Museu Nacional de Tóquio). E, de tal modo austera e desprovida de referências espaciais que, na sua abstração ela se percebe como um ponto-chave, não só daquilo que é a representação artística mas também como uma subtil inquirição à substância do tempo.

Quem olhasse aquela figura pescando numa embarcação poderia recordar um ditado: «Só os mais persistentes chegarão à linha de pesca de Jiang Taigong». Que refere a história de Jiang Ziya (1128-1015 a. C.), um estratega que serviu o último soberano da dinastia Shang (séculos 16 -11 a. C.) que se tornara um tirano e que, já com cerca de oitenta anos, os cabelos brancos, foi descoberto pelo rei Wen de Zhou sossegado a pescar sem isco ou anzol no rio Wei, perto da actual Xian. Ele esperava sabendo que os peixes viriam quando estivessem prontos. E foi assim que chegado o tempo favorável, o rei Wen o contratou para grande glória do seu reino.

Outra clara referência da pintura é o poema de Liu Zongyuan (773-819) Neve no rio, que termina com o verso Du diao han jiangxue, «Só, pescando no rio frio, à neve» em que a utilização da palavra du, traduzindo-se como «só», e não gu que seria «sozinho», «abandonado», prova que ele está ali por sua própria volição. Esse poema inspirador está na origem de muitas pinturas. E se um adepto budista poderia saber que um cenário frio como aquele pode ser o lugar propício para encontrar a iluminação espiritual, como prova o caso do «rapaz montanhas nevadas», nome de uma prévia encarnação do Buda Sakyamuni, uma pintura feita na dinastia Ming, levanta outras hipóteses quanto à razão de ele estar ali pescando.

Shi Zhong (1438 – depois de 1506), o autor da pintura e do poema da Paisagem de Inverno com um pescador (rolo vertical, tinta sobre papel, 142, 2 x 32,1 cm, no Metmuseum) foi um pintor profissional de Nanquim cuja pincelada áspera se adequava à pintura dos cenários escarpados do Inverno. No sopé de uma dessas montanhas, Shi colocou o seu pescador de costas com chapéu de bambu e abrigo de palha, elementos que mostram a sua adesão à natureza, e uma comprida cana de pesca que quase chega à margem, mas cujo fio parece estar enrolado para trás e não cai na água.

Artes Visuais | Candidaturas para mostra em Julho

O Instituto Cultural (IC) aceita, a partir do dia 19 de Julho, a candidatura de artistas para participarem, com as suas obras, na “Exposição Anual de Artes Visuais de Macau”. Segundo um comunicado, a recepção das obras decorre durante três dias consecutivos na Galeria do Tap Seac, “estando todos os artistas de Macau convidados a apresentarem obras de arte contemporânea em meios de expressão ocidentais, incluindo obras bidimensionais, tridimensionais e multimédia”.

Na edição deste ano da exposição foram alteradas as categorias e o número de obras recolhidas, a composição do júri e os prémios atribuídos.

Esta exposição “incentiva à criação de obras artísticas contemporâneas inovadoras que expressam o espírito dos tempos e evidenciam os últimos desenvolvimentos das artes visuais em Macau, apoiando, cultivando e promovendo artistas locais excepcionais”.

Os concorrentes devem ter mais de 18 anos e ser residentes, podendo participar a título individual ou colectivo, com um máximo de quatro elementos, não podendo candidatar-se mais do que uma vez. Os indivíduos ou equipas concorrentes poderão apresentar apenas uma obra e ou um conjunto de obras, devendo ser trabalhos originais concluídos entre 2022 e o ano corrente.

As candidaturas decorrem de forma presencial até ao dia 21 de Julho, e a obra deverá ser entregue no local. Serão atribuídos dez prémios, cada um no valor de 30 mil patacas. No próximo ano, irá decorrer uma exposição colectiva.

Esta mostra “será organizada pelo IC em instituições culturais e museológicas fora de Macau, com vista a incentivar os vencedores a darem continuidade à sua actividade criativa e a proporcionar aos mesmos mais oportunidades de fazer intercâmbio e de exibir os seus trabalhos”.

A ideia é “promover a cooperação da exposição com instituições culturais e museológicas fora de Macau”, criando-se “uma plataforma de exibição e intercâmbio para os artistas premiados, ajudando-os a explorar espaços de cooperação e oportunidades de desenvolvimento”.

IC | Criada plataforma de livros electrónicos “Lendebook”

O Instituto Cultural (IC) decidiu apostar na leitura digital e criar uma nova plataforma de livros electrónicos. Trata-se da “Lendebook”, onde se encontram disponíveis sobretudo publicações em chinês tradicional, incluindo obras de ficção literária, livros sobre parentalidade, educação infantil, divulgação científica, gestão de negócios, arte e design.

A plataforma contém cerca de 12.000 livros electrónicos de diferentes géneros, “proporcionando a residentes uma experiência de leitura online simples e acessível”, descreve o IC, em comunicado.

Os utilizadores podem aceder à “Lendebook” através de uma aplicação com o mesmo nome ou do website da Biblioteca Pública para ler as obras disponíveis online. O acesso pode também ser feito através da plataforma da “Conta Única”.

Na “Lendebook” podem ser requisitados até cinco livros de uma só vez, por um período máximo de sete dias. Uma vez expirado este prazo, os livros electrónicos são devolvidos automaticamente, evitando assim que o leitor incorra em multas de devolução em atraso. A aplicação permite também visualizar o “histórico de empréstimos” para que os utilizadores possam consultar os livros electrónicos já requisitados e devolvidos.

Além da nova plataforma, o IC, através da Biblioteca Pública, tem ainda à disposição uma série de recursos para leitura online, nomeadamente a “OverDrive eBooks”, com obras sobretudo em português e inglês e as plataformas de audiolivros chineses “jinfm”, “udn Library” e “iRead eBook”. Todas podem ser utilizadas gratuitamente, bastando para isso iniciar sessão com uma conta de leitor da Biblioteca Pública.

10 de Junho | Cartazes de Victor Marreiros reunidos em livro e exposição

Victor Marreiros, conhecido designer e artista macaense, regressa ao mundo das exposições ao revelar 30 anos de cartazes alusivos ao 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas numa só mostra, patente na Casa Garden. Esta iniciativa complementa-se ainda com o lançamento de um livro

 

As preocupações da comunidade portuguesa, de Portugal e do mundo dominam os cartazes alusivos ao 10 de Junho em Macau, há mais de 30 anos criados por Victor Hugo Marreiros.

Este ano, a Casa de Portugal em Macau, para quem todos os anos o artista cria o cartaz do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, decidiu reunir e apresentar os trabalhos de Victor Marreiros em livro e numa exposição, integrados na programação de Junho – Mês de Portugal no território.

Sempre com o tema do 10 de Junho como pano de fundo, a composição foi evoluindo ao longo dos anos, do mar e da cruz de Cristo para as preocupações da comunidade, as de Portugal e do mundo, disse à Lusa.

“As cores também falam e o mar, para mim, é a terceira cor portuguesa, para além do verde e o vermelho, porque sem o mar eu não existia e talvez a maior parte dos portugueses não estariam em Macau. Por isso, eu relaciono sempre o mar com a portugalidade. É a nossa existência do povo português”, considerou.

O primeiro cartaz data de 1990, ainda Victor Marreiros era funcionário do Instituto Cultural de Macau e os temas iniciais eram “mais o mar, mais a cruz de Cristo” e depois o poeta Luís Vaz de Camões.

“Eu também achei que devia fazer um intercalar para não aparecer sempre o Camões. Ninguém me pediu, mas eu comecei a fazer, às vezes era o Camões, outras a comunidade portuguesa”, contou.

“Com o decorrer dos anos, a liberdade que eu ganhei, a experiência que eu ganhei e também me tornei mais sensível, cada vez tinha mais o Victor no cartaz, sempre respeitando os cartazes, sempre respeitando os temas… e assim surge a covid-19, a guerra da Ucrânia, ou as preocupações do residente de Macau, nomeadamente, o acréscimo das câmaras [de segurança] e a proibição do cigarro, que tocava a mim directamente. Tudo isso aparece no cartaz, consoante as oportunidades”, acrescentou.

Influências televisivas

Sobre os temas relacionados com Portugal e o mundo, Victor Marreiros lembra o papel da RTP Internacional, que o acompanha nas horas nocturnas de trabalho.

“No ano passado, confesso que o tema [do cartaz] era só os acontecimentos em Portugal. Porque como português, mesmo longe, sentia-me agredido, porque as notícias que vinham pelo telejornal eram demais. Então, tomei a liberdade de pegar num caderno, quando ouvia o telejornal e apontar os temas que iriam ser um dos quadradinhos dos meus cartazes”, explicou, numa referência às várias polémicas no país.

“Foi um ano de escrever o que acontecia em Portugal, ou com os portugueses. É assim que começam as ‘variedades’ dos meus cartazes. Alguns, faço numa noite, outros ao longo do ano”, mas sempre a respeitar o tema, os clientes, os objectivos e as características funcionais do cartaz.

Manifestando-se grato “por ter a oportunidade de continuar a fazer” estas composições, o artista sublinhou que a inspiração pode surgir de “uma conversa, da preocupação dos residentes [de Macau] e alguns acontecimentos” e “desaguar num papel A4 ou numa tela”, nos cartazes ou em outros trabalhos que cria.

“Isto é uma pequena parte da minha vida profissional, gráfica, mas uma parte muito importante”, destacou, citando vários trabalhos, como tantos outros cartazes ou livros, tantos que muitas vezes tem que pedir à companheira, Grace, para confirmar se aqueles trabalhos são seus. “Porque eu não me lembro”, adianta.

Vida de artista

Victor Marreiros define a sua profissão como designer, mas a forma de vida que escolheu “é de artista”. Sem nunca ter feito uma exposição individual em Portugal, Victor Marreiros conta com várias participações em diferentes colectivas, como no Japão, em 1999, ou em Taiwan, no ano passado. Esta é a quarta vez que expõe na Casa Garden da Fundação Oriente em Macau. “A vida é doce para comigo, muito obrigado”, concluiu. O livro “Victor Hugo Marreiros 10.6” é lançado no sábado e a exposição está patente até 22 de Julho.

Infra-estruturas | Fórum termina com acordos em Angola e Brasil

O 15.º Fórum Internacional sobre o Investimento e Construção de Infraestruturas terminou na sexta-feira com a assinatura de 38 acordos, os maiores dos quais envolveram projectos em Angola e Brasil, anunciou um dos organizadores.

Numa resposta escrita, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau disse à Lusa que foram assinados seis acordos envolvendo países de língua portuguesa, em áreas como fornecimento e distribuição de electricidade, transporte, portos, produção de materiais metálicos e infra-estruturas de água potável.

Horas antes, o ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação de Angola, Carlos dos Santos, disse à Lusa que chegou a acordo com a empresa estatal chinesa China Road and Bridge Corporation para construir a primeira autoestrada do país. “Essa autoestrada, que tem cerca de 1.400 quilómetros, ligará a parte sul de Angola com a vizinha Namíbia, até à parte norte de Angola, com a República Democrática do Congo”, explicou o governante.

O grupo chinês deverá concluir os estudos até ao “meio ou o final de 2025” e o ministro previu o início da construção “no final de 2025 ou em 2026”, com as obras estimadas em 2,5 mil milhões de dólares.

Turismo | Número de visitantes sobe 21,6% em Maio

Macau recebeu em Maio mais de 2,69 milhões de visitantes, 21,6 por cento acima do que no mesmo mês de 2023 e um valor que representa 79,3 por cento do registado antes do início da pandemia de covid-19

 

Durante o mês passado, Macau foi visitado por mais de 2,69 milhões de turistas, total que representou um aumento anual de 21,6 por cento e que atingiu 79,3 por cento do registo antes da pandemia ter interrompido os fluxos fronteiriços, paralisando a indústria do turismo.

Mais de metade dos visitantes (1,43 milhões) chegaram em excursões organizadas e passaram menos de um dia em Macau, de acordo com a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

O mês de Maio incluiu um período de feriados relativos ao Dia do Trabalhador no Interior da China o primeiro destino de origem para o turismo de Macau, durante o qual a cidade recebeu quase 604.400 visitantes. Tendo em conta o mês inteiro, os turistas chineses ultrapassaram os 1,85 milhões, uma subida em termos anuais de 25,9 por cento, mais de metade oriundos das nove cidades do Delta do Rio das Pérolas da Grande Baía, com quase 933 mil visitantes (mais 30,3 por cento, em termos anuais).

A partir de 27 de Maio, os residentes de mais oito cidades da China continental – todas capitais de províncias ou regiões autónomas – passaram a poder pedir um visto individual para visitar Macau, em vez de serem obrigados a viajar em excursões organizadas.

Os dados oficiais mostram ainda que 90,6 por cento dos turistas que entraram em Macau vieram do Interior da China ou Hong Kong.

Menos de um quarto

No mês passado, o número de turistas internacionais foi de quase 185 mil, total que representou uma subida anual de 74,4 por cento para um nível que ficou a 61,3 por cento do registo de Maio de 2019. Quase 50 mil vieram de dois dos países de origem das mais representativas comunidades de imigrantes que residem em Macau. Da Indonésia, chegaram mais de 14,5 mil visitantes. Já as entradas de nacionais das Filipinas, ascenderam a 35.852 pessoas.

Um dos mercados que mais contribui para a contabilidade de turistas internacionais continua a ser a Coreia do Sul, com 34 mil visitantes no mês passado, fasquia que ainda assim ficou a 51,7 por cento do registo de Maio de 2019. Do Japão, chegaram quase 10 mil turistas, total que ficou a 29,4 por cento do registo do mês homólogo de 2019.

Em relação aos visitantes de longa distância, o número de entradas de visitantes dos Estados Unidos da América (10.027) equivaleu a 58,9 por cento do número de Maio de 2019.

Em 4 de Junho, a directora dos Serviços de Turismo de Macau, a Helena de Senna Fernandes, disse que iria usar a nomeação da região como Cidade Cultural da Ásia Oriental 2025 “para promover Macau junto de uma audiência mais alargada”.

Nos primeiros cinco meses de 2024, Macau recebeu quase 14,2 milhões de visitantes, mais 50,2 por cento do que em igual período do ano passado e 17,6 por cento menos do que entre Janeiro e Maio de 2019.

Viaduto | IC descarta impacto no Farol da Guia

O Instituto Cultural (IC) assegurou, em resposta ao jornal online All About Macau, que a construção do viaduto de ligação entre as zonas A e B dos novos aterros não terá impacto na visualização da paisagem do Farol da Guia.

O IC aponta que apenas 0,34 por cento da área total do viaduto ser irá sobrepor à zona de protecção do Farol da Guia, pelo que não haverá impacto na salvaguarda do centro histórico classificado e protegido pela UNESCO. O IC admitiu, porém, que é ainda necessário entregar documentos sobre o projecto do viaduto à UNESCO.

Na mesma resposta, as autoridades culturais voltam a referir que como o viaduto não é um projecto de edifício, não está sujeito aos limites legais de definição de altura para a construção de prédios.

Às questões do All About Macau faltou responder se o IC já recebeu permissão para avançar com o viaduto que se localiza entre a Península de Macau e a Zona A dos Novos Aterros Urbanos. No lado de Macau vai ligar-se à rotunda em frente ao Centro de Ciência de Macau e à Avenida Dr. Sun Yat-Sen. No lado da Zona A, o viaduto vai ligar-se com a Ponte Macau. A obra vai ter um comprimento de 3,2 quilómetros.

MP | Prisão preventiva para suspeitos de furto

Um juiz de Instrução Criminal aplicou a medida de prisão preventiva a quatro arguidos suspeitos da prática do crime de furto qualificado. Segundo informação divulgada pelo Ministério Público (MP), os quatro homens em prisão preventiva são oriundos do Interior da China.

O caso foi reportado pela Polícia Judiciária há duas semanas, altura em que as autoridades revelaram que os indivíduos eram provenientes de Guangxi e que furtaram 80 mil patacas a um idoso. O MP apurou que os quatro arguidos entraram em Macau no início do mês e “começaram a procurar alvos de furto em casinos e ruas com intensa circulação de pessoas”.

As autoridades indicam que os suspeitos foram indiciados pela prática do crime de furto qualificado, punível até cinco anos de prisão, e 10 anos de prisão caso seja provada circunstância agravante.

Táxis | Infracções sobem 123% face a 2023

Dados divulgados pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) revelam um grande aumento, acima dos 100 por cento, nos casos de irregularidades cometidas por taxistas. Se nos primeiros cinco meses do ano passado registaram-se 169 infracções, o número passou para 378 casos entre Janeiro e Maio deste ano, um aumento de 123,67 por cento.

De frisar, que no ano passado o número global de casos de violações à lei foi de 588. Os casos mais notórios são o da recusa de transporte, que passou dos 61 casos nos primeiros cinco meses de 2023 para 130 casos este ano, em igual período. Relativamente a outras irregularidades, passou-se de 99 para 237 casos, mais 139,39 por cento.

Quanto à cobrança abusiva de tarifas, o aumento foi ligeiro, de apenas 22,22 por cento, tendo-se passado de nove para 11 casos. O CPSP divulgou também outros números na área do trânsito, revelando-se um decréscimo ligeiro de 3,32 por cento nos estacionamentos ilegais, entre os cinco primeiros meses de 2023 e este ano, quando os casos de estacionamento ilegal foram de 268,154.

Ilha Ecológica | Governo avalia situação dos golfinhos

O Governo continua a insistir na necessidade da criação de uma ilha artificial a sul de Coloane, dizendo agora que o impacto na espécie dos golfinhos brancos chineses será alvo de análise ambiental. É o que consta numa resposta a uma interpelação escrita do deputado Ron Lam

 

A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) assegura que todos os possíveis impactos na preservação da espécie do golfinho branco chinês, existente nas águas do Delta do Rio das Pérolas, serão avaliados no contexto da construção da chamada “Ilha Ecológica” a sul de Coloane.

A informação consta na resposta da DSPA, assinada pelo seu director, Raymond Tam, a uma interpelação do deputado Ron Lam U Tou. Referindo-se à segunda fase da avaliação de impacto ambiental do projecto, Raymond Tam declarou que “será publicado o texto de consulta sobre o ‘Relatório de Avaliação do Impacto Ambiental’, do qual constarão as informações da investigação feita sobre os golfinhos brancos chineses”. Enquanto isso, serão também divulgadas “as medidas de mitigação ambiental”.

A DSPA volta a esclarecer que a primeira fase de avaliação do impacto ambiental da “Ilha Ecológica” foi feita “com base nos critérios e modalidade constantes da Lei de Avaliação do Impacto Ambiental da República Popular da China (RPC) e das Medidas de Participação Pública na Avaliação do Impacto Ambiental”.

Recorde-se que a construção de uma “Ilha Ecológica” tem gerado polémica por se tratar de uma zona de aterro para materiais de construção numa área fértil na riqueza ambiental como é o caso de Coloane. A espécie do golfinho branco chinês está em vias de extinção e muitos ambientalistas têm defendido que a construção de uma “Ilha Ecológica” pode acelerar ainda mais o fim desta espécie animal.

A mesma resposta dá mais detalhes sobre o processo de avaliação de impacto ambiental. “A Lei de Avaliação do Impacto Ambiental da RPC especifica claramente que, caso a execução de um empreendimento só seja iniciada cinco anos após ter sido aprovada a avaliação do impacto ambiental, esta terá de ser novamente submetida para apreciação.”

Assim, “como está previsto que a construção da Ilha Ecológica ultrapasse o referido prazo, procedeu-se, primeiramente, à avaliação do impacto ambiental da primeira fase da obra, sendo que, quando for iniciado o planeamento da segunda fase, será tido em conta esse conteúdo da avaliação”, procedendo-se a uma “situação ambiental mais actualizada”. Far-se-á, assim, a segunda fase de avaliação ambiental “conforme os respectivos procedimentos”.

Sensibilidade e bom senso

Na resposta à interpelação escrita de Ron Lam U Tou, o Executivo volta a frisar a posição que mantém desde o início: que a “construção da ‘Ilha Ecológica’ é a solução a longo prazo para o tratamento de diversos tipos de resíduos de materiais de construção” e vai “beneficiar o futuro desenvolvimento urbano de Macau”.

“O Governo salientou várias vezes que a selecção do local da ‘Ilha Ecológica’ está dependente de factores como a natureza, a localização geográfica, as condições da qualidade da água e a situação actual da exploração e do aproveitamento das áreas marítimas, pelo que, após uma ponderação geral, a localização actual é a que apresenta melhor viabilidade”, adiantou ainda Raymond Tam.

Cartão de consumo | Coutinho e Che propõem debate na AL

Pereira Coutinho e Che Sai Wang apresentaram uma proposta de debate na Assembleia Legislativa para discutir com o Governo formas de salvar o pequeno comércio da morte certa. Os deputados sugerem o retorno do cartão de consumo apoiar as PME e criar o hábito de “Consumir em Macau”. Pedem também um balanço ao modelo económico focado em Hengqin

 

“Não obstante as dezenas de milhões de visitantes anuais e os elevados investimentos e apoios financeiros concedidos pelo Governo de Macau às empresas e associações no âmbito da diversificação económica, o pequeno comércio vai ‘morrendo’ por falta de clientela e, neste momento, nem os investimentos financeiros em elementos não-jogo das concessionárias do jogo conseguem alterar este triste cenário”. Tendo em conta este panorama socioeconómico de encerramento de pequenas e médias empresas (PME), e ao estrangulamento do comércio tradicional, Pereira Coutinho e Che Sai Wang apresentaram um pedido de debate para discutir a situação na Assembleia Legislativa.

Na proposta de debate, os deputados ligados à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) pedem a atribuição do plano de benefícios de consumo por meio electrónico, também designado como cartão de consumo, de forma a “aliviar a pressão das famílias, aumentar a procura interna, criar o hábito de ‘Consumir em Macau’, apoiar as micro e as PMEs, evitar o aumento do desemprego, dinamizar a economia e estabilizar a sociedade”.

Os legisladores destacam que muitos dos negócios “moribundos” são de empresas tradicionais e familiares com dezenas de anos de actividade comercial e que é preciso “estancar” a situação e alterar o rumo pessimista da actividade económica e comercial da RAEM.

Tempo de agir

Coutinho e Che argumentam ainda que “a maioria dos principais bens essenciais de consumo é cada vez mais dispendiosa, desde a botija de gás até aos principais géneros alimentícios”, impactando com maior intensidade as famílias mais necessitadas. Como tal, são pedidas medidas concretas e eficazes que beneficiem toda a sociedade e que não sejam restritas a “um determinado sector de actividade económica (agências de viagem) ou bairro residencial (zona norte).

Os deputados defendem também o equilíbrio entre o modelo económico direccionado aos sectores da tecnologia, medicina tradicional chinesa, turismo e finanças modernas na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin e o pequeno negócio local. Além disso, pedem ao Governo um balanço sobre o modelo económico de aposta nos sectores prioritários para a diversificação da economia e do desenvolvimento focado na Ilha da Montanha. A proposta de debate foi enviada na sexta-feira e ainda não foi admitida.

Taiwan | Deputados e Alvis Lo favoráveis a pena de morte

O Supremo Tribunal Popular emitiu na sexta-feira directrizes para tribunais, procuradores e organismos de segurança pública e estatal da China no sentido de “punir severamente os defensores da independência de Taiwan por dividirem o país e incitarem a crimes de secessão, de acordo com a lei, e defender resolutamente a soberania nacional, a unidade e a integridade territorial”, segundo um comunicado publicado pela agência estatal Xinhua.

As directrizes foram recebidas entusiasticamente por algumas figuras políticas da RAEM, com destaque para o membro de Macau à Assembleia Popular Nacional (APN), Lao Ngai Leong, os deputados Si Ka Lon, Iau Teng Pio e Chiu Sai Cheong, assim como o director dos Serviços de Saúde Alvis Lo e alguns dirigentes de associações tradicionais.

Durante a apresentação das novas orientações, foi sublinhado que a morte é a pena máxima para o “crime de secessão”

Em declarações ao jornal Ou Mun, Lao Ngai Leong defendeu ser prática comum noutros países a aplicação de penas pesadas contra separatistas. O responsável indicou que a decisão das autoridades nacionais é uma resposta forte à forma como o Partido Democrático Progressista, que insiste na independência de Taiwan e ignora as opiniões públicas dominantes na ilha.

O deputado Si Ka Lon afirmou que é o “dever sagrado de todo o povo chinês, incluindo os compatriotas de Taiwan, levar a cabo a grande tarefa da reunificação com a Mãe-Pátria.

Por seu turno, Chui Sai Cheong apontou que Macau como cidade internacional é o exemplo de êxito de “Um País, Dois Sistemas”, salientando a importância de prosseguir a reunificação e o grande rejuvenescimento da nação chinesa na nova era.

O presidente da Federação de Juventude de Macau e também director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, apontou que Hong Kong, Macau e Taiwan partilham o destino com a pátria.

Inflação | Maio desacelera para valor mais baixo em mais de um ano

O Índice de Preços no Consumidor em Macau subiu 0,77 por cento em Maio, em termos anuais, o valor mais baixo desde Fevereiro de 2023, quando a região ainda recuperava da pandemia. Os custos com educação e saúde foram os que registaram maiores subidas de preços

 

A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) anunciou que durante o mês de Maio o Índice de Preços no Consumidor (IPC) cresceu 0,77 por cento face ao mesmo mês do ano passado, registando o valor mais baixo deste Fevereiro de 2023. Recorde-se que em Abril, o IPC tinha aumentado 0,92 por cento em termos anuais.

Num comunicado divulgado na sexta-feira, a DSEC justificou a desaceleração com uma descida de 2,99 por cento no custo dos transportes e de 0,9 por cento nos preços da recreação e cultura.

Além disso, os dados oficiais mostram uma queda de 15,6 por cento no preço da carne de porco, a mais popular entre os consumidores chineses.

Ainda assim, Macau registou uma subida de 1,2 por cento nos preços dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, sobretudo devido a um aumento de 2,4 por cento no custo das refeições adquiridas fora de casa.

Os gastos com gás natural e electricidade subiram 4,9 e 1,5 por cento, respectivamente, e o preço da gasolina e gasóleo para automóveis, aumentou 6,1 por cento.

Por outro lado, os gastos com os cuidados de saúde aumentaram 2,76 por cento, o custo das propinas do ensino superior cresceu 8,5 por cento e o preço dos apartamentos subiu 0,3 por cento. Isto depois de a Assembleia Legislativa ter aprovado, em 18 de Abril, o fim de vários impostos sobre a aquisição de habitações, para “aumentar a liquidez” no mercado imobiliário, defendeu na altura o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong.

Durante os últimos 12 meses terminados em Maio, o índice de preços da secção da educação foi o que registou o maior crescimento anual, chegando aos 6,19 por cento, seguido pelos preços da recreação e cultura (+ 5,93 por cento) e do vestuário e calçado com 4,48 por cento.

Efeitos secundários

Importa também referir que IPC da China continental, de longe o maior parceiro comercial de Macau, subiu 0,3 por cento em Maio.

Foi o quarto mês consecutivo em que a China registou inflação em termos anuais, depois de, no final de 2023 e no início deste ano, ter registado uma tendência deflacionária, também durante quatro meses. A deflação reflecte debilidade no consumo doméstico e no investimento e é particularmente gravoso, já que uma queda no preço dos activos, por norma contraídos com recurso a crédito, gera um desequilíbrio entre o valor dos empréstimos e as garantias bancárias.

Macau registou deflação durante 10 meses consecutivos, entre Setembro de 2020 e Junho de 2021, no pico da crise económica causada pela pandemia de covid-19.

Com o fim das restrições impostas pelo combate à covid-19, a região registou uma diminuição de 29,6 por cento no preço dos bilhetes de avião e de 3,1 por cento no custo das excursões e hotéis no exterior.

Pequim acusa Bruxelas de exigir informação sem precedentes aos fabricantes de automóveis

A China disse ontem que não há precedentes para a quantidade e o tipo de informações solicitadas pela Comissão Europeia (CE) no âmbito da investigação aos subsídios atribuídos pelo Estado chinês aos fabricantes de veículos eléctricos.

“O tipo, o âmbito e a quantidade de informações recolhidas pela parte europeia não têm precedentes e excedem em muito os requisitos da investigação”, disse o porta-voz do Ministério do Comércio da China, He Yadong, em conferência de imprensa.

He afirmou que a CE exigiu pormenores sobre os componentes e as fórmulas das baterias, os custos de produção dos veículos, o fornecimento de peças e de matérias-primas, os canais de venda e os métodos de fixação de preços, os dados relativos aos clientes na Europa e a estrutura das cadeias de fornecimento.

“A CE indicou repetidamente, durante o inquérito, que a não-cooperação resultaria numa decisão desfavorável, obrigando as empresas a entregar essas informações”, acusou o porta-voz.

Apesar das empresas chinesas terem cooperado “tanto quanto possível”, a Comissão “continua a acusá-las injustamente de não cooperarem plenamente e aplicou taxas [alfandegárias] elevadas como punição”.

“As empresas chinesas estão chocadas e desiludidas”, acrescentou o porta-voz, acusando a CE de “não ter uma base objectiva e jurídica, desrespeitar as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e prejudicar a concorrência leal, a transformação ‘verde’ global e a cooperação aberta”.

“A China opõe-se totalmente a esta situação e tomará todas as medidas necessárias para defender firmemente os direitos legítimos das empresas chinesas”, afirmou.

Contra-ataque a postos

No dia 12, a CE anunciou tarifas adicionais de 21 por cento, em média, sobre as importações de carros eléctricos chineses, oferecendo uma taxa mais baixa às empresas que cooperaram (BYD, 17,4 por cento, e Geely, 20 por cento e uma taxa mais elevada de 38,1 por cento às que não cooperaram, visando especificamente a SAIC.

A queixa do Ministério do Comércio da China surge dias depois de uma conta de uma rede social operada pela televisão estatal CCTV ter acusado a Comissão Europeia de estabelecer requisitos “extremamente severos” e de reclamar segredos comerciais para a investigação.

Na segunda-feira, Pequim anunciou uma investigação sobre concorrência desleal contra certas importações de carne de porco da União Europeia (UE), uma aparente e antecipada retaliação pelas tarifas sobre carros eléctricos.

Dado que as tarifas sobre os veículos eléctricos vão entrar em vigor provisoriamente antes de 4 de Julho, mas só se tornarão definitivas em Novembro, Pequim exige que Bruxelas recue e aumenta a pressão comercial.

A imprensa oficial chinesa já avançou possíveis aumentos dos direitos de importação sobre os automóveis de grande porte ou uma nova investigação ‘antidumping’ sobre os produtos lácteos europeus.

Cartão dourado

Depois de Xia Baolong, director do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China e director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, ter visitado Macau e encorajado o Governo da RAEM a conjugar esforços para fazer do “cartão dourado” o símbolo de uma metrópole internacional destinada a brilhar, o Governo de Macau e as principais associações passaram, de um momento para o outro, a usar frequentemente a expressão “cartão dourado” nas suas conversas e discursos.

Na conferência de imprensa sobre o tema as “Oportunidades de Macau”, realizada a 17 de Junho, o Chefe do Executivo Ho Iat Seng disse aos jornalistas da China continental, de Hong Kong e de Macau que, de forma a que o “cartão dourado” fosse um símbolo de Macau como uma metrópole internacional destinada a brilhar, seria necessário reunir os esforços de todos os residentes, porque mesmo as questões mais insignificantes podem causar má impressão aos visitantes e que por isso devem ser evitadas.

Mas infelizmente, a 16 de Junho, o dia anterior ao encontro de Ho Iat Seng com a comunicação social, uma professora catedrática da Escola de Jornalismo e Comunicação da Universidade Chinesa de Hong Kong, que no ano anterior tinha conseguido vir a Macau sem qualquer problema, foi impedida de entrar sem que lhe fosse apresentado qualquer motivo, o que provocou o encerramento da sua palestra, agendada para essa tarde.

Enquanto o Governo da RAE se empenha arduamente para fazer o cartão dourado brilhar, os acima mencionados problemas “aparentemente insignificantes” podem facilmente provocar nas pessoas uma má impressão de Macau e lançar manchas indeléveis no referido cartão. O grupo de jornalistas que participou na conferência “Oportunidades de Macau” não aproveitou a oportunidade para pedir a Ho Iat Seng que comentasse a súbita interdição de entrada em Macau da Professora catedrática.

Durante a conferência, Ho Iat Seng designou a relação entre Hong Kong e Macau por “afecto fraternal” e disse ainda que Hong Kong seria sempre um “irmão mais velho” para Macau. Também expressou a sua gratidão para com o Governo da RAE de Hong Kong e agradeceu ao Chefe do Executivo John Lee pela sua orientação em muitas das iniciativas de Macau.

Quanto ao incidente isolado que ocorreu a 16 de Junho, em que um residente de Hong Kong viu negada a sua entrada em Macau, o sucedido não deve ter tido nada a ver com a orientação dada pelo Chefe do Executivo John Lee. Porque quando John Lee conduziu Hong Kong na transição da “estabilidade para a prosperidade”, era basicamente impossível para alguém que não fosse leal ou apoiante conquistar uma posição no sector educativo, especialmente se trabalhasse ou estivesse associado à área do jornalismo.

Portanto, de forma a fazer do cartão dourado um símbolo de Macau como uma metrópole internacional destinada a brilhar, o Governo de Macau não pode continuar a recorrer às medidas de confinamento e encerramento de fronteiras adoptadas na pandemia. Em vez disso, deve aprender com o discurso proferido por Li Qiang, o Primeiro-Ministro da China, durante a sua visita à Austrália, onde apelou a que ambos os países “defendam o respeito e a cooperação mutuamente benéficos, e procurem um entendimento comum, ao mesmo tempo que ultrapassam as diferenças”. Deve também procurar referências nos princípios orientadores propostos por Wang Huning, (Presidente do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês) durante a sua participação no Fórum dos Estreitos, onde afirmou que as relações entre os dois lados do estreito devem ser pacíficas, visando o desenvolvimento integrado, orientado para o intercâmbio e cooperativo.

Se a China e a Austrália podem promover o intercâmbio, e se pode haver interacção entre a China continental e Taiwan, porque é que não pode haver intercâmbio de civis entre Hong Kong e Macau? Aparentemente o cartão dourado para promover o intercâmbio comercial precisa de algum polimento para poder brilhar.

Por último, é preciso ter cuidado para que o cartão dourado de Macau não seja manchado com sangue. As vidas dos residentes de Macau são preciosas, e mesmo um só caso de suicídio é uma enorme tragédia. Numa primeira análise, ocorreram 22 suicídios em Macau no primeiro trimestre de 2024, menos 4 do que no trimestre anterior e menos 1 do que em igual período de 2023.

No entanto, uma análise mais detalhada mostra que o número de suicídios entre residentes de Macau no primeiro trimestre de 2024 foi de 21, o mesmo número do trimestre anterior. No mesmo trimestre de 2023, registaram-se 19 suicídios entre residentes de Macau.

Por outras palavras, a saúde mental dos residentes de Macau não registou qualquer melhoria. É compreensível que o Governo da RAE não publique os motivos destes suicídios de forma a evitar impactos negativos, mas a ocorrência consecutiva de casos de suicídio é inaceitável. Fugir ao problema ou encobri-lo nunca será solução. Os recentes suicídios de estudantes e professores são verdadeiramente devastadores e lamentáveis.

Contudo, durante a reunião plenária da Assembleia Legislativa realizada a 18 de Junho, dos 28 deputados que falaram nas Intervenções Antes da Ordem do Dia, apenas três mencionaram a questão da saúde mental, do ambiente escolar harmonioso e da redução da taxa de suicídio.

É bom que Macau tenha mais duas distinções, a “Cidade do Espectáculo” e a “Cidade do Desporto”, para além de já ser a “Cidade Criativa da Gastronomia”, mas é preciso ter cautela para que não venha a ser manchada com uma única gota de sangue.

Não existe de forma alguma qualquer relação causa/efeito entre a distribuição de cupões electrónicos de consumo e a taxa de suicídio. O que verdadeiramente importa é prestar atenção aos problemas dos residentes de Macau, ter muito cuidado com aos mais desfavorecidos e estar mais preocupado com os oprimidos. Dar brilho aos sapatos é fácil, mas polir os cartões dourados de Macau para os fazer brilhar é tudo menos fácil!

FIA limita os GT a 23 carros no Grande Prémio

As inscrições estão abertas para a sétima edição da Taça do Mundo de GT da FIA, que será novamente realizada dentro do programa do Grande Prémio de Macau, cuja 71.ª edição se disputa de 14 a 17 de Novembro. A grande novidade é que a Federação Internacional do Automóvel (FIA) impôs um tecto ao número de inscritos.

O evento de “sprint” da categoria GT3, de formato de piloto único, do mundialmente famoso Circuito da Guia contará novamente com duas corridas – a de qualificação com 12 voltas e a final com 16 – que foram vencidas no ano passado pelo italo-suíço Raffaele Marciello (Mercedes-AMG GT3).

A edição deste ano não deverá ter muitas diferenças em relação às anteriores, mas a grelha de partida vai estar limitada a 23 concorrentes, um número que a FIA não justificou quando, na pretérita semana, fez o anúncio da abertura do período de inscrições, que termina no próximo dia 29 de Julho, e da criação de uma plataforma para o efeito. Este número pode ser considerado aquele que a FIA vê como o mais adequado para a realização em segurança das corridas, mas também estará relacionado com as limitações de espaço no paddock.

O valor da pré-inscrição na prova por carro é de 3,000 euros, cerca de 25,900 patacas, e o valor final da inscrição a pagar é de 11,500 euros, cerca de 99,400 patacas, um valor igual a 2023, e que terá que ser pago até ao dia 29 de Agosto. A lista oficial de inscritos tem que ser confirmada, o mais tardar, até ao dia 25 de Outubro. A prova irá atribuir novamente um título de pilotos e um título de construtores, sendo que este último está pendente da participação de pelo menos três marcas na prova.

Quantidade e qualidade em harmonia

No ano passado, a Audi, a BMW, a Mercedes-AMG, a Ferrari e a Porsche marcaram presença na prova, quase todas elas colocando os seus pilotos de fábrica em carros assistidos por equipas da região ou provenientes da Europa. A prova de Macau mantém-se a mais importante para os carros da classe FIA GT3 no continente asiático e, este ano, o número de construtores poderá aumentar com a chegada de outras marcas, dado o interesse mostrado pela Aston Martin, Lamborghini e Ford na prova do território.

Em comunicado, Marek Nawarecki, Director Sénior da Velocidade da FIA, disse que “o regresso da Taça do Mundo de GT da FIA a Macau no ano passado revelou-se uma grande história de sucesso. As regras do GT3 estão a tornar-se cada vez mais fortes, com praticamente todos os construtores premium não só presentes nesta classe, mas também a desenvolver novos carros. Portanto, para 2024, estamos ansiosos por um evento talvez ainda mais forte, com alguns dos melhores pilotos de GT do mundo na grelha de partida e, esperamos, ainda mais construtores representados.”

Segundo o Regulamento Desportivo provisório da prova, a exemplo do ano passado, serão distribuídos um máximo de 80,750 dólares norte-americanos, cerca de 650 mil patacas, em prémios monetários. Este documento também contempla que todos os carros participantes tenham que estar disponíveis para acções promocionais do dia 9 ao 11 de Novembro. É de recordar que a Exposição de Carros e Motos do Grande Prémio de Macau, na Praça do Tap Seac, tem sido uma aposta ganha da Comissão Organizadora do evento para abrir as hostilidades.

Índia | Pelo menos 35 mortos após consumo de bebida álcoólica adulterada

Pelo menos 35 pessoas morreram e 110 foram hospitalizadas, depois de consumirem bebidas alcoólicas adulteradas no estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, declarou ontem fonte policial.

As autoridades iniciaram uma investigação para descobrir a origem do álcool contaminado com metanol, referiu a inspetora da polícia da região de Kallakurichi, que confirmou as mortes à agência de notícias EFE.

O chefe do governo de Tamil Nadu, MK Stalin, disse nas redes sociais estar escandalizado e referiu que suspendeu alguns dos principais funcionários da polícia e da administração da região. “As pessoas envolvidas no crime foram detidas e foram também tomadas medidas contra os agentes que não conseguiram evitá-lo”, declarou Stalin.

As forças de segurança detiveram um homem de 49 anos que estava na posse de cerca de 200 litros de álcool adulterado, de acordo com o jornal diário Hindustan Times. Dezenas de pessoas consumiram na terça-feira a bebida, que era vendida em embalagens de plástico, algo comum para bebidas alcoólicas mais baratas na Índia.

Nessa noite, muitas delas sentiram sintomas como diarreia, vómitos e visão turva, o que chamou a atenção das autoridades. O consumo de álcool ilegal e adulterado na Índia tende a ocorrer nas zonas rurais ou áreas mais desfavorecidas das cidades devido ao baixo preço, uma vez que o álcool vendido legalmente na Índia atinge preços comparativamente elevados.

Embora não em Tamil Nadu, as bebidas alcoólicas são ilegais em vários estados do país, como Bihar ou Gujarat.

Em 2019, pelo menos 155 pessoas morreram numa plantação de chá no estado de Assam, ao consumirem álcool adulterado, enquanto em 2011, mais de 130 pessoas morreram por beberem álcool ilegal comprado junto a uma estação ferroviária no estado de Bengala, no nordeste do país.

Japão | Aliança entre Putin e Kim Jong-un piora segurança regional

O Japão disse ontem que a situação de segurança à volta do país é “cada vez mais difícil”, depois da Rússia e da Coreia do Norte terem assinado um tratado de assistência militar mútua em caso de ataque.

“O Japão está a observar o resultado do acordo entre a Rússia e a Coreia do Norte com grande interesse, uma vez que neste momento, é cada vez mais difícil o ambiente de segurança que rodeia o país, dado o reforço militar entre estas nações”, disse o porta-voz do Governo nipónico, Yoshimasa Hayashi, em conferência de imprensa.

De acordo com a agência de notícias EFE, Tóquio está preocupado com a possível cooperação técnico-militar entre Moscovo e Pyongyang, que, a acontecer, violaria as resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

“A vontade da comunidade internacional é procurar a abolição do plano nuclear e de mísseis balísticos da Coreia do Norte, mas a Rússia estaria a violar esta resolução, com para obter armas para utilizar na invasão da Ucrânia”, acrescentou Hayashi.

A reacção do Japão surgiu depois de o dirigente norte-coreano, Kim Jong-un, e o Presidente russo, Vladimir Putin, se terem reunido em Pyongyang, na quarta-feira, na primeira visita do líder de Moscovo à Coreia do Norte em mais de 24 anos.

Guilin | Cidade sofre piores inundações desde 1998

A cidade de Guilin está a sofrer as piores inundações desde 1998, com aldeões retidos em casa, lojas submersas e uma estação de comboios suspensa, devido às fortes chuvas que continuam a assolar o sul da China.

Pelo menos nove pessoas morreram e centenas ficaram sem casa no sul do país. As autoridades de Guilin emitiram um alerta de emergência de inundação de nível 1 na quarta-feira, segundo a imprensa local. Ao fim da tarde, o nível da água na secção da cidade do rio Lijiang tinha subido para 148,55 metros – 2,55 metros para além do nível de alerta e um pouco acima do pico de 148,4 metros registado em 1998, informou a televisão estatal CCTV.

As inundações devastadoras de 1998 duraram dois meses e causaram estragos em 24 províncias. No total, morreram 3.004 pessoas. Segundo a CCTV, várias zonas de Guilin, na região autónoma de Guangxi Zhuang, foram afectadas pelas últimas chuvas. Até à data, 69 residentes foram resgatados das suas casas por barco.

As escolas e os autocarros foram suspensos e alguns pontos turísticos foram encerrados. A polícia de trânsito local disse na quarta-feira que várias estradas estavam inundadas e que uma via rápida tinha desmoronado parcialmente.

Os passageiros dos comboios foram aconselhados a utilizar a estação de Guilin Norte, depois de a praça pública da estação principal de Guilin ter ficado inundada. A estação de Guilin informou ontem na rede social Weibo que alguns comboios tinham sido suspensos e outros iam atrasar-se.

As tempestades que assolaram a região e provocaram inundações nas províncias vizinhas de Guangdong e Fujian deverão abrandar nos próximos dias, segundo o gabinete meteorológico. No entanto, Guilin pode esperar pelo menos mais dois dias de chuvas fortes.

Banco Central | Taxa de juro de referência mantém-se em 3,45%

O Banco Popular da China (banco central) anunciou ontem que vai manter a taxa de juro de referência em 3,45 por cento pelo décimo primeiro mês consecutivo, indo ao encontro das expectativas dos analistas de que não haveria alterações.

Na actualização mensal, a instituição indicou que a taxa de juro de referência a um ano (LPR) vai-se manter nesse nível durante pelo menos um mês.

Este indicador, estabelecido como referência para as taxas de juro em 2019, é utilizado para fixar o preço dos novos empréstimos – geralmente destinados às empresas – e dos empréstimos a taxa variável que estão a ser reembolsados.

É calculado com base nas contribuições de preços de um conjunto de bancos – incluindo pequenos credores que tendem a ter custos de financiamento mais elevados e maior exposição a créditos não produtivos – e tem como objectivo baixar os custos dos empréstimos e apoiar a “economia real”.

A última redução da taxa de juro a um ano ocorreu em Agosto de 2023, quando o Banco Popular da China anunciou uma redução de 10 pontos de base, de 3,55 por cento para os actuais 3,45 por cento, uma decisão mais prudente do que os analistas previram na altura, que apontavam para uma redução de 15 pontos de base.

Os especialistas consideraram que o banco central chinês optou pela prudência face à divergência com outras potências – onde a tendência das taxas tem sido de subida para conter a inflação – e à consequente pressão sobre a taxa de câmbio da moeda nacional, o yuan.

O banco central também indicou ontem que a LPR a 5 anos ou mais – a referência para o crédito à habitação – vai manter-se nos 3,95 por cento, embora neste caso o último corte tenha sido há quatro meses.

Drones | Pequim diz que voos ilegais “põem em perigo a segurança nacional”

O Governo chinês advertiu ontem que a crescente utilização de veículos aéreos não tripulados (‘drones’) na agricultura, indústria ou entretenimento trouxe “um aumento das actividades de voo ilegais” que colocam a segurança nacional “em risco”.

O “uso indevido” destes aparelhos para fotografia aérea e levantamento topográfico levou a um “aumento das violações das zonas de exclusão aérea”, declarou o Ministério da Segurança do Estado chinês na conta oficial na rede social Wechat.

Nos últimos anos, as agências de segurança do Estado chinês interceptaram vários drones que voavam de forma irregular, capturando imagens de instalações secretas e partilhando-as na Internet, revelou o ministério.

Estas acções ilegais comprometeram “instalações militares chave” e a “integridade de informações geográficas importantes”, o que resultou em punições para os responsáveis.

O ministério citou alguns exemplos, como um caso ocorrido em Novembro de 2021, quando um entusiasta de um fórum da Internet com temática militar utilizou um drone com capacidades de vídeo de alta definição para captar imagens ilegais de um navio de guerra de nova geração, o que resultou na sua detenção e subsequente pena suspensa de um ano de prisão por pôr em perigo “a segurança de segredos militares”.

A actual regulação do país asiático proíbe a utilização de drones para fotografar instalações militares e outros locais sensíveis, bem como a aquisição e divulgação ilegais de segredos de Estado, afirmou o organismo, que exortou os entusiastas dos drones a respeitarem as leis e os regulamentos, a comportarem-se de forma responsável e a evitarem voar em zonas restritas.

Mar do Sul | Pequim responsabiliza Manila por agravar tensões

Pequim responsabilizou Manila pelo incidente perto de um recife disputado no Mar do Sul da China, respondendo à divulgação de novas imagens que mostram guardas costeiros chineses armados com facas e um machado.

“Os navios filipinos (…) abalroaram deliberadamente os navios chineses. Estes marinheiros filipinos também atiraram água e objectos aos agentes da autoridade chineses. Estas práticas agravaram obviamente as tensões no mar”, declarou Lin Jian, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China.

As primeiras imagens foram divulgadas na segunda-feira mas, entretanto, novas imagens transmitidas na quarta-feira por Manila mostram elementos da Guarda Costeira da República da China armados.

Questionado sobre o novo vídeo, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, acusou Manila de tentar “culpar caluniosamente” Pequim pelo incidente.

“Esta operação levada a cabo pelas Filipinas não é, de forma alguma, um fornecimento de bens humanitários”, a versão defendida por Manila, disse Lin Jian. O general Romeo Brawner, chefe do Exército filipino, disse na quarta-feira que a tripulação filipina, em menor número, estava desarmada e tinha lutado “com as próprias mãos”.

Manila acusou Pequim de ter cometido um “acto de pirataria” contra as forças filipinas e exigiu a devolução dos objectos “saqueados” pelos chineses, incluindo sete espingardas, bem como uma indemnização pelo equipamento danificado.

ELP | Xi Jinping pede “lealdade absoluta” e fim da corrupção

O líder chinês discursou numa conferência em Yanan para lembrar aos comandantes do exército o dever de lealdade ao Partido e a missão de acabar com a corrupção

 

O Presidente chinês, Xi Jinping, exigiu ontem ao Exército de Libertação Popular (ELP), as Forças Armadas da China, “lealdade absoluta” ao Partido Comunista e sublinhou que “não pode haver lugar para a corrupção”.

Xi, também Presidente da poderosa Comissão Militar Central (CMC), dirigiu-se aos comandantes do exército durante uma conferência em Yanan, na província de Shaanxi, no noroeste do país, informou a imprensa local.

“Temos de deixar claro que as armas devem estar sempre nas mãos daqueles que são leais ao Partido, em quem se pode confiar. E temos de deixar claro que não há lugar para quaisquer elementos corruptos no exército”, disse Xi, citado pela agência de notícias oficial Xinhua.

As declarações surgem meses após a demissão de nove generais, na sequência do afastamento do ministro da defesa Li Shangfu, alegadamente envolvido num caso de corrupção em grande escala, e antes da terceira sessão plenária do Comité Central do PCC, em Julho, quando deverão ser reveladas as prioridades económicas do país para os próximos anos.

Xi sublinhou no seu discurso, segundo a Xinhua, que o ELP “não deve esquecer o espírito revolucionário dos fundadores do Partido” e deve estar preparado para enfrentar “um mundo instável e em mudança”.

“Estamos a enfrentar mudanças complexas e profundas no mundo, no nosso país, no Partido e no exército”, disse, acrescentando que o ELP tem de estar “preparado para lutar e vencer”, pelo que tem de fazer “um exame minucioso”.

“Os quadros [do ELP] a todos os níveis, mas os quadros superiores em particular, devem dar um passo em frente, ousar enfrentar as suas próprias falhas e defeitos”, disse Xi. Isto inclui “eliminar quaisquer elementos que encorajem a corrupção”, acrescentou, apelando a mais “mecanismos de controlo e supervisão”.

Limpeza do sistema

O PCC puniu 610.000 funcionários no ano passado, um número recorde que sustenta a persistente campanha anticorrupção de Xi, que consolidou o seu poder à frente do país durante o 20.º Congresso do Partido Comunista, em 2022.

No ano passado, Xi apelou a “um redobramento” da luta contra a corrupção, que disse ter obtido “uma vitória esmagadora”, embora tenha previsto mais punições porque “a situação ainda é grave”. A actual campanha visa sectores tão diversos como as finanças, o tabaco e os produtos farmacêuticos, enquanto críticos dizem que visa também afastar rivais políticos de Xi.