Zona A | Lojas e restaurantes abertos antes do Ano Novo Chinês

A Zona A dos Novos Aterros deverá começar a ter vida além dos estaleiros de obras, com as lojas que foram arrendadas nos edifícios Tong Chong e Tong Kai com inauguração prevista para Fevereiro, ainda antes do Ano Novo Chinês, avançou ontem o canal chinês da Rádio Macau.

Segundo a emissora pública, o Governo especificou que os estabelecimentos incluem restaurantes, supermercados e farmácias, mas também está prevista a abertura de infra-estrututas culturais, sociais e recreativas para responder às necessidades quotidianas da população. Neste âmbito, o centro de saúde no lote B9 já está em funcionamento.

No capítulo dos transportes, a Zona A é servida por três carreiras que ligam à península, Taipa, Cotai e Hengqin. Antes do Ano Novo Chinês, o itinerário da carreira 101XS será alargado na Zona A.

Segundo os mais recentes dados do Instituto de Habitação, foram vendidos 2.241 apartamentos nos três blocos de habitação pública nos edifícios Tong Chong, Tong Kai e Tong Seng. Destes, foram entregues chaves a moradores de 1.636 fracções, enquanto mais de 500 ainda não completaram o processo de empréstimo bancário.

Saúde | Governo instala postos de saúde e bem-estar pela cidade

Começou na segunda-feira o funcionamento de oito Estações de Saúde e Bem-Estar para proporcionar serviços regulares de promoção da saúde em espaços públicos, indicaram ontem os Serviços de Saúde. Estes postos são dinamizados pelo Instituto Cultural, Instituto do Desporto e Serviços de Saúde, com “divulgadores culturais”, “instrutores de ginástica” e “promotores de saúde”.

Além de prestarem informações sobre actividades culturais, desportivas e relativas à saúde, serão proporcionadas medições gratuitas de pressão arterial, avaliações de saúde, bem como apoio na marcação de consultas em centros de saúde, incluindo para fazer rastreios de doenças, vacinação e avaliação psicológica.

As estações vão estar activas até 31 de Março, na primeira fase, de segunda a sexta-feira (excepto feriados, dias com condições climáticas adversas e durante períodos de manutenção), das 08h às 10h e das 16h30 às 18h30. As estações estão instaladas no Parque Municipal Dr. Sun Yat Sen, Jardim de Luís de Camões, Zona de Lazer do Jardim Lok Ieong, Jardim Vasco da Gama, Zona de Lazer da Alameda da Tranquilidade, Parque Dr. Carlos d ‘Assumpção, Jardim de S. Francisco e Zona de Lazer da Avenida Olímpica da Taipa. No futuro, o número de estações será ampliado para 12.

Gravidez | Ella Lei pede explicações sobre garantias laborais

A deputada quer que o Governo explique o conteúdo dos Objectivos do Desenvolvimento das Mulheres de Macau (2019-2025) que têm como meta a “igualdade de género e desenvolvimento pleno”

A deputada Ella Lei Cheng I pediu ao Governo para explicar como pretende garantir os direitos laborais das grávidas no âmbito dos novos Objectivos do Desenvolvimento das Mulheres de Macau, que vão vigorar entre este ano e 2032. O assunto faz parte de uma interpelação escrita da legisladora ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau, divulgada pelo portal da Assembleia Legislativa.

No final do ano passado, chegou ao fim o programa com os Objectivos do Desenvolvimento das Mulheres de Macau (2019-2025). Por isso, na segunda reunião plenária do Conselho para os Assuntos das Mulheres e Crianças, em Dezembro, foram apresentados os novos objectivos para contribuir para a “igualdade de género e desenvolvimento pleno”.

Contudo, Ella Lei considera que o Governo tem de explicar melhor a forma como vai “promover mecanismos especiais de protecção para as mulheres grávidas e as novas mães que trabalham por turnos”, aumentar o “tempo de amamentação” e garantir que as instalações de amamentação são comuns não só na Função Pública, onde se encontram generalizadas, mas também no sector privado.

A deputada mostra-se igualmente preocupada com a situação do “emprego das mães solteiras” e recorda que os objectivos em vigor até ao ano passado tinham várias metas laborais para estas situações. Contudo, admite que talvez sejam necessários mecanismos mais eficazes para as grávidas solteiras, que se encontram em situação vulnerável: “Espera-se que a eficácia destas medidas e a sua implementação sejam continuamente revistas. As autoridades irão introduzir salvaguardas institucionais mais específicas no futuro?”, questiona.

Protecção contra assédio

Além das questões de natureza laboral, Ella Lei defende a criação “de um organismo para lidar com as queixas de assédio sexual, mecanismo dedicado a promover a igualdade de género e lidar com incidentes de discriminação de género”.

Um dos objectivos para a deputada é garantir que os mecanismos de queixa oferecem a protecção das queixosas nos lugares de trabalho ou instituições de ensino, sem que sofram represálias. “No que diz respeito aos esforços para promover a igualdade de género e reforçar as salvaguardas contra o assédio sexual de mulheres e crianças, quais são os planos das autoridades para melhorar os quadros institucionais, criar órgãos estatutários e desenvolver mecanismos de reclamação”, questiona.

Jogo | Isenções fiscais atingiram 150 milhões de patacas em 2024

Em 2024, o Governo concedeu um total de 150 milhões de patacas em isenções fiscais às concessionárias de jogo, devido à contribuição para tornarem o mercado mais atractivo para os jogadores internacionais. O número foi revelado pelo Governo, representado através do secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, num encontro com a 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, liderada pelo deputado Ip Sio Kai.

De acordo com a lei do jogo, o Chefe do Executivo pode aprovar isenções fiscais às concessionárias que podem chegar até 5 por cento das receitas brutas, face à atracção de jogadores estrangeiros. O Executivo tem optado por não divulgar os números de forma consistente, nem explicar o critério adoptado para definir a proporção da isenção. A falta de transparência sobre este assunto levou mesmo o deputado José Pereira Coutinho a escrever uma interpelação sobre o tema, a pedir maior transparência e mais informação.

No entanto, ontem, numa reunião para analisar a execução do orçamento de 2024, Ip Sio Kai revelou que o montante da isenção tinha atingido 150 milhões de patacas. Em 2024, as receitas do jogo atingiram 226,8 mil milhões de patacas.

Apesar deste dado, o Governo não terá abordado as concessionárias que gozaram das isenções maiores nem especificou o montante da isenção para cada concessionária. Por sua vez, a comissão considerou todas as explicações do Governo clarificadoras, pelo que a discussão da execução do orçamento de 2024 no âmbito da comissão foi dada como concluída.

Eleições 2021 | Arrancou julgamento de Lee Sio Kuan

Arrancou ontem o julgamento de Lee Sio Kuan, mandatário da lista Ou Mun Kong I, por corrupção eleitoral ligada às Eleições Legislativas de 2021. De acordo com o jornal Ou Mun, Lee é acusado de ter montado um esquema para oferecer viagens, refeições e presentes a mais de 200 residentes. Todas as 10 testemunhas ouvidas ontem de manhã recusaram ter participado em qualquer excursão.

De acordo com o Ministério Público, as ofertas terão visado reunir as 300 assinaturas necessárias para que a lista pudesse participar no acto eleitoral, o que veio a acontecer.

Além de Lee Sio Kuan, que era igualmente presidente da Associação de Força do Povo e dos Operários, o caso envolve mais 17 arguidos, entre os quais Ho Ion Kong, cabeça-de-lista que acabou por desistir antes das eleições. Na manhã de ontem, foram ouvidas 10 testemunhas em tribunal, entre estas, sete estavam ligadas à Associação de Força do Povo e dos Operários ou tinham participado em manifestações ou entregas de cartas promovidas pela associação.

Todas as testemunhas recusaram ter participado nas excursões organizadas pela Associação de Força do Povo e dos Operários ou pela lista Ou Mun Kong I a 21 de Junho de 2021. Quando o representante do Ministério Público mostrou as assinaturas alegadamente das testemunhas no documento de recolha de assinaturas para elaboração da comissão eleitoral, todas negaram ter assinado os documentos apresentados.

FAOM | Direcção reúne com Sam Hou Fai e recebe elogios

Os novos corpos dirigentes dos Operários reuniram com Sam Hou Fai. Entre os temas discutidos, destaque para o apelo à manutenção da estabilidade social e a promoção do nacionalismo. O líder do Governo reiterou que irá “implementar integralmente as instruções e exigências” de Xi Jinping

Sam Hou Fai recebeu, na segunda-feira, na Sede do Governo os novos corpos dirigentes da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), eleita em meados do passado mês de Dezembro. Nacionalismo, cumprimento absoluto dos planos traçados pelo Governo Central para Macau e estabilidade social foram os temas principais discutidos entre os governantes e os dirigentes da associação tradicional alimentada com fundos públicos.

Segundo o Gabinete de Comunicação Social, depois de saudar a nova direcção da FAOM, Sam Hou Fai elogiou a associação “por ter constituído uma força fulcral para o fortalecimento das bases do amor pela pátria e por Macau, contribuindo para a RAEM implementar de forma inabalável o princípio ‘um país, dois sistemas’”.

O Chefe do Executivo recordou que o Presidente Xi Jinping e o Governo Central “reconheceram plenamente os resultados alcançados pelo governo da RAEM em liderar e unir esforços dos diversos sectores sociais no ano passado”, e que esses resultados “contaram também com o contributo significativo da FAOM”.

Sam Hou Fai salientou também o papel dos Operários “para unir e servir os trabalhadores em geral e manter a estabilidade da sociedade”, assim como na “salvaguarda dos direitos e interesses laborais” e no “firme apoio à governação da RAEM”.

Seguir o líder

O Chefe do Executivo reiterou que em 2026, “o Governo continuará a trabalhar com todos os sectores da sociedade, para implementar integralmente as instruções e exigências do Presidente Xi Jinping, sem defraudar as suas expectativas e do Governo Central”.

Para o futuro, Sam Hou Fai espera que a FAOM “continue a unir os trabalhadores de todos os sectores, sobretudo os jovens trabalhadores, aumentando de forma abrangente a competência profissional” através de formação especializada. O objectivo é “implementar plenamente os planos do Governo Central e tarefas confiadas a Macau, de promover um progresso contínuo do princípio ‘um país, dois sistemas’ na nova era.”

O deputado Lam Lon Wai foi eleito no dia 16 de Dezembro presidente da FAOM, após a primeira reunião ordinária da direcção. O novo presidente da direcção é Kong Ioi Fai, e a nova presidente do Conselho Fiscal é Ho Sut Heng. Em relação à missão dos novos corpos dirigentes da FAOM, Lam Lon Wai salientou que a promoção do patriotismo estará no topo das prioridades.

Estudo | Sociedade de Hong Kong domina notícias sobre depressão

Um estudo publicado no Journal of Medical Internet Research analisou temas e tom emotivo de notícias sobre depressão publicadas em Hong Kong. O “sistema societário”, relacionado com saúde, família ou trabalho, surge em primeiro lugar com 34,83 por cento do total das notícias, tendo uma “inclinação mais negativa”

O sistema da sociedade de Hong Kong domina o grupo de temas presentes em notícias sobre depressão, representando 34,83 por cento dos artigos analisados, seguindo-se temáticas como a aplicação da lei, com 18,81 por cento, ou a ainda a recessão económica global em terceiro lugar.

Esta é a principal conclusão do estudo “Analyzing Themes, Sentiments, and Coping Strategies Regarding Online News Coverage of Depression in Hong Kong: Mixed Methods Study” [Análise de Temas, Sentimentos e Estratégias de Enfrentamento Relacionados com a Cobertura Jornalística Online Sobre Depressão em Hong Kong: Estudo de Métodos Mistos], publicado no Journal of Medical Internet Research no ano passado. O estudo é da autoria de Chen Sihui, Cindy Sing e Yangna Hu, da Universidade Politécnica de Hong Kong; e Cecília Cheng, da Universidade de Hong Kong.

O estudo é focado na cobertura de notícias online sobre depressão na região vizinha, nomeadamente de publicações como o South China Morning Post e Hong Kong Free Press, e que procurou perceber quais os temas dominantes e a carga emocional dos textos, se eram positivos ou negativos, entre outras questões.

Assim, o estudo revela que o “sistema societário” da região esteve na origem de 34,83 por cento das notícias sobre depressão, ou seja, 848 num total de 2.435, seguindo-se o tema da “aplicação da lei”, representando 458 de todas as notícias analisadas, com uma fatia de 18,81 por cento. Segue-se, em terceiro lugar, o tema da “recessão global”, com 17,4 por cento de respostas; “estilo de vida”, com 8,05 por cento; “lazer”, com 11,21 por cento de respostas; “questões de saúde”, com 6,94 por cento e, finalmente, “política dos Estados Unidos”, representando apenas 3,12 por cento das notícias.

O estudo descreve, assim, que analisando o sentimento inerente às notícias, “torna-se evidente que o sistema societário apresentou uma inclinação mais negativa”, estando “relacionado com diversos sistemas da sociedade de Hong Kong, incluindo de saúde, social, família, educação e trabalho”.

Entre extradição e covid-19

A recolha de notícias online foi feita entre Fevereiro de 2019 e Maio de 2024 “com o intuito de examinar a representação mais recente da depressão, especialmente durante e após o período de agitação social e a pandemia de covid-19”.

Os artigos foram escolhidos com base em três critérios, sendo que um deles era a acessibilidade aos leitores sem assinatura paga, além de que o website em questão “deveria permitir a recuperação de uma quantidade suficiente de notícias relacionadas com depressão (isto é, mais de 20) para garantir dados adequados para as análises subsequentes”. Foram ainda escolhidos sites com notícias em inglês. Depois, foram feitas pesquisas separadas com as palavras-chave “depression” e “depressed”.

As datas escolhidas para este estudo prendem-se com duas ocorrências. Uma delas foi em Fevereiro de 2019, com a introdução de a proposta de lei sobre extradição para a China, intitulada “Fugitive Offenders and Mutual Legal Assistance in Criminal Matters Legislation (Amendment)”. Tal “desencadeou protestos e marchas em Hong Kong devido a divergências políticas, levando a um aumento significativo nos casos de depressão, agravado em 2020 com o surto da covid-19”.

Os autores revelam que houve “picos de cobertura” de notícias relacionadas com a depressão, nomeadamente em Abril e Maio de 2020 e em Julho de 2023. Seguiu-se a covid-19 como segunda ocorrência.

No caso das notícias de 2020, o estudo constata que “as medidas de confinamento devido à covid-19 afectaram fortemente Hong Kong, contribuindo para um humor mais depressivo”, sendo que este período “correspondeu à segunda onda do surto de covid-19”. A segunda onda pandémica originou fortes medidas de confinamento como o encerramento de escolas, “políticas de trabalho remoto e a proibição de refeições presenciais em restaurantes”.

O fecho de escolas, “conforme relatado nas notícias, resultou no aumento das taxas de depressão entre crianças e ansiedade entre os pais, que precisaram cuidar simultaneamente dos filhos e idosos em casa”.

“Além disso, conflitos entre trabalho e família também se intensificaram devido à interrupção da rotina normal de trabalho”, nomeadamente “a ausência de espaço de escritório e indefinição dos horários de trabalho”, o que “foi associado a sentimentos depressivos”, descreve-se.

Por sua vez, em 2023 observou-se “um aumento nos casos de suicídio noticiados”, sobretudo porque Coco Lee, “uma estrela influente que enfrentava a depressão, morreu por suicídio em casa, o que gerou maior consciencialização sobre a necessidade de expansão de serviços de apoio na área da saúde mental e melhoria em termos de acessibilidade, sendo frequentemente destacadas as linhas de apoio”.

Um certo estigma

No que diz respeito ao segundo tema mais encontrado nas notícias, a “aplicação da lei”, o estudo releva que acarreta também “um sentimento negativo”. “O volume de notícias atingiu picos em Novembro de 2020 e Agosto de 2019”, sendo que, em 2020, foram sobretudo noticiados “crimes individuais e processos judiciais, com destaque para o caso de um professor de Hong Kong que assassinou a esposa, o que pode ter causado um grande choque social e atenção pública”.

Os autores explicam que, neste caso, “a depressão foi frequentemente citada nas notícias como explicação para as acções ilegais do perpetrador, o que pode reforçar atitudes estigmatizantes e retratar pessoas com depressão como violentas, perigosas e mais propensas a cometer crimes”.

Outros tópicos que também apresentaram “tendências negativas” são “questões de saúde” e “política dos Estados Unidos”, sendo que temas como “estilo de vida” ou “lazer” “tenderam para sentimentos mais positivos”.

No que diz respeito a outro tema associado a notícias sobre depressão, o da “recessão global”, o foco são as “dificuldades económicas provocadas pela disseminação da covid-19 em diversos sectores”, apresentando-se “um sentimento positivo mais contraditório”. Ou seja, “a estrutura das reportagens descrevia inicialmente os desafios económicos, para enfatizar, de seguida, as iniciativas para facilitar a recuperação em resposta à crise”.

Assim, os autores denotam que se “observou uma mudança significativa no sentimento geral”, pois “até Janeiro de 2021, interrompeu-se a diminuição contínua na quantidade de notícias positivas”, e que depois “o número agregado de notícias positivas superou o de notícias negativas quase todos os meses, sinalizando uma mudança geral de um sentimento negativo para um sentimento mais positivo em relação às circunstâncias económicas discutidas”.

Os autores consideram que a mudança pode dever-se “ao facto de as pessoas terem sido forçadas a adaptar-se a um ‘novo normal’ e iniciar a recuperação da economia, saúde, e sociedade após um ano de convivência com a pandemia”. No que respeita ao tema da política dos EUA encontrado em notícias associadas a depressão, os textos “enfatizavam a rivalidade e o processo eleitoral presidencial, bem como políticos de diferentes partidos que vivenciaram depressão”.

Poucas respostas institucionais

O estudo olhou também as chamadas estratégias de enfrentamento, ou seja, esforços cognitivos, ou comportamentais, usados para lidar com situações menos boas. E aqui, as notícias analisadas centraram-se sobretudo em “informações sobre habilidades e recursos” disponíveis para ajudar pessoas com depressão, como “as linhas de apoio para intenções suicidas e prevenção do suicídio”. Foram ainda apresentados programas de saúde mental disponibilizados por organizações locais, como a Mind HK, o Kely Support Group e a Mental Health Association of Hong Kong, e foram escritos artigos sobre “serviços de aconselhamento e terapias para pessoas com depressão”, ou ainda recomendações de exercício físico.

Os autores destacam que, ao analisar as notícias, perceberam “a insuficiência de intervenções políticas, apoio institucional e assistência financeira para indivíduos com depressão, o que indica uma deficiência no nível societário das estratégias de enfrentamento e que estão presentes na cobertura jornalística”.

Cáritas Macau pede mais atenção à saúde mental da população que não fala chinês

A Cáritas Macau pediu maior atenção para o bem-estar mental da população que não fala chinês, após um aumento de 86% nos pedidos de ajuda ‘online’ em 2025, disse um conselheiro à Lusa.

Os Serviços de Prevenção do Suicídio da Cáritas opera uma linha de apoio em cantonês, mandarim, português e inglês. No ano passado, o serviço recebeu 138 pedidos de ajuda ‘online’ através do serviço em inglês, mais 86%. Os pedidos de assistência telefónica também cresceram, atingindo 98, um aumento de 17%.

“A maioria dos não falantes de chinês sente-se sozinha em Macau. Devemos preocupar-nos mais com eles”, disse Benedict Lok, conselheiro do serviço. Os pedidos de ajuda vieram de pessoas com origens diversas, incluindo Países Baixos, Filipinas, Canadá, Estados Unidos, Índia e da comunidade macaense.

Lok indicou que 30% dos pedidos estavam relacionados com o acesso a recursos comunitários, 14% envolviam temas ligados ao suicídio, e 2% eram de indivíduos “que simplesmente se sentiam sozinhos e procuravam alguém com quem conversar”.

“Normalmente, à noite, as pessoas sentem-se mais emocionais. Mais de metade dos pedidos acontecem entre as 16:00 e a meia-noite”, notou Lok.

“Alguns deles só querem falar em inglês, sentindo que se podem expressar melhor,” explicou. Dados oficiais indicam que existem 57.688 habitantes cuja nacionalidade não é nem chinesa nem portuguesa, representando 8,5% da população.

Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong. O diretor da Caritas Macau, Paul Pun, explicou que a população que nasceu fora da China geralmente prefere consultas presenciais.

“Até agora, os nossos voluntários que sabem línguas estrangeiras também sabem chinês, o que é suficiente para ajudar a maioria deles. Mas, claro, quanto mais [voluntários], melhor”, disse à Lusa.

Os Serviços de Prevenção do Suicídio da instituição são apoiados por mais de 90 voluntários e dez funcionários a tempo inteiro. Dentro deste grupo, 20 voluntários e três trabalhadores a tempo inteiro são proficientes em línguas estrangeiras. Pun expressou o desejo de expandir a equipa.

Na primeira metade de 2025 houve pelo menos 101 tentativas de suicídio, incluindo 14 crianças dos 5 aos 14 anos, o dobro do registado no mesmo período de 2024, avançou em outubro a emissora pública do território.

Ainda de acordo com o canal de língua portuguesa da TDM – Teledifusão de Macau, desde que saíram, no final de maio, os dados sobre suicídios entre janeiro e março, os Serviços de Saúde não voltaram a divulgar esta estatística, habitualmente publicada de forma trimestral. No mais recente balanço, Macau registou 18 mortes por suicídio, menos quatro do que nos primeiros três meses de 2024.

Inquérito | Empresas prevêem subida de 2,23% nos salários

As empresas de Macau prevêem um aumento médio de 2,23 por cento nos salários em 2026, menos 0,49 pontos percentuais do que no ano passado e abaixo da subida de 2,9 por cento no salário mínimo, segundo um inquérito. Mais de 23 por cento das 99 empresas inquiridas pela empresa de recursos humanos MSS Recruitment disseram não ter planos para uma revisão salarial, mais 7,1 por cento do que em 2025.

A directora executiva da MSS Recruitment disse que os resultados reflectem “um ambiente económico cauteloso e mais estável em Macau”, depois da recuperação da crise causada pela pandemia de covid-19. As empresas estão a concentrar-se no “controlo de custos e na sustentabilidade a longo prazo, em vez da expansão”, acrescentou Jiji Tu, citada pelo portal de notícias Macau News Agency.

Em 01 de Janeiro, entrou em vigor um aumento de 2,9 por cento do salário mínimo, que subiu 211,4 patacas, para 7.280 patacas mensais. Esta é a primeira revisão do valor do salário mínimo, dois anos depois de a lei ser implementada, e foi aprovada no parlamento do território em 18 de Dezembro, por unanimidade, apesar das queixas do sector patronal.

Apesar de terem votado a favor, três deputados que representam os sectores industrial, comercial e financeiro alertaram para o possível impacto negativo do aumento do salário mínimo. A recuperação depois da crise económica causada pela pandemia “ainda é desequilibrada”, lamentaram, numa declaração de voto, José Chui Sai Peng, Ip Sio Kai e Si Ka Lon.

Os deputados destacaram sobretudo as pequenas e médias empresas, que “enfrentam muitas dificuldades e podem não conseguir responder a novos encargos”, incluindo um aumento nas despesas com salários. O Governo estimou que o aumento do salário mínimo irá abranger cerca de 18 mil pessoas, ou 4,4 por cento da força de trabalho total.

Fim da pirâmide

Na sexta-feira, o presidente da Associação dos Empregados do Sector de Serviços, Kuong Chi Fong, disse à TDM – Teledifusão de Macau que cerca de 2.200 pessoas com estatuto de residente recebem o salário mínimo nas áreas da limpeza e segurança de edifícios.

Também segundo a emissora pública, o secretário-geral da Associação de Administração de Propriedades, Ieong Kuong, estimou que os trabalhadores migrantes representam um terço daqueles que recebem o salário mínimo.

A revisão voltou a excluir os empregados domésticos, devido à “‘natureza única’ do trabalho doméstico e à necessidade de o trabalhador se ‘integrar’ na vida familiar do empregador”, disse em Novembro o director dos Serviços para os Assuntos do Trabalho (DSAL).

Chan Un Tong referiu que o salário mediano para estas contratações ronda 3.800 patacas. De acordo com dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública, divulgados pela DSAL, o número de empregados domésticos em Macau ultrapassou 28.500 no final de Novembro, o valor mais elevado desde Março de 2021.

Como lidar com 5,8 milhões (II)

A semana passada, falámos sobre uma jovem canadiana de 20 anos que ganhou o jackpot da lotaria e foi confrontada com duas opções: o levantamento imediato da totalidade do prémio, no valor de um milhão de dólares canadianos, ou a possibilidade de receber semanalmente 1.000 dólares até ao fim da vida. A escolha que fez desencadeou acesos debates online. Se um dos meus leitores de Macau estivesse na mesma situação, qual seria a sua escolha?

Recolhemos e comparámos dados do Canadá e de Macau online. Percebemos que se escolher receber o milhão de uma vez, a rapariga pode comprar um apartamento de 65 metros quadrados, resolvendo assim o problema da habitação. Um milhão de dólares representa as poupanças de uma família canadiana e o seu objectivo de um fundo para a reforma. O rendimento da aplicação deste montante proporciona uma reforma segura no Canadá.

Se esta situação ocorresse em Macau, 5,8 milhões de patacas (assumindo que um dólar canadiano vale 5,8 patacas) seria o suficiente para comprar um típico apartamento de 65 metros quadrados. Se a poupança média por pessoa em Macau é de 1,4 milhões, uma família de quatro terá 5,6 milhões e com mais 5,8 milhões teria uma vida ainda mais estável. A estabilidade que os 5,8 milhões podem proporcionar varia consoante cada pessoa; no entanto, com um rendimento de 4 por cento, este montante gera 19.000 patacas mensais. Do ponto de vista do residente comum, é simplesmente um rendimento extra. Adicionado ao valor de 6.500 patacas mensais que os reformados recebem do Governo totaliza o montante de 26.000 patacas, proporcionando uma segurança considerável durante a reforma.

Se a jovem escolher receber 1000 dólares por semana, terá um rendimento de 52.000 dólares anuais. Embora este valor fique um pouco abaixo do salário médio no Canadá, representa apenas um valor adicional. Em Macau existe também a possibilidade de os vencedores da lotaria receberem o prémio em prestações mensais.

Os dados apresentados centram-se apenas em números. Quando se recebe um prémio com uma soma considerável, também devem ser considerados factores não quantitativos. Em primeiro lugar, quando temos bastante dinheiro, devemos investir. Só com investimentos correctos podemos obter retornos substanciais. Se não formos especialistas financeiros, devemos consultar profissionais, o que implica o pagamento de honorários. Em segundo lugar, um prémio elevado pode despertar o desejo de gastar sem controlo. A quantia que se pode desperdiçar depende de cada pessoa, e não pode ser generalizada, mas o risco é inegável. Em terceiro lugar, quando a notícia se espalha, o vencedor vê-se rodeado de amigos e familiares a pedirem-lhe empréstimos. É natural que vá gastar imenso tempo e dinheiro a lidar com esse problema; estes custos são incalculáveis. Em quarto lugar, quando investe o prémio, se surgir uma despesa elevada, vai ter de dividir o dinheiro em mais do que uma conta. Separando o valor do prémio, o retorno semanal diminui. Em quinto lugar, não se sabe se ao receber 1.000 dólares por semana a jovem terá acesso à totalidade do valor do prémio. Por exemplo, se morrer inesperadamente aos 30 anos, o montante que não lhe foi pago pode ser reclamado pelos seus herdeiros? A transferência do dinheiro para os familiares influencia os bens da próxima geração; a jovem deverá consultar a empresa que gere a lotaria antes de decidir se quer receber o dinheiro todo de uma vez, ou se opta pelos 1.000 dólares semanais.

Os leitores devem prestar atenção a um factor indispensável: a protagonista desta história tem apenas 20 anos. É natural que não tenha muita experiência de vida nem muita experiência financeira. Recebendo 1.000 dólares semanais garante uma protecção vitalícia. A taxa de retorno é:

(1.000 x 52 semanas / 1.000,000) x 100%

= 5.2%

mais alta que os 4%, o que vale a pena considerar.

Claro que o maior senão desta escolha é a inflação. O poder de compra de 1.000 dólares no Canadá será o mesmo do de hoje daqui a 10 ou 20 anos? A resposta é definitivamente não. Além disso, com base na esperança de vida das mulheres canadianas, se a jovem viver até aos 85 anos, receberá 1.000 dólares por semana durante 65 anos, portanto, até 2091. Qual será o poder de compra de 1.000 dólares nessa altura?

Chegados a este ponto, os leitores quererão saber qual foi a escolha da rapariga? Não vou revelar a resposta; vou deixar-vos pesquisar online. Antes de revelar o mistério pergunto-vos, a vossa escolha é a mesma da jovem? Consideraram os vários factores financeiros que foram mencionados?

Um prémio de um milhão de dólares canadianos é um ganho inesperado, ajudando o vencedor a concretizar os seus sonhos e a desfrutar do tempo em família. Embora o dinheiro traga muita satisfação, a maior felicidade é partilhá-lo com os outros. Não deveria a jovem considerar doar uma parte do prémio para instituições de solidariedade social, beneficiando mais pessoas?

Não seria melhor usar este lucro inesperado para fins sociais, permitindo que mais pessoas entrem felizes em 2026? Partilhar a felicidade é melhor do que gozá-la sozinho.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnicade Macau
Email: cbchan@mpu.edu.mo

FRC | “No Trilho de Matteo Ricci” apresenta-se hoje ao público

A exposição de arte colectiva “No Trilho de Matteo Ricci”, que inaugura hoje na Fundação Rui Cunha, apresenta um conjunto de 33 trabalhos de diversos artistas e alunos de doutoramento da Universidade de Macau. Trata-se de um conjunto de imagens, feitas a tinta-da-china e cor, que recuperam os locais por onde passou Matteo Ricci, padre jesuíta italiano que deixou a sua marca em Macau

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a exposição de arte colectiva “Trail of Matteo Ricci” [No Trilho de Matteo Ricci], cujos protagonistas são os estudantes de doutoramento do Departamento de Arte e Design da Universidade de Macau (UM), com supervisão do professor Zhang Yan. A curadoria do projecto é da responsabilidade dos artistas Li Ranqing e Lei Meihang, com organização do Centro de História e Cultura Chinesa da UM.

Em exposição vão estar 33 obras, a tinta-da-china e cor, que resultam de uma viagem de estudo organizada no ano passado, com partida de Macau para o Interior da China e até Itália, recuperando o itinerário do padre jesuíta italiano Matteo Ricci, figura fundadora das missões católicas na China, há mais de quatro séculos. O tema há muito suscitava a curiosidade de Zhang Yan, oriundo da cidade de Zhaoqing, por onde passou o missionário no final do século XVI, trazendo ecos do ocidente.

Um dos curadores, Li Ranqing, esclarece que a viagem começou em Macau, indo até Guangzhou, Zhaoqing e Shaoguan [província de Guangdong], e daí seguiram para Roma, Macerata, Génova, Veneza, Milão e Florença.

“Utilizámos o pincel e a tinta da pintura tradicional chinesa como a nossa caneta histórica, para completar esta busca transtemporal até às raízes. Como curador, imagino este projecto como um trabalho prático de campo contemporâneo de pintura chinesa, tecido em torno da rota de intercâmbio cultural de 400 anos. Como um dos artistas participantes, também sei bem que cada obra incorpora a hesitação, a transformação e a repercussão da experiência, vividas durante a criação in loco”, disse, citado por uma nota da FRC.

As 33 obras expostas “retêm grande parte da ‘temperatura in loco’: as fendas espalhadas pelo vento no papel Xuan de arroz e o pó da rua nas margens das pinturas a pastel não são imperfeições, mas extensões naturais da filosofia da pintura chinesa de ‘observar as coisas através da visão interior’. Escolhemos apresentar a exposição em Macau porque não é, apenas, o ponto de partida da viagem de Ricci, mas também a âncora espiritual da nossa criação”, acrescentou o co-curador.

Referências intemporais

Para Li Ranqing, “quando se vê o pôr do sol sobre a Roma antiga na aguarela e a esquina de um beco de Lingnan nos pastéis, está-se perante não só paisagens, mas um toque suave entre duas civilizações realizado através da arte”.

“Tal como Matteo Ricci introduziu o conhecimento ocidental na China, através da tradução chinesa há séculos, utilizámos a linguagem da pintura chinesa para tentar transformar esta trajectória através de montanhas e mares, num diálogo contínuo entre civilizações”, remata o artista e curador.

A exposição conta com a co-organização do Comité de Arte da Pintura Tradicional Chinesa da Associação de Artistas da China; da Aliança de Artistas da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau; e do Comité de Arte da Pintura de Paisagem da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. O projecto artístico beneficiou ainda do apoio dado pelo Centro Provincial de Intercâmbio Cultural Internacional de Guangdong e pela Associação de Artistas de Guangdong. As obras vão estar expostas até ao próximo dia 24 de Janeiro.

Timor-Leste | MNE em Lisboa para discutir presidência da CPLP e Guiné-Bissau

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste viajou ontem para Lisboa, numa visita de trabalho para discutir a presidência timorense da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a situação na Guiné-Bissau.

A visita de Bendito Freitas “enquadra-se no contexto da presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa a assumir por Timor-Leste no período entre 2026 e 2027, na sequência da decisão tomada na Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, realizada em Dezembro de 2025”, pode ler-se numa informação divulgada à imprensa.

A visita a Portugal vai decorrer entre quarta-feira e dia 21 de Janeiro. Em Lisboa, o chefe da diplomacia timorense vai participar em reuniões de coordenação sobre a presidência da CPLP, entregar os estatutos revistos ratificados pelo parlamento à secretária executiva da organização, Maria de Fátima Jardim, e participar na reunião extraordinária do comité permanente.

Bendito Freitas vai também reunir-se com o homólogo português, Paulo Rangel, num encontro em que “serão abordados temas relacionados com o reforço da cooperação bilateral, incluindo a situação política na Guiné-Bissau e a presidência da CPLP de Timor-Leste”, indica o Ministério dos Negócios Estrangeiros timorense.

O programa da visita inclui igualmente encontros com o prémio Nobel da Paz, bispo Ximenes Belo, e com estudantes e a comunidade timorense em Coimbra.

Timor-Leste assumiu em Dezembro a presidência da CPLP, que foi retirada à Guiné-Bissau, na sequência de uma cimeira de chefes de Estado e de Governo, após o golpe de Estado no país que depôs Umaro Sissoco Embaló e interrompeu o processo eleitoral, impedindo a divulgação dos resultados das eleições gerais de Novembro.

Integram a CPLP, que assinala este ano o 30.º aniversário, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Japão | Missão em águas profundas para extrair terras raras

A viagem do navio de perfuração científica, Chikyu, em direcção à remota ilha Minami Torishima no arquipélago japonês, onde se estima existir mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, visa diminuir a dependência do país nipónico do fornecimento chinês

Um navio de investigação japonês iniciou ontem uma missão inédita com o objectivo de extrair terras raras das suas águas profundas, visando reduzir a dependência económica do país face à China.

O Chikyu, um navio de perfuração científica em águas profundas, partiu do porto de Shimizu, na cidade de Shizuoka (centro-leste), por volta das 09:00 de ontem, com destino à isolada ilha japonesa de Minami Torishima, no Pacífico, onde as águas circundantes podem ser ricas em minerais preciosos.

Esta viagem de teste ocorre num momento em que a China, de longe o maior fornecedor mundial de terras raras, aumenta a pressão sobre o país vizinho. A viagem do Chikyu, adiada um dia devido ao mau tempo, pode levar à produção nacional de terras raras, afirma Shoichi Ishii, director de programas do Gabinete do primeiro-ministro.

“Estamos a considerar diversificar as nossas fontes de abastecimento e evitar uma dependência excessiva de determinados países”, afirmou aos jornalistas reunidos no porto, enquanto o navio se preparava para partir. Estima-se que a zona em torno de Minami Torishima, ilha situada nas águas económicas do Japão, contenha mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, o que a tornaria, segundo o jornal económico Nikkei, a terceira maior jazida do mundo.

As “terras raras”, 17 elementos metálicos não particularmente raros, mas difíceis e caros de extrair, são essenciais para sectores inteiros da economia – automóvel, energias renováveis, digital, defesa –, servindo para a fabricação de ímanes potentes, catalisadores e componentes eletrónicos.

Tensões regionais

A China representa quase dois terços da produção mineira mundial de terras raras e 92 por cento da produção refinada, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE). O país há muito tempo usa o seu domínio nessa área como alavanca geopolítica, inclusive na sua guerra comercial com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

No entanto, o Japão depende da China para 70 por cento das suas importações de terras raras. E isso apesar de ter-se esforçado para diversificar as suas fontes de abastecimento desde um conflito anterior em 2010, durante o qual Pequim suspendeu as suas exportações por vários meses.

Tóquio e Pequim estão envolvidos há dois meses numa crise diplomática, desencadeada por declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre uma possível intervenção militar em caso de um ataque chinês a Taiwan, cuja soberania é reivindicada por Pequim.

Sinal do agravamento das tensões bilaterais, Pequim anunciou na semana passada que iria reforçar os controlos sobre a exportação para o Japão de bens chineses de dupla utilização civil e militar, o que poderia incluir os metais raros. A missão do Chikyu deverá durar até 14 de Fevereiro.

Gronelândia | EUA avisados para não usar outros países como pretexto

Pequim reafirma o seu compromisso com o direito internacional e adverte as autoridades norte-americanas para não inventarem narrativas com vista a satisfazer os seus interesses próprios

A China avisou ontem os Estados Unidos para não usarem outros países como pretexto para prosseguir os seus interesses na Gronelândia e garantiu que as suas actividades no Ártico estão em conformidade com o direito internacional. “Os direitos e liberdades de todos os países para conduzir actividades no Ártico de acordo com a lei devem ser plenamente respeitados”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, em conferência de imprensa.

“As actividades da China no Ártico visam promover a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável na região e estão de acordo com o direito internacional”, sublinhou. Segundo a porta-voz, “os EUA não devem prosseguir os seus próprios interesses usando outros países como pretexto”, até porque “o Ártico diz respeito aos interesses gerais da comunidade internacional”.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, reiterou na sexta-feira, na Casa Branca, que não vai permitir que a Rússia ou a China “ocupem a Gronelândia” e que decidiu “fazer alguma coisa” em relação ao território autónomo dinamarquês, do qual pretende adquirir controlo “a bem ou a mal”.

Trump adiantou que gostaria de fazer um acordo para adquirir a Gronelândia, uma região semiautónoma da Dinamarca, membro da NATO, para impedir que a Rússia ou a China a assumam.

As tensões entre Washington, a Dinamarca e a Gronelândia aumentaram este mês, à medida que Trump e a sua administração pressionam sobre o assunto e a Casa Branca pondera uma série de opções, incluindo o uso da força militar, para adquirir a vasta ilha ártica. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que uma tomada de poder norte-americana na Gronelândia marcaria o fim da NATO.

O povo é quem mais ordena

Na sexta-feira, o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, e os líderes dos outros quatro partidos no parlamento do território emitiram uma declaração conjunta reiterando que o futuro da Gronelândia deve ser decidido pelo seu povo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, tinha ontem um encontro marcado com o seu homólogo norte-americano, Marco Rubio, em Washington para discutir uma estratégia conjunta de segurança da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para o Ártico.

Antes de viajar, o diplomata alemão afirmou que desejava discutir com Rubio como “assumir conjuntamente esta responsabilidade dentro da NATO, dadas as antigas e novas rivalidades na região entre a Rússia e a China”.

Segundo dados oficiais, a presença e os interesses da China na Gronelândia são mais limitados do que os EUA alegam e estão focados principalmente no sector comercial, com vários empreendimentos mineiros e industriais frustrados nos últimos anos.

No entanto, em 2018, a China declarou-se um “Estado quase-ártico” num esforço para ganhar mais influência na região e anunciou planos para construir uma “Rota da Seda Polar” como parte da sua iniciativa global “Uma Faixa, Uma Rota”, um megaprojecto de infraestruturas e investimento global, proposto pela China em 2013 para reavivar a antiga Rota da Seda, que visa ligar Ásia, Europa, África.

Hong Kong | Tribunal analisa pedido de pena mais leve no caso de Jimmy Lai

Um tribunal de Hong Kong iniciou ontem uma audiência para discutir a sentença de Jimmy Lai, ex-magnata dos media, cuja condenação ao abrigo da lei de segurança nacional pode acarretar a prisão perpétua.

Lai, de 78 anos, é fundador do extinto jornal Apple Daily e conhecido crítico do Partido Comunista Chinês. Foi detido em 2020 ao abrigo da lei de segurança nacional, imposta por Pequim na região semiautónoma após os protestos em massa contra o Governo local em 2019. Em Dezembro, foi considerado culpado de conspiração para conluio com forças estrangeiras e conspiração para publicar artigos sediciosos.

Lai deverá comparecer no tribunal ao lado de outros réus durante as chamadas audiências de atenuação, que se prolongam por quatro dias e onde os arguidos podem pedir penas mais leves. A pena máxima é prisão perpétua, com a sentença final a ser proferida mais tarde.

Lai foi condenado por duas acusações de conspiração para conluio com forças estrangeiras com o objectivo de pôr em risco a segurança nacional e por uma acusação de conspiração para distribuir publicações sediciosas. Declarou-se inocente de todas as acusações.

O crime de conluio ao abrigo da lei de segurança nacional pode ser punido com penas de três anos até prisão perpétua. A acusação de sedição, com base numa lei da era colonial, prevê um máximo de dois anos de prisão.

Por onde dançou o pincel de Zou Zhilin

Huang Gongwang (1269-1354), o mestre da dinastia Yuan que viveu como um andarilho daoísta, um «convidado dos lagos e das montanhas», foi viver durante três anos entre 1347 e 1350, para junto do rio Fuchun (actual Qiantang) a Oeste de Hangzhou onde, com total desprendimento, sem contar com elogios, comentários ou críticas, foi criando um dos rolos horizontais mais prezados pela posteridade. Tinha setenta e oito anos quando começou a pintura conhecida como Retiro nas montanhas Fuchun, da «Primavera abundante», que respondia à urgência do seu método de capturar o espanto, apreço e admiração que sentia perante a natureza visível:

“O pintor deve levar sempre consigo alguns pincéis numa sacola para que quando se lhe deparem árvores surpreendentes num belo cenário, ela possa de imediato fazer esboços delas para preservar as suas características naturais. Deve subir a altos edifícios, contemplar o qiyun, «o movimento do espírito», e diante das vistas abertas olhar as nuvens. Essas vistas chamam-se paisagens de cumes de montanhas. Tanto Guo Xi como Li Cheng praticaram este método e Guo Xi pintou mesmo pedras como nuvens.”

Mas após Huang Gongwang terminar a sua pintura, ela própria se tornaria um objecto de intensa estima e assombro por aqueles que a possuíram. Um letrado no fim da dinastia Ming que teve o privilégio de a contemplar escreveu no rolo um comentário: «O seu proprietário vive com o rolo há dezenas de anos, coloca-o na mesa-de-cabeceira quando vai dormir, junto da sua cadeira quando vai comer, dia e noite, onde quer que vá a pintura vai com ele.» E justificou «A pintura de Huang é como as caligafias do grande Wang Xizhi – uma verdadeira obra-prima. Nesta pintura o pincel dança com vida, tal como a caligrafia do Prefácio do Pavilhão das orquídeas – divino e sublime.» Quem era esse conhecedor a quem foi concedida a honra de pousar o seu pincel sobre o inestimável rolo?

Zou Zhilin (c.1585-c.1654) era amigo da família de Wu Zhiju que possuiu a pintura, depois de ela pertencer a egrégios pintores como Shen Zhou ou Dong Qichang, e era isso que lhe permitia a intimidade com o rolo. E a pintura era para ele também um modo de expressão. Passado o exame jinshi em 1606 por pouco tempo serviu a administração imperial, retirando-se para aquela peculiar forma de habitar solitário entre a gente, designado por vezes como yinshi, que era a via de tantos literatos insubmissos. Fazia parte dessa forma de relacionamento com os outros a troca de pinturas como uma, à venda na Sotheby’s, com caligrafias e pinturas contendo um leque montado num álbum de onze folhas a tinta e cor sobre papel dourado, onde numa das folhas escreve: «Para onde escapar? Suspeito que para lado nenhum senão para montanhas profundas ou florestas densas. E onde encontrar essas montanhas e florestas densas senão sob o meu pincel?»

Metro | Recolha de opiniões sobre plano de linhas em breve

O período para auscultar opiniões sobre o planeamento das linhas do Metro Ligeiro, assim como para dar a conhecer os planos do Governo, arranca no próximo dia 23 de Janeiro. A extensão da cobertura do transporte além das linhas já conhecidas, será um dos pontos em discussão

O Governo vai começar a recolher opiniões sobre o estudo estratégico para o desenvolvimento do Metro Ligeiro a partir do dia 23 de Janeiro. O período de auscultação estende-se até 28 de Fevereiro, “durante o qual serão realizadas várias sessões de recolha de opiniões junto do público e dos sectores profissionais”, revelou ontem a Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP).

O Governo afirma que, além de recolher opiniões da população, vai “dar a conhecer à sociedade o planeamento do futuro desenvolvimento do Metro Ligeiro de Macau e os seus trabalhos de construção”.

No comunicado divulgado ontem pela DSOP, é indicado que o “desenvolvimento do Metro Ligeiro de Macau é um importante projecto do Governo da RAEM”. Além das linhas da Taipa (e a sua extensão até à Barra), Seac Pai Van, Hengqin e a Linha Leste (que está em construção), o Governo garante estar empenhado “na exploração da extensão do serviço do Metro Ligeiro para as zonas ainda não cobertas”, como o oeste e centro da Península de Macau, norte da Taipa e algumas zonas de Coloane.

A ter em conta

Com o futuro desenvolvimento da rede do Metro Ligeiro em discussão a partir de sexta-feira da próxima semana, o Governo pretende apresentar estratégias para o desenvolvimento da cobertura do transporte. Assim sendo, foi elaborado um plano geral das linhas em termos da eficácia geral, viabilidade técnica de construção e da forma como podem responder às necessidades de deslocação de residentes e turistas.

Após mais de uma década de planeamento, o Metro Ligeiro foi inaugurado em Dezembro de 2019 com apenas a linha da Taipa em funcionamento, com 11 estações, incluindo o aeroporto de Macau, o Terminal Marítimo da Taipa e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau.

Na altura, a factura apresentada para o traçado inicial da linha da Taipa indicava custos superiores a 10 mil milhões de patacas.

Sands China | Anunciados bónus e aumentos de salários

A concessionária do jogo Sands China anunciou o pagamento de um bónus equivalente a um mês de salário e o aumento dos vencimentos para quase 28 mil trabalhadores. O anúncio foi feito ontem através de um comunicado, com a Sands não só a seguir o exemplo das outras concessionárias com o pagamento de um bónus, mas a subir a parada, com o aumento dos ordenados.

“Em reconhecimento aos seus esforços ao longo do último ano, temos o prazer de anunciar um bónus discricionário e um aumento salarial. Em nome do nosso Conselho de Administração, agradeço sinceramente a cada membro da equipa por suas contribuições”, afirmou Grant Chum, director executivo e director executivo da Sands China. “Olhando para o futuro, espero que a equipa continue a empenhar-se e que possamos alcançar, todos juntos, novos patamares ainda mais elevados”, acrescentou.

Em relação ao bónus equivalente a um salário mensal, vai abranger os trabalhadores que não desempenham funções de gestão e que trabalhem na empresa há pelo menos um ano. Quanto aos trabalhadores do sector de gestão, poderá haver um igualmente um bónus, mas depende dos objectivos definidos internamente e do desempenho da empresa.

Sobre o aumento salarial, a empresa explicou que vai entrar em vigor a partir de Março, e que os trabalhadores com salários inferiores a 16 mil patacas vão receber um aumento de 500 patacas, ou seja, aumentos de 3,1 por cento a 4 por cento. Os aumentos para os trabalhadores que recebem mais de 16 mil patacas vão ser de 2 por cento.

Fujian | DST apela a que se aproveite comboio de alta velocidade

No dia 26 de Janeiro, é inaugurada a ligação ferroviária de alta velocidade entre Zhuhai e a província de Fujian. O Governo promete reforçar a cooperação com operadores de Fujian e apela a agências locais para criarem pacotes multi-destinos que combinem os trunfos turísticos das duas regiões

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) encara a abertura da linha ferroviária de alta velocidade entre Zhuhai e Xiamen e Fuzhou, na província de Fujian, como uma oportunidade para estreitar a cooperação turística entre as duas regiões. Apesar de ser descrita como uma ligação directa de alta velocidade, a linha ferroviária terá outras paragens, ligando Zhuhai a Fujian sem transferência de comboios pela primeira vez a partir de 26 de Janeiro.

A DST afirmou que irá continuar a apostar em campanhas promocionais ao longo de outras linhas ferroviárias de alta velocidade, com anúncios nas estações e em plataformas online a publicitar Macau enquanto destino turístico.

Além disso, a DST garantiu que irá incentivar a indústria do turismo de Macau a cooperar com as principais agências de viagens de Fujian no sentido de lançar rotas turísticas que juntem destinos na província chinesa e Macau. A ideia é combinar a história e cultura de Fujian e as características de Macau para criar itinerários com vários destinos, com o intuito de atrair turistas internacionais.

O Governo recordou também que, entre Janeiro e Novembro de 2025, Macau foi visitado por quase 600 mil turistas de Fujian, o que representou quase 2,5 por cento dos visitantes do Interior de China.

Toque a reunir

O apelo do Executivo foi ouvido tanto no plano político como sectorial. O representante da RAEM à Assembleia Popular Nacional Lao Ngai Leong salientou as relações próximas que já existem entre Macau e Fujian. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, o responsável sublinhou a conveniência da ligação directa de alta velocidade para visitas a familiares, turismo e negócios, permitindo a redução do tempo de viagem, sem a necessidade de mudar de comboio em Shenzhen ou Guangzhou.

O sector das exposições e convenções também pode beneficiar da nova linha ferroviária, assim como a ligação entre a Grande Baía e a província de Fujian, potenciando o desenvolvimento regional.

Também aos microfones da emissora pública, o presidente da Associação da Indústria Turística de Macau Andy Wu referiu que a Fujian e a região de Chaoshan (leste de Guangdong) já são destinos populares para residentes de Macau, em especial para turistas que viajam em excursões. No sentido inverso, Fujian é descrita por Andy Wu também como uma significativa fonte de visitantes de Macau.

A nova ligação directa, que irá cortar uma hora de viagem, poderá levar o sector a criar novas rotas para Chaoshan e Fujian, potenciando o turismo nos dois sentidos, aponta Andy Wu.

Moradores alertam para perda de interesse em feiras e mercados de rua

Lei Chong In, membro da Associação dos Moradores, alertou a sociedade para o facto de vários mercados e feiras organizadas no território estarem a perder a capacidade para atrair pessoas e terem efeitos limitados. A questão foi abordada em declarações ao jornal Cheng Pou. Segundo Lei, após a pandemia, as feiras ou mercados de rua “proliferaram como cogumelos após a chuva”, promovidos pelo Governo e associações.

O objectivo das iniciativas é elogiado, uma vez que visa promover a economia nos bairros residenciais e o surgimento de mais pequenas e médias empresas. Contudo, as feiras estão agora numa encruzilhada, devido ao excesso de oferta e à perda de interesse da população num modelo cada vez mais repetido.

Lei Chong In aponta que este tipo de iniciativas sofre de dois problemas: por um lado, os mercados e feiras são todos muito idênticos, sem terem “características distintivas”; por outro, são eventos temporários sem continuidade, o que leva a que não contribuam para uma promoção da economia de forma sustentada.

Como parte do desenvolvimento não sustentado, o representante associativo explica ainda que o montante investido para montar barracas e tendas gera ganhos de curto prazo, mas que não se reflectem num período temporal mais longo.

Mais concorrência

Ao mesmo tempo, o vice-presidente da Associação de Mútuo Auxílio dos Moradores da Marginal alerta também que o sucesso destes mercados passa por desviar os clientes de outros espaços comerciais nas mesmas zonas, o que não expande a economia, antes aumenta a concorrência.

Para evitar um cenário de canibalização do mercado, Lei Chong In indica que é necessário escolher muito bem os objectivos de cada feira, e apurar se a meta é promover as pequenas e médias empresas existentes ou criar novos negócios para jovens empreendedores. Com base nesses objectivos, Lei defende a necessidade de os mercados adoptarem características específicas, para se distinguirem, sem prejudicar os outros negócios.

Jogo | Coutinho pede detalhes sobre atracção de jogadores estrangeiros

Pereira Coutinho pretende que o Governo divulgue dados sobre os incentivos fiscais concedidos às concessionárias de jogo para captarem jogadores estrangeiros. A medida faz parte do esforço de diversificação da principal indústria do território

O deputado José Pereira Coutinho pediu ao Governo para explicar como estão a ser aplicadas as reduções fiscais a concessionárias do jogo que consigam atrair mais jogadores estrangeiros. O pedido faz parte de uma interpelação escrita, que foi divulgada no portal da Assembleia Legislativa (AL).

No documento, Coutinho começa por recordar que a legislação permite ao Chefe do Executivo aprovar “reduções ou isenções às concessionárias para a exploração de jogos de fortuna ou azar em casino, no pagamento das contribuições provenientes das receitas brutas do jogo”.

A opção legislativa teve como objectivo encorajar as concessionárias do jogo a explorarem o mercado além dos jogadores do Interior da China. “Este benefício financeiro, que pode ascender a um valor correspondente a 5 por cento das receitas brutas, tem como uma das principais justificações de interesse público a expansão dos mercados de clientes de países estrangeiro, sendo uma questão estruturante e importante ao desenvolvimento de uma actividade pilar da economia da RAEM”, recorda o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM).

Todos no escuro

Todavia, cerca de três anos depois da entrada em vigor das concessões, o Executivo tem optado por não divulgar os dados sobre a “execução concreta” do regime de isenções fiscais. Por isso, a população desconhece se houve pedidos de isenção fiscal por parte das concessionárias, se, no caso de ter havido, foram aprovados e a proporção dos mesmos. “Tal facto gera sérias dúvidas sobre a efectividade da fiscalização, a integridade do processo e o real benefício público do incentivo financeiro concedido”, aponta Coutinho.

O deputado pretende assim que o Governo revele quantos pedidos foram apresentados em 2023 e 2024 e que indique os montantes envolvidos. O legislador pede igualmente que seja revelada a forma como a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) fiscaliza o “cumprimento dos planos de atracção de jogadores internacionais”, principalmente no que diz respeito à forma como é feita a prova que a vinda destes jogadores resultou do esforço das concessionárias e não de “factores genéricos e fortuitos”.

Finalmente, no caso de terem sido aprovadas isenções fiscais que podem chegar a cinco por cento, o deputado pretende que o Executivo explique os critérios aplicados para decidir a magnitude da isenção aprovada.

Automóveis | Vendedores admitem crise no sector

O presidente da Associação dos Importadores de Veículos Automóveis de Macau, Daniel Cheng Wing Yiu, afirmou que a “Década Dourada”, entre 2004 e 2014, chegou ao fim e que o mercado de venda de automóveis não vai regressar aos melhores tempos.

As declarações foram prestadas ao jornal Ou Mun por Daniel Cheng, quando confrontado com o facto de, entre Janeiro e Novembro, o número de novas viaturas matriculadas ter apresentado uma redução de 15,2 por cento, para 10.060 veículos. “No passado, a economia era boa, as pessoas mudavam de carro a cada três ou quatro anos.

Agora, as pessoas estão muito mais cautelosas e até a intenção de mudar de carro a cada dez anos está a desaparecer”, afirmou o dirigente associativo. Daniel Cheng Wing Yiu explicou que factores como os elevados custos de manutenção de um automóvel e as dificuldades de estacionamento fazem com que mais pessoas abdiquem de ter veículo próprio. Também as famílias que antes tinham dois veículos optam por manter apenas um.

Veículos eléctricos | Carregamentos mais baratos a partir de Fevereiro

O Executivo anunciou uma redução de 10 por cento no preço do carregamento dos veículos eléctricos. A medida entra em vigor a partir do próximo mês e é a segunda redução no espaço de dois anos

A partir do próximo mês, o carregamento das viaturas eléctricas vai ficar mais barato em cerca de 10 por cento, de acordo com a informação divulgada ontem pelo Governo. A redução dos preços foi aprovada através de um despacho do Chefe do Executivo, publicado no Boletim Oficial.

A medida foi justificada com a política nacional da “Dupla Meta de Carbono”, em que a China se compromete a aumentar o nível das emissões de carbono até 2030, altura em que se atinge o pico, e depois começa a evoluir no sentido da neutralidade de carbono, que deverá ser atingida em 2060. Contudo, um comunicado do Executivo indica que a redução dos preços também se integra nas políticas internas da RAEM, através do “aperfeiçoamento contínuo de um sistema que garanta a mobilidade verde”, promoção da utilização de veículos eléctricos, vontade de “ir de encontro às opiniões da sociedade” e no Plano de Promoção de Veículos Eléctricos em Macau.

À luz das mudanças anunciadas ontem, o carregamento com uma potência superior a 3,4 kW e até 7,4 kW vai passar a custar 1,94 patacas/kW se for feito no horário entre as 9h e as 20h. É uma redução de 9,8 por cento, face ao preço actual de 2,15 patacas/kW. Se o carregamento for efectuado no horário entre 20h e as 9h, o preço baixa para 1,28 patacas/kW, quando agora é de 1,42 patacas/kW, uma diferença de 9,9 por cento.

No caso de a potência ser superior a 7,4 kW e até 25 kW o preço vai ser reduzido em 10,1 por cento, para 2,68 patacas por kW, face às 2,98 patacas por kW de agora. Finalmente, nos carregamentos com uma potência de superior a 25 kW, mas inferior a 120 kW, o preço vai baixar 9,9 por cento, para 3,10 patacas por kW. Actualmente o preço para este tipo de carregamentos está fixado nas 3,44 patacas por kW.

Mais postos

Além da redução do preço, a segunda depois de o mesmo caminho ter sido adoptado em 2022, o Governo promete ir continuar a trabalhar para expandir a dimensão da rede de carregamentos.

“O Governo da RAEM irá continuar a aperfeiçoar as instalações de carregamento em conformidade com o Plano de Promoção de Veículos Eléctricos em Macau e aumentar, em tempo oportuno, o número de instalações de carregamento a velocidades e padrões diferentes e de instalações de troca de baterias nos parques de estacionamento públicos ou bairros que reúnam as condições adequadas para tal”, foi prometido. “Irá exortar a concessionária de energia eléctrica a optimizar a plataforma de gestão de carregamento de electricidade, garantindo a prestação de serviços de carregamento de elevada qualidade”, foi acrescentado.

Ensino superior | Académico destaca crescimento do sector em Macau

Em “Macau, redes, diálogos e afectos – A consolidação da comunidade lusófona de estudos da China”, o académico Pedro Steenhagen defende que Macau está a dar passos largos para ser uma ponte de ligação a nível académico com os países de língua portuguesa, apesar de “ter ainda um longo caminho para atingir as metas”

Acaba de ser editado na Revista Sinóptica, projecto editorial do portal Observa China, o artigo “Macau, redes, diálogos e afectos – A consolidação da comunidade lusófona de estudos da China”, da autoria do académico e doutorando Pedro Steenhagen. No artigo, destaca-se o papel que a RAEM pode ter na conexão do seu sistema de ensino superior com os países de língua portuguesa, e da importância crescente que tem tido nessa área.

“Os referidos esforços no campo da educação não ficam apenas na retórica”, descreveu no artigo, referindo que “em relativamente poucas décadas, a nação asiática tornou-se numa verdadeira potência na área”. Pedro Steenhagen baseia-se em dois rankings mundiais para avaliar a qualidade do ensino superior no mundo, nomeadamente o World University Rankings 2026 da Times Higher Education (de 2025), que mostra como “Macau, pequena região administrativa especial da China, possui três universidades ranqueadas: Universidade de Macau (145), Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (251-300) e Universidade da Cidade de Macau (601-800)”, sendo estes dados relativos às posições ocupadas no ranking.

“De maneira muito interessante, as universidades da RAEM têm experimentado um crescimento estrondoso; por exemplo, a Universidade de Macau teve um salto de mais de 250 posições no ranking nos últimos 10 anos”, destaca o autor do artigo. Na sua visão, estes dados traduzem-se no facto de a RAEM “assumir um papel de liderança cada vez mais relevante na área da educação e da pesquisa”.

Além disso, tem “a melhor universidade do mundo lusófono em seu território, experimenta uma intensa expansão do sector de educação e pesquisa e serve como eixo fundamental para o intercâmbio de pessoas e a promoção de conhecimento”.

Tendo em conta os rankings, o artigo de Pedro Steenhagen recorda que a China “possui cinco [universidades] no top 50 do mundo: Universidade Tsinghua (12), Universidade de Beijing (13), Universidade Fudan (36), Universidade de Zhejiang (39) e Universidade Shanghai Jiaotong (40)”, sendo que o ranking da Times Higher Education “mostra um total de 97 resultados para a China continental”.

O Brasil, na qualidade de “maior país de língua portuguesa do globo, possui um total de 59 resultados, e suas cinco melhores universidades são: Universidade de São Paulo (201-250), Universidade Estadual de Campinas (351-400), Universidade Federal do Rio de Janeiro (601-800), Universidade Estadual Paulista (601-800) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (601-800)”.

No caso de Portugal, há 16 resultados, com os cinco melhores estabelecimentos de ensino superior a serem a Universidade de Coimbra, Universidade de Lisboa, Universidade do Porto, Universidade Nova de Lisboa e ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa.

Olhando para os restantes países de língua portuguesa, Pedro Steenhagen destaca como “Moçambique possui apenas uma presença no ranking”, com a Universidade Eduardo Mondlane, enquanto que “nenhum outro país de língua portuguesa possui universidades ranqueadas”.

Um longo caminho

Apesar dos bons resultados, Pedro Steenhagen aponta que “a RAEM ainda tem um longo caminho para atingir todas as suas metas”. No entanto, “o seu enorme potencial como protagonista regional e global em áreas como tecnologia e inovação, turismo sustentável, indústria criativa, finanças e, particularmente, ensino, pesquisa e intercâmbio de pessoas já é bastante claro”.

No artigo académico é referida a “componente da Lusofonia e da conexão única com os PLPs [países de língua portuguesa] que acrescenta ainda mais dinamismo às suas ambições e a uma trajectória que já pode ser considerada incrivelmente bem-sucedida desde a sua retrocessão”, ou seja, a transição da administração portuguesa de Macau para a China, em 1999.

No caso da Universidade de Macau (UM), a primeira a surgir em Macau, e que está agora a comemorar 45 anos de existência, “possui o maior departamento de português da Ásia”, é destacado no artigo, além de ter “dois centros de pesquisa: o Centro de Investigação para Estudos Luso-Asiáticos e o Centro de Ensino e Formação Bilíngue Chinês-Português”, sendo “notável o seu crescente movimento de internacionalização”.

Pedro Steenhagen contabiliza os “programas de intercâmbio de estudantes com mais de 10 universidades brasileiras”, além do fortalecimento da “colaboração em ensino e pesquisa via alianças internacionais, como a Associação das Universidades de Língua Portuguesa, e estabelecido o Centro de Estudos Judiciários e Jurídicos da China e dos Países de Língua Oficial Portuguesa”.

É referido o exemplo da Universidade Cidade de Macau (UCM), onde está estabelecido o Instituto para Pesquisa sobre Países de Língua Portuguesa, com “programas únicos” de mestrado e doutoramento em Estudos de Países de Língua Portuguesa.

Ao estabelecer parcerias com o ISCTE-IUL, a UCM fica numa “posição na vanguarda de programas e de iniciativas académicas que vão além de questões puramente linguísticas e culturais” na conexão com os países de língua portuguesa.

Há ainda o exemplo de uma instituição de ensino superior privada, a Universidade de São José, que “firmou [acordos] por exemplo, com a Universidade Federal do Ceará e a Universidade Católica Portuguesa, não só para aproximação no âmbito bilateral, mas também para promover projectos conjuntos”.

O lugar do Governo

Pedro Steenhagen refere ainda a intervenção do Governo da RAEM na ligação ao mundo lusófono, nomeadamente da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico e do Centro de Incubação de Negócios para os Jovens de Macau, que realizaram o Concurso de Inovação e Empreendedorismo de Macau para as Empresas de Tecnologia do Brasil e de Portugal desde 2021.

Destaca-se o Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) em Lisboa e as Casas de Macau espalhadas pelo mundo que, “juntamente com iniciativas internacionais como o Encontro de Comunidades Macaenses, contribuem não só para a vitalidade dos intercâmbios intelectuais, mas também para o cultivo da memória e dos laços afetivos entre Macau, a diáspora, os descendentes e as comunidades lusófonas”.

“Associações como a Associação de Estudos Brasileiros em Macau e a Associação Industrial e Comercial de Macau oferecem substância, de maneira complementar às universidades e aos institutos de pesquisa, para o estreitamento de relações, o desenvolvimento de redes e a geração de diálogos cada vez mais frutíferos entre as partes envolvidas”, lê-se ainda.

Pedro Steenhagen é doutorando na área de Política Internacional na Escola de Relações Internacionais e Assuntos Públicos da Universidade Fudan, e presidente do Conselho de Cidadãos Brasileiros em Xangai. Na plataforma Observa China, é director de desenvolvimento e coordenador do Núcleo de Relações China-Brasil e Lusofonia. A plataforma é um think-tank criado em 2020 por “um grupo de jovens profissionais e estudantes com a missão de criar uma rede para qualificar o debate sobre a China em português”, lê-se no website.