Fotografia | “Somos – Imagens da Lusofonia: O Hoje do Passado” nas Casas da Taipa Hoje Macau - 1 Jun 2026 A exposição “Somos – Imagens da Lusofonia: O Hoje do Passado” está patente na Galeria de Exposições das Casas da Taipa até 28 de Junho. A mostra, com curadoria de Francisco Ricarte, agrega as fotografias vencedoras do concurso lançado entre Janeiro e Março deste ano, assim como as menções honrosas e ainda imagens que o júri do concurso achou serem “relevantes por promoverem a comunicação em língua portuguesa e a disseminação das tradições e características lusófonas”. Segundo a Somos, as imagens expostas capturam os costumes, tradições e elementos culturais que sobrevivem aos tempos, sejam edifícios históricos, locais públicos, técnicas artesanais antigas, ferramentas tradicionais de artesãos, ou práticas comunitárias ancestrais. A associação indicou também que ao escolher o tema “O Hoje do Passado”, pretendeu que o foco do concurso fosse as “coisas antigas que perduram no tempo, que ainda hoje têm uma função e um propósito nas nossas sociedades e vidas, marcando a identidade cultural associada a um determinado espaço geográfico”.
Hong Kong | Confirmada prisão de antigo presidente da associação de jornalistas Hoje Macau - 1 Jun 2026 O jornalista de Hong Kong Ronson Chan começou sexta-feira a cumprir uma pena de cinco dias de prisão, após perder o recurso contra uma condenação por obstrução policial. Ronson Chan, antigo presidente da Associação de Jornalistas de Hong Kong, foi detido em Setembro de 2022 quando se dirigia para uma reportagem. As autoridades acusaram-no de se recusar a apresentar o cartão de identidade a um agente à paisana que lho solicitou. Um tribunal de primeira instância condenou Chan, em 2023, a cinco dias de prisão, considerando que o jornalista não apresentou o documento de identificação de forma atempada e continuou a fazer perguntas ao agente de forma “imprudente”. O jornalista recorreu da decisão e permaneceu em liberdade sob fiança. A juíza do Tribunal Superior Lily Wong confirmou sexta-feira a condenação e a pena de prisão, ordenando o seu imediato encarceramento. Antes da audiência, Chan, que envergava uma camisola preta com a inscrição “Free Press” (“Imprensa Livre”), afirmou aos jornalistas sentir emoções contraditórias. O antigo dirigente associativo disse ter permanecido em Hong Kong para continuar a exercer jornalismo porque a liberdade de imprensa está garantida pela Lei Básica, a miniconstituição do território.
Ásia | Hegseth diz que reforço militar chinês dá “razões legítimas para alarme” Hoje Macau - 1 Jun 2026 O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou sábado que há “razões legítimas para alarme” face ao reforço militar chinês na Ásia-Pacífico, onde os Estados Unidos desejam um “equilíbrio estável” e rejeitam qualquer “hegemonia”. “Olhando para a região hoje, há razões legítimas para alarme face à dimensão histórica do reforço militar da China e à expansão das suas actividades militares na região e além dela”, declarou Hegseth em Singapura, durante o Diálogo de Shangri-La, um importante fórum dedicado a questões de defesa. O Diálogo de Shangri-La reúne, durante três dias e até domingo, altos responsáveis políticos e militares, bem como especialistas e investigadores de cerca de 45 países. Este fórum anual alterna discursos, mesas redondas e entrevistas privadas no luxuoso hotel Shangri-La. Um ambiente propício a discussões, mesmo entre países rivais, seja em sessões públicas ou na intimidade de salões acolhedores, longe dos microfones. “O que procuramos (…) é, na verdade, um equilíbrio estável, que funcione tanto para os americanos como para os nossos aliados”, afirmou ainda Pete Hegseth, que se fez acompanhar de uma extensa delegação. Em contrapartida, a China enviou, pelo segundo ano consecutivo, apenas uma equipa de especialistas militares e investigadores, sem enviar o seu ministro da Defesa, Dong Jun.
Socialistas presos André Namora - 1 Jun 2026 Declaração de interesse: não temos nada, absolutamente nada a ver com o Partido Socialista. Mas, em Portugal algo mudou na política e na investigação judicial. Existem actualmente em Portugal 24 partidos políticos legalmente inscritos no Tribunal Constitucional. Destes, oito têm assento parlamentar na Assembleia da República. Não nos lembramos desde o 25 de Abril de 1974 que a Polícia Judiciária tenha realizado, com 400 funcionários e técnicos de informática, várias buscas domiciliárias e não domiciliárias a um só partido político, como o fez, na semana passada, ao Partido Socialista, dirigindo-se à sua sede principal de Lisboa e em juntas de freguesia e residências onde se encontravam socialistas em Lisboa, Oeiras, Mafra e Coimbra, A megaoperação versus espectáculo da PJ deteve vários membros do PS e mais de 40 funcionários do partido passaram à situação de arguidos. Recorde-se, que a operação “Tutti Fruti”, dirigida a Rui Rio não abrangeu somente membros do PSD e deu zero. Que a ida de um avião com funcionários da PJ para a Madeira deu zero. Neste sentido, começamos por sublinhar que 400 funcionários da PJ fariam imensa falta nos seus gabinetes para accionarem as muitas queixas-crimes que deram entrada pela mão de muitos cidadãos portugueses e que passados muitos meses continuam a marcar passo, com a alegação da falta de pessoal, especialmente de procuradores. Por outro lado, salientar que as buscas da PJ foram de tal forma chocantes na sociedade porque deu a ideia de que no Partido Socialista era tudo uma cambada de corruptos. Com a agravante de ser precisamente no dia seguinte a uma operação idêntica em Espanha ao Partido Socialista Operário Espanhol. A PJ alega que a existem suspeitas de corrupção, factos relativos a adjudicações por autarquias, cujo valor global pode ascender a quase dois milhões de euros, suspeitas de alegadas práticas de crime de prevaricação e participação económica em negócios, peculato, abuso de poder, procedimentos de contratação de militantes socialistas e à adjudicação por ajuste directo de serviços a empresas associadas a elementos do Partido Socialista, por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia. Obviamente que se se vier a provar tais factos, que os responsáveis terão de ser punidos. Mas, vamos a factos. Vamos a coincidências. Vamos a jornalixo. Vamos a discriminação. Em primeiro lugar, não pomos as mãos no lume que nos outros partidos não aconteça precisamente a mesma coisa. Por exemplo, a PJ não realizou nenhuma megaoperação domiciliária quando elementos do Partido Chega, roubavam malas nos aeroportos ou eram acusados de pedofilia. Que coincidência a realização da operação da PJ, já que foi realizada quando um homem que foi muitos anos director da instituição passou para ministro e aconselhou que um seu amigo ocupasse o seu lugar à frente da PJ. Coincidência, quando canais de televisão da propriedade de Cristiano Ronaldo, amigo de Donald Trump, canais que mais entrevistam André Ventura apoiante de Trump e o político português que de imediato veio a público apoiar a operação da PJ e pronunciar-se contra o líder socialista José Luís Carneiro. Isto, quando muito recentemente as sondagens divulgadas deram um resultado com o Partido Socialista em primeiro lugar. Coincidência, chocante e repugnante, por parte dos referidos canais televisivos que em apenas duas horas divulgaram mais de 50 vezes que tinha sido detido Duarte Moral “assessor de António Costa”, quando o ex-primeiro ministro já não o é há cerca de três anos. Com a agravante de o jornalixo desses canais não referir que Duarte Moral foi assessor de António Costa, de Pedro Nuno Santos e de José Luís Carneiro, porque é o principal quadro do partido na área da comunicação e antigo jornalista. A propósito, à mesma hora em que esses canais televisivos não cessavam de divulgar o nome de António Costa, a RTP Notícias falava sobre a Ucrânia, a CNN Portugal da guerra no Irão e a SIC Notícias de José Mourinho e de Marco Silva. Algo mudou mesmo em Portugal. Antes, dizia-se à política o que é da política e à justiça o que é da justiça. No entanto, o povinho não é atrasado mental e já verificou que algo se está a misturar entre a política e a justiça. Estranho é a PJ nunca ter realizado buscas às dezenas de juntas de freguesias lideradas por políticos de diferentes partidos que têm criminosamente vendido terrenos baldios que por lei são “invendáveis” e pertencem ao Estado. Na passada noite de quinta-feira, sexta e sábado, naturalmente que todos os canais de televisão e toda a imprensa veio a público anunciar a detenção de cinco socialistas, aliás quatro, porque uma senhora detida foi logo libertada porque o “crime” cometido era ter em casa uma velha arma que era do seu pai. Além dos detidos, passaram à condição de arguidos cerca de 40 socialistas. A ideia que ficou pelo país só deu força ao político neofascista que deseja a todo o momento descredibilizar a democracia. Lá vieram as conversas nos cafés de que “Ventura é que tem razão, são todos uma camarilha de ladrões nestes partidos do sistema”. Entretanto, vários socialistas, entre eles João Soares, já vieram a público sublinhar que a operação da PJ se tratou de “uma cabala contra o PS num momento em que o partido é apresentado em primeiro lugar nas sondagens”. Desta forma, não nos admira nada que as sondagens apresentem o Chega em segundo lugar. O governo de Montenegro e os seus interesses políticos em derrotar o Partido Socialista leva muita gente a actuar para lhe agradar… E mais uma vez, a montanha pariu um rato: o juiz mandou todos os detidos em liberdade.
Redes sociais | Malásia restringe acesso a menores de 16 anos Hoje Macau - 1 Jun 2026 A Malásia começou na segunda-feira a restringir o acesso a redes sociais por menores de 16 anos, uma medida que segue o exemplo da Austrália e que é considerada por outros países como Espanha, Reino Unido e Portugal. O objectivo desta política é “uma maior segurança” para os menores, que segundo as autoridades estão expostos a conteúdos “a uma escala de intensidade sem precedentes”. “Dado que (as crianças) ainda estão a desenvolver a capacidade para avaliarem riscos, gerirem interacções nas redes e tomarem decisões informadas, são particularmente vulneráveis aos perigos na internet”, aponta Kuala Lumpur ao mencionar “a exposição a conteúdo danoso” ou “interacções inseguras” com outros utilizadores de internet. As plataformas que tenham mais de oito milhões de utilizadores no país estão obrigadas a adoptar medidas de “segurança infantil” para garantir o “uso seguro” dos serviços por parte de utilizadores menores de idade, recordou na semana passada a Comissão de Comunicações e Multimédia da Malásia. Caso as plataformas não cumpram a lei, a Malásia estipula multas de até cerca de 2,1 milhões de euros e exime os pais ou tutores do incumprimento, apesar de lhes recomendar que supervisionem o uso das redes pelos filhos.
Estados Unidos e Japão comprometem-se a acelerar desenvolvimento e produção de mísseis Hoje Macau - 1 Jun 2026 Washington e Tóquio procuram acelerar a produção conjunta de mísseis face às tensões regionais com a China, exacerbadas pela questão de Taiwan, informou ontem o gabinete do ministro japonês da Defesa, Shinjiro Koizumi. A iniciativa foi apresentada ontem em Singapura, à margem do Diálogo de Shangri-La, durante uma reunião entre Koizumi, e o secretário norte-americano da Defesa, Pete Hegseth, segundo um comunicado do gabinete do ministro da Defesa nipónico. Koizumi propôs a Hegseth a “Operação Impulso” (‘Operation Supercharge’), um projecto para acelerar o desenvolvimento e produção conjuntos de mísseis, como o SM-3 Block IIA e o AMRAAM, e ambos debateram medidas concretas para a concretizar, segundo o texto. Com esta iniciativa, Tóquio concretiza o plano de execução da cooperação em mísseis acordada em Março durante a cimeira entre a primeira-ministra Sanae Takaichi e o Presidente norte-americano, Donald Trump, em Washington. Koizumi explicou também a revisão do quadro japonês de transferência de equipamento e tecnologia de defesa, enquanto Hegseth acolheu favoravelmente essas alterações e expressou o apoio de Washington aos esforços de Tóquio para reforçar as capacidades defensivas, afirmou o ministério japonês. Ameaças regionais A reunião ocorreu depois de o jornal japonês Yomiuri Shinbun ter noticiado esta semana que, durante a recente cimeira entre Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, o líder chinês apontou Takaichi e o líder de Taiwan, Lai Ching-te, como ameaças à paz regional, instando Trump a não os apoiar. Embora o comunicado japonês sobre o encontro dos responsáveis da Defesa nipónico e norte-americano em Singapura não mencione explicitamente Taiwan, refere que ambos discutiram uma vasta gama de assuntos regionais, “incluindo temas relacionados com a China”. Os dois governantes comprometeram-se ainda a aumentar a dispersão aérea flexível e a presença bilateral na região sudoeste do Japão, onde se encontram as ilhas Nansei, próximas de Taiwan, e apoiaram a mobilização temporária de meios militares norte-americanos.
Direito do Mar | China acusa Japão e Filipinas de violar a sua soberania com acordo marítimo Hoje Macau - 1 Jun 2026 O Governo chinês acusou sexta-feira o Japão e as Filipinas de violarem o direito internacional ao avançarem com negociações para delimitar as fronteiras marítimas em águas situadas a leste de Taiwan, uma área sobre a qual Pequim reivindica soberania. Em conferência de imprensa, a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou que a China detém “direitos sobre a zona económica exclusiva e a plataforma continental” nas águas adjacentes a Taiwan. Segundo Mao, a iniciativa de Tóquio e Manila prejudica os direitos e interesses marítimos da China e constitui uma “violação do direito internacional”, nomeadamente da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. “A China manifesta forte insatisfação e firme oposição e apresentou protestos formais ao Japão e às Filipinas”, afirmou a porta-voz, apelando aos dois países para abandonarem a iniciativa. Mao classificou ainda as negociações como “ilegais” e “inválidas”, acrescentando que estas “não afectarão de forma alguma os direitos, reivindicações e o exercício legítimo dos direitos da China nas águas a leste da ilha de Taiwan”. Na quinta-feira, Japão e Filipinas elevaram as relações bilaterais e anunciaram o início de negociações para um futuro acordo de partilha de informação militar classificada, num contexto de crescente influência da China no Indo-Pacífico. Após uma reunião em Tóquio entre a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o Presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., realizada durante a visita de Estado do líder filipino ao Japão, os dois países divulgaram uma declaração conjunta anunciando o arranque das negociações para delimitar as respectivas fronteiras marítimas. Tóquio e Manila mantêm disputas separadas com Pequim nos mares do Leste e do Sul da China, respectivamente, e o recente reforço da cooperação militar entre os dois países conta com o apoio dos Estados Unidos, no âmbito de uma parceria trilateral lançada em 2024.
Farmácia | Innovent e Pfizer fecham acordo de 9 MME para fármacos oncológicos Hoje Macau - 1 Jun 2026 A biofarmacêutica chinesa Innovent Biologics anunciou sexta-feira um acordo com a norte-americana Pfizer para desenvolver 12 medicamentos oncológicos em fase inicial, parceria que poderá gerar até 10,5 mil milhões de dólares. Segundo um comunicado enviado pela Innovent à Bolsa de Valores de Hong Kong, o acordo prevê um pagamento inicial de 650 milhões de dólares à empresa chinesa, além de até 9,85 mil milhões de dólares adicionais em pagamentos dependentes de metas de desenvolvimento, aprovação regulatória e comercialização. A parceria abrange uma carteira de 12 programas contra o cancro, composta por oito activos em fase inicial desenvolvidos pela Innovent e quatro novos projectos propostos pela farmacêutica norte-americana. Entre os programas, estão anticorpos conjugados com fármacos (ADC, na sigla inglesa), uma classe de tratamentos que combina anticorpos com agentes terapêuticos dirigidos a células tumorais, bem como anticorpos concebidos para atuar sobre múltiplos alvos. Nos termos do acordo, a Innovent liderará o desenvolvimento dos 12 programas até aos ensaios clínicos de fase 1, após os quais a Pfizer assumirá o desenvolvimento global. A parceria divide-se em três blocos. Quatro programas serão desenvolvidos e comercializados conjuntamente, com partilha de lucros nos Estados Unidos e na Europa, enquanto a Innovent manterá os direitos no mercado da Grande China, que inclui China continental, Hong Kong, Macau e Taiwan. Noutros quatro programas, a Pfizer receberá uma licença exclusiva fora da Grande China e assumirá a maior parte dos custos de desenvolvimento. Nos restantes quatro, a farmacêutica norte-americana obterá uma licença global exclusiva e ficará responsável pelo desenvolvimento à escala mundial.
Bruxelas considera que relações comerciais com a China têm de mudar Hoje Macau - 1 Jun 20261 Jun 2026 A Comissão Europeia considerou sexta-feira que as relações comerciais e de investimento entre a União Europeia e a China “não são sustentáveis” e o bloco precisa de dar uma “resposta mais robusta e coerente” no actual contexto internacional. Num comunicado divulgado após o Colégio de Comissários ter realizado um debate sobre as relações entre a UE e a China ao nível económico e comercial, a Comissão Europeia salienta que a “abordagem geral” do executivo relativamente a Pequim continua a ser de reduzir dependências e não de desvincular-se a nível económico. “A China é um parceiro crucial e a colaboração e o diálogo vão continuar”, assegura o executivo. No entanto, a Comissão Europeia frisa que “o estado actual da relação comercial e de investimento” entre as duas partes “não é sustentável”. “À medida que os interesses económicos e de segurança se tornam mais interligados, ambas as dimensões exigirão uma resposta mais robusta e coerente”, defende o executivo. A Comissão Europeia refere que a reunião de sexta-feira foi importante porque permitiu “fazer um balanço das relações entre a UE e a China, abrangendo tanto as oportunidades que elas apresentam como os desafios que colocam”. “O debate de hoje [sexta-feira] irá contribuir para o trabalho das próximas semanas, tendo em vista novas discussões no G7 e na cimeira do Conselho Europeu de Junho”, indica o executivo. Diálogos complexos O debate realizado ocorre numa altura em que a Comissão Europeia tem manifestado preocupação com o aumento das exportações chinesas e “distorções sistémicas” nas relações comerciais entre os dois blocos. Esta quinta-feira, na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, em Bruxelas, a porta-voz principal do executivo comunitário, Paula Pinho, frisou que as preocupações relacionadas com as trocas comerciais se devem sobretudo ao “excesso de capacidade produtiva da China”. “O nosso objectivo é reequilibrar o comércio e as nossas relações económicas, e este será um dos temas em discussão amanhã [sexta-feira] no debate de orientação”, indicou a porta-voz principal do executivo comunitário, Paula Pinho. As relações entre a UE e a China têm vindo a tornar-se cada vez mais complexas, num contexto de crescente concorrência económica e tecnológica. A China é actualmente o terceiro maior parceiro comercial da UE em bens, enquanto a UE continua a ser um dos principais destinos das exportações chinesas, num volume que ultrapassa os 800 mil milhões de euros anuais no comércio bilateral.
MNE | Relações com Canadá melhoraram e são agora de cooperação Hoje Macau - 1 Jun 2026 As mudanças no relacionamento entre as duas nações receberam um novo impulso com a recente visita de Mark Carney à China. Agora, é Wang Yi que se desloca ao Canadá para dar continuidade à cooperação bilateral O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês considerou sábado que as relações da China com o Canadá são de cooperação, afirmando que a visita do primeiro-ministro canadiano a Pequim no início do ano permitiu “corrigir o rumo” das relações bilaterais. Wang Yi reuniu-se na sexta-feira em Otava com o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, e a sua homóloga, Anita Anand, na primeira visita de um ministro dos Negócios Estrangeiros chinês ao Canadá desde 2016. Segundo revelou sábado o Ministério chinês, Wang Yi afirmou, durante a visita, que não existem “conflitos fundamentais” entre os dois países, mas sim “um amplo espaço de cooperação”. O diplomata chinês adiantou que a mudança nas relações entre Pequim e Otava, na sequência da visita de Carney, “respondeu aos interesses de ambos os países” e às expectativas, acrescentando que a China está disposta a trabalhar com o Canadá com base no “respeito mútuo”, na comunicação e na gestão das diferenças. Segundo o ministro, os dois países devem defender o multilateralismo, o direito internacional e a “autonomia estratégica”, ao mesmo tempo que apoiam o comércio livre e uma economia global aberta. “A China está disposta a trabalhar com o Canadá para promover o desenvolvimento saudável, estável e sustentável das relações bilaterais”, disse. Sinais positivos Por seu lado, Carney afirmou que, desde a sua viagem à China, os contactos a vários níveis e a cooperação bilateral “foram intensificados” e produziram “resultados positivos”, divulgou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China. O primeiro-ministro canadiano manifestou a disponibilidade de Otava para manter contactos de alto nível com Pequim e aprofundar a cooperação em áreas como a energia, as finanças, a agricultura e as pescas. No encontro com a sua homóloga canadiana, Wang reconheceu que as relações entre a China e o Canadá passaram por “altos e baixos” nos últimos anos, mas disse que os contactos e a cooperação em várias áreas “foram revitalizados”. Anita Anand, por seu lado, considerou que o Canadá atribui grande importância às relações com a China, que as trocas a vários níveis estão a tornar-se cada vez mais frequentes e que a cooperação em energia, finanças e comércio está a crescer rapidamente, adiantou o Ministério chinês. A ministra canadiana afirmou ainda que Otava pretende aumentar as exportações para o mercado chinês em 50 por cento até 2030 e agradeceu a Pequim a isenção de vistos concedida aos cidadãos canadianos para estadias curtas. Laços tensos As relações entre os dois países estavam a deteriorar-se desde 2018, após a detenção em Vancouver de Meng Wanzhou, executiva da Huawei, a pedido dos Estados Unidos, episódio a que Pequim respondeu com a detenção dos canadianos Michael Kovrig e Michael Spavor e com restrições comerciais aos produtos canadianos. Os três foram libertados em 2021, o que permitiu uma melhoria parcial dos laços, embora a relação se tenha voltado a deteriorar em 2023, quando o Canadá acusou a China de interferir nos seus processos eleitorais e expulsou um diplomata chinês. O degelo acelerou após a tomada de posse de Carney, no início de 2025, num contexto em que Otava procura diversificar as relações económicas e reduzir a dependência comercial relativamente aos Estados Unidos. Em Janeiro, Carney deslocou-se a Pequim, onde se reuniu com o Presidente chinês, Xi Jinping, e anunciou uma actualização da parceria estratégica bilateral, bem como acordos para flexibilizar as restrições comerciais.
Barcos do Dragão, teatro chinês e desporto em família na agenda de Junho Hoje Macau - 1 Jun 2026 Mais uma página no calendário, mais uma mão cheia de eventos culturais para animar a cidade. O Instituto Cultural (IC) apresentou na sexta-feira o cartaz cultural e de actividades planeadas para Junho, com particular destaque para a organização de alguns eventos desportivos. Nos dias 13, 14 e 19 de Junho realizam-se as “SJM Regatas Internacionais de Barcos-Dragão de Macau 2026”, no Centro Náutico da Praia Grande. Nos primeiros dois dias de competição vão decorrer as provas locais para pequenas e grandes embarcações, enquanto a regata internacional está marcada para 19 de Junho. Entre 16 e 21 de Junho, a Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental acolhe a Open de Macau de Badminton 2026, enquanto o Campeonato da FIA de Karting “Arrive and Drive” da Ásia-Pacífico está agendado para o Kartódromo de Coloane entre 19 e 21 de Junho. O IC indicou também que estão abertas as inscrições para várias actividades desportivas pensadas para serem feitas em família. No próximo dia 7 de Junho, realiza-se o evento “Comunidade dinâmica – Dia de Desporto em Família 2026” no Estádio e no Pavilhão Desportivo do Centro Desportivo Olímpico, com competições desportivas para pais e filhos dos 2 aos 10 anos. Este ano, foram introduzidos novos elementos como como tiro com arco, floor curling, lançamentos, pickleball e escalada. Os interessados nestas actividades podem inscrever-se até amanhã, às 22h, através da aplicação móvel Conta Única. Espírito Han Na apresentação do cartaz deste mês, o IC destacou ainda a peça “Escrito em Sons e o musical Nora”, integrados no “6.º Festival Cultural de Teatro Chinês da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau”, bem como o concerto “Leia Zhu e a Orquestra de Macau”, apresentado pela Melco Resorts & Entertainment, e o concerto “Ondas Flutuantes” da Orquestra Chinesa de Macau. Em celebração do Dia do Património Cultural e Natural da China, que se realiza no dia 13 de Junho, o Farol da Guia estará aberto ao público e haverá sessões de experiência gratuitas “Visitando as Ruínas de S. Paulo no Espaço e no Tempo – Exposição de Realidade Virtual nas Ruínas de S. Paulo”, juntamente com visitas guiadas oferecidas por cerca de 20 edifícios históricos e museus. Este mês será também inaugurada a “Cidade e Imagem: o Fio do Tempo – Exposição de Imagens Históricas do Acervo do Arquivo de Macau”, no edifício histórico de Macau. Ao mesmo tempo, o IC destaca exposições que continuam patentes, como “GRANDIOSO ESPÍRITO DE HAN – Exposição de Tesouros da Dinastia Han de Xuzhou” até 14 de Junho e “Duetos da Natureza: Pinturas de Paisagem das Dinastias Ming e Qing do Museu Nacional da China” até 26 de Julho”.
IC | Marionetas portuguesas recriam Pedro e o Lobo em festival para crianças Hoje Macau - 1 Jun 2026 A companhia portuguesa Trupe Fandanga vai recriar com marionetas a fábula Pedro e o Lobo no terceiro Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau, entre 30 de Junho e 30 de Agosto. O festival inclui cerca de mil eventos, entre teatro, cinema, exposições e actividades para famílias O Instituto Cultural (IC) revelou que a Trupe Fandanga vai apresentar, entre 14 e 17 de Agosto, o espectáculo “Os Lobos de Pedra”, no Centro Cultural de Macau. O espectáculo “recria a corajosa história de Pedro e o Lobo”, disse uma porta-voz do IC, numa referência à fábula russa, tornada famosa pela composição musical escrita por Sergei Prokofiev em 1936. “Os Lobos de Pedra” foi criado através de uma parceria entre a Trupe Fandanga e o centro cultural e transdisciplinar Circolando CRL Central Elétrica, ambas com sede no Porto. A sinopse do espectáculo indica que a peça tem como ponto de partida “a viagem de um rapaz aos labirintos do seu coração, onde habitam lobos escuros e lobos luminosos, e todos desejam ser o maior e o mais forte do covil”. O programa conta ainda com a participação de grupos locais e vindos da Austrália e da China continental, disse a presidente do IC na sexta-feira, em conferência de imprensa. Cidade em festa O festival inclui cerca de mil actividades, distribuídas por 55 projectos, entre actuações em palco, um festival com 35 filmes, exposições, uma feira do livro, instalações ao ar livre, um acampamento artístico e workshops. Leong Wai Man disse que os eventos, pensados para crianças e jovens de diferentes idades, vão expandir-se para outros lugares além do Centro Cultural e no vizinho Museu de Arte. A dirigente apontou como objectivos do festival “levar a cultura às comunidades” e “promover uma maior convivência entre avós e netos”, nomeadamente através de workshops para estes grupos etários. Além de cultivar os interesses artísticos desde cedo e alargar os horizontes das crianças e dos jovens de Macau, o festival pretende ainda “criar memórias inolvidáveis para todos os membros da família”, sublinhou a presidente do ICM. O evento, com um orçamento de 23 milhões de patacas, vai ser organizado pelo IC, em conjunto com a MGM, uma das seis operadoras de casinos de Macau, que irá contribuir com cerca de três milhões de patacas. Na mesma conferência de imprensa, foram apresentadas as actividades culturais e desportivas organizadas pelo Governo em Junho, que incluem uma adaptação teatral de “Ensaio sobre a Cegueira”, do escritor português José Saramago. Leong Wai Man disse à Lusa que os alunos de representação da Escola de Teatro do Conservatório de Macau prepararam a adaptação da “famosa obra” de Saramago (1922-2010) como espectáculo de encerramento do actual ano lectivo, em 6 e 7 de Junho.
Trabalho | Nove vítimas mortais em acidentes Hoje Macau - 1 Jun 2026 No ano passado, morreram nove pessoas em acidentes de trabalho. Os dados constam do relatório anual da Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). Ao longo de 2025, houve um total de 5.102 vítimas em acidentes de trabalho, das quais nove resultaram em mortes. As principais causas foram “queda de pessoas” (24,1 por cento), “entalamento, perfuração ou corte” (20,0 por cento) e “esforços excessivos” (17,4 por cento). A DSAL aplicou multas a uma entidade, por infracções à segurança e saúde ocupacional, e a 40 entidades patronais por infracções ao regime de reparação de acidentes de trabalho, envolvendo 260 trabalhadores. Foram realizadas 3.417 visitas, com 300 recomendações de melhoria e multas em 17 situações. Também foi emitida uma ordem de suspensão de trabalhos. Legionella | Infectado luta pela vida depois de ida ao Interior Os Serviços de Saúde (SS) anunciaram o sétimo caso de legionella do ano na sexta-feira. O infectado é um indíviduo não residente de Macau, com 58 anos, e que manifestou sintomas depois de uma deslocação ao Interior entre os dias 19 e 27 de Maio. Segundo os SS, “o doente encontra-se em estado grave, necessitando de ventilação mecânica para suporte respiratório”. Os primeiros sintomas foram revelados ainda no Interior, mas o homem apenas foi ao hospital em Macau. “No dia 27, face ao agravamento dos sintomas após a chegada a Macau, o doente recorreu ao Hospital Kiang Wu, sendo de imediato transferido para a Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) para tratamento. O exame radiográfico torácico revelou pneumonia bilateral. No dia 28, a análise da amostra de urina evidenciou reacção positiva ao antigénio da Legionella pneumophila, tendo sido diagnosticada a doença dos Legionários”, foi revelado. É o sétimo caso tornado público pelos SS desde o início do ano.
Turismo | Hotéis com quase 4,9 milhões de hóspedes até Abril Hoje Macau - 1 Jun 2026 Desde que há estatística, os hotéis de Macau nunca tinham recebido tantos hóspedes. A taxa de ocupação entre Janeiro a Abril atingiu 91,8 por cento Os estabelecimentos hoteleiros de Macau acolheram 4,87 milhões de hóspedes até Abril, um novo recorde máximo para os primeiros quatro meses de um ano, foi anunciado na sexta-feira. De acordo com dados oficiais da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), este valor representa um aumento de 1,9 por cento em comparação com igual período de 2025. Além disso, é o número mais elevado desde que a DSEC começou a compilar estes dados, em 1998, ainda antes da transição de Portugal para a China. O anterior recorde máximo para os primeiros quatro meses de um ano (4,66 milhões de hóspedes) tinha sido fixado em 2019, antes do início da pandemia de covid-19. Com mais hóspedes, os estabelecimentos hoteleiros do território tiveram 91,8 por cento dos quartos ocupados entre Janeiro e Abril, mais 2,2 pontos percentuais do que no mesmo período de 2025. No final de Abril, Macau tinha 147 hotéis e pensões, um máximo histórico, disponibilizando cerca de 45.400 quartos, mais 500 do que um ano antes, referiu a DSEC. Também no mês passado, a Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana de Macau disse que estavam a ser construídos três hotéis, com um total de 204 quartos, e em fase de projecto mais 10, que poderão disponibilizar 1.310 quartos. Toca a subir Só em Abril, a taxa de ocupação média dos estabelecimentos hoteleiros subiu 2,4 pontos percentuais, para 90,2 por cento, enquanto o número de hóspedes recuou 0,8 pontos percentuais em comparação com o mesmo mês do ano passado, para 1,19 milhões. Isto depois de os hotéis terem aumentado em 1,7 por cento, para 1.323 patacas, os preços médios em Abril, de acordo com dados da Associação de Hotéis de Macau, que reúne 48 estabelecimentos locais. Segundo o relatório divulgado pela Direcção dos Serviços de Turismo na semana passada, a maior subida registou-se nos hotéis de quatro estrelas, cujo preço médio aumentou 4,1 por cento, para 1.043 patacas. Em 2025, os estabelecimentos que fazem parte da Associação de Hotéis de Macau tinham cortado em 3,5 por cento os preços médios. A região recebeu nos primeiros quatro meses 14,7 milhões de visitantes, mais 13,1 por cento do que no mesmo período de 2025 e o valor mais elevado de sempre para um arranque de ano. No entanto, 62,1 por cento dos visitantes (14,7 milhões) chegaram em excursões organizadas e passaram menos de um dia na cidade.
UM | João Veloso sai do departamento de português Hoje Macau - 1 Jun 2026 João Veloso, com formação na área da linguística e vindo da Universidade do Porto, era director do departamento de português da Universidade de Macau desde 2022. Está agora de saída e, em entrevista à Lusa, falou das reformulações levadas a cabo durante o seu mandato e na necessidade de maior internacionalização desta área O director do departamento de Português da Universidade de Macau, João Veloso, disse à agência Lusa que deixa o cargo, após quatro anos, com uma “forte renovação do corpo docente” e a reformulação dos cursos de pós-graduação. João Veloso chegou a Macau em 2022 para dirigir o departamento de Português da Faculdade de Letras da Universidade de Macau (UM), que conta hoje com mais de 30 docentes e cerca de 400 alunos. Deixa a direcção “por motivos pessoais” e regressa dentro de dois meses à Universidade do Porto, onde é o único professor catedrático de Linguística. Sobre o percurso profissional em Macau, o responsável admitiu deixar a instituição com sentido de dever cumprido, nomeadamente no que diz respeito à “forte renovação do corpo docente”. “Quer da parte da faculdade, quer da parte da universidade, houve sempre um apoio total a esta vontade de trazer professores novos, altamente qualificados, todos com doutoramento, e que vêm dar uma força muito grande ao ensino pós-graduado e à investigação”, disse. Outra das “principais inovações” destes quatro anos foi a reformulação dos cursos de pós-graduação, quer dos mestrados, quer dos doutoramentos, com um “reforço da formação curricular”, a partir do próximo ano lectivo. “Em grande medida, porque, neste momento, temos recursos humanos para isso. Isso também foi um esforço muito grande que eu fiz e é o resultado da forma como procurei responder o mais profissionalmente possível àquilo que foram as determinações superiores”, indicou à agência Lusa. Mais dinamismo Num balanço à liderança do maior departamento de Português na Ásia, fundado em 1990, o responsável notou ainda que “o dinamismo do ensino do português sofreu também uma melhoria”. Neste sentido, especificou, aumentou o número de universidades com as quais a UM estabeleceu protocolos para um período de estudo num país de língua portuguesa. O departamento passou a ser também um “local de estágio para estagiários do mestrado em Português Língua Estrangeira da Universidade do Porto”, adiantou o responsável, dizendo tratar-se de outra das “mudanças positivas” da direcção. Os cursos do departamento de Português chegam a mais de mil alunos em toda a UM, entre estudantes de licenciatura, mestrados e doutoramentos deste departamento da faculdade de Letras, alunos da faculdade de Direito e outros que frequentam as disciplinas de língua oferecidas transversalmente em todos os cursos da instituição de ensino superior. Internacionalização precisa-se João Veloso defendeu também, na mesma entrevista, uma maior internacionalização do Departamento de Português, que pode passar pelo contacto com países que não são de língua portuguesa, mas com “investigação de ponta”. O responsável considerou que o futuro do departamento deve passar por uma aposta mais firme na internacionalização, até em regiões fora do circuito tradicional dos países de língua portuguesa. O departamento que dirige conta neste momento com cerca de 20 alunos internacionais, sendo a maioria dos cerca de 400 estudantes oriundos de Macau e do interior da China. Seria “muito interessante” trazer alunos de outras geografias, como Tailândia, Coreia do Sul ou Vietname, declarou Veloso. Mas admite: “sabemos que estudar em Macau é caro, os alunos que vêm normalmente são alunos que estão dependentes de uma bolsa e o número de bolsas é limitado”. No entanto, Veloso aponta para o outro lado do mundo, onde “alunos de países que não são de língua portuguesa querem estudar Linguística do português ou Literatura em português”. “Os estudos sobre o português são uma área de estudos muito importante na academia internacional. Se nós formos ao Canadá, aos Estados Unidos, à França ou à Alemanha, há muitas pessoas que não são falantes nativas do português e que estão ali a fazer ensino e investigação de ponta na área da linguística,” disse. E Macau tem-se esquecido deste vector, constatou o responsável, notando que no território persiste “a ideia de que o português é algo que interessa sobretudo aos falantes nativos da língua – portugueses, brasileiros, angolanos, moçambicanos – [e] aos alunos das universidades da China”, onde “o português tem uma projecção muito grande”. Nos cursos de Verão, porém, “houve avanços”, com a presença de estudantes da Austrália e de países asiáticos, em parte devido à promoção do “curso em circuitos que não são os mais habituais”. Ainda no que diz respeito à internacionalização, o responsável considera que a aposta em línguas estrangeiras por parte da Universidade de Macau continua “pouco diversificada”. “Há uma visão um bocadinho fechada do ensino de línguas estrangeiras em Macau”, observou à Lusa, notando que a UM tem potencial para ensinar línguas asiáticas. A Faculdade de Letras não tem departamentos específicos para o ensino de línguas como espanhol, alemão, italiano, russo ou francês, tendo o Departamento de Português, por exemplo, duas disciplinas opcionais de espanhol. Veloso interpreta esta opção com a preocupação que a instituição de ensino superior tem “com a qualidade e a presença nos ‘rankings'”, o que “implica direcionar muitos recursos para áreas específicas”.
AMCM | Taxa de juros desce até fim de Março Hoje Macau - 1 Jun 2026 A taxa de juro composta da pataca desceu de 1,18 por cento para 1,16 por cento, de Dezembro do ano passado para Março deste ano. Esta foi uma descida de 2 pontos de base, de acordo com os números publicados pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), na sexta-feira. Ao mesmo tempo, a taxa de juro do dólar de Hong Kong desceu de 2,47 por cento para 2,22 por cento, uma diferença de 25 pontos de base. Face a estes números, a AMCM indicou que “o custo do capital dos bancos de Macau diminuiu em geral no primeiro trimestre de 2026”. As taxas de juros compostas de Macau representam as taxas de juros médias ponderadas de todos os passivos remunerados e de depósitos à ordem sem juros, inscritos nas contas bancárias de Macau. Economia | Menos pessoas na indústria financeira Apesar da aposta do Governo na área das finanças modernas, o número de pessoas empregadas em “actividades financeiras” apresentou uma redução anual de 0,3 por cento para um total de 8.554 empregados. Os dados resultam do “Inquérito às necessidades de mão-de-obra e às remunerações referentes ao primeiro trimestre de 2026”, publicado na sexta-feira pela Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Ao nível das creches, o desemprego também apresentou uma redução, de 3,4 por cento para 1.358 pessoas empregadas. No pólo oposto, a RAEM está a gerar mais emprego em “restaurantes e espaços semelhantes” com 29.046 empregados, um aumento de 2,8 por cento. Também as “indústrias transformadoras” geraram mais empregos, com um total de 8.822, um aumento anual de 4,0 por cento, assim como os serviços de idosos que empregam 1.765 pessoas, um aumento anual de 2,6 por cento.
Atropelamento | Governo envia condolências à família da criança João Santos Filipe e Nunu Wu - 1 Jun 2026 A mensagem de condolências após a morte do menino de 10 anos foi enviada pelo Chefe do Executivo, através de Wong Sio Chak, secretário para a Administração e Justiça e porta-voz do Conselho Executivo. Sam Hou Fai pediu uma revisão rápida da lei do trânsito, com o lançamento para breve de uma consulta pública Com a cidade de luto, após a morte de um menino de 10 anos atropelado numa passadeira na Avenida do Conselheiro Borja, o Chefe do Executivo enviou condolências à família, numa conferência do Conselho Executivo, através do porta-voz Wong Sio Chak. A mensagem foi deixada na sexta-feira, numa altura em que as críticas às políticas de trânsito e à desvalorização da governação de Macau se propagavam online. “Através de mim, o Chefe do Executivo pretende apresentar as condolências à família do rapaz”, afirmou Wong Sio Chak. Embora Sam Hou Fai não tenha estado presente nem tenha dado a cara após o acidente, a ocasião foi utilizada por Wong para revelar as “ordens” do líder do Governo. “O Chefe do Executivo dá grande importância ao acidente, pediu imediatamente ao secretário para a Segurança para organizar as entidades e ir ao local tratar do caso e investigar rigorosamente”, leu o porta-voz do Conselho Executivo e secretário para a Administração e Justiça. “Também pediu à DSEDJ [Direcção de Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude] para prestar as condolências do Governo da RAEM”, acrescentou. Sam Hou Fai terá ainda indicado à DSEDJ e ao Instituto de Acção Social para “prestarem todo o apoio necessário” e “acompanharem” a família a “ultrapassar este momento difícil”. A missiva revelou igualmente que Sam Hou Fai “ordenou” às entidades governamentais que “tomem medidas preventivas para evitar o acontecimento destas tragédias”. “Falta de consenso” Durante a conferência de imprensa Wong Sio Chak foi também confrontado com o facto de a Assembleia Legislativa ter deixado cair a proposta do Governo para alterar a lei de trânsito. Na altura, os deputados afirmaram que não havia condições para aprovar o diploma devido a “problemas técnicos”, “operacionais” e “por falta de maturidade”. Segundo o secretário, a queda do diploma no hemiciclo ficou a dever-se à falta de consenso da sociedade. “Como sabem a Lei de Trânsito Rodoviário, por vários motivos, não conseguiu obter o consenso da sociedade. Durante o processo de revisão legislativa houve certas dificuldades, por isso, no final, com muita pena, não se conseguiu avançar [com a aprovação do diploma]”, apontou. E face às críticas da sociedade face à inacção na revisão da lei, Wong Sio Chak revelou que Sam Hou Fai quer lançar uma nova consulta pública o mais rapidamente possível para alterar a legislação: “No início o nosso plano era de abrir uma consulta pública fazer rever a lei em 2028”, confessou Wong. “Mas, o Chefe do Executivo pediu que se faça a revisão o mais rapidamente possível. Não vamos esperar por 2028, mas ainda não consigo adiantar uma data para o início da consulta”, contou. Doadas mais de 700 mil patacas Uma campanha de doações do jornal Ou Mun arrecadou mais de 700 mil patacas para a família da criança falecida. Segundo a publicação, foram recebidos donativos que totalizaram 667.909 patacas, 52.630 dólares de Hong Kong e 2.000 renminbis. O jornal Ou Mun informou, na noite da sexta-feira, que entregou o dinheiro à Escola Lin Fong Pou Chai, onde a criança estudava. O director da escola, Ho Man Fai, confirmou ter recebido o dinheiro e prometeu entregá-lo à família. Os donativos foram recolhidos, apesar de a família enlutada ter comunicado a partir da escola que não tem dificuldades financeiras. Ainda assim, agradeceu o dinheiro recolhido.
Cheques pecuniários distribuídos a partir de Julho Andreia Sofia Silva - 1 Jun 2026 A distribuição este ano dos cheques pecuniários faz-se com as mesmas regras e montantes, mantendo-se a retirada dos apoios a quem não se encontra em Macau menos de 183 dias, com algumas excepções. O Conselho Executivo terminou a análise do regulamento administrativo relativo ao “Plano de comparticipação pecuniária no desenvolvimento económico para o ano de 2026”, sendo que os cheques começam a ser distribuídos em Julho, mantendo-se as dez mil patacas para residentes permanentes e seis mil patacas para residentes não permanentes. Há oito situações previstas para a atribuição do cheque para quem não vive em Macau, nomeadamente a frequência de um curso de ensino superior que seja “reconhecido no local”, uma situação de internamento hospitalar, quem tem casa no Interior da China “quando tenha completado 65 anos de idade ou, não tendo completado 65 anos de idade, [apresente] razões de saúde o justifiquem”. Hengqin incluído Incluem-se ainda situações como a “prestação de trabalho fora de Macau a empregador matriculado no Fundo de Segurança Social”, sendo que, neste cenário, passa a estar incluída a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin quando os beneficiários em causa “sejam responsáveis pela subsistência dos membros do seu agregado familiar”. É também atribuído o cheque a quem esteja no “exercício de funções oficiais”, a quem tenha “trabalho nas cidades do Interior da China integradas na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau” e ainda quem trabalhe, ou frequente “curso do ensino superior ou não superior, reconhecido pelos serviços competentes do local do curso, na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”. A partir de 15 de Junho os residentes podem aceder a todas as informações sobre a sua situação na plataforma da Conta Única de Macau. O Governo explica, num comunicado, que “os indivíduos que preencham os requisitos irão receber automaticamente a comparticipação pecuniária conforme a calendarização estabelecida, através de transferência bancária ou cheque, não necessitando de apresentar o requerimento”. Centros de aperfeiçoamento | Actualizada lei de 1993 O Conselho Executivo concluiu, na sexta-feira, a análise da proposta de lei relativa ao “Regime jurídico dos centros de aperfeiçoamento particulares”, que actualiza um decreto-lei de 1993. Segundo um comunicado do Conselho Executivo, a proposta de lei pretende aperfeiçoar a legislação que regula as instituições educativas particulares que ministrem ensino de nível não superior. Na prática, propõe-se criar “garantias efectivas e um apoio eficaz aos formandos que recebem a educação contínua, disponibilizando para o sector um regime conveniente aos residentes e favorável aos negócios”. O objectivo é “elevar o nível profissional, promover o desenvolvimento do ensino não superior a longo prazo” e ainda “prestar serviços de melhor qualidade e de alta eficiência aos cidadãos”. Uma das alterações passa pela centralização de requerimentos junto da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude, sendo criadas licenças provisórias para estes centros.
Tabaco | Proibido fumar em “áreas de grande concentração de pessoas” Andreia Sofia Silva - 1 Jun 2026 A proposta de lei da prevenção e controlo do tabagismo contempla a proibição de fumar em “áreas de grande concentração de pessoas” e reforça as proibições junto a escolas e hospitais. Já os cigarros electrónicos só vão poder ser usados em casa O Conselho Executivo terminou a discussão sobre as alterações ao regime de prevenção e controlo do tabagismo, cuja nova proposta de lei será agora submetida à Assembleia Legislativa (AL). Uma das principais mudanças prende-se com a chegada das proibições em ruas muito movimentadas. “A proposta de lei prevê igualmente a criação, por despacho do Chefe do Executivo, de áreas de proibição de fumar em determinadas áreas de grande concentração de pessoas”, pode ler-se na nota do Conselho Executivo, divulgada na sexta-feira. Outra alteração prende-se com o consumo de tabaco electrónico, propondo a proibição “do consumo ou a posse de cigarros electrónicos e dos respectivos componentes e acessórios nos locais de utilização colectiva onde seja proibido ou excepcionalmente permitido fumar”. Esse consumo é ainda proibido “em quaisquer áreas ao ar livre de utilização colectiva, sendo estabelecido um período transitório de seis meses”, mas pode ser feito em casa. Outra proposta do Executivo passa pela proibição de fumar em “áreas a menos de dez metros de distância de entradas e saídas de hospitais, centros de saúde, infantários, creches e outros estabelecimentos de assistência infantil, bem como de estabelecimentos de ensino primário e secundário”. Estas áreas passam a ser classificadas “como locais onde é proibido fumar”. Ficam também proibidos “produtos de tabaco emergentes como as bolsas de nicotina, cigarros à base de plantas e narguilés”, tendo em conta a “crescente popularidade entre adolescentes e “malefícios para a saúde”. Impacto visual É também proposta que “a área de rotulagem de advertência sanitária nas embalagens de produtos do tabaco seja aumentada para 85 por cento nas duas faces maiores da unidade da embalagem”. Quanto a charutos e cigarrilhas, “a área de rotulagem de advertência sanitária deve cobrir, pelo menos, 70 por cento de uma das faces maiores e 100 por cento da outra face maior”. “Além disso, a proposta de lei prevê o estabelecimento de um período transitório de 18 meses, por forma a permitir que os sectores se adaptem às novas disposições”, lê-se ainda. O Governo pretende também permitir a utilização de “câmaras portáteis pelos agentes de fiscalização do controlo do tabagismo no exercício das suas funções”, para garantir “a segurança dos agentes de fiscalização do controlo do tabagismo e elevar a eficiência do seu trabalho”.
Consulta pública | Aumento da licença de maternidade quase unânime Andreia Sofia Silva - 1 Jun 2026 O relatório da consulta pública sobre as alterações à lei laboral indica que mais de 94 por cento das opiniões vão de encontro à proposta do Executivo para alargar a licença de maternidade de 70 para 90 dias. Também o aumento dos dias de férias anuais, de seis para 12, mereceu a concordância dos consultados Foi divulgado na sexta-feira o relatório da consulta pública relativo à revisão da lei laboral, no que diz respeito à actualização dos dias de licença de maternidade e dias de férias anuais. Relativamente à licença de maternidade, lê-se no documento que 94,3 por cento dos participantes na consulta concorda com o aumento dos dias de licença de maternidade de 70 para 90 dias, representando 9.420 posições concordantes. Destaca-se o facto de a proposta prever ainda que, dos 90 dias, 30 poderem ser gozados antes ou depois do parto, sendo pago um subsídio às empresas para cobrir o salário das trabalhadoras, no máximo de 20 dias. O relatório dá conta que o aumento dos dias de licença “vai garantir que as trabalhadoras tenham mais tempo suficiente para descanso, beneficiando a recuperação da saúde física e o ajustamento psicológico para adaptação”, dando também resposta “às necessidades de apoio familiar, criando um ambiente mais amigável à natalidade para as trabalhadoras”. Destaca-se o facto de, das opiniões discordantes, 276, apenas 2,8 por cento, a maioria considerar que a proposta do Governo de aumento dos dias é ainda tímida tendo em conta as necessidades sociais. Assim, 71 por cento dos que discordam fazem-no por considerar que 90 dias “continua a ser inferior aos padrões das regiões vizinhas”, sendo “insuficiente para satisfazer as necessidades das trabalhadoras na recuperação do estado de saúde após o parto e na prestação de cuidados com o recém-nascido, sendo melhor aumentá-la para 98 dias ou mais”. A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) destaca, no relatório, que foram proferidas opiniões “atentas à viabilidade de um aumento gradual do número de dias da licença de maternidade no futuro, esperando-se que seja promovido o melhoramento dos direitos e interesses laborais de Macau e da articulação com os padrões das regiões vizinhas ou com os padrões internacionais”, ou seja, além dos 98 dias. Ai os homens Porém, foram expressas “opiniões com a questão dos custos operacionais das empresas e pressões na alocação de recursos humanos”. Foi assim dito que as empresas, “além de terem de pagar a remuneração durante a licença de maternidade, têm ainda de suportar o custo de pessoal substituto, o que agrava a pressão financeira e, consequentemente, afectando a operação das empresas”. Outro alerta dado prende-se com a preocupação de as empresas se tornarem “mais conservadoras no recrutamento, podendo dar prioridade à contratação do sexo masculino ou do sexo feminino que já não se esteja em idade fértil”. Tal trará “prejuízo às oportunidades de desenvolvimento profissional das trabalhadoras”. O Executivo mantém, para já, uma atitude prudente, considerando que, nesta fase, “é mais adequado proceder, prioritariamente, ao aumento do número de dias da licença de maternidade para 90 dias, permitindo reforçar as garantias às trabalhadoras e atender às necessidades de operação das empresas”. No tocante às políticas de apoio à família, foram apresentadas 502 opiniões sobre a necessidade do aumento da licença de paternidade, considerando “insuficiente o actual número de dias de licença”; enquanto 255 considera que deveriam ser criadas outros tipos de licença, como parental, para consultas pré-natais, ou ainda a “consideração das consultas pré-natais como faltas justificadas”, ou a “licença para acompanhar a criança a consultas médicas ou vacinação, de modo a aliviar a pressão parental sobre os pais”. Pede-se ainda, às empresas, a adopção de “mecanismos como horários flexíveis, teletrabalho e dispensa do turno nocturno, para permitir que as trabalhadoras possam cuidar do recém-nascido”. O Governo deixa para depois as mudanças na licença de paternidade. “Relativamente às opiniões sobre a licença de paternidade, medidas favoráveis à família e ajustamento do tempo de trabalho, embora estas matérias não se insiram no âmbito da presente revisão legislativa, (…) as mesmas foram devidamente registadas e servirão de referência para futuras revisões do regime laboral.” “Falta de equidade” No tocante aos dias de férias anuais, o Governo quer que se passe dos actuais seis previstos na lei para “um mecanismo de aumento do número de férias anuais em função da antiguidade do trabalhador”. O objectivo é aumentar “um dia útil de férias anuais remuneradas por cada dois anos de trabalho completo”, passando assim a “12 dias úteis de férias anuais para os trabalhadores com antiguidade igual ou superior a 12 anos”. Das 9.973 opiniões apresentadas sobre este tópico, 9.150 concorda com o aumento de seis para 12 dias. Apenas 5,1 por cento discorda, num total de 509 opiniões. Destas, 63,7 por cento entende que “os dias de férias anuais deveriam ser aumentados directamente para um determinado número de dias, em vez de estarem vinculados à antiguidade, de modo a garantir que os trabalhadores recém-contratados também gozam do mesmo direito ao descanso”. Além disso, defende-se que a proposta do Executivo não atinge “grupos mais jovens, com maior probabilidade de mudarem de emprego, e os sectores de alta mobilidade profissional”, havendo “falta de equidade”. Férias geram debate O relatório demonstra que “cerca de 50 por cento das opiniões são discordantes” quanto à proposta do Executivo em não ir além dos 12 dias de férias anuais. Os que não concordam declaram que este número de dias é “insuficiente”, havendo “algumas opiniões a sugerir o aumento do número de dias de férias iniciais e do número máximo de dias de férias, o que reflecte uma solicitação relativamente forte por parte dos trabalhadores”. Porém, o Executivo chama a atenção para o facto de “a grande maioria das empresas em Macau serem PME [pequenas e médias empresas]”, com a “elaboração da política laboral a abranger diferentes sectores de actividade”, pelo que “é necessário ponderar com cuidado as solicitações das diversas partes interessadas, bem como o impacto sobre o a economia em geral de Macau”. “Partindo dos actuais seis dias de férias anuais previstos na lei, um aumento significativo do número de dias afectaria não só o funcionamento das PME, como também teria um impacto considerável na gestão de recursos humanos nos sectores dos serviços e naqueles com elevada intensidade de mão-de-obra”, declara o Governo no relatório. É referido ainda que é importante “ponderar se tal ajustamento poderia vir a afectar os direitos laborais dos trabalhadores com maior antiguidade”, pelo que se considera “mais adequado, nesta fase, manter o número de dias de férias anuais proposto no documento de consulta”. Houve ainda posições e “dúvidas sobre o âmbito de aplicação, o cálculo e as formas de compensação” dos dias de férias, mas o Governo declara que esta alteração se aplica “tanto a trabalhadores residentes como a trabalhadores não residentes, constituindo apenas a garantia mínima prevista na lei, sem prejuízo de acordos mais favoráveis entre as partes empregadora e trabalhadora”. Neste contexto, “o calculo da antiguidade conta-se de forma contínua a partir da data do início de funções e, para assegurar o direito ao descanso do trabalhador, o empregador é obrigado a conceder o gozo efectivo das férias, não podendo substituí-lo por dinheiro ou outra compensação”. A consulta pública foi realizada entre 31 de Janeiro e 16 de Março, com seis sessões de consulta e ainda recolha de opiniões online. Foram recolhidas 10.025 opiniões e sugestões, sendo que 98,8 por cento foram apresentadas de forma digital. O relatório descreve que 88 por cento das opiniões são de trabalhadores, seguindo-se 4,4 por cento do patronato. Na sexta-feira o Conselho Executivo terminou a discussão em torno desta proposta de lei, que está agora pronta para seguir para o hemiciclo para votação e discussão.
Cazaquistão e Rússia estudam construção de gasoduto até à China Hoje Macau - 30 Mai 2026 Cazaquistão e Rússia estão a estudar a possibilidade de construir um gasoduto até à China através do território cazaque, como alternativa ao projecto estagnado do gasoduto via Mongólia, afirmou ontem o ministro da Energia do Cazaquistão, Yerlán Akkedzénov. As declarações foram feitas no âmbito da visita do Presidente russo, Vladimir Putin, ao país da Ásia Central. “Começámos a negociar o chamado ‘Força da Sibéria 2’ (…), que transportaria até 35 mil milhões de metros cúbicos de gás para a China através do Cazaquistão”, disse Akkedzénov à imprensa local, após a chegada de Putin a Astana. O ministro indicou que o Cazaquistão está interessado em que “o trânsito passe pelo território”. “Estamos dispostos a oferecer todas as condições e garantias, além de um consumo adicional em território cazaque”, afirmou. Segundo Akkedzénov, o projecto é importante para o Cazaquistão porque permitiria “fornecer gás às regiões norte e leste do país”. Embora as autoridades russas tenham afirmado em várias ocasiões existir entendimento sobre o projecto ‘Força da Sibéria 2’, um gasoduto de 2.600 quilómetros destinado a transportar gás russo para a China através da Mongólia, ainda não foi alcançado um acordo concreto, o que poderá levar Moscovo a procurar alternativas. Outros acordos Além deste projecto, Cazaquistão e Rússia estudam também aumentar o trânsito de petróleo russo para a China, acordo que poderá ser assinado durante a actual visita de Putin, acrescentou o ministro da Energia. “Está a ser discutido. O acordo correspondente está praticamente pronto para assinatura. Tentaremos concretizá-lo nesta ocasião. Trata-se de um aumento de 2,5 milhões de toneladas”, disse. O governante acrescentou que ainda são necessários “cálculos adicionais”, bem como a construção de novas estações de bombagem e a ampliação do oleoduto. “Assim que assinarmos os documentos, avançaremos com o projecto”, afirmou. Em Setembro passado, a gigante russa do gás Gazprom assinou com a parte chinesa um memorando juridicamente vinculativo sobre a construção do gasoduto ‘Força da Sibéria 2’, com capacidade para transportar 50 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano, o que o tornaria o maior do mundo no seu género. A Rússia, que reforçou as exportações para a Ásia após a suspensão das importações europeias devido à guerra na Ucrânia, forneceu à China 101 milhões de toneladas de petróleo e 49 mil milhões de metros cúbicos de gás no ano passado.
Hong Kong | Quatro primárias fecham portas por falta de crianças Hoje Macau - 30 Mai 2026 Quatro escolas primárias irão fechar em Hong Kong, incluindo duas já este Verão, por não terem conseguido atrair um número suficiente de novos alunos, num contexto de mínimos históricos na taxa de natalidade na região. Em Março, as autoridades de Hong Kong já tinham anunciado que não irão subsidiar 15 primárias que receberam menos de 16 inscrições para o primeiro ano de escolaridade no próximo ano letivo, 2026/2027. De acordo com o jornal South China Morning Post, o Departamento de Educação de Hong Kong disse na quarta-feira que, das 15 primárias em risco, duas irão encerrar de imediato e outras duas irão fechar em 2029. Além desta situação, oito escolas irão fundir-se com outras instituições de educação para manterem as portas abertas e duas preferiram continuar a operar sem subsídios governamentais. Uma das que escolheu a fusão foi a Escola da Associação Empresarial dos Cinco Distritos, uma instituição com 69 anos de história, onde estudou o actual líder do Governo local, John Lee Ka-chiu. Em Março, a secretária para a Educação de Hong Kong avisou que mais primárias poderão encerrar, porque a cidade tem registado um número cada vez menor de crianças em idade escolar nos últimos dez anos, face à queda da natalidade. O número de alunos inscritos no primeiro ano do ensino primário em 2026-27 diminuiu em cerca de quatro mil em comparação com o actual ano lectivo, disse Christine Choi Yuk-lin à emissora pública RTHK. O Departamento de Educação de Hong Kong prevê que o número de crianças de seis anos desça de 47 mil em 2025 para 31 mil até 2029. Hong Kong registou em 2025 cerca de 31.100 nascimentos, o número mais baixo de sempre. No ano passado, também Macau registou 2.871 recém-nascidos, o menor número em quase meio século. Em 2025, a China continental registou 7,92 milhões de nascimentos, um novo mínimo histórico desde a fundação da República Popular da China, em 1949. A taxa de natalidade também caiu para mínimos históricos, com 5,63 por cada mil pessoas.
O Ocidente desfeito (III) Jorge Rodrigues Simão - 30 Mai 2026 (Continuação do artigo publicado na edição de dia 27 de Maio) O nuclear é o grande tabu da relação francoalemã. Na Alemanha, não apenas nos bastidores mas também na imprensa, discutese abertamente a necessidade de considerar a opção atómica. Alguns juristas lembram que o único obstáculo formal é o Tratado de Não Proliferação, que qualquer país pode denunciar. A Coreia do Norte fez; a Alemanha, se quisesse, poderia seguir o mesmo caminho. Tecnicamente, nada impede Berlim de construir rapidamente um pequeno arsenal pois tem conhecimento, tecnologia e infra-estruturas. O que falta é coragem política e disposição para enfrentar a reacção europeia. A ideia de um arsenal nuclear europeu é ilusória. A arma atómica é, por definição, símbolo de soberania nacional. A França faz disso um dogma. A Alemanha, soberana apenas desde 1990 e ainda hoje com tropas americanas no seu território, sabe que a sua margem de manobra é limitada. Mas a emergência estratégica leva Berlim a considerar o impensável. Daí a proliferação de “planos B” em toda a Europa. Quem confiou exclusivamente no guardachuva americano percebe agora que esse abrigo não é seu e pode fecharse a qualquer momento. O governo alemão criou grupos de trabalho para estudar formas de financiar um sistema nuclear europeu. E todos sabem que, uma vez aberto esse caminho, a transição para um programa nacional seria rápida. Alguns estrategas imaginam até uma solução híbrida com uma espécie de “nuclear europeu certificado”, onde parte do arsenal francês seria estacionado na Alemanha e parte de um eventual arsenal alemão seria acolhido em território francês. Uma troca simbólica para tranquilizar vizinhos nervosos e para disfarçar o facto de que cada país quer, no fundo, a sua própria bomba. Chamemoslhe “Plano C” por ser tão improvável quanto explosivo. Uma engenharia nuclear partilhada entre a França e Alemanha que, para além de suscitar arrepios em Varsóvia, provocaria urticária em Roma apesar da Itália ter ensaiado discretamente, nos anos cinquenta, um projecto atómico conjunto com esses mesmos parceiros. A história tem destas ironias. A verdade é que a desconfiança é recíproca. Os franceses olham para os alemães com o mesmo cepticismo com que os alemães observam o entusiasmo militar de Paris. Em Berlim, há quem veja na aproximação estratégica francesa uma versão musculada do velho instinto gaullista de abraçar para controlar. Um abraço sem ternura, claro está, apenas o suficiente para manter o vizinho sob vigilância. E tudo isto partindo do pressuposto, nada garantido, de que dentro de uma década a França continuará a ser militarmente superior à Alemanha. A retórica da emergência militar tem muito de teatral, mas funciona. Cada país cultiva as suas “almas belas”, aquelas que continuam a acreditar que o guardachuva americano é eterno e infalível. “Certo ou errado, é o meu protector”, murmuram alguns em Berlim e muitos mais em Roma. Em Itália, a fé no amparo transatlântico sobrevive a todas as evidências em contrário, sustentada por tabus constitucionais, ilusões jurídicas e um apego quase religioso ao direito internacional, que a história insiste em desmentir. O silêncio ensurdecedor do governo italiano nas primeiras semanas do novo ciclo político em Washington, e o afastamento em relação ao grupo dos países mais intervencionistas, revelam uma dependência persistente da dissuasão americana. Uma esperança contra si, quase bíblica na sua ingenuidade. Mas se a Itália quiser preservar o que ainda pode ser salvo, terá de renegociar a relação com os Estados Unidos em bases bilaterais claras de protecção em troca de acesso militar. E, sobretudo, Forças Armadas capazes de lutar ao lado dos americanos quando os interesses coincidem, ou sós quando não coincidem. Mesmo sem o resto da Europa. Apesar das aparências, algo começa a mexer debaixo da superfície. Os militares italianos falam abertamente de guerra em italiano, não em anglicismos anestesiantes. A indústria de defesa acelera, ainda que de forma descoordenada. E as Forças Armadas, embora dependentes dos Estados Unidos, estão mais preparadas do que as alemãs e apenas atrás das francesas em capacidade operacional. O objectivo é simples de depender menos, mesmo sabendo que a independência total é impossível. Como todas as revoluções geopolíticas, esta terá duas fases; a da ruptura e reconstrução. Estamos apenas no início da primeira com caos, acusações e incerteza. A segunda virá mais tarde, e será um compromisso imperfeito entre o velho e o novo. O mais provável é que o futuro energético e estratégico euroasiáticoafricano acabe por se parecer bastante com o passado, apenas com novos protagonistas. Se tudo correr bem, o mundo reencontrará um equilíbrio de poder como uma arte que os italianos dominaram no Renascimento. Se correr mal, destroem-se mutuamente.
USJ | Projecto do atelier Urban Pratice premiado Hoje Macau - 30 Mai 2026 O projecto do atelier Urban Practice para a Biblioteca da Universidade de São José (USJ), intitulado “Biblioteca Guilherme Lo & Teresa Lei Lo” acaba de ganhar uma menção honrosa nos prémios BLT Built Design Awards 2025, na categoria de Design de Interiores. Segundo uma nota de imprensa do Urban Pratice, liderado pelo arquitecto Nuno Soares, o projecto vai “além da ideia convencional de uma biblioteca”, explorando “o design de interiores como uma ferramenta para moldar ambientes de aprendizagem”. Foi criado “um espaço aberto e fluido onde a circulação, a luz e a acústica trabalham em conjunto para melhorar a experiência do utilizador”. “Guiadas por princípios de arquitectura sustentável, as escolhas de materiais privilegiam a durabilidade, o desempenho acústico e a responsabilidade ambiental. Através de disposições flexíveis, elementos modulares e sistemas energeticamente eficientes, o projecto promove a adaptabilidade ao longo do tempo, ao mesmo tempo que fomenta um ambiente académico confortável e inclusivo”, lê-se na mesma nota. Assim, a biblioteca da USJ é hoje um “espaço contemporâneo onde o conhecimento flui de forma harmoniosa e a arquitectura contribui activamente para a forma como é vivenciado”. Nuno Soares, citado pela mesma nota, disse que hoje em dia “uma biblioteca já não é apenas um local para guardar livros, mas um espaço que convida à interacção e desperta a curiosidade”, sendo que, com este projecto, procurou-se “criar um ambiente onde a luz, a circulação, a acústica e a materialidade se combinam para promover o conforto, a flexibilidade e a inclusão”.