Notas poéticas de uma visita ao Templo de A-Má Hoje Macau - 20 Jul 2024 Por Cheong Kin Man Chio Tong I (falecido antes de 1777) foi um homem de letras confucianista natural de Macau, descendente de Zhao Yanfang (Chio In Fong), que tomou posse como Mandarim de Hèong-Sán (hoje Zhongshan) em 1386. Argumenta-se que o imperador Taizong (939-997) da dinastia Song (960-1279) é um seu antepassado. Passou uma vida modesta e deixou vários poemas em chinês clássico. Apelidado respeitosamente como “Senhor do Rio do Espelho”, o poeta só foi reconhecido quase um meio século depois da sua morte. No fim de 1828, o seu neto Chio Wan Sin, que exerceu funções na administração provincial, mandou gravar numa pedra do Templo de A-Má um dos poemas deixados pelo seu avô. Eis mais uma tentativa de transpor um poema clássico chinês, desta vez com versos heptassilábicos, num texto dodecassílabo em português: A terra vê a água, fim do sudeste À procura do Zen, vi gemas no portal Portas-Tigre, mil velas, um branco veste, Em Pescoço-de-Galo, jamais é o sol mortal Nas vias sinuosas, sapatos tiveste. Colina esculpida, nome imortal. Flores de ameixeiras, sob rochedo, A primavera r’vem, sem saber mais cedo. O título do poema é “Ascender ao Templo da Percepção do Mar no Mês do Sacrifício às Divindades” (臘月登海覺寺). Pondo-o numa tradução menos literal, aqui falamos de uma “Visita ao Templo de A-Má no Último Mês do Ano (Lunar)”. “Ascender”, porque não se trata de uma visita desierarquizada. É uma ida com respeito, provavelmente também com a intenção de homenagear as divindades. É, sobretudo, uma caminhada à Colina da Barra. Neste artigo estudamos este relato poético cantonense com traduções literais de cada verso, a fim de mais aprofundadamente apreciar uma pitoresca paisagem de Macau do século XVIII. Revelamos algumas curiosidades, da toponímia cantonense analógica sobre os animais, ao uso metafórico da língua clássica chinesa, e daremos um salto a um género de sapatos antigos “flexíveis” feitos para as caminhadas. Percepção do “mar” Os dois grandes caracteres vermelhos “海覺” (Hoi-K’ok), que o Monsenhor Manuel Teixeira se referia como “Percepção do Mar” em português, estão gravados numa grande rocha dentro do templo. O Templo de A-Má não é o único que tem a referência a “Hoi-K’ok” ou “Percepção do Mar”. Um templo com o mesmo nome, mas fundado quase um milénio mais cedo do que o ex-líbris de Macau, na capital histórica da China, Chang’an, onde o mar não se vê, desperta em mim um outro significado ao ler estes dois ideogramas: “o estado de ficar infinitamente iluminado”. Por sua vez, nos primeiros versos do poema que aqui lemos, está destacado um mar de Macau que o templo contempla: 地盡東南水一灣 嵌寶奇石向禪關 A terra vê a água, fim no sudeste À procura do Zen, vi gemas no portal [As terras terminam com uma baía de águas do sudeste O tesouro inserido (no Templo), as (suas) extraordinárias pedras indicam a casa de guarda que acede à iluminação budista (Zen)] O primeiro verso refere-se à localidade do templo. “Sudeste” é uma referência geográfica face a Hèong-Sán, sede do governo imperial (e provincial) chinês que tutelou Macau: a península é sita na direcção sudeste desta cidade chinesa. O segundo verso tem referências mais metafóricas. Compreendemos, aqui neste verso, que os dois caracteres 禪關 (sim kuan em cantonense ou chán guān em mandarim) são uma referência metafórica ao “acesso” ou “passagem fortificada” à “iluminação” religiosa ou espiritual. Nada tem isto a ver com uma fortificação, mas com o facto que a essência do Zen não é algo fácil de aceder. Os mesmos ideogramas, parece-me que, podem indicar igualmente a entrada do templo. Enquanto a magnificência do Templo de A-Má é constatável nos desenhos do quase contemporâneo do poeta em questão, George Chinnery (1774-1852), as rochas, muitíssimo referidas nos documentos sínicos e que ainda hoje vemos, verificam a autenticidade do segundo verso como uma descrição poética da vista e da arquitectura desse templo. Topónimos e animais 虎門雪送千帆白 Portas-Tigre, mil velas, um branco veste (Fu-Mun despede o tão branco de mil velas como neve) Luís Gonzaga Gomes traduz, na primeira versão portuguesa da “Monografia de Macau” de 1950, que o topónimo Fu-Mun (ou Humen em mandarim, a 70 km de Macau) significa “Porta do Tigre” ou, como se constata ao ler os documentos históricos, é também conhecido em português “Boca do Tigre”. “門” (pronunciado “mun” em cantonense) significa não apenas porta(s), mas também, como vemos na toponímia clássica chinesa, uma hidrovia estratégica. O nome “Porta do Tigre” é algo abreviado de “Passagem da Cabeça do Tigre” (traduzida igualmente pelo grande sinólogo macaense). Ainda segundo a mencionada “Monografia de Macau”, as duas Montanhas do Pequeno Tigre (Xiǎohǔ Shān) e do Grande Tigre (Dàhǔ Shān), “parecem-se com duas pérolas incrustadas no seio do mar”. A tradição cantonense diz que estas duas elevações foram imaginadas como um tigre sentado, daí os nomes. Ambas as montanhas, que são igualmente os cúmulos de duas ilhas, testemunham, na observação poética do natural de Macau, a muita circulação de transporte fluvial do século XVIII. Roda veicular: alusão ao sol e à lua 雞頸輪升萬壑殷 Em Pescoço-de-Galo, jamais é o sol mortal [Em Pescoço-de-Galo, a roda (o sol) leve (e faz com que) vermelha uma miríade de vales] No quarto verso, destacamos o caracter 輪 (lon em cantonense ou lún em mandarim), que significa efectivamente roda(s) de um veículo. Para além de ter o significado de sol no chinês clássico, este ideograma designa igualmente a lua (cheia). Isso tem a ver, justamente, com a forma de uma roda “desenhada” na escrita mais antiga chinesa e vê-se mesmo no componente à esquerda do caracter: o radical 車 representa uma tal roda, embora esta, na escrita impressa moderna, tenha a forma de um quadrado. É de notar que, quanto este ideograma visualizador foi inventado, o mais tardar no século XI a.C., a palavra tinha pelo menos duas rodas (redondas) nas suas diversas variantes, 䡛. Não foi até no Século VIII a.C., o mais tardar, que o caracter se foi simplificando, de com duas rodas a uma só roda. O chinês moderno tem, apenas com algumas excepções, símbolos redondos. Entretanto, como a escrita chinesa evoluiu para uma escritura quadrilátera, o caracter 車, representando originalmente uma roda, naturalmente redonda, foi ganhando a forma de quadrângulo igualmente o mais tarde no Século VIII a.C. Onde fica o Pescoço de Galo? Continuamos o tema de nomes de animais na toponímia clássica cantonense. Aqui na tradução do poema, “Pescoço-de-Galo” é um antigo nome cantonense menos conhecido na língua portuguesa. Gonzaga Gomes explica literalmente o termo “雞頸”, Kài-Kèang como “Pescoço da Galinha” ou Kâi-Kêang como “Pescoço do Galo, ou da Taipa” – Sabemos que o ideograma 雞 (kai) não manifesta o género gramatical. “Pescoço-de-Galo” é mais um exemplo de como os cantonenses denominam as localidades ao comparar as suas formas com as imagens de animais. É, segundo a tradição de Macau, uma elevação da ilha da Taipa que se localiza a este, ou melhor a desaparecida ilha que se integrou na Grande Taipa. Originalmente uma ilha à parte, “Pescoço-de-Galo” está ainda hoje nos nomes cantonenses de vários locais na Taipa. A cena das “velas (vistas) de Pescoço-de-Galo” era conhecida, entre a comunidade cantonense, como uma das “dez paisagens” nomeadas pelo co-autor da “Monografia de Macau”, Iân-Kuông-Iâm (1691-1758). Aqui, nos terceiro e quarto versos do poema em causa, o autor Chio Tong I evoca o hoje desaparecido cenário de muitíssimos juncos que passavam pelas águas de Macau, num vermelho do amanhecer. Numa Macau do século XVIII 迴磴人拖單齒屐, 摩崖徑勒有名山。 此來不覺春歸早, 笑指梅花試一攀。 Nas vias sinuosas, sapatos tiveste. Colina esculpida, nome imortal. Flores de ameixeiras, sob rochedo, A primavera r’vem, sem saber mais cedo. [Sinuosos caminhos de pedra! O homem usa sapatos de um só dente Penhascos com (textos de) estudos gravados, vias com inscrições, a famosa colina tem Assim, sem se reparar que a primeira cedo volta Rindo, aponto às flores de ameixeiras, prova-se uma caminhada] Cheong Mei I, vice-presidente da Associação da Literatura Moderna de Macau, e Tang Chon Chit, especialista local de mérito em matéria de poesia clássica cantonense, publicaram em 2020 um livreto em mandarim, “Inscrições em Pedra no Templo de A-Má de Macau” (título português constante na capa). A estudiosa, juntamente com o professor da Universidade de Macau, interpreta que Chio Tong I expressa uma certa identificação com a terra ao relatar o templo e os seus arredores com precisão. No quinto verso, parece que o poeta sobe à colina com um tipo de calçado em madeira, possivelmente tamancos, com dois “dentes” – isto é – dois pedaços de madeira para manter os pés acima do solo. Referidos como chinelos de um só dente no poema, julgo que se trata de antigos calçados com estes dois “dentes” de colocar e retirar: ao subir, sem o pedaço de suporte de frente; ao descer, com a peça de atrás retirada. Explicando-o à minha companheira polaca Marta, ela diz, “eine tragbare Treppe (que uma escada portátil)!” Relativamente ao sexto verso, sabe-se que o mero ideograma 山 (san em cantonense ou shān em mandarim) não diferencia entre colina(s) e montanha(s). Assim, este verso evoca em mim uma vastíssima paisagem. O poema, que parece até agora inédito na língua lusa, é concluído pelos últimos dois versos cuja ordem inverti na tradução poetizada. Ao imaginar o muito apreciado passeio numa primavera simbolizada pelas flores de ameixeiras, fico perdido entre mil vales e num reino de signos, gravados nas pedras da deusa A-Má. * Artista de desconstrução linguística, têxtil e vídeo em colaboração com Marta Stanisława Sala
Violência doméstica | Suspeito pode ser condenado a 15 anos de prisão Hoje Macau - 20 Jul 2024 O Ministério Público (MP) revelou ontem que um homem suspeito de violência doméstica, por agressões à esposa, foi presente a Juiz de Instrução Criminal que lhe aplicou as medidas de coacção de apresentação periódica, de proibição de contactos com a ofendida e de retirada do domicílio. As medidas foram justificadas com a tentativa de evitar “a perturbação da ordem processual e a continuação da prática de actividade criminosa da mesma natureza”. O MP indica que o arguido foi indiciado pela prática do crime de violência doméstica, que implica penas de prisão entre 1 e 5 anos, mas caso se verifiquem circunstâncias agravantes, a pena aplicável poderá ser elevada até 15 anos de prisão. O caso veio a lume no mês passado, porém, as autoridades referem que desde 2022, o arguido terá agredido a ofendida por várias vezes. Em Junho, a violência escalou e o homem empurrou a cabeça da esposa contra uma cadeira, infligindo-lhe múltiplas lesões no corpo. “Durante o incidente, o arguido terá despido à força a roupa da ofendida amarrando-a, com a filmagem de todos estes actos de violência. Posteriormente, a ofendida pediu socorro à polícia”, revelou o MP em comunicado.
Justiça | Bens de Alvin Chau novamente colocados à venda João Santos Filipe - 20 Jul 2024 A nova venda judicial é realizada através de um “pacote” com 34 imóveis avaliados em 308,53 milhões de patacas. Face à venda do ano passado, existem menos duas áreas para escritórios à venda, mas foi acrescentado mais um lugar de estacionamento Vários bens de Alvin Chau foram novamente colocados em venda judicial, depois da tentativa anterior não ter angariado interessados. A informação consta dos tribunais da RAEM e os bens colocados à venda estão avaliados em cerca de 308,53 milhões de patacas. Em comparação com a tentativa de venda do ano passado, os imóveis situados no edifício César Fortune, junto às instalações da Hovione Macau, estão mais baratos. Todavia, a nova venda judicial também inclui menos bens, deixando de foram os imóveis para escritórios identificados como como AC/V4 e AC/V5, o que contribui igualmente para justificar a redução do preço mínimo exigido. No sentido oposto, foi incluído mais um lugar de estacionamento, face aos 30 anteriormente disponibilizados. Na tentativa falhada, o “pacote” de imóveis tinha sido avaliado em 592 milhões de patacas. Para este valor, os imóveis AC/V4 e AC/V5 contribuíam com 124,0 milhões de patacas e 126,7 milhões de patacas respectivamente. Isto significa que sem estes dois imóveis, o pacote estava avaliado em 341,30 milhões de patacas. Agora, os tribunais avaliaram os imóveis anteriores em 307,51 milhões de patacas, uma redução de 33,79 milhões de patacas. Porém, o pacote mais recente inclui ainda um lugar de estacionamento, face aos 30 que tinham sido disponibilizados anteriormente. Com o parque de estacionamento incluído, o preço da venda sobe assim para 308,53 milhões de patacas. A venda dos imóveis para o pagamento das dívidas volta a estar relacionada com um exequente identificado como U Lai Wan, tal como no ano passado. Além de Alvin Chau, os imóveis estão igualmente ligados ao Grupo Tai Tak Lei, associado ao empresário. As propostas têm de ser apresentadas através de carta fechada até 21 de Outubro. Mercado mais difícil O facto de a primeira tentativa de venda ter falhado, tal como noticiado em Abril pelo HM, está relacionada com a situação do mercado imobiliário, que atravessa a crise mais grave desde que há registos. Desde o ano passado que o número de transacções caiu para valores próximos dos que eram praticados na década de 1980. A falta de confiança no mercado imobiliário ficou também patente no ano passado, quando se realizaram dois concursos públicos de venda de terrenos na Taipa para a construção de habitação. Na altura, apenas um dos terrenos foi vendido, e mesmo esse só recebeu uma única proposta. Face à situação, a Assembleia Legislativa aprovou, por proposta do Governo, um pacote de medidas para cancelar o imposto do selo especial, o imposto do selo adicional e do imposto do selo sobre a aquisição de fracções habitacionais.
TDM afirma ter sido alvo de ataque informático na quarta-feira João Santos Filipe - 20 Jul 2024 A Teledifusão de Macau afirmou que o seu portal e a sua aplicação foram alvo de um ataque informático pelas 19h de quarta-feira. De acordo com a informação publicada pela emissora, nesse período foi registado um tráfego muito elevado nas duas plataformas que deixaram de estar disponíveis. Segundo a emissora, depois do ataque foi recebido uma “notificação” dos Serviços de Correios e Telecomunicações, a indicar que o portal apresentava sinais de ter sido alvo do ataque informático. A normalidade foi reposta praticamente uma hora depois, por volta das 20h. “Os departamentos relevantes da TDM implementaram imediatamente medidas de defesa com base nas recomendações do Centro de Cibersegurança e dos Serviços de Correios e Telecomunicações”, foi indicado. “Foram também inspeccionados todos os sistemas. Este incidente afectou apenas os serviços do site e da aplicação, que voltaram a funcionar normalmente às 20h18”, foi acrescentado. A emissora da RAEM prometeu ainda manter-se atenta para evitar futuras ocorrências. “A TDM continuará a manter contacto próximo com o Centro de Cibersegurança, reforçando as inspecções de cibersegurança, bloqueando acessos anormais e garantindo o normal funcionamento dos serviços públicos de radiodifusão”, foi apontado. Segundo round Este é o segundo ataque informático a portais na RAEM tornado público no espaço de uma semana. Na quarta-feira, dia 10 de Julho, também foi detectado um ataque a vários portais ligados à tutela de segurança. A situação também aconteceu por volta das 20h, e os portais e aplicações de telemóveis visadas foram as do Gabinete do Secretário para a Segurança, da Direcção dos Serviços das Forças de Segurança, do Corpo de Polícia de Segurança Pública, do Corpo de Bombeiros e da Escola Superior das Forças de Segurança. O ataque caracterizou-se por um ataque distribuído de negação de serviço, ou seja, em que são feitas várias ligações a um portal, para que este perca a capacidade de resposta e fique indisponível. Este é um tipo de ataque conhecido na sigla inglesa por DDoS. Na altura a Direcção dos Serviços das Forças de Segurança afirmou ter “exigido responsabilidades à CTM” sobre o ataque, e pediu que fosse apresentado um “relatório de investigação e plano de aperfeiçoamento”, para “prevenir ocorrência de um mesmo incidente no futuro”.
SMG | Alerta para possível tempestade tropical e inundações João Luz - 20 Jul 2024 Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos alertaram ontem para a possibilidade de entre hoje e amanhã se formar uma tempestade tropical a partir de uma área de baixa pressão a sul das Filipinas. Entre domingo e quarta-feira, Macau poderá ser afectado por trovoadas, chuvadas intensas e inundações O segundo tufão da temporada poderá estar a formar-se no sul das Filipinas e a encaminhar-se para o Mar do Sul da China. Ontem, os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) lançaram um alerta para o mau tempo que é expectável para os próximos dias, com particular intensidade entre domingo e quarta-feira. “Um vale depressionário activo com grandes quantidades de vapor de água quente encontra-se, actualmente, no Mar do Sul da China. No entanto, a área de baixa pressão localizada a sul das Filipinas vai entrar no Mar do Sul da China, nos próximos dois dias [hoje e amanhã] e espera-se que se desenvolva podendo transformar-se numa tempestade tropical”, indicaram ontem os SMG. As autoridades explicam que as divergências de previsões dos últimos dias se dissiparam e que é agora mais provável que a área de baixa pressão “se intensifique ainda mais para uma tempestade tropical”, após a entrada no Mar do Sul da China. A juntar a este cenário, outra área de baixa pressão situada a leste das Filipinas está em desenvolvimento, com os SMG a preverem que a” sua velocidade de intensificação seja muito rápida”, sendo “provável que os dois sistemas se influenciem mutuamente”. Para já, as autoridades salientam as grandes incertezas quanto à direcção, intensidade e desenvolvimento. Águas mil Independentemente da área de baixa pressão se transformar ou não num ciclone tropical, existe ainda um terceiro elemento: uma monção de sudoeste. Os SMG estimam que a monção se intensifique na próxima semana, quando “uma grande corrente de ar quente, húmido e instável vai concentrar-se na costa meridional da China”. O resultado será a probabilidade da ocorrência de chuvas fortes e contínuas. Outro ingrediente para o cozinhado meteorológico é a coincidência da chegada da monção com a maré astronómica a Macau entre domingo e terça-feira. “Se a área de baixa pressão no Mar do Sul da China se transformar numa tempestade tropical e se aproximar do estuário do Rio das Pérolas, podem ocorrer inundações em zonas baixas, devido à influência do storm surge associado ou à chuva forte e contínua”, é indicado.
Caso BCM | Julgamento foi adiado para Outubro Hoje Macau - 20 Jul 2024 O julgamento do caso do Banco Chinês de Macau (BCM), que tem como principais arguidos a antiga presidente Yau Wai Chu e Liu Wai Gui, foi adiado para Outubro. De acordo com a TDM – Rádio Macau, apesar da sessão ter sido agendada para a manhã de ontem, o colectivo de juízes considerou haver necessidade de adiar o julgamento, dado que o processo cível ainda está a decorrer. O BCM pretende ser compensado por perda de 500 milhões de patacas, devido a esquemas que surgiram na instituição. Segundo o Ministério Público, Liu e Yau criaram empresas fictícias para pedir empréstimos ao banco, assim como o tipo de empréstimos e as quantias. O grupo teria apenas como objectivo cometer fraudes, através da criação de empresas fictícias com recurso a familiares e amigos, que depois pediam o dinheiro emprestado. Aprovados os empréstimos, os fundos eram divididos pelos envolvidos na associação criminosa, uma vez que as obras não eram realizadas. Entre a lista de obras que terão servido como pretexto para requisitar os empréstimos bancários, encontram-se projectos como a expansão do Metro Ligeiro para a Ilha da Montanha, trabalhos nos hotéis The Londoner, The Venetian, Grande Lisboa, MGM e no Wynn. Além de Yau Wai Chu e Liu Wai Gui, a acusação de fraude bancária também envolve a empresária Bobo Ng, directora do jornal Hou Kou, que está em prisão preventiva. Bobo é acusada de ser parceira de longa data e também madrinha de outro alegado líder da associação, Liu Wai Gui.
Macau nega notícia sobre proibição de entrada de delegação de Palau Hoje Macau - 20 Jul 2024 O Governo rejeitou ontem as declarações do Presidente do Palau a um jornal japonês a denunciar a proibição de entrada de uma delegação do país oceânico na região chinesa por manter relações com Taiwan. “A notícia veiculada é inverídica”, disse o gabinete do secretário para a Segurança à agência Lusa, referindo-se às declarações feitas ao jornal japonês Nikkei. A assessoria de Wong Sio Chak não clarificou à Agência Lusa se considera a notícia inverídica por não ter havido recusa de vistos de entrada no território ou se considera a notícia inverídica porque a recusa foi explicada com outra razão que não as relações de Palau com Taiwan. O gabinete do secretário para a Segurança acrescentou que “os serviços competentes não têm informações a transmitir nesse âmbito”. Na entrevista, publicada na terça-feira, o Presidente da República de Palau, Surangel Whipps, citou a proibição de entrada de uma delegação do país em Macau como exemplo da crescente pressão da China sobre uma das poucas nações do Pacífico que mantém relações com Taiwan. Surangel Whipps disse que em Maio uma delegação de Palau viu recusados os vistos de entrada em Macau para participar numa conferência internacional de agentes de viagens. Novo nível As autoridades justificaram a decisão devido às relações de Palau com Taiwan, referiu o dirigente ao jornal nipónico. “Nunca vimos isto antes”, afirmou. “No que diz respeito aos laços económicos e a tudo isso, nunca houve qualquer problema no passado, mas isto é uma espécie de novo nível quando se trata de turismo ou de tentar impedir oportunidades”, relatou. Macau tem três voos semanais para Koror, no arquipélago de Palau, uma ligação realizada pela Cambodia Airways, de acordo com a página oficial do Aeroporto de Macau. Surangel Whipps fez declarações ao jornal japonês à margem da participação na Reunião de Líderes das Ilhas do Pacífico (PALM10), que arrancou na terça-feira em Tóquio e na qual participam 18 líderes de nações desta região.
Imobiliário | Junho com sinais de recuperação e casas mais caras João Santos Filipe - 20 Jul 2024 Após a Assembleia Legislativa ter removido vários impostos que incindiam sobre a compra de habitações, Junho registou mais de 400 transacções imobiliárias. É a primeira vez que acontece desde Março do ano passado No passado mês de Junho, houve mais transacções imobiliárias e os preços ficaram mais caros, em comparação com o mês anterior e o período homólogo. A informação divulgada pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) representa a primeira vez desde Março do ano passado que o número de transacções imobiliárias ficou acima das 400 transacções. Segundo a estatística oficial, em Junho houve um total de 413 transacções de habitação, a um preço médio de 99.489 patacas por metro quadrado. A 20 de Abril a Assembleia Legislativa aprovou um pacote proposto pelo Governo para acabar com vários impostos aplicados às transacções imobiliárias. Os efeitos parecem começar a sentir-se e em comparação com Maio, o número de compras e vendas mostra um aumento de 19,4 por cento, ou de 67 transacções, com o registo a saltar de 346 compras e vendas para 413. Em termos do preço, em Maio, a média do metro quadrado tinha sido de 91.711 patacas, e em Junho subiu para 99.489 patacas, um crescimento de 8,5 por cento, que correspondeu a 7.778 patacas por metro quadrado. Se, por exemplo, for considerada uma habitação com área de 120 metros quadrados, no espaço de um mês o preço subiu de 11 milhões de patacas para 11,94 milhões, uma diferença de quase um milhão. A maior procura por habitação aconteceu na Taipa, onde houve 216 transacções. A área média útil das casas transaccionadas foi de 55 metros quadrados, ao preço de 111.825 patacas por metro quadrado. Além disso, registaram-se 177 transacções na Península, com um preço médio de 88.065 patacas por metro quadrado e 20 transacções em Coloane, ao preço médio por metro quadrado de área útil de 101.455 patacas. Melhorias evidentes O impacto das novas medidas no imobiliário é mais evidente quando a comparação é feita com Junho de 2023. Nesse mês, houve 236 transacções imobiliárias, uma diferença de 43 por cento, ou 177 transacções. Também os preços ficaram mais caros, dado que a Junho de 2023 o preço do metro quadrado estava em 96.791 patacas, e no mês mais recente subiu para 99.489 patacas por metro quadrado. Em relação à primeira metade deste ano, houve 1.556 transacções a um preço de 90.540 patacas por metro quadrado. Na primeira metade do ano passado, o número de transacções tinha sido de 1.793, a um preço médio de 93.887 patacas por metro quadrado. Na primeira metade do último ano da pandemia, em 2019, tinham sido registadas 3.920 transacções a um preço médio de 109.466 patacas por metro quadrado.
Código QR | Recurso permite passagem para Hong Kong Hoje Macau - 20 Jul 2024 A partir de hoje, os residentes de Macau pode atravessar a fronteira para Hong Kong com recurso à utilização de um código QR, em vez de terem de apresentar o bilhete de identidade de residente em formato físico. A medida foi apresentada ontem numa conferência realizada pelas autoridades de Macau e Hong Kong e também se aplica aos residentes da RAEHK. Antes de utilizarem o Código QR, os residentes têm de realizar um registo para atravessarem as portas automáticas. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, o director da Direcção dos Serviços de Identificação, Chao Wai Ieng, destacou que a nova medida pode aumentar a conveniência para os residentes de ambas as partes e promover um maior intercâmbio a nível das pessoas, actividades económicas e fomentar o desenvolvimento do turismo e das convenções e exposições. Por seu turno, Benson Kwok Joon Fung, director do Departamento de Imigração de Hong Kong, revelou que cerca de 2,5 milhões de residentes de Hong Kong fizeram o registo para utilizarem a passagem automática em Macau. O Código QR é feito através da Conta Única e é um mecanismo que actualmente já se usa para as deslocações para o Interior.
Cotai | Construção de zona ao ar livre adjudicada pelo menor preço João Luz - 20 Jul 2024 A empreitada para construir a zona para espectáculos ao ar livre no Cotai foi adjudicada à Companhia de Construção & Engenharia Shing Lung, que apresentou a proposta mais barata (84,8 milhões de patacas). Feitas as contas, incluindo duas fases de ordenamento e elaboração do projecto, a factura do Governo chega quase a 89,9 milhões de patacas A Companhia de Construção & Engenharia Shing Lung ganhou a adjudicação relativa à empreitada “zona de espectáculos ao ar livre de Macau”, a área no Cotai destinada a espectáculos para cerca de 50 mil espectadores, depois de apresentar a proposta mais barata, no valor de 84,78 milhões de patacas. O prazo para a execução da obra será de 107 dias. Recorde-se que o preço mais elevado para a empreitada foi apresentado pela Companhia de Construção Cheong Kong, no valor de 113,4 milhões de patacas. A zona de espectáculos ficará situada num terreno do Estado, com uma área de 94 mil metros quadrados, localizada “na intersecção entre a Avenida do Aeroporto e Rua de Ténis, virada a norte para a Rua de Ténis e a nordeste para a Avenida do Aeroporto”, perto do Grand Lisboa Palace. No total, a construção do espaço para espectáculos de grande envergadura terá um custo total de quase 89,9 milhões de patacas. Uma das consequências da adjudicação da empreitada à Companhia de Construção & Engenharia Shing Lung por um preço inferior a 100 milhões de patacas é deixar o projecto de fora da lista de obras obrigadas a fazer actualizações sobre o andamento dos trabalhos, nomeadamente notificando o Governo para eventuais derrapagens orçamentais, ou atrasos no prazo de execução. Estes valores foram revistos em 2019 pelo Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, entretanto extinto. Obras para todos Além da empreitada para construir a “zona de espectáculos ao ar livre de Macau”, a Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) adjudicou ainda duas fases de obras de nivelamento e para a elaboração do projecto. Os trabalhos de nivelamento foram atribuídos às duas empresas que haviam sido também convidadas para apresentar propostas para a empreitada geral, mas que não ganharam a adjudicação. A primeira foi adjudicada à Companhia de Decoração San Kei Ip, que apresentou o preço mais barato (menos de metade do segundo valor mais baixo), com 1,96 milhões de patacas, com um prazo de execução de 50 dias. A segunda fase foi adjudicada à Empresa de Construção e Obras de Engenharia Tak Fat Kin Ip por 875 mil patacas, mais uma vez o preço mais baixo, com prazo de execução de 20 dias. Quando à elaboração do projecto, a DSOP adjudicou os trabalhos à Sociedade de Consultadoria em Engenharia Civil por 2,3 milhões de patacas, com um prazo de execução de 45 dias.
Banguecoque | Seis estrangeiros encontrados mortos num hotel Hoje Macau - 18 Jul 2024 Seis estrangeiros foram encontrados mortos num quarto de um hotel de luxo no centro de Banguecoque, com as análises ao sangue a mostrarem vestígios de cianeto, disseram ontem as autoridades policiais tailandesas. “Gostaríamos de confirmar que um dos seis mortos está por trás deste incidente, usando cianeto”, declarou o vice-comandante da polícia de Banguecoque, responsável pelas investigações, em conferência de imprensa. “Estamos convencidos de que uma das seis pessoas encontradas mortas cometeu este crime”, sublinhou Noppasil Poonsawas. Já o chefe da divisão forense da polícia tailandesa, Trairong Piwpan, disse que havia vestígios de cianeto nos copos e garrafas térmicas encontrados no quarto. O motivo do crime estará relacionado com dívidas, ainda de acordo com Noppasil Poonsawas. Os corpos dos seis estrangeiros, todos oriundos do Vietname e dois dos quais com nacionalidade norte-americana, foram encontrados na terça-feira numa suíte de um hotel no centro turístico de Banguecoque. As circunstâncias das mortes alimentaram vários rumores e meios de comunicação social sugeriram inicialmente um tiroteio. Sobre o sucedido, o primeiro-ministro tailandês, Srettha Thavisin, falou de “um assunto privado” não relacionado com “um roubo” ou uma questão de “segurança nacional”. O líder tailandês garantiu que a tragédia não vai afetar o turismo, sector vital para a economia do país asiático, com um crescimento fraco após a pandemia da covid-19.
Empresário que já foi o homem mais rico da China condenado por fraude nos EUA Hoje Macau - 18 Jul 2024 Guo Wengui, um empresário chinês auto-exilado nos EUA e que já foi considerado o homem mais rico da China, foi condenado na terça-feira por fraude massiva, que se prolongou por anos e afectou muitos dos seus apoiantes. As suas críticas ao Partido Comunista Chinês granjearam-lhe legiões de seguidores nas redes sociais e amigos poderosos no movimento conservador norte-americano. Detido em Nova Iorque, em Março de 2023, Guo foi acusado de promover uma série de negócios fraudulentos, desde 2018. Ao longo de sete semanas de julgamento, foi acusado de enganar milhares de pessoas que investiram em projetos fictícios, usando o dinheiro para manter um estilo de vida luxuoso. Guo deixou a China em 2014, durante uma campanha anti-corrupção que envolveu pessoas das suas relações, incluindo um dirigente dos serviços de informações. As autoridades chinesas acusaram-no de violação, rapto, corrupção e outros crimes, mas Guo disse que as acusações eram falsas. Adiantou que estas acusações eram feitas para o punir por revelar publicamente a corrupção na China, através das suas críticas a dirigentes do Partido Comunista. Golfe e Trump Depois, solicitou asilo político nos EUA; mudou-se para um luxuoso apartamento, com vista para o Central Park, e entrou para o clube de golfe de Donald Trump, em Mar-a-Lago, no Estado da Florida. A viver em Nova Iorque, Guo desenvolveu uma relação de proximidade com o ex-estratega político de Trump, Steve Bannon. Em 2020, Guo e Bannon anunciaram uma iniciativa conjunta para derrubar o governo chinês. Os procuradores avançaram que centenas de milhares de investidores foram convencidos a aplicar mais de mil milhões de dólares em entidades controladas por Guo.
O Clube da Luta (I) Jorge Rodrigues Simão - 18 Jul 2024 “Because with wise guidance you will wage war, and in the abundance of counselors is victory.” Proverbs 24:6 (Mossad motto) Em tempos de paz, a terra é para o homem; na guerra, o homem é para a terra. Onde o homem prevalece sobre a terra, há espaço para a verdadeira vida. No caso oposto, a morte triunfa. O homem acaba no subsolo, em um sentido físico e simbólico. Nós, europeus, ainda estamos convencidos de que habitamos a casa da paz eterna. A guerra não nos pode atingir. É por isso que, quando ela irrompe (em outros lugares), tendemos a retratá-la como uma sequência de crimes. Com uma grande quantidade de cenas horríveis. Um método contundente de não reconhecer o seu significado histórico, de abolir os seus contextos. O nosso labor é ligar os pontos cruzando as perspectivas dos protagonistas. Ler histórias na crónica. Há países em que esse exercício talvez não seja realista. As nossas ferramentas de investigação encontram resistência de culturas que parecem tão exóticas a ponto de serem impenetráveis. Por exemplo, o espaço centrado no planalto iraniano, entre o Mediterrâneo e a Ásia mais profunda, palco de milhares de anos de expansão e contracção de impérios grandiosos aos quais, para simplificar, atribuímos o título de iraniano. Dentro e ao redor dele, populações de várias linhagens e religiões, entre as quais se destacam os árabes, os turcos e os judeus, juntamente com os persas. No último dia 7 de Outubro de 2023, mais uma carnificina sangrenta foi deflagrada ali, destinada a reordenar as cartas geopolíticas. Estamos nos espaços originais de nossa civilização, nada menos que exóticos dos quais sabemos pouco porque não ouvimos as vozes de dentro. Tentamos fazê-las ressoar. Porque temos curiosidade sobre elas. E porque, se as sufocarmos nos nossos autoproclamados esquemas universais, certamente não as entenderemos. Homenagem ao relativismo das “Cartas Persas”, com as quais Montesquieu pintou um retrato irónico das instituições francesas por meio dos olhos de dois visitantes persas imaginários em 1721. Paradigma inatingível. Mas um lembrete muito actual sobre a urgência de ouvir os outros antes de falar mal de nós mesmos, especialmente quando, por instinto, preferimos ouvir-nos. Não existe a pretensão de desvendar os mistérios persas. Mas, assim como o mistério aumenta o fascínio, é interessante descobri-lo, apesar de tudo. Seguramente, não entenderemos nada desse teatro sem considerar as suas coordenadas sistémicas, que estão em rápida transformação. Estamos a vivenciar uma revolução geopolítica global marcada por quatro dinâmicas estruturais. Em ordem de importância, a transição dos Estados Unidos da dissuasão para a auto dissuasão; renúncia da Rússia e da China em integrar o sistema hegemónico americano e decisão de desafiá-lo em modos de guerra quente ou latente; redução drástica do Ocidente a uma minoria mundial em declínio, muito envelhecida e enfraquecida, desestabilizada pela crise de credibilidade de seu líder; emergência biológico-demográfica do “Sul Global”, jovem, disposto à violência, dividido em tudo, mas confraternizado pelo ressentimento anticolonial no estilo dos neo-destruídos da Terra. Não há como voltar atrás, dada a profundidade da crise de identidade americana. Os danos podem ser limitados. Mas o tempo está a jogar contra o Ocidente, que prefere remover a realidade em vez de enfrentá-la. Para os Europeus, essa deriva é mortal. Os conflitos separam os nossos subúrbios do leste e do sul e expõem a nossa dependência de espaços antes protegidos pelo império americano, agora contestados. É também por isso que devemo-nos concentrar também na revolução nas áreas do Levante e do meio do oceano. Terrestre entre a Península Arábica e o planalto iraniano, marítima do Mediterrâneo oriental ao Mar Vermelho e ao Golfo Pérsico. Começando com a polaridade Irão-Israel. É necessária uma escavação profunda do império persa e uma investigação da sua relação paradoxal com o Estado judeu. Ontem era chamado de Grande Médio Oriente, agora é um objecto geopolítico não identificado. Antes, cada um corria na sua própria pista, mesmo que morresse. Especialidade local em que os exercícios de movimento estacionário com acompanhamento musical forte. Hoje, há lutas sem regras. Os trilhos, assoreados, não podem mais ser vistos. Todos têm medo de descarrilar, mas não sabem como diminuir a velocidade. Os actores do Levante, equipados com máscaras multicoloridas adaptáveis a cada mudança de estação, lutam para se localizar geograficamente em tal confusão. Quem está com quem e onde? Faltam referências externas, as internas vacilam. Alguns duvidam da sua própria identidade. E se não sabe nem onde nem quem é, qual é o sentido de discutir estratégia? As revoluções são horrores para aqueles que as sofrem e despertares de consciência para aqueles que as observam. As chamas queimam e iluminam. Desde 7 de Outubro de 2023, o antigo Grande Médio Oriente tem sido um hospício. Cartas fraudulentas estão a ser jogadas lá, e até agora nada de novo. Apenas o facto de que costumavam ser cobertas, mas agora são transparentes. Reveladoras. Três premissas são indispensáveis; a histórica, geopolítica e metodológica. Primeiro. Aqui, a Grande Guerra (2022-?) é mais uma fase da Grande Guerra ampliada (1914-2022). O jogo nunca foi encerrado. Conflitos gerados directamente do desmembramento dos impérios eurasiáticos, otomano, russo, francês e também do britânico. Fragmentação inacabada de poderes. Proliferação da impotência. Frequentemente vago. Segundo. A apatia americana não estratégica é agravada pela percepção dos actores do Médio Oriente, para quem a hora do vale-tudo chegou e passou. Actos que teriam parecido obscenos na alta temporada nas estrelas e listras, portanto reprimidos pelo Ocidente, ficam impunes. É a hora dos oportunistas. E dos adversários dos hegemónicos como chineses, russos e outros que se infiltram nos espaços evacuados por europeus e americanos. Quanto a nós, seria uma oportunidade de nos tornarmos úteis como ocidentais, com ou sem razão, não percebidos como tal pelos locais e, portanto, facilitadores potenciais da paz. Terceiro. Muitos em guerra civil latente, alguns efectivos, outros em conflito directo ou indirecto com inimigos próximos e distantes Antecipemos a tese de para colocar esse caos sob controlo, as grandes potências não são nem serão suficientes. Na melhor das hipóteses, acompanharão a consolidação de actores estatais interessados em garantir um equilíbrio regional de facto, mesmo que ou porque estejam competindo entre si. Só os adversários com autoridade suficiente podem chegar a um acordo sobre uma ordem mínima. A alternativa é a penetração da Caoslândia na Europa, a começar pela Europa do Sul. Quem pode reordenar o Médio Oriente? No baralho de cartas manipuladas e expostas, três de naipe dominante são o Irão, Turquia e Israel. Estados reais. Dois impérios antigos e auto conscientes, de cultura muçulmana diferente e rivalidade comprovada. Dotados da sabedoria que distingue a aristocracia imperial, base do reconhecimento da consanguinidade entre potências superiores. Mais o recentíssimo Estado judaico (1948), fundado menos na Shoah, mais no Livro. E em lendas históricas auto-legitimadoras ou bem inventadas. De matriz etno-religiosa refractária às tentações imperiais, ou seja, multiétnica, está em permanente emergência bélica. Hoje, paroxística. O senso comum diz que as três potências estão destinadas a entrar em confronto. Julgamento precipitado. A história não conhece cassações. Diverte-se a negar-se a si própria, para desespero daqueles que pretendem controlá-la. O passado deste triângulo é um jogo de sombras. Do amanhã não há certezas. Excepto que um certo equilíbrio do Médio Oriente depende em grande parte das suas cimeiras e das respectivas estratégias para o mundo pós-revolucionário em gestação. Enquanto zombam e se cobrem de invectivas, israelitas, iranianos e turcos partilham dois instintos; o respeito mútuo e o desprezo pelos árabes. Serão eles, com a aquiescência de potências exteriores, que resolverão a contenda e exercerão um acto de equilíbrio de tom neo-imperial por falta de verdadeiras nações. Ou agravar o caos. O acordo entre as três estrelas rivais sobre os seus papéis e espaços respectivos é uma condição necessária para a reconstrução do Médio Oriente como uma região regida por um certo equilíbrio (e não desequilíbrio excessivo) de poder. Futura constelação de paz. O Irão, a Turquia e Israel são demasiado diferentes para uma aliança. Mas os seus interesses não impedem alinhamentos pragmáticos, reconhecidos pelo mundo. Terapias de choque contra a epidemia de loucura, se ainda for a tempo. Seguir o veneno pois estamos a lidar com amantes secretos que, embora se odeiem, se atraem mutuamente. Os amantes secretos são eternos. Sobretudo nos subúrbios. Daí a lembrança inoportuna. Entre os protagonistas do nascimento e do estabelecimento de Israel no cenário das nações, Reuven Shiloah é a personalidade mais misteriosa. Nasceu súbdito otomano em Jerusalém, em 1909, no seio de uma família de judeus ortodoxos, cujo pai era rabino. Como bom Sabra (judeu nascido na Terra de Israel antes da formação do Estado) criado no coração mais do que ortodoxo de Jerusalém, o bairro de Mea Shearim, Shiloah não goza da simpatia dos pioneiros de origem europeia que conduzirão o Estado judeu da infância à adolescência. Forjado na luta pela independência nesse ambiente laico e socialista, morrerá cinquenta anos mais tarde, em Telavive, a trabalhar. Por vocação e profissão, foi conselheiro do príncipe, embora, como muitos dos seus homólogos, tivesse preferido liderar. No entanto, faltam-lhe os talentos do homem público e alguns centímetros de estatura. Evita as recitações obrigatórias para o político e negligencia o gosto pela caneta que anima os espiões, sobretudo quando estão fora de curso e de facto, morre em serviço permanente. Refratário à rotina é um homem de ideias, não de organização. Profeta febril da causa patriótica, não se sabe se teve um dia de folga ou uma paixão artística. Não se sabe se alguma vez foi ao cinema, talvez para um encontro clandestino. Capaz, em privado, de fascinar e comover os hostis, de contradizer calmamente e de reprogramar os seus dirigentes para os empurrar para onde eles não queriam. Sempre ocupado a tecer e a desfazer conspirações secretas em todo o mundo. Esgueira-se por todos os corredores, abre todas as portas se isso servir o país. O seu estilo de penetração diplomática; primeiro entra com a cabeça, depois com os pés. Depois, está feito. Quase desconhecido fora do santuário do Estado judaico, agente de influência e diplomata, Shiloah tem uma rede de relações ao mais alto nível, desde o Estado profundo americano até aos sofás orientais, de África às chancelarias europeias. É o criador e primeiro director da Mossad (1949-1952). Instituição de nome e de facto. Na definição do mais próximo dos seus amigos poderosos, o ministro dos Negócios Estrangeiros e mais tarde chefe de governo Moshe Sharett que diria “Uma unidade de reconhecimento composta por ele próprio”. Shiloah tem um objectivo muito claro que é de fazer de Israel uma grande potência. Uma vanguarda ocidental do Médio Oriente contra a União Soviética, empenhada em desvendar as cabalas pan-arabistas do líder egípcio Gamal Abdel Nasser, um duplo inimigo mortal, na medida em que era hostil a Israel e sensível às sirenes de Moscovo. Como é que um pequeno país, quase estrangulado no berço pelos árabes durante a guerra de 1948-1949, pode aspirar a tanto? A resposta é de que tornando-se um agente secreto dos Estados Unidos na região e fora dela, depois aderindo plenamente à NATO ou, pelo menos, arrancando a Washington uma garantia directa e formal de protecção. Com o tempo, na ideia de Shiloah, Israel ascenderia à proeminência global graças à primazia da inteligência, emprestada da abordagem “brain over brawn” típica da forma britânica de liderar os americanos por trás, diríamos como os gregos com os romanos. A sinergia com a diáspora é decisiva. Shiloah argumenta: “Haverá algum país no mundo onde não se encontrem israelitas e judeus, estreitamente ligados, com acesso privilegiado a um tesouro de informação, muitas vezes com a vantagem de ocuparem posições-chave no Estado e no sector privado, de onde podem manobrar as alavancas certas? Haverá algum país no mundo onde os judeus não tenham um poder real ou imaginário?”
Cinema | Salvador Sobral junta-se como actor ao novo filme de João Nicolau Hoje Macau - 18 Jul 2024 O realizador João Nicolau inicia este mês a rodagem do filme “A Providência e a Guitarra”, apresentado como “um mergulho nas agruras e deleites da vida artística”, revelou a produtora “O Som e a Fúria”. A longa-metragem inspira-se num conto do escritor britânico Robert Louis Stevenson e é protagonizada por Pedro Inês, Clara Riedenstein e pelo músico Salvador Sobral, aos quais se juntam, entre outros, Américo Silva e José Raposo. A ficção “conta a odisseia de um casal de artistas ambulantes que chega a uma pequena vila para apresentar o seu espectáculo de variedades. Em paralelo, na actualidade, uma promissora banda de rock entra em declínio motivado pelas divergências pessoais e artísticas do grupo”, refere a produtora em informação enviada à Lusa. Na sinopse, o realizador João Nicolau explica que o filme tem como ponto de partida um conto de Stevenson, publicado no final do século XIX, e é “um mergulho nas agruras e deleites da vida artística e uma exploração das suas consequências nas relações conjugais e sociais”. “A providência e a guitarra” é uma produção de “O Som e a Fúria”, com apoio do Instituto do Cinema e Audiovisual e da RTP. Músico, montador e realizador, João Nicolau fez em 2006 a curta-metragem “Rapace”, seguindo-se o premiado “Canção de amor e saúde” (2009). Presença regular em festivais internacionais, nomeadamente Cannes, Locarno e Veneza, João Nicolau fez a primeira longa-metragem, “A espada e a rosa”, em 2010, seguindo-se “John From” (2015) e “Technoboss” (2019), que esteve em competição em Locarno.
Creative Macau | “Verso-Único” é a nova exposição de Aya Lei Hoje Macau - 18 Jul 2024 É inaugurada este sábado mais uma exposição na galeria da Creative Macau. “Unique-Verse” [Verso-Único], da autoria da artista local Aya Lei, trata-se de uma colecção de desenhos e ilustrações em que o universo familiar da própria autora se mistura com a criatividade Aya Lei, artista local, está de regresso às exposições com “Unique-Verse” [Verso-Único], uma mostra de ilustração que será inaugurada este sábado às 17h e que pode ser vista pelo público na galeria da Creative Macau até 17 de Agosto. Segundo um comunicado da organização, “Unique-Verse” retrata um universo muito próprio da artista cujo trabalho se centra no género ilustração. “Universo, que significa tempo e espaço no conceito chinês, é um mundo. Se a minha vida é limitada, espero poder torná-la mais alegre com a minha família, que me pode trazer ideias únicas com diversão e prazer”, começa por explicar a artista, citada pela mesma nota. Muitos dos trabalhos apresentados por Aya Lei reflectem “o desenho das filhas” que mostram à artista “possibilidades interessantes”. “É uma verdadeira inspiração para as minhas criações e também um grande prazer para mim”, frisou. Aya Lei é uma artista de banda desenhada e ilustradora residente em Macau. É autodidacta e há muitos anos que desenvolveu uma grande paixão pelo desenho. Tem-se dedicado ao design gráfico e à pintura. Os seus trabalhos publicados incluem as bandas desenhadas “Ever Eternal”, lançado em 2013, “A Book of DREAMS”, de 2015 e “A Song of Roaring Lion”, publicado em 2019. A artista lançou ainda, em 2014, o livro de imagens “Grillia’s Cage” e a ilustração Ever Green, em 2018. Ilustrar por aí Sendo membro da Creative Macau, Aya Lei tem participado numa série de exposições colectivas da entidade. Em 2021, o seu nome fez parte de “Sentimental Attachment – Drawings & Illustrations”, uma exposição conjunta com Heidi Ng, Lan Chiang, Lo Yuen Yi, Madalena Fonseca e Ioklin Ng. Aqui, o desafio lançado aos seis artistas participantes consistiu em “trazerem para a exposição a sua experiência no desenho e na ilustração, inspirados pelo tema e pela familiaridade conseguida em ambas as áreas”. Aya Lei tem uma carreira que passa também pela China, Hong Kong e Taiwan, tendo feito recentemente algumas exposições individuais, nomeadamente “ITO”, “Tóquio Japão”, em 2017, “Illusion of Dream”, em que a autora se debruçou sobre o universo de Manga nos seus trabalhos artísticos, e apresentada em 2019. Finalmente, “Roude e Terra – Colecção de Ilustração de Aya Lei”, foi apresentada ao público em 2020.
20 autocarros de condução autónoma em Shenzhen Hoje Macau - 18 Jul 2024 A cidade de Shenzhen, no sudeste da China, vai colocar em operação 20 autocarros de condução autónoma, durante este ano, informou ontem a imprensa local, ilustrando os avanços da China nesta tecnologia emergente. O Global Times, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, disse terem sido já aprovadas quatro rotas de autocarros autónomos, que deverão ser lançadas oficialmente até ao final do mês, com um custo de 1 yuan por viagem. As rotas vão abranger estações de metro, zonas comerciais e residenciais, distritos empresariais, parques industriais e locais de interesse paisagístico, detalhou a mesma fonte. Os autocarros, sem condutor, estão equipados com câmaras de alta definição a bordo, radar de ondas milimétricas e tecnologia de sensoriamento remoto LiDAR, para uma percepção precisa de 360 graus dos veículos circundantes, peões, veículos não motorizados e alterações nas condições da estrada. Durante a operação, os veículos podem reconhecer com precisão as marcações da faixa de rodagem e os semáforos, efectuar manobras de ultrapassagem e lidar eficazmente com vários cenários de condução urbana difíceis, incluindo executar com segurança viragens à esquerda desprotegidas em cruzamentos sem semáforos, navegar em cruzamentos com tráfego misto de peões e veículos, identificar e ceder a passagem a veículos que estejam a invadir a faixa de rodagem e áreas de construção ou dar passagem a peões e parar com precisão nas estações. Em Jinan, a capital da província de Shandong, no leste da China, o primeiro lote de autocarros sem condutor começou já a funcionar em regime experimental para recolher dados cartográficos, de acordo com a imprensa local. Jinan introduziu um total de quatro autocarros sem condutor, devendo o primeiro veículo realizar 240 horas ou mil quilómetros de teste em estrada e outros trabalhos preliminares depois de completar a recolha de mapas e antes de entrar em operação. IA devagar A 3 de Julho, os reguladores chineses divulgaram uma lista de áreas-piloto para aplicação da rede que integra veículos inteligentes, estradas inteligentes e tecnologias em nuvem em tempo real, tendo sido seleccionadas 20 cidades, incluindo Jinan e Shenzhen. Xangai, a “capital” financeira da China, também deve começar a testar veículos autónomos já na próxima semana, oferecendo viagens gratuitas aos residentes durante o período experimental. A entrada em operação dos autocarros ocorre duas semanas depois de um carro de condução autónoma do grupo chinês de tecnologia Baidu ter atropelado um peão em Wuhan, no centro da China, que estava alegadamente a atravessar a rua com sinal vermelho. Em comunicado, o Baidu afirmou que o carro começou a andar quando o semáforo ficou verde e teve um pequeno contacto com o peão. A pessoa foi levada para um hospital onde um exame não detectou ferimentos, acrescentou a empresa. O Baidu, sediado em Pequim, é líder no desenvolvimento da condução autónoma na China. A maior operação de “robotáxi”, com uma frota de 300 carros, está em Wuhan. O Apollo Go, como é chamado o serviço de transporte de passageiros, também opera em partes mais limitadas de três outras cidades chinesas, Pequim, Shenzhen e Chongqing. Em Maio, a empresa lançou a sexta geração do táxi sem condutor, afirmando ter reduzido o custo unitário em mais de metade, para menos de 30.000 dólares.
Xi Jinping pede ao PCC “fé inabalável” na sua estratégia económica Hoje Macau - 18 Jul 2024 O Presidente chinês, Xi Jinping, pediu ao Partido Comunista que demonstre “fé e empenho inabaláveis” na sua estratégia, à medida que tenta reorientar o país para a inovação e produção de “alta qualidade” em setores emergentes. As afirmações de Xi foram publicadas pelo principal jornal teórico do Partido Comunista (PCC) numa altura em que decorre em Pequim o terceiro plenário do 20.º Comité Central, o órgão máximo dirigente do país, composto por líderes do governo, exército e de nível provincial. No artigo difundido pelo jornal Qiushi, sob o título “Manter a autoconfiança e a autossuficiência”, Xi apelou aos membros do PCC que demonstrem uma “fé inabalável e um empenhamento na via de desenvolvimento que a China traçou para si própria”. O líder chinês advertiu que não existe uma “solução pronta” ou um “manual de instruções estrangeiro” que possa ser seguido. “As perspectivas de desenvolvimento da China são brilhantes, e nós acreditamos e temos confiança”, vincou. Para os analistas chineses, o actual abrandamento da segunda maior economia mundial é consequência da determinação de Xi de abandonar um modelo de crescimento assente no endividamento. Na última década, a China construiu a maior rede ferroviária de alta velocidade do mundo, cerca de cem aeroportos ou dezenas de cidades de raiz, alargando a classe média em centenas de milhões de pessoas. Mas este modelo gerou um excesso de investimento em todo o tipo de projectos de construção sem capacidade de gerarem retorno. Na visão do líder chinês mais forte das últimas décadas, a China deve agora alcançar um crescimento “genuíno” e converter-se numa potência industrial e tecnológica de nível mundial, com uma economia assente na produção de bens com valor acrescentado e alocação eficiente de recursos. Xi pediu que o país se concentre em objectivos de longo prazo, “em vez de visar apenas riqueza material a curto prazo”. Um artigo difundido pela agência noticiosa oficial Xinhua descreveu Xi como “outro reformador extraordinário do país, depois de Deng Xiaoping”, referindo que os dois líderes “enfrentaram circunstâncias históricas surpreendentemente diferentes”. Alguns dos planos do líder chinês estão a ser cumpridos: a China ultrapassou, em 2023, o Japão como o maior exportador de automóveis do mundo e a transição energética a nível global depende dos painéis solares, turbinas eólicas e baterias produzidas no país.
Gaza | Hamas e outras milícias palestinianas reúnem-se em Pequim Hoje Macau - 18 Jul 2024 A reunião patrocinada pelo Governo chinês, e que tenta unir os diversos movimentos palestinianos através do diálogo, terá lugar na capital do país nos próximos dias 21 e 22 deste mês O grupo islamita Hamas, que controla de facto a Faixa de Gaza, disse ontem que aceitou um convite do Governo chinês para se reunir em Pequim com outras facções palestinianas para discutir o futuro do enclave no pós-guerra. “O Hamas e as facções palestinianas receberam um amável convite da República Popular da China para realizar uma reunião entre facções nos dias 21 e 22 deste mês”, declarou, em comunicado, Husam Badran, membro do gabinete político do Hamas e chefe do seu gabinete de relações internacionais. O grupo islamista “respondeu com espírito positivo e responsabilidade nacional a este convite, a fim de alcançar uma unidade nacional que corresponda ao povo palestiniano e aos seus sacrifícios e heroísmo”, especialmente no actual contexto de guerra, acrescentou. De acordo com Badran, está prevista apenas uma reunião de grupo e não reuniões bilaterais. Na terça-feira, o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês sublinhou a sua disponibilidade para “fornecer uma plataforma e criar oportunidades para as facções palestinianas se reconciliarem e dialogarem”, mas não confirmou a reunião. O Hamas e o partido secular Fatah, que governa pequenas partes da Cisjordânia ocupada através da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), reuniram-se na capital chinesa em Abril, altura em que os dois movimentos sublinharam a necessidade de avançar para a “unidade nacional” e acabar com a divisão entre as facções palestinianas. O Hamas e a Fatah estão em conflito desde 2007, altura em que o Hamas expulsou as forças da Fatah da Faixa de Gaza, dissolveu o executivo conjunto e tomou o poder pela força, depois de ter vencido as eleições legislativas um ano antes. Vários mediadores, incluindo o Egipto, a Arábia Saudita, o Qatar e a Rússia, tentaram intervir para pôr fim à divisão que se mantém desde então. Controlo entregue Em Fevereiro, o governo da ANP demitiu-se, invocando a necessidade urgente de “um consenso palestiniano” capaz de substituir o Hamas na Faixa de Gaza. Embora Israel se oponha tanto ao regresso da ANP a Gaza após o fim da guerra como à criação de um Estado palestiniano, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou, num projecto de plano pós-guerra, que o controlo civil de Gaza caberia a responsáveis locais afastados de “países ou entidades que apoiam o terrorismo”. Os Estados Unidos – mediadores da guerra, juntamente com o Qatar e o Egipto – afirmam ser favoráveis a uma entidade reformada apoiada pelos palestinianos. A guerra eclodiu a 7 de Outubro de 2023, na sequência de um ataque do Hamas a Israel que causou cerca de 1.200 mortos e 251 sequestrados. Desde então, as forças israelitas têm atacado incessantemente a Faixa de Gaza, onde mais de 38.700 pessoas foram mortas e mais de 88.000 ficaram feridas. Não é a primeira vez que a China intervém como mediador num conflito na região: no ano passado, mediou um acordo entre o Irão e a Arábia Saudita para o restabelecimento das relações diplomáticas.
Secção do curso Superior do Changjiang (长江上游) José Simões Morais - 18 Jul 2024 O rio Longo, em chinês Changjiang (长江), conhecido também por rio Yangtzé, ou Yangzi (扬子), é o terceiro maior do mundo, depois do rio Nilo com 6690 km e o Amazonas de 6570 km. Designado por rio Azul, é o maior dos três grandes rios a atravessar a China, tendo 6363 km de comprimento, sendo ainda um dos cinco rios a cruzar o curso do Grande Canal. As fontes de água do Changjiang encontram-se no planalto tibetano e nas montanhas Kunlun [a Leste da cordilheira dos Pamir e para Oeste do Vale de Sichuan marca o final Norte do Planalto Qinghai-Tibetano] de onde nascem os dois rios, Dangqu (当曲) e o Tuotuo he (沱沱河), que ao se juntarem formam o rio Tongtian (通天河), um dos muitos nomes do Changjiang ao longo do seu percurso. As duas nascentes estão na montanha de Tanggula (唐古拉山, Serra Dangla): no lado da província de Qinghai, o rio Dangqu tem a fonte a 5170 m de altitude na montanha Xiasheriaba (霞舍日阿巴山, de 5395 metros); e na província do Tibete, o rio Tuotuo (ou Ulan Moron em tibetano) é formado na geleira a Oeste dessa mesma montanha de Tanggula, a Sudoeste do planalto tibetano, no seu mais alto pico Geladaindong. O Dongqu após 234 km e o rio Tuotuo depois de 336 km, juntam-se e formam o rio Tongtian (通天), que ainda na província de Qinghai percorre 828 km antes de seguir para Sudeste e juntar-se em Yushu (quarta maior cidade de Qinghai) ao afluente rio Batang (巴塘河). Aí, de Yushu Zhimenda (玉树直门达) até Yibin (宜宾) em Sichuan percorre 2308 km e passa a ser conhecido por Jinshajiang (金沙江, rio das Areias Douradas), outro dos nomes do Changjiang. Como rio Jinsha atravessa as províncias de Qinghai, Tibete, Sichuan, Yunnan e volta a Sichuan, onde termina. Na sua trajectória para Sul, alimentado por múltiplos afluentes, o rio Jinsha ao atingir a província de Yunnan envolve a cidade de Lijiang [localizada no planalto Yungui, ainda pertencente ao planalto Qinghai-Tibete] e pouco depois em Panzhihua, no extremo Sul de Sichuan, recebe as águas do rio Yalong (雅砻江), o mais comprido com 1637 km e principal afluente do Changjiang, proveniente das montanhas Hengduan [junção do planalto Qinghai-Tibete com o planalto Yunnan-Guizhou]. O rio Jinsha (金沙江) passa a correr para Nordeste por a província de Sichuan até Yibin (宜宾), onde termina a uma altitude de 305 metros. Após o afluente Minjiang desaguar em Yibin no Changjiang, este por atravessar Sichuan fica com o nome de Chuanjiang (川江) nos 1040 km até Yichang (宜昌), província de Hubei. Nos 410 km de Yibin a Chongqing, em Luzhou desagua o rio Tuo proveniente de Leshan e já no extremo Leste da península colina onde o centro de Chongqing se encontra, o afluente rio Jialing junta-se ao Chuanjiang, encontrando-se próximo daí as docas Chaotianmen, onde vamos para embarcar. Após Chongqing, a altitude do Chuanjiang passa a ser de 40 metros, percorrendo 630 km até Yichang (宜昌), onde termina o Curso Superior do Changjiang (长江上游) com 4504 km desde as suas duas nascentes. PERCURSO DAS TRÊS GARGANTAS Em 1991 chegamos à segunda cidade mais importante de Sichuan, Chongqing com a intenção de realizar de barco a descida do Rio Longo até Wuhan, passando por o famoso cenário turístico das Três Gargantas, numa viagem de três dias. Na compra do bilhete de barco havia a possibilidade de escolha para desembarcar nos portos fluviais de uma série de cidades existentes a jusante do Yangtzé [assim chamado o rio por os estrangeiros]. Em Chongqing inicia-se a parte navegável do rio para navios de grande porte e a viagem até Shanghai (Xangai) dura cinco dias e em sentido inverso, para percorrer os 2400 quilómetros contra a corrente, leva sete dias. Chongqing desde 1983 tinha já a parte financeira e económica sob o controlo do Governo Central, mas administrativamente os seus treze milhões de residentes pertenciam à província de Sichuan, então com 100 milhões, a mais populosa da China. Em 1997, devido à necessidade de construir a Barragem de Sanxia [三峡壩, das Três Gargantas] deixou de pertencer a Sichuan e tornou-se o Município Administrativo de Chongqing. Aquando da nossa primeira viagem por o Changjiang em 1991 ainda não havia referência alguma à Barragem Hidroeléctrica das Três Gargantas (三峡大壩, Sanxiadaba), cuja decisão governamental ocorreu no ano seguinte, ficando a obra pronta em 2008, tornando-se a maior barragem do mundo. Quando possível, o barco é um bom meio para viajar no centro e Sul (a parte mais populosa da China), sobretudo nas deslocações feitas por o interior. Apesar de vagarosas, são agradáveis viagens. Por água, [lembrar estarmos em 1991], conseguimos fugir às enchentes dos comboios e às más estradas do interior do país. Devido à lentidão deste transporte, a permitir repousadamente saborear a paisagem e a possibilidade de conviver com os chineses, faz dele um meio privilegiado. Esta vez o rio sofre uma cheia a inundar os campos, aumentando bastante a largura entre as margens. O barco partiu de Chongqing às 7 horas da manhã e após parar em Fuling e Fengdu, ancorou na margem esquerda do rio às 18 h em Wanxian, um dos dez importantes portos do rio. [Chamado agora Wanzhou, devido à construção da barragem perdeu quase metade da sua área urbana.] De Wanxian saímos às 4 horas para a partir das 8 da manhã navegar na zona das Três Gargantas e chegar a Yichang às 16 horas. Pouco depois de Wanxian, na mesma margem aparece Yunyang, onde atravessando o rio, na margem direita se encontra o Templo de Zhang Fei. Segue-se Fenhjie (Yong’an), antiga cidade capital do reino Kui durante a dinastia Zhou de Leste (771-256 a.n.E.), e para Leste após oito quilómetros inicia-se a Garganta Qutang. À sua entrada, na margem esquerda aparece a povoação-fortaleza de Baidi (Cidade do Imperador Branco, ou Celeste Dragão Branco). Aí, há mais de dois mil anos teve origem o antigo reino Bashu [a cultura Bashu tardia terá começado nos finais do Período Primavera-Outono (770-476 a.n.E.) e com doze gerações de governantes durou até 316 a.n.E., quando o reino Qin eliminou os Ba]. Já no Período dos Três Reinos, Baidicheng foi o local para o governante do reino Shu, Liu Bei (161-223) se retirar após derrotado por o reino Wu e ao sentir-se muito doente, entregou o filho Liu Chan a Zhuge Liang, o seu primeiro-ministro, para o orientar na governação; episódio conhecido por “Confiar o órfão em Baidi”. Navegando oito quilómetros entre altas falésias na Garganta Qutang, dizem-nos poder aí ver incrustados a meio da montanha caixões suspensos do povo Ba. A seguir aparece a Garganta Wu com 45 km de comprimentos e falésias em ambos os lados, onde no ano de 208 terá sido firmada a aliança entre os reinos Shu e Wu contra o Wei. Esta segunda garganta termina em Badong, na margem direita do rio e onde vive a minoria Miao e Tujia, que no passado desde as margens puxavam com cordas os barcos rio acima. Pouco depois, na margem esquerda do rio encontra-se Zigui (Maoping), o início da última das três famosas gargantas, Xilingxia, a mais comprida delas com 76 km. [No percurso desta garganta encontra-se construída em Sandouping, no distrito de Yiling, desde 2008 a Barragem Hidroeléctrica das Três Gargantas (三峡大壩, Sanxiadaba), onde a profundidade não natural, mas criada das águas do rio é de 320 metros.] Por fim, após 38 km está a comporta Gezhouba a deixar a embarcação numa cota cinco metros mais abaixo. Nos 200 km entre Fengjie e Yichang a largura do Chuanjiang varia entre os 300 e menos de 100 metros, dependendo da estação do ano. Em Yichang termina o Curso Superior do Changjiang e o barco faz a primeira grande paragem. DE BARCO ATÉ WUHAN De Yichang, a viagem de barco já no curso médio do Changjiang (长江中游) levou 22 horas até Wuhan. Ainda na margem do lado esquerdo do rio, agora chamado Jingjiang, apareceu pouco depois Jingzhou (província de Hubei). Seguiu-se Yueyang (o único porto internacional de Hunan) situada na margem direita e onde o lago Dongting a Nordeste se liga às águas provenientes do rio Longo. A localização do lago criou o nome das duas províncias, Hubei (a Norte do lago) e Hunan (a Sul do lago). De Yueyang, o Changjiang corre para Nordeste e por a província de Hubei vai até à sua capital Wuhan, onde o rio Han após percorrer 1532 km se torna seu afluente. O Hanshui (汉水) nasce na parte Sul das montanhas Qin (秦岭, Qinling) e percorrendo-as em longitude por o vale criado com a parte Norte das montanhas Daba [a separar Sichuan e Chongqing], passa na cidade de Hanzhong e do Sudoeste de Shaanxi flui para Leste, entrando na província de Hubei. Em Wuhan o Hanshui desagua no Changjiang, dividindo a cidade em três cidades: Wuchang (no lado direito do rio Longo, situa-se à frente da foz do rio Han); na margem Norte do rio Han está Hankou e a Sul, Hanyang, banhando o Changjiang as margens destas três cidades, que formam a capital da província de Hubei. De registar o enorme crescimento de Wuhan, quer populacional, quer em termos da criação de novas indústrias joint-venture com famosas marcas Ocidentais. A meio caminho entre Beijing (Pequim), Guangzhou (Cantão) e Shanghai, está Wuhan como centro do País do Meio, não sendo alheio o incremento dado por o governo central a esta zona especial. O desenvolvimento das vias rodoviárias ficou complementado em 1957 por a nova ponte de Wuhan, ainda então o orgulho dos chineses. Atracado o barco em Hanyang, vamos à cabine de seis camas em beliches que nos coube no bilhete de terceira classe e recolhemos a bagagem. A espreitar do postigo, termina a primeira deambulação no rio Longo, por onde iremos navegar até à foz, entre novas zonas e outras cidades.
Câmbio ilegal | Mulher roubada e sequestrada Hoje Macau - 18 Jul 2024 Uma mulher que fazia trocas ilegais de dinheiro foi sequestrada e roubada por dois homens oriundos do Interior da China que gastaram o dinheiro no jogo. Segundo o jornal Ou Mun, o caso ocorreu esta terça-feira, quando os dois suspeitos contactaram a mulher com o pretexto de trocarem um milhão de dólares de Hong Kong. A vítima levou o dinheiro para um quarto de hotel num empreendimento de jogo, conforme combinado. Porém, ao entrar no quarto, foi ameaçada com uma faca, tendo um dos suspeitos levado as fichas de jogo que a mulher tinha consigo no valor de 590 mil dólares de Hong Kong. Um dos agressores foi jogar no casino enquanto o outro mantinha a vítima presa no quarto. Meia hora depois do roubo, o suspeito já tinha perdido todo o dinheiro no jogo e voltou ao quarto, tendo tirado mais 1,12 milhões de dólares de Hong Kong que a mulher tinha consigo, dinheiro que também acabou por perder. Quando um dos homens levou a mulher para o casino em busca do companheiro, esta aproveitou para tentar fugir e resistir ao sequestro, Agentes policiais, que se encontravam fora do casino, aperceberam-se da situação e actuaram detendo os suspeitos. O caso já se encontra no Ministério Público para posterior investigação, podendo estar em causa os crimes de roubo, sequestro e posse de arma proibida.
Mais 3 mil ocorrências registadas pelos bombeiros em seis meses João Santos Filipe - 18 Jul 2024 Na primeira metade do ano, o número de incidentes registados pelo Corpo de Bombeiros registou um crescimento superior a 3 mil ocorrências. Os números foram revelados ontem pelo CB, através de uma conferência de imprensa e comunicado. Nos primeiros seis meses do ano foram registadas 27.654 ocorrências, entre incêndios, saídas de ambulâncias, operações de salvamento e outros serviços. É um crescimento de 12,64 por cento, em comparação com a primeira metade do ano passado. Na primeira metade de 2023, o número de incidentes tinha sido de 24.551. As principais ocorrências prenderam-se com saídas de ambulâncias, com 24.982 veículos a serem enviados para um total de 23.207 casos. Em comparação com o ano passado, registou-se um aumento de 10,97 por cento dos casos com saídas de ambulância, que se traduziu em mais 2.294 casos. “As causas da subida deveram-se principalmente ao aumento dos casos da leve indisposição por febre, tontura, dor de cabeça, entre outros”, foi justificado em comunicado. “Os casos gerais de socorro lidaram essencialmente com a tontura, dor abdominal, febre, palpitação, vómitos, etc., contando com 12.795 casos, o que ocupou 55,13 por cento do número total de saída de ambulâncias”, foi acrescentado. Mais incêndios No que diz respeito aos incêndios, tiveram lugar 455 saídas do CB, um aumento de 44 incêndios em comparação com a primeira metade do ano passado. Entre estas saídas, em 375 casos não houve necessidade de utilizar mangueiras. “As principais causas dos incêndios deveram-se ao esquecimento de desligar os fogões, curtos-circuitos nas instalações eléctricas, à queima de incensos e velas/papéis votivos, chamas que não foram totalmente extintas e falhas mecânicas/de equipamentos”, foi indicados. Estas causas foram responsáveis por 296 incêndios, o que representou 65,05 por cento do número total de fogos. “O CB lembra aos cidadãos para desligarem os fogões e os aparelhos eléctricos antes de sair de casa e apagarem cuidadosamente as pontas de cigarro e a chamas na vida quotidiana, no sentido de evitar prejuízos patrimoniais provocados pelo incêndio por causa da negligência”, foi apelado.
Assédio | TSI confirma condenação de ex-docente da UM João Santos Filipe - 18 Jul 2024 Na primeira instância, o arguido afirmou que não poderia ter assediado a mulher porque toma comprimidos para a hipertensão que lhe reduzem o desejo sexual O Tribunal de Segunda Instância (TSI) confirmou a condenação de um ex-docente da Universidade de Macau a sete meses de prisão, com pena suspensa, pelo crime de importunação sexual. A decisão foi tomada a 27 de Junho e noticiada ontem pelo jornal All About Macau. Após uma primeira condenação, no Tribunal Judicial de Base, durante o ano passado, o docente, identificado como Mao Haijian, foi condenado com uma pena de sete meses. No entanto, o homem que afirma ser inocente, optou por apelar da decisão. O crime ocorreu a 16 de Julho de 2022, durante um jantar no dormitório em que estavam presentes o agressor, a vítima, uma aluna, e uma outra estudante. Após a refeição, quando a vítima lavava a loiça com a colega, o ex-docente abordou-a por trás e tocou-lhe no traseiro e no peito. A mulher recusou os avanços, e abandonou o local. Na argumentação utilizada ao longo do caso, o condenado defendeu-se ao indicar que apenas tinha actuado daquela maneira por ter consumido meia garrafa de whisky. Contudo, o TSI recusou esta leitura e considerou que o álcool foi consumido para haver um pretexto para actuar daquela forma. Com base nos testemunhos sobre o jantar, o colectivo de juízes deu também como provado que cerca de 10 minutos antes do crime, o professor mostrava estar consciente ao discutir assuntos como a ligação entre as “potências ocidentais e a academia”, sem que mostrasse “estar a perder o controlo”. Também no decurso do julgamento, o ex-docente, actualmente com 70 anos, terá argumentado que não poderia ter agredido sexualmente a aluna, porque toma medicamentos para a hipertensão, desde os 61 anos, que lhe inibem os desejos sexuais. Este foi um argumento que também não convenceu os juízes. Caso na pandemia Esta ocorrência aconteceu durante a pandemia, numa altura em que a circulação de pessoas estava altamente restringida. O caso ganhou mediatismo, depois de ter sido coberto pelo jornal Orange Post, da Universidade de Macau, dado que a própria aluna também divulgou o incidente nas redes sociais. Sobre este aspecto, escreveu o jornal All About Macau, a defesa do condenado argumentou que a vítima não estava interessada na justiça, porque tinha violado o segredo de justiça. O professor também terá considerado não haver qualquer problema por jantar com duas alunas numa residência da universidade e afastou a possibilidade de elas se sentirem coagidas, pelo facto de haver uma relação de poder.
IPIM | Investimentos criaram 817 postos de trabalho Hoje Macau - 18 Jul 2024 Nos primeiros seis meses do corrente ano, o “Serviço One–Stop para Investidores” do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) acompanhou projectos responsáveis pela criação de 817 postos de trabalho e um investimento de 1,32 mil milhões de patacas. A informação foi divulgada através de uma nota de imprensa do IPIM, que destaca que o investimento nos primeiros seis meses foi “maior do que o montante efectivamente investido em todo o ano de 2023”. O montante do ano passado não foi referido no comunicado. Ainda de acordo com a mesma fonte, na primeira metade do ano, o IPIM recebeu 199 novos projectos de investimento, mas apenas 153 foram acompanhados durante a implementação. No comunicado, o IPIM considera que a situação actual “demonstra que os investidores têm confiança no ambiente de negócios e nas perspectivas do desenvolvimento de Macau”. Em relação à segunda metade do ano, o IPIM promete estar “empenhado em potenciar as suas funções” através das actividades de “promoção de investimento, convenções e exposições, bem como serviços comerciais entre a China e os países de língua portuguesa”. A instituição apontou também que no segundo semestre deste ano, os trabalhos prioritários consistem em “captar negócios e investimentos com medidas proactivas, realização de exposições e em parcerias”. O IPIM promete assim “realizar visitas a empresas das nove cidades da Grande Baía, atrair para Macau mais actividades de convenções e exposições de alta qualidade, bem como coordenar delegações para visitas aos países lusófonos”.
Jogo | Analistas revêem em baixa estimativas para 2024 e 2025 João Luz - 18 Jul 2024 O grupo de investimento CLSA reviu em baixa as previsões da indústria do jogo para 2024 e 2025. As medidas de combate à troca ilegal de dinheiro impostas por Pequim e sazonalidade dos meses de Verão colocaram alguma água na fervura do optimismo. Também os lucros EBITDA foram revistos devido à subida dos custos de promoção e salários Depois da euforia, a ponderação. O grupo de investimentos de Hong Kong CLSA reviu em baixa as perspectivas de receitas brutas da indústria do jogo de Macau, assim como os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) das concessionárias, para este ano e o próximo. A empresa que pertence ao banco de investimento chinês CITIC Securities colocou a fasquia das receitas brutas deste ano em 232,7 mil milhões de patacas, valor que representa um aumento anual de 27 por cento. Em relação a 2025, os analistas esperam um crescimento de 3,9 por cento das receitas deste ano, elevando para 241,7 mil milhões de patacas o montante amealhado pelo sector. “Baixámos as nossas previsões para 2024 e 2025 em 3 e 5,3 por cento, respectivamente, porque ajustámos as pressuposições sobre as receitas brutas/número de visitantes, tendo em conta os dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos para o segundo trimestre do ano”, indicam os analistas. Recorde-se que as receitas brutas do jogo caíram 1,6 por cento no segundo trimestre deste ano face ao trimestre anterior, para 56,4 mil milhões de patacas. Mas os analistas Jeffrey Kiang e Leo Pan salientam o impacto “do aperto da vigilância sobre a indústria no combate às trocas ilegais de dinheiro imposto pela China”. Bola e bolos Os analistas indicam também que Julho começou fraco em termos de receitas dos casinos, que já vinham sofrendo com a normal sazonalidade, com Junho a ser o mês mais fraco do ano, e com as atenções monopolizadas pelo Campeonato da Europa de futebol “Apesar do arranque tímido das receitas brutas de Julho, e do impacto que o aperto nas actividades de troca ilegal de dinheiro tiveram na sensibilidade dos investidores, folhas de balanço estáveis e concorrência sensata devem permitir que as operadoras de casinos resistam a estes ventos contrários a curto prazo”. Também os lucros EBITDA foram revistos em baixa para 2024 e 2025, devido ao aumento “das actividades promocionais das concessionárias e a subidas das folhas salariais”. Assim sendo, a CLSA prevê que a indústria tenha lucros ajustados de 63,3 mil milhões de dólares de Hong Kong, menos 8 por cento em relação à previsão anterior, mas, ainda assim, um valor que fica a 85 por cento dos níveis verificados em 2019. Para 2025, os analistas perspectiva lucros EBITDA de 71,7 mil milhões de dólares de Hong Kong, menos 5,8 por cento face à previsão anterior.