Cinemateca | “Amuletos de Agosto” traz nova selecção de filmes Andreia Sofia Silva - 9 Ago 2024 Como habitualmente, um novo mês é, para a Cinemateca Paixão, sinónimo de refrescar a programação e apresentar mais uma selecção de filmes asiáticos, mas não só. Destaque para a cópia restaurada de “Millenium Mambo”, filme de 2001 de Hou Hsiao-Hsien, realizador de Taiwan Já começaram a ser exibidos na Cinemateca Paixão os filmes que fazem parte da selecção do mês em curso, intitulada “Amuletos de Agosto”. Um dos destaques é o filme “Millenium Mambo”, do realizador de Taiwan Hou Hsiao-Hsien, que desta vez se apresenta com uma cópia restaurada, uma vez que se trata de um filme de 2001. A primeira exibição aconteceu ontem, estando ainda agendadas apresentações nos dias 18, 22 e 25 deste mês. Tido como “filme inovador” na carreira do cineasta e vencedor do prémio técnico do Festival de Cannes e três prémios “Cavalo de Ouro” do Festival Internacional de Cinema de Taiwan, este filme começa com uma voz-off que recorda o momento em que Vicky vivia uma relação turbulenta com Hao-Hao, um preguiçoso, cuja atitude se assemelha à da namorada, que não tem propriamente grandes objectivos de vida. Ambos passam as noites a fumar e a beber, roubando algumas coisas ou viajando para o Japão. “Millenium Mambo” é um filme que analisa as expectativas e percursos destes dois personagens, questionando o factor tempo e o seu aproveitamento naquelas que parecem ser duas vidas errantes. Amanhã será exibido um thriller, bem como nos dias 15, 20 e 25 deste mês. Trata-se de “Red Rooms”, um filme de Pascal Plante, do Canadá, com a personagem Kelly-Anne, que todas as manhãs acorda junto ao tribunal para garantir um lugar no julgamento de Ludovic Chevalier, um assassino em série que está a ser julgado e pelo qual está obcecada. À medida que os dias passam e o julgamento prossegue, ela relaciona-se com outra jovem o que a faz sair da solidão, mas o tempo gasto em tribunal com os familiares das vítimas de Ludovic e a sua obsessão com o assassino fá-la perder cada vez mais a estabilidade emocional e o equilíbrio. Kelly-Anne traça então um novo objectivo: ter acesso ao vídeo perdido de uma menina de 13 anos, assassinada por Ludovic, que estranhamente é muito parecida com ela. O abuso a Maria Do Canadá, saltamos para o México com “Malo Actor” [Mau Actor], exibido hoje às 20h e depois com repetições na quarta-feira, dia 14, 18, 23 e 27. “Malo Actor” é inspirado na má experiência da actriz Maria Schneider com o actor Marlon Brando no filme “O Último Tango em Paris”, de 1972, quando este passa manteiga nas suas partes íntimas sem que a cena tivesse sido combinada com a actriz. O caso só foi confirmado pelo realizador, Bernardo Bertolucci, anos mais tarde. “Queria sua reacção como menina, não como actriz. Não queria que Maria interpretasse sua humilhação e sua raiva, queria que sentisse. Os gritos… ‘Não, não!’. Depois iria odiar-me para sempre”, disse, citado pelo El País. No caso de “Mau Actor”, é a actriz Sandra Navarro que acusa o actor Daniel Zavala de ter abusado dela numa cena de sexo. A actriz apresenta queixa, mas toda a produção tenta evitar o escândalo. O filme é de Jorge Cuchí. “Do Not Expect Too Much from the End of the World” é a película que se exibe pela primeira vez nesta programação este domingo, repetindo-se depois nos dias 16, 24 e 28 de Agosto. Este filme venceu um Urso de Ouro no Festival de Berlim e conquistou, na Roménia, país onde foi rodado, a categoria de Melhor Filme. Além disso, venceu o Prémio Especial do Júri no 76.º Festival de Cinema de Locarno. O mais recente filme de Radu Jude conta a história de Angela, uma assistente de produção com excesso de trabalho que tem de conduzir por Bucareste para filmar o casting de um vídeo sobre segurança no trabalho, a pedido de uma multinacional. Porém, quando Angela se encontra com Marian, um trabalhador desse empresa que está parcialmente paralisado, e este revela o que o levou à sua condição física, depressa é espoletado um escândalo que obriga a uma nova narrativa do vídeo. Este é descrito como “um drama cómico absurdo” dividido em duas partes, em que “numa paisagem vertiginosa o cinema, capitalismo e a tecnologia encontram-se com a sociologia política do mundo digital pós-totalitário”. “Little Miss Sunshine”, filme de 2006 que já fez sucesso em várias salas de cinema, repete agora na Cinemateca Paixão na próxima terça-feira e depois nos dias 17, 21, 24 e 29 deste mês. Tudo se centra na Olive Hoover, uma criança engraçada de sete anos fascinada por concursos de beleza e que obriga toda a família a acompanhá-la até à Califórnia para competir no concurso nacional “Little Miss Sunshine”. Porém, a par da tentativa de expressar beleza na competição, o que se revela é uma série de peripécias trágico-cómicas que envolvem todos os membros desta família disfuncional.
Evergrande | Liquidatários intentam acção judicial contra auditor PwC Hoje Macau - 9 Ago 2024 Os liquidatários da empresa chinesa Evergrande intentaram uma acção judicial contra a empresa de auditoria PwC em Hong Kong pelo seu papel na adulteração das contas do gigante imobiliário, informou na quarta-feira a Bloomberg News. A acção faz parte dos esforços para recuperar os investimentos dos credores depois de um tribunal de Hong Kong ter ordenado, em Janeiro, a liquidação da Evergrande, o antigo gigante imobiliário da China. Uma vez que a Evergrande está sediada na China continental, onde as leis são diferentes das de Hong Kong, a administração do grupo indicou que a decisão do tribunal não teria qualquer impacto nas suas operações na China continental e, de facto, continuou as suas actividades, apesar de uma dívida estimada em mais de 300 mil milhões de dólares. A PwC e a PricewaterhouseCoopers Zhong Tian LLP – a sucursal da empresa de auditoria no continente – foram citadas numa acção judicial intentada em Março, informou a Bloomberg com base em documentos judiciais. As acções judiciais visam a “negligência” e as “deturpações” da PwC nos seus relatórios sobre as demonstrações financeiras da Evergrande relativas a 2017 e ao primeiro semestre de 2018, segundo a Bloomberg. A Evergrande, que entrou em incumprimento em 2021, tornou-se emblemática da crise no mercado imobiliário da China. As autoridades chinesas e de Hong Kong estão interessadas na PwC, que foi auditora da Evergrande durante mais de dez anos, antes de se demitir em 2023, na sequência de desacordos sobre a auditoria das contas da empresa relativas a 2021. A PwC e a Evergrande não quiseram comentar. A negociação das acções da Evergrande em Hong Kong está suspensa desde Janeiro.
Faixa e Rota | Embaixador considera “fundamental” inclusão do Brasil Hoje Macau - 9 Ago 2024 O embaixador chinês em Brasília disse na quarta-feira que China e Brasil “não devem estar satisfeitos com o estado actual da cooperação” e descreveu a adesão brasileira a um importante programa da política externa chinesa como “fundamental”. Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, Zhu Qingqiao, que participou num evento do Conselho Empresarial Brasil – China, em São Paulo, na véspera do 50.º aniversário das relações entre os dois países, defendeu que a inclusão do Brasil na Iniciativa Faixa e Rota seria uma “demonstração de estabilidade” na “relação de cooperação de longo prazo”. Designada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, como o “projecto do século”, a iniciativa adquiriu, na última década, dimensão global, à medida que mais de 150 países em todo o mundo aderiram ao programa, incluindo quase todas as nações da América Latina. As empresas chinesas construíram portos, estradas, linhas ferroviárias, centrais eléctricas e outras infra-estruturas em todo o mundo, numa tentativa de impulsionar o comércio e o crescimento económico. O programa cimentou também o estatuto da China como líder e credora entre os países em desenvolvimento. O Brasil tem, no entanto, enviado apenas diplomatas de baixo escalão para participar nos fóruns em Pequim, contrastando com vários dos seus países vizinhos, que se fizeram representar por chefes de Estado ou de Governo. “A adesão poderia trazer benefícios mútuos e facilitar a identificação de sinergias entre a procura brasileira e os interesses chineses nos sectores mais estratégicos”, afirmou o embaixador. “Acreditamos que a iniciativa é altamente consistente com a estratégia de desenvolvimento do Governo de Lula da Silva, como os planos de reindustrialização, as rotas de integração sul-americana e o projecto de aceleração do crescimento”, acrescentou. Na América do Sul, apenas o Brasil, Colômbia e Paraguai ainda não aderiram à iniciativa de Pequim. Em particular, as autoridades brasileiras procuram financiamento para obras que ajudariam o Brasil a conectar-se com o Oceano Pacífico, especialmente o porto de águas profundas em Chancay, no Peru, que foi construído com financiamento chinês e deve ser inaugurado em Novembro. “Penso que as empresas chinesas estão muito interessadas em envolver-se de alguma forma” na ligação do Brasil a Chancay, explicou o embaixador chinês, citado pelo SCMP. A crescente influência da China no Brasil e na América Latina tem, no entanto, levado a advertências por parte de Washington. Termos não convencem Em Maio passado, a chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, Laura Richardson, em visita ao Rio de Janeiro para exercícios militares conjuntos, disse à imprensa local que “as democracias do Brasil e dos Estados Unidos partilham uma história de 200 anos, enquanto a parceria com a China tem apenas 50 anos”. “Como democracias, respeitamo-nos mutuamente. Respeitamos a soberania uns dos outros”, disse. Richardson alertou que Brasília terá de prestar atenção às “condições impostas” por Pequim, no âmbito de uma possível adesão à Iniciativa Faixa e Rota. “O que aprendemos é que a iniciativa parece muito boa na superfície, mas há muitas letras miúdas”, acrescentou. “É preciso ler as letras miudinhas para ver todas as condições e como a soberania é retirada ao longo do tempo se os empréstimos não forem reembolsados e coisas do género”, alertou. Em resposta, a embaixada chinesa acusou Richardson de “adoptar uma mentalidade típica da Guerra Fria” e de seguir uma “lógica hegemónica”. Na América Latina, os EUA utilizaram a “democracia” e os “direitos humanos” como pretexto para “atacar, sancionar e interferir nos países da região”, acrescentou-se no comunicado da embaixada.
Poesia chinesa e psicanálise – Lacan em Pequim Hoje Macau - 9 Ago 2024 Por M. Ângela Andrade O que há de peculiar na forma na poesia chinesa, que leva Demiéville a comparar a sua tessitura com a arte de “fritar peixinhos sem destroçá-los”? Há uma alusão à sua leveza e subtileza. Mas esse savoir-faire implica ainda exercitar-se pela repetição, pois os chineses imitam e repetem sempre os códigos poéticos, os mitos e os ritos ancestrais. Para além do saber fazer, da habilidade, o que confere à poesia charme irresistível é o estilo e a singularidade, tal como o demonstra a caligrafia chinesa. O que se apreende é que a repetição chama o novo. Na tessitura de uma poesia provisória, a apreensão do ser sempre escapa. Daí ser “poesia ténue, sempre prestes a se desfazer na via do apagamento, sempre capaz de evitar o desaparecimento, ameaçada de extinção e, no entanto, sempre renascendo. Afinal inextinguível, por tocar nos contrastes da língua em si, da qual se desprende a linguagem.” Antes de prosseguir lendo como Albert Nguyen articula as relações entre poesia chinesa e psicanálise, cumpre notar dados historiográficos da relação de Lacan com a China, sua língua e pensamento: Jacques Lacan sempre fora atraído pelo Extremo Oriente e sabe-se que, durante a Ocupação, havia aprendido o chinês na Escola de Línguas Orientais. Em 1969, quando elaborava sua teoria do discurso a partir da divisão wittgensteiniana do dizer e do mostrar, voltou a mergulhar com paixão no estudo da língua e da filosofia chinesa. Em outra ocasião procurei tratar aqui das referências sobre a língua chinesa nos seminários de Lacan, principalmente as do seminário XVIII. No presente trabalho busco apresentar aspectos das indicações de Lacan a respeito de poesia chinesa: “Se vocês são psicanalistas, verão que é o forçamento por onde um psicanalista pode fazer ressoar outras coisas, outra coisa que o sentido. (….) O sentido, isto tampona; mas com a ajuda daquilo que se chama escritura poética podem ter uma dimensão do que poderia ser a interpretação analítica. É absolutamente certo que a escritura não é aquilo pelo que a poesia, a ressonância do corpo, se exprime. É aliás completamente surpreendente que os poetas chineses se exprimam pela escritura e que para nós o que é preciso é que tomemos na escritura chinesa a noção do que é a poesia. Não que toda poesia… seja tal que a possamos imaginar pela escritura, pela escrita poética chinesa, mas talvez vocês sintam aí alguma coisa que seja outra, outra que aquilo que faz que os poetas chineses não possam fazer de outra forma senão escrever…” A poesia chinesa, porém, só pode ser lida conhecendo o contexto em que brota, ou seja, os fundamentos filosóficos, particularmente daoístas em que está alicerçada. Ainda sobre o contexto: o solo em que florescem essas tradições gerou uma combinação particular de vertentes filosóficas heterogéneas que, no entanto, se revelam bastante assimiladas na cultura chinesa. Nguyen indica ainda os trabalhos de Isabelle Robinet e François Julien que demonstram indiscutivelmente a incidência e força destas doutrinas, tanto na poesia como na estratégia e política da China. O artigo em questão destaca três grandes poetas chineses para ilustrar cada tradição: Wang Wei (budista), Li Po (taoísta) e Du Fu (confucionista). Escolhi para ilustrar a presente exposição, a poesia de Wang Wei. Atalho pela velha floresta; nenhum vestígio No coração do monte, um som de sino; vindo de onde? À tarde, sobre o lago deserto, meditando, Alguém aprisiona o dragão venenoso. Em Televisão, Lacan fala do estatuto provisório da poesia, fazendo dela uma arte do desprendimento, como aquela que o poeta Wang Wei pratica. No encontro de poesia chinesa e psicanálise surgem interferências e diferenças. Nguyen destaca a ressonância, termo que equivale à interferência, como o alvo da interpretação psicanalítica. As interferências ou ressonâncias são: 1. A natureza, que na poesia chinesa indica o lugar do vazio, o furo. “Lugar de ressonância, lugar de interferência: nada pode ressoar sem um furo: aquilo que no saber constitui o sintoma analítico, aquilo que deixa o poema e o livro inacabados, aquilo da ruptura da tradição que provoca a rã de Bashô, que se lança no poço, plof! e tantas outras indicações desta interferência da ressonância.” 2. A relação com o real. Essa segunda interferência assenta-se no lugar concedido ao real. A relação ao real é distinta na psicanálise. Na poesia chinesa, o real surge como realidade derradeira, sinónimo de Dao. Já a psicanálise confere ao sujeito o estatuto de separado, cortado definitivamente de todo o mundo e de toda cosmologia. Assim, separação, exclusão do sujeito, em oposição à integração daoísta. Poderíamos, talvez, aproximar essa relação ao real no taoísmo com a música tonal, enquanto que a relação ao real na psicanálise com a música atonal. Ou ainda com Badiou: “O real, para Lacan, se dá como ausência de sentido. Mas o que é preciso entender bem, é que ausência de sentido para Lacan, nunca quer dizer não-sentido. Há uma função de sentido do real, enquanto ausência de sentido. Há uma ausência no sentido, uma subtracção ao sentido que não é um não-sentido. É essencial compreender a diferença entre ausência de sentido (ab-sens) e não-sentido (non-sens).” 3. A mistura, mestiçagem (métis) da linguagem ou do real com a linguagem do simbólico. É a que se contrapõe à linguagem unívoca do Um fálico; a mestiçagem favorece a maleabilidade de espírito. Efeito de sujeito, afânise, ou o estatuto provisório, evanescente do ser? O sentido de “poesia provisória” diz respeito ao caminho no qual a apreensão do ser sempre escapa. O analisante e o poeta seriam, nesta perspectiva, um efeito poético. Nguyen conclui seu trabalho com o que nomeia de Lacan chinês. Diz ele, “Como situar esta possibilidade do passo suplementar que Lacan realiza sobre o taoísmo e a poesia? A resposta é dupla. Por um lado, Lacan, ao formular a estrutura, não deixa de examinar o registo da consequência (desenvolvida nesse mesmo seminário). A causa não porta somente efeito, mas consequências. E por outro lado, esse passo suplementar é autorizado pelo que nomeio de “Lacan chinês” para designar o lugar sempre marcado de referências chinesas em seu ensino, do início ao fim. Lacan começa seu ensino com o Zen e todos conhecem a referência à Índia de Prajapati e o Deus Trovão dos Escritos, mas é principalmente a partir do seminário “A Angústia”, seminário sobre o afeto certeiro da angústia, central em sua elaboração da teoria da causa, que Lacan, a partir do vazio e do feminino – pois é também este um seminário sobre a abordagem do feminino juntamente a uma tentativa de visualizar um para além da rocha freudiana da castração para o final de análise – com Kuan Yin, a fêmea misteriosa da qual ele extrai o olhar como causa, olhar faltante, olhar vazio, começa a marcar aquilo que será uma insistência sobre as referências chinesas.”
Condução | CCT sugere que deficientes suportem custos de aprendizagem Andreia Sofia Silva - 9 Ago 20249 Ago 2024 Os membros de um grupo de trabalho do Conselho Consultivo do Trânsito (CCT) sugeriram que seja firmado um acordo de cooperação entre escolas de condução e instituições de serviço social para que estas possam fornecer veículos adaptados a alunos portadores de deficiência. Segundo um comunicado, os membros lembraram que estes veículos devem estar adaptados, o que significa custos adicionais elevados para as escolas, pelo que também pedem uma transferência de responsabilidades para os candidatos. “Os membros do CCT apontaram que, apesar de algumas taxas de avaliação terem sido reduzidas, os elevados custos resultantes de modificações repetidas e inspecções frequentes ainda podem ser transferidos para os candidatos”, pode ler-se. Foi também sugerido que “o próprio candidato com deficiência adquira e modifique o veículo para fins de aprendizagem, o que também facilitaria a sua utilização futura”. Do lado da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego ficou a promessa de “analisar mais detalhadamente a viabilidade das sugestões recolhidas”. Além disso, foram discutidas as novas funcionalidades da plataforma online das escolas de condução, nomeadamente o reagendamento extraordinário e o pagamento das taxas de utilização do Centro de Aprendizagem e Exame de Condução.
“Macau Saudável”| Governo define 20 objectivos Hoje Macau - 9 Ago 2024 Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde (SS), disse que o Governo definiu 20 objectivos e 52 indicadores de avaliação no âmbito do “Plano de Acção para uma Macau Saudável” até 2030. Esta informação foi referida naquela que foi a primeira reunião do sexto mandato do Conselho para os Assuntos Médicos. Serão, assim, “planeadas uma série de medidas de intervenção e políticas de saúde”, a fim de promover “um ambiente e promoção de comportamentos saudáveis”. Alvis Lo disse ainda que, com este Plano, são propostas “três orientações políticas principais”, tal como “descentralizar recursos, mudar o paradigma e a mentalidade”. Segundo um comunicado, foi referido que os principais trabalhos dos membros do quinto mandato do Conselho foi “melhorar leis e medidas complementares”, nomeadamente a lei de técnicas de procriação medicamente assistida, o regime jurídico para o exercício de actividade das instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde”, regulamentos de publicidade médica e informações para as actividades de Desenvolvimento Profissional Contínuo, destinadas aos profissionais de saúde.
Turismo | Quase 843 mil visitantes na primeira semana do mês João Luz - 9 Ago 2024 Entre 1 e 7 de Agosto, entraram em Macau quase 843 mil turistas, numa média de cerca de 120 mil por dia. O volume de turistas registado nos primeiros sete dias de Agosto representa um aumento anual de mais de 14 por cento e um incremento médio de mais de 20 mil turistas em comparação com Julho A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) divulgou ontem dados que demonstram a popularidade que Macau atravessa enquanto destino de Verão. Entre os dias 1 e 7 de Agosto, os dados provisórios da DST apontam para a entrada de quase 843 mil turistas em Macau, o que significa uma média diária de 120 mil visitantes e um aumento anual de 14,3 por cento. “À medida que atingimos o ponto mais elevado da época alta do turismo de Verão, as atracções turísticas e os locais em vários distritos de Macau registam um fluxo crescente de pessoas, revelador do crescente desejo dos turistas de visitar Macau”, indicou ontem o organismo liderado por Helena de Senna Fernandes. O Governo salienta o registo do primeiro sábado do mês, quando entraram em Macau cerca de 152 mil turistas, o maior volume de visitantes desde o início do Verão. O registo ficou apenas a 3 mil pessoas do dia com mais entradas no Verão de 2019 (27 de Julho), quando entraram em Macau 155 mil turistas, ou seja 97,8 por cento do dia mais concorrido. No mesmo dia, foi batido mais um recorde com 717.197 entradas e saídas nos postos fronteiriços, o número mais elevado de que há registo, mas que também reflecte o fluxo de entradas e saídas de moradores de Macau para Zhuhai. A DST destaca também que o número médio de turistas registados nos primeiros sete dias de Agosto superou em mais de 20 mil a média diária verificada no mês anterior de quase 98 mil. Foram ontem também actualizados os dados provisórios da entrada de turistas em Julho. Ao longo do mês passado, Macau foi visitado por 3,028 milhões de turistas, um aumento de 9,7 por cento face ao ano anterior e uma recuperação para 85,8 por cento dos níveis verificados em Julho de 2019. Medidas favoráveis A DST explica os resultados dos primeiros sete dias de Agosto com as diversas “medidas favoráveis” aprovadas pelo Governo Central, como o alargamento do número de cidades chinesas autorizadas para emitir salvos-condutos individuais para entrada nas regiões administrativas especiais, assim como o aumento do limite de isenção de imposto de produtos transportados em bagagem pessoal pelos visitantes. Além disso, DST destaca as várias campanhas de promoção que tem lançado para atrair turistas, nomeadamente actividades para levá-los para os bairros comunitários.
Casas-Museu | IC garante a “supervisão rigorosa” de obras Hoje Macau - 9 Ago 2024 A presidente do Instituto Cultural, Deland Leong Wai Man, garante que vai manter uma “comunicação e coordenação amplas” com o Instituto para os Assuntos Municipais durante as obras para substituir a calçada das Casas-Museu da Taipa. A questão está a causar polémica devido ao valor histórica da calçada, no entanto, o IC aceitou que o piso fosse substituído. Após a polémica, Deland Leong veio ontem afirmar que o IC vai fazer uma “supervisão rigorosa”, principalmente a nível a “dos materiais e os procedimentos da obra”. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, a responsável explicou aos membros do Conselho do Património Cultural que o Governo deseja melhorar as condições pedonais na zona. Por seu turno, o conselheiro Wu Chou Kit apontou que o conselho considera que o Governo podia ter feito os trabalhos de melhor forma, dado que o Executivo não discutiu antecipadamente as obras em público.
Crime | Homem assassinado após ganhar 2,5 milhões em casino João Santos Filipe - 9 Ago 2024 O crime aconteceu na tarde de quarta-feira, no quarto de um casino no Cotai. A Polícia Judiciária realizou duas detenções. Uma das pessoas envolvidas ajudava a vítima na troca ilegal de dinheiro Um homem foi assassinado na quarta-feira à tarde, depois de ter ganho 2,5 milhões de dólares de Hong Kong num casino do Cotai. O caso foi revelado ontem pela Polícia Judiciária (PJ), que procedeu às detenções de uma mulher de Hong Kong e um homem do Interior. Ontem, quando a PJ realizou uma conferência de imprensa para apresentar os contornos do crime, o motivo do homicídio ainda não estava totalmente clarificado. No entanto, suspeita-se que esteja ligado a uma tentativa de roubo, depois dos suspeitos terem percebido que a vítima tinha ganho 2,5 milhões de dólares de Hong Kong a jogar no casino. As autoridades foram chamadas ao local pelas 17h de quarta-feira, quando a vítima, natural de Hong Kong e apresentada como de “meia idade”, foi encontrada na casa-de-banho de um quarto de hotel por trabalhadores do hotel. O quarto apresentava vários danos, e numa mesa de café foram ainda descobertos dois bocados de uma lâmina, que juntos têm um comprimento de seis centímetros. Contudo, além das lâminas com sangue, a PJ revelou que não foi encontrada uma “arma do crime completa” e que o quarto terá sido limpo, após o homicídio. O corpo da vítima, que foi encontrado numa poça de sangue, apresentava ainda ferimentos visíveis a olho nu no pescoço e na cabeça. Troca de dinheiro Com a investigação do caso em curso, a PJ deteve uma mulher, também de Hong Kong, por volta das 18h47 de quarta-feira, no casino do Wynn Palace, onde o crime terá ocorrido. Passada mais uma hora, as autoridades prenderam o outro suspeito, um homem do Interior. Esta detenção aconteceu na rua, perto do local do crime. Ambos foram interrogados pelas autoridades, mas recusaram cooperar com a investigação. A PJ acredita que o homem do Interior, com cerca de 40 anos, terá sido o responsável pelo homicídio e pelo roubo, enquanto a mulher, de 48 anos, terá ajudado o principal suspeito a esconder o dinheiro do crime. De acordo com as imagens de videovigilância, o suspeito foi visto a entrar no quarto da vítima, onde ficou durante uma hora. Depois, o homem foi gravado a sair, a dirigir-se para o hall de entrada do hotel e a entregar o que se acredita ser o dinheiro à mulher. Não é claro se nesta altura a mulher estava ciente do crime. Mais tarde, o suspeito voltou ao quarto, onde ficou mais três horas, até sair, com duas malas, para apanhar um táxi. Com a detenção do homem do Interior, que arrendava um apartamento na Taipa, a polícia apreendeu 1,3 milhões de dólares de Hong Kong, roupas com manchas de sangue e dois telemóveis. Em relação à vítima, as autoridades acreditam que estava há seis meses em Macau, onde se dedicava à troca ilegal de dinheiro. Foi nesta actividade que conheceu a suspeita do crime, que o ajudava a enviar dinheiro para o Interior. Por sua vez, o suspeito estava há algum tempo em Macau e terá seguido de perto a vítima durante três meses, depois de se aperceber que tinha uma capacidade financeira elevada. O caso foi encaminhado para o Ministério Público, e o suspeito está indiciado pelo crime de homicídio qualificado, que implica uma pena de prisão que pode chegar aos 25 anos de prisão, e roubo, que pode resultar numa pena de prisão de 20 anos. A suspeita foi indiciada por branqueamento de capitais.
DSAL | Feiras de emprego com 168 vagas a 15 e 16 de Agosto Hoje Macau - 9 Ago 2024 A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) irá organizar três sessões de feiras de emprego, disponibilizando um total de 168 vagas, nos dias 15 e 16 de Agosto, para os sectores do retalho, transportes públicos e de turismo e hotelaria. Segundo um comunicado divulgado ontem pela DSAL, as inscrições para as três sessões abrem hoje e os interessados podem inscrever-se no website da DSAL até ao meio-dia de 14 de Agosto. A primeira sessão está marcada para a manhã de 15 de Agosto, com a oferta de 100 vagas para trabalhar em supermercados nos cargos de empregado de loja, operador de caixa, operador de mercadoria, processador de carnes, empacotador de fruta e legumes. Na parte da tarde do mesmo dia, será a vez do sector transportes públicos e de turismo, com a oferta de 39 vagas, para condutor, chefe de terminais, encarregado de segurança e agente de segurança nocturno. No dia 16 de Agosto, de manhã, será a vez da hotelaria, numa sessão que disponibiliza 99 vagas para os cargos de gerente por turnos, subgerente do departamento de contabilidade, técnico de engenharia, recepcionista, auditor e bagageiro. As três sessões vão decorrer no Edifício da FAOM, na Rua da Ribeira do Patane nº 2-6.
Grande Baía | Académico defende um Governo único na região Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 9 Ago 2024 Um investigador da Academia Chinesa de Ciências Sociais defende a criação de um Governo único, liderado por Pequim, para a região da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Além disso, sugere que o renminbi seja a moeda das três regiões. O artigo foi publicado no 31 de Julho e apagado na passada quarta-feira O investigador da Academia Chinesa de Ciências Sociais, Fang Hanting, defendeu o fim das regiões administrativas especiais e a implementação de um Governo único na zona da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, liderado pelo Governo Central. Além disso, sugere também a adopção de uma moeda única para a zona da Grande Baía, o renminbi, o fim das fronteiras e a criação de um documento de identificação específico para a região. A ideia é corresponder ao desígnio político de maior cooperação em toda a região da Grande Baía, que inclui nove cidades da província de Guangdong, Macau e Hong Kong. Com a abolição dos Executivos de Macau e Hong Kong, o académico acredita que se podem reduzir as desvantagens inerentes a uma liderança política tripartida, com dois chefes do executivo e a liderança chinesa nas nove cidades de Guangdong resultando em menos eficácia de coordenação em termos administrativos, elevados custos. Fang Hanting, que foi subdirector da Academia Chinesa de Ciências e Tecnologia para o Desenvolvimento, descreveu num artigo publicado no website da instituição a sua ideia para criar um sistema económico unificado. “Nos últimos anos, alguns países ocidentais têm pressionado frequentemente o panorama comercial, financeiro, industrial e tecnológico do país. Têm feito inclusivamente algumas dissociações, tentando afastar a China do palco económico internacional. Devemos, assim, actualizar a Grande Baía a fim de a tornar num centro económico offshore do país, formando-se uma região especial com uma super-economia articulada com o mundo”, explicou. Assim, a moeda única da Grande Baía, aponta o académico, deveria ser o renminbi, a fim de dar estabilidade e maior conveniência às pessoas. Na visão do responsável, é desvantajoso a coexistência de dólares de Hong Kong, patacas e renminbis, encarados como obstáculos à integração. Assim, sugere a criação de um regime offshore de renminbis na Grande Baía, com um sistema cambial liberalizado. Fronteiras abaixo Fang Hanting defendeu também que as fronteiras entre o país e as duas regiões administrativas especiais impedem o intercâmbio mais flexível de pessoas, assuntos logísticos e comércio. “Os sistemas transfronteiriços e de alfândega entre Guangdong e Hong Kong, e entre Guangdong e Macau, poderiam mudar-se para o norte, tornando-se fronteiras entre o Interior da China e a Grande Baía”, apontou. Sem fronteiras, poderia ser emitido uma espécie de “Greencard”, à semelhança do modelo de residência existente nos Estados Unidos, para quem reside na região. No caso dos cidadãos chineses que visitam a zona poderia ser criado o “passe da Grande Baía”, com as mesmas funções do actual salvo-conduto para as deslocações a Macau e Hong Kong. Relativamente à circulação automóvel, Fang Hanting acredita que poderia ser criado um sistema unificado de matrícula para a Grande Baía. Publicado a 31 de Julho no website da Academia Chinesa de Ciências Sociais, este um dos principais think-tanks do país na área das ciências sociais, o artigo foi, entretanto, retirado, podendo ainda encontrar-se apenas um resumo, embora a ligação no portal tenha deixado de funcionar. Porém, o artigo acabou por ser notícia no jornal online HK01 e no jornal Ming Pao. Destaque para o facto de, em Abril deste ano, o director da Administração dos Serviços Governamentais da Província de Guangdong, Liu Zhongping, ter publicado um texto com ideias semelhantes sobre a necessidade de aprofundar a integração e unificação de sistemas económicos e políticos na Grande Baía.
Concessionárias | Mais de 90% dos quadros de gestão são locais João Luz - 9 Ago 2024 No final de Junho, os trabalhadores locais com cargos de gestão de nível intermédio ou superior nas concessionárias de jogo ultrapassou a fasquia dos 90 por cento, acima dos 85 por cento exigidos pelo Governo. O Executivo vai estudar o que correu bem e mal no grande prémio de consumo da zona norte para lançar novas edições no último trimestre noutras áreas “Até finais de Junho deste ano, a taxa de ocupação dos trabalhadores locais nos quadros de gestão de nível intermédio ou superior das empresas em questão atingiu 90,3 por cento, ultrapassando a exigência de 85 por cento”, afirmou ontem o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong em mais uma sessão de respostas aos deputados. Em resposta a interpelações orais apresentadas por José Pereira Coutinho e Leong Sun Iok, o governante associou o aumento de trabalhadores locais em cargos de gestão nas concessionárias com planos lançados em conjunto pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais e as empresas que conjugam emprego e formação. O plano “Emprego + Formação” implica que os candidatos admitidos após iniciarem funções recebam formações nas empresas contratantes. Se forem aprovados nas provas são promovidos, podendo alcançar quadros de gestão, referiu Lei Wai Nong. Desde 2023, até ao passado mês de Junho, “foram proporcionados 21 planos e 379 candidatos iniciaram as funções com sucesso”, afirmou o governante. De fora para dentro Face à questão da crescente concorrência do mercado de resorts integrados com casinos nas regiões e países adjacentes, Pereira Coutinho perguntou o que iria o Governo fazer para apoiar os junkets que operam em Macau e se estes profissionais poderiam ver facilitada a abertura de contas bancárias. Lei Wai Nong começou por indicar que, face “à nova conjuntura económica e concorrência internacional”, o Governo vai analisar o desenvolvimento do jogo de outros países ou regiões, bem como estudar as estratégias de respostas adequadas, por forma a consolidar a competitividade de Macau. Sobre os promotores de jogo, o secretário mencionou as directrizes e normas de combate ao branqueamento de capitais e vincou que “qualquer cliente, incluindo titular de licença de promotor de jogo, consegue abrir uma conta bancária com sucesso, desde que cumpra os requisitos das medidas de controlo de risco”. Outra questão levantada pelos deputados Pereira Coutinho e Leong Sun Iok, foi a correspondência entre a recuperação económica das concessionárias de jogo e a economia real fora dos casinos, em particular nos bairros comunitários. Uma das sugestões foi a extensão do âmbito de uso dos benefícios ou cupões, concedidos pelas concessionárias aos clientes, para os bairros comunitários. Lei Wai Nong indicou que é necessária prudência para avaliar se esta medida poderá incentivar “uma excessiva promoção e divulgação das actividades de jogo junto dos bairros comunitários, provocando influências negativas”. Em relação aos gastos dos turistas no território, Pereira Coutinho argumentou que o turismo em massa não se reflecte em grandes proveitos económicos para a comunidade. Lei Wai Nong não concordou e recordou as mais recentes estatísticas de gastos de turistas. “Os gastos dos nossos visitantes têm vindo a aumentar de ano para ano e isso tem a ver com a diversidade de oferta que temos em Macau. As novas concessões contribuíram para isso. O governante salientou também os resultados do grande prémio do consumo na zona norte como uma medida bem-sucedida no fomento económico das pequenas e médias empresas. “Temos de tirar lições deste evento, aprender com o que fizemos bem e mal e “dar continuidade ao desenvolvimento próspero das zonas comunitárias e aumentar os volumes de negócios das pequenas e médias empresas”, apontou o secretário, indicando que irá alargar a iniciativa a outros bairros no último trimestre do ano.
EPM | Docentes e psicóloga dispensados com contrato por mais um ano João Santos Filipe - 9 Ago 20249 Ago 2024 Além de indicar a “falta de critérios objectivos, imparciais e transparentes” nos despedimentos e novas contratações na Escola Portuguesa de Macau, o relatório da Inspecção-Geral da Educação e Ciência concluiu que algumas decisões do Conselho de Administração da Fundação da EPM foram tomadas a título “meramente individual” pelo presidente Os contratos dos quatro professores e da psicóloga que iam ser dispensados dos quadros da Escola Portuguesa de Macau (EPM) foram renovados por mais um ano. A informação sobre a renovação consta de um despacho do ministro da Educação, Ciência e Inovação de Portugal, Fernando Alexandre, com base no inquérito realizado pela Inspecção-Geral da Educação e Ciência (IGEC), entre 12 e 25 de Julho. “Renovo, por mais um ano, as licenças especiais dos docentes […] e da psicóloga […], para que se possam manter na EPM com serviço docente/tarefas distribuídas no próximo ano lectivo”, lê-se no despacho de quarta-feira. A decisão de Fernando Alexandre obriga também a direcção da EPM a assegurar que os docentes e a psicóloga têm tarefas para desempenhar ao longo do ano, no que aparenta ser uma forma a evitar que os profissionais sejam “colocados na prateleira”. No despacho a que o HM teve acesso, o ministro português também aprova as novas contratações dos docentes como pretendido pela direcção da EPM. “Determino a imediata conclusão dos processos de contratação dos novos professores para que, sendo indispensáveis ao regular funcionamento da EPM, seja assegurada a sua entrada em funções a tempo do início do próximo ano lectivo”, escreveu o ministro português. Em relação ao futuro, o governante de Portugal pede aos representantes do Estado Português no Conselho de Administração (CA) da Fundação da EPM que solicitem ao órgão uma proposta com a “definição de critérios a adoptar na contratação de pessoal docente e não docente pela EPM”. A proposta terá de ser analisada pelo Conselho de Curadores, através da elaboração de um parecer, e vai resultar de uma reunião extraordinária. Esta é uma resposta directa ao inquérito da Inspecção-Geral da Educação e Ciência (IGEC), cujo relatório foi apresentado a 2 de Agosto. Nas conclusões do inquérito consta que houve “falta de critérios objectivos, imparciais e transparentes na cessação ou não renovação dos contratos com professores e nos recrutamentos de professores”. A inspecção à EPM concluiu também que o director não terá respeitado o “princípio da hierarquia e da transparência”, dado que não foi solicitada “previamente, ao órgão colegial de administração da entidade titular a emissão de critérios definidores ou de orientações” para os despedimentos ou novas contratações. PLNM sem alterações O despacho de quarta-feira suspende também as reformas pretendidas para o novo ano lectivo ao nível do ensino da disciplina Português Língua Não Materna (PLNM). Segundo a decisão do ministro, a PLNM vai ser leccionada nos moldes do ano lectivo anterior, mas, os representantes de Portugal no CA da FEPM vão solicitar ao Conselho de Administração da escola que apresente “uma proposta devidamente fundamentada e quantificada sobre o modo como o ensino da língua portuguesa não materna deve ser ministrado na EPM nos anos lectivos 2025/2026, 2026/2027, 2027/2028”. A data limite para apresentar a proposta é o final do corrente ano civil, ou seja, 31 de Dezembro de 2024. Num comunicado emitido pela Associação dos Pais e Encarregados de Educação da EPM, em Julho deste ano, a direcção da escola era citada a justificar que no novo ano ia introduzir alterações ao ensino da disciplina da PLNM para acabar com a tolerância face à “subversão das regras” com o pretexto de “pretensos bons resultados”. Contudo, a inspecção à EPM considerou que “a forma como o director lidou com a questão da propalada redução ou da eliminação da actividade lectiva do PLMN” deu “azo” a um “clima de incerteza” na comunidade escolar e nas comunidades locais servidas pela EPM. A proposta sobre o futuro da PLNM será apresentada ao Conselho de Curadores da Fundação da Escola Portuguesa de Macau, que até 31 de Março de 2025, terá de se manifestar “por escrito e fundamentadamente” sobre o assunto. Em relação à educação inclusiva, o ministro pede aos membros do Estado Português no CA da FEPM que assegurem o cumprimento “com todas as determinações impostas pela DSEDJ de Macau”. Neste sentido, é pedido ao Conselho de Administração da EPM que “apresente uma proposta, fundamentada e devidamente articulada com a DSEDJ, de definição de critérios tendentes a qualificar os alunos como sendo detentores de necessidades educativas especiais”. A proposta tem de ficar concluída até 31 de Dezembro de 2024. Correcção ao CA da FEPM A inspecção realizada pela IGEC levou ainda o ministro a deixar algumas correcções ao funcionamento do Conselho de Administração da Fundação da Escola Portuguesa de Macau. Actualmente, o CA da FEPM é constituído por cinco membros: três escolhidos pelo Estado português, nomeadamente Jorge Neto Valente, como presidente, Patrícia Ribeiro e Raul Capaz, um membro escolhido pela Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), Miguel de Senna Fernandes, vice-presidente, e um outro membro que resulta do consenso do CA, que actualmente é José Basto da Silva. Segundo a inspecção, nas tomadas das decisões com impacto para a comunidade escolar, como a dispensa dos docentes e funcionários, o CA não funcionou como órgão “colegial e solidário”. Também não houve “envolvimento do CA da FEPM nos processos de tomada de decisão”, mas antes a “adopção de posições do Presidente do CA da FEPM [Jorge Neto Valente], a título meramente individual sem vincular o órgão colegial de administração”. O ministro indica que no que diz respeito às decisões sobre as dispensas dos docentes, houve mesmo divisão no CA da FEPM, com Miguel de Senna Fernandes a opor-se à conduta do director, considerada “intempestiva e carecida de justificação ou fundamento”. O ministro revela no despacho que os despedimentos avançaram, apenas com o apoio minoritário no CA, só com os votos a favor de dois dos cinco membros do CA, Neto Valente e um outro membro em representação do Estado Português, que não surge identificado. Face a este cenário, o ministro pede aos membros representantes do Estado Português no CA que solicitem ao próprio CA da FEPM para informar o director da escola que as tomadas de posição do CA da FEPM passam a ser feitas por escrito, inclusive com os resultados das votações dos membros. Além disso, é também pedido ao CA da FEPM que transmita “ao Director da EPM que, em todas as matérias relativas ao funcionamento da EPM que não estejam sujeitas à apreciação e deliberação do CA de FEPM, adopte critérios objectivos, imparciais e transparentes e promova um diálogo permanente e construtivo com a comunidade educativa”. Incapacidade dos responsáveis No despacho, Fernando Alexandre considera igualmente que os “actuais responsáveis” da fundação e da escola têm demonstrado incapacidade para resolver os problemas. “Este novo ciclo iniciado com a nomeação dos administradores da entidade titular e com o novo diretor da EPM deveria coincidir com uma fase de consolidação da missão da Escola e de desenvolvimento ou mesmo de expansão da sua área de intervenção, porém, logo que iniciado, os problemas surgiram e com grande impacto na comunidade escolar e expressão, inclusivamente, nos serviços de Educação locais”, escreveu o ministro. Fernando Alexandre aponta depois que o desenrolar mais recente de acontecimentos mostrou “uma incapacidade dos actuais responsáveis para os resolver e debelar, tranquilizando pais, educadores, professores, pessoal não docente e a comunidade escolar no seu conjunto”. Os mandatos dos membros escolhidos pelo Estado de Português no Conselho de Administração da Fundação da Escola Portuguesa de Macau prolongam-se até Setembro de 2026, podendo ser renovados automaticamente por mais um ano.
Piscinas | Orientações revistas após acidente mortal Hoje Macau - 8 Ago 2024 O sub-director dos Serviços de Turismo, Cheng Wai Tong, afirmou ontem que o Governo está a estudar a possibilidade de tornar obrigatória a presença de nadador-salvador em todos as piscinas. Em declarações ao jornal Ou Mun, o responsável destacou que as orientações para a segurança nas piscinas não só envolvem os hotéis, mas também as piscinas fora dos hotéis, nomeadamente das instalações desportivas e municipais, onde já é obrigatório a presença de nadadores-salvadores. As declarações de Cheng Wai Tong surgem no seguimento da morte de uma criança de 12 anos que foi encontrada no domingo sem sinais vitais na piscina da Pousada de Coloane. O responsável notou que na altura do incidente não havia nadador-salvador na piscina, mas que o hotel tinha um aviso a alertar para isso e a indicar a necessidade de acompanhamento de menores de 16 anos por parte dos pais. Por esta razão, o responsável apontou que o hotel não violou as orientações de segurança de piscinas.
Tailândia | Dissolvido partido da oposição e banido líder Hoje Macau - 8 Ago 2024 O Tribunal Constitucional da Tailândia decidiu ontem dissolver o partido pró-democracia Move Forward, sob a acusação de tentar desestabilizar a monarquia, e banir da actividade política o seu líder Pita Limjaroenrat por dez anos. “O Tribunal Constitucional votou por unanimidade a dissolução do (partido) Move Forward e a interdição por dez anos dos membros da comissão executiva que exerceram funções entre 25 de Março de 2021 e 31 de Janeiro de 2024 (…)”, incluindo Pita Limjaroenrat, declarou o juiz Punya Udchachon. Depois de ter vencido as eleições gerais do ano passado, o partido Move Forward não conseguiu formar governo porque os membros do Senado, na altura um órgão conservador nomeado pelos militares, se recusaram a apoiar o seu candidato a primeiro-ministro. O Move Forward passou então a liderar a oposição. A Comissão Eleitoral apresentou uma petição contra o partido progressista depois de o Tribunal Constitucional ter decidido, em Janeiro, que este devia deixar de defender alterações à lei, conhecida como artigo 112º, que protege a monarquia de críticas com penas que podem ir até 15 anos de prisão por cada infracção. Nas alegações apresentadas junto das instâncias judiciais tailandesas, o partido argumentou que o Tribunal Constitucional não tem jurisdição para se pronunciar e que a petição apresentada pela Comissão Eleitoral não seguiu os trâmites por não ter proporcionado uma oportunidade de defesa antes de o caso ser apresentado à justiça. O tribunal garantiu ser competente e que a sua decisão anterior, a de Janeiro, era prova suficiente para a Comissão Eleitoral apresentar o caso sem ter de ouvir mais provas do partido. Procura-se casa À luz da sentença agora conhecida ainda não é claro o destino dos restantes deputados não executivos, mas Pita já tinha declarado à agência noticiosa Associated Press que o partido assegurará uma “transição suave para uma nova casa”, ou seja, um novo partido. Os deputados de um partido político dissolvido podem manter os seus lugares no parlamento se mudarem para um novo partido no prazo de 60 dias. Esta acção judicial é uma das muitas que têm suscitado críticas generalizadas e que são vistas como parte de um ataque de vários anos ao movimento progressista do país por parte das forças conservadoras que tentam manter o seu controlo sobre o poder.
O Clube da Luta (III) Jorge Rodrigues Simão - 8 Ago 2024 “I have ordered a complete siege on the Gaza Strip. There will be no electricity, no food, no fuel, everything is closed,” Gallant says following an assessment at the IDF Southern Command in Beersheba. We are fighting human animals and we are acting accordingly”. Defense Minister Yoav Gallant, in The Times of Israel, 09.10.2023 É claro que décadas de sanções, guerras, ineficácia e corrupção pesam sobre a saúde do aparelho produtivo iraniano, especialmente no sector crucial da energia. Mas a República Islâmica contorna a maior parte das restrições impostas por Washington, de tal forma que oferece aos russos tutores não gratuitos sobre como triangular e criar procedimento financeiros e comerciais de emergência. Nascidas temporárias, estas manobras tecem redes alternativas à influência americana. Originalmente postos de primeiros socorros, transformam-se em hospitais de campanha e, amanhã, talvez, em alternativas permanentes à “ordem baseada em regras”, uma imagem de marca do Ocidente cheio de estrelas. Mais limitativo é o clima político interno, onde a transição das origens teocrático-territoriais para o regime actual é bastante instável. A incompatibilidade entre os jovens progressistas e as estruturas repressivas que respondem ao Pasdaran e ao Basiji, dotadas de vistosas agências de espionagem e de polícia, é chocante. Será que a sucessão do Guia Supremo, que em breve atingirá a idade de Ali Khamenei, de 85 anos, será a faísca que incendiará o material inflamável acumulado dentro e à volta do regime? O confronto poderá ser desencadeado ainda mais cedo. O descontentamento em relação ao sistema (nezam) exprime-se na abstenção eleitoral galopante, na ausência de candidatos alternativos aos pré-seleccionados pelos apparatchiks. O sucessor do falecido Presidente Raisi, presumível moderado, logo se tornará realidade pelo cair da máscara. Até à eventual reforma ou mudança do sistema, a pergunta rainha permanecerá sem resposta. A estratégia do império persa ignora ou depende da ideologia do regime do momento? Kissinger perguntava-se em público se o Irão era uma nação ou uma causa. Traduzindo que é um actor racional, portanto disposto a comprometer-se com a América, ou subversivo. Em privado, a resposta foi “uma nação com a sua própria causa”. Talvez um elemento útil para a análise seja a relação entre o último Xá e o seu subversivo. Ambos muito mais pragmáticos do que pareciam. O primeiro pró-ocidental, mas não o fantoche anglo-americano descrito pelos revolucionários marxistas-islamistas. O outro, mais nacional-imperial na sua teologia. Se os barões da inteligência sobrevivessem nalgum departamento de ciências políticas da Ivy League, ofereceriam a Mohammad Reza Pahlevi e a Ruhollah Khomeini diplomas honorários duplos ad memoriam na teoria do realismo aplicado. A estratégia de qualquer grande potência é manter-se nessa posição. O mesmo se aplica ao império persa, que se considera como tal, mesmo que não possua todos os seus atributos. Incluindo a bomba atómica. O fio vermelho que liga o projecto atómico do Xá, lançado nos anos de 1950, ao da República Islâmica traça a continuidade estratégica entre dois regimes com uma genealogia imperial comum. Ambos se reclamam herdeiros da dinastia Aqueménida (cerca de 550-330 a.C.). O cilindro de Ciro entusiasma tanto o Xá como Khomeini e os seus sucessores. O desenvolvimento da energia atómica desejado pelo Rei dos Reis fala em termos civis e pensa em termos militares. Os juristas xiitas que lideram a revolução insistem nesta ambiguidade. O líder supremo confirma a opção civil ao mesmo tempo que aprova o programa secreto de enriquecimento de urânio, de modo a poder desenvolver um arsenal atómico associado a mísseis balísticos hipersónicos com um alcance de mais de 1500 quilómetros. Capazes de atingir Israel numa dúzia de minutos. Teerão será uma potência nuclear quando decidir fechar o círculo. Basta-lhe uma luz verde do Guia ou de quem quer que seja. Será conveniente para o Irão tirar a máscara e desafiar os dois Satãs? Não me parece que seja o caso. O regime de dormência nuclear permite a Teerão explorar as vantagens da dissuasão suprema sem se expor a retaliações israelitas e americanas. A menos que Israel, determinado a manter o seu monopólio regional da bomba atómica, arrisque um ataque preventivo, com riscos e custos catastróficos. Incluindo uma ruptura com a América. Em Jerusalém, alguns ultras apelam acabar com o Hamas lançando a bomba atómica sobre Gaza. Nas instituições iranianas, levantam-se vozes que põem em causa a prudência estratégica e sugerem o lançamento imediato da bomba atómica, ignorando que o anúncio seria seguido de uma retaliação israelita, encoberta ou não por Washington. E os sepulcros caiados na região ficariam expostos, a começar pela Arábia Saudita, que aponta silenciosamente para a bomba atómica e que perderia então toda a contenção. Entre as elites persas e israelitas, prevalece o princípio de que uma é inimiga irremediável da outra. A lição da “Aliança da Periferia” ecoa neste postulado de que Israel e o Irão são antípodas e simbióticos. A ameaça persa é útil para evitar que a maionese tribal israelita enlouqueça e desintegre o Estado judaico a partir do seu interior. O Pequeno Satã, associado ao Grande, desempenha uma função coesiva semelhante no império persa. Jogo de espelhos. Depois de 7 de Outubro de 2023, cada vez mais no fio da navalha. Testado em Abril de 2024 pelo primeiro ataque e contra-ataque directo Israel-Irão. Trata-se de uma mudança de paradigma? Conta mais a quebra do tabu ou o facto de não ter causado baixas por ter sido executado em co-produção indirecta israelo-iraniana não declarada e patrocinada pelos Estados Unidos? A interpretação conservadora lê o combate como uma sequência interna de dissuasão entre inimigos perfeitos. Intocáveis porque sem alternativas. A ideia evolucionista trata-a como um salto quântico que, em ambos os campos, faz baixar as defesas imunitárias contra uma infecção galopante de mania agressiva. A dança da inimizade do Médio Oriente é acompanhada por uma música envolvente. Depois do Hamas ter invadido Israel para desencadear um pogrom de uma selvajaria assustadora e expor os palestinianos à vingança impiedosa de um povo sitiado pela memória da Shoah, uma recordação eficaz e permanente, a lógica utilitária até então destilada pelos estrategas é posta em causa. O atordoamento melódico é dominado pela tempestade de emoções. Já nada é impossível. Incluindo o duplo suicídio. É o factor humano! Enquanto se aguarda a produção de um futuro volume sobre a raiz geopolítica da filosofia enquanto investigação sobre a pretensão de uma lógica universal, o estudo de caso é ideal para ensaiar a sua premissa. Nos espaços que por convenção continuamos a baptizar de Médio Oriente, Aristóteles não duraria um minuto. O venerado princípio da não-contradição, segundo o qual uma proposição e a sua negação não podem ser ambas simultaneamente verdadeiras, é aqui irregularmente refutado. Traduzindo, não é válido. Mas não de forma absoluta, porque a negação total pode parecer confirmatória. Como ocidentais tardios, munidos de tal advertência, um convite à modéstia, constatamos que um sistema contraditório é também baptizado de princípio de explosão. Assim avisados, voltamos à luta. Verdadeiramente paradoxal é o gatilho que, a 7 de Outubro de 2023, provocou as explosões à queima-roupa que agitam o arquipélago sem centro do Médio Oriente. Referimo-nos à questão palestiniana. Alteração de Kissinger, causa sem nação. Tragédia humanitária insuportável também pelo seu absurdo. Não deve ser confundida com um problema geopolítico. Não tem solução, logo não tem problema. Era esta a convenção implícita na forma como todos os intervenientes tinham retirado o dossier palestiniano, que estava no congelador da diplomacia internacional há vinte anos. A começar por Israel, o mais interessado em mantê-lo em naftalina e em garantir a mão livre para não determinar as suas próprias fronteiras. Mantendo assim todas as opções em aberto enquanto avança na Judeia e Samaria (Cisjordânia) de acordo com o princípio da menor resistência equilibrado com a prioridade do carácter judaico do Estado. Parado nas directrizes do governo, segundo as quais “o povo judeu tem um direito exclusivo e inalienável a toda a Terra de Israel”. Seguiram-se os regimes árabes, muito mais atraídos por uma relação positiva com Israel e o Ocidente do que pelos direitos dos palestinianos. No entanto, obrigados a recitar o salmo dos dois Estados, uma vez estabelecido que nada seria feito a esse respeito. Um refrão cativante, deliberadamente repetitivo, cantado pela “comunidade internacional”, ultra-maioritária na ONU e considerado evidente pelos meios de comunicação social liberais americanos e europeus. Dois povos, dois Estados. Intuitivo. Tão óbvio que não pode ser aplicado. Em primeiro lugar, porque nem israelitas nem palestinianos estão dispostos a renunciar ao seu direito a toda a terra entre o mar e o rio, o Mediterrâneo e o Jordão. Depois, porque Israel é um Estado armado até aos dentes para não ceder um metro quadrado daquilo que possui. Empenhado, quando muito, em expandir-se, graças ao impulso dos colonos, incitados pelo próprio governo. A Palestina não é um Estado, nem sequer uma nação, mas o sonho de um povo humilhado, composto por comunidades e mini-potências que competem entre si e não com o Estado judaico. Dois milhões de palestinianos possuem passaportes israelitas. Contra os restantes, após 7 de Outubro de 2023, foi desencadeada a máquina de guerra do Tzahal, que trata os ghazianos como “animais humanos”, segundo as palavras do ministro da Defesa Yoav Gallant.
FRC | Livro “A Campanha”, de Vítor Carmona, lançado hoje Hoje Macau - 8 Ago 2024 É hoje apresentado, na Fundação Rui Cunha (FRC), aquele que é o primeiro romance histórico de Vítor Carmona e que faz parte de uma trilogia a sair até ao próximo ano. “A Campanha” relata a participação dos portugueses na Campanha do Rossilhão, no ano de 1793 em França e traz ao público uma estória relativamente esquecida, destaca o autor “A Campanha”, primeiro romance histórico de Vítor Carmona, é hoje apresentado na Fundação Rui Cunha (FRC) a partir das 18h30. Trata-se de uma obra que “explora um tema inédito no campo da ficção nacional, e pouco estudado pelos historiadores: a participação dos portugueses na Campanha do Rossilhão, na França de 1793. Editado pela Saída de Emergência, o livro saiu em Maio de 2023 em Portugal e faz parte de uma trilogia a ser apresentada até ao final do ano, conforme disse o autor ao HM. “O segundo volume vai ser lançado em Outubro e o terceiro em Maio. Desde o início que planeei escrever uma trilogia sobre uma campanha militar pouco conhecida dos portugueses e esquecida pelos historiadores”, contou. Vítor Carmona diz que “A Campanha” é um livro para leitores que “mesmo que não gostem de História, gostem de boas estórias”, contendo partes ficcionadas de um episódio histórico factual ocorrido há mais de 200 anos. “Achei que esta campanha militar tinha todos os ingredientes que fazem uma boa estória, com conflito, personagens interessantes, uma conjuntura europeia com grande turbulência, nos anos seguintes à Revolução Francesa. Peguei em factos que são verídicos e depois coloquei ficção com personagens que poderiam ter existido.” Trata-se de uma campanha que levou cinco mil soldados portugueses para combaterem, juntamente com os espanhóis, as tropas francesas na zona de Rossilhão, província francesa, após o regicídio de Luís XVI, em plena Revolução Francesa. Nessa época, alguns países europeus, nomeadamente Inglaterra, Polónia, Espanha e Portugal, tomaram providências militares e diplomáticas face ao perigo de um ataque por parte da França. É neste contexto que, com a declaração de guerra da Inglaterra à França, Luís Pinto de Sousa exerceu esforços diplomáticos para firmar uma aliança militar com a Espanha e a Inglaterra. A 15 de Julho foi assinada a convenção luso-espanhola de auxílio mútuo e a 26 de Setembro assinou-se a convenção com a Inglaterra. O exército português de auxílio a Espanha e com destino ao Rossilhão foi comandado pelo tenente-general João Forbes Skellater e constituído por seis regimentos de infantaria e uma brigada de artilharia com 22 bocas de fogo, num total de 6.000 efectivos, descreve-se no portal do Arquivo Histórico-Militar do Ministério da Defesa em Portugal. O grupo militar português incluía “militares de grande prestígio como os marechais-de-campo D. António Soares de Noronha, D. Francisco Xavier de Noronha e D. João Correia de Sá, o conde de Assumar e o coronel Gomes Freire de Andrade, entre outros”. A campanha do Rossilhão durou até ao final de 1794. As conquistas de Ceret, Villellongue, entre outras praças, trouxeram bastante prestígio aos generais portugueses, embora o Inverno de 1793 provocasse a perda de todas as vantagens militares até aí conseguidas. Na Primavera de 1794, os franceses obrigaram as tropas aliadas a retirar para a Catalunha, onde muitos portugueses morreram ou ficaram feridos. Em Novembro, os franceses venceram a batalha da Montanha Negra, que levou os espanhóis a negociar em separado a assinatura do tratado de paz em Junho de 1795 na cidade de Basileia. Após o regresso das tropas a Portugal, a paz foi assinada em 20 de Agosto de 1797, lê-se ainda no mesmo portal. A história de Diogo O livro contém um personagem, Diogo Saraiva, “recém-promovido a capitão, [que] procura transformar a sua companhia de granadeiros numa eficiente unidade de combate, mas duas mulheres determinadas e um criminoso sem escrúpulos atravessam-se no seu caminho”, descreve-se na sinopse do livro. Enquanto isso, “dois jovens amigos de Campo de Ourique decidem alistar-se para a campanha militar em busca de aventura e fortuna”, sendo que, após uma “penosa viagem marítima até aos Pirenéus Orientais, o que aguarda os soldados portugueses é uma sequência de terríveis e encarniçados combates contra o exército mais poderoso da Europa”. Trata-se, segundo a mesma sinopse, de um romance feito de “paixão, guerra e morte, mas também esperança, coragem e lealdade”. Vítor Carmona nasceu em 1973, em Lisboa. Licenciou-se em Relações Internacionais pela Universidade Lusíada de Lisboa. Diz ser um apaixonado por História, especialmente pelo período que vai da Revolução Francesa à epopeia napoleónica. Há dez anos criou a Sociedade Napoleónica Portuguesa, um espaço de divulgação e discussão dos combates levados a cabo por Napoleão Bonaparte. A.S.S.
MNE condena assassinato do líder do Hamas em conversa com homólogo egípcio Hoje Macau - 8 Ago 2024 O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, condenou ontem o recente assassinato no Irão do líder político do Hamas, Ismail Haniyeh, durante uma conversa com o homólogo egípcio, Badr Abdelatty. Wang, que expressou a sua “preocupação com a contínua crise humanitária causada” pelo conflito em Gaza e alertou que “a violência apenas perpetua um ciclo vicioso de retaliação”, propôs uma iniciativa em três etapas para resolver a situação. “Alcançar um cessar-fogo abrangente, promover a administração pós-crise do território sob o princípio do ‘domínio palestiniano sobre a Palestina’ e implementar efectivamente a ‘solução de dois Estados'”, são as três etapas, segundo um comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. A China “continuará a apoiar a justiça internacional, a reforçar a solidariedade com os países árabes e a trabalhar com todas as partes para evitar uma deterioração do conflito”, disse o chefe da diplomacia chinesa, que apelou a que não se apliquem “dois pesos e duas medidas” à situação em Gaza. Abdelatty lamentou a “dificuldade acrescida em chegar a um acordo de cessar-fogo após o assassinato de Haniyeh, o que pode desencadear uma guerra em grande escala na região”. O representante egípcio sublinhou que a região “não pode suportar mais conflitos e agitação” e que a comunidade internacional “deve trabalhar em conjunto para evitar uma deterioração”. Abdelatty saudou os esforços de Pequim para “facilitar a reconciliação interna palestiniana”, expressando o desejo do Egipto de “manter uma cooperação estreita com a China para evitar o agravamento do conflito”. Surpresa fria Haniyeh “morreu em resultado de um ataque sionista traiçoeiro”, afirmou um comunicado do Hamas, prometendo que Israel “não ficará impune”. O líder do Hamas, que vivia em auto-exílio no Qatar, estava de visita a Teerão para assistir à cerimónia de tomada de posse do reformista Masoud Pezeshkian como presidente do Irão, que ameaçou retaliar. Em Pequim, o Hamas assinou recentemente uma declaração em que se compromete com a formação secular da Fatah, com a qual tem estado em conflito desde 2007, e com outras facções palestinianas a formar um “governo temporário de unidade nacional” com autoridade sobre todos os territórios palestinianos (Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental). A China tem reiterado repetidamente o seu apoio à “solução dos dois Estados”, mostrando a sua “consternação” perante os ataques israelitas contra civis em Gaza. Funcionários chineses realizaram várias reuniões com representantes de países árabes e muçulmanos para reafirmar esta posição ou para tentar fazer avançar as negociações de paz.
Mar do Sul | Exercícios militares perto de recife disputado Hoje Macau - 8 Ago 2024 A China anunciou ontem que está a realizar um exercício militar no Mar do Sul da China, perto do recife de Scarborough, uma ilhota controlada por Pequim, mas reivindicada por Manila, num contexto de tensões bilaterais recorrentes. Estas manobras oficiais do Exército, pouco frequentes em torno deste recife, surgem numa altura em que as Filipinas lançaram dois dias de exercícios marítimos e aéreos conjuntos com os Estados Unidos, Canadá e Austrália na região. Esta actividade militar de ambos os lados surge após vários incidentes nos últimos meses em torno de ilhotas no Mar do Sul da China cuja soberania é reivindicada por Pequim e Manila. A China está a “conduzir uma patrulha de combate conjunta no mar e no espaço aéreo perto da ilha de Huangyan”, o nome chinês para o recife de Scarborough, disse a unidade de operações do sul do Exército num comunicado. O objectivo da operação é “testar as capacidades de reconhecimento e de alerta precoce, de manobra rápida e de ataque conjunto das suas tropas”, afirmou. “Todas as actividades militares que perturbam a situação no Mar do Sul da China, criam pontos de tensão e comprometem a paz e a estabilidade regionais estão sob controlo”, sublinhou o Exército chinês, numa aparente referência às manobras actualmente conduzidas pelas Filipinas com os seus aliados ocidentais. A China reivindica a posse de uma grande parte das ilhas e recifes do Mar do Sul da China. Outros países vizinhos, como o Vietname, as Filipinas, a Malásia e o Brunei, têm reivindicações concorrentes e por vezes sobrepostas. Águas bravas Em 2012, Pequim assumiu o controlo do recife de Scarborough, onde se está a realizar o exercício militar. Desde então, a China tem enviado navios que, segundo as Filipinas, assediam a sua frota e os pescadores que tentam aceder a esta zona. As actuais manobras que envolvem as Filipinas, os Estados Unidos, a Austrália e o Canadá estão também a decorrer no Mar do Sul da China, segundo um porta-voz do Exército filipino, sem especificar a sua localização exacta. De acordo com um comunicado de imprensa da Marinha dos Estados Unidos, este exercício conjunto tem como objectivo “apoiar” a emergência de uma “região do Indo-Pacífico livre e aberta”. Esta expressão, frequentemente utilizada pelos Estados Unidos, refere-se a uma zona da Ásia-Pacífico livre de influências hegemónicas. Uma forma velada de criticar a China e as suas reivindicações territoriais na região. Nos últimos meses, as tensões entre a China e as Filipinas atingiram níveis que não se registavam há vários anos. Têm sido frequentes os confrontos verbais e físicos em torno do atol de Segundo Thomas. Os soldados filipinos estão aí estacionados num navio militar que foi deliberadamente encalhado por Manila em 1999 para afirmar a sua reivindicação de soberania. Este diferendo entre a China e as Filipinas está a alimentar o receio de um potencial conflito que poderia levar à intervenção de Washington, devido ao seu tratado de defesa mútua com Manila. A China acusa regularmente os Estados Unidos de apoiarem deliberadamente os países que competem consigo em matéria de reivindicações territoriais, a fim de contrariar a sua ascensão.
Cultura do Rio Azul José Simões Morais - 8 Ago 20248 Ago 2024 A maioria das culturas e civilizações começaram nas imediações de cursos de água e devido a ser este Elemento essencial, tanto para a vida biológica como ao quotidiano estar, aprendeu o Ser Humano a usá-lo como via de comunicação. Na China, nas margens dos seus dois mais importantes rios, começou uma gloriosa História de Civilização, a legar grandes e bons inventos ao Mundo, assim como a perpetuar uma acausal maneira de pensar. Dividida em três diferentes zonas geográficas, as culturas nelas germinadas desenvolveram-se paralelamente e ao serem absorvidas formaram um orgânico corpo cultural, cujos avanços no reconhecimento dos povos entre si, tanto da Planície Central, como do Vale de Sichuan e na Região de Lingnan, tornaram-se pólos irradiadores da Civilização Chinesa. Estava-se no período Neolítico, entre 8 mil a 2 mil a.n.E., quando se deu início à Agricultura e nas férteis áreas entre os rios Amarelo e o Yangzi a civilização chinesa rapidamente se desenvolveu. A Norte, a cultura do milho desenrolou-se à volta do Rio Amarelo e no centro-Sul a do arroz, cultivado em torno do Changjiang (rio Azul, ou Yangzi), num período de grande avanço nas técnicas agrícolas e métodos de cultivo. Segundo a História, ainda a mim contada, a Civilização da China nascera no rio Amarelo e afluentes, e nas margens do seu curso médio e baixo ocorreu, devido ao saber e conhecimento do Imperador Amarelo (2704-2595 a.n.E.), a união de muitas das tribos, englobadas inicialmente nos Huaxia. Huangdi (Imperador Amarelo) foi o primeiro chefe patriarcal, pois do social retirou o domínio matriarcal a reinar havia 45 mil anos. Os Huaxia mais tarde passaram a ser o povo Han. As tribos que se recusaram a integrar esse povo, como parte dos Dongyi, migraram e vamos encontrá-los noutras paragens, divididos entre Miao, Qiang e Yi. Nas margens do rio Amarelo e seus afluentes muitas das primeiras dinastias fizeram as capitais. Agora, ao longo dos anos foram-se descobrindo as culturas neolíticas do Changjiang (rio Longo, ou Yangtzé), a permitir perceber no vale desse rio a herança de há 5 mil anos iniciada por intercâmbios das culturas Majiabang e Liangzhu e da mesma altura com a cultura Shu (2800-800 a.n.E.), proveniente da província de Sichuan a abarcar os povos Ba e Qiao. Abria-se assim um azul estar a escoar o espírito da cultura Wu Zhu (巫祝) do povo Shu pelo Changjiang até à foz. Nesse longo curso de água, também conhecido por rio Azul, Laozi em contemplação banhou-se no Dao de onde respira a energia do Universo e em alta avaliação do momento teorizou a Filosofia do Dao, ligada ao animismo da una idade Celeste (天, Tian), deixando-nos escrito o Dao De Jing (道德经, A Via da Virtude do Universo). Sichuan era também a porta para os caminhos do Sudoeste, de montanhas e rios até à Ásia Central e Índia, de onde provinham muitas novidades e novos produtos das outras Civilizações, a indiana e a egípcia. Para a trindade de consciência, simbolizada nas três cores primárias, se o rio Amarelo tem a cor imperial do Soberano, o rio Azul conecta a contemplação no momento do estar e existe ainda a complementar o rio Vermelho (红河, Honghe), com 1150 km de comprimento. Nasce nas montanhas Hengduan, em Yunnan na China, e já no Vietname segue por Hanói para desaguar no Golfo de Tongkin, enquanto o Lancangjiang (澜沧江, rio Mekong, com 4350 km), proveniente do planalto Qinghai-Tibete, passa a Oeste da nascente do rio Vermelho em Yunnan e tem a foz a Sul do Vietname. Devido à expansão para Sul da dinastia Qin, o Changjing tornou-se o rio a dividir Zhongguo (中国, País do Meio, China), ficando a via fluvial do centro, pois o território chinês passou a estender-se para Sul até meio do Vietname. Nessa zona corre o rio Vermelho habitada por nómadas tribos, conhecidas por as Cem Tribos Yue (BaiYue, 百越), descendentes da migração saída do Corno de África há 100 mil anos, e apareceu na China como Homo sapiens Denisovans, os Neandertalensis da Ásia, já com feições do homem moderno chinês. Na caminhada desses grupos para Norte, em Yunnan foram os primeiros a desviar por o rio Vermelho para Leste até ao mar. Os últimos dessa peregrinação, antes de chegar ao gelo das estepes do Norte, seguiram por o curso do rio Amarelo, no actual Gansu, de onde há cinco mil anos os saberes de Fuxi, o primeiro Ancestral da Civilização Chinesa, se transmitiram para Leste. Na província de Jiangsu, situada a Sul do rio Yangzi está a zona de Jiangnan, densamente povoada devido a ser privilegiada em lugares bafejados de Vento e Água (Fengshui) e por isso, favoravelmente escolhida por a riqueza do viver. INUNDAÇÕES DO VALE DO YANGZI As águas do Changjiang, das nascentes descem abruptamente cinco mil metros em altitude e correndo entre estreitas e altas paredes montanhosas durante milhares de quilómetros, encontram-se em Hukou (Jiujiang) no início dos 938 km do Curso Baixo do Changjiang (长江下游). De zonas planas com um sem número de lagos, conhecida por as “Infindáveis Terras Alagadiças”, aí as águas do rio amansam e tornam-se mais lentas, mas na altura dos degelos, em finais da Primavera e durante o Verão, com as imensas chuvas da monção a ajudar, as cheias são uma constante, varrendo tudo à frente. No historial das inundações do vale do Yangzi regista-se as maiores de sempre há 4 mil anos. Entre 7000 e 2000 a.n.E., a cada quinhentos anos havia uma grande inundação e catastróficas foram sete entre 8000 e 1300 a.n.E.. Da Yu, fundador em 2070 a.n.E. da dinastia Xia, já como rei veio ao vale do Changjiang tentar controlar as cheias do rio no lugar das Três Gargantas, conseguindo, com ajuda das divindades, desobstruir as águas ao abrir um furo no monte de Wu(shan), voltando elas a escoar até ao mar. Desde a dinastia Han até à Qing, durante dois mil anos houve à volta de duzentas inundações na bacia do Yangzi, ocorrendo uma a cada dez anos, ficando registada a de 160 a.n.E., mas especialmente grandes foram duas, em 1860 e 1870. No século seguinte, devido às cheias, em 1931 morreram 145 mil pessoas, em 1935 sucumbiram 142 mil e em 1954 faleceram 33 mil. Quando por aí viajamos, assistimos em 1991 a uma grande cheia. ATÉ SHANGHAI Regressados a Nanjing, daí embarcamos para a última parte do percurso a levar-nos até Shanghai, numa viagem de 18 horas, tendo o ponto de interesse focado no cruzamento do Grande Canal com o rio cujo nome junto a Yangzhou é Jiang Yangzi. Estamos na província de Jiangsu e pouco tempo depois de deixar Nanjing aparece na mesma margem esquerda Yangzhou e no lado oposto do rio está Zhenjiang, cidades onde as águas do Grande Canal se misturam às do Changjiang, conectando-as. De barco fizera a viagem por o Grande Canal, de Sul para Norte, de Hangzhou a Suzhou, mas por ser já noite pouco deu para perceber como as suas águas se cruzavam com as do rio. Sentiu-se uma maior ondulação e a mudança de direcção ao navegar um pouco num estreito canal junto à margem paralelo ao Yangzi, até verdadeiramente ser confrontado na travessia com a corrente de Oeste para Leste a baloiçar o barco. A calma voltou ao chegar à margem esquerda do rio e retomar o Grande Canal a Leste de Shiqiao, a Sul da cidade de Yangzhou. Na parte final do Curso Baixo do Changjiang encontra-se na margem direita Jianbi, cidade ligada à metalurgia pesada pertencente à prefeitura de Zhenjiang, por onde passam os barcos no Grande Canal a caminho de Hangzhou. Segue-se, ainda em Jiangsu, já no delta do Changjiang a ilha ocupada por a cidade de Yangzhong, aparecendo para Leste, na outra margem, Binjiang em Taixing, administrada por Taizhou. Continuando rio abaixo, na margem esquerda Jingjiang e no outro lado Jiangyin, cidade administrada por Wuxi e muito importante como porto de mercadorias. Por fim Nantong, na margem esquerda quase no final de um dos ramos do Yangzi, pois este rio termina em delta. A embarcação navegou durante uma hora no mar da China, entrando depois no rio Huangpu, que banha Shanghai, até atracar no cais em frente ao Peace Hotel. Olhando para o outro lado, terrenos áridos a serem terraplanados onde está planeado construir Pudong, o pólo financeiro de Shanghai. Há quatro anos ocupados por velhas fábricas a cair, prepara-se agora para aí nascer uma nova e dinâmica cidade. Dois prédios de uns vinte andares ali vão sendo construídos e no lugar ainda sobrevivem dois casebres, com horta em frente. Tão longe estamos de imaginar o que virá a acontecer àqueles vastos terrenos naquela ilha. De Shanghai, a embarcação essencialmente de mercadorias, tinha duas cabines de dois beliches abertas para turistas, fazendo a viagem duas vezes por semana por mar, passando por Xiamen e chegou ao porto de Guangzhou após navegar à noite no Zhujiang. Regressamos a Macau também de barco e no rio Xi aportamos no Porto Interior, alvorecia o dia.
Governo subsidia visitas guiadas no centro histórico ao fim-de-semana Hoje Macau - 8 Ago 2024 Durante este mês, associações locais vão organizar passeios com o objectivo de desvendar os segredos do centro histórico de Macau. O programa, que tem o apoio financeiro da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), divide-se em três itinerários na península de Macau durante o mês de Agosto. O itinerário “Story Telling in Ancient‧Streets In-depth Tour” realiza-se no sábado e domingo, com sessões de manhã (das 10h às 12h30) e de tarde (15h às 17h30). Com visitas guiadas em cantonense e inglês, “os participantes são guiados pelos vestígios históricos das ruas do Património Mundial de Macau, desde a Rua dos Ervanários, Rua das Estalagens até à Rua da Felicidade, desvendando, passo a passo, a história de Macau”. O passeio culmina com um workshop de desenhos em espuma de leite, num local com vista para o centro histórico. Também aos sábados e domingos, até 25 de Agosto, realiza-se o passeio guiado em cantonense e mandarim “Jornada pela Rua dos Ervanários”, que parte das Ruínas de S. Paulo, seguindo pela Travessa da Paixão, Rua dos Ervanários, Rua de Cinco de Outubro e a zona do Largo do Pagode do Bazar. Templos e iguarias O itinerário “Jornada pelos Templos Chineses – Rota da Península de Macau”, que também decorre sábados e domingos até 25 de Agosto com uma sessão de manhã e outra à tarde, leva os participantes “numa visita guiada a emblemáticos templos de cultura chinesa da península de Macau – o Templo Na Cha, o Templo Pao Kong e o Templo Loi Tsou”, culminado num workshop de incenso artesanal na Casa do Mandarim. Os passeios de 25 de Agosto terão a opção de inglês. O preço destes três passeios é de 50 patacas, mas os participantes recebem um voucher de consumo no mesmo valor. A DST propõe ainda um workshop de confecção de comida tradicional, que terá lugar na Casa do Mandarim, entre a segunda quinzena deste mês e Dezembro com oito sessões previstas que vão desvendar alguns dos segredos da gastronomia da região. As quatro actividades são financiadas pelo Programa de Apoio Financeiro de 2024 para o Turismo Comunitário “Viajar por Macau”, que tem como meta “estimular ainda mais a economia comunitária de Macau”, indicou ontem a DST.
Zona Norte | Grande prémio para o consumo gerou 150 milhões João Luz - 8 Ago 2024 O Grande prémio para o consumo na Zona Norte, que terminou no domingo, gerou 150 milhões de patacas para as lojas aderentes, ao longo de mais de quatro meses. O Governo revelou que cerca de dois terços das empresas beneficiárias eram do sector do comércio a retalho A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) relevou ontem que ao longo dos mais de quatro meses, o plano de incentivo à economia local designado “Grande prémio para o consumo na Zona Norte” impulsionou os negócios em cerca de 150 milhões de patacas, que quintuplicaram durante a iniciativa. O Governo indicou que “a actividade contou com a participação activa de 1.255 estabelecimentos comerciais da Zona Norte”, e alguns comerciantes consideraram “os resultados da actividade satisfatórios”, concordando que “contribuiu para atrair mais pessoas e estimular o consumo”. A iniciativa, que decorreu apenas aos fins-de-semana, foram gastos 29,75 milhões de patacas para atrair clientela para as lojas aderentes na zona norte da península, área severamente afectada com a deslocação de consumidores para o outro lado da fronteira. Por partes Em relação ao tipo de empresas beneficiárias do programa, a DSEDT declarou que “estão espalhadas por diferentes sectores, das quais cerca de 64 por cento foram do sector de comércio a retalho e cerca de 36 por cento foram do sector da restauração”. No sector comercial, foram beneficiados estabelecimentos comerciais como supermercados, farmácias, armazéns e quinquilharias, maquilhagem e beleza, vestuário, calçado, artigos de couro, relógios e joalharia. Na restauração, a DSEDT afirmou que tiraram proveito do Grande prémio do consumo “vários tipos de restaurantes como restaurantes chineses, estabelecimentos de comidas, japoneses, coreanos, ocidentais”. O programa que decorreu entre 18 de Março e o domingo passado foi organizado pelo Governo em colaboração com a Associação Comercial de Macau e a Associação Industrial e Comercial da Zona Norte de Macau, com o objectivo de “revitalizar ainda mais a economia comunitária de Macau e atrair mais clientes a consumirem na Zona Norte”, afirmou ontem a DSEDT. O Grande Sorteio Final do programa está marcado para 15 de Agosto, no Salão Comemorativo do Sr. Ho Yin da Associação Comercial de Macau, quando serão sorteados prémios no valor total de meio milhão de patacas, incluindo prémios pecuniários, telemóveis, produtos digitais, electrodomésticos e bilhetes de avião.
Pagamentos móveis | Valor das transacções em quebra Hoje Macau - 8 Ago 2024 O valor das transacções com pagamentos móveis registou uma quebra de 1,7 por cento entre o primeiro e o segundo trimestre do ano, de acordo com os dados publicados ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM). No primeiro trimestre, as transacções com pagamentos móveis tinham atingido 7,3 mil milhões de patacas, no entanto, no segundo trimestre caíram para 7,2 mil milhões de patacas. Apesar do montante transaccionado ter registado uma quebra, houve quase mais 5 milhões de transacções entre Abril e Junho do que no período de Janeiro a Março. Como consequência, o valor médio por cada transacção sofreu uma redução de 90,2 patacas por transacção para 83,3 patacas por transacção. Ainda de acordo com a AMCM, até finais de Junho “o número de aparelhos que aceitam o pagamento móvel e os suportes de Código QR em Macau atingiu 102.667 unidades”. Apesar da redução do valor dos pagamentos móveis, numa tendência contrária, o valor utilizado com recurso a crédito registou uma subida de 1 por cento, entre os primeiros trimestres do ano, para 5,9 mil milhões de patacas. No pólo oposto, o valor das transacções com cartões de débito teve uma redução de quase um terço, entre o primeiro e o segundo trimestre. Segundo a AMCM, as transacções com cartão de débito no primeiro trimestre tinham sido de 851,4 milhões de patacas e caíram para 589,6 milhões de patacas, uma quebra de 30,8 por cento.
Future Bright | Trimestre com resultados negativos Hoje Macau - 8 Ago 2024 O grupo Futuro Bright, controlado pelo empresário Chan Chak Mo, deixou um alerta na bolsa de Hong Kong, a preparar os investidores para perdas de 8,2 milhões de dólares de Hong Kong, no segundo trimestre. De acordo com a informação disponibilizada, os prejuízos no segundo trimestre em Macau vão ser de 6,3 milhões de dólares de Hong Kong, enquanto na RAEHK o grupo acumulou perdas de 1,9 milhões. Os resultados contrastam com a situação dos primeiros três meses do ano, em que a Future Bright alcançou lucros de 5,6 milhões de dólares de Hong Kong em Macau, e de 3,1 milhões na antiga colónia britânica. Quando o balanço é feito para a primeira metade do ano, o grupo alcança um lucro de 500 mil dólares de Hong Kong, dado que no primeiro trimestre tinha registado um lucro de 8,7 milhões de dólares de Hong Kong. O agravar dos resultados é justificado com a redução das receitas da empresa em quase todos os tipos de restaurantes e serviços de comida disponibilizados. Em termos dos restaurantes com comida chinesa, a redução foi de 28 por cento das receitas, para 22,5 milhões e dólares de Hong Kong. Nos restaurantes de franchise a quebra foi de 14,2 por cento e nos serviços de catering houve uma diminuição de 12,7 por cento. A excepção foram os restaurantes em food courts, onde as receitas subiram 49,7 por cento, para 28 milhões.