Regresso ao trabalho (I)

Depois de ter sido assolado durante vários dias pelos diversos avisos da passagem do tufão “Yagi”, Macau viu finalmente hasteado, na sexta-feira dia 6, o sinal nº 8 de tufão. Embora tenha passado rapidamente sobre Macau e o sinal tenha sido oficialmente levantado em menos de 24 horas, o impacto que teve no funcionamento da cidade não pode ser ignorado.

Macau levantou oficialmente o sinal nº8 de tufão às 14.00 h de 6 de Setembro. De acordo com as disposições legais das autoridades competentes, os departamentos governamentais deviam retomar o serviço às 15.30 h. Os funcionários de empresas ou instituições privadas devem decidir o momento do seu regresso ao trabalho com base no estipulado nos contratos de trabalho, que incluem disposições sobre o regresso ao trabalho após ser levantado o sinal nº8 de tufão.

Se o contrato de trabalho não incluir disposições sobre esta matéria, os empregadores e os empregados podem guiar-se pelas “Directrizes Laborais durante Tufões e Emergências Públicas” publicadas pela Direcção dos Serviços para Assuntos Laborais. De acordo com as directrizes, os funcionários devem regressar ao trabalho uma hora e meia após ser levantado o sinal nº8 de tufão.

No entanto, independentemente das directrizes serem ou não seguidas, sempre que uma empresa decide que os seus funcionários têm de regressar ao trabalho na parte da tarde, o problema dos transportes faz-se sentir. Depois de ter sido levantado o sinal nº8 de tufão, continuou a chover intensamente. Muitos residentes que costumam deslocar-se de mota passaram a usar o carro, o que aumentou o trânsito na cidade. Os noticiários assinalaram que muitas pessoas estavam a regressar ao trabalho praticamente ao mesmo tempo pelo que se formaram longas filas nas paragens dos autocarros e o trânsito aumentou drasticamente. Nesta situação, muitos terão chegado atrasados ao trabalho. Assumindo que um funcionário só conseguiu chegar ao local de trabalho às 16.30, a sua produtividade nesse dia foi muitíssimo reduzida. Mesmo que tivesse conseguido chegar às 15.30, só tinha conseguido trabalhar duas horas.

Não sabemos que contributo é que um funcionário pode dar à empresa ao trabalhar uma ou duas horas, mas sabemos com toda a certeza que os patrões pagam salários aos seus empregados para garantir que eles asseguram um determinado horário de trabalho a bem da empresa. Portanto, desde que as disposições legais, as cláusulas contratuais de trabalho e as directrizes laborais sejam respeitadas, os funcionários devem voltar ao trabalho quando o sinal nº8 de tufão é levantado.

No entanto, os engarrafamentos de trânsito estiveram à vista de toda a gente. Na parte da tarde, em apenas quatro horas, Macau teve dois picos de congestionamento, o que implicou que as pessoas só tenham conseguido trabalhar durante duas horas. Estamos em Setembro e, como cidade costeira, Macau receberá constantes alertas de tufão. O facto de o “Yagi” ter deixado a cidade às 14.00h é uma oportunidade para reflectirmos sobre a existência de disposições de regresso ao trabalho depois da passagem de um tufão.

Podemos comparar o levantamento do sinal nº8 de tufão às 10.00 e às 14.00h. Seja qual for a situação, irá sempre ocorrer congestionamento do trânsito, mas no primeiro caso as pessoas ainda podem trabalhar até seis horas, enquanto no segundo só poderão trabalhar duas. Em qual das situações é que se pode trabalhar mais? Em qual das duas pode o funcionário realizar um trabalho mais eficaz e eficiente para a empresa? A resposta é óbvia.

De facto, não existe nada de errado nas directrizes. Não há dúvida que respeitam as normas ditadas pelas leis laborais. Se o empregador apresentar requisitos mais rigorosos do que aqueles que estão previstos, por exemplo, a exigência de os funcionários regressarem ao trabalho uma hora após o levantamento do sinal nº8 de tufão, está claramente a encurtar o intervalo horário mencionado nas directrizes laborais. Se pelo contrário, o empregador decidir dar aos funcionários mais tempo para regressarem depois do sinal nº8 de tufão ter sido levantado, para que possam ficar com a tarde livre, estamos perante um requisito mais flexível que, obviamente, cumpre as especificações pertinentes das directrizes laborais.

Continua na próxima semana

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Escola de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
Blog: http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
Email: legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk

Fotografia | Gonçalo Lobo Pinheiro lança “Close to Me”

O fotojornalista Gonçalo Lobo Pinheiro lança esta sexta-feira, na sede da Casa de Portugal em Macau, o livro “Close to Me”. Trata-se de uma obra “pessoal”, num “formato inusitado”, com “fotografias a preto e branco, numa edição tipo nicho, algo muito especial, a começar pelo surpreendente formato, em forma de carteira”, revela o autor

 

O fotojornalista português Gonçalo Lobo Pinheiro, radicado em Macau há 14 anos, apresenta, esta sexta-feira, 13 de Setembro, pelas 18h30, na sede da Casa de Portugal, o seu livro “Close to Me”.

Este livro nasce do trabalho realizado para o mestrado em Nova Fotografia Documental na LABASAD – School of Arts & Design, em Barcelona, e também para a edição de 2021 do “24HourProject – Photographers for Social Change”, tendo “um formato invulgar, de carteira, e especial”, bem como “um número limitado de 150 exemplares, numerados e assinados”.

Gonçalo Lobo Pinheiro refere, num comunicado, que estas imagens são do dia-a-dia frenético com os filhos. “A ideia inicial deste projecto foi captar a loucura matinal com os meus filhos que acordam todos os dias entre as seis e as sete da manhã, revigorados, prontos para mais um dia cheio de energia. Facto é que, na hora de dormir, as coisas acabam por não ser muito diferentes em alguns aspectos e acabei por misturar os dois momentos do dia, começando à noite”, afirma.

Este é um projecto antigo, mas que só agora ganha forma. “Este livro, que queria ter lançado em 2022, apenas chega agora, mas chega com a sensação de que fiz um bom trabalho de casa na procura de uma edição diferente, muito diferente daquilo que têm sido os meus livros desde 2015, altura em que apresente ‘Macau 5.0’, o meu primeiro livro”, descreve.

Uma “bela surpresa”

Segundo a mesma nota, o fotojornalista declara que a edição de “Close to Me”, que não estava prevista para este ano, acaba por ser uma “bela surpresa”, pois é uma obra “muito pessoal” e “muito específica”.

“É a minha família que está ali retratada. Os meus filhos, a minha mulher. A edição, com fotografias a preto e branco, acaba por ser uma obra de autor, uma edição tipo nicho, algo muito especial, a começar pelo surpreendente formato, em forma de carteira”, refere.

A escolha deste formato é facilmente explicada por Gonçalo Lobo Pinheiro. “Este formato de carteira serve precisamente para manter as fotos perto de mim, perto de si que compra o livro, assim como quase todos nós, que levamos fotos dos nossos queridos familiares connosco, na carteira”, explica, acrescentando que tem novo livro para ser lançado em Dezembro, que versará sobre fotografia de rua em Macau e terá uma edição mais ao estilo daquilo que vem habituando quem segue os seus projectos ou compra os seus trabalhos fotográficos.

“Close to Me”, que é o seu sexto livro editado, estará à venda por 150 patacas no website oficial do fotojornalista e em algumas livrarias de Macau e Portugal. O livro conta com o design da ilustradora Yang Sio Maan e tem a chancela da Ipsis Verbis.

F4 | Tiago Rodrigues vence e sonha com a Academia da Ferrari

Depois de ter participado na F4 dos Emirados Árabes Unidos (F4 UAE) nos dois primeiros meses de 2024 e de ser presença habitual no Campeonato de Karting de Macau, organizado pela AAMC no Kartódromo de Coloane, Tiago Rodrigues voltou ao cockpit de um monolugar além-fronteiras. O jovem piloto do território juntou-se à grelha de partida do Campeonato da Austrália de Fórmula 4, na prova disputada no Circuito Internacional de Sepang, tendo conquistado uma pole position e uma vitória

Na Malásia, o campeão de F4 da China mostrou que “quem sabe, não esquece” e, ao volante de um Tatuus FIA F4-T421 da Evans GP, no sábado, alcançou uma pole position e uma vitória incontestável na primeira corrida do programa. Nas redes sociais, o piloto da RAEM considerou que foi “um bom fim de semana no geral”, até porque esta primeira corrida “foi praticamente perfeita, liderei da pole até ao fim e ganhei com uma diferença de 7,5 segundos” para o segundo classificado, a que somou “a volta mais rápida após seis meses sem conduzir”.

Na primeira das duas corridas de domingo, Tiago Rodrigues não tirou partido da primeira posição na grelha de partida, pois, devido a um problema técnico no monolugar da Evans GP, teve de arrancar das boxes. A situação agravou-se momentos depois com uma penalização de “drive-through”. O décimo lugar no final da corrida, ganha pelo australiano Cooper Webster, acabou por saber a pouco, considerando que o jovem piloto de 16 anos fez novamente a volta mais rápida.

Na última contenda do programa, “não tive um bom arranque, caí de segundo para quarto e, frustrantemente, fiquei lá até ao final da corrida, com dificuldades em ultrapassar o carro da frente, mas considerando que foi a minha pior corrida, diria que não foi nada mau”. O indiano residente em Hong Kong, Kai Daryanani, foi o vencedor desta terceira corrida.

Mundo Ferrari

A Scuderia Ferrari Driver Academy (FDA) vai realizar o seu Programa de Seleção da Ásia-Pacífico e Oceânia no Circuito Internacional de Sepang, na Malásia, de 15 a 18 de Setembro. A casa de Maranello revelou os treze pilotos, entre os 14 e os 17 anos, que vão competir por um lugar na Final Mundial de Scouting da FDA, em Itália, que por sua vez atribuirá uma vaga na cobiçada Scuderia Ferrari Driver Academy em 2025.

Os australianos Tyler Calleja, Harrison Duske, Lincoln Evans, Seth Gilmore, Cohen Kokotovich, Jesse James Samuels, Nicolas Stati, Costa Toparis e Dante Vinci, Visal Raman do Azerbaijão, o indiano Arjun Chheda, o japonês Sena Tsukamoto e Tiago Rodrigues compõem a lista dos participantes que serão avaliados. Arjun Chheda e Nicolas Stati já participaram nesta iniciativa no ano passado, mas os restantes onze seccionados são novatos neste desafio. A avaliação em pista será feita com os mesmos Tatuus FIA F4-T421, mas outros parâmetros também irão pesar na decisão.

Timor/Papa | Francisco exorta timorenses à construção do Estado e a apostarem na Educação

O Papa Francisco exortou ontem os timorenses a prosseguirem a construção e consolidação do Estado para servirem os timorenses e a apostarem na educação dos jovens, que representam a maioria da população do país.

“Exorto-vos a prosseguirem com renovada confiança na sábia construção e consolidação das instituições” da República, para que “estejam completamente aptas a servir o povo de Timor-Leste” e para que os “cidadãos se sintam efectivamente representados”, afirmou Francisco, na primeira declaração pública em Díli, na Presidência timorense.

“Que a fé que vos iluminou e susteve no passado continue a inspirar o vosso presente e o vosso futuro. ‘Que a vossa fé seja a vossa cultura’, isto é, que inspire critérios, projetos e escolhas segundo o Evangelho”, disse o Papa, referindo-se ao tema da sua visita ao país e a lembrar que agora Timor-Leste tem um “novo horizonte, com céu limpo, mas com novos desafios a enfrentar e novos problemas a resolver”.

Apesar dos problemas, Francisco pediu aos timorenses para serem confiantes e a manterem um “olhar cheio de esperança em relação ao futuro”.

O Papa destacou que 65 por cento dos 1,3 milhões de timorenses têm menos de 30 anos e que o “primeiro campo a investir é na educação, na família e na escola”.

“Uma educação que coloque as crianças e os jovens no centro e promova a sua dignidade”, disse, sublinhando que o entusiasmo dos mais novos, juntamente com a sabedoria dos mais velhos, forma uma “combinação providencial de conhecimento”.

Papa Francisco pede em tétum que “Deus abençoe” Timor-Leste

Cerca de 400 pessoas, autoridades políticas e religiosas, sociedade civil e cultural, ouviram ontem o primeiro discurso do Papa em Timor-Leste, que terminou pedindo em tétum que Deus abençoe o país. O discurso de 18 minutos, no palácio presidencial, foi o ponto alto do primeiro dia da visita do Papa a Timor-Leste, que termina esta quarta-feira.

Antes, o Papa já tinha participado numa cerimónia de boas-vindas oficiais na entrada do edifício. Francisco teve depois um encontro privado com o Presidente da República, José Ramos-Horta, de cerca de 15 minutos, ao mesmo tempo que o secretário de Estado do Vaticano se reuniu com o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, e respectivas delegações.

O Papa reuniu-se depois com as autoridades juntas na sala China, decorada com fotos de heróis da resistência, pinturas e objectos tradicionais timorenses, além de uma pintura da grande muralha da China. O palácio foi construído pela China. Antes de entrar na sala, o Papa já tinha cumprimentado 10 membros da família do Presidente.

Toda a tradição

Depois dos discursos do chefe de Estado de Timor-Leste e de Francisco seguiu-se uma troca de presentes e houve ainda uma bênção final aos funcionários e uma foto de grupo, composto por mais de mil pessoas.

Na saída do Papa foi tocada uma melodia por corneteiros de “karau dikur”, um instrumento de sopro tradicional que é feito de chifre de búfalo e que é usado para chamar ou informar a comunidade de um acontecimento importante.

O Papa Francisco recebeu um tais, um pano tradicional de Timor-Leste, um terço e uma escultura feitos de sândalo, do artista Ricardo Nheu.

E assinou também um Livro de Honra que foi especialmente concebido para comemorar a visita a Timor-Leste, com capa de tecido e madeira, representando um peixe, um dos primeiros símbolos cristãos, e uma peça de madeira com a inscrição “Unitur in Pace” (Unidos na Paz, em Latim).

BRICS | Wang Yi visita a Rússia esta semana

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, vai à Rússia esta semana para participar numa reunião dos países-membros dos BRICS dedicada à segurança, anunciou ontem a diplomacia chinesa.

“A convite do secretário do Conselho de Segurança da Federação Russa, Sergei Shoigu (…), Wang Yi participará na 14.ª reunião dos altos responsáveis de segurança e conselheiros de segurança nacional dos BRICS em São Petersburgo, na Rússia, de 11 a 12 de Setembro”, declarou Mao Ning, porta-voz do ministério.

A viagem de Wang Yi acontece antes da cimeira dos BRICS marcada para o próximo mês em Kazan, na Rússia, na qual Presidente russo, Vladimir Putin, espera contar com a presença do seu homólogo chinês, Xi Jinping.

Os dois políticos são parceiros próximos e encontraram-se inúmeras vezes nos últimos anos para demonstrar a “amizade sem limites” entre os seus dois países.

Moscovo e Pequim já denunciaram em conjunto o que consideram ser a hegemonia norte-americana nos assuntos internacionais. A cimeira dos BRICS deverá também acolher outro parceiro próximo de Putin e rival regional de Pequim o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que já tinha visitado a Rússia em Julho.

Com quatro membros (Brasil, China, Índia e Rússia) quando foi criado em 2009, ao bloco dos BRICS juntou-se à África do Sul em 2010 e expandiu-se esse ano para vários outros países emergentes, incluindo o Egipto e o Irão.

A Turquia, um Estado-membro da NATO com relações por vezes tensas com os seus aliados ocidentais, anunciou no início de Setembro que tinha apresentado um pedido de adesão ao bloco.

China Renaissance | Acções de Bao Fan caem 72% após suspensão

As acções do banco de investimento China Renaissance, gerido pelo banqueiro chinês Bao Fan, desaparecido em Fevereiro de 2023, caíram ontem 71,66 por cento na abertura da sessão, após uma suspensão de um ano e cinco meses.

Às 11:00, as acções recuperaram ligeiramente na bolsa de valores de Hong Kong, com a queda a fixar-se em cerca de 61 por cento.

Na sexta-feira passada, o China Renaissance anunciou que cumpriu finalmente os requisitos para retomar as transacções, o que implicou sobretudo a publicação de várias contas de resultados desde 2022, bloqueadas pelo desaparecimento de Bao.

Quanto ao paradeiro do fundador, a empresa limitou-se a reiterar que está “indisponível para ser contactado” porque estar “a cooperar” com uma investigação conduzida por “certas autoridades da República Popular da China”.

Em 16 de Fevereiro de 2023, a empresa comunicou o desaparecimento de Bao e, 10 dias depois, indicou ter tomado conhecimento de que o responsável estava “a cooperar” numa investigação.

Bao, conhecido por ser o arquitecto de algumas das maiores fusões de empresas tecnológicas do país, terá tentado transferir parte da fortuna da China e de Hong Kong para Singapura, onde, no final de 2022, tentou criar um fundo para gerir a riqueza, noticiou o jornal Financial Times.

A última notícia sobre o banqueiro foi difundida em Fevereiro, quando o China Renaissance informou que Bao se tinha demitido de todos os cargos na empresa por “razões de saúde” e para “dedicar mais tempo aos assuntos da família”.

Investimento | Pequim vai fundir empresas com 213,357 mil ME em activos

A China pretende fundir duas das principais agências de investimento do país, a Guotai Junan e a Haitong, para criar a maior empresa nacional do sector, com cerca de 1,68 biliões de yuan sob gestão.

O plano, anunciado na semana passada, envolve uma troca de acções e está ainda pendente da aprovação dos conselhos de administração, dos accionistas e das autoridades reguladoras de ambas as empresas.

As duas empresas estão sediadas em Xangai, considerada a capital económica da China, cuja gestora pública de activos controla a Guotai Junan e detém a maior participação na Haitong, a mais pequena das duas.

Tanto a Guotai Junan como a Haitong suspenderam a cotação das suas acções em Hong Kong e Xangai, especificando que, neste último mercado, o congelamento não deverá durar mais de 25 dias úteis, de acordo com o portal de notícias de negócios Yicai.

Embora a China tenha cerca de 145 empresas de investimento, Pequim planeia consolidar o sector, com vista a ter dois ou três bancos de investimento que possam competir globalmente e enfrentar Wall Street até 2035, o que resultou recentemente em várias iniciativas de fusão.

Por exemplo, a Guosen está a tentar adquirir a quase totalidade da Vanho, e a Guolian também indicou que irá adquirir a Minsheng e a Western.

De acordo com um analista citado pelo Yicai, o acordo tem também como objectivo dotar Xangai de um banco de investimento de “classe mundial” que esteja à altura do estatuto da cidade como centro financeiro internacional.

Prós e contras

A fusão da Guotai Junan e da Haitong ultrapassaria a Citic Securities como a maior corretora de investimentos da China, embora o sector tenha sofrido muito nos últimos anos face a uma recuperação económica mais fraca do que o esperado e à queda dos mercados locais: o índice CSI 300 das 300 maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen está quase 45 por cento abaixo do seu pico de Fevereiro de 2021.

A Bloomberg observou recentemente que o Haitong ganhou menos 75 por cento no primeiro trimestre, pelo que a fusão poderia resolver alguns dos seus problemas, em parte devido à “qualidade não muito saudável” dos seus activos subjacentes, segundo os especialistas.

Outra consequência possível da fusão seria a perda de postos de trabalho: a Guotai Junan tem cerca de 15.000 trabalhadores e a Haitong mais de 13.600.

Pequim, que permite a plena participação estrangeira em empresas deste sector desde 2020, já tinha considerado uma operação semelhante há alguns anos, embora nesse caso se tratasse da aquisição de uma participação na CSC Financial pela empresa-mãe da Citic Securities.

Ron Lam critica a construção “forçada” do viaduto entre Zona A e Zona B

O deputado Ron Lam criticou as “explicações vazias” do Instituto Cultural (IC) sobre a construção “forçada” do viaduto entre Zona A e Zona B e apresentou uma queixa junto da Administração do Património Cultural Nacional. O projecto é tido como controverso devido ao impacto para o corredor visual para o Farol da Guia, mas obra foi adjudicada em Junho, e deve arrancar até ao final do ano.

Num artigo publicado no jornal Son Pou, Lam indicou que as explicações do IC não abordaram o impacto do viaduto para o corredor visual das proximidades, nem sequer foi justificado de maneira transparente o motivo que levou o organismo liderado por Deland Leong a considerar que a construção não viola o Despacho do Chefe do Executivo nº 83/2008, documento que define o limite para as construções em altura naquela zona.

“Segundo as informações fornecidas pelo Governo, no caso de a obra ser executada, receio que o viaduto vá acabar por gerar uma repetição dos debates anteriores sobre a construção em altura junto do Farol da Guia, e o ‘cartão de visita dourado’ do património mundial de Macau vai ficar prejudicado”, escreveu o deputado.

Ron Lam contestou também o argumento do IC, que insiste que o Despacho do Chefe do Executivo n.º 83/2008 não se aplica a viadutos, mas apenas a edifícios construídos em altura. Segundo o deputado, o argumento não faz sentido porque o Regime Jurídico de Construção Urbana define claramente o conceito de “edificações” com construção em altura limitada. Ron Lam justifica que, de acordo com o regime, edificação “é qualquer construção que se incorpore no solo com carácter de permanência”, o que faz com que o viaduto tenha de ser abrangido pelos limites da construção em altura.

Rom Lam admitiu também ter apresentado uma queixa junto da Administração do Património Cultural Nacional, para tentar suspender a construção.

Jogo | Ruído com regulação e índices de receitas retrai investidores

A possibilidade de Xi Jinping se deslocar a Macau no final do ano e as mais recentes declarações de Sam Hou Fai sobre a imposição de diversificar a economia, contribuem para que o interesse dos investidores na indústria do jogo se mostre “moderado”

 

O banco de investimento Morgan Stanley Asia considera que os investidores estão a adoptar uma postura moderada face à possibilidade de apostarem nas concessionárias do jogo, devido a vários factores considerados negativos. O ambiente foi traçado no relatório mais recente do banco de investimos, citado pelo portal GGR Asia.

“O ruído contínuo à volta da regulação, a desaceleração anual das receitas brutas do jogo e o sentimento mais fraco dos consumidores chineses não estão a ajudar”, indica o relatório de sexta-feira, assinado pelos analistas Praveen Chaudhury e Gareth Leung. “O interesse dos investidores é moderado, principalmente devido ao desempenho das acções e ao ruído em torno da regulamentação e da recente repressão das trocas de dinheiro”, é acrescentado, no que diz respeito à proposta de criminalização das trocas ilegais de dinheiro dentro dos casinos.
Na perspectiva do banco de investimento, também as mais recentes declarações de Sam Hou Fai, candidato a Chefe do Executivo, sobre a imposição de Pequim para a diversificação da economia além do jogo fazem com que haja mais cautela do que no passado. “Os recentes comentários do aspirante a Chefe do Executivo sobre a diversificação e a repressão das trocas ilegais de dinheiro prejudicaram o sentimento [entre os investidores] nos últimos dois meses”, foi argumentado.

O preço do aniversário

A possibilidade de Xi Jinping se deslocar a Macau em Dezembro, durante as celebrações do 25.º aniversário do estabelecimento da RAEM e a tomada de posse do novo Governo, também é encarada como um desafio para os investidores.

Apesar de não haver confirmação oficial da deslocação, se esta se confirmar haverá um grande aparato ao nível da segurança, que tende a afastar da RAEM os grandes apostadores e turistas.

O relatório da Morgan Stanley foi publicado depois de os analistas terem estado em Macau, onde se reuniram com investidores de fundos internacionais. Esta visita levou o banco de investimento a considerar que Macau “não está completamente imune à fraca situação macroeconómica da China”.

“O nosso contacto na junket e alguns operadores notaram uma menor frequência de visitas por parte dos grandes jogadores. Também observámos apostas mais baixas enquanto passeavamos pelo piso VIP dos junket” nos casinos, acrescentam.

Apesar do abrandamento, o relatório considera que o mercado de Macau continuar a ter “bases fortes” e que as receitas do jogo para os meses de Julho e Agosto mostram uma tendência de recuperação superior à que se verifica no Interior.

Turismo | Analistas alertam para necessidade de combater baixo consumo

O alargamento do leque de cidades chinesas com vistos individuais para visitar Macau não se fez sentir nos sectores do jogo e comércio, em especial de produtos de luxo, de acordo com analistas. As alterações nos padrões de consumo dos turistas chineses e a concorrência interna são desafios que empresas e o próximo Governo terão de resolver

 

As medidas aprovadas pelo Governo Central do alargamento do programa de vistos individuais para visitar Macau a mais uma dezena de cidades chinesas, assim como o aumento da quota de isenção fiscal de bens comprados no território, não teve um impacto significativo na economia local. Esta é a conclusão do presidente da Associação da Sinergia de Macau, Johnson Ian, enquanto o presidente da Associação de Jogos com Responsabilidade de Macau justifica a alteração nos padrões de consumo com o declínio do jogo VIP.

Johnson Ian recorda que o esquema de vistos individuais desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da economia de Macau, desde a liberalização do jogo, principalmente na hotelaria, retalho de bens de luxo e receitas dos casinos.

Em declarações ao portal Asia Gaming Brief, o responsável indicou que além do ciclo económico verificado no Interior da China, os comportamentos de consumo dos turistas sofreram alterações estruturais significativas.

“Hoje em dia, a larga maioria dos turistas continua a vir do Interior da China. Porém, devido às condições económicas actuais, testemunhamos uma viragem para o ‘luxo acessível’, com os consumidores a preferirem produtos de marcas locais que oferecem produtos a uma fracção do preço. Esta alteração reflectiu-se nas estatísticas do comércio a retalho, em particular no mercado turístico”, afirmou Johnson Ian.

Estas alterações forçaram empresas a reavaliar as suas operações e a adaptar-se às mudanças, principalmente em locais como restaurantes de luxo, ou lojas de malas e relógios de luxo.

Olhar para dentro

Recorde-se que a cadeia de comércio de produtos de luxo DFS despediu no fim do mês passado quase 80 trabalhadores, a primeira grande redução de mão-de-obra desde que o grupo se estabeleceu em Macau em 2008.

No final de Julho, o grupo das Joalharias Chow Tai Fook reportou quebras anuais de vendas em Macau de 41,3 por cento no primeiro trimestre do ano, a pior performance do grupo em termos regionais. Já no segundo trimestre, o valor global das vendas a retalho de Macau e Hong Kong sofreu quebras de 28,8 por cento e representou 12,2 por cento dos negócios do grupo. A quebra alargou-se ao Interior da China, onde o grupo encerrou mais de 90 lojas.

Também o alargamento da isenção fiscal para bens adquiridos em Macau e transportados para o continente, que passou de bens no valor de cinco mil renminbis para 12 mil renminbis, não deixa Johnson Ian optimista. Neste capítulo, o analista destaca a crescente competição de outras regiões, em particular Hainão que se transformou num destino para compras de luxo, devido às isenções fiscais aplicadas na ilha.

“Até 2025, Hainão vai tornar-se numa zona de tarifa zero, representando uma concorrência ainda mais forte aos mercados de retalho de alta gama de Macau e Hong Kong. Muitos consumidores chineses já não precisam de esperar meses para se deslocarem a Macau para fazer compras. Podem simplesmente deslocar-se a Hainão ou mesmo à Europa, onde os preços podem ser mais favoráveis”, disse o dirigente ao Asia Gaming Brief.

O presidente da Associação de Jogos com Responsabilidade de Macau, Billy Song, refere que parte das dificuldades económicas se deve ao aperto ao jogo VIP. Sem os grandes apostadores, o dirigente entende que a economia de Macau fica mais exposta a mudanças nos padrões de consumo e nas tendências de redução dos gastos e do tempo de permanência em Macau dos turistas.

FAOM pede ajustes para evitar desemprego de docentes

Os deputados da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) apelaram ao Governo para ajustar o tamanho das turmas, de forma a evitar que nos próximos anos exista uma onda de encerramentos e professores sem trabalho. A mensagem de Ella Lei, Leong Sun Iok, Lei Chan U e Lam Lon Wai foi partilhada ontem, como parte do Dia do Professor, que se assinala hoje no Interior.

Na opinião partilhada em nome dos quatro legisladores, é explicado que a queda da natalidade em Macau pode ter um “grande impacto” no sistema educativo, principalmente ao nível das escolas e da garantia do emprego dos professores. “Até ao primeiro dia de Julho deste ano, registaram-se 2.006 recém-nascidos, o que representa uma diminuição de 10,2 por cento em comparação com o mesmo período do ano passado”, é explicado. “O declínio contínuo da taxa de natalidade fez com que muitas escolas desfavorecidas enfrentem dificuldades ao nível das matrículas e pressão para garantirem a sua sobrevivência. Se estas tendências não forem revertidas, as escolas desfavorecidas poderão ser insustentáveis ​​no futuro”, foi alertado.

Os quatro deputados da FAOM pedem também ao Executivo “com base na manutenção do sistema de turmas pequenas” que se faça um ajustamento do “tamanho de cada turma em tempo útil para responder às alterações no número de alunos”, seja realizada “uma atribuição ainda mais justa e razoável de recursos educativos”, haja um “reforço do apoio à escolas desfavorecidas”, que se “melhore a qualidade do ensino escolar” e “se atraia alunos para aliviar a pressão da falta de matrículas”.

Mais formação

Os legisladores pediram também uma maior aposta na formação profissional dos docentes do território. “Espera-se que as autoridades reforcem os cursos de formação de professores nos diferentes níveis de ensino, para que os professores obtenham qualificações que lhes permitam serem transferidos entre diferentes níveis de ensino, para haver uma estabilização do corpo docente”, foi sugerido.

Ao mesmo tempo, foi deixado o desejo de que as “autoridades continuem a reforçar o investimento nos recursos educativos, a optimizar o processo de candidatura e aprovação de fundos educativos e a reduzir a carga de trabalho administrativo das escolas e dos professores”.

Os pedidos de Ella Lei, Leong Sun Iok, Lei Chan U e Lam Lon Wai não são livres de conflitos de interesses. De acordo com o portal online da FAOM, esta controla actualmente quatro escolas no território: a Escola Secundária Técnico-Profissional da Federação das Associações dos Operários de Macau, Escola Secundária Lou Hau, Escola Primária Anexa à Escola Lou Hau e o Jardim de Infância Anexo à Escola Lou Hau.

EPM | Conselheiros pedem intervenção do ministro da Educação

Os Conselheiros das Comunidades Portuguesas pediram a “firme intervenção” ao Governo português na sequência da saída de docentes da EPM cujas licenças tinham sido renovadas por Lisboa. Os conselheiros denunciam, num ofício dirigido ao ministro da Educação, a forma abrupta como os professores foram dispensados da EPM

 

Os Conselheiros das Comunidades Portuguesas do Círculo da China enviaram um ofício ao Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, a expressar “crescente preocupação” devido à dispensa de docentes e da psicóloga da Escola Portuguesa de Macau (EPM). Na óptica dos conselheiros, as dispensas representam um “incumprimento, por parte do Director da EPM, do despacho do Ministro da Educação, Ciência e Inovação”, de 7 de Agosto. Situações que entendem merecer a intervenção de Governo português.

Recorde-se que este despacho assinado por Fernando Alexandre renovou, por um ano, as licenças especiais dos docentes e da psicóloga que estavam à beira de ser dispensados da EPM “para que se possam manter na EPM com serviço docente/tarefas distribuídas no próximo ano lectivo”.

“O Director da EPM dispensou cinco professores e uma psicóloga, anunciando a contratação de dez novos docentes. Contudo, informações recentes indicam que a realidade não corresponde a essa promessa, com um número superior de professores contratados, o que se presume resultará num aumento inesperado das despesas”, começam por argumentar os conselheiros.

Além disso, dos docentes inicialmente dispensados pela EPM, mas reintegrados pelo despacho do Governo português, três foram “transferidos para outras escolas da RAEM, sem aviso prévio”, conforme noticiado pelo HM na quarta-feira passada. Os conselheiros consideram esta decisão prejudica “a imagem da EPM e a confiança da comunidade”.

Outros reparos

Num comunicado enviado às redacções pelo organismo liderado por Rita Santos, é também referido que o director da EPM, Acácio de Brito, “eliminou a Oficina de Filosofia e a Leitura Orientada, áreas essenciais para o desenvolvimento linguístico dos alunos, sem qualquer consulta ou esclarecimento à comunidade escolar”.

Os conselheiros realçam a falta de comunicação por parte da direcção da EPM, em especial no que diz respeito à distribuição de tarefas para o novo ano lectivo, impedindo “a preparação e planeamento adequados, criando um ambiente de incerteza e desconfiança”.

Face às circunstâncias descritas, os Conselheiros das Comunidades Portuguesas do Círculo da China pediram “a firme intervenção” do Ministro da Educação “para garantir que as instruções do despacho de 7 de Agosto sejam cumpridas, restaurando a confiança da comunidade escolar na EPM”.

É ainda sublinhada a importância de “assegurar que os alunos possam contar com a competência e serenidade de seus professores”.

Johnson Ian alerta para a redução de apoios a atletas e associações

Apesar das declarações políticas sobre a vontade de transformar Macau numa “Cidade de Desporto”, Johnson Ian, o presidente da Associação da Sinergia de Macau, avisa que o Governo está a cortar excessivamente nos apoios às associações e atletas. A opinião foi partilhada num artigo publicado no jornal Son Pou, em que é comenta a situação do desporto local.

“Nos últimos anos, muitas associações têm-se queixado em privado que o Governo da RAEM reduziu drasticamente. Também atletas e treinadores se queixam da falta de desenvolvimento do desporto em Macau, o que constitui um retrocesso”, escreveu Ian, que integrou a lista do deputado Ron Lam à Assembleia Legislativa.

O presidente da Associação da Sinergia de Macau sustenta a afirmação com os números do Boletim Oficial, no que diz respeito a apoios distribuídos pelo Fundo do Desporto. Segundo Ian, entre 2014 e 2019, os subsídios por ano rondaram 200 milhões de patacas. Em 2016, o montante atingiu 280 milhões de patacas.

Adeus, comboio

O dirigente associativo reconhece que após a pandemia é natural que tenha havido uma redução. Contudo, considera que foi demasiado acentuada, dado que no ano passado os apoios não foram além de 125 milhões de patacas, um corte de 70 milhões em comparação com 2014.

Johnson Ian avisa também que seguindo este ritmo, Macau irá “perder o comboio” do desenvolvimento desportivo. “Apesar de Macau estar determinada a tornar-se uma cidade desportiva, é de facto irónico que o desenvolvimento do desporto esteja a sofrer tantas dificuldades”, vinca. “Se o investimento do Governo da RAEM continuar a diminuir, sem o apoio de melhores recursos sociais, o nível dos desportos em Macau vai retroceder, e será difícil competir com atletas de todo o mundo. Macau corre o risco de ficar muito para trás”, acrescentou.

Johnson Ian apela assim ao Governo para aumentar o investimento e contribuir para a verdadeira construção da Cidade do Desporto.

Dados pessoais | Macau e Guangdong assinam memorando de partilha

As autoridades de Macau e do Interior da China assinaram um memorando que permite o envio de dados pessoais entre empresas locais e chinesas, no âmbito do projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau

 

O Governo assinou um memorando com as autoridades da província de Guangdong para que os dados pessoais recolhidos na RAEM possam ser enviados para o Interior da China, no âmbito da Grande Baía. A informação foi divulgada ontem num comunicado com poucos detalhes sobre o conteúdo do memorando.

A nota de imprensa da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico indica que, com base no memorando, o “Governo da RAEM irá lançar, em conjunto com o Interior da China, as medidas de reconhecimento mútuo dos contratos padronizados para transferências transfronteiriças de informações pessoais na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.

O Governo da RAEM compromete-se igualmente a “estudar, em conjunto com o Interior da China, o lançamento de mais medidas concretas de facilitação tendo em conta as necessidades da sociedade em relação aos fluxos transfronteiriços de dados”. Apesar de prometer medidas concretas, estas não foram especificadas.

Sobre o envio de dados pessoais para o Interior, o Governo de Macau promete “promover a circulação ordenada e a exploração e o aproveitamento dos recursos de dados, reduzindo os custos de conformidade das empresas no tratamento de dados transfronteiriços”.

Prioridade à segurança

O comunicado destaca também que a segurança vai ser uma prioridade na implementação do memorando, que contribui para uma maior integração de Macau no país. “As duas partes vão promover continuadamente a circulação transfronteiriça, segura e ordenada, de dados pessoais na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, sob o pressuposto de garantir a segurança das informações pessoais”, foi indicado.

Macau fez-se representar por Lei Wai Nong, secretário para a Economia e Finanças, enquanto a China foi representada por Wang Jingtao, subdirector da Administração do Ciberespaço da China. O memorando foi assinado ontem e tem como nome: “Memorando de Cooperação entre a Administração do Ciberespaço da República Popular da China e a Secretaria para a Economia e Finanças do Governo da Região Administrativa Especial de Macau em Facilitação dos Fluxos Transfronteiriços de Dados na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.

Hidrogénio | Analista recomenda análises de custo-benefício antes de investimento

João Graça Gomes, membro do Conselho Mundial de Energia, entende que Macau deve avaliar a aposta no hidrogénio antes de avançar para grandes investimentos que implicam gastos do erário público. Recorde-se que Raymond Tam, director dos Serviços de Protecção Ambiental, garantiu que a possibilidade está a ser estudada

 

O mundo está virado para as energias verdes como alternativa viável para reduzir os consumos de combustíveis fósseis no dia-a-dia. Macau não é excepção, e o Governo admitiu, no início do mês passado, que está a estudar a possibilidade de investir na produção de hidrogénio.

Porém, ao HM, João Graça Gomes, engenheiro e membro da direcção do “Global Future Energy Leaders” do Conselho Mundial de Energia, defende que o Executivo local deve assumir uma posição defensiva antes de avançar para investimentos de maior envergadura.

“A sugestão [do Governo] de investir em hidrogénio é vista com optimismo, considerando o potencial deste vector energético para descarbonizar a economia. No entanto, é crucial que Macau realize uma análise aprofundada do custo-benefício antes de avançar com investimentos significativos nessa área. Sendo uma região pequena, Macau enfrenta desafios consideráveis na produção de energia, o que resulta numa forte dependência de combustíveis fósseis para satisfazer a sua procura energética”, considerou.

Recorde-se que, no início do mês passado, numa sessão plenária dedicada a responder a interpelações de deputados, Raymond Tam, director dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), admitiu que a possibilidade de investir em hidrogénio está no horizonte. Já terá sido, inclusivamente, contratada uma entidade “para desenvolver os respectivos estudos”.

“Vamos tomar uma decisão depois de ter um estudo efectuado, para ver como vamos desenvolver os trabalhos de utilização da energia do hidrogénio”, disse Raymond Tam, citado pela agência Lusa. A revelação foi avançada quando o responsável respondia a uma interpelação de um deputado sobre a utilização da energia “que já está a desenvolver-se em Hong Kong”.

A região vizinha anunciou em Junho uma estratégia para a produção de energia tendo por base o hidrogénio, com o secretário para o Meio Ambiente e Ecologia a lembrar que “para enfrentar o desafio das mudanças climáticas, o mundo está empenhado em eliminar gradualmente os combustíveis fósseis e acelerar a transição energética”.

“A energia do hidrogénio é considerada uma energia com baixo teor de carbono e com potencial de desenvolvimento, e países de todo o mundo estão a promover activamente o desenvolvimento da indústria da energia do hidrogénio”, referiu Tse Chin-wan.

Por cá, o director da DSPA realçou que Macau “é uma cidade pequena” e para a “utilização do hidrogénio é necessário haver gasodutos”. “Sabemos que no futuro, aquando da substituição das peças das centrais de CEM [Companhia de Eletricidade de Macau], e dos geradores, vamos solicitar à respectiva empresa para ver se é possível instalar geradores para a produção de hidrogénio”, afirmou.

João Graça Gomes destaca que, tendo em conta o actual perfil da economia local, “predominantemente sustentada pelo turismo, associada ao sector do jogo, banca e construção, poder-se-á utilizar o hidrogénio para reduzir o consumo de gás natural, especialmente em aplicações de aquecimento”.

“Contudo, do ponto de vista termodinâmico, a substituição do gás natural por hidrogénio pode não ser a solução mais eficiente, pois outras fontes de energia podem oferecer melhor desempenho. Além disso, o hidrogénio é particularmente adequado para indústrias intensivas, como as de cimento e aço, que necessitam de temperaturas extremamente elevadas, onde as soluções eléctricas convencionais não são suficientes. Tais indústrias não existem em Macau”, referiu.

Pequenas importações

Citando dados do Observatório para a Complexidade Económica [OEC – The Observatory of Economic Complexity], uma plataforma online de dados “focada na geografia e dinâmica das actividades económicas”, João Graça Gomes recorda o facto de Macau importar poucas quantidades deste tipo de energia verde.

“É também relevante observar que, em 2022, Macau importou apenas 1,17 milhões de dólares em hidrogénio, o que a posicionou como o 112º maior importador mundial desse recurso. Na mesma época, o hidrogénio foi o 402º produto mais importado em Macau. Esses dados indicam que o hidrogénio não é actualmente um produto significativo na economia local, o que sugere que qualquer investimento nessa área deve ser abordado com prudência.”

Assim, o analista, e doutorando no Imperial College of London, frisou que “embora o hidrogénio tenha um grande potencial mundial, Macau deve avaliar se o seu perfil económico e energético é o mais adequado para explorar este recurso de forma eficaz”.

“Em última análise, Macau deve desenvolver o seu planeamento energético com base nas condições e necessidades específicas da região, evitando seguir modas e tendências globais sem uma análise criteriosa do contexto local”, acrescentou.

O caso de Hong Kong

Em Junho deste ano, as autoridades de Hong Kong lançaram o manual intitulado “A Estratégia do Desenvolvimento do Hidrogénio em Hong Kong” [The Strategy of Hydrogen Development in Hong Kong], sob a máxima da neutralidade de carbono.

“O nosso país dá grande importância ao combate às alterações climáticas, tendo estabelecido objectivos de ‘dualidade de carbono’ para a redução das emissões de carbono. As emissões de carbono em Hong Kong atingiram o pico em 2014, tendo-se verificado, actualmente, uma redução em cerca de um quarto quando comparado com esse período de pico. As nossas emissões per capita, em 2021, foram de 4.62 toneladas de dióxido de carbono, que é o quarto das emissões dos EUA e 60 por cento das emissões da União Europeia. Com base nestes dados, Hong Kong pretende reduzir a totalidade das emissões de carbono em 50 por cento antes de 2035 a partir dos níveis de 2005, a fim de atingir o objectivo da neutralidade de carbono antes de 2050”, escreveu o secretário Tse Chi-wan.

No caso da região vizinha, já foi estabelecido um grupo interdepartamental a fim de definir “as melhores práticas, regulamentos e padrões para aplicações seguras da energia com hidrogénio no contexto local”. Tem sido estudado “o desenvolvimento e caminhos da comercialização de várias tecnologias de energia de hidrogénio, promovendo-se projectos experimentais com aplicação local de energia de hidrogénio, tendo em conta o desenvolvimento de Hong Kong”, refere-se na mesma nota.

No mesmo documento é referido que a comunidade internacional classifica actualmente o hidrogénio segundo os métodos de produção e impacto ambiental que implica. Assim, “tipicamente é dividido em hidrogénio verde, azul e cinzento”, sendo que o cinzento “é produzido, maioritariamente, como um subproduto do processo de refinamento de petróleo ou pela reformação de vapor usando gás natural ou outros combustíveis fósseis como matérias-primas”.

O documento descreve que “o método de produção deste hidrogénio [cinzento] é actualmente o mais maduro e eficiente em termos de custos, mas implica emissões de carbono”. Assim, as autoridades de Hong Kong entendem que “pode ser usado para apoiar projectos experimentais, constituindo uma referência para um uso mais alargado do hidrogénio em Hong Kong no futuro”.

Vietname | Yagi perde força e passa a tempestade tropical

O super-tufão Yagi, o mais forte registado este ano na Ásia, passou ontem a tempestade tropical, depois de perder força ao atingir no sábado o norte do Vietname, onde fez pelo menos quatro mortos.

O Yagi, que ainda causou dois mortos na província chinesa de Hainão e 20 nas Filipinas, encontra-se já enfraquecido perto da fronteira entre Vietname, Laos e China, de acordo com a última actualização do departamento meteorológico do Vietname.

Apesar disso, esta agência apelou aos habitantes locais para que se mantenham vigilantes face ao risco de inundações, cheias repentinas e deslizamentos de terras.

As autoridades vietnamitas estão agora concentradas na análise dos danos causados pelo tufão, que atingiu no início da tarde de sábado a cidade de Haiphong, com mais de dois milhões de habitantes e um importante centro de empresas tecnológicas, e afectou a capital Hanói, com 8,5 milhões de habitantes.

De acordo com as primeiras informações, o Yagi, o terceiro tufão a atingir o Vietname este ano, provocou a queda de mais de 2.200 árvores em toda a capital, bem como de postes de iluminação e candeeiros de rua. Registaram-se algumas inundações em toda a metrópole.

Até à data, o número de mortos mantém-se em quatro, nas províncias de Quang Ninh e Hai Duong, e contabilizaram-se 78 feridos.

O Yagi causou no Vietname chuvas fortes e ventos sustentados de 118 quilómetros por hora, com rajadas máximas de até 149 quilómetros por hora.

Antes da chegada do super-tufão, as autoridades retiraram de casa cerca de 50 mil pessoas, e quase meio milhão de soldados foram mobilizados para ajudar nos trabalhos de emergência.

O aeroporto Noi Ba, em Hanói, o maior do país, retomou ontem as operações, depois de ter cancelado a actividade no sábado devido aos efeitos do tufão.

A verdade vem sempre ao de cima

A TAP é o maior cancro que temos no somatório empresarial a nível nacional. A TAP tem obrigado os portugueses a pagar o inimaginável, especialmente a alta corrupção dos seus gestores e afins políticos. A verdade vem sempre ao de cima. Quem é que imaginava que ao fim de quase uma década viéssemos a saber que a TAP foi privatizada por Passos Coelho, como primeiro-ministro, coadjuvado por o actual ministro Pinto Luz e por Maria Luís Albuquerque, ex-ministra de Passos Coelho e agora nomeada para comissária europeia? Uma privatização apressada, estonteante, com o governo de Passos Coelho a 15 dias de fechar a porta e agora sabemos de um escândalo a roçar o criminoso. Então, não é que o Instituto Geral das Finanças (IGF) veio a público com um relatório que nos deixa perplexos. A auditoria do IGF às contas da TAP revela que a compra da TAP ao Estado em 2015 pelo consórcio liderado por David Neeleman foi feita através de um processo no qual a própria companhia aérea deu a garantia ao empréstimo que permitiu a transação de 200 milhões de euros da Airbus para Neeleman e deste para a TAP na troca de a TAP adquirir 53 aviões à Airbus. Mas, vocês leram bem? O Neeleman disse ao Estado, (quando este já tinha encomendado 10 aviões à Airbus), que ele ao adquirir a percentagem maioritária na TAP acordou com a Airbus comprar 53 e não 10 aviões, por sinal, 53 aeronaves acima do preço de mercado. Neeleman foi à Airbus e disse para lhe entregarem 200 milhões de euros que ele na TAP comprava 53 aviões e com esses 200 milhões de euros da Airbus foi comprar a sua parte na TAP. Isto, acontece em todo o mundo ou só neste pobre país onde certos tubarões continuam a fazer o que querem até o povo ter a coragem de ir para a rua dizer: “Basta!”?

O IGF pede agora que o seu relatório seja enviado para o Ministério Público. A auditoria aponta em seis conclusões, várias críticas aos gestores da TAP, entre as quais figuram a decisão de participar na manutenção no Brasil, sem partilhar riscos, ou os contratos de serviços a empresas do tal Neeleman em 2016. A IGF conclui que a Atlantic Gateway, empresa de Neeleman e de Humberto Pedrosa, patrão do Grupo Barraqueiro Transportes rodoviários, adquiriu 61 por cento do capital da TAP, comprometendo-se a proceder à sua capitalização através de prestações suplementares de capital, das quais 226,75 milhões de dólares foram efectuadas através da sócia DGN com fundos obtidos do tal cambalacho entre Neeleman e a Airbus, com base no denominado Framework Agreement, celebrado entre as empresas Atantic Gateway, a DGN e Airbus, em Junho de 2015.

Aquele montante de capitalização da TAP pela Atantic Gateway de Neeleman, segundo o IGF, “coincide com o valor da penalização assumida pela TAP em caso de incumprimento dos acordos de aquisição das 53 aeronaves (A320 e A330), o que evidencia uma possível relação de causalidade entre a aquisição das aeronaves e a capitalização da TAP e os contratos celebrados entre a TAP e a Airbus”. Estão a perceber o cambalacho? Se o Neeleman não fizesse entrar na TAP o dinheiro acordado e se não se realizasse o negócio da compra de 53 aviões quem pagaria era o Zé Povinho.

A auditoria ainda indica que esta estratégia do comprador era do conhecimento da Parpública e do Governo de Passos Coelho, com Maria Luís Albuquerque em ministra das Finanças e Miguel Pinto Luz como secretário de Estado com a tutela sectorial da TAP e hoje como ministro das Infraestruturas de Luís Montenegro e Maria Luís Albuquerque nomeada para comissária europeia…

E o mais escandaloso é que a auditoria do IGF indica também que a TAP, SGPS celebrou com a Atlantic Gateway um contrato de, imaginem, “prestação de serviços de planeamento, estratégia e apoio à reestruturação da dívida financeira, que teve como finalidade o pagamento de remunerações e prémios, no período de 2016 a 2020, a membros do Conselho de Administração da TAP, SGPS, no montante de 4,3 milhões de euros”, nomeadamente Neeleman, Humberto Pedrosa e David Pedrosa.

A auditoria também deixa recados ao Governo de António Costa, por não ter tido acesso à informação sobre a compra do Estado, em 2020, de uma participação na TAP. “A DGTF pagou 55 M€ [milhões de euros] à Atlantic Gateway, pela aquisição de 22,5% das participações sociais da TAP, SGPS, sem demonstração dos cálculos inerentes a essa aquisição”, refere o IGF. O IGF propõe, por fim, ao ministro das Finanças o envio do relatório “após homologação, ao Ministério Público”. Ora, se o IGF pretende que o relatório siga para o Ministério Público é porque existem indícios claros de crime no processo em referência.

A TAP é mesmo um cancro enorme e agora o governo actual já pretende privatizar novamente a empresa aérea com o ministro Pinto Luz, o mesmo de 2015, à frente das negociações e com Maria Luís Albuquerque a controlar as negociatas em Bruxelas. O meu vizinho chama a isto: “vilanagem, porque a verdade vem sempre ao de cima.”

Paralímpicos | Atleta de Macau em último no salto em comprimento

Chio Hao Lei, a primeira atleta de Macau a competir nos Jogos Paralímpicos, terminou em último na prova de salto em comprimento para atletas com deficiência intelectual em Paris2024. Chio, de 17 anos, que tinha a pior marca pessoal das 15 atletas (4,27 metros) em prova, não passou dos 4,17 metros, ao segundo dos três saltos que efectuou na prova que encerrou o dia do atletismo no Stade de France.

O director da organização Macau Special Olympics disse à Lusa que a presença da jovem em Paris pode encorajar mais mulheres com deficiência a praticar desporto no território.

“As mulheres com deficiência podem ver que, se praticarem desporto, têm a oportunidade de chegar ao mais alto nível mundial”, defendeu Hetzer Siu Yu Hong. Hetzer Siu admitiu que “a maioria dos atletas com deficiência são homens” e que é preciso “fazer mais esforços para encorajar as mulheres com deficiência a praticar desporto” no território.

Automobilismo | Rodolfo Ávila termina no pódio do CTCC

O piloto Rodolfo Ávila conseguiu subir ao pódio este fim-de-semana na prova para o Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC) – Sports Cup, que decorreu em Ningbo, China, no Ningbo International SpeedPark. Segundo um comunicado, o piloto, que reside em Macau, conduziu um Volkaswagen Lamando L da equipa oficial SVW 333 Racing, tendo ganho a prova Classe S. Além disso, Ávila ficou em segundo lugar na prova geral da segunda corrida do programa.

Destaque para o facto de Ávila ter estado mais de um ano sem competir, tendo agora sido convidado pela equipa SVW 333 Racing para “ajudar no desenvolvimento” do modelo Volkswagen Lamando L, “um carro que nunca tinha conduzido até então e que difere das versões anteriores”. A SVW 333 Racing foi a equipa que Ávila representou entre os anos de 2016 a 2020 no CTCC.

Regresso feliz

Em Ningbo, Ávila fez o formato de corrida de 55 minutos com uma paragem obrigatória para trocar de piloto, tendo o português feito equipa com o piloto chinês Sun Chao. “Fiquei muito feliz por regressar à família da SVW 333 Racing. Não estava nos meus planos voltar a correr este ano, mas aceitei este convite e gostei bastante”, explicou Rodolfo Ávila, que largou da quarta posição da grelha de partida na corrida de sábado, assumindo rapidamente a liderança e defendendo aguerridamente a posição até às paragens nas boxes.

“Diverti-me imenso na primeira corrida, a defender a liderança dos Audi TCR que vinham atrás de mim, mas na minha última volta, pouco antes de entrar para as boxes, a suspensão traseira cedeu na curva 21. Consegui ainda levar o carro até às boxes sem perder a primeira posição. A equipa resolveu o problema, e o Sun Chao ainda voltou à pista, mas o resultado ficou comprometido”, afirmou o piloto do VW Lamando L nº7 que ainda assim subiu ao pódio da Classe S.

Na segunda corrida de 55 minutos, no domingo, Rodolfo Ávila viu o seu companheiro de equipa realizar o primeiro turno de condução, para depois concluir a corrida com sucesso. “O meu companheiro de equipa entregou-me o carro na quarta posição, e eu levei-o até segundo na geral e primeiro na classe. Não foi uma corrida fácil, devido ao imenso calor dentro do cockpit. Nesta mistura de classes, os TCR continuam a ser os carros mais rápidos em pista, mas o mais importante era divertir-me e ajudar a equipa a evoluir o carro, que ainda tem margem para melhorar.”

Na mesma nota refere-se ainda que, embora “não seja uma prioridade, Ávila mantém em aberto a possibilidade de regressar de forma mais consistente ao CTCC no futuro”.

Taça Asiática | Selecção de Macau perde com Brunei sem portugueses

Com esta derrota pesada, o ‘play-off’ de qualificação para a próxima Taça Asiática deverá estar decidido, embora Macau vá tentar dar a volta à situação, amanhã em jogo a disputar em casa

 

A selecção masculina de futebol de Macau perdeu sexta-feira 3-0 em Brunei, na qualificação para a Taça Asiática 2027, naquele que foi o primeiro jogo depois da FIFA confirmar a exclusão de cinco jogadores portugueses. Os golos da primeira mão do ‘play-off’ de qualificação para a Taça Asiática 2027, na Arábia Saudita, foram apontados aos 32 minutos pelo médio Hakeme Yazid, aos 56 minutos pelo defesa Nazry Aiman, e aos 61 pelo médio Hariz Herman.

“A vitória foi perfeitamente justa para a equipa de Brunei. Teve três oportunidades e concretizou as três”, disse à Lusa o luso-angolano Lázaro Oliveira, seleccionador de Macau.

Após esta derrota, a primeira em cinco encontros frente a Brunei, Oliveira admitiu que o ‘playoff’ poderá estar decidido, mas prometeu que a equipa vai tentar “dar uma imagem completamente diferente” na segunda mão, marcada para amanhã, em Macau.

“Uma equipa mais ambiciosa, com mais qualidade, a criar oportunidades de finalização e sobretudo tentar conseguir uma vitória perante os nossos apoiantes, em casa”, disse o seleccionador.

Brunei foi treinado, de forma interina, pelo escocês Jamie McAllister, depois da saída do português Rui Capela, de 55 anos, que conduziu a equipa a vitórias em dois jogos amigáveis frente ao Sri Lanka, em Junho.

A selecção do sudeste asiático não contou, devido a lesão, com o capitão Faiq Bolkiah, antigo jogador do clube português Marítimo, e conhecido como o futebolista mais rico do mundo, por ser sobrinho de Hassanal Bolkiah.

O sultão de Brunei dá precisamente nome ao Estádio Nacional Hassanal Bolkiah, na capital, Bandar Seri Begawan, onde decorreu o jogo de sexta-feira.

A selecção de Macau contou de início com o defesa Amâncio Goitia e com Nuno Pereira, médio do Imortal de Albufeira, que disputa o distrital do Algarve, uma vez que ambos detêm passaporte da região semiautónoma chinesa.

Portugueses excluídos

Este foi o primeiro jogo de Macau após a FIFA ter confirmado a exclusão de cinco jogadores portugueses por não possuírem passaporte. Apenas os cidadãos chineses com estatuto de residente permanente em Macau podem obter um passaporte do território.

A decisão impediu o capitão, o luso-sul-africano Nicholas Torrão, Filipe Duarte, formado no Benfica e antigo internacional jovem por Portugal, o central Vítor Almeida e o avançado Iuri Kaewchang Capelo, de viajar para Brunei.

A braçadeira de capitão ficou com o defesa Chan Man, que chegou a jogar em Portugal, no Olhanense. “Estamos a falar de jogadores que seriam titulares e extremamente importantes para a selecção”, lamentou Lázaro Oliveira.

Uma exclusão que afecta também David Kong Cardoso, jogador do Fabril do Barreiro, que disputa o Campeonato de Portugal, o quarto escalão do futebol português.

Em 23 de Agosto, uma porta-voz da Associação de Futebol de Macau confirmou à Lusa a exclusão, de acordo com regulamentos da Confederação Asiática de Futebol aprovados já em 2021, e lamentou que não haja qualquer exceção para “jogadores que já representam Macau há muitos, muitos anos”.

A associação prometeu que “irá de certeza voltar a tentar” reverter a decisão junto da FIFA, mas excluiu a possibilidade de levar o caso ao Tribunal Arbitral do Desporto, na Suíça.

FOCAC | Wang Yi propõe princípios para relações internacionais com África

O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, propôs três princípios para a comunidade internacional ao cooperar com a África.

Wang apresentou as propostas na quinta-feira, quando se reuniu com a imprensa juntamente com a ministra dos Negócios Estrangeiros do Senegal, Yacine Fall, e o ministro dos Negócios Estrangeiros da República do Congo, Jean-Claude Gakosso, durante a Cimeira 2024 do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC).

O responsável, citado pelo Diário do Povo, afirmou que a China espera que todos os países envolvidos na cooperação com a África defendam a justiça.

Alcançar a modernização não é um privilégio exclusivo de alguns países, e as nações africanas também têm o direito ao desenvolvimento, afirmou Wang. É imperativo estar atento às vozes da África e respeitar a aspiração do povo africano de explorar os seus próprios caminhos de desenvolvimento, disse.

O responsável acrescentou que a cooperação internacional com a África deve ser pragmática, conclamando todos os países parceiros a cumprirem o que dizem e oferecerem benefícios tangíveis ao povo africano.

Diplomacia | China e Camboja aprofundam cooperação

O conselheiro de Estado e o ministro da Segurança Pública chinês, Wang Xiaohong, presidiu a uma reunião de encerramento das actividades do Ano de Cooperação na Aplicação da Lei entre a China e o Camboja, juntamente com o vice-primeiro-ministro e ministro do Interior cambojano, Sar Sokha, em Pequim na sexta-feira.

Observando que a China e o Camboja são amigos “de ferro” e que os líderes dos dois países chegaram a um consenso importante sobre a construção de uma comunidade China-Camboja com um futuro compartilhado na nova era de alta qualidade, alto nível e alto padrão, Wang disse que a China está disposta a trabalhar com o Camboja para implementar o consenso importante, aprofundar a cooperação política e de segurança, realizar acções conjuntas para combater o crime, reforçar a cooperação em capacitação de aplicação da lei e salvaguardar conjuntamente a segurança e a estabilidade de ambos os países e da região, indica a Xinhua.

Sar Sokha expressou gratidão pelo apoio de longa data e pela assistência altruísta da China, dizendo que o Camboja está disposto a fortalecer ainda mais a cooperação na aplicação da lei entre os dois países. Os dois lados assinaram documentos para aprofundar a cooperação China-Camboja na aplicação da lei.

China / EUA | Comércio e negócios em discussão

O grupo de trabalho de comércio e negócios China-EUA realizou a sua segunda reunião vice-ministerial em Tianjin neste sábado para promover discussões profissionais, racionais e pragmáticas sobre questões políticas e assuntos comerciais, indicou a agência estatal Xinhua.

A reunião foi co-presidida pelo representante do comércio internacional e vice-ministro do Comércio da China, Wang Shouwen, e pela subsecretária de Comércio para Comércios Internacionais dos EUA, Marisa Lago, segundo o Ministério do Comércio.

A China está disposta a fazer esforços conjuntos com os EUA para fortalecer a comunicação, expandir a cooperação, abordar as diferenças e criar um ambiente favorável de política para a cooperação comercial entre os dois países, disse Wang.

O país aprofundará ainda mais as reformas, expandirá a abertura e procurará o desenvolvimento de alta qualidade, observou Wang, destacando que uma China modernizada com uma grande população representa uma oportunidade, não uma ameaça para os EUA.

Durante a reunião, o lado chinês expressou preocupação com as tarifas da Secção 301 dos EUA, a investigação da Secção 301 sobre a construção naval e outros sectores da China, o exagero do conceito de segurança nacional, as sanções a empresas chinesas, as restrições a investimentos bilaterais, os recursos comerciais dos EUA contra a China e o tratamento injusto das empresas chinesas nos EUA, entre outras questões, acrescenta a Xinhua.

O lado chinês enfatizou que esclarecer os limites da segurança nacional em questões económicas e comerciais ajudaria a estabilizar as expectativas de cooperação comercial. Também se opôs ao uso de alegações de “excesso de capacidade” como pretexto para impor restrições comerciais e de investimento, de acordo com o Ministério do Comércio.

Ambos os lados concordaram em fornecer o apoio necessário para actividades de promoção de comércio e investimento organizadas por ambos os países, manter comunicações em áreas como fluxos de dados transfronteiriços, inspecção e quarentena, cuidados de saúde e saúde da mulher, dispositivos médicos e energia limpa, e em continuar a facilitar a cooperação entre empresas chinesas e americanas estabelecendo mais escritórios de projectos.

Os dois lados também visam fortalecer a colaboração dentro de estruturas como o G20 e a Cooperação Económica Ásia-Pacífico, disse a pasta, acrescentando que os departamentos de comércio de ambos os países estão dispostos a manter o diálogo com as empresas e ouvir seus comentários.