Nova Zelândia | Negada vigilância militar no espaço aéreo chinês Hoje Macau - 20 Abr 2026 A Nova Zelândia rejeitou sábado as alegações de Pequim de que teria conduzido uma operação de vigilância militar no espaço aéreo chinês, assegurando que as manobras, apoiadas pela ONU, visavam a Coreia do Norte. Pequim declarou na sexta-feira que um avião de patrulha antisubmarina P-8A neozelandês realizou “operações de reconhecimento de aproximação e de hostilização no espaço aéreo” sobre o mar do Sul da China e o mar da China Oriental. As manobras “prejudicavam os interesses da China em matéria de segurança, aumentavam os riscos de mal-entendidos e erros de avaliação e perturbavam gravemente a ordem da aviação civil no espaço aéreo em questão”, afirmou então um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês durante uma conferência de imprensa. “Estas actividades não visam a China, mas têm como objectivo vigiar as violações das sanções da ONU contra a Coreia do Norte, que de facto ocorrem no mar da China Oriental e no mar do sul da China”, afirmou um porta-voz do exército neozelandês. “A tripulação das Forças de Defesa da Nova Zelândia agiu de forma profissional e em conformidade com o direito internacional e os procedimentos da aviação civil em vigor na região”, acrescentou. A defesa neozelandesa “analisou as rotas percorridas e todas as informações disponíveis” e não dispõe de quaisquer dados que indiquem que tenham perturbado a aviação civil”, ainda segundo o porta-voz, que indicou que se realizou “um diálogo” entre Wellington e Pequim sobre este assunto.
Pequim e Hanói acordam cooperação em cadeias de abastecimento Hoje Macau - 20 Abr 2026 A China e o Vietname acordaram criar um grupo de trabalho sobre cadeias industriais e de abastecimento, num contexto de guerra comercial e reconfiguração da produção na Ásia, segundo uma declaração conjunta divulgada sexta-feira. O documento, publicado no final da visita de Estado do líder vietnamita, To Lam, indica que ambas as partes “acordaram defender um comércio e investimento livres e abertos” e “construir conjuntamente cadeias industriais e de abastecimento seguras e estáveis”, de acordo com o texto citado por órgãos estatais chineses. A declaração acrescenta que Pequim e Hanói pretendem aprofundar a cooperação em sectores emergentes, incluindo economia digital, desenvolvimento verde, inteligência artificial, semicondutores, tecnologia quântica e ferrovia de alta velocidade. Os dois países manifestaram ainda apoio ao investimento de empresas “capazes e com boa reputação” nos respectivos mercados e defenderam a criação de um ambiente de negócios “justo, conveniente e transparente”. A China mantém-se como o principal parceiro comercial do Vietname, num contexto em que várias empresas industriais chinesas transferiram nos últimos anos parte da produção para o país vizinho, para contornar as tarifas impostas pelos Estados Unidos desde o primeiro mandato do Presidente norte-americano, Donald Trump. O texto refere também o compromisso de acelerar a ligação ferroviária entre os dois países e de a transformar num “novo destaque” da relação bilateral. De visita O anúncio foi feito no final de uma visita durante a qual To Lam, secretário-geral do Partido Comunista do Vietname e, desde a semana passada, também Presidente do país, se reuniu com o homólogo chinês, Xi Jinping, bem como com o primeiro-ministro, Li Qiang, e outros altos responsáveis. A acumulação por To Lam dos dois principais cargos do sistema político vietnamita aproxima-se do modelo chinês, onde Xi Jinping é simultaneamente Presidente e secretário-geral do Partido Comunista Chinês, além de líder das Forças Armadas. Apesar da proximidade entre os dois países comunistas, Pequim e Hanói mantêm divergências sobre reivindicações territoriais no mar do Sul da China, em particular em torno de várias ilhas disputadas. Sobre este ponto, ambas as partes indicaram que vão “gerir melhor” as diferenças. A declaração inclui ainda compromissos para reforçar a coordenação política e de segurança, alargar a cooperação em áreas como ciência, tecnologia, alfândegas, agricultura, turismo e formação de recursos humanos, e promover os intercâmbios entre partidos, instituições e organizações sociais dos dois países.
MNE | Roma e Pequim são “forças na defesa do multilateralismo” Hoje Macau - 20 Abr 2026 Os chefes da diplomacia chinesa e italiana reuniram para reforçar os laços de cooperação face à crise internacional O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou sexta-feira, após uma reunião com o homólogo italiano, Antonio Tajani, que China e Itália são “forças importantes” na defesa do multilateralismo, num contexto de tensões no Médio Oriente. Segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang destacou que os dois países “são parceiros estratégicos globais, com vantagens complementares e amplas perspectivas para aprofundar a cooperação”. O chefe da diplomacia chinesa afirmou que Pequim está disposta a “manter o dinamismo dos intercâmbios, melhorar o entendimento e reforçar a confiança mútua” com Roma. Wang alertou ainda que, “desde o início deste ano, os conflitos geopolíticos persistem, os focos de tensão intensificaram-se e a ordem internacional e a segurança global enfrentam desafios graves”. “A China está disposta a trabalhar com Itália para reforçar a comunicação e a coordenação em assuntos internacionais e multilaterais”, acrescentou. Sobre o conflito no Médio Oriente, Wang reiterou que “a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irão não deveria ter ocorrido”, sublinhando que “o prolongado conflito afetou gravemente a segurança energética internacional e a segurança do Estreito de Ormuz”. “A tarefa urgente é promover o regresso dos Estados Unidos e do Irão às negociações e procurar uma solução política”, afirmou. Tajani considerou que “as relações atuais entre Itália e China desenvolvem-se de forma satisfatória e fluida” e que Roma “atribui grande importância aos laços com Pequim”. “Tendo em conta a actual situação internacional complexa e volátil, Itália valoriza altamente a influência significativa da China nos assuntos internacionais e em plataformas multilaterais como as Nações Unidas”, acrescentou. A reunião decorre num contexto de relançamento das relações entre Pequim e Roma, após a saída de Itália, em Dezembro de 2023, da iniciativa chinesa das Faixa e Rota, à qual aderiu em 2019. A decisão não significou uma ruptura: durante uma visita à China em 2024, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, considerou a saída “coerente”, mas sublinhou que não era a única via para desenvolver os laços bilaterais, tendo então assinado com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, um plano de acção para abrir uma “nova fase” de cooperação.
A Exemplar He Xiangu Que Concilia a Humanidade Paulo Maia e Carmo - 20 Abr 2026 Wu Zetian (625-705), que de humilde concubina do imperador Taizong (r. 626-649) se tornaria, depois de casar com o seguinte imperador, na única mulher de facto imperatriz, procurou instituir mutações nas mais variadas áreas do seu poder. A começar pela alteração da grafia do caracter do seu nome próprio Zhao, que significa «brilhar» para passar a significar «o sol e a lua no céu iluminam tudo». Desse olhar desperto, atento a tudo sob o céu, terá surgido a lenda que fala do seu descobrimento de que algures no império, em Zhengcheng (Guangdong), existia uma jovem chamada He Qiong, um nome que se pode traduzir com «tal como o jade fino», que conhecia os segredos da imortalidade através de uma dieta de mica e raios de luar. Sendo algo que sabia não ser capaz de alcançar sozinha, chamou-a à corte. E ela veio, só que a meio do caminho percebendo a imoralidade da desmedida ambição de poder da imperatriz e perante o assombro dos atónitos membros do séquito que a trazia, elevou-se no ar em pleno dia e desapareceu entre as nuvens. Essa jovem, mais tarde conhecida como He Xiangu, «a imortal donzela» era, também ela, a única mulher de um grupo de «oito imortais», baxian, que nessa dinastia Tang (618-907) se ia consolidando em exemplos de seres de edificante cáracter que influíam nas forças do além e a quem se podia recorrer para alcançar os bens de uma vida plena como a prosperidade ou a longevidade. Acarinhadas personagens do folclore, foram amiúde figuradas nos mais diversos suportes artísticos ou decorativos. Um pintor da dinastia Ming que usou o método da «escola Ma-Xia» de figurar pessoas com origem no estilo dos pintores Ma Yuan e Xia Gui da dinastia Song, representou-os de modo inesperadamente próximos uns dos outros num rolo vertical exaltando a clareza que se deduz da alegria, igual para todos em todo o lado. Zhang Chong (1593-1665), nesse rolo de 1644, Reunião dos imortais em Yaochi (tinta e cor sobre seda,171,8 x 36,4 cm, no Museu Britânico), refere o salgado «Lago de jaspe» nas montanhas Kunlun na Província Qinghai, conhecido como Heihai, o «Mar negro», a morada de Xi Wangmu, a «Rainha-mãe do Oeste». É aí que os imortais vão celebrar o seu aniversário, renovando a imortalidade ao comer uns inefáveis pêssegos. Estando tão próximos uns dos outros, o pintor também aproxima do observador as personagens que fazem o trânsito para a eternidade. He Xiangu fá-lo especialmente sendo primeiro uma devota cuidadora dos pais e depois, como imortal, resolvendo dificuldades, ajudando os que estão em perigo. E se face a Wu Zetian ela representa um dinamismo oposto ao excesso egoísta de poder pessoal, no grupo dos imortais ela fornece o yin que equilibra o excesso de yang de Lu Dongbin, o líder informal dos oito. Na pintura, face aos outros, a sua única face branca brilha, iluminando os outros.
IIM com diversas actividades de promoção da leitura Hoje Macau - 20 Abr 2026 O Instituto Internacional de Macau (IIM) aderiu à iniciativa do Instituto Cultural (IC) de promoção da leitura, intitulada “Macau Lê – Semana Nacional da Leitura 2026” e promove, esta semana, lançamento de livros e actividades de incentivo ao consumo de literatura. Hoje, é apresentado, na Escola Secundária Luso-Chinesa Luís Gonzaga Gomes, o livro bilingue “À Busca da Luz em Duas Línguas: Palavras da Juventude”, uma edição conjunta do IIM com a Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes e a Escola Secundária de Cacilhas-Tejo. Segundo uma nota do IIM, esta obra faz “uma compilação de dez textos dos alunos da Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes e 12 textos dos alunos da Escola Secundária de Cacilhas-Tejo”. O que se pretende é que haja um “cruzamento de textos criativos e de poesia entre alunos de Macau e de Portugal, em chinês e português”, tratando-se de “um trabalho que o IIM vai continuar a fazer, no futuro, com a Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes”. Dia da vitória Por sua vez, amanhã, dia 21, acontece na Escola Portuguesa de Macau (EPM) uma sessão de leitura relacionada com o acontecimento histórico da batalha de Macau e da tentativa de invasão holandesa em 1622. A sessão acontece com um livro editado pelo IIM e pela editora Mandarina, intitulado “Vitória, Vitória – Um Episódio da Nossa História”, que conta com ilustrações de Rodrigo de Matos. Na sessão, far-se-á a projecção de um vídeo recente do IIM sobre o Arraial de São João, “marcando assim a promoção de um episódio importante de Macau aos alunos da EPM”, é destacado na mesma nota. Esta quinta-feira, o IIM junta-se à “Noite de Quiz”, habitual evento de perguntas e respostas, com um concurso de cultura geral, que se realiza no café e livraria “Bookand”. O evento, promovido pela associação “None of Your Business”, conta com a colaboração da Associação dos Jovens Macaenses (AJM). O “quiz” desta quinta-feira terá perguntas “relacionadas com uma selecção dos livros publicados pelo IIM sobre Macau”. Além destes eventos o IIM pretende, até ao mês de Junho, “inaugurar o renovado espaço da biblioteca na sua sede, oferecendo mais um espaço cultural e de leitura à comunidade local, investigadores e académicos”.
“Reflexos do Mar de Espelhos” | Sam Hou Fai inaugurou nova exposição Andreia Sofia Silva - 20 Abr 2026 Foi o pontapé de saída para a visita de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, a Portugal: o governante esteve na inauguração, este sábado, de uma nova exposição patente no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM). “Reflexos do Mar de Espelhos: Exposição de 500 anos de Intercâmbio entre as Civilizações Chinesa e Ocidental em Macau” visa “mostrar a herança cultural de Macau ao público” O Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, já está em Lisboa para uma visita oficial, a primeira do seu mandato ao país, e inaugurou este sábado, no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), em Lisboa, uma exposição que visa “mostrar a herança cultural de Macau ao público português e internacional, bem como apresentar o intercâmbio e a aprendizagem mútua secular entre a China e Portugal”. Trata-se de “Reflexos do Mar de Espelhos: Exposição de 500 Anos de Intercâmbio entre as Civilizações Chinesa e Ocidental em Macau”, patente no CCCM até ao dia 30 de Junho, organizada pelo CCCM e Instituto Cultural (IC). O que se pretende com esta iniciativa, segundo uma nota oficial, é “aprofundar o intercâmbio cultural entre Macau e Portugal e promover o rico património cultural de Macau”. Segundo a mesma nota, a mostra apresenta quatro temas, nomeadamente “A Transmissão da Arte de Artesanato”, “A Harmonia dos Costumes”, “O Sabor da Arte” e “Arte da Fusão”, revelando-se “uma interpretação multidimensional de Macau como ponto de encontro das civilizações chinesa e ocidental”. O público poderá ver “uma criteriosa selecção de bens do património cultural intangível de Macau, abrangendo actuações artísticas, artesanato tradicional, e festas e cerimónias”, tendo sido também organizados diversos workshops interactivos do património cultural intangível de Macau. Janela de ligação No discurso de inauguração da exposição, Carmen Amado Mendes, presidente do CCCM, destacou como “nos últimos 500 anos Portugal e Macau desenvolveram uma ligação única, marcada pelo encontro de culturas, pela partilha de conhecimento, pela aprendizagem mútua e pela convivência entre civilizações”. O CCCM é, na sua visão, “o espelho deste estreito relacionamento e dos laços de amizade que fomos construindo e nos unem, norteando a sua acção por preservar, valorizar e projectar para o futuro este caminho comum, mantendo viva e dinâmica a presença de Macau em Portugal e na Europa”. Leong Wai Man, presidente do IC, discursou em mandarim, buscando referências históricas que justificam a mostra, nomeadamente o facto de, “desde meados do século XVI, que as civilizações chinesa e ocidental se encontram e conhecem em Macau”. A responsável destacou ainda que “a chegada dos portugueses a Macau abriu uma importante janela de intercâmbio entre o Oriente e o Ocidente”, transformando-se o território num “entreposto fundamental da Rota da Seda Marítima” e uma “ponte para o intercâmbio cultural, científico e religioso”. Leong Wai Man deu exemplos de “inúmeros marcos pioneiros na China”, como a publicação do primeiro dicionário Inglês-Chinês “A Dictionary of the Chinese Language” e o primeiro jornal em língua estrangeira “A Abelha da China”. A presidente do IC acrescentou também que a exposição patente no CCCM “fundamenta-se nos elos da Rota da Seda Marítima para apresentar ao mundo, através de pinturas históricas, artefactos de exportação e peças do património cultural intangível, um diálogo profundo entre as civilizações chinesa e ocidental”. “Pretendemos que o mundo conheça melhor o estilo único e a conotação cultural desta ‘Pérola da China’, continuando Macau a ser um praticante fiel do diálogo duradouro e do respeito mútuo entre a China e Portugal, e entre as civilizações oriental e ocidental”, referiu Leong Wai Man.
Incêndio | Fogo causado por gato Hoje Macau - 20 Abr 2026 Deflagrou no último sábado, de manhã, um incêndio causado acidentalmente por um gato que terá tocado no interruptor de um fogão cerâmico. O caso, segundo noticiou o jornal Ou Mun, aconteceu num edifício na Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida, tendo o Corpo de Bombeiros explicado que o incidente teve lugar num apartamento no 20.º andar do prédio, com o fogo a ser imediatamente extinto. Foram evacuadas cerca de 30 pessoas para um local seguro, sendo que três se sentiram mal, mas não necessitaram de tratamento hospitalar. Contrabando | Homem interceptado com grãos de prata Um homem foi interceptado quando tentava passar pelo Posto Fronteiriço de Hengqin, para entrar na China, com grãos de prata, no dia 10 deste mês. O caso foi relatado pelo Alfândega de Gongbei. Durante a inspecção, um agente alfandegário descobriu seis pacotes de grãos de prata, presos às pernas do homem com fita adesiva. Segundo o organismo, o agente alfandegário observou uma anormalidade no caminhar do homem, enquanto este seguia rapidamente para o corredor sem bens para declarar. Quanto aos grãos de prata apreendidos, a pesagem indicou 7,62 quilos. Fronteiras | Apreendidos charutos avaliados em 4,54 milhões Os Serviços de Alfândega (SA) anunciaram a intercepção de 307 quilos em charutos, avaliados em 4,54 milhões de patacas, no Porto Interior. A informação foi divulgada pelas autoridades Os 307 quilos ultrapassavam o valor declarado com o carregamento em causa. Segundo um comunicado dos SA, o imposto a pagar pelos bens não declarados era de 1,33 milhões de patacas. Os agentes dos SA identificaram que os produtos se destinavam a uma empresa local. Sendo a violação da lei do comércio externo e o responsável da empresa podem ser multados num máximo de 100 mil patacas. As mercadorias apreendidas podem ser declaradas perdidas a favor da RAEM. PJ | Detida por troca ilegal de dinheiro A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de uma mulher, com 39 anos, devido a uma troca ilegal de dinheiro. A suspeita foi detida no Cotai, a 13 de Abril, quando fazia uma troca de dinheiro com um jogador, recebendo 9.600 renminbis através de um código QR, e entregando 10 mil dólares de Hong Kong em notas. Quando revelou o caso, a PJ indicou que a mulher se dedicava a esta actividade ilegal pelo menos desde Julho do ano passado e que terá obtido lucros no valor de 45 mil dólares de Hong Kong. Na operação, foram apreendidos 49 mil dólares de Hong Kong e 11.700 dólares de Hong Kong em fichas. O caso foi remetido para o Ministério Público (MP).
Crime | Detidas 34 pessoas por branqueamento de 45,6 milhões Hoje Macau - 20 Abr 2026 A rede de branqueamento de capital operava entre o Interior e Macau e as detenções resultaram de uma operação conjunta. As autoridades acreditam que a rede operava pelo menos desde Janeiro do ano passado, obtendo ganhos ilícitos de aproximadamente 2,5 milhões de yuan A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de 34 suspeitos de branqueamento de 45,6 milhões de yuan, fraude e falsificação de documentos. As detenções resultaram de uma operação conjunta com as autoridades do Interior. A operação, realizada na quinta-feira, resultou em 25 detidos em Macau e nove no interior da China, incluindo três alegados cabecilhas, disse o chefe da divisão de crimes organizados da Polícia Judiciária (PJ), Ho Wai Lok, em conferência de imprensa. A PJ acredita que, desde Janeiro de 2025, terão sido branqueados pelo menos 45,6 milhões de yuan, obtendo ganhos ilícitos de aproximadamente 2,5 milhões de yuan. “Em Macau, entre os 25 suspeitos, dois são residentes de Hong Kong e os restantes são da China continental”, disse Ho. As autoridades apreenderam 5,7 milhões de dólares de Hong Kong em numerário, bem como equipamento para falsificar cartões de identidade e cartões bancários da China continental, incluindo impressoras, hologramas e trituradoras. A polícia do Interior da China deteve nove pessoas em Guangxi, no sul do país, e noutras províncias, entre os quais os três alegados cabecilhas, afirmou Ho. Outras 31 pessoas, tinham sido detidas no início do ano na vizinha cidade de Zhuhai, numa operação que levou ao desmantelamento de 11 bancos ilegais ligados ao mesmo grupo de crime organizado. Hierarquia organizada Segundo a PJ, o grupo operava a três níveis: “membros de baixa hierarquia abordavam apostadores junto a casinos e hotéis, oferecendo taxas de câmbio favoráveis para converter numerário ou fichas de Hong Kong em yuan. Os intermediários contactavam então os superiores, sediados na China continental, para efectuarem transferências bancárias”, explicou o responsável. A polícia disse que alguns apostadores viram as contas bancárias congeladas pouco depois de receberem o dinheiro. Outros, tornaram-se suspeitos ao regressar à China continental, depois de a polícia ter verificado que tinham recebido nas contas bancárias fundos que tinham sido desviados de vítimas de burlas online em oito províncias do país. Registou-se um total de 12 casos relacionados, com as perdas totais das vítimas a ascenderem a 3,59 milhões de yuan.
EPM | Participação voluntária em campo militar João Santos Filipe - 20 Abr 2026 A Escola Portuguesa de Macau (EPM) garante que a participação do grupo de 16 alunos no Acampamento da Defesa Nacional se deveu à vontade dos encarregados de educação. As explicações foram fornecidas ao HM, depois de terem sido enviadas perguntas sobre uma publicação divulgada nas redes sociais da instituição de ensino. “À semelhança de anos anteriores, no presente ano lectivo, vários estudantes da EPM participaram no Acampamento da Defesa Nacional do ano lectivo 2025-2026, dinamizado pela DSEDJ”, foi explicado. “No cumprimento das orientações da DSEDJ, esta iniciativa foi divulgada aos alunos do 8.º ano pelos respectivos Directores de Turma. Os Encarregados de Educação dos alunos que manifestaram interesse em participar nesta actividade deram o seu consentimento”, foi acrescentado. Em relação à realização deste tipo de actividades no futuro e ao facto de poderem envolver o manuseamento de armas brancas e réplicas de armas de fogo, entre menores, a EPM remeteu comentários para a “entidade promotora da actividade”.
Lançada primeira base de dados sobre estudos camonianos Hoje Macau - 20 Abr 2026 A Universidade de Macau (UM) e a Universidade de Coimbra (UC) acabam de lançar o “Camões Lab”, a primeira base de dados digital sobre estudos camonianos desenvolvida em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação “la Caixa” e Imprensa Nacional-Casa da Moeda. O lançamento decorreu em Coimbra, sendo a UM “parceira principal” deste projecto, destaca-se num comunicado oficial da UM. “Camões Lab” visa contribuir “para a preservação cultural e para a investigação em humanidades digitais”, sendo que, nas palavras do reitor da UC, Amílcar Falcão, o projecto é “inovador” e tem “uma visão de futuro, que ajuda a levar a obra de Camões para além do meio académico, alcançando um público mais vasto”. Delfim Leão, vice-reitor da UC, descreveu que o “Camões Lab” é uma plataforma que estará disponível aos utilizadores “por fases, prevendo-se que a primeira entre em funcionamento em meados de 2026 e que a construção global fique concluída até ao final de 2027”. Manuel Portela, director da Biblioteca Geral da UC, “salientou que a plataforma evoluirá para uma base de conhecimento académico dinâmica, em permanente actualização e de acesso aberto”. Digitalizar e preservar Este projecto nasce numa altura em que se celebram os 500 anos do nascimento de Luís de Camões, poeta maior da língua portuguesa e autor de “Os Lusíadas”, uma epopeia sobre os Descobrimentos. A plataforma criada entre a UM e UC visa “criar uma plataforma digital de referência mundial para os estudos camonianos, preservando, estudando e promovendo, em formato digital, a sua obra literária”. Pretende-se uma integração de “tecnologias de processamento de linguagem natural e de inteligência artificial, procedendo à marcação estruturada dos textos segundo a norma internacional XML-TEI”. Além disso, irão identificar-se “através de anotações semânticas figuras históricas, personagens literárias e informações geográficas, de modo a reforçar a legibilidade e a interoperabilidade dos textos em ambiente de investigação digital”. A ideia é concretizar “o duplo objectivo de preservação textual e de aplicação digital”.
Aviação | Air Macau admite cancelamento de 400 voos em Maio e Junho Nunu Wu e João Santos Filipe - 20 Abr 2026 A empresa justifica-se com o aumento do preço dos combustíveis, que aponta ter subido para 205 dólares americanos por barril. A Air Macau admite ser incapaz de explorar comercialmente o negócio nestas circunstâncias, mas defende-se dizendo que segue as práticas internacionais A Air Macau admite que cancelou 400 voos previstos para Maio e Junho, o que justificou com o aumento do preço do combustível. A reacção surge depois de nas últimas semanas terem aparecido várias informações de que a companhia aérea de Macau estava a cancelar vários voos regionais, sem que houvesse confirmação oficial. No sábado, de acordo com uma resposta citada pelo jornal Ou Mun e pelo canal chinês da Rádio Macau, a empresa admitiu que já tinha cancelado 155 voos internacionais. A estes, juntam-se outros 245 voos para destinos no Interior, o que significa que, em média, a Air Macau está a cancelar seis voos por dia. Quando questionada sobre os motivos dos cancelamentos, a transportadora local, que é controlada pela empresa estatal que também controla a Air China, justificou-se ao indicar que o preço do combustível para aviação internacional subiu para 205 dólares americanos por barril, e que nem o aumento da “taxa e combustível” permitiu cobrir os custos operacionais crescentes. Segundo a Air Macau, os cancelamentos antecipados fazem com que os passageiros não sejam surpreendidos por alterações na véspera da viagem, e assim possam proteger melhor os seus direitos. A companhia local defendeu também que os cancelamentos com duas semanas de antecedência são uma prática internacional na forma como se lida com o aumento dos preços do combustível. Os cancelamentos acontecem numa altura em que Macau tenta atrair cada vez mais visitantes internacionais. Sobre este aspecto, a empresa, que tem como accionista o Governo da RAEM, indica que está a fazer “todos os esforços” para preservar as ligações a Macau. Queixas recebidas Por sua vez, o Conselho de Consumidores (CC), que é controlado pelo Governo, o segundo maior accionista na Air Macau, revelou ao canal chinês da Rádio Macau ter recebido cinco queixas desde o início de Abril. As queixas foram apresentadas por três residentes e dois turistas. Ao mesmo tempo, o organismo liderado Leong Pek San afirmou que quando recebe qualquer queixa entra em contacto com as companhias aéreas “o mais rapidamente possível” para informar a empresa sobre as denúncias e “mediar os litígios entre as duas partes”. Em algum momento, na resposta citada pela Rádio Macau, o Conselho Consumidores coloca a possibilidade de haver sanções. Em vez disso, a autoridade “insta” as companhas aéreas “a notificar antecipadamente os consumidores com reservas e a disponibilizar opções adequadas de remarcação e reembolso, caso sejam necessários ajustes nos voos”.
Combustíveis | Deputado sugere financiamento de PME João Santos Filipe - 20 Abr 2026 O deputado da FAOM considera que os preços sobem muito depressa, mas que demoram demasiado tempo a descer, pelo que pede uma maior fiscalização do mercado pelas autoridades competentes O deputado Leong Sun Iok defende que o Governo deve seguir o exemplo de Hong Kong e subsidiar o preço dos combustíveis para as Pequenas e Médias Empresas (PME). A proposta do membro da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) surge numa interpelação escrita. No documento, Leong Sun Iok começa por questionar o Executivo sobre o facto de os preços do petróleo estarem em quebra nos tempos mais recentes, apesar do prolongar da tensão no Médio Oriente, sem que os efeitos se sintam na RAEM. “É importante notar que, apesar de uma recente queda significativa nos preços internacionais do petróleo, os preços a retalho dos combustíveis e do gás de petróleo liquefeito (GPL) em Macau ainda não acompanharam essa redução”, apontou. “Sendo os combustíveis e o GPL bens indispensáveis para a vida quotidiana dos cidadãos e para os diversos sectores de actividade, a subida dos preços tem um impacto directo nas despesas correntes da população e nos custos globais do transporte e da logística da sociedade”, alertou. Com tudo a ficar mais caro, devido ao efeito transversal do aumento dos preços internacionais do petróleo, Leong indica que mais uma vez a população verifica que os preços dos combustíveis e do gás “sobem rapidamente e muito”, quando há aumento internacional, mas que quando a tendência é a oposta, a redução acontece “devagar” e numa proporção menor. O deputado afirma também que esta é uma situação regular e que aconteceu quando houve a invasão da Ucrânia pela Rússia. Por isso, Leong pergunta ao Governo se há planos para “aperfeiçoar” o mecanismo de fiscalização dos preços. Política de apoios Também para evitar que a população tenha de suportar totalmente o aumento dos combustíveis, o deputado sugere apoio para as PME, como acontece em Hong Kong. Desta forma, indica o legislador, ajuda-se as empresas e faz-se com que os preços no consumidor não sejam tão elevados. “Com vista a aliviar os encargos dos sectores, o vizinho Governo da Região Administrativa Especial de Hong Kong anunciou recentemente a implementação de uma medida de alívio com duração de dois meses, incluindo um subsídio de 3 dólares de Hong Kong por litro de gasóleo para veículos comerciais, bem como a redução de 50 por cento das portagens de túneis”, descreveu. “O Governo da RAEM deve ponderar activamente tal prática, acompanhar de perto a subida dos preços em Macau e avaliar, sempre que necessário, a introdução de abonos específicos a combustíveis ou medidas de alívio dirigidas aos sectores dos transportes e às micro, pequenas e médias empresas mais afectados pela volatilidade dos preços dos combustíveis, de modo a aliviar os encargos dos sectores e contribuir para a estabilização dos preços”, opinou. “Vai fazê-lo?”, perguntou.
FB | Publicação de Coutinho sobre Tai Kin Ip desaparece João Santos Filipe - 20 Abr 2026 Desapareceu da rede social Facebook, uma publicação do deputado José Pereira Coutinho, que surgiu na quinta-feira, após ser pública a exoneração do ex-secretário para a Economia e Finanças Tai Kin Ip. Na mensagem, José Pereira Coutinho mostrava-se a ser entrevistado pelo canal de Hong Kong TVB e a considerar “acertada” a saída do secretário do Governo. “Acabei de ser entrevistado pela TVB de Hong-Kong sobre a demissão do Secretário para a Economia e Finanças Doutor Tai Kin Yip”, revelava o legislador. “Trata-se de uma medida acertada para resolver muitos problemas estruturantes tais como o desemprego juvenil, a diminuição dos trabalhadores não residentes, a atracção e criação de empresas de elevada qualidade, o uso correcto do erário público etc. Esta mudança implica igualmente a elevação da qualidade de serviços dos dirigentes e chefias das estruturas subordinadas”, acrescentava. José Pereira Coutinho apontava ainda que “o mérito constitui o critério preponderante nas escolhas” das pessoas para os “elevados cargos públicos” e que as selecções não devem ser feitas por “amizade pessoal e outras razões dúbias”. “Porque no final quem paga a factura é o Povo”, sublinhava. “Esperamos que no futuro haja melhor comunicação com a sociedade e que não vivam isolados da realidade social”, concluía. O HM contactou o deputado para perceber os motivos do desaparecimento da publicação, mas não recebeu qualquer resposta até ao fecho da edição.
Economia e Finanças | Novo secretário ainda por escolher Hoje Macau - 20 Abr 202620 Abr 2026 O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, declarou ainda na sexta-feira, antes de partir para a Europa, que ainda não decidiu o novo nome que irá substituir Tai Kin Ip no cargo de secretário para a Economia e Finanças. Segundo a TDM Rádio Macau, Sam Hou Fai explicou que quando o candidato for escolhido será apresentado um pedido de nomeação ao Governo Central, em conformidade com as disposições da Lei Básica. O governante máximo da RAEM voltou a reiterar que Tai Kin Ip saiu do cargo por motivos pessoais, dizendo “compreender” a sua situação e que respeita a sua decisão. A notícia de que Tai Kin Ip vai deixar o elenco governativo, menos de dois anos depois de ter sido escolhido, foi divulgada na última semana. Visita | CE pede a estudantes para alargarem horizontes Este sábado a agenda do Chefe do Executivo da RAEM, Sam Hou Fai, a Lisboa ficou marcada por um encontro com mais de uma centena de estudantes do ensino superior de Macau que estão em Portugal. Segundo noticiou a TDM Rádio Macau, o Chefe do Executivo desafiou os estudantes “a alargar horizontes através da língua portuguesa”. Por sua vez, em declarações à rádio, alguns alunos falaram das suas aspirações para o futuro. No caso de Iao Kachon, estudante de Relações Internacionais na Universidade do Porto, a ideia é voltar a Macau e procurar trabalho na região da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Lao Chi Leng, estudante na Faculdade Direito da Universidade do Porto, diz que também pretende trabalhar em Macau.
Plano Quinquenal | Consulta pública arranca em Maio Andreia Sofia Silva - 20 Abr 2026 O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, disse em Macau, antes de partir na sua visita oficial à Europa, que o terceiro plano quinquenal da RAEM está a ser preparado, devendo o documento de consulta pública estar pronto no próximo mês. O Governo vai ainda elaborar um “plano geral” sobre viagens ao exterior Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, declarou na sexta-feira, antes de partir na viagem oficial à Europa que inclui países como Portugal e Espanha, que o terceiro Plano Quinquenal da RAEM está a ser preparado. Segundo um comunicado oficial divulgado, o governante explicou que o documento de consulta deverá estar “pronto no próximo mês de Maio para consulta pública”, com duração de 40 dias. Sam Hou Fai disse ainda que a elaboração de mais um Plano Quinquenal, que traça as principais políticas em diversas áreas a implementar no território, “é a tarefa mais importante e prioritária do Governo da RAEM este ano”. O Plano Quinquenal da RAEM deverá estar em consonância com o 15.º Plano Quinquenal do país, encontrando-se o documento base “numa fase de aperfeiçoamento”, tendo o Governo “concluído basicamente” a sua redacção. Desta forma, Sam Hou Fai disse que foram realizados “estudos aprofundados de investigação preliminar”, pretendendo-se agora “auscultar amplamente as opiniões de diversos sectores da sociedade, nomeadamente académicos e associações”. Viagens programadas Na mesma conferência de imprensa, o Chefe do Executivo declarou também que após concluir esta viagem, que inclui também passagens por Bruxelas e Genebra, o Governo vai, no segundo semestre do corrente ano, “elaborar um plano geral sobre as visitas ao estrangeiro”. O governante afirmou que “o Governo deve aproveitar as próprias vantagens” do território e promover “a expansão e o reforço da cooperação e do intercâmbio com mais países”. Na calha, estão “visitas oficiais a países do Sudeste Asiático e do Nordeste Asiático, bem como a possibilidade de visitar outros países de língua portuguesa e espanhola”. Sam Hou Fai “encorajou secretários e dirigentes a nível de direcção do Governo a liderarem delegações a visitas ao exterior”, acrescentou. Sobre a viagem à Europa, Sam Hou Fai falou de um “programa intenso, com conteúdos substanciais”, sendo que a escolha de Portugal como primeira paragem da visita “reflecte plenamente a importância que Macau atribui à continuação da amizade sino-portuguesa”. Com agenda marcada com o Presidente da República, António José Seguro, ou com o próprio primeiro-ministro, Luís Montenegro, Sam Hou Fai assegurou que “esta é a visita a Portugal, de entre todas as que já se realizaram, em que uma delegação oficial da RAEM reúne com o maior número de responsáveis políticos portugueses”, abrangendo “o leque mais vasto de áreas”. A visita da delegação da RAEM inclui um grupo de empresários e começa em Lisboa, onde Sam Hou Fai chegou este sábado, seguindo-se Madrid e depois Genebra, na Suíça, e Bruxelas, na Bélgica. O regresso a Macau está agendado para domingo, dia 26. Relativamente à comunicação política com o hemiciclo, o governante disse estar “a coordenar com o Presidente da Assembleia Legislativa” a presença “numa sessão plenária da Assembleia Legislativa a meio do ano para trocar ideias com os deputados sobre a governação e o desenvolvimento social, além de responder a perguntas dos deputados após a apresentação do Relatório das Linhas de Acção Governativa”.
Cinema | Ivo M. Ferreira espera que filme inspirado nas FP-25 provoque diálogo Hoje Macau - 19 Abr 2026 O realizador Ivo M. Ferreira considera que os portugueses olham “com grande pudor” para a História e “os seus traumas” e, por isso, espera que o mais recente filme, inspirado no grupo armado FP-25, provoque algum diálogo. “Projecto Global”, que se estreia na quinta-feira, em Portugal, recua aos anos 1980, a uma altura em que o país “atravessa tempos conturbados: fábricas fecham, trabalhadores erguem barricadas e a política domina cada esquina”, como resume a produtora O Som e a Fúria no dossier de imprensa. O filme recria esse tempo polarizado, numa democracia recente e em construção, em que um grupo armado – Forças Populares 25 de Abril (FP-25) –, descontente com o rumo do país, organizou dezenas de assaltos violentos, atentados e ações consideradas terroristas, que causaram 17 mortes. Em entrevista à agência Lusa, o realizador Ivo M. Ferreira explicou que tem “muita dificuldade em compreender a violência num contexto democrático”, mas, ainda assim, interessou-lhe olhar para “zonas cinzentas, pantanosas, páginas omissas dos livros de História da escola” e para temas como este, da luta armada no pós-revolução de Abril de 1974. Em 1984, uma operação conjunta das forças policiais para desmantelar as FP-25 conduziu a um mediático julgamento que condenou alguns dos seus elementos, entre os quais Otelo Saraiva de Carvalho, um dos militares centrais da Revolução de Abril. Nesse tempo, Ivo M. Ferreira (nascido em Lisboa, em 1975) era ainda criança, filho de uma família ligada ao teatro e politicamente engajada: “Eu vivia praticamente na Comuna [companhia teatral], que era muito mais do que o teatro em si. Era também um ‘hub’ de encontros, de pessoas, de outros grupos de teatro que visitavam, grupos de espetáculo e, evidentemente, de discussão política”. E houve, por isso, uma confluência de razões para fazer este filme, pela memória da infância, pelo interesse sobre o que fica por contar na História do país, e pela construção de personagens que perdem “uma bússola moral”. O filme, em jeito de policial, explora a dúvida moral dos elementos do grupo armado, em particular Rosa, que tem uma dupla vida como atriz e operacional e que se envolve com um dos policiais que investiga o grupo. “Projecto Global”, coproduzido por Portugal e Luxemburgo e que dará origem também a uma série para a RTP, é protagonizado pela atriz portuguesa Jani Zhao, ao lado de um extenso elenco, nomeadamente Rodrigo Tomás, José Pimentão, Isaac Graça, Gonçalo Waddington, Ivo Canelas, João Catarré, Hugo Bentes e Isabél Zuaa. O projeto resultou ainda de um longo trabalho “muito sério” de investigação do historiador Francisco Bairrão Ruivo, de procura de fontes documentais e testemunhos de operacionais e agentes policiais. O trabalho de investigação de Francisco Bairrão Ruivo foi vertido para um livro intitulado “As FP-25 e o pós-revolução: Normalização e Violência Política”, a editar este mês pela Tinta-da-China. “Depois, até por respeito às vítimas da organização, e porque eu acho que se a pulsão do cinema, independentemente do seu tema, tem de ser de liberdade, eu tive de me libertar claramente de tudo isso”, explicou Ivo M. Ferreira sobre o filme. Ivo M. Ferreira descarta qualquer ideia de colagem entre o tempo histórico do filme e a polarização política da atualidade; porém, acredita que a longa-metragem “pode alertar um pouco para isso, que este tipo de extremismos que podem não nos conduzir a nada de bom”. “O meu maior sonho é que o filme coloque dúvidas, questões, diálogo. […] Eu percebo que haja algum pudor em abordar ainda esses temas como é o tema deste filme. Mas eu acredito que o cinema, quando trata de feridas, também as pode ajudar a cicatrizar”, disse. Ivo M. Ferreira, que tem entre os projetos mais recentes as séries “O Americano” (2024), “Sul” (2019) e os filmes “Hotel Império” (2018) e “Cartas da Guerra” (2016), conta filmar em 2027 a história de um casal de saltimbancos presos e torturados “numa fase muito tardia do fascismo” em Portugal. O realizador está igualmente a desenvolver um outro projeto cinematográfico, com a colaboração da jornalista Maria José Oliveira, com base numa investigação dela — publicada no jornal Público e este mês em livro — a partir de provas documentais, descobertas em 2024, sobre a violência exercida pela polícia política PIDE em Moçambique durante o Estado Novo.
Economia | PIB de Macau cresceu 10% até Março Hoje Macau - 17 Abr 2026 A Associação Económica de Macau diz que o Produto Interno Bruto (PIB) da região deverá ter registado um aumento de 10 por cento no primeiro trimestre de 2026, em comparação com igual período do ano passado. De acordo com um relatório divulgado na quarta-feira, a associação acredita que a economia local poderá ter atingido 108 mil milhões de patacas entre Janeiro e Março. “No primeiro trimestre de 2026, a macroeconomia teve um arranque forte”, afirmou a associação, impulsionada por um “desempenho robusto” das indústrias do turismo, lazer e finanças. Na capital mundial dos casinos, o sector do jogo manteve o “ímpeto ascendente”, com receitas brutas no primeiro trimestre de 65,9 mil milhões de patacas, referiu o documento. “Isso representa um aumento de 14,3 por cento face aos 57,66 mil milhões de patacas registados no mesmo período do ano passado,” acrescentou a associação. O relatório sublinha que os números do turismo “também se mantiveram robustos”, com mais de 10 milhões de visitantes no primeiro trimestre, um “aumento significativo” em comparação com o mesmo período de 2025. As taxas de ocupação dos estabelecimentos hoteleiros “mantiveram-se em níveis elevados durante um longo período”, afirmou a associação. Emprego favorável O mercado de trabalho também “se manteve estável”, com o emprego total e a taxa de desemprego “a permanecer em níveis relativamente favoráveis”, refere o documento. Macau registou uma taxa de desemprego de 1,7 por cento entre Dezembro e Fevereiro, um valor igual ao do período entre Novembro e Janeiro, e perto do mínimo histórico de 1,6 por cento fixado há dois anos. De acordo com os mais recentes dados oficiais, o número de desempregados era de 6.400, menos 100 do que entre Novembro e Janeiro. “Isso reflecte a contínua e significativa força motriz do sector do turismo e lazer na indústria de serviços”, acrescentaram os economistas. No entanto, a associação alertou que a economia de Macau pode enfrentar “pressões duplas de preços elevados do petróleo e fraca despesa dos consumidores” no segundo trimestre. “A situação pouco clara no Médio Oriente criou um elevado grau de incerteza para a economia global”, alerta o relatório. “Enquanto economia orientada para a exportação [de serviços], Macau poderá ter dificuldades em permanecer ileso da guerra”, sugeriu a associação. O documento acrescenta que o Governo local precisa de “monitorizar de perto a economia e a sociedade locais” face às possíveis pressões duplas.
Casinos | Receitas de jogo VIP sobem 35% até Março Hoje Macau - 17 Abr 2026 As receitas oriundas dos grandes apostadores, um segmento conhecido como jogo VIP em Macau, capital mundial dos casinos, registaram uma subida homóloga de 35 por cento no primeiro trimestre de 2026, foi ontem anunciado. O chamado jogo bacará VIP atingiu receitas de 19,8 mil milhões de patacas entre Janeiro e Março, divulgou a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) da região semiautónoma chinesa. As receitas das grandes apostas já tinham crescido 24,1 por cento em 2025, embora continuem longe dos picos históricos atingidos antes da pandemia da covid-19. Em 2019, o bacará para este segmento representava 46,2 por cento das receitas totais dos casinos. Mas no primeiro trimestre de 2025 ficou-se por uma fatia de 29,7 por cento. As grandes apostas foram afectadas pela detenção do líder da maior empresa angariadora de apostas VIP do mundo, em Novembro de 2021. O antigo diretor executivo da Suncity Alvin Chau Cheok Wa foi condenado, em Janeiro de 2023, a 18 anos de prisão, num caso que fez cair de 85 para 18 o número de licenças de promotores de jogo emitidas em Macau. De acordo com dados da DICJ, o número de licenças tem vindo a recuperar e atingiu 31 no final de Março. Ainda assim, permanece aquém do limite máximo fixado pelo Governo, que é de 50. Também as receitas do jogo mais popular em Macau, o bacará no chamado mercado de massas, aumentaram 6,6 por cento no primeiro trimestre, em comparação com igual período de 2025, para 36,6 mil milhões de patacas. O bacará de massas representou 55,5 por cento do total das receitas dos casinos no território entre Janeiro e Março, sendo de longe o jogo de fortuna e azar mais procurado pelos apostadores chineses. As receitas das máquinas electrónicas de jogos aumentaram 21,7 por cento em comparação com igual período de 2025, para 3,98 mil milhões de patacas.
China | Executado homem que matou e roubou criador de conteúdos famoso Hoje Macau - 17 Abr 2026 As autoridades chinesas executaram ontem Yu Jinsheng, condenado à pena de morte por roubo e homicídio no caso do assassínio do criador de conteúdos conhecido como “Luo Damei”, popular nas plataformas digitais chinesas. A execução, por método não especificado, foi realizada por ordem do Tribunal Popular Supremo da China, após a aprovação da pena capital na sequência da revisão do caso, informou o Tribunal Superior da província de Henan, no centro do país. Antes da execução, Yu reuniu-se com familiares próximos, segundo a mesma fonte. Em primeira instância, o Tribunal Intermédio de Nanyang tinha condenado o arguido à pena de morte, privação de direitos políticos vitalícia e confisco de todos os bens, por roubo e homicídio doloso, numa decisão de Outubro de 2025. O condenado recorreu, mas o Tribunal Superior de Henan rejeitou o recurso em 05 de Dezembro de 2025, mantendo a sentença e remetendo o caso para ratificação pelo Supremo, que autorizou a execução. O caso remonta a Julho de 2023 e gerou grande atenção na China devido à popularidade da vítima. O influenciador Luo Damei, cujo nome real era Shang Zhanfeng, tinha conquistado uma ampla audiência ‘online’ com vídeos de temática artística, inspirados na ópera e em vestuário tradicional, nos quais surgia caracterizado com personagens femininas. Segundo a sentença, Yu, endividado devido a jogos de azar, soube que Luo tinha rendimentos elevados e planeou assaltá-lo com a companheira, Sha Yujiao, e um amigo, Yang Heng. Foi Yang quem conseguiu atrair Luo, em 05 de Julho de 2023, para uma casa arrendada por Yu. No local, Yu imobilizou Luo, amarrou-o e, com a ajuda de Sha, transportou-o no próprio veículo para uma habitação desocupada. Sob ameaça, obrigaram Luo a transferir mais de dois milhões de yuan (para as suas contas. Dois dias depois, Yu matou a vítima e escondeu o corpo num armazém subterrâneo de batatas.
Automobilismo | Macau mantém forte presença no Interior da China Sérgio Fonseca - 17 Abr 2026 Depois do Grande Prémio da China de Fórmula 1 e de um evento extra-campeonato promovido pela Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC), em Zhuzhou, arrancam este fim de semana os campeonatos chineses de velocidade. Em destaque, estão o revitalizado Campeonato da China de GT e o Campeonato Chinês de Fórmula 4, ambos marcados por uma presença expressiva de Macau. Na sua quarta edição, o Campeonato da China de GT atravessa o momento mais pujante, com 57 viaturas inscritas na prova inaugural, no Circuito Internacional de Xangai, o que obrigou a organização a dividir as grelhas de partida entre GT3 e GTC/GT4. A participação do piloto-celebridade Wang Yibo impulsionou o retorno mediático do campeonato e a adesão, reunindo hoje o campeonato praticamente todas as principais estruturas do Interior da China da especialidade. Entre os 28 carros da categoria GT3 figura Liu Lic Ka, sendo que o veterano piloto de Macau irá partilhará o seu Mercedes-AMG GT3 com o jovem alemão Tom Kalender, sob a égide da sua equipa, a Elegant Racing. A lista de inscritos inclui ainda dois apelidos italianos sonantes do desporto automóvel internacional, que vão ganhando experiência e nome no automobilismo asiático. Enzo Trulli, filho do antigo piloto de Fórmula 1 Jarno Trulli, alinhará num Porsche 911 GT3 R. Já Lorenzо Patrese, filho de Riccardo Patrese, também ele ex-piloto de F1 e vencedor do Grande Prémio de Macau em 1977 e 1978, estará ao volante de um Ferrari 296 GT3. Aposta na formação Os mesmos monolugares de Fórmula 4 que recentemente competiram na primeira edição da Taça do Mundo da FIA, no Circuito da Guia, regressam à actividade para a jornada inaugural de um campeonato que é o único de monolugares no país. Estão previstas seis provas ao longo da temporada, com uma passagem pela cidade vizinha de Zhuhai. Presente desde a génese da competição, a Asia Racing Team, que assinala 23 anos de actividade, inscreve quatro monolugares para Timur Shagaliev, Josh Feng, Zhuyuan Chen e Chujian Huang. O chefe de equipa, o português residente em Macau Rodolfo Ávila, encara o início da época com prudente optimismo: “Sentimo-nos preparados para a nova temporada, mas mantemos alguma cautela nas expectativas, tendo em conta que três dos nossos pilotos são estreantes e enfrentaremos adversários mais experientes. O talento existe e importa agora perceber de que forma poderá traduzir-se em resultados”, afirmou o antigo campeão chinês e asiático de Fórmula Renault. Apesar da ausência de pilotos da RAEM nesta ronda inaugural, em Xangai, outra estrutura de Macau mantém forte presença na disciplina. A Champ Motorsport, que habitualmente com André Couto, Andy Chang ou Charles Leong Hon Chio entre os habituais “drivers coaches”, inscreve três Ligier JS F422 para Kimi Chan, Ken Chow e Chow Chun Shing. Macpro Racing Team mantém ligação à Honda Por seu turno, na disciplina de carros de Turismo, a Macpro Racing Team continuará a representar Macau no Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC), cuja temporada tem início nos dias 25 e 26 de Abril. Após um passado como equipa oficial da Dongfeng Honda, a estrutura actua hoje de forma independente, mantendo, contudo, a ligação histórica à marca japonesa. Para 2026, a equipa inscreve três Honda Civic FL5 TCR, desenvolvidos pela italiana JAS Motorsport a partir do mais recente Civic Type R, no sempre popular CTCC. Segundo fonte da estrutura, em declarações divulgadas nas plataformas oficiais do campeonato, a escolha do modelo assenta na experiência acumulada com a marca: “A equipa utiliza carros da Honda há muitos anos e conhece profundamente as características dos diferentes modelos. O novo Civic FL5 TCR apresenta uma base muito sólida em termos de comportamento dinâmico e equilíbrio no limite, beneficiando ainda de melhorias evidentes no sistema de travagem.” Por outro lado, a mesma fonte da equipa por quem correram no passado vários nomes conhecidos do automobilismo da RAEM, como André Couto, Henry Ho ou Eurico de Jesus, os carros da Honda têm uma presença muito importante no meio do automobilismo de Macau, desde os antigos EG e DC2, passando pelo FD2, até ao atual FL5 TCR, sendo uma presença constante nas pistas há mais de uma década, com uma base técnica sólida e fácil de trabalhar em termos de afinação e preparação.”
Timor-Leste | Banco Mundial prevê crescimento económico de 4,1% em 2026 Hoje Macau - 17 Abr 2026 A economia timorense deverá crescer 4,1 por cento em 2026, mas a perspectiva é insuficiente para gerar emprego, ganhos de produtividade e aumentar as exportações, segundo o relatório económico de Timor-Leste ontem divulgado pelo Banco Mundial. Depois de em 2025 ter registado um crescimento de 4,5 por cento, o mais elevado desde 2014, as previsões do Banco Mundial indicam que a economia timorense vai manter o crescimento em 2026 impulsionado pelo consumo das famílias e pelas elevcadas despesas governamentais. “As perspetivas económicas de Timor-Leste mantêm-se estáveis a curto prazo, mas cada vez mais frágeis sob as políticas actuais”, lê-se no relatório, denominado “Elevando o nível: Como a adesão à ASEAN Pode Apoiar a Transformação Económica de Timor-Leste”. Para 2026, o Banco Mundial, prevê um aumento da inflação para 2,3 por cento, devido à subida dos preços globais provocados pelo conflito no Médio Oriente, mas perspectiva que o consumo privado se mantenha resiliente, suportado pelos gastos públicos. “O investimento privado é provável que permaneça limitado e concentrado na construção civil, comércio a retalho e hotelaria, com pouco movimento para bens comercializáveis ou para melhoramento de sectores de produtividade”, salienta.
Japão reactivou a maior central do mundo após 14 anos de fecho Hoje Macau - 17 Abr 2026 A central nuclear japonesa de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo, começou ontem a fornecer electricidade depois de ter estado desligada durante mais de 14 anos. “Às 16:00, do dia 16 de Abril, recebemos o certificado de confirmação de pré-utilização e o certificado de aprovação de inspecção de pré-utilização da Autoridade de Regulação Nuclear e retomámos as operações comerciais”, explicou a TEPCO, a empresa que gere a central. A companhia acrescentou que a central estava a operar com aproximadamente 1.356 megawatts (MW). A TEPCO reiniciou o reactor número 06 do complexo no passado mês de Janeiro. Tal como outras centrais nucleares no Japão, a central de Kashiwazaki-Kariwa foi temporariamente desligada após o desastre nuclear de Fukushima, em 2011. A companhia responsável pela central tinha planeado retomar as operações comerciais em Fevereiro, mas teve de adiar a data várias vezes devido a problemas durante o processo de arranque. “Esta é a primeira vez em mais de 14 anos que a central de Kashiwazaki-Kariwa, que com os sete reactores combinados pode gerar até 8.212 MW, fornece energia à área metropolitana de Tóquio e à parte leste da província de Shizuoka”, disse a TEPCO. A Assembleia da Câmara Municipal de Niigata, região onde se encontra localizada a central de Kashiwazaki-Kariwa, aprovou a reativação do reactor número 06 em Dezembro de 2025, depois de a agência reguladora nuclear japonesa ter aprovado a operação. Apontar ao futuro Os reactores 06 e 07 foram submetidos às inspecções necessárias para a reactivação em 2017, mas a central foi posteriormente desligada devido a problemas de segurança no que dizia respeito a ataques terroristas. Em Dezembro de 2023, foram aprovadas as medidas necessárias e, desde então, a TEPCO tem vindo a realizar os procedimentos para colocar os reatores em funcionamento. Com uma capacidade superior a 8.000 MW, a central de Kashiwazaki-Kariwa faz parte do plano de fornecimento de energia da TEPCO e está alinhada com a estratégia promovida pelo Governo japonês para impulsionar a energia nuclear de forma a atingir as metas de redução de emissões de combustíveis fósseis.
Economia chinesa | Crescimento de 5% no primeiro trimestre de 2026 Hoje Macau - 17 Abr 2026 Os números da economia chinesa, no primeiro trimestre deste ano, superaram as expectativas dos analistas e resistiram ao impacto negativo da guerra Médio Oriente A economia chinesa acelerou no primeiro trimestre, crescendo 5 por cento em termos homólogos, apesar do impacto da guerra no Irão, segundo dados divulgados ontem pelas autoridades. Os dados relativos ao período entre Janeiro e Março, que abrange o início do conflito, superaram as expectativas dos economistas e ficaram acima dos 4,5 por cento registados no trimestre anterior. Analistas consideram que a China deverá resistir aos impactos de curto prazo da guerra, que entra na sétima semana, mas alertam para riscos a médio prazo, incluindo o abrandamento da procura global por exportações chinesas. O aumento dos preços da energia, impulsionado pelo conflito, está a pressionar a inflação e o crescimento económico global. O Fundo Monetário Internacional reviu esta semana em baixa a previsão de crescimento da China para 4,4 por cento em 2026. No mês passado, as autoridades chinesas fixaram uma meta de crescimento entre 4,5 por cento e 5 por cento para este ano, a mais baixa desde 1991. “A China pode provavelmente absorver perturbações de curto prazo, mas uma guerra prolongada e preços elevados da energia durante mais tempo deverão começar a afectar o crescimento na segunda metade do ano”, afirmou Lynn Song, economista-chefe para a Grande China do banco ING. A prolongada crise no sector imobiliário continua a afectar a confiança de consumidores e investidores, embora o país tenha alcançado no ano passado um crescimento de 5 por cento, sustentado por exportações robustas que elevaram o excedente comercial para um nível recorde de cerca de 1,2 biliões de dólares (, apesar das tarifas impostas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “A ausência de uma resolução rápida para a guerra no Irão deverá penalizar o crescimento global, o que afectará negativamente a capacidade de outras economias para absorver exportações chinesas”, afirmou Eswar Prasad, professor da Universidade de Cornell, citado pela agência Associated Press. A abrandar Na terça-feira, a China divulgou que as exportações cresceram 2,5 por cento em Março, em termos homólogos, desacelerando face aos dois meses anteriores. Segundo Prasad, num contexto em que os países procuram proteger as suas economias dos efeitos do conflito, “a procura por importações chinesas está claramente a diminuir”. Economistas consideram que a China poderá ainda atingir a sua meta de crescimento deste ano, “entre 4,5 por cento e 5 por cento”, através de estímulos políticos, mas alertam que um aumento do investimento público poderá intensificar pressões deflacionistas e reforçar a dependência das exportações, caso a procura interna não recupere de forma significativa.
Abbas Araqchi fala com China, Paquistão e Japão antes de possíveis negociações Hoje Macau - 17 Abr 202617 Abr 2026 O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, manteve na quarta-feira contactos com homólogos da China e do Japão e com o chefe do Exército do Paquistão, nas vésperas de possíveis novas negociações com Washington. Araqchi falou com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, que afirmou, numa conversa telefónica, que a actual situação entrou numa “fase crítica de transição da guerra para a paz”, abrindo “uma janela de oportunidade”. Wang indicou que a China apoia a manutenção do cessar-fogo e das negociações, o que “serve o interesse fundamental do povo iraniano e corresponde à expectativa comum dos países da região e da comunidade internacional”, segundo um comunicado da diplomacia chinesa. “A China está disposta a continuar a promover a distensão e a melhoria das relações entre os países da região”, acrescentou, sublinhando que Pequim pode “desempenhar um papel construtivo para alcançar paz e estabilidade duradouras no Médio Oriente”. A China, principal parceiro comercial do Irão, tem condenado a guerra desde a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra Teerão, em 28 de Fevereiro. Araqchi manteve também uma conversa com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Toshimitsu Motegi, que destacou ser “fundamental” preservar o cessar-fogo e pôr fim ao conflito, incluindo a garantia da segurança da navegação no estreito de Ormuz. Tóquio considerou “muito significativo” manter uma comunicação fluida com o Irão e indicou que o Governo da primeira-ministra, Sanae Takaichi, tem mantido contactos com os países envolvidos e mediadores. Araqchi apelou à comunidade internacional para adoptar uma abordagem responsável que evite o agravamento da situação, referindo-se à “insegurança gerada em Ormuz” como consequência directa da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel. Na mesa O chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, deslocou-se a Teerão para contactos de alto nível sobre a retoma das negociações. A visita surge num contexto de intensificação dos esforços para levar novamente Estados Unidos e Irão à mesa de negociações, após o fracasso do primeiro encontro, que decorreu durante 21 horas na capital paquistanesa. Uma segunda ronda de contactos directos deverá realizar-se no início da próxima semana. Islamabade surge como principal opção para acolher as conversações, embora Genebra se mantenha como alternativa técnica, com o Paquistão a assumir um papel de mediador activo. O esforço diplomático inclui uma digressão regional do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, pelo Golfo e Turquia, visando alcançar um acordo antes do fim da trégua no Estreito de Ormuz, previsto para 22 de Abril.