Francis Lui diz que escassez de hotéis ameaça competitividade de Macau

O líder de uma das seis operadoras de casinos em Macau alertou ontem que a escassez de quartos de hotel poderá ameaçar a competitividade internacional da cidade como destino turístico.

O presidente do Galaxy Entertainment Group, Francis Lui Yiu Tung, disse que “a questão dos quartos de hotel deve também ser abordada”, à medida que os casinos de Macau se concentram na realização de eventos e em apostadores da classe média.

Francis Lui lembrou que Las Vegas recebeu 42,5 milhões de visitantes em 2019, antes do início da pandemia, e que actualmente conta com “mais de 155 mil quartos de hotel”. “Isto é mais de três vezes superior ao de Macau”, lamentou o empresário, apesar de a cidade ter recebido mais de 34,9 milhões de turistas no ano passado. E o número de quartos de hotéis disponíveis em Macau tem vindo a diminuir. De acordo com dados oficiais, os hotéis e pensões de Macau contavam, no final de Março de 2025, com 44 mil quartos, menos 5,8 por cento do que no mesmo mês do ano passado.

Como resultado, o número de hóspedes dos estabelecimentos hoteleiros caiu 5,4 por cento no primeiro trimestre de 2025 e cerca de 59 por cento dos visitantes chegaram em excursões organizadas e passaram menos de um dia na cidade.

Espaço na Montanha

“A procura por alojamento continuará a ultrapassar a oferta nos próximos anos”, alertou Francis Lui. “Se não conseguirmos enfrentar adequadamente a questão da oferta de alojamento, a competitividade de Macau (…), não só a nível regional, mas também global, poderá ser prejudicada”, avisou o empresário.

Francis Lui admitiu que a escassez de terrenos disponíveis em Macau é um desafio e apontou como possível solução “a maior integração” com Hengqin.

Por outro lado, o operador disse que as seis concessionárias devem “unir-se para proteger a posição de liderança de Macau, não competindo nos preços, mas na qualidade da experiência do cliente”. Francis Lui discursou durante o arranque da Global Gaming Expo Asia, o maior evento da indústria do jogo realizado em Macau, que vai decorrer até amanhã.

Wynn Macau | Lucros operacionais encolhem mais de um terço

A Wynn Macau teve lucros operacionais de 127,1 milhões de dólares no primeiro trimestre, menos 38,3 por cento em termos anuais. A operadora de jogo apurou nos dois casinos que tem na região 720 milhões de dólares em receitas, menos 12,2 por cento face aos primeiros três meses de 2024

 

A Wynn Macau anunciou ontem os resultados financeiros relativos ao primeiro trimestre de 2025, que revelam uma quebra significativa dos lucros operacionais, menos 38,3 por cento, para um total de 127,1 milhões de dólares.

De acordo com um comunicado divulgado pela concessionária de jogo, as duas propriedades operadas pela empresa registaram receitas de 865,9 milhões de dólares entre Janeiro e Março, uma queda de 13,3 por cento em comparação com o mesmo período de 2024. As apostas nos casinos Wynn Macau e Wynn Palace foram responsáveis pela maioria do volume de negócios da empresa, arrecadando 720 milhões de dólares em receitas, menos 12,2 por cento do que no primeiro trimestre do ano passado.

Craig Billings, director executivo da empresa-mãe, a norte-americana Wynn Resorts, disse no mesmo comunicado que os grandes apostadores tiveram mais sorte do que o normal no primeiro trimestre, algo que “afectou negativamente os resultados”.

Neste segmento, conhecido como jogo VIP, as apostas diminuíram apenas 1,25 por cento nos dois casinos da Wynn Macau, mas as receitas caíram muito mais, 34,4 por cento em termos homólogos, para 120,2 milhões de dólares.

Em média, os casinos de Macau conseguem arrecadar pelo menos 3 por cento das apostas no jogo VIP, mas este valor caiu para 1,09 por cento nos primeiros três meses do ano, no caso do casino Wynn Macau.

O chamado mercado de massas continuou a ser de longe o principal segmento para a operadora, representando receitas de 710,9 milhões de dólares entre Janeiro e Março, menos 6,9 por cento do que no mesmo período de 2024. Recorde-se que em 2019 o bacará VIP representava 46,2 por cento das receitas totais dos casinos de Macau. Mas nos primeiros três meses do ano este segmento ficou-se por uma fatia de 25,1 por cento.

O mundo lá fora

A Wynn Resorts, que está a construir um hotel-casino nos Emirados Árabes Unidos, disse que continua “a explorar oportunidades para desenvolver mais negócios de jogos ou relacionados no mercado nacional e internacional”.

Numa teleconferência com analistas, após o anúncio dos resultados, Craig Billings, reconheceu que a empresa poderia concorrer a novas concessões para casinos no Japão, mas apenas “se as condições fossem adequadas”. Billings deu ainda como exemplo a Tailândia, país que está a discutir a legalização dos casinos e que descreveu como “um potencial mercado incrível, com transporte aéreo, infra-estruturas, turismo, etc. inacreditáveis”.

Billings disse não esperar qualquer impacto para a Wynn Macau da guerra comercial criada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos às importações vindas da China, Hong Kong e Macau.

Na terça-feira, a agência de notação financeira Fitch Ratings considerou que a guerra comercial pode prejudicar as operadoras de jogo em Macau, que ficam “sujeitas a retaliação” e vulneráveis ao abrandamento económico chinês.

Administração | Ng Wai Han sai dos SAFP para dirigir DICJ

Com a passagem de Adriano Marques Ho para os Serviços de Alfândega, a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos passou a ser liderada interinamente pelo seu sub-director Lio Chi Chong. O secretário para a Economia e Finanças nomeou ontem Ng Wai Han, a primeira mulher à frente da entidade reguladora do jogo de Macau

 

A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) tem uma nova directora. Um despacho assinado pelo secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, publicado ontem no Boletim Oficial, nomeia Ng Wai Han como directora da DICJ pelo período de um ano. A comissão de serviço de Ng Wai Han iniciou-se logo ontem com a publicação do despacho.

Recorde-se que o cargo estava vago desde que Adriano Marques Ho foi conduzido ao posto de director-geral dos Serviços de Alfândega em Dezembro, durante a reformulação dos titulares de elevados cargos públicos com a tomada de posse do novo Governo de Sam Hou Fai. Para o lugar de Adriano Marques Ho, que dirigiu a DICJ desde Junho de 2020, o novo Executivo nomeou o sub-director Lio Chi Chong.

Ng Wai Han passou a ser a primeira mulher na liderança da DICJ, depois do exercício de funções de Manuel das Neves, Paulo Martins Chan e Adriano Marques Ho.

A ascensão da ex-directora de Serviços de Administração e Função Pública ao topo da hierarquia da DICJ marca uma diferença de perfil de dirigentes, que até agora eram provenientes da área das forças de segurança.

Trabalho e administração

O secretário para a Economia e Finanças refere que “Ng Wai Han possui competência profissional e aptidão para o exercício do cargo de directora da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, que se demonstra pelo curriculum vitae”.

A nova líder da entidade reguladora do jogo no território é licenciada em Direito pela Universidade de Sun Yat-Sen, onde também fez mestrado em Direito Penal.

Em 1999, entrou para a função pública, para o cargo de técnica superior (área jurídica) da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), onde permaneceu até 2013. Entre 2013 e 2016, chefiou as divisões de Estudos do Departamento de Estudos e Informática e de Controlo dos Direitos Laborais do Departamento de Inspecção do Trabalho. Em Maio de 2016, passou a liderar o Departamento de Inspecção do Trabalho e um ano depois foi nomeada subdirectora, substituta da DSAL, e subdirectora até 2020, altura em que mudou para os Serviços de Administração e Função Pública, depois de duas décadas na DSAL.

Entre Junho de 2020 e Agosto de 2023, Ng Wai Han foi subdirectora dos SAFP e um mês depois passou a dirigir os SAFP, cargo que ocupou até ontem.

Guias turísticos | Governo reduz valores das multas devido à crise

Os guias turísticos que trabalharem sem a devida identificação deverão passar a pagar montantes mais baixos de multas. É esta a vontade do Governo tendo em conta o novo cenário de redução do número de excursões.

O assunto foi discutido em mais uma reunião da comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL) que analisa, na especialidade, a proposta de lei de actividade das agências de viagens e profissão de guia turístico. No encontro, que decorreu na terça-feira, o deputado Chan Chak Mo, que preside à comissão, explicou que o Governo determinou a redução significativa do montante da multa em caso de infracção após ter ouvido as opiniões do sector. Em causa, está o facto de o conteúdo da proposta de lei ter sido elaborado antes da pandemia, mas os anos da covid-19 vieram mudar o panorama do turismo, com menos excursões em Macau, o que levou a um cenário de crise. Assim, se a proposta de multa inicial incidia entre as 10 e 20 mil patacas, a nova proposta desce a penalização para valores entre as 2 e 10 mil patacas.

Além disso, na reunião de terça-feira foi ainda referido pelos representantes do Governo que vai ser criado um mecanismo de advertência para os guias que façam a primeira infracção à lei, nomeadamente quando não mostrarem o cartão de licenciamento da actividade.

SAFP | IA usada no atendimento de chamadas e informações

A Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) começou a introduzir ferramentas de “inteligência artificial (IA) no serviço de atendimento por telefone para melhorar a qualidade das consultas sobre as informações dos serviços”, revelou numa interpelação escrita a directora Ng Wai Han, que foi ontem nomeada para dirigir a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos.

Em resposta a uma interpelação escrita do deputado Ho Ion Sang, a responsável acrescentou que estão a ser realizados estudos sobre o uso de ferramentas de IA para apoiar os trabalhadores da administração pública no tratamento de documentos oficiais e aumentar a eficiência administrativa.

Para chegar a este ponto, a directora dos SAFP revela que as autoridades locais organizaram “várias visitas a diferentes cidades no Interior da China, tendo-se realizado intercâmbios com os seus governos e equipas, com vista a servir de referência para o desenvolvimento do modelo do governo electrónico, nomeadamente na aplicação de inteligência artificial”.

Conselho de Estado | Xia Baolong em Macau entre hoje e terça-feira

“O director do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China e director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado, Xia Baolong, visitará Macau de 8 a 13 de Maio”, revelou ontem o Gabinete de Comunicação Social.

O representante volta assim a Macau “para se inteirar da situação local”, e “conhecer a actualidade socioeconómica de Macau e os trabalhos de governação do novo Governo da RAEM”.

“O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, em nome do Governo da RAEM, agradece a atenção e apoio prestados desde sempre pelo Governo Central, e dá as calorosas boas-vindas à visita do director Xia Baolong, a Macau”, indicou o GCS, acrescentando que o Executivo irá “proceder, de forma empenhada, às devidas disposições para garantir o pleno sucesso da visita de Xia Baolong”.

Há sensivelmente um ano, Xia Baolong também fez uma visita de uma semana a Macau. Mais recentemente, no início de Fevereiro, o responsável passou dois dias em Hengqin.

Subsídio infância | IAS diz que é incentivo à natalidade

Os bebés nascidos este ano irão receber, nos primeiros três anos de vida, um total de 87 mil patacas no âmbito da concessão do novo subsídio de infância. Hon Wai, presidente do Instituto de Acção Social, defendeu ontem que esta nova medida pode promover o crescimento da taxa de natalidade

 

Estão em marcha os preparativos para a criação do novo apoio às famílias que desejem ter mais filhos, e que foi anunciado nas últimas Linhas de Acção Governativa (LAG) para este ano. Segundo afirmou ontem Hon Wai, presidente do Instituto de Acção Social (IAS), no programa matinal Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, tal medida pode mesmo contribuir para um aumento da natalidade.

“Esperamos que este subsídio possa encorajar as famílias locais a ter filhos. Claro que para aumentar a natalidade temos de considerar vários aspectos, e com este subsídio esperamos poder dar algum apoio financeiro para aliviar a pressão económica das famílias de Macau. Lançamos o subsídio de assistência de infância, e para aumentar a natalidade vamos rever o sistema de serviços de creches”, referiu.

No caso de uma criança nascida este ano, o subsídio de infância implica a atribuição, por parte do Governo, de um total de 87 mil patacas em três anos, tendo em conta o montante mensal de 1.500 patacas.

As 87 mil patacas que as crianças nascidas este ano irão receber dizem respeito ao subsídio da infância somado ao subsídio de nascimento e cheques pecuniários.

Os destinatários do subsídio de assistência na infância têm que ser residentes permanentes, incluindo os bebés nascidos em 2022. Conforme já foi referido, trata-se de um novo apoio que chega a 15 mil bebés e crianças. Nesta fase, o IAS trabalha na elaboração do regulamento administrativo, pois a medida deverá entrar em vigor por altura do Verão.

O montante mensal serve, sobretudo, para aliviar a carga das famílias com despesas essenciais como a compra de fraldas, leite em pó ou alimentação, tendo sido calculado com base nos dados fornecidos pelo Conselho dos Consumidores.

“Baseamo-nos no Conselho dos Consumidores face aos preços médios de artigos de bebé, pelo que estimamos custos semanais na ordem dos 900 a 1.300 patacas”, disse no programa.

Após uma análise preliminar, o Governo decidiu que as inscrições serão feitas através da plataforma da Conta Única de Macau, pois esta tem as informações essenciais dos pais e filhos. Hon Wai apontou também que as informações sobre a estrutura básica deste apoio já estão definidas, podendo ficar disponíveis na Conta Única.

“Prevemos que milhares de pais estejam abrangidos pelo programa e possam pedir o subsídio na mesma altura, pelo que o IAS precisa assegurar o funcionamento da plataforma e assegurar questões como a cibersegurança”, disse.

Estudo sobre creches

No mesmo programa, a chefe da Equipa de Trabalho na Área dos Serviços da Primeira Infância do IAS, Wong In Leng confirmou que o IAS vai estudar o panorama da procura pelo serviço de creches e as instalações disponíveis para crianças com idade inferior a dois anos.

Wong In Leng garantiu ainda que além de ser reforçada a formação para profissionais que tomam conta de crianças, vai ser feita uma avaliação externa a nível institucional a fim de assegurar a qualidade das creches.

A responsável concluiu que o IAS atribui anualmente mais de 240 milhões de patacas às creches subsidiadas, sendo que cada vaga é apoiada em 34 mil patacas. As creches oferecem mais de 900 vagas gratuitas.

Gaza | Hamas avisa que não vale a pena negociar nova trégua

Um alto funcionário do Hamas disse ontem que o grupo palestiniano considera inúteis, nesta fase, as negociações para uma trégua em Gaza, e apelou ao mundo para pressionar Israel a pôr fim à “guerra da fome” no enclave.

“Não vale a pena iniciar negociações ou examinar novas propostas de cessar-fogo enquanto a guerra da fome e a guerra de extermínio na Faixa de Gaza continuarem”, declarou à agência France-Presse (AFP) Bassem Naïm, membro do gabinete político do Hamas. “O mundo deve pressionar o Governo de Netanyahu para pôr fim aos crimes de fome, sede e assassínio” em Gaza, acrescentou.

As declarações surgem um dia depois de o Governo israelita ter anunciado uma nova campanha militar na Faixa de Gaza, que prevê a conquista do território. A Faixa de Gaza, onde os habitantes foram deslocados várias vezes, está sob um bloqueio de Israel desde 02 de Março e atravessa uma grave crise humanitária.

O porta-voz da Defesa Civil de Gaza, Mahmoud Baçal, afirmou ontem que três palestinianos foram mortos na sequência de bombardeamentos israelitas durante a madrugada em diferentes partes da Faixa de Gaza. O exército israelita retomou a ofensiva no enclave a 18 de Março, pondo fim a uma trégua de dois meses.

A guerra foi desencadeada pelo ataque sem precedentes do Hamas contra Israel a 07 de outubro de 2023, que causou a morte de 1.218 pessoas do lado israelita, na maioria civis, de acordo com uma contagem da AFP baseada em dados oficiais.

Das 251 pessoas raptadas, 58 continuam detidas em Gaza, 34 das quais foram declaradas mortas pelo exército israelita. O Hamas mantém também os restos mortais de um soldado israelita morto durante uma guerra anterior em Gaza, em 2014. A campanha de retaliação israelita fez pelo menos 52.567 mortos em Gaza, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do Hamas, considerados fiáveis pela ONU.

Auditores de empresa de Macau acusados de falsificação de contas

Quatro auditores e consultores da Wellink CPA estão a ser acusados de terem falsificado as contas da Huarchi Global Group Holdings Limited, para que esta empresa de Macau conseguisse entrar na Bolsa de Hong Kong. O caso foi revelado ontem através de um comunicado Independent Commission Against Corruption (ICAC) de Hong Kong e está igualmente a ser investigado em Macau.

Segundo os resultados da investigação que decorria desde 2021, os auditores e consultores Lam Shui-mei, Siu Yuen-shan, Cha Wai-lun e Wong Yat-chung falsificaram as contas da empresa Huarchi Global, para que esta apresentasse um crescimento económico fictício e pudesse ser admitida na Bolsa de Hong Kong.

Além disso, os quatro pediram a ajuda de três familiares, identificados como Li Man-heung, Li Kit-chit e Wong Wing-man, para subscreverem títulos da empresa na primeira oferta pública. Segundo o Comissariado Contra a Corrupção (CCAC), que auxiliou o ICAC nas investigações, os envolvidos na compra de acções de receberam 1,5 milhões de dólares de Hong Kong.

Como consequência, os quatro estão acusados de dois crimes de conspiração para defraudar a Bolsa de Hong Kong, enquanto os três familiares estão acusados de um crime de conspiração para defraudar a Bolsa de Hong Kong. Os sete vão ser presentes ao longo do dia de hoje a um tribunal de Hong Kong. No entanto, o ICAC admitiu que as investigações ainda estão a decorrer e que poderá haver outras acusações.

Investigação em Macau

Em Macau, foram realizadas buscas na sede da Huarchi Global Group Holdings Limited, no Edifício Civil Plaza.

O presidente do grupo surge identificado no relatório anual da empresa de 2021 como Lou Cheok Meng. A identidade não foi confirmada pelo Comissariado de Corrupção de Macau, que num comunicado sobre o caso confirmou estar a correr uma investigação independente em Macau.

“A referida empresa de construção é uma empresa local de Macau e o seu responsável é também residente de Macau, pelo que o CCAC instaurou um processo de investigação na sequência dos respectivos indícios de crime”, foi comunicado. Além disso, o CCAC comunicou que o caso continua a ser investigado no território.

A Inteligência Artificial sobre o sexo em Macau

Fiz a experiência de perguntar à plataforma de inteligência artificial mais popular que temas sobre sexo, sexualidade e género fariam sentido discutir em Macau. A resposta trouxe três propostas que, embora não muito surpreendentes, achei interessantes. Claro que a plataforma usou alguma liberdade criativa e intelectual — que eu não lhe pedi — para inventar fontes, citações e pontos de vista. Basicamente, foi buscar o que já se sabe sobre Taiwan e Hong Kong, sobre a abertura crescente a temas LGBTQI+, e tentou fazer paralelismos com Macau. Mencionou o Arco-Íris de Macau/澳門彩虹/Rainbow of Macau como a associação mais ativa na defesa dos direitos LGBTQI+ no território, e até inventou entrevistas ao seu fundador, com citações fictícias.

A primeira proposta que a inteligência artificial sugeriu é sobre os jovens de Macau e a sua abertura a identidades de género não-binárias e plurais, como forma de navegar entre identidades culturais ocidentais e orientais, e acompanhar mudanças geracionais. No mundo inteiro temos visto um movimento de emancipação nesta área, com muitos jovens a discutirem estas questões abertamente. Se em alguns países as instituições e as políticas acompanham estas mudanças (e noutros até recuam), em Macau o fosso pode ser maior, tendo em conta a sua situação geográfica. Fui procurar estudos que aprofundassem o assunto e encontrei um que inquiriu jovens de Macau entre os 18 e os 25 anos. Os autores analisaram de que forma a adesão ao policulturalismo, a ideia de que as culturas estão interligadas e se influenciam mutuamente, se associa a níveis mais baixos de preconceito sexual, incluindo atitudes negativas em relação a pessoas LGBTQ+. O estudo sugere que a diversidade cultural de Macau, e a crença de que as culturas se misturam, pode criar uma predisposição para aceitar também a diversidade sexual. Mas diria que ainda é preciso explorar mais sobre estas questões, ouvindo testemunhos reais sobre as experiências dos jovens que vivem em Macau.

A segunda proposta — que eu já referi por aqui vezes sem conta — tem a ver com a falta de uma educação sexual acessível, inclusiva e focada em promover mais conhecimento e prazer, em Macau e no mundo. Se ainda há uns meses dei o exemplo de Hong Kong, onde se sugeria jogar badminton como forma de gerir a abstinência sexual, diria que Macau não está muito mais aberto a falar de sexo do que isso. Esta falta de discussão cria uma série de complicações que, pela ausência de dados na região, nem sabemos bem qual a verdadeira dimensão do problema. A ausência de uma educação sexual abrangente e inclusiva aumenta o risco de violência sexual, discriminação e propagação de infeções sexualmente transmissíveis.

A terceira proposta surpreendeu-me, porque é um tema em que raramente penso: o crescimento do turismo LGBTQIA+ na Ásia e a oportunidade que Macau tem de apostar neste nicho. Sendo a indústria hoteleira o pilar da economia de Macau, faria sentido abraçar esta oportunidade, como já fizeram a Tailândia e Taiwan, criando espaços LGBTQIA+, ou com eventos específicos, como as celebrações do mês do Pride. De acordo com alguns dados produzidos on-line, este tipo de turismo é rentável e está em crescimento.

A inteligência artificial até tem ideias interessantes, embora algo genéricas. Mas confesso que me agradou perceber que o algoritmo está afinado para defender os direitos de minorias sexuais e tem um discurso inclusivo. Torna-se perigosa, no entanto, quando começa a inventar dados e informação só para que o argumento soe bem. Ainda assim, em geral, pode ser uma ferramenta útil para discutir estas questões sem julgamento. Como a própria plataforma diz, tem o potencial de “combater mitos, difundir conceitos éticos e incluir perspetivas de grupos marginalizados, democratizando o acesso a uma educação sexual mais completa e positiva.” Nesta sugestão de criação de conteúdos, parecia alinhada com esses valores.

Se algum dia vai substituir o trabalho de pessoas como eu, que escrevem sobre estes temas, ou o trabalho de educadores sexuais… talvez ainda seja cedo para tirar conclusões. As pessoas sensíveis e pensantes ainda têm muito a contribuir.

Conferência de instrumentos musicais chineses em Mafra

A oitava edição do festival de música “Lisbon Conference Chinese Music and Musical Instruments” [Conferência de Lisboa da Música e Instrumentos Musicais Chineses] arranca hoje e decorre até domingo entre Lisboa e Mafra, sendo um evento apoiado e financiado por diversas entidades, incluindo ligadas a Macau, como é o caso da Fundação Jorge Álvares e Fundação Casa de Macau, entre outras.

Mais concretamente, hoje, amanhã e sexta-feira, 9 o evento decorre no Palácio Nacional de Mafra. O tema deste ano é “Expanding Horizons: Embracing the Wide Variety of Asian Music and Dance” [Expandir os horizontes: Abraçando a grande variedade de música e dança asiáticas].

A ideia é que nos próximos dias se fale e oiça não apenas música chinesa, mas também as sonoridades asiáticas e se conheça mais sobre os instrumentos musicais que emitem estes sons. Hoje decorre o painel “Traditional and Popular Performing Arts of Asia” [Artes performativas tradicionais e populares da Ásia], em que se falará da música folk chinesa graças à intervenção de Frank Kouwenhoven, investigador da Universidade de Leiden. Seguem-se três intervenções de académicos sobre as canções folk de Naxi, no Sudoeste da China.

Destaque ainda para o painel dedicado a Macau, nomeadamente “Macau: A Crossroads for Chinese and European Music” [Macau: Uma encruzilhada para a música chinesa e europeia], com intervenções de Xiao Ling Shao, que falará da “Arte da Música Portuguesa em Macau” e Enio de Souza, que fará uma “Abordagem aos Instrumentos Musicais nos Templos Chineses de Macau”. Destaque para a palestra protagonizada por José Pinto de Sá e Rui Magno Pinto sobre “Memória dos Concertos de Música Clássica Portuguesa em Macau”.

A parte musical acontece também hoje, a partir das 19h [hora de Lisboa], na Casa da Música Francisco Alves Gato, em Mafra, com um concerto com os músicos Supeena Insee Adler, François Picard e Je Jinhua, entre outros, com diversos instrumentos asiáticos.

Sons populares

Amanhã, quinta-feira, é a vez do debate em torno da música se fazer em Mafra, começando às 10h [hora de Lisboa] com três personalidades do Conservatório de Música de Xangai, China, que falam da “Investigação nas Teorias da Composição da Música Chinesa”. Segue-se a palestra de Rakesh Kumar, de África do Sul, que falará do “Afro-Indian Siddi Goma-Dhamal Performances: Bridging the Past and Present, the Local and Global” [Performances Afro-Indianas Siddi Goma-Dhamal: Trazendo o Passado e o Presente, o Local e o Global].

Novamente do Conservatório de Música de Xangai, China, surge Feng Changchun a falar da “Empatia através do Tempo e do Espaço – A Poesia de Li Yu e a Arte da Composição da Canção Chinesa Moderna”. Por sua vez, Maureen Russell, do Departamento de Etnomusicologia da UCLA – Universidade da Califórnia, Los Angeles, irá falar de arquivos musicais em “Sharing Soundscapes: The Bake / Jairazbhoy Digital Archive of South Asian Traditional Music and Arts”.

Este sábado, decorrem sessões paralelas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa sobre a música chinesa e asiática em termos gerais. Um dos painéis versa sobre a História Musical Antes e Depois de 1949″, em que Zhang Xiaodong, do Conservatório de Música de Xangai, irá apresentar um “Estudo sobre o Desenvolvimento Histórico e Formatos de Performance do Yueqin”, instrumento de cordas chinês. Outro exemplo de palestra é a sessão protagonizada por Lisa Beebe, da Universidade de Wisonsin-Whitewater, sobre a presença dos instrumentos vietnamitas no Canadá.

Jonathan Stock aborda ainda o tema “Abordagem Temática e Multivocal da História da Música na República da China (1912-1949)”.

MUST | “Abraço do Amor” e outras obras, de Leong Kit Man, em exposição

A Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa) acolhe até domingo a mostra da autoria de Leong Kit Man, com diversas pinturas, onde se destaca a criação “Abraço do Amor”. Tratam-se de trabalhos financiados pelo Programa de Apoio a Jovens Talentos da Criação Artística do Fundo Nacional de Artes da China, na sua edição relativa a 2024, com curadoria de Julia Kwan

 

Leong Kit Man, jovem artista local, expõe a sua obra “Abraço do Amor” até este domingo na Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa). Trata-se de uma pintura de grandes dimensões, com 4,8 por 4,8 metros, resultado de um projecto artístico financiado pelo Programa de Apoio a Jovens Talentos da Criação Artística do Fundo Nacional de Artes da China de 2024.

Segundo um comunicado da MUST, esta é uma pintura onde flores e pássaros ganham destaque, rompendo “com a composição tradicional da pintura topográfica”.

Segundo uma nota da curadora, Julia Lam Tsz Kwan, a artista “une [na pintura] paisagens humanas e uma árvore centenária numa visão através de blocos de cores segmentados, com elementos diversificados, incluindo a árvore ancestral que simboliza o ciclo da vida, ninhos que simbolizam lares, criação de crias que representam a adopção e a herança, e placas votivas que evocam preces”. Todos estes elementos “significam crescimento humano”, lê-se na mesma nota.

Além deste grande quadro, o público pode ainda ver “seis pinturas originais de grande escala de flores e pássaros, a par de desenhos preparatórios, esboços e estudos de cor da artista”. A mostra inclui também “uma animação digital especial” enquadrada com a pintura “Abraço do Amor”. Este conjunto de trabalhos indica que “além da herança técnica, a evolução da pintura chinesa está em linha com o contínuo pioneirismo de novas expressões artísticas”. Todos estes trabalhos podem ser vistos de forma gratuita no quarto piso do Bloco R da MUST.

Questão de estilo

Na mesma nota, destaca-se que Leong Kit Man tem procurado, há mais de uma década, “fundir a pincelada meticulosa, ao estilo gongbi, com material com texturas, a fim de obter um estilo distinto, ao mesmo tempo que explora e expande infinitas possibilidades dos media [artísticos] orientais”.

De frisar que o estilo gongbi é, na pintura chinesa, sinónimo de detalhe e precisão na forma como os diversos elementos são retratados, a fim de dar uma noção de grande realismo a quem olha para as obras. Para este estilo de pintura são usados pincéis específicos a fim de obter determinados tipos de linhas e contornos, conforme o objectivo que o artista quer alcançar.

Mo Xiaoye, orientador da exposição e professor do Departamento de Belas Artes da Universidade de Ciência e Tecnologia de Zhejiang, afirmou que a peça “Abraço do Amor” representa “numa perspectiva única, a península de Macau vista de longe de Cotai”. Para o académico, esta pintura permite também “uma releitura altamente criativa e bem-sucedida do género de pintura topográfica de Macau, rompendo com os formatos convencionais”.

A própria artista explica que esta obra “tem como pano de fundo a paisagem urbana de Macau dramaticamente transformada 25 anos após a transferência [de administração portuguesa de Macau para a China], com uma árvore centenária como peça central a olhar para nós, que passamos por ela”.

Doutorada em Belas Artes pela Academia Nacional de Artes da China, artista, académica e curadora, Leong Kit Man é professora assistente de Belas Artes e supervisora de mestrado e doutoramento na Faculdade de Humanidades e Artes da MUST.

A artista teve ainda obras seleccionadas para a Exposição Nacional de Arte da China em 2014, 2019, e 2024. Destaque para a obra “Esplendor Efémero”, que foi escolhida para integrar a Exposição de Obras Selectas da Exposição Nacional de Belas Artes de 2019 em Pequim. A artista ganhou vários prémios na Exposição Anual de Artes Visuais de Macau.

Dia da Vitória | China envia guarda de honra para desfiles em Moscovo

O Exército da China vai enviar uma guarda de honra para os desfiles do Dia da Vitória em Moscovo, onde o Presidente chinês, Xi Jinping, deverá comparecer ao lado do homólogo russo, Vladimir Putin, na Praça Vermelha.

O Ministério da Defesa da China anunciou, na segunda-feira, que enviará uma guarda de honra para participar nos desfiles militares nas capitais da Rússia e da Bielorrússia, para assinalar o 80.º aniversário da derrota da Alemanha nazi, que se celebra esta sexta-feira.

Pequim enviou guardas de honra a Moscovo para um desfile comemorativo do Dia da Vitória em 2015, mas esta será a primeira vez que uma guarda de honra chinesa participará num evento semelhante em Minsk.

Segundo analistas chineses, o gesto visa demonstrar apoio à ordem internacional do pós-Segunda Guerra Mundial, que Pequim considera estar sob ameaça. Vídeos divulgados nas redes sociais chinesas mostraram os ensaios dos soldados chineses em Minsk e Moscovo na semana passada.

Como parte dos preparativos para o desfile em Moscovo, os soldados chineses ensaiaram a “Canção dos Guerrilheiros” na Praça Vermelha, no domingo, descreveu o Global Times, jornal oficial do Partido Comunista Chinês. A canção patriótica descreve as dificuldades enfrentadas pelos soldados chineses durante a invasão japonesa.

A agência de notícias oficial Xinhua afirmou que este ano é importante para a China e a Rússia, bem como para “todos aqueles que amam a paz em todo o mundo”, uma vez que também assinala o 80.º aniversário do fim da invasão do Japão na China.

A Xinhua acrescentou que China e Rússia vão “defender a história escrita com sangue e vidas, e opor-se a qualquer tentativa ou comportamento que procure negar, distorcer ou falsificar a história da Segunda Guerra Mundial”. Pequim já tinha anunciado que Xi visitará a Rússia entre quarta-feira e sábado, e que manterá um “diálogo estratégico” com Putin.

Turismo | Viagens aumentam 6,4 por cento durante feriados de Maio

A China registou cerca de 314 milhões de viagens domésticas durante o fim de semana prolongado do Dia Internacional dos Trabalhadores (01 de maio), um crescimento homólogo de 6,4 por cento, segundo dados ontem divulgados.

As despesas turísticas também aumentaram este ano, informou o Ministério da Cultura e do Turismo, atingindo 180,3 mil milhões de yuan, um aumento de 8 por cento, face ao ano anterior. As autoridades já tinham previsto um aumento da actividade turística durante as férias de 01 a 05 de Maio, com as reservas a apontarem para uma preferência por viagens de longa distância dentro do país.

O país asiático registou cerca de 10,89 milhões de viagens de entrada e saída durante o feriado, um aumento de 28,7 por cento em relação ao mesmo período de 2024, de acordo com a Administração Nacional de Imigração.

O sector do turismo, um dos mais afectados pela pandemia de covid-19 e pela política de “covid zero”, que fechou as fronteiras do país asiático durante três anos, é uma das grandes esperanças do Governo chinês para impulsionar o consumo e fortalecer sectores como a restauração, os transportes e o comércio a retalho.

Em Março, o Governo divulgou um plano de acção com orientações para garantir um ambiente favorável ao consumo, para o qual desenhou propostas como a protecção dos direitos laborais em termos de descanso e férias, a melhoria das infraestruturas comerciais e a redução das restrições ao consumo.

De acordo com os dados oficiais, a segunda maior economia do mundo cumpriu o objectivo de crescimento de 5 por cento em 2024, mas os analistas continuam a apontar problemas como a fraca procura interna e internacional, a guerra comercial, os estímulos insuficientes, uma prolongada crise imobiliária e a falta de confiança dos consumidores e do sector privado.

Gaza | Pequim exprime profunda preocupação com plano de Israel de alargar ofensiva

A China expressou ontem profunda preocupação com a situação na Faixa de Gaza e manifestou a sua oposição aos planos anunciados pelo Governo israelita para expandir a operação militar no enclave palestiniano.

“A China está profundamente preocupada com a situação actual em Gaza e opõe-se à continuação das operações militares de Israel naquela região”, afirmou ontem o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Lin Jian, durante uma conferência de imprensa, em Pequim.

Lin apelou a todas as partes para que implementem de forma efectiva os acordos de cessar-fogo e retomem “o caminho certo” rumo a uma solução política para o conflito.

O gabinete de segurança de Israel aprovou na madrugada de segunda-feira um novo documento que prevê, entre outros pontos, a ocupação permanente de territórios na Faixa, o deslocamento forçado da população para o sul e um novo sistema de distribuição de ajuda humanitária, rejeitado pela ONU e por todas as organizações humanitárias presentes no terreno.

No âmbito da sua posição mais ampla, a China defendeu na semana passada, perante o Tribunal Internacional de Justiça, que Israel “não tem soberania” sobre os territórios ocupados e, por isso, não pode vetar o trabalho de organismos como a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), à qual chamou de “coluna vertebral” da ajuda humanitária em Gaza.

Pequim tem insistido que a solução passa pelo respeito do direito internacional, o fim do castigo colectivo à população civil e a defesa do princípio dos dois Estados. Os ataques israelitas sobre Gaza já causaram mais de 52.200 mortos no ano e meio de conflito desencadeado pelos ataques do Hamas a Israel, em Outubro de 2023.

UE | Xi pede união contra “intimidação unilateral” e reforço de parceria

Em dia de celebração dos 50 anos de relações diplomáticas, o Presidente chinês pede o reforço das relações bilaterais entre a China e o Velho Continente em resposta aos novos desafios colocados pela administração norte-americana

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que China e União Europeia devem “opor-se ao assédio unilateral”, por ocasião do 50.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas, que coincide com tensões comerciais com os Estados Unidos.

Xi sublinhou que a relação entre a China e a UE é “uma das relações bilaterais mais influentes do mundo” e enquadrou esse vínculo num cenário global marcado pela incerteza. “A humanidade encontra-se novamente numa encruzilhada histórica”, afirmou o líder chinês, que destacou o papel da cooperação bilateral como um modelo de referência internacional.

“Uma relação saudável e estável entre a China e a UE não só beneficia ambas as partes, como ilumina o caminho do mundo”, assinalou.

Xi disse atribuir grande importância ao desenvolvimento das relações com Bruxelas e expressou a sua vontade de trabalhar com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para “aprofundar a comunicação estratégica, ampliar a abertura mútua e gerir adequadamente as fricções e divergências”.

A mensagem, divulgada ontem, incluiu também uma resposta por parte dos líderes europeus, que destacaram a evolução da relação bilateral e expressaram a sua disposição para “enfrentar juntos os desafios partilhados e promover a paz, a segurança e o desenvolvimento sustentável”, segundo indicou a diplomacia chinesa.

O apelo de Xi surge num momento em que Pequim procura reforçar a cooperação com Bruxelas perante a crescente pressão que diz estar a ser alvo por parte de Washington.

Benefícios mútuos

A China tem criticado repetidamente as medidas económicas impostas pelos Estados Unidos — como tarifas aduaneiras ou restrições tecnológicas — e tem apelado à UE para que mantenha uma política independente, baseada no multilateralismo e no benefício mútuo.

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, também trocou mensagens com Costa e von der Leyen, reafirmando o compromisso de Pequim com uma relação “estável, construtiva e de benefício mútuo”. A comemoração do aniversário coincidiu ainda com o anúncio da retoma plena do diálogo legislativo entre Pequim e o Parlamento Europeu, após o levantamento mútuo das restrições impostas em 2021.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês reafirmou ontem que a cooperação com a UE “pesa mais do que a concorrência”, numa altura em que ambas as partes procuram preservar uma agenda comum face ao aumento das tensões comerciais com os Estados Unidos.

Lições chinesas

Ana Cristina Alves, Investigadora Auxiliar e Coordenadora do Serviço Educativo do Centro Científico e Cultural de Macau

Maio de 2025

Nas lições proverbiais chinesas fui descobrir grandes afinidades entre a Filosofia Popular chinesa espontânea, que corre de boca em boca, e a sapiência proverbial cristã, também ela feita para que os crentes, em todos os cantos do globo, a pudessem memorizar, repetir e divulgar.

Nada como o conhecimento do outro para aproximar e desfazer preconceitos, sendo um dos mais usuais que os chineses são extremamente pragmáticos e frios. Mas quando nos deparamos com provérbios como “Ama o próximo como a ti mesmo”, numa tradução direta e fiel ao original “爱人如己” (Ài rén rú jǐ), tal leva-nos a pensar duas vezes, parece não estar aqui em causa apenas uma questão de respeito, descarnado e formal, mas antes um forte sentimento pelo outro, não um qualquer, tão-só um afeto profundo, daqueles que compreende bem que vivemos interligados e que se os outros estão bem, nós ficaremos melhor. Corre então um amor à maneira cristã pela China sem que Cristo nunca aí tenha estado. Tal constatação pode conduzir-nos ao pressuposto da existência de estruturas universais, não apenas lógicas, inclusive no que se refere aos afetos, portanto sentimentais. Afinal, o egoísmo pode não ser uma tendência dominante, há de tudo: gente egoísta, agressiva e competitiva, como outros serão naturalmente altruístas, compassivos e cooperantes, prontos a reconhecer a universalidade do sentimento de amor, que cruza fronteiras em lugar de as erguer, aproximando pessoas das mais diversas classes sociais, etnias, geografias, como em “O amor não tem fronteiras”, numa tradução direta “爱情无阶级之分” (Àiqíng wú jiējí zhī fēn), aqui sendo particularmente enfatizadas as fronteiras sociais.

O conteúdo da mensagem ganha sentido pleno quando se percebe que o amor a si mesmo tem lugar numa cultura que muitos consideram errada e preconceituosamente apenas se concentrar no todo, na coletividade. A atenção à pessoa, ao particular e ao estilo e sentir de cada um, convive, em filosofias como a taoista há séculos com a valorização da coletividade, esta última tendência manifestamente inculcada e trabalhada pelo Confucionismo. O amor a si próprio, o cuidado pelo corpo e pela mente individuais, é enfatizado no dito proverbial “O amor e a virtude bem entendidos devem começar por nós”, que tem a seguinte correspondência em chinês “爱德从己起” (Ài dé cóng jǐ qǐ).

Quem imagine que na sabedoria proverbial apenas há lugar para enaltecer e cantar o amor relacional, já que os chineses não possuem qualquer filosofia religiosa que entoe o amor espiritual acima de tudo, à maneira cristã de Santo Agostinho, ficará surpreendido ao deparar-se com o seguinte provérbio “Onde manda o amor, não há outro senhor”, que numa tradução direta do chinês é mesmo “O amor acima de tudo” 爱情至上 (Àiqíng zhì shàng).

Caso restem dúvidas, há um outro dito de sentido complementar e no qual se transmite a ideia da integridade e unidade deste afeto, poderoso, que move montanhas no sentido cristão, quando se lê 爱情专一 (Àiqíng zhuān yī), numa tradução possível “O amor não pode ser partido”, numa outra :“Uma pessoa não pode ter o coração em duas partes ao mesmo tempo”.

Do ponto de vista psicológico, a aceitação do outro em termos amorosos terá de ser completa, pelo que os seus gostos, afetos, relações e objetos não poderão ser rejeitados, como se depreende da lição “Quem ama a Beltrão, ama o seu cão”, numa correspondência relativa para “爱屋及乌” (ài wū jí wū), que numa tradução literal seria “ama a casa e os corvos”.

Como se sabe os provérbios são suscetíveis de várias interpretações, por isso se dizem polissémicos, no entanto se forem perspetivados no seu conjunto e só depois como peças de um puzzle, parece não haver muitas dúvidas no que respeita à filosofia e psicologia proverbiais do amor chinês, que encontra eco nas filosofias eruditas do país.

No capítulo 67 do Livro da Via e da Virtude (《道德经》), também conhecido pelo nome do patriarca do Taoismo, Laozi (老子), encontra-se a primeira das três virtudes norteadoras do caminho do sábio, o amor, como se pode ler na tradução de Cláudia Ribeiro (2004, 139):

Eu tenho três tesouros

Que entesouro e retenho:

O primeiro é o amor (ci),

O segundo a frugalidade,

O terceiro é não ousar ser a vanguarda do mundo.

(…)

Pelo amor,

No combate, triunfa-se,

e, na defesa, é-se firme.

O Céu virá em socorro

e, com amor, protegerá

(我有三寶/寶而持之/一曰慈/二曰儉/三曰不敢為天下先 (​​… …) 夫慈以戰則勝/以守則固/天將救之/以慈衛之1)

Nota-se que enquanto na filosofia proverbial o sinograma utilizado para amor é 爱/愛2 (ài), na filosofia erudita do patriarca do Taoismo o termo empregue é 慈 (cí), ou seja, amor com uma forte carga relacional e espiritual; embora sejam palavras diferentes, ambas referem o amor, a primeira diz respeito ao sentimento mais físico e concreto, centrado no coração da pessoa e nas garras que a prendem; a segunda àquele mais relacional e geral, indica que o amor vem do interior do coração (内心nèixīn) , onde tem as raízes, despontando como qualquer planta. Porém, a verdade é que ambos os termos se centram em pessoas, ou melhor nos seus corações, em conexão afetuosa com os outros, numa ligação tão forte que chama a atenção do próprio Céu (天 tiān), potência impessoal máxima, este assegura a vitória em todas as frentes de batalha, seja na vanguarda ou na retaguarda, quando se combate e se defende por amor.

Já o patriarca do Confucionismo, Confúcio (孔子), no capítulo doze, intitulado posteriormente a Face Profunda, dos Analectos ( 論語•颜渊第十二,22) define a principal virtude da escola, a benevolência ou humanidade, (仁 rén) como um ato de amor ao próximo, mantendo o termo do vernáculo tradicional 爱 (ài): “Fan Chi perguntou o que era a benevolência, ao que Confúcio respondeu, «amar as pessoas».” (樊遲問仁,子曰 「愛人3。”) É neste contexto de amor ao próximo, que se deve entender uma das principais máximas da filosofia confucionista, que surge no mesmo capítulo ( 論語•颜渊第十二,2) “não faças aos outros o que não desejas para ti” (己所不欲勿施於人Jǐ suǒ bù yù wù shī yú rén).

O essencial na filosofia confucionista será então garantir o amor ao próximo em termos de respeito ou humanidade para com os outros, de modo a assegurar o normal funcionamento da sociedade, sem sacrifícios extremos nem explorações exageradas, Dada a proverbial contenção dos confucionistas relativamente aos sentimentos, estes são importantes e úteis mas não devem extravasar os limites da racionalidade, quer dizer, os afetos, mesmo o melhor deles todos, terá de ser medido, controlado e ritualizado em nome da harmonia coletiva. Assim sendo, o amor que move as amizades, sobretudo as intelectuais, é o mais enaltecido, como nos é recordado no final deste capítulo ( 論語•颜渊第十二,24):

Zeng Zi afirmou: “Um cavalheiro recorre ao saber para fazer amizades e aos amigos para cultivar a benevolência4” (曾子曰:君以文會友,以友輔仁。)

Por fim, também a filosofia budista, sobretudo da linha da Meditação Chan (禅 Chán) ou Zen, enaltece o amor à humanidade, mas de forma indireta, ao chamar a atenção para o coração e para a identificação de Buda com o coração, à maneira do Quarto Patriarca Daoxin (道信) e da sua máxima proverbial sobejamente conhecida “O coração é Buda e Buda é o coração” (非心不问佛,问佛不非心Fēi xīn bùwèn fú, wèn fú bù fēi xīn). Aqui se chega ao amor por via indireta, só um coração iluminado é capaz de amar a Buda, como não é de surpreender no quadro desta filosofia, afinal o que é Buda senão o próprio amor que se expressa não num coração egoísta, doente, egocêntrico, mas num coração capaz de estabelecer relações, saudável, altruísta e sem ego, ou vazio, porém não indiferente ao outro? Tal o confirmam as ações sociais e humanitárias do Budismo da via Mahayana, que teve aceitação na China e se desdobra em obras coletivas como a construção de instituições de ensino, hospitais, centros de solidariedade social, numa atuação proselitista em tudo semelhante ao historial da Igreja cristã e seus missionários espalhados pelo mundo.

Referências Bibliográficas

Lansheng, Jiang (comp.) 1997. 100 Excerpts from Zen Buddhist Texts. 《禪宗語錄一百則》Hong Kong: Commercial Press.

Ngan, António André. 1998. Concordância Sino-Portuguesa de Provérbios e Frases Idiomáticas. 中葡對照成語集. Macau: Associação de Adultos de Macau.

Ribeiro, Cláudia (Trad). 2004. 《道德經》O Livro da Via e do Poder. Edição Bilingue. Mem-Martins: Publicações Europa-America.

Xin Guanjie (辛冠洁) (Org. e Trad.) 1994. 《論語》.Tradução para chinês contemporâneo Cai Xiqin (蔡希勤) e tradução para Inglês de Lai Bo (赖波) e Xia Yuhe (夏玉和). Beijing: Sinolingua.

Referências:

Texto em chinês clássico.

Amor em chinês simplificado e tradicional.

Texto em chinês clássico.

Um cavalheiro nos tempos antigos chineses era um senhor e um potencial governante.

“Este espaço conta com a colaboração do Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, sendo as opiniões expressas no artigo da inteira responsabilidade dos autores” https://www.cccm.gov.pt

CPSP | Detido assediar passageira de autocarro

Um homem, com cerca de 20 anos, foi detido pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), depois de ter aproveitado o facto de um autocarro estar cheio para assediar uma passageira. O caso aconteceu na quarta-feira 30 de Abril. De acordo com a PSP, nesse dia, o homem esfregou a zona pélvica contra as ancas de mulher durante vários minutos.

A vítima de 20 anos acabou por não reagir imediatamente, e deixou que o homem saísse do autocarro. No entanto, acabou por apresentar queixa na polícia, momentos mais tarde. O residente foi identificado com recurso ao sistema de gravação do autocarro e à videovigilância da cidade.

Questionado pelas autoridades, após ser detido, o homem confessou a prática dos factos. Além destas suspeitas, no registo criminal, o homem conta com uma condenação pelo crime de gravações ilícitas, em 2018, e outra condenação de devassa de vida privada, em 2021.

Álcool | Homem apanhado com 1,26 g/l no sangue

Um homem, com cerca de 40 anos, foi detido depois de ter sido apanhado a conduzir com uma taxa de álcool de 1,26 gramas por litro de sangue. O caso aconteceu a 1 de Maio, foi apresentado ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e citado pelo jornal Ou Mun.

O condutor foi apanhado quando circulava na Avenida da Ponte da Amizade, por volta das 5h, e foi mandado parar numa operação de rotina da polícia. Ao ser parado, os agentes do CPSP sentiram o cheiro a álcool e pediram ao condutor que fizesse o teste do álcool.

Como o resultado foi de 1,26 gramas por litro de sangue, o homem admitiu ter estado a consumir álcool durante um jantar, na Areia Preta, pelo que o caso foi encaminhado para o Ministério Público.

Citigroup | Guerra comercial ainda está a passar ao lado

No início de Maio, os grandes apostadores deslocaram-se em força aos casinos do território. O Citigroup admite que poderá ter assistido de alguma forma a despesas de vingança, ou seja, de um consumo intenso após períodos de privação

 

Nos primeiros dias de Maio, o impacto da guerra comercial entre os EUA e a China não se fez sentir mas mesas dos casinos. O cenário foi traçado pelo banco de investimento Citigroup, no mais recente relatório sobre o sector do jogo.

O feriado do 1.º de Maio coincide com a semana dourada no Interior, um dos principais períodos de férias, e apesar do ambiente económico mais complicado a nível mundial, os jogadores, inclusive os VIP, não deixaram de vir a Macau.

De acordo com o Citigroup, citado pelo portal GGR Asia, os “actuais conflitos comerciais entre a China e os Estados Unidos parecem não estar a desencorajar os jogadores de desfrutarem das ofertas de jogo e dos elementos não jogo de Macau”, é escrito.

Os analistas George Choi e Timothy Chau até vão mais longe e consideram que as observações realizadas nos casinos foram de deixar “o queixo caído”, face ao número de jogadores. Para esta realidade contribuiu o número de grandes apostadores, aqueles que fazem apostas superior a 1 milhão de dólares de Hong Kong por jogada, que marcaram presença nas mesas.

Os analistas até colocaram a hipótese de terem assistido a “despesas de vingança”, expressão utilizada para descrever um consumo intenso e elevado, depois de momentos de privação. “Foi a primeira vez que nos deparámos com mais do que um jogador VIP a apostar vários milhões de dólares de Hong Kong no mesmo dia”, observaram. “Isto sugere provavelmente que os actuais conflitos comerciais entre a China e os EUA não estão, até agora, a afectar as preferências dos jogadores”, sugeriu o Citi.

Casa cheia

Todavia, não foi apenas em termos de jogadores VIP que o mercado do jogo mostrou uma grande vitalidade. O mesmo aconteceu a nível das massas, com o Citigroup a indicar que o número de visitantes, na ordem dos 220 mil por dia, apresentou médias superiores às do período do Ano Novo Lunar, outra das épocas altas do turismo.

Face a estes valores, o Citigroup indica que os números mostram que existe uma certa “falta de elasticidade da procura do jogo”, ou seja, que a procura pelo jogo tende a sofrer poucas variações, apesar de ser afectada por factores negativos.

Em termos de quota de mercado entre as seis concessionárias, e tendo em conta o segmento mais elevado do mercado de massas, o segmento premium, os analistas apontaram que Sands China, Wynn Macau e MGM China obtiverem 63 por cento do mercado, com Galaxy, Melco e SJM a obterem os 37 por cento restantes. Esta tendência foi considerada como dentro do expectável.

O banco indicou ainda que a MGM China “saltou para o primeiro lugar com uma quota de aproximadamente 30 por cento das apostas de massa premium observadas” devido à presença de um grande apostador que fazia apostas na ordem dos 2,9 milhões de dólares de Hong Kong.

Natalidade | Menos 100 nascimentos em três meses

Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que a taxa de natalidade não dá sinais de aumentar.

Isto porque no primeiro trimestre do ano registaram-se 750 nascimentos, uma queda de 106 face ao último trimestre de 2024. Ainda no primeiro trimestre, o número de nascimentos diminuiu 237 face ao quarto trimestre de 2024.

A população total de Macau era, em Março, de 687.900 pessoas, mais 1.500, face ao fim do mesmo trimestre de 2024, devido principalmente à subida do número de trabalhadores não residentes domiciliados em Macau, destaca a DSEC. Quanto à distribuição percentual da população por sexo, a população feminina, com 369.600 pessoas, era superior à masculina 318.300 pessoas, representando 53,7 por cento da população total.

Myanmar | Redução de pedidos de ajuda a Macau desde Abril

O número de pedidos de apoio no contexto do terramoto no Myanmar, ocorrido a 28 de Março, tem baixado. É o que refere um comunicado dos Serviços de Saúde de Macau, que participa nas acções de salvamento.

Na última sexta-feira decorreu uma reunião conjunta, presidida por Htuntin, subdirector do Departamento de Saúde Pública do Ministério da Saúde de Myanmar, onde este referiu que “o número de atendimentos diários da equipa internacional de saúde, que ascendeu a 400 por dia nos sete dias subsequentes ao terramoto, experimentou um aumento significativo, atingindo 1.700 no pico”.

Porém, “a partir do dia 12 de Abril, tem-se observado uma diminuição e subsequente estabilização no número de atendimentos, à medida que as equipas de emergência de vários países continuam a prestar apoio a vítimas”.

Actualmente, “apenas nove por cento dos feridos estão directamente relacionados com o terramoto”, refere-se na mesma nota. Macau participa nestas acções através da Equipa Internacional de Emergência Médica da China (Macau), sendo uma das sete equipas internacionais que permanecem activas no Myanmar.

Zona A | Estação de monitorização da qualidade do ar na calha

Será construída uma estação de monitorização da qualidade do ar na Zona A dos novos aterros. Em relação à qualidade do ar, o director dos SMG referiu a descida da concentração de poluentes atmosféricos em 2023, segundo dados da rede de monitorização da Grande Baía. Isto apesar da qualidade ar ter piorado em Macau em 2023 e 2024

 

Depois de uma sequência de dias com qualidade do ar perigosa ou insalubre, que inclusive motivou o alerta dos Serviços de Meteorológicos e Geofísicos (SMG) para a população evitar sair à rua, o director do organismo deu conta de melhorias na qualidade do ar verificada em 2023 a nível regional.

Numa resposta à interpelação escrita do deputado Lei Chan U, Leong Weng Kun salienta os resultados das medidas a nível regional e o trabalho da Rede de Monitorização da Qualidade do Ar de Guangdong-Hong Kong-Macau para a Região do Delta do Rio das Pérolas”.

Segundo o director dos SMG, o relatório de 2023 da rede inter-regional aponta que “os valores médios anuais de concentração de vários poluentes atmosféricos registados em 2023 caíram entre 17 e 86 por cento em relação aos níveis de pico”. Leong Weng Kun conclui que “as medidas de redução de emissões implementadas pelas três regiões foram eficazes na melhoria da qualidade do ar regional”.

Porém, as estatísticas anuais do ambiente de 2023 e 2024 de Macau pintam um cenário bem diferente. Em 2023, foram registados mais dias com má qualidade do ar face ao ano anterior. Aliás, os dias com ar “insalubre” e “moderado” foram muito superiores aos com “boa” qualidade. O panorama piorou no ano passado, segundo as estatísticas do ambiente o número de dias com qualidade do ar “insalubre” e “muito insalubre” voltou a aumentou em relação a 2023.

Além do oxigénio

O director dos SMG salienta também o estudo elaborado pelas três regiões para compreender as causas do ozono na região da Grande Baía e as características de transmissão a nível inter-regional.

Apesar da descida da qualidade do ar, Leong Weng Kun afirma que, “nos últimos anos, o Governo da RAEM tem implementado uma série de medidas para melhorar a qualidade do ar, incluindo a redução da emissão de poluentes atmosféricos através de medidas de incentivo e regulação, visando os precursores de ozono”. O responsável dá os exemplos da proibição de importação e trânsito de tintas para construção, tintas para veículos e adesivos para obras de decoração com alto teor de compostos orgânicos voláteis.

Em relação à monitorização da poluição atmosférica, Leong Weng Kun revela que estão “actualmente em curso os trabalhos preparatórios” para construir uma estação de monitorização da qualidade do ar na Zona A dos Novos Aterros Urbanos”.

Idosos | IAS reconhece dificuldades de empresas sociais

O Instituto de Acção Social (IAS) reconhece que o novo ambiente de comércio afectou negativamente as únicas duas empresas sociais que têm entre as suas funções contratar trabalhadores idosos. O cenário actual foi traçado na resposta a uma interpelação do deputado Lei Chan U, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

“Actualmente, as duas empresas sociais para idosos que entraram em funcionamento são da área da restauração, proporcionando 16 vagas a tempo inteiro e seis a tempo parcial para idosos”, foi explicado. “Os dois projectos de empresa social entraram em funcionamento durante o período pandémico. Devido ao impacto da pandemia e ambiente do mercado, o funcionamento diário e o desenvolvimento das empresas sociais foram relativamente afectados. Após a pandemia, a sociedade e a economia de Macau recuperaram gradualmente, no entanto, face à mudança constante do ambiente de negócios de Macau, o funcionamento de empresas, incluindo as empresas sociais de idosos, deparam-se com muitos desafios e pressões”, foi acrescentado.

Apesar de várias estratégias para relançar o negócio, como promoções ou alargamento do horário de funcionamento, o presidente do IAS, Hon Wai, admite que a situação conheceu poucas melhorias. No entanto, o IAS indica que o futuro Plano Decenal de Acção para os Serviços de Apoio a Idosos, que deverá entrar em vigor no próximo ano, deverá ter mais medidas para incentivar a contratação de idosos.

Alojamento local | Lo Choi In reconhece desafios, mas pede estudo

A deputada ligada à comunidade de Jiangmen aponta que, apesar da proibição do alojamento local em Macau, existem anúncios em todo o lado e que uma simples busca na internet apresenta ofertas para quase todos os gostos

 

Lo Choi In quer saber se o novo Governo tem planos para estudar a viabilidade do alojamento local em Macau. A questão faz parte de uma interpelação escrita pela deputada ligada à comunidade de Jiangmen, divulgada no portal da Assembleia Legislativa.

De acordo com Lo Choi In, as pensões ilegais encontram-se actualmente num regime misto, em que apesar de serem proibidas, não foram criminalizadas, o que tem feito com que continuem presentes em Macau. Além disso, indica, o aumento do número de um novo tipo de turistas do Interior da China também tem contribuído para que a procura por estes espaços continue a crescer.

Neste contexto, em que a deputada pergunta se não seria melhor estudar a viabilidade legal do alojamento local, dado que se torna cada vez mais impossível o combate ao fenómeno. “A lei da proibição de prestação ilegal de alojamento não criminalizou a oferta de alojamento local em Macau. A intenção legislativa passou por deixar margem para que no futuro se pudesse avançar para a legalização”, justificou a deputada, que votou a favor da proposta. “Todavia, a lei impõe uma sanção administrativa para a oferta de alojamento local de 800 mil patacas, o que também reflecte a preocupação da comunidade com o alojamento ilegal”, reconheceu. “Será que os serviços competentes podem tomar a iniciativa de se juntarem a algumas instituições académicas, grupos de interesse da comunidade e estudar a viabilidade do alojamento local, de modo a examinar e explorar as vantagens e desvantagens para Macau?”, questionou.

À frente de todos

Lo Choi In considera também que apesar dos problemas do alojamento ilegal esta é uma realidade cada vez mais presente

A deputada menciona que nos últimos tempos o seu gabinete tem recebido cada vez mais queixas de residentes, porque nos prédios onde vivem, principalmente nas épocas altas do turismo, é cada vez mais frequente verem turistas do Interior da China a entrar e sair de habitações com malas de viagem. Houve ainda queixas sobre turistas que abordam residentes para perguntar onde ficam os alojamentos locais, sem terem noção de que se trata de uma prática ilegal.

Além do aumento do número de queixas recebidas, Lo indica que uma pesquisa online em motores de busca gerais ou de oferta de alojamento mostram vários alojamentos ilegais disponíveis em Macau.

Face a este crescimento, e dada a ilegalização, a deputada pede ao Governo que intensifique os esforços para combater o fenómeno e que faça uma campanha para que os turistas percebam os riscos que correm, em caso de acidentes, por ficarem nestes alojamentos.

Lo Choi In pede ainda ao Governo que torne mais eficazes os mecanismos para denunciar os alojamentos ilegais, principalmente através dos meios online, que considera serem os mais eficazes.