Ponte-Cais n.º 11 | Governo avança com recuperação de terreno

O Governo ordenou os ocupantes do terreno da Ponte-Cais n.º 11 a desocuparem o espaço, por considerar que a “licença temporária de ocupação” expirou há cerca de 44 anos. A informação consta de um edital da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU), com a data de 3 de Outubro.

De acordo com o documento, a licença para ocupar o terreno da Ponte-Cais n.º 11 foi emitida a 14 de Abril de 1980 e tinha como prazo 31 de Dezembro de 1980. Contudo, passado o prazo, nunca houve qualquer pedido de renovação da licença.

“Conforme o ofício enviado pela Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água em 18 de Agosto de 2025, não há documento que revela o registo de pedido de renovação da referida licença, pelo que esta caducou automaticamente devido ao termo do prazo”, pode ler-se no edital. Aos ocupantes, um dos quais identificado como Chan Meng, foi agora atribuído um prazo de 45 dias, a partir da divulgação do edital, para desocuparem o terreno.

O documento clarifica também que se a desocupação não ocorrer de forma voluntária no prazo de 45 dias, as autoridades têm poderes para avançar coercivamente. O terreno fica situado na Rua das Lorchas com a Ponte-Cais n.º 11 a apresentar um bom estado de conservação. O lote tem uma área de 199 metros quadrados.

LAG 2026 | Mais de 3.500 opiniões recolhidas

Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, disse aos jornalistas que foram recolhidas 3.548 opiniões e sugestões a propósito das Linhas de Ação Governativa (LAG) para o próximo ano. Citado numa nota oficial, a propósito da abertura, este fim-de-semana, da sede do Governo à população, Sam Hou Fai explicou que o trabalho de recolha de opiniões foi realizado durante um mês e terminou na sexta-feira.

O governante disse ainda que em termos do número de opiniões e sugestões, houve “um aumento em comparação com os anos anteriores”.

A abertura ao público da sede do Governo decorreu sábado e domingo e, segundo a mesma nota oficial, “alguns residentes afirmaram que valia a pena visitar a Sede do Governo, referindo que esta não era a sua primeira visita e que, desta vez, tiveram o prazer de conhecer o Chefe do Executivo, tirar fotografias e conversar amigavelmente, sentindo a sua solidariedade”.

Houve também turistas a visitar a sede do Executivo, tendo estes referido “o encanto e as características arquitectónicas específicas do Palácio Protocolar da Sede do Governo”. Registaram-se ainda opiniões quanto à “exposição temática de flores no jardim”, tendo sido considerada “bonita, e os espectáculos no local apelativos”.

AL | André Cheong promete presidência a cumprir expectativas

No início da nova legislatura, os deputados receberam “três expectativas” do Chefe do Executivo, uma das quais passa por “trabalhar em conjunto” com o Governo, mas também exercer as funções de fiscalização da lei

Ao desempenhar as funções de presidente da Assembleia Legislativa, André Cheong promete ter em mente as expectativas do Chefe do Executivo para os trabalhos do órgão legislativo. As declarações foram prestadas pelo novo presidente do hemiciclo, numa entrevista aos canais em chinês da TDM.

“Como presidente da Assembleia Legislativa sinto que o peso da responsabilidade é maior. Vou cumprir rigorosamente as disposições da lei e do regimento para desempenhar as minhas funções como presidente”, afirmou o novo presidente da AL, citado pelo Canal Macau. “Ao mesmo tempo vou ter em conta as três expectativas estabelecidas pelo Chefe do Executivo para a nova composição da Assembleia Legislativa, conduzindo bem a equipa nos trabalhos legislativos e no âmbito da fiscalização”, acrescentou.

André Cheong foi eleito presidente da AL na sexta-feira e contou com o voto de todos os deputados, incluindo do próprio. Foi a primeira vez, pelo menos desde 2019, que um deputado foi eleito presidente por unanimidade.

O presidente da AL pretende também implementar uma maior cooperação entre o Governo e os técnicos do hemiciclo. “Para as propostas de lei importantes relacionados com o bem-estar da população, o Governo necessita de um tempo de preparação considerável”, indicou. “Esperamos incentivar as equipas técnicas da AL a envolverem-se mais cedo na fase preparatória dos departamentos governamentais. Por exemplo, as discussões e os intercâmbios técnicos preliminares podem resultar numa comunicação técnica mais fluída, quando estas propostas de lei importantes estiverem a ser analisadas pela Assembleia Legislativa” apontou.

Três anseios

Após o início da nova Legislatura, na passada quinta-feira, o Chefe do Executivo promoveu um encontro com os deputados. Nesta ocasião, de acordo com a versão oficial, dado que o encontro decorreu à porta fechada, Sam Hou Fai disse aos legisladores que tem três expectativas para o funcionamento do hemiciclo. A primeira passa por “potenciar mais o papel de liderança da Assembleia Legislativa em termos políticos”, no que explicou ser um papel de promoção do nacionalismo e de manutenção da harmonia a longo prazo.

Em segundo lugar, pediu também aos deputados para “potenciar mais o papel da Assembleia Legislativa na elaboração da legislação e na fiscalização”, o que explicou implicar deputados a “trabalhar em conjunto com o órgão executivo” para criar e rever a legislação consideradas chaves para o Executivo, como a diversificação da economia.

Por último, foi pedido à AL que seja um “interlocutor fundamental” na recolha de opiniões da “opinião pública”, ao mesmo tempo que indicou esperar que os deputados orientem “a sociedade para formar um ambiente de discussão positiva, objectiva e racional” e “promover o mais amplo consenso social possível para apoiar o Governo da RAEM”.

São Januário | Implantado primeiro coração artificial em Macau

Realizou-se recentemente a primeira cirurgia de implantação de um coração artificial no Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ) dos Serviços de Saúde (SS), em colaboração com a equipa de cirurgia cardiotorácica do Primeiro Hospital Afiliado da Universidade de Jinan.

O procedimento foi realizado numa mulher de 68 anos que padecia de insuficiência cardíaca terminal, sendo que, segundo um comunicado dos SS, “a condição apresentada era complexa e a intervenção cirurgia desafiante”. Tratou-se “do primeiro procedimento cirúrgico de implantação de coração artificial totalmente levitado magneticamente, desenvolvido de forma autónoma no Interior da China”. A realização desta cirurgia no território representa para as autoridades “um progresso significativo na cirurgia cardíaca em Macau”.

Para os SS, “a conclusão com sucesso da primeira cirurgia de implante cardíaco artificial em Macau representa um avanço significativo no tratamento da insuficiência cardíaca terminal na região”, além de que este avanço tecnológico “preenche uma lacuna significativa no atendimento médico, oferecendo uma alternativa viável e segura para os pacientes que não são elegíveis para transplante cardíaco ou que não podem aguardar por uma intervenção cirúrgica”.

Israel bombardeia Rafah alegando que Hamas atacou unidade militar

Israel lançou uma série de ataques aéreos contra a cidade de Rafah, na Faixa de Gaza, após acusar o Hamas de atacar uma unidade de engenharia militar, avançaram ontem fontes de segurança citadas pela imprensa israelita.

Enquanto se aguarda uma declaração oficial das Forças de Defesa de Israel e do grupo islamita Hamas, fontes militares confirmaram ao ‘site’ israelita Walla e ao jornal Times of Israel terem sido realizados ataques aéreos e terrestres em Rafah, alegando ter-se tratado de uma resposta a um ataque a uma escavadora militar israelita encarregada de destruir os túneis da organização islamita.

Embora não haja ainda informações oficiais sobre a existência de mortos ou feridos, fontes militares israelitas adiantaram a uma televisão israelita que dois alegados militantes do Hamas foram mortos. Desconhece-se também se este fogo cruzado pode pôr em causa o cessar-fogo que entrou em vigor a 10 de Outubro, mas o ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben Givr, já instou o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, a retomar a ofensiva contra a Faixa de Gaza.

“Peço ao primeiro-ministro que ordene às Forças de Defesa de Israel (FDI) que retomem totalmente os combates na Faixa de Gaza com todo o seu efectivo”, disse o ministro, que foi condenado no passado por incitar ao ódio contra os palestinianos, ao vandalismo e ao apoio ao terrorismo. De acordo com uma fonte do braço armado do Hamas, o grupo tinha lançado uma operação em Rafah para eliminar o líder da milícia rival, conhecida como ‘Forças Populares’, Yasser Abu Shabab.

No entanto, os soldados israelitas intervieram para apoiar Shabab, o que resultou num fogo cruzado e provocou a explosão da escavadora israelita. Os Estados Unidos avisaram no sábado que tinham “informações credíveis” sobre um “ataque iminente” do Hamas contra civis palestinianos, numa “violação clara” ao cessar-fogo.

Caos instalado

Ontem de manhã, o grupo islamita rejeitou a acusação e culpou Israel por ter armado e financiado outras milícias, que, segundo disse, realizaram “assassinatos, raptos, roubos de camiões de ajuda humanitária e furtos contra civis”.

Segundo o Hamas, os seus membros em Gaza estão, “com o amplo apoio civil e popular”, a perseguir estes gangues e a responsabilizá-los “de acordo com mecanismos legais claros, para proteger os cidadãos e preservar a propriedade pública e privada”.

Apenas um dia após o cessar-fogo, os militantes do Hamas começaram a reprimir todos os clãs e milícias que alegadamente colaboraram com Israel durante a guerra dos últimos dois anos, incluindo execuções públicas de alegados colaboradores, cujas imagens se tornaram virais.

O cessar-fogo em Gaza – proposto pelos Estados Unidos e acordado entre Israel e o Hamas – está em vigor desde o dia 10 de Outubro, prevendo três fases: a libertação dos reféns, o desarmamento do Hamas e a reconstrução gradual do território, sob supervisão internacional. A segunda etapa, centrada na “desmilitarização”, continua a ser a mais controversa e a que Israel considera essencial para pôr fim ao conflito.

O populismo caiu no poço

André Ventura tinha anunciado que nas eleições autárquicas conseguiria a presidência de umas 30 edilidades. Em 308, obteve o resultado “estrondoso” de três Câmaras Municipais. As sondagens que infelizmente ainda temos apresentaram que a vitória pertenceria à AD, o segundo lugar ao Chega e o terceiro para o Partido Socialista. Os comentadores televisivos fartaram-se de elogiar as sondagens e de salientar que seria normal o resultado do Chega porque o PS estava em declínio absoluto desde as últimas eleições legislativas. Enganaram-se, mais uma vez.

Sondagens e comentadores. O Partido Socialista renasceu das cinzas e conseguiu um resultado muito positivo. No cômpito geral não perdeu por muito e em termos de resultados de partidos sozinhos, sem coligações, os socialistas obtiveram quase o dobro das Câmaras Municipais que o PSD. Ficou provado que sem o populismo radical, sem a xenofobia, sem o racismo e sem os gritos de André Ventura, o Chega é um flop a nível local, especialmente pelo interior do País. O populismo caiu no poço e vamos ver quando é que os “bombeiros” o conseguem trazer ao de cima. O Chega ganhou no Entroncamento sem saber bem por quê, ganhou numa edilidade madeirense onde vivem meia dúzia de pessoas e ganhou em Albufeira porque os proprietários dos bares e hotéis conseguiram convencer toda a clientela e vizinhança para votar nos neonazis. Os eleitores de Albufeira irão chorar baba e ranho porque o Chega preconiza no seu programa algarvio que os bares encerrem às duas da madrugada e os proprietários desses estabelecimentos de diversão nocturna exigem que o encerramento seja às quatro horas da madrugada. O descontentamento local irá imperar e certamente que se traduzirá em próximas eleições. Isto, em Albufeira, porque no resto do Algarve o Chega pensava ganhar tudo. Nem aquela espécie de taberneiro que no Parlamento está sempre a gritar e a limpar o suor da careca, conseguiu vencer em Faro.

O mapa global divide-se entre a AD/IL e o partido rosa. O cavaquistão terminou ao fim de várias décadas. Viseu que teve sempre aquele Ruas, que pinta o cabelo e o bigode querendo parecer que tem menos 30 anos, teve uma derrota como nunca esperou. Em Lisboa e Porto, o caso já deu muito que falar. As vitórias da AD e seus pares da Iniciativa Liberal em Lisboa, e no Porto com o apoio verbal de Rui Moreira, o edil que terminou os seus polémicos mandatos, foram obtidas por uma margem mínima e até à meia-noite do domingo eleitoral as televisões só falavam em empate técnico. Triste, foi ver Luís Montenegro, que na sua qualidade de primeiro-ministro versus presidente do PSD, no dia das eleições a apelar ao voto nos seus companheiros candidatos, indo em absoluto contra a lei. Montenegro cantou vitória, mas podia ter sido um pouco mais humilde porque a vitória autárquica foi tangencial e perdeu muitas Câmaras importantes como Braga e Coimbra.

O povo, mostrou, desta vez, um grande sentido cívico e a abstenção foi das menores da história eleitoral. Em muitas mesas de voto as filas foram enormes e a espera muito demorada. Era a tradução que a abstenção iria baixar. Mesmo assim, não deixou de existir a falcatrua. Numa região do País lá veio a velha ilegalidade de um partido ter mandado imprimir boletins de voto semelhantes aos que foram entregues aos eleitores e depois propuseram que os seus apaziguados levassem um boletim no bolso já com a cruzinha no partido em causa e quando trouxessem o boletim em branco que a mesa de votos tinha entregado, recebiam dois mil euros. Nada mau para uns milhares de “mercenários”.

De eleições está o povinho farto, mas nada sobre a matéria vai acabar. Já estão na estrada os pontas de lança dos candidatos a Presidente da República. A variedade é enorme, mas quase toda para o mesmo lado. Na direita central temos o almirante Gouveia e Melo com Marques Mendes. Ainda mais à direita surge o “bocas” André Ventura e Cotrim Figueiredo que foi líder da Iniciativa Liberal. Pelo lado esquerdo moderado surgiu António José Seguro e só no sábado passado é que o Partido Socialista resolveu apoiar oficialmente o candidato António José Seguro. Tarde demais. E mesmo assim, a ala socialista mais à esquerda irá votar em António Filipe do PCP, ao bom estilo de Álvaro Cunhal, que alvitrava que por vezes tem de se tapar os olhos para votar em quem não pertence ao partido.

Desta vez, as sondagens parece que vão acertar. Uma empresa de sondagens, na qual temos a maior confiança, obteve num inquérito nacional realizado na semana passada, que haverá uma segunda volta entre Gouveia e Melo e António José Seguro. Contudo, quando os inquiridos foram confrontados com a decisão final na segunda volta, a vitória pendeu para o almirante.

Pois, tal e qual como escrevemos na passada segunda-feira, Luís Montenegro com esta vitória autárquica não se irá demitir, mesmo que o Ministério Público abra um inquérito judicial contra o actual primeiro-ministro sobre o caso da sua empresa familiar Spinumviva. O homem tem muitos anos de política e sabe tudo sobre como se defender das suspeitas de alegados cambalachos. Portugal continuará a ser governado por um político debaixo de suspeitas graves, mas que em nada afecta a sua vontade doentia de ser chefe do Executivo.

Partido Liberal do Japão perto de garantir novo acordo de coligação

O Partido Liberal Democrático (PLD), no poder no Japão, está perto de formar uma coligação governamental, que deixaria a líder Sanae Takaichi a apenas dois deputados de garantir a eleição como primeira-ministra.

Os principais meios de comunicação japoneses avançaram ontem que o acordo com o Partido da Inovação do Japão (Ishin) poderá ser fechado já na segunda-feira, um dia antes do parlamento se reunir para escolher o sucessor de Shigeru Ishiba. O primeiro-ministro cessante demitiu-se em Setembro da liderança do Governo e do PLD, que, em primárias realizadas no início de Outubro, escolheu a conservadora e nacionalista Takaichi como candidata a ser a primeira mulher a liderar o Japão.

De acordo com a agência de notícias japonesa Kyodo, o PLD e o Ishin terão concordado em formar uma coligação sem que o partido da oposição garanta lugares no novo Governo. Em troca, o PLD comprometer-se-ia a cumprir uma série de propostas, incluindo a redução do número de deputados, a eliminação do imposto sobre o consumo alimentar e a eliminação de donativos políticos de empresas e organizações. Hoje, é esperada uma reunião final com o PLD.

Liderança frágil

O jornal referiu que o partido da oposição está relutante em ocupar cargos no possível Governo de Takaichi e prefere primeiro garantir que a nova líder do PLD cumpre os termos do acordo. Se for eleita, a conservadora irá liderar um dos governos mais fracos da história política do Japão, com uma clara minoria em ambas as câmaras do parlamento, o que a obrigaria a cooperar com a oposição para aprovar qualquer lei.

O apoio de Ishin é fundamental para Takaichi, especialmente depois de o partido budista Komeito, ao qual o PLD esteve aliado durante 26 anos, ter abandonado a coligação no poder. O centrista Komeito retirou-se da aliança devido a notícias publicadas sobre alegados fundos secretos do PLD, tendo também criticado Sanae Takaichi devido a supostas mudanças de postura da líder face às visitas a Yasukuni.

Temores diplomáticos

Takaichi, conhecida pela postura de linha dura em relação à China, visitou inúmeras vezes no passado, principalmente quando era ministra, o santuário xintoísta, considerado um símbolo do passado militarista do país. Mas, na sexta-feira, no primeiro dia do festival de Outono de Yasukuni, 64 anos, esteve ausente e enviou apenas uma oferenda, por, segundo os meios de comunicação japoneses, temer que uma visita pudesse incomodar os países vizinhos.

As visitas anteriores de altos funcionários japoneses ao santuário irritaram Pequim e Seul. A China e a península coreana foram palco de atrocidades cometidas pelos militares japoneses na primeira metade do século XX. Nenhum primeiro-ministro japonês em funções visitou o santuário em Tóquio desde 2013, quando a visita de Shinzo Abe provocou fúria entre os países vizinhos e reprimendas dos Estados Unidos.

O santuário presta homenagem aos cerca de 2,5 milhões de soldados japoneses mortos em combate, mas também a oficiais e políticos japoneses condenados por crimes de guerra por um tribunal internacional após a Segunda Guerra Mundial. O PLD tem governado o Japão quase em permanência desde 1955, apesar das frequentes mudanças de liderança.

Camboja | Deportados 64 sul-coreanos por práticas criminosas

Seul estima que cerca de mil cidadãos sul-coreanos sejam tratados como escravos e trabalhem em centros no Camboja dedicados a praticar fraudes via internet

A polícia da Coreia do Sul confirmou sábado que o Camboja deportou 64 cidadãos sul-coreanos acusados de envolvimento com centros que praticam fraudes através da Internet. A Coreia do Sul enviou na quarta-feira uma equipa para o Camboja, onde acredita que cerca de mil sul-coreanos estão a trabalhar nestes centros, para discutir dezenas de casos de raptos através de ofertas de emprego fraudulentas.

Seul anunciou então, na sexta-feira à noite, que estava a fretar um voo para trazer de volta cerca de 60 cidadãos, “participantes voluntários e não voluntários” dos esquemas de burlas, que estavam detidos pela polícia cambojana. O grupo aterrou na manhã de sábado no Aeroporto de Incheon, disse um dirigente da polícia sul-coreana à agência de notícias France-Presse. As autoridades policiais foram vistas a preparar-se para os transportar em carrinhas de segurança pretas.

A maioria dos sul-coreanos regressados foi detida no Camboja durante repressões contra centros de burla e vai enfrentar investigações policiais em casa, disse o director de segurança nacional de Seul, Wi Sung-lac.

Na sexta-feira, o Governo da Coreia do Sul proibiu os sul-coreanos de viajar para o Camboja, face ao aumento do número de pessoas supostamente raptadas por redes de tráfico de seres humanos e grupos de crime organizado com base no Camboja. Os grupos criminosos obrigaram os cidadãos sul-coreanos a praticarem fraudes, envolvendo criptomoedas, através da Internet, num ambiente semelhante ao de uma prisão.

De acordo com fontes diplomáticas de Seul e da ONU, os cidadãos sul-coreanos são mantidos como escravos e foram submetidos a actos de tortura pelos grupos de crime organizado. O alerta de Seul recomenda igualmente aos cidadãos sul-coreanos a abandonarem certas zonas do Camboja.

Encontros capitais

O aviso foi difundido no dia em que o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul, Kim Jina, se reuniu com o primeiro-ministro do Camboja, Hun Manet, em Phnom Penh. O encontro na capital do Camboja aconteceu após a morte de um estudante sul-coreano que terá sido forçado a trabalhar num centro de burlas no Camboja.

Phnom Penh informou na quinta-feira que, nos últimos meses, deportou 180 cidadãos sul-coreanos envolvidos em cibercrime e outros 60 aguardam repatriamento. Segundo um relatório das Nações Unidas, pelo menos 200 mil pessoas estão actualmente retidas em centros de fraude no Camboja, enquanto em Myanmar (antiga Birmânia), outro epicentro deste fenómeno, o número ascende a cerca de 120 mil.

A decisão de Seul surgiu na mesma semana em que os governos do Reino Unido e dos Estados Unidos anunciaram a aplicação de sanções conjuntas contra o conglomerado Prince Group, com base no Camboja. O presidente do grupo de empresas, Chen Zhi, é acusado de montar rede de cibercrime e tráfico de seres humanos.

Física | Morreu Chen Ning Yang, vencedor do Prémio Nobel

O físico chinês Chen Ning Yang, vencedor do Prémio Nobel da Física em 1957 e considerado um dos investigadores mais influentes do século XX da física moderna, morreu sábado aos 103 anos em Pequim, anunciou a Xinhua.

Chen Ning Yang, nascido na cidade oriental chinesa de Hefei em 1922, recebeu o Prémio Nobel da Física, juntamente com o investigador e seu compatriota Tsung Dao Lee, por investigações sobre a lei da conservação da paridade, princípio fundamental da física nuclear.

Os dois investigadores fugiram da China durante a guerra contra o Japão (1937-1945) e desenvolveram a sua carreira profissional nos Estados Unidos, onde Chen Ning Yang era professor na Universidade de Princeton e Tsung Dao Lee na Universidade de Columbia, quando receberam o prémio.

Por esta razão e por ambos terem adquirido a nacionalidade norte-americana – a China não reconhece a dupla nacionalidade —, durante muitos anos Yang não foi considerado um vencedor “chinês” do Nobel.

Chen Ning Yang regressou à China como professor da prestigiada Universidade Tsinghua de Pequim em 2003, que o destacou como “o físico mais influente” da era actual e lembrou que, após o descongelamento das relações com Washington em 1971, foi o primeiro cientista chinês residente nos Estados Unidos a poder regressar ao seu país.

Em 2015, 51 anos depois de obter a nacionalidade norte-americana, renunciou-a. “Yang foi um dos maiores físicos teóricos do século XX. Ele estava mais próximo de Einstein do que os seus contemporâneos”, afirmou Shi Yu, professor do Instituto de Estudos Avançados de Xangai, citado sábado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post.

Além do seu trabalho académico, o físico tornou-se uma celebridade a nível nacional ao casar-se em 2004, aos 84 anos, com Weng Fan, uma estudante de 28 anos. Meses antes, no final de 2003, tinha morrido a sua primeira esposa, Tu Chih-li, com quem se casara em 1950.

Mar do Sul | Pequim pede às Filipinas que abandonem fantasias

As disputas marítimas na região provocaram mais um embate entre embarcações chinesas e Filipinas

Pequim instou sábado as Filipinas a abandonar o que descreveu como “ilusões irrealistas” e farsas, após uma colisão entre navios dos dois países, no domingo passado, no disputado mar do Sul da China.

“Os factos são muito claros e as Filipinas não têm motivos para justificar ou negar as suas intrusões, provocações e acções impróprias”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa chinês, citado pela agência de notícias oficial chinesa Xinhua. Zhang Xiaogang acusou Manila de realizar uma “intrusão ilegal” junto ao arquipélago conhecido na China como Nansha e denunciou a recente reivindicação por parte das Filipinas da soberania sobre Nansha e a ilha de Huangyan.

“O âmbito do território filipino foi definido por uma série de tratados internacionais, e as ilhas de Huangyan e Nansha, que pertencem à China, não estão incluídos nele”, argumentou o porta-voz. O Governo chinês prometeu novas “medidas resolutas” para defender a soberania sobre as ilhas e os direitos marítimos, face ao que disse ser a “distorção deliberada” de “factos históricos e jurídicos” por parte das Filipinas.

Em 12 de Outubro, um navio da Guarda Costeira chinesa e uma embarcação das autoridades filipinas embateram perto da ilha Thitu, conhecida nas Filipinas por Ragasa, no mar do Sul da China. A Guarda Costeira chinesa atribuiu a responsabilidade do incidente às Filipinas, afirmando que três embarcações de Manila se aproximaram de navios de patrulha chineses e que uma delas terá causado o embate.

Voz da América

Dois dias depois, o porta-voz adjunto do Departamento de Estado dos EUA, Tommy Pigott, condenou o embate “e o uso de canhões de água por parte da China” contra o navio do Gabinete de Pesca e Recursos Aquáticos das Filipinas. Pigott acusou Pequim de estar a intensificar acções “cada vez mais coercivas” no quadro das suas “amplas reivindicações territoriais e marítimas” nesta zona disputada, que envolve também outros países do sudeste asiático.

Estas acções perigosas continuam, segundo o responsável, “a minar a estabilidade regional” e “contradizem os compromissos anteriores de resolver as disputas de forma pacífica”. O porta-voz reiterou o apoio de Washington a Manila e recordou que o Tratado de Defesa Mútua entre os dois países cobre qualquer ataque armado “contra as Forças Armadas, embarcações públicas ou aeronaves filipinas, incluindo as da Guarda Costeira, em qualquer ponto do mar do Sul da China”.

As águas disputadas do mar do Sul da China são atravessadas por rotas comerciais cruciais e especialistas acreditam que os fundos marinhos poderão conter importantes reservas de petróleo e gás. Pequim tem reiteradamente tomado medidas contra embarcações filipinas, acusando-as de entrarem em águas que reivindica como sendo território chinês.

Taiwan | Kuomingtang elege Cheng Li-wun como nova líder

O principal partido da oposição em Taiwan, os nacionalistas do Kuomingtang (KMT), escolheu uma antiga deputada como nova presidente.

Cheng Li-wun — a única candidata na corrida que se posicionou como reformista — derrotou no sábado, por larga margem, o ex-presidente da Câmara de Taipé, Hau Lung-bin, e outros quatro candidatos à liderança do partido pró-Pequim. Numa conferência de imprensa após a vitória, Cheng disse que os nacionalistas iriam defender os princípios da igualdade, do respeito e dos benefícios mútuos na condução das relações externas.

“Não devemos deixar que Taiwan se torne um criador de problemas. Em segundo lugar, não devemos deixar que Taiwan seja sacrificada à geopolítica”, disse, acrescentando que o KMT seria também um pacificador. Os nacionalistas mantêm uma forte influência política em Taiwan, apesar de terem perdido três eleições presidenciais consecutivas para o DPP, que defende um afastamento da China.

O KMT detém lugares suficientes para formar um bloco maioritário com os aliados no parlamento. Com tomada de posse prevista para Novembro, Cheng Li-wun poderá influenciar a forma como Taiwan lida com Pequim e outras políticas importantes e questões políticas nacionais e internacionais. Cheng será também a líder do partido nas eleições locais de 2026. O KMT deverá ainda preparar um candidato que desafie o DPP de William Lai Ching-te nas eleições de 2028.

Air China | Avião desviado para Xangai após fogo numa bateria guardada em bagagem

Um avião da companhia Air China foi desviado com segurança para Xangai sábado, depois de uma bateria guardada na bagagem de mão de um passageiro se ter incendiado, informou a companhia aérea.

O incidente ocorreu a bordo do voo da cidade de Hangzhou, no leste da China, para o Aeroporto Internacional de Incheon, perto de Seul, na Coreia do Sul. “Uma bateria de lítio guardada na bagagem de mão de um passageiro no compartimento superior do voo CA139 incendiou-se espontaneamente”, disse a companhia aérea, num comunicado publicado na rede social chinesa Weibo.

“A tripulação lidou imediatamente com a situação com base nos procedimentos, e ninguém ficou ferido”, refere o documento, acrescentando que o avião foi desviado para o Aeroporto Internacional de Xangai Pudong “para garantir a segurança do voo”. Uma imagem tirada por um passageiro e publicada pelo meio de comunicação nacional estatal Jimu News mostra chamas num compartimento superior, onde é visível fumo preto e, pelo menos, um passageiro a tentar apagar o fogo.

De acordo com dados do Flightradar24, que faz a monitorização do tráfego aéreo global, o voo descolou de Hangzhou às 09:47 locais (, sobrevoou o mar, aproximadamente equidistante da costa leste da China e da ilha japonesa de Kyushu, antes de aterrar em Xangai pouco depois das 11:00 locais.

Três cidadãos chineses condenados por Moçambique violarem suspensão de mineração

O tribunal judicial do distrito de Sussundenga, na província moçambicana de Manica, condenou sexta-feira três indivíduos de nacionalidade chinesa a uma pena de três meses de prisão efectiva por violarem a suspensão de mineração naquela província.

Condenados pelo crime de desobediência, ao terem sido apanhados a explorar ouro “num período em que as actividades se encontravam suspensas temporariamente de forma global na província de Manica”, os três homens terão ainda de pagar uma multa diária de sete mil meticais (93,84 euros), disse a juíza da causa, Eugénia Conceição.

De acordo com a fundamentação do tribunal, os cidadãos chineses foram encontrados a fazer extracção de ouro por uma equipa multissectorial que incluía a polícia de protecção dos recursos naturais e meio ambiente, sendo que, durante a sua actividade de mineração, deitavam resíduos poluentes directamente num rio.

O executivo moçambicano decidiu, em 30 de Setembro, suspender todas as licenças de mineração na província de Manica e criou uma comissão interministerial para rever o regime de licenciamento, reforçar a fiscalização e avançar com medidas de recuperação ambiental com a participação activa dos prevaricadores, autoridades locais, populações e outras entidades relevantes.

Lei da selva

Esta suspensão acontece após o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, ter avançado, em 17 de Setembro, que a mineração está a causar um “desastre ambiental”, tendo admitido a possibilidade da suspensão total da actividade. A suspensão das licenças mineiras em Manica ocorre após o executivo ter apreciado o relatório do comando operativo das Forças de Defesa e Segurança (FDS), que esteve naquela província entre 17 e 19 de Julho para averiguar a situação ambiental face à mineração.

Foi constatado no terreno, em Manica, uma “mineração descontrolada” feita por operadores licenciados, com empresas a operar sem plano de recuperação ambiental e sistemas de contenção de resíduos, além de violações dos direitos dos trabalhadores.

O Governo classificou de crítica a situação ambiental em Manica, apontando para “grave poluição” dos rios que apresentam “águas com coloração avermelhada, turva e opaca,” resultante de lavagem directa de minérios e despejo de resíduos desta actividade sem qualquer tratamento.

Segurança | China acusa EUA de ciberataque contra centro que gere o horário

As autoridades chinesas acusam a NSA de promover ataques cibernéticos contra o Centro Nacional de Serviço de Horário que põem em risco actividades como o sistema financeiro, os transportes ou lançamentos espaciais

 

O Ministério da Segurança do Estado (MSS) chinês acusou ontem os Estados Unidos de realizarem um ciberataque contra o Centro Nacional de Serviço de Horário, a instituição responsável por manter a precisão da hora oficial do país.

Num artigo publicado numa aplicação de mensagens, o MSS, que é a principal agência de inteligência da China, afirma ter descoberto recentemente “provas irrefutáveis” de um “grande ciberataque” orquestrado pela Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) contra a referida instituição para “roubar segredos, infiltrar-se e sabotar”.

O ministério explica que o Centro Nacional de Serviço de Horário (NTSC) fornece serviços essenciais para sectores como a energia, os transportes e a defesa, e que um ciberataque pode resultar em falhas de rede, problemas para o sistema financeiro, apagões, interrupções nos transportes ou falhas nos lançamentos espaciais.

Segundo a China, o ataque “sistemático e planeado há muito tempo” dos EUA contra o NTSC começou em 2022 através de uma vulnerabilidade no serviço de SMS (mensagens curtas) de uma “marca estrangeira” de telemóveis, que permitiu “atacar secretamente e obter o controlo dos telemóveis de vários funcionários do NTSC e roubar dados confidenciais armazenados nos mesmos”.

Um ano depois, a NSA terá utilizado credenciais roubadas para aceder à rede informática do NTSC e espiar e, em Junho de 2024, lançou “ataques cibernéticos de alta intensidade contra vários sistemas de rede internos” da instituição, alegam os serviços secretos chineses.

“As autoridades de segurança nacional responderam aos ataques reunindo provas de ataques cibernéticos dos EUA, ordenando ao NTSC que conduzisse uma investigação, interrompendo a cadeia de ataques e melhorando as capacidades de prevenção para eliminar potenciais ameaças”, refere o artigo.

Guerra contínua

Nos últimos anos, a China e os EUA têm-se acusado mutuamente de inúmeros ciberataques, e o MSS reiterou ontem esta acusação: “As agências de espionagem, lideradas pela NSA, têm agido de forma imprudente, realizando ataques cibernéticos contínuos contra a China, o sudeste asiático, a Europa e a América do Sul”.

Neste caso, a acusação surge dias antes de uma nova ronda de negociações presenciais entre Pequim e Washington para tentar aliviar as renovadas tensões comerciais entre as duas principais potências económicas do mundo.

Além disso, os presidentes da China e dos EUA, Xi Jinping e Donald Trump respectivamente, deverão reunir-se ainda este mês durante a cimeira de líderes da APEC (Cooperação Económica Ásia-Pacífico, na sigla em inglês), que se realizará na Coreia do Sul.

China | Descoberta grande jazida com mais de 40 toneladas de ouro

A província chinesa de Gansu anunciou a descoberta de um novo jazigo de ouro de grandes dimensões na zona de Qianhongquan-Heishanbeitan, no município de Yumen, com reservas estimadas em mais de 40 toneladas, informou ontem a televisão estatal CCTV.

Segundo o Departamento de Recursos Naturais provincial, a descoberta equivale, em volume, a duas grandes minas de ouro e soma-se aos depósitos já identificados no cinturão de Beishan, um dos principais polos auríferos da região.

Gansu ocupa o segundo lugar na China em volume de reservas de ouro. Nos últimos anos, o Governo local intensificou as prospecções no âmbito do plano nacional de exploração geológica, com maior concentração de investimentos no norte da província. O projecto de prospecção em Qianhongquan recebeu um investimento total de 76,28 milhões de yuan e permitiu concluir 30.000 metros cúbicos de escavações e mais de 35.000 metros de perfurações, segundo a CCTV.

Os trabalhos resultaram na identificação de uma nova faixa mineralizada com cerca de 14 quilómetros de comprimento e entre 10 e 100 metros de largura, com reservas superiores a 40 toneladas de ouro. A descoberta em Gansu ocorre num contexto de forte valorização do ouro, cujo preço ultrapassou recentemente os 4.000 dólares por onça, atingindo um novo máximo histórico.

O metal precioso acumula uma subida superior a 50 por cento desde o início do ano, impulsionado pela fraqueza do dólar, pelas tensões geopolíticas e pelas compras de bancos centrais – sobretudo de economias emergentes – que procuram diversificar as suas reservas. Nos últimos anos, o crescimento da classe média chinesa e a procura por lingotes como forma de protecção contra a volatilidade macroeconómica global também contribuíram para o aumento da procura interna pelo metal precioso.

Coreia do Norte | ONG pede à China que ponha fim às deportações forçadas

A organização não governamental (ONG) Human Rights Watch instou a China a pôr fim às deportações à força de norte-coreanos para o seu país, face ao “grave risco de perseguição e maus-tratos”. Num comunicado divulgado na quarta-feira, a ONG estimou que a China tenha deportado 406 pessoas para a Coreia do Norte desde o início 2024, apesar de as autoridades chinesas terem conhecimento das “condições opressivas” em que vivem os norte-coreanos.

Esta informação baseia-se em “Stephen Kim, pseudónimo de uma pessoa com amplos contactos na Coreia do Norte e na China”, cuja informação a Human Rights Watch “há muito considera fidedigna”, embora aponte a falta de dados oficiais disponíveis. “As autoridades chinesas estão a devolver centenas de norte-coreanos a um lugar onde sabem que aqueles que regressarem serão severamente perseguidos”, disse a chefe de investigação da Human Rights Watch na Coreia do Sul, citada na nota.

Lina Yoon instou Pequim a “permitir imediatamente que a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) tenha acesso a todas as pessoas em risco de regresso forçado à Coreia do Norte”, bem como a “interromper o repatriamento forçado de norte-coreanos”.

Que rumo para Macau em 2026?

Só pessoas do exterior ficarão surpreendidas com o anúncio da lista dos sete deputados nomeados pelo Chefe do Executivo à 8.ª legislatura da Assembleia Legislativa. Como um comentador realçou, a mudança de pessoal faz parte de um “jogo de xadrez”, destinado a melhorar ainda mais a estrutura constitucional com predominância do poder executivo, sob o princípio “Um País, Dois Sistemas”, e a reforçar as funções dos órgãos administrativo, legislativo e judicial, bem como aprofundar a sua interacção construtiva.

Dada a eficácia da política consultiva que vigora desde há muito em Macau, a hipótese de Cheong Weng Chon (nomeado pelo Chefe do Executivo para ser deputado da Assembleia Legislativa) ser eleito Presidente ou Vice-Presidente da 8.ª legislatura da Assembleia Legislativa a 16 de Outubro, na primeira sessão do Plenário, é muito elevada. É difícil imaginar como é que Cheong, que foi Secretário para a Administração e Justiça, poderia evitar situações confrangedoras nos debates sectoriais das Linhas de Acção Governativa que se avizinham, especialmente quando se debruçarem sobre a área da administração e justiça, se apenas se limitasse a ser deputado. Se for eleito Presidente da Assembleia, as situações confrangedoras podem ser evitadas.

Os três ex-Chefes do Executivo de Macau, Ho Hau Wah, Chui Sai On e Ho Iat Seng, fizeram todos parte da Assembleia Legislativa. Ho Iat Seng, com a sua experiência como Presidente da Assembleia, compreendia muito bem o tipo de problemas gerados nos departamentos administrativos. Depois de tomar posse como Chefe do Executivo, Ho desenvolveu na verdade um trabalho aprofundado para optimizar a eficiência da estrutura administrativa. Depois do regresso de Macau à soberania chinesa, Cheong Weng Chon foi Director da Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça, Comissário contra a Corrupção, Secretário para a Administração e Justiça e Chefe da Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, por isso é muito versado em questões administrativas. As suas frequentes interacções com a Assembleia Legislativa, durante o processo de elaboração de leis permitiram-lhe ganhar um bom entendimento das capacidades e do desempenho dos deputados. Se Cheong vier a liderar a 8.ª legislatura da Assembleia Legislativa, abrirá sem dúvida um precedente de plena realização da predominância do poder executivo ao abrigo do princípio “Um País, Dois Sistemas”.

Macau, uma pequena cidade com cerca de 700.000 habitantes e uma área de 33,3 quilómetros quadrados, foi incumbida da tarefa de transformar a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau na Ilha de Hengqin, no novo centro de comércio da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e na nova plataforma da abertura da China ao mundo exterior. Desde que as receitas anuais do jogo se possam manter nos 240 mil milhões de patacas, o Governo da RAE pode fazer face às despesas e prover às necessidades básicas dos residentes de Macau. Os problemas que enfrentam os funcionários públicos e as pequenas e médias empresas são passíveis de resolução. É necessário um foco na criação de um ambiente que promova os negócios em espaços públicos, no desenvolvimento de mais oportunidades de emprego para os residentes e no investimento na construção económica.

O rumo que Macau tomará em 2026 será influenciado por mudanças operadas nas zonas vizinhas. Salvo circunstâncias imprevistas, Sanae Takaichi, que segue as pisadas do antigo primeiro-ministro Shinzo Abe, será a primeira mulher a ocupar aquele cargo e será eleita numa sessão extraordinária da Dieta do Japão convocada para 15 de Outubro. Notícias indicam que o Presidente dos EUA, Donald Trump, visitará o Japão entre 27 e 29 de Outubro para se reunir com o Imperador e com a nova primeira-ministra. Além disso, a quarta sessão plenária do 20º. Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) terá lugar em Pequim de 20 a 23 de Outubro. Esta cadeia de interacções, que não terá sido certamente planeada, sugere a inercepção de uma mão poderosa. Na recepção comemorativa do 80.º aniversário da vitória da China na Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa, o Presidente Xi Jinping afirmou que a China é uma força a bem da paz mundial. Se esta força entrar em jogo, Macau ainda pode navegar suavemente em 2026.

Timor-Leste | Adesão à ASEAN é lutar pela paz, diálogo e desenvolvimento

Xanana Gusmão salientou a importância de Timor-Leste se juntar ao grupo de nações asiáticas em defesa da paz e do desenvolvimento regional

O primeiro-ministro de Timor-Leste afirmou ontem que o mais importante da adesão à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) é juntar a voz a um grupo de países pela paz, diálogo e desenvolvimento.

“Não podemos dizer que vamos receber todos os benefícios e não podemos também dizer que nós é que vamos beneficiar todos os países da ASEAN. Vamos aproveitar esta adesão para facilitar talvez em muitas áreas que ainda necessitamos. Nós somos o país mais pobre, mais atrasado na ASEAN”, afirmou Xanana Gusmão.

Timor-Leste vai tornar-se o 11.º estado-membro da ASEAN, no próximo dia 26, durante a cimeira de chefes de Estado e de Governo da organização do sudeste asiático, que se vai realizar em Kuala Lumpur, na Malásia, 14 anos depois de ter apresentado o pedido de admissão.

“O importante para nós é juntar a nossa voz, de Timor-Leste, a um grupo de países pela paz, pela reconciliação, pelo diálogo e pelo desenvolvimento sustentável. (…) Nós não vamos desempenhar um papel crucial na ASEAN”, salientou Xanana Gusmão.

“Não temos muito a ambição [de que] vamos receber muitos benefícios nem temos ambição de dizer que nós é que vamos orientar ou dirigir a ASEAN. Vamos estudando a forma como alguns países se comportaram e orientaram o seu desenvolvimento”, insistiu o chefe do Governo timorense. Questionado pela Lusa sobre o plano pós-adesão, apresentado quarta-feira, na reunião do Conselho de Ministros, pela vice-ministra para os Assuntos da ASEAN, Milena Rangel, Xanana Gusmão disse que é preciso mais realismo.

“Vamos estudar, vamos ver, vamos ser mais realistas, olharmos mais para o que estamos a necessitar, para o que o povo está a pedir, do que apresentarmo-nos como um país que, imediatamente, com aquele roteiro, vai ser qualquer coisa com que sonhamos há muito tempo”, acrescentou o primeiro-ministro, que falava no final do encontro semanal com o Presidente timorense José Ramos-Horta.

Objectivos definidos

O plano pós-adesão para o período 2026-2030 estabelece, segundo o comunicado do Conselho de Ministros, a “intenção estratégica de transformar a participação de Timor-Leste na ASEAN em resultados concretos e mensuráveis, através do reforço da capacidade institucional, da diversificação económica e do desenvolvimento do capital humano”.

O documento “destaca a contribuição activa de Timor-Leste para a Visão ASEAN 2045, orientada para a construção de uma comunidade regional resiliente, inovadora, dinâmica e centrada nas pessoas”, pode ler-se no comunicado. A nota salienta que o objectivo estratégico visa preparar Timor-Leste para receber a presidência rotativa da ASEAN em 2030.

“Com a implementação rigorosa deste plano, Timor-Leste deixará de ser apenas um novo membro para se afirmar como um parceiro activo e contributivo da ASEAN, utilizando a integração regional como catalisador do desenvolvimento nacional sustentável e da prosperidade do povo timorense”, acrescenta.

A ASEAN foi criada em 1967 pela Indonésia, Singapura, Tailândia, Malásia e Filipinas e tem como objectivo promover a cooperação entre os estados-membros para garantir a paz, a estabilidade e o desenvolvimento económico, social e cultural da região. Integram também a ASEAN o Brunei Darussalam, o Camboja, o Laos, o Myanmar (antiga Birmânia) e o Vietname.

Índia | População de elefantes diminuiu um quarto em oito anos

A população de elefantes selvagens na Índia diminuiu um quarto nos últimos oito anos, atingindo quase 22.500 indivíduos, revela um censo liderado pelo Governo.

De acordo com as estatísticas mais recentes do Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF), menos de 50.000 elefantes asiáticos permanecem em estado selvagem em todo o mundo, 60 por cento deles em solo indiano. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) incluiu-os na sua longa lista de espécies animais ameaçadas.

O estudo publicado na terça-feira pelo Governo indiano identificou um total de 22.446 elefantes na Índia com base no seu ADN, em comparação com 29.964 contados em 2017 através de outro método, um declínio de 25 por cento. “As ameaças incluem a redução do seu habitat natural, a fragmentação (de manadas) e o aumento de casos de conflito entre elefantes e humanos”, pode ler-se no relatório para explicar este declínio.

Os autores enfatizaram o isolamento ou a “rápida dispersão” das manadas, que atribuem, em particular, à expansão das terras dedicadas às plantações de chá e café, à construção de vedações e à redução das áreas florestais.

A distribuição das populações de elefantes indianos representa actualmente apenas 3,5 por cento do seu tamanho histórico, estimaram. “Reforçar os corredores e as suas ligações, restaurar os habitats naturais, melhorar as estratégias de protecção e reduzir o impacto dos projectos de desenvolvimento são necessários para proteger” a espécie, recomendaram ainda os autores. O censo foi realizado através da análise de ADN de 21.000 amostras de estrume e de uma rede de armadilhas fotográficas.

Japão | Salários registam aumento recorde

Um inquérito do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar Social do Japão apurou que o aumento dos salários médios atingiu um recorde este ano, desde que registos nesse sentido passaram a ser compilados na sua forma actual, em 1999. O levantamento foi realizado entre os meses de Julho e Agosto e teve como alvo empresas privadas com 100 ou mais trabalhadores. A pesquisa recebeu respostas de 1.847 empresas, ou 50,7por cento das contactadas, indica a NHK world.

Segundo o apurado, entre as empresas que implementaram ou planeiam implementar revisões salariais este ano, o salário médio mensal por trabalhador aumentou em 13.601 ienes, ou cerca de 90 dólares. O valor subiu 1.640 ienes, ou por volta de 11 dólares, em relação ao mesmo período do ano passado e marca o terceiro ano consecutivo de aumentos salariais recordes.

Empresas ligadas a sindicatos trabalhistas aumentaram os salários em 15.229 ienes, ou aproximadamente 101 dólares, enquanto as companhias sem vínculos sindicais registaram uma subida de 11.980 ienes, ou em torno de 79 dólares.

Quanto maior o tamanho da empresa, maior o aumento salarial. Funcionários do Ministério do Trabalho afirmaram que o forte crescimento dos salários reflecte os efeitos das negociações trabalhistas da Primavera. Os funcionários indicaram que grandes empresas com bases financeiras sólidas parecem estar a elevar os salários mais do que companhias de pequeno e médio porte para garantir trabalhadores. Os funcionários ministeriais disseram ainda que continuarão a monitorar de perto as tendências salariais.

TSMC | Aumento de quase 40% no lucro com impulso da IA

A TSMC, maior fabricante mundial de semicondutores, anunciou ontem um aumento de quase 40 por cento no lucro líquido do último trimestre, impulsionado pela crescente procura por aplicações de inteligência artificial. A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company registou um lucro líquido recorde de 452,3 mil milhões de dólares taiwaneses entre Julho e Setembro, superando as previsões dos analistas. A empresa já tinha indicado que as receitas cresceram 30 por cento em termos homólogos no mesmo período.

Face às tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, a TSMC tem investido na construção de fábricas nos EUA e no Japão, numa estratégia de diversificação de risco. A fabricante taiwanesa é fornecedora de referência para gigantes como a Apple e a Nvidia.

“A procura pelos produtos da TSMC mantém-se firme”, escreveram analistas da Morningstar numa nota recente. “Dada a posição dominante da empresa, duvidamos que venha a ser prejudicada mesmo que enfrente tarifas sobre exportações para os EUA. Esperamos que a procura por soluções de inteligência artificial continue resiliente”, apontaram.

O secretário norte-americano do Comércio, Howard Lutnick, propôs no mês passado que a produção de ‘chips’ fosse repartida em partes iguais entre Taiwan e os Estados Unidos – sugestão rejeitada por Taipé, onde actualmente se concentra a maioria da produção mundial. A TSMC comprometeu-se já com investimentos de 100 mil milhões de dólares nos EUA, incluindo a construção de novas fábricas no estado do Arizona, além dos 65 mil milhões já anunciados anteriormente.

China e França realizam diálogo estratégico com apelos a maior confiança mútua

China e França concordaram em reforçar a confiança mútua e aprofundar a cooperação bilateral, durante a 27.ª ronda do Diálogo Estratégico entre os dois países, informou ontem a agência de notícias oficial chinesa Xinhua. O encontro reuniu na quarta-feira o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, e o conselheiro diplomático do Presidente francês, Emmanuel Bonne, e centrou-se no reforço das relações políticas e económicas bilaterais, além de abordar questões internacionais como a guerra na Ucrânia e a situação no Médio Oriente.

Segundo a mesma fonte, a reunião decorreu no contexto de um estreitamento dos contactos entre Pequim e as principais capitais europeias e serviu para rever os avanços do último ano nas relações sino-francesas, sublinhando a necessidade de manter uma cooperação “estratégica, estável e com visão de futuro”.

Wang Yi defendeu que ambos os países, membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, devem “aprofundar a confiança mútua”, “explorar novos sectores de cooperação” e reforçar a coordenação em fóruns multilaterais. O chefe da diplomacia chinesa expressou ainda o desejo de que França promova, no seio da União Europeia, uma “percepção correcta da China” e apoie a “autonomia estratégica” do bloco europeu.

Em expansão

Na reunião realizada na cidade chinesa de Hangzhou (leste), Emmanuel Bonne afirmou, segundo a chancelaria chinesa, que França “mantém a sua política externa independente” e reafirmou o compromisso com o princípio de “uma só China”.

Bonne manifestou a intenção de Paris em expandir a cooperação económica, no sector da energia nuclear civil, nas áreas da tecnologia e energia, “num espírito de igualdade e benefício mútuo”, reiterando também a rejeição da “confrontação entre blocos ou guerras comerciais”.

Esta foi a terceira conversa entre Wang e Bonne no último ano, após uma chamada telefónica em Outubro de 2024, na qual discutiram a guerra na Ucrânia e as tensões comerciais entre a China e a União Europeia, e um encontro em Março de 2025, onde ambos defenderam a necessidade de “evitar que o mundo regresse à lei da selva” e de resolver as diferenças económicas através do diálogo.

Pequim defende como legítima cooperação comercial e energética com a Rússia

Pequim defendeu ontem como “legítima a sua cooperação energética com Moscovo, após Washington afirmar esperar que a China suspenda as compras de petróleo russo, à semelhança do prometido pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

“O comércio normal da China com países de todo o mundo, incluindo a Rússia, é legítimo e conforme as regras”, afirmou o porta-voz da diplomacia chinesa Lin Jian, em conferência de imprensa. Lin acusou os EUA de praticarem “intimidação unilateral e coerção económica”, que “violam gravemente as normas do comércio internacional e colocam em risco a segurança e estabilidade das cadeias industriais e de abastecimento globais”.

O porta-voz sublinhou que a posição da China em relação à guerra na Ucrânia “tem sido sempre objectiva e justa”, sendo “clara, pública e amplamente reconhecida”. “Opomo-nos firmemente ao uso frequente da China como pretexto por parte dos Estados Unidos e ao abuso de sanções unilaterais ilegais e de jurisdição extraterritorial”, acrescentou.

Lin advertiu ainda que, caso “os direitos da China sejam violados”, Pequim “responderá com firmeza e salvaguardará resolutamente a sua soberania, segurança e interesses de desenvolvimento”. Na quarta-feira, Trump declarou, durante uma conferência de imprensa na Casa Branca, que Modi lhe assegurou que a Índia irá suspender as importações de petróleo russo, como forma de reduzir as receitas energéticas de Moscovo, após a invasão da Ucrânia em 2022.

Gostos e desgostos

O líder norte-americano afirmou que “não gostou” que Modi comprasse petróleo à Rússia, pois isso “permite-lhe continuar a sua guerra absurda”.

A Índia, a par da China, tem sido um dos principais compradores de crude russo, beneficiando de preços mais baixos desde a imposição de sanções ocidentais. Durante o seu mandato anterior, Trump impôs tarifas sobre as importações indianas, mas evitou penalizar directamente a China devido às tensões comerciais em curso. “Agora o meu objectivo é que a China faça o mesmo”, afirmou Trump.

Tarifas | Pequim acusa Estados Unidos de arbitrariedade

Os editoriais do Global Times e do China Daily criticam veementemente a política norte-americana de ameaças constantes e falta de visão estratégica

Pequim acusou ontem os Estados Unidos de agirem com arbitrariedade e visão de “curto prazo” na política comercial, após Washington alertar que a China será “a mais prejudicada” se mantiver restrições à exportação de minerais estratégicos.

Num editorial intitulado “Washington não deveria surpreender-se com a resposta da China”, o jornal oficial Global Times atribuiu as novas tensões entre as duas maiores economias do mundo ao “incumprimento de promessas” por parte dos Estados Unidos e à sua “conduta unilateral”. O texto responsabiliza os EUA por “sobrestimar o seu poder de coerção” e “subestimar a capacidade de resposta da China”, afirmando que as ameaças de novas tarifas “desestabilizaram os mercados globais e as cadeias de abastecimento”.

Segundo o jornal, as contramedidas adoptadas por Pequim representam “uma defesa dos seus direitos legítimos e da justiça internacional”. O editorial critica ainda a política comercial norte-americana por revelar “falta de visão estratégica” e avisa que o “grande bastão” empunhado por Washington “não passa de um tigre de papel” para o povo chinês – expressão comum na retórica política do país asiático.

Um outro jornal oficial, o China Daily, publicou um comentário do académico Zheng Jueshi, que acusa os EUA de aplicarem a “lei da selva” nas relações internacionais, tratando aliados, parceiros e rivais como “parte do seu menu político”. Na sua opinião, Washington “sacrifica os interesses de outros países” em nome da sua hegemonia, enquanto Pequim “defende um sistema de governação mais justo”.

As críticas surgem um dia depois de o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ter afirmado, em Nova Iorque, que a China “será a mais prejudicada” se continuar a adoptar políticas “decepcionantes e coercivas”, numa alusão às restrições impostas por Pequim à exportação de terras raras, minerais essenciais para as indústrias tecnológicas e de defesa.

O responsável norte-americano afirmou que estas acções demonstram “o risco de depender de um parceiro pouco fiável” e defendeu que os EUA e os seus aliados devem “diversificar as cadeias de abastecimento”. Bessent anunciou ainda a fixação de preços mínimos em várias indústrias e o reforço da “política industrial” norte-americana para reduzir a dependência do mercado chinês.

Corda a esticar

As tensões comerciais entre os dois países agravaram-se nas últimas semanas, após a decisão de Pequim de aplicar sanções a filiais norte-americanas da sul-coreana Hanwha Ocean e impor novas tarifas a navios com bandeira dos EUA. Washington respondeu com medidas semelhantes e ameaçou impor tarifas de 100 por cento a todos os produtos chineses a partir de 01 de Novembro.

O actual impasse recorda os episódios de confronto tarifário registados no início do ano, quando ambos os governos se acusaram de distorcer o comércio global através de controlos à exportação de tecnologias e matérias-primas estratégicas.

Embora nem o Global Times nem o China Daily mencionem directamente Bessent, os editoriais reiteram a mensagem habitual das autoridades chinesas após críticas de Washington, insistindo na necessidade de “igualdade e respeito mútuo” nas negociações bilaterais.