Moeda | Yuan atinge valor mais alto face ao dólar desde eleição de Trump Hoje Macau - 3 Set 2025 O yuan valorizou para o nível mais alto face ao dólar norte-americano desde a eleição de Donald Trump, num sinal de que Pequim está disposta a permitir um fortalecimento gradual da moeda chinesa. Desde o início do ano, o yuan valorizou 2,3 por cento face à moeda norte-americana, fixando-se nos 7,14 yuan por dólar. Segundo analistas citados pelo jornal britânico Financial Times, a valorização da moeda poderá ter implicações nas negociações comerciais entre a China e os Estados Unidos. Durante o seu primeiro mandato, o novo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a acusar Pequim de manipulação cambial. “É um sinal para os Estados Unidos”, afirmou Mitul Kotecha, responsável pela estratégia cambial do banco britânico Barclays. “A China quer mostrar, de boa-fé, que não pretende desvalorizar a moeda”, acrescentou. Apesar do fortalecimento, o yuan tem tido um desempenho inferior ao de outras moedas importantes este ano, como o euro e o iene, que valorizaram 13,2 por cento e 6,2 por cento, respectivamente, face ao dólar. O economista-chefe do banco de investimento Goldman Sachs para a Ásia-Pacífico, Andrew Tilton, sugeriu que as autoridades norte-americanas podem estar a incentivar vários países a permitirem a valorização das suas moedas. A relativa estabilidade do yuan face ao dólar, que se encontra em queda, beneficia as exportações chinesas, mas aumenta a pressão sobre os sectores industriais de outros países, cujas moedas mais fortes encarecem as exportações para os EUA.
Xi pede ao PM paquistanês que garanta protecção dos projectos chineses Hoje Macau - 3 Set 2025 O Presidente da China, Xi Jinping, apelou ontem ao Paquistão para tomar “medidas concretas e eficazes” que garantam a segurança de cidadãos, projectos e instituições chinesas no país, após vários ataques contra trabalhadores chineses. Durante um encontro em Pequim com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, Xi afirmou que “a China e o Paquistão são amigos na adversidade e irmãos” e que “uma relação sólida entre ambos contribui para a paz e o desenvolvimento regionais”, segundo um comunicado divulgado pela diplomacia chinesa. O chefe de Estado chinês reiterou o apoio de Pequim à “unidade, ao foco no desenvolvimento e ao fortalecimento nacional do Paquistão”. Sharif garantiu que o seu Governo “não poupará esforços para proteger a segurança do pessoal, dos projectos e das instituições chinesas” em território paquistanês. “Cada geração de paquistaneses recorda a ajuda desinteressada da China. Nenhuma força pode quebrar esta amizade inquebrantável entre os nossos dois países”, afirmou. Em Outubro de 2024, dois cidadãos chineses morreram e mais de uma dezena de pessoas ficaram feridas num atentado suicida no aeroporto de Karachi, no sul do país. Em Março do mesmo ano, outro atentado semelhante causou a morte de pelo menos cinco trabalhadores chineses e um paquistanês, envolvidos na construção de uma central hidroeléctrica em Dasu, na província de Khyber Pakhtunkhwa. Na mesma região, em Março do ano passado, cinco engenheiros chineses e um condutor paquistanês morreram noutro ataque suicida. Pedras no caminho Estes atentados têm sido um obstáculo ao aprofundamento da parceria sino-paquistanesa, sobretudo no plano económico. A China comprometeu-se a investir 64 mil milhões de dólares (em infraestruturas no Paquistão, no âmbito do Corredor Económico China – Paquistão (CPEC), integrado na Iniciativa Faixa e Rota, que visa ligar o sul e o centro da Ásia a Pequim. Shehbaz Sharif participou no domingo e na segunda-feira na 25.ª cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), realizada na cidade chinesa de Tianjin. O líder paquistanês assistirá hoje ao desfile militar em Pequim que assinala os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, evento que contará com a presença dos presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Coreia do Norte, Kim Jong-un, entre outros.
Parada | China exibe poder militar em desfile pelo fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico Hoje Macau - 3 Set 2025 A parada militar destinada a assinalar o fim da segunda guerra mundial no Pacífico conta com a presença de vários líderes mundiais da Ásia, da América Latina e da Europa de Leste. Xi Jinping irá passar revista às tropas Caças furtivos de última geração, mísseis balísticos avançados e tanques equipados com drones vão desfilar em Pequim, hoje, para assinalar os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico. O evento vai contar com a presença do Presidente chinês, Xi Jinping, e dos líderes da Rússia, Vladimir Putin, e da Coreia do Norte, Kim Jong-un, além de vários outros chefes de Estado de países da Ásia, da América Latina e da Europa de Leste. O único representante da UE vai ser o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, que afirmou querer “prestar homenagem a todos os que se sacrificaram na luta contra o fascismo” e ao povo chinês. A capital chinesa encontra-se sob apertadas medidas de segurança há várias semanas, com detectores semelhantes aos usados em aeroportos nas entradas de edifícios públicos e patrulhas permanentes em viadutos e pontos estratégicos da cidade. O desfile, marcado para as 09:00, terá cerca de 70 minutos de duração e envolverá 45 formações militares, incluindo um sobrevoo de aviões de guerra. Xi Jinping vai discursar na praça de Tiananmen e passar revista às tropas do Exército de Libertação Popular (ELP), no que será também uma demonstração de força num momento de crescente desconfiança face ao Ocidente, incertezas geopolíticas agravadas desde a chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e disputas territoriais com vários vizinhos. Fontes do Ministério da Defesa indicaram que grande parte do armamento exibido será mostrado ao público pela primeira vez, sendo toda a tecnologia de fabrico chinês. O jornal de Hong Kong South China Morning Post noticiou que poderão ser exibidos mísseis com capacidade nuclear. Últimas novidades Song Zhongping, antigo instrutor do ELP, referiu ao mesmo jornal que o país poderá apresentar novos sistemas de ataque hipersónico de precisão capazes de “contrariar eficazmente adversários poderosos, incluindo os Estados Unidos”, como os mísseis DF-17, DF-26 (alcance superior a 4.000 quilómetros, apelidado de “Assassino de Guam”), JL-3 (lançado a partir de submarinos) e YJ-21 (concebido para ultrapassar sistemas avançados de defesa naval). Entre os destaques esperam-se também tanques adaptados a veículos aéreos não tripulados (drones), aviões de alerta antecipado KJ-600 e caças furtivos de última geração. De acordo com Pequim, a invasão japonesa causou mais de 35 milhões de vítimas entre civis e militares chineses mortos e feridos, representando um terço das baixas totais da guerra. Trio em destaque O destaque da cerimónia será a presença conjunta de Xi, Putin e Kim Jong-un, este último numa rara deslocação ao estrangeiro – a primeira desde 2019 – para reforçar os laços com Pequim, num momento em que Pyongyang tem aprofundado a cooperação militar com Moscovo. Estarão ainda presentes o Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, o líder da junta militar de Myanmar (antiga Birmânia), Min Aung Hlaing, o Presidente do Irão, Masud Pezeshkian, e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, entre outros dirigentes do Sudeste Asiático, incluindo representantes de Camboja, Vietname, Laos e Malásia. Pequim procura apresentar-se como um parceiro mais estável e fiável do que os Estados Unidos, numa região onde é o principal parceiro comercial colectivo. Entretanto, a cidade continua sob vigilância apertada. Guardas patrulham pontes e viadutos, medida de segurança recorrente desde 2022.
Exposição de Francisco Ricarte na Casa de Portugal até final do mês Hoje Macau - 2 Set 2025 A exposição “Macau: Dias de Ontem e Dias de Hoje”, com imagens do arquitecto Francisco Ricarte, foi estendida até ao final do mês, podendo ser visitada até 30 de Setembro na sede da Casa de Portugal em Macau (CPM). Trata-se de uma iniciativa integrada na programação das celebrações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. A mostra contém 20 “dípticos”, ou seja, “vinte propostas visuais comparativas entre imagens antigas de Macau, como registos fotográficos e iconográficos da cidade da primeira metade do Séc. XIX, ou existentes em postais antigos dos inícios do Séc. XX, com imagens contemporâneas desses espaços ou do que resta deles, onde se possam entender não só a presença dos antigos elementos construídos ou naturais ainda existentes, mas sobretudo a continuidade do seu significado social e humano relevantes”, explicou o arquitecto e fotógrafo ao HM. Segundo Ricarte, o que se pretende fazer nesta mostra não é apenas “o registo meramente documental ou comparativo das modificações necessariamente ocorridas nos espaços e imóveis registados, mas sim captar como o seu ‘espírito’, sob o ponto de vista da sua presença, significado urbano ou presença humana significativa, mantêm a sua identidade e significado imagético para a cidade, hoje”. Passado e presente Em “Macau: Dias de Ontem e Dias de Hoje” faz-se a “introdução de registos cromáticos nas fotografias contemporâneas”, convidando-se o público a “identificar uma continuidade entre o antigo e o contemporâneo, encontrando novas identidades e significados nas imagens contemporâneas apresentadas, fazendo assim uma outra leitura interpretativa desses registos fotográficos”. Aqui, a cor “articula a perenidade e identidade dos locais e seu significado, patente nos ‘dias de ontem’ com a contemporaneidade desses mesmos espaços, evidenciado pela sua presença e identidade nos ‘dias hoje'”, remata Ricarte. Francisco Ricarte é arquitecto de profissão, estando em Macau desde 2006. É um dos membros da associação Halftone, dedicada à fotografia profissional e amadora que se faz no território e fora dele, tendo ajudado a criar este projecto em 2021. A Halftone publica também uma revista de fotografia de forma regular.
Livro | Pensamento do filósofo chinês Xun Kuang editado em português Hoje Macau - 2 Set 2025 A Livros do Meio, editora local criada por Carlos Morais José, juntou esforços à Fundação Macau para a edição de “Escritos de Mestre Xun”, que pela primeira vez traduz integralmente do chinês para português o pensamento do filósofo chinês Xun Kuang, também conhecido por Xun Zi. O lançamento desta obra dedicada ao pensamento sobre Confúcio acontece dia 10 deste mês na Fundação Rui Cunha No pensamento confucionista chinês da antiguidade, os grandes nomes que surgem no imediato são Confúcio e Mencius. Mas inclui-se também nesta lista um homem nascido com o nome de Xun Kuang, que ficaria mais conhecido na história como Xun Zi e que é considerado um dos grandes filósofos confucionistas chineses do período antigo da China. A editora de Macau Livros do Meio, de Carlos Morais José, prepara agora um lançamento inédito sobre os escritos e o pensamento deste filósofo, na medida em que pela primeira vez estarão disponíveis em português. A tradução esteve a cargo de Rui Cascais, Gong Yuhong e do próprio Carlos Morais José, que também fez a parte da edição e notas. A edição de “Escritos de Mestre Xun” contou com a co-edição da Fundação Macau e será lançada no dia 10 de Setembro em Macau, na Fundação Rui Cunha. Segundo uma nota de imprensa divulgada pela Livros do Meio, trata-se de uma “pedra angular do pensamento filosófico chinês finalmente acessível ao leitor lusófono em edição definitiva”. Esta é a “primeira tradução para língua portuguesa de todos os 32 capítulos do filósofo confuciano Xun Zi (c. 310 – c. 235 a.E.C)”, tratando-se de uma “edição histórica que preenche uma lacuna crucial nos estudos filosóficos e sinológicos em português”. Segundo a descrição da editora, o livro “conta com extensas notas explicativas, comentários críticos e uma introdução abrangente que situa Xun Zi no contexto do período dos Reinos Combatentes e traça sua influência ao longo da história”. “A Livros do Meio orgulha-se, depois de ter publicado recentemente o último dos ‘Quatro Livros’, de tornar este clássico acessível aos leitores de língua portuguesa”, acrescenta ainda. Uma longa jornada Traduzir aquilo que Xun Zi deixou constituiu “uma jornada de vários anos”. O filósofo deixou um pensamento pautado pelo “racionalismo, a defesa da cultura como antídoto para o caos e uma análise da linguagem”, elementos que “ressoam de forma poderosa nos dias de hoje”. Neste processo de tradução, procurou-se “capturar a precisão e a força argumentativa do seu texto, permitindo que o leitor de língua portuguesa enfrente, pela primeira vez em toda a sua extensão, um dos pensadores mais lúcidos e desafiadores da humanidade”. Se Mencius, contemporâneo de Xun Zi, “acreditava na bondade inata do ser humano”, o “Mestre Xun” defendia, por sua vez, “que a natureza humana é originalmente má (xing er), e que a bondade é adquirida através do esforço consciente, da educação ritualizada (li) e da orientação dos sábios e de um governo justo”. Daí a Livros do Meio entender que ler e analisar Xun Zi permite ter acesso a um “tratado profundo sobre ética, política, educação, linguagem e cosmologia, oferecendo perspectivas surpreendentemente modernas sobre a natureza da sociedade”. “Xun Zi é um gigante intelectual, cujo pensamento é fundamental para entender não apenas o Confucianismo, mas toda a história intelectual chinesa. Publicar as suas obras completas em português é um marco editorial e um presente para estudantes, académicos e todos os leitores que buscam compreender as bases da civilização chinesa”, descreve ainda a Livros do Meio. A obra tem 422 páginas e um custo de 200 patacas. A Livros do Meio foca-se na edição de obras clássicas chinesas traduzidas para português em áreas como a poesia, o pensamento, Arte, História ou Etnologia, entre outras.
Receitas | Analistas prevêem subida de 13% em Setembro João Santos Filipe - 2 Set 2025 Com receitas de 17,25 mil milhões de patacas, Setembro de 2024 foi o pior mês do ano para os casinos. No entanto, os analistas acreditam que este ano o cenário vai ser diferente, com receitas a rondar os 19,69 mil milhões de patacas Em Setembro, as receitas dos casinos deverão registar um crescimento anual de 13 por cento, de acordo com os relatórios emitidos por analistas citados pelo portal GGR Asia. As estimativas têm por base as receitas de 22,16 mil milhões de patacas dos casinos em Agosto, o valor mais elevado desde Janeiro de 2020, altura do início da pandemia da covid-19. Na perspectiva do Deutsche Bank Securities, as receitas de Setembro devem rondar os 2,45 mil milhões de dólares norte-americanos (19,69 mil milhões de patacas), o que representa um aumento anual de 13,6 por cento. Em 2024, as receitas de Setembro foram de 17,25 mil milhões de patacas, as mais reduzidas de todo o ano. A estimativas do analista Steve Pizzella, do Deutsche Bank, são mais optimistas que as da generalidade dos analistas no mercado, que acreditam que as receitas deverão crescer mais lentamente, ao ritmo de cerca de 10 por cento. A instituição financeira também destacou que apesar de uma previsão de crescimento de 13 por cento a estimativa é tida como conservadora à luz das tendências das mesas de jogo entre 2013 e 2019. Steve Pizzella indicou que tendo em conta as tendências desse período a estimativa deveria apontar para um aumento das receitas anual na ordem dos 17,5 por cento. Avisos contra tufões Por sua vez, a instituição financeira Seaport Research Partners acredita que Setembro vai resultar num crescimento anual das receitas na ordem dos 13 por cento. No entanto, o relatório assinado pelo analista Vitaly Umansky avisa que o número pode ficar abaixo das estimativas, no caso de se verificarem novos tufões. “A nossa estimativa poderá ser afectada negativamente no caso de algum tufão na região afectar as viagens para Macau”, escreveu Vitaly Umansky. “No ano passado, Setembro foi afectado negativamente por dois grandes tufões, o que foi parcialmente compensado pela elevada retenção de VIPs”, acrescentou. A Seaport prevê também um crescimento das receitas brutas na ordem dos 13,5 por cento na segunda metade do ano, em comparação com o crescimento de 4,4 por cento entre Janeiro e Junho. Umansky destacou que o crescimento deve resultar da maior eficácia das concessionárias a nível de marketing e uma maior flexibilização da circulação de capitais e emissão de vistos para visitar o território. O analista apontou também que um possível acordo comercial entre os Estados Unidos e a China irá injectar uma nova confiança na economia chinesa, que poderá resultar numa maior vontade dos jogadores se deslocarem a Macau e apostarem mais nas mesas do território.
GP Consumo | Mais de 37 mil idosos com descontos imediatos Hoje Macau - 2 Set 2025 A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) revelou que até às 10h da manhã de ontem, mais de 37 mil idosos tinham obtido descontos directos em compras, no âmbito do Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, a subdirectora da DSEDT, Cheang Hio Man, afirmou também que cerca de 1.900 pessoas levaram o novo cartão para obter descontos, emitido apenas para titulares do Cartão de Registo de Avaliação da Deficiência do Instituto de Acção Social. Ao mesmo tempo, Cheang Hio Man disse que o prazo para levantar o de cartão para idosos e cartão de cuidados sociais é suficiente para disfrutar dos descontos, pelos que os residentes não precisam de correr para os postos de levantamento.
Esgrima | Atletas impedidos de exibir bandeira de Macau João Santos Filipe e Nunu Wu - 2 Set 2025 Uma equipa de Macau conseguiu subir ao lugar mais alto do pódio na Taça da Ásia de Cadetes. No entanto, enquanto os atletas de Hong Kong e do Cazaquistão mostravam as respectivas bandeiras, o Lótus verde ficou bem longe dos olhares do público Imagem: Escola Pui Ching A Associação Geral de Esgrima de Macau terá impedido que a bandeira do território fosse mostrada na Taça da Ásia de Cadetes, que decorreu na Malásia, depois de alguns atletas locais terem conquistado um troféu. O caso foi denunciado por um participante do programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau, com a foto da competição que decorreu entre 20 e 23 de Agosto a ser divulgada ontem nas redes sociais. “Ouvi dizer que a participação na competição não foi subsidiada pelo Governo, apesar de os atletas estarem a representar Macau. Por isso, a Associação Geral de Esgrima de Macau impediu que os atletas subissem ao pódio com a bandeira da RAEM”, afirmou o ouvinte, que se identificou pelo apelido Ieong. A postura dos atletas de Macau contrastou assim com a dos esgrimistas de Hong Kong e do Cazaquistão que podem ser vistos nos pódios com as bandeiras dos territórios que representam. Segundo as reportagens da competição, a equipa de Macau arrecadou uma medalha de ouro, duas medalhas de prata e duas medalhas de bronze. Outras queixas Ieong também se queixou do facto de a associação mudar os critérios para o concurso inter-escolas de esgrima, que vai começar a partir de Outubro, por agrupar atletas que usam armas com tamanhos diferentes. “No passado, os alunos com menos de 11 e 12 anos competiam na mesma categoria. Mas este ano, os alunos com menos de 12 anos precisam de enfrentar os menores de 13 anos. Como nós sabemos, as espadas utilizadas pelos menores de 12 anos e de 13 anos são diferentes, o comprimento de espada é diferente”, explicou. Falta imparcialidade nesta decisão”, considerou. Além disso, Ieong apontou que a competição escolar vai ser fechada ao público, significando que a entrada dos pais será vedada. Ieong afirmou que este aspecto é negativo porque os alunos podem não saber como apresentar uma queixa, se sentirem prejudicados nas decisões. Mar de críticas Nos últimos dias têm surgido várias críticas anónimas contra a Associação Geral de Esgrima de Macau devido a contratações pouco transparentes de pessoal e alegados abusos de poder. As denúncias foram publicadas alegadamente por atletas da esgrima, e uma das acusações visou directamente a secretária-geral da associação, Grace Ma, por abuso de poder. “Nenhum dos administradores da associação tem experiência de esgrima ou contacto com o desporto. Desde que Grace Ma assumiu o cargo de gestão aconteceram os seguintes episódios: esquecimento de inscrições em competições, esquecimentos de pedidos de vistos, nomes de atletas escritos de forma errada nos bilhetes de avião, não arranjam transporte para os atletas durante as competições e nem nos permitem participar nas competições, mesmo quando pagamos os custos com o dinheiro do nosso bolso”, lê-se numa das publicações. As publicações também duvidam das qualificações de Grace Ma, citando as reportagens dos jornais chineses em que ela surge identificada como tendo um doutoramento em ortopedia da Universidade de Malaya, em Kuala Lumpur. “Esta universidade nunca teve o doutoramento em ortopedia, apenas tem engenharia biomédica”, foi apontado. As críticas visam também o facto de Grace Ma não surgir na lita de profissionais de saúde reconhecidos pelos Serviços de Saúde, o que significa que não está habilitada para fazer tratamentos médicos. Os denunciantes anónimos esperam que a associação explique as razões de ter escolhido Grace Ma como a secretária-geral da associação, e esperam que Ma se demita, para deixar alguém com experiência e conhecimento da matéria assumir o cargo. O HM contactou a Associação Geral de Esgrima de Macau sobre as queixas apresentadas, mas até ao encerramento da edição não recebeu uma resposta.
Telecomunicações | Novos contratos conhecidos até ao fim do mês Hoje Macau - 2 Set 2025 A directora dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT), Derby Lau Wai Meng, anunciou que os novos contratos das concessões da rede pública de telecomunicações fixas vão ser publicados no Boletim Oficial até ao final do mês, altura em que as concessões actuais terminam. A informação foi revelada na segunda-feira, à margem de uma conferência de imprensa. A CTM e a MTel são actualmente as duas concessionárias. Todavia, a responsável recusou a ideia de que os novos contratos se limitem a ser mais uma renovação, como ocorridas em 2021 e 2022. Segundo Derby Lau, citada pelo jornal Cheng Pou, os novos contratos vão mais longe e incluem orientações para o futuro desenvolvimento das telecomunicações no território. A directora recusou entrar em mais pormenores, prometendo explicações para a altura em que os contratos forem divulgados.
Imobiliário | Mais vendas a preços mais baixos no início de Agosto João Santos Filipe - 2 Set 2025 Agosto arrancou com mais actividade comercial no mercado da habitação, com um aumento de 19 por cento do número de transacções. No entanto, compradores e vendedores voltaram a ver os preços baixarem Na primeira metade de Agosto o número de transacções de habitação teve um crescimento anual de 19 por cento para um total de 118 negócios. Os números foram divulgados ontem, através do portal da Direcção de Serviços de Finanças (DSF). Na primeira quinzena de Agosto do ano passado tinham sido registadas 99 transacções de habitação. Em relação ao início de Agosto deste ano, o maior número de compras e vendas de habitação aconteceu na Península com 96 transacções, que contrastam com as 74 do ano anterior. Na Taipa houve 19 vendas de apartamentos, um valor que ficou estabilizado, e em Coloane foram registadas três, menos três do que no início de Agosto do ano passado. Se por um lado houve mais transacções, por outro, o preço médio das casas vendidas apresentou uma redução de 2,3 por cento para uma média de 78.990 patacas por metro quadrado. Em comparação, na primeira quinzena de Agosto do ano passado o preço médio do metro quadrado era de 80.815 patacas por metro quadrado. Como tradicionalmente acontece, o metro quadrado foi mais caro em Coloane, com um custo médio de 83.444 patacas, o que em termos anuais representou um aumento face ao valor médio de 65.145 patacas por metro quadrado do início de Agosto de 2024. Na Península o preço médio mais recente foi de 82.743 patacas por metro quadrado, uma redução anual face às 84.584 patacas anteriores. Finalmente, na Taipa o preço mais recente foi de 65.219 patacas por metro quadrado, uma redução de quase 10 mil patacas, face às 75.189 patacas por metro quadrado do ano anterior. Navios idos Os números mais recentes confirmam que o mercado do imobiliário de Macau atravessa uma situação muito diferente do que acontecia antes da pandemia da covid-19. Nos primeiros quinze dias de Agosto de 2019 o número de transacções de fracções para habitação atingiu 443, cerca do triplo do que aconteceu no período mais recentemente analisado. Nesse início de mês houve 289 transacções na Península, 137 na Taipa e 17 em Coloane. Também os preços praticados se encontram num nível diferente do que acontecia em Agosto de 2019. Nessa altura, o preço médio por metro quadrado era de 119.351 patacas, uma diferença de 40.361 patacas face à primeira quinzena de Agosto de 2025. Nessa altura, o preço médio na Taipa era de 142.100 patacas por metro quadrado, e de 126.883 patacas em Coloane. Na Península o preço médio do metro quadrado atingia as 108.748 patacas.
DSEDJ | Aposta em visitas a bases de segurança nacional Hoje Macau - 2 Set 2025 A Direcção de Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) vai continuar a apostar nas visitas de estudo para professores e alunos à Base de Educação do Patriotismo para Jovens de Macau, em Shandong, e à Base de Formação de Educação sobre Perspectiva Geral da Segurança Nacional para Jovens de Macau, em Pequim, como parte dos esforços de promoção do nacionalismo. A orientação sobre a educação nacional foi revelada na resposta a uma interpelação do deputado Ho Ion Sang. De acordo com a resposta assinada por Teng Sio Hong, subdirector da DSEDJ, as visitas têm como objectivo “aprofundar o sentimento patriótico e a consciência de segurança nacional”. No documento, Teng Sio Hong garante que o “Governo da RAEM mantém-se firme na consolidação dos valores nucleares do amor pela Pátria e por Macau” e que o futuro desta política passa pela construção de “uma base de experiência imersiva, baseada em Macau e interligada com a Grande Baía”, realização de actividades para alunos e a criação de um Pavilhão de Exposições da Educação Patriótica em Seac Pai Van.
IH / Edifício do Lago | Apontada responsabilidade de condóminos João Luz - 2 Set 2025 A queda de azulejos no complexo de habitação económica do Edifício do Lago tem sido um problema recorrente passados poucos anos da ocupação dos apartamentos. Desde a primeira ocorrência, a queda de mosaicos tem sido uma constante, também noutros edifícios de habitação pública. O Instituto de Habitação empurra responsabilidades para os condomínios Passado pouco tempo da distribuição de apartamentos no complexo de habitação económica do Edifício do Lago, começou a ser evidente a falta de qualidade da construção, com o desprendimento constante de azulejos e mosaicos da fachada e paredes exteriores dos blocos. Após a sucessiva queda de mosaicos, o empreiteiro era convocado a proceder a reparações, e o problema repetia-se, tanto nas paredes exteriores como nas partes comuns no interior dos prédios. O ciclo repetiu-se durante mais de uma década, também noutros prédios de habitação pública, até que a garantia estabelecida no contrato de adjudicação da construção do Edifício do Lago expirou. Desde então, o Instituto de Habitação (IH) “passou a bola” para o lado dos condóminos, que têm rejeitado sucessivamente propostas de reparação. Em resposta a uma interpelação de Nick Lei, o Governo voltou a realçar a inacção dos proprietários. Após uma investigação do Comissariado contra a Corrupção, que não encontrou indícios de corrupção das autoridades no concurso, apreciação, aprovação e supervisão das obras no Edifício do Lago e no Edifício Ip Heng, foi “apresentada uma proposta de reparação para discussão e deliberação por parte dos condóminos. Contudo, a proposta foi rejeitada dentro do prazo estabelecido, pelo que o empreiteiro não pôde realizar os trabalhos de reparação e acabou por retirar a proposta”, indicou Sam Weng Chon, director substituto dos Serviços de Obras Públicas. O responsável salientou que “o IH continuou a instar a empresa de administração e as respectivas administrações a darem acompanhamento à situação, exigindo-lhes a apresentação de uma nova proposta de reparação”. Raiz do problema No Edifício da Alameda da Tranquilidade passou-se uma situação semelhante. Quedas de azulejos, reparações que duram pouco tempo, período de garantia expirada e responsabilidades atiradas para os proprietários que compraram casas ao Governo, com as administrações de condomínios a rejeitarem propostas de reparação. Independentemente das queixas sucessivas e notícias cíclicas sobre a degradação de prédios praticamente novos, o responsável da DSOP aponta para os moradores. “A reparação dos espaços comuns dos edifícios depende da vontade comum dos condóminos, pelo que o IH continuará a incentivar todas as partes envolvidas a avançarem com a reparação com a máxima celeridade, prestando apoio na convocação das assembleias e na apresentação de candidaturas ao Fundo de Reparação Predial, de modo a aliviar os encargos de reparação”, indicou Sam Weng Chon. Na interpelação escrita, Nick Lei indica que a responsabilidade não deve somente recair sobre os condóminos, uma vez que estas não foram responsáveis pela falta de qualidade das obras. “O problema de qualidade não foi resolvido adequadamente até ao termo do prazo de garantia do edifício e o desprendimento de mosaicos causou ferimentos a transeuntes e danificou veículos estacionados na via pública, portanto, tudo isso constitui perigo para a segurança comunitária”, salientou o deputado.
SCO | China revela plano de dez anos para mundo multipolar Hoje Macau - 2 Set 2025 Foi apresentada em Tianjin a Iniciativa de Governança Global, um plano de Pequim que defende o multilateralismo na ordem geopolítica mundial. Da Organização de Cooperação de Xangai saiu uma nova declaração de defesa do mundo multipolar, bem como novos “100 projectos pequenos e exemplares” de apoio financeiro para países membros do organismo A Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês) aprovou uma estratégia de desenvolvimento para a próxima década, com o objectivo de promover um mundo multipolar, anunciou ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi. A Iniciativa de Governança Global (GGI, na sigla inglesa) surge numa altura em que o bloco regional reconheceu, numa declaração conjunta, que o agravamento das tensões geopolíticas representa uma ameaça crescente à segurança dos seus membros. Em declarações após a 25.ª cimeira da SCO, que decorreu em Tianjin, no nordeste da China, Wang afirmou que a estratégia de desenvolvimento até 2035 “define o tom e uma direcção clara para a próxima década”, considerando-a um dos principais resultados do encontro. A cimeira teve como pano de fundo o aumento das fricções entre alguns dos principais membros da SCO e os Estados Unidos da América (EUA), nomeadamente devido a sanções e tarifas comerciais aplicadas pela administração de Donald Trump. Wang classificou a reunião como a “mais frutífera” até à data, sublinhando que os participantes emitiram uma mensagem unificada contra acções unilaterais, numa referência implícita a Washington. “A cimeira defendeu firmemente um mecanismo de comércio multilateral centrado na Organização Mundial do Comércio, rejeitou medidas unilaterais que violem as regras da organização e enviou uma mensagem clara em apoio à equidade, contra a intimidação”, afirmou o chefe da diplomacia chinesa. Wang anunciou também a criação de quatro novos centros de segurança no âmbito da SCO, com foco no combate a ameaças à segurança regional, crime organizado transnacional, tráfico de droga e segurança da informação. Segundo a agência Xinhua, Wang Yi disse ainda que a GGI chegou “no momento certo”, dado que “o mundo enfrenta inúmeros desafios, incluindo frequentes turbulências a nível regional, um crescimento económico desacelerado e o aumento de [ideias e movimentos] anti-globalização”. A GGI tem por princípios “o respeito pela igualdade soberana, a observação do Direito internacional, a prática do multilateralismo, a defesa de uma abordagem centrada nas pessoas e foco em acções concretas”, conceitos que estão “em consonância com os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”, observou Wang Yi. O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês lembrou ainda que a GGI é a “quarta grande Iniciativa Global proposta pelo Presidente Xi Jinping nos últimos anos”, após o lançamento da Iniciativa de Desenvolvimento Global, a Iniciativa de Segurança Global e a Iniciativa de Civilização Global. Segundo o ministro, “estas quatro iniciativas trazem estabilidade e previsibilidade a um mundo turbulento, reflectindo-se o papel activo e o sentido de responsabilidade da China nos assuntos internacionais”. Uma nova declaração Da cimeira saiu ainda a Declaração de Tianjin do Conselho de Chefes de Estado da SCO, onde o multilateralismo é palavra de ordem. “A política e economia mundiais, bem como outras áreas das relações internacionais, têm passado por profundas transformações históricas. O sistema internacional caminha na direcção de uma multipolaridade mais justa, igualitária e representativa, abrindo novas perspectivas para o desenvolvimento nacional e cooperação com benefícios mútuos”, pode ler-se. No mesmo documento os Estados-membros da SCO comprometem-se a “aprofundar as parcerias de longo prazo e fortalecer ainda mais a Organização de Cooperação de Xangai, a fim de preservar de forma conjunta a paz, segurança e estabilidade regionais, promovendo-se o desenvolvimento sustentável” dos países. Na declaração é também firmado que os países-membros da SCO “consideram inaceitável a interferência nos assuntos internos de outros Estados sob quaisquer pretextos, bem como o recurso a medidas unilaterais de coerção que não se baseiem no Direito internacional e que prejudiquem os interesses de outros Estados”. “Os Estados-membros reafirmam a sua posição de princípio contra a imposição de sanções unilaterais extraterritoriais”, foi ainda declarado no documento. Apoios a países O Presidente Xi Jinping reafirmou na segunda-feira a visão de uma nova ordem mundial que desafie o domínio ocidental, apelando à construção de um sistema internacional mais justo e multipolar. “A SCO deve opor-se em conjunto à mentalidade de Guerra Fria, ao confronto entre blocos e a comportamentos de intimidação”, afirmou Xi, no discurso principal da cimeira, numa referência indirecta aos Estados Unidos. O líder chinês defendeu uma reforma na governação global com maior representação para o Sul Global e apelou à aplicação “igual e uniforme” do Direito internacional, sem padrões duplos nem a hegemonia de poucos. Xi anunciou ainda um conjunto de medidas concretas para enfrentar os desafios ao desenvolvimento, numa altura em que a guerra comercial com os EUA levanta receios de estagnação económica global. Entre as iniciativas estão 100 “projectos pequenos e exemplares” de apoio ao bem-estar em países da SCO, mais de dois mil milhões de yuan em ajuda não reembolsável e dez mil milhões de yuan adicionais em empréstimos ao Consórcio Interbancário da SCO, nos próximos três anos. Xi revelou também planos para acelerar a criação de um banco de desenvolvimento da SCO, com o objectivo de reforçar a cooperação em matéria de segurança e economia entre os Estados membros. “Devemos ampliar a base da cooperação e utilizar plenamente os recursos de cada país, assumindo a responsabilidade pela paz, estabilidade, desenvolvimento e prosperidade na região”, disse. Relativamente ao papel da China no sistema geopolítico mundial, Xi Jinping destacou uma série de medidas e iniciativas em que considera que o país foi pioneiro. No discurso de segunda-feira, na SCO, destacou que “fomos os primeiros a lançar a cooperação da Iniciativa Faixa e Rota”, tendo sido desenvolvido “um grande número de projectos de assinatura”. Além disso, a “cooperação ao nível do investimento industrial tem avançado de forma significativa, disponibilizando forças condutoras em prol do desenvolvimento e prosperidade em toda a região”. A China diz ter hoje dados que o comércio com os países-membros da SCO ultrapassou “os objectivos que tinham sido traçados”, além de que a rede de comunicações e transportes foi “bastante melhorada”, existindo uma rede de transportes terrestre de quase 14 mil quilómetros entre os Estados-membros. Na segunda-feira, Xi Jinping destacou também que a China foi o primeiro país a “apresentar a visão de uma governança global baseada numa ampla consulta, uma contribuição conjunta e partilha de benefícios”, realizando-se um “esforço para a prática do verdadeiro multilateralismo”. “Aprofundamos a cooperação com as Nações Unidas e outras organizações internacionais, e desempenhamos um papel construtivo nos assuntos internacionais e regionais. Estamos sempre ao lado da equidade e da justiça internacionais, defendemos a inclusão e a mútua aprendizagem entre civilizações. Opomo-nos ao hegemonismo e política de poder, pelo que nos tornamos uma força pró-activa pela paz e desenvolvimento mundial”, defendeu ainda o Presidente chinês. De mãos dadas Antes da sessão fotográfica oficial, na segunda-feira, os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Índia, Narendra Modi, foram vistos a caminhar de mãos dadas na direcção de Xi Jinping, com quem mantiveram uma breve conversa, acompanhados por intérpretes. De acordo com o próprio Modi, os dois líderes viajaram juntos no mesmo carro para a sua reunião bilateral. Criada em 2001 como uma aliança de segurança euro-asiática entre a China, a Rússia e quatro países da Ásia Central, a SCO alargou-se a áreas como cooperação económica e comercial. Segundo Pequim, a organização reúne actualmente 26 países da Ásia, Europa e África, entre membros plenos, observadores e parceiros de diálogo. Myanmar e Turquia estão entre os países que pretendem adesão plena. Apesar da crescente influência, o grupo continua afectado por disputas internas – como entre Índia e Paquistão, ou entre Tajiquistão e Quirguistão – que comprometem a sua eficácia global. A.S.S. / Agências
Sam Hou Fai adia sem data visita a Portugal prevista para 16 de Setembro Hoje Macau - 2 Set 20252 Set 2025 O líder do Governo de Macau, Sam Hou Fai, adiou sem data prevista a visita a Portugal e Espanha, prevista para decorrer entre 16 e 23 de setembro, confirmou a Lusa e o HM junto de fonte oficial. “A visita foi adiada e não há ainda data de quando será realizada”, confirmou à Lusa fonte oficial do Gabinete de Comunicação Social (GCS) da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM). A visita a Portugal seria a primeira deslocação ao estrangeiro desde que Sam Hou Fai tomou posse como chefe do executivo da RAEM, em dezembro de 2024. Esta deslocação, a ter ido por diante, teria início dois dias após a realização das eleições para o Parlamento da RAEM, agendadas para o próximo dia 14.
Afeganistão | China apresenta condolências e oferece ajuda após terramoto Hoje Macau - 2 Set 2025 A China apresentou ontem “profundas condolências” pelo sismo de magnitude 6 que atingiu o leste do Afeganistão, causando pelo menos 800 mortos e cerca de 2.700 feridos, e ofereceu ajuda para a recuperação. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun transmitiu ainda a “sincera compaixão” de Pequim às famílias das vítimas mortais e aos feridos, manifestando confiança de que “o povo afegão, sob a liderança do Governo, superará o impacto do desastre e reconstruirá os seus lares”. O sismo de magnitude 6 na escala aberta de Richter ocorreu às 23:47 (e foi seguido por pelo menos dois abalos de magnitude 5,2. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o epicentro do sismo situou-se a 42 quilómetros de Jalalabad, capital da província de Nangarhar. O hipocentro, a apenas oito quilómetros de profundidade, agravou o nível de destruição. A ONU e a Cruz Vermelha afegã já mobilizaram operações de emergência, enquanto as autoridades receiam que o número de vítimas aumente à medida que as equipas de resgate consigam aceder às aldeias mais isoladas da cordilheira do Hindu Kush.
Ucrânia | Putin reconhece esforço diplomático da Turquia em reunião com Erdogan Hoje Macau - 2 Set 2025 O Presidente russo, Vladimir Putin, reconheceu ontem os esforços de Ancara para resolver a guerra na Ucrânia, durante uma reunião com o homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, numa cimeira na China. “Reconhecemos aos nossos amigos turcos a importante contribuição para os esforços políticos e diplomáticos com vista à resolução da crise na Ucrânia”, afirmou Putin, citado pela agência de notícias oficial russa TASS, à margem da 25.ª cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, que decorre na cidade chinesa de Tianjin. O líder russo lembrou as três rondas de negociações directas realizadas em Istambul entre delegações da Rússia e da Ucrânia, encontros que permitiram avanços em “diversos problemas práticos no plano humanitário”, nomeadamente acordos de troca de prisioneiros. “Estou confiante de que o papel essencial da Turquia vai continuar a ser necessário nestes assuntos”, acrescentou. Erdogan destacou o desenvolvimento das relações bilaterais nas áreas do comércio, do turismo, do investimento e energia. O chefe de Estado turco expressou esperança de que as conversações entre o Azerbaijão e a Arménia conduzam a uma paz duradoura e que a estabilidade no Cáucaso vá ao encontro dos interesses mútuos da Turquia e da Rússia, de acordo com um comunicado da Presidência turca. Erdogan renovou também o convite a Putin para visitar a Turquia. “A minha proposta continua válida. Esperamos recebê-lo no nosso país o mais brevemente possível. Mantemos uma relação sincera e baseada na confiança”. O Presidente turco acrescentou que os laços entre os dois países “podem continuar a desenvolver-se sem serem afectados pelas circunstâncias actuais”. Apesar de a Procuradoria do Tribunal Penal Internacional (TPI) ter emitido em 2023 um mandado de captura contra Putin, a Turquia não é signatária do Estatuto de Roma nem reconhece a jurisdição do tribunal. Os dois líderes abordaram também outros temas da actualidade internacional, incluindo a situação no Médio Oriente e no Norte de África.
Barriga de aluguer robótica (II) David Chan - 2 Set 2025 Na semana passada, falámos sobre a pesquisa que permite um robot desempenhar o papel de barriga de aluguer e vir a tornar-se o primeiro “Robot Mãe”. Se for bem-sucedido, o Robot Mãe pode vir a ter bebés. O Robot Mãe custa 100.000 RMB. Se uma criança nascer através deste método, alguém terá de pagar as despesas do “parto”. Quem é esse “alguém” e a quanto ascendem as “despesas do parto”? À partida, serão naturalmente os pais que irão pagar. O recurso a este método é principalmente determinado por problemas de saúde da mãe, que a impedem de levar uma gravidez a bom porto, pelo que recorre à ajuda do Robot Mãe. Neste caso não há controvérsia. No entanto, se o embrião que cresce no “ventre” do Robot Mãe não tiver sido gerado pelo material genético do casal, ou se apenas resultar de um óvulo ou de um espermatozoide de uma pessoa solteira ou de um dos elementos de um casal homossexual, então será necessário recorrer à ajuda de terceiros e a situação torna-se mais complicada. Em qualquer dos casos a legislação é essencial e terá de regular o seguinte: 1. É legal usar o Robot Mãe como barriga de aluguer? 2. Se for legal, pode o Robot Mãe dar à luz? 3. Como é que uma empresa de Robots Mãe deve funcionar? O Robot Mãe é um produto novo da área da saúde que ajuda a resolver o problema da infertilidade feminina, mas que também levanta outra questão: pode uma mulher aceitar que um Robot dê à luz o seu filho? Muitas legislações laborais regulam a licença de maternidade e algumas já incluem a licença de paternidade. Os tratados internacionais também regulam claramente os direitos laborais das mulheres. No entanto, na realidade, e em algumas empresas, só as mulheres que não estão preparadas para ter filhos é que ocupam os cargos mais elevados. Esta conduta há muito que prejudica as mulheres. Com a ajuda do Robot Mãe este problema podia desaparecer e a competição entre homens e mulheres no local de trabalho seria mais equalitária. A realidade também mostra que as mães são mais carinhosas e têm relações mais estreitas com os filhos. Estes factores são indissociáveis da gravidez. As mulheres transportam durante nove meses os filhos nos seus ventres. Os filhos são a luz dos seus olhos. Cuidar das crianças é um direito natural. As mulheres que deram à luz podem experienciar mais intensamente a grandeza da vida e terão sem qualquer dúvida corações mais caridosos. Irá o Robot Mãe eliminar estas virtudes? Acredita-se que as crianças concebidas a partir do esperma e óvulo dos pais biológicos, sejam as menos controversas. Nessas circunstâncias, a lei só precisa de regular a técnica de concepção do Robot Mãe. No entanto, quando se trata de gerar uma criança de um pai ou de uma mãe solteiros ou de um casal homossexual, estamos perante uma questão ética que não pode ser facilmente abordada. É certo que o Robot Mãe só pode conceber se houver a quem entregar os bebés, caso contrário estaria a gerar órfãos, criando mais um problema social. A terceira questão que a lei deve considerar é a operacionalidade das empresas responsáveis pelos Robots Mãe. Os Robots Mãe são simultaneamente produtos de saúde e produtos comerciais. A regulação legal de produtos comerciais visa em primeiro lugar o benefício da humanidade. Por conseguinte, o armazenamento e a utilização de espermatozoides, óvulos e registos médicos deve ser objecto de aconselhamento profissional e especializado. A lei não deve regular os lucros das empresas dos Robot Mãe, porque a essência do negócio é o lucro. O mais importante nos negócios é avaliar o mercado e ficar na crista da onda para ganhar o primeiro “pote de ouro”. Quando a tecnologia dos Robot Mãe amadurecer e o enquadramento legal estiver em vigor, vão surgir outras considerações comerciais. Portanto, se for legal os Robot Mãe darem à luz, espera-se que os custos iniciais sejam muito altos. Se um produto é inacessível para as pessoas normais e só puder ser adquirido pelos muito ricos, é realmente é um produto da área da saúde? Durante a pandemia de 2019, as Nações Unidas forneceram vacinas gratuitas a países com dificuldades financeiras. Mais tarde, os Estados Unidos renunciaram às patentes da sua vacina, permitindo que outros países a produzissem e utilizassem. Em ambos os casos foram partilhados progressos científicos na área da medicina e evitada a criação de lucro às custas dos mais fracos. Com os avanços tecnológicos actuais, está iminente o desenvolvimento de úteros artificiais e a criação do Robot Mãe não é uma surpresa. No entanto, as implicações ao nível dos recursos, da ética e da legislação merecem a atenção mais cuidadosa. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau Email: cbchan@mpu.edu.mo
Redacções de todo o mundo protestam contra assassínio de jornalistas em Gaza Hoje Macau - 2 Set 2025 Mais de duas centenas de órgãos de comunicação de 50 países, entre os quais a agência Lusa e o jornal Público, bloquearam ontem as primeiras páginas e interromperam as transmissões, exigindo o fim do assassínio de jornalistas em Gaza e acesso ao enclave. Organizada pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF), pelo movimento de campanhas Avaaz e pela Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), a acção foi apresentada como o primeiro “protesto editorial em grande escala” da história moderna coordenado em simultâneo por redacções em todos os continentes. “Jornais impressos terão capas inteiramente pretas com uma mensagem marcante. Emissoras de TV e rádio interromperão a programação com uma declaração conjunta. Portais ‘online’ apagarão suas ‘homepages’ ou exibirão ‘banners’ em solidariedade”, referiu a organização, em comunicado. A Lusa manteve em manchete na sua página online durante todo o dia uma fotografia da guerra em Gaza com as palavras do director geral da RSF: “Ao ritmo em que jornalistas estão a ser mortos em Gaza pelas forças de defesa de Israel, em breve não haverá mais ninguém para manter o mundo informado”. O número de jornalistas mortos em Gaza ultrapassa os 210 desde 07 de Outubro de 2023, segundo dados da RSF, o que faz deste “o conflito mais letal para repórteres nos tempos modernos”. A organização assinala que “Israel tem impedido a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza há quase dois anos, deixando apenas os jornalistas palestinianos para reportar sob fogo”. Em declarações à Lusa, a directora de informação da agência de notícias portuguesa afirma que esta “não podia ficar indiferente e junta-se assim a este protesto mundial”. “Como jornalistas, não podemos assistir impávidos aos assassínios deliberados ou colaterais dos jornalistas que, enfrentando todos os riscos e ameaças, deslocações sistemáticas, fome e até a morte, testemunham e informam o mundo sobre o que se está a passar em Gaza. Na sua guerra contra este enclave, Israel também faz guerra ao jornalismo e ao direito a informar e de ser informado”, sustenta Luísa Meireles. Contra a notícia Citado no comunicado, o director geral da RSF, Thibaut Bruttin, alerta que “não é apenas uma guerra contra Gaza, é uma guerra contra o próprio jornalismo. Jornalistas estão a ser mortos, alvo de ataques e difamados. Sem eles, quem vai falar da fome, quem vai denunciar crimes de guerra, quem vai expor genocídios”, questiona. O director de campanhas da Avaaz, Andrew Legon, diz que “Gaza se está a transformar num cemitério de jornalistas” porque “o governo de extrema-direita de Israel está a tentar concluir o massacre no escuro, sem o escrutínio da imprensa”. “Se as últimas testemunhas forem silenciadas, as mortes não cessarão – apenas deixarão de ser vistas. É por isso que estamos unidos hoje: Não podemos e não vamos permitir que isso aconteça”, afirma. Os ataques mais recentes contra jornalistas em Gaza ocorreram em 25 de Agosto, quando forças israelitas bombardearam o complexo médico al-Nasser – um conhecido ponto de encontro de repórteres – matando cinco jornalistas. Duas semanas antes, outros seis jornalistas foram mortos num único ataque.
Hong Kong | Sparks e Dave Clarke juntam-se ao cartaz do Clockenflap João Luz - 2 Set 202517 Nov 2025 A organização do festival Clockenflap revelou na sexta-feira a segunda ronda de bandas e artistas do cartaz do maior evento musical de Hong Kong. Os veteranos Sparks e Dave Clarke vão acrescentar glamour e batidas de tecno. Entre as sete novidades contam-se três projectos japoneses, da jovem estrela do J-Pop Vaundy aos veteranos rockeiros Ellegarden O cartaz deste ano do Clockenflap ganhou contornos mais concretos no passado fim-de-semana com o anúncio de mais sete nomes à programação do festival que vai decorrer entre 5 e 7 de Dezembro no Central Harbourfront, em Hong Kong. A um cartaz que já contava com o indie rock dos escoceses Franz Ferdinand, as viagens progressivas dos Godspeed You! Black Emperor e a introspecção encantatória de Beth Gibbons, a eterna vocalista de Portishead, juntam-se agora os Sparks, o “barão do techno” Dave Clarke e o cantor Jeremy Zucker. O anúncio de sexta-feira acrescenta um naipe de bandas e projectos musicais diversificados ao Clockenflap deste ano. A começar pelos veteranos Sparks, o dueto formado pelos irmãos Ron e Russel Mael, que há mais de meio século testam os limites conceptuais do glam e do art-rock. O público pode esperar uma actuação plena de teatralidade e sonoridades nostálgicas da new wave a convidar à dança logo no primeiro dia do festival (sexta-feira 5 de Dezembro). Outra das novidades anunciadas, é um especialista a fornecer batidas dançáveis: o dj e produtor Dave Clarke. Vulto incontornável da música electrónica britânica, Clarke produziu remisturas para artistas como The Cheminal Brothers, New Order, Underworld e Depeche Mode. A notoriedade que foi ganhando valeu-lhe a alcunha de “O Barão do Techno” dada pelo lendário apresentador de rádio da BBC John Peel. Os adeptos da música de dança vão poder comprovar as duas credenciais no sábado, 6 de Dezembro no palco electrónico do Central Harbourfront. Vaga nipónica Ainda a puxar a um pé de dança, o projecto francês L’Impératrice irá apresentar-se em palco no segundo dia do festival. A sonoridades da banda formada em Paris em 2012 situa-se algures entre a pop mais dançável e a disco sound. Jeremy Zucker foi uma das novidades anunciadas no final da semana passada, com actuação marcada para o último dia do festival, 7 de Dezembro. Com três discos na bagagem, o cantor norte-americano deverá basear a sua actuação no novo disco “Garden State” lançado na semana passada. A completar as novidades do Clockenflap surge um trio de projectos japoneses, com destaque para o fenómeno de j-pop Vaundy, que faz a sua estreia em actuações fora do Japão em Hong Kong. Com uma carreira que arrancou em 2019 com lançamentos independentes no YouTube, Vaundy tornou-se num sucesso em plataformas musicais de streaming, como o Spotify. Passado um novo, o músico estreava-se com a edição do primeiro disco “Strobo”. No pólo oposto da indústria musical japonesa, os Ellegarden vão chegar a Hong Kong com um estatuto de banda veterana de rock, com quase três décadas de palco. As guitarras a evocar Weezer e Blink-182 vão soar no Central Harbourfront no último dia do festival. No sábado, a dupla que forma os Rikon actua pela primeira vez em Hong Kong no Clockenflap. O projecto composto pelo vocalista Ayumu Matsuda e o guitarrista Jun Beppu, tem o mesmo nome do título japonês do álbum de Marvin Gaye de 1978, “Here My Dear”, uma referência ao som pop soul característico da dupla. A banda conquistou uma enorme base de fãs no Japão desde sua formação em 2022, mesmo ano em que lançaram o single de estreia “Love is More Mellow”, que se tornou viral. Passados dois anos, saía o primeiro disco da dupla “RIKONDENSETSU”. Os bilhetes estão à venda e custam 1.990 dólares de Hong Kong para os três dias e 1.280 dólares de Hong Kong para um dia.
Bielorrússia | Fazer parte da SCO é uma “escolha estratégica”, diz Lukashenko Hoje Macau - 2 Set 2025 O Presidente bielorrusso, Aleksandr Lukashenko, disse ontem que fazer parte da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês) é uma “escolha estratégica” para o país, ao intervir na 25.ª cimeira do bloco. “A Bielorrússia orgulha-se de ter-se tornado membro de pleno direito da SCO há um ano. Isto está em consonância com os nossos interesses fundamentais a longo prazo e abre oportunidades adicionais e amplas áreas de cooperação”, afirmou o líder, na reunião dos líderes dos países membros da OCS, no nordeste da China. De acordo com a agência estatal bielorrussa Belta, Lukashenko destacou que a SCO “é justamente considerada uma das organizações internacionais mais representativas e influentes da Eurásia” e afirmou que “é natural que novos Estados procurem aderir à organização”. A Bielorrússia “apoia a expansão da SCO com novos membros e parceiros, aqueles que partilham incondicionalmente os valores e fundamentos do ‘espírito de Xangai’: respeito e confiança mútua, igualdade, diálogo e um compromisso com o desenvolvimento comum”, referiu Lukashenko interveio na reunião após ter mantido no domingo um encontro bilateral com o Presidente chinês, Xi Jinping. Nessa reunião, Lukashenko afirmou que a Bielorrússia “é um parceiro firme e um amigo sempre fiável para a China” e sustentou que “nenhuma força pode deter o desenvolvimento e a revitalização” do país asiático. O líder bielorrusso assegurou que Pequim “mantém uma posição imparcial nas questões internacionais e regionais” e “dá importantes contribuições para a paz e a estabilidade no mundo”. O Presidente bielorrusso assistirá, na quarta-feira, em Pequim, ao desfile pelo 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, no qual a China exibirá o seu poderio militar.
SCO | Índia com “Tolerância zero” contra terrorismo, separatismo e extremismo Hoje Macau - 2 Set 2025 O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, apelou ontem à adopção de uma política de “tolerância zero” contra o terrorismo transfronteiriço, o separatismo e o extremismo, durante a cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (SCO). Segundo a imprensa indiana, Modi afirmou que o terrorismo “continua a ser a maior ameaça à paz regional” e propôs a criação de um quadro abrangente ao nível da SCO para combater o financiamento de grupos terroristas e a radicalização, com base nas experiências de “desradicalização” aplicadas na Índia. O chefe do Governo indiano alertou para os “desafios emergentes” enfrentados pelos Estados membros, como o ciberterrorismo e o uso de dispositivos não tripulados, e defendeu que a organização deve responder a estas ameaças. Modi valorizou os progressos registados no âmbito da Estrutura Regional Antiterrorista (RATS) da SCO, bem como os esforços para reforçar a conectividade económica e os intercâmbios culturais, segundo o jornal India Today. “A Índia sofre com o flagelo do terrorismo há mais de 40 anos. Recentemente, vimos o seu pior rosto em Pahalgam”, afirmou, referindo-se ao ataque ocorrido em 22 de Abril na Caxemira administrada pela Índia, que provocou 26 mortos e desencadeou uma ofensiva militar indiana contra o Paquistão. As tensões entre Nova Deli e Islamabade têm marcado as divergências internas da SCO nos últimos meses. A reunião de ministros da Defesa da SCO, realizada em Junho na cidade chinesa de Qingdao, terminou sem uma declaração conjunta devido a desacordos entre Índia e Paquistão sobre a definição de terrorismo. Cimeira abrangente Modi afirmou ainda que a Índia tem tido um papel “muito positivo” como membro da SCO e que a sua visão para o bloco assenta em “três pilares fundamentais: segurança, conectividade e oportunidade”. Apenas órgãos de comunicação dos países membros da SCO têm acesso directo à reunião, enquanto o resto da imprensa se encontra numa sala separada, onde apenas foi transmitido o discurso do Presidente chinês, Xi Jinping. Modi reuniu-se no domingo com Xi, que afirmou que a China e a Índia devem ser “parceiros e não rivais”, após anos de disputas entre as duas maiores potências da Ásia. O dia de ontem foi centrado na reunião entre os líderes dos países membros, mas incluiu também uma sessão alargada com a presença de responsáveis de organizações internacionais e líderes de países convidados. Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, foram assinados vários acordos nas áreas da segurança, economia e cultura, naquela que Pequim descreve como a cimeira “mais abrangente” desde a fundação da SCO.
SCO | Xi Jinping lamenta “sombras da Guerra Fria” em cimeira Hoje Macau - 2 Set 20252 Set 2025 A cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, que reúne em Tianjin figuras como Vladimir Putin, Narendra Modi ou António Guterres, arrancou com um discurso do Presidente chinês a apelar à paz e à equidade e justiça internacionais O Presidente chinês lamentou ontem a persistência de “sombras da mentalidade da Guerra Fria, hegemonismo e proteccionismo”, durante a sessão alargada da cimeira da Organização de Cooperação de Xangai. No discurso de abertura da reunião, que contou com líderes de países associados como a Turquia e representantes de organismos internacionais, Xi Jinping defendeu “derrubar muros e não construí-los” e promover “a integração”, numa alusão indirecta aos esforços de dissociação económica liderados pelos Estados Unidos. O chefe de Estado chinês sublinhou a importância de “opor-se ao unilateralismo”, reforçar a estabilidade global e “defender firmemente o estatuto e a autoridade das Nações Unidas”. A Organização de Cooperação de Xangai “deve defender a equidade e a justiça internacionais, opor-se claramente ao hegemonismo e à política de poder, e tornar-se um pilar da multipolaridade e da democratização das relações internacionais”, afirmou Xi. “Queremos, com todas as partes, defender a justiça, seguir o caminho certo e proteger os frutos da vitória na Segunda Guerra Mundial”, acrescentou. Mais cedo, Xi presidiu à reunião dos líderes dos Estados-membros da organização, onde pediu uma “globalização inclusiva” e defendeu o sistema multilateral de comércio, com a Organização Mundial do Comércio (OMC) como “eixo central”, depois dos efeitos da guerra comercial com os Estados Unidos. Apelos e agradecimentos Na mesma sessão, o Presidente russo, Vladimir Putin, agradeceu os “esforços” da China, Índia e outros parceiros da organização para encontrar uma solução para a guerra na Ucrânia, mas voltou a responsabilizar o Ocidente, afirmando que “as tentativas de incorporar a Ucrânia na NATO são uma das causas da crise”. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, apelou, por sua vez, para a adopção de uma política de “tolerância zero” face ao “terrorismo transfronteiriço, separatismo e extremismo”. A Organização de Cooperação de Xangai, fundada em 2001, integra China, Rússia, Índia, Paquistão, Irão, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão, e abrange cerca de 40 por cento da população mundial. O grupo não possui cláusulas de defesa mútua, ao contrário da NATO, e apresenta-se como um fórum para a cooperação política, económica e de segurança. O bloco conta ainda com países observadores e parceiros de diálogo como Egipto, Turquia, Myanmar (antiga Birmânia) e Azerbaijão.
Ucrânia | Modi diz a Putin que paz é “clamor de toda a humanidade” Hoje Macau - 2 Set 2025 O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, afirmou ontem que o estabelecimento da paz na Ucrânia é um “clamor de toda a humanidade”, ao reunir-se com o Presidente russo, Vladimir Putin, na cimeira de Tianjin. “Saudamos os esforços recentes para alcançar a paz e confiamos que todas as partes terão uma postura construtiva nesse sentido”, disse Modi, referindo-se à guerra na Ucrânia, de acordo com imagens do encontro transmitidas pela televisão estatal russa. O líder indiano insistiu que “é necessário encontrar vias para pôr fim ao conflito o mais depressa possível e restabelecer a paz”, no final de um encontro à margem da cimeira da Organização de Cooperação de Xangai. “Esse é, precisamente, o clamor de toda a humanidade”, resumiu, acrescentando que a Índia e a Rússia trocam regularmente opiniões sobre o conflito. Modi sublinhou ainda que a Índia e a Rússia “sempre avançaram lado a lado”, mesmo nos momentos mais difíceis. “A nossa estreita cooperação é importante não só para os povos dos nossos países, mas também para garantir a paz global, a estabilidade e o bem-estar”, afirmou, acrescentando que Nova Deli aguarda com expectativa a visita de Putin à Índia para a 23.ª cimeira bilateral, agendada para Dezembro.
O desassossego numa cena de rua em tempos de paz Paulo Maia e Carmo - 2 Set 2025 Zhang Hong (1577-1668), o singular pintor de Suzhou que ousava pintar a luz ou o vento, possuía uma especial habilidade na pintura de figuras, uma aptidão que utilizou em surpreendentes cenas cuja aparente naturalidade revelava afinal uma selectiva interpretação de factos ou histórias que tocaram o seu inquieto e inquisitivo espírito. Foi assim por exemplo em pinturas que fez no álbum Figuras em cenários (tinta e cor sobre seda, 28,6 x 20,3 cm no Museu AMAM, da Universidade Oberlin, Ohio), como por exemplo na página Disparando contra a maré que se refere à lenda que explica o nome de um rio na Província de Zhejiang, «a curva do rio». Na Primavera e no Outono, numa famosa curva a Norte de Hangzhou, as águas do rio Qiantang chocam com a força das marés provocando maremotos. Para combater as consequentes inundações, o rei Qian Liu (852-932) teria ordenado quinhentos dos seus melhores arqueiros que disparassem contra as ondas para que se pudesse terminar a construção de um dique, de onde o nome do rio Qiantang, «o dique de Qian». No mesmo álbum, numa cena calma mas insólita, um literato observa jovens empregados a lavar árvores tong, «tungue» (vernicia fordi, cujo óleo é usado para iluminação em lamparinas). Numa inscrição está escrito o nome Ni Yu, Ni, «o excêntrico», que se refere ao pintor Nizan (1301-74) e à lenda que o distingue como obcecado com a limpeza. Num rolo horizontal, Zhang Hong fez uma série de figuras populares entregues a Várias diversões (tinta sobre papel, 27,5 x 458 cm, no Museu do Palácio em Pequim) entre as quais contadores de histórias, videntes e músicos cegos. Como noutro rolo horizontal atribuído ao funcionário e pintor da dinastia Yuan, Zhu Yu (1293-1365) mas que datará do meio da era dos Ming, se vêem essas e outras figuras, retratando com aparente singeleza Cenas de rua num tempo de paz (tinta e cor sobre papel, 28 x 1092, 2 cm, no Instituto de Arte de Chicago). Zhu Yu é ainda nomeado como autor original de uma falsificação de uma composição, num rolo vertical de um Luohan e um dragão no estilo da dinastia Yuan (tinta e cor sobre seda, 91,5 x 33 cm, no Museu de Arte da Universidade de Princeton) o que indicia uma vocação para realizar obras de imaginação para além da realidade visível. Nas Cenas de rua num tempo de paz ou «Colecção de cenas em tempos de paz», Taiping fenghui, é notória a vontade de mostrar, nas suas mais de quatrocentas figuras, gente das mais diversas origens e ocupações, algumas das quais só eram vistas no espaço público, fora de casas. Entre elas grupos e situações raras ou cómicas causando alvoroços, despertam atenção de outras pessoas, como o grupo dos contadores de histórias que com palavras tornavam presente o que não está. Ausências que, desenrolando a pintura, também se tornavam presentes, admiradas no interior de moradias.