Saúde | Registados casos de Chikungunya e dengue

Os Serviços de Saúde anunciaram ontem a ocorrência de mais um caso importado de febre Chikungunya, o 12º desde o início do ano, ao qual se junta um caso local. Além disso, houve ainda o registo de um caso importado de febre do dengue.

O 12º caso importado de febre Chikungunya foi detectado numa residente com 77 anos, que terá sido infectada em Jiangmen, onde esteve entre 24 e 31 de Agosto. “Após regressar a Macau, apresentou febre e dores nas articulações dos membros no dia 2 de Setembro, mas não procurou assistência médica. No dia 3, devido ao agravamento contínuo dos sintomas, deslocou-se ao Centro de Saúde do Porto Interior para receber assistência médica e o exame sanguíneo deu positivo para o vírus Chikungunya”, foi revelado. A mulher encontra-se fora de perigo e em situação estável.

O caso importado de dengue foi o 13º do ano e foi identificado num homem com 73 anos que vive na Areia Preta. A infecção terá acontecido na cidade de Yunfu, na província de Guangdong, entre 7 de Julho e 28 de Agosto, com o homem a admitir ter sido “picado várias vezes por mosquitos”. O diagnóstico foi feito posteriormente a 3 de Setembro.

Como consequência dos casos mais recentes, as autoridades realizaram operações de eliminação química dos mosquitos em duas zonas da Areia Preta, junto à residência dos diagnosticados.

Esgrima | Associação confirma proibição de usar bandeira

A Associação Geral de Esgrima de Macau confirmou impedir atletas locais de utilizarem a bandeira de Macau em competições, numa resposta enviada ao canal chinês da Rádio Macau.

O caso foi denunciado no início da semana, depois de vários atletas locais terem competido na Taça da Ásia de Cadetes, na Malásia, tendo alcançado vitórias e várias medalhas. No entanto, ao contrário dos atletas de Hong Kong e Cazaquistão que subiram aos pódios com as bandeiras para tirarem fotografias, os atletas de Macau, apesar de vencerem, foram impedidos.

De acordo com as explicações da Associação Geral de Esgrima de Macau, os atletas estão impedidos de mostrar a bandeira de Macau porque a deslocação não foi feita em representação da selecção de Macau. A associação não esclareceu se os atletas que pretendem mostrar orgulho de serem de Macau e da China ao mostrarem a bandeira da RAEM vão ser alvo de processos disciplinares ou impedidos de competir.

Ainda assim, a associação defendeu-se ao dizer que ajudou os atletas a inscreverem-se no evento, apesar de os atletas pagarem as inscrições e as deslocações devido à participção a título individual.

A associação está também a ser criticada devido à organização do torneio inter-escolas, uma vez que juntou numa única classe atletas que competem com armas de diferentes tamanhos, devido à diferença de idades. A associação justificou a decisão, criticada por criar desigualdade entre atletas, com a adopção de critérios seguidos em outras modalidades que não a esgrima.

Shun Tak | Dispensados 8% dos trabalhadores da Torre de Macau

A empresa liderada por Pansy Ho tem em curso um plano para cortar custos que poderá ser estendido no futuro aos centros comerciais Nova Mall e New Yaohan. Em 2024, o grupo apresentou perdas de 824 milhões de dólares de Hong Kong

 

A Torre de Macau está a ser alvo de um processo de reestruturação das despesas e, pelo menos, oito por cento dos trabalhadores foram dispensados. A informação foi adiantada na quinta-feira pelo Canal Macau da TDM. O espaço pertence à Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) e está a ser gerido pela empresa Shun Tak Holdings, ligado a Pansy Ho, Daisy Ho e Maisy Ho, empresárias e filhas de Stanley Ho, fundador da STDM.

Com o objectivo de cortar os custos operacionais do espaço, a empresa dispensou pelo menos oito por cento dos trabalhadores e encerrou duas lojas. Os espaços comerciais que deixaram de operar são o Café on Four, no quarto andar, e a loja ISA, de roupa e acessórios de luxo.

Entre os trabalhadores dispensados estão incluídos funcionários dos espaços encerrados, mas também funcionários da Torre de Macau.

Segundo a TDM, os planos para controlar custos nos espaços geridos pela Shun Tak Holdings pode não se ficar pela Torre de Macau e ser estendido a outros centro comercial. Além da Torre de Macau, a Shun Tak Holding explora os centros comerciais Nova Mall e New Yaohan.

Plano em curso

À TDM, Rutger Verschuren, vice-presidente regional do Artyzen Macau, controlado igualmente pela Shun Tak, confirmou não só a reestruturação, mas também estar a liderar o plano. No entanto, recusou tecer outros comentários sobre a situação.

O ano de 2024 terminou para a empresa liderada pela empresária e política Pansy Ho com perdas de 824 milhões de dólares de Hong Kong. Em 2023, a empresa tinha apresentado perdas de 677 milhões de dólares de Hong Kong. Os dados constam do relatório anual de 2024 apresentado à Bolsa de Hong Kong, que indica também que o grupo empregava cerca de 1.700 pessoas, incluindo as operações fora de Macau, em locais como Hong Kong, Interior da China ou Singapura.

Além disso, a empresa tem empréstimos bancárias no valor de 15,4 mil milhões de dólares de Hong Kong, com mais de 90 por cento deste valor a ter de ser pago no prazo de cinco anos.

A Shun Tak foi criada com uma empresa de navegação em 1961 por Stanley Ho para fazer as ligações marítimas entre Macau e Hong Kong, um serviço que ainda hoje disponibiliza, através do controlo do Porto Exterior.

Com o avançar dos anos foi expandindo o escopo das actividades para áreas como a hotelaria, abrindo em 1984 o Hotel Mandarim Oriental em Macau, ou para o imobiliário, com construções e exploração de projectos em Hong Kong e Macau, mas também no Interior e em Singapura.

Visita | Montenegro em Macau a 10 de Setembro

O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, vai estar em Macau na próxima quarta-feira, 10 de Setembro, onde terá um encontro com o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, e uma passagem pela Escola Portuguesa de Macau. A informação foi revelada na quinta-feira pelo Jornal Tribuna de Macau, que cita como fonte o gabinete do governante.

A passagem pela RAEM de Montenegro surge no contexto de uma deslocação à Ásia, com paragens no Interior da China, e em Macau, às quais se segue uma vista ao Japão. No programa do primeiro-ministro português durante a passagem por Macau está ainda prevista uma recepção à comunidade, embora a publicação não tenha divulgado pormenores sobre esta parte.

No Interior, de acordo com a Macau News Agency, a visita de Montenegro inclui a passagem apenas por Pequim, ao contrário do que aconteceu na última vista de um primeiro-pinistro de Portugal à China, em 2016. Nesse ano, António Costa, actualmente presidente do Conselho Europeu, começou por visitar Pequim, seguiu para Xangai e só depois esteve em Macau.

A visita de Montenegro a Macau tinha sido revelada por Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente de Portugal, em Junho, numa ocasião em que este confirmou que não ia visitar mais a RAEM até ao final do mandato. A presença de Marcelo Rebelo de Sousa em Macau chegou a estar prevista por ocasião das celebrações do 10 de Junho.

A vista de Luís Montenegro a Macau pode também ajudar a explicar o cancelamento recente da deslocação de Sam Hou Fai a Portugal e Espanha, que estava prevista para as datas de 16 a 20 de Setembro.

Elevador da Glória | Macau sem pedidos de apoio após acidente

A DST confirmou ao HM não ter recebido pedidos de auxílio de residentes de Macau em Lisboa relacionados com o acidente que vitimou pelo menos 16 pessoas, muitas das quais turistas de várias nacionalidades

 

A Direcção de Serviços de Turismo (DST) não recebeu qualquer pedido de auxílio nem de esclarecimento de dúvidas relacionados com o descarrilamento do funicular da Glória, que causou pelo menos 16 vítimas mortais em Lisboa. A informação foi revelada pela DST em esclarecimentos ao HM.

“Relativamente ao acidente ocorrido em Lisboa, até ao momento, a DST não recebeu qualquer pedido de informação ou de assistência”, afirmou a DSAT em resposta ao HM. “Em caso de necessidade, os residentes de Macau podem ligar para a Linha Aberta do Turismo em funcionamento 24 horas (853) 2833 3000, ou para a Linha Directa Global de Emergência dos Serviços de Protecção e Assistência Consular do Ministério dos Negócios Estrangeiros da RPC +86 10 12308”, foi acrescentado.

O acidente aconteceu numa altura em que se aproxima o início do ano lectivo do ensino superior em Portugal, pelo que além da representação de turistas de Macau em Lisboa existe a possibilidade de haver residentes de Macau a viver na cidade para frequentarem as instituições de ensino superior.

O descarrilamento do funicular da Glória aconteceu na tarde de quarta-feira, por volta das 18h05 (hora de Portugal), quando a carruagem que subia para o miradouro de São Pedro de Alcântara perdeu o controlo e desceu desgovernada pela calçada até embater violentamente num prédio.

Como consequência, há a registar pelo menos 16 vítimas mortais e 23 feridos, cinco dos quais em estado considerado grave. As autoridades revelaram que entre as vítimas mortais estão pessoas com nacionalidade estrangeira. Sabe-se que uma das vítimas é portuguesa e que outra é alemã. A nacionalidade das restantes vítimas estrangeiras não foi divulgada até à hora de fecho da edição do HM.

Bandeira a meia-haste

A tragédia de Lisboa levou a que fosse decretado um dia luto nacional pelo Governo do país, com o Consulado de Portugal em Macau e Hong Kong a içar as bandeiras a meia-haste durante o dia de ontem. Em Lisboa, a Câmara Municipal decretou três dias de luto.

O acidente envolveu uma das imagens de marca de Lisboa, enquanto destino turístico. O funicular da Glória entrou em operação a 24 de Outubro de 1885.

O motivo do descarrilamento ainda não é conhecido, mas de acordo com o jornal Observador, que cita fonte do Regimento dos Bombeiros Sapadores de Lisboa, estará relacionado com um cabo que se soltou provocando a perda de controlo do funicular, que teria no interior cerca de 40 pessoas. Uma das testemunhas no local indicou que pelo menos uma pessoa que seguia na rua teria sido atingida pelo funicular descontrolado.

O acidente está a levantar dúvidas sobre a qualidade da manutenção do funicular que já tinha descarrilado em 2018, na altura sem qualquer ferido ou vítima mortal.

Sam Hou Fai pede apoio a Pequim para desenvolver novo parque

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, encontrou-se com o Ministério da Indústria e Tecnologia de Informação, Li Lecheng, para discutir o desenvolvimento de “novas indústrias” em Macau. O encontro que ocorreu ontem em Pequim e foi divulgado através de um comunicado do Gabinete de Comunicação Social.

Na ocasião, Sam Hou Fai deixou o desejo de “continuar” a contar com o apoio do ministério na “orientação da construção do parque industrial de investigação e desenvolvimento das ciências e tecnologias de Macau”. A localização do parque ainda não foi tornada pública, e existe a hipótese de haver uma consulta pública, antes de ser tomada uma decisão.

Sam pediu também apoio das autoridades centrais ao nível do “posicionamento estratégico, percurso de desenvolvimento, planeamento industrial e disposição dos quadros qualificados de inovação tecnológica” para “promover a transformação dos resultados da investigação científica e aumentar a competitividade geral de Macau”.

O Chefe do executivo prometeu ainda que Macau vai “intensificar as ligações internas e externas” para reforçar o que disse ser o papel de “interlocutor com precisão” para aumentar a plataforma sino-lusófona. Desta forma, o líder da RAEM considerou que Governo vai integrar-se melhor no país.

Das exigências

Por sua vez, Li Lecheng recordou que Xi Jinping “apresentou, no âmbito da sua visita a Macau no ano passado, maiores exigências e expectativas para Macau criar ininterruptamente novas conjunturas de desenvolvimento de alta qualidade do princípio um país, dois sistemas”.

Li destacou ainda que o “Governo da RAEM está a avançar de forma ordenada com quatro grandes principais projectos, entre os quais o parque industrial de investigação e desenvolvimento das ciências e tecnologias de Macau, que visa optimizar o ambiente de inovação tecnológica e apoiar o desenvolvimento diversificado da economia”. O ministro prometeu ainda empenho da sua equipa no auxílio necessário para o projecto.

Vandalismo | Coutinho apresenta queixa à CAEAL e à polícia

O líder da lista “Nova Esperança” apresentou queixa à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa e às autoridades policiais na sequência do cartaz vandalizado. Pereira Coutinho denuncia o “ataque mal-intencionado” e diz-se “extremamente preocupado com a sua segurança pessoal”

 

O caso do cartaz de propaganda eleitoral da lista Nova Esperança que foi vandalizado resultou em queixas apresentadas à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) e à polícia. Segundo um comunicado, assinado pelo mandatário da lista Leong Veng Chai, “José Pereira Coutinho e a equipa da ‘Lista 2 – Nova Esperança’ apresentaram queixa formal à CAEAL e apresentaram igualmente queixa às autoridades policiais”.

Conforme foi noticiado na quarta-feira, o caso diz respeito a um cartaz colocado no separador central da Avenida do General Castelo Branco em que a “imagem do olho esquerdo de José Pereira Coutinho foi danificada por queimadura com um cigarro”.

Segundo o comunicado da lista Nova Esperança, “ao tomar conhecimento do incidente, José Pereira Coutinho expressou profunda inquietação, sentindo-se não apenas alvo de um ataque mal-intencionado em público, mas também extremamente preocupado com a sua segurança pessoal”.

O mandatário da lista realça também a “grande importância” das eleições para a Assembleia Legislativa (AL) enquanto evento político e que, “com as recentes revisões legais destinadas a reforçar a segurança nacional e implementar o princípio de ‘Macau governado por patriotas’, é crucial coibir comportamentos ilegais e garantir que a presente eleição decorra de forma justa, equitativa e transparente”.

Bate boca

Sem avançar com suspeitas em relação a possíveis responsáveis pelo acto de vandalismo, o cabeça de lista da Nova Esperança queixou-se no Facebook que de uma alegada campanha difamatória depois do debate realizado no domingo, logo no segundo dia da campanha eleitoral.

No debate em questão, transmitido no canal chinês da TDM, participaram candidatos das listas dos Moradores e da comunidade de Fujian, além de Pereira Coutinho. O debate ficou marcado pela troca de galhardetes entre Coutinho e Nick Lei, que acusou o português de apresentar uma das listas mais envelhecida das participantes no sufrágio directo. As críticas do candidato ligado às forças políticas de Fujian alargaram-se à alegação que a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau contrata trabalhadores não-residentes.

Por seu lado, Pereira Coutinho acusou os deputados da lista de Fujian de contribuir para proteger os governantes e evitar que assumam as responsabilidades inerentes ao desempenho das funções públicas e de protelar o secretismo das reuniões das comissões permanentes da AL. Após o debate, os ataques prosseguiram nas redes sociais.

Eleições | Programas políticos com foco na economia e apoios sociais

São seis as listas de candidatos a deputados pela via directa, e outras seis pela via indirecta. Há caras novas, muitas de saída e ainda deputados que decidiram deambular entre sufrágios. Os principais focos dos programas políticos continuam a ser o emprego, o fomento da economia e o aumento dos apoios sociais

 

No dia 14 de Setembro serão escolhidos os deputados da Assembleia Legislativa (AL), quer pelo voto do povo, na via directa, quer pela via indirecta através das associações que representam os diversos sectores profissionais. A campanha está nas ruas e as 12 listas disponibilizaram os programas eleitorais cujo conteúdo não difere muito das interpelações apresentadas ao Governo nos últimos anos, tendo em conta que a maioria dos cabeça de lista já está na AL há algum tempo.

Assim, questões como a crise no emprego jovem, o incentivo ao consumo local, a necessidade de mais apoios sociais e ainda a integração regional de Macau em Hengqin e na Grande Baía dominam as medidas apresentadas.

No caso da lista 1, a “Associação dos Cidadãos Unidos de Macau” tem raízes em Fujian e é liderada pela deputada Song Pek Kei, que começou bem jovem a acompanhar o empresário Chan Meng Kam nas lides parlamentares. Agora faz-se acompanhar pelo jovem deputado Nick Lei, seguindo-se em terceiro lugar, e numa lista de dez pessoas, Chan Lai Kei.

Na área laboral, a lista defende a criação de uma quota para residentes em todas as áreas profissionais, o “apoio ao emprego e empresas locais”, e a garantia de que “85 por cento, ou mais, dos funcionários sejam residentes locais”.

Defende-se ainda a liberação de “vagas nas áreas financeira e de gestão para residentes qualificados”, bem como a concessão de um subsídio de cinco mil patacas para “cada residente elegível no apoio ao emprego, a desempregados ou trabalhadores temporários”.

A lista Nova Esperança, liderada por José Pereira Coutinho, quer “emprego para todos” e promete lutar pela “prioridade de emprego aos residentes permanentes de Macau nas concessionárias de jogos” e ainda o estabelecimento de um “sistema obrigatório (Fundo de Previdência), que proteja a 100 por cento a população”.

O programa eleitoral dá ainda ênfase à área dos promotores de jogo, cujo número de licenças tem caído a pique nos últimos anos. A lista pede o “reforço da sua viabilidade através do aumento da comissão legal de 1,25 para 1,30 por cento” e a “facilitação de abertura de contas bancárias para titulares de licenças” junket atribuídas pelo Executivo.

No caso da lista 3, a União Promotora Para o Progresso, que representa a União Geral das Associações dos Moradores de Macau, liderada pelo deputado Leong Hong Sai, pede a “melhoria do emprego dos residentes”, a revitalização do turismo ou o apoio a “pequenas e médias empresas”.

Já a lista 5, a União Para o Desenvolvimento, é liderada por um rosto bem conhecido da AL. Ella Lei e o parceiro de bancada dos Operários Leong Sun Iok voltam a colocar o emprego como prioridade política.

Pede-se a “garantia de oportunidades de emprego a locais”, bem como o “aperfeiçoamento do sistema de entradas e saídas de trabalhadores estrangeiros”.

A lista dos Operários promete lutar pelo desenvolvimento de “formação remunerada a fim de aumentar as qualificações dos trabalhadores locais”, bem como o “aperfeiçoamento do sistema de apoio ao emprego, aumentando, de forma adequada, a alocação de serviços”.

Também na área laboral este grupo de candidatos pede que seja “aprimorado o sistema de protecção dos trabalhadores para aumentar o seu nível de vida”, sugerindo-se o “fortalecimento da estrutura salarial” e do “sistema de previdência social para aumentar o nível de protecção dos trabalhadores”.

Consumir é preciso

Desde que Macau recuperou da crise causada pela pandemia da covid-19, com o encerramento de negócios, que outro problema se colocou: o facto de ser mais fácil viajar para a China fez com que os residentes consumam menos no território, afectando o comércio de zonas menos turísticas.

Esse tem sido tema recorrente nas intervenções dos deputados na AL e também o é nos programas eleitorais. Voltando à lista ligada à comunidade de Fujian, pedem-se “incentivos ao consumo interno” para “reduzir a pressão na vida dos residentes” e “revitalizar a economia local”. Para isso devem ser seguidas “as experiências dos programas de apoio ao consumo entre 2020 e 2022, criando-se novos cartões de consumo para estimular o comércio”.

No caso da lista de Pereira Coutinho, defende-se a instituição “de um cartão electrónico de apoio anual ao consumo de 10.000 patacas”, sendo que o candidato pede mesmo a criação de um Plano de Comparticipação Pecuniária Permanente com o valor a partir de 15.000.

Também os Operários pedem “o estímulo ao consumo, a fim de ajudar os residentes a gastar e a impulsionar a economia”.

No caso da lista 4, da União de Macau-Guangdong, em representação dos naturais de Jiangmen, e liderada pelo académico Joey Lao Chi Ngai, pede-se a “promoção do funcionamento de um ‘Grupo de Trabalho de Coordenação para a Promoção do Emprego, a fim de impulsionar a mobilidade social dos residentes”. É ainda sugerida a revisão dos “diversos regimes de segurança social, devendo aumentar-se o investimento em recursos para apoio de idosos, crianças, pessoas com deficiência e grupos vulneráveis”.

Rómulo Santos

Joey Lao

Consumo não é esquecido

No que diz respeito aos subsídios atribuídos pelo Executivo às chamadas camadas mais vulneráveis da população, crianças, jovens, idosos, doentes crónicos ou portadores de deficiência, todas as listas pedem mais.

No caso do grupo liderado por Song Pek Kei é sugerida a realização de um estudo “sobre a criação de um sistema universal de seguros de saúde, a fim de garantir serviços médicos gratuitos básicos para todos os residentes”. Pede-se ainda um “melhor uso dos recursos para ampliar a cobertura dos serviços médicos e reduzir os encargos das famílias” nesta área. De frisar que o Executivo, além de comparticipar taxas moderadoras para residentes, atribui ainda vales de saúde no valor de seis mil patacas também para residentes.

A lista de Song Pek Kei pega numa das últimas medidas do Executivo de Sam Hou Fai, a criação de um subsídio para a infância, para pedir a sua extensão de três para seis anos da criança beneficiária. Defende-se ainda a criação de “subsídios diferenciados para o segundo e terceiro filhos”, bem como uma licença de maternidade de 90 dias, para aumentar a taxa de natalidade.

Olhando para a lista Nova Esperança, a novidade é o pedido de conversão “dos actuais benefícios [de saúde] em vales de consumo multifuncionais com o valor de 10.000 patacas”, bem como o alargamento da licença de maternidade para 90 dias. No caso do subsídio para a infância, a Nova Esperança defende a sua extensão até aos 12 anos da criança e um pagamento mensal de 2.000 patacas.

Destaque ainda para a defesa do aumento do subsídio a cuidadores informais e famílias monoparentais de 5.000 para 8.000 patacas mensais. Tendo em conta que Coutinho está ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, trata-se de uma área a que é dada atenção neste programa político: aumento, entre 30 a 50 por cento, “da remuneração base, em substituição dos 100 pontos da tabela indiciária, aos agentes das Forças de Segurança”, defendendo-se também a “aposentação voluntária após 20 anos de serviço”.

No caso da lista 6, Aliança do Bom Lar, liderada por Wong Kit Cheng, faz-se o apelo a mais e melhores medidas para os pais: “aumentar o número de licenças parentais e de acompanhamento a exames pré-natais”, lê-se, fazendo-se também a defesa de “horários de trabalho mais flexíveis e deduções fiscais pelo número de filhos a cargo”.

Numa visão geral dos programas, importa referir que em seis listas do sufrágio directo, apenas a lista Nova Esperança usa as duas línguas oficiais, o português e chinês. No sufrágio indirecto há mais grupos a fazer esta aposta, como a União dos Interesses Empresariais de Macau e União dos Interesses de Profissionais de Macau. Não existem programas em inglês. Estas eleições pautam-se pela saída de deputados como Ron Lam U Tou, Chan Chak Mo, Chan Hong e Lei Chan U.

O que os indirectos querem

No sufrágio indirecto há uma novidade: a entrada do empresário Kevin Ho, sobrinho de Edmund Ho, para a lista liderada por José Chui Sai Peng, a “União dos Interesses Empresariais de Macau”, que representa os sectores industrial, comercial e financeiro. Destaque, neste grupo, para a entrada de Si Ka Lon, que sempre concorreu pela via directa. Este grupo defende “o apoio à transformação digital e de alta tecnologia para modernizar indústrias tradicionais e desenvolver sectores emergentes”, prometendo ainda “escutar atentamente as dificuldades e reivindicações das indústrias comercial e financeira, especialmente as pequenas e médias empresas”.

Kevin Ho

A União dos Interesses de Profissionais de Macau, liderada por Iau Teng Pio, subdirector da Faculdade de Direito da Universidade de Macau, defende a luta pela “capacitação da diversificação da economia em conformidade com a força profissional” e “a articulação das normas de Macau e Hengqin”. Para tal, sugere a criação de uma “zona experimental da aplicação” dessas mesmas normas, explorando-se “um mecanismo de execução directa e transfronteiriça de arbitragem”. Segue-se o desejo de “fortalecer a competitividade internacional do Direito”, incentivando-se “talentos excepcionais a estudar no Interior da China”.

Um rosto pela Educação

Ho Ion Sang, um rosto que nos habituámos a ver no sufrágio directo, concorre novamente pelo sufrágio indirecto, sozinho, em representação do sector da educação, com a Associação de Promoção do Serviço Social e Educação.

O candidato pede a “implementação de medidas de apoio à saúde mental” bem como a “melhoria da qualidade geral dos serviços médicos de Macau e eficácia no atendimento”. Ho Ion Sang promete lutar por medidas que olhem “o impacto da baixa natalidade no sistema educativo” e por mais “apoio à educação inclusiva e escolas do ensino especial”.

A empresária Angela Leong junta-se pela primeira vez a Ma Chi Seng para juntos concorrerem pela União Cultural e Desportiva do Sol Nascente, em defesa da cultura e desporto. Uma das ideias passa por “solicitar que o Governo oriente a utilização dos elementos não relacionados com o jogo [das concessionárias] para apoiar actividades culturais e desportivas locais”.

Na lista “Comissão Conjunta da Candidatura das Associações de Empregados”, liderada pelo deputado Lam Lon Wai, defende-se a melhoria de infra-estruturas, a “redução dos custos de negócios e a facilitação do comércio e investimento”. Pede-se a promoção da “partilha dos benefícios do desenvolvimento económico com os empregados”, estabilizando-se um “mecanismo de crescimento salarial”.

Na União das Associações de Trabalhadores, liderada por Leong Pou U e Choi Kam Fu, é sugerida “a melhoria da protecção dos direitos laborais e dos trabalhadores”, bem como “a protecção dos direitos básicos das trabalhadoras, melhorando-se as infra-estruturas de apoio infantil”. Defende-se ainda o “ajustamento dinâmico do salário mínimo para garantir as necessidades básicas de vida”.

Protestos nas ruas da Indonésia pelo décimo dia consecutivo

Grupos civis saíram ontem às ruas pelo décimo dia consecutivo na Indonésia em protesto contra o Governo, após manifestações violentas que já fizeram pelo menos dez mortos, segundo organizações de defesa dos direitos humanos.

Após dias de incidentes e tumultos em que quase quatro mil manifestantes foram detidos e dezenas ficaram feridos, a Aliança das Mulheres da Indonésia convocou um novo protesto ontem em frente à Câmara dos Representantes.

Os protestos começaram a 25 de Agosto em Jacarta, quando foi anunciado um aumento salarial para os deputados da Indonésia, num contexto de graves dificuldades económicas para grande parte da população.

As manifestações intensificaram-se após a morte de um mototaxista na capital, na quinta-feira, atropelado por um carro da polícia, e até ao momento fizeram seis mortos. Organizações internacionais de defesa dos direitos humanos, como a Amnistia Internacional, estimam que pelo menos dez pessoas tenham morrido durante os protestos.

Pelo menos 20 pessoas estão desaparecidas, avançou na terça-feira uma organização local de defesa dos direitos humanos. A KontraS afirmou que as 20 pessoas desapareceram em Jacarta e nas cidades de Bandung, e Depok, esta última situada junto da capital, bem como num “local desconhecido”.

Apelos ao diálogo

O Presidente Prabowo Subianto anunciou no domingo a revogação de vários privilégios para os membros do parlamento, incluindo ajudas de custo e uma moratória sobre viagens de negócios ao estrangeiro. Na segunda-feira, o Gabinete de Direitos Humanos da ONU pediu às autoridades indonésias que garantam o direito à reunião pacífica e à liberdade de informação e expressão nos protestos antigovernamentais no país.

“Enfatizamos a importância do diálogo para abordar as preocupações dos cidadãos”, disse a porta-voz do gabinete, Ravina Shamdasani, num comunicado, sublinhando que as autoridades devem garantir a manutenção da ordem “de acordo com as normas e padrões internacionais”.

Meenakshi Ganguly, directora adjunta para a Ásia da organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, disse na terça-feira que as autoridades “agiram de forma irresponsável ao tratar os protestos como actos de traição ou terrorismo, especialmente tendo em conta o longo historial das forças de segurança de uso excessivo e desnecessário de força”.

Tailândia | PM interino da Tailândia inicia dissolução do Parlamento

O primeiro-ministro interino da Tailândia, Phumtham Wechayachai, iniciou ontem um processo para dissolver o Parlamento, depois de o principal partido da oposição ter apoiado um candidato rival para a liderança do Governo.

Wechayachai “apresentou um decreto para dissolver a câmara”, disse à agência de notícias France-Presse Sorawong Thienthong, secretário-geral do Pheu Thai, partido da primeira-ministra destituída na semana passada, Paetongtarn Shinawatra.

Paetongtarn Shinawatra, filha do poderoso magnata Thaksin Shinawatra, foi destituída do cargo de primeira-ministra na sexta-feira pelo Tribunal Constitucional. A ex-líder foi suspensa do cargo em Julho, sob acusações de não defender a Tailândia durante um telefonema com o antigo primeiro-ministro cambojano, Hun Sen, que foi divulgado na internet.

O Pheu Thai tinha tentado negociar a formação de um novo Governo com o principal movimento da oposição, o Partido Popular, que tem 143 lugares no Parlamento.

Este partido sucedeu ao Partido Move Forward (MFP), que conquistou o maior número de lugares nas eleições de 2023 na Tailândia. O Move Forward, acusado do crime de lesa-majestade, foi dissolvido, depois de fazer campanha para reduzir a influência militar e reformar as duras leis de lesa-majestade da Tailândia.

Mas o Partido Popular anunciou o apoio ao magnata conservador Anutin Charnvirakul, líder do partido Bhumjaithai, para se tornar o próximo primeiro-ministro do país. O Bhumjaithai fazia parte da coligação no poder, mas retirou o apoio a Paetongtarn Shinawatra, devido à disputa fronteiriça com o Camboja.

Rússia | Kremlin espera ironia de Trump sobre “conspiração” com Xi Jinping e Kim Jong-un

O Kremlin afirmou ontem esperar que o Presidente norte-americano, Donald Trump, tenha sido irónico ao acusar os líderes chinês, russo e norte-coreano de “conspirarem contra os Estados Unidos” durante um desfile militar em Pequim.

“Creio que o Presidente [dos EUA] disse isso com uma certa dose de ironia, quando afirmou que os três estariam a conspirar contra os EUA”, declarou Iuri Uchakov, conselheiro diplomático do Presidente da Rússia, citado pela imprensa estatal russa. “Quero esclarecer que ninguém conspirava nem tramava seja o que for”, sublinhou.

O comentário surgiu após uma publicação de Trump na rede Truth Social, em que escreveu: “Peço que transmita os meus mais calorosos cumprimentos a Vladimir Putin e Kim Jong-un, enquanto conspiram contra os Estados Unidos”, dirigindo-se ao Presidente da China, Xi Jinping.

A declaração do Presidente foi feita durante as celebrações em Pequim do 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, marcadas por uma parada militar na praça Tiananmen e a presença de diversos líderes mundiais, incluindo Putin, Kim e o Presidente do Irão, Masud Pezeshkian.

Trump acusou ainda a China de “não reconhecer” o sacrifício dos soldados norte-americanos na guerra contra o Japão. Na véspera, Xi e Putin reuniram-se, durante a cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, realizada na cidade costeira de Tianjin, onde reiteraram o reforço da parceria estratégica sino-russa.

“As relações entre a China e a Rússia resistiram a mudanças no cenário internacional e tornaram-se um exemplo do que devem ser as relações entre potências”, afirmou Xi, de acordo com a televisão estatal chinesa CCTV.

O fio ético da ciência

“The sciences are unaware that they lack a conscience.”

Edgar Morin

O ano de 2025 não chegou com fanfarra, mas com fadiga. O mundo, após uma década marcada por pandemias, governação algorítmica, colapsos ecológicos e fragmentação epistémica, encontra-se suspenso entre a aceleração e o esgotamento. Neste clima, o aviso profético de Edgar Morin no seu livro “A Ciência com Consciência” considerada como ruína da alma ressoa não como um aforismo ultrapassado, mas como um diagnóstico estrutural. A sua lamentação dos anos 1990 sobre a cisão entre conhecimento e sabedoria exige agora uma releitura radical. Pois, em 2025, a crise deixou de ser meramente moral; tornou-se ontológica. As próprias categorias pelas quais compreendemos a realidade, verdade, vida e identidade foram desestabilizadas pela expansão desenfreada da tecnociência, pela mercantilização da cognição e pela erosão do sentido partilhado.

A tese original de Morin, enraizada no pós-II Guerra Mundial e na ascensão da ciência nuclear, advertia contra o triunfo da racionalidade instrumental dissociada da reflexão ética. Via na figura de Fausto não apenas um arquétipo literário, mas uma trajectória civilizacional na busca de poder através do conhecimento, desancorada da responsabilidade. Hoje, esse impulso faustiano metastizou. Inteligência artificial (IA), biologia sintética, neurocapitalismo e engenharia planetária deixaram de ser domínios especulativos e são realidades operacionais. Contudo, a consciência que deveria acompanhar tal poder permanece conspicuamente ausente, ou pior, terceirizada à lógica de mercado e aos algoritmos preditivos.

Adaptar a obra de Morin à realidade de 2025 exige, antes de tudo, confrontar a ruptura epistemológica que define a nossa era. A ciência, outrora uma busca pela verdade, tornou-se um campo de batalha de narrativas concorrentes. Modelos climáticos são politizados, dados epidemiológicos instrumentalizados, e até o conceito de evidência se vê submetido a fidelidades tribais. A promessa iluminista da razão universal fragmentou-se em câmaras de eco e silos epistémicos. O apelo de Morin ao “pensamento complexo” capaz de integrar incerteza, contradição e interdependência é mais urgente do que nunca. Mas a complexidade hoje não é apenas uma virtude intelectual. É uma estratégia de sobrevivência. Considere-se o domínio da IA. Em 2025, sistemas de IA governam não apenas logística e finanças, mas também sentenças judiciais, acesso à educação e até companheirismo emocional.

Estes sistemas, treinados em vastos conjuntos de dados, reflectem e amplificam os preconceitos dos seus criadores e das sociedades de onde aprendem. No entanto, a sua autoridade raramente é questionada. A opacidade dos modelos de aprendizagem automática, combinada com a fetichização da eficiência, criou um novo sacerdócio de tecnocratas cujas decisões estão blindadas contra o escrutínio democrático. A crítica de Morin ao reducionismo e à tendência de isolar variáveis e ignorar o contexto encontra aqui a sua expressão mais inquietante. O algoritmo não pergunta porquê; optimiza. E ao fazê-lo, corrói as próprias condições da deliberação ética. A biotecnologia oferece outra fronteira onde a ciência sem consciência ameaça romper a condição humana. A edição genética, outrora confinada aos laboratórios, é agora comercializada como melhoria.

A linha entre terapia e aumento esbate-se, e com ela, o conceito de normalidade. A insistência de Morin na inseparabilidade entre biologia e cultura torna-se um correctivo vital. Pois o que está em jogo não é apenas a manipulação de genomas, mas a redefinição do que significa ser humano. A tentação de engenhar inteligência, emoção e até moralidade arrisca reduzir a pessoa a uma função programável. Neste contexto, a consciência não pode ser um pós-escrito mas deve ser o arquitecto. A dimensão ecológica do pensamento de Morin exige igualmente renovação. Em 2025, o Antropoceno deixou de ser um construtor teórico para se tornar uma realidade vivida. Refugiados climáticos, colapso da biodiversidade e padrões meteorológicos erráticos testemunham as consequências planetárias da arrogância científica.

Contudo, a resposta dominante permanece tecnocrática pois esquemas de geoengenharia, mercados de carbono e painéis de resiliência. O humanismo ecológico de Morin e a sua visão da Terra como sistema vivo em que os humanos são simultaneamente participantes e guardiões oferece uma contra-narrativa. Apela a uma ciência que escuta, coexistee e cura. Não uma ciência de dominação, mas de comunhão. Talvez mais urgentemente, a obra de Morin deve ser reinterpretada à luz da fragmentação cultural. Em 2025, a identidade tornou-se simultaneamente refúgio e arma. A aldeia global prometida pela conectividade digital degenerou em enclaves tribais, cada um com a sua epistemologia, moralidade e estética. A ciência, outrora ponte entre culturas, arrisca a tornar-se ferramenta de exclusão.

A linguagem da especialização aliena, os rituais da revisão por pares que intimidam, e os indicadores de impacto distorcem. O apelo de Morin à transdisciplinaridade e ao diálogo entre ciência, arte, filosofia e experiência vivida não é um luxo, mas uma necessidade. Só entrelaçando múltiplas formas de saber poderemos restaurar o tecido do sentido partilhado. Esta “Ciência Sem Consciência” reimaginada deve, portanto, ser mais do que uma crítica, deve ser um manifesto. Deve apelar a uma pedagogia da complexidade, a uma política da humildade e a uma ética do cuidado. Deve desafiar as instituições científicas a democratizar os seus processos, a confrontar os seus pontos cegos e a abraçar a incerteza não como ameaça, mas como condição da verdade.

Deve convidar os cientistas a tornarem-se cidadãos, e os cidadãos a reclamarem a ciência como bem público. Neste espírito, a universidade deve ser reconstituída. Deixando de ser um silo de especialização, deve tornar-se um santuário de integração. Os currículos devem ser redesenhados para cultivar não apenas competência técnica, mas imaginação moral. Os estudantes devem ser treinados para perguntar não apenas “como”, mas “porquê” e “para quem”. A investigação deve ser avaliada não apenas pela sua novidade, mas pela sua relevância, inclusividade e capacidade de iluminar a condição humana. A visão de Morin da educação como processo de despertar e de aprender a viver, a compreender e a coexistir deve orientar esta transformação. Do mesmo modo, a publicação científica deve evoluir.

A fetichização dos factores de impacto e das contagens de citações criou uma cultura de produtividade performativa. O conhecimento fragmenta-se em artigos hiper especializados, inacessíveis ao público e frequentemente irrelevantes para preocupações prementes. Um ecossistema editorial reimaginado deve priorizar acessibilidade, interdisciplinaridade e envolvimento público. Deve recompensar síntese, reflexão e a coragem de colocar questões fundacionais. Os mídia, também, devem recuperar o seu papel como mediadores da consciência. Em 2025, a comunicação científica é frequentemente reduzida a títulos sensacionalistas e debates polarizados. A nuance, o contexto e a humildade que Morin defendia são vítimas da economia da atenção.

Os jornalistas devem ser formados não apenas em literacia científica, mas em discernimento ético. Devem resistir à tentação de simplificar e, em vez disso, cultivar a arte da complexidade. Devem contar histórias que iluminem os dilemas, os riscos e a humanidade por trás dos dados. Ao nível geopolítico, os insights de Morin oferecem um quadro para repensar a governação global. A pandemia revelou a fragilidade da cooperação internacional e os perigos do nacionalismo científico. Em 2025, a diplomacia vacinal, as negociações climáticas e a soberania digital continuam a ser arenas de contestação. Uma ciência infundida de consciência deve advogar pela solidariedade planetária. Deve reconhecer que vírus, moléculas de carbono e algoritmos não respeitam fronteiras. Deve apelar a instituições ágeis, inclusivas e responsáveis não apenas perante Estados, mas perante povos, ecossistemas e gerações futuras.

Esta visão exige coragem. Pois as forças que se opõem à consciência são formidáveis pois objectivam motivos lucrativos, inércia institucional e rigidez ideológica. Mas a alternativa é insustentável. Uma ciência sem consciência conduz não apenas à decadência moral, mas ao colapso civilizacional. Gera alienação, injustiça e ruína ecológica. Reduz o espírito humano a uma variável num modelo, a um nó numa rede, a um consumidor de inovação. Para resistir a esta trajectória, devemos cultivar o que Morin chamou de “reliance” que é a capacidade de conectar, cuidar e co-criar. Devemos redescobrir a alegria da indagação, a humildade de não saber e a responsabilidade de saber. Devemos construir instituições que honrem a complexidade.

Ikea | Preços baixam na China para atrair clientes e enfrentar concorrência

O grupo sueco Ikea anunciou ontem um investimento de 160 milhões de yuan para baixar preços na China, procurando atrair mais clientes e enfrentar a concorrência local, num contexto de fraco consumo e desaceleração económica.

De acordo com o portal económico chinês Yicai, a filial chinesa da cadeia de mobiliário já investiu aproximadamente 673 milhões de yuan com esse objectivo ao longo dos últimos dois anos.

A empresa planeia lançar centenas de novos produtos e abrir lojas de menor dimensão em várias cidades chinesas, que funcionarão também como centros de pedidos e oferecerão serviços de ‘design’ personalizado. Analistas citados pelo mesmo meio sublinham que o mercado retalhista chinês continua a ser “altamente competitivo” e que o sucesso passa por “desenvolver produtos mais acessíveis”.

“Continuamos a investir para baixar os nossos preços na China em comparação com outros países. (…) A China é um dos países onde mais estamos a investir”, afirmou à agência Bloomberg o director de operações do Ingka Group, que controla a maioria das lojas Ikea a nível mundial.

A Ikea enfrenta actualmente na China um contexto marcado pela fraca procura dos consumidores, pela crise no sector imobiliário e pela desaceleração da economia, num ambiente em que marcas locais oferecem móveis semelhantes – muitas vezes inspirados no estilo da Ikea – a preços mais baixos e através de plataformas de comércio electrónico.

Apesar de a Ikea ter reduzido preços globalmente, os descontos na China são particularmente relevantes, sendo este um dos 10 principais mercados da empresa, representando 3,5 por cento das suas vendas globais. Além disso, a China é também uma base de produção importante para o grupo sueco.

Nuclear | China ao lado do Irão no conflito com Europa

Pequim reitera o apoio a Teerão depois da acção da Alemanha, França e Reino Unido que visa repor sanções contra a República Islâmica

 

A China manifestou terça-feira apoio ao Irão no conflito com a Europa por causa do programa nuclear de Teerão num encontro em Pequim do Presidente Xi Jinping com o homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian.

A China “respeita o direito do Irão de utilizar a energia nuclear para fins pacíficos” e procura uma solução para a questão nuclear iraniana que “tenha em conta as preocupações legítimas de todas as partes”, afirmou Xi.

O líder chinês disse também que a China, que ameaça invadir Taiwan se a ilha declarar a independência, se opõe ao uso da força para resolver conflitos.

“O uso da força não é a forma correcta de resolver disputas. A comunicação e o diálogo são a única via adequada para alcançar uma paz duradoura”, disse Xi a Pezeshkian, de acordo com uma reportagem da televisão estatal chinesa CCTV.

A China, principal parceiro comercial do Irão, declarou que se opõe a uma iniciativa da Alemanha, França e Reino Unido que poderá resultar na reposição de sanções contra a República Islâmica. Os três países europeus accionaram na semana passada um mecanismo que iniciou um processo de 30 dias para reimpor as sanções que foram suspensas há 10 anos.

A decisão surgiu após semanas de avisos sobre as alegadas violações por parte do Irão do acordo de 2015 com as grandes potências, que visava limitar o programa nuclear de Teerão. As sanções foram suspensas no âmbito do acordo.

Os países ocidentais acusam o Irão de pretender dotar-se de armas nucleares, um objectivo negado por Teerão, que reclama ter o direito de possuir um programa nuclear civil. “A China valoriza o compromisso reiterado pelo Irão de não procurar armas nucleares”, disse Xi a Pezeshkian de acordo com a televisão chinesa, também citada pela agência de notícias espanhola EFE.

Fogo inimigo

O Irão suspendeu a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o órgão de supervisão nuclear da ONU, depois de Israel ter lançado uma guerra de 12 dias contra o país em Junho. Israel procurou destruir as capacidades nucleares do Irão, que também foi atacado pelos Estados Unidos com o mesmo objectivo.

A Organização de Cooperação de Xangai, em que participam China, Irão e Rússia, alertou na segunda-feira contra os esforços para reinterpretar a resolução das Nações Unidas que aprova o acordo nuclear iraniano de 2015.

“Qualquer tentativa de interpretar erroneamente ou reinterpretar arbitrariamente esta resolução irá minar a autoridade do Conselho de Segurança” da ONU, disseram os 10 líderes eurasiáticos após uma cimeira realizada em Tianjin, na China.

A China e a Rússia são membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, juntamente com a França, o Reino Unido e os Estados Unidos, no quadro da ordem mundial nascida há 80 anos.

II Guerra: 80 anos depois, honrar a História com compromisso para a paz

Xinhua

Marcando o 80.º aniversário da vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e na Guerra Antifascista Mundial, 3 de setembro de 2025 é um dia solene para a China e o mundo honrarem a história e os mortos, e reafirmarem a busca pela paz e justiça.

Há oitenta anos, enfrentando um ambiente extremamente difícil, o heróico povo chinês lutou e venceu uma guerra formidável contra a agressão japonesa. Mais de 35 milhões de soldados e civis chineses foram mortos ou feridos na guerra, deixando para trás um legado duradouro de sacrifício pela paz global.

Esta vitória marcou um ponto de viragem: para a nação chinesa, pôs fim a uma espiral de declínio que durou um século e abriu as portas para o rejuvenescimento; para o mundo, garantiu a derrota do fascismo.

Um antigo ditado chinês diz: «Não faças aos outros o que não queres que façam a ti mesmo». Tendo suportado invasões e opressão, o povo chinês passou a abraçar um compromisso ainda mais forte com a paz e a justiça.

Na Conferência de Bandung de 1955, a China promoveu a abordagem de «procurar pontos em comum e deixar de lado as diferenças», incentivando a unidade e a cooperação entre as nações recém-independentes. A conferência sinalizou o despertar político do mundo em desenvolvimento e mostrou o compromisso da China em promover relações internacionais mais igualitárias.

Nas décadas seguintes, a China apoiou firmemente os movimentos de libertação nacional em todo o mundo: apoiando a independência da Argélia, ajudando o Vietname a resistir à interferência dos EUA, expressando solidariedade com o povo palestino, opondo-se ao apartheid na África do Sul e assim por diante. Tudo isso deu um significado prático ao espírito do internacionalismo.

Como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, a China participa activamente na mediação de questões delicadas, promove a resolução pacífica de diferenças e disputas entre países e sempre foi uma construtora da paz mundial. A China defende firmemente o sistema internacional centrado na ONU e trabalha activamente por uma ordem internacional mais justa e equitativa.

Nas últimas décadas, o rápido desenvolvimento da China também criou oportunidades para o mundo em geral. Desde a sua reforma e abertura, a economia da China cresceu mais de 300 vezes, tornando-se a segunda maior economia do mundo. Durante anos, a China contribuiu com cerca de 30% para o crescimento económico global anual. Na era da globalização económica, a China não é apenas uma beneficiária, mas também uma promotora e contribuinte fundamental para a prosperidade global.

Entretanto, quase 800 milhões de chineses saíram da pobreza, representando três quartos da redução da pobreza mundial no mesmo período. Em 2021, o presidente chinês Xi Jinping anunciou que a China havia alcançado uma «vitória completa» na sua luta contra a pobreza. Assim, a China cumpriu a meta de erradicação da pobreza estabelecida na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, 10 anos antes do previsto.

Como o maior país em desenvolvimento do mundo e membro natural do Sul Global, a China vincula estreitamente o seu próprio desenvolvimento aos sonhos de revitalização de um grande número de países em desenvolvimento.

A Iniciativa Faixa e Rota (IFR) conectou a Ásia, África, América Latina, ilhas do Pacífico e outros países com novas oportunidades de desenvolvimento. Estradas, ferrovias, portos e projectos de energia trouxeram benefícios tangíveis, enquanto programas de treinamento e inovações digitais abriram novos caminhos para a modernização.

O mundo de hoje está a passar por mudanças nunca vistas num século. A recuperação global continua frágil, a diferença de desenvolvimento aumenta, os desafios ambientais pioram e a mentalidade da Guerra Fria ainda persiste. Neste contexto, uma questão importante que todas as nações enfrentam é: que tipo de mundo devemos construir e como?

A China propôs a visão de construir uma comunidade com um futuro partilhado para a humanidade. Através de iniciativas como a IFR, a Iniciativa de Desenvolvimento Global, a Iniciativa de Segurança Global, a Iniciativa de Civilização Global e a Iniciativa de Governação Global, a China promove a cooperação em matéria de crescimento, paz e segurança, bem como o intercâmbio entre os povos. Os seus esforços reflectem um compromisso com a inclusão, o benefício mútuo e o respeito pela diversidade e conquistaram amplo apoio internacional, especialmente entre os países em desenvolvimento.

O firme compromisso da China com o desenvolvimento pacífico e a cooperação mutuamente benéfica está profundamente enraizado na sua civilização milenar. A história mostra que a maré da paz e do desenvolvimento não pode ser revertida. A China permanecerá no caminho do desenvolvimento pacífico e trabalhará arduamente para construir um futuro comum mais brilhante em conjunto com todas as nações.

Aniversário da RPC comemorado com espectáculo “Cisne”

Nos dias 30 de Setembro e 1 de Outubro, bem a tempo de celebrar o 76.º aniversário de implantação da República Popular da China (RPC), acontece em Macau o “Espectáculo de Comemoração do 76.º Aniversário da Implantação da República Popular da China e da Noite de Luar de Haojiang – Novo Espectáculo Acrobático Cisne”. O evento está marcado para o The Venetian Theatre a partir das 20h, sendo que os bilhetes já estão à venda.

“Cisne” é uma obra criada pelo premiado Teatro de Artes Acrobáticas de Guangzhou, narrando “o emocionante percurso de crescimento e formação da artista acrobática Yu Meng, desde os campos de treino encharcados de suor até ao centro do palco deslumbrante”.

Segundo uma nota do Instituto Cultural (IC), o público irá deambular entre o “sonho” e o “real”, experimentando “a impressionante fusão entre a excelência artística de nível nacional e um espectáculo visual fantástico”.

O espectáculo que se apresenta no The Venetian Theatre “foi seleccionado para o programa de apoio financeiro pelo Fundo Nacional das Artes e homenageado com o ‘Prémio de Produ de Excelência'”, sendo dirigido pelo coreógrafo Zhao Ming. A direcção artística está a cargo de Wu Zhengdan, actriz e fundadora do “Balé Sobre os Ombros”.

Cheirinho a “Lago dos Cisnes”

“Cisne” é uma peça que “reúne artistas prestigiados, utilizando as melodias intemporais do balé clássico ocidental ‘O Lago dos Cisnes’, ao mesmo tempo integra a acrobacia chinesa grandiosa e inédita, oferecendo ao público um espectáculo cénico que mostra a fusão entre arte oriental e ocidental”.

O “Espectáculo de Comemoração do 76.º Aniversário da Implantação da República Popular da China e da Noite de Luar de Haojiang – Novo Espetáculo Acrobático Cisne” é organizado pelo Ministério da Cultura e Turismo da China e pela Secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura do Governo da RAEM, sem esquecer a organização do IC e Departamento de Publicidade e Cultura do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, entre outras entidades.

Os bilhetes estão à venda a partir de hoje na bilheteira “Enjoy Macao” a partir das 10h, sendo que a data de venda dos bilhetes na plataforma “Cotai Ticketing” será anunciada posteriormente. Os ingressos têm preços que variam entre as 200 e 400 patacas.

Coloane | Música, exercícios e workshops no final do mês

A terceira edição do “Connections – Music.Movement.Nature”, regressa a Coloane nos dias 27 e 28 de Setembro ao espaço “Urban Farm”. É lá que acontecem actividades para todos os gostos, mas sempre em conexão com a natureza, a música, as artes e até o próprio corpo, graças à prática de pilates e yoga

 

Imagem de Elói Scarva

No último fim de semana de Setembro, o espaço Urban Farm, no centro da vila de Coloane, vai acolher o evento “Connections – Music.Movement.Nature”. Trata-se de um evento de dois dias, a acontecer a 27 e 28 de Setembro, que reúne actividades artísticas, música e a prática de exercício físico, com yoga e pilates.

Esta é uma “iniciativa privada sem fins lucrativos que pretende reunir diferentes comunidades, oferecendo música, actividades para famílias, workshops corporais e holísticos, uma zona de comidas e bebidas e um mercado de artesanato com criadores locais”, destaca um comunicado da organização.

Quem está por detrás deste evento assume que o “Connections” é uma “criação colectiva que alia um modo de vida consciente com experiências únicas”, e que já existe desde 2018 e 2019, anos em que o evento se realizou junto à Barragem de Ka-Hó, também em Coloane.

Porém, o “Connections” passa agora para um espaço maior, o que irá permitir que possam decorrer diversas actividades espalhadas por sete zonas distintas. São elas o “Village”, descrita como “uma pitoresca área que se assemelha a uma aldeia tradicional chinesa, com casas de madeira num jardim oriental”, e que será a zona de refeições e bebidas e de venda de artesanato.

Aqui vão estar representados espaços de restauração de Macau, como é o caso do Larry’s Place, Concept H, Black Lotus, Cakes By Rose & Muse, Juk e Happy Stand. Haverá ainda 12 artesãos a vender os seus produtos nas várias casinhas de madeira do “Village”: Dreama, Neska, Zarja’s Selections, CeraGigi, Odoodoodo, Dollfie, Wickd, White Lodge Dreamland, Wutoyeah, Gems Awakening, Lylon Skincare e Knotme.

A “Urban Farm” contará ainda com o “Gypsy Camp”, uma “zona com almofadas e lugares de descanso à sombra que promete ser uma oferta interactiva, em que os participantes poderão explorar instrumentos musicais como o asalato, participar num círculo de tambores, ou assistir a um concerto de handpan com o duo Nàv, que faz a curadoria da área”.

“Será também aqui que se poderá assistir ao ritual da fogueira, a uma palestra sobre temáticas espirituais e participar em sessões individuais de tarot e leitura da alma”, explica ainda a organização.

As actividades para famílias irão ter lugar na “Family Tent”, oferecendo sessões de meditação para famílias, pinturas em desenhos de mandalas, crochet, construção de máscaras em cartolina e ainda momentos de leitura interactiva.

A organização pretende, com o “Connections”, levar “os mais novos a participar em qualquer actividade que esteja a decorrer no recinto, desde que acompanhados pelos pais, podendo também explorar a oferta do ‘Urban Farm’, que disponibiliza canas de pesca para pescar e actividades de agricultura”.

Árvore da meditação

Uma zona que merece destaque é a “Treetop”, uma “mezannine” construída na copa de uma árvore, e que foi o espaço escolhido para todas as actividades de exploração corporal e “momentos mais serenos”, de meditação e relaxamento. Com actividades a decorrer da manhã ao entardecer, o “Treetop” vai albergar sessões de dança, com Zumba, Bachata, Dança Consciente e “InsideFlow”, assim como de yoga, gyrokinesis [movimento que mistura princípios de yoga, dança e Tai Chi], e pilates. Estão igualmente previstas sessōes de “Sound Bath”, exploração de mantras e meditações ao pôr do sol e de ligação à natureza.

O “Urban Farm” também disponibiliza uma “yurte mongol” [tenda típica dos povos nómadas da Mongólia], decorrendo ainda uma sessão das “Noites de Quiz”, que já acontece regularmente em Macau. “Esta é a primeira vez também que a Noite de Quiz será orientada em inglês para que mais pessoas possam participar na sessão”, explicaram os organizadores.

Ao fundo da propriedade do Urban Farm, na zona “Concrete”, estão agendadas sessões de graffiti e arte urbana com os colectivos de artistas locais Outloud International Street Art Festival e Mid Age of Dawn Skateboards (M.A.O.D.).

Por último, no “Woods”, numa clareira de um pequeno bosque, situa-se o espaço de música electrónica e de dança ao ar livre, que contará com prestações de diversos djs locais e da região. A oferta musical irá também marcar presença na zona do “Village”, com uma selecção mais orgânica, lounge, e focada em músicas do mundo.

Os bilhetes para o “Connections” já estão em venda antecipada até amanhã, com preços que variam entre as 150 e as 250 patacas, para uma entrada de um ou dos dois dias do evento. O “Urban Farm” disponibiliza também espaços de estacionamento que podem ser reservados ao dia com antecedência.

Burlas | Duas mulheres perdem mais de 26 mil patacas

Duas mulheres de “cerca de meia idade” foram burladas em 26.468 patacas, após terem acreditado que estavam em contacto com os serviços ao cliente da plataforma Alipay.

A informação foi revelada ontem pela Polícia Judiciária e citada pelo jornal Ou Mun. De acordo com a versão apresentada pelas autoridades, os burlões apresentaram-se como funcionários da Alipay e disseram às vítimas que os seguros relacionados com a utilização da plataforma tinham expirado.

As vítimas foram depois encaminhadas para um portal onde inseriram os dados dos cartões de crédito, o que permitiu aos burlões fazer as transferências desejadas. Uma vítima perdeu 22.270 patacas e a outra 4.198 patacas. Após terem conhecimento das transferências não autorizadas, as duas vítimas apresentaram queixa junto das autoridades.

Refeições e concertos causam perdas de 35 mil patacas

Cinco residentes locais relataram a perda de 35.031 patacas relacionada com o roubo dos dados de cartões de crédito, que depois foram utilizados para fazer compras online, como o pagamento de buffets ou bilhetes para concertos.

A notícia foi divulgada pela Polícia Judiciária e citada pelo Jornal Ou Mun. Todos os burlados são do sexo feminino e foram identificados como tendo “meia idade”. Em relação aos cartões utilizados para pagar compras online, uma das transacções implicou gastos de 10.615 patacas e a outra 9.924 patacas.

Sobre os pagamentos de compras, houve mais duas vítimas com perdas de 5.210 patacas e 1.400 patacas,
respectivamente. Finalmente, a vítima cujo cartão foi utilizado para a compra de bilhetes para concertos registou uma perda de cerca de 7.882 patacas.

Fogo-de-Artifício | Concurso ilumina céus na noite de sábado

O 33.º Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau arranca no sábado com os espectáculos pirotécnicos protagonizadas pelas companhias da Austrália e da África do Sul.

O primeiro espectáculo, marcado para as 21h, estará a cargo da equipa australiana, que volta a marcar presença no evento pirotécnico de Macau, depois da participação em 2014. Segundo a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), o espectáculo, intitulado “Great Southern Land”, irá tomar a forma de bouquet “Great Southern Land”. Às 21h40 será a vez da equipa da África do Sul tomar conta dos céus de Macau, com um espectáculo que tem como objectivo celebrar a beleza das paisagens do Serengeti.

Além dos espectáculos de pirotecnia, será montado um arraial no passeio ribeirinho do Centro de Ciência de Macau com ofertas gastronómicas, espectáculos e jogos.

Entre sábado e o dia 6 de Outubro, sempre aos fins-de-semana, serão realizados espectáculos de companhias pirotécnicas de 10 países de todo o mundo, incluindo a Pirotecnia de Barbeita, com sede em Monção, que irá representar este ano Portugal no Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau.

Turismo| Prevista subida de dois dígitos do número de visitantes

O Centro de Intercâmbio de Turismo da Ásia reviu em alta as previsões para a entrada de turistas chineses em Macau na segunda parte de 2025. O organismo que estuda o sector, sob a alçada Ministério da Cultura e Turismo da China, estima que o fluxo de residentes da RAEM para o Interior também aumente

 

O Centro de Intercâmbio de Turismo da Ásia juntou-se ao coro de entidades que estimam o aumento do fluxo de turistas entre as regiões administrativas especiais e a China na segunda metade deste ano.

Num estudo publicado na terça-feira, o organismo sob a alçada do Ministério da Cultura e Turismo da China, prevê o aumento anual de dois dígitos em todas as previsões sobre entradas de turistas no segundo semestre de 2025.

O novo estudo, que revê em alta as previsões anteriores da entidade nacional, estima que Macau seja visitada por cerca 28,5 milhões de turistas na segunda metade deste ano. A nova projecção representa um aumento de meio milhão de turistas face à estimativa feito no início deste ano, e uma subida de 16,4 por cento em comparação com o mesmo período de 2024.

Por outro lado, é também previsto o aumento do número de residentes de Macau a entrar no Interior da China na segunda metade de 2025. O organismo ligado ao Governo Central aponta para um aumento de 35,5 milhões para 37,5 milhões de entradas para a China, ou seja, uma subida de 11,4 por cento em termos anuais.

Em relação ao fluxo nas fronteiras entre Hong Kong e o Interior da China, é previsto um aumento de 3,5 milhões de turistas chineses a visitar a RAEHK, face à estimativa inicial, para 93,5 milhões visitantes, um total que representa uma subida de 13,1 por cento em comparação com o segundo semestre de 2024.

A grande fotografia

Quanto à proporção de turistas por semestre, o Centro de Intercâmbio de Turismo da Ásia estima que no cômputo geral do movimento de turistas entre as regiões administrativas especiais e o Interior da China, o segundo semestre ocupe entre 51 e 54 por cento do volume total de visitantes de 2025, “se não acontecer um incidente súbito”. Os analistas salientam que a evolução dos fluxos turísticos segue a tendência de crescimento verificada na primeira metade de 2025.

Porém, a revisão em alta foi justificada com a implementação de medidas facilitadoras a nível de vistos e travessias de fronteiras, assim como a realização de actividades e festividades atractivas em termos turísticos. Neste capítulo, os analistas destacam a realização dos próximos Jogos Nacionais como mais um factor potenciador para os mercados turísticos das regiões organizadoras.

Tencent | Receitas em Hong Kong e Macau a subir

A empresa tecnológica Tencent revelou que nos últimos seis anos o negócio em nuvem (armazenamento de dados) em Hong Kong e Macau aumentou todos os anos acima de 10 por cento. Os dados foram apresentados pelo gerente geral da Tencent Cloud Hong Kong e Macau, Steven Choi, e relatado pelo jornal de Hong Kong Ming Pou.

Steven Choi apontou que apesar de a empresa não ter estatísticas sobre a quota de mercado nos serviços em nuvem em Hong Kong e Macau, não é por isso que deixa de acreditar que se tornou o principal fornecedor. O responsável ainda apontou que já em 2023, a empresa lançou o serviço de pagamento através da leitura da palma da mão Guangdong.

No ano passado, o serviço chegou a Macau, mas apenas está disponível em 60 comerciantes que trabalham com a concessionária Galaxy e para utilizadores da plataforma Wechat Pay.

Turismo | Gastronomia e cultura portuguesas em Wuhan

Os chefes Herlander Fernandes e Pedro Santos do Carmo vão preparar um ‘buffet’ com pratos portugueses e macaenses durante o festival gastronómico da Semana de Macau em Wuhan

 

Dança folclórica e gastronomia portuguesas vão integrar uma acção de promoção turística de Macau no centro da China, de 5 a 8 de Setembro, anunciaram as autoridades.

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) indicou que a Semana de Macau em Wuhan, capital da província de Hubei, vai levar espectáculos a uma popular praça pública na zona histórica de Hankou, um dos primeiros locais da China abertos ao comércio com o estrangeiro, em 1861.

Entre os espectáculos, vão estar o grupo de dança folclórica portuguesa Associação de Danças e Cantares Portugueses ‘Macau no Coração’, “para permitir a mais pessoas em Wuhan sentir a cultura e hospitalidade de Macau”, acrescentou a DST, em comunicado.

Na zona histórica de Hankou, vão também ser instaladas várias áreas temáticas, uma das quais apresentará produtos vindos dos países de língua portuguesa. A Semana de Macau em Wuhan, vai ainda apresentar um festival gastronómico, que irá decorrer entre 5 de Setembro e 8 de Outubro, num hotel da cidade chinesa, acrescentou a DST, na mesma nota.

Arte na cozinha

Dois Chefs portugueses radicados em Macau, Herlander Fernandes e Pedro Santos do Carmo, vão preparar um ‘buffet’ com pratos portugueses e macaenses, indicou a DST, referindo-se à gastronomia, considerada a primeira cozinha de fusão do mundo, da comunidade euro-asiática, com muitos luso-descendentes e raízes no território.

Ainda antes da Semana de Macau em Wuhan, a DST, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau e as autoridades da zona económica especial de Hengqin (Ilha da Montanha), situada junto a Macau, vão ainda promover a cooperação com a província de Hubei.

As três entidades vão organizar uma sessão de bolsa de negócios e uma conferência de promoção de eventos, para encorajar empresários das duas cidades a “aprofundar o intercâmbio pragmático” em áreas como o turismo, convenções e exposições, economia e comércio, referiu a DST.

O Instituto Cultural lançou em Dezembro uma consulta pública, durante 30 dias, sobre a possível inscrição de 12 manifestações, incluindo a dança folclórica portuguesa, na Lista do Património Cultural Intangível do território.

Em Janeiro, o IC disse que os residentes presentes numa sessão de consulta pública, em 7 de Janeiro, “concordaram, de um modo geral com a escolha das manifestações recomendadas para inscrição” na lista.

Na quinta-feira passada, a presidente do ICM e líder do Conselho do Património Cultural, Leong Wai Man, disse à Lusa que o conselho tinha, numa reunião, discutido o relatório final da consulta pública, antes de o Governo tomar uma decisão final.

O Governo tem defendido a necessidade de apostar na prestação de serviços financeiros entre a China e o bloco lusófono, para diversificar a economia da região semiautónoma chinesa, muito dependente do turismo.

Formação jurídica | Kou Peng Kuan reforma-se e deixa liderança

Kou Peng Kuan deixou a posição de director do Centro de Formação Jurídica e Judiciária (CFJJ) a 1 de Setembro por se ter reformado. Embora pertencesse aos quadros da Direcção de Serviços de Administração e Finanças Pública (SAFP), onde assumiu o cargo de director durante vários anos, Kou estava em comissão de serviço na liderança do centro responsável pela formação dos magistrados da RAEM.

A informação sobre a reforma de Kou Peng Kuan foi publicada ontem no Boletim Oficial, num despacho assinado pela subdirectora dos SAFP, Joana Noronha, e explica que a aposentação foi voluntária.

De acordo com o portal oficial do Governo, a liderança do CFJJ passou assim a ser assumida por Tina Cheng Wai Yan, subdirectora, na condição de directora substituta. Esta é a segunda vez que Tina Cheng vai desempenhar o cargo de directora, como substituta, repetindo a situação de 2023, a aquando a saída do então director Manuel Trigo do CFJJ. Wai Yan desempenha as funções de subdirectora no CFJJ pelo menos desde 2013.

Kou Peng Kuan chega ao fim da carreira como funcionário público que começou em 1991. Ao longo de um percurso profissional com mais de 30 anos, assumiu diferente posições como técnico superior do Centro de Formação para a Administração Pública, adjunto da Divisão de Formação, chefe da Divisão de Formação e chefe do Departamento de Modernização Administrativa dos Serviços de Administração e Função Pública.

O momento alto da carreira chegou eme 2015, quando foi promovido a director dos SAFP, quando o Governo da RAEM era liderado por Chui Sai On. Enquanto director dos SAFP, Kou Peng Kuan foi responsável pela criação da aplicação Conta Única de Macau, em 2019.

Função Pública | Song Pek Kei quer programa de reforma voluntária

Face ao que diz serem as “cargas de trabalho e pressões cada vez maiores” na Administração Pública, a deputada defende a criação de um programa piloto que permite a aposentação antecipada com maior segurança financeira, nos casos de problemas de saúde

 

A deputada Song Pek Kei pretende que o Governo implemente um novo programa experimental de reforma voluntária para funcionários públicos com problemas de saúde. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, divulgada no final de Agosto à Assembleia Legislativa.

Segundo a legisladora ligada à comunidade de Fujian, devido ao “desenvolvimento social” os funcionários da Função Pública enfrentam “cargas de trabalho e pressões cada vez maiores”. Por isso, considera que devia haver uma opção de aposentação voluntária antecipada ligada a problemas de saúde, principalmente para os trabalhadores com ordenados mais baixos e nas posições inferiores da hierarquia, que garanta ao mesmo tempo a “flexibilidade e segurança financeira”.

“Mesmo que alguns funcionários públicos desejem aposentar-se mais cedo por motivos de saúde, deixar os seus cargos significa perder a segurança do sustento”, argumenta a deputada.

No entender de Song Pek Kei, a falta de uma opção de aposentação antecipada por motivos de saúde que garanta segurança financeira “prejudica a flexibilidade do sistema de fundos de previdência e afecta negativamente a rotatividade saudável dentro do serviço público”.

“Em resposta ao ritmo acelerado da reforma administrativa, as autoridades irão implementar um programa-piloto de ‘regime de reforma voluntária para funcionários públicos’ nos departamentos onde tal seja necessário, a fim de promover a mobilidade saudável dentro da função pública e aumentar a vitalidade da força de trabalho da função pública”, questionou.

Reformas baixas

Song Pek Kei salienta ainda que os salários de vários funcionários públicos são baixos e que não permitem obter uma reforma condizente com um nível de vida digno. “Como os funcionários públicos com menos tempo de serviço têm salários baixos e as suas contribuições mensais são limitadas, os pagamentos que podem obter do fundo de previdência são muito reduzidos, tornando difícil obterem protecção prática para a sua vida na reforma”, atirou.

A legisladora pede assim uma protecção extra para estas pessoas: “Embora as autoridades tenham introduzido vários programas de assistência financeira para funcionários públicos de primeira linha com baixos rendimentos, ainda são necessárias melhorias adicionais na sua protecção na reforma”, justifica. “A este respeito, a Administração vai reforçar o actual sistema de protecção na reforma, por exemplo, concedendo subsídios de subsistência na reforma aos funcionários públicos juniores reformados”, questiona.