Sam Hou Fai fala em “nova fase” do princípio um país, dois sistemas Andreia Sofia Silva - 16 Out 2025 O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, disse ontem que “Macau entrou na nova fase de aplicação do princípio um país, dois sistemas” e que se debate “com mudanças profundas e complexas do ambiente interno e externo”, além de que o mundo se encontra “num novo período de turbulências e mudanças”. Discursando num evento de celebração dos 105 anos da Fundação da Cruz Vermelha de Macau, Sam Hou Fai lembrou que “os compatriotas necessitam de mais cuidado humanístico e conforto espiritual”, pelo que espera que a Cruz Vermelha “continue a prestar atenção e apoio ao desenvolvimento da RAEM e à acção do Governo”. O governante defendeu que esta organização centenária deve estar atenta “aos planos governativos e exigências do desenvolvimento de alta qualidade de Macau na nova jornada”, ficando a esperança de que haja um reforço de cooperação com a Sociedade da Cruz Vermelha da China. Longa vida O Chefe do Executivo destacou que a Cruz Vermelha de Macau está “enraizada” no território desde 1920, sendo que, além de “servir Macau, também acompanha atentamente e apoia os serviços humanitários e actividades de interesse público no Interior da China e a nível internacional”. O governante máximo da RAEM não esqueceu o momento da transição, quando a “Cruz Vermelha de Macau passou, oficialmente, a Delegação com alto grau de autonomia da Sociedade da Cruz Vermelha da China, sendo testemunha, participante e contribuinte para a bem-sucedida aplicação do princípio um país, dois sistemas com características de Macau”. Ainda sobre a governação, Sam Hou Fai prometeu “construir uma Macau alicerçada no Estado de Direito, dinâmica, cultural e feliz”, continuando com o “foco no apoio às camadas mais vulneráveis” e assumindo “o reforço do sentimento de realização, felicidade e segurança de todos os residentes de Macau como ponto de partida e base da acção governativa”. Ficou também a garantia de que o Executivo “apoiará de forma plena a Cruz Vermelha de Macau no planeamento e desenvolvimento das actividades”.
Hainão | Aproveitar Macau para importar produtos lusófonos Hoje Macau - 16 Out 2025 Numa visita ao Fórum Macau, o governador Liu Xiaoming afirmou querer criar sinergias com a RAEM para que os produtos lusófonos consigam entrar no Interior O líder da ilha de Hainão afirmou ontem que quer ajudar os produtos lusófonos a entrar no mercado chinês, defendendo sinergias com Macau e os países de língua portuguesa. O governador Liu Xiaoming apontou como meta “a construção de Hainão como núcleo entreposto para a entrada dos produtos dos países de língua portuguesa no interior da China”. Liu falava durante uma visita às instalações do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, conhecido como Fórum de Macau. Segundo o Fórum de Macau, o líder de Hainão pediu apoio à organização, também para ajudar as empresas da ilha “a aprofundar os conhecimentos sobre as regras dos mercados e os ambientes de investimento das nações lusófonas”. De acordo com um comunicado, Liu defendeu a aposta em um “desenvolvimento sinérgico entre Hainão, Macau e os países de língua portuguesa” e lembrou que a ilha irá tornar-se um porto franco antes do fim do ano. A partir de 18 de Dezembro, os produtos importados que sejam processados em Hainão – com um valor acrescentado de pelo menos 30 por cento – podem entrar na China continental sem pagar taxas alfandegárias. Aposta nas vantagens Na segunda-feira, ainda antes da deslocação ao Fórum Macau, Liu Xiaoming teve um encontro com Sam Hou Fai. De acordo com um comunicado do Governo de Macau, Sam defendeu que pode haver “complementaridade de vantagens” entre o porto franco de Hainão e a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau. Esta zona económica especial, gerida conjuntamente pela província de Guangdong e por Macau, foi lançada por Pequim e 2021 e abrange cerca de 106 quilómetros quadrados na ilha da Montanha, adjacente a Macau. A China estabeleceu Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Macau. O organismo integra, além da China, os nove países de língua portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, desde 2022, Guiné Equatorial. As exportações dos países de língua portuguesa para a China caíram 11,3 por cento, para 86,6 mil milhões de dólares nos primeiros oito meses do ano, de acordo com dados oficiais.
AL | Deputados tomam posse esta manhã Hoje Macau - 16 Out 2025 Os deputados da Assembleia Legislativa tomam posse esta manhã para o início da VIII Legislatura. O juramento está agendado para as 11h, na sala de reuniões do Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. À tarde, para as 15h, está agendada a primeira sessão do Plenário da Assembleia Legislativa que vai servir para eleger os futuros presidente, vice-presidente, primeiro secretário e segundo secretário. Feita a reunião, haverá mais uma sessão de juramento, logo no mesmo dia, às 16h, e tomada de posse do presidente da AL. A sessão também decorre no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Na sequência da remodelação governativa, Wong Sio Chak e Chan Tsz King vão realizar a cerimónia de juramento e tomada de posse esta manhã, pelas 10h, na sede do Governo. Wong Sio Chak vai assumir as funções de secretário para a Administração e Justiça, enquanto Chan Tsz King vai ser o novo secretário para a Segurança. Na sessão das 10h, a primeira das três que vão ocorrer amanhã, está igualmente prevista a cerimónia de juramento e tomada de posse de Tong Hio Fong como Procurador da RAEM e dos novos membros do Conselho Executivo. A cerimónia não é aberta à população. AMCM | Chan Kuan I nomeada para Conselho de Administração Chan Kuan I foi nomeada vogal do Conselho de Administração da Autoridade Monetária de Macau (AMCM). A medida entra em vigor na próxima segunda-feira, de acordo com um despacho de Sam Hou Fai, publicado ontem no Boletim Oficial. Licenciada em Comércio (Contabilidade) na Monash University da Austrália e com um mestrado em Administração Pública ministrado pela Peking University e Chinese Academy of Governance, Chan faz parte dos quadros da AMCM desde Agosto de 2001, embora com um interregno entre 2006 e 2009, quando desempenhou funções no Gabinete de Informação Financeira. Após o regresso à AMCM, a nova vogal desempenhou as funções de técnica, directora-adjunta e directora do Departamento de Supervisão de Seguros. DSSCU | Chan Hoi Ieng nomeada subdirectora Raymond Tam nomeou Chan Hoi Ieng, umas das assessoras do seu gabinete, como subdirectora da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU). A nomeação foi revelada ontem através do Boletim Oficial. Chan Hoi Ieng é licenciada em Engenharia pela Universidade de Tsinghua e tem um mestrado em Administração Pública, pela Universidade de Peking. A nível profissional foi técnica superior entre Dezembro de 1999 e Novembro de 2016 no então Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. Entre 2016 e 2022, desempenhou o mesmo tipo de funções nos Serviços de Alfandega, até Dezembro do ano passado, altura em que foi promovida a assessora. Também em Dezembro do ano passado, foi nomeada assessora do Gabinete do secretário para os Transportes e Obras Públicas. É agora escolhida para subdirectora da DSSCU.
DSAT | Chiang Ngoc Vai assume o cargo de director João Santos Filipe - 16 Out 2025 Após quase 20 anos à frente da direcção responsável pelo trânsito, Chiang foi promovido ao topo da hierarquia. Desde Julho, que desempenhava as funções, como substituto, depois da saída de Lam Hin San Após três meses como director substituto da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), Chiang Ngoc Vai assumiu ontem a pasta a título próprio. A informação foi revelada através de um despacho publicado no Boletim Oficial, assinado por Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas. Além dos três meses como director substituto, Chiang Ngoc Vai conta com uma carreira de quase 20 anos na DSAT, serviço em que ingressou pela primeira vez em 2008, logo para assumir as funções de subdirector. Desde essa altura, até Julho deste ano, Chiang manteve-se como subdirector e foi nessa condição nos últimos meses que assumiu as funções de director, após a saída do antecessor, Lam Hin San. A promoção confirmada ontem, e o afastamento de Lam Hin San, mostram também uma ruptura de Raymond Tam com o passado, dado que o antecessor de Chiang tinha sido nomeado pelo anterior secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, merecendo a confiança deste durante cerca de 10 anos. No despacho não são indicadas razões particulares para a nomeação, além do pro-forma a indicar que Chiang Ngoc Vai “possui competência profissional e aptidão para o exercício do cargo” e do currículo do nomeado. Como acontece nas nomeações em comissão de serviço, a escolha do secretário é válida durante o período de um ano. Da engenharia Em termos académicos, o despacho indica que Chiang Ngoc tem duas licenciadas em Engenharia Civil e em Ciência (Topografia Cadastral e Ordenamento do Território). As instituições de ensino das licenciaturas não são referidas. A nível profissional, o director da DSAT conta com um longo percurso na Administração Pública, com mais de 30 anos. Chiang ingressou na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes em Outubro de 1990, desempenhado as funções de técnico. Em Março de 1992, é promovido dentro da mesma direcção, para assumir as funções de chefe de sector. Ainda antes da transferência, em 1995, Chiang Ngoc Vai é novamente promovido internamente para assumir as funções de técnico superior e também de chefe de Departamento. Manteve-se nestas funções até 2008, durante mais 13 anos, altura em que nomeado para a DSAT.
Taiwan | Cerca de 2,8 milhões de ataques informáticos por dia Hoje Macau - 15 Out 2025 Os serviços do Governo de Taiwan registaram uma média de 2,8 milhões de ataques cibernéticos por dia até agora este ano, informou ontem o Gabinete de Segurança Nacional (NSB, na sigla em inglês) taiwanês. Num documento divulgado pela CNA, a Rede de Serviços Governamentais indicou que os ataques se centraram em áreas como “projectos de infraestruturas críticas” e “informações confidenciais sobre a cooperação governamental no estrangeiro”. Ao atingirem sistemas ligados à defesa nacional de Taiwan, aos negócios estrangeiros e às comunicações, os piratas informáticos procuravam “obter informações confidenciais” e “interromper o desenvolvimento de infraestruturas essenciais”, detalhou o NSB. A agência acrescentou que, até à data em 2025, as agências de informação taiwanesas identificaram mais de 1,5 milhões de “informações controversas” ou notícias falsas disseminadas nas redes sociais através de “perfis anómalos”.
929 Challenge | Startups de PALOP e Timor sobem 73 por cento Hoje Macau - 15 Out 2025 A competição sino-lusófona 929 Challenge, realizada em Macau, atraiu 170 ‘startups’ dos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP) e de Timor-Leste, mais 73 por cento do que em 2024, disse ontem um dos organizadores à Lusa. Marco Duarte Rizzolio, cofundador da 929 Challenge, escolheu o aumento da participação dos países lusófonos menos desenvolvidos como o destaque da quinta edição da 929 Challenge. O também professor da Universidade Cidade de Macau justificou a subida com os novos parceiros da competição: “assinámos acordos estratégicos com a Cabo Verde Digital e a Universidade Eduardo Mondlane [Moçambique]”. Desde o final da última edição, em Novembro de 2024, Rizzolio já foi a Angola duas vezes promover a 929 Challenge, enquanto o outro co-fundador, José Alves, visitou São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. “São países muito pequenos, com uma população muito pequena e o ecossistema muito pouco desenvolvido, mas nós conseguimos ter até projectos ali”, sublinhou o organizador, graças a “uma particularidade dos países em desenvolvimento”. Em países com uma média etária relativamente baixa, “devido também à falta de emprego, a juventude está cheia de energia, está muito aberta para desenvolverem negócios”, explicou Rizzolio. Um novo prémio A quinta edição do 929 Challenge em Macau inclui pela primeira vez o prémio ‘Future Builders’ (Criadores do Futuro), para a melhor ‘startup’ dos PALOP e de Timor-Leste. A única vez que uma equipa dos PALOP e de Timor-Leste chegou aos finalistas foi logo na primeira edição, lançada em 2021, em plena pandemia de covid-19, então apenas direccionada a estudantes universitários. Um projecto da Universidade Lusófona da Guiné-Bissau para instalar painéis solares na região de Gabu, no leste do país, ficou em segundo lugar. Rizzolio destacou também que, pela primeira vez, as ‘startups’ dos países lusófonos – incluindo Portugal e Brasil – estão em maioria no 929 Challenge, representando cerca de 65 por cento dos 402 participantes. “Tínhamos muito mais projectos vindos aqui da China [continental]”, referiu o organizador. A 929 Challenge “já adquiriu uma certa notoriedade”, defendeu Rizzolio, nomeadamente através da promoção feita na SIM Conference, em Maio, no Porto, e no Web Summit, em Junho, no Rio de Janeiro. Começou na segunda-feira o ‘bootcamp’ que decorre ‘online’ do 929 Challenge, tendo atraído mais de 400 equipas e ’startups’, uma subida de mais de 25 por cento em comparação com 2024. A última edição da competição tinha registado um máximo, com mais de 1.600 participantes em mais de 320 equipas. A final está marcada para 30 de Novembro. O concurso é coorganizado pelo Fórum Macau e por várias instituições de Macau, incluindo todas as universidades locais.
Índia | Google investe cerca de 12.970 ME em centro de dados de IA Hoje Macau - 15 Out 2025 A gigante tecnológica Google anunciou ontem um investimento de 15.000 milhões de dólares num centro de dados de inteligência artificial (IA) no estado de Andhra Pradesh, no sul da Índia. “Este investimento de aproximadamente 15.000 milhões de dólares ao longo de cinco anos (2026-2030) é o maior investimento da Google na Índia até à data e está alinhado com a visão Viksit Bharat 2047 do Governo indiano para acelerar a expansão dos serviços baseados em IA”, afirmou a Google em comunicado. O anúncio oficial da empresa norte-americana eleva o valor do projecto, depois de um ministro regional de Andhra Pradesh, Lokesh Nara, ter informado anteriormente um investimento de 10 mil milhões de dólares. O conglomerado indiano Adani, propriedade do magnata Gautam Adani, será o parceiro local do Google para construir esta infraestrutura, que, segundo ambas as empresas, será a maior da Índia e uma das maiores da Google em toda a Ásia. “Será projectado especificamente para as necessidades da inteligência artificial”, disse Adani numa mensagem publicada no X. A ministra das Finanças da Índia, Nirmala Sitharaman, celebrou o anúncio e considerou que “reflecte a harmonia entre a formulação de políticas progressistas e o dinamismo na tomada de decisões de governança” do país. A Google consolidou a sua presença estratégica na Índia nos últimos anos, reconhecendo o país como um dos seus mercados mais importantes, tanto pelo volume de utilizadores como pelo potencial da sua indústria digital, que conta com vários polos importantes do sector tecnológico nas cidades de Bangalore, Hyderabad e Pune. Desde 2024, a empresa fabrica os seus smartphones Pixel no país asiático.
O sexo e as emoções Tânia dos Santos - 15 Out 2025 O sexo pode despertar uma panóplia de emoções. Das positivas às negativas — passando pelas neutras — as emoções emergem muitas vezes de forma atabalhoada, sem que consigamos dar-lhes sentido imediato. Há quem até experiencie combinações emocionais que colocam lado a lado emoções que à primeira vista seriam opostas: o prazer e a vergonha. Estas respostas, contudo, são culturalmente moldadas. O sexo, no fundo, é um microcosmo da vida emocional humana, onde se cruzam corpo, cultura e identidade. A teoria da vinculação, frequentemente descrita como a teoria do amor, mostra como a procura de segurança, ou a sua ausência, molda a nossa resposta emocional na relação com o outro. O corpo possui mecanismos hormonais associados ao prazer, que nos fazem sentir seguros, mas também outros que podem perpetuar o nosso sentido de insegurança. A forma como as respostas emocionais são criadas depende muito do contexto e das nossas experiências passadas. Por isso as emoções tornam-se muitas vezes uma lente pela qual olhamos o mundo. A psicologia das emoções tem cruzado duas linhagens importantes para percebermos estes mecanismos. Uma delas é a da medicina, onde a emoção resulta da construção e regulação fisiológica. A outra vem da antropologia, que tem explorado a forma como a cultura molda as nossas respostas emocionais. Por exemplo, estudos interculturais mostraram que em sociedades mais individualistas, em que a raiva é uma forma de expressão de quebra na relação com o outro – numa tentativa de impor limites – a resposta fisiológica é mais forte que em sociedades coletivistas. Em sociedades onde a configuração grupal tem um peso mais determinante no sentido do self, a raiva é apenas um indicador de que existe uma desarmonia na relação de grupo, e a resposta fisiológica e os níveis de inflamação são menores. A raiva não é percebida como um corte radical do coletivo, e por isso a experiência da raiva é, de algum modo, mais sustentada. Esta dimensão cultural torna-se ainda mais evidente quando analisamos a forma como as várias expressões de género constroem os seus mundos emocionais. Apesar da cultura popular nos dizer que há diferenças entre ‘homens’ e ‘mulheres’, a verdade é que existe muito mais variabilidade dentro de cada grupo do que entre eles, o que torna difícil justificar uma distinção clara. Essa divisão é culturalmente alimentada e manifesta-se nos gestos quotidianos. Os estudos mostram que as mulheres, ao chegarem a uma urgência com palpitações, são mais rapidamente diagnosticadas com ansiedade do que com um ataque cardíaco. O mesmo não acontece com os homens, de quem se espera uma manifestação emocional menor, e por isso sintomatologia como palpitações raramente é confundida com ansiedade. Assim, torna-se quase esperado que as mulheres expressem emoções em excesso e que os homens as reprimam — o que distorce a nossa noção do que é ‘normal’ ou ‘desviante’. Vale a pena trazer aqui uma distinção essencial na teoria das emoções: existem emoções primárias, que são mais imediatas e mais fiéis aos nossos estados internos, e as emoções secundárias, que são de algum modo uma complexificação das primeiras, alimentadas então por crenças, narrativas e culturas. Se num determinado momento sinto raiva, e se a minha experiência de vida me ensinou que a raiva é uma emoção desadequada, rapidamente outras emoções se sobrepõem, como a vergonha ou a culpa. Tudo isto é relevante para melhor compreendermos as emoções durante o sexo. No binarismo redutor do costume, persistem crenças generalistas que impõem aos homens pressões de desempenho e às mulheres sentimentos de culpa — dinâmicas que também se refletem nas relações entre pessoas do mesmo sexo. Quando percebemos que as emoções que emergem não correspondem àquilo que a cultura define como ‘normal’, começamos a vigiar e a censurar o que sentimos. Sem uma compreensão profunda das emoções, do corpo e do contexto em que estão inseridos, acabamos por complicar a nossa vida. Por exemplo, as emoções que se seguem ao sexo variam tanto quanto as próprias experiências. Alguns sentem um bem-estar tranquilo, uma sensação de proximidade e ternura — o chamado afterglow. Outros experimentam o oposto: uma certa melancolia ou vazio, conhecida como disforia pós-sexo. Estes estados emocionais parecem depender menos do acto físico e mais do significado que cada pessoa lhe atribui — ligação, validação, curiosidade ou solidão. As emoções estão intimamente ligadas aos significados que atribuímos às coisas. São as conversas mais profundas sobre as emoções que nos libertam dos limites artificiais que impedem a honestidade emocional plena. Só compreendendo estes processos — que traduzem contextos sociais e narrativas culturais em respostas fisiológicas e emocionais que o corpo transporta — poderemos compreender melhor o sexo, os seus prazeres e as suas dificuldades. E se tratarmos o sexo como uma conversa entre corpos e emoções — talvez consigamos ouvir-nos, e aos outros, com mais presença e empatia.
Timor-Leste | Ramos-Horta atribui Medalha de Mérito a 12 médicos chineses Hoje Macau - 15 Out 2025 O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, atribuiu ontem a medalha de mérito a 12 médicos chineses em reconhecimento pelo seu contributo para o sector da saúde no país. “A atribuição da Medalha de Mérito a estes 12 dedicados médicos simboliza a profunda gratidão do povo de Timor-Leste”, afirmou o chefe de Estado timorense, citado num comunicado divulgado à imprensa. Segundo José Ramos-Horta, o serviço daqueles profissionais “personifica o espírito de cooperação internacional e contribui para salvar inúmeras vidas”, reforçar as capacidades médicas dos timorenses, bem como reforçar os laços de amizade e solidariedade entre Timor-Leste e a China. A primeira brigada médica chinesa chegou a Timor-Leste em 2003 no âmbito de um acordo de cooperação assinado entre os dois países. Desde então, segundo a Presidência timorense, já passaram pelo país dezenas de brigadas médicas chinesas. A brigada que agora termina a sua missão esteve no país durante dois anos e serviu no Hospital Nacional Guido Valadares e em vários centros de saúde, tendo atendido 19.000 casos urgentes e consultas externas, efectuado 5.800 internamentos e realizado 1.300 cirurgias. A equipa de médicos chineses prestou também cuidados médicos gratuitos em áreas remotas do país, realizou formações em primeiros socorros e participou e apoio vários simpósios científicos nacionais e internacionais para partilha de conhecimentos. A nova equipa de médicos chineses chega hoje a Timor-Leste proveniente da província chinesa de Sichuan, acrescenta a Presidência timorense.
Comércio | Sancionadas cinco filiais da Hanwha nos EUA Hoje Macau - 15 Out 2025 As autoridades chinesas puniram as subsidiárias sul-coreanas em resposta à intervenção de Trump na indústria naval O Governo chinês anunciou ontem a proibição de transacções de empresas chinesas com cinco subsidiárias do construtor naval sul-coreano Hanwha Ocean, numa nova resposta à política do Presidente norte-americano, Donald Trump, de relançar a indústria naval nos Estados Unidos. Num comunicado divulgado ontem, o Ministério do Comércio chinês indicou ainda que vai investigar a decisão de Washington de abrir um inquérito ao domínio crescente da China na construção naval global, advertindo que poderá aplicar novas medidas de retaliação. As autoridades chinesas afirmaram que a investigação “coloca em risco a segurança nacional” da China e a sua indústria marítima, apontando o envolvimento da Hanwha no processo como um dos motivos para as sanções. A investigação norte-americana, ao abrigo da Secção 301 da lei de comércio dos EUA, foi lançada em Abril de 2024, tendo concluído que a posição dominante da China no sector prejudica as empresas norte-americanas. “Pequim acaba de transformar a construção naval numa arma”, afirmou Kun Cao, vice-presidente executivo da consultora Reddal, citado pela imprensa internacional. “É um sinal claro de que atingirá empresas de terceiros países que colaborem com os EUA no seu esforço para conter o domínio marítimo da China”, apontou. A ‘lista negra’ chinesa inclui as entidades Hanwha Shipping LLC, Hanwha Philly Shipyard Inc., Hanwha Ocean USA International LLC, Hanwha Shipping Holdings LLC e HS USA Holdings Corp. As ações da Hanwha Ocean registaram ontem uma queda superior a 8 por cento na bolsa sul-coreana. Em resposta, a empresa afirmou estar a “analisar a situação”. Mar agitado O anúncio surge num momento de escalada das tensões comerciais e marítimas entre as duas maiores economias do mundo. Ambos os países introduziram ontem novas taxas portuárias sobre os navios um do outro. As taxas chinesas abrangem embarcações detidas ou operadas por empresas ou indivíduos norte-americanos, com participação igual ou superior a 25 por cento, navios com bandeira dos EUA ou construídos nos EUA, replicando em grande medida os critérios definidos pelas autoridades norte-americanas. A trégua na guerra comercial parece assim ter-se desfeito após Trump ter ameaçado impor tarifas de 100 por cento sobre todas as importações oriundas da China, em protesto contra os recentes controlos chineses à exportação de terras raras. Pequim assegurou ontem que as duas partes mantêm contacto, tendo realizado na segunda-feira uma ronda de conversações a nível técnico. A aproximação entre Washington e Seul na construção naval tem-se intensificado como resposta ao domínio chinês – a China é actualmente o maior construtor naval do mundo. No final de 2024, a Hanwha adquiriu o estaleiro Philly Shipyard, na Pensilvânia, por 100 milhões de dólares, e anunciou em Agosto um plano de investimento de 5 mil milhões de dólares para ampliar as infraestruturas portuárias nos EUA. A empresa assinou também contratos com a Marinha dos EUA para serviços de manutenção e reparação de embarcações militares. Em Maio deste ano, a Hanwha revelou que iria sair de uma ‘jointventure’ que mantinha na China.
Apple | Lançado iPhone Air na China após aprovação do sistema eSIM Hoje Macau - 15 Out 2025 A Apple anunciou o lançamento do novo iPhone Air na China continental a 22 de Outubro, coincidindo com a entrada em vigor dos serviços eSIM das principais operadoras do país, avançou hoje a imprensa local. Com um preço inicial de 7.999 yuan, o iPhone Air será o primeiro modelo da marca na China que funciona exclusivamente com eSIM, uma tecnologia que substitui os cartões físicos por módulos digitais integrados no aparelho. O lançamento surge após China Mobile, China Unicom e China Telecom – os três principais operadores de telecomunicações chineses – terem recebido autorização do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação para iniciar o registo nacional de utilizadores com eSIM. O anúncio foi feito durante uma transmissão ao vivo na plataforma Douyin – a versão chinesa do TikTok – marcando a primeira aparição pública de Cook desde a inauguração da loja da Apple na plataforma Douyin Mall, em Agosto. Apresentado em Setembro, juntamente com a série iPhone 17, o iPhone Air é o modelo mais fino já lançado pela Apple, com ecrã de 6,5 polegadas, estrutura em titânio polido e uma câmara traseira única de 48 megapíxeis. O ‘design’ ultrafino e a ausência de ranhura para cartão SIM físico levaram ao adiamento do lançamento do dispositivo na China, enquanto a Apple aguardava a autorização oficial para operar com eSIM, aprovada este mês. O novo modelo inclui ainda uma câmara frontal de 18 megapíxeis com sensor quadrado, capaz de alternar automaticamente entre orientações vertical e horizontal, e funcionalidades de vídeo duplo que permitem gravar com as câmaras frontal e traseira em simultâneo. A China, terceiro maior mercado mundial da Apple, é também um pilar fundamental na cadeia global de fornecimento da empresa. O lançamento do iPhone Air coincide com um novo impulso no sector na China e ocorre num contexto de tensões comerciais crescentes entre Pequim e Washington.
Exportações de carros eléctricos duplicam em Setembro Hoje Macau - 15 Out 2025 As exportações chinesas de veículos eléctricos duplicaram em Setembro, em termos homólogos, à medida que os fabricantes do país alargam a sua presença nos mercados internacionais, anunciou ontem a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM). Segundo a organização sectorial, as exportações de veículos de “nova energia” – que incluem automóveis eléctricos a bateria e híbridos – aumentaram 100 por cento, para 222.000 unidades, ligeiramente abaixo das 224.000 registadas em Agosto. As vendas domésticas de automóveis de passageiros subiram em setembro 11,2 por cento em termos homólogos, abrandando face à subida de 15 por cento verificada no mês anterior. A pressão sobre as margens de lucro devido à sobrecapacidade industrial e às guerras de preços tem levado os fabricantes chineses a apostar cada vez mais nos mercados externos, como a Europa e o sudeste asiático. Em 2024, pela primeira vez desde 2014, investiram mais no estrangeiro do que no mercado interno, segundo o grupo de consultadoria norte-americano Rhodium. A BYD, o maior produtor de veículos eléctricos da China, revelou este mês que o Reino Unido se tornou o seu maior mercado fora da China, com um crescimento de 880 por cento nas vendas em setembro, face ao mesmo mês do ano anterior. Face às tarifas impostas pela União Europeia, Estados Unidos e Canadá sobre veículos eléctricos chineses, os fabricantes têm vindo a direccionar investimentos para o Médio Oriente e África. Pé no travão Na China, os construtores têm tentado travar as guerras de preços que eclodiram devido à intensa concorrência. As vendas internas da BYD caíram 5,5 por cento em Setembro, face a igual período de 2024, o primeiro recuo mensal desde Fevereiro do ano passado, embora alguns concorrentes continuem a registar aumentos expressivos. Setembro é tradicionalmente um mês de pico para o sector automóvel chinês, apelidado de “Setembro Dourado”, marcado pelo lançamento de novos modelos e campanhas de vendas. Incentivos como subsídios à substituição de veículos antigos por automóveis de nova energia têm impulsionado a procura, apesar de algumas autoridades locais terem suspendido esses apoios nos últimos meses.
Tarifas | Pequim ameaça “lutar até ao fim” se EUA mantiverem taxas Hoje Macau - 15 Out 2025 A guerra das tarifas ameaça prolongar-se após o anúncio chinês de restrições às terras raras e a resposta norte-americana com ameaças de impor novas taxas de 100 por cento A China advertiu ontem os Estados Unidos de que está disposta a “lutar até ao fim” se Washington insistir na imposição de novas tarifas e restrições comerciais, embora tenha reiterado a abertura ao diálogo. “Se quiserem lutar, lutaremos até ao fim; se quiserem falar, a porta está aberta”, declarou o Ministério do Comércio chinês, em comunicado, em resposta ao anúncio da Casa Branca de aplicação de tarifas adicionais de 100 por cento sobre produtos chineses e outras medidas restritivas. Pequim defendeu que as recentes limitações impostas à exportação de terras raras e produtos associados são “acções legítimas” ao abrigo da legislação nacional e sublinhou que não se tratam de uma proibição total, já que os pedidos que cumpram os requisitos “continuarão a ser aprovados como antes”. Segundo o ministério, a China notificou previamente os Estados Unidos sobre essas medidas através do mecanismo bilateral de diálogo sobre controlo de exportações. As autoridades chinesas acusam Washington de “abusar do conceito de segurança nacional” e de ter introduzido “uma série de restrições discriminatórias” desde a última ronda de negociações comerciais, realizada em Setembro, em Madrid. O porta-voz instou os Estados Unidos a “corrigirem os seus erros”, demonstrarem “sinceridade genuína” e a trabalharem “na mesma direcção” que a China para retomar o caminho do diálogo económico. Ainda assim, Pequim recordou que “ambos os países partilham amplos interesses comuns e um grande espaço de cooperação” e que o confronto “prejudica ambas as partes”. Em contacto O comunicado indica que os dois países mantêm contactos no âmbito do mecanismo de consultas económicas e comerciais e que realizaram inclusive uma “reunião técnica” na segunda-feira. No entanto, criticou o facto de os EUA tentarem dialogar “enquanto ameaçam com novas sanções”, considerando que “não é a forma adequada de lidar com a China”. A troca de declarações surge num momento de renovadas tensões comerciais, depois de a China ter anunciado, na semana passada, novas restrições à exportação de terras raras e de Washington ter respondido com a ameaça de duplicar as tarifas sobre produtos chineses. Na sexta-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou já não ver motivos para se reunir com o homólogo chinês, Xi Jinping, na cimeira da APEC prevista para o final do mês na Coreia do Sul, embora ambos os países garantam que o contacto diplomático “se mantém aberto”.
Filosofia e História: Interpretando a “Era Xi Jinping” Hoje Macau - 15 Out 2025 Por Jiang Shigong Jiang Shigong (强世功, nascido em 1967) é professor da Universidade de Pequim e um dos quadros mais importantes do Partido Comunista Chinês (PCC) na área da filosofia, uma figura central no pensamento que defende um caminho de desenvolvimento distinto para a China, baseado nas suas próprias tradições e realidades, em contraponto com os modelos ocidentais. Uma leitura importante para compreender o modo como a filosofia clássica é integrada na via actualmente percorrida pela liderança chinesa e onde igualmente se referem as diferenças entre o “Ocidente metafísico” e a “China histórica”. (continuação do número anterior) Ainda mais importante é o facto de que a política geracional pode ser facilmente mal interpretada, pois pode dar a impressão de que a autoridade política de cada geração de liderança é transmitida ou herdada da geração anterior. Na verdade, no caso do PCC, a autoridade política de cada geração de liderança política vem da sua crença no marxismo e do poder que lhes é conferido pelo povo de toda a nação. É uma legitimidade fundamentada numa missão histórica e no apoio do povo. Se confundirmos a fonte da legitimidade, isso sem dúvida diminuirá os nossos ideais e convicções comunistas e a confiança política de que esses ideais e convicções representam os interesses do povo e do Estado. Isso enfraqueceria a autoridade política do Partido num nível básico. Por esta razão, o relatório apresentado no 19.º Congresso do Partido já não utiliza o tempo natural da política geracional para construir a história do PCC, mas aborda a questão da perspetiva da missão histórica e abre um novo espaço político com base num período político especialmente determinado, dividindo a história do PCC em três fases: «levantar-se», «enriquecimento» e «fortalecimento», e, com base nisso, resume as grandes contribuições feitas pelo Partido ao liderar toda a nação e seu povo em cada etapa. Na verdade, esse estilo de narrar o tempo político é um estilo de narração histórica usado por muitos congressos do Partido em seus relatórios. Por exemplo, o relatório do Décimo Quinto Congresso do Partido (1997) utilizou três períodos históricos — a Revolução Republicana, a fundação da Nova China e o período da Reforma e Abertura — para posicionar a Teoria de Deng Xiaoping, esclarecendo assim que Deng Xiaoping, tal como Sun Yat-sen e Mao Zedong, foi um fundador da República. Por esta razão, o relatório do 19.º Congresso do Partido não emprega diretamente o estilo narrativo histórico do relatório ao 18.º Congresso do Partido, optando por um estilo narrativo que combina clássicos e história, ou que usa a história para explicar os clássicos, usando três exemplos de «consciência profunda» para periodizar a história do PCC. A primeira fase dessa periodização foi de 1921, quando o PCC foi fundado, até 1949, quando a Nova China foi estabelecida e o PCC completou a missão de construção da nação da revolução democrática, «realizando o grande salto de milhares de anos de política autocrática feudal para a democracia popular». O segundo período foi de 1949 e a fundação da Nova China até 1978 e a política de Reforma e Abertura, na qual um PCC unificado liderou o povo para realizar a transformação de «levantar-se» para «enriquecer», ou, em outras palavras, “estabelecer um sistema social avançado correspondente às condições do nosso país, completando a mudança social mais ampla e profunda da história do povo chinês, fornecendo as pré-condições políticas básicas e a base institucional para todos os desenvolvimentos e progressos na China contemporânea e realizando um grande salto em que o povo chinês, que havia estado continuamente atrasado na história moderna, mudou o seu destino e avançou firmemente em direção à prosperidade, riqueza e poder”. A terceira fase foi de 1978 e a política de Reforma e Abertura, até a abertura do 19º Congresso do Partido, quando o nosso Partido “seguiu a maré dos tempos, respondeu aos desejos do povo e teve a coragem de reformar e abrir-se; e essa consciência criou uma força poderosa para avançar a causa do Partido e do povo. O nosso Partido embarcou no caminho do Socialismo com Características Chinesas. Assim, a China conseguiu avançar para acompanhar os tempos.» Isto concretizou a transformação histórica de «enriquecer» para «tornar-se poderoso». Foi precisamente a necessidade interna dessa lógica política que impulsionou a história do PCC para este quarto período. O relatório ao 19.º Congresso do Partido proclama claramente que o socialismo com características chinesas entrou numa nova era, que se estenderá desde a data do 19.º Congresso do Partido até ao centenário da China, período durante o qual será realizada a modernização do socialismo e o grande renascimento da nação chinesa. Para realizar este grande objetivo estratégico, o relatório ao 19.º Congresso do Partido desenvolve sistematicamente o Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era e realiza um planeamento abrangente e sistemático sobre a missão geral da nova era, a sua estratégia de desenvolvimento, as principais contradições sociais, as fases gerais e estratégicas de desenvolvimento e os requisitos concretos de trabalho. O planeamento contém conceitos filosóficos, bem como princípios políticos, objectivos da missão e etapas gerais, pontos estratégicos de ênfase e planos sistemáticos, objetivos de desenvolvimento a longo prazo e implementações de trabalho quinquenais. Tudo isto constitui uma estratégia global para a construção do Socialismo com Características Chinesas na nova era. É o Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era e o plano de governação nacional construído com base nessa ideologia que impulsionarão o socialismo com características chinesas para um novo período histórico, abrindo assim um novo espaço político. A construção do tempo político: compreender correctamente o posicionamento de um líder na História O relatório ao 19.º Congresso do Partido apresenta o Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era e discute sistematicamente a estratégia para governar o país e organizar a política na nova era. Com base nisso, a China entra no que os estudiosos entendem como a era Xi Jinping. O pensamento, a estratégia e a era constituem juntos uma trindade, mas o elemento central é o pensamento. Pode-se dizer que é o Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era que dá origem à estratégia que leva à realização da modernização do socialismo e ao grande renascimento da nação chinesa, e é precisamente essa estratégia de governação, na sua implementação concreta na história, que impulsionou o socialismo com características chinesas para a nova era. Por esta razão, a era Xi Jinping não surge automaticamente como parte do tempo natural, mas é criada pela luta diligente de todo o Partido, de todo o país e de todo o povo, sob a liderança do centro do Partido, com o camarada Xi Jinping no seu núcleo. Quando olhamos para trás, para o período relativamente longo antes do relatório ao 18.º Congresso do Partido, vemos que havia forças políticas, dentro e fora do Partido, que esperavam opor a era Deng Xiaoping à era Mao Zedong, que esperavam usar a linha de Reforma e Abertura criada por Deng Xiaoping para negar o sistema socialista estabelecido durante a era Mao Zedong, e que defendiam a realização de reformas subversivas do sistema político após as reformas económicas, chegando mesmo a proclamar que, se tais «reformas do sistema político» não fossem realizadas, as reformas económicas poderiam muito bem ser revertidas e os resultados das reformas económicas não poderiam ser garantidos. Os objectivos das suas chamadas «reformas do sistema político», escusado será dizer, eram enfraquecer gradualmente e, eventualmente, eliminar a liderança do Partido com base na separação entre o Partido e o governo e instaurar um sistema democrático ocidental. Diante desse contexto, e diante do desenvolvimento desigual e das crescentes disparidades de riqueza que surgiram no processo de Reforma e Abertura, e especialmente da aparência de que as forças capitalistas estavam monopolizando arbitrariamente a riqueza do povo, as pessoas comuns começaram a sentir nostalgia da era Mao Zedong, o que levou algumas pessoas a reverter a situação e tentar usar a era Mao Zedong para negar a era Deng Xiaoping e a política de reforma e abertura. Nas palavras do relatório ao 19.º Congresso do Partido, a China enfrentava na altura uma dupla crise: uma era repetir os erros de seguir o «caminho heterodoxo de mudar bandeiras» 改旗易帜的邪路 que levou ao colapso da União Soviética, e a outra era regressar ao «velho caminho da estagnação feudal» 封闭僵化的老路 do período anterior à Reforma e Abertura. Num momento de crise histórica, Xi Jinping assumiu o cargo de Secretário-Geral do PCC e adoptou uma série de medidas eficazes, especialmente as de governar o Partido com severidade e reprimir totalmente a corrupção, o que pode ser considerado como tendo virado a maré. Na avaliação de muitos, essa reacção num momento de crise salvou o Partido e o Estado e salvou o Socialismo com Características Chinesas. A avaliação destes cinco anos no relatório ao 19.º Congresso do Partido é que foram «cinco anos extraordinários» 不平凡的五年, cinco anos que contiveram «uma mudança histórica»: «Resolvemos muitos problemas difíceis que estavam há muito na agenda, mas nunca foram resolvidos, e realizámos muitas coisas que eram desejadas, mas nunca foram feitas. Com isso, provocámos mudanças históricas na causa do Partido e do país.» Foi a natureza histórica das conquistas desses cinco anos que estabeleceu as bases para a posição de autoridade de liderança que Xi Jinping alcançou como líder central. Em termos da teoria weberiana, a posição do Secretário-Geral Xi Jinping como núcleo do centro do Partido, núcleo de todo o Partido, a sua posição de autoridade como líder, surge não apenas da «autoridade legal» obtida em virtude das suas posições legalmente definidas como Secretário do Partido, Presidente Nacional, Presidente do Comité Militar Central e nem mesmo da «autoridade tradicional» nascida da tradição histórica do Partido. Mais importante é o facto de Xi Jinping, num momento particular da história, ter assumido corajosamente a responsabilidade política da missão histórica e, diante de uma era de transformação histórica de todo o mundo, ter demonstrado a capacidade de construir a grande teoria que facilita o caminho de desenvolvimento da China, bem como a capacidade de controlar eventos domésticos e internacionais complicados, consolidando assim os corações e mentes de todo o Partido e do povo de todo o país, tornando-se assim o líder central elogiado por todo o Partido, todo o exército e todo o país, possuindo um «poder carismático» especial. Após o 18.º Congresso do Partido, Xi Jinping observou claramente que os trinta anos antes da Reforma e Abertura e os trinta anos após a Reforma e Abertura não podiam ser vistos como mutuamente contraditórios. Além disso, tanto as crenças políticas do Partido como o princípio político de que «o Partido lidera tudo» ditam que os dois períodos de trinta anos estejam ligados, como foi feito no relatório do Partido ao 19.º Congresso do Partido, que apresenta a história do Partido e a história da RPC como uma história integrada e contínua de desenvolvimento. No processo deste desenvolvimento histórico, a liderança desempenhou, sem dúvida, um papel importante no avanço da história. No período inicial da Reforma e Abertura, algumas pessoas queriam repudiar completamente Mao Zedong, mas Deng Xiaoping opôs-se resolutamente a essas propostas, apontando claramente que «se não fosse o camarada Mao Zedong, no mínimo, o povo chinês teria tacteado no escuro por um período muito mais longo». E foi sob a orientação de Deng Xiaoping que o centro do Partido chegou a uma avaliação objectiva das contribuições e falhas de Mao Zedong. Da mesma forma, na ausência da Reforma e Abertura e da reconstrução moderna impulsionada por Deng Xiaoping, a China não poderia ter crescido tão rapidamente, realizando o salto histórico de «levantar-se» para «enriquecer». Por esta razão, a era Xi Jinping não ocorreu naturalmente, mas foi criada por líderes que lideraram o povo. Os líderes dependem dos partidos políticos e os partidos políticos estão enraizados no povo; os líderes, os partidos políticos e as massas interagem de forma saudável. Este é um aspecto importante da organização marxista-leninista e o resultado da experiência da história chinesa. Mas, no passado recente, a construção do Estado de direito na China caiu gradualmente na zona errada dos conceitos ocidentais no processo de estudo do Estado de direito ocidental e, conscientemente ou não, as noções de «Estado de direito» 法治 e «governo do homem» 人治 passaram a ser vistas como antagónicas. Fetichizámos excessivamente o dogma jurídico e as reformas institucionais e passámos a entender o Estado de direito de forma simplista como uma máquina na qual as regras funcionavam automaticamente, ignorando o facto de que, se quisermos usar «boas leis» para realizar uma «boa governação», precisamos de uma boa cultura social e valores morais para apoiar sistematicamente o funcionamento eficaz das regulamentações e instituições jurídicas. O Estado de direito e o Estado de direito humano não são completamente opostos, mas complementares. Uma sociedade governada pelo Estado de direito não pode ignorar a necessidade de proporcionar às pessoas ideais, crenças e educação moral. Não pode ignorar o papel positivo desempenhado pelos valores morais e por um clima social saudável na governação, nem pode ignorar a função histórica fundamental dos líderes e grandes personalidades, dos partidos políticos e das massas. Nos anais da história da humanidade, o que sempre desempenhou um papel determinante no desenrolar da história foram as pessoas, porque a própria história da humanidade foi criada pelas pessoas, e boas instituições requerem pessoas para as administrar. Uma razão importante pela qual os pensadores ocidentais estão continuamente a examinar as falhas do sistema democrático ocidental é que essas instituições democráticas estão a corromper a natureza humana. Isto é especialmente verdadeiro em eleições competitivas controladas pelo dinheiro e pelos meios de comunicação social, que reduziram a «democracia» a meras «eleições». Este tipo de sistema terá dificuldade em produzir políticos que possam representar genuinamente o povo. Em vez disso, produzirá facilmente lobistas glorificados à disposição de vários grupos de interesse. Foi com base nas conclusões sobre a história e a experiência da humanidade que, desde o 18.º Congresso do Partido, o centro do Partido realizou correcções aos planos em curso desde a política de reforma e abertura no que diz respeito à construção do Estado de direito. Essa correcção uniu a liderança do Partido com todo o processo de construção de um Estado de direito socialista, não apenas apontando que “governar o país através da moralidade” e “governar o país através da lei” são princípios de governação que se apoiam mutuamente, mas também trazendo as regras e a disciplina do Partido, que estão sob o controle da constituição do Partido, para o sistema de governação do socialismo com características chinesas, estabelecendo firmemente as bases legais para o Partido liderar o povo no governo do país. (continua)
Influencers | “CreatorWeek Macao 2025” arranca na próxima semana Hoje Macau - 15 Out 2025 Chama-se “CreatorWeek Macao 2025” e será uma semana dedicada a explorar o universo dos influencers digitais e da sua ligação ao território. Sob o tema “Macau – cidade jovem, internacional e inovadora”, há todo um programa de actividades a acontecer entre os dias 24 e 28 de Outubro com 250 grupos de pessoas ligadas à criação de conteúdos digitais É já na próxima semana que Macau acolhe, pela primeira vez, um evento inteiramente dedicado aos influencers digitais, que recorrem às redes sociais para criar conteúdo, muitas vezes patrocinado. A “CreatorWeek Macao 2025” acontece de 24 a 28 de Outubro e é promovida pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST) e a empresa Branded. Segundo um comunicado da DST, pretende-se, durante os cinco dias, reunir no território “criadores de conteúdos internacionais e da Grande China”, bem como “líderes das redes sociais e celebridades”. Com este evento pretende-se “elevar a imagem de Macau como uma cidade turística célebre na Internet”, a fim de “reforçar a expansão do mercado de visitantes de camadas mais jovens e impulsionar o desenvolvimento da economia de turismo”. Helena de Senna Fernandes, directora da DST, disse que com a “CreatorWeek Macao 2025” se pode “mostrar, a nível internacional, a diversidade e singularidade da atracção de Macau”. Pretende-se que esta semana dos influencers sirva de “plataforma para criadores internacionais conhecerem o mercado da China e impulsionar o diálogo entre os dois lados”, reunindo-se cerca de 250 grupos convidados internacionais e da Grande China, incluindo 180 equipas de criação de conteúdos, 50 oradores e 20 unidades de actuação. A organização considera esta iniciativa “um dos maiores eventos actuais na Ásia para criativos de conteúdos”. No total, haverá seis actividades temáticas que visam “impulsionar o intercâmbio aprofundado entre as indústrias criativas chinesas e ocidentais, reforçar o papel de Macau como uma plataforma de abertura ao exterior de alta qualidade e criar experiências imersivas por toda a cidade”. Música e diversão Nos dias 27 e 28 de Outubro, decorrem as conferências no Grand Lisboa Palace, entre as 9h e as 18h, com “criadores locais de conteúdo e 50 líderes internacionais das redes sociais”, como é o caso de responsáveis do YouTube para a Grande China, entre outros. Estes dois dias de conferências centram-se “na fusão das culturas chinesa e ocidental e tendências das plataformas de comunicação, panorama e futuro da economia criativa”. Espera-se ainda, nesta semana dos influencers, actuações ao vivo com 20 bandas e músicos locais e internacionais. A parte musical acontece entre os dias 25 e 26 de Outubro, das 16h às 22h, no Broadway Food Street, no Galaxy Macau. Contam-se artistas como Lola Amour, Oliver Cronin, Mikey Bustos AKA Antscanada e os SCAMPER. O evento promove ainda encontros de seguidores de plataformas com 40 criadores de conteúdo, nomeadamente o artista de dança freestyle Merrick Hanna, o especialista em vídeos curtos Austin Sprinz ou o actor da Netflix Ian Boggs, que irão interagir de perto, tirar fotografias e partilhar histórias de bastidores com os fãs. Nesta semana, há ainda espaço para actividades de bem-estar e workshops de saúde com criadores de conteúdo, realizando-se quatro sessões de yoga, dança, fitness e meditação. A primeira edição da “Creator Week” foi realizada em Singapura no ano passado.
Prostituição | Acção de cooperação policial detém 18 pessoas Hoje Macau - 15 Out 2025 Uma acção policial conjunta entre Macau, Hong Kong e Guangdong levou ao desmantelamento de um grupo de controlo de prostitutas, tendo sido detidas 18 pessoas. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, oito das pessoas detidas são residentes de Macau. Foram interceptados, nesta operação conjunta, 58 prostitutas e 44 clientes. O caso remonta a Maio, quando a Polícia Judiciária (PJ) iniciou a investigação, percebendo que havia várias prostitutas a procurar clientes através do mesmo website com alegadas ligações a um grupo criminoso com membros da província de Guangdong, Macau e Hong Kong. Esta segunda-feira, teve início a operação policial conjunta, com detenções de suspeitos em várias cidades da China e nas duas regiões administrativas especiais. A PJ acredita que este grupo terá iniciado o negócio das prostitutas através do website em Janeiro deste ano, tendo sido feita publicidade a mais de 2500 prostitutas, que trouxeram um lucro de 750 mil renminbis. A PJ descreveu ainda que cada prostituta tinha de pagar ao grupo 300 renminbis para ter publicidade e, assim, atrair clientes.
JP Morgan | Semana Dourada com resultados abaixo do esperado João Santos Filipe - 15 Out 2025 A passagem de dois tufões, a proximidade do Festival do Bolo Lunar e o Grande Prémio de Fórmula 1 em Singapura são indicados como os factores que afectaram negativamente a indústria do jogo As receitas do jogo ficaram aquém do esperado durante a Semana Dourada e até Novembro a situação não deve melhorar. O cenário foi traçado pelo banco de investimento JP Morgan, no relatório mais recente assinado pelos analistas DS Kim, Selina Li e Lindsey Qian. De acordo com o conteúdo, divulgado pela Macau News Agency, as receitas no início de Outubro não “foram assim tão douradas”, com uma redução de cinco por cento em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo os analistas, para a diminuição das receitas contribuíram os impactos do tufão Ragasa, que obrigou ao encerramento dos casinos durante algumas horas, e também do tufão Matmo, que apesar de não ter encerrado os locais de jogo levou a que os transportes fossem seriamente afectados. E também o facto de o Festival Lunar ter sido celebrado perto da Semana Dourada. Enquanto data de encontros familiares, o festival poderá ter contribuído para que os jogadores ficassem menos tempo nas mesas dos casinos. No entanto, Macau também terá sofrido com a competição regional e a organização do Grande Prémio de Fórmula 1 em Singapura. Os analistas acreditam que o evento ocorrido entre 3 e 5 de Outubro contribuiu para afastar do território alguns dos maiores apostadores. Face a estes fenómenos, a JP Morgan fez uma revisão das estimativas das receitas do jogo em baixo, apontando para um crescimento anual em Outubro de 3 a 6 por cento. A estimativa anterior apostava para um crescimento de 11 a 13 por cento, no que se esperava que fosse a melhor Semana Dourada desde os tempos da pandemia. Sinal positivo Apesar de reduzirem as estimativas, os analistas deixaram um sinal de confiança aos analistas no mercado do jogo de Macau: “Não estamos a atirar a toalha ao chão. Vemos estes factores como lombas no caminho e não como bloqueios, pelo que apesar de reduzirmos as nossas estimativas acreditamos no valor do mercado”, foi apontado. Face a este contexto, os analistas acreditam que a valorização das acções dos casinos deverá apresentar fortes variações nas próximas semanas, até a indústria voltar a apresentar um crescimento de pelo menos 10 por cento. A JP Morgan acredita que esse crescimento deve acontecer a partir de Dezembro e durante o primeiro trimestre do próximo ano. Em Setembro, o sector do jogo arrecadou 18,3 mil milhões de patacas, mais 6 por cento face a Setembro do ano passado. Em termos de receita bruta acumulada, os primeiros nove meses de 2025 registaram um aumento de 7,1 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo 181,3 mil milhões de patacas. Macau fechou 2024 com receitas totais de 226,8 mil milhões de patacas, mais 23,9 por cento do que no ano anterior.
Zona A | Admitidas 24 propostas para melhoria de diques Hoje Macau - 15 Out 2025 O Governo admitiu a totalidade das propostas, 24, submetidas ao concurso público para a “Empreitada de Melhoramento de Diques na Nova Zona A – Fase II”. A abertura das propostas decorreu no passado dia 9, embora só ontem foi divulgada. Os preços propostos de construção variaram entre mais de 91 milhões e mais de 113 milhões de patacas, com os prazos gerais de construção a variar entre os 285 e 286 dias de trabalho. A obra em causa visa elevar a altura dos diques da Zona A dos Novos Aterros “conforme o padrão de prevenção de inundações com um período de retorno de 200 anos”. Esta alteração deve-se “ao desenvolvimento urbano de Macau e o surgimento de fenómenos meteorológicos extremos”, tornando-se necessárias estas alterações de acordo com as exigências previstas no “Plano decenal de prevenção e redução de desastres em Macau (2019-2028)”. A primeira fase da obra, referente ao melhoramento do dique leste-1, e com cerca de 1100 metros de comprimento, já foi concluída em 2024. A segunda fase da obra, que inclui os diques leste-2, sul-1 e sul-2, com o comprimento global de cerca de 1550 metros, deverá ter o prazo de execução aproximado de 300 dias de trabalho.
Coimbra | Vice-reitor aponta China como factor de “certeza” João Santos Filipe - 15 Out 2025 João Nuno Calvão da Silva afirma que a China é uma força da paz no mundo e que contribui como um factor “de certeza” na ordem internacional, numa altura em que existem “tantos factores de incerteza”, alguns dos quais provenientes do mundo ocidental O vice-reitor da Universidade de Coimbra (UC), João Nuno Calvão da Silva, considerou que a República Popular da China tem conferido “uma componente de certeza” no mundo actual, em contraste com os factores de incerteza que tem surgido “no mundo ocidental”. As declarações do vice-reitor para as Relações Externas e Alumni da UC foram prestadas à margem da cerimónia de abertura de uma conferência conjunta entre a Universidade de Macau (UM) e a UC. Quando questionado sobre a crescente utilização do direito em áreas como o patriotismo, a segurança nacional e a convivência com o Estado de Direito, dadas a recente detenção de um ex-deputado e as exclusões cada vez mais frequentes de eleições, João Nuno Calvão da Silva destacou o papel assumido pela China no mundo actual. “Na ordem internacional em que vivemos temos tantos factores de incerteza, mesmo de onde nós menos esperávamos, no mundo ocidental, por exemplo, que apraz-me registar essa componente de certeza que a República Popular da China vem conferido ao mundo”, afirmou o dirigente da UC, de acordo com o Canal Macau. “Também devemos salientar o cumprimento que tem feito com que seja possível à comunidade portuguesa continuar aqui, aos jornalistas fazerem as perguntas que entendem ao vice-reitor da Universidade de Coimbra, neste momento, e isso também tem a ver com o cumprimento desta matriz de um direito que foi esculpido por grandes juristas portugueses sobretudo da Universidade de Coimbra”, acrescentou. Além 2049 De acordo com a Lusa, o académico “recusou-se a comentar questões políticas específicas”, mas destacou um grau de compreensão promovido pela China. “Como em tudo no mundo, a perfeição não existe. Mas é este grau de compreensão e este factor de certeza que a mim apraz registar e que continua a ser muito importante e para a aproximação das relações”, apontou. “Não apenas entre Portugal e a China, mas de todo o mundo de língua portuguesa e da República Popular da China, como factor inestimável de conteúdo para a paz na humanidade”, sublinhou. João Nuno Calvão da Silva manifestou também a esperança de que Macau mantenha o legado jurídico português após os 50 anos de validade da Lei Básica e da Declaração Luso-Chinesa. “Depois de 2049, se [Macau] sai desse tratado internacional, deste período de transição, obviamente nós esperamos que este trabalho que foi sendo feito, as pessoas que vão sendo criadas, este capital humano, fique aqui com uma cultura jurídica em que este ADN de Portugal e de Coimbra se vá manter”, afirmou Calvão da Silva. O vice-reitor para as Relações Externas e Alumni da UC explicou que actualmente existe um direito que “está a ser cumprido”, uma “Lei Básica” e um “conjunto de diplomas com uma matriz muito específica do direito português”. “Em processo penal, (…) estamos a ter um cumprimento desse ordenamento jurídico, sabemos que até 2049 assim será, é assim que tem sido desde 1999”, considerou.
Deputado Lei Chan U elogia novo diploma sobre reforma administrativa Andreia Sofia Silva - 15 Out 2025 Foi publicado esta segunda-feira um novo diploma na área da reforma administrativa, intitulado “Regime geral da criação e da estrutura orgânica dos serviços e entidades públicas”. Desta forma, foi feita a revisão de dois decretos-lei que vigoravam no território desde os anos 80. Lei Chan U, recentemente reeleito deputado à Assembleia Legislativa (AL), emitiu um comunicado onde defende que esta alteração legislativa constitui “um marco importante na reforma da Administração pública, contribuindo para resolver problemas persistentes”, nomeadamente a “constante reorganização dos serviços, a estrutura excessivamente pesada e a falta de clareza nas responsabilidades” dos dirigentes. O responsável declarou também que esta reformulação irá melhorar “a eficácia governativa e promover a criação de um Governo eficiente e orientado para o serviço dos cidadãos”. No mesmo comunicado, o deputado lembrou o facto de os últimos Governos terem “procurado promover a reforma da Administração pública” embora problemas como estruturas pesadas, “a sobreposição de funções e a indefinição de competências nunca tenham sido efectivamente resolvidos”. Luz ao fundo do túnel Desta forma, Lei Chan U entende que este novo regulamento administrativo vem definir “critérios claros para a criação de novos serviços públicos, estipulando que só será permitido criar novos departamentos quando surgirem novas funções que não possam ser exercidas com o ajustamento das estruturas existentes”. É ainda referido que o “número de serviços públicos será reduzido de mais de 70 para 47, alcançando-se uma verdadeira ‘limpeza’ da máquina administrativa”, declarou. Outra regra definida no regulamento administrativo, passa pela proibição, por parte dos serviços públicos, de “criar novas subunidades com nível de sector e de secção”. Lei Chan U disse esperar que “o Governo continue a reforçar a coordenação e o planeamento” da máquina administrativa, através da promoção “da revisão de estruturas e funções dos serviços públicos de forma gradual, ordenada e baseada no princípio da objectividade”, a fim de se construir “um Governo eficiente, capaz e orientado para o serviço público”.
Diplomacia | Liu Xianfa pediu fim de “ataques” dos EUA à RAEM João Santos Filipe - 15 Out 2025 O Comissário do MNE em Macau mostrou a sua insatisfação à cônsul-geral dos Estados Unidos em Hong Kong e Macau, Julie Eadeh, com os “chamados relatórios anuais” publicados pelos Estados Unidos sobre a RAEM que afirmou conterem “ataques e difamações” O Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Macau, Liu Xianfa, apelou à cônsul-geral dos Estados Unidos em Hong Kong e Macau, Julie Eadeh, para acabar com “os ataques e difamações” contra Macau nos relatórios anuais. O pedido aconteceu durante uma chamada telefónica feita por Julie Eadeh a Liu Xianfa, a 10 de Outubro, de acordo com uma publicação na rede social Facebook, na página do Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros na RAEM. Em Agosto, Julie Eadeh foi escolhida pelos Estados Unidos como a nova cônsul-geral em Hong Kong e Macau, sucedendo a Greg May. Como parte das novas funções, e dado que a área de acção também inclui Macau, a representante americana fez uma “chamada telefónica de cortesia” a Liu Xianfa. Durante o telefonema, o comissário disse a Eadeh que espera que os Estados Unidos assumam um papel construtivo no desenvolvimento de Macau e que acabem os “os ataques e difamações”. “O Comissário Liu apelou à parte norte-americana a acabar com os ataques e difamações contra Macau nos chamados relatórios anuais, a não comprometer a segurança e a estabilidade de Macau e a não impedir a prosperidade e o desenvolvimento de Macau”, consta no comunicado. Em causa, estão os relatórios publicados anualmente pelo Departamento de Estado sobre direitos humanos, liberdade religiosa ou tráfico humano. Liu Xianfa também terá indicado a Julie Eadeh a esperança de que ela “aja de forma a promover o intercâmbio e a cooperação entre Macau e os EUA” e que “desempenhe um papel construtivo no desenvolvimento estável, sólido e sustentável das relações entre a China e os EUA”. Salvaguardar cooperação De acordo com a versão do Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Macau, durante a chamada telefónica, Julie Eadeh destacou que “o envolvimento e a cooperação com Macau no comércio, investimento e intercâmbio entre os povos são importantes para os EUA” e que ela vai desempenhar um “papel activo” para concretizar esse intercâmbio. Julie Eadeh é licenciada em Ciências, pela Universidade do Leste do Michigan e tem um mestrado em Estudos Árabes Contemporâneos pela Universidade de Georgetown. Fez parte do Departamento de Estado dos EUA, até ingressar nos Serviços Consulares americanos em 2004. Ao longo da carreira teve passagens por embaixadas no Médio Oriente, em países como a Arábia Saudita, Líbano ou Iraque. Em 2010, tornou-se cônsul-geral dos EUA em Xangai, lugar que ocupou até 2012. Também desempenhou funções de chefe da secção política do Consulado dos EUA em Hong Kong, que agora vai liderar.
Turismo | Chan Pou Sam sugere feira nocturna para mais pernoitas Hoje Macau - 15 Out 2025 Chan Pou Sam, presidente permanente honorário da Associação de Promoção de Vida Social e Bem-Estar da População de Macau, defendeu a realização no território de uma feira nocturna, em formato permanente, para atrair o maior número de turistas e, assim, aumentar o número de pernoitas. Segundo o jornal Exmoo, a ausência de uma feira nocturna é uma das razões pelas quais os turistas optam por não pernoitar mais tempo em Macau. O ex-membro do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais do Instituto para os Assuntos Municipais justificou que o Governo tem um saldo orçamental sustentável para este tipo de projectos, tendo em conta que o montante disponível na Reserva Financeira ultrapassou já as 630 mil milhões de patacas, enquanto que as receitas do jogo também aumentaram em termos anuais. Além disso, Chan Pou Sam recordou que o Governo já recuperou 93 terrenos sem ocupação, com uma área total de 720 mil metros quadrados, pelo que há espaço para realizar uma feira nocturna, enquanto o corredor e paisagens à beira-rio são também espaços que podem ser utilizados, defendeu. Há, porém, um alerta deixado por Chan Pou Sam, que entende que esta feira deve ser feita fora das zonas residenciais para não incomodar a população. O ex-conselheiro do IAM destacou que deve haver uma preparação prévia para os pedidos de licença de comerciantes, questões de protecção ambiental e higiene urbana, segurança contra incêndios ou controlo de ruído, entre outras questões.
Trabalho | Nick Lei pede defesa de trabalhadores do jogo Hoje Macau - 15 Out 2025 Com vários casinos-satélites a encerrar até ao final do ano, o deputado Nick Lei apelou ao Governo para garantir que os direitos dos trabalhadores destes espaços são respeitados. O pedido foi deixado através de um comunicado, depois de o deputado ter revelado ter queixas de alguns trabalhadores. Num comunicado, o deputado citou uma queixa de um alto funcionário de um casino-satélite, que apesar de ter desempenhado funções de topo e ser responsável por todos os assuntos deste espaço apenas recebia um salário do nível de gerente. Agora, como vai ser integrado numa das concessionárias, o salário e a função a desempenhar vão ser de gerente, o que significa uma despromoção, com perda de direitos. Segundo Nick Lei, esta situação é injusta porque o funcionário desempenhou funções pelas quais nunca foi devidamente pago. O deputado considera assim que a concessionária está a lidar com o caso de forma injusta, o que mostra a falta de capacidade do Governo para supervisionar o encerramento dos casinos e garantir os direitos laborais. Além disso, Nick Lei defende que o Governo precisa de continuar a prestar atenção aos resultados do recrutamento de funcionários de casinos-satélites pelas concessionárias, não só para apoiar estes trabalhadores a transitarem para as novas posições, mas também para divulgar à população como estão a decorrer as operações de mudança.
Cooperação | Sam Hou Fai recebeu governador de Hainão João Santos Filipe - 15 Out 2025 O líder do Governo de Macau e o Governador de Hainão discutiram a possibilidade de aprofundar a cooperação entre as duas regiões. Sam Hou Fai espera o apoio da região conhecida como o Hawai da China para diversificar a economia O Chefe do Executivo destacou contar com o apoio de Hainão para criar mais oportunidades de desenvolvimento para a RAEM. A mensagem foi deixada durante um encontro entre Sam Hou Fai e Liu Xiaoming, governador da província de Hainão, que esteve de visita a Macau. Segundo a versão do Governo de Macau sobre o encontro de segunda-feira, Sam Hou Fai e Liu Xiaoming “trocaram opiniões sobre o fomento da cooperação cultural e económico-comercial” entre as duas partes e discutiram “o reforço da articulação na promoção de actividades turísticas e de exposições e convenções”. Na reunião, Sam Hou Fai disse a Liu Xiaoming que “a RAEM e a província de Hainão se situam na região do Grande Delta do Rio das Pérolas” e que têm “acesso ao vasto mercado do Interior do País, como também estão ligados ao mercado do Sudeste Asiático”. O dirigente de Macau apontou também que Macau e Hainão têm mantido “um intercâmbio frequente e profundo, e uma base sólida de cooperação em áreas como no turismo, na cultura, nas exposições e convenções”. E sobre esta parceria Sam Hou Fai apontou que foram alcançados “resultados notáveis”. Ganhos mútuos O líder da RAEM afirmou ainda que desde que as partes começaram a apostar na “promoção conjunta do modelo de uma viagem de multi-destinos” que a cooperação subiu para um novo nível e está a gerar “ganhos mútuos”. Sam também frisou que “através do incentivo à reciprocidade de fluxos turísticos, promover-se-á o desenvolvimento dinâmico da indústria turística de ambas as regiões, alcançando benefícios recíprocos”. Durante o encontro, cuja duração não foi divulgada, o líder de Macau adiantou a Liu Xiaoming que a RAEM está a adoptar políticas de “diversificação adequada da economia, promovendo com total empenho um desenvolvimento socioeconómico de alta qualidade”. E, neste processo, o Chefe do Executivo afirmou esperar “contar com o grande apoio de Hainão, e através da cooperação pragmática entre as duas partes, aproveitar plenamente as vantagens de cada uma”. Sam Hou Fai prometeu também “explorar mais modelos de colaboração para criar oportunidades de desenvolvimento mais amplas” para Macau e Hainão. Além de Sam Hou Fai representaram Macau no encontro o secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, a chefe do Gabinete do Chefe do Executivo, Chan Kak, o director do Gabinete de Estudos de Políticas e Desenvolvimento Regional, Cheong Chok Man, e o director dos Serviços de Assuntos Administrativos da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, Cao Jin Feng.