Automobilismo | GP continuará no TCR World Tour em 2026

O Grande Prémio de Macau irá novamente fazer parte do calendário do Kumho FIA TCR World Tour na próxima temporada e, mais uma vez, como a prova de encerramento de temporada de uma competição que irá aumentar a sua presença na Ásia em 2026

Marcelo Lotti, presidente do WSC Group, confirmou à imprensa, durante o fim de semana do 72.º Grande Prémio de Macau, que o calendário do próximo ano deverá incluir uma prova na Coreia do Sul – país natal da marca de pneus e patrocinador do campeonato, Kumho, assim como da Hyundai, a marca com mais carros nas grelhas de partida da competição mundial -, uma segunda prova na República Popular da China e a tradicional ronda de fim de temporada no Circuito da Guia.

Para aumentar a presença no continente asiático, sem afectar os orçamentos das equipas, de fora do calendário irá ficar a Austrália. O promotor do campeonato também não irá avançar com a possibilidade de organizar uma segunda prova no continente americano, sendo que a visita ao México é uma certeza. Já no “velho continente”, o Kumho FIA TCR World Tour manterá as suas três provas, com o circuito citadino português de Vila Real a receber um destes eventos no mês de Julho.

Para Marcello Lotti, “o Grande Prémio de Macau é o nosso equivalente ao Mónaco”, e para o empresário italiano, “todos os campeonatos precisam de um evento assim”. Apesar do número menor de inscritos que a prova deste ano reuniu no território, “sair de Macau está obviamente fora de questão”.

O calendário da temporada de 2026 do Kumho FIA TCR World Tour deverá ser revelado ao público no dia 13 de Dezembro, quando o Conselho Mundial da FIA reunir em Tashkent, na República do Usbequistão, na mesma altura da cerimónia de entrega anual de prémios da FIA.

Questões de números

A lista de participantes da Corrida da Guia Macau – Kumho FIA TCR World Tour Event of Macau teve apenas dezassete dos vinte e quatro carros inicialmente inscritos. Esta terá sido uma das grelhas de partida mais reduzidas de sempre da altamente popular Corrida da Guia, cuja primeira edição decorreu em 1972. Em parte, este número aquém das expectativas deveu-se à ausência, por razões desconhecidas, de equipas e pilotos oriundos do TCR China, um dos mais fortes campeonatos nacionais de Turismo a nível mundial.

Entretanto, Marcello Lotti disse durante o fim de semana do Grande Prémio que o TCR se prepara para dar as boas-vindas a uma nova marca no campeonato. Porém, não se espera que este anúncio, previsto para a próxima sexta-feira, tenha impacto nas grelhas de partida do Kumho FIA TCR World Tour, pois será um grupo automóvel que já tem presença no campeonato e irá substituir uma das suas marcas por outra. O empresário italiano também referiu estar em negociações com uma segunda marca.

A influência da Ásia no maior campeonato de Turismos da actualidade não se cinge só aos coreanos da Kumho e da Hyundai, pois a competição também conta com a marca chinesa Link & Co, a nível oficial, e com a congénere japonesa Honda. Numa altura em que os carros eléctricos, os SUV e os citadinos são as apostas das grandes marcas, os construtores asiáticos ainda são dos poucos que apostam em carros, com motorizações a combustível, com as dimensões adequadas para as provas de Turismo.

Bienal | Obra “Não Terminal” em exibição na Praça do Centro Cultural

A obra de arte pública “Não Terminal”, integrada na Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau 2025 (“Arte Macau 2025”), está em exibição na Praça do Centro Cultural de Macau. “Não Terminal” é uma criação da “conceituada artista contemporânea chinesa Yin Xiuzhen, conhecida pelas suas instalações artísticas de forte estilo pessoal e obras interactivas”, indicou em comunicado a empresa de relações públicas contratada pelo Instituto Cultural.

A instalação vídeo interactiva montada na praça do centro cultural “estabelece uma plataforma de interacção social pública centrada numa ‘passadeira de bagagens estática’” de aeroporto. Por cima da instalação estão pendurados ecrãs que exibem imagens ao vivo do local e cenas pré-gravadas que retratam o quotidiano. “Deste modo, a artista e o público podem criar um teatro animado da vida em constante mutação”, é referido.

A passadeira para recolha de bagagem é uma metáfora “através da justaposição dos conceitos de ‘terminal’ e ‘não terminal’”, explorando “a fluidez e a incerteza da vida”, que convida a reflexões existenciais, “sublinhando, ao mesmo tempo, a singularidade e a diversidade de cada indivíduo e da colectividade, neste fluxo contínuo”.

A Exposição de Arte Pública constitui uma das secções de destaque da Arte Macau 2025, integrando a arte no espaço urbano e no quotidiano, ao mesmo tempo que convida o público a imaginar novas alternativas para o espaço público.

Todas as obras estão abertas ao público, para visita, incluindo “Mãos emprestadas”, no Teatro D. Pedro V; “Mercadores e Guerreiros,” na Rua da Tercena; “A Torre do Tempo” e “Não Terminal,” na Praça do Centro Cultural, e podem ser visitadas até 12 de Dezembro.

Tap Siac | Feira de Artesanato do Outono abre amanhã ao público

A Feira de Artesanato do Tap Siac no Outono arranca amanhã e encerra no dia 30 de Novembro, sempre entre quinta-feira e domingo, adiantou o Instituto Cultural (IC). Às quintas e sextas-feiras, o horário de funcionamento da feira será entre as 17h e as 22h, enquanto aos sábados e domingos o horário é entre as 15h e as 22h.

Amanhã, a partir das 18h, durante a cerimónia de abertura, o público poderá assistir à actuação de KURO, um cantor e compositor do Interior da China “conhecido pela sua voz emblemática, de estilo metalcore, e pelo seu dinamismo electrizante em palco”, indica o Governo, acrescentando que o artista construiu uma identidade singular como “Cavalheiro do Rock”.

Aos 18 anos, KURO conquistou o segundo lugar no Concurso Global de Canto Cantonense. Em 2013, participou no programa The Voice of China, tendo o seu grande êxito em cantonense, “Guilty Mind”, ultrapassado as 200 milhões de visualizações em diversas plataformas online.

Esta edição da Feira de Artesanato apresenta mais de 200 stands de artesanato e de gastronomia criativa por profissionais culturais e criativos provenientes do Interior da China, Hong Kong, Macau, Taiwan, Malásia, Coreia do Sul e Japão. Vão estar à venda “uma vasta gama de produtos originais, incluindo artigos de uso diário, vestuário, acessórios, artesanato e produtos artesanais naturais, para além de produtos alimentares”. Além de KURO, durante os seis dias de Feira de Artesanato vão actuar 47 músicos de Macau, Interior da China e Hong Kong.

Fotografia | Imagens em skates prestam tributo ao Grande Prémio

A loja de skates EXIT e o fotojornalista português Gonçalo Lobo Pinheiro voltaram a colaborar, desta vez para lançar a “Race Series”, “uma colecção exclusiva de tábuas de skate que celebra a adrenalina e o espírito vibrante das icónicas corridas de Macau”, indica um comunicado divulgado pelos criadores.

A série reúne imagens captadas por Gonçalo Lobo Pinheiro formam a colecção que prestam uma homenagem à cultura automobilística de Macau, inspiradas em momentos emblemáticos do universo das corridas (acidentes, curvas e recta da meta).

“Esta série é uma forma de eternizar a energia única de Macau durante as corridas. Não se trata apenas de velocidade, mas de cultura, identidade e paixão”, afirma Pinheiro. “Trabalhar novamente com a EXIT é voltar a casa”, acrescenta.

Para a EXIT, a colaboração reforça o compromisso da marca em valorizar expressões culturais locais. “Acreditamos que o skate também é uma forma de contar histórias. As imagens do Gonçalo têm vindo a capturar a verdadeira alma de Macau, e isso é o que queremos trazer para debaixo dos pés de quem anda de skate”, afirma um porta-voz da EXIT.

A parceria continuará a desenvolver novas séries, a começar no próximo mês com uma colecção inspirada no projecto fotográfico do fotógrafo “O que foi, não volta a ser…”, onde o fotojornalista proporcionou um encontro entre o passado e o presente de Macau. No início do próximo ano, surgirá uma linha dedicada ao património da cidade.

Taipa Village | Exposição de Elizabeth Briel encerra programa de 2025

A exposição “Waves of Influence: Foreign Materialities”, da norte-americana Elizabeth Briel, fecha o programa artístico deste ano da Associação Cultural Taipa Village. A mostra, em exibição a partir de 3 de Dezembro, é composta por um mural, feito de vestuário reciclado, representando os azulejos portugueses que “pintam” Macau de azul e branco

A nova galeria de arte da Associação Cultural Taipa Village acolhe a partir de 3 de Dezembro a mostra “Waves of Influence: Foreign Materialities”, de Elizabeth Briel, encerrando o programa cultural de 2025.

A mostra exibe uma instalação feita em papel, que forma de um mural com impressões dos típicos azulejos brancos e azuis portugueses incorporados na paisagem urbanista de Macau, especialmente em infra-estruturas municipais. O papel usado no mural foi feito a partir da reciclagem de peças de vestuário em ganga e t-shirts.

A associação cultural refere que o trabalho da artista norte-americana, especializada em arquitectura e património, se alinha perfeitamente com as iniciativas da Taipa Village, “que integram arte contemporânea, arquitectura e design de formas inovadoras”. O trabalho “Waves of Influence” foi concluído este ano e exibido num centro de arte em papel na região de Guangzhou, juntamente com obras seleccionadas da sua série anterior, “Impressions: What Lies Beneath Paris & Hong Kong”.

Num comunicado divulgado pela Associação Cultural Taipa Village, a artista explica que a instalação que estará em exibição nasceu das horas que passou a trabalhar no estúdio em Macau, rodeada por porcelana chinesa azul e branca pintada à mão, criada para o mercado de exportação.

“Segui os desenhos intricados da porcelana, lembrando-me dos azulejos portugueses em azul cobalto que vemos nos espaços públicos de Macau e das maneiras como esta forma de arte ligou culturas tão díspares com a chinesa e ocidental”, conta Elizabeth Briel.

Os azuis do delta

A autora começou a encontrar pontos de convergência entre os “azuis que eram a arte dos impérios” e materiais como o papel e a ganga, que também foram transportados entre continentes e séculos através da migração, comércio, do poder e do conflito, e transformados por pessoas de todos os níveis da sociedade à medida que incorporavam estes objectos nas suas vidas”.

Com um olhar sobre as transformações culturais entre os impérios chineses, os califados mediterrâneos e os poderes ibéricos, Elizabeth Briel desenvolveu um interesse especial na forma como estas transições se estenderam à arte com papel e à porcelana azul e branca nos últimos mil anos.

A artista indica ainda que este projecto “surgiu do fascínio pela materialidade dos impérios” e permitiu fazer “uma jornada pessoal do Ocidente à Ásia e vice-versa”. A organização da exposição indica que a pintora e artista gráfica “trabalha principalmente com papel em resposta ao local onde vive, imprimindo directamente a partir da arquitectura, fazendo papel a partir de linho e algodão e criando instalações modulares de papel em grande escala”. O material usado acaba por encapsular significados, como fez, por exemplo, usando papel fustigado por tufões, feito a partir de uniformes miliares ou através da pintura em osso e chumbo.

Nascida na Califórnia e criada em Minneapolis, onde fez um bacharelato em Belas Artes, Elizabeth Briel viveu na Ásia durante duas décadas, antes de se mudar para Paris em 2024. No currículo conta com exposições na Europa, Ásia e Austrália e com os recorrentes regressos ao continente asiático para trabalhar em projectos anuais.

A mostra estará patente no Taipa Village Art Space, na Rua dos Mercadores (29-31), na Taipa, entre 3 de Dezembro e 4 de Fevereiro.

Médio Oriente | Pequim justifica abstenção sobre resolução na ONU com imprecisões

O Governo chinês justificou ontem a sua decisão de se abster na votação da resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre Gaza com imprecisões relacionadas com os direitos políticos da Palestina.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, apontou que o plano de paz dos Estados Unidos “é vago em questões-chave relacionadas com os acordos pós-guerra” e “não reflecte suficientemente princípios importantes como a governação palestiniana e a solução de dois Estados”. Foi essa a razão pela qual decidiu abster-se numa votação em que a Rússia também se absteve, frisou.

Da mesma forma, o porta-voz aproveitou a oportunidade para sublinhar que a China apoiará o Conselho de Segurança em qualquer iniciativa que promova um cessar-fogo duradouro e alivie a crise humanitária, defendendo também uma “abordagem construtiva e responsável” a esta questão e reiterando o seu apoio à “causa justa do povo palestiniano” na sua luta pelos seus “direitos legítimos”.

O chamado Plano Abrangente para Acabar com o Conflito em Gaza inclui, na sua lista de 20 pontos, a criação de um Conselho de Paz a ser presidido pelo próprio Donald Trump, que terá a palavra final sobre assuntos relacionados com a governação da Faixa de Gaza, administrada por tecnocratas palestinianos.

O plano prevê ainda a criação de uma Força Internacional de Estabilização com 20.000 soldados para facilitar o progresso rumo às próximas fases do plano, que culmina na retirada das forças israelitas de Gaza e na possível criação de um Estado palestiniano, algo a que Israel se opõe firmemente.

O Hamas já rejeitou esta resolução do Conselho de Segurança, considerando que não vai ao encontro das exigências políticas e humanitárias do povo palestiniano, enquanto a Autoridade Palestiniana, liderada por Mahmud Abbas, manifestou a sua satisfação pela votação e exigiu a implementação “imediata” da resolução.

Hong Kong | Proibida importação de carne do distrito do Porto devido à gripe aviária

A região de Hong Kong proibiu ontem a importação de carne de ave e derivados, incluindo ovos, do distrito do Porto, na sequência da detecção de casos de gripe aviária.

O Centro para a Segurança Alimentar (CFS, na sigla em inglês) de Hong Kong sublinhou, em comunicado, que a decisão foi tomada “para proteger a saúde pública”, na sequência de uma notificação da Organização Mundial de Saúde Animal. De acordo com dados oficiais citados no comunicado, o território não importou carne de ave ou derivados de Portugal nos primeiros nove meses de 2025.

O CFS disse já ter contactado as autoridades portuguesas e que vai acompanhar “de perto” a situação e as informações emitidas pela Organização Mundial de Saúde Animal. “Serão tomadas as medidas adequadas em resposta ao desenvolvimento da situação”, referiu.

O CFS também proibiu ontem, pelo mesmo motivo, a importação de carne de ave e derivados de várias regiões da Alemanha, Países Baixos, Estados Unidos, França e Dinamarca. Na quinta-feira, a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) portuguesa determinou o confinamento de aves domésticas em 95 zonas de 14 distritos identificadas como de alto risco para a gripe aviária.

“As aves de capoeira e aves em cativeiro detidas em estabelecimentos, incluindo detenções caseiras, localizadas nas freguesias incluídas na lista das zonas de alto risco para a gripe aviária deverão ser confinadas aos respetivos alojamentos de modo a impedir o seu contacto com aves selvagens”, indicou a DGAV, num edital.

Em causa estão os distritos do Porto, Lisboa, Braga, Viana do Castelo, Aveiro, Leiria, Coimbra, Castelo Branco, Santarém, Setúbal, Évora, Beja, Portalegre e Faro.

O número total de focos detectados este ano em Portugal está em 31, tendo os mais recentes sido detectados numa exposição de aves em cativeiro, situada no distrito de Aveiro, concelho e freguesia de Oliveira do Bairro, e num estabelecimento de aves em cativeiro, no distrito de Santarém.

Comércio | China e Alemanha querem “reforçar a coordenação macroeconómica”

Numa reunião de alto nível em Pequim, as duas nações deram um novo impulso às relações bi-laterais e deram um sinal claro para ultrapassar os recentes atritos comerciais

A China e a Alemanha comprometeram-se a “reforçar a coordenação macroeconómica”, “ampliar a abertura recíproca dos seus mercados” e “defender o sistema multilateral de comércio” durante uma reunião bilateral em Pequim co-presidida por altos representantes de ambos os países.

Estas questões fazem parte do que foi acordado na segunda-feira durante a quarta edição do Diálogo Financeiro de Alto Nível entre a China e a Alemanha, realizado em Pequim e liderado pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e pelo ministro das Finanças alemão, Lars Klingbeil.

Numa declaração conjunta divulgada após a reunião, ambos os Governos reiteraram que este mecanismo é uma “plataforma essencial” para abordar questões estratégicas em matéria fiscal e financeira, e asseguraram que continuarão a utilizá-lo para “favorecer a recuperação económica mundial, a estabilidade financeira global e o desenvolvimento sustentável”.

A China e a Alemanha sublinharam a “importância central” de um comércio internacional baseado em regras e expressaram a sua rejeição ao unilateralismo e ao proteccionismo.

Também defenderam o papel do G20 como o principal fórum de cooperação económica e comprometeram-se a implementar os consensos alcançados nas cúpulas do grupo, especialmente em áreas como a coordenação de políticas macroeconómicas ou a reforma das instituições financeiras internacionais.

Avanços e compromissos

Ambas as partes manifestaram apoio ao sistema comercial multilateral com a Organização Mundial do Comércio (OMC) como núcleo, e enfatizaram a necessidade de avançar na reforma da instituição para garantir um ambiente “aberto, justo, transparente, inclusivo e não discriminatório”.

A declaração inclui compromissos adicionais em questões como a gestão da dívida de países de baixo e médio rendimento, o reforço da cooperação com o Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas, o combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, e a melhoria da transparência financeira.

O diálogo ocorreu num contexto marcado por atritos comerciais e diplomáticos entre a China e a Alemanha, que chegou a adiar uma visita à China do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, embora já a tenha reactivado. Nas últimas semanas, Berlim também expressou preocupação com as restrições chinesas à exportação de componentes-chave para o fabrico de semicondutores, que afectaram empresas como a Volkswagen.

Apenas 30% dos idosos estão satisfeitos com instalações comunitárias

A Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) apresentou na segunda-feira o resultado de inquérito sobre a situação dos serviços para idosos de Macau. As conclusões revelam que apenas 29 por cento dos entrevistados avaliava as instalações para idosos nos bairros da cidade como satisfatórias. As instalações para idosos incluem cuidados para idosos, acesso à saúde, alimentação, convívio, etc.

Na conferência de imprensa que apresentou os resultados do questionário, foi indicado que cerca de 60 por cento dos entrevistados deram uma avaliação média às instalações para idosos nos bairros onde residem, mas pediram o aumento da qualidade dos serviços prestados, e a redução do preço a pagar pelos mesmos.

Em relação aos cuidados de saúde ao domicílio, cerca de 47 por cento indicou conhecer o conceito, enquanto 37 por cento não faziam ideia, ou revelaram poucos conhecimentos sobre o assunto. Apesar das respostas, 40 por cento dos entrevistados precisam de cuidados de saúde ao domicílio.

Mesmo com a relativa indiferença e avaliações médias, os idosos apontaram os cuidados médicos, apoio em caso de emergência e apoio no dia-a-dia.

Como mais de 80 por cento dos inquiridos moram na península de Macau, o deputado da FAOM, Lam Lon Wai, afirmou esperar que o Governo concretize um círculo de serviço comunitário de 15 a 20 minutos para idosos, ou seja, que as pessoas tenham acesso a todos os serviços necessários nas suas imediações. Para tal, o deputado defende o reforço do pessoal médico e de enfermagem.

Lá por casa

A equipa da FAOM ainda sugeriu que o Governo acelere a reabilitação urbana dos bairros antigos, melhorando a oferta em termos de habitação social e residência para idosos. Além disso, foi defendido o Governo devia incentivar as empresas de gestão de condomínio a aumentar os serviços que ajudem os mais velhos, como por exemplo, a pedir e recolher refeições de takeaway, compra de bens para a casa e pagamento de contas, como electricidade ou água.

O inquérito foi realizado entre Julho e Novembro, e recolheu cerca de 80 inquéritos válidos. Os destinatários foram residentes, a maioria com idades entre 65 e 74 anos.

PJ | Homem finge ter sido roubado para esconder perdas no casino

Um homem oriundo do Interior da China foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) por suspeitas de ter simulado a subtracção de 1,1 milhões de dólares de Hong Kong do seu quarto de hotel.

O caso começou precisamente com a denúncia do indivíduo às autoridades, alegando o desaparecimento de fichas de jogo no valor de 900 mil dólares de Hong Kong e 300 mil dólares de Hong Kong em numerário, que teria guardado no armário do quarto de hotel. O suspeito terá indicado à PJ que os 1,1 milhões de dólares de Hong Kong foram ganhos nos casinos.

No entanto, a investigação da PJ apontou para o oposto. O indivíduo perdeu dinheiro no casino e foi a única pessoa a sair do quarto de hotel. Confrontado com a realidade, o suspeito confessou que perdeu todo o dinheiro emprestado por familiares e amigos e não sabia como explicar as perdas. Como tal, resolveu mentir às autoridades.

O caso foi encaminhado para o Ministério Público pela suspeita da prática de simulação de crime, que pode resultar numa pena de prisão até um ano ou pena de multa até 120 dias.

Gongbei | Detido após esfaquear duas pessoas

As autoridades do Interior anunciaram a detenção de um homem com problemas mentais que esfaqueou duas pessoas em Gongbei. O caso aconteceu na segunda-feira à noite e as imagens tornaram-se virais nas redes sociais. Segundo a Polícia de Zhuhai, as duas vítimas do acidente tiveram ferimentos ligeiros, pelo que não corriam risco de morte.

As autoridades divulgaram ainda que o detido tem 48 anos e um historial de internamento hospitalar. As imagens que circularam online, mostram o homem, com uma mochila, a atacar uma das vítimas, que já estava no chão, e também a ser controlado, momentos mais tarde, por vários seguranças, que recorreram à força para o dominar e que lhe continuaram a bater com bastões, mesmo quando o homem já estava controlado.

Acidente | Mulher hospitalizada após cair de escadas rolantes

Uma mulher de 77 anos foi levada para o hospital com lesões na cabeça e no joelho, depois de ter caído das escadas rolantes perto do Centro Desportivo Lin Fong.

O caso foi revelado ontem de manhã pelo Corpo de Bombeiros (CB) e o acidente aconteceu por volta das 10h. A mulher foi levada para o Centro Hospitalar Conde São Januário, com escoriações na testa e uma contusão no joelho esquerdo. Após o incidente, as escadas rolantes foram desactivadas e estavam a ser inspeccionadas pelo pessoal responsável, para averiguar se terá havido algo problema na causa da queda.

HIV | Novos casos em residentes crescem 55,6%

Entre Janeiro e Setembro, registaram-se 28 novos casos infecção pelo VIH, 14 dos quais em residentes e 14 em não-residentes. As infecções de residentes revelam um aumento significativo face aos nove casos do período homólogo

Entre Janeiro e Setembro, os Serviços de Saúde registaram 28 novos casos infecção pelo VIH. Os dados foram apresentados no âmbito da mais recente reunião da Comissão de Luta Contra a SIDA.

Entre os 28 novos casos confirmados, os SS indicaram que 14 foram identificados em residentes de Macau e outros 14 em não-residentes. “Entre os novos casos confirmados em residentes de Macau, todos são do sexo masculino, sendo que 50 por cento tinham idades compreendidas entre os 18 e os 39 anos e 50 por cento tinham 40 ou mais anos”, foi comunicado.

De acordo com a informação apresentada, 13 dos casos resultaram de relações homossexuais ou bissexuais, enquanto um dos casos indicou ter resultado de relações sexuais heterossexuais. “Todos os novos casos foram encaminhados para o Centro Hospitalar Conde de São Januário para acompanhamento e, actualmente, a taxa de tratamento e controlo dos residentes de Macau ultrapassa os 90 por cento”, foi acrescentado.

O número apresentado na reunião deste ano da Comissão de Luta Contra a SIDA mostra que o número de casos de infecção pelo VIH em residentes locais está a subir. Em comparação, entre Janeiro e Setembro, tinham sido confirmados nove casos entre residentes, o que significa que ao longo deste ano houve um aumento de 55,6 por cento a nível dos novos casos. No comunicado do ano passado, não havia referência a não residentes infectados.

Os dados ainda estão abaixo do verificado em 2023, quando 17 residentes foram registados como novos casos de infecção de HIV. Em 2022, o número de novos casos tinha sido de 14.

Seringas sem casos

Os Serviços de Saúde deixaram ainda um apelo para que todos os residentes que nunca fizeram um teste de despistagem do HIV tomem essa iniciativa. Nos casos em que há comportamentos de risco, a recomendação é que o façam regularmente uma vez por ano.

Todos os casos registados nos primeiros nove meses do ano, resultaram de contactos sexuais. No comunicado dos Serviços de Saúde foi deixado claro que “desde 2015 […] não se verificou nenhum novo caso de residentes de Macau infectados pelo vírus da SIDA devido à partilha de seringas entre os toxicodependentes”.

Ainda assim, entre Janeiro e Setembro, 89 pessoas receberam tratamentos com metadona, com uma taxa de presença de 82 por cento. Foi ainda revelado que desde Agosto de 2020 houve 40 toxicodependentes encaminhados para o Centro Hospitalar Conde de São Januário para receberem tratamento contra a Hepatite C.

Economia | CE não arrisca previsão de receitas de jogo

Na conferência de imprensa depois da apresentação das Linhas de Acção Governativa, Sam Hou Fai não fez previsões quanto às receitas brutas do jogo e vincou a imprevisibilidade da economia global. Além disso, afirmou que não decide aumentos na Função Pública e reiterou que quer fazer a primeira deslocação ao estrangeiro com uma visita a Portugal, entre Abril e Maio

Diversificação da economia de Macau, a situação e apoios a pequenas e médias empresas (PME) e incertezas quanto ao futuro foram as principais tónicas das mensagens deixadas pelo Chefe do Executivo na habitual conferência de imprensa após a apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG).

Questionado sobre a não inclusão de estimativas para as receitas do jogo no relatório das LAG para 2026, Sam Hou Fai começou por apontar que as receitas deste ano não correspondem às expectativas que o Governo tinha para o principal sector económico da região, e que a indústria do jogo é intrinsecamente volátil devido à influência de factores externos. Porém, apontou a apresentação de uma previsão para a apresentação das LAG da tutela da Economia e Finanças. “Temos uma previsão para o próximo ano, o secretário Tai Kin Ip vai apresentá-la. Mas a economia tem sofrido muitas mudanças. Este ano o mercado bolsita do Interior da China e Hong Kong tiveram bons desempenhos, mas no próximo ano não sabemos como será, porque haverá muitas incertezas”, afirmou o governante.

Sam Hou Fai recuou até Abril deste ano, afirmando que desde então a situação internacional e a situação económica a nível global se mantiveram estáveis. “Mas, nos próximos meses não sei. Só sei se a situação económica piora, se há ou não uma recessão, quando leio os jornais”, apontou ressalvando ainda assim os bons registos a nível do número de turistas que tem visitado Macau, assim como o mercado bolsista de Hong Kong.

Ainda assim, no relatório das LAG o Executivo avançou com uma previsão de aumento ligeiro do orçamento, que deverá culminar com a apresentação de uma proposta para o orçamento ordinário integrado da RAEM que contempla receitas de 118,8 mil milhões de patacas, mais 2,3 mil milhões de patacas face ao estimado no orçamento revisto no passado mês de Junho.

Um ano à sombra

Em relação aos salários da Função Pública, Sam Hou Fai afirmou que no ano passado não havia condições orçamentais para aumentos, mas que, mesmo assim, os ordenados dos funcionários públicos aumentaram 3,3 por cento, para inverter os anos em que ficaram congelados devido à crise decorrente da pandemia da covid-19. “Face à inflação, acho que este ano não há condições para aumento de salários, mas também não havia no ano passado, tendo em conta a subida de vários apoios sociais”, indicou o Chefe do Executivo.

Sam Hou Fai argumentou ainda que a decisão de aumentar os salários da Função Pública implica a avaliação de muitos factores, como a inflação, a influência nos salários do sector privado e a economia global. Neste aspecto, o líder do Governo da RAEM recordou a experiência europeia durante a crise financeira global das dívidas soberanas, especificando o caso de Portugal onde os salários foram, inclusivamente, cortados.

Além disso, Sam Hou Fai afirmou que não lhe cabe decidir sobre alterações aos salários dos funcionários públicos, e que é preciso ouvir a Comissão de Avaliação das Remunerações dos Trabalhadores da Função Pública, um órgão consultivo composto por pessoas nomeadas pelo Governo, que apresenta pareceres antes da decisão do Executivo.

Economia real e Portugal

No cômputo geral, Sam Hou Fai mostrou-se satisfeito com a evolução da economia local e o caminho seguido até agora, que se terá evidenciado com a evolução do crescimento do Produto Interno Bruto a cada trimestre deste ano.

“O mais importante é manter estabilidade económica. Queremos promover o desenvolvimento do sector do turismo e lazer, com medidas como a melhoria das passagens fronteiriças, mas o turismo é o ponto mais importante na estratégia de desenvolvimento da diversificação adequada 1+4”, indicou.

Depois de elencar as medidas já implementadas para diversificar a economia, o governante reconheceu a necessidade de fazer mais pelo pequeno comércio e as PME. Também neste domínio, o Chefe do Executivo remeteu para as novidades que o secretário para a Economia e Finanças irá apresentar no sentido de aumentar a competitividade das PME. “Vamos manter inalteradas as medidas de apoio às PME. Temos de as ajudar a ajustar os modelos de negócio, a digitalizar as suas operações. Vamos manter este rumo”, indicou.

No entanto, salientou a nova tendência de consumo, com os residentes a preferirem cada vez mais fazer compras ou refeições em Zhuhai, mas ressalvando que é uma tendência com duplo sentido. “Com a política de circulação de veículos de Guangdong em Macau, os visitantes da Grande Baía passaram também a fazer compras em Macau. Estas mudanças nos padrões de consumo também acontecem para o outro lado, situação semelhante ao que se verifica em Hong Kong, que também enfrenta o mesmo desafio”, argumentou.

As alterações etárias, com mais jovens e um consumo mais digital foram outras mudanças de paradigma enumeradas por Sam Hou Fai.

Finalmente, em relação à prometida visita a Portugal, o Chefe do Executivo afirmou continuar a ter esperança de que Portugal seja a sua primeira visita oficial ao estrangeiro. Para já, o seu gabinete está em contacto com o gabinete de Luís Montenegro e, ainda sem especificar uma data, Sam Hou Fai apontou para Abril ou Maio de 2026 como datas possíveis.

LAG 2026 | Os principais apoios sociais anunciados pelo Governo

COMPARTICIPAÇÃO SOCIAL (Sem Alterações) 10.000 patacas para residentes permanentes 6.000 patacas para residentes não-permanentes

VALES DE SAÚDE (Sem Alterações) 700 patacas para residentes permanentes

SUBSÍDIO DE NASCIMENTO (Sem Alterações) 6.500 patacas

SUBSÍDIO DE CASAMENTO (Aumento de 1.800 patacas) 4.000 patacas

REGIME DE PREVIDÊNCIA CENTRAL (Sem Alterações) 10.000 patacas (activação da conta para residentes qualificados) 7.000 patacas (nova medida: injecção especial para residentes qualificados)

PAGAMENTO DA CONTA DA ELECTRICIDADE (SEM ALTERAÇÕES) 200 patacas

por mês

SUBSÍDIO DE DESEMPREGO (Aumento de 53 patacas por dia) 210 patacas por dia; Valor Máximo por Ano: 18.900 patacas (aumento de 4.770 patacas)

SUBSÍDIO DE FUNERAL (aumento de 2.330 patacas) 5.200 patacas

IDOSOS

SUBSÍDIO PARA IDOSOS (Sem Alterações) 10.000 patacas

PENSÃO PARA IDOSOS (Sem Alterações) 3.900 patacas por mês (13 meses)

FAMÍLIAS CARENCIADAS

ÍNDICE MÍNIMO DE SUBSISTÊNCIA (SEM ALTERAÇÕES) 4.350 patacas por agregado por ano familiar com uma pessoa

PORTADORES DE DEFICIÊNCIA

SUBSÍDIO DE INVALIDEZ (SEM ALTERAÇÕES) 10.000 ou 20.000 patacas

SUBSÍDIO PARA CUIDADORES (Aumento de 225 patacas por mês) 2.400 patacas por mês.

ESTUDANTES

SUBSÍDIO DE AQUISIÇÃO DE MANUAIS (SEM ALTERAÇÕES) 3.550 patacas (ensino secundário) 3.000 patacas (ensino primário) 2.400 patacas ensino infantil)

SUBSÍDIO DE PROPINAS PARA ESTUDANTES CARENCIADOS (SEM ALTERAÇÕES) 9.000 patacas (ensino secundário) 6.000 patacas (ensino primário), 4.000 patacas ensino infantil)

SUBSÍDIO PARA A AQUISIÇÃO DE MATERIAL ESCOLAR (SEM ALTERAÇÕES) 3.300 patacas por estudante do ensino superior

LAG 2026 | Economia: Diversificação ainda sem resultados de fundo

Na conclusão do discurso na Assembleia Legislativa, o Chefe do Executivo reconheceu que a diversificação económica ainda não produziu os resultados esperados e pediu à sociedade que se prepare para uma nova realidade.

“Presentemente, o desenvolvimento socioeconómico de Macau continua a enfrentar diversos riscos e desafios, especialmente na sua estrutura económica singular ainda não apresenta alterações de fundo, o que se traduz na capacidade insuficiente de resistência a riscos”, afirmou Sam Hou Fai. “Assim sendo, toda a sociedade deve compreender correctamente a conjuntura, preparar-se para as adversidades em tempo prósperos, reforçar a capacidade de identificação de situações de crise e o sentido de precaução”, atirou.

Apesar deste cenário, Sam Hou Fai anunciou a criação de dois fundos com capitais da RAEM, e que vão ser geridos “por uma equipa profissional” para financiar projectos e empresas com negócios considerados chave para a diversificação. O montante inicial dos fundos não foi revelado, mas o Chefe do Executivo indicou que os investimentos visam “acelerar a formação e desenvolvimento das indústrias emergentes prioritárias”.

Cooperação Judiciária | Esperado acordo com Portugal

Ao longo do ano, o Governo da RAEM espera começar as negociações e concluir acordos com vista à cooperação judicial. E uma das partes mencionadas por Sam Hou Fai foi Portugal. “Assinar-se-ão ou estabelecer-se-ão negociações para celebrar acordos de cooperação judiciária com as Filipinas, Angola, a Indonésia, a Tailândia e Portugal”, afirmou o dirigente. Os conteúdos das negociações e o andamento dos trabalhos não foi indicado.

Hengqin | Pataca testada em programa-piloto

A partir deste ano, o Governo espera que o programa-piloto sobre a utilização da pataca na Zona de Cooperação Aprofundada possa ser estendido a toda Hengqin. Actualmente, os pagamentos em patacas em Hengqin estão limitados ao Novo Bairro de Macau na Ilha da Montanha. No entanto, o cenário vai ser alterado: “Procurar-se-á ampliar o âmbito do projecto-piloto de actividades de aquisição em moeda dupla, estendendo-o desde o ‘Novo Bairro de Macau’ até às lojas localizadas em toda a Zona de Cooperação”, foi prometido.

AL | Anunciadas mudanças na contratação de não residentes, nas férias e na licença de maternidade

O “cheque” vai manter-se inalterado nas 10 mil patacas para residentes permanentes e 6 mil patacas para não permanentes. Também o salário dos funcionários públicos não sofre alterações. As associações vão ter uma nova lei para impor políticas nacionalistas, e o Governo vai fundir vários serviços

Um novo mecanismo para regular a contratação de trabalhadores não residentes, mudanças no número de dias férias e também na licença de maternidade. Foram estas algumas das principais alterações anunciadas ontem por Sam Hou Fai, durante a apresentação das Linhas de Acção Governativa para 2026, que voltam a definir como prioridade a segurança nacional.

Sem anunciar alterações no plano de comparticipação pecuniária, nem aumentos para os vencimentos na função pública, Sam Hou Fai afirmou que as políticas para o bem-estar da população vão seguir os princípios de “fazer o melhor possível”, “actuar dentro das capacidades”, “prestar apoio com precisão” e “descentralizar os recursos”.

E sem grandes novidades nos apoios públicos, o Executivo de Sam Hou Fai vai focar-se essencialmente em alterar a legislação laboral aplicável ao sector privado. A primeira grande mudança prometida, passa por alterar a lei para a contratação de trabalhadores não residentes. As alterações foram justificadas com o “fim de exercer, de melhor forma, um controlo e ajustamento dinâmicos do número de trabalhadores não residentes”. Os contornos das alterações não foram, no entanto, revelados.

Sam Hou Fai avisou também as empresas que “desde que os residentes locais sejam capazes e estejam dispostos, devem ser prioritariamente contratados” e que no futuro haverá mais campanhas contra o trabalho ilegal.

Ainda no que diz respeito à contratação de trabalhadores locais, o líder do Governo indicou que as obras e serviços de adjudicação pública têm de ter mais trabalhadores locais. O Executivo também espera das instituições financeiras e das instituições de ensino superior “a libertação de mais postos de trabalho para os residentes de Macau”.

Em relação ao mercado laboral, Sam Hou Fai prometeu a revisão da licença de maternidade, actualmente nos 70 dias, e do período de férias, actualmente de seis dias por ano. A compensação por despedimento também deverá sofrer alterações, com a revisão do montante máximo da remuneração de base mensal, que actualmente é de 21.500 patacas.

Segurança Nacional no centro

Como aconteceu nas primeiras Linhas de Acção Governativa de Sam Hou Fai, as questões da segurança nacional voltaram a ser definidas como a principal prioridade.

A grande novidade passa por uma nova lei que vai colocar o nacionalismo no centro da actividade das associações locais: “O Governo da RAEM irá continuar a reforçar o mecanismo de interacção e colaboração com as associações de amor pela pátria e por Macau, unindo e mobilizando todas as forças e iniciativas possíveis, optimizar-se-á a legislação existente relativa às associações, planeando e orientando o estabelecimento de associações para promover o desenvolvimento contínuo saudável da RAEM”, afirmou o líder de Macau.

Ao mesmo tempo, vai ser criado um Grupo de Trabalho para a Coordenação da Educação Patriótica dos Jovens para elaborar um “plano geral” para a educação sobre a segurança nacional, com mais programas curriculares e materiais didácticos nas escolas, que vão desde o ensino básico ao superior.

O funcionamento da Comissão de Defesa do Estado da RAEM vai também ser alterado, com uma lei própria, para reforçar “a estrutura de topo do sistema de defesa de segurança nacional”.

Fusão de Serviços

Ao longo deste ano, o Governo vai continuar a avançar com a reorganização das funções dos serviços, com alterações como a integração da Direcção dos Serviços de Cartografia e Cadastro (DSCC) na Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU). Sam revelou também que a DSSCU vai ser a principal responsável pelas políticas sobre a renovação urbana.

A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) sofrerá também uma reestruturação ao ser fundida com o Conselho de Consumidores e o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia. Já a fusão do Instituto Cultural com o Fundo de Desenvolvimento da Cultura e do Instituto do Desporto foi igualmente confirmada. Também a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) será alvo de reestruturação.

Não só os serviços vão ter alterações, mas o Executivo espera continuar a executar os planos para controlar o número de contratações para a função pública, dando prioridade às transferências internas para suprir faltas de pessoal.

Tarifas | Índia compra aos EUA 10% das importações de gás liquefeito

A Índia anunciou ontem que assinou um contrato com os Estados Unidos para o fornecimento do equivalente a 10 por cento das importações actuais de gás liquefeito de petróleo (GLP), com o objectivo de diversificar as fontes de hidrocarbonetos.

O acordo surge depois do Presidente norte-americano, Donald Trump, ter imposto, em Agosto, uma sobretaxa de 50 por cento sobre todos os produtos indianos que entrem nos Estados Unidos, em retaliação às compras de petróleo russo por Nova Deli. O inquilino da Casa Branca repete desde Agosto que o primeiro-ministro indiano Narendra Modi concordou em renunciar às compras de petróleo russo, uma afirmação que Nova Deli nunca confirmou.

A Índia e os Estados Unidos negociam há vários meses um acordo de livre comércio, mas as discussões esbarram, nomeadamente, na abertura do mercado agrícola indiano aos produtores norte-americanos. O ministro indiano do Petróleo e Gás Natural, Hardeep Singh Puri, anunciou agora que o seu país decidiu comprar aos Estados Unidos 2,2 milhões de toneladas de GPL por ano, “uma novidade para o mercado indiano”.

No âmbito dos esforços envidados para fornecer à população indiana abastecimento seguro e barato de GPL, intensificámos a diversificação das nossas fontes de importação”, explicou o ministro num comunicado.

No mês passado, a empresa petrolífera semipública indiana HPCL-Mittal Energy anunciou a suspensão das compras de crude russo. Por outro lado, o grupo privado Reliance Industries anunciou que estava a reavaliar a política de compras, à luz das sanções americanas.

Quinta maior economia do mundo, a Índia continua a apresentar números de crescimento impressionantes — 7,8 por cento em termos homólogos nos três meses de Abril a Junho deste ano — impulsionados pelo aumento das despesas públicas e da confiança dos consumidores.

Coreia do Sul | Propostas conversações ao Norte para evitar incidentes na fronteira

A Coreia do Sul propôs ontem conversações à Coreia do Norte para estabelecer um traçado claro da linha de demarcação militar fronteiriça e evitar incidentes entre os dois exércitos, anunciou o Governo sul-coreano.

A proposta foi feita pelo exército da Coreia do Sul “para evitar confrontos acidentais e reduzir a tensão militar”, justificou o vice-ministro da Defesa sul-coreano, Kim Hong-cheol, numa conferência de imprensa em Seul. Kim afirmou que soldados norte-coreanos atravessaram repetidamente a linha militar para o lado sul da Zona Desmilitarizada “enquanto construíam estradas tácticas e colocavam vedações e minas”.

As tropas sul-coreanas emitiram avisos por rádio e dispararam tiros de aviso para forçar os norte-coreanos a recuar para o seu lado, disse Kim, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP). O vice-ministro referiu que as recentes incursões se devem “à perda de numerosos marcos da linha de demarcação”.

Os marcos foram instalados ao abrigo do Acordo de Armistício de 1953, que permitiu um cessar-fogo na Guerra da Coreia, iniciada em 1950. A linha de demarcação situa-se no interior da Zona Desmilitarizada, uma zona tampão de quatro quilómetros de largura que se estende por 250 quilómetros através da península coreana, na Ásia oriental.

O armistício pôs fim à guerra de 1950-53, mas Seul e Pyongyang ainda estão tecnicamente em guerra, devido à ausência de um tratado de paz.

Bangladesh | Ex-PM condenada à morte pela repressão dos protestos de 2024

Um tribunal do Bangladesh condenou ontem a ex-primeira-ministra Sheikh Hasina à morte por ter ordenado a repressão violenta dos protestos que levaram à sua deposição no Verão de 2024.

“Todos os elementos (…) que constituem crimes contra a humanidade estão presentes. Nós decidimos impor apenas uma sentença: a pena de morte”, declarou o juiz Golam Mortuza Mozumder, do tribunal de Daca. Sheikh Hasina, que fugiu para a Índia em Agosto de 2024, estava a ser julgada à revelia desde Junho por um tribunal da capital do Bangladesh.

No final do julgamento, os juízes consideraram-na culpada de crimes contra a humanidade – incluindo o incitamento ao assassínio e de ordenar mortes -, de acordo com a sentença. Hasina sempre negou as acusações das autoridades judiciais do Bangladesh. Em Julho e Agosto de 2024, os protestos antigovernamentais que a obrigaram a fugir do país, após quinze anos no poder, fizeram pelo menos 1.400 mortos, segundo as Nações Unidas, a maioria civis.

Num país já sob intensa tensão política e com as eleições parlamentares marcadas para daqui a três meses, esta decisão estava a ser muito aguardada. A polícia da capital foi colocada em alerta máximo e um grande número de agentes foram mobilizados para a zona em redor do tribunal e em todos os pontos-chave da cidade, observaram os jornalistas da agência de notícias AFP.

“Esperamos que o tribunal aja com prudência e sabedoria, que seja feita justiça e que esta decisão marque o fim dos crimes contra a humanidade e sirva de exemplo”, declarou o procurador responsável pelo caso, Tajul Islam, na semana passada. O responsável da acusação tinha pedido no mês passado que Sheikh Hasina fosse condenada à morte.

Contraponto

Sheikh Hasina pronunciou-se em Outubro a vários órgãos de imprensa estrangeiros, incluindo a AFP, para rejeitar todas as acusações contra si, que considerou infundadas. As gravações apresentadas pela procuradoria, sugerindo que esta teria autorizado o uso de “armas letais” contra os manifestantes, foram “tiradas do contexto”, afirmou a ex-primeira-ministra.

“Um veredicto de culpada já está predeterminado, infelizmente”, referiu Hasina, argumentando que “este é claramente um processo com motivações políticas”. Os problemas legais de Sheikh Hasina não terminam com este julgamento. É também alvo de inúmeras denúncias sobre vários assassinatos e raptos ao longo dos seus mandatos, pelos seus adversários políticos e organizações não-governamentais (ONG).

Uma comissão de inquérito estimou recentemente que o Governo da primeira-ministra ordenou o desaparecimento de mais de 250 membros da oposição. Após vencer as eleições parlamentares no início de 2024, consideradas fraudulentas, o partido Hasina, a Liga Awami, foi agora banido pelo actual Governo interino do Bangladesh liderado pelo Prémio Nobel da Paz, Muhammad Yunus.

Na oposição durante o Governo de Hasina, o Partido Nacionalista do Bangladesh (BNP, na sigla em inglês) é considerado o favorito nas próximas eleições.

Comida pré-preparada (I)

Recentemente, a imprensa informou que um proeminente empresário chinês, depois de ter jantado num restaurante que pertence a uma cadeia da China continental, veio manifestar a sua indignação online, dizendo que a comida que lhe tinha sido servida era “pré-preparada” e que tinha pago por ela um preço exorbitante. A cadeia de restauração respondeu de imediato, afirmando que os pratos que lhe tinham sido servidos não eram “comida pré-preparada, mas sim confeccionados com produtos provenientes da “Tecnologia de pré-processamento da cozinha central” da cadeia de restauração.

Este incidente desencadeou discussões acesas online em torno da utilização de comida pré-preparada nos restaurantes e do direito do consumidor a ser informado—questões merecedoras da atenção do público.

A 18 de Março de 2024, a China continental emitiu um “Aviso sobre o reforço da supervisão da segurança alimentar dos alimentos pré-preparados e a promoção do desenvolvimento da elevada qualidade da indústria.” O Aviso define comida pré-preparada desta forma:

“Comida pré-preparada, também conhecida como pratos pré-embalados, refere-se a refeições feitas a partir de um ou mais produtos agrícolas comestíveis e seus derivados, com ou sem temperos ou outros ingredientes auxiliares, sem conservantes, através de pré-processamento industrial (como misturar, marinar, fritar, assar, cozer, cozinhar a vapor, etc.), com ou sem pacotes de temperos, satisfazendo as condições de armazenamento, transporte e venda indicadas no rótulo do produto, pratos esses que devem ser consumido depois de aquecidos. Não inclui alimentos básicos, como arroz congelado, macarrão, alimentos de conveniência, refeições embaladas, tigelas de arroz, pães cozidos no vapor, pastelaria, roujiamo (hamburger chinês), pão, hamburgers, sandes, pizza, etc.”

Por outras palavras comida pré-preparada é aquela que é cozinhada previamente, armazenada e depois levada para o restaurante onde será aquecida e servida aos clientes.

Um ponto a salientar é que os alimentos pré-preparados geralmente têm um prazo de validade mais longo, que pode ir de vários dias a alguns meses, ao passo que os alimentos semi-preparados têm um prazo de validade muito mais curto, normalmente de apenas um a dois dias, e necessitam de refrigeração.

Depois de ler a descrição dos alimentos pré-preparados no “Aviso”, levanta-se uma questão: Os alimentos preparados na cozinha central da cadeia de restauração e que depois são transportados para as outras filiais podem serem considerados comida pré-preparada? O “Aviso sobre o reforço da supervisão da segurança alimentar das refeições pré-preparadas e a promoção do desenvolvimento de elevada qualidade da indústria” estipula claramente que as cozinhas centrais devem cumprir os requisitos e normas legais e regulamentares de segurança alimentar na indústria da restauração; por conseguinte, não são alimentos pré-preparados.

A China continental solicitou anteriormente pareceres sobre “Normas Nacionais de Segurança Alimentar de Alimentos Pré-Preparados,” e acredita-se que novas regulamentações serão emitidas em breve. Nessa altura, surgirão mais normas relativas a esta matéria.

A explicação que demos do conceito de alimentos pré-preparados resulta de uma interpretação textual, mas podemos, a partir de comida deliciosa, chegar a pensamentos complexos. Pensar nestas questões antes de comer pode ser mentalmente desgastante e diminuir o prazer da refeição. Agora, vamos tentar pensar sobre o que são alimentos pré-preparados para o consumidor comum.

Para a maior parte dos consumidores, qualquer alimento que não seja arranjado e cozinhado no próprio restaurante, e que contenha algum traço de processamento industrial, seja um kit de refeição ou um produto semi-acabado, é considerado comida pré-preparada. Ou seja, “não é cozinhada na hora, portanto, é pré-preparada” este é o entendimento comum sobre comida pré-preparada.

O caro leitor também partilha desta ideia? Concorda com a percepção generalizada? Na próxima semana, continuaremos a debater este tema e explorar como Macau deverá lidar com o assunto.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
Email: cbchan@mpu.edu.mo

Seul | Detectados sinais de tortura em estudante morto no Camboja

O Serviço de Medicina Legal da Coreia do Sul identificou sinais de tortura no cadáver de um estudante universitário que morreu no Camboja, em Agosto, e apontou para um traumatismo forte.

Seul está a levar a cabo uma campanha contra as ciberburlas e outros crimes através da Internet e o excesso de tempo passado a interagir com ecrãs digitais por parte da população em geral. Segundo o jornal Korea Herald, a vítima de 22 anos foi identificada com o nome Park e o seu corpo encontrado em 08 de Agosto, na província cambojana de Kampot, cerca de três semanas, após partir da Coreia do Sul.

A polícia do Camboja indicou na altura que havia hematomas e feridas consistentes com maus-tratos continuados e que três cidadãos chineses foram acusados da morte do sul-coreano, estando outros dois suspeitos foragidos.

Este caso desencadeou a campanha nacional da Coreia do Sul contra o cibercrime galopante em países como Camboja e Myanmar (antiga Birmânia), uma vez que os serviços de informações e o Ministério dos Negócios Estrangeiros do país relataram diversos casos de sequestro relacionados com o fenómeno.

Em Outubro, as autoridades sul-coreanas proibiram os seus cidadãos de viajar para as cidades cambojanas Bavet e Kampot, no sul daquele país, e lançaram um aviso para a evacuação da província Sihanoukville. No olho do furacão, está o conglomerado empresarial Prince Group, sediado em Phnom Penh, e seu presidente, Chen Zhi, sancionado pelos governos do Reino Unido e dos Estados Unidos da América por suspeita de manobrar uma rede de crimes daquele tipo.

O Prince Group detém participações, de maior ou menor escala, em mais de 30 países, e há suspeitas das autoridades daqueles estados de haver prática de tráfico humano, com recurso a instalações semelhantes a prisões, no Camboja, para executar crimes informáticos industriais, através da Internet.

Japão | Mobilizada Força Aérea após avistamento de drone

As tensões entre o Governo nipónico e as autoridades chinesas aumentam na sequência das palavras proferidas pela primeira-ministra japonesa, violentamente repudiadas pelo cônsul chinês no território

O Japão anunciou ontem a mobilização da sua Força Aérea após ter detectado um drone, alegadamente de origem chinesa, na zona entre a ilha japonesa de Yonaguni e Taiwan, quando está a aumentar a tensão entre Tóquio e Pequim.

“No sábado, 15 de Novembro, foi confirmado que um veículo aéreo não tripulado, alegadamente de origem chinesa, sobrevoou a zona entre a ilha de Yonaguni [a ilha mais ocidental do Japão, no arquipélago das Ryukyu] e Taiwan. Em resposta, foram mobilizados caças (…) da Força Aérea de Autodefesa do Japão”, declarou o Ministério da Defesa japonês na rede social X. Em 07 de Novembro, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou que um ataque a Taiwan poderia justificar a intervenção das Forças de Autodefesa do Japão.

Em resposta, a China chamou o embaixador japonês em Pequim alertando-o que o preço a pagar seria “doloroso”. O Ministério da Defesa da China defendeu ainda que as declarações de Takaichi foram “extremamente perigosas” e uma “grave interferência” nos assuntos internos chineses.

A tensão aumentou depois de o cônsul chinês em Osaka, Xue Jian, o cônsul-geral da China em Osaka, Xue Jian, defender num ‘post’ na rede social X, que, entretanto, apagou, que o melhor seria “cortar essa cabeça suja sem a menor hesitação”, sem especificar a quem se referia exactamente, mas citando um artigo de imprensa que relatava as declarações da governante japonesa.

Ontem, o líder de Taiwan pediu à China que “exerça moderação” e “demonstre a conduta de uma grande potência”, numa altura de tensões entre Pequim e Tóquio devido ao estatuto da ilha. William Lai Ching-te enfatizou que os recentes ataques da China contra o Japão “estão a afectar gravemente a paz e a estabilidade no Indo-Pacífico”, em declarações citadas pela agência de notícias pública taiwanesa CNA.

Manobras em curso

A China proibiu a navegação em parte do mar Amarelo, desde ontem até quarta-feira, para realizar exercícios militares, anunciou a Administração de Segurança Marítima (MSA, na sigla em inglês). O aviso da MSA, difundido no sábado pela comunicação social, referiu que vão ser realizados exercícios com munições reais no centro do mar Amarelo, que fica localizado entre a China e a península coreana.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês emitiu também um alerta, na sexta-feira, no qual desaconselha as viagens para o Japão devido à deterioração do ambiente de segurança. Um aviso replicado, no sábado, pelas autoridades das duas regiões semiautónomas chinesas de Macau e Hong Kong.

As principais companhias aéreas chinesas anunciaram, também no sábado, o reembolso total dos voos com destino ao Japão, após o apelo do Governo. O Japão enviou ontem um diplomata à China para abordar as recentes tensões em relação a Taiwan, avançou a agência de notícias japonesa Kyodo, citando fontes governamentais. O dirigente do Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês vai reunir-se com as autoridades chinesas hoje, acrescentou a Kyodo.

Washington espera concluir acordo com Pequim até fim de Novembro

O secretário norte-americano do Tesouro, Scott Bessent, disse no domingo que “espera” que o acordo entre os Estados Unidos e a China sobre as exportações de terras raras possa ficar formalmente concluído em dez dias.

“Ainda não finalizámos o acordo”, mas “esperamos fazê-lo até ao Dia de Acção de Graças”, ou seja, 27 de Novembro, declarou Bessent na cadeia televisiva Fox News. O responsável da administração norte-americano pela pasta da Economia também se disse “convencido” de que “a China cumprirá os seus compromissos”, mas caso contrário, advertiu, Washington dispõe de “muitos mecanismos” para retaliar.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, reuniram-se no final de Outubro para atenuar o conflito comercial entre as duas maiores potências económicas do mundo. Na sequência desta reunião, Pequim aceitou suspender, por um ano, restrições adicionais impostas algumas semanas antes às exportações de terras raras, que contêm os metais cruciais para o sector tecnológico mundial.

Acerto de contas

Essas terras são extraídas em vários países, incluindo os Estados Unidos, mas a China detém quase um monopólio no processamento destas matérias para as tornar utilizáveis na indústria.

Segundo Scott Bessent, o acordo sino-americano prevê que as terras raras “circulem livremente como antes de 4 de Abril”, data em que Pequim tinha imposto várias restrições à exportação em resposta às tarifas alfandegárias decretadas pela administração de Donald Trump.

No âmbito do acordo anunciado no final de Outubro, Washington vai reduzir de 57 por cento para 47 por cento as tarifas alfandegárias aplicadas aos produtos chineses que entram no mercado americano. A China comprometeu-se também a comprar 12 milhões de toneladas de soja aos Estados Unidos até ao final do ano, e 25 milhões por ano depois disso.

Hong Kong | Detidas 15 pessoas suspeitas de branquear quase 130 milhões de euros

O alegado grupo criminoso fazia empréstimos avultados através de uma empresa legítima criada para o efeito. A operação resultou ainda na apreensão de relógios e outros produtos de luxo, além de grandes quantidades de dinheiro vivo

A polícia de Hong Kong deteve 15 pessoas suspeitas de pertencerem a um grupo que terá branqueado 1,16 mil milhões de dólares de Hong Kong (128,6 milhões de euros) provenientes de actividades criminosas. De acordo com a imprensa da região semiautónoma chinesa, a polícia anunciou que cinco dos detidos – três homens e duas mulheres – foram já acusados de branqueamento de capitais e terão sido ontem presentes a tribunal.

Os restantes suspeitos, sete homens e três mulheres com idades entre 27 e 62 anos, permanecem detidos, acrescentou a polícia, no domingo à noite.

Uma investigação identificou um alegado grupo criminoso que terá usado 21 contas bancárias pessoais e três contas de empresas para branquear 1,16 mil milhões de dólares de Hong Kong desde 2016. O grupo criou uma empresa financeira, aparentemente legítima, dedicada à concessão de empréstimos de elevado valor, mas cujas operações eram alegadamente usadas para a lavagem de dinheiro.

As detenções aconteceram numa operação lançada na quinta-feira, na qual a polícia também apreendeu relógios, joias e bolsas de luxo, documentos bancários e 24,7 milhões de dólares de Hong Kong em dinheiro. Mais tarde, a polícia congelou aproximadamente 1,6 milhões de dólares de Hong Kong, alegadamente provenientes de actividades criminosas, em contas bancárias pertencentes a três dos detidos.

Jogo abaixo

A operação decorreu em quatro diferentes locais de Hong Kong, onde a polícia suspeitava que decorriam actividades ilegais de jogos de fortuna e azar. A vizinha região de Macau, a capital mundial do jogo, é o único local na China onde o jogo em casino é legal.

Em Hong Kong apenas são legais as apostas em corridas de cavalos e em jogos de futebol, todas operadas pela mesma empresa, o Hong Kong Jockey Club (HKJC), em regime de monopólio. O parlamento do território aprovou em 11 de Setembro a legalização das apostas em jogos de basquetebol, que tem como um dos objectivos desviar fundos do mercado ilegal para circuitos controlados, segundo o Governo local.

O HKJC disse que deve começar a aceitar apostas em jogos de basquetebol em Setembro de 2026, início da próxima época da NBA, a liga masculina norte-americana de basquetebol.

A Substância da Primavera na Visão de Yin Hong

Zhuangzi, no século IV a. C., entendia o tempo como um contínuo em transformação que não deve ser contrariado mas aproveitado numa «vadiagem feliz», xiaoyao you, fluindo com ele e para o comprovar não cessava de observar as mutações do mundo da natureza.

Os letrados adeptos das artes do pincel que o leram não deixaram de testemunhar esse incessante olhar. Na dinastia Ming, por exemplo, uma das formas de expressar essa atitude, convocando o envolvimento do observador, pode ser vista em pinturas como no engenhoso rolo das Quatro estações (Sishi shanshui, rolo horizontal, tinta e cor sobre seda, 35,1 x 569,9 cm, de autor desconhecido, no Metmuseum) em que ao ser desenrolada da direita para a esquerda, a pintura vai revelando sucessivamente reconhecíveis cenários que distinguem as estações do ano.

O pintor Japonês Sesshu Toyo (1420-1506), que durante dois anos foi conhecer a pintura da dinastia Ming, interpretou mais do que uma vez o tema da mudança das estações e de forma admirável em quatro rolos verticais (tinta e cor sobre seda, 149,5 x 75,6 cm, no Museu Nacional de Tóquio).

Pintados no depurado estilo então muito admirado dos mestres da antiga dinastia Song, Ma Yuan e Xia Gui, tudo neles tem o sabor da nostalgia. No primeiro, o da Primavera por exemplo, mostra a reconhecível figura de um poeta sentado de costas sobre uma mula ao deixar a casa de um amigo. Desde o início da dinastia, pintores tratavam a grandiosidade da paisagem acentuando o que é particular a cada estação do ano, revivendo esse estilo chamado «escola de Ma-Xia».

Outros, nesse tempo, exibiam de forma diferente a passagem das estações, detendo-se em meticulosas figuras de animais e plantas que são a distinta matéria de cada estação. Um membro de uma família de pintores ligados à corte, de quem hoje se conhecem poucas pinturas, numa delas figurou assim expressivamente a Primavera, quando porventura mais se sente um recomeço.

Yin Hong (c.1430-c.1500) no grande rolo vertical Encontro de pássaros sob um salgueiro na Primavera (Chunliu juqi, tinta e cor sobre seda, 240 x 195,5 cm. no Museu de Arte de Cleveland) mostra, com minúcia, na margem de um rio sob um salgueiro e à volta de uma ampla gongshi, «pedra de literatos», uma variedade de flores e aves, onde se destaca pela dimensão e exuberância um casal de pavões. A pavoa, à frente, parece estar a empurrar um dente-de-leão pugong ying, sinal de determinação e boa sorte, assim como o salgueiro é de novos inícios, de renascimento e fertilidade. E com a água abundante do rio, são todas figuras apropriadas para representar a Primavera.

Quem soubesse interpretar a cena poderia deixar-se embalar e, fluindo, dizer como o poeta Zhu Yunming (1461-1527): «Se há flores e há vinho para celebrar, cantando,/ Como é bom ser um literato e habitar a abundância preciosa do tempo!»