IIM | Banda desenhada bilingue celebra Batalha de Macau de 1622 Hoje Macau - 18 Nov 2025 O Instituto Internacional de Macau (IIM), em co-edição com a Mandarina Books, vai lançar o livro de banda desenhada bilíngue “Vitória, vitória – episódio da nossa história”, que “oferece uma visão refrescante e notavelmente divertida sobre a Batalha de Macau de 1622, um episódio decisivo na história do território”, indica o IIM em comunicado. O lançamento do livro, previsto para 4 de Dezembro a partir das 18h, realizar-se-á durante a feira de livros no pavilhão polidesportivo do Tap Seac, situado no Jardim Vasco da Gama. A apresentação vai estar a cargo de Rodrigo de Matos, cartoonista da obra, Miguel de Senna Fernandes, em representação da Associação dos Macaenses (ADM) e António Monteiro, Secretário-Geral do IIM. Segundo o IIM, “Vitória, vitória – episódio da nossa história” é “mais do que uma simples recriação histórica”, seguindo uma linha satírica “inteligente e afectuosa”, seguindo a linha criativa do cartoonista Rodrigo de Matos. Como o título deixa entender, a obra “aborda os eventos do cerco holandês de forma humorística e irreverente”, e “estabelece uma ligação espirituosa com as celebrações actuais do Dia de São João Baptista, padroeiro de Macau, cuja festa comemora precisamente essa vitória histórica. O resultado é uma obra que ri da História e das suas tradições, sem nunca deixar de as celebrar”. A equipa que criou a banda desenhada é composta por António Monteiro na concepção, Rodrigo de Matos nas ilustrações e Catarina Mesquita no texto. A obra, que contou com o apoio financeiro do Fundo de Desenvolvimento da Cultura, vai estar disponível em português e chinês, vai custar 180 patacas e poderá ser comprada nas livrarias de Macau e nas plataformas digitais do IIM e da Mandarina.
Clockenflap | Cartaz encerrado com Bloc Party e my bloody valentine João Luz - 18 Nov 2025 O Festival Clockenflap anunciou no fim-de-semana as últimas bandas do cartaz deste ano. Bloc Party, my bloody valentine e Bright Eyes juntam-se a Franz Ferdinand, Beth Gibbons, Sparks e companhia para três dias de música ao vivo no Central Harbourfront, em Hong Kong, entre 5 e 7 de Dezembro O cartaz do Clockenflap fechou com o anúncio de três projectos de espectros diferentes de música alternativa: Os ingleses Bloc Party, os pioneiros my bloody valentine e o cantor norte-americano de folk Bright Eyes. Durante três dias, entre 5 e 7 de Dezembro, vão actuar dezenas de bandas dos mais variados estilos musicais, no Central Harbourfront, na ilha de Hong Kong. Ainda há bilhetes à venda para os três dias (1.990 dólares de Hong Kong) e para um dia (1.280 dólares de Hong Kong). Entre as novidades anunciadas no fim-de-semana, destaque para os Bloc Party que vão tocar pela primeira vez na região vizinha no sábado, 6 de Dezembro. A celebrar o vigésimo aniversário do seu estrondoso disco de estreia, “Silente Alarm”, a banda de Kele Okereke e Russell Lissack foi uma das mais brilhantes estrelas da constelação de bandas que elevou o indie-rock para patamares de popularidade normalmente reservados a bandas pop, à semelhança dos Franz Ferdinand (que actuam no dia seguinte, encerrando o palco principal do festival), e bandas como The Strokes, Artic Monkeys e The White Stripes. Após “Silent Alarm”, a banda britânica procurou afastar-se da fórmula instrumental de guitarras, baixo e bateria e aventurou-se por ritmos que incorporaram algumas batidas electrónicas e experimentação com outros instrumentos. Músicas como “Hunting for Witches” e “The Prayer” não desiludiram os fãs e crítica e o segundo disco dos Bloc Party conseguiu o feito de não defraudar expectativas depois de um avassalador primeiro registo. O terceiro álbum da banda britânica afastou-os ainda mais das sonoridades clássicos do rock. Depois da tournée que promoveu “Intimacy”, a banda interrompeu actividade, com os seus membros a dividirem-se entre outros projectos musicais. Entretanto, a banda lançou mais três discos e voltou ao activo. Suavidade e barulho Os irlandeses my bloody valentine também vão marcar a sua estreia na cidade vizinha no Clockenflap deste ano. Com uma carreira com mais de 35 anos, a banda de Dublin foi uma das bandas pioneiras do shoegaze, com melodias marcadamente pop assentes em fundações de distorção de guitarra. Depois de lançar o segundo disco, o aclamado “Loveless”, a banda dissolveu-se e regressou cerca de 20 anos depois, em 2007, para uma tournée mundial e em 2013 lançaram “m b v”, o terceiro disco da banda. “Apesar de terem lançado apenas três álbuns, a banda alcançou um estatuto quase mítico entre os fãs, em grande parte graças aos seus incríveis espectáculos ao vivo, que combinam uma intensidade sombria e riffs melódicos com ondas de distorção e paredes de som estrondosas”, descreve a organização do festival. Os my bloody valentine foram a chave que abriu portas a bandas como Slowdive, Lush e Dive e tornando-se num fenómeno de culto nos circuitos alternativos. Outra das novidades anunciadas no fim-de-semana, foi o concerto de Bright Eyes, o projecto folk do músico norte-americano Conor Oberst, que irá actuar pela primeira vez em Hong Kong no último dia do festival. Bright Eyes vai apresentar-se no Central Harbourfront como um trio centrado em Conor Oberst, “o talento prodigioso amplamente apelidado de ‘novo Bob Dylan’ quando mal tinha saído da adolescência”, refere a organização do festival. O público pode esperar um concerto intimista, apesar da dimensão do palco, com um alinhamento movido a sonoridades acústicas. Para todos os gostos Além de veteranos entre as diversas escalas de barulho e silêncio do rock, o Clockenflap anunciou a actuação de Ano e Kento Nakajima, duas estrelas em ascensão no universo do pop japonês, que também vão actuar pela primeira vez em Hong Kong. Recorde-se que o cartaz deste ano do maior festival de música da região já contava com Beth Gibbons, a eterna vocalista do colectivo de trip-hop Portishead, os canadianos Godspeed You! Black Emperor, o seminal duo Sparks e nomes incontornáveis da cena de música de dança como Dave Clark e Digitalism. Além da música, o festival inclui ainda “uma série de instalações artísticas de encher o olho, workshops e espectáculos para toda a família e uma selecção de estabelecimentos de comida e bebida de fazer crescer água na boca, incluindo petiscos únicos de alguns dos restaurantes mais apreciados da cidade”. Uma das novidades artísticas que o festival traz para esta edição é o projecto “Minimax – A Mobile & Modular Theatrical Experience”, entendido pela organização como “um novo conceito para todos os amantes das artes”, actualmente na fase de recrutamento de “talentos locais”.
Cancro do colo do útero | Cerca de 40 mil mulheres vacinadas Hoje Macau - 18 Nov 2025 Mais de 40 mil residentes completaram a vacinação até Outubro, no âmbito do programa de vacinação contra o cancro do colo do útero. Os números foram avançados ontem pelos Serviços de Saúde (SS), data em que se assinalou o Dia para a Eliminação do Cancro do colo do útero da Organização Mundial de Saúde. Os mesmos dados indicam que a taxa de vacinação para residentes do sexo feminino que fizeram 13 anos entre 2022 e 2024 ultrapassou os 95 por cento. De acordo com os SS, o cancro do colo do útero ocupa o oitavo lugar entre os cancros mais comuns entre as mulheres no território. Nos últimos anos, os SS indicaram que a incidência e taxa de mortalidade do cancro do colo do útero diminuíram em cerca de 30 por cento.
Burla | Professor detido por enganar dois homens Hoje Macau - 18 Nov 2025 Um homem do Interior foi detido, depois de ter apostado nos casinos 400 mil dólares de Hong Kong de outros dois homens. O caso foi revelado ontem pela Polícia Judiciária (PJ) e citado pelo jornal Ou Mun. Inicialmente, o suspeito pediu o dinheiro aos dois homens, que estavam nos casinos para fazer empréstimos ilegais de dinheiro. O indivíduo perdeu todas as fichas nas mesas de jogo e não conseguiu devolver o dinheiro. Foi nessa altura que os homens, com um prejuízo de 400 mil dólares de Hong Kong, chamaram as autoridades. Como resultado, os três acabaram detidos. O jogador por burla e os restantes pelo crime de troca ilegal de dinheiro para o jogo. Fronteiras | Mais de 100 aparelhos electrónicos apreendidos numa semana Entre os dias 7 e 13 deste mês, os Serviços de Alfândega (SA) detectaram oito casos de contrabando nos postos fronteiriços das Portas do Cerco e de Hengqin, que resultaram na acusação de oito pessoas, residentes de Macau e do Interior da China, por alegadas infracções à lei do comércio externo. Segundo um comunicado emitido pelos SA, foram interceptados 134 produtos electrónicos antigos, principalmente telemóveis, 5.210 gramas de charutos, 31,8 quilos de alimentos não declarados e 100 quilos de frutas sem inspecção sanitária. Os bens foram escondidos em roupas, pertences pessoais ou viaturas.
Habitação Económica | Mais de duas mil famílias escolheram casas Hoje Macau - 18 Nov 2025 O presidente do Instituto de Habitação (IH), Iam Lei Leng, afirmou ontem que mais de 2.000 famílias participantes no concurso de 2019 seleccionaram habitação económica. Em declarações no programa Fórum Macau da Ou Mun Tin Toi, citadas pela Rádio Macau, Iam Lei Leng disse igualmente que dos 2.000 agregados familiares, cerca de 1.000 encontram-se em fase de conclusão dos procedimentos de entrada nas novas casas. Em relações a compras futuras, Iam Lei Leng referiu que um despacho do Chefe do Executivo publicado em Outubro, veio ajustar a base de cálculo do sobrepreço da concessão de terrenos, o que vai permitir uma redução do preço das habitações económicas compradas entre 2021 e 2023. Quanto às infrações detectadas com as frações de habitação económica ao longo deste ano, Iam Lei Leng revelou que até ontem tinha sido recebidas 14 denúncias. No mesmo programa, o director dos Serviços de Solos e Obras Públicas, Lei Weng Leong, assegurou que o Governo continua os trabalhos de identificação de reservas de terrenos para uso temporário. Esses espaços, são destinados a Campos Livres, estacionamento de veículos, varandas urbanas e estações de ECOPontos, como forma de responder às solicitações da sociedade.
Margem Sul | Parte do Corredor Verde aberto ao público João Luz - 18 Nov 2025 Abriu ontem ao público a primeira secção do Corredor Verde da Margem Sul, que irá acrescentar mais um espaço de lazer à zona costeira da península, junto à Ponte Governador Nobre de Carvalho. O corredor verde será equipado com campos de futebol e basquetebol, e um passadiço à beira-mar O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) anunciou ontem a abertura ao público da primeira secção do projecto do Corredor Verde da Margem Sul, na zona costeira entre a Ponte Governador Nobre de Carvalho e a Torre de Macau. Num comunicado divulgado ontem, o IAM recorda que a principal função será aumentar a oferta de campos desportivos na península de Macau. Apesar das obras até às Portas do Entendimento ainda não estarem concluídas, parte do Corredor Verde da Margem Sul abriu ontem ao público às 07h. Para já, o IAM indicou que “os cidadãos podem aceder à Zona 1 utilizando o parque de estacionamento temporário localizado na mesma ou através do passeio pedonal temporário com acesso pela Avenida Dr. Sun Yat-Sen”. Com uma área com cerca de 8.900 metros quadrados, a Zona 1 da segunda fase do Corredor Verde da Margem Sul terá um campo de futebol, dois campos de basquetebol e uma área de aquecimento junto à zona costeira próxima da Ponte Governador Nobre de Carvalho. A área terá ainda instalações de apoio, como sanitários públicos, cacifos e máquinas de venda automática. Porém, um dos grandes trunfos da requalificação da zona é o passadiço. “A existência de um passadiço de lazer costeiro e um passadiço de madeira sobre a água permite que os cidadãos disfrutem de passeios à beira-mar e momentos de descanso”, indica o IAM. Quase, quase A obra da segunda fase do Corredor Verde da Margem Sul está dividida em três zonas, abrangendo a área entre a Ponte Governador Nobre de Carvalho e as Portas do Entendimento, com uma área total de construção de cerca de 60 mil metros quadrados. O IAM indicou ontem que os trabalhos da zona 2 “estão a decorrer conforme planeado, estando actualmente cerca de 70 por cento das obras de engenheira civil concluídas”. Uma vez que a segunda fase do Corredor Verde da Margem Sul ainda não está totalmente concluída, o Governo criou um parque de estacionamento temporário adjacente àquela zona, com capacidade para cerca de 110 veículos ligeiros e aproximadamente 100 motociclos. O acesso para veículos é feito pela Rua da Torre de Macau.
GP Consumo | Fim de iniciativa ameaça negócios João Santos Filipe e Nunu Wu - 18 Nov 2025 Com o programa de incentivo do consumo do Governo a chegar ao fim este mês, vários comerciantes admitem temer pelo impacto nas vendas, que em alguns casos pode atingir os 50 por cento Com o aproximar do fim da iniciativa “Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias”, os comerciantes temem perder até 50 por cento do volume actual de negócios. O cenário foi traçado por alguns comerciantes em declarações ao jornal Ou Mun. O esquema de incentivo ao consumo que atribui vales de desconto termina no final do mês, e, face a esta realidade, o responsável de um supermercado contou à publicação em língua chinesa que o estabelecimento se está a preparar para o pior. Na perspectiva do residente, que não foi identificado, espera-se uma redução de 50 por cento das compras no espaço. O responsável recordou que no passado os clientes utilizavam os cupões principalmente em compras de bens de primeira necessidade, por exemplo, gel de banho, papel higiénico ou carne congelada. No entanto, como na semana passada a distribuição envolveu cupões de valor mais elevado, o consumo de bens não essenciais, como brinquedos, snacks ou bebidas alcoólicas cresceu cerca de 50 por cento. Este aumento do volume de vendas tido como “repentino” foi atribuído ao pograma de incentivo ao consumo e acredita-se que vai desaparecer no final de Novembro. Por esta razão, o responsável aguarda a confirmação sobre a continuação de um apoio ao consumo semelhante, e defende a necessidade dos cupões de desconto serem de um valor superior, além de sugerir que a iniciativa abranja mais pessoas. Grandes males, grandes remédios O cenário traçado por um trabalhador de uma farmácia local foi muito semelhante, com a previsão de que as vendas venham a sofrer quebras de 30 a 40 por cento, com o final do programa. O funcionário recordou que na primeira semana desta ronda do grande prémio para o consumo houve vários clientes a visitar a farmácia para adquirirem artigos domésticos e produtos para bebé mais caros, o que levou a uma ruptura do stock de fraldas e de leite em pó. Os clientes confirmaram também que houve uma maior atribuição de cupões com os valores de 100 e 200 patacas, que só podem ser utilizados em compras no valor de 300 patacas e 600 patacas. O trabalhador da farmácia revelou ainda que muitos dos clientes preferem utilizar este dinheiro para guardarem nas contas pessoais naquela farmácia, que, mais tarde, pode ser utilizado para outras compras. O responsável de um salão de cabeleireiro revelou também que a situação de carregamento das contas pessoais na sua loja é comum, o que permite aos clientes utilizar o montante mais tarde. O responsável confessou que nunca tinha pensado em criar um sistema de contas pessoais para o seu negócio, mas que devido ao elevado número de solicitações dos clientes teve de se adaptar. O responsável revelou ainda que como a sua loja tem recursos limitados, as contas pessoais são guardadas num caderno escrito à mão. Todavia, se houver mais uma ronda do programa, admite adquirir um sistema informático.
Habitação para idosos | Ella Lei pede redução das rendas João Santos Filipe - 18 Nov 2025 Rendas mais baratas, continuidade dos descontos de 20 por cento para novos inquilinos e a resolução de problemas de ventilação e de qualidade da água. São estes os pedidos da deputada da (FAOM) para melhorar a qualidade de vida na habitação para idosos Ella Lei defende que o Governo deve avançar com uma redução das rendas cobradas aos moradores das habitações para idosos. A posição da deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) foi tomada através de uma interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa. Quando anunciou o preço do aluguer das habitações para idosos, o Executivo apontou que iria variar entre 5.410 e 6.680 patacas por mês. Contudo, meses depois, foi adoptada uma política de descontos no valor de 20 por cento sobre o preço total, o que levou a que as rendas fossem reduzidas para montantes entre 5.096 patacas e 5.344 patacas por mês na Zona A da habitação para idosos. Na Zona B, os descontos fazem com que as rendas sejam de 4.840 patacas e 5.040 patacas. Enquanto na Zona C, as rendas o preço com descontos é de 4.584 e 4.808 patacas por mês, e na Zona D entre 4.328 e 4.536 patacas por mês. Os descontos anunciados vão vigorar durante seis anos para os arrendatários, mas apenas se os contratos de arrendamento forem assinados até o final deste ano. No entanto, Ella Lei considera que o preço ainda é considerado elevado por muitos dos idosos e pede reduções: “Muitos dos moradores indicaram que o preço do aluguer continua relativamente alto e que representa um encargo financeiro significativo”, justifica a deputada. “Além disso, com a actual queda dos preços do arrendamento no mercado privado, os montantes cobrados na habitação para idosos podem fazer com que essa habitação deixe de ser tão atractiva”, acrescentou. Neste sentido, Lei quer saber se há espaço para reduzir os preços com base “nos preços do mercado privado” e nas “condições financeiras dos residentes”. A deputada pretende igualmente saber se o actual desconto de 20 por cento vai continuar a ser oferecido aos idosos que se mudarem para as residências no próximo ano, ao contrário do que está actualmente previsto. Apostas nas instalações Citando os dados oficiais, a deputada indica que actualmente há cerca de 1.500 idosos nas residências. Contudo, Ella Lei aponta que existem questões a necessitar de intevenção, ao nível das condições das habitações: “Alguns idosos revelaram-me preocupações sobre as condições de vida na habitação para idosos, relacionadas com a necessidade de melhorar a ventilação dentro dos apartamentos, assim como a necessidade de melhorar a qualidade da água”, revelou a deputada. “Foram também feitas sugestões de oferecer serviços de limpeza, uma vez que muitos idosos têm problemas de mobilidade, pelo que não conseguem chegar aos lugares mais altos das habitações, para fazerem as limpezas”, acrescentou. Além destes problemas, a deputada indica que os moradores pretendem que haja mais serviços médicos nas residências e uma rede de transportes mais adequada, para facilitar as deslocações. Por isso, a legisladora quer saber se o Governo pode responder a estas necessidades.
Hengqin | Sam Hou Fai divide com Meng Fanli comissão de gestão Hoje Macau - 18 Nov 2025 A composição da Comissão de Gestão e da Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin foi alterada, com Sam Hou Fai e o governador da província de Guangdong, Meng Fanli, a assumirem o cargo de Chefe da Comissão de Gestão. A novidade foi revelada ontem pelo Gabinete de Comunicação Social, que cita a página oficial da Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. Segundo os ajustes anunciados, o secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, assume o cargo de Subchefe Permanente. Os cargos de subchefes da comissão de gestão foram divididos pelo secretário para a Segurança, Chan Tsz King, e a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, assim como os vice-governadores de Guangdong Zhang Hu e Zhang Guozhi, o secretário do comité municipal de Zhuhai do PCC Chen Yong. No que diz respeito à Comissão Executiva, o secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, assume o cargo de Chefe da Comissão Executiva. Nie Xinping, Fu Yongge, Li Chong, da parte de Guangdong, e Cao Jin Feng e Cheong Kok Kei da parte de Macau assumem cargos de subchefes, sendo o cargo de secretário-geral da Comissão de Gestão assumido por Nie Xinping e Tai Kin Ip.
Governo sem planos para abrir creches na Zona de Cooperação João Santos Filipe - 18 Nov 2025 Actualmente, o Governo da RAEM não tem planos para abrir creches na Zona de Cooperação Aprofundada na Ilha da Montanha, devido às diferenças legais e políticas. A explicação consta da resposta a uma interpelação da deputada Song Pek Kei. A legisladora ligada à comunidade de Fujian defendia a abertura de uma creche segundo os modelos de Macau em Hengqin, como forma de facilitar a vida aos residentes que vivem no outro lado da fronteira, mas preferem o modelo educativo de Macau. Song considerava que a abertura de uma creche do outro lado da fronteira seria ainda uma forma para levar mais residentes a mudarem-se para Hengqin. No entanto, o Instituto de Acção Social (IAS) não mostrou abertura para avançar nesse sentido, explicou Chan Un Tong, director da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), responsável pela resposta à deputada. “O IAS afirma que, considerada a diferença entre as disposições legais e políticas relativas à abertura de creches no Interior da China e em Macau, e, em particular, a existência de uma divergência significativa nos requisitos de construção e definição de espaços interiores e exteriores, o Governo da RAEM não tem, na presente fase, planos para estabelecer creches na zona”, foi explicado. “Entretanto, já existem na Zona de Cooperação jardins-de-infância privados que seguem as normas do Interior da China, oferecendo cuidado infantil para os residentes de Macau que vivem na zona”, foi acrescentado. Aposta na integração No entanto, foi garantido que o “Governo da RAEM manterá contacto regular com os serviços competentes da Zona de Cooperação para optimizar as respectivas medidas, promovendo e implementando a iniciativa no sentido da integração Macau-Hengqin”. Como forma de promover a maior integração de Macau no Interior foi ainda indicado que o “Governo da RAEM continuará a prestar atenção às diferentes componentes de bem-estar social na Zona de Cooperação, de modo a proporcionar maior conveniência aos residentes de Macau que aí vivem”.
Saúde Mental | “Educação Vermelha” é aposta para lidar com “adversidades” João Santos Filipe - 18 Nov 2025 A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) quer promover ensinamentos sobre a Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa com deslocações às bases de educação patriótica para reforçar a capacidade de resistência dos mais jovens contra as adversidades do quotidiano A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) considera que a aposta na educação sobre o Partido Comunista Chinês permite aos jovens aprenderem a lidar com as adversidades. A explicação consta da resposta a uma interpelação do deputado Ho Ion Sang, que defendia o aprofundar dos valores nacionalistas entre os jovens, para responder aos problemas de saúde mental. A chamada “Educação Vermelha” passa por visitas de estudo a “bases” criadas para contar a versão oficial de episódios considerados fundamentais para o Partido Comunista Chinês, como a Grande Marcha ou a luta contra a invasão japonesa. A prática tornou-se frequente no Interior e agora, mais recentemente, também em Macau, sendo entendida pelas autoridades como uma forma de promover a saúde mental dos jovens. No âmbito desta política, o Governo garante que vai continuar a promover mais visitas. “A DSEDJ organiza ainda o pessoal docente para participar em visitas de estudo às ruínas históricas da Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa ou a bases de ‘educação vermelha’, orientando os alunos a divulgarem as virtudes tradicionais da China, tais como o espírito de persistência, perseverança, autovalorização e disponibilidade para ajudar os outros, para que, no momento da transmissão desta cultura excelente, elevem a sua capacidade de resistência perante as adversidades”, foi justificado. A DSEDJ destacou também que “aproveita, de forma activa, os ricos recursos da educação patriótica do Interior da China” para organizar e financiar diferentes projectos de promoção e aprendizagem sobre a “cultura tradicional excelente chinesa” e viagens de finalistas que contaram com mais de 20 mil participantes e tiveram como destinos as “bases nacionais de demonstração da educação patriótica” e as “bases nacionais de popularização científica”. Além do nacionalismo Para além da abordagem nacionalista ao problema da saúde mental dos jovens, a DSEDJ garante que o Governo tem implementado outras medidas, como a criação do “Grupo de trabalho para o acompanhamento da saúde mental e física dos jovens – Caminhar com amor”, que envolve “associações educativas, instituições de aconselhamento aos estudantes do ensino superior e associações juvenis”. A DSEDJ assegura igualmente que existe uma rede de apoio aos jovens com problemas mentais e que foi elaborada uma “Tabela de Identificação da Saúde Mental dos Alunos” com orientações de trabalho e que foi dada formação nas instituições de ensino para se conseguir “identificar, atempadamente, as necessidades psicológicas dos alunos”. A DSEDJ indicou ainda ter lançado material didáctico sobre a saúde mental e incentivado as escolas a realizarem, mensalmente, aulas dedicadas a estes assuntos.
Roadsport | Badaraco subiu ao pódio em dia de aniversário, mas acabou penalizado João Santos Filipe - 17 Nov 2025 Em dia de aniversário, Badaraco recuperou de um 17.º até chegar ao segundo lugar do pódio. Horas depois da festa, chegou a má notícia, com uma penalização a relegá-lo para 15.º. Já Rui Valente foi colocado fora de pista, depois de recuperar várias posições Em dia de aniversário, Jerónimo Badaraco subiu ao segundo lugar do pódio da prova do Roadsport Challenge, depois de ter arrancado de 17.º. No entanto, o pior chegou depois, quando os três primeiros, todos pilotos locais, foram penalizados e relegados na classificação geral, por ultrapassarem antes da linha de partida, após a saída do safety car, outros carros que se despistaram. O macaense teve assim um revés ao ser relegado para 15.º, depois de uma corrida quase perfeita: “Foi muito injusto e acho que os stewards não sabem o que estão a fazer”, afirmou Jerónimo. “Acho que a decisão não foi transparente. Após a saída do safety car, vários pilotos bateram nas barreiras… claro que nós pensámos que eles não iam continuar em prova, após aquelas batidas e tivemos de ultrapassá-los”, explicou. “E mesmo que nós tivéssemos parado ou abrandado face aos despistes desses pilotos, íamos criar uma situação muito mais perigosa para todos, porque os carros atrás de nós seriam surpreendidos com a nossa travagem, pelo que haveria mais acidentes”, justificou. Ainda assim, o macaense garantiu ao HM que a penalização não lhe ia estragar o dia: “Eu vou continuar a aproveitar o dia, subi ao pódio, bebi o champanhe, tirei as fotografias… Mais taça, menos taça, vou é continuar a celebrar”, garantiu entre risos. Horas antes, Badaraco já havia explicado que subir ao pódio na Guia “é um sentimento diferente” que justifica “em 80 por cento” a sua opção de pilotar há 26 anos. O piloto mostrou-se ainda satisfeito com a prova, por considerar que ninguém lhe pode tirar o mérito do que alcançou na pista, ao subir de 17.º para 2.º: “Antes da corrida pensei muito em como ia abordar a partida, para recuperar posições, e estava confiante num bom resultado. O mais importante foi não ter desistido, depois da qualificação, e não ter deixado de acreditar que era possível chegar ao pódio”, explicou o macaense. “Sei que o Circuito da Guia tem sempre muitas mudanças ao longo da corrida, há muitos safety cars e bandeiras amarelas, e sabia que tinha a experiência, e também a calma, para conseguir aproveitar as oportunidades”, realçou. “Estragaram-me a corrida” Por sua vez, Rui Valente desistiu e mostrou-se desiludido, devido ao que considerou um excesso do piloto que o tentou ultrapassar por dentro, na curva de acesso à estrada de São Francisco. “Não sei o que passou na cabeça do piloto que me tentou ultrapassar. Não consigo perceber como é que ele viu um espaço que simplesmente não existia!”, desabafou Valente. “Fui colocado fora de prova. Quando tentei fazer a curva, ele tocou-me e pronto, fiquei com a traseira danificada e tive de voltar à box para abandonar”, relatou. Quando aconteceu o toque que colocou o final à corrida, Valente estava a circular entre os 10 primeiros, mesmo depois de um arranque menos conseguido, após a saída do primeiro Safety Car. Apesar deste aspecto, o macaense chegou a acreditar que era possível alcançar um resultado entre os cinco primeiros: “Eu estava com bom ritmo, estava confiante e acho que ia conseguir um resultado entre os cinco primeiros…. São as corridas…”, lamentou. O macaense fez ainda um balanço de um fim-de-semana “complicado” em que também esteve envolvido num outro acidente na sessão de treinos livres. “Para ser sincero não foi um dos fins-de-semana em que mais me diverti em Macau. Tive esse primeiro toque, que me condicionou a qualificação. Na corrida até estive bem, a ganhar posições, mas colocaram-me fora de pista…”, realçou. Com 64 anos, Rui Valente admite agora que pode ficar de fora da próxima edição do Grande Prémio: “Com um modelo de qualificação para Macau tão difícil e depois com corridas com tantos acidentes, vou ponderar o que fazer no futuro”, confessou. “Não quero ficar parado, quero continuar activo e envolvido em diferentes actividades, por isso, se encontrar uma actividade que me ocupe e me faça sentir bem, talvez fique de fora das corridas no próximo ano”, contou. Resultados 1.º Leung Tsz Wa Toyota GR86 40m09s237 2.º Adrian Chung Toyota GR86 a 0.148 3.º Tsang Pak Yin Toyota GR86 a 0.407 (…) 15.º Jerónimo Badaraco Toyota GR86 a 29.061 Alto e Baixo Alto A prestação de Jerónimo Badaraco com a recuperação de várias posições mostra a importância que a experiência tem no circuito Baixo O safety car ficou em pista demasiadas voltas, o que reduziu em muito o tempo de corrida
Curtas do Grande Prémio João Santos Filipe - 17 Nov 2025 Espectadores | Mais de 110 mil passaram pelas bancadas Ao longo dos quatro dias do Grande Prémio de Macau mais de 110 mil pessoas passaram pelas bancadas do Circuito da Guia, um aumento em relação ao ano passado, que ficou marcado pela passagem de um tufão. Segundo os números oficiais, o bom tempo ajudou e na quinta-feira houve mais de 15 mil espectadores, na sexta cerca de 28 mil e no sábado 35 mil. Ontem, no dia das principais corridas, o número de espectadores ficou acima dos 32 mil. Tabaco | Harmony Racing multada A equipa Harmony Racing, do piloto Ye Yifei, foi multada em 500 euros, depois de um dos membros ter sido apanhado a fumar na garagem. De acordo com a sanção dos stewards, o membro da equipa estava a fumar, quando foi abordado pelos responsáveis. Ao ser apanhado, apagou imediatamente o cigarro, dentro de um copo, onde estavam outras cinco beatas. Grande Baía | Lu Wenlong superiorizou-se Lu Wenlong (Lotus Emira) foi o vencedor da Taça GT- Corrida da Grande Baía, terminando à frente de Han Lichao (Toyota GR Supra GT4 Evo2) e de Liu Kai Shun (Lotus Emira). O experiente Leong Ian Veng (BMW M4 GT4) foi o melhor piloto de Macau ao terminar no quarto lugar, muito perto do pódio. Naquela que admitiu ser a despedida da Guia, Darryl O’Young (Mercedes AMG GT4 EVO), que durante vários anos competiu na Taça GT, não foi além de uma desistência. O piloto de Hong Kong bateu com o Mercedes ao sair de frente na entrada para a subida de São Franciso. Organização | Evento satisfatório A coordenadora da Comissão Organizadora considerou que o evento decorreu de forma satisfatória e que contribuiu, em conjunto com os Jogos Nacionais, para criar um ambiente festivo em Macau. Lei Si Leng destacou a valia para o Grande Prémio das sete corridas do programa que disse ser maravilhoso. Quando questionada sobre um eventual regresso da Fórmula 3, a responsável afirmou que a organização vai continuar a cooperar com a FIA para escolher as corridas que mais se adequem a Macau. Ao mesmo tempo, deixou a garantia de que o plano passa por continuar a receber pilotos em idade de formação e que se espera que se afirmem como o futuro do automobilismo.
Taça GT Macau | Fuoco vinga desastre de 2024 e vence sem espinhas João Santos Filipe - 17 Nov 2025 O piloto italiano conseguiu finalmente levar o Ferrari ao lugar mais alto do pódio, e superou Raffaele Marciello, piloto com quem colidiu no ano passado na Curva do Lisboa, quando liderava, e que lhe valeu a desistência Antonio Fuoco (Ferrari 296 GT3) foi o vencedor da Taça GT Macau, uma prova que dominou desde o início até ao final. O italiano vingou assim a desistência do ano passado, depois de ter sido obrigado a abandonar, quando liderava, após um toque com Raffaele Marciello (BMW M4 GT3), na Curva do Lisboa. “Acho que é muito especial ganhar em Macau, principalmente depois do que aconteceu no ano passado. Mas isto faz parte das corridas, e o principal foi voltar neste ano, e conseguir fazer tudo bem”, afirmou Fuoco. “A equipa fez tudo para voltarmos e ganharmos (…) tentei fazer um arranque forte, e forçar muito na última curva para abrir uma vantagem para os restantes. Puxei muito e a certa altura ia perdendo o controlo do carro na Curva do Mandarim, mas correu tudo bem”, contou. Fuoco elogiou ainda o novo formato da qualificação, com uma segunda sessão apenas para os melhores qualificados: “foi muito divertido, acho que foi uma boa mudança”, considerou. Em segundo lugar, terminou Raffaele Marciello, que tinha vencido no ano passado, mas que nesta edição nunca mostrou andamento para ameaçar o domínio da Ferrari. No entanto, o suíço voltou a estar envolvido em toques, desta feita com Alessio Picariello (Porsche 911 GT3 R), que acabou nas barreiras. “Tentei recuperar no início e quase que consegui (…) mas os Ferraris tiveram um bom começo e foi uma corrida difícil”, disse o piloto. “O carro estava muito complicado de conduzir, por isso a certa altura tive de mentalizar-me que o importante era chegar ao fim”, acrescentou. Porsche com sortes distintas A Porsche também assegurou uma presença no pódio, através do alemão Laurin Heinrich (Porsche 911 GT3 R). “Sabia que ao arrancar do oitavo lugar da grelha ia ser muito difícil recuperar, mas acho que fui beneficiado quando perdi uma posição na corrida de qualificação, porque assim fiquei no lado mais favorável na grelha de partida”, relatou. Heinrich reconheceu também não ter andamento para conseguir mais do que o lugar mais baixo do pódio. “Eu tentei pressionar o Raffaele Marciello, mas senti que não tinha andamento para ele, por isso, sabia que só poderia fazer melhor se ele cometesse um grande erro, o que não aconteceu. A corrida passou assim também por garantir que não era pressionar atrás”, apontou. Heinrich lamentou também o toque no colega de equipa Ayhancan Guven, que fez com que o turco ficasse fora de prova: “Por um lado estou contente com o pódio, mas também triste com o que aconteceu. Acho que o meu colega tinha um bom ritmo e merecia mais”, lamentou. Alto e Baixo Alto Numa pista em que nem sempre é fácil fazer voltas lançadas, o novo modelo de qualificação traz mais emoção à prova Baixo Edoardo Mortara conhece o circuito da Guia como poucos, no entanto, a prova do italiano ficou marcada pela falta de ritmo do Lamborghini, erros do piloto e azares Classificação 1.º Antonio Fuoco Ferrari 296 GT3 27m29s598 2.º Raffaele Marciello BMW M4 GT3 a 3.960 3.º Laurin Heinrich Porsche 911 GT3 R a 4.609 Ye Yifei fenómeno de popularidade Ye Yifei (Ferrari 296 GT3) regressou a Macau, no ano em que se tornou o primeiro piloto chinês a vencer as 24 horas de Le Mans, o maior feito até agora do automobilismo do Império do Meio. Apesar de correr em Macau com licença italiana, o chinês foi recebido como herói nacional e foi um dos pilotos mais requisitados do paddock para tirar fotografias e dar autógrafos. O piloto ainda chegou a sonhar com a vitória, depois de arrancar do segundo lugar da grelha de partida, mas um arranque menos conseguido fez com que não fosse além do quinto lugar final. Nada que afectasse a sua popularidade, dado que após a corrida continuou a ser o mais requisitado entre os fãs.
Motas | Todd coroado o Rei da Guia depois de recital de condução João Santos Filipe - 17 Nov 2025 Após um ano em que foi declarado vencedor sem corrida, Davey Todd mostrou que actualmente é o piloto mais rápido no Circuito da Guia, dominando ao longo de todo o fim-de-semana. No final, lamentou não ter estabelecido um novo recorde do circuito Davey Todd (BMW M1000RR) foi o vencedor da 57.ª edição do Grande Prémio de Macau em Motos, num fim-de-semana em que não deu quaisquer hipóteses à concorrência. Após ter sido declarado o vencedor da edição do ano passado, sem que tivesse havido corrida por causa da chuva, o inglês regressou e tirou todas as dúvidas sobre o facto de ser actualmente o piloto mais rápido na categoria. “Foi um resultado fantástico”, afirmou Todd, momentos após a vitória. “Sabia que tinha um bom ritmo, que estava forte, mas que o Peter também ia estar rápido na corrida. Felizmente, consegui forçar desde o início, ganhar uma vantagem significativa nas primeiras voltas, para no final apenas ter de gerir”, explicou. Como aconteceu no ano passado, a chuva voltou a intrometer-se nos planos da organização e a qualificação, que originalmente estava agendada para a sexta-Feira de manhã, foi mudada para sábado, mesmo antes da prova principal. Todd garantiu a pole-position e durante a prova nunca mais largou esse lugar, construindo volta-a-volta uma vantagem considerável, suficiente para cortar a meta em cavalinho. No entanto, o vencedor lamentou não ter aproveitado o ritmo elevado de sábado para estabelecer um novo recorde do circuito. “Acho que fico desiludido com o facto de ter estado perto de bater o recorde do circuito, mas, durante a corrida, não sabia em que tempos estava a rodar. Estive muito perto, pelo que poderia ter batido esse recorde”, lamentou. “Mas estamos aqui para ganhar a corrida, não é para bater recordes, por isso o mais importante foi alcançado”, frisou. Em recuperação No segundo lugar, ficou o tetra vencedor em Macau Peter Hickman (BMW M1000RR), que na primeira volta teve de lidar com problemas com as mudanças. A recuperar de um grande acidente, o inglês arrancou de terceiro e aproveitou o erro de Erno Kostamo (BMW M1000RR), que saiu em frente na Curva do Lisboa, conseguindo o lugar intermédio do pódio. No final, Hickman reconheceu ter um bom ritmo, mas estar longe da forma ideal: “Eu preciso de trabalhar mais no meu corpo, para ganhar a resistência. Nesta altura, tenho a força necessária, mas canso-me depressa. Vou ter de trabalhar no Inverno”, reconheceu Hickman. O piloto admitiu ainda ter ficado assustado nas primeiras voltas com a condução de Erno Kostamo. “Para ser honesto fiquei um bocado assustado com a forma como Erno estava a correr, porque ele começou com um ritmo muito forte, mas também estava a cometer grandes erros”, revelou Hickman. “Felizmente ele não caiu, porque se ele caísse eu ia cair com ele. Isso também fez com que o deixasse ganhar alguma vantagem no início”, reconheceu. “Depois, quando ele saiu em frente na Curva do Lisboa, eu consegui ter pista livre, e consegui fazer a minha corrida”, indicou. Corrida feliz Erros à parte, o finlandês foi um dos grandes animadores da corrida. Partiu do segundo lugar, perdeu a posição no início e até à curva do Hotel Lisboa, ainda na primeira volta, conseguiu recuperá-la. Depois, devido ao erro, caiu para o quinto lugar e em pouco mais de uma volta subiu para terceiro. Por isso, apesar dos incidentes, Kostamo afirmou estar feliz com o resultado: “Em três voltas forcei muito o andamento. É verdade que fiz um grande erro na Curva do Lisboa, ao falhar o ponto de travagem, o que foi uma loucura”, relatou. “Mas, estou feliz com o resultado e por ter estabelecido a volta mais rápida da corrida”, contou. Classificação 1.º Davey Todd BMW M1000RR 29m07s289 2.º Peter Hickman BMW M1000RR a 10.021 3.º Erno Kostamo BMW M1000RR a 24.706 Alto e Baixo Alto A prestação de Peter Hickman mostra que o piloto está em recuperação após o grave acidente sofrido Baixo O cancelamento da sessão de qualificação na sexta-feira de manhã voltou a reduzir o tempo de pista do Grande Prémio de Motas
Roussel triunfa na F4, Cheong Man Hei foi 9.º e Tiago Rodrigues 11.º João Santos Filipe - 17 Nov 2025 Jules Roussel foi o vencedor da Fórmula 4, depois de uma das provas mais emocionantes do fim-de-semana, com o francês a ter de lidar durante várias voltas com o compatriota Rayna Caretti. Apesar de muito disciplinados durante a maioria do duelo, os dois acabaram por se envolver num toque que deixou Caretti fora de prova “É fantástico ser o vencedor, ganhar em Macau era um dos meus sonhos. No passado vi a corrida na televisão várias vezes, e sei que é sempre muito traiçoeira, por isso estou muito feliz”, afirmou Roussel. O piloto reconheceu também que durante o duelo com o compatriota sentiu momentos de frustração, apesar de admitir que para o público o duelo terá sido um bom espectáculo: “a corrida foi boa, mas eu estava um bocado frustrado com o duelo, porque sentia que tinha um ritmo elevado, e durante algum tempo não consegui ultrapassá-lo [Caretti]. Ele estava a defender-se muito bem”, explicou. “Felizmente, depois de passá-lo consegui aumentar o ritmo e manter a posição”, acrescentou. No segundo lugar, depois de arrancar da pole, Emanuele Olivieri mostrou-se conformado, mas algo desiludido: “O resultado não é aquilo que eu pretendia, mas fiz o meu melhor”, desabafou. “Tive muitas dificuldades com o carro ao longo da última corrida e considero que tenho de estar feliz com o que consegui alcançar”, vincou. Imune a frustrações, mesmo depois de uma penalização que o fez arrancar de 11.º, Rintaro Sato terminou no pódio. E no final o japonês admitiu toda a felicidade: “Comecei em 11.º num circuito em que é muito difícil ultrapassar, por isso estou feliz”, indicou. “Consegui ficar na pista, que é o mais difícil neste traçado e fico satisfeito com o resultado final”, concluiu. Cheong Man Hei foi o melhor piloto de Macau, mesmo se não teve melhor ritmo que Tiago Rodrigues. Cheong terminou no nono lugar, enquanto Rodrigues ficou em 11.º. Alto e Baixo Alto A ultrapassagem de Caretti a Roussel na Curva do Lisboa foi o melhor momento da corrida. Caretti apanhou o compatriota distraído, atrasou a travagem e passou por dentro Baixo Tiago Rodrigues esteve sempre rápido, mas estragou o fim-de-semana com um acidente na corrida de qualificação Classificação 1.º Jules Roussel 31m16s409 2.º Emanuele Olivieri a 1.258 3.º Rintaro Sato a 1.438 (…) 9.º Cheong Man Hei a 5.282 (…) 11.º Tiago Rodrigues a 5.782
Macau consagrou Yann Ehrlacher como o campeão do TCR World Tour João Santos Filipe - 17 Nov 2025 Yann Ehrlacher (Lynk & Co 03 FL TCR) sagrou-se campeão do TCR World Tour no sábado, ao terminar a primeira das duas corridas do fim-de-semana em terceiro lugar. O piloto francês chegou ao Circuito na Guia em vantagem pontual, tinha como único adversário o colega de equipa Thed Bjork (Lynk & Co 03 FL TCR), e uma prova sem problemas foi suficiente para carimbar o título. “Foi uma época muito boa para nós. No final houve muita pressão, mas o objectivo foi conseguido”, disse o recém-campeão, após a corrida de sábado. “Estava à espera que a corrida fosse um bocado mais emocionante, mas felizmente confirmei o título sem grandes sobressaltos”, admitiu. Este não é o primeiro título de Ehrlacher nas categorias de Carros de Turismo, dado que em 2020 e 2021 tinha vencido a Taça Mundial de Carros de Turismo. Corrida segura Em relação à primeira corrida, Néstor Girolami (Hyundai Elantra N TCR) mostrou-se imbatível, dominando desde o arranque e sem ter sido verdadeiramente pressionado pelos adversários. Ehrlacher chegou a circular em segundo, mas deixou que Azcona (Hyundai Elantra N TCR) o ultrapassasse sem grande esforço, numa altura em que estava unicamente concentrado em garantir os pontos suficientes para assegurar o campeonato. No final, o piloto argentino mostrou-se muito satisfeito com a primeira vitória do fim-de-semana: “Em Macau é fundamental conseguir ser rápido nos sectores número um e cinco. O meu carro estava bem, e eu sabia que se fosse rápido nessas zonas ia conseguir um bom resultado”, contou Girolami. “Fiquei muito feliz, porque a partir do meio da corrida comecei a sentir vibrações, o que me fez pensar que não ia conseguir ganhar. […] Mas também tínhamos ordens de equipa para correr de forma inteligente e evitar perder pontos”, admitiu. Bis da Hyundai A superioridade dos Hyundai no Circuito da Guia ficou provada na segunda corrida, com Josh Buchan (Hyundai Elantra N TCR) a garantir mais uma vitória para o construtor sul-coreano. Quando foi necessário, o australiano soube defender-se dos ataques do uruguaio Santiago Urrutia (Lynk & Co 03 FL TCR) e nunca pareceu verdadeiramente ameaçado. Seria o uruguaio a errar, o que fez com que os colegas de equipa Ma Qin Hua (Lynk & Co 03 FL TCR) e Thed Bjork (Lynk & Co 03 FL TCR) completassem o pódio na corrida de domingo. “Estive lento no primeiro sector ao longo de todo o fim-de-semana. No resto do circuito estava bem, mas sentia-me lento no primeiro sector, enquanto os outros pilotos eram muito rápidos e claro muito talentosos”, explicou Buchan, no final. “Mas, depois, quando cheguei à liderança, estava determinado a fazer tudo para defender a posição e bloquear as trajectórias. Felizmente, tento sempre correr limpo e os outros pilotos também me trataram com muito respeito. Foi uma excelente corrida para todos”, acrescentou. Quanto ao campeão, Yann Ehrlacher (Lynk & Co 03 FL TCR) teve uma segunda corrida para esquecer, inclusive saindo em frente na curva do Hotel Lisboa, o que não o impediu de terminar a prova. No entanto, o campeonato já estava garantido. Alto e Baixo Alto Os participantes deram um bom espectáculo, com poucos acidentes e interrupções. Ao contrário do que muitas vezes acontece houve corrida Baixo Com o título em aberto havia a esperança de que o campeonato de pilotos fosse disputado até à última corrida, mas Ehrlacher, com todo o mérito, antecipou as celebrações Classificação Primeira Corrida 1.º Néstor Girolami (Hyundai Elantra N TCR) 25m21s264 2.º Mikel Azcona (Hyundai Elantra N TCR) a 0.562 3.º Yan Ehrlacher (Lynk & Co 03 FL TCR) a 0.698 Segunda Corrida 1.º Joshua Buchan (Hyundai Elantra N TCR) 25m32.673 2.º Ma Qin Hua (Lynk & Co 03 FL TCR) a 0.414 3.º Thed Bjork (Lynk & Co 03 FL TCR) a 1.991
Fórmula Regional | Théophile Nael aproveita lotaria do Safety Car e vence Grande Prémio de Macau João Santos Filipe - 17 Nov 2025 Apesar de ter rodado a maior parte do tempo na luta pela liderança, Théophile Nael ultrapassou dois pilotos na última abordagem à Curva do Lisboa e selou a vitória na “montanha russa” da Guia O francês Théophile Nael (KCMG Enya Pinnacle Motorsport) sagrou-se o vencedor da 72.ª edição do Grande Prémio de Macau, numa corrida em que esteve quase sempre a lutar pelo terceiro lugar e apenas assumiu a liderança momentos antes da entrada do último Safety Car. Ao longo do fim-de-semana, Freddie Slater (SJM Theodore Prema Racing) e Mari Boya (KCMG Enya Pinnacle Motorsport) foram os mais rápidos do pelotão, mas o britânico bateu na barreira durante a corrida, e o espanhol não conseguiu defender-se naqueles que foram os derradeiros metros competitivos, antes da última entrada do Safety Car, que só voltou a sair da pista para os pilotos cortarem a meta. “Sinto-me mesmo muito bem, mesmo muito bem! Quando as coisas não me correram como queria ao longo do fim-de-semana mantive-me calmo, porque estamos em Macau e tudo pode acontecer”, relatou Nael no final da corrida. O francês recordou também a última volta competitiva, quando passou de terceiro para primeiro, ultrapassando Boya e Enzo Deligny. “Meti a sexta mudança, pé a fundo, e só olhei para a frente”, recordou. “Depois quando concretizei a ultrapassagem, tentei meter-me o mais possível para o interior da pista para fechar a porta aos adversários”, acrescentou. As constantes mudanças de posição, e de liderança, levaram ainda o francês a considerar que a prova foi uma verdadeira “montanha russa”. Resultado possível Por sua vez, Mari Boya, segundo classificado, lamentou a posição, depois de liderar durante algumas voltas, e de um duelo intenso com Freddie Slater: “Eu queria ganhar, porque sei que as pessoas só se lembram do primeiro. Infelizmente quando a corrida recomeçou, após o último safety car, o slipstream estava demasiado forte e não havia nada que pudesse fazer para me defender”, admitiu. “Hoje não estou feliz, mas sei que amanhã, quando olhar para este fim-de-semana, não me vou sentir mal com a prestação”, reconheceu. No terceiro lugar, ficou Enzo Deligny R-ACE, depois de uma corrida intensa, em que rodou sempre perto de Théophile Nael. No entanto, depois de ter partido de sexto, o franco-chinês mostrou-se satisfeito com o resultado: “Comecei em sexto e consegui aproveitar as entradas do safety car para subir até ao pódio. Como não tinha carro para ser muito mais rápido fico muito feliz com este resultado”, afirmou. Alto A ultrapassagem de Nael a Boya e Deligny foi um dos momentos mais emocionantes do fim-de-semana e uma prova de determinação Baixo Fredy Slater foi muito regular e rápido, mas na corrida final começou por posicionar o carro mal na grelha de partida e depois cometeu o erro que o obrigou a desistir Classificação 1.º Théophile Nael KCMG Enya Pinnacle Motorsport 43m01s466 2.º Mari Boya KCMG Enya Pinnacle Motorsport a 0.250 3.º Enzo Deligny R-ACE a 1.130
Redes sociais | Sancionadas mais de 11.000 contas por uso indevido de IA Hoje Macau - 17 Nov 2025 A China sancionou mais de 11.000 contas nas redes sociais por utilizarem ferramentas de Inteligência Artificial (IA) para substituir celebridades em vídeos e transmissões com fins publicitários, informou sexta-feira o regulador chinês. A Administração do Ciberespaço da China (CAC, sigla em inglês) revelou que alguns perfis utilizaram ferramentas de IA para recriar a imagem de figuras públicas em transmissões ao vivo, vídeos curtos e outros formatos, com o objectivo de divulgar mensagens comerciais que poderiam ser interpretadas como autênticas. Segundo as autoridades, estas acções constituem falsificação de informação e “prejudicam gravemente o ecossistema digital”. Em comunicado, a CAC menciona exemplos de conteúdos eliminados, como imitações de celebridades difundidas ao vivo para promover produtos, que acumularam um número significativo de interacções antes de serem retiradas. O regulador explica que durante a operação desenvolvida nas últimas semanas, as plataformas eliminaram mais de 8.700 publicações consideradas irregulares e agiram contra mais de 11.000 contas que usavam a aparência de personalidades conhecidas sem autorização. Nos últimos meses, os reguladores chineses realizaram várias campanhas para identificar o “uso indevido” de IA, um sector em grande desenvolvimento na China nos últimos meses. No ano passado, o Ministério da Ciência e Tecnologia da China emitiu directrizes que proíbem o uso de IA generativa para a criação directa de declarações em documentos de investigações científicas. Várias empresas de tecnologia chinesas, como a Baidu ou a Alibaba, apresentaram nos últimos meses serviços baseados em IA, embora tenham surgido dúvidas sobre a aplicação deste tipo de tecnologia no país asiático devido à forte restrição imposta pelas autoridades.
Filipinas | Milhares em manifestação de três dias contra a corrupção Hoje Macau - 17 Nov 2025 Milhares de filipinos reuniram-se ontem em Manila para iniciar uma manifestação de três dias anticorrupção, enquanto a Justiça investiga um alegado desvio de milhões de dólares destinados a infraestruturas inexistentes ou defeituosas para responder a desastres. Milhares de cidadãos das Filipinas aguardavam ontem, debaixo de chuva, para o início da manifestação que começa três dias depois de o Presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., ter garantido, em declarações à televisão, que os principais responsáveis pela corrupção estariam na prisão antes do Natal. Segundo as autoridades citadas pela agência de notícias EFE, cerca de 314 mil pessoas aderiram à Marcha pela Transparência e uma Melhor Democracia, uma manifestação que se deve prolongar até amanhã, convocada pelo grupo cristão Igreja Ni Cristo (INC), uma influente comunidade centenária. O protesto, que contou com a presença de seguidores da INC de várias regiões do arquipélago filipino, ocorre enquanto várias equipas de resgate continuam a procurar mais de 120 pessoas desaparecidas após a passagem de dois tufões que afectaram mais de cinco milhões de pessoas este mês, e que provocaram até ao momento 250 mortos. As reivindicações anticorrupção foram objecto de mobilizações naquele país asiático e provocaram a queda dos líderes das duas câmaras do Congresso filipino. De acordo com estimativas do executivo, os projectos “fantasmas” de controlo de inundações teriam causado prejuízos ao erário público de 1.771 milhões de euros só nos últimos dois anos.
Três detidos em Hong Kong por alegados pedidos a boicote eleitoral Hoje Macau - 17 Nov 2025 As autoridades de Hong Kong anunciaram sábado a detenção de três pessoas por alegadamente apelarem ao voto nulo ou ao boicote das eleições para o parlamento local, marcadas para 07 de Dezembro. Os três detidos, entre 55 e 66 anos, “partilharam publicações online que incitavam outras pessoas a não votar ou a votar de forma inválida”, referiu a Comissão Independente Contra a Corrupção (ICAC, na sigla em inglês) de Hong Kong. O órgão prometeu “conduzir o caso de acordo com a lei e os procedimentos estabelecidos” e, após a conclusão da investigação, decidir, em conjunto com o Ministério Público, sobre a instauração ou não de um processo judicial. No entanto, no mesmo comunicado, o ICAC “condena veementemente os criminosos que tentaram interferir e minar as actuais eleições do Conselho Legislativo [parlamento], divulgando mensagens online para incitar outras pessoas a não votar”. A comissão recordou que, desde a revisão da lei eleitoral, em 2021, 12 pessoas foram condenadas por “publicamente, incitar os eleitores a não votar, votar em branco ou nulo”, um crime punido com pena de prisão até três anos. No final de Outubro, o secretário para a Segurança de Hong Kong, Chris Tang Ping-keung, tinha recordado que apelar ao voto em branco nas eleições para o parlamento da região administrativa especial chinesa pode constituir um crime. “Quero reiterar que estas acções não só violam potencialmente a lei eleitoral, mas também a lei de segurança nacional de Hong Kong”, acrescentou Chris Tang. Na sequência dos protestos, por vezes violentos, de 2019, Pequim impôs uma lei de segurança nacional, com crimes cuja punição inclui a pena perpétua, que reprimiu a dissidência política em Hong Kong. “Tomaremos medidas de fiscalização decisivas com base em provas, se necessário”, acrescentou o secretário. Por exemplo Chris Tang deu como exemplo o antigo deputado Ted Hui Chi-fung, que descreveu a votação como “uma farsa, totalmente alheia à opinião pública”, que “merece ser boicotada”, devido à exclusão da oposição. “Se os cidadãos acharem mesmo que um boicote dá demasiado trabalho, talvez simplesmente ignorá-la por completo reflicta melhor os verdadeiros sentimentos dos habitantes de Hong Kong”, escreveu Ted Hui na rede social Facebook. Ted Hui fugiu para a Dinamarca em Dezembro de 2020 e em Agosto passado recebeu asilo na Austrália, depois de ser acusado de crimes contra a segurança nacional de Hong Kong. Também no final de Outubro, o líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, disse que a cidade iria inspirar-se nas legislativas da vizinha região de Macau, em Setembro, para fazer das eleições de Dezembro “um sucesso”. Nas eleições de Setembro para o parlamento de Macau, o número de votos nulos ou em branco mais do que duplicou em comparação com as últimas eleições, em 2021, ultrapassando 13 mil.
Acabaram os direitos dos trabalhadores André Namora - 17 Nov 2025 O futuro dos trabalhadores portugueses vai ser muito negro. A maioria dos direitos conquistados com muita luta após o 25 de Abril de 1974 tem vindo a perder-se e agora poderá levar uma machadada forte. O Governo de Montenegro prepara-se, com o apoio do Chega, para apresentar aos deputados da Assembleia da República legislação que fere indubitavelmente os principais direitos adquiridos pelos trabalhadores. Um exemplo? Os patrões poderão despedir sem justa causa quando lhes apetecer. Em 24 de Julho, o Governo anunciou com inusitado entusiasmo na reunião do Conselho de Ministros a aprovação de uma vasta revisão da legislação laboral com a designação de Lei Trabalho XXI, destinada a destruir quase por inteiro a Agenda para o Trabalho Digno aprovada em 2023.Não se tratava de uma mera reforma. Tinha sido aprovado um ante-projecto de diploma com alterações profundas, que mexem em cerca de uma centena de artigos do Código de Trabalho. Não se tratava de algo leve e a matéria em causa foi logo entregue para discussão aos parceiros sociais. Estes, ao tomarem conhecimento das intenções do Governo, ficaram de tal modo perplexos que andaram estes meses todos a estudar artigo por artigo e concluíram que o caso era de tal forma grave que há muitos anos que não se juntavam as centrais sindicais UGT e CGTP para uma greve geral, a qual está marcada para 11 de Dezembro. Entretanto, os comentadores televisivos afectos à governação tendencialmente para o neofascismo, vieram logo em defesa de que algo teria de mudar na lei laboral porque as empresas não aguentavam a situação económica degradante em que estavam a caminhar. Nunca se ouviu um comentador dessa estirpe falar nas centenas de empresas que obtém milhões de euros de lucro. Os debates televisivos tinham uma intenção: era distrair as atenções dos aspectos mais relevantes da proposta governamental, enquanto o ritual do diálogo social era praticado em pleno Verão com a concertação social em serviços mínimos e o País a banhos olhando de soslaio para as notícias sobre o descontrolo dos incêndios e as urgências fechadas nos hospitais. Por seu lado, as confederações patronais manifestavam um júbilo previsível sobre as propostas do Governo. Mas, assim que a UGT e a CGTP anunciaram a greve geral eis que o primeiro-ministro veio logo a público com audição repetida em mais de dois dias, para divulgar o patético. Luís Montenegro descarrilou de imediato ao associar o protesto sindical a intuitos partidários colocando no mesmo saco a relação da UGT com o PS e a da CGTP com o PCP. Marcelo Rebelo de Sousa foi sibilinamente incorrecto como sabe ser quando pretende ser parcial e partidário sem despir a casaca presidencial. Veio dizer que a greve é precipitada por não existir sequer uma proposta legislativa. Presidente chico-esperto é outra coisa. Não há uma proposta de lei apresentada na Assembleia da República, mas está no site do Governo desde Julho um longo articulado com inúmeras propostas controversas tais como: fim da obrigatoriedade de reintegração do trabalhador em caso de despedimento julgado como ilegal pelos tribunais; possibilidade de contratação imediata de trabalhadores em outsorcing para substituir trabalhadores despedidos em caso de reestruturação empresarial; flexibilização das condições de despedimento sem justa causa; regresso do “banco de horas” individual, até 50 horas semanais ou 150 anuais, com base na ficção de igualdade negocial entre patrão e trabalhador; autorização para a contratação a prazo até três anos (termo certo) ou cinco anos (termo incerto); as mulheres serão severamente penalizadas com mais horas de trabalho e menor remuneração; eliminação da dispensa de trabalho nocturno e ao fim de semana de trabalhadores com filhos até aos 12 anos; tornar quase impossível o reconhecimento como contrato de trabalho das actividades de distribuidores de refeições ou motoristas da TVDE, que são considerados profissionais liberais; alargamento substancial das áreas sujeitas a serviços mínimos em caso de greve; as regras dos contratos colectivos deixam de se aplicar aos trabalhadores em regime de outsorcing e a lista quase não tem fim. Tudo em prejuízo dos direitos dos trabalhadores. Já há quem diga que este Governo de Montenegro é pior que o de Passos Coelho, de má memória. Em bom rigor, o anúncio da greve geral dá um precioso mês, tanto ao Governo como aos parceiros patronais, para clarificarem qual a evolução possível para que se possam distinguir na abertura e espírito negocial de imposição unilateral. O quadro de apresentação desta vaga de enfraquecimento dos direitos laborais e de criação de instabilidade adicional, sobretudo afectando as famílias e os jovens trabalhadores, surge numa altura em que o mercado de trabalho está no nível mais alto de sempre, com 5,3 milhões de trabalhadores activos e o desemprego está ao nível mais baixo desde a crise financeira internacional de 2008. Mesmo assim, o que se constata é que existe uma falta de trabalhadores, e que se tem acentuado com as restrições à contratação de estrangeiros, pelo que esta cruzada ideológica pela desregulação do mercado de trabalho é inimiga das famílias que trabalham. Concluindo: os trabalhadores no futuro vão enfrentar imensas dificuldades porque, infelizmente, o regime político está a virar para uma política quase antidemocrática e, quem sabe, se um dia não teremos legislação que proíba uma greve…
Cinema | Festival entre China e PLP apresenta 30 filmes João Luz - 17 Nov 2025 Começou na passada sexta-feira o Festival de Cinema entre a China e os Países de Língua Portuguesa, integrado no 7.º Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Até ao dia 5 de Dezembro, o público pode ver cerca de 30 filmes e participar em palestras pós-projecção e workshops Arrancou na sexta-feira o Festival de Cinema entre a China e os Países de Língua Portuguesa. O evento organizado pelo Instituto Cultural (IC), com o Galaxy Entertainment Group como parceiro da cerimónia de abertura, está integrado no 7.º Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Até ao dia 5 de Dezembro, os amantes da sétima arte têm cerca de 30 filmes para ver, numa selecção que inclui obras de realizadores da China, países de língua portuguesa, Japão e Coreia do Sul. O evento conta ainda com um programa de actividades de extensão, incluindo uma sessão de cinema comunitária, palestras pós-projecção e workshops. Sob o tema central “Transcendendo Fronteiras”, o festival deste ano divide-se em cinco secções: “Principal Cineasta do Leste Asiático: Zhang Lü”, “Intercultural e Inter-regional”, “Estreia de Filmes Chineses e Lusófonos”, “Curtas-Metragens Sino-Portuguesas” e “Projecção Comunitária” Entre os filmes em cartaz, o IC destaca o documentário de 2016 “Ama-San”, da realizadora portuguesa Cláudia Varejão, que se centra no quotidiano das mergulhadoras japonesas de Península de Shima que apanham abalone, ouriços-do-mar e pérolas. “The Yangtze River”, do realizador japonês Ryo Takeuchi, é outro dos documentários em exibição. Lançado em 2023, o filme tornou-se num sucesso de bilheteira tanto no Japão como na China. O documentário retrata a vida de várias pessoas de diferentes origens sociais, bem como as condições e costumes locais ao longo de diferentes partes do rio. Com 6.300 quilómetros de extensão, o Yangtze é o rio mais longo da China e o terceiro maior do mundo, o que lhe valeu o apelido de Rio da Vida da nação. Lançado no mesmo ano, “Ask the Mountain”, produzido pelo conceituado realizador sul-coreano Kim Ki-duk e dirigido pelo realizador chinês Xu Lei, que “explora a vida nas regiões montanhosas da China, reflectindo sobre a coexistência da natureza e da cultura tradicional através de uma narrativa humanística cheia de nuances”, descreve a organização. Partilha de experiências Durante o festival, “vários criativos de renome serão convidados para encontros presenciais, incluindo os realizadores Zhang Lü, Zhu Xin, Viv Li, bem como o letrista de Hong Kong Siu Hak. A participação destes convidados tem como objectivo a interacção próxima com o público, reflectindo o tema do festival de transcender fronteiras geográficas e culturais para fomentar o diálogo. Será ainda realizada uma sessão de partilha após a projecção do filme de encerramento, “A Memória do Cheiro das Coisas”, que contará com a presença do realizador António Ferreira e da produtora Tathiani Sacilotto. Alargando o escopo dos locais de exibição, além dos cinemas Galaxy e a Cinemateca Paixão, será realizada uma projecção comunitária nocturna no dia 22 de Novembro, no Parque Dr. Carlos d’Assumpção, com a exibição gratuita do filme chinês “Deep Sea”, uma fantasia animada em 3D. Os lugares são limitados, sem necessidade de reserva e disponíveis por ordem de chegada. O evento incluirá também uma actividade de pintura corporal com tintas fluorescentes. Coisas para fazer Além das projecções de filmes e da organização de palestras, o festival de cinema deste ano terá dois workshops no dia 23 de Novembro, um para confecionar dumplings e outro para construir uma “ama concha”, em alusão ao documentário “Ama-San”, da realizadora portuguesa Cláudia Varejão. Os interessados podem usufruir de um desconto na compra de dois bilhetes, pagando apenas um na compra presencial de bilhetes para o Festival de Cinema na bilheteira da Cinemateca Paixão. Para tal, é necessário apresentar bilhete do concerto, ou do comprovativo de compra na Exposição de Livros Ilustrados do 7.º Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura. Para os Bilhetes de Amigo, o público pode comprar um bilhete ao preço de 60 patacas para duas pessoas. Será ainda oferecido um desconto de 20 por cento para portadores do Cartão de Professor de Macau válido, da credencial de voluntário, participante, funcionário da Zona de Competição de Macau dos 15.º Jogos Nacionais e Jogos Olímpicos Especiais de Macau, ou do cartão de vendedor da Feira de Artesanato do Tap Siac. Os bilhetes encontram-se à venda na bilheteira da Cinemateca Paixão e também estão disponíveis para venda online.
Furtividade crítica Hoje Macau - 17 Nov 2025 Pavilhão de Vila Franca de Xira • A Reinvenção do Real – Arte Contemporânea Portuguesa na Colecção do Museu do Neo-Realismo Lam Kongchuen Pela tarde passei pela Praça do Tap Seac com Carlos Marreiros, um renomado artista de Macau, explorando os segredos de cada canto enquanto discutíamos a nova exposição na Galeria do Tap Seac, «Re-shaping Reality». À medida que o pano continua a subir sobre os três meses da «Art Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau 2025», o Pavilhão Português «Pavilhão Sila Free Town: Remodelando a Realidade – Arte Contemporânea Portuguesa da Coleção do Museu do Novo Realismo», na secção Pavilhão da Cidade, representa muito mais do que uma mera mostra de arte contemporânea portuguesa. Intitulada «Re-shaping Reality», ela aproveita o poder de treze artistas portugueses da colecção do Museu do Novo Realismo para construir um «local intelectual» tenso dentro do Museu Tap Seac. Isto serve não só como um eco continental ao tema geral da Bienal do curador Feng Boyi, «What the hell are you doing here?» (O que raio estás a fazer aqui?), mas também como um acto profundamente relevante de «discrição» e «presença» dentro da posição única de Macau como um caldeirão da cultura sino-portuguesa. A inovação aqui não reside na tecnologia mediática deslumbrante, mas na sua abordagem curatorial e nas conotações das obras. Ela habilmente contorna as narrativas simbólicas frequentemente vistas em exposições de arte ocidentais realizadas em contextos orientais, apontando directamente para a missão central da arte nesta era pós-globalização: como, através de uma reimaginação crítica, encontrar uma âncora «localizada» preciosa e caminhos para a compreensão intercultural dentro das nossas realidades existenciais cada vez mais virtualizadas e fragmentadas. Quando a minha filha e eu entramos no espaço expositivo de «Re-shaping Reality», ela também se deparou com uma reformulação da realidade. As crianças operam segundo as suas próprias regras da realidade, enquanto os adultos continuam a brincar como crianças. A aterragem no mundo real do legado «pós-minimalista» O discurso curatorial da exposição «Re-shaping Reality» está claramente enraizado na tradição crítica emergente do pós-minimalismo desde os anos 60 e 70. Como Hal Foster elucidou, essa tradição libertou a arte do isolamento formalista, comprometendo-a com intervenções e tentativas de transformar a realidade social. A «reconfiguração crítica da realidade» enfatizada pelos curadores David Santos e José Maçãs de Carvalho constitui a continuação contemporânea dessa linhagem. Não se limita a «refletir» a realidade, mas desconstrói-a, questiona-a e recompõe-na através da «desmaterialização» da arte, do «campo expandido» da instalação e da «efemeridade» do processo. A apresentação desta linhagem em Macau traz uma inovação contextual extraordinária. A própria história de Macau é uma crónica em camadas de realidades continuamente «refeitas». A implantação da cultura católica, a resiliência das suas comunidades, a expansão da indústria do jogo e o seu atual posicionamento estratégico como «Uma Base» formam colectivamente uma realidade extremamente complexa. As obras do Museu da Cidade Vila Franca de Xira não abordam a identidade portuguesa através da nostalgia ou do exotismo, mas apresentam a faceta mais reflexiva e crítica da sua arte contemporânea. Esta abordagem evita precisamente a armadilha da «museificação» comum nas trocas culturais sino-portuguesas, onde a arte é reduzida a artefactos exibiáveis. Em vez disso, apresenta um Portugal vivo e pensante, a debater-se com os seus próprios desafios contemporâneos. Esta postura estabelece uma base igualitária e profunda para o diálogo: não estamos apenas a transmitir informações sobre coleções, mas a partilhar e trocar «métodos» para navegar pelas dificuldades contemporâneas. Entre elas, a instalação de Miguel Palma explora a delicada interação entre a produção industrial e os ecossistemas. Exibida em Macau — uma cidade altamente artificial que depende de um consumo substancial de energia e recursos —, a sua interrogação sobre «como a tecnologia molda a vida moderna» desvia-se naturalmente do contexto europeu para a Ásia Oriental, ressoando com preocupações comuns sobre sustentabilidade e antropocentrismo. Essa ressonância não decorre do simbolismo cultural, mas de dilemas existenciais comuns. Do legado do «pós-minimalismo» aos dilemas da «realidade», isto marca a chegada desta linhagem crítica a Macau. O meio como bisturi da realidade A conotação «inovadora» de «remodelar a realidade» é igualmente evidente na utilização hábil e profundamente significativa dos meios de comunicação pelos artistas. Empregando diversos meios, como pintura, instalação, fotografia e vídeo, eles não se envolvem em malabarismos formalistas, mas sim transformam cada meio num bisturi para dissecar facetas específicas da realidade. Os artistas participantes incluem: Alice Geirinhas, André Cepeda, Carla Filipe, Pedro Cabral Santo, Fernando José Pereira, Luciana Fina, Luísa Ferreira, Manuel Santos Maia, Miguel Palma, Paulo Mendes, Rita Barros, Valter Vinagre e José Maçãs de Carvalho. As práticas fotográficas de Luísa Ferreira e Rita Barros representam duas abordagens distintas para lidar com o tempo e a memória. O início da carreira de Ferreira como fotojornalista imbui o seu trabalho com uma sensibilidade documental sóbria. O seu foco nas lojas antigas de Lisboa cria uma curiosa intertextualidade quando exposto em Macau, ressoando com os bairros em desaparecimento e os negócios de longa data da própria cidade. Aqui, a fotografia torna-se uma ferramenta para capturar a «camada em perigo» da realidade, documentando não apenas espaços, mas um ritmo de vida e uma ética comunitária ameaçados pela maré implacável da globalização. Barros, há muito radicado em Nova Iorque, apresenta uma série fotográfica que funciona mais como um arquivo de memória fluido e intercultural. Em Macau — uma cidade de imigrantes — as narrativas da diáspora, do pertencimento e das identidades mutáveis transportadas por estes rostos ressoam diretamente com as emoções complexas dos espectadores sobre o «lar» e as «terras estrangeiras». A sua fotografia não remodela a superfície da realidade, mas sim a estratigrafia temporal e as estruturas emocionais subjacentes. A fotografia e o arquivo tornam-se, assim, a sua «política da memória». A obra de instalação de Miguel Palma e Manuel Santos Maia, no entanto, direciona a sua crítica para sistemas mais amplos. Os trabalhos colaborativos de Palma com engenheiros e biólogos muitas vezes se assemelham a modelos mecânicos intricados, mas disfuncionais, revelando metaforicamente o absurdo e as crises que se escondem por baixo do otimismo tecnológico da sociedade moderna. A prática multimédia de Maia destaca-se na construção de espaços narrativos ricos em símbolos e metáforas dentro de locais específicos. No espaço branco da Galeria de Arte de Taipa, as suas obras criam «subsistemas» distintos e instigantes, convidando os espectadores a entrar e refletir sobre a lógica operacional do «macrossistema» social externo em que habitam. Esta capacidade de «modelar» realidades sistémicas através de instalações artísticas e submetê-las a crítica representa uma das ferramentas mais potentes da arte contemporânea para o envolvimento social. Como críticos do sistema, eles expandem a relação entre instalação e local. As explorações de Fernando José Pereira e Luciana Fina no domínio das imagens em movimento dedicam-se a remodelar os nossos padrões de perceção. A investigação de Pereira sobre a relação entre vídeo e música perturba a hierarquia convencional entre o visual e o auditivo, criando uma experiência sinestésica que, por si só, desafia a nossa perceção singular e linear da realidade. Fina navega pela interseção entre cinema e artes visuais, abordando frequentemente temas como migração e identidade. A sua linguagem cinematográfica, imbuída de contemplação poética e efeitos de distanciamento, sacode o público da anestesia das narrativas mainstream, obrigando-o a confrontar indivíduos e realidades marginalizados. Num «mundo saturado de imagens» dominado por vídeos curtos e recomendações algorítmicas, a sua prática defende a dignidade das imagens em movimento como um meio sério e crítico. São reconstruidoras da perceção, redescobrindo a relação oculta entre imagem e som. A prática de Carla Filipe e Alice Geirinhas tem uma forte fisicalidade e um lado ativista. Filipe constrói híbridos de retratos sociais e autobiografia através da apropriação de artefactos e documentos. O seu trabalho «cresce nas ruas», imbuído do calor do artesanato e da perspicácia política. A exploração do feminismo e da igualdade de género por Geirinhas coloca a política da identidade pessoal no centro da sua criação. Os seus trabalhos lembram-nos que a «remodelação da realidade» diz respeito não só a grandes narrativas e sistemas, mas também a cada corpo e identidade específicos e politizados. Em Macau — um território onde diversas identidades culturais se entrelaçam — a sua arte oferece perspetivas inestimáveis para examinar a interseccionalidade de género, classe e identidade cultural. A pintura e a ação são inseparáveis; a sua prática artística constitui uma intervenção corporal. Benjamin utilizou o bisturi na obra-prima de Rembrandt, A Lição de Anatomia do Dr. Tulp, como metáfora da tecnologia, utilizando técnicas mediáticas para alcançar uma «proximidade» com a realidade. Como bisturi da realidade, as práticas multidimensionais deste grupo de artistas contemporâneos portugueses representam uma manifestação concentrada da «proximidade» da arte com a realidade. «Vila Franca de Xira» como metodologia Vila Franca de Xira não é apenas uma localidade portuguesa; no âmbito curatorial de «Re-shaping Reality», funciona também como uma metodologia. Outro aspeto inovador da curadoria reside na sua utilização habilidosa do ADN cultural local de Vila Franca de Xira. Famosa pela sua tradição taurina, esta prática cultural — imbuída de elementos ritualísticos, da estética da violência e de apostas de vida ou morte — constitui, por si só, uma interpretação altamente simbólica e antiga da «realidade». Embora o discurso curatorial não o afirme explicitamente, os elementos inerentes à cultura das touradas — confronto, ritual, risco, carnaval público e sacrifício individual — exibem uma profunda afinidade estrutural com o espírito que sustenta a prática artística contemporânea crítica. Os artistas funcionam como os toureiros da nossa era, enfrentando não um touro tangível, mas bestas mais colossais e abstratas: o capitalismo globalizado, a alienação tecnológica, a política de identidade, o esquecimento histórico. Os seus esforços criativos constituem uma competição intelectual — realizada em arenas públicas (o mundo da arte, a sociedade) — rica em adornos ritualísticos (exposições, inaugurações, debates). Considere a lente de André Cepeda capturando «espaços esquecidos ou rejeitados» — não são eles ruínas urbanas «derrotadas» pelas correntes económicas? Da mesma forma, a observação fria, quase antropológica, de Valter Vinagre nas suas obras parece um confronto silencioso com a lenta passagem do tempo. Colocar a arte originária de uma cidade famosa pela tourada tradicional em Macau — uma cidade carnavalesca moderna que simboliza capitais culturais e a indústria do entretenimento — constitui, por si só, uma metáfora magistral. Tanto a tourada como o jogo envolvem risco, sorte e desempenho, mas a primeira carrega consigo a tragédia clássica e a dignidade ritual, enquanto a segunda se inclina mais para a gratificação instantânea consumista e a probabilidade matemática. Este diálogo latente entre contextos culturais enriquece a exposição com uma camada interpretativa profunda: como é que a «realidade» da nossa era foi remodelada de um confronto ritualístico e direto entre o homem e o destino para uma experiência de consumo imersiva meticulosamente concebida por algoritmos e capital? Os artistas de Hila Free Town resistem e expõem esta «remodelação» através da sua prática crítica. Como metodologia, «Sila Free Town» incorpora a dialética entre a metáfora da tradição das touradas e a crítica contemporânea. Remodelar a própria «remodelação» Remodelar a própria «remodelação» oferece uma revelação inovadora para o paradigma do intercâmbio cultural sino-português. Em última análise, o maior valor inovador da exposição «Remodelar a Realidade» reside no seu potencial para remodelar o próprio paradigma do «intercâmbio cultural sino-português». As práticas do Museu da Cidade Livre de Hila aventuram-se corajosamente nas águas profundas do pensamento. Elas demonstram que a prática artística verdadeiramente vital vai além da exibição de obras acabadas em galerias; envolve partilhar como os artistas, nos seus estúdios, nas ruas e nas profundezas das suas mentes, se envolvem numa «luta» com as realidades complexas em que vivemos. Partilha «métodos», «consciência dos problemas» e «coragem crítica». Quando um espectador de Macau se depara com a instalação de Carla Filipe, construída a partir de tecidos antigos e documentos de arquivo, não percebe apenas uma obra exótica, mas potencialmente uma inspiração sobre como materiais humildes podem produzir comentários sociais poderosos. Quando um estudioso de renovação urbana se depara com a fotografia de André Sepeda, descobre um vocabulário visual novo através do qual pode examinar as transformações urbanas de Macau. Esta exposição funciona como um «espelho crítico», refletindo tanto as fissuras e perplexidades da sociedade portuguesa contemporânea como convidando simultaneamente o público de Macau a discernir os contornos e texturas da sua própria realidade dentro da sua superfície. Consegue alargar a experiência estética da arte a uma reflexão profunda sobre a própria vida, transcendendo as fronteiras geográficas e culturais. Lembra-nos que a «realidade» nunca é fixa, mas perpetuamente narrada e construída. Uma das funções mais preciosas da arte contemporânea é fornecer-nos as ferramentas e a coragem para remodelar essas narrativas. No grande quadro da «Art Macau», a exposição Free Town de Hila pode não ter sido a mais impressionante em termos visuais, mas a sua densidade intelectual e engenhosidade curatorial tornaram-na uma «operação secreta» verdadeiramente inovadora. Penetra silenciosamente na superfície do intercâmbio cultural, atingindo as profundezas da ressonância intelectual. Infunde ao posicionamento estratégico do Centro de Intercâmbio Cultural Sino-Português uma vitalidade crítica indispensável e um espírito contemporâneo. Não só revela o estado atual da arte contemporânea portuguesa, mas, mais significativamente, convida-nos a participar num diálogo contínuo sobre como vemos, como pensamos e como vivemos. Este é, precisamente, o objetivo final perseguido por toda a grande arte. (Contribuições para este artigo de Cherry Tsang e Lin Kanyi)