Mar do Sul | Instalada maior estação conversora de energia eólica offshore do mundo Hoje Macau - 30 Jul 2026 Pequim instalou a maior estação conversora eólica offshore do mundo no mar do Sul da China, um projecto que vai beneficiar directamente a zona económica da Grande Baía, onde está localizada Macau, foi noticiado pela comunicação social estatal. A maior e mais potente estação conversora offshore do mundo, com o nome de “Heart of Offshore Wind”, foi instalada em 23 de Julho, a cerca de 100 quilómetros ao largo da costa de Yangjiang, na província de Guangdong, sul da China, informou a emissora estatal CCTV. Trata-se da primeira estação conversora offshore flexível de corrente contínua (CC) de 500 quilovolts e 2.000 megawatts do mundo. O projecto está agora na fase final de ligação dos cabos submarinos e de testes conjuntos entre as instalações offshore e em terra, indicou a CCTV, notando que, quando estiver operacional, prevê-se que forneça seis mil milhões de quilowatts-hora de electricidade limpa por ano à Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau. A Grande Baía é um projecto de Pequim que tem como objetivo criar uma metrópole mundial a partir das regiões administrativas especiais chinesas de Macau e de Hong Kong e outras nove cidades da província vizinha de Guangdong (Guangzhou, Shenzhen, Dongguan, Foshan, Zhongshan, Huizhou, Jiangmen, Zhuhai e Zhaoqing), onde habitam mais de 80 milhões de habitantes. Exemplo para o futuro No final de Maio, esta instalação de 25 mil toneladas, partiu de Nantong, na província de Jiangsu (este), a bordo de uma embarcação semi-submersível até ao sul da China, para ser instalada através de um método de flutuação de precisão, de acordo com notícia da agência de notícias Xinhua. “Irá recolher electricidade de 163 turbinas eólicas offshore, converter energia CA [corrente alternada] de 66 kV em energia CC de 500 kV e enviar energia eólica offshore limpa para as redes terrestres com maior eficiência e menores perdas, levando, em última instância, electricidade às casas e às comunidades”, escreveu a gigante estatal de energia China Three Gorges Corporation (CTG), envolvida no projecto. A estação mede 85,5 metros de comprimento, 82,5 metros de largura e 44 metros de altura, cobrindo uma área equivalente a um campo de futebol convencional e com a altura de um edifício de 15 andares. No interior, alberga “um sofisticado sistema de equipamento eléctrico, de ventilação e de combate a incêndios, todo especialmente reforçado para resistir às condições de elevada salinidade e humidade do oceano profundo, ainda de acordo com a notícia da Xinhua. A estação foi concebida para funcionar sem tripulação permanente, recorrendo a sistemas de monitorização remota e de manutenção inteligente. “O arranque bem-sucedido proporcionará um modelo técnico replicável para o futuro desenvolvimento da energia eólica em águas profundas na China e além-fronteiras”, lê-se ainda.
HK | Livraria anuncia fecho após detenções de funcionários Hoje Macau - 30 Jul 2026 A livraria Greenfield, em Hong Kong, anunciou ontem nas redes sociais que vai encerrar, duas semanas depois de dois funcionários do espaço terem sido detidos pela polícia de segurança nacional. “Esta loja vai fechar assim que o contrato de arrendamento terminar”, escreveu a Greenfield Book Store numa publicação na rede social Instagram, não especificando a data. Aos leitores, a livraria agradeceu ainda “o apoio incondicional ao longo dos últimos 50 anos, desde a inauguração”. A publicação, que já conta mais de 400 partilhas, foi feita duas semanas após as autoridades de Hong Kong levarem a cabo rusgas em duas livrarias – incluindo a Greenfield – e deterem cinco pessoas por suspeita de venderem publicações alegadamente sediciosas, de acordo com meios de comunicação social locais. Vídeos e fotos de vários órgãos de comunicação social mostraram no dia 15 de Julho agentes da polícia a apreender caixas no edifício que alberga a livraria Have A Nice Stay, fundada por ex-jornalistas. A poucos quarteirões de distância, na Greenfield Book Store, ocorreu uma acção semelhante, com caixas a serem apreendidas no edifício que alberga o espaço, de acordo com um vídeo do portal de notícias online The Collective. A polícia informou posteriormente que fez rusgas em duas lojas no distrito de Mong Kok, sem as identificar. Dois homens e três mulheres foram detidos por suspeita de violação da Lei de Segurança Nacional de 2024, de acordo com um comunicado da corporação. A polícia refere no comunicado que uma investigação revelou que as cinco pessoas são suspeitas de exibir e vender materiais sediciosos no local. O conteúdo das publicações inclui incitamento ao ódio contra o Governo, o poder judicial e as forças de segurança da cidade, segundo o comunicado. A polícia informou que o caso foi encaminhado para a alfândega após a descoberta de livros alegadamente sediciosos num lote de mercadorias enviadas do estrangeiro para Hong Kong, sem especificar os títulos.
Japão | Sobe para 18 o número de mortos no sismo Hoje Macau - 30 Jul 2026 Pelo menos 18 pessoas morreram devido ao sismo que atingiu o sudoeste do Japão na terça-feira, segundo um novo balanço das autoridades, enquanto as equipas de resgate trabalham para encontrar sobreviventes presos sob escombros de edifícios. Além das 13 mortes anteriormente relatadas pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, outras cinco pessoas morreram no colapso de uma chaminé na fábrica da Nippon Paper Industries, em Yatsushiro, declarou ontem um porta-voz da câmara municipal de Kumamoto numa conferência de imprensa. Outras quatro pessoas podem ainda estar soterradas sob os escombros, acrescentou o porta-voz. Cerca de 36.900 casas ainda estavam sem electricidade, 9.500 sem gás e as redes de comunicação não funcionavam em algumas áreas, disse o porta-voz do Governo, Minoru Kihara, aos jornalistas. Mais de 9.000 pessoas deixaram as suas casas para se abrigarem em mais de 500 centros de acolhimento, onde foram instaladas fontes de energia para que estes locais tivessem ar condicionado. O Japão tem enfrentado uma onda de calor contínua e as temperaturas na região deverão ultrapassar os 32º graus Celsius. Os serviços de comboio de alta velocidade e algumas operações aeroportuárias permanecem suspensos. As Forças de Autodefesa do Japão juntaram-se às equipas de resgate nas operações de busca e salvamento no centro comercial Aeon, gravemente danificado devido a uma explosão depois do sismo, na cidade de Kashima. O sismo atingiu Kyushu, a ilha mais a sul das quatro principais ilhas do arquipélago japonês, às 08:27 de terça-feira, com uma magnitude de 7,1, segundo a Agência Meteorológica do Japão (JMA), e de magnitude 6,8 na escala de Richter, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A primeira-ministra Sanae Takaichi prometeu na terça-feira que as equipas de resgate trabalhariam “incansavelmente” durante à noite, dando prioridade “ao resgate e à segurança dos afectados”.
O canto da Europa desencantada (I) Jorge Rodrigues Simão - 30 Jul 2026 “Europe is a cultural notion, not a political reality.” George Steiner, The Idea of Europe (2004) A Europa alimenta há décadas a ilusão de que é possível desenhar uma união perfeita sobre uma página em branco. Mas páginas em branco não existem na política. O passado não desaparece por decreto, os Estados não se dissolvem no ar e as nações não evaporam como nevoeiro ao sol. A chamada “questão alemã”, sempre presente, lembra que a história não se deixa apagar. E até o entusiasmo americano pelo europeísmo estratégico tem limites bem definidos. O sonho europeu costuma ser acompanhado de referências nobres como o verso de Montale ou o célebre “Seid umschlungen, Millionen!” literalmente “Sede abraçados, milhões!” que pertence ao poema “An die Freude” (À Alegria) de Friedrich Schiller, que Ludwig van Beethoven imortalizou na Nona Sinfonia símbolos de união, esperança e transcendência. Mas a realidade raramente acompanha a música. Durante grande parte do século XX, a Europa avançou segundo o princípio simples de cada nação defendia os seus interesses, pela força se fosse preciso. As consequências foram devastadoras com duas guerras mundiais, destruição em massa, desconfiança generalizada e milhões de mortos. Depois de 1945, o continente estava física e moralmente arrasado. Ainda assim, um grupo de líderes acreditou que era possível romper com o passado e começar de novo. Apesar da Guerra Fria e da ameaça soviética, imaginaram uma Europa onde antigos adversários se sentariam à mesma mesa, substituindo armas por diálogo. Esta visão é a que recebe os visitantes do Parlamentarium, em Bruxelas, onde se apresenta a narrativa fundadora da União Europeia de um novo começo, a rejeição do passado violento, a promessa de paz e prosperidade, e a ideia de uma união cada vez mais estreita construída passo a passo. O projecto europeu foi pensado como um caminho gradual de primeiro carvão e aço, depois mercados, fronteiras, moeda e, um dia, uma identidade comum. A Europa seria um abraço colectivo, o fim da história, uma comunidade que se libertaria das velhas armadilhas do nacionalismo. Mas o tempo verbal da UE é sempre o futuro. O presente não tem lugar na narrativa europeia; existe apenas como ponte para um amanhã idealizado. É uma espécie de êxodo permanente rumo à Terra Prometida, onde tudo será melhor, mais unido e estável. O problema é que esta promessa está sempre a ser adiada. Falta uma justificação sólida para o momento actual, algo que todas as entidades geopolíticas possuem de uma história que legitime o presente. A UE não tem isso. Vive num estado de construção permanente, sem identidade consolidada. Os mitos não servem para dizer verdades; servem para criar sentido. Simplificam, destilam e inventam se necessário. Tornam familiar aquilo que é complexo e dão forma ao que é invisível com os laços que unem uma comunidade, a distinção entre “nós” e “eles” e a visão do mundo que se pretende afirmar. Analisar estes mitos à luz da geopolítica não é decidir se são verdadeiros ou falsos, mas medir a distância entre ambição e capacidade. O mito pode mobilizar, mas também pode iludir. Pode fortalecer, mas também pode virar-se contra quem o invoca. A União Europeia não escapa a esta regra. Não é um actor geopolítico pleno, mas é um símbolo das esperanças e das confusões que atravessam o continente desde 1945 e, sobretudo, desde 1989. Hoje, a Europa voltou a ser palco da competição entre grandes potências. Mas, pela primeira vez na história, nenhum país europeu é protagonista. A promessa de paz perpétua é desmentida pelos conflitos nas periferias como a Ucrânia e Balcãs que mostram que a estabilidade não é garantida. A promessa de prosperidade também se fragmentou. A crise financeira de 2011 expôs os desequilíbrios do euro, a falta de solidariedade entre Estados-membros e a incapacidade das regras económicas europeias para estimular o crescimento. Os Estados Unidos, antigos tutores da integração, acusam a arquitectura comunitária de gerar instabilidade na sua esfera de influência. E dentro da Europa reacendem-se falhas históricas com separatismos, tensões identitárias e disputas territoriais. Em vez de unir, a UE parece multiplicar a desunião. A distância entre mito e realidade nunca foi tão grande. O mito da UE não nasceu do nada. Enraizou-se porque correspondeu ao espírito do tempo. Entre 1914 e 1945, a Europa viveu três décadas de horror com guerras civis e mundiais, genocídios, fomes, doenças, cem milhões de mortos e cinquenta milhões de refugiados. Países destruídos, fronteiras redesenhadas e identidades esmagadas. As potências europeias, que durante séculos dominaram o mundo, tinham-se autodestruído. O ano de 1945 marca o fim da sua supremacia global. O trauma foi profundo a nível filosófico, cultural e psicológico. Era preciso reconstruir não só cidades, mas também auto-estima. A Europa precisava de acreditar novamente em si. E metade do continente recebeu essa oportunidade, sob tutela americana. A integração europeia surgiu como resposta a duas pressões, a pressão externa dos Estados Unidos, que exigiam união contra a União Soviética, e a pressão interna de sociedades cansadas de nacionalismos e elites intelectuais desconfiadas do Estado. Konrad Adenauer dizia que “As pessoas precisam de uma ideologia, e essa ideologia só pode ser europeia.” Era uma forma de oferecer esperança, sobretudo vindo de um país marcado pela culpa histórica. A ideia de uma união cada vez mais estreita teve três funções essenciais de restabelecer a sensação de superioridade europeia, agora sob a forma de exemplo moral para o mundo; compensar a perda dos impérios coloniais, recolhendo os “fragmentos dos impérios falhados”, como observa Timothy Snyder e tranquilizar o medo do declínio económico, que cresceu após o fim da Guerra Fria e a ascensão da Ásia. Era uma utopia literalmente, um “não lugar” construída para dar sentido a um continente traumatizado. O mito europeísta foi útil, necessário e até inspirador. Mas hoje revela desgaste. A Europa vive entre promessas adiadas, identidades incompletas e contradições internas. A distância entre o que a UE diz ser e o que consegue fazer nunca foi tão grande. O mito não desapareceu mas não basta para orientar o futuro. A ideia de uma união cada vez mais estreita na Europa traz consigo outra ambição a de ser também cada vez mais ampla, quase universal. Daí a pretensão de falar em nome da humanidade, reflectida no hino escolhido pela União Europeia, a Ode à Alegria da Nona Sinfonia de Beethoven, talvez a mais elevada composição musical alguma vez escrita. No texto de Schiller lêse que “Todos os homens se tornam irmãos onde repousa a tua asa suave”. Beethoven provavelmente pretendia dedicar esta mensagem aos povos alemães, ainda divididos no início do século XIX, que deveriam abraçarse na unidade e, através da nação, alcançar um patamar mais avançado da humanidade. Era uma aspiração iluminista e tipicamente alemã, que reconhecia a nação na sua cultura e, em particular, na música clássica. Mas esse ecumenismo é insuficiente para fundar uma colectividade política. Um mito e os seus instrumentos precisam de delimitar e de traçar fronteiras simbólicas. A América pode permitirse um universalismo desmesurado, sustentado por um primado global ainda inatacável. Os Estados europeus, enfraquecidos e com margem de manobra reduzida, não dispõem desse luxo. O ecumenismo gera curtocircuitos na relação com o outro, criando uma tensão constante entre o desejo de alargamento ilimitado e a necessidade de diferenciarse. Para os euro-entusiastas, esse atrito não existe pois qualquer povo poderá integrar a família europeia quando estiver pronto para ser como nós. Mas esta visão contém paternalismo disfarçado, sobretudo em relação aos países balcânicos ou da Europa centrooriental. E também conduz a confusões, de como observar as categorias mutáveis da política em vez das estruturais da geopolítica, na ilusão de que uma mudança de regime altera a natureza das coisas, erro evidente na convicção de que o problema da Turquia é apenas Erdoğan. Armadas destas ideias, as colectividades europeias saíram da história. Em parte porque não podiam cuidar da sua segurança tanto a oeste como a leste da cortina de ferro eram as superpotências que assumiam essa função. Em parte porque, na metade ocidental, os americanos impuseram a economia como único horizonte possível de afirmação, o único instrumento de legitimação e de construção comum. E em parte porque as sociedades europeias se convenceram de que era possível renunciar à violência inerente a qualquer projecto de poder.
População do Japão diminuiu para menos de 120 milhões de habitantes Hoje Macau - 30 Jul 2026 A população do Japão caiu para menos de 120 milhões pela primeira vez em 42 anos, segundo dados governamentais divulgados ontem, numa altura em que o país enfrenta uma baixa taxa de natalidade e o envelhecimento da população. A 01 de Janeiro de 2026, o número de cidadãos japoneses residentes no país (excluindo os estrangeiros) era de 119.736.483 — uma queda de 0,76 por cento face ao ano anterior —, segundo dados governamentais. A população do Japão tem vindo a diminuir há 17 anos consecutivos, após ter atingido um valor máximo em 2009. Em contrapartida, o número de residentes estrangeiros no Japão atingiu o nível mais elevado desde o início dos registos, segundo o Ministério dos Assuntos Internos do Executivo de Tóquio. Incluindo o grupo de cidadãos estrangeiros, a população total do Japão é de 123,76 milhões. O Japão tem a segunda população mais idosa do mundo (com uma idade média de 49,9 anos), ficando apenas atrás do Mónaco, segundo o Banco Mundial. Dados oficiais anteriores, divulgados no início do mês de Junho, mostraram que a taxa de natalidade do Japão desceu para um nível recorde de 1,14 filhos por mulher em 2025, evidenciando a crise demográfica que afecta a quarta maior economia do mundo. Crise e preconceitos O Japão apresenta também uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo, o que gera uma série de problemas, incluindo escassez de mão-de-obra, custos crescentes da segurança social e uma redução do número de trabalhadores contribuintes. O número de recém-nascidos no Japão foi de 671.236 em 2025 — quase menos 15 mil do que no ano anterior e o índice mais baixo desde o início dos registos, em 1899, sendo que os dados abrangem apenas as crianças japonesas nascidas no país. Embora a imigração seja frequentemente apontada como uma solução para o declínio demográfico, a primeira-ministra conservadora Sanae Takaichi defende medidas mais rigorosas em relação à entrada de estrangeiros. Nos últimos anos, os líderes japoneses — tanto a nível nacional como local — tentaram, com sucesso limitado, promover o casamento e a natalidade através do aumento das ajudas para a educação dos filhos, dos subsídios para a licença parental e até do lançamento de aplicações digitais para encontros. Dados oficiais divulgados este mês revelaram que 265 casais se juntaram após se terem conhecido numa aplicação digital de encontros, lançada pelo Governo de Tóquio em 2024.
China / Europa | Comércio ferroviário supera 450 mil milhões de euros em dez anos Hoje Macau - 30 Jul 202630 Jul 2026 Os comboios de mercadorias entre a China e a Europa realizaram mais de 130 mil viagens na última década, transportando bens avaliados em mais de 450 mil milhões de euros, anunciou ontem a principal entidade chinesa de planeamento económico. Os dados foram divulgados por Liang Linchong, director-geral do Departamento de Abertura Regional da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR), o principal órgão de planeamento económico da China, durante uma conferência de imprensa em Pequim. Citado pelo jornal oficial Global Times, Liang afirmou que o volume mensal de mercadorias actualmente transportado por esta ligação ferroviária equivale ao total movimentado durante todo o ano de 2016. Segundo o responsável, o número de viagens aumentou de 1.702 em 2016, ano em que os serviços passaram a operar sob uma designação unificada, para mais de 20 mil em 2025, o que representa uma taxa média de crescimento anual superior a 30 por cento. Liang acrescentou que a digitalização dos procedimentos aduaneiros permitiu reduzir o tempo médio de desalfandegamento para cerca de 30 minutos. A introdução de horários fixos para os comboios também encurtou em mais de um terço o tempo de trânsito em rotas como a que liga Xi’an, no centro da China, a Duisburgo, no oeste da Alemanha, reduzindo a viagem de 15 para 11 dias. Segundo o responsável, os comboios partem há 46 meses consecutivos com a capacidade de carga totalmente preenchida. Liang destacou ainda que o volume de mercadorias exportadas da China e o de bens transportados no sentido inverso está próximo de um equilíbrio de um para um, o que, segundo afirmou, demonstra uma procura robusta nos dois sentidos. Corredor atractivo O alargamento das ligações ferroviárias entre a China e a Europa aumentou também a atractividade deste corredor para o comércio transfronteiriço, acrescentou, referindo a abertura de novas rotas através do corredor do mar Cáspio, da Turquia e do porto russo de São Petersburgo para a Alemanha. A volatilidade das rotas marítimas, provocada pelo agravamento das tensões geopolíticas, também favoreceu o transporte ferroviário, sobretudo para empresas que procuram reduzir os prazos de entrega. Liang apontou como exemplo as fabricantes chinesas de aparelhos de ar condicionado Midea e Gree, que reduziram o tempo de entrega para a Europa de cerca de 40 para aproximadamente 15 dias, em resposta à vaga de calor que afecta o continente europeu.
China e Rússia concluem patrulha naval conjunta no Pacífico ocidental Hoje Macau - 30 Jul 2026 Uma força naval conjunta da China e da Rússia chegou ontem a Vladivostoque, no extremo oriente russo, após concluir uma patrulha no Pacífico iniciada a 13 de Julho, anunciou a agência oficial chinesa Xinhua. A flotilha integrou os contratorpedeiros chineses equipados com mísseis guiados Kaifeng e Anshan, o navio de reabastecimento Kekexilihu e a corveta russa Rezkiy, indicou a Xinhua. Os navios partiram de Qingdao, no leste da China, após o encerramento dos exercícios navais “Mar Conjunto-2026”, atravessando os estreitos de Miyako, Etorofu e Soya antes de chegarem a Vladivostoque. Durante a patrulha, as forças dos dois países realizaram exercícios de aterragem de helicópteros, operações anti-terroristas conjuntas, missões de busca e salvamento humanitário, inspecção e captura de embarcações, além de outros exercícios “orientados para condições reais de combate”. Pequim apresentou a missão como parte do plano anual de cooperação entre as Forças Armadas chinesas e russas, destinada a reforçar a capacidade de actuação conjunta e a responder de forma coordenada a “ameaças à segurança marítima”. A agência oficial chinesa acrescentou que a operação “não está relacionada com a actual situação internacional e regional”. A patrulha decorreu após os exercícios “Mar Conjunto-2026”, realizados em águas e espaço aéreo próximos de Qingdao e centrados, segundo a parte chinesa, na resposta conjunta a ameaças à segurança marítima. Essas manobras incluíram missões de reconhecimento conjunto, defesa anti-aérea e anti-míssil, ataques contra alvos marítimos e operações de salvamento submarino, envolvendo meios navais, submarinos, aéreos e de apoio. Nos últimos anos, China e Rússia intensificaram a cooperação militar através de exercícios navais, patrulhas aéreas conjuntas e contactos de alto nível entre os respectivos comandos, em paralelo com o estreitamento das relações políticas entre os Presidentes chinês e russo, Xi Jinping e Vladimir Putin, que, pouco antes da invasão russa da Ucrânia, em 2022, proclamaram uma parceria bilateral “sem limites”.
Segurança nacional | EUA acusados de reprimir empresas chinesas após proibição de robôs Hoje Macau - 30 Jul 2026 A China acusou ontem os Estados Unidos de tentarem reprimir as empresas chinesas, depois de Washington anunciar a proibição da importação de robôs humanoides fabricados no estrangeiro por razões de segurança nacional. A Administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, acrescentou na terça-feira os robôs humanoides e quadrúpedes à lista de produtos proibidos de entrar nos Estados Unidos, no âmbito de medidas destinadas a proteger a segurança nacional. A maioria dos robôs humanoides comercializados nos Estados Unidos é fabricada no estrangeiro, nomeadamente na China, cujas empresas e ‘startups’ se afirmaram como pioneiras num setor em rápida expansão. “A China sempre se opôs firmemente à tendência dos Estados Unidos para invocar abusivamente a segurança nacional para reprimir empresas chinesas”, afirmou ontem a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning, em conferência de imprensa. “O proteccionismo não melhora a competitividade dos Estados Unidos. Apenas prejudica os interesses das empresas e dos consumidores norte-americanos”, acrescentou. Mao garantiu ainda que Pequim tomará “as medidas necessárias” para defender os interesses das empresas chinesas. Os chamados “dispositivos robóticos avançados”, categoria que inclui “robôs móveis”, foram acrescentados à lista da Comissão Federal das Comunicações (FCC), regulador norte-americano das telecomunicações.
China | Novas regras para travar guerra de preços no sector dos painéis solares Hoje Macau - 30 Jul 2026 As autoridades chinesas anunciaram novas regras contabilísticas para os fabricantes de painéis solares e vão reunir-se esta semana com responsáveis do sector, numa nova etapa da campanha destinada a travar a guerra de preços na indústria. Segundo o portal económico Yicai, a nova regulamentação pretende “resolver o caos provocado pelos diferentes métodos de contabilidade” utilizados pelas empresas do sector, que enfrenta uma forte pressão sobre as margens de lucro devido à concorrência baseada na redução de preços, levando algumas fabricantes a operar com prejuízo. Esta situação, que se prolonga desde 2024, resulta de um excesso de capacidade produtiva e fez com que, das 26 empresas chinesas cotadas que já divulgaram previsões para o primeiro semestre, apenas quatro esperem manter-se lucrativas. As restantes poderão acumular prejuízos entre Janeiro e Junho equivalentes a 2,7 mil milhões e 3,2 mil milhões de dólares, segundo o Yicai. Pequim acredita que a introdução de um método normalizado para calcular os custos permitirá dar um “passo fundamental” para impedir que as empresas continuem a vender abaixo do custo de produção. Entretanto, outro importante órgão económico chinês, o Cailianshe, adiantou ontem que a Administração Estatal para a Regulação do Mercado (SAMR) vai reunir-se na sexta-feira com a associação da indústria solar e representantes de empresas do sector para prestar orientações sobre a aplicação das novas regras de fixação de preços. Especialistas citados pelo Cailianshe consideram que esta iniciativa representa uma mudança da política de Pequim para uma postura mais intervencionista. Já o Yicai enquadra as medidas desta semana num plano mais vasto para criar um quadro regulatório completo para o sector, após a introdução, nas últimas semanas, de novas normas de segurança e eficiência.
Lisboa | Ana Jacinto Nunes apresenta nova exposição Andreia Sofia Silva - 30 Jul 2026 É na Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, ligada ao Museu da Água, que a artista portuguesa Ana Jacinto Nunes, com ligações a Macau, apresenta a sua mais recente exposição. “Seres d’Água” tem animais que não são bem isso, a mulher e muitas reflexões interiores em forma de pintura, escultura e desenho Ana Jacinto Nunes, artista plástica que já viveu e expôs em Macau, apresenta até ao dia 12 de Agosto a sua nova exposição, “Seres D’Água”, patente na Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, ligada ao Museu da Água. A curadoria está a cargo de Ricardo Barbosa Vicente, podendo ser vistos trabalhos mais antigos e actuais, alguns deles já apresentados em Macau. Aqui, a água é tema central num conjunto de obras que também acarretam consigo introspecções e reflexões. Como se lê na descrição da exposição, “a água atravessa tudo: está nos corpos, nas paisagens, nas memórias e nas formas que habitam a nossa imaginação”, sem esquecer “o movimento constante da transformação”. Apresenta-se, assim, “um conjunto de obras em cerâmica, desenho sobre têxtil, pintura e objectos que nos convidam a explorar um universo onde o humano, o animal, o vegetal e o imaginado se encontram”. Estabelece-se ainda “um diálogo entre arte contemporânea e património, propondo uma reflexão sobre a água enquanto força criadora, transformadora e agregadora”. rpt Ao HM, a artista revela um pouco sobre aquilo que pode ser visto no Museu da Água. “O meu trabalho tem muitos animais, muitas pessoas, normalmente mulheres. Aliás, tem quase sempre mulheres. É muito raro haver um homem na minha obra, talvez porque se transforma em metáforas e bichos. Ou porque, simplesmente, já é difícil saber de mim.” As obras onde a mulher surge em maior evidência são “Escultura ser de água + plinto”, em grês; ou “Anjo”, com 73 azulejos montados sem plástico com uma chapa de metal. Estas obras datam deste ano. Já na pintura, “Vertigo (Flamingo)”, a mulher também está em destaque, por entre tons brancos e rosa, numa instalação deste ano com o desenho de uma mulher feita num pedaço de cambraia de algodão. O lugar do feminino Ana Jacinto Nunes tem hoje uma relação mais próxima com o jardim de sua casa do que antes, estando presente no seu processo de criação. Assume ter “preocupações que, provavelmente, são comuns a muitas mulheres”, e que passa por “saber o que é que estamos aqui a fazer”, por exemplo. “Só me tenho a mim como modelo, e a pergunta e resposta é sempre dentro de mim e não com os outros, portanto, estas perguntas essenciais que se fazem são comigo. De masculino tenho muito pouco”, responde a artista quando questionada sobre a forte presença da mulher na sua obra. O feminino é, portanto, “a sua vida”, enquanto que os animais dos seus projectos não são sempre isso, podendo ser “metáforas”. “Não são necessariamente animais. Alguns serão, na sua maioria, ou não existem. Os pássaros podem não existir – não são os pássaros do meu jardim. Se calhar, são uma metáfora para a liberdade, para os voos, para o sair, para a evasão. Outros bichos serão o meu filho, a minha filha, o meu namorado, o meu pai, a minha mãe”, acrescenta. Sobre “Into Slumber”, um desenho de acrílico feito em pano cru, de 2014, retrata-se uma espécie de sonho. “Os sonhos, bichos, plantas, pessoas podem ser todas uma amálgama, o que, no fundo, somos. Achamos que somos todos separados, mas não. Não há como se dizer isto de outra forma, a água é vida.” Ana Jacinto Nunes recorda uma mostra feita em 2008, intitulada “O Vestido Azul e Outros Banhos”, para mostrar a importância fulcral da água. “Quando vestes um vestido azul, estás de volta de azul, quando tomas um banho de banheira, estás imersa, e quando tens filhos, és parte de uma família. Quando te pões num jardim, és parte dele. Sem água, não cresce nada, e se as plantas não crescerem, se não derem refúgio aos pássaros e aos roedores… Se eu não regar, nada cresce, e nada vai aparecer. Tal como na nossa vida: se não pensarmos, não lermos, não procurarmos, não vamos colher nada”, rematou.
Obras ilegais | Mais de 500 demolições voluntárias até Junho João Luz - 30 Jul 2026 Nos primeiros seis meses deste ano, o Governo contou 533 demolições voluntária de obras ilegais, mais do dobro do registo de todo o ano de 2025. A Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana salienta o agravamento das sanções aplicáveis às obras ilegais, e de processos que acabaram na esfera penal devido ao crime de desobediência A Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU) revelou ontem que na primeira metade deste ano “registaram-se 533 casos de demolições voluntárias, número que representa um aumento significativo face aos anos anteriores”. No mesmo período no ano passado, as demolições voluntárias por proprietários somaram uma centena e mais do dobro dos 241 casos registados em todo o ano de 2025. Na primeira metade de 2024, as demolições voluntárias de obras ilegais chegaram às 127. Os dados divulgados ontem pela DSSCU revelam que foram instaurados menos 100 processos relativos a obras ilegais do que demolições, com 433 processos. Foram também instaurados 59 processos sancionatórios relativos à aplicação de multas pela execução de obras ilegais, no valor total de cerca de 2,87 milhões de patacas. Em nove casos, os proprietários não pagaram as multas dentro do prazo, levando as autoridades a proceder à cobrança coerciva. A DSSCU salienta a reforma da lei da construção urbana como uma ferramenta que simplificou procedimentos, facilitou e incentivou infractores a cooperarem com a Administração na demolição de obras ilegais. O novo quadro legal dispensou também a apresentação de comunicação prévia de demolições “cujo prazo de execução não exceda cinco dias”. Ir ao fundo A DSSCU salienta que as obras ilegais podem afectar a segurança dos edifícios e a segurança contra incêndios, bem como originar problemas de salubridade, devido à acumulação de resíduos, infiltrações de água, afectando “as relações de vizinhança e a qualidade vida dos cidadãos”. Além das multas, o Governo sublinha que os infractores que ignorarem a ordem de embargo e continuarem as obras ilegais, podem incorrer na prática do crime de desobediência, uma novidade trazida pela alteração da lei. Neste caso, a DSSCU indica que o caminho a seguir é a denúncia ao Ministério Público para apurar a responsabilidade penal dos infractores. “Em alguns desses casos, já foi concluída a fase de instrução, tendo o tribunal proferido o respectivo despacho de pronúncia. Paralelamente, os respectivos infractores foram sancionados pela DSSCU com multas elevadas devido à execução de obras ilegais”, é acrescentado pela direcção de serviços.
Japão | DST sem pedidos de assistência devido a sismo João Luz e Nunu Wu - 30 Jul 2026 A linha aberta do turismo não recebeu pedidos de assistência de residentes devido ao sismo de magnitude 7.1 em Kumamoto, perto de Fukuoka, para onde partiu ontem um voo de Macau. Andy Wu revela que apenas um grupo de turistas de Hong Kong ficou meio dia sem transportes em Kumamoto O sismo que abalou a cidade de Kumamoto, no sul do Japão, e que resultou na morte de, pelo menos, 13 pessoas, parece não ter afectado residentes de Macau. Ontem à tarde, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) indicava não ter recebido, através da linha aberta, pedidos de assistência de residentes nas zonas afectadas pelo sismo. As autoridades recomendaram aos residentes da RAEM que se encontrem no Japão para manterem uma postura de vigilância e prestarem atenção aos anúncios das autoridades japonesas. No final da tarde de terça-feira, a DST indicou também não ter recebido pedidos de assistência de residentes na sequência de dois sismos de magnitude 5,7 e 5,8 que atingiram o condado de Xinghai, na província de Qinghai na manhã de terça-feira. Na terça-feira à noite, as autoridades nacionais davam conta de 43 mil pessoas desalojadas, mas não indicavam o registo de mortos ou feridos. Viagens sem problemas Ontem de manhã partiram três voos para destinos no Japão, como Tóquio e Osaka, também com um voo da Air Macau a sair do Aeroporto de Macau para Fukuoka às 08h40. Este último voo levou a bordo uma excursão de residentes da RAEM, cujo itinerário não foi afectado pelo sismo, de acordo com declarações ao canal chinês da Rádio Macau feitas por Andy Wu, presidente da Associação de Indústria Turística de Macau. O também empresário de agência de viagens revelou que um grupo de turistas de Hong Kong ficou retido durante meio dia em Kumamoto devido a perturbações nos transportes. Andy Wu apelou aos residentes da RAEM que viajam por conta própria no Japão a familiarizarem-se com as medidas de preparação para sismos e a estarem atentos às vias de evacuação. A directora-geral da agência de viagens EGL Tours, Iong Ut Iong, afirmou à mesma fonte que a maioria das excursões que partem de Macau para o Japão tem como destinos mais comuns Kitakyushu, Fukuoka e Oita, não existindo, de momento, itinerários com destino a Kumamoto. Porém, importa indicar que Kumamota fica a pouco mais de 100 quilómetros de Fukuoka, assim como Oita. A responsável acrescentou que, de modo geral, o impacto do sismo não foi significativo nas operações da agência, mas que se for necessário serão ajustados itinerários de excursões para garantir a segurança dos viajantes.
Leite em Pó | Fabricante nega haver excesso de chumbo João Santos Filipe e Nunu Wu - 30 Jul 202630 Jul 2026 A Friso contesta os resultados dos testes das autoridades de Macau que colocam em causa a segurança do leite em pó produzido pela empresa controlada pela holandesa Royal FrieslandCampina A produtora de leite em pó Friso garante que testou os seus produtos em dois laboratórios independentes e que os resultados mostram o cumprimento dos padrões de segurança. Foi desta forma que a empresa controlada pela holandesa Royal FrieslandCampina reagiu às acusações das autoridades de Hong Kong e Macau de que um dos lotes de leite em pó do grupo apresentou níveis perigosos de chumbo. Através de um comunicado, a Friso revelou que teve um encontro com as autoridades de Macau na segunda-feira e contestou a forma como foram realizados os testes de avaliação de segurança do produto. “Durante a reunião, a empresa manifestou claramente a sua posição, solicitando veementemente uma nova amostragem e testagem aos produtos do mesmo lote, e insistindo em esclarecer melhor os factos”, pode ler-se na mensagem. “A empresa expressou reservas quanto à disposição dos serviços competentes de Macau em utilizar apenas uma lata de amostra para a realização dos testes”, foi acrescentado. A Friso explicou também que “submeteu aos serviços competentes de Macau relatórios de ensaio referentes a três amostras, efectuados por dois laboratórios independentes”. “Os resultados demonstraram que o teor de chumbo em todas as amostras cumpre as normas vigentes em Macau e Hong Kong, comprovando mais uma vez a segurança e a qualidade dos produtos da empresa”, foi destacado. No comunicado partilhado nas redes sociais, a empresa apresenta também os resultados dos testes realizados. Reputação em jogo Face aos riscos reputacionais, a Friso afirma que “compreende perfeitamente a importância e a preocupação dos pais relativamente à saúde e segurança dos bebés”, mas garante que os seus produtos se pautam “sempre por rigorosos padrões de qualidade e segurança”. A empresa aponta também que assume “a protecção da saúde infantil como a sua principal responsabilidade, e mantém uma confiança inabalável na segurança e qualidade dos seus produtos”. Além disso, a empresa controlada pela Royal FrieslandCampina promete que vai continuar a procurar todas as formas de provar a qualidade dos seus produtos: “Para que afaste as preocupações da população nos resultados diferentes de análises, a empresa garante que vai continuar a procurar mais instituições de renome para realizarem análises do mesmo lote do produto, com vista a assegurar a confiança dos consumidores na segurança alimentar”, foi indicado. Alerta no fim de semana Foi no sábado que o Instituto para os Assuntos Municipais, o Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica e os Serviços de Saúde emitiram um comunicado a alertar para o excesso de chumbo no leite em pó da marca Frisolac Gold 1 com o número de lote: 1W07KPJ. “Com base nos resultados das análises, o leite em pó problemático é Frisolac Prestige – Fórmula Infantil n.º 1, com conteúdo líquido de 800 gramas, lote n.º 1W07KPJ e data de validade de 30/09/2027. Na amostra em causa, foi detectado um teor de chumbo de 0,2 mg/kg, um valor superior ao limite máximo permitido para fórmulas para lactentes e crianças pequenas, fixado em 0,02 mg/kg no Regulamento Administrativo Limites Máximos de Metais Pesados contaminantes em géneros alimentícios”, foi indicado. Ao mesmo tempo, foi pedido aos distribuidores que recolhessem o produto e criada uma linha especial de atendimento nos hospitais para os bebés que tivessem consumido este leite. Até às 18h de segunda-feira, os cinco bebés que recorreram ao atendimento urgente não apresentavam qualquer sintoma de intoxicação.
UM | Curso de Verão de português teve 400 alunos Hoje Macau - 30 Jul 2026 A Universidade de Macau (UM) realizou mais uma edição do Curso de Verão de Língua Portuguesa, a 40.ª, que contou com cerca de 400 alunos. Citada por uma nota da UM, Li Qianyu, uma aluna de nível avançado que participou no curso, diz ter feito a “leitura atenta de obras de autores prestigiados de língua portuguesa”, com o apoio da professora. Esta estudante acrescentou ter aprofundado “a compreensão sobre a história e literatura de Macau”. Já o aluno Huang Wai Kuan, que vai frequentar o curso de Direito na UM, indicou que esta área “exige o domínio tanto do chinês como do português, motivo pelo qual se inscreveu no curso”, diz a mesma nota. Por sua vez, os coordenadores do curso, Lu Chunhui e Tânia Ferreira, referiram que esta edição incluiu, além das aulas de língua, “uma oferta diversificada de actividades culturais”, com a aposta em conteúdos relacionados com a dança folclórica portuguesa, a história e cultura de Portugal, a evolução cultural e literária do Brasil, a interpretação de grandes autores como Camões e Fernando Pessoa ou ainda a prática de tradução poética. Segundo a UM, “a concepção do curso teve em conta a diversidade temática e geográfica, articulando-se em diferentes níveis de acesso para que os formandos de todas as etapas pudessem obter resultados frutuosos”.
Fundo de Pensões | Défice vai atingir quase 9 mil milhões Hoje Macau - 30 Jul 202630 Jul 2026 Entre 2027 e 2031, o défice do Fundo de Pensões deve atingir 8,99 mil milhões de patacas. A estimativa foi apresentada ontem pelo Governo aos deputados da 1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que está a analisar a proposta de lei “Consolidação dos Recursos Financeiros do Fundo de Pensões”. A proposta prevê que o orçamento de Macau possa financiar directamente o fundo, dentro de certos limites estabelecidos pelo Chefe do Executivo. Os representantes do Governo, liderados pelo secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, apontaram também, segundo o canal chinês da Rádio Macau, que actualmente o fundo tem 6.465 subscritores no activo, ou seja, que fazem descontos, e que estes têm uma média de idades de 51,9 anos e 26,4 anos de tempo de serviço. Até ao final do mês passado, foram pagas um total de 6.577 pensões, das quais 6.056 eram pensões de aposentação e 521 pensões de sobrevivência, o que representa um aumento de 390 pensões em relação ao mesmo período do ano anterior. Prevê-se que, até ao final de 2030, restem 3.290 subscritores no activo, e que o número de pensões atribuídas aumente para 9.150. Segundo Ella Lei, deputada que preside à comissão, durante a discussão os deputados perguntaram ao Governo se o futuro financiamento do Fundo de Pensões vai prejudicar os apoios sociais. Os representantes do Executivo garantiram que tal não aconteceu. Importa referir que, até à pandemia, os orçamentos da RAEM apresentaram sempre um superavit. Esta situação mantém-se actualmente.
Autocarros | Lam Lon Wai quer mais segurança e menos acidentes João Santos Filipe - 30 Jul 2026 O deputado dos Operários está preocupado com o aumento dos acidentes que envolvem autocarros e pede ao Governo soluções para reforçar a segurança nas estradas Tendo em conta o recente aumento do número de acidentes com autocarros públicos, o deputado Lam Lon Wai pede ao Executivo medidas para reforçar a segurança. O assunto vai ser discutido na Assembleia Legislativa, numa sessão plenária para interpelações orais, entre hoje e amanhã. Segundo os dados apresentados pelo deputado ligado aos Operários, “o número de acidentes de viação em operação de autocarros aumentou de 943 em 2022 para 1.327 em 2025”. Lam Lon Wai indica que estes dados reflectem “o aumento da população e do número de turistas”, assim como “a elevada frequência do movimento transfronteiriço”. O legislador aponta que a estatística revela “uma tendência de aumento do número de acidentes de viação imputáveis às companhias de autocarros” e de acidentes “por cada 100 mil quilómetros”. “Face ao aumento do fluxo de trânsito e à complexidade contínua das vias públicas, o aumento constante do nível de segurança dos autocarros merece a atenção da sociedade”, considera. Por isso, Lam pretende saber como o Governo vai utilizar “o sistema de ajustamento inteligente e de fiscalização do transporte de veículos, a análise de mega-dados e a inteligência artificial” para aumentar “o nível de segurança” e “reduzir a taxa de ocorrência de acidentes”. O deputado pretende também que o Executivo coloque ao serviço da segurança “a formação para motoristas” e “a simulação de condução”. Alterar as estradas Além de pedir a aplicação de novas tecnologias, o deputado também pretende que o Executivo explique como vai alterar os principais pontos de acidentes. “O Governo deve, tendo em conta a análise das causas dos acidentes de viação, proceder à optimização das instalações complementares das vias públicas e das paragens de autocarros nos troços onde se registaram mais acidentes e onde se concentram mais peões”, aponta. Lam defende também a instalação de sistemas de sinalização para peões e veículos e equipamentos de alerta em pontos cegos, para facilitar a tarefa dos motoristas, que, segundo o legislador, lidam com um tráfego cada vez mais intenso. Por último, Lam Lon Wai pede atenção à “formação profissional dos motoristas” e defende que o Governo incentive as empresas “a criarem mecanismos de apoio físico e psicológico para os motoristas, incluindo a avaliação periódica da sua saúde psicológica e aconselhamento sobre gestão emocional”.
Paul French, autor de “The Last Emperor of China: Twilight of the Forbidden City” e jornalista: “Novos diários e cartas são janelas únicas” Andreia Sofia Silva - 30 Jul 2026 Já está em pré-venda o novo livro de Paul French que retrata a vida do último imperador da China. “The Last Emperor of China: Twilight of the Forbidden City” nasceu da descoberta de novas fontes documentais. O livro, que estará nas bancas em meados de Agosto, acrescenta detalhes à história de Puyi e da imperatriz Wanrong Puyi é uma figura histórica muito retratada, inclusive no cinema, mas a sinopse do livro revela que existem novos segredos sobre a vida do último imperador da China. Quais são as principais revelações desta obra e que arquivos consultou? Nunca pensei que acabaria por escrever a história de Puyi, o Último Imperador. Adorei o filme de Bernardo Bertolucci, de 1987 (que estreou quando eu estava na universidade a estudar chinês), e revi-o inúmeras vezes. No entanto, tive a felicidade de encontrar novos documentos em vários arquivos, incluindo cartas da última imperatriz, Wanrong, e de Sir Reginald Johnston, o escocês que ficou conhecido por ter sido tutor de Puyi. Mais tarde, ouvi falar de Isabel Ingram, que foi professora de inglês e amiga próxima de Wanrong. A sua família, nos Estados Unidos, deixou-me consultar as cartas e diários que escreveu durante o período em que viveu na Cidade Proibida com o imperador, a imperatriz e Johnston. Estas novas fontes — cartas, diários e algumas fotografias — contam uma história ligeiramente diferente sobre a relação entre Puyi e Wanrong nos primeiros anos de casamento (o último casamento imperial da China) e colocam também Isabel Ingram no centro da narrativa, depois de ter sido omitida tanto das memórias de Johnston, “Twilight in the Forbidden City”, de 1934, como do filme de Bertolucci. Por que decidiu escrever um livro sobre Puyi? O que considera mais fascinante na vida do último imperador da China? Existem muitos livros sobre Puyi, sobretudo em chinês, incluindo as suas próprias memórias, “From Emperor to Citizen”, editado em 1964. Contudo, as novas fontes a que tive acesso trazem uma luz inédita sobre os dois anos decisivos entre o casamento imperial, no final de 1922, e a expulsão da família imperial de Pequim, no final de 1924. Durante esse período, Puyi e Wanrong tiveram de aprender a conhecer-se (o casamento foi, naturalmente, arranjado), vivendo confinados na Cidade Proibida, no coração de Pequim, uma cidade onde não podiam circular livremente, numa China que já se tinha tornado uma república. Foi uma fase extremamente difícil, agravada por um incêndio devastador que quase destruiu toda a Cidade Proibida, pela decisão de Puyi de expulsar os eunucos por roubarem tesouros imperiais e, por fim, pela sua própria expulsão, conduzida pelo senhor da guerra Feng Yuxiang, que acabou por o empurrar para a influência japonesa. Tudo isto foi testemunhado de perto por Johnston e Ingram, pelo que os seus novos diários e cartas constituem janelas absolutamente únicas sobre esses dois anos tão extraordinários. Como descreveria Puyi enquanto imperador e político, particularmente na sua relação com os japoneses? Foi um estratega ou um derrotado pelas circunstâncias? Era apenas um rapaz e, depois, um jovem adulto. Quando foi expulso da Cidade Proibida tinha pouco mais de vinte anos. Nasceu completamente fora do seu tempo. Foi proclamado imperador antes de completar três anos, por decisão da imperatriz viúva Cixi, e nunca chegou verdadeiramente a conhecer uma China monárquica. A sua situação era única: era um imperador sem império, um soberano sem reino. Não tinha qualquer papel nem uma função real. Escapou ao destino dos Romanov, na Rússia (a execução), mas foi condenado a viver encerrado naquela cidadela murada que era a Cidade Proibida. Na verdade, nunca pôde escolher praticamente nada na sua vida: nem a educação, a casa ou o casamento. Será assim surpreendente que tenha sido politicamente ingénuo e que tenha tomado más decisões? Também não ajudou o facto de o seu principal tutor, Reginald Johnston, lhe ter incutido a ideia de que era um imperador ao nível do rei de Inglaterra ou do imperador do Japão. Além disso, não devemos esquecer que Puyi era manchu, o último imperador de uma das duas “dinastias conquistadoras” da China (a outra foi a dinastia mongol Yuan). Assim, depois da expulsão de Pequim, ficou completamente sozinho, mal aconselhado e impreparado, acabando por se transformar num fantoche dos japoneses na Manchúria. O grande sinólogo de Harvard, John K. Fairbank, considerava Puyi o fim de mil anos de história imperial, da longa sucessão dos “Filhos do Céu” que tinham proporcionado à China um sentimento de unidade e continuidade, agora destruído pela modernidade, mudança e republicanismo. Segundo Fairbank, Puyi foi “a última pedra apanhada sob este rolo compressor” que representou o colapso da dinastia Qing, o nascimento da República e, posteriormente, a guerra contra o Japão. Puyi tinha curiosidade sobre o mundo ocidental? Que visão tinha para a China? Puyi acreditava na monarquia e naquilo a que hoje chamaríamos o “direito divino dos reis e imperadores”. Essa convicção foi reforçada pelos seus professores, sobretudo por Reginald Johnston. Acreditava que talvez pudesse tornar-se um monarca constitucional, à imagem da família real britânica: uma figura simbólica, sem poder político ou legislativo. Johnston incentivava essa ideia. Na verdade, algumas figuras do governo nacionalista de Sun Yat-sen e também alguns senhores da guerra do norte da China viam essa possibilidade com simpatia. Puyi tinha curiosidade pelo Ocidente. Queria estudar em Oxford e via filmes mudos de Hollywood. Contudo, a sua posição e o momento histórico em que viveu eram demasiado singulares para que pudesse realmente conhecer o mundo para além dos muros da Cidade Proibida. Puyi teve várias esposas, uma das quais desenvolveu dependência do ópio. Como eram essas relações? O meu livro centra-se sobretudo na relação entre Puyi e Wanrong. Ambos eram adolescentes quando o casamento foi arranjado. As narrativas chinesas e ocidentais sempre apresentaram esta união como um casamento sem amor (e, naturalmente, sem filhos), retratando Puyi como uma pessoa fria, emocionalmente distante e até assexual. No entanto, os diários de Isabel Ingram relativos aos últimos dois anos na Cidade Proibida e as cartas de Johnston escritas na época mostram um casal muito diferente. Eles eram próximos. Ingram afirma claramente que existia carinho e intimidade física entre ambos. Jogavam ténis juntos, andavam de bicicleta, viam filmes, encomendavam refeições de hotéis ocidentais de Pequim para experimentar novos sabores e partilhavam uma paixão comum pela fotografia. Quando Puyi teve de tomar decisões difíceis, Wanrong apoiou-o. Mais tarde, já na Manchúria, após a expulsão, acabaram por se afastar. Wanrong percebeu que Puyi tinha cometido erros gravíssimos, caiu na dependência do ópio e morreu ainda jovem. Foi uma verdadeira tragédia. O meu livro apresenta também novas fontes sobre a relação entre Puyi, Wanrong e Wenxiu, a sua consorte. Que detalhes desses relacionamentos pode destacar? Ao contrário da imagem tradicional de rivalidade, Wanrong e Wenxiu eram amigas e apoiavam-se mutuamente nas circunstâncias muito particulares em que viviam. Incluo cartas e passagens de diários que descrevem animadas festas nos jardins, frequentadas pelos três, bem como fotografias onde aparecem juntos a rir, a sorrir em piqueniques, a fumar e até a brincar em baloiços. Mais tarde, Wenxiu acabaria por “divorciar-se” de Puyi, e tudo indica que ele lhe desejou sinceramente felicidade para o resto da vida. Tanto a relação de Puyi com Wanrong como com Wenxiu, assim como a amizade entre as duas mulheres, são documentadas através destas novas fontes e revelam uma história muito diferente daquela que durante décadas imaginámos. Pu Yi viveu até meados da década de 1960, atravessando a guerra civil chinesa e o início da Revolução Cultural. Como viveu esse período? Que visão tinha do maoísmo? Naturalmente, é impossível ignorar que, ao aceitar tornar-se imperador do Manchukuo, o Estado fantoche criado pelos japoneses na Manchúria, e ao apelar aos chineses para que não resistissem ao Japão, Puyi foi considerado um traidor. Essa decisão marcou profundamente a forma como passou a ser visto. Foi submetido a um longo processo de “reeducação” antes de poder regressar a Pequim. Primeiro trabalhou como varredor de ruas — perdia-se constantemente porque praticamente não conhecia a cidade além da Cidade Proibida — e, mais tarde, tornou-se jardineiro. Casou novamente e esse casamento foi feliz. Recebeu alguma protecção de Zhou Enlai quando houve quem defendesse que deveria ser severamente castigado e, já no final da vida, os Guardas Vermelhos quiseram torturá-lo quando começou a Revolução Cultural. Zhou Enlai, que o convidou várias vezes para almoçar em Zhongnanhai, disse-lhe uma vez: “Não tiveste qualquer responsabilidade por te tornares imperador aos três anos… Mas és inteiramente responsável pelo que aconteceu depois.” Naturalmente, Puyi manteve-se em silêncio sobre política e sobre o maoísmo. Viveu os seus últimos anos discretamente. A sua vida tinha sido demasiado invulgar, demasiado isolada, e ele tinha sido sucessivamente manipulado pela corte Qing, pelos japoneses e, finalmente, pelos comunistas, para poder ser visto como algo mais do que uma anomalia histórica: o último imperador da China. Espero que o meu novo livro, ao revelar estas novas fontes e as perspectivas de testemunhas oculares dos últimos anos vividos na Cidade Proibida, mostre claramente um jovem que, ainda que por pouco tempo, teve a oportunidade de construir uma vida produtiva e uma relação amorosa feliz. Infelizmente, o peso da História acabou por ser demasiado grande.
Díli | Rosa Mota vai disparar tiro de partida da Maratona Internacional Hoje Macau - 29 Jul 2026 A atleta Rosa vai disparar o tiro de partida, juntamente com o Presidente timorense, da Maratona Internacional de Díli, a realizar-se em 08 de Agosto, anunciou ontem a embaixada de Portugal e a Presidência timorense. “Ter a Rosa Mota em Timor-Leste mostra o nosso empenho neste evento desportivo de primeira linha. Díli tem-se posicionado como uma cidade de afirmação internacional, visibilidade e cruzamento de culturas”, pode ler-se numa publicação da Embaixada de Portugal na rede social Facebook. Na publicação, a embaixada, que também vai patrocinar o evento, agradece ao Ministério da Cultura, Juventude e Desporto e ao Instituto Português da Juventude e Desporto pelo “apoio e entusiasmo com que acolheram a ideia”. A atleta, que chega a Díli em 04 de Agosto, foi a primeira mulher portuguesa a ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, depois de em 1984 ter obtido a medalha de bronze na maratona olímpica de Los Angels, Estados Unidos. Num comunicado, a chefe da Casa Civil da Presidência da República, Henriqueta da Silva, destacou o patrocínio da Embaixada de Portugal em Timor-Leste como um “abraço lusófono”. “Uma recordação de que a distância entre Lisboa e Díli, em termos humanos e culturais, nunca foi grande e de que no próximo 08 de Agosto essa ponte será atravessada por oitenta mil passos de corredores dos nossos dois países e de todo o mundo”, afirmou Henriqueta da Silva. Durante a sua estada em Timor-Leste, Rosa Mota vai realizar seminários sobre estratégia de corrida e recuperação física com a equipa nacional de maratona timorense, visitar a exposição “Move-te por Valores”, promovida pelo Instituto Português da Juventude e Desporto e realizar visitas a escolas para promover a prática desportiva.
Japão | Sismo faz desabar andar de centro comercial Hoje Macau - 29 Jul 2026 Um dos andares de um centro comercial no Japão caiu na sequência do terramoto de 7,1 de magnitude que abalou o sudoeste do país, prendendo várias pessoas nos destroços, avançou ontem a televisão pública NHK. O desabamento causou uma forte explosão, relatada inicialmente pela polícia, que ainda desconhece se há vítimas mortais e a extensão dos danos. A NHK já tinha avançado existirem pelo menos 50 feridos causados pelo desabamento de prédios, incêndios e cortes de energia na sequência do sismo. “Ainda estamos a avaliar a extensão dos ferimentos e dos danos materiais, mas fui informada de que há vários feridos. Há falhas de energia e incêndios em algumas áreas, estradas e pontes foram danificadas e edifícios desabaram”, disse a primeira-ministra, Sanae Takaichi, num comunicado televisivo. Segundo as autoridades locais, pelo menos 12 pessoas estão em estado grave devido a fraturas e ferimentos causados pelo colapso parcial de estruturas, sendo que 12 casas ruíram perto da cidade de Yatsushiro, na região central da província de Kumamoto. Além disso, adiantaram, um grande apagão deixou cerca de 48.000 casas sem eletricidade na província. A Agência Meteorológica do Japão chegou a emitir um alerta de ‘tsunami’ (maremoto) logo após o sismo, mas o aviso foi suspenso pouco tempo depois por o terramoto ter ocorrido em terra firme. Nível grave O sismo, que abalou violentamente a região, atingiu o nível máximo (7) numa escala separada utilizada no Japão, que mede a intensidade dos terramotos num determinado local. Imagens televisivas mostram pontes rodoviárias parcialmente destruídas, edifícios em chamas e comboios de mercadorias tombados. Não foram detectadas anomalias imediatas nas centrais nucleares da região, de acordo com a Autoridade de Regulação Nuclear do Japão. Kumamoto já tinha sido atingida, há 10 anos, por dois sismos devastadores — um de magnitude 6,5, e outro, dois dias depois, de magnitude 7,3 na escala de Richter – que mataram 273 pessoas e feriram mais de 2.800. Um sismo de magnitude 7,2 também atingiu o norte do Japão a 25 de Junho, mas sem causar mortes ou danos significativos. O Japão é um dos países do mundo mais propensos a sismos, já que fica localizado na junção de quatro grandes placas tectónicas ao longo da orla oeste do Círculo de Fogo do Pacífico. O arquipélago, com uma população de cerca de 125 milhões de habitantes, sofre normalmente centenas de tremores de terra todos os anos e é responsável por cerca de 18 por cento dos sismos registados no mundo. A grande maioria destes sismos é de baixa intensidade, embora os danos que causam variem consoante a sua localização e a profundidade a que ocorrem abaixo da superfície da Terra. O país ainda carrega as cicatrizes do sismo submarino de magnitude 9,0 de 2011, responsável por um ‘tsunami’ que fez cerca de 18.500 mortos ou desaparecidos e provocou o desastre nuclear de Fukushima.
HK | Ex-líder da oposição autorizado a ficar seis meses no Reino Unido Hoje Macau - 29 Jul 2026 O activista Wu Chi-wai foi autorizado a permanecer no Reino Unido como visitante, indicou ontem o advogado do antigo líder do Partido Democrático de Hong Kong, que já se reuniu com a família, após problemas na imigração. O advogado Paul Harris disse à agência Associated Press (AP) que as autoridades de imigração enviaram uma carta à defesa de Wu a indicar que o activista iria obter autorização para permanecer como visitante durante seis meses. A família de Wu reside no Reino Unido. A decisão das autoridades britânicas surgiu depois de a entrada de Wu, na semana passada, ao abrigo de uma fiança de imigração de sete dias, ter suscitado preocupações por parte de grupos de defesa dos direitos humanos e de cidadãos de Hong Kong que vivem no Reino Unido e no território chinês, escreveu a AP. Wu Chi-wai saiu da prisão de Hong Kong no mês passado, após cumprir quatro anos e cinco meses de pena por conspiração para subversão no âmbito do processo conhecido como “Hong Kong 47”, considerado o maior julgamento ao abrigo da lei de segurança nacional imposta por Pequim. Wu foi o 20.º arguido a concluir a pena, num caso que envolveu 47 activistas acusados de planear “uma crise constitucional” através de eleições primárias não oficiais em 2020. Quarenta e cinco arguidos foram condenados e dois foram absolvidos neste processo. Wu afirmou numa entrevista à AP, no domingo, que só lhe foi permitido permanecer no Reino Unido até quarta-feira, uma vez que as autoridades fronteiriças britânicas consideravam que pudesse ter outros objectivos além de uma simples visita, incluindo a procura de residência de longa duração. Wu afirmou num vídeo publicado pelo meio de comunicação online Green Bean que se sentiu angustiado nos últimos dias e que estava feliz por, afinal, ter sido autorizado a passar mais tempo com a família. “Espero que todos os habitantes de Hong Kong possam viver bem e valorizar os seus entes queridos”, afirmou.
De novo o nevoeiro Duarte Drumond Braga - 29 Jul 2026 Pedro Eiras escreve, desde há algum tempo, livros que dão corpo à fronteira entre a investigação e a literatura. Nesses trabalhos, não se trata de fazer da obra alheia obra sua, mas mais de assumir as vozes alheias que constituem a obra própria, algo que já se notava em «Cartas Reencontradas de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro» (2016), a ficção do achado, no Hotel de Nice, das cartas que Pessoa teria enviado a Sá-Carneiro entre julho de 1915 e abril de 1916, reconstituindo o lado em falta da correspondência. É o antecedente direto deste recente romance «Nevoeiro», editado pela Assírio & Alvim, título retirado de um dos poemas centrais de «Mensagem». De facto, o que aqui está em jogo é todo o nevoeiro (e não floresta) de enganos em torno da premiação desse livro de poesia nacionalista, projeto que Pessoa desde jovem acarinhava: esperanças, desilusões e mal-entendidos. O romance de Eiras — que, como declaradamente assume, investiga as relações entre o poder e a escrita («Decidi descrever um livro para investigar as relações entre a escrita e o poder», p. 25) — é ao mesmo tempo, enquanto peça crítica que também é, uma espécie de síntese de um processo simultâneo de atração e repulsa triangular entre três figuras da história de Portugal e os textos que estas produziram: Pessoa, Salazar e António Ferro. Por outro lado, ele inscreve-se naturalmente nos estudos pessoanos mais recentes: é não só informado e enformado por eles, mas é também parte deles, por também ser um ensaio ou, melhor dizendo, uma «investigação pessoana» — significativamente o subtítulo da obra. Recorde-se que, logo após a publicação de «Mensagem», e depois de não ter comparecido à entrega do prémio Antero de Quental que ganhou, ainda que em segundo lugar, Pessoa veio a lume – em 1935, último ano em que vive – em defesa da Maçonaria contra a proposta de lei do deputado ultramontano José Cabral, num artigo que fez esgotar o periódico e tornou o poeta subitamente famoso. Este é trabalhado por Eiras como um dos episódios desta narrativa, sendo no fundo o que mobiliza a própria relação de Pessoa e do seu livro de versos com textos-satélite em prosa e em verso, também do último ano, — o poema «Liberdade» e o artigo «Associações Secretas» —, e a ligação de tudo isto com Salazar e Ferro, que são aqui também escritores, produtores de ideologia e de escrita. O romance constrói-se, assim, pela via entreaberta que é o vazio dos textos, e que está entre os textos e os casos, os não-ditos. Leva mais longe o experimentalismo face às «Cartas Reencontradas», no sentido de uma mestiçagem genológica e de modos discursivos mais radical: é uma crítica que é um romance, um romance que é uma crítica. O livro faz várias coisas ao mesmo tempo, que se vão interpolando em capítulos: diário de um livro — da escrita de um livro —, cenas de um romance, considerações sobre uma investigação que são, elas próprias, a investigação. Como se a ideia fosse verificar se há algum livro – este livro – que resista, enquanto objeto simultaneamente estético e crítico, a essa visibilidade extrema de ter expostos inteiramente os pespontos da sua composição. Ora, isso é também, por outro lado, uma forma de ficcionalização, isto é: essa visibilidade, essa abertura é, ela própria, ficcionada. «Nevoeiro» é tudo isso em simultâneo: um livro e o seu próprio desdobramento num metalivro, mostrando como, quer na literatura quer no gesto crítico, a literatura se aponta a si mesma. Ao mimetizar discursos, falas, diálogos ou pensamentos de Pessoa, Salazar e Ferro, o romance heteronímico de Eiras como que heteronimiza tudo. Todos estes devem heterónimos desta escrita, sobretudo se lembrarmos o sentido lourenciano da heteronímia, que seria essencialmente os textos: os outros textos, ou os textos outros. Ao tratar aquelas três figuras em pé de igualdade formal, como vozes textualizadas, independentemente do seu estatuto histórico ou literário, Eiras produz um gesto que cruza radicalmente o político e o poético — reforçando a ideia de que Salazar e Ferro, aqui, são também escritores, sujeitos produtores e não apenas objetos de análise. Por outro lado, Pessoa não é apenas o poeta, mas também um político e um doutrinador, que entra em cena com «Mensagem», mas também com o altamente polémico artigo «Associações Secretas», publicado no Diário de Lisboa a 4 de fevereiro de 1935, com o qual logrou exibir, logo após a publicação do seu único livro autoral, o seu afastamento do regime. Contudo – e isto é muito importante –, não se trata de pós-modernamente mostrar que todas as posições são válidas, que tanto faz ser e escrever Salazar como ser e escrever Pessoa: Eiras toma partido claro por um dos lados dessa tríade, e em grande medida são os capítulos nos quais fala o autor-professor que afirmam essa tomada de posição. É certo que, em toda esta leitura, Eiras está a ler o passado com os olhos do presente — como aliás diz expressamente —, e não há nada de errado com isso, até porque outra coisa não seria possível: só temos os olhos do presente, nada mais. E o nosso presente é fascista, parece ser essa uma das principais mensagens do livro, desse modo duplicando o passado de há quase cem anos, também ele fascista. Diferentemente das «Cartas Reencontradas», há então aqui uma evidente posição política antifascista e mesmo descolonial — que envolve figuras do passado para falar do presente — e é essa a novidade mais evidente deste livro. Na verdade, o nevoeiro, que o leitor encontra no primeiro capítulo a tomar conta do país, a cobrir e a apagar os contornos de tudo, e que pode representar um Estado Novo ainda incipiente a começar a açambarcar o país, diluindo os seus contornos mentais, está talvez a reaparecer. Desta vez provavelmente não vai começar por lentamente lamber o Cais das Colunas, mas poderá entrar por outras portadas para de novo ressurgir e apagar, com a sua borracha, os contornos do que julgávamos seguro e definido.
Creative Macau | Vincent Cheang apresenta nova exposição Andreia Sofia Silva - 29 Jul 2026 Vincent Cheang, o rosto por detrás do espaço Live Music Association, apresenta esta quinta-feira uma nova exposição, intitulada “Dark Shards”. Trata-se de um projecto que revela ao grande público “pensamentos não expressos de dias agitados e inspirações despertadas pelas melodias da rádio”. A inauguração será acompanhada por uma actuação ao vivo A galeria da Creative Macau acolhe, a partir desta quinta-feira, uma nova exposição. Trata-se de “Dark Shards” [Negros Fragmentos], uma exposição com trabalhos de Vincent Cheang Chi-Tat, artista e a figura por detrás do espaço Live Music Association, que depois de décadas a trazer música a Macau, funciona agora em Wanchai. Na inauguração, que decorre entre as 18h30 e as 20h30, o público poderá ainda assistir a uma curta actuação de Vincent com os músicos Jun Kung e Chao Seng Lam. O próprio artista vai também fazer pinturas em simultâneo com a música, tratando-se de uma “colaboração ao vivo entre a música e a pintura”, disse Vincent Cheang ao HM. Este trabalho fica depois exposto na Creative Macau, tratando-se, para Vincent Cheang, de um “trabalho escondido”, como se fosse “uma faixa escondida num CD”. “Dark Shards” encara a arte como se fosse uma espécie de “vida em fragmentos”. Vincent Cheang encara a expressão artística não como “fruto de um cálculo deliberado, mas sim [o acto] de infundir criatividade em cada momento da vida, transformando assim a arte em registos fiéis da própria existência”. Entre a dispersão e o início Segundo uma nota da Creative Macau, “Dark Shards” transforma “pensamentos não expressos de dias agitados e inspirações despertadas pelas melodias da rádio, em fragmentos dispersos de escuridão”. O artista é descrito como um “coleccionador e maestro da noite”, que organiza estas melodias “e pedaços dispersos numa sequência rítmica, reorganizando o caos para forjar narrativas claras e significativas na tela”. A ideia de “fragmentos” remete para a sensação de “estar disperso”, tratando-se de “o início de um renascimento após o fim”. Com estes trabalhos artísticos, a ideia é “explorar e encontrar a ressonância da nossa vida que perdura nestes fragmentos escuros e repletos de ritmo”. Esta mostra surge depois de projectos como “Highway Star”, exposição apresentada em 2019; “Parallel Universe”, de 2022; “When Tat Chi Meets Chi Tat”, projecto de 2023, e “Synchronicity» da Art Macao”, do mesmo ano. Vincent Cheang Chi-Tat é um artista que “alterna entre a estrutura disciplinada do trabalho de design e a liberdade ilimitada da expressão artística, sendo a criação o eixo central de toda a sua vida”. Além disso, “a apresentação de um programa de rádio semanal de cinco dias confere à sua arte visual um ritmo musical natural e um fluxo tonal que definem o seu estilo característico”, é apontado.
Naufrágio | Resgatados 48 tripulantes de navio vietnamita afundado no mar do Sul Hoje Macau - 29 Jul 2026 O número de sobreviventes do navio de carga vietnamita que se afundou no sábado junto a um recife ocupado pela China subiu para 48, enquanto prosseguem as operações de busca por 14 tripulantes ainda desaparecidos. As operações de busca e salvamento envolvem equipas do Vietname, das Filipinas e da China. As autoridades vietnamitas anunciaram na segunda-feira o resgate de mais três dos 62 tripulantes que seguiam a bordo, sem divulgarem pormenores sobre a operação. O cargueiro Khoi Nguyen 18 afundou-se no sábado à noite nas imediações do recife Fiery Cross, uma ilha artificial construída pela China no mar do Sul da China. O ministério dos Negócios Estrangeiros vietnamita indicou que o navio se afundou devido ao mau tempo no mar do Sul da China e acrescentou que os 48 sobreviventes já foram entregues às autoridades vietnamitas, que lhes prestam assistência médica antes do regresso ao continente. Segundo plataformas de monitorização marítima, o Khoi Nguyen 18 é um navio de carga geral construído em 2017. O sistema de identificação automática (AIS) do navio registou a sua última posição em Março, ao largo da costa do Vietname, de acordo com a plataforma MarineTraffic. Ao abrigo de uma convenção das Nações Unidas sobre segurança marítima ratificada pelo Vietname, os navios de carga de grande porte devem manter permanentemente ligado o sistema AIS, que transmite a identidade, posição e rumo da embarcação. Hanói afirmou que mobilizou de imediato meios de busca e salvamento, em coordenação com navios de resgate chineses, helicópteros e outras embarcações que se encontravam na zona. A Guarda Costeira das Filipinas, que destacou um navio-patrulha e uma aeronave após um pedido das autoridades vietnamitas, afirmou que a operação decorre ao abrigo de acordos internacionais de segurança marítima e da cooperação bilateral entre Manila e Hanói.
Presidente eslovaco defende em Pequim maior cooperação entre China e UE Hoje Macau - 29 Jul 2026 O Presidente da Eslováquia, Peter Pellegrini, afirmou ontem, em Pequim, que o seu país está disposto a promover o diálogo entre a União Europeia e a China, durante uma visita destinada a reforçar as relações bilaterais. Segundo a agência oficial chinesa Xinhua, Pellegrini defendeu que as diferenças entre Pequim e Bruxelas devem ser resolvidas “através da consulta” e manifestou a disponibilidade da Eslováquia para contribuir para uma relação “mais estável” entre as duas partes. O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou a Bratislava para desempenhar um papel “construtivo” na promoção do entendimento entre a China e a UE, numa altura em que as relações entre Pequim e o bloco comunitário atravessam um período de tensões políticas e comerciais. O líder chinês afirmou que ambas as partes devem concentrar-se nos interesses comuns e gerir as divergências através do diálogo, reiterando que Pequim considera a UE um “parceiro”. Pellegrini manifestou também o interesse da Eslováquia em atrair novos investimentos chineses, enquanto Xi propôs reforçar os intercâmbios nos domínios da cultura, turismo, desporto, juventude e cooperação entre administrações locais. Mais perto China e Eslováquia elevaram as relações bilaterais ao nível de parceria estratégica em Novembro de 2024, durante uma visita do primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, a Pequim, na qual os dois governos acordaram aprofundar a cooperação. A aproximação política ficou também patente em Setembro de 2025, quando Fico foi o único chefe de Governo de um país da UE a participar no desfile militar realizado em Pequim para assinalar o 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, ao lado de Xi Jinping, do Presidente russo, Vladimir Putin, e do líder norte-coreano, Kim Jong-un. Após a cerimónia, Fico afirmou que tinha sido “uma honra” participar no evento e criticou a ausência dos restantes dirigentes europeus, considerando que quem ficou isolada não foi a China, mas sim a União Europeia. A visita de Pellegrini, que termina na quarta-feira, dá continuidade à estratégia do Governo eslovaco de reforçar os laços económicos e políticos com Pequim. No início da deslocação, o chefe de Estado escreveu na rede social X que esta é a sua primeira visita oficial à China desde que assumiu a Presidência, em Junho de 2024, e apenas a segunda visita de um Presidente eslovaco ao país asiático. “Nestes tempos dinâmicos, é crucial para o nosso futuro reforçar estes laços”, escreveu.