Dias melancólicos se encontram no Outono

NASCIDO EM 1963, em Zigong na província de Sichuan, Zhen Danyi, vive actualmente em Hong Kong, onde publica na Sixthfingerpress, uma editora-oásis, digamos assim, no ténue contexto cultural de Hong Kong.

A sua mãe era actriz, uma intelectual que a Revolução Cultural poupou lançando-a para uma fábrica de açúcar para o resto da vida. Algumas das primeiras palavras que Danyi disse quando nos encontrámos foram: “odeio açúcar”.Os poemas aqui apresentados são de “Wings of Summer”, uma colectânea que reúne poesia de 1984 a 1997 em tradução inglesa de Luo Hui.

É curioso encontrar um poeta que, ao contrário do cinismo em moda na Europa, não aposta em desdenhar do seu ofício. Em Portugal, por exemplo, tornou-se fino entre poetas dizer que “a poesia não interessa” (um famoso dictum de T.S. Eliot). Até faz sentido, para quem escreve nos subúrbios da vida, por tédio.

Não no caso de Zheng Danyi, onde a escrita e a vida não são separáveis. Na sua poesia, como em muita da arte contemporânea chinesa, há uma crueza e um desassombro por vezes quase brutais que têm obtido uma recensão fora da China que as considera como violência gratuita ou como estranheza deliberada. Mas que outra coisa esperar de uma crítica e de uma sociedade que se habituaram a ver a arte como mero exercício?

Como posso fazer-te acreditar que isto é o
/Outono
Quando tudo aqui
Prova o oposto!
Quando a mais fria água pega fogo

Quem sabe – colo o meu ouvido
A um sino. Quem sabe –
Encomendei uma rajada de vento! Num mês

As folhas caíram
O sino esgotou o seu repique
Como pode ter sido vinho
A privar-me do meu desgosto!
Como podes tu, caminhando sozinho
Ter-te tornado escravo da tua alma

Como podem os pássaros, mortos há muito
Subitamente reaparecer no céu?

Outono. Dias indescritíveis
Dias em que o fogo extingue fogo
Não, como posso fazer-te acreditar
Que estes são dias em que electricidade se
/ dobra em metal!

Estes são dias de apocalipse! Quando eu,
/ para ti
Escancaro a porta da morte…

Agora entra. Perplexas faces, gloriosas faces
Dias melancólicos se encontram no Outono!

QUANTOS OUVIDOS DA ALMA OUVEM

Quantos ouvidos da alma ouvem idade
Ou solidão? A última, a única liberdade
Está desfeita. Quando intoxicada

No cume da felicidade
Nas profundezas de enormes plantas

Quantos ouvidos da alma ouvem
Rodas de pequenos dentes, girando
Infinitamente girando
Violentas línguas enredadas sob água
Prodigalizando flores e interminável
/ bom vinho

Porém cada nascer é um salvamento
Como banquetes, uns a seguir doutros
Pois o terror é bastante. Pois a terra
Rouba antes de dar de novo
Demasiado obsoleto! Por favor –
Quantos ouvidos da alma ouvem

O seu próprio arquejar, ou as batidas
/ do coração
De crianças cantando
Em punido ar
A derradeira canção de inocência

PRIMAVERA

Como uma palavra de veias cortadas
Isto é Primavera
Após numerosas Primaveras
Certos inimigos acordam
Como um suave jardim
Ervas, chuva, ou uma aguda vedação
Tais coisas, no passado poderiam ter sido
Espadas e adagas

Amor, solidão… deixa estar
Entre sonhos e fantasias
Estão essas flamejantes pétalas
Línguas traindo o amor

Ou veias
Secretamente quebradas?

O vidro faz progressos
Carregado com órgãos internos…Árvores
/ palácios
Fazem progressos
Em direção a gentileza, ou a cristal ou sal?

Olha, vermiculares dedos, rostos
Como Terreiros de execução –
Meras folhas de papel branco
Como poderemos suportar assaltos de sangue

Olha, o que faz
Este planeta de valas comuns entontecer,
/ cansar
Não! Certamente não
Costumes, morte, nascimento…ou um jardim

Nas margens da carne destinadas a rebentar
A terra está preparar, a devorar
Outra Primavera

CONHEÇO OS SONHOS DESTA REGIÃO

Conheço os sonhos desta região
Ao lado de uma ave fugitiva e de um sino
/ que toca
Em Nanjing. Rochas para rochas se retiraram
De Edifício graves
Deixando muito espaço para árvores

Flor de primavera, lua de Outono, ano sim,
/ ano não
Paisagem e beleza desfilam, ar púrpura
Fugindo de templo e igreja

Buscando um cheiro, um bando de corvos
Paira sobre o quarteirão…Um bando
/ de corvos
Relutantes na partida, até
Turistas serem trazidos ao alto do monte
A mais bela
Capital que já vi – a invernosa Najing
Na margem da morte
Mostrando paisagem. Secreta, serena…Até
Carnudos remoinhos
São trazidos de labirintos subterrâneos

Abrupto ar de entardecer espalha ansiedade
/ e medo
Uma ave fugitiva
Sonhos de um sino que toca

A capital foi para norte, as pessoas
/ ergueram-se
E eu sei segredos mais profundos
Para além da vista. Em delapidados
Palácios, uma pérola única
Ou uma cabeça tombada
Causaram enorme incêndio

Em Nanjing, metade do fogo penetrou
/ a poesia. A outra metade
Contida por montes e lagos
Imagens rectificadas por paisagem
Torre subidas para ver –

Nunca curta semana, a frente fria cruzou
/ o Yangtze
Vestido em roupa almofadada
Eu regressei
À outra margem da morte…Oh

Os meus passos apressados me envolveram
Em sonhos desta região. Buscando um cheiro
Repetindo faces fictícias

A última noite trouxe grande neve
Um par de sapatos de algodão me acenou
Adeus às portas da cidade…
A ave fugitiva, de novo, sonhou com um sino tocando

Janeiro de 1989

OITO POEMAS CHAMADOS ESTILHAÇOS

1. O VENTO BATE COM SUAVES CASCOS
O vento bate com suaves cascos nos vidros
/ da minha janela
Eu balanço como água num copo
No corredor branco do tempo
Como um copo de água não me posso
/ inclinar

O vento, depois dos bosques, varre agora
/ as ruas….
O vento, saindo da cidade…a um distante
/ vale

Abre: castanha felicidade engarrafada
Olho para dentro de mim…O vento
Fica no copo, por isso só posso tremer
Tremer. Ecoar
O som das rochas despejadas nos tímpanos
/ do vale

2. POESIA

O horário marcado, papel preparado, sangue
/ grita em calma
Um som inclina-se para a frente
Uma sombra varrendo diz: Agora
A escrita começa
Quando o vale mistura a sinfonia das canções
/ de amanhã

Rasgo as ligaduras
Rasgo a pele da dor para veres –

Olha, aqui
Poesia – este pássaro a ficar cor-de-rosa
Penas cheias, músculos fortes, ossos
/ embrulhados
Cordas vocais prateadas e finas como asas
/ de cigarra
Todo completo…E aqui
O crescimento no céu

E fundos arranhões que deixou no papel…

3. RECUSA

Toneladas de gelo flutuando no céu
Chamamos-lhe nuvem
Toneladas de raiva agitando-se no céu
Chamamos-lhe trovão

No cálice do universo
Relâmpago gelado junta-se de novo a carne
Toneladas de carne
Chamamos-lhe amor

Chamamos-lhe: qualquer coisa –
Até que finalmente lhe chamamos; ódio
Flutuando no coração
Um pedaço de rugoso osso

Entre estas linhas
Nuvens de diferentes designações recusam-se
/ a fundir

4. VOCABULÁRIO BRANCO
Então, deve ser assim que se cospe gravilha
“Sobe rochas, esmaga…”
Então, deve ser assim que se limpam
/ feridas mortas
“Luvas, rochas, serra eléctrica…”

Já não sonhamos para além de amanhã
Nas rochas, vocabulário branco
Paciente aguarda que a ordem esguiche,
/ em massa

5. MAS UM POETA É SÓ

Mas um poeta é só um rádio amador
No coração de sal e cristal, rápido nevoeiro
/ prevalece

Cristal, olhos translúcidos, fixa blocos
/ de cimento
Organizados como caixões ao longo
/ do céu
Mais alto, num inferno de cimento, é salve-se
/ quem puder

Mas um poeta pode voar – no sonho
De um objeto voador feito de gralhas e papel
/ encharcado

Mas um poeta é só alguém que fala no
/ nevoeiro
Só um falante
Em espesso nevoeiro
Um archaeopteryx, exalando quentes
/ baforadas

6. COM POESIA

Escuridão. Escuridão continua
Um brilho branco no crânio
Nunca pode ser esmagado

Começo a limpar sangue em cadáveres
Com poesia, começo a rezar
Deixo sair calor aprisionado nos membros
/ de vocabulário
Com poesia – o radiador inquebrado

Quando no meu vas deferens algo se agita…

7. VIDA

Vida, o que podes espremer agora
A parte perecível pereceu
A parte que abana foi abanada
O que pode ser perdido, perdido
O que pode ser sobreviver, sobrevive…
Oh, Vida, a que me espreme

Mas já não podes espremer mais, nem sequer
Uma lágrima forçada

8. APARTAMENTOS DE CIMENTO

Recuas perante ti mesmo, recebes
O lençol branco com clavículas

As portas estão sendo instaladas, uma a uma
A cama, amarando as suas oito pernas,
/ não está disposta a suportar –
Um frio

Desejo de se erguer ocupa o leito de morte
Desnecessariamente largo

Com expressões presas e câmara lenta
Novos inquilinos estão-se a mudar
Erguendo-se, caindo, em fila

As portas estão numeradas por dentro,
/ com endereços…
Como pedras tumulares erigidas na mente
“Não mais escrita – não mais!”

Um cheiro ardente penetra as narinas
Ela jaz na cama como suave fio
Queimado por um sonho de alta voltagem…

Maio de 1985

De Dezasseis Poemas, 1988
Introdução e Tradução de Rui Cascais

Almeida Ribeiro | Encerramento elogiado por associações

Uma alternativa para promover o turismo e que pode ser estendida a outra zonas da cidade, de maneira a criar uma nova dinâmica na economia. Foi desta forma que o sector do turismo avaliou o impacto do encerramento da Avenida Almeida Ribeiro.

Ao jornal Ou Mun, o presidente da Associação de Sabedoria Colectiva de Macau, Yang Jun, considerou que a iniciativa de permitir que os turistas ocupassem a zona criou novos pontos interesse na cidade, aumentou o interesse dos turistas e impulsionou os negócios naquela área. Assim sendo, Yang propôs ao Governo que pondere a continuação do projecto, criando mais áreas pedonais durante os feriados ou fins-de-semana, em cooperação com o sector do turismo, que assim pode criar novos roteiros.

Também o vice-presidente da Associação dos Embaixadores do Património de Macau, Carlos Lo, concordou com a opinião de que a iniciativa permite criar novos roteiros de turismo. Contudo, considerou que é possível melhorar a iniciativa, também de forma a evitar a excessiva concentração de turistas.

Finalmente, Wong Man Pan, vogal do Conselho Consultivo do Trânsito, considerou a decisão um sucesso. Porém, alertou que no caso de se pretender prolongar o projecto, é necessário ter muita atenção para evitar a criação de novos engarrafamentos na cidade.
Como o plano vai ser reiniciado a 4 e 5 de Fevereiro, Wong Man Pan admite que possa ser criada maior confusão no trânsito, por isso deixa o alerta para que as autoridades planeiem bem a iniciativa.

Fundação Oriente | Catarina Cottinelli assume funções de delegada em Abril

A instituição justificou a nova escolha com os objectivos de “dar continuidade ao plano de actividades culturais, educativas e sociais e da promoção da língua e da cultura portuguesas”

 

A Fundação Oriente anunciou o reforço da estrutura em Macau com a nomeação de Catarina Cottinelli como nova delegada, a partir de Abril. A notícia foi divulgada pela instituição na semana passada, através de um comunicado enviado às redacções.

“A escolha de Catarina Cottinelli decorre em linha com os objectivos estratégicos da delegação na Região Administrativa Especial de Macau, nomeadamente dar continuidade ao plano de actividades culturais, educativas e sociais e da promoção da língua e da cultura portuguesas, tanto através de iniciativas próprias, como por via de parcerias com entidades locais ou da concessão de subsídios”, foi justificado de acordo com o comunicado da Fundação Oriente.

Bilhete de identidade

Licenciada em Arquitectura pela Universidade Técnica de Lisboa (UTL), com especial foco na vertente da Renovação Urbana e Arquitectónica, a nova Delegada da Fundação Oriente em Macau tem ainda, entre outros, o mestrado em Cor na Arquitectura, na Faculdade de Arquitectura de Lisboa, e o doutoramento em Design, tendo obtido o grau de Estudos Avançados em Design, também na Faculdade de Arquitectura de Lisboa.

No comunicado em que foi divulgada a notícia, Catarina Cottinelli considera que a função vai ser “um novo desafio pessoal e profissional”. “Assumo as novas funções também com o intuito de divulgar e promover o espólio da Fundação Oriente que merece ser conhecido e experienciado por todos”, afirmou.

Na sua actividade profissional conta com colaborações em ateliers de Arquitectura, participações em projectos de mobiliário para o Centro Cultural de Belém, assim como em projectos de urbanismo, de que é exemplo o Plano Director Municipal de Vila Real de Santo António, no Algarve. Em Macau desde Abril de 2018, Catarina Cottinelli leccionou na Universidade de São José.

A Fundação Oriente tem sede em Lisboa e, através de delegações, está presente em Macau, na China, em Goa, na Índia e em Timor-Leste. Com um carácter educacional e didáctico, desenvolve acções culturais, educativas, artísticas, científicas, sociais e filantrópicas, que têm em vista a valorização e a continuidade das relações históricas e culturais entre Portugal e o Oriente. A anterior delegada, Ana Paula Cleto, assumiu as funções em 2010.

Acidente com esquentador mata três pessoas na zona de S. Domingos

Três pessoas perderam a vida no sábado, devido à inalação de monóxido de carbono, libertado por um esquentador. A tragédia foi descoberta pela empregada de limpeza, que quando entrou na habitação, situada no Largo de São Domingos, encontrou a mãe, o filho, no chão, e um amigo da mãe, no sofá, sem vida.

De acordo com a informação publicada pelo jornal Ou Mun, no domingo, o problema que levou à concentração elevada de monóxido de carbono ainda não era conhecido.

Quando se deu a fuga, encontravam-se na habitação uma mulher de 28 anos, o filho, de quatro anos, e ainda um amigo da família, com 31 anos. Estas três pessoas foram encontradas sem vida, em diferentes divisões da casa, pela empregada de limpeza, quando se deslocou ao local para trabalhar.

No local, a mulher chamou imediatamente a mãe da mulher, enquanto os vizinhos contactaram as autoridades. Chegados ao local, os bombeiros transportaram as vítimas para o hospital. Contudo, a deslocação pouco mais serviu do que para confirmar as mortes e apontar como causa o envenenamento por monóxido de carbono, dado os elevados níveis desta substância no sangue das vítimas.

Concentração perigosa

Em casa das vítimas, as equipas de salvamento fizeram a medição dos níveis de monóxido de carbono e confirmaram uma elevada concentração deste gás, conhecido como assassino silencioso. O monóxido de carbono envenena as vítimas, sem que estas, na maior parte dos casos, se apercebam do que está a acontecer, ao induzir alguns sintomas como fadiga, vontade de dormir ou náuseas.

Segundo a Comissão de Segurança no Consumo de Produtos, dos Estados Unidos, a exposição a níveis superiores a 150 partes por milhão é fatal.

Quando fizeram a mediação, a concentração mais elevada foi detectada nos quartos da casa, com os valores a serem de 150 e 62 partes por milhão. Na casa-de-banho e na cozinha os valores da concentração foram de 28 partes por milhão e 34 partes por milhão, respectivamente.

No entanto, as medições foram feitas numa altura em que por motivos de segurança duas botijas de gás tinham sido levadas da cozinha para a varanda e as equipas de salvamento tinham retirado do local os corpos das vítimas.

Hong Kong | Regresso das ligações com Macau ameaça golfinhos

A directora-adjunta da Sociedade para a Protecção dos Golfinhos de Hong Kong, Viena Mak Hei-man, alertou que as ligações entre Macau e Sheung Wan cortam a meio um dos principais habitats do golfinho branco

 

Uma investigadora portuguesa considerou que o regresso das ligações marítimas entre Macau e Hong Kong vai ameaçar ainda mais a sobrevivência dos golfinhos brancos chineses na região do Delta do Rio das Pérolas. As viagens de barco rápido entre a península de Macau e Sheung Wan, no centro de Hong Kong, foram retomadas na quinta-feira, após quase três anos de interrupção devido à pandemia de covid-19.

São más notícias para os golfinhos, lamentou a directora adjunta da Sociedade para a Protecção dos Golfinhos de Hong Kong (HKDCS, na sigla em inglês), após recolher equipamento colocado no mar para detectar sons dos mamíferos junto a Tuen Mun, no noroeste da região administrativa chinesa. Viena Mak Hei-man sublinhou que a rota da carreira marítima “corta a meio” aquele que é “um importante habitat” dos golfinhos brancos, entre a ponta sudoeste da ilha de Lantau e as ilhotas Soko, no sul de Hong Kong.

Regresso interrompido

A investigadora disse que a interrupção das ligações marítimas entre Macau e Hong Kong, a partir de Fevereiro de 2020, permitiu aos animais voltarem “de forma muito mais frequente” às Soko, “um local muito bom para os golfinhos socializarem e alimentarem as crias”.

O ano de 2020 registou um aumento “muito significativo” da actividade dos golfinhos brancos, incluindo de grupos maiores, algo que deixou Viena Mak Hei-man, que investiga estes mamíferos há quase dez anos, “muito esperançosa”.

Mas o número de golfinhos avistados durante as viagens regulares da HKDCS caiu de 52 em 2019 para 37 no primeiro ano da pandemia, antes de subir para 40 em 2022. Ainda assim muito longe do máximo histórico de 188 registado em 2003.

“Os grandes mamíferos marinhos precisam de mais tempo para reagir” ao impacto da actividade humana, incluindo a construção de grandes infra-estruturas e projectos de recuperação de terrenos ao mar, disse. A investigadora lamentou que as autoridades de Hong Kong tenham rejeitado uma proposta, já feita em 2017, para desviar para sul a rota dos barcos, algo que “custaria à operadora talvez mais 10 minutos de viagem e um pouco mais de combustível” até Macau.

As ligações marítimas entre Macau e Hong Kong são feitas pela Turbojet, que faz parte do império fundado pelo magnata Stanley Ho Hung-sun, falecido em 2020, e que abrange a operação de 13 casinos em Macau e do Casino de Lisboa e Casino do Estoril, em Portugal.

Menos conforto

O Departamento Marinho de Hong Kong respondeu que levar a rota para mais longe da costa, para águas mais turbulentas, “poderia tornar a experiência de viagem mais desconfortável para os passageiros”, recordou a investigadora.

O optimismo da portuguesa levou um novo rombo com o quase desaparecimento dos golfinhos chineses das águas a norte da ilha de Lantau, devido à construção da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, que arrancou em 2009.
“Se nada for feito de forma urgente, vai ser muito difícil manter a população actual” de golfinhos brancos, avisou Viena Mak Hei-man.

“O Governo continua a propor mais projectos de aterros e mais pontes (…). Este tipo de construção não é sustentável”, lamentou a investigadora.

Angola | Contas em Macau associadas a esquema offshore

Uma notícia do semanário Expresso dá conta que o angolano Orlando José Afonso, sócio do antigo vice-presidente de Angola e ex-dirigente da Sonangol, Manuel Vicente, escondeu vários milhões de euros em contas offshore numa rede criada a partir das Ilhas Caimão, onde se incluem duas contas bancárias em Macau, nos bancos Millenium BCP e ICBC

Macau surge no rasto do dinheiro ligado à Sonangol, empresa petrolífera estatal angolana, quando esta era controlada por Manuel Vicente, antigo vice-presidente de Angola. Segundo uma notícia da última edição do semanário Expresso, Orlando José Afonso, sócio de Manuel Vicente, terá criado uma estrutura offshore a partir das Ilhas Caimão para esconder vários milhões de euros, onde se incluem duas contas bancárias em Macau, no Millenium BCP e no ICBC – Industrial and Commercial Bank of China. O semanário português teve acesso a documentos que mostram que o esquema para ocultar o dinheiro foi criado em 2018, depois de Manuel Domingos Vicente ter deixado a vice-presidência de Angola.

Os documentos em causa surgem da Genesis Trust & Corporate Services, uma empresa que fornece serviços de incorporação e gestão de estruturas offshore nas ilhas Caimão. Na correspondência surge a referência a Orlando José Afonso “apenas pelas iniciais do seu nome, OJV, Orlando José Veloso, identificado como um cliente PEP, isto é, uma pessoa politicamente exposta”, lê-se na notícia.

A encomenda para criar este esquema surgiu de um escritório de advogados sediado no Dubai. A referida empresa criou um trust nas Ilhas Caimão com o nome Purple Rose Star Trust, que ficou responsável pelo controlo de sete empresas offshore sediadas em diversas jurisdições, que detinham várias contas bancárias e investimentos imobiliários em vários países, onde se incluem as contas de Macau e ainda uma conta no Deutsche Bank em Portugal. Há também registo de contas no Banco da China.

Muitos milhões

Corria o ano de 2016 quando Orlando José Afonso deixou de ser presidente da empresa responsável pelos investimentos imobiliários feitos em nome da Sonangol, de nome SONIP. Foi nesse ano que Isabel dos Santos, filha do já falecido ex-presidente José Eduardo dos Santos, passou a ser CEO da Sonangol.

Orlando José Afonso estava, à data, na Sonangol desde 1994 e era tido como alguém muito próximo de Manuel Vicente, antigo CEO e vice-presidente a partir de 2012.

Há muito que a Sonangol está associada a esquemas de desvio de dinheiros públicos. Rafael Marques, jornalista de investigação angolano que mais tem denunciado esquemas de corrupção, escreveu vários artigos de investigação sobre a cedência de dezenas de milhões de euros directamente da Sonangol, em forma de contratos, a empresas de Manuel Vicente e Orlando José Veloso.

Novo Ano | Ho Iat Seng quer resolver problemas “arreigados” na sociedade

Na mensagem de entrada no Ano do Coelho, o Chefe do Executivo voltou a mostrar confiança no futuro e apontou à recuperação económica. Ho Iat Seng reconheceu também a necessidade de resolver problemas há muito enraizados na sociedade

 

Na mensagem de entrada no Novo Ano Lunar, o Chefe do Executivo prometeu tentar resolver “conflitos e problemas profundamente arreigados” na sociedade, resultantes do desenvolvimento económico e social. Na comunicação, além do compromisso, sem promessas de resultados, foi também destacado o caminho da integração no Interior.

“Procuraremos, igualmente, resolver os conflitos e problemas profundamente arreigados no desenvolvimento económico e social, e iremos tirar pleno proveito das nossas próprias vantagens e características com vista a uma melhor integração de Macau na conjuntura do desenvolvimento nacional e à criação de uma nova conjuntura para a prática de um País, dois sistemas com características de Macau!”, prometeu Ho Iat Seng.

Contudo, na mensagem, o Chefe do Executivo nunca indicou quais os problemas nem os conflitos que considera necessário resolver.

Ho Iat Seng destacou que o ambiente económico vai melhorar no Ano do Coelho e que é necessário “persistir”, porque só assim se consegue alcançar o sucesso. “A persistência é a chave do sucesso. Perspectiva-se para o novo ano a dissipação gradual da névoa da pandemia”, vincou. “Estão a surgir múltiplos factores positivos que darão um forte impulso ao desenvolvimento de Macau, nomeadamente a concretização progressiva dos novos planos de investimento e desenvolvimento das empresas concessionárias de exploração de jogos e a implementação das várias políticas e medidas do Governo Central para apoiar o desenvolvimento de Macau”, acrescentou. “Macau irá superar definitivamente todas as adversidades e entrar numa nova fase de desenvolvimento!”, atirou.

Ainda sobre as tarefas para este ano, Ho prometeu uma “governação sólida e estável”, o empenho na “recuperação económica”, a aceleração da diversificação da economia e a consolidação da construção da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin. O reforço da Administração Pública, “melhoria das condições de vida dos residentes” e a “firme defesa da segurança nacional” são outros pontos em destaque na agenda do Governo.

Apoios e afectos

Sobre o balanço do ano que agora terminou, marcado por uma grave crise económica e um aumento elevado do número de suicídios, Ho Iat Seng considerou que as medidas do Governo permitiram ultrapassar os desafios de forma eficaz.

“Fazendo uma retrospectiva do ano que passou, constatamos que foi um ano de desafios devido à volatilidade da pandemia e ao abrandamento da economia. Com o forte apoio e afecto do Governo Central, o Governo da RAEM coordenou eficazmente tanto as acções de prevenção e controlo da pandemia como as de recuperação económica”, considerou o líder do Governo. Além dos tradicionais agradecimentos ao Governo Central, Ho reconheceu também o contributo da população local. “Todos os residentes e sectores sociais, unidos, ajudaram-se mutuamente, superando o grande choque da pandemia”, sublinhou.

Retoma de excursões do Interior é grande incógnita

Apesar de ter sido prometida para os meses de Outubro ou Novembro do ano passado, a retoma das excursões vindas do Interior ainda está por implementar, e não há qualquer previsão sobre a aplicação da medida. Em declarações aos jornalistas, Ho Iat Seng reconheceu que também ele não sabe quando vai ser possível a retoma das excursões do Interior, embora tenha partilhado a crença de que isso possa acontecer “em breve”.

Questionado sobre o assunto, o Chefe do Executivo afirmou que o Governo está em “contactos, recentes, com os serviços competentes do Interior da China sobre a retoma das excursões para Macau” e que “face ao lançamento das políticas nacionais e à situação estável da pandemia no país” acredita que o fim da suspensão de viagem das excursões do Interior “esteja para breve”.

Nesta fase, em que se celebra o Ano Novo Lunar, Ho desvalorizou o impacto dsa excursões, por considerar que o preço dos hotéis é elevado o que faz com que esta não seja a melhor altura para “para promover viagens de excursões”. O Chefe do Executivo indicou também que a decisão do Interior para permitir as viagens vai depender da situação de Macau. “A retoma das excursões depende da situação em Macau, e se se atrasar um pouco a implementação desta medida, será melhor e o ideal para o custo ou preço das excursões, contribuindo para uma melhor transição entre o pico que se vive agora e uma altura mais tranquila no sector de turismo”, argumentou.

Sem medo

Actualmente, os turistas do Interior que pretendem viajar para Hong Kong precisam de realizar um teste de ácido nucleico na passagem fronteiriça. Por esse motivo, Macau foi um destino mais popular e teve menos concorrência, durante as festividades.

Ho Iat Seng foi questionado se no futuro as alterações das medidas para viajar para Hong Kong poderão prejudicar o turismo de Macau, tornando a RAEM um destino menos apelativo face à região vizinha. Contudo, para Ho Iat Seng o efeito até poderá ser contrário. Ho disse “acreditar que, quando for retomada a normalidade da circulação entre o Interior da China e Hong Kong sem necessidade de testes, mais turistas vão viajar para a região vizinha, situação que pode trazer também mais turistas a Macau”. O líder do Governo defendeu este ponto de vista com a tendência que se verificava em 2019, antes da pandemia.

Novo Ano Lunar | Três anos depois a cidade volta a encher-se de turistas

Ruas a abarrotar, controlos de circulação implementados, e muitas filas de espera. Com o Novo Ano Lunar vieram a Macau mais de 250 mil turistas, numa região administrativa especial que aparenta cada vez mais estar de regresso à normalidade

 

Desde sábado, até ontem, mais de 250 mil turistas visitaram Macau para celebrar o Ano do Coelho, de acordo com os dados divulgados pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). Com o fim das restrições de viagem no Interior, os turistas vieram celebrar o novo ano para uma cidade que em muitos aspectos regressou à vida pré-pandemia.

Este ano, como tradicionalmente acontecia antes da covid-19, o dragão gigante dourado desfilou pelas ruas de Macau para assinalar o primeiro dia do ano do Coelho, numa cidade cheia de turistas, regressados depois do fim das restrições impostas pela política “zero covid”.

Com 238 metros de comprimento e acompanhado por 18 leões, o dragão dourado partiu das Ruínas de São Paulo, fez um percurso pela zona histórica da cidade para transmitir votos de boa fortuna a todos os residentes e visitantes, afastando-se depois do centro para terminar junto à Torre de Macau.

O regresso aproximado à “normalidade” foi possível porque desde o início de Dezembro, quando as autoridades do território anunciaram o cancelamento da maioria das medidas de prevenção e contenção da covid-19, à semelhança do que aconteceu na China, depois de quase três anos de rigorosas restrições, o número de visitantes tem vindo a aumentar gradualmente.

Sempre a subir

Em ambiente de festa, até às 11h, do primeiro dia do novo ano, tinham entrado 10.022 turistas em Macau, com as autoridades a esperarem, nessa altura, um máximo de 50 mil visitantes diários, menos 70 por cento do que antes da pandemia. A cautela nas previsões era justificada com a “situação ainda irregular dos transportes marítimos e aéreos”.

No entanto, as melhores previsões do Governo foram ultrapassadas logo nos primeiros três dias do novo ano. Se no último dia do Ano do Tigre, sábado, “só” entraram 32.512 visitantes na RAEM, no domingo, segunda-feira, terça-feira a previsão oficial de 50 mil entradas foi sempre batida, com os registos a serem de 50.090 turistas, 71.672 e 90.416, respectivamente.

A grande afluência nas ruas, e principalmente na Avenida Almeida Ribeiro, que esteve fechada ao trânsito e permitiu a circulação de peões, fez com que na terça-feira, a partir das 15h30, as autoridades tivessem mesmo de limitar a circulação. A partir dessa altura, as pessoas só podiam circular a partir do Edifício do Leal Senado em direcção ao Porto Interior, o que impedia que voltassem para trás por aquela artéria.

Surpresa agradável

Há mais de uma semana, em 13 de Janeiro, Macau tinha recebido quase 47 mil visitantes, o valor diário mais elevado no território desde que foi detectado o primeiro caso de covid-19, há quase três anos, indicou a Direcção dos Serviços de Turismo (DST).

Na altura, o director substituto da DST, Cheng Wai Tong, afirmou que não ia ser possível “de um momento para o outro registar o mesmo número de visitantes” que no período do ano novo lunar de 2019, em que visitaram Macau 170 mil turistas por dia.

“Não vamos conseguir ter todas as carreiras de ‘ferries’ a funcionar como antes da pandemia [de covid-19]. É impossível a retoma total dos voos e, por isso, é mais uma questão dos transportes que trazem os turistas”, considerou.

No entanto, e no que não deixa de ser uma boa notícia para a economia da região, os números foram bastante mais elevados. Relativamente às reservas hoteleiras para a época festiva, o representante da DST sublinhou que, naquele momento, a taxa situava-se entre os 30 e os 50 por cento.

Cidade em festa

Nos primeiros dias do Festival da Primavera, vários eventos decorreram em toda a cidade, como o desfile do Dragão, a realização de espectáculos de fogo-de-artifício, o encerramento da Avenida Almeida Ribeiro e vários concertos.

A animação vai continuar até ao fim-de-semana. Para os apreciadores de diferentes tipos de música, também não vão faltar alternativas. Os amantes do pop chinês contam com os espectáculos de George Lam, que actua hoje e amanhã, às 20h, no MGM Theater. Por sua vez, Grady Guan vai estar amanhã no Studio City, às 19h30.

Fora do estilo pop, na sexta-feira, a Igreja de São Domingos vai ser o palco do concerto com “Melodias Inesquecíveis” associadas a esta época festiva. Ainda dentro do capítulo musical, no sábado, o Venetian recebe “Night of Fortune Lunar New Year Concert”.

Sábado é também dia de repetição da Parada de Celebração do Ano do Coelho, desta feita no Norte da cidade, entre a Rua Norte do Patane e o Jardim do Mercado do Iao Hon, e o dia do último espectáculo de fogo-de-artifício. No domingo, realiza-se também uma parada, mas desta feita com motociclos, que vão circular nas imediações do Centro de Ciências de Macau.

Finalmente, para quem deixou passar a experiência de caminhar na Avenida Almeida Ribeiro, a iniciativa vai ser repetida a 4 e 5 de Fevereiro, sábado e domingo, respectivamente.

San Ma Lo atraiu turistas, políticos e até houve quem jogasse Mahjong

As celebrações do Ano do Coelho ficaram marcadas pela iniciativa de encerramento ao trânsito da Avenida Almeida Ribeiro, o que permitiu que os peões pudessem circular. A iniciativa do Instituto Cultural foi altamente popular e encheu-se com muitos residentes e turistas, o que inclusive levou à necessidade de implementar num dos dias controlos de circulação.

Além de nuvens suspensas, bancos e outras instalações artísticas, a avenida acolheu ainda actuações da Banda de Música do Corpo de Polícia de Segurança Pública e espectáculos de concessionárias, com shows alusivos ao Novo Ano, que contaram com a presença do “Deus da Fortuna”.

No meio de tanto furor, não faltou a presença de membros do governo, atraídos pela popularidade do local. Numa presença altamente coreografada, em que se fez acompanhar pela mulher, Cheng Soo Ching, Ho Iat Seng desfilou pelo local para desejar um bom ano para os comerciantes e ouvir turistas e residentes.

Integraram também a comitiva, que se fez acompanhar por vários seguranças, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, a chefe do Gabinete do Chefe do Executivo, Hoi Lai Fong, e a presidente do Instituto Cultural, Deland Leong Wai Man.

Outro membro do Governo que fez questão de ser fotografado na avenida, foi Wong Sio Chak, secretário para a Segurança. A deslocação, que fez parte de visitas a outros postos fronteiriços, foi justificada com a necessidade de verificar a situação de segurança in loco e de agradecer pessoalmente aos seguranças que passaram as festividades a trabalhar. Ao longo do trajecto, o secretário terá ainda destacado “o sacrifício da vida privada em prol dos interesses públicos nos dias festivos” dos trabalhadores da sua tutela.

Se por um lado, houve quem aproveitasse o encerramento ao trânsito da avenida conhecida em chinês como San Ma Lo (Estrada Nova), por outro, houve quem aproveitasse o espaço para outras actividades recreativas. A altas horas da madrugada, um grupo de amigos fotografou-se em frente do Edifício do Leal Senado à volta de uma mesa a jogar Mahjong. E embora não se saiba se o jogo foi levado até ao fim, a imagem rapidamente se tornou viral nas redes sociais.

DSEC | Menos 85% de visitantes face a 2019

Macau recebeu menos 85,5 por cento de visitantes em 2022 do que no último ano antes da pandemia, segundo dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). O ano passado, a região administrativa especial chinesa perdeu 33,7 milhões de visitantes, quando se compara com os números de 2019, ano em que se registou o recorde de 39,4 milhões de visitantes.

Mas, de acordo com os dados da DSEC, o número de visitantes em 2022 (5,7 milhões) caiu também 26 por cento face a 2021. Em Dezembro, o número ainda decresceu 52,6 por cento em relação ao mesmo mês de 2021, devido às restrições fronteiriças e à vaga de casos de covid-19 que atingia a China continental, de onde chega a esmagadora maioria dos visitantes. Praticamente isolada desde o início de 2020, devido às medidas de prevenção contra a pandemia, Macau levantou restrições à entrada no território no final de Dezembro. Com Lusa 

Covid-19 | Coreia do Norte ordena confinamento em Pyongyang por cinco dias

As autoridades norte-coreanas ordenaram um confinamento de cinco dias a partir de hoje em Pyongyang, após o aumento das infeções de uma doença respiratória não especificada, divulgou hoje o meio de comunicação especializado NK News.

A decisão determinou que os cidadãos devem permanecer nas suas casas até ao próximo domingo e ainda enviar às autoridades a temperatura corporal várias vezes ao dia, de acordo com o NK News, que teve acesso à comunicação oficial do Governo norte-coreano.

As autoridades norte-coreanas indicaram que tais medidas foram tomadas devido ao “aumento” de casos de doenças respiratórias, como o resfriado comum, embora não tenham mencionado a covid-19.

No momento, não se sabe se há outras áreas do país sujeitas ao confinamento, que é semelhante a outro que ocorreu em maio de 2022, quando o regime reconheceu a propagação do SARS-CoV-2 no país.

A Coreia do Norte anunciou em agosto passado que havia erradicado completamente o vírus do seu território, uma afirmação que foi colocada em dúvida por muitos especialistas devido às condições do sistema de saúde do país e pela falta de vacinas e testes, entre outros fatores.

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, declarou a “vitória” sobre a covid-19 e ordenou o levantamento das medidas de restrição mais graves, apenas três meses depois de o país ter detetado oficialmente o seu primeiro caso do novo coronavírus.

O regime disse que, naquele período, cerca de 4,7 milhões de pessoas – ou 20% da população do país – tiveram a doença e que mais de 20 morreram, dados que não se encaixam na evolução da pandemia em outros países e que leva os especialistas a pensar que muitos dos casos contabilizados como suspeitos poderiam ser de febre tifoide.

Da mesma forma, na segunda-feira, a televisão estatal norte-coreana transmitiu um documentário exaltando a forma como foi tratada a covid-19 no país, um “evento sem precedentes” que levou o país a um encerramento total das suas fronteiras.

Projectos arquitectónicos de Rui Leão e Carlotta Bruni distinguidos

Dois projectos arquitectónicos desenvolvidos pelo atelier LBA – Arquitectura e Planeamento, de Rui Leão e Carlotta Bruni, ganharam os prémios de Ouro e Prata dos Prémios ADC [Architecture and Design Community] de 2022. O projecto do Centro Modal de Transportes da Barra ganhou a distinção Ouro, tal como o projecto do complexo habitacional do Fai Chi Kei, enquanto a renovação de um edifício de serviços no centro histórico de Macau obteve a distinção Prata. De frisar que este projecto foi recentemente distinguido pela UNESCO.

Sobre os Prémios ADC, Rui Leão disse ao HM que “representam o trabalho feito pelo atelier nos últimos anos e é um reconhecimento internacional muito importante”, além de serem uma verificação “da arquitectura que produzimos, que mostra que aquilo que fazemos tem qualidade”.

O arquitecto não está surpreendido por ter obtido a distinção Ouro com o Centro Modal de Transportes da Barra, pois trata-se de “um projecto muito bom enquanto desenho de arquitectura”. Rui Leão recorda “um projecto difícil, pois a execução da obra foi difícil e demorada. Custou-nos um pouco isso porque houve um grande investimento do projecto”, com a coordenação de diversas entidades públicas. “Se demorou muito tempo foi porque houve muitos problemas na construção. Mas é importante que o projecto seja reconhecido e, para nós, é uma forma de reconciliação com tudo isto.”

“Agarrar” a cidade

Em relação ao complexo habitacional do Fai Chi Kei, já distinguido anteriormente, Rui Leão destaca sobretudo a ligação com a cidade. “Apesar de ter sido concluído em 2014 é um projecto que se mantém muito actual, porque tem uma exploração a nível do espaço comum e do público, pela maneira como agarra a cidade. A importância que atribuo ao projecto do Fai Chi Kei é o facto de fazer isso mesmo, desenhar a cidade e ter preocupações de integração social.

O arquitecto aponta que, nos últimos 10 a 15 anos, a forma de construir foi mudando. “Macau evoluiu muito nestes últimos anos e a maneira como se trabalha, em termos de exigência técnica para a área de projecto, aumentou muito nos últimos 10 a 15 anos, e isso está associado à construção dos grandes casinos, que têm uma escala muito diferente e maiores controlos de qualidade. Toda a indústria teve de acompanhar esse ritmo e o próprio Governo foi atrás dessa prática internacional associada aos casinos”, concluiu.

Depois da pandemia

A epidemia da Gripe Espanhola (1918 to 1920) provocou um número de infecções e de mortes sem precedentes. Foi considerada a mais mortal depois da Peste Negra (uma epidemia global da praga bubónica que atingiu a Europa e a Ásia em meados do séc. XIV). Os impactos da Gripe Espanhola não foram de modo algum inferiores aos da actual COVID-19. A partir do século passado, diversas pandemias assolaram a humanidade como a SARS, a MERS, a Gripe das Aves, a Gripe A, a Cólera e a SIDA, ameaças que persistem até aos nossos dias e que assustam a população mundial. Para além da pandemia, as questões políticas também ameaçam vir a causar mudanças sem precedentes na ordem mundial, que permaneceu praticamente invariável ao longo do último século.

Em 1911, a Revolução na China, também conhecida como Revolução Xinhai, pôs fim ao regime imperial, permitindo que o país enveredasse por um caminho que o conduziria à República. No entanto, a esta revolução seguiu-se a restauração do regime imperial, ao qual sucedeu um período de domínio dos senhores da guerra. Todas estas convulsões não tinham tido precedentes na História da China. Na Europa, a Primeira Guerra Mundial (1914 to 1918) deu origem ao primeiro país comunista, a União Soviética, que trouxe mudanças sem precedentes no sistema político a nível mundial.

A Segunda Guerra Mundial e a Guerra Civil Chinesa (travada entre o Governo liderado pelo Kuomintang e as forças da República da China e o as do Partido Comunista Chinês) trouxeram mudanças que ainda hoje se continuam a desenrolar. As mudanças podem ser uma bênção ou uma maldição dependendo de quem as lidera e assume o poder.

O ano de 2023 será difícil. A operação militar especial das forças russas na Ucrânia, que já dura há praticamente um ano, deve ter consumido muitas vidas e recursos militares do país. Só as despesas que a Rússia tem com os mercenários do Wagner Group representam custos astronómicos. O uso de Putin dos recursos energéticos como arma (o petróleo e o gás natural) para ameaçar os países europeus perdeu força devido a um Inverno com temperaturas amenas.

Pelo contrário, a dependência energética europeia da Rússia está a mudar e as sanções dos países ocidentais contra a Rússia mantêm-se firmes. Desde que a Ucrânia não envie tropas para atacar a Rússia, e se limite a defender e tentar recuperar os seus próprios territórios, não há qualquer razão para a Rússia lançar ataques nucleares. Se Putin lançar um ataque nuclear apressadamente, está condenado a falhar. A guerra russo-ucraniana não vai durar para sempre. A melhor forma seria terminar a guerra através de conversações de paz, mediadas por um terceiro país ou pelas Nações Unidas e proceder a uma retirada bem calculada. Caso contrário, em breve teremos uma guerra desastrosa como já não se via há um século.

Mas para além da ameaça da guerra, a segurança nacional também pode ser abalada por problemas de ordem económica. De acordo com os dados divulgados, no dia 17 deste mês, pelo Serviço Nacional de Estatística e Censos da China o crescimento económico do país em 2022 foi de 3 por cento, muito abaixo dos 5.5 por cento esperados. Em termos demográficos, a China registou um crescimento negativo pela primeira vez em 61 anos, com um decréscimo de 850.000 pessoas. Isto significa que a China perdeu o seu dividendo demográfico e entrou numa era de envelhecimento da população. Se o crescimento demográfico negativo se tornar uma tendência, o que acontecerá à China no futuro?

A China declarou há algum tempo que o seu crescimento económico anual deveria ser mantido pelo menos nos 6 por cento, caso contrário, surgiriam problemas socio-económicos. Infelizmente, acabou por pagar um preço muito elevado depois de adoptar a política nacional da “meta dinâmica de infecção zero” durante três anos para combater a pandemia. Mas acredito que serão feitos ajustes às políticas vigentes na reunião do Congresso Nacional Popular e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, que terão lugar no próximo mês de Março, para que a economia chinesa e os vários aspectos de ordem social possam voltar ao normal o mais rapidamente possível, uma vez que estas alterações criarão condições favoráveis para um desenvolvimento positivo.

Depois de ajustar as medidas de combate à pandemia, Macau está a esforçar-se para obter uma receita anual, a partir da taxação sobre o jogo, de 130 mil milhões de patacas em 2023, o que é uma abordagem pragmática. As centenas de milhões da reserva financeira obtidas pelos dois anteriores Chefes do Executivo da cidade podem não conseguir suportar as enormes despesas anuais do Governo da RAEM por muito mais tempo. Uma vez que a economia é a base da estabilidade social, se o Governo conseguir impedir a deterioração da qualidade de vida dos residentes e lutar pelo objectivo de uma governação orientada para o serviço social para evitar o caos, estará a dar a maior contribuição para a segurança nacional.

2023 Ano de Água Coelho

O ano lunar de 2023 começa a 22 de Janeiro e terminará a 8 de Fevereiro de 2024, sendo que para o Feng Shui o início do ano do Coelho é o dia 4 de Fevereiro de 2023, quando se celebra o Lichun, Princípio da Primavera.

Este ano haverá um duplo Lichun, por isso será bom para casar e um duplo mês lunar a ocorrer na segunda lua.
A China, com uma existência de setenta e oito ciclos, cada um de 60 anos, para este ano apresenta o número 40 a corresponder a Gui Mao (癸卯, em cantonense kouai máo), ‘Coelho correndo para a floresta’.

No Caule Celeste, o Elemento Gui (癸), Água yin, tem a direcção Norte, e no Ramo Terrestre, Mao (卯) Coelho/Lebre (nome comum Tù) é regido pelo Elemento Madeira yin, com direcção Leste.

Água alimenta a Madeira, o que é uma boa cooperação entre os elementos, mas o problema está na Água yin pois é pouca e é toda absorvida pela madeira, o que representa o ano a manter-se ainda seco. 2023 será uma cópia do ano de 2022, com a diferença de ser menos intenso, pois o ano transacto era Água yang e Madeira yang e este ano será de Água yin e Madeira yin. Assim os problemas ocorridos no ano anterior, as catástrofes, como a guerra, tremores de terra, erupções de vulcões, desastres de avião e a pandemia continuarão, mas serão mais leves e diluídos. Gui Mao (癸卯 Água yin e Madeira yin) combinado com a palavra-chave de pandemia Wu Xu (戊戌) leva à manutenção da situação de Fogo, mas tudo irá continuar a ocorrer, no entanto, com menor intensidade. Devido aos três anos de pandemia e aos problemas económicos por ela causados, que levaram a um buraco negro financeiro, já com as pessoas habituadas à recessão, tal não as apavora, nem provocará nenhum choque e assim a confiança pode voltar a aparecer, sendo a saúde o foco principal para 2023.

FUN TAI SOI

Este ano o Tai Soi (Deus do Ano) localiza-se na região Leste (75°-105°), devendo evitar-se a direcção oposta (255°-285°) para praticar actividades de peso e fazer reconstruções.

Os efeitos do Tai Soi começam após o Lichun, 4 de Fevereiro de 2023, quando se inicia a Primavera, no momento em que o Sol está em 315° da eclíptica. No Fan Tai Soi (ofende o Deus do Ano), o Coelho encontra-se em Zhi Tai Soi, contra o Deus do Ano e em oposição, o Galo está em Chong Tai Soi, a colidir com o Tai Soi do Ano. Já o Rato, está em Xing Tai Soi, significando Xing ser julgado pelo Deus do Ano. Em Po Tai Soi estão os nativos de Cavalo sendo por isso fácil ocorrer-lhes danos, devidos a encontrarem-se entre os seis que se combinam (no grupo de Rato, Tigre, Coelho, Dragão, Serpente, Cavalo). Os nativos de Dragão estão em Hai Tai Soi, magoado pelo Tai Soi pois o animal com que combina, o Galo está a colidir com o Tai Soi do Ano.

O mês do Coelho ocorre entre 6 de Março e 4 de Abril de 2023. Nos dias de Coelho e de Galo deve evitar-se iniciar qualquer actividade e em 2023 eles ocorrem no dia 8 de Fevereiro, o do Galo, e seis dias depois, 14 de Fevereiro o dia de Coelho. Também entre as 5 e as 7 horas da manhã (Coelho) ou 17 e 19 horas da tarde (Galo) são períodos a evitar tomar decisões.

Para o ano de Água Coelho, os nativos de Macaco e Cabra estarão no topo da boa sorte, sendo os melhores colocados no Zodíaco. Os nativos de Cão e Tigre estão propensos a saltitar por entre namoricos. Já os nativos de Búfalo e Serpente não contarão com a ajuda de boas estrelas da sorte. Os nativos de Porco, se fugirem para fora do habitual e fizerem algo que normalmente não realizam terão surpresas e sucesso.

Macau está em Fan Tai Soi, pois renasceu no ano do Coelho em 20 de Dezembro de 1999, e o seu bazi não gosta nada de Água, como ocorreu em 2022 com forte Água (yang), sendo o de 2023 Água yin, o que leva a que este ano tudo seja menos complicado, mas falta-lhe Fogo, para conseguir recuperar os níveis que anteriormente alcançou. Tal só ocorrerá em pleno no ano de 2026, Bingwu (丙午), cujo ramo terreste é Wu (午), cavalo, Elemento fogo yang e direcção Sul e caule celeste Bing(丙) Fogo yang, com a direcção Sul.

PI SHI, DEUS DO ANO

O Deus do Ano (Tai Sui, em cantonense Tai Soi) de 2023 é o Grande General Pi Shi, reconhecido por acções militares heróicas e administrar com justiça o território a si confiado, no entanto, no fim da vida desgraçou-se devido ao consumo de muito vinho, sendo açoitado com vara de bétula após constantes bebedeiras.

Pi Shi nasceu com o nome Pi Xi em Yu Yang (hoje arredores de Tianjin) na dinastia Wei do Norte (386-534) filho do General Pi Bao Zi, que logo com tenra idade o colocou a praticar artes marciais, onde ganhou competências tácticas e ampla visão estratégica. Daí a facilidade com que foi promovido a general, atribuindo-lhe o Imperador Wen Cheng Di (Gaozong, cujo nome próprio era Tuoba Jun, 452-465) o mais alto grau da carreira militar. Vivia-se uma época muito turbulenta, com constantes mudanças políticas e sociais e a dinastia Wei do Norte procurava unificar o Norte da China e terminar com o caótico período dos Dezasseis Reinos.

Pi Xi era um guerreiro muito competente e conseguiu impressionantes vitórias nas batalhas que travou. Conteve a invasão da tribo estrangeira Tuyuhun à região que representa hoje a prefeitura de Wuwei na província de Gansu e consolidou as fronteiras. Ao ganhar esse conflito, o Imperador colocou-o à frente da guarnição de Cinco Zhou (Cinco Estados). Como era justo e um bom organizador, os locais ficaram muito contentes e agradecidos pelo seu excelente trabalho, contribuindo para dar dignidade à carreira militar. Assim, conquistou um forte apoio das populações locais, sendo glorificado ainda em vida por todo o seu percurso meritório.

Uma das suas maiores proezas ocorreu em Novembro do ano 477 na área de Chouchi [onde se situava o antigo Reino de Chouchi (c.184-371), hoje a prefeitura de Cheng (Cheng Xian) em Gansu] quando o então Imperador Xiao Wen Di (471-499), na Era Taihe (477-499) o enviou para aí combater uma rebelião chefiada por Yang Wen Du. No mês seguinte dominou a revolta e após capturar o líder, cortou-lhe a cabeça e enviou-a para a capital Datong.

Devido a tal sucesso, foi colocado a governar em vários outros locais, mas em Yuzhou acabou por cair em desgraça, sendo uma das principais razões beber de mais. Foi punido com açoites, os seus títulos retirados e acabou por ser demitido.

Por volta do ano 484, Pi Xi passou desta vida já com uma idade avançada, mas manteve a reputação de herói. As suas contribuições nunca foram esquecidas e, após a sua morte, recuperou a honra e o bom nome e o governo restitui-lhe a sua posição como Grande General, oferecendo-lhe o título de Gonggong pelos grandes serviços prestados ao Reino Wei do Norte.

O dia de ir ao templo oferecer sacrifícios ao Deus do Ano General Pi Shi é o oitavo da primeira Lua, que ocorre a 29 de Janeiro de 2023.

Ano Novo Lunar | Hotéis cheios, mas Governo deixa alertas

Helena de Senna Fernandes, directora da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), adiantou ontem, à margem de um evento público, que grande parte dos quartos de hotel já estão reservados para os dias de Ano Novo Chinês.

No entanto, segundo a TDM Rádio Macau, a governante deixou o alerta para que os hotéis não trabalhem com plataformas digitais de marcação de quartos de hotel que estão a cobrar cerca de 70 mil dólares de Hong Kong por quarto em algumas reservas.

“Vemos que há plataformas online que vendem quartos de hotel por 70 mil dólares de Hong Kong por quarto, que não se situam no Cotai. Alertamos para que os hotéis discutam com essas plataformas, porque achamos que os valores não estão dentro do normal. Sei que há muito hotéis que estão atentos a isso e, de facto, algumas plataformas corrigiram essa situação. Alertamos para que os hotéis não trabalhem com as plataformas que não querem colaborar.”

Helena de Senna Fernandes disse ainda esperar cerca de 80 mil pessoas durante as tradicionais paradas do Ano Novo Chinês. “Mesmo no ano passado vi as ruas cheias de pessoas e penso que não há possibilidade de aumentar muito mais o número de pessoas. Queremos que as pessoas da Grande Baía assistam às paradas, embora seja sempre difícil aumentar o espaço.”

Ponte 16 | Executivo optimista sobre futuro dos casinos

Pode haver vida para os casinos-satélite depois dos três anos de transição para o modelo de gestão, pelo menos de acordo um executivo da empresa que gere o casino Ponte 16. Para tal, é preciso que o mercado de massas regresse a volumes pré-pandémicos e seja conseguido um “desempenho histórico”

 

Após um processo legislativo que colocou em causa a sobrevivência dos casinos-satélite, pode haver uma luz ao fundo do túnel. Pelo menos, na óptica de Hoffman Ma Ho Man, vice-presidente do Success Universe Group Ltd, que gere o casino Ponte 16, ao abrigo da licença de jogo da SJM Holdings Ltd.

“Se o mercado de jogo se mostrar rentável nos próximos três anos, é ainda possível que os casinos-satélite considerem a transição para um modelo empresarial de gestão”, apontou o responsável ao portal GGRAsia.

As empresas que gerem este tipo de casinos costumam partilhar com as concessionárias que detinham as licenças de jogo as receitas apuradas nas mesas que operavam. Porém, com a revisão da lei do jogo, terminado o período de transição de três anos, as empresas responsáveis pelos casinos-satélite apenas vão ter direito a cobrar despesas de gestão às concessionárias (que recebem a totalidade dos lucros da exploração de jogo).

Outra condição para se manterem no negócio, é que o Chefe do Executivo aprove o contrato de gestão firmado entre as empresas que gerem os casinos-satélite e as concessionárias.

“Mesmo com a aplicação do modelo de taxa fixa de gestão às empresas findo o período de transição, esse acordo pode ainda ser exequível se o operador do casino-satélite conseguir um desempenho histórico nos próximos três anos”, indicou Hoffman Ma Ho Man acrescentando que tal registo lucrativo poderia dar margem de manobra negocial para fixar a taxa de gestão futura.

Lei do mais forte

Uma coisa parece certa e transversal a todo o sector. A sobrevivência depende das receitas feitas com o segmento de massas. “Se o desempenho da indústria em Macau conseguir recuperar para níveis pré-pandémicos, em particular no segmento de massas, penso que os casinos-satélite que ainda existem têm uma boa chance de transitarem para o modelo empresarial de gestão”, prevê o responsável pelas operações do casino Ponte 16. Um dos maiores desafios que estas empresas vão enfrentar é a dura competição com os grandes resorts pela captura do mercado de massas, sem poder recorrer à angariação de jogadores VIP.

Com a aprovação da nova lei do jogo, sete casinos-satélite fecharam portas e 11 mantiveram operações ao abrigo das novas concessões de jogo, que entraram em vigor no passado dia 1 de Janeiro. Dos 11 ainda em activo, nove dependem da licença da SJM Holdings para operar.

Além do Ponte 16, continuam sobre a alçada da SJM o Casino Grandview na Taipa, e o Casino Landmark, Casino Casa Real, Casino Kam Pek Paradise, Casino Fortuna, Casino Emperor Palace, Casino L’Arc Macau, e Casino Legend Palace na península de Macau.

O Casino Waldo, no centro de Macau, opera sob a licença do Galaxy Entertainment Group Ltd, enquanto o Casino Grand Dragon, na Taipa explora jogo ao abrigo da licença da Melco.

Futebol | Torneio do Coelho com equipas de Cantão e Hong Kong

A partir do dia 28 de Janeiro, o Instituto do Desporto (ID) vai começar a distribuir gratuitamente bilhetes para os jogos de futebol Torneio de Comemoração do Ano do Coelho – Taça de Cantão, Hong Kong e Macau 2023. Os amigáveis vão decorrer no dia 5 de Fevereiro, no Estádio Olímpico da Taipa, e contam com a participação de equipas de Macau, Hong Kong e do Interior.

Da liga de futebol da província de Cantão vêm à RAEM as formações do RTFC de Guangdong e a Zhuhai 2030. Estas equipas não participam na principal liga chinesa.

Hong Kong é representada pelo Eastern Football Club, enquanto o Chao Pak Kei, campeão da Macau no ano passado, vai representar Macau. Segundo o ID, o torneio de cariz distrital tem como objectivo permitir aos cidadãos “sentirem o entusiasmo e vitalidade” do desporto. Chao Pak Kei e Zhuhai 2030 são as primeiras equipas a entrar em campo, às 14h. RTFC de Guangdong e Eastern Football Club defrontam-se ás 16h15.

Todos os bilhetes são gratuitos e cada residente ou turista pode levar um máximo de quatro ingressos.
Segundo o presidente do ID, o torneio faz parte das actividades Recreativas e Desportivas da Festividade do Ano Novo Lunar de 2023, que contam com um orçamento de 900 mil patacas.

Além de um torneio de futebol, as actividades organizadas pelo ID apresentam igualmente um desfile de motos, que acontece a 29 de Janeiro, uma actividade de cicloturismo, agendada para 24 de Janeiro ás 9h no Cotai, e ainda um festival de desporto, marcado para a Praça de Iao Hon, também a 24 de Janeiro, entre as 14h e as 17h.

Mortalidade | Cadáveres por levantar mais do que duplicaram

Só nos primeiros dias de Janeiro, e em comparação com os primeiros seis meses do ano passado, o registo de cadáveres por levantar no território mais do que duplicou

 

Só nos primeiros 19 dias de Janeiro o número de cadáveres por levantar no território, em comparação com os primeiros seis meses do ano passado, mais do que duplicou. Os números, compilados pelo HM, têm em conta os avisos publicados pelos Serviços de Saúde (SSM) na plataforma do Gabinete de Comunicação Social desde Janeiro do ano passado.

Desde o início do corrente mês, e numa altura em que Macau começou a conviver com a covid-19, os Serviços de Saúde emitiram sete avisos para o levantamento de cadáveres. Os anúncios foram publicados a 12, 16 e 19 de Janeiro.

No primeiro dos dias foram feitos dois avisos, no segundo mais outros dois avisos, e ontem foram publicados mais três, o registo mais elevado.

Por contraste, no ano passado, em Janeiro não se registou qualquer aviso, tal como no período até ao final de Março, ou seja, no primeiro trimestre. Foi preciso chegar a Abril para que aparecesse a primeira publicação. A partir dessa altura, e até Junho, foi publicado um anúncio por mês, num total de três avisos.

Tendência de crescimento

Quando a comparação é feita com todo o ano passado, faltam mais quatro avisos para que o registo seja igualado. Ao longo dos 12 meses do ano transacto foram publicados 11 avisos de cadáveres por levantar.

Apesar de nos primeiros seis meses de 2022 apenas terem sido publicados três avisos, na segunda metade do ano a tendência conheceu um aceleramento. Em Julho e Agosto, altura que coincidiu com um surto local de covid-19 e o período de confinamento, foram publicados dois e três avisos, respectivamente, num total de cinco.

Depois do pico de Agosto, nos restantes quatro meses houve três anúncios em quatro meses, em Setembro, Outubro e Dezembro. Novembro foi o único mês do segundo semestre do ano sem qualquer anúncio.

Focando os avisos emitidos nos primeiros 19 dias de Janeiro deste ano, os cadáveres por levantar eram de pessoas com idades entre os 28 anos e 90 anos. Entre os falecidos, sete eram do sexo masculino e um do feminino.

No caso de os cadáveres não serem levantados no prazo de sete dias após o anúncio dos Serviços de Saúde, os cadáveres são tratados como não reclamados. Além disso, no caso de o cadáver ter pertences, estes são dados como perdidos, após o prazo de um ano.

Restauração | Quebra de 6,8 por cento em Novembro

No passado mês de Novembro, o volume de negócios dos proprietários de restaurantes registou uma quebra de 6,8 por cento, em comparação com o período homólogo, de acordo com o inquérito de conjuntura à restauração e ao comércio a retalho. Os resultados do inquérito sobre o mês de Novembro foram publicados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Entre os restaurantes, o volume de negócios dos que servem gastronomia chinesa e de sopas de fitas registaram quebras de 13,5 por cento e 6,8 por cento, respectivamente.

Quando a comparação é feita com o mês anterior, o volume de negócios dos proprietários entrevistados da restauração pela DSEC diminuiu 9,4 por cento. Nesta comparação, o volume de negócios dos restaurantes chineses baixou 11,4 por cento.

Quanto ao comércio a retalho, observou-se em Novembro uma redução de 33,1 por cento do volume de negócios dos retalhistas entrevistados, face a Novembro do ano anterior. O sector dos produtos cosméticos e de higiene, o das mercadorias de armazéns e quinquilharias, bem como o dos relógios e joalharia registaram as maiores quebras de 48,6 por cento, 45,3 por cento e 45,3 por cento, respectivamente.

Em termos mensais, entre Outubro e Novembro, os negócios dos retalhistas tiveram quebras de 15,3 por cento. Neste capítulo, os volumes de negócios dos produtos cosméticos e de higiene, assim como dos relógios e joalharia diminuíram 29,4 por cento e 29,1 por cento, respectivamente. No polo oposto, o volume de negócios dos vendedores de carros aumentou 2,4 por cento.

Economia | Diversificação vai permitir criar bolsa de valores

A deputada Lo Choi In defende que a longo prazo a diversificação da economia com a aposta nas finanças modernas, medicina avançada, sector de exposições e promoção do desporto e da cultura pode abrir o caminho para uma futura bolsa de valores

 

Lo Choi In defende que é necessário conseguir a diversificação da economia local, para depois poder ser criada uma bolsa de valores no território. A opinião foi partilhada pela deputada e directora de Serviço a Clientes e de Contacto com Associações do Banco Industrial e Comercial da China (Macau) num artigo, publicado ontem no Jornal do Cidadão.

Sobre a criação de uma bolsa de valores no território, a deputada afirma que é um projecto que nunca poderá ser concretizado “da noite para o dia”. E embora reconheça que o assunto tem gerado “muitas opiniões na comunidade”, para Lo o importante, nesta fase, é diversificar a economia.

“Se as indústrias financeira, do turismo e do jogo recuperarem e começarem a crescer motivadas pelos mercados estrangeiros, então vai haver muito capital estrangeiro a ser canalizado para Macau”, argumentou Lo. “Com essa dinâmica de diversificação vai ser possível atrair mais capital para Macau, e com este ciclo virtuoso o capital pode chegar em renminbis e ser canalizado para a futura bolsa de valores”, acrescentou.

Nesta lógica, a legisladora ligada a Jiangmen acredita que com o capital que entrar pela bolsa vai ser possível continuar a desenvolver a economia e aumentar o produto interno bruto do território.

Aposta na Montanha

Lo Choi In sustentou também que a autorização para o estabelecimento de uma bolsa de valores tem de partir de Pequim. Porém, de modo a ter argumentos convincentes para o Governo Central, a deputada aponta que cada uma das quatro “indústrias-fundamentais” tem de assumir um peso de pelo menos 15 por cento no produto interno bruto da região.

De acordo com o Governo, desde o início do ano que a diversificação da economia passa pelas quatro “indústrias-fundamentais”, que incluem as finanças modernas, serviços de saúde com tecnologia de ponta, sector das exposições e convenções e mercantilização da cultura e do desporto.

Contudo, antes de se pensar no futuro, e em termos de medidas mais a curto prazo, Lo sublinhou que nesta fase o importante é estabilizar a economia e preparar o crescimento dos próximos meses.

A deputada apelou assim ao Governo para continuar a tomar medidas para incentivar a estabilização do turismo e do jogo, sectores tidos como fundamentais para promover a diversificação, principalmente depois de dois anos em que a economia enfrentou inúmeros desafios.

PJ | Mulher burlada em 65 mil patacas

Uma mulher de 30 anos queixou-se à Polícia Judiciária (PJ) de ter sido burlada online em 65 mil patacas. De acordo com a versão citada pelo jornal Ou Mun, a trabalhadora, apresentada como estrangeira, conheceu online em Dezembro do ano passado alguém que se apresentou como empresário.

Depois de algumas semanas de conversa, a mulher começou a considerar que estava numa relação amorosa. Foi nessa condição, que o indivíduo lhe pediu ajuda, afirmando que estava na Turquia a fazer um negócio e que as suas contas tinham sido congeladas. Para contornar a situação, a mulher tinha de fazer várias transferências bancárias, que foi fazendo, até chegar ao valor de 65 mil patacas.

Como após os vários pagamentos, o dinheiro nunca mais ficou disponível, e o homem continuou a pedir mais transferências, até que a mulher desconfiou que tinha sido burlada e apresentou queixa às autoridades.

Covid-19 | Ligações marítimas reúnem famílias de Macau e Hong Kong

Foram ontem retomadas as ligações marítimas entre Porto Exterior, na península de Macau, e Sheung Wan no centro da ilha de Hong Kong. Para muitos residentes, chega ao fim uma separação de três anos em que estiveram impedidos de ver os familiares

 

As ligações marítimas entre a península de Macau e Hong Kong foram ontem retomadas, permitindo o reencontro de familiares que, durante quase três anos estiveram separados, a apenas 60 quilómetros de distância, devido à pandemia da covid-19.

Já há dias que os cerca de 300 bilhetes para a primeira viagem do dia entre o terminal marítimo do Porto Exterior, em Macau, e Sheung Wan, no centro de Hong Kong, estavam esgotados.

Quatro dos bilhetes foram para a família de Abigail, que até faltou às aulas no Jardim de Infância Dom José da Costa Nunes, o único infantário de língua portuguesa em Macau. “Vou ver o meu avô e a minha avó e os meus tios”, disse rapidamente à Lusa a menina, de “quase 5 anos”, que desde 2019 não está com os familiares de Hong Kong.

“Sinto muito a falta deles”, confessou Abigail, por detrás de uma máscara decorada com figuras do Ano Novo Lunar. “Já vamos almoçar com eles, mas primeiro temos de ir renovar o teu BIR [Bilhete de Identidade de Residente de Hong Kong]”, prometeu a mãe.

Também há três anos que Kei Kei, de 28 anos, não via o padrasto, a trabalhar na logística de mercadorias em Hong Kong, um dos maiores portos do mundo. “Ele já tem alguma idade e nem eu nem a minha mãe queríamos que ele andasse a fazer quarentenas tão longas. Eu trabalho com idosos, em lares e centros de reabilitação e não podia deixá-los durante tanto tempo”, disse à Lusa.

As ligações marítimas entre as duas regiões administrativas estavam suspensas desde Fevereiro de 2020, deixando a ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau como única ligação, ainda assim com quarentenas obrigatórias, que chegaram a ser de 28 dias, à entrada em Macau.

“Quando isto [a pandemia] começou, não fazíamos ideia que ia ser tão duro”, disse Kei Kei com um suspiro. “Pensámos que ia ser só uns meses no máximo”, acrescentou.

Casamento limitado

À semelhança da China continental, Macau seguiu até meados de Dezembro a política ‘zero covid’, apostando em testagens em massa, confinamentos de zonas de risco e quarentenas à chegada. O fim destas medidas chegou no mês passado, depois de quase três anos de restrições rigorosas.

Restrições que fizeram mesmo com que o padrasto não pudesse estar presente quando Kei Kei se casou com um cidadão luso-brasileiro, em Outubro de 2021, no Consulado-geral de Portugal em Cantão, capital da província vizinha de Macau. “Foi uma cerimónia pequena e rápida, mas ele não pôde vir”, lamentou a jovem.

No final de Dezembro, Macau retomou a ligação marítima com o aeroporto de Hong Kong, com duas viagens de ida e volta semanais entre o terminal do Pac On, na Taipa, e o Skypier do aeroporto.

Já em Janeiro foi a vez de regressarem as ligações entre o terminal marítimo de passageiros da Taipa e o de Sheung Wan, com cerca de dez carreiras de ida e volta.

A operadora é a Turbojet, que faz parte do império fundado pelo magnata Stanley Ho, falecido em 2020, e que abrange a operação de 13 casinos em Macau e em Portugal, do Casino de Lisboa e do Casino do Estoril.

De acordo com os Serviços de Saúde de Macau, 114 pessoas morreram de covid-19 no território desde o início da pandemia, em 11 de Março de 2021.

Joaquim Ng Pereira, académico e divulgador da cultura macaense: “Comunidade não se vai afastar de Macau”

Declama patuá e dá aulas no dialecto no Centro Científico e Cultural de Macau, mas Joaquim Ng Pereira é, acima de tudo, um divulgador da sua cultura. Na próxima quarta-feira apresenta, na Sociedade de Geografia de Lisboa, o colóquio “Mobilidade em Macau: vertentes do fenómeno migratório”. O académico lamenta que Portugal não preste atenção a Macau e teme a diluição da cultura macaense na chinesa

 

Decidiu organizar um colóquio sobre mobilidade em Macau. A comunidade macaense tem sido, ao longo da história, uma comunidade de emigrantes, com especificidades. Essa tendência migratória irá manter-se?

Antes da chegada do navegador Jorge Álvares à China, Macau praticamente não existia. Era uma zona meio árida que tinha lá alguns pescadores que vinham do Rio das Pérolas. O grande desenvolvimento que se dá em Macau é, precisamente, com a chegada dos portugueses e graças ao comércio que faziam. Os macaenses foram criando uma cultura muito própria, com o patuá e a gastronomia, mas o meu receio é que esta cultura se perca. Enquanto houve a Administração portuguesa, a cultura macaense foi sobrevivendo. Mas existe uma nova ameaça, que daqui a umas décadas a cultura macaense se perca e o desinteresse de Portugal em relação a Macau, que poderia ter feito mais nessa preservação. Macau é uma porta para a China e os portugueses tinham imenso a ganhar com isso.

Mas ainda relativamente à emigração. Macau está numa nova fase devido à pandemia, isso veio alterar a relação da comunidade macaense com o território, a sua própria terra? Os macaenses também podem sair, por exemplo?

Esse é um grande ponto de interrogação. Até agora, os macaenses têm sempre conseguido dar a volta e afirmar-se como macaenses pela sua própria cultura e história. Os portugueses que lá estão também. Os portugueses que gostam de Macau ficaram. Com a pandemia há uma nova ordem social, mas isso quer dizer que temos de nos habituar a viver com isso, com esta doença.

Mas acha que a comunidade macaense se vai afastar de Macau?

Depende. Mas penso que não. Macau sempre teve uma grande ligação ao jogo e na Ásia isso sempre foi muito importante. Macau continua a ser uma porta de entrada para o Oriente e as pessoas sentem-se seguras no território porque existe ali uma parte ocidental no Oriente. Esta conjunção de culturas é o que dá segurança a quem vai para lá. Ganha-se uma ligação afectiva porque existem as raízes ocidentais e orientais.

A China mantém no seu discurso a importância da preservação da cultura macaense. Apesar dos sinais desta presença do macaense na agenda política, sente que não se vai muito além disso?

O grande perigo é o de diluição da cultura macaense na comunidade chinesa. Portugal deveria ter aí um papel mais activo. Temos de respeitar a China, pois tem a soberania sobre Macau e isso estava acordado há muitos anos. Reconheço, como macaense, que as ligações entre Portugal e Macau não podem ser esquecidas e têm de durar, e tenho feito projectos para contribuir para isso.

Em termos concretos, o que as autoridades portuguesas deveriam fazer?

Não podemos contar muito com o apoio financeiro, mas alguma coisa poderá ser feita na divulgação da cultura macaense. Quem se interessa faz actividades e projectos mas não há um apoio do Estado. Muitas vezes nem é preciso muito dinheiro, basta haver mais encontros e maior divulgação. Talvez a China pudesse dar financiamento ou fazer parcerias com Portugal para que mais macaenses pudessem vir a Portugal e vice-versa. Temos, em Macau, eventos como o Festival das Artes ou o Festival da Lusofonia, e o que se conhece cá sobre isso? Muito pouco. Muitas vezes a divulgação não custa muito dinheiro.

É necessária mais ligação entre as associações de matriz macaense, em Macau, com a diáspora, no sentido de fortalecer a rede já existente?

Acho isso importantíssimo. Nós, na Fundação Casa de Macau [Joaquim Ng Pereira faz parte dos órgãos de gestão], atravessamos dificuldades com a crise económica que existe actualmente. Mas, dentro do possível, tentamos criar ligações com a diáspora. São essas ligações, e a rede no seu conjunto, que existe na diáspora, nas associações macaenses, que são fundamentais. Se todas as vozes se juntarem com a diáspora tornamo-nos numa voz activa perante os governos e aí conseguiremos fazer algo para que sejamos ouvidos enquanto macaenses.

Em Macau há falta de uma voz cívica da parte da comunidade macaense?

Fazem falta mais vozes da nova geração, isso é muito importante. O Miguel [Senna Fernandes] tem feito um trabalho espantoso com o patuá, por exemplo. Da minha parte, eu tento preservar as minhas próprias raízes, mas não só, as outras também. Existe uma outra vertente, para mim muito importante, que é a ligação de Portugal com Macau. Tenho estado a fazer, com o Miguel de Senna Fernandes, vários projectos, incluindo um de rádio na Junta de Freguesia de Belém [Lisboa], uma rádio online, para o desenvolvimento, conhecimento e divulgação de Macau. Ainda estou a fazer o genérico. Vai-se chamar “Vós está bom”.

Ensina patuá em Portugal e o dialecto também se ensina em Macau, e há outras formas de divulgação, como o teatro dos “Doci Papiaçam di Macau”. Considera que são necessárias novas fórmulas para que o patuá se mantenha vivo?

Sim. Esta parceria que tenho estado a fazer com o Miguel é muito importante. Estou a pensar fazer alguns videoclipes em que mostro a cidade de Lisboa em patuá. Já temos um vídeo sobre a Torre de Belém, em parceria com a escritora Maria Helena do Carmo e Raúl Gaião. Falamos sobre a Torre de Belém e as partidas para Macau tudo em patuá. Estou a pensar lançar este projecto no segundo semestre deste ano, e será lançado na plataforma YouTube, criando assim uma ponte cultural entre Macau e Lisboa.

Falar de Macau

São muitos os oradores presentes no colóquio promovido pela Comissão Asiática da Sociedade de Geografia de Lisboa, da qual faz parte Joaquim Ng Pereira. “Mobilidade em Macau: vertentes do fenómeno migratório”, agendado para o próximo dia 25 de Janeiro, conta com nomes que habitualmente falam, escrevem ou estudam Macau nas suas várias vertentes, como a escritora Maria Helena do Carmo, o antropólogo Carlos Piteira ou Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses. Este último irá abordar o tema “Imigração e Cultura – Uma Perspectiva da Comunidade Macaense”. Maria Antónia Espadinha, ex-residente de Macau e ex-directora dos departamentos de português da Universidade de Macau e da Universidade de São José, também irá intervir na discussão com a apresentação do tema “Migração estudantil, outras percepções de quem aprende em outras geografias”. Destaque ainda para a presença do debate em torno do patuá neste colóquio graças à participação de Raul Leal Gaião, investigador, que vai falar da “Formação do crioulo de Macau e mobilidade social”. Álvaro Augusto da Rosa, académico e dirigente associativo a residir em Lisboa, fala do “linguajar do português de Macau”.

Covid-19 | Hong Kong cancela quarentenas para infectados a partir de 30 de Janeiro

O Governo de Hong Kong anunciou hoje que, a partir de 30 de Janeiro, os infectados com covid-19 não são mais obrigados a cumprir quarentena, pondo fim a uma medida em vigor há quase três anos. Actualmente, quem tem covid-19 é obrigado a estar isolado cinco dias em casa ou instalações designadas pelo Executivo.

“O Governo adoptará um sistema de gestão que permite aos cidadãos tomar a decisão e assumir as suas próprias responsabilidades”, disse aos deputados do território o chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post.

O líder da região administrativa chinesa destacou que a decisão “baseia-se na ciência e na avaliação de riscos”, acrescentando ainda que esta “é uma fase necessária para todos os países a caminho da normalidade”.

Lee citou a “alta taxa de vacinação” em Hong Kong como um dos fatores responsáveis pela decisão e observou que a situação epidémica na cidade “não piorou” desde a reabertura, este mês, da fronteira terrestre com a China continental.

Hong Kong anunciou, em Dezembro, o fim da quarentena de três dias para quem chegasse do estrangeiro, três meses depois das quarentenas em hotel deixarem de ser obrigatórias. A observação médica numa unidade hoteleira chegou a ser de 21 dias. Atualmente, continua em vigor a obrigatoriedade do uso de máscara em todos os locais públicos.

Hong Kong, que aplicou rigorosas restrições contra a covid-19 – embora mais relaxadas que o interior da China e Macau – registou até ao momento 2,84 milhões de casos e 12.965 mortes, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins.

Relações Moscovo-Pequim “atravessam o melhor momento da história”, diz MNE russo

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, disse ontem que as relações de Moscovo com a China atravessam “o melhor momento da sua história”, apesar de alegadas tentativas do ocidente em distanciar os dois países.

“Perguntam-nos se temos provas de que o ocidente tenta de alguma forma gerar discórdias nas nossas relações. Não é sequer necessário procurar essas provas porque são de acesso livre”, afirmou o chefe da diplomacia russa no decurso da sua conferência de início do ano onde efetuou um balanço do ano findo e assinalou os objetivos para 2023.

Lavrov proclamou que estão votadas ao fracasso as aspirações do ocidente de vencer a Rússia na Ucrânia e, em consequência, “permitir” que Moscovo se torne num aliado na sua luta contra a China. “As nossas relações com a República Popular da China atravessam o melhor momento da sua história”, disse.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo recordou que os presidentes da Rússia e da China, Vladimir Putin e Xi Jinping, assinalaram os termos desta relação em fevereiro de 2022, quanto o líder russo visitou o seu vizinho asiático.

“Recordam como em dado momento os nossos amigos chineses descreveram esta relação, ao indicaram que não é uma aliança, não é uma união, mas em muitos sentidos é muito mais que uma união”, disse.

O chefe da diplomacia russa assinalou que “as estratégias aprovadas pelos Estados Unidos, as doutrinas de segurança e as declarações conjuntas da NATO e da UE mencionam quer a Rússia quer a China”.

“Um pequeno detalhe: a nós consideram-nos uma ameaça imediata que é necessário acabar de imediato, enquanto consideram a China um desafio a longo prazo, o mais importante e grave, de caráter sistémico”, acrescentou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo assinalou que os Estados Unidos “não conseguem apenas com as suas próprias forças” impor o objetivo de dominação global e a contenção da Rússia e da China, “e por isso o que agora fazem é uma mobilização parcial, ou mesmo total, do ocidente”.

“É mais uma confirmação de que compreendem estar a perder as suas forças para enfrentar a tendência objetiva e histórica da emergência de um mundo multipolar”, argumentou.

Por esse motivo, adiantou que o ocidente continuará a procurar situações destinadas a irritar Pequim.

“A China compreende perfeitamente a doutrina ocidental de ‘primeiro a Rússia e depois a China’ e sabe que não é uma invenção”, disse, após recordar que no ocidente “já marcaram as suas posições em relação a Taiwan, totalmente inaceitáveis para a China e para o direito internacional”.

Lavrov indicou que o ocidente “procura novas possibilidades concretas para “irritar” a China também no Tibete, em Xinjiang, em Hong Kong, e por isso a China percebe que continuar a fazer parte do sistema ocidental, depender totalmente do ocidente, representa riscos muito graves”.

Em simultâneo, e no decurso da conferência de imprensa anual, Lavrov também sublinhou que as relações entre a Rússia e os países da América Latina estão no auge e que Moscovo valoriza a história bilateral com muitos Estados e a sua solidariedade em iniciativas internacionais.

“As relações com a América Latina estão no auge. Criámos mecanismos de coordenação de orientações”, disse Lavrov, numa referência particular à interação no formato Rússia-CELAC, a comunidade de Estados latino-americanos e caribenhos.

Nesse sentido, acrescentou que representantes de Moscovo e de quatro países desta comunidade se reuniram por diversas ocasiões no passado, apesar de o surto da pandemia de covid-19 ter prejudicado esse fluxo.

“Renovaremos em breve essa cooperação”, prometeu. O chefe da diplomacia russa sublinhou ainda que na região latino-americana existem países com que a Rússia coopera “há muito tempo”.

Em particular, destacou os laços com Cuba, Venezuela e Nicarágua, e acrescentou que Moscovo valoriza as relações bilaterais com esses e outros países e a sua solidariedade nos fóruns internacionais.

“Argentina, México, Bolívia, Peru… estamos interessados em cooperar”, prosseguiu o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, ao destacar que as exportações para a América Latina aumentaram 10% em 2022.

Percebi!

CUMPRIDO um mês sobre o solstício de inverno, o sol já aquece um bocadinho mais e o dia cresceu alguns minutos. Já não era sem tempo, dirá qualquer cidadão da minha e das outras ruas de Portugal. Mas vai arrepender-se do desabafo, porque já cá estão a chegar os gelos, as neves e os ventos desastrosos que andam a matar gente por todo e hemisfério norte.

Em contrapartida, no hemisfério político que também está a norte, a temperatura não para de subir. Enquanto em Davos, Suíça, os donos da alta finança e da grande indústria discutem que ordens dar à NATO e seus capatazes nacionais, sete generais israelenses na reserva subscrevem uma carta aberta que o “Haaretz” publicou, reportando a manifestação em Telavive de dezenas de milhares de judeus alarmados com os planos do seu primeiro-ministro, Benjamin Natanyahu.

O objetivo de curto prazo deste neofascista réu de corrupção e de outras tranquibérnias, é retirar poder ao Supremo Tribunal e deixar o Parlamento sem um organismo que possa decretar a inconstitucionalidade de qualquer lei, mas o objetivo imediato é a anexação pura e simples da Cisjordânia, que divide em Samaria e Judeia, significando estas a parte principal da Palestina mártir ainda não totalmente ocupada.

Os sete generais, que são tão hebreus e sionistas como os outros compatriotas seus, escrevem que existem riscos de ser assim criada “uma nova realidade que levará a uma crise de segurança, diplomática e social”.

Os políticos – frisam os signatários da carta aberta – desconhecem, por um lado, “o que está envolvido na administração da vida e segurança nos territórios” e por outro, têm “uma crença religiosa na anexação, primeiro de facto e depois de jure de território na Judeia e Samaria. O resultado será o desmoronamento e a eliminação da Autoridade Palestiniana”, apesar de reconhecida pela ONU e pelo resto do mundo.

Perante notícias destas, preparei-me para aceitar e até reforçar a indignação dos portugueses – Governo e cidadãos – e qual não foi a minha surpresa? Isabel Santos, eurodeputada e dirigente do PS, aparece hoje no “Público” a rasgar as vestes por Macau, clamando contra o “desprezo da ditadura de Pequim pelos mais elementares direitos, liberdades e garantias”. Aux armes, citoyens!

Tadinhos dos herdeiros de Stanley Ho, o rei do jogo de Macau e do Estoril! – suspirei.
Sobre Israel, silêncio absoluto da Isabel e do Estado Maior do Largo do Rato.
Como é possível?
Espremendo os miolos, lembrei-me de uma biografia exemplar, a do pai e avatar da Isabel, o falecido António de Almeida Santos, Presidente da Assembleia da República e da Assembleia Geral da GEO Capital – Investimentos Estratégicos que foi, ao lado do impoluto Mário Soares e do seu devoto Jorge Coelho, um indómito defensor da Ota para sede do Aeroporto Internacional de Lisboa.

Sei que Macau ensinou muito ao ministro que tentou lavar as mãos com a água do Douro em Entre-os-Rios, demitindo-se estrondosamente para poder ascender a CEO do santo Grupo Mota-Engil luso-angolano. Sempre se deu bem com Almeida Santos e este, nascido em Seia muito antes dos incêndios na Serra da Estrela, começou por ser o talentoso Toninho que tocava guitarra em Coimbra e depois foi para Lourenço Marques, hoje Maputo, advogar e não sei se fazer algo mais.

Quando voltou, tornou-se o estrumador especial e providencial do terreno jurídico-constitucional, onde capciosamente se opôs a Álvaro Cunhal e onde o PS e o PPD puseram a semente da UGT, que brotou, medrou e está a dar os sumarentos frutos de que se alimenta a gulosa tríade dominante na Comissão Permanente da Concertação Social, constituída pelas confederações patronais da indústria, do comércio e da agricultura.
Ah, percebi!

À tarde

EVITA Perón, que não viveu o suficiente para ouvir a Madona cantar “Don’t Cry for Me, Argentina” (“Não chores por mim, Argentina”), chamou “descamisados” aos muitos milhares de pobres que se manifestavam na década de 60, na Praça de Maio, em Buenos Aires, frente ao palácio do Governo, a Casa Rosada.

“Para mim”, explicou mais tarde a esbelta primeira dama, “descamisado é o (…) que ama, sofre e goza como povo, mesmo que não se vista como povo. Descamisado é o que esteve na Praça de Maio no 17 de outubro, ou quis estar.

Descamisado é o povo, culturalmente inferior, que aceita, com honra, essa inferioridade, porque, no fundo, se sente forte, por meio do seu líder, e potencialmente superior, porque, por seu intermédio, se sente ascender a uma nova dignidade.”

Para o comum dos portugueses, “descamisado” tem quase só a ver com as maçarocas do milho e significa “despojado do folhelho”. Daí, as tão celebradas desfolhadas. Ou seja, sem a casca ou, numa interpretação mais livre, sem a capa do poder, como agora o ex-ministro Matos Fernandes chamou ao grupo de WhatsApp que criou para os inocentes jantares-convívio que têm juntado outros ex-ministros dos governos de António Costa (Marta Temido, Siza Vieira, Brandão Rodrigues, Alexandra Leitão, João Leão e Graça Fonseca).

A ideia dos repastos dos descamisados começou depois das últimas eleições legislativas e o próximo convívio de faca e garfo já deverá contar com Pedro Nuno Santos.

O que me intriga em toda esta inocência é que nenhum deles é pobre e até inclui o atual ministro hipernatista João Cravinho. Quem vai escrever os próximos capítulos da novela? E vão ser em estilo jocoso, dramático ou claramente conspirativo, à moda de Le Carré?

*

SÃO mais de 40 milhões (Portugal multiplicado por 4) os curdos divididos por 5 países: Turquia, Irão, Síria, Iraque e Arménia. O seu país natural e necessário continua adiado por vontade dos EUA, da NATO e da própria ONU que nem disto querem ouvir falar.
Será por Saladino ter sido um curdo e haver conquistado grande parte o ocidente cristão?
E não haverá na mártir Ucrânia quem levante esta questão aos dois contendores?