Pearl Metropolis | Idade afastou potenciais compradores

Após ter sido revelado que apenas 338 dos 1.932 lesados do Pearl Horizon avançaram para a compra de uma habitação de substituição no edifício Pearl Metropolis, Franky Fong Wai Hong, presidente da Associação dos Agentes Imobiliários do Sector Imobiliário de Macau, explicou que a baixa taxa de compradores se deveu a vários factores e não apenas ao preço das novas habitações.

Ao jornal Exmoo, Fong indicou que desde a altura em que as famílias se comprometeram a comprar as casas no Pearl Horizon e a construção do Pearl Metropolis passaram mais de 10 anos. Com o passar do tempo, a disponibilidade das famílias para pedirem empréstimos bancários mudou consideravelmente, porque vão ter menos anos para pagarem o valor pedido.

Além disso, foi também indicado que os critérios de acesso aos empréstimos para a compra de habitação ser tornaram mais rigorosos.

Franky Fong Wai Hong indicou ainda que as pessoas que tinham necessidade de comprar uma habitação há 10 anos não estavam disponíveis para esperar tanto tempo pelos novos apartamentos, o que também terá contribuído para a diminuição do interesse.

Ainda assim, caso a empresa de capitais públicos Macau Renovação Urbana pretenda vender as restantes casas no mercado, Franky Fong Wai Hong admitiu que os preços actuais são elevados e que deverá ser necessário reduzi-los para atrair compradores.

Casinos | Impostos cobrados aumentam 15% em Janeiro

O sector do jogo representou 85,6 por cento dos impostos cobrados em Janeiro, com um total de 8,2 mil milhões de patacas. As receitas fiscais apuradas na principal indústria do território aumentaram 14,6 por cento face a Janeiro de 2025, quando não chegaram a 7,2 mil milhões de patacas

No passado mês de Janeiro, o Governo registou 9,62 mil milhões de patacas em receitas correntes, mais 14,5 por cento face a Janeiro de 2025. Do total das receitas correntes, a parcela correspondente a impostos a concessionárias de jogo foi de mais de 8,2 mil milhões de patacas, o que representa 85,6 por cento de todas as receitas correntes, de acordo com dados divulgados no portal da Direcção dos Serviços de Finanças.

Em termos comparativos, as receitas fiscais geradas pelos casinos em Janeiro aumentaram 14,6 por cento, face ao mesmo mês de 2025, quando atingiram quase 7,2 mil milhões de patacas, uma diferença de mais de 1.000 milhões de patacas.

Recorde-se que de acordo com as novas concessões de jogo, que entraram em vigor por uma década a 1 de Janeiro de 2023, o imposto sobre as receitas brutas dos casinos foi fixado em 40 por cento.

Quando se conta as receitas de capital (venda de instalações e equipamentos, activos financeiros, venda de acções e outras participações), as receitas totais dos cofres públicos em Janeiro registaram quase 9,64 mil milhões de patacas.

O outro lado

Representando quase a totalidade das receitas públicas, as receitas do sector do jogo são determinantes para o Orçamento da RAEM. Para já, o Governo estima que 2026 termine com receitas brutas dos casinos do território a rondar os 236 mil milhões de patacas, o que dará cerca de 19,7 mil milhões de patacas por mês. Para atingir esta meta, Janeiro já superou a média mensal estimada em cerca de 2,93 mil milhões de patacas, quando as receitas brutas do sector registaram mais de 22,63 mil milhões de patacas, mais 24 por cento face a Janeiro de 2025.

A confirmar-se uma performance positiva durante os feriados do Ano Novo Chinês, as receitas brutas dos casinos podem registar um aumento anual de cerca de 18 por cento no primeiro trimestre do ano.

No capítulo das despesas, os dados de Janeiro da DSF revelam que as despesas com pessoal foram de cerca de 1,19 mil milhões de patacas, menos 0,17 por cento face a Janeiro de 2025. Em relação às despesas públicas para pagar transferências, apoios e abonos, saíram dos cofres públicos em Janeiro cerca de 2,8 mil milhões de patacas, mais 0,35 por cento em termos anuais.

No cômputo geral, Janeiro encerrou com as receitas a quase duplicar as despesas, com o saldo do exercício do mês passado em terreno positivo em quase 5 mil milhões de patacas.

Urbanismo | Embelezamento da cidade segue espírito de Xi

O secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, liderou o primeiro encontro do ano do Grupo de Trabalho de Embelezamento e Limpeza da Cidade e realçou que as tarefas a serem desempenhadas servem para “implementar o espírito dos importantes discursos do Presidente Xi Jinping” durante a passagem por Macau, em Dezembro e 2024.

Com base nestas declarações, Wong Sio Chak exigiu que o grupo faça “um trabalho cada vez mais profissional”, ao mesmo tempo que “reforça a cooperação, implementa um sistema de responsabilização, salvaguarda a segurança, ouve as opiniões da população e melhora a qualidade de vida dos residentes”.

Em relação às principais tarefas para este ano, Wong definiu cinco requisitos: primeiro, refinar as responsabilidades e garantir a implementação [dos trabalhos]; segundo, controlar rigorosamente a qualidade e garantir a segurança; terceiro, trabalhar de forma diligente e pragmática para criar um novo panorama; quarto, reforçar a coordenação e a cooperação; e quinto, aumentar a sensibilização do público e promover a colaboração entre o Governo e a população.

Wong Sio Chak deixou ainda a esperança que todo grupo de trabalho seja guiado pelo espírito do importante discurso do Presidente Xi Jinping de forma a contribuir em conjunto para o embelezamento da cidade.

Um País, Dois Sistemas | Sam quer que macaenses contem “bem” história

O líder do Governo indica que a comunidade tem um papel a desempenhar na integração de Macau no Interior da China e destacou o valor da comunidade na ligação entre a China e o exterior

O Chefe do Executivo quer que a comunidade macaense trabalhe com o Governo para “garantir uma boa salvaguarda e desenvolvimento” de Macau e “contar bem” a história da “implementação bem-sucedida de ‘Um País, Dois Sistemas’ na China e no estrangeiro”. As tarefas de Sam Hou Fai para os macaenses foram deixadas durante um jantar, ocorrido na terça-feira, com alguns membros da comunidade.

Segundo o relato do Governo, no encontro Sam Fou Fai “garantiu estar disponível para trabalhar em conjunto com a comunidade macaense a fim de garantir uma boa salvaguarda e desenvolvimento deste lar [Macau]”.

No entanto, as tarefas não se ficam por aqui. O líder do Executivo pretende igualmente que os macaenses se desloquem “proactivamente na Zona de Cooperação em Hengqin e na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau” e que participem “activamente” nas construções destes projectos.

Sam Hou Fai destacou também que os macaenses têm lugar na integração de Macau no Interior da China e que a comunidade “desempenha plenamente as suas vantagens únicas na língua, cultura, gastronomia, profissionalismo e interligação com o mundo, ajudando a RAEM a criar uma ‘porta’ de ligação relevante para o país na abertura de alta qualidade ao exterior e uma ‘janela’ privilegiada de intercâmbio e de mútua aprendizagem entre as civilizações chinesa e ocidental”.

Importância assegurada

Na mensagem deixada durante o jantar, Sam Hou Fai ainda apontou que o Governo vai “dar importância e apoiar a comunidade macaense, esperando que a mesma possa potenciar as suas singularidades, participar activamente na integração entre Macau e Hengqin e na construção da Grande Baía”.

Sam Hou Fai destacou que o “desenvolvimento económico e social da RAEM tem sido estável e progressivo, concretizando basicamente os objectivos e tarefas principais da governação, cujo trabalho de acção governativa no primeiro ano do Governo decorreu de forma suave e estável, com reformas, inovações, avanços e resultados”.

Sam prometeu ainda executar as Linhas de Acção Governativa e afirmou acreditar que no âmbito das tarefas planeadas haverá “amplas oportunidades” para a comunidade macaense “contribuir significativamente e alcançar feitos notáveis”.

Segurança | Governantes da RAEM aplaudem Livro Branco sobre Hong Kong

A China lançou um novo Livro Branco sobre a segurança nacional, sobre Hong Kong, que se intitula “Prática da Salvaguarda da Segurança Nacional em Hong Kong sob ‘Um País, Dois Sistemas’. Na RAEM, os secretários e dirigentes políticos reagiram de forma positiva, dizendo que o documento dá garantias de estabilidade e que é uma referência para Macau

Dias depois da condenação, em Hong Kong, de Jimmy Lai, empresário dos media que fundou o extinto jornal Apple Daily, eis que a China lança um novo Livro Branco virado para a necessidade de salvaguarda da segurança nacional no território vizinho. A “Prática da Salvaguarda da Segurança Nacional em Hong Kong sob ‘Um País, Dois Sistemas'”, foi publicado pelo Departamento de Comunicação do Conselho de Estado da China na terça-feira.

Segundo a agência noticiosa Xinhua, este Livro Branco é composto por cinco partes, detalhando “a persistente luta para salvaguardar a segurança nacional em Hong Kong e a responsabilidade fundamental do Governo Central em questões de segurança nacional relacionadas a Hong Kong”.

Na mesma nota, é explicado que o Livro Branco “expõe as conquistas da RAEHK no cumprimento da responsabilidade constitucional de salvaguardar a segurança nacional” e ainda “a transição de Hong Kong do caos para a estabilidade e prosperidade”.

Não são esquecidos “os esforços para criar [um panorama de] segurança de alto padrão a fim de promover o desenvolvimento de alta qualidade da política de ‘Um País, Dois Sistemas'”, além de ser explicado que “o Governo Central aplicou uma abordagem holística à segurança nacional”.

Neste contexto, “exerceu efectivamente a jurisdição geral sobre a RAEHK, de acordo com a Constituição do país e a Lei Básica da RAEHK”, sendo que a Lei sobre a Salvaguarda da Segurança Nacional “tem sido aplicada na região” e veio garantir “que Hong Kong seja administrada por patriotas”.

Do lado da RAEM, o aparelho governativo reagiu de forma positiva a este Livro Branco, isto depois de ter sido aprovada na generalidade, na Assembleia Legislativa, a proposta de lei que apresenta um novo formato e composição da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da RAEM, criada em 2018.

Chan Tsz King, secretário para a Segurança, foi uma das figuras políticas que reagiu ao documento, que considera “assegurar a implementação estável e duradoura” do princípio “Um País, Dois Sistemas”.

Citado por uma nota oficial, o secretário entende que o Livro Branco vem “esclarecer a unidade intrínseca entre os princípios políticos e a lógica institucional, fazendo com que a sociedade de Hong Kong volte à normalidade e a ordem seja restaurada”.

O documento, na visão do secretário, “serve como importante referência para a RAEM rever e melhorar a construção do seu sistema jurídico no âmbito de defesa da segurança do Estado e do respectivo mecanismo de execução”.

Chan Tsz King destaca que a sua tutela dará “grande importância à garantia da segurança nas áreas não tradicionais sob nova conjuntura, estabelecendo como objectivo estratégico a estabilidade a longo prazo da RAEM”.

Firme como uma rocha

Ainda segundo a Xinhua, o Livro Branco descreve como Pequim “apoia a RAEHK no cumprimento de sua responsabilidade constitucional de salvaguardar a segurança nacional, prevenindo, interrompendo e punindo efectivamente quaisquer actividades que coloquem em risco a segurança nacional”.

“Os esforços” da região vizinha na salvaguarda da segurança nacional visam, segundo o mesmo documento, “sustentar e desenvolver” o princípio criado por Pequim como sustentação de Taiwan e das duas regiões administrativas especiais, sem esquecer a protecção “dos direitos humanos fundamentais, a dignidade e o bem-estar dos 7,5 milhões de residentes de Hong Kong”.

O Livro Branco divulgado pelo Conselho de Estado dá ainda conta que “no mundo actual, e com transformações globais sem precedentes ocorridas em um século, estão a acelerar, com o ambiente de desenvolvimento enfrentado pela China a passar por mudanças profundas e complexas”. Desta forma, “salvaguardar a segurança nacional é uma tarefa de longo prazo e permanente”, é referido.

O Livro Branco dá conta que Hong Kong “desfruta de uma segurança de alto padrão”, estando a região “fadada a superar todos os riscos e desafios na futura jornada, permanecendo tão estável como uma rocha num mundo turbulento”.

Outra figura política da RAEM que reagiu foi Adriano Marques Ho, director-geral dos Serviços de Alfândega, dizendo que o Livro Branco “tem um significado orientador importante e um impacto profundo para a implementação completa e precisa de ‘Um País, Dois Sistemas’ nas regiões de Hong Kong e Macau, para a realização da prosperidade e estabilidade a longo prazo, e para a sua progressão estável e sustentável”.

Adriano Marques Ho acrescentou que “tanto Hong Kong como Macau são partes inalienáveis e sagradas da China”, sendo que Pequim “tem mantido, de forma firme e consistente, a soberania, segurança e interesses de desenvolvimento nacionais”.

Na visão do responsável máximo da Alfândega, “as forças hostis externas e os elementos anti-China que perturbam Hong Kong incitaram e criaram os ‘tumultos da revisão legislativa’, que acabaram por evoluir para uma ‘revolução colorida’ versão Hong Kong, prejudicando gravemente a ordem constitucional e o Estado de Direito em Hong Kong, e colocando em risco a soberania, segurança e interesses do desenvolvimento nacionais”.

Fim da “situação caótica”

O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, disse que o Livro Branco “analisa e delineia de forma abrangente o percurso de Hong Kong na defesa da segurança nacional, as grandes realizações e a experiência colhida”.

Na visão da governante, “Hong Kong passou de uma situação caótica para a estabilidade e prosperidade”. No caso da RAEM, aplicam-se os princípios contidos no Livro Branco, prometendo a secretária “continuar a intensificar a educação, dando prioridade à formação de uma base social que sustenta os valores de amor pela pátria e por Macau”.

Neste contexto, pretende-se “desenvolver um sistema educativo abrangente para aumentar o sentimento patriótico dos jovens e consolidar o alicerce ideológico da segurança nacional através de actividades e intercâmbios educacionais multidimensionais”.

Fica a promessa de que a tutela dos Assuntos Sociais e Cultura “irá continuar a promover a segurança nacional utilizando como força motriz a cultura, reforçando a exploração e a divulgação dos recursos históricos e culturais de Macau e organizando diferentes tipos de exposições e espectáculos culturais com características singulares”.

A ideia é “divulgar a excelente herança cultural chinesa no sentido de resistir à erosão das culturas nocivas, reforçar a identidade cultural e nacional da população e unir as forças dos diferentes sectores da sociedade através da cultura”.

Wong Sio Chak, secretário para a Administração e Justiça, e que durante anos deteve a pasta da Segurança, considera que o Livro Branco tem “extrema relevância para os assuntos da RAEM relativos à defesa da segurança nacional”, nomeadamente no que diz respeito à “defesa da soberania, segurança e dos interesses de desenvolvimento do Estado”.

Ficam as promessas de que a área da Administração e Justiça “irá impulsionar a produção legislativa nos domínios prioritários relacionados com a defesa da segurança do Estado, continuando a aperfeiçoar o respectivo regime jurídico”, sendo organizados “cursos de formação sobre a Constituição, a Lei Básica e a legislação relativa à defesa da segurança do Estado vocacionados para os trabalhadores dos serviços públicos de diferentes níveis”.

Por seu turno, Tai Kin Ip, secretário para a Economia e Finanças, descreveu que “as seguranças económica e financeira constituem domínios-chaves não tradicionais de entre as vinte áreas prioritárias da visão global de segurança nacional, sendo também factores cruciais para garantir o desenvolvimento estável e a segurança de longo prazo de Macau e do país”.

Tai Kin Ip pretende “promover de forma pragmática o desenvolvimento da diversificação adequada da economia, reforçando a resiliência económica global de Macau e mantendo um elevado nível de atenção face a vários riscos e desafios no domínio económico-financeiro”.

Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, disse que Macau deve “cultivar uma consciência de vigilância em tempos de paz, a fim de consolidar os alicerces de uma estabilidade e segurança duradouras”.

Neste sentido, o governante entende que “Macau deve colocar sempre em primeiro lugar a salvaguarda da soberania, da segurança e dos interesses de desenvolvimento do Estado”, sendo que na tutela dos Transportes e Obras Públicas promete “persistir na predominância do poder Executivo, integrando de forma firme a salvaguarda da segurança nacional em todas as tarefas”.

Ao Ieong Seong, Comissária contra a Corrupção, acredita que “a segurança e a estabilidade do ambiente político e o bom funcionamento do sistema, com predominância do poder Executivo, [garante que] o nível de governação da RAEM seja cada vez mais elevado”.

A comissária destacou “a realização bem-sucedida, no ano passado, das eleições para a 8ª Assembleia Legislativa, reforçando-se a concretização do princípio ‘Macau governado por patriotas’ e assegurando eficazmente a estabilidade duradoura da RAEM”.

Livrarias | Deputado quer mais apoios

O deputado Lam Fat Iam defendeu ontem que devem ser criados mais apoios ao sector livreiro, apoiando-se “o desenvolvimento das livrarias físicas locais” e a construção de Macau como “Cidade de Leitura”.

Ao falar no período de interpelações antes da ordem do dia, Lam Fat Iam defendeu que devem ser criadas “políticas de apoio específicas e precisas”, como a criação de “programas de apoio à exploração e actividades culturais das livrarias”, dando-se “prioridade às livrarias que promovem a cultura de Macau e realizam regularmente conferências e actividades de leitura”.

Deve-se ainda criar um sistema que fomente “a circulação e publicação de livros locais”, com “financiamento prioritário ao planeamento, edição e publicação de livros com características de Macau”.

Esplanadas | Pedido “planeamento sistemático”

O deputado Chui Sai Peng defende que as autoridades devem realizar um “planeamento sistemático” das esplanadas, a fim de “criar uma atmosfera agradável e descontraída” tendo em conta o papel de Macau como cidade de gastronomia.

No período de interpelações antes da ordem do dia, Chui Sai Peng disse que não basta o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) ter recomeçado a emitir licenças, devendo existir “um plano detalhado e de longo prazo”, definindo-se “objectivos gerais do planeamento dos espaços de restauração ao ar livre de Macau, o caminho para a prática, a dimensão dos projectos e os planos de acção a curto prazo”.

O deputado pede, por isso, que seja criado “um grupo de trabalho, a fim de elaborar um plano para as esplanadas, científico, executável e consensual, entre múltiplas partes”.

Voos | Defendidas ligações directas entre Macau e PLP

A deputada Song Pek Kei defendeu ontem a criação de ligações aéreas directas entre o território e os países de língua portuguesa, com o objectivo de “enriquecer a rede aérea” de território.

“Importa lançar medidas de incentivo para estimular os operadores do sector [aéreo] a explorarem mais rotas directas internacionais, podendo dar prioridade à expansão da rede de voos directos com os países de língua portuguesa e espanhola,” afirmou Song Pek Kei, numa intervenção na Assembleia Legislativa (AL).

A Lei da Actividade da Aviação Civil de Macau entrou em vigor este ano, abrindo portas à liberalização do sector. Song Pek Kei afirmou que, com a entrada em vigor desta legislação, o Governo “deve acelerar” o ajustamento da estrutura de serviços e “aproveitar bem” os recursos para desenvolver mais rotas com escalas e conexões.

“Tendo como referência as experiências de outras regiões, importa lançar medidas de incentivo para estimular os operadores do sector a explorarem mais rotas directas internacionais,” acrescentou.

Outros pedidos

Song Pek Kei não é a primeira deputada a propor ao Governo a criação de novas rotas aéreas que liguem a região chinesa à Europa. Em Dezembro, também Ip Sio Kai defendeu o estabelecimento de uma ligação aérea directa com Lisboa, para promover os negócios entre os países de língua portuguesa e a Europa.

Ip sugeriu que o Governo conceda subsídios para a abertura deste voo de longo curso e que lance promoções de alojamento, transporte e atividades culturais para atrair turistas para Macau.

Em resposta a Ip Sio Kai no hemiciclo, o presidente da Autoridade de Aviação Civil, Pun Wa Kin, afirmou que o Governo “atribui grande importância” ao desenvolvimento da aviação, “em particular ao seu papel na promoção da diversificação económica”.

“No entanto, nas operações comerciais, as companhias aéreas consideram frequentemente a procura do mercado, os custos operacionais, os benefícios a longo prazo e a competitividade da rota, antes de decidirem lançar novos voos”, declarou Pun Wa Kin, a quem o titular do Governo para os Transportes e Obras Públicas, Tam Vai Man, tinha entregado a prerrogativa de responder ao deputado.

Quando Ip sugeriu que o Governo poderia subsidiar a rota, Pun respondeu que esse apoio “envolve políticas sectoriais diferentes” e que “o Governo da RAEM precisa de analisar a questão de forma abrangente, sob todos os aspectos”.

O príncipe da Dinamarca

Tempo imprevisível e estranho este nosso, mas encontra-se ainda ao nível da comédia com laivos escarlates de narrativa. Muito discursivo, inenarrável em seu afã de se querer justificar. Digamos que não sentimos confiança alguma nas ficcionadas interpretações que doutamente muitos e cada um desejam transmitir, nada que narre o género que teimam interpretar num abuso de poder para uma realidade não ficcionada. Existe sem dúvida uma paranoia de ficção na Europa que a torna agente de qualquer coisa que tende não só a correr mal, como a dilui-la, um enxaguar de nervosismo num secreto enlouquecimento reinante. Mas que fazem os mais indescritíveis? Jogam narrativamente como um gato de barriga cheia brinca com um rato: atormentando, e por fim deixando-o ir numa luta inglória.

Hamlet surge na nossa linha do horizonte justamente para parar narrativas e mergulharmos na tragédia, géneros diferentes a que não se deve capitular em busca de novas reverberações, que eslavos e escandinavos parecem mais agrestes, mas suas lendas têm por vezes uma grande majestade poética. Hoje talvez disséssemos que poema é género inibidor face ao complexo esquema linguístico da inutilidade praguejante, mas é muito mais que isso, e dele se arqueiam ainda um rei de Tule, um mago Merlim, e um estranho rei Artur, saxão…celta. Que cessem portanto narradores e narrativas, que o género literário mudou. Do topo da Europa nasce agora uma possível ruptura, fatal, onde os deslumbrados destas sociedades mais a sul ficam narrando coisas sem nexo, e se todos estamos de acordo que nada disto tem sentido, rapidamente o inimigo mais temido se dissipa e o amigo mais querido passa a sobressalto.

Numa certa perspectiva andamos todos fazendo de Polônios “adeus mísero tolo, intruso e temerário!” um sistema que se abastece de intenções sem capacidade alguma para vingar a morte de um pai.” L´oncle d´amerique” constrange nas reservas que tínhamos como alinhadas, e numa artificial manutenção fazemos coisas que só as famílias imaginam, matarem-se umas às outras, que dentro de cada uma se inutilizam barbaramente. A peça invernal vem testemunhar a existência de um fantasma, assassinado com veneno num ouvido, orelha, e seu filho o Príncipe Hamlet que reconhece nele o pai, e como todos os fantasmas são brancos talvez até fosse na Gronelândia, que o assassino era ainda irmão da vítima, o príncipe Cláudio. Uma bárbara assinatura que subsiste nas lendas e também no fraco imaginário que hoje é a Europa na senda narrativa do político e estratégico que começa a envenenar a acústica reinante.

Ora, Hamlet segue as diretrizes de um fantasma, mas o destino revela-se bem mais fantasmagórico em suas definições, e se os pinguins estão distantes destas zonas brancas, há quem os veja para aquém do seu habitat – esses seres ternos como pombas e de lealdade incomum- e numa imensa e irreconhecível má narrativa encontramos agora a alma de Cláudio, o tio que nenhuma família deseja encontrar. O teatro da vida num áspero instante onde o louco diálogo não chega a ser sequer enumerado como farsa, será agora para qualquer ser falante um desafio. Ofélia também chora a morte do pai, é abandonada pelo primo amante, e toda a sua vida um drama tecido por homens, uma estranha condescendência impossível que faz destes seres condutores de desastres um frio de Inverno. Não é a sereia de Copenhaga, mas o Príncipe da Dinamarca pode ser ou não ser, a nossa mais próxima “narrativa”. Que o façam com respeito. Há quem diga que há mistérios ainda não decifrados nas calotes geladas.

HAMLET

Um assassino! Um infame! Um escravo que não vale a vigésima parte

Dum décimo do vosso primeiro esposo! Um rei de comédia num papel vicioso!

O ladrão do trono que foi a uma prateleira

Roubar o diadema e o meteu no bolso

Hamlet responde assim a sua mãe que casara com o assassino de seu pai.

Donald, Bovino, não são nomes de príncipes.

Seul | Autoridades investigam caso de drones enviados para o Norte

As autoridades sul-coreanas declararam ter ontem feito buscas nos serviços secretos civis e militares do país no âmbito de uma investigação sobre o roubo de um drone que atravessou a fronteira com o Norte em Janeiro.

A Coreia do Norte acusou o Sul de ter enviado um drone no início de Janeiro para o seu território e afirmou ter abatido o aparelho perto da cidade de Kaesong, não muito longe da fronteira intercoreana. A KCNA, agência oficial da Coreia do Norte, estabeleceu uma ligação com outro voo de drones sul-coreanos realizado, segundo Pyongyang, perto da cidade fronteiriça de Paju, em Setembro.

Seul negou qualquer envolvimento do Governo ou do exército, sugerindo que civis poderiam ser os responsáveis, mas ontem as autoridades sul-coreanas anunciaram que estão a investigar três soldados e um funcionário dos serviços de inteligência suspeitos de envolvimento.

Mandados de busca e apreensão foram executados “em 18 locais no total, incluindo o Comando de Inteligência da Defesa e o Serviço Nacional de Inteligência”, de acordo com um comunicado.

Três civis foram acusados por suposto papel no escândalo do drone. Um deles reivindicou publicamente a responsabilidade, afirmando ter pilotado o aparelho para medir os níveis de radiação e contaminação por metais pesados em torno de uma fábrica de processamento de urânio no Norte.

O Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung denunciou esse sobrevoo, alertando que se tratava de uma iniciativa que poderia desencadear uma guerra.

O seu antecessor deposto, Yoon Suk-yeol, está actualmente a ser julgado por ter ordenado ilegalmente sobrevoos de drones sobre a Coreia do Norte, na esperança de provocar uma reacção de Pyongyang e usá-la como pretexto para uma tentativa, entretanto frustrada, de impor a lei marcial. Yoon Suk-yeol foi destituído em Abril passado por essa tentativa.

Japão | Partido de Takaichi assegura dois terços do Parlamento

O partido ultraconservador de Sanae Takaichi obteve uma vitória categórica nas eleições de domingo, esmagando as representações centristas e da esquerda nipónicas. O amigo Donald já enviou felicitações

O Partido Liberal Democrático (PLD) da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, conquistou 315 assentos nas eleições legislativas antecipadas de domingo, obtendo sozinho uma maioria de dois terços na Câmara Baixa do Parlamento, segundo os resultados oficiais publicados ontem.

Este resultado é o melhor da história do PLD e permite à líder ultraconservadora consolidar o seu mandato para implementar o programa económico expansivo no arquipélago de 123 milhões de habitantes durante os próximos quatro anos.

Tornada em Outubro a primeira mulher a liderar o Governo japonês e aproveitando desde então um estado de graça, Takaichi dissolveu no final de Janeiro a Câmara Baixa do Parlamento, onde a sua coligação governamental tinha a maioria.

Aposta amplamente ganha: a coligação formada pelo PLD e o Ishin (Partido para a Inovação, centro-direita) obteve um total de 351 cadeiras das 465 que compõem a Câmara Baixa, de acordo com dados do Ministério do Interior.

Na legislatura anterior, o PLD tinha apenas 198 cadeiras, enquanto o Ishin detinha 34. As eleições também viram o partido anti-imigração Sanseito aumentar o número de assentos, passando de dois para quinze, segundo os resultados.

A nova Aliança Centrista para a Reforma, formada pelo principal partido da oposição, o Partido Democrático Constitucional (centro-esquerda), e pelo antigo parceiro do PLD, o pequeno partido budista Komeito, sofreu uma derrota esmagadora, com o número de assentos a cair de 167 para 49.

Takaichi foi calorosamente felicitada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, com quem deverá encontrar-se em meados de Março, em Washington.

Desordem regional

A vitória coloca-a na esteira do seu mentor, Shinzo Abe (primeiro-ministro em 2006-2007 e depois em 2012-2020), que marcou profundamente o país com posições nacionalistas e um programa económico, que incluía, nomeadamente, medidas de relançamento orçamental.

Do ponto de vista externo, a região Ásia-Pacífico estará atenta ao desenvolvimento das tensões sino-japonesas, que assumiram uma nova dimensão desde que Sanae Takaichi sugeriu, em Novembro, que Tóquio poderia intervir militarmente em caso de ataque da China a Taiwan, cuja soberania é reivindicada por Pequim.

Os mercados financeiros também podem ficar preocupados com o desequilíbrio das finanças públicas nipónicas e, sobretudo, com a escalada da já enorme dívida pública, se Takaichi continuar a reforçar as medidas de estímulo orçamental para impulsionar a quarta maior economia mundial.

Fortalecida pela perspectiva de maiores gastos orçamentais e benefícios fiscais, a Bolsa de Tóquio subiu mais de 5 por cento na sessão de segunda-feira e voltou ontem a abrir em ganhos e novos níveis recordes.

Automóveis | China ultrapassa Argentina como maior exportador de veículos para o Brasil

As fabricantes chinesas consolidam a sua presença no maior mercado automóvel da América do Sul, deixando para trás a Argentina

A China ultrapassou a Argentina em Janeiro para se tornar o maior exportador de automóveis para o Brasil, consolidando o domínio das marcas chinesas no maior mercado automóvel da América do Sul, segundo dados divulgados por fontes do sector.

De acordo com a plataforma especializada Autoweb, a China exportou 16.800 veículos para o Brasil em Janeiro, face a 13.400 unidades oriundas da Argentina. Trata-se de uma inversão histórica na balança automóvel entre os dois principais parceiros do Mercosul, que já se vinha a esboçar desde o primeiro trimestre de 2024.

Ao contrário dos carros argentinos, que geralmente incluem uma percentagem elevada de peças produzidas no Brasil, os automóveis chineses chegam totalmente montados, contornando a cadeia de fornecimento local.

Em valor, as importações de automóveis da China para o Brasil atingiram os 375 milhões de dólares (cerca de 315 milhões de euros) em Janeiro – mais de dez vezes o valor registado no mesmo mês do ano anterior – e representaram cerca de 65 por cento do total das importações do sector.

Este padrão segue a estratégia global das marcas chinesas, que iniciam a presença através da exportação e, posteriormente, investem em unidades de montagem e produção local. No Brasil, os fabricantes Great Wall Motors e BYD têm liderado este processo. A BYD investiu 5,5 mil milhões de reais (cerca de 890 milhões de euros) na conversão da antiga fábrica da Ford em Camaçari, no estado da Bahia, onde pretende produzir veículos com base no modelo “semi-knocked down” – em que os automóveis chegam quase prontos da China e são finalizados localmente, maioritariamente com peças importadas.

Críticas e elogios

A prática tem gerado críticas por parte da associação nacional dos fabricantes de veículos (Anfavea), que alerta para a menor geração de emprego nas cadeias de valor locais face ao modelo tradicional de produção completa. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, elogiou recentemente a decisão do Governo brasileiro de não renovar a isenção fiscal para a importação de ‘kits’ desmontados, medida que expirou em Janeiro e visa incentivar uma produção nacional mais sofisticada.

Segundo dados da Anfavea, a produção automóvel brasileira caiu 12 por cento em Janeiro face ao mesmo mês de 2025, enquanto as vendas registaram uma ligeira descida. A quota de mercado dos veículos electrificados atingiu um máximo histórico de 16,8 por cento, embora apenas cerca de 35 por cento destes tenham sido produzidos no Brasil. As exportações recuaram 18 por cento, afectadas sobretudo pela menor procura argentina.

Apesar da forte expansão das marcas chinesas no mercado brasileiro, o Brasil ocupa apenas o quinto lugar entre os principais destinos das exportações automóveis da China, atrás de México, Rússia, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos. Segundo a Associação Chinesa de Carros de Passageiros, a China exportou 8,32 milhões de veículos em 2025, um aumento de 30 por cento face ao ano anterior, confirmando a tendência de crescimento global do sector.

Ex-dirigente da indústria de Defesa acusado de corrupção

Pequim anunciou ontem acusações de corrupção contra Zhang Jianhua, ex-dirigente da indústria de defesa, e uma investigação a Yi Lianhong, alto responsável do órgão legislativo, no mais recente desenvolvimento da campanha anticorrupção lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping.

De acordo com a televisão estatal CCTV, o Ministério Público da China apresentou acusações contra Zhang Jianhua, antigo subdirector na Administração Estatal de Ciência, Tecnologia e Indústria para a Defesa Nacional, por subornos, alegando que o ex-funcionário terá usado os cargos que ocupou no organismo responsável pela indústria de defesa para beneficiar terceiros em troca de vantagens indevidas.

Segundo a mesma fonte, Zhang terá abusado da sua posição em áreas como avaliação de projectos, finanças e auditoria para receber “bens de valor especialmente elevado”. Após abandonar funções públicas, terá continuado a explorar a influência dos cargos anteriormente exercidos para obter benefícios através de outros funcionários.

Olhos na Defesa

Este processo surge num momento de maior escrutínio sobre o sector da defesa na China, alvo de várias investigações a altos quadros militares nos últimos meses, embora as autoridades não tenham estabelecido qualquer ligação entre essas investigações e o caso de Zhang.

Num anúncio separado, a Comissão Central de Disciplina do Partido Comunista Chinês (PCC) e a Comissão Nacional de Supervisão – os principais organismos anticorrupção do país – informaram que Yi Lianhong, vice-presidente da Comissão de Economia e Finanças da Assembleia Nacional Popular, está a ser investigado por “graves violações da disciplina e da lei”.

A nota oficial, divulgada ontem no portal da comissão partidária, não especifica a natureza das infrações, o que é habitual nas fases iniciais deste tipo de investigações.

Ambos os casos inscrevem-se na vasta campanha anticorrupção, contra “tigres” e “moscas” lançada por Xi Jinping desde que assumiu o poder em 2012, e que já atingiu dirigentes de todos os níveis – de quadros locais a líderes provinciais, chefias militares e responsáveis por grandes empresas públicas – tigres – a funcionários de baixo estatuto, moscas.

APEC | Defendidos “consensos a favor da integração” na Ásia-Pacífico

O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, defendeu ontem o reforço da integração económica na região Ásia-Pacífico, ao discursar na primeira reunião de altos funcionários do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), realizada em Cantão.

Wang apelou à construção de consensos em favor da integração e à expansão dos caminhos para o estabelecimento da Área de Livre Comércio da Ásia-Pacífico, uma das principais ambições do bloco, que reúne 21 economias da região.

“A coordenação das políticas macroeconómicas deve ser reforçada e a liberalização e facilitação do comércio e investimento promovida”, afirmou Wang Yi, sublinhando também a importância de proteger o sistema multilateral de comércio, com a Organização Mundial do Comércio (OMC) como “núcleo”.

A defesa do papel da OMC tem sido uma posição recorrente da diplomacia chinesa, face às crescentes tensões comerciais com os Estados Unidos, exacerbadas desde a presidência de Donald Trump.

De acordo com o chefe da diplomacia chinesa, o trabalho da APEC em 2026 girará em torno de três prioridades: abertura, inovação e cooperação. A reunião ontem inaugurada marca o início formal dos trabalhos do APEC neste ano, em que a China assume, pela terceira vez, o papel de economia anfitriã do fórum.

A cimeira de líderes da APEC está marcada para Novembro, na cidade de Shenzhen, e contará, segundo o Governo chinês, com a presença do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, que já aceitou o convite do homólogo chinês, Xi Jinping.

As preparações do encontro decorrem num contexto internacional tenso, marcado por disputas comerciais e rivalidades geopolíticas. Pequim tem procurado destacar a APEC como uma plataforma essencial para garantir um ambiente económico regional estável e previsível.

HK | Classificada como ingerência externa críticas à condenação de Jimmy Lai

A China classificou ontem como ingerências externas as críticas dos Estados Unidos, da União Europeia e de outros países à condenação do activista Jimmy Lai a 20 anos de prisão, em Hong Kong.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian acusou, em conferência de imprensa, “certos países e instituições” de aproveitarem casos judiciais em Hong Kong para “difamarem maliciosamente” a cidade, desacreditarem o seu sistema judicial e interferirem nos assuntos internos da China.

“Hong Kong é regido pelo Estado de direito, e este não deve ser questionado. Nenhum país estrangeiro tem o direito de fazer comentários irresponsáveis”, declarou o porta-voz, apelando aos governos envolvidos para que respeitem a soberania chinesa, cumpram o direito internacional e cessem qualquer forma de interferência.

As declarações surgem um dia depois de um tribunal de Hong Kong ter condenado Lai, de 78 anos, a 20 anos de prisão por conspiração com forças estrangeiras e por divulgar publicações consideradas sediciosas – uma sentença que motivou apelos à sua libertação por parte de governos ocidentais, da União Europeia e de organizações de defesa dos direitos humanos.

Em resposta a essas críticas, Pequim vincou que os tribunais de Hong Kong actuam de forma independente e em conformidade com a lei, no âmbito da Lei de Segurança Nacional imposta em 2020, após os protestos em massa de 2019.

Também ontem, o Governo chinês reforçou essa posição com a publicação de um livro branco, no qual defende a legislação de segurança e rejeita as acusações de deterioração das liberdades na ex-colónia britânica.

A China afirmou que a aplicação da lei permitiu restaurar a estabilidade em Hong Kong e sublinhou que a segurança nacional e os direitos e liberdades “não são incompatíveis” – uma formulação que tem sido contestada pelas Nações Unidas e por diversas organizações internacionais.

FRC | Desafios da gastronomia macaense hoje em debate

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, mais uma sessão do novo ciclo de conferências subordinadas ao tema “Ser Macaense no Século XXI – Cultura, Tradição, Identidade, Desafios”, com a terceira mesa-redonda intitulada “Gastronomia Macaense e os Desafios da sua Divulgação”.

A sessão será conduzida por José Luís de Sales Marques, Presidente do Conselho das Comunidades Macaenses, reunindo como oradoras convidadas as chefs Antonieta Manhão (Neta), professora de culinária macaense na Universidade de Turismo de Macau; Florita Alves, do Restaurante La Famiglia; Marina Senna Fernandes, do Restaurante Macaísta; e Sónia Palmer, da Cozinha D. Aida, quatro distintas representantes locais das artes de confecção da culinária tradicional.

A gastronomia macaense é descrita num comunicado sobre o evento por ter “originalidade, transportando os seus sabores e aromas aos quatro cantos do Mundo, por onde viajaram os portugueses”, sendo resultado da “colheita do mundo global e, por isso, merecidamente considerada a primeira cozinha de fusão do Mundo”.

“É, por esta razão, também um marco singular da identidade Macaense, e património intangível de Macau e da República Popular da China, prestando um significativo contributo para a classificação de Macau, pela Unesco em 2017, como Cidade Criativa da Gastronomia. Todavia, vai ainda uma grande distância entre o reconhecimento e a sua divulgação, tornando-a acessível ao grande público”, refere a organização do evento

A sessão pretende abordar “o modo de vida dos macaenses, a comunidade ou as comunidades, em Macau e na diáspora, e os seus desafios diários para manter o ser e o sentir da realidade macaense”. O propósito da conferência é promover uma “discussão construtiva a olhar para o presente e o futuro, sem esquecer a tradição e os diferenciados marcos identitários, em especial a Gastronomia e o Teatro em Patuá, ambos Património Imaterial da RAEM e da República Popular da China”.

Aren Noronha recolheu testemunhos que remetem para o período colonial em Goa

Aren Noronha frequenta o mestrado em Português e Estudos Lusófonos na Universidade de Goa e lembrou-se de recolher testemunhos de pessoas que tivessem alguma ligação à língua; esta quinta-feira apresenta um livro que dava 45 filmes, intitulado “Lusophone Goa”.

Quando, no ano passado, o jovem de 22 anos, então no primeiro ano do mestrado, visitou a Biblioteca Central de Goa, deparou-se com “livros extremamente interessantes de Goa e de Macau, todos em português e datados do período colonial”, que o confrontaram com “questões sobre a história da língua portuguesa em Goa de hoje”, disse à Lusa.

“Tal como outros da minha geração, tinha apenas uma ideia superficial sobre a situação em Goa e o declínio da língua”, reconheceu Aren, quando se deparou com aquele espólio bibliográfico, que mal conseguia ler.

Os pais sugeriram-lhe que aprofundasse “essas questões” e foram eles que lhe deram a ideia de recolher “relatos na primeira pessoa, que poderiam vir a tornar-se um livro, caso houvesse respostas suficientes”, diz o mestrando, explicando que o pai tem uma pequena editora independente em Pangim, capital do estado de Goa.

Boa surpresa

Em Fevereiro de 2025, Aren enviou “uma nota conceptual” a “muitas pessoas que tinham alguma ligação à língua, perguntando se gostariam de partilhar os seus testemunhos” e recebeu “um número surpreendente de respostas positivas”, 45 no total, que depois organizou num igual número de capítulos ao longo das 294 páginas do “Lusophone Goa”, escrito em inglês.

Os testemunhos recolhidos são tão diversos quanto dispersas são as fontes, tanto em termos geográficos, como pela ocupação de cada uma das vozes ou faixa etária dos relatores, unindo-as apenas o facto de serem goesas ou descendentes de goeses e terem uma história para contar sobre a “relação com a língua”, que em todos os casos ultrapassa largamente as fronteiras da linguística.

Aren Noronha recolheu 45 histórias de vida e cada uma dava um filme. O cardiologista e escritor radicado nos Estados Unidos, Anthony Gomes, e a antiga curadora da Biblioteca Central de Goa, Pia Rodrigues, falam da vida escolar e universitária na antiga colónia portuguesa antes de 1961, bem como dos livros e revistas que então circulavam.

Estórias de vida

O médico goês no Brasil Carlos Peres da Costa, também recorda os tempos de estudante, mas sublinha que os manuais que usou para concluir o curso na então Escola Médico-Cirúrgica de Goa eram escritos em francês, espanhol e inglês.

O escritor Ben Antão, radicado no Canadá, enfrentou dificuldades na aprendizagem do português na escola, antes de 1961, porque o método assentava no recurso à memória. O músico Dilip Chico, radicado na Austrália, recorda que a família lia o diário “O Heraldo” em português e escrevia cartas e postais em português a familiares em Bombaim, corrigidos pela avó.

O pretexto de cada uma das histórias é a língua, mas todas revelam intimidade, mesmo as de teor mais científico, como a de Sandra Ataíde Lobo, investigadora do Centro de Humanidades, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que, com base nos escritos da avó, analisa o papel que os jornais e periódicos em língua portuguesa desempenharam em Goa enquanto espaço intelectual, e a forma como a literacia em português contribuiu para o desenvolvimento da escrita do concani em carateres romanos.

“Uma língua não é apenas palavras e frases”, escreve Sharmila Pais, professora de História no St Xavier’s College, em Mapuçá, no estado de Goa. “O português faz de mim eu”, parece responder Omar de Loiola Pereira, um músico de Goa.

Aren Noronha não é descendente de portugueses. Faz parte de uma família de “convertidos locais de Goa” há umas “oito ou dez gerações”. “Venho de uma família maioritariamente anglófona, mas multilingue. Os meus pais não falam português; os meus avós, porém, falavam português do Brasil, pois viveram em Cubatão [município do estado de São Paulo] durante uma década”, diz à Lusa, ou melhor, escreve, porque consegue “pensar melhor e responder”.

Aren também nunca visitou qualquer país lusófono. Está a pensar “ir a Damão” em breve” – diz -, mas está “em contacto com a Universidade Aberta e com a Universidade de Macau para explorar possibilidades de realizar um doutoramento em Estudos Lusófonos” numa das duas instituições, acrescenta. “Se tiver oportunidade, gostaria muito de ir a um país lusófono”, solta.

Cinema | Concerto celebra “In the Mood for Love”, de Wong Kar Wai

Abril é tempo de uma nova edição do Festival de Cinema de Hong Kong e este ano conta com um concerto muito especial. “In the Mood for Love In Concert” é a forma de homenagear um dos filmes mais icónicos do realizador Wong Kar Wai, e acontece nos dias 2 e 3 de Abril no Centro Cultural de Hong Kong. A iniciativa tem a participação da Orquestra Filarmónica de Hong Kong

Um homem e a uma mulher, cada um com o seu parceiro ausente, deambulam pelas ruas estreitas e chuvosas de Hong Kong envoltos na solidão e nas tarefas rotineiras do dia-a-dia. Aos poucos vão percebendo que o amor se escapa por entre os dedos de um lado, mas ganha-se com toda a força noutro, e subitamente aquela pensão em que ambos estão hospedados potencia um forte sentimento.

Esta é a história central de “In the Mood for Love”, um dos mais conhecidos filmes do realizador de Hong Kong Wong Kar Wai, que será alvo de um concerto de homenagem em Abril, no âmbito de mais uma edição do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong, a 50ª.

O espectáculo será conduzido pelo maestro Joshua Tan e conta com música da Orquestra Filarmónica de Hong Kong, decorrendo nos dias 2 e 3 de Abril no Centro Cultural de Hong Kong.

O filme, realizado em 2000, integra grandes estrelas do cinema vizinho no elenco: Tony Leung Chiu-wai faz de funcionário cansado e abandonado pela esposa, enquanto Maggie Cheung é a esposa que espera eternamente o marido que anda sempre em viagens de negócios.

No website oficial do festival lê-se que o filme “é uma obra-prima sublime que encarna a solidão, os segredos e o arrependimento”, sendo uma “comovente história de amor que evoca uma nostalgia inebriante, mas também um fervoroso desejo romântico, na perfeição da sua dolorosa banda sonora e da sua cinematografia deslumbrante”.

Com o concerto de homenagem, 26 anos depois da estreia, o filme fica “ainda mais fascinante com a apresentação musical”, pode ler-se. “In the Mood for Love” será exibido ao mesmo tempo que a música da orquestra ecoa do palco. Os bilhetes estão à venda a partir de hoje.

Uma mostra no City Hall

Entretanto, os amantes de cinema podem esperar mais uma edição do festival que, este ano, celebra 50 anos de existência. Entre os dias 1 e 12 de Abril, o evento traz uma exposição especial que decorre no Salão de Exposições da Câmara Municipal de Hong Kong, e que se intitula “50 and Beyond: The Hong Kong International Film Festival Golden Jubilee Exhibition”.

Segundo um comunicado oficial da iniciativa, o público poderá saber mais sobre “as conquistas do HKIFF [Hong Kong International Film Festival] nos últimos 50 anos na promoção da arte cinematográfica e no fomento do intercâmbio cultural”.

Albert Lee, director-executivo da empresa que organiza o festival, a Sociedade do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong, disse que é importante organizar esta mostra no City Hall, onde se realizou a primeira edição do festival, em 1977.

“Desde aí que o HKIFF se tornou num dos destaques culturais do ano em Hong Kong, ganhando reputação como um dos festivais de cinema mais antigos e prestigiados da Ásia”, disse, citado pela mesma nota.

Albert Lee espera que esta exposição, composta por “fotografias raras de mestres cineastas, realizadores de renome e estrelas de cinema que apareceram no festival nas últimas cinco décadas”, funcione “tanto como uma retrospectiva quanto como uma visão voltada para o futuro”. O cartaz completo do festival será conhecido no início do próximo mês de Março.

Imobiliário | Agência espera efeitos de isenção após 1.º trimestre

A directora do grupo imobiliário Sun City diz que até agora o mercado ainda não reflecte as isenções fiscais lançadas pelo Governo, mas acredita que o efeito comece a ser sentido após o primeiro trimestre de 2026. A responsável apontou sacrifício de lucros e redução de inventário como factores que levaram ao ligeiro aumento de vendas

O sacrifício de lucros e a necessidade de reduzir inventários de imóveis para novas habitações pode explicar parte da ténue recuperação das vendas de apartamentos em Macau, explica a directora do grupo imobiliário Sun City, Lei Choi Hong. A responsável aponta que estas tácticas são usadas para atrair compradores e levá-los a trocar de casa por uma de maiores dimensões.

Em declarações ao jornal Cheng Pou, a directora do grupo imobiliário explicou as “tácticas de sobrevivência” do sector, numa altura em que refere ainda não se sentiram no mercado os efeitos das isenções de imposto de selo, entre outros incentivos lançados pelo Governo.

Apesar das medidas públicas, Lei Choi Hong não espera melhorias ao nível de vendas antes do fim de Março. No entanto, desde a segunda metade do ano passado, a responsável considera que o mercado melhorou ligeiramente, com mais clientes a visitarem imóveis e as vendas a registarem um ligeiro aumento. Também a quebra dos preços dos imóveis abrandou, sobretudo depois de o Governo ter anunciado medidas para o mercado imobiliário.

O aumento da actividade no sector, na óptica da directora da imobiliária, pode indicar uma tendência de recuperação da confiança dos consumidores, apesar de ainda existirem muitas reticências devido a receios de instabilidade no ambiente de trabalho e à capacidade para pagar hipotecas.

Inversão do paradigma

Quanto ao tipo de apartamento, Lei Choi Hong dá conta do maior interesse de compradores por casas de pequena e média dimensão, tendo em conta o tamanho dos agregadores familiares e a capacidade financeira para pagar empréstimos bancários.

Outro factor enumerado pela responsável, é a tendência, que se começou a fazer sentir durante a pandemia, de os residentes de Macau começarem a preferir arrendar uma casa em vez de a comprar, inversão que reflecte a perda de confiança no mercado.

Lei Choi Hong espera que a optimização da política de vistos para grandes investidores atraia capital para a região, de forma a revitalizar o segmento de luxo do mercado imobiliário, assim como quadros qualificados de sectores tecnológicos. Neste capítulo, sugeriu que o Governo aumente os critérios de capital para projectos de investimento, por exemplo, obrigando que os candidatos comprem imóveis com um valor mínimo de 10 milhões de patacas.

Ano Novo Chinês | Ruas na Taipa Velha e Centro cortadas ao trânsito

A Taipa Velha e a Rua de Nossa Senhora do Amparo vão estar cortadas ao trânsito entre os dias 17 e 22 de Fevereiro, das 12h às 19h, nos primeiros seis dias do Ano Novo Chinês, e a circulação condicionada nas áreas envolventes. Serviços de limpeza e controlo de multidões serão reforçados durante os feriados

Com a chegada prevista de cerca de 1,5 milhões de turistas a Macau durante os feriados do Ano Novo Chinês, a cidade prepara-se para proporcionar uma boa experiência a quem a irá visitar, dentro dos possíveis que ruas exíguas e multidões permitem.

A principal medida, anunciada ontem pelo Governo, será o corte ao trânsito na Taipa Velha e na Rua de Nossa Senhora do Amparo entre os dias 17 e 22 de Fevereiro, nos primeiros seis dias do Ano Novo Chinês. A circulação automóvel será interrompida entre as 12h e as 19h.

Na Taipa, a zona pedonal vai situar-se entre o cruzamento da Rua de Fernão Mendes Pinto com a Rua do Supico (antiga paragem de autocarros da Piscina do Carmo) e o cruzamento da Rua Correia da Silva com a Rua Governador Tamagnini Barbosa (junto do Museu da História da Taipa e Coloane).

Na Rua de Nossa Senhora do Amparo, a zona pedonal abrange a rua toda “junto das Ruínas de São Paulo e algum troço da Rua da Tercena”, é indicado num comunicado conjunto de sete serviços públicos, incluindo forças de segurança.

O Executivo estabelece também que a partir deste ano irá implementar estas zonas pedonais nos dois locais referidos também nos feriados do 1 de Maio e Semana Dourada do Dia Nacional, além do Ano Novo Chinês.

Virado de pantanas

As zonas pedonais vão implicar medidas provisórias de controlo do trânsito nos seus arredores, com vedações para delimitar as zonas, circulação invertida em alguns troços, proibição de estacionamento e criação de zonas provisórias para tomada e largada de passageiros.

As áreas mencionadas vão também contar com um reforço de agentes policiais para manter a ordem e o fluxo de pessoas, assim como fazer controlo de multidões.

Para animar os turistas, as zonas pedonais vão ter espectáculos, jogos interactivos de tendinhas, workshops e actividades de distribuição de bênçãos.

Também na área entre o cruzamento do Largo do Pagode do Bazar e da Rua de Cinco de Outubro, realizar-se-á o Mercado Nocturno do Pagode do Bazer que funcionará entre 21 e 22 de Fevereiro, das 18h às 21h.

Turismo | Lançada “ofensiva promocional” na Tailândia e Indonésia

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) participou em Janeiro e Fevereiro em duas feiras internacionais de turismo da Tailândia e da Indonésia, “para prosseguir com a ofensiva promocional no Sudeste Asiático”, e “consolidar a imagem de Macau como destino turístico de curta distância”, indicou ontem a entidade liderada por Helena de Senna Fernandes.

A primeira paragem foi Banguecoque, onde decorreu entre 22 e 25 de Janeiro, a Feira Internacional de Turismo de Tailândia. A DST revela que o stand de Macau atraiu cerca de 24 mil visitantes durante os quatro dias da exposição.

A paragem seguinte foi Jacarta, onde a DST participou na Feira Internacional de Turismo da Indonésia, entre os dias 5 e 8 de Fevereiro, com sessões de apresentação e interacção com o público, assim como estabelecendo cooperação com operadores para promover produtos turísticos de Macau.

A direcção de serviços vinca que o mercado do Sudeste Asiático está em expansão. No ano passado, os visitantes provenientes da Tailândia e da Indonésia estavam entre os cinco principais mercados internacionais de visitantes de Macau, com 208 mil visitantes indonésios e 186 mil visitantes tailandeses, mais 13,6 e 38,1 por cento, em termos anuais.

Jogo | Fevereiro arranca com quebra mensal

Nos primeiros oito dias de Fevereiro as receitas do jogo apresentaram uma quebra de cerca de 14 por cento, quando a comparação é feita com o mês anterior. Os números constam do relatório sobre o jogo em Macau do banco de investimento Citi, que cita fontes da indústria.

“As receitas de Macau nos primeiros oito dias de Fevereiro terão atingido aproximadamente 5,0 mil milhões de patacas” afirmou a instituição no relatório. “Isto implica uma taxa diária de aproximadamente 625 milhões de patacas, cerca de 14 por cento inferior à taxa de receita bruta do jogo em Janeiro (cerca de 730 milhões de patacas por dia) e cerca de 11 por cento inferior à de Fevereiro de 2025”, quando era de cerca de 705 milhões de patacas por dia. “O registo de uma taxa das receitas brutas mais moderada reflecte provavelmente um abrandamento sazonal, nada surpreendente, dos volumes das apostas antes do Ano Novo Chinês”, foi acrescentado.

“Com base em fontes do sector, os volumes VIP caíram aproximadamente 12 a 14 por cento em relação ao mês anterior, e o as receitas brutas do jogo de massas caíram aproximadamente 11 a 13 por cento em relação ao mês anterior”, foi destacado.

Apesar do início mais lento em Fevereiro, o banco espera que o somatório das recentes de Janeiro e Fevereiro apresente um aumento de 13,5 por cento em comparação com o que aconteceu em 2025. No ano passado, o festival do Ano Novo Lunar, uma das épocas altas do jogo, coincidiu com o final de Janeiro e o início de Fevereiro.

Deputados pede melhorias na gestão de multidões durante Ano Novo Chinês

A chegada do Ano Novo Chinês e a necessidade de uma melhor organização do tráfego de pessoas e turistas levou alguns deputados a questionar o Governo sobre essa matéria.

No período de interpelações antes da ordem do dia, o deputado Leong Hong Sai destacou que “existem ainda muitos pontos fracos” quanto à “gestão de multidões”, referindo casos ocorridos no ano passado, quando “as pessoas se concentraram na zona do Cotai para a contagem decrescente”, ou seja, a festa de Ano Novo, tendo ocorrido “a dispersão lenta da multidão até cerca das 3 horas da madrugada”.

Nessa altura, “devido ao grande fluxo de pessoas, o Posto Fronteiriço de Hengqin ficou cheio e, segundo muitos turistas, houve falta de articulação entre as medidas de trânsito e a gestão da multidão após o evento”.

Assim, Leong Hong Sai sugere “acelerar o aperfeiçoamento da rede do metro ligeiro e a construção de infra-estruturas pedonais nas zonas circundantes, de modo a aumentar a cobertura directa das linhas aos postos fronteiriços e a potenciar a capacidade de transporte do metro ligeiro”.

O deputado defende também um ajuste “dinâmico dos horários dos autocarros e do Metro Ligeiro”, criando-se “pontos de paragem temporários para as carreiras de autocarros em áreas-chave e nos postos fronteiriços”. Deve ser ainda criada uma “plataforma unificada de monitorização do fluxo de pessoas e de resposta a emergências nas principais zonas para efectivar a partilha imediata de dados”.

Prever é importante

Também o deputado Leong Pou U aproveitou este momento do debate para deixar sugestões ao Executivo, lembrando que Macau pode, segundo previsões oficiais, receber entre 158 a 175 mil visitantes em termos de números médios diários.

“As dificuldades de mobilidade e de apanhar autocarro afectam gravemente a experiência de viagem dos turistas e provocam má impressão de Macau”, destacou.

Leong Pou U pede, por isso, que seja “reforçada a cooperação interdepartamental e que se aperfeiçoem os planos de trânsito”, usando sistemas de alerta e “informações predictivas sobre a afluência de pessoas que devem ser prontamente convertidas em medidas concretas, tais como o reforço da capacidade de transporte, a optimização de rotas e o ajuste de percursos pedonais”. O deputado pede também um reforço da “comunicação com os serviços competentes do Interior da China”.

Turismo | Wong Kit Cheng alerta para fracos mercados internacionais

A deputada ligada à Associação das Mulheres de Macau defende a oferta de bilhetes gratuitos para Macau a turistas internacionais que aterrem nos aeroportos de Guangzhou e Shenzhen

A deputada Wong Ki Cheng defende que o Governo tem de fazer mais e melhor para atrair visitantes internacionais. O assunto é abordado através de uma interpelação escrita, em que a legisladora ligada à Associação das Mulheres indica que o número de turistas internacionais em muitos mercados está abaixo dos níveis de 2019.

No documento, a deputada considera positivo que o número de turistas tenha ficado acima dos 40 milhões em 2025, fasquia que representou um novo recorde para o território. No entanto, lamenta que o crescimento seja feito essencialmente à conta de turistas do Interior da China, e principalmente de Zhuhai, segmento com uma subida anual de 58,1 por cento.

Wong Kit Cheng considera positivo o aumento de turistas de Zhuhai, que indica dever-se às “políticas do Governo Central que beneficiam Macau”. Contudo, está preocupada com oscilações em diferentes mercados internacionais, dado o objectivo governativo de internacionalizar mais o turismo em Macau.

A legisladora reconhece que mercados como Filipinas, Tailândia e Indonésia apresentam “um crescimento robusto”, mas que os outros mercados internacionais “continuam significativamente abaixo dos níveis de 2019”.

Wong pede assim estratégias para alterar o panorama: “Em resposta à distribuição desigual das fontes de visitantes internacionais, como vão as autoridades adaptar estratégias diferenciadas e direccionadas de promoção turística e desenvolvimento de mercado para acelerar a recuperação dos vários mercados internacionais?”, questiona.

A deputada recorda também que houve um esforço para chegar a mercados como Nordeste Asiático, Europa, Américas e Médio Oriente, com eventos promocionais em grande escala realizados na Malásia, Japão, Coreia do Sul, Tailândia, Portugal e Indonésia.

Bilhetes à borla

Como parte do esforço para internacionalizar a fonte de turistas, Wong pergunta se o Governo vai oferecer bilhetes de autocarro para Macau a turistas internacionais que aterram nos aeroportos de Guangzhou e Shenzhen.

A medida foi adoptada nos últimos anos pelas autoridades de Macau em relação ao Aeroporto Internacional de Hong Kong.

Segundo a deputada, ao abranger os aeroportos de Guangzhou e Shenzhen, Macau também podem beneficiar da isenção de vistos para turistas internacionais que visitam o Interior. “Isto atrairia mais visitantes internacionais que entram através da Grande Baía para Macau, expandindo assim ainda mais a base de visitantes internacionais”, aponta.

Outro dos assuntos abordado pela deputada prende-se com a estadia média em Macau, um objectivo crónico das autoridades, mas que teima em não ficar acima de 1,2 dias. No ano passado a estadia média voltou a cair, para 1,1 dias, o que reflecte o aumento das viagens com a duração de apenas algumas horas. “Isto indica que, embora Macau seja atraente para viajantes de curta distância, também pode exercer certos impactos nos benefícios económicos gerados para o sector do turismo e na estimulação da economia comunitária”, justifica a deputada.