Exposição | Celebrar 60 anos de relações diplomáticas sino-francesas

Foi inaugurada ontem a Exposição de Arte Sino-Francesa que conta com obras de pintura, vídeo, instalação ou fotografia de cinco artistas. A ideia é promover os 60 anos de relações diplomáticas entre a República Popular da China e França através da exibição de trabalhos de Francisco Ricarte, João Miguel Barros ou Alice Kok

 

A China e França passaram a ter relações diplomáticas há 60 anos e, para recordar esta efeméride, pode ser vista desde ontem uma mpstra no Museu de Arte Contemporânea do Centro de Artes e Design da Universidade de Macau (UM). A Exposição de Arte Sino-Francesa é organizada também pela associação “Art Beyond Walls”, a Fusion e a Câmara de Comércio França-Macau, contando com trabalhos de cinco artistas com ligações a Macau, China e França.

São eles João Miguel Barros, fotógrafo e curador; Cecília Ho, artista e curadora desta mostra; Alice Kok, co-fundadora da AFA – Art for All Society, artista e também curadora; Lampo Leong e Francisco Ricarte, arquitecto de formação e fotógrafo.

Segundo um comunicado, esta iniciativa, ligada ao Festival French-May, visa “explorar e reinventar a fusão das duas culturas”, chinesa e francesa e “absorver a essência das duas civilizações”. Desta forma, podem ver-se “obras dinâmicas e intrigantes” à conta de inspirações baseadas “na sociedade, estilo de vida, tradições, património e conceitos históricos e filosóficos”. A exposição pode ser visitada até 31 deste mês.

Mundo de possibilidades

Cecília Ho, há muito ligada ao panorama artístico do território através da organização de eventos e curadoria, traz a esta mostra uma colecção de desenhos intitulada “Space of Possibility” [Espaço de Possibilidade]. “Com uma perspectiva artística, reinvento um novo espaço com a história, filosofia, literatura, arquitectura e cultura da China e França”, aponta Cecília Ho na descrição que faz sobre as suas obras.

Existe, nestas obras, referências a Laozi, que discute “o Daoísmo e Descartes”, ou “Victor Hugo que partilha as emoções com Su Shi quando visita a campa da sua filha”. É também criada uma relação entre Li QingZhao e Louise Ackermann “na partilha do seu sofrimento” conjunto, imaginando-se também uma união entre o Arco do Triunfo e Buda, a Torre Eiffel e a Grande Muralha da China, ou a Catedral de Notre Dame e o Templo do Céu, em Pequim.

Trata-se de uma série de trabalhos onde “não há restrições de tempo, distância, lugar, formato, razões, religião e conceitos”, tratando-se de um espaço artístico “em que tudo é possível”.

No caso de João Miguel Barros faz-se a referência a “As Flores do Mal”, livro do autor francês Charles Baudelaire, na colecção de fotografias “L’Invitation Au Voyage / Invitation To The Voyage” [Convite à Viagem].

A apresentação é feita através de imagens focadas no momento de aterragem de aviões. Trata-se de uma “alegoria que simboliza o pensamento livre, um atributo para qualquer forma de manifestação cultural”. São imagens que fazem “a alegoria da viagem, porque a cultura apenas encontra expressão quando viaja e é bem-vinda”.

Descreve ainda Barros que “um pensamento que não viaja, que fica estagnado, é um pensamento que não tem poder, estando condenado a morrer devido à falta de reconhecimento”. A inspiração em Baudelaire surgiu por se tratar “de um dos maiores poetas românticos franceses do século XIX”, sendo que o poema escolhido pelo fotógrafo faz parte da obra “As Flores do Mal”, publicada em 1857.

“Baudelaire foi um pioneiro num tempo antes do surgimento dos aviões. Mas, antes e depois dele, houve muitos artistas e pensadores-livres que, de diferentes formas e até aos dias de hoje, aproveitaram as asas do vento para viajar para leste. Macau sempre foi um céu de segurança e hospitalidade, e aqui estamos nós hoje, em 2024, a celebrar”, descreveu ainda.

Símbolos humanos

Alice Kok apresenta a instalação “Artificial Subcounscious” [Subconsciente Artificial], enquanto Francisco Ricarte traz a esta mostra “The Hand Series” [Séries das Mãos]. Descreve o autor que a mão sempre foi um símbolo da “existência humana e de criatividade”. “Quando uma mão, e o braço, se movem para um certo ponto ou para apanhar algo que está perto, pode simbolizar também a procura de algo diferente ou que está fora do nosso elemento. Isso tem como significado a representação da intenção de usar ou misturar certos objectos, culturas, formas de expressão ou influências, no meio de tantas expressões”, apontou ainda.

Por sua vez, Lampo Leong apresenta “InkScape”, um conjunto de pinturas que “incorpora a estrutura geométrica ocidental com as tradições de caligrafia do Oriente para atingir a sensibilidade da arte pós-moderna e, ao mesmo tempo, uma qualidade atmosférica etérea e as forças dinâmicas da energia da vida”.

Turismo | Joey Lao elogia dinamismo de vistos individuais

O ex-deputado e economista Joey Lao publicou ontem um artigo de opinião no jornal Ou Mun a elogiar a emissão de vistos individuais de mais oito cidades do Interior da China como um grande presente para Macau, particularmente para a recuperação económica e o desenvolvimento de turismo.

“As oito cidades adicionais são capitais de nível provincial, que demonstram um desenvolvimento económico rápido nos últimos anos, e que têm uma população total que ultrapassa 33 milhões de pessoas. Enquanto mercado turístico, têm um considerável potencial”, escreve o também presidente da Associação Económica de Macau.

Joey Lao refere também as características deste tipo de turistas, oriundos de cidades distantes, que normalmente ficam mais tempo no destino turístico e acabam também por consumir mais, beneficiando os sectores hoteleiro, restauração, venda a retalho, convenções e exposições.

No passado dia 11 de Maio, a Administração Nacional de Imigração publicou a autorização sobre a integração de mais oito cidades no visto individual para deslocação a Hong Kong e Macau, nomeadamente Taiyuan, Hohhot, Harbin, Lassa, Lanzhou, Xining, Yinchuan e Urumqi. A emissão dos vistos começará a partir do dia 27 de Maio.

Jockey Club | Governo anuncia recuperação de terreno

Após a rescisão do contrato para a exploração das corridas de cavalos, o Governo recuperou o terreno com 363 mil metros quadrados onde se situa o Jockey Club

 

O Governo anunciou ontem que recuperou o terreno com 363 mil metros quadrados onde se situa o hipódromo, após o fim das corridas de cavalos, em Março.

Num despacho publicado no Boletim Oficial, o secretário para os Transportes e Obras Públicas declara a caducidade da concessão por arrendamento do terreno à Companhia de Corridas de Cavalos de Macau, S.A. No documento, Raimundo do Rosário sublinhou que a decisão, com efeitos retroactivos a 1 de Abril, foi tomada por força da rescisão do contrato com a empresa, conhecida como Macau Jockey Club (MJC).

De acordo com o despacho, todos os edifícios e construções incorporadas no terreno na ilha da Taipa revertem “livre de quaisquer ónus ou encargos” e o terreno irá integrar o domínio privado da Região Administrativa Especial de Macau.

Em 15 de Janeiro, aquando do anúncio do fim das corridas de cavalos, o porta-voz do Conselho Executivo tinha dito que o Governo não iria realizar um novo concurso público e lembrou que também Singapura anunciou o fim desta actividade, após Outubro deste ano.

André Cheong prometeu a realização de estudos para o futuro aproveitamento do terreno, mas garantiu, no entanto, que a área não será usada para a construção de mais casinos.

História de prejuízos

Após mais de 40 anos, Macau acolheu a 30 de Março a última corrida de cavalos, após a MJC, que tinha vindo a acumular prejuízos desde 2002, ter pedido a rescisão da concessão por “dificuldades de exploração”.

A concessão tinha sido prorrogada por mais 24 anos no final de 2018, dando o monopólio das corridas de cavalos até Agosto de 2042 à empresa, que se tinha comprometido a fazer investimentos até 3,4 mil milhões de patacas. A MJC tinha anunciado planos para avançar, até 2026, com um projecto turístico que previa pelo menos dois hotéis, zonas verdes, áreas desportivas, restaurantes, lojas, um museu e uma escola de equitação.

A empresa ligada à Sociedade de Jogos de Macau (SJM), uma das seis operadoras de casinos do território, fundada pelo falecido magnata Stanley Ho, não pagou qualquer indemnização ao Governo. A MJC “comprometeu-se a pagar indemnização aos trabalhadores despedidos”, garantiu, também em Janeiro, o director dos Serviços para os Assuntos Laborais. Wong Chi Hong revelou que a empresa tinha 254 trabalhadores locais e 316 sem estatuto de residente.

Em Julho de 2018, a região deixou de ter corridas de galgos, após o encerramento do canídromo, também ligado à SJM, num terreno com 40 mil metros quadrados, na península de Macau. Cinco anos depois, em Julho passado, o Governo anunciou que iria criar um parque desportivo, com uma pista de atletismo, no terreno do canídromo, que já incluía um campo de futebol. Em Novembro, as autoridades disseram que o novo parque desportivo deverá estar pronto na primeira metade de 2025.

Competição de ginástica de trampolins este fim-de-semana

A Associação de Trampolins e Desportos Acrobáticos de Macau (ATDAM) organiza este fim-de-semana uma competição de ginástica de trampolins intitulada “Macau Trampoline Gymnastics Championship 2024”. O evento decorre amanhã e domingo na Escola Internacional de Macau (TIS, na sigla inglesa), sendo composto pelas competições nos escalões de infantis, iniciados, juvenis e juniores nos aparelhos de mini-trampolim e tumbling.

Está confirmada a presença de 103 ginastas de quatro escolas de Macau e de Hong Kong, nomeadamente a Escola Portuguesa de Macau, a Associação de Ginástica de Hong Kong, o Clube de Ginástica de Macau e a União Acro de Ginástica [Union Acro Gymnastics]. Semelhante competição foi organizada o ano passado, sendo que a ATDAM promove campeonatos desta modalidade deste 2014.

“Única oportunidade”

Ao HM, Nuno Fernandes, vice-presidente da associação, explica que a ATDAM foi criada para “promover, difundir e dirigir a ginástica de trampolins e os desportos acrobáticos na RAEM, já que a Associação de Ginástica Desportiva de Macau nada faz nesse sentido”.

Esta competição acabou por transformar-se “na única oportunidade para os ginastas de Macau competirem nesta modalidade”, sendo que “a adesão a esta competição tem sido excelente, sempre a rondar os 100 ginastas”. Nuno Fernandes destaca também que existe a vontade, por parte da ATDAM, de promover “o fomento da modalidade”, embora tenham de se deparar “com poucos espaços com condições para a sua prática”.

“Não seria difícil [encontrar esses espaços], mas não nos parece haver muita vontade. O caminho faz-se caminhando, e é com esse lema que temos vindo a observar o crescimento, lento, mas sólido, desta modalidade e dos seus aficcionados”, frisou.

A ATDAM pretende também promover “treinos regulares, workshops, provas interclubes e intercâmbios com colectividades congéneres”, além de estabelecer ligações com outros clubes da modalidade e ainda com a federação e demais entidades internacionais. Outro dos objectivos presente nos estatutos, prende-se com a vontade de representação da modalidade de trampolins e desportos acrobáticos “dentro e fora do território e junto das instâncias superiores e das entidades oficiais”.

Publicidade | Negócios 10% acima do registo antes da pandemia

A Associação das Companhias e Serviços de Publicidade de Macau deu conta de um aumento de 10 por cento das receitas de publicidade no primeiro trimestre deste ano face ao mesmo período de 2019. A recuperação do turismo impulsionou o sector que, apesar de abordagem mais conservadora do passado recente, adoptou novas ferramentas de marketing

 

Com a economia de Macau a dar sinais contraditórios, lucros nos casinos e banca e dificuldades no pequeno comércio, o sector da publicidade voltou a apresentar resultados positivos no primeiro trimestre deste ano, com os negócios a subirem 10 por cento face ao mesmo período antes da pandemia. Os resultados foram revelados pela presidente da Associação das Companhias e Serviços de Publicidade de Macau, Chung Cheng Iu, em declarações ao jornal Ou Mun.

A dirigente associativa interpretou a retoma do sector como consequência do crescente número de turistas que visita Macau e do aumento dos negócios que beneficiam do turismo. Efeito dominó que pode ser impulsionado, na óptica de Chung Cheng Iu, pelas várias medidas de incentivo à indústria do turismo, enquanto motor económico do território.

A representante destacou o alargamento do leque de zonas do Interior da China integradas na política de vistos individuais para deslocações a Macau e Hong Kong como mais uma alavanca para a recuperação económica.

As próprias campanhas da Direcção dos Serviços de Turismo, que promoveram Macau enquanto produto turístico nas cidades chinesas com vistos individuais e em mercados asiáticos, têm sido amplamente publicitadas com outdoors, anúncios nas redes sociais e com campanhas de rua. Estes esforços do Governo têm contado com a participação da indústria local de publicidade e marketing.

Pequenos e graúdos

A dirigente associativa sublinha que além do Governo, marcas internacionais e empresas de grande dimensão estão mais dispostas a investir em publicidade, mas que mesmos as pequenas e médias empresas começam a encarar as vantagens de publicitaram os seus produtos e serviços. Nesse aspecto, compreender as tendências do mercado e aumentar a exposição das marcas ou negócios online a offline pode ajudar a aumentar receitas, algo que Chung Cheng Iu testemunha em zonas do território com maior exposição a fluxos turísticos.

“Com mais turistas e uma economia melhor, os comerciantes estão naturalmente dispostos a gastar mais dinheiro em publicidade”, indicou. Porém, a Chung Cheng Iu salienta que os orçamentos de publicidade têm sido mais conservadores do que antes da pandemia. Porém, desde o início deste ano, a representante dá conta de mais “ousadia” através de novos e inovadores métodos de publicidade, promoções e uso de influencers ou KOL. Como tal, Chung Cheng Iu prevê um aumento do mercado de publicidade entre o final do segundo trimestre e o terceiro trimestre.

Au Kam San defende integração de Hengqin na jurisdição de Macau

O ex-deputado Au Kam San defende que a Ilha da Montanha deve ser integrada na jurisdição de Macau, de forma a promover o desenvolvimento de ambas as regiões e evitar o nascimento de mais uma “cidade fantasma”.

Numa publicação na rede social Facebook, o democrata considerou que a integração da Ilha da Montanha tem várias vantagens, não só por permitir que Macau tenha mais espaço para crescer, como também permitir demonstrar a partir da RAEM as “vantagens” do princípio Um País, Dois Sistemas e atrair mais investidores.

No mesmo sentido, o ex-deputado indica que outra das grandes vantagens passa pelo facto de a RAEM se poder desenvolver numa cidade maior, atingido a meta de um milhão de residentes. Segundo Au, com o espaço actual, mesmo tendo em conta os novos aterros, a meta de um milhão de patacas nas condições actuais é impossível. Todavia, se houver uma expansão para Hengqin, tal seria possível sem reduzir a qualidade de vida das pessoas. “Quando a Ilha da Montanha for colocada sob a jurisdição de Macau, Macau poderá aumentar gradualmente a sua população e formar verdadeiros profissionais, ao mesmo tempo que expande a sua escala económica”, afirmou.

Evitar fantasmas

“Há razões para crer que, quando Hengqin se tornar parte de Macau, mais pessoas de Macau se mudarão para Hengqin e trocarão os preços altos dos imóveis na RAEM por um espaço de vida mais espaçoso e confortável”, argumentou. “Devido aos factores do aumento da população e da migração de residentes, Hengqin pode também absorver ao máximo moradores e comércio para os edifícios existentes, permitindo aos investidores do imobiliário recuperarem os seus investimentos, sem perder todo o seu dinheiro, e também evitando que Hengqin se torne outra cidade fantasma e que os investidores percam todo o seu dinheiro”, frisou.

Actualmente, Hengqin é desenvolvida num modelo de cooperação entre Macau e Cantão, dentro da jurisdição e das regras do Interior.

Canídromo | Jardim desportivo com 40.000 m2 e 490 estacionamentos

O Governo divulgou ontem o planeamento da primeira fase de construção do Jardim Desportivo para os Cidadãos no Lote do Antigo Canídromo, que terá uma área de 40.425 metros e 490 lugares de estacionamento. Instalações desportivas e espaços de lazer e dedicados às crianças serão distribuídos por quatro pavilhões

 

A Direcção dos Serviços de Obras Públicas divulgou ontem o plano para a empreitada de construção do Jardim Desportivo para os Cidadãos no Lote do Antigo Canídromo, que terá uma área de 40.425 metros quadrado, dividido em quatro partes e um campo de atletismo ao ar livre.

O projecto, cuja elaboração que foi adjudicada à P&T(Macau) Limitada por 19,82 milhões de patacas, tem um prazo de execução de 465 dias, e contempla quatro pavilhões. O pavilhão n.º1 irá ficar no centro do lote e terá uma altura de quatro andares. Aí serão instaladas duas piscinas, uma para crianças, um campo de basquetebol, pista de corridas e ciclovia para crianças, entre outros equipamentos.

No lado norte do lote ficará o pavilhão n.º 2, com seis andares de altura, onde será instalado um skatepark e campos de ténis de mesa, de voleibol e de badminton e escalada em parede. Ao lado deste edifício, ficará o pavilhão n.º 3, que terá um campo de futebol de cinco, sala polivalente, sala de actividades multi-funcionais e espaço para actividades ao ar livre.

O pavilhão para crianças, que ficará na área sul do lote, tem quatro andares de altura, uma zona de actividades ao ar livre para crianças, parque infantil no espaço interior, sala de aula criativa e zona de leitura.

Meio milhar de lugares

O campo de atletismo ao ar livre vai ficar no lado leste do pavilhão n.º 1, e a cave destinar-se-á a um parque de estacionamento público de 1 piso, com cerca de 490 lugares de estacionamento para veículos ligeiros e motociclos.

A DSOP acrescenta que como “o jardim desportivo para os cidadãos será construído no lote original, o projecto será desenvolvido faseadamente, e será considerada a área de execução da obra da primeira fase, na medida do possível, sem prejuízo da utilização do campo desportivo no lote original e do Centro Desportivo Lin Fong”.

Conselho de Estado | Xia Baolong pede mais internacionalização

O director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau pretende ver na RAEM um esforço maior de internacionalização e ligação ao exterior, para criar mais oportunidades comerciais

 

No quarto dia da visita a Macau, o director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, Xia Baolong, pediu “aos diversos sectores” para “potenciarem melhor o posicionamento e as vantagens inerentes a Macau” e “fazerem brilhar ainda mais o cartão de visita dourado de Macau como metrópole internacional”.

As declarações de Xia Baolong terão sido prestadas num encontro com representantes da Associação Comercial de Macau e outros empresários e foram citadas por André Cheong, secretário para a Administração e Justiça, através de um comunicado.

No âmbito de esforço de maior internacionalização, Xia destacou igualmente a necessidade de os empresários “contribuírem na promoção do desenvolvimento adequado e diversificado da economia”.

Ao mesmo tempo, o responsável afirmou às elites locais que o futuro mais próximo terá de passar pela “optimização” do “sistema jurídico” e da implementação “princípio de Macau governado por patriotas”. Sobre as tarefas a realizar, Xia Baolong mencionou ainda a “melhoria da vida da população e da capacidade governativa e de gestão” e o “intercâmbio com o exterior”.

Lista para cumprir

Face às declarações do director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau, o secretário para a Administração e Justiça, afirmou que “irá cumprir rigorosamente as funções no âmbito da administração e justiça, contribuindo, conforme as directrizes de trabalho apresentadas por Xia Baolong, para um brilho ainda maior do cartão de visita dourado de Macau”.

André Cheong prometeu ainda “implementar estritamente o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ e a Lei Básica de Macau, optimizar constantemente o regime jurídico e mecanismo executivo da Lei Básica de Macau, salvaguardar firmemente o poder pleno da governação do Governo Central, reforçar a implementação do princípio ‘Macau governado por patriotas’, garantir, no âmbito da lei e do regime jurídico, a implementação bem-sucedida, estável e duradoura do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”.

No mesmo sentido, o Governo prometeu “promover, com todo o esforço e persistência, a reforma administrativa, aprofundar a governação electrónica, simplificar os procedimentos administrativos, incrementar o desempenho administrativo, aumentar, de forma constante, a capacidade governativa e de gestão de modo a prestar serviços públicos mais personalizados e de melhor qualidade aos cidadãos”.

Hengqin | Xia Baolong elogia escola Hou Kong

Xia Baolong, director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, esteve ontem na Escola de Hengqin Anexa à Escola Hou Kong e destacou o trabalho desenvolvido pela instituição de ensino. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Iao Tun Ieong, director da escola Hou Kong, revelou que Xia Baolong reconheceu a qualidade do ambiente escolar e instalações, e incentivou a continuação do trabalho de formação de quadros qualificados em prol dos objectivos traçados pelo país e Macau. O director da escola destacou que a instituição, sob liderança do país e do Governo de Macau, pretende ensinar todo o tipo de alunos sem discriminação, pretendendo fomentar um ensino patriótico e ligado à tecnologia e ciência, sempre com perspectiva de internacionalização.

Defendida tradição de amar a pátria

O director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau, Xia Baolong, visitou na quarta-feira quatro associações e uma escola e defendeu “as vantagens da tradição de amar a pátria e amar Macau e as vantagens humanísticas na mistura das culturas chinesa e ocidental”.

As visitas fizeram parte do terceiro dia da visita a Macau e foram relatadas pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, numa nota de imprensa emitida ontem.

Segundo a secretária, Xia Baolong também terá dito que várias “políticas favoráveis” no território, como “a escolaridade gratuita, os serviços médicos gratuitos, e o regime da segurança social” dependem “do apoio de sectores que amam a pátria e amam Macau”. Nos encontros, indicou a governante, Xia Baolong terá ainda reconhecido “plenamente que as associações ajudam o Governo a governar, bem como o contributo dos chineses ultramarinos para a RAEM e a Pátria”.

Xia Baolong afirmou também que “a diversidade de culturas, de religiões e de línguas” demonstra “as características e valores únicos de integração das culturas chinesa e ocidental de Macau”. O governante de Pequim mostrou também confiança no Governo da RAEM para “conseguir transformar Macau numa ‘cidade do espectáculo’ e ‘cidade do desporto’, cujos trabalhos são executados de uma forma cada vez melhor”.

Nuno Fontarra, arquitecto: “Ocupamos o espaço que podemos”

Nuno Fontarra, arquitecto principal da equipa da Mecanoo que tem em mãos o projecto da nova biblioteca central, apresenta uma palestra hoje, às 19h, no Centro Cultural de Macau. O arquitecto irá falar da filosofia de do trabalho do atelier e de como o escasso espaço interior do edifício do antigo Hotel Estoril foi projectado

 

Vai hoje falar do projecto do Museu de História Natural que a Mecanoo está a desenvolver em Abu Dhabi. Até que ponto tem semelhanças com o projecto da Biblioteca Central?

Vou abordar este projecto por ser o mais importante que estamos a fazer e porque tem algumas parecenças [com o projecto da Biblioteca Central], nomeadamente ao nível dos materiais. Trata-se de um museu, e nesse aspecto não tem muito a ver com o que estamos a fazer em Macau, mas é importante por ser um edifício público. É um museu icónico que vai interagir com a cidade. A maior parte dos museus não é muito interactiva com a população porque as pessoas vão uma vez e não usam o espaço, mas vou mostrar como o nosso projecto faz com que o museu interaja com a cidade à volta e qual a filosofia do atelier Mecanoo em relação a isso, para que não seja um objecto morto na cidade.

Esta abordagem também foi pensada para a futura Biblioteca Central?

A filosofia é a mesma: tem de interagir com a cidade o mais possível. É isso que é uma arquitectura moderna, não se tratando de um mero arquivo de livros, porque é o que se passa com a actual biblioteca [do Tap Seac]. A preocupação com a nova biblioteca não é apenas com os livros, mas sim construir uma interacção com a comunidade completamente diferente, com educação e cultura. E é assim que o Museu de História Natural vai funcionar também.

Esta é talvez a primeira vez que a equipa da Mecanoo está no território, uma vez que o projecto da Biblioteca Central começou a ser feito à distância. Como está a ser este contacto presencial?

A primeira fase do projecto foi toda feita à distância e depois fomo-nos adaptando. Deveríamos ter vindo a Macau. Até já estive em Shenzhen, mas os colegas chineses da minha equipa não conseguiram visto para ir para Macau, o que atrasou a visita. Mas agora já houve contactos com o Instituto Cultural (IC) e foram feitas visitas ao local. Dois terços da equipa está sediada em Macau e só eu ainda não tinha vindo. O meu nível de experiência permite-me perceber como a Praça do Tap Seac funciona. Por exemplo, teremos de mover umas árvores de sítio, e essa é uma parte importante do projecto, e perceber essas coisas e sentir a praça [é importante]. Na palestra vou também abordar isso, o facto de não existirem projectos feitos no abstracto, pois todas as coisas têm um contexto, funcionando de forma diferente em relação ao desenho. Esta palestra não é o momento oficial para apresentar o projecto, pois ainda está a ser feita essa preparação. Creio que o IC já tem uma data para começar a obra.

Algumas particularidades do projecto que podem sobressair com esse contacto presencial com a Praça do Tap Seac e o espaço de construção?

Sobressai a relação da piscina [com o espaço em redor], por exemplo, porque existe uma certa proximidade. [O Tap Seac] é a praça mais importante de Macau, bastante central, e é um sítio difícil para construir a biblioteca, pois não temos muito espaço. Mas esse é um problema geral em Macau. A falta de espaço obriga a que a biblioteca venha a servir o público de maneira bem mais flexível. Temos de aproveitar o máximo de espaço possível para a realização de actividades. É isso que a nova biblioteca vai ser.

Em que fase concreta está o projecto? Têm enfrentado alguns desafios?

Não tem sido muito complicado. Nesta fase começaram a ser retiradas peças do edifício que vão ser reutilizadas na biblioteca, nomeadamente o mural. Será necessário tratar o terreno, mas é importante frisar que precisamos um pouco mais de tempo pois estamos numa área complexa da cidade. O básico do projecto está pronto. Já começámos a trabalhar na execução, apesar de ainda não haver um dia definido para o arranque das obras.

Até que ponto o projecto da biblioteca central se enquadra no espírito de trabalho da Mecanoo?

A nossa filosofia tem por base a ideia de que os espaços funcionam para as pessoas. Durante muitos anos as bibliotecas eram arquivos de livros que só recebiam pessoas. Nos últimos anos têm sofrido uma transformação nesse sentido, e nós fazemos parte dessa transformação. Deixaram de ser apenas arquivos para serem activos dentro da cidade, com funções educativas ou apenas de entretenimento. A biblioteca central terá essa responsabilidade em relação a Macau, pois não havia condições para isso. O único senão é que há uma rua bastante dinâmica [Avenida Sidónio Pais], e não será fácil tirar o trânsito dali. Sei que a praça tem muitas actividades e a biblioteca pode ser um extra. Esse tipo de eventos não existe na biblioteca antiga e as pessoas do IC estão ansiosas para que haja na biblioteca nova. Ainda que em pequena escala, pois não será um edifício grande. Por exemplo, a biblioteca central em Xangai é uma coisa enorme.

Mas na China os projectos de arquitectura têm outra escala.

Na China cumprem-se objectivos. Não há propriamente uma necessidade das pessoas. Essa é a grande diferença. A nova biblioteca [em Macau] vai complementar as necessidades das pessoas, mas na China cumprem números. Uma biblioteca lá tem de ter um certo tamanho para cumprir determinada escala. É tudo mais matemático. Em Macau ocupamos o espaço que podemos.

Pode avançar detalhes mais concretos de como será reaproveitado o interior do edifício?

Vamos tentar abrir o mais possível o espaço do rés-do-chão ao público. Temos poucos metros quadrados, mas temos uma área grande de alçado que depois conecta com a rua. É isso que nos vai permitir ter um pequeno auditório com um pequeno café e uma zona com vista. Terá também umas escadas com ligação à zona de leitura. O que fazemos muito no nosso atelier é usar espaços de maneira dupla, a fim de os maximizar. Então essa zona poderá também servir para pequenas apresentações, pois há uma escadaria que serve de auditório. À medida que se vai para os pisos superiores os espaços vão tendo usos mais privados, para exposições, ou ainda salas para workshops, por exemplo. Haverá ainda uma sala que se pode alugar para uso da tecnologia que não se pode ter em casa, como é o caso das impressoras 3D. Este espaço pode ser usado por estudantes ou profissionais. Todo o espaço de circulação poderá ser aproveitado para mostras temporárias. Os pisos de baixo serão, de facto, zonas mais públicas. O último piso já terá uma sala de leitura mais calma, destinada a investigadores, por exemplo. Há um hall da biblioteca virada a parte de trás, em frente a uma escola [para a Estrada da Vitória] em que há uma área destinada à juventude, para crianças dos 12 aos 14 anos. Haverá ainda uma pequena parte para serviços administrativos, pois o IC preferiu destinar mais espaço do edifício para zonas públicas. O grande desafio foi, de facto, encontrar espaço. Poderíamos fazer uma biblioteca maior se estivesse na periferia, mas não estaria junto às pessoas.

A localização da biblioteca central gerou bastante debate público e outras questões, como a concessão do projecto a um atelier estrangeiro. Sentiram pressão quando começaram a trabalhar?

Não porque, em primeiro lugar, não somos holandeses, somos um escritório internacional. E depois a equipa não é apenas a Mecanoo, existindo um escritório local em Macau a colaborar connosco, a Joy Choi, e depois profissionais em Hong Kong. Os engenheiros são todos de Macau, da PAL AsiaConsult, e têm 33 por cento do projecto, somos sócios. Diria que 65 por cento, ou mais, da equipa é local. Depois temos pessoal na Holanda e chineses de Guangzhou e Shenzhen a colaborar connosco. Era importante maximizar o pouco espaço existente, pois a localização é perfeita. Isso é uma coisa que aprendemos com os holandeses, pois com eles o espaço muda com frequência. O IC parece estar a ser dinâmico o suficiente para que depois haja uma relevância em termos das actividades que são organizadas.

Como vai funcionar a coordenação com a actual biblioteca e arquivo histórico?

O actual edifício vai continuar a ter biblioteca como tem actualmente. A nova biblioteca vai complementar a antiga, mas não sei como será feita a gestão dessa coordenação. As necessidades administrativas do IC não interferiram nas necessidades das pessoas no que diz respeito à biblioteca, e é essa a parte interessante. Noutros casos temos situações terríveis, em que os clientes são bastante inflexíveis.

Timor-Leste | PR defende recrutamento local de timorenses para trabalharem em Portugal

O Presidente de Timor-Leste defendeu ontem que o recrutamento de timorenses para trabalharem em Portugal devia ser feito localmente ou à chegada ao país, para evitar “falsas agências de emprego” e “combater o “tráfico humano”.

O que “faria todo o sentido é que qualquer timorense que queira trabalhar em Portugal, chegando lá, fosse apoiado por agências vocacionadas para o efeito e fossem logo trabalhar”, disse José Ramos-Horta, quando questionado pela Lusa sobre a decisão de Portugal de passar a exigir comprovativo de meios de subsistência para atribuir visto de trabalho a cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“Eu compreendo, do lado de Portugal que haja precauções”, disse o chefe de Estado, dando como exemplo o Japão, que abriu um programa para contratar trabalhadores estrangeiros, mas que chegam ao país já com contrato e emprego garantido.

O objectivo, explicou Ramos-Horta, é “evitar que vão milhares de pessoas de repente e só depois é que começam a procurar emprego”. Nesse sentido, o Presidente timorense defendeu também que deviam instalar-se em Timor-Leste agências portuguesas de contratação de trabalhadores.

“Fazem entrevistas e recrutamento aqui, toda a papelada é feita, para evitar falsas agências de emprego, combater o tráfico humano, falsas agências de viagens. Muitos timorenses que foram para Inglaterra, há 20 anos, primeiro foram para Portugal e foi uma agência portuguesa que organizou tudo e que continua a apoiar timorenses”, salientou.

O secretário das Comunidades Portuguesas, José Cesário, anunciou terça-feira que os cidadãos lusófonos que pretendam entrar em Portugal com um visto de trabalho da CPLP vão ter de comprovar meios de subsistência até arranjarem trabalho, ao contrário do que estava anteriormente previsto.

Taiwan | Pequim anuncia “medidas disciplinares” contra taiwaneses por “espalharem boatos”

O Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (Executivo) da China anunciou ontem que vai tomar “medidas disciplinares” contra cinco pessoas na ilha por “divulgarem informações falsas” sobre Pequim.

O porta-voz do Gabinete, Chen Binhua, disse em conferência de imprensa que “certos indivíduos em Taiwan ignoraram as realizações e os progressos da China continental”, o que, segundo ele, “induziu em erro alguns cidadãos da ilha, fomentando a hostilidade e prejudicando as relações entre os dois lados do estreito”.

O porta-voz respondia a uma pergunta que se referia a declarações de algumas pessoas influentes na ilha que afirmaram que os assentos dos comboios de alta velocidade na China não têm encostos ou que os cidadãos chineses são tão pobres que não se podem dar ao luxo de comprar ovos cozidos mergulhados em chá.

Chen recordou que “qualquer acto de fabricação ou difusão de rumores que perturbe a ordem social e prejudique a honra e os interesses do país enfrentará consequências legais”. O porta-voz afirmou que as autoridades chinesas vão adoptar “medidas disciplinares” contra Huang Shicong, Li Zhenghao, Wang Yi-chuan, Yu Beichen e Liu Baojie, bem como contra os seus familiares.

Putin pede política externa sino-russa para alcançar “ordem mundial justa”

O Presidente russo, Vladimir Putin, destacou ontem a necessidade de coordenação entre Moscovo e Pequim para estabelecer uma “ordem mundial multipolar justa”, na véspera de uma visita de Estado de dois dias à China.

Putin sublinhou, em entrevista à agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, que a “relação estratégica e amigável” entre os dois países se mantém “independentemente da situação política”, num contexto de aumento das sanções contra Moscovo por causa da guerra na Ucrânia e de apelos para que Pequim não apoie a Rússia.

Sobre as relações económicas, o líder russo referiu o grande potencial dos laços financeiros entre Rússia e China, sublinhando o crescimento do comércio bilateral e a “forte imunidade aos desafios e crises externas”. A importância da “cooperação económica e cultural entre as duas nações” e a promoção da “prosperidade e igualdade nos domínios económico e cultural” são outros aspectos destacados pelo Presidente russo.

A China é o maior parceiro comercial da Rússia há 13 anos consecutivos, enquanto a Rússia foi classificada como o quarto maior parceiro comercial da China em 2023. Mais de 90 por cento das transacções entre os dois países são realizadas nas respectivas moedas nacionais, sublinhou o líder russo.

No contexto do BRICS, o bloco de economias emergentes fundado pelos dois países, para além do Brasil, da Índia e da África do Sul, Putin valorizou a cooperação entre a Rússia e a China e manifestou o seu empenho em integrar novos membros durante a sua presidência do grupo em 2024, para alargar a representatividade da plataforma.

Putin sublinhou igualmente o papel do bloco, juntamente com a Organização de Cooperação de Xangai (OCX), nas questões internacionais.

Criada em 2001, a SCO, que reúne mais de metade da população mundial, centra-se na segurança regional, na luta contra o terrorismo regional, o separatismo étnico e o extremismo religioso.

Putin sublinhou a promoção da igualdade, da transparência e das reformas no sistema de governação mundial e rejeitou “as tentativas ocidentais de impor uma ordem baseada na mentira e na hipocrisia”.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Wenbin, lembrou na segunda-feira que este ano se assinala o 75.º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países e que Pequim valoriza “muito a orientação estratégica da diplomacia dos dois chefes de Estado” nas suas relações bilaterais.

Cernuda

Um andaluz será para o mundo o grande civilizado, não o entendamos como a uma gratificação da espécie, mas apenas enquanto sentimento meridional que tudo reverte em luz, fruto de umas poderosas entranhas onde até a lua toma contornos de vasto clarão.

Esta energia nunca deixará de jorrar nos nossos sonhos pelo muito que a Terra nos deu, fecundou, e fez conciliar em terreno andaluz, seu jardim das Hespérides. Falar dos seus naturais também nos dá prazer, que neles perpassa um denominador comum difícil de ser ocultado pela graça de suas naturezas de um sul enfeitiçante. Luís Cernuda nascido em Sevilha é um dos muitos ilustres filhos da terra que nos deu a alma inteira na sua excepcional poesia. Cernuda é um imenso poeta que nos enche de reverência e encanto.

Nasceu logo no início do século vinte e foi na universidade de Sevilha que teve um professor, de seu nome Pedro Salinas, que o viria a inspirar, e definitivamente conduzi-lo a ser esse grande poeta em que se tornaria, indo então para Madrid onde nasceria o embrião da “Geração de 27” que integrou, e onde publicaria a sua primeira obra “Perfil Del Aire”.

Um grupo que marcaria um movimento moderno, revolucionário, que durante a Guerra Civil de Espanha foi a maior oposição ao fascismo, vanguarda de que nunca deixara de participar activamente nas trincheiras com a sua voz, intervenções e congressos. Cernuda era no entanto apaixonado pelos românticos, e deles certamente recebeu influências, sendo que, e ainda, vamos encontrar essa marca em sua poesia que transporta sempre o cunho dessa aura e o eleva, e como dizer – um utópico no meio da realidade do século vinte- mas os poetas são os poetas, e sem a marca de água das suas simpatias nenhum século tem nada para lhes oferecer.

Depois, parte para Toulouse, sul de França como leitor de espanhol na universidade desta cidade, mas ficaria aí por pouco tempo, fora proclamada a República, e tinha de estar presente no seu país para ajudar com seu tributo à causa que desejava livre, menos bravia e culturalmente mais humana. Não duraria muito a sua jornada em terras nacionais, a guerra instalara-se, e segue para Inglaterra inaugurando o seu exílio, e foi nele que aparecem “As Nuvens” no ano de 1940.

Estas Nuvens têm contacto com este nosso nevoeiro, as nossas, envolvem-nos de forma mais impenetrável, estão rentes ao chão e levam à cegueira o branco enquanto guia, as de Cernuda, porém, eram altas- alto- cúmulos- e falam-nos daquele que não regressa mais ao seu país e o vê por entre os céus desses flocos altos onde já não lhe é permitido tocar. Ninguém pode explicar melhor a dor que um livro de poemas assim “ya la distancia entre los dos abierta/ se lleva el sufrimento, como nube”

E agora errante, o nosso poeta parte para os Estados Unidos da América onde irá lecionar, mudando-se pouco depois para o México onde outras obras de relevo apareceriam ” Desolación de la quimera” uma continuação de “Nuvens” e todo um trabalho ensaístico em jornais e revistas mexicanas. Dos seus amigos da “Geração de 27” só Alberti chegaria a velho, muito velho, e creio que ainda manteriam contacto, aliás, ambos nasceram no mesmo ano Ano de 1902.

Afinal foi em Sevilha que o movimento começara, celebrando o mais alto instante da participação cívica nacional pela iniciativa de grandes poetas, nessa Andaluzia onde a justiça se impõe, a beleza se faz lei, e todas as formas de arte acontecem, e foi a partir de Gôngora que esta saga intrépida se juntara, também ele um andaluz, na conquista de um marco radicalmente novo e civilizacional. A sua proximidade ao surrealismo fê-lo um artesão continuado de certa intimidade, mas longe ainda do seu amigo Garcia Lorca que se fez matar em jovem idade e onde as abordagens às suas homossexualidades nem sequer coincidiram.

Enquanto amante do romantismo escreve “Pensamento poético na lírica inglesa” talvez em honra de Keats, poucos anos antes de morrer em 1963. É um poeta que a Ibéria deve tentar refletir na sua assombrosa diáspora onde nos foi dando razões sempre para partir. Mas não voltar a essa Andaluzia natal, tê-lo-á interpretado como sendo expulso do paraíso, que ela viu nascer em seu ventre os seres mais impressionantes desta nossa Península.

aos vossos escritores de hoje não os leio já.

daí o paradoxo: sem terra e sem povo, sou

um escritor muito estranho; sujeito fico ainda mais que outros

ao vento do esquecimento que mata quando sopra.

In «Aos seus compatriota», tradução e selecção de José Bento

Fotografia | Roberto Badaraco protagoniza exposição sobre natureza de Macau

O fotógrafo macaense Roberto Badaraco é o autor da próxima exposição de fotografia patente no Auditório do Carmo, junto às Casas Museu da Taipa, com organização do Instituto Internacional de Macau (IIM). Trata-se da mostra “Natureza de Macau: Aves e Flores”, que será inaugurada no dia 5 de Junho a partir das 18h30.

Conhecido por “Bobby”, Roberto Badaraco é, desde a infância, um entusiasta da fotografia. Depois de se reformar da Polícia Judiciária, após uma carreira de mais de 30 anos, o macaense passou a dedicar-se quase inteiramente às imagens, nomeadamente fotografias sobre a natureza.

Segundo o IIM, “as flores e os pequenos insectos constituem o seu especial interesse”, sendo que “de há uma década para cá as aves têm também atraído a sua atenção”. Roberto Badaraco tem partilhado muito do seu trabalho nas redes sociais, destacando que prefere fazer fotografia para os mais próximos.

O seu trabalho já foi exposto em diversos locais, nomeadamente durante o Encontro dos Macaenses em 2016, também numa iniciativa do IIM. Esta nova exposição “pretende não só promover esta arte, na pessoa e na obra de um natural da terra, como também divulgar a rica variedade de aves que existe em Macau, de um conjunto de mais de 400 espécies, bem como as suas características distintas da natureza”.

A Fundação Macau apoia financeiramente esta iniciativa, sendo que o trabalho de identificação das espécies de aves presentes nas fotografias expostas teve o apoio do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). A exposição estará patente até ao dia 14 de Junho deste ano.

Exposição em Lisboa mostra porcelanas criadas por Ai Weiwei

A porcelana, “o mais antigo produto artificial” do homem e que ‘sobrevive’ ao plástico, é o material de quase todas as obras do artista chinês Ai Weiwei que compõem uma exposição em Lisboa, que abriu ontem.

Intitulada “Paradigm”, a mostra vai poder ser visitada na Galeria São Roque, até 31 de Julho, e é constituída por 17 obras inspiradas na liberdade de expressão e criadas pelo artista e activista chinês, residente no concelho alentejano de Montemor-o-Novo (Évora), nos últimos anos.

Trata-se sobretudo de trabalhos em porcelana, mas a exposição integra também uma nova série de retratos com peças de LEGO, que o artista começou a usar em 2014, quando trabalhou com um material associado ao lúdico para produzir retratos de presos políticos.

Em entrevista à agência Lusa, Mário Roque, proprietário da Galeria São Roque, explicou que Ai Weiwei “é um grande coleccionador de cerâmicas, já o seu pai era”, o poeta Ai Qing (1910-1996), possuindo peças desde “a dinastia Song”, que governou a China no período de 960 a 1279.

O artista interessou-se mais por esta arte e tornou-se “um grande ceramista, domina perfeitamente a cerâmica”, frisou o mesmo responsável.

“Neste momento, tem interpretações dessas porcelanas feitas agora, já com um carácter completamente diferente, porque há sempre uma irreverência [no seu trabalho], mas poderiam ser perfeitamente [peças] do século XVI ou XVII, mas feitas por ele”, realçou Mário Roque.

Já Ai Weiwei, em declarações aos jornalistas esta semana, numa visita promovida à sua residência no Alentejo, disse interessar-se muito “pelo que aconteceu no passado” e destacou que “a porcelana é o mais antigo produto humano”.

Trata-se de “um produto artificial que atingiu uma qualidade muito elevada desde tempos muito antigos, talvez desde o tempo das cavernas, e, até hoje, ainda usamos porcelana. É claro que muitas são substituídas por plástico, mas, ainda assim, a porcelana detém uma qualidade muito especial” e está presente em muitas casas, argumentou.

Fusões e antiguidades

Destacando que a porcelana chinesa sempre teve uma qualidade muito elevada, o artista corroborou que esta mostra em Lisboa, “uma das mais pequenas exposições de sempre”, partiu do seu “interesse antigo por antiguidades” e do “laço de confiança” que criou com Marco Roque, cuja galeria visitou. “É muito irónico fazermos uma exposição de porcelanas numa galeria de antiguidades”, considerou.

Mário Roque confirmou à Lusa que a exposição “começou quase como uma brincadeira”, mas enquadra-se no foco da galeria, cujas iniciativas “têm sempre a ver com os Descobrimentos e a fusão entre os objectos de arte portugueses e desses países”.

Os portugueses foram “os primeiros importadores” de porcelana oriunda da China e, graças a isso, provocaram “uma revolução nas cerâmicas europeias”, disse.

Até então, estas eram “sempre policromadas”, mas “Portugal trouxe o branco e o azul da China”, levando a faiança portuguesa a ser “comprada e divulgada por toda a Europa e pelo mundo”. E o azul-cobalto até serviu para os azulejos portugueses, “um objecto icónico”, pelo que é clara a fusão de culturas, frisou Mário Roque.

Nascido em Pequim, na China, em 1957, Ai Weiwei tem desenvolvido o seu trabalho em instalação escultórica, cinema, fotografia, cerâmica, pintura, escrita e já expôs em instituições e bienais em todo o mundo.

Tim Ip convidado para dar palestra sobre estética em Macau

Tim Ip, director de arte de teatro e cinema conhecido internacionalmente, é o nome convidado pelo Instituto Cultural (IC) para dar uma palestra sobre estética no próximo dia 20 de Maio a partir das 19h30 no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM).

O evento, intitulado “Palestra sobre Estética – Três Modelos de Futuro”, integra-se no leque de actividades do “Mês de Promoção Cultural”. Na sessão, Tim Ip, que é também designer de moda, irá partilhar “a estética oriental com o público”, descreve o IC, em comunicado.

Tim Yip tem vindo a explorar e desconstruir o conceito estético do “Novo Orientalismo”, interpretando a cultura antiga como um meio de inspirar o futuro. Ao longo dos anos, tem organizado exposições individuais e palestras em diferentes regiões. As suas criações abrangem áreas tão diversificadas como o cinema, o teatro, a arte contemporânea e a literatura, tendo passado pela China, Áustria, França, Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, Japão e Israel. Na palestra, o professor Yip irá apresentar, através dos “Três Modelos de Futuro”, obras artísticas suas de diferentes fases e multidimensões, bem como o contexto de desenvolvimento da criação artística e a extensão do seu pensamento.

Prémios no cinema

Tim Yip já foi bastante premiado pelo trabalho desenvolvido na área do cinema, tendo ganho um óscar para “Melhor Direcção de Arte” pelo filme “Crouching Tiger, Hidden Dragon”, tendo obtido também o prémio da Academia Britânica de Cinema e Televisão para Melhor Design de Guarda-roupa. Desta forma, tornou-se no primeiro artista chinês a obter estas distinções.

O artista participou ainda em outras produções cinematográficas como artista de arte, coordenador do guarda-roupa ou director artístico, nomeadamente “A Better Tomorrow”, “Rouge”, “Red Cliff”, “The Banquet” e “FengShen Trilogy”, tendo conquistado vários prémios internacionais.

As inscrições para a palestra arrancaram na terça-feira, podendo ser feitas através da plataforma da Conta Única. A língua utilizada na palestra será o cantonense, existindo tradução em simultâneo para português. As inscrições terminam amanhã.

FRC | Académico de HK apresenta estudos sobre os primeiros mapas chineses

“Mapeando a China e Mapeando o Mundo” é o nome da palestra que acontece hoje na Fundação Rui Cunha, a partir das 19h, e que conta com a presença de Marco Caboara, professor de cartografia da Universidade de Ciências e Tecnologia de Hong Kong. O autor irá falar dos primeiros mapas ocidentais da China e dos estudos que tem desenvolvido nessa área

 

Decorre hoje, na Fundação Rui Cunha (FRC), a partir das 19h, a palestra “Mapping China and Mapping the World”, com a presença do académico Marco Caboara, professor de História da Cartografia e da Ciência na Universidade de Ciências e Tecnologia de Hong Kong (HKUST). Esta conferência integra-se no “Ciclo de Palestras Públicas de História e Património”, que fazem parte da agenda habitual da FRC e que acontecem em parceria com o Departamento de História e Património da Universidade de São José.

Marco Caboara, que até muito recentemente foi curador da colecção de mapas ocidentais antigos da China na biblioteca da HKUST, vai falar sobre a influência mútua dos mapas europeus e ocidentais na criação dos primeiros mapas europeus da China e dos primeiros mapas chineses do Mundo.

O foco de a palestra será o mapa de Mateus Ricci de 1602, sendo que o autor irá também falar do seu mais recente livro, intitulado “Regnum Chinae: The Printed Western Maps of China to 1735” [Regnum Chinae: Os Mapas Ocidentais Impressos da China até 1735], uma edição da Brill. Além disso, a conferência irá ainda abordar os estudos mais recentes deste autor, incluídos na obra “Remapping the World from East Asia: Towards a Global History of the ‘Ricci Maps’”, publicado pela University of Hawaii Press em Fevereiro deste ano.

Origens italianas

Segundo um comunicado da FRC, Marco Caboara é natural de Génova, Itália, um lugar “onde a prisão que viu Marco Pólo escrever o seu ‘Il Milione’ fica a uma curta caminhada da casa de Cristóvão Colombo”. Trata-se, portanto, de origens ligadas a figuras pioneiras na descoberta do mundo e que contribuíram para o seu mapeamento, o que incentivou o académico a seguir essa área de estudos.

Marco Caboara “cultivou desde cedo um interesse por viagens e, especialmente, pela relação entre a Europa e a China”, refere a sua biografia, tendo estudado História, Linguística e Chinês na Scuola Normale Superiore de Pisa, na Universidade de Pequim e na City University de Hong Kong.

Além disso, fez o doutoramento na Universidade de Washington, Seattle, com um estudo sobre as características linguísticas dos manuscritos clássicos de bambu chineses. Recentemente, concluiu a cartobibliografia abrangente dos mapas ocidentais da China de 1580 a 1735, publicada pela Brill, e está agora a trabalhar com manuscritos chineses e mapas impressos produzidos durante o mesmo período.

Vistos | Anunciada isenção para quem chegar ao país em navios de cruzeiro

A China anunciou ontem que vai isentar de visto grupos turísticos que cheguem ao país em navios de cruzeiro, reflectindo os esforços de Pequim para aumentar o número de visitantes estrangeiros. A medida, que entrou ontem em vigor, aplica-se a portos de cruzeiros de 13 cidades chinesas, incluindo Xangai, Tianjin, Cantão, Shenzhen, Xiamen, Qingdao ou Sanya.

De acordo com a Administração Nacional de Imigração da China, os membros destes grupos turísticos devem entrar na China em conjunto e todo o grupo deve também seguir para o porto seguinte a bordo do mesmo navio de cruzeiro. Os turistas vão ser autorizados a permanecer na China por um período não superior a 15 dias.

Esta é mais uma das medidas para apoiar o turismo estrangeiro que a China tem vindo a lançar nos últimos meses. O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês anunciou, este mês, que o país asiático vai prolongar a isenção de visto para os cidadãos de França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Espanha, Malásia, Suíça, Irlanda, Hungria, Áustria, Bélgica e Luxemburgo até Dezembro de 2025.

Em Novembro passado, a China anunciou que os cidadãos de França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Espanha e Malásia beneficiariam de uma isenção unilateral de vistos até Dezembro de 2024, uma lista à qual as autoridades foram acrescentando gradualmente mais países.

Especialistas defendem que a morosidade dos procedimentos de pedido de visto e o preço dos bilhetes de avião são as principais razões pelas quais o turismo estrangeiro ainda não atingiu os níveis anteriores à pandemia da covid-19, durante a qual a China impôs um encerramento quase total das fronteiras.

Espionagem | Académico radicado no Japão condenado a seis anos de prisão

O académico chinês Yuan Keqin, ex-professor na Universidade de Educação de Hokkaido, no Japão, foi condenado a seis anos de prisão na China por acusações de espionagem, informou ontem a imprensa japonesa.

Yuan, que ensinou política do Leste Asiático durante 25 anos, foi detido durante uma estadia temporária no seu país natal, para assistir ao funeral da mãe, e mais tarde acusado de estar envolvido em espionagem ao serviço da agência de inteligência do Japão, de acordo com Pequim.

Fontes próximas do académico disseram à televisão estatal japonesa NHK que Yuan foi condenado em Janeiro por um tribunal da cidade de Changchun, na província de Jilin, no centro da China, mas os pormenores do veredicto não foram divulgados. O académico tenciona recorrer da sentença, segundo as mesmas fontes.

Questionado em conferência de imprensa sobre a situação de Yuan, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Wenbin, disse: “Podem consultar as autoridades competentes para obter informações específicas. O que vos posso dizer é que a China é um país que respeita o Estado de direito e trata os casos relevantes em conformidade com a lei”.

Colegas, familiares e amigos de Yuan, que têm vindo a expor o caso e a acompanhar as notícias relacionadas, que partilham através de um portal criado para apelar à sua libertação imediata, afirmam que o académico está inocente.

Reunião entre Pequim e EUA sobre riscos da IA foi “profunda e construtiva”

A reunião entre os Estados Unidos e a China em Genebra, Suíça, para partilharem as respectivas abordagens nacionais no desenvolvimento de Inteligência Artificial (IA), foi “profunda, profissional e construtiva”, descreveu ontem a parte chinesa.

A reunião foi copresidida pelo director do Departamento para a América do Norte e Oceânia do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Yang Tao, e pelo enviado especial adjunto para as Tecnologias Críticas e Emergentes do Departamento de Estado dos EUA, Seth Center.

Sublinhando que a IA é a tecnologia emergente que “atrai actualmente mais atenção”, a delegação chinesa indicou que Pequim quer que esta se “centre nas pessoas” e “seja benéfica, segura e justa”, de acordo com o comunicado divulgado pela diplomacia chinesa.

A China “apoia o reforço da governação global da IA”, defende “o papel das Nações Unidas como o principal canal” e está disposta a “reforçar a comunicação e a coordenação com a comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, para formar um quadro de governação global” para esta tecnologia, lê-se na mesma nota.

Os funcionários chineses também declararam a “posição firme contra restrições e pressões dos Estados Unidos no domínio da IA”, embora “ambas as partes reconheçam as oportunidades e os riscos associados ao desenvolvimento” desta nova tecnologia.

Batalha artificial

Washington impôs, no ano passado, controlos de exportação para a China de ‘chips’ semicondutores avançados e do equipamento necessário para os fabricar. Os semicondutores são essenciais para a produção de sistemas de Inteligência Artificial, mas têm também utilização militar, incluindo no desenvolvimento de mísseis hipersónicos.

O encontro em Genebra foi a primeira reunião do Diálogo Intergovernamental China – EUA sobre Inteligência Artificial.

As negociações, que os líderes norte-americano e chinês, Joe Biden e Xi Jinping, respectivamente, concordaram em lançar durante um encontro em São Francisco, em 2023, visam abrir o diálogo bilateral entre as duas maiores economias do mundo – e cada vez mais, rivais geopolíticos – sobre uma tecnologia em rápida evolução que já está a ter consequências para o comércio, estilos de vida, cultura, política, segurança ou defesa nacional.

A China defendeu anteriormente que o futuro da Inteligência Artificial deve ser “decidido por todos os países” e que as suas regras não devem ser “ditadas pelos países desenvolvidos”. Pequim também sublinhou o “respeito pela soberania e não interferência nos assuntos dos outros países” e a “garantia de que a Inteligência Artificial permanece sob controlo humano”.

Ucrânia | Putin apoia plano chinês para resolução da guerra

Putin chega hoje à China para uma visita de dois dias. A guerra na Ucrânia deverá ser uma questão central no encontro entre o Presidente russo e Xi Jinping que regressou recentemente à China depois de um périplo euroopeu que incluiu visitas a França, Sérvia e Hungria

 

O Presidente russo, Vladimir Putin, apoiou ontem a proposta de resolução da guerra na Ucrânia apresentada pela China, país onde inicia hoje uma visita oficial de dois dias. Em entrevista à agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, Putin expressou uma opinião favorável à posição de Pequim sobre uma solução política para o conflito.

O líder russo apreciou o facto de a China compreender “as raízes e o impacto geopolítico” da guerra, referindo-se a um documento publicado em Fevereiro de 2023 que delineia a posição de Pequim sobre a “Resolução Política da Crise Ucraniana”, como o conflito é designado no país.

Este documento, que inclui uma proposta de 12 pontos, reflecte o “desejo sincero da China de estabilizar a situação” e sugere uma abordagem que evita a “mentalidade da Guerra Fria”, segundo Putin.

O líder russo sublinhou os “quatro princípios para a resolução pacífica” da guerra promovidos há um mês pelo seu homólogo chinês, Xi Jinping, que “se enquadram perfeitamente” na proposta chinesa e garantem “uma segurança indivisível e o respeito pelo direito internacional e pela Carta das Nações Unidas”.

Putin sublinhou que o seu país “não se recusou a negociar” para resolver o conflito que dura há mais de dois anos. “Estamos abertos ao diálogo sobre a Ucrânia, mas essas negociações devem ter em conta os interesses de todos os países envolvidos no conflito, incluindo o nosso”, afirmou.

A visita de Putin à China, que começa hoje e se prolonga até amanhã, segue-se a uma recente viagem de Xi à Europa, no meio de pressões do Ocidente para que o líder chinês use a sua influência junto do homólogo russo para pôr fim à ofensiva na Ucrânia. A digressão de Xi, que não visitava a Europa há cinco anos, incluiu paragens em França, Sérvia e Hungria.

Triângulo de forças

Pequim, que aprofundou os seus laços com Moscovo desde o início do conflito, apelou à realização de uma conferência internacional “reconhecida tanto pela Rússia como pela Ucrânia” para retomar o diálogo.

O primeiro ponto do plano chinês destacou a importância de “respeitar a soberania de todos os países”, numa referência à Ucrânia. “O Direito internacional, universalmente reconhecido, incluindo os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, deve ser rigorosamente observado”, lê-se na proposta. “A soberania, independência e integridade territorial de todos os países devem ser efectivamente preservadas”, apontou.

O Governo chinês apelou ainda ao fim da “mentalidade da Guerra Fria” – um termo frequentemente usado por Pequim para criticar a política externa dos Estados Unidos.

“A segurança de uma região não deve ser alcançada através do fortalecimento ou expansão de blocos militares”, afirma-se no documento, numa crítica implícita ao alargamento da NATO. “Os legítimos interesses e preocupações de segurança de todos os países devem ser levados a sério e tratados adequadamente”.

A visita de Putin surge também depois de, no final de Abril, o Secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, ter apelado a Pequim para que “não ajude a Rússia” e não forneça ao país vizinho componentes que possam ser utilizados na sua guerra contra a Ucrânia.

Pequim negou ter vendido armas à Rússia e afirma ter uma relação comercial “normal” com Moscovo. No entanto, as autoridades norte-americanas alertaram nas últimas semanas que as empresas chinesas estão a ajudar a indústria de armamento da Rússia, vendendo equipamento que pode ser utilizado para produzir mísseis balísticos.

Sun Zi e a Arte da Guerra

Não se conhece a data de nascimento nem da morte de Sun Wu, cujo nome de cortesia por si dado era Changqing e ficou conhecido por Sun Zi (Mestre Sun), ou Sun Tzu em cantonense. Sun Wu (c.535-c.480 a.E.C./544-496 a.E.C.) nasceu durante o Período Primavera-Outono (770-476 a.E.C.) de uma família nobre em Le An (乐安) (hoje no concelho Huimin em Shandong) então no reino Qi.

O pai Sun Ping (孙凭) era um oficial bem colocado na hierarquia Qi, que por discordâncias com os governantes locais se refugiou nas montanhas de Luofu, levando consigo o filho pequeno. Sun Wu vivendo num ambiente de eremita terá assimilado os conhecimentos e inteligência do progenitor, apreendendo com e na Natureza, e assim se formou como grande estratega militar. Escreveu a Arte da Guerra, (Bingfa, 兵法) um tratado militar, que hoje se apresenta com treze capítulos de táctica e estratégia, de filosofia e de governação, ainda actualmente estudado nas Academias Militares do mundo inteiro.

Procurando a localização da montanha de Luofu (罗浮山) inicialmente aparece-nos na parte Sudoeste do reino Wu, o que faz sentido pois mais tarde Sun Wu foi general comandante desse reino e segundo fontes chinesas era a montanha Qionglong, próximo de Suzhou em Jiangsu. No entanto, na geografia da China a montanha Luofu encontra-se na prefeitura de Huizhou província de Guangdong e local sagrado para os daoístas onde na dinastia Jin do Leste (317-420) o alquimista Ge Hong trabalhou na procura de elixires e em 343, com 80 anos alcançou a imortalidade através da técnica do Shi Je, libertação do cadáver.

PERÍODO PRIMAVERA-OUTONO

O reino de Qi (1046-221 a.E.C.) fundado na província de Shandong no início da dinastia Zhou do Oeste (1046-771 a.E.C.) por volta de 1046 a.E.C. era um dos seus vassalos pois, quando Jiang Shang (Jiang Ziya ou Lu Shang), general da dinastia Shang, se exilou e passou para as hostes do reino Zhou, então governado por o Rei Wen, tornou-se professor deste e conselheiro do filho, o Rei Wu, servindo assim como Duque Zhou os primeiros três reis da dinastia Zhou.

A Jiang Shang é atribuída a redacção de um livro de estratégia militar, o Liutao, As Seis Estratégias (六韬). Mais tarde com 88 anos criou o reino Qi oferecido ainda pelo Rei Wen e passou como primeiro governante a ser o Duque Tai de Qi. O reino Qi desde 859 a.E.C. tinha como capital Linzi (hoje Zibo) que se manteve até 221 a.E.C. quando o reino Qin o anexou.

A casa dos Jiang (姜) manteve o poder do reino até à morte em 643 a.E.C. do duque Huan (685-643 a.E.C.) e após breves problemas de sucessão, as famílias Guo, Gao, Luan, Bao, Cui, Qing, Yan e Tian tomaram o comando do reino Qi. Historicamente pouco se sabe do final da vida de Sun Wu, mas quando faleceu o reino Qi era governado por Chujiu, duque Jing (547-490 a.E.C.). Em 489 a.E.C., um membro da família Tian matou o novo duque Qi, Tu, (Yan Ruzi) tal como ocorreu oito anos depois com o duque Jian dos Qi (484-481 a.E.C.). Em 386 a.E.C. a família Tian usando a intriga e a força bruta passou a dominar o reino Qi.

Já o reino Chu, contra quem Sun Wu a comandar as tropas de Wu combateu, iniciara-se um pouco antes do reino Qi, sendo também proveniente da dissidência na dinastia Shang. Os Chu, pertencentes à tribo Jin, partiram para Oeste e aliaram-se aos do reino de Zhou, então a dar início às conquistas para criar uma nova dinastia e substituir a governante Shang. Sabendo da intenção dos Zhou em enviar tropas para ocupar o Sul do país, seguiram como parte do exército e quando o general dos Zhou foi ferido, foi ele tratado no acampamento dos Chu. Tal levou o Rei Wen do reino Zhou a oferecer a região de Hubei para território dos Chu ao seu professor Yu Xiong (鬻熊), que formou o reino Chu e ficou sendo o primeiro governante.

Em 656 a.E.C., o duque Huan do reino Qi atacou os Chu, obrigando-o a pagar tributo à dinastia Zhou de Leste. Após a morte em 643 a.E.C. do duque Huan, a hegemonia passa para o reino Jin.

Em 636 a.E.C. chegou ao poder do reino Jin o duque Wen e aliando-se ao duque Mu de Qin, assumiu uma posição de liderança, sendo reconhecido por o Rei Xiangwang (Ji Zheng, 651-619 a.E.C.) da dinastia Zhou de Leste, como o primeiro entre os senhores feudais.

Em 632 a.E.C. o reino Chu sofreu a primeira grande derrota em Chengpu (hoje Linpu, em Shandong) contra os Jin, aliados com os Qi e Qin, travando a sua progressão para Norte a absorver os reinos mais pequenos. Esta foi a primeira grande batalha entre os reinos do vale do rio Amarelo e os do vale do rio Yangtzé, promovendo o duque Wen dos Jin em 631 a.E.C. um encontro entre os reinos onde se fez um pacto de aliança para apoio à família real Zhou. Ficava assim o poder do reino Chu restringido, mas não por muito tempo pois nos oitenta anos seguintes as batalhas entre os Jin e os Chu sucederam-se com vitórias e derrotas de ambas as partes.

No ano de 597 a.E.C., em Bi (actual Zhengzhou), o exército dos Jin foi derrotado pelo de Chu e o duque Zhuang do Reino Chu tornou-se o Grande Senhor.

Em 579 a.E.C. na China havia quatro poderosos reinos com grande poder, os Qin a Oeste, os Jin no centro, os Qi a Leste e os Chu a Sul. Entre os muitos pequenos reinos existentes na altura, oito, os Song, Lu, Zheng, Wei, Cao, Xu, Chen, e Cai, pagavam tributo aos reinos de Jin e de Chu, enquanto os outros dois reinos, os Qi e os Qin se aliaram.

Em 546 a.E.C., numa conferência entre reinos conseguiu-se realizar um tratado de paz. O Reino Qi aliou-se com o reino Jin e os Qin com os Chu, o que pôs um fim temporário às guerras. Nessa época nascia Sun Wu (c.544-496 a.E.C.)

ENSINAR AS MULHERES A SEREM SOLDADOS

Sun Wu serviu como general o Rei Helü (515-496 a.E.C.), descrito nas “Memórias Históricas” (Shi Ji, 史记) de Sima Qian (司马迁) como apreciador de pessoas de talento e após ler a conselho de Wu Zixu os treze artigos sobre estratégia e tácticas militares do filósofo Sun Wu, pediu para este comparecer à sua presença.

No Período Primavera-Outono (770-476 a.E.C.) o reino Wu era um pequeno reino em Jiangnan (Sul do rio Yangtzé) em torno de Wuxi, quando o Rei Helü fez a capital em Suzhou. Guerreando com os Chu, tornou-se forte e em 506 a.E.C., conseguiu vencer o poderoso reino Chu, conquistando-lhe a capital Yingdu.

Para dar início à sua estratégia militar, o Rei Helü decidiu contractar os préstimos de Sun Wu como general comandante do exército Wu, mas antes resolveu pôr à prova e questionou-o se os seus métodos de treino eram bons também para as mulheres. Pedindo consentimento a Helü, Sun Wu reuniu 180 concubinas do rei com quem formou duas companhias, elegendo para chefiar cada uma, as preferidas deste.

Tendo como uma das chaves do sucesso da estratégia a disciplina, Sun Wu primeiro perguntou se as recrutas sabiam qual era a mão direita e a esquerda e depois instruiu-as como cumprir as ordens ao som do tambor. Ensinou-lhes qual o movimento a fazer mediante os diferentes toques no tambor e deu ordem para começar. Mas ao som do tambor estas, em vez de seguirem a ordem, começam a rir.

Então Sun Wu questionou-as se as tinha esclarecido bem e voltou a repetir pacientemente as correspondências de sons e os movimentos a fazer. De novo mandou tocar o tambor e de novo as mulheres, sem ligarem nada às ordens, voltaram a rir.

Sereno, Sun Wu disse-lhes: “se na primeira vez a culpa foi minha, agora a responsabilidade é vossa, pois após repetir as instruções e dizerem terem entendido, voltaram a não obedecer”. Logo ali mandou decapitar as duas chefes de companhia. O rei aflito pediu-lhe para perdoar as suas favoritas, mas Sun Wu replicou ter sido por o rei nomeado como general das tropas, sendo por isso obrigado a exercer a sua autoridade e assim se fez. De seguida colocou as duas seguintes concubinas favoritas na chefia de cada uma das companhias e de novo a ordem foi dada.

Desta vez, tomadas de pânico, as mulheres obedeceram na perfeição e então o estratega entregou o exército feminino ao rei dizendo-lhe estarem elas preparadas. O Rei Helü chocado e triste pela morte das favoritas, mandou embora Sun Wu, mas este replicou dizendo parecer ter o rei apenas admiração por as palavras da sua estratégia militar e não, de as passar à prática. Ouvindo-o, o rei confirmou a autoridade de Sun Wu como general do exército. E não se arrependeu, pois as grandes vitórias que Sun Wu deu ao estado Wu transformaram-no num dos estados fortes da região. História contada por Wei Tang na revista China em Construção de 1983.

VITÓRIAS DE SUNZI

O reino Wu, no terceiro ano do reinado de Helü em 512 a.E.C. com o general Sun Wu à frente de um exército de trinta mil soldados derrotou um exército de 200 mil homens, conquistando assim o poderoso reino Chu. Três anos depois, os Chu invadiram o reino Wu, situado a Leste, e o general Sun Wu, comandante do exército Wu, secundado por Wu Yuan, conseguiu uma retumbante vitória.

No Inverno de 506 a.E.C., foi a vez do reino Wu invadir Chu e num ataque surpresa, trinta mil soldados Wu penetraram mil li (500 km) em território Chu, vencendo as cinco batalhas contra um exército de 200 mil homens, capturando a capital Yingdu (a Noroeste de Jiangling, Hubei) aos Chu. Mas o estratega Sun Wu, após as campanhas totalmente vitoriosas, sem aceitar os cargos e as ofertas do rei Helü, voltou apenas com algumas carroças de brocados que foi distribuindo ao longo do seu regresso para Luofu (罗浮).

Um ano depois, o reino Chu reorganizou um novo exército e retomou o seu original território.

Com a vitória contra os Chu na batalha de Boju (柏举之战), o reino Wu mantive em respeito os seus vizinhos do Norte, como os reinos Jin e Qi, contra quem o filho do rei Helü, Fuchai (496-473 a.E.C.) continuou a lutar. Em 484 a.E.C., no décimo segundo ano do reinado de Fuchai, os Wu derrotaram na batalha de Ailing os Qi e dois anos depois, numa reunião de reis de reinos, Fuchai tornou-se o governante com maior poder. No entanto, o vizinho reino Yue, aproveitando encontrar-se o reino Wu a lutar contra os Jin e Qi, invadiu-o em 473 a.E.C. e assim Fuchai perdeu a guerra, sendo exilado no monte Nanyang em Suzhou, onde se suicidou.

Descendente de Sun Wu apareceu Sun Bin (c.382-316 a.E.C.) igualmente grande estratega, crendo-se durante algum tempo serem a mesma pessoa pois também escreveu uma Arte da Guerra, traduzido por Rui Cascais como As Leis da Guerra e editado por Livros do Meio em 2020.

Jogo | Suspeitos de burla em prisão preventiva

Os suspeitos detidos de um caso de burla com uso de fichas de jogo falsas vão aguardar julgamento em prisão preventiva, de acordo com uma nota de imprensa do Ministério Público (MP). Os homens detidos são todos naturais do Interior e o crime envolve pelo menos 1,8 milhões de dólares de Hong Kong.

“Realizado o primeiro interrogatório judicial aos cinco arguidos, tendo em consideração o facto de os mesmos não serem residentes locais e a gravidade dos demais factos, o Juiz de Instrução Criminal, sob a promoção do Delegado do Procurador titular do respectivo inquérito, aplicou-lhes a medida de coacção de prisão preventiva, no sentido de se evitar a sua fuga de Macau, a continuação da prática de crime da mesma natureza e o perigo da perturbação da ordem pública”, foi revelado.

De acordo com os indícios, os cinco arguidos, juntamente com outros indivíduos em fuga, usaram as fichas de jogo falsas para apostar num casino de Macau, obtendo desta forma 1,8 milhões de dólares de Hong Kong.

Os cinco arguidos foram indiciados pela prática do crime de burla de valor consideravelmente elevado, podendo ser punidos com pena de prisão até 10 anos.

“Actualmente, a economia de Macau está a desenvolver-se de forma gradual e estável, mas o caso de fichas de jogo falsas causou impactos bastante negativos na ordem pública e no desenvolvimento económico de Macau, perturbando severamente em particular o funcionamento legal e ordenado do sector de jogo”, foi igualmente considerado pelo Ministério Público. O MP apelou ainda aos turistas e residentes que denunciem qualquer suspeita de fraude que decorra nos casinos de Macau.

Casinos | Detido por enganar jogador que ganhou 235 mil renminbis

Um homem que fazia troca ilegal de dinheiro foi preso no último domingo por burlar um jogador que tinha ganho de 235 mil renminbis num casino de Macau que queria transferir o dinheiro para a sua conta bancária na China e que acabou por nunca receber o dinheiro.

Segundo o jornal Ou Mun, que cita informações da Polícia Judiciária (PJ), a vítima conheceu o suspeito de burla através de um chat de conversação, tendo o detido enviado uma imagem comprovativa da sua identidade.

Na mesma conversa, o suspeito convenceu o homem a trocar consigo os 235 mil renminbis, os quais seriam depois enviados para a sua conta bancária. Porém, dias depois, a alegada vítima foi informada pelo seu banco de que o dinheiro foi congelado por se suspeitar estar ligado a um caso de burla telefónica.

Aí o homem suspeitou que a transferência tinha sido feita com o objectivo de branqueamento de capitais. A PJ descobriu posteriormente que a fotografia enviada pelo suspeito havia sido editada, tendo descoberto no mesmo telemóvel outra fotografia falsa que serviria para comprovar a identidade junto de outras potenciais vítimas. O caso foi encaminhado para o Ministério Público para mais investigação, estando o detido suspeito da prática dos crimes de burla com valor consideravelmente elevado, branqueamento de capitais e falsificação informática.