BMW | Recolhidos 180.000 veículos na China por risco de incêndio Hoje Macau - 25 Mar 2026 A fabricante alemã de automóveis BMW lançou uma campanha de recolha de 180.000 veículos na China devido a uma potencial avaria que acarreta risco de incêndio, informou a entidade reguladora do mercado chinês. A recolha diz respeito a 133.849 veículos produzidos no país asiático e 45.678 importados, fabricados em diferentes períodos entre 2022 e 2025, indicou em comunicado a Administração Estatal para a Regulamentação do Mercado. “Os veículos em causa apresentam uma avaria relacionada com o mau posicionamento do chicote eléctrico do sistema de ar condicionado do habitáculo dianteiro, durante a substituição do filtro de ar, esta avaria pode provocar a deterioração do chicote”, afirmou. “Em casos extremos, pode ocorrer um curto-circuito, representando um risco de incêndio”, lê-se em comunicado. As entidades da BMW na China vão proceder gratuitamente à inspecção e ao reposicionamento deste componente nos veículos abrangidos pela recolha e substituir o mesmo em caso de danos, de acordo com o comunicado.
MIECF | Nova edição conta com 50 representantes lusófonos Hoje Macau - 25 Mar 2026 Mais de 50 delegados e companhias de países lusófonos estarão presentes no Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau 2026 (MIECF na sigla inglesa) deste ano, indicaram ontem os organizadores. O presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM), Che Weng Keong, destacou que os países de língua portuguesa (PLP) têm vindo a desempenhar um “papel cada vez mais relevante na cooperação internacional em matéria de ambiente e sustentabilidade”, com o evento a ser uma oportunidade para reforçar a ligação entre Macau e estas nações. Organizado pelo Governo da RAEM, o MIECF realiza-se entre quinta-feira e domingo na zona de exposições do casino-hotel The Venetian Macao, e terá como tema “Cidades de Baixo Carbono e com Zero Resíduos: Embarcando numa Colaboração Global”. Aposta na lusofonia A edição deste ano vai reunir mais de 350 expositores de 12 países e regiões, incluindo empresas líderes do sector energético e ambiental do interior da China, Macau, Hong Kong, países de língua portuguesa, países de língua espanhola, e do Sudeste Asiático. “No ano passado tivemos 26 expositores dos PLP e este ano teremos mais de 50, de áreas como finanças verdes, reciclagem, e outras áreas de ecologia. Como plataforma entre a China e os PLP é importante para Macau atrair mais expositores para aumentar a cooperação”, indicou Che, na conferência de imprensa de apresentação do certame. O evento inclui fóruns, exposições, bolsas de contactos temáticas e atividades de sensibilização ambiental, prevendo-se um aumento de cerca de 20 por cento na participação internacional face ao ano anterior. Estarão presentes, por exemplo, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado, e o professor de economia da Universidade de Brasília e antigo vice-presidente de Sector Privado do Banco de Desenvolvimento da América Latina, Jorge Arbache. O 15.º Plano Quinquenal da China (2026-2030) aprovado este mês apresenta projectos para intensificar a transição ecológica do país, com foco na redução de 7 a 10 por cento das emissões de carbono em toda a sua economia entre até 2035, em comparação com 2025, ano do pico de emissões do país. O director dos Serviços de Proteção Ambiental de Macau (DSPA), Ip Kuong Lam, sublinhou que o território está em preparação da nova fase do Planeamento da Protecção Ambiental de Macau (2026-2030), centrada na “redução das emissões de carbono” e na “redução da poluição”. O responsável destacou também medidas concretas em curso, nomeadamente no fornecimento de energia eléctrica e nos transportes terrestres. “Está planeado aumentar para 50 por cento a proporção de energia limpa na electricidade adquirida ao exterior, com o objectivo de alcançar a neutralidade carbónica até 2050”, disse.
Aperfeiçoar o sistema jurídico de segurança nacional e fortalecer a capacidade da RAEM na defesa da segurança nacional Hoje Macau - 25 Mar 2026 Por Fang Quan – Directora da Faculdade de Direito da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau A proposta de lei intitulada “Comissão de Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau” (CDSE) foi apreciada e aprovada pela Assembleia Legislativa. É mais uma iniciativa importante da RAEM para aperfeiçoar o regime jurídico de defesa da segurança nacional, após a bem-sucedida revisão sistemática, em 2023, da Lei relativa à defesa da segurança do Estado. A presente iniciativa legislativa orienta-se pelo espírito consagrado nos discursos importantes do Senhor Presidente Xi Jinping sobre os trabalhos relativos a Hong Kong e Macau, implementando plenamente a perspectiva geral da segurança nacional. Baseia-se ainda na síntese abrangente da valiosa experiência prática acumulada desde 2018, com a entrada em vigor do Regulamento Administrativo da CDSE, particularmente no que respeita ao papel desempenhado pela CDSE no apoio ao Chefe do Executivo na tomada de decisões, organização e coordenação no âmbito da defesa da segurança nacional, bem como no exercício eficaz das funções pelos assessores e assessores técnicos para os assuntos de segurança nacional. Esta proposta de lei visa reforçar o aperfeiçoamento do regime jurídico da RAEM relacionado com a defesa da segurança nacional, bem como a estrutura organizacional e mecanismos de execução nesse âmbito. Durante o processo legislativo, o Governo da RAEM e a Assembleia Legislativa colaboraram estreitamente, tendo recebido enorme apoio da população em geral e de todos os sectores da sociedade, o que evidencia plenamente a tradição de excelência de amor pela Pátria e por Macau, bem como o ambiente social de grande entusiasmo em prol da defesa da segurança nacional. Em comparação com o anterior Regulamento da CDSE, a presente Lei da CDSE eleva de forma abrangente a hierarquia jurídica das normas da sua estrutura organizacional e dos mecanismos de funcionamento, reforça a concepção ao mais alto nível da CDSE e as suas competências de coordenação, estabelece a operacionalização institucional do seu Secretariado, aperfeiçoa o sistema de garantias para o exercício das funções da CDSE e seu Secretariado, e revê os procedimentos processuais relativos à defesa da segurança nacional. Os conteúdos específicos são os seguintes: Primeiro, clarificar a natureza da CDSE. Estipula-se que é o órgão responsável pelos assuntos relativos à defesa da segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau, assumindo a responsabilidade principal da defesa da segurança do Estado e estando sujeita à supervisão e responsabilização perante o Governo Popular Central. Segundo, ajustar e reforçar a composição da CDSE. Estipula-se que os cinco secretários do Governo são todos membros da CDSE. São ainda acrescentados à CDSE o director-geral dos Serviços de Alfândega, o director da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, o presidente do Instituto Cultural, e o director da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, alargando assim a cobertura dos membros da CDSE a todas as áreas da acção governativa. Terceiro, criar um Secretariado com funcionamento autónomo, que substitui o antigo Gabinete da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da RAEM. É o serviço permanente de execução e apoio da CDSE que responde perante o presidente da CDSE. É dirigido por um secretário-geral, cargo exercido por inerência pelo Secretário para a Segurança. O Secretariado funciona, na estrutura administrativa, na dependência directa do Chefe do Executivo, sendo dotado de autonomia administrativa. O novo Secretariado, formalmente institucionalizado, dispõe de um quadro de pessoal independente, reforçando significativamente a capacidade operacional da RAEM na defesa da segurança nacional. Quarto, definir expressamente que os assessores para os assuntos de segurança nacional prosseguem, em representação do Governo Central, as atribuições de supervisão, orientação, coordenação e apoio à RAEM no desenvolvimento dos trabalhos de defesa da segurança do Estado, e que os assessores técnicos para esses assuntos se responsabilizam pela prestação de apoios aos assessores para os assuntos de segurança nacional no desenvolvimento dos respectivos trabalhos. Essas definições proporcionam fundamentação jurídica para o cumprimento eficaz dos assessores e dos assessores técnicos no desempenho das suas funções. Quinto, prever expressamente um regime especial que salvaguarda o orçamento para as despesas com a segurança nacional na RAEM. Determina-se que, mediante autorização do Chefe do Executivo, podem ser atribuídas, da receita ordinária da RAEM, verbas específicas para suportar as despesas com a defesa da segurança do Estado, as quais não ficam sujeitas à regulamentação da Lei de enquadramento orçamental. Paralelamente, estipula-se a necessidade de o Governo da RAEM apresentar anualmente à Assembleia Legislativa, para efeitos de conhecimento, um relatório ao controlo e gestão das respectivas despesas. Sexto, aperfeiçoar o procedimento judicial para proteger os interesses da segurança nacional. Com base numa adequada referência, a nível internacional, ao equilíbrio entre a proteção da segurança nacional e os direitos e interesses individuais, prevê-se que, em processo judicial de qualquer natureza, o juiz competente deve determinar a exclusão da publicidade de certos actos processuais, tendo em conta os prejuízos que a publicidade pode causar aos interesses da segurança do Estado e quando tal for confirmado pela CDSE. Além disso, estipula-se que, em qualquer processo judicial, se a autoridade judiciária competente tiver fundadas razões para crer que existe a necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado, o mandatário judicial deve obter a autorização especial do juiz competente antes de intervir ou continuar a intervir no processo. Para o efeito, o juiz competente deve comunicar as informações do respctivo processo à CDSE para esta decidir sobre a existência de interesses da segurança do Estado a proteger no caso concreto, e no caso afirmativo, a CDSE verifica se deve autorizar ou não a participação do referido mandatário no processo. Esta proposta de lei articula e implementa eficazmente as disposições organizacionais previstas na Lei relativa à defesa da segurança do Estado, reforçando de forma sistemática a capacidade da RAEM em cumprir a sua responsabilidade constitucional na salvaguarda da segurança nacional. Trata-se de um novo fruto, após a revisão da Lei relativa à defesa da segurança do Estado, da Lei Eleitoral para o Chefe do Executivo e da Lei Eleitoral para a Assembleia Legislativa, bem como da elaboração de legislação complementar já efectuada, como a Lei de protecção do segredo de Estado, que reflecte avanços alcançados pela RAEM no reforço do quadro jurídico de segurança nacional. Com certeza, contribuirá para dotar a RAEM de meios mais eficazes na prevenção e resposta a diversos riscos de segurança, assegurando de forma concreta a segurança nacional e a prosperidade e estabilidade da sociedade de Macau.
As mil maneiras de celebrar o amor (I) David Chan - 25 Mar 2026 A 14 de Março celebra-se o Dia Branco de São Valentim, tradição que teve origem na década de 1970 no Japão. Neste dia, os homens retribuem o presente que receberam das suas amadas no Dia de São Valentim (14 de Fevereiro), como forma de expressarem os seus sentimentos. Muitas pessoas acreditam que na origem deste dia está a criação de mais uma celebração a São Valentim, mas na verdade surgiu como uma forma de promover o algodão doce, Em 1977, a antiga confeitaria “Ishimura Manseido” em Fukuoka, no Japão, incentivou os homens a retribuírem os presentes que receberam no Dia de São Valentim a 14 de Março, promovendo o algodão doce. Este dia passaria a ser conhecido como o “Dia do Algodão Doce.” Posteriormente, a Associação da Indústria de Confeitaria do Japão passou a designá-lo oficialmente como “Dia Branco de São Valentim.” O “Branco” simboliza a pureza e o amor verdadeiro. Originalmente, o algodão doce representava a gratidão; o chocolate branco simboliza o “amor puro,” e representa a esperança numa relação mais estável; doce significa “Gosto de ti” e anseio por uma relação doce e duradoura; as bolachas significam amizade, implicando uma relação calma e gentil. Os dias especiais poderão ter várias origens, mas o que as pessoas valorizam não são os presentes, mas sim as emoções que se escondem por trás deles e o tempo passado a dois. Diversas histórias verdadeiras em torno do Dia Branco de São Valentim, ocorridas recentemente, ilustram perfeitamente a beleza das várias etapas do amor. No Texas, EUA, Sara Young, uma jovem de 21 anos, soube que o namorado, que se encontrava numa missão militar, iria ter uma breve paragem de 30 minutos no Aeroporto de Dallas e que não poderia sair da área restrita. Para poderem ter aquela meia hora juntos, gastou cerca de 70 ÚS dólares (cerca de 560 patacas) para comprar o bilhete mais barato e passou pela segurança só para apenas ver o seu amado antes de ele embarcar. A seguir, partilhou um vídeo dos dois a abraçarem-se no TikTok, que teve 2 milhões de visualizações e que tocou os corações de inúmeros casais que se encontram longe um do outro e de familiares de militares. Esta reunião de meia hora na zona restrita do aeroporto, sem qualquer cerimónia elaborada, representou a jornada sincera dos amantes—nem a distância nem o tempo importam, nada se compara ao desejo de se verem um ao outro. Em Taiwan, na China, no Dia Branco de São Valentim, o artista Koo Chun-yeop explicou numa entrevista o que é para ele o romance. Disse que hoje em dia o romance não implica comprar joalharia cara, implica sim cozinhar para si e para a pessoa que ama. Recentemente, quando Barbie Hsu (Da S) estava adoentada, ele ficou em casa para tratar dela. Para ele, desde que a sua companheira esteja feliz, todos os dias são Dias Brancos de São Valentim. Este casal exemplifica os aspectos mais tocantes do amor na meia idade. Tendo já deixado para trás os dias apaixonados do namoro, a forma mais preciosa do amor é ter alguém que nos dê abrigo durante as tempestades da vida, certificando-se que comemos e dormimos bem. Uma simples refeição caseira, um terno momento de companheirismo—são estas as mais raras formas de romance do mundo inteiro. Também, em Taiwan, na China, no Dia Branco de São Valentim deste ano, o Gabinete do Município de Beigang, em Yunlin, organizou o evento “Meio Século Juntos, o Amor Nunca Desaparece” para homenagear casais exemplares que celebravam as bodas de ouro e de diamante, e os 36 casais partilharam as suas experiências. Aos seus olhos, o amor duradouro não vive de grandes gestos, mas sim de compreensão mútua e de tolerância no dia a dia. Mesmo depois de décadas juntos, ainda desejam criar pequenas surpresas um para o outro — esta é a chave de uma relação que resiste ao teste do tempo. Hoje fomos ao encontro de histórias de amor de jovens, de casais de meia idade e de casais idosos, mas ainda temos mais histórias de amor tocantes para partilhar no Dia Branco de São Valentim. Continuaremos a contá-las aos nossos leitores na próxima semana. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macaue a ir Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau cbchan@mpu.edu.mo
Justiça | Futebol chinês tenta limpar imagem após esquema ilícito Hoje Macau - 25 Mar 2026 O futebol chinês procura recuperar credibilidade, afetado por um esquema de manipulação de resultados e apostas ilegais, que irradiou 73 pessoas da modalidade e deduziu pontos a 13 clubes, incluindo o Henan, treinado pelo português Daniel Ramos. “Foi uma intervenção em grande escala. Decidiram punir os clubes em pontos, multá-los e penalizar desportivamente muita gente. Houve grande rigor para limpar a imagem do futebol chinês”, referiu à agência Lusa o técnico, de 55 anos. Em Janeiro, a um mês do arranque da época, as autoridades desportivas chinesas sancionaram nove emblemas do escalão principal e quatro do segundo, com três a 10 pontos de dedução e coimas dos 25.000 aos 126.000 euros. “Há recomendações bastante claras para não se falar sobre arbitragens e criar um ambiente mais positivo em redor do futebol. Existem tectos salariais e nos prémios por jornada, de forma que os clubes não incorram em orçamentos desmedidos nem falhem pagamentos e fechem portas. Há um esforço grande para que o controlo orçamental seja cumprido e o campeonato cresça em credibilidade e melhore ano após ano”, explicou Daniel Ramos. O Henan iniciou a 13.ª época seguida na elite com seis pontos negativos, mas inverteu-os nas três primeiras jornadas, fruto de duas vitórias – bateu fora o tricampeão Shanghai Port logo a abrir – e um empate, chegando à paragem para os compromissos das selecções nacionais na nona posição. Sentindo uma maior conexão entre adeptos e clube desde a sua chegada, Daniel Ramos admite que as saudades da família e dos amigos têm sido contornadas “por uma estrutura em simbiose e um processo em ascensão”. “Tinha conhecimento dos anos dourados da China [ao nível da contratação de jogadores], mas sabia que isso não acontece nesta altura. Falei com o Ricardo Soares, que esteve no Beijing Guoan e disse-me que eu ia gostar. Como somos treinadores disciplinados, com uma ideia de jogo definida e organizados no processo, havia muitas possibilidades de ter sucesso. Isso atraiu-me. O nível de vida é bom num país culturalmente rico”, descreveu.
Futebol | Daniel Ramos na China para melhorar perfil do Henan Hoje Macau - 25 Mar 202625 Mar 2026 O treinador português foi eleito o melhor técnico de 2025 e conseguiu o feito inédito de levar o Henan à final da Taça da China Ricardo Tavares Ferreira, Lusa O português Daniel Ramos assumiu a missão de melhorar a identidade futebolística, os resultados e a qualidade exibicional do Henan, juntando o estatuto de finalista da Taça da China à distinção de melhor treinador do ano em 2025. “Há um projecto de melhoria do clube, das dinâmicas e dos seus departamentos, principalmente do futebol de formação, que estava um pouco distante do plantel principal. Agradou-me bastante ter tido liberdade para dar ideias. Foi uma óptima escolha vir para a China, porque, além dos resultados, sentimo-nos bem, acarinhados e valorizados”, disse à agência Lusa o técnico, de 55 anos e desde Abril de 2025 na equipa de Zhengzhou. Aposta do director desportivo espanhol Pere García, Daniel Ramos chegou ao segundo país mais populoso do mundo com o Henan no 13.º lugar do campeonato, mas fê-lo subir três posições e garantiu a permanência, por entre a inédita chegada à final da Taça da China, perdida frente ao Beijing Guoan (3-0), num “marco significativo” em 31 anos de existência do clube. “A equipa jogava num sistema táctico defensivo, com uma linha de cinco rígida e à espera do contra-ataque. Neste momento, estamos a arriscar muito mais, a ter bola e a jogar para a frente. Foi exigente trabalhar neste contexto, porque a equipa estava em dificuldade. Felizmente, à medida que o tempo foi passando, tudo ficou mais natural e fizemos 23 pontos só na segunda volta, acima da pontuação obtida no campeonato inteiro pelas equipas que desceram. Há um sentimento de dever cumprido”, analisou. Daniel Ramos vê a ida à final da Taça da China como um “feito valioso e ao nível dos melhores trabalhos” em Portugal, onde promoveu Trofense (2005/06), União da Madeira (2010/11) e Famalicão (2014/15) à II Liga e qualificou Marítimo (2016/17) e Santa Clara (2020/21) para as competições europeias. “Eliminámos o Zhejiang, que tem uma equipa forte. Depois, fora de casa, afastámos dois candidatos ao título, o Shanghai Shenhua e o Chengdu Rongcheng [ambos no desempate por penáltis], que foram segundo e terceiro classificados no campeonato. Tivemos muito mérito. Repetir é sempre uma incógnita, porque, tratando-se de uma prova a eliminar, é preciso competência em cada jogo e alguma sorte no sorteio”, admitiu. O treinador foi abordado por outros clubes, mas renovou em Novembro por mais uma temporada, com outra de opção, na perspectiva de continuar a redimensionar o Henan, ainda longe do orçamento, condições e historial dos “favoritos ao título”, tais como o tricampeão Shanghai Port, o Shanghai Shenhua, o Beijing Guoan, o Chengdu Rongcheng e o Shandong Taishan. “É um campeonato com equilíbrio. Algumas equipas são mais fortes e têm outro potencial, mas é natural que o primeiro classificado ceda pontos com os últimos, pois também há valor nos outros clubes”, ilustrou, lembrando que vários jogos “ficam mais partidos nos minutos finais e têm um número considerável de golos” em função dos espaços concedidos pelas equipas. Tradução decisiva Cada equipa só pode inscrever cinco estrangeiros, mas Daniel Ramos crê que os melhores jogadores locais fazem mais a diferença e serão decisivos para o país recuperar credibilidade futebolística e reerguer-se de um esquema de manipulação de resultados e apostas ilegais, que irradiou 73 pessoas da modalidade e deduziu pontos a 13 clubes, incluindo o Henan. “Fica complicado depender só ou muito dos estrangeiros, pelo que importa potenciar o valor do jogador chinês. Procuro ter um plantel competitivo, no qual todos sintam que têm hipótese de disputar a próxima partida”, referiu, na presença de quatro brasileiros – Iago Maidana e Gustavo actuaram em Portugal – e do espanhol Jordi Mboula, ex-avançado de Estoril Praia e Gil Vicente. Assentando no “trabalho de equipa” o prémio de melhor treinador do ano, recebido com base nas votações de homólogos, capitães, imprensa e adeptos, Daniel Ramos mostra-se agradecido aos quatro tradutores do Henan, “sempre disponíveis e fundamentais” na transmissão eficaz da mensagem. “É uma questão de dinâmica e entendimento. É importante que traduzam bem e haja confiança a todos os níveis, porque dependemos muito deles para quase tudo”, concluiu o técnico natural de Vila do Conde, pela segunda vez no estrangeiro, após ter orientado os sauditas do Al Faisaly em 2021/22.
Cheong Kin Man e Marta Sala, artistas: “As nossas obras expandem-se no tempo; vivem connosco” Andreia Sofia Silva - 25 Mar 2026 Ele é natural de Macau e formado em antropologia. Ela é artista visual, natural da Polónia. Com um projecto artístico conjunto, Cheong Kin Man e Marta Sala estão de regresso ao Oriente para participar na mostra colectiva “Between Image and Index”, na Universidade Baptista de Hong Kong, e para dar uma palestra no domingo, integrada na programação da Art Basel de Hong Kong. Mas há também projectos programados para Macau Até ao dia 12 de Abril está patente na galeria da Academia de Artes Visuais da Universidade Baptista de Hong Kong a exposição colectiva “Between Image and Index”, onde trazem o vosso projecto “Apocalipses”, com novidades. Que conteúdos pode o público ver? Após uma decisão conjunta com uma das duas curadoras do evento, Tong Yang, que nos convidou a participar [na mostra de Hong Kong], decidimos trazer a nossa instalação em expansão, “Apocalipses”, e que foi originalmente encomendada para a Bienal de Macau de 2023. Trazemos a peça têxtil original, de dois por dois metros de comprimento, e um vídeo experimental original de 19 minutos. Também foi expandido o livro do artista, que originalmente tinha 60 páginas e que agora, graças ao patrocínio da Fundação Oriente, foi alargado para 720 páginas [edição de 2025]. Acrescentámos também mais três peças têxteis, de 70 por 70 centímetros, que ressoam o conceito original de auto-etnografia da nossa história familiar. De que forma? Mais concretamente, um século de migração familiar de Vilnius para a Sibéria, perto da Mongólia, antes do fim da I Guerra Mundial; depois de volta à Polónia durante as deslocações em massa no final da II Guerra Mundial até à vida pós-guerra no sul da Polónia, nomeadamente na região da Silésia, em Katowice. Também foram adicionadas, como um complemento conceptual, duas das 12 bandeiras que criámos para a nossa mais recente série de “happenings” em Berlim, intitulada “Neukölln Trans-Lingual”, e que consistiu numa série de acções artísticas ao ar livre de invenção de línguas para as comunidades multilingues de Berlim, com o intuito de quebrar o gelo entre estas, realizada em Outubro passado. Teve também lugar uma exposição pop-up. Qual o tema desta mostra colectiva, e de que forma o vosso trabalho se conjuga com os restantes? Marta Stanisława Sala (MSS): A exposição “Between Image and Index” explora como as imagens contemporâneas podem ser traços significativos que moldam a nossa percepção e compreensão do mundo material e imaterial. O nosso trabalho pode assemelhar-se a uma espécie de altar, inspirado na tradição polaca do “canto sagrado”, que é criado a partir de diferentes têxteis e camadas de narrações, mas movendo-se também com o movimento do ar no espaço. O trabalho pretende ser um convite à interacção como um corpo no espaço da exposição, onde se podem explorar posteriormente diferentes histórias de outras obras. Existem alguns pontos comuns, como diferentes línguas, motivos cosmológicos, jogos com diferentes formas e significados ou também arquivos de memória têxtil familiar. Na palestra deste domingo na Universidade Baptista de Hong Kong [Pictoriality as Mediator], integrada na programação da Art Basel de Hong Kong, o que vão abordar, concretamente? Como se sentem por fazer parte desta importante feira de cariz mundial? Cheong Kin Man (CKM): Esta palestra faz parte do programa directo da Art Basel Hong Kong denominado “Exchange Circle”. Claro que é uma grande honra fazermos parte deste programa e conectar, ou mesmo reconectar, o círculo artístico de Macau e Hong Kong, [algo que] tem sido o nosso principal objectivo nesta viagem a Hong Kong e Macau. A curadora principal da exposição, Janet Fong, bem como a curadora Tong Yang, têm a visão de ligar Hong Kong, Macau e Shenzhen a Berlim e Francoforte; sendo, portanto, uma honra juntarmo-nos como dupla que liga também Cracóvia e Katowice e, claro, Lisboa. Somos uma dupla [de artistas] que se baseia na investigação, pelo que participar na Art Basel Hong Kong significa também um envolvimento directo no cruzamento entre a academia, a arte e, se assim o categorizar, o mundo comercial, o que é algo novo para mim. Em relação ao tema da palestra é desafiante para mim, mas, como sempre, irei desconstruí-lo etimologicamente. Enquanto dupla dizemos sempre que trabalhamos sobre a linguagem e a sua ficcionalização como uma ferramenta crítica de pensamento, tanto através da arte como da antropologia. Mas, na verdade, trabalhamos na maioria sobre o visual ou a ficcionalização de sistemas de escrita. Portanto, basicamente, do meu lado, partilharei a minha reflexão sobre simbolismos abstractos com o público internacional presente. MSS – Da minha parte irei discutir [o conceito de] “pictorialidade” através da vida física dos têxteis. Trabalho com restos de têxteis usados, como retalhos de algodão ou seda, que carregam histórias de produção, exploração e trabalho, mas também traços familiares íntimos. Alguns tecidos no nosso trabalho provêm do meu arquivo familiar; foram cosidos pela minha bisavó, pela minha avó ou pela minha mãe em diferentes épocas e nos vários locais onde viveram. A seda veio da China? Foi comprada noutro lugar? Estes materiais encerram múltiplas possibilidades e histórias orais. Nas nossas instalações, reunimos diferentes tempos e contextos. Procuro os vestígios de uso, como buracos, farrapos, as partes que se desmoronam. Para mim, a pictorialidade não é uma imagem perfeita e acabada, é uma sinfonia de memórias fragmentadas. Encontro beleza no toque imperfeito do trabalho feito à mão, mostrando pontos e remendos visíveis. Aliás, a nossa peça principal e o livro de artista ostentam uma dedicatória numa língua fictícia a “todos os seres que cometem erros”. A minha mediação foca-se na sustentabilidade e na impermanência, na imperfeição e na vulnerabilidade, mas também na força encontrada na pluralidade. “Apocalipses” já foi mostrada na edição de 2023 da Bienal de Macau. Como se sentem por apresentá-la novamente a Oriente? CKM – Tem sido uma surpresa ver como tanto Hong Kong como Macau são diferentes da minha imaginação diaspórica, sobretudo Macau, que tem sido totalmente bilingue na minha cabeça [português e chinês], sendo também falante de alemão e francês. O regresso com “Apocalipses” trouxe-me a oportunidade de perscrutar a passagem intermédia entre o que imagino de Macau entre Berlim e Lisboa, bem como aquilo em que Macau se tornou. Isto é algo essencial para a minha investigação de doutoramento sobre o cruzamento entre translingualismo, memória afectiva, arte e diáspora. MSS – “Apocalipses” também cresceu física e conceptualmente. Esta peça é uma parte viva da nossa prática auto-etnográfica conjunta. Acreditamos na “reciclagem artística”, adicionando constantemente novos elementos das nossas diferentes actividades e viagens. As nossas obras expandem-se no tempo; vivem connosco. Esta apresentação em Hong Kong já é diferente das anteriores, e também devido aos novos diálogos que temos tido com o público. Por exemplo, um artista de Hong Kong que nos visitou, Ken Kan, apresentou-nos recentemente a tradição chinesa do “pak ka pei”, ou seja, “poupão das cem famílias” ou “manta da memória”. Esta ligação entre a minha tradição têxtil polaca e esta tradição local de preservação da memória é exactamente o tipo de “criação de significado” que o nosso trabalho pretende. CKM – O Consulado Polaco, bem como o Instituto Goethe, ambos sediados em Hong Kong, mostraram entusiasmo pela nossa participação na exposição colectiva, bem como pelas nossas próximas iniciativas em Macau. Isso tem um significado muito especial para nós, pois queremos realmente partilhar a nossa experiência europeia com Macau, uma vez que agora partilhamos a vida entre Berlim, Lisboa, Cracóvia, Katowice e Macau, juntamente com algumas línguas de trabalho (português, alemão, inglês, cantonense, polaco, francês e mandarim). Um Berlim e uma Europa multilingues e translingues como formas de viver têm sido algo muito querido para mim. Isto não só moldou a minha identidade como alguém de Macau que passa um terço da sua vida no velho continente, mas também inspirou a minha prática de criar línguas ficcionais. “As Espantosas e Curiosas Viagens”, mostra que já fizeram em Lisboa, apresenta-se em Macau em Julho, na Fundação Rui Cunha (FRC). O que trazem de novo? CKM – Será, na FRC, a nossa primeira exposição em dupla na Ásia e será ajustada com as obras passadas, sendo também expandida com novas obras. Iremos explorar a forma como podemos transformar a nossa exposição e prática comunitária, especialmente a invenção colectiva de línguas, em algo teoricamente útil tanto para a antropologia como para os estudos de Macau. Planeamos alguns “happenings” [acontecimentos ou eventos], que esperamos muito conseguir organizar com participantes de grupos. MSS – A exposição em Macau será bastante diferente da nossa recente mostra no CCCM [Centro Científico e Cultural de Macau] em Lisboa, feita no Verão passado. Estamos a produzir uma instalação central completamente nova baseada na nossa investigação mais recente. Sinto-me honrada por ter o patrocínio do Consulado Geral da Polónia em Hong Kong e Macau para a nossa participação na exposição “Between Image and Index” e o entusiasmo no apoio da nossa exposição em Macau. Para nós, tal significa mais do que um apoio formal, mas sim um intercâmbio de investigação significativo. As nossas discussões com o Consulado revelaram quão pouca presença cultural polaca existe actualmente em Macau, e sentimos uma forte missão de mudar isso. Ao tecer histórias e materiais polacos no nosso trabalho, estamos a estabelecer um novo caminho artístico entre a Polónia e Macau. Trabalhando intensamente com a nossa curadora, Sara Neves, e recolhendo roupas descartadas e histórias locais durante a nossa estadia, estamos a integrar todas estas novas experiências na mostra. A exposição já está montada, mas está a crescer para se tornar num ambiente artístico e antropológico imersivo.
Irão | Pedida abordagem às “causas profundas” do conflito em reunião com Reino Unido Hoje Macau - 25 Mar 2026 O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, apelou na segunda-feira para que as partes no conflito no Irão abordem “as causas profundas”, num encontro com o conselheiro de Segurança Nacional britânico, Jonathan Powell, em Pequim. Wang sublinhou que o prolongamento da guerra apenas agravará os danos e as consequências, defendendo o regresso a uma solução política através do diálogo e da negociação, segundo um comunicado da diplomacia chinesa. Também na segunda-feira, o enviado especial chinês para o Médio Oriente, Zhai Jun, alertou para “consequências insuportáveis para todas as partes” caso o encerramento desta rota se prolongue. Wang considerou que a visita do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, à China em Janeiro foi “bem-sucedida” e “histórica”, tendo recebido avaliações positivas de vários sectores e da opinião pública internacional. Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, este facto demonstra que o desenvolvimento de uma parceria estratégica abrangente, estável e de longo prazo entre a China e o Reino Unido é “inevitável” e corresponde à vontade dos povos. Wang acrescentou que, se ambas as partes avançarem na mesma direcção, poderão alcançar benefícios mútuos, devendo implementar consensos, reforçar os intercâmbios e aprofundar a cooperação para promover relações bilaterais estáveis. Powell afirmou que Londres está disponível para trabalhar com Pequim na implementação dos resultados da visita de Starmer, reforçar a comunicação e a cooperação e desenvolver uma parceria estratégica abrangente, estável e duradoura.
Empreiteiros de Hong Kong prometem proibição de fumar em estaleiros Hoje Macau - 25 Mar 2026 Nove associações da construção civil de Hong Kong assinaram um compromisso para impôr a proibição total de fumar em estaleiros de obras, após o incêndio mais mortífero na cidade desde 1948. De acordo com a emissora pública RTHK, a associação de empreiteiros de Hong Kong anunciou ontem ter assinado, juntamente com outros oito grupos, o documento, que pretende reforçar a segurança no sector. A Associação de Construção de Hong Kong (HKCA, na sigla em inglês) sublinhou que o compromisso prevê “a implementação abrangente da proibição de fumar nos estaleiros de construção”. Lawrence Ng San-wa, presidente de um dos nove grupos, a Associação de Subempreiteiros da Construção de Hong Kong, disse esperar que este “compromisso público” reforce “a confiança do público” no sector. As associações comprometeram-se ainda a respeitar as orientações políticas e os regulamentos do Governo, incluindo no que toca à prevenção de incêndios e outras medidas de segurança em estaleiros de construção. Este anúncio surge um dia depois de ser conhecida uma proposta do Governo para impor multas de até 400 mil dólares de Hong Kong para os empreiteiros que falhem na implementação da proibição de fumar. O documento elaborado pelo Departamento do Trabalho prevê ainda que os trabalhadores da construção civil podem enfrentar uma multa de 3 mil dólares de Hong Kong por fumarem em estaleiros. Em casos de risco catastrófico de incêndio – por exemplo, fumar perto de materiais altamente inflamáveis– o trabalhador estará sujeito a uma multa de 150 mil dólares de Hong Kong e uma pena de até seis meses de prisão. Nestes casos, o empreiteiro poderá enfrentar uma multa de 3 milhões de dólares de Hong Kong e a mesma pena de prisão, refere a proposta, já enviada para o parlamento local. Desastre em Tai Po Um incêndio, que começou a 26 de Novembro, causou a morte de 168 pessoas e devastou sete dos oito edifícios do complexo de habitação pública de Wang Fuk, que albergava mais de 4.600 pessoas. Uma comissão independente de investigação iniciou na quinta-feira as audiências sobre o incêndio mais mortífero em Hong Kong desde 1948 e ouviu depoimentos a apontar as falhas que contribuíram para que o fogo se espalhasse. Nas observações iniciais, o advogado principal da comissão disse que as chamas terão começado numa plataforma num poço de luz entre dois apartamentos, tendo sido encontradas pontas de cigarro no local e em andaimes. Victor Dawes apontou como factores que levaram ao desastre os alarmes de incêndio e sistemas de mangueiras desligados, a utilização de redes de andaimes não resistentes ao fogo e a cobertura de janelas com placas de espuma. “No dia do incêndio, quase todos os sistemas de segurança contra incêndios destinados a proteger vidas falharam devido a factores humanos”, lamentou o advogado. A polícia da região chinesa deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude, todas ligadas ao incêndio de Wang Fuk. A agência anticorrupção de Hong Kong deteve ainda outras 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos do complexo situado em Tai Po, no norte do território.
Fórum Boao | ´Davos Asiático’ arranca com ecos do conflito no Médio Oriente Hoje Macau - 25 Mar 2026 Os apelos à paz e a situação internacional estiveram em foco na abertura do encontro que reúne em Hainão, durante quatro dias, 2.000 representantes de 60 países e regiões O Fórum Boao para a Ásia, conhecido como o “Davos Asiático”, começou ontem na província de Hainão, com o secretário-geral do fórum económico, Zhang Jun, a indicar que o encontro ganha especial relevância perante a actual instabilidade política internacional. “Perante as profundas mudanças na ordem mundial e a escalada dos conflitos regionais, apelamos a todas as partes para que cessem imediatamente o fogo e regressem ao caminho das negociações diplomáticas. Devemos, em conjunto, manter a paz e a estabilidade globais, de modo a criar um ambiente favorável para a economia mundial e o desenvolvimento global”, apontou Zhang na cerimónia de abertura. O relatório do fórum publicado ontem prevê que a economia asiática cresça 4,5 por cento em 2026, com a região a continuar a ser o “motor do crescimento mundial” apesar das “incertezas globais”, com a China e os países membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que inclui Timor-Leste, na liderança desse crescimento. De acordo com o documento, a participação da Ásia no Produto Interno Bruto (PIB) global deve avançar de 49,2 por cento em 2025 para 49,7 por cento em 2026, considerando a paridade de poder de compra. Durante os quatro dias que dura o fórum na cidade de Boao, cerca de 2.000 representantes de 60 países e regiões irão participar em debates sobre multilateralismo, cooperação regional e inovação tecnológica, com destaque para a inteligência artificial. Entre os presentes contam-se o Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, o primeiro-ministro de Singapura, Lawrence Wong, e o vice-primeiro-ministro do Cazaquistão, Roman Skylar. No entanto, o primeiro-ministro da Coreia do Sul, Kim Min-seok, que deveria ter proferido o discurso de abertura do evento, cancelou os seus planos de participar no fórum internacional para lidar com os efeitos do conflito no Médio Oriente na economia doméstica. Zhao Leji, actual presidente do Comité Permanente do Congresso Nacional do Povo e terceiro na hierarquia do Comité Permanente do Politburo, órgão máximo de decisão do Partido Comunista Chinês, será o oficial chinês de maior relevo a participar no fórum, com um discurso planeado para dia 26. Macau marca presença O Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, vai deslocar-se também nos dias 25 e 26 de Março para participar na conferência, com o governo de Macau a sublinhar que o evento se vai centrar sobre “o papel dos países do Sul Global na melhoria da governação económica global, a liderança da Ásia na transição da economia mundial”, e no novo “padrão do comércio global face ao impacto das guerras tarifárias”. “O objectivo é reunir consenso e reforçar a confiança, proporcionando ao mundo, em tempos de instabilidade e transformação, maior previsibilidade”, indicou o governo do território semi-autónomo chinês. Uma delegação da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC), representada pelo Presidente da Delegação em Macau, Carlos Cid Alvares, e pelo Secretário-Geral da CCILC, Bernardo Mendia, vai estar também presente no evento, como forma de “promoção das relações económicas e empresariais entre Portugal e a China,”, apontou a organização, O fórum vai abordar ainda o 15.º Plano Quinquenal da China e o desenvolvimento do Porto de Comércio Livre de Hainão, que celebra o primeiro ano como território aduaneiro separado.
Poesia de Lu Xun traduzida Sara F. Costa - 25 Mar 2026 祭書神文 jì shū shén wén 今夕除夕1兮 jīn xī chúxī xī 香煙繚繞兮燭焰紅 xiāng yān liáo rào xī zhú yàn hóng 錢神醉兮其僕忙 qián shén zuì xī qí pú máng 汝何獨兮守古書 rǔ hé dú xī shǒu gǔ shū 宴已開兮酒氣浮 yàn yǐ kāi xī jiǔ qì fú 更漏2長兮夜未央 gēng lòu cháng xī yè wèi yāng 人已去兮醉鄉遠 rén yǐ qù xī zuì xiāng yuǎn 誰為汝兮獻一觴 shuí wéi rǔ xī xiàn yī shāng 1 兮 (xī) Partícula exclamativa característica da poesia 楚辭 (Chuci). Funciona como pausa rítmica e expressão de lamento ou invocação. No português não tem equivalente direto; o seu efeito é recriado através da segmentação dos versos. 2 更漏 (gēnglòu) Relógio hidráulico utilizado na China antiga para medir as horas da noite. 我棄阿堵3兮守舊籍 wǒ qì ā dǔ xī shǒu jiù jí 高歌呼兮降我堂 gāo gē hū xī jiàng wǒ táng 繡旗導兮神車至 xiù qí dǎo xī shén chē zhì 脈望4引兮蠹魚5從 mài wàng yǐn xī dù yú cóng 寒泉獻兮冷華6香 hán quán xiàn xī lěng huā xiāng 為汝狂兮誦離騷7 wèi rǔ kuáng xī sòng lí sāo Ao deus do livro Esta noite — véspera do Ano Novo — espirais de incenso sobem, as velas ardem vermelhas. O deus do dinheiro embriaga-se, os seus servos correm atarefados. Porque permaneces tu sozinho a guardar os livros antigos? O banquete começou, o aroma do vinho espalha-se. 3 阿堵 (ā dǔ) – Expressão literária que significa “dinheiro”. Deriva de uma anedota sobre um erudito que evitava pronunciar diretamente essa palavra. 4 脈望 (mài wàng) – Criatura lendária associada aos livros. Segundo textos taoistas, uma traça que devora caracteres sagrados e se transforma em entidade espiritual. 5 蠹魚 (dùyú) – Inseto que se alimenta de papel; frequentemente usado na literatura chinesa como símbolo do mundo erudito. 6 冷華 (lěnghuā) “Flor fria”, designação poética do crisântemo, associado ao retiro literário e à pureza. 7 離騷 (Lí Sāo) – Poema clássico de 屈原 (Qu Yuan), uma das obras fundadoras da tradição poética chinesa. O relógio da água prolonga as horas, a noite ainda não terminou. As pessoas partiram já para o país da embriaguez. Quem virá oferecer-te uma taça de vinho? Eu renuncio ao dinheiro e guardo os velhos livros. Cantando alto convido-te a descer à minha casa. Com bandeiras de seda chega o carro divino. Maiwang conduz o cortejo e as traças seguem-no. Água fria das nascentes, crisântemos de inverno — por ti, em êxtase, declamo o Li Sao. Comentário Este poema inscreve-se no período inicial da produção literária de Lu Xun, quando o autor ainda experimentava formas poéticas inspiradas na tradição clássica. O modelo formal é o estilo sao, característico da poesia atribuída a Qu Yuan, cuja principal marca é o uso recorrente da partícula 兮, que imprime ao verso um ritmo irregular e uma tonalidade de invocação. A principal dificuldade de tradução reside precisamente nesse elemento. A partícula 兮 não possui equivalente funcional em português. Uma tradução literal produziria uma repetição artificial; por isso optou-se por recriar o ritmo através da fragmentação dos versos e de pausas sintáticas. Outro problema tradutório surge na densidade cultural das referências. Termos como Maiwang (脈望) as traças dos livros ou a expressão Ādū (阿堵)pertencem ao imaginário da cultura letrada chinesa. Em vez de domesticar essas imagens, a tradução preserva os termos e esclarece-os em notas, mantendo o estranhamento simbólico do original. O poema constrói ainda uma oposição central entre dois mundos: o culto da riqueza, representado pelo deus do dinheiro embriagado, e o culto da escrita, simbolizado pelo deus do livro. A voz poética escolhe deliberadamente o segundo, afirmando uma fidelidade quase ascética à tradição literária. O texto funciona como uma declaração da ética intelectual que atravessará toda a obra de Lu Xun: a convicção de que, mesmo num mundo dominado pelo dinheiro e pela embriaguez social, a literatura permanece um espaço de resistência simbólica.
Incêndio | Bombeiros evacuaram 30 pessoas na Rua do Rebanho Hoje Macau - 25 Mar 2026 O Corpo de Bombeiros (CB) foi chamado na madrugada desta terça-feira para acudir a um incêndio numa loja localizada na Rua do Rebanho, e que obrigou à evacuação de 30 pessoas. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, o CB controlou as chamas, não tendo sido registados feridos. Segundo a resposta do Instituto para os Assuntos Municipais ao canal chinês da Rádio Macau, a loja envolvida no incêndio era uma banca de oferendas, sendo que a origem do incidente terá sido um curto circuito provocado por um cabo danificado que existia no local. Acidente | Mulher transportada para o hospital Uma mulher teve ontem de ser transportada para o hospital, depois de ter estado envolvida num acidente com um táxi na zona central da cidade, na Avenida Comercial de Macau. Segundo o jornal Ou Mun, o acidente aconteceu por volta das 8h42, altura em que o Corpo de Polícia e Segurança Pública registou o pedido de auxílio. O sinistro envolveu uma colisão entre uma mota, onde seguia a mulher que acabou transportada para o hospital e um táxi. Após a chamada das autoridades, o taxista disponibilizou-se para auxiliar na investigação da causa do acidente, que ontem ao final da tarde ainda era desconhecida. Gripe | Mais de 50 crianças infectadas em quatro escolas Os Serviços de Saúde foram notificados na segunda-feira para quatro casos de infecção colectiva de gripe em escolas do território, envolvendo 51 alunos doentes. Segundo um comunicado divulgado ontem, a Escola Cham Son de Macau, na Rua Central da Areia Preta, foi a que registou mais casos, com 27 alunos doentes com gripe, seguida da Escola Fong Chong da Taipa, na Rua de Bragança, onde foram diagnosticados 11 estudantes. Na Escola dos Moradores de Macau, na Avenida do Nordeste, ficaram oito alunos doentes, enquanto na Escola Tong Nam, na Rua do Almirante Costa Cabral, foram identificadas cinco infecções. Deste universo, quatro alunos testaram positivo à gripe A, enquanto 20 doentes acusaram gripe do tipo B. Segundo os Serviços de Saúde, as crianças começaram a sentir sintomas no dia 18 de Março e algumas foram submetidos a tratamentos médicos. “As condições clínicas dos doentes são consideradas ligeiras e não foram registados casos graves ou outras complicações”, acrescentaram as autoridades.
Médio Oriente | Alertas de viagem para mais seis países Hoje Macau - 25 Mar 2026 Macau aconselha precaução a residentes caso pretendam viajar para seis países “perante a contínua deterioração da situação no Médio Oriente”. Os países que passaram para o primeiro nível de alerta são o Bahrein, Jordânia, Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos Depois de elevar o alerta de viagem para o nível mais elevado para o Irão e Israel, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) emitiu ontem o alerta de viagem 1, o nível mais baixo numa escala de três, para seis países do Médio Oriente: Bahrein, Jordânia, Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. De acordo com o portal da DST, o nível 1 “representa o surgimento de uma ameaça à segurança pessoal”. “Os residentes de Macau que planeiem viajar ou que se encontrem no destino, devem estar em alerta (…). É sugerido que se mantenham atentos e que acompanhem o desenvolvimento dos acontecimentos”, explica o portal. No mesmo comunicado, a DST recomenda aos residentes de Macau que planeiam viajar para o Iraque, Kuwait e Iémen, ou que já se encontram nesses países, “que redobrem a atenção” no que toca à segurança pessoal. A DST recordou que desde Junho tem vindo a aconselhar os residentes a abandonarem Irão e Israel “o mais rápido possível” e a não viajarem para qualquer dos dois países. A linha aberta da DST recebeu, entre 1 de Março e a passada segunda-feira, 18 pedidos de informação ou assistência relacionados com o Médio Oriente, dos quais cerca de 80 por cento dizem respeito a residentes retidos em Dubai, Abu Dhabi e Bahrein. Os restantes estão relacionados com cancelamentos e pedidos de reembolso de viagens de grupo que não tinham ainda sido iniciadas. A DST acrescenta que “os sistemas de transporte nos aeroportos do Médio Oriente e na Europa continuam a ser afectados”, recomendando atenção a informações das companhias aéreas sobre possíveis para ajustes nos voos. Além disso, a Embaixada da China em Israel emitiu na segunda-feira um comunicado com detalhes para transferência e evacuação e sobre reforço das medidas de segurança. Aqui ao lado Na segunda-feira, as autoridades de Hong Kong elevaram para o nível negro, o mais elevado, o alerta de viagem para Israel e Irão. “Devido à situação de segurança altamente imprevisível no Irão e em Israel, o Governo aconselha os residentes de Hong Kong a evitarem todas as viagens” para qualquer dos dois países. Um porta-voz do Governo acrescentou que os residentes que se encontram em Israel ou Irão devem “cuidar da sua segurança pessoal e abandonar ou deslocar-se imediatamente para regiões relativamente seguras”. A região aconselhou também os residentes a “terem cautela e proteger a sua segurança pessoal” caso viajem para Bahrein, Jordânia, Omã, Qatar, Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Os Estados Unidos e Israel lançaram, em 28 de Fevereiro, uma campanha de bombardeamentos no Irão, que respondeu com ataques aéreos contra Israel e países vizinhos do Golfo que albergam bases militares dos Estados Unidos e também várias infra-estruturas petrolíferas.
SMG | Previsões para 2026 apontam para 5 a 8 ciclones tropicais Hoje Macau - 25 Mar 2026 Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) estimam que entre cinco a oito ciclones tropicais afectem Macau este ano, “correspondendo a um número normal a ligeiramente superior ao normal, não se excluindo a eventual influência de tufões fortes ou de intensidade superior”. Segundas as previsões dos SMG, a época de tufões terá início em Junho, prolongando-se até Outubro. Durante a estação chuvosa (de Abril a Setembro), a temperatura média irá situar-se “entre valores normais e acima do normal”, a mesma previsão para a precipitação acumulada, apesar de a previsão abrir a possibilidade de “episódios de precipitação extrema”. As autoridades salientam o aumento de “fenómenos meteorológicos extremos”, “num contexto de aquecimento global”, que explicam o registo do ano passado. “Em 2025, registaram-se 14 ciclones tropicais a afectar Macau, ultrapassando o recorde histórico de 12 ocorrido em 1974, tornando-se assim o ano com maior número de ciclones tropicais a afectar o território desde o início dos registos sistemáticos, em 1968. De entre estes, o tufão “Wipha” e o supertufão “Wagasa” conduziram ambos ao hastear do sinal n.º 10 em Macau, constituindo a primeira vez que, num mesmo ano, foi necessário hastear por duas vezes o sinal n.º 10”, indicam os SMG.
IAM | Novo recorde de gatos abatidos em 2025 João Santos Filipe - 25 Mar 2026 Com o Governo a recusar implementar os programas de “captura, esterilização e devolução”, o número de abate de animais volta a subir. No caso dos felinos, estabelecem-se novos recordes. Quanto aos caninos, os abates aproximam-se de valores anteriores O ano de 2025 ficou marcado pelo maior número de abates de gatos em Macau pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), um registo que bateu o recorde anterior, que era de 2023. Os dados constam do portal oficial do IAM. No ano passado, foram abatidos um total de 158 gatos, um aumento de 32,8 por cento em relação a 2024, ou de mais 39 abates quando o número tinha atingido 119 gatos mortos. Em relação ao anterior recorde, de 140 gatos abatidos, em 2023, os dados mais recentes mostram um aumento dos abates de 12,9 por cento, ou mais 18 abates. Até 2025, altura em que o IAM fez uma limpeza dos dados estatísticos, a informação oficial mostrava que antes de 2023, o maior número de abates felinos tinha acontecido em 2007, com 124 mortes. Apesar dos anos recentes terem trazido novos recordes ao nível das mortes dos gatos, a verdade é na maioria dos anos, o território tende a abater mais cães, o que voltou a acontecer em 2025. No ano passado, o IAM abateu um total de 333 cães capturados nas ruas do território. Este número está muito longe do recorde de 2010, quando ao longo desse ano o IAM matou um total de 718 cães. Também em 2015, houve mais mortes, com um total de 336 abates caninos. Apesar do recorde antigo, as autoridades têm aumentado o número de mortes nos anos mais recentes. Em 2024, foram abatidos 311 caninos, o que significa que no ano passado se registou um aumento de 7,1 por cento, ou de 22 abates face ao ano transacto. Contudo, entre 2023 e 2024, o número de mortes teve um crescimento de 41,2 por cento, ou 91 mortes, de 220 abates para 311 abates. Sem mudanças O aumento do número de abate de animais acontece ao mesmo tempo que o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) recusa implementar os programas de “captura, esterilização e devolução” dos animais que andam à solta nas ruas de Macau. Este programa era uma aspiração de alguns deputados, mais ligados à ala democrata, mas que perdeu espaço na Assembleia Legislativa, depois das exclusões eleitorais. Apesar disso, o assunto não morreu de todo, e no final do ano passado o deputado dos Moradores, Leong Hong Sai, voltou a abordar o assunto, através de uma interpelação escrita. Contudo, os dirigentes do IAM preferem apostar numa política de abate de animais, em vez de implementar o programa de “captura, esterilização e devolução”. “Tendo em conta a alta densidade populacional de Macau, tomando como referência as experiências do exterior e tendo em consideração a influência sobre a vida da população, o ambiente ecológico das florestas, a saúde pública, entre outros factores, não há condições, nesta fase, para desenvolver plenamente as medidas ‘captura, esterilização e devolução’ para animais vadios em todas as zonas de Macau”, limitou-se a justificar Chao Wai Ieng, sobre a opção deste Governo. Enquanto se procedeu ao aumento do número de abates, o Executivo eliminou cerca de 15 anos de dados oficiais. No ano passado o HM questionou o IAM sobre o desaparecimento dos dados oficiais, mas nunca recebeu qualquer resposta.
Jogo | MP de Taiwan acusa 10 pessoas de branqueamento de capitais Hoje Macau - 25 Mar 2026 O Ministério Público (MP) de Taiwan acusou 10 pessoas de usarem casinos de Macau para branquear 33 mil milhões de dólares taiwaneses (8,3 mil milhões de patacas), provenientes de jogo ilegal na Internet. O MP do distrito de Yunlin, no oeste de Taiwan, anunciou na segunda-feira à noite a conclusão da investigação a um grupo criminoso que terá recrutado pessoas para adquirir fichas de jogo em casinos de Macau através de cartões de crédito. Os suspeitos – incluindo os dois alegados cabecilhas, um homem de 37 anos de apelido Chen e um homem de 36 anos de apelido Lin – foram acusados de branqueamento de capitais e outros crimes, referiram os procuradores, num comunicado. Horas antes, a polícia de Taiwan tinha dito que os dois homens, que continuam em fuga e são alvo de um mandado de detenção válido por 20 anos, operavam uma rede de jogo ilegal ‘online’. O Departamento de Investigação Criminal (CIB, na sigla em inglês) de Taiwan disse que a investigação começou depois de ter identificado fluxos suspeitos de várias contas bancárias sinalizadas por ligações ao crime. De acordo com um comunicado do CIB, o dinheiro era transferido para contas cujos titulares pediam cartões de crédito com limites altos. Os agentes do grupo usaram pelo menos 85 cartões de crédito para comprar fichas de jogo em casinos de Macau, que eram mais tarde convertidas em dólares de Hong Kong. O CIB disse que este é o primeiro caso de branqueamento transfronteiriço de capitais, com recurso a casinos, descoberto pelas forças policiais de Taiwan. A operação levou à detenção de 20 pessoas, o congelamento de quase 231 milhões de dólares taiwaneses (58,1 milhões de patacas) em contas bancárias e a apreensão de 2,62 milhões de dólares taiwaneses em dinheiro.
Fórum Macau | Planos de cooperação divulgados em breve Hoje Macau - 25 Mar 2026 Decorreu ontem a 21.ª reunião Reunião Ordinária do Secretariado Permanente do Fórum de Macau. Segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, o secretário-geral deste secretariado, Ji Xianzheng, adiantou que entre Abril e Maio será divulgada a versão preliminar do plano para as acções de cooperação do Fórum, sendo também “reforçada a comunicação e coordenação com os Governos de diversos países” a propósito da sétima Conferência Ministerial. O plano de acção a aprovar nesta sétima reunião está ainda a ser apreciado pelas autoridades do Governo Central, alinhando-se com o que está definido no 15.º Plano Quinquenal. O responsável adiantou ainda que o referido plano de acção será analisado por algumas entidades de Macau. Ji Xianzheng acrescentou que “o volume de trabalho deste ano [do Fórum Macau] deverá ser bastante intenso”.
IAM | Assegurado aluguer de bicicletas Hoje Macau - 25 Mar 2026 O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) garante que é possível alugar bicicletas junto de todas as ciclovias do território. A posição foi tomada na resposta a uma interpelação da deputada Loi I Weng, ligada à Associação das Mulheres. “Actualmente, em todas as ciclovias de Macau, estão disponibilizados serviços de aluguer de bicicletas, máquinas automáticas de venda, sinalização de trânsito, e locais de estacionamento, entre outras instalações complementares”, foi afirmado. A resposta revela também que as obras para ligar os edifícios Yoho Co-Tai Marina Bay e Co-Tai Star Prestige II, junto da Avenida Marginal Flor de Lótus, começaram em Agosto do ano passado. Sobre esta ligação, Chao Wai Ieng, presidente do IAM, afirmou que se trata de um projecto de “concepção aprofundada”, sem elaborar sobre a expressão.
Hengqin | Mais um dirigente de empresa estatal acusado de corrupção João Luz e Nunu Wu - 25 Mar 2026 O antigo gerente-geral da Da Heng Qin Investment, Wu Pusheng, foi acusado de receber subornos e abuso de recursos públicos. Wu Pusheng é o segundo dirigente da empresa responsável pelo desenvolvimento de Hengqin a cair nas malhas da justiça chinesa em menos de um ano Wu Pusheng, que foi dirigente-geral da empresa estatal Da Heng Qin Investment, vai ser julgado pela suspeita aceitar subornos, abuso de poder e de recursos públicos para proveito próprio, depois de ter sido anunciado que corre um processo criminal que já foi encaminhado para o Ministério Público. As informações foram divulgadas na segunda-feira pela Comissão Municipal de Inspecção e Supervisão Disciplinar de Zhuhai. Em comunicado, as autoridades da cidade vizinha referem que Wu Pusheng teve uma crise ideológica, traindo as missões políticas originais, demonstrou deslealdade e desonestidade perante o Partido Comunista Chinês (PCC) e não colaborou com a investigação. Acção que terão determinado a expulsão do partido. A entidade acusou o empresário de violar “princípios fundamentais de integridade, receber prendas, dinheiro e violar as regras do PCC. Além disso, foi acusado de receber subornos, abusar de recursos públicos para o uso privado, concorrência desleal, abuso de poder para beneficiar terceiros em contratação de projectos de obras e aceitar ilegalmente grandes somas de dinheiro e bens materiais de elevado valor. A Comissão Municipal de Inspecção e Supervisão Disciplinar de Zhuhai acrescentou que Wu Pusheng “não se conteve” em continuar acções graves, mesmo depois do 18.º Congresso Nacional do PCC, em 2012, onde Xi Jinping deu início à campanha anti-corrupção. Disco riscado As acusações que recaem sobre Wu Pusheng são semelhantes às que incidiram sobre Hu Jia, o ex-presidente da Da Heng Qin Investment e seguem a linha habitual da campanha anti-corrupção. Em Maio do ano passado, o antigo presidente do grupo empresarial, Hu Jia foi acusado de violações à disciplina e à lei e ficou sob investigação da Comissão Municipal de Inspecção e Supervisão Disciplinar de Zhuhai. Em Setembro, o organismo anunciou que Hu Jia recebeu subornos entre 2015 e 2024, acabando também por ser expulso do PCC e a investigação seguiu para o Ministério Público. Após a divulgação do caso de Hu Jia, o vice-director do Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada Su Kun demitiu-se do cargo por “motivos pessoais”. Su Kun está desde 4 de Fevereiro a cumprir um período experimental de seis meses como técnico superior assessor no gabinete do secretário para Administração e Justiça Wong Sio Chak.
Táxis | Recolhidas opiniões para mudar a lei Hoje Macau - 25 Mar 2026 O Director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) afirmou já ter recolhido opiniões dos taxistas, para avançar com as alterações à lei que vai regular as aplicações móveis. A garantia foi deixada por Chiang Ngoc Vai, director da DSAT, na resposta a uma interpelação escrita pela deputada Wong Kit Cheng. “A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) planeia proceder à revisão da Lei n.º 3/2019 (Regime jurídico do transporte de passageiros em automóveis ligeiros de aluguer), de modo a criar condições favoráveis e uma base legal adequada para o serviço de chamada de táxis através de plataformas online e para os respectivos mecanismos de fiscalização”, foi indicado. “A DSAT já recolheu opiniões junto do sector dos táxis, das associações relevantes e dos organismos consultivos, encontrando-se actualmente a proceder à respectiva análise, e irá promover activamente os trabalhos subsequentes de revisão legislativa”, foi acrescentado. O Governo não se comprometeu com qualquer data para a apresentação do diploma. Função Pública | Wong Sio Chak recebeu comissão de queixas O secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, recebeu ontem o relatório anual da Comissão de Gestão do Tratamento de Queixas Apresentadas por Trabalhadores dos Serviços Públicos (CGTQ). O relatório foi entregue durante um encontro que serviu também para abordar os mecanismos de apresentação de queixas em vigor. Segundo Leong Iok Wa, presidente do CGTQ, em 2025 foram recebidas nove queixas, e em média cada caso é acompanhado por cerca de 22 contactos telefónicos e reuniões presenciais, a fim de ajudar o queixoso a clarificar as suas reivindicações e prestar-lhe apoio emocional. Por sua vez, Wong Sio Chak considerou que o regime do tratamento de queixas tem desempenhado um papel positivo na resolução adequada das queixas apresentadas pelos trabalhadores dos serviços públicos, contribuindo para a melhoria contínua da gestão interna dos serviços. Durante o ano passado, o CGTQ fez uma visita à Ilha da Montanha, para se inteirar do ambiente de trabalho dos funcionários públicos de Macau naquela zona.
Segurança Social | Leong Sun Iok quer mais fontes de financiamento João Santos Filipe - 25 Mar 2026 O legislador ligado aos Operários avisa que são necessárias mais fontes de financiamento para o Fundo de Segurança Social, para permitir aumentar as pensões. Contudo, o deputado não faz qualquer proposta, e espera que o Governo apresente soluções O deputado Leong Sun Iok considera que o Governo tem de fazer uma revisão do sistema de financiamento do Fundo de Segurança Social, devido ao envelhecimento da população e ao aumento dos custos inerentes. A posição do deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) foi divulgada através de um comunicado. Segundo o deputado, o território “precisa de encarar o facto de que, desde de 2023, o índice de envelhecimento de Macau ultrapassou pela primeira vez os 100 por cento, o que significa que a população idosa ultrapassou oficialmente a população de crianças e adolescentes”. Além disso, aponta que os idosos têm cada vez mais expectativas “em relação à qualidade de vida”, apesar do “agravamento do envelhecimento da população”, “aumento dos preços” e de haver cada vez mais idosos dependentes dos rendimentos dos jovens. Neste contexto de maior pressão, o deputado considera que o Governo deve “rever a estrutura das fontes de financiamento do actual Fundo de Segurança Social”, “estudar formas de aumentar as receitas do fundo e ajustar de forma razoável o montante das pensões”. O deputado argumento que o seu objectivo é “permitir que a grande maioria dos idosos desfrute de uma velhice confortável”. Perigos do jogo Sobre o montante gasto do Fundo de Segurança Social, Leong Sun Iok indica que entre 2020 e 2024, a nível das pensões, houve um aumento dos gastos de 950 milhões de patacas para 5,17 mil milhões patacas. Este montante deveu-se somente a haver mais pessoas a receberem uma pensão, dado que o montante não sofreu aumentos durante estes anos. Com grande parte do financiamento a vir das receitas do jogo, o deputado pede diversificação, para evitar as flutuações deste mercado. “A experiência da pandemia demonstrou que as dotações provenientes do jogo, que representam uma parte significativa, são extremamente susceptíveis às influências do ambiente externo, tendo o montante injectado caído abruptamente de 5,01 mil milhões de patacas em 2019 para 780 milhões de patacas em 2022”, apontou. “Além disso, o retorno dos investimentos [feitos pelo FSS] é repleto de incertezas: embora em 2019 tenha sido registado um excedente de 5,5 mil milhões de patacas, em 2022 verificou-se uma perda de investimento de 7,7 mil milhões patacas”, vincou. Face aos números Leong San Iok sugeriu que, para garantir a estabilidade a longo prazo do sistema de segurança social, o Governo deve rever a estrutura actual das fontes de financiamento e estudar activamente estratégias para aumentar as receitas. No entanto, o deputado não indicou qualquer tipo de solução para aumentar as receitas do fundo.
Médio Oriente | Analista considera que China vai ser “mais assertiva” Andreia Sofia Silva - 25 Mar 202625 Mar 2026 O investigador da Universidade Lusíada Tiago André Lopes defendeu no Centro Científico e Cultural de Macau que a China vai assumir uma “postura mais assertiva” no Médio Oriente. Para cumprir objectivos no âmbito da Rota da Seda, Pequim vai lutar pela paz na região, defende o analista Foi na sessão “O Médio Oriente nas Garras do Dragão – do Acordo de Pequim à Comissão Tripartida Conjunta” que o investigador e especialista em ciência política, Tiago André Lopes analisou o papel que a China tem tido no Médio Oriente nos últimos anos, ainda antes da guerra do Irão, e os objectivos que pretende para o futuro no relacionamento com os países da região. A palestra, apresentada no âmbito das Conferências da Primavera do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), serviu sobretudo para analisar a Comissão Tripartida Conjunta China-Irão-Arábia Saudita, cuja terceira sessão decorreu em Dezembro de 2025. Para Tiago André Lopes, “enquanto instrumento de diplomacia [a Comissão Tripartida Conjunta] é das coisas mais interessantes que a China fez nos últimos cinco a seis anos”, pelo “objectivo ambicioso, mas, acima de tudo, pelo desafio directo a Washington que representa”. Uma das novidades saídas deste terceiro encontro, realizado a 9 de Dezembro de 2025 em Teerão, foi a discussão em torno do Acordo de Pequim. Segundo um comunicado oficial divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, aquando da conclusão da reunião, “o Irão e a Arábia Saudita reafirmaram o seu compromisso com todas as disposições do Acordo de Pequim”, comprometendo-se “a envidar esforços para consolidar relações de boa vizinhança e amizade entre os dois países, com base no respeito pela soberania nacional, integridade territorial, independência e segurança”. Na mesma nota, lê-se que “o Irão e a Arábia Saudita saudaram o papel positivo contínuo da China”, sendo que a China “salientou a disponibilidade para continuar a apoiar e a incentivar as medidas tomadas pelo Irão e Arábia Saudita no sentido de desenvolver as suas relações em vários domínios”. “A actual escalada das tensões regionais representa uma ameaça tanto para a segurança regional como para a segurança global. Neste contexto, é muito importante que altos funcionários do Irão e da Arábia Saudita se envolvam em contactos, reuniões e visitas mútuas”, pode ainda ler-se. Mudança de postura Para Tiago André Lopes, a China vai mudar de atitude diplomática nos próximos tempos, tendo em conta os seus objectivos para o Médio Oriente. “Vamos começar a ver uma China mais assertiva, porque percebe que, se não for assertiva, corre o risco de perder coisas. E uma das coisas que a China não quer perder é o Médio Oriente. Há dias a China relembrou a todos os países do Médio Oriente que é um parceiro confiável e relembrou à Arábia Saudita e ao Irão que esta comissão existe”, destacou. O analista, ligado à Universidade Lusíada, lembrou também a posição chinesa aquando do início do conflito EUA-Israel-Irão, no sentido em que “este seria o momento em que os países árabes poderiam recuperar uma independência plena”. Para o académico, isso significa que a China quer lançar “o desafio” ao Médio Oriente para “largar aquilo que entendemos como o braço norte-americano e propagar-se a outros parceiros”, sendo que estes “são, obviamente, Pequim e não, eventualmente, a Turquia ou outros parceiros na região”. Trata-se “de um reflexo desta política da China de ter uma pegada muito activa no Médio Oriente, porque lhe interessa, e que a Arábia Saudita e o Irão não estejam permanentemente em conflito”. Tudo para que, “depois, os EUA e o Reino Unido sejam permanentemente mediadores de um conflito do qual eles beneficiam, mas onde a China tende a perder. E é por isso que a Comissão [Tripartida Conjunta] existe”, acrescentou. Tiago André Lopes lembrou que actualmente existe no país um grande debate sobre a política do não intervencionismo chinês. “Há uma grande discussão na China, que é muito interessante e que tenho tentado acompanhar o mais possível, que é a discussão que foi lançada e que é agora pública, sobre o não intervencionismo chinês”, que, segundo o analista, o país mantém desde meados dos anos 50. Outro conceito na política externa do país é o do princípio da coexistência pacífica entre países. “A China, grosso modo, não se envolve em conflitos que não sejam directamente seus. Dá apoio logístico, ao nível de informações, mas não coloca operacionais e, teoricamente, não coloca equipamento”, disse Tiago André Lopes, que considerou o facto de haver este debate público em torno do não-intervencionismo constitui um sinal de que “vamos ter uma transformação” em termos de postura diplomática do país, no sentido de maior assertividade. Acordo que funciona Porque o Médio Oriente, grosso modo, é tão importante para a China? Tiago André Lopes enumerou algumas razões: “a Rota da Seda passa substancialmente pelo Médio Oriente. Portanto, as estradas, quer a rota física da rede viária, a rede marítima, quer também a rede digital, passam todas pelo Médio Oriente. E, portanto, ter o Médio Oriente em tensão bélica não interessa à China”. Além disso há a questão energética, pois “o Médio Oriente permite à China não ser dependente excessivamente da energia vinda da Rússia”. “A China não gosta de dependências, gosta de ter múltiplos parceiros, por isso, a relação que tinha, já não tem, com a Venezuela; há a relação que tem ainda com o Irão, e a procura de outros parceiros para a questão da energia. E, por isso, é importante que o Médio Oriente seja estabilizado.” O analista entende que a região do Médio Oriente foi alvo de algum “abandono” por parte dos EUA aquando dos acontecimentos da Primavera Árabe, em 2011. Entretanto, a China está a tentar reforçar a sua posição neste campo, para o qual a Comissão Tripartida Conjunta é importante. Pequim pretende “tomar diplomaticamente uma região que os EUA abandonaram durante a Primavera Árabe”, já que “a opção de Obama foi largar o Médio Oriente”. “Nessa altura, quer o Irão, a Turquia e a Rússia entraram na região diplomaticamente, ganharam pé na região. A própria discussão sobre se a Rússia perdeu ou não um aliado na região com a questão da Síria é uma falsa discussão. A Síria manteve as bases que queria, e, portanto, não perdeu coisa nenhuma. Não há propriamente uma relação de paixão e amor entre Assad e Vladimir Putin. Há uma relação de interesse. O interesse da Rússia é ter bases. Portanto, não há, inapropriadamente, uma derrota de maior. Pelo menos, a assinalar nesta fase”, disse. A questão do Iémen Desta reunião da Comissão Tripartida Conjunta saíram também conclusões em torno da questão do Iémen, que para Tiago André Lopes “é o caso mais peculiar disto tudo” e o “efeito colateral positivo desta comissão tripartida”. Na nota difundida pelo MNE chinês, lê-se que “os três países reafirmaram o apoio a uma solução política abrangente para a questão do Iémen, em conformidade com os princípios internacionalmente reconhecidos, sob os auspícios das Nações Unidas”. “O Iémen tinha um acordo de cessar fogo que terminou em Setembro de 2023 e que continuou a valer até os dias de hoje, sem renovação. Grosso modo, o acordo não tem sido violado”, explicou. “De facto, outros envolveram-se e empenharam-se no conflito com Israel, mas não com o resto do Iémen, pelo que a dinâmica de guerra civil que estava no Iémen [estancou]. O acordo de cessar fogo tem-se, grosso modo, mantido com pouquíssimas renovações. Têm sido raros os episódios e aí há, claramente, influência da China.” Neste sentido, Pequim “percebeu que só vai resolver a crise política do Iémen quando a Arábia Saudita e Irão assim o entenderem e tiverem um plano político comum, o que esta comissão [Comissão Tripartida Conjunta] pretende fazer”, destacou Tiago André Lopes. Nas conclusões da terceira reunião da Comissão Tripartida Conjunta foram discutidos “os progressos alcançados na cooperação consular entre o Irão e a Arábia Saudita, que permitiram que mais de 85.000 peregrinos iranianos realizassem o Hajj [peregrinação a Meca] e que mais de 210.000 peregrinos iranianos realizassem os rituais da Umrah com facilidade e segurança em 2025”. Houve ainda “diálogo entre instituições e indivíduos iranianos e sauditas sobre a cooperação em áreas como a investigação conjunta, a educação, os meios de comunicação social, a cultura e os grupos de reflexão”. Além disso, Irão, China e Arábia Saudita “apelaram ao fim imediato das acções de Israel que infringem a Palestina, o Líbano e a Síria, e condenaram a violação da soberania nacional e da integridade territorial do Irão”, sendo que, neste contexto, “a parte iraniana agradeceu à China e à Arábia Saudita por assumirem uma posição clara sobre os referidos actos de agressão”.
Saúde | Residentes evitam procurar apoio psiquiátrico Hoje Macau - 24 Mar 2026 O director dos Serviços de Saúde de Macau (SSM) apontou ontem que um dos maiores problemas no tratamento de saúde mental do território é o próprio estigma dos residentes em pedir apoio psiquiátrico. O número de mortes por suicídio tem vindo a crescer nos últimos anos em Macau, com a melhoria dos serviços de apoio à saúde mental da população a ganhar maior destaque na discussão de saúde pública. Em 2025, foram registados 91 casos de suicídio no território com apenas 689 mil habitantes, segundo dados da direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), um dos números mais elevados de sempre na cidade. Segundo Alvis Lo, os SSM disponibilizam actualmente 10 especialistas de saúde mental no Serviço de Psiquiatria do hospital público Conde de São Januário, com 160 médicos de diferentes especialistas a terem recebido treino para providenciarem serviços de saúde mental. “Temos também um mecanismo de saúde mental comunitário, e de encaminhamento para o hospital público. Nós queremos que os cidadãos possam receber atendimento o mais cedo possível”, apontou o diretor dos SSM. No entanto, Lo alertou que um “problema essencial” reside na resistência dos próprios residentes em procurar apoio quando confrontados com problemas de foro psicológico. “Pensam que serão considerados fracos mentalmente ou serem descritos como alguém com problemas mentais. Nós queremos encorajar as pessoas a procurar apoio e temos serviços disponíveis”, indicou Lo. Dados essenciais As autoridades de saúde da cidade chinesa semi-autónoma anunciaram ontem um novo inquérito sobre a saúde, para questionar cerca de 3.000 residentes com mais de 18 anos sobre vários indicadores de saúde. Numa conferência de imprensa ontem, a chefe do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos SSM, Leong Iek Hou, indicou que o inquérito pretende articular os trabalhos de saúde publica com informação do estado de saúde dos residentes e aumentar a consciência dos mesmos sobre a prevenção. Além de testes médicos para os voluntários, o inquérito terá também pela primeira vez uma componente de avaliação de saúde mental. “Desta vez teremos alguns itens para saber algumas coisas sobre saúde mental, como ansiedade, insatisfação ou a qualidade do sono. Perguntamos se o residente está a utilizar o nosso serviço de assistência e se conhece esses serviços. Com estes dados vamos tomar como referência para as nossas políticas de futuro”, apontou Leong. Como prevenir Numa resposta a perguntas da Lusa sobre as estratégias planeadas para prevenir o aumento de casos de suicídio, os SSM apontaram que as causas “são complexas e envolvem frequentemente doenças mentais, factores psicológicos, socioeconómicos, familiares, de relações interpessoais e biogenéticos”. Apesar da complexidade do assunto, os SSM sublinharam que “o suicídio pode ser prevenido” e que a prevenção eficaz exige “a atenção e participação activa de todos”. Para reduzir a ocorrência de casos, os responsáveis da saúde pediram aos residentes que “no seu dia-a-dia, mantenham um contacto próximo, comuniquem mais e prestem atenção às pessoas à sua volta”, incentivando aqueles que enfrentam perturbações emocionais a procurar apoio profissional. Segundo os SSM, actualmente, os nove centros de saúde da cidade disponibilizam serviços de saúde mental, complementados por psicoterapia financiada pelo Executivo e prestada pela União Geral das Associações dos Moradores de Macau e pela Associação das Mulheres de Macau. Foi também criada a uma linha aberta de apoio emocional disponível 24 horas por dia e uma aplicação de “Autoverificação Emocional”, que permite aos residentes avaliar o seu estado psicológico. Todos aqueles que estejam emocionalmente angustiados ou considerem que se encontram numa situação de desespero devem ligar para a Linha Aberta “Esperança de vida da Caritas” através do telefone n.º 28525222 de forma a obter serviços de aconselhamento emocional.
Até o Constitucional é política André Namora - 24 Mar 2026 O Tribunal Constitucional (TC) desempenha um papel fundamental no sistema político e jurídico português, assegurando que o poder político e as leis respeitam o Estado de direito, especialmente a defesa da Constituição. Mas, que raio de país é o nosso onde a política tem de se imiscuir em tudo, tudo o que mexe com a vida dos cidadãos. O Tribunal Constitucional é um órgão soberano que actua como tribunal superior em matéria constitucional e as suas decisões são obrigatórias para todas as entidades. O TC é composto por 13 juízes: 10 designados pela Assembleia da República e três cooptados por estes. Na semana passada, assistimos a um espectáculo indecoroso sobre a eleição, ou escolha, dos juízes para o TC. E, obviamente no cerne da “bronca” tinha de estar o Chega, partido que pensa tudo poder fazer desde que passou a ser o segundo grupo parlamentar. Existem três juízes que é preciso substituir no Constitucional. E a partir daqui, entrou a bagunça política e a tentativa de alterar a história, só porque o político que retirou o subsídio de férias, o de Natal e baixou as reformas aos pobres “ressuscitou” e anda pelo país a querer voltar à ribalta num claro apoio à junção com o Chega. Pedro Passos Coelho, até se intrometeu na escolha dos juízes para o TC forçando uma maioria à direita entre AD, Chega e IL. Para já, se Luís Montenegro e André Ventura mantiverem a ideia de designarem sozinhos os nomes dos três juízes, o líder do Partido Socialista irá romper todas as negociações com o Governo. José Luís Carneiro afirmou que “seria incompreensível que o Partido Socialista fosse afastado do Tribunal Constitucional por uma maioria de direita aliada à extrema-direita” e acrescentou que os portugueses não iriam achar correcto “se o Partido Socialista, fundador das liberdades e dos direitos fundamentais, ficasse de fora” do Constitucional. Por seu turno, o líder do Livre, Rui Tavares, vai directamente ao âmago da questão e sustenta que se, o acordo com o Chega acontecer para a eleição dos juízes do TC “fica toda a gente a perceber que o PSD foi naquele sentido porque quis ir naquele sentido”. À saída de uma audiência com o Presidente da República, o Livre mostrou disponibilidade para, com PS e PSD, fazer parte da maioria de dois terços necessários para eleger os juízes do TC. Rui Tavares disse que “se houver um acordo entre o PSD e essa visão anticonstitucional é uma traição à história do PSD”. Este é um exemplo claro da doença em que se encontra a nossa democracia. Quando hostes políticas que sempre, desde os seus fundadores, defenderam teses democráticas se aproximam dos racistas, xenófobos, demagogos e autarcas corruptos, tudo vai mal no império Spinumviva. O diagnóstico está traçado e o medicamento adequado será difícil de encontrar no mercado, e viu-se, com o caso da Base das Lajes a servir de trampolim para bombardear o Irão e a diferença com o governo espanhol que proibiu todo e qualquer uso das bases americanas em Espanha para que Trump demonstrasse a sua senilidade. Numa altura em que passámos a ter um novo Presidente da República. Numa altura em que nunca se falou tanto em estabilidade. Numa altura em que Presidente da República e o Governo apontavam a consensos importantes para a melhoria de vida dos portugueses, deparamo-nos com uma traição política por parte de Montenegro, simplesmente porque receia que o seu “inimigo” Passos Coelho possa candidatar-se às diretas do seu partido, em Maio, caso ele não alinhe nas teses passistas. Quando para um órgão soberano como o Tribunal Constitucional se pretende afastar da sua constituição um juiz socialista, é baixa política. Adivinha-se a pretensão. Com um colégio judicial de direita e de extrema direita passará a ser fácil o cumprimento das intenções malévolas e antigas de realizar uma revisão constitucional…