Fórum de Cooperação Ambiental | Mobilidade ecológica em destaque

Uma nova “zona de exposição de mobilidade ecológica”, com “veículos movidos a novas energias”, vai ser apresentada na edição deste ano do MIECF – Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau, foi ontem anunciado.

Subordinado ao tema “Rumo a uma nova de ecologia e baixa emissão carbónica”, o MIECF vai decorrer entre 5 e 7 de Agosto, destacando-se entre as acções presenciais a “Mostra Verde”, que vai contar com a apresentação “de veículos movidos a novas energias, equipamentos complementares e tecnologias relevantes” na “zona de exposição de mobilidade ecológica”, indicaram as autoridades locais, em comunicado.

Exposições dedicadas à apresentação de tecnologias ecológicas inovadoras vão estar patentes ao público neste fórum dedicado à “promoção da cooperação e do intercâmbio, à escala mundial, entre organismos governamentais, indústrias, universidades, centros de investigação, consumidores e serviços financeiros, no âmbito da proteção ambiental”, indicou a mesma nota.

Organizado pelo Governo e coordenado pelo IPIM e Direcção dos Serviços de Proteção Ambiental, o MIECF vai contar, ao longo dos três dias, “com sessões de intercâmbio especializadas, tanto a nível ‘online’ (…), como a nível ‘offline'”, no recinto, acrescentou.

28 Mai 2021

Especialistas defendem que Macau financie indústrias sustentáveis nos países lusófonos

V ários especialistas defenderam que Macau deve transformar-se num centro do financiamento chinês às indústrias sustentáveis nos países lusófonos, definindo-o como um mercado de risco, mas rico em recursos naturais.

“Os países de língua portuguesa são a ‘casa’ de 267 milhões de habitantes, têm vastas reservas de petróleo, gás”, possuem potencial turístico e recursos marinhos e, no seu todo, assumem-se como “o quarto maior produtor de petróleo do mundo”, sublinhou o professor da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau, Jacky So, no segundo dia do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF, na sigla inglesa).

“É um mercado com os seus riscos, mas de grande potencial” e “a China precisa de garantir recursos energéticos”, explicou o especialista.

“Portugal e Brasil poderiam especializar-se no desenvolvimento de ‘software’ e tecnologia para combater o aquecimento global” e os outros países lusófonos [Angola, Moçambique, Timor-Leste, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe] “exportariam os seus materiais e recursos para financiarem os investimentos ‘verdes’”, defendeu.

Ou seja, os países de língua portuguesa poderiam suportar os seus investimentos na indústria virada para o desenvolvimento sustentável “com a receita do comércio com a China” e com a nova metrópole mundial denominada de Grande Baía que envolve Macau, Hong Kong e nove cidades chinesas da província de Guangdong, através de Macau, resumiu Jacky So.

O papel de Macau como um centro de financiamento de indústrias ‘verdes’ dos países lusófonos foi também defendida na mesma sessão pelo director-adjunto do Instituto de Pesquisa Financeira do Banco Popular da China (o banco central chinês), Mo Wangui, bem como pelo fundador e vice-presidente da Fundação de Desenvolvimento Urbano da China, Zheng Xiaoping, o presidente do conselho de administração da Autoridade Monetária de Macau, Chan Sal San, e o chefe de divisão de Políticas e Regulamentação, Administração e Supervisão Financeira Local da província de Guangdong, Yang Yiming.

No discurso de abertura, o presidente do conselho de administração da Autoridade Monetária de Macau lançou desde logo o debate: “Macau envidará os seus maiores esforços para aperfeiçoar as infraestruturas financeiras, conceber políticas e medidas de estímulo (…) e maximizar o aproveitamento das vantagens de Macau como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa, bem como promover a comunicação e troca de informação entre os mercados financeiros verdes da Grande Baía e do exterior”.

Mais tarde, aos jornalistas, o orador principal convidado pelo Governo de Macau, Michael Liebreich, alertou para alguns desafios que se colocam a partir deste cenário.

“A questão é saber se os países em desenvolvimento [em África] vão querer seguir um caminho ‘verde’, uma vez que vão querer industrializar-se e fazer crescer rapidamente as economias, seguindo velhos modelos”, como aquele seguido pela China até há pouco tempo, advertiu o consultor em financiamento climático e desenvolvimento sustentável.

O MIECF acolhe mais de 500 expositores, provenientes de cerca de 20 países e regiões.
As sessões integram oradores de cerca de 70 pioneiros ambientais, líderes de empresas multinacionais e criadores de políticas, provenientes de sete países e regiões, nomeadamente, da China, Holanda, Portugal, Timor-Leste, Reino Unido, Hong Kong e Macau. O MIECF 2019 ocupa uma área total de exposição de mais de 16.900 metros quadrados

30 Mar 2019

Macau pode ser líder ecológico e influenciar China e resto do mundo, diz consultor

O consultor, ex-director dos Transportes de Londres e antigo presidente do conselho consultivo da Bloomberg New Energy Finance disse que Macau tem condições para ser um líder ecológico e influenciar a China e o resto do mundo.

“A questão para Macau é esta: por que não liderar, por que não ser o primeiro, mas também produzir conhecimento e capacidade para criar negócios e influenciar a China continental e o resto do mundo?”, até porque “não falta capital”, salientou Michael Liebreich no segundo dia do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF, na sigla inglesa).

A falta de espaço em Macau não é um problema para a criação de infraestruturas associadas ao desenvolvimento sustentável, como o carregamento de viaturas eléctricas, mas o verdadeiro obstáculo pode estar em gerar energia renovável, admitiu o consultor em áreas que vão desde a energia limpa e transporte, infraestrutura inteligente, tecnologia, até ao financiamento climático e desenvolvimento sustentável.

Por isso, sugeriu, “seria importante trabalhar com a China continental e importar electricidade ‘limpa’”. Em 2030, Macau só deveria comprar electricidade gerada a partir de emissões zero de carbono, exemplificou.

“Macau é um caso de estudo interessante. Não vejo porque razão todo o transporte terrestre não é todo eléctrico (…) e até os ferries serão todos eléctricos. É uma questão de tempo (…) até todos os transportes de curta distância (…) serem todos eléctricos”, defendeu, sublinhando a pequena dimensão do território, que tem cerca de 30 quilómetros quadrados.

“É um desafio e oportunidade tornar Macau uma ‘jóia verde’ da Grande Baía [um projecto regional de criação de uma metrópole mundial] e torná-la exemplar”, sustentou, salientando o potencial do “impacto da marca” e, consequentemente, de influenciar através da liderança.

Para Michael Liebreich, o desafio passa por começar a “reduzir a pegada ecológica, com hotéis, transportes, aviação” para, dessa forma, “ganhar competitividade” regional.

O MIECF acolhe mais de 500 expositores, provenientes de cerca de 20 países e regiões.

As sessões integram oradores de cerca de 70 pioneiros ambientais, líderes de empresas multinacionais e criadores de políticas, provenientes de sete países e regiões, nomeadamente, da China interior, Holanda, Portugal, Timor-Leste, Reino Unido, Hong Kong e Macau.

O MIECF 2019 ocupa uma área total de exposição de mais de 16.900 metros quadrados.

30 Mar 2019

MIECF | Governo promete sete medidas ambientais para melhorar cidade

Sónia Chan disse que o Governo irá reforçar “a educação ecológica, fomentando o uso da energia verde”, estabelecer “um mecanismo de tratamento integrado de fontes móveis de poluição” e implementar a medida do poluidor-pagador”. A Chefe do Executivo interina discursou perante o ministro da Ciência e Tecnologia da China

 

Arrancou ontem o Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF, na sigla inglesa). Na sessão de abertura, a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan prometeu sete medidas ambientais para melhorar a qualidade de vida em Macau. A saber: educação ecológica e a promoção do uso de energias ‘verdes’, o tratamento integrado de fontes móveis de poluição, a implementação do princípio poluidor-pagador, redução do uso de plástico, construção de infra-estruturas ecológicas e criação de mais espaço verdes e de lazer.

Numa toada diferente, António Trindade, presidente da CESL Asia, recordou que Macau lança ao rio cerca de metade do esgoto, sem tratamento, num volume equivalente a 31 piscinas olímpicas diariamente. Em declarações à Rádio Macau, António Trindade comentou a situação catastrófica ao nível da poluição marinha. “Não podemos dizer que nos próximos cinco a dez anos, da maneira como o Governo está a lidar com a situação, não vai haver melhorias. Existem estudos feitos, o Governo e as pessoas sabem, é catastrófico o que está a acontecer. O impacto ambiental na zona marinha, os lodos que estão depositados vão ter um impacto na qualidade das águas de Macau por muitas décadas”, comentou à Rádio Macau.

Sónia Chan, a cumprir funções de Chefe do Executivo interina devido ao facto de Chui Sai On estar fora de Macau, garantiu ainda que “ao mesmo tempo, irá proceder-se também à recuperação do ambiente das colinas e à intensificação da cooperação ambiental regional, explorando mais oportunidades de desenvolvimento para a indústria de protecção ambiental, avançando na concretização da visão de ‘transformar Macau num centro de baixo carbono, criar em conjunto uma vida ecológica’, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da cidade.

Com estas acções, a intenção é “manter o equilíbrio entre preservação e desenvolvimento”, resumiu Sónia Chan.

“A protecção ambiental não distingue entre grupos étnicos, enquanto a ecologia não tem fronteiras nacionais. Proteger o meio ambiente e beneficiar o futuro são as responsabilidades de cada um de nós”, sublinhou.

Abertura de Pequim

Sónia Chan discursou na abertura do MIECF perante o ministro da Ciência e Tecnologia da China e vários dirigentes chineses da Comissão para o Desenvolvimento e Reforma, do Ministério da Indústria e Tecnologias de Informação, do Ministério da Ecologia e Ambiente.

Por sua vez, o ministro da Ciência e Tecnologia da China manifestou a “total abertura” de Pequim para partilhar com o mundo as descobertas chinesas na área da economia verde, “para contribuir para o bem comum da Humanidade”.

A China “dá grande importância ao desenvolvimento da economia verde” e expressa a sua “total abertura para partilhar os resultados das suas experiências (…) e investigação nesta área”, afirmou Wang Zhigang.

Zhigang sublinhou a agenda chinesa no combate às alterações climáticas, defendendo que a China é neste momento um “participante e um líder do desenvolvimento sustentável no mundo” e que é da responsabilidade da “comunidade global” investir na tecnologia e inovação (…) para gerar novas indústrias ligadas à economia verde”.

Por outro lado, o ministro sustentou que “a inovação é o motor do desenvolvimento sustentável”, uma ideia reforçada em vários discursos de dirigentes chineses no MIECF, em Macau, que destacaram a aposta e os progressos obtidos pelo país, tanto no combate à poluição, como nas áreas de produção de energia limpa e de eficiência energética.

Guerra verde

Em Novembro do ano passado, a agência de notação financeira Stardard & Poor’s (S&P) afirmou num relatório que a China vai obter “benefícios consideráveis”, caso execute os seus planos para um desenvolvimento da economia verde.

Na esfera internacional, a China poderá tornar-se um “líder na acção climática”, devido às políticas e à postura da actual Administração norte-americana, liderada por Donald Trump, considerou a agência, sugerindo “uma transformação global, que poderá alterar a situação geopolítica”, à medida que vários países “reorientam as economias para um desenvolvimento sustentável e com baixa emissão de carbono”.

A China é o maior emissor mundial de gases com efeito de estufa, seguida pelos Estados Unidos, o principal consumidor de carvão e o segundo maior consumidor de petróleo.

O MIECF acolhe até sábado mais de 500 expositores, provenientes de cerca de 20 países e regiões.
As sessões integram oradores de cerca de 70 pioneiros ambientais, líderes de empresas multinacionais e criadores de políticas, provenientes de sete países e regiões, nomeadamente, da China interior, Holanda, Portugal, Timor-Leste, Reino Unido, Hong Kong e Macau. O MIECF 2019 ocupa uma área total de exposição de mais de 16.900 metros quadrados.

29 Mar 2019

Ambiente | Macau quer aproveitar oportunidades da cooperação

O Chefe do Executivo afirmou ontem que Macau pretende aproveitar as oportunidades de crescimento que a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” ou o projecto da Grande Baía oferecem para promover a protecção ambiental

“Presentemente, o Governo da RAEM desempenha um papel importante na conjuntura de desenvolvimento do país, articulando-se com a implementação das iniciativas nacionais ‘Uma Faixa, Uma Rota’, ‘Cooperação Regional do Pan-Delta do Rio das Pérolas’ e ‘Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau’, que trarão grandes oportunidades ao futuro desenvolvimento de Macau”, afirmou Fernando Chui Sai On. Neste sentido, “ao aproveitar as ditas oportunidades de desenvolvimento, Macau vai para promover activamente a colaboração nas vertentes de protecção ambiental e de desenvolvimento da economia verde”, sublinhou, na abertura do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF, na sigla em inglês).

“Estamos empenhados em demonstrar as vantagens de Macau enquanto plataforma para o reforço da cooperação em matéria ambiental entre a China e os outros países do mundo e apoiar o sector do Pan-Delta do Rio das Pérolas no sentido da internacionalização e da captação de investimentos”, enfatizou.

O desafio da urbanização

A antiga responsável da ONU para as Alterações Climáticas Christiana Figueres, que figura como a principal oradora do MIECF, falou ontem do “grande desafio” da urbanização na China e no mundo. “Actualmente, metade da população mundial vive nas cidades, gerando 80 por cento do Produto Interno Bruto (PIB)”, um universo que vai continuar a aumentar, estimando-se que até 2050 cerca de 6 mil milhões de pessoas vivam nas cidades, com particular incidência na Ásia e em África.

No caso da China, por exemplo, a especialista alertou que o fenómeno das cidades com elevada densidade populacional, como Hong Kong ou as metrópoles do Delta do Rio das Pérolas, vai continuar a crescer. Nesse aspecto, a antiga responsável da ONU chama a atenção para a importância da sustentabilidade.

Embora não haja uma definição uniforme do conceito de cidade ecológica, Figueres defende que há um conjunto de características que devem estar reunidas: “Conhecemos cidades que são poluídas, congestionadas e desumanizadas. No futuro, a nossa habilidade passa por construir cidades que sejam limpas, compactas, conectadas e acolhedoras”, defendeu.

Dado que 60 por cento das habitações necessárias para fazer face à futura procura ainda não estão construídas, a mesma responsável vê “grandes oportunidades para o desenvolvimento de infra-estruturas, de hardware ou software, com vista a aumentar, melhorar o ambiente e a qualidade de vida da população”.

Apontando que “à medida que a Ásia avança, o mundo também avança”, Figueres elogiou a liderança da China na concepção de cidades ecológicas, fazendo ainda referência ao “conceito inovador de civilização ecológica”, que consiste no equilíbrio do desenvolvimento económico com a protecção da natureza, que foi integrado na Constituição da China.

Song Xiaozhi, vice-directora-geral do recém-criado Ministério da Ecologia e do Ambiente da China, garantiu que as novas directrizes relativas à protecção ambiental figuram como uma “prioridade” para Pequim e “estão a ser levadas a cabo com determinação, intensidade e eficácia sem precedentes”. “Em 2017, obtivemos progressos significativos”, realçou. Apesar dos avanços, e embora destacando o papel de liderança da China, Song Xiaozhi reconheceu que há muito por fazer: “Estamos cientes que a protecção ambiental da China está ainda atrasada em relação ao desenvolvimento socioeconómico”.

O programa do MIECF, que arrancou ontem e decorre até sábado no Venetian, inclui sete sessões, com mais de 50 oradores, e a “mostra verde” que, na 10.ª edição do evento, reúne mais de 490 expositores de duas dezenas de países e territórios.

13 Abr 2018

Ex-responsável da ONU para as Alterações Climáticas principal oradora no MIECF

A ex-secretária executiva da Convenção-quadro da ONU para as Alterações Climáticas Christiana Figueres vai apresentar, em abril, em Macau, as linhas orientadoras da proteção ambiental e desenvolvimento sustentável mundial, foi ontem anunciado.

A intervenção, que incluirá as principais tendências globais de desenvolvimento das cidades ecológicas e da Economia Verde, vai decorrer na edição deste ano do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF, na sigla inglesa), no qual Figueres vai ser a principal oradora.

O MIECF, organizado pelo Governo de Macau, decorre de 12 a 14 de abril, sob o tema “Construir Cidades Sustentáveis para uma Economia Verde Inclusiva”, de acordo com um comunicado.

Enquanto secretária executiva da UNFCCC (2010-16), Figueres conseguiu aprovar o histórico acordo de Paris, no qual 195 países concordaram limitar o futuro aquecimento global futuro abaixo dos 2° centígrados.

15 Mar 2018

Carlos Martins, secretário de Estado do Ambiente: “O empenho da China é a melhor memória que levo”

O secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, marcou ontem presença no Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau. A visita incluiu uma reunião com Raimundo do Rosário e ficou a possibilidade de colaboração futura. Ao HM, Carlos Martins falou das necessidades locais, do ambiente em Portugal e do empenho chinês na matéria

 

Do que constou a reunião que teve com o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário? Vai existir colaboração na área do ambiente entre Macau e Portugal?

Ficou no ar a possibilidade de virmos a estudar um protocolo que permita, naquilo que são as autoridades do ambiente nacionais, cooperar na área da educação ambiental, na capacitação de recursos humanos e na cooperação com empresas portuguesas. Foram identificados ainda os pontos fortes da região e as áreas em que pode necessitar, a curto prazo, de mais colaboração. Estiveram também presentes representantes das empresas que trabalham no sector e que, com certeza, tomaram boa nota do que pode vir a constituir uma oportunidade para o futuro. De relevante, ficou uma vontade recíproca de podermos vir a fazer um memorando que leve a um reforço da colaboração.

Que áreas foram identificadas como estando a precisar de uma intervenção mais rápida?

As questões relacionadas com transportes, a área dos resíduos e a qualidade do ar.

O que é que se pode fazer, em colaboração, na melhoria da qualidade do ar?

As fontes que influenciam a poluição do ar podem estar no próprio território e, como tal, a solução vem de dentro. Mas, como sabemos, a qualidade do ar está associada a um meio que recebe inputs que, muitas vezes, estão além das fronteiras físicas e territoriais e, desse ponto de vista, o controlo da qualidade torna-se mais difícil. Uma das questões que me pareceram mais problemáticas e consensuais está relacionada com a situação crítica associada ao excesso de veículos. É necessário um melhor controlo das emissões produzidas. Em Portugal também estamos nesse processo, sobretudo nos veículos de duas rodas, e já temos um histórico alargado. Do ponto de vista da indústria, não estamos num território que a tenha e, se esse risco acontecer, vem de fora. Temos experiência na monitorização da qualidade do ar, pelo que poderíamos vir a cooperar e a acompanhar a situação, bem como dar algumas competências na matéria. 

Esteve sempre associado à área da água. Como é que vê a situação de tratamento de águas em Macau?

Temos duas dimensões na água do território. Uma pareceu-me estar relativamente bem resolvida e está relacionada com os serviços públicos de abastecimento de água. Entra na esfera de manutenção e gestão de uma rede que já existe, e que agora terá mais procura do que teve no passado, fruto da maior densidade populacional que se tem vindo a registar, mas que parece ter uma tendência para a estabilidade. Neste domínio, em que Portugal também tem competências, não antecipo uma grande oportunidade porque estará a funcionar num quadro normal de estabilidade. No que respeita às águas residuais, temos experiência e know-how. Em Macau, a população tem aumentado, mas as estações de tratamento de águas residuais já têm alguns anos de operação, o que pode vir a determinar a sua modernização a médio ou curto prazo. É um território que, dado o desenvolvimento urbano que tem registado, deve ter maiores exigências com instalações deste tipo e ter uma especial atenção a questões de cheiros, à eficiência do tratamento da parte líquida e das próprias lamas que decorrem no processo. Temos muitas bandeiras azuis que resultam do mérito de gerirmos bem estas infra-estruturas. Há também casos em Portugal em que tivemos de modernizar estações importantes de tratamento de água com elas em funcionamento. São obras de uma grande complexidade no planeamento, às vezes mais do que fazer uma obra de raiz. Também neste sentido podemos dar o nosso contributo. Há uma outra dimensão da água que diz respeito aos recursos hídricos. Temos algumas situações que são referências internacionais, como o programa de despoluição do estuário do Tejo e a despoluição do rio Trancão, que era considerado o mais sujo da Europa. Em Macau, não haverá situações tão dramáticas quanto aquelas que tivemos de enfrentar com a limpeza do rio Trancão. De qualquer maneira, podemos partilhar as nossas metodologias. Neste momento, temos monitorização quer das massas de água, quer dos fundos do estuário, que fazemos em colaboração com as universidades e podemos pôr ao serviço da região, se for entendido que pode ser útil.

Há abertura por parte do território?

Fiquei com a ideia de que há uma grande abertura e interesse em podermos vir a concretizar o memorando e, à medida que as questões apareçam e sejam interessantes para as partes, podermos avançar.

Portugal está no sétimo lugar do ranking dos países no bom caminho na implementação de medidas coniventes com o Acordo de Paris. É uma boa posição?

Mais do que bom, é muito bom. Em termos internacionais, Portugal representa uma percentagem muito reduzida, mas é bom saber que estamos a fazer bem aquilo que são as nossas responsabilidades no âmbito do Acordo de Paris. O facto de termos feito uma grande aposta dentro do uso das energias renováveis também nos coloca no patamar da excelência. Em 2016, tivemos quatro dias e meio em que Portugal foi auto-suficiente à custa de energias renováveis. A aposta para os próximos anos está muito focada no melhor aproveitamento de um bem que temos: o sol. Temos muito sol, muitos dias por ano. Estamos a apostar na energia solar combinada com a renovação urbana. O Governo determinou que, para reanimar alguns sectores de actividade económica e melhorar a eficiência energética nos edifícios, é necessário um investimento muito grande em termos de reabilitação urbana recuperando o centro das grandes cidades, que tem estado muito abandonado. Na emissão de gases, estamos a investir nos transportes públicos através da renovação da frota, aumentando a oferta e, ao mesmo tempo, a dar valor ao uso individual de transportes com a criação de condições para que possam existir mais veículos eléctricos. Tudo isso combinado acaba por resultar naquilo que hoje é a nossa maior aposta: renovar o paradigma de consumo energético em Portugal. A ideia é ter a energia solar nos edifícios para produzir electricidade para as águas quentes e o calor. O projecto “casa eficiente” tem como objectivo tornar os edifícios mais ecoeficientes, sendo que temos uma má tradição: as construções não foram pensadas com qualquer preocupação energética. Tudo isto associado aos transportes, que ainda é a área que reúne as medidas com menos sucesso, Portugal pode ficar muito acima do sétimo lugar.

O que é que tem sido feito, concretamente, nos transportes eléctricos?

Estamos a testar autocarros eléctricos completamente produzidos em Portugal. Há dois autocarros na frota da Carris que integram estes testes.

O Governo não deveria dar o exemplo através da utilização deste tipo de veículos?

Lançámos recentemente um grande desafio nesse sentido aos municípios e tivemos 119 que se candidataram, e vão ter as frotas dos serviços ambientais todas elas eléctricas. Aproveitámos essa circunstância para colocar postos de carregamento e, assim, aumentar a rede de abastecimento que tem sido sempre uma limitação, dado o problema de autonomia dos veículos. Entre o Porto e o Algarve criámos uma rede de postos de carregamento rápido em que as pessoas, em dez minutos, podem carregar 80 por cento da bateria. As candidaturas também estão abertas às autoridades e o Ministério do Ambiente já tem por tradição o uso de veículos eléctricos. Estamos também a lançar o desafio a algumas empresas públicas, como as Águas de Portugal, para que possam vir a ter frotas eléctricas em grade parte dos seus serviços.

Já foram cancelados dois contratos relativos à prospecção e exploração de petróleo na costa portuguesa, e estão ainda dois em andamento. Porquê o cancelamento e que consequências têm estas iniciativas?

Os processos que foram cancelados tinham lugar na plataforma continental. Para já estão interrompidos e não irão prosseguir. Entravam em rota de colisão com aquilo que são os interesses e estratégias regionais que apostam no turismo. A associação dos municípios e os agentes económicos tinham muito receio que uma intervenção nesse sector pudesse fazer perigar aquilo que têm sido as estratégias de sucesso. Os processos ainda em curso não têm ilegalidades na concessão e ocorrem a muitos quilómetros de distância da costa. Estão ligados a procedimentos de outra natureza e que são, sobretudo, prospectivos. Servem essencialmente para fazer uma avaliação, mais do que para exploração, e devem continuar a seguir os procedimentos de licenciamento normais.

Como vê esta edição do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau?

Pareceu-me importante a área expositiva que temos presente e o nível das empresas que cá estão. A nossa presença está na linha do que podemos considerar uma oportunidade, tendo em conta uma cultura e uma história que nos ligou a este território e, espero, continue a ligar. É do interesse da China esta colaboração, dado o nosso papel enquanto ponte com as economias dos países de expressão portuguesa. Fiquei surpreendido com o grande número de presenças que já será pouco frequente na Europa, mas que demonstra um outro potencial. A minha maior satisfação é ver que um país que tem um importante papel para o Acordo de Paris, como a China, tem um discurso assertivo e orientado para as questões do ambiente. O empenho da China é a melhor memória que levo. Já tinha observado, em Paris, que as autoridades chinesas estavam muito focadas nas questões ecológicas e agrada-me saber que esta é uma linha estratégica do país. Tendo em conta a sua quota de emissões no contexto mundial, é uma boa notícia. Com a participação da China na protecção ambiental podemos ter um contributo, à escala planetária, contra o aquecimento global. 

A posição de Donald Trump, pelo contrário, parece não ter em consideração a questão do aquecimento global. Representa, de algum modo, algum impasse?

Julgo que políticas como as do ambiente acabam por estar acima dos actores políticos momentâneos. São iniciativas feitas para durar gerações, pelo que as acções e posições das pessoas acabam por ser mais relevantes. Creio que as grandes empresas americanas, independentemente de um abrandamento da pressão de natureza governativa, não vão querer ser tidas como entidades menos empenhadas na matéria ambiental quando todos somos mais exigentes enquanto consumidores à escala global. Independentemente da flexibilidade que venha a ser dada pelas autoridades, estou convicto de que se imporá, ao tecido empresarial americano, um papel de responsabilidade e terão de ser agentes comprometidos com o ambiente.

31 Mar 2017

MIECF | Guangdong e Macau assinam acordo de cooperação

O planeamento de protecção ambiental, a monitorização do ambiente, o tratamento de resíduos sólidos e a indústria ambiental são algumas das directrizes que marcam o acordo de cooperação ambiental Guandong-Macau, assinado ontem.

O documento estabelece que o principal conteúdo da cooperação entre as duas regiões, a ter lugar entre 2017 e 2020, será relativo à protecção e planeamento da Região do Grande Golfo de Guangdong, Hong Kong e Macau. São ainda consideradas a implementação de uma série de acções promotoras do tratamento e transferência inter-regional de veículos abatidos na área do tratamento de resíduos tóxicos.

A cooperação tem ainda em conta a união de esforços em áreas como a educação ambiental e a investigação científica.

A formalização da acção decorreu durante o Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau 2017 (MIECF, na sigla inglesa) e o documento foi assinado pelo Departamento de Protecção Ambiental da Província de Guangdong e pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA). De acordo com o comunicado enviado à imprensa, esta é mais uma medida que “visa reforçar o intercâmbio e cooperação entre as duas partes”.

31 Mar 2017

Secretário de Estado do Ambiente português vai participar no Fórum Ambiental de Macau

O secretário de Estado do Ambiente português vai participar no fórum ambiental sobre desenvolvimento sustentável que vai decorrer em Macau entre quinta-feira e sábado, ontem anunciado.

Além de Carlos Martins, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) também vai participar, “mas os detalhes ainda estão em desenvolvimento”, afirmou Vong Man Hung, vice-directora da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental de Macau (DSPA), em conferência de imprensa.

Este ano, o tema do 10.º Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF, na sigla inglesa) é o “Desenvolvimento Verde Inovador para um Futuro Sustentável” e terá como orador principal Achim Steiner, antigo director executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e actual vice-presidente internacional do Conselho Chinês para a Cooperação Internacional em Meio Ambiente e Desenvolvimento.

O presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), Jackson Chang, afirmou que nas nove edições anteriores da MIECF foram organizadas mais de quatro mil bolsas de contacto, que resultaram na assinatura de 241 projectos de cooperação. Destes, 187 (77,6%) já foram “postos em andamento”.

Chang não quis divulgar o valor dos investimentos feitos.

Atrás do tempo

O evento vai contar com uma sessão sobre a visita, organizada pelo IPIM, dos representantes das nove províncias do Grande Delta do Rio das Pérolas e das duas Regiões Administrativas Especiais de Macau e de Hong Kong (conhecido como grupo “9+2”) a Portugal e ao Brasil, este mês.

O presidente do IPIM não adiantou pormenores sobre essa visita, dizendo apenas que foi curta, “oito dias apenas, quatro no avião, três dias no Brasil, um em Portugal”.

“Foi um calendário bastante apertado, não tiveram tempo suficiente para visitar, o tempo foi investido em contactos. Mas visitaram a Amazónia. Porquê? Porque percebemos que precisam de diferentes tecnologias de informação, de protecção do ambiente”, explicou.

O Fórum Ambiental deste ano vai contar com mais de 50 oradores e tem uma área de exposição de cerca de 16.900 metros quadrados, com mais de 450 expositores de 17 países e regiões, incluindo países de língua portuguesa.

Tal como nos cinco anos anteriores, o orçamento é de 25 milhões de patacas.

28 Mar 2017

Antigo secretário-geral adjunto da ONU presente na MIECF

 

Achim Steiner, antigo secretário-geral adjunto da Organização das Nações Unidas (ONU), vai estar em Macau para participar em mais uma edição do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF, na sigla inglesa), que começa no próximo dia 30 de Março e termina a 1 de Abril.

Um comunicado oficial aponta que Achim Steiner, que também foi director executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, será o “principal orador” do Fórum Verde da MIECF, falando sobre o tema “Desenvolvimento Verde Inovador para um Futuro Sustentável”.

Actualmente a desempenhar funções como vice-presidente internacional do Conselho Chinês para a Cooperação Internacional em Meio Ambiente e Desenvolvimento, Achim Steiner irá fazer uma análise aos “problemas ambientais que se colocam no âmbito da economia global, bem como aos desafios mais graves em termos de sustentabilidade ambiental”. O comunicado aponta também que Steiner se irá debruçar sobre “assuntos ligados às alterações climáticas, as metas para um desenvolvimento sustentável e uma melhor utilização dos recursos naturais”.

Além disso, o antigo secretário-geral adjunto da ONU irá “reflectir sobre o papel das políticas governamentais na promoção de uma economia verde, assim como sobre as implicações dessas políticas no desenvolvimento futuro de negócios, indústrias e mercados (incluindo inovações tecnológicas)”.

Esta não é a primeira vez que é convidada uma personalidade de relevo para falar em Macau das alterações climáticas e de outras questões ambientais. Na MIECF já estiveram oradores como Subinay Nandy, na qualidade de director na China do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, ou ainda Peter J. Kalas, antigo ministro do Ambiente e assessor do Gabinete do Primeiro-Ministro da República Checa. Gro Harlem Brundtland, ex-primeira-ministra norueguesa e antiga presidente da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (também designada como Comissão Brundtland), foi outra das convidadas.

22 Mar 2017

MIECF | Feira encerra com 32 protocolos assinados

Com 32 protocolos celebrados, 224 bolsas de contacto efectuadas, 708 negociações encetadas e a presença de 46 especialistas, terminou o Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF, na sigla inglesa) deste ano. Em foco estiveram as últimas tendências em protecção ambiental e até autocarros eléctricos para Macau. Lionel Leong, Secretário para a Economia e Finanças, espera que “o Governo possa ser um bom exemplo, utilizando mais produtos e materiais ecológicos”. A próxima edição está já marcada.
Este ano, a feira ocupou uma área de quase 17 mil metros quadrados, com 460 expositores provenientes de 20 países e regiões, mas já há quem proponha o alargamento do espaço, como foi o caso de Tomas Ledajaks, gerente de Operações da EWA (uma das expositoras no Pavilhão da UE) que ambiciona a participação de mais expositores no evento.
Em paralelo com o certame foram realizadas diversas conferências onde se debateram temas da actualidade em redor da “gestão de resíduos”, “redução de resíduos na fonte”, “conversão de lixo em valores”, “resíduos químicos sólidos”, hotéis e construções verdes.

Dar o exemplo

No discurso de abertura do certame, o Secretário para a Economia e Finanças Lionel Leong indicou que esta feira inscreve-se na política de diversificação económica de Macau conforme o 13º plano quinquenal da China. No que respeita à postura do Governo em termos de protecção ambiental, o Secretário disse ainda que vai impulsionar os colegas da aquisição dos serviços esperando que o Governo possa ser um bom exemplo, utilizando mais produtos e materiais ecológicos.
A empresa australiana Koln Environmental Engineering Consultancy trouxe dois autocarros eléctricos a Macau, com o seu administrador, Johnny Ma, a garantir “confiança no mercado” do território. “A cidade é pequena, as ruas estreitas, com grande quantidade de carros, os escapes de automóveis prejudicam muito o ambiente, pelo que se trata de uma cidade muito propícia para a introdução de veículos eléctricos”, disse.
Este responsável acrescentou ainda que os autocarros que a empresa produz têm autonomia para 1200 km, depois de carregamento completo em apenas quatro horas. Se a tensão eléctrica for adequada, podem até concluir o carregamento em duas.

Materiais de construção

Durante o Fórum Verde, considerada a principal actividade no âmbito da MIECF, e que reuniu mais de 40 especialistas, os resíduos de materiais de construção, uma área que diz muito a Macau, estiveram em foco. Assim, ficou-se a saber estes resíduos são 80 a 90% renováveis, pelo que, disse, “se a sociedade reutilizar estes materiais dos resíduos de construção, poder-se-á ajudar a reduzir em 5% o consumo de recursos naturais”.
Cortiça preta de Portugal
Uma outra expositora, a Hua Hong Ltd., promoveu na MIECF produtos de cortiça preta importados de Portugal. De acordo com Zhang Jun Xian, um dos responsáveis, “a cortiça preta pode regenerar-se continuamente”. Assim, por ser durável, este produto é especialmente utilizado como material de construção para isolamento térmico e acústico e também como retardador de fogo, o que, disse Zhang, “é muito adequado para as regiões frias do norte”.
Segundo adiantou, existem já empresas de Kunming e Harbin interessadas pelo que acredita que “quando o produto for mais conhecido, poder-se-ão abrir ainda mais mercados”.

Toneladas de pilhas

A Zhongxing Vannex, empresa de Macau, dedica-se à reciclagem de resíduos electrónicos, os quais são posteriormente transportados para as empresas de reciclagem no exterior. Vincent Kan, administrador, diz que “o reaproveitamento destes materiais”, entre os quais placas electrónicas, “permite a sua utilização em notebooks e artigos de escritório com designs criativos”.
As pilhas são também um dos principais resíduos tratados, um produto que, diz Kan, “Macau gera anualmente cerca de três mil toneladas” apelando à formulação de medidas de reciclagem mais perfeitas por parte do Governo.
Considerada um sucesso por vários dos expositores presentes que viram nesta feira uma oportunidade para troca de conhecimentos e estimulação de negócios no sector, a 10.ª edição está já marcada realizando-se de 30 de Março a 1 de Abril de 2017. Agora é a altura de fazer os “trabalhos de casa” pois, como disse Lionel Leong, a organização vai agora “assimilar as experiências como referência, para fazer-se melhor na próxima exposição” alertando para o facto que torna-se “necessário um acompanhamento dos contratos (…) para compreender se estes podem trazer reais efeitos económicos”.

Reciclagem | Perspectivas negativas

Hong Cheong Fei, director-geral da Companhia de Sistema de Resíduos (CSR), indicou ao canal chinês do Rádio Macau, à margem da MIECF, que o declínio económico de Macau e das regiões vizinhas fez com que os preços dos produtos de reciclagem e tratamento de resíduos tenha diminuído em 50 ou 60%, o que tornou as condições de operação das empresas de reciclagem ainda mais difíceis. Muitas empresas já fecharam portas, apontou Hong Cheong Fei, que previu que mais poderão encerrar no futuro. Essa situação levará a que muitos produtos acabem por ser incinerados, o que não é bom para o meio ambiente, alertou. Actualmente existem em Macau 200 empresas ligadas ao sector da reciclagem, 50 delas PME.

Legislação oceânica

Jin XiangLong, director do Segundo Instituto de Oceanografia da Administração Nacional Oceânica da China, considera que o Governo deve começar agora os trabalhos da legislação do sector, uma vez que o Governo Central já confirmou a jurisdição das águas do território. O investigador apontou que Macau pode promover o desenvolvimento da economia marítima e impulsionar a diversificação da economia, mas para Jin XiangLong “como gerir e utilizar a gestão das águas” é “um conteúdo crítico”. Sugere que o Governo inicie “de imediato a legislação sobre o oceano”.

David Chow investe em projecto ecológico

O empresário David Chow apresentou o projecto de um complexo industrial ecológico de energia eléctrica na China. O objectivo é aproveitar resíduos da agricultura e pecuária, transformando palha em gás metano que pode ser utilizado depois para produzir electricidade, avança a Rádio Macau. David Chow acredita que o projecto poderá gerar receitas anuais acima dos 439 milhões de patacas e levar à produção de electricidade equivalente à queima de 6500 toneladas de carvão. 

5 Abr 2016

Ambiente | IPIM e DSPA lançam 9ª edição do MIECF

Começa a 31 de Março a nona edição do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF). A apresentação da feira versou sobre verde, plataforma, trocas de informação e oportunidades de negócios verdes. O grande tema para este ano é o da gestão de resíduos, com o objectivo de reduzir a sua produção

Com uma área de cerca de 17 mil metros quadrados, o Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF, na sigla inglesa) abre no final deste mês, a 31 de Março. A edição deste ano apresenta um programa extenso com uma série de fóruns, bolsas de contactos e várias exposições.
Presentes, além de várias dezenas de especialistas de todo o mundo, estarão 460 expositores provenientes de vários países e regiões, incluindo Portugal, registando-se ainda um aumento da presença dos países de Língua Portuguesa. O orçamento mantém-se inalterável, nos 25 milhões de patacas.
O foco para este ano, segundo Raymond Tam, director dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), são os resíduos, o seu tratamento e o sensibilizar da população e agentes locais para a necessidade de reduzir o desperdício. Tam referiu ainda que o Governo pretende ver Macau como uma plataforma de intercâmbio entre empresários de empresas do ambiente do Delta do Rio das Pérolas e Europa.
Para além da gestão resíduos, a construção e a deslocação verdes são outros dos sectores em destaque no certame.

Todos a reciclar

Segundo Irene Lau, Directora Executiva do Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau (IPIM), o pavilhão de Macau tem vindo desde 2008 a adoptar conceitos amigos do ambiente conseguindo este ano, uma redução de 70% no consumo de energia. Para esta responsável governamental, pretende-se apresentar “um conceito ecológico que se possa mostrar ao mundo”. Para o efeito são utilizados materiais recicláveis na estrutura, que se pretende que possa ser utilizada noutras feiras em Macau. Esta atitude, disse ainda Irene Lau, é algo que se quer também ver nos expositores da feira com o objectivo de diminuir os resíduos produzidos pelo evento.

Negócios verdes

Um ponto destacado na apresentação foi a da promoção dos negócios na área da gestão ambiental sendo salientado por diversas vezes a vontade de Macau em se constituir como plataforma comercial entre a região do Delta e a Europa. Para o efeito, vão ser apresentados vários modelos de negócio e casos de estudo de opções bem sucedidas.
De acordo com a organização, nesta edição já estão assegurados, pelo menos, 25 protocolos, sendo que dez vão ser subscritos por entidades da região do Delta do Rio das Pérolas.
A mobilização do público é “vital” para a organização, que pretende utilizar este evento para o familiarizar dos cidadãos com práticas ambientais. O Dia Verde do Público – o último da feira, a 2 de Abril – foi criado para habituar as pessoas reduzirem a produção de resíduos com um programa de actividades educativas como jogos, workshops, apresentações em palco e sorteios.

23 Mar 2016