Emprego | Feiras da DSAL disponibilizam 210 vagas

A Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) anunciou que vai realizar quatro sessões de oferta de emprego com 210 vagas de trabalho em indústrias como a hotelaria, administração de condomínios e restaurante.

As sessões vão ser feitas em conjunto com a Associações dos Operários de Macau (FAOM), com as inscrições a decorrerem entre as 09h de amanhã e o meio-dia de 9 de Junho. A primeira sessão acontece a 10 de Junho, no Grand Lisboa Palace Resort Hotel, com a oferta de 22 empregos na concessionária SJM Resorts, para posições como gestor de atendimento, supervisor de quartos e empregado de balcão.

No dia seguinte decorrem duas sessões, de manhã e à tarde. De manhã estão disponíveis 118 vagas de emprego nas empresas Windsor Arch Gestão da Propriedade, Easy Home Property Management and Cleaning e Shun Tak Gestão de Imóveis e Instalações. À tarde, serão oferecidas 24 vagas na empresa SLOT – Sociedade de Lotarias e Apostas Mútuas de Macau. Finalmente, a 12 de Junho, a sessão disponibiliza 54 empregos na Pizzeria Toscana, para posições como cozinheiro, gestor de recepção ou empregado de mesa.

Trabalho | Candidaturas para 850 estágio abriram hoje

Estão abertas, até 3 de Julho, as candidaturas ao “Plano de estágio para criar melhores perspectivas de trabalho 2026”, que irá disponibilizar 850 estágios de três meses em 77 empresas.

Segundo avançou ontem a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), os estágios serão focados nos sectores do “turismo e lazer, financeiro, tecnológico, Big Health, serviços sociais, comércio a retalho, construção civil, utilidades públicas e transporte aéreo”. Das 850 vagas, 46 por cento não impõem restrições quanto à área de especialidade profissional, foi acrescentado.

Alguns destes estágios realizam-se no Interior da China, principalmente em Zhuhai e Hengqin, e são da área da tecnologia. A DSAL acrescenta que os estágios envolvem 15 áreas funcionais, sobretudo, “marketing, administração, financeira, tecnologias da informação, análise de dados, operações da linha da frente, atendimento ao cliente, serviços de restauração, apoio logístico, serviços recreativos e desportivos, gestão de instalações, serviços de comunicações, expansão de negócios, construção civil e serviços de cuidados”.

As vagas são destinadas a residentes da RAEM, com prioridades para recém-graduados. A DSAL salientou que os estágios não constituem relações de trabalho, e que serão atribuídas 8.000 patacas de subsídio mensal, além de uma apólice de seguro durante o período do estágio. Os interessados podem submeter a candidatura através da Conta Única. As listas de admissão serão publicadas a 10 de Agosto, no portal da DSAL.

Cheque | 56 mil pedidos de residentes com menos de 183 dias na RAEM

Entre os pedidos de residentes, que estiveram menos de 183 dias em Macau, para receber o cheque pecuniário, cerca de 53 mil foram aprovados, 1.000 foram recusados e os restantes estão a ser avaliados

Até ontem, as autoridades receberam cerca de 56 mil pedidos de cidadãos que passaram menos de 183 dias no território em 2024 e que pretendem receber o Plano de Comparticipação Pecuniária no Desenvolvimento Económico para o Ano de 2025. O número foi adiantado ontem por Chan Pou Wa, presidente do Conselho de Administração do Fundo de Segurança Social (FSS), durante uma conferência de imprensa.

“Em relação ao ano de 2025, até agora recebemos 56 mil requerimentos [de pessoas que não ficaram 183 dias em Macau]. Entre estes, 53 mil requerimentos foram aprovados e já receberam o dinheiro”, afirmou Chan Pou Wa. “Mas o número vai aumentar porque o tempo para apresentar pedidos ainda está a correr”, acrescentou.

Ao mesmo tempo, a responsável indicou que foram recusados cerca de 1.000 pedidos por não reunirem os requisitos, enquanto os “restantes” ainda estão a ser analisados.

Segundo as novas regras de atribuição do plano de comparticipação pecuniária, que entraram em vigor no ano passado, apenas os residentes que passam pelo menos 183 dias na RAEM ficam habilitados a receber 10 mil patacas, se forem residentes permanentes, ou 6 mil patacas, se forem residentes não-permanentes.

No entanto, as regras contemplam excepções, para menores de 22 anos cujo um dos pais esteja habilitado a receber o cheque, as pessoas que recebam pensão de invalidez ou subsídio de invalidez, aqueles que precisam de estar fora de Macau para receberem tratamento médico, que estudam no exterior ou trabalham na Grande Baía.

Ontem, os representantes do FSS afirmaram não terem ainda dados sobre o montante que foi efectivamente gasto no âmbito do programa de 2025. No entanto, Chan admitiu que foram aceites pedidos de residentes não-permanentes que passam menos de 183 dias em Macau. Os pedidos de isenção em relação ao cheque de 2025 podem ser entregues até 31 de Dezembro de 2028.

Avisos à navegação

Durante a conferência de imprensa de ontem, o chefe de Divisão de Assuntos Gerais do Regime de Previdência do FSS, Ho Hoi Sang, avisou a população para não tentar falsificar documentos comprovativos da ausência do território, para receberem o cheque pecuniário. “Se houver declarações falsas, além de terem de devolver a verba recebida, também têm de assumir responsabilidade criminal”, afirmou.

No entanto, o responsável reconheceu que no ano passado não se registou qualquer caso de falsificação.

A conferência de imprensa de ontem serviu essencialmente para o FSS apresentar as alterações e simplificação dos procedimentos de preenchimento dos pedidos de isenção dos 183 dias face ao cheque deste ano, através da Conta Única.

O portal para os pedidos de isenção vai ser publicado online a 15 e Junho, data em que os pedidos também podem ser apresentados através da Conta Única e nos balcões de atendimentos dos serviços da RAEM.

Uma vez que os pedidos de isenção podem ser apresentados durante um prazo de três anos, até 31 de Dezembro de 2029, Chan Pou Wa pediu à população para não correr para os balcões de atendimento logo nos primeiros dias.

Governo revela prudência em projecto da quinta travessia Macau-Taipa

Não há data para o início da construção da quinta ligação entre a península e a Taipa, segundo indicou ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, em resposta à interpelação oral do deputado José Pereira Coutinho.

“Os trabalhos relativos à quinta ligação Macau-Taipa encontram-se ainda em fase de estudo”, estando prevista a “ligação entre a zona do NAPE e Zona D dos Novos Aterros Urbanos através de túnel”.

Segundo explicou o secretário, “esta solução irá permitir não só escoar de forma eficaz o trânsito entre as zonas, como também acompanhar o desenvolvimento da Zona D e da futura Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau, a implantar no lote de terreno marginal situado a leste da Torre de Macau”.

Raymond Tam disse ainda que a futura ligação poderá “integrar vias rodoviárias no nível superior e a circulação do Metro Ligeiro no nível inferior, articulando-se com a Linha da Taipa Centro prevista no plano de desenvolvimento das linhas do Metro Ligeiro, bem como estabelecendo ligação à Linha da Taipa Norte, com destino final na Estação do Jockey Clube”.

Com tranquilidade

Da parte dos deputados ficaram ideias de prudência quanto à edificação de mais um projecto de obras públicas de grande dimensão. “Temos de ter cautela na concepção da quinta travessia entre Macau e Taipa, e temos de saber o panorama de utilização da Ponte da Amizade e de Sai Van”, disse Ip Sio Kai.

O secretário disse que está a ser analisada ainda a viabilidade de construção da quinta ponte tendo em conta o panorama geral de trânsito e as conexões com regiões vizinhas. Foi referido no debate um estudo realizado há dez anos sobre o trânsito em Macau, mas Raymond Tam lembrou que a situação, entretanto, mudou.

“Estamos a fazer situações de triagem na Ponte da Amizade. A densidade de circulação de veículos é muito elevada na Ponte Macau e temos de desviar alguns veículos pesados para outras pontes. Quanto à quinta ligação, alguns deputados pedem maior rapidez, outros querem que se trabalhe de forma mais prudente, mas vamos trabalhar consoante a situação de trânsito. Vamos ponderar a situação de trânsito das quatro ligações existentes”, concluiu o secretário.

Casinos-satélite | Governo revela existência de projectos de investimento

O Executivo assegura que existem planos de investimento para transformar os casinos-satélite em “espaços comerciais multifuncionais” com áreas de restauração. Raymond Tam prometeu analisar a criação de mais zonas pedonais nos arredores dos casinos encerrados

O Governo parece já ter uma ideia para o aproveitamento dos espaços que albergavam os casinos-satélite encerrados no ZAPE – Zona de Aterros do Porto Exterior. Em resposta a uma interpelação oral do deputado Kevin Ho, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, assegurou que “encontram-se em curso projectos de investimento destinados à criação de espaços comerciais multifuncionais”, e que deverão abranger “o comércio a retalho de armazéns e quinquilharias, restauração, farmácias de suplementos de saúde, entre outros”. O secretário garantiu que já existem “alguns estabelecimentos da zona de retalho de armazéns e quinquilharias abertos ao público”.

No debate realizado ontem na Assembleia Legislativa, o governante explicou que, segundo a Direcção dos Serviços de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), “em Março deste ano todos os procedimentos relativos ao encerramento dos casinos-satélite foram concluídos”, sendo que, “em princípio, todos os espaços podem ser aproveitados”.

“O Governo deixa uma mensagem clara: encorajamos os interessados a aproveitar estes espaços e vamos colaborar nesta iniciativa”, disse o secretário, garantindo que o processo de pedido de licenças não deverá ser complexo. “No pedido de licença administrativa que não envolva mudança de finalidade, o processo não deverá ser muito prolongado.”

Neste ponto, o deputado Kevin Ho, autor da interpelação oral, sugeriu a realização de “actividades pop-up”, ou seja, de curta duração, nos espaços deixados vazios pelo fecho destes casinos. “Acredito que as associações podem aproveitar estes espaços para a realização de actividades que levem pessoas a esta zona”, disse.

Neste caso concreto, Raymond Tam disse mesmo que “se não for preciso requerer licença, o procedimento é ainda mais simples”. “Não sei se está em causa a vontade dos investidores e não tenho uma conclusão, mas penso que estes espaços não estão sujeitos a processos administrativos complexos”, adiantou.

Condições difíceis

Na reunião plenária de respostas a interpelações orais, vários deputados deixaram sugestões e alertas sobre o difícil panorama económico que se vive em Macau, que pode fazer com que não haja vontade de reaproveitar os antigos casinos-satélite. “Têm de haver sectores dominantes para trazer negócios para a zona e nesta situação complicada ninguém quer investir em Macau”, referiu José Pereira Coutinho.

Já José Chui Sai Peng disse que “amigos do sector empresarial desejam saber se há um desenvolvimento favorável na zona”, dado existirem no ZAPE “equipamentos muito bons para investimentos”. A sugestão do deputado foi o arrendamento de espaços para a “dinamização com actividades que são famosas no Interior da China”.

Ip Sio Kai aconselhou a criação de “passagens superiores de peões com características”, ou seja, com temas específicos a fim de atrair visitantes que podem, depois, dinamizar o comércio. “As pessoas podem, depois, fazer ‘check-in’ [participar em actividades com recurso a formatos digitais, como códigos QR]. Este tipo de sítios característicos pode captar muitas pessoas”, disse.

Raymond Tam prometeu também analisar a criação de mais zonas pedonais na zona. “Antes do encerramento dos casinos-satélite melhorámos alguns passeios para facilitar a circulação pedonal na zona, mas se for necessário vamos continuar a trabalhar [nesse projecto]. O ZAPE é uma zona muito movimentada e já há bastantes passeios para facilitar o fluxo de pessoas, mas vamos continuar a melhorar o nosso trabalho”, rematou.

Governo não descarta estação de TGV, mas diz que não há espaço

A possibilidade de Macau vir a ter uma estação que faça a ligação do território com a futura linha de comboios de alta velocidade entre Guangzhou e Zhuhai não é descartada pelo Governo, mas coloca-se o problema da falta de espaço para mais um projecto desta dimensão.

A ideia foi deixada pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, no debate de ontem na Assembleia Legislativa (AL), em resposta a uma interpelação oral da deputada Ella Lei.

“Será possível criar uma estação de alta velocidade em Macau? Isto exige um espaço que não é pequeno. Se introduzirmos uma estação em Macau teremos de considerar a sua dimensão. Não afastamos qualquer hipótese, mas temos de ultrapassar o obstáculo face ao nosso espaço.”

Na sua interpelação oral, Ella Lei lembrou que o 15º Plano Quinquenal da China promove “a construção de uma linha de TGV entre Guangzhou e Zhuhai (Macau), para impulsionar o desenvolvimento regional”. Segundo a deputada, “as novas estradas e a linha de TGV irão facilitar a circulação de pessoas, mercadorias e turismo entre Macau e as cidades vizinhas”.

Assim, o território “deve aperfeiçoar a rede do Metro Ligeiro e o trânsito, para uma integração mais profunda na rede regional de transportes e o reforço dos laços entre Macau e Guangdong”, sendo necessário “aperfeiçoar as infra-estruturas e as instalações complementares”.

Ella Lei lembrou também que “com o estreitamento da relação entre Macau e as cidades vizinhas, muitos residentes deslocam-se diariamente entre Macau, Zhuhai e Guangzhou, para trabalhar ou viver”, mas “a deslocação implica vários transbordos”, o que “afecta a integração dos residentes no círculo de vida da Grande Baía”.

Assim, e “face aos projectos de transporte ferroviário regional, como o TGV entre Guangzhou e Zhuhai (Macau), como o Governo vai reforçar a comunicação e coordenação com os serviços competentes do Interior da China, de modo a assegurar, quanto antes, a ligação das infraestruturas e o planeamento do trânsito de Macau”, questionou.

Metro em melhoria

O deputado Leong Hong Sai também sugeriu a construção de uma estação de ligação em Macau. “Como é que se vai concretizar a articulação com o comboio de alta velocidade entre Guangzhou e Zhuhai? Futuramente vai haver uma estação em Macau, como há em Hong Kong? Isso pode contribuir para a vida da nossa população.”

O debate centrou-se ainda na necessidade de interligar o sistema do Metro Ligeiro com as carreiras de autocarros. Raymond Tam disse que o aumento da circulação do Metro Ligeiro será gradual. “Os autocarros ainda são o meio de transporte principal da nossa população. Vamos fazer um estudo estratégico porque queremos aumentar as linhas do Metro Ligeiro. A linha leste será a primeira desta fase de alargamento, passando pela Zona A e indo até às Portas do Cerco. Após a conclusão desta obra, em 2029, o número de passageiros vai aumentar. Vamos estender a linha leste para o posto fronteiriço de Qingmao para aumentar a cobertura”, explicou.

A linha leste do Metro Ligeiro terá um traçado de cerca de 7,7 quilómetros de comprimento, prevendo-se seis estações que estabelecem a ligação entre as Portas do Cerco, Zona A e Zona E dos Novos Aterros Urbanos, bem como a Estação do Terminal Marítimo da Taipa, na Linha da Taipa.

Gongbei | Mais de 100 mil pessoas na inauguração de centro comercial

No dia da inauguração (domingo) do centro comercial Parkside Mall, em Gongbei, mais de 100 mil pessoas visitaram o complexo nas primeiras seis horas de operação. A empresa que gere o centro comercial acrescentou ao jornal Nanfang que cerca de um terço dos consumidores eram oriundos de Macau e Hong Kong.

A abertura do centro renovado tem como maior atracção o supermercado Freshippo, do grupo Alibaba, cuja inauguração tem sido apontada como mais um desafio ao comércio a retalho da zona norte da península, já em crise. A mesma fonte, citada pela Macau Business, aponta que nas primeiras cinco horas o supermercado facturou mais de 400 mil renminbis.

O ex-deputado Cheung Kin Chung considera que o centro comercial pode representar uma oportunidade para as empresas de Macau expandirem os seus negócios para lá da fronteira e contribuir para o objectivo político de diversificar a economia.

Segundo o jornal Ou Mun, a empresa que gere o Parkside Mall, que fica a escassas centenas de metros da fronteira para as Portas do Cerco, tem espaços reservados para marcas das duas regiões administrativas especiais e pretende oferecer produtos gastronómicos e culturais de Macau.

AAMC | Sortes distintas para os macaenses na jornada final

O Circuito Internacional de Zhuhai acolheu, no passado fim-de-semana, a segunda e decisiva jornada dupla do Macau Roadsport Challenge e da categoria GT4, competições organizadas pela Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) e que serviram igualmente para apurar os pilotos locais para o 73.º Grande Prémio de Macau.

Com condições meteorológicas mais favoráveis do que as registadas na ronda inaugural, assistiu-se a corridas bastante disputadas no Macau Roadsport Challenge, cuja grelha é composta por Toyota GR86 (ZN8) e Subaru BRZ (ZD8). A competição voltou a reunir mais de meia centena de pilotos. Face ao elevado número de participantes, a AAMC manteve o formato adoptado na primeira jornada, com os Grupos A e B a integrarem os mesmos concorrentes do primeiro fim-de-semana.

Na primeira corrida do Grupo A, Damon Chan confirmou o estatuto de favorito. Depois de ter sido o mais rápido na qualificação, o piloto repetiu o triunfo alcançado na segunda corrida da ronda inaugural. O pódio ficou completo com Kwok Ho Cheung e Ho Zuoliang, vencedor da primeira corrida do primeiro fim-de-semana.

Na segunda corrida, disputada na manhã de domingo, os pilotos da vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong voltaram a superiorizar-se. Kwok Ho Cheung levou a melhor sobre Alan Chung e Damon Chan.

No Grupo B, onde competia Jerónimo Badaraco, o fim-de-semana ficou marcado por uma carambola logo na primeira volta da corrida inaugural, na recta da meta, incidente que afastou vários concorrentes, entre os quais o piloto macaense. Numa qualificação em que os vinte primeiros ficaram separados por apenas dois segundos, o sábado não começou da melhor forma para “Noni”, que registou apenas o 19.º tempo. O Toyota GR86 da Flexible Speed foi uma das vítimas do acidente colectivo e já não regressou à pista para a corrida de domingo. Ainda assim, um quarto e um quinto lugares obtidos na prova disputada no início do mês foram suficientes para garantir a qualificação do vencedor da última edição da Taça ACP do Grande Prémio de Macau, em 1999.

Quanto aos resultados da primeira corrida do Grupo B, a vitória sorriu a Yu Yi Hao, seguido por Li Kwok Chuen e pelo porto-riquenho Javier Ramirez. Carson Tang foi o melhor dos pilotos de Macau ao terminar na quarta posição. No segundo confronto, o jovem da RAEM alcançou a sua primeira vitória na disciplina, terminando à frente de Xiao Meng e Su Jiangnan.

Após a homologação dos resultados e a publicação da classificação final do campeonato, a AAMC deverá abrir o processo de inscrição para o Grande Prémio de Macau. A corrida Macau Roadsport Challenge contou com a participação de 32 concorrentes na edição do ano passado, sendo expectável que esse número se mantenha este ano.

Manhão às portas do pódio

As duas corridas da categoria GT4, que serviram para apurar os pilotos locais para a Taça GT – Corrida da Grande Baía, não foram desta vez pontuáveis para a SRO GT Cup, ao contrário do que sucedera na primeira jornada. Como consequência, o pelotão ficou reduzido aos pilotos locais, com apenas onze concorrentes em pista.

Maximiano Manhão regressou ao volante de um dos dois McLaren 570S GT4 inscritos pela LW World Racing Team e assinou o sétimo melhor tempo na qualificação. Na primeira corrida, o jovem macaense adoptou uma abordagem ponderada, evitando erros e recuperando posições de forma consistente até cruzar a linha de meta num meritório quarto lugar.

Esta primeira contenda foi ganha por Billy Lo Kai Fung, ao volante de um Audi R8 LMS GT4. O piloto de Macau, que partira da pole-position, terminou à frente dos Mercedes-AMG GT4 do regressado Matt Solomon, piloto que em 2015 competiu na Fórmula 3 Europeia contra George Russell, Charles Leclerc e Lance Stroll, e de Liu Weng Hin.

Na segunda corrida, Matt Solomon não deu hipóteses à concorrência, cumprindo as 18 voltas ao traçado de Zhuhai com uma vantagem superior a 15 segundos sobre Billy Lo. Chan Ka Ping, em Audi R8 LMS GT4, completou o pódio.Num fim-de-semana em que voltou a evidenciar progressos, Maximiano Manhão, que cumpre apenas a sua segunda temporada nos automóveis e a primeira ao volante de um carro de GT, manteve um ritmo consistente e terminou a corrida na quinta posição.

A vaga da IA e os novos desafios: da reforma antecipada a uma transformação para a competitividade sustentável (III)

A semana passada, analisámos o impacto da ascensão da IA generativa nos planos de reforma. Ao longo da última década, a tendência da Independência Financeira, Reforma Antecipada (FIRE na sigla em inglês) alastrou-se por todo o mundo, com muitos trabalhadores do sector de serviços ambicionando reformar-se cedo e viverem da aposentadoria. No entanto, desde o aparecimento do ChatGPT em finais de 2022, a velocidade da tecnologia de IA superou largamente as expectativas do mercado, não só na remodelação das estruturas industriais, mas também ao abalar directamente a lógica fundamental do FIRE tradicional e do Coast FIRE.

Para lidar com a instabilidade no emprego criada pela IA, as pessoas com trabalhos como os designers gráficos, mencionados a semana passada, podem pensar em recorrer a várias ferramentas financeiras faseadas para os ajudar a tornar viáveis os seus planos de reforma:

1. Criar um fundo de emergência, pondo de lado o equivalente às despesas básicas efectuadas ao longo de 12 a 24 meses. Este valor deve ser distribuído por participações em contas correntes e investimentos de curto prazo, mantendo a liquidez suficiente para cobrir despesas domésticas em caso de desemprego ou de um período de transição profissional.

2. Criar um conjunto de activos tangíveis resistente à inflação comprando propriedades para arrendamento em localizações privilegiadas e REITs (Fundos de Investimento Imobiliário). Os retornos fixos proporcionam fluxo de caixa estável e, a longo prazo, combatem a inflação.

3. Criar um conjunto de activos que ofereçam dividendos comprando acções conservadores de baixa volatilidade e altos dividendos, acções de utilidade pública e ETFs de qualidade. Esta estratégia de dividendos passivos aumenta gradualmente o rendimento da reforma.

4. Criar uma protecção a longo prazo, como anuidades vitalícias, seguro de poupança participante e seguros de saúde. Desta forma as despesas de saúde e a subsistência durante velhice deixam de ser uma preocupação, prevenindo ao mesmo tempo o risco de investimento que desgastem o capital da reforma nos anos seguintes.

5. Assegurar produtos de investimento diversificados. Por exemplo, comprar ETFs de base alargada no estrangeiro e diversificar a alocação de activos para evitar riscos associados a recessões económicas numa única região ou alterações na política do sector, melhorando assim a estabilidade dos activos de reforma.

O declínio físico é inevitável com o envelhecimento, e o planeamento da reforma deve ser feito em função do nosso ciclo fisiológico. Como parte das soluções a curto prazo temos a passagem do trabalho a tempo inteiro para o trabalho a tempo parcial, para criar um equilíbrio entre o esforço e o rendimento; nas soluções a médio prazo podemos apontar a mudança de executivo para orientador profissional, auditor qualificado ou consultor, usando a experiência para gerar valor sem necessidade de grande desgaste físico e mental; nas soluções a longo prazo inclui-se a transição para serviços profissionais menos exigentes para ainda assim se obter um rendimento sustentável.

As empresas podem implementar um “sistema de consultoria”, permitindo que os executivos seniores abdicem dos seus cargos de gestão após a reforma e se tornem consultores. Desta forma a empresa preserva pessoas com experiência prática valiosa, ao mesmo tempo que abre canais de promoção para colaboradores mais jovens, criando uma situação vantajosa quer para empregadores quer para os trabalhadores.

Em termos gerais, a reforma na era da IA já não se resume a poupar dinheiro suficiente, mas sim a construir um sistema abrangente que tenha por base a “competitividade profissional + o rendimento passivo de activos + planos de seguros. O essencial do período da reforma é poder ter a liberdade de escolher, passando de ‘trabalhar para viver’ para desfrutar de uma ‘carreira baseada nos interesses pessoais’. Perante a incerteza, só priorizando as poupanças, a evolução contínua com a IA e o auto-investimento é que podemos criar uma rede de segurança para a reforma e construir uma competitividade sustentável num meio em constante mudança.

Este artigo destina-se apenas à análise de tendências e referência, e não constitui qualquer aconselhamento profissional sobre investimento, gestão financeira ou planeamento de reforma. Por favor, procure um consultor profissional licenciado para todas as decisões financeiras.


Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau

Albergue SCM | Leong Kit Man apresenta a sua “Ilha dos Amores”

A artista Leong Kit Man está de regresso às exposições com “Ilha dos Amores”, em referência ao conhecido episódio d’Os Lusíadas, de Luís de Camões. A mostra é inaugurada amanhã no Albergue SCM e integra o cartaz das comemorações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas

Não é por acaso que a nova exposição disponível no Albergue da Santa Casa da Misericórdia (SCM) de Macau integra as comemorações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. “Ilha dos Amores”, da artista Leong Kit Man, remete para parte da história relatada na obra maior da literatura portuguesa, “Os Lusíadas”, de Luís de Camões, quando a deusa Vénus compensa os navegadores portugueses depois de realizarem o caminho marítimo para a Índia, proporcionando-lhes um paraíso repleto de ninfas.

Camões escreveu assim, nos Cantos IX e X de “Os Lusíadas”, sobre o amor carnal feito e vivido entre navegadores e as ninfas que permaneciam nesta ilha: “Já não fugia a bela Ninfa tanto, / Por se dar cara ao triste que a seguia, / Como por ir ouvindo o doce canto, / As namoradas mágoas lhe dizia. / Volvendo o rosto, já sereno e santo, / Toda banhada em riso de alegria, / Cair se deixa aos pés do vencedor, / Que todo se desfaz em puro amor.”

A exposição “Ilha dos Amores” é inaugurada amanhã, a partir das 18h30, na Galeria A2 do Albergue SCM, sendo uma organização do CAC – Círculo dos Amigos da Cultura de Macau. Segundo uma nota da exposição, o público pode ver uma “colecção de pinturas chinesas centrada na estadia de Luís de Camões em Macau e nas imagens vívidas do poema épico de Os Lusíadas”.

“Inspirando-se na ilha mítica, a artista capta a sua essência através de uma técnica delicada e requintada”, abordando-se “a interacção entre o Oriente e Ocidente tal como personificada por Macau”, numa “ponte entre duas civilizações distintas”.

A mesma nota descreve como a artista, através da sua pintura, “explora a imaginação humana partilhada a partir de um ‘paraíso ideal’, revelando os fios condutores que unem as tradições culturais orientais e ocidentais”. Desta forma, “Ilha dos Amores” faz também uma “sincera homenagem ao rico património cultural de Portugal”.

Rolos monumentais

Uma das obras que pode ser vista nesta mostra é “The Regret of Love”, sobre a qual Mo Xiaoye, professor do departamento de Belas Artes da Zhejiang Sci-Tech University disse tratar-se de uma “pintura monumental ao estilo Gongbi, com um carácter épico”, tal como a história relatada nos versos d’Os Lusíadas.

“The Regret of Love” é um “monumental rolo de seda com quatro metros de comprimento e mais de 1,8 metros de altura”, descreve Lam Kong Chuen, citado numa nota sobre a exposição. Aqui, a artista “constrói um ambiente temporal que se opõe de forma frontal ao acelerar contemporâneo”, onde “o nevoeiro do rio Mekong e correntes subterrâneas no leito desse rio avançam em relação ao espectador”, numa conexão com a viagem marítima relatada na Epopeia portuguesa.

Mais do que constituir um episódio que é fruto da imaginação do poeta, os versos sobre a Ilha dos Amores contam também a interligação entre a moral cristã e pagã, povoada pelos amores vividos na ilha, sendo também a forma de Camões celebrar os navegadores portugueses pelos feitos na descoberta do caminho marítimo para a Índia.

Leong Kit Man é artista, curadora e professora, sendo licenciada pela Academia Nacional de Artes da China e doutorada em Belas Artes. Dá aulas de Belas Artes e orienta mestrados e doutoramentos na Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST).

Ébola | China envia ajuda humanitária para combater epidemia em África

A China anunciou ontem o envio de ajuda humanitária de emergência para a República Democrática do Congo (RDC), incluindo uma equipa de especialistas médicos, para apoiar o combate à nova epidemia de ébola no país africano.

Numa conferência de imprensa regular, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou que Pequim tem prestado apoio aos países afectados desde a epidemia de 2015 e que equipas médicas chinesas já trabalham no terreno em África.

Segundo o responsável, a China vai enviar uma equipa de peritos para prestar apoio sanitário e assistência técnica, além de cooperar com a Comissão da União Africana na prevenção e controlo da epidemia.

Pequim apoiará igualmente os esforços do Centro Africano para o Controlo e Prevenção de Doenças para reforçar a capacidade de resposta dos países africanos face ao surto. “A China e África são bons irmãos que partilham dificuldades e avançam juntos nos momentos de adversidade”, afirmou Lin.

O porta-voz acrescentou que Pequim manterá uma estreita coordenação com a República Democrática do Congo, outros países africanos, a Organização Mundial da Saúde e a União Africana, comprometendo-se a continuar a prestar assistência conforme a evolução da situação.

Lin apelou ainda à comunidade internacional para adotar “mais medidas concretas e eficazes” que ajudem a RDC e outros países africanos a superar rapidamente a epidemia.

Na quinta-feira, a agência de saúde pública da União Africana indicou que o actual surto de ébola na RDC já provocou 246 “mortes suspeitas”, no que constitui a 17.ª epidemia da doença registada no país desde a descoberta do vírus, em 1976.

O vírus propagou-se também ao vizinho Uganda, onde foram confirmados nove casos de infecção, incluindo uma morte associada a um caso importado de um cidadão congolês, segundo o mesmo organismo.

Jornalismo | Pequim acusa New York Times de promover separatismo em Taiwan

O Governo chinês acusou ontem o jornal norte-americano New York Times de “difundir retórica separatista da independência de Taiwan”, na primeira reacção pública de Pequim à polémica em torno da saída da correspondente Vivian Wang da China.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian criticou o jornal por se referir a Taiwan como “um país”, considerando que tal formulação “envia um sinal extremamente errado às forças separatistas” da ilha. Lin instou ainda o jornal norte-americano a “corrigir os seus erros”.

Sobre o caso de Vivian Wang, o responsável afirmou que a jornalista terá cometido alegadas irregularidades relacionadas com seguros durante a sua permanência na China como correspondente, o que, segundo disse, violou o regulamento que rege o funcionamento dos órgãos de comunicação estrangeiros no país.

De acordo com Lin, essas infracções levaram as autoridades chinesas a cancelarem as credenciais da jornalista.

O porta-voz acusou igualmente os Estados Unidos de exercerem pressão política sobre jornalistas da agência noticiosa oficial chinesa Xinhua que trabalham legalmente naquele país, alegadamente sob o pretexto de questões deontológicas.

Segundo Lin, a origem das actuais tensões entre os órgãos de comunicação chineses e norte-americanos deve-se a Washington ter “politizado unilateralmente as questões relacionadas com a imprensa”.

O responsável garantiu que a China tem facilitado o trabalho dos jornalistas estrangeiros e concedido vistos a repórteres norte-americanos, contrastando essa situação com as dificuldades enfrentadas, segundo afirmou, pelos jornalistas chineses que pretendem trabalhar nos Estados Unidos.

“Instamos a parte norte-americana a cumprir efectivamente os consensos alcançados sobre questões mediáticas e a adoptar medidas concretas para garantir os direitos legítimos dos jornalistas chineses a trabalhar e viver normalmente nos Estados Unidos”, declarou.

Yuan digital | Aposta para pagamentos transfronteiriços lusófonos

O vice-governador do Banco Popular da China (PBC), Lu Lei, afirmou ontem que o yuan digital poderá tornar os pagamentos transfronteiriços com países lusófonos “mais seguros, eficientes e transparentes”.

O yuan digital, a primeira moeda digital estatal a nível mundial, começou a ser desenvolvida pelo banco central chinês em 2014, com testes técnicos realizados em várias cidades do país a partir de 2019.

Segundo o responsável do PBC, o yuan digital já dispõe de um ecossistema capaz de suportar pagamentos online e offline, contratos inteligentes e “maior transparência regulatória”.

“Com a transição do yuan digital da versão 1.0, semelhante ao dinheiro físico, para a versão 2.0, que funciona como moeda de depósito, a China apresenta uma solução inovadora para a evolução do sistema monetário global”, declarou Lu, durante um seminário de sobre moedas digitais centralizadas e aplicações transfronteiriças realizado ontem em Macau. O evento foi organizado pela Autoridade Monetária de Macau, com o objectivo de “aprofundar a cooperação financeira e explorar aplicações de moeda digital” entre a China e os mercados lusófonos.

Em expansão

Segundo os dados oficiais mais recentes, desde o seu lançamento oficial em 2019, as transações acumuladas em yuan digital atingiram 16,7 biliões de yuan até Novembro do ano passado.

O banco central chinês está a intensificar os esforços para expandir o uso do yuan digital dentro e fora do país, oferecendo incentivos e orientações directas aos bancos para ampliar a utilização do yuan digital em diferentes áreas, incluindo pagamentos transfronteiriços.

“O yuan digital nasceu como substituto digital do dinheiro físico, para modernizar o sistema de pagamentos e reforçar a soberania monetária”, indicou no mesmo evento o director do Instituto de Estudos de Moeda Digital do PBC, Mu Changchun. “Hoje em dia já suporta pagamentos online e offline, contratos inteligentes e integração com sistemas de outros países”, acrescentou.

O representante bancário acrescentou que um projecto de serviços de transferência transfronteiriça em yuan digital já está em funcionamento para facilitar pagamentos bilaterais internacionais. “Isto permite que instituições financeiras estrangeiras se liguem através de uma única plataforma, oferecendo serviços de pagamento digital 24 horas por dia”, explicou Mu.

Os representantes do banco central chinês destacaram que os custos elevados e a baixa eficiência dos pagamentos internacionais podem ser superados com novas infraestruturas digitais, sublinhando o papel de Macau como plataforma de ligação.

Macau está a desenvolver a sua própria moeda digital centralizada, a pataca digital, que deverá funcionar como moeda legal digital em paralelo com o dinheiro físico. A Autoridade Monetária de Macau aderiu também recentemente ao projecto-piloto mBridge, uma plataforma multilateral de moedas digitais de bancos centrais que reúne bancos centrais da Ásia e do Médio Oriente.

“Esperamos que, através da interligação entre a pataca digital e esta plataforma, possamos estabelecer uma cooperação mais estreita com os países de língua portuguesa”, afirmou o vice-governador do PBC.

PJ | Mais duas detenções por troca de dinheiro

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de duas pessoas por suspeitas da prática dos crimes de troca ilegal de dinheiro para o jogo. O primeiro caso foi detectado no NAPE, na madrugada de domingo, quando um homem propôs a uma jogadora entregar-lhe 5.000 dólares de Hong Kong se recebesse 4.450 renminbis.

A mulher aceitou, o negócio foi em frente, mas os dois foram interceptados pelos agentes da PJ. As autoridades acreditam que o detido estava em Macau para se dedicar a esta actividade ilegal. A segunda detenção, está ligada a um outro caso, ocorrido ontem, no Cotai.

A troca de dinheiro decorreu entre dois jogadores, com um deles a ser detido, por ter sugerido receber 17.700 renminbis e entregar 20.000 dólares de Hong Kong. Segundo a PJ o detido estava em Macau desde Outubro de 2024 a realizar esta operação ilegal e por cada troca de 10.000 mil dólares de Hong Kong recebia 80 dólares de Hong Kong.

Burla | Jovem de 17 anos detido pela PJ

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de um jovem de 17 anos, que está indicado de ter cometido uma burla, ao trocar notas falsas com um jogador de um casino.

A troca de dinheiro foi combinada online, através do WeChat, com o jovem e o jogador a combinarem uma troca de 87 mil renminbi, para o jovem, a troco de 100 mil dólares de Hong Kong, para o jogador.

No entanto, durante a troca do dinheiro, o suspeito impediu o jogador de ver o dinheiro vivo, o que justificou com “motivos de segurança”. A vítima não desconfiou de nada, e fez a transferência online dos 87 renminbis. Contudo, quando recebeu o dinheiro vivo percebeu que as notas eram falsas, pelo que chamou a polícia. O alegado burlão foi interceptado pela polícia e segurança do hotel. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.

Jogo | Receitas de Maio subiram 6,7% em termos anuais

Após o mês mais fraco do ano, os casinos facturaram mais de 22,6 mil milhões de patacas em Maio, uma subida de 13,7 por cento face a Abril e mais 6,7 por cento do registo de Maio de 2025. Nos primeiros cinco meses do ano, a indústria apurou quase 108,4 mil milhões de patacas

As receitas do jogo registaram em Maio uma subida de 13,7 por cento, em termos mensais, depois de Abril ter alcançado o valor mais baixo dos últimos sete meses, de acordo com dados anunciados ontem.

Os casinos arrecadaram cerca de 22,6 mil milhões de patacas em Maio, contra aproximadamente 19,9 mil milhões de patacas no mês anterior, de acordo com dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Recorde-se que Abril tinha registado o valor mais baixo desde Setembro de 2025, quando as receitas dos casinos totalizaram 18,3 mil milhões de patacas.

Também em termos homólogos, as receitas do jogo cresceram 6,7 por cento, ou cerca de 1,4 mil milhões de patacas em relação ao registo de 21,2 mil milhões de patacas apuradas em Maio de 2025.

Em relação à receita bruta acumulada, os primeiros cinco meses deste ano registaram uma subida de 10,9 por cento em relação ao ano anterior, com um total de 108,4 mil milhões de patacas contra 97,7 mil milhões de patacas entre Janeiro e Maio de 2025.

Ascensão premium

Macau recebeu quase 873 mil visitantes durante os cinco dias de feriados do Dia do Trabalhador, um valor inferior às previsões das autoridades do território. O Corpo de Polícia de Segurança Pública Macau indicou, no início do mês, que as fronteiras do território registaram a passagem de 873.229 visitantes entre 1 e 5 de Maio, uma média de 174.645 visitantes por dia.

Vários analistas indicaram ao longo do mês que durante os feriados se verificaram apostas mínimas em valores prometedores, fazendo prever uma boa performance mensal, entre eles especialistas da Seaport Research Partners e CLSA Ltd. Aliás, analistas da CLSA apontaram para a crescente propensão de jogadores do segmento de massas premium viajarem para Macau durante os dias menos movimentados dos períodos de feriados, fazendo prever um final forte na semana dourada de Maio.

Também o Citigroup destacou este segmento como responsável por um volume sólido de apostas, apenas superado pelos feriados do Ano Novo Chinês, no passado mês de Fevereiro. Macau fechou o ano passado com receitas totais de 247,4 mil milhões de patacas, mais 9,1 por cento do que no ano anterior (226,8 mil milhões de patacas).

Trânsito | Avó e neta atropeladas numa passadeira

Ontem de manhã, registou-se mais um atropelamento numa passadeira, desta vez sem consequências fatais. Uma avó e a neta de 5 anos foram colhidas na passadeira por um motociclista que, segundo as autoridades, não prestou atenção à estrada. As vítimas sofreram ferimentos ligeiros nas mãos e pernas

Uma senhora de 61 anos e uma criança de cinco anos, avó e neta, foram atropeladas ontem de manhã, por volta das 08h30, por um motociclo, quando atravessavam uma passadeira no cruzamento entre a Avenida do Ouvidor Arriaga e a Rua do Padre João Clímaco.

Segundo o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), o condutor do motociclo tem cerca de 50 anos e suspeita-se que não terá prestado atenção à estrada. As autoridades passaram uma multa ao condutor por não ceder prioridade numa passagem para peões. O condutor foi também sujeito ao teste para apurar taxa de álcool no sangue, que deu negativo.

As duas vítimas, que são residentes da RAEM, foram transportadas para o Centro Hospitalar Conde de São Januário devido a ferimentos ligeiros nas mãos e pernas, mas o seu estado clínico não inspirou cuidados. Segundo informações do Corpo de Bombeiros citadas pelo canal chinês da TDM, as duas vítimas chegaram ao hospital em estado estável.

Em modo repetição

Apesar das autoridades não terem especificado a multa que passaram ao condutor, a Lei do Trânsito Rodoviário prevê que a não cedência de passagem a peões implica uma multa entre 600 e 2.500 patacas. Em caso de reincidência, a coima pode variar entre 1.200 e 5.000 patacas, e inibição de condução pelo período de dois a seis meses.

É a segunda vez em menos de uma semana que uma criança é atropelada enquanto atravessa uma passadeira nas ruas de Macau. Na noite da passada quarta-feira, um menino de 10 anos faleceu quando uma viatura de sete lugares o atropelou numa passadeira na Avenida do Conselheiro Borja,

A morte da criança gerou uma onda de revolta e solidariedade entre a população, inclusive com o Chefe do Executivo a enviar condolências à família, através de uma mensagem lida pelo secretário Wong Sio Chak, numa conferência de imprensa do Conselho Executivo.

Sam Hou Fai pretende avançar com uma consulta pública o mais rapidamente possível para alterar a Lei do Trânsito Rodoviário, antecipando a revisão legal que estava apontada para 2028.

Saúde | Infecções por enterovírus mais que triplicaram em Abril

As infecções provocadas por enterovírus mais que triplicaram em Abril, face ao mês anterior, subindo de 50 para 179 casos, segundo dados divulgados ontem pelos Serviços de Saúde. A subida é ainda maior em termos homólogos, com cerca de sete vezes mais casos, face às 24 infecções verificadas em Abril de 2025.

A infecção pelo enterovírus apresenta maior incidência durante o Verão e é fonte de várias doenças. As mais ligeiras e frequentes são a síndrome mão-pé-boca e a herpangina, mas também pode causar complicações graves, como miocardite e meningite asséptica.

Este tipo de infecções está entre as 45 doenças de declaração obrigatória, que no cômputo geral chegaram aos 2.974 casos em Abril, sendo que destes 2.567 eram relativos a gripes.

Os casos de infecção por norovírus, que podem provocar intoxicações alimentares, mais que duplicaram entre Março e Abril, passando de 40 para 93 infecções reportadas. Também em termos homólogos, este tipo de doença transmissível do tracto gastrointestinal, aumentou 50 por cento.

Também a varicela aumentou entre Março e Abril, de 27 para 44 casos, mas registou uma descida anual de 4,3 por cento face a Abril do ano passado.

Lei do trânsito | Ron Lam exige sistema por pontos

O ex-deputado Ron Lam U Tou defende que deve ser criado um sistema de pontos na carta de condução para que a lei do trânsito rodoviário tenha um efeito dissuasor mais eficaz.

Numa publicação feita na rede social Facebook, Ron Lam lembrou o recente acidente que vitimou uma criança de dez anos, atropelada na passadeira, destacando que o Governo chegou a propor a criação de um sistema de pontuação para as cartas de condução. Tal sugestão constava numa proposta de lei de revisão da legislação rodoviária que caducou, por não ter sido aprovada até ao fim da legislatura.

O sistema de pontos na carta consiste na crescente perda de pontos conforme o número de infracções cometidas, podendo levar mesmo à perda da carta de condução. Ron Lam acredita que a proposta anteriormente feita pelo Executivo não seria dissuasora o suficiente por não incluir actos como não cedência de passagem a peões na passadeira, transgressão das regras dos semáforos ou não cumprimento dos limites de velocidade.

Assim, o antigo deputado defende que as autoridades devem ter por referência as medidas e a legislação em vigor nas regiões vizinhas, nomeadamente a introdução de meios oficiais de denúncia sempre que haja situações de condução imprópria ou perigosa, ao invés de apenas haver reacção depois da divulgação de vídeos nas redes sociais. Ron Lam pede ainda que as aulas de condução nas escolas reforcem o ensino de uma condução defensiva.

Comunidades Portuguesas | Rita Santos eleita coordenadora de comissão

A Conselheira das Comunidades Portuguesas do Círculo da China (Tóquio, Seul, Banguecoque e Singapura) Rita Santos foi eleita coordenadora Comissão Temática para as Questões Sociais e Económicas dos Fluxos Migratórios do Conselho das Comunidades Portuguesas.

A eleição decorreu durante as reuniões de trabalho da comissão, que decorreram entre quinta e sexta-feira no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa, segundo um comunicado divulgado ontem pela Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), assinado pelo seu presidente José Pereira Coutinho.

Nas reuniões em Lisboa foram ouvidos os responsáveis dos Gabinetes de Apoio ao Emigrante, da AICEP, da Fundação AEP e dos Serviços de Emigração (DGACCP), “sobre as suas atribuições, competências e os serviços disponibilizados às comunidades portuguesas na diáspora”.

Tribunais | Escrivães portugueses devem desaparecer este ano

No início do ano passado, os tribunais da RAEM contavam com cinco escrivães judiciais especialistas portugueses. No entanto, dois regressaram a Portugal, um vai regressar brevemente e os restantes têm novos vínculos que terminam antes do final do ano. A situação pode dificultar a comunicação com advogados portugueses

Até ao final do ano, os tribunais da RAEM deverão ficar sem qualquer escrivão judicial especialista português, depois dos actuais terem atingido o limite máximo para trabalharem como funcionários judiciais. Segundo o HM apurou, no espaço de dois anos, os tribunais deverão perder um total de cinco portugueses, o que poderá ter um impacto maior na utilização da língua portuguesa nos tribunais.

No início do ano passado, os tribunais da RAEM contavam com cinco escrivães com nacionalidade portuguesa. Estes mantinham o vínculo com a Administração Pública em Portugal, que autorizava a permanência na RAEM, mas integravam os tribunais de Macau, onde os seus contratos eram anualmente renovados. A permanência em Macau estava assim dependente da autorização de Portugal e também da renovação dos contratos a nível local, uma situação que se mantinha pelo menos há 20 anos, nos casos mais recentes.

No entanto, o facto de os funcionários judiciais em Macau também estarem sujeitos à legislação para os funcionários públicos da RAEM faz com que não possam continuar a exercer funções com mais de 65 anos. Como todos os cinco escrivães completam a idade máxima limite até Junho deste ano, os tribunais começaram a deixá-los sair.

Sobre o impacto na nova situação, uma das fontes ouvidas pelo HM e conhecedora do processo afirmou que as saídas “não vão levar ao encerramento dos tribunais”, mas terão “um impacto importante”, porque estes trabalhadores eram fundamentais para garantir a utilização da língua portuguesa “de forma mais correcta” e assegurar a comunicação sem dificuldades com os advogados que se expressam em português.

As primeiras saídas começaram ainda no ano passado, com duas escrivãs a optarem por regressar a Portugal, para continuarem as carreiras profissionais, dado que no país europeu não se aplica este limite e havia uma ligação contratual.

Autorização especial

Também no ano passado, um terceiro escrivão atingiu a idade limite de trabalho. Contudo, neste caso, em vez de regressar a Portugal, o escrivão apresentou, por sua iniciativa, um pedido para continuar a trabalhar nos tribunais da RAEM.

Os tribunais mostraram abertura à sua continuidade. No entanto, por motivos legais, foi adoptado um regime especial que impede que o escrivão mantenha os direitos laborais anteriores.

Esta situação implica mudanças nas condições laborais que passam por um novo contrato com um vencimento com uma redução salarial de cerca de 50 por cento face ao valor anterior, ausência de subsídios e habitação e outros benefícios como o direito ao pagamento de horas extraordinárias. A situação é igualmente temporária, pelo que o vínculo tem de ser renovado em Macau em períodos de seis meses, além de exigir uma nova autorização em Portugal, dado que estes trabalhadores continuam ligadas à Administração Pública do país europeu.

Desde o final do ano passado, um outro escrivão propôs-se continuar nos tribunais e aceitar as novas condições laborais. Contudo, estes vínculos terminam até ao final deste ano, pelo que existe a possibilidade de não serem renovados mais do que duas vezes ou de serem rejeitados. No caso do restante escrivão, apurou o HM, o regresso a Portugal para continuar a carreira profissional também está confirmado.

O HM contactou o Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância para obter uma reacção às várias saídas e tentar perceber se os funcionários vão ser substituídos e em que moldes. Apesar do contacto telefónico, o gabinete pediu ao HM para enviar um fax com as questões, o que foi feito, mas até ao fecho da edição não foi recebida qualquer resposta.

Kevin Ho quer medicamentos transportados por drones na Grande Baía

O deputado Kevin Ho defende a utilização de drones para entregas urgentes de medicamentos na Grande Baía. A proposta consta de uma interpelação escrita do empresário, que foi divulgada no portal da Assembleia Legislativa.

De acordo com as explicações do deputado, desde o ano passado que Hong Kong lançou um conjunto de normas para permitir que as empresas privadas focadas nos produtos da economia de baixa altitude, como os drones, possam realizar testes. Além disso, foi inaugurada “uma rota aérea transfronteiriça com drones para transporte de materiais médicos, com um percurso de cerca de 12 quilómetros e a duração aproximada de 20 minutos”.

Kevin Ho pretende que o exemplo seja copiado porque “segundo as informações disponíveis” a adopção desta rota “representa uma poupança superior a 60 por cento, face ao transporte marítimo tradicional”.

Para o legislador, a nova forma de transporte de medicamentos é um exemplo válido da movimentação de medicamentos, em caso de emergências, entre diferentes ilhas.

Por isso, o sobrinho de Edmund Ho pede que se siga o exemplo: “A promoção do transporte regularizado de materiais médicos transfronteiriços por meio de drones não só reforça a capacidade de emergência em saúde pública de Macau, como também constitui uma importante medida para integrar a estratégia nacional da economia de baixa altitude e desenvolver uma nova produtividade de qualidade”, argumenta.

Espaços reservados

Kevin questiona também se vão ser reservados espaços e construídas “estações especiais” para descolagem e aterragem de drones, assim como instalação de carregamentos e trocas de baterias, no Hospital Conde de São Januário e no Complexo Médico das Ilhas para promover esta forma de transporte de medicamentos.

No que diz respeito à Grande Baía, Ho pergunta se as autoridades se vão coordenar para criarem mecanismos de reconhecimento de licenças para os drones circularem e fazerem entregas de medicamentos entre as diferentes regiões.

O empresário pede ainda ao Governo que avance com uma proposta de legislação para permitir a empresas privadas começarem a testar o transporte de medicamentos e desenvolver a economia de baixa altitude.

Moeda digital | Macau adere à plataforma internacional mBridge

A decisão de aderir à plataforma mBridge foi anunciada ontem pela administradora da Autoridade Monetária de Macau, Lau Hang Kun, durante um seminário sobre moedas digitais centralizadas

A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) anunciou ontem a adesão plena ao projecto mBridge, uma plataforma multilateral de moedas digitais centralizadas que permite pagamentos transfronteiriços sem recorrer ao dólar norte-americano.

Onze bancos locais foram já autorizados a participar, podendo realizar transacções “a partir de amanhã [hoje]”, indicou a administradora da autoridade monetária, Lau Hang Kun, durante um seminário de sobre moedas digitais centralizadas e aplicações transfronteiriças realizado em Macau.

O mBridge é uma plataforma multilateral para pagamentos transfronteiriços entre moedas digitais emitidas por bancos centrais, criado em conjunto pelo Banco Popular da China; os bancos centrais e autoridades monetárias de Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes Unidos; e o Banco de Compensações Internacionais, conhecido como o “banco central dos bancos centrais”.

Tem como objectivo criar um método de testar pagamentos internacionais sem a necessidade do dólar como intermediário, usando moedas digitais centralizadas directamente entre países com liquidação em tempo real.

Lau Hang Kun destacou que a adesão marca “uma nova etapa para a integração de Macau no sistema financeiro digital internacional”.

Alternativas desde 2020

Macau tem vindo a desenvolver a sua própria moeda digital, a pataca digital, lançada em fase de investigação em 2020 com apoio do banco central chinês. A fase de desenvolvimento inicial da pataca digital concluiu-se no final do ano passado, com a autoridade monetária local a descrever que a construção das infra-estruturas de base já entrou em testes iniciais. “Estamos a ampliar os cenários de aplicação, incluindo governação electrónica, transportes públicos e escolas, sempre com foco na segurança e inclusão financeira”, afirmou Lau.

Segundo a responsável, a pataca digital deverá reforçar a eficiência do sistema de pagamentos locais, integrando-se com serviços de transferências bancárias e preparando Macau para “oferecer soluções financeiras mais competitivas”.

A AMCM está também a trabalhar na criação do enquadramento jurídico e normas regulamentares para garantir a supervisão e funcionamento normalizado quando a moeda entrar em circulação. Lau sublinhou ainda que Macau pretende usar estas iniciativas para consolidar o seu papel como plataforma financeira sino-lusófona.

“Queremos que Macau não seja apenas uma ponte tradicional, mas também um eixo inovador da cooperação económica e financeira na era digital entre a China e os países de língua portuguesa”, disse.

O projecto de Macau segue esforços do Governo chinês para criar o yuan digital, a primeira moeda digital oficial emitida por um banco central a nível mundial, e que está já em fase de testes em diferentes cidades do país.

Miguel Enrique Stédile, académico

Acaba de ser editado no Brasil, pela Expressão Popular, o “Dicionário do Socialismo com Características Chinesas”, de autoria de Miguel Enrique Stédile, Julián Bokser, Diego Pautasso e Javier Vadell. O co-autor Miguel Enrique Stédile explica que a obra apresenta “uma pluralidade de visões sobre a China desde a América do Sul”. Já há planos para uma segunda edição

Porquê editar este Dicionário e quais os principais conteúdos que são mostrados ao leitor?
Nos últimos anos tem havido um crescente interesse pela China no Brasil e na Argentina, tanto pelo público académico, quanto pelo leigo. Entretanto, a literatura publicada localmente ainda é insuficiente para dar conta de todas as dimensões da experiência chinesa. Então, a partir da necessidade de uma obra de referência que permitisse ao leitor ser introduzido rapidamente a alguns conceitos e questões-chave, apresentamos o Dicionário, uma obra que permite aos pesquisadores brasileiros e hispano-falantes contarem com um livro que reúna num só local estas questões mais frequentes. O dicionário reuniu mais de 70 pesquisadores brasileiros e argentinos, com uma pluralidade de visões sobre a China desde a América do Sul.

Que China nos é contada neste livro? É dado maior foco à mudança económica do país, na sua abertura ao mundo, por exemplo?
Sim. Seria impossível escrever em pouco tempo um dicionário sobre a cultura ou a história chinesa, por exemplo. Optámos então por um dicionário de questões políticas, económicas e sociais. Evidentemente, há um conjunto de questões que remetem ao início da Nova China, mas concentramo-nos também em questões mais contemporâneas para que o leitor possa compreender um pouco mais do que se trata o país que emerge da Reforma e Abertura.

Como se pode olhar para a evolução do “Socialismo com Características Chinesas”, sobretudo a partir dos anos 80? Podemos falar de Deng Xiaoping como um dos seus teóricos?
A trajectória chinesa desperta muito interesse e eu diria até inspiração aos países do chamado Sul Global, porque assistimos a um país que enfrentou guerras civis, invasões estrangeiras, a saída de uma condição de precariedade para o topo do PIB [Produto Interno Bruto] global. Evidentemente, os papéis de Mao Zedong, Zhou Enlai e desta geração revolucionária sã imprescindíveis sem os quais não haveriam as bases para que a geração seguinte pudesse assentar as transformações. Da mesma maneira, Deng [Xiaoping] é um personagem importantíssimo. Mas quando olhamos a trajectória em perspectiva histórica, percebemos que o grande protagonista é o povo chinês. Por melhores iniciativas que seus líderes tenham, elas só se transformam em realidade, quando o povo as compreende e agarra.

Quais as mudanças trazidas pelo governo de Xi Jinping a este modelo governativo?
Creio que o período actual com o Presidente Xi é interessantíssimo e, por si só, tem nos dado muitos motivos para pensarmos numa segunda edição ampliada. O Governo do Presidente Xi coincide com uma grave crise económica mundial, a pandemia global e a crise climática, e neste contexto, a China consegue não apenas se posicionar de forma a enfrentar estas crises, como apresenta caminhos que poderiam ou deveriam ser seguidos por outras nações. Acho que há muitas contribuições inovadoras neste período actual sobre a civilização ecológica, a inovação e mais recentemente sobre a questão da soberania digital e a Inteligência Artificial, além da erradicação da pobreza extrema.

Qual a importância de editar esta obra no Brasil, tendo em conta o relacionamento do país com a China?
Estamos publicando simultaneamente no Brasil, pela editora Expressão Popular, e na Argentina, pelo editorial Batalla de las ideas. Creio que, ao mesmo tempo em que suprirá uma pequena parte da grande lacuna que temos em relação ao conhecimento da China, despertará o interesse para que outros pesquisadores produzam mais sobre estes temas. Mas, espero, em especial, que sirva como um convite para os nossos colegas académicos procurarem mais parceiras de intercâmbio científico e tecnológico com a China e que aproximem os nossos países de formas mais significativas e cooperadas, para além das volumosas relações comerciais que os nossos países possuem.

Ana Maria Saldanha escreve sobre Grande Baía, Macau e Hong Kong

O “Dicionário do Socialismo com Características Chinesas” conta com a colaboração de Ana Maria Saldanha, ex-professora universitária em Macau e docente na Universidade Normal de Hunan, sendo esta uma das autoras juntamente com nomes como Julián Bosker, Diego Pautasso ou Javier Vadell, entre outros.
Na entrada do dicionário “Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”, Ana Maria Saldanha descreve como esta região é “frequentemente comparada ao Vale do Silício devido à sua importância económica e tecnológica”, sendo “uma iniciativa de desenvolvimento estratégico da China”.
Lê-se ainda que o “projecto visa integrar e reforçar a cooperação económica e tecnológica entre as nove cidades da província de Guangdong” e as regiões administrativas especiais, tratando-se de um “ambicioso projecto de desenvolvimento económico e de cooperação regional”. Através da Grande Baía, Pequim pretende “transformar a área numa das mais dinâmicas e inovadoras do mundo, competindo com regiões como as baías de São Francisco, Tóquio e Nova York”.
Ana Maria Saldanha recorda como, em 2015, “a Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Reforma, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Ministério do Comércio (da República Popular da China) divulgaram o documento ‘Visões e Acções para Promover a Construção Conjunta da Faixa Económica da Rota da Seda e da Rota Marítima da Seda do Século XXI”, tendo-se definido aí a “Construção da Grande Baía Guangdong, Hong Kong e Macau”.
Nesta entrada do dicionário é também referido que “o apoio estatal tem desempenhado um papel crucial neste processo de integração regional graças aos investimentos maciços em investigação e desenvolvimento”, sendo que a China “estima que o desenvolvimento da inovação e da tecnologia impulsiona a economia, melhora a qualidade de vida e cria empregos de qualidade”.
Ainda assim, a autora destaca como embora “as oportunidades de desenvolvimento sejam vastas, a região enfrenta desafios, decorrentes da existência de diferenças entre os sistemas jurídicos e económicos de Hong Kong e de Macau em relação à China continental”. Porém, “os objectivos pretendidos estão a ser alcançados: o Governo Central tem conseguido manter uma estreita conexão entre as regiões administrativas especiais e o restante território da província de Guangdong, num contexto em que a estabilidade regional é considerada de suma importância”.
Ana Maria Saldanha acrescenta ainda que a região da Grande Baía “é uma iniciativa ambiciosa que visa capitalizar sinergias regionais”, além de aspirar “tornar-se um centro de inovação científica e tecnológica” na promoção “do empreendedorismo” e atracção de “quadros especializados, local e internacionalmente”.
“Ainda que existam obstáculos, nomeadamente em razão de disparidades políticas e socioeconómicas, a região tem um forte potencial para se estabelecer como líder mundial em inovação e desenvolvimento sustentável”, lê-se ainda.

Simplificar conceitos

Em informação oficial difundida pela editora Expressão Popular nas redes sociais, a propósito do dicionário, lê-se que o “socialismo chinês desenvolveu conceitos próprios para responder aos desafios da modernização, da soberania e da construção socialista”.
A ideia é levar o leitor a compreender conceitos fundamentais como o desenvolvimento económico do país, a “experiência socialista contemporânea”, a “Reforma e Abertura”, que se iniciou com Deng Xiaoping a partir de 1978; e ainda o papel do Estado. O livro constitui, assim, uma síntese do “vocabulário político, económico e histórico a partir da experiência da Revolução Chinesa até aos dias actuais”.

UE considera Estado de direito vital para o sucesso económico de Macau

O representante da União Europeia em Hong Kong e Macau, Harvey Rouse, declarou que é vital para o sucesso económico de Macau “manter uma sociedade aberta, vibrante, e assente no Estado de direito”. Num evento de celebração do Dia da Europa no território, Rouse sublinhou a importância das relações económicas entre os dois lados.

“No ano passado, a União Europeia (UE) foi o segundo maior parceiro comercial de Macau, responsável por cerca de 26 por cento de todas as trocas, apenas atrás da China continental, com 29 por cento. Somos também a terceira maior fonte de investimento directo estrangeiro, depois de Hong Kong e da China”, descreveu.

O comércio de mercadorias entre a UE e Macau atingiu um valor de 36,04 mil milhões de patacas em 2025. No caso de Hong Kong, o comércio bilateral de mercadorias atingiu 55,7 mil milhões de euros no mesmo ano, com o bloco económico a assumir-se como o 6.º maior parceiro comercial de Hong Kong.

Rouse recordou as visitas do Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, a Portugal, Espanha e Bélgica em Abril, destacando que nos “encontros em Bruxelas, ambas as partes concordaram na importância de promover e reforçar os (…) laços económicos”.

“Manter uma sociedade aberta e vibrante, assente no Estado de direito, é vital para uma economia diversificada e inovadora, e também crucial para sustentar o sucesso económico e reforçar o papel de Macau como conector global”, declarou Rouse.

Erosões e preocupações

No seu relatório anual sobre Macau em 2025, a UE expressou preocupação com a erosão da autonomia, das liberdades fundamentais e do pluralismo político na Região Administrativa Especial de Macau. A instituição criticou especificamente a revisão das leis eleitorais que avalia o “patriotismo” dos candidatos.

O Governo de Macau contestou as avaliações da UE, considerando-as tendenciosas e uma intromissão nos assuntos internos, e garantiu que os direitos dos residentes continuam plenamente salvaguardados pela Lei Básica, a miniconstituição do território.

Referindo-se à prioridade do Chefe do Executivo de Macau de diversificar a economia da cidade chinesa semiautónoma, Rouse afirmou que as “empresas europeias estão excelentemente posicionadas e comprometidas em contribuir para essa diversificação”. “Queremos também cooperar com Macau no desenvolvimento verde e na sustentabilidade. Partilhamos a meta de 2050 para alcançar a neutralidade carbónica”, sublinhou.

No plano académico e cultural, o representante europeu destacou o programa de apoio à educação e formação Erasmus+, acrescentando que a UE quer “atrair mais estudantes de Macau para universidades europeias, seja em intercâmbio ou em programas de licenciatura”.