Onde reside o problema? Paul Chan Wai Chi - 5 Jun 2026 Em Setembro do ano passado, escrevi na minha coluna que a proposta de revisão da “Lei do Trânsito Rodoviário” não tinha avançado e que tinha custado ao erário público cerca de 368.000 patacas, por ter implicado a realização de 23 reuniões convocadas pelas comissões da Assembleia Legislativa, excluindo os salários dos assessores jurídicos da Assembleia Legislativa e dos representantes de vários departamentos governamentais. Desperdiçou-se tempo e o dinheiro dos contribuintes, e a necessária revisão em profundidade para aperfeiçoar a “Lei do Trânsito Rodoviário” tornou-se impossível, já que a Lei em vigor há mais de 16 anos está desfasada da realidade e das actuais condições do trânsito de Macau, não garantindo uma utilização segura da estrada para motoristas e peões. Se a revisão da “Lei do Trânsito Rodoviário” tivesse sido efectuada, como estava agendado, na última sessão da VII Legislatura, teria sem dúvida reforçado os regulamentos rodoviários e aumentado a protecção aos peões. Ninguém quer que ocorram acidentes, mas preveni-los é da responsabilidade dos legisladores. Sabendo-se que havia uma necessidade urgente de rever a “Lei do Trânsito Rodoviário”, porque é que a proposta não avançou? Em Agosto de 2025, o colaborador de um jornal levantou algumas questões. O referido colaborador começou por citar os grandes elogios feitos pelo Chefe do Executivo Sam Hou Fai ao trabalho da VII Legislatura, nomeadamente, a implementação plena de “Macau governado por patriotas” e o funcionamento perfeito do sistema de predominância do poder executivo. Depois mencionou o adiamento da consulta sobre a revisão do “Lei do Trânsito Rodoviário” em 2018, argumentando que o “parto difícil” da revisão se devia a obstruções deliberadas provenientes de “actividades anti-China e actividades perturbadoras que afectam Macau”. No entanto, colocava a seguinte questão: depois das eleições de 2021 para a Assembleia Legislativa, onde a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa desqualificou candidatos por ter sido considerado que “não defendiam a Lei Básica ou não eram fiéis à Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China”, os trabalhos da VII Legislatura decorreram sem qualquer problema. Assim, na ausência de “actividades anti-China e de actividades perturbadoras que afectam Macau”, que factores determinaram que a revisão da “Lei do Trânsito Rodoviário” tenha “morrido à nascença”? Quanto a esta última questão, quem lhe poderá responder? Além disso, quem poderá dar uma resposta à família da criança que morreu recentemente num acidente? Esta tragédia, em que uma criança foi fatalmente atropelada enquanto atravessava a passadeira, foi alvo de toda a atenção e preocupação do Chefe do Executivo de Macau, que apresentou as condolências à família da vítima e incumbiu os departamentos competentes de lhe darem toda a assistência possível. Foi anunciado que a proposta de revisão da “Lei do Trânsito Rodoviário”, agendada para 2028, será antecipada. A forma como o Governo da RAEM tem lidado com as consequências deste trágico acidente demonstra sinceridade. Por seu lado, os cidadãos têm colocado flores, lanchinhos e brinquedos no local onde ocorreu o acidente e doado dinheiro à família enlutada. Tudo isto revela o profundo desgosto sentido pela população. Garantir a segurança dos cidadãos e dos condutores exige três pilares da gestão do tráfego que funcionem em sintonia: legislação, aplicação e cumprimento da lei. As razões para a revisão da “Lei do Trânsito Rodoviário” ter acabado por se tornar um “projecto de lei descartado”, apontadas no Relatório n.º 1/VII/2025 da 1ª Comissão Permanente da VII Legislatura foram as seguintes, “A discussão e as alterações da proposta de lei mereceram ampla atenção da sociedade, tendo alguns dos temas originado controvérsia. A Comissão também se inteirou, através de diversos meios, nomeadamente dos meios de comunicação social, da grande quantidade de opiniões diferentes manifestadas por diversos sectores, por outros interessados da sociedade e pelos utentes das vias”…. “Por fim, considerando que a Comissão ainda não recebeu a versão alternativa formal e conclusiva da proposta de lei, nem a resposta às questões colocadas, e que o novo texto de trabalho e a versão inicial da proposta de lei apresentados pelo Governo são imaturos, a Comissão não tem condições para continuar a apreciar a proposta de lei e vem, por este meio, apresentar ao Presidente da Assembleia Legislativa o ponto de situação da apreciação da presente proposta de lei”. Entre os diversos sectores, partes interessadas e utilizadores da estrada, quem necessita de mais protecção? A 22 de Julho de 2025, o Governo da RAE anunciou que o pedido de demissão do então Director do Gabinete dos Transportes, Lam Hin San, cujo mandato tinha expirado, tinha sido aceite. No entanto, a versão final da revisão da “Lei do Trânsito Rodoviário”, bem como as respostas às questões levantadas, não tinham sido submetidas à 1.ª Comissão Permanente da VII Legislatura para deliberação em tempo útil. O sustento das pessoas não é uma questão trivial e uma vida é insubstituível. Para garantir a eficácia do sistema de predominância do poder executivo e da qualidade da legislação, é necessário assegurar que todo o trabalho desempenhado pela RAE de Macau assenta na lei, e que os cidadãos experimentem um sentimento de felicidade, de segurança e de pertença à sociedade.
FRC | Recital “Canções à Janela, Sombras da Flauta” acontece hoje Hoje Macau - 5 Jun 2026 Acontece hoje, na Fundação Rui Cunha, mais uma sessão musical com o recital de voz e flauta “Canções à Janela, Sombras da Flauta”. A partir das 18h o público pode desfrutar das actuações de Omyl e Claire, alunas do Curso Vocacional de Música do Colégio Baptista de Macau Em mais uma parceria com a comunidade local, a Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h, o recital “Canções à Janela, Sombras da Flauta”, com a voz de Omyl que se junta ao som da flauta de Claire. Ambas são alunas do Curso Vocacional de Música do Colégio Baptista de Macau, sendo acompanhadas ao piano pela professora Irene Leong Kei Tong. Segundo uma nota da FRC, o repertório de hoje inclui peças dos compositores franceses Camille Saint-Saëns e Francis Poulenc, o austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, o italiano Giuseppe Verdi, o russo Aleksandr Alyabyev, e os chineses Li Yan e Hu Yanjiang. “A educação artística é uma área de ensino que o Colégio Baptista de Macau sempre privilegiou e continua a implementar no seu programa escolar”, pode ler-se, sendo que desde 2006 “que o ensino fundamental oferece aulas de música instrumental aos novos alunos, para que todos tenham a possibilidade de aprender um instrumento”. A criação do Curso Vocacional de Música em 2008, ao nível do ensino secundário, “veio aprofundar o ensino das competências musicais”, sendo uma iniciativa de sucesso, já que os alunos têm sido aceites “em instituições musicais de prestígio na China – como o Conservatório Central de Música em Pequim ou o Conservatório de Música de Xinghai em Cantão –, em Hong Kong, Taiwan, Singapura, Estados Unidos, ou Suíça, produzindo resultados encorajadores”. Talentos natos Hoje pode ouvir-se a voz de Omyl, que se dedica ao estudo de Canto sob orientação da professora Wang Yali, e é também membro do Ensemble Vocal e Coral do CBM. Omyl participou em apresentações importantes e competições internacionais e nacionais, incluindo o 12.º Concurso Internacional de Canto, o 8.º Concurso Liszt-Ferenc, os 13.º Jogos Mundiais de Coros nas categorias de Música Sacra e Ensino Secundário, o 2.º Festival de Música Jovem Pequim-Hong Kong-Macau (BMF), das 36.ª à 41.ª Competição Interescolar de Canto de Macau, entre outras actividades. A aluna possui ainda o certificado ABRSM de Grau 8 em Canto e o certificado de Grau 5 em Teoria Musical. Após a sua graduação, Omyl frequentará o Departamento de Música da Universidade Nacional Sun Yat-Sen (Kaohsiung, Taiwan) para se especializar em Performance Vocal. Claire também integra o Curso Vocacional de Música, onde estuda Flauta com a professora Chow Wai lam. É membro da Banda Sinfónica B e da Orquestra do CBM, bem como do Quinteto de Sopros. Ingressou na Orquestra Jovem de Sopros de Macau em 2020 e, em 2024, recebeu o certificado de Grau 8 em Flauta da ABRSM, com distinção. A estudante participou no 3.º Concurso Internacional de Flauta de Hong Kong e no Concurso Internacional de Flauta Clássica MAESTRIO, frequentou masterclasses com Vincent Lucas (Flautista Principal da Orquestra de Paris), Federica Lotti (Professora de Flauta do Conservatório de Veneza), Gareth Davies (Flautista Principal da Orquestra Sinfónica de Londres) e o flautista húngaro András Adorján. Após a licenciatura, Claire dará continuidade aos estudos de Performance de Flauta na Academia de Artes Cénicas de Hong Kong. Irene Leong Kei Tong é uma jovem pianista, natural de Macau, formada pela Universidade de Educação de Hong Kong com um Mestrado em Educação Musical. Possui os certificados de Piano e Teoria Musical de Grau 8 da Royal Schools of Music (ABRSM), o Diploma de Performance de Piano da ABRSM (DipABRSM) e a Licenciatura da Royal Schools of Music em Performance de Piano (LRSM). Durante os estudos, recebeu orientação do conceituado pianista britânico Jeremy Carter. Participou em diversas apresentações e competições nacionais e internacionais em Macau, Hong Kong, Zhuhai e Taiwan. Actualmente, é Professora Assistente na Escola de Música da Academia de Artes Performativas de Macau e colaboradora da Orquestra Jovem de Zhuhai.
Diplomacia | Pequim proíbe entrada de quatro deputados neozelandeses Hoje Macau - 5 Jun 2026 A China proibiu a entrada no país de quatro deputados neozelandeses que visitaram Taiwan em Maio, uma decisão que Wellington classificou como surpreendente. Os quatro parlamentares, pertencentes a diferentes partidos políticos da Nova Zelândia, deslocaram-se a Taiwan no início de Maio, segundo a rádio pública neozelandesa RNZ. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Nova Zelândia, Winston Peters, disse ter ficado “surpreendido” com a decisão anunciada pela embaixada chinesa em Wellington e pediu aos diplomatas neozelandeses que abordassem o assunto junto das autoridades chinesas. O gabinete de Peters sublinhou que a visita é compatível com a política de “Uma Só China” seguida por Wellington, segundo a qual a Nova Zelândia reconhece a posição de Pequim sobre Taiwan. “Os membros do parlamento neozelandês são livres de tomar as suas próprias decisões sobre convites para deslocações ao estrangeiro, independentemente do Governo”, indicou um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros. Um participante na visita, o deputado trabalhista Duncan Webb, revelou que os parlamentares tinham sido previamente avisados pela embaixada chinesa de que poderiam enfrentar sanções caso viajassem para Taiwan. A embaixada chinesa em Wellington afirmou que os quatro deputados ignoraram “repetidos avisos” e que a visita teve “graves consequências políticas”, constituindo uma “ingerência” nos assuntos internos da China. Segundo a RNZ, a missão diplomática indicou ainda que a proibição poderá ser levantada caso os parlamentares apresentem um pedido de desculpas.
Cuba | China acusa EUA de recorrerem a “rumores e difamações” para justificar embargo Hoje Macau - 5 Jun 2026 A China acusou ontem os Estados Unidos de recorrerem a “rumores e difamações” para justificar o embargo a Cuba, após Washington ter associado a ilha ao terrorismo e a alegadas operações de espionagem chinesas. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou ontem que “fabricar pretextos e difundir rumores e difamações” não pode servir para justificar o “brutal bloqueio” e as “sanções ilegais” impostas pelos Estados Unidos a Cuba. Em conferência de imprensa, Mao defendeu que as medidas norte-americanas prejudicam há décadas a economia e o bem-estar da população cubana e sustentou que a comunidade internacional se opõe amplamente a essa política. A diplomata reiterou o apoio de Pequim à soberania e à segurança de Cuba e apelou a Washington para que ponha fim “imediatamente” ao embargo, às sanções e às medidas de pressão contra Havana. As declarações surgem depois de o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ter afirmado perante a Comissão de Relações Externas do Senado que Cuba apoiou “quase todos” os grupos violentos de esquerda da América Latina. Rubio defendeu ainda que a ilha necessita de uma nova liderança e de uma transição baseada em “reformas sérias” para deixar de representar uma ameaça para os Estados Unidos. A administração de Donald Trump reforçou a pressão sobre Cuba desde o início do ano, através de novas restrições e de medidas contra o sector petrolífero, que as autoridades cubanas consideram responsáveis pelo agravamento da crise económica na ilha.
DeepSeek | Nova ronda de financiamento de 6,3 mil milhões de euros Hoje Macau - 5 Jun 2026 A chinesa DeepSeek está a ultimar uma ronda de financiamento de até 7,4 mil milhões de dólares, numa das maiores operações de capital de risco de sempre na China, segundo a Bloomberg. De acordo com a agência noticiosa, que cita fontes anónimas, os principais investidores na operação são a gigante tecnológica chinesa Tencent e a fabricante de baterias para veículos eléctricos CATL, contando ainda com o apoio de um fundo estatal chinês dedicado ao desenvolvimento da inteligência artificial (IA). Segundo a mesma fonte, os investidores externos deverão injectar cerca de 30 mil milhões de yuan, dos quais um terço será assegurado pela Tencent. O fundador da DeepSeek, Liang Wenfeng, deverá contribuir com outros 20 mil milhões de yuan, elevando o montante total da operação para cerca de 50 mil milhões de yuan. A concretizar-se, a ronda atribuirá à empresa uma avaliação de aproximadamente 350 mil milhões de yuan, colocando-a entre as mais valiosas empresas privadas do sector tecnológico chinês. A Bloomberg adianta que a Alibaba participou nas negociações preliminares, mas acabou por não avançar com um investimento. Segundo responsáveis da DeepSeek, a empresa pretende privilegiar a investigação em inteligência artificial em detrimento da rentabilização a curto prazo. Liang Wenfeng afirmou que o objectivo da empresa é expandir as fronteiras da tecnologia e aproximar-se da chamada inteligência artificial geral (AGI), um conceito teórico que descreve sistemas capazes de igualar ou superar as capacidades cognitivas humanas. Alta competição A notícia surge semanas depois de a DeepSeek ter apresentado a versão preliminar e de código aberto do modelo V4, que a empresa afirma oferecer um desempenho comparável ao de modelos norte-americanos em áreas como raciocínio, conhecimento geral e agentes autónomos. A tecnológica ganhou notoriedade internacional no início de 2025 com o lançamento do modelo R1, que demonstrou capacidades semelhantes às de rivais norte-americanos a uma fracção do custo. O anúncio surge num contexto de forte concorrência no sector da inteligência artificial, onde empresas como Tencent, Alibaba, ByteDance, MiniMax e Baidu aceleraram o desenvolvimento de novos modelos, impulsionadas pela rivalidade tecnológica entre China e Estados Unidos e pelos esforços de Pequim para reforçar a auto-suficiência tecnológica.
Aperfeiçoamento contínuo | Suspeitos de burlas no programa João Luz - 5 Jun 2026 O CCAC detectou um caso suspeito de burla num estabelecimento de ensino envolvendo subsídios do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo. O responsável da instituição terá oferecido descontos em supermercados para aliciar familiares e amigos a inscreverem-se nos cursos subsidiados O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) revelou ontem ter detectado um caso suspeito de burla praticada por uma instituição de ensino para obtenção de subsídios no âmbito do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo. O caso nasceu de informação enviado pelo Comissariado da Auditoria sobre a suspeita de registos falsos em cursos subsidiados. Após investigação, o CCAC considerou que existiam fortes indícios de o responsável da instituição de ensino e 13 residentes de Macau terem praticado o crime de burla para a obtenção de subsídios atribuídos através do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo. As autoridades alegam que o responsável da instituição usou “vales de desconto para supermercados, entre outras vantagens, como contrapartidas para aliciar, familiares, amigos e outros residentes a inscreverem-se em diferentes cursos”. Os subsídios seriam aproveitados, “através das contas de aperfeiçoamento individual de cada um, atribuídos pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude”. Verdade e consequência O CCAC acrescenta que “alguns indivíduos admitiram” ter feito “inscrições nos cursos com o único objectivo de obter os vales de desconto para supermercados”, e que “não sabiam nada sobre os cursos em que se inscreveram”, nem tinham intenção de os frequentar. Os cursos suspeitos terão sido ministrados a partir de Setembro de 2023 até este ano, no âmbito dos programas referentes aos anos 2023 a 2026. “O responsável da instituição de ensino e 13 residentes de Macau são suspeitos da prática do crime de burla previsto no Código Penal, tendo o caso sido encaminhado para o Ministério Público para os devidos efeitos”, referiu ainda o CCAC. Foi também sublinhada a importância de cumprir a lei no uso de subsídios do Governo. O CCAC acrescentou que “os serviços responsáveis devem também reforçar proactivamente a fiscalização, para assegurar uma utilização adequada do erário público”.
Mitra | Homem chega ao hospital inconsciente devido a incêndio Hoje Macau - 5 Jun 2026 Ontem de manhã, por volta das 11h, um apartamento no segundo andar de um prédio nas imediações do Mercado da Mitra, no centro de Macau, irrompeu em chamas que, segundo o Corpo de Bombeiros, terão começado devido a um curto-circuito no fio de uma ventoinha. Por volta das 11h30, dois homens receberam cuidados médicos no local, com a contabilidade a apontar a cinco pessoas feridas, algumas a serem transportadas para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, que fica nas proximidades. Segundo o relato das autoridades, citado pelo canal chinês da Rádio Macau, uma das pessoas levadas para o hospital foi um trabalhador não-residente de 39 anos que se sentiu mal durante o incêndio, e acabou por chegar ao hospital inconsciente. As autoridades adiantaram que, às 15h, o ferido ainda estava inconsciente. Até ao fecho da edição, não foram divulgados detalhes sobre o estado clínico do homem. Os bombeiros referiram ainda que o incidente obrigou 20 pessoas a serem retiradas de casa. Entre estas pessoas, quatro homens e uma mulher ficaram retidos no apartamento devido ao fumo intenso e necessitaram de assistência dos bombeiros para abandonarem o edifício. Os bombeiros acrescentaram que estas pessoas que precisaram de ajuda têm idades compreendidas entre 33 e 70 anos. A sala de estar do apartamento ficou danificada, assim como dois quartos e a cozinha, que ficaram enegrecidos. As autoridades referiram que as chamas se terão alastrado numa área entre cinco a seis metros. O Corpo de Bombeiros mobilizou nove veículos de emergência para o local, característico pelas ruas estreitas e de sentido único, e 37 soldados da paz. À chegada, depararam-se com janelas e paredes enegrecidas pelo fumo, aparelhos de ar condicionado queimados e vidros espalhados na rua. A operação levou ao encerramento de algumas artérias nas redondezas.
Eléctricos | Pedidos carregamentos em postos tradicionais João Santos Filipe - 5 Jun 2026 Leong Sun Iok pede ao Governo que equacione distribuir apoios para incentivar as gasolineiras a diversificar a oferta para carregamentos eléctricos. O deputado diz que a falta de infra-estruturas de carregamento é o principal desafio à compra de veículos menos poluentes O deputado Leong Sun Iok quer saber se o Governo tem planos para instalar postos de carregamento para veículos eléctricos nos postos de combustíveis tradicionais. O assunto é abordado através de uma interpelação escrita do legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). Segundo o deputado, a adopção de veículos eléctricos faz cada vez mais sentido devido à oscilação dos preços dos combustíveis tradicionais, assim como a necessidade de adoptar políticas ambientais. No entanto, o caminho da diversificação dos veículos em circulação apresenta resultados limitados. “Nos últimos anos, Macau tem envidado grandes esforços na promoção de veículos eléctricos, mas até ao primeiro trimestre deste ano este tipo de veículos ocupava apenas cerca de 7 por cento do total de veículos existentes”, afirmou Leong Sun Iok. O deputado explicou igualmente que apesar de “muitos residentes manifestarem interesse em utilizar veículos eléctricos em prol da protecção ambiental”, há “vários desafios”, como a natureza dos bairros antigos, com grande densidade populacional, que fazem com que faltem infra-estruturas de carregamento de veículos eléctricos. Segundo Leong Sun Iok, as limitações indicadas “contribuem para a desistência dos residentes na utilização dos veículos eléctricos”, o que faz com que a população tenha de “suportar os custos das deslocações” e “pressão dos preços dos produtos decorrentes das oscilações do preço dos combustíveis”. Seguir Hong Kong O legislador sugere ao Governo para seguir a “experiência de Hong Kong” e incentivar os postos de combustíveis tradicionais a disponibilizarem espaço para carregamento de veículos eléctricos. “Olhando para Macau, existem 21 postos de abastecimento de combustível com uma vasta cobertura geográfica e potencialidades para a reconversão”, considerou. Leong admite que não é a primeira vez que aborda este assunto, mas que no passado o Executivo recusou distribuir incentivos às gasolineiras para fazer a reconversão, por considerar que essa mudança tem de partir das empresas, enquanto acto comercial. Agora, o deputado volta a insistir e quer que o Governo distribua apoios financeiros para que a conversão seja acelerada. Além disso, Leong pretende a criação de “um grupo de trabalho interdepartamental” para rever e alterar os diplomas legais, e ainda definir objectivos para acelerar a construção de infra-estruturas para novas energias.
IIM | O Clarim distinguido com Prémio Identidade Hoje Macau - 5 Jun 2026 O Instituto Internacional de Macau (IIM) anunciou a atribuição do Prémio Identidade ao jornal O Clarim, semanário trilingue de orientação católica. A revelação foi feita ontem, através de um comunicado. “O Clarim, fundado em 1948, é o jornal de língua portuguesa mais antigo de Macau ainda em publicação regular. Desde a fase inicial da sua existência, e ao longo de muitas décadas, deu um contributo fundamental para a afirmação da comunidade macaense, maioritariamente católica”, justificou o IIM. “Propriedade da Diocese de Macau, ele é hoje um semanário trilingue, ao serviço da multiculturalidade da população católica de Macau, acompanhando a evolução demográfica do território”, foi acrescentado. O júri terá ainda considerado que “o jornal aborda, à luz de uma perspectiva cristã, variados assuntos de natureza educacional, social e assistencial” que promove “a coesão em torno dos valores ecuménicos”. O IIM atribui o Prémio Identidade desde 2003 e tem como objectivo “distinguir entidades que, pela sua acção, obra e exemplo, hajam contribuído, activa e significativamente, para o reforço, preservação e valorização da Identidade de Macau”. No passado, esta distinção foi atribuída a personalidades como Manuel Teixeira, o escritor e advogado Henrique de Senna Fernandes, o comendador Arnaldo de Oliveira Sales, o arquitecto e investigador António Manuel Pacheco Jorge da Silva ou instituições como a Diocese de Macau, a Santa Casa da Misericórdia de Macau, a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, a Universidade de Macau, entre outras.
Trânsito | Conselheiros pedem medidas imediatas após atropelamento João Santos Filipe - 5 Jun 2026 Vários membros do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central pediram medidas para reforçar a segurança rodoviária, de forma garantir a integridade de condutores e peões A necessidade de implementar medidas de segurança junto das passadeiras marcou a reunião do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central, que se realizou na quarta-feira. Após o atropelamento mortal na semana passada de uma criança de 10 anos, vários conselheiros abordaram o assunto nas intervenções antes da ordem do dia. De acordo com o jornal Cheng Pou, o membro do conselho Leong Kim Kio foi um dos presentes a abordar a questão da segurança rodoviária para indicar que recentemente tem ocorrido “uma vaga de acidentes com peões em várias zonas de Macau”. Para justificar estas ocorrências, o interveniente atribuiu responsabilidades aos condutores e aos peões. Em relação aos que dirigem os veículos acusou-os de terem por hábito não ceder prioridade nas passadeiras, nem sequer abrandar a velocidade dos veículos. No que diz respeito aos peões, Leong indicou que tanto os residentes como os turistas estão demasiado focados nos seus telemóveis, pelo que atravessam as estradas sem terem o cuidado de garantir que o fazem em segurança. O conselheiro defendeu assim a instalação nas passadeiras de sistemas de avisos aos peões, para que se foquem na estrada, em vez dos telemóveis. O responsável pediu que se siga o modelo de Hong Kong, com sinais sonoros e também luzes e marcações na estrada, para alertar melhor os peões de que estão a atravessar uma passadeira, assim como indicações pintadas no solo a indicar “olhe para a esquerda” e “olhe para a direita”. Em relação às medidas para os veículos, Leong pediu a instalação de semáforos com a cor amarela intermitentes nas rectas e proximidades das escolas para lembrar os condutores que devem reduzir a velocidade. Diferenças regionais Por sua vez, a conselheira Tam Nga Lei, ligada à Associação dos Moradores, defendeu que “que as diferentes interpretações das regras de trânsito e os hábitos de circulação” nas várias regiões estão a dar origem a “problemas cada vez mais graves”. Tam acusou os condutores de fora de apenas saberem obedecer aos semáforos e “ignorarem por completo” qualquer marcação na estrada, como passadeiras ou sinais indicativos de cedências de passagem. A conselheira considerou que todas as pessoas que tiraram a carta fora de Macau devem “frequentar” um curso online, que inclui um teste escrito, para poderem conduzir na RAEM. Em relação às passadeiras, Tam Nga Lei defendeu a instalações de mais sinais luminosos, a pensar nas travessias da estrada à noite, mas também de pinos a separar as diferentes vias de trânsito, para impedir ultrapassagem antes das passadeiras. Também o conselheiro Tam Chi Hou abordou o assunto, defendendo a instalação de sinais de zonas perigosas e riscos de atropelamento junto de passadeiras e cruzamentos com mais acidentes.
EPL | Actividade na guarnição com mensagem de harmonia e igualdade João Luz - 5 Jun 2026 No domingo, centenas de alunos do ensino primário participaram numa actividade no Quartel militar da Taipa de celebração da “consciência da etnia” e patriotismo. O IAS garante que o evento ensinou os estudantes a respeitar diferentes culturas e etnias, e ao mesmo tempo a amar a sua própria No passado domingo, em jeito de celebração do Dia Mundial da Criança, centenas de estudantes do ensino primário de Macau participaram na “Representação cultural e artística dos estudantes do ensino primário e da Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês”, no Quartel militar da Taipa. Segundo o comunicado do Instituto de Acção Social (IAS) que antecipou o evento, o programa incluiu “uma sessão de interacção entre os estudantes do ensino primário e os militares do exército, de modo a permitir que os estudantes do ensino primário sintam a atmosfera festiva e celebrem a consciência da etnia e promovam o amor pela Pátria e por Macau”. Em resposta ao HM, o IAS indicou que as actividades para celebrar o Dia da Criança “têm como objectivo sensibilizar o público para os direitos e o bem-estar das crianças, bem como facilitar o intercâmbio cultural e artístico entre crianças de diferentes culturas e etnias, transmitindo mensagens de harmonia e igualdade”. A entidade liderada por Hon Wai salienta que desde o regresso à pátria, o Governo da RAEM tem organizado todos os anos actividades para assinalar o Dia Internacional da Criança, recebendo sempre o apoio e resposta entusiástica das escolas locais. Além disso, o IAS realça o aspecto educativo da actividade na guarnição em Macau. “Por um lado, permite aos estudantes presenciar de perto o valor e galhardia dos militares, aprender com a sua excelente disciplina e ganhar um entendimento intuitivo do desenvolvimento nacional. Por outro lado, permite aos estudantes aprender a respeitar diferentes culturas e etnias, e ao mesmo tempo a amar a sua própria cultura”, acrescentou o IAS. Como o arco-íris O IAS enfatiza que, na implementação de políticas e actividades relacionadas com crianças, “o Governo da RAEM respeita sempre a Convenção sobre os Direitos da Criança, assegurando que os direitos das crianças são respeitados, sem discriminação baseada em raça, nacionalidade ou contexto social”. Sobre os valores que a organização pretendia passar às crianças do ensino primário na actividade na Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês, o IAS apontou à relevância de inculcar sentidos nacionalistas. “O Governo da RAEM sempre atribuiu grande importância à promoção e transmissão dos valores fundamentais do amor à pátria e a Macau, e está empenhado em formar uma nova geração dotada de patriotismo e perspectiva internacional”.
Pensões | ATFPM quer nova actualização em 2027 Hoje Macau - 5 Jun 2026 A Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) espera que o Governo de Portugal apresente uma nova actualização do valor das pensões, para o próximo ano. A posição foi tomada por Rita Santos, presidente da Assembleia-Geral da associação de Macau, durante um encontro com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa. A revelação sobre o conteúdo do encontro partiu de José Pereira Coutinho, presidente da ATFPM e deputado de Macau, que divulgou um comunicado através da comunicação social. Na reunião, Rita Santos “manifestou, em nome de todos os pensionistas residentes em Macau, o profundo agradecimento ao Primeiro-Ministro pela decisão de actualizar as pensões no ano de 2026”. Segundo a conselheira das comunidades portuguesas esta foi “uma medida muito apreciada por toda” a comunidade de pensionistas. Depois do agradecimento, chegou o pedido de actualização para o próximo ano: “a ATFPM expressa a esperança de que o Governo de Portugal pondere oportunamente a apresentação de uma proposta de actualização das pensões igualmente para o ano de 2027”, pode ler-se no comunicado assinado por Coutinho. Além disso, Rita Santos apresentou o “profundo reconhecimento pelo apoio que o Primeiro-Ministro Luís Montenegro tem prestado aos portugueses residentes em Macau” principalmente aos “antigos funcionários públicos da administração portuguesa já aposentados” na resolução de “diversas questões”.
Residentes do Iao Hon descrentes em relação à reabilitação Hoje Macau - 5 Jun 2026 As autoridades avançaram com um plano de demolição do bairro de Iao Hon, mas o projecto enfrenta muros intransponíveis e os residentes não acreditam que a reabilitação avance. A deterioração dos edifícios do bairro há muito que começou a fazer-se sentir, com fissuras visíveis no betão armado na generalidade das infra-estruturas, saneamentos entupidos, e infiltrações. Francisco Vizeu Pinheiro, arquitecto, disse à Lusa que os edifícios “deviam ser reconstruídos”, que “o sistema de água devia ser todo substituído”, e que os prédios deviam dispor de elevadores, atendendo à idade avançada de muitos residentes. As actuais condições de vida no Iao Hon levaram vários residentes a pedir a renovação do complexo, mas, apesar de planos já aprovados pelas autoridades, ainda não existe uma data oficial para as obras. Um dia destes Um plano, a cargo da Macau Renovação Urbana (MUR, na sigla inglesa), foi divulgado em Abril para apenas um edifício – Son Lei, que é, de facto, um complexo de sete edifícios -, tendo como objectivo aumentar as unidades residenciais do lote de 224 para 236. O plano prevê o aumento de 20 por cento da área útil bruta por fracção, com a altura máxima dos edifícios a atingir os 90 metros e o índice de aproveitamento do terreno a crescer de seis para dez. Pelo menos 35 por cento da área do terreno deverá ser ocupada por espaços verdes, uma raridade no bairro actual. O ‘site’ Macaobuilding.net, uma plataforma ‘online’ local sobre engenharia e construção, apontou que o início da construção estaria previsto para 2028. A Lusa questionou a comissão de Planeamento Urbano de Macau da Direcção dos Serviços de Solos, Construção Urbana e Habitação sobre a data prevista para a demolição do bloco em causa, mas não obteve resposta em tempo útil. A MUR também não confirmou a data prevista no ‘site’ de engenharia e construção. O deputado e engenheiro civil, Leong Hong Sai, admitiu em declarações à Lusa que a data prevista “provavelmente não se concretizará”, devido ao facto de “não haver pessoas suficientes a concordar” com o plano. Paredes como esponjas Ao abrigo da lei de renovação urbana de Macau, edifícios com mais de 40 anos necessitam de 80 por cento de concordância dos proprietários para qualquer projecto de renovação avançar. Um estudo da MUR de 2021, que cobriu 70 por cento das unidades do Iao Hon, concluiu que entre os proprietários 90 por cento querem a reconstrução, mas apenas 55,2 por cento estão “dispostos a pagar a sua parte”. Chen Wo In, de 81 anos, que comprou o apartamento no Iao Hon na década de 1980, luta há anos pela reabilitação do complexo. Em Abril deste ano, entregou uma carta ao Governo a pedir que este lidere o projecto de reabilitação. Confrontada com a ideia de que a lei impõe custos aos proprietários pela reabilitação, respondeu com um grito: “É impossível! Não pode ser!”. Filipe Afonso, arquitecto, estima que o plano da Macau Renovação Urbana prevê que cada apartamento T1 irá custar “pelo menos, dez milhões de dólares de Hong Kong”, de acordo com preços de mercado. “Eles [os proprietários] compraram os apartamentos por 20.000 dólares de Hong Kong na época. Não têm dinheiro para pagar o preço de mercado actual”, sublinhou. Numa visita ao bairro com a Lusa, o arquitecto apontou vários “problemas de segurança”: “os edifícios estão a desfazer-se, pedaço a pedaço”. Afonso explicou ainda que os prédios foram construídos como “casas de legos”, com escadas e colunas pré-fabricadas, e que há infiltrações “por todo o lado” nas paredes exteriores, construídas apenas com cimento, o que faz com que “absorvam água como uma esponja”. O Iao Hon não beneficiou de “qualquer manutenção desde que foi construído, nos anos 1970”, observou.
Iao Hon | Um dia num dos bairros mais densamente povoados do mundo Hoje Macau - 5 Jun 20265 Jun 2026 O bairro do Iao Hon vive a braços com problemas de higiene e prostituição, enquanto espera a reabilitação de edifícios muito degradados. O processo não tem sido fácil, numa das zonas mais densamente povoadas do mundo onde o progresso teima em não chegar Ratos e manchas de urina, lixo espalhado, cabos emaranhados, canos a pingar, avisos sobre prostitutas, gaiolas de aço nas janelas, idosos às compras, assim é Iao Hon, um dos bairros mais densamente povoados no mundo. No plano da rua, tudo parece normal: ourivesarias abertas, supermercados, cafés, restaurantes, um templo… Ao olhar-se para cima, porém, vê-se as fachadas a desfazerem-se, bolor negro e esverdeado, janelas partidas, fissuras, cimento em falta, ferro enferrujado. Construído nos anos 1970, o Iao Hon tem sete quarteirões, 46 edifícios e 2.566 unidades, maioritariamente residenciais. A última estimativa, em 2020, registou 12.014 residentes, numa densidade superior a 140.000 por quilómetro quadrado. É uma das áreas mais densamente povoadas do planeta, na cidade que tem também uma das maiores concentrações de população em todo o mundo. Chiu Mingming, 57 anos, passou toda a vida no Iao Hon. Embora viva agora com o filho num “edifício melhor” nas redondezas, continua a gerir uma banca de artigos religiosos chineses no mercado ao ar livre, um lugar que ocupa há mais de três décadas. Os pais de Chiu imigraram da China continental para Macau e trabalharam nas limpezas em fábricas e nos sete quarteirões do Iao Hon. Chiu recorda que, quando era jovem, a luta por espaço era constante. “Eu, os meus pais e os meus irmãos, cinco pessoas, vivíamos todos num quarto, e depois havia uma casa de banho lá em cima”, conta à Lusa, apontando para um edifício chamado Kat Cheong. O apartamento inteiro tinha cerca de 30 metros quadrados. “Era pequeno, escuro, e não se conseguia respirar”, é como Chiu descreve a casa, que dava para uma viela estreita entre edifícios. GONÇALO LOBO PINHEIRO/LUSA Enquanto fala, Chiu cumprimenta os vizinhos, idosas param para lhe comprar incenso, parece saber o nome de toda a gente. Antes do bairro ser construído, continua, o terreno era um hipódromo. Na década de 1970, a área do Iao Hon era ocupada por quintas, fábricas e casas com telhados de zinco. A família de Chiu já aí vivia antes de se mudar para o Iao Hon. “Até criávamos porcos”, recorda com um sorriso. A caminho de um pequeno parque dentro do Iao Hon, onde numerosos idosos se sentam de ombros colados, paredes e recantos exibem vários avisos aos transeuntes, escritos e afixados pelos residentes: “Se ali fores, vai dar que falar”, diz um alerta para dissuadir a prostituição. Outro: “cão, não mijes e não cagues aqui”. Vida que passa devagar No parque, alguns idosos conversam, outros fazem exercício, outros passeiam aves engaioladas, outros ainda limitam-se a olhar o vazio. A poucos passos da banca de Chiu, numa viela ao lado de um restaurante, uma mulher desdentada está atarefada a apertar e amontoar pilhas de cartão. Ao lado, vários idosos conversam, sentados em cadeiras de plástico. Não se percebe o que dizem, mas, se questionados sobre a vida ali, queixam-se da higiene, da desordem e da segurança. Nos últimos dois anos, dizem, têm notado “pessoas suspeitas”, com bolsas, a vaguear pela área. Ninguém sabe exactamente o que fazem ali. GONÇALO LOBO PINHEIRO/LUSA Catarina Chan, jornalista de 32 anos, frequentou uma escola perto do Iao Hon. Naquela época, recorda-se de ver das janelas da escola homens a falar com prostitutas. Hoje ainda tem medo de atravessar o bairro. “Era muito assustador”, diz. “Havia prostitutas na rua, e os homens passavam para perguntar o preço. A forma como olhavam para mim e para as minhas amigas… Ficávamos aterrorizadas”, conta. Chan Kam Peng, 67 anos, reformada da construção civil, está sentada com um grupo de idosos com uma marmita que acaba de custar-lhe 20 patacas, comprada a um vendedor ambulante. Concorda em mostrar à Lusa o apartamento onde vive sozinha. O marido morreu há uns dez anos. Tem um filho e uma filha, que a visitam às vezes. A caminho de casa, um corredor liga os apartamentos: “Isto aqui cheira tão mal, parece um caixote do lixo”, diz. Para trás vão ficando frigoríficos abandonados, máquinas de lavar, mesas, paletes, camas desmontadas, roupas penduradas, sacos com objectos, tudo alinhado no corredor estreito. “Aqui há muitos ratos e prostitutas”, solta. Nas escadas, o cimento dos degraus desfaz-se sob os pés e cada parede parece descascar-se. Em alguns poucos espaços de parede plana, novos avisos, desta vez um específico sobre prostitutas vietnamitas. Enquanto sobe, Chan pára várias vezes para descansar, está ofegante depois de subir cinco andares. Os filhos são ambos casados, também eles com filhos, trabalham em casinos onde ganham, um como a outra, cerca de 20.000 patacas, diz Chan. Às vezes, quando a filha trabalha no turno da noite, dorme lá em casa. Como desta vez, por isso a Lusa não pode entrar. Luta pela requalificação Chan Wo In tem 81 anos e, como a grande maioria das pessoas no Iao Hon, é imigrante da China continental, e trabalhou como funcionária pública antes de se reformar. Pertence ao movimento que luta pela requalificação do Iao Hon. Criou dois filhos no apartamento onde mora, e hoje também vive sozinha. Chan Wo In, sim, abriu a porta de casa à Lusa. Uma pequena estátua de uma deusa chinesa guarda a entrada. Os ladrilhos do chão axadrezados brancos e verdes, típicos dos anos 70, conduzem a uma cadeira de madeira junto à porta. Uma panela de sopa de galinha e um par de pauzinhos ainda estão sobre a mesa do almoço. Uma cama de casal ocupa a maior parte do quarto arrumado. No tecto, uma fissura larga estende-se por mais de dois metros. As paredes estão forradas com bolor. “Comprei esta casa porque não tinha dinheiro”, diz. Uma empresária de 70 anos de apelido Leong é proprietária da Farmácia Chinesa Iao Kei, que vende ginseng, cogumelos e barbatanas de tubarão. Imigrou para Macau e abriu a loja no Iao Hon na década de 1980. “A segurança era má naquela altura”, recorda. A loja foi assaltada várias vezes. Roubaram-lhe o colar de ouro nos anos 80 e, desde então, nunca mais usou joias. Sou Fong tem 71 anos e é proprietária de uma banca de frutas no mercado, onde trabalha todos os dias. Comprou um apartamento de apenas um quarto de dormir no quarto andar do prédio onde mora por 30.000 patacas nos anos 2000. “Olhar para cima e ver o sol, conversar um pouco, é mais um dia”, diz em resumo da vida. “Não é tão bom não nos preocuparmos tanto com tudo? Os filhos já são crescidos e tenho dinheiro suficiente do Governo para as refeições”, conclui. Sou, como tantos proprietários privados em Iao Hon, arrenda o apartamento que comprou a trabalhadores migrantes, que hoje são cerca de um terço da população do bairro. Uma porta entreaberta de uma dessas casas permite contar rapidamente quatro ou cinco camas com redes mosquiteiras penduradas sobre elas, amontoadas numa sala de estar sem janelas. Ocupantes, nenhum. No Iao Hon, já quase não há crianças e só os idosos andam por lá durante o dia.
Zhuhai | Novo espaço do LMA abre em Wanzai Andreia Sofia Silva - 4 Jun 2026 A Live Music Association, espaço de música ao vivo que funcionou durante vários anos na Avenida do Coronel Mesquita, terá agora nova morada do outro lado da fronteira, em Wanzai, Zhuhai. O acesso mais fácil para lá chegar é através do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Interior, na Ponte 16. O anúncio da reabertura do espaço foi feito ontem na página de Facebook do LMA, com a mensagem “New LMA open in China now!” [Novo LMA abre na China!]. O primeiro concerto está agendado para o dia 13 deste mês, a partir das 21h, com a actuação dos “Fusion Rock Power Project” com os músicos Chung e Ka Hou. Vincent Cheang, responsável pelo projecto do LMA, disse ao HM que o novo espaço em Wanzai “combina actuações ao vivo com o estúdio de arte pessoal”. “O espaço apenas estará aberto ao público para concertos, e irá funcionar como antes”, isto quando o LMA tinha portas abertas em Macau. Recorde-se que o LMA começou por suspender temporariamente a actividade, encerrando depois de forma definitiva, no período da covid-19. Vincent Cheang contou que o novo LMA “está instalado numa antiga fábrica de cassetes e CDs”, “um local profundamente ligado à música”, motivo que cativou o responsável pelo espaço. A abertura do lado de lá da fronteira aconteceu devido a alguns entraves em Macau relacionados com a lei do ruído. “As actuais leis de ruído de Macau são demasiado rigorosas, e os cidadãos abusam do mecanismo de reclamação. Então, para nós, é quase impossível encontrar um local em Macau que não resulte na apresentação de mais reclamações.” Vincent Cheang diz querer “continuar a missão de promover a música independente num local que seja próximo de Macau”, uma proximidade que seja “conveniente para bandas, produtores musicais, DJs e o público”.
Guilherme Pegado e Ernesto Gherzi – Os seus contributos para a meteorologia em Macau Olavo Rasquinho - 4 Jun 202623 Jun 2026 Vem este texto a propósito de duas figuras históricas que percorreram caminhos ligados à Meteorologia em Macau. Trata-se de Professor Guilherme José António Dias Pegado (1803-1885), ilustre macaense pioneiro da Meteorologia de Estado em Portugal, professor de Física e Matemática na Universidade de Coimbra e na Escola Politécnica de Lisboa. Foi também o primeiro diretor do então designado “Observatório do Infante D. Luiz”, em Lisboa. O padre italiano Ernesto Gherzi (1886-1973), conhecido como “Pai dos Tufões” e autor de trabalhos científicos nas áreas da Meteorologia e da Geofísica, adquiriu a sua formação científica dentro da Companhia de Jesus e em institutos europeus. Não chegaram a ser contemporâneos, mas as obras de ambos contribuíram para o desenvolvimento da Meteorologia em Macau. Guilherme Pegado nasceu em 23 de maio de 1803, na freguesia de São Lourenço, e faleceu também em Macau, em 22 de outubro de 1885. Ernesto Gherzi nasceu em 8 de agosto de 1886, em Sanremo, Itália, e faleceu em 6 de dezembro de 1973, em Saint-Jerôme, Montreal, no Canadá. Tal como Ernesto Gherzi, que é conhecido como “Pai dos Tufões”, Guilherme Pegado pode ser considerado como o “Pai da Meteorologia” no nosso país, na medida em que foi fundador da Meteorologia de Estado em Portugal e territórios ultramarinos sob administração portuguesa, incluindo Macau, onde foi grande impulsionador das práticas meteorológicas segundo as normas internacionais. É em grande parte graças a este eminente macaense que a estação meteorológica localizada junto à sede dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau (SMG), na Taipa Grande, foi designada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) “Estação Meteorológica Centenária”. Apesar de ser relativamente recente, pois começou a funcionar quando se deu a mudança da sede dos SMG da Fortaleza do Monte para a Taipa Grande, em 1996, a OMM considerou que se cumpriram os rigorosos critérios para essa classificação, entre os quais observação sem interrupção durante pelo menos cem anos, independentemente de ter mudado de um local para outro relativamente próximo. Na realidade, as estações meteorológicas em Macau mudaram várias vezes de local. O primeiro observatório meteorológico, ainda sem instalações próprias, foi criado em 1861, no então chamado Hospital Militar. As observações eram feitas duas vezes por dia sob a responsabilidade do Dr. Lúcio Augusto da Silva (1825–1906), médico cirurgião luso-indiano, então chefe dos Serviços de Saúde do território. Os instrumentos eram devidamente aferidos na Escola Politécnica de Lisboa. No entanto, foi só a partir de 1881 que se passaram a fazer oficialmente observações com continuidade, por pessoal da Marinha, na Capitania dos Portos. Mais tarde o observatório mudou várias vezes de local: para uma dependência da Ermida da Nossa Senhora da Penha (1900); Colina de S. Jerónimo, em pavilhões das antigas dependências do Hospital do Conde de S. Januário (1904); Fortaleza do Monte (1966) e Taipa Grande (1996). Foi sob proposta de Guilherme Pegado que se deu início à construção de uma infraestrutura de observação meteorológica em Portugal, que veio a designar-se por “Observatório Meteorológico anexo à Escola Politécnica”, como consequência da aplicação do estabelecido na portaria governamental publicada em 2 de agosto de 1853. O Observatório, instalado no atual Jardim Botânico, adjacente à antiga Escola Politécnica de Lisboa, veio posteriormente a ser referido sucessivamente como “Observatório Meteorológico de Lisboa” e “Observatório do Infante D. Luiz”, em homenagem ao infante que viria a ser rei de Portugal e que nutria grande interesse pela ciência e pela Marinha. Começou a funcionar regularmente, sob a direção do cientista macaense, em 1 de outubro de 1854, seguindo as regras estabelecidas internacionalmente. Guilherme Pegado foi nomeado pelo Ministério da Marinha, em 1853, diretor científico das observações meteorológicas a bordo de navios. Divulgou em Portugal os critérios estabelecidos na “Conferência Marítima de Bruxelas” que se realizou em agosto, estendendo-se por setembro de 1853, para a uniformização das observações meteorológicas no mar. Os navios portugueses iniciaram essa prática na viagem de Lisboa para Macau da corveta D. João I, em 1853, passando-se a registar várias vezes por dia observações meteorológicas a bordo. Foi também seguindo as suas instruções que se iniciou a instalação das primeiras estruturas meteorológicas em Macau. Guilherme Pegado, além de cientista e professor universitário, foi também deputado às Cortes pelo círculo de Macau durante várias legislaturas. No que se refere ao Padre Ernesto Gherzi, este cientista desempenhou as funções de diretor do Observatório de Zikavei, de1930 a 1949. Foi impedido de voltar a Xangai depois de participar numa missão às Filipinas, onde participou num congresso científico em Manila. Após uma breve estada em Hong Kong, optou por aceitar o convite das autoridades portuguesas para trabalhar na área da Meteorologia, em Macau, onde permaneceu de 1950 a 1954. Na sequência da lei que criou oficialmente os serviços meteorológicos nos antigos territórios ultramarinos portugueses, em 1950, foi criado o Serviço Meteorológico de Macau (SMM), que anteriormente era designado simplesmente por Observatório Meteorológico. Durante dois anos o Padre Ernesto Gherzi deu forte apoio ao meteorologista português Manuel Tomás Ferreira Cabrita, que permaneceu em Macau, de 1951 a 1955, como o primeiro diretor do SMM. Apesar da lei que criou este Serviço tivesse sido promulgada em 1950, o SMM só entrou oficialmente em funcionamento em março de 1952. Foi adquirido novo equipamento e estabelecida a ligação à rede meteorológica mundial, o que permitiu o intercâmbio de informação com Manila e Hong Kong. Por iniciativa do Padre Gherzi tiveram início outras atividades nunca antes exercidas em Macau, como a observação da ionosfera. Segundo Gherzi, a observação de perturbações radioelétricas na ionosfera constituía uma boa ferramenta para a previsão da aproximação de tufões. A sua experiência como diretor do Observatório de Zikavei durante cerca de vinte anos, onde dirigiu um eficaz serviço de alerta de tufões, contribuiu grandemente para a melhoria da previsão do tempo associado a estas tempestades. Foi durante a sua estada em Macau que o Padre Gherzi escreveu o livro “Meteorology of China”, considerado um clássico, com a colaboração de Manuel Cabrita, publicado em 1951 pela Imprensa Nacional de Macau. É de salientar o interessante trabalho da historiadora britânica Priscilla Mary Roberts, no que se refere à investigação sobre o padre italiano e o seu contributo para o serviço de Meteorologia em Macau. Sobre este assunto a historiadora apresentou na sede da Fundação Rui Cunha, em 5 de novembro de 2025, a palestra intitulada “The Father of Typhoons – Ernesto Gherzi and the Macao Meteorological Service, 1950-1954”. Fica aqui a sugestão àquela Fundação, que tanto tem contribuído para a divulgação de assuntos relacionados com Macau, que coloque na sua agenda algo de semelhante no que se refere a Guilherme Pegado.
O Ocidente desfeito (IV) Jorge Rodrigues Simão - 4 Jun 2026 “The greatest enemy of knowledge is not ignorance, it is the illusion of knowledge.” Stephen Hawking À medida que os Estados Unidos se debatem nas suas contradições, o mundo observa se conseguirão inverter a trajectória ou se arrastarão os aliados para o mesmo abismo. A velha dialéctica das tempestades que regressam à calma ainda seduz alguns espíritos, mas o realismo impõe-se pois o optimismo tornou-se um luxo difícil de sustentar. O que se pode e deve fazer é assumir as nossas responsabilidades enquanto europeus ocidentais. A súbita moda de demonizar a América, sobretudo entre aqueles que até ontem a idolatravam, é apenas uma fuga às responsabilidades. E esse é um luxo que a Europa não pode pagar. O inimigo de que precisamos de nos defender somos, antes de mais, nós próprios. Fomos nós que nos deixámos aprisionar numa ideologia europeísta transformada em metaverso sentimental que prometia paz, prosperidade e progresso, mas produz belicismo, desconforto social e uma erosão cultural que corrói o que resta das democracias nacionais. A máquina europeísta, construída para fabricar consenso, tornouse uma fábrica de irrealidade que nos afasta das bases democráticas das nossas liberdades e nos empurra para uma deriva autodestrutiva. As estruturas comunitárias, cada vez mais distantes da legitimidade democrática, tentam impor a primazia de poderes delegados e tecnocráticos sobre os poderes eleitos. Esvaziam as democracias nacionais da sua substância e, ironicamente, alimentam os nacionalismos que pretendiam superar. Sem fronteiras claras, a União Europeia transformase numa salada institucional de países que, muitas vezes, têm mais afinidades com parceiros extra europeus do que entre si. Em tempos de paz, esta deriva ainda se tolera. Em tempos de guerra, é letal. Quando tudo é reduzido a preto e branco, a verdade desaparece. A censura e a autocensura atingiram níveis paroxísticos. O resultado é um continente que se gaba de ser o mais pacífico do mundo, esquecendo que essa paz foi um subproduto da derrota nas guerras mundiais e da protecção de uma potência que não tinha interesse em punirnos. A Europa Ocidental caiu, cambaleante, dentro do guardachuva estratégico americano, que nos reergueu para evitar que Moscovo nos absorvesse. Desde então, expulsámos a guerra do nosso horizonte mental, como se isso dependesse apenas da nossa vontade. Muitas Constituições cristalizaram essa ilusão. Para tudo o resto, confiávamos no protector transatlântico. Mas há dois problemas pois guerras não desaparecem por decreto; e a segurança nacional não pode ser terceirizada para um país que age exclusivamente segundo os seus interesses. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, ficámos estupefactos. Transformámos os ucranianos em heróis da nossa liberdade, enviámos armas às escondidas para não nos assustarmos a nós próprios nem irritarmos demasiado Moscovo, e rezámos para que a guerra ficasse longe das nossas fronteiras. Não movemos um dedo para promover negociações. Quando tentámos, no início de 2022, fomos rapidamente informados pelos nossos protectores de que não era o momento. Agora que são eles a tentar, criticamolos por não procurarem uma “paz justa”, como se pudesse existir justiça sem paz. Para agravar, embarcámos num rearmamento caótico, sem estratégia comum, em nome de um exército europeu sem Estado europeu. Cada país faz o que quer, como quer e quando quer. E, apesar disso, continuamos convencidos de que permaneceremos sob tutela americana que os americanos deixaram de garantir. É a síndrome do guardachuva fantasma pois continuamos a sentilo sobre a cabeça mesmo depois de ter desaparecido. Os europeístas mais fervorosos insistem que a defesa europeia criará finalmente a Europa política. Tentámos construir a casa pelo telhado com o carvão e o aço, depois com o mercado único e finalmente com a moeda única. Quando se professa o princípio da irrealidade, nada é obstáculo. Mesmo que o resultado seja a guerra desde que a Constituição continue intacta. O europeísmo tornouse, na prática, antieuropeu. E perigosamente aventureiro em tempos de conflito. O problema é que os seus defensores são sinceros pois acreditam genuinamente no que dizem. Apenas não têm qualquer noção da realidade. E fazem dessa cegueira uma virtude. O barómetro está preso no anticiclone permanente, enquanto a tempestade se aproxima. A devolução voluntária das últimas parcelas de soberania que o império americano nos tinha deixado por falta de vocação imperial completou o trabalho. A destruição deliberada das culturas estratégicas europeias, especialmente na Alemanha, fez o resto. Atordoados pelo ataque russo à Ucrânia, vagueamos como sonâmbulos num continente que perdeu a capacidade de interpretar o mundo e de se situar no tempo. A surpresa foi tal que nem percebemos que perdemos primeiro a guerra dos outros, amanhã talvez a nossa. Nada garante que russos e ucranianos interrompam tão cedo o massacre. E mesmo que o façam, o mais provável é que se trate de uma trégua instável, não de uma paz verdadeira. O que é certo é que os efeitos estratégicos desencadeados por esta ofensiva lenta e devastadora continuarão a propagarse durante anos, com intensidade crescente. A guerra não é mundial pela participação directa, mas é pelas consequências. O conflito abriu fissuras profundas na correlação de forças globais e arrastou para o tabuleiro a chamada “maioria mundial”, que observa o confronto entre um Norte inquieto e um Sul onde escasseiam Estados sólidos precisamente o instrumento que a Europa inventou para transformar guerras em paz. O impacto mais dramático para nós é a dissolução do Ocidente. Não apenas como bloco geopolítico, isso foi, mas como conceito cultural. O “Ocidente” que conhecíamos era herdeiro da Europa anterior a 1914, antes de o ramo americano da família se tornar dominante. Era a Europa civilizacional, matriz do homo occidentalis, livre para procurar a verdade, mas não para impôla. Uma Europa onde as elites falavam a mesma língua intelectual, onde a ciência, filosofia e arte circulavam sem fronteiras, onde um inglês continuava o trabalho de um francês, um alemão desenvolvia o de um inglês, um dinamarquês avançava mais um passo e um americano, ocasionalmente, inventava uma nova sequência. Talvez um dia consigamos recompor alguns fragmentos do Ocidente estratégico. Mas a civilização que lhe deu origem essa, temo, não voltará.
MAM | Aceites obras para nova edição de exposição anual Hoje Macau - 4 Jun 2026 Decorre entre 12 e 14 de Junho o prazo de recolha de obras de arte para a “Exposição Anual das Artes Visuais de Macau”, no auditório do Museu de Arte de Macau (MAM). Segundo uma nota do Instituto Cultural (IC), esta exposição “tem como objectivo a recolha de obras de meios de expressão ocidental”, abrangendo “obras bidimensionais, tridimensionais, de vídeo e criações multimédia”. As submissões devem ser de artistas com residência de Macau, não sendo permitida a participação de um artista em mais do que uma candidatura. Cada participante ou equipa pode apresentar apenas uma obra ou um conjunto de obras originais concluídas em 2024 ou em data posterior. Quanto aos prémios, será instituído um “Grande Prémio do Júri” com um prémio de 80 mil patacas, sendo a obra premiada integrada na colecção do MAM, com atribuição de certificado. Destaca-se o “Prémio de Criatividade Emergente” destinado a incentivar jovens criadores até 30 anos, com prémios de 10 mil patacas. Mantêm-se os “Prémios de Obras Excepcionais”, com 10 vencedores, recebendo, cada seleccionado, um prémio pecuniário de 30 mil patacas. Será depois organizada uma exposição colectiva “em instituições culturais e museológicas fora de Macau”, com o objectivo de “incentivar os vencedores a continuar a criar”, bem como “ampliar as oportunidades de intercâmbio e exibição das obras”. Esta mostra deverá ser realizada no próximo ano. Na mesma nota, o IC diz esperar que, “com um sistema mais aperfeiçoado, prémios mais generosos e um mecanismo de colecção de obras, possa atrair mais quadros artísticos locais para participar na Exposição Anual e promover o desenvolvimento vigoroso das artes visuais em Macau”.
10 de Junho | Teatro D. Pedro V acolhe no sábado recital de música lírica Andreia Sofia Silva - 4 Jun 2026 O recital “Viagem vocal: quatro séculos de música lírica em português” sobe ao palco do histórico Teatro D. Pedro V no sábado, às 19h30. O soprano Sílvia Sequeira junta-se à meio-soprano Ashley Chui para interpretar composições de ópera e canção portuguesa desde o período Barroco Alfredo Keil, Fernando Lopes-Graça, P. Áureo e Castro ou José Maurício Nunes Garcia. São nomes que estão na mente de muitos daqueles que, habitualmente ou não, ouvem música clássica e lírica, e que podem agora ver as composições destes mestres no palco do Teatro D. Pedro V este sábado, a partir das 18h30. Integrado no cartaz do “Junho – Mês de Portugal na RAEM 2026”, que visa celebrar o 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas, o espectáculo “Viagem vocal: quatro séculos de música lírica em português” conta com a soprano Sílvia Sequeira em palco, que fará parelha na voz com a meia-soprano Ashley Chui. A acompanhá-las estará o barítono Chris Kun Hang Iek e a pianista Arièle Zanini. Segundo a sinopse do espectáculo, a canção em português “espalhou-se pelo mundo desde os primórdios” embora seja hoje “menos conhecida do que as congéneres em italiano, francês ou alemão”. As composições são autênticas “joias, muitas vezes escondidas, da tradição vocal lusófona”, que mostram o que de melhor se foi fazendo na música lírica e ópera desde o período Barroco até ao século XXI, entre Portugal, Macau e Brasil. Segundo a mesma sinopse, a viagem musical inicia-se entre os séculos XVIII e XIX, num périplo sonoro marcado por composições de luso-brasileiros que “viam Portugal e o Brasil como a sua pátria comum”. Falamos de nomes como Marcos Portugal, falecido em 1830, ou António José́ da Silva “O Judeu”, que viveu entre os anos de 1705 e 1739. Há ainda a reter o nome de José́ Maurício Nunes Garcia, falecido em 1830. Depois, já no século XX, persiste a “ópera e canção romântica de modelo europeu, de compositores como Alberto Nepomuceno (1864-1920) e Alfredo Keil (1850-1907) enquanto os próprios séculos XX e XXI se revelaram férteis em canções de arte e árias de ópera – do Brasil a Portugal, com compositores como Heitor Villa-Lobos (1887-1959), Fernando Lopes-Graça (1906-1994) e Alexandre Delgado (nascido em 1965)”. Não faltam, nesta equação musical, Macau, com as composições do P. Áureo e Castro (1917-1993). Natural dos Açores, este pároco era sobrinho de D. José da Costa Nunes, que era Bispo de Macau quando Áureo e Castro chegou a Macau, a 15 de Setembro de 1931, com apenas 14 anos de idade. Áureo e Castro entrou para o Seminário Diocesano de São José, tendo depois desenvolvido o seu gosto musical. Talentos em palco Com um programa musical repleto de estrelas e de história, cabe a Sílvia Sequeira interpretar um repertório especial. A cantora venceu o primeiro prémio, e também o “Prémio do Público” na primeira edição do Concurso Internacional de Canto Cascais-Opera, realizado em 2024, além de já reunir na sua carreira outros prémios. Numa nota biográfica sobre a sua carreira, lê-se que Sílvia Sequeira “tem vindo a conquistar rapidamente o reconhecimento internacional pela sua extraordinária potência vocal e intensidade dramática, afirmando-se como uma das sopranos dramáticas mais entusiasmantes da sua geração”. Também a meio-soprano Ashley Chui, de Hong Kong, já viu a sua voz e trabalho serem galardoados, ao sagrar-se vencedora, em 2022, do “Prémio Especial” no Ise-Shima International Singing Competition e, em 2024, do BYAA Collectives American Art Elite Award. De Macau sobe ao palco do Teatro D. Pedro V o barítono Chris Kun Hang Iek, “um talento local emergente” que conquistou o primeiro lugar na categoria “Vocal Aberta” do 11º Festival Internacional de Música de Hong Kong. O recitar conta também com a actuação da pianista francesa radicada em Hong Kong, Arièle Zanini, também docente no Departamento de Canto da Hong Kong Academy of Performing Arts e pianista principal da City Chamber Orchestra of Hong Kong.
Imprensa | Trump pediu a Xi que ajude a desbloquear negociações entre Rússia e Ucrânia Hoje Macau - 4 Jun 2026 O Presidente norte-americano, Donald Trump, pediu pessoalmente ao homólogo chinês, Xi Jinping, que utilize a influência de Pequim sobre Moscovo para pôr fim à guerra na Ucrânia, segundo fontes citadas pelo jornal South China Morning Post. De acordo com pessoas familiarizadas com as conversações realizadas durante a cimeira entre os dois líderes, em Maio, em Pequim, Trump transmitiu a Xi que as negociações entre Rússia e Ucrânia se encontram bloqueadas e apelou à China para convencer o Presidente russo, Vladimir Putin, a regressar à mesa de negociações com o chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, escreveu o jornal de Hong Kong. O pedido reflecte a necessidade de Washington envolver Pequim nos esforços para resolver um conflito que entrou no quinto ano e que Trump colocou no centro da sua agenda de política externa desde o regresso à Casa Branca. A guerra foi um dos temas abordados durante a cimeira, embora o comércio e o investimento tenham dominado as conversações. Segundo as mesmas fontes, questões como Taiwan e o Irão tiveram também maior destaque do que a Ucrânia nas discussões entre os dois líderes. Trump confirmou publicamente que o conflito foi abordado durante os encontros, mas limitou-se a afirmar que se trata de um tema que os Estados Unidos gostariam de ver resolvido. A ficha informativa divulgada pela Casa Branca após a cimeira não fez qualquer referência à guerra, enquanto o comunicado chinês apenas indicou que Xi e Trump trocaram opiniões sobre a crise na Ucrânia e outros assuntos internacionais. Pequim aprofundou as relações com Moscovo desde a invasão russa da Ucrânia, em 2022, tornando-se um importante apoio económico e diplomático para a Rússia. A China nunca condenou publicamente a invasão e tem rejeitado as acusações ocidentais de que ajuda a sustentar o esforço de guerra russo através do fornecimento de bens de dupla utilização, insistindo que controla rigorosamente as exportações e que o comércio com Moscovo decorre dentro da normalidade. Dias após a partida de Trump de Pequim, Xi recebeu Vladimir Putin na capital chinesa. Na ocasião, os dois países assinaram uma declaração conjunta na qual a Rússia manifestou apoio ao desejo da China de desempenhar um “papel construtivo” na resolução da crise ucraniana por vias políticas e diplomáticas. Trunfos no terreno As fontes indicaram ainda que as exportações chinesas de terras raras também estiveram em destaque durante a cimeira. Washington continua insatisfeito com os controlos impostos por Pequim à exportação destes minerais estratégicos, fundamentais para a produção de semicondutores e sistemas de defesa. Segundo as mesmas fontes, são esperadas novas negociações entre o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent. A China impôs no ano passado amplas restrições à exportação de terras raras, suspendendo posteriormente parte dessas medidas no âmbito da trégua comercial alcançada por Trump e Xi durante a reunião realizada em Outubro, em Busan, na Coreia do Sul. De acordo com um documento divulgado pela Casa Branca em Maio, Pequim comprometeu-se a responder às preocupações dos Estados Unidos relacionadas com falhas nas cadeias de abastecimento de terras raras e outros minerais críticos.
China reconhece todo o território brasileiro como livre de febre aftosa Hoje Macau - 4 Jun 2026 A China reconheceu terça-feira todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação, após mais de 20 anos de negociação entre os dois países, informou o Governo brasileiro. O reconhecimento sanitário amplia as possibilidades de exportação de produtos bovinos e suínos brasileiros para o mercado chinês, incluindo miúdos e carnes com osso, segundo comunicado da diplomacia do Brasil. A decisão ocorre um ano após a Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, “consolidando décadas de trabalho dos serviços veterinários oficiais, dos produtores rurais e dos governos estaduais em prol do fortalecimento da sanidade animal”, informou o Ministério de Agricultura e Pecuária do Brasil em comunicado. A China é o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, inclusive na exportação de proteína animal. Em 2025, o Brasil exportou cerca de 3,5 milhões de toneladas de carne bovina e, desse total, cerca de 1,7 milhões de toneladas foram para a China. Esse volume representou 8,8 mil milhões de dólares em receitas. O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária, Carlos Goulart, informou, em nota, que, este ano, a China também reconheceu o estatuto do Brasil livre de encefalopatia espongiforme bovina (EEB) para a carne bovina brasileira. “E, agora, recebemos com grande satisfação a notícia do reconhecimento do ‘status’ de livre de febre aftosa sem vacinação”, destacou. “Esse reconhecimento sanitário é fundamental para avançarmos nas discussões técnicas relacionadas a diversos produtos das cadeias bovina e suína, permitindo a diversificação do portfólio exportado”, afirmou. O Governo brasileiro lembrou que, durante a missão presidencial de Lula da Silva à China, em Maio de 2025, os dois países assinaram um memorando de entendimento na área de medidas sanitárias e fitossanitárias. “O instrumento fortalece a cooperação bilateral e amplia o diálogo entre os dois países em temas relacionados à sanidade animal e vegetal”, lê-se no comunicado.
Brasil | Lula critica taxação dos EUA e vira-se para a China Hoje Macau - 4 Jun 2026 O Presidente brasileiro, Lula da Silva, criticou terça-feira a decisão dos Estados Unidos de taxar os produtos brasileiros em 25 por cento e disse que o país procurará novos mercados caso sofra restrições de Washington. “Não vou ficar chorando. Se você não quer comprar de mim, eu vou vender para outro”, declarou Lula, afirmando que tem “muita sorte”, porque a China reconheceu que todo o território brasileiro está livre de febre aftosa. “Como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça. O que aconteceu hoje (terça-feira) para se contrapor à medida do Trump? A China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para o mercado chinês”, declarou (ver texto secundário). Lula mostrou-se surpreendido com a decisão anunciada terça-feira por Washington, lembrando que, quando se reuniu com o Presidente norte-americano, Donald Trump, há três semanas, na Casa Branca, os dois líderes estabeleceram um prazo de 30 dias para a negociação do “tarifaço”, e que três reuniões já ocorreram entre os dois países sem haver uma definição. Os Estados Unidos propuseram a aplicação de tarifas de 25 por cento sobre todas as mercadorias de origem brasileira, depois de concluírem que as políticas comerciais do Brasil prejudicam o comércio norte-americano. Entre as práticas que supostamente “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos, os EUA citam o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria, falhas na aplicação de leis anticorrupção, protecção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol. A investigação foi aberta em julho do ano passado pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) contra supostas “práticas desleais” do Brasil, e a nova tarifa entra em vigor no dia 15 de Julho.
HK | Homem vindo de Macau com canábis em tribunal Hoje Macau - 4 Jun 2026 As autoridades alfandegárias de Hong Kong detiveram na segunda-feira um indivíduo de 26 anos de idade, proveniente de Macau, na posse de cerca de 5,8 quilogramas de canábis. O homem foi ontem presente a tribunal acusado do crime de tráfico de uma droga perigosa. As autoridades da região vizinha não indicaram se o arguido é residente da RAEM. O caso aconteceu no terminal marítimo de passageiros em Sheung Wan, quando as autoridades alfandegárias, durante o controlo aduaneiro, encontraram a erva ocultada na bagagem do suspeito. A canábis apreendida teria um valor de mercado estimado em cerca de 1 milhão de dólares de Hong Kong. As autoridades alfandegárias de Hong Kong sublinharam que, nos termos da legislação da região, o tráfico de uma droga perigosa constitui um crime grave, cuja pena máxima é a prisão perpétua. Kpop | Tenta comprar produtos oficiais e perde 36 mil patacas Uma jovem de Macau tentou obter produtos oficiais de Kpop, depois de ter visto uma publicidade numa rede social, e foi burlada em 36 mil patacas. O caso foi divulgado ontem pela Polícia Judiciária (PJ), mas aconteceu no final de Maio. A publicidade nas redes sociais prometia a entrega de produtos de Kpop grátis aos interessados. A residente local sentiu-se intrigada e entrou em contacto com o anunciante que prometeu entregar o produto sem receber dinheiro. Num primeiro momento, a mulher teve de transferir 10 patacas, mas o dinheiro foi reembolsado e a encomenda alegadamente enviada. Como obteve o dinheiro de volta, a mulher confiou no anunciante até ter feito um total de transferências em 36 mil patacas. Contudo, nessa altura percebeu que não ia receber o reembolso do dinheiro nem os produtos, pelo que acabou por apresentar queixa junto das autoridades. Burla | Alegado plano de investimento causa perdas de 19.300 patacas Um idoso foi burlado em 19.300 patacas no final do mês passado, devido a uma burla em que os criminosos se fizeram passar por trabalhadoras da plataforma de compras Taobao. Segundo os contornos do caso apresentado pela Polícia Judiciária (PJ), e citados pelo jornal Ou Mun, o residente local recebeu uma chamada telefónica de um homem a falar mandarim que lhe disse que o “plano de investimento” no Taobao tinha expirado. Se o homem não cancelasse o plano, teria de pagar uma prestação mensal de 2.000 patacas. O idoso acreditou na história, mandou cancelar o plano de investimento, mas forneceu os dados do cartão ao homem, que indicou precisar deles para avançar com o cancelamento. A vítima descobriu que tinha sido burlada, quando recebeu no telemóvel mensagens a informar que tinham sido realizadas 10 transferências bancárias, num total de 19.300 patacas, pelo que apresentou queixa junto das autoridades.
SMG | Depois do tempo quente, chuva torrencial a caminho João Luz - 4 Jun 2026 As temperaturas altas dos últimos dias deverão manter-se até sábado, devido a um anticiclone em alta altitude, com os termómetros nas áreas urbanas a poderem chegar aos 37 graus. A partir de domingo, os serviços meteorológicos estimam o regresso de tempestades e chuva torrencial Macau vive nos últimos dias uma calma escaldante antes das tempestades. Segundo um alerta publicado ontem pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), regista-se um calor intenso com temperaturas elevadas, com particular incidência nas zonas urbanas, e vento fraco. Estas condições devem manter-se até sábado, quando se estima que as temperaturas máximas já apresentem descidas. “Macau tem registado um tempo escaldante nos últimos dias devido à influência contínua de um anticiclone em alta altitude, e prevê-se que as temperaturas elevadas se mantenham durante os próximos dois a três dias. No entanto, espera-se que a monção de sudoeste se intensifique na próxima semana, e o tempo em Macau tornar-se-á mais instável devido à influência de uma depressão”, indicam os SMG. Para hoje e amanhã, estão previstas temperaturas acima dos 34 graus, com a possibilidade de serem mais quentes “dois a três graus nas áreas urbanas”, com a possibilidade de aguaceiros ao fim da tarde e à noite. O outro lado A previsão dos SMG aponta para o surgimento de tempestades e chuva torrencial a partir de domingo, com a possibilidade de este cenário se manter, pelo menos, até à próxima terça-feira. “Prevê-se que a monção de sudoeste atinja a sua intensidade máxima a partir da próxima semana, transportando grandes quantidades de ar quente e húmido para a costa do sul da China, marcando o início do pico da época pré-inundações”, indicam as autoridades. Além disso, uma depressão atmosférica afectará a costa do sul da China a partir do início da próxima semana, o que irá intensificar os aguaceiros e trovoadas a partir de domingo. Os SMG indicaram também que ontem se estava a desenvolver uma zona de baixa pressão na zona central do Mar do Sul da China, com a possibilidade de se transformar em ciclone tropical. As autoridades acrescentam que as previsões indicam que a tempestade se irá deslocar para Taiwan, “com poucas probabilidades de afectar directamente Macau”. Porém, ressalvam que existem estimativas divergentes quando à evolução e intensidade da tempestade entre os vários modelos de previsão.