Wuhan | Autarca de Wuhan que geriu primeiro surto de covid-19 acusado de corrupção Hoje Macau - 17 Abr 2026 A procuradoria chinesa formalizou a acusação por alegados subornos contra Zhou Xianwang, ex-autarca de Wuhan durante o início do primeiro surto conhecido de covid-19, e ordenou a detenção após concluir a investigação, informou a imprensa local. Segundo a Procuradoria Popular Suprema da China, o caso, investigado pela Comissão Nacional de Supervisão – principal órgão anticorrupção do Estado –, foi remetido ao Ministério Público, que decidiu acusar o antigo presidente da Câmara de Wuhan do crime de aceitação de subornos. O processo foi atribuído à procuradoria da cidade de Shangqiu, no centro do país, que já apresentou a acusação formal, dando início à fase judicial. Segundo a acusação, Zhou terá utilizado os cargos que ocupou ao longo da carreira, incluindo em governos locais da província de Hubei e na administração provincial, para favorecer terceiros em troca de benefícios ilegais. As autoridades sustentam que o ex-dirigente recorreu tanto às suas funções directas como à influência associada aos cargos para obter vantagens indevidas, acrescentando que o montante dos subornos foi “especialmente elevado”. Zhou, que também foi vice-presidente do órgão consultivo provincial de Hubei, estava sob investigação desde Julho do ano passado por “graves violações da disciplina e da lei”, expressão comummente utilizada na China para designar casos de corrupção. Em Fevereiro de 2020, ainda como presidente da câmara de Wuhan, o responsável admitiu que as autoridades locais demoraram a divulgar informações sobre o surto de covid-19, alegando necessidade de aprovação de instâncias superiores. Apesar disso, manteve-se no cargo até ao início de 2021, ao contrário de outros dirigentes locais afastados devido à gestão das primeiras semanas da pandemia.
Chips | TSMC bate recorde de lucros com aumento de 58,3% no primeiro trimestre Hoje Macau - 17 Abr 2026 A TSMC, maior fabricante mundial de ‘chips’, registou lucros de 572,48 mil milhões de dólares taiwaneses no primeiro trimestre, uma subida homóloga de 58,3 por cento, informou ontem a empresa. O valor superou as previsões dos analistas e marca o nono trimestre consecutivo de crescimento dos lucros, estabelecendo um novo recorde para a tecnológica taiwanesa neste período. Face ao trimestre anterior (Outubro-Dezembro de 2025), o lucro líquido aumentou 13,2 por cento. Apesar de, historicamente, o sector dos semicondutores registar melhores resultados na segunda metade do ano, a forte procura por ‘chips’ avançados para alimentar sistemas operativos de inteligência artificial e computação de alto desempenho tem impulsionado os resultados da empresa, fornecedora de grupos como Apple, Nvidia, AMD e Qualcomm. A facturação cresceu 35,1 por cento em termos homólogos entre Janeiro e Março, para 1,13 biliões de dólares taiwaneses (30,70 mil milhões de euros), acima das previsões internas da empresa. Os ‘chips’ mais avançados, produzidos com tecnologia de três nanómetros, representaram 25 por cento das receitas, enquanto os de cinco e sete nanómetros contribuíram com 36 por cento e 13 por cento, respectivamente. A margem líquida atingiu 50,5 por cento no primeiro trimestre de 2026, acima dos 48,3 por cento registados no trimestre anterior. Segundo a consultora TrendForce, a TSMC detinha no final do ano passado 70,4 por cento da quota global de mercado na fabricação de semicondutores, à frente da sul-coreana Samsung (7,1 por cento) e da chinesa SMIC (5,2 por cento). Em Janeiro, a empresa anunciou planos para aumentar o investimento para entre 52 e 56 mil milhões de dólares este ano, impulsionada pela procura por ‘chips’ para inteligência artificial.
Júlio Resende dá concerto para celebrar os 18 anos do Museu do Oriente Hoje Macau - 17 Abr 2026 É nos dias 8 e 10 de Maio que Júlio Resende sobe ao palco para um concerto que celebra o Japão e a sua cultura e, ao mesmo tempo, os 18 anos do Museu do Oriente. “Júlio Resende: Zen, Yuu, Mii – Piano, Japão, Silêncio, Fado” acontece no auditório da Fundação Oriente (FO), com a sessão de sexta-feira a começar às 20h, e a de domingo às 17h. Segundo uma nota da organização, trata-se da “estreia mundial de um concerto inédito de Júlio Resende, concebido especificamente para o Museu do Oriente”. “O piano de Júlio Resende vai começar a tocar à hora certa, porque no Japão o zero dos minutos e dos segundos é igual ao infinito respeito que os japoneses têm pelo grupo. Chegar atrasado é não ter ‘Yuu’. Cuidado, e sem cuidado, foco e dedicação não se constrói nada com ‘Mii’, Beleza. Por isso pedimos para que chegue dez minutos antes da música começar, para escutar o silêncio, como num templo”, é explicado. Um lugar especial Júlio Resende já fez duas viagens ao Japão “com o seu piano, a solo, e aprendeu a amar o lugar onde não se gosta de usar a palavra ‘não’ perante os outros, para não se ser indelicado”, procurando “entrar em ‘Zazen’, o lugar da escola Zen que estimula a Meditação Sentada”. “O Piano sempre foi o meu lugar de Zazen, esse lugar onde sentado, mas ao mesmo tempo em extrema actividade, me abrigo dos perigos ou me aventuro no mundo”, disse o pianista, citado pela mesma nota. O concerto de Maio é, assim, “um ensaio sobre o Japão e os pilares do Zen”. Júlio Resende é um dos mais conhecidos pianistas e compositores portugueses da actualidade, destacando-se pela sua identidade musical singular e pela constante procura de novas formas de expressão artística. Com uma carreira marcada pela liberdade criativa, iniciou o seu percurso no jazz, editando os primeiros trabalhos em formato de trio e quarteto, onde revelou desde cedo a sua forte capacidade de improvisação e composição. Ao longo dos anos, o músico tem vindo a expandir o seu universo sonoro, cruzando o jazz com outras linguagens musicais e artísticas.
Arquitectura | Novembro recebe nova edição do Open House Macau Hoje Macau - 17 Abr 2026 Já tem data marcada a edição deste ano do Open House Macau, uma iniciativa de cariz internacional que visa mostrar ao público os segredos escondidos em muitos lugares icónicos de arquitectura. O CURB promove esta iniciativa entre os dias 7 e 8 de Novembro, com o tema “Diálogos Arquitectónicos”. Na próxima semana é editado o primeiro livro sobre o evento O CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo volta a trazer à RAEM, este ano, mais uma edição do Open House Macau, uma iniciativa que revela ao público em geral os segredos de muitos locais históricos e com valor arquitectónico reconhecido, possibilitando visitas guiadas e uma descoberta mais aprofundada do seu significado e importância no tecido urbano local. Segundo uma nota do CURB, o evento decorre entre os dias 7 e 8 de Novembro e tem como tema “Diálogos Arquitectónicos”, abrindo novamente “os edifícios de Macau ao público e oferecendo um acesso raro à arquitectura da cidade”. Aquele que pode ser considerado um festival de arquitectura é apoiado pelo Fundo de Desenvolvimento da Cultura do Governo e integra a rede global Open House Worldwide. Alguns dos edifícios que fizeram parte das edições anteriores do Open House Macau foram a Escola Pui Tou, edifício de cor verde e traços antigos situado na Avenida da Praia Grande, ou a Escola Portuguesa de Macau, com assinatura do arquitecto português Raúl Chorão Ramalho. Outro edifício que fez parte das visitas, foi o do jardim de infância D. José da Costa Nunes. Nesta fase, a organização do festival está a acolher propostas de locais para visitar, além de aceitar a inscrição de voluntários para as mais diversas actividades. Livro a caminho Tendo em conta o número de anos de organização do festival no território, cuja primeira edição aconteceu em 2018, o CURB entendeu chegar a altura de lançar uma obra que conta a história desta iniciativa. Assim, o “Livro Open House Macau” será lançado na próxima semana, quarta-feira 22, a partir das 18h30, na Ponte 9 – Plataforma Criativa, situada na zona do Porto Interior e que acolhe as actividades do CURB. Este livro “assinala um novo capítulo” e revisita “a histórica primeira edição [do festival] através de uma selecção de fotografias e documentação de projectos, captando a energia e ambição do primeiro evento Open House da Ásia”. “Lançada em 2018, a iniciativa recebeu milhares de participantes e reuniu mais de 100 voluntários em 50 edifícios. O lançamento reunirá partes interessadas, arquitectos, parceiros, voluntários e o público em geral, oferecendo um momento para recordar a energia da primeira edição e para celebrar o regresso do OHM em 2026”, descreve a mesma nota. Por detrás do CURB, do Open House Macau e de tantas outras iniciativas locais ligadas à arquitectura está Nuno Soares, arquitecto e urbanista sediado em Macau desde 2003. É director do Departamento de Arquitectura e Design da Universidade de São José, em Macau, tendo fundado o CURB como “organização sem fins lucrativos que promove a investigação, a educação, a produção e a divulgação de conhecimento em arquitectura e urbanismo, levando as questões locais a um público global”. Nuno Soares é também co-director do Conselho de Validação da UNESCO-UIA e secretário-geral do Conselho de Arquitectos de Língua Portuguesa (CIALP). Tem ainda um gabinete de arquitectura, a UP – Urban Practice, que “desenvolve projectos que vão desde a escala urbana à arquitectura e design em Macau e no estrangeiro”.
Activos Públicos | Empresa da UM com lucro de 2,7 milhões João Santos Filipe - 17 Abr 202617 Abr 2026 Os resultados mais recentes da empresa que realiza estudos ficam marcados por uma correcção do lucro de 2024, que passou de 781 mil patacas para 2,9 milhões de patacas No ano passado, a UMTEC, empresa controlada pela Universidade de Macau, apresentou um lucro de 2,7 milhões de patacas, de acordo com os dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços da Supervisão e Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). Os resultados mais recentes apresentam uma revisão da contabilidade relativa a 2024. Em 2025, as vendas da empresa, que disponibiliza serviços de investigação, dispararam de 18,1 milhões de patacas para 31,2 milhões de patacas. Contudo, os custos das vendas também ficaram mais caros, com uma subida de 15,3 milhões para 23,1 milhões de patacas. Como resultado destas alterações, os lucros brutos subiram de 2,8 milhões para 8,1 milhões de patacas. No entanto, a UMTEC gerou menos dinheiro em “operações de financiamento”, com os ganhos a serem reduzidos em 400 mil patacas, e com os “outros rendimentos”, com a fonte das receitas a apresentar uma redução de quase 2 milhões de patacas. Ao mesmo tempo, as “outras despesas” da empresa apresentaram um salto significativo ao atingirem 2,8 milhões de patacas, quando no ano anterior não tinham ido além de 233 mil patacas. Esta diferença foi justificada com maiores perdas devido a trocas cambiais. As variações indicadas explicam o motivo que leva a empresa a apresentar uma redução dos lucros, apesar de até ter obtido receitas maiores do que no ano anterior. Resultados corrigidos Apesar das diferenças, os resultados da UMTEC ficam marcados pela correcção dos números declarados relativamente a 2024. No ano passado, a UMTEC tinha declarado lucros em 2024 de 781 mil patacas. Contudo, os resultados de ontem apresentam uma correcção desses números, que saltaram de 781 mil patacas para 2,9 milhões de patacas. Estas alteração foi explicada com a forma como os investimentos em moeda que não a pataca foram calculados, principalmente tendo em conta a construção do novo campus na Ilha da Montanha, através da subsidiária Guangdong Hengqin UM Higher Education Development. “A administração observou uma diferença técnica entre a taxa de câmbio original utilizada e a taxa de referência adoptada nas melhores práticas de mercado em vigor, resultante principalmente da selecção de diferentes plataformas de referência de taxas de câmbio”, foi justificado. “Para cumprir rigorosamente as normas de relato financeiro e garantir que o valor contabilístico do investimento reflecte com precisão o valor real durante esse período, a taxa de câmbio à vista aplicável à data da transacção foi tecnicamente revista de 1,118 para 1,1347”, foi acrescentado. Face a esta alteração, em 2024 os “outros rendimentos” da empresa aumentaram de 30 mil patacas para 2,2 mil milhões de patacas, justificando a correcção do lucro. Mais lucros A UMCERT Investigação e Ensaios em Engenharia, uma das empresas detidas pela Universidade de Macau (UM) para prestar serviços de pesquisa, registou um lucro de 7,3 milhões no ano passado. Os resultados foram apresentados no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicas (DSSGAP) e representam uma quebra em relação a 2024, quando o lucro tinha atingido as 10,5 milhões de patacas. A UMCERT Investigação e Ensaios em Engenharia é uma das três empresas controladas pela Universidade de Macau. As restantes são a UMTEC, que também se dedica à investigação, e a Guangdong Hengqin UM Higher Education Development, que vai ser responsável pelo desenvolvimento do novo campus da UM no Interior, num investimento que poderá chegar aos 4 mil milhões de renminbis.
Inquérito | Trabalhadores a tempo inteiro são mais de metade Hoje Macau - 17 Abr 2026 Um inquérito realizado pela Associação de Gestão de Macau, divulgado esta quarta-feira, revela que os inquiridos com trabalho a tempo inteiro representam quase 60 por cento. Segundo o jornal Ou Mun, a equipa responsável pelo estudo indicou que a taxa de desemprego foi de oito por cento, com mais de 60 por cento dos empregados a manterem o emprego num período de três a dez anos, o que revela estabilidade a nível laboral. O inquérito avança ainda que os inquiridos têm uma grande vontade de trabalhar na região da Grande Baía, sendo que a primeira escolha recai sobre Zhuhai, seguindo-se Shenzhen. Questionados sobre assuntos onde é necessária a cooperação entre o Governo, empresas e empregados, os inquiridos falaram no salário, ambiente familiar e conveniência em termos de transporte. Lau Veng Seng, presidente da associação e antigo deputado, afirmou que o inquérito mostra como o foco dos empregados mudou, passando da ideia de garantir bens materiais para questões como a importância da resiliência psicológica e crescimento pessoal. Samuel Tong, presidente do Instituto de Gestão de Macau, defendeu que os empregados devem recorrer ao programa de aperfeiçoamento e desenvolvimento contínuo do Governo para melhorarem ferramentas, a fim de assumirem outro tipo de trabalhos. Samuel Tong defendeu também que as empresas podem criar programas de viagens de negócios para quem quer trabalhar em Zhuhai ou Hengqin, devendo ser reforçada a divulgação da Zona de Cooperação pelo Governo. O responsável pensa que o Executivo deve criar uma base de dados dos quadros qualificados na Grande Baía, a fim de rastrear a taxa de rotatividade dos trabalhadores.
EPM | Alunos participaram em acampamento militar João Santos Filipe - 17 Abr 202617 Abr 2026 Um grupo de alunos esteve cinco dias em Zhuhai no Centro de Formação e Educação para a Defesa Nacional, onde trocaram os uniformes da EPM pelas fardas militares. Segundo um jornal do Interior, as iniciativas deste género envolvem o manuseamento de armas, mas as fotos da escola não mostram estudantes armados Um grupo de cerca de 16 estudantes da Escola Portuguesa de Macau (EPM) participou, em Zhuhai, num dos acampamentos militares no Interior para promover o patriotismo. A iniciativa foi organizada em conjunto pela Departamento de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e pela General Association of Chinese Students of Macau, e divulgada pela instituição de ensino, através das redes sociais. “O Acampamento da Defesa Nacional do ano lectivo 2025-26 organizado pelo Departamento de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e co-organizado pela General Association of Chinese Students of Macau, decorreu de 30 de Março a 03 de Abril, no Centro de Formação e Educação para a Defesa Nacional, em Zhuhai”, comunicou a escola. A instituição de ensino classificou ainda a iniciativa como “uma actividade de cinco dias em que os estudantes tiveram a oportunidade de vivenciar um treino militar, em regime de internato”. “O objectivo foi cultivar o senso de disciplina, o espírito de equipa, além de fortalecer o sentido de patriotismo”, foi acrescentado. O HM contactou a EPM para perceber os moldes da participação da escola na iniciativa, a forma de selecção dos alunos no acampamento e ainda se no futuro haverá mais estudantes a participar em iniciativas semelhantes. Até ao fecho da edição de ontem não foi recebida qualquer resposta. Projecto do Governo O envolvimento de estudantes locais em acampamentos militares em Zhuhai tornou-se uma prática frequente nos últimos anos, no âmbito das políticas nacionalistas, com a participação dos alunos a ser divulgadas nas redes sociais pelas instituições de ensino. Em 2024, foi tornado público que “as autoridades relevantes de Macau estabeleceram uma cooperação de longo-prazo com o Centro de Formação e Educação para a Defesa Nacional de Zhuhai para a organização de campos militares”. A informação foi divulgada pelo portal do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, que citou um artigo do jornal estatal de Guangdong Southern Daily. O artigo referia ainda que todos os anos, cerca de 4.000 alunos do 8º ano de escolaridade de Macau iriam a Zhuhai participar em “campos de actividades de educação para a segurança nacional”. Neste artigo, era indicado que os treinos iam envolver o “manuseio de armas, competências básicas de estratégia militar, combate corpo a corpo (incluindo com armas brancas), obedecer a ordens”, simulação de situações de combate e cerimónias de hastear da bandeira nacional. O HM tentou perceber junto da EPM se houve manuseamento de armas em Zhuhai, mas não recebeu qualquer resposta. As fotos divulgadas pela EPM não mostram armas.
Visita | DST com acção promocional em Madrid Hoje Macau - 17 Abr 2026 A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) apresenta entre hoje e terça-feira a iniciativa “Sentir Macau Roadshow em Madrid”, integrada na visita oficial que o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, realiza a Espanha e Portugal nos próximos dias. Segundo uma nota da DST, trata-se da “primeira promoção de grande envergadura conduzida pelo Governo da RAEM em Espanha”, sendo “parte dos esforços para atrair mais visitantes internacionais” ao território. O “Macau Roadshow” tem lugar entre as 15h e as 21h na zona pedestre de Puente del Rey, decorrendo também a “Noite de Macau” com espectáculos de palco. Participam ainda as seis operadoras de jogo e empresas como a Air China, Air Macau, a plataforma B Travel e a agência de viagens Halcón Viajes. Haverá 20 stands na acção promocional de rua, sendo que no rol de espectáculos incluem-se danças do leão e do “dragão nocturno luminoso”, bem como flamengo com dança de leques chinesa, ópera cantonense ou exibições de Tai Chi, entre outros. Decorre também a acção promocional “Sabor da China – Aroma de Macau” até terça-feira, 21, com “menus especiais de Macau”, numa parceria com três populares restaurantes de Madrid, “Soy Kitchen”, “Lamian” e TRIPEA.
Portugal | Sam Hou Fai encontra-se com líderes dos três poderes Hoje Macau - 17 Abr 2026 O líder do Governo de Macau tem encontros agendados com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, vai encontrar-se com “os líderes dos órgãos executivo, legislativo e judicial” durante uma passagem por Portugal, foi ontem anunciado. A participação de Tai Kin Ip estava prevista para a visita, mas o secretário é uma baixa de última hora, depois de ter sido exonerado do cargo. Sam parte amanhã para “a primeira visita ao estrangeiro” desde que tomou posse, em Dezembro de 2024, sublinhou o Gabinete de Comunicação Social (GCS) do Governo de Macau. A deslocação começa em Lisboa, passa ainda por Madrid, Genebra e Bruxelas, antes de regressar a Macau em 26 de Abril. Além do primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano, a nota não clarifica se Sam Hou Fai se irá também reunir com o Presidente da República, António José Seguro. Segundo o Governo de Macau, os encontros em Lisboa têm “o objectivo de aprofundar, de forma contínua, a cooperação entre Macau e Portugal sob a base sólida existente”. Numa entrevista transmitida no domingo pelo canal em português da emissora pública TDM – Teledifusão de Macau, Sam Hou Fai disse que poderão ser assinados “mais de 39 protocolos de cooperação com entidades ou empresas de Portugal”. Os acordos abrangem domínios como “o comércio e a economia, a plataforma sino-portuguesa, a educação, a cultura, o turismo, a formação de quadros qualificados, ‘Big Health’ [saúde integrada] e a tecnologia de ponta”, disse Sam. Comissão mista O governante disse ainda que a Comissão Mista Portugal/Macau irá reunir-se, pela primeira vez desde Maio de 2019, antes do início da pandemia de covid-19, mas Sam Hou Fai não revelou nem a data nem a agenda da reunião. Em Setembro, após um encontro com Sam Hou Fai na região chinesa, Luís Montenegro disse que entre os temas na agenda da comissão estarão as restrições impostas à residência de portugueses. Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. As orientações eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999. Aos portugueses resta a emissão de um ‘blue card’, autorização limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação. A única alternativa para garantir o bilhete de identidade de residente passa agora por uma candidatura aos recentes programas de captação de quadros qualificados. Em Setembro, Luís Montenegro disse que “as coisas estarão encaminhadas” quanto a uma solução para as restrições. O GCS indicou ontem que Sam Hou Fai irá levar uma delegação com “representantes de várias empresas-chave” de Macau e da China continental, incluindo da zona económica especial na vizinha Hengqin (ilha da Montanha). O comunicado referiu que o programa da visita a Portugal inclui uma sessão de promoção de cooperação económica e comercial.
Macau adere à Rede Lusófona de Protecção de Dados Pessoais Hoje Macau - 17 Abr 2026 A Direcção dos Serviços da Protecção de Dados Pessoais (DSPDP) anunciou ter aderido à Rede Lusófona de Protecção de Dados Pessoais (RLPD), tornando-se membro oficial da organização. A adesão foi oficializada a 8 de Abril, de acordo com o comunicado das autoridades locais. “A RLPD destina-se promover o intercâmbio de experiências e de informação relativas ao direito à protecção de dados pessoais, e tem como objectivo consolidar a cooperação entre as autoridades de protecção de dados, dando-lhes maior capacidade para defender os interesses dos cidadãos, sustentados na defesa dos Direitos Humanos, Liberdades e Garantias de Direito”, comunicou o Governo de Macau. No âmbito da nova ligação, a DSPDP promete “criar uma ponte de cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa nas áreas de protecção de dados pessoais, governança de dados e fluxos transfronteiriços de dados”. “Isto demostra plenamente a responsabilidade de Macau de servir a estratégia nacional e promover a aprendizagem mútua e a cooperação com benefícios mútuos entre as civilizações chinesa e estrangeira”, foi vincado. Segundo a DSPDP, a aceitação também “demonstra o alto reconhecimento internacional do sistema da protecção de dados pessoais de Macau”. A mesma fonte indicou que a RLPD foi criada em 2024 e é composta por autoridades de protecção de dados pessoais de países e territórios de língua portuguesa. Actualmente, além da DSPDP, os membros da RLPD incluem as autoridades de protecção de dados pessoais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Portugal e São Tomé e Príncipe.
Segurança nacional | Sam Hou Fai promete reprimir ligações a “forças hostis externas” Hoje Macau - 17 Abr 2026 O líder do Governo prometeu na quarta-feira reprimir severamente as ligações entre residentes que se oponham ao regime do Partido Comunista e “forças hostis externas”. “Com uma determinação inabalável, defendemo-nos e combatemos a interferência externa”, disse Sam Hou Fai, na cerimónia de inauguração de actividades ligadas à educação para a segurança nacional. “Reprimimos severamente, nos termos da lei, as ligações entre elementos anti-China, desestabilizadores de Macau e forças hostis externas”, acrescentou, no discurso, o Chefe do Executivo. O ex-deputado Au Kam San foi detido em 30 de Julho por alegadamente ter agido em “conluio, desde 2022, com uma organização anti-China” estrangeira, disse na altura a Polícia Judiciária (PJ) de Macau. Sam Hou Fai defendeu ainda que as alterações à lei de segurança nacional “reforçam ainda mais o mecanismo de liderança de topo e conferem à Comissão de Defesa da Segurança do Estado [CDSE] uma base jurídica mais sólida, bem como uma capacidade de execução reforçada”. A nova lei estipula que a escolha de um advogado para casos de segurança nacional está sujeita à aprovação de um juiz, que remete o requerimento à CDSE para que a mesma emita um parecer vinculativo e não passível de recurso. Ainda segundo a legislação, o pedido de aprovação do advogado pode ocorrer “em qualquer processo judicial, se a autoridade judiciária competente tiver fundadas razões para crer que existe a necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado”.
Governo | Tai Kin Ip deixa o cargo de secretário por “motivo pessoal” Hoje Macau - 17 Abr 2026 As razões da saída anunciada ontem de manhã não foram concretizadas nem é conhecido o nome do futuro secretário para a Economia e Finanças. O Executivo de Sam Hou Fai perde assim o segundo membro, em menos de dois anos O secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, foi exonerado do Governo, depois de emitir uma declaração a justificar-se com um “motivo pessoal”. As razões não foram reveladas publicamente, mas este é o segundo secretário que o Executivo de Sam Hou Fai perde em menos de dois anos. A saída do Governo acontece a poucos dias do início da viagem oficial do Chefe do Executivo a Portugal e a Espanha, que vai ter na agenda vários assuntos relacionados com a cooperação económica e a diversificação da economia da RAEM. Os motivos não foram divulgados publicamente. “Eu, Tai Kin Ip, há algum tempo que, por motivo pessoal, solicitei formalmente ao Chefe do Executivo Sam Hou Fai a demissão do cargo de Secretário para a Economia e Finanças do Governo da Região Administrativa Especial de Macau”, pode ler-se no comunicado atribuído pelo Gabinete de Comunicação Social ao secretário. Hoje [ontem], o Conselho de Estado publicou, sob proposta do Chefe do Executivo, a minha exoneração do cargo”, acrescentou. Segundo a divulgação oficial, Tai Kin Ip agradeceu “de coração ao Governo Popular Central e ao Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, a confiança e o apoio” durante o período em que exerceu funções. O exonerado agradeceu ainda “a todos os trabalhadores dos serviços públicos da área da economia e finanças pelo esforço e colaboração”. Na mensagem, Tai Kin Ip é ainda citado a dizer que vai continuar “como sempre” a “prestar atenção, colaborar e apoiar o Chefe do Executivo e o Governo da RAEM”. Elogios superiores Na hora da despedida, Sam Hou Fai emitiu um comunicado a elogiar o secretário que ocupou o cargo durante dois anos e no qual sucedeu a Lei Wai Nong. “ O Chefe do Executivo referiu que, desde a tomada de posse deste Governo, Tai Kin Ip desempenhou com brio o cargo de secretário para a Economia e Finanças, implementando as linhas orientadoras da governação e os planos de trabalho do Governo da RAEM”, pode ler-se na mensagem. “Liderou a equipa da área da economia e finanças actuando em obediência à lei, com sentido de responsabilidade, determinação e eficácia, e promoveu novos progressos na área da economia e finanças”, considerou Sam. O líder do Governo agradeceu ainda a Tai Kin Ip e reconheceu “os esforços e contributos” a promoção o desenvolvimento da RAEM. Com esta movimentação, o Executivo de Sam Hou Fai perde o segundo secretário em menos de dois anos. No entanto, desta vez o procedimento da substituição foi diferente do que aconteceu em Setembro do ano passado. Na altura, quando foi revelada a exoneração de André Cheong, ex-secretário para a Administração e Justiça, que deixou o Governo para assumir a presidência da Assembleia Legislativa, foi rapidamente comunicado que Wong Sio Chak iria substituir o exonerado. Ao mesmo tempo, Chan Tsz King foi anunciado como secretário da Justiça, ocupando a vaga deixada em aberta pela nova pasta de Wong Sio Chak. Ontem, e apesar de o Governo ter anunciado que a vontade de Tai Kin Ip tinha sido comunicada “há algum tempo”, não houve informação sobre o seu substituto. Ao invés, Sam Hou Fai comunicou que “o Governo da RAEM está a acompanhar o trabalho de nomeação do novo titular do cargo de Secretário para a Economia e Finanças, e será oportunamente submetida ao Governo Popular Central, para efeitos de nomeação, a indigitação do novo titular do cargo de Secretário para a Economia e Finanças”. Foi ainda clarificado que até “à tomada de posse do novo secretário, todas as competências inerentes ao cargo serão exercidas pelo Chefe do Executivo”.
Moçambique | PR na China com financiamento na agenda Hoje Macau - 16 Abr 2026 O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, vai tentar mobilizar financiamento para “projectos estruturantes” em Moçambique junto da China, para onde partiu ontem, em visita de Estado de sete dias. “No plano económico, o chefe do Estado irá mobilizar recursos para o financiamento de projetos estruturantes de elevado impacto social e económico, bem como impulsionar o relançamento da economia nacional, com enfoque nos setores prioritários, nomeadamente infraestruturas, mineração, energia e agricultura”, refere uma nota da Presidência da República. O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, realiza uma visita de Estado à China de 16 a 22 de Abril, a convite do homólogo chinês, Xi Jinping. A Presidência acrescenta que Moçambique “propõe-se reforçar a cooperação político-diplomática e económica com a China, bem como aprofundar a concertação em matérias de interesse comum da agenda internacional, com destaque para as questões do Sul Global, a reforma das Nações Unidas e as mudanças climáticas”. De acordo com a Presidência, acompanham o chefe de Estado deputados, membros do Governo e outros quadros do Estado moçambicano. O Governo chinês assumiu na terça-feira que esta visita vai aprofundar a parceria estratégica entre os dois países. “Acredita-se que esta visita promoverá o desenvolvimento aprofundado da parceria estratégica abrangente entre a China e Moçambique e contribuirá para a construção de uma comunidade China-África sólida e com um futuro partilhado para a nova era, além de reforçar a solidariedade e a cooperação no Sul Global”, disse, em conferência de imprensa, em Pequim, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Guo Jiakun. “Actualmente, a confiança política mútua entre os dois países está a aprofundar-se, com resultados profícuos na cooperação em diversas áreas e na estreita cooperação em questões internacionais e regionais”, sublinhou Guo Jiakun.
Coreia do Norte | Pyongyang classifica documento japonês como “grave provocação” Hoje Macau - 16 Abr 2026 A Coreia do Norte acusou ontem o Japão de “grave provocação”, depois de Tóquio manifestar oposição ao programa nuclear do país no ‘Livro azul’, um documento diplomático publicado na semana passada. Os dois países não mantêm relações oficiais, e Pyongyang critica regularmente Tóquio pela colonização da península da Coreia (1910-1945). Neste ‘Livro Azul’, que tem como objectivo apresentar as posições diplomáticas de Tóquio, o Japão reiterou a oposição à posse de armas nucleares pela Coreia do Norte, além de expressar mal-estar face ao envio por Pyongyang de tropas e munições para apoiar o esforço de guerra da Rússia contra a Ucrânia. Pyongyang insistiu que não vai abandonar o arsenal nuclear, qualificando a trajectória de irreversível. Esta posição constitui “uma grave provocação que viola os direitos soberanos, os interesses de segurança e os direitos ao desenvolvimento do nosso Estado sagrado”, relatou um responsável não identificado do Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, num comunicado. As “medidas destinadas a reforçar as capacidades de defesa” da Coreia do Norte “inscrevem-se no direito à autodefesa”, indica-se no comunicado divulgado pela agência de notícias oficial norte-coreana KCNA. A mesma fonte descreveu o ‘Livro Azul’ como sendo “tecido de uma lógica de gangsters” e “de absurdos”. Neste documento, escreveu a agência de notícias France-Presse, o Japão despromoveu a China, anteriormente descrita como “um dos parceiros mais importantes do Japão”, a “vizinho importante”, pela primeira vez em dez anos. Isto marca oficialmente um agravamento das relações entre os dois países, depois de a primeira-ministra nacionalista japonesa, Sanae Takaichi, ter dado a entender que o Japão poderia intervir militarmente em caso de um ataque contra Taiwan, que Pequim considera território chinês.
Combustíveis | Vários voos entre China e Sudeste Asiático cancelados Hoje Macau - 16 Abr 2026 Vários voos entre a China e o Sudeste Asiático e a Oceânia foram cancelados nos últimos dias, devido à subida dos custos de combustível causada pela guerra no Irão, informou ontem o jornal The Paper. Desde o início do mês, algumas rotas que ligavam cidades chinesas a destinos na Tailândia, Laos, Malásia ou Camboja suspenderam temporariamente todos os voos, enquanto noutras, com destino à Austrália ou à Nova Zelândia, a taxa de cancelamento atinge 83,3 por cento. Segundo o jornal South China Morning Post, outras companhias aéreas, como a paquistanesa PIA, também reduziram voos com a China e outros destinos, enquanto empresas das Filipinas, Vietname ou Nova Zelândia cortaram rotas, e a Cathay Pacific, de Hong Kong, já anunciou que vai cancelar 2 por cento dos seus voos em Maio e junho. Lin Zhijie, especialista citado pelo The Paper, explicou que o combustível de aviação – cerca de um terço dos custos de uma companhia aérea – praticamente duplicou de preço desde o início da guerra no Irão, enquanto os bilhetes não acompanharam essa subida, colocando algumas empresas numa situação em que, quanto mais voos operam, maiores são as perdas. Além disso, alguns dos países mencionados enfrentam problemas de abastecimento de combustível devido ao bloqueio ‘de facto’ do estreito de Ormuz – destino de entre 84 por cento e 90 por cento do petróleo que transita por esta rota marítima crucial – o que agrava os custos e cria incerteza quanto à capacidade de reabastecimento. Mitigar impacto As companhias melhor posicionadas neste contexto são as transportadoras ‘low cost’ chinesas, como a Spring Airlines, que conseguem transportar até mais 25 por cento de passageiros do que outras companhias com os mesmos aviões, mitigando assim o impacto dos custos acrescidos com combustível, acrescentou Lin. Segundo dados da plataforma Flight Manager, a China deverá registar no próximo feriado de Maio um aumento das viagens, tanto em volume como em preços: as tarifas médias dos voos domésticos subiram 9,6 por cento em termos homólogos e mais de 20 por cento face ao mesmo período de 2019. A China tem resistido melhor ao impacto da guerra do que outros países da região, graças à sua capacidade interna de refinação, tendo também restringido as exportações de combustível, o que deixou alguns países vizinhos sem uma alternativa de fornecimento. Após uma das maiores subidas recentes dos combustíveis, os reguladores chineses anunciaram que vão limitar esse aumento a cerca de metade do habitual, para proteger os consumidores.
As incompreensões entre “Pérsia” e “Irão” Jorge Rodrigues Simão - 16 Abr 2026 “Misunderstanding is never born from distance, but from the refusal to see the other as history rather than myth.” Adrian Levingston A relação entre o Ocidente e o Irão constitui um dos casos mais persistentes de desencontro cultural na história moderna. Ao longo de séculos, a antiga Pérsia foi simultaneamente admirada e mal compreendida, convertida em símbolo exótico, cenário imaginado ou ameaça difusa, raramente reconhecida como sujeito histórico pleno. A persistência de estereótipos, a leitura superficial da sua cultura e a incapacidade de compreender a continuidade civilizacional iraniana contribuíram para a construção de um “grande outro” que, mais do que descrever o Irão, revela as limitações do olhar ocidental. A história destas incompreensões não é apenas um inventário de equívocos; é também um espelho das fragilidades conceptuais do próprio Ocidente, que frequentemente projectou sobre o Irão fantasias, receios e simplificações que pouco dizem sobre a realidade iraniana. A designação “Pérsia” desempenhou, durante séculos, um papel central nesta construção. Para o imaginário europeu, a Pérsia evocava uma civilização antiga, marcada por esplendor artístico, refinamento cortesão e uma aura de mistério. Esta imagem, embora parcialmente fundada em elementos reais, cristalizou-se como representação estática, desligada das transformações históricas e políticas que moldaram o território. Quando, em 1935, o Estado iraniano solicitou oficialmente que a comunidade internacional adoptasse o nome “Irão”, muitos observadores ocidentais interpretaram a mudança como ruptura, quando na verdade se tratava de afirmação identitária interna, coerente com a longa tradição cultural do país. A dificuldade em aceitar esta continuidade revela a tendência ocidental para fixar a Pérsia num passado idealizado, recusando reconhecer o Irão como actor moderno. A persistência de preconceitos orientalistas reforçou esta visão distorcida. A partir do século XIX, o discurso académico e político europeu passou a enquadrar o Médio Oriente como espaço de atraso, irracionalidade e despotismo. O Irão, apesar da sua história singular, foi frequentemente incluído neste conjunto homogéneo, como se partilhasse características imutáveis atribuídas a toda a região. Esta abordagem reducionista ignorou a complexidade das instituições iranianas, a diversidade étnica e linguística, a vitalidade intelectual e a capacidade de adaptação política demonstrada ao longo dos séculos. A imagem de um país imóvel, impermeável à mudança, serviu mais para confirmar preconceitos ocidentais do que para descrever a realidade. A literatura de viagens desempenhou um papel decisivo na consolidação destes estereótipos. Muitos relatos europeus, escritos entre os séculos XVII e XX, privilegiaram descrições pitorescas, enfatizando elementos considerados exóticos ou chocantes. A selecção de episódios, frequentemente anedótica, contribuiu para a construção de uma narrativa que apresentava a sociedade iraniana como curiosidade antropológica, não como comunidade histórica complexa. A ausência de contextualização e a tendência para generalizar a partir de experiências individuais reforçaram a ideia de que a Pérsia era um espaço distante, quase irreal, cuja função principal era alimentar a imaginação europeia. A modernidade não dissipou estas distorções. Pelo contrário, os acontecimentos políticos do século XX intensificaram a tendência para interpretar o Irão através de categorias simplificadoras. A Revolução de 1979, por exemplo, foi frequentemente apresentada como retorno ao passado, ignorando que resultou de dinâmicas sociais, económicas e ideológicas profundamente modernas. A incapacidade de reconhecer a pluralidade de actores envolvidos e a complexidade das suas motivações contribuiu para reforçar a imagem de um país guiado por impulsos irracionais. Esta leitura, amplificada pelos meios de comunicação, consolidou a percepção de que o Irão era essencialmente incompreensível, reforçando a distância simbólica entre “nós” e “eles”. A questão de Soraya Esfandiary-Bakhtiary constitui um exemplo paradigmático desta incompreensão. A sua figura, amplamente divulgada na imprensa europeia dos anos de 1950, tornou-se símbolo de uma Pérsia romântica, elegante e trágica. A narrativa construída em torno da sua vida privilegiou elementos melodramáticos, transformando-a em personagem de um conto oriental adaptado ao gosto ocidental. A dissolução do seu casamento com o Xá Mohammad Reza Pahlavi foi interpretada como drama sentimental, ignorando as implicações políticas e dinásticas que moldaram a decisão. A forma como Soraya foi representada revela a tendência ocidental para reduzir o Irão a histórias individuais que confirmam expectativas pré-existentes, em vez de procurar compreender o contexto mais amplo. A recepção de obras literárias associadas ao Irão reforça esta tendência. Em muitos contextos académicos ocidentais, estudantes e leitores identificam a literatura iraniana com obras que, embora relevantes, não pertencem à tradição persa. A associação frequente de Reading Lolita in Tehran ou The Kite Runner à literatura árabe ou iraniana demonstra a confusão conceptual que persiste no Ocidente. Esta incapacidade de distinguir tradições culturais distintas revela não apenas desconhecimento, mas também a tendência para agrupar sociedades diversas sob categorias vagas como “Médio Oriente” ou “mundo islâmico”. A ausência de rigor histórico e cultural impede o reconhecimento da especificidade iraniana e perpetua uma visão homogénea da região. A construção do Irão como “grande outro” não resulta apenas de ignorância; é também consequência de dinâmicas políticas. A relação entre o Irão e as potências ocidentais foi marcada por rivalidades estratégicas, intervenções externas e disputas geopolíticas que influenciaram a forma como o país foi representado. A narrativa ocidental, ao enfatizar aspectos negativos ou ameaçadores, serviu frequentemente para justificar políticas de contenção ou pressão diplomática. A imagem de um Irão irracional ou agressivo facilitou a legitimação de intervenções e sanções, contribuindo para reforçar a distância simbólica entre as duas partes. A representação do país como ameaça permanente tornou-se instrumento político, obscurecendo a realidade interna e impedindo uma compreensão equilibrada. A ausência de cultura histórica no Ocidente, frequentemente denunciada por académicos, agrava este problema. A tendência para interpretar acontecimentos contemporâneos sem considerar a longa duração histórica conduz a análises superficiais. O Irão, com uma tradição estatal milenar, não pode ser compreendido sem referência à sua continuidade civilizacional, às dinâmicas internas de poder, às relações entre centro e periferia, e à importância simbólica da identidade persa. Ignorar estes elementos conduz a interpretações erradas e reforça a ideia de que o país é enigmático ou imprevisível. Na verdade, muitas das suas decisões políticas tornam-se inteligíveis quando analisadas à luz da sua história. A incompreensão ocidental manifesta-se também na forma como o Irão é representado nos meios de comunicação. A cobertura mediática privilegia frequentemente episódios de tensão, ignorando aspectos culturais, sociais e científicos que revelam a vitalidade da sociedade iraniana. A ausência de diversidade narrativa contribui para a construção de uma imagem monolítica, que não reflecte a pluralidade de vozes existentes no país. Esta representação parcial reforça a percepção de que o Irão é essencialmente um problema geopolítico, não uma sociedade complexa com trajectórias próprias. A superação destas incompreensões exige um esforço consciente de revisão conceptual. É necessário abandonar categorias simplificadoras e reconhecer a especificidade histórica e cultural do Irão. A compreensão do país implica atenção às suas dinâmicas internas, à diversidade das suas tradições e à continuidade da sua identidade civilizacional. Exige também a capacidade de distinguir entre representações mediáticas e realidade social, evitando generalizações precipitadas. O estudo da história iraniana, literatura, filosofia e instituições políticas permite construir uma visão mais equilibrada, capaz de ultrapassar estereótipos. A relação entre “Pérsia” e “Irão” não deve ser entendida como oposição, mas como continuidade. A Pérsia não é apenas passado; é componente viva da identidade iraniana. O Irão não é ruptura; é expressão moderna de uma civilização antiga. A dificuldade ocidental em reconhecer esta continuidade revela mais sobre o Ocidente do que sobre o Irão. A construção do “grande outro” persa-iraniano é, em grande medida, produto das limitações conceptuais e históricas do olhar ocidental. Superar estas limitações implica não apenas estudar o Irão, mas também questionar os pressupostos que moldam a forma como o Ocidente observa o mundo. A história das incompreensões entre Pérsia e Irão, tal como vista do Ocidente, é portanto história de projecções, equívocos e simplificações. Mas é também oportunidade para repensar a relação entre culturas e para reconhecer que a compreensão mútua exige esforço, rigor e humildade intelectual. O Irão, com a sua profundidade histórica e riqueza cultural, desafia o Ocidente a abandonar visões estereotipadas e a construir um diálogo baseado no conhecimento, não na fantasia. A superação do “grande outro” começa quando o Irão deixa de ser cartolina exótica e passa a ser reconhecido como civilização viva, complexa e plenamente histórica.
Díli | Ramos-Horta considera ataques contra o Papa inaceitáveis Hoje Macau - 16 Abr 2026 O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, afirmou que os ataques gratuitos contra o Papa Leão XIV são inaceitáveis, reagindo às provocações feitas pelo chefe de Estado norte-americano, Donald Trump, contra a igreja católica. “Estamos ao lado do Papa Leão XIV, o líder global mais respeitado. “Ataques gratuitos contra o Papa Leão XIV e a deturpação da sua posição são inaceitáveis. O Papa nunca afirmou que a posse de armas nucleares é aceitável. O Irão não possui armas nucleares. Israel possui”, escreveu, terça-feira, o também prémio Nobel da Paz na sua página no Facebook. O Presidente dos Estados Unidos afirmou que o Papa é “terrível em política externa”, aludindo às críticas de Leão XIV sobre o Irão e a Venezuela, e instou-o a “deixar de agradar à esquerda radical”. Em causa, estava o discurso proferido pelo Sumo Pontífice na Basílica de São Pedro, em Roma, no sábado, em que Leão XIV denunciou os belicistas e as “demonstrações de força”, numa das suas críticas mais veementes até à data aos conflitos armados que assolam o mundo. “Não quero um Papa que ache que está bem o Irão ter uma arma nuclear. Não quero um papa que considere terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela (…). E não quero um papa que critique o Presidente dos Estados Unidos quando estou a fazer exatamente aquilo para que fui eleito”, declarou Donald Trump. Leão XIV respondeu que não teme a administração norte-americana e reiterou o seu compromisso de “erguer a voz para construir a paz”. Em Timor-Leste, 98 por cento dos cerca de 1,3 milhões de habitantes são católicos.
Coreia do Norte | Agência de energia atómica alerta para actividades nucleares Hoje Macau - 16 Abr 2026 O director da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, alertou ontem para o aumento significativo da actividade com energia nuclear na Coreia do Norte, tal como anunciara Pyongyang. “Confirmámos que as actividades nucleares estão em curso e em expansão significativa, não só no reactor de classe de 5 MegaWatts (MW), nas instalações de reprocessamento de combustível nuclear usado e no reactor de água em Yongbyon, mas também noutras instalações por perto”, disse Grossi, em conferência de imprensa em Seul, citado pelo jornal sul-coreano Chosun Ilbo. O responsável da AIEA declarou que as equipas de inspecção avaliaram minuciosamente as capacidades nucleares da Coreia do Norte, mesmo após a retirada daquele país, em 2009. O líder norte-coreano, Kim Jong-un, determinou, em Fevereiro, que o país vai fortalecer e expandir ainda mais as suas forças nucleares, exercendo plenamente seu estatuto de estado detentor de armas nucleares, no congresso que define a estratégia nacional quinquenal. Jong-un também declarou que qualquer evolução positiva nas relações bilaterais com os Estados Unidos da América depende de os responsáveis de Washington abandonarem as suas exigências de desnuclearização de Pyongyang. As declarações de Rossi ocorrem três dias depois de a Coreia do Norte ter realizado um teste de mísseis de cruzeiro descritos como “estratégicos”, uma indicação de sua potencial capacidade de transportar ogivas nucleares.
Seul / Imprensa | AIEA apela a acordo sobre enriquecimento de urânio Hoje Macau - 16 Abr 2026 A urgência de se alcançar um acordo entre os EUA e o Irão foi sublinhada pelo director da Agência Internacional de Energia Atómica na imprensa sul-coreana O director da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, frisou ontem a necessidade de ser atingido um qualquer acordo entre Estados Unidos da América (EUA) e Irão sobre o processo de enriquecimento de urânio. Para o responsável daquela instituição, uma possível suspensão do programa nuclear da República Islâmica iraniana é uma “decisão política”, em declarações reproduzidas pelo jornal sul-coreano Chosun Ilbo. “Sem verificação, todos os acordos não passam de papelada”, disse Grossi, adiantando que, se Washington e Teerão chegarem a um entendimento, a AIEA “vai solicitar cooperação na verificação e nas salvaguardas”. Questionado sobre uma possível paragem no processo de enriquecimento de urânio, o líder da AIEA limitou-se a afirmar que tal seria “uma decisão política”, sem exprimir a posição da entidade que dirige. Guerra e paz A questão do urânio enriquecido foi a justificação para a primeira guerra de 12 dias, em Junho, e para a ofensiva conjunta de Israel e EUA, em 28 de Fevereiro, já que Washington exige “enriquecimento zero”, enquanto Teerão defende o seu direito de mantê-lo para uso civil. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, afirmou recentemente que os EUA estão prontos para ajudar economicamente o Irão se aquele país do Médio Oriente se comprometer a não desenvolver armas nucleares, após a suspensão das negociações falhadas no fim de semana, no Paquistão. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, defendeu na quarta-feira, em Pequim, o “direito inalienável” do Irão ao processo de enriquecer urânio para fins pacíficos, tendo já Moscovo avançado com a ideia de receber o urânio enriquecido iraniano, em caso de haver um acordo de paz. Entretanto, os responsáveis de Islamabade anunciaram haver a possibilidade de nova ronda de negociações entre representantes de EUA e do Irão brevemente.
Avião chinês não tripulado HH-200 completa voo inaugural Hoje Macau - 16 Abr 2026 O avião não tripulado comercial HH-200, desenvolvido pela estatal chinesa Aviation Industry Corporation of China (AVIC), realizou ontem o voo inaugural, assinalando um marco no desenvolvimento de equipamentos de transporte autónomos de grande escala. A aeronave voou de forma estável durante a manhã, com todos os sistemas a funcionar correctamente e a cumprir sem problemas os objectivos de voo previstos, informou a agência noticiosa oficial Xinhua. Construído de acordo com padrões da aviação civil, o HH-200 está equipado com capacidades de voo autónomo totalmente inteligente e sistemas de prevenção de obstáculos baseados em inteligência artificial. O aparelho, que completou o primeiro voo na base do Centro de Ensaios de Voo de Aeronaves Civis da AVIC, na cidade de Weinan, província de Shaanxi (norte da China), incorpora um design estrutural inovador e um uso extensivo de materiais compósitos, permitindo reduzir o peso em 20 por cento e diminuir os custos operacionais. Longa vida A aeronave dispõe de uma capacidade de carga padrão de 12 metros cúbicos, expansível até 18, e uma carga útil máxima de 1,5 toneladas. O HH-200 atinge uma velocidade de cruzeiro até 310 quilómetros por hora, tem uma autonomia máxima de 2.360 quilómetros e uma vida útil estimada em 50.000 horas de voo ou 15.000 descolagens e aterragens. Em termos operacionais, a Xinhua destacou a “elevada capacidade de adaptação ambiental”, incluindo descolagem e aterragem em pistas curtas de 500 metros e a altitudes superiores a 4.200 metros, bem como resistência a temperaturas extremas entre -40°C e 50°C, o que permite ultrapassar desafios logísticos em zonas montanhosas, insulares, nevadas e de grande altitude. Está previsto que o HH-200 opere sobretudo em rotas de carga fronteiriças, costeiras e transfronteiriças, na logística de pequenas encomendas ponto a ponto no interior, no transporte entre ilhas no Sudeste Asiático e em redes de carga aérea dos países envolvidos na iniciativa chinesa Faixa e Rota. No futuro, o aparelho poderá ser rapidamente adaptado a múltiplas missões, incluindo operações de resgate de emergência, combate a incêndios florestais, modificação meteorológica, deteção remota aérea e protecção de culturas agrícolas e florestais.
Diplomacia | Relações entre China e Rússia são “preciosas” Hoje Macau - 16 Abr 202616 Abr 2026 Xi Jinping reuniu com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, que esteve de visita ao país. Seguem-se Trump, em Maio, e Putin ainda na primeira metade do ano O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que a estabilidade e a previsibilidade das relações entre a China e a Rússia são particularmente “preciosas” num contexto internacional marcado por “mudanças e turbulência”. Durante um encontro em Pequim com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, Xi considerou que a “forte vitalidade” e o “significado exemplar” do tratado de amizade entre os dois países se destacam ainda mais neste cenário. O líder chinês defendeu que os ministérios dos Negócios Estrangeiros de ambos os países devem implementar plenamente o consenso alcançado com o Presidente russo, Vladimir Putin, apelando ao reforço da comunicação estratégica e à coordenação diplomática. Xi instou ainda as duas partes a promover a parceria estratégica abrangente entre Pequim e Moscovo para que “atinja novos patamares, avance de forma mais estável e vá mais longe”. O Presidente chinês não especificou, contudo, a que se referia ao mencionar “mudanças e turbulência” no cenário internacional, numa altura em que persiste a incerteza sobre a duração da guerra no Irão. Putin a caminho O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, de visita à China durante dois dias, anunciou ainda que o Presidente russo, Vladimir Putin, vai visitar a China na primeira metade deste ano. Lavrov fez o anúncio numa conferência de imprensa no final da visita oficial ao país asiático, durante a qual se reuniu com o Presidente chinês, Xi Jinping, e com o seu homólogo, Wang Yi. A deslocação do chefe da diplomacia russa voltou a evidenciar a sintonia entre Moscovo e Pequim. Na terça-feira, Wang afirmou que ambas as partes “coordenam plenamente as suas posições” e “apoiam-se mutuamente” no plano internacional, enquanto Lavrov denunciou tentativas de “conter” a Rússia e a China através de estruturas de “blocos” na Ásia. O ministro russo declarou ainda perante Xi que a relação bilateral desempenha “um papel estabilizador” nos assuntos mundiais, acrescentando depois que os vínculos entre os dois países são cada vez mais importantes para o que descreveu como “a maioria da população mundial”. Lavrov sustentou também ontem que a Rússia pode compensar a escassez de recursos energéticos registada na China e noutros países na sequência da crise no Médio Oriente. O responsável russo acrescentou que os laços entre a Rússia e a China são “inquebráveis perante qualquer tempestade”. E Trump em Maio O anúncio surge numa altura em que é esperada, para Maio, a visita a Pequim do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para os dias 14 e 15, o que abre a possibilidade de as deslocações de Putin e Trump à China ocorrerem com reduzido intervalo temporal. Está também previsto que Putin, que já visitou o país asiático mais de duas dezenas de vezes enquanto Presidente russo, regresse à China em Novembro para participar, pela primeira vez desde 2017, na cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia – Pacífico (APEC), que terá lugar este ano na cidade de Shenzhen, no sudeste da China. A China e a Rússia têm vindo a estreitar relações nos últimos anos. Pouco antes da invasão russa da Ucrânia em larga escala, Xi e Putin proclamaram, em Pequim, uma “amizade sem limites” entre os dois países.
China classifica Espanha como “parceiro fiável” após visita de Sánchez Hoje Macau - 16 Abr 2026 A China destacou ontem a “confiança mútua” com Espanha e classificou o país como “parceiro fiável”, após a visita oficial do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, durante a qual foi acordado reforçar o diálogo estratégico e ampliar a cooperação. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou em conferência de imprensa que a visita, a quarta de Sánchez em quatro anos, foi um “completo sucesso” e permitiu trocas “profundas e amistosas” entre os líderes dos dois países, com “novos consensos importantes”. Segundo o responsável, ambas as partes acordaram estabelecer um mecanismo de diálogo estratégico a nível diplomático e reforçar a comunicação para “consolidar” e “melhorar” a estabilidade da relação bilateral. Guo sublinhou ainda a convergência entre Pequim e Madrid em questões internacionais, referindo que ambos defendem a salvaguarda do multilateralismo e do direito internacional, num contexto de conflitos e tensões globais. Nesse sentido, destacou a vontade comum de reforçar a coordenação perante os desafios actuais e de desempenhar um papel construtivo na comunidade internacional. O porta-voz acrescentou que uma maior cooperação entre a China e a Europa não só beneficia ambas as partes, como contribui para a estabilidade global, manifestando disponibilidade para que Espanha desempenhe um papel activo na relação entre Pequim e a União Europeia. No plano económico, Guo indicou que foi acordado aprofundar a cooperação em áreas como comércio, educação, agricultura, ciência e tecnologia, bem como avançar em setores como energia, economia digital e inovação. A China está também disposta a importar mais produtos espanhóis e a incentivar o investimento das suas empresas em Espanha, de forma a expandir o comércio e a cooperação industrial, acrescentou. Sintonia geral A visita, a quarta de Sánchez à China em quatro anos e a primeira com carácter oficial, teve um forte enfoque económico, visando facilitar o acesso de produtos espanhóis ao mercado chinês e reduzir um défice comercial que o líder espanhol classificou como “insustentável”. Fontes do Governo espanhol afirmaram que estas visitas contribuem para abrir portas à exportação de produtos, sublinhando que os resultados têm surgido gradualmente na sequência das deslocações anteriores de Sánchez. Nesta visita, a assinatura de vários acordos deverá facilitar a entrada na China de produtos agroalimentares como pistácios, figos, proteína animal suína e determinados fertilizantes. Se, segundo o executivo espanhol, as visitas anteriores ajudaram a canalizar investimento chinês para Espanha, nesta deslocação Sánchez voltou a apresentar o país como destino atractivo para empresas chinesas. O líder espanhol apelou ainda aos responsáveis empresariais dos dois países para reforçarem parcerias, numa reunião que contou com a presença de representantes de 36 empresas chinesas, cujo volume de negócios combinado rondou um bilião de dólares em 2025. A deslocação evidenciou igualmente a sintonia entre os dois países em questões internacionais e permitiu elevar o nível do diálogo bilateral, num momento em que Espanha procura reforçar o papel da União Europeia na relação com a China.
“Macau Antigo” | Revelados registos fotográficos do Convento e Igreja de S. Francisco Andreia Sofia Silva - 16 Abr 2026 Há 18 anos que o blogue “Macau Antigo” continua a desvendar pedaços da história de Macau pela mão do seu autor e criador, o jornalista João Botas. Com mais de quatro milhões de visualizações, o blogue traz agora uma novidade aos leitores: novos registos fotográficos do Convento e Igreja de S. Francisco, demolidos em 1860, sendo que uma das imagens poderá ser de Marciano Baptista Numa altura em que os blogues foram, há muito, ultrapassados pelas redes sociais e outro tipo de publicações ou criações de conteúdo, o “Macau Antigo”, alojado na plataforma “Blogspot”, permanece activo há 18 anos e está para durar, trazendo agora novidades aos leitores. Criado pelo jornalista e autor João Botas, o projecto prepara-se para mostrar na blogosfera novas imagens do antigo Convento e Igreja de S. Francisco, demolidos em meados de 1861. Segundo contou João Botas ao HM, até à data apenas se conhecia um registo fotográfico desse empreendimento religioso, da autoria de Jules Itier, datado de 1844, isto numa altura em que fotografar era algo bastante raro, com muitas das vezes a pintura a servir como registo para a posteridade de locais, pessoas e momentos. “Desde 2008 que, todos os dias, publico uma nova história e faço trabalho de pesquisa. Foi numa dessas pesquisas que ‘descobri’ uma referência ao antigo Convento e Igreja de S. Francisco que me despertou a atenção por se tratar de uma imagem”, começou por dizer. João Botas explicou que “existem vários registos iconográficos dos locais, mas a maioria são desenhos ou pinturas”, sendo que o conhecido pintor George Chinnery fez, por exemplo, quadros do convento e da igreja entre os anos de 1825 e 1852. “Tanto quanto sei, até agora só se conhecia um registo fotográfico do local, feito em 1844 por Jules Itier, ainda como daguerreótipo.” No lugar onde existiram este convento e igreja está hoje alojado o Quartel de S. Francisco. Origem da descoberta Uma das imagens encontradas por João Botas é de 1859 ou 1860, sendo da autoria de Marshall Milton Miller. “Foi publicada em 1863 pela empresa norte-americana E. & H. T. Anthony no suporte stereoviews (estereoscópio) feitos por Milton Miller na China, Macau e Japão. Na colecção ‘Anthony’s Stereoscopy Views’ há uma imagem com a legenda ‘View in Macao – showing fort on the Hill’ no stereoview n.º 25, e outra onde pode ver-se parte da Baía da Praia Grande, com o Convento e Forte de S. Francisco à direita e no topo a ermida e Fortaleza da Guia”, explicou. Na descoberta de João Botas consta ainda uma imagem publicada em 1868 editada pela publicação “The China Magazine”, que surge com a legenda “The Public Gardens Macao, and Convent of San Francisco”. A publicação era dirigida por C. Langdon Davies. “A impressão é de péssima qualidade e terá sido essa a razão pela qual a referida imagem ter passado despercebida até hoje”, adiantou o autor do blogue, que recorreu à inteligência artificial para restaurar e recuperar as imagens. No caso desta fotografia publicada na “The China Magazine”, “estamos perante o terceiro registo fotográfico do Convento de S. Francisco”, não existindo referência ao autor da fotografia. Porém, João Botas destaca “um dado que permite especular [quanto à autoria da mesma] com algum grau de certeza”. E esse nome é Marciano Baptista, pintor macaense. “Ainda que o escocês John Thomson tenha colaborado com [C. Langdon] Davies, a verdade é que só chegou a Hong Kong depois da demolição do convento [e igreja]. Assim, a hipótese mais provável é tratar-se do macaense Marciano Baptista (1826-1896) que já tinha estabelecido residência na então colónia britânica.” João Botas assume que a autoria da imagem será do macaense dado que na edição de “The Chronicle & Directory for China, Japan, Philippines etc”, de 1869, surge “o nome ‘M. Baptista referido como ‘the photographic printer for the China Magazine'”. O facto de surgirem registos fotográficos do antigo convento e igreja é algo importante, dado “a fotografia ser ainda incipiente naqueles tempos”. “Macau, Hong Kong e outros locais do Sul da China seriam amplamente fotografados por estrangeiros itinerantes como John Thomson, William Pryor Floyd, Milton Miller, mas só a partir do final da década de 1860”, disse ainda. Complexo imponente Segundo João Botas, o complexo do convento e da igreja, onde hoje existe o Quartel de S. Francisco, foi construído por “missionários espanhóis, liderados por frei Pedro de Alfaro, espanhol que foi das Filipinas para Macau em 1579”, tendo começado a funcionar a 2 de Fevereiro de 1580. “O complexo religioso era um dos mais imponentes da cidade, e ainda não existia a Igreja Mater Dei e o Colégio de São Paulo, situado na extremidade leste da península, junto à Praia Grande, onde também existia, contíguo, o Forte de S. Francisco”, recorda. João Botas diz-se “muito satisfeito” por ter conseguido ultrapassar a marca das quatro milhões de visualizações do seu projecto pessoal. “São números avassaladores. Ainda há apenas oito meses tinha atingido os três milhões, pelo que [o blogue conseguiu] mais de 125 mil visualizações a cada mês que passou”. “Num projecto com quase 20 anos de existência julgo ser uma prova do fulgor e importância do que vai sendo publicado todos os dias, e já são mais de 6.300 publicações, consolidando-se cada vez mais como o maior acervo documental online sobre a história de Macau, disponível 24 por dia em várias línguas e em todo o mundo”, rematou.
Eventos da Semana da Leitura a partir de segunda-feira Hoje Macau - 16 Abr 2026 Decorrem a partir da próxima segunda-feira, dia 20, diversas actividades organizadas pelo Instituto Cultural (IC) para a promoção da leitura, no âmbito da “Semana Nacional da Leitura” e também da celebração do “Dia Mundial do Livro”, a 23 de Abril. Desta forma, a iniciativa “Macau Lê – Semana Nacional da Leitura 2026”, decorre entre segunda-feira e domingo (dias 20 a 26 de Abril) e visa a promoção do hábito da leitura junto dos residentes, bem como “a consolidação de Macau como uma ‘Cidade da Leitura'”. Apresenta-se, segundo uma nota do IC, um “programa rico e diversificado”, nomeadamente o novo projecto “10 Minutos de Leitura”, que não só traz “um programa de recompensas” como inclui a iniciativa “Cantinho de Leitura de 10 Minutos. Segundo o IC, o público pode esperar “diversas iniciativas de extensão entre Abril e Maio, incluindo workshops, sessões de leitura, leitura em família, exposições temáticas de livros, e cerimónias de entrega de prémios, adequadas a diferentes faixas etárias, criando um forte ambiente de envolvimento do público com a leitura”. Festa partilhada No dia 23, acontece na Praça do Centro Cultural de Macau (CCM) uma cerimónia sobre o Dia Mundial do Livro, fazendo-se a ligação às cidades de Shenzhen, Guangzhou, Dongguan, Hong Kong, Nanning e Haikou. O evento que acontece em simultâneo nestas cidades intitula-se “Actividade ‘Juntos para Meia Hora de Leitura’ de Guangdong, Hong Kong, Macau, Guangxi e Hainan”. Com esta iniciativa pretende-se criar uma “rede inter-regional que evidencia o encanto da integração cultural regional”. Na tarde do dia 23 decorre ainda, com a Federação das Associações dos Sectores Culturais de Macau, o clube de leitura intitulado “Leitura em Conjunto: Da Grande Baía ao Mundo”, no CCM. Até ao final deste mês, podem ser feitas as inscrições no programa “Pontos de Leitura”, no qual se incentiva a participação de instituições e entidades de Macau e da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin na organização de “actividades de leitura voluntárias”. A ideia, com este projecto, é estabelecer “uma rede de leitura por toda a cidade”. Depois, no sábado e domingo (dias 25 e 26), a praça do CCM acolhe novamente actividades que visam promover a leitura, como a “Troca de Livros” ou “Venda de Revistas”, sem esquecer stands de jogos, actividades de leitura conjunta em família e demais zonas interactivas relacionadas com o mundo do livro.