Exposição comemora 90º aniversário do nascimento de Mio Pang Fei

Noventa obras de pintura, técnicas mistas, instalações e manuscritos estão em exposição até 11 de Outubro no Museu de Arte de Macau. A exposição celebra aquele que seria o 90º aniversário do artista que morreu em 2020.

Até 11 de Outubro, o Museu de Arte de Macau celebra o 90º aniversário do nascimento do artista local Mio Pang Fei com a exposição “Contemplações Oriente-Ocidente: Retrospectiva de Mio Pang Fei”. A inauguração do evento aconteceu na sexta-feira, e as visitas são gratuitas entre as 10h e as 19h de cada dia, com excepção das segundas-feiras.

“Para celebrar o 90º aniversário do nascimento de Mio Pang Fei, a mostra reúne 90 obras – abrangendo pintura, técnicas mistas, instalações e manuscritos – provenientes da sua família, amigos e do próprio acervo do Museu de Arte de Macau”, pode ler-se no comunicado do Instituto Cultural, responsável pela organização da mostra, em conjunto com o Círculo dos Amigos da Cultura de Macau.

De acordo com a mesma fonte, a exposição traça “o percurso sistemático” de meio século do artista que é tido como “pioneiro da arte moderna local”. O percurso é apresentado através de seis secções diferentes denominadas: “Xangai – Experiência”, “Macau – Prática”, “Série Shui Hu”, “Sobre a Condição Humana”, “Pós Caligrafia” e “O Legado do Neo-Orientalismo”.

Sobre a última parte da exposição, o IC indica que “foca a transição do mestre da teoria à maturidade artística, recriando o ambiente do seu próprio estúdio e exibindo documentação rara que ilustra especificamente a sua prática artística de ‘captar o espírito da cultura oriental como essência, utilizando linguagens ocidentais modernas’”.

Visão internacional

Ainda em relação ao artista, o Governo realça que foi o “mentor do ‘Neo-Orientalismo’” considerado “enraizado no contexto de diálogo entre o Oriente e o Ocidente em Macau” e que permitiu ao artista construir “uma teoria estética dotada de características locais e de uma vincada visão internacional”.

Na perspectiva dos organizadores, o percurso internacional de Mio Pang Fei teve como pontos altos a participação de Macau na 56ª Bienal de Veneza e ainda o facto de ter recebido duas vezes a Medalha de Mérito Cultural”. Além disso, o comunicado do IC aponta que Mio contribuiu “imenso para o desenvolvimento da arte moderna em Macau”.

Em paralelo com a exposição vão ser realizadas outras actividades de divulgação da obra do artista, como concertos e workshops de arte. Por exemplo, o concerto “Música no MAM”, no dia 12 de Julho, e o workshop “Contemplações de Música e Dança – Oficina de Lira x Fluxo Somático” vão apresentar diferentes tipos de performances que o organizador indicou estarem em “sintonia com a atmosfera artística da exposição”, as quais vão proporcionar “uma experiência audiovisual, cultural e artística multifacetada”.

Vida conturbada

Nascido em Xangai em 1936 e falecido em 2020, Mio Pang Fei estudou na Universidade de Belas Artes de Fujian, dedicando-se à caligrafia chinesa, a única forma de se manter ligado ao mundo das artes.

Devido aos seus trabalhos, Mio Pang Fei chegou a ser acusado de práticas contra-revolucionárias por demonstrar um grande interesse no modernismo que se fazia no Ocidente, o que levou a que fosse preso e sujeito a trabalhos forçados. Na década de 1980 decidiu deixar o Interior da China com a família, conseguindo mudar-se para Macau no final de 1982.

A primeira exposição em Macau aconteceu em 1985, no antigo Museu Luís de Camões, com a mulher, Un Chi Iam, também ela pintora.

No território, Mio fez carreira como pintor profissional, investigador e docente, ensinando na Academia de Artes Visuais de Macau, antecessora da actual Escola Superior de Artes da Universidade Politécnica de Macau. Deu também aulas na Universidade de Artes de Nanjing, no Colégio de Belas-Artes da Universidade de Xangai e ainda na Universidade de Wolverhampton, no Reino Unido.

Mio Pang Fei foi um dos fundadores do Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, entidade envolvida na organização da exposição.

TUI dá razão ao Governo sobre concessão de terreno na Zona Norte

O Tribunal de Última Instância (TUI) deu razão ao Governo num processo judicial ligado ao fim da concessão de um terreno ao fim de 25 anos sem aproveitamento. O terreno situa-se na península de Macau, entre a Travessa do Laboratório e a Rua Marginal do Canal dos Patos, e tem uma área de 930 metros quadrados.

Segundo o acórdão divulgado na sexta-feira, a primeira concessão do terreno, por arrendamento e com dispensa de hasta pública, foi feita em 1986. A 30 de Agosto de 1991 o então Secretário-Adjunto para os Transportes e Obras Públicas autorizou a troca de um lote, designado por B, pelo lote C, ficando os dois ligados. Posteriormente, a 2 de Outubro de 1996 o Governo enviou a minuta do contrato referente à troca do lote B pelo lote C. Este último “seria aproveitado para a construção de um edifício, em regime de propriedade horizontal, composto por 21 pisos, destinado a fins habitacionais, comerciais e de estacionamento”, num prazo de arrendamento de 25 anos, contado desde 20 de Outubro de 1986. Porém, o terreno nunca foi desenvolvido dentro do prazo, o que determinou a anulação da concessão.

Respostas tardias

Descreve-se no acórdão que “apenas em 2008 os concessionários enviaram uma carta à então Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), declarando aceitar as cláusulas contratuais”, não tendo existido resposta da parte do Executivo. A 14 de Abril de 2015, por despacho do então Chefe do Executivo, Chui Sai On, foi declarada a caducidade da concessão do lote B do terreno, de que os concessionários recorreram para o Tribunal de Segunda Instância (TSI), que acabou por lhes dar razão.

O Governo, na figura do Chefe do Executivo, recorreu da decisão do TSI, tendo o TUI dado razão à Administração, anulando-se a anterior decisão judicial. Um dos argumentos do TUI é que “perante a falta de aproveitamento do terreno por culpa do concessionário no prazo de aproveitamento previamente estabelecido, bem como o decurso do prazo de arrendamento, a Administração está vinculada a praticar o acto administrativo”. Por isso, caberia sempre ao Chefe do Executivo, segundo o TUI, “declarar a caducidade de concessão do terreno”.

“A declaração de caducidade da concessão teria necessariamente que ocorrer após decorrido o prazo de arrendamento de 25 anos, pelo que se impõe a manutenção da decisão de declaração de caducidade”, lê-se ainda no acórdão.

Exercícios militares conjuntos com a Rússia marcados para este mês

A China anunciou que vai realizar, durante este mês, os exercícios navais anuais com a Rússia, desta vez ao largo da costa chinesa, seguindo-se patrulhas conjuntas numa zona não especificada do oceano Pacífico. Parte dos exercícios serão realizados no espaço aéreo e marítimo ao largo de Qingdao

Vão realizar-se ao longo do mês de Julho os exercícios militares conjuntos entre forças chinesas e russas deste ano, foi ontem anunciado pelo Ministério da Defesa chinês. Os dois países mantêm uma importante parceria diplomática e económica, reforçada pela vontade comum de apresentar uma alternativa ao que consideram ser a predominância dos Estados Unidos na ordem mundial.

A China e a Rússia realizam há vários anos exercícios militares conjuntos, actualmente acompanhados com desconfiança por vários países, sobretudo ocidentais, no contexto da guerra na Ucrânia.

As marinhas dos dois países vão realizar os exercícios “Joint Sea-2026” “nos espaços aéreo e marítimo ao largo de Qingdao”, importante porto militar e estância balnear no leste da China, indicou o Ministério da Defesa chinês. “No final deste exercício conjunto, parte das forças dos dois países participará numa patrulha marítima conjunta numa zona marítima do oceano Pacífico”, acrescentou o ministério, em comunicado.

Segundo o documento, a iniciativa “visa responder em conjunto aos desafios de segurança e preservar a paz e a estabilidade na região”, sem especificar a dimensão dos meios militares envolvidos.

Em sintonia

Os exercícios realizam-se cerca de dois meses depois da visita do Presidente russo, Vladimir Putin, à China. Na ocasião, o chefe de Estado russo classificou o nível das relações bilaterais como “sem precedentes”, enquanto o Presidente chinês, Xi Jinping, as descreveu como “inquebrantáveis”.

Os exercícios “Joint Sea-2026” entre as marinhas da China e da Rússia realizam-se desde 2012. A edição de 2025 decorreu nas proximidades de Vladivostok, no extremo leste da Rússia, tendo sido igualmente seguida por patrulhas conjuntas no oceano Pacífico.

A China nunca condenou a invasão russa da Ucrânia, iniciada em Fevereiro de 2022, mas tem apelado à realização de negociações de paz. As capitais ocidentais acusam regularmente Pequim de prestar a Moscovo um apoio económico essencial ao esforço de guerra russo.

LÁ PASSARAM

A selecção nacional de futebol conseguiu passar para os oitavos de final do Mundial 2026. O Mundial está ao rubro e os milhões de portugueses amantes de futebol têm sofrido como nunca. Por uma simples razão. Não temos treinador. Os jogadores de nível superior internacionalmente jogam o que sabem e o que desenvolvem em campo, especialmente contra o Congo e Colômbia, é aquilo que praticam nas suas equipas famosas. O treinador não tem teorias, estratégias e táticas. Nem a noção que se põe Ronaldo em campo também tem de colocar ao seu lado o João Félix. Nós somos doentes pelo futebol, pelo Benfica, deslocamo-nos da Guarda a Lisboa quando há Benfica-Sporting. Sabemos bem o que é sofrer pelo raio da bola. E na sexta-feira, mais uma vez, nem soubemos como ganhámos à Croácia. Valeu que o jogo teve um bom VAR. Caso contrário, a Croácia teria ganho o jogo a brincar. O espanhol seleccionador/treinador continua a deixar Gonçalo Inácio no banco, um dos melhores defesas da Europa. Permite que João Cancelo ande por todo o lado, incluindo na extrema esquerda e depois o seu sector defensivo ficou vazio e os croatas entravam quando queriam e lhes apeteciam e sempre com perigo, ao ponto de Diogo Costa ser mais uma vez o homem do jogo. Realmente, o salvador da Pátria.

Esta madrugada em Macau vamos ver o que acontece contra a Espanha, uma equipa que não brinca em serviço nem comete erros como a equipa portuguesa.

O Mundial 2026 tem sido uma surpresa. Antes de mais, os EUA não mereciam as centenas de milhares de adeptos que se dirigiram para aquele país com o intuito de apoiar as selecções dos seus países, quando são presididos por um fascista que proíbe a entrada a muitos cidadãos estrangeiros. Que raio de liberdade passou a existir na América?

Na verdade, tem sido impressionante como todos os jogos do Mundial têm os estádios esgotados e ainda milhares de adeptos no exterior a ver pela televisão. É impressionante o preço dos bilhetes que tem sido praticado na candonga. No Portugal-Croácia houve “doentes” pelo Ronaldo que pagaram cinco mil dólares pela entrada no estádio.

Outra surpresa têm sido os resultados positivos e o comportamento futebolístico das equipas africanas. Como foi possível que os candidatos ao título Alemanha e Países Baixos tivessem ido à vida? Um aplauso para o Congo, Senegal, Costa do Marfim, Egipto, Marrocos e Cabo Verde. Os caboverdianos que são até agora os heróis do Mundial. Na sua primeira participação apenas foram eliminados aos 111 minutos pelo campeão do mundo Argentina, já depois de terem empatado contra o campeão europeu Espanha.

O futebol, realmente, movimenta multidões e milhões. Da Nova Zelândia a Portugal todos os povos vibram com o futebol e as crianças já brincam com a bola melhor que Ronaldo quando este jogava nas ruas do seu bairro madeirense. Um outro ponto a salientar: as arbitragens têm sido na generalidade muito boas e os VAR muito sérios. Por referirmos as arbitragens, é importante que saibam que em Portugal a arbitragem está pelas ruas da amargura. O director técnico da arbitragem e um dos melhores ex-árbitros portugueses, Duarte Gomes, demitiu-se e rebentou uma bomba. Alegadamente existem suspeitas de que no campeonato que terminou existiu muita corrupção no seio da arbitragem e até árbitros com nomeações combinadas com certos clubes. Isto, é um escândalo, uma vergonha, ignóbil para a imagem do futebol português na Europa. A discussão nos canais televisivos é diária sobre este assunto e a maioria dos comentadores desportivos salienta que a investigação tem de ir até ao fim, doa a quem doer. O mais curioso é que o FC Porto reagiu de imediato após se saber da vergonha. Seguiu-se o Benfica e o presidente do Sporting deu o seu parecer de viva voz. Será que todos querem agora sacudir a água do capote, quando vimos ao longo da época 2025/26 muitas arbitragens duvidosas e tendenciosas? Resumindo: o dinheiro continua a comprar todas as Taças… Agora, o mais importante é que esta madrugada para vós, Portugal possa ganhar à Espanha. Boa sorte, Portugal!

Justiça | Rita Santos pondera avançar judicialmente contra membros do PS

Rita Santos pondera agir judicialmente contra membros do Partido Socialista de Macau devido a denúncias de alegadas ilegalidades nas últimas eleições legislativas. A responsável diz ter sido ilibada pelo Ministério Público em Portugal com o arquivamento do processo criminal

A presidente da assembleia-geral da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), Rita Santos, anunciou na sexta-feira que o Ministério Público (MP) em Portugal arquivou um segundo processo criminal em que era acusada de irregularidades nas últimas eleições legislativas portuguesas por alegadas interferências no processo eleitoral e de votação.
Em comunicado, Rita Santos indica que o MP proferiu “uma vez mais”, a 24 de Junho, “um despacho de arquivamento de um procedimento criminal instaurado na sequência de denúncias apresentadas por alguns militantes do Partido Socialista (PS) residentes em Macau, no dia 7 de Maio de 2025”.
Em resposta, Rita Santos pondera avançar judicialmente contra os responsáveis do PS pelas denúncias. “Não posso deixar de assinalar que a sucessão de denúncias infundadas de que tenho sido alvo, promovidas por algumas pessoas residentes em Macau, ligadas ao Partido Socialista, me causou significativos prejuízos pessoais, profissionais e reputacionais.”
Assim, a responsável diz ter instruído o seu “mandatário forense” para analisar “ambos os processos arquivados, com vista ao exercício dos meios legais adequados, designadamente a apresentação de participação criminal pela eventual prática do crime de denúncia caluniosa, caso se conclua estarem reunidos os respectivos pressupostos legais”.
Rita Santos destaca, na mesma nota, que “o despacho de arquivamento veio confirmar, de forma absolutamente inequívoca, a inexistência de indícios da prática de qualquer ilícito criminal”. A responsável disse ainda que nunca houve “sustentação factual ou jurídica”, tendo o caso “assentado em meras alegações especulativas e difamatórias que, afinal, não lograram obter qualquer confirmação em sede de investigação criminal”.

“Iniciativas infundadas”

Recorde-se que o primeiro arquivamento do processo, relativo às eleições legislativas portuguesas de 2024, e também tornado público pela própria Rita Santos, ocorreu em Outubro do ano passado.
No comunicado de sexta-feira, Rita Santos frisou que sempre pautou a sua actuação na esfera pública “pelo estrito respeito pela legalidade e pela defesa das liberdades fundamentais”, valores que, refere, continuam a orientar a sua “intervenção cívica e pública, bem como o compromisso na defesa dos interesses da comunidade portuguesa e todos os residentes em Macau”.
Rita Santos adiantou que não vai permitir “que iniciativas infundadas ou motivadas por interesses político-partidários condicionem o compromisso para com os residentes e a comunidade portuguesa de Macau”.

Félix da Costa sem pontos em Xangai, mas na luta pelo título na Fórmula E

O piloto português António Félix da Costa (Jaguar) ficou ontem fora dos pontos na 13ª prova do Mundial de Fórmula E, em Xangai, numa corrida ganha pelo brasileiro Lucas di Grassi, mas mantém-se na luta pelo título.

Depois do segundo lugar alcançado na véspera, também em Xangai, Félix da Costa terminou esta ronda na 14ª posição, a 26,934 segundos do vencedor, o brasileiro Lucas di Grassi (Yamaha), com o francês Jean Eric Vergne (Citroën) a ficar na segunda posição, a 0,565 segundos, e o sueco Joel Eriksson (Envision) na terceira, a 2,903.

Tal como na véspera, esta prova ficou marcada pela chuva, por condições de pista em evolução e por uma gestão de energia que acabou por comprometer as ambições do piloto português.

“Foi um dia complicado. Foi o dia todo praticamente à chuva e, normalmente, andamos bem à chuva, mas hoje não acertámos com uma série de coisas”, afirmou ontem António Félix da Costa.

O piloto português explicou que a qualificação condicionou desde logo a corrida, depois de ter partido apenas do 12º lugar da grelha. “Basicamente, toda a estratégia da corrida foi mal feita, mal encarada, porque nunca achámos que a energia fosse ser um tema”, lamentou.

Segundo Félix da Costa, a corrida começou com a pista completamente molhada, mas o asfalto foi secando ao longo da prova, alterando as exigências de gestão energética. “A pista começou a secar e gastámos muita energia mesmo antes da corrida começar, a aquecer pneus no ‘safety car’ e tudo mais. São coisas que aqui na Fórmula E não se fazem”, explicou.

Apesar de considerar que tinha ritmo para discutir um melhor resultado, o português acabou por não conseguir acompanhar o andamento dos pilotos da frente devido à falta de energia disponível. “Basicamente, não tivemos energia para acompanhar o andamento que tínhamos. Tínhamos um muito bom andamento na corrida, mas infelizmente não conseguimos fazer nada e foi um dia sem pontos”, acrescentou.

De Tóquio a Londres

A vitória em Xangai ficou para Lucas di Grassi, da Lola Yamaha ABT, que arrancou do 18º lugar e chegou ao triunfo na última volta, depois de ultrapassar o francês Jean-Éric Vergne, da Citroën Racing, na curva 1.

O brasileiro, campeão da Fórmula E em 2016/17 e vencedor da primeira corrida da história do campeonato, também disputada na China, regressou assim aos triunfos pela primeira vez desde 2022.

O alemão Pascal Wehrlein, da Porsche, foi quarto classificado, resultado suficiente para assumir a liderança do Mundial, beneficiando ainda do abandono antes da partida do neozelandês Mitch Evans (Jaguar), que não conseguiu alinhar devido a um problema técnico.

Apesar da jornada sem pontos, António Félix da Costa sublinhou que continua na discussão pelo campeonato, quando faltam quatro corridas para o final da temporada. “Agora temos Tóquio, temos Londres, quatro corridas. Estamos a 30 pontos do líder. Chegámos aqui a quase 40, por isso, estamos a fechar essa distância para o líder. Agora vêm quatro corridas importantes”, afirmou.

O Mundial de Fórmula E prossegue em 25 e 26 de Julho, com a jornada dupla do E-Prix de Tóquio, antes do encerramento da temporada em Londres.

Plano director | Primeira sessão de consulta pública acontece amanhã

Decorre amanhã a primeira sessão destinada ao público da consulta pública relativa à alteração do Plano Director da RAEM (2020-2040), sendo que as inscrições vão estar abertas hoje até às 17h no portal da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU).

Esta é a primeira alteração ao Plano Director desde que este entrou em vigor, versando “as “estratégias nacionais de desenvolvimento e o posicionamento de desenvolvimento de Macau” e projectos de grande dimensão como a Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau, o Parque Ciên-Tec de Macau e o Hub de Transporte Aéreo Internacional de Macau na margem oeste do Rio das Pérolas. A DSSCU refere ainda, numa nota que são propostas alterações ao plano a fim de “acompanhar a construção do novo quadro de desenvolvimento integrado Macau-Hengqin”, garantir o “reforço da cooperação regional e promoção da conexão das infra-estruturas”.

Há ainda mudanças urbanísticas propostas tendo em conta “a evolução registada nos últimos anos”, com “planos de ordenamento de nível superior, diplomas legais e regulamentares, bem como projectos e estudos entretanto publicados”.

Metro Ligeiro | Maioria concorda com extensão da Linha de Seac Pai Van

A grande maioria dos participantes na consulta pública sobre o desenvolvimento do Metro Ligeiro de Macau concorda com a extensão da Linha de Seac Pai Van até Coloane. Porém, alguns participantes manifestaram preocupações com impactos paisagísticos e ambientais

Estender a Linha de Seac Pai Van do Metro Ligeiro até Coloane, sim, mas com que impactos? Estas são algumas das conclusões e questões do “Estudo estratégico para o Desenvolvimento do Metro Ligeiro de Macau – Relatório Estatístico e Compilação de Opiniões”, divulgado pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) na sexta-feira.

O documento resulta da consulta pública realizada entre os dias 23 de Janeiro e 28 de Fevereiro deste ano, tendo sido recolhidas 805 opiniões e validadas 772. O relatório dá conta que o tópico “Extensão da Linha de Seac Pai Van” obteve uma “atitude positiva” por parte dos participantes da consulta na ordem dos 84 por cento, enquanto que a “atitude negativa” em relação a esse projecto foi de 16 por cento.

Lê-se no relatório que a extensão deste segmento do Metro Ligeiro até Coloane “recebeu um maior grau de atenção nesta consulta, sendo que a maioria das opiniões manifestou apoio e expectativa de desenvolvimento”, embora “uma parte das opiniões tenha manifestado preocupações com os impactos”.

Em termos concretos, “as opiniões favoráveis consideram que a extensão poderá resolver eficazmente [a ideia de] ‘ilha isolada’ ao nível do trânsito de Coloane”, com a “necessidade de implementação das Estações de Lai Chi Vun e do Pavilhão do Panda Gigante”. Além disso, reconhece-se “que a extensão até à Vila de Coloane poderá preencher a lacuna nos transportes e proporcionar aos visitantes uma opção de deslocação estável, conveniente e ecológica, revitalizando, assim, o desenvolvimento comunitário”.

Porém, “a preocupação dos residentes sobre os métodos de construção e o ambiente comunitário é bastante acentuada”. Essencialmente, as preocupações centram-se no “impacto que a estrutura em viaduto poderá causar ao ambiente paisagístico e visual”, ou ainda nos “possíveis impactos ecológicos causados pelas obras”. Há ainda “o receio que o ruído produzido pela execução das obras e operação afecte seriamente a tranquilidade habitacional”.

No olho do furacão

No que diz respeito à “Extensão da Linha Leste”, o documento revela que “a maioria das opiniões reconhece que a extensão pode ter o efeito de sinergia na ligação entre os postos fronteiriços, esperando-se que o Posto Fronteiriço de Qingmao possa aliviar eficazmente a pressão do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco”. Desta forma, “sugere-se que a sua extensão seja promovida com prioridade para reforçar a ligação entre os postos fronteiriços”.

Pede-se que este projecto em concreto “facilite as deslocações diárias e movimentos turísticos, considerando-se o ‘acesso ao centro da cidade’ como a chave para melhorar o tráfego na zona central da Península”.

O relatório explica que “algumas opiniões questionam o benefício da criação da Estação do Parque Desportivo para Cidadãos, considerando que a distância demasiado curta entre estações poderá diminuir a eficiência da circulação”, pelo que se sugere “a construção de um sistema pedonal para substituir a função desta estação”.

Em termos gerais, a DSOP destaca que “diversos sectores da sociedade de Macau reconhecem o papel fulcral do Metro Ligeiro no aumento da eficiência dos transportes públicos, a melhoria das condições de deslocação interzonal, a promoção da mobilidade verde e apoio ao desenvolvimento urbano a longo prazo”. É revelado como, das 772 opiniões validadas, “a proporção global de atitudes positivas superou os 90 por cento”. O Governo argumenta que os dados mostram “um elevado consenso social quanto ao rumo de desenvolvimento do Metro Ligeiro”.

Além disso, “a maioria das opiniões considera que, com as mudanças contínuas na estrutura demográfica de Macau, as necessidades de deslocações diárias, a dimensão do turismo e sinergia regional, a mera dependência da ampliação rodoviária e do sistema de autocarros já não é suficiente para responder à pressão do trânsito no futuro”.

Assim, considera-se “imperativo reconstruir o modelo de mobilidade urbana através de um sistema de transportes ferroviários em rede, com grande capacidade de transporte e alta fiabilidade”.

China | Piloto que embateu no edifício mais alto de Pequim quis suicidar-se

As autoridades chinesas atribuíram o acidente de sexta-feira da semana passada, em que um pequeno avião embateu contra o edifício mais alto de Pequim, a “motivos pessoais” do piloto, que tinha ideias suicidas.

O homem de 66 anos morreu e 13 pessoas ficaram feridas. Nenhuma ficou em estado grave e uma das vítimas já teve alta hospitalar, acrescentaram as autoridades da área administrativa de Chaoyang, em Pequim, num comunicado divulgado nas redes sociais.

O relatório da investigação apontou que o piloto, identificado apenas pelo apelido Liu, não tinha emprego fixo, era divorciado e vivia sozinho, sofrendo de insónias e ansiedade. O diário do piloto continha várias referências à intenção de se suicidar.

O acidente ocorreu pelas 18h, numa zona de arranha-céus no centro da capital chinesa, numa altura em que muitas pessoas deixavam os locais de trabalho, levantando questões sobre a segurança em Pequim. O embate abriu um buraco na fachada envidraçada da Torre CITIC, com 108 andares, conhecida como edifício “Zun” devido ao formato inspirado num antigo recipiente chinês para vinho.

Na mesma nota, as autoridades referiram que o piloto realizou inicialmente um voo de treino acompanhado num avião de instrução de dois lugares e, posteriormente, descolou sozinho de um aeroporto privado nos arredores de Pequim. Durante o voo, desviou-se da rota prevista e as autoridades perderam contacto com a aeronave.

Criança de 11 anos atropelou mortalmente nove monges na Tailândia

Pelo menos nove monges budistas morreram ontem e mais de dez ficaram feridos ao serem atropelados por uma carrinha conduzida por uma criança de 11 anos no nordeste da Tailândia, disse a polícia.

O chefe da polícia local, Pairoj Thaiphutsa, disse aos jornalistas que “o suspeito é uma criança” de 11 anos que conduzia o veículo dos pais sem autorização, acabando por atropelar um grupo composto por 35 monges e cinco fiéis numa estrada na província de Mukdahan. O mesmo responsável acrescentou que o veículo foi apreendido para perícias, “a fim de determinar a causa do acidente”.

Cinco monges morreram no local e quatro não resistiram aos ferimentos depois de terem sido transportados para o hospital da região. Os restantes feridos permanecem hospitalizados. Segundo as autoridades locais, os monges relataram ter visto o veículo a perder o controlo antes de sair da estrada e colidir com o grupo.

Os monges tinham iniciado, 30 minutos antes do acidente, uma peregrinação a pé de cerca de 260 quilómetros até à província de Ubon Ratchathani. A província de Mukdahan, a cerca de 600 quilómetros a nordeste da capital, Banguecoque, na região de Isan, uma zona rural no Delta do Mekong, na fronteira com o Laos. Isan é a região mais pobre da Tailândia e tem a menor densidade populacional do país, com cerca de 350 mil habitantes.

Na lista negra

O governador da província de Mukdahan, Worayan Bunnarat, afirmou que a tragédia deve servir de alerta sobre a segurança rodoviária na Tailândia.

O país tem um historial de sinistralidade rodoviária, porém, a segurança tem melhorado nos últimos anos, mas não o suficiente para tirar a Tailândia da lista de países com as estradas mais perigosas do mundo.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a Tailândia ocupa o nono lugar entre 175 países em termos de mortes no trânsito. Em 2021, o organismo da ONU registou mais de 18.200 mortes, cerca de 50 por dia, devido a acidentes rodoviários.

Embora as autoestradas e as estradas principais sejam relativamente bem conservadas e pavimentadas, os padrões de qualidade podem baixar consideravelmente nas vias mais rurais e secundárias.

Comércio | Pequim convida UE para nova ronda de diálogo no Outono

A China convidou o comissário europeu para o Comércio e Segurança Económica para uma visita ao país no Outono, no âmbito da segunda reunião do mecanismo de diálogo bilateral criado para resolver as tensões comerciais, anunciou ontem Pequim.

O convite surge após o primeiro encontro, realizado na segunda-feira, em Bruxelas, entre o comissário Maroš Šefčovič e o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, durante o qual ambos se comprometeram a manter abertos os canais de comunicação até Outubro para evitar que os desacordos evoluam para uma guerra comercial.

O porta-voz do ministério do Comércio chinês, He Yadong, confirmou ontem o convite, numa conferência de imprensa regular, na qual apresentou também os resultados da primeira reunião. He explicou que o mecanismo constitui um novo canal permanente de diálogo económico e comercial entre as duas partes, que acordaram realizar entre uma e duas reuniões ministeriais por ano.

Segundo o porta-voz, o primeiro encontro centrou-se em áreas emergentes, como a inteligência artificial (IA), sectores com potencial de cooperação e questões litigiosas, com o objectivo de promover um comércio mais equilibrado, através do seu crescimento e não da sua redução.

A aposta no diálogo surge após vários episódios que agravaram as tensões entre a China e a União Europeia nos últimos anos, marcados por investigações comerciais recíprocas, divergências em torno da guerra na Ucrânia e sanções impostas por Bruxelas a empresas chinesas por alegada colaboração com a Rússia.

Shenzhen | CR New Energy estreia-se em bolsa a subir 114% após IPO recorde

A produtora de energias renováveis China Resources New Energy estreou-se ontem na Bolsa de Shenzhen com uma valorização superior a 113 por cento face ao preço inicial, na maior entrada em bolsa da história daquele mercado.

A oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) ficou avaliada em mais de 3,6 mil milhões de dólares. As ações da empresa abriram a 21,6 yuan, acima dos 10,11 yuan definidos para a IPO. Nos primeiros minutos da sessão, chegaram a registar uma subida de 198,32 por cento, antes de moderarem os ganhos para cerca de 124 por cento.

A operação, a maior realizada na Ásia desde o início de 2026, envolveu a venda de mais de 2,42 mil milhões de ações, permitindo à empresa angariar cerca de 24,5 mil milhões de yuan.

Na semana passada, a subsidiária do conglomerado estatal China Resources revelou que a parte destinada aos investidores de retalho registou uma procura 683 vezes superior ao número de ações disponíveis, mesmo após o aumento da alocação através de um mecanismo de redistribuição de ações aos investidores de retalho. Trata-se da maior IPO na China desde a realizada, em 2022, pela petrolífera estatal CNOOC, que angariou o equivalente a 5,1 mil milhões de dólares na Bolsa de Xangai.

A operação supera igualmente o anterior recorde da Bolsa de Shenzhen, estabelecido em 2020 pela produtora de óleos alimentares Yihai Kerry Arawana, que arrecadou cerca de dois mil milhões de dólares.

Vento e sol

No final de 2025, a China Resources New Energy dispunha de cerca de 41 gigawatts de capacidade instalada, o equivalente a 2,3 por cento do mercado chinês. Mais de 80 por cento da capacidade correspondia a projectos eólicos, embora a energia solar tenha vindo a ganhar peso no portefólio da empresa.

As receitas da IPO serão destinadas ao desenvolvimento de novos projectos eólicos e solares, que acrescentarão mais de 7,1 gigawatts de capacidade instalada, num investimento superior a 40 mil milhões de yuan. A operação atribui à empresa uma capitalização bolsista estimada em cerca de 135 mil milhões de yuan, semelhante à da Ganfeng Lithium, o maior produtor chinês de lítio.

A imprensa económica chinesa destacou que a operação permite também aferir o apetite dos investidores por sectores além da inteligência artificial e da robótica, que dominaram as maiores estreias bolsistas dos últimos meses.

Bolsa | Tecnológicas intensificam recompra de acções após fortes quedas

As gigantes tecnológicas chinesas estão a intensificar os programas de recompra de acções para recuperar a confiança dos investidores, após fortes desvalorizações em bolsa. Empresas como Tencent, Alibaba, Xiaomi e Meituan tiveram quebras na primeira metade de 2026 entre 30 a 44 por cento

 

A maiores empresas tecnológicas da China reforçaram os programas de recompra das suas próprias ações, após derrocadas na bolsa, noticiou ontem o jornal South China Morning Post (SCMP). Estes programas surgiram na sequência de fortes quedas bolsistas causadas por uma vaga de cepticismo em torno do sector e entusiasmo com empresas de inteligência artificial (IA).

Empresas como Tencent, a maior cotada chinesa e a 26ª maior do mundo, Alibaba, Xiaomi e Meituan registaram quedas entre 30 e 44 por cento no primeiro semestre, acelerando posteriormente o ritmo das recompras de ações, uma prática habitual entre empresas cotadas para apoiar a cotação quando consideram que o mercado está a subavaliar os seus títulos.

Numa compilação divulgada pelo jornal de Hong Kong SCMP, a Tencent recomprou ações no valor de cerca de 1.270 milhões de dólares em Junho, o montante mais elevado de 2026, enquanto a Alibaba gastou 50 milhões de dólares apenas na última semana.

A Meituan disse ter adquirido quase 26 milhões de dólares em ações entre segunda e terça-feira, depois de o presidente executivo reconhecer que o desempenho recente da empresa em bolsa ficou aquém do esperado. A Xiaomi já gastou cerca de 153 milhões de dólares nesta estratégia desde meados do mês passado.

“Tendo em conta a robustez do fluxo de caixa líquido e os montantes ainda disponíveis nos programas de recompra, esperamos que estas empresas acelerem o ritmo das recompras”, escreveram recentemente analistas da Citi Research num relatório.

Só para aparecer

Empresas como Alibaba e Meituan envolveram-se numa guerra de preços no mercado da entrega de refeições ao domicílio, situação que levou mesmo à intervenção do Governo chinês, enquanto os investidores voltavam a atenção para empresas totalmente dedicadas à IA, como Minimax ou Zhipu AI.

“As tecnológicas tradicionais têm uma exposição relativamente reduzida ao negócio da IA, o que levou à deslocação de capitais dessas ações para empresas focadas exclusivamente nesta área”, referiu Kenny Ng, analista da Everbright Securities.

Embora os especialistas considerem que os programas de recompra constituem apenas uma solução temporária, disseram acreditar também que as grandes tecnológicas chinesas podem estar próximas de atingir um mínimo bolsista, sustentadas pela solidez dos negócios principais, pela capacidade de gerar lucros e fluxo de caixa de forma consistente e pela volatilidade do sector da IA, que tem servido de principal motor do actual ciclo dos mercados.

Perante este contexto, as tecnológicas chinesas não só intensificaram as recompras de ações, como os principais executivos multiplicaram presenças públicas para tentar recuperar a confiança dos investidores. O fundador da Alibaba, Jack Ma, reuniu-se com gestores para plantar arroz, enquanto o fundador da Xiaomi, Lei Jun, foi fotografado a comer numa pequena banca de beira de estrada em Wuhan, no centro da China.

EUA | Alibaba paga 600 milhões de dólares para encerrar processo

O conglomerado chinês Alibaba vai pagar 600 milhões de dólares para resolver uma disputa com o governo dos Estados Unidos da América (EUA) nascida de alegações de importação e venda de medicamentos ilegais, substâncias controladas, químicos regulados e equipamento de produção de comprimidos.

O Alibaba opera algumas das maiores plataformas mundiais de comércio electrónico, como a Alibaba.com e a AliExpress.com. Os EUA alegam que a empresa baseada no território norte-americano que processa os seus fluxos financeiros comerciais, a AUS Merchant Services, violou a lei federal ao não impedir os comerciantes de importarem e venderem produtos ilegais nos EUA através daquelas plataformas.

A Alibaba admitiu, em acordo com o Departamento de Justiça, que entre Janeiro de 2016 e Dezembro de 2024 não impediu que cerca de 80 mil produtos fossem vendidos, alguns dos quais importados, em violação de várias leis federais.

Agentes de vários serviços federais, sem revelar identidade oficial, fizeram mais de 40 compras de farmacêuticos e maquinaria cuja importação para os EUA era ilegal, segundo um comunicado.

O chefe das investigações criminais da agência tributária (IRS, na sigla em inglês), Jarod Koopman, considerou que o acordo alcançado com a Alibaba “realça o compromisso da IRS para seguir o dinheiro e garantir que as empresa a operarem nos EUA comprem a lei federal”.

O vazio na pintura e na estética chinesa

Por Sun Weiqi

Quando era criança, passava muitas tardes em casa da minha avó, diante de uma parede coberta de pinturas tradicionais chinesas, e havia nelas qualquer coisa que me inquietava profundamente: grandes extensões de papel permaneciam brancas, suspensas, intactas, como se o pintor tivesse interrompido o gesto antes de concluir a obra ou como se tivesse decidido abandonar metade do mundo ao silêncio. Na minha imaginação infantil, uma boa pintura deveria estar inteiramente preenchida, cada fragmento da superfície ocupado por uma montanha, uma árvore, uma ave, uma casa, uma figura humana ou qualquer sinal visível que justificasse a existência daquele espaço. O branco parecia-me falta, hesitação, incompletude.

A minha avó, que aprendera caligrafia e pintura desde os sete anos, nunca me respondeu com uma explicação longa, nem tentou converter a minha curiosidade de criança numa lição formal de estética. Pegava simplesmente no pincel, deixava cair uma gota de tinta preta sobre a água e observava comigo a forma como essa mancha se abria, se dissolvia, se espalhava lentamente, até já não ser ponto nem linha, mas uma respiração escura dentro da transparência. Depois dizia-me: “O que não se vê é o que respira na pintura. O vazio é o lugar onde a alma da obra mora.”

Durante muitos anos, guardei essa frase sem a compreender inteiramente. Hoje, quando estudo a estética chinesa e volto, pela memória, à parede da casa da minha avó, percebo que ela falava de uma das intuições mais profundas da arte chinesa: o vazio, ou kōng (空), ocupa o centro da experiência estética, porque abre a obra à circulação do sopro, da imaginação e do tempo. O espaço branco da pintura chinesa não corresponde a um intervalo morto, a uma zona abandonada ou a uma ausência de execução; pertence à própria estrutura espiritual da obra, como o silêncio pertence ao poema e como a pausa pertence à música.

Este texto nasce, por isso, de uma dupla experiência: por um lado, a reflexão sobre uma tradição estética antiga, atravessada pelo taoísmo, pela pintura de paisagem, pela caligrafia e por uma conceção muito particular da relação entre forma e invisível; por outro, a memória íntima de uma aprendizagem familiar, feita sem tratados, sem definições rígidas, sem a arrogância das palavras que querem possuir aquilo que apenas se pode contemplar. Escrevo sobre o vazio como quem regressa a uma casa, a uma parede, a uma tarde lenta, a uma avó que ensinava através do gesto e que sabia, talvez melhor do que muitos livros, que a pintura começa precisamente onde a tinta se retira.

Para compreender o vazio na pintura chinesa, é necessário abandonar a ideia de que a totalidade da obra coincide com aquilo que se oferece imediatamente ao olhar. Em muitas tradições pictóricas ocidentais, a superfície da tela tende a ser concebida como um campo a preencher: a moldura delimita um mundo, e o artista organiza dentro dela formas, volumes, cores, perspetivas, corpos e objetos, criando uma representação mais ou menos fechada da realidade. Na pintura chinesa de montanhas e águas, shān shuǐ huà (山水画), a lógica é outra: o vazio não encerra a obra, abre-a; não interrompe a paisagem, prolonga-a; não empobrece a composição, permite que ela respire para além dos limites materiais do papel.

Recordo-me de uma tarde em que a minha avó me mostrou uma pintura atribuída a um antigo mestre da dinastia Song. No canto inferior esquerdo, via-se apenas um pinheiro, desenhado com traços secos, firmes e contidos. O restante espaço permanecia branco, amplo, quase vertiginoso. Perguntei-lhe o que havia ali, apontando para aquela extensão sem tinta. Ela respondeu: “Névoa. Ar. O silêncio da montanha ao amanhecer. Se o pintor tivesse desenhado a névoa, a névoa desapareceria.” Essa resposta acompanhou-me durante anos, porque continha uma verdade difícil de apreender: há realidades que a representação excessiva destrói, há presenças que só sobrevivem quando a mão aceita deter-se.

O vazio, na pintura chinesa, constitui uma modalidade subtil de presença. Ele carrega o qì (气), o sopro vital que atravessa os seres, anima a paisagem e liga o visível ao invisível. Quando um pintor deixa uma área sem tinta, realiza uma escolha estética e espiritual, abrindo espaço para que a energia circule dentro da obra e para que o olhar do espectador participe na sua formação. Uma paisagem demasiado cheia torna-se imóvel, sufocada pelo excesso de informação; uma paisagem atravessada pelo vazio conserva o movimento secreto da água, do vento, da névoa, do tempo e da distância.

Vi essa lógica na prática quando a minha avó me ensinou a pintar bambus. Eu queria desenhar todas as folhas, todas as nervuras, todos os detalhes do caule, como se a fidelidade dependesse da acumulação minuciosa de traços. Ela corrigia-me com paciência: “Se pintares tudo, o bambu morre. Deixa espaço entre as folhas. Deixa o ar passar. O bambu vive também no vento que não consegues pintar.” Nesse momento, comecei a perceber que a pintura chinesa não procura copiar a aparência exterior das coisas, mas captar a sua respiração interna, a tensão entre presença e retirada, a forma como cada ser existe em relação com aquilo que o envolve.

Esta conceção encontra raízes profundas no pensamento taoísta. No Dao De Jing (道德经), Laozi afirma que a utilidade da roda depende do vazio do seu centro, a utilidade do vaso depende do espaço oco que pode receber, a utilidade da casa depende da abertura que permite habitar. A forma visível oferece contorno; o vazio oferece possibilidade. Aplicada à pintura, esta intuição significa que o branco do papel participa ativamente na construção do sentido, pois torna possível a respiração dos traços, a profundidade da paisagem e a liberdade do olhar. Sem o espaço vazio, a tinta perderia a sua ressonância; sem silêncio, a cor perderia a sua vibração.

O vazio, porém, ultrapassa a esfera da teoria estética e inscreve-se numa maneira de ver, de estar e de aceitar o mundo. Durante a adolescência, vivi durante algum tempo como se todo o espaço disponível tivesse de ser ocupado: música nos ouvidos, telemóvel na mão, conversas contínuas, tarefas sucessivas, uma espécie de medo da interrupção e da pausa. Quando olhava para uma pintura chinesa, o espaço branco parecia-me monótono, demasiado silencioso, quase pobre. Hoje, estando longe da China, em Portugal, longe da casa da minha avó e da parede onde aquelas pinturas repousavam, sinto falta precisamente desse branco que antes me parecia vazio; sinto falta de uma lentidão que acolhe, de uma montanha quase invisível, de uma névoa que não precisa de se explicar, de um espaço onde o pensamento possa assentar sem ser imediatamente substituído por ruído.

A pintura chinesa ensinou-me que o vazio pode ser um lugar de encontro. Diante de uma paisagem com grandes zonas brancas, o espectador não recebe uma imagem totalmente determinada; entra na obra, completa-a com a sua memória, com a sua solidão, com o seu próprio modo de sentir a distância. O branco torna-se uma zona de hospitalidade. Nele cabem a névoa vista pelo pintor, o silêncio imaginado pelo observador, a montanha que se ergue sem ser desenhada, o rio que corre fora do papel, o tempo que separa quem pintou de quem contempla. Assim, a obra atravessa os séculos porque conserva um espaço disponível para cada olhar.

A estética chinesa distingue-se precisamente por essa confiança na participação do observador. A pintura não impõe uma leitura única, nem oferece uma realidade totalmente fechada sobre si mesma; deixa zonas de indeterminação onde a imaginação pode mover-se, como alguém que caminha numa paisagem envolta em bruma e descobre, a cada passo, a sua própria forma de ver. Lembro-me de ter levado uma amiga portuguesa a ver as pinturas da minha avó. Ela deteve-se diante da pintura do pinheiro e comentou que parecia faltar alguma coisa. Sorri, porque me reconheci imediatamente naquela observação, a mesma que eu própria teria feito em criança. Respondi-lhe que talvez faltasse apenas o olhar dela, a sua memória, a sua presença diante do branco. A pintura esperava por isso.

Esse vazio estende-se a outras dimensões da cultura chinesa. Na caligrafia, a força de um carácter depende tanto da densidade da tinta como da distribuição dos espaços que o rodeiam; na música tradicional, o silêncio entre as notas permite que cada som se prolongue para dentro do ouvinte; na organização da casa, a sobriedade dos objetos cria uma atmosfera de repouso; na conversa, as pausas podem transmitir respeito, delicadeza ou pensamento. A cultura chinesa conhece, de modo profundo, o valor da suspensão. Falar menos pode significar escutar melhor; ocupar menos pode significar permitir mais; retirar pode ser uma forma de oferecer.

Esta relação com o vazio implica também uma ética. Num mundo habituado ao excesso, à velocidade e à acumulação, a estética chinesa recorda que a plenitude pode surgir da contenção e que a beleza nem sempre coincide com abundância. A pintura de paisagem, quando deixa metade do papel sem tinta, afirma uma confiança rara: a confiança de que o invisível participa na construção do real. O artista não precisa de controlar tudo, nem o espectador precisa de receber tudo pronto. Entre ambos existe uma zona de respiração, um intervalo sensível onde a obra continua a acontecer.

Há, portanto, uma sabedoria existencial no vazio. A vida humana, tal como a pintura, perde vitalidade quando todos os espaços são preenchidos por obrigações, ruídos, explicações, desejos e medos. Precisamos de margens interiores, de zonas brancas, de momentos sem função imediata, de silêncios onde as emoções possam decantar-se. A minha avó compreendia isto sem precisar de o formular como tese. Talvez por isso pintasse devagar, talvez por isso deixasse sempre espaço suficiente para que uma ave pudesse atravessar a paisagem sem ser desenhada, para que uma montanha pudesse permanecer escondida na névoa, para que a obra tivesse um lugar onde respirar.

Hoje, a parede da casa da minha avó continua a existir na minha memória com uma nitidez quase física. Já não olho para aquelas zonas brancas como quem encontra uma falha. Vejo nelas a névoa da montanha, o vento no pinheiro, o silêncio do amanhecer, a mão antiga do pintor, a voz baixa da minha avó e a minha própria transformação: a criança que queria preencher tudo deu lugar a uma mulher que aprendeu a reconhecer a intensidade do que permanece suspenso.

O vazio na pintura chinesa constitui uma forma de pensamento sensível, uma filosofia encarnada no gesto, uma maneira de compreender a relação entre mundo, olhar e interioridade. A sua força reside na capacidade de ensinar sem declarar, de abrir sem ocupar, de sugerir sem aprisionar. A lição da minha avó permanece comigo: aquilo que não se vê pode sustentar o que aparece; aquilo que se cala pode dar profundidade ao que é dito; aquilo que fica em branco pode guardar a respiração mais íntima da obra.

Quando observo uma pintura chinesa, vejo tinta, papel, montanha, água, memória, cultura e família. Vejo também a minha própria aprendizagem do silêncio. O espaço branco que em criança me parecia monótono tornou-se o lugar onde tudo se reúne sem se confundir: a paisagem, a avó, a China, a distância, o tempo e a minha forma de olhar. O vazio não equivale ao nada. O vazio é a morada invisível da respiração.

Toi San | Projecto de casa de banho seleccionado para guia

O projecto de “Casa de Banho Ecológica ‘Pop-Out’ – Casa de Banho Pública de Toi San”, do atelier de arquitectura Urban Pratice, acaba de ser seleccionado para a primeira edição do “Guia CIALP para a Agenda 2030”, uma publicação do Conselho Internacional de Arquitectos de Língua Portuguesa (CIALP).

Segundo um comunicado do Urban Pratice, atelier situado em Macau e liderado pelo arquitecto Nuno Soares, a escolha deste projecto “consolida ainda mais a posição de Macau no mapa global da inovação em termos de design sustentável”.

O projecto de casa de banho “integra de forma harmoniosa a tecnologia ambiental e o design circular”, reflectindo “o compromisso da Urban Pratice na transformação de infra-estruturas cívicas”. Esta não é a primeira vez que este projecto é distinguido, tendo recebido o “Prémio Pioneiro de Arquitectura Verde” na sexta edição do Japan International Pioneer Design Award (IPDA).

O “Guia CIALP para a Agenda 2030” funciona, segundo a mesma nota, “como um roteiro arquitectónico seleccionado e alinhado com os objectivos humanitários globais”, sendo uma compilação de “projectos arquitectónicos inspiradores de todo o mundo lusófono”. Estes projectos destacam-se ainda por terem contribuído “activamente para os 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas”.

Segundo a Urban Pratice, o projecto de casa de banho “aborda princípios fundamentais” que estão alinhados com alguns dos ODS definidos para a erradicação da pobreza e promoção do desenvolvimento global até 2030. São eles “Saúde e Bem-estar, Redução das Desigualdades, Cidades e Comunidades Sustentáveis e Consumo e Produção Responsáveis”, destaca-se na mesma nota.

O referido Guia foi lançado e apresentado publicamente na passada segunda-feira no Congresso Mundial de Arquitectos da União Internacional de Arquitectos 2026, realizado em Barcelona.

Casa Garden | Afonso Cabral encerra hoje programa do Mês de Portugal

Afonso Cabral, da banda portuguesa You Can’t Win, Charlie Brown, protagoniza hoje um concerto na Casa Garden. O seu último disco a solo, “Demorar”, é o mote para a digressão asiática que passa por Macau, China, Hong Kong e Japão

 

A Casa Garden, sede da Fundação Oriente em Macau, recebe hoje o evento de encerramento do programa de celebração do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. Trata-se do concerto de Afonso Cabral & Pedro Branco (guitarrista), que começa às 20h, cujo repertório deverá incidir sobre o seu último disco, “Demorar”, lançado em 2024. O concerto tem entrada gratuita.

O espectáculo é promovido pela NOYB – None of Your Business, e integra a digressão asiática que o artista está a fazer, e que incluiu um concerto em Shenzhen; uma actuação no sábado no Antique 3000, em Zhuhai; e ainda este domingo no Chen Trente, em Hong Kong, fechando o périplo pela China.

Porém, também o Japão será contemplado com três actuações de Afonso Cabral, nomeadamente no dia 8 de Julho em Osaka; 9 de Julho no Kyoto Submarine, em Quioto; e também no dia 10 de Julho no Stiff Slack, em Nagoya.

A passagem do artista por terras do Sol Nascente não surpreende, tendo em conta que o seu mais recente disco conta com a participação do músico japonês Shugo Tokumaru, bem como da cantora Manuela Azevedo, vocalista dos portugueses Clã. Shugo Tokumaru é um compositor e multi-instrumentista que lançou o seu primeiro álbum em 2004, intitulado “Night Piece”, estando envolvido em todos os aspectos da produção dos seus álbuns.

Os palcos de Afonso

Afonso Cabral escreveu nas redes sociais em Maio que “entusiasmado é um eufemismo” sobre esta digressão asiática que agora se inicia. Nascido em Lisboa, em 1986, está ligado ao mundo da música há cerca de 15 anos com diversos projectos, um deles como vocalista com a banda You Can’t Win, Charlie Brown.

Porém, Afonso Cabral deambula também nos palcos com o músico Bruno Pernadas, multi-instrumentista que também já actuou em Macau; ou ainda com os projectos Minta & The Brook Trout ou Mais Alto!.

O músico tem uma carreira onde as colaborações criativas são uma constante, como por exemplo na composição de “Anda Estragar-me os Planos”, escrita em parceria com Francisca Cortesão para o Festival da Canção 2018. Esta música foi cantada por Joana Barra Vaz, tendo sido interpretada mais tarde por outros cantores, como Salvador Sobral e Tim Bernardes.

Sobre “Demorar, é composto por nove canções, onde se incluem os singles “Indivisível” e “Confusão / ざわめき”. Segundo o portal Comunidade Cultura e Arte, Afonso Cabral disse que “nunca é fácil definir um disco”. “São peças de um puzzle construído entre 2019 e 2024 (demorado, sim, daí o título, em parte). É sobre aceitação, é sobre saber parar (ou pelo menos tentar), é sobre frustrações e é certamente sobre mais uma série de coisas que eu próprio não entendo ainda muito bem. É também um cumprir de sonhos com os duetos com Shugo Tokumaru e Manuela Azevedo”, frisou.

Outro dos destaques do concerto desta sexta-feira na Casa Garden será, certamente, o novo single de Afonso Cabral, “Dança Comigo na Ilusão”, editado em Maio. O espectáculo tem entrada livre e conta com os apoios da Casa de Portugal em Macau, Fundação Oriente e restaurante Lvsitanvs.

Crime | Residente detido por apostas ilegais em jogos do Mundial

Um residente de Macau, de apelido Sou, foi detido em Taiwan por suspeitas de apostas ilegais em jogos de futebol. Segundo noticiou o website noticioso TVBS, de Taiwan, a polícia da região desmantelou uma rede criminosa ligada a apostas ilegais de futebol, e deteve oito pessoas de Taiwan, Hong Kong e Macau.

A mesma fonte realçou que o residente da RAEM tem o mesmo nome de um director do grupo junket Tak Chun. Porém, as autoridades ressalvaram não terem a certeza se o indivíduo pertenceria à rede criminosa e que seriam precisas investigações mais aprofundadas.

Os detidos alugaram, em meados do mês passado, um edifício em Tainan. Apesar de terem alegado que o motivo da viagem para o local seria turismo, as autoridades suspeitam que a razão seria montar um esquema de apostas ilegais com base nos jogos do Mundial de Futebol.

Na residência em Tainan foram descobertos dezenas de computadores, monitores e livros de contabilidade. O esquema envolveu apostas de mais de 10 mil milhões de dólares taiwaneses, ou seja, 2,5 mil milhões de patacas.

PJ | Filho detido por auxiliar tentativa de suicídio do pai

Um residente de 42 anos foi detido por suspeitas de ter auxiliado o seu pai numa tentativa falhada de suicídio. O caso foi revelado ontem pela Polícia Judiciária (PJ) e o homem foi entregue ao Ministério Público (MP).

Segundo a PJ, o pai do detido sofre de uma doença crónica, depressão e mobilidade reduzida, e fez várias ameaças de tentativa de suicídio. A PJ não revelou há quanto tempo o idoso se encontra nestas condições, mas admitiu que o progenitor do detido vivia num “estado emocional persistentemente negativo” e que estava a ser acompanhado pelo Instituto de Acção Social (IAS).

A situação piorou na noite de terça-feira, quando o idoso sofreu uma queda em casa. Nessa mesma noite, quando o filho e a esposa chegaram à residência, o idoso repreendeu-os de forma “violenta”, o que gerou um “estado de grande agitação emocional”. O homem exigiu ainda ao filho que o auxiliasse a cometer suicídio.

Face ao pedido, o descendente foi à casa-de-banho, onde pegou numa embalagem de lixívia, que abriu, e entregou-a ao idoso. Este deu um golo, mas abortou a tentativa, quando começou a sentir dores na garganta. Face às dores, o idoso decidiu ainda pedir ajuda às autoridades. Actualmente encontra-se em situação estável e não corre perigo de vida.

No entanto, o filho foi detido e está indiciado pela prática do crime de “incitamento, ajuda ou propaganda ao suicídio”, que é punido com uma pena máxima de 5 anos, ou de 8 anos, se for considerado que a pessoa que se tentou matar era menor ou tinha a “capacidade de valoração sensivelmente diminuída”.

Crime | Detido por desviar fundos para visto de residência em Portugal

Um residente foi detido depois de ter prometido arranjar um visto de residência em Portugal a um empresário do Interior da China. O dinheiro recebido pelo suspeito para tratar do processo terá sido utilizado para pagar dívidas

 

A Polícia Judiciária de Macau deteve um homem por alegadamente ter desviado 2,1 milhões de yuan em fundos pagos por um cliente do Interior da China para obter um visto de investimento em Portugal. De acordo com um comunicado publicado nos canais oficiais da PJ de Macau nas redes sociais, a investigação indicou que o suspeito utilizou as quantias transferidas pela vítima para custear dívidas que tinha.

No dia 25 de Junho, a PJ recebeu a queixa de um homem da China continental, que afirmou ter confiado a um residente de Macau o pedido de um visto de investimento para imigração para Portugal, suspeitando que as taxas pagas “tinham sido desviadas”.

As autoridades policiais do território adiantaram que o queixoso identificou o suspeito como responsável por uma empresa local de comunicação social em Macau.

“Em Julho de 2025, durante o encontro entre ambos, o suspeito alegadamente afirmou que poderia obter um Visto de Imigração para Empresários D2 para Portugal mediante o pagamento de 3 milhões de yuan, comprometendo-se a concluir o processo até Fevereiro de 2026”, informou a PJ.

O visto D2, também conhecido como visto de empreendedor, é uma autorização de residência para cidadãos de fora da União Europeia que desejam abrir, gerir ou investir numa empresa, ou trabalhar como profissional autónomo/freelancer em Portugal. “Posteriormente, foi celebrado um contrato de prestação de serviços entre as duas partes”, salientou o comunicado da PJ.

Adeus, dinheiro

Entre Setembro e Outubro de 2025, a vítima transferiu um total de 2,5 milhões de yuan para uma conta bancária designada na China continental, conforme instruído pelo suspeito. Os restantes 500.000 yuan (cerca de 64 mil euros) só seriam pagos após a conclusão do pedido de visto.

“No entanto, em Março de 2026, o visto ainda não tinha sido processado, tendo o suspeito adiado repetidamente o procedimento sob vários pretextos”, referiu a PJ.

Desconfiando da situação, a vítima contactou a agência onde o suspeito trabalhava, responsável pelo tratamento da documentação de imigração e descobriu que o homem apenas efectuara um pagamento inicial de 41.000 euros em Outubro de 2025 e não havia liquidado quaisquer prestações subsequentes.

A PJ confirmou que o suspeito contratara efectivamente uma “agência de imigração para investimento legítima” para tratar do pedido da vítima e que a documentação do requerente cumpria os requisitos regulamentares exigidos.

“No entanto, após o pagamento da primeira prestação, o suspeito alegadamente comunicou à agência que a vítima ainda não havia pago as taxas de processamento, utilizando esse pretexto para solicitar repetidos adiamentos no andamento do processo”, explicou ainda a PJ de Macau.

A polícia adiantou ainda que o suspeito foi presente ao Ministério Público para continuação da investigação, sob suspeita da prática do crime de abuso de confiança agravado envolvendo quantia elevada, um crime punível com pena de prisão até cinco anos ou multa.

Metro Ligeiro | Junho com média mais baixa de passageiros

Em Junho, uma média diária de cerca de 20.400 pessoas apanharam o Metro Ligeiro, o registo mensal mais baixo do ano, de acordo com os números oficiais da empresa. Para encontrar paralelo com este registo é preciso recuar a Julho do ano passado, quando a média foi de 20.300 passageiros por dia.

Apesar do número mais baixo, o número de utilizadores de Junho deste ano é superior ao de Junho do ano passado quando houve uma média de 19.800 passageiros por dia. Desde Abril deste ano, quando 29.400 pessoas utilizaram o transporte, que o número de utentes está em quebra, dado que em Maio houve uma média diária de 26.400 passageiros por dia.

Em relação à primeira metade do ano foi registada uma média aproximada de 28.067 pessoas por dia, um aumento de quase mais 4 mil passageiro diários, em comparação com os primeiros seis meses de 2025. Nessa primeira metade de ano a média diária de passageiros foi de 24.550.

Jogo | Analistas estimam que Mundial continue a afectar receitas

Analistas esperam que as receitas brutas do motor da economia de Macau continuem em baixa até ao fim do Campeonato Mundial de Futebol. Em Julho, espera-se uma redução anual das receitas entre 5 e 9 por cento

 

Ao longo deste mês, os efeitos do Campeonato Mundial de Futebol vão continuar a afectar a indústria do jogo, e as receitas devem apresentar uma redução anual de 5 por cento. A previsão foi feita pelo banco de investimento Citi, no mais recente relatório sobre a indústria do jogo de Macau, citado pelo portal GGRAsia.

De acordo com a estimativa do banco, as receitas vão atingir cerca de 21 mil milhões de patacas ao longo deste mês, quando em Julho de 2025 foram de 22,1 mil milhões de patacas. A previsão tem por base uma média diária de receitas de 677 milhões de patacas.

“Esperamos que o torneio mundial de futebol continue a arrastar a receita bruta do jogo até ao último jogo, a 19 de Julho”, pode ler-se no relatório elaborado pelo Citi. Em Macau, a partida da final acontece na madrugada de 20 de Julho, às 03h.

Apesar do aspecto negativo, o Citi realça que o território vai receber vários concertos que vão contribuir para atenuar o impacto do Mundial: “Dito isso, a agenda lotada de eventos de Macau no início de Julho, incluindo espectáculos de Anson Lo (Londoner Arena), Gareth.T (Galaxy Arena), Rosy Zhao (Galaxy Arena) e NCT JNJM (Londoner Arena), poderá mitigar parte da potencial fraqueza”, foi justificado.

Por sua vez, a empresa de serviços financeiros Seaport Research Partners também estimou que as receitas brutas do jogo em Julho devem apresentar uma queda de 7 a 9 por cento, num valor entre 20,6 mil milhões de patacas e 20,0 mil milhões de patacas.

Também neste caso espera-se que o mercado reflicta o impacto do dinheiro desviado das mesas de jogo para as apostas do Mundial. Contudo, o analista Vitaly Umansky, da Seaport Research Partners, espera que o sector recupere em Agosto, com um crescimento anual de 5 por cento.

Por sua vez, o banco de investimento Deutsche Bank previu uma redução de 7,9 por cento em Julho, para cerca de 20,4 mil milhões de patacas.

Mais do que o mundial

Os vários relatórios das instituições financeiras foram divulgados depois de ter sido tornado público que as receitas brutas de jogo tinham apresentado uma quebra anual de 12,1 por cento em Junho, para 18,5 mil milhões de patacas. Na perspectiva de quase todos os analistas, o principal factor para esta redução foi o impacto do Campeonato Mundial.

No entanto, a Seaport Research Partners, num relatório citado pelo portal GGRAsia, foi mais longe e associou a diminuição “ao barulho à volta dos fluxos de capital” no Interior da China, em referência às restrições de circulação do dinheiro que, no entender da instituição, “podem ter contribuído para limitar a actividade dos jogadores”.

Jardim das Artes | Plataforma pedonal será construída por fases

O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) anunciou que vai acrescentar uma plataforma pedonal no Jardim das Artes, para que os peões não tenham de contornar o perímetro do parque, aumentando assim a conveniência na circulação. O objectivo desta plataforma foi “facilitar a deslocação pedonal entre ambos os extremos do NAPE”.

“Com vista a optimizar ainda mais o ambiente de travessia pedonal do Jardim das Artes e das suas imediações, o IAM está a promover ordenadamente a obra de optimização do acesso pedonal do Jardim das Artes, com a construção de passeios com tijolos antiderrapantes ou de calçada portuguesa, e ao mesmo tempo a demolição de algumas vedações do parque, permitindo assim elevar a acessibilidade e aperfeiçoar o ambiente pedonal livre de barreiras arquitectónicas”, foi justificado.

A obra irá aumentar a área verde em cerca de 1100 metros quadrados e será realizada em quatro fases, com parte do parque a ficar vedado durante a execução.

Intercensos | DSEC reúne com associações antes de recolha de dados

A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) anunciou ontem, em comunicado, que os Intercensos 2026 irão decorrer entre os dias 25 de Julho e 15 de Agosto deste ano, baseando-se na recolha de informações dos agregados familiares.

Neste contexto, dirigentes da DSEC reuniram com várias associações locais, tendo sido apresentado o “plano de trabalhos dos Intercensos 2026”, o serviço de preenchimento do questionário disponível na plataforma “Conta Única de Macau” e ainda “uma série de medidas de prevenção de burla”, é descrito.

A DSEC espera que estas associações, nomeadamente a Federação das Associações dos Operários de Macau ou a União Geral das Associações dos Moradores de Macau, entre outras, possam colaborar no trabalho dos Intercensos.

Segundo a mesma nota, os dirigentes associativos “referiram que irão ajudar a divulgar informações aos seus associados e à comunidade”, além de “incentivar os cidadãos a colaborar activamente nos trabalhos estatísticos”.