Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaMetro Ligeiro | Maioria concorda com extensão da Linha de Seac Pai Van A grande maioria dos participantes na consulta pública sobre o desenvolvimento do Metro Ligeiro de Macau concorda com a extensão da Linha de Seac Pai Van até Coloane. Porém, alguns participantes manifestaram preocupações com impactos paisagísticos e ambientais Estender a Linha de Seac Pai Van do Metro Ligeiro até Coloane, sim, mas com que impactos? Estas são algumas das conclusões e questões do “Estudo estratégico para o Desenvolvimento do Metro Ligeiro de Macau – Relatório Estatístico e Compilação de Opiniões”, divulgado pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) na sexta-feira. O documento resulta da consulta pública realizada entre os dias 23 de Janeiro e 28 de Fevereiro deste ano, tendo sido recolhidas 805 opiniões e validadas 772. O relatório dá conta que o tópico “Extensão da Linha de Seac Pai Van” obteve uma “atitude positiva” por parte dos participantes da consulta na ordem dos 84 por cento, enquanto que a “atitude negativa” em relação a esse projecto foi de 16 por cento. Lê-se no relatório que a extensão deste segmento do Metro Ligeiro até Coloane “recebeu um maior grau de atenção nesta consulta, sendo que a maioria das opiniões manifestou apoio e expectativa de desenvolvimento”, embora “uma parte das opiniões tenha manifestado preocupações com os impactos”. Em termos concretos, “as opiniões favoráveis consideram que a extensão poderá resolver eficazmente [a ideia de] ‘ilha isolada’ ao nível do trânsito de Coloane”, com a “necessidade de implementação das Estações de Lai Chi Vun e do Pavilhão do Panda Gigante”. Além disso, reconhece-se “que a extensão até à Vila de Coloane poderá preencher a lacuna nos transportes e proporcionar aos visitantes uma opção de deslocação estável, conveniente e ecológica, revitalizando, assim, o desenvolvimento comunitário”. Porém, “a preocupação dos residentes sobre os métodos de construção e o ambiente comunitário é bastante acentuada”. Essencialmente, as preocupações centram-se no “impacto que a estrutura em viaduto poderá causar ao ambiente paisagístico e visual”, ou ainda nos “possíveis impactos ecológicos causados pelas obras”. Há ainda “o receio que o ruído produzido pela execução das obras e operação afecte seriamente a tranquilidade habitacional”. No olho do furacão No que diz respeito à “Extensão da Linha Leste”, o documento revela que “a maioria das opiniões reconhece que a extensão pode ter o efeito de sinergia na ligação entre os postos fronteiriços, esperando-se que o Posto Fronteiriço de Qingmao possa aliviar eficazmente a pressão do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco”. Desta forma, “sugere-se que a sua extensão seja promovida com prioridade para reforçar a ligação entre os postos fronteiriços”. Pede-se que este projecto em concreto “facilite as deslocações diárias e movimentos turísticos, considerando-se o ‘acesso ao centro da cidade’ como a chave para melhorar o tráfego na zona central da Península”. O relatório explica que “algumas opiniões questionam o benefício da criação da Estação do Parque Desportivo para Cidadãos, considerando que a distância demasiado curta entre estações poderá diminuir a eficiência da circulação”, pelo que se sugere “a construção de um sistema pedonal para substituir a função desta estação”. Em termos gerais, a DSOP destaca que “diversos sectores da sociedade de Macau reconhecem o papel fulcral do Metro Ligeiro no aumento da eficiência dos transportes públicos, a melhoria das condições de deslocação interzonal, a promoção da mobilidade verde e apoio ao desenvolvimento urbano a longo prazo”. É revelado como, das 772 opiniões validadas, “a proporção global de atitudes positivas superou os 90 por cento”. O Governo argumenta que os dados mostram “um elevado consenso social quanto ao rumo de desenvolvimento do Metro Ligeiro”. Além disso, “a maioria das opiniões considera que, com as mudanças contínuas na estrutura demográfica de Macau, as necessidades de deslocações diárias, a dimensão do turismo e sinergia regional, a mera dependência da ampliação rodoviária e do sistema de autocarros já não é suficiente para responder à pressão do trânsito no futuro”. Assim, considera-se “imperativo reconstruir o modelo de mobilidade urbana através de um sistema de transportes ferroviários em rede, com grande capacidade de transporte e alta fiabilidade”.
João Santos Filipe PolíticaGoverno aposta na alternativa ao transporte individual para a nova fronteira A nova fronteira entre Macau e o Interior, conhecida como Qiangmao, aposta em vários equipamentos para transportes públicos, com o objectivo de encorajar os residentes a deixarem o carro em casa [dropcap style≠‘circle’]O[/dropcap] Governo vai dotar a nova fronteira com o Interior da China de todos os equipamentos necessários para o funcionamento dos transportes públicos, de forma a oferecer alternativas ao transporte individual. A garantia sobre o novo edifício que vai ligar a zona da Ilha Verde a Qingmao foi deixada pelo director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), Li Canfeng, em resposta a uma interpelação de Ella Lei. “Segundo o estudo do seu planeamento, o novo acesso fronteiriço entre Guangdong e Macau será equipado de estação do metro ligeiro, paragem de autocarros, praça de táxis, auto-silo público, zona de tomada e largada de passageiros destinada a autocarros de turismo, entre outros equipamentos de tráfego. Estão ainda previstos acessos pedonais públicos e equipamentos de travessia pedonal de ligação aos terrenos vizinhos”, começa por explicar Li Canfeng. “Pretende-se, deste modo, incentivar a população a usar outros tipos de transporte, em alternativa ao veículo particular, atenuando a pressão do tráfego rodoviário nesta zona”, é acrescentado na resposta à interpelação da deputada. Ella Lei tinha-se mostrado preocupada com o facto da fronteira estar localizada junto à Ilha Verde e ao Fai Chi Kei, zonas com uma grande concentração de pessoas, o que poderia original problemas de intensificação do trânsito numa área já problemática. Sem compromisso Em relação aos andamentos das obras, que se pretende que estejam finalizadas em 2023, o director não respondeu com certeza à data concreta, nem quis comprometer-se com um prazo para terminar os trabalhos. Porém, fez um ponto de situação. “Além do início das obras de demolição do Mercado Abastecedor Nam Yue, que segundo o projectado estarão concluídas no 2.º trimestre de 2018, foi igualmente dado início à elaboração do projecto de concepção preliminar para a empreitada de construção do lado de Macau. A intenção é que a obra das fundações com estacas seja iniciada ainda em 2018”, explicou. A elaboração do projecto do posto fronteiriço de Qingmao foi adjudicado ao Grupo Gaungdong Nam Yue, a troco de 106 milhões de patacas. Os pagamentos serão feitos até 2020, tendo começado no ano passado. Já sobre o plano para o desenvolvimento dos terrenos envolventes do novo edifício, Li Canfeng diz que o Governo ainda está a elaborar o documento, que só será tornado público “em tempo oportuno”.