Direitos humanos | Governo manifesta “firme oposição” a relatório americano

O Executivo de Sam Hou Fai reagiu com “forte insatisfação e uma firme oposição” ao “Relatório sobre Direitos Humanos 2024″ do Departamento de Estado norte-americano. O relatório acusa Macau de restringir as liberdades de expressão e de imprensa, e de permitir o tráfico de pessoas. O Governo aponta a “interferência violenta” nos assuntos internos da China e da RAEM

 

“O ‘Relatório sobre Práticas de Direitos Humanos por País relativo ao ano de 2024’, publicado recentemente pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos da América, contem acusações infundadas sobre a situação dos direitos humanos em Macau que não correspondem aos factos e estão repletas de preconceito, às quais o Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) manifesta uma forte insatisfação e uma firme oposição”, foi desta forma que o Governo da RAEM reagiu na noite de quarta-feira ao documento emitido na terça-feira pelo organismo liderado por Marco Rubio.

O Executivo de Sam Hou Fai começa por elencar os “êxitos notáveis” alcançados pela RAEM “desde o regresso à pátria”, como o desenvolvimento económico, a estabilidade e harmonia social, a qualidade de vida da população, assim como “progressos abrangentes na área dos direitos humanos”.

A resposta prossegue com o elogio à solidez do sistema jurídico local e ao reforço da independência judicial tem sido reforçada. “Os residentes gozam, nos termos da lei, de amplos direitos e liberdade de expressão, de imprensa, de reunião e de desfile, entre outras, sendo igualmente os direitos laborais garantidos por lei”, acrescenta o Governo da RAEM

O Executivo defende ainda a lei relativa à defesa da segurança do Estado, por garantir “eficazmente a segurança do Estado e a prosperidade e estabilidade da RAEM”, e que a salvaguarda da soberania, segurança e interesses do desenvolvimento do país, são “deveres constitucionais” dos residentes de Macau.

Interferência violenta

O Governo de Sam Hou Fai acusa os Estados Unidos de violarem os princípios do direito internacional e as normas básicas das relações internacionais, nomeadamente através da publicação “ano após ano dos chamados relatórios para comentar irresponsavelmente a situação dos direitos humanos na RAEM, o que constitui uma interferência violenta nos assuntos internos da China e nos assuntos da RAEM”.

Como tal, o Executivo da RAEM reitera que os Estados Unidos devem atentar com imparcialidade os “enormes êxitos alcançados por Macau sob o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’, respeitem os factos e parem de difamar e criticar maliciosamente a situação dos direitos humanos na RAEM”.

O documento do Departamento de Estado norte-americano voltou a acusar Macau de restringir a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa, através da censura, e de permitir o tráfico de pessoas. O organismo da Administração Trump reitera, como o fez o ano passado, que não houve “mudanças significativas” na situação de Macau. No documento frisa-se que “a lei prevê liberdade de expressão, incluindo para membros da imprensa e outros meios de comunicação, mas o Governo restringiu este direito”.

A “RAEM impôs restrições à liberdade de imprensa e incentivou os meios de comunicação a alinharem-se com as posições governamentais. Houve relatos de autocensura por parte de órgãos e jornalistas”, pode ler-se no mesmo documento.

Coreia do Sul | Ex-primeira-dama detida por suspeitas de fraude e corrupção

A ex-primeira-dama sul-coreana Kim Keon-hee, mulher do detido ex-presidente, foi presa preventivamente, no âmbito de casos que envolvem fraude, corrupção e violação das leis eleitorais, disseram as autoridades.

A detenção de Kim Keon-hee, na terça-feira, ocorreu horas depois de os procuradores anunciarem a emissão de um mandado de detenção contra a mulher do ex-presidente Yoon Suk-yeol. O mandado foi emitido devido ao risco de destruição de provas, de acordo com a agência de notícia sul-coreana Yonhap.

Kim, de 52 anos, é acusada de inflacionar artificialmente o valor das acções de uma empresa de comércio automóvel entre 2009 e 2012 e de aceitar presentes de luxo enquanto era primeira-dama, em violação das leis anticorrupção.

Na semana passada, Kim Keon-hee foi interrogada pelos procuradores, tendo apresentado desculpas e prometido cooperar totalmente com a investigação. A ex-primeira-dama é ainda acusada de violar as leis eleitorais ao interferir no processo de nomeação de parlamentares do antigo partido do marido, o Partido do Poder Popular (PPP).

A prisão preventiva significa que ambos os membros do anterior casal presidencial estão agora detidos, uma situação inédita na Coreia do Sul.

O ex-presidente conservador Yoon Suk-yeol, impugnado em Abril, está detido por ter imposto brevemente a lei marcial em Dezembro e mergulhar o país num prolongado caos político. Acusado de insurreição, foi substituído em Junho pelo rival de centro-esquerda, Lee Jae-myung.

Pequim acusa Taipé de entregar activos estratégicos aos EUA

Pequim acusou ontem Taiwan de ceder aos EUA e entregar activos estratégicos como a TSMC, após Washington sugerir um investimento de 300 mil milhões de dólares no Arizona, onde a empresa já tem fábrica. A porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Zhu Fenglian, afirmou que uma operação desta dimensão “afectaria gravemente” a economia taiwanesa e reduziria a “capacidade de desenvolvimento autónomo” da ilha.

“Quando a TSMC foi forçada a anunciar um investimento adicional de 100 mil milhões de dólares nos Estados Unidos, já provocou inquietação no sector e mal-estar na população da ilha. Se se concretizar a cifra de 300 mil milhões, o impacto será enorme”, disse Zhu, em conferência de imprensa.

A responsável acusou Washington de “esvaziar” a indústria taiwanesa e o Partido Democrático Progressista (PDP, no poder na ilha) de ser “o principal cúmplice” pelo papel nas negociações comerciais e na política industrial.

Segundo Zhu, as autoridades taiwanesas “não só cederam antes de negociar em matéria pautal, como entregaram voluntariamente ativos estratégicos de Taiwan como a TSMC”. A porta-voz instou o PDP a “rectificar” e a pôr fim à sua estratégia “traidora”.

MNE da China em Macau critica relatório de Direitos Humanos dos EUA

O Gabinete do Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) da China em Macau emitiu ontem uma nota onde deixa duras críticas ao Relatório dos Direitos Humanos dos EUA relativo a 2024, e que foi lançado esta terça-feira.

“Opomo-nos firmemente à interferência dos EUA nos assuntos de Macau”, começa por dizer a nota, que refere ainda que as autoridades norte-americanas “ignoram factos, criam problemas onde não existem e atacam o panorama dos direitos humanos em Macau, interferindo nos assuntos de Macau e nos assuntos internos da China”, pelo que expressam uma “forte insatisfação e uma resoluta oposição” ao conteúdo do referido relatório.

O relatório em questão deixa vários alertas sobre o que considera ser uma redução da liberdade de imprensa e de expressão no território. “Não houve alterações significativas na situação dos direitos humanos em Macau durante o ano. As questões de direitos humanos mais significativas dizem respeito a relatos credíveis de restrições sérias à liberdade de expressão e de informação, incluindo censura”, pode ler-se. São citadas críticas públicas feitos pela Associação de Jornalistas de Macau e o episódio ocorrido em Junho do ano passado, quando o ex-deputado Au Kam San deixou de escrever opinião para um jornal local ao fim de 35 anos de actividade como cronista.

Um bom princípio

Na nota emitida pelo MNE chinês, defende-se que Macau tem constituído um bom exemplo da aplicação do princípio de “um país, dois sistemas”, o qual “alcançou conquistas reconhecidas” tendo sido “melhorado o sistema democrático”, enquanto que “o desenvolvimento económico [do território] deu um salto histórico”.

Desta forma, Pequim considera que, nestes 25 anos em que vigora este princípio na RAEM, “a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa, bem como os direitos laborais, foram totalmente protegidos por lei, sendo a sociedade harmoniosa e estável”.

O mesmo comunicado do MNE defende a importância da Lei de Segurança Nacional de Macau, que deverá proporcionar, na sua visão, “garantias mais sólidas para a implementação bem-sucedida” do referido princípio, garantindo ainda “a prosperidade e estabilidade de Macau a longo prazo”.

Pequim volta assim, a pedir aos EUA que “respeite factos objectivos e que pare imediatamente de caluniar e difamar a situação dos direitos humanos em Macau”.

O Papa Americano (III)

“To all of you, brothers and sisters of Rome, of Italy, of the whole world, we want to be a synodal Church, a Church that walks, a Church that always seeks peace, that always seeks charity.”

Pope Leo XIV

Em vez disso, todos os Estados totalitários são incompatíveis com o Evangelho, porque negam a natureza do poder». Transferido para os dias de hoje, «o compromisso do cristão no Estado é o de dessacralizar o poder político para superar a era constantiniana que havia sacralizado o poder».

Aqui estamos, precipitados na actualidade. Porque se medirão a continuidade e a descontinuidade entre Francisco e Leão XIV, o jesuíta e o agostiniano, na abordagem da geopolítica eclesiástica e no compromisso da Santa Sé, parte do drama dialéctico entre as potências. E entre os sem poder.

Tudo gira em torno de Constantino. O imperador que legitima os crentes em Jesus preside em Niceia o primeiro concílio ecuménico (325), do qual brota o Credo Niceno-Constantinopolitano que provisoriamente apazigua as disputas em torno da natureza do Filho. Não que o vencedor da Ponte Mílvia, sob o signo de Cristo, cultive interesses teológicos.

As disputas sobre a divindade aborrecem-no. Bagatelas, mas que devem ser acalmadas em nome da unidade do império e da Igreja, seu instrumentum regni, reunidos sob o seu comando. Constantino morre cristão no seu último suspiro, quando um sacerdote ariano o baptiza segundo o rito repudiado pelo moribundo.

Para várias Igrejas ortodoxas e de rito oriental, esse imperador é santo. Não para a católica, onde ainda há uma divisão entre aqueles que o veneram quase como santo (como é o caso de Paulo VI e Bento XVI) e aqueles que o consideram um mau exemplo de culto ao poder, um pecado grave.

As duas escolas enfrentam-se no Concílio Vaticano II. Uma forte corrente teológica e episcopal abala, mas não quebra o tabu constantiniano. Ou seja, a união entre a sacralização da política e a politização da teologia representada no mosaico de Santa Pudência. O “Deus Pantocrator” que abençoa o Império Romano cristão inaugura a linhagem do cesaropapismo, com o soberano que controla a autoridade religiosa, e do seu gémeo inverso, o papocesarismo ou teocracia, onde o tempo clericalizado governa o espírito mundano.

Será necessário mais de um século para abalar, não dissolver, o primado do clero neoconstantiniano, assustado pela Revolução Francesa a ponto de reagir com encíclicas antiliberais e exquisitamente reaccionárias, como a Encíclicas “Mirari vos” (1832) de Gregório XVI e “Quanta cura com o anexo Syllabus Errorum” de Pio IX (1864), condenação da opinião de que «a Igreja deve ser separada do Estado e o Estado da Igreja» (§ 55). Quase como se fosse o Conde de Cavour a comunicar.

Desta vez ex cathedra por licença do Vaticano I, que em 18 de Julho de 1870, com os italianos às portas, dogmatiza e circunscreve a infalibilidade do pontífice romano. Será preciso Francisco para abalar a árvore do constantinismo, sem poder arrancá-la.

A distinção radical entre Estado e Igreja por ele proposta tem um alvo imediato, a América do primeiro Trump, rebaptizada de «novo Constantino». Segundo os seus exegetas mais íntimos, Bergoglio «rejeita radicalmente a ideia da implementação do Reino de Deus na terra, que tinha sido a base do Sacro Império Romano». Esta história tem a sua ironia. Constantino, moderador supremo das disputas teológicas e de poder entre os antigos patriarcados e os efervescentes doutores da Igreja, qualifica-se como episkopos ton ektos, ou seja, «bispo dos que estão de fora»; aqueles que não pertencem ao clero católico.

E por que mais Francisco será lembrado senão pela tentativa de abrir as portas da Igreja aos «de fora», aos leigos e aos marginalizados das periferias geográficas e espirituais? A disputa entre «missionários» e «institucionais» de origem constantiniana continua a ser travada em torno da delimitação do «dentro» e do «fora», tanto na organização eclesiástica como na sua projecção externa, a começar pela relação com as outras Igrejas cristãs, especialmente as orientais.

Enquanto se espera que um émulo de Alexandre VI Borgia que em 1494 pela Encíclica bula “Inter caetera” dividiu as esferas coloniais de Portugal e Espanha com um traço longitudinal de lápis sagrado no meio do Atlântico, cartografe estes dois supostos conjuntos, é de salientar um paradoxo.

Trata-se do título papal de patriarca do Ocidente. O primeiro pontífice baptizado com esse título foi Leão I. Por iniciativa do imperador oriental Teodósio II, para distinguir as principais sedes apostólicas sob sua jurisdição directa como Constantinopla, Antioquia, Alexandria, Jerusalém e de Roma caput do catolicismo latino. Título retomado pelo papa Teodoro I em 642, por sua própria iniciativa.

Antecipação do futuro Grande Cisma de 1054 entre a Igreja de Roma e as Igrejas ortodoxas, nunca mais sanado. Surge hoje a necessidade de redefinir o termo «Ocidente», questão fundamental da geopolítica católica. Objecto de uma sofisticada troca entre Bento XVI e Francisco, sob o signo do paradoxo. Ratzinger renunciou em 2006 ao seu título de patriarca do Ocidente por considerar que diminuía o mandato universal. No entanto, ele mascara essa intenção com o seu oposto.

Ele argumenta que a renúncia pode beneficiar o diálogo ecuménico. Tese que não convence de forma alguma os ortodoxos, desconfiados das reivindicações romanas em relação a eles. E eis que o menos ocidental dos papas modernos, Francisco, restaura esse título. Ele, que pela sua mentalidade latino-americana e especificamente peronista sente o cheiro de enxofre a norte do Rio Bravo (Grande), nem se apaixona pelo Velho Continente, proclama-se patriarca do Ocidente, no sentido comum de América e Europa.

E fá-lo pelas razões declaradas, mas não muito sentidas por Ratzinger que é dialogar como bispo de Roma com o Oriente cristão. Quem sabe se Leão XIV desejará fechar o círculo, ele que é americano de nascimento e, portanto, ocidental, reapropriando-se do título patriarcal. Encontramos aqui um exemplo da maldição semântica que às vezes corrompe a análise geopolítica. O achatamento da comunicação «global» descolora os significados das palavras.

O mesmo termo assume sentidos opostos ou diferentes, dependendo de quem o pronuncia e dos seus fins. Festival do «para onde vais? Levo peixe». Os seus fastos também infestam a «língua» do clero, entendida como Babel, especialmente quando cruza termos desgastados pelo uso múltiplo dos meios de comunicação em âmbitos seculares. Brincamos com palavras vazias ou demasiado cheias de significados.

Como, por exemplo, Ocidente. Ou seja, Europa, seu antecedente e causa no jargão estratégico actual. Drama intelectual cantado há quase um milénio por Bernardo de Cluny nos hexâmetros satíricos do “De Contemptu Mundi”, que inspiraram Umberto Eco em “O Nome da Rosa”. Bernardo proclama que «Stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus» (I, 952) – “A rosa primitiva subsiste apenas no nome, nós possuímos apenas nomes simples». Alguns manuscritos trazem «Roma» em vez de «rosa».

A rosa não é uma coisa. Roma ainda é. Ou não? E se também a Europa de filiação romano-germânica, matriz do Ocidente, fosse reduzida apenas ao nome? O antigo jardim do cristianismo está a tornar-se um deserto. Isso é gritado pelos números nus que anunciam o colapso da prática religiosa, o declínio não apenas quantitativo das vocações de quantos seminaristas aspiram ao sacerdócio como a qualquer outra carreira, um emprego mal remunerado, mas seguro, o quase esgotamento dos missionários, para não falar da qualidade do clero.

Daí a reduzida influência do mundo católico no estilo de vida, na política e na alta cultura ou difundida do Velho Continente. A cristandade ocidental europeia é baptizada em 15 de Abril de 800, quando Leão III coroa imperador Carlos Magno, para irritação dos bizantinos. O estigma carolíngio é o ícone do europeísmo contemporâneo. Mas o que resta da koiné eurodemocristã da qual, após a II Guerra Mundial, originou a União Europeia nas suas primeiras vestes comunitárias, sob o patrocínio do novo hegemónico do Ocidente, os Estados Unidos da América?

(Continua)

China / UE | Anunciadas medidas contra dois bancos europeus em resposta às sanções

A China anunciou ontem restrições contra dois bancos da União Europeia, em resposta a sanções comunitárias pela guerra na Ucrânia que, no mês passado, visaram pela primeira vez duas pequenas instituições financeiras chinesas próximas da fronteira com a Rússia.

A medida entra em vigor de imediato e aplica-se ao UAB Urbo Bankas e ao AB Mano Bankas, ambos com sede na Lituânia.

Num comunicado, o Ministério do Comércio chinês explicou que a decisão surge após a inclusão, em 18 de Julho, de duas instituições financeiras chinesas na lista de sanções do 18.º pacote de medidas restritivas adotado pela UE no contexto do conflito na Ucrânia.

Segundo a mesma nota, Pequim considera que as sanções europeias “violam gravemente” o direito internacional e os princípios básicos das relações internacionais e “prejudicam” os direitos e interesses legítimos de empresas chinesas.

As contramedidas incluem a proibição a organizações e particulares em território chinês de realizar transações, cooperação ou outras actividades relacionadas com os dois bancos europeus visados.

Em Julho, a UE aprovou um novo pacote de sanções no âmbito da guerra na Ucrânia que, entre outras disposições, incluiu pela primeira vez na lista de medidas restritivas dois bancos chineses de pequena dimensão: o Banco Rural Comercial de Suifenhe e o Banco Rural Comercial de Heihe, ambos situados em zonas próximas da fronteira com a Rússia.

Bruxelas justificou então a decisão alegando que estas entidades teriam frustrado o objectivo das sanções europeias contra Moscovo.

Imobiliário | Evergrande excluída da bolsa de HK a 25 de Agosto

A gigante imobiliária chinesa China Evergrande anunciou terça-feira que será excluída da bolsa de Hong Kong no próximo dia 25 de Agosto, com o dia 22 marcado como último dia de negociação.

A Evergrande recebeu em 08 de Agosto uma carta do operador da bolsa informando-a de que, por não cumprir nenhum dos requisitos para retomar a cotação e após permanecer suspensa depois de 28 de Julho, o Comité de Cotação decidiu cancelar seu ‘status’ de acordo com uma norma do mercado, segundo um comunicado, citado pela Efe.

As acções da Evergrande estão suspensas desde 29 de Janeiro de 2024, altura em que um tribunal de Hong Kong ordenou a sua liquidação, sendo que a empresa não solicitou a revisão da decisão de exclusão.

O grupo avisou os accionistas e investidores de que, embora os títulos continuem válidos, deixarão de ser listados e negociados em Hong Kong e não estarão mais sujeitos às regras de cotação. Antes de a exclusão entrar em vigor, os liquidatários planeiam entregar aos credores um relatório com o progresso da liquidação entre 29 de Janeiro de 2024 e 31 de Julho de 2025.

A Evergrande, que acumulou um passivo de quase 330 mil milhões de dólares antes do seu colapso em 2021, enfrenta actualmente 187 reclamações de dívida no valor de cerca de 350 mil milhões de dólares de Hong Kong, de acordo com os seus liquidatários.

Corrupção | Condenado antigo responsável de empresa estatal de tabaco a 15 anos de prisão

Um tribunal da cidade de Anyang, no centro da China, condenou ontem a 15 anos de prisão Xu Ying, ex-vice-diretor da Administração Estatal do Monopólio do Tabaco, por crimes de aceitação de subornos.

A sentença inclui ainda uma multa de cinco milhões de yuan e a transferência para o tesouro estatal dos bens obtidos ilegalmente e respectivos juros, informou a agência de notícias oficial Xinhua.

De acordo com o tribunal, entre 2010 e 2024, Xu utilizou os cargos que ocupou para beneficiar empresas e particulares em operações administrativas e comerciais e na contratação de funcionários, recebendo em troca subornos no valor de mais de 65 milhões de yuan.

Em Maio passado, outro tribunal condenou a 16 anos de prisão Ling Chengxing, ex-director da Administração Estatal do Monopólio do Tabaco, por aceitar subornos e abuso de poder.

Ling foi expulso do Partido Comunista Chinês (PCC) em 2024, após investigações por corrupção, no âmbito das quais Xu também começou a ser investigado. Desde que chegou ao poder, em 2012, o Presidente chinês, Xi Jinping, lançou uma campanha anticorrupção que já levou à condenação de dezenas de altos quadros por aceitar subornos milionários.

Em Janeiro, o chefe de Estado apelou novamente para “ganhar de forma resoluta a dura e prolongada batalha contra a corrupção”, que classificou como “a maior ameaça” para o PCC.

Mar do Sul | Expulso contratorpedeiro dos EUA por invadir águas disputadas

A entrada ilegal de um navio norte-americano em águas territoriais da China levou à resposta das forças militares chinesas que, após vários avisos, expulsaram o contratorpedeiro da área adjacente à ilha de Huangyan

 

O Exército chinês afirmou ontem que o contratorpedeiro norte-americano USS Higgins “penetrou ilegalmente” nas águas disputadas adjacentes à ilha de Huangyan, no mar do Sul da China, tendo sido “expulso de acordo com a lei”.

Em comunicado divulgado na rede social chinesa Wechat, o Comando do Teatro do Sul do Exército de Libertação Popular (ELP) indicou que o navio entrou naquelas águas “sem autorização do Governo chinês”, tendo sido “seguido, advertido e expulso”.

Huangyan é a designação chinesa para o atol Scarborough (Bajo de Mansiloc), situado no mar do Sul da China e cuja soberania Pequim disputa com as Filipinas.

Segundo o porta-voz He Tiecheng, as acções do navio norte-americano “violaram gravemente a soberania e a segurança da China, prejudicaram seriamente a paz e a estabilidade no mar do Sul da China e infringiram o direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais”.

O porta-voz acrescentou que as tropas do Comando “mantêm-se em alerta máximo em todos os momentos para defender firmemente a soberania e a segurança” da China, bem como a “paz e estabilidade regionais”.

A área tem registado frequentemente incidentes entre navios chineses e filipinos. Na segunda-feira, a guarda costeira chinesa afirmou que várias embarcações filipinas “entraram” em águas adjacentes a Huangyan, tendo sido “expulsas”.

A guarda costeira filipina acusou navios chineses de realizarem “manobras perigosas” na zona, que provocaram o embate entre um navio da guarda costeira chinesa e um da Marinha do ELP, enquanto perseguiam uma embarcação filipina. Manila acusou ainda as embarcações chinesas de bloquearem o acesso e usarem canhões de água contra os seus guardas costeiros.

Questões em disputa

China e Filipinas mantêm uma disputa prolongada pela soberania de várias ilhas e recifes numa região estratégica, por onde transita cerca de 30 por cento do comércio marítimo mundial, que alberga 12 por cento dos pesqueiros globais e potenciais reservas de petróleo e gás.

Pequim, que possui a maior frota marítima do mundo, reivindica quase a totalidade destas águas por motivos históricos, em conflito com as posições de outros países da região, como Filipinas, Malásia, Vietname ou Brunei.

As tensões intensificaram-se desde a chegada ao poder, em 2022, do Presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., cujo Governo reforçou a aliança com os Estados Unidos e adoptou uma postura mais firme face às reivindicações chinesas.

Lai Chi Vun | Banhos e diversão em “Mr. Bubbles Summer Splash Bazaar”

De antiga povoação com uma indústria de construção naval a lugar de entretenimento para miúdos e graúdos: esta é a nova fase de Lai Chi Vun, em Coloane, que recebe agora o evento “Mr.Bubbles Summer Splash Bazaar”. Trata-se de um bazar que junta as brincadeiras de Verão na piscina com a realização de mercados e actividades culturais, organizado pelo grupo Galaxy.

Os eventos decorrem em torno do tema “Família Mr. Bubbles” entre os dias 16 de Agosto e 28 de Setembro, sempre aos sábados e domingos, para que as famílias possam aproveitar, da melhor forma, os fins de semana.

Segundo um comunicado da Galaxy sobre esta iniciativa, “as crianças podem brincar e refrescar-se na piscina, deslizar em escorregas e participar em desafios com pistolas de água”, sendo que a área do mercado apresenta “marcas criativas locais com oferta de produtos temáticos, artesanato e refrescos, a fim de celebrar a diversidade e a vitalidade das indústrias culturais e criativas de Macau”. Haverá ainda espaço para “instalações fotográficas de grande dimensão e actuações ao vivo para completar o ambiente festivo, criando-se momentos memoráveis para visitantes de todas as idades”.

O grupo Galaxy diz querer “levar marcas originais locais para esta comunidade, apoiar o crescimento dos sectores culturais e criativos de Macau e revitalizar os Estaleiros de Lai Chi Vun como um lugar dinâmico e acolhedor para famílias”.

A operadora de jogo disponibiliza um shuttle-bus gratuito a cada 40 minutos para os estaleiros de Lai Chi Vun a partir do empreendimento Galaxy Macau.

Fotografia | Exposição sobre Soong Ching-ling para ver em Hong Kong

O Hong Kong Fringe Club acolhe este mês uma exposição de fotografia dedicada a Soong Ching-ling, a mulher que foi vice-presidente da República Popular da China e casada com Sun Yat-sen, o grande revolucionário republicano. “China is Unconquerable — A Photography Exhibition: Soong Ching Ling in the Chinese People’s War of Resistance Against Japanese Aggression and the World Anti-Fascist War” é o nome da mostra

 

No ano em que passam 80 anos sobre a vitória da China sobre a invasão japonesa em contexto da II Guerra Mundial, o Hong Kong Fringe Club apresenta uma exposição de fotografia que conta parte dessa história na figura de Soong Chi-ling. A mostra chama-se “China is Unconquerable — A Photography Exhibition: Soong Ching-ling in the Chinese People’s War of Resistance Against Japanese Aggression and the World Anti-Fascist War” e está patente numa das galerias do Fringe Club entre os dias 21 e 24 de Agosto.

Soong Chi-ling foi uma das três irmãs Soong, um núcleo familiar bastante importante no início do século XX na China pelo poder financeiro da família e pelas ligações aos nacionalistas. Soong Chi-ling foi casada com Sun Yat-sen, considerado o pai da China moderna e um dos grandes participantes e estrategas da revolução republicana de 1911, mas anos mais tarde aderiu ao comunismo, tornando-se vice-presidente da República Popular da China.

A ideia desta exposição é, como o nome indica, lembrar os 80 anos da vitória dos chineses sobre os japoneses no contexto da II Guerra Mundial, uma ocupação que gerou uma enorme vaga de refugiados oriundos do sul da China com destino a Macau e Hong Kong. A Guerra Sino-Japonesa, que decorreu entre os anos de 1937 e 1945, ficou também conhecida como a “Guerra da Resistência Contra a Agressão Japonesa”.

“Esta exposição vai reproduzir vividamente as grandes contribuições de Soong Ching-ling durante a Guerra da Resistência Chinesa Contra a Agressão Japonesa através de detalhadas imagens e materiais”, lê-se na descrição da exposição nas redes sociais.

Do contra

A vida das irmãs Soong esteve tão interligada aos movimentos políticos e sociais que marcaram a China dos primórdios do século XX que deu mesmo origem a um livro. Jung Chang escreveu “As Irmãs Soong: a Mais Velha, a Mais Nova e a Vermelha – As três mulheres que marcaram a China do século XX”, obra editada em Portugal, e que conta precisamente o percurso diferenciador feito por Soong Ching-ling, que casou ainda jovem, com apenas 26 anos, com Sun Yat-sen, sendo a sua segunda esposa. Dele ficou viúva, ganhando dessa forma um estatuto próprio na China republicana e mesmo depois na China comunista, já depois de 1949.

Soong Ching-ling nasceu em Xangai em 1893, e faleceu em Pequim em 1981, tendo estudado nos EUA como todas as irmãs. Numa primeira fase, apoiou o partido Kuomitang, mas depois voltou-se para o comunismo, tendo vivido durante dois anos na então União Soviética. Jung Chang descreve-a na obra biográfica como sendo a “irmã vermelha”, por ser a única que seguiu este caminho político.

No contexto da defesa do território chinês contra a invasão e ocupação japonesas, Soong Ching-ling organizou a Liga de Defesa Chinesa, onde realizou trabalho social e de apoio médico aos mais necessitados, sobretudo nas zonas do país controladas pelo Partido Comunista Chinês. No livro de Jung Chang descreve-se como a adesão de Soong Ching-ling ao comunismo a afastou da família, que se manteve sempre ligada aos ideais nacionalistas, até porque a irmã, Soong Mei-ling, estava casada com Chiang Kai-shek, líder do Kuomitang.

Jogos Nacionais | Bilhetes grátis para provas de teste distribuídos até amanhã

No sábado e domingo, vão realizar-se competições de teste de badminton em jeito de preparação para os Jogos Olímpicos Especiais para Deficientes na Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental de Macau.

Os bilhetes gratuitos podem ser levantados até amanhã nas sedes das principais associações patrióticas, no Centro Desportivo de Mong-Há, Estádio de Macau, Centro de Formação e Estágio de Atletas, Pavilhão Polidesportivo Tap Seac e na Nave Desportiva no fim-de-semana. Cada pessoa pode requerer dois bilhetes, sem marcação de lugar.

Em relação aos testes, no sábado a partir das 14h realiza-se a competição de badminton dos Jogos Olímpicos Especiais Nacionais. No domingo, é a vez dos testes de badminton dos Jogos Nacionais para Pessoas Portadoras de Deficiência, que se vão realizar entre as 10h e as 17h30, que vão colocar frente a frente equipas convidadas de Guangdong e Macau.

A 12.ª edição dos Jogos Nacionais para Pessoas Portadoras de Deficiência e 9.ª edição dos Jogos Olímpicos Especiais Nacionais realizar-se-ão, entre 8 e 15 de Dezembro.

Podul | Sinal 3 improvável. Trovoadas para hoje amanhã

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos indicavam ontem como “baixa a moderada” a probabilidade de elevar o alerta de tempestade para sinal 3, assim como a ocorrência de inundações. Já enfraquecido, é possível que o Podul passe a cerca de 200 quilómetros de Macau

 

Ontem à tarde, quando a tempestade severa Podul atravessava Taiwan, seguindo rumo à costa sul de Fujian e à costa leste da província de Guangdong, os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) tinham o sinal 1 de tempestade içado e previam que a probabilidade de subir o alerta para 3, entre a madrugada e manhã de hoje era “relativamente baixa a moderada”. As autoridades indicaram que o tempo quente verificado ontem em Macau se deveu “à influência da subsidência periférica do Podul”.

Quanto à evolução da tempestade, de acordo com as previsões de ontem, era esperado que o “Podul enfraqueça gradualmente após atingir a costa de Fujian até à zona leste de Guangdong. No entanto, a sua intensidade e trajectória são incertas, e existe a possibilidade de seguir uma trajectória mais a sul”, apontaram os SMG. As autoridades acrescentaram que face à possibilidade de a tempestade rumar mais para sul, em direcção a Macau, mantinham a hipótese de elevar o sinal de alerta para 3.

Em relação às consequências meteorológicas, “sob a influência da circulação externa deste sistema”, os SMG estimam que o tempo entre hoje a amanhã, “seja instável com aguaceiros ocasionais, por vezes fortes, acompanhados de trovoadas”.

“No que diz respeito ao ‘storm surge’, uma vez que os próximos dois dias (hoje e amanhã) não são de maré alta astronómica, a probabilidade de inundações provocadas por “storm surge”, é baixa. No entanto, podem ocorrer inundações em zonas baixas devido à chuva intensa de curta duração”, prevêem os SMG.

Segundo o mapa com a trajectória prevista para a tempestade, os SMG estimam que hoje, por volta das 14h, o Podul esteja no ponto de maior proximidade com Macau, a cerca de 200 quilómetros do território. Nessa altura, o sistema terá baixado de intensidade para a categoria de “ciclone tropical”.

Aqui ao lado

Na RAEHK, o Observatório de Hong Kong também manteve o sinal 1 de tempestade emitido ao longo do dia de ontem, prevendo que a proximidade máxima do Podul ontem fosse de perto de 400 quilómetros.

“Devido à sua rápida velocidade, de acordo com a trajectória prevista actualmente, o Podul voltará a atingir a costa na região sul de Fujian e leste de Guangdong durante esta noite (ontem)”, indicava o organismo.

O Observatório também mantinha ontem em aberto a possibilidade de elevar o alerta para sinal 3, na madrugada de hoje, “dependendo da distância entre o Podul e o estuário do Rio das Pérolas, da sua intensidade e da mudança nos ventos locais”. Porém, como a partir da manhã de hoje a tempestade deverá estar no seu ponto mais próximo de Hong Kong, o território vizinho pode sentir “a influência das suas faixas de chuva”, resultando em chuvas fortes e trovoadas.

Burlas | Alerta para falsas chamadas do Taobao e Alipay

A Polícia Judiciária (PJ) publicou ontem um comunicado onde se alerta para a ocorrência de casos de burla efectuados por falsos funcionários de plataformas de compras online como o Taobao ou Alipay, dando como exemplo um caso em que quatro residentes perderam 47 mil patacas.

A PJ apontou que desde segunda-feira, foram recebidas pelo menos 16 denúncias, incluindo do caso relativo às quatro vítimas, que falam de contactos de falsos funcionários destas plataformas em que é usado o argumento da “expiração do seguro do capital”, sendo depois pedidos dados pessoais para que esse serviço seja cancelado.

As vítimas dizem ter feito transferências através de aplicações de pagamentos móveis como a MPay, além de terem partilhado, em alguns casos, dados dos cartões de crédito.

Função Pública | Comissão de queixas com mandatos renovados

O Governo decidiu renovar o mandato dos membros da Comissão de Gestão do Tratamento de Queixas Apresentadas por Trabalhadores dos Serviços Públicos por um período de dois anos. Trata-se, segundo o despacho publicado em Boletim Oficial, de Leong Iok Wa, que preside à entidade, seguindo-se Kuong Iok Kao e Chan Hong.

Esta comissão funciona com base no Regime da gestão do tratamento de queixas apresentadas por trabalhadores dos serviços públicos, sendo que o presidente e os restantes dois membros recebem um montante mensal por pertencerem a esta comissão, equivalente aos índices 385 e 340 da tabela indiciária da função pública. Os novos mandatos têm início a 18 de Setembro deste ano.

Outra renovação de mandato de membros, ocorreu na comissão de apreciação do Plano de Apoio a Jovens Empreendedores, para um total de 14 pessoas (efectivos e substitutos). Os mandatos foram renovados pelo período de um ano e iniciam-se no próximo dia 22 de Agosto.

Nam Van | Três terrenos vazios reaproveitados

A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) diz ter iniciado os trabalhos de reaproveitamento de três lotes de terrenos junto ao Lago Nam Van “para a criação de espaços públicos provisórios”.

O Governo referiu, na mesma nota ontem divulgada, que pretende desenvolver um projecto para aquela zona que permita um “melhor aproveitamento de terrenos e elevar a paisagem urbana no centro da cidade”, tendo sido feitos estudos preliminares e trabalhos de extracção e drenagem de águas estagnadas e de limpeza em dois lotes, estando em curso o registo topográfico dos mesmos.

As futuras obras provisórias incluem a construção de um passeio junto a um dos lotes “que fará a ligação com as arcadas dos edifícios circundantes” e a utilização de uma das caves para estacionamento público.

Os três terrenos localizam-se no centro da margem do Lago Nam Van, junto à Avenida de Almeida Ribeiro e ao Largo do Senado, sendo que a sua recuperação poderá “aliviar a pressão do fluxo de pessoas nas zonas envolventes, como também elevar a imagem da cidade turística de Macau, concretizando o aproveitamento racional dos recursos de solos”.

BNU | Quebra do lucro líquido atinge quase 25% até Junho

O lucro líquido do Banco Nacional Ultramarino caiu 24,1 por cento no primeiro semestre para 228,2 milhões de patacas face ao mesmo período de 2024, foi ontem divulgado. A tendência decrescente acompanha os resultados do primeiro trimestre, quando o lucro líquido já havia caído 18,4 por cento

 

O Banco Nacional Ultramarino (BNU) registou uma quebra anual de 24,1 por cento dos lucros líquidos nos primeiros seis meses de 2025, para um total de 228,2 milhões de patacas, revelou ontem a instituição em comunicado.

De acordo com os dados revelados, a quebra homóloga de 72,4 milhões de patacas do lucro líquido não auditado é explicada, fundamentalmente, por uma redução da margem financeira líquida nos primeiros seis meses de 2025 na ordem das 75,3 milhões de patacas, equivalente a uma queda de 14,9 por cento, em relação a igual período em 2024. O BNU tinha já registado um decréscimo homólogo do lucro líquido no primeiro trimestre de 18,4 por cento, para 133,2 milhões de patacas.

O banco explica que esta queda se deve, “principalmente, a alterações na composição dos depósitos e à evolução do contexto das taxas de juro, bem como à diminuição da procura de crédito e à diminuição da margem dos investimentos não creditícios”, segundo a nota.

A redução do lucro e da margem financeira foi “parcialmente compensada” por um aumento de 5,6 por cento para as 2,4 milhões de patacas nas comissões líquidas. As perdas por imparidade relacionadas com a exposição ao crédito e investimentos financeiros ascenderam a 14,7 milhões de patacas, valor que compara com 16,3 milhões de patacas no primeiro semestre de 2024, reflectindo uma abordagem mais prudencial do banco em matéria de provisionamento de risco.

Terra prometida

“A qualidade dos activos do BNU mantém-se sólida, suportada por práticas de crédito conservadoras e por um forte nível de provisões para enfrentar as incertezas macroeconómicas em curso”, escreve o BNU.

A sucursal do BNU em Hengqin “continua a desempenhar um papel estratégico no atendimento a investidores de Macau e Hong Kong, incluindo particulares e empresas, à medida que a Grande Baía (GBA) e a Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau em Hengqin aprofundam a integração”, avança ainda o comunicado do banco, sem acrescentar dados de desempenho.

“Actuando como um ‘hub’ financeiro transfronteiriço, a sucursal apoia a colaboração económica entre a China Continental, Macau e os países de língua portuguesa através da oferta de soluções financeiras adaptadas e da promoção de um ecossistema empresarial diversificado na GBA”, explica o texto do BNU.

Trânsito | Associação alerta para pouca consciência cívica

Lai Vai Kok, presidente da Associação de Instrutores de Condução de Automóveis de Macau defendeu ontem, no programa matinal de rádio Fórum Macau, que é necessário aumentar o civismo dos condutores para que haja, no território, maior segurança na estrada. Só no ano passado, os acidentes de viação aumentaram 10 por cento

 

Um recente acidente de viação que vitimou fatalmente vários jovens, incluindo Leon Ng Lai Teng, extremo direito da selecção de futebol de Macau, com apenas 20 anos, levou ontem ao debate sobre segurança rodoviária no programa matinal Fórum Macau, no canal chinês da Rádio Macau.

Nesta conversa, o presidente da Associação de Instrutores de Condução de Automóveis de Macau, Lai Vai Kok, diz que é necessário aumentar a consciência cívica dos condutores em prol de uma forma de conduzir mais segura e de acordo com o cumprimento da lei. E deu exemplos.

“Muitos condutores não circulam na faixa da esquerda, usando tanto as faixas da esquerda como da direita. Mas, de facto, a faixa da direita deve ser usada para a ultrapassagem de veículos. Os condutores precisam também de manter uma velocidade estável e alguma distância segura em relação ao veículo da frente, para que os veículos não estejam demasiado perto uns dos outros”, disse.

Lai Vai Kok adiantou que os exames de condução em Macau são feitos de forma rigorosa, defendendo o aumento das multas para que haja uma condução mais prudente. Quanto às melhorias que o Governo pode implementar, Lai Vai Kok apontou que muitos dos condutores com carta de condução recente aguardam aulas adicionais para poderem ter outras experiências além das aulas.

“Procuramos que a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) possa implementar um curso com um nível mais avançado, para que os alunos possam aprender a conduzir noutro tipo de situações rodoviárias. Há muitos alunos com esta necessidade”, defendeu.

Pedidos mais testes

No debate da rádio, participou também Ku Heng Cheong, vice-presidente da Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau. Este disse concordar com a forma actual de fazer exames de condução, que considera terem critérios rigorosos, mas espera que a DSAT possa realizar uma maior diversidade de testes.

“O actual exame de condução não consegue simular uma situação real. Em algumas regiões há cursos que incluem conhecimentos sobre a manutenção do veículo ou uma condução mais defensiva, e em Macau esses conteúdos não estão incluídos no actual exame. Os alunos, quando começam a conduzir, precisam de ter este tipo de conhecimentos”, concluiu.

Tendo em conta as muitas disputas que existem entre condutores, nas estradas, Ku Heng Cheong considera que Macau tem um panorama rodoviário complexo, com a realização de muitas obras viárias e a retirada de vários lugares de estacionamento. Todos estes factores agravam as disputas entre condutores, disse.

O dirigente associativo sugeriu que o Governo disponibilize mais meios de denúncia a serem utilizados por condutores que testemunhem ou vivenciem estes episódios, a fim de haver uma resolução posterior e para se evitar confrontos físicos ou verbais nos locais.

Condução | Pedidas medidas para condutores sem prática

O deputado Leong Sun Iok defende que os condutores que têm carta de condução, mas que não têm experiência, devem poder frequentar aulas práticas, acompanhadas por instrutores, que lhe confiram experiência de estrada, circulando pela cidade.

Numa interpelação escrita, divulgada ontem, o deputado da bancada parlamentar dos Operários considera que Macau deveria seguir os exemplos de Hong Kong e Taiwan e alargar o âmbito das aulas práticas de condução às estradas, em vez de ficarem apenas nos percursos onde são feitos os exames, que são cortados ao trânsito.

Leong Sun Iok citou o sector de escolas de condução que se queixa dos limites de circulação dos seus veículos e sugeriu que seja concedido o acesso a ruas menos movimentadas e que sejam promovidos conteúdos sobre condução defensiva para reduzir os acidentes nas estradas de Macau.

Dados pessoais | Dirigentes académicos nacionais visitaram Macau

O Coordenador-adjunto do Departamento de Lei Cibernética e Informática do Instituto de Direito da Academia Chinesa de Ciências Sociais Zhou Hui visitou na segunda-feira a Direcção dos Serviços da Protecção de Dados Pessoais (DSPDP) para trocar impressões sobre “desafios das tecnologias emergentes como a inteligência artificial na protecção de informações pessoais, segurança de dados e governança de dados”.

Segundo um comunicado divulgado ontem pela DSPDP, o coordenador-adjunto Zhou Hui referiu que “a protecção de informações pessoais está a enfrentar uma situação complexa sem precedentes, tais como o conflito de jurisdição”, devido ao rápido avanço de tecnologias como a inteligência artificial generativa.

O responsável reconheceu que as “novas tecnologias facilitam a vida à sociedade”, mas, ao mesmo tempo, “causam problemas graves, como a fuga e o abuso de informações pessoais”.

Zhou Hui salientou a necessidade de “garantir a segurança e o uso legal de informações pessoais no processo de fluxo transfronteiriço”, uma questão crucial que precisa de ser resolvida neste momento, tendo em conta o desenvolvimento do projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau.

Por sua vez, a directora substituta da DSPDP, Io Ian, defendeu a importância de a população “elevar o nível de conhecimento e a importância da protecção de dados pessoais”.

Natalidade | Song Pek Kei quer mais incentivos

A deputada Song Pek Kei entende que o Governo deve criar mais medidas de incentivo à natalidade além do recente subsídio para a infância. Segundo o Jornal do Cidadão, a deputada considera que levar as famílias locais a ter mais filhos depende de várias políticas, defendendo que um casal pondera sempre primeiro as condições financeiras antes de avançar para a decisão de ter um filho.

Segundo a deputada, a família equaciona também factores como os recursos educativos existentes e o espaço de crescimento em sociedade das novas gerações, dando o exemplo de que o ensino infantil não é ainda inteiramente gratuito, pelo que as famílias que optam pela creche privada têm mais despesas.

Tendo em conta que a actual oferta de habitação pública é suficiente, Song Pek Kei afirma que a política de habitação para troca poderia ser usada para ajudar casais que sejam candidatos a uma habitação pública e que pensam ter filhos. A deputada também sugeriu que o Governo pode aumentar o valor de subsídio para os residentes que tenham um segundo filho.

Amamentação | Lo Choi In pede obrigação legal de salas em prédios novos

A deputada Lo Choi In pediu ao Governo que estude a possibilidade de legislar a obrigatoriedade de reservar espaços, devidamente regulados, para salas de amamentação em edifícios privados novos, como instalações necessárias.

A legisladora ligada à comunidade de Jiangmen, numa das suas últimas interpelações escritas tendo em conta que não será candidata nas próximas eleições, argumentou que a oferta de salas de amamentação que existe no território não é suficiente para residentes e turistas. Quanto a visitantes, Lo Choi In pede instalações deste tipo de equipamentos em locais mais movimentados, como Ruínas de São Paulo e Rua do Cunha.

Na óptica da deputada, o Governo deveria fixar critérios sólidos e regulamentos para as salas de amamentação, como definir uma área mínima para o espaço, assim como os equipamentos necessários. Neste último aspecto, Lo Choi In afirma ter recebido queixas de residentes sobre a oferta limitada de equipamentos, assim como a falta geral de salas de amamentação face à procura que existe.

Esplanadas | Pedido regresso da atribuição de licenças

O Governo reuniu ontem com dirigentes da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau a fim de discutir o regresso da atribuição de licenças para esplanadas e a flexibilização do processo. IAM demonstrou abertura para voltar ao processo

 

Chan Chak Mo, deputado e presidente da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau reuniu ontem com o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) onde foi debatida a necessidade de atribuir mais licenças de esplanadas para captar turistas para zonas menos frequentadas.

Segundo notícia do canal chinês da Rádio Macau, o responsável disse esperar que sejam novamente emitidas licenças e que o processo de aprovação seja mais célere, além de que deve haver uma melhoria nas normas e directrizes para pedir a licença em questão.

Chan Chak Mo acredita que, dessa forma, Macau pode atrair mais turistas e revitalizar a confiança no turismo comunitário, ou seja, em bairros fora dos habituais percursos turísticos. O deputado citou os dados fornecidos pelo IAM na reunião, de que existem 20 estabelecimentos com licença para ter esplanadas ao ar livre em todo o território. Porém, devido a vários factores, disse, desde 2009 que o IAM não atribui novas licenças.

Chan Chak Mo adiantou que o sector da restauração e bares tem vindo, há vários anos, a pedir que o processo de concessão de licenças regresse, tendo ficado satisfeito com a postura demonstrada pelo IAM de voltar a emitir licenças.

O também legislador afirmou que, com mais licenças, haverá mais desenvolvimento dos sectores do turismo e da restauração para dinamizar algumas zonas da Taipa e Cotai com esplanadas.

ZAPE na mira

A zona do ZAPE (Zona de Aterros do Porto Exterior) é um dos bairros comunitários que está na mira das autoridades por causa do fecho dos casinos-satélite e necessidade de dinamização da economia local. Com ou sem esplanadas, o que é certo é que o Governo diz ter planos para revitalizar esta zona, conforme disse numa resposta a uma interpelação escrita do deputado Ngan Iek Hang.

“A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico promove a organização de actividades económicas comunitárias com características próprias por parte das associações, unindo os grandes eventos e diversos concertos de grande dimensão realizados em Macau, pretendendo atrair residentes e turistas para a zona ZAPE, por forma a fomentar o ciclo de consumo na zona e melhorar o ambiente de negócios.”

Além da aposta em planos de fomento ao consumo juntamente com “plataformas de venda de bilhetes de renome do Interior da China”, para que haja “benefícios de consumo aos turistas que comprem bilhetes para concertos a realizar em Macau”, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) tem outras ideias.

“A DST está a planear uma colaboração com as principais plataformas de viagens online do Interior da China e do estrangeiro para disponibilizar ofertas de reservas com desconto para hotéis e produtos turísticos destinados à zona do ZAPE”, lê-se na resposta do Governo.

Gripe aviária | China proíbe importação de produtos avícolas de Espanha

A China proibiu a importação de produtos avícolas de Espanha devido a surtos de gripe aviária de alta patogenicidade, suspendendo exportações previstas ao abrigo de um acordo assinado em Abril para abrir o mercado chinês aos produtores espanhóis.

Em comunicado, a Administração Geral das Alfândegas da China indicou que a decisão visa “prevenir a propagação da doença e proteger a segurança e biossegurança do gado nacional”. Desde 07 de Agosto, estão proibidas as importações directas e indirectas de produtos e derivados avícolas, incluindo processados.

As medidas prevêem ainda o tratamento, sob supervisão alfandegária, de todos os resíduos animais ou agrícolas que cheguem a território chinês em qualquer meio de transporte proveniente de Espanha, bem como sanções para quem violar as proibições.

Por enquanto, não foi fixado um prazo para o fim das restrições, semelhantes às impostas em Maio às importações de frango do Brasil, igualmente devido à gripe aviária.

Em Abril, o ministro espanhol da Agricultura, Pesca e Alimentação, Luis Planas, e a vice-ministra das Alfândegas da China, Lu Weihong, assinaram um novo protocolo de exportação que permitiria aos produtores avícolas espanhóis aceder ao mercado do país asiático para diversificar as vendas externas.

Na ocasião, o ministério espanhol salientou que a China “é um grande comprador de carne de ave e outros produtos com reduzida capacidade de colocação noutros mercados”.

Nvidia | Pequim desaconselha uso de ‘chips’ H20

As autoridades chinesas recomendaram nas últimas semanas a empresas locais que evitem usar processadores H20 do fabricante norte-americano Nvidia, sobretudo em projectos ligados a organismos governamentais ou à segurança nacional, noticiou ontem a agência Bloomberg.

Segundo a Bloomberg, os avisos enviados a várias companhias incluíram, nalguns casos, perguntas sobre as razões para optar pelos H20 em detrimento de alternativas nacionais, a necessidade dessa escolha e eventuais problemas de segurança detetados nos dispositivos. A recomendação abrangeria também aceleradores de inteligência artificial (IA) da norte-americana AMD.

A orientação coincide com informações recentes divulgadas por organismos e órgãos estatais chineses que questionam a segurança e fiabilidade dos H20, um modelo concebido pela Nvidia para o mercado chinês com especificações inferiores às versões mais avançadas, em conformidade com as restrições impostas por Washington.

No final de Julho, o regulador chinês da internet (CAC) convocou a Nvidia para esclarecer alegados riscos de segurança nos ‘chips’ e apresentar provas de que não contém “portas traseiras”, uma acusação que a empresa rejeitou.

Na segunda-feira, a Nvidia voltou a negar que os H20 integrem funções de acesso ou controlo remoto, em resposta a comentários divulgados numa conta de redes sociais associada à televisão estatal CCTV, que citava especialistas segundo os quais seria tecnicamente possível incorporar capacidades de rastreio, localização ou desligamento remoto neste tipo de processadores.