Docentes universitários de Timor-Leste formados em Macau

A Universidade Politécnica de Macau (UPM) anunciou que irá dar formação a professores da Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL).

Num comunicado divulgado na quinta-feira, a UPM indicou que recebeu na RAEM a visita de uma delegação da instituição de ensino superior timorense, liderada pelo reitor Joviano António da Costa.

As duas universidades falaram em Macau sobre a promoção da cooperação tanto académica como em investigação, incluindo o intercâmbio de estudantes e investigadores. A instituição comprometeu-se a “oferecer formação avançada para professores e programas de pós-graduação para docentes e investigadores” da UNTL.

As universidades discutiram ainda temas como o crescente papel da tecnologia digital nas humanidades e na linguística aplicada, tecnologia de tradução e o papel da IA na geração de textos em língua portuguesa. A UPM recordou que a visita aconteceu na sequência de um protocolo de cooperação, assinado em Novembro, que prevê ainda o reforço dos laços na formação de quadros qualificados bilingues em chinês e português.

O acordo foi assinado à margem da 15.ª conferência do Fórum da Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa (Forges), que decorreu na capital de Timor-Leste no final de Novembro.

A reunião anual das universidades e politécnicos lusófonos foi uma organização conjunta da UNTL, da Universidade Católica Timorense São João Paulo II e da Universidade de Díli.

ai, portugal, portugal

O nosso país pretende ser uma cidade, mas é uma aldeia. Pretende ser do primeiro, mas é do terceiro mundo. Com uma agravante: é um país ao Deus dará.

Os incêndios voltaram mais uma vez, mal chegou o calor. Com gravidade. Fogos que se iniciaram às três horas da madrugada. Obviamente pela mão de pirómanos que o tribunal se encarrega de enviar em liberdade. Com bombeiros feridos. Com casas queimadas. Com moradores sem dormir vários dias. Com o rendimento de uma horta, de um rebanho ou de uma vindima que desaparece de um dia para o outro. E ao Deus dará porque o primeiro-ministro ao mesmo tempo que o país estava em tragédia governava a partir de uma qualquer bancada de um estádio de futebol norte-americano.

Na Costa da Caparica os habitantes já desesperam há anos com a falta de água. A Câmara Municipal de Almada socialista está debaixo dos maiores protestos e revolta da população. As pessoas não têm água para beber, para tomar banho, para cozinhar. Os restaurantes fecham os WC e as portas devido à falta de água. As escolas e infantários encerram porque não há água. O centro de Saúde suspendeu as consultas e tratamentos médicos por falta de água. E isto, não é terceiro mundo? Para a presidente da Câmara de Almada parece que nada se passa no Concelho. Nem responde às várias associações de moradores, nem a certas perguntas pertinentes dos jornalistas. Sem dúvida, uma Câmara ao Deus dará. Pela falta de água a política já está em guerra. Para a edil almadense a culpa é do Governo. Para o Governo a culpa total é da presidente da Câmara de Almada. Esta discussão dá vómitos porque a solução do problema não existe de nenhuma das partes.

Em Viana do Castelo a decisão camarária brada aos céus. A edilidade decidiu que nas freguesias a luz eléctrica pública fosse desligada entre as 3:00 e as 5:00 horas. Aldeias totalmente às escuras. Os moradores estão revoltadíssimos. O perigo de assaltos é constante e a possibilidade de violência contra quem regressa do trabalho por turnos é uma possibilidade que amedronta quantos vivem essa situação. Ao estilo de terceiro mundo, a edilidade justifica esta medida absurda como a poupança de energia. Então, para que serviu a poluição das montanhas com os monstruosos geradores eólicos justificados que resultaria em energia “á farta” para todo o país. Geradores eólicos que daqui a 20 anos ficarão abandonados pela paisagem como lixo ao Deus dará. Não lembrava nem ao diabo cortar a electricidade pública a milhares de pessoas. Não é um fenómeno do Entroncamento… mas sim de Viana do Castelo.

Outro fenómeno triste, é o que se passa na Carris Metropolitana, uma marca que unifica os transportes públicos rodoviários da Área Metropolitana de Lisboa. Gerida pela empresa Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) que abrange 18 municípios. Esta TML também parece andar ao Deus dará quando coloca uma “miúda” de 28 anos sem qualquer experiência a conduzir um autocarro cheio com cerca de 30 vidas e que troca os pedais. Bem, os pedais de uma viatura automática. Apenas tem dois pedais. Um, para acelerar e outro para travar. E a motorista acelerou em vez de travar e foi matar duas pessoas e ferir cerca de 20, inocentes que estavam na paragem do autocarro a aguardar a ida para o trabalho. Se um veículo automático é conduzido desta forma, imaginamos o que serão estes tipos de motoristas a conduzir um carro manual com três pedais, embraiagem, travão e acelerador…

Mas a TML está a ser criticada por colocar na zona de Sintra, nas estradas estreitas de Colares, Praia Grande, Praia das Maças, Azenhas do Mar, Fontanelas e outras terras, autocarros enormes de 40 passageiros quando nunca transportaram mais de 10 utentes e que podiam colocar ao serviço apenas autocarros de dimensão menor. Esses autocarros da Carris Metropolitana rolam a velocidade excessiva, em estradas que em alguns locais não cabem dois carros ligeiros. Esses autocarros têm motoristas irresponsáveis e desumanos. Crianças que se encontrem na paragem e que fazem sinal para parar, os funcionários da TML limitam-se a não parar para poderem cumprir o horário. Vergonhoso e desumano, foi o que se passou numa paragem entre Colares e a Praia das Maças. Uma criança de 12 anos foi na sua pequena bicicleta para uma explicação escolar. No regresso a casa, um pneu da bicla furou. A criança foi para a paragem do autocarro da Carris Metropolitana e pediu ao motorista que a deixasse entrar com a sua bicla que furou um pneu, já que a sua casa era apenas em duas paragens à frente. O “simpático” motorista respondeu à criança: “Vai a pé!”.

Na Educação é que o país está mesmo ao Deus dará. O atraso nas correções dos exames tem promovido protestos por todo o lado de professores, alunos e seus pais. Pedem a demissão do ministro e os manifestantes afirmam que “a incompetência nesta área é total”.

Ao Deus dará continua a área da Saúde. Um cidadão dirigiu-se para o hospital de Portalegre e queixou-se de fortes dores no peito. A triagem entregou-lhe a pulseira verde (a de menos importância) e o homem passado um pouco de tempo morreu.

Tudo isto, revolta cada vez mais as populações.

O país tem mesmo que estar ao Deus dará, porque muitos portugueses que ficaram sem nada nas tempestades de Janeiro, em Leiria e Marinha Grande, ainda não receberam as indemnizações prometidas…

Países hispânicos | Macau é “largamente desconhecido”

Apesar do desconhecimento geral, Macau pode ter sucesso no novo objectivo se conseguir provar que é a melhor forma de os países hispânicos explorarem as relações comerciais com a China ou se afirmar a nível do investimento em infra-estruturas

 

Analistas hispânicos consideraram em declarações à Lusa que Macau continua “largamente desconhecido” para países de língua espanhola, apesar da ambição do Governo local em afirmar-se como plataforma de ligação entre a China e o bloco hispanófono.

Segundo Carlos Martin, professor associado em Relações Internacionais na Universidade Europeia de Valência, Macau tem “um potencial ainda por explorar”, com “bases para se tornar o conector natural entre a China e o mundo hispânico”, mas continua “largamente desconhecido nesses mercados”.

O académico defendeu à Lusa que o Governo deve “executar uma estratégia inteligente para activar as conexões certas”, de maneira a que os sectores civil e empresarial “vejam Macau como a melhor opção para operar na China”.

O analista espanhol propõe mesmo a criação de ligações regionais específicas, sugerindo “ligar os centros regionais adequados”, como por exemplo, Macau e cidades espanholas como Valência e outras.

Para Martin, a ligação cultural entre Macau e os países hispanófonos é relevante, fruto da sua história lusófona, mas não suficiente, pois “o tamanho das empresas, os sectores envolvidos, a mão de obra necessária” são factores que influenciam a “perspectiva dos governos regionais e a forma como consideram a cooperação e o equilíbrio do envolvimento”.

O académico concluiu também que as oportunidades não se limitam a um país ou região, e que, “se o foco for apenas empresarial”, oportunidades podem ser encontradas em todo o continente latino-americano.

“Destaco directamente o interesse da Argentina, Colômbia e Equador [no mercado chinês]”, indicou.

Poderio económico

A China é actualmente o segundo maior parceiro comercial de toda a América Latina, com o comércio bilateral a atingir o recorde de 518 mil milhões de dólares em 2025.

O Governo chinês definiu em 2003 Macau como uma ponte entre a China e os países de língua portuguesa, papel que foi expandido pelo novo líder da região, Sam Hou Fai, para englobar também os 21 países de língua espanhola.

Questionado sobre se Macau pode ter esse papel de ligação com a China, Juan Enrique Serrano Moreno, professor associado do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, é peremptório: “Não creio”.

“Não penso que Macau venha a tornar-se um centro de negócios para empresários latino-americanos. Há formas mais eficazes através de centros de negócios na China continental e, em menor medida, em Singapura”, indicou à Lusa o analista chileno.

Ignacio Araya, analista relações China–América Latina na Universidade Diego Portales, sublinhou que Macau está a procurar “um papel maior dentro da projecção internacional que a China está a construir hoje”.

Para o académico, o território pode funcionar como “ponte complementar”, especialmente para ligar latino-americanos ao sul da China e à província de Guangdong.

Os planos de integração e cooperação existentes de Macau com a província de Guangdong e a zona económica especial na vizinha Hengqin, estabelecida para ajudar a diversificação económica da cidade, oferecem também uma via para a entrada das empresas dos países de língua espanhola na China.

Araya destaca, no entanto, que “a oportunidade mais concreta está nas infra-estruturas”, lembrando que Macau foi sede do Fórum de Cooperação em Infra-estruturas China-América Latina e Caraíbas.

“Macau pode ser especialmente útil se se especializar como nó de infra-estruturas para o Brasil e outros países sul-americanos, onde já existe uma presença significativa de empresas e financiamento chineses”, acrescentou.

O investigador destacou que a China não se projecta internacionalmente apenas a partir de Pequim, fazendo-o também através de províncias, cidades e universidades com “agendas próprias de internacionalização”.

“Nesse mapa, Macau pode ser útil, se se posicionar como um nó especializado capaz de articular essas conexões, não como substituto de outros canais, mas como espaço capaz de os interligar”, concluiu.

CPLP/30 anos| Brasil diz que português é questão de soberania na era da IA

O Brasil defendeu que a língua portuguesa deve ser tratada como um activo estratégico na era da inteligência artificial e afirmou que a CPLP pode desempenhar um papel central na defesa da soberania tecnológica dos países lusófonos.

Em entrevista à agência Lusa, o secretário de África e Médio Oriente do Ministério de Relações Exteriores do Brasil, embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, alertou para os desafios colocados pelos actuais modelos de inteligência artificial.

Segundo o diplomata, a concentração do desenvolvimento dessas tecnologias em poucos países faz com que os grandes modelos sejam treinados sobretudo em inglês e chinês.

“Quando o português é tratado como língua secundária no treinamento dos modelos, enfraquece-se a soberania das sociedades lusófonas e sua capacidade de desenvolver soluções próprias”, afirmou por ocasião dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que se assinalam em 17 de Julho.

“Para reverter esse quadro, precisamos tratar a língua portuguesa não apenas como património cultural, mas como activo estratégico. E aqui a CPLP tem um papel central a desempenhar”, completou.

Carlos Duarte defendeu que a CPLP promova bases de dados linguísticos partilhados que representem adequadamente todas as variedades da língua portuguesa.

Também propôs o reforço da cooperação científica e universitária entre os países da comunidade para ampliar a investigação em inteligência artificial.

Segundo o diplomata, as comunidades lusófonas produzem dados relevantes, mas ainda não têm capacidade suficiente para extrair deles maior valor económico.

“No plano internacional, a CPLP tem peso suficiente para levar a foros como as Nações Unidas, a UNESCO e a UNCTAD a exigência de que os sistemas de inteligência artificial respeitem a diversidade linguística e cultural”, declarou.

O diplomata acrescentou que a integração da CPLP não depende da uniformização da língua, mas da capacidade de transformar a diversidade das variantes do português num património comum.

“Em última análise, defender o português no mundo digital é defender a nossa soberania tecnológica, científica e cultural”, concluiu.

Mais fortes

Ao abordar a convivência entre as diferentes variantes do português, Carlos Duarte afirmou que a diversidade linguística fortalece, e não enfraquece, a comunidade lusófona.

“As diferenças entre as variedades do português faladas nos países da CPLP são reais. E não falo apenas de sotaques. Há diferenças de vocabulário, construções gramaticais, expressões idiomáticas, referências culturais e posição do idioma em cada sociedade”, avaliou.

“Seria um erro interpretar essas diferenças como um obstáculo à integração. Pelo contrário, o grande desafio da CPLP não é superar a diversidade, mas aprender a valorizá-la”, disse.

O responsável considerou que talvez o maior desafio actual da CPLP não seja propriamente linguístico, mas sociopolítico.

“Os países da CPLP ainda têm níveis relativamente modestos de circulação de pessoas, estudantes, pesquisadores, livros, produtos audiovisuais e conteúdos digitais”, disse, referindo que brasileiros e africanos lusófonos, por exemplo, conhecem pouco a literatura contemporânea uns dos outros.

“A integração da CPLP não depende da uniformização do português, mas da capacidade de transformar a diversidade das variedades lusófonas num património comum”, realçou.

Desastres Naturais | Governo reúne para exigir melhor preparação

Segundo a versão oficial, o encontro agendado pelo Chefe do Executivo visou “implementar uma série de importantes instruções do Presidente Xi Jinping sobre a prevenção de inundações e socorro em catástrofes”

 

Face aos desafios de Verão, como as inundações e tufões, o Chefe do Executivo exigiu aos serviços que melhorem “ainda mais o trabalho da segurança geral”, de forma a assegurar “a harmonia e tranquilidade da conjuntura de Macau e a segurança da vida e dos bens da população”. A mensagem foi deixada durante uma reunião realizada na sexta-feira, e divulgada em comunicado.

O encontro foi convocado por Sam Hou Fai para “implementar uma série de importantes instruções do Presidente Xi Jinping sobre a prevenção de inundações e socorro em catástrofes, a prevenção resoluta de ocorrência de incidentes graves e a salvaguarda efectiva da segurança da vida e dos bens do povo”.

As instruções do Chefe do Executivo focaram seis áreas diferentes, a começar pela identificação e resposta a “riscos de incêndio e de segurança em estaleiros de construção, bem como, na prevenção e preparação para desastres extremos, como ventos, chuvas e marés”. Em segundo lugar, Sam pediu o reforço da segurança nos “estabelecimentos relevantes, bairros antigos e durante os feriados principais”, ao mesmo tempo que se avança com a renovação urbana.

O líder do Governo pediu também que se efectuem “seriamente os trabalhos de prevenção de inundações, ventos e marés” e o reforço da “previsão meteorológica” e dos “alertas de condições meteorológicas extremas”.

Melhorar a resposta

Ao mesmo tempo, foi pedido aos serviços para elevarem “o nível das capacidades das equipas de socorro profissionais de Macau” e para optimizarem “o sistema de gestão de contingência de protecção civil e também contra incêndios”.

O esforço não se fica apenas por medidas entre os serviços, Sam Hou Fai também exigiu a intensificação da “educação da população em geral sobre a consciência de segurança”, tendo em conta a luta contra incêndios, prevenção, redução e acções de salvamento em catástrofes.

Finalmente, o líder do Executivo pediu o reforço da “colaboração com as principais associações para identificação de todos os tipos de riscos, mobilizando a força das associações para ajudar a despistar diferentes tipos de riscos em habitações”.

Além de Sam Hou Fai e dos secretários do Governo participaram ainda na reunião o presidente da Assembleia Legislativa, André Cheong, a presidente do Tribunal de Última Instância, Song Man Lei, a comissária contra a Corrupção, Ao Ieong Seong, o Comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários, Leong Man Cheong e o director-geral dos Serviços de Alfândega, Adriano Marques Ho.

Uma cidade dilacerada e uma cidade de harmonia

O filósofo francês René Descartes disse certa vez: “cogito, ergo sum (Penso, logo existo)”. Na sociedade actual, para viver uma vida plena e com significado, a reflexão e a aprendizagem constantes são absolutamente essenciais e os livros podem ser considerados a minha segunda escola. Recentemente, deparei-me com um livro publicado pela Chung Hwa Book (Hong Kong) Co. Ltd., intitulado “Uma Cidade Dilacerada: Mistérios e Pensamentos do Movimento de Hong Kong《撕裂之城:香港運動的謎與思》”, que achei uma referência valiosa.

O livro compila artigos de opinião do autor Ren Yi (conhecido pelo pseudónimo online de Chairman Rabbit) sobre a movimentação política em Hong Kong em 2019, analisando e explorando, a partir da sua própria perspectiva, as causas mais profundas do caos. O autor acredita que a revolta foi espoletada pelo Projecto de Alteração à Lei da Extradição de 2019, mas o Governo da RAE de Hong Kong, carecendo de sensibilidade política, consciência e competência, não percebeu, não deu respostas nem apaziguou a desconfiança e o mal-estar do público ao longo do processo de implementação do Projecto de Lei (de Alteração), permitindo que as oposições o usassem como oportunidade para avançar com os seus ideais políticos.

Em relação à ordem pública, o autor analisa as razões que levaram a intensas e prolongadas operações policiais ao longo da agitação social que durou vários meses, argumentando que a causa reside no próprio Governo da RAE de Hong Kong. Questiona se os incidentes de “21 de Julho de 2019” e “31 de Agosto de 2019” teriam ocorrido se os problemas tivessem sido resolvidos mais cedo. Acredita que a promulgação e implementação da Lei de Segurança Nacional de Hong Kong (Lei da República Popular da China sobre a Salvaguarda da Segurança Nacional na RAE de Hong Kong) foi visionária e bem ponderada, demonstrando a determinação do Governo central, bem como a sua atitude responsável perante a história e o seu povo. No entanto, também salienta que “a Lei de Segurança Nacional pode resolver conflitos e salvaguardar os fundamentos de “Um País”, mas não pode ajudar o povo de Hong Kong a tornar-se mais patriótico, o que seria outra questão”.

O livro, publicado em Julho de 2020, não aborda a situação em Hong Kong após a promulgação da Lei de Segurança Nacional e a promulgação da versão local desta legislação (Decreto de Salvaguarda da Segurança Nacional) que proíbe actos que ponham em perigo a segurança nacional, conforme estipulado no Artigo 23 da Lei Básica de Hong Kong. Não consigo encontrar nenhuma obra posterior do autor nas livrarias. Como consertar uma sociedade dilacerada e torná-la harmoniosa, é uma preocupação e uma aspiração partilhada por todos. E a China continental oferece algumas orientações valiosas para construir uma sociedade harmoniosa.

Em Outubro de 2006, a Sexta Sessão Plenária do 16.º Comité Central do PCC adoptou a “Resolução sobre Questões Principais Relativas à Construção de uma Sociedade Socialista Harmoniosa”. Uma sociedade socialista harmoniosa deve ser democrática e governada pela lei, justa e equitativa, confiável e fraterna, cheia de vitalidade, estável e ordenada, e mantendo a harmonia entre o homem e a natureza. Estas características fundamentais de uma sociedade socialista harmoniosa estão interligadas, reforçam-se mutuamente e precisam de ser plenamente compreendidas e reflectidas no processo de construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos.

Macau e Hong Kong são ambas Regiões Administrativas Especiais, e as suas Leis Básicas são em grande parte semelhantes. O artigo 25 do Capítulo 3 da Lei Básica de Macau, relativo aos Direitos e Deveres Fundamentais dos Residentes, é mais detalhado do que o de Hong Kong, e estipula: “Os residentes de Macau são iguais perante a lei, sem discriminação com base na nacionalidade, ascendência, raça, sexo, língua, religião, crenças políticas ou ideológicas, educação e situação económica ou condição social”.

Embora já em 2009 Macau tenha promulgado a sua própria legislação para proibir actos possam pôr em risco a segurança nacional e não tenha experienciado um movimento social semelhante ao de Hong Kong de 2019, foi ainda assim afectada pelos movimentos que ocorreram naquela cidade, o que resultou na desqualificação de candidatos às eleições para a Assembleia Legislativa em 2021 e 2025. Quanto ao primeiro caso de detenção em Macau por motivos de segurança nacional, está actualmente pendente de julgamento sem actualizações devido ao princípio do segredo de justiça. Acredito que todos ficariam satisfeitos por ver Hong Kong e Macau a incorporar o conceito de “Cidades da Harmonia”, e o que mais espero é comprar nas livrarias outra obra de Ren Yi, cujo título gostaria que fosse “A Cidade da Harmonia: Testemunha do Avanço de Hong Kong da Estabilidade para a Prosperidade”.

Timor-Leste | Comunidade portuguesa pede médico e enfermeiro

O conselheiro da comunidade portuguesa em Timor-Leste, Filipe Silva, enviou uma carta às autoridades de Portugal a pedir o destacamento para aquele país de um médico e de um enfermeiro, após preocupações manifestadas por dezenas de portugueses.

“O propósito da carta é esse, é pedir ao Governo que olhe para a comunidade portuguesa aqui com alguma atenção no que toca aos cuidados de saúde, porque nós sabemos que Timor-Leste ainda é um país que tem muitos constrangimentos na área”, disse à Lusa Filipe Silva.

As preocupações da comunidade aumentaram com o encerramento da clínica privada Stanford, que abriu em Timor-Leste em 2012 e que fechou este ano.

“Obviamente que há outras clínicas privadas, mas que, eventualmente, não terão a mesma capacidade de resposta que tinha a Stanford e tenho recebido da parte de algumas pessoas da comunidade uma série de preocupações relativamente à questão dos cuidados de saúde”, explicou o conselheiro da comunidade portuguesa em Timor-Leste.

Filipe Silva explicou que até 2012 estiveram em Díli um médico e uma enfermeira portugueses.

A proposta, segundo Filipe Silva, não é ter um médico e uma enfermeira para resolver “todos os assuntos”, mas para aconselhar não só no que diz respeito à oferta local, mas também que recomende a saída do país, caso seja necessário um tratamento mais específico.

“Portanto, o facto de termos alguém que pudesse aconselhar-nos e dar algum apoio numa primeira fase, acho que tranquilizava as pessoas e é nesse sentido que estamos a apelar ao Governo”, afirmou.

 

Custos mínimos

Filipe Silva destacou também a possibilidade de a comunidade pagar as consultas.

“Ter cá essas pessoas que falam a nossa língua e que nós sabemos que são pessoas qualificadas, que nos possam ajudar, era muito importante o Estado pensar nisso”, salientou.

Para o conselheiro da comunidade portuguesa, o custo não seria tão grande assim, porque aquelas pessoas podiam também colaborar em alguns projectos que a cooperação queira na área da saúde.

A carta dirigida ao secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, é acompanhada por quase duas centenas de assinaturas de elementos da comunidade portuguesa em Timor-Leste.

Interpol | Detidas 5.800 pessoas ligadas a fraudes

Cerca de 5.800 pessoas foram detidas e cerca de 300 milhões de dólares apreendidos no âmbito de uma operação mundial de combate à fraude com manipulação psicológica, anunciou ontem a Interpol.

A operação, realizada entre Janeiro e Abril, que envolveu forças policiais de 97 países, visou especialmente os esquemas fraudulentos que se aproveitam da confiança das pessoas para obter dinheiro ou informações confidenciais.

Trata-se, por exemplo, do desvio de e-mails profissionais, da ‘sextorsão’, de fraudes sentimentais online, da usurpação de identidade ou de fraudes relacionadas com investimentos, detalhou num comunicado a Interpol, que coordenou esta acção denominada “First Light 2026”.

O número muito elevado de vítimas identificadas (142.000) “salienta até que ponto” este tipo de fraude “se tornou uma ameaça transnacional de grande dimensão, afectando indivíduos, empresas e governos”, assinala a Interpol.

A organização internacional de polícia criminal sediada em Lyon relata, por exemplo, ter detido 82 pessoas em Eswatini (antiga Suazilândia) e “desmantelado uma rede criminosa que geria jogos de azar online ilegais e lavava dinheiro” proveniente de fraudes “sofisticadas por usurpação de identidade”.

Cenários realistas

A operação levou ainda à apreensão de “uma réplica realista de uma esquadra de polícia brasileira, com uniformes falsos”: “fazendo-se passar pela Polícia Federal do Brasil através de videochamadas, os burlões convenciam as vítimas de que estas eram alvo de um crime, levando-as a transferir fundos para os colocar ‘em segurança’, fundos esses que eram posteriormente desviados”.

Outro caso citado: uma empresa de comercialização de matérias-primas sediada em Singapura, alvo de criminosos que se faziam passar por um fornecedor; ou também, em Macau, falsos funcionários públicos que convenceram uma vítima a transferir dinheiro sob o pretexto de uma investigação por fraude, tendo sido detidos pouco antes de esta lhes transferir cerca de 372.000 dólares norte-americanos.

Cuba | China pede “fim imediato” do bloqueio dos Estados Unidos

A China pediu na quinta-feira aos Estados Unidos que acabe com o bloqueio e sanções contra Cuba, após a Assembleia Geral das Nações Unidas ter aceitado realizar um debate sobre o embargo norte-americano à ilha.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que os Estados Unidos mantêm há mais de 60 anos um bloqueio e sanções contra Cuba, medidas que “foram repetidamente reforçadas” e que, segundo Pequim, “provocaram uma crise energética” no país das Caraíbas.

Mao sustentou que essas medidas “violam gravemente” os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e as normas fundamentais das relações internacionais, além de “comprometerem seriamente” os direitos de Cuba à sobrevivência e ao desenvolvimento e de causarem “profundo sofrimento” ao povo cubano.

“A decisão da Assembleia Geral da ONU, aprovada por uma maioria esmagadora, de realizar um debate sobre esta questão demonstra, uma vez mais, o apoio da comunidade internacional ao povo cubano na defesa da soberania nacional e a oposição à ingerência externa e ao bloqueio”, afirmou a porta-voz, acrescentando que as práticas “unilaterais” e de “intimidação” de Washington carecem de apoio internacional.

Mao acrescentou que a China está disposta a trabalhar com a comunidade internacional para “defender firmemente a equidade e a justiça internacionais” e apoiar Cuba na defesa da sua soberania e dignidade nacionais, bem como na rejeição da ingerência estrangeira.

 

Debate capital

A Assembleia Geral das Nações Unidas aceitou na terça-feira realizar o debate solicitado por Cuba sobre a necessidade de pôr fim ao embargo económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos, uma iniciativa à qual Washington se opôs.

Cuba enfrenta uma grave crise energética desde meados de 2024, agravada desde Janeiro pelo bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos e, desde Maio, por sanções contra pessoas e entidades que apoiem o Governo cubano ou operem em sectores como energia, defesa, finanças e mineração.

A China, um dos principais aliados políticos e económicos de Cuba, tem reiterado nos últimos meses o apoio a Havana e aprovou este ano um pacote de ajuda que inclui assistência financeira no valor de 80 milhões de dólares e a doação de 60.000 toneladas de arroz.

Tempestades | Pequim distribui milhões em novos apoios para zonas afectadas

A China atribuiu na quinta-feira dezenas de milhões de yuan em fundos adicionais para apoiar regiões afectadas por tempestades e deslizamentos de terras, depois de fenómenos meteorológicos extremos terem provocado milhares de desalojados e a morte de 21 pessoas.

O Governo central disponibilizou 50 milhões de yuan para restaurar estradas, escolas e outras infraestruturas na província de Hubei (centro), bem como mais 20 milhões de yuan destinados à reconstrução de habitações e ao realojamento da população, noticiou a imprensa estatal.

Na segunda-feira à noite, tempestades violentas e tornados, um fenómeno raro na China, causaram 11 mortos e centenas de feridos naquela província.

Pequim atribuiu ainda 30 milhões de yuan à província de Gansu (noroeste), onde um deslizamento de terras soterrou 21 trabalhadores florestais.

Estas verbas somam-se aos 100 milhões de yuan anunciados anteriormente para reparar escolas, hospitais, infraestruturas de transporte e outros equipamentos públicos na região autónoma de Guangxi (sul), atingida por inundações após chuvas intensas associadas a uma tempestade tropical.

Em Guangxi, a passagem da tempestade tropical Maysak provocou a ruptura ou transbordo de reservatórios, inundando localidades e deixando habitantes isolados (ver texto secundário).

Segundo as autoridades regionais, seis pessoas morreram, cerca de 130 mil foram retiradas e mais de 8.000 operacionais, apoiados por cerca de 5.700 embarcações, participam nas operações de socorro.

Nas redes sociais multiplicam-se os pedidos de ajuda acompanhados por vídeos das zonas inundadas.

O Centro Meteorológico Nacional indicou que Guangxi regista chuva intensa desde sábado, com precipitação acumulada entre 100 e 400 milímetros em algumas zonas e superior a 900 milímetros nas áreas mais afectadas.

 

Mais a caminho

Entretanto, o tufão Bavi atingiu o sudeste da China durante o fim de semana. Em Taiwan, alguns agricultores apressaram a colheita do arroz antes da chegada da tempestade, que seguia para oeste-noroeste sobre o mar das Filipinas.

O mau tempo afectou também outros países asiáticos. No sudeste do Bangladesh, deslizamentos de terras provocados pelas chuvas das monções mataram vários refugiados rohingya, incluindo cinco crianças. Na vizinha Índia, as chuvas intensas causaram igualmente mais de uma dezena de mortos nos últimos dias.

Homem detido devido a transacções fictícias

Um empresário de 39 anos foi detido, ontem, pela Polícia Judiciária (PJ), depois de uma rusga. O suspeito obteve ilegalmente os dados de cartões de crédito emitidos no exterior e utilizou a informação para fazer transacções fictícias.

No âmbito dos alegados crimes, o residente de Macau utilizou três terminais de pagamentos fornecidos por bancos de Macau, obtendo 620 mil patacas, que foram depois movimentadas para um destino incerto.

A investigação começou com base na denúncia de dois bancos ao Gabinete de Informação Financeira. As suspeitas foram levantadas devido ao grande volume de transacções com cartões de crédito estrangeiros em apenas três terminais de pagamentos.

Como o detido é proprietário de um café, de uma empresa de processamento de alimentos e ainda de um restaurante, utilizou os terminais desses negócios. Contudo, uma vez que as transacções foram realizadas fora dos horários de expediente, os bancos classificaram as operações como suspeitas.

De acordo com os registos, entre Novembro de 2024 e Janeiro do ano passado, o empresário realizou 311 transacções fictícias. Entre estas, 98 foram bem-sucedidas levando a um ganho de 623.253 patacas. No entanto, 10 dos 98 pagamentos, que envolvem 246.214 patacas, foram contestados pelos clientes junto dos bancos emissores dos cartões.

As restantes 213 transacções, que totalizavam 2,88 milhões de patacas, acabaram por falhar, pelo que o empresário não conseguiu aceder ao dinheiro.

Apesar da detenção, a PJ ainda está a tentar localizar o destino dos fundos movimentados pelo empresário.

DSAT | Recebidas 47 propostas para licenças para 700 táxis novos

O concurso público para atribuir 14 licenças que vão colocar no mercado 700 novos táxis recebeu 47 propostas. Cada concessionário poderá operar 50 veículos. Um dos requisitos do concurso passa pela obrigatoriedade de os serviços estarem disponíveis em aplicações online para chamar táxis

Foram abertas ontem as propostas do concurso público para atribuição de 14 licenças de táxi, que vão introduzir 700 novos táxis no território. Cada concessionária poderá operar 50 veículos. Segundo a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), foram recebidas 47 propostas para as licenças e os resultados do concurso serão divulgados no último trimestre deste ano.

Ainda não há certeza quanto a datas, mas a DSAT prevê que as sete centenas de novas viaturas comecem a operar de forma faseada entre o segundo e o terceiro trimestre do próximo ano, e terão licença para operar durante oito anos.

Um dos requisitos para a atribuição de licenças procura colmatar uma lacuna do mercado de táxis de Macau: a não generalização das plataformas online para chamar um táxi, como funciona a Uber ou DiDi. Dessa forma, um dos requisitos para a atribuição das licenças é a obrigatoriedade de fornecer serviços de marcação de táxis, à semelhança da forma como operam as aplicações referidas.

O chefe da Divisão de Gestão de Transportes da DSAT, Pang Man Kin, afirmou ontem que actualmente estão em circulação 1.553 táxis, 303 dos quais vão sair do mercado com a validade das licenças a expirarem em 2028.

Termos e condições

Além do requisito de facultar os serviços de táxi em plataformas online, as empresas candidatas ao concurso público também devem garantir que as viaturas são híbridas (gasolina e electricidade), ou movidas a energias renováveis, têm capacidade para seis lugares e aceitam pagamentos electrónicos.

Além disso, cada concessionária tem de incluir na sua frota veículos aptos a transportar pessoas com mobilidade reduzida.

Recorde-se que entre os critérios de avaliação das propostas, o Governo terá em conta sobretudo o valor da licença, mas também a proporção de recursos humanos locais contratados.

O preço base das licenças foi fixado em 2,5 milhões de patacas e do concurso não pode resultar que uma empresa fique com a operação de mais de 300 táxis. Além do preço das licenças, os candidatos tiveram de pagar uma caução de 3,5 milhões de patacas para submeter as propostas.

Atropelamentos | DSAT prepara mais passagens aéreas pedonais

Após o acidente mortal com uma criança de 10 anos, o Executivo quer “segregar” carros e pessoas, através de passagens aéreas e subterrâneas. As medidas ainda estão a ser equacionadas pela DSAT

Face ao recente atropelamento fatal de uma criança na passadeira, a Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) quer reduzir o número de passadeiras, levar os peões a subirem escadas e a esperarem por elevadores para atravessarem as estradas. A estratégia está a ser estudada e foi explicada na resposta a uma interpelação escrita do deputado José Pereira Coutinho.

Segundo o documento assinado por Chiang Ngoc Vai, director da DSAT, a estratégia para reduzir o número de atropelamentos passa pela aposta “na segregação entre veículos e peões”.

A DSAT está, assim, a “estudar” a criação “de instalações pedonais desniveladas em determinados troços de elevada circulação, em novas zonas urbanas e em locais onde se verifiquem riscos de segurança na travessia”.

Os governantes acreditam que com mais passadeiras aéreas, ou subterrâneas, acedidas através de rampas, escadas e elevadores vai ser possível melhorar “o ambiente de deslocação pedonal”.

O documento com a data de 29 de Junho explica que as medidas ainda vão demorar algum tempo a ser implementadas, porque o Governo está ainda numa fase de auscultação das escolas e associações locais.

A resposta foi escrita antes da passada segunda-feira, dia em que foram registados quatro atropelamentos, dois dos quais em passadeiras.

Na interpelação, o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) pretendia saber quais são os esforços feitos pelas autoridades para familiarizar os condutores do exterior com as estradas e hábitos de condução locais.

Vídeos online

Na resposta, Chiang Ngoc Vai indicou que foram colocados vídeos online e que foram emitidas “orientações”: “Relativamente às precauções a ter em conta pelos condutores provenientes do exterior ao conduzir em Macau, a DSAT e o CPSP [Corpo de Polícia de Segurança Pública] lançaram conjuntamente as ‘Orientações e normas de condução a cumprir em Macau’”, foi contado. “A par disso, foi publicada na página electrónica oficial uma série de vídeos sobre a ‘Situação rodoviária de Macau’, acompanhados de textos e imagens, no sentido de reforçar, desde a sua origem, a consciencialização destes condutores sobre o cumprimento da lei”, foi acrescentado.

Chiang indica que como forma de garantir a segurança, as autoridades multaram 2.176 pessoas por atravessar a estrada fora da passadeira, e 1.279 condutores por não cederem passagem nas passadeiras ou conduzirem ao telemóvel.

Filmes de Basil da Cunha e Edgar Pêra seleccionados para o Festival de Locarno

Na conferência de imprensa, a direcção do festival revelou que “Jacaré”, do realizador luso-suíço Basil da Cunha, integra a competição internacional, enquanto “Guerrilha do Asfalto”, de Edgar Pêra, estará fora de competição, sendo um regresso do cinema de ambos ao festival suíço.

A 79.ª edição do Festival de Cinema de Locarno está marcada de 5 a 15 de Agosto.

“Jacaré” é apresentado pelo realizador Basil da Cunha como um filme de género, “no encontro entre a ‘blaxploitation’, os policiais americanos dos anos 90 e a música cabo-verdiana dos anos 70”, sendo o último que filma na Reboleira, Amadora, território de alguns dos seus filmes anteriores. “Embora a história parta de um assalto falhado e do desaparecimento de um saco com 180 mil euros, o verdadeiro motor do filme são as pessoas que gravitam à volta desse acontecimento. […] É um filme coral onde cada personagem representa um fragmento da Reboleira e onde a própria comunidade assume o papel principal”, explicou realizador em comunicado.

O filme de Basil da Cunha é uma produção entre Portugal, França e Suíça, juntando-se a “Manga d’Terra” (2023) e “O fim do mundo” (2019), ambos apresentados também em Locarno. O elenco integra Alexandra Sena, Alexandre Fonseca, Paulo César Lima Fonseca, Nelson Carvalho, Pedro Diniz, Heidir Correia, Carlos Fonseca, Pedro Ferreira, Frederico Lopes, Verónica Lii, Maria Santos, Susana Costa, Ivo Bernardo, Carloto Cotta e Filipe Vargas.

Depois de “Cartas Telepáticas”, filme experimental feito com Inteligência Artificial, Edgar Pêra estreia em Locarno “Guerrilha no Asfalto”, inspirado no livro “Guerrilha no Asfalto — As FP-25 e o Tempo Português”, de Manuel Ricardo Sousa. “O filme cruza ficção e acontecimentos reais para revisitar um dos períodos mais conturbados da democracia portuguesa”, a propósito da acção do grupo armado Forças Populares 25 de Abril (FP-25) que, nos anos 1980, organizou dezenas de assaltos violentos, atentados e ações consideradas terroristas, que causaram 17 mortes.

De acordo com a distribuidora, “Jacaré” e “Guerrilha do Asfalto” estreiam-se ainda este ano nos cinemas portugueses.

 

Leopardo para Aronosfky

A propósito da programação oficial deste ano, o Festival de Cinema de Locarno já tinha anunciado anteriormente a presença de quatro filmes com produção de países lusófonos na competição. No concurso internacional da secção Pardi di Domani vai estar, em estreia mundial, o filme “Aurora Borealis”, de Valeriya Kim, numa coprodução entre Hungria, Bélgica, Portugal e Cazaquistão.

Já na secção Open Doors, na categoria de longas-metragens, vai acontecer a estreia suíça de “O Profeta”, do moçambicano Ique Langa, que teve a sua estreia mundial em Roterdão.

Nas curtas e médias-metragens, vão participar em Locarno os filmes “Submergido”, do moçambicano Ariel Añez, e “Time to Change”, da angolana Pocas Pascoal, ambos em estreia na Suíça.

Este ano, o festival vai distinguir o realizador norte-americano Darren Aronosfky com o Leopardo de Honra e a actriz Isabella Rossellini com o prémio de Excelência. O produtor islandês Sigurjón Sighvatsson, a actriz Asia Argento, o artista Rick Baker e a atriz Virginie Efira também vão ser distinguidos em Locarno

Cooperação | UPM e UTM criam empresa conjunta para investir em Hengqin

Desde 2024, que as instituições de ensino superior de Macau criaram quatro empresas para investir na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin. O investimento inicial nestas companhias atinge os 7 mil milhões de patacas

A Universidade Politécnica de Macau (UPM) e a Universidade de Turismo de Macau (UTM) criaram uma empresa em parceria para investir na Ilha da Montanha. A informação foi revelada ontem, através do portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). A nova empresa vai exigir um investimento conjunto inicial de 2,19 mil milhões de patacas.

O projecto intitula-se “Companhia para o Desenvolvimento do Ensino Superior da UPM e UTM na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”, com sede na Avenida de Hong Kong-Macau em Hengqin e iniciou as operações com um capital social de 1,85 mil milhões de renminbis, o equivalente a 2,19 mil milhões de patacas.

Em termos das participações sociais, a UPM vai fazer um investimento directo de 43 milhões de renminbis, e indirecto de 883,7 milhões de renminbis, através da Inovação Tecnológica da UPM Sociedade Unipessoal Limitada, entidade que controla a 100 por cento. No total, a UPM entra para a parceria com 926,7 milhões de renminbis, cerca de 1,1 mil milhões de patacas.

As contas são semelhantes no caso da UTM, que investe directamente 43 milhões de renminbis e indirectamente 883,7 milhões de renminbis, através da companhia Desenvolvimento de Cultura e Turismo da Universidade de Turismo de Macau. À semelhança da parceira, o investimento total ronda os 926,7 milhões de renminbis.

A empresa conjunta apresenta como objecto social a realização de “actividades de testes e avaliações no domínio da educação e do ensino”, “serviços de consultoria na área da educação” e “actividades de investimento com fundos próprios”.

Milhões acumulados

A parceria entre a UPM e a UTM resulta na quarta empresa criada por universidades de Macau para investir no Interior, numa altura em que várias instituições estão envolvidas no projecto Cidade Universitária, a construção de novos pólos académicos em Hengqin, na Zona de Cooperação.

Esta aposta, contabilizando com a criação das empresas e a realização do capital social representa um investimento de 5,9 mil milhões de renminbis, o que equivale a 7,00 mil milhões de patacas

A primeira universidade a anunciar a expansão para a Ilha da Montanha foi a Universidade de Macau, em 2024, com a construção de um segundo campus universitário. A aposta está a ser feita através da empresa Guangdong Hengqin UM Higher Education Development, que implicou um investimento inicial de 4 mil milhões de renminbis, o equivalente a 4,74 mil milhões de patacas.

Também nesse ano, a UTM criou a “Companhia de Consultadoria em Educação da Universidade de Turismo de Macau na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin” com um investimento inicial de 100 mil renminbis.

Mais recentemente, já este ano, a UPM estabeleceu a “Companhia para o Desenvolvimento do Ensino Superior da UPM na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin” com um capital social de 55 milhões de renminbis.

Agora, a empresa conjunta vem exigir mais um investimento de 1,85 mil milhões de renminbis.

Concerto | Belle and Sebastian regressam a Hong Kong em Outubro

É oficial! Os Belle and Sebastian estão de volta a Hong Kong com um concerto no Tides no dia 2 de Outubro, às 20h, para tocar na sua totalidade um dos mais aclamados discos do indie pop dos anos 1990: “If You’re Feeling Sinister”, lançado em 1996.

Os bilhetes estão à venda desde sexta-feira, com os preços a variar entre 680 e 880 dólares de Hong Kong. O espaço Tides fica em Whampoa (Kowloon).

O alinhamento do concerto estará dividido em duas partes. Na primeira parte, a banda escocesa irá tocar na integra o disco que celebra este ano três décadas de lançamento, pela mesma ordem das faixas no álbum. Na segunda parte, o alinhamento será imprevisível, passando, por certo, por alguns hinos da banda de Stuart Murdoch e companhia.

A última vez que os Belle and Sebastian actuaram em Hong Kong foi em Fevereiro de 2015, na AsiaWorld Expo, numa tournée baseada no acabado de sair “Girls in Peacetime Want to Dance”.

O disco que a banda vai tocar na totalidade no Tides é o registo do meio de uma trilogia de álbuns que os colocou numa espécie de Olimpo indie a meio dos anos 1990. “Tigermik” saiu em Junho 1996, e cinco meses depois era lançado “If You’re Feeling Sinister”, menos de dois depois a banda lançava “The Boy with the Arab Strap”, formando um corpo de músicas impressionante para uma banda formada, na altura, há menos de três anos.

 

Como Dylan nos filmes

Com os três primeiros discos na bagagem, e um bom punhado de hinos que marcaram a época de ouro do indie-pop, a banda alargou a sua legião de fãs.

Em Outubro, os Belle and Sebastian chegam a Hong Kong com 12 discos, mas é o segundo que estará em destaque. “The Stars of Track and Field”, que abre o álbum, seguindo de “Seeing Other People”, “Me and the Major” e “Like Dylan in the Movies”, são todos clássicos que resistiram à passagem do tempo.

Os Belle and Sebastian foram formados por Stuart Murdoch na guitarra, piano e voz e o baixista Stuart David (que saiu da banda em 2000), que se conheceram num programa para músicos desempregados. Continuam na banda alguns membros da formação original, como Stevie Jackson também na guitarra, vozes e piano, Chris Geddes em sintetizador, piano e percussão, Richard Colburn na bateria e Sarah Martin no violino, flauta, sintetizador e percussão. Hoje em dia, a guitarra baixo está a cargo de Bobby Kildea.

A cantora Isobel Campbell esteve na fundação da banda, mas embarcou numa carreira a solo e múltiplas colaborações a partir de 2002, incluindo três discos com Mark Lanegan.

A digressão que traz a banda escocesa a Hong Kong irá passar por Lisboa, para um concerto no Coliseu dos Recreios no próximo dia 21 de Julho.

Wu Zhiliang afirma que sistema eleitoral de Macau teve evolução positiva até 1999

O presidente da Fundação Macau, Wu Zhiliang, defendeu a evolução do sistema eleitoral de Macau até 1999, e afirmou que depois do 25 de Abril de 1974 a situação ficou cada vez melhor. A opinião do também historiador consta de uma coluna no jornal Ou Mun, em que fez um retrospectiva do progresso do sistema eleitoral.

Wu começou por indicar que apesar de o 25 de Abril de 1974 ter parecido um evento distante de Macau e sem grande relação com o território, a realidade mostrou-se muito diferente. Sobre os acontecimentos ligados ao fim do Estado Novo, o historiador indicou que levaram o novo Governo de Portugal a desistir das políticas coloniais.

As novas políticas resultaram, em 1976, na aprovação da Constituição Portuguesa e do Estatuto Orgânico de Macau, “confirmando Macau como região especial sob administração de Portugal” e “não de território português ultramarino”. Sobre estas alterações, Wu defendeu ainda que a transferência da Administração de Macau só não aconteceu nessa altura porque o Primeiro-Ministro Zhou Enlai optou por manter a gestão portuguesa.

Na evolução do sistema eleitoral, o presidente da Fundação Macau destacou também o ano de 1984. Wu afirmou que até esse ano tanto a Constituição Portuguesa como o Estatuto Orgânico de Macau previam uma “discriminação implícita” contra os eleitores chineses, dado que a qualificação eleitoral dependia do “domínio da língua portuguesa”. “Neste ano, Macau aboliu finalmente este tratamento desigual para os chineses e aplicou-se o sufrágio universal. Depois disso, o número de eleitores chineses registados continuou a aumentar anualmente, até os representantes chineses começarem a ocupar os lugares de deputados eleitos por sufrágio directo, quebrando o monopólio português,” lê-se no texto.

Declaração Conjunta

Outros dos momentos históricos destacados por Wu Zhiliang, foram a assinatura da Declaração Conjunta do Governo da República Portuguesa e do Governo da República Popular da China Sobre a Questão de Macau, em 1987, e a alteração do estatuto do território em 1990. Segundo o historiador, as mudanças permitiram alterar as regras de representatividade da Assembleia Legislativa (AL), com o número de deputados a crescer de 17 para 23, com mais lugares para deputados directos e indirectos. Esta reforma foi ainda tida por Wu como “essencial” devido à adopção do método d’Hondt que possibilitou representar vozes mais diversas.

Wu Zhiliang apontou que desde 1976 até 1999, cada ajustamento no sistema eleitoral foi um “pequeno passo”, mas que levou a taxa de afluência a subir de menos de 30 por cento para mais de 60 por cento.

“Este foi o processo de aprendizagem da democracia por uma cidade, um processo desajeitado, lento, mas constante…”, considerou.

O umbral da desordem mundial (II)

“Great empires are not maintained by timidity.” Tacitus.

Fala‑se muito da “defesa em mosaico”, que, ao descentralizar os comandos, permite ao Pasdaran, Basiji e militares das Forças Armadas regulares (Artesh) manterem‑se operacionais apesar da sucessão de assassinatos na liderança político‑militar. Menos divulgado, mas igualmente importante, é o aspecto económico‑industrial dessa estratégia. Nas primeiras fases da guerra, o presidente Masoud Pezeshkian delegou autoridade às províncias e simplificou os procedimentos administrativos, facilitando, entre outras coisas, a importação de mercadorias que favoreceu o comércio terrestre, compensando parcialmente o semi‑encerramento de Hormuz. O Irão importa, através desse estreito, parte do trigo, óleo vegetal e arroz que consome, além de quase toda a soja. O abastecimento provinha sobretudo de portos do Golfo, que foram alvo de represálias iranianas. Entre as rotas alternativas figuram ligações ferroviárias com a China a norte e portos secundários como Chabahar, no sul, embora com capacidade limitada.

Apesar disso, os alimentos incluindo os frescos permaneceram abundantes e, ao contrário dos meses anteriores, relativamente estáveis nos preços, graças ao isolamento do rial. O racionamento do petróleo evitou a escassez após os ataques aos centros de armazenamento que escureceram o céu da capital. O Estado, principal empregador do país, continuou a pagar salários. A República Islâmica mostrou‑se economicamente preparada para a guerra, embora pagando um preço elevadíssimo. Tal como aconteceu com a Rússia após a invasão da Ucrânia, confundiram‑se as dimensões modestas da economia com a sua tenacidade, que lhe permite sustentar uma guerra de desgaste. A situação é diferente para a economia mundial que é um mecanismo muito maior, mas também mais complexo e, por isso, frágil.

Os países árabes do Golfo são nós cruciais na produção global de fertilizantes azotados, essenciais para a agricultura industrial. Quando a cadeia do azoto se interrompe, os efeitos acumulam‑se nos solos e influenciam durante meses as decisões de plantação. As previsões de rendimento das colheitas de milho estão a ser revistas em baixa, dado que muitos agricultores optarão pela soja, que exige menos azoto. A este cenário soma‑se a guerra na Ucrânia. A Rússia e Ucrânia produzem cerca de um quarto do trigo mundial, e quase quinhentas mil pessoas, sobretudo em África e no Médio Oriente, sofrem choques alimentares devido a esse conflito. Com o agravamento climático, o Corno de África encontra‑se há muito à beira da fome.

Os principais importadores de cereais, como o Egipto, têm reservas para apenas alguns meses. Aumentos de 30-40% nos preços dos alimentos básicos estão historicamente associados ao crescimento da instabilidade política nos 6 a 18 meses seguintes, como ocorreu amplamente durante as chamadas primaveras árabes.

Há ainda consequências de médio e longo prazo. É cedo para avaliar o impacto da guerra contra o Irão sobre o poder económico‑financeiro dos Estados Unidos, mas alguns efeitos estruturais delineiam-se. Dois, em particular. Primeiro, embora a evidência imediata possa sugerir o contrário, a desdolarização tende a continuar, se não a intensificar‑se. A valorização do dólar nas primeiras semanas de guerra ecoa a sua função tradicional de refúgio. Mas muitos vêem nesta corrida ao dólar não tanto como uma busca de segurança, mas como uma postura de neutralidade. Depois de terem investido massivamente em ouro, em detrimento do dólar, os agentes económicos regressam parcialmente a um activo líquido e abundante, para retomarem distância assim que possível de uma moeda e de um país não vistos como totalmente fiáveis.

Segundo, a China, aconteça o que acontecer, saiu vencedora. Uma guerra longa e dispendiosa que deixe o Médio Oriente ainda mais inseguro corrói a capacidade de dissuasão dos Estados Unidos isto é, a confiança dos aliados na protecção de Washington e o receio dos adversários em desafiá‑la. Tal implica, entre outras coisas, uma corrida generalizada ao armamento e à diversificação energética. Esta última não é apenas um esforço ecológico, mas sobretudo um instrumento de redução de risco, seguindo o modelo chinês das últimas três décadas, que levou o país a gerar hoje um terço da electricidade mundial proveniente de fontes renováveis.

Tudo isto exige matérias‑primas críticas, o que significa sobretudo aço e electrónica, portanto terras e metais raros, mas também gás e outros precursores necessários à produção de chips. A China controla actualmente mais de 70% da capacidade manufactureira associada a estes sectores como o solar, eólico, baterias e componentes químicos. Com cerca de 1,3 mil milhões de barris de petróleo acumulados em reservas estratégicas, é também o único país capaz, no curto e médio prazo, de estabilizar o mercado petrolífero, além de ser exportador líquido de refinados e o segundo maior exportador mundial de fertilizantes. Possui ainda vastas reservas de enxofre, essencial para fertilizantes e metalurgia, e reduziu a dependência do Golfo em relação ao hélio, crucial para semicondutores, graças a descobertas recentes de jazidas internas.

Para muitos outros países, especialmente os europeus, prevê‑se um aumento das dependências de bens críticos, bem como uma inflação persistente no sector energético e nas matérias‑primas em geral, com inevitáveis repercussões na indústria e nas limitadas margens fiscais dos seus orçamentos endividados. No Golfo trava‑se hoje uma guerra assimétrica. Assimétrica porque opõe o Irão que é um Estado organizado e detentor do monopólio da violência a uma América errática e sem estratégia, que visa exclusivamente destruir. E servir Israel, ou melhor, os seus impulsos autodestrutivos. O Estado iraniano longe de poder ser reduzido ao regime geriu com relativo sucesso as tentativas israelo‑americanas de decapitação, reorganizando rapidamente a cadeia de comando graças a planos preparados há décadas, mas aperfeiçoados recentemente através do estudo das tácticas usadas por Washington e Telavive contra os seus aliados regionais.

Apesar da amputação do seu corredor estratégico, agora reduzido ao eixo Bagdade‑Teerão‑Herat com a extensão libanesa do Hezbollah demasiado cedo dada como destruída, o Irão permanece nas mãos dos Pasdaran. Pior ainda, das suas facções mais radicais. Os Estados Unidos e Israel estão, de facto, a impor uma mudança interna do regime. À liderança contrária ao confronto total, eliminada pelos assassinatos cirúrgicos, sucede uma constelação em recomposição, convencida de lutar pela vida ou morte. Com todos os meios ao seu dispor. Se o Estado não for destruído e se as negociações com os Estados Unidos não lhe oferecerem garantias absolutas (e como confiar, depois de tudo?), qualquer futura liderança iraniana acelerará a corrida à Bomba. Com esta guerra, Washington está a fazer a si aquilo que pretendia fazer a Teerão. E está a revelar‑se aquilo que acreditava ser o Irão; um “tigre de papel” (Trump), absolutamente “incapaz de raciocinar” (Rubio). Assim, na Casa Branca resta confiar nas orações. Da exportação da democracia à importação da teocracia?

A operação Epic Fury configura‑se como a hegeliana “fúria do desaparecer” de um mau infinito de violência sem síntese, que expõe a profundidade da crise estrutural americana. Uma crise enrolada em três factores de fragilidade, encadeados e orientados para a rápida dissipação de uma potência que não é super. O primeiro é estritamente militar. Desde 28 de Fevereiro, os americanos têm esvaziado os seus arsenais a um ritmo paroxístico. Análises informadas sugerem que, em breve, poderão ficar sem mísseis balísticos de precisão e sem sistemas capazes de interceptar projécteis iranianos. No primeiro mês de combates, a Marinha dos Estados Unidos terá lançado mais de 850 mísseis Tomahawk, quase um quarto das reservas disponíveis. Sistemas como o Patriot, caríssimos e impossíveis de substituir de imediato, foram usados para interceptar drones iranianos baratos e facilmente reproduzíveis em massa. Sinal de uma guerra insustentável, mal concebida e pior executada como notaram soldados ucranianos enviados para a região como conselheiros militares (como o mundo muda), os americanos estão “a disparar sem pensar”. Exactamente como os iranianos desejavam.

O segundo factor de fragilidade é a ausência de estratégia. Este défice resulta de dois elementos. Primeiro, os poderes americanos estão divididos, parcialmente privatizados, mais empenhados em combater‑se entre si do que em elaborar uma teoria da vitória. A potência substitui a estratégia, tornando a guerra interminável e, por fim, esgota‑se por autocombustão. Tudo muito americano com a diferença de que, desta vez, Washington enfrenta um inimigo cuja paciência estratégica é um mantra, enquanto se alia a um actor, o Estado israelita, que alimenta a dissipação da potência americana.

A falta de estratégia impede derrotar o inimigo e também controlar o aliado. Em geopolítica, como na vida, se não sabes o que queres, acabas por fazer o que os outros querem. Sejam inimigos ou supostos amigos, pouco importa. Assim, os Estados Unidos invertem o princípio hegemónico de longe de fazerem os outros agir em seu benefício, fazem o que serve os outros, prejudicando‑se. Sem alcançar qualquer objectivo que não seja, nas palavras de Baudrillard, o “delírio de uma vitória vazia, a exaltação de uma proeza estéril”.

DSAMA | Cheias de Guangxi sem grande impacto em Macau

A Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) anunciou ontem que, após análise e avaliação em conjunto com o departamento de recursos hídricos do Interior, não se prevê que a situação de cheias causada pelas chuvas torrenciais em Guangxi tenha impacto significativo no abastecimento de água de Macau ou na navegação marítima.

As autoridades afirmaram que as chuvas a montante foram controladas e reguladas por importantes projectos de conservação hídrica, como o de Datengxia, e posteriormente desviadas por centrais hidroeléctricas e albufeiras.

Após serem distribuídas naturalmente por múltiplos afluentes na rede fluvial da planície do Delta do Rio das Pérolas, a jusante, o nível da água baixou gradualmente e acabou por ser descarregado directamente no mar através de múltiplos estuários do Rio das Pérolas. Como tal, a DSAMA conclui que as chuvadas e as cheias não tiveram “qualquer impacto significativo em Macau, que se situa no lado ocidental do estuário do Rio das Pérolas”.

No final do comunicado, a DSAMA alerta que a partir de amanhã, as águas ao largo de Macau podem receber “uma quantidade significativa de detritos flutuantes trazida pelas correntes”. Como tal, serão intensificadas as patrulhas e a intervenção rápida, para “garantir a segurança da navegação e a higiene das praias”.

Casinos | Transações duvidosas sobem 8,7% no até Junho

As transações suspeitas em casinos subiram 8,7 por cento na primeira metade do ano, em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com dados oficiais. Das mais de 2.700 participações recebidas pelo Gabinete de Informação Financeira, 73,7 por cento foram provenientes de casinos

 

Durante os primeiros seis meses de 2026, o Gabinete de Informação Financeira (GIF) registou um aumento de 8,7 por cento das transações suspeitas nos casinos do território. A entidade referiu que as seis operadoras de jogo submeteram, no total, 2.018 participações de transações suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo.

Segundo estatísticas divulgadas na terça-feira, o GIF apontou “o aumento do número de participações reportadas pelo sector do jogo” como a principal razão para uma subida de 9,5 por cento no número total de transações suspeitas.

Entre Janeiro e Junho, o gabinete recebeu 2.753 participações, sendo que 73,3 por cento vieram das concessionárias de casinos, enquanto 19,1 por cento vieram de bancos e seguradoras e 7,6 por cento de outras instituições e entidades.

Os sectores referenciados, incluindo lojas de penhores, joalharias, imobiliárias e casas de leilões, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transação igual ou superior a 500 mil patacas.

Em 2025, o GIF recebeu 4.925 participações, menos 6,1 por cento do que no ano anterior, quando Macau tinha fixado um recorde no número de transações suspeitas.

 

Fama ou proveito

No final de Março, o Ministério Público de Taiwan acusou 10 pessoas de usarem casinos de Macau para branquear 33 mil milhões de dólares taiwaneses (893 milhões de euros), provenientes de jogo ilegal na Internet.

Em Março de 2022, o Departamento de Estado dos EUA designou Macau como um dos principais pontos de branqueamento de capitais a nível mundial, apontando os angariadores de grandes apostadores (conhecidos como ‘junkets’) e as “actividades ilícitas que eles muitas vezes facilitam”. Isto apesar da detenção, em Novembro de 2021, de Alvin Chau Cheok Wa, líder da Suncity, então o maior angariador de apostas VIP do mundo.

No início de Abril, especialistas em crime organizado indicaram à Lusa que Macau continua a ser um “nó fundamental para a lavagem de dinheiro” por organizações criminosas, apesar do desmantelamento do sistema de ‘junkets’.

“Embora grandes sindicatos criminosos chineses tenham deslocado operações pelo Sudeste Asiático em resposta a medidas repressivas, Macau continua a ser um ponto operacional e de encontro para estas redes profundamente enraizadas”, disse Martin Pubrick, antigo membro da Polícia Real de Hong Kong e especialista em corrupção e crime organizado. “Casas de câmbio, lojas de penhores e movimentos através de cartões de crédito absorveram essa procura, o que pode significar que a lavagem de dinheiro em Macau é hoje menos centralizada e menos visível”, sublinhou John Wojcik, investigador sénior da Infoblox Threat Intelligence e ex-analista do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.

PJ | Investigador demitido por ausências e atrasos foi reintegrado

O cancelamento da demissão resulta de uma decisão do Tribunal de Segunda Instância, que entendeu que o processo disciplinar não teve em conta os mais de 10 anos de classificações de bom e muito bom do desempenho do agente

 

 

A Polícia Judiciária (PJ) foi obrigada a reintegrar um investigador criminal que através de atrasos e ausências sem autorização evitou 22 dias interpolados de trabalho no espaço de um ano e meio. A informação foi publicada ontem no Boletim Oficial, e resulta de uma decisão do Tribunal de Segunda Instância (TSI) que considerou ilegal a aplicação da pena de demissão ao agente.

“Nos termos do artigo 174.º do Código de Processo Administrativo Contencioso […] é anulada a pena de demissão ao ex-investigador criminal principal […] com efeitos retroactivos a partir do dia 23 de Novembro de 2024”, pode ler-se num despacho assinado por Sit Chong Meng, director da PJ.

O caso começou em 2022, quando a PJ instaurou um processo disciplinar ao agente ligado a várias infracções, todas cometidas entre Agosto e Setembro desse ano.

Segundo a acusação, o agente deixou o posto de trabalho sem autorização 12 vezes, chegou atrasado ou saiu antes de cumprir o horário 12 vezes, não picou o ponto 33 vezes, apresentou 8 relatórios falsos de trabalho, transferiu as chamadas do telemóvel de trabalho para o seu telemóvel pessoal seis vezes, o que contraria as normas internas, e não apresentou um relatório de transferência de turno. Houve ainda 18 vezes em que deixou Macau e foi a Zhuhai sem pedir autorização aos superiores, como exige o regulamento interno da PJ.

Com base nas infracções de atrasos e saídas do posto de trabalho, a PJ concluiu que o agente deixou por cumprir um total de horas que é equivalente a 22 dias de trabalho.

Atenuantes ignoradas

Apesar de a acusação não ter levantado problemas a nível da factualidade para o TSI, os juízes optaram por aceitar o recurso do agente, porque o processo disciplinar não valorizou condições atenuantes nem explicou o impacto das infracções na manutenção da relação entre as duas partes.

Segundo o tribunal, a penalização do processo disciplinar está obrigada a ter em conta a conduta do agente antes e depois das infracções. Em relação a este aspecto, concluiu-se que em mais de 10 anos de serviço o agente teve um desempenho classificado como “bom” ou “muito bom”. Como este facto não foi considerado pela Administração, a pena de demissão foi anulada pelo tribunal.

A sanção tinha também valorizado a agravante de o agente ter um grau de bacharel e ter atingido a categoria de investigador criminal principal. Apesar da regra que exige mais a quem tem um nível de instrução superior e funções com mais responsabilidade, os juízes entenderam que tal não se aplica a deveres gerais mais básicos, como os zelo e obediência.

House of Dancing Water | Visitas a bastidores arrancam na próxima semana

A organização do House Of Dancing Water vai abrir os bastidores a partir da próxima quarta-feira, “oferecendo, pela primeira vez acesso exclusivo a várias áreas essenciais do teatro”, levantando um pouco do véu em relação ao “trabalho artesanal e a tecnologia de ponta” que sustenta o espectáculo, revelou ontem o City of Dreams.

As visitas têm uma duração de cerca de 30 minutos e vão decorrer em dois dias depois do espectáculo final, a partir das 21h15, mais ou menos, dependendo da hora do fim do espectáculo. Quem quiser visitar os bastidores terá de pagar 500 patacas, que passa a 888 patacas se for comprado com o bilhete para ver o espectáculo.

A visita começa na tribuna VVIP ou na zona de lugares do Golden Circle e estende-se até à área subaquática de mergulho, proporcionando uma visão do trabalho diário dos mergulhadores profissionais e das equipas de manutenção. Desta forma, os visitantes podem verificar os “rigorosos padrões” de segurança.

A tour prossegue com a explicação sobre o funcionamento dos principais adereços de palco, tais como o Barco Dourado e o Pagode dos Sonhos. Como não poderia deixar de ser, a visita inclui a piscina que tem capacidade para receber 17 milhões de litros de água (equivalente a mais de cinco piscinas olímpicas). Os convidados terão também a oportunidade de subir a uma plataforma com 18 metros de altura, para uma perspectiva global e imersiva de todo o palco. A visita guiada irá também proporcionar o testemunho do treino intensivo que os artistas têm de suportar, assim como rápidas mudanças de figurinos.

Desde o regresso do novo capítulo, a 7 de Maio de 2025, o “House of Dancing Water” fez mais de 450 espectáculos. A organização estima que este Verão seja recebido o espectador 1 milhão.

Comunidades Portuguesas | Conselho equaciona voto electrónico

Nas eleições de 2027 para o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) vai ser testado o voto electrónico, de acordo com um comunicado de imprensa de Rui Marcelo, Presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas. A deliberação foi apresentada por Emídio Sousa, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, e aprovada durante as reuniões presenciais do Conselho Permanente do CCP.

No comunicado de Rui Marcelo, a experiência com o voto electrónico é tida como “um passo importante para modernizar e aumentar a participação cívica dos emigrantes” nestes actos eleitorais.

A lista dos membros actuais do Conselho das Comunidades Portuguesas do Círculo da China, Macau, Hong Kong, Tóquio, Seul, Banguecoque e Singapura foi eleita em Dezembro de 2023, com 1.909 entre os 1.972 votantes. Rui Marcelo foi escolhido como presidente do conselho, depois de Rita Santos, cabeça-de-lista em 2023, ter suspendido o mandato, o que justificou com a realização das eleições para Chefe do Executivo da RAEM e as eleições legislativas de Macau.

Nas reuniões recentes em Lisboa, o CCP fez ainda um pedido ao Instituto dos Registos e do Notariado para tomar medidas que acelerem e uniformizem os processos de nacionalidade e registos civis e reforcem a digitalização dos serviços.

Albergue SCM | Exposição apresenta trabalhos do arquitecto He Jingtang

Na próxima quarta-feira, o Albergue SCM acolhe uma a exposição “Lugar, Cultura, Tempo — Design para um desenvolvimento de alta qualidade na China: Selecção de obras arquitectónicas de He Jingtang e da sua equipa”. A mostra centra-se nas obras de marcos académicos do arquitecto e académico chinês

 

No próxima quarta-feira, dia 15, é inaugurada no Albergue SCM a exposição “Lugar, Cultura, Tempo — Design para um desenvolvimento de alta qualidade na China: Selecção de obras arquitectónicas de He Jingtang e da sua equipa”. A cerimónia que dará o pontapé de saída da mostra está marcada para as 18h30 de quarta-feira e estará patente ao público até 13 de Agosto na Galeria A2 do Albergue.

Centrada no conceito central de “Lugar, Cultura, Tempo”, a mostra reúne uma selecção de obras arquitectónicas e os marcos académicos alcançados ao longo dos anos por He Jingtang e a sua equipa.

A organização, a cargo do Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, da Federação de Académicos de Guangdong e Instituto de Pesquisa e Design de Arquitectura da Universidade de Tecnologia do Sul da China, salienta que a iniciativa tem como objectivos a promoção da arte e cultura arquitectónicas e criar uma plataforma para o intercâmbio mútuo e o enriquecimento entre Macau e o Interior da China.

He Jingtang nasceu em 1938 em Dongguan, na província vizinha de Guangdong. É arquitecto e membro da Academia Chinesa de Engenharia, e actualmente desempenha as funções de Reitor Honorário da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Tecnologia do Sul da China.

Ao longo da carreira, He Jingtang especializou-se na concepção de edifícios com fins culturais, assim como no planeamento de campus, liderando equipas de profissionais responsáveis pela concepção e concretização de um grande número de edifícios emblemáticos com influência internacional.

Vida cheia

Entre os projectos mais emblemáticos de He Jingtang contam-se o Pavilhão da China na Exposição Mundial de 2010 em Xangai, a ampliação do Memorial às Vítimas do Massacre de Nanjing perpetrado pelos invasores japoneses (Local de Memória Público Nacional), o Centro Internacional de Conferências de Qingdao (sede principal da Cimeira da Organização de Cooperação de Xangai), o Arquivo Nacional de Publicações e Cultura (Guangzhou), o Museu da China (Hainan) do Mar da China Meridional.

Entre os projectos de espaços e edifícios dedicados ao ensino, destaque local para o Campus de Hengqin da Universidade de Macau no portfolio do académico e arquitecto.

Outra das conquistas de He Jingtang, foi quebrar o monopólio de arquitectos estrangeiros na concepção de marcos nacionais chineses, liderando o caminho da criação arquitectónica com características chinesas, descreve a organização da exposição.

Com uma vida de trabalho com arquitecto, académico e investigador, He desenvolveu a teoria “Dois Conceitos (conceitos holísticos e sustentáveis) e Três Características (lugar, cultura e tempo)”, que está no cerne dos trabalhos selecionados.

A mostra pode ser visitada todos os dias das 12h às 19h, excepto às segundas-feiras em que o horário vai das 15h às 19h. A entrada é livre.