Ormuz | Japão considera passagem de petroleiro “sucesso diplomático”

O Governo japonês classificou ontem a passagem pelo estreito de Ormuz de um navio ligado à empresa petroquímica nipónica Idemitsu Kosan, com dois milhões de barris de crude, como um “sucesso diplomático”, informou a emissora pública NHK.

“A passagem de navios ligados ao Japão pelo estreito de Ormuz tem sido solicitada repetidamente”, referiu um funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros – não identificado pela NHK -, notando que, para a diplomacia japonesa, “isto pode ser considerado um sucesso diplomático”.

Uma outra fonte governamental citada pela NHK, também não identificada, recordou que outros navios ainda não podem atravessar livremente este estreito crucial. “Para garantir um abastecimento energético estável para o Japão, devemos continuar a exigir que todos os países garantam a liberdade de navegação e a segurança dos seus navios”, afirmou.

Embora a empresa japonesa tenha recusado comentar a situação do navio por motivos de segurança, de acordo com um comunicado divulgado pela NHK, o portal de monitorização MarineTraffic indicou que o petroleiro Idemitsu Maru se encontrava ontem no golfo de Omã às 12:30, hora local, após ter atravessado o estreito de Ormuz, e espera-se que chegue à cidade japonesa de Nagoya em meados de Maio.

A televisão estatal iraniana Press TV informou na terça-feira à noite sobre a travessia do Idemitsu Maru, um navio com bandeira panamenha gerido por uma filial da refinaria japonesa Idemitsu Kosan e carregado com petróleo bruto desde março passado na Arábia Saudita. “A passagem exigiu coordenação com Teerão”, indicou a Press TV. No entanto, fontes oficiais japonesas garantiram à NHK que Tóquio não pagou qualquer taxa ao Irão.

Não é só crude

“When a single chokepoint falters, the entire architecture of global interdependence reveals its fragility.” A. R. Caldwell

A Terceira guerra do Golfo, desencadeada pelo ataque israeloamericano de 28 de Fevereiro de 2026, reconfigurou de forma abrupta a geografia económica e estratégica do Médio Oriente. A resposta da República Islâmica do Irão, centrada na interrupção selectiva do tráfego no Estreito de Hormuz, devolveu ao mundo a consciência de que a globalização energética nunca eliminou os pontos de estrangulamento. Apenas os tornou mais críticos.

A estreita passagem de 33 quilómetros, cuja navegabilidade efectiva se reduz a duas faixas de cerca de 3,5 quilómetros cada, voltou a ser o epicentro de uma vulnerabilidade estrutural que transcende o petróleo. O bloqueio parcial, reforçado por ataques a navios, drones marítimos e minas de contacto, expôs a dependência global não apenas de hidrocarbonetos, mas de um vasto conjunto de bens industriais cuja origem permanece concentrada no Golfo.

A narrativa dominante tende a reduzir Hormuz a uma artéria petrolífera. Contudo, a realidade de 2026 demonstra que o impacto do seu encerramento é muito mais vasto. A região exporta fertilizantes essenciais para a agricultura mundial, polietilenos e polipropilenos que alimentam cadeias industriais inteiras, alumínio produzido com energia barata, amónia, metanol, aditivos químicos, materiais de construção e componentes para a indústria electrónica. A interrupção simultânea das rotas aéreas como consequência da militarização do espaço aéreo iraniano e do risco de intercepção agravou a ruptura logística. A Europa e Ásia ressentem-se de forma imediata, mas os Estados Unidos, apesar da sua relativa autonomia energética, não escapam aos efeitos sistémicos. A interdependência global revela-se, mais uma vez, uma força que amplifica choques regionais.

A economia mundial habituou-se a considerar o petróleo como o principal elo de dependência em relação ao Golfo. Essa percepção, embora parcialmente correcta, é incompleta. Desde a década de 2010, os Estados do Conselho de Cooperação do Golfo investiram massivamente na diversificação das suas exportações industriais. O Qatar tornou-se um dos maiores produtores de fertilizantes nitrogenados; a Arábia Saudita consolidou-se como gigante petroquímico; os Emirados Árabes Unidos emergiram como exportadores de alumínio primário; Omã especializou-se em derivados químicos e materiais de construção. Esta transformação criou uma teia de fluxos comerciais que, embora menos visíveis do que o petróleo, são igualmente vitais.

O encerramento de Hormuz interrompeu cerca de 40% do comércio global de fertilizantes nitrogenados e fosfatados provenientes do Golfo. Países dependentes de importações como a Índia, Bangladesh, Egipto e várias nações africanas enfrentam agora aumentos abruptos nos custos de produção agrícola. A escassez de ureia e amónia repercute-se directamente nos preços dos alimentos, ampliando o risco de instabilidade social em regiões vulneráveis. A fome deixa de ser uma ameaça abstracta e transforma-se numa possibilidade concreta para milhões de pessoas.

No sector petroquímico, a paralisação das exportações de polietileno e polipropileno afecta indústrias tão diversas como embalagens, automóveis, têxteis técnicos, dispositivos médicos e electrónica de consumo. A Europa, que importa mais de metade dos seus polímeros do Golfo, enfrenta uma crise industrial que se manifesta na suspensão de linhas de produção e na escassez de componentes. A Ásia, embora disponha de capacidade produtiva, depende de matérias-primas do Golfo para manter os seus complexos industriais a funcionar. A interrupção prolongada ameaça provocar um efeito dominó que se estende desde fábricas de automóveis até empresas de tecnologia.

O alumínio, cuja produção no Golfo beneficia de energia barata e abundante, é outro sector crítico. A sua ausência afecta a indústria aeronáutica, construção civil, produção de cabos eléctricos e fabricação de baterias. A Europa, pressionada pela crise energética de 2022-2023, vê-se novamente confrontada com a necessidade de importar alumínio de mercados mais distantes e mais caros, como a Austrália e Canadá.

A militarização do espaço aéreo iraniano e a presença constante de sistemas antiaéreos, drones e aeronaves de combate transformaram o Golfo numa zona de exclusão aérea de facto. As principais companhias internacionais suspenderam voos sobre o Irão, Iraque e partes do Golfo Pérsico. As rotas entre a Europa e a Ásia, tradicionalmente optimizadas para reduzir custos e tempo de viagem, foram desviadas para corredores mais longos sobre o Cáucaso, Mediterrâneo Oriental ou Mar Vermelho.

Este desvio tem consequências económicas significativas. O aumento do tempo de voo implica maior consumo de combustível, custos operacionais mais elevados e redução da capacidade de carga. As cadeias logísticas que dependem de transporte aéreo como componentes electrónicos, produtos farmacêuticos, bens perecíveis e peças de alta precisão enfrentam atrasos e rupturas. A Ásia Oriental, cuja economia se apoia em fluxos rápidos e previsíveis, é particularmente afectada. A Europa, por sua vez, vê agravada a sua dependência de rotas alternativas congestionadas.

A aviação comercial, ainda em recuperação após a pandemia e as crises energéticas subsequentes, enfrenta agora um choque estrutural que ameaça reconfigurar permanentemente as redes globais de transporte. A conectividade entre continentes torna-se mais cara, lenta e vulnerável a interrupções.

A crise não afecta todos os actores da mesma forma. Alguns países e sectores encontram oportunidades inesperadas, enquanto outros enfrentam riscos existenciais. A Rússia surge como um dos principais beneficiários. Com o bloqueio de Hormuz, o petróleo russo torna-se uma alternativa indispensável para a Europa e partes da Ásia. A sua capacidade de exportar através do Árctico e do Báltico, relativamente isolada das tensões no Médio Oriente, confere-lhe uma vantagem estratégica. A Índia, que havia reforçado a sua parceria energética com Moscovo, intensifica as importações de crude russo, beneficiando de preços preferenciais.

Os Estados Unidos, embora menos dependentes do petróleo do Golfo, não escapam aos efeitos da crise. A sua indústria petroquímica, integrada em cadeias globais, sofre com a escassez de matérias-primas provenientes do Médio Oriente. O aumento dos preços globais de fertilizantes afecta a agricultura americana, elevando os custos de produção e pressionando os preços internos dos alimentos. A economia americana, apesar da sua resiliência, sente o impacto da volatilidade global.

No actual ambiente internacional, marcado por elevada incerteza e transformações profundas na ordem económica global, a China enfrenta um conjunto de decisões estratégicas que exigem equilíbrio, visão de longo prazo e capacidade de adaptação. A manutenção de um fornecimento energético estável proveniente da região do Golfo continua a ser um elemento estruturante para o desenvolvimento económico nacional, razão pela qual Pequim tem reforçado a sua participação construtiva no Oceano Índico e aprofundado mecanismos de cooperação com parceiros essenciais, como a Arábia Saudita e o Qatar. Estas iniciativas inseremse numa abordagem orientada para a diversificação das fontes de abastecimento e para a promoção de um ambiente regional pacífico e previsível. Contudo, a persistência da instabilidade no Médio Oriente introduz factores de risco que podem influenciar o planeamento estratégico da China, exigindo ajustamentos graduais e uma avaliação contínua das dinâmicas regionais, de forma a salvaguardar a segurança energética e a continuidade do desenvolvimento nacional.

Os países mais vulneráveis são, inevitavelmente, os que dependem de importações de alimentos e fertilizantes. Nações africanas com fraca capacidade de armazenamento e limitada autonomia agrícola enfrentam um risco real de insegurança alimentar. A interrupção das exportações do Golfo agrava desigualdades estruturais e expõe a fragilidade de sistemas agrícolas dependentes de matérias‑primas externas.

O encerramento de Hormuz não é apenas um episódio militar. É um teste à capacidade do sistema internacional de lidar com a escassez. A globalização, construída sobre a premissa de fluxos contínuos e previsíveis, revela-se vulnerável a choques localizados. A concentração de produção em regiões politicamente instáveis torna-se um risco sistémico.

A crise de 2026 demonstra que a segurança energética não pode ser dissociada da segurança alimentar, industrial e logística. O petróleo é apenas a face mais visível de uma dependência muito mais profunda. A interrupção de fertilizantes afecta colheitas; a escassez de polímeros paralisa fábricas; a falta de alumínio compromete sectores estratégicos e o colapso das rotas aéreas fragmenta a conectividade global.

A resposta internacional permanece fragmentada. A União Europeia debate-se entre a necessidade de diversificar fornecedores e a dificuldade de substituir rapidamente os produtos do Golfo. A Ásia procura soluções regionais, mas enfrenta limitações estruturais. Os Estados Unidos tentam equilibrar a sua intervenção militar com a necessidade de evitar uma escalada que comprometa ainda mais o comércio global.

Em suma, a crise desencadeada em 2026 revela que o Golfo não é apenas um reservatório de petróleo. É um nó vital de cadeias industriais, agrícolas e logísticas que sustentam a economia mundial. O encerramento de Hormuz expõe a ilusão de que a globalização eliminou a geografia. Pelo contrário, concentrou a vulnerabilidade em poucos pontos críticos.

O que falta ao mundo quando o Golfo fecha não é apenas energia. Falta fertilidade aos campos, matéria-prima às fábricas, conectividade aos mercados, estabilidade aos preços e previsibilidade às economias. Falta, sobretudo, a consciência de que a interdependência global exige redundância, diversificação e resiliência que são elementos que foram negligenciados durante décadas de confiança excessiva na eficiência das cadeias de abastecimento.

A guerra de 2026 não é apenas um conflito regional. É um aviso estrutural. O mundo descobre, tarde demais, que a segurança global depende de muito mais do que petróleo. Depende da capacidade de antecipar, distribuir e proteger os fluxos que tornam possível a vida moderna.

HK | Multa ou prisão para posse ou consumo de cigarros electrónicos

Uma nova lei em Hong Kong, que regula a posse de cigarros eletrónicos e que contempla penas de prisão, entrou ontem em vigor. O Governo do território pretende encerrar o mercado de dispositivos electrónicos de fumo, tabaco aquecido e cigarros sem tabaco, colocando a região semiautónoma na vanguarda das restrições globais contra os ‘vapes’.

As novas normas visam produtos alternativos ao tabaco, proibindo a sua importação, fabrico, venda, promoção e, de forma inédita, posse e consumo em espaços públicos.

A entrada destes artigos é proibida tanto por viajantes como através de mercadorias, com excepções técnicas em trânsito aeroportuário. As infrações por importação podem implicar multas até dois milhões de dólares de Hong Kong e penas de até sete anos de prisão. A produção, distribuição ou posse com fins comerciais é penalizada com até 50.000 dólares de Hong Kong e seis meses de prisão.

Diplomacia | Defendido reforço da ONU para evitar que prevaleça “lei da selva” no mundo

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, defendeu ontem o reforço das Nações Unidas e do multilateralismo num contexto de crescente instabilidade global, para evitar que prevaleça a “lei da selva”. Wang expressou esta posição durante um encontro em Pequim com a presidente da Assembleia-Geral da ONU, Annalena Baerbock, segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

Perante um cenário internacional marcado por tensões crescentes e pela adoção de abordagens baseadas na força por alguns países, “é necessário manter o rumo correcto da unidade e da cooperação e não permitir que prevaleça a lei da selva”, afirmou Wang, citado no comunicado.

O diplomata considerou que a organização e o multilateralismo enfrentam “sérios desafios” e alertou contra a hegemonia, a intimidação e a imposição da vontade do mais forte, defendendo antes um sistema baseado na equidade e na justiça. Wang descreveu a Assembleia Geral da ONU como a principal plataforma para a prática do multilateralismo e assegurou que a China continuará a defender este sistema internacional, promovendo o desenvolvimento comum e reforçando a governação global.

Unidos venceremos

Baerbock agradeceu o apoio da China às Nações Unidas e destacou o seu “papel fundamental” como membro fundador e permanente do Conselho de Segurança na defesa do direito internacional, segundo o mesmo comunicado. “Perante a crescente pressão sobre o multilateralismo e os ataques directos à Carta da ONU, os países devem unir-se mais do que nunca para apoiar a organização”, afirmou.

Desde o início do conflito no Médio Oriente, Pequim tem apelado a uma solução negociada, apoiando iniciativas que contribuam para reduzir tensões, e defendendo que o Conselho de Segurança deve desempenhar um papel de desanuviamento e não “compactuar com actos de guerra ilegais”.

A China tem condenado repetidamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que sublinha a necessidade de respeitar a soberania dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas, comerciais e energéticas.

1 de Maio | Voos encarecem com subida das sobretaxas de combustível

Os voos domésticos na China para o feriado de 1 de Maio registam este ano preços mais elevados do que em 2025 e antes da pandemia, pressionados pela subida dos custos energéticos ligada à guerra no Médio Oriente. O preço médio dos bilhetes em classe económica situava-se em 971 yuan em 27 de Abril, mais 12,9 por cento do que em 2025 e 23,2 por cento acima de 2019, segundo o portal de notícias Yicai.

Os dados indicam ainda uma ligeira descida nos dias anteriores ao feriado, que decorre de 1 a 5 de Maio, com o valor médio a recuar de cerca de 1.000 yuan registados a 22 de Abril, numa tendência interpretada por alguns utilizadores como uma “queda” de preços em determinadas rotas.

Contudo, fontes do sector citadas pelo mesmo meio referem que não se trata de uma descida generalizada, mas de ajustes normais em função da procura, após tarifas iniciais mais elevadas. O aumento dos preços surge depois da subida das sobretaxas de combustível aplicada desde o início de Abril, que fixam suplementos de 60 yuan para trajectos inferiores a 800 quilómetros e de 120 yuan para distâncias superiores.

Apesar da pressão sobre os custos, o sector mantém previsões de “normalidade” na operação durante o feriado, com uma oferta de voos semelhante à do ano passado, indicou recentemente a Associação de Transporte Aéreo da China. A subida dos preços ocorre num contexto de impacto do conflito no Médio Oriente e das tensões no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parte significativa das importações energéticas da China, aumentando a incerteza nos mercados.

A guerra já encareceu directamente os custos energéticos e logísticos no país, obrigando as autoridades a intervir temporariamente para limitar a subida dos combustíveis.

Cuba | Pequim defende cooperação “legítima e transparente” em resposta a EUA

A China defendeu ontem como “legítima e transparente” a cooperação com Cuba e rejeitou as acusações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre alegadas actividades de inteligência perto dos Estados Unidos.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou em conferência de imprensa que “a cooperação entre a China e Cuba é legítima e transparente”, quando questionado sobre se Pequim se considerava visada pelas declarações de Washington.

Lin acrescentou que “fabricar pretextos, difundir rumores e difamar outros não pode servir de justificação” para o “bloqueio brutal e as sanções ilegais” impostas pelos Estados Unidos a Cuba. Segundo o responsável, essas medidas “não podem ocultar” que Washington “violou gravemente os direitos de sobrevivência e desenvolvimento” da ilha e “as normas básicas das relações internacionais”.

O porta-voz reiterou que a China “apoiará firmemente Cuba na salvaguarda da sua soberania nacional e segurança” e instou os Estados Unidos a “pôr termo de imediato ao bloqueio, às sanções e a qualquer forma de coerção e pressão” contra o país. Rubio afirmou numa entrevista que os Estados Unidos “não permitirão” que países considerados adversários realizem operações de inteligência ou instalem bases militares perto do seu território.

As declarações surgem num contexto de crescente pressão de Washington sobre Havana, que inclui sanções e advertências sobre possíveis medidas adicionais, bem como acusações recorrentes sobre a cooperação da ilha com outros países em áreas estratégicas.

A China tem denunciado repetidamente o que classifica como “diplomacia coerciva” dos Estados Unidos em relação a Cuba e reiterado o seu apoio à ilha na defesa da soberania, opondo-se a sanções unilaterais e a qualquer forma de ingerência nos seus assuntos internos.

Cotai | Restaurante de José Avillez no “100 Top Tables 2026”

O restaurante Mesa by José Avillez, no Grand Lisboa Palace, e que tem como chef executivo Herlander Fernandes, consta na mais recente lista dos 100 melhores restaurantes do jornal South China Morning Post, o “100 Top Tables 2026”. Ao lado do Mesa, descrito como um “espaço elegante que oferece clássicos portugueses ao mais alto nível”, surgem nomes habituais como o The Eight ou Robuchon au Dôme

Já é conhecida a mais recente lista “100 Top Tables 2026” do jornal em língua inglesa de Hong Kong South China Morning Post (SCMP), e Macau leva para esta contagem um punhado de restaurantes, na maioria de comida cantonense. Há, porém, um único restaurante de comida portuguesa: o Mesa by José Avillez, que funciona no empreendimento Grand Lisboa Palace, no Cotai, mais concretamente no Hotel Karl Lagerfeld, e que tem como chef executivo Herlander Fernandes.

O restaurante abriu em Maio de 2023 e é descrito nesta edição do “100 Top Tables 2026” como um “espaço elegante que oferece clássicos portugueses ao mais alto nível”.

“Se a comida portuguesa em Macau é obrigatória, poucos lugares a executam melhor do que o Mesa, onde José Avillez apresenta uma visão refinada e contemporânea da sua cozinha de origem. A elegante sala de jantar — concebida pelo falecido ícone da moda Karl Lagerfeld — destaca-se por um dramático tecto estrelado em LED que transforma o ambiente do dia para a noite”, pode ler-se.

Esta lista do SCMP destaca ainda que Herlander Fernandes “lidera uma equipa que equilibra sabores clássicos com um toque moderno, oferecendo pratos como o leitão crocante de assinatura, o rico arroz de marisco com caviar e o popular pastel de bacalhau como entrada”. É também referido o “imaginativo” “One of the Three Little Pigs” para sobremesa, considerada uma criação divertida com bolachas de bolota, gelado com infusão de presunto curado e caramelo de tutano”, e que para o júri “revela o lado mais criativo da cozinha”.

Ainda dentro do universo da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), operadora de jogo a que pertence o Grand Lisboa Palace e o hotel Karl Lagerfeld, há mais dois restaurantes na lista: o The Eight e Robuchou au Dôme, ambos no hotel Grand Lisboa, na península.

O que é chinês é bom

No rol de restaurantes onde se podem degustar grandes refeições com a promessa de qualidade e requinte constam seis em empreendimentos da Melco: o Alain Ducasse no Morpheus, DIVA, Jade Dragon, Pearl Dragon, Yí e Ying. Segundo um comunicado da operadora de jogo, esta inclusão no “Top 100” prova “o compromisso contínuo da Melco no apoio ao estatuto de Macau como Cidade Criativa da Gastronomia da UNESCO”.

Este guia é publicado anualmente e revela o melhor da alta gastronomia não apenas em Macau, como em Hong Kong. No caso da Melco, distinguiu-se “a elegância contemporânea francesa do Alain Ducasse” no Morpheus” bem como “os inovadores sabores regionais chineses do Yí”, sem esquecer “as sofisticadas tradições cantonesas do Jade Dragon e do Ying”.

Lawrence Ho, presidente e CEO da Melco Resorts & Entertainment, felicitou “as nossas talentosas equipas culinárias e de alimentos e bebidas pela sua dedicação incansável à excelência”. No caso da Galaxy, são cinco os restaurantes no “100 Top Tables”, como é o caso do Feng Wei Ju, 8½ Otto e Mezzo BOMBANA, Lai Heen, Sushi Kissho by Miyakawa e Teppanyaki Shou.

“A inclusão de vários restaurantes do Galaxy Macau, abrangendo as tradições culinárias chinesa, italiana e japonesa, reflecte a capacidade deste premiado resort de luxo para reunir talento de classe mundial, mestria refinada e hospitalidade irrepreensível num único destino”, lê-se ainda.

Já a operadora MGM colocou dois espaços gastronómicos na lista: o Imperial Court, situado no MGM MACAU, e o Five Foot Road, no MGM COTAI, sendo esta uma repetição no guia, à semelhança de outros restaurantes aqui citados. Esta é já a 14ª edição do guia do SCMP, sendo “amplamente considerado como um dos guias gastronómicos mais conceituados de Hong Kong e Macau”, tendo ainda por júri “críticos gastronómicos e especialistas do sector”, explica a MGM.

Se o Imperial Court revela o melhor da culinária tradicional Lingnan Guangfu, com o chefe executivo Homan Tsui, o Five Foot Road “inspira-se na cultura dos grandes banquetes das mansões de Chengdu durante a era republicana, oferecendo uma experiência de alta cozinha de Sichuan imersiva que enfatiza o ritual, a profundidade e a complexidade de sabores”, descreve a operadora de jogo. O seu subchefe executivo é Yang Dengquan e tem mais de 40 anos de experiência, fazendo “interpretações refinadas de pratos clássicos, incluindo o tradicional Ninho de Andorinha Estufado com Frango Picado e Clara de Ovo em Caldo”, é descrito.

Também o Wynn levou quatro restaurantes para a lista do SCMP, nomeadamente o Chef Tam’s Seasons e o Mizumi, no Wynn Palace, juntamente com o Wing Lei e Drunken Fish, no empreendimento Wynn Macau. A operadora de jogo teve ainda direito a uma estreia, com o Wing Lei Bar, também no Wynn Palace.

Festival K-Spark estreia em Macau com concerto de G-Dragon

É já este sábado, 2 de Maio, que o cantor sul-coreano de K-Pop G-Dragon, considerado como o “Rei do K-Pop” actua em Macau no âmbito do festival de música K-Spark, na Zona de Espectáculos ao Ar Livre, no Cotai. O espectáculo será o mote para G-Dragon apresentar o seu mais recente álbum, editado no ano passado, “Übermensch”. G-Dragon é também membro integrante da “boys band” Big Bang, com a qual actuou recentemente no festival de música Coachella.

G-Dragon, de nome Kwon Ji-yong, alinha também nas sonoridades rapp, compõe e produz canções, sendo um dos mais conhecidos nomes da pop coreana com sucesso em todo o mundo. A ligação aos Big Bang surgiu em 2006, tendo produzido grandes sucessos como “Heartbreaker” ou “Crooked”.

“Übermensch” é o terceiro álbum de estúdio de G-Dragon, um trabalho discográfico que deu origem a um documentário sobre a digressão com o mesmo nome, em que “cada som, cada respiração e cada instante que redefine o seu legado irrompe no grande ecrã”, lê-se na sinopse do filme, que esteve nas salas de cinema no ano passado. Nesta película, os fãs ou simplesmente curiosos deste fenómeno do K-pop podem sentir “a energia bruta, o fogo, a magia irrepetível captada ao vivo e liberta no grande ecrã”.

Regresso a Macau

De frisar que esta não é a primeira vez que G-Dragon actua em Macau, já que no ano passado, em Junho, foi a vez da Galaxy Arena acolher dois concertos do cantor, também com a tourné criada no âmbito do lançamento deste terceiro disco.

O primeiro concerto da digressão aconteceu no Goyang Stadium, Coreia do Sul, tendo Macau sido a quinta paragem depois dos espectáculos em algumas cidades no Japão. A passagem de G-Dragon pelo território gerou alguma polémica por terem sido encontrados trabalhadores ilegais em postos de venda do concerto, levando mesmo alguns deputados a criticarem o sucedido na Assembleia Legislativa.

No festival K-Spark deste sábado espera-se ainda actuações de outros grupos coreanos, como é o caso de Daesung, P1Harmony, Kiss Of Life e KiiiKiii. A organização destaca “um design de palco único e combinação de artistas” que promete fazer as delícias dos fãs. A mais recente edição deste festival ocorreu na Malásia, em Janeiro deste ano, também com a actuação de G-Dragon e de nomes como Hwasa, Itzy, Dpr Ian, Dolla e 3P. A Zona de Espectáculos ao Ar Livre foi inaugurada em 2024 e tem capacidade para mais de 50 mil pessoas.

DSAL | Lançada nova edição de estágios para cinema

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) aceita candidaturas para uma nova edição do “Plano de estágio de produção cinematográfica e televisiva em Hunan para os jovens de Macau”, a fim de apoiar “o desenvolvimento da carreira profissional dos jovens”.

As candidaturas decorrem entre os dias 4 e 22 de Maio, sendo que o plano dura um mês e disponibiliza 30 vagas de estágios. O programa arranca a 7 de Julho na cidade Changsha, na província de Hunan, sendo que os estágios decorrem nas áreas de operação dos novos media, editor assistente, director assistente, editoração posterior, efeitos visuais (VFX) em embalagens, produção de AIGC e tradução de vídeo por inteligência artificial, descreve um comunicado do Instituto Cultural (IC).

O programa decorre em parceria com várias entidades de media da província de Hunan, nomeadamente a Hunan TV World/International, a Hunan Shiyi Culture Technology Co., Ltd e o Malanshan Audio & Video Lab. Na primeira semana de estágio decorre um seminário e curso teórico para profissionais do sector, realizando-se depois o respectivo estágio.

O IC diz que esta iniciativa vai permitir aos jovens de Macau “conhecerem o processo de produção cinematográfica e produção de televisão do Interior da China”, bem como o ambiente “dos meios de comunicação social”.

Os estagiários terão acesso a alojamento e apoio básico, devendo os candidatos ser residentes da RAEM com idades até aos 35 anos. Devem ter licenciatura ou grau académico superior, com cursos de instituições de ensino superior sediadas em Macau ou no exterior, podendo também ser estudantes do terceiro ano ou superior das referidas instituições de ensino superior e possuírem os requisitos necessários para os postos de estágio.

O subsídio atribuído é de cinco mil patacas, além de que o subsídio de deslocação de ida e volta e de seguro de viagem no valor de 1.500 patacas, de uma só vez.

Criminalidade | Abuso sexual de crianças aumentou 77,3% em 2025

As forças policiais registaram 39 casos de abuso sexual de crianças em 2025, mais 77,3 por cento do que no ano anterior. Os dados fazem parte do balanço da criminalidade em 2025, divulgado na terça-feira apenas na página do gabinete do secretário para a Segurança, Chan Tsz King, sem a realização da habitual conferência de imprensa.

Num comunicado, o gabinete confirmou que irá deixar de realizar conferências de imprensa trimestrais para apresentar os dados, “no intuito de aumentar a transparência das informações” e contribuir “para a paz e harmonia”. Ainda assim, a nota admite que “os respectivos trabalhos de divulgação serão realizados, sempre que necessário, presencialmente”.

O balanço revela ainda que o número de crimes de jogo ilícito em Macau mais que quadruplicou em comparação com 2024, atingindo 570. O documento não fornece qualquer explicação para o aumento dos delitos de jogo ilícito. As forças policiais deixaram também de divulgar dados sobre burla com recurso às telecomunicações e à Internet. O balanço menciona apenas uma queda de 19,5 por cento nas burlas em geral e de 42,7 por cento na criminalidade informática.

No geral, as forças policiais registaram quase 13.500 delitos criminais em 2025, menos 5,9 por cento do que no ano anterior, sobretudo graças a uma queda de 10,5 por cento nos crimes contra o património, incluindo roubo, furto e burla.

GP Consumo | Gerados 290 milhões em duas semanas

Nas primeiras duas semanas, o Grande Prémio do Consumo gerou negócios de cerca de 290 milhões de patacas e foram utilizados cupões de desconto num valor superior a 61 milhões de patacas. Em relação às verbas atribuídas através de cartões de idosos ou portadores de deficiência, foram gastos mais de 18 milhões de patacas

A nova edição do Grande Prémio do Consumo gerou nas primeiras duas semanas negócios na ordem dos 290 milhões de patacas, indicou ontem a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT). A medida de apoio ao comércio local, cuja última edição arrancou no dia 10 de Abril, tem sido uma das medidas do Governo para fazer face ao impacto do baixo consumo de turistas e residentes. Nas primeiras duas semanas desta edição, foram gastos mais de 3,18 milhões de cupões num valor superior a 61 milhões de patacas.

O Governo revelou que nesta ronda, os residentes estão a utilizar mais os descontos, com uma taxa de utilização global na ordem dos 92 por cento, o que representa um aumento de 6,6 por cento face ao período homólogo da actividade do ano anterior.
A DSEDT explica o aumento da utilização dos cupões descontos como um reflexo do “prolongamento do período de utilização”, que “permite um gozo mais suficiente dos benefícios electrónicos”.

Recorde-se que nesta ronda, os sorteios de cupões são disponibilizados após gastos superiores a 50 patacas em compras feitas em lojas aderentes durante o fim-de-semana, e podem ser usados durante a semana, invertendo o sistema das rondas anteriores do Grande Prémio do Consumo.

Os sectores beneficiários são essencialmente os de venda a retalho e de restauração, representando, respectivamente, 62 e 29 por cento do consumo total.

Outros caminhos

Nas primeiras duas semanas desta ronda, foram efectuadas 1,7 milhões de transacções oferecendo oportunidades para ganhar descontos electrónicos. O Governo realça que “o número médio diário de transacções é quase o dobro em relação ao do Grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias 2025”. Face aos dados apresentados ontem, o Governo concluiu que “a actividade deste ano recebe reacções mais entusiásticas por parte dos cidadãos, tendo registado um nível de participação significativamente mais elevado em relação ao ano passado”.

A outra modalidade disponível para beneficiar da iniciativa é pela via dos cartões Macau Pass para idosos e para deficientes, onde os beneficiários recebem 500 patacas em cartão. Neste capítulo, a DSEDT dá conta de gastos superiores a 61 milhões de patacas. Até às 10h de ontem, mais de 100 mil pessoas elegíveis já tinham os cartões Macau Pass carregados.

Ao longo das 10 semanas que irá durar a iniciativa, os residentes podem utilizar benefícios electrónicos e descontos imediatos em mais de 20 mil estabelecimentos comerciais de Macau.

Macau poderá beneficiar de diversificação da economia antes do previsto

A agência de notação financeira Moody’s admitiu que, num “cenário positivo”, os esforços de diversificação da economia de Macau, altamente dependente dos casinos, poderão dar frutos mais cedo do que o previsto. Num relatório divulgado na terça-feira, a Moody’s afirma que “o perfil de crescimento de Macau poderá beneficiar de um progresso mais rápido no sentido da diversificação económica do que o actualmente previsto”.

De acordo com dados oficiais, o benefício económico do jogo representou quase metade de todo o Produto Interno Bruto de Macau em 2025. Se aos casinos se juntar o turismo, então este sector reúne 74,1 por cento da economia local.

A Moody’s defendeu que a “elevada dependência de um único sector” gera “uma volatilidade significativa no crescimento”, até porque o negócio dos casinos pode “diminuir gradualmente em conjunto com um crescimento económico mais fraco na China continental a longo prazo”. A agência indicou ainda que a diversificação da economia enfrenta obstáculos, incluindo a “escassez de mão-de-obra qualificada” e os desafios demográficos de Macau relacionados com o envelhecimento da população.

Notação fica em Aa3

Num comunicado, a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) sublinhou que a Moody’s manteve o ‘rating’ da região em ‘Aa3’, o quarto nível mais alto, e melhorou a perspectiva de ‘negativa’ para ‘estável’. A Moody’s lembrou que Macau é a única jurisdição sem qualquer dívida externa e que contava, no final de Janeiro, com uma reserva financeira no valor de 673,8 mil milhões de patacas.

Além disso, a AMCM sublinhou “a estreita ligação económica” entre Macau e a China continental, onde “a robustez macroeconómica e a solidez das finanças públicas” têm demonstrado “elevada resiliência perante choques externos”. No entanto, a Moody’s apontou como um risco para o ‘rating’ da região “uma intensificação dos laços políticos e institucionais” com o Interior.

Algo que “provavelmente reduziria a eficácia das políticas económicas ou fiscais em Macau, poderia também levar a uma descida da classificação” do território, explicou a agência.

Direito | Macau e Coimbra criam centro sobre IA

A nova parceria entre a Universidade de Coimbra e a Universidade de Macau visa “promover a colaboração interdisciplinar na investigação e educação avançada” na ligação entre Direito e Inteligência Artificial. Nos últimos anos, as duas instituições têm promovido várias iniciativas conjuntas

A Universidade de Macau (UM) anunciou ontem a criação de um centro conjunto com a Universidade de Coimbra (UC) sobre Direito e Inteligência Artificial (IA).

Num comunicado, a UM indicou que o novo centro “irá promover a colaboração interdisciplinar na investigação e educação avançada” na ligação entre Direito e IA. A instituição deu como exemplo “projectos de investigação conjunta, formação de quadros, organização de conferências internacionais” e intercâmbio de professores e estudantes.

A UM sublinha que a nova iniciativa representa “uma expansão significativa” da cooperação com a universidade portuguesa no domínio dos estudos jurídicos. Em Outubro de 2024, as duas instituições assinaram um acordo para a criação de um doutoramento em co-tutela na área da Saúde “e das Neurociências em especial”, disse na altura à Lusa o vice-reitor para as Relações Externas da UM, João Nuno Calvão da Silva.

Um ano antes, a UC e a UM criaram um laboratório conjunto para estudar o envelhecimento cognitivo e responder às necessidades geradas pelo aumento da esperança de vida. O acordo para a criação do novo centro conjunto sobre Direito e IA foi assinado em 20 de Abril pelo reitor da UM, Song Yonghua, que esteve em Lisboa integrado na comitiva do líder do Governo, Sam Hou Fai.

Acordo com a UL

Na mesma ocasião, a UM assinou um acordo com a Universidade de Lisboa (ULisboa), que irá apoiar a criação da primeira faculdade de medicina publica da RAEM. Os finalistas do curso conjunto de licenciatura na futura Faculdade de Medicina da UM, com inauguração prevista para 2028, poderão fazer uma tese para completarem o mestrado integrado da ULisboa.

A UM sublinhou ontem que os médicos assim formados poderão obter o reconhecimento e exercer medicina não apenas em Macau, Hong Kong, China continental e Portugal, mas também em toda a União Europeia. Ainda em Lisboa, a UM assinou um acordo com o IPLuso – Instituto Politécnico da Lusofonia e a Universidade de Medicina Tradicional Chinesa de Chengdu para “fomentar a cooperação educacional e de investigação em medicina chinesa”.

A parceria irá usar os recursos das três instituições para formar profissionais de medicina tradicional chinesa, tirando partido “do papel único de Macau como ponte de ligação entre a China e Portugal”.

UTM | Chan Chak Mo presidente mais três anos

O empresário e ex-deputado Chan Chak Mo vai continuar a ser durante mais três anos o presidente do Conselho Geral da Universidade de Turismo de Macau. A renovação do mandato foi publicada ontem no Boletim Oficial, num despacho assinado pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam.

Além de Chan Chak Mo, a secretária também renovou o mandato de Francis Lui Yiu Tung, presidente da concessionária Galaxy, como vice-presidente, assim como dos outros membros: Rutger Eduard Louis Verschuren, Cheung Kin Chung, Irwin Poon Yiu Wing, Wong Fai, Yuan Jing e Kan Cheok Kuan.

No entanto, O Lam fez entrar para o órgão que aprova as linhas gerais do desenvolvimento da instituição o deputado Ip Sio Kai e de Kan Cheok Kuan, gestor que ao longo dos anos acumulou cargos em empresas como a SEMAC, Heliporto de Macau ou CAM.

CCAC | Mulher tenta pagar a segurança para entrar em casino

O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) encaminhou para o Ministério Público o caso de uma mulher que tentou subornar com 500 dólares de Hong Kong um segurança de um casino, para entrar no espaço de jogo.

A informação foi divulgada ontem e a suspeita encontra-se actualmente proibida de entrar em espaços de jogo. “Segundo o que foi apurado, uma mulher que foi proibida de entrar nos casinos de uma empresa integrada de turismo e lazer, ofereceu 500 dólares de Hong Kong a um guarda de segurança em serviço, em troca de permissão da sua entrada no casino. No entanto, o guarda recusou imediatamente a oferta e apresentou denúncia”, foi revelado.

“Após investigação, o CCAC considerou haver provas de que a referida mulher teria cometido o crime de corrupção activa no sector privado previsto na Lei de Prevenção e Repressão da Corrupção no Sector Privado, tendo o caso sido encaminhado para o Ministério Público”, foi acrescentado

No comunicado o CCAC apela “ao público para ser íntegro e cumpridor da lei e incentiva o pessoal das entidades privadas a denunciar, sem hesitação e de imediato, ao CCAC quaisquer actos ilícitos, nomeadamente, envolvendo corrupção activa e passiva”.

Habitação social | Fracções chegam a menos de metade dos candidatos

Em seis anos e meio, o Instituto de Habitação recebeu mais de 10 mil candidaturas, das quais 73,5 por cento foram admitidas, resultando na atribuição de habitações sociais a 41,8 por cento dos candidatos. Entre os concorrentes em lista de espera, a larga maioria representam agregados de apenas uma pessoa

Entre o primeiro dia de candidaturas permanentes a habitação social, 20 de Agosto de 2020, e ontem, o Instituto de Habitação (IH) recebeu 10.079 candidaturas em que foram submetidos todos os documentos exigidos. Deste universo, 7.407 foram admitidas pelo IH, correspondendo a 73,5 por cento, enquanto 1.788 (17,7 por cento) foram indeferidas por incumprimento dos requisitos, de acordo com as estatísticas publicadas no portal do IH.

Dos mais de 10 milhares de candidaturas, apenas 407, ou cerca de 4 por cento, estão ainda em apreciação, registo ligeiramente inferior ao número de desistências (438).

No que diz respeito às candidaturas admitidas para habitação social, dos 7.470 processos, 5.342 foram concluídos, o que corresponde a 72,1 por cento das candidaturas admitidas. Entre os processos concluídos, foram atribuídos 4.218 apartamentos, representando uma proporção de 79 por cento.

Já com os processos em andamento, após a admissão de candidaturas, o IH deu conta de mais uma vaga de desistências nos últimos seis anos e meio, com mais 606 candidatos a perder o interesse em habitações sociais. As autoridades especificam que das 7.407 candidaturas admitidas, estão em lista de espera 2.065 processos, o que corresponde a 27,9 por cento.

Quem é quem

De acordo com os dados do IH, a composição dos agregados familiares cuja candidatura se encontra em lista de espera são essencialmente pessoas individuais. Dos 2.065 processos ainda pendentes, 1.146 dizem respeito a candidaturas individuais, ou seja 55,5 por cento, enquanto que um terço (33 por cento) dos processos a aguardar resolução foram submetidos por agregados familiares constituídos por duas pessoas.

As candidaturas em lista de espera que dizem respeito a famílias com 5 ou mais pessoas são as menos “representadas”, com apenas sete processos, ou seja 0,3 por cento.

PME | Crédito malparado caiu 6,3 por cento no 2.º semestre de 2025

Apesar da redução do valor total do crédito malparado, a taxa de incumprimento tem crescido, o que foi explicado com a existência de menos crédito no mercado

Na segunda metade do ano passado, o crédito malparado das pequenas e médias empresas (PME) apresentou uma redução de 6,5 por cento, de acordo com o relatório sobre as Estatística de Crédito das PME. No entanto, os dados da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), mostram que a taxa de incumprimento está a subir.

No final de Dezembro de 2025 as dívidas de PME em atraso há mais de três meses atingiram 5,3 mil milhões de patacas, uma redução de 6,5 por cento em comparação com os dados de Junho desse ano, quando as dívidas chegavam a 5,6 mil milhões de patacas.

A grande maioria das dívidas em atraso está por pagar há mais de um ano. O relatório aponta que dos 5,3 mil milhões de patacas em crédito malparado 3,7 mil milhões de patacas estão há mais de um ano por pagar, o que representa uma proporção de 70,9 por cento. A segunda fatia mais relevante, das dívidas tem um atraso de seis meses a um ano, com um valor de 1,4 mil milhões de patacas, ou 25,7 por cento do total. As dívidas com um atraso superior a três meses, mas inferior a seis meses são de 177,9 milhões de patacas, o que significa 3,4 por cento do total.

Apesar da redução do incumprimento, a taxa de incumprimento tem crescido, atingido 7,9 por cento em Dezembro, quando em Junho não ia além dos 7,6 por cento, um aumento de 0,3 pontos percentuais. Nas conclusões do relatório, a AMCM indica que este aumento se deveu ao facto de haver menos crédito no mercado das PME.

Menos crédito às PME

No espaço de seis meses o crédito emitido pelas instituições de crédito às PME apresentou uma redução de 74,5 mil milhões de patacas para 67,3 por cento, uma diminuição de 9,7 por cento.

O sector que mais recorreu aos empréstimos foi a construção civil, com 42,6 por cento do total, seguido pela categoria “outros”, com 33 por cento. As vendas por grosso e retalho foram o terceiro sector mais significativo, ao receberem 13,8 por cento dos empréstimos, enquanto os restaurantes, hotéis e actividades semelhantes foram responsáveis por 6,8 por cento, enquanto a manufactura pediu 1,9 por cento do crédito total, e os transportes, armazéns e comunicações 1,3 por cento.

Em relação aos principais motivos que levaram as instituições de crédito a recusar empréstimos, no topo da lista surge a “fraca credibilidade”, invocada em 33,3 por cento dos pedidos recusados. Entre outros motivos mais utlizados surge o “desempenho pouco satisfatório” e ainda a “falta de transparência”.

Literatura | Beltrão Coelho lamenta falta de visibilidade de Leal de Carvalho

Rodrigo Leal de Carvalho, juiz e escritor falecido em Janeiro aos 93 anos, “foi sempre preterido em termos oficiais” em Macau, segundo Rogério Beltrão Coelho, que publicou a maioria das obras de Leal de Carvalho com a Livros do Oriente. Num colóquio online, Beltrão Coelho denunciou a dificuldade de criar, ou manter presentes, livros de Macau em Portugal

Decorreu na terça-feira o “Congresso de Homenagem a Rodrigo Leal de Carvalho”, juiz do Supremo Tribunal de Justiça e escritor recentemente falecido, aos 93 anos. O evento, online, foi promovido no âmbito do Seminário Permanente de Estudos sobre Macau, ligado a dois centros de investigação da Universidade Nova de Lisboa.

Na sessão, Rogério Beltrão Coelho, editor da Livros do Oriente e responsável por grande parte da edição dos romances de Leal de Carvalho, destacou o facto de ser quase “a primeira vez, em 15 anos de actividade ligada ao autor, que o editor é chamado a participar” e a falar sobre a obra deste autor que viveu em Macau no âmbito da sua actividade jurídica, mas sobre o qual deixou obra literária importante.

Rogério Beltrão Coelho, que editou, com a Livros do Oriente, títulos como “A Mãe” ou “Requiem por Irina Ostrakoff”, destacou que este romance daria “um filme extraordinário”, mas essa ideia “nunca foi sugerida por ninguém, nem pelos serviços oficiais, que nunca fizeram a abordagem para esse projecto”.

Beltrão Coelho lamenta mesmo que o Instituto Cultural (IC) não tenha dado a devida atenção a Leal de Carvalho e que se tenha imiscuído, muitas vezes, nas tarefas que cabe ao editor de um escritor.

“Houve, durante uns 15 anos, uma oposição sistemática dos serviços públicos, que queriam chamar a si uma actividade que, à partida, pode ser oficial com algumas condições, como é o caso da Imprensa Oficial, mas que em Macau tem uma componente comercial e de divulgação que os serviços públicos não podem fazer. E o doutor Leal de Carvalho foi sempre preterido em termos oficiais durante os anos em que esteve em Macau. Respeitavam-no, ninguém dizia que não era bom [escritor], mas foi sempre preterido. Ainda bem que se está agora a falar nele, e a ser reavivado”, disse.

O fundador da Livros do Oriente diz ter “sofrido por não dar a Rodrigo Leal de Carvalho a posição que ele, de facto, merecia”. “Fizemos [Livros do Oriente] tudo o que estava ao nosso alcance, e deu até certo ponto, mas não deu tudo o que gostaria que tivesse dado”, acrescentou.

Beltrão Coelho referiu os tempos em que o IC, nos anos 80, “produzia livros sem revisão prévia” que, “depois de impressos, e com gralhas, iam para o lixo e faziam-se outros, porque havia dinheiro”.

“Portanto, o Instituto Cultural não estava vocacionado para ser editor, mas para regular a actividade, criar condições para as editoras produzirem, criar prémios literários. Mas chamava a si tudo isso [tarefas do editor], inclusivamente as feiras do livro fora de Macau, em que o Instituto Cultural ia sem convidar ninguém.”

Nas palavras de Rogério Beltrão Coelho, que falou na apresentação “As publicações de Rodrigo Leal de Carvalho em Macau”, a Livros do Oriente “foi, seguramente, a editora que produziu, sem exagero, 90 por cento da ficção de Macau nos anos 90 e que tem mais de 14 autores de ficção e 9 de poesia editados”.

Ainda sobre a ligação do IC com editores e livreiros, Beltrão Coelho recorda que nem sempre beneficiaram da divulgação da literatura que se fazia no território, pois “de cada vez que alguém chegava a Macau e perguntava o que se passava em termos literários, o caminho indicado era apenas um [o próprio IC]”, e que “nunca ninguém foi encaminhado para a Livros do Oriente”.

Uma “ligação visceral”

Foi em 1992 que Beltrão Coelho travou contacto com Rodrigo Leal de Carvalho, quando este foi colocado em Macau, sendo um “dos mais discretos magistrados” do território, no papel de Procurador-geral Adjunto. Foi aí que o editor teve conhecimento da escrita de “Requiem por Irina Ostrakoff”, editado em Janeiro de 1993.

Leal de Carvalho ainda pensou em usar um pseudónimo, mas foi o seu nome verdadeiro que foi dado à estampa. “Estávamos perante o que se poderia classificar de romance histórico, romance-saga ou romance psicológico, no qual eram intersectados acontecimentos históricos ocorridos nos espaços geográficos onde os protagonistas iam vivendo entre as décadas de 20 e 50 do século XX. Tudo com uma rara qualidade literária cuja publicação se impunha”, disse Beltrão Coelho.

“Requiem por Irina Ostrakoff” foi um sucesso, com três edições, “uma situação excepcional em Macau”, e foi “a única obra de ficção distinguida em 1994 com um galardão literário – o prémio IPOR [Instituto Português do Oriente] – nos últimos 25 anos de administração do território”.

Beltrão Coelho recordou a “ligação profunda e visceral a Macau” que Leal de Carvalho manteve nos sete livros seguintes editados por si. “Inteligentemente, e felizmente para nós, leitores, é sempre uma ligação apaixonada e irónica, sem deixar de exercer suficientemente a crítica a Macau, às suas gentes e etnias. Macau é a dama pela qual luta e sofre, numa adesão total quase carnal. A tudo isso se pode acrescentar uma extraordinária capacidade de recriar ambientes e passá-los vivos, quase interactivos, usando uma linguagem moderna para quem o lê, o que não acontece só com Macau”, recordou.

Beltrão Coelho lembrou ainda a personalidade de Leal de Carvalho, um autor “teimoso” com algumas escolhas e ideias, e que, no território, “cedo engajou a simpatia das elites, e não só, de Macau, passando a figura omnipresente nas actividades culturais do território”, embora fosse “formal e discreto como entendia ser exigência do seu estatuto”.

“Ninguém alguma vez imaginou que pudesse ser autor de uma obra como ‘Irina’, não pela qualidade da escrita, que se podia adivinhar pela muito elevada cultura que lhe se conhecia, mas pelo comportamento conservador, reservado e até tímido.”

Foi também destacada a edição de “As Rosas Brancas do Surrey”, em Dezembro de 2007, livro que começou a ser publicado em formato folhetim no jornal Ponto Final em 2005.

Um “percurso inédito”

Para Rogério Beltrão Coelho, “toda a obra de Leal de Carvalho fez um percurso inédito em Macau”, com títulos “a serem, quase sempre, os mais procurados no que se refere à literatura de Macau e que, durante os anos 90, antes do colapso das grandes distribuidoras em Portugal, estiveram acessíveis nas livrarias do país” e até na Feira do Livro de Lisboa.

Beltrão Coelho deixou no ar a possibilidade de Rodrigo Leal de Carvalho ser “o mais importante escritor que se refere ao Extremo Oriente, na senda de William Somerset Maugham, Joseph Conrad ou Rudyard Kipling”, sem desprimor para autores como Maria Ondina Braga ou Venceslau de Morais.

Quem o leu, de Macau, e “os macaenses liam-no muito”, encontraram nos seus livros “as histórias que eles próprios conheciam e que estavam ali relatadas, embora de forma ficcionada”. “Mas sabiam quem eram os personagens – alguns deles extremamente irónicos, sobretudo nas críticas que fazia à incapacidade da administração portuguesa que ‘reinava’ em Macau”. “Era um homem notável e, sobretudo, com uma educação e delicadeza… só tinha amigos e admiradores em Macau”, frisou.

O fim da livraria

Ainda sobre a dificuldade de distribuição, ou da existência, de obras sobre Macau em Portugal, Rogério Beltrão Coelho lamentou o encerramento, no período da covid-19, da livraria que funcionava na Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa, e que anualmente se fazia representar na Feira do Livro de Lisboa.

“Tínhamos uma livraria na delegação de Macau e a primeira coisa que se fez foi acabar com isso. Não havendo livros em mais lado nenhum, encaminhavam-se as pessoas para aquele sítio. Hoje não há nenhum local com livros de Macau, e como é um tema que não é muito generalista, as livrarias não aceitam [as obras]. Não é fácil [a distribuição]”, salientou.

Beltrão Coelho destacou que em 1999, aquando da transferência da administração portuguesa de Macau para a China, a Livros do Oriente propôs oferecer dois exemplares de cada uma das edições às bibliotecas portuguesas, o que aconteceu. “Verificou-se, e hoje verifica-se dez vezes mais, que as bibliotecas recusavam porque não era tema que lhes interessasse, ou não tinham espaço”. Além disso, fazer reedições “não é fácil” por não haver “mercado”. O fundador da Livros do Oriente deixou a sugestão de digitalizar algumas obras e colocá-las na Biblioteca Nacional.

O congresso desta terça-feira contou ainda com a apresentação do livro “Dois Olhares sobre a Obra de Rodrigo Leal de Carvalho”, edição deste ano de Dora Nunes Gago e Anabela Freitas. Pedro D’Alte, da Universidade Politécnica de Macau, falou do lugar da mulher nas obras do romancista, enquanto que o tradutor David Brookshaw protagonizou a apresentação “Macau como destino, Macau como lugar de passagem. As ironias do destino na obra de Rodrigo Leal de Carvalho.” Mónica Simas, Dora Nunes Gago e Ana Paula Laborinho foram outras intervenientes no congresso.

China | Energia solar deve superar o carvão até ao final do ano

A capacidade instalada de energia solar na China deverá superar pela primeira vez a do carvão em 2026 e, juntamente com a eólica, representar metade do total, segundo previsões do sector eléctrico.

O Conselho de Electricidade da China (CEC) indicou num relatório divulgado ontem que o consumo de eletricidade no país deverá crescer entre 5 por cento e 6 por cento este ano, impulsionado por uma expansão estável da economia e pelo desenvolvimento de novas infraestruturas ligadas à inovação e modernização industrial.

Segundo o documento, intitulado “Relatório de análise e previsão sobre a situação nacional da oferta e da procura de electricidade”, a capacidade instalada de energia solar deverá ultrapassar a do carvão pela primeira vez, enquanto a soma da energia eólica e solar deverá atingir cerca de metade da capacidade total instalada até ao final de 2026.

No âmbito dos objectivos de “duplo carbono” – que prevêem atingir o pico das emissões antes de 2030 e a neutralidade carbónica até 2060 –, a incorporação de novas energias deverá manter um ritmo elevado. A nova capacidade instalada este ano deverá ultrapassar os 400 milhões de quilowatts, dos quais mais de 300 milhões corresponderão a fontes renováveis.

Como resultado, a capacidade total instalada de geração eléctrica na China deverá atingir cerca de 4.300 milhões de quilowatts até ao final do ano, com aproximadamente 63 por cento proveniente de fontes não fósseis, enquanto o peso do carvão deverá recuar para cerca de 31 por cento.

Organizações como a Greenpeace consideram que a China se encontra num ponto de inflexão na transição energética, com o rápido crescimento da energia eólica e solar a poder contribuir para antecipar o pico de emissões. Ainda assim, alertam que a expansão do uso do carvão continua e que o ritmo de instalação de renováveis começa a mostrar sinais de abrandamento.

Índia | Homem leva corpo da irmã a banco para levantar dinheiro

Um homem de uma comunidade tribal no estado de Odisha, no leste da Índia, levou os restos mortais da sua irmã a uma agência bancária para levantar as suas poupanças, depois de o banco se ter recusado a conceder-lhe acesso aos fundos.

“Fui ao banco várias vezes e as pessoas disseram-me para trazer a titular da conta para levantar o dinheiro depositado em nome dela. Mesmo dizendo que estava morta, não me ouviram e insistiram para que a trouxesse ao banco. Cavei a campa e retirei o seu esqueleto como prova da sua morte”, contou Jeetu Munda aos meios de comunicação social.

O incidente ocorreu depois de o banco ter exigido a certidão de óbito da irmã de Munda, documento necessário para processar o levantamento legalmente. Quando os funcionários se recusaram a processar o levantamento sem a certidão, Munda, que o banco alegou estar embriagado, colocou os restos mortais da irmã em frente à agência para comprovar a sua morte.

Segundo o comunicado de imprensa divulgado ontem pelo Indian Overseas Bank, o principal do banco rural do país, a intenção da instituição era proteger os fundos na conta desta mulher que pertencia a uma comunidade tribal pobre, sublinhando que “não houve nenhum caso de assédio”.

Segundo a polícia, a irmã de Munda faleceu há dois meses e tinha aproximadamente 19.300 rupias indianas (cerca de 170 euros) na sua conta bancária. O homem, que as autoridades dizem ser analfabeto, está a receber auxílio da polícia com a documentação necessária para obter a certidão de óbito que lhe permitirá recuperar o dinheiro da sua família.

Karting | Macau vai participar nas 24 horas de Genk

Uma equipa de Macau vai participar nas 24 Horas de Genk, prova de karting na Bélgica. A prova está agendada para este fim-de-semana, decorre entre 2 e 3 de Maio, num circuito lendário por onde passaram vários pilotos de Fórmula 1 e onde se estreou o tetracampeão Max Verstappen.

O território vai estar representado pela equipa ‘IXO Models Racing Team – Macau’, contando com seis residentes, entre eles o veterano Rui Valente, um dos pilotos mais experientes da RAEM, que tem somado presenças assíduas no Grande Prémio de Macau, assim como em várias provas no Interior.

A equipa vai ser liderada por Jean Peres, empresário de Macau, também com ligações à modalidade, tendo competido no campeonato asiático de karting (Rotax Asia Challenge), tal como o irmão Eric Peres, outro dos membros da equipa.

“Era um objectivo de longa data, mas só agora foi possível pôr este projecto em andamento. Vamos à experiência, mas queremos ser competitivos”, afirmou Jean Peres, gerente da PCT, grupo que detém a IXO Models, empresa de Macau que é uma das maiores fabricantes de miniaturas ‘diecast’ a nível mundial. Sérgio Lacerda, outro piloto com provas dadas no Circuito da Guia, também foi ‘recrutado’ para o desafio. A equipa conta ainda com dois aficcionados da modalidade: Duarte Machado, piloto de aviões radicado em Lisboa, e Pedro Maia, ex-jornalista.

“É um grupo interessante, entre pilotos com maior experiência e outros que também já demonstraram talento em pista. Já nos conhecemos há algum tempo e sabemos o que cada um pode acrescentar à equipa. Uma corrida de 24 horas é muito exigente. Não só a nível físico como também a nível mental. Depois existe toda a parte que envolve a organização e a estratégia. Será um grande desafio”, considerou Jean Peres.

Traçado com história

As 24 Horas de Genk são consideradas uma das melhores corridas de endurance da modalidade, envolvendo normalmente entre 30 a 40 equipas. A prova decorre todos os anos no mítico Kartódromo de Genk, um traçado homologado pela FIA, por onde passaram alguns dos pilotos mais conhecidos do mundo, entre os quais Max Verstappen, Michael Schumacher, Fernando Alonso, Kimi Raikkonen e Jenson Button.

O regulamento da prova obriga a fazer 32 paragens obrigatórias na boxe durante as 24 horas, com reabastecimento de combustível. Nas paragens é possível efectuar a troca de pilotos. Os treinos livres estão agendados para sexta-feira, 1 de Maio. As sessões de qualificação decorrem durante a manhã de sábado. O arranque da corrida está marcado para as 15h, hora local, com o final previsto para a mesma hora de domingo.

Quando o amor é o certo, mas o lugar não

Os casais tornaram-se cada vez mais culturalmente diversos e, ao mesmo tempo, mais móveis. Hoje, escolher com quem estar está frequentemente relacionado com decidir onde viver. Para muitos, o amor já não se constrói apenas dentro de uma geografia fixa, e, paradoxalmente, é essa liberdade que traz novos dilemas.

Para privilegiar relações íntimas, muitos casais tomam decisões migratórias: mudam de país, de cidade e de língua. Procuram um lugar onde a vida em comum faça sentido — seja uma metrópole cosmopolita, seja um refúgio mais isolado. Mas esta procura raramente é desprovida de questões importantes. Nos casais interculturais, esta questão torna-se particularmente evidente. A investigação tem mostrado que estes casais não são necessariamente mais frágeis, mas são mais sensíveis ao contexto. Isto significa que o sucesso ou dificuldade da relação pode depender do ambiente em que vivem. O lugar onde assentam as suas vidas influencia profundamente perceções de pertença, suporte e integração. Um país pode oferecer acolhimento e oportunidades — ou, pelo contrário, reforçar sentimentos de exclusão e tensão identitária. Para um dos parceiros, pode ser “casa”; para o outro, um território de constante adaptação. E essa assimetria, quando prolongada no tempo, influência a relação, ou seja, o mesmo casal pode florescer num contexto e definhar noutro.

Recentemente, um artigo do The Guardian explorava precisamente histórias de relações que terminaram não por falta de amor, nem por incompatibilidades emocionais evidentes, mas por aquilo que se poderia chamar uma incompatibilidade geográfica. Casais que funcionavam bem no plano íntimo, mas que não conseguiam encontrar um lugar onde ambos pudessem viver com sentido. Um queria regressar, o outro precisava de ficar.

Estas histórias são surpreendentes porque desafiam uma ideia muito enraizada: a de que o amor supera tudo. Mas talvez esta seja uma das ilusões mais persistentes das narrativas românticas. O amor não existe no vazio. Ele é vivido em contextos concretos e ignorar isso é reduzir a complexidade da vida a uma dimensão emocional. O amor sobrevive num contexto de relações sociais e vida profissional satisfatórias. Também depende de predisposições sensoriais de conforto e bem-estar: imaginem alguém que viveu sempre num país tropical a emigrar para um país frio e escuro como a Islândia. Há pessoas que podem estar desejosas por viver em climas frios, outras que simplesmente vão reagir mal. Já para não falar das desigualdades que surgem quando um dos parceiros está mais à vontade com a língua do local do que outro. Quem fala melhor tem mais autonomia, mais voz, mais acesso. Quem não fala cria uma relação de dependência — e essa dependência pode, com o tempo, desgastar a relação. Não é apenas o casal que tem de trabalhar a relação, é também o lugar que tem de permitir que a relação exista, com membros autónomos e felizes.

Talvez o desafio seja abandonar a ideia de que existe um lugar perfeito — ou uma solução ideal — e aceitar que cada escolha implica perdas. Ficar pode significar abdicar de uma parte de si; partir pode significar perder raízes. O que estes casais mostram, muitas vezes, é que amar alguém de outra cultura é também aprender a viver com essa tensão, sem garantias de um final feliz.

A pergunta não é apenas “somos certos um para o outro?”, mas também “há um lugar onde possamos ser certos juntos?”. E, por vezes, a resposta mais difícil — e mais honesta — é que não.

FAM | Apresentada programação de edição de 2026. Tiago Rodrigues traz nova peça ao festival

Arranca no próximo dia 8 de Maio mais uma edição do Festival de Artes de Macau, que traz ao território uma peça do encenador português Tiago Rodrigues. O monólogo “Entrelinhas” é interpretado por Tonan Quito e é um dos destaques da programação, que traz também mais uma peça dos Doci Papiaçam di Macau: “Agora como?” (E agora?), em patuá

O monólogo “Entrelinhas” do português Tiago Rodrigues, interpretado por Tónan Quito, é um dos destaques da 36.ª edição do Festival de Artes de Macau (FAM), que arranca a 8 de Maio, foi ontem anunciado.

Numa conferência de imprensa, a presidente do Instituto Cultural de Macau (ICM), Leong Wai Man, sublinhou que apesar de ser um monólogo, o espectáculo consegue, “através de uma pessoa a actuar num palco, contar uma história completa”. “Entrelinhas” estará a 19 e 20 de Maio na Galeria dos Espelhos do Teatro D. Pedro V. Dada a ligação histórica entre Macau e Portugal, a peça “faz todo o sentido” para a edição de 2026 do FAM, cuja tema é “Rota Marítima da Seda como Ponte para o Intercâmbio Cultural”.

O ICM sublinhou que Tiago Rodrigues, dramaturgo, encenador, actor, director artístico do Festival d´Avignon, escreveu a peça especialmente para Tónan Quito, numa das várias colaborações entre os dois. “Através de um labirinto narrativo, entrelaça o Édipo Rei de Sófocles com as cartas de um recluso à sua mãe — palavras encontradas nas entrelinhas de uma tragédia grega descoberta na biblioteca de uma prisão”, explicou o ICM.

Na apresentação do programa, o ICM recordou que a “relação intimista com o público” de “Entrelinhas” valeu a Tónan Quito a nomeação para Melhor Actor pela revista Time Out em 2024. Em Abril de 2025, Macau recebeu a peça “O Cerejal”, original do dramaturgo russo Anton Tchékhov, com encenação de Tiago Rodrigues e interpretada pela actriz francesa Isabelle Hupert.

Apoio cultural

Com um orçamento de 22 milhões de patacas, menos 6 por cento do que em 2025, o FAM vai apresentar, entre 8 de Maio e 27 de Junho, espectáculos e actividades de ópera, dança, música, artes teatrais e exposições.

A companhia local Dóci Papiaçám di Macau irá levar ao palco do Centro Cultural de Macau (CCM) a peça em patuá “Agora como?” (E agora?), em 23 e 24 de Maio. O teatro neste crioulo de origem portuguesa faz parte da Lista de Património Cultural Imaterial Nacional chinesa desde 2021. À margem da apresentação, o encenador dos Dóci Papiaçam, Miguel Senna Fernandes, disse que a peça irá abordar “a distância bastante grande” entre “a recuperação brutal” dos negócios dos casinos e as dificuldades económicas dos pequenos negócios.

“No fundo, é questionar até que ponto, para aqueles que gostam de Macau, querem ficar e recusam-se a partir, o que fazer?” explicou Senna Fernandes. O encenador acrescentou que será “uma espécie de tragicomédia”, mas “com muita picardia”. “Afinal, julgo que neste momento somos o único grupo de sátira aqui em Macau”, sublinhou Senna Fernandes.

Doci não encerram

Ao contrário do que é tradição, os Dóci Papiaçám di Macau não irão encerrar o festival. A presidente do ICM justificou a alteração com a extensão da FAM, que este ano “dura mais tempo, quase dois meses”. Mas Leong Wai Man lembrou que o patuá “faz parte da cultura de Macau”, defendeu que a peça “continua a ser uma actividade de destaque” e que “é muito amada pelos residentes”.

A dirigente disse que o festival irá ainda assinalar o ano de intercâmbio cultural entre a China e o Cazaquistão, que se celebra em 2026. O espectáculo de abertura é “O Lótus na Rota da Seda – Tradições em Movimento”, que junta no CCM o Grupo de Danças e Cantares Birlik, do Cazaquistão, com grupos de dança locais.

Também do Cazaquistão vem a Companhia de Dança Teatro Jolda, que leva ao palco do CCM o trabalho “Duo de Dança”, em 22 e 23 de Maio. O programa inclui ainda uma mostra de espectáculos ao ar livre, de entrada gratuita, nos dias 22, 23 e 24 de Maio, no Jardim do Mercado de Iao Hon, com a participação da associação Casa de Portugal em Macau.

Souto de Moura ganha medalha da União Internacional dos Arquitectos

O arquitecto português Eduardo Souto de Moura vai receber a Medalha de Ouro da União Internacional dos Arquitectos (UIA), tornando-se no segundo português com esta distinção, anunciou ontem a Ordem dos Arquitectos. Em comunicado, a Ordem – que submeteu a candidatura do arquitecto do Porto – realçou que se trata da “mais alta honra mundial atribuída a um arquitecto em vida”, o que “representa um marco histórico para a obra de Eduardo Souto Moura, para Portugal e para a Arquitectura Portuguesa”.

Citado em comunicado, o presidente da Ordem dos Arquitectos, Avelino Oliveira, afirmou que “Souto Moura é autor de uma obra maior, disruptiva e intemporal”, tratando-se esta medalha do “culminar de um percurso pessoal e profissional de ampla produção arquitectónica e que faz de Portugal um dos lugares incontornáveis da arquitectura contemporânea”.

“Para a Ordem, este é um momento de projecção internacional que reforça a imagem de Portugal como referência mundial na arquitectura dos nossos dias. Para a arquitectura portuguesa, trata-se da confirmação de uma escola sólida, reconhecida e admirada globalmente”, pode ler-se no mesmo comunicado. Segundo a Ordem dos Arquitetos, a entrega da Medalha de Ouro vai ocorrer no dia 30 de Junho, na Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, no âmbito do Congresso Mundial de Arquitectos.

Carreira de sucesso

A carreira de Eduardo Souto de Moura, nascido no Porto em 1952, soma mais de uma dezena de prémios, como o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, atribuído em 2018, e o Pritzker, o “Nobel da arquitetura”, em 2011, pelo conjunto da obra. Entre outras distinções, recebeu o Prémio da X Bienal Ibero-americana de Arquitectura e Urbanismo, em 2016, o Prémio Wolf de Artes, de Israel, em 2013, o Prémio Pessoa, em 1998, e o Prémio da Associação Internacional de Críticos de Arte – Portugal, em 1996.

Nos Estados Unidos, a sua carreira foi reconhecida pela Academia Americana de Artes e Letras, com o Prémio Arnold W. Brunner 2019.

A Casa das Histórias Paula Rego (Cascais), o Estádio Municipal de Braga, a Torre Burgo (Porto), o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais (Bragança), a remodelação do Museu Nacional Grão Vasco (Viseu) e os interiores dos Armazéns do Chiado (Lisboa) contam-se entre os seus projectos, assim como o pavilhão da Serpentine Gallery, em Londres, feito em parceria com Álvaro Siza, com quem iniciou a carreira, em 1981.