Retratos de homens célebres que conheci Duarte Drumond Braga - 18 Mar 2026 uma vez vi o couto viana, reduzido aos coutos, numa homenagem (neo-sal)az(ar)ista ao palácio da independência uma vez vi o cesariny no lux, na festa da assírio & alvim, com o dedo no ar uma vez vi o herberto helder a tomar uma cerveja nas galegas e não tive coragem de me aproximar, como moisés da sarça ardente uma vez vi o manuel da silva ramos a fugir duma manifestação, a dizer que era surrealista certa vez vi o meu pai na curva da estrada, a perder o juízo uma vez vi o antónio barahona a beijar a testa do defunto gil de carvalho, como mandam as religiões do livro uma vez acenei para o alexandre vargas do outro lado da rua, frente à casa da índia, e ele não me devolveu o cumprimento uma vez bebi um vermute com o eduíno de jesus, o pedro ivo e a maria joão ruivo uma vez vi o meu avô, que era marceneiro homossexual em angra do heroísmo, a cozinhar-me uma faca uma vez ouvi o eduardo lourenço em aix-en-provence a queixar-se do ressonar da cunhada uma vez fingi que não conhecia o manuel cintra uma vez ouvi joaquim manuel magalhães contar uma anedota sobre a mulher a dias do eugénio de andrade a primeira vez que vi o antónio cândido franco ele estava de calções, como um rapazola da mocidade portuguesa a primeira vez que vi o cruzeiro seixas ficou espantado quando lhe disse que o sobrinho do pascoaes era jeitoso o fernando grade pôs-me uma vez no seu “livro do cão” por não ter dinheiro para lhe pagar a revista que me estava a impingir uma vez vi a minha mãe envolvida numa massa de sombras, torcidas e tremidas
A peça de Margarida Vila-Nova Hoje Macau - 18 Mar 2026 Por Gonçalo Alvim O monólogo “À primeira vista”, protagonizado por Margarida Vila Nova e encenado por Tiago Guedes, esteve em exibição este Sábado, 14 de Março, no Centro Cultural de Macau. Tive a oportunidade de assistir e, tal como a generalidade do público presente, gostei da interpretação e do enredo, adaptado da obra de Suzie Miller. No final da peça houve uma conversa com a actriz e o encenador, tendo o público sido desafiado a colocar as suas questões. E assim pudemos perceber diferentes opiniões, questões que o tema levanta, e o que pensam os protagonistas sobre a mensagem transmitida. Para quem não tenha visto, a peça versa o tema do abuso sexual de mulheres, relatando a história ficcionada de uma advogada criminal, a Teresa, que tendo defendido com sucesso presumíveis agressores sexuais, acaba por ser ela própria agredida sexualmente por um colega, numa relação que começara em acaso e consentimento e acaba em violação não consentida. Teresa, embora percebendo a fragilidade jurídica do seu caso, decide corajosamente levá-lo a tribunal, mas não é bem-sucedida nos seus intentos e o colega sai ilibado. A peça não pretende trazer soluções imediatas, limita-se mostrar, de dois ângulos distintos, o drama vivido por vítimas de abuso sexual. Com efeito, é feita a contraposição entre a segurança de quem sabe jogar com o sistema jurídico vigente –Teresa enquanto advogada criminal –, com as fragilidades de quem se vê no papel da vítima – Teresa depois de ter sido abusada sexualmente. Embora o sentimento geral na sala tenha sido de aprovação, e tenha mesmo havido uma sugestão de adaptação da peça às escolas com o intuito de sensibilizar os mais novos para o problema das relações não consentidas, parece-me que a peça comporta, por um lado, alguns perigos para a sociedade – sobretudo para os mais novos; e, por outro, merece reflexões importantes que não foram aventadas. Como disseram os protagonistas, a finalidade da peça passa muito por levantar questões e suscitar reflexões, não por dar as soluções. E é isso que vou procurar fazer. Entre os riscos que vejo na peça, está a exposição dos limites do sistema jurídico, onde casos como este, sobretudo quando bem orientados pela defesa do arguido, levam normalmente à absolvição. A vincar este aspecto temos a actuação de Teresa na absolvição de clientes seus, expondo-nos com cinismo as fragilidades da Justiça e as naturais incoerências das vítimas que passaram por situações de violação; e há depois o seu próprio caso, onde, apesar da sua experiência e conhecimento da legislação, não consegue apresentar provas irrefutáveis, cai em incoerências e acaba por não conseguir a condenação de Francisco. E assim, após mais de dois anos de sofrimento com o caso, vê-se vítima do sistema que usava e sai emocionalmente destruída do Tribunal. Alguns dos presentes no público sugeriram que o caminho deveria passar pela alteração de alguma da jurisdição, mas a verdade é que isso é muito difícil de levar à prática e comporta riscos – dado o sistema vigente de presunção de inocência até prova em contrário. E assim, esta divulgação das imperfeições do sistema jurídico, sem solução à vista, corre o risco de trazer, por um lado, uma desconfiança na Justiça por parte das vítimas, que concluem não valer a pena levar para a frente as acusações; e, por outro, um sentimento de impunidade por parte de eventuais violadores, percebendo agora que se fizerem as coisas de uma determinada maneira, sem provas evidentes, não sofrerão consequências. O ónus da prova cabe à vítima e eles nem sequer têm de depor em Tribunal. Outro aspecto preocupante para mim, enquanto pai, é a insegurança transmitida às raparigas em relação aos rapazes, assim como o sentimento de impotência dos rapazes em contrariar esta desconfiança lançada sobre si. No limite, isto poderia levar à criação de muros entre si, não de relações de confiança que a sociedade precisa para crescer. A protagonista da peça refere mesmo que um em cada três homens comete, ou terá cometido, abusos sexuais, o que me fez olhar em volta e estimar que, se assim fosse, naquela sala haveria várias dezenas de homens nessa situação. A peça não pretende dar soluções, como Tiago Guedes sublinhou na conversa, mas apenas levantar o véu sobre um problema que persiste na sociedade. Para além de ter sido bem interpretada, a história está bem conseguida e bem montada, evidenciando dois aspectos que não foram mencionados pelo público mas que devem estar no centro de uma conversa com jovens sobre o tema. O primeiro tem a ver com a construção de relações. Teresa mal conhecia Francisco, apenas sabia que ele era de um meio social mais privilegiado que o seu e concluíra, pelos casos jurídicos que ele tinha defendido, que teria um futuro promissor. No entanto, talvez com alguma ambição de permeio, deixou precipitar as coisas de uma forma muito rápida, entrando assim naquele limbo de não saber bem que tipo de relação tinham, mas sem que isso a levasse a recuar, deixando a relação correr sem norte. Isto faz parte de alguma tendência em procurar a gratificação no imediato, em detrimento de uma relação mais sólida, que exige tempo e espaço de discernimento. Na peça, a mãe da Teresa assistiu em Tribunal à exposição desse vertiginoso desenvolvimento da relação dos dois, e aparentemente terá permanecido impávida. Percebemos que deve ter sofrido, porque não é isto que uma mãe pretende para a filha. O segundo aspecto com importância na compreensão da história, e que está directamente relacionado com o primeiro, foi o consumo excessivo de álcool por parte de Teresa e Francisco em diferentes ocasiões, o que terá contribuído para a precipitação dos acontecimentos que se desenrolaram. Como sabemos, o álcool desinibe, baixa-nos as defesas e, em excesso, pode mesmo alterar-nos de uma forma irreconhecível. Francisco, que inicialmente é apresentado como um pouco tímido, envolveu-se com Teresa no escritório após consumirem bebidas alcoólicas em demasia; depois, durante o acto não consentido, estariam os dois bastante embriagados. Não importa aqui discutir se esse facto atenua a gravidade do que aconteceu, mas alertar, sobretudo os mais jovens, para os perigos envolvidos quando se abusa no consumo de álcool. Beber em demasia leva a situações que ultrapassam a capacidade de controlo de quem bebe, e esse facto deve ser tido em conta não apenas quando bebemos, mas também quando outros que estejam connosco tenham bebido. A situação pode fugir ao nosso controle e convém estarmos alertados. Concluindo, gostei muito da peça mas fiquei aliviado de os meus filhos não terem ido. Se isso tivesse acontecido, sei que teria depois de ter com eles longas conversas para enquadrar o que tinham assistido e desvalorizar o que estava a ser insinuado. E quando no final a protagonista, de forma bastante directa, sugeriu que olhássemos para a esquerda e para a direita, no pressuposto matemático de que alguém ao nosso lado teria estado envolvido num acto sexual não consentido, asseguro que olhei com atenção para ver se alguém o fazia. Ninguém o fez. Concluí que, em geral, os que assistiram à peça confiam uns nos outros. Nem tudo está perdido.
Médio Oriente | Pequim envia ajuda para aliviar “profundo desastre humanitário” Hoje Macau - 18 Mar 2026 A China assegurou ontem que “as actuais hostilidades provocaram um profundo desastre humanitário” nos países do Médio Oriente, aos quais propôs o envio de ajuda de emergência, transmitindo também solidariedade com as populações afectadas. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian declarou, em conferência de imprensa, que “a China tem sempre posto em prática o conceito de uma comunidade de futuro partilhado para a humanidade, defendendo o espírito do internacionalismo e do humanitarismo”. Lin anunciou que o país “decidiu fornecer assistência humanitária de emergência ao Irão, à Jordânia, ao Líbano e ao Iraque, na esperança de que isto ajude a aliviar a difícil situação humanitária enfrentada pelas populações locais”, sem detalhar o alcance da ajuda. “A China vai continuar a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para promover a paz, facilitar o rápido restabelecimento da paz e da estabilidade regionais e evitar que a crise humanitária se agrave ainda mais”, acrescentou o porta-voz. Lin respondia assim a uma pergunta sobre estimativas recentes da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), que calculou em 3,2 milhões o número de pessoas deslocadas dentro do Irão devido ao actual conflito com Israel e os Estados Unidos. No Líbano, o conflito entre Israel e o movimento xiita libanês Hezbollah, apoiado pelo Irão, causou o deslocamento forçado de mais de 600.000 pessoas, de acordo com o ACNUR. A China, principal parceiro comercial de Teerão e maior comprador do seu petróleo, tem condenado repetidamente os ataques ao Irão por parte dos Estados Unidos e de Israel por “violarem a soberania” do país persa. O país asiático instou ainda à protecção das rotas marítimas, tendo em conta que 45 por cento do petróleo que importa passa pelo estreito de Ormuz.
Corrupção| Julgamento por subornos de ex-chefe do PCC em Hubei Hoje Macau - 18 Mar 2026 A campanha anticorrupção iniciada com a chegada de Xi Jinping ao poder em 2012 faz mais uma vítima de peso A China levou a julgamento por alegados subornos um antigo secretário provincial do Partido Comunista Chinês por alegado uso de cargos anteriores no sistema financeiro estatal e em governos locais para obter benefícios indevidos, foi ontem divulgado. Segundo informou a Procuradoria Popular Suprema, a sua delegação em Nanjing (leste) apresentou a acusação num tribunal intermédio após concluir a investigação do caso, que tinha sido previamente transferido pela Comissão Nacional de Supervisão, principal organismo anticorrupção do Estado. As autoridades acusam Jiang Chaoliang de ter aproveitado vários cargos ao longo da sua carreira, incluindo funções de direcção em instituições financeiras estatais e responsabilidades em governos provinciais, para favorecer terceiros e aceitar subornos de montante “especialmente elevado”. Jiang ocupou cargos de relevo no sector financeiro chinês antes de entrar na política, tendo sido governador da província nordeste de Jilin entre 2013 e 2016 e posteriormente secretário do Partido Comunista em Hubei entre 2016 e 2020. Em Fevereiro de 2020, nas primeiras semanas da crise sanitária provocada pelo coronavírus, foi destituído deste último cargo no meio de críticas à gestão inicial do surto em Wuhan, capital de Hubei. Em Outubro de 2025, as autoridades anunciaram a sua expulsão do Partido e a destituição de cargos públicos após uma investigação por “graves violações da disciplina e da lei”, fórmula habitualmente utilizada em casos de corrupção. O caso insere-se na campanha anticorrupção lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, desde a sua chegada ao poder em 2012, que atingiu funcionários de todos os níveis, desde quadros locais até dirigentes provinciais, altos responsáveis militares e gestores de grandes empresas estatais. Esta ofensiva, um dos pilares do mandato de Xi, já revelou inúmeros casos de suborno e abuso de poder no aparelho do Partido e do Estado. Em 2025, as autoridades investigaram 115 funcionários de nível provincial ou ministerial ou superior, segundo dados oficiais, num contexto de reforço do controlo disciplinar coincidindo com os preparativos para o novo plano quinquenal que definirá as políticas do país entre 2026 e 2030.
Hong Kong | Filial de conglomerado acusa Panamá de ignorar arbitragem Hoje Macau - 18 Mar 2026 A Panama Ports Company, filial do conglomerado de Hong Kong CK Hutchison, acusou ontem o Estado panamiano de ignorar a arbitragem internacional iniciada após a retirada da concessão para operar dois portos junto ao Canal do Panamá. Em comunicado, a empresa indicou que o Governo do Panamá não apresentou dentro do prazo a sua resposta ao tribunal da Tribunal Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional (CCI), cujo prazo terminou na sexta-feira passada. Segundo a Panama Ports Company, as autoridades panamianas solicitaram uma prorrogação parcial, alegando que “não estavam preparadas” para responder e que precisavam de mais tempo para preparar a defesa. A empresa assinalou que essa situação contrasta com declarações anteriores do Governo do Panamá, que teria dedicado o último ano à elaboração de um plano para a gestão dos portos de Balboa e Cristóbal. O comunicado acusa também o Estado panamiano de ignorar as iniciativas da companhia para procurar soluções para o conflito e adverte para possíveis acusações “infundadas” durante o processo arbitral. Além disso, a Panama Ports Company denunciou que as autoridades continuam a reter documentos corporativos e materiais apreendidos durante a tomada das instalações, incluindo ficheiros e computadores, em operações que, segundo a empresa, decorreram com a presença de forças de segurança armadas. A companhia reiterou que a ocupação dos portos e a apreensão de documentos violam o Estado de direito e afirmou que reserva a possibilidade de recorrer a “todos os direitos e recursos legais” para reclamar os danos causados. Dedos americanos A disputa remonta à decisão emitida em Janeiro pelo Supremo Tribunal do Panamá, que declarou inconstitucional a concessão atribuída em 1997 à Panama Ports Company para operar os portos de Balboa e Cristóbal, bem como a sua prorrogação aprovada em 2021 até 2047. Após a decisão judicial, a Autoridade Marítima do Panamá assumiu o controlo de ambos os terminais e entregou a sua operação transitória a filiais das companhias marítimas Maersk e Mediterranean Shipping Company (MSC), enquanto o Governo panamiano prepara um novo processo de concessão. A CK Hutchison e a sua filial já iniciaram um processo de arbitragem internacional por este caso, cujo valor ascende a cerca de 2.000 milhões de dólares, segundo a empresa. A disputa ocorreu num contexto de tensões geopolíticas em torno do Canal do Panamá, depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ameaçado recuperar a via interoceânica ao denunciar a alegada influência chinesa na infraestrutura estratégica.
Alerta para riscos de segurança do popular agente de IA OpenClaw Hoje Macau - 18 Mar 2026 O ministério chinês da Segurança do Estado advertiu ontem para riscos de segurança associados ao uso do agente de inteligência artificial de código aberto OpenClaw, que se tornou recentemente um fenómeno entre programadores e utilizadores chineses. Num artigo publicado na sua conta oficial na rede social WeChat, o organismo descreveu o funcionamento do sistema, conhecido popularmente no país como “xiaolongxia” (“lagosta”, devido ao ícone vermelho do sistema com a forma do crustáceo). O ministério assinalou que, para permitir que o sistema “consiga completar tarefas”, os utilizadores costumam conceder-lhe permissões elevadas, o que pode facilitar que atacantes obtenham controlo remoto do dispositivo ou acedam a informação sensível nele armazenada, podendo gerar riscos de cibersegurança se for utilizado sem as devidas precauções. O organismo alertou também que estes programas podem lidar com dados pessoais ou empresariais sensíveis e que, caso sejam comprometidos, poderão provocar fugas de informação ou ser utilizados para “gerar e difundir informação falsa” nas redes sociais. O aviso oficial de segurança digital do principal órgão de inteligência chinês assegurou que alguns complementos ou extensões podem conter vulnerabilidades ou ser utilizados para introduzir código malicioso capaz de contornar controlos de segurança e aceder à informação armazenada no computador. O guia recomenda aos utilizadores que limitem as permissões concedidas ao sistema, verifiquem a origem dos complementos instalados, mantenham registos de actividade e executem o sistema em ambientes isolados – como máquinas virtuais ou ‘sandboxes’ – para reduzir possíveis riscos. Este tipo de agentes de IA pode executar directamente tarefas num sistema informático, gerir ficheiros, redigir emails ou navegar na internet a partir de instruções do utilizador, o que representa uma evolução em relação aos modelos conversacionais tradicionais. Riscos e conselhos O OpenClaw, criado pelo programador austríaco Peter Steinberger, difundiu-se rapidamente nas comunidades tecnológicas chinesas nas últimas semanas, onde utilizadores partilham guias de instalação e tutoriais para implementar este tipo de agentes capazes de executar tarefas automaticamente em computadores pessoais ou servidores. Em paralelo, organismos chineses de cibersegurança alertaram para o rápido crescimento do sistema e para os seus potenciais riscos, indicando que existem mais de 200.000 instâncias activas de OpenClaw na internet, das quais cerca de 23.000 encontram-se na China. Reguladores e órgãos de comunicação estatais também têm advertido para os possíveis riscos do sistema, e algumas agências governamentais e empresas estatais recomendaram aos seus funcionários para não o instalarem em dispositivos de trabalho.
Taiwan | Negados atrasos na venda de armamento dos EUA à ilha Hoje Macau - 18 Mar 2026 O ministro da Defesa taiwanês, Wellington Koo, assegurou ontem que Taipé não recebeu qualquer informação sobre possíveis atrasos na venda de armamento dos Estados Unidos a Taiwan, acrescentando que ambos mantêm “estreita coordenação” em matéria de Defesa. Em declarações citadas pela agência CNA, Koo afirmou que os processos internos de revisão dos Estados Unidos relacionados com estas operações “avançam conforme o previsto”. As declarações surgem após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado na segunda-feira que planeia adiar cerca de um mês a viagem à China que previa realizar no final do mês para se reunir com o homólogo chinês, Xi Jinping, devido à guerra com o Irão. Numa conversa telefónica no início de Fevereiro, Xi instou Trump a “gerir com prudência” o envio de armas para Taiwan e sublinhou que a ilha é a “primeira linha vermelha” nas relações entre as duas potências. Posteriormente, a publicação Wall Street Journal noticiou, citando responsáveis norte-americanos, que Washington tinha suspendido a aprovação de um importante pacote de armas para Taiwan por receio de que a operação pudesse pôr em risco a realização da cimeira entre Trump e Xi.
Arquitectura | CURB volta a organizar competição de fotografia João Luz - 18 Mar 2026 O CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo volta a organizar a Competição de Fotografia de Arquitectura de Macau, com o tema “Pessoas em Arquitectura”. Os interessados podem submeter até 3 de Maio propostas, com duas categorias disponíveis: a competição aberta e a competição para estudantes O CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo voltou a lançar um repto aos adeptos da fotografia no âmbito da quinta Competição de Fotografia de Arquitectura de Macau. Os interessados podem submeter até 3 de Maio trabalhos que espelhem a forma como a arquitectura ganha vida com a presença humana. “Pessoas em Arquitectura” é o tema da competição que convida os adeptos da fotografia a explorar as relações entre pessoas e os espaços que habitam e as formas como os movimentos, actividades e interacções do quotidiano moldam o ambiente urbano. “A arquitectura é mais do que forma ou estrutura, ganha significado através das pessoas que com ela interagem. Concebidos para acolher a vida, os encontros e os momentos de reflexão, os espaços ganham vida através das interacções do dia-a-dia. Através da fotografia, o concurso convida os participantes a revelar como estas dimensões humanas conferem carácter e vitalidade à arquitectura”, descreve o CURB em comunicado. Desta feita, o concurso irá dividir-se em duas categorias, uma aberta a todos os residentes e outra destinada a trabalhos de estudantes. As fotografias serão avaliadas por um painel liderado por Ines Leong, a que se juntam os jurados Francisco Ricarte, Nuno Soares e Carlos Sena Caires. Um espelho da cidade Os vencedores da competição recebem prémios em dinheiro e certificados da organização a atestar o reconhecimento. No grupo aberto, o vencedor do primeiro prémio receber 3.000 patacas, o segundo 2.000 patacas e o terceiro 1.000 patacas. Na categoria para estudantes os prémios pecuniários têm metade do valor. A competição está aberta a portadores de bilhete de identidade de residente (permanente ou não permanente) válido, portadores de blue-card ou cartão de estudante de Macau. Na categoria para estudantes, é obrigatória matrícula em estabelecimentos de ensino superior ou secundário de Macau, ou do exterior, e ter menos de 30 anos de idade. Cumpridos os requisitos, basta fazer o upload das fotografias no portal do CURB. Desde a edição de estreia, em 2022, o Concurso de Fotografia de Arquitectura de Macau entrou na agenda cultural da cidade, “suscitando uma participação entusiástica de fotógrafos de todos os níveis, desde profissionais, amadores, estudantes ao público em geral. Ao longo deste período, o concurso atraiu 688 participantes e recebeu 1.611 candidaturas, apresentando resultados excepcionais e um interesse crescente”, indica a organização. Como vem sendo habitual, depois do anúncio dos vencedores, os trabalhos distinguidos pelo júri serão expostos ao público.
FRC acolhe palestra sobre práticas cristãs ancestrais numa óptica feminina Hoje Macau - 18 Mar 2026 A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a palestra “Itinerarium Egeriae e afrescos de Catacumbas: História e Iconografia na Escrita Feminina e nas Imagens Funerárias”, a cargo da professora associada da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Sílvia Siqueira. A palestra, moderada pelo professor Adérito Fernandes-Marcos, da Universidade de São José, terá como ponto de partida o itinerário da peregrinação de Egéria através de uma “análise comparativa entre o texto escrito, especialmente as passagens bíblicas e algumas imagens presentes em catacumbas e monumentos fúnebres de mulheres, elaboradas entre o III século e o IV d.C”, descreve a proposta do evento. É atribuído a Egéria a autoria de um livro que retrata a peregrinação pela Pax Romana entre o que é hoje o norte de Itália e a Síria, com várias deambulações por Jerusalém e a actual Istambul. Sílvia Siqueira considera que as figuras femininas, na arte cristã primitiva, desempenharam papéis significativos na transmissão da fé. “Egéria, devota e peregrina cristã, deixou o registro da sua viagem de peregrinação à Terra Santa. Trata-se de um documento raro e precioso, por ser um dos poucos registos escritos na antiguidade por uma mulher. Ela descreve não apenas a viagem, mas também narra com pormenores a experiência da peregrinação e a prática litúrgica cristã em Jerusalém”, descrever a académica. A palestra e a cidade Pegando nos escritos da autora dos tempos da Roma Antiga, entre três a quatro séculos depois de Cristo, Sílvia Siqueira considera que apesar de os documentos terem sido escritos por uma fervorosa peregrina, não há muitas informações sobre a vida prática das devotas cristãs. Como tal, a académica propõe uma análise comparativa entre o relato da experiência de Egéria com imagens de mulheres encontradas em paredes de catacumbas cristãs, inúmeras pinturas e mosaicos que testemunham a cultura figurativa do tempo que a produziu. A sessão, que tem entrada livre, insere-se na série Palestras Doutorais na Cidade, coordenada pelo professor Adérito Fernandes-Marcos, Director da Escola Doutoral da Universidade de São José, que assumirá a função de moderador.
Crise financeira do FC Porto de Macau compromete continuidade Hoje Macau - 18 Mar 2026 A filial do Futebol Clube do Porto em Macau atravessa uma crise financeira e operacional que pode por em causa a sua continuidade, segundo uma carta enviada aos sócios pela direcção. Na missiva, a dirigente da Casa do Futebol Clube do Porto de Macau – China, Diana Massada, apontou que o clube enfrenta “sérias dificuldades financeiras e operacionais”, que culminaram recentemente num processo de despejo da sede e na existência de várias dívidas por resolver. Massada recorda que, ao longo de oito anos, a actual direcção dedicou tempo e recursos pessoais que ajudaram a ultrapassar dificuldades pontuais e a permitir que o clube continuasse a existir, mas admite que “a situação se tornou particularmente difícil” no último ano e meio. Entre os factores apontados, estão a falta de pagamento regular das quotas – apenas cerca de dez em mais de 100 sócios têm as quotas em dia, a ausência de patrocinadores, problemas estruturais na sede arrendada e dificuldades na exploração da cantina da entidade, que deveria ser uma das principais fontes de receita. A presidente sublinha ainda que a participação activa dos associados tem sido limitada, o que condicionou a capacidade de desenvolver projectos e superar momentos exigentes. Apelos múltiplos Na carta, a direcção apela ao apoio dos sócios para regularizarem quotas, identificarem patrocinadores e colaborarem em projectos como a Escola de Futebol ou o voleibol juvenil. Uma das necessidades imediatas mencionada é a de retirar e vender bens da antiga sede para liquidar pequenas dívidas. “O clube atravessa um momento difícil, mas continua a representar muitos anos de dedicação, convívio, prática desportiva e espírito de comunidade”, escreveu Diana Massada, apelando à “vontade colectiva” dos sócios para garantir a continuidade da Casa do FC Porto de Macau. O FC Porto de Macau foi fundado em 2006 e ascendeu rapidamente à I Divisão do futebol do território, onde chegou a ser segundo classificado. A última vez que o clube esteve presente no primeiro escalão de Macau foi em 2012, com os problemas financeiros a atirarem a equipa para a última divisão. A equipa sénior de futebol de onze do FC Porto de Macau caiu na época passada da terceira para a quarta divisão, duas épocas depois de ter conquistado a promoção, após 10 derrotas, um empate e zero vitórias.
Macao Water | Esperada subida de 3% no consumo João Santos Filipe e Nunu Wu - 18 Mar 2026 O ano passado ficou marcado por uma redução do consumo de água, ao contrário das expectativas. A deslocação dos residentes para fora do território durante as férias e fins-de-semana foi indicada como a causa da contracção A directora executiva da Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau (Macao Water), Nacky Kuan Sio Peng, prevê um aumento do consumo de água em Macau ao longo deste ano a rondar os 3 por cento. O cenário foi traçado pela gestora da sociedade à margem de um Almoço de Ano Novo Lunar com órgãos de comunicação social. A dirigente justificou a estimativa com inauguração de mais hotéis e habitações. “Apesar das obras de construção terem ficado concluídas [o que leva a uma redução do consumo], prevemos um aumento anual de três por cento no consumo de água, porque os habitantes da Zona A dos Novos Aterros Urbanos e do lote P na Areia Preta vão mudar-se para as habitações, e também porque alguns projectos hoteleiros nas ilhas vão ser inaugurados e vão entrar em funcionamento”, afirmou Nacky Kuan. Quanto à utilização de água reciclada, que começou a ser fornecida a 1 de Março às habitações públicas em Seac Pai Van e à Universidade de Macau, Nacky Kuan fez um balanço positivo dos serviços e indicou que actualmente a média diária de fornecimento deste tipo de água é de 1,5 mil metros cúbicos. A água reciclada é um tipo de água não potável, que recebe um tratamento mínimo para ser utilizada nos autoclismos e na rega de espaços verdes. Menor consumo Em relação ao balanço do consumo de água no ano passado, a empresa reconheceu que houve uma redução de 0,7 por cento. “Apesar de se realizarem muitos eventos e concertos, e o número de turistas ter registado um aumento ideal, o que resultou num aumento do fornecimento de água nas ilhas de 3 por cento, o número foi afectado pela quebra no consumo de água pelos residentes e com o fim de várias construções”, explicou a responsável. A redução do consumo de água contraria as expectativas da empresa, que em 2025 previa um aumento de 3 por cento no consumo, o que acabou por não se verificar. Nacky Kuan considerou que o consumo de residentes no exterior foi a razão que resultou na queda do consumo de água, particularmente durante as férias e os fins-de-semana. A responsável também apontou que o consumo de água pelas pequenas e médias empresas ainda não recuperou para os níveis pré-pandemia. A nível da cooperação inter-regional, no ano passado, a Macao Water aderiu à Aliança do Sector de Conservação de Água da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau, com o objectivo de promover conjuntamente a inovação no âmbito da conservação da água. Além disso, a empresa também participou, pela primeira vez, como membro da comissão organizadora num simpósio promovido pela Associação Internacional da Água. A empresa fez ainda o balanço sobre várias obras terminadas no ano passado, como, por exemplo, a ampliação da Barragem de Seac Pai Van, assim como a instalação da rede de abastecimento de água e de condutas subterrâneas partilhadas na Zona A. Também no início deste ano, entrou em funcionamento a segunda fase da obra de ampliação da Estação Elevatória de Pinggang, em Zhuhai.
Bombeiros | Quase 6 mil inspecções a edifícios residenciais Hoje Macau - 18 Mar 2026 Em 2025, o Corpo de Bombeiros realizou quase 6 mil inspecções de segurança contra incêndios em edifícios locais. O número foi revelado através da resposta a uma interpelação do deputado Ho Ion Sang “relativamente à questão do uso indevido de áreas comuns para fins individuais pelos condomínios. Ao longo de 2025, o Corpo de Bombeiros (CB) realizou um total de 11.760 inspecções e verificações de segurança contra incêndios, incluindo 5.957 inspecções em edifícios residenciais”, foi comunicado, numa resposta assinada pelo presidente do Instituto de Habitação (IH), Iam Lei Leng. “Além da realização das inspecções conforme os planos previamente definidos, o CB responde também a solicitações dos gestores, responsáveis de edifícios ou departamentos competentes, ou quando receber reclamações sobre impactos na segurança contra incêndios, enviando pessoal ao local para proceder à verificação e ao devido tratamento”, foi acrescentado. Na resposta, não foi adiantado quantos pedidos de correcção das situações detectadas foram feitos ou se houve a aplicação de multas ou outras sanções. Em relação ao ambiente nos bairros comunitários, e ao abandono de lixo ou os pingos de água do ar-condicionado, de acordo com o Instituto de Assuntos Municipais registaram-se “mais de 14 mil acusações” por infracções. “Em 2025, o IAM aplicou mais de 14 mil acusações em relação às situações referidas”, foi indicado.
Habitação | Compras e vendas mais do que duplicaram em Fevereiro João Santos Filipe - 18 Mar 2026 O mercado de habitação mostra sinais de recuperação com o número de transacções e o preço médio do metro quadrado a apresentarem novos aumentos No mês de Fevereiro, o número de transacções imobiliárias cresceu para um total de 494, o que representa um aumento anual para mais do dobro. Os números foram actualizados ontem no portal da Direcção de Serviços de Finanças (DSF). Em Fevereiro de 2025, o número de transacções tinha sido de 176 compras e vendas, o que significa que no segundo mês do corrente ano houve mais 352 transacções. O crescimento do mercado de habitação aconteceu em todas as regiões do território, embora tenha acontecido de forma mais notória na Península de Macau. Aqui, foram registadas 411 transacções, mais do triplo do que tinha acontecido em 2025, quando o número de negócios foi de 126. Em relação à Taipa, segundo os dados mais recentes, registou-se um total de 65 transacções, quando no ano passado tinha havido 36, e em Coloane o número passou no espaço de um ano de 14 para 18 transacções. Além das transacções, também o preço médio do metro quadrado ficou mais caro. Embora neste caso os mercados de Macau tenham sofrido alterações diferentes. Em média, o preço do metro quadrado aumentou de 76.243 patacas para 77.713 patacas, um crescimento de 1,9 por cento ou 1.470 patacas. Na Península de Macau, o crescimento foi de 10,5 por cento, de 72.986 patacas para 80.672 patacas, uma diferença de 7.686 patacas. Na Taipa, houve uma redução de 17,6 por cento, de 82.471 patacas para 67.790 patacas, enquanto em Coloane a redução do preço médio do metro quadrado foi de 20,1 por cento, de 83.571 patacas para 66.747 patacas. Aumento mensal Também a nível mensal, o mercado apresentou um crescimento no número de transacções e do preço médio do metro quadrado. No primeiro mês do ano, o número de transacções foi de 384, o que significa que mensalmente se registou um aumento de 110 transacções ou de 28,7 por cento. Na Península de Macau o registo de compras e vendas subiu de 299 em Janeiro para 411 em Fevereiro, enquanto na Taipa aumentou de 58 para 65. A excepção aconteceu em Coloane, onde as transacções baixaram de 27 para 18. Também os preços apresentaram alterações distintas. Na Península, houve uma subida mensal de 11.223 patacas, de 69.449 patacas por metro quadrado para 80.672 patacas por metros quadrado, e na Taipa de 1.103 patacas, de 66.867 patacas para 67.970 patacas. Em Coloane, registou-se uma redução do preço do metro quadrado médio de 7.443 patacas, de 74.190 patacas para 66.747 patacas. Desde o início do ano que a Direcção de Serviços de Finanças (DSF) deixou de actualizar os dados das transacções face à primeira e última metade dos meses, passando apenas a compilar o total mensal.
Studio City | Countdown passa a chamar-se REM Hoje Macau - 18 Mar 202618 Mar 2026 A concessionária Melco Resorts & Entertainment anunciou que vai mudar o nome do hotel Countdown para REM. A divulgação foi feita através das redes sociais. A mudança do nome vai acontecer quando os trabalhos de renovação que estão em curso estiverem concluídos, o que é esperado para o final deste ano. Em Agosto do ano passado, a concessionária anunciou planos para transformar os 330 quartos do hotel em 150 suites para o segmento de luxo. Além do complexo de entretenimento Studio City, a concessionária que pertence a Lawrence Ho, filho do magnata Stanley Ho, é igualmente responsável pelos empreendimentos turísticos City of Dreams e Altira. A empresa tem também investimentos nas Filipinas e no Chipre.
Estudo | Reformas transformaram maior centro de jogo do mundo Hoje Macau - 18 Mar 2026 Um estudo dos académicos João Ilhão Moreira e Zhou Yudi indica que as reformas efectuadas entre 2022 e 2024 pelo Governo de Macau alinharam a indústria do jogo com os objectivos mais amplos de Pequim em termos do controlo de capitais O desmantelamento do sistema de promotores de jogo VIP em Macau, responsável em tempos por mais de 70 por cento das receitas dos casinos, marcou uma mudança decisiva nas prioridades de governação da China, segundo um estudo da Universidade de Macau. Os autores, João Ilhão Moreira e Zhou Yudi, concluíram que as reformas introduzidas entre 2022 e 2024 pelo Governo de Macau alinharam a indústria do jogo com os objectivos mais amplos de Pequim de maior controlo de capitais, transparência reforçada e governação baseada na lei. O estudo afirma que o fim destes promotores VIP (conhecidos como “junkets”) reflectiu um alinhamento estratégico com os “objectivos da China continental, incluindo maior controlo de capitais”, reforço da transparência financeira e governação assente na lei. O trabalho sublinha que o modelo dos “junkets”, que servia clientes de alto nível e facilitava fluxos opacos de capitais provenientes da China continental, tornou-se cada vez mais incompatível com a aplicação das regras contra o branqueamento de capitais e com a modernização em curso. “Embora tenha sido integral para o crescimento de Macau, o sistema de ‘junkets’ entrou em conflito crescente com a aplicação das regras contra o branqueamento de capitais e com a modernização do sector”, escreveram os autores. O estudo traça a evolução da indústria desde a transferência de soberania em 1999, observando que os “junkets” foram tolerados durante décadas devido ao seu contributo para as receitas brutas do jogo. Realidade dos números Em 2011, a receita do jogo em Macau atingiu 269,1 mil milhões de patacas, cinco vezes a receita de Las Vegas, e com as salas VIP a contribuir com mais de 70 por cento dessa receita. A detenção e condenação, em 2021, de Alvin Chau, líder do maior grupo de “junkets” do território, o Suncity Group, simbolizou o fim de uma era e acelerou a transição para um modelo de mercado de jogo centrado em jogadores ocasionais e turismo integrado. Chau foi depois condenado a 18 anos de prisão, tendo sido considerado culpado de mais de 100 crimes, incluindo liderança de uma associação criminosa, fraude e exploração ilegal de jogo, envolvendo apostas superiores a 823,7 mil milhões de dólares de Hong Kong. Segundo os investigadores, o sistema de “junkets” evoluiu para uma poderosa rede financeira, que se estendia muito além das salas de jogo. Os operadores não foram apenas intermediários de clientes VIP, mas também facilitadores de grandes fluxos de capitais opacos entre a China continental e Macau. Os autores assinalaram que as salas VIP e os “junkets” “criaram redes de fluxos de capitais não regulados”, estabelecendo canais paralelos fora do sistema bancário oficial da China. Estas redes tornaram-se problemáticas, à medida que Pequim reforçou o controlo de capitais e exigiu maior transparência. O estudo destaca que, embora tolerados durante anos, os “junkets” dependeram de apostas paralelas e transferências discretas de fundos, práticas que acabaram por colidir com os objectivos de modernização da China. Em 2022, o Governo da RAEM avançou com a primeira grande revisão da Lei do Jogo em mais de duas décadas. A reforma introduziu alterações profundas: redefiniu o papel das concessionárias e dos promotores de jogo, praticamente desmantelou o sistema de “junkets” e reforçou os mecanismos de controlo e transparência. Caminho da diversificação O novo enquadramento legal passou a privilegiar a diversificação da indústria, com maior foco no mercado de massas e no turismo integrado, em detrimento das salas VIP, dominadas por “junkets”. Além disso, alinhou Macau com as prioridades nacionais da China, nomeadamente no reforço do controlo de capitais, prevenção do branqueamento de dinheiro e integração da RAEM na estratégia de desenvolvimento económico nacional. “As medidas legais e regulatórias introduzidas entre 2022 e 2024 foram concebidas para alinhar a indústria do jogo de Macau com as prioridades da China”, conclui o estudo.
Saúde | Inaugurada rota de autocarros IA entre Macau e Interior da China Hoje Macau - 18 Mar 202618 Mar 2026 A primeira rota de autocarros autónomos de inteligência artificial (IA) dedicada a viagens médicas transfronteiriças foi inaugurada entre Macau e o Interior da China, noticiou ontem a imprensa local. Segundo o China Daily, o serviço de autocarro liga o posto fronteiriço de Hengqin e um hospital operado pela Universidade Médica de Guangzhou na mesma zona. Movido por tecnologia de condução autónoma e com apoio operacional das empresas nacionais MOGOX e Autonoma, o percurso tem sete quilómetros e permite aos passageiros chegarem ao hospital em cerca de 15 minutos. Este tipo de autocarros IA consegue operar sem intervenção humana em condições e circuitos específicos e está cada vez mais integrado nas redes oficiais de transportes públicos da China. Durante o período experimental, o serviço está aberto ao público de forma gratuita, funcionando das 08h às 12h e das 13h30 às 17h30, com partidas a cada 30 minutos. Dados oficiais mostram que mais de 20.000 visitas foram realizadas no ano passado por residentes de Macau em busca de tratamento neste hospital, que conta com 21 departamentos clínicos. A MOGOX afirmou já ter implantado os seus autocarros autónomos em mais de 20 cidades na China, servindo mais de 200.000 viagens de passageiros e acumulando um total de cinco milhões de quilómetros percorridos. Em Outubro de 2025, a empresa venceu também o concurso para o primeiro projecto oficial de autocarros autónomos em Singapura, marcando a primeira vez que este tipo de veículos foi incorporado num sistema de transporte público fora da China.
Visita | Sam Hou Fai em Portugal e Espanha em Abril Hoje Macau - 18 Mar 2026 O Gabinete de Comunicação Social anunciou ontem que o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, irá visitar Portugal e Espanha entre os dias 17 e 23 de Abril. O Governo ainda não revelou a agenda das visitas, nem os membros do Executivo que vão acompanhar Sam Hou Fai na visita inaugural ao exterior desde que tomou posse como líder do Governo da RAEM. Historicamente, a primeira visita internacional de um Chefe do Executivo é a Portugal, mas desta vez também irá incluir a Espanha. Recorde-se que Sam Hou Fai, que tomou posse em Dezembro de 2024, apontou como prioridade a promoção dos serviços financeiros e comerciais entre a China e os países hispânicos, como complemento do papel de plataforma sino-lusófona atribuída pelo Governo Central a Macau. Inicialmente, o Governo da RAEM apontou a visita a Portugal para o primeiro semestre de 2025, mas as eleições legislativas portuguesas obrigaram ao adiamento para o Verão. A última vez que um Chefe do Executivo visitou Portugal foi em Abril de 2023, na primeira viagem do antigo líder Ho Iat Seng ao exterior, depois dos três anos de restrições pandémicas. Na altura, Ho encontrou-se com o então primeiro-ministro português, António Costa, e Marcelo Rebelo de Sousa, na altura Presidente da República.
Guangdong | Sam Hou Fai quer que cooperação atinja “novo patamar” João Luz - 18 Mar 202618 Mar 2026 Sam Hou Fai reuniu com dois altos cargos do comité provincial de Guangdong do Partido Comunista Chinês e apontou à elevação da qualidade da cooperação entre as duas regiões para um novo patamar. Entre os sectores prioritários, destaque para a inovação científica e tecnológica e os serviços públicos O Chefe do Executivo reuniu na segunda-feira com o secretário do comité provincial de Guangdong do Partido Comunista Chinês, Huang Kunming e o governador da província vizinha, Meng Fanli. A agenda foi marcada pela recorrente promessa de estreitar a cooperação entre a província vizinha e a RAEM, e o alinhamento ao nível das políticas de longo-prazo locais com o plano quinquenal nacional e o pensamento de Xi Jinping. Sam Hou Fai prometer que irá impulsionar a “cooperação bilateral pragmática em mais vertentes para um novo patamar, e servir o desenvolvimento nacional com uma cooperação entre Guangdong e Macau de mais alta qualidade”, de acordo com um comunicado divulgado ontem pelo Gabinete de Comunicação Social. O espírito das Duas Sessões (Assembleia Popular Nacional e Conferência Consultiva Política do Povo Chinês) foi outro dos pontos em cima da mesa, com os responsáveis a salientar a importância de transformar em acções práticas os planos estratégicos do 15.º plano quinquenal nacional. Porém, não foram avançadas medidas concretas, além da repetição das promessas de empenho na cooperação entre Macau e Guangdong e a construção da Grande Baía. Ainda assim, Sam Hou Fai afirmou que o plano quinquenal nacional “apresenta, claramente, uma série de planos importantes para apoiar Macau na consolidação e aperfeiçoamento das suas vantagens competitivas”, e na integração no desenvolvimento nacional. Estrelas polares O Chefe do Executivo deixou ainda a cooperação entre as duas regiões produza “avanços contínuos nas áreas-chave de colaboração”, assim como na “coordenação de mecanismos nas áreas de inovação científica e tecnológica, desenvolvimento económico e serviços públicos”. O objectivo é “acelerar a criação de um conjunto de cidades de nível mundial e de uma baía de nível internacional”. Sam Hou Fai salientou também a necessidade de Guangdong e Macau se alinharem com as “três verificações” propostas pelo Presidente Xi Jinping, em relação ao desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin. Neste aspecto, o governante mencionou a importância da construção dos “projectos emblemáticos e dinamizadores”, como a Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin, o terminal de mercadorias do Aeroporto Internacional de Macau em Hengqin e o troço de Hengqin do comboio de alta velocidade Guangzhou-Zhuhai (Macau).
Comércio | China pede aos EUA que corrijam acções Hoje Macau - 17 Mar 2026 A China instou ontem os Estados Unidos a “corrigir imediatamente os comportamentos errados” em matéria comercial, num momento em que representantes das duas maiores economias do mundo retomaram negociações em Paris. Altos responsáveis de ambos os países iniciaram no domingo, na capital francesa, uma nova ronda de conversações económicas e comerciais, lideradas pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua. A Casa Branca indicou que Donald Trump poderá deslocar-se à China entre 31 de Março e 2 de Abril para se reunir com o Presidente chinês, Xi Jinping, embora Pequim ainda não tenha confirmado oficialmente a visita e o chefe de Estado norte-americano tenha sugerido no domingo que a visita poderá ser adiada (ver páginas 10-11). As negociações surgem depois de uma disputa comercial intensa em 2025 entre as duas potências, que levou à imposição de tarifas retaliatórias elevadas antes de ambas acordarem uma trégua de um ano em Outubro. Num comunicado divulgado ontem, o ministério chinês do Comércio criticou novas investigações comerciais anunciadas pelos Estados Unidos contra 16 parceiros comerciais, entre os quais a China, destinadas a avaliar possíveis violações relacionadas com trabalho forçado. Segundo Washington, os inquéritos podem conduzir à imposição de novas tarifas. Pequim classificou as investigações como um acto “totalmente unilateral, arbitrário e discriminatório” e “um exemplo típico de proteccionismo”. “A parte chinesa já apresentou protestos junto da parte norte-americana. Exortamos os Estados Unidos a corrigirem imediatamente os seus comportamentos errados, a darem um passo em direção à China e a resolverem as divergências através do diálogo e da negociação”, afirmou o ministério. Matéria decisiva As autoridades chinesas alertaram ainda que as novas medidas norte-americanas representam “um erro sobre outro erro”, que prejudica gravemente “a segurança e a estabilidade das cadeias de abastecimento globais”. Apesar da trégua comercial acordada no final do ano passado, as tensões comerciais continuam a marcar as relações entre Washington e Pequim. Especialistas consideram que o encontro em Paris poderá ser decisivo antes da eventual cimeira entre Xi e Trump. O economista Gary Ng, do banco francês Natixis, afirmou que a principal questão será saber se os dois países conseguem “concordar sobre o que já foi acordado e gerir as divergências”. Além das questões comerciais, temas geopolíticos como o conflito envolvendo o Irão e o impacto nos preços e no fornecimento global de petróleo também poderão ser abordados nas conversações. As negociações atuais são mais um capítulo num processo iniciado no ano passado, que já levou Bessent e He Lifeng a reunir-se em cidades como Genebra, Londres, Estocolmo, Madrid e Kuala Lumpur.
De esposa a actriz porno: Abertura do casamento tradicional (II) David Chan - 17 Mar 2026 A semana passada, falámos sobre a história de uma mulher casada de trinta e tal anos, divulgada pela comunicação social japonesa, que quase morreu após ter sido operada a uma fractura. Esta experiência fê-la reflectir sobre o que ainda não tinha alcançado na vida. Devido à prolongada ausência de intimidade conjugal, sentia-se emocional e fisicamente carente. Depois de várias discussões, o casal concordou em continuar a viver na mesma casa e manter uma relação tradicional, partilhando as tarefas domésticas. No entanto, algo mudou; o marido concordou que a esposa passasse a actuar em filmes para adultos, para exibir o seu corpo belo e voluptuoso, facto de que ele iria apreciar e ainda avaliar o seu desempenho. Com esta mudança, as necessidades físicas da mulher e o seu vazio emocional seriam preenchidos por outras pessoas. Assim, esta relação passou de “tradicional” a casamento “aberto”. Um “casamento aberto” resulta de um acordo mútuo, para o qual se estabelecem regras detalhadas. Por exemplo: a abertura limita-se a ter encontros com outras pessoas ou inclui actividade sexual? O “outro” pode ser um amigo do casal? Pode ser convidado para casa? Serão necessárias medidas contraceptivas e preventivas? A incompatibilidade psicológica é um dos motivos para se escolher um casamento aberto. Neste caso, um dos parceiros tem um desejo sexual maior do que o outro e o casamento aberto pode servir como um mecanismo compensatório para manter a estabilidade conjugal. Além disso, mais do que impedir a repressão dos instintos ou a infidelidade, a abertura condicional pode ser usada para construir uma relação de confiança porque “não há nada a esconder”. Num casamento aberto, se um membro do casal precisa do outro, o terceiro elemento deve afastar-se imediatamente. Desta forma garante-se que o estatuto do cônjuge é superior ao do amante. Embora o casamento aberto tenha vantagens e pareça mais “livre”, na verdade enfrenta desafios significativos. Primeiro, poucas pessoas permanecem imperturbáveis quando são confrontadas com a intimidade do/a esposo/a com outras pessoas. O ciúme pode mudar o consentimento inicial em oposição ao casamento aberto. Segundo, do ponto de vista legal, o casamento aberto pode ser entendido como uma violação da obrigação de fidelidade conjugal e um desafio às normas sociais. Esta história é um típico caso “existencial”. A “experiência de quase-morte” pós-cirúrgica alterou drasticamente os valores desta mulher, fazendo com que deixasse de se conformar com as expectativas da sociedade. Para ela, participar em filmes para adultos era mais do que uma simples actividade sexual; era uma espécie de um ” instantâneo de memórias especial,” que reflectia o seu intenso desejo de preservar a juventude e provar a sua existência. No entanto, recorrer à indústria altamente comercial dos filmes para adultos é uma forma extremamente estereotipada de auto-renovação. O casamento aberto não implica participar em filmes para adultos, só ela saberá porque tomou esta decisão. Muitas pessoas entram nesta indústria para ganhar a vida, mas esta mulher fê-lo para criar “memórias”. Quando um destes filmes fica disponível online, deixa de ser possível apagar as imagens, o que poderá ser um peso que ela irá transportar quando quiser assumir uma identidade social diferente. Além disso, como é que os amigos e os familiares do casal a irão encarar depois de verem estes filmes? Que tipo de pressão irá sofrer o marido? Estarão os dois preparados para aceitar as diferentes pressões e consequências que esta decisão lhes trará? Manter múltiplas relações requer uma grande capacidade de gestão do tempo. Enquanto um dos membros do casal está a ter casos com outras pessoas, conseguirá o outro tomar conta das crianças e cumprir na totalidade as responsabilidades familiares? Deverá este casal pensar em ter mais filhos? Esta dupla separou completamente as “funções familiares” das “necessidades sexuais,” desafiando os limites da moralidade. Embora devamos respeitar as escolhas que os adultos fazem com mútuo consentimento, esta é sem dúvida uma decisão de alto risco. Será este um caso meramente isolado na sociedade japonesa, ou representará uma nova tendência no entendimento do casamento no Japão? Quando o casamento tradicional já não consegue resistir à auto-renovação de um indivíduo, devemos reparar o sistema ou remodelar os seus limites? Este será um problema inevitável para a sociedade e para a lei japonesa no futuro. Finalmente, se esta mulher pode confiar em terceiros para se envolver com eles em actividades sexuais, por quem é que ela está verdadeiramente apaixonada? Encontrou o amor da sua vida no casamento? Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau cbchan@mpu.edu.mo
Japão liberta reservas estratégicas e não prevê operação no estreito de Ormuz Hoje Macau - 17 Mar 202617 Mar 2026 O Japão vai libertar as reservas estratégicas de petróleo, dando início a uma operação global coordenada pela Agência Internacional de Energia, mas não considera enviar navios de guerra para o Estreito de Ormuz, como pediu Donald Trump. Os 32 países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram na quarta-feira a libertação de 400 milhões de barris de petróleo para amortecer a subida vertiginosa dos preços provocada pela guerra no Irão. Trata-se do maior desbloqueio de reservas alguma vez decidido pela instituição, criada há mais de 50 anos. A agência tinha dito no domingo que as reservas dos países da Ásia e da Oceânia seriam descongeladas “de imediato” enquanto as das Américas e da Europa sê-lo-iam “no final de Março”. O Japão, muito dependente do petróleo da região em guerra, confirmou ontem que iria recorrer – desde ontem – às suas reservas estratégicas. O Governo reduziu o nível das reservas privadas obrigatórias de petróleo bruto e produtos petrolíferos, o que implica a libertação de um volume correspondente a 15 dias de consumo nacional. Na semana passada, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, manifestou a intenção de libertar também ‘stock’ proveniente das reservas do Estado, representando um mês de consumo. Tal poderá ocorrer no final de Março. Em Dezembro, as reservas estratégicas de petróleo do Japão, estatais e privadas, ascendiam a mais de 400 milhões de barris, representando 254 dias de consumo nacional. “As importações de petróleo bruto para o Japão deverão registar uma queda significativa a partir do final de Março, enquanto persiste uma situação em que os petroleiros se encontram, na prática, impossibilitados de atravessar o Estreito de Ormuz”, referiu ontem o porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara. Cerca de 95 por cento das importações de crude do Japão provém do Médio Oriente e 70 por cento transitava pelo Estreito de Ormuz antes do conflito. “Para garantir que nenhuma perturbação venha a comprometer o abastecimento de produtos petrolíferos, como a gasolina, decidimos que o Japão tomaria a iniciativa de recorrer às reservas estratégicas nacionais, em coordenação com as nações do G7 e a AIE”, acrescentou Kihara. Mercado critico A guerra “está a provocar a maior perturbação no abastecimento de petróleo da história do mercado mundial do petróleo”, sublinhou a AIE no domingo. De acordo com a agência internacional, “esta acção colectiva de emergência constitui um amortecedor importante e bem-vindo”. “No entanto, o factor mais importante para um regresso à estabilidade dos fluxos é a retoma (…) da navegação através do Estreito de Ormuz”, por onde transita habitualmente 20 por cento do petróleo bruto mundial, continuou. O Japão indicou também ontem que “não prevê” uma operação de segurança marítima, numa reação ao apelo do Presidente norte-americano, Donald Trump, que no domingo pressionou países aliados, entre os quais os membros da Aliança Atlântica, mas também a China, a juntarem esforços para garantir a segurança do Estreito de Ormuz. “Na situação actual no Irão, não tencionamos ordenar uma operação de segurança marítima”, declarou no Parlamento nipónico o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi. A própria Sanae Takaichi considerou ontem que qualquer operação de segurança marítima seria “extremamente difícil do ponto de vista jurídico”.
Afeganistão / Paquistão | Pequim envia emissário para tentar cessar-fogo Hoje Macau - 17 Mar 2026 As autoridades chinesas tentam apaziguar o conflito entre vizinhos. Além das delegações enviadas a ambos os territórios, o ministro dos negócios Estrangeiros Wang Yi conversou ao telefone com autoridades paquistanesas e afegãs A China enviou um emissário ao Afeganistão e ao Paquistão na semana passada para realizar uma mediação e apelar para um cessar-fogo imediato, após confrontos fronteiriços que provocaram vários mortos, anunciou ontem a diplomacia chinesa. O Paquistão e o Afeganistão estão em conflito há vários meses, com Islamabad a acusar o país vizinho de acolher combatentes do movimento dos talibãs paquistaneses (TTP), que reivindicaram ataques mortais em território paquistanês, algo que Cabul desmente. O Paquistão é um dos parceiros mais próximos da China na região, mas Pequim apresenta-se também como um “vizinho amigável” do Afeganistão. “A China tem servido constantemente de mediadora no conflito entre o Afeganistão e o Paquistão através dos seus próprios canais”, declarou ontem o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, numa conferência de imprensa em Pequim. A diplomacia chinesa disse ter enviado o emissário para os assuntos afegãos Yue Xiaoyong a ambos os países para contribuir para a mediação do conflito. Num comunicado separado publicado, o ministério indicou que o emissário visitou o Afeganistão e o Paquistão entre 07 e 14 de Março. No Afeganistão, Yue reuniu-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Amir Khan Muttaqi, e com o ministro do Comércio e da Indústria, Nooruddin Azizi. Manteve igualmente conversações com altos responsáveis paquistaneses, incluindo a secretária dos Negócios Estrangeiros, Amna Baloch, referiu o ministério, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). “Incentivou as duas partes a demonstrarem calma e contenção, a implementarem um cessar-fogo imediato e a cessação das hostilidades, e a resolverem as contradições e divergências através do diálogo”, precisou. Outras conversas O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, também conversou por telefone com Muttaqi na sexta-feira, e prometeu continuar a “fazer esforços activamente” para reconciliar o Afeganistão e o Paquistão e aliviar as tensões. “O recurso à força apenas complicará a situação (…) e ameaçará a paz e a estabilidade regionais”, disse Wang ao homólogo afegão, segundo o relato da conversa divulgado na sexta-feira. Em Outubro de 2025, os combates entre o Afeganistão e o Paquistão causaram dezenas de mortos e resultaram no encerramento quase total da fronteira terrestre. Após diversas mediações, os confrontos diminuíram, mas o conflito voltou a agravar-se no final de Fevereiro, após ataques aéreos paquistaneses seguidos de uma ofensiva terrestre afegã. Os dois países reivindicaram ataques no fim de semana, com o Afeganistão a dizer ter tomado um posto fronteiriço numa operação em que matou 14 soldados paquistaneses. O Paquistão anunciou bombardeamentos em Kandahar, a cidade no sul do Afeganistão onde reside em isolamento o líder supremo dos talibãs, Hibatullah Akhundzada. Registos sangrentos A ONU anunciou na sexta-feira, um balanço de 75 civis afegãos mortos desde o intensificar dos confrontos em Fevereiro. O conflito provocou 115.000 deslocados internos no Afeganistão, de acordo com o Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR). O Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU anunciou no domingo que estava a fornecer ajuda de emergência a 20.000 famílias afegãs deslocadas pelo conflito. O Paquistão, que tem armas nucleares, e o Afeganistão são vizinhos do Irão, alvo de uma ofensiva militar de grande escala lançada em 28 de Fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel, que desencadeou uma nova guerra no Médio Oriente.
Óscares | Paul Thomas Anderson foi o grande vencedor da noite João Santos Filipe - 17 Mar 202617 Mar 2026 Paul Thomas Anderson foi o rei dos Óscares, após 14 nomeações, com “Batalha Atrás de Batalha” a ser o filme mais premiado com meia dúzia de estatuetas, seguido de “Pecadores”. Entre os “oscarizados” das principais categorias, destaque para Michael B. Jordan, Jessie Buckley, Amy Madigan e Sean Penn “Batalha Atrás de Batalha” confirmou o favoritismo imparável que adquiriu ao longo de toda a época de prémios, em que triunfou na maioria dos colégios de eleitores, e levou seis Óscares para casa – mais do que qualquer outra longa-metragem a concurso este ano – incluindo o tão cobiçado Melhor Filme, na 98.ª gala dos prémios da Academia de Cinema norte-americana, que se realizou ontem, no Dolby Theatre, em Los Angeles. Três destas estatuetas foram entregues à mesma pessoa: Paul Thomas Anderson. A vontade de consagrar um dos nomes mais relevantes do Cinema norte-americano contemporâneo, depois de 14 nomeações, terá sido um factor importante. Aliás, esta é uma tendência da Academia que se repete pelo terceiro ano consecutivo. “Oppenheimer” permitiu a consagração de Christopher Nolan, em 2024, e “Anora” fez o mesmo por Sean Baker, no ano passado. No entanto, desengane-se quem possa assumir que “Batalha Atrás de Batalha” é apenas um prémio de carreira. Trata-se de (mais) uma grande obra de Paul Thomas Anderson, com uma ambição técnica só superada pela sua execução, um elenco ultra-carismático – que valeu a Cassandra Kulukundis o primeiro Óscar de Melhor Casting de sempre – e um argumento colorido de frases que ficam na memória (Melhor Argumento Adaptado foi, de resto, a categoria que rendeu a Paul Thomas Anderson o primeiro Óscar da noite e da carreira). Pelo meio, Sean Penn conseguiu o seu terceiro Óscar, vencendo em Melhor Actor Secundário por assumir o papel de um antagonista marcante. “Batalha Atrás de Batalha” chega no primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump. É um filme que aborda temas como a supremacia branca, abre com uma sequência em que revolucionários salvam imigrantes latino-americanos do exército norte-americano e o palco do ponto intermédio da narrativa é um confronto nas ruas de uma pequena localidade entre agentes da autoridade e manifestantes. No entanto, o filme foi produzido antes de Donald Trump ter sido sequer eleito. A verdade é que “Batalha Atrás de Batalha” fala da América actual, porque na verdade está a falar da América de sempre. É um filme que tem tanto de actual, como intemporal, e esta dupla faceta, somada a um mérito artístico evidente, tornou o filme inevitável. Multiculturalidade na História “Tenho muito orgulho nele, por me ter dado o presente das suas histórias sobre o Mississípi, por ter posto a tocar música ‘blues’ para eu ouvir e ter conversado comigo sobre isso”, afirmou Ryan Coogler, vencedor do Óscar de Melhor Argumento Original por “Pecadores”. “Ele era o mais próximo que tive de um avô”, contou, considerando que o tio, que já morreu, continua a dar-lhe presentes até hoje. Coogler também se mostrou agradecido pelo sucesso de bilheteira de “Pecadores”, que cativou uma grande audiência em todo o mundo. “Estou incrivelmente grato pela interacção do público com a história na sala de cinema”, afirmou. “Isto foi algo em que sempre pensei. Perceber que, com a escrita, o que nos importa muitas vezes também importa a outras pessoas se conseguirmos comunicar os sentimentos da forma certa”, continuou. “Pecadores” bateu o recorde de nomeações para os Óscares, com 16 indicações, e deu a Michael B. Jordan a primeira vitória como Melhor Actor. Coogler revelou que pensou nele para interpretar o papel duplo de Smoke e Stack Moore antes mesmo de ter pronta a versão final do argumento. “Assim que imaginei o que estes dois personagens iam ser, soube que tinha de telefonar ao Mike”, contou o realizador. Coogler também elogiou os educadores e aqueles que preparam as próximas gerações, referindo que foi incentivado a fazer filmes por uma professora, quando tinha apenas 17 anos. “Ela leu uma coisa que escrevi e disse, ‘acho que devias ir para Hollywood e escrever argumentos'”, contou. Elevadas categorias Olhando para os diversos vencedores e vencidos por categoria, “Batalha Atrás de Batalha”, que o realizador Paul Thomas Anderson adaptou do romance “Vineland”, de Thomas Pynchon, venceu sobre os nomeados “Bugonia”, “Frankenstein”, “Hamnet” e “Sonhos e Comboios”. Sean Penn, ausente da cerimónia, foi o escolhido entre nomeados que incluíam Benicio Del Toro (“Batalha Atrás de Batalha”), Jacob Elordi (“Frankenstein”), Delroy Lindo (“Pecadores”) e Stellan Skarsgård (“Sentimental Value”). “Pecadores” obteve o primeiro prémio da noite, com Ryan Coogler a ser distinguido pelo Melhor Argumento Original, suplantando Robert Kaplow, por “Blue Moon”, Jafar Panahi, por “Foi Só Um Acidente”, Ronald Bronstein e Josh Safdie, por “Marty Supreme”, e Eskil Vogt e Joachim Trier, por “Sentimental Value”. O Óscar de Melhor Design de Produção — ou Dirceção Artística — foi para Tamara Deverell e Shane Vieau, por “Frankenstein”, deixando para trás “Hamnet”, “Marty Supreme”, “Batalha Atrás de Batalha” e “Pecadores”. Enquanto “Avatar: Fogo e Cinzas” garantiu o Óscar de Melhores Efeitos Visuais a Joe Letteri, Richard Baneham, Eric Saindon e Daniel Barrett. Os outros nomeados eram “F1”, “Mundo Jurássico: o Renascimento”, “The Lost Bus” e “Pecadores”. Lugar ao sentimento “Valor Sentimental”, de Joachim Trier, vence Óscar de Melhor Filme Internacional. O prémio foi anunciado pelo actor Javier Barden, que recordou a guerra e clamou por “Palestina Livre!” Eram também candidatos a Melhor Filme Internacional “Foi só um Acidente”, de França, e “Sirât”, de Espanha. Durante a cerimónia, a Academia de Hollywood homenageou os profissionais de cinema que morreram durante o ano que passou, detendo-se em particular no realizador Rob Reiner, na actriz Diane Keaton e no actor, realizador e produtor Robert Redford. O director de fotografia português Eduardo Serra, a actriz italiana Claudia Cardinale, o dramaturgo britânico de origem checa Tom Stoppard e o realizador húngaro Béla Tarr foram outros homenageados, numa longa lista que também incluía realizadores como Robert Benton, Frederick Wiseman e Marcel Ophuls, e os actores Robert Duvall, Val Kilmer, Catherine O’Hara e Terence Stamp, entre profissionais de diferentes áreas do cinema.
Tifo | Residente infectado depois de acampar em Jiangmen Hoje Macau - 17 Mar 202617 Mar 2026 Os Serviços de Saúde foram notificados de um caso de tifo epidémico relativo a um residente de 31 anos diagnosticado na quinta-feira no Hospital Conde de São Januário. As autoridades de saúde, classificaram o caso como importado e indicaram que o doente continua hospitalizado, mas com um quadro clínico estável. O paciente começou por apresentar manchas negras e uma erupção cutânea na perna esquerda no dia 26 de Fevereiro e, cerca de uma semana depois desenvolveu sintomas como febre, dores de cabeça e dores musculares. No dia 7 de Março, as erupções cutâneas espalharam-se pelo corpo, o que levou o residente recorrer ao hospital. Os Serviços de Saúde realçaram que o homem acampou num parque de campismo em Jiangmen, nos dias 24 e 25 de Fevereiro, um local com zonas relvadas, onde provavelmente terá sido picado por insectos. O tifo epidémico é uma doença infectocontagiosa aguda causada pela picada de larvas portadoras de uma bactéria que tem como habitat natural ratos de zonas de selva quentes e húmidas, essenciais para a multiplicação da bactéria, que se pode propagar para humanos através de picadas de piolhos. Sem tratamento imediato, uma pequena percentagem de doentes pode desenvolver complicações graves, incluindo pneumonia, encefalite e miocardite, que podem resultar em insuficiência respiratória, choque e morte, com uma taxa de mortalidade de até 60 por cento.