Eventos“Somos” | Moçambicano Hamir da Silva arrecada primeiro prémio de concurso de fotografia Hoje Macau - 12 Mai 2026 Já são conhecidos os vencedores da sétima edição do concurso de fotografia “Somos – Imagens da Lusofonia 2025/26”, que deu o primeiro prémio ao fotógrafo moçambicano Hamir da Silva. Dois portugueses arrecadaram o segundo e terceiro prémio. A mostra com os trabalhos seleccionados pode ser vista nas Casas Museu da Taipa A Somos – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa acaba de divulgar os vencedores da mais recente edição, a sétima, do concurso de fotografia “Somos – Imagens da Lusofonia 2025/26”. Esta edição teve como tema “O Hoje do Passado” e voltou a dar o primeiro prémio a Moçambique, nomeadamente ao fotógrafo Hamir da Silva. Segundo um comunicado da associação, este concorreu “com a imagem de um homem a sintonizar a frequência de um rádio antigo, resistente ao tempo, num mundo que corre atrás das novas tecnologias”. A fotografia de Hamir, intitulada “Resiliência da comunicação”, remete “para a intemporalidade de um rádio antigo e duas latas unidas por um fio improvisado, numa reinvenção da infância e da cultura de brincar que atravessa gerações”. Por sua vez, “no centro da imagem, um homem sintoniza, pacientemente, a frequência do aparelho que resiste ao tempo”, explica a associação, sendo que “enquanto o mundo corre atrás de novas tecnologias, o senhor Gilbert relembra que o simples pode ser extraordinário e que a memória tem o poder de unir pessoas”. Hamir da Silva recebe dez mil patacas de prémio, bem como uma viagem e estadia em Macau, para participar na cerimónia de inauguração da exposição e em workshops organizados localmente. O segundo prémio foi atribuído a Adão Salgado, de Portugal, e Carlos Júlio Teixeira, também de Portugal, ganhou o terceiro lugar. Ambos apresentaram “fotografias de tradições que perduram até hoje, desde a pesca artesanal- Arte Xávega – ao coro de mulheres durante a festa a São Vicente”. A exposição de fotografia que resulta deste concurso será inaugurada a 29 de Maio, a partir das 18h30, nas Casas Museu da Taipa. Pescas e festas Adão Salgado, que ficou em segundo lugar, ganhando sete mil patacas de prémio, apresentou a concurso a fotografia “O mar como legado vivo”, representando “a técnica secular da pesca tradicional portuguesa – Arte Xávega – que continua a alimentar comunidades e a definir a alma do litoral português”. Trata-se de “um ciclo produtivo pleno de função e propósito: a rede que sobe o areal traz consigo o sustento de agora e a herança de outrora; apoiado pelo esforço dos pescadores, assiste-se à vitalidade de um ofício que resiste à globalização”. Já Carlos Júlio Teixeira recebeu o terceiro prémio, no valor de cinco mil patacas, com a imagem “A fé cantada” tirada no interior de uma igreja, durante a festa devotada a São Vicente. Aqui, “vozes reúnem-se em coro num acto de fé pública, quase ancestral”, tratando-se de “mulheres que cantam, e é na sua voz que permanecem vivas as memórias de um povo que canta para não esquecer”. Outros prémios A Somos atribuiu ainda três menções honrosas a Carlos Costa (Portugal) com “Varge” tirada em Trás-os-Montes durante as “Festas dos Rapazes”, uma tradição antiga e emblemática da região. Clarice Carvalho (Brasil) ganhou a distinção com “Presente do passado”, imagem que representa “a força da escrita a atravessar o tempo, permanecendo activa não como vestígio, mas como continuidade”. Por sua vez, Marcos Júnior, também de Moçambique e que venceu a edição anterior do concurso, ganhou a menção honrosa com “Crescer entre memórias”, imagem “tirada diante de uma casa onde paredes antigas carregam histórias coloniais”. Representam-se, aqui, “vozes distantes e marcas de uma relação histórica entre Moçambique e Portugal, construída num tempo que não lhes pertence as crianças brincam como se o passado nunca tivesse sido pesado”. Gonçalo Lobo Pinheiro, fotojornalista que presidiu ao júri do concurso e membro da Somos, disse, citado por um comunicado, que este concurso voltou a “ser um sucesso ao nível da participação”, com centenas de fotografias a concurso, provenientes de diversos pontos da esfera lusófona. Um dado que confirma a vitalidade do projecto e o seu alcance internacional, “algo que muito nos orgulha”. Ao nível das obras submetidas destacaram-se propostas muito “consistentes, que justificaram plenamente a selecção final”. Assim, disse, os vencedores, bem como as menções honrosas atribuídas “reflectem a diversidade geográfica e criativa do universo lusófono”. A mostra inclui 34 fotografias além das imagens que arrecadaram os primeiros prémios e menções honrosas. Terá curadoria do arquitecto e fotógrafo, Francisco Ricarte.