Maternidade | Patronato concorda com aumento de licença e férias Hoje Macau - 12 Mai 2026 Governo, patronato e representantes do sector laboral estão de acordo quanto ao aumento proposto de férias anuais e da licença de maternidade. O Governo apresentou os resultados de uma consulta pública que se alinham com as medidas propostas para combater a baixa natalidade Executivo, patrões, “sector laboral” e população estão de acordo em relação à necessidade de rever a lei das relações de trabalho para aumentar os dias de licença de maternidade e de férias anuais. Esta foi a conclusão retirada da reunião plenária do Conselho Permanente de Concertação Social, que se realizou ontem. No final da reunião, o representante do patronato, o ex-deputado Chan Chak Mo, concordou com a proposta, assim como o representante do sector laboral Kuong Chi Fong, o vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau. Os dois representantes defenderam também que o montante máximo da remuneração de base mensal utilizado para calcular a indemnização por despedimento vai permanecer em 21.500 patacas, valor fixado no final de 2024. Além disso, o Governo apresentou os resultados de uma consulta pública, que decorreu até 16 de Março, em que se refere que os residentes concordam com um aumento proposto das férias anuais e da licença de maternidade, para fazer frente à baixa natalidade do território. O Executivo acrescentou que, após a análise às mais de mil opiniões e sugestões recolhidas, ficou demonstrado que as propostas de revisão da lei foram “bem recebidas pela sociedade”. Metas para este ano Depois da reunião plenária do Conselho Permanente de Concertação Social, o director dos Serviços para os Assuntos Laborais, Chan Un Tong, indicou que a alteração à Lei das Relações de Trabalho será concluída até ao final do ano. Actualmente, apenas funcionárias públicas têm direito a uma licença de maternidade de 90 dias. No caso dos pais, a licença é de cinco dias úteis remunerados. Recorde-se que em Março, as seis concessionárias de jogo aumentaram a licença de maternidade oferecida às trabalhadoras para 90 dias, medida que acompanha os esforços do Governo para incentivar a natalidade na cidade. A indústria do jogo de Macau empregava cerca de 65.300 trabalhadores, segundo dados referentes a 2025, quase 10 por cento de toda a população do território. Em Janeiro deste ano, o Executivo propôs aumentar a licença de maternidade no sector privado de 70 para 90 dias, visando combater a baixa natalidade, e as férias anuais de seis para 12 dias “segundo a antiguidade do trabalhador”.
Inês Cardoso, jornalista e autora de livros infantis: “A desinformação joga com emoções” Andreia Sofia Silva - 12 Mai 2026 Inês Cardoso embrenha-se na escrita de livros para os mais novos quando a espuma frenética dos dias do jornalismo lhe dá algum descanso. A directora do Jornal de Notícias foi convidada pelo festival “Letras&Companhia” para apresentar o livro “De Londres ao Porto numa gaivota”, que foi traduzido para chinês Vem a Macau participar no festival “Letras&Companhia”. Como se sente por vir ao território neste contexto? É a primeira vez que vou a Macau e é particularmente entusiasmante perceber o trabalho que continua a ser feito para preservar a língua portuguesa. O festival tem muitos atractivos, e é uma honra estar ao lado de pessoas como Afonso Cruz ou André Letria, porque trabalham diferentes públicos e têm um trabalho muito conceituado. Vou falar de literatura juvenil e é bom poder estar directamente com o público escolar e perceber a sua ligação à língua. Apresenta na sexta-feira o livro que lançou em 2019, “De Londres ao Porto numa gaivota”. Porquê esta obra? Tem muito a ver com a temática do festival, centrada nas cidades. Este é um livro que trabalha muito no espaço urbano, portanto transporta-nos para alguns dos espaços emblemáticos de Londres e Porto na forma como a protagonista, Sofia, que viveu no Porto, mas se mudou para Londres, vai viajando mentalmente pelos locais que a saudade, no fundo, mantém activos. Não sendo o meu livro mais recente, acabou por estar em destaque nesta edição, e graças a uma parceria entre a Porto Editora e o IPOR [Instituto Português do Oriente, co-organizador do festival], o livro vai ter uma versão em português e chinês. Trata-se de algo que vai permitir trabalhar esta questão da língua e das viagens que fazemos através dela, tal como a própria história também reflecte. Quando sai a versão em chinês do livro? Será apresentada no festival, estando disponível na Livraria Portuguesa. A saudade é um sentimento muito português, é um desafio traduzir essa palavra para outra língua? Que expectativas têm em relação à tradução? Esta é uma das reflexões que fazemos no livro. Ao tentar traduzir a palavra saudade fazemos essa abordagem, quanto à importância e centralidade que a saudade tem para nós, portugueses. Muitas vezes tem um sentido excessivamente nostálgico, mas a verdade é que nos marca muito, tanto na literatura, na música ou no nosso imaginário. O livro aborda isso, a forma como nos entendemos e como, no fundo, podemos fazer corresponder a saudade a outras expressões que outras línguas têm para traduzir esse sentimento, que, de facto, nos marca muito colectivamente. O seu livro mais recente, também de literatura infantil, “As Mãos da Avó”, foi editado no ano passado. Há algum paralelismo com a obra que apresenta no “Letras&Companhia”? É uma história que tem um ritmo um pouco mais lento, por assim dizer, tem uma escrita mais pausada. Procuro que o próprio livro trabalhe a questão da espera e da paciência. É, num certo sentido, um livro que nos leva a viajar, também a nós adultos, pelas nossas memórias de infância. Quando se fala de literatura infantil, prefiro mais falar em livros e álbuns ilustrados, porque tenho percebido que “As Mãos da Avó” é, muitas vezes, um livro que sensibiliza os adultos que se identificam com aquela experiência da neta, que aprende com as mãos da avó e que partilha momentos com ela, e que, em contacto com a natureza, vai percebendo pequenas lições que a avó lhe transmite. Vivemos tempos muito acelerados, em sociedades que valorizam muito a rapidez. A capacidade de pararmos e percebermos a importância da espera é uma reflexão que nos interessa particularmente e da qual até estamos a precisar. Como se passa do jornalismo, precisamente dessa pressa das redacções, para a literatura infantil? Esse é um dos desafios e diria até que uma das razões que explica o facto de eu publicar com longos intervalos, exactamente porque o jornalismo é tão absorvente e a realidade tem estado tão acelerada. Sinto que somos arrastados no vórtice da actualidade e temos muita dificuldade em travar, sobretudo desde a altura da pandemia. Tivemos a crise, a invasão na Ucrânia, fomos tendo outros conflitos muito centrados no Médio Oriente, mas também a própria eleição de Donald Trump trouxe uma série de alterações na geopolítica internacional. Temos avanços na inteligência artificial que nos vão lançando desafios. Ou seja, vivemos tempos que constituem desafios colectivos e que se traduzem no nível de atenção permanente por parte dos media e de alteração do trabalho nos próprios media. Somos muito afectados pela alteração dos algoritmos, das redes sociais, da entrada da inteligência artificial em campo. Há uma rapidez que deixa muito pouco espaço para a criatividade e imaginação. Quando consigo esses espaços, importantes para mim, dá-me alguma respiração neste mundo que tem estado algo distópico nos últimos tempos. E, portanto, gosto de olhar para a literatura infantil ou juvenil como um caminho para alguma descompressão e até para alguma saída deste mundo às vezes pouco empático e pouco focado. Falando da inteligência artificial, ainda é possível pôr crianças a ler um livro físico? No caso particular da leitura para a infância, e com os álbuns ilustrados, acredito que o papel vai resistir, porque é de facto único na capacidade de nos transportar para o peso que as próprias ilustrações têm. Hoje temos formatos cada vez mais criativos, com livros que trazem novas abordagens, com desdobráveis [por exemplo] e uma criatividade que tem sabido evoluir num sentido que é tão único que, de facto, não pode ser substituído por nenhum ecrã. Vou às escolas com alguma regularidade e sinto que as crianças mantêm, pelo menos na primeira infância, um grande entusiasmo com as histórias e com os livros. Gostam de os sentir. Depois temos de fazer a nossa parte. Se olharmos para os exemplos da Suécia ou Noruega, que num determinado momento foram pioneiros no digital, pelas salas de aula dentro, e agora percebem que foi um erro e estão a regular e a incentivar cada vez mais o livro e a leitura, acho que temos de ir aprendendo com essas lições. Há medidas que têm de ser adoptadas por decisores e governantes, no sentido de ir protegendo e estimulando a leitura e percebendo que ela tem um espaço próprio que não deve ser alterado, apesar da competição gerada pelo digital e pelos ecrãs. Começou no jornalismo em 1998 e actualmente é directora do Jornal de Notícias (JN). Qual a mudança mais fracturante que assistiu na profissão nos últimos anos? Temos tido muitas mudanças muito rápidas. Quando comecei já estávamos a falar nos desafios que o digital nos iria trazer, e desde então fizemos muitas experiências e continuamos sem respostas, porque a todo momento temos novos desafios. Uma das grandes dificuldades é continuar a merecer a confiança dos leitores e, no fundo, a captar a atenção no meio de tanto ruído. Diria que o grande desafio é até mais social do que dos próprios jornalistas, que têm estado muitas vezes sozinhos a defender um espaço que é, na verdade, vital para a própria democracia. No nosso caso, no JN, tivemos um momento particularmente marcante que foi ao final de 2023 e início de 2024, um momento de luta que evitou um despedimento colectivo. Houve depois uma mudança de accionistas e de propriedade no grupo [Global Media]. Esse momento, em Portugal, foi particularmente importante e significativo na reflexão que, em Portugal, estamos a fazer sobre a propriedade dos media, o financiamento e a sustentabilidade, problema que também está a ser enfrentado pela revista Visão. Do ponto de vista tecnológico, creio que vamos continuar a assistir a mudanças constantes, em que ainda não sabemos muito bem o que a inteligência artificial vai provocar, nomeadamente nesta questão da confiança das pessoas, na disseminação cada vez maior e mais eficaz da desinformação e os riscos que, no fundo, acarreta para todos nós. Quando fala que a preservação do jornalismo também parte da sociedade civil, não sente que o perigo reside no facto de as pessoas terem muita desconfiança em relação aos media e terem até um tom acusatório em relação aos jornalistas? Como se combate isso? Sim, por isso é crucial que haja capacidade para, de forma colectiva, olharmos para este tema da desinformação como um problema da democracia, e não um problema dos jornalistas. É verdade que há essa desconfiança, e parece-me que os cidadãos ainda acreditam em muitos mitos relacionados com a informação, ou seja, que através das redes sociais conseguem obter a informação sem precisar de jornalismo, que conseguem ser eles a seleccionar as fontes, ou que seguem quem querem. Não percebem que estão constantemente a ser manipulados pela própria lógica do algoritmo, pelas bolhas que vão sendo criadas na sequência do seu próprio comportamento digital. Há uma série de mecanismos subtis que são perigosos do ponto de vista individual e do ponto de vista da popularização social, em relação aos quais os cidadãos ainda não estão plenamente atentos e dos quais não estão, sequer, muitas vezes conscientes. Sabemos muito bem a quem interessa essa desinformação, quem a trabalha e quem mais [promove] a disseminação alargada de informações falsas. Sabemos os riscos a que estamos sujeitos quando as opiniões são, cada vez mais, facilmente manipuladas e orientadas, nomeadamente em períodos de eleições. Já há diversos estudos que comprovam o quanto a desinformação aumenta em períodos eleitorais. Esta é uma reflexão que, apesar dessa má imagem que os jornalistas actualmente sofrem, vai ter de ser feita colectivamente. No sábado protagoniza uma oficia de literacia digital para professores intitulada “Combater a desinformação na era da IA”. E como se combate, afinal? Temos riscos cada vez maiores e as ameaças são muitas. Diria que se combate sobretudo com muita formação. Nesta acção de formação para professores vamos abordar algumas formas de tratar o tema, nomeadamente para crianças e adolescentes já ao nível do secundário, porque é essencial que todos possamos identificar alguns sinais em vídeos, imagens ou informações partilhadas. Para que saibamos identificar quem tem funções de particular responsabilidade, e o professor é sempre alguém que tem essa responsabilidade perante a sua própria sala de aula e aqueles que estão, no fundo, entregues e confiados. O professor tem essa missão com uma maior exigência, porque pode ter um efeito multiplicador na transmissão de ferramentas que são úteis em todas as idades. Temos de estar atentos e saber como verificar a informação e, sobretudo, como não agir por impulsividade ou emotividade, que é um dos grandes problemas da desinformação. Esta joga muito com as emoções, com a confirmação de preconceitos e esse, no fundo, é o trabalho mais difícil de fazer.
Aviação | Companhias sul-coreanas suspendem mais de 900 voos Hoje Macau - 11 Mai 2026 As companhias aéreas sul-coreanas cancelaram mais de 900 voos devido ao aumento do preço do combustível provocado pelo conflito no Médio Oriente, com a maioria dos cortes a concentrar-se nas companhias de baixo custo. As companhias aéreas low-cost, como a Jeju Air e a Jin Air, cancelaram 900 voos de ida e volta, incluindo várias rotas para o Sudeste Asiático, informaram ontem fontes do sector citadas pela agência de notícias local Yonhap. A Asiana Airlines, a segunda maior companhia aérea do país, também cancelou 27 voos de ida e volta em seis rotas, incluindo Phnom Penh e Istambul, até Julho, informou a agência. A Korean Air, a principal companhia aérea sul-coreana, não comunicou, por enquanto, cortes nas operações, embora se encontre desde Abril sob um sistema de gestão de emergência e esteja a “acompanhar de perto” a situação. As fontes alertaram que o número poderá aumentar, uma vez que algumas companhias ainda não fecharam os seus calendários de Junho. O ajuste surge depois de, no mês passado, as companhias aéreas sul-coreanas terem anunciado que, em Maio, iriam aumentar para o nível máximo a sobretaxa de combustível, devido ao aumento do Platts Singapore Average (MOPS), o indicador de referência, de acordo com fontes do setor citadas pela agência sul-coreana. O aumento do nível 18, aplicado em Abril, para o nível 33, aplicado em Maio, representa o maior aumento mensal desde que o sistema actual foi introduzido em 2016. O MOPS registou uma média de 214,71 dólares por barril entre 16 de Março e 15 de Abril, ultrapassando em 2,5 vezes o preço de há dois meses.
Wynn Macau | Lucros sobem 10,9 % no primeiro trimestre Hoje Macau - 11 Mai 2026 A operadora de casinos Wynn Macau anunciou na sexta-feira lucros operacionais de 279,4 milhões de dólares no primeiro trimestre, uma subida de 10,9 por cento face a igual período de 2025. Os proveitos da Wynn aumentaram à boleia das receitas das duas propriedades da empresa em Macau, que cresceram 14,2 por cento entre Janeiro e Março, para 989,2 milhões de dólares, de acordo com um comunicado da operadora. As apostas nos casinos Wynn Macau e Wynn Palace foram responsáveis pela maioria do volume de negócios da empresa em 2025, arrecadando 841,6 milhões de dólares em receitas, uma subida de 16,9 por cento. “Em Macau, assistimos a um aumento significativo do volume de jogo em relação ao ano anterior, juntamente com uma quota de mercado saudável”, afirmou Craig Billings, director executivo da empresa-mãe, a Wynn Resorts, em comunicado. Massas aguentam O chamado mercado de massas continuou a ser, de longe, o principal segmento para a operadora, representando receitas de 811,9 milhões de dólares, mais 14,2 por cento do que no primeiro trimestre. No segmento conhecido como jogo VIP, as apostas dos grandes jogadores caíram 9,9 por cento nos dois casinos da Wynn Macau, mas, pelo contrário, as receitas aumentaram 13,5 por cento, para 136,5 milhões de dólares. Isto apesar do casino Wynn Macau ter ficado com apenas 0,39 por cento das apostas no jogo VIP. Em média, os casinos a operar em Macau vão buscar 3 por cento das apostas neste segmento. Em 2019, o chamado jogo bacará VIP representava 46,2 por cento das receitas totais dos casinos de Macau. Mas em 2025 este segmento ficou-se por uma fatia de 27,5 por cento, apesar das receitas absolutas terem subido 24,1 por cento. Numa teleconferência com analistas, Craig Billings anunciou um investimento de pelo menos 900 milhões de dólares na construção de um novo hotel com 432 suites na propriedade Wynn Macau. O executivo, citado pelo portal de notícias GGRAsia, disse que a empresa está à espera de autorização do Governo local. As obras devem arrancar na segunda metade de 2026 e demorar dois anos e meio. A Wynn Resorts opera também nos EUA e Reino Unido, estando ainda a construir o casino Wynn Al Marjan, nos Emirados Árabes Unidos. Na teleconferência, Billings admitiu “um ligeiro atraso” no projeto em Ras Al Khaimah devido ao conflito no Médio Oriente, mas garantiu que a inauguração continua marcada para 2027. “Embora tenhamos enfrentado desafios logísticos e de transporte na região, as entregas continuaram em grande parte e estamos a redirecionar as remessas e a procurar materiais alternativos”, disse Billings. A construção do Wynn Al Marjan, um investimento de 5,1 mil milhões de dólares, continua “com mais de 22 mil trabalhadores no local”, acrescentou o executivo.
Ormuz | Seul diz que “impacto externo” causou explosão em navio Hoje Macau - 11 Mai 2026 Seul concluiu que a explosão ocorrida na semana passada num navio operado por uma companhia de navegação sul-coreana no Estreito de Ormuz foi causada pelo “impacto externo” de um objecto voador não identificado. “Como resultado da investigação, foi confirmado que, em 04 de Maio, um objeto voador não identificado atingiu a popa do (navio) ‘HMM Namu’. Existe, no entanto, uma limitação para determinar com precisão o tipo exacto e o tamanho físico do objecto”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul num comunicado. O navio de carga “HMM Namu” estava ancorado fora dos limites do porto de Umm Al Quwain, nos Emirados Árabes Unidos, quando ocorreu uma explosão, cerca das 20:40, hora da Coreia, “no lado bombordo da casa das máquinas”. Seguiu-se um incêndio, mas toda a tripulação saiu ilesa. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou anteriormente que se tratou de um ataque iraniano, instando Seul a juntar-se à agora suspensa operação militar dos Estados Unidos para escoltar navios através de Ormuz. Teerão rejeitou categoricamente qualquer envolvimento na explosão, enquanto Seul adoptou uma postura cautelosa, classificando a possibilidade de um ataque como “incerta”. Como muitas economias asiáticas, a Coreia do Sul depende fortemente das importações de combustível do Médio Oriente, grande parte das quais transita pelo estreito de Ormuz. O ministro da Defesa sul-coreano, Ahn Gyu-back, reúne-se hoje nos Estados Unidos com o homólogo norte-americano, Pete Hegseth. Antes de partir para Washington, Ahn afirmou que, na reunião com Hegseth, irá discutir as intenções de Seul de conseguir a transferência do controlo operacional (OPCON) em tempo de guerra dos EUA para a Coreia do Sul durante o mandato do actual Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung. Também discutirão o plano para desenvolver submarinos nucleares sul-coreanos com ajuda tecnológica de Washington, disse o ministro, em declarações reportadas pela Yonhap.
“Deixem-nos trabalhar” André Namora - 11 Mai 2026 Não há ninguém, incluindo nas hostes do PSD, que não tenha pedido a demissão da ministra da Saúde. Dois anos de incompetência e de protestos por parte dos profissionais de saúde e dos doentes. Pois, a senhora teve o desplante de na semana passada vir a público afirmar que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não está “doente” e que em vez de a criticarem que “deixem-nos trabalhar”. Qual trabalho? Cirurgias e consultas para as calendas? 24 horas de espera numa urgência? Grávidas a terem os filhos nas ambulâncias? Directores de Neurologia que ultrapassaram a idade da reforma e que receitam ao doente um medicamento trocado que provocou a morte do paciente? O INEM em greve com pessoas a morrer sem socorro? Gastos astronómicos a médicos sem escrúpulos que realizam cirurgias estéticas ao fim de semana? Consultas de especialidade marcadas para dia de greve e depois nunca mais contactam o doente? O grande hospital de Lisboa que nunca mais teve início a sua construção? Os médicos com salários mais baixos que no Congo? Comissões inacreditáveis de gestores de hospitais na aquisição de material médico? Centros de Saúde encerrados ao fim de semana? O Algarve com o hospital de Faro a rebentar pelas costuras? Centenas de macas com doentes graves pelos corredores dos estabelecimentos hospitalares? É sobre isto que a ministra quer trabalhar quando não conseguiu em dois anos alterar uma palha? Não, senhora ministra. A senhora ou tem o primeiro-ministro na mão ou o primeiro-ministro é tão incompetente como a senhora. Ana Paula Martins afirmou que a resposta do SNS está “muito diminuída” devido aos internamentos inapropriados. Só para rir… a ministra ainda fez rir mais o país, se não chorou, quando recusou que o SNS esteja a falhar na actividade assistencial que presta aos utentes, alegando que isso é um mito “sistematicamente repetido”. Para se afirmar algo tão absurdo, a ministra tinha de ter a noção que já se devia ter dedicado a coser meias, de tal forma que uma leitora do Facebook ao ler as declarações da ministra, escreveu: “Está alheada de tudo, onde é que isto vai parar, ela brinca com a saúde dos portugueses”. Na verdade, nos primeiros dois meses do ano, houve menos consultas e cirurgias programadas nos hospitais públicos do que no mesmo período do ano passado e aumentou o tempo de espera para os doentes. No entanto, a ministra com toda a sem vergonha afirmou que “o SNS não está a falhar”. O número de cirurgias realizadas no SNS, em Fevereiro, não era tão baixo há dois anos. Segundo os dados do Portal da Transparência, foram feitas cerca de 130 mil operações em todo o país, menos 10 mil do que em 2025 e menos 3.000 do que em 2024. Como é que a ministra da Saúde pode vir dizer que a descida está relacionada com o aumento de internamentos. Ora, se aumentou o número de internamentos teria de aumentar também o número de cirurgias. A incongruência é tão vistosa depois de Ana Paula Martins ter defendido que todos os indicadores assistenciais melhoraram desde que está no Governo. Ou mente ou é incompetente. Pior, as declarações da ministra contrastam com a informação disponível, que dá conta de, pelo menos, 19 mil consultas hospitalares do que no mesmo período de 2025, sobretudo as primeiras, e do aumento do tempo de espera nas consultas e nas cirurgias. Contrariamente ao que diz a ministra a saúde está cada vez mais doente. Todos os utentes dos hospitais se queixam da organização no atendimento. A culpa não é dos médicos, enfermeiros, técnicos e pessoal da limpeza. A culpa é de quem está à frente da pasta da Saúde. A ministra nada faz para melhorar as condições de trabalho dos profissionais de saúde e dos utentes. Os institutos de oncologia, peças basilares no salvamento de vida, têm-se queixado da falta de meios. Isso, é inadmissível. O cancro aumenta à mesma velocidade da demência e nunca se viu construir habitações especiais para recolher doentes cancerígenos ou com demência. Realmente, o povinho é que tem o direito de pedir a demissão da ministra e de dizer “deixem-nos trabalhar” com melhor saúde…
GP Macau: FIA confirma continuidade de Taças do Mundo de FR e F4 Sérgio Fonseca - 11 Mai 2026 No final da passada semana, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) confirmou a continuidade das Taças do Mundo de Fórmula Regional (FR) e de Fórmula 4 no programa do Grande Prémio de Macau, juntando-se ambas à já confirmada Taça do Mundo de GT da FIA e à derradeira ronda da temporada do FIA TCR World Tour Na sequência de uma votação electrónica do Conselho Mundial do Desporto Automóvel da FIA, ficou decidido que as duas Taças do Mundo de monolugares integrarão a 73.ª edição do Grande Prémio de Macau, agendada para os dias 19 a 22 de Novembro. Foi igualmente definido o quadro de selecção de participantes para a Taça do Mundo da FIA de FR, permanecendo ainda por revelar os detalhes relativos ao processo de inscrição e selecção para a corrida de Fórmula 4. Disputada pela primeira vez em 2024, a Taça do Mundo da FIA de FR marcou o início de uma nova era para o Grande Prémio de Macau, com os monolugares da Fórmula Regional a assumirem o estatuto de categoria principal do evento, após quatro décadas em que a Fórmula 3 reinou no Circuito da Guia. A edição de 2026 contará já com o novo Tatuus T-326, modelo recentemente introduzido nos campeonatos internacionais da especialidade. Tanto os Fórmula Regional como os Fórmula 4 utilizarão pneus Pirelli. Para o Presidente da Comissão de Monolugares da FIA, Emanuele Pirro, a “Taça do Mundo da FIA de FR tem vindo a crescer de forma sustentada desde a sua introdução em 2024 e assumirá ainda maior relevância este ano com a chegada do Tatuus T-326 de segunda geração”. O italiano, antigo vencedor da Corrida da Guia pela BMW, salientou igualmente que a introdução da Taça do Mundo de F4 no ano passado “proporcionou a oportunidade ideal para os pilotos em início de carreira adquirirem conhecimento e compreensão do circuito de Macau antes de, futuramente, evoluírem para a Taça do Mundo da FIA de FR”. Quadro de convites conhecido A FIA, em parceria com a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau, revelou igualmente o quadro de convites para a edição deste ano da Taça do Mundo da FIA de FR. Segundo o organismo sediado em Paris, o modelo “foi concebido com o objectivo de conjugar mérito desportivo, representação internacional e excelência competitiva, preservando simultaneamente o prestígio e o carácter selectivo que historicamente distinguem o Grande Prémio de Macau”. O objectivo passa por reunir um lote de participantes de nível mundial, composto pelas mais competitivas equipas de Fórmula Regional, dentro de um número de carros ajustado, segundo a FIA, às características únicas do Circuito da Guia. Assim, todas as equipas participantes no Campeonato Europeu de Fórmula Regional da FIA (FREC) de 2026 serão elegíveis para integrar a grelha. Será igualmente seleccionada a equipa mais bem classificada no campeonato japonês de Fórmula Regional de 2025. O comunicado da FIA esclarece ainda que apenas 26 carros serão admitidos à partida na edição deste ano, menos um que na edição de 2025, número que aumentará para 28 a partir de 2027. Foi igualmente confirmada a estrutura de dois carros por equipa, solução que, segundo a FIA, “garante consistência operacional em toda a grelha” e alinha esta Taça do Mundo “com os formatos habitualmente utilizados nas competições internacionais de formação em monolugares promovidas pela FIA, assegurando simultaneamente eficiência logística e desportiva dentro das limitações do Circuito da Guia”. Mais carros em 2027 A partir de 2027, a grelha crescerá com a adição de uma equipa proveniente do Formula Regional Oceania Trophy, sendo esta escolhida pelo promotor regional entre os melhores classificados do seu campeonato. Segundo a FIA, a inclusão da Oceânia “reflecte a contínua internacionalização do percurso competitivo da Fórmula Regional e reforça a representação de regiões com elevado nível competitivo”. Para além destas vagas, poderão ainda ser seleccionadas até duas equipas adicionais, escolhidas conjuntamente pela FIA e pela Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau com base no mérito desportivo. Entre os critérios adicionais de selecção previstos para as vagas remanescentes, destacam-se dois particularmente relevantes: o “legado histórico, incluindo contributos relevantes para o Grande Prémio de Macau ou para o desenvolvimento do automobilismo de formação em monolugares”, bem como os “resultados anteriores no Grande Prémio de Macau”, factores que poderão abrir novamente as portas do Circuito da Guia a equipas afastadas após o desaparecimento da Fórmula 3 do evento. Refira-se igualmente que, até à data, nenhuma equipa chinesa foi convidada a participar na Taça do Mundo da FIA de FR.
Supremo Tribunal da Índia ouve vítimas para decidir se proíbe mutilação genital feminina Hoje Macau - 11 Mai 2026 O Supremo Tribunal da Índia ouviu sexta-feira várias vítimas de mutilação genital feminina no âmbito de um megaprocesso para definir os limites constitucionais da liberdade religiosa em relação aos direitos das mulheres. Um painel especial de nove juízes, presidido por Surya Kant, examinou a legalidade do ritual praticado na Índia pela minoria xiita, os Dawoodi Bohra. “O que estabelecermos servirá para toda uma civilização, e essa civilização é a Índia. A Índia deve progredir, mas há um costume entre nós que não podemos ignorar, e é isso que nos preocupa”, afirmou uma das juízas. A origem deste megaprocesso, que teve início formal na quinta-feira, remonta a uma decisão polémica de 2018 sobre o templo de Sabarimala, em Kerala, quando o Supremo Tribunal ordenou o fim da proibição da entrada de mulheres “em idade menstrual”, consideradas impuras pelos sectores mais tradicionais do hinduísmo. Esta decisão contra uma tradição sagrada hindu desencadeou uma crise social e obrigou o tribunal a avaliar casos tão diversos como o acesso a mesquitas, templos parsis e a própria mutilação genital feminina para decidir se a “moralidade constitucional” está acima dos costumes religiosos. O processo aborda também o impacto da excomunhão, uma prática que o advogado que representa as vítimas descreveu como “morte civil”, uma vez que priva as pessoas do direito de rezar nas suas mesquitas ou de serem enterradas nos cemitérios. Actualmente, a Índia não possui uma lei que proíba a mutilação genital feminina, pelo que o Estado utiliza a “falta de dados oficiais” como desculpa para evitar documentar a prática. Com este megaprocesso, o tribunal quer determinar se uma prática considerada “essencial” por uma religião pode ser invalidada por violar o direito à saúde e à dignidade (artigos 25.º e 26.º da Constituição indiana). Direitos violados A sessão de sexta-feira contou com um momento de tensão, quando o advogado que representa a comunidade xiita defensora da prática, Nizam Pasha, tentou justificar a ‘khatna’ (mutilação genital feminina) alegando tratar-se de uma “circuncisão simbólica” destinada a aumentar o prazer sexual das mulheres. “Do que é que está a falar?! Informe-se melhor. É exactamente o contrário”, afirmou de imediato um dos juízes, enquanto outro realçava que o verdadeiro objectivo do ritual é o “controlo da autonomia sexual das mulheres” e que a Constituição permite censurar costumes quando estão em causa razões de saúde pública. A reacção dos juízes foi lida como uma demonstração de que os argumentos do advogado das vítimas foram bem recebidos, disse uma das sobreviventes, Massoma Ranalvi, em declarações à agência de notícias espanhola Efe. O advogado denunciou perante o tribunal que a prática é realizada em meninas de apenas sete anos de idade e provoca uma “alteração irreversível no seu corpo que afectará a sua saúde sexual e reprodutiva”. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a mutilação genital feminina como todos os procedimentos que envolvam a remoção parcial ou total dos órgãos genitais externos por motivos não médicos e, tal como outras agências das Nações Unidas, considera a prática como uma violação dos direitos humanos, uma forma extrema de discriminação de género e uma violência contra as crianças, já que a maioria das vítimas tem menos de 15 anos. Segundo os dados mais recentes da organização, publicados em 2025, mais de 230 milhões de raparigas e mulheres vivas foram submetidas a esta prática em 30 países da África, Médio Oriente e Ásia.
Defesa | Pequim diz que cooperação militar entre Japão e Filipinas “agrava” tensões regionais Hoje Macau - 11 Mai 2026 As autoridades chinesas acusam os dois países de difamar a China e de tentarem obter benefícios privados colocando em causa a segurança regional Pequim acusou ontem a cooperação militar entre o Japão e as Filipinas de ignorar o “desejo comum” dos países da região de procurar a paz e o desenvolvimento e contribui para “agravar” as tensões regionais. Jiang Bin, porta-voz do ministério chinês da Defesa, afirmou ainda em conferência de imprensa que “alguns políticos” do Japão e das Filipinas “têm difundido narrativas falsas sobre questões marítimas e difamado a China sem qualquer motivo”, algo que provoca uma “forte insatisfação” em Pequim e a que o gigante asiático se opõe “firmemente”. “As partes envolvidas ignoram o desejo comum dos países da região de procurar a paz e o desenvolvimento e, fazendo caso omisso da oposição dos seus próprios povos, reforçam os seus laços militares para obter benefícios privados, agravando assim as tensões regionais”, afirmou o porta-voz. Gilberto Teodoro, secretário da Defesa Nacional das Filipinas, declarou na passada terça-feira, depois de se reunir com o seu homólogo japonês, Shinjiro Koizumi, que Manila pode agora adquirir armamento militar do Japão graças à flexibilização, por parte de Tóquio, da sua política sobre transferências de equipamento e tecnologia militar. Durante a reunião, as duas partes expressaram igualmente “séria preocupação com a evolução da situação” nos mares da China Meridional e Oriental e “sublinharam a importância de reforçar a vigilância do domínio marítimo”, em referência à crescente atividade naval chinesa na região. Jiang recordou que o Japão lançou recentemente, pela primeira vez, mísseis ofensivos fora do seu território durante manobras militares, quebrando o princípio constitucional nipónico de “defesa exclusivamente orientada para a autodefesa”, e acusou também as Filipinas de se apoiarem em “forças externas” à região para “apoiar e encorajar as suas ações de violação de direitos”. “O Exército chinês mantém uma determinação inabalável em salvaguardar a soberania territorial e os direitos e interesses marítimos. Exortamos os países envolvidos a deixarem de formar camarilhas e promover confrontos entre blocos, e a fazerem mais coisas que realmente favoreçam a paz e a estabilidade regionais”, concluiu Jiang. Disputas regionais Manila e Pequim mantêm uma disputa de soberania no Mar da China Meridional, onde, nos últimos anos, se têm registado incidentes frequentes entre embarcações e aeronaves de ambos os países. As relações entre a China e o Japão também se tornaram tensas nos últimos meses, depois de a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter insinuado perante o Parlamento japonês no final do ano passado que uma acção militar chinesa sobre Taiwan poderia suscitar uma resposta das Forças de Autodefesa do Japão.
UE lança com Brasil e China coligação para equilibrar mercados de carbono Hoje Macau - 11 Mai 2026 A União Europeia (UE) lançou com o Brasil e a China uma nova coligação para harmonizar os mercados de carbono a nível mundial e criar um novo padrão global através de uma plataforma comum de contabilidade, verificação e medição. Em comunicado, sexta-feira divulgado, a Comissão Europeia referiu que a “Coligação Aberta para Mercados Regulados de Carbono” foi lançada oficialmente na quinta-feira, numa cerimónia em Florença, Itália, que contou igualmente com representantes do Brasil e da China. “Esta nova iniciativa visa reforçar a cooperação global em termos de preços de carbono”, indicou o executivo comunitário. De acordo com a mesma nota informativa, a coligação vai permitir “aumentar a eficácia, transparência e integridade dos mercados de carbono” em todo o mundo, com o intuito de garantir que se cumpre o acordo climático de Paris, firmado em 2015. “A coligação envia um forte sinal do compromisso partilhado com este acordo global e com uma cooperação multilateral renovada. Além disso, reforça o papel dos mercados de carbono como um pilar central da transição global para a neutralidade climática, ao mesmo tempo que apoia a modernização económica e a competitividade”, referiu ainda a Comissão Europeia. Na prática, frisou o executivo comunitário, esta coligação vai garantir que a medição, relato e verificação dos mercados de carbono sejam mais transparentes e interoperáveis entre os diferentes mercados que integram esta iniciativa, criando uma “plataforma para a cooperação” e para “reforçar as políticas de fixação de preço do carbono”. Junta a tua à nossa voz Lançada inicialmente pela UE, China e Brasil, a coligação está aberta à adesão de novos países, desde que tenham mercados nacionais de carbono, sejam taxas ou sistemas de comércio de emissões. “A Nova Zelândia e a Alemanha são os primeiros países a aderir como membros, seguindo o exemplo da UE, do Brasil e da China, prevendo-se que vários outros se juntem brevemente”, indicou o comunicado, acrescentando que “autoridades subnacionais que operem um sistema de fixação de preços de carbono”, como o estado norte-americano da Califórnia, poderão participar nesta coligação como membros observadores. A Comissão Europeia informou que o Brasil vai presidir à coligação nos primeiros dois anos, com o executivo comunitário e a China a assumirem as vice-presidências. “Os próximos passos incluem a criação do Secretariado da Coligação e a elaboração de um plano de trabalho a ser adotado na Conferência do Mercado de Carbono, que terá lugar em 15 de Setembro de 2026 em Wuhan, na China”, destacou ainda a Comissão Europeia.
Comércio | Exportações chinesas registam crescimento homólogo de 14,1% em Abril Hoje Macau - 11 Mai 2026 As exportações chinesas aumentaram em Abril 14,1 por cento em relação ao período homólogo anterior e as importações registaram um aumento de 25,3 por cento no mesmo período, apesar da guerra no Médio Oriente, segundo dados oficiais publicados sábado. O crescimento das exportações da China recuperou mais do que o esperado, apesar das perturbações no transporte marítimo causadas pela guerra no Irão, à medida que os volumes comerciais aumentam devido a um ‘boom’ de investimento em inteligência artificial. As exportações aumentaram 14,1 por cento em Abril, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, de acordo com um comunicado divulgado hoje pela Administração Geral das Alfândegas chinesa. Este valor contrasta com a previsão mediana de 8,4 por cento numa sondagem da Bloomberg a economistas e com um aumento de 2,5 por cento registado em Março. As importações aumentaram 25,3 por cento, resultando num excedente comercial de 71,9 mil milhões de euros. A melhoria nas exportações seguiu-se a um abrandamento surpreendentemente acentuado das exportações da China durante o primeiro mês da guerra, depois de os ataques dos EUA e de Israel ao Irão e a retaliação de Teerão terem espalhado a agitação por todo o Médio Oriente, que se estendeu ao globo. E com as importações de produtos de alta tecnologia, como ‘chips’, em forte ascensão, a China registou em Março o seu menor excedente comercial em mais de um ano. Agenda comercial Os desequilíbrios comerciais estarão em destaque antes da cimeira prevista para a próxima semana em Pequim entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping. O défice comercial de mercadorias dos EUA com a China aumentou em março pelo terceiro mês consecutivo, segundo dados do Departamento do Comércio. As fábricas chinesas contornaram a guerra de retaliações do ano passado com os EUA sobre as tarifas enviando mais produtos para regiões como África e a Europa, mesmo enfrentando resistência de países onde representam uma ameaça para os produtores locais. A China tem vindo a somar a sua voz à pressão global para um fim do conflito no Médio Oriente, que eclodiu no final de fevereiro e forçou o encerramento efetivo do Estreito de Ormuz. Uma redução acentuada do tráfego nesta via navegável vital para o sector energético corre o risco de prejudicar as importações, fazer subir os preços do petróleo e ameaçar a procura estrangeira de produtos chineses. A força das vendas no estrangeiro impulsionou a China para um excedente comercial sem precedentes de 1,02 biliões de euros em 2025. Os volumes de expedição registados até agora em 2026 mantêm-se, na sua maioria, acima dos níveis recorde do ano passado, em parte graças à forte procura global impulsionada por investimentos em centros de dados e equipamento de energia.
Energia | Importações chinesas caem fortemente em Abril Hoje Macau - 11 Mai 2026 As importações chinesas de energia caíram drasticamente em Abril, num contexto marcado por interrupções no abastecimento de petróleo bruto e gás natural através do Estreito de Ormuz, em consequência do conflito no Médio Oriente, informaram sábado fontes oficiais. De acordo com dados da Administração Geral das Alfândegas do país asiático, as remessas de petróleo bruto diminuíram cerca de 20 por cento em termos homólogos em Abril, para 38,47 milhões de toneladas, o que, segundo a agência Bloomberg, representa o nível mais baixo em termos de quantidades desde Julho de 2022. As importações de gás natural — que as autoridades aduaneiras não discriminam entre o transportado por via marítima e o fornecido através de gasodutos — também registaram uma contracção de cerca de 13 por cento, situando-se em 8,42 milhões de toneladas, de acordo com a mesma fonte. O bloqueio “de facto” do Estreito de Ormuz, por onde circulava cerca de 20 por cento do petróleo e gás a nível mundial antes do início do conflito, afectou toda a Ásia, principal destino dessas exportações. No caso da China, a evolução desta rota marítima é particularmente sensível, uma vez que cerca de 45 por cento das suas importações de gás e petróleo transitam por ela. De facto, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), o principal órgão de planeamento económico do país, anunciou esta sexta-feira um aumento dos preços de retalho da gasolina e do gasóleo a partir de sábado, para reflectir as recentes alterações nas tarifas internacionais do petróleo. Em contrapartida, o gigante asiático também tem sido beneficiado pela guerra, uma vez que as suas exportações de tecnologias “verdes”, em que é líder, como painéis solares, baterias ou veículos eléctricos, dispararam nas últimas semanas, face ao impacto a nível mundial do aumento dos preços do petróleo bruto.
Galeria Amagao | Kay Zhang apresenta exposição individual Hoje Macau - 11 Mai 2026 “Delta of Venus”, em parceria com a 1844 – Associação Macau Espaço de Arte Fotográfica é a proposta mais recente da galeria de arte Amagao, no Artyzen Grand Lapa. Nesta exposição, com trabalhos da artista Kay Zhang, revelam-se temáticas relacionadas com a memória pessoal e a identidade A galeria Amagao, no Artyzen Grand Lapa, e a 1844 – Associação Macau Espaço de Arte Fotográfica apresentam até 7 de Junho a exposição “Delta of Venus”, de Kay Zhang, uma mostra que “reúne um conjunto marcante de obras que exploram a memória pessoal, a identidade e a subtil interação entre a realidade e a imaginação”, revela-se numa nota. A exposição é composta por 48 obras em desenho, aguarela e colagem sobre papel, incluindo composições realizadas em páginas e capas de livros, reflectindo-se, desta forma, “a linguagem artística em constante evolução de Kay Zhang”. Kay vive entre Macau e Pequim e “a sua prática artística está profundamente enraizada na sua experiência em Macau, onde histórias sobrepostas e a diversidade cultural continuam a moldar a sua perspectiva”. Da inspiração “Delta of Venus” inspira-se nos escritos da escritora Anaïs Nin, “cuja exploração da intimidade, da ficção e da narrativa pessoal ressoa profundamente com o trabalho de Zhang”. Desta forma, e com recurso “a um processo de montagem de fragmentos provenientes da literatura, da memória e da experiência vivida”, as composições da artista “movem-se entre o real e o imaginado, criando narrativas visuais simultaneamente complexas e introspectivas”. Citada pela mesma nota, Kay Zhang disse que “ao longo dos anos o meu trabalho esteve sempre ligado à literatura, à memória e ao corpo”, sendo que “Delta of Venus” representa “simultaneamente uma reflexão e um novo começo”. Trata-se de um projecto que inclui “obras de diferentes períodos, mas marca também um regresso ao trabalho manual, à colagem, à pintura e a uma forma de criação mais intuitiva e pessoal”. “Espero que os visitantes possam dedicar tempo, observar com atenção e encontrar a sua própria ligação com estas obras”, adiantou a artista. Na galeria Amagao podem ver-se “obras anteriores, definidas por tons ricos e detalhes minuciosos, que são apresentadas lado a lado com trabalhos mais recentes, e que adoptam uma expressão mais leve e fluida”. “Esta mudança reflecte uma transformação mais profunda na abordagem da artista, passando da intensidade para uma sensação mais serena de liberdade, onde a expressão é guiada mais pelo instinto do que pela expectativa”. A co-curadoria desta exposição está a cargo de Ieong Man Pan, que sobre o título desta mostra explicou fazer referência “a uma obra literária onde a verdade, ficção e memória coexistem numa narrativa profundamente pessoal”, algo que está “muito alinhado com a prática de Kay Zhang”. “As suas obras não são representações directas da realidade, mas sim espaços construídos onde fragmentos de experiência se unem. O que vemos pode ser montado, mas o que sentimos é real”, referiu Ieong Man Pan. No trabalho de Kay Zhang “a colagem continua a ser central”. “Ao cortar, sobrepor e reconstruir imagens, Zhang cria composições que se revelam íntimas, mas abertas a múltiplas interpretações. A presença recorrente da figura humana surge de forma subtil e contemplativa, convidando os visitantes a observar em vez de interpretar, e a relacionarem-se com a obra de forma pessoal”, é acrescentado. “Delta of Venus” oferece “uma exploração silenciosa, mas poderosa, da identidade, da memória e da transformação”, sendo que “através de composições delicadas e narrativas em camadas, a exposição desdobra-se como páginas de um diário privado, proporcionando a cada visitante momentos de reflexão, curiosidade e conexão”. “Delta of Venus”, o livro de Anaïs Nin, foi publicado pela primeira vez em 1978, explorando o tema da sexualidade da mulher em conjugação com outras partes da sua vida.
Saracoteio recebe 60 filmes e vídeos sobre dança Hoje Macau - 11 Mai 2026 Um programa lançado por festivais de Macau, Portugal e Cabo Verde recebeu cerca de 60 filmes e vídeos de dança provenientes de seis países de territórios lusófonos, disse a organização à Lusa. Mary Wong, curadora do Rollout Dance Film Festival de Macau, revelou que o Saracoteio – Dança no Ecrã recebeu obras de Portugal, Brasil, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e do território. “Alguns artistas destes locais até trabalharam em conjunto para apresentar obras de colaboração”, sublinhou a bailarina, que tem nacionalidade portuguesa. “O processo de selecção terá início em breve. Esperamos ter os resultados até ao final de Maio”, acrescentou Wong. A convocatória para o Saracoteio esteve aberta até 30 de Abril a obras de autores ou produtores “naturais ou residentes em países ou regiões de língua oficial portuguesa”. A iniciativa é do Rollout, em parceria com a 34.ª Quinzena de Dança de Almada e o Festival Uabá de Cabo Verde. As obras seleccionadas irão integrar os três festivais, a começar pelo Uabá, na ilha de Santiago, entre 21 e 25 de Setembro, logo seguido por Almada, de 25 de Setembro a 11 de Outubro, com o Rollout de Macau previsto para Dezembro. Estreitar laços Em declarações à Lusa em Abril, Mary Wong sublinhou que, mais do que uma parceria pontual, o objectivo do Saracoteio passa por estreitar laços entre artistas de diferentes paragens. No início de Outubro, bailarinos de Macau irão a Portugal apresentar quatro obras. No início de Dezembro, será a vez da Quinzena de Dança de Almada levar trabalhos de dança à região chinesa. As autoridades chinesas “estão a promover esta forte ligação entre os países lusófonos e a China, através de Macau, claro. Acho que essa é a grande narrativa”, afirmou Wong. Mas Wong acredita que, na esfera da cultura, é mais importante criar “fortes ligações” entre artistas do que esperar por políticas governamentais. A bailarina sente também “um laço emocional” com Portugal. Wong esteve três meses em Lisboa para um programa de intercâmbio de dança, em 2014. Três anos depois, começou um mestrado em Estudos de Cultura na Universidade Católica. “A cultura é muito diferente. As oportunidades de financiamento são muito mais fáceis aqui. E isso permite-nos fazer este tipo de intercâmbios internacionais com melhores recursos”, diz a bailarina. Por outro lado, “precisamos de mais diversidade nas nossas criações artísticas”, defendeu Wong. “E isso será melhorado se tivermos uma perspectiva diferente, do ecossistema ocidental”, acrescentou.
Crime | Adolescente esfaqueia homem na marginal do Lam Mau Hoje Macau - 11 Mai 2026 O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) recebeu uma denúncia às 22h30 da noite de sábado a dar conta de uma zaragata que envolveu o esfaqueamento de um homem de 22 anos por um jovem de 14 anos. Segundo o jornal Ou Mun, o caso aconteceu na Avenida Marginal do Lam Mau, perto do edifício Van Sion Son Chun, e envolveu um grupo de sete pessoas, todas residentes. As informações avançadas pelas autoridades não permitem concluir que se o menor suspeito faria parte do grupo ou não, e qual terá sido a origem da altercação, com o CPSP a informar que não era “conveniente” revelar detalhes. Segundo o relato, as agressões surgiram depois de uma discussão entre o jovem, o homem esfaqueado e uma mulher. Durante a disputa, o jovem desferiu golpes no homem de 22 anos com uma faca cuja lâmina mede 17,5 centímetros, mas o suspeito também acabou ferido. Os dois envolvidos foram levados ao hospital e ontem, por volta do meio-dia, o menor já tinha recebido alta hospitalar, enquanto o indivíduo de 22 anos permanecia internado. O caso foi encaminhado ao Ministério Público Droga | Casal de Hong Kong detido por tráfico A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de um casal de Hong Kong, por suspeitas de tráfico de cocaína. O caso foi apresentado na sexta-feira, depois da detenção ter ocorrido na quinta-feira. Os dois detidos encontravam-se no hotel, no NAPE, quando terão actuado de forma suspeita, o que segundo o jornal Ou Mun gerou uma queixa dos funcionários do espaço à polícia. Quando os agentes da PJ entrarem no quarto onde os suspeitos estavam hospedados encontrou três pacotes com cocaína avaliada em 83.300 dólares de Hong Kong. Além disso, as autoridades apreenderam um recipiente de vidro, um tubo e um isqueiro, considerados equipamentos para o consumo das drogas. Os detidos têm entre 59 e 68 anos e declararam estar desempregados. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.
Suicídio | Casos fatais caem até Março após recorde em 2025 Hoje Macau - 11 Mai 2026 Macau registou menos mortes por suicídio no primeiro trimestre de 2026, depois de ter terminado 2025 com um número recorde de suicídios. Nos primeiros três meses deste ano, 15 pessoas tomaram a sua própria vida, menos duas em relação ao mesmo período do ano passado Durante os primeiros três meses deste ano, o número de mortes por suicídio em Macau caiu para 15, menos duas face ao mesmo período de 2025, segundo dados oficiais divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Macau, que tem uma população de cerca de 689 mil habitantes, registou 91 casos de suicídio em 2025, mais cinco do que no ano anterior e o número mais elevado desde que começaram os registos, em 1990. No final de Março, os Serviços de Saúde (SS) incentivaram a população a procurar apoio de saúde mental, chamando a atenção para o estigma que continua a afastar os residentes do acesso a tratamento psicológico. O director do hospital público Conde de São Januário, Tai Wa Hou, explicou que muitos residentes ainda receiam procurar cuidados psiquiátricos com medo de “ser estigmatizados”, enquanto outros desconhecem que condições como “ansiedade, insónia ou humor persistentemente baixo” podem melhorar com intervenção profissional. Segundo Tai Wa Hou, existem em Macau nove centros de saúde e três organizações comunitárias que oferecem serviços de aconselhamento psicológico e cuidados de saúde aos residentes. Apesar de questionados pela Lusa, os SS não deram números concretos de quantos residentes receberam ou procuraram tratamento psicológico ou psiquiátrico. Não vejo, não existe Citando a Organização Mundial da Saúde, os SS referiram que uma em cada quatro pessoas em todo o mundo sofre de problemas de saúde mental, e que a ansiedade e a depressão causadas pelo stress aumentam ano após ano. Desde Maio do ano passado que os SS deixaram – sem aviso prévio – de divulgar publicamente dados oficiais sobre suicídio, que anteriormente eram publicados de forma trimestral. De acordo com os dados mais recentes do gabinete do secretário para a Segurança, na primeira metade de 2025 houve pelo menos 101 tentativas de suicídio, menos 24 do que em igual período do ano anterior. Os dados mostram que pelo menos 14 crianças dos 5 aos 14 anos tentaram pôr fim à vida entre Janeiro e Junho do ano passado em Macau, o dobro do registado no mesmo período de 2024. Segundo a emissora pública TDM, o maior número de tentativas de suicídio (30) aconteceu na faixa etária entre os 15 e os 24 anos, enquanto dois terços (67) foram levadas a cabo por mulheres. Em 28 de Abril, também o gabinete do secretário para a Segurança anunciou que irá deixar de realizar as habituais conferências de imprensa trimestrais para apresentar os dados da criminalidade, “no intuito de aumentar a transparência das informações” e contribuir “para a paz e harmonia”. O balanço da criminalidade em 2025 em Macau não inclui quaisquer dados sobre tentativas de suicídio. Todos aqueles que estejam emocionalmente angustiados ou considerem que se encontram numa situação de desespero devem ligar para a Linha Aberta “Esperança de vida da Caritas” através do telefone n.º 28525222 para obter aconselhamento emocional.
Hantavírus | SS consideram risco de contágio em Macau “baixo” João Santos Filipe - 11 Mai 2026 Os Serviços de Saúde (SS) estão a acompanhar o cruzeiro MV Hondius, actualmente atracado em Espanha, onde surgiu um surto de Hantavírus. As autoridades de saúde aconselham os residentes a tomar precauções, embora não esperem contágios em Macau Os Serviços de Saúde (SS) estão a acompanhar os desenvolvimentos mais recentes do surto de hantavírus a bordo do cruzeiro MV Hondius, mas consideram o risco de transmissão em Macau “baixo”. A posição foi tomada antes do fim-de-semana, através de um comunicado, primeiramente difundido apenas em chinês. Na mensagem, os SS indicaram “estarem a acompanhar de perto o caso” e não haver qualquer registo de ocorrências em Macau “nos últimos 30 anos”, o que levou a que o “risco de transmissão do hantavírus” no território fosse considerado em “baixo”. Apesar deste dado, as autoridades pediram aos residentes, principalmente os que pretendem sair da China, que se mantenham atentos e tomem as cautelas necessárias. “Os residentes, especialmente aqueles que planeiam viajar para o estrangeiro, devem continuar a prestar atenção à higiene pessoal e ambiental, evitando o contacto com roedores, como ratos e ratazanas, para reduzir o risco de infecção”, foi aconselhado. As autoridades explicaram ainda que a doença por hantavírus é causada pela infecção pelo hantavírus e divide-se em síndrome hemorrágica renal e síndrome pulmonar por hantavírus. No caso da síndrome hemorrágica renal, após a infecção, o período de incubação é geralmente de 12 a 16 dias, podendo ir até 56 dias. Na síndrome pulmonar por hantavírus, o período de incubação é geralmente de seis dias a várias semanas, com uma média de cerca de 14 dias. A transmissão ocorre através da saliva, urina ou fezes de roedores infectados com o vírus. As pessoas podem ainda infectar-se através do contacto com objectos contaminados ou da inalação de aerossóis, sendo a transmissão entre pessoas rara. Surto activo De acordo a Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 4 de Maio que há um surto de infecção pelo vírus Hantavirus no cruzeiro MV Hondius, que tem bandeira neerlandesa, e está atracado em Espanha, onde decorre quarentena. Até 6 de Maio, registavam-se três casos confirmados de infecção e cinco suspeitos, com o registo de três mortes. Além disso, as autoridades de saúde de todo o mundo procuravam descobrir vários passageiros, com diferentes naturalidades, como Estados Unidos, Taiwan, Espanha ou Holanda, que tinham deixado o cruzeiro, ainda antes de ser declarada a situação de emergência. Segundo os SS, existem casos de hantavírus em todo o mundo com a febre hemorrágica com síndrome renal a ser mais comum na Ásia, Europa e África, enquanto a síndrome pulmonar por hantavírus ocorre principalmente na América do Norte e na América do Sul.
Praias | Chan Lai Kei quer mais flexibilidade de utilização Hoje Macau - 11 Mai 2026 O deputado Chan Lai Kei defende mais flexibilização na utilização das praias do território, em especial depois da época balnear. O assunto foi abordado pelo deputado ligado à comunidade de Fujian, através de uma interpelação escrita. Segundo o legislador, actualmente “há bastantes restrições relativamente ao uso terrestre das praias” que se agravam com o encerramento da época balnear, quando as “praias deixam de estar abertas para actividades de natação no mar”. Este cenário, considera, “acaba por restringir a experiência recreativa dos cidadãos e visitantes nas praias de Macau em diferentes épocas do ano, não obstante o facto de estas permanecerem abertas ao longo do ano”. Por isso, e uma vez que o legislador defende que as praias podem ser um elemento para promover o turismo, quer saber se as autoridades vão “flexibilizar, moderadamente, as restrições ao uso terrestre das praias, para revitalizar melhor os recursos desses espaços”. O deputado reconhece que a exploração das praias tem de acontecer “dentro de um equilíbrio entre a protecção ambiental, a gestão diária e a segurança pública”. O deputado quer que as praias sejam enriquecidas a nível comercial, e que as das instalações complementares, como casas-de-banho e balneários, sejam renovadas.
Turismo | Sobrinho de Edmundo Ho diz que bifana é melhor em Hong Kong João Santos Filipe - 11 Mai 2026 Adrian Pedro Ho King Hong considera que a comida em Macau é “extremamente normal” e que em Hong Kong a qualidade é melhor. Ainda assim, o deputado em Hong Kong elogia a estratégia de promoção turística da RAEM O sobrinho de Edmundo Ho e deputado em Hong Kong Adrian Pedro Ho King Hong afirmou que a bifana da RAEHK é superior à de Macau e pediu uma maior aposta na gastronomia em Hong Kong ao Executivo da região vizinha. As declarações foram prestadas durante uma sessão do Conselho Legislativo, na semana passada, pelo também neto do falecido Ho Yin. Segundo Adrian Ho, os residentes de Hong Kong que visitem a Rua do Cunha percebem facilmente que a qualidade da bifana de Hong Kong é superior à de Macau. Contudo, o legislador afirmou que os residentes da RAEHK preferem comer em Macau este tipo de comida, porque se deixaram atrair pela “fama” da gastronomia. Apesar da crítica à qualidade da comida de Macau, o legislador elogiou a aposta local no turismo, na criação de um ambiente atractivo para os turistas: “Tudo isto se pode comer em Hong Kong, mas não sei por que razão é apresentado como uma iguaria”, afirmou Adrian Ho. “Atrevo-me a dizer que a bifana de Hong Kong é mais saborosa que a de Macau. Por que razão os turistas vão a Macau para comer aquela bifana? Por foi criado um certo ambiente propício”, vincou. Os comentários de Ho não se limitaram à bifana, com o deputado a lançar dúvidas sobre a qualidade dos pastéis de nata, carne seca e bolos de amêndoa em Macau, categorizando-os como “extremamente normal” e abaixo da qualidade de Hong Kong. Uma cara nova Adrian Ho é deputado em Hong Kong desde Dezembro de 2022, tendo sido eleito pelo partido Novo Poder Popular, liderado por Regina Ip. Apesar das ligações a Macau, e do facto de ter como avô paterno Ho Yin, ser sobrinho do ex-Chefe do Executivo da RAEM e filho do empresário Ho Hao Veng, Adrian Ho nasceu em Hong Kong, onde frequentou a escolaridade, antes de se mudar para o Reino Unido. Antes de regressar a Hong Kong, licenciou-se nos Estados Unidos na prestigiada Escola de Gestão de Wharton na Universidade da Pensilvânia. Como político, destacou-se durante os protestos de Hong Kong de 2019, depois de ter criado um grupo na rede social Facebook com o nome “Save HK”, atraindo mais de 200 mil utilizadores. A nível profissional, depois de regressar a Hong Kong, trabalhou em bancos de investimento, focando a sua atenção na indústria eólica, ao investir no Interior da China, na província de Xinjiang.
Lusofonia | Fórum divulga em Junho índice de infra-estruturas Hoje Macau - 11 Mai 2026 Um fórum internacional, que irá decorrer em Macau entre 10 e 12 de Junho, vai divulgar, pelo quarto ano consecutivo, o Índice de Desenvolvimento de Infra-estruturas nos Países de Língua Portuguesa. Num comunicado divulgado na sexta-feira, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau indicou que a nova edição do índice faz parte do programa do 17.º Fórum e Exposição Internacional sobre o Investimento e Construção de Infraestruturas (IIICF, na sigla em inglês). Numa conferência de imprensa realizada em Pequim, a organização do IIICF afirmou que já estavam inscritas mais de 800 empresas e 3.500 convidados de 69 países e regiões. Um número que inclui mais de 60 ministros e secretários de Estado, dirigentes de 20 instituições financeiras, representantes de 10 organizações internacionais e presidentes de 20 associações comerciais estrangeiras. O programa do IIICF inclui o Fórum de Cooperação Económica, Comercial e em Infra-estruturas entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Na exposição será instalada uma zona dedicada a Macau e a Hengqin, “com apresentação dos resultados da cooperação em infra-estruturas entre a China e os países lusófonos”, declarou o IPIM. A última edição do IIICF terminou com a assinatura de 31 acordos, no valor de total de 10,1 mil milhões de dólares, e um terço envolveram empresas dos mercados lusófonos.
DSF | Despesa pública cai 3,9% até Abril apesar de apoios sociais Hoje Macau - 11 Mai 2026 As despesas públicas de Macau caíram 3,9 por cento nos primeiros quatro meses do ano, em comparação com igual período de 2025. Até Abril, foram gastos dos cofres públicos mais de um quinto das despesas previstas para o ano corrente Entre Janeiro e Abril deste ano, a despesa pública da RAEM diminuiu 3,9 por cento em termos homólogos, de acordo com dados publicados ‘online’ pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), apesar da aposta do Governo em apoios sociais. Até ao final de Abril, Macau gastou 23,1 mil milhões de patacas, 21,2 por cento do previsto para todo o ano, apesar dos gastos em apoios e subsídios sociais terem crescido quase 9 por cento, para 12,7 mil milhões de patacas. O orçamento aprovado em Novembro inclui benefícios fiscais para atrair sociedades gestoras de fundos de investimento, fundos de investimento especiais e investidores em fundos, para ajudar a desenvolver o sector financeiro. Além disso, o Governo isentou do imposto de selo a compra da primeira habitação por parte de residentes, até seis milhões de patacas, num documento que previa uma subida de 4,3 por cento nos apoios e subsídios sociais. Em Julho, a Assembleia Legislativa também já tinha aprovado uma proposta do Governo para aumentar em 2,86 mil milhões de patacas as despesas previstas no orçamento de 2025, para reforçar os apoios sociais. Bicos de obra A principal razão para a queda das despesas foram os gastos com obras públicas – o Plano de Investimentos e Despesas da Administração (PIDDA) – que recuaram 17,4 por cento até Abril, para 4,66 mil milhões de patacas. O orçamento para este ano já previa uma queda de 8,6 por cento no PIDDA, que inclui grandes projectos como a Linha Leste do Metro Ligeiro. As despesas com os funcionários públicos também diminuíram 2,1 por cento, para 4,83 mil milhões de patacas, depois da função pública não ter tido qualquer aumento salarial em 2026, pelo segundo ano consecutivo. Ao contrário da despesa pública, a receita corrente de Macau subiu 17,6 por cento nos primeiros quatro meses de 2026, para 40,3 mil milhões de patacas. A principal razão para o aumento foi um acréscimo de 16,9 por cento, para 34,9 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo – que representam 84,5 por cento do total. Com as despesas a cair e as receitas a subir, Macau registou um excedente nas contas públicas de 18,2 mil milhões de patacas, mais 72,1 por cento do que até Abril de 2025. No orçamento para todo o ano 2026, o Governo tinha previsto um excedente muito menor, no valor de 5,22 mil milhões de patacas. O território terminou 2025 com um excedente nas contas públicas de 19,9 mil milhões de patacas, mais 26,1 por cento do que no ano anterior.
Daniel Pires, académico, sobre Camilo Pessanha: “Um homem que atraía muitas invejas” Andreia Sofia Silva - 11 Mai 2026 “Pairo na Luz, suspenso…” – Centenário da morte de Camilo Pessanha (1867-1926) é o nome do congresso, que se realiza hoje e amanhã na Universidade de Coimbra, para celebrar a vida e a obra do poeta. Daniel Pires, académico e editor de Pessanha, irá desvendar detalhes sobre as colecções de arte que o poeta deixou e os seus contributos a nível jurídico Apresenta hoje “O percurso cívico de Camilo Pessanha”. São muitas as valências desse civismo. Vou falar da doação que fez de peças de arte chinesa ao Estado português, e também da sua biblioteca. Também vou falar sobre a sua actividade jurídica, pois esteve ligado a vários regulamentos publicados em Macau, tendo sido ele que os fez, na sua grande maioria, e que têm a ver também com a interacção entre portugueses e chineses. Falemos das colecções doadas ao Estado português. O que encontramos nestes espólios? Uma das colecções é imensa, com mais de 300 peças de grande valor, e que foi primeiramente exposta em Macau em 1915. Depois, pouco antes de falecer, ofereceu uma segunda parte da colecção, pedindo que viesse para Coimbra, para o Museu Nacional Machado de Castro. Como descreve a relação de Camilo Pessanha com a arte chinesa? Ele era um admirador da civilização e cultura chinesas, sem dúvida, e escreveu sobre isso, embora não tenha escrito muito. Aliás, ele não escreveu muito sobre nada, mas há artigos de jornais sobre arte e língua chinesa, o mandarim, e a estética que nela está implícita. Há notícias de que logo no início da sua estada em Macau, Camilo Pessanha começou a aprender e a falar cantonense. Depois fez traduções, e era de facto um sinólogo, uma pessoa que admirava bastante a filosofia e arte milenares, os caracteres chineses, e por aí fora. Como era a relação destes intelectuais portugueses em Macau com a comunidade chinesa, numa altura em que eram muito poucos os livros que juntassem as duas línguas. Não havia, de facto, grandes meios para se estudar a civilização chinesa. Macau estava fechadíssimo e poucas coisas lá chegavam, praticamente só tinha relações com Hong Kong. Ir à China era quase impossível. Mas havia o que chamamos de sinólogos, e os dois principais eram Camilo Pessanha e Manuel da Silva Mendes. Depois temos o aluno de Camilo Pessanha que, em termos de sinologia, suplantava tudo, o Luís Gonzaga Gomes. Além da doação de Pessanha, e que foi exposta em 1915, há uma segunda doação… Ele [Camilo Pessanha] foi convidado por um grande Governador de Macau, que depois veio a ser morto na “Noite Sangrenta”, em 1921… Carlos da Maia. Exactamente, eram grandes amigos. Carlos da Maia convidou Pessanha para expor parte da sua colecção no Palácio [do Governador], e expor 100 peças de uma variedade e ecletismo incríveis, desde vestuário passando por objectos japoneses, etnografia, linguística, com os caracteres chineses artisticamente tratados. Antes de falecer, Camilo Pessanha contactou o Governador na altura, Maia Magalhães, oferecendo a sua colecção com a condição de vir para Portugal. Entretanto, a primeira doação tinha sido recusada por vários museus, por se entenderem tratar-se de pechisbeques. Ao fim e ao cabo tratava-se de ignorância, porque a colecção é excelente mesmo. Camilo Pessanha adquiriu todas essas peças em Macau? Ele andava pelos tintins [zona de mercado de rua no Porto Interior], mas também foi a Cantão mais do que uma vez e até a Hong Kong. Mas, de facto, a base dele era mesmo Macau. Ele aprendeu chinês também com o objectivo de poder comprar melhor. Pelas contas que fiz para o livro “Camilo Pessanha – Prosador e Tradutor” ele reuniu um acervo de 370 peças. Relativamente ao trabalho jurídico de Pessanha, que legado deixou em Macau? Muito forte, quer como bom jurista, quer como, digamos, juiz substituto. Esteve ligado à promulgação de várias leis e regulamentos. Mexeu bastante em leis que vinham do tempo da monarquia e que não tinham sido mudadas. Como juiz, optou sempre pelas penas mais baixas, tendo um tom humanista. Macau gerou, ao longo da sua história, diversos intelectuais portugueses que se preocuparam com o território e não estiveram apenas de passagem. Pessanha foi dos mais importantes? Sem dúvida. Há quem diga que era abúlico, mas [Camilo Pessanha] era uma pessoa doente, o que é diferente, e tinha também alguma depressão à mistura. Nessas crises obviamente que não podia ser muito activo. Ele nunca teve muita saúde, mas quando a teve fartou-se de mexer em coisas, sempre com o objectivo de aperfeiçoar, melhorar, alterar. Só que também é preciso dizer que Macau era muito conservadora, a sociedade macaense. Nem toda a gente aceitava pessoas que não iam à missa, por exemplo. E Camilo Pessanha não ia à missa. Não. Ele teve uma educação muito católica mesmo. As duas irmãs dele chamavam-se Madalena e isso não é por acaso, não é? Mas nos anos pré-República o catolicismo foi muito forte e houve ali uma pressão fortíssima. E isso repercutiu-se na mentalidade de muitos intelectuais, muitos deles que eram inicialmente católicos e que depois se confrontaram com o compadrio que existia na alta hierarquia católica e a monarquia. Claro que nem todos seriam assim. Falo do apoio que o alto clero dava aos monárquicos, com alguma corrupção, alguns escândalos de cariz sexual também, e que foram denunciados na imprensa. Tudo isso afastou uma série de pessoas que, inicialmente, eram católicas, e terá sido o caso de Camilo Pessanha também. Estes casos ocorreram em Portugal. Sim, mas chegavam a Macau através dos jornais e… Contaminavam a opinião pública. Exactamente. Camilo Pessanha também era mal visto por consumir ópio? A doença tornava-o propenso à droga, mas não era uma coisa que não o impedia de concretizar o seu trabalho diário. Digamos que seria uma coisa que ele faria em casa [fumar ópio]. Obviamente que as pessoas mais conservadoras olhavam para isso de lado, daí terem surgido uma série de histórias sobre Pessanha da parte de pessoas extremamente conservadoras que não hesitaram em caluniá-lo e até denegri-lo. Muita gente disse que a colecção de arte chinesa dele não valia nada. Silva Mendes, por exemplo, era um inimigo de Camilo Pessanha, misturou ideologia com falta de ética e usou todos os meios possíveis para o denegrir. Chegou a sair um artigo de Silva Mendes dizendo que a poesia de Camilo Pessanha era de muita fraca qualidade. Imagine, onde ele foi tocar. Naquilo onde Camilo Pessanha é intocável é, exactamente, na poesia. Mas era um homem que atraía muitas invejas. Por ser genial, digamos assim? Sim. O meio de Macau era muitíssimo fechado. Os portugueses seriam uns mil, isto no princípio do século. Estavam ali encafuados, claustrofóbicos, numa paranóia – no sentido do termo, mesmo – relativamente à China, que estava ali ao lado, e as pessoas sabiam o que tinha acontecido ao Ferreira do Amaral [Governador assassinado em 1849]. Isso foi um trauma muito forte para os habitantes de Macau, e na época de Pessanha esse trauma ainda era visível. Quando Pessanha vai para Macau tem consciência das suas especificidades sociais e políticas? Não. Terá tido dificuldades na adaptação ao clima, e são sempre duas culturas díspares, não é? Houve a questão da língua, porque ninguém falava português, o corte radical com a família. Ele tinha problemas familiares, com um irmão que enlouqueceu. Portanto, acho que teve uma capacidade de adaptação bastante grande, porque ele chega e começa a estudar de imediato cantonês. A relação de Pessanha com a comunidade macaense era também próxima. Havia, de facto, uma interacção com a comunidade, mas não só. Houve uma interacção de Camilo Pessanha com o primeiro Presidente da República chinês. Sun Yat-sen. Exacto. Há várias fotografias dele com o Sun Yat-sen. Portanto, era bem mais republicano do que monárquico, além de maçom. Sem dúvida, Camilo Pessanha era mesmo republicano e escreveu vários textos de apoio à República. A implantação da República deu-se a 5 de Outubro [de 1910], mas em Macau não. As autoridades locais eram todas monárquicas e a transição foi difícil. O novo Governador, Eduardo Marques, só foi proclamado dias depois. Pois. Eles não cediam. O secretário do Governo era um tipo completamente monárquico, e Camilo Pessanha também desempenhou aí um papel interessante. O mesmo quando a Constituição de 1911 foi aprovada. [Ele questionou]: “E aqui, como é? Não há Constituição?”. O ensino também demorou a mudar, porque os republicanos tentaram reformar o ensino em Macau, que tinham as missões católicas, e isso foi difícil. Disse que Camilo Pessanha escreveu pouco ao longo da vida. Talvez se não fosse Ana de Castro Osório não teria sido editada “Clepsydra”. Como explica esta dispersão poética? É verdade. Mas o grande problema prende-se também um pouco com a doença do Camilo Pessanha. Ele esteve quatro anos em Portugal, de 1905 a 1909, quando foi operado a um tumor. A inspiração poética também dependia do seu estado de saúde. Na realidade a “Clepsydra” é composta por 56 poemas apenas, e também fiz uma edição de “Clepsydra” em que reuni a prosa dele, e tudo isso cabe num livro. Houve também muita coisa que ele vivenciou e não escreveu, o que foi pena. Tem a ver com o temperamento dele, era uma pessoa fechada, tímida, na realidade. Ao fim e ao cabo isso reflectiu-se na sua escrita. A partir do momento em que Pessanha vai para Macau, como ficou a sua relação com Portugal? Ele foi para Macau por duas razões. Uma delas é que se formou em Direito, e na altura os juristas, para terem uma carreira como juiz ou procurador régio, tinham de servir nas colónias. Foi o que aconteceu ao seu grande amigo, Alberto Osório de Castro, que esteve em Goa e Timor. Depois houve outro detonador, que foi o facto de ele ter pedido Ana de Castro Osório em casamento e ela não ter aceite por já estar comprometida. Depois ela desentendeu-se com o, chamemos, namorado, e há uma carta de Alberto Osório de Castro perguntando a Camilo se ainda gostava da irmã, se havia alguma perspectiva no horizonte, mas ele já estava acomodado a Macau. Tinha de ganhar dinheiro para mandar a um irmão que estava a estudar em Coimbra, e a outro que tinha enlouquecido. Nessa altura, já estava com a mãe do filho, Águia de Prata. Como olha a forma como Camilo Pessanha é recordado hoje em dia em Portugal? Digamos que está um pouco esquecido nas escolas básicas e secundárias, mas também lhe digo que não é fácil a poesia de Camilo Pessanha. Quase precisa de um guia. Mas nos meios intelectuais, digamos, não me parece que ele seja esquecido. Antes do 25 de Abril, Camilo Pessanha não era muito conhecido, e ganhou um grande impulso depois. O mesmo aconteceu com Fernando Pessoa. Só por volta da década de 1980 começaram a ser publicadas edições de “Clepsydra” e se impôs Camilo Pessanha. Digamos que, neste momento, Camilo Pessanha não é um poeta esquecido.
Angela’s Café apresenta espectáculo dia 16 Hoje Macau - 8 Mai 202610 Mai 2026 O Angela’s Café, situado no Lisboeta Macau, no Cotai, apresenta no próximo dia 16 de Maio, sábado, a actuação “First Beats Where the Music Begins”, com três músicos de Macau: Chak Seng Lam, Gregory Wong e Winky Lei. Segundo um comunicado da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), estes músicos apresentam “um programa de solos de saxofone e duetos de trombone”, com o qual os presentes “poderão saborear a cozinha portuguesa e macaense de assinatura, deixando-se envolver pelos ritmos comoventes do jazz”. A ideia é criar, com esta actuação, “uma celebração multissensorial onde o paladar e o som convergem”. Cada entrada custa 298 patacas, com o espectáculo a ter início às 19h. Esta entrada inclui um cocktail de boas-vindas e petiscos tipicamente portugueses, onde não faltarão bitoque com bife de alcatra, caldo verde, creme de leite ou salada de bacalhau. “First Beats Where the Music Begins” é “um novo passo do Lisboeta Macau no fomento do intercâmbio cultural através das artes performativas”, destaca a mesma nota. O objectivo da SJM é, assim, “trazer novas surpresas culturais a residentes e visitantes”, apoiando, ao mesmo tempo, “a visão de Macau como ‘Cidade da Gastronomia’ e ‘Cidade das Artes Performativas'”. Lembrar os anos 50 O que se pode esperar na noite de sábado, 16, é uma actuação “de jazz suave”, acrescentando-se “calor ao ambiente nostálgico dos anos 50”. “As vibrações do saxofone e o tom profundo e rico do trombone ecoam com a decoração retro, permitindo aos convidados sentir o espírito de uma elegância intemporal”, destaca a SJM. Quanto aos músicos presentes em palco, Chak Seng Lam é licenciado pelo Conservatório Real de Música de Haia, e é saxofonista e professor. Gregory Wong, por sua vez, é um trombonista de jazz macaense, foi formado pelos mestres Chu Ping-shan e Zé Eduardo, e está muito ligado ao jazz em Portugal. “As suas actuações abrangem géneros clássicos e populares, e a vasta experiência em palco em diversas produções consolidou-o como uma figura representativa da cena jazzística de Macau”, é descrito. Já Winky Lei é licenciada pela Universidade Nacional de Tsinghua e é professora de trombone, trabalhando também ao nível da interpretação.
EUA | Pequim considera Taiwan crucial para boa relação Hoje Macau - 8 Mai 2026 O Governo chinês afirmou ontem que a questão de Taiwan é essencial para garantir relações estáveis, saudáveis e sustentáveis com os Estados Unidos, nas vésperas do encontro em Pequim entre os líderes dos dois países. Em conferência de imprensa, o portavoz da diplomacia chinesa Lin Jian afirmou que Taiwan constitui o núcleo dos interesses fundamentais da China e a base política das relações entre Pequim e Washington. “É uma obrigação internacional que a parte norte-americana deve cumprir”, acrescentou o porta-voz, sublinhando que, para manter a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan, “é necessário opor-se claramente à independência” da ilha. Estas declarações surgem dois dias após o secretário de Estado norteamericano, Marco Rubio, ter adiantado que Taiwan “será tema de conversa” no encontro entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o homólogo norte-americano, Donald Trump, marcado para 14 e 15 de Maio, segundo a Casa Branca. “Entendemos que os chineses compreendem a nossa posição sobre esta questão, nós compreendemos a deles. E acredito que ambas as partes – sem antecipar o que acontecerá nas conversas – entendem que nenhum dos lados deseja que ocorra algum acontecimento desestabilizador naquela região do mundo”, afirmou Rubio.