China | Nike abandona distribuidores ‘online’ após anos de queda nas vendas Hoje Macau - 23 Jul 2026 A Nike vai deixar de vender produtos através de distribuidores ‘online’ na China, concentrando as vendas digitais nos seus próprios canais, numa tentativa de reforçar a marca após uma queda de quase 30 por cento das receitas no mercado chinês. Numa carta publicada no sítio oficial da empresa, a nova vice-presidente e diretora-geral da Nike para a China, Cathy Sparks, anunciou que, a partir de Janeiro de 2027, os consumidores chineses só poderão adquirir produtos da marca através do portal oficial, da aplicação da empresa e das lojas oficiais nas plataformas de comércio electrónico Tmall, JD.com e Douyin, a versão chinesa do TikTok. “Não se trata de reduzir o acesso, mas de reduzir a fragmentação e reforçar a experiência dos consumidores. Quando a experiência é sólida, a marca fortalece-se”, afirmou a responsável. Segundo Sparks, a Nike pretende criar um “destino único e premium” para os consumidores, proporcionando uma apresentação “mais clara” dos produtos e uma comunicação da marca “mais forte”. A cadeia norte-americana CNBC indicou que a estratégia anterior da Nike na China, baseada na venda através de múltiplos distribuidores, gerava inconsistências ao nível da imagem da marca e dos preços, embora tenha alertado que a mudança poderá ter um impacto negativo nas vendas no país. Além da fraca procura, a empresa enfrenta a crescente concorrência de marcas chinesas como a Li Ning e a Anta Sports. Após o anúncio, a Topsports, principal distribuidora da Nike na China, confirmou que deixará de vender produtos da marca através da internet a partir do próximo ano, mas manifestou apoio à decisão e assegurou que continuará a cooperar com a empresa norte-americana através da rede de lojas físicas, mantendo uma parceria com 27 anos.
O umbral da desordem mundial (IV) Jorge Rodrigues Simão - 23 Jul 2026 “A nation which cannot control its own destiny cannot expect to influence the destiny of others.” George F. Kennan, American Diplomacy, 1951 A centralidade atribuída à crise dos Estados Unidos não é um acidente histórico. O que sucede na América repercute-se directamente nas estruturas políticas, estratégicas e mentais da Europa. Durante três gerações, os europeus substituíram a insuficiente autoconsciência nacional pelo conforto de uma existência tranquila numa espécie de província imperial. A intimidade com os Estados Unidos, para o bem e para o mal, foi sempre singular e permanece, em parte, intacta. O fascínio pelo “way of life” americano tornou-se universal e até os seus detractores eram atraídos por ele. Estaline assistia a westerns de John Wayne em sessões privadas no Kremlin; Hitler coleccionava desenhos animados, sobretudo da “Branca de Neve”; Mussolini, apesar de proibir banda desenhada estrangeira e promover um super-herói nacional, lia em privado histórias infantis americanas. Todos os rivais do poder americano ambicionaram o reconhecimento dos Estados Unidos. Fidel Castro talvez não tivesse seguido o caminho do comunismo se alguém na Casa Branca lhe tivesse estendido a mão. Contudo, nenhum actor reflectiu tão intensamente no espelho americano como a Europa do pós-guerra. O colapso desse ídolo deixou o continente num estado de desnorte sem paralelo. Libertar-nos das imagens idealizadas às quais sacrificámos a inteligência do real exige recuperar um ponto de vista próprio sobre o mundo. Para tal, é necessário desmontar o teatro da irrealidade que nos absolve de responsabilidade e nos reduz a uma entidade irrelevante no mercado das potências, uma comédia espectral, ritmada por retórica belicista imprudente. Existimos em paz; morreríamos se forçados à guerra. A nossa segurança depende de uma área móvel que abrange a Europa e o Mediterrâneo. Para os protagonistas globais, a área de segurança coincide com a esfera de influência, frequentemente estruturada em império. Não é o caso europeu. A nossa soberania insuficiente fragiliza o perímetro de tranquilidade, enquanto a deslegitimação da política impede o enraizamento da paz social. A Europa é estruturalmente heterodependente. O paradoxo é evidente pois consagrou, com um gesto quase soberano, a renúncia à própria soberania, princípio inscrito nos tratados fundadores. Essa escolha transformou-a numa entidade dirigida por outros sempre que alguém deseje fazê-lo no domínio da segurança, até ontem pelos Estados Unidos. Mas o que resta desse vínculo agora que o aliado americano se afasta e, em boa companhia europeia, nos acusa de cobardia e oportunismo? A União Europeia evita enfrentar este dilema. Enquanto não o fizer, permanecerá aquém da linha de sombra que separa os imaturos dos responsáveis. A pergunta de Gretchen a Fausto, “E tu, como te entendes com a religião?”, ilumina o problema. A segurança é um acto de fé, e era necessária muita para acreditar que os americanos morreriam por nós. Como Fausto, evitamos a questão. Ofuscados durante oitenta anos pela luz verde do farol americano, temos dificuldade em orientar-nos na escuridão da Grande Guerra. Reconquistar um ponto de vista próprio implica adaptar o olhar à realidade, uma revolução cultural. Possível? Certamente. Não nascemos ontem. Não precisamos de reinventar o continente. Podemos retirar muito do passado imenso para iniciar a reconquista de nós mesmos, procurando a trama de um estilo europeu de estar no mundo, a nossa “figura no tapete”, para usar a imagem de Henry James. A Europa possui um cânone próprio, um destilado de realismo activo que emerge e se eclipsa ao longo dos séculos. Trata-se de um cânone do equilíbrio, herdado dos Estados renascentistas, frequentemente confundido com improvisação, mas reconhecido por Hegel na Constituição da Alemanha de que “A situação não pode ser definida como anarquia porque a multiplicidade de partidos em conflito eram Estados organizados. Apesar da falta de um vínculo estatal em sentido próprio, grande parte desses Estados unia-se para fazer frente comum contra o chefe do império, enquanto outros se aliavam a ele.” É deste cânone que nasce “a necessária ideia de que, para salvar o país, era preciso unificá-lo num Estado”, fim que movia a mente “grande e nobre” de Maquiavel, deliberadamente deturpado por quem nunca desejou uma unificação política. Este cânone europeu, pragmática do equilíbrio, cuja traição conduz invariavelmente à autodestruição, inspirou os Estados Unidos na época, hoje renegada, do “balance of power”, interpretada por Kennan e Kissinger. A falta de equilíbrio é hoje a ameaça que parece antecipar o fim de tudo. Quantos entre nós disso se apercebem? Poucos. É essa inquietação que nos leva a discuti-la. Esta batalha cultural de médio prazo começa pela língua, porque, contra o senso comum, as coisas são frequentemente consequência do nome que lhes damos. Nomear é exercer poder. Veja-se o exemplo das querelas toponímicas que divertem Trump, para quem o Golfo do México se transforma, do amanhecer ao anoitecer, no “Golfo da América”. Não é mera sinalética; é a consagração simbólica da pertença à nação epónima. O sentido do ridículo impede-nos tais pretensões. O sentido que nos anima exige uma limpeza semântica rigorosa. Impõe nomear as coisas pelo que são, contra jargões mediáticos, académicos e burocráticos que deformam os termos do raciocínio destinado a informar a acção geopolítica. Dois exemplos do glossário da irrealidade são “comunidade internacional” e “direito internacional”. Gémeos siameses. Devem ser abandonados, não por juízo moral, mas porque não correspondem a qualquer realidade terrestre. Sacrificando-nos a estes ídolos inconsistentes, acabamos por embater contra a parede. E se fosse pura hipocrisia, o que não cremos, apresentar-nos-íamos à mesa diplomática com cartas falsas. A “Comunidade internacional” é a expressão menos poderosa de uma frase feita, irreflectida, querida pelos media e pelos técnicos da diplomacia. Para os ocidentais, funciona como sinédoque de si próprios. Podia fazer sentido na acepção anglo-americana “The West” quando essa figura era reconhecida como hegemónica. Hoje, não. Mais profundo é o equívoco do “direito internacional”, arma de legitimação agitada por actores interessados em fazer passar por universais os seus interesses. Falta-lhe o primeiro carácter de qualquer sistema legal que é a aplicação uniforme e consensual. Falta-lhe também consenso popular, pois está enraizado fora da comunidade. Pretende-se universal, mas é apátrida. Disponível para qualquer actor pronto a disfarçar-se de porta-voz da civilização. Utilizável em qualquer contexto, portanto falso em toda a parte. Um diplomata arguto observa que “O direito internacional não precede a prática dos Estados, mas reflecte-a, nascendo como instrumento para servir os interesses da comunidade dos Estados no seu conjunto.” Os actores aderem aos princípios flexíveis do chamado “direito internacional” enquanto estes coincidirem com os seus interesses; nesse caso, postulam como real esse direito, tal como o padre que, à Sexta-feira, baptiza como peixe a carne de que é guloso. O direito deriva do poder, não o contrário. Cada Estado julga-se a si mesmo. Falta o juiz, um terceiro acima das partes, capaz de emitir sentença e fazê-la aplicar. A busca desse terceiro imparcial levanta dúvidas sobre a própria concebibilidade do direito internacional. Isso não impede que potências se erijam em juízes da história, desqualificando fracos ou vencidos em tribunais “internacionais”, isto é, seus. É também habitual delegar negociações interestatais a académicos que, enquanto internacionalistas, tendem a negar o interesse nacional ou a subordiná-lo a uma norma universal. Não é justo censurá-los pois defendem a sua disciplina e cátedra, absorvidos por discussões de subtileza infinita. Daí a “suffisance” com que tratam quem ousa contestar a validade ou concebibilidade desse “direito”. Não surpreende a classificação do “direito internacional” como “direito anárquico”. A tendência para conferir roupagem pseudo-jurídica a decisões geopolíticas revela a falta de sentido de Estado nas vetocracias europeias. Os teóricos do “carácter nacional” lamentam-se, mas isto não é destino, torna-se destino apenas se insistirmos em defini-lo como tal. A limpeza lexical não é um fim em si mesma, embora fosse muito. A nação é um plebiscito de todos os dias; a democracia, acrescentaríamos, de todas as horas. Quando as palavras deixam de revelar o pensamento e passam a escondê-lo, de que falamos? Regressamos ao pré-histórico 1993, quando a geopolítica reapareceu como contributo para a consciência democrática europeia. Na época, não faltou quem reagisse com escândalo, rotulando como “fascista” tanto o interesse europeu como a própria geopolítica, termos hoje inflacionados, também graças ao uso despreocupado dos seus antigos críticos. Motivo adicional para não abdicar do propósito fundador de reconstruir um léxico político que permita à União pensar-se como sujeito e não apenas como processo. De Maquiavel herdamos a lição essencial que “pareceu mais conveniente seguir a verdade efectiva da coisa do que a imaginação dela”. A União Europeia faria bem em reaprender esta máxima, substituindo a confortável imaginação normativa pela verdade efectiva do poder, mais Europa, menos província jurídica, mais consciência estratégica. Um general europeu recorda um episódio exemplar deste cânone. Em 2007, enquanto dirigia um serviço de informações, estabeleceu relação de confiança com Ali Larijani, então secretário do Conselho de Segurança Nacional da República Islâmica, que o informava confidencialmente sobre as negociações com o grupo 5+1. Perante um café, o general perguntou: “Então, afinal, essa Bomba fazem-na ou não?” Larijani respondeu: “Se eu dissesse que não, acreditaria?” – “Não.” – “Então mais vale fazê-la.” É duvidoso que essa franqueza tivesse sido oferecida aos seis Grandes. Larijani foi morto por um míssil israelita a 17 de Março, em Pardis. A lição permanece de que a verdade efectiva da coisa deve prevalecer sobre a imaginação normativa. A Europa só recuperará maturidade estratégica quando reencontrar o seu cânone, o equilíbrio, a clareza conceptual, a consciência de poder, e quando chamar o mundo tal como ele é.
Ciência | Operações em megaacelerador de partículas para simular Big Bang Hoje Macau - 23 Jul 2026 A China iniciou operações num acelerador de partículas de grande escala que pretende explorar os limites dos núcleos atómicos e desvendar os processos fundamentais da matéria e do universo. Segundo a agência Xinhua, na terça-feira foi iniciada a fase de operações experimentais do Acelerador de Iões Pesados de Alta Intensidade (HIAF, na sigla em inglês) em Huizhou, na província de Guangdong, que visa explorar os limites dos núcleos atómicos, revelar processos de astrofísica nuclear e impulsionar o desenvolvimento da energia nuclear e das suas aplicações. O professor Yang Jiancheng, vicedirector do Instituto de Física Moderna da Academia Chinesa de Ciências e engenheirochefe do projecto, indicou à Xinhua que esta instalação dispõe da maior intensidade de feixe pulsado de iões pesados do mundo e do espetrómetro de anel mais preciso para medição de massas nucleares. Aceleradores de partículas são equipamentos complexos que utilizam campos electromagnéticos para impulsionar partículas carregadas — como electrões, protões e iões — a velocidades próximas à da luz. Segundo Yang, os iões pesados de alta velocidade funcionam como “balas microscópicas” que colidem com alvos, criando condições extremas de temperatura e pressão. Toca a acelerar Construído pelo Instituto de Física Moderna, o HIAF gerou o seu primeiro feixe em Outubro de 2025, após sete anos de obras. A estrutura estende-se por 80 acres e inclui uma linha de feixe de dois quilómetros situada a 13 metros de profundidade. Tratase de um dos maiores aceleradores de iões do mundo, capaz de acelerar todos os tipos de iões, com uma linha de feixe total de dois quilómetros, mais de 6.000 conjuntos de equipamentos de grande porte e quase cinco milhões de componentes. Na fase de testes, a instalação atingiu níveis inéditos de intensidade para feixes de oxigénio e bismuto, superando os recordes internacionais anteriores em três vezes e 7,5 vezes, respectivamente. Em termos de investigação fundamental, o HIAF permitirá simular ambientes extremos como o interior das estrelas, explosões de supernovas e os primeiros instantes do Big Bang, ajudando a explorar a estrutura profunda da matéria. No plano das aplicações, o acelerador poderá testar a resistência à radiação de naves espaciais, apoiar o desenvolvimento da energia nuclear e facilitar a investigação de materiais funcionais. Na área médica, por exemplo, deverá contribuir para avanços significativos na terapia contra o cancro com iões pesados e na criação de novos radiofármacos.
China condena multa da União Europeia à AliExpress e promete “medidas firmes” Hoje Macau - 23 Jul 2026 O Governo chinês condenou ontem a multa de 550 milhões de euros aplicada pela Comissão Europeia à plataforma de comércio electrónico AliExpress e prometeu adoptar “medidas firmes” para defender os interesses da empresa. “A China opõe-se firmemente a que a parte europeia crie barreiras digitais sob o pretexto da regulamentação das plataformas e adote medidas discriminatórias para restringir e reprimir o funcionamento normal das empresas chinesas de comércio electrónico na Europa”, afirmou um porta-voz do ministério do Comércio chinês. O porta-voz instou a União Europeia a “deixar de abusar da ambiguidade da legislação, e pediu que trate as empresas chinesas “de forma justa e imparcial”. Pequim vai apoiar as empresas chinesas no recurso a instrumentos legais para defenderem os seus direitos e adoptará “medidas firmes” para salvaguardar os seus interesses, acrescentou. Castigo europeu A Comissão Europeia anunciou, na segunda-feira, uma multa recorde de 550 milhões de euros à AliExpress, acusando a plataforma de não combater de forma “eficaz” a venda de produtos ilegais, incluindo artigos contrafeitos. Bruxelas acusou ainda a empresa de “sobrestimar” a capacidade dos seus sistemas informáticos para detetar e remover este tipo de anúncios. A empresa chinesa respondeu que “esteve e continua empenhada em cumprir as suas obrigações perante os consumidores” e anunciou que vai recorrer da sanção, que classificou como “desproporcionada”. A condenação do Governo chinês coincide com a visita ao país de uma delegação de eurodeputados, que mantém contactos sobre as crescentes fricções entre Pequim e Bruxelas em questões como o desequilíbrio comercial, a guerra na Ucrânia e a dependência tecnológica. Entre Março e Abril, uma delegação de eurodeputados da Comissão do Mercado Interno e da Protecção dos Consumidores visitou também a China para transmitir a plataformas como a Shein, a Temu e a AliExpress que as regras europeias de segurança e concorrência devem ser cumpridas no comércio digital. Das três multas aplicadas até agora pela Comissão Europeia por incumprimento da Lei dos Serviços Digitais, que obriga as plataformas a combater conteúdos ilegais, a sanção à AliExpress é a mais elevada. A Comissão multou também a plataforma chinesa Temu em 200 milhões de euros, em Maio, por não prevenir a venda de produtos ilegais, e a rede social X em 120 milhões de euros, em Dezembro de 2025, por falta de transparência.
Luís Represas morreu ontem aos 69 anos Andreia Sofia Silva - 23 Jul 2026 O cantor Luís Represas, que integrava os Trovante, morreu ontem aos 69 anos vítima de doença prolongada, de acordo com a agência que o representava. O cantor Luís Represas comemorava este ano os 50 anos de carreira, divididos entre os Trovante e a solo, tendo actuado em Março com a banda no MEO Arena, em Lisboa, e no Pavilhão Rosa Mota, no Porto. Em 2005, foi distinguido pelo Estado Português com a Ordem de Mérito – grau de Comendador. O músico actuou, em nome próprio, em Macau, no ano de 2013, no âmbito das comemorações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas, tendo destacado à Lusa a portugalidade que ainda se sentia no território, anos depois de ter actuado nas cerimónias da transferência da administração portuguesa de Macau, em 1999. “Pouco falei e pouco se fala dessa sensação de pôr a chave à porta e fechá-la. Eu, o Rão Kyao e a Chen Jun Hua vimos a sala esvaziar-se e as pessoas a saírem pelo palco. Houve sensação enorme de nostalgia e de vazio à medida que as pessoas iam saindo”, contou. Luís Represas acrescentou, na altura, que “havia aqui qualquer coisa que estava a emperrar aquilo que podia ser este novo território”. “13 anos depois chego aqui e fiquei completamente perdido. Não é de todo o Macau que eu conheci. É se eu for outra vez lá para dentro e de repente começo a reconhecer coisas, mas há grandes alterações”, explicou ao salientar que “parece que estava tudo debaixo do chão à espera que saíssemos para vir tudo cá para cima”, acrescentou. O cantor disse ter sentido em Macau a existência de “uma eternidade da história e uma eternidade da cultura” portuguesa que espera que se preservem. “Em termos de portugalidade, de Camões e das comunidades continua em Macau a sentir-se esse lado bom da saudade. O nosso maior poeta andou por aqui, a nossa língua continua a andar por aqui e a nossa história e a nossa presença no Oriente continuam e poderão passar ainda mais por aqui”, afirmou. A voz dos êxitos Luís Represas nasceu em 1956 e foi um dos mais conhecidos nomes da música portuguesa, tendo ficado para sempre ligado ao grupo Trovante, que ajudou a criar em 1976 e que deixou também uma marca no panorama musical português. Decidiu dedicar-se a uma carreira a solo em 1992, tendo gravado êxitos como “Timor”, “Feiticeira” e “Perdóname”. De nome completo Luís Paulo Fontes Represas, comprou a sua primeira guitarra com 13 anos e no verão de 1976, em Sagres, criou os Trovante com o seu irmão, João Represas, e os músicos Manuel Faria, João Gil e Artur Costa. Luís Represas deu voz aos êxitos dos Trovante, como “125 Azul”, “Timor”, “Xácara das Pretas” e “Amor de Índio”, entre tantos outros. Separados em 1992, os Trovante voltaram a subir aos palcos em 1999 e, mais recente, com os dois concertos realizados este ano, que esgotaram.
Oficinas Navais | Concerto de Martin Taylor em Agosto Andreia Sofia Silva - 23 Jul 2026 As Oficinas Navais nº 2, na zona da Barra, preparam-se para receber sonoridades jazz no evento “Legendary Jazz Guitar Night”, a 5 de Agosto. O conhecido guitarrista Martin Taylor sobe ao palco ao lado de músicos locais e da região, como é o caso de Eugene Pao, tido como pioneiro na divulgação do jazz em Hong Kong O festival “Barra Slow Fest” traz uma nova iniciativa cultural à zona da Barra. Trata-se do evento “Legendary Jazz Guitar Night”, que a 5 de Agosto conta com o conhecido guitarrista Martin Taylor, que vai actuar com músicos locais. É o caso de Eugene Pao, natural de Hong Kong, tido como um dos percursores deste género musical na região vizinha; bem como Hon Chong Chan, natural de Macau, que sobe ao palco com o seu quarteto. O concerto acontece entre as 18h30 e as 20h30 e integra a digressão mundial que o músico inglês, nascido em Harlow, Reino Unido, em 1956, está a levar a vários países e regiões. O espectáculo é organizado pelo Centro de Desenvolvimento do Distrito e, segundo um comunicado, “ao ter como pano de fundo a histórica zona ribeirinha da Barra, este concerto promete ser uma fusão encantadora de música com o espírito de ‘slow living'”, ou seja, promovendo uma forma de estar mais tranquila e em contacto com a natureza e o meio ambiente envolvente. Segundo a organização, Martin Taylor “é amplamente considerado um dos maiores expoentes mundiais do jazz a solo e da guitarra num estilo ‘fingerstyle'”, tendo actuado com outros músicos bastante conhecidos do grande público, como é o caso de Stephane Grappelli, Chet Atkins, Bill Wyman, George Harrison, Dionne Warwick, Sacha Distel, Bryn Terfel e Jamie Cullum. O estilo “fingerstyle” consiste em tocar a melodia, harmonia e o ritmo em simultâneo apenas com os dedos e sem uso da palheta, o que exige um elevado domínio da técnica musical. Martin Taylor foi sempre um autodidacta na música, tendo começado a tocar aos quatro anos. Com 15 anos deixou a escola para se dedicar à música de forma profissional, tendo realizado inúmeras digressões e gravações entre os anos de 1979 e 1990 com a “lenda” do violino de jazz Stéphane Grappelli. Martin Taylor “é conhecido pela sua notável técnica de ‘fingerstyle’ a solo, entrelaçando na perfeição elementos como a melodia, harmonia e linhas de baixo” que soam como uma composição completa. Com uma carreira que abrange cinco décadas e mais de 100 gravações no seu currículo, recebeu uma nomeação para os Grammy, detém o recorde de 14 British Jazz Awards e foi nomeado MBE [Member of the Order of the British Empire] pela Rainha Isabel II, já falecida, em 2002, pelos serviços que prestou ao jazz. Estrelas locais No palco do Barra Slow Fest actua, como convidado principal, Eugene Pao, considerado “um dos guitarristas de jazz mais emblemáticos de Hong Kong, combinando o jazz tradicional com o contemporâneo”. Eugene é, actualmente, um nome “activo no cenário internacional”, tendo actuado “com lendas como Herbie Hancock e lançado vários álbuns aclamados”. É hoje “amplamente considerado um pioneiro da cena jazzística de Hong Kong”, sobretudo desde que regressou ao território vizinho depois de estudos feitos nos EUA. Já gravou com nomes fundamentais do jazz como o Eddie Gomez, Jimmy Witherspoon e o saxofonista Michael Brecker. Por sua vez, Hon Chong Chan “é um renomado guitarrista de jazz de Macau”, que estudou em Nova Iorque e Pequim. Até à data lançou dois discos, “Travelling Coffee”, em 2020, considerado “o primeiro disco de jazz alguma vez produzido em Macau”; e, mais recentemente, “Stream”, editado em 2025. Os bilhetes para este concerto estão em pré-venda a um preço de 150 patacas até ao dia 31 de Julho. Depois dessa data, o preço é de 200 patacas, incluindo uma bebida e um bolo. Os bilhetes vendem-se online através do website do Centro de Desenvolvimento do Distrito (DDC, na sigla inglesa). O Barra Slow Fest é um evento que começou a realizar-se no ano passado e que visa revitalizar a zona da Barra com iniciativas culturais e criativas. Em Maio deste ano decorreu a segunda edição, que deu destaque ao património cultural e à cultura do chá.
Mercados municipais | Abertos concursos para 14 bancas João Luz - 23 Jul 2026 O Instituto para Assuntos Municipais anunciou ontem a abertura de concursos de 14 bancas nos centros de comida dos mercados de S. Lourenço, Patane, Horta da Mitra e Iao Hon. No fim do mês serão realizadas três sessões de esclarecimento para interessados e possíveis candidatos O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) abriu ontem concursos públicos para 14 bancas no Centro de Comidas do Edifício de Vendilhões do Iao Hon, no Centro de Comidas do Mercado de S. Lourenço, no Centro de Comidas do Patane e no Mercado da Horta da Mitra, com a missão de introduzir um novo dinamismo nos mercados públicos, “responder às solicitações da sociedade e assegurar o uso eficaz dos recursos públicos”. Os interessados no concurso podem entregar até 20 de Agosto as suas propostas, mas, entretanto, o IAM irá realizar, entre 30 e 31 de Julho, três sessões de esclarecimento no Centro de Actividades do Patane. No centro de comidas do Mercado do Bairro do Ian Hon já está em concurso quatro bancas, enquanto no centro de comidas do Mercado de S. Lourenço estão disponíveis cinco bancas. No Mercado do Patane vai a concurso o espaço para uma banca para comidas prontas. Por seu turno, no Mercado da Horta da Mitra vão estar em concurso quatro bancas, uma para a venda de peixe e três para refeições ligeiras. Neste caso, o IAM salienta que os espaços públicos do mercado serão optimizados e a zona de refeições aumentada “na expectativa de proporcionar aos consumidores do bairro uma experiência mais diversificada”. Do que estamos a falar As bancas disponíveis têm áreas úteis entre 6,5 e cerca de 13 metros quadrados, com a excepção de uma banca no Centro de Comidas do Patane, que tem uma área de 17,2 metros quadrados. Em relação às sessões de esclarecimento, o IAM informa que estas se destinam a ajudar os concorrentes a compreenderem melhor a forma correcta de preencher o boletim de candidatura para o concurso, assim como para elaborar a proposta. No dia 30 de Julho, serão organizadas duas sessões de esclarecimento, uma às 15h30 e outra às 19h30, enquanto no dia seguinte a sessão começa às 11h, sempre no Centro de Actividades do 9.º piso do Mercado do Patane. Os interessados podem inscrever-se através da “Conta única de acesso comum”. Entre os critérios de avaliação, as autoridades vão valorizar a estratégia de operação (que conta 50 por cento), a experiência do concorrente (25 por cento), a diversidade da tipologia de mercadorias (15 por cento), enquanto horário diário e conveniência de pagamentos valem 5 por cento cada. Os concorrentes têm de prestar pagar 5 mil patacas de caução provisória para participar no concurso público.
Jogo | Grupo Estoril-Sol tem de pagar 37 milhões de euros Hoje Macau - 23 Jul 2026 O Estado português está a exigir ao grupo Estoril-Sol, ligado ao já falecido empresário Stanley Ho, o pagamento de 37 milhões de euros. Segundo o jornal Público, a entidade reguladora do jogo no país está a exigir ao grupo o pagamento desse montante que diz respeito a alegados valores remanescentes de contrapartidas anuais que estarão em dívida, e que o grupo já veio contestar. “Em Maio de 2026, o Serviço de Regulação e Inspecção de Jogo (SRIJ) dirigiu à Varzim Sol o pedido de que a mesma procedesse ao pagamento de valores remanescentes de contrapartidas anuais relativas aos exercícios de 2022 a 2026 (este, quanto ao primeiro quadrimestre), alegadamente em dívida num valor total de 36.883.109,42€”, lê-se no relatório e contas de 2025. Diz ainda a empresa que foi solicitado ao regulador “um conjunto de esclarecimentos que, na data do presente relatório, não foram ainda prestados”. “O grupo mantém o entendimento, fundado no aconselhamento jurídico independente e especializado que obteve, de que esta solicitação não tem justificação legal ou contratual”, é ainda referido. O grupo enfrenta actualmente um processo de reestruturação, mantendo as operações relativas aos casinos do Estoril e de Lisboa, mas tendo desistido da concessão do casino na Póvoa do Varzim.
Hengqin | Excursionistas quase triplicam no primeiro semestre Nunu Wu e João Luz - 23 Jul 202623 Jul 2026 Na primeira metade deste ano, Hengqin e Macau receberam 96,3 mil excursionistas, total que quase equivaleu ao registo de todo o ano passado, ou um aumento de quase 170 por cento. As autoridades de Hengqin relevaram que desde que começaram as excursões com múltiplas entradas, Maio de 2024, o número de excursionistas superou os 200 mil No primeiro semestre de 2026, Macau e Hengqin receberam 93,6 mil turistas ao abrigo da política de excursão com múltiplas entradas entre os dois territórios, segundo a Direcção dos Serviços de Desenvolvimento Industrial da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin. A direcção de serviços salienta que este registo significa um aumento anual de 168,7 por cento, quase totalizando o número de excursionistas de 2025. As autoridades indicam também que, desde que entrou em vigor a política de excursão com múltiplas entradas entre Hengqin e Macau em Maio de 2024, até 30 de Junho, os dois territórios acolheram um total de 204,4 mil excursionistas. Actualmente, existem 58 agências de viagem que vendem pacotes turísticos conjuntos para os dois territórios, cobrindo oito províncias chinesas, mas as autoridades da Ilha da Montanha estimam que o número de agências aumente para 61 ainda este ano. Em linha ascendente A direcção de serviços de Hengqin indica também que na primeira metade de 2026 foram realizados 11 eventos de exposições e convenções conjuntos em Macau e Hengqin, quase o dobro em comparação com o mesmo período do ano passado. Nesse capítulo, o organismo garante que vai reforçar o mecanismo de coordenação com Macau para promover o modelo de “um evento organizado em múltiplos destinos”. No seguimento do aumento de turistas para os dois destinos, no mês passado foram inauguradas três unidades hoteleiras na Zona de Cooperação Aprofundada, aumentando o número de quartos na Ilha da Montanha para cerca de 107 mil quartos. Na primeira metade deste ano, a taxa média de ocupação hoteleira foi de 60,6 por cento. As autoridades indicam também que entraram na Ilha da Montanha pelo Posto Fronteiriço de Hengqin 96 mil travessias fronteiriças de estrangeiros, nos primeiros seis meses deste ano, mais 76,9 por cento em comparação com 2025 no mesmo período.
Wynn Palace | Governo aprova construção de nova torre de suítes Hoje Macau - 23 Jul 2026 A Wynn Resorts (Macau) tem luz verde do Governo para construir uma nova torre de suites no Wynn Palace, de acordo com um despacho assinado pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, publicado ontem no Boletim Oficial, que revê o contrato de concessão do terreno onde se situa o resort do Cotai da concessionária. A área bruta do resort da Wynn irá crescer cerca de 17 por cento, com mais de 534 metros quadrados dedicados à construção de um complexo hoteleiro de cinco estrelas (incluindo áreas de jogo, centro de convenções, comércio, restauração, SPA, night club, teatro e centro de entretenimento). O despacho do secretário para os Transportes e Obras Públicas indica que o teatro terá uma área de cerca de 8.700 metros quadrados, o centro de convenções terá 23 mil metros quadrados, enquanto o casino mantém uma área de 43,5 mil metros quadrados. A concessionário irá pagar ao Governo um prémio adicional do contrato no valor de 652,3 milhões de patacas, “integralmente e de uma só vez, aquando da aceitação das condições do presente contrato”. A nova torre vai ficar adjacente à entrada leste do Wynn Palace, e irá acrescentar 432 suítes, ou 25 por cento ao total de quartos do resort. Em Maio, a concessionária indicou que a construção da torre Enclave, como foi designada, devia começar na segunda metade deste ano.
Inflação | Junho trouxe aumento anual dos preços de 1,24 por cento Hoje Macau - 23 Jul 2026 Em Junho, o índice de preços no consumidor apresentou um aumento anual de 1,24 por cento. Os dados foram anunciados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), com a subida dos preços a surgir associada às bebidas não alcoólicas e ao custo dos transportes. “O índice de preços da secção dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas cresceu 1,31 por cento, face a Junho de 2025, devido sobretudo à subida dos preços das refeições adquiridas fora de casa e de take-away e o índice de preços da secção dos transportes subiu 3,71 por cento, em virtude da ascensão dos preços da gasolina e dos bilhetes de avião”, foi comunicado. Também os preços do vestuário e calçado ficaram mais caros, com uma subida anual de 3,17 por cento. Em termos mensais, entre Maio e Junho houve uma redução generalizada dos preços de 0,15 por cento. “Em Junho do corrente ano o índice de preços no consumidor geral desceu 0,15 por cento, face a Maio de 2026. O índice de preços da secção dos transportes (menos 1,01 por cento) e o dos produtos e serviços diversos (menos 0,72 por cento) baixaram em termos mensais.”, foi revelado. “Por seu turno, o índice de preços da secção do vestuário e calçado (mais 0,92 por cento) e o dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (mais 0,12por cento) subiram em termos mensais”, foi acrescentado.
Lares | Governo prevê 1.100 camas na Zona A Hoje Macau - 23 Jul 2026 O Governo está a prever a abertura de três lares de idosos com cerca de 1.100 camas na Zona A dos Novos Aterros. A informação foi divulgada por Hon Wai, presidente do Instituto de Acção Social, no programa Fórum Macau da Ou Mun Tin Toi. Segundo Hon Wai, as autoridades vão abrir, nos próximos anos, três lares para idosos na Zona A, com cerca de 1.100 camas, para fazer face a uma procura que se espera cada vez maior, devido ao envelhecimento da população. O responsável indicou também que as autoridades vão abrir novos centros de dia para idosos, serviços de apoio ao domicílio, lares para idosos e lares para pessoas com deficiência, de acordo com as necessidades identificadas. Durante a participação no programa, Hon Wai reconheceu que com o contínuo envelhecimento da população de Macau, o número de famílias que necessitam de cuidados de longo prazo para idosos tem vindo a aumentar, ao mesmo tempo que a estrutura familiar tem sofrido mudanças significativas. Os novos desafios levaram a que o Governo, em cooperação com as instituições de serviços sociais, lançasse diversas medidas para a população, como serviços de cuidados diurnos e de acolhimento temporário, cursos de formação em técnicas de cuidado e serviços de apoio emocional e aconselhamento. Hon Wai prometeu ainda uma maior promoção da sensibilização, para que a sociedade compreenda que o trabalho de cuidar dos idosos no seio das famílias não deve ficar com uma só pessoa, mas ser antes um esforço colectivo, entre as famílias e os serviços sociais.
Consultas Externas | Equacionado alargamento à Península e à Taipa Hoje Macau - 23 Jul 2026 Os Serviços de Saúde (SS) estão a ponderar o alargamento das consultas externas comunitárias a toda a Península de Macau e à Taipa. O cenário foi descrito por Lok Mei Kun, representante dos Serviços de Saúde, à Rádio Macau, à margem de uma participação no programa Fórum Macau. Desde Junho deste ano que os SS estabeleceram um centro de consultas externas comunitárias na Zona Norte da cidade, com o objectivo de prestar serviços gratuitos de diagnóstico e tratamento de doenças comuns aos residentes de Macau. Dependendo da avaliação feita deste programa, as autoridades ponderam alargar a medida a toda a Península e também à Taipa. Durante o programa, Lok Mei Kun salientou também que, através do Programa de Atenção Integrada para a Pessoa Idosa, os Serviços de Saúde avaliaram mais de 13 mil pessoas que vivem sozinhas ou em casal. Desses, cerca de 1.500 apresentaram distúrbios psicológicos ou emocionais, e mais de 270 foram classificados como de alto risco, pelo que vão ser acompanhados.
Moçambique | Empresários querem reforçar ligações com Macau Hoje Macau - 23 Jul 2026 O objectivo é criar um fórum de Câmaras de Comércio dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) que utilize Macau como ligação à China Alguns empresários moçambicanos defenderam a criação de um fórum de Câmaras de Comércio dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), acrescentando Macau como ligação à China, para trocar experiências e resolver problemas comuns. O pedido foi formulado, em Maputo, pelo presidente da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), Lucas Chachine, durante uma sessão de intercâmbio entre empresários moçambicanos e cerca de 30 empresários de uma delegação empresarial da China e de Macau, além de elementos de outros países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). “Queríamos aproveitar esta ocasião para propor a criação de um fórum das Câmaras de Comércio dos PALOP, também com o apoio da câmara de Macau, que também ainda tem raízes de língua portuguesa, para podermos ter um fórum de troca de experiências, aproveitar as capacidades que cada país tem, de modo a, em pouco tempo, resolvermos os problemas que ainda nos caracterizam como países menos desenvolvidos”, disse Lucas Chachine. No encontro, que serviu também para a entrega de uma carta de parceria de expansão de mercados denominada plataforma Comércio Sino-lusófona, o representante da CCM afirmou que as câmaras de comércio podem ajudar a desenvolver a iniciativa, reiterando a vontade de colaborar com o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), com as câmaras da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e com todos os empresários. “Vamos encontrar um espaço melhor de aproveitar as capacidades de cada lado para criarmos riqueza para os nossos países”, referiu Chachine, destacando o interesse em colher a experiência da China no desenvolvimento da agricultura, agro-indústria, turismo, economia azul, logística, digitalização, infra-estruturas, comércio e produção de automóveis. Convite ao investimento O presidente da CCM descreveu ainda as potencialidades de Moçambique, convidando os empresários da China e de Macau a apostarem no intercâmbio entre as delegações e investirem no país africano. O responsável pediu também a disponibilidade dos empresários das duas instituições asiáticas a recomendarem alguns dos seus membros para ocuparem funções de delegados nas delegações da CCM existentes naqueles países. “Isto vai ajudar a aproximar os dois empresários com os empresários tanto da China como da região autónoma de Macau. Eu, com os meus colegas, faremos a promoção dos objectivos empresariais naqueles países, com apoio dos delegados que pedimos que nos ajudem a indicar”, explicou Lucas Chachine, pedindo também apoio na mobilização de empresários e de investimentos para Moçambique, China, Macau, e vice-versa. Já o vogal do conselho de administração do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau, Luíz Jacinto, convidou os empresários moçambicanos a participarem na Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa 2026, na 31.ª Feira Internacional de Macau e na Exposição de Franquia de Macau 2026, que decorrerão entre 21 a 24 de Outubro do corrente ano. “Esperamos, através do intercâmbio aprofundado que se segue, conhecer melhor a vossa experiência de investimento em Moçambique e explorar o potencial de cooperação futura”, disse Luíz Jacinto, após apresentar as potencialidades daquele país num balanço sobre as relações sino-lusófonas.
UTM | Pun Weng Kun escolhido para o Conselho Geral Hoje Macau - 23 Jul 2026 Pun Weng Kun, ex-presidente do Instituto do Desporto, foi escolhido para o Conselho Geral da Universidade de Turismo de Macau (UTM). A opção da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, foi divulgada ontem, através do Boletim Oficial. O mandato de Pun Weng Kun na instituição de ensino vai prolongar-se até 29 de Abril de 2029. Ao mesmo tempo, O Lam exonerou Kan Cheok Kuan do Conselho Geral da UTM. Pun Weng Kun exerceu o cargo de presidente do Instituto do Desporto entre 2016 e 2024 e foi coordenador do Gabinete Preparatório para a Organização da Zona de Competição de Macau da 15.ª edição dos Jogos Nacionais. Em Junho, Pun Weng Kun foi também nomeado membro do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau – CAM, onde aufere de uma remuneração anual de 1,75 milhões de patacas. FPACE | Distribuídos apoios de 14,4 milhões no segundo trimestre O Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética (FPACE) distribuiu 14,4 milhões de patacas em apoios no segundo trimestre deste ano, de acordo com a informação da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). Este montante representa uma subida de 278,9 por cento em comparação com o período homólogo, quando foram distribuídos apoios num total de 3,8 milhões de patacas. A maior parte dos fundos atribuídos no segundo trimestre deste ano estavam relacionados com o plano de apoio financeiro ao abate de veículos antigos movidos a gasóleo, num total de 12,2 milhões de patacas. Por sua vez, o “plano de concessão de apoio financeiro ao abate de motociclos a gasolina e sua substituição por motociclos eléctricos novos e com o plano de apoio financeiro ao abate de veículos antigos movidos a gasóleo” originou gastos de 2,2 milhões de patacas.
Reserva financeira | Novo recorde histórico em Maio Hoje Macau - 23 Jul 2026 Em Maio, a reserva financeira de Macau atingiu pela primeira vez um valor superior a 700 mil milhões de patacas. Os dados foram revelados ontem pela Autoridade Monetária de Macau Os activos da reserva financeira de Macau atingiram em Maio um novo recorde máximo, pelo sexto mês consecutivo, de mais de 700 mil milhões de patacas, anunciou ontem a Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Um balanço publicado pelo regulador financeiro no Boletim Oficial mostra que a reserva valia 702,3 mil milhões de patacas no final de Maio. Este valor significa que em comparação com Maio do ano passado, quando o activo da reserva valia 636,3 mil milhões de patacas, houve um crescimento de 9,6 por cento ou de 66 mil milhões de patacas. No final de Abril, a reserva financeira estava nos 697,3 mil milhões de patacas, pelo que o valor apresentado ontem representa uma subida em cadeia de 0,7 por cento ou de 5 mil milhões de patacas. O valor atingido no final de Maio é o mais elevado de sempre. Há seis meses que os activos da reserva têm vindo a atingir de forma consecutiva novos recordes. No final do ano passado, a reserva financeira atingiu 666,7 mil milhões de patacas. Até essa data, o anterior recorde tinha sido fixado em Fevereiro de 2021, apesar de o território viver então em plena pandemia, com um valor de 663,6 mil milhões de patacas. No entanto, desde Dezembro os recordes têm sido batidos de forma consecutiva. Em Janeiro, a reserva atingiu 673,8 mil milhões de patacas, a valorização continuou em Fevereiro, ao serem atingidos 681,0 mil milhões de patacas. Nos meses mais recentes, em Março e Abril, a tendência positiva não se alterou, com a reserva a atingir 688,2 mil milhões de patacas, em Março, 697,3 mil milhões de patacas, em Abril. Longe de outros recordes Desde o final de 2025, a reserva registou uma valorização de 35,6 mil milhões de patacas. O melhor ano de sempre para a reserva financeira foi 2019, antes do início da pandemia, quando os activos se valorizaram em 70,6 mil milhões de patacas. O valor da reserva extraordinária no final de Maio deste ano era de 518,4 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau, era de 163,6 mil milhões de patacas, ainda de acordo com a AMCM. A reserva financeira de Macau é maioritariamente composta por 300,7 mil milhões de patacas em investimentos subcontratados; depósitos e contas correntes no valor de 291,8 mil milhões de patacas e títulos de crédito no montante de 106,8 mil milhões de patacas.
Ásia | Fraudes e drogas sustentam “economia criminosa multinacional” Hoje Macau - 23 Jul 2026 As Nações Unidas divulgaram ontem o relatório “Um Ecossistema Criminal Interconectado: Avaliação da Ameaça do Crime Organizado Transnacional no Sudeste Asiático 2026”, que indica que a região funciona, cada vez mais, como um centro de crime organizado com ligações ao tráfico de droga e burlas O crime organizado no Sudeste Asiático transformouse em “economia multinacional” capaz de desafiar Estados, com perdas anuais superiores a 100 mil milhões de dólares em fraudes, alerta um novo relatório das Nações Unidas. “Estamos a assistir a uma mudança em que grupos que antes actuavam apenas nos seus territórios e especialidades criminais operam agora em múltiplos mercados ilícitos ao mesmo tempo, recorrendo às mesmas cadeias de serviços”, disse a representante regional do Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC), Delphine Schantz, num comunicado. O estudo, intitulado “Um Ecossistema Criminal Interconectado: Avaliação da Ameaça do Crime Organizado Transnacional no Sudeste Asiático 2026”, descreve como diferentes actividades ilícitas – do tráfico de pessoas à fraude cibernética – estão a ser integradas numa infra-estrutura financeira e operacional comum. Segundo o relatório, o crime organizado está a deslocarse do tráfico de bens físicos para a venda de serviços digitais, como fraudes online e liquidações financeiras em plataformas, difíceis de rastrear. As perdas anuais com esquemas fraudulentos em 2025 foram estimadas entre 88,3 mil milhões e 114,1 mil milhões de dólares, superando o Produto Interno Bruto (PIB) de vários países da região. A expansão levou ao aumento do tráfico de pessoas para actividades criminosas forçadas, com vítimas de, pelo menos, 80 países, identificadas em complexos de fraude na região, com redes de recrutamento que procuram alargar o alcance à Europa e América do Norte. O relatório sublinha que o Triângulo Dourado continua a ser o principal centro de produção de metanfetaminas, ketamina e heroína, com um valor anual estimado entre 75 mil milhões e 109,7 mil milhões de dólares. O texto destaca também o Triângulo SuluCelebes, entre Indonésia, Malásia e Filipinas, como novo corredor estratégico para contrabando marítimo, incluindo tecnologia usada em operações de fraude. Entre os mercados emergentes, a investigação da ONU aponta para o risco crescente da convergência entre jogos online e apostas ilegais, que torna os jovens particularmente vulneráveis. “A linha entre jogo digital e jogo de azar está cada vez mais difusa”, alertou Schantz. O relatório identifica ainda tendências tecnológicas como inteligência artificial generativa, ‘deep fakes’ e fraudes automatizadas, incluindo “malvertising”, que explora redes de publicidade legítimas para disseminar malware. “Uma estratégia centrada apenas na disrupção não funciona”, disse Schantz. “É preciso atacar os motores do crime, prevenir e seguir o dinheiro. A apreensão de lucros ilícitos enfraquece estas redes e protege potenciais vítimas”, concluiu. Os antecedentes Segundo o mesmo estudo, desde que foi divulgada, em Abril de 2019, a última avaliação sobre a ameaça do crime organizado transnacional na região do Sudeste Asiático, “o panorama regional da ameaça do crime organizado transnacional sofreu uma mudança complexa e de grande alcance, devida principalmente ao rápido crescimento da criminalidade facilitada pelas tecnologias digitais”. Desta forma, deu-se uma mudança no “panorama regional das ameaças e o ecossistema criminoso, bem como a escala, a sofisticação e a disponibilidade do ‘crime como serviço’ e de outros serviços criminosos ilícitos”, pode ler-se. O relatório destaca como o Sudeste Asiático “está a emergir como uma das principais regiões que moldam o ecossistema global do crime organizado transnacional”. Verifica-se, deste modo, “uma mudança estrutural de um modelo associado principalmente a mercados ilícitos discretos e, em grande parte, intrarregionais, para um modelo em que múltiplas economias criminosas operam de forma integrada e que se reforçam mutuamente, ultrapassando as fronteiras regionais”. Tal mudança deve-se, em parte, a uma “combinação de desenvolvimentos geopolíticos”, bem como a “integração cada vez mais rápida de tecnologias emergentes nas operações criminosas”. Assim, deu-se a “proliferação de centros de fraude à escala industrial”, ocorrendo um cenário em que “grupos de criminalidade organizada expandiram tanto a escala como a complexidade das suas actividades”. O mesmo documento dá conta que o Sudeste Asiático tem vindo a tornar-se “uma base operacional cada vez mais importante a partir da qual as redes criminosas coordenam uma gama diversificada de actividades ilícitas, cujos impactos se estendem muito além” da região. Em causa estão “fraudes cibernéticas que visam vítimas em todo o mundo, o tráfico de pessoas provenientes de vários países para operações criminosas e a movimentação e branqueamento de rendimentos ilícitos através de sistemas financeiros regionais e internacionais interligados”. Drogas para o mundo A dificuldade para rastrear este tipo de criminalidade está intimamente ligada ao uso da tecnologia. “Uma parte crescente das receitas criminosas provém agora de operações baseadas em serviços, fraudes cibernéticas, fornecimento de infra-estruturas criminosas e liquidações financeiras através de plataformas”, destaca a ONU. São, no fundo, “operações que não exigem que mercadorias físicas atravessem fronteiras e geram receitas que são substancialmente mais difíceis de rastrear, apreender e atribuir a actores criminosos específicos, principalmente devido à sua natureza virtual”. Relativamente ao Triângulo Dourado, o relatório fala de uma “notável resiliência das actividades criminosas” que operam nesta área. Em causa estão “restrições persistentes de acesso, pela presença de uma miríade de grupos armados não estatais e por redes criminosas descentralizadas e fluidas”. No que diz respeito aos estupefacientes, lê-se que “a metanfetamina constitui o núcleo da economia das drogas ilícitas para o crime organizado no Sudeste Asiático, com vendas a retalho estimadas em gerar entre 48,1 mil milhões e 74,8 mil milhões de dólares americanos anualmente — cerca de 70 por cento do total combinado do mercado de metanfetamina, heroína e ketamina”. Estes números representam “um aumento de aproximadamente 20 por cento em comparação com a última estimativa apresentada” na anterior avaliação, em 2019. “Apesar das apreensões recorde de metanfetamina registadas praticamente todos os anos ao longo da última década, os preços diminuíram em muitos países da região, enquanto os níveis de pureza se mantiveram elevados — tendências que indicam que o mercado é, em grande medida, impulsionado pela oferta e que as redes de crime organizado são fundamentais para esta evolução”, é referido. Ainda relativamente à ketamina, é descrito como se tornou num “dos mercados de drogas que mais cresce no Sudeste Asiático”, sendo que o crime organizado visa “cada vez mais a região como uma base de produção fundamental”. A droga fabrica-se mais na região do baixo Mekong, “tendo sido observado pela primeira vez no Myanmar, depois no Camboja e na República Democrática Popular do Laos e, mais recentemente, no Vietname”. No ano passado, a quantidade de ketamina apreendida na Ásia Oriental e também no Sudeste Asiático “atingiu um recorde de 52,5 toneladas, com aproximadamente 46,2 toneladas apreendidas no Sudeste Asiático, o que representa um aumento de mais de três vezes em relação à quantidade apreendida em 2024”. “Os cinco países do baixo Mekong e a vizinha Malásia, por si só, representaram 97 por cento do total do Sudeste Asiático”, com um valor de vendas de ketamina no Sudeste Asiático e Leste Asiático a atingir “entre 2,7 mil milhões e 7,2 mil milhões de dólares americanos”. Já a heroína “ganhou uma importância renovada”, ainda que “as drogas sintéticas dominem o mercado regional de drogas”. A ONU refere que “as 1.010 toneladas de ópio em bruto que se estima terem sido produzidas no Myanmar em 2025 representam o segundo nível mais elevado desde 2005”, sendo “quase 2,5 vezes superior à estimativa feita há cinco anos, com o valor total da economia nacional de opiáceos do Myanmar a situar-se entre 641 milhões e 1,05 mil milhões de dólares”. Valores equivalentes a “0,9 e 1,4 por cento do PIB do país”. “O aumento da produção de ópio no Myanmar e os sinais de um maior consumo de heroína nos mercados a jusante, incluindo corredores emergentes para a África Ocidental e a Europa — anteriormente abastecidos pelo produto afegão —, sugerem que a heroína está a expandir-se a par das drogas sintéticas, e não a substituí-las”. O Myanmar parece ter-se tornado, assim, a fonte de três rotas para este tráfico transfronteiriço, com o documento da ONU a referir “uma rota virada para a China através do norte do Estado de Shan, particularmente em torno do corredor Lashio-Muse; uma rota oriental de Shan que liga Myanmar à Tailândia e à República Democrática Popular do Laos; e uma rota para oeste, em direção ao nordeste da Índia.” Outras drogas destacadas são ainda a canábis e cocaína, tendo a canábis traficada a partir da Tailândia sido “apreendida em vários países europeus”. O tráfico destes dois tipos de estupefacientes “demonstram a crescente exposição do Sudeste Asiático a fluxos de tráfico internacional mais amplos”. Novamente o triângulo marítimo de Sulu-Celebes surge nesta equação, sendo identificado como um “corredor cada vez mais importante para o trânsito de cocaína proveniente da América Latina”. Assim, é indicado que “o Sudeste Asiático está a funcionar não só como uma região de origem para as exportações de drogas, mas também como um ponto de trânsito e destino emergente para fluxos originários de fora da região”. A.S.S. /Lusa
SMG | Alerta para possível tufão no fim-de-semana Hoje Macau - 22 Jul 2026 Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) indicaram ontem que uma área de baixas pressões, localizada ontem a leste das Filipinas, pode desenvolver-se numa “tempestade tropical e que, sob a condução de um anticiclone em altitude, se desloque para a parte norte do Mar do Sul da China nos próximos dias”. As autoridades sublinham que, para já, existem divergências nos modelos que antecipam a trajectória e velocidade de deslocação no Mar do Sul da China. No entanto, caso “venha a adoptar uma trajectória mais próxima da costa de Guangdong, o seu impacto em Macau será ainda mais significativo, sendo o risco meteorológico bastante elevado”. Os SMG acrescentam que, embora a trajectória desta área de baixa pressão ainda seja incerta, “as previsões actuais” apontam para que se desenvolva numa “tempestade tropical de intensidade igual ou superior a tufão”. Sob a influência desta potencial tempestade tropical, prevê-se que o vento em Macau se intensifique significativamente durante o fim-de-semana, e que seja acompanhado de aguaceiros frequentes e trovoadas ocasionais. Até lá, os SMG indicaram que entre hoje e sexta-feira Macau estará sob a influência de um anticiclone em altitude, que trará tempo soalheiro e muito quente, “podendo a temperatura ser igual ou superior a 33 graus”, acrescidos de 1 ou 2 graus nas zonas urbanas. As autoridades indicaram a probabilidade de emitir o alerta amarelo de temperaturas altas.
Taipa | Pedidas explicações para aumento de zonas com cheias Nunu Wu e João Luz - 22 Jul 2026 Uma associação da Taipa ligada aos Moradores quer que o Governo analise e explique porque mais zonas nas Ilhas são afectadas por cheias desde o ano passado. Os responsáveis pediram celeridade na construção de estações elevatórias de águas pluviais e inspecção à rede de esgotos e sistema de drenagem Depois das chuvas intensas na manhã de segunda-feira, que originaram inundações em várias partes da Taipa, a Associação Promotora para o Desenvolvimento da Comunidade da Taipa pediu ao Governo uma investigação às razões pelas quais mais zonas nas Ilhas sofrem com inundações desde o ano passado, face a anos anteriores. Os dirigentes da associação afiliada na União Geral das Associações dos Moradores de Macau pediram uma análise aos novos pontos negros de cheias, como as proximidades da Avenida Wai Long, Rotunda da Seac Pai Van, Caminho das Hortas, Rotunda do Istmo e Edifício do Lago, que já desde o Verão passado se tornaram em zonas críticas. Em declarações ao jornal Ou Mun, os vice-presidentes da associação, Lam Ka Chun e U Chi Lek, recordaram que no passado as inundações afectavam sobretudo as áreas mais baixas, como a Rua de Fernão Mendes Pinto, a zona circundante de Chun Su Mei e a Rua da Ponte Negra, na Taipa Velha. Os dirigentes realçaram ainda a frequência cada vez maior com que situações climáticas extremas atingem o território. O que é preciso Entre as soluções possíveis, Lam Ka Chun e U Chi Lek pediram celeridade na construção das estações elevatórias de águas pluviais da Avenida dos Jogos da Ásia Oriental e do Centro Desportivo Olímpico, e o reforço da monitorização da subida das águas para controlar cheias nos bairros antigos. Além disso, os representantes pediram ao Governo uma análise detalhada à rede de esgotos e a revisão do plano geral de drenagem na Taipa e Coloane, com focos nos novos pontos negros de inundações, para verificar a necessidade de obras de melhoramento. Foram também mencionados testemunhos de moradores que indicaram que a água recuou mais rapidamente na Rua da Ponte Negra. Saindo do capítulo da prevenção para os trabalhos de apoio durante inundações, os dirigentes sugeriram a colaboração interdepartamental entre Obras Públicas e Assuntos do Tráfego para operações conjuntas de prevenção específicas para os novos pontos negros.
Concerto | The Beths levam hoje o indie rock neozelandês a Kowloon João Luz - 22 Jul 202622 Jul 2026 Os neozelandeses The Beths regressam hoje a Hong Kong para um concerto no Portal, em Kowloon. A partir das 20h, Elizabeth Stokes e companhia irão oferecer ao público uma colecção de riffs de guitarra melódicos e rock sem complicações. A primeira parte estará a cargo dos locais Kowloon K O rock, assim como a vida, não tem de ser complicado para provocar arrepios e transmitir sensações que só a música consegue fazê-lo. Os The Beths são um exemplo perfeito da máxima de que por vezes conseguimos ter mais com menos. A banda neozelandesa toca hoje em Hong Kong, a partir das 20h, no Portal em Diamond Hill, Kowloon. Ontem ainda havia bilhetes para o concerto, que custam 520 dólares de Hong Kong, contando a comissão de bilheteira online. “Conhecidos pelos seus riffs de guitarra vibrantes, harmonias arrebatadoras e energia descontraída nos concertos, os espectáculos dos The Beths parecem um encontro entre velhos amigos. Após o álbum de 2022 aclamado pela crítica, “Expert in a Dying Field”, o mais recente lançamento da banda, de 2025, “Straight Line Was A Lie”, dá continuidade à sua mistura característica de alegria com um toque de melancolia e introspecção”, descreve produtora que traz a banda de novo a Hong Kong. O rock descomplicado do quarteto de Auckland é capaz de criar atmosferas intimistas, mas também momentos de puro gozo de ritmo e energia. A banda formou-se no final de 2014, quando os quatro elementos estudaram juntos na Universidade de Auckland, e depois de vários projectos musicais. Em Março de 2016, os The Beths lançaram o primeiro EP (“Warm Blood”), de onde saiu o primeiro single e videoclip “Whatever”. Com os primeiros singles a ganharem alguma notoriedade, a banda lança o primeiro álbum, “Future Me Hates Me”, em 2018. Mas foi ao terceiro registo, “Expert in a Dying Field”, que os The Beths alcançaram uma audiência maior e rasgados elogios em publicações de música, como a Pitchfork, Rolling Stone ou Stereogum, que colocaram o disco nas listas de melhores de 2022. A chegada do quarteto a um patamar de maior visibilidade entre pública e crítica especializada em música mais independente e fora dos circuitos das grandes produções comerciais levou-os em tournées mundiais, fazendo as primeiras partes de bandas como Death Cab for Cutie, The National e Spoon. O presente e esta noite Hoje, os The Beths chegam a Kowloon com o último disco “Straight Line Was a Lie” a compor grande parte do repertório dos últimos concertos na banda, que tocou no passado domingo em Jacarta, primeira de três datas asiáticas, antes do regresso aos Estados Unidos para uma extensa tournée. A primeira parte da noite no Portal estará a cargo dos locais Kowloon K, uma banda formada em 2019, que começou por dar novas roupagens a standards de jazz, mas que passado pouco tempo encontraram a sua identidade nos ritmos do funk, pop e, claro, jazz, sem ficarem limitados pelas fronteiras estilísticas. Os Kowloon K são formados pelo teclista Joshua, o baixista Ho, o baterista David, o cantor e compositor Charlie Chan e o guitarrista Justin. As canções dos Kowloon K costumam vaguear entre dois polos opostos, com exuberância musical que expressa temas mais introspectivos e depressivos, salpicada de um forte humor negro, acrescentando uma visão independente ao tradicional cantopop.
AliExpress vai recorrer da “desproporcionada” multa europeia de 550 milhões de euros Hoje Macau - 22 Jul 2026 A plataforma chinesa de comércio electrónico AliExpress anunciou ontem que vai recorrer da multa recorde de 550 milhões de euros aplicada pela Comissão Europeia, classificando como “desproporcionada” a sanção por alegado incumprimento no combate à venda de produtos ilegais. “Estamos surpreendidos com a decisão da União Europeia (UE) e com a multa desproporcionada, e não concordamos com ela. (…) O AliExpress tem estado e continua comprometido com as suas obrigações para com os consumidores”, afirmou a empresa, num comunicado publicado no portal de notícias corporativas da sua casa-mãe, o grupo Alibaba. “A decisão (…) ignora o nosso sólido quadro de gestão de riscos e as melhorias significativas e proactivas que implementámos. Vamos recorrer da decisão”, acrescentou a plataforma. Segundo o comunicado, o AliExpress “trabalhou de forma construtiva” com a Comissão Europeia para introduzir “muitas melhorias e compromissos voluntários”, respeitando um “espírito de cooperação e transparência”. A empresa sublinhou ainda ter investido “recursos consideráveis” na gestão e mitigação de riscos, na segurança dos produtos e na protecção dos consumidores. Falta de controlo A Comissão Europeia anunciou ontem a aplicação da multa, por considerar que o AliExpress não dispõe de pessoal suficiente para fiscalizar a presença de produtos ilegais na plataforma, como artigos contrafeitos ou que violam normas de segurança, acusando ainda a empresa de “sobrestimar” a capacidade dos seus sistemas informáticos para detectar e remover esse tipo de anúncios. Segundo Bruxelas, muitos dos produtos identificados continuam disponíveis durante “várias semanas”, os vendedores podem manter as lojas activas apesar de terem sido sancionados e os mecanismos de controlo da plataforma podem ser contornados “com facilidade”. De acordo com o executivo comunitário, esta situação prejudica não só os consumidores, mas também as “empresas legítimas que investem em design, testes de segurança e inovação, obrigando-as a competir com produtos que evitam esses custos”. “A proliferação de roupa contrafeita, brinquedos inseguros, cosméticos perigosos e outros produtos ilegais e nocivos não é um custo inevitável das compras ‘online’, mas sim um incumprimento, por parte do AliExpress, das suas obrigações”, afirmou a vice-presidente da Comissão Europeia responsável pela política digital, Henna Virkkunen. Multa pesada O AliExpress tem agora até 20 de outubro para apresentar à Comissão Europeia um plano com as medidas que pretende adoptar para corrigir estas práticas. Bruxelas disporá depois de um mês para o avaliar e propor um calendário “razoável” para a sua implementação. Das três multas aplicadas até agora pela Comissão Europeia por incumprimento da Lei dos Serviços Digitais (DSA), que obriga as plataformas a combater conteúdos ilegais, a do AliExpress é a mais elevada. Em Maio, Bruxelas multou a também chinesa Temu em 200 milhões de euros por não impedir a venda de produtos ilegais e, em Dezembro do ano passado, aplicou uma multa de 120 milhões de euros à rede social X por falta de transparência.
Projecto da Cidade Universitária já custou 8 mil milhões de patacas João Santos Filipe - 22 Jul 2026 A primeira fase da construção de um novo pólo para as universidades na Ilha da Montanha não está concluída, mas já custou 8 mil milhões de patacas. O montante foi adiantando ontem por Song Pek Kei, deputada e presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas. Esta comissão reuniu-se na manhã de ontem, segundo o jornal Ou Mun, para analisar o projecto em Hengqin que tem um custo previsto para o orçamento da RAEM de 20 mil milhões de patacas. Song Pek Kei explicou que a primeira fase do projecto que tem como nome oficial “Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin” deverá ficar concluída entre Agosto e Setembro, com a instalação da Universidade de Macau, da Universidade Politécnica e da Universidade de Turismo na Praça de Dezhi. A Praça de Dezhi foi uma zona desenvolvida em Hengqin, pelas autoridades locais em parceria com a multinacional Siemens, com espaços de habitação e comerciais a imitar uma cidade tradicional alemã. Como o projecto não despertou interesse comercial, acabou por recuperado pelas autoridades. Agora, vai ser aproveitado para receber as universidades locais, numa política de campus transitório. Segundo Song Pek Kei, até Setembro, as universidades vão instalar cerca de 1.200 alunos no local. Os 8 mil milhões de patacas não incluem o preço de construção da cidade alemã, apenas da reconversão. Conclusão até 2030 A deputada explicou também que a segunda fase deverá ficar finalizada até 2029, e que diz respeito à parte do campus. As obras encontram-se em curso e vão contribuir para o preço final de 20 mil milhões de patacas. Em relação à terceira fase, prevê-se que o projecto fique totalmente completo em 2030, altura em que cerca de 20 mil alunos vão frequentar as diferentes instituições de ensino. Após a reunião, Song Pek Kei apontou que esta cidade universitária faz parte dos esforços do governo para internacionalizar o ensino e formar quadros qualificados.
Comércio | China rejeita críticas da Alemanha e de França sobre desequilíbrio comercial Hoje Macau - 22 Jul 2026 Enquanto uma delegação da União Europeia visita Pequim para discutir questões como as fricções comerciais, a guerra na Ucrânia e a dependência tecnológica, entre outras, as autoridades chinesas rejeitam as críticas de Merz e Macron e dizem estar abertas a um diálogo construtivo Pequim rejeitou ontem críticas da Alemanha e de França sobre os desequilíbrios comerciais com a União Europeia, assegurando que não manipula a moeda, não procura deliberadamente um excedente comercial nem concede subsídios proibidos pela Organização Mundial do Comércio. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou ontem, numa conferência de imprensa, que Pequim “atribui grande importância” às divergências económicas e comerciais com a União Europeia (UE), mas defendeu que estas podem ser resolvidas através do “diálogo e da consulta” e não devem tornar-se “um obstáculo” à confiança mútua nem um argumento para a “desvinculação económica”. Lin garantiu ainda que não existe “compra ou venda forçada”, depois de Merz e Macron terem defendido recentemente, na Alemanha, um diálogo com Pequim para corrigir os desequilíbrios comerciais e abordar questões como as transferências de tecnologia, a política cambial e os subsídios. “A China não procura deliberadamente um excedente comercial com a Europa”, afirmou o porta-voz, sustentando que a estrutura do comércio bilateral resulta da divisão internacional do trabalho, das vantagens comparativas de cada país e de outros factores. O responsável acrescentou que a China cumpre as regras da OMC e os princípios do comércio livre, da concorrência leal, da abertura e da cooperação, negando a existência de subsídios proibidos por aquela organização. Lin atribuiu a competitividade da indústria chinesa ao sistema produtivo do país, à dimensão do mercado interno, ao ecossistema de inovação e ao investimento sustentado das empresas chinesas. O porta-voz rejeitou também as críticas relativas à taxa de câmbio, afirmando que a China, enquanto “grande potência responsável”, nunca manipulou a sua moeda, “não pratica desvalorizações competitivas” nem utiliza a taxa de câmbio como instrumento para responder a disputas comerciais ou perturbações externas. Por outro lado Na sexta-feira, Merz afirmou, ao lado de Macron, que nenhum país da UE mantém um saldo comercial positivo com a China e que o défice comercial anual do bloco ultrapassa os 300 mil milhões de euros. O Presidente francês defendeu igualmente a necessidade de “corrigir as disfunções” relacionadas com a taxa de câmbio e a relação monetária com a China. Macron defendeu ainda que a Europa obtenha transferências de tecnologia da China, em vez de se limitar a importar produtos chineses. A resposta de Pequim coincide com a visita à capital chinesa de uma delegação de eurodeputados, chefiada pelo alemão David McAllister, que está a discutir com as autoridades chinesas vários pontos de fricção entre Pequim e Bruxelas, incluindo o desequilíbrio comercial, a guerra na Ucrânia e a dependência tecnológica Eurodeputados de visita Uma delegação da Comissão dos Assuntos Externos do Parlamento Europeu iniciou ontem uma visita de três dias à China para discutir com responsáveis chineses os principais pontos de tensão entre Pequim e Bruxelas, incluindo comércio, Ucrânia ou direitos humanos. A delegação, composta por oito eurodeputados e chefiada pelo alemão David McAllister, começou ontem a visita em Pequim, com um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi. O presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com a China, Engin Eroglu, afirmou na rede social X que já se reuniu com o seu homólogo chinês, Fu Ziying, defendendo que o diálogo é “um requisito para o entendimento mútuo e para uma política responsável”. Eroglu considerou ainda que a reunião entre a delegação do Parlamento Europeu e Wang Yi é pouco habitual e constitui “um sinal claro de que a parte chinesa também procura o diálogo e está interessada em melhorar as relações com a União Europeia (UE)”. Os eurodeputados deverão também reunir-se, em Pequim, com outras autoridades chinesas e com representantes das missões diplomáticas da UE, seguindo depois para Xangai, no leste da China, onde os encontros se centrarão em temas tecnológicos, como a soberania tecnológica, a competitividade do sector e a governação global da inteligência artificial (IA).
Patriotismo | O Lam quer jovens com o espírito da Longa Marcha João Luz - 22 Jul 202622 Jul 2026 Terminou na segunda-feira o acampamento militar de Verão para estudantes. No encerramento, a secretária O Lam incentivou os jovens a inspirarem-se na Longa Marcha e no nacionalismo. Durante uma semana, 150 alunos de 28 escolas tiveram treino no Quartel Militar da Taipa Terminou na segunda-feira o 19.º Acampamento Militar de Verão para Jovens e Estudantes na Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês, que durou uma semana e no qual participaram 150 alunos de 28 escolas e instituições de ensino de Macau. Na cerimónia de encerramento, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, afirmou que o Governo atribui grande importância à educação patriótica, inovando modelos educativos para que os jovens aprofundem a sua compreensão da situação nacional. A governante afirmou que se assinala este ano o “90.º aniversário da vitória da Longa Marcha do Exército Vermelho dos Trabalhadores e Camponeses Chineses”, referindo-se à retirada das tropas comunistas durante a guerra civil. O Lam encorajou os jovens a “inspirarem-se no espírito da Longa Marcha, a cultivarem o seu carácter, a terem sempre presente o que aprenderam e viveram no exército e a reforçarem as suas convicções”, indicou a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), num comunicado divulgado na noite de segunda-feira. A responsável encorajou os jovens a estabelecerem metas ambiciosas, persistirem nos estudos, aperfeiçoarem competências e a enraizarem-se em Macau, mantendo a pátria nos corações. O Lam indicou como caminho a seguir a “associação consciente do desenvolvimento pessoal à situação global do país”, para que os jovens contribuam para o rejuvenescimento da nação. Jogos de guerra Durante uma semana, os estudantes fizeram treino militar, incluindo conhecimentos básicos sobre equipamento, treino de campo e primeiros socorros, realizaram visitas de estudo e experimentaram a vida militar. O Major-General Lian Wei, comissário político da Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês, elogiou a dedicação os jovens de Macau e manifestou esperanças de ver associados os seus destinos aos do país, cultivando um profundo sentido de patriotismo. O responsável mostrou-se esperançado de que os jovens que participaram no acampamento levassem consigo uma nova injecção de coragem, autodisciplina e optimismo no regresso à escola e à sua vida familiar.