Cazaquistão e Rússia estudam construção de gasoduto até à China Hoje Macau - 30 Mai 2026 Cazaquistão e Rússia estão a estudar a possibilidade de construir um gasoduto até à China através do território cazaque, como alternativa ao projecto estagnado do gasoduto via Mongólia, afirmou ontem o ministro da Energia do Cazaquistão, Yerlán Akkedzénov. As declarações foram feitas no âmbito da visita do Presidente russo, Vladimir Putin, ao país da Ásia Central. “Começámos a negociar o chamado ‘Força da Sibéria 2’ (…), que transportaria até 35 mil milhões de metros cúbicos de gás para a China através do Cazaquistão”, disse Akkedzénov à imprensa local, após a chegada de Putin a Astana. O ministro indicou que o Cazaquistão está interessado em que “o trânsito passe pelo território”. “Estamos dispostos a oferecer todas as condições e garantias, além de um consumo adicional em território cazaque”, afirmou. Segundo Akkedzénov, o projecto é importante para o Cazaquistão porque permitiria “fornecer gás às regiões norte e leste do país”. Embora as autoridades russas tenham afirmado em várias ocasiões existir entendimento sobre o projecto ‘Força da Sibéria 2’, um gasoduto de 2.600 quilómetros destinado a transportar gás russo para a China através da Mongólia, ainda não foi alcançado um acordo concreto, o que poderá levar Moscovo a procurar alternativas. Outros acordos Além deste projecto, Cazaquistão e Rússia estudam também aumentar o trânsito de petróleo russo para a China, acordo que poderá ser assinado durante a actual visita de Putin, acrescentou o ministro da Energia. “Está a ser discutido. O acordo correspondente está praticamente pronto para assinatura. Tentaremos concretizá-lo nesta ocasião. Trata-se de um aumento de 2,5 milhões de toneladas”, disse. O governante acrescentou que ainda são necessários “cálculos adicionais”, bem como a construção de novas estações de bombagem e a ampliação do oleoduto. “Assim que assinarmos os documentos, avançaremos com o projecto”, afirmou. Em Setembro passado, a gigante russa do gás Gazprom assinou com a parte chinesa um memorando juridicamente vinculativo sobre a construção do gasoduto ‘Força da Sibéria 2’, com capacidade para transportar 50 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano, o que o tornaria o maior do mundo no seu género. A Rússia, que reforçou as exportações para a Ásia após a suspensão das importações europeias devido à guerra na Ucrânia, forneceu à China 101 milhões de toneladas de petróleo e 49 mil milhões de metros cúbicos de gás no ano passado.
Hong Kong | Quatro primárias fecham portas por falta de crianças Hoje Macau - 30 Mai 2026 Quatro escolas primárias irão fechar em Hong Kong, incluindo duas já este Verão, por não terem conseguido atrair um número suficiente de novos alunos, num contexto de mínimos históricos na taxa de natalidade na região. Em Março, as autoridades de Hong Kong já tinham anunciado que não irão subsidiar 15 primárias que receberam menos de 16 inscrições para o primeiro ano de escolaridade no próximo ano letivo, 2026/2027. De acordo com o jornal South China Morning Post, o Departamento de Educação de Hong Kong disse na quarta-feira que, das 15 primárias em risco, duas irão encerrar de imediato e outras duas irão fechar em 2029. Além desta situação, oito escolas irão fundir-se com outras instituições de educação para manterem as portas abertas e duas preferiram continuar a operar sem subsídios governamentais. Uma das que escolheu a fusão foi a Escola da Associação Empresarial dos Cinco Distritos, uma instituição com 69 anos de história, onde estudou o actual líder do Governo local, John Lee Ka-chiu. Em Março, a secretária para a Educação de Hong Kong avisou que mais primárias poderão encerrar, porque a cidade tem registado um número cada vez menor de crianças em idade escolar nos últimos dez anos, face à queda da natalidade. O número de alunos inscritos no primeiro ano do ensino primário em 2026-27 diminuiu em cerca de quatro mil em comparação com o actual ano lectivo, disse Christine Choi Yuk-lin à emissora pública RTHK. O Departamento de Educação de Hong Kong prevê que o número de crianças de seis anos desça de 47 mil em 2025 para 31 mil até 2029. Hong Kong registou em 2025 cerca de 31.100 nascimentos, o número mais baixo de sempre. No ano passado, também Macau registou 2.871 recém-nascidos, o menor número em quase meio século. Em 2025, a China continental registou 7,92 milhões de nascimentos, um novo mínimo histórico desde a fundação da República Popular da China, em 1949. A taxa de natalidade também caiu para mínimos históricos, com 5,63 por cada mil pessoas.
O Ocidente desfeito (III) Jorge Rodrigues Simão - 30 Mai 2026 (Continuação do artigo publicado na edição de dia 27 de Maio) O nuclear é o grande tabu da relação francoalemã. Na Alemanha, não apenas nos bastidores mas também na imprensa, discutese abertamente a necessidade de considerar a opção atómica. Alguns juristas lembram que o único obstáculo formal é o Tratado de Não Proliferação, que qualquer país pode denunciar. A Coreia do Norte fez; a Alemanha, se quisesse, poderia seguir o mesmo caminho. Tecnicamente, nada impede Berlim de construir rapidamente um pequeno arsenal pois tem conhecimento, tecnologia e infra-estruturas. O que falta é coragem política e disposição para enfrentar a reacção europeia. A ideia de um arsenal nuclear europeu é ilusória. A arma atómica é, por definição, símbolo de soberania nacional. A França faz disso um dogma. A Alemanha, soberana apenas desde 1990 e ainda hoje com tropas americanas no seu território, sabe que a sua margem de manobra é limitada. Mas a emergência estratégica leva Berlim a considerar o impensável. Daí a proliferação de “planos B” em toda a Europa. Quem confiou exclusivamente no guardachuva americano percebe agora que esse abrigo não é seu e pode fecharse a qualquer momento. O governo alemão criou grupos de trabalho para estudar formas de financiar um sistema nuclear europeu. E todos sabem que, uma vez aberto esse caminho, a transição para um programa nacional seria rápida. Alguns estrategas imaginam até uma solução híbrida com uma espécie de “nuclear europeu certificado”, onde parte do arsenal francês seria estacionado na Alemanha e parte de um eventual arsenal alemão seria acolhido em território francês. Uma troca simbólica para tranquilizar vizinhos nervosos e para disfarçar o facto de que cada país quer, no fundo, a sua própria bomba. Chamemoslhe “Plano C” por ser tão improvável quanto explosivo. Uma engenharia nuclear partilhada entre a França e Alemanha que, para além de suscitar arrepios em Varsóvia, provocaria urticária em Roma apesar da Itália ter ensaiado discretamente, nos anos cinquenta, um projecto atómico conjunto com esses mesmos parceiros. A história tem destas ironias. A verdade é que a desconfiança é recíproca. Os franceses olham para os alemães com o mesmo cepticismo com que os alemães observam o entusiasmo militar de Paris. Em Berlim, há quem veja na aproximação estratégica francesa uma versão musculada do velho instinto gaullista de abraçar para controlar. Um abraço sem ternura, claro está, apenas o suficiente para manter o vizinho sob vigilância. E tudo isto partindo do pressuposto, nada garantido, de que dentro de uma década a França continuará a ser militarmente superior à Alemanha. A retórica da emergência militar tem muito de teatral, mas funciona. Cada país cultiva as suas “almas belas”, aquelas que continuam a acreditar que o guardachuva americano é eterno e infalível. “Certo ou errado, é o meu protector”, murmuram alguns em Berlim e muitos mais em Roma. Em Itália, a fé no amparo transatlântico sobrevive a todas as evidências em contrário, sustentada por tabus constitucionais, ilusões jurídicas e um apego quase religioso ao direito internacional, que a história insiste em desmentir. O silêncio ensurdecedor do governo italiano nas primeiras semanas do novo ciclo político em Washington, e o afastamento em relação ao grupo dos países mais intervencionistas, revelam uma dependência persistente da dissuasão americana. Uma esperança contra si, quase bíblica na sua ingenuidade. Mas se a Itália quiser preservar o que ainda pode ser salvo, terá de renegociar a relação com os Estados Unidos em bases bilaterais claras de protecção em troca de acesso militar. E, sobretudo, Forças Armadas capazes de lutar ao lado dos americanos quando os interesses coincidem, ou sós quando não coincidem. Mesmo sem o resto da Europa. Apesar das aparências, algo começa a mexer debaixo da superfície. Os militares italianos falam abertamente de guerra em italiano, não em anglicismos anestesiantes. A indústria de defesa acelera, ainda que de forma descoordenada. E as Forças Armadas, embora dependentes dos Estados Unidos, estão mais preparadas do que as alemãs e apenas atrás das francesas em capacidade operacional. O objectivo é simples de depender menos, mesmo sabendo que a independência total é impossível. Como todas as revoluções geopolíticas, esta terá duas fases; a da ruptura e reconstrução. Estamos apenas no início da primeira com caos, acusações e incerteza. A segunda virá mais tarde, e será um compromisso imperfeito entre o velho e o novo. O mais provável é que o futuro energético e estratégico euroasiáticoafricano acabe por se parecer bastante com o passado, apenas com novos protagonistas. Se tudo correr bem, o mundo reencontrará um equilíbrio de poder como uma arte que os italianos dominaram no Renascimento. Se correr mal, destroem-se mutuamente.
USJ | Projecto do atelier Urban Pratice premiado Hoje Macau - 30 Mai 2026 O projecto do atelier Urban Practice para a Biblioteca da Universidade de São José (USJ), intitulado “Biblioteca Guilherme Lo & Teresa Lei Lo” acaba de ganhar uma menção honrosa nos prémios BLT Built Design Awards 2025, na categoria de Design de Interiores. Segundo uma nota de imprensa do Urban Pratice, liderado pelo arquitecto Nuno Soares, o projecto vai “além da ideia convencional de uma biblioteca”, explorando “o design de interiores como uma ferramenta para moldar ambientes de aprendizagem”. Foi criado “um espaço aberto e fluido onde a circulação, a luz e a acústica trabalham em conjunto para melhorar a experiência do utilizador”. “Guiadas por princípios de arquitectura sustentável, as escolhas de materiais privilegiam a durabilidade, o desempenho acústico e a responsabilidade ambiental. Através de disposições flexíveis, elementos modulares e sistemas energeticamente eficientes, o projecto promove a adaptabilidade ao longo do tempo, ao mesmo tempo que fomenta um ambiente académico confortável e inclusivo”, lê-se na mesma nota. Assim, a biblioteca da USJ é hoje um “espaço contemporâneo onde o conhecimento flui de forma harmoniosa e a arquitectura contribui activamente para a forma como é vivenciado”. Nuno Soares, citado pela mesma nota, disse que hoje em dia “uma biblioteca já não é apenas um local para guardar livros, mas um espaço que convida à interacção e desperta a curiosidade”, sendo que, com este projecto, procurou-se “criar um ambiente onde a luz, a circulação, a acústica e a materialidade se combinam para promover o conforto, a flexibilidade e a inclusão”.
Músico | Afonso Cabral actua em Julho em Macau, China, Hong Kong e Japão Hoje Macau - 30 Mai 2026 O músico Afonso Cabral realiza uma série de concertos em Macau, na China, em Hong Kong e no Japão, em Julho, na companhia do guitarrista Pedro Branco, anunciou o agenciamento do artista. A digressão de Afonso Cabral, com Pedro Branco, no Oriente, começa em 2 de Julho em Shenzhen e termina no dia 11 de Julho em Tóquio, no Japão. Pelo meio, o músico tem actuações em Macau, em Zhuhai, em Hong Kong, e em Osaka, Quioto e Nagoya. O agenciamento de Afonso Cabral recorda, em comunicado, que o músico já actuou várias vezes no Japão, tanto a solo como com a banda de Bruno Pernadas e os Minta & The Brook Trout. “Embalado por essas experiências, em ‘Demorar’, o seu álbum mais recente, existe algum espaço para o Japão, nomeadamente devido à música ‘Confusão / ざわめき’ – um dueto com Shugo Tokumaru, escrito e gravado pelo próprio, em Lisboa, e pelo seu convidado, em Tóquio”, lê-se no comunicado. Antes dos concertos no Oriente, Afonso Cabral continua a apresentar ao vivo em Portugal “Demorar”. No dia 6 de Junho, actua em Felgueiras, no Teatro Fonseca Moreira. Afonso Cabral editou o primeiro álbum a solo, “Morada”, em 2019. O segundo, “Demorar”, chegou no final de 2024. Já este ano, o vocalista dos You Can’t Win, Charlie Brown revelou a música “Dança Comigo na Ilusão”, que “desvenda um pouco do que está para vir”. Afonso Cabral, que nasceu em Lisboa em 1986, faz também parte das bandas de Bruno Pernadas, dos Minta & The Brook Trout e do projecto Mais Alto!. Além disso, fundou, com Francisca Cortesão, o estúdio Louva-a-deus, que é também o nome da editora pela qual saiu “Demorar”.
Literatura | “MyWay”, uma viagem pelos lugares de Natividade Ribeiro Andreia Sofia Silva - 30 Mai 2026 “My Way – Diário e Escritas Paralelas” é o mais recente livro de Natividade Ribeiro, mulher açoriana, autora e docente que também fez de Macau a sua casa durante muitos anos. Com edição da Letras Lavadas Edições, eis uma obra que mistura registos biográficos com sentimentos sobre lugares que são casa, como é o caso de Portugal e de Macau Antes das letras surgem as imagens que revelam, elas próprias, vivências e memórias: a “janela dos bambus”, a “entrada do jardim Camões” ou objectos como “a sombrinha chinesa”. Há ainda espaço para o desenho da casa em Coloane ou até a fotografia “do jardim da vizinha Lagos”, ou até da “Mesa de Jantar – Lisboa”. É assim o mais recente livro de Natividade Ribeiro, natural de Vila Franca do Campo, ilha de São Miguel, Açores, formou-se em Filosofia e deu aulas em Macau nos anos de 1982 e 1999, tendo tido depois uma posterior experiência de ensino no Instituto Português do Oriente (IPOR), nos anos de 2015 e 2016. De nome “My Way – Diário e Escritas Paralelas”, o mais recente livro da autora, editado no final do ano passado pela Letras Lavadas Edições, revela-se ao leitor uma espécie de diário de bordo pela mais recente passagem de Natividade Ribeiro por Macau, numa ligação aos seus Açores e a outros lugares de Portugal que representam casa para si. Trata-se de um “diário de mês e meio”, entre Macau, Algarve e a ilha açoriana de São Miguel, datado de 2023, “com a liberdade de saltar tempos e espaços, excercendo o poder da mente”, lê-se logo no início. O relato desta vivência começa ainda em Lisboa, no dia 23 de Agosto, com a autora a descrever a viagem a Macau e a recordar os momentos em que, nos idos anos 80, se mudou para o Oriente. “Amanhã iremos revisitar Macau. Foi em setembro de 1982 que para lá fomos viver. Passados estão 41 anos. Ao calor intenso à chegada, disse ‘Macau é como estar nas estufas de ananás do meu pai, em pleno verão da minha ilha’. E respirei um ar familiar, ainda que com outros cheiros.” A chegada fez-se a 25 de Agosto, no Aeroporto Internacional de Hong Kong, e é nesse momento que Natividade Ribeiro vai buscar a referência à ideia do caminho pessoal traçado, “My way”. “Saímos. À porta do avião uma cadeira de rodas à minha espera. Agora a All Ways. My way, all ways gosto destes nomes, minhas pernas. O meu caminho, a minha maneira. Todos os caminhos, todas as maneiras”, lê-se a certa altura. Por entre relatos de idas e vindas, regressos e chegadas, Natividade Ribeiro vai revelando também ao leitor alguns poemas e escritos da sua autoria, nomeadamente “Perfil virtual II”: “Ela desafia tudo / Senhora de tanto / Com olhos ainda inocentes / Reinventa o mundo / Em palavras de liberdade / Vivendo à beira do mar / E em cada alvorada / Ri com as gaivotas.” Alguns dos textos que se lêem em “My Way” foram escritos na Casa Garden, sede da Função Oriente em Macau. “Fechada no quarto belo, escreverei este diário como fiz na adolescência com a Ilha como clausura”, descreve a autora, que não esqueceu as referências a outro poeta bem conhecido do território, Camilo Pessanha. “Pessanha (meu) em tom menor I” é o nome de um dos poemas, com uma estrofe que começa com o verso “Choveu!, sobre bambus e nenúfares”. Entre descrições e narrações A sinopse da obra dá-nos conta que, “além da narração e descrição do quotidiano, há reflexões, interrogações sobre as cidades, o mundo, a actualidade”, tratando-se de um “diário como um livro de viagens por lugares interiores e exteriores, conhecidos e de reconhecimento da autora”. O leitor depara-se com uma “escrita híbrida que já caracteriza a autora”, e com um livro que deambula entre a prosa e poesia, “não excluindo narrativa ficcional, onde o mar, a cidade e até as gaivotas algarvias são personagens”. Na apresentação da obra na Casa de Macau em Lisboa, Natividade Ribeiro destacou as cores escolhidas para a capa do livro, que tem “uma forte simbologia”. O vermelho “presente em todas as festividades de Macau, cor que representa alegria”, e depois o verde que remete para a natureza da ilha de São Miguel e para as próprias “cores da bandeira de Portugal”. No lançamento, Natividade Ribeiro descreveu como as “escritas paralelas a estes registos diarísticos foram acontecendo”, e de como se deu “um ambiente propício a outras escritas”. Os escritos “foram-se colando ao diário como um patchwork, em que os pedacinhos de tecido nas diversas cores, estampas e tamanhos para criar uma nova peça se vão juntando meticulosamente”. Natividade Ribeiro, que já editou anteriormente outros livros, trouxe também alguns desses escritos para “My Way”. “Aproveitei também para fixar alguns textos, com temáticas sobre Macau, de dois dos meus livros, ‘Nada, nada professora’, da Edições do Oriente, e ‘Os três lugares de uma mulher’, da editora Salamandra. Há também dois textos, ‘Jogar com a cidade’, já publicado na colectânea ‘Viagens III’, das Letras Lavadas; e o poema ‘Calçada das Verdades’. Estes textos referem-se a um Macau pós-1999 e quero que cheguem a leitores de lá”, referiu.
PayPal | Pequim facilita pagamentos digitais a turistas Hoje Macau - 30 Mai 2026 Os utilizadores da plataforma de pagamentos digitais PayPal vão poder efectuar pagamentos sem dinheiro físico na China através de códigos QR da rede WeChat Pay, da tecnológica chinesa Tencent, numa medida destinada a atrair turistas estrangeiros. Além das redes sociais e mensagens, a aplicação WeChat, da Tencent, disponibiliza serviços de pagamento através do WeChat Pay, conhecido na China continental como Weixin Pay. A Tencent indicou, em comunicado, que a funcionalidade estará inicialmente disponível para utilizadores do PayPal sediados nos Estados Unidos, e será posteriormente alargada a outros mercados. Numa altura em que os pagamentos digitais se tornaram predominantes na China, a medida deverá facilitar as compras e transacções dos visitantes estrangeiros. O WeChat Pay e o Alipay, da Ant Group, afiliada ao grupo Alibaba, estão amplamente difundidos no país, incluindo em táxis e restaurantes. Segundo Gary Ng, economista sénior para a Ásia-Pacífico no banco francês Natixis, facilitar os pagamentos digitais por turistas está alinhado com os esforços da China para atrair mais visitantes estrangeiros. O turismo representou mais de 4 por cento da economia chinesa em 2024, segundo dados oficiais. Acessos alargados A China tem vindo a expandir o acesso sem visto a cidadãos de dezenas de países, incluindo Portugal, Reino Unido, Espanha e Austrália. A medida ainda não foi alargada aos cidadãos norte-americanos, que continuam a necessitar de visto para entrar na China, excepto em casos de trânsito para terceiros países. O número de visitantes estrangeiros, excluindo os provenientes de Hong Kong e Taiwan, caiu acentuadamente durante a pandemia da covid-19, quando a China fechou as fronteiras e impôs quarentenas rigorosas. Desde então, o número de visitantes ultrapassou os quase 32 milhões registados em 2019, atingindo mais de 35 milhões no ano passado. Gary Ng afirmou ainda que a integração entre PayPal e WeChat Pay acompanha uma tendência global de interoperabilidade entre plataformas de pagamento através de códigos QR transfronteiriços. Ivan Su, analista sénior da Morningstar, considerou, contudo, que o impacto inicial da parceria poderá ser limitado para a Tencent, devido ao actual baixo número de turistas norte-americanos na China. O WeChat Pay permite desde 2019 associar cartões bancários estrangeiros às contas dos utilizadores. A Tencent anunciou ainda que irá isentar de taxas as primeiras transacções efectuadas por utilizadores que associem cartões bancários internacionais ao WeChat, numa tentativa de incentivar a adesão ao serviço. Segundo a empresa, as transacções realizadas por turistas estrangeiros na China através da plataforma aumentaram quase 80 por cento entre Janeiro e Abril, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Bruxelas debateu relações económicas e comerciais entre UE e China Hoje Macau - 30 Mai 2026 A Comissão Europeia realizou na sexta-feira um debate sobre as relações entre União Europeia (UE) e China, ao nível económico e comercial, face a “preocupações europeias” relacionadas com o aumento das exportações chinesas e a “distorções sistémicas”. “Sabe-se qual é a abordagem em relação à China: diversificamos a nossa relação, reduzimos o risco, mas não procedemos a um desacoplamento. Existem preocupações e entre essas preocupações estão o aumento das exportações de bens chineses e as distorções sistémicas, que resultam sobretudo de excesso de capacidade produtiva e, por isso, o nosso objectivo é reequilibrar o comércio e as nossas relações económicas, e este será um dos temas em discussão amanhã [hoje] no debate de orientação”, disse ontem a porta-voz principal do executivo comunitário, Paula Pinho. Assim, “o debate irá centrar-se na economia e no comércio – esse será o foco principal – e serão ouvidos todos os membros do colégio [de comissários da Comissão Europeia] a este respeito”, adiantou Paula Pinho, falando em conferência de imprensa da instituição, em Bruxelas. Relações complexas As relações entre a UE e a China têm vindo a tornar-se cada vez mais complexas, num contexto de crescente concorrência económica e tecnológica. A China é actualmente o terceiro maior parceiro comercial da UE em bens, enquanto a UE continua a ser um dos principais destinos das exportações chinesas, num volume que ultrapassa os 800 mil milhões de euros anuais no comércio bilateral. No entanto, Bruxelas tem vindo a contestar práticas consideradas distorcivas, sobretudo relacionadas com subsídios estatais e apoio público a empresas chinesas, que poderão criar vantagens competitivas artificiais em sectores estratégicos como electrónica, energia limpa e tecnologia avançada. A UE tem, por isso, tentando garantir que empresas europeias e estrangeiras competem em condições de igualdade no mercado interno através de instrumentos como o Regulamento de Subsídios Estrangeiros, que permitem investigar e, se necessário, limitar aquisições ou actividades de empresas que beneficiem de apoios financeiros considerados desleais. Foi, aliás, no âmbito do Regulamento de Subsídios Estrangeiros que a Comissão Europeia abriu um caso relacionado com a Linha Violeta do Metro de Lisboa, após suspeitas de que um fornecedor associado ao projecto (a empresa chinesa empresa CRRC Tangshan Rolling Stock, inserida inicialmente num consórcio liderado pela Monta-Engil) terá beneficiado de apoios estatais chineses susceptíveis de distorcer a concorrência no concurso público. Exigindo a substituição do subcontratado em causa, a Comissão Europeia acabou por permitir o avanço da adjudicação com condições, num caso que se tornou o primeiro exemplo de aplicação condicionada do novo regulamento em Portugal. Ontem, o executivo comunitário abriu uma investigação aprofundada à aquisição da CECONOMY AG pela JD.com, ao abrigo do Regulamento de Subsídios Estrangeiros, devido a suspeitas de que apoios estatais chineses possam ter influenciado a operação e distorcido a concorrência no mercado interno da UE. Bruxelas vai agora avaliar se esses incentivos afectaram o processo de compra e dispõe de 90 dias úteis para decidir se aprova, impõe condições ou bloqueia a transação. Esta abordagem reflecte a tentativa de equilibrar a abertura ao investimento com uma postura mais assertiva face às distorções de mercado, num momento em que a rivalidade económica entre Bruxelas e Pequim se intensifica.
Diálogo Shangri-La | Ministro da Defesa não vai ao fórum de Singapura Hoje Macau - 30 Mai 2026 O ministro da Defesa chinês, Dong Jun, vai faltar pela segunda vez ao Diálogo Shangri-La, principal fórum de segurança da Ásia, anunciaram ontem fontes oficiais. Na conferência de imprensa mensal do ministério da Defesa chinês, o porta-voz militar Jiang Bin afirmou que a delegação “inclui especialistas e académicos” da Universidade Nacional de Defesa, da Academia de Ciências Militares e da Marinha chinesa. Segundo Jiang, a comitiva “realizará intercâmbios aprofundados em instituições de ensino de Singapura”, com o objectivo de “melhorar a compreensão mútua, gerar consensos e contribuir para a manutenção da estabilidade na região Ásia-Pacífico”. O porta-voz acrescentou que os representantes chineses “dão ênfase à cooperação na Ásia-Pacífico e defendem uma abordagem aberta e inclusiva”, mas não explicou a ausência de Dong no fórum, que começa hoje em Singapura. Organizado desde 2002 pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), o Diálogo Shangri-La consolidou-se como uma das principais conferências internacionais sobre segurança e defesa, reunindo responsáveis militares, diplomatas e especialistas de dezenas de países. Esta é a segunda vez consecutiva que o ministro chinês da Defesa falta ao evento, ao qual deverá comparecer o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, que este mês visitou a China acompanhando o Presidente norte-americano, Donald Trump, durante a visita de Estado ao país asiático. Na edição de 2025, Pequim também optou por não enviar Dong Jun, sendo representada por uma delegação da Universidade Nacional de Defesa, decisão que impediu o habitual encontro bilateral com o chefe do Pentágono.
Jogo | PJ anuncia burlas com fichas falsas Hoje Macau - 30 Mai 2026 A Polícia Judiciária (PJ) anunciou um caso de burla com recurso a fichas de jogo falsificadas. Segundo a informação noticiada pelo jornal Ou Mun, a investigação resultou na detenção de duas pessoas do Interior que tinham na sua posse 35 fichas de jogo falsas, cada uma com um valor de 10 mil dólares de Hong Kong. No entanto, a PJ acredita que se trata de um grupo criminoso do Interior, com pelo menos cinco membros, três dois quais a monte. O caso foi descoberto depois de um dos membros ter tentado trocado 15 fichas com uma mulher local, envolvida em trocas ilegais de dinheiro. Nessa altura, surgiram as autoridades e interceptaram os três intervenientes para interrogatório. Contudo, ainda antes disso, um dos suspeitos burlou um jogador, ao receber 130 mil dólares de Hong Kong e entregar-lhe 13 fichas falsas. Os dois homens ficaram indiciados pelo crime de burla. A mulher está indiciada pelo crime de troca ilegal de dinheiro. Crime | Gerente de loja detida por furtar malas Uma mulher que trabalhava como gerente de uma loja de artigos de luxo na zona central de Macau foi detida por roubar 35 malas no valor de 16,67 milhões de dólares de Hong Kong. Segundo escreveu o jornal Ou Mun, a mulher vendeu os artigos com um desconto de dez por cento, permitindo-lhe ganhar ainda 15 milhões de dólares de Hong Kong. A Polícia Judiciária (PJ) adiantou que a mulher terá iniciado esta prática em Novembro do ano passado, aproveitando-se das suas funções de gerente. As autoridades policiais disseram ainda que a suspeita se fazia passar por representante da empresa, alegando ter permissão para encomendar malas de luxo de marcas famosas, tendo burlado três pessoas e emitindo facturas na loja onde trabalhava. O caso foi denunciado pelo responsável da loja, sendo que a mulher alegou que a maioria do dinheiro foi usado para investir em moeda virtual, já o tendo perdido todo.
Acidente | Criança de 10 anos atropelada na passadeira e morre João Santos Filipe e Nunu Wu - 30 Mai 2026 A morte mais recente por atropelamento em passadeiras mobilizou grande parte da população, que se deslocou ao local para deixar coroas de flores, guloseimas, refeições e chorar. Desde 2013, esta é a segunda morte de crianças em idades escolar em passadeiras da Avenida do Conselheiro Borja Um menino com 10 anos morreu na noite de quarta-feira, depois de ter tentado atravessar a Avenida do Conselheiro Borja, numa passadeira. A criança, atropelada por uma viatura com sete lugares, por volta das 20h18, foi transportada para o hospital, mas declarada sem vida minutos depois. Segundo um vídeo partilhado online, que terá captado parte do atropelamento, é possível ver o veículo a atingir a criança e a passar-lhe por cima, embora, nesse momento, a criança não seja atingida por qualquer roda da viatura. Após o embate, o menino ficou estendido na estrada, enquanto o veículo pára e o condutor se aproxima da criança para verificar o seu estado. Quando as autoridades chegaram ao local, encontraram a vítima no chão, numa grande poça de sangue, pelo que fecharam a via ao trânsito, enquanto eram realizadas as operações de salvamento. A criança foi assistida pelo Corpo de Bombeiros (CB) e transportada, de urgência, para o Hospital Kiang Wu. No entanto, os esforços das equipas de salvamento mostraram-se inglórios, com o menino a ser declarado morto por volta das 20h42. Segundo os dados divulgados pela polícia, tanto a vítima mortal como o condutor são residentes de Macau. O condutor, que tem cerca de 40 anos, realizou o teste do álcool e o resultado foi negativo, o que as autoridades indicaram corresponder às declarações prestadas no local. Segundo as imagens que circularam ontem nas redes sociais, o veículo envolvido no embate é um monovolume com sete lugares, da marca Honda e modelo Stepwgn, com cor preta. Ontem, as autoridades comunicaram que o homem foi indiciado pelo crime de homicídio por negligência, e que o caso foi encaminhado para o Ministério Público (MP). Também foi divulgado que o condutor confessou não ter reparado que havia uma pessoa a tentar atravessar a passadeira. Homenagem geral Ontem, depois das notícias do acidente se terem espalhado nas redes sociais, várias pessoas deslocaram-se ao lugar do atropelamento para prestarem homenagem à vítima. Com o passar das horas, acumularam-se junto do local do atropelamento coroas de flores, doces, brinquedos e até refeições. No local, era ainda possível ver alguns cidadãos emocionados com lágrimas nos olhos. A escola frequentada pela vítima também teve uma reacção pública, ao mudar a cor do portal da escola para tons de cinzento. Ao mesmo tempo nas redes sociais surgiram várias reacções a criticar o condutor por estar ao telemóvel, momento depois do acidente. A matrícula do veículo, que acabou rebocado pelas autoridades para investigação, foi igualmente amplamente partilhada, assim como alegados dados do condutor. As autoridades também foram alvo das críticas, pela complacência face aos condutores ao telemóvel e aos casos de não cedência de passagem nas passadeiras. Histórias repetidas Esta não é a primeira criança a morrer na Avenida do Conselheiro Borja ao tentar atravessar na passadeira. Em Junho de 2013, a cerca de 300 metros do local do acidente de ontem, também um menino com nove anos perdeu a vida. As circunstâncias do acidente são bastantes semelhantes, porque o atropelamento se deveu igualmente ao facto do condutor de uma carrinha não ter cedido a passagem na passadeira e de a criança também estar vestida com o uniforme escolar. O embate aconteceu por volta das 18h30, o menino foi transportado para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, onde minutos depois foi declarado morto. Multas a aumentar No ano passado, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) passou 619 multas por não cedência de passagem nas passadeiras. No entanto, este ano, o número multas está a aumentar. Entre Janeiro e Abril deste ano o número de multas foi de 247, uma subida face ao período homólogo de 17,62 por cento, dado que entre Janeiro e Abril de 2025 o número tinha sido de 210. No ano passado, houve ainda 7.651 pessoas multadas por atravessarem a estrada fora da passadeira. Entre Janeiro e Abril de 2025, houve 3.252 pessoas multadas por este motivo, um número que registou uma queda de 46,43 por cento nos primeiros quatro meses deste ano, com um total de 1.742 multas por esse motivo.
Assiduidade | Detectado caso suspeito de falsificação João Santos Filipe - 30 Mai 2026 A situação foi verificada numa escola pública, não identificada, e envolve três professores e um técnico informático. Durante a investigação, dois dos suspeitos tentaram destruir provas O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) divulgou um caso em que três professores e um técnico informático de uma escola pública falsificaram o registo de assiduidade, entre 2019 e 2024. As conclusões da investigação tornada pública ontem foram divulgadas através de um comunicado. “Segundo o que foi apurado, entre 2019 e 2024, três professores e um técnico informático ajudaram-se mutuamente, a picar o ponto, a fim de encobrir os seus atrasos e saídas antecipadas, com vista a falsificar os registos de assiduidade”, foi comunicado. “Durante a investigação, o CCAC descobriu ainda que o técnico informático em causa e um dos professores actuaram em conluio, alterando parcialmente os registos de gravação de vídeo, para evitar a descoberta do facto de ‘ajudarem’ outras pessoas a picar o ponto”, foi acrescentado. O comunicado não permite saber como é que foi iniciada a investigação e se terá havido uma denúncia por parte da instituição, com base nas imagens de videovigilância. Também o nome da instituição pública onde aconteceu a alegada ilegalidade não foi revelado. Os quatro indivíduos foram indiciados pelos crimes de falsificação informática, que de acordo com a lei de combate à criminalidade informática tem uma moldura penal que pode chegar aos três anos de prisão. No entanto, como nesta situação o ilícito é cometido por funcionários no exercício das funções existe a possibilidade de a moldura penal aplicada obrigar a uma pena mínima de um ano de prisão e uma máxima de cinco anos. Encaminhado para o MP Em relação à responsabilidade penal, o caso foi encaminhado para o Ministério Público. Contudo, foi igualmente comunicado à Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). Em reacção, a DSEDJ, através de comunicado, revelou que vai instaurar um processo disciplinar aos visados e que qualquer decisão tomada vai ser “justa e rigorosa, de acordo com as leis em vigor”. A DSEDJ pediu também às escolas para que reforcem os mecanismos de supervisão e pediu ao estabelecimento de ensino onde ocorreu o caso, um relatório sobre o incidente. Por sua vez, o CCAC alertou ainda os funcionários para evitarem a falsificação da assiduidade. “Nos últimos anos, têm sido descobertos casos de trabalhadores da função pública suspeitos de falsificação de registos de assiduidade, o CCAC vem advertir todos os trabalhadores da função pública de que a assiduidade e pontualidade são deveres que devem ser cumpridos rigorosamente, e que a falsificação dos registos de assiduidade constitui um crime, pelo que não devem infringir a lei”, foi indicado. O CCAC pediu também aos serviços públicos para serem pró-activos na fiscalização: “Os serviços públicos devem estar atentos e empenhar-se no aperfeiçoamento dos mecanismos de fiscalização da assiduidade”, pode ler-se na mensagem.
Violência doméstica | Apenas 2% dos casos considerados crime Hoje Macau - 30 Mai 2026 Somente 2,22 por cento das mais de 2.150 denúncias registadas em Macau em 2025 foram consideradas pela polícia como casos suspeitos de violência doméstica, de acordo com dados oficiais. Num relatório divulgado na semana passada, o Instituto de Acção Social revelou que recebeu no total 2.158 denúncias de violência doméstica no ano passado, menos 8 por cento do que em 2024. Após a exclusão das denúncias repetidas (efectuadas pelas mesmas vítimas a diferentes entidades), o sistema registou 1.518 casos, uma diminuição de 10,5 por cento em comparação com o ano anterior. No entanto, após investigação, a Polícia Judiciária (PJ) decidiu que apenas 48 casos são suspeitos do crime de violência doméstica, menos sete do que em 2024. O relatório mostra que metade dos casos (24, mais seis do que no ano anterior) enviados pela PJ para a justiça envolveu violência contra menores, com crianças entre os sete e os 12 anos as maiores vítimas (14 casos). Dos restantes, 18 referem-se a casos de violência doméstica contra cônjuges, menos 12 do que em 2024, sendo que apenas um caso envolveu violência contra um homem. Mais de metade dos casos (27, menos 17 do que no ano anterior) deveu-se a violência física, enquanto o relatório menciona ainda nove casos de violência sexual. Em 2024, tinha sido registado apenas um caso de violência sexual.
Jogo | Jefferies estima crescimento entre 3 e 5 por cento em Maio Hoje Macau - 30 Mai 2026 A empresa de serviços financeiros Jefferies estima que em Maio as receitas de jogo cresçam entre 3 e 5 por cento, para um montante entre 21,8 mil milhões de patacas e 22,4 mil milhões de patacas. Os números constam do mais recente relatório sobre o mercado de Macau, citado pelo portal Macau News Agency. Segundo a nota para os investidores, espera-se que na segunda metade do ano o ritmo do crescimento face ao ano passado apresente um abrandamento, porque que as receitas atingiram valores mais elevados na segunda metade de 2025. Entre Janeiro e Abril, o crescimento anual das receitas brutas de jogo foi de 12,1 por cento de 76,5 mil milhões de patacas para 85,8 mil milhões de patacas. Em termos mensais, a maior variação foi registada em Janeiro, com um crescimento de 24 por cento, e a menor em Fevereiro, com uma variação anual das receitas de 4,5 por cento. Os analistas justificam a estimativa com o facto de no período de oito dias mais recente, que terminou a 25 de Maio, as receitas médias diárias terem sido de 656 milhões de patacas, 5 por cento abaixo dos oito dias anteriores e 4 por cento abaixo do início deste mês. A estimativa da Jefferies é menos optimista do que as adiantadas pelo mercado, com o consenso dos analistas a prever um crescimento anual das receitas em Maio na ordem dos 6,3 por cento. Na comparação entre Abril e Maio deste ano, os analistas apontam que as receitas no mercado de massas cresceram entre 8 e 10 por cento e no mercado dos grandes apostadores entre 10 e 12 por cento.
Sarampo | Quase 240 trabalhadores do aeroporto vacinados Hoje Macau - 30 Mai 2026 Em três dias, os Serviços de Saúde vacinaram contra o sarampo 239 trabalhadores da indústria da aviação civil e do aeroporto no exercício de funções. Segundo um comunicado emitido ontem pelos Serviços de Saúde, a campanha de vacinação colectiva tem como objectivo “construir uma barreira imunológica para a prevenir epidemias e assegurar a saúde pública”. A vacinação destes trabalhadores também foi decidida “tendo em conta a propagação progressiva da epidemia de sarampo em todo o mundo e os casos de infecção colectiva de sarampo ocorridos em aeroportos nas regiões vizinhas”. Como os trabalhadores do sector da aviação têm horários de trabalho “especiais”, os Serviços de Saúde prolongaram o período de vacinação gratuita até 31 de Agosto, para os funcionários que não tiveram oportunidade de ser inoculados no aeroporto. Para tal, é necessário fazer marcação prévia no website dos Serviços de Saúde. Gripe | Mais de 20 alunos infectados em quatro escolas Os Serviços de Saúde (SS) foram notificados, esta quarta-feira, para a ocorrência de quatro casos de infecção colectiva em escolas, tratando-se de “uma doença semelhante à gripe”, explicam em comunicado. Um dos casos diz respeito à Escola Kwong Tai, que registou mais casos, na Escola Choi Nong Chi Tai, Escola Cham Son de Macau e Escola Pui Tou. No total, foram afectados 22 alunos que começaram a ter sintomas no dia 24 de Maio, nomeadamente febre e tosse, “tendo alguns deles sido submetidos a tratamento médico”. Os SS referem, em comunicado, que “as condições clínicas dos doentes são consideradas ligeiras e não foram registados casos graves ou outras complicações graves”. Num dos casos testou-se positivo ao vírus influenza A, enquanto cinco crianças testaram positivo para o vírus influenza B.
Turismo | Registado aumento de visitas de estudo para Macau Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 30 Mai 2026 O presidente da Associação de Indústria Turística de Macau considera que o aumento das viagens de estudo na China e em Macau levou à expansão do sector do turismo. Andy Wu realça a subida anual entre 20 a 30 por cento de estudantes que viajam até Macau As viagens de estudo têm um grande potencial para o sector do turismo e Andy Wu, presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, destaca como os números têm registado um aumento. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, o mercado de viagens de estudo dos estudantes do Interior da China em Macau registou um aumento, com o número de visitantes deste segmento a crescer 20 a 30 por cento em 2025, face a 2024. Andy Wu explicou que as viagens de estudo a Macau são de curta duração, não indo além de quatro dias, focando-se nos elementos de história, cultura e experiências. Apesar de serem em menor número face às viagens de estudo feitas pelos estudantes de Macau para o exterior, existe, segundo o dirigente associativo, um óbvio potencial que pode ser explorado noutras épocas do ano, nomeadamente durante a semana ou férias de Inverno. Andy Wu destacou também que as visitas de estudo para cidades chinesas ocupam já cerca de 50 por cento da procura, com foco em destinos como Pequim, Xangai ou Xi’an. Antes, no período de Verão, os estudantes optavam mais por países estrangeiros como Reino Unido, Austrália ou Canadá, entre outros. Mais agências de serviço Nas visitas às cidades chinesas, o foco faz-se nas últimas tecnologias, como é o caso de voos espaciais e inteligência artificial, tendo Andy Wu destacado que o conteúdo das viagens está relacionado com as necessidades de aprendizagem dos alunos. Quanto ao preço das viagens de estudo, o representante e empresário de agências de turismo apontou que é mais elevado do que excursões normais dado que estas viagens exigem mais mão-de-obra, nomeadamente guias turísticos e tutores, para garantir uma melhor experiência educativa. Ainda no que diz respeito ao preço, as viagens ao Interior da China continuam a ser mais baratas do que ao estrangeiro, tendo Andy Wu apontado que se deu um aumento ligeiro devido à sobretaxa de combustível nos voos. O responsável contou ainda que a popularidade das visitas de estudo beneficiou o sector turístico. Isto porque, no ano passado, apenas duas agências de viagens, com capitais de Macau e Hong Kong, se dedicavam a este tipo de serviço. Actualmente, já são entre oito a dez agências que organizam visitas de estudo, o que leva a um enriquecimento da oferta, disse.
Dados Pessoais | Governo garante segurança Hoje Macau - 30 Mai 2026 O Governo garante a segurança dos dados pessoais em Macau face à possibilidade de ocorrerem ataques informáticos. A posição consta da resposta a uma interpelação escrita de Kou Ngon Seng. De acordo com a directora dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), Leong Weng In, para garantir a segurança de aplicações como a Conta Única de Macau e a Plataforma para Empresas e Associações, mas não só, o Centro de Alerta e Resposta a Incidentes de Cibersegurança (CARIC) está sempre a monitorizar o tráfego de saída de dados dos operadores. Esta monitorização, pode ler-se na resposta, acontece 24 horas por dia e 7 dias por semana, e encontra-se legalmente prevista. Através deste mecanismo, o CARIC presta aos operadores das redes “assistência na identificação precoce, na prevenção de ataques ou de incidentes cibernéticos”, além de identificar “vulnerabilidades na segurança” a assistência permite “responder a potenciais riscos de fuga de dados”.
DSEDT | Governo não diz quantos turistas usam autocarros de lazer João Luz - 30 Mai 2026 Em resposta à questão de quantos turistas usaram os Autocarros de Turismo e Lazer e saíram em paragens em bairros comunitários, o Governo indicou que “foi registado um determinado número de visitantes”. Porém, o Executivo indicou valorizar os benefícios a longo prazo do programa Entre 25 de Abril e 5 Maio, “mais de 3.000 passageiros utilizaram o Autocarro de Turismo e Lazer, sendo que 1.100 dos mesmos optaram por desembarcar nas paragens dos bairros comunitários”, indicou um comunicado conjunto das direcções de serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), de Turismo (DST) e a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos no dia 6 de Maio. O HM procurou saber, através de questões enviadas à DSEDT e DST, como evoluiu a taxa de utilização destes autocarros, assim como o número de turistas que desembarcaram em paragens localizadas em bairros comunitários. “Durante o período experimental, foi registado um determinado número de visitantes que se deslocaram aos bairros comunitários por uso dos referidos autocarros, tendo participado em consumos e experiências, alcançando-se preliminarmente o efeito de atrair visitantes”, foi indicado pelas direcções de serviços. Quanto ao facto de nos primeiros dias de operações, apenas 36,6 por cento dos turistas que usaram o transporte (que tem como destino final os resorts das concessionárias que operam os autocarros) terem saído em paragens nos bairros comunitários, o HM não obteve resposta. Recorde-se que o programa de rotas de Autocarros de Turismo e Lazer foi lançado pelo Governo, em coordenação com as seis empresas integradas de resorts e lazer, de forma a aproveitar os shuttles para levar turistas a zonas menos turísticas e fomentar os negócios nos bairros comunitários. Mais informação Apesar de não ser conhecido o impacto do programa ao nível das visitas e incremento de negócios nos bairros residenciais, o Governo está apostado em melhorar as informações dirigidas à atracção de turistas. Recorde-se que as cinco carreiras que se mantém em funcionamento depois dos feriados do 1.º de Maio têm paragens no Iao Hon, Centro de Comidas do Patane, Pagode do Bazar, Rotunda de Carlos da Maia, Barra e Nam Van e San Kio. A DSEDT criou um website com informações sobre horários, frequências e paragens, destacando os pontos de interesse nos bairros, apresentando aos turistas lojas classificadas como “Marca Centenária”, “Marca Típica de Macau”, “Lojas com Características Especializadas e Delicadas”. A ideia é aproveitar o possível fluxo de turistas, canalizando-os para zonas menos visitadas. Sobre os efeitos alcançados pelo programa foi indicado que “o Governo da RAEM valoriza os benefícios a longo prazo do plano ‘Autocarro de Turismo e Lazer: Explorar o Encanto dos Bairros’, pelo que continuará a recolher o feedback dos turistas e as opiniões dos comerciantes, a optimizar de forma adequada o conteúdo do plano e a reforçar as informações de orientação e os elementos de experiência de cada bairro comunitário”. O objectivo é “promover de forma estável a integração do turismo de lazer com o desenvolvimento económico comunitário”, foi acrescentado pelo Governo.
Xavier Garcia, jornalista e autor: “O domínio mundial do Ocidente acabou” Andreia Sofia Silva - 30 Mai 2026 “China, ameaça ou esperança – A realidade de uma revolução pragmática” é o nome do mais recente livro de Xavier Garcia, editado em português pela Tempo Galiza Editora. O autor, que foi correspondente da EFE em Pequim, explica algumas ideias construídas pelo Ocidente em relação ao país e diz que Portugal deve aproveitar a ligação a Macau para estreitar laços com a China Tem vasta experiência na China, na qualidade de repórter. Como começou a sua relação com o país, e de que forma está demonstrada neste livro? A minha relação com a China começou em 2018 porque fui destacado como director da delegação da agência de imprensa EFE em Pequim. Vivi sete anos na China e desde o princípio que me surpreendeu o desenvolvimento, capacidade para organizar a vida de tantos milhões de pessoas, as mudanças rápidas, políticas orientadas a longo prazo e questões realmente decisivas, como a eliminação da pobreza, a distribuição de riqueza ou a questão ecológica. Também me surpreendeu o carácter pacífico das pessoas e, digamos, mediterrâneo, festivo, bem como o gosto pela comida ou a importância da família, a maneira simples de viver e de fazer as coisas de uma forma prática. A China é uma ameaça, uma esperança ou um pouco das duas coisas, e porquê? Considero que a China representa, acima de tudo, uma esperança para o mundo, pois demonstrou a eficácia das suas políticas contra os problemas mais graves da humanidade, como a pobreza ou a crise climática. Também porque defende uma relação internacional pacífica entre países, diferente daquela a que estamos habituados, uma relação baseada no comércio, na cooperação, no ganho mútuo e não na imposição de um país sobre o outro. A China não procura impor o seu modelo a ninguém e defende um mundo multipolar onde as diferentes culturas e civilizações possam coexistir na sua diversidade. Quando se fala de revolução pragmática, entende que o Ocidente deve olhar para a relação com a China de outra forma, com mais pragmatismo? O Ocidente, pragmaticamente, deveria tentar aprender com algumas das coisas que a China faz bem, aprendendo com os outros. Deveria deixar de tentar impor os seus valores e formas de organização política ao resto do mundo. Deveria olhar para outras civilizações e países com mais humildade, procurando aprender com o que pode servir para melhorar a vida das populações. O Ocidente precisa de aceitar que o tempo do seu domínio mundial acabou, mas que pode coexistir em paz com o resto do mundo, respeitando as outras culturas sem ter de abdicar dos seus valores. Na obra, faz uma espécie de “denúncia das campanhas mediáticas ocidentais” criadas para “desprestigiar a China”. Quais as mais evidentes? Por que razão são criadas estas campanhas e quais são os seus principais objectivos? Para as potências económicas, corporativas e mediáticas ocidentais, um país que se define como comunista não pode servir de exemplo para o resto do mundo, muito menos para o chamado Sul Global. O objectivo é demonizar e denegrir a imagem da China para que nenhuma das suas políticas possa ser vista como positiva, sob pena de representar uma alternativa viável ao modelo capitalista neoliberal promovido pelo Ocidente. Qualquer medida chinesa, mesmo as claramente desejáveis, como a erradicação da pobreza ou a construção de uma civilização ecológica, deve ser apresentada de forma negativa. Para tal, são empregues todas as estratégias e manipulações mediáticas, se não mentiras descaradas, bem como um arsenal de palavras e expressões que contribuem para deixar uma impressão negativa no leitor. Estas estruturas descritivas são constantemente repetidas até serem inconscientemente aceites como verdadeiras. Toda a política chinesa é criticada, há sempre um custo que a invalida. Trata-se de informação altamente tendenciosa, que exige um leitor muito atento e perspicaz para reconhecer as armadilhas. Fala-se de propaganda chinesa, mas a propaganda ocidental é mais complexa de detectar. Requer um leitor atento. Como vê a posição da Espanha em relação a Pequim? O primeiro-ministro espanhol tem assumido algumas posições contrárias a Washington em matéria de geopolítica que podem agradar mais à China. Considera que isso traz benefícios, sobretudo económicos? Nos últimos tempos, Sánchez tem desempenhado um papel de destaque na política internacional e na União Europeia em questões cruciais como o genocídio em Gaza, a guerra do Irão e as relações com a China. A aproximação à China é recente, dado que Espanha tinha perdido terreno considerável para outros países europeus até há apenas quatro anos. Uma maior cooperação com a China trará, sem dúvida, benefícios para Espanha, graças à liderança da nação asiática em áreas-chave para o futuro, como a inovação tecnológica e a transição energética. Além disso, a China representa um aliado previsível e fiável numa altura em que a relação precária com os Estados Unidos parece cada vez mais instável. Portugal está a perder terreno face à Espanha na relação com a China? A relação da Espanha com a China tem crescido significativamente nos últimos meses. Recentemente, foi anunciado que a China ultrapassou a Alemanha e é agora o principal fornecedor da Espanha. Além disso, Pequim escolheu Espanha para acolher a sua maior fábrica de automóveis na Europa. Neste aspecto, Portugal tem vindo a perder terreno para Espanha economicamente. No entanto, mantém uma relação de longa data com a China, particularmente em territórios como Macau, algo que Espanha não possui. Isto representa uma vantagem que Portugal deve aproveitar para aprofundar laços a todos os níveis. Esse estreitamento não deve estar condicionado à filiação política do Governo em funções. A China está a mudar o formato das relações internacionais e diplomáticas que temos vindo a conhecer até agora? De que forma? Sim. A China propõe um novo modelo de relações internacionais regido pelos cinco princípios da coexistência pacífica que moldaram a sua política externa durante mais de 70 anos: essencialmente, não interferência nos assuntos internos de outros países, respeito pela soberania e integridade territorial e não agressão. Durante mais de 200 anos, estivemos habituados a uma forma de relações internacionais em que alguns países se impõem a outros, com vencedores e vencidos. A China promove uma política de ganho mútuo, na qual todos os países beneficiam da cooperação, seja ela económica, científica ou cultural. Além disso, defende uma ordem internacional muito mais justa do que aquela que emergiu da Segunda Guerra Mundial, com uma representação mais equitativa e proporcional do Sul Global em instituições como a ONU e outras. Apoia um mundo multipolar no qual não exista uma potência hegemónica dominante e todas as civilizações possam coexistir e colaborar pacificamente. Como encara o conceito “Socialismo com características chinesas”? Existe ainda desconhecimento por parte dos outros países em relação a este modelo de governação? Ainda existe muita ignorância em relação à China, pois há também o interesse em retratá-la como um país opaco, obscuro e desconhecido. O que não se conhece inspira medo, e o medo é um dos principais factores que quem detém poder utiliza para controlar os cidadãos. A China adopta um socialismo marxista adaptado às características históricas da sua antiga civilização, fortemente influenciado pelas suas principais escolas de pensamento filosófico, como o taoísmo e o confucionismo, e pragmático, muito ancorado na realidade, procurando sempre as melhores soluções para melhorar a qualidade de vida da população. É um sistema que só poderia ser aplicado na China e está intimamente ligado às idiossincrasias do país. No entanto, isso não nos impede de aprender muito com este modelo. Em termos gerais, quais são as principais mensagens que este livro nos transmite? Em poucas décadas, a China passou de um dos países mais pobres do mundo para se tornar na segunda maior economia global, sem praticamente disparar um único tiro fora das suas fronteiras. O seu desenvolvimento tem sido, e continua a ser, pacífico, tirando 800 milhões de pessoas (75 por cento dos pobres do mundo) da pobreza. Nos últimos 15 anos, o país tem demonstrado também uma grande consciência ambiental, procurando construir uma civilização ecológica. Agora, centra-se na redistribuição da riqueza gerada e na correção das desigualdades criadas pela economia de mercado, ao mesmo tempo que promove um desenvolvimento de alta qualidade baseado na inovação tecnológica. Tudo isto é feito de forma pragmática, fundamentada em princípios marxistas, mas rejeitando completamente o dogmatismo. A China experimenta diversas soluções para os problemas emergentes e adopta aquela que produz os melhores resultados para melhorar a vida das pessoas. É flexível, como o bambu. É um país que não é governado por elites económicas, mas por funcionários públicos excepcionalmente bem formados, que demonstraram a sua capacidade de gerir assuntos públicos ao longo dos anos, desde o nível local até aos mais altos escalões pelas mentes mais brilhantes entre 1,4 mil milhões de pessoas. Estes são apenas alguns dos factos que os meios de comunicação ocidentais nos escondem, obcecados em pintar um retrato de um país que pouco ou nada tem a ver com a realidade.
Arraial de S. João | Da Torre para a Doca dos Pescadores Andreia Sofia Silva - 28 Mai 2026 Há nova localização este ano para uma das festas mais icónicas das comunidades portuguesa e macaense no território. Segundo noticiou a TDM Rádio Macau, o Arraial de São João regressa nos dias 20 e 21 de Junho na Doca dos Pescadores, deixando de se realizar na Torre de Macau. Mais concretamente o arraial realiza-se na zona exterior do restaurante Vic’s, no Hotel Rocks, localizado na Doca dos Pescadores. A organização do evento está a cargo da Associação dos Macaenses (ADM), trazendo, como é habitual, petiscos portugueses e muita animação. De destacar que a localização do arraial tem sido um assunto debatido tendo em conta a saída da festa do bairro de São Lázaro, onde a festa se realizou desde 2007, em frente à igreja. A edição deste ano conta ainda com apoios do Fundo de Desenvolvimento da Cultura da RAEM, tendo a colaboração na organização da Casa de Portugal, do Instituto Internacional e da Associação dos Jovens Macaenses. O HM contactou Miguel de Senna Fernandes, presidente da ADM, a fim de obter um comentário sobre a mudança de localização, mas até ao fecho da edição não foi possível estabelecer contacto. Paragens e suspensões Recorde-se que o arraial não se realizou durante quatro anos devido à pandemia e depois por restrições de trânsito no bairro de São Lázaro. Miguel de Senna Fernandes explicou ao Ponto Final, no ano passado, que “abrir a calçada de São Lázaro significaria cortar a festa em bocados, e isso não seria possível”. “As pessoas ainda preferem São Lázaro, mas têm de compreender”, disse, explicando que a solução da Torre de Macau era a possível para manter a celebração com o parco orçamento atribuído. “Ainda bem que continuamos a contar com o apoio da Torre, que muito prontamente aceitou conceder-nos o mesmo espaço. Caso contrário, isto seria absolutamente irrealizável”, frisou. A Associação dos Macaenses (ADM) já referiu que o arraial vai muito além da dimensão religiosa de homenagem ao padroeiro São João Baptista, constituindo um “esforço comunitário para manter a tradição de comemorar a data histórica de 24 de Junho de 1622”, em que as forças portuguesas derrotaram as tropas holandesas, mantendo a Administração portuguesa no território.
FRC | Debate hoje sobre “Papel de Macau no Multilateralismo Chinês” Hoje Macau - 28 Mai 2026 Cátia Miriam Costa, professora e investigadora do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL, em Portugal, vai estar hoje na Fundação Rui Cunha (FRC) para apresentar, a partir das 18h30, a sessão “O Papel de Macau no Multilateralismo Chinês”, integrada no ciclo “Roda de Ideias”. Segundo uma nota da FRC, a palestra incide sobre o tema da “transferência de Macau para a China, estabelecendo-a como uma Região Administrativa Especial, e a transformação da paisagem do território”. “Graças aos laços históricos com os países lusófonos, durante o período da Administração Portuguesa, Macau emergiu como um território cosmopolita, tradicionalmente aberto ao mundo. Esta longa exposição às ligações internacionais explica a base do papel que o governo central de Pequim atribuiu a Macau”, refere a proposta para esta conferência. Segundo a mesma nota, Macau tornou-se, neste processo, um dos “actores paradiplomáticos da China e a sede da organização internacional por ela criada, o Fórum de Macau”, sendo que o Governo Central alargou “o papel privilegiado de Macau, em matéria de relações externas para incluir as relações com os países de língua espanhola, o que nos leva a reflectir sobre o papel de Macau no multilateralismo chinês”. Cátia Miriam Costa é investigadora do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, onde coordena o Grupo de Estudos de Política Global e Segurança. Dirige também a Cátedra de Inter-regionalismo e Governação Global no Instituto Europeu de Estudos Internacionais, em Estocolmo. Colabora, regularmente, com a Universidade de Macau (Instituto de Estudos Europeus e Instituto de Estudos Globais e Administração Pública), e ainda com a Universidade da Cidade de Macau.
Japão | Aprovada polémica lei para criar agência de inteligência Hoje Macau - 28 Mai 2026 O Parlamento do Japão aprovou ontem a versão final da lei que cria uma agência nacional de inteligência, criticada por falta de controlos e eventuais violações da privacidade, no âmbito dos planos do Governo para elaborar uma lei anti-espionagem. A legislação, uma das promessas eleitorais da primeira-ministra, a conservadora Sanae Takaichi, foi promulgada ontem pela câmara baixa do Parlamento, após ter recebido o voto favorável da câmara alta há uma semana, informou a agência de notícias local Kyodo. A legislação prevê a criação de um novo Conselho Nacional de Inteligência, presidido pelo primeiro-ministro e por outros nove membros do Gabinete, e destinado a centralizar a recolha de informações no arquipélago. Segundo a Kyodo, o Governo de Takaichi poderá criar o organismo ainda este mês de Julho e elaborar um projecto de lei de contraespionagem no próximo ano. A lei para criar a nova agência de inteligência foi criticada pelo Partido Democrático Constitucional (PDC), da oposição. “Se for permitido que actue sem controlo, poderá violar grave e injustamente os direitos humanos da população. Este projecto de lei apresenta graves deficiências”, afirmou Makoto Oniki, do PDC, num debate parlamentar, segundo a publicação Nikkei. A estas críticas à legislação recém-aprovada junta-se a preocupação de numerosas organizações relativamente à lei antiespionagem. A Human Rights Watch (HRW), a Amnistia Internacional (AI) e mais de uma dezena de ONG instaram Takaichi na terça-feira através de uma carta a adaptar a legislação de forma a que esta seja “consistente” com as leis internacionais de direitos humanos e com a Constituição japonesa. Concretamente, as organizações solicitaram que a lei evite termos “vagos e excessivamente amplos” e inclua disposições que garantam a liberdade de expressão.
O Ocidente desfeito (III) Jorge Rodrigues Simão - 28 Mai 2026 “Europe’s tragedy is that it never misses an opportunity to miss its moment.” – Tony Judt, Postwar: A History of Europe Since 1945 Avançando para o século XXI, a França tenta reinventar-se. Houve momentos em que Paris quis parecer uma “startup” política, ágil e moderna, como se a tradição gaullista pudesse ser substituída por entusiasmo tecnológico importado da Califórnia. Mas a realidade geopolítica encarregou-se de recentrar o debate. À medida que a ordem transatlântica se fragmenta, a França regressa ao seu instinto natural que é reivindicar a liderança europeia e apresentar-se como a única potência continental capaz de agir sem pedir licença. A retórica francesa recupera então o velho argumento da independência estratégica de que a Europa, não pode continuar a viver de joelhos perante potências externas, sejam americanas, britânicas ou russas. A França, única potência nuclear da União Europeia e que escapou ao estatuto de protectorado após 1945, vêse como guardiã dessa autonomia. E tenta convencer os restantes europeus de que, se não assumirem responsabilidade própria, acabarão reduzidos a figurantes num mundo dominado por gigantes. Neste contexto, a liderança francesa procura posicionarse como alternativa à deriva global. Apresentase como defensora de uma Europa que não quer ser arrastada para acordos entre Washington e Moscovo feitos à sua custa. E tenta liderar um grupo de países que se recusam a aceitar que a guerra na Ucrânia termine com um entendimento entre grandes potências que ignore os interesses europeus. Mas a tarefa é ingrata. A Europa está dividida, fragmentada e desconfiada. Alguns países olham para Paris com esperança; outros com irritação; muitos ainda com indiferença. A França, apesar de ser a potência militar mais estruturada do continente, não consegue transformar automaticamente essa força em liderança consensual. E, no entanto, insiste porque sabe que, se não o fizer, ninguém o fará. A França continua a moverse com naturalidade em cenários de conflito, mesmo quando a própria sociedade se fragmenta sob o peso de crises internas que corroem a Quinta República. Paradoxalmente, é precisamente este ambiente de tensão que alimenta a ambição francesa de se afirmar como potência dominante num continente onde quase todos os outros parecem desnorteados. O panorama europeu é um convite aberto à ascensão francesa pois as vanguardas mais ferozmente antirussas perderam o equilíbrio, a Anglosfera está rachada, a Alemanha vive uma crise de identidade permanente e a Itália vagueia num limbo estratégico. Para Paris, é o momento ideal para reivindicar o estatuto de Número Um na Europa. Mas para que a França volte a liderar, precisa de um entendimento com a Alemanha e esse está no ponto mais baixo em décadas. Enquanto Washington impõe tarifas punitivas e acusa os europeus de parasitismo, a famosa “parceria francoalemã” vive uma fase melancólica. A França, com a sua tradição de grandeza, sabe adaptarse quando o vento muda. A Alemanha, pelo contrário, não tem um passado glorioso ao qual regressar para recuperar ânimo, nem a capacidade de mobilizar a população em torno das Forças Armadas. Perdeu simultaneamente a referência americana e a europeia, e respira um ar de ano zero. O único ponto de convergência entre Paris e Berlim é a convicção de que os Estados Unidos não são o pilar ocidental que foram. A França, por orgulho; a Alemanha, por falta de alternativas, começam a imaginar um Ocidente sem América. Mas a Alemanha enfrenta um obstáculo adicional dada a divisão interna entre o antigo Oeste, órfão de um aliado americano cada vez mais hostil, e o antigo Leste, onde persistem simpatias históricas pela Rússia. A pressão simultânea de Washington e Moscovo deixa Berlim numa posição desconfortável. Daí a conclusão das elites alemãs de que a Alemanha terá de aprender a defenderse só, de preferência com apoio francês e europeu. Para isso, preparase para gastar centenas de milhares de milhões de euros, abandonando tabus orçamentais e tentando ressuscitar um espírito militar que desapareceu há gerações. Não o fará através do serviço militar obrigatório pois os jovens alemães não demonstram entusiasmo por morrer pela pátria mas através de campanhas de “reconversão cultural”, vendidas como oportunidades de socialização patriótica. Uma versão moderna das antigas associações estudantis nacionalistas. E aqui surge o paradoxo mais alemão de todos; quanto mais a Alemanha se rearma, mais se afasta da França. Paris não esquece as três agressões vindas do outro lado do Reno, duas das quais desencadearam guerras mundiais. E não está disposta a aceitar que a Alemanha volte a ser a potência militar dominante da Europa muito menos se isso incluir armas nucleares. (Continua)
10 de Junho sem recepção no Bela Vista, mas com ministro Hoje Macau - 28 Mai 2026 O cartaz deste ano do “Junho – Mês de Portugal” não inclui a tradicional recepção consular no Bela Vista, que terá, no entanto, um Dia Aberto a toda a comunidade portuguesa e demais interessados, com destaque para uma mostra do artista local Eric Fok. Destaque ainda para a presença de Fernando Alexandre, ministro da Educação português. Há um total de 37 eventos programados para as próximas semanas, sendo que esta sexta-feira será inaugurada a mostra “SOMOS – Imagens da Lusofonia 2025: O Hoje do Passado”, patente até ao dia 28 de Junho na Galeria de Exposições das Casas da Taipa. Segundo uma nota da “Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa” (Somos – ACLP), a curadoria está a cargo de Francisco Ricarte, sendo que estará presente na inauguração o vencedor do primeiro prémio do mais recente concurso de fotografia promovido pela entidade, o fotógrafo moçambicano, Hamir Da Silva, autor da imagem “Resiliência da comunicação”. Segundo a associação, a escolha do tema “O Hoje do Passado”, visa um foco “nas coisas antigas que perduram no tempo, que ainda hoje têm uma função e um propósito nas nossas sociedades e vidas, marcando a identidade cultural associada a um determinado espaço geográfico”. Desta forma, “as imagens expostas capturam os costumes, tradições e demais elementos culturais que sobrevivem aos tempos, sejam edifícios históricos, locais públicos, técnicas artesanais antigas, ferramentas tradicionais de artesãos, ou práticas comunitárias ancestrais que nunca caíram em desuso e continuam a ser transmitidas e dinamizadas”. Haverá ainda um concerto de Afonso Cabral, integrado no programa do “10 de Junho”, que este ano se prolonga até 3 de Julho. Irão traz consequências O cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, alertou para os custos acrescidos das viagens devido à crise no estreito de Ormuz, o que teve um impacto directo na organização do programa. “Os preços das viagens aumentaram significativamente a partir do início da chamada crise do estreito de Ormuz. Tudo isto pesa, torna a nossa vida mais difícil, mas fazemos sempre o evento com entusiasmo e motivação”, afirmou o diplomata. A directora do Instituto Português do Oriente, Patrícia Ribeiro, sublinhou a dimensão do calendário, com “apenas cinco dias” sem eventos. Entre as iniciativas, estão previstas três cerimónias oficiais, três exposições, quatro eventos infantis, cinco oficinas com artistas, quatro concertos, cinco conferências e cinco momentos gastronómicos. “Este será o panorama do nosso programa, que ainda poderá crescer com outros momentos, mas já é vasto e bonito”, acrescentou Patrícia Ribeiro. Entretanto, o delegado da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, Bernardo Pinho, destacou a vertente gastronómica, com a quarta edição do roteiro “Comer e Beber à Portuguesa”, que este ano reúne um número recorde de 35 estabelecimentos participantes. “Pretendemos consolidar um maior número de visitantes. No ano passado alcançámos quase 2.000 participações, um crescimento de 300 por cento face à segunda edição”, disse. Segundo Pinho, os restaurantes, cafés, bares e padarias envolvidos vão oferecer menus temáticos ou descontos de 10 por cento em celebração do Dia de Portugal. A gastronomia surge como uma das âncoras do ciclo, com o Cônsul Alexandre Leitão a sublinhar que “os produtores portugueses traduzem no prato a cultura”. “Muita gente viaja pela gastronomia ou acha indissociável de uma viagem o percurso gastronómico. Países como a Itália e a França exploram isto muito bem, e a possibilidade de apresentar em Macau 35 restaurantes portugueses é um grande motivo de satisfação”, disse o cônsul. Recepção na EPM A recepção à comunidade no 10 de Junho regressa à Escola Portuguesa de Macau, espaço que, segundo Leitão, “integra o passado, o presente e o futuro da comunidade portuguesa em Macau”. Apesar de este ano não acolher a recepção oficial, a residência consular da Bela Vista terá um Dia Aberto em Junho, permitindo ao público visitar a exposição do artista local Eric Fok, que irá decorar as paredes do edifício. “Queremos abrir a casa o mais possível às comunidades, não só portuguesas, mas a todas as que devem conhecer aquele património magnífico”, sublinhou Leitão. A Residência do Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, antigo Hotel Bela Vista, é um emblemático edifício histórico do século XIX na Colina da Penha, classificado como património do território. O diplomata recordou que a última jornada de portas abertas na Bela Vista, em 2023, “surpreendeu” pela adesão. O programa inclui ainda cerimónias no ConsuladoGeral e na Gruta de Camões, com a participação dos escuteiros lusófonos, da banda da Polícia de Segurança Pública e da Escola Portuguesa, além de palestras e workshops.