Cotai | Concerto de mandopop com Jane Zhang este sábado no Galaxy

São 21 anos de carreira celebrados da melhor forma: em palco. É já este sábado que a Galaxy Arena recebe o espectáculo da diva de mandopop Jane Zhang. O regresso da cantora a Macau será marcado por um repertório feito de mais de duas décadas de sucessos

 

A sala de espectáculos Galaxy Arena acolhe este sábado, a partir das 20h, um concerto que não só tem o género musical mandopop como protagonista como também celebra os 21 anos de carreira de uma artista bem conhecida neste universo. Jane Zhang traz a Macau a sua digressão mundial “Chasing World Tour”, fechando uma série de espectáculos que já a levaram a diversos locais, um deles Singapura, em Agosto.

“Vinte e um anos depois, ela continua a perseguir os seus sonhos, a evoluir e superar-se a si própria”, lê-se no website do Galaxy. Jane Zhang é a “grande estrela do mandopop”, prometendo uma “noite marcante” em Macau, ou não fosse o espectáculo de sábado “o grande final da digressão mundial”.

“Ao longo das últimas duas décadas que Jane Zhang manteve-se empenhada em ultrapassar os seus limites através da música, abraçando novas possibilidades em cada marco e transformação. Esta noite não é apenas o brilhante final de ‘Chasing’, mas é também uma promessa especial entre Jane e os fãs”, é descrito.

O concerto no Galaxy Arena deverá ser uma forma de “celebração de memórias partilhadas e da jornada que percorreram juntos”, ou seja, a cantora e os fãs que nunca deixaram de acompanhar as suas músicas. Sábado promete ser um dia de união “do amor e da música”.

A “princesa” de Chengdu

Jane Zhang, de nome Zhang Liangying, é uma artista com voz melodiosa e um percurso de sucesso em crescimento desde 2005, quando participou num concurso televisivo que lhe mudou a vida. Nasceu em Chengdu em 1984 e é conhecida como a “Princesa Golfinho” [Dolphin Princess] da pop cantada em mandarim. O sucesso começou em 2005 quando ficou em terceiro lugar num concurso de talentos intitulado “Super Girl”.

Segundo escreveu o South China Morning Post sobre a artista em 2019, a morte precoce do pai obrigou Jane a trabalhar cedo, nunca pensando que a música seria a sua vida e carreira. No vídeo que fez para o concurso “Super Girl”, disse: “Sempre gostei de música quando era criança”, admitiu. A sua referência era a cantora Mariah Carey.

Após o concurso, assinou contrato com a editora Huayi Music, editando o primeiro disco logo em Dezembro de 2005, intitulado “The One”. No ano seguinte venderia um milhão de cópias. “Update”, o seu segundo álbum de estúdio, tornou-se um dos mais vendidos na China desse ano.

O sucesso continuou, culminando na actuação nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, quando interpretou “One World, One Dream”, em dueto com Andrea Bocelli. Depois a carreira internacional começou a ganhar passos com o contrato assinado em 2009 com o Universal Music Group. Em Maio desse ano foi convidada no programa de Oprah Winfrey, nos Estados Unidos, tendo cantado, pela primeira vez, músicas em chinês para o público americano.

Em 2014 a cantora mudaria novamente de editora, desta vez para a Sony Music Entertainment, e gravou o seu sexto álbum de estúdio, “The Seventh Sense”.

Dois anos depois lançou uma canção em inglês, intitulada “Dust My Shoulders Off”. Com esta canção Jane Zhang actuou no desfile da marca Victoria’s Secret em Xangai. Abril de 2019 marcou a edição do seu primeiro disco em inglês, “Past Progressive”. Todo este percurso de gravações bem-sucedidas pode ser visto e ouvido de perto no concerto de sábado na Galaxy Arena.

8 Out 2026

FRC | Assunção Cristas participa hoje em conferência sobre seguros

A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe hoje a conferência sobre seguros “ESG – Insurance for a Sustainable Future”, organizada pela Associação Portuguesa de Seguros e a Associação de Profissionais da Indústria de Seguros [Macau Insurance Industry Professionals Association, MIIPA].

A sessão, que decorre entre as 18h e 19h30, conta com Assunção Cristas, ex-ministra portuguesa da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, e actualmente partner no escritório de advogados Vieira de Almeida, em Portugal.

Outro dos oradores é Ivan Cheung, presidente da MIIPA, e João Mestre, ligado à seguradora Fidelidade Portugal. O evento conta também com Pedro Teotónio, chefe da divisão de sustentabilidade e controlo financeiro do Banco Nacional Ultramarino. A moderação do debate, que conta com mais três oradores, está a cargo do jornalista José Carlos Matias.

Segundo um comunicado da FRC, a sessão pretende disponibiliza esclarecimentos sobre a evolução dos mercados financeiros e o papel que os seguros podem ter numa vida com mais estabilidade.

“À medida que os mercados financeiros globais se adaptam aos riscos climáticos cada vez mais prementes e às exigências regulatórias em constante evolução, os sectores dos seguros e serviços financeiros constituem pilares essenciais para a resiliência económica a longo prazo.”

A mesma nota explica como serão discutidos “princípios ambientais, sociais e de governação (ESG) que estão a transformar a subscrição, a gestão de riscos e a alocação de capital em Macau, Portugal e na Região da Grande Baía”.

Assim, o público pode ouvir “executivos e especialistas de renome que vão analisar a transição da responsabilidade social corporativa voluntária para quadros de risco padronizados e relevantes, que impulsionam o desenvolvimento sustentável e os modelos de negócio”.

8 Out 2026

Creative Macau | Exposição revela trabalhos dos alunos da UPM

A Creative Macau dá palco aos trabalhos dos alunos da licenciatura em Artes Visuais da Universidade Politécnica de Macau (UPM) na mostra “Narrativas da Vida Quotidiana”, inaugurada na terça-feira, que pode ser vista até final deste mês.

Segundo uma nota da Creative Macau, a exposição apresenta mais de 20 séries de trabalhos assinados por 30 estudantes, e que se focam nas áreas do design gráfico, instalação, vídeo e técnicas mistas.
“A exposição toma a prática artística social como um ponto de partida criativo.

Através de uma observação mais aprofundada da sociedade, os estudantes exploram temas como as condições de vida do quotidiano, a fluidez das relações interpessoais, as limitações da linguagem, a infância e as experiências de crescimento, bem como as identidades em mudança e as tendências sociais num ambiente multicultural”, é revelado na mesma nota.

Desta forma, a exposição apresenta, segundo a Creative Macau, uma “linguagem artística rica”, contendo “observações e reflexões da geração mais jovem sobre os fenómenos sociais”.

8 Out 2026

Casa de Macau | Rui Rocha apresenta a sua obra numa sessão das “Tardes de Chá”

A Casa de Macau em Lisboa realiza hoje, a partir das 15h30, mais uma sessão da iniciativa “Tardes de Chá… com conversas e um livro”, com Rui Rocha, autor e ex-dirigente educativo.

Segundo uma nota da associação, a apresentação de Rui Rocha irá incidir sobre “A Oriente do Silêncio e outros poemas”, editado pela N9na Poesia, sem esquecer outras duas obras escritas recorrendo a Macau como inspiração. A Casa de Macau oferece o chá nesta sessão, sendo possível levar doces e aperitivos para partilhar.

Rui Manuel de Sousa Rocha nasceu em Lisboa no ano de 1948, tendo ascendência luso-chinesa de Macau, onde vive há 42 anos. Tem formação académica em sociologia e ciência política e ainda um doutoramento em educação e interculturalidade. Publicou vários artigos sobre política linguística, história das escritas, sociologia política, teoria geral da administração pública e ainda temas sobre as culturas chinesa e japonesa.

Em Macau, foi subdirector dos Serviços de Administração e Função Pública, director do Gabinete de Ensino Superior e, no sector privado, director da Fundação Oriente-Macau e do Instituto Português do Oriente.
Exerceu também funções docentes no ensino superior em Portugal e em Macau. Aposentou-se em Dezembro de 2017 do cargo de director do Departamento de Língua Portuguesa e Cultura dos Países de Língua Oficial Portuguesa da Universidade da Cidade de Macau.

7 Out 2026

Zonas marítimas | DSAMA organiza festival com visitas e passeios

A Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) promove nos dias 25 e 31 de Outubro e 1 de Novembro o “Festival Marítimo 2026”, com actividades como passeios e visitas guiadas. O objectivo, segundo uma nota da DSAMA, é “divulgar ao público as operações marítimas em Macau, conhecimentos sobre segurança marítima e a história e cultura náuticas”.

Uma das actividades é de simulação, intitulada “Simule o controlo da embarcação” e é promovida pela Escola de Pilotagem. Segue-se “Exploração Marítima”, em que os participantes podem conhecer as zonas marítimas do território e os trabalhos diários dos funcionários da DSAMA. Destaque ainda para a “Visita a embarcações”, com embarque no Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior.

Estas três actividades estão sujeitas a inscrição na plataforma da Conta Única de Macau, acontecendo nos dias 31 de Outubro e 1 de Novembro. As inscrições decorrem até ao dia 25 de Outubro.

Também a 25 acontece o “Dia de Convívio Marítimo” nas Oficinas Navais onde, segundo a DSAMA, “estarão exibidas várias embarcações e será realizado um conjunto de actividades, incluindo visitas a embarcações de salvamento, exibição de equipamentos marítimos, experiência de lançar jacto de água, workshops e barraquinhas de jogos”.

Por sua vez, entre os dias 31 de Outubro e 1 de Novembro o Farol da Guia, o Museu Marítimo e a Escola de Pilotagem estarão abertos ao público, estando também agendadas actividades como o controlo remoto de barcos em miniatura ou visitas guiadas.

7 Out 2026

Lago Sai Van | Ephemera Public Space Cooperative apresenta-se com “Bamboo Pagoda”

A marginal do Lago Sai Van, em frente aos campos de ténis do Clube Militar, é local privilegiado para observar a instalação “Bamboo Pagoda”, criada pela Ephemera Public Space Cooperative, de João Ó e Rita Machado. A instalação de 13 metros de altura colocada sobre a água pode ser visitada até domingo

 

Quem passar em frente aos campos de ténis do Clube Militar, ao frente ao Lago Sai Van, vai poder observar um projecto que mistura o tradicional bambu com arquitectura. Trata-se do “Bamboo Pagoda”, uma instalação com 13 metros de altura criada por uma nova cooperativa, a Ephemera Public Space Cooperative [Cooperativa do Espaço Público Efémera]. Pode ser vista até domingo, dia 11.

A cooperativa é um projecto dos arquitectos João Ó e Rita Machado. No caso do Pagode de Bambu, a instalação “amplifica o espaço cívico de Macau através de uma das suas tradições de construção mais distintas, mas frequentemente esquecidas: os andaimes de bambu”, indica o colectivo em comunicado.
Património Cultural Imaterial desde 2017, a construção em bambu ainda se vê nas ruas de Macau, constituindo, no caso desta instalação, um “ponto de partida” para o que pretende ser “um espaço de contemplação”, pois funciona “simultaneamente como miradouro e espaço onde os visitantes podem fazer uma pausa, respirar e restabelecer a ligação com a paisagem urbana”, é acrescentado.

Segundo contou Rita Machado ao HM, “a sua forma afunilada evoca a verticalidade dos pagodes tradicionais, enquanto a planta octogonal se inspira no universo taoista e na ideia de equilíbrio entre as pessoas e a natureza”. O Pagode foi, assim, pensado como “um abrigo junto à água, onde se pode permanecer e observar a cidade com mais tempo”.

“A estrutura de bambu e as camadas de tecido filtram a luz, proporcionam sombra e protecção solar, criando uma atmosfera que se transforma ao longo do dia. Queríamos aproximar quem a visita da paisagem e da história de Macau, reconhecendo também o valor de simplesmente permanecer num espaço público, sem um programa definido e ao ritmo de cada um”, adiantou Rita Machado.

O projecto privilegia a “arquitectura sustentável que orienta também as escolhas construtivas”, já que o bambu utilizado “provém de estaleiros de construção e regressará a esse circuito após a desmontagem, para ser novamente utilizado”, indica o comunicado que apresenta o projecto.

Já o pavimento do Pagode foi feito “com painéis produzidos a partir de resíduos de chá pela empresa local Chazence, integrando essa mesma preocupação de valorizar recursos existentes”.

Espaço multidisciplinar

É certo que Macau é uma das cidades mais densamente povoadas do mundo. Porém, o Pagode de Bambu oferece um repouso, “um contraste poético”, sendo “um lugar de tranquilidade, reflexão e reconexão”, convidando quem passa a “experimentar o silêncio”, algo raro num território sempre em movimento.
“Suspensa sobre a água, a estrutura cria um refúgio temporário, ao mesmo tempo que reaviva práticas culturais imateriais enraizadas na espiritualidade, nos conhecimentos construtivos locais e na consciência ecológica”, revela o colectivo.

A cooperativa Efémera pretende criar “projectos que activam e repensam o espaço público, tanto físico como digital, através de abordagens interdisciplinares que articulam arte, arquitectura, urbanismo, paisagismo e ambiente”, entre outras.

Rita Machado explicou que, em iniciativas futuras, “o bambu vai continuar a ser uma das vertentes que interessa explorar, pela sua relação com Macau e o saber construtivo local”.

A responsável adiantou que a cooperativa “reúne pessoas de diferentes áreas, e essa diversidade permite trabalhar com outros materiais, linguagens e formas de intervenção”. “O que une estes projectos é a cooperação e a vontade de contribuir para a vida dos espaços públicos. Queremos desenvolver propostas em conjunto com artistas, arquitectos, artesãos e a comunidade, cruzando o conhecimento de quem vive os lugares com diferentes práticas artísticas e construtivas”, frisou.

Com a ideia de “activar o espaço público”, criando “novas razões e condições para o utilizar”, a Efémera quer acrescentar “um lugar de passagem que pode acolher uma pausa ou um encontro” ou até “uma instalação que pode dar origem a actividades culturais”.

“Interessa-nos explorar estas possibilidades com quem frequenta os espaços, percebendo como podem enriquecer o quotidiano da comunidade. A cultura e o património de Macau são fundamentais nesse processo”, salientou.

Segundo a arquitecta, “os próximos projectos deverão nascer dessa relação entre lugar, comunidade e criação colectiva”. “O nosso objectivo é ampliar as formas de viver o espaço público, através de propostas em que as pessoas possam participar e nas quais reconheçam algo da sua própria cidade”, rematou.

7 Out 2026

CURB | Projecto “Masts Promenade” premiado em concurso

Já são conhecidos os dez projectos de design vencedores do concurso “Placeable City – Placemaking em Hengqin 2026”, organizado pelo CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo. O projecto que arrecadou o primeiro lugar intitula-se “Masts Promenade”, para a zona ribeirinha de Hengqin, e tem assinatura de António dos Santos Augusto e Jason Ng Sai Hung.

Por sua vez, para a mesma zona, o projecto “Tidal Wave – Symbiosis Corridor”, de Sun Kai Hin, ficou em segundo lugar. Em terceiro lugar ficou o projecto de Wei Junjie para o Novo Bairro de Macau.
Foram atribuídas duas menções honrosas, sendo que uma delas foi para o projecto “Sinfonia em Órbita” para a praça junto ao posto fronteiriço de Hengqin do lado de Zhuhai, e que tem autoria de Hoi Cheok Ieng e Leong Lok Ian.

Segundo uma nota do CURB, esta edição do concurso de design, a segunda, centrou-se nos espaços públicos de Hengqin. Procurou-se “explorar o potencial dos espaços públicos comunitários em Hengqin”. “Ao promover o conhecimento sobre arquitectura e a criação de espaços, o concurso facilita o intercâmbio urbano entre as duas regiões, inspira a reflexão pública sobre o ambiente construído e impulsiona a melhoria colectiva dos espaços”, revela ainda a organização.

O “Placeable City | Placemaking” é descrito como um concurso de design criativo “centrado na renovação de espaços e na criação de lugares, com o objectivo de revitalizar espaços públicos de pequena escala”.

“Como abordagem à governação urbana, estas microintervenções preservam a textura urbana original, ao mesmo tempo que melhoram eficazmente a qualidade ambiental e espacial local”, é acrescentando.
A primeira edição do concurso realizou-se em 2024 e teve a submissão de 24 projectos.

6 Out 2026

Cantora Cristina Branco celebra 30 anos de carreira

A cantora Cristina Branco celebra, no próximo ano, 30 anos de uma carreira que classifica como “muito intensa, forte, segura e robusta”, como declarou a intérprete à agência Lusa.

“Não tive pressa, acima de tudo. Deixei que tudo acontecesse no seu tempo real e nunca esperei nada, eventualmente, para não ter nenhuma deceção. Acho que foram 30 anos muito intensos, mas sou uma pessoa de muita sorte, no fundo, porque consegui construir uma carreira forte, segura e robusta. Em relação a muitas coisas que eu vejo acontecer no nosso país… 30 anos mete algum respeito”, contou a artista, que recentemente realizou uma série de espectáculos na China, incluindo em Zhuhai.

O ponto de partida deu-se em 1997, quando começou a fazer os primeiros concertos e editou o álbum de estreia, “Cristina Branco In Holland”. Desde então conta 19 álbuns e tem na forja um novo, a sair no final de 2027, a gravar com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, em que passará em revista o seu repertório, do fado à canção contemporânea, passando pelo jazz e pelas canções de José Afonso.

Sem medo de arriscar

Sobre a sua carreira, várias vezes premiada, Cristina Branco afirmou que não teve medo de arriscar: “Não se pode ter medo. Eu acho que, acima de tudo, quando se faz uma coisa que se gosta muito, o nosso pior inimigo é ter medo de arriscar. Nunca tive medo de arriscar, porque sempre, sempre acreditei que tinha que fazer aquilo que eu gostasse de fazer”.

“E até hoje foi assim e espero que continue a ser. Acho que tem muito a ver com isso, medo não pode existir, é preciso coragem para arriscar. É preciso acreditar em nós próprios, e a falha pode ser o caminho para o sucesso, o caminho para algo novo”, continuou a cantora, que este ano venceu o Prémio José Afonso, pelo álbum “Mulheres de Abril”, em que recria repertório do cantautor.

A criadora de “Talvez” afirmou que não trabalha para os prémios e que o “mais importante” para si é “o encontro com as pessoas”.

“Se calhar as pessoas vão achar que eu sou uma pretensiosa qualquer, e pouco humilde, mas acho que isto não é falta de humildade. Eu não acredito muito, acho que [os galardões] são a parte visível, porque para mim, o que foi sempre mais importante foi estar e foi ir ter com as pessoas, e foi mostrar-lhes aquilo que eu faço e perceber que as pessoas gostam daquilo que eu tenho para lhes dar”, afirmou.

A criadora de “Sete Pedaços de Vento” realçou que não fez este caminho sozinha, mas com uma equipa de músicos e criadores. “Há uma coisa muito importante, que é perceber que sempre estive muito bem acompanhada”, afirmou.

“Fui eu que fui buscar essas pessoas. Ou seja, eu gostava do trabalho delas, e fui-me aproximando e fomos criando paralelos entre as nossas linguagens, entre as nossas formas de ver a música, e isso foi uma grande, grande ajuda. Nada disso foi feito sem as outras pessoas, nada destes 19 discos, ou destes prémios”, realçou.

No âmbito destas celebrações, Cristina Branco apresenta também em 2027, um outro espectáculo, cujo alinhamento revisita a trilogia discográfica composta por “Menina” (2016), “Branco” (2018) e “Eva” (2020), onde canta autores como Sérgio Godinho, o mais presente no seu repertório, António Lobo Antunes, Kalaf Epalanga, Sara Tavares, Márcia, Beatriz Pessoa ou Mário Laginha.

6 Out 2026

Museu Poly MGM | Obras de vidro revelam tradição artesanal chinesa

O Museu Poly da MGM acolhe, até Março do próximo ano, a mostra “Luminous Brilliance: The Artistry of Zibo Liuli”, com 180 peças de vidro romano, persa e islâmico. O público pode descobrir três mil anos de artesanato e produção de vidro de Zibo, na província de Shandong

 

“Luminous Brilliance: The Artistry of Zibo Liuli” é a nova exposição do Museu Poly da MGM, inaugurada no dia de aniversário da República Popular da China e que está patente ao público até Março do próximo ano. Nesta mostra é possível descobrir 180 peças de vidro romano, persa sassânida e islâmico provenientes do Museu Nacional da China e do Zibo Ceramics and Glass Museum, e que “percorrem três mil anos de tradição artesanal e de intercâmbio cultural na China”, pode ler-se numa nota da MGM.

Trata-se de peças feitas em vidro que são “históricas e contemporâneas”, que proporcionam ao público “uma perspectiva inédita sobre o liuli, a arte tradicional chinesa de produção de vidro, e o seu papel como ponte entre civilizações ao longo de mais de três milénios”.

Expõe-se, assim, “uma nova perspectiva sobre as Rotas da Seda”, já que este vidro representa as trocas comerciais que existiam entre vários países e a China, culminando num trabalho artesanal muito próprio feito em Zibo, na província de Shandong.

Zibo é tido como “um dos mais antigos centros de produção de vidro da China, com uma tradição de mais de mil anos”. O vidro aqui produzido e as técnicas desenvolvidas são consideradas património cultural imaterial.
“Desde as dinastias Ming e Qing que o vidro produzido em Zibo era transportado pelas Rotas da Seda para destinos em toda a Ásia e além do continente”, é ainda explicado.

Do antigo ao novo

A mostra está organizada em três áreas “que exploram a história, a estética e a criatividade contemporânea do liuli”. Uma das partes da exposição, intitulada “Forjar um legado milenar”, revela “as raízes profundas da produção de vidro na China”, nomeadamente “as contas de vidro em forma de ‘olho de libélula’ do período dos Reinos Combatentes e os raros vestígios dos fornos de Boshan, datados do final da dinastia Yuan e do início da dinastia Ming”. Mostra-se também “o requintado trabalho artesanal do vidro produzido para a corte imperial durante a dinastia Qing”.

O trabalho em torno do vidro na zona de Zibo acarreta técnicas como “a moldagem por sopro, a fundição por cera perdida, a pintura pelo interior e a escultura”, sendo que muitas obras “evidenciam a fusão entre domínio técnico e expressão artística que caracteriza esta tradição”.

A exposição revela ainda o trabalho mais actual destes artesãos, o que ilustra a forma como “os artesãos de hoje partem de fundamentos ancestrais enquanto exploram novas linguagens artísticas”. São exibidas, em conjunto, “obras chinesas e internacionais, destacando-se o diálogo global que, actualmente, molda a arte do vidro”.

Instalações como conexão

Um dos pontos fulcrais desta exposição é o jardim central em liuli, com a instalação intitulada “Twelve Flower Deities” [Doze Divindades das Flores]. O espaço cria um “ambiente imersivo de cor e luz que liga os três capítulos da exposição com uma experiência narrativa unificada”.

Outro destaque desta mostra é a apresentação de obras do artista norte-americano Dale Chihuly, pertencentes à coleção MGM. Desta forma, “cria-se um encontro visual entre o vidro ocidental e as tradições chinesas do liuli, numa fusão que transcende o tempo e o espaço”.

Há também uma zona interactiva que mostra “o processo de produção do vidro, desde a selecção das matérias-primas e a cozedura no forno até à escultura e ao acabamento, permitindo aos visitantes apreciar tanto a dimensão artística como o património imaterial associado a esta arte”.
O Museu Poly da MGM foi fundado em 2024 e está ligado ao grupo empresarial Poly Culture, que se dedica essencialmente a actividades culturais e artísticas.

6 Out 2026

Celebrado legado do jesuíta Francisco de Pina em Portugal

A Guarda recebe, de amanhã a quinta-feira, o encontro internacional “Francisco de Pina e o percurso do Chữ Quốc ngữ: Ponte Cultural entre o Vietname e Portugal” para divulgar a obra do jesuíta Francisco de Pina.

“O ponto de partida desta iniciativa foi a ligação histórica, de mais 400 anos, entre aquele país e a Guarda, pelo papel do sacerdote jesuíta guardense Francisco de Pina (1586-1625) e os laços históricos, culturais e humanos que unem os dois países”, realçou o município em comunicado enviado à agência Lusa.

Durante três dias, investigadores, representantes institucionais, membros da comunidade vietnamita e convidados de Portugal e Vietname vão debater o legado Francisco de Pina, “que se destacou no século XVII como um dos maiores promotores da latinização da língua vietnamita – o Chữ Quốc ngữ”.

Francisco de Pina nasceu entre Março e Setembro de 1586, tendo falecido a 15 de Dezembro de 1625, com 40 anos, na então Cochinchina – a região Centro do actual Vietname –, onde tinha chegado em 1617.

Estudos em Macau

Com 20 anos, rumou para o Extremo Oriente e completou os estudos filosóficos e teológicos no Colégio de São Paulo, em Macau. Ordenado sacerdote foi enviado para a missão dos jesuítas na então Cochinchina, onde se notabilizou como missionário e linguista.

Além de ter sido o primeiro padre a falar com perfeição a língua local e a pregar sem intérprete, Francisco de Pina foi também pioneiro na utilização do alfabeto latino para transcrever a língua local que utilizava, à altura, carateres ideográficos tipo chinês. Desde então, a língua do Vietname possui uma escrita romanizada – o ‘quôc ngu’, onde se encontram claros sinais da língua portuguesa, sendo também a única do Extremo Oriente que utiliza caracteres latinos.

A abertura oficial do encontro terá lugar na quarta-feira, (14h30 hora de Lisboa), na galeria de arte do Teatro Municipal da Guarda (TMG), com a inauguração de uma exposição de intercâmbio cultural.

Na ocasião será exibido também o documentário “Francisco Pina – O Português que escreveu o futuro do Vietname”, que dá a conhecer o percurso e o contributo deste missionário guardense para a história da língua vietnamita.

O encontro termina no dia seguinte com uma mesa-redonda, na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (BMEL), pelas 10h. Investigadores portugueses e vietnamitas vão debater a influência de Francisco de Pina na génese e desenvolvimento da escrita romanizada da língua vietnamita.

Ainda na quinta-feira, mas às 17h, terá lugar no TMG uma sessão solene de homenagem ao padre jesuíta promovida pela Associação para a Promoção da Cultura Vietnamita (APCV), com o apoio do município da Guarda.

Para a autarquia, os três dias da iniciativa “Francisco de Pina e o percurso do Chữ Quốc ngữ: Ponte Cultural entre o Vietname e Portugal” será “uma oportunidade para aprofundar o conhecimento mútuo, fortalecer o diálogo intercultural e celebrar uma herança histórica que continua a aproximar dois povos e duas culturas”.

A Câmara da Guarda assinou recentemente um memorando de entendimento com a província de Gia Lai (Vietname) com vista à cooperação entre os dois territórios.

O acordo destina-se a “aprofundar as ligações comerciais, o investimento, o turismo, a educação, a ciência e o intercâmbio cultural, criando novas oportunidades e contribuindo para o desenvolvimento eficaz e a longo prazo das relações entre Gia Lai [a segunda maior unidade administrativa do Vietname com cerca de 3,5 milhões de habitantes] e Guarda”.

Em Novembro de 2023, o município prestou-lhe homenagem a título póstumo, com a inauguração de uma escultura colocada no espaço exterior da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço.
Criada e oferecida por uma fundação vietnamita, a obra é constituída por um barco nas ondas do mar a evocar a caravela das viagens dos portugueses no Extremo Oriente.

5 Out 2026

Festival de Artes | Moçambicano Stewart Sukuma é cabeça de cartaz

O IC anunciou mais uma edição do Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que decorre entre Outubro e Dezembro, com o músico moçambicano Stewart Sukuma a ser um dos destaques. Ainda sem cartaz conhecido, o Festival da Lusofonia será mais curto este ano, passando de seis para três dias

 

O Instituto Cultural (IC) divulgou o cartaz da oitava edição do Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que apresenta o músico moçambicano Stewart Sukuma em cartaz. Este é um dos principais nomes do festival, actuando com a Orquestra Chinesa de Macau a 14 de Novembro no Centro Cultural de Macau.

Um dos músicos mais premiados de Moçambique e um dos principais impulsionadores do estilo musical marrabenta, quer a solo quer com a Banda Nkhuvu, Stewart Sukuma já realizou várias digressões por África, Europa, Ásia, Estados Unidos, América Latina e Caraíbas.

A presidente do IC, Deland Leong Wai Man, disse em conferência de imprensa que o programa da 8ª edição do Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa apresenta uma “oferta diversificada”, com especial foco nos intercâmbios culturais entre a China e os países de língua portuguesa.

“O Encontro em Macau e o Festival da Lusofonia mostram os profundos laços entre a China e os países de língua portuguesa, permitindo aos visitantes experimentar esta fusão cultural”, afirmou.

Cidade em festa

Segundo a responsável, tal como em anos anteriores, foram convidados grupos artísticos oriundos dos países lusófonos e do Interior da China para realizar espectáculos em diferentes zonas da cidade e para a 29ª edição Festival da Lusofonia, que decorre entre os dias 23 e 25 de Outubro, nas Casas da Taipa.

O programa inclui ainda espectáculos de música e dança tradicional em vários bairros da cidade, uma exposição de livros ilustrados em chinês e português, sessões de promoção da leitura e oficinas criativas destinadas às famílias.

No entanto, além de Sukuma, a presidente do IC não especificou os nomes das bandas participantes, indicando apenas que o programa do festival contará com grupos de dança da Guiné Equatorial e de Timor-Leste, bem como apresentações de instrumentos musicais tradicionais de Moçambique.

Destaca-se ainda a iniciativa “Onde a Cultura Floresce, a Felicidade Acontece – Espectáculos de Música e Dança Tradicional na Comunidade”, nos dias 24 e 25 de Outubro em zonas como Seac Pai Van, Zona de Lazer do Edifício Lok Yeung Fa Yuen e no espaço Anim’Arte NAM VAN, com a actuação de grupos musicais e de dança tradicional do Interior da China, Guiné Equatorial e Timor-Leste.

Redução da Lusofonia

Questionada sobre a decisão de reduzir a duração do Festival da Lusofonia de seis dias para apenas três dias (sexta-feira e um fim-de-semana), Deland Leong explicou que, após avaliações realizadas em edições anteriores, foi considerado que esse formato é o mais adequado. “Houve uma edição com duas semanas de duração e várias actividades, mas, depois da avaliação, pensamos que uma semana é mais adequada. Foi um consenso alcançado entre várias partes”, indicou.

Segundo reportou a emissora TDM anteriormente, a interrupção do modelo alargado deve-se à ausência de patrocínio da operadora de jogo Galaxy Entertainment Group, uma mudança que obrigou a limitações orçamentais e a uma reestruturação do programa.

Dirigentes de associações de matriz lusófona como a Associação dos Macaenses e a Casa de Portugal em Macau indicaram à emissora pública estar desiludidos com uma edição mais reduzida e a falta de apoio orçamental.

A dirigente do IC reconheceu existirem opiniões divergentes entre as associações participantes, algumas defendendo um período mais prolongado e outras considerando que duas semanas são excessivas.
“Temos de ouvir todos, mas continuamos a disponibilizar recursos para todas as associações”, afirmou, admitindo que, nos próximos anos, poderão ser recolhidas mais opiniões junto da população, parceiros e colectividades sobre a duração do certame.

Entre 16 Novembro e 7 Dezembro realiza-se também o 8º Festival de Cinema entre a China e os Países de Língua Portuguesa, com uma Exposição Anual de Artes entre a China e os Países de Língua Portuguesa a decorrer entre Novembro e Janeiro de 2027.

5 Out 2026

Gonçalo Lobo Pinheiro apresenta “O Almoço de Pessanha n’A Vencedora”

O fotojornalista Gonçalo Lobo Pinheiro acaba de editar o seu primeiro livro de ficção, intitulado “O Almoço de Pessanha n’A Vencedora”. Segundo um comunicado enviado às redacções, o livro “recria um dia na vida de Camilo Pessanha na Macau de 1921”, onde o leitor pode acompanhar “Camilo Pessanha pelas ruas da cidade que escolheu para viver e onde passou grande parte da sua vida”.

“Entre encontros, memórias e momentos de contemplação, o poeta revisita o passado e confronta-se com as interrogações universais sobre o tempo, a identidade, a pertença e o envelhecimento”, lê-se ainda sobre a história.

Relativamente ao restaurante A Vencedora, muito antigo e “um dos espaços mais emblemáticos de Macau”, a narrativa acaba por transformar “um simples almoço numa profunda reflexão sobre a vida e sobre os laços invisíveis que unem as pessoas aos lugares que habitam”.

Uma paixão por Pessanha

O autor confessa que o livro demorou “cerca de um ano a escrever”, recriando “a atmosfera de Macau no início do século XX e cruzando ficção histórica e criação literária”. Evoca-se, na escrita, “a riqueza cultural de uma cidade onde Oriente e Ocidente convivem lado a lado. Ao mesmo tempo, oferece um retrato intimista do homem por detrás de um dos maiores poetas da língua portuguesa”.

Editado pela Ipsis Verbis, o livro surge depois de quatro livros de poesia escritos por Gonçalo Lobo Pinheiro. “Este conto nasce do desejo de transformar o instante em permanência, como se a fotografia se tornasse texto”, afirma o autor, citado pela mesma nota.

A obra, que teve apenas 100 exemplares impressos, está à venda na Livraria Portuguesa, em Macau, ou através da editora. Cada exemplar é acompanhado por um saco único especialmente produzido para esta edição, ilustrado com uma fotografia alusiva ao poeta captada por Gonçalo Lobo Pinheiro.

30 Set 2026

Dança | Coreografias de Macau abrilhantam cartaz da Quinzena de Almada

Macau faz-se representar na 34ª edição da Quinzena de Dança de Almada, tanto na iniciativa “Saracoteio” como na secção “Plataforma Coreográfica Internacional”. A coreógrafa local Cynthia Sio apresenta “Decalogue” e “‘Shell’ We Talk”. Ao HM, a artista explica a paixão pela dança e o significado dos seus trabalhos

 

As danças e contradanças da vida levaram Cynthia Sio a descobrir esta forma de expressão artística ainda criança. Natural de Macau, está hoje radicada na Coreia do Sul e vive do mundo da dança e da coreografia, tendo visto dois projectos seus seleccionados para a 34ª edição da Quinzena de Dança de Almada, nomeadamente “Decalogue”, apresentado amanhã às 21h, na secção “Plataforma Coreográfica Internacional” e ainda “‘Shell’ We Talk”, integrada na iniciativa “Saracoteio – Dança no Ecrã”, que conta também com projectos de Cabo Verde.

“Decalogue” será interpretado no Teatro-Estúdio António Assunção e é um espectáculo que dá respostas às seguintes perguntas: “O Decálogo [Dez Mandamentos que Deus entregou a Moisés no Monte Sinai, segundo a Bíblia] é um guia ou uma restrição? Ser bondoso ou ser mau?” “Numa zona cinzenta, somos todos hipócritas”, refere a sinopse.
Por sua vez, “Saracoteio – Dança no Ecrã 1” apresenta-se no Salão das Carochas esta sexta-feira e conta ainda com o trabalho de outro nome de Macau: Man Ian Ku, que apresenta “The Rhythm of Sharing”.

Em “Shell’We Talk” Cythia fala-nos do Macau antigo. A sinopse do filme de dança, com pouco mais de cinco minutos, revela-nos que “Macau era uma pequena aldeia piscatória”.

“A sua história de cultivo de ostras deu-lhe os seus antigos nomes de Hou Keng (Espelho das Ostras) e Hou Keng Ou (Porto do Espelho das Ostras). Reza a lenda que a origem destes nomes se deve às ostras que brilhavam como espelhos. No passado, Macau era conhecida pelas suas ostras frescas. Devido à poluição da água do mar, a reprodução das ostras tem vindo a diminuir drasticamente nos últimos anos, tornando-as inadequadas para consumo. Já não é possível”, é descrito na sinopse.

Ostras com passado

Ao HM, Cynthia Sio conta-nos como surgiu este projecto, seleccionado a partir de um concurso feito de propósito para a secção “Saracoteio – Dança no Ecrã”.

“Em 2024 participei num Laboratório de Cinema de Dança organizado pela Associação de Dança Ieng Chi de Macau. Uma excursão para observação costeira levou-me a uma praia coberta de conchas de ostras que me deixou impressões por muito tempo. Com o nosso guia aprendi sobre o passado esquecido de Macau como vila piscatória, e de como a poluição marinha estragou as águas, tornando as ostras impróprias para consumo”, contou.

Desta forma, a coreógrafa, perante “ostras sem vida”, comoveu-se ao saber que a vida marinha saudável tinha, outrora, acontecido ali. “Após um período de reflexão no final do laboratório, regressei àquela mesma praia para criar o filme de dança ‘Shell’ We Talk. Para mim, aquelas conchas espalhadas assemelham-se a almas outrora puras, despojadas da sua essência interior pela poluição e decadência implacáveis. Talvez, à medida que o seu âmago se esvaía, elas tentassem gritar, ansiando por serem ouvidas”, descreve.

Cynthia Sio diz sentir-se “verdadeiramente honrada e grata” pelo facto de o seu projecto de vídeo de dança ter sido seleccionado. “‘Shell’ We Talk nasceu de um momento muito pessoal e de reflexão junto à costa de Macau, onde exploro temas como a perda, a degradação ambiental e as vozes silenciadas. O facto de esta história ter sido reconhecida pelo [júri] do Saracoteio dá a essas conchas silenciosas e vazias a oportunidade de se expressarem perante um público totalmente novo em todo o mundo. É uma afirmação profunda do meu percurso coreográfico”, explicou.

Um tempo próprio

Cynthia Sio perdeu o pai ainda muito jovem e a dança surgiu como refúgio. Fez depois estudos em Tianjin, na China; Alemanha e Coreia do Sul, onde completou o mestrado e doutoramento na área. Esses estudos ajudaram-na “a aperfeiçoar a minha voz na coreografia”. “Com o tempo, fiquei fascinada pela forma como a dança consegue construir mundos que as palavras não conseguem expressar”, rematou.

Ao longo da sua carreira Cynthia Sio já viu o seu trabalho reconhecido, tendo ganho o Prémio de Melhor Coreografia no Festival de Dança Juvenil da Coreia do Sul [South Korea Youth Dance Festival].
Também na sexta-feira pode ver-se em Almada outro projecto de dança oriundo de Macau. “Fabrics of Time” é uma peça com coreografia de Chloe Lao, ligado à iniciativa “Step+”, da Associação de Dança Ieng Chi de Macau.
Trata-se, segundo a sinopse, de um “espectáculo multimédia que integra arte digital com a tinta, dança, teatro, tecnologia interactiva e instalações em papel”.

“Contada através das perspectivas de um viajante moderno, a peça explora o significado mais profundo de ‘viagem’, ao mesmo tempo que examina as ligações entre o tempo e o espaço, o vazio e a realidade, e desconstrói os múltiplos aspectos da memória. Neste contexto único, o espectáculo oferece ao público uma experiência terapêutica de energia fluida e imaginação sem limites”, é referido.

Ainda na secção “Saracoteio – Dança no Ecrã 1” apresenta-se “Third Person”, com realização de Tang Chi Fai, dramaturgia de Jenny Mok e coreografia e interpretação de Lei Pou Ian. Este filme “explora a forma como o espaço onde vive um indivíduo se transforma, na perspectiva de uma terceira pessoa.” Assim, “quando observado do exterior, um ambiente privado transforma-se numa ‘representação’ do espaço que pode ser vista e reflectida, revelando a relação subtil e complexa entre as pessoas e o espaço ― e a forma como o espaço acolhe e molda os estados de ser”.

“Eyeland”, de Lao Pui Lon; e “Hermaphroditus”, de Lam Chan Tong; são outros filmes de dança oriundos da RAEM que podem ser vistos no festival de dança de Almada.

30 Set 2026

Taylor Swift destaca-se nos MTV Video Music Awards

Taylor Swift conquistou o prémio mais importante da noite de domingo e tornou-se a artista mais premiada da história dos MTV Video Music Awards (VMA), enquanto Madonna brilhou como artista do ano, no evento-chave da cultura pop.

“Quero agradecer e dedicar este prémio a uma pessoa, sem a qual isto não estaria a acontecer. Essa pessoa é a maior ‘showgirl’ de todas, Dolly Parton”, disse Swift ao receber o prémio de Vídeo do Ano por “The Fate of Ophelia”. “Cada canção que ela escreveu, a sua forma de contar histórias, era tão vívida e rica que ouvir as suas canções era como assistir ao melhor videoclipe que já se viu na vida”, acrescentou a cantora sobre a intérprete de “9 to 5”, que faleceu em 25 de Agosto.

Swift agradeceu ainda aos colaboradores, destacando o mexicano Rodrigo Prieto, director de fotografia de “The Fate of Ophelia”. A estrela pop ultrapassou Beyoncé como a artista mais premiada da história dos MTV VMA, depois de um reinado partilhado, em que ambas acumulavam 30 prémios, e lançou o videoclipe do mais recente single, “Patient Zero”.

O regresso da estrela

Madonna regressou ao palco dos VMA após 23 anos, com uma actuação que simulou o clima de euforia e liberdade de uma discoteca, reunindo Sabrina Carpenter e Charli XCX para interpretarem faixas como “Bring Your Love” e “Danceteria Afterhours”. Ao lado de Carpenter, Madonna venceu os prémios de Melhor Colaboração Pop e Melhor Dance pela curta-metragem “Confessions II – The Film”, que engloba o conceito do mais recente projecto.

A noite foi também da cantora tailandesa Lisa, que, para além de interpretar “Sawadika”, fez história como a primeira solista da K-pop e da Ásia a vencer na categoria de Melhor Pop. A cantora britânica Sienna Spiro venceu o prémio de Artista Revelação.

Muitos dos prémios, cuja cerimónia foi dirigida pelo rapper Snoop Dogg, não foram transmitidos pela televisão e tiveram os vencedores anunciados posteriormente. Foi o caso de Melhor Música Latina, categoria ganha pelo porto-riquenho Bad Bunny com o single “NUEVAYoL”, e de Melhor Álbum, que foi também para Madonna, por “Confessions II”.

Outras actuações nesta edição incluíram Shaboozy, que cantou “Cowgirl” num cenário de bar ao estilo do Velho Oeste, e Raye, numa performance do seu êxito “WHERE IS MY HUSBAND!”. Swift não foi a única a homenagear Parton. Antes da sua participação, a norte-americana Kacey Musgraves interpretou “I Will Always Love You”, um dos êxitos mais memoráveis da estrela do ‘country’. Parton também apareceu brevemente no ecrã, cantando excertos da música antes de Musgraves continuar a canção.

Já a banda de ‘grunge’ dos anos 90 Nirvana recebeu o prémio Video Vanguard, entregue no palco a Dave Grohl (baterista), Krist Novoselic (baixista fundador) e a Pat Smear (guitarrista da última fase da banda). “O Kurt era único”, disse Smear sobre o falecido fundador e vocalista Kurt Cobain.

“Os Nirvana continuam a ser relevantes porque as pessoas estão ávidas de autenticidade, de algo real e intransigente, algo que lhes diga ‘Vem como és’ — o Kurt teria adorado esse legado”, acrescentou. A série de homenagens terminou com canções como “Faith”, interpretada por Sombr, e “Careless Whisper”, por Teddy Swims, assinalando o décimo aniversário da morte de George Michael.

“Demonstrem amor, espalhem amor e deem amor” — foram as palavras com que Snoop Dogg encerrou a cerimónia, realizada em Los Angeles pela primeira vez em nove anos.

29 Set 2026

Música | German Ku lança novo single e apresenta espectáculo ao vivo

Chama-se Germano Guilherme, mas o mundo artístico conhece-o por German Ku. Macau está sempre presente nas músicas que canta e a nova não é excepção. Os fãs podem esperar um novo single em Outubro, mês em que apresenta, no Broadway Theatre, o espectáculo “A New Classic”

 

Quando Germano Guilherme venceu, em 2024, o concurso de talentos “Midlife, Sing and Shine 2”, do canal TVB de Hong Kong, o mundo conheceu-lhe a voz e admirou-lhe o talento. O rapaz macaense que sempre teve a paixão de cantar, e que até estudou na Escola Portuguesa de Macau, transformou-se no artista German Ku, nome artístico pelo qual é conhecido.

Depois de muitos espectáculos e algumas gravações de estúdio, Germano está de regresso com o espectáculo “A New Classic”, apresentado a 10 de Outubro no Broadway Macau, e também uma nova canção, cujo nome não revela, em entrevista ao HM. “Espero lançar um novo single em meados do mês de Outubro. É uma balada típica de cantopop e que mostra um lado mais emocional da minha parte. No futuro espero poder colaborar com diferentes talentos de Macau para criar mais música, sobretudo algo que possa realmente representar Macau”, descreve por escrito.

Em relação ao espectáculo “A New Classic”, descreve-se no website Macau Ticket, onde os ingressos já estão à venda, que é uma novidade de palco desde “o triunfo da ‘Follow Me Live Tour'”, a sua última digressão.

No concerto de Outubro, o cantor macaense irá “abraçar um novo caminho musical, regressando às suas origens com uma experiência refinada e focada na música, especialmente criada para os fãs mais dedicados” à sua carreira.
Desta forma, nesta sala de espectáculos no Cotai podem ouvir-se “clássicos da Pop ocidental, um género musical que está perto do seu coração e que é profundamente adorado pelo público”. A escolha do repertório está a cargo de German Ku, que em palco se fará acompanhar por uma orquestra.

Trata-se de um concerto que irá proporcionar “uma interpretação renovada de êxitos clássicos em inglês, trazendo uma nova emoção e elegância a canções lendárias”.

Nas palavras de Germano Guilherme, o público de Macau pode assistir a um “espectáculo único, apresentado apenas numa noite”. “Vou interpretar a minha selecção de canções favoritas e que são conhecidas há muitos anos, mas com novos arranjos, dando-lhes uma nova abordagem. Também vou celebrar o meu aniversário com o público e os meus fãs, uma vez que faço anos em Outubro.”

Cantar no quarto

Germano Guilherme não tem dúvidas de que a vitória no concurso da TVB lhe abriu portas. “Depois de vencer o concurso de talentos de Hong Kong, abriram-se mesmo muitas portas, que nunca imaginei que se pudessem abrir na minha vida: concertos em diferentes cidades, palcos maiores, mais música, fãs. Foi avassalador e, de certa forma, difícil de acreditar no início”, recorda.

Germano canta desde miúdo, mas as oportunidades tardaram a chegar. Porém, nunca desistiu. “Infelizmente, durante os meus anos de estudo, não tive oportunidade de praticar ou desenvolver o meu talento musical. A única forma que tinha de praticar era cantar em voz alta em casa”, assume.

O facto de ser natural de Macau dá a Germano uma responsabilidade de mostrar não apenas o território, mas também a cultura macaense que lhe pertence. “Como cantor de Macau penso ser minha responsabilidade promover e defender a nossa cultura — neste caso, a nossa música — junto do resto do mundo. Além disso, nasci e cresci como macaense, e sinto que é meu dever mostrar ao mundo a nossa cultura tão particular, uma mistura de estilos de vida chinês e português, levando essa cultura ao palco internacional.”

German Ku espera um dia fazer música com talentos locais, apesar de reconhecer que o mercado discográfico do território é bastante reduzido. “Tenho de ser sincero: a indústria musical em Macau enfrenta algumas dificuldades quando comparada com a de outros lugares, devido à reduzida população e à pequena dimensão do território. Mas acredito que vai melhorar no futuro, graças ao poder das redes sociais nos dias de hoje. Espero que, um dia, a música de Macau seja reconhecida no palco internacional”, remata.

29 Set 2026

Canções narrativas Naamyam amanhã na Casa de Lou Kau

A Associação de Ópera Chinesa Au Kuan Cheong realiza amanhã, sábado, o “Recital de Naamyam do Património Cultural Imaterial 2026 – Especial Festival do Meio do Outono”, que decorre na Casa de Lou Kau entre as 14h30 e as 17h.

Segundo um comunicado da organização, pretende-se dar a conhecer a “dimensão emotiva” das canções narrativas de Naamyam, que originalmente eram cantadas por cegos. Nos anos 50, a Rádio Vila Verde de Macau transmitia estas narrativas cantadas, e que hoje estão inscritas na Lista do Património Cultural Intangível de Macau.

O recital conta com a participação do mestre Au Kuan Cheong, uma das figuras mais importantes na preservação e transmissão ao público das narrativas Naamyam, procurando este evento “criar uma forte ligação com o espírito de festividade” do Festival do Meio Outono.

O repertório inclui canções como “Tristezas de Outono de um Viajante”, bem como “O Senhor Guan Acompanha as suas Cunhadas”, onde se destacam sentimentos como a lealdade e a honra. As emoções humanas estão também presentes em “Lamento ao Longo das Cinco Vigílias da Noite”, além de que um amor não correspondido é a história por detrás de “Nuvens Persistentes da Devoção”.

Repertório variado

Canções como “A Confissão do Erudito Wang”, ou “Li Qingzhao” fazem também parte do repertório do espectáculo na Casa de Lou Kau, sendo que esta última “retrata a extraordinária resiliência e a profunda sinceridade da célebre poetisa da Dinastia Song”. Com a canção “O Palácio da Vida Eterna” revela-se a “devastadora impotência e a trágica despedida”, enquanto “Uma Visita numa Noite de Neve ao Monge Apaixonado” traz sentimentos e ideias de “serenidade e desprendimento filosófico”.

A organização espera que, com este recital, “mais residentes e visitantes possam conhecer e apreciar esta forma de património cultural imaterial”, existindo o compromisso de “salvaguardar e divulgar as canções narrativas Naamyam, procurando preservar a sua vitalidade e manter a sua relevância na sociedade contemporânea”.

De destacar que desde 1995 que a Associação de Ópera Chinesa Au Kuan Cheong, fundada por este, se dedica a promover as canções narrativas Naamyam com sessões de formação e espectáculos. É a entidade reconhecida pelas autoridades como sendo responsável pela preservação deste património.

25 Set 2026

Galaxy Promenade com peças do escultor chinês Gao Xiaowu

Uma exposição de arte do escultor chinês Gao Xiaowu, intitulada “Dream Voyage at Galaxy Resort: Gao Xiaowu’s Art Exhibition”, pode ser vista no Galaxy Promenade, no empreendimento Galaxy Macau, até ao dia 17 de Novembro.

Segundo um comunicado da operadora de jogo, trata-se de uma “viagem imersiva pelos sonhos, gratidão e amor”, apresentando-se seis conjuntos de obras representativas de Gao Xiaowu. Estas dispõem-se em “cinco capítulos temáticos que exploram diferentes etapas da vida e a procura dos sonhos”.

Na obra “Dreams Begin” estão patentes os sentimentos de esperança e imaginação, enquanto em “Breaking the Mold” pode-se sentir a “celebração da individualidade”. Já em “Dreams Return”, trata-se de uma peça que “incentiva os visitantes a reencontrarem as suas aspirações originais e a reavaliarem os seus sonhos”, enquanto com o trabalho “Gratitude Shared” faz uma “homenagem ao apreço sincero”.

A “viagem” pelo trabalho deste escultor termina com a peça “Love Expressed”, focado na ideia de que o amor “constitui uma força poderosa, capaz de sustentar os sonhos e reforçar ligações significativas”.

O aqui e agora

Na mesma nota, é descrito como Gao Xiaowu é, nos dias de hoje, “um dos mais reconhecidos escultores contemporâneos da China”, sendo “amplamente conhecido pela filosofia do ‘the moment that is'”. Faz-se, portanto, a apologia do momento presente, e também da prática das “popular arts”, ou seja, artes que “pertencem às pessoas comuns”, como se lê no website oficial do artista.

“Gao Xiaowu procura inspiração nas experiências, emoções e aspirações das pessoas comuns. Através de uma linguagem visual marcada pelo humor, calor humano e acessibilidade, Gao explora a vida urbana, as questões sociais e as relações humanas, transmitindo simultaneamente um forte sentido de empatia e de envolvimento com o público”, lê-se ainda.

Nascido em 1976, em Fujian, Gao Xiaowu formou-se na Xia Men Art Academy em Escultura, curso que terminou em 1999. Formou-se na mesma área, mas na Central Academy of Fine Arts em 2004. Passou pela Catalunha, Espanha, para fazer um mestrado em “Film Business and Management” na Catalan School of Film and Audiovisual Studies, vivendo actualmente em Pequim.

25 Set 2026

Exposição | Dinastia Tang é protagonista em “Imperatriz Reinante”

Foi inaugurada esta quarta-feira mais uma mostra patente no Museu de Macau. Trata-se de “A Imperatriz Reinante – Wu Zetian e a Divina Capital de Luoyang”, com mais de uma centena de peças que remontam aos anos da dinastia Tang. Trata-se de artefactos cedidos por instituições culturais da província de Henan

O terceiro andar do Museu de Macau acolhe até ao dia 28 de Fevereiro mais uma mostra que junta cultura e história da China. Tal é possível com a exposição “A Imperatriz Reinante – Wu Zetian e a Divina Capital de Luoyang”, que apresenta em Macau 126 itens ou conjuntos de artefactos cedidos por oito instituições culturais e museus da província de Henan, nomeadamente o Museu de Henan, a Academia das Grutas de Longmen, o Museu de Luoyang, o Instituto de Arqueologia de Luoyang, o Museu de Túmulos Antigos de Luoyang, o Museu Cultural do Grande Canal das Dinastias Sui e Tang, o Museu de Yanshi e o Museu do Condado de Xin’an.

Segundo uma nota disponibilizada pelo Instituto Cultural (IC), pretende-se, com esta mostra, “promover o intercâmbio histórico e cultural entre Henan e Macau”, além de se “destacar o papel de Macau como janela importante para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental”. Esta é uma organização conjunta do Governo de Macau e da Administração Provincial do Património Cultural da Província de Henan.

Era dourada

Destaca-se, do conjunto de peças em exposição, 21 itens ou conjuntos que são “relíquias culturais de Primeira Classe, incluindo a Faixa de Ouro de Absolvição de Wu Zetian, uma estátua de pedra de uma figura guardiã, uma estátua de Tathagata de pé, figuras de cerâmica pintadas de um cavalo e seu domador ou um cavalo de esmalte tricolor e um espelho de bronze com motivos de criaturas marinhas e uvas”.

Há cinco áreas em que se divide a mostra, que apresenta, desta forma, “um panorama multidimensional da era gloriosa da dinastia Tang sob as perspectivas do planeamento urbano, filosofia, cultura, vida social, sistemas rituais e jurídicos e dos intercâmbios internacionais”.

A mostra inclui também uma forte componente multimédia de interacção com o público, nomeadamente uma “cabine fotográfica com Inteligência Artificial”, o que permite “uma forma acessível e envolvente de aprender sobre a cultura, a arte e a sociedade da dinastia Tang”.

A exposição terá, posteriormente, uma versão digital com recurso a realidade virtual, e que pode ser vista a qualquer altura no website do Museu de Macau.

Uma vez que Macau celebra o Festival do Meio Outono, que antecede as celebrações da implantação da República Popular da China, o Museu de Macau e o Jardim da Fortaleza do Monte estarão abertos hoje até às 22h30, estando também abertos este sábado e domingo até às 21h. Nestes dias o jardim terá uma decoração temática da dinastia Tang, uma zona para fotografias e uma área para a prática de pickleball.

25 Set 2026

SCML | Cinema de Macau apresentado hoje em Lisboa

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) apresenta hoje uma sessão dedicada ao cinema de Macau, apresentando quatro curtas-metragens realizadas entre os anos de 1923 e 1974. As sessões decorrem na Casa Ásia – Coleção Francisco Capelo a partir das 18h, estando limitadas a 50 vagas, com um custo de dez euros por pessoa.

Segundo uma nota disponibilizada no website da SCML, pretende-se, com esta sessão, fazer uma “viagem pela história de Macau através do cinema”, mostrando ao público “diferentes olhares sobre Macau e a forma como o cinema retratou, ao longo do século XX, o encontro entre o Ocidente e o Oriente”.

Revelam-se trabalhos cinematográficos disponibilizados pela Cinemateca Portuguesa e que têm a assinatura de Manuel Antunes Amor, Ricardo Malheiro e António Lopes Ribeiro. “As obras permitem acompanhar diferentes formas de representar o território ao longo do século XX: do progresso urbano e monumental registado nos anos 1920 à valorização da herança histórica e religiosa nas décadas seguintes, passando pelas visitas institucionais e pela construção de uma imagem de Macau enquanto lugar de encontro entre culturas”, descreve-se.

Na tela observa-se, assim, “um percurso de cinco décadas de imagens, que permite revisitar a história de Macau e compreender diferentes perspectivas sobre as relações entre Portugal e o território”.

24 Set 2026

Cinema asiático em destaque no DocLisboa 2026

A edição deste ano do DocLisboa, festival inteiramente dedicado ao género documentário, traz algumas produções asiáticas. O evento decorre entre os dias 15 e 25 de Outubro em várias salas de cinema de Lisboa e conta com Hélder Beja, ex-residente em Macau, como director.

Nas competições internacionais inclui-se ” The Measured Everlasting Is 1.334 Billion Years”, do realizador tailandês Thunska Pansittivorakul, que faz a sua estreia mundial e é uma produção conjunta da Tailândia, Hong Kong e China.

Segundo a sinopse, “o filme foi pensado como a carta de suicídio do realizador – um registo de ansiedades, medos, desejos e últimas memórias”. Mas algumas dessas memórias “permanecem profundamente enraizadas, surgindo num limbo ou como visões no leito de morte”, sendo que o filme “está repleto de imagens do órgão sexual masculino, inegavelmente o motor por trás da própria civilização, impulsionando o mundo tanto na sua beleza como na sua depravação”.

Este documentário aborda, “a partir desta provocação”, a “ascensão e queda da imprensa pornográfica homossexual na Tailândia, sempre entrelaçada com o clima político instável do país”.

Viagens e mitos

Destaque ainda para a estreia de “13 Alfinetes”, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, dois realizadores que já filmaram em Macau. Neste documentário explora-se o papel do sagrado no mundo contemporâneo, nomeadamente o Santo António de Lisboa através da pintura de Goya. Na sinopse do festival, lê-se que este documentário é “uma história de amor, vingança e sangue”, partindo “de uma encenação de um episódio supostamente ocorrido na Lisboa medieval, filtrado no cosmopolita século XVIII madrileno e desaguando, de novo, em Lisboa, hoje, onde milagres, na verdade, não acontecem”.

Na secção “Da Terra à Lua”, com documentários que “interrogam as imagens e aquilo que elas revelam sobre o passado e o presente”, apresenta-se “Du Ling zhi ying (Torino Shadow)”, de Jia Zhangke. Na tela conta-se a viagem de uma mulher num percurso do sul da China até Turim, em Itália, em busca do marido. Porém, “a partida inesperada a conduz a um reencontro consigo própria — e com o cinema”.

24 Set 2026

Fogo-de-Artifício | Pirotecnia Duarte conta chegada dos portugueses a Macau

É amanhã, sexta-feira, a partir das 21h, que a empresa Pirotecnia Duarte, que representa Portugal na 34.ª edição do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau, apresenta um espectáculo inspirado na história que une o país ao território. Nos céus da RAEM estarão espelhados os Descobrimentos, a presença portuguesa e séculos de convivência

Lina Guedes está em Macau em nome da Pirotecnia Duarte, empresa portuguesa que concorre na 34.ª edição do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau (CIFAM). Amanhã, a partir das 21h, o público poderá ver um espectáculo de luzes e cor com muitas mensagens pelo meio, ou não fosse uma empresa portuguesa a participar no evento de uma terra tão distante e, ao mesmo tempo, tão próxima.

A presença dos portugueses em Macau e as rotas marítimas da Seda são o tema e a influência principal deste espectáculo de fogo-de-artifício. “Para nós, Pirotecnia Duarte, é realmente motivo de grande orgulho poder estar num dos maiores festivais internacionais de pirotecnia. Decidimos pensar um espectáculo pirotécnico que traduzisse a profunda relação e ligação de Macau a Portugal, pelo que atribuímos ao nosso espectáculo o título de ‘442’, que remete, precisamente, para os 442 anos de presença portuguesa em Macau”, explicou.

Desta forma, a Pirotecnia Duarte promete apresentar um espectáculo que traduz “séculos de encontros, diálogos, trocas, de influências culturais e também artísticas que contribuíram para a construção da identidade tão particular e única de Macau”.

Lina Guedes adiantou que, em termos de narrativa visual, a Pirotecnia Duarte vai tentar “retratar a partida dos navegadores portugueses, a travessia dos oceanos, os desafios que foram encontrados durante toda a viagem no mar, a descoberta das novas rotas comerciais, traduzir todo um percurso marítimo até à chegada a Macau”.

“442” é, assim, “uma metáfora visual do tempo”, em que a música também irá marcar uma presença especial. “Toda a sonoplastia desenhada para este espectáculo foi inspirada na rota marítima desbravada pelos portugueses até à chegada a Macau, e inclui todas as sonoridades características desta viagem, nomeadamente marítimas, da chegada, da euforia sentida, da confluência de duas civilizações e culturas.”

Inovação em português

Lina Guedes referiu que o público pode esperar “uma simbiose entre elementos artísticos, artefactos pirotécnicos e toda a componente musical utilizada também para o espectáculo”, tratando-se “442” de uma “celebração pelo facto de, durante 442 anos, termos tido uma relação tão próxima e profunda que nos ligou para o futuro”.

Desta forma, a criação da empresa portuguesa faz também “uma celebração para o futuro, com a criação de pontos culturais, profundos e históricos que nunca serão apagados”, acrescentou. A responsável destacou que a presença da Pirotecnia Duarte nesta edição do CIFAM é algo positivo para o sector em Portugal, tratando-se de um “palco para as empresas portuguesas se poderem apresentar”.

“Trata-se de um concurso internacional muito prestigiado. Não é só o reconhecimento de que a arte pirotécnica portuguesa é realmente muito apreciada, elogiada e reconhecida internacionalmente, mas a presença assídua e frequente das empresas portuguesas neste festival é também uma forma de reconhecimento da qualidade que apresentam.”

Na visão de Lina Guedes, esta presença faz-se notar pela “forma diferente, em termos estéticos, artísticos e de composição, que as empresas portuguesas apresentam nos seus espectáculos”. “Esta é uma forma de reconhecimento, pois somos verdadeiramente elogiados internacionalmente e requisitados pela qualidade artística que temos”, rematou.

Uma vez que Lina Guedes é também presidente da Associação Nacional de Empresas de Produtos Explosivos (ANEPE), questionámo-la acerca do panorama do sector em Portugal. E a verdade é que este “evoluiu de forma brutal nos últimos 20 anos”, disse a dirigente.

“Todos os desafios artísticos associados à pirotecnia a nível internacional já estão a ser implementados por empresas portuguesas, e temos também, neste momento, empresas portuguesas a desenvolver soluções ainda mais avançadas para outras componentes de espectáculo. Temos portugueses a desenvolver protótipos de artigos e artefactos para serem usados internacionalmente por outras empresas mais competitivas, e que têm outros tipos de mercados.”

Também amanhã actua, a partir das 21h40, a empresa “Faseecom”, da Coreia do Sul. Os espectáculos podem ser vistos na zona ribeirinha perto dos lagos Nam Van, Sai Van e Torre de Macau.

24 Set 2026

Albergue SCM | Festival do Meio Outono celebrado esta sexta-feira

O Albergue da Santa Casa da Misericórdia (SCM) acolhe, esta sexta-feira, uma festa de celebração do Festival do Meio Outono, com o nome “Celebration of the Moon – Mid-Autumn Festival 2026” [Celebração da Lua – Festival do Meio-Outono 2026].

A celebração tem entrada gratuita e decorre entre as 18h30 e as 21h, sendo que neste dia também será inaugurada a exposição das tradicionais lanternas do coelho, intitulada “Little Rabbit Lanterns – An Exhibition by Carlos Marreiros and Friends – Part 20 | Celebration of the 77th Anniversary of the People’s Republic of China” [Lanternas do Coelhinho – Uma Exposição de Carlos Marreiros e Amigos – Parte 20 | Celebração do 77.º Aniversário da República Popular da China].

Segundo um comunicado do Albergue SCM, haverá “diversas actividades” para celebrar esta data do calendário, muito ligada à cultura chinesa, disponibilizando-se também petiscos tradicionais e música ao vivo. Do rol de actividades inclui-se, por exemplo, uma “sessão de partilha e decoração de lanternas”.

Na festa participam também membros da Associação de Mulheres Calígrafas, Pintoras e Escultoras de Macau [Macau Women Calligraphers, Painters and Sculptors Association], que prometem apresentar “os seus dotes artísticos” nesta sessão com as lanternas. “Os participantes poderão levar consigo uma lanterna decorada com tinta e assistir a demonstrações de caligrafia chinesa ao vivo”, é revelado.

A exposição, que pode ser vista até ao dia 25 de Outubro, apresenta lanternas com criações únicas de artistas locais, tratando-se de uma “mostra cativante que combina cultura e criatividade de artistas de várias partes do mundo”.

O evento é organizado pelo CAC – Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, fundado no território em 1985 por figuras reconhecidas do panorama artístico local, alguns deles já falecidos, como é o caso do pintor Mio Pang Fei. Carlos Marreiros, Kwok Woon, Un Chi Iam, Ung Vai Meng e Victor Marreiros também fizeram parte do grupo fundador do CAC.

23 Set 2026

Pintura | Novos trabalhos de Alice Costa em “A Piece of Art, A Piece of Mind”

É hoje inaugurada uma nova exposição de Alice Costa (Lili), que trocou uma carreira na área jurídica para abraçar o mundo das artes. É na Vic’s Art Gallery, nova galeria de arte na Doca dos Pescadores, que se apresenta “A Piece of Art, A Piece of Mind”, repleta de trabalhos recentes em pintura

A artista abandonou uma carreira no mundo da justiça para pintar o que lhe vai na alma e na mente. As pinturas de Alice Costa (Lili), pintora macaense, preenchem, a partir de hoje, a Vic´s Art Gallery, a nova galeria de arte da Doca dos Pescadores e que se situa no Vic’s Restaurant, no Rocks Hotel. “A Piece of Art, A Piece of Mind” é hoje inaugurada a partir das 18h30, podendo ser visitada até 7 de Novembro.

Ao HM, a artista confessou que vai apresentar ao público “uma série de obras recentes” feitas de propósito para esta mostra. “O meu processo criativo é muito intuitivo e emocional. Começo geralmente por uma base de sentimentos ou uma memória específica, e depois vou construindo camadas de tinta, muitas vezes usando espátula, pincel, acrílico, óleo. Deixo que a tela me guie, adicionando e retirando elementos até sentir que a obra alcançou a energia que eu queria transmitir”, descreveu.

Alice Costa (Lili), de nome completo Alice Leonor das Neves Costa, formou-se em Direito na Universidade de Macau, tendo sido a primeira mulher juíza local no território.

Porém, a paixão pela arte acabou por falar mais alto. “Conciliar a magistratura com a arte foi um exercício de equilíbrio. A carreira jurídica exigia de mim objectividade, rigor e racionalidade, enquanto a arte me pedia subjectividade, emoção e liberdade. Apesar de gostar muito da minha carreira jurídica, a área que mais me preenche como pessoa é, sem dúvida, a arte. É na pintura que encontro a minha total expressão e plenitude.”

A artista destaca como a arte e mente estão “intrinsecamente ligadas”.

“O meu processo de pintura é uma forma de meditação e autoconhecimento. Quando estou diante da tela, o mundo exterior desliga-se e foco totalmente no momento presente. A pintura é o meu refúgio e a minha forma de comunicação mais honesta.”

Desta forma, acrescenta, os seus quadros representam a sua liberdade, identidade e “uma forma de transformar as inquietações e alegrias em algo visual que possa tocar outras pessoas”.

“Um panorama artístico único”

Numa altura em que o território vê inaugurar um novo espaço de exposições, Alice Costa (Lili) considera que Macau “tem um panorama artístico único e em crescimento”.

“É uma fusão fascinante de culturas, onde a tradição chinesa se cruza com a herança portuguesa, o que cria uma identidade visual muito própria”, disse, apontando que, neste contexto, “a comunidade artística de Macau é muito resiliente e unida”. “Há cada vez mais apoio e interesse por parte do público e das entidades locais”, frisou.

Questionada sobre as suas principais influências na pintura, Alice Costa (Lili) diz serem “bastante ecléticas”, indo “desde os grandes mestres da arte abstracta e do expressionismo, como Jackson Pollock ou Joan Mitchell, até artistas contemporâneos que trabalham a textura e a matéria”.

Porém, a sua “maior influência” é “a própria vida: as cores da natureza, as emoções humanas, as viagens e a rica mistura cultural de Macau”. Todos estes elementos “acabam por transparecer nas minhas telas”.
Alice Costa (Lili) fez um curso de pintura na Casa de Portugal em Macau com o também pintor Joaquim Franco. Desde aí não mais deixou de fazer criações na área da pintura figurativa e abstraccionismo.

A última mostra a título individual que fez foi em Janeiro deste ano, com “Flow”, apresentada na Creative Macau.

23 Set 2026

“Artes na Rua” | Visita comentada este sábado no Consulado

Chega ao fim este sábado, dia 26, a exposição “As Artes estão na Rua! Portugal 1974-1978”, sendo que o público pode ter acesso, às 16h, a uma visita comentada com Catarina Cortesão Terra, Conselheira do Conselho Consultivo da área consular de Macau e Hong Kong.

Segundo um comunicado do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Catarina Cortesão Terra “acompanhou a execução do projecto e irá abordar a sua perspectiva sobre a relação entre as artes e o espaço público durante o período revolucionário português (1974-1978)”, ou seja, quando terminou o regime ditatorial do Estado Novo, a 25 de Abril de 1974. A mostra abrange também os meses do chamado PREC – Processo Revolucionário em Curso, em 1975, e a implementação da primeira Constituição pós-ditadura, em 1976.

Esta mostra teve curadoria de Margarida Brito Alves e Cristina Pratas Cruzeiro, apresentando uma narrativa crítica estruturada em cinco temas, nomeadamente “Celebração, Cooperação, Participação, Comunicação e Dissensão”. Foi inaugurada, pela primeira vez, a 11 de Abril, em Portugal.

Segundo a mesma nota, convidam-se os interessados “a participar num evento de celebração e reflexão sobre a arte, a cidadania e a memória”.

22 Set 2026